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Argentina, Bariloche, El Bolsón

A Ruta 40, na região de El Bolsón, na patagônia argentina

A Ruta 40, na região de El Bolsón, na patagônia argentina


Ontem, dia 9, voamos de Curitiba para Bariloche com uma rápida parada em Buenos Aires. Nem saímos do aeroporto. Em Bariloche, no estacionamento do próprio aeroporto nos esperava a Fiona. Com carro próprio e já na nossa terceira chegada à cidade em menos de 10 dias, foi como chegar em casa. Já sabemos os caminhos, já conhecemos os hotéis e restaurantes, até já conhecemos algumas pessoas.

As paisagens maravilhosas da patagônia andina argentina, na Ruta 40, região de El Bolsón

As paisagens maravilhosas da patagônia andina argentina, na Ruta 40, região de El Bolsón


Voltamos para o mesmo hotel da primeira vez e o jantar, para celebrar o início da nossa longa jornada rumo ao sul do continente, foi um delicioso fondue. São especialistas nisso por aqui. Hoje de manhã, antes de pegarmos estrada, foi a vez de ir fazer câmbio nas ruas. Também já estou ficando craque nessa atividade. Em todas as cidades grandes ou turísticas do país a gente encontra no centro os “arbolitos”, nome carinhoso dado aos cambistas. Ficam parados em frente às casas de câmbio ou bancos e não são incomodados pela polícia, desde que não falem alto nas ruas. Quando demonstramos interesse, eles nos levam para dentro de uma loja e fazemos o câmbio. A taxa atual chega perto dos 14 pesos por dólar, praticamente o dobro da taxa oficial. Aqui em Bariloche, eles já estão acostumados em fazer câmbio para brasileiros e já falam até em português conosco. Eu troquei a quantidade que imagino que vamos usar até chegarmos à próxima cidade grande e pronto, não faltava mais nada para pegarmos estrada.

As paisagens maravilhosas da patagônia andina argentina, na Ruta 40, região de El Bolsón

As paisagens maravilhosas da patagônia andina argentina, na Ruta 40, região de El Bolsón


Nosso rumo agora é o sul. Vamos descer a famosa ruta 40, a estrada que vai de norte ao sul do país sempre ao lado dos Andes, sendo considerada uma das mais cênicas do continente. Daqui para o norte, ela é toda asfaltada. Mas para o sul, com muito menos movimento, ainda há longos trechos de rípio. Aos poucos, está sendo tudo asfaltado e não duvido que em poucos anos seja possível cruzar toda a patagônia andina sem poeira.



Serão mais de 2.500 km até Ushuaia, no sul da Terra do Fogo. Mas não vamos diretamente. A primeira parada, onde dormiremos por uns dias, será El Bolsón, uma espécie de prima alternativa de Bariloche. De lá para a belíssima El Chaltén, passando no caminho por mais cidades de colonização galesa e também pela inacreditável Cueva de Las Manos. Em El Chaltén deveremos passar alguns dias explorando o parque que há por lá, muitas caminhadas no cardápio. Depois, El Calafate, onde está o mais famoso glaciar das Américas, o Perito Moreno.

As paisagens maravilhosas da patagônia andina argentina, na Ruta 40, região de El Bolsón

As paisagens maravilhosas da patagônia andina argentina, na Ruta 40, região de El Bolsón


Para seguir ainda mais ao sul ao lado dos Andes, só do lado chileno. E é para lá que seguiremos, justo naquele que é considerado o mais belo Parque Nacional desse lado do mundo, o Torres del Paine. Finalmente, ainda do lado chileno, vamos até Punta Arenas de onde, de balsa, poderemos cruzar para a Terra do Fogo. Daí para Ushuaia será um pulinho e aí sim teremos levado a Fiona até a ponta sul do continente. Desde que saímos do Alaska, lá na outra ponta, terão sido 15 meses muito bem vividos!

A Ruta 40, na região de El Bolsón, na patagônia argentina

A Ruta 40, na região de El Bolsón, na patagônia argentina


Bom, é isso então, belos planos para o próximo mês! É mais uma corrida se iniciando, pois temos de estar em Santiago no final de Janeiro, de onde voaremos outra vez para o Brasil, agora para o aniversário da minha mãe. Temos, então, cerca de 50 dias para chegarmos à Ushuaia e retornarmos à Santiago, subindo todo o Chile pela famosa Carretera Austral, forte concorrente da ruta 40 na competição de estrada mais bela da América do Sul. Daqui a dois meses poderemos dar o nosso veredicto!

Chegando em El Bolsón, na Argentina

Chegando em El Bolsón, na Argentina


Enfim, toda grande jornada começa com o primeiro passo. E o nosso foi dirigir de Bariloche a El Bolsón. Esse pequeno trecho já é mais do que o suficiente para entender a fama que a ruta 40 tem. A Carretera Austral vai ter de se esforçar!

Argentina, Bariloche, El Bolsón, Estrada

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Diz aí se você gostou, diz!

Um Dia em Port Stanley

Falkland, Port Stanley

Chegando a Port Stanley, a capital de Falkland

Chegando a Port Stanley, a capital de Falkland


Os habitantes de Falkland são chamados de “kelpers”. O nome vem de um tipo de alga, “kelp”, que é muito abundante ao redor da ilha. Uma boa parte dos moradores da ilha está envolvida com a principal atividade econômica de Falkland, que é a criação de ovelhas. São quase 700 mil delas em um arquipélago onde vivem menos de 3 mil pessoas. E uma parte importante da alimentação desse enorme rebanho é justamente o kelp, que os poucos humanos disponíveis vão coletar no mar. Daí a denominação, kelpers!

Chegando a Port Stanley, capital de Falkland (foto de John Pairaudeau)

Chegando a Port Stanley, capital de Falkland (foto de John Pairaudeau)


O Sea Spirit ancorado em Port Stanley, a capital de Falkland

O Sea Spirit ancorado em Port Stanley, a capital de Falkland


Pois bem, para os kelpers, o arquipélago está dividido em duas partes. E eles não estão se referindo às ilhas East e West Falkland. Não! Para eles, existe o “town” e o “camp”. “Town” é a capital, e única cidade de verdade em Falkland, Port Stanley. E “camp” é o resto. Todo o resto. Então, até agora, nós conhecemos o “camp”. Carcass Island e Steeple Jason fazem parte do “camp”. As outras pequenas ilhas, toda a West Falkland e boa parte da East Falkland, dos quais não vimos nada, também são o “camp”. Quando muito, vimos de longe, das janelas e do convés do Sea Spirit. Mas agora, o que queríamos mesmo era ver a outra metade do país, o “town”.

Caminhando do porto até Port Stanley, a capital de Falkland

Caminhando do porto até Port Stanley, a capital de Falkland


Caminhando do porto até Port Stanley, a capital de Falkland

Caminhando do porto até Port Stanley, a capital de Falkland


E assim foi. Nosso dia de hoje foi devotado à exploração da capital, do “town”, de Port Stanley, com seus pouco mais de 2 mil habitantes. Logo de manhã nosso barco já estava ancorado lá, nossa única chance nessas três semanas de poder sair do Sea Spirit sem estar vestindo as botas de borracha ou nossa roupa de caiaque. Tiramos nossos tênis do fundo da mala, bem felizes e estávamos prontos. Hoje, nem de guia precisaríamos. Nossa liberdade de volta, desde que respeitássemos os horários, claro!

Memorial Wood  (Bosque da Memória), em Port Stanley, a capital de Falkland

Memorial Wood (Bosque da Memória), em Port Stanley, a capital de Falkland


Caminhando no Memorial Wood  (Bosque da Memória), em honra oas mortos na guerra de 82, em Port Stanley, a capital de Falkland

Caminhando no Memorial Wood (Bosque da Memória), em honra oas mortos na guerra de 82, em Port Stanley, a capital de Falkland


Na verdade, três de nossos simpáticos guias estariam sim, a nossa disposição, liderando grupos “temáticos” pela cidade. Um para falar de história, outro dos pássaros e a terceira das baleias. Eram tours facultativos e nós, eu e a Ana, optamos pela exploração seguindo nosso próprio nariz. Como disse, era nossa única chance nessas 3 semanas.

Ave se esquenta ao sol em pier em Port Stanley, a capital de Falkland

Ave se esquenta ao sol em pier em Port Stanley, a capital de Falkland


Pássaros Rock Shags em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Ken Haley)

Pássaros Rock Shags em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Ken Haley)


O porto está a pouco mais de 2 km do centro da cidade. Microônibus poderiam nos levar e trazer de volta, a cada meia hora. Para quem quisesse, podia seguir a pé. Umas dez pessoas optaram pelo exercício, assim como nós. Alguns, com o espírito ainda mais livre, ao chegar à estrada, viraram para o outro lado. Preferiram ir até uma península, uma baía e à famosa praia de “Gipsy Cove” do que seguir para “town”. Nós não, queríamos era um pouco de urbanidade mesmo.

Cemitério em Port Stanley, a capital de Falkland

Cemitério em Port Stanley, a capital de Falkland


Braço de mar em frente a Port Stanley, a capital de Falkland

Braço de mar em frente a Port Stanley, a capital de Falkland


Port Stanley virou a capital de Falkland em 1845, principalmente pelo fato de ser um bom porto. Afinal, a principal atividade econômica de Falkland naquele tempo era a reparação de navios. Para chegar à costa oeste dos Estados Unidos, a principal rota passava pelo sul da América e não eram poucos os navios que necessitavam de reparos após a passagem pela perigosa “Passagem de Drake”. Falkland, estando “logo ali”, soube aproveitar-se desse mercado, facilitado pelas excelentes condições de Port Stanley, de calado mais profundo.

A arquitetura de Port Stanley, capital de Falkland (foto de John Pairaudeau)

A arquitetura de Port Stanley, capital de Falkland (foto de John Pairaudeau)


Arquitetura de Port Stanley, capital de Falkland (foto de Susan Pairaudeau)

Arquitetura de Port Stanley, capital de Falkland (foto de Susan Pairaudeau)


A bonança continuou até que os navios a vapor, muito mais resistentes, se popularizassem. O golpe final nessa indústria veio no início do séc. XX, com a abertura do Canal do Panamá. Agora, os navios não necessitavam mais enfrentar os rigores da Drake Passage e Port Stanley ficou a “ver navios”. Isso abriu espaço para o crescimento de outra indústria nas ilhas, a criação de ovelhas, principal força econômica do arquipélago até hoje.

Depois da caminhada, quase chegando ao centro de Port Stanley, a capital de Falkland

Depois da caminhada, quase chegando ao centro de Port Stanley, a capital de Falkland


Arquitetura britânica em Port Stanley, a capital de Falkland

Arquitetura britânica em Port Stanley, a capital de Falkland


A cidade, como sua própria população indica, é bem pequena e pode ser percorrida a pé em poucas horas. Entre as principais atrações, alguns poucos museus, igrejas, o belo visual da rua em frente ao mar, os vários monumentos que relembram a guerra de 82, naufrágios de antigos barcos que podem ser avistados no mar e os quatro pubs que existem no centro da cidade.

O efeito do vento no crscimento de uma árvore, em Port Stanley, a capital de Falkland

O efeito do vento no crscimento de uma árvore, em Port Stanley, a capital de Falkland


O belo visual da rua costeira de Port Stanley, a capital de Falkland

O belo visual da rua costeira de Port Stanley, a capital de Falkland


Nós começamos nossa visita por alguns dos memoriais de guerra, como uma floresta que foi plantada onde cada árvore homenageia um dos mortos britânicos naquele conflito. Vou falar desse assunto no próximo post, mas vistamos também o cemitério que tem uma linda vista para o braço de mar em frente à cidade.

Catedral anglicana de Port Stanley, a capital de Falkland

Catedral anglicana de Port Stanley, a capital de Falkland


Interior da catedral anglicana de Port Stanley, a capital de Falkland

Interior da catedral anglicana de Port Stanley, a capital de Falkland


Os ossos de baleia azul e a catedral anglicana, uma das cenas clássicas de Port Stanley, a capital de Falkland

Os ossos de baleia azul e a catedral anglicana, uma das cenas clássicas de Port Stanley, a capital de Falkland


Em seguida, fomos a um dos mais vistosos prédios de Port Stanley, a Catedral Anglicana. Com mais de 130 anos de existência, ela é a catedral mais ao sul do mundo, elegante por fora e com uma tranquilidade inspiradora em seu interior. Bem em frente a ela, um dos principais cartões postais da cidade: um monumento feito apenas com os ossos de mandíbula do maior animal que já existiu em nosso planeta, a baleia azul. Usando 4 desses ossos, foi feito um grande arco, convite irresistível à fotografias de turistas. Esse maravilhoso animal era abundante na região, mas foi caçado quase até a extinção nos séc. XIX e XX. Os ossos ali dispostos, em frente a uma igreja, servem para nos lembrar da estupidez de nossa raça que levou tantas outras espécies a extinção total. Quando chegarmos à Geórgia do Sul, certamente vou falar mais dessa perseguição implacável feita às baleias aqui nos mares do sul...

Cartão postal de Port Stanley, a capital de Falkland, os enormes ossos de maxilar de baleias azul, a maior criatura do planeta

Cartão postal de Port Stanley, a capital de Falkland, os enormes ossos de maxilar de baleias azul, a maior criatura do planeta


A Kim salta entre ossos de maxilar de uma baleia azul, em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Jeff Orlowski)

A Kim salta entre ossos de maxilar de uma baleia azul, em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Jeff Orlowski)


Mas, falando em baleias, há um pequeno museu em homenagem a elas. Antes de chegar lá, ainda passamos no correio da cidade para enviar alguns postais para casa, uma espécie de prova definitiva que passamos nesse lugar tão isolado do mundo. Acho que já fazia alguns anos que eu não enviava postais, prática tão comum entre os viajantes de até pouco tempo atrás. A internet, facebook e Skype mudaram nossos hábitos, mas achamos que, aqui de Port Stanley, no meio do oceano, a ocasião valia a pena!

A prova de que Port Stanley, a capital de Falkland, ainda é inglesa

A prova de que Port Stanley, a capital de Falkland, ainda é inglesa


Visita ao correio de Port Stanley, a capital de Falkland, para enviar alguns postais como prova de que lá estivemos!

Visita ao correio de Port Stanley, a capital de Falkland, para enviar alguns postais como prova de que lá estivemos!


O pequeno museu mostra o esqueleto de algumas espécies de baleias, mas o que mais chama a atenção na exposição é um canhão que lançava arpões. Apenas aquele canhão teria matado mais de 20 mil baleias! Hoje, a máquina de matar serve a melhores propósitos. Ao seu lado, um cartaz pede que se proíba a caça às baleias. Deveria vir com tradução em japonês.

Visita a um pequeno museu de baleias, em Port Stanley, a capital de Falkland

Visita a um pequeno museu de baleias, em Port Stanley, a capital de Falkland


Um arpão assassino, exposto em museu de baleias em Port Stanley, a capital de Falkland

Um arpão assassino, exposto em museu de baleias em Port Stanley, a capital de Falkland


Pequeno museu sobre baleias, em Port Stanley, a capital de Falkland

Pequeno museu sobre baleias, em Port Stanley, a capital de Falkland


Nesse ponto da nossa visita encontramos o Jeff e passamos a caminhar juntos. O Jeff trabalha com cinema e um dos filmes que ajudou a filmar, o espetacular “Chasing Ice”, é parte do Festival de Cinema que está ocorrendo a bordo do Sea Spirit. É mais um assunto a que preciso dedicar um post, mas como trata de aquecimento global, acho que vou esperar chegarmos à Antártida. Enfim, caminhávamos juntos quando ocorreu o fenômeno mais natural possível para os kelpers, mas que chama bastante a atenção de visitantes como nós!

Junto com o Jeff, protegendo-se da neve repentina em Port Stanley, a capital de Falkland

Junto com o Jeff, protegendo-se da neve repentina em Port Stanley, a capital de Falkland


De repente, uma forte nevasca em Port Stanley, a capital de Falkland

De repente, uma forte nevasca em Port Stanley, a capital de Falkland


O clima da ilha e especialmente aqui em Port Stanley muda rapidamente, várias vezes ao dia. Mesmo para padrões britânicos, que moram naquela ilha conhecida pelo seu clima instável, as Falkland assustam. Do sol à chuva ao frio ao fim do vento à neve ao céu azul, tudo assim, sem vírgulas e em poucos minutos. Assim, caminhávamos tranquilamente num fim de manhã onde o azul do céu parecia que iria vencer as nuvens quando, de repente, estávamos procurando abrigo atrás de um carro contra o vento e a forte neve que caía. Nossa primeira neve nessa viagem. Mesmo o Jeff, que acabou de passar por lugares como Islândia, Groelândia e Alaska (trabalhando naquele filme que citei acima), se impressionou. Quem não pareceu dar muita bola foram uns cavalos que assistiram toda a cena, eles mesmos pouco se importando com a neve que caía. Afinal, já sabiam que algum tempo depois viria o sol. Cavalos kelpers!

Com o Jeff, caminhando em terreno nevado em Port Stanley, a capital de Falkland

Com o Jeff, caminhando em terreno nevado em Port Stanley, a capital de Falkland


Cavalos parecem estar acostumados à subita queda de neve em Port Stanley, a capital de Falkland

Cavalos parecem estar acostumados à subita queda de neve em Port Stanley, a capital de Falkland


Pois é, o tempo melhorou mesmo e pudemos continuar nossa caminhada. Primeiro, de volta à rua litorânea, um dos visuais mais belos da cidade. E depois para o museu histórico, que eu queria muito visitar. Aí passei mais de hora, primeiro lendo tudo o que havia sobre os warrahs, os lobos extintos de Falkland, assunto sobre o qual tenho estranha obsessão. E depois, sobre a guerra de 82 que, como disse, tratarei no próximo post.

O Museu Histórico de Port Stanley, a capital de Falkland

O Museu Histórico de Port Stanley, a capital de Falkland


Representação do extinto Warrah, ou Falkland Wolv, no museu histórico de Port Stanley, a capital de Falkland

Representação do extinto Warrah, ou Falkland Wolv, no museu histórico de Port Stanley, a capital de Falkland


Depois do museu, só nos faltava fazer uma coisa que já vínhamos sonhando faz tempo, antes mesmo de entrarmos nesse navio em Buenos Aires. Queríamos passar algum tempo num legítimo pub inglês aqui em Port Stanley, cidade de coração e alma britânica. Então, de volta ao centro e para dentro do pub. Lá já estavam outros passageiros, todos preferindo o conforto do bar que o ar frio lá de fora. Tratamos logo de pedir uma legítima Guinness para brindarmos nossa passagem por lugar tão distante. Uma verdadeira benção, poder estar no meio do Atlântico Sul e, ao mesmo tempo, tomar uma Guinness. Muito joia mesmo! Agora, mais do que nunca, estamos certos de que vamos conhecer e viajar por todos os países das Américas. Até mesmo pelas isoladas, praticamente perdidas e esquecidas Falkland e Geórgia do Sul. Merece até outra Guinness!!!

Um dos pubs de Port Stanley, a capital de Falkland

Um dos pubs de Port Stanley, a capital de Falkland


Interior de um pub em Port Stanley, a capital de Falkland

Interior de um pub em Port Stanley, a capital de Falkland


Celebrando com uma Guinness em um pub a nossa visita a Port Stanley, a capital de Falkland

Celebrando com uma Guinness em um pub a nossa visita a Port Stanley, a capital de Falkland


E assim, de Guinness em Guinness, já era hora do último micro-ônibus de volta ao porto e ao Sea Spirit. Fomos os últimos a chegar, já no segundo tempo da prorrogação. Mas valeu muita a pena a correria e as cervejas. Que ótimo foi ter estado na instável Port Stanley, um pedacinho da Inglaterra aqui nos mares do sul. Saímos ao convés para um último adeus à cidade e a este arquipélago. Pela primeira vez nessa viagem, pisamos em gelo no convés, uma rápida chuva de granizo. Pois é, não poderia faltar em um típico dia nessa cidade. Depois das despedidas formais, de volta ao calor do nosso navio e ao conforto do nosso bar. Mais uma cerveja para comemorar, agora ao início da nossa viagem à Geórgia do Sul e a mais dois dias em alto mar!

Zarpando de Port Stanley, a capital de Falkland

Zarpando de Port Stanley, a capital de Falkland


Neve no convés do Sea Spirit em Port Stanley, capital de Falkland

Neve no convés do Sea Spirit em Port Stanley, capital de Falkland

Falkland, Port Stanley, cidade

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Um Oásis no Peru

Peru, Lima, Huacachina

O oásis de Huacachina, no Peru

O oásis de Huacachina, no Peru


Às vezes, é muito legal chegar de noite em algum lugar em que você nunca esteve e não conseguir ver a paisagem ao redor. A escuridão da noite é como um manto escondendo alguma surpresa que a luz do dia mostrará. Foi o que aconteceu conosco aqui na pequena Huacachina, ao lado de Ica, a meio caminho entre Nazca e Lima.

Mal se percebe as minúsculas pessoas no pé da enorme duna em Huacachina, no Peru

Mal se percebe as minúsculas pessoas no pé da enorme duna em Huacachina, no Peru


Normalmente, associamos a palavra "oásis" a uma ilha de verde e de vida no meio do Saara ou do deserto da Arábia. Mas a América do sul, especialmente o Chile e o Peru, também tem seus desertos e, consequentemente, seus oásis! Os desertos que tínhamos visto até agora, nesses países, eram grandes planícies de areia e pedra. Mas em Huacachina ele se parece mais com aquela imagem clássica de desertos que todos temos na nossa cabeça: enormes dunas a se perder de vista. É o nosso Saara. E Huacachina é aquele oásis típico também, uma lagoa cercada de palmeiras cercada de dunas de areis gigantes.

Subindo a duna em Huacachina, no Peru

Subindo a duna em Huacachina, no Peru


Foi com essa "surpresa", essa paisagem quase africana, que nos deparamos pela manhã. E a primeira tentação foi, claro, subir as dunas. Para quem tinha acabado de subir um vulcão, não poderia ser tão difícil assim, hehehe. Mas foi! As dunas devem ser umas quatro vezes mais altas que aquelas de Jericoacoara e a grande maioria das pessoas só sobe lá num bugue super arretado, preparado para levar turistas em passeios pelas areias.

Correndo na estreita crista da duna em Huacachina, no Peru

Correndo na estreita crista da duna em Huacachina, no Peru


Mas nós fomos a pé mesmo. Muito suor e esforço depois, estávamos lá encima, observando o mágico cenário. As pessoas ficam absolutamente minúsculas, quase desaparecendo diante de tanta areia. O oásis de Huacachina também fica pequenininho lá embaixo, a lagoa, os restaurantes e as palmeiras parecendo que serão devorados pelas areias em questão de minutos!

Autofoto no alto da duna em Huacachina, no Peru

Autofoto no alto da duna em Huacachina, no Peru


Antes que isso acontecesse, tiramos nossas fotos e corremos para lá, minutos intermináveis despencando duna abaixo até chegar ao nível do lago. Ali, nos instalamos num dos tentadores restaurantes com mesas ao lado da água e ficamos curtindo o incrível visual, dessa vez olhando tudo de baixo para cima. Tão bom como isso foi o nosso lanche, cerveja gelada e um ceviche delicioso carregado no limão. Hmmmmmm!!!

Veículos para transporte de turistas nas dunas de Huacachina, no Peru

Veículos para transporte de turistas nas dunas de Huacachina, no Peru


Aí, foi hora de tocar para Lima. A nossa primeira capital desde Asunción. A maior cidade que entramos desde que saímos de São Paulo, há muito e muito tempo. É nesta hora que o GPS é mais valioso! Seguimos diretamente para o bairro de Miraflores, região de classe média alta, muitos restaurantes e hotéis. Bairro super gostoso que muito lembra os bairros mais gostosos de São paulo e Rio. Vai ser ótimo explorá-lo nos próximos dias. Mas, antes disso, tivemos é que achar um lugar para nós e para a Fiona, bem na hora do rush.

Totalmente patroa, em Huacachina, no Peru

Totalmente patroa, em Huacachina, no Peru


Deu algum trabalho mas achamos um hotel bem legal, o Buena Vista. E, para a nossa agradável surpresa, o dono fez faculdade em Curitiba. Mais ainda, acabou de se casar com uma ex-colega sua e ela se mudou para Lima há poucos meses. Estávamos em casa! A Fiona ficou numa "playa" (estacionamento!) bem pertinho e agora, nossa única preocupação era comer. Seguimos o conselho do Jorge, o dono do hotel, e fomos comer no melhor frango da capital, a poucos quarteirões dali. Poucas horas em Miraflores e já mudamos nossos planos, tudo para ficar mais um dia por aqui. Amanhã, rumo ao centro da cidade que foi a mais importante das Américas por pelo menos 200 anos!

Delicioso ceviche, em Huacachina, no Peru

Delicioso ceviche, em Huacachina, no Peru

Peru, Lima, Huacachina, deserto, oásis

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São Chico e Joinville

Brasil, Santa Catarina, São Francisco do Sul, Joinville

A bela Igreja Matriz de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

A bela Igreja Matriz de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Hoje, depois de tantos dias de praia espalhados pelo litoral de Santa Catarina, resolvemos mudar de foco. Afinal, estávamos do lado de São Francisco do Sul, uma das mais antigas cidades do Brasil, verdadeiro patrimônio histórico do país. A cidade, como já falei no post passado, fica na ilha de mesmo nome. Mas a grande maioria das pessoas que vem para cá, inclusive nós, no passado, nem vai conhecer o centro histórico e fica mesmo só pelas praias da ilha. Pois bem, estava mais do que na hora de sanarmos essa nossa falha de conhecimento!

Mapa da região de Joinville, mostrando também a ilha de São Francisco do Sul e a Baía da Babitonga, no norte de Santa Catarina

Mapa da região de Joinville, mostrando também a ilha de São Francisco do Sul e a Baía da Babitonga, no norte de Santa Catarina


São Francisco do Sul, carinhosamente apelidada de São Chico, foi fundada por volta de 1650, a primeira povoação do estado de Santa Catarina. Mas os europeus já frequentavam a ilha e a baía onde foi fundada a cidade muito antes disso. Especula-se que uma expedição francesa passou por aqui em 1504 e levou para a Europa um indígena (filho de um chefe local) que viveu em Paris até os 90 anos de idade! Não que não tenha querido voltar, mas uma carona, naquela época, não era coisa fácil. Enfim, adaptou-se muito bem ao estilo de vida e língua franceses. A história é verdadeira, mas nunca se pode comprovar que ele tenha mesmo saído de São Francisco do Sul.

Centro histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

Centro histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Ar colonial nas fachadas do centro histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

Ar colonial nas fachadas do centro histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Quem comprovadamente passou por aqui em 1515 foi o famoso navegante espanhol Juan Dias de Solis. Foi ele que nomeou a ilha com o nome que conhecemos hoje. Quatro décadas mais tarde os espanhóis até tentaram ocupar a ilha, fundando um povoado. Mas a pequena vila não teve vida longa. Após feroz ataque dos índios tupiniquins, os colonizadores abandonaram tudo e fugiram para Assunción, no Paraguai.

Centro histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

Centro histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Dirigindo peles ruas históricas São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina, às margens da baía da Babitonga

Dirigindo peles ruas históricas São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina, às margens da baía da Babitonga


Um século mais tarde, por volta de 1650, foi a vez dos portugueses tentarem. Depois de escravizarem ou exterminarem boa parte da população indígena do local, os bandeirantes paulistas não tiveram problemas maiores em fundar a cidade. Nascia São Chico, primeiro subordinada a Paranaguá, mais ao norte, mas ganhando luz própria com o passar do tempo. Basta caminhar pelas ruas de seu centro histórico para perceber que a cidade já teve tempos de glória nos dois séculos seguintes.

Rua do centro de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

Rua do centro de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Placa informativa no centro de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

Placa informativa no centro de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Além do charmoso casario com ares coloniais que se espalha pelas ruas principais, chamam a atenção a Igreja Matriz, com mais de 200 anos de idade, e o Mercado Municipal, construção também centenária. O centro é pequeno e podemos (e devemos!) percorrê-lo a pé. Oportunidades para fotos não faltarão! A cidade está na beira da Baía da Babitonga que, cercada de verde e montanhas ao fundo, compõe bem qualquer fotografia.

Observando a baía da Babitonga, em frente a São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

Observando a baía da Babitonga, em frente a São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Baía da Babitonga, em frente a São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

Baía da Babitonga, em frente a São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Outro ponto alto da visita à cidade é o Museu Histórico. Ele faz uma homenagem ao enorme litoral do nosso país, além de suas bacias hidrográficas. Especializou-se na relação dos brasileiros, desde os tempos indígenas, com a água. Aí aprendi que em nenhum outro país do mundo há uma variedade tão grande de embarcações como no Brasil, cada uma adaptada ao clima, condições do local e necessidades de quem as constrói. Para quem gosta desse tipo de coisa, é uma visita imperdível! Além da exposição de barcos, canoas, jangadas e outros tipos de embarcação, a própria construção do museu, em galpões centenários, e sua localização na orla da Babitonga são atrativos extras.

A bela Igreja Matriz de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

A bela Igreja Matriz de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Museu Histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

Museu Histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Foram duas horas de agradável exploração pela cidade, com direito até à lanche no pequeno Mercado. Depois, pé na estrada novamente, mas para uma viagem bem curta. Nosso próximo destino foi a cidade de Joinville, ali do lado, mas já no continente.

O belo cenário do restaurante do Museu Histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

O belo cenário do restaurante do Museu Histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Museu Histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

Museu Histórico de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Santa Catarina é o único estado do Brasil cuja capital, Florianópolis, não é a maior cidade estadual. Essa honra cabe exatamente a Joinville, cidade de colonização alemã e que hoje tem mais de 500 mil habitantes, menor apenas que Porto Alegre e Curitiba em toda a região sul do país.

Fachada do Mercado Municiapal de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

Fachada do Mercado Municiapal de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


Interior do Mercado Municipal de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina

Interior do Mercado Municipal de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina


A cidade (e seu nome!) tem uma origem bem interessante. Em 1843, Maria Leopoldina de Austria, filha de Dom Pedro I e irmã do Imperador Dom Pedro II casou-se com o 3º filho do rei da França naquela época, Luis Filipe. Seu nome, Francisco Fernado de Orleáns, o Príncipe de Joinville. Essa “Joinville” original é uma pequena cidade francesa (hoje tem uns 5 mil habitantes) no nordeste do país. Como dote de casamento, além de joias e dinheiro, a princesa levou consigo uma considerável porção de terra onde hoje se localiza a cidade de Joinville, no nordeste de Santa Catarina. Durante as negociações pré-nupciais, os franceses pediram que as terras do dote fossem próximas à Guiana Francesa, mas os brasileiros acharam por bem não misturar as coisas e escolheram terras no lado oposto do país, a mais de 4 mil quilômetros de Caiena.

A Ana descansa e divaga na orla de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina, às margens da Baía da Babitonga

A Ana descansa e divaga na orla de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina, às margens da Baía da Babitonga


Influência alemã no pórtico de entrada da cidade de Joinville, no norte de Santa Catarina (foto da Internet)

Influência alemã no pórtico de entrada da cidade de Joinville, no norte de Santa Catarina (foto da Internet)


O casal real não teve chance de conhecer sua propriedade, pois moravam na Europa e, cinco anos após o casamento, o pai do Príncipe de Joinville foi derrubado na França por uma revolução. O príncipe e a princesa acabaram se refugiando na Inglaterra e, após alguns anos, sem a benevolência do dinheiro estatal, acabaram falindo. Então, para ajudar a pagar suas contas, venderam aquela propriedade distante que possuíam lá no sul do Brasil para um rico magnata alemão, o senador Christian Mathias Schroeder. Este estava organizando pequenas colônias alemãs no Brasil, mandando famílias de imigrantes para cá. Para homenagear o antigo proprietário da terra, o alemão resolveu batizá-la de Joinville. Nasceu pequena e alemã, mas algumas décadas mais tarde, passou por um intenso processo de industrialização que lhe rendeu o apelido de “Manchester brasileira”, em referência à principal metrópole industrial da Inglaterra e do mundo naquele final de século XIX.

Vista aérea de Joinville, a maior cidade do estado de Santa Catarina (foto da Internet)

Vista aérea de Joinville, a maior cidade do estado de Santa Catarina (foto da Internet)


Joinville, no norte de Santa Catarina, é sede do principal festival de dança do país (foto da Internet)

Joinville, no norte de Santa Catarina, é sede do principal festival de dança do país (foto da Internet)


Hoje, a simpática Joinville ganhou fama também por seu Festival Internacional de Dança, o mais importante da América Latina. Talvez por isso, aqui está instalada a única filial do prestigioso Ballet Bolshoi na América. Eu já tive chance de estar na cidade durante a realização do festival e é realmente um show, dezenas de espetáculos com dançarinos de todo o mundo e a noite fervendo na cidade.

Encontro com o Luís Felipe, primo da Ana, em Joinville, norte de Santa Catarina

Encontro com o Luís Felipe, primo da Ana, em Joinville, norte de Santa Catarina


Encontro com a Vitoria, prima da Ana, em Joinville, norte de Santa Catarina

Encontro com a Vitoria, prima da Ana, em Joinville, norte de Santa Catarina


Mas não estamos na época certa. Então, não foi isso que nos atraiu à grande metrópole catarinense. Viemos para visitar a tia Wal, aquela do apartamento de Bombinhas, e seus dois filhos, primos da Ana, o Luís Felipe (como aquele rei da França derrubado em 1848 e pai do Príncipe de Joinville) e a Vitoria. Fomos muito bem recebidos e passamos a noite por aqui, a nossa última em Santa Catarina. De noite, um grande encontro de amigos do Luis Felipe na casa, todos fãs de narguilé, aquele aparelho de origem árabe para fumar. Uma delícia! Passamos horas ali, testando e experimentando novos sabores e essências. Depois, até fizemos uma pequena apresentação de fotos dos 1000dias para os presentes, quem sabe a primeira de muitas!. E foi assim, com esse calor humano, que fechamos nossa temporada nesse estado. Agora, só falta mesmo alguns dias no Paraná para retornarmos, de vez, para Curitiba. O frio na barriga só vai aumentando...

Slide da apresentação da viagem dos 1000dias que fizemos na casa da tia Wal, em Joinville, norte de Santa Catarina

Slide da apresentação da viagem dos 1000dias que fizemos na casa da tia Wal, em Joinville, norte de Santa Catarina

Brasil, Santa Catarina, São Francisco do Sul, Joinville, Arquitetura, história

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No Teto da Costa Rica

Costa Rica, Chirripó

Junto com os outros madrugadores no cume do Chirripó, na Costa Rica

Junto com os outros madrugadores no cume do Chirripó, na Costa Rica


Oito e meia da noite e já estávamos deitados, prontos para dormir. O cansaço da caminhada ajudou na tarefa! Fiz um último esforço de programação mental para despertar na hora correta e adormeci. Horas depois, acordei de sobressalto. Curiosamente, a Ana também. "Que horas são?" - ouvi sua pergunta no escuro. Tateei com a mão em busca da máquina fotográfica. Achei o botão do "on", naveguei pelos menus e achei a hora - "Nossa, ainda são onze e meia da noite!". Suspiros aliviados e em segundos já estávamos dormindo novamente. Mais um tempo se passou e despertei outra vez. Nova operação para descobrir as horas. Duas e meia! Dessa vez, tinha dado certo! Em cerca de 45 minutos já estávamos começando nosso caminho, lanternas na cabeça e um rápido sanduíche no estômago. O que nos atrasou foi que o ziper da nossa mochila de ataque estragou e tivemos que rearrumar tudo na mochila grande mesmo, comida, água, remédios e máquina fotográfica.

Café da manhã às três da madrugada, antes do ataque ao cume do Chirripó, na Costa Rica

Café da manhã às três da madrugada, antes do ataque ao cume do Chirripó, na Costa Rica


Noite escura e estrelada, sem lua. A trilha segue quase plana, leve ascenso. Com as lanternas, vamos descobrindo o caminho, razoavelmente fácil de ser seguido. Um grupo parte uns quinze minutos depois de nós. Vemos suas luzes lá trás. E, muito à frente, outro par de luzes, já subindo uma encosta. Nesse ponto, as pilhas da lanterna da Ana acabam. O nosso ritmo cai bastante, uma luz dividida entre dois, trilha cheia de pedras, buracos, todo cuidado era pouco.

Magnífico nascer-do-sol visto dos 3.820 metros do pico Chirripó, ponto mais alto da Costa Rica

Magnífico nascer-do-sol visto dos 3.820 metros do pico Chirripó, ponto mais alto da Costa Rica


Seguimos lentamente, mas sem parar. O céu já está mais claro, o que nos ajuda bastante. Quando chegamos à base do pico já não precisamos mais de lanternas. Enfim, chegamos ao ponto mais alto da Costa Rica. Quinze minutos antes que o sol apareça sobre o enorme mar de nuvens que vem do lado do Atlântico. Um verdadeiro espetáculo da natureza compartilhado com outras doze pessoas que chegaram ao pico em tempo. Celebração geral, muitas fotos, alegria espontânea por estar no lugar certo na hora certa.

Observando o mar de nuvens logo após o nascer-do-sol no cume do Chirripó, na Costa Rica

Observando o mar de nuvens logo após o nascer-do-sol no cume do Chirripó, na Costa Rica


O sol sobe um pouco e começa a espantar o frio. Com a claridade, podemos observar melhor a beleza da paisagem. Dezenas de picos abaixo de nós. Muitos lagos entre eles. Vegetação de campos úmidos, típica de altitude. Estamos a 3.820 metros de altura. Abaixo de nós, o páramo, um importante ecossistema do país de onde provém a maioria dos rios da Costa Rica.

No cume do Chirripó, na Costa Rica

No cume do Chirripó, na Costa Rica


Após aproveitar aquela paisagem por uma meia hora, é tempo de voltar. Primeiro até o refúgio e depois até a pequena San Gerardo, mais de 2 km abaixo de nós, 20 km de trilhas pela frente. No caminho para o refúgio, ainda fazemos pequenos detours para admirar mais de perto as belezas do páramo: riachos semi-congelados, lagoas, pequenas cachoeiras. E também uma paisagem exótica, criada com a ajuda não-intencional do homem. Um vazamento numa mangueira cria um esguicho que se transforma em chuva permanente sobre um trecho de capim. Com o frio da noite, o resultado é magnífico: uma mancha de capim congelado, branquinho, em meio ao capinzal verde. Paisagem de Papai Noel em plena Costa Rica!

O sol aquece as nuvens vindas do Atlântico, visto do alto do Chirripó, na Costa Rica

O sol aquece as nuvens vindas do Atlântico, visto do alto do Chirripó, na Costa Rica


Chegamos ao refúgio, empacotamos quase tudo na mochila grande e um pouco de roupa na mochila sem ziper. Quinze quilômetros de trilha morro abaixo, mais dois quilômetros de estrada nos separam do conforto de um chuveiro quente na nossa pousada Descanso.

O pico Chirripó, com 3.820 metros, ponto mais alto da Costa Rica

O pico Chirripó, com 3.820 metros, ponto mais alto da Costa Rica


Tudo começa bem, a minha mochila mais pesada, mas indo para baixo é mais tranquilo. Céu azul, temperatura agradável, pele protegida com o resto de creme que temos. As poucas subidas no caminho são vencidas rapidamente enquanto as descidas mais íngrimes são feitas com cuidado. Ao contrário de ontem, hoje a quantidade de oxigênio vai aumentando e vamos nos sentindo mais fortes. Chegamos à metade do caminho, pausa para lanche.

Riacho parcialmente congelado na parte alta do Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica

Riacho parcialmente congelado na parte alta do Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica


Cruzando riacho na parte alta do Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica

Cruzando riacho na parte alta do Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica


Nesse ponto, a combinação de bolhas, unha e joelhos já começam a cobrar um alto pedágio da Ana. O que tinha começado como um dia maravilhoso vai, aos poucos, se tornando um pesadelo para ela. Os quilômetros faltantes começam a passar mais devagar. Agora, o joelho direito está muito ruim. Ela só pode dar pequenos passos. A dor incomoda muito. Até esquece das unhas e das bolhas. O último quilômetro foi no sacrifício total, uma eternidade que parecia não terminar.

Capim congelado na parte alta do Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica

Capim congelado na parte alta do Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica


Partindo do refúgio no campo-base do pico Chirripó, na Costa Rica

Partindo do refúgio no campo-base do pico Chirripó, na Costa Rica


Enfim, chegamos. Ela ficou "instalada" num restaurante logo na saída da trilha enquanto eu voltei correndo para a pousada, um pouco de chuva para me refrescar. A chuva depois aumentou, se transformando em toró. Que sorte que não chegou uma hora antes! Aí, vale aquela máxima:"Nada está tão ruim que não possa piorar!". Bem, no nosso caso, na hora do toró, eu já estava de volta ao restaurante, Fiona ali do lado, onde comemos uma comida quente e maravilhosa. Naquela hora, tudo seria maravilhoso, hehehe!

Trilha corta a região do páramo, no Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica

Trilha corta a região do páramo, no Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica


Voltamos para a pousada e tomamos nosso banho caliente. Evento raríssimo, a Ana quis dormir cedo hoje! Sonho de dever cumprido! Sonho de espetáculo da natureza! Sonho de sacrifício superado! Sonho de vida saudável, ar puro, água fresca, natureza intocada! E para amanhã, promessa de musculatura dolorida. Mas terá valido à pena! Para mim, desde já. Mas para a minha sofrida e adorada esposa, acho que vamos precisar dar tempo para que a dor passe e fique apenas as lembranças daquele nascer-do-sol...

Magnífico nascer-do-sol visto dos 3.820 metros do pico Chirripó, ponto mais alto da Costa Rica

Magnífico nascer-do-sol visto dos 3.820 metros do pico Chirripó, ponto mais alto da Costa Rica

Costa Rica, Chirripó, Montanha, Parque, trilha

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Aeroportos

Sint Maarten, Philipsburg, Saint Kitts E Neves, Basseterre, Saba, Windwardside, Juliana

Avião de grande porte passa sobre Maho Bay, praia de Sint Maarten - Caribe, fazendo a alegria da galera!

Avião de grande porte passa sobre Maho Bay, praia de Sint Maarten - Caribe, fazendo a alegria da galera!


Hoje foi dia de aeroportos! Acordamos num, fomos à praia em outro e, por fim, pousamos em um terceiro que tem uma das mais desafiadoras pistas do mundo, na pequena e montanhosa Saba, nosso destino final hoje e lar pelos próximos dias.

Fila de mochilas e malas no balcão da Liat, no aeroporto de St. Kitts - Caribe

Fila de mochilas e malas no balcão da Liat, no aeroporto de St. Kitts - Caribe


AInda em St. Kitts, nossa estratégia de só chegar uma hora e meia antes do vôo internacional funcionou pela metade. Ganhamos meia hora de sono, mas perdemos outra meia hora, já que o balcão de passagens só abriu com uma hora de antecedência. Nossas mochilas eram as primeiras da fila, enquanto a gente aguardava num banco próximo.

Chegando em Sint Maarten - Caribe

Chegando em Sint Maarten - Caribe


Enfim, um pouco antes das 07:30 pousávamos novamente no aeroporto internacional de Juliana, em Sint Maarten. Mas desta vez ficamos no país por mais tempo. Nosso vôo para Saba era só às 14:20, então tínhamos várias horas para passear por essa pequena possessão holandesa. Escolhemos logo ir a uma das principais atrações de Sint Maarten, a praia de Maho Bay. Fica a quinze minutos de caminhada do aeroporto, é pequena, tem areias brancas e aquele azul que só se vê em piscinas muito limpas ou no mar do Caribe. Hipnotizante!

Praia de águas azuis em Maho Bay, Sint Maarten - Caribe

Praia de águas azuis em Maho Bay, Sint Maarten - Caribe


Mas não é a beleza que faz de Maho Bay um lugar tão especial. Não! É o fato dela estar localizada bem no pé da pista do aeroporto de Juliana. Lembro-me quando, há uns 5-6 anos, recebi pela primeira vez um daqueles e-mails que circulam pela internet com fotos daqui. Tive duas reações: 1) Onde fica Sint Maarten? Existe mesmo? (e olha que eu sou bom de geografia!) 2) Essas fotos só podem ser montagem! Afinal, não há mar com essa cor e não é possível aviões tão grandes passarem tão perto da cabeça de banhistas numa praia!!!

Observando pouso de avião de pequeno porte (em Maho Bay, praia de Sint Maarten - Caribe)

Observando pouso de avião de pequeno porte (em Maho Bay, praia de Sint Maarten - Caribe)


Pois é, agora já sei muito bem onde fica essa ilha, sei que o mar tem mesmo essa cor, sem nenhuma ajuda de photoshop e sei também que, por incrível que pareça, os aviões passam sim sobre nossas cabeças, quase nos levando juntos, antes de tocar a cabeceira da pista. É um espetáculo surreal, aqueles monstros alados passando a uns 200 km por hora e uns 10 metros altura sobre nós. Quanto maior o avião, maior o delírio da galera que ali fica, fotografando e filmando.

Aviso em Maho Bay, praia de Sint Maarten - Caribe

Aviso em Maho Bay, praia de Sint Maarten - Caribe


Por falar em galera, hoje tinha vários brasileiros. Gente de Cuiabá, casais em lua de mel, todos passageiros dos diversos cruzeiros que passam por aqui. Eram dos que mais se excitavam com a chegada dos aviões. Estranho ouvir português por aqui, no meio da gritaria geral. Estranho, mas reconfortante! Um certo sentimento de lar.

Sobrevoando Philipsburg, capital de Sint Maarten - Caribe

Sobrevoando Philipsburg, capital de Sint Maarten - Caribe


Ainda tivemos tempo de passar em outra praia bem bonita, mas muito mais tranquila, a Mullet Bay. De lá, de volta ao aeroporto, sempre à pé, para embarcar para Saba. Esse é o menor dos pequenos "países" que estamos visitando. Tem apenas 13 quilômetros quadrados, formação totalmente vulcânica, ilha montanhosa e sem praias. Quer dizer, um furacão criou uma pequena praia há alguns anos, mas ela só aparece de Abril a Outubro.

Chegando na pequena e montanhosa Saba, no Caribe

Chegando na pequena e montanhosa Saba, no Caribe


Mas ninguém viaja para lá atrás de praias. As atrações estão bem acima delas, na fantástica paisagem montanhosa e vulcânica, com várias trilhas demarcadas para trekking, e também abaixo do nível do mar, com pontos de mergulho magníficos. É atrás disso que também estamos indo!

Chegando em Saba, no Caribe

Chegando em Saba, no Caribe


Mas antes, foi preciso pousar em Saba. O aeroporto da ilha é famoso por sua difícil aterrisagem. Pista pequena que termina num precipício sobre o mar. Apenas aviões pequenos podem tentar. Os pilotos são super treinados e tem de passar por testes todos os meses. Dá um friozinho na barriga mas corre tudo bem. Lá do alto a gente já percebe que é uma ilha diferente das que temos visitado. Parece a ilha do King Kong, cheio de montanhas e penhascos. Muito legal!

Homenagem ao primeiro piloto a pousar em Saba, no Caribe

Homenagem ao primeiro piloto a pousar em Saba, no Caribe


Uma das vantagens é que a ausência de praias afasta os navios-cruzeiro. O turismo por aqui realmente é diferente, Pelo pouco que vimos até agora, tudo é bem mais tranquilo e autêntico. Estamos bem no centrinho de Windwardside, a principal vila da ilha. Paisagem maravilhosa, no meio das montanhas, o mar lá embaixo. Para amanhã, já temos mergulhos programados pela manhã e, de tarde, quem sabe alguma caminhada?

Caminhando em Windwardside, principal cidade de Saba, no Caribe

Caminhando em Windwardside, principal cidade de Saba, no Caribe

Sint Maarten, Philipsburg, Saint Kitts E Neves, Basseterre, Saba, Windwardside, Juliana, Saint Kitts, Saint Kitts E Nevis

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Trekking na Cordillera Blanca

Peru, Huaraz

Área do primeiro acampamento, já se aproximando da neve, na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru

Área do primeiro acampamento, já se aproximando da neve, na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru


Encravada bem em meio às Cordilleras Blanca e Negra, a região de Huaraz oferece diversas oportunidades de trekking, assim como de montanhismo e escaladas. A cidade, em si, não é das mais atrativas já que o grande terremoto do início da década de 70 destruiu todos os prédios históricos. Assim, a grande maioria dos turistas e viajantes que aqui chegam procuram por suas belezas naturais. Há uma grande quantidade de turistas estrangeiros na cidade, ou se preparando para um trekking, ou voltando de um. A grande maioria, europeus. Mas há também americanos, japoneses e australianos. Brasileiros, não vimos.. Ainda hoje é difícil Huaraz fazer parte do roteiro dos brasileiros que vem ao Peru. Geralmente, Cusco é o destino principal, com rápidas pasagens em Lima e/ou Arequipa. Imagino que isso venha mudando aos poucos já que a região de Huaraz é uma das mais belas do mundo!

Trekking de Santa Cruz, na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru

Trekking de Santa Cruz, na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru


Entre as muitas possibilidades de trekking, optamos pelo mais conhecido, o Santa Cruz, uma caminhada em forma de ferradura em que se sobe um vale por entre montanhas nevadas, incluindo aquela que é considerada por muitos a mais bela do mundo, a Alpamayo. Depois, passamos por um "paso" a 4.750 m de altitude, chegamos à outro vale e terminamos a caminhada por ele. No caminho, muitos rios, cachoeiras e lagunas altiplânicas. O tempo normal desse trekking é de quatro dias, mas é possível fazê-lo em três e essa foi a nossa opção, já que temos data para chegar ao Equador (por causa de nossa viagem à Galápagos).

Início do trekking na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru

Início do trekking na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru


Início do trekking na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru

Início do trekking na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru


Essa "pressa" em fazer em três dias foi o que nos fez optar por irmos num grupo, viagem organizada por uma agência, ao invés de fazermos só nós dois. As rotas estão bem sinalizadas e é muito fácil fazer o caminho sem guia. Mas, quando se vai com um grupo, temos várias mordomias. A princípio, nos interessou as facilidades do transporte: eles nos levam até lá e, melhor ainda, há burros que carregam todo o peso. Assim, podemos fazer mais rapidamente. Outra vantagem é que o "arriero", o cara que leva as mulas, chega antes aos locais de acampamento e já arma as barracas. No dia seguinte, partimos sem ter de desarmá-las já que ele fará isso também. Não só isso, há também uma "confortável" barraca-restaurante, uma eficaz "barraca-banheiro" entre outras regalias. Por fim, viaja conosco um cozinheiro, de modo que comemos bem durante toda a caminhada.

Muita água no 1o dia do trekking de Santa Cruz, na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru

Muita água no 1o dia do trekking de Santa Cruz, na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru


Hora de descanço no trekking de Santa Cruz, na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru

Hora de descanço no trekking de Santa Cruz, na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru


Enfim, um belo pacote que nos convenceu! À nós e ao resto do grupo, o Jacob (austríaco), a Elise (Luxemburgo) e o casal Andreas e Vania (alemão e búlgara), todos muito simpáticos. Acompanhados do nosso guia Oscar e do cozinheiro Tiburço, fomos todos de van até a pequena cidade de Cashapampa onde encontramos nosso arriero e suas mulas. A partir daí, foi pé na trilha!

Hora do almoço no trekking na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru

Hora do almoço no trekking na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru


Nosso grupo almoça do lado de rio na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru

Nosso grupo almoça do lado de rio na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru


O caminho vai subindo um vale, sempre acompanhando um rio, suas corredeiras e cachoeiras. Ao lado, montanhas cada vez mais altas. Flores e pedras de diferentes cores e formas completam esse cenário grandioso e, para qualquer lado que olhemos, a paisagem é incrível. No caminho, encontramos alguns grupos de turistas na direção contrária, o sentido do trekking que é um pouco mais normal do que o que estamos fazendo. O que encontramos bastante também são animais como vacas, cavalos e ovelhas. Eles emprestam um ar meio bucólico ao cenário mas, ao mesmo tempo, são um lembrete de que não podemos beber a água transparente que desce pelo rio, já que essas mesmas águas cruzam os lugares de pastagem desses animais.

Conversa no nosso acampamento (com a Elise, de Luxemburgo, e Jacob, da Áustria) na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru

Conversa no nosso acampamento (com a Elise, de Luxemburgo, e Jacob, da Áustria) na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru


Algumas horas de caminhada e o Tiburço nos aguardava num local aprazível da trilha com o almoço sadio de verduras já pronto. Aos poucos, o nosso investimento na viagem em grupo se mostrava cada vez mais correto, hehehe! Isso ficou ainda mais claro quando chegamos, no final da tarde, no local do acampamento, nossa barracas montadas, o banheiro arrumadinho logo ali e, melhor de tudo, a barraca-restaurante nos esperando com um delicioso cheiro de pipoca quentinha! Hmmmmm...!

Hora do lanche na nossa barraca-restaurante na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru

Hora do lanche na nossa barraca-restaurante na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru


Cervejinha no final da tarde com o austíaco Jacob, área do acampamento do 1o dia no trekking na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru

Cervejinha no final da tarde com o austíaco Jacob, área do acampamento do 1o dia no trekking na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru


Antes que a noite caísse e, com ela, o frio chegasse, ainda deu tempo de irmos até uma pequena vendinha ali do lado, a única nesse caminho de 3 dias, tomar uma deliciosa cerveja gelada no meio daquela paisagem inesquecível. As primeiras montanhas nevadas já apareciam ao fundo e um resto de sol nos aquecia. Momentos para guardar para sempre, seja em foto, seja na memória! De lá para o jantar na barraca-restaurante e de lá para a barraca quentinha, com direito a duplo colchão e saco de dormir muito mais quente do que o meu, que ficou muito bem guardado em Huaraz. Amanhã, depois do cafe da manhã, começamos cedinho!

Descansando e esquentando-se ao sol no nosso acampamento na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru

Descansando e esquentando-se ao sol no nosso acampamento na região da Cordillera Blanca, próximo à Huaraz - Peru

Peru, Huaraz, Cordillera Blanca, Santa Cruz, trilha

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Pink Sand Beach

Bahamas, New Providence - Nassau, Eleuthera - Harbour Island

Pink Sand Beach em Harbour Island - Eleuthera - Bahamas

Pink Sand Beach em Harbour Island - Eleuthera - Bahamas


Hoje, após madrugarmos no aeroporto de Nassau, chegamos bem cedinho ao "aeroporto internacional de Eleuthera". É só uma casinha e as bagagens são recolhidas no asfalto mesmo. Mas é internacional, he he he. São momentos assim que fazem a gente realizar que estamos realmente viajando. Cinco minutos de táxi nos deixam num pequeno porto e mais cinco minutos de táxi náutico nos deixam em Harbour Island. Finalmente, outros cinco minutos puxando nossas malas colina acima nos "deixam" no lugar mais legal que já ficamos até agora, o Bahamas House Inn.

Harbour Island é uma pequena ilha ao largo de Eleuthera. Eleuthera (40 min de turbohélice de Nassau), por sua vez, é uma ilha com quase 100 milhas (já estou acostumando com essa medida - 160 km) de cumprido e 2 ou 3 km de largura, fininha, fininha. No passado, foi um verdadeiro ninho de piratas, que faziam a festa nos navios espanhóis e inglêses que passavam pela região de Nassau. Hoje, a ilha é praticamente vazia (como o resto do país). Ocupada mesmo é a pequena Harbour Island, onde milionários e bilionários do mundo inteiro, principalmente Reino Unido e EUA tem suas mansões. Coisa chique! À prova de paparazzi, segundo me disseram.

Pink Sand Beach em Harbour Island - Eleuthera - Bahamas

Pink Sand Beach em Harbour Island - Eleuthera - Bahamas


Bom, aqui em Harbour Island está uma das mais bonitas praias desse país de praias maravilhosas. É uma praia de areias rosa (daí o nome, Pink Sand Beach) e mar azul turqueza. Mesmo aos nossos olhos agora já acostumados com essas visões do paraíso, é de cair o queixo. E aqui, bem mais longe do alcançe das pessoas, a praia fica quase vazia. É incrível pensar que ela está lá, todos os dias, enquanto as pessoas estão nos seus escritórios ou engarrafamentos, nas cidades grandes.

Eu e a Ana, após marcarmos uma saída de mergulho para o dia 15, fomos até a praia dos sonhos. A pé. Aqui, ou se anda a pé ou com carro de golfe (50 dólares por dia de aluguel). Nós, querendo fazer exercícios e economizar, adivinha... Mas, enfim, é uma pequena ilha. Na praia, após o choque inicial, a Ana resolveu enfrentar o vento que ontem estava inclemente enquanto eu fui correr, ida e volta, cerca de 5 milhas. Com um cenário idílico desse e o vento que vinha do mar, a gente não cansa nem sua. Só viaja. Praticamente, escrevi o meu blog correndo. O céu estava azul, a areia rosa, o mar, algo entre verde esmeralda e azul turqueza, uau!

Pink Sand Beach em Harbour Island - Eleuthera - Bahamas

Pink Sand Beach em Harbour Island - Eleuthera - Bahamas


Só foi difícil achar a Ana depois. Ela tinha virado uma duna de areia, coitada. Depois de desenterrá-la, ela também foi dar uma corrida e, depois, fomos os dois nos refestelar no Blue Bar, cerveja gelada, comida digna do tipo de gente que frequenta a ilha e dois drinks que combinam com o paraíso.

Finalmente, partimos para o nosso snorkel nos recifes, a cerca de 100 jardas da praia (he he he, essa eu não tinha usado ainda, mas são cerca de 100 metros também). Ali, passamos mais de uma hora explorando pequenas cavernas e passagens abaixo dos corais. Me lembrei muito da nossa professora de apnéia, a Carol. Aos poucos, depois de ganhar confiança, eu entrava nas cavernas sem saber onde era a saída, procurava aqui, procurava ali, cuidando para não me machucar nos corais (não adiantou! ganhei uns belos arranhões), as vezes voltava, as vezes achava uma nova saída. Algumas vezes, quase 2 min embaixo d'água. Sentia-me num filme. Com todo o cuidado para não me empolgar. E, adivinhem a valente que vinha atrás de mim, depois que eu descobria o caminho dentro da caverna? Pois é, essa minha esposa é meio tan-tan também. Só não vou falar que ela é totalmente destemida porque quando cruzamos com um tubarão lá nos corais, com pouco menos de 1,5 metros, ela ficou meio temerosa. Eu fiquei lá, seguindo o bicho. De snorkel, a gente não se sente tão inatingível como mergulhando. Mas fiquei me convencendo que era tudo psicológico e fiquei perseguindo ele, mesmo com uma ponta de medo. Só parei com os gritos da Ana, que alegava que o problema era estarmos indo para o fundo, e não o tubarão. Depois, ela reconheceu que sim!

Bom, foi muito legal mesmo esse snorkel. E o dia foi finalizado de maneira sublime com um jantar regado a vinho acompanhados do John, um americano super simpático, dono da nossa pousada que é uma delícia. Vista para o mar, quarto aconchegante, café da manhã com pão caseiro, suco e frutas.

Essa ilha, essa praia, esses restaurantes e essa pousada, eu recomendo aos meus familiares e amigos, mesmo os mais chiques! Vão passar bem!

Chegando em Harbour Island - Eleuthera

Chegando em Harbour Island - Eleuthera

Bahamas, New Providence - Nassau, Eleuthera - Harbour Island, Praia

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Outra Vez em San Juan

Nicarágua, San Juan Del Sur

Chegando à San Juan del Sur, na Nicarágua

Chegando à San Juan del Sur, na Nicarágua


Depois de passar todo um dia em Granada, estávamos meio em dúvida sobre o que fazer. Queríamos e precisamos seguir para a Costa Rica, mas também estávamos tentando encontrar uma amiga brasileira que vem no sentido contrário. É a Carol, casada com o francês Alexis, que vêm viajando pelo mundo há mais de 500 dias. Vou falar dessa viagem no próximo post, mas o fato é que vínhamos trocando mensagens tentando acertar nosso encontro, já que eles estavam saindo da Costa Rica para a Nicarágua há poucos dias e, desde então, não tínhamos tido mais notícias. Decidimos, então, passar mais um dia na cidade que adoramos quendo, eis que vem a mensagem: “Estamos em San Juan del Sur!”. Para quem não se lembra, essa foi nossa primeira parada na Nicarágua, quinze meses atrás, quando vínhamos do sul. Assim, sabendo onde eles estavam, desistimos do dia extra em Granada e nos mandamos para a simpática cidade costeira, já quase na fronteira.

A caminho de San Juan del Sur, uma parada rápida em uma praia do lago Nicarágua para aproveitar o dia ensolarado

A caminho de San Juan del Sur, uma parada rápida em uma praia do lago Nicarágua para aproveitar o dia ensolarado


Praia do lago Nicarágua, a caminho de San Juan del Sur

Praia do lago Nicarágua, a caminho de San Juan del Sur


Isso foi ontem e, no caminho, ainda paramos numa praia do lago Nicarágua, pertinho de Rincón. É daí que se pega o barco para a Ilha de Ometepe e, para nós, ao passar por lá, parecia que tinha sido ontem!. Até por isso, alguns quilômetros a frente, não resistimos à tentação e paramos na praia, dia ensolarado, para poder admirar o gigantesco lago e a ilha no fundo, com seus dois distintos vulcões. Saudades daqueles dias na ilha e a triste sensação de que a viagem está acabando...

Vista de San Juan del Sur, na Nicarágua

Vista de San Juan del Sur, na Nicarágua


A bela piscina do nosso hotel em San Juan del Sur, na Nicarágua

A bela piscina do nosso hotel em San Juan del Sur, na Nicarágua


Bom, isso é só a sensação, pois ainda tem muita água para passar embaixo da ponte e muito asfalto para passar sob a os pneus da Fiona! E os primeiros quilômetros foram esse pequeno desvio para San Juan del Sur, bem na costa do Oceano Pacífico. Da outra vez tínhamos ficado em um hotel no centro da cidade, mas agora fomos ao hotel onde estavam a Carol e o Alexis, no alto de um morro com uma magnífica vista para a baía e todo o litoral. Meio difícil de achar, pouca gente conhecia, mas quem tem boca chega à Roma!

Reunião de viajantes ao redor da piscina do hotel em San Juan del Sur, na Nicarágua

Reunião de viajantes ao redor da piscina do hotel em San Juan del Sur, na Nicarágua


A Ana participa de sessão de yoga no nosso hotel em San Juan del Sur, na Nicarágua

A Ana participa de sessão de yoga no nosso hotel em San Juan del Sur, na Nicarágua


Chegamos e o lugar era realmente espetacular. Com uma grande piscina e a tal vista maravilhosa. Totalmente diretoria e, melhor, com preços camaradas. O hotel, que é de um australiano, estava bem cheio. Boa parte por causa da turma da Carol, gente do mundo inteiro que havia se conhecido em Ometepe e vindo juntos para cá. Alemãs, espanhola, americano, e o nosso casal de amigos se juntaram a outros gringos que aqui já estavam, formando um ambiente jovem e descontraído. Para completar, uma simpática e agitada macaca, o animal de estimação da pousada, perambulando para cá e para lá.

A inteligente e agitada macaca do nosso hotel em San Juan del Sur, na Nicarágua

A inteligente e agitada macaca do nosso hotel em San Juan del Sur, na Nicarágua


Americano, alemãs, espanhola, brasileira e francês, reunião internacional em San Juan del Sur, na Nicarágua

Americano, alemãs, espanhola, brasileira e francês, reunião internacional em San Juan del Sur, na Nicarágua


Estava tudo tão perfeito por lá que não tardou muito para mudarmos nossos planos. Ao invés de irmos embora no dia seguinte, dia 6, resolvemos passa-lo por aqui mesmo, bem tranquilos, para tentar colocar a conversa em dia, 500 dias de histórias por lá e 1000 por aqui. Além disso, logo ficamos amigos dos outros viajantes de modo que, ao final, éramos todos uma grande turma. A ida para a Costa Rica ficou para o dia 7.

Jantando com amigos em San Juan del Sur, na Nicarágua

Jantando com amigos em San Juan del Sur, na Nicarágua


Parte da lotação de 9 pessoas na Fiona, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Parte da lotação de 9 pessoas na Fiona, em San Juan del Sur, na Nicarágua


Logo na primeira noite, ainda no dia 5, descemos todos para a cidade, para aproveitar a balada. Sem condução para os outros, não teve jeito: todo mundo na Fiona! Foram oito adultos na ida e nove na volta, com a adição de mais uma carona, também da pousada. Acho que foi o recorde do carro, quatro na frente e cinco atrás. Confortável mesmo, só o motorista! Mas a Fiona deu conta do recado, mesmo subindo o íngreme morro na volta. Quem se assustou um pouco foio porteiro da pequena estrada que dá acesso ao hotel. Naquele escuro, só via pernas e braços no banco de trás. Até desistiu de fazer o controle, contentando-se com o número de pessoas. Enfim, como das nove pessoas, seis eram mulheres, não estava tão mal assim...

Iluminação noturna da piscina do nosso hotel em San Juan del Sur, na Nicarágua

Iluminação noturna da piscina do nosso hotel em San Juan del Sur, na Nicarágua


Playa Hermosa, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Playa Hermosa, em San Juan del Sur, na Nicarágua


No dia 6, já com o carro um pouco mais vazio (éramos apenas sete...), fomos para uma praia perto da cidade que não havíamos conhecido na passagem anterior. Chama-se Playa Hermosa e realmente merece esse nome. Longa faixa de areia e mar com muitas ondas, próprias para surf, jacaré ou body boarding. Apesar do que, tínhamos de fazer bastante força para passar a rebentação e acabamos ficando na área de ondas estouradas mesmo. Fortes o suficiente para uma boa brincadeira.

Movimento na Playa Hermosa, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Movimento na Playa Hermosa, em San Juan del Sur, na Nicarágua


Tranquilidade na Playa Hermosa, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Tranquilidade na Playa Hermosa, em San Juan del Sur, na Nicarágua


Aí passamos o dia inteiro, ora na tranquilidade de uma rede, ora caminhando a longa extensão da praia, ora divertindo-se nas ondas. Com direito à cerveja e água de coco geladas. O ponto alto foi o maravilhoso pôr-do-sol, daquele em que podemos ver o astro-rei se afundar nas águas do mar, quase ouvindo aquele “ssshhhhhhhhh” e a fumacinha aparecendo. Foi espetacular e deu para tirar várias fotos.

Tinha de ter um futebol! (Playa Hermosa, em San Juan del Sur, na Nicarágua)

Tinha de ter um futebol! (Playa Hermosa, em San Juan del Sur, na Nicarágua)


A Carol aproveita a praia e o fim de tarde para posar para o Alexis, na Playa Hermosa, em San Juan del Sur, na Nicarágua

A Carol aproveita a praia e o fim de tarde para posar para o Alexis, na Playa Hermosa, em San Juan del Sur, na Nicarágua


De volta à pousada, mais um mergulho delicioso naquela piscina cinematográfica, o calor praticamente nos empurrando para a água. A conversa ainda seguiu noite adentro, tanta coisa para contas e ouvir e, além de tudo, o Alexis ainda é um ótimo cantor. Ele viaja com seu violão e canta em várias línguas. Faz a alegria de todo mundo que está por perto. Alguns americanos que também estavam na pousada vieram me dizer que se sentiam até desconcertados de ter aquela música toda por perto e não precisar pagar por isso.

Magnífico pôr-do-sol na Playa Hermosa, em San Juan del Sur, na Nicarágua

Magnífico pôr-do-sol na Playa Hermosa, em San Juan del Sur, na Nicarágua


Alexis dá show com seu violão no hotel em San Juan del Sur, na Nicarágua

Alexis dá show com seu violão no hotel em San Juan del Sur, na Nicarágua


Por fim, no dia 7, chegava a hora da partida e da despedida. Não sem antes eu esticar ainda um pouco mais o recorde das piscina, estimulado pelo dono australiano que ficava me botando pilha sem parar. Logo na nossa primeira tarde por aqui, no dia 5, eu tinha ganho uma cerveja dele por fazer quatro piscinas embaixo d’água. A piscina tem 19 metros, o que totaliza então 76 metros. Desde então, ele queria que eu batesse o recorde, para que ele pudesse sempre desafiar os próximos hóspedes. Então, na manhã do dia 7, câmeras e filmadoras nas mãos, lá fui eu para nova tentativa. Na primeira chance, parei logo na metade da terceira piscina, para guardar forças para uma tentativa derradeira. Depois de muita concentração e já contra a incredulidade de muitos, lá fui eu de novo. Na metade da quarta piscina, já estava morto, mas na base da raça e do orgulho, segui até o fim, virei e empurrei a parede. Já na inercia, quase sem mandar nos próprios movimentos, consegui chegar na borda de lá! Cinco piscinas, 95 metros embaixo d’-agua, recorde da pousada e particular também! Demorei um minuto para conseguir falar algo, mas ganhei outra cerveja e fiz a felicidade do australiano! E quero ver quem bate esse recorde agora, uffffffffff...

Último mergulho na piscina do nosso hotel em San Juan del Sur, na Nicarágua

Último mergulho na piscina do nosso hotel em San Juan del Sur, na Nicarágua


Em praia do lago Nicarágua, prontos para seguirmos à Costa Rica, a alemã Tanya na carona

Em praia do lago Nicarágua, prontos para seguirmos à Costa Rica, a alemã Tanya na carona


Obrigação feita, moral dos brasileiros lá encima, seguimos viagem. Trazíamos a Tanee com a gente, uma alemã que mora na Costa Rica e conheceu a Carol e o Alexis em Ometepe. Falando nesses dois viajantes, eles também vieram conosco até Rincón, de onde pegariam o ônibus até Granada. Muitos abraços e beijos na despedida. Como disse, no post que vem falo um pouco da incrível viagem que fazem pelo mundo...

Despedida da Carol e do Alexis em Rincon, perto de San Juan del Sur, na Nicarágua

Despedida da Carol e do Alexis em Rincon, perto de San Juan del Sur, na Nicarágua

Nicarágua, San Juan Del Sur,

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E os Glaciares Construíram um Parque...

Estados Unidos, Montana, Glacier National Park, Canadá, Waterton National Park

As luzes mágicas do entardecer na região de Many Glacier, no Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos

As luzes mágicas do entardecer na região de Many Glacier, no Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos


Quase todo mundo pensa (inclusive nós pensávamos!) que o Glacier National Park tem esse nome por causa de diversos e enormes glaciares que existiriam no parque. O fato de estar tão ao norte e em meio às montanhas corrobora ainda mais essa ideia. Até existem alguns glaciares no parque, mas não são muitos e nem tão grandes. Tampouco são as atrações mais visitadas do Glacier. Na verdade, o nome vem do fato que toda região foi coberta por esses gigantescos rios de gelo, mas isso foi há cerca de 15 mil anos, e foram eles que deram forma às montanhas, vales, canyons e lagos que pontuam toda a região até hoje.

Entrando no Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos

Entrando no Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos


McDonald Lake, no Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos

McDonald Lake, no Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos


Transitar pelo parque e ver de perto suas magníficas paisagens é ter a chance de, ao vivo e à cores, ter uma verdadeira aula de geologia, principalmente sobre as forças titânicas dos glaciares que avançaram do norte remodelando tudo o que encontravam em seu caminho. Com seu lento, mas irrefreável movimento, os rios de gelo cobriam montanhas, abriam novas paisagens, carregavam milhões de toneladas de rochas e, enfim, construíam uma nova paisagem. Ao se retrair, alguns milhares de anos depois, deixaram para trás grandes depressões, que se tornariam lagos, além de canyons que seriam aproveitados por rios e cursos d’água no futuro. Grandes paredes de rochas, com suas fissuras e marcas, são a prova do gelo que passava por ali, arrancando pedaços, nesse laborioso trabalho da natureza.

Paisagem montanhosa e as primeiras neves, no Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos

Paisagem montanhosa e as primeiras neves, no Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos


A estrada 'Going to the Sun', nas montanhas do Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos

A estrada "Going to the Sun", nas montanhas do Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos


O parque foi criado em 1932, dos dois lados da fronteira, para proteger esse maravilhoso patrimônio natural. Dois parques nacionais que, juntos, formam o Parque Internacional da Paz, primeira experiência multinacional de proteção da natureza. Do lado de cá, é o Glacier e, do lado de lá, é o Waterton Lakes National Park, que visitaremos amanhã. A maior área está em território americano e aqui, como é de costume, logo fizeram uma estrada para dar acesso às principais atrações turísticas do parque, atraindo visitantes e divisas para ajudar na conservação da área.

Cabra Montesa no Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos

Cabra Montesa no Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos


A história da construção dessa estrada também é bem interessante. O objetivo era cruzar o parque de leste a oeste, passando por uma cadeia de montanhas no meio. Dois projetos foram apresentados, um mais rápido e barato, e o outro mais caro e cênico, mais “integrado à paisagem”. A segunda opção foi a escolhida, a “Going to the Sun Road”, uma das mais aclamadas estradas americanas, não só pela beleza da paisagem que a rodeia mas também pela requintada engenharia d sua construção.

Atravessando as montanhas do Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos

Atravessando as montanhas do Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos


Foi ela que percorremos hoje, primeiro ao longo do Lake McDonald, o maior lago glacial do parque, e depois através das montanhas. No caminho, diversos mirantes, sempre com painéis explicativos sobre diversos aspectos da natureza e história do parque. Aprendemos, por exemplo, que as geleiras daqui estão retrocedendo bastante e as fotos antigas são a prova irrefutável disso. Sinal de mudanças no clima, parte de um ciclo natural ou, como defendem outros, consequência do aumento de CO2 na atmosfera causado pelas atividades humanas. Qualquer que seja a razão, é sempre meio triste e preocupante ver com os próprios olhos que as coisas estão mudando e o clima, esquentando. As consequências mais diretas aqui no parque são o aumento das florestas em direção ao alto das montanhas e a diminuição da quantidade de água nos riachos, no período de seca. Afinal, nesses meses, o principal suprimento de água vinha das geleiras. Menos geleias, menos água. Menos água, menos vida. Simples assim.

Chegando de perto as águas geladas de cachoeira em plena estrada do Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos

Chegando de perto as águas geladas de cachoeira em plena estrada do Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos


Grande gelieira no Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos

Grande gelieira no Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos


Bom, enquanto tem água, nós aproveitamos para caminhar até uma bela cachoeira, numa rápida trilha de menos de 2 km. Nadar, nem pensar, a água vindo diretamente do gelo que derrete lá no alto da montanha. Para quem não quiser fazer nem essa curta caminhada, há também mais cachoeiras na própria beira da estrada. Gelada como a outra!

Visitando cachoeira dupla no Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos

Visitando cachoeira dupla no Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos


Do outro lado da montanha, mais lagos criados na última era glacial. Por fim, a saída do parque. Outra vez mais, tínhamos vistos vários animais, mas todos vegetarianos, nenhum onívoro, como o urso que ainda queríamos ver. Estávamos na dúvida se agora seguíamos para o sul, onde uma outra estrada entrava pelo parque, ou então para o norte, já no sentido do Canadá, mas também de Many Glacier, que fica em outra estrada isolada no Glacier National Park.

Cenário inspirador durante pequena trilha no Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos

Cenário inspirador durante pequena trilha no Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos


Por trás dessa escolha, estava a decisão de seguir viagem ainda hoje ou só amanhã. Meio com pressa de seguir em frente, abandonamos a ideia de visitar a isolada parte sul do parque e seguimos mesmo para o norte. Antes de chegarmos ao desvio que nos levaria ao Canadá através do parque, passamos pela estrada de Many Glacier. Essa é uma das principais atrações aqui do parque, na sua parte americana. Mas como já estava tarde, queríamos deixar para amanhã cedo. Só que descobrimos que o próximo hotel para dormirmos era só no Canadá e, de lá, ficava meio puxado voltar aqui amanhã cedo. Resultado: fomos lá dar uma olhada rapidinho, pelo menos para desencargo de consciência.

Muitos lagos de origem glacial no Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos

Muitos lagos de origem glacial no Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos


Pois é, foi a melhor coisa que fizemos! A razão disso está no post seguinte. Mas, além dessa razão, outra surpresa foi a incrível beleza do lago e do hotel chique que fica bem na sua orla. Era a hora do pôr-do-sol e ele estava simplesmente espetacular! Ficamos tão empolgados que tentamos, a todo custo, arrumar um lugar por ali mesmo, para dormir. Infelizmente, o lodge mais barato tinha lotado há poucas horas (essa época é fogo, aqui nos EUA...) e o tal hotel chique, com quartos de 250 a 500 dólares, enorme, estava lotado também.

O charmoso hotel na região de Many Glacier, no Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos

O charmoso hotel na região de Many Glacier, no Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos


Assim, resolvemos nos satisfazer mesmo com aqueles momentos inesquecíveis que lá tivemos, fechados com chave de ouro com o entardecer cinematográfico. Seguimos mesmo para o Canadá, a menos de uma hora de lá. A fronteira é no próprio parque e, àquela hora da noite, completamente vazia. Fico pensando se já passou algum brasileiro por lá, com seu carro tupiniquim... Acho que não, principalmente pela cara que o guarda de fronteira fez ao nos ver. De qualquer maneira, nos tratou muito bem e eficientemente. Rapidamente, estávamos de volta ao Canadá e, pouco tempo depois, instalados num Inn de Waterton, a pequena cidade que fica dentro do parque de mesmo nome, na beira de um lago. Na verdade, o mesmo Glacier Park, mas que no lado de cá da fronteira, ganha outro nome. Vamos conferir amanhã...

O céu parece em chamas no pôr-do-sol na região de Many Glacier, no Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos

O céu parece em chamas no pôr-do-sol na região de Many Glacier, no Glacier National Park, em Montana, nos Estados Unidos

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