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No Teto da Costa Rica

Costa Rica, Chirripó

Junto com os outros madrugadores no cume do Chirripó, na Costa Rica

Junto com os outros madrugadores no cume do Chirripó, na Costa Rica


Oito e meia da noite e já estávamos deitados, prontos para dormir. O cansaço da caminhada ajudou na tarefa! Fiz um último esforço de programação mental para despertar na hora correta e adormeci. Horas depois, acordei de sobressalto. Curiosamente, a Ana também. "Que horas são?" - ouvi sua pergunta no escuro. Tateei com a mão em busca da máquina fotográfica. Achei o botão do "on", naveguei pelos menus e achei a hora - "Nossa, ainda são onze e meia da noite!". Suspiros aliviados e em segundos já estávamos dormindo novamente. Mais um tempo se passou e despertei outra vez. Nova operação para descobrir as horas. Duas e meia! Dessa vez, tinha dado certo! Em cerca de 45 minutos já estávamos começando nosso caminho, lanternas na cabeça e um rápido sanduíche no estômago. O que nos atrasou foi que o ziper da nossa mochila de ataque estragou e tivemos que rearrumar tudo na mochila grande mesmo, comida, água, remédios e máquina fotográfica.

Café da manhã às três da madrugada, antes do ataque ao cume do Chirripó, na Costa Rica

Café da manhã às três da madrugada, antes do ataque ao cume do Chirripó, na Costa Rica


Noite escura e estrelada, sem lua. A trilha segue quase plana, leve ascenso. Com as lanternas, vamos descobrindo o caminho, razoavelmente fácil de ser seguido. Um grupo parte uns quinze minutos depois de nós. Vemos suas luzes lá trás. E, muito à frente, outro par de luzes, já subindo uma encosta. Nesse ponto, as pilhas da lanterna da Ana acabam. O nosso ritmo cai bastante, uma luz dividida entre dois, trilha cheia de pedras, buracos, todo cuidado era pouco.

Magnífico nascer-do-sol visto dos 3.820 metros do pico Chirripó, ponto mais alto da Costa Rica

Magnífico nascer-do-sol visto dos 3.820 metros do pico Chirripó, ponto mais alto da Costa Rica


Seguimos lentamente, mas sem parar. O céu já está mais claro, o que nos ajuda bastante. Quando chegamos à base do pico já não precisamos mais de lanternas. Enfim, chegamos ao ponto mais alto da Costa Rica. Quinze minutos antes que o sol apareça sobre o enorme mar de nuvens que vem do lado do Atlântico. Um verdadeiro espetáculo da natureza compartilhado com outras doze pessoas que chegaram ao pico em tempo. Celebração geral, muitas fotos, alegria espontânea por estar no lugar certo na hora certa.

Observando o mar de nuvens logo após o nascer-do-sol no cume do Chirripó, na Costa Rica

Observando o mar de nuvens logo após o nascer-do-sol no cume do Chirripó, na Costa Rica


O sol sobe um pouco e começa a espantar o frio. Com a claridade, podemos observar melhor a beleza da paisagem. Dezenas de picos abaixo de nós. Muitos lagos entre eles. Vegetação de campos úmidos, típica de altitude. Estamos a 3.820 metros de altura. Abaixo de nós, o páramo, um importante ecossistema do país de onde provém a maioria dos rios da Costa Rica.

No cume do Chirripó, na Costa Rica

No cume do Chirripó, na Costa Rica


Após aproveitar aquela paisagem por uma meia hora, é tempo de voltar. Primeiro até o refúgio e depois até a pequena San Gerardo, mais de 2 km abaixo de nós, 20 km de trilhas pela frente. No caminho para o refúgio, ainda fazemos pequenos detours para admirar mais de perto as belezas do páramo: riachos semi-congelados, lagoas, pequenas cachoeiras. E também uma paisagem exótica, criada com a ajuda não-intencional do homem. Um vazamento numa mangueira cria um esguicho que se transforma em chuva permanente sobre um trecho de capim. Com o frio da noite, o resultado é magnífico: uma mancha de capim congelado, branquinho, em meio ao capinzal verde. Paisagem de Papai Noel em plena Costa Rica!

O sol aquece as nuvens vindas do Atlântico, visto do alto do Chirripó, na Costa Rica

O sol aquece as nuvens vindas do Atlântico, visto do alto do Chirripó, na Costa Rica


Chegamos ao refúgio, empacotamos quase tudo na mochila grande e um pouco de roupa na mochila sem ziper. Quinze quilômetros de trilha morro abaixo, mais dois quilômetros de estrada nos separam do conforto de um chuveiro quente na nossa pousada Descanso.

O pico Chirripó, com 3.820 metros, ponto mais alto da Costa Rica

O pico Chirripó, com 3.820 metros, ponto mais alto da Costa Rica


Tudo começa bem, a minha mochila mais pesada, mas indo para baixo é mais tranquilo. Céu azul, temperatura agradável, pele protegida com o resto de creme que temos. As poucas subidas no caminho são vencidas rapidamente enquanto as descidas mais íngrimes são feitas com cuidado. Ao contrário de ontem, hoje a quantidade de oxigênio vai aumentando e vamos nos sentindo mais fortes. Chegamos à metade do caminho, pausa para lanche.

Riacho parcialmente congelado na parte alta do Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica

Riacho parcialmente congelado na parte alta do Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica


Cruzando riacho na parte alta do Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica

Cruzando riacho na parte alta do Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica


Nesse ponto, a combinação de bolhas, unha e joelhos já começam a cobrar um alto pedágio da Ana. O que tinha começado como um dia maravilhoso vai, aos poucos, se tornando um pesadelo para ela. Os quilômetros faltantes começam a passar mais devagar. Agora, o joelho direito está muito ruim. Ela só pode dar pequenos passos. A dor incomoda muito. Até esquece das unhas e das bolhas. O último quilômetro foi no sacrifício total, uma eternidade que parecia não terminar.

Capim congelado na parte alta do Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica

Capim congelado na parte alta do Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica


Partindo do refúgio no campo-base do pico Chirripó, na Costa Rica

Partindo do refúgio no campo-base do pico Chirripó, na Costa Rica


Enfim, chegamos. Ela ficou "instalada" num restaurante logo na saída da trilha enquanto eu voltei correndo para a pousada, um pouco de chuva para me refrescar. A chuva depois aumentou, se transformando em toró. Que sorte que não chegou uma hora antes! Aí, vale aquela máxima:"Nada está tão ruim que não possa piorar!". Bem, no nosso caso, na hora do toró, eu já estava de volta ao restaurante, Fiona ali do lado, onde comemos uma comida quente e maravilhosa. Naquela hora, tudo seria maravilhoso, hehehe!

Trilha corta a região do páramo, no Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica

Trilha corta a região do páramo, no Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica


Voltamos para a pousada e tomamos nosso banho caliente. Evento raríssimo, a Ana quis dormir cedo hoje! Sonho de dever cumprido! Sonho de espetáculo da natureza! Sonho de sacrifício superado! Sonho de vida saudável, ar puro, água fresca, natureza intocada! E para amanhã, promessa de musculatura dolorida. Mas terá valido à pena! Para mim, desde já. Mas para a minha sofrida e adorada esposa, acho que vamos precisar dar tempo para que a dor passe e fique apenas as lembranças daquele nascer-do-sol...

Magnífico nascer-do-sol visto dos 3.820 metros do pico Chirripó, ponto mais alto da Costa Rica

Magnífico nascer-do-sol visto dos 3.820 metros do pico Chirripó, ponto mais alto da Costa Rica

Costa Rica, Chirripó, Montanha, Parque, trilha

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Taipus de Fora e Lagoas de Dentro

Brasil, Bahia, Barra Grande (Península do Maraú)

Mergulhando nas piscinas naturais da Praia de Taipus de Fora, em Barra Grande, Península do Maraú - BA

Mergulhando nas piscinas naturais da Praia de Taipus de Fora, em Barra Grande, Península do Maraú - BA


Em muitas das infindáveis listas de praias mais bonitas do Brasil que vivem saindo nas revistas e guias de turismo aparece o nome de Taipus de Fora. Essa praia, cinco quilômetros ao sul de Barra Grande, é realmente muito linda. Uma longa faixa de areias brancas, ladeadas de centenas de coqueiros e o mar esmeralda logo em frente. O arquétipo de praia tropical. Como ela, há dezenas por aqui. Algo mais a diferencia das outras...

Piscina natural na Praia de Taipus de Fora, em Barra Grande, Península do Maraú - BA

Piscina natural na Praia de Taipus de Fora, em Barra Grande, Península do Maraú - BA


O que a torna especial é o que ocorre na maré baixa. Um recife a cem metros da praia represa a água do mar formando uma longa piscina de quase um quilômetro de comprimento, cem metros de largura e uma profundidade que chega aos quato metros. A piscina fica repleta de peixes e outras criaturas marinhas, como peixes e crustáceos. E fazem a festa dos turistas que, ao contrário de outros lugares do nosso litoral, só tem de dar alguns passos para entrar no aquário, ao invés de ter de pegar uma jangada mar adentro por alguns quilômetros.

Admirando a piscina natural em Taipus de Fora, Barra Grande - BA

Admirando a piscina natural em Taipus de Fora, Barra Grande - BA


Nas marés grandes (lua nova e lua cheia), os turistas vem de longe, chegando bem na hora da maré mais baixa. No nosso caso, foi às 8 da manhã. A lua não estava tão favorável, mas mesmo assim estava muito jóia. Passamos uma hora mergulhando por entre os corais, nos divertindo com peixes, lagartas e passagens estreitas. A temperatura da água ajuda muito e não sentimos nenhum frio, vestindo apenas roupa de banho. Já levamos nossas máscaras e nadadeiras, mas é possível alugar isso tudo bem em frente à piscina, onde há bares e ambulantes. Até mesmo material para mergulhos autônomos e noturnos.

Mergulhando nas piscinas naturais da Praia de Taipus de Fora, em Barra Grande, Península do Maraú - BA

Mergulhando nas piscinas naturais da Praia de Taipus de Fora, em Barra Grande, Península do Maraú - BA


Como estamos num dia de semana e fora das férias, não havia muito movimento. Quem estava lá era os nossos amigos do passeio de barco, os mineiros cantores e o simpático casal baiano. Depois do mergulho, uma confraternização ao redor de uma mesa com cerveja e mais uma despedida. Foi ótimo ter estado com todos eles e talvez ainda encontremos os mineiros em Morro. Tomara!

Nossos amigos mineiros e baianos na Praia de Taipus de Fora, em Barra Grande, Península do Maraú - BA

Nossos amigos mineiros e baianos na Praia de Taipus de Fora, em Barra Grande, Península do Maraú - BA


Já tínhamos ido para lá com mala e cuia e seguimos a península para o sul, em direção às lagoas. Apesar de bem estreita a Península do Maraú tem várias lagoas de água doce e lanolina, que lhe conferem uma cor bem escura, quase negra. O contraste com o mar esverdeado é evidente. Vendo de cima, as duas águas tão próximas e tão diferentes, fica muito lindo!

A lagoa Casange, na Península do Maraú - BA

A lagoa Casange, na Península do Maraú - BA


As duas lagoas principais são a Lagoa Azul (que de azul não tem nada!) e a Cassange, muito maior. Através de trilhas entre coqueirais e sobre bastante areia fofa, a Fiona nos levou até ela. Na Cassange, aproveitamos para tomar um belo banho de água doce e tratar os cabelos. Afinal, lanolina é matéria-prima de shampoos! Nossos cabelos saíram soltinhos lá de dentro.

A lagoa Casange, na Península do Maraú - BA

A lagoa Casange, na Península do Maraú - BA


Frescos de água doce, seguimos em frente pois o dia estava apenas começando...

Explorando a Península do Maraú - BA

Explorando a Península do Maraú - BA

Brasil, Bahia, Barra Grande (Península do Maraú), Cassange, Lagoa, Maraú, Praia, Taipus de Fora

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Praia do Presente

Brasil, Ceará, Fortaleza

Movimento na barraca Crocobeach, na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE

Movimento na barraca Crocobeach, na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE


Hoje o sol voltou a sorrir nos céus da cidade. É a velha Fortaleza que todos conhecemos e amamos! Aproveitamos para ir passar algumas horas agradáveis na Praia do Futuro, a mais badalada da capital cearense.

Fim de tarde na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE

Fim de tarde na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE


Ela tem esse nome engraçado... Praia do Futuro. Lembro-me da minha primeira vez em Fortaleza, há quase 20 anos. A Praia do Futuro fazia jus ao nome. Começava a ser ocupada e a promessa era de uma ocupação inteligente, grandes barracas, boa infraestrutura. Na época, estava só começando, tudo era promessa. Prometiam uma praia do futuro.

Piscina da barraca Crocobeach, na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE

Piscina da barraca Crocobeach, na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE


Pois é, 20 anos depois, a realidade superou as promessas. As barracas e infra da praia impressionam! São verdadeiros clubes à beira-mar, com acesso gratuito. Até piscina elas tem. E, claro, chuveiros, vestiários, cadeiras, cofres, muita comida, música ao vivo, espaço para shows, etc...

Cuidando da beleza na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE

Cuidando da beleza na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE


Nós ficamos na mais equipada de todas, a Crocobeach. A Ana aproveitou muito bem o espaço para massagem que eles tem. Ótimo preço, considerando tudo o que ela fez. De certo, no post dela, vai contar os detalhes...

Voando na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE

Voando na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE


Enfim, a Praia do Futuro hoje é uma realidade. As barracas fazem inveja à todas as praias do Brasil. Não é mais uma praia do futuro. É do presente mesmo!

Restaurantes no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza - CE

Restaurantes no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza - CE


De noite, fomos a outro orgulho da cidade: o espaço cultural Dragão do Mar. Homenagem àquele canoense que se mudou para Fortaleza em fins do séc XIX e foi um dos líderes na luta abolicionista no estado. No espaço, um pedaço renovado do centro antigo, caminha-se por passarelas por entre museus, livrarias, galerias e restaurantes. Muito jóia mesmo! É novo, pois não existia da última vez que estive aqui, há 11 anos. Andando por lá, mais uma vez percebi o quanto a cidade cresceu, no bom sentido. Jantamos no café Santa Clara, que bem poderia ser em São paulo ou Nova York. Fortaleza chique!

Uma das passarelas do Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza - CE

Uma das passarelas do Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza - CE


Depois desses dias por aqui, dirigindo em suas ruas, indo no Soho e neste café, na Praia do Futuro e no Beach Park, confesso que mudei a imagem que tinha da cidade. Para muito melhor!

O movimentado Café Santa Clara, no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza - CE

O movimentado Café Santa Clara, no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza - CE

Brasil, Ceará, Fortaleza, Praia do Futuro

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Dinossauros Bolivianos

Bolívia, Sucre

Maquete em tamanho real de um Carnossauro, no Parque dos Dinossauros, em Sucre - Bolívia

Maquete em tamanho real de um Carnossauro, no Parque dos Dinossauros, em Sucre - Bolívia


Como a cidade de Potosí e Sucre não estão tão distantes e são ligadas por uma estrada de asfalto, pudemos nos dar ao luxo, hoje, de ainda aproveitar a manhã em Sucre para só de tarde viajar à Potosí, ainda com a luz do dia. E o primeiro programa foi visitar a Casa de La Libertad, onde foi assinada a declaração de independência boliviana e que foi a sede do Congreso nacional durante boa parte do século XIX. Fizemos uma visita guiada e o guia provou ser toda a diferença. Sem ele, teríamos visto algumas fotos, bandeiras e estátuas, lido alguns artigos e teria ficado nisso. Com ele, tivemos uma verdadeira aula de história da Bolívia e da independência de toda a América espanhola. Foi espetacular! Estamos realmente impressionados com padrão dos guias que encontramos na Bolívia e também no Paraguai. Não apenas pelos seus conhecimentos, mas também pela simpatia e técnica de guiagem.

Simon Bolivar entre todas as bandeiras da história da Bolívia, na Casa de La Libertad, em Sucre - Bolívia

Simon Bolivar entre todas as bandeiras da história da Bolívia, na Casa de La Libertad, em Sucre - Bolívia


Esse de hoje tratou com muito bom humor e ironia a triste história de golpes e assassinatos dos presidentes bolivianos. Contou-me também como foi o encontro e embate entre os maçons e maiores nomes das guerras de independência na América Latina, Simon Bolivar e San Martin. Eles se encontraram no Peru e apesar de San Martin ter sido decisivo nessa batalha final conytra os espanhóis, foi Bolivar que acabou se consagrando como o maior libertador do continente. É por isso que o Chavez fala da revolução bolivariana, e não revolução sanmartiniana...

A cidade de Sucre vista da Igreja de La Recoleta (Bolívia)

A cidade de Sucre vista da Igreja de La Recoleta (Bolívia)


Mirante ao lado da Igreja de La Recoleta, em Sucre - Bolívia

Mirante ao lado da Igreja de La Recoleta, em Sucre - Bolívia


De lá seguimos para a Igreja de La Recoleta, de onde se tem a melhor vista de Sucre, essa cidade com 300 mil habitantes. Já fomos de Fiona, prontos para seguir viagem. Não é muito fácil navegar pelas ruas estreitas do centro, ainda mais que metade delas está em reforma e o nosso GPS não tem muita noção de mão de direção. Mas acabamos chegando lá encima, tendo a bela vista da cidade e ainda aproveitando para observar a verdadeira algazarra que crianças faziam na praça em frente à igreja. Acho que nunca vi tantos estudantes nesses dois dias em Sucre em toda a minha vida!

Crianças se divertem na praça da Igreja de La Recoleta, em Sucre - Bolívia

Crianças se divertem na praça da Igreja de La Recoleta, em Sucre - Bolívia


Por fim, uma última atração, dessa vez na periferia da cidade. Uma grande fábrica de cemento em suas escavações acabou descobrindo um verdadeiro tesouro paleontológico: centenas, senão milhares de pegadas de dinossauros. O engraçado é que elas estão numa encosta bem íngrime, como se os dinossauros fossem alpinistas.

Visitando o Parque dos Dinossauros, em Sucre - Bolívia

Visitando o Parque dos Dinossauros, em Sucre - Bolívia


Na verdade, não é isso, claro! Ocorre que, com o levantamento dos Andes há 80 milhões de anos, todo esse trecho de terra de Bolívia se enrugou. O que era plano se levantou, antigas planícies viraram encostas. E as pegadas, fossilizadas en campos de areia e barro cobertas e recobertas por água, cinzas e terra acabaram por ficar no que hoje é uma encosta bem inclinada.

Chegando ao Parque dos Dinossauros, em Sucre - Bolívia

Chegando ao Parque dos Dinossauros, em Sucre - Bolívia


Tão incrível como todo esse processo foi o fato que a tal fábrica não só preservou esses incríveis achados como investiu numa verdadeira infraestrutura turística, trazendo especialistas para estudar as pegadas e, mais ainda, ajudar a construir um "Parque dos Dinossauros". Da Argentina e da Europa vieram estudiosos que construíram incríveis maquetes em tamanho real, não só dos dinossauros que aqui viviam, mas também dos seus primos mais famosos da América do Norte.

Maquetes em tamanho real de dinossauros que caminharam pela região de Sucre - Bolívia

Maquetes em tamanho real de dinossauros que caminharam pela região de Sucre - Bolívia


O resultado disso é uma atração imperdível turística em Sucre. Eu, que já tinha visto esqueletos de dinossauros em vários museus do mundo, fiquei impressionado de ver, ao vivo e à cores, esses animais em tamanho natural, em carne e osso (na verdade, material sintético!). Muito legal mesmo!

Mapa da América do Sul quando o Oceano Atlântico entrou terra adentro (no Parque dos Dinossauros, emSucre - Bolívia)

Mapa da América do Sul quando o Oceano Atlântico entrou terra adentro (no Parque dos Dinossauros, emSucre - Bolívia)


Isso nos fez lembrar da querida Sousa, no sertão da Paraíba, onde também estivemos em busca de pegadas de dinossauros. Comparar as duas infraestruturas, os dois parques é até covardia. É uma pena, pois tenho certeza que o nosso tesouro lá na Paraíba, se fosse melhor estudado e explorado, poderia virar algo similar ao que vimos aqui em Sucre. Milhares de turistas seriam atraídos para lá, dinheiro seria injetado na economia da região. Ao invés disso, temos aquela situação de abandono. Muito triste. E nem podemos dizer que fazer uma coisa bem feita, só se fosse nos EUA, Canadá, ou Europa, coisa de primeiro mundo. Afinal, até onde sei, a Bolívia não é primeiro mundo. Ou é?

Próximo ao gigantesco Titanossauro, no Parque dos Dinossauros, em Sucre - Bolívia

Próximo ao gigantesco Titanossauro, no Parque dos Dinossauros, em Sucre - Bolívia

Bolívia, Sucre,

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Os Primeiros Dias em Martinica

Martinica, Fort-de-France

Caminhando pela magnífica praia Les Salines, em Sainte Anne, no sul de Martinica

Caminhando pela magnífica praia Les Salines, em Sainte Anne, no sul de Martinica


Depois de descoberta por Colombo e ter as frágeis tentativas de ocupação por parte dos espanhóis repelidas pelos índios Caribs, a ilha teve de esperar outros 130 anos para que os europeus tentassem novamente. Dessa vez, foram os franceses, que chegaram decididos a colonizar a ilha e se instalaram no norte, fundando a cidade que seria a capital de Martinica até 1902, St. Pierre. Menos de duas décadas mais tarde, os colonizadores já haviam atravessado a ilha de norte a sul e construído um forte numa enorme baía na costa sudoeste, o que viria a se transformar em Fort-de-France, a atual capital de Martinica. No processo, foram derrubando as florestas para fazer espaço para suas plantations de cana-de-açúcar, tocadas à mão-de-obra negra escrava. Os Caribs até tentaram resistir, mas os que não foram mortos, fugiram para a vizinha Dominica.

Despedida de Roseau e de Dominica, no Caribe

Despedida de Roseau e de Dominica, no Caribe


Firmemente instalados na ilha, os franceses só viram sua supremacia ameaçada no perído entre a Revolução Francesa e as Guerras Napoleônicas, quando os ingleses ocuparam a ilha por diversas vezes. Para os proprietários das plantations, foi até um bom negócio, pois passaram a ter acesso ao rico mercado inglês e de suas colônias.

Deck superior do ferry entre Dominica e Martinica

Deck superior do ferry entre Dominica e Martinica


É dessa época a mais famosa personagem da história de Martinica. A jovem Maria Josefina era filha de um grande aristocrata local. Depois de um rápido casamento com um rico oficial do exército, quando teve duas filhas, a bela moça se engraçou com um desconhecido militar francês, sete anos mais novo do que ela, que estava servindo em Martinica. Seu nome: Napoleão Bonaparte.

Chegando em Fort-de-France, capital da Martinica, a mais urbanizada ilha do leste do Caribe

Chegando em Fort-de-France, capital da Martinica, a mais urbanizada ilha do leste do Caribe


Pois é, o tal Napoleão logo começou a se destacar como líder militar durante várias campanhas já no governo revolucionário. Ao fim, foi ele que acabou por botar ordem na casa, depois que a Revolução Francesa se deteriorou em desordem e matanças intermináveis. Nuna esqueceu seu primeiro amor e com ela se casou, em 1804, tornando-se Imperador da França e fazendo de Maria Josefina a imperatriz.

Loja de rede francesa em Sainte Anne, no sul de Martinica

Loja de rede francesa em Sainte Anne, no sul de Martinica


Consta que foi por influência dela que Napoleão reinstituiu a escravidão nas ilhas francesas do Caribe, que havia sido abolida durante o governo revolucionário. Ela estava defendendo os interesses de sua família, grande proprietária de terras. É por isso que sua figura não é muito popular na Martinica, cuja população é composta, na sua maioria, por descendentes de escravos. Pois é, já é difícil se imaginar escravo. Agora, se imaginar escravo que ganha a sua liberdade para, anos depois, ser re-escravizado, isso é mais difícil ainda...

Com nossos amigos suecos, Maria e Douglas, em Fort-de-France, capital da Martinica

Com nossos amigos suecos, Maria e Douglas, em Fort-de-France, capital da Martinica


Josefina também perdeu sua popularidade com o líder francês. Depois de cinco anos sem conseguir lhe dar um descendente, o casamento terminou em divórcio. Mas, ironia do destino, a filha do primeiro casamento de Josefina acabou se casando com o irmão de Napoleão. Eles sim tiveram filhos e foi um deles que, quatro décadas mais tarde, seria coroado imperador com o título de Napoleão III (by the way, nunca houve um “Segundo”!).

Com nossos amigos suecos, Maria e Douglas, na pousada deles em Anse Mitan, ao sul de Fort-de-France, na Martinica

Com nossos amigos suecos, Maria e Douglas, na pousada deles em Anse Mitan, ao sul de Fort-de-France, na Martinica


O fim definitivo da escravidão, nos anos de 1840, trouxeram dificuldades para a economia da ilha. Mas Martinica nunca deixou de ser a mais desenvolvida economia do leste do Caribe. Hoje, é mais urbanizada ilha da região e, tecnicamente, é um departamento francês, assim como Guadalupe e qualquer outro na França continental. Elege seus deputados, senador e vota para presidente. Enfim, aqui é a França, aqui é a Europa.

Praia de Grande Anse, no sudoeste de Martinica

Praia de Grande Anse, no sudoeste de Martinica


Nós saímos ontem cedinho de Roseau, na Dominica, de ferry. Ainda tivemos um tempo para fotografar a capital dominicana e logo já víamos a ilha do mar, suas cidades espremidas entre as montanhas e o oceano. Algum tempo depois, já chegávamos à costa de Martinica, onde duas coisas logo chamaram a atenção: o infame Mt Pelée, o vulcão responsável pela grande tragédia de 1902 (trato disso no próximo post) e a grande urbanização da ilha.

Tempo de relaxar e ler sobre o país, na praia de Grande Anse, no sudoeste da Martinica

Tempo de relaxar e ler sobre o país, na praia de Grande Anse, no sudoeste da Martinica


Desembarcados, no processo de encontrar uma locadora de automóveis, todas fechadas para almoço, ficamos amigos de outro casal que também procurava seu carro. São os simpáticos suecos Douglas e Maria. Ele é um imigrante da República dos Camarões e ela tem a aparência mais sueca possível, com uma certa influência norueguesa, para ficar ainda mais loira. Enfim, formam um casal muito interessante. Recém casados, em lua-de-mel, estamos curiosos para ver os filhos!

A bela igreja de Anse D'Arlet, no sudoeste da Martinica

A bela igreja de Anse D'Arlet, no sudoeste da Martinica


Quando as locadoras abriram, não quiseram alugar um carro para eles, já que o Douglas não tem carteira e a Maria tem menos de dois anos de direção. Assim, oferecemos uma carona para eles até a pousada que já tinham reservado, numa grande península do outro lado da baía onde está Fort-de-France. Aí nos despedimos e nós continuamos dando a volta na tal península, passando pelas simpáticas Grande Anse e Anse D’Arlet, duas pequenas e pitorescas vilas em frente ao mar.


Nosso trajeto em Martinica

Mas resolvemos seguir viagem até Sainte-Anne, a cidade mais ao sul de Martinica, já na faixa central da ilha. Ali está a praia considerada a mais bonita do país, Les Salines. Depois de uma grande dificuldade em achar local para dormir (os hotéis simplesmente deixam de funcionar na época de baixa estação!), uma simpática senhora a quem pedíamos informações (meu francês já está tinindo!) simplesmente pegou o seu carro e nos guiou até um hotel que ela sabia que estava funcionando. Merci Beucoup!

Um  delicioso recanto na estrada pouco antes de chegar em Le Marin, no sul de Martinica

Um delicioso recanto na estrada pouco antes de chegar em Le Marin, no sul de Martinica


A bela praia Les Salines, em Sainte Anne, no sul de Martinica

A bela praia Les Salines, em Sainte Anne, no sul de Martinica


Hoje passamos o dia desfrutando dessa praia maravilhosa, uma longa faixa de areias brancas ladeada por uma coluna de árvores e coqueiros, e em frente a um mar azul típico do Caribe. Ali pertinho, a famosa “Diamond Rock”.

A famosa 'Diamond Rock', usada como 'navio' pelos ingleses, em suas guerras contra Napoleão (sul da Martinica)

A famosa "Diamond Rock", usada como "navio" pelos ingleses, em suas guerras contra Napoleão (sul da Martinica)


Essa ilha, na verdade um grande rochedo a poucos quilômetros da costa, foi tomada por ingleses na época napoleônica. Aí instalaram uma base e menos de duas centenas de marujos a fizeram inexpugnável. Tratavam-na, mesmo oficialmente, como um navio, o “unsinkable HMS Diamond Rock”. De lá, ficavam atacando os navios comerciais franceses que tentavam transitar por aquela movimentada costa. Depois de muitas tentativas infrutíferas de desalojá-los, um comandante francês teve a brilhante ideia: fez chegar à ilha alguns barris do exelente rum produzido em Martinica. Na mesma noite, estavam todos bêbados e não conseguiram resistir ao ataque francês. O “navio” não foi afundado, mas ao menos, foi conquistado!

Vendedora de praia com estilo, em Sainte Anne, no sul de Martinica

Vendedora de praia com estilo, em Sainte Anne, no sul de Martinica


Tarde preguiçosa na praia Les Salines, em Sainte Anne, no sul de Martinica

Tarde preguiçosa na praia Les Salines, em Sainte Anne, no sul de Martinica


Bom, como ia dizendo, nós passamos um dia delicioso na praia, ora caminhando, ora nadando, ora não fazendo absolutamente nada, numa das muitas sombras na praia. Uma delícia! Aproveitamos também para trabalhar e tentar botar um pouco o site em dia, tarefa nada fácil! Muito bem acompanhados de queijos e vinho nacionais, sempre inspiradores, trabalhamos nos nossos respectivos computadores, para relatar o passado e planejar o futuro. Amanhã, seguimos para St. Pierre, no norte, aos pés do Mt. Pelée. E nossa passagem para Sta Lúcia também já está comprada. Vamos no dia 17.

Hora de trabalhar, com ajuda de queijos e vinhos, em Sainte Anne, no sul de Martinica

Hora de trabalhar, com ajuda de queijos e vinhos, em Sainte Anne, no sul de Martinica

Martinica, Fort-de-France, história, Praia

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Rumo ao Hawai'i

Hawaii, Oahu-Honolulu, Big Island-Hilo

Rearrumação da bagagem antes da viagem para o Havaí (no estacionamento do nosso hotel no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos)

Rearrumação da bagagem antes da viagem para o Havaí (no estacionamento do nosso hotel no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos)


Chegou finalmente o dia de viajarmos ao Havaí, ou Hawaii, ou Hawai’i, ou Rau-ai, ou Ra-uai, Não importa como se escreva ou se fale (a 3ª grafia é a mais correta), faz tempo que esse arquipélago localizado no meio do Oceano Pacífico está nos meus planos, sonhos e imaginação.

Eu tinha uns cinco anos de idade quando começou, lá em casa, uma misteriosa ideia de que a família iria se mudar para o Havaí, daí a dois anos. Não sei de onde nasceu essa ideia, só sei que ela era apropriadamente usada na hora das refeições, como uma espécie de “estímulo” para que as crianças (eu e meus irmãos) terminassem seus pratos: “Se não comer direito, não vai para o Havaí”. O nome evocava uma terra mágica, vida boa, ondas grandes e verão sem fim.

O Havaí fica, literalmente, no meio do Oceano Pacífico

O Havaí fica, literalmente, no meio do Oceano Pacífico


Essa atmosfera de uma terra misteriosa era alimentada também por um seriado americano que fazia sucesso na época. Os mais velhos se lembrarão. Chamava-se “Havaí 5-Zero” e tratava da rotina policial da ilha. Passava de noite, hora em que eu já deveria estar na cama. Nunca assisti a nenhum episódio, mas a música da abertura e as imagens das grandes ondas, nunca mais iria esquecer. Hoje, graças ao YouTube, é fácil matar as saudades! Para quem quiser ouvir a música ou ver as imagens do Havaí na década de 70, segue o vídeo abaixo:



O tempo passou e a infância virou adolescência. Agora, aquela história de e mudar para o Havaí em dois anos já não me pegava. Em compensação, meu interesse por astronomia e coisas ligadas ao espaço, alimentados pela premiada série de TV e livro Cosmos, de Carl Sagan, me levaram de volta ao Havaí. Tanto por causa das incríveis imagens de erupções vulcânicas como pelo observatório astronômico de Mauna Kea, a maior montanha do mundo, bem no coração da Big island, a maior ilha do arquipélago. A minha noção do Havaí se ampliava. Além de ondas, também tinham vulcões! Na TV, já não mais passava o antigo seriado policial. Em compensação, chegava às telas outro enlatado americano, que também era ambientado nas ilhas do Pacífico. Já mais velho, agora eu podia assistir os episódios também, além da abertura. Estou falando do Magnun, do Tom Sellek.



Por fim, cheguei à vida adulta e os interesses continuaram a mudar. Agora, eu gostava de Triatlo e me impressionava com os atletas que encaravam um Iron Man. Pois essa prova nasceu justamente no Havaí, mais precisamente na Big island. Kona continua sendo a referência do esporte e eu passei a sonhar em, um dia, quem sabe, me classificar para fazer essa prova. O sonho teve de ser adiado por causa dos 1000dias, mas nunca é tarde para tentar!

Mas antes de chegar lá por causa do triatlo, chegamos ao Havaí por causa da nossa viagem mesmo! Nossos planos originais eram ter viajado para as ilhas logo que chegamos aos EUA, em Março passado. Mas acabamos mudando de ideia e o sonho teve de esperar mais alguns meses. Foi difícil esperar, mas o dia chegou. Passagens compradas, era a hora de planejar o circuito por lá.

O arquipélago do Hawaii e suas principais ilhas

O arquipélago do Hawaii e suas principais ilhas


Quem fez isso foi a Ana. Laboriosamente, ela passou a ler os posts da Lucia Malla (brasileira que mora por lá e tem um estilo delicioso de se ler!), que foram a base para nosso roteiro. Optamos por conhecer as quatro ilhas principais e tínhamos de encaixar isso em 17 dias. Obviamente, não daria para conhecer tudo, mas daríamos uma boa pincelada nas maravilhas do arquipélago, sua história e geologia, suas praias e montanhas, vulcões e cachoeiras, abaixo e acima d’água. Melhor, vamos ter a companhia de nossos infalíveis amigos e padrinhos, o Rafa e a Laura, os mesmos que vieram nos encontrar em Galápagos e em Cuba. Vão estar conosco em três das quatro ilhas visitadas.

Localizado literalmente no meio do Oceano Pacífico, longe de tudo e de todos, o Havaí é uma verdadeira “fábrica de ilhas”. Ele está bem acima de um chamado “hot spot”, local onde o magma do centro da Terra escapa para a superfície, furando a crosta terrestre e cuspindo fogo e lava para aliviar a pressão. Ocorre que, bem nesse ponto, acima da crosta terrestre, estão seis quilômetros de água, que é a profundidade do Oceano Pacífico naquele ponto. Não tem problema! Milhares e milhares de anos de erupções subaquáticas vão criando uma montanha submarina que, eventualmente, chega à superfície. Chega e continua crescendo, outros quatro mil metros. Está formado uma ilha! Enquanto isso, a placa tectônica do Pacífico vai se movendo lentamente, poucos centímetros ao ano, em direção noroeste. Depois que algumas dezenas de milhares de anos nesse ritmo, a nova ilha, que se move junto com a placa, já está longe da Hot Spot que a criou, que ficou paradinha lá trás. A ilha, então, para de crescer. Pior, passa a ser consumida pela erosão do ar e do mar. Literalmente, se desmancha. Do pó viemos, ao pó retornaremos. Essa máxima vale até para as montanhas! Mas, enquanto uma ilha se desmancha lentamente, ao mesmo tempo em que se move para o noroeste, uma outra, novinha em folha, está sendo formada alguns quilômetros para trás, lá encima daquela nervosa Hot Spot.

O processo de formação vulcânica das ilhas havaianas

O processo de formação vulcânica das ilhas havaianas


Isso é o Havaí: uma sequência de ilhas no sentido sudeste-noroeste, algumas se formando, outras se acabando. As mais antigas já não são mais ilhas, descansando em paz abaixo do nível do mar. Outra, já está quase chegando à superfície, faltando “apenas” mil metros para chegar lá. No meio delas, as ilhas atuais. As principais,por faixa etária crescente, são a Big Island, Maui, Oahu e Kauai. Quanto mais nova (Big island), mais ativo o vulcanismo. Quanto mais velha (Kauai), mais tempo teve a vegetação de tomar conta da ilha. Por isso, Kauai é conhecida como a “Green Island”, tomada por florestas.

Nosso circuito aéreo entre as ilhas do Havaí, chegando na Big island, voano para Maui, Kauai, Oahu e daí, de volta à Los Angeles

Nosso circuito aéreo entre as ilhas do Havaí, chegando na Big island, voano para Maui, Kauai, Oahu e daí, de volta à Los Angeles


Nós seguiremos primeiro para a Big Island, também conhecida como Hawaii. Loucos para ver vulcões em atividade! Daí seguimos para Maui, a ilha mais chique. Será onde encontraremos o Rafa e a Laura. Daí, voaremos para Kauai, onde as mais belas paisagens do arquipélago nos esperam. Por fim, Oahu, onde está a capital Honolulu, a famosa praia de Waikiki e as ondas gigantes de Waimea e Pipeline. Entre as ilhas, o caminho é sempre voar, pois não há barcos que fazem o trajeto (estranho! Será que têm medos das ondas?). Dentro de cada ilha, vamos alugar carros para nos ajudar a chegar nos lugares mais interessantes. Transporte público, com raras exceções, não é o forte da pátria do automóvel.

A famosa rodovia One, no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos

A famosa rodovia One, no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos


Enfim, é isso aí. Hawaii, aí vamos nós! Na verdade, já viemos! Saímos hoje cedo do nosso simpático hotel dos Yurts no Big Sur, dirigimos até Los Angeles, deixamos a Fiona num estacionamento ao lado do aeroporto (por menos de 10 dólares por dia!) e enfrentamos as 5 horas até Hilo, na Big island. O relógio se atrasou duas horas e agora já estamos oito horas atrás do Brasil! Chegamos de noite, então ainda não deu para ver nada! Já estamos de posse do nosso jipão vermelho (amanhã tem fotos dele!) e agora, dormiremos mais ansiosos do que nunca para começar a ver e conhecer esse paraíso que frequenta minha imaginação há tanto tempo. Ainda bem que comia tudo direitinho, na minha tenra infância. Mas que esses “dois anos” demoraram para passar, isso demoraram!

Hawaii, Oahu-Honolulu, Big Island-Hilo, Big Island, Kauai, Maui, Oahu

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Parque Nacional Morrocoy

Venezuela, Morrocoy

Paisagem de cartão postal em Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela

Paisagem de cartão postal em Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela


Depois de nossas andanças pela Serra de San Luís, partimos ainda ontem para uma das maiores atrações do país, o Parque Nacional de Morrocoy, já a meio caminho da capital Caracas. O parque foi criado para proteger uma belíssima região costeira e os pequenos cayos da região, onde estão as praias mais bonitas da Venezuela continental.


Nosso caminho dos últimos dias, saindo de Coro (A), explorando a serra de San Luís (B e C) e indo até o Parque Nacional de Morrocoy (C), já a meio caminho da capital Caracas

Morrocoy costumava ser bastante popular entre os turistas estrangeiros que visitavam a Venezuela, mas como hoje todo o país parece ter saído dos mapas de turismo mundial, são mesmo os turistas nacionais que fazem quase todo o movimento no parque. Principalmente nos períodos de férias e mesmo em finais de semana, já que esse local paradisíaco está a poucas horas de carro de Caracas. Pudemos ver esse movimento com os próprios olhos, pois era a noite de um sábado e, quando chegamos à Tucacas, a maior cidade em Morrocoy, todos os hotéis estavam lotados. Nas ruas, jovens da classe média capitalina voltavam do dia nas praias, como se fossem paulistanos em Maresias ou cariocas em Búzios. Pela primeira vez desde que chegamos ao país, tivemos contato com hotéis caros (e lotados!), pelo menos para padrões locais. Para nós que trocamos dinheiro no paralelo, nem tanto: cerca de 40 dólares, certamente menos de um quarto do que custaria na maioria dos países que passamos. Bom, tivéssemos trocado na taxa oficial, esse mesmo preço seria de quase 200 dólares...

Cais de Chichiriviche, a caminho do parque Morrocoy, na Venezuela

Cais de Chichiriviche, a caminho do parque Morrocoy, na Venezuela


A belíssima cor do mar no caminho para Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela

A belíssima cor do mar no caminho para Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela


Para se chegar às praias mais belas de Morrocoy, quase sempre é preciso tomar um barco, pois elas estão localizadas nos cayos, o nome que se dá à pequenas ilhas em espanhol. A exceção é justamente em Tucacas, onde as praias estão mesmo no continente e pode-se chegar a elas de carro. Não sem antes passar pela portaria do parque e pagar uma taxa de 15 bolívares, cerca de 1 real. Quando chegamos ontem, já estava fechada e ainda tomamos um susto ao ver que o parque é fechado às segundas. Achávamos que ontem já era domingo e foi um alívio quando descobrimos nosso engano.

Chegando em Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela

Chegando em Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela


Chegando em Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela

Chegando em Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela


Bem, além do dia correto e do fato dos hotéis estarem lotados em Tucacas, também descobrimos que o acesso mais rápido ao Cayo Sombrero, um dos mais belos do parque, não era de Tucacas, mas da pequena Chichiriviche, um pouco mais ao norte. Então, deixamos o cansaço de lado e enfrentamos mais 40 minutos de estrada, dando a volta no parque e chegando à pequena cidade onde foi mais fácil acharmos um lugar para ficar, o hotel de um italiano que se estabeleceu por aqui há duas décadas, num tempo bem diferente do de hoje. Naquela época, eram muitos visitantes estrangeiros e uma cidade bem tranquila. Hoje, Chichiriviche ficou perigosa, com muitos crimes relacionados ao consumo de drogas. Os estabelecimentos comerciais fecham cedo e são cheios de grades e cadeados. Sem dúvidas, falo disso no próximo post, um dos piores efeitos de uma década de chavismo no país, o grande aumento da violência urbana.

Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela

Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela


Enfim, como em quase todos os lugares do mundo, violência é estar no lugar errado, na hora errada. Sábado de noite, céu estrelado, avenida da orla bem movimentada, sabíamos que estávamos no lugar certo e na hora certa! Fomos encontrar um lugar para jantar e caminhar entre as pessoas, todo mundo feliz de estar ali. Grupos de jovens dançando ao redor de carros com o som ligado, comércio ambulante, pais e filhos em frente ao mar, restaurantes com mesas na calçada. Entre os vendedores, os únicos outros estrangeiros reconhecíveis: hippies, ou “artesanos”, como preferem ser chamados, vendendo a sua arte. Os mesmos que temos encontrado por toda a América, viajam para lugares como esse, passam uns meses e seguem para o próximo “point”. Enfim, países como todos os outros, pessoas como todas as outras...

Paisagem de cartão postal em Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela

Paisagem de cartão postal em Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela


Caminhando em praia de Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela

Caminhando em praia de Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela


Voltamos sãos e salvos para nossa pousada e, hoje cedo, já estávamos no porto procurando condução para Cayo Sombrero. Este não é o mais popular cayo entre os turistas que vêm à Morrocoy, principalmente pela distância e custo de se chegar até lá. Quase todos preferem cayos mais próximos e, ali do porto mesmo, podíamos ver as praias brancas desses cayos, já lotadas de guarda-sol. Famílias cheias se apinhavam em pequenos barcos, isopores cheios de cerveja gelada, prontos para a jornada de 10 minutos até essas praias próximas. Para ir até lá, havia barcos o tempo todo. Mas, para o tal Cayo Sombrero, que nada! Ou fretávamos uma lancha só para nós ou torcíamos para alguém mais aparecer querendo ir até lá. A paciência acabou valendo a pena e, 40 minutos mais tarde apareceu um simpático casal de colombianos, também aproveitando os preços baixos do país vizinho. Dividimos o preço do barco e a jornada de 40 minutos pelo mar azul saiu por apenas 10 dólares por casal, incluindo a volta no final da tarde.

Os muitos tons de azul do mar de Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela

Os muitos tons de azul do mar de Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela


Ao deixarmos para trás aqueles cayos mais cheios e chegarmos mais perto do Cayo Sombrero, não foi difícil perceber que a espera havia valido a pena! O caribe é aqui, na costa da Venezuela! Areias brancas, coqueiros se deitando sobre o mar, águas transparentes, disfarçadas naquelas dezenas de tons entre o azul e o verde. Para um lado, paisagem de cinema, para o outro, paisagem de cartão postal. Lindo, lindo, lindo!

Mensagem ecológica em Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela

Mensagem ecológica em Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela


Quando chegamos, o cayo estava relativamente vazio. Aproveitamos para explorar os seus dois lados, um virado para o continente, com águas bem tranquilas, e outro virado para o mar aberto, com ondas e tudo. Na época da alta temporada, é até possível acampar por ali e passar mais de um dia no cayo. Esse era nosso plano original, até descobrirmos que essa possibilidade é vedada na baixa, infelizmente. Então, tínhamos de aproveitar o máximo possível hoje mesmo!

Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela

Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela


E assim foi. Ora mergulhando nas águas quase mornas, ora caminhando nas areias brancas, ora descansando na sombra de algum coqueiro. Enquanto fazíamos esse “esforço de aproveitamento”, o cayo foi enchendo de gente. Mas, ao contrário daqueles outros cayos mais próximos de Chichiriviche, onde quase todos chegam em “barcos-táxi”, aqui e maioria chega em barcos próprios, trazendo amigos e família. Vêm de Tucacas mesmo, aquela elite venezuelana que veio passar o fim de semana por aqui. Também trazem suas cervejas geladas, sua farofa e até mesmo o som alto nos barcos, todos estacionados ali na frente, na praia de águas calmas.

A maravilhosa praia de Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela

A maravilhosa praia de Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela


Para nós, não foi muito difícil ficar longe dessa bagunça. O mar e a praia estavam lindos e havia espaço para todos. Mas ficamos imaginando como seria estra ali num dia de semana, muito mais tranquilo. Aí sim, acho que teríamos aquela imagem de comercial, cenário idílico da imagem que todos nós fazemos do paraíso. Essa imagem, só vamos poder imaginar.

O paraíso é aqui: Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela

O paraíso é aqui: Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela


Nadando no incrível mar de Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela

Nadando no incrível mar de Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela


Isso porque amanhã cedo seguimos viagem. Estávamos ainda na dúvida se, estando tão perto da capital, iríamos dar um pulo em Caracas. Seria um pouco fora de mão para nós, já que queremos ir à Mérida, que fica no sentido contrário. Mas a vontade de ir à capital aumentou quando descobrimos que uma grande amiga está morando por lá e até nos convidou para ficar na sua casa. Mas fizemos as contas dos dias que ainda temos no pais e vimos que ficaria muito apertado, se considerarmos tudo o que ainda queremos ver. Por fim, decidimos seguir para Mérida mesmo. A memória de Caracas ainda está fresca em nossa memória, da visita que fizemos em 2007, nossa primeira viagem internacional juntos. Então, fica assim: nós seguimos para os Andes venezuelanos, onde está Mérida, mas escrevo um post da Caracas de 2007. E também das maravilhosas ilhas de Los Roques, onde estivemos naquela viagem, talvez o único lugar do país com praias ainda mais belas que o Cayo Sombrero. Vai ser um bom exercício de memória e também de comparação, observar pelas fotos o quanto envelhecemos nesses últimos seis anos. Acho que a Ana continua a mesma, mas a cor dos meus cabelos não vai deixar dúvidas, hehehe.

Convite ao ócio em Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela

Convite ao ócio em Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela

Venezuela, Morrocoy, Chichiriviche, Parque, Praia

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Pessoas, Mirantes, Terremotos e Anjos

Brasil, Minas Gerais, Januária (P.N Cavernas do Peruaçu)

Mirante do Brejo do Amparo, próximo à Januária - MG

Mirante do Brejo do Amparo, próximo à Januária - MG


Com a visita ao Parque do Peruaçu assegurada para amanhã, tratamos de aproveitar ao máximo o dia de hoje, dirigindo pela estrada de terra que cruza o parque e seus diferentes ecossistemas e as regiões e comunidades em seu entorno.

Estrada no Vale do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Estrada no Vale do Peruaçu, próximo à Januária - MG


Algumas comunidades ainda vivem dentro da APA que circunda o parque. Desde vaqueiros até crianças em escolas. A proximidade e contato com essas pessoas nos faz lembrar de um Brasil que julgamos só existir em livros e novelas, principalmente quando vivemos na cidade grande, "no esquema escola-cinema-clube-televisão" (como dizia um dos grandes poetas da minha geração).

Vaqueiro no Vale do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Vaqueiro no Vale do Peruaçu, próximo à Januária - MG


Crianças no Vale do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Crianças no Vale do Peruaçu, próximo à Januária - MG


Escola no Vale do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Escola no Vale do Peruaçu, próximo à Januária - MG


Uma coisa chocante de ver, também muito próximo da área do parque, foram as diversas ruínas de casas destruídas por terremotos que assolaram a região há cerca de dois anos. Terremotos? Isso mesmo! Inclusive, a única vítima fatal de terremoto em território brasileiro que se tem notícia foi aqui. Uma pobre criança, morta nos escombros da casa desabada de sua família. O governo estadual agiu rápido e assentou as famílias que perderam suas casas em Itacarambi, um município próximo. Hoje em dia, essas famílias mantêm as casas novas mas, aos poucos, voltam às antigas propriedades, onde também têm espaço para uma pequena roça. Mas a visão dos escombros ainda hoje são uma lembrança de que o Brasil, apesar da propaganda, não é à prova de terremotos...

Ruínas do terremoto brasileiro, no Vale do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Ruínas do terremoto brasileiro, no Vale do Peruaçu, próximo à Januária - MG


Depois dessa visão inesperada, seguimos para uma muito mais agradável: um mirande de onde se pode admirar toda a região. A vegetação varia da caatinga ao cerrado, passando pela floresta seca. Ao longe, pode-se ver o São Francisco, cortando a planície.

Mirante no Vale do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Mirante no Vale do Peruaçu, próximo à Januária - MG


E foi para lá que seguimos, em plena Itacarambi, observar o Velho Chico mais de perto. Ao contrário de Januária, aqui o rio não tem ilhas e tem um visual muito mais clean e bonito. Diversos barcos navegavam por ali e pessoas se refrescavam em suas águas. Nós também ficamos com vontade, inclusive de pousar na cidade mesmo. Havia uma pousada super charmosa em frente ao rio e o ar mais interiorano das ruas e praças era bem tentador.

Barco solitário sobe o Rio São Francisco, na cidade de Itacarambi - MG

Barco solitário sobe o Rio São Francisco, na cidade de Itacarambi - MG


Mas ainda tínhamos um último programa para o dia: visitar a Gruta dos Anjos, localizada no alto do morro de Brejo do Amparo, um distrito histórico de Januária, também muito charmoso e cheio de botecos e casario antigo. O carro fica estacionado ao lado do campo de futebol e a gente sobe por uma trilha uns 20 min, até o alto do morro. De lá, podemos admirar o próprio distrito, a cidade de Januária a poucos quilômetros dali e o sempre presente São Francisco.

Mirante do Brejo do Amparo, próximo à Januária - MG

Mirante do Brejo do Amparo, próximo à Januária - MG


Depois, entramos na caverna que, para a minha surpresa, é quente! Normalmente, as cavernas são frescas, mantém temperatura constante ao longo do dia e do ano. mas essa, no alto do morro, mais perto do sol, é quente mesmo. Além disso, por ser de fácil acesso, tem a entrada toda pichada. Uma tristeza... Mas, uma vez vencido o primeiro salão, que é até onde a grande maioria das pessoas sem equipamentos consegue chegar, chegamos à uma párte da caverna razoavelmente intacta. Ali, ficamos admirando as formações, matando a saudade de cavernas, passando um pouco de calor e treinando técnicas de fotografias.

Com nosso guia Rosivaldo em um salão da Gruta dos Anjos, em Brejo do Amparo - Januária (MG)

Com nosso guia Rosivaldo em um salão da Gruta dos Anjos, em Brejo do Amparo - Januária (MG)


Foi um belo, variado e instrutivo dia. Tudo em preparação para o grande amanhã quando, com quinze anos de atraso, vou (vamos) conhecer a caverna do Janelão, uma das mais belas e imponentes do mundo! Mal posso esperar...

Uma Ana é pouco, duas é bom e três é melhor ainda, Gruta dos Anjos, em Brejo do Amparo - Januária (MG)

Uma Ana é pouco, duas é bom e três é melhor ainda, Gruta dos Anjos, em Brejo do Amparo - Januária (MG)

Brasil, Minas Gerais, Januária (P.N Cavernas do Peruaçu), Caverna, Parque, Rio São Francisco

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Cores de Outono na Terra de Shakespeare

Estados Unidos, Oregon, Ashland

As fantásticas cores de Outono nas ruas de Ashland, no sul do Oregon, nos Estados Unidos

As fantásticas cores de Outono nas ruas de Ashland, no sul do Oregon, nos Estados Unidos


Depois do inesquecível entardecer de ontem lá no Crater Lake (veja o post anterior), nós ainda esticamos até a cidade de Ashland, no sul do estado, já bem próxima da fronteira com a Califórnia.

Ashland, no sul do Oregon, nos Estados Unidos, a terra americana de Shakespare

Ashland, no sul do Oregon, nos Estados Unidos, a terra americana de Shakespare


Para quem chega nessa época do ano, já em Novembro, pode achar que é apenas mais uma pequena cidade do interior, igual às outras centenas espalhadas pelo país. Doce ilusão. Ou doce ignorância. Ashland é internacionalmente conhecida como a pátria de Shakespeare fora da Inglaterra. Não que o famoso poeta inglês tenha estado alguma vez por ali (de fato, na época do bardo inglês, os britânicos ainda nem haviam começado a colonizar os Estados Unidos!), mas um movimentado festival de teatro traz milhares de artistas, turistas e amantes da mais bela das artes à pequena cidade, onde tudo gira em torno das peças shakespearianas.

Ashland, no sul do Oregon, nos Estados Unidos, a terra americana de Shakespare

Ashland, no sul do Oregon, nos Estados Unidos, a terra americana de Shakespare


Tudo começou na década de 30, quando a cidade e seus habitantes viviam em plena crise da Grande Depressão. Um professor de artes teve uma ideia para movimentar e animar a população e, quem sabe, criar oportunidades de emprego. Conseguiu que a prefeitura investisse na produção de uma peça de teatro de Shakespeare com artistas locais. O sucesso foi muito maior do que o esperado e o professor não só conseguiu pagar o seu empréstimo como também dinheiro suficiente para financiar outras três peças para o ano seguinte. Daí para frente, a coisa só foi dando certo, as peças cresceram para virar um festival, a fama foi ganhando a nação e o mundo e hoje movimenta cultural e economicamente toda a região. Do amadorismo ao profissionalismo, de uma simples peça para nove meses quase ininterruptos de teatro da melhor qualidade, só uma coisa não mudou: Shakespeare! Continua sendo o tema central, o patrono e a inspiração desses 9 meses de arte.

Teatro shakespereano em Ashland, no sul do Oregon, nos Estados Unidos

Teatro shakespereano em Ashland, no sul do Oregon, nos Estados Unidos


Programação do festival de teatro para o ano que vem, em Ashland, no sul do Oregon, nos Estados Unidos

Programação do festival de teatro para o ano que vem, em Ashland, no sul do Oregon, nos Estados Unidos


Mas, como vocês podem imaginar, nós chegamos atrasados! O festival desse ano terminou há poucos dias. A programação do próximo ano já está pronta, já se pode comprar bilhetes e, nesses próximos três meses, dezenas de pessoas estarão ocupadas produzindo os cenários e figurinos das longa jornada cultural do ano que vem.

As fantásticas cores de Outono nas ruas de Ashland, no sul do Oregon, nos Estados Unidos

As fantásticas cores de Outono nas ruas de Ashland, no sul do Oregon, nos Estados Unidos


Enfim, pegamos a cidade vazia, ótimos preços e excelentes restaurantes acostumados a servir os exigentes turistas que vem de todo o mundo para assistir Shakespeare. Mas sem chance de ver alguma peça, apenas desenhos e gravuras espalhados pela cidade.

A incrível beleza das cores em parque de Ashland, no sul do Oregon, nos Estados Unidos

A incrível beleza das cores em parque de Ashland, no sul do Oregon, nos Estados Unidos


Ficamos sem Shakespeare, mas ganhamos as cores de Outono. A cidade é conhecida também por seus parques e jardins e, nessa época do ano, com as folhas ficando amarelas, vermelhas e caindo, esles estão absolutamente espetaculares.

Caminhando sob uma chuva de folhas em parque de Ashland, no sul do Oregon, nos Estados Unidos

Caminhando sob uma chuva de folhas em parque de Ashland, no sul do Oregon, nos Estados Unidos


As cores marcantes da mudança de estações, em Ashland, no sul do Oregon, nos Estados Unidos

As cores marcantes da mudança de estações, em Ashland, no sul do Oregon, nos Estados Unidos


Já faz quase dois meses que a gente vem acompanhando essa maravilha da natureza, tão pouco frequente no Brasil. Mas aqui foi especial! Os jardins são especialmente preparados para que as cores se misturem. Verde e os vários tons até o amarelo. Amarelo e os vários tons até o vermelho. São de uma beleza de perder o fôlego!

As cores marcantes da mudança de estações, em Ashland, no sul do Oregon, nos Estados Unidos

As cores marcantes da mudança de estações, em Ashland, no sul do Oregon, nos Estados Unidos


Ou, na verdade, para ganhar o fôlego! Nada melhor para a lama e espírito do que sentar em um dos bancos no parque e ficar admirando essa beleza toda. Quase dá para esquecer Shakespeare. Acho que ele mesmo se esqueceria. Pelo menos, nesses três meses de folga...

A incrível beleza das cores em parque de Ashland, no sul do Oregon, nos Estados Unidos

A incrível beleza das cores em parque de Ashland, no sul do Oregon, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Oregon, Ashland, Shakespeare

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Rumo ao Denali

Alaska, Fairbanks, Denali National Park

Admirando o Denali, a maravilhosa montanha que dá nome ao Denali National Park, no Alaska

Admirando o Denali, a maravilhosa montanha que dá nome ao Denali National Park, no Alaska


Apaixonado que sou pelas montanhas, havia um destino no Alaska que não poderia faltar no nosso roteiro: o Denali. A mais alta montanha da América do Norte, assim como as mais altas de todos os continentes, sempre fizeram parte do meu imaginário. Se não puder subi-las, ao menos conhecê-las de perto é um dos desejos que tenho em minha vida.

Atravessando o rio Yukon, na Dalton Highway, norte do Alaska

Atravessando o rio Yukon, na Dalton Highway, norte do Alaska


E hoje era o dia de chegar pertinho da “The High One”, que é o significado da palavra indígena “Denaalii”. Infelizmente, a montanha ganhou outro nome oficial no final do séc XIX, Mt. McKinley, mas é como Denali que todos os montanhistas do mundo a reconhecem. O nome oficial foi dado por um garimpeiro de Ohio que quis homenagear um político de seu estado que buscava a reeleição como presidente americano nas eleições de 1900. O político defendia o padrão-ouro para a moeda americana e isso, obviamente, interessava um garimpeiro.


Nosso caminho de Yukon Crossing ao Denali National Park

O tal político acabou vencendo as eleições, mas foi assassinado um ano mais tarde, por um anarquista. Com isso, o Denali acabou ganhando mesmo o seu nome, apesar dos protestos dos puristas da época e, até hoje, parlamentares de Ohio impedem que ela volte a ser o Denali nos registros oficiais.

Centro de Fairbanks, no Alaska

Centro de Fairbanks, no Alaska


Enfim, Denali ou McKinley, a montanha já está lá há muitos milhões de anos, continua a crescer e não parece se importar muito com essa polêmica. Hoje, ela está no centro de um enorme Parque Nacional que tem o seu mesmo nome original, Denali. O parque fica a meio caminho entre as duas principais cidades do Alaska, Fairbanks e Anchorage e foi para lá que viajamos hoje.

As incríveis cores e a belíssima paisagem do Denali National Park, no Alaska

As incríveis cores e a belíssima paisagem do Denali National Park, no Alaska


Saímos cedo de Yukon Crossing e viajamos de volta à Fairbanks, onde paramos no excelente Centro de Turismo. Pegamos vários folhetos informativos sobre o Denali e outros parques no sul do país, além de nos informar sobre o ferry que faz o transporte de pessoas e carros através do sul do Alaska até o Canadá. É uma região que queremos muito conhecer, mas aonde não há estradas. Ao que parece, a Fiona vai ganhar uma grande “carona”...

As incríveis cores e a belíssima paisagem do Denali National Park, no Alaska

As incríveis cores e a belíssima paisagem do Denali National Park, no Alaska


Depois, pegamos estrada novamente, indo para o sul. Não demorou muito e uma cadeia de montanhas nevadas apareceu no horizonte. Era o Denali National Park. Antes mesmo de procurarmos algum lugar para ficar, seguimos para o centro de visitantes do parque, para organizar nossa visita. Nessa época do ano, já final da temporada turística, muita coisa fecha no Alaska e o Denali não é exceção. Na verdade, não é o parque que fecha, mas, na prática, é como se fechasse.

A primeira visão do Denali, a mais alta montanha da América do Norte, no Denali National Park, no Alaska

A primeira visão do Denali, a mais alta montanha da América do Norte, no Denali National Park, no Alaska


Há apenas uma estrada no Denali National Park, que segue 90 milhas adentro e termina no coração do parque. De lá, temos de voltar pela mesma estrada. Acontece que os carros particulares só podem ir até as primeiras 15 milhas. A partir daí, apenas ônibus do próprio parque. E essa linha de ônibus só funciona por mais dois dias. Depois disso, só em Maio do ano que vem!!! Na verdade, nos quatro dias seguintes ao fim da linha de ônibus, quatrocentos carros afortunados podem entrar e percorrer toda a estrada, por 4 dias. Foram os ganhadores de um sorteio realizado em Julho. E depois disso vem a neve e a estrada é fechada. As pessoas continuam livres para entrar no parque. Mas só a pé ou de ski. Como as principais atrações do parque estão a dezenas e dezenas de quilômetros da entrada, é como se o parque estivesse mesmo fechado.

visitando o Denali National Park, no Alaska

visitando o Denali National Park, no Alaska


Fui diretamente à bilheteria e consegui dois dos últimos ingressos para o passeio de ônibus amanhã. Vai ser quando poderemos chegar perto da montanha sagrada. Da portaria do parque nem se pode vê-la, encoberta por outras montanhas a frente. Mas nós não precisamos esperar até amanhã para, finalmente, ver o Denali. Resolvemos percorrer as 15 milhas permitidas a nós pois, lá da milha 10, se pode avistar a montanha.

Famoso restaurante em frente ao Denali National Park, no Alaska

Famoso restaurante em frente ao Denali National Park, no Alaska


A paisagem do parque é fantástica, principalmente nessa época do ano, com as cores de Outono. Mas emocionante mesmo foi quando, de trás de umas montanhas, já na parte alta do parque, o Denali apareceu, majestoso. Seu tamanho impressiona. Mesmo estando a mais de 100 km de distância em linha reta, ele já aparece maior que todas as montanhas próximas, a poucos quilômetros de nós. É, realmente, uma visão e tanto. Um super aperitivo para o que nos espera amanhã, durante nosso passeio de 11 horas pelo parque. Devemos estar na portaria às 08:15 da manhã e nos considerar felizardos de termos conseguido ingressos, pois foi colocado um ônibus extra. A grande atração do passeio, além do Denali, é a possibilidade de avistar a abundante fauna do parque, notadamente os temidos ursos grizzlies. Enfim, diversão não vai faltar!

Salmão recheado com King Crab, comida típica do Alaska, em restaurante tradicional em frente ao Denali National Park

Salmão recheado com King Crab, comida típica do Alaska, em restaurante tradicional em frente ao Denali National Park


Enquanto amanhã não chega, fomos comprar nosso lanche para o longo passeio e também jantar em um tradicional restaurante na pequena vila em frente à entrada do parque. Tradicional, famoso, aconchegante e muito bom, por sinal! A Ana não fez por menos e pediu logo o que pode haver de mais típico no Alaska: salmão recheado de King crab, aquele caranguejo gigante. Uma delícia! E assim, barriga cheia e comida garantida para amanhã, deixamos essa vila com seus hotéis caros para trás e dirigimos uma dezena de milhas até a próxima vila, Healy, já com preços razoáveis. Aí nos instalamos e colocamos os despertadores para não perdermos a hora amanhã. A Fiona vai ganhar um descanso e nós vamos conhecer de perto o gigante.

Salmão recheado com King Crab, comida típica do Alaska, em restaurante tradicional em frente ao Denali National Park

Salmão recheado com King Crab, comida típica do Alaska, em restaurante tradicional em frente ao Denali National Park

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