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SHUFFLE Há 1 ano: Alaska Há 2 anos: Alaska

De Volta à Bolívia

Peru, Puno, Bolívia, Copacabana

O lago Titicaca, visto de Copacabana, na Bolívia

O lago Titicaca, visto de Copacabana, na Bolívia


Poucos caminhos e fronteiras são tão bem conhecidos dos viajantes da América do Sul como o trecho entre Puno, no Peru, e Copacabana, na Bolívia. São dezenas de milhares de viajantes todos os anos, na rota La Paz- Cusco, ou vice-versa, quase sempre na orla do lago Titicaca, cruzando o altiplano andino a quase 4 mil metros de altitude. As fotos no arco de pedra que marca a passagem entre os dois países já se tornou uma tradição entre viajantes de todo o mundo.


Viajando do Peru para a Bolívia, de Puno (A) para Copacabana (B), já bem próxima da Isla del Sol

Foi assim comigo em 1990 e com a Ana em 2006. E hoje, seria a vez da Fiona! Para tanto, saímos pela manhã de Puno e logo estávamos margeando o Titicaca para o sul. Agora sim, dirigindo mais de cem quilômetros nesse sentido é que temos uma noção do tamanho desse imenso lago. Tamanho e beleza! Dos pontos mais altos, espécies de mirantes naturais, podemos sempre observar as montanhas nevadas dos andes bolivianos, lá do outro lado do lago e sua principal fonte de água.

Viagem entre Puno, no Peru, e Copacabana, na Bolívia, sempre ao lado do lago Titicaca

Viagem entre Puno, no Peru, e Copacabana, na Bolívia, sempre ao lado do lago Titicaca


Viagem entre Puno, no Peru, e Copacabana, na Bolívia, sempre ao lado do lago Titicaca

Viagem entre Puno, no Peru, e Copacabana, na Bolívia, sempre ao lado do lago Titicaca


Nem tão longe assim, aliás, bem pertinho, patos e flamingos se alimentam na parte rasa do lago. São o prenúncio que estamos perto da fronteira, de Copacabana e da parte mais estreita do lago, por onde passaremos com a Fiona para o lado de lá do lago após deixarmos Copacabana em alguns dias, rumo à La Paz.

Flamingos e patos se alimentam no lago Titicaca, na estrada entre Puno, no Peru, e Copacabana, na Bolívia

Flamingos e patos se alimentam no lago Titicaca, na estrada entre Puno, no Peru, e Copacabana, na Bolívia


Chegando à movimentada fronteira Peru-Bolívia, já bem perto de Copacabana

Chegando à movimentada fronteira Peru-Bolívia, já bem perto de Copacabana


Na famosa fronteira, tiramos as fotos tradicionais e tivemos um rápido processo. Pelo menos, do lado peruano. Já no lado da Bolívia, tivemos que esperar que a Aduana abrisse depois do almoço para, finalmente, continuarmos nossa viagem. Seriam apenas mais uns 15 quilômetros até Copacabana. Estávamos, definitivamente, de volta à Bolívia!

Fronteira Peru-Bolívia, região de Copacabana. Mais uma para a lista da Fiona

Fronteira Peru-Bolívia, região de Copacabana. Mais uma para a lista da Fiona


Atravessando a fronteira Peru-Bolívia na região de Copacabana

Atravessando a fronteira Peru-Bolívia na região de Copacabana


Para mim, Copacabana foi uma surpresa. Está muito maior que a pequena cidade que eu conheci há duas décadas e muito mais movimentada também. Principalmente nessa época do ano, festa da padroeira local e de toda a Bolívia, Nossa Senhora de Copacabana. São muitos peregrinos e festividades e, entre elas, destaca-se a “benção” de carros, uma cerimônia em que um sacerdote faz votos para que o carro fique protegido de acidentes e roubos. Enquanto o carro é abençoado, ele é todo coberto por flores e assim fica por algumas semanas. Lá em Puno, vimos dezenas desses carros abençoados. Os peruanos que vivem na região do Titicaca são muito devotos da Virgem de Copacabana e acorrem em massa para cá, nesses primeiros dias de Agosto. O resultado é uma fronteira movimentada e vagarosa. Felizmente para nós, o maior da festa já tinha passado. Mesmo assim, ainda vimos vários carros sendo abençoados por aqui.

Em busca da imigração boliviana na fronteira Peru-Bolívia, para carimbarmos nossos passaportes

Em busca da imigração boliviana na fronteira Peru-Bolívia, para carimbarmos nossos passaportes


A orla de Copacabana, na Bolívia, na orla do lago Titicaca

A orla de Copacabana, na Bolívia, na orla do lago Titicaca


Esfomeados, a primeira coisa que fizemos ao chegar na cidade foi achar um bom restaurante. Não é uma tarefa difícil, pois Copacabana vem se tornando uma cidade cada vez mais internacional, muitos gringos vindo morar à beira do Titicaca. Com exceção dessas duas semanas de festa, a cidade continua muito tranquila. Encontramos um italiano, de uma boliviana descendente de italianos casada com um brasileiro de Curitiba. Uma delícia, com direito à uma sobremesa de salame de chocolate, para alegria da Ana

Nosso primeiro e delicioso restaurante em Copacabana, na Bolívia

Nosso primeiro e delicioso restaurante em Copacabana, na Bolívia


Salame de chocolate, sobremesa especial em restaurante de Copacabana, na Bolívia

Salame de chocolate, sobremesa especial em restaurante de Copacabana, na Bolívia


Depois, aí sim, fomos encontrar um hotel com vista para o lago, de onde assistimos um belo entardecer, assim como a lua, estrelas e planetas que vinham atrás do sol. Aproveitamos também para conseguir informações e decidir sobre nosso programa de amanhã. Vamos para a famosa e sagrada Isla del Sol, a maior do Titicaca. Também por ela eu passei batido da outra vez que aqui estive. Mas não a Ana, que fez um belo trekking pela ilha e, pelas suas descrições, já me deixou bastante ansioso para conhecer. Passaremos o dia por lá e voltamos à simpática Copacabana para dormir. No dia seguinte, seguimos viagem, rumo à Tiahuanaco e La Paz.

Carros 'batizados' em Copacabana, na Bolívia

Carros "batizados" em Copacabana, na Bolívia


Um belo fim de tarde na orla do Titicaca, em Copacabana, na Bolívia

Um belo fim de tarde na orla do Titicaca, em Copacabana, na Bolívia

Peru, Puno, Bolívia, Copacabana, Titicaca

Veja todas as fotos do dia!

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Cavalgada Mágica

México, Real de Catorce

Cavalos esperam seus clientes sob a lua e um céu azul, aos pés de El Quemado, na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Cavalos esperam seus clientes sob a lua e um céu azul, aos pés de El Quemado, na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Ainda na noite do dia 18, quando chegamos à Real de Catorce, decidimos que faríamos um dos programas prediletos de quem visita a cidade: um passeio à cavalo pelas montanhas da redondeza. Ficamos amigos de um guia e combinamos de nos encontrar no dia seguinte, bem cedo, em frente ao nosso hotel, ele já com cavalos arreados e prontos para nós.

Cavalos prontos para nossa cavalgada na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Cavalos prontos para nossa cavalgada na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Cavalgada na região de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México

Cavalgada na região de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México


E lá estava ele, hoje, às oito horas. Em princípio, achei nossos cavalos meio pequenos, mas o Refugio, seu nome, foi logo explicando que, para aquelas trilhas inclinadas e cheias de pedra, cavalos menores são muito mais eficientes que cavalos grandes. Posso até ter desconfiado no início, mas bastaram dez minutos na trilha para verificar que ele estava certo: cavalos grandes ali seriam um desastre. Além do calçamento cheio de pedras soltas (aquilo já foi uma estrada...), muitas vezes estamos do lado de uma ribanceira. Um escorregão por ali não era uma opção.

Cavalgada na região de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México

Cavalgada na região de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México


Cavalgada nas montanhas ao redor de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México

Cavalgada nas montanhas ao redor de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México


Saímos dos 2.700 metros de Real e subimos outros 300 metros para chegar no alto do morro onde, além da magnífica vista para a cidade e seus arredores, está uma pequena cidade fantasma. Ali já funcionou uma fazenda mineira, com a casa grande dos donos, várias construções de beneficiamento e dezenas de casas de empregados e servos. Tudo em pedra. Uma visão diretamente para a história.

Chegando à Ciudad Fantasma, perto de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Chegando à Ciudad Fantasma, perto de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Explorando a Ciudad Fantasma, próxima de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Explorando a Ciudad Fantasma, próxima de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Apeamos dos cavalos e passeamos pelas ruínas, o Refugio nos ensinando como era a vida por lá e como se tratava a prata. Vida boa para o senhor, dura para cavalos e servos e mortal para os escravos indígenas. Esses, depois de entrarem nas minas, só sairiam de lá mortos, meses a fio sem ver a luz do sol. A entrada da mina está fechada por uma grade, um poço com mais de cem metros de profundidade. Lá embaixo, apenas um escuro impenetrável e um vento frio que sobe continuamente, trazendo consigo o lamento centenário daqueles que ali trabalhavam e morriam.

Ruínas da Ciudad Fantasma, próxima de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Ruínas da Ciudad Fantasma, próxima de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Ruínas da Ciudad Fantasma, próxima de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Ruínas da Ciudad Fantasma, próxima de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Desse ponto, teoricamente, voltaríamos. Ir até a cidade-fantasma e voltar é um dos passeios mais tradicionais de cavalo. O outro é seguir para outra direção, até o “Quemado”, uma montanha sagrada para indígenas e que se tornou centro de peregrinação mística. O nosso passeio à cavalo estava tão bom que o Refugio nos propôs que continuássemos por ali, indo por trás das montanhas até a montanha mágica. Caminho muito pouco frequentado, algumas horas de cavalgada sem chance de encontrar outras pessoas. Foi nesse momento que decidimos ficar mais um dia na região e não perder essa chance de ouro. Montamos e seguimos em frente, para nossa alegria e tristeza dos cavalos.

Conversando com nosso guia nas montanhas de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Conversando com nosso guia nas montanhas de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Cavalgada nas montanhas ao redor de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México

Cavalgada nas montanhas ao redor de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México


O calçamento da estrada acabou de vez e agora cavalgávamos por uma trilha que nunca foi mais do que isso mesmo. Em um trecho mais inclinado, agora de descida, até apeamos dos cavalos para seguir a pé. Mais fácil e seguro para todos nós. A vista que nos rodeava compensava qualquer esforço, assim como as histórias que ouvíamos do Refugio e mesmo o ar puro e saudável que respirávamos.

Trilha atravessa as montanhas da região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Trilha atravessa as montanhas da região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Um colorido cactus nas montanhas de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Um colorido cactus nas montanhas de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Aos poucos, fomos chegando perto da civilização novamente. Quer dizer, traços dela, na forma de ruínas de antigas fazendas, sempre colossais estruturas em pedra. Finalmente, ao longe, começamos a avistar o Quemado, um objetivo agora tangível para nossas pernas e nádegas que sofriam com o trote dos cavalos.

Caminhando pelas montanhas da região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Caminhando pelas montanhas da região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Enfim, chegamos ao ponto onde os cavalos ficam. Daí para frente, a parte final da montanha é feita caminhando mesmo. O esforço serve como um ritual de purificação para chegarmos lá encima mais leves e focados. El Quemado atrai dezenas de milhares de peregrinos anualmente, principalmente no período de festas e celebrações. Hoje, por exemplo, era um dia especial e alguns indígenas subiam para fazer suas oferendas e orações lá no alto.

Um burrito aguarda enquanto seus clientes sobem o El Quemado, montanha sagrada próxima de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México

Um burrito aguarda enquanto seus clientes sobem o El Quemado, montanha sagrada próxima de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México


Cavalos e guias esperam seus clientes sob a lua e um céu azul, aos pés de El Quemado, na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Cavalos e guias esperam seus clientes sob a lua e um céu azul, aos pés de El Quemado, na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


O Refugio ficou embaixo com os cavalos enquanto subíamos. Lá no alto, um labirinto formado por pedras nos mostra que é realmente um local de contemplação. Um pouco mais alto, uma pequena capela cheia de oferendas. Uma pessoa com seu tambor produzia sons que soavam mágicos naquela imensidão semidesértica. Falando em imensidões, a vista lá de cima é de tirar o fôlego, lá embaixo o famoso deserto potosino, uma planície que parece não ter fim. Não é a toa que a montanha é sagrada!

Labirinto místico de pedras na montanha sagrada da região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Labirinto místico de pedras na montanha sagrada da região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


A magnífica vista do alto de 'El Quemado', a montanha sagrada da região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

A magnífica vista do alto de "El Quemado", a montanha sagrada da região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Caminhamos para baixo lentamente, saboreando cada minuto, cada momento. Sobre os cavalos outra vez, finalmente seguimos em direção à cidade. Passamos por umas últimas ruínas, entre elas um grande arco de características mouriscas. Pois é,,, qual seria a relação entre indígenas pré-colombianos e mouros? Ora, boa parte da península ibérica esteve ocupada por mouros durante séculos. Eles podem ter sido finalmente expulsos de lá, mas a cultura peninsular ficou irremediavelmente influenciada por eles. A cultura moura passou a fazer parte da cultura espanhola que foi trazida para o Novo Mundo junto com os conquistadores. E assim, em pleno interior do México, em antigas terras chichimecas, nada mais “normal” do que passar sob um arco mouro, como se estivéssemos no Marrocos ou na Tunísia. A globalização começou muito antes do que imaginávamos...

Oferenda à natureza no alto da montanha El quemado, na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Oferenda à natureza no alto da montanha El quemado, na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


A pequena capela no alto da montanha sagrada El Quemado, na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

A pequena capela no alto da montanha sagrada El Quemado, na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Por fim, de volta à Real de Catorze e ao conforto do nosso hotel, agora com direito à quarto novo, como narro no próximo post. Nosso passeio à cavalo por cidades-fantasmas e montanhas sagradas não poderia ter sido mais mágico. Bom, na verdade, poderia sim. E foi!

El Quemado, a montanha sagrada na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

El Quemado, a montanha sagrada na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Passando por arco mourisco na volta à Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México

Passando por arco mourisco na volta à Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México


Durante nosso passeio, tivemos a oportunidade de provar uma planta usada em rituais e também com fins medicinais pelos habitantes do deserto há quase 5 mil anos. Estou falando de um cactos rasteiro e sem espinhos chamado peyote que tem como efeito a potencialização de todos os nossos sentidos. Passamos a ouvir melhor, ver mais detalhes, sentir mais profundamente. Cores e formas ficam mais nítidas, odores ficam mais claros, sons ficam mais profundos.

Um colorido cactus nas montanhas de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Um colorido cactus nas montanhas de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Planta do deserto na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Planta do deserto na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


O gosto de peyote não é bom, demasiadamente amargo para nosso paladar. Mas, com ajuda da água, acabamos por engolir. Os efeitos vem aparecendo paulatinamente, quase sem percebermos. Ao cavalgar, nossos rostos passam a sentir o vento de forma mais intensa. Ao reparar em cactos e plantas, passamos a ser capazes de perceber cada um de seus espinhos. É como se jogássemos nossa TV velha fora e a substituíssemos por outra, de alta definição.

O famoso peyote, espécie de cactus comum no região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

O famoso peyote, espécie de cactus comum no região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


A magnífica vista do alto de 'El Quemado', a montanha sagrada da região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

A magnífica vista do alto de "El Quemado", a montanha sagrada da região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


O momento mais belo e mágico de todos foi no alto da montanha sagrada. Sentados ao lado da pequena igreja lá encima, admirando a linda paisagem e ouvindo os sons tridimensionais do pequeno tambor tocado pelo nativo. Era como se estivéssemos em um filme do Wim Wenders. Naquele momento, só podíamos agradecer ao México a chance de estar vivendo aquilo. O nosso momento mais especial no país, algo de que sempre nos lembraremos, tão intensamente como estavam nossos sentidos. Agora sim, nada mais poderia melhorar o nosso mágico passeio.

Tocando tambor e reverenciando a natureza no alto de 'El Quemado', na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Tocando tambor e reverenciando a natureza no alto de "El Quemado", na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

México, Real de Catorce, cavalgada, peyote, Pueblos Mágicos

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Visitando as Cataratas

Brasil, Paraná, Foz do Iguaçu

Visitando o P.N do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)

Visitando o P.N do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)


Quem vem à Foz tem de ver as cataratas. Se não, é como ir à Paris e não ver a Torre Eiffel ou ir à Roma e não ver o papa! E não é por menos, afinal esta é uma atração de renome mundial, um dos pontos mais visitados do Brasil, nosso cartão postal mais conhecido ao lado do Cristo do Rio.

Na fila da bilheteria do P.N. do Iguaçu(Foz do Iguaçu - PR)

Na fila da bilheteria do P.N. do Iguaçu(Foz do Iguaçu - PR)


Placa informativa do P.N. do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)

Placa informativa do P.N. do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)


O primeiro visitante em tempos modernos foi o explorador espanhol Cabeza de Vaca que, assim como seus colegas da época, procurava incansavelmente pelo Eldorado, a lendária terra do ouro e maior engodo da história. Fico imaginando a cara dele ao se deparar com essa visão absolutamente fantástica, mais de um milhão de metros cúbicos de água despencando ao mesmo tempo através de centenas de cachoeiras de 30, 40, 60 metros causando um estrondo contínuo que se ouve à dezenas de quilômetros.

Trilha em passarelas de madeira na mata do P.N do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)

Trilha em passarelas de madeira na mata do P.N do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)


Andando de trenzinho em meio à Mata Atlântica no P.N do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)

Andando de trenzinho em meio à Mata Atlântica no P.N do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)


Bem, não sei a cara dele, mas os índios da região, que usavam a área das cataratas como terreno sagrado para enterrar seus antepassados não gostaram nada da "visita" daqueles conquistadores. Ofereceram suas canoas para que eles atravessassem o rio caudaloso mas, no meio da travessia, tiraram tampões que cobriam alguns buracos na madeira, deixando que a água entrasse nos barcos. Eles, índios, sem roupa e bons nadadores, simplesmente nadaram para as margens. Os conquistadores por sua vez, vestidos com suas pesadas roupas de metal, foram direto para o fundo. Foi o primeiro embate entre índios e europeus nas cercanias das cataratas do Iguaçu, que na língua indígena significa "água grande".

No barco para ver as cataratas pelo lado de baixo, no P.N. do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)

No barco para ver as cataratas pelo lado de baixo, no P.N. do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)


Barco se dirige às Cataratas do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)

Barco se dirige às Cataratas do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)


Centenas de anos depois, os índios já desaparecidos da região, quem visitou as cataratas e se impressionou foi nosso conterrâneo famoso, Santos Dummont. Não sei se ele voou com o 14 bis por cima das quedas (claro que não, hehehe), mas ficou maravilhado com elas e propôs a criação de um parque para protegê-las. Isso foi em 1919. Onze anos mais tarde foi criado um parque estadual na área e em 1939 foi a vez do governo federal criar um parque para proteger esse patrimônio mundial.

Próximos às cataratas durante o Macuco Safari, no P.N do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)

Próximos às cataratas durante o Macuco Safari, no P.N do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)


Barco do Macuco Safari dá um banho de cachoeira em turistas, no P.N do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)

Barco do Macuco Safari dá um banho de cachoeira em turistas, no P.N do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)


Agora, em 2011, foi a nossa vez de visitá-las. Não foi a primeira vez minha e nem da Ana, mas foi nossa primeira vez juntos! Uma atração dessa magnitude, visitada por tanta gente, já se rendeu ao "esquemão" faz muito tempo. Parque Nacional de 1o mundo, atração cinco estrelas no Guia 4rodas, não há muita chance de se fugir das regras, caminhos, lugares-comum. Enfim, é um preço barato que se paga para se ter acesso à essa maravilha natural. Bem, falando em preço, din-din, aí não é tão barato não. Pelo menos, para brasileiros custa a metade dos 48 reais cobrados dos gringos (será uma boa propaganda, essa?). Esse aí nem é tão caro assim. Mas se somar o estacionamento de 12 reais, os preços extorsivos dos passeios extras e até a capa de chuva para quem vai de barco até as cachoeiras, aí fica caro sim. A Trilha do Poço Preto custa uns 120 reais, o Macuco Safari outros 120 reais e o rapel com vista para as cataratas, nem perguntei...

Completamente encharcado aós o Macuco Safari, no P.N do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)

Completamente encharcado aós o Macuco Safari, no P.N do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)


Turistas caminham nas passarelas próximas às catartas no P.N do Iguaçu(Foz do Iguaçu - PR)

Turistas caminham nas passarelas próximas às catartas no P.N do Iguaçu(Foz do Iguaçu - PR)


Andar 9 km pela mata pagando essa fortuna, acabamos desistindo, afinal o que mais temos feito é andar na mata sem pagar nada. Para quem nunca fez, talvez valha à pena. O Macuco Safari, resolvemos encarar. Uma delícia, mas eu esperava que o barco fosse mais longe, até a boca da famosa Garganta do Diabo. Mas, fui informado que isso só ocorre quando o rio está mais vazio. A visão lá de baixo é espetacular, mas não vale os 120 reais cobrados.

Turistas caminham nas passarelas próximas às catartas no P.N do Iguaçu(Foz do Iguaçu - PR)

Turistas caminham nas passarelas próximas às catartas no P.N do Iguaçu(Foz do Iguaçu - PR)


Toda encapada nas passarelas do parque nacional nas cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu - PR

Toda encapada nas passarelas do parque nacional nas cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu - PR


O que vale, e vale muito mesmo, é a caminhada pela trilha das cataratas. Essa já está incluída no preço de entrada do parque e, de cada ângulo, de cada curva, é um verdadeiro show visual. Que coisa mais esplendorosa! Que poder da natureza! Impressionante!

Bem próximo das cataratas do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)

Bem próximo das cataratas do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)


Bem próxima das cataratas do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)

Bem próxima das cataratas do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)


Foi uma manhã e tanto! Uma manhã que se estendeu até o início da tarde, quando tivemos de sair correndo para não perder o outro espetáculo do dia, a visita técnica à Usina de Itaipu. Deixamos o parque às pressas, com a sensação de que queríamos ficar mais, admirar mais, contemplar mais. Fica para amanhã, quando o visitaremos novamente, dessa vez do lado argentino. É quando se pode chegar ainda mais perto da Garganta do Diabo, o ponto mais dramático desse verdadeiro templo das águas.

A famosa Garganta do Diabo, no P.N do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)

A famosa Garganta do Diabo, no P.N do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)

Brasil, Paraná, Foz do Iguaçu, cachoeira, Parque, trilha

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A Extraordinária Semuc Champey

Guatemala, Semuc Champey

A incrível paisagem do mirante de Semuc Champey, na Guatemala

A incrível paisagem do mirante de Semuc Champey, na Guatemala


Partimos para o trecho final da nossa viagem logo cedo, felizes ao sermos informados de que boa parte da estrada à frente havia sido asfaltada. Ontem tínhamos evitado esse trecho final para não viajarmos de noite em uma estrada tão erma. O que nos desanimava um pouco era o frio, temperatura de 13 graus. A região de Cobán é bem alta e esfria bastante de noite.

Subindo as escadas pela floresta para chegar ao mirante de Semuc Champey, na Guatemala

Subindo as escadas pela floresta para chegar ao mirante de Semuc Champey, na Guatemala


Mas quando terminamos o trecho de asfalto e pegamos o desvio à direita na estrada de terra, começamos a “mergulhar” no vale, serpenteando encosta abaixo e descendo quase mil metros de altitude. Foi o bastante para a temperatura começar a subir e subir, a gente acompanhando tudo no termômetro da Fiona. Ao vencer os árduos 11 km de terra e chegar em Lanquín, a temperatura já estava em 21 graus! Esse pequeno povoado é famoso por uma enorme caverna que ainda não foi inteiramente explorada. Além dos enormes e ornamentados salões, a fama vem dos milhões de morcegos que nela habitam. Mas esse programa era para depois. Primeiro, Semuc Champey, um pouco mais à frente.

A mágica visão do mirante de Semuc Champey, na Guatemala

A mágica visão do mirante de Semuc Champey, na Guatemala


Outros 11 km de terra descendo ainda mais e chegamos finalmente à este lugar encantado. Eu tinha lido e relido a descrição sobre o lugar, mas não queria entender. Agora, ía ver com os próprios olhos que o relato do livro estava mesmo correto. Trata-se de um caudaloso rio espremido em um profundo e estreito vale verdejante. De repente, o rio some completamente embaixo de um leito de pedras, entrando em uma caverna, para reaparecer 300 metros adiante, ainda mais furioso. Mas o melhor não é isso! O mais bonito está acima do leito de pedras, sobre o teto da caverna por onde passa o rio bravio. Ali, a água que escorre das encostas verdejantes do vale criou um outro rio, muito mais tranquilo e de águas magicamente azuis. Ele desce os terraços do leito de pedras formando piscinas em suas prateleiras e pequenas cascatas entre elas. Ao final, em uma última cascata, se junta ao enorme rio que corre abaixo dele e que, justo neste ponto, está saindo da caverna. Ver isso tudo por cima, o rio que some e reaparece e as piscinas azuis bem neste intervalo é realmente magnífico!

As famosas piscinas em forma de terraços de Semuc Champey, na Guatemala

As famosas piscinas em forma de terraços de Semuc Champey, na Guatemala


O lugar foi transformado, com toda a justiça, em um parque com uma portaria e tudo. Ali deixamos a Fiona, olhamos o mapa de trilhas, definimos o nosso roteiro e partimos para nossas explorações. Seguindo o bom senso, começamos pelo trecho que exige o maior esforço (subir até o mirante) para depois terminar nas piscinas.

Observando o caudaloso rio que passa abaixo dos terraços de Semuc Champey, na Guatemala

Observando o caudaloso rio que passa abaixo dos terraços de Semuc Champey, na Guatemala


A subida é bem íngreme, mas a trilha está muito bem construída, com escadarias e passarelas. Não demorou muito e chegamos ao mirante para poder vislumbrar e finalmente entender aquela maravilha da natureza. A primeira vez que vemos, é de perder o fôlego! Depois, passamos à fase de contemplação e de fotos. Finalmente, dá aquela vontade louca de descer logo e ver tudo de perto.

Piscinas de águas azuis em forma de terraços em Semuc Champey, na Guatemala

Piscinas de águas azuis em forma de terraços em Semuc Champey, na Guatemala


A descida nos leva justo ao ponto onde o rio entra de forma violenta em sua caverna. Será que alguém já conseguiu passar lá com vida? “Não!” – foi a resposta enfática do guarda-parque. Mortinho da Silva, alguns... É, segurar o fôlego por trezentos metros, no meio daquela turbulência toda, não deve ser fácil!

Mergulhos nas águas azuis de Semuc Champey, na Guatemala

Mergulhos nas águas azuis de Semuc Champey, na Guatemala


De lá, passamos às piscinas distribuídas por vários terraços e separadas por gentis cascatas. Imagem do paraíso! Temperatura super agradável, o mergulho ficou ainda mais gostoso depois do esforço de se chegar ao mirante. Ali do lado, cartazes explicativos nos ensinam que toda a rocha que forma a ponte de pedra sobre a qual estão as piscinas azuis e sob a qual correr o rio caudaloso é constituída de restos de conchas e ossos de antigos animais marinhos. Nossa, que incrível! O mar já esteve ali onde, por milhões de anos, se acumularam conchas e animais marinhos mortos. Seus restos se transformaram em pó (mesmo processo de formação das praias que tanto frequentamos!), e esse pó se aglutinou nesse tipo de rocha frágil que forma a “ponte de pedra”. Impossível não admirar o resultado do laborioso trabalho de milhões de anos da mamãe natureza!

Caminhando nas pontes de pedra em Semuc Champey, na Guatemala

Caminhando nas pontes de pedra em Semuc Champey, na Guatemala


Daí, só faltou seguir algumas centenas de metros abaixo para chegarmos ao ponto onde o plácido rio do andar de cima se encontra com o violento rio do andar de baixo, as águas azuis sendo engolidas pelas corredeiras brancas, no mais impressionante “encontro das águas” que já vimos nesta viagem.

Mirante para se observar a força do rio que atravessa a caverna de Semuc Champey, na Guatemala

Mirante para se observar a força do rio que atravessa a caverna de Semuc Champey, na Guatemala


Só faltou dizer que “Semuc Champey” é a expressão indígena que quer dizer “água que some”. É... esse lugar extraordinário já vem sendo admirado há milhares de anos...

Pequenas cascatas no rio que passa acima de Semuc Champey, na Guatemala

Pequenas cascatas no rio que passa acima de Semuc Champey, na Guatemala

Guatemala, Semuc Champey, Lanquin, Rio, trilha

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Passeando e Planejando

Brasil, Pará, Belém

A Praça da República e o Teatro da Paz, em Belém - PA

A Praça da República e o Teatro da Paz, em Belém - PA


Nosso dia hoje em Belém foi dividido entre passeios para ver um pouco dessa metrópole, o planejamento dos nossos próximos dias por aqui, em Marajó e no Amapá e tentar colocar tudo isso em prática.

Mercadorias no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA

Mercadorias no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA


As balsas com carros entre Belém e Macapá saem às sextas e sábados, então não poderíamos perder essa chance, pois esperar mais uma semana iria nos atrasar muito. Mas nós não poderíamos ir tão rápido, pois não teríamos chance nem de ver Belém nem a Ilha de Marajó. Por isso resolvemos despachar a Fiona e seguir alguns dias depois, para já encontrá-la lá. Isso nos daria o tempo necessário para viajar por dois dias à Marajó. Aliás, como o nosso tempo é exíguo, resolvemos pagar uns reais a mais (não muitos) para voar para Macapá, na madrugada de segunda para terça, ao invés de ficar 24 horas num barco. Para completar, a Fiona já está com sua revisão dos 30 mil km agendada para terça cedo, em Macapá. Na quarta, devemos seguir para Oiapoque, e de lá para as Guianas.

Tudo se vende no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA

Tudo se vende no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA


Para colocar tudo isso em prática, então, a primeira tarefa era despachar a Fiona. Passei a manhã toda tentando efetivar isso, mas a cegonheira em que eu iria "encaixar" a Fiona não chegava à Belém, e o tempo ía passando. Acabei desistindo e optando por um lugar na balsa diretamente. Por 800 reais, a Fiona foi embarcada, numa viagem de 30 horas, para Macapá. Na terça, saberemos se deu tudo certo. Até lá, dedos cruzados Quanto à nós, amanhã de madrugada seguimos para Marajó, de onde retornamos na segunda pela manhã para mais um dia em Belém, até embarcarmos de noite para Macapá. Segunda também será o dia de comprar euros e dólares para a temporada guianesa.

Em frente ao 'Mercado de Ferro', no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA

Em frente ao "Mercado de Ferro", no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA


Planejamento relatado, falta a parte do turismo! Como eu já sabia que passaria boa parte da manhã no quarto do hotel, por conta da balsa da Fiona, resolvemos ir mais cedo ainda visitar o principal símbolo turístico de Belém, o Mercado Ver-o-Peso. Eram 07:30 da manhã quando lá chegamos, ainda em tempo de ver o mercado ser abastecido com levas e levas de peixes recém chegados dos rios da região. As bancas de peixe ocupam o Mercado de Ferro, área nobre do Ver-o-Peso importada em partes da Inglaterra há mais de cem anos. São as suas torres o símbolo do mercado. À sua volta o mercado se estende em barracas onde se pode ver de tudo, desde frutas, vegetais e artesanato até animais engaiolados e elixires que prometem remediar tudo. Passamos mais de uma hora por ali, fotografando e observando as mercadorias e, principalmente, as pessoas que fazem desse lugar um dos mais vivos do país.

Venda de pescada-amarela no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA

Venda de pescada-amarela no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA


Na volta para o hotel, ainda passamos na Igreja das Mercês, uma das mais famosas e antigas da capital. A sessão de turismo só pode ser retomada no intervalo do almoço, quando fomos à Praça da República ver o Teatro da Paz, imponente prédio da época de ouro do ciclo da borracha e que contribuiu para que se apelidasse Belém, com uma certa dose de exagero, de "a Paris dos trópicos".

Igreja das Mercês, em Belém - PA

Igreja das Mercês, em Belém - PA


Eu ainda tive a chance de passar novamente a Estação das Docas, agora de dia, quando voltei do embarque da Fiona. Cada vez mais acho parecido com Puerto Madero e cada vez mais fico admirado com o trabalho realizado. Uma área da cidade que estava jogada às traças revitalizada e transformada em centro comercial, gastronômico e turístico.

Estação das Docas, em Belém - PA

Estação das Docas, em Belém - PA


De noite, de táxi, fomos comer numa área cheia de restaurantes, bem movimentada. Escolhemos o Xícara da Silva, lugar bastante agradável onde jantamos muito bem. Até gostaríamos de esticar a noite, mas o barco para Marajó vai sair às 06:30. Além disso, alguma virose me atacava e não seria muito inteligente eu abusar...

Cupuaçu fresco e de verdade no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA

Cupuaçu fresco e de verdade no Mercado Ver-o-Peso, em Belém - PA

Brasil, Pará, Belém, Ver o Peso

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Chico e Xapuri

Brasil, Acre, Xapuri

A casa de Chico Mendes, em Xapuri, no estado do Acre

A casa de Chico Mendes, em Xapuri, no estado do Acre


Na noite do dia 22 de Dezembro de 1988, na pequena Xapuri, no sul do Acre, Chico Mendes conversava com sua esposa e brincava com a filha de quatro anos de idade, na sala da casa simples onde moravam na cidade. Nessa época, o seringueiro, sindicalista e ambientalista já tinha ganho fama internacional por sua luta em defesa da floresta e da criação de reservas extrativistas. Porém, os prêmios, homenagens e notoriedade que havia recebido não o tinham afastado de sua vida simples em Xapuri, e nem das constantes ameaças de morte que recebia na região.

Visitando o Memorial de Chico Mendes, em Xapuri, no estado do Acre

Visitando o Memorial de Chico Mendes, em Xapuri, no estado do Acre


Frase de Chico Mendes, em em memorial em sua homenagem, em Xapuri, no estado do Acre

Frase de Chico Mendes, em em memorial em sua homenagem, em Xapuri, no estado do Acre


Chico era filho de imigrantes cearenses e já havia nascido em Xapuri. Desde criança, acompanhava o pai nas longas incursões pela floresta, sempre em busca das seringueiras de onde extraíam o látex, matéria-prima para a confecção da borracha. Assim, desde cedo, não só aprendeu o seu ofício, mas também os segredos da floresta amazônica. Como era norma por ali, não teve chance de aprender a ler e escrever, já que não existiam escolas nos seringais. Isso mudou no início da vida adulta, quando Chico conheceu e se tornou discípulo de Euclides Távora, um comunista das antigas, que havia lutado ao lado de Prestes, na Intentona de 1935. Falhado o golpe, Távora mudou-se para a Bolívia, onde participou da Revolução de 1952. Finalmente, voltou para o Brasil, pelo Acre, onde se estabeleceu em Xapuri, dedicando-se a alfabetizar os seringueiros. Um de seus alunos foi exatamente Chico Mendes.

Visitando a casa de Chico Mendes, onde ele viveu e foi assassinado, em Xapuri, no estado do Acre

Visitando a casa de Chico Mendes, onde ele viveu e foi assassinado, em Xapuri, no estado do Acre


Agora, Chico já não era mais um seringueiro “típico”, pois sabia ler, escrever e pensar longe. Essa transformação veio justamente quando a classe mais precisava de um líder. Afinal, estávamos na década de 70, quando havia um grande estímulo oficial à imigração e “desenvolvimento” do Acre. Traduzindo, a floresta estava sendo devastada para dar lugar à criação de grandes fazendas de gado. Sem a floresta, quem também perdia eram os seringueiros, expulsos das terras onde trabalhavam há gerações. Junto a outros líderes locais, Chico Mendes começou a organizar a resistência a esse movimento. As duas principais armas eram os “empates” e a atração da opinião pública nacional e internacional para o que se passava por ali.

Praça central de Xapuri, no estado do Acre

Praça central de Xapuri, no estado do Acre


Os “empates” eram manifestações onde as pessoas protegiam as árvores com seus próprios corpos, impedindo que retroescavadeiras e tratores fizessem seu trabalho sujo. A tática teve seu mérito de salvar partes da floresta e, mais que tudo, em unificar a população em torno de uma causa. Mas o principal mérito foi o de atrair a atenção da mídia e de organizações estrangeiras. A fama e a pressão internacional fez com que bancos estrangeiros retirassem seu apoio a “projetos de desenvolvimento” na região, o que muito enfureceu os grandes proprietários de terra de Xapuri. A resposta veio através de ameaças, processos judiciais, violência e assassinatos.

O Nilson, primo de Chico Mendes, nos mostra uma seringueira no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre

O Nilson, primo de Chico Mendes, nos mostra uma seringueira no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre


Passeio na mata do Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre

Passeio na mata do Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre


Pois bem, mesmo depois dos diversos prêmios internacionais, lá estava Chico Mendes na sua casinha simples em Xapuri, brincando com sua filha. Já era tarde, hora de tomar um banho e dormir. A casa não tinha banheiro interno, o chuveiro ficava do lado de fora, no quintal. Com a toalha nos ombros, Chico começou a descer a pequena escada nos fundos da casa, mas não chegou até o fim dela. Na sombra de uma árvore, lhe esperava em tocaia um capanga de um fazendeiro da região. Dois tiros de escopeta lhe atingiram em cheio. Chico ainda teve tempo de voltar para dento de casa e morrer nos braços da esposa e da filha. Morria um grande brasileiro que, entre seus principais legados, teve o mérito de idealizar e ajudar a implantar as chamadas Reservas Extrativistas, que hoje se espalham pelo país e que, ao mesmo tempo, protegem o meio ambiente e os que nele trabalham, de maneira sustentável, em comunhão com a natureza.

O Nilson nos mostra como se extrai o látex de uma seringeira, no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre

O Nilson nos mostra como se extrai o látex de uma seringeira, no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre


O látex escore de uma seringeuira no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre

O látex escore de uma seringeuira no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre


A forte pressão internacional fez com que o crime fosse resolvido, ao contrário de tantos outros que o precederam. O mandante era mesmo um fazendeiro e o capanga, o seu próprio filho! Foram julgados e condenados. Alguns anos depois, fugiram da cadeia! Mas nova pressão internacional praticamente obrigou a justiça brasileira a recapturá-los. Presos, cumpriram sua sentença e hoje, vivem em liberdade. Inadvertidamente, deram ainda mais fama à sua vítima, fazendo com que sua luta prosperasse ainda mais. Os seringais do Acre agradecem à Chico Mendes, aos seus ideais e sua luta, mesmo depois de sua morte.

Uma gigantesca Samaúma no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre

Uma gigantesca Samaúma no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre


Hoje, nós fomos à Xapuri conhecer essa história mais de perto. A casa onde o líder seringueiro vivia ainda está lá. Sua simplicidade espanta e comove. É difícil imaginar onde e como viveria Chico se ainda estivesse vivo, mas o fato é que, pelo mesmo até àquela época, toda a fama não o tinha afastado de suas raízes. É de tirar o chapéu! Em frente à casa, um memorial ajuda a contar a história, com várias fotos e frases marcantes de Chico Mendes. São visitas rápidas, mas de grande valor.

A lua brilha através da copa das árvores no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre

A lua brilha através da copa das árvores no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre


Em seguida, seguimos para o Seringal Cachoeira, a poucas dezenas de quilômetros da cidade. Foi justamente esse o Seringal que foi desapropriado do fazendeiro mandante do crime, alguns meses antes do assassinato. Ainda hoje está lá, um monumento de preservação em honra ao líder assassinado. Mais interessante ainda, lá vive e trabalha o simpático primo de Chico, Nilson Mendes. Ele leva turistas e visitantes à passeios pela floresta, para mostrar os segredos das árvores e ervas que ali crescem e, claro, nos ensinar como se extrai o látex das seringueiras.

Visita ao Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre

Visita ao Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre


Nosso chalé no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre

Nosso chalé no Seringal Cachoeira, próximo à Xapuri, no estado do Acre


Há uma deliciosa pousada, que pertence à comunidade, no local. Assim, ficamos muito bem instalados no meio da mata. Nós chegamos ali já no final da tarde, bem no momento que o Nilson saía com dois outros visitantes para um passeio. Mais do que depressa, juntamo-nos ao grupo e tivemos uma verdadeira aula de ciências naturais. A quantidade de remédios que existe ali dentro é impressionante. É de partir o coração quando pensamos na quantidade de plantas e conhecimento que já se perdeu até hoje, com a intensa destruição de florestas, não só por aqui, mas por todo o planeta. Enfim, a esperança é a última que morre e a própria existência do Seringal Cachoeira nos mostra que ainda há pelo quê lutar! Passar duas horas caminhando por ali, acompanhado de uma verdadeira enciclopédia que é o Nilson Mendes, essa é uma experiência que eu recomendo a todas as pessoas!

Saindo de Xapuri, no estado do Acre, a caminho da fronteira com o Peru

Saindo de Xapuri, no estado do Acre, a caminho da fronteira com o Peru


Chegando à fronteira do Brasil e Peru, em Assis Brasil, no Acre

Chegando à fronteira do Brasil e Peru, em Assis Brasil, no Acre


Quanto a nós, depois desse dia intenso, descansamos felizes em meio ao seringal que tão bem representa a vida e a morte desse incrível homem de nome Francisco. No dia seguinte, de almas purificadas, seguimos nossa viagem de conhecimento e auto-conhecimento pelas Américas. Uma vez mais, era hora de deixar o Brasil para trás e voltarmos às terras dos nossos hermanos e vizinhos. A Estrada Interoceânica, ou Carretera Transoceânica, como eles a chamam, liga o Brasil ao Peru, um novo caminho para nos levar de volta até os Andes. Assim, fomos até Assis Brasil, na fronteira, passamos pela ponte e, num passe de mágica, estávamos no Peru! Cusco é “logo ali”, mas no caminho ainda tem a simpática Puerto Maldonado. Pelo próximo mês, nossa língua volta a ser o castelhano!

De volta ao Peru, na Carretera Transaoceanica, a caminho de Puerto Maldonado

De volta ao Peru, na Carretera Transaoceanica, a caminho de Puerto Maldonado

Brasil, Acre, Xapuri, floresta, história

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Barbicha e Macarrão

Antártida, Elephant Island

Um pinguim chinstrap em Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida

Um pinguim chinstrap em Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida


O animal símbolo das regiões polares do sul do planeta é, sem dúvida nenhuma, o pinguim. Na verdade, o nome “pinguim” não se refere apenas a uma espécie de ave, mas a toda uma família cujo nome científico é “Spheniscidae”. Essa família de nome tão pomposo se subdivide em seis gêneros e mais de vinte espécies, todas elas de pinguins. É só estamos falando das espécies que ainda vivem nos dias de hoje. Se considerarmos as espécies e gêneros já extintos, aí esses números aumentam muito.

Pinguins gentoo em Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida

Pinguins gentoo em Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida


Um encontro entre um pinguim gentoo e um chinstrap, em Elephant Island, na Antártida (foto de Steve Denver)

Um encontro entre um pinguim gentoo e um chinstrap, em Elephant Island, na Antártida (foto de Steve Denver)


Pois bem, até agora, nas nossas andanças pelas Malvinas e Geórgia do Sul, já tínhamos visto quatro espécies de pinguins: os pinguins-de-magalhães e os rockhoppers, ainda nas Falkland, e os pinguins rei e gentoo, principalmente na Geórgia do Sul. Vimos centenas de milhares deles, principalmente da espécie rei (King, em inglês), bem vistosos com suas manchas amarelas no peito e no rosto. Certamente, estão entre os mais belos de toda a família, mas depois de visitar duas mega-colônias com mais de 100 mil casais em cada uma delas, já estávamos meio enjoados, querendo conhecer outros membros da simpática família.

Um pinguim de barbicha (chinstrap penguin) em Elephant Island, na Antártida

Um pinguim de barbicha (chinstrap penguin) em Elephant Island, na Antártida


Pinguins de barbicha (chinstrap penguins) caminham nas rochas de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida

Pinguins de barbicha (chinstrap penguins) caminham nas rochas de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida


Pois bem, esse momento chegou, agora que estamos bem mais perto da Antártida. Por aqui o clima é frio demais até mesmo para esses tipos de pinguim e a natureza tratou de “criar” outras espécies para ocupar um ecossistema com condições mais severas. Em Elephant Island, espremida entre geleiras, montanhas nevadas e icebergs, até chegamos a ver alguns poucos pinguins gentoo, mas a grande maioria deles era mesmo de duas outras espécies, ainda desconhecidas para nós: os pinguins chinstrap (“pinguim-de-barbicha”, em português) e os pinguins macaroni (que em italiano quer dizer macarrão!).

Centenas de chinstrap penguins (pinguins-de-barbicha) na costa gelada de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida

Centenas de chinstrap penguins (pinguins-de-barbicha) na costa gelada de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida


Centenas e centenas de pinguins sobre as encostas mais baixas de Point Wild, em Elephant island, na Antártida

Centenas e centenas de pinguins sobre as encostas mais baixas de Point Wild, em Elephant island, na Antártida


Os mais comuns por aqui são mesmo os pinguins-de-barbicha. E não é para menos! Na verdade, essa é uma das espécies mais numerosas em todo o mundo e cientistas calculam sua população em mais de 15 milhões de indivíduos. O nome vem de uma estreita faixa (“strap”, em inglês) preta que esse pinguim tem sob o queixo (“chin”, em inglês) que lembra uma barbicha.

Centenas de pinguins chinstrap se aglomeram em Point Wild, em Elephant Island, na Antártida

Centenas de pinguins chinstrap se aglomeram em Point Wild, em Elephant Island, na Antártida


pinguins da espécie chinstrap são os mais comuns em Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida

pinguins da espécie chinstrap são os mais comuns em Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida


Eles são consideravelmente menores que seus primos gentoo e king, medindo menos de 70 cm e pesando cerca de 6 quilos. Nem por isso são menos valentes, sendo considerados, na verdade, os mais agressivos entre os pinguins. Uma espécie de “baixinho invocado”. Talvez porque aqui tem de enfrentar um dos mais temíveis predadores, a foca leopardo. Não que essa valentia valha alguma coisa contra um predador tão formidável. Além delas, os chinstraps também têm de estar atentos às orcas e lobos marinhos. Em terra, adultos, não têm de se preocupar, embora ovos e crianças sejam alvo de aves de rapina como as skuas.

Pinguins de barbicha (chinstrap penguins) caminham nas rochas de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida

Pinguins de barbicha (chinstrap penguins) caminham nas rochas de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida


pinguins da espécie chinstrap são os mais comuns em Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida

pinguins da espécie chinstrap são os mais comuns em Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida


Esses pequenos pinguins chegam a nadar 80 km por dia para buscar alimento, principalmente o krill e pequenos peixes. Adoram se congregar em grandes icebergs, mas na época da reprodução, precisam mesmo de terra firme, onde montam seus pequenos ninhos. Uma característica da espécie é colocar dois ovos por temporada, com uma boa chance que ambos choquem e virem filhotes saudáveis. Pais e mães se revezam para chocar o ovo, alimentar e proteger o filhote, pelo menos até o ponto quando ele possa começar a frequentar as chamadas “creches”.

Chinstrap penguin (pinguim de barbicha) em Elephant Island, na Antártida

Chinstrap penguin (pinguim de barbicha) em Elephant Island, na Antártida


Pinguins escalam uma encosta inclinada de gelo em Elephant Island, na Antártida (foto de France Dionne)

Pinguins escalam uma encosta inclinada de gelo em Elephant Island, na Antártida (foto de France Dionne)


São pouco mais de 35 dias para chocar os ovos e depois, outros 30 para que o filhote seja grande o suficiente para seguir para as creches. Depois disso, passará mais um mês para que o filhote troque suas penas e seja capaz de enfrentar o frio das águas polares. Só então ele será capaz de procurar seu próprio alimento, terminando então a responsabilidade dos pais. Ao longo de seus 20 anos de vida em média, os pinguins terão bastante tempo para se reproduzir, fugir dos predadores e curtir ao máximo a paisagem grandiosa que os cerca. Aliás, vimos alguns deles olhando para o infinito em aparente estado de veneração!

Um pinguim solitário parece observara beleza gelada que o rodeia em Point Wild, em Elephant Island, na Antártida

Um pinguim solitário parece observara beleza gelada que o rodeia em Point Wild, em Elephant Island, na Antártida


Um pinguim solitário observa o mar agitado ao redor de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida

Um pinguim solitário observa o mar agitado ao redor de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida


A outra espécie tem esse nome engraçado, “macaroni”. Como todos sabem, macaroni é o prato típico da Itália. Nos séculos XVIII e XIX, “macaroni” também virou uma gíria na Inglaterra. Era usada para descrever pessoas que se vestiam de maneira espalhafatosa. Para os ingleses, esse era um comportamento típico dos italianos, vestir-se com roupas bem coloridas e que chamassem a atenção. E italianos, para eles, eram os “macaroni”, por causa da comida. Quase como o nosso “perua” de hoje, ou o “peru emplumado”.

Um macaroni penguin e sua característica testa amarela, em Cape Lookout, Elephant Island, na Antártida (foto de John Pairaudeau)

Um macaroni penguin e sua característica testa amarela, em Cape Lookout, Elephant Island, na Antártida (foto de John Pairaudeau)


Um vistoso macaroni penguin em Elephant Island, na Antártida

Um vistoso macaroni penguin em Elephant Island, na Antártida


Então, quando os primeiros marinheiros ingleses chegaram a estas bandas, não demoraram a apelidar esse pinguim com penas amarelas na testa de “macaroni”. O nome ficou e passou a designar a espécie! E não é uma espécie qualquer, não! Ela sim é a mais numerosa do planeta com cerca de 20 milhões de indivíduos. Infelizmente, esse número já foi bem maior duas décadas atrás o que indica que a espécie está passando por uma crise. Mesmo assim, continua sendo a espécie de ave que mais consome vida marinha do mundo.

Centenas de pinguins chinstrap na paisagem rochosa de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida

Centenas de pinguins chinstrap na paisagem rochosa de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida


Um grupo de pinguins macaroni em Cape Lookout, Elephant Island, na Antártida (foto de John Pairaudeau)

Um grupo de pinguins macaroni em Cape Lookout, Elephant Island, na Antártida (foto de John Pairaudeau)


Os macaroni também são excelentes nadadores e passam meses a fio no mar, quando não estão em época de reprodução. Chegam a nadar mais de 10 mil quilômetros nesse período, através dos oceanos Atlântico e Índico. Depois, voltam para as colônias onde nasceram e quase sempre buscam o mesmo parceiro da temporada anterior.

Pinguins, lobos e elefantes marinhos e blocos de gelo dividem o espaço de uma pequena praia rochosa em Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida

Pinguins, lobos e elefantes marinhos e blocos de gelo dividem o espaço de uma pequena praia rochosa em Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida


Centenas de pinguins nas encostas de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida

Centenas de pinguins nas encostas de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida


Depois do acasalamento também virão dois ovos. O primeiro, menor, é apenas para esquentar as turbinas da fêmea. Depois, quando vier um ovo maior, o primeiro ovo quase sempre é descartado. As cinco semanas que se seguem para chocar o ovo são divididos em 3 períodos iguais de 12 dias. No primeiro, pai e mãe se dividem no trabalho de chocar o ovo. No segundo, o pai volta para o mar para se alimentar e a mãe fica sozinha. No terceiro, a situação se inverte, a mãe no mar e o pai no ninho. Por fim, quando nasce o filhote, é o pai que vai protegê-lo nas primeiras semanas, até que ele esteja grande o suficiente para seguir para a creche.

Pinguins chinstrap se equilibram em rochedo de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida

Pinguins chinstrap se equilibram em rochedo de Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida


Pinguins sobem encosta em meio à vastidão gelada de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida

Pinguins sobem encosta em meio à vastidão gelada de Point Wild, em Elephant Island, na Antártida


Bom, e assim vamos completando nossas figurinhas no álbum de pinguins. O prêmio máximo seria ver um pinguim imperador, mas infelizmente é muito raro avistá-lo em viagens como a nossa. Eles ficam ainda mais ao sul e suas colônias se localizam muitos quilômetros continente adentro. Mas temos também o nosso álbum de focas para completar e hoje vimos a estrela desse álbum, a foca leopardo. Outro álbum, outro post, hehehe...

Aproximando-se dos simpáticos pinguins chinstrap, em Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida

Aproximando-se dos simpáticos pinguins chinstrap, em Cape Lookout, em Elephant Island, na Antártida

Antártida, Elephant Island, Bichos, Pinguim

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O Alaska do Alaska

Alaska, Coldfoot

A magnífica paisagem polar da tundra, na Dalton Highway, no norte do Alaska

A magnífica paisagem polar da tundra, na Dalton Highway, no norte do Alaska


Nosso plano original era simplesmente chegar até o “Alaska” e daqui começar a nossa volta. Tratávamos essa gigantesca região como se fosse um ponto, o que está bem longe da realidade. Como já disse, o Alaska é o maior estado dos Estados Unidos, com atrações suficientes para podermos viajar por meses por aqui. Então, quando fomos chegando mais perto daqui, precisamos ser mais específicos e acabamos decidindo que chegaríamos em Anchorage, a maior cidade do estado.

Antigo posto de correios da simpática Wiseman, cidade 100 milhas ao norte do Círculo Polar Ártico, no Alaska

Antigo posto de correios da simpática Wiseman, cidade 100 milhas ao norte do Círculo Polar Ártico, no Alaska


Mas logo a coceira de seguir mais para o norte começou a bater. Depois da história da Aurora Boreal e das “reclamações” da Fiona, decidimos que tínhamos de chegar, pelo menos, até o Círculo Polar Ártico. Será que faríamos um bate-volta até lá, saindo de Fairbanks? Hmmm... se queríamos ver a Aurora, tínhamos de dormir por lá e o hotel mais próximo estava em Coldfoot, 90 milhas adiante. Ok, Coldfoot passou a ser nosso destino final.

A árvore mais ao norte na Dalton Highway, a caminho do Oceano Ártco, no Alaska

A árvore mais ao norte na Dalton Highway, a caminho do Oceano Ártco, no Alaska


Mas, ao chegarmos em Coldfoot, uma rápida visita ao Centro Turístico nos fez mudar de ideia rapidamente. Dez milhas mais ao norte estava a cidade de Wiseman, um interessante e centenário assentamento mineiro. Outras dez milhas, e lá estava uma bela montanha com um lago espelhado logo abaixo. E mais um pouquinho, a última árvore, aquela que nasceu mais ao norte no continente. Tínhamos de ver essa heroína!

Chegando na Brooks range, no norte do Alaska

Chegando na Brooks range, no norte do Alaska


Na noite de ontem, ao comentar nossos plano com um camioneiro que conhece toda a estrada, ele exclamou, incrédulo: “mas vocês não vão conhecer o Atigun Pass??? É o lugar mais bonito da estrada!!!”. Bom, diante disso, tínhamos de ir lá. O tal “pass” é o trecho em que a rodovia ultrapassa a Brooks Range, a cadeia de montanhas que funciona como uma “Continental Divide”. Do lado de cá, a água corre para o Pacífico, do lado de lá, corre para o Ártico. Então, se fôssemos até lá, estaríamos definitivamente no Ártico!!! Não dava para resistir a tentação, né?

Depois de tanto tempo, de volta às montanhas nevadas, dessa vez na Brooks Range, no norte do Alaska

Depois de tanto tempo, de volta às montanhas nevadas, dessa vez na Brooks Range, no norte do Alaska


Depois de tanto tempo, de volta às montanhas nevadas, dessa vez na Brooks Range, no norte do Alaska

Depois de tanto tempo, de volta às montanhas nevadas, dessa vez na Brooks Range, no norte do Alaska


O que começa do lado de lá também é a tundra, essa vegetação que tanto estudei nas minhas aulas de geografia, lá na 7ª série. Típica da Sibéria e do norte do norte do Canadá. Tínhamos de ver isso também! Então, ficou assim: vamos até o Atigun Pass, descemos do lado de lá e damos uma olhada na tundra.

Aproximando-se do Atigun Pass, na Dalton Highway, Brooks Range, no norte do Alaska

Aproximando-se do Atigun Pass, na Dalton Highway, Brooks Range, no norte do Alaska


Muita neve no Atigun Pass, ponto mais alto da Dalton Highway, com 1450 metros, na Brooks range, no norte do Alaska

Muita neve no Atigun Pass, ponto mais alto da Dalton Highway, com 1450 metros, na Brooks range, no norte do Alaska


Só faltou o esforço de seguir até o final da estrada, em Prudhoe Bay. O grande atrativo de chegar até lá seria ver o Oceano Ártico (quem sabe, dar um tchibum, hehehe). Mas, infelizmente, não se chega até lá. A estrada é fechada à particulares 15 milhas antes do Oceano. Toda a área pertence a uma grande empresa petrolífera. Temos de deixar o carro num estacionamento e pagar 50 dólares por cabeça para fazer um passeio de ônibus pelas instalações e até o mar. E o passeio tem de ser reservado com antecedência. Chateação! Além disso, segundo disseram, os últimos 200 km de estrada atravessando a tundra são, basicamente, iguais. Então, o Oceano Ártico ficou para uma outra vez e nós economizamos 400 km de estradas encascalhadas, além dos 100 dólares.

Brincando com a neve no Atigun Pass, 1.450 metros de altitude, 8 graus negativos de temperatura e 68 graus de latitude norte, na Dalton Highway, no norte do Alaska

Brincando com a neve no Atigun Pass, 1.450 metros de altitude, 8 graus negativos de temperatura e 68 graus de latitude norte, na Dalton Highway, no norte do Alaska


Brincando com a neve no Atigun Pass, 1.450 metros de altitude, 8 graus negativos de temperatura e 68 graus de latitude norte, na Dalton Highway, no norte do Alaska

Brincando com a neve no Atigun Pass, 1.450 metros de altitude, 8 graus negativos de temperatura e 68 graus de latitude norte, na Dalton Highway, no norte do Alaska


Partimos pela manhã e logo estávamos na charmosa Wiseman. Casinhas de madeira, muita vegetação, visual bucólico, tudo atraente. Tem até uma pousadinha. Nessa época do ano, parece ser uma delícia. O duro deve ser os três meses no escuro, a menos 30 graus. Que dureza! Bem que a maioria das suas poucas dezenas de habitantes só fique por lá três ou quatro meses por ano.

Muita neve no Atigun Pass, ponto mais alto da Dalton Highway, com 1450 metros, na Brooks range, no norte do Alaska

Muita neve no Atigun Pass, ponto mais alto da Dalton Highway, com 1450 metros, na Brooks range, no norte do Alaska


Área segura contra as constantes avalanches no Atigun Pass, 1.450 metros de altitude, 8 graus negativos de temperatura e 68 graus de latitude norte, na Dalton Highway, no norte do Alaska

Área segura contra as constantes avalanches no Atigun Pass, 1.450 metros de altitude, 8 graus negativos de temperatura e 68 graus de latitude norte, na Dalton Highway, no norte do Alaska


Pouco depois, já passávamos pela montanha com o lago e, mais um pouco, pela última árvore. Daqui para frente, são tão poucas horas de luz por ano que nem uma árvore consegue crescer. Frio, pouca água, vento, com isso elas conseguem lidar. Mas ausência de luz, aí já é demais... Apenas gramíneas e arbustos conseguem sobreviver a estas condições extremas.

dirigindo em plena tundra, na Dalton Highway, no norte do Alaska

dirigindo em plena tundra, na Dalton Highway, no norte do Alaska


Chegamos então à cadeia de montanhas conhecida como Brooks range, já coberta de neve. A estrada sobre a quase 1.450 metros para atravessá-la, na tal Atigun Pass. Como disse o camioneiro, com certeza esse foi o ponto alto da rodovia, nos dois sentidos!. Uma beleza e grandiosidade de perder o fôlego.

A Ana preparando o nosso almoço na Dalton Highway, no norte do Alaska

A Ana preparando o nosso almoço na Dalton Highway, no norte do Alaska


Nós enfrentamos o frio de 8 graus negativos e saímos para brincar com a neve. Apesar de já estramos viajando a mais de 800 dias, não é muito comum para nós cruzarmos montanhas nevadas. Então, quando nos deparamos com uma, é sempre a maior alegria e farra. Acho que visual parecido com esse, com a Fiona, a última vez foi lá nos Andes, fronteira de Argentina e Chile, há mais de um ano.

Latitude 68,5 graus, o ponto mais ao norte atingido pela Fiona nos 1000dias (na Dalton Highway, no norte do Alaska)

Latitude 68,5 graus, o ponto mais ao norte atingido pela Fiona nos 1000dias (na Dalton Highway, no norte do Alaska)


Chegamos pertinho da Ásia e da Rússia na Dalton Highway, no norte do Alaska. Que vontade de continuar...

Chegamos pertinho da Ásia e da Rússia na Dalton Highway, no norte do Alaska. Que vontade de continuar...


Descemos então na famosa tundra. Finalmente, a imagem que eu sempre tive do Alaska, dos documentários que via na TV. Um enorme espaço vazio, cercado por montanhas ao longe. Visual magnífico! Vegetação meio avermelhada, em forte e belo contraste com o branco das montanhas nevadas. Aqui e ali, um lago para adicionar ainda mais beleza naquela paisagem inóspita e selvagem. Aqui é o Alaska do Alaska!

Deixando a nossa marca na latitude 68,5, na Dalton Highway, no norte do Alaska

Deixando a nossa marca na latitude 68,5, na Dalton Highway, no norte do Alaska


A magnífica paisagem polar da tundra, na Dalton Highway, no norte do Alaska

A magnífica paisagem polar da tundra, na Dalton Highway, no norte do Alaska


Não sabíamos até onde ir e de onde voltar. Qual seria o “turning ponit” da viagem? Foi dando um nó na garganta, vontade de seguir, seguir, seguir. Por fim, decidimos que o limite seria a marca dos 68,5 graus de latitude norte, quase a mesma em que estivemos na Groelândia. A Fiona queria, a todo custo, seguir adiante, quem sabe até os 70 graus (a Ana diz que a Fiona é meu alter ego, hehehe). Mas, não, estava na hora de voltar. Chega de norte, daqui para frente, nosso rumo é o sul e o objetivo é a Terra do Fogo. Brincando com as palavras, o sul passa a ser o nosso norte.

Muito feliz dentro do ar quente da Fiona, depois de atingirmos o ponto mais ao norte da expedição 1000dias no Alaska

Muito feliz dentro do ar quente da Fiona, depois de atingirmos o ponto mais ao norte da expedição 1000dias no Alaska


Muito feliz dentro do ar quente da Fiona, depois de atingirmos o ponto mais ao norte da expedição 1000dias no Alaska

Muito feliz dentro do ar quente da Fiona, depois de atingirmos o ponto mais ao norte da expedição 1000dias no Alaska


Bem na hora da virada, um pequeno zoom out no nosso GPS e a gente tem a clara visão de até onde chegamos. A Rússia está logo ali, muito perto de nós! Se houvesse uma ponte, um jeito de passar, acho que naquele momento, nós teríamos continuado. O nome do projeto teria de mudar, pois voltaríamos para casa pela Ásia, Europa e África. Putz... Confesso a vocês, foi triste fazer a volta e voltar...

O Polo Norte fica para trás. Agora, rumo ao Polo Sul! (na dalton Highway, no norte do Alaska)

O Polo Norte fica para trás. Agora, rumo ao Polo Sul! (na dalton Highway, no norte do Alaska)


Enfim, a vida e a viagem continuam! O caminho de volta até Coldfoot foi tão belo como o de ida. Na restaurante onde nos esbaldamos no jantar de ontem, hoje foi a vez do almoço. Pratos de camioneiro novamente. Uma delícia! Um banquete!

A deliciosa e revigorante 'comida de camioneiro', em Coldfoot, na Dalton Highway, no norte do Alaska

A deliciosa e revigorante "comida de camioneiro", em Coldfoot, na Dalton Highway, no norte do Alaska


Depois, seguimos até Yukon Crossing, passando pela “pedra do mamute” que tinha me emocionado ontem. Estava linda como nunca, soberana como sempre, senhora absoluta daquela vastidão desde a época em que os gigantescos primos peludos dos elefantes ainda frequentavam a área. Hoje de noite, no nosso alojamento aqui do lado do maior rio do Alaska, não vai faltar assunto para meus sonhos. Aurora, mamute, Rússia, tundra, Polo Norte, neve, vai ser uma confusão...

De volta à 'pedra dos mamutes', na dalton Highway, norte do Alaska

De volta à "pedra dos mamutes", na dalton Highway, norte do Alaska

Alaska, Coldfoot, Ártico, Atigun Pass, Brooks Range, Círculo Polar, Dalton Highway, Yukon Crossing

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...e a Mais Bela Aurora!

Alaska, Tok

Rendendo homenagens ao nosso mais belo show cósmico, a Aurora Boreal na noite sem lua em Tok, no Alaska

Rendendo homenagens ao nosso mais belo show cósmico, a Aurora Boreal na noite sem lua em Tok, no Alaska


Foi com dor no coração que deixamos a saída para Valdez à nossa direita e seguimos viagem para Tok. Seria um “pequeno” desvio , ida e volta, de algumas centenas de quilômetros para a cidade que todos recomendaram de que não deixássemos de ir. Estrada bonita, geleiras, possibilidade de avistamento de vida selvagem e por aí vai. A cidade ganhou fama mundial depois do maior desastre ecológico da história, quando o Exxon Valdez derramou sua gigantesca carga de óleo, arruinando um meio ambiente quase virgem e paradisíaco, matando milhões de peixes, aves e mamíferos e causando a fúria de ecologistas por todo o mundo. Esses mesmos ecologistas previram que a região demoraria décadas para se recuperar, mas a Natureza surpreendeu a todos com a rápida renovação do ecossistema e da vida marinha. Ao mesmo tempo, o desastre dificultou em muito a vida dessas empresas petrolíferas, que tiveram que passar a lidar com leis muito mais rígidas em seus novos projetos de investimento. Há males que vem para bem...


Nosso novo roteiro até Haines, de onde pegamos o ferry. Agora, vamos passar pela lendária Dawson City!

Mas a previsão de tempo para os próximos dias estava muito ruim e seguir até lá para tomar mais chuva na cabeça nos pareceu mais teimosia do que inteligência. Assim, tratamos de armar um plano B que não fica muito a dever ao plano A, não. Nosso ferry sai de Haines no dia 25 e queremos chegar lá um pouco antes, para poder aproveitar também as belezas da cidade. Ao não irmos para Valdez, ganhamos uns dias extras para conhecer outros lugares e a decisão óbvia era seguir para longe da chuva. Nossa melhor chance era para o norte e para o interior do continente. E não é que, justamente lá, perdido nesse verdadeiro fim de mundo quase polar, está a cidade quase lendária de Dawson, uma vila saída dos tempos do faroeste, criada em apenas 2 anos, na época da corrida do ouro de 1898? Seria um desvio de pouco mais de 500 km na nossa rota original. Mas conheceríamos novas estradas, novas paisagens e, acima de tudo, a cidade mais interessante dessa parte do continente. Enfim, um bom negócio!

Uma colossal e fantástica geleira parece invadir o vale, no caminho entre Anchorage e Tok, no Alaska

Uma colossal e fantástica geleira parece invadir o vale, no caminho entre Anchorage e Tok, no Alaska


Para chegar lá, tínhamos de ir por partes. Dawson fica no Yukon Territory, no Canadá. Está ligado à cidade de Tok, no Alaska, através da famosa rodovia “Top of The World Road”, que fica ao norte da Alaska Highway. Ao norte da Alaska Highway? Pois é, só isso já dá uma ideia de onde estávamos nos metendo. A estrada só funciona na temporada e, descobrimos hoje, que ela vai fechar amanhã, dia 21. Ou seja, acertamos na mosca!

Uma colossal e fantástica geleira parece invadir o vale, no caminho entre Anchorage e Tok, no Alaska

Uma colossal e fantástica geleira parece invadir o vale, no caminho entre Anchorage e Tok, no Alaska


Pois bem, a primeira parte da nossa jornada, depois de passarmos por Anchorage, terminava na pequena Tok. Essa foi a primeira cidade que passamos no Alaska, no nosso caminho para Fairbanks e para o extremo norte. Tínhamos dado uma parada rápida na Oficina de Turismo, onde a simpática atendente nos deu várias dicas valiosas sobre o Estado. Passamos por lá justamente na véspera do escritório fechar, pelo menos até Maio de 2013. Outra vez, na mosca!

Nossa mais bela Aurora Boreal, nos céus de Tok, no Alaska

Nossa mais bela Aurora Boreal, nos céus de Tok, no Alaska


Bom, dessa vez, já experientes em Alaska, não precisávamos mais da Oficina de Turismo. Mesmo que ela ainda estivesse aberta, não teríamos pressa. Com isso, pudemos curtir bastante a estrada da bifurcação de Valdez até lá. A parte mais impressionante é quando passamos ao lado de uma titânica geleira que parece invadir um vale muito abaixo da estrada. Lugar lindo! Como muitos outros lugares do Alaska, os principais frequentadores são os caçadores. Essa atividade está muito mais entranhada na cultura local do que havíamos imaginado. Aos poucos, vamos nos acostumando com pessoas vestidas em suas roupas camufladas, veículos off-road que carregam equipamentos e as vítimas abatidas e caminhões repletos de carcaças e chifres de alces, elks, caribous e veados. Acho que quem não se acostuma nunca são os pobres cervídeos. Afinal, seu genoma nunca os preparou a se esquivar de balas disparadas a mais de 200 metros de distância por rifles com mira telescópica. Não me parece muito justo, mas... assim é por aqui.

Nossa mais bela Aurora Boreal, nos céus de Tok, no Alaska

Nossa mais bela Aurora Boreal, nos céus de Tok, no Alaska


Bom, voltando à viagem, chegamos já no escuro a Tok, arrumamos um pequeno hotel e fomos logo checar a previsão. Noite clara, sem lua e boas chances de aurora. Viva!!! Ainda não tinha falado, mas esse foi também um dos grandes motivos para voltarmos a essas bandas. Assim, começamos a checar os céus com os nossos olhos, de tempos em tempos. Um pouco depois da meia noite e, bingo! Lá estavam elas, as norhern lights, a Aurora Boreal, o aviso de que o show cósmico estava para começar!

Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok

Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok


Não perdemos muito tempo! Entramos na Fiona e nos afastamos das poucas luzes de Tok e chegamos a um ponto onde só estávamos nós quatro: eu, a Ana, a Fiona e o Universo. Tinha as estrelas também, mas nem a lua convidamos!

Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok

Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok


Bom, até hoje pela tarde, eu achei qu já tinha visto a Aurora. Ledo engano. Aquilo era outra coisa. A verdadeira Aurora, essa conhecemos hoje. Até então, tinha sido sempre muito lindo, especialmente para um habitante dos trópicos, completamente virgem nesse assunto. Mas confesso que as fotos ficavam mais bonitas que a realidade. Com um tempo de exposição mais longo nas fotos, o verde ficava mais forte do que era na realidade. Ficava uma falsa impressão que o céu ficava mesmo com aquelas cores fortes. Na verdade, era sempre mais tênue.

Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok

Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok


Bom, isso foi até essa noite. Agora, a Natureza resolveu nos mostrar com quantos paus se faz uma canoa. Dessa vez, o que se vê nas fotos não chega a metade do que vimos com os olhos. Um verdadeiro balé de cores e formas, (nada de tênue não!) sobre nossas cabeças. Uma mágica que nos fez chorar de emoção, tamanha era a nossa incredulidade em ver tudo aquilo. Pela primeira vez, vimos outras cores com clareza. Vermelho, roxo, um azul meio esbranquiçado e, claro, muito verde.

Um verdadeiro show cósmico, na Aurora Boreal na noite sem lua em Tok, no Alaska

Um verdadeiro show cósmico, na Aurora Boreal na noite sem lua em Tok, no Alaska


Ficamos ali extasiados, sem fôlego, sem palavras, diante do espetáculo absolutamente indescritível se desenrolando ao nosso redor. Gente...sabe tudo aqui que sempre falaram da Aurora? Pois é... é muito melhor! Nosso desvio, o tempo ruim no sul, tudo isso já valeu a pena. E ainda temos Dawson pela frente. Com mais promessa de Aurora. Não dá para reclamar...

Rendendo homenagens ao nosso mais belo show cósmico, a Aurora Boreal na noite sem lua em Tok, no Alaska

Rendendo homenagens ao nosso mais belo show cósmico, a Aurora Boreal na noite sem lua em Tok, no Alaska

Alaska, Tok, Aurora Boreal

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Mergulhando na Lage de Santos

Brasil, São Paulo, Santos

Mergulhando na Laje de Santos - SP

Mergulhando na Laje de Santos - SP


Menos de duas horas após termos dormido, já estávamos de pé novamente. O destino, desejado já há tanto tempo: a famosa Lage de Santos, um dos melhores pontos de mergulho do sul do país.

A famosa Lage de Santos - SP

A famosa Lage de Santos - SP


Mergulhar na lage não é fácil. Não que haja muitas dificuldades técnicas para o mergulhador. O problema maior é chegar lá. A Lage está a quase quarenta quilômetros da marina mais próxima e requer um longo tempo de navegação em mar aberto. Para valer à pena para as operadoras, os barcos devem estra cheios pois os custos de transporte são altos. Desse modo, normalmente, só há operação nos fins de semana e feriados, quando há mais mergulhadores interessados e disponíveis. O outro grande problema é o humor de São Pedro. Não pode haver muito vento, pois a nevegação é feita com barcos pequenos e rápidos em mar aberto. Resumo da ópera: não é todo dia que se vai para a Lage.

Preparando-se para o mergulho na Laje de Santos - SP

Preparando-se para o mergulho na Laje de Santos - SP


Nós, depois de muitas tentativas, finalmente estávamos indo. Com um pouquinho de sono, mas estávamos indo. No caminho, já no barco, através do rádio descobrimos que outros barcos, que saíram mais cedo do que nós estavam voltando, sem ter operado. Estavam com mergulhadores ainda inexperientes, e as condições do mar não estavam propícias para eles. Nosso barco seguiu em frente! Alguns passaram mal, pelo sacolejo. A recompensa deveria valer à pena!

Passando frio no mergulho na Laje de Santos - SP

Passando frio no mergulho na Laje de Santos - SP


Devidamente aparamentados, caímos no mar para um primeiro mergulho bem meia boca. A água estava fria, cerca de 19 graus e tínhamos feito a bobagem de não trazer nossa roupa de cima. Visibilidade razoável em alguns pontos, uma arraia, muitos frades e garoupas, além de peixes menores. Realmente, nada de especial. Para mim, um treino para a arte de fotografar em baixo d'água. Dentro dos limites da nossa máquina, vou melhorando. Para boas fotos de verdade, não tem jeito: precisamos de um equipamento dez vezes mais caro com muita, muita luz (flashes). Se não, sai tudo azul. Voltamos para o barco e eu só pensava, para me animar, naquela frase de um amigo mergulhador: "O mergulho, quando é ruim, é bom. Quando é bom, é uma maravilha!"

Peixe frade no mergulho na Laje de Santos - SP

Peixe frade no mergulho na Laje de Santos - SP


Quase uma hora mais tarde, estávamos prontos para o segundo mergulho. Metade dos mergulhadores preferiu não ir, enjoados do mar ou com frio. A Ana até pensou, mas nunca tive dúvidas que ela mergulharia. Principalmente depois que lhe ofereceram emprestado uma segunda roupa. Desta vez, fui sem a máquina, para curtir mais o mergulho e já meio desanimado com as condições de visibilidade.

Arraia no mergulho na Laje de Santos - SP

Arraia no mergulho na Laje de Santos - SP


Ledo engano! A Lage tem suas surpresas e nós tivemos uma enorme. O mergulho foi maravilhoso. Fomos para o outro lado, para o Cabeço das âncoras. Uma forte corrente trazia água mais quente e muito mais limpa. Centenas de peixes formavam enormes cardumes. Tartarugas, lagostas, estrelas do mar, enormes garoupas e peixes coloridos, tudo no meio de uma visibilidade que em alguns pontos chegou a trinta metros nos premiaram com um mergulho classe A! E eu, além de me maravilhar com as belezas do mar, só pensava na nossa máquina fotográfica...

Estrela do mar no mergulho na Laje de Santos - SP

Estrela do mar no mergulho na Laje de Santos - SP


Bom, assim é o mar. Nunca devemos menosprezar um mergulho, mesmo depois de um mergulho meia boca. Tudo pode mudar e nunca se sabe quem vai aparecer. Esse segundo mergulho com certeza fez valer todo o tempo de espera, a noite pouco dormida e a hora e meia de sacolejos para chegar lá.

Feliz após o belo mergulho na Lage de Santos - SP

Feliz após o belo mergulho na Lage de Santos - SP


Mais ainda, e é essa a idéia do projeto 1000dias, é o contraste das sensações de se estar um dia no meio de peixes e arraias em pleno oceano atlântico, 12 horas depois de ter estado no meio de uma agitada casa noturna em Santos, 36 horas depois de ter estado, em meio à neblina e frio, no alto da maior montanha da região sul do Barsil, 24 horas depois de ter estado no conforto de uma casa jantando com queridos entes familiares em Curitiba. E vamos que vamos que o Guarujá e a Serra da Bocaina nos esperam. Depois tem Ilha Grande, Rio, Serra dos Órgãos, Búzios, etc, etc, etc.

A orla de Santos vista do mar - SP

A orla de Santos vista do mar - SP

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