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Dias em Vancouver

Canadá, Vancouver

Caminhando pela orla do West End, em Vancouver, no Canadá

Caminhando pela orla do West End, em Vancouver, no Canadá


Vancouver, a maior metrópole canadense nesse lado do país, é uma cidade bem jovem, com cerca de 150 anos. O grande impulso ao seu crescimento foi a sua escolha pela Canadian Pacific Railway como o ponto final da primeira linha ferroviária transcontinental do país. A população saiu de 1.000 habitantes em 1880 para 20 mil em 1900 e cerca de 100 mil em 1910. Rapidamente, ela ultrapassou a capital da província, Victoria, como principal polo econômico e político da Columbia Britânica, chegando hoje perto dos 3 milhões de habitantes na sua região metropolitana.

Caminhando pelo centro de Vancouver, no Canadá

Caminhando pelo centro de Vancouver, no Canadá


Para padrões canadenses, é considerada uma cidade perigosa. Para nossos padrões latinos, é tão segura como um convento. Perigoso mesmo, é o tempo. Não o frio, pois estando tão perto do mar, a temperatura não esfria tanto como no interior ou em outras metrópoles. Temperaturas abaixo dos 10 graus negativos são um evento raro, assim como a acumulação de neve. Mesmo nos meses mais frios, a média fica no terreno positivo. Chato mesmo é a chuva, trazida pelo mesmo oceano que não deixa o frio aumentar. Não é a toa que a cidade tem o apelido de “Raincouver”, a metrópole da “Wet Coast”.

A Chinatown de Vancouver, no Canadá

A Chinatown de Vancouver, no Canadá


Outra característica marcante da cidade é a diversidade populacional. Imigrantes de todo o mundo moram aqui, principalmente os de origem asiática. Chineses começaram a chegar no final do séc XIX, trazidos pelas grandes empresas como mão-de-obra barata. Não demorou muito para começarem a ser hostilizados pela população local, assim como eram outros povos daquele continente, como japoneses e indianos. Mesmo as leis racistas que vigoraram no país até a metade do século XX não impediram que continuassem a chegar em grande número. Hoje, a população de origem asiática representa praticamente a metade da população da cidade e, felizmente, a integração é muito maior e mais pacífica do que há poucas décadas. Basta andar pela cidade para perceber que, na próxima geração, o sangue de todas essas etnias estará misturado, brancos, negros, amarelos, indianos, latinos. O belo resultado, quero voltar aqui daqui a trinta anos e ver com meus próprios olhos!

Nosso espaçoso hotel em Vancouver, no Canadá.

Nosso espaçoso hotel em Vancouver, no Canadá.


Nosso espaçoso hotel em Vancouver, no Canadá.

Nosso espaçoso hotel em Vancouver, no Canadá.


Bom, mas não vou ter de esperar 30 anos para visitar Vancouver pela primeira vez. Ao contrário, chegamos aqui no dia 13 de noite, vindos de ferry de Victoria. Foi nosso primeiro ferry mais cheio, muita gente voltando da capital após passar o dia por lá, a negócios, turismo ou em competições esportivas. Entre o tempo no ferry e pequenos trechos rodoviários, pouco mais de duas horas de viagem separam as duas cidades, sem contar o tempo de espera no terminal. Aqui chegando, seguimos diretamente para nosso hotel na Robson Street, no bairro de West End, quase no centro, excelente localização para quem quer conhecer a pé o distrito histórico de Gastown, onde nasceu a cidade, o Stanley Park, principal área verde da metrópole, ou a rua Granville, aonde acontece a night de Vancouver.

Enconttro das expedições brasileiras 1000dias e 4x1, além dos Kombianos, em frente ao Boteco Brasil, em Vancouver, no Canadá

Enconttro das expedições brasileiras 1000dias e 4x1, além dos Kombianos, em frente ao Boteco Brasil, em Vancouver, no Canadá


Nosso hotel foi uma bela surpresa do PriceLine. Quando entramos pela porta do nosso quarto, no oitavo andar, descobrimos que era, na verdade, quase um apartamento, com sala, cozinha, quarto, banheiro e até uma varanda! Entre os prédios e luzes da cidade grande, a minha sensação era a de estar no antigo apartamento de São Paulo. Pois é, quem diria que um dia eu adoraria ter essa sensação de estar em São Paulo? Acho que foi o sentimento de estar novamente no lar, no nosso lar. Uma delícia! Ao longo de toda a nossa estadia na cidade, era sempre um prazer voltar para o nosso “apartamento” em Vancouver. Olhar os prédios e até o Ibirapuera (Stanley Park) pela janela, esquecer da viagem e nos imaginar de volta à nossa “vidinha”.

O Outono chega em Vancouver, no Canadá

O Outono chega em Vancouver, no Canadá


Para aumentar ainda mais essa sensação de lar, logo no dia 14 de manhã a Ana saiu e foi a um mercado próximo abastecer a nossa casinha. Assim, pudemos sempre tomar o café da manhã em casa, em frente à nossa janela com vista para a cidade. Frutas, granola, iogurte e pães para torrada, não só para o café, mas também para aquela fome que dá na madrugada, ou para o meio da tarde, quando estamos presos pela chuva no apartamento. Enfim, realmente a sensação de estarmos na nossa própria casa. Típico domingão depois de uma balada no sábado. Pois é, na véspera, quando chegamos de Victoria, não resistimos e fomos conhecer a night da cidade, quinze minutos de caminhada de casa. Na movimentada e iluminada Granville, migramos de bar em bar até acharmos um que nos apetecesse, boa música, pista de dança e muita gente animada.

Caminhando pelas trihas do Stanley Park, em Vancouver, no Canadá

Caminhando pelas trihas do Stanley Park, em Vancouver, no Canadá


Tempo chuvoso e balada na véspera, condições ideais para um domingo em casa, só curtindo não fazer nada, ouvindo o barulho dos carros e da chuva caindo lá fora. Gostamos tanto da “programação” que até resolvemos esticar nossa temporada por aqui, agora até o dia 17. Afinal, ainda tínhamos muito por ver e fazer, como caminhar pela cidade, levar a Fiona para sua revisão atrasada dos 100 mil quilômetros, rever amigos viajantes que também estavam por aqui e conhecer novos, com quem só havíamos falado por internet.

Caminhando na Sea Wall do Stanley Park, em Vancouver, no Canadá

Caminhando na Sea Wall do Stanley Park, em Vancouver, no Canadá


Admirando o belo visual do alto do Stanley Park, em Vancouver, no Canadá

Admirando o belo visual do alto do Stanley Park, em Vancouver, no Canadá


Pois é, aqui em Vancouver reencontramos os amigos colombianos que viajam em Kombi e encontramos os brasileiros da expedição 4x1, que também viajam pelas Américas de carro. Vou abordar esses encontros no próximo post, mas adianto que foi uma delícia ter estado com todos eles e fizemos várias coisas juntos, já começando na noite do dia 14, quando os colombianos vieram nos visitar em “casa” e, reunidos, fomos encontrar os brasileiros no Boteco Brasil, bar de uma brasileira que mora por aqui há mais de 20 anos. Não poderia ter sido mais apropriado, hehehe. Mas, como disse, isso é assunto para o próximo post!

Parece o Ibirapuera, mas é o Stanley Park, em Vancouver, no Canadá

Parece o Ibirapuera, mas é o Stanley Park, em Vancouver, no Canadá


Depois de matar a saudade de poder ficar em casa, no dia 15 começamos nossas explorações. Bom, primeiro a obrigação e depois, a diversão. Assim, logo cedo, levei a Fiona para a tão aguardada revisão dos 100 mil km, apesar de ela já estar com 107 mil. O problema foi que, no Alaska, as concessionárias só tinham horário disponível para o mês que vem. Aqui em Vancouver foi mais fácil, conseguimos marcar de véspera e, logo cedo, deixei nossa amiga por lá. Voltei para o centro de aerotrem, o metrô daqui, muito prático e eficiente. E bem mais rápido também, passando por cima do trânsito. Mesmo com a baldeação, levei metade do tempo que tinha levado para levar a Fiona até lá.

As lindas cores de Outono em Vancouver, no Canadá

As lindas cores de Outono em Vancouver, no Canadá


Em casa, café da manhã e saímos enfrentando a garoa (cada vez mais parecido com São Paulo!) para uma caminhada pela orla (é... isso São Paulo não tem!) até o Ibirapuera, quer dizer, o Stanley Park. A mata de árvores altas nos protegia da chuva, além de nos brindar com ar puro. As cores de Outono faziam tudo ficar ainda mais bonito e nós acabamos perdendo a noção do tempo e do espaço e, quando percebemos, já estávamos do outro lado do parque, na parte alta, com uma bela vista para o mar e para a ponte que leva aos bairros do norte da cidade. Inspiração para pararmos um pouco num restaurante estrategicamente colocado por ali, onde tomamos uma sopa quente, uma sobremesa doce e, para lubrificar tudo, uma deliciosa taça de vinho. Chique no “úrtimo”!

Taça de vinho no Stanley Park, em Vancouver, no Canadá

Taça de vinho no Stanley Park, em Vancouver, no Canadá


A Fiona saindo da revisão dos 100 mil km em Vancouver, no Canadá

A Fiona saindo da revisão dos 100 mil km em Vancouver, no Canadá


Já estava na hora de buscar a Fiona e, dessa vez, a Ana também foi comigo. Não poderia perder a oportunidade de andar de aerotrem e conhecer a cidade lá de cima. A Fiona estava lá nos esperando e pronta para outros 100 mil quilômetros que nos levarão de volta ao Brasil, passando por tantos países no caminho. Começamos com modestos 15 quilômetros de volta à nossa casa em Vancouver, onde receberíamos um pouco mais tarde os novos amigos da expedição 4x1. Juntos todos, já de noite, fomos comer carne preparada na moda mongol. Como todas as metrópoles, Vancouver oferece gastronomia de todo o mundo, principalmente uma cidade com tantos imigrantes.

Preparação do nosso churrasco mongol, em Vancouver, no Canadá (foto da expedição 4x1 - Retratos da América)

Preparação do nosso churrasco mongol, em Vancouver, no Canadá (foto da expedição 4x1 - Retratos da América)


Pão de queijo e guaraná, no Boteco Brasil, em Vancouver, no Canadá

Pão de queijo e guaraná, no Boteco Brasil, em Vancouver, no Canadá


Foi assim essa noite, foi assim no almoço do dia seguinte. Mas dessa vez, trocamos a Mongólia pelo nosso querido Brasil. A reunião das duas expedições foi novamente no Boteco Brasil, com direito à feijoada, pão de queijo, coxinha e caipirinha de pinga. Para tirar a barriga da miséria e matar as saudades de casa. A música que tocava também era brasileira, assim como a sobremesa, uma legítima goiabada. Presente da simpática Márcia, felicíssima de ter dois carros com placas e integrantes brasileiros bem em frente ao seu bar. Certamente, um feito inédito na história da cidade!

Museu Marítimo de Vancouver, no Canadá (foto da expedição 4x1 - Retratos da América)

Museu Marítimo de Vancouver, no Canadá (foto da expedição 4x1 - Retratos da América)


A digestão foi feita passeando mais um pouco na bela Vancouver, aproveitando um tímido sol que fazia força para aparecer. Passamos por parques, pela orla da cidade, pelo museu Marítimo e o de Antropologia e pela universidade. Ao final, chegamos à Wreck Beach, ainda em tempo de assistir ao pôr-do-sol. Um espetáculo para ser assistido de fora d’água, pois nessa época do ano já não dá para entrar no mar sem roupa, não!

Um dos muitos parques na orla de Vancouver, no Canadá

Um dos muitos parques na orla de Vancouver, no Canadá


Até o cachorro admira o pôr-do-sol na Wreck Beach, em Vancouver, no Canadá (foto da expedição 4x1 - Retratos da América)

Até o cachorro admira o pôr-do-sol na Wreck Beach, em Vancouver, no Canadá (foto da expedição 4x1 - Retratos da América)


Temos ainda a manhã de amanhã para passear por Vancouver, antes de seguirmos em frente. Provavelmente visitaremos o mercado, muito recomendado pelo Caio, o simpático músico brasileiro que toca no Boteco Brasil e é quem está hospedando o pessoal do 4x1. Com certeza, vamos partir com saudades dessa cidade que, embora não ofereça algum motivo especial para ser visitada, como uma Torre Eiffel ou uma praia de Ipanema, é um incrível lugar para ser saboreado e vivido aos poucos, com tempo e paciência. Um lugar que adoraríamos passar alguns meses, quem sabe fazendo algum curso e, de pouco em pouco, ir explorando suas vizinhanças, restaurantes, bares e esquinas. Uma cidade com alma. Já até temos um endereço para ficar: o “nosso” apartamento, lá na Robson Street, West End, perto de restaurantes, parque e até o famoso Whole Foods, aquele mercado de comidas naturebas. Só precisamos descobrir se existe alguma época do ano que chova menos por aqui, hehehe...

Tradicional foto do salto, durante o entardecer na Wreck Beach, em Vancouver, no Canadá

Tradicional foto do salto, durante o entardecer na Wreck Beach, em Vancouver, no Canadá

Canadá, Vancouver, história, British Columbia, Stanley Park

Veja todas as fotos do dia!

A nossa viagem fica melhor ainda se você participar. Comente!

Lagos, Geleiras e Cachoeiras

Canadá, Lake Louise, Jasper National Park

O belíssimo Lake Moraine, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá

O belíssimo Lake Moraine, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá


Ontem, depois da longa e maravilhosa caminhada na região do Lake Louise, ficamos sem tempo de voltar à outra das maravilhas da natureza do parque: o Lake Moraine. Tínhamos estado lá rapidamente, com chuva, no final do dia de anteontem. E juramos que iríamos voltar, de tão bonito que era. Então, hoje cedo, ainda antes de partirmos para Jasper, mais ao norte, retornamos ao Lake Moraine.

O belíssimo Lake Moraine, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá

O belíssimo Lake Moraine, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá


O nome vem da sua origem glacial. “Moraine” é o nome que se dá ao acumulo de pedras e entulho que uma geleira vai construindo ao longo do tempo. Esses verdadeiros rios de gelo carregam em suas costas pedaços das montanhas e vales pelos quais atravessa. Na sua luta para alargar o canal por onde passa, vai gerando desabamentos e as pedras que caem ficam sobre o gelo, que se desloca uns poucos metros por ano. Em algum ponto, na extremidade da geleira, o gelo derrete, É aí que ficam todas as pedras carregadas durante séculos. Acabam formando um monte de entulho que é o que chamamos de “Moraine”. Quando a geleira retrocede, por causa das mudanças climáticas, e deixa em seu lugar um rio, as “Moraines” acabam se transformando em diques naturais, favorecendo a formação de lagos. Como não tivemos glaciares no Brasil, essa não é uma palavra muito comum no nosso vocabulário, mas “moraine” em português é “morena”.

Caminhada pelo incrível Lake Moraine, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá

Caminhada pelo incrível Lake Moraine, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá


Fascinado pelas cores do Lake Moraine, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá

Fascinado pelas cores do Lake Moraine, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá


Bom, ainda bem que voltamos lá, pois o lago é uma das coisas mais lindas que já vimos nessa viagem. Ainda mais bonito que o Lake Louise, para falar a verdade. O seu verde é mais escuro e, sem vento por ali, é um verdadeiro espelho gigante, refletindo a paisagem de florestas verdes e montanhas nevadas ao seu redor. Uma verdadeira pintura! Palavras não podem fazer jus àquilo, mas as fotos mostram, pelo menos em parte, a beleza magnífica do lugar.

Pessoas esperam companheiros para poder completar o grupo e caminhar em área de ursos, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá

Pessoas esperam companheiros para poder completar o grupo e caminhar em área de ursos, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá


Aviso de que apenas grupos com 4 pessoas, no mínimo, podem caminhar nessa área na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá

Aviso de que apenas grupos com 4 pessoas, no mínimo, podem caminhar nessa área na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá


Nós fizemos uma curta trilha pela sua orla, pela floresta de pinheiros, o lago maravilhoso sempre ao nosso lado. Como ainda estava cedo, quase não havia turistas por ali e a sensação de contato com a natureza era ainda maior. Pelo caminho, outras trilhas saiam em direção às montanhas, mas nós não teríamos tempo de percorrê-las. Nem que quiséssemos, seria muito simples. Isso porque somos apenas dois e, nessa época do ano, o mínimo por grupo são quatro pessoas. Tudo por causa dos ursos, que tendem a respeitar grupos maiores de pessoas. Se um ranger (o guarda do parque) te pega fazendo a trilha fora de um grupo, as multas são pesadíssimas. E, pelo jeito, as pessoas respeitam pois, numa das entradas, lá estava um casal acompanhado de seu cão esperando que mais gente aparecesse, para poder fazer a trilha. Até olharam com esperança para nós, mas teriam de esperar mais um pouco...

Mirante de observação do magnífico Lake Moraine, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá

Mirante de observação do magnífico Lake Moraine, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá


feliz, durante passeio pelo Lake Moraine, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá

feliz, durante passeio pelo Lake Moraine, na região de Lake Louise, em Alberta, no Canadá


Fizemos essa trilha na orla do lago e subimos novamente no alto da “morena”, onde está o mais acessível mirante para observar todo o lago. Um colírio para os olhos, muita fotos e até um encontro com um grupo de brasileiras que viajava pelo local. Conversamos bastante com a guia, que mora no verão por aqui, recebendo turistas enviados por agências brasileiras e, no inverno, na California, de onde acompanha turistas brasileiros para o Havaí. Que bela vida! Literalmente!

O magnífico cenário da estrada entre Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá

O magnífico cenário da estrada entre Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá


Um dos muitos belos lagos na estrada entre Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá

Um dos muitos belos lagos na estrada entre Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá


Ainda “flutuando” com tanta beleza, voltamos para a Fiona e pegamos a estrada em direção à Jasper, no norte. Logo que saímos da cidade de Lake Louise, mudamos de parques: deixamos o Banff National Park e entramos no Jasper National Park. O principal centro de apoio desse parque é a cidade de Jasper, 230 km ao norte de Lake Louise.

A incrível paisagem atravessada pela estrada que liga Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá

A incrível paisagem atravessada pela estrada que liga Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá


Pode parecer longe, mas a estrada que liga as duas cidades passa por paisagens tão incríveis que a gente nem vê o tempo passar. São montanhas, lagos e geleiras que vão prendendo a nossa atenção, fazendo a gente querer parar em cada curva, fotografar ou simplesmente respirar aquela beleza incrível.

A geleira de Crowfoot, agora com apenas dois dedos, na estrada entre Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá

A geleira de Crowfoot, agora com apenas dois dedos, na estrada entre Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá


Foto antiga mostra a geleira de Crowfoot ainda com três dedos, na estrada entre Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá

Foto antiga mostra a geleira de Crowfoot ainda com três dedos, na estrada entre Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá


A primeira parada foi em frente a geleira conhecida como Crowfoot, ou “pé do corvo”. Não demora muito para adivinhar a razão do nome. Mas, infelizmente, está faltando um dedo do corvo, que estava lá quando a geleira foi batizada, há um século. Podemos ver as fotos antigas e perceber como o gelo recuou nesses últimos 100 anos. Prova irrefutável de que algo está mudando no nosso planeta. O segundo dedo também está diminuindo, mas mesmo assim, a magnitude da geleira, pendurada na montanha, impressiona.

Lagos e montanhas na estrada entre Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá

Lagos e montanhas na estrada entre Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá


Mas à frente, passamos por diversos lagos, cada um mais belo do que o outro. Todos da família do Lake Louise, pela cor. Aliás, essa cor vem dos minerais presentes nas pedras trazidas pelas pequenas geleiras atuais. As pedras acabam se dissolvendo na água e tingindo o lago com essa cor mista de azul e verde. Uma beleza!

Estrada que corta as montanhas e a belíssima paisagem entre Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá

Estrada que corta as montanhas e a belíssima paisagem entre Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá


Seguindo adiante, chegamos à maior geleira da região, originada em um enorme campo de gelo por detrás das montanhas chamado de Columbia Icefields. Olhando bem de longe, já ficamos impressionados com sua envergadura, principalmente quando, com muito trabalho e esforço, conseguimos discernir pessoas caminhando sobre ela, minúsculos pontos escuros naquela vastidão branca e gelada.

Admirado com a grandiosidade da paisagem entre Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá

Admirado com a grandiosidade da paisagem entre Lake Louise e Jasper, em Alberta, no Canadá


minúsculas pessoas caminham na geleira de Columbia Ice Fields, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá

minúsculas pessoas caminham na geleira de Columbia Ice Fields, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá


Para lá seguimos com a Fiona, loucos para matar nossa saudade de caminhar me geleiras. A última vez tinha sido na Islândia (trecho da nossa viagem que, vergonhosamente, eu ainda não relatei. Mas chego lá, pois as fotos do país são absolutamente maravilhosas e merecem ser mostradas!), em maio desse ano. Conforme vamos chegando mais perto, mais tomamos ciência do tamanho do rio de gelo. É de tirar o fôlego...

Pessoas caminham pelo Columbia Ice Fields, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá

Pessoas caminham pelo Columbia Ice Fields, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá


Temos de estacionar a mais de um quilômetro de onde a geleira está e caminhar o resto do tempo. Primeiro, subir uma antiga e enorme “moraine” e depois, descer do lado de lá, até chegar ao ponto em que o gelo encontra a terra. No caminho, diversas placas marcam o ponto onde estava a geleira nos anos anteriores. É bem triste passar pelas marcas de 1982 e 1992 e ver o quanto a geleira retrocedeu nessas ultimas décadas. Triste e preocupante.

A caminho da geleira em Columbia Ice Fields, a placa marca até onde o gelo chegava em 1982 (no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá)

A caminho da geleira em Columbia Ice Fields, a placa marca até onde o gelo chegava em 1982 (no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá)


Explorando a geleira de Columbia Ice Fields, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá

Explorando a geleira de Columbia Ice Fields, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá


Preocupação é o que sente os administradores do parque, colocando diversos cartazes dizendo que é proibido caminhar sobre a geleira, devido ao perigo de se cair em alguma das diversas fissuras escondidas por neve ou gelo fino. Mas os avisos são simplesmente ignorados pelas pessoas e nós fomos na onda, claro! Afinal, chegar até ali e não seguir para ver de perto seria um pecado. Com todo o cuidado, claro!

Caminhando pela fantástica geleira de Columbia Ice Fields, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá

Caminhando pela fantástica geleira de Columbia Ice Fields, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá


Seguimos uns quinhentos metros geleira acima, pelo menos até o ponto onde não havia mais turistas ou pessoas à minha frente. Só aí, vendo aquela imensidão puramente branca defronte a mim, me dei por satisfeito. Aqui, o gelo é mais branco, pois até onde as pessoas caminham ele está bem sujo de pó e pedras. A beleza e a sensação de solidão são indescritíveis. A força da natureza que sentimos sob os nossos pés também. Ao contrário da Islândia, onde as geleiras eram cheias de fissuras e buracos em fundo, aqui ela era bem mais homogenia, uma enorme massa de água congelada em movimento. Uma força primordial da natureza, a qual só podemos respeitar e admirar.

Riacho atravessa a geleira de Columbia Ice Fields, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá

Riacho atravessa a geleira de Columbia Ice Fields, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá


Rio corta canyon através de diversas camadas de rocha, em Athabasca Falls, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá

Rio corta canyon através de diversas camadas de rocha, em Athabasca Falls, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá


Os pequenos riachos que correm sobre o gelo são o lembrete de que ela está derretendo. De pouco em pouco, mas está derretendo. Esses pequeno riachos tornam o cenário ainda mais belo, formando até pequenas corredeiras e cachoeiras. Mas também nos alertam do perigo do gelo que pode ceder, então caminhamos cuidadosamente de volta à terra firme.

Atravessando antigo canyon criado (e abandonado) pelo rio, em Athabasca Falls, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá

Atravessando antigo canyon criado (e abandonado) pelo rio, em Athabasca Falls, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá


Ainda havia mais atrações pelo caminho, antes de chegarmos à Jasper, então seguimos em frente. Agora, depois de tantas montanhas, lagos e geleiras, a próxima parada foi numa grande cachoeira, no principal rio da região, o Athabasca. Ao longo de milhares de anos de erosão, ele formou um impressionante canyon nessa parte do rio. Através de várias passarelas, podemos caminhar sobre essa maravilha natural e, através dos painéis explicativos, podemos viajar no tempo e entender como se dá a eterna luta entre a água e a rocha que tenta cercar o seu caminho.

O balé das águas na Athabasca Falls, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá

O balé das águas na Athabasca Falls, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá


Normalmente, tendemos a ver essas paisagens de forma estática, como se aquilo tivesse nascido assim, como que por uma passe de mágica e que continuará da mesma maneira, pela eternidade. Nada disso! Pode ser assim na ridícula escala de tempo de nossas vidas, mas considere alguns poucos milhares de anos e logo percebemos o quão dinâmico e efêmero é isso tudo. As cachoeiras e canyons que estávamos vendo tem essa idade. E, para a nossa surpresa, não é apenas a água que vence essa luta. Ao lado do canyon onde passa o rio atualmente está um outro canyon, seco. Por ali passou a água por um bom tempo, mas acabou perdendo a batalha para a dureza da pedra e acabou seguindo por outro caminho, onde a rocha era mais mole. Caminhar por ali e imaginar os antigos turbilhões de água moldando e arranhando as paredes é bem legal. Entender como se dá todo o processo o torna ainda mais interessante, ao invés de “destruir a poesia”, como pensam alguns.

Um dos mirantes de Athabasca Falls, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá

Um dos mirantes de Athabasca Falls, no Jasper National Park, em Alberta, no Canadá


Enfim, tantas atrações haviam no caminho que chegamos já de tarde em Jasper, sem tempo para ver uma sequência de lagos coloridos que requeriam uma trilha de meia hora para ser percorrida. Fomos diretamente para a cidade. Final de feriado, foi um pouco mais fácil encontrar hotel. Ainda tivemos forças para um jantar com vinho no bar do próprio hotel, com direito à música ao vivo da melhor qualidade. O músico mandava muito bem no francês e inglês, além de tocar diversos instrumentos, inclusive uma espécie de cavaquinho e um pandeiro que se toca com os pés. Incrível! Valeu cada gotinha do nosso vinho! Aliás, o dia de hoje valeu cada minuto do nosso tempo. Viva o Canadá!

Olha só a gente 'perdido' no meio do Canadá!

Olha só a gente "perdido" no meio do Canadá!

Canadá, Lake Louise, Jasper National Park, trilha, Parque, Alberta, Lake Moraine, Columbia Icefields, Aathabasca Falls

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Ainda na Deliciosa Trinidad

Cuba, Trinidad de Cuba

Admirando a beleza do mar próximo à Playa Ancón, em Trinidad - Cuba

Admirando a beleza do mar próximo à Playa Ancón, em Trinidad - Cuba


Trinidad não fica em frente ao mar, mas muito pero dele. Vinte minutos de carro nos levam a uma estreita faixa de terra que separa o mar de várias salinas e terrenos alagadiços. Aí está a belíssima Playa Ancón, a mais famosa da região.

A belíssima cor do mar próximo à Trinidad, em Cuba

A belíssima cor do mar próximo à Trinidad, em Cuba


Mar de Trinidad, em Cuba

Mar de Trinidad, em Cuba


Para lá seguimos pela manhã, mas antes de Ancón, ainda fomos conhecer um outro trecho da costa, com mais pedras e corais e apenas minúsculas baías de areia. O mar, maravilhoso, com dezenas de tonalidades de azul e águas quase transparentes, é um convite ao mergulho e ao snorkel. Aí ficamos por um bom tempo, nos esbaldando naquela natureza exuberante, dia de sol e céu azul. Só a Ana que não podia molhar os ouvidos, ainda se recuperando da infecção.

O Rafa examina gaiola de peixes nas águas limpas do mar próximo à Playa Ancón, em Trinidad - Cuba

O Rafa examina gaiola de peixes nas águas limpas do mar próximo à Playa Ancón, em Trinidad - Cuba


Operação para salvar um baiacu, em Trinidad - Cuba

Operação para salvar um baiacu, em Trinidad - Cuba


O Rafa, amante incondicional dos bichos, acabou encontrando uma gaiola para peixes embaixo d’água e não descansou enquanto o dono que estava ali autorizasse que libertássemos todos eles. Um era um baiacu, completamente inflado. Foi uma verdadeira operação para retirá-lo da gaiola e depois fazê-lo nadar livremente outra vez. O problema era que ele mais parecia um balão de gás do que um peixe. Mas no final, deu certo.

Operação para salvar um baiacu completamente inchado, próximo à Playa Ancón, em Trinidad - Cuba

Operação para salvar um baiacu completamente inchado, próximo à Playa Ancón, em Trinidad - Cuba


A linda Playa Ancón, em Trinidad - Cuba

A linda Playa Ancón, em Trinidad - Cuba


Daí seguimos para a Playa Ancón, essa sim com uma extensa faixa de areias brancas, mas bem estreita. Caminhamos, nadamos e nos alimentamos com uma salada de frutas muito saudável e gostosa. Ambiente totalmente caribenho, imagem pura de saúde.

Playa Ancón, em Trinidad - Cuba

Playa Ancón, em Trinidad - Cuba


Depois de muito sol e muitas fotos, voltamos para a cidade. De noite, hoje acompanhados pelo Rafa e Laura (que ontem dormiram mais cedo), retornamos a Casa de La Trova. Essa “casa” existe em todas as maiores cidades do país e tem como objetivo o estímulo à boa música cubana, seus músicos e admiradores. Aliás, para quem gosta de música de qualidade, Cuba é o lugar certo para vir.

Noite de música na Casa de La Trova em Trinidad - Cuba

Noite de música na Casa de La Trova em Trinidad - Cuba


Uma vez ouvi um músico dizer que a melhor música do mundo está em três países: EUA, Brasil e Cuba (o que não quer dizer que a pior música também não esteja por aí, hehehe). Cada vez mais, concordo com ele. A combinação dos tambores africanos, da guitarra espanhola e da influência dos imigrantes franceses do séc XIX resultou numa música inteligente, alegra e diversa. Ritmos como a salsa, a rumba e o son, músicas como Guajira Guantanemera e bandas como Buena Vista Social Club e Orixas fazem sucesso pelo mundo, no passado, hoje e provavelmente por muito tempo ainda.

o simpático senhor que ficou nosso amigo na Casa de La Trova em Trinidad - Cuba

o simpático senhor que ficou nosso amigo na Casa de La Trova em Trinidad - Cuba


Escutar essa música ao vivo, em Cuba, é um privilégio. E essas “Casas de La Trova” são um dos melhores locais para isso. Passamos umas boas horas por lá, não só ouvindo a música, mas também admirados com a habilidade das pessoas dançarem. Nos chamou muito a atenção a performance de dois senhores, já sexagenários, com a energia de crianças na pista. Um espetáculo!

Um verdadeiro show de dança na Casa de La Trova em Trinidad - Cuba

Um verdadeiro show de dança na Casa de La Trova em Trinidad - Cuba


Por fim, quando a programação na Casa de La Trova acabou, ainda seguimos para a casa ao lado, onde ocorria uma apresentação de Congo. Algumas regiões de Cuba lembram muito a nossa Bahia, pelas influências africanas. Danças, música, cultos, cores e cultura. Só muda o idioma. A apresentação que vimos poderia ter sido no Pelourinho, que faria muito sentido também. Ou então em Angola ou Moçambique.

Parece a Bahia, mas é uma apresentação de Congo em Trinidad - Cuba

Parece a Bahia, mas é uma apresentação de Congo em Trinidad - Cuba


Amanhã deixamos Trinidad já com saudades, sensação que já nos é mais do que familiar nesses 1000dias de viagem que precisavam ser dois, três ou quatro mil. Seguimos no nosso rumo ao leste. Amanhã, Camaguey, já mais perto de Santiago do que de Havana!

Parece a Bahia, mas é uma apresentação de Congo em Trinidad - Cuba

Parece a Bahia, mas é uma apresentação de Congo em Trinidad - Cuba

Cuba, Trinidad de Cuba, Praia, Playa Ancon

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Veredas no Grande Sertão

Brasil, Minas Gerais, Chapada Gaúcha

A deliciosa e 'abençoada' cachoeira do Mato Grande, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

A deliciosa e "abençoada" cachoeira do Mato Grande, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


Espetacular passeio no Parque Nacional aqui ao lado da pequena cidade de Chapada Gaúcha, no norte de Minas. O nome do parque, homenagem a Guimarães Rosa, não poderia ser mais justo: um enorme sertão, um verdadeiro "mar de cerrado", todo entrecortado de veredas.

Vereda, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

Vereda, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

Veredas, para quem não sabe, são pequenos óasis dentro dos cerrados. São os baixios, onde há água em poças, brejos, lagos ou rios onde crescem os buritis, um tipo de palmeira. É onde é mais fácil enxergar a rica fauna deste bioma tão importante.

Este parque de quase 230 mil hectares fica dividido entre Minas e Bahia. Com pouco mais de 20 anos, ainda luta para se estruturar, acertar a questão da posse de terra e oferecer alguma infraestrutura ao turista. O parque só pode ser visitado na companhia de um guia e um carro grande é essencial já que as distâncias são muito grandes, o calor é intenso e os bancos de areias não permitem a passagem de carros pequenos.

Fiona atravessando o Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

Fiona atravessando o Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


Assim, a nossa visita ao parque, guiados pelo simpaticíssimo José foi, na verdade, um grande passeio de carro 4x4. Quase 150 km de estradas de terra e muita areia colorida, do branco e amarelo até o vermelho e marrom. Do carro, vimos muitos tipos de de animais e plantas e de carro transitamos entre as diversas atrações, como rios, cachoeiras, as veredas e uma torre com mais de trinta metros de altura que se sobe de elevador e de onde se pode observar boa parte do parque.

Ema corre ao longe, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

Ema corre ao longe, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


Entre as aves, observamos cotias, codornas, falcões, urubus, periquitos, araras, siriemas e emas, quase do tamanho de avestruzes. Entre os mamíferos, um cavalo desgarrado, um bando de catitús, uma espécie de porco do mato e alguns cervos que dão enormes saltos por entre o capim próximo aos buritis. Foi uma visão incrível, vê-lo saltar. Para melhorar, só se houvesse uma onça em seu encalço. Iria combinar completamente com o ambiente. Acho que ando vendo muito o canal da National Geographic...

De sucuris, só ouvimos estórias, e de onças e lobos-gurá, só vimos os rastros. Mas não podemos reclamar não. Foi o dia que mais observamos vida selvagem nessa nossa viagem. Foi emocionante.

Com o José, nosso guia no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

Com o José, nosso guia no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


Emocionante também é encontrar rios e cachoeiras no meio daquele mundão. Primeiro, o encontro do Rio Preto com o Caninanha. Na outra margem, a meros 10 metros de distância, lá estava a Bahia! Tão próximo e tão distante! Em menos de dois meses estaremos lá!

Refrescando-se no Rio Preto, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Formoso)

Refrescando-se no Rio Preto, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Formoso)


No próprio Rio Preto, um pouco mais para cima, demos um belo tchibum numa prainha, onde deu para se divertir pulando no rio. Nunca a palavra oásis fez tanto sentido!

Pulando nas águas refrescantes do Rio Preto, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

Pulando nas águas refrescantes do Rio Preto, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


Antes de seguir para o outro oásis, paramos numa das bases do parque onde os guardas fazem turnos de 7 dias cada um, experimentando a solidão do cerrado. A função deles é passar a maior parte do tempo em cima de uma torre, vigiando o parque em busca de incêndios, no período de seca. Uma vez localizado o incêndio, há um aparelho lá em cima em que é possível dizer o ângulo em que se encontra o foco, em relação a um referencial. A mesma medida é feita de outra torre e os dados são passados para a sede, em Chapada Gaúcha, via rádio. Assim, em questão de minutos, é determinada com grande precisão a localização do fogo e rapidamente são enviados brigadistas ao local, pelas estradas de areia e pelo mato e o princípio de incêndio é debelado. Muito simples e engenhoso!!!

Subindo a torre guarda-incêndios, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

Subindo a torre guarda-incêndios, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


O mesmo pode se dizer sobre o sistema para subir em cima da torre. Um elevador manual, com um contrapeso com peso aproximado ao da nossa carga. Sem eletricidade, só com um pequeno esforço nosso, subimos e descemos. Espetacular! Um de cada vez! Lá em cima, uma pequena torre de observação e uma visão maravilhosa do parque e do mar de cerrado. Inesquecível!

Equipamento no alto da torre, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

Equipamento no alto da torre, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


O guarda dessa semana era o simpático Manoel, mesmo nome do Manoelzão de Guimarães Rosa. Doce coincidência!

Com o nosso guia José e o gurda-parque Manoel, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

Com o nosso guia José e o gurda-parque Manoel, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


Para fechar com chave de ouro, seguimos para a cachoeira do Mato Grande. Se esta cachoeira fosse em Delfinópolis, na região da Serra da Canastra, de certo ela estaria perdida no meio das outras duzentas. Uma atração de segunda categoria. Mas aqui, no meio desse cerradão, ele reina soberana. Uma verdadeira maravilha da natureza, água que se pode beber e nadar. Temperatura ideal. A Ana não queria sair da água de jeito nenhum. Também, quem iria querer?

A deliciosa e 'abençoada' cachoeira do Mato Grande, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

A deliciosa e "abençoada" cachoeira do Mato Grande, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


Descansando no rio Mato Grande, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

Descansando no rio Mato Grande, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)


Foi um passeio maravilhoso mesmo. Difícil foi escolher as fotos do post. Mas vcs podem ver todas elas nos links no início e final do texto. Valeu ter vindo até esse longíncuo recanto de Minas! agora, de noite, partimos para o rodeio e forró e amanhã, rumo à Januária, rever o Velho Chico e tentar visitar outra maravilha da região, o Parque Nacional do Peruaçu. Parece que está fechado mas a esperança é a última que morre.

O enorme 'mar de cerrado', no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

O enorme "mar de cerrado", no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no noroeste de MG (região de Chapada Gaúcha)

Brasil, Minas Gerais, Chapada Gaúcha, Parque, Grande Sertão Veredas

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Viajando para as Bermudas

Estados Unidos, New Jersey, Princeton Junction, Bermuda, Hamilton

Chegando á Bermuda, em pleno Oceano Atlântico

Chegando á Bermuda, em pleno Oceano Atlântico


Quase todo mundo já ouviu falar das Bermudas, principalmente por causa do famoso “Triângulo”, mas poucos saberiam apontá-la no mapa. Eu, por exemplo, não sabia, pelo menos até iniciarmos nossa jornada pela América. E olha que fui um leitor inveterado dos livros sobre o misterioso e fatal Triângulo, quando estava entrando na adolescência.

Mapa mostrando o famoso 'Triângulo das Bermudas', onde navios e aviões somem sem deixar pistas, segundo a lenda...

Mapa mostrando o famoso "Triângulo das Bermudas", onde navios e aviões somem sem deixar pistas, segundo a lenda...


Bermuda (ou “Bermudas”, no plural, em português) deve seu nome ao seu descobridor, o espanhol Juan de Bermudez, que aportou na ilha em 1505. Os espanhóis não deram muita bola para a ilha e foram os ingleses, um século mais tarde, que a ocuparam e colonizaram. Desde então a ilha manteve-se unida à Grã-Bretanha e à Rainha e hoje continua sendo território britânico, embora goze de grande autonomia. Ao longo do tempo, os ingleses aprenderam a lidar com o calor, reduzindo o tamanho de suas calças, para que ficassem mais ventiladas, Nascia aí o short conhecido como “Bermuda”, vestimenta preferida de dez entre dez surfistas.

Mapa de Bermuda, uma ilha no meio do Atlântico, em forma de camarão

Mapa de Bermuda, uma ilha no meio do Atlântico, em forma de camarão


Ao contrário do que muita gente pensa, Bermuda não faz parte do Caribe, estando muito mais ao norte, na altura do estado americano da Carolina do Norte, do qual dista cerca de 1.000 km. É a terra firme mais próxima da ilha. Geograficamente, então, pertence à América do Norte. E se está na América do Norte (ou mesmo se estivesse no Caribe...), está no nosso roteiro.

Em meio à névoa e ao Oceano Atlântico, aparecem as misteriosas Bermudas!

Em meio à névoa e ao Oceano Atlântico, aparecem as misteriosas Bermudas!


Não é caro voar para lá, saindo de Nova York. O problema maior é arrumar algum lugar para ficar, principalmente nessa época do ano, considerada a alta estação. Nós compramos nossas passagens há poucos dias, saindo hoje e voltando dia 28. Mas não conseguimos vaga em nenhum dos hotéis que tentamos, via internet. Então, a solução era conseguir por lá mesmo.

Navio-cruzeiro ancorado em Hamilton, capital de Bermuda

Navio-cruzeiro ancorado em Hamilton, capital de Bermuda


A Anita nos deixou na estação de trem de Princeton Junction pela manhã, antes de levar as crianças para o summer camp. Mais uma vez, dissemos apenas um “Até logo!”, ao invés do “Adeus!”. Muito mais fácil assim! Foram 50 minutos até Newark, onde quase perdemos a estação. Teria sido um vexame, passar reto por lá e só descobrir depois, mais para frente. O trem para só por uns 30 segundos e nós saímos esbaforidos pela porta, carregando nossas mochilas, com 35 segundos, apenas porque o cobrador percebeu nossa corrida e segurou as portas. Uffff, foi por pouco!

Uma das tranquilas ruas centrais de Hamilton, capital de Bermuda

Uma das tranquilas ruas centrais de Hamilton, capital de Bermuda


Enfim, o trecho de aero-trem foi muito mais tranquilo e logo já estávamos fazendo check-in e esperando o nosso voo. Ainda estava difícil acreditar que realmente viajaríamos para as enigmáticas Bermudas. Na minha fase crédula, aos 12 anos, não conseguia entender como alguém poderia viver em Bermuda. Afinal, chegar lá de avião ou de barco era tarefa perigosíssima, arriscando-se a ser abduzido por extraterrestres ou simplesmente desaparecer em algum buraco do espaço-tempo. Achava essas hipóteses mais críveis do que as que diziam que algum antigo cristal da civilização perdida da Atlântida estava destruindo os barcos.

Front Street, a principal avenida de Hamilton, capital de Bermuda

Front Street, a principal avenida de Hamilton, capital de Bermuda


Já um pouco mais velho, o ceticismo foi tomando conta da minha personalidade. O mundo ficou mais em graça. Mas ficou mais seguro também. Comecei a duvidar do que lia em livros ou jornais (ainda era uma época pré-internet, então, quando apareceu a wikipedia, eu já não acreditava em nada mesmo, hehehe) e o bom senso passou a ser meu guia maior. No caso do triângulo das Bermudas, por exemplo, essa é uma das áreas com tráfego mais movimentado de barcos e aviões do mundo. Ou seja, seria até normal o número de acidentes ser maior por aqui do que em outra parte. Não é porque há mais atropelamentos na Av. Paulista do que em uma rua de uma pequena vila no interior do Piauí que poderemos dizer que exista uma maldição na movimentada avenida de São Paulo, certo? Pior, boa parte dos misteriosos acidentes no Triângulo não passavam de invenções ou “romantizações” de fatos que não ocorreram, ou ocorreram sim, em outra parte do globo.

Palácio do Governo em Hamilton, capital de Bermuda

Palácio do Governo em Hamilton, capital de Bermuda


Enfim, voamos tranquilamente sobre o tal triângulo e, duas horas mais tarde, em meio à névoa e ao oceano, lá apareceram as pequenas ilhas que formam as Bermudas. Lá de cima, apesar do céu encoberto, já deu para ver a beleza do mar que cerca uma pequena ilha completamente urbanizada.

Catedral Anglicana em Hamilton, capital de Bermuda

Catedral Anglicana em Hamilton, capital de Bermuda


Passamos pelo alfândega sem problemas, apesar da oficial ter feito questão de verificar nossas passagens aéreas saindo do país. No campo “endereço”, simplesmente colocamos o nome de um hotel qualquer, da lista que tínhamos pesquisado. Já no saguão do aeroporto, como não havia nenhum quiosque de informações turísticas para nos ajudar a achar um hotel de verdade, apelamos para o motorista de taxi. Ele ficou estupefato de termos entrado no país sem uma reserva de hotel. Disse que já tinha visto vários turistas sendo mandados de volta para casa, por causa disso. Quando soube do nosso “artifício” de ter colocado um hotel qualquer, aí disse que foi isso que nos salvou...

Marina em Hamilton, capital de Bermuda

Marina em Hamilton, capital de Bermuda


Bom, passado o susto e três ligações telefônicas mais tarde, enquanto já estávamos a caminho de Hamilton, a capital de Bermuda, encontramos o nosso Inn. Finalmente, estava tudo certo para nossa temporada “bermudesa”.

Um dos parques de Hamilton, capital de Bermuda

Um dos parques de Hamilton, capital de Bermuda


Hoje, pelo adiantado da hora, tudo o que pudemos fazer foi caminhar pela simpática capital, que se pode conhecer em menos de uma hora caminhando. A organização e limpeza da cidade, o modo como as pessoas se vestem e se portam e outros detalhes, tudo mostra que realmente não estamos no Caribe. Em compensação, o enorme cruzeiro ali aportado mostra que pode não ser o Caribe, mas que se parece, parece!

Escultura em meio a jardim de parque em Hamilton, capital de Bermuda

Escultura em meio a jardim de parque em Hamilton, capital de Bermuda


Além do passeio pelas ruas da cidade, seus parques, monumentos e igrejas, a gente também definiu nossa programação por aqui. Bermuda é o único país do nosso roteiro, além de Groelândia, que não era coberto por nenhum dos livros-guia que tínhamos. Então, foi só aqui que começamos a conhecer mais profundamente o país e o que ele oferece. Como era de se esperar, muitas praias e oportunidades de mergulho! E se gostássemos de golfe, as opções também seriam muitas. Mas, não é o caso, hehehe. Amanhã, de ônibus, vamos para as praias mais bonitas daqui. No dia seguinte, mergulho, de ônibus também. Isso porque, uma das coisas interessantes que acabamos de descobrir, não existe aluguel de carros por aqui. Acho que tem medo que estrangeiros não saberiam dirigir, na mão contrária, pelas estradas estreitas da ilha. Para quem quiser alugar seu próprio transporte, ou é um carro com motorista ou uma scooter. Quem sabe não alugamos uma?

Estátua pensativa, em parque de Hamilton, capital de Bermuda

Estátua pensativa, em parque de Hamilton, capital de Bermuda

Estados Unidos, New Jersey, Princeton Junction, Bermuda, Hamilton, ilha, história, Bermudas, Triângulo das Bermudas

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Nous Sommes à Cayenne

Guiana Francesa, Saint Georges, Cacao, Cayenne

O antigo Palácio dos Jesuítas, em Cayenne, na Guiana Francesa

O antigo Palácio dos Jesuítas, em Cayenne, na Guiana Francesa


Hoje foi o dia de entrarmos de vez na Guiana Francesa. Por enquanto, só estávamos do outro lado do rio, o Brasil logo ali, à nossa vista. Um passeio na pequena e tranquila vila é o bastante para ver que saímos do Brasil, pois está tudo escrito em francês, as ruas e calçadas são bem arrumadinhas, a arquitetura é distinta, com um certo ar europeu. Mas a gente ouve muito português pelas ruas, principalmente do lado do porto.

Placa de rua já nos mostra que estamos fora do Brasil (em Saint Georges, na Guiana Francesa)

Placa de rua já nos mostra que estamos fora do Brasil (em Saint Georges, na Guiana Francesa)


Na verdade, a Guiana Francesa não é um país, mas um departamento (estado) francês. Tecnicamente, estamos na França! Aliás, pouca gente sabe, mas o país com a fronteira terrestre mais extensa com a França não é a Alemanha, a itália ou a Suiça. Não! Na verdade, é o Brasil, exatamente pela longa fronteira do Amapá e do Pará com a Guiana Francesa. Inclusive, na época de Dom joão, depois dos franceses botarem ele para correr de Portugal, numa espécie de retaliação, o Brasil, com a devida ajuda da Inglaterra, "conquistou a Guiana. Mas quando a monarquia retornou à França, o país foi devolvido também. As fronteiras só foram definitivamente demarcadas no início do século XX, oficializando o rio Oiapoque como fronteira. Entre Brasil e França!

Nosso hotel em Saint Georges de L'Oyapoque, na Guiana Francesa

Nosso hotel em Saint Georges de L'Oyapoque, na Guiana Francesa


Enfim, tomamos a direção rumo ao norte, deixando o Oiapoque para trás e atravessando a floresta guianesa numa estrada asfaltada e cheia de curvas. Muito pouca coisa no caminho, exceto árvores. A floresta ainda ocupa a vasta maioria do território da Guiana Francesa, onde muito pouco é produzido e quase tudo vem da França, o que torna os produtos bem caros. Aliás, com a construção da ponte, muita coisa passará a vir do Brasil, o que vai baratear a vida no país. Em contrapartida, produtos franceses atravessarão a ponte em direção à Macapá. A economia fluirá e trará progresso para os dois lados. O difícil será separar a parte boa e a parte ruim do progresso...

Igreja em Cacao, na Guiana Francesa

Igreja em Cacao, na Guiana Francesa


Um pouco depois da metade do caminho, entramos na pequena vila de Cacao. O que a torna especial é que foi fundada por imigrantes do Laos, fugidos da guerra nos anos 70. Trouxeram consigo seus costumes, comida e arquitetura. Isso fez da pequena vila um dos destinos preferidos dos habitantes de Cayenne, principalmente aos domingos, quando é realizado uma feira. Hoje era sábado, e com muita chuva. Então, a cidade estava bem tranquila. Tiramos algumas fotos, andamos um pouco, admiramos a densa mata da região, os telhados característicos do sudeste asiático e seguimos para Cayenne, 70 km ao norte.

Vista de Cacao, na Guiana Francesa

Vista de Cacao, na Guiana Francesa


Mas, foi voltarmos à estrada principal que logo paramos novamente. Um carro, uma antiga Toyota toda adesivada nos chamou a atenção. Logo a reconhecemos como aquela que tinha passado pela concessionária da Toyota em Macapá, uma semana antes de nós, que os vendedores tinham feito propaganda. Holandeses viajando pelo mundo. Pois é, eles mesmos! Fizeram sinal para que parássemos, e nós, os dois carros, encostamos ao lado da estrada e nos apresentamos.

Encontro com os viajantes holandeses Karin e Coen, na estrada há oito anos! (região de Cacao, na Guiana Francesa)

Encontro com os viajantes holandeses Karin e Coen, na estrada há oito anos! (região de Cacao, na Guiana Francesa)


Eles também nos conheciam! Tinham estado na Laje do Pai Mateus, na Paraíba, e viram nosso adesivo. O pessoal do hotel fez propaganda nossa. Agora, aqui, no meio da Guiana Francesa, nos encontramos! Mundo pequeno! Bom, o fato é que a conversa serviu para nos mostrar que eles são muito mais "profissionais" do que nós. Estão na estrada há 8 anos, cinco deles na Ásia e três na América do Sul. Escrevem para várias revistas e conseguem viver disso. O site deles é www.landcruising.nl No site, há links para vários outros sites. Inclusive para um casal de suiços detentores do recorde mundial de viagens. Estes estão na estrada desde 84, com o mesmo carro! Já passaram por mais de 160 países!!! Impressionante! O site deles é o http://www.weltrekordreise.ch/a_starte.html

A densa e úmida mata amazônica na região de Cacao, na Guiana Francesa

A densa e úmida mata amazônica na região de Cacao, na Guiana Francesa


Pela primeira vez conversamos com alguém que, quando dissemos do plano de viagem e do tempo, 1000 dias, respondeu "Mas só 1000 dias? É muito pouco! Melhor ficar só na América do Sul!" Heheheh, cada um com sua referência, né? E assim nos separamos, cada Toyota no seu ritmo, cada toyota para seu lado.

Praça em Cayenne, capital da Guiana Francesa

Praça em Cayenne, capital da Guiana Francesa


E o nosso lado era Cayenne. Cidade pequena, para uma capital, umas 70-80 mil pessoas. A gente se instalou no Hotel Best Western Amazonia, bem central, com internet e garagem para a Fiona. Não poderíamos pedir mais...

Cayenne decorada para o carnaval, na Guiana Francesa

Cayenne decorada para o carnaval, na Guiana Francesa


Aproveitamos o finalzinho de tarde para passear pela cidade quase deserta, num sábado de tarde chuvoso. Algumas fotos para marcar o dia e a gente se acostumando com um novo país e uma nova língua. Afinal, estamos em Cayenne, ou, nous sommes à Cayenne!

Guiana Francesa, Saint Georges, Cacao, Cayenne, Estrada, Capital, Landcruising, Overlanders

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O Arco Delicado

Estados Unidos, Utah, Moab

Observando o mágico, quase inacreditável Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Observando o mágico, quase inacreditável Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Depois da nossa visita e verdadeira aula de história no Mesa Verde National Park, no sul do Colorado, jantamos em Cortez e pegamos estrada ontem mesmo, de volta à Utah. Continuamos assim nossas voltas por esses estados do sudoeste, um verdadeiro ziguezague para tentar ver tantas atrações espalhadas por essa região tão especial dos Estados Unidos. O objetivo agora era a cidade de Moab, principal base para se visitar os parques nacionais de Arches e Canyonlands, os dois em Utah. Depois disso, voltaremos ao Colorado, dessa vez para uma temporada mais longa por aí


Nossa rota entre o Arizona, Colorado e Utah

A viagem foi toda no escuro e, ao cruzar as montanhas mais altas, empurramos um pouquinho mais para baixo o nosso recorde de temperatura negativa nessa viagem: -18 graus Celsius! Já estamos negativos até em Fahrenheit, hehehe! Bom, isso foi do lado de fora, pois dentro da nossa Fiona, tínhamos confortáveis 21 graus positivos. De qualquer maneira, quando chegamos à Moab, já em altitude mais baixa, a temperatura era de “apenas” 8 graus negativos. Acostumados que estamos, quase já dava para usar manga curta.

A majestosa 'Park Avenue', no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

A majestosa "Park Avenue", no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Moab praticamente não existia nos mapas até que, na década de 50, em plena Guerra Fria, a mineração de Urânio a tornou famosa. O ciclo do Urânio passou e foi substituído pelo turismo como principal força econômica da região. Afinal, logo aqui do lado estão inúmeros canyons, uma paisagem deslumbrante e dois dos parques nacionais mais belos do país. Foi justamente atrás deles que viemos e hoje, no meio da manhã, já estávamos dirigindo no Arches National Park.

Mirante da 'Park Avenue', no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Mirante da "Park Avenue", no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


O nome do parque, “Arcos”, vem do fato que aqui se encontra a maior concentração dessas atrativas formas geológicas no mundo. São mais de 2 mil arcos de rocha catalogados, desde aqueles de apenas um metro (o menor tamanho possível para que a formação possa mesmo ser chamada de arco) até o gigantesco Landscape Arch, com quase 100 metros de uma base à outra, o maior do planeta.

Curiosas formações rochosas no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Curiosas formações rochosas no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Uma enorme rocha parece equilibrar-se em um pedestal no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Uma enorme rocha parece equilibrar-se em um pedestal no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Não é fácil entender, e muito menos explicar, como esses arcos se formam. Resumidamente, a região já foi um solo marinho há mais de 300 milhões de anos. O mar se foi e a areia deixada foi coberta por cerca de dois quilômetros de sedimentos trazidos por rios, ventos, lagos e geleiras que andaram por aqui. Sob esse enorme peso, a areia virou arenito. Movimentos tectônicos e centenas de milhares de anos de erosão trouxeram novamente á superfície esse arenito, agora ele mesmo sentindo os efeitos da erosão. A água da chuva vagarosamente dissolve esse tipo de rocha. A água também penetra em pequenas fissuras, congela no inverno e, ao se expandir, quebra a rocha em pequenas migalhas que são arrancadas dali pelo vento. O material menos resistente se vai antes e, muitas vezes, é ele que está embaixo. Resta, encima, um material mais duro, que se equilibra sobre uma base ou pedestal. Dessa maneira, se formam torres de pedra por aqui e arcos de pedra por ali. E porque arcos e não formas mais retas? Bem... já há mais de dois mil anos que arquitetos romanos sabem muito bem que arcos são muito mais estáveis e resistentes para segurar peso sobre si que outras formas. Quer dizer, quando a erosão leva a formação de bases mais retas, elas simplesmente duram menos, desabam sob o peso da rocha acima. Já os arcos, esses duram seus milhares de anos, mas irão, um dia, desabar também. Enquanto isso não acontece, temos esse verdadeiro show da natureza que é o Arches National Park.

Estrada coberta de neve na chegada à 'Windows Section', um grupo de formações de arcos de pedra no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Estrada coberta de neve na chegada à "Windows Section", um grupo de formações de arcos de pedra no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


A enorme North Window, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

A enorme North Window, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Enfim, assim como arcos foram e continuam se formando, também outras formações geológicas como pináculos e torres de forma estranha estão presentes no parque. Um colírio para os olhos de qualquer geólogo ou turista que se aventure por ali. No caso, hoje, éramos nós! Uma estrada nos leva para perto de diversas formações ou à trilhas que nos levam ainda mais perto delas.

A bela formação da South Window, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

A bela formação da South Window, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


North Window, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

North Window, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


A gente passou primeiro pela grandiosa Park Avenue, nome dado a um vale cercado e repleto de torres de pedra. O frio e a vontade de chegar logo aos arcos nos convenceu de não fazer a trilha pelo vale e seguimos em frente, de Fiona mesmo, até umas formações em que enormes pedras parecem se equilibrar sobre minúsculos pedestais. Qualquer semelhança como Vila velha, no Paraná, não é mera coincidência!

Chegando ao majestoso Double Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos. Os turistas mal aparecem na belíssima paisagem

Chegando ao majestoso Double Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos. Os turistas mal aparecem na belíssima paisagem


Enfim, chegamos às principais estrelas do parque, os famosos arcos. Eles estão em vários setores do parque nacional e o primeiro que chegamos foi o Windows Section. Aí, em meio a muita neve e vários outros turistas, percorremos uma trilha que circunda vários arcos. São enormes e graciosos e é apenas quando há uma pessoa perto da abertura que temos a real dimensão de seu tamanho. Por mais que saibamos a teoria, é difícil imaginar como a natureza constrói tudo aquilo. Como está tudo ali, à frente dos nossos olhos, não dá para dizer que não acreditamos, mas ficaria bem mais fácil se a explicação fosse mais simples, algo como um trabalho de deuses ou antigos gigantes. Não é a toa que essa era a explicação dada pelos antigos nativos que frequentavam a região...

Momento de contemplação nos gigantescos Double Arch, uma das mais belas formações no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Momento de contemplação nos gigantescos Double Arch, uma das mais belas formações no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Momento de contemplação nos gigantescos Double Arch, uma das mais belas formações no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Momento de contemplação nos gigantescos Double Arch, uma das mais belas formações no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Sem dúvida nenhuma, a mais bela formação dessa área é o Double Arch. Na verdade, deveria ser chamado de “triplo”! As aberturas praticamente se interlaçam, um trabalho minucioso e intrigante da natureza, um verdadeiro templo de adoração. Aí ficamos um bom tempo, embasbacados, tentando entender e fotografar da melhor maneira aquilo que víamos. As fotos ficaram boas mas, sinceramente, é só mesmo estando lá para poder apreciar toda aquela beleza. Fantástico!

Muita neve no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Muita neve no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Céu azul e muita neve no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Céu azul e muita neve no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Por falar em “fantástico”, já estávamos no meio da tarde e ainda queríamos ver o principal cartão postal do parque, o famoso “Delicate Arch”. Para chegar lá, mais alguns quilômetros de estrada e quase quarenta minutos de trilhas, sobre gelo, neve e pedras. O esforço, diziam, era muito mais do que recompensado. Algo que, agora, podemos atestar de pés juntos!

Chegando pelo caminho errado no Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Chegando pelo caminho errado no Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Agora, no caminho certo para o delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Agora, no caminho certo para o delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


O Delicate Arch se formou no alto de uma colina, sobre um vasto vale, isolado de qualquer outra estrutura. Só não falo que é meio mágico porque, na verdade, é mágico inteiro mesmo!. Mais parece um portal que nos levará para algum outro mundo ou dimensão. Ele forma uma grande janela, uma moldura para o belíssimo vale lá embaixo, para as montanhas nevadas ao fundo e para o sol que se põe no horizonte. Aqui, ainda é mais difícil acreditar que foi tudo uma obra ao acaso da natureza e não algo meticulosamente arquitetado por alguém. Alguém com muito bom gosto, diga-se!

Delicate Arch, o mais famoso cartão postal do Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Delicate Arch, o mais famoso cartão postal do Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Procurando o melhor ângulo do Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Procurando o melhor ângulo do Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Nessa época do ano, por causa do frio e do gelo, são menos pessoas que chegam até lá. Mesmo assim, éramos algumas dezenas. Todos nós na “arquibancada”, máquinas fotográficas em punho, tentando aproveitar cada minuto do mágico entardecer. Tão sábia foi a natureza que, pelo menos nessa época do ano, com o gelo escorregadio, é possível chegar até perto, mas não até o arco em si. Ficamos a uma distância respeitosa (e segura!), o arco delicado protegido por um campo de força invisível. Muito legal mesmo!

1000dias no Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

1000dias no Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


O sol se põe na paisagem gelada ao longo da trilha para o Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

O sol se põe na paisagem gelada ao longo da trilha para o Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos


Cada minuto saboreado ao máximo e depois, a procissão do caminho de volta, enquanto ainda temos luzes e a temperatura não chega aos dez graus negativos. Com o devido cuidado de não se escorregar no gelo. Uma experiência e tanto para fechar com chave de ouro esse primeiro dia no parque. Mas amanhã tem mais. Afinal, ainda nem conseguimos chegar no tal Landscape Arch, aquele com quase 100 metros de tamanho. Com essas dimensões, não será difícil encontra-lo, imagino...

Céu colorido de fim de tarde atrás dos arcos de pedra do Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Céu colorido de fim de tarde atrás dos arcos de pedra do Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Utah, Moab, trilha, Parque, Arches National Park, Delicate Arch

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Ollantaytambo e o Melancólico Fim do Império Inca

Peru, Ollantaytambo

A cidade atual e as antigas ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

A cidade atual e as antigas ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Como disse no outro post, chegamos à Ollantaytambo de noite, sem conseguir ver as belezas que cercam a cidade. Isso foi devidamente recompensado na manhã de hoje, quando acordamos e vimos, pela primeira vez, as magníficas ruínas incas que ficam praticamente no quintal da pequena cidade. Na verdade, eu e a Ana já havíamos estado aqui, ela há seis anos e eu há vinte e três. Tempo mais do que suficiente para esquecer o impacto que se tem quando se visualiza as ruínas pela primeira vez: uma série de terraços agrícolas subindo a montanha em frente à cidade intercalados com ruínas de templos e palácios. Ollantaytambo foi uma importante fortaleza do império. Na verdade, mais do que isso, foi o local da maior vitória militar inca sobre os espanhóis, uma das poucas que houve nessa guerra tão assimétrica.

Café da manhã com vista para as incríveis ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Café da manhã com vista para as incríveis ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Um saudavel café da manhã em Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Um saudavel café da manhã em Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Nós tomamos um delicioso e saudável café da manhã com vista para essas ruínas tão simbólicas e logo partimos para nossas explorações. Tínhamos apenas até o meio da tarde, quando sairia o nosso trem rumo à Águas Calientes e Machu Picchu. Assim, tratamos de não perder tempo e ir logo subindo as escadarias ao lado dos terraços agrícolas, rumo aos templos no alto das ruínas. Dali, temos uma belíssima vista para a cidade e para o vale onde ela se localiza, assim como para as montanhas do outro lado. Numa delas, as mesmas ruínas incas que tanto atraíram minha atenção na visita de 23 anos atrás. O guia da época nos apontou um penhasco de onde eram atirados os condenados à morte. Daquela vez, não tivemos tempo de ir até lá, mas hoje foi diferente. Após visitarmos as ruínas principais, deixei a Ana e o Gustavo tomando uma cerveja gelada no centro e corri para lá, para saciar a vontade contida de duas décadas. De lá, mais uma vista magnífica da cidade, dessa vez com as ruínas principais ao fundo. Uma pintura! A mesma “pintura” que era admirada pelos incas, quinhentos anos atrás, até mesmo por aqueles que teriam de pular do penhasco, nos seus últimos minutos de vida.

Mapa das ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Mapa das ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Chegando ao parque arqueológico de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Chegando ao parque arqueológico de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Lá de cima, sentado e reverenciando o que via, deixei a mente divagar para o passado. Ela passou rapidamente pelo mês de julho de 1990, quando um jovem Rodrigo esteve por aqui, e voou muito mais longe, para os atribulados anos de meados do século XVI, quando uma gloriosa civilização foi posta de joelhos por acontecimentos completamente imprevisíveis para eles apenas poucos anos antes, um dos mais claros exemplos de que a História não é justa ou injusta, é simplesmente História e pertence aos mais fortes e oportunistas.

Testando a solidez das ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Testando a solidez das ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


A Espanha vivia um verdadeiro frenesi no início do século XVI. Novas terras haviam sido descobertas, um continente inteiro de oportunidades e conquistas. A possibilidade de glórias e riquezas atraiam milhares de aventureiros que largavam tudo o que tinham em busca de um futuro dourado. O país, uma das primeiras nações modernas a se formar, tinha guerreiros calejados por séculos de batalhas entre mulçumanos e cristãos pela posse da Península Ibérica. Táticas militares e armamentos haviam se desenvolvido ao máximo, fazendo da Espanha a maior força militar daqueles tempos, pronta para ocupar esse novo continente recém descoberto.

Passagem nas ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Passagem nas ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Entre os aventureiros que rumaram para a América, um criador de porcos, analfabeto mas perspicaz, chamado Francisco Pizarro. Já ciente das conquistas e glórias de seu primo distante, Hernán Cortes, que havia conquistado o Império Asteca, Pizarro estava decidido que no Novo Mundo teria uma nova vida. Começou participando ativamente da exploração do Panamá, mas logo voltou seus olhos para o sul, uma vasta região ainda desconhecida. Rumores apontavam para um reino rico e poderoso naquela região.

Explorando as ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Explorando as ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Pizarro não descansou enquanto não organizasse uma expedição para lá. Nativos hostis fizeram com que ela acabasse em fracasso, mas Pizarro tentou uma segunda vez e, depois, uma terceira. Finalmente, nessa última, chegou mais ao sul e teve seus primeiros contatos com a poderosa civilização inca, extremamente bem organizada e, tudo indicava, muito rica. Era o que Pizarro estava procurando! Agora, ele já tinha um alvo! Mas a quarta expedição atrasou, porque o governador-geral do Panamá não mais quis financiar ou permitir suas aventuras de conquista. Pizarro teve de voltar à Espanha e pedir ao próprio rei autorização para continuar. Foram quase quatro anos de espera, mas finalmente ele voltaria à América do Sul, disposto a repetir o feito de Hernán Cortes, embora contasse com uma força bem menor.

Com o Gustavo, nas ruínas incas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Com o Gustavo, nas ruínas incas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Mas, mal sabia Pizarro, nesse intervalo, um outro “general” espanhol havia chegado ao império Inca e causado grandes estragos. Era a varíola, que da costa da Colômbia, trazida pelos primeiros exploradores, avançara para o interior, fazendo dezenas de milhares de vítimas. Entre elas, o próprio imperador Inca, Huayna Capac, que estava em missão de conquista no norte do continente. Pior, com o pai morria também o primogênito e provável herdeiro, aquele que havia sido preparado para isso por toda a sua vida. No leito de morte, Huayna dividiu seu império entre dois outros filhos, Huascar e Atahualpa.

A bela vista do alto das ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

A bela vista do alto das ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


O Gustavo admira o vale em frente às ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

O Gustavo admira o vale em frente às ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Os irmãos não se entenderam e agora, além da devastadora varíola, também uma guerra civil fratricida assolava o império. Mais de dois anos de batalhas até que, finalmente, os generais de Atahualpa conquistaram a capital Cusco e capturaram o irmão. O vencedor da guerra se dirigia para a capital imperial recém conquistada quando, um pouco antes de lá chegar, surgem no Império esses estranhos forasteiros, vindos do outro lado do mundo e se locomovendo nesses bizarros animais, os cavalos, desconhecidos na América.

Admirando a pequena cidade, do alto das ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Admirando a pequena cidade, do alto das ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Pausa para admirar a paisagem do alto das ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Pausa para admirar a paisagem do alto das ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


A pequena expedição espanhola, menos de 200 homens, era liderada por Francisco Pizarro e Diego Almagro. Pizarro estava impressionado com a devastação do país causada pela varíola. Vilas inteiras vazias e abandonadas. Mal parecia aquele rico império que havia visto poucos anos antes. Agora, com ajuda de intérpretes nativos, ele se dirigia ao altiplano peruano, disposto a encontrar os líderes incas. No caminho, foi formando um exército maior, juntando nativos que viam naqueles estranhos forasteiros uma chance de se livrar do jugo inca. Não imaginavam que estavam se livrando de um bandido para cair nas mãos do diabo. Pizarro usava a mesma tática usada por Cortes contra os astecas, no México: conseguir ajuda de tribos locais, inimigas centenárias de astecas ou incas. Hoje, vendo do futuro, é fácil ver o grave erro cometido por essas tribos. Na verdade, ficamos até indignados com elas. Mas, o que ocorreria hoje se um exército de marcianos pousasse na Terra e desafiasse o poder dos “incas” de agora, os americanos? Não tenho nenhuma dúvida que conseguiriam muitos aliados entre mulçumanos radicais do Oriente Médio ou esquerdistas latino-americanos, gente que não perderia a chance de puxar o tapete do Tio Sam. Bem, foi o que aconteceu naquela época...

Paisagem andina nas ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Paisagem andina nas ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Com o Gustavo, visitando as ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Com o Gustavo, visitando as ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Pizarro não apenas seguiu a tática de Cortes de conseguir aliados locais, mas também a de sequestrar o monarca local. Atahualpa foi inocente o suficiente para deixar a segurança de seu exército de 80 mil homens armados para se encontrar com os espanhóis acompanhado apenas de 2 mil homens desarmados. Os espanhóis não perderam a chance: com a ajuda de seus cavalos, armaduras e armas superiores, promoveram um verdadeiro banho de sangue e capturaram o líder inca. O pagamento do resgate: um sala inteira cheia de objetos de ouro e outras duas cheias de objetos de prata.

Terraços agrícolas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Terraços agrícolas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Enquanto essa fortuna vinha de todos os lados do império, Pizarro aproveitou para conhecer mais daquelas terras, suas riquezas e fraquezas. Por fim, com o resgate pago, Atahualpa foi executado e os espanhóis seguiram para Cusco. Com seu monarca morto, os incas passaram a lutar e resistir, mas estavam desorganizados, sem um líder. A cavalaria espanhola fazia estragos e os guerreiros incas perdiam valioso tempo e vidas para tentar matar um cavalo enquanto os conquistadores matavam dezenas de nativos. Os mais importantes generais incas e seus exércitos foram sendo mortos e o império ruiu.

Antigos armazéns incas na montanha em frente à Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Antigos armazéns incas na montanha em frente à Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Pizarro nomeou um novo inca, irmão mais novo de Huascar, que seria uma marionete para ele. Mas Manco Inca mostrou ter o seu valor também. Após ser continuamente humilhado pelos irmãos de Pizarro, conseguiu fugir da capital e iniciar uma rebelião. De sua base em Sacsayhuaman, quase reconquistou Cusco, matando um dos irmãos de Pizarro, justamente o mais cruel deles, em uma das batalhas. Mas, ao final, os espanhóis conseguiram manter o controle da cidade e os incas se refugiaram em Ollantaytambo.

A fonte sagrada de água, nas ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

A fonte sagrada de água, nas ruínas de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Daí a rebelião continuava. Manco Inca decidiu enviar um de seus melhores generais para conquistar Lima, a cidade fundada por Pizarro para ser a capital do país. Quizo Yupanqui lutou e venceu quatro exércitos espanhóis no seu caminho para a cidade. Mesmo com seu exército enfraquecido pela varíola, o grande general ainda tentou invadir a cidade, cheia de reforços de espanhóis chegados da América Central. Morreu à frente de seu exército, na praça central de Lima, vencido pela cavalaria ibérica. Enquanto isso, os espanhóis eram fragorosamente derrotados na batalha por Ollantaytambo, naquela que foi a maior vitória inca da guerra.

Trajes típicos em Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Trajes típicos em Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Mas Manco percebeu que não poderia resistir ali por muito tempo e abandonou a fortaleza. Desceu os Andes em direção à região amazônica e estabeleceu sua capital em Vilcabamba. Daí, passou a fazer uma guerra bem sucedida de guerrilha, não dando trégua à seus inimigos. Ainda mais que esses estavam divididos. Almagro e os irmãos Pizarro haviam se desentendido e lutavam entre si, com vitória final para Pizarro e a execução de Almagro. Mas o filho do conquistador conseguiu a sua vingança quando, junto a um grupo de rebeldes, dentro do palácio em Lima, assassinou Pizarro. Com quase 70 anos de idade, o grande conquistador do Império Inca morreu assim como havia vivido: de forma violenta e valente, com a espada em punho. O filho de Almagro foi capturado e morto, mas os outros assassinos se refugiaram em Vilcabamba, acolhidos por Manco Inca.

Venda de tapeçaria em Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Venda de tapeçaria em Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Alguns anos de vida na Amazônia os fizeram repensar sua estratégia. Para fazer as pazes com o governo espanhol, atraiçoaram Manco e o mataram a facadas, justamente quando o exército do inca estava em uma de suas expedições de guerra. Mas não conseguiram ir longe, capturados e devidamente executados pelos incas que os haviam acolhido.

Trilha para os antigos armazéns incas na montanha em frente à Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Trilha para os antigos armazéns incas na montanha em frente à Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Pelas próximas três décadas, os incas de Vilcabamba mantiveram acesa a esperança de um ressurgimento do império. Algumas vezes em guerra, outras em paz com os espanhóis, eram reconhecidos como uma nação livre. Por fim, os vice-reis de Espanha resolveram colocar um fim nisso. Uma expedição foi enviada à Amazônia para conquistar Villacamba e capturar Tupac Amaru, o último dos incas. Resistiram ao máximo, mas outra vez os índios locais resolveram ajudar os espanhóis. Situação perdida, preferiram destruir sua cidade à entregá-la aos inimigos. Mas os espanhóis não queriam apenas a cidade, mas o imperador. Foi uma fuga desesperada pelos rios e florestas amazônicos, mas retardado pela esposa grávida que tanto amava, Tupac Amaru acabou capturado.

Chegando às ruínas dos armazéns, a vista para a cidade de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Chegando às ruínas dos armazéns, a vista para a cidade de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


E então, 70 anos depois de liderar um Império que cobria todas as terras conhecidas, um imperador inca desfilava pelas ruas de Cusco como um troféu de guerra, com uma coleira no pescoço, puxado por correntes e forçado a se ajoelhar frente ao vice-rei espanhol, aos safanões. Um julgamento sumário se seguiu e Tupac Amaru foi condenado à morte, por garrote, na Plaza de Armas da cidade, onde seus tios e avós reinavam soberanos poucas décadas atrás. Era o fim definitivo e inglório do Império Inca.

Visita às ruínas de antigos armazéns incas na montanha em frente à Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Visita às ruínas de antigos armazéns incas na montanha em frente à Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Por isso, preferi prestar minhas homenagens a essa incrível civilização não em Cusco, sua antiga capital, mas aqui em Ollantaytambo, local da grande vitória de Manco Inca contra os conquistadores. Do meu mirante estratégico, olhando aquela belíssima paisagem à minha frente, as ruínas dos templos e da fortaleza na montanha adiante. Como gostaria de poder voltar 500 anos no tempo e, de alguma maneira, tentar impedir a catástrofe que se aproximava. Mas, como disse, História não rima com Justiça e o máximo que podemos fazer é tentar não repetir os erros do passado no futuro, que algum dia chega. Se os marcianos chegarem, lutarei do lado dos americanos, hehehe.

Venda de artesanato em Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Venda de artesanato em Ollantaytambo, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Peru, Ollantaytambo, história, Inca, Valle Sagrado

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Chegando e Saindo de Cabo Polonio

Uruguai, Cabo Polonio

A cada meia hora, novo caminhão com turistas chega a Cabo Polonio, no litoral do Uruguai

A cada meia hora, novo caminhão com turistas chega a Cabo Polonio, no litoral do Uruguai


Quando eu estive no Uruguai, no início de 2006, tive uma grande surpresa. E essa surpresa tinha nome: Cabo Polonio. Naquela época, eu não achava que existia algo verdadeiramente interessante no litoral do Oceano Atlântico ao sul de Santa Catarina. Algumas praias bonitas, certamente, mas eu as imaginava geladas, próprias apenas para algumas fotos e nada mais. Combinariam mais com focas, baleias e pinguins. Algo assim como a Península Valdés, na Argentina, paraíso da vida selvagem, maravilhosa para se visitar e se encantar com a fauna, mas de modo algum própria para um bom banho de mar.

Entrada do Parque Nacional de Cabo Polonio, no litoral do Uruguai

Entrada do Parque Nacional de Cabo Polonio, no litoral do Uruguai


Na entrada do parque, esperando o horário do nosso caminhão para Cabo Polonio, no litoral do Uruguai

Na entrada do parque, esperando o horário do nosso caminhão para Cabo Polonio, no litoral do Uruguai


Pois é... aqueles dias de verão no Uruguai me fizeram ver que eu estava redondamente enganado. Pequenas cidades praianas como Punta del Diablo e La Pedrera não devem nada às nossas praias de Santa Catarina ou Nordeste. Claro, estou falando exclusivamente do verão, pois no resto do ano elas se assemelham mais ao que eu imaginava antes. Mas durante os meses quentes do ano, não só a temperatura da água é agradável, mas as próprias cidades são interessantes, clima festivo e jovial, descontraído, gente bonita e boas opções de estadia e comida. E nesse litoral que tanto me surpreendeu, havia uma “joia da coroa”. Estou falando de Cabo Polonio, um pequeno povoado de pescadores, longe de tudo e de todos, quase isolada da civilização, sem estradas, sem asfalto, sem luz elétrica.


Na foto do satélite é possível ver o caminho de areia que o caminhão segue do estacionamento do parque até a praia. Daí ele segue, ao lado do mar, até o pequeno povoado de Cabo Polonio, no litoral do Uruguai

Na foto do satélite é possível ver o caminho de areia que o caminhão segue do estacionamento do parque até a praia. Daí ele segue, ao lado do mar, até o pequeno povoado de Cabo Polonio, no litoral do Uruguai


Era a dificuldade de acesso que a tornava ainda mais especial. O povoado se desenvolveu ao redor de um farol, a única construção que está ligada à rede elétrica, em meio a uma área que hoje é um parque nacional no país e que, na época, ainda era apenas uma reserva. A área é protegida devido ao ambiente frágil, composto pelas maiores dunas de areia do Uruguai. O visual é quase nordestino, ou então, bem parecido com a pequena Itaúnas, no norte do Espírito Santo, ou ao Farol de Santa Marta, no sul de Santa Catarina. Com a diferença de que é muito menor, principalmente devido às dificuldades e limitações de acesso e construção de novas moradias.

A estrada de areia que nos leva a Cabo Polonio, no litoral do Uruguai

A estrada de areia que nos leva a Cabo Polonio, no litoral do Uruguai


A estrada de areia que nos leva a Cabo Polonio, no litoral do Uruguai

A estrada de areia que nos leva a Cabo Polonio, no litoral do Uruguai


Pois esse é exatamente o primeiro e um dos maiores charmes de Cabo Polonio: a dificuldade de se chegar até lá. Em 2006 eu estava em um carro pequeno, um Fox, que dificilmente enfrentaria a trilha de areia fofa que liga a rodovia à praia. Não é longe, cerca de oito quilômetros, mas a chuva deixa poças profundas e as trilhas mudam constantemente de lugar, buscando os trechos mais secos. Aí, o perigo é mesmo a areia fofa. Pois bem, naquela época, ali onde terminava o asfalto, o carro ficava estacionado e nós seguíamos em camionetes ou caminhões tracionados. Primeiro até a praia e, depois, através dela, até o farol e o pequeno povoado.

O Joca e a Ixa, pais do Rodrigo, no caminhão em direção a Cabo Polonio, no litoral do Uruguai

O Joca e a Ixa, pais do Rodrigo, no caminhão em direção a Cabo Polonio, no litoral do Uruguai


O Joca e a Ixa no caminhão para Cabo Polonio, no litoral do Uruguai

O Joca e a Ixa no caminhão para Cabo Polonio, no litoral do Uruguai


Como eu não conhecia o lugar, acabei reservando apenas uma tarde para conhecê-lo. Que arrependimento e que vontade de ficar mais! Mas sem reservas, com o carro esperando e a agenda apertada, tive de voltar no final do dia, com o coração apertado e a promessa de, um dia, voltar. Agora, no final dos 1000dias, chegou a hora de cumprir aquela promessa. Só que agora, de uma maneira muito melhor. Primeiro, porque eu não poderia estar melhor acompanhado, com a Ana e meus pais. Segundo porque, como dessa vez eu já conheço o paraíso, reservamos muito mais tempo para ficar em Cabo Polonio. Há alguns dias atrás, quando estávamos em Colonia del Sacramento, conseguimos reservar uma boa pousada, por dois dias e noites. Pouso reservado, só faltava chegar até aqui.

1000dias no caminhão em direção a Cabo Polonio, no litoral do Uruguai

1000dias no caminhão em direção a Cabo Polonio, no litoral do Uruguai


Pois é, dessa vez, estamos de Fiona. E se a Fiona chegou até o Alaska, certamente seria capaz de vencer aquele pequeno trecho de trilhas até a praia. Na verdade, faria isso com um pé nas costas, com todo o conforto e segurança. Então, tratei de me informar sobre isso. Foi quando descobri que Cabo Polonio virou um parque e que o acesso por carros é bastante restringido. É permitido apenas para os moradores e para a frota de caminhões 4x4 que faz o serviço de transporte. A razão dessas limitações é bem simples: preservação. Se a Fiona é capaz de fazer o percurso, outras milhares de camionetes também são. Isso significaria um tráfego intenso através de uma região de ecossistema frágil. Seria como matar a galinha dos ovos de ouro.

Chegando à praia, Cabo Polonio, no litoral do Uruguai, já aparece no horizonte

Chegando à praia, Cabo Polonio, no litoral do Uruguai, já aparece no horizonte


Cabo Polonio, no litoral do Uruguai

Cabo Polonio, no litoral do Uruguai


Então, ao transformar a área em um parque e proibir o acesso à carros particulares, o governo também construiu uma espécie de terminal de passageiros. Fica na saída da rodovia e na entrada do parque. Ali há banheiros, estacionamento e todas as informações sobre o parque, geologia, história, fauna e flora, turismo, etc... Também está aí a bilheteria e é onde pegamos o nosso “caminhão” de transporte. Uma experiência e tanto para meus octogenários e aventureiros pais. Trocaram o ar condicionado da Fiona pelo ar puro dos caminhões abertos, em forma de gaiolas. E fizeram isso com toda a esportiva!

Já no trecho de praia, no caminhão em direção a Cabo Polonio, no litoral do Uruguai

Já no trecho de praia, no caminhão em direção a Cabo Polonio, no litoral do Uruguai


Nós saímos cedo de La Pedrera, mais ao sul, e em menos de meia hora já chegávamos ao moderno terminal. Compramos nossas passagens e, enquanto não chegava nosso horário (são bem frequentes nesse época!), ainda tivemos tempo de ver e ler todas as informações sobre Cabo Polonio, desde as fotos históricas até a grande maquete. Depois, quando chegou nosso transporte, já estávamos a postos para pegar os melhores lugares, meus pais bem acomodados e seguros no meio do caminhão e eu e a Ana no telhado, bem em cima do motorista, o melhor lugar para tirar fotos e admirar a paisagem.

Praça central, onde para o caminhão em Cabo Polonio, no litoral do Uruguai

Praça central, onde para o caminhão em Cabo Polonio, no litoral do Uruguai


Mochileiros chegam a Cabo Polonio, no litoral do Uruguai

Mochileiros chegam a Cabo Polonio, no litoral do Uruguai


O caminhão encheu e partimos. Deve caber quase umas 30 pessoas e ele segue bem lentamente, vencendo as poças e navegando pelo verdadeiro emaranhado de trilhas que corta a região. Em menos de de 10 minutos chegamos ás dunas, onde a vegetação fica bem mais escassa e um mar de areia nos cerca. Outros minutos mais e o farol aparece, atrás de uma grande duna, ainda bem distante. Mais um pouco e chegamos ao mar e à praia. Aí, é só virar a esquerda e seguir aquela grande avenida natural, praia de areia bem firme, boa para se dirigir e também para caminhar. O farol vai ficando cada vez maior e começamos a perceber as pequenas casas ao seu redor. O povoado, quase sem ruas, se espalha por uma pequena campina onde se assenta o farol e em frente à praia do lado de lá.

Mais um caminhão com turistas chega à Cabo Polonio, no litoral do Uruguai

Mais um caminhão com turistas chega à Cabo Polonio, no litoral do Uruguai


A cada meia hora, novo caminhão com turistas chega a Cabo Polonio, no litoral do Uruguai

A cada meia hora, novo caminhão com turistas chega a Cabo Polonio, no litoral do Uruguai


A chegada é bem interessante, os moradores nos observando pendurados no caminhão e nós, os turistas, observando não só os moradores, mas também a estranha cidade aos nossos pés, arquitetura peculiar, umas poucas ruas de areia, o farol reinando sobre a colina que divide e praia em duas. Tudo isso cercado pelo mar infinito à nossa frente e por um oceano de dunas às nossas costas. A praça onde o caminhão para é uma torre de babel, hippies e mochileiros do mundo inteiro andando para lá e para cá, uma fila de passageiros prontas para embarcar e nós, ávidos para descer.

A Ixa, mãe do Rodrigo, de mochilas prontas para partir de Cabo Polonio, no litoral do Uruguai

A Ixa, mãe do Rodrigo, de mochilas prontas para partir de Cabo Polonio, no litoral do Uruguai


Esperando o horário de partida do caminhão em Cabo Polonio, no litoral do Uruguai

Esperando o horário de partida do caminhão em Cabo Polonio, no litoral do Uruguai


Descemos com nossas mochilas e vamos nos instalar em nossa pousada. Aqui, todo mundo anda a pé. No início, estamos meio perdidos, mas não demora muito para se ambientar. Duas horas por ali e já nos sentimos veteranos, olhando com certo desprezo os turistas que chegam nos diversos caminhões, de meia em meia hora no horário de “pico”. Durante o dia, os caminhões chegam cheios e partem praticamente vazios. No fim de tarde, isso se inverte. Mas o tráfego é mais ou menos constante. A cada caminhão que parte, me dá aquela felicidade de não estar nele. Além disso, principalmente ao final do dia, é bem legal ver a cidade se esvaziar, pois muita gente ainda vem no bate-volta, sem reserva para passar a noite. Dá para perceber em suas faces que o arrependimento é quase geral, como foi o meu, oito anos atrás.

O Joca e a Ixa, pais do rodrigo, já instalados no caminhão que nos levará embora de Cabo Polonio, no litoral do Uruguai

O Joca e a Ixa, pais do rodrigo, já instalados no caminhão que nos levará embora de Cabo Polonio, no litoral do Uruguai


A Ana ocupa seu lugar no telhado do caminhão que nos levará embora de Cabo Polonio, no litoral do Uruguai

A Ana ocupa seu lugar no telhado do caminhão que nos levará embora de Cabo Polonio, no litoral do Uruguai


Infelizmente, nosso tempo por aqui também passou, embora dessa vez tenha durado mais. Dois dias depois de chegarmos, tivemos de partir. Então, de volta àquela praça e todos a bordo do caminhão. Partimos muito mais experientes do que chegamos, em todos os aspectos, até na “arte” de andar de caminhão. Tivemos uma ótima temporada por aqui, com chuva, sol, pôr-do-sol, caminhadas e caipirinhas (vou relatar nos próximos posts), Cabo Polonio continua linda como sempre e a vontade de voltar, quando a vemos pela última vez do alto do caminhão, é mais forte do que nunca. Voltaremos!

Mais um caminhão abarrotado de turistas chega a Cabo Polonio, no litoral do Uruguai

Mais um caminhão abarrotado de turistas chega a Cabo Polonio, no litoral do Uruguai

Uruguai, Cabo Polonio, Praia, Parque, viagem, Estrada

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Pela Praça e Praias de Palmas

Brasil, Tocantins, Palmas

Passeando na Praça dos Girassóis, em Palmas - TO

Passeando na Praça dos Girassóis, em Palmas - TO


Depois da noitada de ontem, o dia começou devagar. Levantamos em tempo de nos esbaldar no café da manhã do hotel, mas voltamos para a cama depois. Quando levantamos em definitivo, já era mais de uma da tarde! Acho que batemos o recorde da viagem até agora, hehehe!

Palácio Araguaia, sede do governo de Tocantins, em Palmas - TO

Palácio Araguaia, sede do governo de Tocantins, em Palmas - TO


Aí, combinamos com o Marco de fazer uma rodada pelas praias de Palmas, ainda nesta tarde. Mas, antes disso, formos passear na Praça dos Girassóis, quase do lado do nosso hotel. É nela que estão as sedes dos poderes estaduais e muitas secretarias e autarquias. Mas, o que mais chama a atenção na praça é, sem dúvida, seu tamanho! Também, ela simplesmente é a maior praça das américas! Quiçá do mundo, embora as Praças Vermelha (em Moscou) e da Paz Celestial (em Pequim) também sejam sérios concorrentes à este posto.

Maquete da maior praça das américas, a Praça dos Girassóis, em Palmas - TO

Maquete da maior praça das américas, a Praça dos Girassóis, em Palmas - TO


Palmas é uma cidade que cresce rapidamente. Está fazendo 22 anos, praticamente a mesma idade do estado de que é capital, que foi criado pela constituinte de 88. Em 90, tinha uma população de 25 mil habitantes; quando estive aqui, em 2000, já tinha 130 mil; e hoje, é algo como 250 mil habitantes. Para quem chega na cidade, impossível não lembrar de Brasília: as mesmas super avenidas, a mesma divisão em setores e quadras, os mesmos espaços vazios. Não é à tôa, as duas cidades foram planejadas e construídas praticamente do zero. Deste modo, assim como sua "irmã mais velha", não é uma cidade para se andar à pé, já que tudo é longe e o calor impera o ano inteiro. Mas, tendo carro, o trânsito ainda é tranquilo e o deslocamento fica fácil. Construída ao lado do rio Tocantins, que neste ponto está represado formando um grande lago, é no rio que estão as mais próximas opções de lazer, com suas praias fluviais. E assim, planejamos nosso dia na cidade: praça e praias, sempre de carro. Com ar condicionado, claro!

Admirando mural dentro do Palácio Araguaia, em Palmas - TO

Admirando mural dentro do Palácio Araguaia, em Palmas - TO


Quer dizer, na praça, nossa vizinha, fomos à pé mesmo (embora tenha dado uma dúvida, hehehe). Realmente, é gigantesca, cheia de grandes espaços vazios. Na sua única elevação fica o Palácio Araguaia, sede do governo. De lá se pode ver as montanhas, de um lado, e o Tocantins, do outro. Tiramos fotos, admiramos os belos murais dentro do palácio, estudamos a maquete da praça gigante. Depois, era hora das praias!

Praia do Caju, em Palmas - TO

Praia do Caju, em Palmas - TO


Já junto com o Marco, Carol e filhos, fomos à mais distante Praia do Caju, que é também a mais popular. Barracas apinhadas, campeonato de forró (os ganhadores seriam premiados com uma caixa de Nova Skin) e o rio ali do lado, cheio de gente também, mesmo sem a proteção das redes. Pois é, redes são colocadas nas outras praias para proteger os banhistas de ataques de piranhas, que segundo nos contaram, são bem comuns por aqui. Pelo menos hoje, não houve ataques. Nós, ainda com a memória da paradisíaca e deserta Prainha do Rio Novo fresca na cabeça, prefirimos ficar só observando. Mas o Marco e seu filhinho Arthur passaram um bom tempo dentro d'água.

O Marco e o Arthur se refrescando no rio Tocantins, na Praia do Caju, em Palmas - TO

O Marco e o Arthur se refrescando no rio Tocantins, na Praia do Caju, em Palmas - TO


Ana e Carol de bate-papo em barraca da Praia do Caju, em Palmas - TO

Ana e Carol de bate-papo em barraca da Praia do Caju, em Palmas - TO


Um pouco antes do pôr-do-sol corremos (de carro!) para a praia do Prata, já um pouco mais chique e organizada que a Caju, e com rede de proteção. Chegamos bem em tempo para a Ana tirar belas fotos do céu avermelhado, tão característico do cerrado.

Campeonato de forró na Praia do Caju, em Palmas - TO

Campeonato de forró na Praia do Caju, em Palmas - TO


Já no início da noite, fomos à mais central Praia da Graciosa, com uma orla charmosa com vários restaurantes. Bem ao lado da Ponte Fernando henrique, de 8 quilômetros, que cruza toda a represa em direção à cidade de Paraíso.

Pôr-do-sol na Praia do Prata, em Palmas - TO

Pôr-do-sol na Praia do Prata, em Palmas - TO


Foi um dia bem tranquilo, de explorações da mais nova capital brasileira e de suas diversas classes sociais. A grande maioria dos moradores, à exemplo do Marco, são forasteiros que vieram tentar a sorte nesta cidade cheia de novas oportunidades. É um lugar em que quase se pode sentir o cheiro de dinheiro no ar mas que, ao mesmo tempo, preserva um ar de simplicidade e segurança de cidade do interior. Até quando essa combinação interessante vai se manter, essa é a questão. Não só a questão, é o verdadeiro charme de Palmas!

Praia da Graciosa, em Palmas - TO

Praia da Graciosa, em Palmas - TO

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