0
Arquitetura Bichos cachoeira Caverna cidade Estrada história Lago Mergulho Montanha Parque Patagônia Praia trilha vulcão
Alaska Anguila Antártida Antígua E Barbuda Argentina Aruba Bahamas Barbados Belize Bermuda Bolívia Bonaire Brasil Canadá Chile Colômbia Costa Rica Cuba Curaçao Dominica El Salvador Equador Estados Unidos Falkland Galápagos Geórgia Do Sul Granada Groelândia Guadalupe Guatemala Guiana Guiana Francesa Haiti Hawaii Honduras Ilha De Pascoa Ilhas Caiman Ilhas Virgens Americanas Ilhas Virgens Britânicas Islândia Jamaica Martinica México Montserrat Nicarágua Panamá Paraguai Peru Porto Rico República Dominicana Saba Saint Barth Saint Kitts E Neves Saint Martin San Eustatius Santa Lúcia São Vicente E Granadinas Sint Maarten Suriname Trinidad e Tobago Turks e Caicos Uruguai Venezuela
Karina (27/09)
Olá, também estou buscando o contato do barqueiro Tatu para uma viagem ...
ozcarfranco (30/08)
hola estimado, muy lindas fotos de sus recuerdos de viaje. yo como muchos...
Flávia (14/07)
Você conseguiu entrar na Guiana? Onde continua essa história?...
Martha Aulete (27/06)
Precisamos disso: belezas! Cultura genuína é de que se precisa. Não d...
Caio Monticelli (11/06)
Ótimo texto! Nos permite uma visão um pouco mais panorâmica a respeito...
A Cristina e o Anibal (pais da Marianela) nos recebem em sua casa na periferua de Córdoba, na Argentina
Ontem, antes de chegarmos a Córdoba vindos de San Marcos Sierras, nós paramos na pequena Colquis, cidade onde moram o Anibal e a Cristina. Os dois são os pais da Marianela, nossa amiga argentina que hoje mora com o marido em San Juan. Quando fomos visitar a Marianela em San Juan, seus pais também estavam lá de visita e nos convidaram para passar na casa deles, já que estava no nosso caminho rumo a Buenos Aires. Dito e feito, eles nos receberam muito bem, primeiro com chá e depois com um delicioso almoço acompanhado de bom vinho. Muita conversa sobre viagens, sobre a vida e sobre a história argentina.
A Cristina e o Anibal (pais da Marianela) nos recebem em sua casa na periferua de Córdoba, na Argentina
O casal havia morado muitos anos no Rio, para onde se mudaram na época da Guerra das Malvinas. Na verdade, foram para lá fugidos do país, pois a Cristina havia sido convocada para lutar na guerra. Pois é, já dá para entender alguém que não queira lutar numa guerra que não acredite, mas lutar por um governo que, pouco tempo antes, havia te sequestrado e torturado por meses a fio, aí já é demais mesmo! Esse era o absurdo que que vivia a Cristina, na época uma menina ainda mais nova que sua filha Marianela, que hoje está prestes a se tornar mãe.
Placa informativa sobre a terrível história da Passagem Santa Catalina, em Córdoba, na Argentina
A Argentina vivia um momento muito complicado no final dos anos 60. Os militares haviam deposto Perón uma década antes e, desde então, sob seu controle direto ou indireto, a economia do país patinava, a corrupção crescia e a inquietação social se intensificava. Do seu exílio em Madrid, o velho líder populista conspirava para voltar, com a ajuda de seus milhares de seguidores fiéis ainda na Argentina. O peronismo já era, desde então, a principal força política do país.
Pasaje Santa Catalina, sede da Polícia Política da ditadura militar argentina em Córdoba, na Argentina
Para quem acha que o nosso PMDB, no Brasil, é um balaio de gatos, é porque não conhecem o “peronismo”. Aí cabe tudo, da extrema esquerda à extrema direita. O elo que os une talvez seja a tendência ao populismo, marca registrada de seu grande líder. Basta lembrar, para dar um exemplo mais recente, que Kirchner e Menem são peronistas, apesar de todas suas diferenças. Populismo de esquerda e de direita. Enfim, naquela época, as diferenças eram ainda mais gritantes, de um lado os montoneros, uma das mais violentas e eficientes organizações esquerdistas do nosso continente, e do outro a AAA, Associação Anti-comunista Argentina, a versão hermana do nosso CCC, um verdadeiro esquadrão da morte institucionalizado, todos abrigados dentro do movimento peronista.
Placa que marca o local onde funcionava a temível D2, a Polícia Política argentina da época militar, em Córdoba, na Argentina
Enfim, os peronistas venceram as eleições com Campora que permitiu a volta de Perón ao país, para então renunciar e provocar nova eleição, agora com a participação do antigo líder, já anistiado. Perón se elegeu com facilidade a achou que saberia administrar as tensões dentro de seu próprio partido. Acontece que ele já estava velho e doente e morreu no início de seu governo. A vice-presidente era sua 3ª esposa, Isabelita, que não chegava nem aos pés da lendária esposa anterior, Evita. Isabelita era fraca e e as tensões sociais explodiram sob seu governo, terrorismo e bombas de um lado e repressão e tortura do outro. Até que, em 1976, os militares cansaram de atuar nos bastidores, derrubaram Isabelita e assumiram o governo, prometendo uma luta de vida ou morte ao terrorismo de esquerda.
Interior da delegacia onde se torturaram e mataram dezenas de presos políticos na época da ditadura argentina, em Córdoba, na Argentina
O resultado foi uma verdadeira carnificina. Para destruir a mais organizada guerrilha do cone sul, organizou-se o maior e mais sangrento sistema repressivo dessa região. Em cinco anos de repressão brutal, cerca de 30 mil pessoas foram mortas. Para se ter uma ideia, se considerarmos a diferença de população entre Brasil e Argentina e o número de mortos durante o governo militar dos dois países, a ditadura deles foi 300 vezes mais mortífera do que a nossa! Eram tantas vítimas que os militares resolveram, para se livrar das vítimas, simplesmente atirá-las de aviões e helicópteros sobre o mar. Mas algo saiu errado no plano e os corpos começaram a aparecer nas praias uruguaias, revelando ao mundo a tragédia.
Antiga sede da D2, a terrível Polícia Política argentina do final dos anos 70, em Córdoba, na Argentina
A grande maioria de todas essas vítimas e tantas outras que não chegaram a morrer, mas foram presas e torturadas era de gente que não estava ligada com a guerrilha. Bastava ser amigo de um amigo de algum sindicalista ou líder estudantil que já se corria perigo. Ou estar na hora errada no lugar errado. Ou ter participado de alguma reunião onde se discutia política e se criticava o governo. Foi o que aconteceu com nossa amiga Cristina, que nos recebeu tão bem no dia de ontem.
Interior da delegacia onde se torturaram e mataram dezenas de presos políticos na época da ditadura argentina, em Córdoba, na Argentina
Ela foi sequestrada da sua casa pelas forças da repressão, por ter participado de uma dessas reuniões poucas semanas antes. Ficou presa, foi interrogada e torturada por vários meses, até que foi solta sem aviso. Nunca foi acusada de nada e nem esteve presa “formalmente”. Assim funcionava, com os presos não tendo nenhum acesso ao aparato legal. Enfim, para sorte dela, foi solta. Mas sua companheira de cela, uma mulher que ela aprendeu a admirar por sua bravura e coragem, está na lista dos milhares de desaparecidos pelo regime. Cristina escreveu um livro sobre ela “Lili” e nos presenteou com ele. Um olhar sobre a vida nas prisões por quem lá esteve, relato sincero, nu e cru sobre o que ocorreu nesse país, num tempo tão recente.
Observando a homenagem a algumas das dezenas de vítimas de tortura na década de 70 em Córdoba, na Argentina
Pois é, depois de ter sido solta, Cristina acabou se empregando como enfermeira no sistema público. Com a guerra, o governo militar que ela tanto abominava quis enviá-la às Malvinas. Cristina e Anibal fugiram para o Rio, o país perdeu a guerra de uma forma humilhante e o governo militar caiu de podre, abrindo caminho para a redemocratização. A própria guerra já tinha sido uma maneira de tentar prolongar-se no poder, depois do rotundo fracasso na área econômica que gerava uma enorme instabilidade social. Esse assunto da guerra certamente aparecerá nos posts futuros, já que estamos indo justamente para lá, às Malvinas.
Observando a homenagem a algumas das dezenas de vítimas de tortura na década de 70 em Córdoba, na Argentina
Hoje, aqui em Córdoba, estivemos na antiga delegacia da D2, a polícia política do daquele regime. O lugar, na Pasaje Santa Catalina, foi transformada num museu que homenageia as centenas de vítimas que passaram por lá. O mais incrível é que ela fica justamente ao lado da catedral, em pleno centro da cidade. Assim, os presos torturados muitas vezes ouviam o bater dos sinos ao lado anunciando a próxima missa. Estarrecedor! Aí passamos um hora, observando as salas tenebrosas e corredores escuros, mantidos como eram. Mais importante, observamos as dezenas de fotografias das pessoas que sumiram ali, fotos com familiares, na praia, na escola, nas ruas, sorrindo, brincando, enfim, mostrando que eram pessoas normais, como eu e você. Mas tiveram um fim terrível, indigno, aqui, do lado da catedral. Num país que nos encanta tanto como esse, é quase impossível imaginar isso acontecendo aqui, há tão pouco tempo. Um motivo a mais para celebramos a liberdade de ir e vir, de pensamento, de podermos falar e criticar, da vida sob o império da lei e das garantias individuais. Passar em um lugar como esse, aprender o que aconteceu aqui, num lugar e num tempo tão perto de nós só nos faz valorizar o tempo e a viagem que estamos vivendo.
Casario em San Cristobal de Las Casas, no sul do México
Como diversas cidades mexicanas, San Cristobal tem nome e sobrenome. O nome homenageia o santo enquanto o sobrenome, “Las Casas”, homenageia o bispo Bartolomeu de Las Casas, o maior protetor dos direitos indígenas em tempos coloniais. A igreja católica teve um papel polêmico no processo de colonização da América espanhola, sendo alvo de muitas críticas. Mas certamente também teve vários aspectos positivos. Um deles, indubitavelmente, foi que era a única voz importante em defesa dos direitos indígenas, a única instituição para a qual os nativos poderiam recorrer. Muitas vezes essa posição a colocou em conflito com o Estado o que levou, por exemplo, à expulsão de toda a ordem jesuíta das colônias espanholas na América, em meados do séc XVIII.
Rua peatonal da charmosa San Cristobal de Las Casas, no sul do México
O fusca, carro ainda muito comum nas ruas do México (em San Cristobal de Las Casas, no sul do país)
Os indígenas de Chiapas, estado de que San Cristobal foi a maior cidade durante séculos, sempre foram parcela importante da população. Em que pese a “proteção” por parte de homens como Las Casas, a sua situação sempre foi de mal a pior. Não por acaso foi aqui que surgiu o EZLN para lutar exatamente pelos direitos desses nativos. Em 1994, surgindo do “nada”, o Ex[ercito Zapatista chegou a tomar a cidade por alguns dias, fazendo manchetes nos jornais de todo o mundo. Pelo bem ou pelo mal, o fato é que, desde então, a situação tem melhorado, embora ainda reste muito o que fazer.
Subindo o morro para chegar à igreja San Cristobal, em San Cristobal de Las Casas, no sul do México
O turismo também vem fazendo a sua parte, trazendo dinheiro e investimentos e movimentando a economia da região. Além disso, ajuda a manter essa belíssima região aos olhos do mundo, o que certamente mantém o governo sob pressão para continuar investindo por aqui.
Devoção na Igreja San Cristobal, em San Cristobal de Las Casas, no sul do México
San Cristobal, por exemplo, é uma cidade agradabilíssima de se visitar. O seu centro histórico tem ruas de pedra e arquitetura colonial. A quantidade de hotéis charmosos impressiona e o número de restaurantes de qualidade é, de certa forma, desesperador. Como experimentar todos? Como escolher entre eles? Vários tem como especialidade comida natural, tudo cultivado de maneira orgânica.
A bela fachada do templo de Santo Domingo, em San Cristobal de Las Casas, no sul do México
As praças estão sempre cheias e vivas. Pode ser de dia ou de noite, sempre há movimento no coreto, uma banda no andar de cima, um café no andar de baixo, pessoas passando, olhando e dançando ao seu redor. Também as ruas peatonais são assim, vários restaurantes com as portas abertas, mesas na calçada, gente sentada e vendo a vida passar.
O sempre agitado coreto em San Cristobal de Las Casas, no sul do México
Nós chegamos na cidade no fim da tarde de ontem e vamos embora amanhã de manhã. Deu tempo de conhecer dois bons restaurantes, um acolhedor bar de vinhos, caminhar pelas ruas e praças, visitar algumas igrejas e também o sempre agitadíssimo mercado da cidade.
Hora do passeio em San Cristobal de Las Casas, no sul do México
Uma das igrejas, justamente aquela que tem o nome da cidade, está encima de um morro que proporciona uma bela visão de San Cristobal, além de um bom exercício também, para vencer as centenas de degraus para se chegar lá. A visita ao mercado é sempre genial, aquela confusão total de sabores, cheiros e cores, gente local atendendo à gente local e uns poucos e afortunados turistas vendo aquilo tudo. Para nós, brasileiros, uma das coisas que impressionam é a quantidade e variedade de feijão e de milho, duas das mais consumidas comidas no país, desde o tempo dos Olmecas, muito antes de mayas e astecas. Feijão de todas as cores, até verde e azul! E não é pintado, não!
Diferentes variedades de milho no mercado de San Cristobal de Las Casas, no sul do México
Para mim, um grande esforço foi passar por aqui, especialmente por aquele delicioso bar do vinho, sem tomar uma gota de álcool. Estou em semana de antibióticos e portanto, em estrita abstinência alcoólica. Um motivo a mais para voltar a essa bela cidade algum dia, só para tomar uma cervejinha ao lado do agitado coreto, ou uma taça de vinho acompanhada de bom queijo no Vino de Baco.
Até feijão verde e azul (!!!) tem no mercado de San Cristobal de Las Casas, no sul do México
A Ana fica cada vez mais craque no standup paddle, na Praia da Guarda, litoral sul de Santa Catarina
De tempos em tempos surge um novo esporte ou prática esportiva que toma de assalto as fotos de revistas, imagens de TV, praias e ares do Brasil e do mundo. De repente, está todo mundo fazendo, tentando fazer ou falando disso. São esportes que nos deixam mais próximos da natureza, refletem saúde e felicidade.
A Ana pratica standup paddle no belíssimo visual da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Não sou desse tempo, mas acho que o primeiro grande exemplo disso foi o surf. Totalmente inexistente por aqui até o final da década de 60, ele já reinava absoluto em nossas praias a partir das minhas mais antigas lembranças, em meados da década seguinte.
Praia da Guarda, litoral sul de Santa Catarina
Não demorou muito e veio a asa delta, acho que no início da década de 80. Depois, mas não necessariamente nessa ordem, veio o wind surf e as pranchas de bodyboard. As bicicletas de bicicross, o paragliding e o jet ski. O ultraleve, o bungee jump e o base jump.
A Ana pratica standup paddle na lagoa da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
A Ana pratica standup paddle na lagoa da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Mais recentemente, foi a vez do kite surf. Em várias praias espalhadas pelas Américas que visitamos, era comum ver dezenas de pessoas deslizando rapidamente sobre a água, amarrados em suas asas e dando saltos acrobáticos, demonstrando perícia e coragem.
O Rodrigo se exercita no standup paddle na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
O Rodrigo se exercita no standup paddle na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Quando vemos (ou víamos) esses novos esportes sendo praticados, a vontade era de fazer igual. Mas a maioria deles não é fácil e está muito além das habilidades e do bolso dos simples mortais. Ou requerem muito equilíbrio, ou muita coragem, ou bastante dinheiro. Ou uma combinação disso tudo. Seriam meses ou anos de treinamento para conseguirmos fazer igual ao que víamos na TV ou na foto da revista. Em resumo, na grande maioria dos casos, ficávamos só na vontade ou nas promessas...
A Ana recebe as últimas instruções para fazer standup paddle na na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
A Ana pratica standup paddle no belíssimo visual da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Mas, eis que apareceu mais um esporte da moda. Quando iniciamos os nossos 1000dias, ele ainda era bem restrito, conhecido apenas pelos mais antenados. Mas o esporte foi crescendo, ficando mais e mais conhecido, virando moda. Estou falando do standup paddle, aquela pranchona de surf em que ficamos em pé sobre ela remando em algum lugar de águas um pouco mais tranquilas. Foi nítido para nós como esse esporte, em questão de poucos anos, se espalhou e se popularizou por todo o continente.
Standup paddle na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Além de nos levar para mais perto da natureza, como os outros esportes da longa lista acima também faziam, o standup paddle tem uma grande vantagem sobre todos eles: a acessibilidade. Acho que o único pré-requisito é não ter medo de água. Nem saber nadar é preciso, pois pode-se praticá-lo com um colete salva-vidas. Comprar uma prancha pode ser caro, carregá-la, muito complicado, mas a solução para essas duas questões é simplesmente alugá-la já no lugar onde se vai praticar o esporte. Um mínimo de equilíbrio, um pouco de força nos braços e pronto: todos podem fazer sem medo de ser feliz!
A Ana pratica standup paddle no belíssimo visual da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
É claro que, por estar na moda, quem aluga as pranchas aproveita para enfiar a faca. O preço é por hora e, se fizermos as contas, em muitos casos sai bem mais caro alugar uma pranchona dessa do que alugar um carro. Mas, se tem quem paga, nem dá para botar a culpa em quem aluga. Só está aproveitando para fazer o seu pé de meia. Eu e a Ana, já fazia tempo que queríamos praticar. Só estávamos esperando a hora certa no lugar certo. Tudo parecia indicar que seria na lagoa do Meio, lá na Praia do Rosa. Mas ali, o preço era tão aviltante que nós resistimos. Agora, aqui na Guarda do Embaú, tínhamos uma nova chance.
O fantástico cenário da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Pois é, difícil imaginar um lugar mais perfeito para a prática desse esporte. Para iniciantes como nós, o melhor é fazer em águas mais calmas, sem ondas. Pois bem, é exatamente como é o rio da Madre, que separa a cidade da praia. Para aqueles que não sabem nadar, o rio dá pé na maioria dos lugares. E para quando nos sentirmos mais confiantes e querermos “mais emoção”, basta remar até a boca do rio, onde ele se encontra com o mar. Para quem é bom mesmo, não vai ser qualquer onde que vai te derrubar. Eu já vi muita gente remando de uma praia à outra, como se estivessem andando calmamente de bicicleta. A praia da Guarda tem espaço para todo mundo: dos iniciantes até aqueles que querem surfar com a pranchona.
O Rodrigo se exercita no standup paddle na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Depois da queda, subindo novamente na prancha de standup paddle da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Aqui, depois de uma boa conversa e muita simpatia, a Ana conseguiu negociar um preço muito mais em conta. Tão bom que nós voltamos dois dias mais tarde para fazer de novo, agora com céu azul e muito sol. Um de cada vez, para podermos tirar fotos. Aos poucos, fomos acertando o equilíbrio e até nos arriscamos um pouco no mar também. Um tombo aqui, outro ali, mas não tem problema: da água não passamos!
A Ana fica cada vez mais craque no standup paddle, na Praia da Guarda, litoral sul de Santa Catarina
Enfim, foi uma delícia, vontade de fazer mais e mais. Um pouco de prática evita tombos e dor nas costas. A remada passa a render muito mais e a sensação de integração com a natureza compensa o suor na testa. A pele fica queimada e os músculos, tonificados. Tudo de bom, mesmo. E que bom que fizemos aqui, na Praia da Guarda. Até adiamos nossa viagem para Florianópolis para o final do dia. A Ilha da Magia poderia esperar mais um pouco...
Standup paddle no paraíso chamado Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Para finalizar, só uma curiosidade. Muitos daqueles esportes que citei no início, e outros também, chegaram até nós pela primeira vez de uma forma meio inusitada para os dias de hoje. Para quem viveu e se lembra dos anos 80, como esquecer os antológicos comerciais do cigarro Hollywood? Eles misturavam, na mesma peça publicitária, gente bonita, mulheres gostosas, as melhores músicas da década e muita ação em esportes novos no meio da natureza. Tudo isso para vender aquele veneno. Associavam o cigarro à saúde e ao sucesso. Felizmente, isso não é mais permitido, mas o lado ruim da lei é que ficamos sem propagandas que marcavam época. Então, só para relembrar e sem fazer apologia ao cigarro (que eu detesto!), segue um vídeo com várias dessas propagandas e vários dos esportes da moda naqueles anos. Se essa publicidade ainda fossem permitida, certamente teria havido uma propaganda da Hollywood com o standup paddle há uns 4-5 anos atrás. Qual teria sido a música?
Encontro do 1000dias e o 4x1 em Vancouver, no Canadá (foto da expedição 4x1 - Retratos da América)
Desde que começamos a planejar nossa viagem pelas Américas, no início de 2009, que procuramos constantemente por outros aventureiros que fizeram ou fazem algo parecido. Em tempos de internet, google e facebook, essa procura fica bem mais fácil e essas expedições de carro ao redor do mundo se contam às dezenas.
A Fiona e a Tanajura (4x1), encontro de carros brasileiros na frente do Boteco Brasil, em Vancouver, no Canadá
Na sua grande maioria, são europeus, australianos e americanos que fazem esse tipo de viagem. O veículo mais comum são as motos. Os continentes mais viajados são a África e o sudeste asiático. Mas a América também é percorrida, sendo o mais comum as pessoas virem do norte para o sul, de onde mandam seu veículo para outro continente. A rota mais batida segue sempre perto do Pacífico e o Brasil acaba ficando de fora de muitos trajetos (não sabem o que estão perdendo, esses gringos!).
A Fiona e a Tanajura (4x1), encontro de carros brasileiros na frente do Boteco Brasil, em Vancouver, no Canadá
Entre os sul-americanos, os maiores viajantes, devo reconhecer, são nossos hermanos argentinos. Com a cara, a coragem e pouco dinheiro, entram numa Kombi ou num calhambeque e saem mundo afora. Não sei se é pela influência de Chê, o fato é que eles conhecem muito mais o nosso continente que os brasileiros, que ainda preferem voar direto para Miami ou Nova Iorque.
Enconttro das expedições brasileiras 1000dias e 4x1, além dos Kombianos, em frente ao Boteco Brasil, em Vancouver, no Canadá
Mas temos nossas honrosas exceções! Entre os que se atreveram a ir um pouco mais longe que a Patagônia ou o Atacama (esses sim, trajetos muito percorridos pelos brasileiros) estão o pessoal do Challenging Your Dreams (apesar do nome, são brasileiros sim!), do Mundo Por Terra (fizeram uma incrível viagem pelo mundo, incluindo a uma histórica volta por toda a África!) e o Viagens Maneiras (levaram seu cão labrador para “passear” por mais de 40 países!). Esses e outros, inclusive da era pré-internet, sempre foram uma inspiração para nós. Mas, quando começamos a nossa própria aventura, a deles já havia terminado. Será que estávamos “sozinhos” na América?
Jantando com os brasileiros da expedição 4x1 em restaurante mongol, em Vancouver, no Canadá (foto da expedição 4x1 - Retratos da América)
Que nada! Há outros por aí e a internet é o meio de achá-los. Ou, quem sabe, de sermos achados! Pois é, foi isso que aconteceu quando, no início do ano, recebemos um e-mail de uma pessoa perguntando sobre a viagem. Era o Gustavo e nos informava que ele e quatro amigos estavam planejando algo semelhante. Não ficaram só nos planos não e, poucos meses mais tarde, a expedição 4x1 – Retratos da América já estava na estrada. O Gustavo, Gabriel, Bruno, Leonardo e André, a bordo da simpática Tanajura (uma Nissan), partiram rumo ao Alaska no dia 3 de Junho desse ano.
A Fiona e a tanajura se encontram novamente em frente ao Boteco Brasil, em Vancouver, no Canadá
A viagem deles é mais curta que a nossa, devendo durar de 10 meses a um ano. Assim como nós, o objetivo é chegar ao Alaska, descer até a Patagônia para então, voltar ao Brasil. Como têm menos tempo do que nós, estão fazendo uma rota mais direta. Cruzaram o Brasil de sul a norte pelo interior, passando pelo litoral do Ceará e Amazônia. Daí para a Venezuela e Colômbia. Como saíram mais tarde do que tinham imaginado e queriam chegar ao Alaska antes do frio do inverno, acabaram pulando a América Central e o México, mandando o carro diretamente para Seattle. Mas na volta, com mais calma, vão poder viajar por essas regiões também.
Encontro das expedições 1000dias e 4x1 no Boteco Brasil, da Márcia, em Vancouver, no Canadá
Então, desde que eles iniciaram sua viagem que estamos acompanhando aqui de “cima”, torcendo e planejando um encontro. Quase deu certo no Alaska, mas um descompasso de dois dias acabou por adiar nosso encontro. Acho que foi o destino que preferiu que fosse em Vancouver. Afinal, é aqui que está o Boteco Brasil, da brasileira Márcia, moradora da cidade há mais de 20 anos e cozinheira de mão cheia dos nossos mais famosos pratos e quitutes.
Deliciosa comida brasileira no Boteco Brasil, no encontro das expedições 1000dias e 4x1, em Vancouver, no Canadá
Eles chegaram um dia antes de nós e se hospedaram na cada do Caio, músico brasileiro que também já mora aqui há um bom tempo. O Caio deu a ideia do Boteco e para lá marcamos o encontro, para a noite do dia 14. Mas, o que já estava bom acabou ficando melhor! Quem também estava na cidade eram os nossos amigos colombianos, que viajam pela América de Kombi. Tínhamos nos encontrado em Anchorage e, desde então, acompanhamos nossos passos. O Jorge e a Meli vieram conhecer nosso “apartamento” de tarde e aí ficamos por horas, botando as conversas em dia. Depois, já de noite, seguimos juntos para o Boteco Brasil.
Não poderia faltar uma boa ideia no encontro dos brasileiros no Boteco Brasil, em Vancouver, no Canadá
Foi uma festa! Para nós, brasileiros, por encontrar companheiros de aventura. Para os colombianos, que adoram o Brasil e se divertiram com a música brasileira no Boteco. E para a Márcia, que jamais imaginou ter dois carros brasileiros estacionados na frente de seu bar, em Vancouver. Falando em carros, foi uma festa também para a Fiona, que adorou conhecer a Tanajura.
Junto com os brasileiros do 4x1 em parque de Vancouver, no Canadá
Ontem, dia 15, foi a vez da expedição 4x1 nos visitar em nosso apartamento (adoro poder falar do “nosso” apartamento em Vancouver, hehehe). Aí também ficamos por horas, trocando ideias e informações ou simplesmente nos divertindo com as aventuras vividas pelas duas expedições pelo nosso continente afora. Depois de muita conversa, a fome bateu e fomos comer, os seis, ali perto. Digo “seis” porque o André não está aqui em Vancouver. Aproveitou esses dias para voar para Nova Iorque e vai reencontrar os companheiros em pouco mais de uma semana, lá em Yellowstone. Fomos jantar num restaurante de comida mongol, para matar a saudades de um restaurante lá de São Paulo, o Tantra, que todos conhecemos. Eles cinco se formaram na FEA, na USP, e portanto, conhecem bem a cidade.
Discutindo caminhos e rotas com o Gabriel, da expedição 4x1, em Vancouver, no Canadá
Hoje, dia 16, foi dia de novo reencontro. A Márcia nos convidou para um almoço no Boteco Brasil e lá nos refestelamos de pão de queijo, guaraná, coxinha, feijoada e caipirinha. Uma delícia! Encontro brasileiro em ambiente brasileiro, com comida brasileira, apesar de estarmos em Vancouver. Agora, com a ajuda da luz do dia, pudemos tirar mais fotos do nosso encontro por lá, dos carros, das pessoas, do boteco e da comida.
Junto com os brasileiros da expedição 4x1 na Wreck Beach, em Vancouver, no Canadá
Dali, esticamos para um passeio conjunto pela cidade, Fiona e Tanajura andando lado a lado pelas ruas de Vancouver. Muito legal! Aproveitamos o verde de um parque para uma nova sessão de fotos e seguimos para a praia, localização ideal para assistir o pôr-do-sol. Ali, não resistimos a fazer a famosa foto do pulo, uma das preferidas da expedição 4x1. Eu já tinha visto tantas, no site deles, que fui quem lembrou que deveríamos fazer outra, ali.
Show de burlesque especial de Halloween em Vancouver, no Canadá
Muitas fotos depois, seguimos para o centro, para o distrito histórico de Gastown. Foi aí que começou Vancouver e onde, hoje, pode-se encontrar dezenas de bares e restaurantes charmosos. Achamos um de tapas, para um rápido jantar com cerveja ou vinho e seguimos para outro bar em frente, onde tivemos a sorte de ver um show de burlesque inspirado no Halloween que está chegando. Fechamos assim, com chave de ouro, esse incrível e inesquecível encontro de expedições brasileiras aqui em Vancouver. Pelo ritmo e andar das duas expedições, dificilmente nos encontraremos novamente durante essas nossas jornadas. Mas não iremos nos separar mais, eletronicamente, sempre acompanhando as aventuras inspiradoras uns dos outros. Os amigos que eram virtuais, agora viraram reais. A internet é joia, mas o cara a cara é muito melhor. Expedição 4x1, uma excelente vigem para vocês! Estaremos sempre acompanhando de perto! E a Fiona manda uma grande buzinada para a Tanajura! Cuidem-se e aproveitem essa incrível experiência no nosso maravilhoso continente!
Bruno, Gabriel, Gustavo e Leonardo, da expedição 4x1, saltam para foto na Wreck Beach, em Vancouver, no Canadá
Caminhando nas dunas de Siriú, em Garopaba, no litoral sul de Santa Catarina
Como eu já disse nos posts anteriores, apesar de já ter estado várias vezes em Garopaba na década de 90, eu nunca tinha ido muito além da Praia da Ferrugem e do Rosa (que nem é em Garopaba!). Mesmo no centro da cidade e sua parte histórica, tinha sido só uma vez, de noite, para uma pizza, e olhe lá! Pelo menos essa primeiro pecado, o de não ter conhecido o centro de dia, eu já sanei alguns dias atrás, quando trouxe o meu sobrinho para embarcar na rodoviária (ver post aqui).
Chegando à praia da Silveira, em Garopaba, no litoral sul de Santa Catarina
Chegando à praia da Silveira, em Garopaba, no litoral sul de Santa Catarina
Naquele dia, além do turismo “histórico”, do sorvete na praça e da subida até a bela igreja de São Joaquim, nós aproveitamos também para conhecer a famosa loja da Mormaii, marca que nasceu por aqui. A Ana fez umas encomendas por lá e hoje foi o dia de passarmos na cidade novamente para pegá-las. Já estávamos com a bagagem no carro, prontos para seguir viagem para o norte. Mas antes disso, ainda queríamos conhecer as outras atrações da cidade, aquelas que eu nunca tinha visto duas décadas atrás.
Mapa com as praias do litoral sul de Santa Catarina, da Praia do Rosa (Imbituba) à Praia do Sonho (Palhoça), passando pelas diversas praias de Garopaba e a Guarda do Embaú. Nós visitamos praticamente todas elas
Começamos pela belíssima praia da Silveira, a primeira praia ao sul do centro. Área protegida, com permissão de construção bastante restringida, atrai muito surfistas e amantes da natureza. O nome vem da presença do capim silva, antigamente usado para a cobertura de casas, como telhado.
litoral sul de Santa Catarina
A dserta praia da Silveira, em Garopaba, no litoral sul de Santa Catarina
Praia da Silveira, em Garopaba, no litoral sul de Santa Catarina
Num dia nublado como hoje, terça-feira da semana pós-carnaval, a praia estava praticamente deserta. Isso só tornava seu aspecto ainda mais selvagem e isolado. A gente ficou admirando a beleza da região de um mirante, que é por onde a estrada chega, e depois descemos até lá, para colocar o pé na areia. Admirando aquela natureza toda, só ficava tentando imaginar como demorei tanto tempo para conhecer essa praia... Não achei resposta razoável!
Chegando às dunas de Siriú, em Garopaba, no litoral sul de Santa Catarina
Campo de dunas em Siriú, região de Garopaba, litoral sul de Santa Catarina
Em seguida, seguimos para o norte da cidade, para uma região conhecida como Siriú. Aí tem de tudo: lagoa, vila, praia, campo de dunas, rio e até cachoeira. De novo, fiquei impressionado de não ter vindo aqui antes. Eram os “encantos” da ferrugem que me cegavam, hehehe!
Caminhando nas dunas de Siriú, em Garopaba, no litoral sul de Santa Catarina
As dunas de Siriú, em Garopaba, no litoral sul de Santa Catarina. Ao fundo, a Guarda do Embaú
Começamos a exploração com uma boa caminhada nos campos de duna. Um verdadeiro lençol ondulado de areia escorrendo quase paralelo à praia. Lá no fundo, na direção norte, depois de uma baía, a praia da Guarda do Embaú, nosso próximo destino. Mas ela teria de esperar mais algumas horas, pois ainda tínhamos muito o que ver aqui no Siriú.
As dunas, a igreja e o bairro de Siriú, em Garopaba, litoral sul de Santa Catarina
As dunas e a lagoa do Siriú, em Garopaba, no litoral sul de Santa Catarina
O campo de dunas fica espremido entre o mar e a lagoa do Siriú. No lado voltado para a lagoa, de encostas mais íngremes, muita gente pratica o “esqui-bunda” na areia. O visual não poderia ser mais pitoresco: dunas de areias nas costas e uma lagoa cercada de matas e morros verdes à frente. Um espetáculo!
A boca da lagoa de Siriú, em Garopaba, no litoral sul de Santa Catarina
Praia do Siriú, em Garopaba, no litoral sul de Santa Catarina
Depois das dunas, de carro, demos a volta no longo lençol de areia e seguimos até a praia onde, naquele meio de tarde, não poderia faltar o tradicional futebol. Aí também está a boca da lagoa de Siriú, local preferido para uma pescaria tranquila. Nós adoramos a paisagem, mas não somos muito de pescar. Então, rumo à próxima atração!
Trilha para a cachoeira do Siriú, em Garopaba, no litoral sul de Santa Catarina
Trilha para a cachoeira do Siriú, em Garopaba, no litoral sul de Santa Catarina
Depois de tanta areia e mar, nada como nos enfiarmos no mato e na água doce para variar um pouco. Fomos para a cachoeira do Siriú, uma das mais belas de Garopaba. Fica numa espécie de “complexo turístico”, com churrasqueiras, piscinas naturais e trilhas no mato. Felizmente, chegamos no dia certo, pois parece que em feriados e finais de semana, a chance de uma farofa barulhenta é bem grande por aqui.
Trilha para a cachoeira do Siriú, em Garopaba, no litoral sul de Santa Catarina
Trilha para a cachoeira do Siriú, em Garopaba, no litoral sul de Santa Catarina
Mas não hoje! Não havia absolutamente ninguém, nem para cobrar entrada! Então, pudemos seguir tranquilamente pela trilha no mato acompanhando o curso do rio até a tal cachoeira. Não dá para comparar com tantas outras cachoeiras maravilhosas que vimos nesses 1000dias, mas em terra de cego, que tem um olho é rei. Depois de tanta praia, a cachoeira e o verde ao seu redor foram um colírio para os nossos olhos.
Cachoeira do Siriú, em Garopaba, no litoral sul de Santa Catarina
Cachoeira do Siriú, em Garopaba, no litoral sul de Santa Catarina
Depois do colírio e do ar fresco, só nos restava seguir viagem. Seguimos pela bela área rural de Garopaba, estradas de terra no meio do verde e que, nas partes altas, nos deixavam ver não apenas a Praia da Guarda, cada vez mais próxima, mas até mesmo a ilha de Florianópolis, um pouco mais longe e, lá no fundo, com a ajuda do zoom na máquina fotográfica, a ponte que liga a capital catarinense ao continente. Nossa última capital... difícil de acreditar que estamos chegando lá. Mas antes disso, ainda temos alguns dias na famosa Guarda do Embaú. Uma coisa de cada vez!
Zona rural de Garopaba, no sul de Santa Catarina
Dirigindo pela zona rural de Garopaba, no sul de Santa Catarina. Ao longe, a Guarda do Embaú
Partindo do hotel, cedinho, em Charlotte Amalie - USVI
Após vencer a dificuldade de levantar de uma cama tão gostosa tendo dormido poucas horas, carregar toda a tralha escadaria abaixo, ficar suado logo de manhã, refrescar-me no ar condicionado do táxi e carregar novamente a tralha até o check-in, tivemos a boa notícia de não ter de pagar pela bagagem. A simpática atendente entendeu nosso vôo como uma perna de uma viagem internacional. Se todos os atendentes fossem assim...
De volta à Miami, depois de escrever vários posts no vôo, o desembarque é bem menos complicado, na ala de vôos domésticos. O que não mudou foram os quilômetros a serem andados pelos corredores do aeroporto até o ponto onde se pega as bagagens. Aí, tomamos um táxi e voltamos, depois de quase 35 dias de Caribe, para o apartamento do Marcelo e da Su, em Key Biscayne. No caminho, conversando com um curioso motorista haitiano, já fomos nos acostumando a estar novamente em uma grande metrópole.
Chegamos em Miami bem no dia do aniversário da Su, que podemos celebrar juntos. Um ano antes, ela e o Marcelo passaram esta mesma data na Ilha do Mel, se preparando para o casamento de um certo casal, no dia seguinte.
Já começamos a comemorar o aniversário no almoço, num restaurante quie fica num simpático e muito bem organizado parque no extremo sul da ilha de Key Biscayne. Depois, uma preguiçosa tarde no apartamento, mexendo na internet e se preparando para a noitada que se aproximava...
Engraçado... Talvez pela mudança de ambiente, a sensação era que a temporada no Caribe estava a quilômetros de distância, não só no espaço, mas também no tempo. Ainda bem que temos os posts, fotos e filmes para nos lembrar que lá estivemos, que não foi tudo apenas um sonho. Um belo sonho.
Praia Requesón ocupada por trailers de americanos, região de Mulegé, na Baja California - México
Começamos o dia com um passeio a pé pelo simpático centro histórico de Loreto, espremido entre a praça da igreja e a orla do Malecón. Muitos restaurantes gostosos, casas charmosas, uma rua peatonal na sombra de árvores e uma praça ainda com pouco movimento pela manhã. A “Capital Histórica de Todas as Californias” parece ter parado no tempo, há uns 200 anos. Ainda bem!
Alameda peatonal em Loreto, na Baja California - México
Vegetação característica da região de Loreto, na Baja California - México
Depois, hora de pegar estrada e seguir no nosso incansável rumo norte. A próxima cidade no caminho é Mulegé, também na orla do Mar de Cortez. O caminho entre as duas cidades primeiro passa um longo trecho de deserto, para depois seguir ao lado do mar. É exatamente neste trecho que estão as mais belas praias da península da Baja California.
Litoral entre Loreto e Mulegé, no Mar de Cortez, na baja California - México
A magnífica praia de Requesón, próxima a Mulegé, na Baja Califórnia - México
Depois de acompanhar um longo trecho de litoral rochoso e belíssimo, chegamos a um local que mais parece uma pintura: a praia Requesón. É uma estreita faixa de areia branca que liga a costa com uma ilha logo em frente, separando uma baía de águas calmas e cristalinas em duas. Muito linda! Nessa faixa de areia estão alguns trailers estacionados, americanos que ficam acampados em grande estilo por lá por até 10 dias.
Praia Requesón, em Mulegé, na Baja California - México
Caminhando na belíssima praia Requesón, próxima à Mulegé, na Baja California - México
Esse é um programa muito popular entre californianos (do norte!) mais descolados. Empacotam tudo em suas casas rodantes e vem para a Baja California acampar em alguma das belas praias que existe nessa área de Mulegé. Por aqui, foram pequenas comunidades provisórias, todos com seus cachorros, uma boa parte deles já aposentada, só curtindo a vida. No Requesón havia uns 5-6 traillers, mas nas praias mais adiante, vimos mais de uma centena.
Paciente cão tenta pescar no Mar de Cortez, praia de Requesón, em Mulegé, na Baja California - México
Nós também fomos até a praia, com a nossa Fiona. Até chegamos a cogitar em acampar por ali mesmo, fazer parte daquela pequena comunidade por um dia. Mas o vento frio e forte que soprava hoje nos desanimou. A água estava convidativa, mais quente do que do lado de fora, mas a sensação térmica causada pelo vento não animava. Conversamos um pouco com os americanos de bem com a vida que ali estavam e seguimos viagem.
Encontro com um simpático grupo de americanos em restaurante em praia próxima à Mulegé, na Baja California - México
Logo em seguida, mais praias apareceram, sempre com seus trailers por ali. Numa das primeiras, tinha um restaurante mais roots, onde resolvemos parar para um brinde àquela beleza toda. Logo ficamos amigos de outro grupo de americanos felizes, em seu caminho em direção à Los Cabos, no extremo sul da península. Todos de San Diego, até nos convidaram para ficar em suas casas, mas vamos passar por lá antes que retornem de sua própria viagem.
O farol de Mulegé, na Baja California - México
Visitando a Missión Santa Rosalía, em Mulegé, na Baja California - México
Algumas paradas em outras praias mais adiante e finalmente chegamos à Mulegé, construída bem num ponto onde um oásis encontra o mar. A cidade também oferece bons restaurantes e pousadas charmosas, mas a gente já tinha decidido seguir mais à frente. Mas ainda visitamos o farol, que fica bem no encontro do rio com o mar e também a bela missão jesuítica de Santa Rosalía.
Visitando a Missión Santa Rosalía, em Mulegé, na Baja California - México
Essa fica um pouco mais afastada da costa, no alto de um morro de onde se tem uma bela vista do rio, do oásis, do deserto que o cerca e do mar ao fundo. Sabiam muito bem aonde construir suas igrejas, esses jesuítas! Passamos aí algum tempo para tirar fotos e explorar o prédio histórico, quase os únicos turistas por ali. A única companhia era de três italianos, também maravilhados com a beleza do lugar.
Dirigindo no final da tarde entre Mulegé e Santa Rosalía, na Baja California - México
Da missão para a cidade de Santa Rosalía, uma hora de estrada mais ao norte. Chegamos lá de noite, depois de acompanhar um fim de tarde belíssimo no deserto. Nessa cidade mineira, parecida com uma vila dos filmes de faroeste, a gente se instalou no Hotel Frances, um casarão no alto do morro que já foi um grande bordel. Bordel da época clássica, daqueles dos filmes de faroeste também. Ele é dessa época, e foi criado no início do século passado para atender aos trabalhadores da mina da cidade, explorada por uma empresa francesa. Hoje, o hotel e seus quartos são um charme só, pé direito bem alto, tudo feito de madeira e quartos sem janelas, com paredes revestidas de longos tecidos avermelhados. Tudo para garantir a intimidade dos clientes. De hoje e de outrora, hehehe!
Uma linda "jacaroa de olhos azuis", em restaurante de praia próxima à Mulegé, na Baja California - México
Mapa das Ilhas Virgens Americanas (USVI) e Britânicas (BVI)
Com aquela sensação já conhecida de estar deixando um lugar antes do tempo, deixamos USVI em direção à BVI (British Virgin Islands). Fazem parte do mesmo conjunto de ilhas, das tais 11 mil virgens de um delirante Colombo. São vizinhas tão próximas que fiquei com a sensação de que, se precisasse, poderia nadar entre elas. Interessante, nadar de um país ao outro... A viagem foi de Cruz Bay, em St. John para West End, em Tortola. De lá, um táxi para Road Town
A mudança de países não foi feita sem o tradicional stress de horários que sempre passamos... O ferry saía às 08:30. Vinte minutos antes, deixei a Ana e a bagagem no porto e voltei para a loja de carros, para devolver o nosso. A loja não estava aberta (deveria abrir às 08:00). Quando resolvi largar o carro lá mesmo e deixar a chave no nosso hotel, o cara apareceu. Cumpridas as formalidades, corri para o porto para não achar a Ana lá. Quem encontrei foi uma mulher que me disse que aquele era o porto errado, para viagens internacionais era outro. Que beleza! A Ana tinha arrumado alguém para ajudá-la com nossa gigantesca bagagem e já estava lá, no porto certo, me esperando. Como sempre, no fim, tudo termina bem.
Na verdade, nem tanto. A nossa máquina fotográfica, que tirou fotos lindas no dia anterior, mas que já vinha com um barulho estranho, deixou de funcionar.Aqui em BVI não conseguimos consertar. Vamos ver no Brasil... Portanto, fotos agora, só do celular.
Nosso primeiro dia por aqui foi muito jóia. Conto no post seguinte...
Um dia nublado refletido nas águas do lago Fagnano, perto de Tolhuin, pequena cidade na região de Ushuaia, no sul da Terra do Fogo, Argentina
Iniciamos hoje nosso longo retorno rumo ao norte, de volta ao Brasil e a Curitiba. Etapa final dos nossos 1000dias. Felizmente, não voltaremos pelo caminho mais curto. Ainda temos muito por ver e fazer aqui no cone sul, Argentina, Chile, Uruguai (o único país americano que ainda não pusemos os pés ou as rodas nessa viagem) e os estados do sul do Brasil. Três meses de viagem e alguns milhares de quilômetros nos aguardam.
Mais uma vez, vamos cruzar a Argentina. Agora, vamos subir pelo litoral pela ruta 3 até a região de Comodoro Rivadavia e daí cruzar o país até os Andes, rumo ao Chile e à famosa Carretera Austtral
Nosso próximo grande objetivo é percorrer a famosa Carretera Austral, a estrada que corta o sul do Chile. Para isso, precisamos chegar até ela. Ainda vou falar muito dessa estrada ao longo dos próximos dias, mas resumindo, ela não vem até o extremo sul do Chile, região de Punta Arenas ou Puerto Natales. Começa algumas centenas de quilômetros mais ao norte e para chegar até lá devemos recorrer às estradas argentinas mesmo. Assim, mais uma vez nessa viagem, já perdi a conta de quantas vezes foram, vamos cruzar o país dos hermanos de leste a oeste, do Atlântico aos Andes, e entrar no Chile novamente, bem na altura onde começa a Carretera Astral.
Percurso de 580 km entre Ushuaia, no sul da Terra do Fogo e Rio Gallegos, no sul da Argentina, passando por Rio Grande, entrando no Chile, cruzando o estreito de Magalhães de balsa (2,5 km) em Bahia Azul e regressando à Argentina novamente
A ideia é seguir pelo litoral patagônico até a altura de Comodoro Rivadavia e aí cruzar o país até a pequena Los Antiguos, já na fronteira chilena e na beira de um dos maiores lagos do continente. Ainda no trecho argentino dessa rota, vamos passar por alguns parques nacionais, no litoral e no interior. Enfim, muita coisa para nos manter ocupados nos próximos dias.
Chegando ao lago Fagnano, perto de Tolhuin, pequena cidade na região de Ushuaia, no sul da Terra do Fogo, Argentina
Lago Fagnano, perto de Tolhuin, pequena cidade na região de Ushuaia, no sul da Terra do Fogo, Argentina
Para começar, hoje, deixamos a querida e emblemática Ushuaia para trás. Trecho de estrada já conhecido, ao lado do belíssimo lago Fagnano. O dia estava bem nublado, quase sem cores, mas o cinza prateado das nuvens pesadas refletido nas águas do lago estava lindo, uma paisagem de outro planeta. Dessa vez, saímos por uma estrada secundária e passamos ainda mais perto de sua orla, lá na região da pequena Tolhuin. Foi só depois, avisado pelo nosso amigo e seguidor da viagem, Alex Carniel, que eu fiquei sabendo do real significado desse lago que hoje nos pareceu tão mágico.
Placa informativa sobre as origens e características do lago Fagnano, no sul da Terra do Fogo, na Argentina (foto de Alex Carniel)
O Fagnano tem cerca de 100 km de extensão por uns poucos quilômetros de largura. Está quase todo em território argentino, mas sua extremidade ocidental avança além da fronteira, já em terras chilenas. Com 200 metros de profundidade, ele está sobre uma falha geológica criada pela fricção entre duas placas tectônicas. Ao norte, a placa sul-americana e ao sul, a pequena placa de Scotia. Essa última está se deslocando para leste a uma razão de 6 milímetros por ano. Isso causa terremotos esporádicos, além da fenda onde se localiza o próprio lago. Na verdade, foi a força das geleiras das diversas eras glaciais que aprofundaram ainda mais o lago, mas sua criação está mesmo relacionada com o encontro das placas.
Mapa mostrando as placas tectônicas da Terra. Ao sul da América do sul há uma pequena placa chamada Scotia, que corta o sul da Terra do Fogo, na Argentina (foto de Alex Carniel)
A placa tectônica Scotia, que contem a Geórgia do Sul e corta o sul da Terra do Fogo, na Argentina, justamente sobre o lago Fagnano (foto de Alex Carniel)
Aliás, esse é um caso raro de encontro de placas que não se dá sob o mar, mas dentro de uma ilha. Um outro exemplo é aquele na Islândia, onde se encontram as placas da América do Norte e da Eurásia, local onde até fizemos um mergulho gelado e inesquecível (post e fotos aqui). O fato é que isso reforça aquela tese de que o extremo sul do nosso continente está na região de Punta Arenas e que a Terra do Fogo já é outra “coisa”. Primeiro porque é uma ilha e segundo porque, pelo menos a sua parte sul, onde fica Ushuaia, está fora da placa sul-americana. Pertence à Scotia, a mesma placa onde está a Geórgia do Sul, ilha que também visitamos (veja o post sobre Scotia e Geórgia do Sul aqui). Enfim, politicamente falando, não saímos da América do Sul, mas geologicamente sim e foi só quando deixamos o Fagnano para trás é que voltamos às terras sul-americanas. E geograficamente falando, só voltamos ao nosso continente quando cruzamos o Estreito de Magalhães algumas horas mais tarde. Que confusão!
Lago fagnano, perto de Tolhuin, pequena cidade na região de Ushuaia, no sul da Terra do Fogo, Argentina
Lago fagnano, perto de Tolhuin, pequena cidade na região de Ushuaia, no sul da Terra do Fogo, Argentina
Bem, é claro que não estávamos preocupados com esses preciosismos, mas simplesmente em seguir nossa viagem. Continuamos dirigindo por estradas conhecidas, o rápido asfalto até Rio Grande cortando planícies quase intermináveis. Depois, ainda mais ao norte, voltamos ao lado chileno da Terra do Fogo, sempre com a devida burocracia fronteiriça. Mesmo para quem pretende ir para as cidades do sul da Argentina, é preciso dar uma rápida passagem pelo Chile nessa rota. Isso porque a balsa que cruza a parte mais estreita do Estreito de Magalhães fica em território chileno, na chamada Baía Azul. É uma passagem rápida e eficiente e, já em terras continentais, logo cruzamos outra vez a fronteira, agora de volta à Argentina.
Dia nublado no lago Fagnano, perto de Tolhuin, pequena cidade na região de Ushuaia, no sul da Terra do Fogo, Argentina
Voltar à Argentina significa voltar ao asfalto da ruta 3, a longa estrada que une Buenos Aires a Ushuaia. A primeira grande cidade no caminho, justamente aquela que procurávamos para passar a noite, é Rio Gallegos. Cidade grande, quase 100 mil habitantes, nasceu e cresceu na época da exploração de lã e hoje está ligada á exploração de petróleo na região.
A ruta 3, rodovia asfaltada que corta toda a patagônia Argentina pelo litoral, região de Rio Gallegos
Nós chegamos aí já perto do pôr-do-sol. Aliás, que belíssimo pôr-do-sol! Depois, fomos nos instalar no hotel Croacia, um dos mais tradicionais da cidade. A dona, imigrante iugoslava, foi uma interessantíssima conversa. Reclamou muito da situação da educação na Argentina, sobre como o sistema piorou nas últimas décadas. Não é muito fã da presidente atual, deu para perceber nos primeiros segundos de conversa. Foi ela também que nos indicou um lugar para jantar. Ótima indicação, por sinal, nós nos esbaldamos no Matamora, a boa e velha carne argentina. Era a penúltima noite do ano e não tínhamos ideia de onde passaríamos a seguinte. Então, para garantir, já resolvemos passar bem e celebrar hoje mesmo, hehehe!
Um belo pôr-do-sol (perto das 10 da noite!) em Rio Gallegos, no sul da Argentina, na nossa penúltima noite do ano
Foto com a equipe da rádio que entrevistou a Ana em um posto de San Pedro Sula, em Honduras
De volta ao continente na manhã de hoje, pegamos estrada para nosso próximo destino: as famosas ruínas mayas de Copán! No caminho, outra vez a cidade de San Pedro Sula, a segunda maior do país, com quase um milhão de habitantes, atrás apenas da capital Tegucigalpa. San Pedro pode ser a segunda em população, mas sem dúvida, é o principal centro econômico de Honduras, responsável por quase 2/3 do PIB do país. Infelizmente, não é sua força econômica que lhe trás fama atualmente, mas a violência em suas ruas. San Pedro de Sula é considerada a cidade mais violenta do mundo, com 159 homicídios para cada 100 mil habitantes, em 2011. Para se ter uma ideia e comparação, essa mesma taxa, para São Paulo (dados de 2010) é de 13 homicídios, 24,3 para o Rio, 55,5 para Salvador e 109 para nossa “campeã”, a alagoana Maceió.
Npsso caminho entre La Ceiba e Copán Ruinas, passando outras vez por San Pedro Sula
Por causa dessa fama, sempre imaginei como seria nossa passagem pela cidade. Mas aqui, como nas capitais brasileiras, o importante é saber aonde ir e, mais ainda, aonde NÃO ir. Nada de dar sorte ao azar e nem de estar no lugar errado na hora errada. Boa parte da violência e dos mortos estão entre as gangues que peleiam entre si. Raramente turistas são vítimas. Quando nós passamos aqui na vinda, além de não termos tido nenhum problema, ainda nos apaixonamos por uma rádio que só tocava boa música. Agora na volta, muito antes de entrarmos na cidade, já a sintonizávamos novamente. Uma das nossas diversões durante as viagens de carro por todos esses países é exatamente isso: ouvir e tentar encontrar boas rádios pelo caminho. Essa de San Pedro foi uma das melhores do continente! Será uma das lembranças que levaremos da cidade, e não a tal violência, que só vimos pelos números e não com nossos olhos.
Foto com a equipe da rádio que entrevistou a Ana em um posto de San Pedro Sula, em Honduras
Mas há outra lembrança que levaremos daqui, também. Parei em um posto da cidade para abastecer e, tanque cheio, fui com a Ana na loja do posto comprar mantimentos. Lá de dentro, percebemos uma movimentação perto da Fiona, pessoas tirando fotos. Enquanto eu pagava, a Ana foi lá socializar. Quando finalmente cheguei lá perto, ela estava sendo entrevistada! Ao vivo! Eu podia ouvir na rádio de outro carro minha esposa mandar ver em seu espanhol, falando do 1000dias. Um pessoal de uma rádio (não aquela que tínhamos ficado fãs) que estava fazendo uma promoção ali no posto adorou a Fiona e colocaram a Ana no ar, para o país inteiro! Muito legal! No fim da tarde desse dia, lá em Copán Ruinas, umas pessoas vieram falar conosco sobre isso, ao reconhecer a Fiona na rua.
Fazendo um teste de bafômetro em estrada entre San Pedro Sula e Copán Ruinas, em Honduras
Seguimos a viagem, deixando San Pedro para trás. A “temida” cidade só nos deu bons momentos e lembranças! Ainda houve um outro fato, já a meio caminho do nosso destino final. Depois de atravessar umas dez barreiras policiais da operação Semana Santa, uam delas nos parou e o simpático guarda veio logo com um bafômetro para cima de mim. Pois é, nem aqui em Honduras estamos livres dessa geringonça! Mais sóbrio que um bebê, não pestanejei: fui logo soprando e conseguindo o índice zero! Segurança total nas estradas daqui, pelo menos nessa semana. E pensar que um conhecido guatemalteco sugeriu que atravessássemos a fronteira novamente para o lado de lá, para fazer esse trecho até Copán, só pela segurança... Ainda bem que não lhe demos ouvidos! Honduras, por enquanto, tem nos tratado à pão de ló!
Verificando o resultado do teste de bafômetro em estrada entre San Pedro Sula e Copán Ruinas, em Honduras
Blog da Ana
Blog da Rodrigo
Vídeos
Esportes
Soy Loco
A Viagem
Parceiros
Contato
2012. Todos os direitos reservados. Layout por Binworks. Desenvolvimento e manutenção do site por Race Internet
.jpg)
.jpg)








.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)