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A Surpresa em St. Thomas

Ilhas Virgens Americanas, St Thomas - Charlotte Amalie

Casal americano, Rick e Marcia, novos amigos em Charlotte Amalie

Casal americano, Rick e Marcia, novos amigos em Charlotte Amalie


A principal ilha das USVI é St. Thomas. Quando chegamos de Porto Rico, há uma semana, foi aqui que pousamos. Mas fomos direto para o porto, tomar o ferry para a mais tranquila St. John. Hoje voltamos para cá, para passar o dia. Tínhamos de dormir por aqui porque o avião para Miami sai daqui bem cedinho.

Chegando em Charlotte Amalie, St. Thomas - USVI

Chegando em Charlotte Amalie, St. Thomas - USVI


Viemos com aquela sensação de que seria bem melhor passar mais um dia em St. John. Ou em BVI. Inicialmente, pensamos em chegar no último barco e só passar a noite. Mas, já que teríamos de dormir aqui mesmo, resolvemos vir mais cedo para pelo menos dar uma olhada, para desencargo de consciência. Sem muitas expectativas.

Charlotte Amalie é a principal cidade da ilha e capital do país. Perto do que temos visto, é uma cidade enorme. As casas e prédios sobem montanha acima. De longe, até parece com uma favela carioca. De perto, percebe-se logo que só se for uma favela muito chique, casas enormes penduradas pelos morros. Lembro-me de ter ficado assustado ao ver St. Thomas, durante a noite, de uma praia de Tortola. Milhares de pontos luminosos cintiliando do outro lado do mar.

Pois bem, foi para cá que viemos. Logo no táxi que nos levou ao nosso hotel, uma surpresa nada agradável. Tínhamos reservado (e pago) esse hotel lá de St. John. Foi o motorista que nos avisou, ao saber em que hotel ficaríamos e medindo a nossa bagagem (as "famosas" caixas-trambolho de mergulho): "Nossa, vocês vão ter trabalho por lá! É uma enorme escadaria até lá encima!" Pois é. Era mesmo. Os nossos carrinhos e suas rodinhas (que já estão se despedaçando) de nada serviam. Foi um exercício e tanto, muito suor e alguns quilos a menos até estarmos no ar condicionado paradisíaco do nosso quarto, com uma linda vista do centro da cidade e do seu porto.

Vista de Charlotte Amalie - USVI

Vista de Charlotte Amalie - USVI


A segunda surpresa desagradável: pela primeira vez desde a Barra do Ararapira, não teríamos acesso à Internet. Pelo menos, não de graça. Que absurdo. Resolvemos então ir passear pela cidade (depois de alguns merecidos minutos no ar condicionado) e deixar para pagar a internet apenas de noite.

A segunda Igreja Luterana mais antiga das américas, em Charlotte Amalie - USVI

A segunda Igreja Luterana mais antiga das américas, em Charlotte Amalie - USVI


Depois de tantas praias lindas nos últimos dias, resolvemos por um turismo pelas ruas mesmo, ao invés de pagar um táxi para o outro lado da ilha, onde estão as praias mais bonitas. O centro da cidade é bem movimentado, construções com um ar europeu. Dinamarquês, para ser mais preciso. Ao mesmo tempo que tivemos a sorte de não haver nenhum cruise ship na cidade (que recebe até 8 deles ao mesmo tempo!!!) e portanto, ela estar bem mais tranquila, várias de suas atrações (museus, fortes, etc...) estavam fechados, por falta de clientes potenciais. Assim, várias das construções, só observamos por fora. As exceções foram a casa do governador, prédio mais famoso da cidade e a Igreja Luterana, a segunda mais antiga das américas, com mais de 300 anos. Lá, ao ler uma placa em homenagem a um pastor, fiquei fã dele. Um dinamarquês que, no séc. XIX, ministrou na Dinamarca, Austrália, Chile, Argentina, Brasil, Libéria, EUA, Porto Rico e aqui. Que cara viajador!!! Que vida interessante deve ter tido!

Charlotte Amalie, em St. Thomas - USVI

Charlotte Amalie, em St. Thomas - USVI


Bom, esgotados os prédios históricos (só faltava a Sinagoga), estávamos passeando por uma rua com dezenas de joalherias (que vivem dos cruise ships) quando vimos a H. Stern e resolvemos entrar. Lá, conhecemos e fomos muito bem tratados pela Marcia, uma americana de Ohio. Conversamos bastante do Brasil e de St.Thomas e ela nos indicou programas noturnos por aqui. Por fim, me indicou onde era a biblioteca da cidade e eu e a Ana fomos para lá.

Chegamos nela meia hora antes do horário de fechamento. A atendente também foi muito amável e logo nos providenciou vários livros sobre a história da ilha, especialmente o período dinamarquês. Avidamente, examinei e li o máximo que pude, tentando saciar minha curiosidade sobre esta época em que um país nórdico tinha uma colônia em pleno Caribe, com escravos negros tendo de falar aquela estranha língua deles. Li também sobre como foi o processo de venda das ilhas. Houve até um plebiscito na Dinamarca, para aprovar ou não a venda (as pessoas da ilha não votaram!). Os longos anos em que as ilhas vinham dando prejuízo ao país, consumindo o dinheiro dos impostos devem ter contado bastante e a venda foi aprovada, para desespero de alguns e uma certa melancolia nacional, décadas depois. Também li que os escravos daqui, aparentemente, tinham mais direitos que os nossos. Para minha surpresa, aprendi que St. Thomas eram o principal centro de distribuição de escravos do Caribe. Talvez do mundo. Esses dinamarqueses...

Quando a biblioteca estava por fechar, a Marcia apareceu lá e disse que ela e o marido estavam nos convidando para um happy hour. Ela viu o quanto estávamos interessados em ver a ilha, os locais autênticos e resolveram nos ciceronear! O marido dela se chama Rick e os dois nos levaram para o outro lado da ilha, com belas vistas do mar e montanhas (bem parecido com St. John), para um happy hour comendo sushi e matando a sede com punch rum. Só então os dois ficaram sabendo dos nossos planos de viagem e adoraram! Principalmente porque também eles são viajantes inveterados. Entre outras coisas, passaram um ano e meio viajando a África Ocidental, 6 meses no Japão, além de Índia, sudeste asiático e muitas vezes na Europa.

Dá para imaginar sobre o quê ficamos conversando por horas e horas, né? Tanto que, depois do happy hour, que eles fizeram questão de pagar, ainda nos chamaram para a casa deles, onde a conversa e os punchs continuaram. Como a Ana tem dito, de alguma maneira esses aventureiros se atraem. Uma inocente visita à loja da H Stern nos levou a conhecer esse casal jóia, que nos presenteou com várias horas de conversas sobre experiências passadas e planos futuros, além de uma boa pincelada sobre a cultura da ilha, seus costumes e seu modo de vida atual. uma verdadeira surpresa que essa ilha, da qual pouco esperávamos, nos ofereceu. Boas pessoas vivem em todos os lugares e basta achá-las para que o próprio lugar ganhe novos ares. Assim foi em St. Thomas. Jamais esqueceremos!

Ilhas Virgens Americanas, St Thomas - Charlotte Amalie,

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Remando no Gelo

Antártida, Kinnes Cove

Caiaque em meio ao mar semi-congelado de Kinnes Cove, na Antártida

Caiaque em meio ao mar semi-congelado de Kinnes Cove, na Antártida


Finalmente deixamos as ilhas do arquipélago de South Shetland para trás e rumamos para a península antártica, a pouco mais de 100 quilômetros de distância. Enfim hoje, dia 20 de Novembro, seria o grande dia de pisarmos em solo antártico pela primeira vez. Os passageiros já estavam ansiosos e não paravam de atormentar a Sheli, nossa líder de expedição, se esse momento não chegaria. A Sheli, conjuntamente com o capitão do barco, tem de administrar uma complexa agenda que leva em conta as condições climáticas e o itinerário de outros navios turísticos que, por ventura, estejam na área. Dois navios não devem estar no mesmo ponto de desembarque ao mesmo tempo. Essas áreas turísticas da Antártida tem um limite de visitantes diários estipulado por cientistas, burocratas e operadoras de turismo. Tanto que, algumas vezes, quando os navios são de grande porte, nem todos os passageiros podem descer. Essa é uma das vantagens de se viajar em um navio como o Sea Spirit que tem capacidade para apenas 100 passageiros. Nessa nossa viagem, que abre a temporada, somos menos de 70.

Iceberg flutua em Kinnes Cove, na Antártida

Iceberg flutua em Kinnes Cove, na Antártida


Kinnes Cove, na Antártida, local do nosso caiaque

Kinnes Cove, na Antártida, local do nosso caiaque


Um iceberg flutua em Kinnes Cove, na Antártida (foto de Steve Denver)

Um iceberg flutua em Kinnes Cove, na Antártida (foto de Steve Denver)


Enfim, para os guias e tripulantes do nosso navio, tanto faz desembarcar em uma ilha ou no próprio continente. O cenário é muito parecido, assim como a flora e a fauna. Para eles que já estiveram aqui outras vezes, realmente não faz diferença. Mas para nós, marinheiros de primeira viagem, principalmente nesses mares gelados do sul, é questão de honra botar os pés no continente. E ontem de noite veio a boa notícia: desembarcaríamos hoje na Antártida, em um lugar chamado Brown Bluff, na pontinha da península. Poderíamos dormir tranquilos. Tranquilos e felizes!

Icebergs e o Sea Spirit flutuam Kinnes Cove, na Antártida, local do nosso caiaque

Icebergs e o Sea Spirit flutuam Kinnes Cove, na Antártida, local do nosso caiaque


De volta à água, agora para remar entre o gelo de Kinnes Cove, na Antártida

De volta à água, agora para remar entre o gelo de Kinnes Cove, na Antártida


Um grande iceberg flutua em Kinnes Cove, na Antártida

Um grande iceberg flutua em Kinnes Cove, na Antártida


E assim acordamos todos ansiosos hoje. Pelo menos até checar os céus e verificar que estava tudo bem. Então, nada mais nos impediria de colocar nossos pés na Antártida! Mas ainda não seria pela manhã. Ainda havia uma última parada programada antes do continente. Faríamos um tour de zodiacs em uma pequena baía chamada Kinnes Cove que fica em uma ilha a poucos quilômetros da ponta de península. Quando digo “faríamos”, na verdade estou me referindo à maioria dos passageiros do Sea Spirit, mas não a nós, o pequeno grupo do caiaque. Para nós, a aventura seria maior. Teríamos mais uma chance de remar nossos caiaques. Mas, diferente das outras vezes, agora remaríamos em águas realmente congeladas. Kinnes Cove, mesmo nessa época do ano, tem muito gelo flutuante. Uma chance imperdível de fazer caiaque entre icebergs, água congelada e plataformas de gelo frequentadas por pinguins e focas. Então, a Antártida que esperasse mais algumas horas! Tínhamos mais o que fazer!

Um iceberg, gelo fora e dentro d'água, em Kinnes Cove, na Antártida

Um iceberg, gelo fora e dentro d'água, em Kinnes Cove, na Antártida


Remando nos mares gelados da Antártida, Kinnes Cove

Remando nos mares gelados da Antártida, Kinnes Cove


A Ana rema seu caiaque na gelada Kinnes Cove, na Antártida

A Ana rema seu caiaque na gelada Kinnes Cove, na Antártida


Caiaques na água, lá fomos nós levados por um zodiac rumo ao ponto de embarque em nossos pequenos barcos. Ainda no zodiac, já ficamos maravilhados com o cenários a nossa volta. Icebergs de todas as formas e tamanhos, alguns com o gelo bem azul. Sinal da idade que o gelo foi formado, alguns milênios de anos atrás! Tem de admirar e respeitar! Tiramos nossas fotos, mas queríamos mesmo era remar entre o gelo! E não demorou muito e tivemos nossa chance.

A Ana rema seu caiaque na gelada Kinnes Cove, na Antártida

A Ana rema seu caiaque na gelada Kinnes Cove, na Antártida


Fazendo caiaque em Kinnes Cove, na Antártida

Fazendo caiaque em Kinnes Cove, na Antártida


Nosso grupo rema no gelo de Kinnes Cove, na Antártida

Nosso grupo rema no gelo de Kinnes Cove, na Antártida


Foi o mais espetacular caiaque que já fizemos nessa viagem. Na verdade, não remamos apenas entre o gelo, mas também sobre ele! Foi mesmo incrível. Os blocos de gelo vão se quebrando e batendo uns nos outros. As vezes o mar se fecha, outras ele se abre à nossa frente. É um verdadeiro labirinto de canais de água em constante transformação e mutação. Nosso grupo tentava achar seu caminho em meio a este caos, principalmente quando tinha um objetivo mais a frente. Podia seu um bloco de gelo mais azul, um grupo de pinguins ou alguma foca solitária. Algumas vezes nos separávamos, cada um por um lado do bloco de gelo. Depois, mais a frente, nos juntávamos novamente. Ou então, alguém dava com os burros n’água (ou no gelo!) e tinha de dar meia volta. Enfim, diversão pura! Sempre acompanhados pelos olhos atentos da Val, nossa guia de caiaque, ou pelo guia que dirigia o zodiac. Com o barco a motor, algumas vezes ele podia passar sobre o gelo ou abrir caminho entre ele para fazer uma trilha para nós.

A Ana enfrenta o gelo enquanto o Rodrigo posa para uma foto em Kinnes Cove, na Antártida

A Ana enfrenta o gelo enquanto o Rodrigo posa para uma foto em Kinnes Cove, na Antártida


Cada vez mais gelo em nosso caminho em Kinnes Cove, na Antártida

Cada vez mais gelo em nosso caminho em Kinnes Cove, na Antártida


A Ana nas águas geladas de Kinnes Cove, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)

A Ana nas águas geladas de Kinnes Cove, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)


Realmente, foi uma grande experiência. Com um pouco de força e jeito, é mesmo possível passar por blocos de gelo menores. Outros, maiores, não tem jeito, eles fecham mesmo nosso caminho. E aí, a volta para contorna-lo pode ser enorme. Por exemplo, a gente tentou se aproximar de um bloco de gelo incrivelmente azul. Conseguimos chegar até poucas dezenas de metros de distância. Mais que isso, pelejamos, pelejamos, mas o mar e o gelo nos venceram. Quando finalmente encontramos um caminho para dar a volta num bloco mais enjoado, o tal gelo azul já ia longe. Felizmente, ele não era a única coisa que queríamos ver de perto...

Muito gelo na água nos impede de chegar mais perto do bloco de gelo azul em Kinnes Cove, na Antártida

Muito gelo na água nos impede de chegar mais perto do bloco de gelo azul em Kinnes Cove, na Antártida


Remando rumo ao bloco de gelo azul em Kinnes Cove, na Antártida

Remando rumo ao bloco de gelo azul em Kinnes Cove, na Antártida


Bloco de gelo azul em Kinnes Cove, na Antártida (foto de Alison Metherell)

Bloco de gelo azul em Kinnes Cove, na Antártida (foto de Alison Metherell)


Não, tivemos a chance de ver coisas ainda mais interessantes. A começar por pinguins adelie, aquele menorzinho e com a cara toda preta. Eles adoram ficar nessas plataformas de gelo flutuantes. E poder chegar bem perto deles, a gente no caiaque e eles no gelo, foi muito legal! Eles nos olhavam bem curiosos. Estão mais acostumados com humanos em terra firme, mas não aqui, no meio do mar gelado. E a sensação que tivemos foi de estar vendo eles no seu ambiente natural. Em terra firme, são meio desengonçados. Mas aqui não, desengonçados somos nós!

Pinguins adelie em bloco de gelo que flutua em Kinnes Cove, na Antártida

Pinguins adelie em bloco de gelo que flutua em Kinnes Cove, na Antártida


Encontro com pinguins adelie em Kinnes Cove, na Antártida

Encontro com pinguins adelie em Kinnes Cove, na Antártida


Pinguins adelie em bloco de gelo que flutua em Kinnes Cove, na Antártida

Pinguins adelie em bloco de gelo que flutua em Kinnes Cove, na Antártida


Alguns deles posavam para fotos, outros se aproximavam desses estranhos barcos que passeavam entre o gelo, outros não davam bola para nós. Tivemos a chance também de vê-los mergulhar na água para nadar entre um bloco e outro. Essa água absolutamente gelada e eles a fazem parecer uma banheira. Isso sim é adaptação! Depois, para subir em outro bloco de gelo, eles mergulham, aceleram, ganham impulso e pulam de dentro da água para o alto da plataforma. Um show de habilidade!

Pinguins adelie sobre iceberg em Kinnes Cove, na Antártida

Pinguins adelie sobre iceberg em Kinnes Cove, na Antártida


O Rodrigo se aproxima de pinguins adelie durante caiaque em Kinnes Cove, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)

O Rodrigo se aproxima de pinguins adelie durante caiaque em Kinnes Cove, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)


Um pinguim adelie nada nas águas geladas de Kinnes Cove, na Antártida

Um pinguim adelie nada nas águas geladas de Kinnes Cove, na Antártida


Outro grande momento do caiaque dessa manhã foi quando avistamos, ao longe, uma foca crabeater. Ela descansava tranquilamente em um bloco de gelo em formato de sofá. Foi uma corrida e uma peripécia para chegar até lá, cada remador buscando o melhor caminho. Desde a Geórgia do Sul que eu e a Ana temos remado em caiaques simples, muito mais ágeis que os duplos. Além disso, eles nos dão a chance de fotografar e filmar um ao outro. Além da guia Val, nós somos os únicos do grupo a remar nesse tipo do caiaque. As outras oito pessoas preferiram se manter nos caiaques duplos.

Encontrando uma foca crabeater sobre bloco de gelo em Kinnes Cove, na Antártida

Encontrando uma foca crabeater sobre bloco de gelo em Kinnes Cove, na Antártida


Felicidade ao encontrar uma foca crabeater sobre bloco de gelo em Kinnes Cove, na Antártida

Felicidade ao encontrar uma foca crabeater sobre bloco de gelo em Kinnes Cove, na Antártida


Congestionamento para chegar perto da foca crabeater em Kines Cove, na Antártida

Congestionamento para chegar perto da foca crabeater em Kines Cove, na Antártida


Assim, mais leve e escolhendo o melhor caminho, fui o primeiro a chegar perto da foca dorminhoca. A Ana, um pouco mais atrás, tirou umas fotos comigo perto da foca. Depois, era a vez de dar espaço para as outras pessoas. Nos estreitos canais e piscinas de água que se formam entre os blocos de gelo, não é muito fácil manobrar. Durante algum tempo, tivemos até um pequeno congestionamento. Mas, empurra o gelo daqui, rema dali, consegui sair e dar espaço para os próximos da fila. A foca, nessa confusão toda, nos olhava, pensava um pouco e voltava ao seu descanso.

A Ana se aproxima e fotografa a foca crabeater em Kinnes Cove, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)

A Ana se aproxima e fotografa a foca crabeater em Kinnes Cove, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)


Uma foca crabeater sobre um bloco de gelo nos observa em Kinnes Cove, na Antártida

Uma foca crabeater sobre um bloco de gelo nos observa em Kinnes Cove, na Antártida


Uma foca crabeater descansa sobre um bloco de gelo em Kinnes Cove, na Antártida

Uma foca crabeater descansa sobre um bloco de gelo em Kinnes Cove, na Antártida


Por fim, chegou a vez da Ana e ela se aproximou e tirou as mais bela fotos dessa foca crabeater. O problema é que ela se aproximou demais. Pelo menos, no entendimento da nossa guia, que ficava gritando para a Ana se afastar. Na aflição e luta para fazer isso, dar marcha ré num mar com tanto gelo, ela acabou se descuidando da nossa Canon que deu um mergulho na água gelada. Gelada e salgada. Sal é o maior veneno possível para aparelhos eletrônicos. Enfim, pobre canon, não resistiu...

A Ana se aproxima e fotografa a foca crabeater em Kinnes Cove, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)

A Ana se aproxima e fotografa a foca crabeater em Kinnes Cove, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)


Uma foca crabeater sobre um bloco de gelo em Kinnes Cove, na Antártida

Uma foca crabeater sobre um bloco de gelo em Kinnes Cove, na Antártida


Uma foca crabeater sobre um bloco de gelo em Kinnes Cove, na Antártida

Uma foca crabeater sobre um bloco de gelo em Kinnes Cove, na Antártida


A câmera estava amarrada no pescoço da Ana, então ela não foi para o fundo. Ao voltarmos ao navio, tentamos uma operação de salvamento e ela até deu sinais de vida. Mas os sensores estavam irremediavelmente danificados. Felizmente, o chip não foi afetado e conseguimos recuperar todas as fotos que lá estavam, inclusive as últimas, que ela tinha tirado da foca crabeater. Enfim, as fotos desse post são as últimas da nossa querida canon. Ao menos, podemos pensar que ela teve um fim bem glorioso, nas águas geladas da Antártida!

Pinguins adelie observam nossos caiaques em Kinnes Cove, na Antártida

Pinguins adelie observam nossos caiaques em Kinnes Cove, na Antártida


Remando, filmando e fotografando em Kinnes Cove, na Antártida

Remando, filmando e fotografando em Kinnes Cove, na Antártida


Quanto a nós, depois do fabuloso encontro com a foca, remamos para fora do labirinto de gelo e voltamos para o zodiac. De lá para o Sea Spirit e, com ele, para a Antártida, a poucos quilômetros dali. Chegava a hora de ver de perto o continente branco, mas esse último caiaque entre gelo, pinguins e foca ficará, para sempre, em nossa memória. E nas fotos da canon também!

Nosso grupo tenta achar um caminho em meio ao gelo nas águas de Kinnes Cove, na Antártida

Nosso grupo tenta achar um caminho em meio ao gelo nas águas de Kinnes Cove, na Antártida


Um pinguim adelie nos observa em Kinnes Cove, na Antártida

Um pinguim adelie nos observa em Kinnes Cove, na Antártida

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St. Kitts

Saint Martin, Marigot, Saint Kitts E Neves, Basseterre, Cockleshell Bay

Mapa de St. Kitts e Nevis

Mapa de St. Kitts e Nevis


Cinco da manhã e já estávamos no carro cruzando as ruas vazias de Marigot, atravessando a fronteira sempre aberta entre Saint Martin e Sint Maarten e chegando ao aeroporto internacional da pequena ilha. Tudo nos conformes, duas horas antes do vôo. Só esquecemos de combinar com a companhia, a Liat, que só abriu o balcão de check-in uma hora e quinze minutos antes do vôo. Puxa, quarenta e cinco minutos preciosos de cama...

Chegando em St. Kitts, no Caribe

Chegando em St. Kitts, no Caribe


O vôo no pequeno avião dura menos de meia hora. É o tempo de subir e baixar, e já estávamos na ilha de St. Kitts, a maior das que estamos visitando nesta temporada. Junto com sua companheira Nevis, essa federação é a menos visitada delas. Enquanto Anguilla, St, Barth e St. Martin são terras de ricos e famosos, e Saba e Sint Eustatius são muito procuradas por mergulhadores, St. Kitts e Nevis são meio esquecidas perto de vizinhas tão formosas.

O turbohélice que nos trouxe de Sint Maarten para St. Kitts, no Caribe

O turbohélice que nos trouxe de Sint Maarten para St. Kitts, no Caribe


Bom, na verdade isso as torna ainda mais interessantes, pois são mais autênticas. As duas ilhas foram colonizadas pelos ingleses, mas St. Kitts tem uma história bem turbulenta. Foi aqui que foi fundada a primeira colônia duradoura de língua não espanhola em todo o Caribe. Foram os ingleses, em 1624. Uns 70 anos antes, os franceses já tinham tentado, também em St. Kitts. Mas a potência dominante da época, a Espanha, os colocou para correr rapidinho. Agora, já em pleno sév. XVII, foi a vez dos ingleses tentarem. Primeiro, ficaram amigos dos índios locais, os Caribs (mesmo nome da cerveja!). Depois, dois anos mais tarde, deram as boas vindas a uma nova turma de franceses, que chegaram meio capengas à St. Kitts depois de terem tomado uma surra dos espanhóis em alto mar. Assim, por uma coicidência, as duas potências que brigariam pelos próximos dois séculos pelo controle da maioria das ilhas caribenhas (Inglaterra e França) começaram praticamente juntos, na mesma pequena ilha.

A praia dos grandes hotéis, em St. Kitts, no Caribe

A praia dos grandes hotéis, em St. Kitts, no Caribe


A amizade não durou muito. Mas durou o bastante para, juntos, darem cabo dos Caribs. Numa emboscada, massacraram quase dois mil deles. O rio ficou vermelho por três dias. O local é conhecido até hoje como Bloody Point. Os poucos índios remanescentes foram deportados da ilha e, com isso, ingleses e franceses puderam dividir a terra apenas entre eles. É, talvez... Só esqueceram dos espanhóis. Estes apareceram por lá poucos anos depois, queimaram tudo o que viram e botaram ingleses e franceses para fora novamente. Mas eles retornaram, para reconstruir suas cidades. A Espanha já não tinha mais a força de antigamente e nunca mais apareceu. Assim, sem índios e sem espanhóis, franceses e ingleses tiveram toda a paz do mundo para guerrearem entre si pelos próximos 150 anos, enquanto traziam escravos africanos para suas plantations. Foi só no início do séc XIX que a divisão de ilhas no Caribe entre as duas potências foi finalmente acertada e St. Kitts ficou definitivamente para os ingleses.

A bela paisagem da península sudeste em St. Kitts, no Caribe

A bela paisagem da península sudeste em St. Kitts, no Caribe


Nós chegamos e nos instalamos no SeaView GuestHouse, quase do lado do porto. Domingão, quase tudo fechado, sem navio-cruzeiro no porto, Basseterre, a capital, estava completamente morta. De táxi, seguimos para a ponta sudeste da ilha, onde estão as melhores praias. Inicialmente, queríamos ir na Frigate Bay, que o nosso livro dizia ser a melhor praia da ilha. Bom, pelo menos até 2005, quando o livro foi escrito. Depois disso, um furacão veio e acabou com a praia. Assim, o motorista de táxi nos recomendou irmos na Cockleshell Beach.

Turtle Beach, em St. Kitts, no Caribe

Turtle Beach, em St. Kitts, no Caribe


O caminho para lá é lindo, uma estreita península cortada por colinas, lagos e praias. Um espetáculo! A praia também foi uma bela surpresa. Ao invés do azul que estávamos acostumados, a águra era verde transparente. Muito legal, principalmente pelo contraste. A praia fica do lado caribenho da ilha, onde o mar é bem mais tranquilo. Mas foi só caminharmos um quilômetro, até a praia vizinha, a Turtle Beach, que chegamos do lado do atlântico. Aí sim, marzão com ondas. Água verde também. Os caribenhos tem um respeito danado pelo atlântico e tem um certo medo de nadar em suas praias. Esta, por exemplo, estava completamente deserta.

Rum Punch em bar na Cockleshell Bay, em St. Kitts, no Caribe

Rum Punch em bar na Cockleshell Bay, em St. Kitts, no Caribe


Voltamos para a praia caribenha e nos instalamos no Lion's Punch, um botecão pé na areia muito legal. Ali a Ana pôde exercitar bastante a arte da socialização, desde com o dono e cozinheiro, o Lion, até com um grupo de clientes que jogava dominó, "esporte" muito popular por aqui.

No Lion's Punch, bar de praia em Cockleshell Bay, em St. Kitts, no Caribe

No Lion's Punch, bar de praia em Cockleshell Bay, em St. Kitts, no Caribe


E assim a tarde foi passando e nós seguimos direto para a Frigate Bay, que apesar de ter perdido sua praia, ainda tem a sua night, Ali jantamos um fabuloso Mahi Mahi e voltamos contentes para casa. O país que tinha nos parecido tão sem graça num primeiro momento, acabou nos proporcionando um dia incrível, belas praias, rum punches e comidas deliciosas e pessoas interessantes e receptivas. E amanhã tem mais. Vamos alugar um carro e rodar o país. Literalmente!

Mesa de dominó no bar em Cockleshell Bay, em St. Kitts, no Caribe

Mesa de dominó no bar em Cockleshell Bay, em St. Kitts, no Caribe

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Afinal, Quem Descobriu o Brasil?

Brasil, Ceará, Canoa Quebrada, Fortim

Chegando a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Chegando a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Depois de fazer o programa do Beach Park ontem, com os dois sobrinhos mais novos, foi a vez de, hoje, fazer algo com os dois sobrinhos mais velhos. Esse “algo” era uma caminhada de cerca de 18 quilômetros pela praia entre o Pontal do Maceió, em Fortim, e a conhecida cidade de Canoa Quebrada. Além de mim e dos sobrinhos Leo e João Pedro, é claro que iriam conosco a Ana e o Guto, meu irmão, outro notório amante de desafios e proezas na família.

Com o irmão Guto e os sobrinhos Leo e João Pedro, início da caminhada de Fortim a Canoa Quebrada através do litoral do Ceará

Com o irmão Guto e os sobrinhos Leo e João Pedro, início da caminhada de Fortim a Canoa Quebrada através do litoral do Ceará


Guto e Leo, pai e filho, no início da caminhada de Fortim a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Guto e Leo, pai e filho, no início da caminhada de Fortim a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


No meio do caminho, um grande rio para atravessar. É o Jaguaribe, o maior do Ceará, que atravessa o sertão e abastece dois dos mais conhecidos açudes de combate à seca, o Orós e o Castanhão. Saímos sem saber direito como seria essa travessia, uma vaga ideia de passar nadando ou então, encontrar um barco que nos levasse para o lado de lá. Fomos também com a maré baixa, para poder caminhar melhor na longa praia que se forma, piso duro e plano. A ideia era encontrar outras pessoas da família que fossem nos esperar já em Canoa Quebrada, de carro. Lá, comeríamos algo na praia e voltaríamos todos de carro.

Barco espera sua hora de navegar em praia de Fortim, no litoral do Ceará

Barco espera sua hora de navegar em praia de Fortim, no litoral do Ceará


Com o sobrinho João Pedro, caminhando de Fortim a Canoa Quebrada, nolitoral do Ceará

Com o sobrinho João Pedro, caminhando de Fortim a Canoa Quebrada, nolitoral do Ceará


Caminhada longa, mas agradável. Apesar do sol, a brisa constante mantém a temperatura sempre agradável. Só não podemos esquecer o protetor solar, pois o vento pode até disfarçar o calor do sol, mas ele continua queimando bastante. Seis pessoas, ritmos diferentes. Nós vamos nos dividindo em duplas, alguns mais à frente, outros para trás, eu e a Ana nos revezando com as fotos. Vamos revezando as duplas também, às vezes conversando com um sobrinho, outras vezes com o irmão, outras ainda com a esposa. Assim, não enjoa.

No caminho entre Fortim e Canoa Quebrada, dezenas de moinhos de vento de um grande parque eólico, no litoral do Ceará

No caminho entre Fortim e Canoa Quebrada, dezenas de moinhos de vento de um grande parque eólico, no litoral do Ceará


Um pequeno e vistoso farol na região de Fortim, no litoral do Ceará

Um pequeno e vistoso farol na região de Fortim, no litoral do Ceará


O estranho é pensar que essas praias por onde caminhamos são as mais “velhas” do Brasil. Ainda mais antigas que as praias de Cabrália e Porto Seguro, quase aos pés do Monte Pascoal. É claro que estou falando do Brasil dos europeus e não do Brasil dos índios, pois esse é muito mais antigo ainda. Que o diga os potiguaras, umas das diversas tribos da etnia tupi que se espalhavam pelo litoral brasileiro quando os europeus começaram a chegar por aqui, lá pelos idos de 1500.

A Ana faz novos amigos antes da travessia do rio entre Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

A Ana faz novos amigos antes da travessia do rio entre Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Um barco navega pelo rio que divide as praias de Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Um barco navega pelo rio que divide as praias de Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Foram os potiguaras os primeiros a observar e travar contato com europeus que chegaram a esta região do Brasil alguns meses antes que Cabral “descobrisse” a Terra de Santa Cruz. Essa tribo vivia desde o litoral da Paraíba até o do Maranhão e era conhecida por sua índole guerreira. É por causa deles que hoje conhecemos os habitantes do Rio Grande do Norte como “potiguaras”.

Depois de atravessar o rio a nado, o Rodrigo corre na praia já do lado de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Depois de atravessar o rio a nado, o Rodrigo corre na praia já do lado de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


De barco, fazendo a travessia pelo rio entre Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

De barco, fazendo a travessia pelo rio entre Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Eles foram testemunhas oculares da chegada, em algum ponto não estabelecido desse litoral, da expedição comandada pelo espanhol Vicente Pinzón, em 26 de janeiro de 1500. Nesta mesma data, Cabral ainda participava de intrincados jogos políticos em Lisboa para ser apontado como comandante da frota que chegaria ao Brasil quase três meses depois de Pinzón, em 22 de Abril daquele mesmo ano.

De barco, fazendo a travessia pelo rio entre Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

De barco, fazendo a travessia pelo rio entre Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


O barco que fez a travessia do grupo pelo rio entre Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

O barco que fez a travessia do grupo pelo rio entre Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Pinzón não era qualquer um e já tinha muita história quando chegou às costas brasileiras naquele janeiro de 1500. Ele havia sido o capitão da caravela Niña, um dos três barcos sob comando geral de Cristóvão Colombo que haviam descoberto a América em 1492. Essa histórica viagem lhe trouxe fama e dinheiro e, quase oito anos mais tarde, conseguiu financiar do seu próprio bolso mais uma expedição ao Novo Mundo. A esta altura, os reis espanhóis já tinham fortes indícios de que as terras descobertas por Colombo não eram parte da Ásia, mas sim de um novo continente. Eles não só liberaram, mas também estimularam que expedições particulares partissem em direção às novas terras. Os prêmios de novas descobertas seriam divididos entre a coroa e os intrépidos exploradores.

Refrescando-se no rio que divide as praias de Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Refrescando-se no rio que divide as praias de Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Refrescando-se no rio que divide as praias de Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Refrescando-se no rio que divide as praias de Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Foi nesse contexto que partiu Pinzón, antes do natal de 1499. Sua última escala foi em Cabo Verde, então um arquipélago já bastante conhecido dos marinheiros europeus. Aí ele reabasteceu seus navios uma última vez e partiu rumo ao oeste. Assim que cruzou a Linha do Equador, foi atingido por uma violenta tempestade. Apesar dos enormes perigos, os ventos fortes acabaram por acelerar sua viagem e ele chegou à costa brasileira em apenas 13 dias, num percurso que os navegantes da época, inclusive Cabral, demoravam um mês para realizar.

Chegando perto dos moinhos do parque eólico na região de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Chegando perto dos moinhos do parque eólico na região de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Aos pés dos enormes moinhos de vento do parque eólico na região de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Aos pés dos enormes moinhos de vento do parque eólico na região de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Apesar da curiosidade natural, os índios potiguares não foram hospitaleiros. Ao contrário, entraram em violento combate com os homens de Pinzón. Armamento e técnicas militares superiores deram vitória aos espanhóis, que partiram da costa nordestina levando vários indígenas capturados. Ele seguiu explorando a costa até o rio Amazonas, que batizou com muita propriedade de “Mar Dulce”. Continuou pela costa até as Guianas, descobrindo muitos rios. Um deles, o Oiapoque, ganhou o seu nome e, até o século XIX, era conhecido como rio Vicente Pinzón. Das Guianas ele seguiu para as ilhas caribenhas e daí para a Europa. Apesar de tantas descobertas, a viagem foi um fracasso financeiro.

A Ana e o Guto, durante a caminhada de Fortim a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

A Ana e o Guto, durante a caminhada de Fortim a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


A Ana e o sobrinho Leo, durante a caminhada de Fortim a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

A Ana e o sobrinho Leo, durante a caminhada de Fortim a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Pinzón só retornaria à América mais uma vez, em 1508. Navegou ao longo da América Central e sua expedição foi a primeira a travar contatos com a civilização asteca, quase uma década antes das conquistas de Cortez. Mesmo com mais essa façanha em seu currículo, seu nome nunca foi muito conhecido. O patriotismo português, que acabou gerando o patriotismo brasileiro, jamais admitiria que nossas terras tivessem sido descobertas por um espanhol e não por um marinheiro lusitano. Ainda mais que o local onde teria desembarcado Pinzón estava a leste da Linha de Tordesilhas e que, portanto, pertencia legalmente a Portugal, pelo menos na jurisdição ibérica (jamais aceita por Inglaterra, Holanda e França, que não assinaram esse tratado).

Os sobrinhos Leo e João Pedro, durante a caminhada entre Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Os sobrinhos Leo e João Pedro, durante a caminhada entre Fortim e Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Com o Guto, cada vez mais pertos de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Com o Guto, cada vez mais pertos de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Podemos ter esquecido Pinzón com relação ao descobrimento, mas não esquecemos do rio descoberto por ele e que levava seu nome. Foi com base nas descrições feitas pelo navegante espanhol que, ao final do século XIX, o Brasil venceu a França em uma disputa diplomática arbitrada pela Suíça e garantiu a posse do Território do Amapá até o rio Oiapoque. Franceses argumentavam que o rio de Pinzón era outro, o rio Araguari, muito mais ao sul. Foi por pouco que as fronteiras da Guiana Francesa não chegaram quase até a foz do rio Amazonas. O tal rio Araguari está um pouco mais ao norte e é famoso pelo fenômeno da pororoca, atraindo surfistas de todo o mundo interessados em surfar nessas ondas de água doce em plena floresta.

Perto de Canoa Quebrada, com movimento cada vez mais intenso de turistas, no litoral do Ceará

Perto de Canoa Quebrada, com movimento cada vez mais intenso de turistas, no litoral do Ceará


Perto de Canoa Quebrada, com movimento cada vez mais intenso de turistas, no litoral do Ceará

Perto de Canoa Quebrada, com movimento cada vez mais intenso de turistas, no litoral do Ceará


Bom, voltando à nossa caminhada, ele seguiu bem tranquila até o rio Jaguaribe. Apenas nós na praia, nenhum encontro com índios potiguaras hostis. O único sinal de civilização era o vasto parque eólico do outro lado do rio, dezenas de moinhos de vento girando ao sabor da brisa cearense. Muita energia sendo gerada e, infelizmente, desperdiçada. Posso estar enganado, mas acho que esse é mais um caso de obra pela metade, os moinhos todos funcionando, mas ainda não ligados às linhas de transmissão. Por enquanto, só servem de poluição visual.

Mapa da nossa caminhada pela praia, do hotel em Pontal do Maceió, em Fortim, até Canoa Quebrada, passando pelo rio Jaguaribe. O percurso tem metade da distância de quem vai de carro

Mapa da nossa caminhada pela praia, do hotel em Pontal do Maceió, em Fortim, até Canoa Quebrada, passando pelo rio Jaguaribe. O percurso tem metade da distância de quem vai de carro


Às margens desse rio acamparam as forças de Pero Coelho de Souza, em 1603. Ele vinha de Pernambuco e se encaminhava para o Maranhão, disposto a expulsar de lá os colonos franceses que tentavam se estabelecer nos trópicos. Ao lado do rio ele fundou um pequeno forte, ou fortim. Essa é a origem do nome da cidade onde está o nosso hotel. Atualmente, há umas poucas casas por aqui e a Ana foi inquirir sobre algum barco para nos levar para o lado de lá. Quanto a mim, depois de ficar observando a corrente, resolvi arriscar a passar nadando. A maré estava enchendo e a água, portanto, estava entrando dentro do rio. A largura era de uns 200-300 metros e o Guto e o Leo resolveram vir comigo. Qualquer coisa, o barco da Ana iria nos buscar.

Depois de uma longa caminhada, o grupo chega a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Depois de uma longa caminhada, o grupo chega a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Depois de uma longa caminhada, o grupo chega a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Depois de uma longa caminhada, o grupo chega a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


A corrente realmente nos levou para dentro do rio, mas a travessia foi mais fácil do que imaginamos. Logo estávamos nas areias do outro lado observando o barco que trazia a Ana e o João Pedro e também nossas mochilas, tudo pela bagatela de 20 reais. Do lado de cá, todos aproveitaram para tomar um bom banho de água quase doce. Estávamos na metade do caminho, mas o maior desafio tinha ficado para trás.

Chegando a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Chegando a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Depois da caminhada, cervejas e caipinhas nos esperam em um dos bares de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Depois da caminhada, cervejas e caipinhas nos esperam em um dos bares de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Agora já estávamos bem próximos dos gigantescos moinhos de vento e não resistimos à tentação de passar bem embaixo deles. São realmente enormes e estão ali para aproveitar uma força gratuita da natureza que nunca se cansa: os ventos. São bastante feios também, mas quando estiverem produzindo energia, acho que uma coisa compensa a outra.

Depois da caminhada, cervejas e caipinhas nos esperam em um dos bares de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Depois da caminhada, cervejas e caipinhas nos esperam em um dos bares de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Observando os paragliders de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Observando os paragliders de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Depois da visita aos moinhos, toda a tranquilidade do mundo para caminhar os últimos quilômetros. Aos poucos, começamos a reconhecer as falésias cor de tijolo de Canoa Quebrada. O movimento na praia também começou a aumentar, não só de banhistas, mas de gente passeando de jipe e voando em seus parapentes. A tranquilidade de Fortim tinha mesmo ficado para trás e estávamos no meio da muvuca de alta temporada da famosa Canoa Quebrada. Por fim, chegamos ao símbolo da cidade, a lua crescente e a estrela brancas pintadas sobre a falésia.

O pai e o sobrinho do Rodrigo em Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

O pai e o sobrinho do Rodrigo em Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Foto do grupo de caminhou de Fortim a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Foto do grupo de caminhou de Fortim a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


As memórias minhas e da Ana de nossa passagem por aqui há três anos estavam frescas (veja o post aqui). Assim, dirigimos o grupo para um dos nossos bares preferidos na praia, na beira do mar. Aí sentamos e tomamos nossa merecida cerveja enquanto, por telefone, orientamos a outra turma que vinha nos buscar de carro. Entre eles, meu pai e minha irmã, que também já haviam estado aqui, mas há muito mais tempo, no início da década de 80. Imagina só como era Canoa Quebrada há quase 30 anos! Estava começando a ser descoberta para o turismo. Minha irmã, a Lalau, ficou descrevendo-a para nós e ficamos todos querendo conhecer essa cidade que já não mais existe. Eu tinha 13 anos de idade quando meu pai me mostrou as fotos daqui, quando ele e minha mãe trouxeram um casal de alemães para cá. Aliás, vieram dirigindo um Passat TS desde o Rio até aqui, numa viagem de 2 meses. De onde vocês acham que nasceu o 1000dias, hein?

1000dias de volta a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

1000dias de volta a Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Paraglider, muito popular em Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Paraglider, muito popular em Canoa Quebrada, no litoral do Ceará


Depois das bebidas e do lanche, subimos para cima das falésias e aí ficamos observando a classe do pessoal do paraglider. Fazem voos duplos e levam turistas para um passeio. Dominam completamente o vento e conseguem ficar parados a nossa frente, sobre a falésia. Um show! Quem foi que disse que o homem não nasceu para voar? Acho que nunca veio à Canoa Quebrada. Todos deveriam vir, pelo menos uma vez na vida! O Pinzón veio em 1500, o Pero Coelho em 1603, meus pais e minha irmã em 1982, o 1000dias em 2011 e a família Junqueira em 2014. E você, quando virá?

Turista se diverte nos ares de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

Turista se diverte nos ares de Canoa Quebrada, no litoral do Ceará

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Um Mês!

Porto Rico, La Parguera, Ponce

Visão do Farol em Cabo Rojo - Porto Rico

Visão do Farol em Cabo Rojo - Porto Rico


Hoje completamos um mês de viagem! Um Mês! Como passa rápido! Daqui a pouco, lá se foram os mil dias... Nossa... Bom, pensando bem, ainda tem chão. Nem começamos a dirigir ainda. Quer dizer, não a Fiona. Por aqui, vamos dirigindo sim.

Nosso carro em Porto Rico e as caixas de mergulho

Nosso carro em Porto Rico e as caixas de mergulho


Olhando para trás, já se foram o litoral do Paraná, um pouco da Flórida, Bahamas, Turks e Caicos e um tanto de Porto Rico. Mais um pouco, e lá se vão também as Ilhas Virgens, Americanas e Britânicas. Depois, vamos nos embrenhar nesse Brasilsão. Aí é que eu quero ver...

Se preparando para o mergulho em La Parguera

Se preparando para o mergulho em La Parguera


Por aqui, para celebrar o "aniversário", tivemos um dia ótimo. O mergulho, apesar da visibilidade ser bem menor que em Provo, foi muito bom. Duas moréias enormes, bem verdes, entocadas e outra, vista de cima, nadando entre corais. Ver moréia nadando não é muito comum e é sempre um deleite visual, a graça com que se movem. Deleite visual também foi ver o maior nurse shark (como se fala em português?) que já vi. Mais de dois metros! Um bichão! É a raça de tubarão com a cara mais boazinha que conheço. Mas ele logo se encheu de nós e foi nadando lá para o fundo, se perdendo no azul. Sabe que nós, manés humanos,não podemos segui-lo!

Visão do Farol em Cabo Rojo - Porto Rico

Visão do Farol em Cabo Rojo - Porto Rico


Depois, seguimos para a Playa del Faro, no extremo sudoeste de Porto Rico, à meia hora de La Parguera. Já sabíamos que era bonita mas ficamos agradavelmente surpresos. É uma região cheia de salinas e mangues onde o mar forma uma baía bem fechada, águas calmas e quentes, verde-esmeralda. Um primor da natureza. Lembrei da baía do Sueste, em Noronha. Ma a praia aqui é mais gostosa. Além disso, o morro do Farol oferece lindas visões de toda a região. Tiramos fotos muito legais.

Restaurante de hotel em Cabo Rojo - Porto Rico

Restaurante de hotel em Cabo Rojo - Porto Rico


De lá, viemos para Ponce, onde vamos dormir hoje. Ponce é uma das maiores cidades de Porto Rico, com umas 300 mil pessoas. É uma cidade histórica, a mais velha do país, e seu centro histórico é uma gracinha. A praça central se chama Delícia, assim como o nosso hotel. Uma praça com esse nome só poderia ser especial. E é, tirando o pastor evangélico que ficou lá gritando durante um tempo. Fora isso, muito legal, toda rodeada de fachadas antigas, com fontes luminosas, igreja centenária e até um museu dos bombeiros. Amanhã cedo vamos tirar umas fotos.

Para celebrar a data, comemos muito bem num restaurante argentino. Carne, por supuesto! E um bom vinho tinto californiano para acompanhar.

E, para eu deixar escrito para nunca mais esquecer. Achar o estacionamento do hotel, a duas quadras daqui, foi um parto. Fui e voltei várias vezes. Até fui abordado pela polícia, tentando abrir o cadeado de um terreno. Foi uma luta. No fim, depois de uma meia hora e muito treino de castelhano, me entendi com os atendentes do hotel e achei o tal terreno. Quem tem boca, chega a Roma. Mas custa.

Porto Rico, La Parguera, Ponce, Mergulho, Praia

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Jacarés, Moncada e o Presídio

Cuba, Nueva Gerona

Nosso guia segura jacarés na Isla de la Juventud, em Cuba

Nosso guia segura jacarés na Isla de la Juventud, em Cuba


Depois do mergulho mais ou menos de ontem, resolvemos ficar por terra firme hoje. Contratamos um carro com motorista e fomos conhecer algumas das maiores atrações terrestres da Isla de la Juventud: seus jacarés, o antigo presídio a algumas de suas praias

A Ana segura um filhote de jacaré em criadero na Isla de la Juventud, em Cuba

A Ana segura um filhote de jacaré em criadero na Isla de la Juventud, em Cuba


Começamos pelos répteis, a atração mais afastada de Nueva Gerona, a capital da ilha onde estamos hospedados. Foram uns 40 minutos para chegarmos na fazenda onde são criados jacarés na tentativa de repopular os antigos habitats. Ali eles quase foram extintos devido à caça ilegal. Proibidos de matar gado para consumir sua carne, os cubanos não resistem a uma carne de caça, entre elas a de jacarés.

Nosso guia segura jacarés na Isla de la Juventud, em Cuba

Nosso guia segura jacarés na Isla de la Juventud, em Cuba


Protegidos na fazenda, os jacarés se reproduzem como coelhos. Quer dizer, isso é só força de expressão. Na verdade, colocam ovos e, dependendo da temperatura de incubação, nascem fêmeas ou machos. Aí, são colocados em tanques e divididos por faixa etária, para que não se matem e se comam.

Visitando criadero de jacarés na Isla de la Juventud, em Cuba

Visitando criadero de jacarés na Isla de la Juventud, em Cuba


A gente circulou entre esses tanques e também entre os açudes, para onde vão os maiores. Esses, a gente só pode ver através da cerca, ameaçadores que são. Mas os pequenos, por mais que eles tentem se defender, podemos pegar com as mãos. Até hoje, só tinha visto isso, pegar jacarés, pela TV. Mas hoje a Ana não resistiu e deu para tirar boas fotos desses animais maravilhosos. Já andam (e nadam!) por aí desde a época dos dinossauros e isso prova o seu sucesso evolucionário e extrema adaptabilidade. Não seremos nós, uma espécie que mal tirou as fraldas, que acabaremos com eles!

Tentando interagir com jacarés na Isla de la Juventud, em Cuba

Tentando interagir com jacarés na Isla de la Juventud, em Cuba


De lá seguimos para as ruínas de um antigo presídio que teve como seu hóspede mais famoso ninguém menos que Fidel Castro. Cópia de um presídio americano de Illinois, são cinco enormes prédios circulares, cada um com 400 celas distribuídas em 4 andares e dispostas ao redor de um enorme pátio central. Uma visão impressionante, entrar nesses prédios, caminhar por esse pátio e tentar imaginar a vida ali antes da desativação.

A prisão onde ficou preso Fidel Castro na Isla de la Juventud, em Cuba

A prisão onde ficou preso Fidel Castro na Isla de la Juventud, em Cuba


Em 1953, pouco depois do golpe militar que levou Batista ao poder novamente, Fidel Castro perdeu suas esperanças nas vias pacíficas e partiu para o confronto. Para derrubar o ditador, imaginou um golpe de mestre: liderando 165 homens, tenta tomar o quartel de Moncada, o segundo maior do país, em Santiago de Cuba. Sua ideia foi atacar o quartel durante o carnaval quando, imaginava, boa parte dos soldados estariam bêbados e não oporiam muita resistência.

Fotografando o Presidio Model, na Isla de la Juventud, em Cuba

Fotografando o Presidio Model, na Isla de la Juventud, em Cuba


Mas não teve muita sorte. No caminho para o quartel, seu grupo acabou cruzando com uma patrulha do exército e o alarme foi dado. Perdeu o elemento surpresa. Boa parte de seus homens morreram na luta e os que foram capturados naquele dia eram sumariamente executados. Fidel escapou com um pequeno grupo, polícia e exército no seu encalço. Batista deu a ordem secreta: quando capturado, o líder deveria ser morto ali mesmo, na hora.

Visitando o Presidio Model, na Isla de la Juventud, em Cuba

Visitando o Presidio Model, na Isla de la Juventud, em Cuba


Mas, para sorte de Fidel, ele acabou capturado por um homem honesto, mais apegado às leis que às ordens secretas de um ditador. Ao invés de executá-lo, levou-o preso. Quando as notícias se espalharam e a imprensa se mobilizou para cobrir o fato, já não mais havia como executá-lo a sangue frio. Castro foi a julgamento enquanto o oficial que o prendeu foi colocado na geladeira por Batista, sendo eventualmente preso. Seis anos mais tarde, quando a revolução triunfou, uma das primeiras medidas de Castro foi mandar soltá-lo e incorporá-lo ao novo exército cubano.

APraia Paraiso, em Nueva Gerona, na Isla de la Juventud, em Cuba

APraia Paraiso, em Nueva Gerona, na Isla de la Juventud, em Cuba


Quanto à Castro, sendo advogado, fez a sua própria defesa. Foi aí que proferiu o mais famoso discurso de sua vida (e olha que foram muitos!), conhecido com “A História me absolverá!”. O discurso foi brilhante, comovendo juízes e população, mas não impediu que ele fosse condenado e enviado para a prisão na então chamada “Ilha dos Pinos”. Aí permaneceu por cerca de dois anos, junto com outros sobreviventes do ataque à Moncada. Em 1955 o governo Batista concedeu anistia aos presos políticos, na tentaiva de tentar legitimar seu governo. Nada que sensibilizasse Fidel. Ele partiu para o México onde passou a preparar novas tropas para tentar outra vez derrubar o regime de Batista. Mas isso já é outra história...

Local do nosso almoço na Praia Paraiso, na Isla de la Juventud, em Cuba

Local do nosso almoço na Praia Paraiso, na Isla de la Juventud, em Cuba


Bem mais recentemente, na década de 70, o governo cubano passou a receber milhares de estudantes estrangeiros, principalmente africanos, em escolas que construíu na Ilha dos Pinos. Para homenagear esses estudantes, Fidel resolveu mudar o nome da ilha para Isla de La Juventud. As tais escolas e seus estudantes se foram, mas o nome ficou.

No volante de um carro sexagenário em Nueva Gerona, na Isla de la Juventud, em Cuba

No volante de um carro sexagenário em Nueva Gerona, na Isla de la Juventud, em Cuba


E nós, depois do presídio e dos jacarés, resolvemos por algo mais light. Seguimos para a praia para passar o resto do dia. Mojitos, areia, água clarinha e morna e um delicioso almoço de peixe e não tínhamos do que reclamar. Um dia bem gostoso para que nunca mais esqueçamos da Isla de La Juventud. Amanhã já partiremos daqui. Avião para Havana e, lá no aeroporto mesmo, pegamos nosso carro e iniciaremos a longa viagem pelo país, rumo à Santiago. Primeira parada: Cienfuegos.

Jacarés maiores no criadero na Isla de la Juventud, em Cuba

Jacarés maiores no criadero na Isla de la Juventud, em Cuba

Cuba, Nueva Gerona, Bichos, Praia

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Amantani e o Titicaca

Peru, Amantani

Ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Ao visitarmos as Islas Flotantes ontem, tivemos nosso primeiro contato com o lago Titicaca. Mas foi só um pequeno aperitivo. As ilhas dos Uros estão localizadas logo no início da baía de Puno, bem próximas da costa. É apenas o início do Titicaca, essa enorme massa d’água localizada em pleno altiplano, a mais de 3.800 metros de altitude, na fronteira entre Peru e Bolívia.

O lago Titicaca, visto da ilha de Amantani, no Peru

O lago Titicaca, visto da ilha de Amantani, no Peru


O lago Titicaca tem quase 15 milhões de anos e muitos o consideram o maior lago da América do Sul. Na verdade, esse posto pertence ao lago Maracaibo, na Venezuela, mas como este está no mesmo nível do mar e é separado do oceano apenas por um canal, muitos argumentam que ele não passa de uma grande baía. Já o Titicaca, no alto dos Andes, sua condição de lago é indiscutível. Na verdade, ele nem tem ligação com o oceano. Alimentado por cerca de 40 rios, suas águas desaguam por apenas um, exatamente o Rio Desaguadero. As águas correm para outro lago mais ao sul, na Bolívia, chamado Poopo, e aí permanecem até evaporarem. Apenas em anos de chuva excepcional, as águas podem chegar até o Salar de Coipasa e de Uyuni.

Montanhas nevadas no lado boliviano do lago Titicaca, vistas da ilha de Amantani, no Peru

Montanhas nevadas no lado boliviano do lago Titicaca, vistas da ilha de Amantani, no Peru


Com apenas um rio para vazar suas águas enquanto é alimentado por mais de quarenta, o equilíbrio do Titicaca é mantido pela altíssima taxa de evaporação. Pela grande altitude e alta taxa de sol incidente, essa evaporação é enorme e corresponde a 90% da água perdida pelo lago. Já a água que entra, boa parte dela vem do derretimento de geleiras de montanhas vizinhas. Com a mudança do clima nas últimas décadas, essas geleiras vem diminuindo e, como consequência, o nível de águas no Titicaca também, baixando a níveis nunca vistos no último século. Estudos feitos nos sedimentos do lago e também em suas margens mostra que o nível sempre variou ao longo dos séculos e milênios, sempre acompanhando o tamanho das geleiras e as eras glaciais do planeta.

Mapa do Titicaca mostrando as principais ilhas e características do lago que faz fronteira entre Peru e Bolívia (Islas Flotantes, perto de Puno, no Peru)

Mapa do Titicaca mostrando as principais ilhas e características do lago que faz fronteira entre Peru e Bolívia (Islas Flotantes, perto de Puno, no Peru)


Atravessando o lago Titicaca, a caminho da ilha de Amantani, no Peru

Atravessando o lago Titicaca, a caminho da ilha de Amantani, no Peru


Bem, mesmo com a recente diminuição, o lago continua enorme, chegando a 190 km de comprimento e 80 km de largura, no seu ponto mais largo. A profundidade máxima chega quase aos 300 metros, o que garante uma temperatura relativamente constante ao longo do ano, perto dos 12 graus. Com tanta água assim, vinda principalmente das geleiras, a água é doce, ao contrário do que ocorre com o Poopo que, mesmo alimentado pelas águas do Titicaca, devido a altíssima taxa de evaporação e profundidade de poucos metros, tem uma grande salinidade.

Placa informativa na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Placa informativa na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Chegando à ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Chegando à ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Além das muitas espécies de pássaros, três ou quatro espécies de peixes tinham uma boa vida no lago até que, há pouco menos de 100 anos, as trutas foram introduzidas pelo homem. O resultado foi catastrófico para as espécies nativas, já que as trutas, sem inimigos naturais, as devoraram. A única sobrevivente foi uma espécie com muitos espinhos, indigesta até para as trutas. Essas se tornaram o prato principal das pessoas que viviam no lago, mas o excesso de pesca também dizimou a população de trutas nas áreas próximas às grandes cidades, como Puno e Copacabana. Além disso, com a introdução de outro peixe, o king fish, as trutas também se tronaram presas, tornando a sua vida ainda mais difícil.

Ovelhas pastam tranquilas na belíssima ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Ovelhas pastam tranquilas na belíssima ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Ovelhas pastam tranquilas na belíssima ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Ovelhas pastam tranquilas na belíssima ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


O Titicaca pode ser dividido em três partes: a pequena baía de Puno, onde estão as Islas Flotantes, o grande lago do norte e o pequeno lago do sul. Esses dois últimos são ligados por um canal mais estreito, de apenas 800 metros. Por aí vamos passar de Fiona, em poucos dias, no nosso caminho entre Peru e Bolívia, entre Puno e Copacabana. Nessa viagem, vamos margear boa parte do lago e ter algumas das mais belas vistas que se pode ter do Titicaca desde terra firme, principalmente na área de Copacabana, já na Bolívia.

Nossa simpática hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Nossa simpática hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Outros turistas observam nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Outros turistas observam nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


A outra maneira de ver esse magnífico lago é de suas ilhas. As principais são Amantani e Taquile, no lado peruano, e a maior de todas, Isla del Sol, no lado boliviano. Nossa ideia é visitar as três, começando por Amantani. Esse foi exatamente nosso passeio de hoje, quando deixamos nosso hotel de Puno para ir dormir na própria ilha, na casa dos moradores. Amantani é a menos turísticas das ilhas e quem a visita, geralmente dorme por lá.

Almoçando no pátio interno da nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Almoçando no pátio interno da nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Almoçando no pátio interno da nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Almoçando no pátio interno da nossa hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


O passeio pode ser através das agências, normalmente mais caros, ou com o barco da comunidade, que foi a maneira que escolhemos. O barco sai bem cedo de Puno, faz uma parada nas Islas Flotantes (como disse no post anterior) e segue para fora da Baía de Puno, para a parte principal do Titicaca, onde estão Amantani e Taquile. Como todos os barcos no lago são muito lentos, é uma viagem longa, mais de três horas de navegação, fora o tempo que ficamos parados nas Islas Flotantes. Tempo mais do que suficiente para admirar o belo lago à nossa volta.

Ervas para o nosso chá na hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Ervas para o nosso chá na hospedagem na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Nosso delicioso e sadio almoço na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Nosso delicioso e sadio almoço na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Ainda no barco, o capitão divide os passageiros em pequenos grupos, para poder acomodá-los em diversas casas em uma das dez comunidades existentes em Amantani. Assim como nas Islas Flotantes, as famílias se revezam para receber os visitantes, para que todos possam se beneficiar do turismo. Quando chegamos na ilha, essas famílias vem nos receber e nos levar para suas casas, onde teremos abrigo e refeições.

A ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

A ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Pequena plantação na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Pequena plantação na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


A ocupação de Amantani é pré-incaica e seus habitantes falam quéchua. Com a conquista espanhola, a ilha passou a ser do rei de Espanha que, em 1580, a vendeu a um nobre espanhol que se estabeleceu na América. Foram estabelecidas fazendas e estas foram herdadas por seus descendentes. Mas uma forte seca no início do século passado começou a afastar os grandes proprietários que passaram a vender suas propriedades aos habitantes originais, que nunca haviam saído da ilha, formando sempre a sua classe trabalhadora. Aos poucos, toda a ilha foi vendida e hoje ela está dividida em muitas pequenas propriedades desses habitantes originais. O problema é que não há mais terras para serem vendidas ou cultivadas e as famílias continuam a crescer. As propriedades ficam cada vez menores, mas muitos dos descendentes, ao final, tem de deixar a ilha.

Loja na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Loja na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Na divisão de grupos, acabamos ficando no maior deles, o que ficaria hospedado na casa do capitão do barco. Conosco, uma família de espanhóis (mãe, filha, filho e nora) e dois amigos, também espanhóis, o Alvaro e o Valentin. Os dois tornaram-se nossos companheiros de exploração, não só de Amantani, mas também Taquile, a outra ilha que visitaríamos no dia seguinte.

Caminhando nas ruas de comunidade da ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Caminhando nas ruas de comunidade da ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Nossa casa era uma delícia, combinando charme e simplicidade. Vista maravilhosa para o lago lá embaixo, em meio à pequenas plantações e ruas de pedra. Fomos recebidos com um almoço bem sadio, produtos da própria ilha, desde o queijo e chá até as batatas e o milho. Tudo servido no pátio interno da casa, numa grande mesa comunal. Foi muito joia!

Caminhando na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Caminhando na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Praia na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Praia na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


Depois do almoço, um tempo para passear ao redor, sentir um pouco do clima campestre e rural de Amantani, o relevo todo aproveitado na forma de terraços agrícolas, pequenas trilhas ligando as diversas comunidades da ilha, algumas poucas lojas e centros comunais, mulheres, homens e crianças em seus trajes típicos e ovelhas pastando tranquilamente. Aqui, não há dúvida, tudo é mais autêntico que nas Islas Flotantes, onde a economia gira completamente em torno do turismo. Em Amantani não, os visitantes ainda são incipientes e as pessoas estão mais preocupadas com sua própria vida e afazeres do que conosco. Aqui, podemos ser mais observadores do que clientes. Uma delícia!

Praia de pedras na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Praia de pedras na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


No final da tarde, todos nos reunimos novamente, os visitantes que vieram no barco. Juntos, seguiríamos com o capitão para as duas montanhas da ilha, com cerca de 4.100 metros de altura, mais de 300 metros acima do nível do lago. Além dos santuários que lá existem, é um lugar estratégico para se observar o fim de tarde sobre o lago. Tão espetacular foi essa experiência que vou dedicar o próximo post apenas a ela.

Despedindo-se da filha do dono de nossa hospedaria na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Despedindo-se da filha do dono de nossa hospedaria na ilha de Amantani, no lago Titicaca, no Peru


No dia seguinte, após um simples, mas delicioso café da manhã, foi hora de nos despedirmos de Amantani. Ainda tivemos tempo para umas fotografias e uma rápida caminhada em uma das praias de pedra da ilha. Depois, voltamos todos ao nosso barco, para seguirmos à ilha vizinha de Taquile, para uma visita de algumas horas. Foi com dor no coração que deixamos Amantani. Com sua paz, tranquilidade e beleza inspiradoras, é o típico do lugar que eu gostaria de me refugiar para escrever um livro, passar uma temporada de alguns meses de vida bem simples, comida saudável, caminhadas pela manhã e no final da tarde, pores-do-sol inesquecíveis e muitas garrafas de vinho (essas, eu teria de levar, hehehe). Quem sabe, um dia...

Curtindo o incrível entardecer do alto do santuário Pachatata, na ilha Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Curtindo o incrível entardecer do alto do santuário Pachatata, na ilha Amantani, no lago Titicaca, no Peru

Peru, Amantani, Lago, Titicaca

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Aniversário Entre Gigantes

Canadá, Tofino, Victoria

Enorme tronco caído de cedro Vermelho faz ponte natural em trilha do Pacific Rim Nat. Park, na região de Tofino, na British Columbia, no Canadá

Enorme tronco caído de cedro Vermelho faz ponte natural em trilha do Pacific Rim Nat. Park, na região de Tofino, na British Columbia, no Canadá


Algumas datas nos fazem ver como temos andado por esse continente nos últimos tempos. São datas marcantes para nós como, por exemplo, o dia do ano que começamos essa viagem ou a data do nosso casamento. Elas nos convidam a tentar lembrar como foi esse mesmo dia há um ano ou há dois anos, épocas em que já estávamos na estrada nesses 1000dias. Nossos respectivos aniversários estão entre esses datas marcantes e hoje é o meu dia de ficar um pouco mais velho.

As condições climáticas da 'Wet Coast', na British Columbia, no Canadá

As condições climáticas da "Wet Coast", na British Columbia, no Canadá


Então, foi o dia de tentarmos lembrar o que fizemos e onde estávamos nos dias 11 de Outubro de 2011 e de 2010. Se a memória falha um pouco, os blogs estão aí para nos lembrar! Um botão no alto de cada um dos blogs nos leva diretamente aos posts de um e dois anos atrás. Para mim, é uma viagem deliciosa navegar por eles e reviver aqueles momentos. Há um ano, estávamos na cidade histórica de Popayan, no sul da Colômbia, e a sobremesa do jantar daquela noite especial foi inesquecível! Há dois anos estávamos em Itaúnas, a simpática cidade capixaba cheia de dunas de areia, no norte do estado. Ali, tivemos a deliciosa companhia do sobrinho Leo e da namorada Karen, que já faz parte da família, quase uma sobrinha também. Sem esquecer dos padrinhos Rafa e Laura. Foi muito legal!

Observando árvore que cresceu sobre o tronco de um antigo Cedro Vermelho, na rain forest da região de Tofino, na British Columbia, no Canadá

Observando árvore que cresceu sobre o tronco de um antigo Cedro Vermelho, na rain forest da região de Tofino, na British Columbia, no Canadá


Bom, e hoje, 11 de Outubro de 2012? Dessa vez, longe que estamos, não tivemos a companhia física de familiares e amigos. Mas a internet e o Skype estão aí para diminuir as distâncias, certo? Passei boa parte da manhã, ainda no nosso Hostal em Tofino, lendo e respondendo e-mails e mensagens no Facebook, além de falar por uma hora, via Skype, com a família separada pelo mundo. Uma delícia! Viajar hoje em dia é tão mais fácil que na época das cartas e dos telegramas... Pois é, estou ficando velhinho, eu me lembro disso!

A magnífica floresta de árvores gigantes na Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá

A magnífica floresta de árvores gigantes na Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá


Bom, fim da manhã, fim da nostalgia, bola para frente! Era hora de pegar estrada novamente! Nosso destino era Victoria, no sul da Vancouver Island e a capital de toda a British Columbia. Mas, antes de chegar lá, ainda tínhamos duas paradas muito importantes para fazer!

Trilha ba floresta de árvores gigantes, na Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá

Trilha ba floresta de árvores gigantes, na Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá


Placa comparativa da maior e mais antiga das Douglas Fir com a Torre de Pisa, na Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá

Placa comparativa da maior e mais antiga das Douglas Fir com a Torre de Pisa, na Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá


A primeira foi numa trilha atravessando um trecho da rain forest protegida pelo Pacific Rim National Park, ainda bem perto de Tofino. O clima chuvoso combinou perfeitamente com a trilha entre enormes árvores centenárias que formam o coração e o motor daquela mata úmida. Do conforto de uma passarela de madeira, pudemos admirar o trabalho milenar da natureza, através de várias gerações de árvores que chegam a viver 800 anos e que, quando morrem, ainda ajudam a sustentar por mais de um século a vida de outras árvores que nascem sobre seus troncos. O ar puro e o silêncio quebrado apenas pelos cantos dos pássaros ajudam a criar um clima de paz e relaxamento, tudo o que eu mais queria naquele momento. Sorte daqueles que podem fazer um passeio desses a cada dia. Rejuvenescedor!

Junto à maior e mais antiga das Douglas Fir, em Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá

Junto à maior e mais antiga das Douglas Fir, em Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá


A maior e mais antiga das Douglas Fir, em Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá

A maior e mais antiga das Douglas Fir, em Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá


A parada seguinte, uma hora adiante na estrada, também foi em uma mata. Já distantes da “Wet Coast”, o sol até apareceu, como que para me parabenizar também, hehehe. A floresta, agora, era a famosa “Cathedral Grove”, um parque criado para proteger as maiores e mais antigas árvores de toda a Vancouver Island. Se a outra mata, perto de Tofino, já era inspiradora, essa aqui beira o divino. Árvores que chegam aos 70 metros de altura e que necessitam de quase uma dezena de homens para serem completamente “abraçadas”, elas se erguem como pilares para o céu que, aliás, parecem sustentar.

Trilha pela Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá

Trilha pela Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá


A estrada passa bem no meio do parque. Aí, paramos o carros e fazemos duas trilhas, uma em cada lado da estrada. De um lado, predominam nossos velhos conhecidos Cedros Vermelhos. Os mesmos que, quando morrem, servem de encubadeiras pelo próximo século. Do outro, uma parente próxima, conífera também, a Douglas Fir. Mensageiros dos séculos, contam a história de enormes tempestades, como uma há 23 anos, e de incêndios, como o que destruiu metade das árvores a 350 anos, deixando grandes cicatrizes nas árvores que restaram. São nesses grandes eventos que esses gigantes silenciosos vem ao chão, dando espaço a uma nova geração de árvores.

A Fiona fica pequenina perto das árvores da Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá

A Fiona fica pequenina perto das árvores da Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá


Essas mesmas árvores maravilhosas estavam por aqui quando o botânico David Douglas passou pela ilha, há quase 200 anos. Douglas pertenceu a uma geração heroica de cientistas ingleses, que cruzou o mundo naquela época, como oficiais de ciências de grandes expedições. Douglas pode não ter ficado tão conhecido como seu contemporâneo Darwin, mas viveu aventuras semelhantes, encerradas abruptamente numa misteriosa morte enquanto explorava o Hawaii, com apenas 35 anos de idade. Mesmo com esse pouco tempo de vida, ele foi o responsável pela descoberta de centenas de novos tipos de árvores e plantas. Na verdade, foi o botânico responsável pelo maior número de tipos de árvores introduzidas na Inglaterra (e, portando, na Europa) na história. Entre elas, a imponente Douglas Fir, que foi batizada em sua homenagem após sua trágica morte.

A magnífica floresta de árvores gigantes na Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá

A magnífica floresta de árvores gigantes na Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá


Homenagem também é o que fizemos a “mãe de todas elas”, que hoje comemorava 843 anos de idade (pelo menos, foi assim que gostei de imaginar!), uma árvore que já estava de pé quando Marco Polo visitava a China, há 750 anos. Quando Colombo chegou, então, ao outro lado do continente, já era uma adulta! Só não posso dizer que foram os vikings que a plantaram porque eles só ficaram no lado do Labrador. Ou teriam dado um pulinho por aqui? Enfim, ter estado ali, lado a lado com essas gigantes foi um inesquecível presente de aniversário.

A magnífica floresta de árvores gigantes na Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá

A magnífica floresta de árvores gigantes na Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá


Mas não foi o único! Nós seguimos viagem até a charmosa Victoria, cidade com uma rica cena cultural e gastronômica. A cidade, vamos explorar de verdade amanhã, com ajuda da luz do dia. Mas a iluminação noturna foi mais do que suficiente para encontramos o delicioso restaurante Camille’s, onde a Ana me presenteou com um jantar maravilhoso, com direito a vinho canadense direto do Okanagan Valley, principal região vinícola do país. Da entrada à sobremesa, passando pela carne de prato principal, foi um verdadeiro banquete de sabores! Obrigado a minha amada companheira!

Um delicioso vinho local para celebrar o aniversário do Rodrigo em Victoria, capital da British Columbia, no Canadá

Um delicioso vinho local para celebrar o aniversário do Rodrigo em Victoria, capital da British Columbia, no Canadá


Celebração do aniversário do Rodrigo em Victoria, capital da British Columbia, no Canadá

Celebração do aniversário do Rodrigo em Victoria, capital da British Columbia, no Canadá


A noite e a celebração não terminaram por aí. Ainda esticamos para um Irish Pub, com boa música irlandesa e uma enorme quantidade e variedade de cervejas e uísques. Uísques de primeira, mas com um tamanho de dose ridículo, como bem pôde comprovar a Ana. Eu fui direto na tradicional Guinness. Achei que combinava com a data e com o dia que tinha passado! Terminamos assim, em grande estilo, esse 11 de Outubro. Depois de tanto lembrar do passado, ficou só a curiosidade do futuro: onde será o 11 de Outubro de 2013?

Uma legítima Guinness em pub irlandes para celebrar o aniversário do Rodrigo em Victoria, capital da British Columbia, no Canadá

Uma legítima Guinness em pub irlandes para celebrar o aniversário do Rodrigo em Victoria, capital da British Columbia, no Canadá

Canadá, Tofino, Victoria, British Columbia, Cathedral Grove, Parque, trilha

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De Volta às Estradas, Rotas e Compromissos

Argentina, Las Grutas

De volta às estradas argentinas, agora cruzando as infinitas planícies da região dos Pampas, entre Tandil e Bahia Blanca

De volta às estradas argentinas, agora cruzando as infinitas planícies da região dos Pampas, entre Tandil e Bahia Blanca


Mais uma vez estamos com o pé na estrada aqui na Argentina a bordo na nossa querida Fiona. E mais uma vez também, estamos correndo atrás do relógio, pois estamos com um compromisso com data e hora marcadas lá na Ilha do Mel, litoral do nosso Paraná. Temos um casamento no dia 7 de Dezembro, portanto daqui a 12 dias. Ilha do Mel está completamente fora da nossa rota atual, fica a nordeste daqui e nós estamos rumando para sudoeste. Para nos arrancar daqui, no meio da nossa viagem, só se fosse o casamento de pessoas muito especiais. E no caso, são! A Laura e o Rafa, nossos padrinhos de casamento, vieram nos “visitar” várias vezes durante esses 1000dias. Caminharam conosco nas dunas de Itaúnas, no Espírito Santo, mergulharam em Galápagos, desbravaram Cuba e até no distante Havaí foram nos encontrar. E agora decidiram se casar lá na Ilha do Mel, exatamente na mesma praia e pousada que nós casamos também, há 55 meses. E para garantir mesmo que nós não faltássemos ao evento, eles nos convidaram para ser padrinhos. Então, assim será.

Em laranja, as três rotais pelas quais já cruzamos a Argentina nesses 1000dias. Em azul, a rota que inciamos agora, rumo a Bariloche e passando pela Península Valdez

Em laranja, as três rotais pelas quais já cruzamos a Argentina nesses 1000dias. Em azul, a rota que inciamos agora, rumo a Bariloche e passando pela Península Valdez


Debruçados sobre mapas, tentando otimizar ao máximo nosso roteiro, viagem e compromissos sociais, decidimos que o melhor seria voar para Curitiba lá de Bariloche. Deixamos a Fiona por alguns dias no aeroporto e fazemos um rápido e intenso bate-volta. Compramos a passagem para o dia 5, o que nos dará tempo para seguir até a Ilha do Mel, e voamos de volta no dia 9. Vai ser corrido, mas vai valer a pena! Enfim, temos que chegar a Bariloche antes disso. Na verdade, alguns dias antes disso, pois agora combinamos de encontrar a Rowan por lá para viajar alguns dias pela região com ela. Assim, quando retornarmos de Curitiba, já podemos seguir diretamente para o sul, rumo à Terra do Fogo. Então, essa é a ideia: seguir correndo para Bariloche. Mas no caminho, ainda queremos passar pela fantástica Península Valdez. Um roteiro de mais de 2 mil quilômetros em poucos dias e muita coisa para se ver e fazer. Só para não “perdermos a prática”, hehehe.


Infelizmente, o Google Maps não consegue mostrar a rota mais curta e inteligente, mas enfim, foi por essas cidades que passamos, num roteiro 100 km mais curto que o mostrado acima

Por isso a pressa ontem em deixar Pilar e seguirmos para o sul, apesar já ser final de tarde e de já termos viajado lá de Ushuaia de avião no mesmo dia. Estávamos prontos para cruzar esse país de lado a lado mais uma vez. Será nossa quarta vez nesses 1000dias a fazer isso. Na primeira vez entramos vindos lá da Bolívia, no norte. Exploramos a região de Salta e seguimos para o deserto do Atacama, no Chile. Na segunda vez entramos vindos do Rio Grande do Sul, na região das Missões, passamos por grandes cidades como Corrientes e Santiago del Estero e cruzamos para o Chile pelo maravilhoso Paso San Francisco. Finalmente, entramos na última vez por Mendoza, vindos do Chile. Conhecemos parques nacionais e metrópoles como Córdoba e Rosário e finalmente chegamos a Buenos Aires. Agora, nessa quarta travessia, primeiro seguiremos para o sul, cruzando a região dos Pampas e chegando a uma cidade praiana. Daí para a Península Valdez, paraíso de baleias, focas e guanacos. Por fim, daí vamos cruzar o país de leste a oeste até Bariloche.

A cidade praiana de Las Grutas, na Argentina

A cidade praiana de Las Grutas, na Argentina


Planos feitos, mãos a obra e pé na tábua. Ontem dirigimos quase 400 km até a cidade de Tandil. Infelizmente, nessa nossa agenda apertada tivemos de desistir mais uma vez de Mar del Plata. Seria um desvio muito grande para podermos passar muito pouco tempo por lá. Faz tempo que quero conhecer o mais famoso balneário argentino, mas outra vez teremos de deixar para a próxima. O pior é que dessa vez tínhamos até sido convidados a passar por lá por um simpático casal que conhecemos lá na pequena ilha de Providencia, no caribe colombiano. Enfim, não deu dessa vez... Já a cidade de Tandil, confesso minha ignorância e admito que nunca tinha ouvido falar. Apenas parecia um bom lugar para dormirmos no caminho. Eis que a cidade é a mais bela e interessante da região dos Pampas. Localizada ente colinas e rochedos, é um paraíso para quem gosta de escalar em rocha. Assim como para mountain bikers. E também para os amantes de queijo, pois a região é umas das principais produtoras de derivados de leite no país. Enfim, merecia alguns dias de exploração e deleite. Mas nós chegamos lá a meia noite e, para nossa surpresa, foi um parto achar lugar em hotéis. Todos lotados. Já estava a ponto de desistir e dormir na Fiona mesmo. Mas a Ana insistiu e, numa última tentativa, já duas horas da manhã, encontrou um lugar joia. Nós dormimos o sono dos justos e hoje, logo cedo, já estávamos na estrada. Seriam mais 750 km até a pequena Las Grutas, pequena cidade praiana já ao sul de Bahia Blanca muito recomendada pelo nosso amigo Chetoba. Mas antes de deixarmos a surpreendente Tandil, ainda paramos numa loja para comprar um bom queijo. Era o mínimo que poderíamos fazer para “saborear” um pouco as atrações dessa cidade! Chegamos a Las grutas no final da tarde e logo nos encantamos. Tanto que decidimos ficar aqui todo o dia de amanhã também. Um merecido descanso depois dessa correria toda que começou lá em Ushuaia e um lugar perfeito para recarregarmos as baterias antes de chegarmos a uma das principais atrações turísticas do país: a Península Valdez.

Curtindo o fim de tarde em Las Grutas, na Argentina

Curtindo o fim de tarde em Las Grutas, na Argentina

Argentina, Las Grutas, Estrada, Tandil

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Antígua Sem Barbuda

Antígua E Barbuda, Darkwood Beach, English Harbour, Saint Johns

Fim de tarde na tranquila Darkwood Beach, no sudoeste de Antígua, no Caribe

Fim de tarde na tranquila Darkwood Beach, no sudoeste de Antígua, no Caribe


Hoje era o dia de deixarmos Barbados para trás e iniciar nova etapa desse tour pelo leste do Caribe. Voamos pela manhã com a Liat, a principal companhia aérea da região, para Antígua. O próximo voo está marcado para o dia 6, de Antígua para a francesa Guadalupe. Nesse meio tempo, nossa ideia era visitar também as ilhas de Barbudas, a irmã menor de Antígua, e Montserrat, a nação que quase desapareceu sob um vulcão nos últimos vinte anos. É possível ir de barco para essas duas ilhas a partir de Antígua e era esse o nosso plano.

Chegando ao aeroporto de Antígua, no Caribe

Chegando ao aeroporto de Antígua, no Caribe


Assim, chegamos ao aeroporto de Antígua, pegamos alguns mapas na oficina turística e seguimos de táxi para a capital, a cidade de St John’s. A cidade não é das mais atrativas e os turistas costumam seguir diretamente para algum dos resorts nas belas praias do país. Mas é da capital que saem os barcos para as ilhas vizinhas e nós precisávamos armar nosso roteiro para esses poucos dias até aqui. A gente se instalou num hotel bem no centrinho, perto dos piers onde chegam os cruzeiros durante a temporada e corremos para o porto, em busca de informações.

Mapa mostrando Antígua, Barbuda e Montserrat e suas posições relativas, no Caribe

Mapa mostrando Antígua, Barbuda e Montserrat e suas posições relativas, no Caribe


Pois é, uma coisa é a teoria e a outra é a prática. Fora de temporada turística (estamos agora é no início da temporada dos furacões!), o movimento cai muito e, consequentemente, diminuem os barcos para Barbudas e para Montserrat. Essa última é nossa prioridade faz tempo, desde a primeira que que a sobrevoamos, há mais de um ano, e vimos seu vulcão ativo lá de cima, soltando fumaça. Além disso, a ilha tem fama de ótimo ponto para mergulhos, uma de nossas paixões.

Caminhando pela tranquila orla de St John's, a capital de Antígua, no Caribe

Caminhando pela tranquila orla de St John's, a capital de Antígua, no Caribe


Enfim, para lá queremos ir de qualquer maneira. Tinha um ferry hoje de tarde e outro para amanhã de tarde. Depois, só daqui a 5 dias. Para voltar, se formos hoje, poderíamos voltar amanhã de manhã. E se formos amanhã, só poderíamos voltar na próxima quinta. As duas opções eram completamente inviáveis, já que precisamos de pelos menos 24 horas por lá e temos de estar de volta aqui até quarta. Restou o plano B: ir de ferry e voltar de avião.

Saída de escola em St John's, a capital de Antígua, no Caribe

Saída de escola em St John's, a capital de Antígua, no Caribe


Aí, começou outra corrida. Os aviões que fazem a linha são bem pequenos, para apenas 6 passageiros. Depois de muito trabalho em encontrar uma agência de viagens que trabalhasse com a SVG, a empresa que faz a linha, descobrimos que os voos estavam todos reservados. Com muito trabalho, conseguimos marcar e comprar passagens de volta para terça de noite. Assim, Montserrat estava garantida. Em compensação, a depopulada Barbudas dançou...

O simpático e irriquieto filho da agente de turismo na oficina do porto de St John's, a capital de Antígua, no Caribe

O simpático e irriquieto filho da agente de turismo na oficina do porto de St John's, a capital de Antígua, no Caribe


É... teríamos o resto do dia de hoje e amanhã até o final da tarde aqui em Antígua. Voltamos na terça, no final do dia e, já na quarta bem cedo, voamos para Guadalupe. Em Barbudas, vamos perder uma colônia de fragatas (que atrai os amantes de pássaros; nós preferimos os peixes) a alguma praias desertas, que também existem aqui em Antígua, até mais bonitas. Acho que, no final, não ficou tão ruim...

Em reforma, a bela Catedral Anglicana de St John's, a capital de Antígua, no Caribe

Em reforma, a bela Catedral Anglicana de St John's, a capital de Antígua, no Caribe


Então, sem perder mais tempo, alugamos um carro e partimos para a exploração da ilha. Antígua, como quase todas as ilhas do Caribe, foi descoberta e nomeada por Colombo, no final do século XV. E assim como as outras ilhas pequenas, não recebeu muita atenção dos ibéricos, que se concentraram nas maiores, depois de escravizar os índios das menores e levá-los para trabalhar em suas colônias. Deste modo, foi só na metade do séc XVII que a ilha foi ocupada pelos ingleses, a nova potência colonial.

Influência inglesa em St John's, a capital de Antígua, no Caribe

Influência inglesa em St John's, a capital de Antígua, no Caribe


Depois do algodão e do tabaco, foi a cana que se estabeleceu, no regime de plantations. Como se sabe, com muita mão-de-obra negra vinda da África e que, hoje, é predominante na população local. Com exceção de uma breve ocupação francesa, os eternos inimigos dos ingleses, a ilha permaneceu britânica até a década de 60 do século passado, tornando-se então independente, mas ainda dentro do Commonwealth (a Rainha Elizabeth é a Chefe de Estado).

A bela praia de Darkwood Beach, no sudoeste de Antígua, no Caribe

A bela praia de Darkwood Beach, no sudoeste de Antígua, no Caribe


Nós seguimos para a praia de Blackwood Bay, na costa sudoeste da ilha. Das melhores praias, é a mais próxima da capital, que está na costa noroeste de Antígua. Como queríamos chegar logo para ainda aproveitar o mar, foi a escolha óbvia. E assim foi, não demorou muito e já estávamos deitados na areia, um delicioso mar de águas azuis à nossa frente. Caminhamos, nadamos, bebemos uma cerveja e desfrutamos desse paraíso caribenho enquanto o sol abaixava no horizonte.

Celebrando o sol e o mar na praia de Darkwood Beach, no sudoeste de Antígua, no Caribe

Celebrando o sol e o mar na praia de Darkwood Beach, no sudoeste de Antígua, no Caribe


Foi preciso muita força de vontade para deixar a praia e seguir para o próximo destino, English Harbour, na costa sul da ilha. Queríamos ver ruínas de um forte ali e também jantar, pois a região era muito recomendada gastronomicamente falando, pelo nosso guia. No caminho, ainda passamos pelo interior de Antígua, montanhoso e com diversas plantações de banana. Não demora muito para perceber que estamos numa ilha tropical!

Plantação de bananeiras próximo à Darkwood Beach, no sudoeste de Antígua, no Caribe

Plantação de bananeiras próximo à Darkwood Beach, no sudoeste de Antígua, no Caribe


English Harbour era a principal base de proteção da ilha, no período colonial. Chegamos bem em tempo de, com uma rápida caminhada, chegar até o alto da península onde estava o forte. Uma vista lindíssima do mar à nossa frente e da baía ao nosso lado, uma espécie de mini-fiorde, tomado por marinas e veleiros de gente bacana.

A histórica English Harbour, no sul de Antígua, no Caribe

A histórica English Harbour, no sul de Antígua, no Caribe


Ao pé do forte, hoje, há um hotel mais chique. Estava se preparando para a celebração do jubileu da rainha, o grande evento dos próximos dias em toda a comunidade britânica. Na pequena cidade aqui do lado, bons restaurantes e bares, cheio dos turistas que não tínhamos visto na capital St John’s. Não podemos culpá-los pelo bom gosto que têm!

A histórica English Harbour, no sul de Antígua, no Caribe

A histórica English Harbour, no sul de Antígua, no Caribe


Já na noite escura e muito bem alimentados, dirigimos de volta para o nosso hotel, lá em St John’s. Atravessamos o país! Tudo bem que só demorou 30 minutos, mas o fato é que atravessamos o país, hehehe. Estou craque na tal mão inglesa. Só falta parar de confundir o pisca-pisca com o limpador de para-brisa...

Visitando as ruínas do forte de English Harbour, no sul de Antígua, no Caribe

Visitando as ruínas do forte de English Harbour, no sul de Antígua, no Caribe


Amanhã, temos o outro lado de Antígua para explorar. Dizem que as praias ainda são mais bonitas. Nosso limite é ter de estar de volta, no porto, até às quatro da tarde. De novo, atravessaremos o país, ida e volta. Ainda bem que é uma ilha pequena...

Fim do dia nas ruínas do antigo forte em English Harbour, no sul de Antígua, no Caribe

Fim do dia nas ruínas do antigo forte em English Harbour, no sul de Antígua, no Caribe

Antígua E Barbuda, Darkwood Beach, English Harbour, Saint Johns, história, Praia

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