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Todos ao Pico

Brasil, Minas Gerais, Aiuruoca

Pico do Papagaio visto da pousada no Vale do Matutu - MG

Pico do Papagaio visto da pousada no Vale do Matutu - MG


Mais um daqueles dias inesquecíveis (que pode ser que eu esqueça depois de ter mais três ou quatro dias inesquecíveis na próxima semana... Droga!). A caminhada até o Pico do Papagaio, principalmente se for feita num dia como hoje, ensolarado e com temperatura agradável, é maravilhosa!

Com o guia Miguel e a Aracélia no início da caminhada do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG

Com o guia Miguel e a Aracélia no início da caminhada do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG


Logo cedo já estavam aqui o Miguel, nosso guia de hoje e a Aracélia, moça de São Paulo que também está aproveitando esses dias para curtir o Matutu. E quem amanheceu na porta do nosso quarto foi o fiel Simbad, louco por outra caminhada. Enquanto seguimos de Fiona para o início da trilha, ele veio correndo atrás de nós. Até tentamos oferecer "carona" mas ele fez um ar de desprezo para o nosso carro e seguiu em disparada.

Árvore partida por um raio no Vale do Matutu - MG

Árvore partida por um raio no Vale do Matutu - MG


Observando a paisagem durante a caminhada ao Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG

Observando a paisagem durante a caminhada ao Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG


A caminhada é subindo morro, através de pastos e florestas. O visual é incrível, o tempo todo. sem exagero! Passamos por cachoeiras escorrendo por paredões e por um poço de águas claras e absolutamente geladas (a mais fria até hoje na viagem!). Eu e a Ana enfrentamos bravamente. O acesso ao poço (Lago Azul é o nome) é mais fácil através de um pulo do barranco. Antes de colocar o pé na água, senão desiste!. A Ana demorou uns vinte minutos, entre orações e promessas. Mas foi, para admiração do Miguel e Aracélia, que só assistiram esses viajantes meio malucos.

Lago Azul, no caminho para o Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG

Lago Azul, no caminho para o Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG


No alto do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG

No alto do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG


Pouco mais de 4 horas de caminhada e vencemos os quase 800 metros de desnível para chegar ao Pico do Papagaio, com mais de 2.100 metros de altura. De lá é possível ver todo o vale e também os vales vizinhos. A Mandala e a Cachoeira do Fundo (que tem mais de 100 metros de altura!) ficam pequenininhos, lá embaixo. Bem ao longe, é ppossível ver as montanhas de Itatiaia, na fronteira com o Rio. Logo estaremos lá!

No alto do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG

No alto do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG


Vista do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG

Vista do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG


No alto do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG

No alto do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG


Mais uma vez, o Simbad nos acompanhou por toda a trilha. Sempre abrindo caminho e colocando as pobres vacas para correr!

com  o fiel Simbad no alto do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG

com o fiel Simbad no alto do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG


Foi um dia maravilhoso e as fotos contam isso!

Cahoeiras Três Marias no Vale do Matutu - MG

Cahoeiras Três Marias no Vale do Matutu - MG


Abutres no final da descida do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG

Abutres no final da descida do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG


Com o guia Miguel e a Aracélia no final da caminhada do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG

Com o guia Miguel e a Aracélia no final da caminhada do Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG


A única coisa chata foi que pretendíamos visitar a Marcinha hoje de noite mas ficamos sabendo que ela viajou para São Paulo, onde a avó está completando 100 anos!Uma pena não poder revê-la e agradecer novamente por toda a hospitalidade que ela nos brindou. Muito obrigado, Marcinha, de coração!

Brasil, Minas Gerais, Aiuruoca, cachoeira, Montanha, Pico do Papagaio, trilha, Vale do Matutu

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Fiona

Brasil, Paraná, Curitiba

O feliz reencontro com a Fiona no nosso hotel em Paramaribo - Suriname

O feliz reencontro com a Fiona no nosso hotel em Paramaribo - Suriname


Conforme previsto, quinta-feira feriado, dia frio e preguiçoso. Tempo bom para se ficar em casa, almoçar tarde, visitar a linda sobrinha e os amigos mais tarde. Amanhã cedo é dia de pegar o passaporte e a Nikon, duas "peças" fundamentais na noss viagem! Mas, mais do que isso, é dia de aniversário para mim e para a Ana: 5 anos de namoro e 3 de noivado. Que bela data!

Voltando a hoje, é dia de homenagear nossa companheira querida, que tem nos levado são e salvos para os cantos mais lindos e isolados desse continente. Quem? A Fiona, claro!

Atravessando as vastidões da Serra da Canastra, em Minas Gerais

Caminho do Céu, próximo à Delfinópolis na região da Serra da Canastra - MG

Caminho do Céu, próximo à Delfinópolis na região da Serra da Canastra - MG


Levando a gente para perto das mega-cachoeiras, região da Serra do Cipó, em Minas Gerais

Os três viajantes posando para fotos na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Os três viajantes posando para fotos na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


Enfrentando os caminhos da Serra das Confusões, ni sul do Piauí

Fiona enfrenta as duras estradas do Parque Nacional da Serra das Confusões, no sul do Piauí

Fiona enfrenta as duras estradas do Parque Nacional da Serra das Confusões, no sul do Piauí


Aqui, no litoral sul do Rio Grande do Norte, a praia é a estrada, para felicidade da Fiona

Longas praias desertas no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN, antes de chegar à Baía Formosa

Longas praias desertas no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN, antes de chegar à Baía Formosa


A Fiona é quase maior do que a balsa que vai carregá-la para o outro lado do rio...

Cruzando o rio Sibaúma numa pequena balsa, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN

Cruzando o rio Sibaúma numa pequena balsa, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN


Fiona explorando as falésias na região da Praia da Pipa

Fiona no alto de uma falésia, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN

Fiona no alto de uma falésia, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN


Primeira travessia internacional da Fiona, do Brasil para a Guina Francesa

Nossa travessia de balsa entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa

Nossa travessia de balsa entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa


Encontrando outro carro aventureiro, em plena Guiana

Encontro fortuito com o casal brasileiro do projeito 'Bordas do Brasil' no único posto nos 450 Km entre Linden e Lethem, na Guiana

Encontro fortuito com o casal brasileiro do projeito "Bordas do Brasil" no único posto nos 450 Km entre Linden e Lethem, na Guiana


A maior das aventuras da Fiona, cruzando a Chapada das Mangabeiras, no sul do Maranhão

A Chapada das Mangabeiras, no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

A Chapada das Mangabeiras, no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão


Depois da aventura, o banho refrescante chegando ao Jalapão, no Tocantins

Fiona atravessa rio no P.N Nascentes do Parnaíba, município de São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO

Fiona atravessa rio no P.N Nascentes do Parnaíba, município de São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO

Brasil, Paraná, Curitiba,

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As Minas de Potosí

Bolívia, Potosí

Atravessando parte mais estreita da Mina Rosário, em Potosí - Bolívia

Atravessando parte mais estreita da Mina Rosário, em Potosí - Bolívia


As minas de prata de Potosí sustentaram o vasto império espanhol por séculos . Por volta de 1560 o metal foi descoberto no Cerro Rico, uma montanha que chega aos 4.500 metros de altitude. Quase que instantaneamente a população da então pacata e isolada vila começou a se multiplicar, transformando-a numa das maiores cidades das américas, chegando a ter, naquela época, quase 200 mil habitantes.

Entrada da Mina Rosário, em Potosí - Bolívia

Entrada da Mina Rosário, em Potosí - Bolívia


Os espanhóis transformaram a descoberta numa verdadeira indústria. Fala-se que, naquela época, a quantidade de prata era tão grande que ela chegava a aflorar na superfície. Utilizando-se do trabalho forçado dos indígenas, que chegavam a trabalhar dezoito horas por dia nas piores condições, toneladas e toneladas do metal eram retiradas e enviadas para a Espanha, via Argentina. Em Potosí se diz que a quantidade de prata retirada seria o bastante para pavimentar uma estrada de ida entre a cidade e a Espanha. A estrada de volta seria pavimentada com o suor e sangue dos que aqui morreram para escavar esse metal.

Pronta para entrar na Mina Rosário, em Potosí - Bolívia

Pronta para entrar na Mina Rosário, em Potosí - Bolívia


O consequência de toda essa mineração foi transformar Potosí na mais rica cidade do continente. Dezenas de igrejas e palacetes foram construídos. Mas, finalmente, a prata se acabou e a cidade entrou m franca decadência. Afinal, se não for pela prata, de que adiantaria se viver numa cidade a 4 mil metros de altitude? Pois é, esse foi o dilema de Potosí até que, em meados do século passado, outro metal ganhou importância no mercado mundial: o estanho.

Com nossa guia Roberta, na mina em Potosí - Bolívia

Com nossa guia Roberta, na mina em Potosí - Bolívia


Com isso, a cidade ganhou renovada importância e a população voltou a crescer, chegando novamente aos 200 mil habitantes. As condições de trabalho continuam terríveis, mas o uso do mercúrio, que tantos índios matou, acabou. Mesmo assim, a expectativa de vida de um minerador continua muito baixa, principalmente pelo pó que se respira dentro das minas, que destrói pouco à pouco os pulmões.

Explorando a Mina Rosário, em Potosí - Bolívia

Explorando a Mina Rosário, em Potosí - Bolívia


As minas são uma das grandes atrações turísticas de Potosí e todos os dias dezenas de turistas entram montanha adentro para ver de perto como as pessoas ainda hoje trabalham. Agências organizam grupos, advertem sobre as condições claustrofóbicas, ajudam na compra de presentes para os mineiros e levam curiosos turistas para o Cerro Rico.

Com o protetor espiritual da Mina Rosário, o diabo 'Tio Jorge', em Potosí - Bolívia

Com o protetor espiritual da Mina Rosário, o diabo "Tio Jorge", em Potosí - Bolívia


E assim fomos nós, guiados pela Roberta, apenas nós três. Ela nos levou à uma venda onde compramos folhas de coca, para nós e para os mineiros e também refrigerantes. Ali ela também nos mostrou explosivos, detonadores e álcool, todos ítens de primeira necessidade para esses trabalhadores. De lá seguimos para um depósito onde nos vestimos apropriadamente para entrar nas minas, botas, macacão e capacete com lanterna.

Afloração de estanho na mina Rosário, em Potosí - Bolívia

Afloração de estanho na mina Rosário, em Potosí - Bolívia


Subimos então até os 4.300 metros, onde está a entrada da Mina Rosário, uma das muitas dentro do Cerro Rico. Um dos primeiros grupos à chegar, fomos logo entrando naqueles túneis escuros e apertados. No início, ainda há paredes de pedra do tempo dos espanhóis. Impossível não imaginar as milhares de pessoas que já passaram por ali nesses quase 450 anos de funcionamento da mina. Quantos não morreram lá dentro? Como era a vida e os sonhos dessas pessoas? Que realidade viviam? Os pensamentos e sentimentos parecem ecoar pelas paredes. Ahhnnn se elas falassem...

Junto aos mineiros na Mina Rosário, em Potosí - Bolívia

Junto aos mineiros na Mina Rosário, em Potosí - Bolívia


Caminhamos mais de um quilômetro pelos túneis da mina. Alguns mais largos, outros mais estreitos. Quanto mais para dentro, mais quente fica. Nos pontos onde estão os trabalhadores, o calor chega a 40 graus! os turistas não chegam até lá. Cruzamos com mineiros descansando um pouco em áreas menos quentes. Ou então, andando apressados para seus postos de trabalho ou conduzindo carros lotados de minério pelos trilhos que seguem pelos túneis. Quando se ouve o barulho deles chegando o negócio é pular logo para o lado, se encostar nas paredes e esperá-los passar. Se não, passam por cima mesmo! Tem mais o que fazer do que ficar pajeando turistas...

Junto aos mineiros na Mina Rosário, em Potosí - Bolívia

Junto aos mineiros na Mina Rosário, em Potosí - Bolívia


Conversamos com alguns deles. Parecem resignados ao seu trabalho. Alguns já estão lá há vinte anos, São os mais experientes, responsáveis pelos trabalhos de maior responsabilidade e técnica, como a detonação de explosivos. Outros são bem jovens, às vezes adolescentes. Fazem o trabalho mais pesado, carregando peso para lá e para cá. Todos mascam coca continuamente. Nos intervalos, bebem bebidas fortes. Até mesmo álcool puro.

Sulfato de cobre na Mina Rosário, em Potosí - Bolívia

Sulfato de cobre na Mina Rosário, em Potosí - Bolívia


Quem os protege é o Diablo. Cada parte da mina tem o seu. São os chamados "tios". Na parte que visitamos, quem reina é o "Tio Jorge". Para ele se fazem oferendas e pedidos. Uma estátua o simboliza e nós também o homenageamos. Com várias fotos!

Potosí - Bolívia, vista do Cerro Rico

Potosí - Bolívia, vista do Cerro Rico


Três horas de mina foram o suficiente para nós. Saindo, cruzamos com grupos grandes de turistas, de até 15 pessoas. A visita deve ficar bem mais difícil, assim. Mas o resultado é o mesmo, para nós e para eles. Quem entra naquela mina pela primeira vez certamente sai diferente. É um tapa na cara, bem dado, sobre um modo de vida bem mais duro do que possamos imaginar, sem ter estado lá. É incrível cmo o ser humano se adapta. Quatrocentos anos de história de muito sofrimento para muitos e riqueza para poucos. mas as minas continuam lá, atraindo trabalhadores jovens de toda a Bolívia. A produção precisa continuar. Prata ou estanho, alguém tem de fazer o serviço...

Trabalhador de 16 anos na Mina Rosário, em Potosí - Bolívia

Trabalhador de 16 anos na Mina Rosário, em Potosí - Bolívia

Bolívia, Potosí,

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Os Primeiros Dias em Martinica

Martinica, Fort-de-France

Caminhando pela magnífica praia Les Salines, em Sainte Anne, no sul de Martinica

Caminhando pela magnífica praia Les Salines, em Sainte Anne, no sul de Martinica


Depois de descoberta por Colombo e ter as frágeis tentativas de ocupação por parte dos espanhóis repelidas pelos índios Caribs, a ilha teve de esperar outros 130 anos para que os europeus tentassem novamente. Dessa vez, foram os franceses, que chegaram decididos a colonizar a ilha e se instalaram no norte, fundando a cidade que seria a capital de Martinica até 1902, St. Pierre. Menos de duas décadas mais tarde, os colonizadores já haviam atravessado a ilha de norte a sul e construído um forte numa enorme baía na costa sudoeste, o que viria a se transformar em Fort-de-France, a atual capital de Martinica. No processo, foram derrubando as florestas para fazer espaço para suas plantations de cana-de-açúcar, tocadas à mão-de-obra negra escrava. Os Caribs até tentaram resistir, mas os que não foram mortos, fugiram para a vizinha Dominica.

Despedida de Roseau e de Dominica, no Caribe

Despedida de Roseau e de Dominica, no Caribe


Firmemente instalados na ilha, os franceses só viram sua supremacia ameaçada no perído entre a Revolução Francesa e as Guerras Napoleônicas, quando os ingleses ocuparam a ilha por diversas vezes. Para os proprietários das plantations, foi até um bom negócio, pois passaram a ter acesso ao rico mercado inglês e de suas colônias.

Deck superior do ferry entre Dominica e Martinica

Deck superior do ferry entre Dominica e Martinica


É dessa época a mais famosa personagem da história de Martinica. A jovem Maria Josefina era filha de um grande aristocrata local. Depois de um rápido casamento com um rico oficial do exército, quando teve duas filhas, a bela moça se engraçou com um desconhecido militar francês, sete anos mais novo do que ela, que estava servindo em Martinica. Seu nome: Napoleão Bonaparte.

Chegando em Fort-de-France, capital da Martinica, a mais urbanizada ilha do leste do Caribe

Chegando em Fort-de-France, capital da Martinica, a mais urbanizada ilha do leste do Caribe


Pois é, o tal Napoleão logo começou a se destacar como líder militar durante várias campanhas já no governo revolucionário. Ao fim, foi ele que acabou por botar ordem na casa, depois que a Revolução Francesa se deteriorou em desordem e matanças intermináveis. Nuna esqueceu seu primeiro amor e com ela se casou, em 1804, tornando-se Imperador da França e fazendo de Maria Josefina a imperatriz.

Loja de rede francesa em Sainte Anne, no sul de Martinica

Loja de rede francesa em Sainte Anne, no sul de Martinica


Consta que foi por influência dela que Napoleão reinstituiu a escravidão nas ilhas francesas do Caribe, que havia sido abolida durante o governo revolucionário. Ela estava defendendo os interesses de sua família, grande proprietária de terras. É por isso que sua figura não é muito popular na Martinica, cuja população é composta, na sua maioria, por descendentes de escravos. Pois é, já é difícil se imaginar escravo. Agora, se imaginar escravo que ganha a sua liberdade para, anos depois, ser re-escravizado, isso é mais difícil ainda...

Com nossos amigos suecos, Maria e Douglas, em Fort-de-France, capital da Martinica

Com nossos amigos suecos, Maria e Douglas, em Fort-de-France, capital da Martinica


Josefina também perdeu sua popularidade com o líder francês. Depois de cinco anos sem conseguir lhe dar um descendente, o casamento terminou em divórcio. Mas, ironia do destino, a filha do primeiro casamento de Josefina acabou se casando com o irmão de Napoleão. Eles sim tiveram filhos e foi um deles que, quatro décadas mais tarde, seria coroado imperador com o título de Napoleão III (by the way, nunca houve um “Segundo”!).

Com nossos amigos suecos, Maria e Douglas, na pousada deles em Anse Mitan, ao sul de Fort-de-France, na Martinica

Com nossos amigos suecos, Maria e Douglas, na pousada deles em Anse Mitan, ao sul de Fort-de-France, na Martinica


O fim definitivo da escravidão, nos anos de 1840, trouxeram dificuldades para a economia da ilha. Mas Martinica nunca deixou de ser a mais desenvolvida economia do leste do Caribe. Hoje, é mais urbanizada ilha da região e, tecnicamente, é um departamento francês, assim como Guadalupe e qualquer outro na França continental. Elege seus deputados, senador e vota para presidente. Enfim, aqui é a França, aqui é a Europa.

Praia de Grande Anse, no sudoeste de Martinica

Praia de Grande Anse, no sudoeste de Martinica


Nós saímos ontem cedinho de Roseau, na Dominica, de ferry. Ainda tivemos um tempo para fotografar a capital dominicana e logo já víamos a ilha do mar, suas cidades espremidas entre as montanhas e o oceano. Algum tempo depois, já chegávamos à costa de Martinica, onde duas coisas logo chamaram a atenção: o infame Mt Pelée, o vulcão responsável pela grande tragédia de 1902 (trato disso no próximo post) e a grande urbanização da ilha.

Tempo de relaxar e ler sobre o país, na praia de Grande Anse, no sudoeste da Martinica

Tempo de relaxar e ler sobre o país, na praia de Grande Anse, no sudoeste da Martinica


Desembarcados, no processo de encontrar uma locadora de automóveis, todas fechadas para almoço, ficamos amigos de outro casal que também procurava seu carro. São os simpáticos suecos Douglas e Maria. Ele é um imigrante da República dos Camarões e ela tem a aparência mais sueca possível, com uma certa influência norueguesa, para ficar ainda mais loira. Enfim, formam um casal muito interessante. Recém casados, em lua-de-mel, estamos curiosos para ver os filhos!

A bela igreja de Anse D'Arlet, no sudoeste da Martinica

A bela igreja de Anse D'Arlet, no sudoeste da Martinica


Quando as locadoras abriram, não quiseram alugar um carro para eles, já que o Douglas não tem carteira e a Maria tem menos de dois anos de direção. Assim, oferecemos uma carona para eles até a pousada que já tinham reservado, numa grande península do outro lado da baía onde está Fort-de-France. Aí nos despedimos e nós continuamos dando a volta na tal península, passando pelas simpáticas Grande Anse e Anse D’Arlet, duas pequenas e pitorescas vilas em frente ao mar.


Nosso trajeto em Martinica

Mas resolvemos seguir viagem até Sainte-Anne, a cidade mais ao sul de Martinica, já na faixa central da ilha. Ali está a praia considerada a mais bonita do país, Les Salines. Depois de uma grande dificuldade em achar local para dormir (os hotéis simplesmente deixam de funcionar na época de baixa estação!), uma simpática senhora a quem pedíamos informações (meu francês já está tinindo!) simplesmente pegou o seu carro e nos guiou até um hotel que ela sabia que estava funcionando. Merci Beucoup!

Um  delicioso recanto na estrada pouco antes de chegar em Le Marin, no sul de Martinica

Um delicioso recanto na estrada pouco antes de chegar em Le Marin, no sul de Martinica


A bela praia Les Salines, em Sainte Anne, no sul de Martinica

A bela praia Les Salines, em Sainte Anne, no sul de Martinica


Hoje passamos o dia desfrutando dessa praia maravilhosa, uma longa faixa de areias brancas ladeada por uma coluna de árvores e coqueiros, e em frente a um mar azul típico do Caribe. Ali pertinho, a famosa “Diamond Rock”.

A famosa 'Diamond Rock', usada como 'navio' pelos ingleses, em suas guerras contra Napoleão (sul da Martinica)

A famosa "Diamond Rock", usada como "navio" pelos ingleses, em suas guerras contra Napoleão (sul da Martinica)


Essa ilha, na verdade um grande rochedo a poucos quilômetros da costa, foi tomada por ingleses na época napoleônica. Aí instalaram uma base e menos de duas centenas de marujos a fizeram inexpugnável. Tratavam-na, mesmo oficialmente, como um navio, o “unsinkable HMS Diamond Rock”. De lá, ficavam atacando os navios comerciais franceses que tentavam transitar por aquela movimentada costa. Depois de muitas tentativas infrutíferas de desalojá-los, um comandante francês teve a brilhante ideia: fez chegar à ilha alguns barris do exelente rum produzido em Martinica. Na mesma noite, estavam todos bêbados e não conseguiram resistir ao ataque francês. O “navio” não foi afundado, mas ao menos, foi conquistado!

Vendedora de praia com estilo, em Sainte Anne, no sul de Martinica

Vendedora de praia com estilo, em Sainte Anne, no sul de Martinica


Tarde preguiçosa na praia Les Salines, em Sainte Anne, no sul de Martinica

Tarde preguiçosa na praia Les Salines, em Sainte Anne, no sul de Martinica


Bom, como ia dizendo, nós passamos um dia delicioso na praia, ora caminhando, ora nadando, ora não fazendo absolutamente nada, numa das muitas sombras na praia. Uma delícia! Aproveitamos também para trabalhar e tentar botar um pouco o site em dia, tarefa nada fácil! Muito bem acompanhados de queijos e vinho nacionais, sempre inspiradores, trabalhamos nos nossos respectivos computadores, para relatar o passado e planejar o futuro. Amanhã, seguimos para St. Pierre, no norte, aos pés do Mt. Pelée. E nossa passagem para Sta Lúcia também já está comprada. Vamos no dia 17.

Hora de trabalhar, com ajuda de queijos e vinhos, em Sainte Anne, no sul de Martinica

Hora de trabalhar, com ajuda de queijos e vinhos, em Sainte Anne, no sul de Martinica

Martinica, Fort-de-France, história, Praia

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Conhecendo o Cotopaxi

Equador, Quito, Baños, Cotopaxi

O vulcão Cotopaxi, o mais alto do mundo em atividade, no Equador

O vulcão Cotopaxi, o mais alto do mundo em atividade, no Equador


A manhã de hoje foi dedicada às burocracias finais do nosso live aboard em Galápagos e à definição das nossas "escaladas" nos vulcões Cotopaxi e Chimborazo. Preenchemos e entregamos a papelada do live aboard, que começa dia 25 e se estenderá por oito dias e sete noites. Depois, teremos mais dois dias em Galápagos e retornamos para Quito no dia 04 de Outubro. O Rafa e a Laura voltam para o Brasil no dia seguinte e nós, depois de fazermos a revisão da Fiona dos 60 mil km, partimos para a Colômbia.

Carregando a Fiona com a bagagem de quatro pessoas, em Quito - Equador

Carregando a Fiona com a bagagem de quatro pessoas, em Quito - Equador


Quanto às escaladas, vamos fazer os vulcões devidamente acompanhados de guias. Escolhemos uma das mais conhecidas agências de Quito, a Gulliver, e hoje passei uma hora por lá definindo como e quando serão as escaladas. O Equador possui o mais alto vulcão em atividade do mundo, o Cotopaxi, com 5.890 metros e também o mais alto já extinto, o Chimborazo, com pouco mais de 6.300 metros. Nos dois casos, a escalada dura dois dias. Como não temos tempo para fazer os dois, resolvemos nos dividir! A Ana, a Laura e o Rafa vão tentar o Cotopaxi enquanto eu vou me arriscar no Chimborazo. Nos dois casos, a escalada envolve um bom trecho de subida em neve e gelo e é preciso usar grampões, roupas adequadas e até uma picareta. A Gulliver fornece tudo isso para nós. Ela possui uma mesma base de operações para as duas montanhas e dormiremos todos lá no dia 22. No dia 23, cada grupo seguirá para o seu vulcão, indo dormir em refúgios na montanha em altitudes próximas dos 5 mil metros. Na madrugada seguinte, do dia 24, partimos cada qual para o seu cume, que devem ser atingidos quando o sol estiver nascendo. Aí descemos, reencontramo-nos todos na base de operações e voltamos para Quito.

Estrada coberta de granizo no parque Cotopaxi, no Equador

Estrada coberta de granizo no parque Cotopaxi, no Equador


Enfrentando o granizo na estrada de acesso ao Cotopaxi, o Equador

Enfrentando o granizo na estrada de acesso ao Cotopaxi, o Equador


Definidos os vulcões, agora precisávamos de um plano de aclimatação à altitude para o Rafa e para a Laura. Eu e a Ana já nos consideramos aclimatados, apesar da semana passada ao nível do mar desde Trujillo, no Peru. Assim, resolvemos seguir diretamente para o vulcão Cotopaxi, no nosso caminho para o sul do Equador. Ali é possível chegar de carro até os 4.550 metros e, de lá, caminhar até o refúgio construído um pouco acima dos 4.800 metros de altitude.

Laguna no Parque Cotopaxi, no Equador

Laguna no Parque Cotopaxi, no Equador


A Ana, a Laura e o Rafa subindo para o refúgio no vulcão Cotopaxi, no Equador

A Ana, a Laura e o Rafa subindo para o refúgio no vulcão Cotopaxi, no Equador


Nosso único problema era chegar até lá antes que o parque fechasse para entradas, às três da tarde. Nem é tão longe, mas o difícil é conseguir sair da capital, Quito, com seu trânsito super amarrado. Com paciência, enfrentando todos os desvios, já que a Panamericana está em obras de ampliação, conseguimos sair da grande cidade e chegamos finalmente à estrada. De lá para o Cotopaxi foi rapidinho e chegamos à portaria do parque 15 minutos antes do prazo. O tempo tem estado meio chuvoso nesses dias e hoje não foi diferente. Não só o vulcão estava escondido como, naquela altitude, ao invés de água, tivemos gelo caindo do céu. A primeira chuva de granizo da Fiona, bem na entrada do parque nacional! Foi lindo!

O refúgio no vulcão Cotopaxi, no Equador

O refúgio no vulcão Cotopaxi, no Equador


Refúgio do Cotopaxi, a mais de 4.800 metros de altitude, no Equador

Refúgio do Cotopaxi, a mais de 4.800 metros de altitude, no Equador


O granizo passou e pudemos seguir até o estacionamento, passando antes por uma bela laguna ainda abaixo dos 4 mil metros. Lá no estacionamento, devidamente vestidos para enfrentar o frio e a neve fina que caía (já estamos ficando acostumados com a neve, hehehe), iniciamos nossa ascensão de 300 metros até o refúgio. A trilha é sobre terra solta, bem mais cansativo que no El istí, em Arequipa, mas devagarzinho eu cheguei lá encima. Tirei fotos dos companheiros que subiam atrás e aí, por alguns momentos, as nuvens abriram e o majestoso vulcão deu o ar da sua graça. Lindo e imponente! O Rafa chegou um pouco depois e, mais abaixo, a Ana e a Laura.

Dentro do confortável refúgio do vulcão Cotopaxi, no Equador

Dentro do confortável refúgio do vulcão Cotopaxi, no Equador


No refúgio do vulcão Cotopaxi, a mais de 4.800 metros de altitude, no Equador

No refúgio do vulcão Cotopaxi, a mais de 4.800 metros de altitude, no Equador


Passamos um tempo no refúgio, o mesmo que eles vão passar a noite antes do ataque final ao cume. Umas vinte pessoas estavam ali, se preparando para a escalada na madrugada de amanhã. Mas a gente não. Só tomamos um chá e começamos a descer, antes que o parque fechasse suas portas também para saída. Para baixo todo santo ajuda e rapidamente estávamos de volta à Fiona. Um lobo nos espreitava, enfrentando o frio e a altitude em busca de comida. Ao invés disso, ganhou algumas fotos!

Descendo o vulcão Cotopaxi sob forte neblina, no Equador

Descendo o vulcão Cotopaxi sob forte neblina, no Equador


Descendo o refúgio do Cotopaxi, no Equador

Descendo o refúgio do Cotopaxi, no Equador


Completada a tarefa de aclimatação, seguimos para a cidade de Baños, aos pés do mais ativo vulcão do Equador, o Tungurahua. Várias pequenas erupções nos últimos anos, incluindo algumas maiores de 2006 e 2007. Mas tem estado meio calmo ultimamente. Chegamos aqui já no escuro, intalamo-nos no Hostal Santa Cruz e fomos jantar. A cidade é uma meca do eco-turismo aqui no Equador, oferecendo programas de trekking, rafting, canyoning e por aí vai. Muitas cachoeiras, a proximidade da floresta amazônica e de um vulcão ativo possibilita os mais variados programas. Mas, como o próprio nome diz, o mais tradicional são os banhos em águas termais e terapêuticas.

Um lobo nos observa, a 4.500 metros de altitude, no Cotopaxi, no Equador

Um lobo nos observa, a 4.500 metros de altitude, no Cotopaxi, no Equador


Isso tudo fica para amanhã, quando teremos de fazer nossas escolhas. Não temos muito tempo, já que ainda queremos seguir até Cuenca, bem mais ao sul. Agora de noite a Laura começou a se sentir mal. Esperamos que ela melhore para que amanhã tenhamos um dia intenso por aqui. Precisamos estar todos em forma até o dia 23!

Observando as nuvens do estacionamento do Cotopaxi, no Equador

Observando as nuvens do estacionamento do Cotopaxi, no Equador

Equador, Quito, Baños, Cotopaxi, trilha, vulcão

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Reveillon!

Guatemala, Antigua

Muita festa na virada do ano em Antigua, na Guatemala

Muita festa na virada do ano em Antigua, na Guatemala


Mais um ano se passou! Normalmente, quando chega essa época, gostamos de olhar para trás, para os últimos doze meses e nos perguntar: “Valeu à pena ter vivido este ano?” “Siiimmm!” – é a resposta! Nosso primeiro ano passado inteiramente nas estradas valeu muito a pena!

Festa de reveillon em Antigua, na Guatemala

Festa de reveillon em Antigua, na Guatemala


Parece que foi ontem, mas ao mesmo tempo, parece que foi um século atrás, considerando tudo o que fizemos desde aquele 31 de Dezembro passados no interior da Paraíba, na Laje do Pai Mateus. Para quem não leu, aqui está o post: http://www.1000dias.com/rodrigo/reveillon-no-pai-mateus De lá para cá, viajamos por boa parte das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil, passamos por todos os países sul americanos com exceção de Uruguai e Venezuela, estivemos duas vezes no Caribe onde visitamos onze países e conhecemos todos os países da América Central, com exceção de Belize. Um belo ano!

Vestido para o reveillon em festa em Antigua, na Guatemala

Vestido para o reveillon em festa em Antigua, na Guatemala


Desta vez, quis o destino que passássemos o réveillon na bela e charmosa Antigua, um dos principais destinos turísticos da Guatemala. A cidade está lotada para a passagem de ano, turistas do mundo inteiro e também muitos guatemaltecos.

Celebração de Ano novo em Antigua, na Guatemala

Celebração de Ano novo em Antigua, na Guatemala


A nossa programação começou com uma ceia no hotel Euro Maya, de uma simpático casal formado por um guatemalteco e uma espanhola. Por isso mesmo, várias das participantes eram espanholas, amigas conterrâneas da anfitriã. Também estavam a Rosana, nossa mais nova amiga da cidade e dois penetras brasileiros, trazidos por ela, além de outros amigos do casal e hóspedes do hotel.

Ano Novo em Antigua, na Guatemala

Ano Novo em Antigua, na Guatemala


Os 25 dólares da entrada davam direito a um delicioso pernil e acompanhamentos, duas taças de vinho e duas taças de cava, além de um kit réveillon, composto por máscara, chapéu, apito, serpentina e outros apetrechos festivos. Devidamente alimentados, mamados e fantasiados, saímos todos para a Porta do Hotel para a contagem final, acompanhada com uvas, promessas e desejos. Ao final, foguetes para comemorar.

Fogos anunciam a chegada do Ano Novo em Antigua, na Guatemala

Fogos anunciam a chegada do Ano Novo em Antigua, na Guatemala


Os nossos desejos, como não poderia deixar de ser, além das tradicionais energias positivas enviadas a todos os familiares e amigos queridos, foram de mais um ano cheio de viagens e descobrimentos, novos amigos e experiências. Daqui a um ano, vamos conferir como foi...

Festejando a chegada do Ano Novo em Antigua, na Guatemala

Festejando a chegada do Ano Novo em Antigua, na Guatemala


Depois, ainda tivemos energia para passar um tempo num bar de amigos da Rosana com a melhor vista da cidade iluminada para as festas. A nossa primeira madrugada do ano foi quase toda acordada! Mas precisamos ir dormir para conseguirmos acordar antes das 11 da manhã. Este é o prazo para usufruirmos do prêmio que eu ganhei na rifa organizada no hotel onde tivemos a ceia. Ganhei um café da manhã com acompanhante num dos mais famosos e caros hotéis da cidade. Hehehe, nada como começar o ano ganhando um sorteio! Agora, só não posso perder o prêmio, se não dá azar...

Primeira madrugada de 2012 em Antigua, na Guatemala

Primeira madrugada de 2012 em Antigua, na Guatemala

Guatemala, Antigua,

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Magnífico Parque Nacional

Estados Unidos, Maine, Bar Harbor

Admirando a fantástica paisagem do Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Admirando a fantástica paisagem do Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


Início de verão nos EUA, férias escolares, turistas por todos os lados. Especialmente no litoral do Maine, região muito procurada nessa época, principalmente durante os finais de semana. Ou seja, chegamos aqui no pico do pico.

Paisagem marítima no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Paisagem marítima no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


Se fosse em outras países, nem hotel encontraríamos. Mas aqui, imagina se eles não estão preparados para isso... Quartos mais caros, claro. Preços de alta temporada. Mas tem para todo mundo. Especialmente se nos afastarmos um pouco do centro.

Sand Beach, a única praia no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Sand Beach, a única praia no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


Enfim, com ou sem multidões, nosso objetivo hoje era explorar um pouco desse maravilhoso parque nacional chamado Acadia. De novo, como estamos nos Estados Unidos, uma estrada circular facilita o acesso às atrações principais do parque. Asfaltada, sinalizada, construída já na época do principal benfeitor do Acadia, John Rockefeller Jr.

Turistas examinam formação rochosa no litoral do Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Turistas examinam formação rochosa no litoral do Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


Passeio no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Passeio no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


São cerca de 40 milhas de estradas que nos levam a estacionamentos de onde, com poucos minutos de caminhada, chega-se à mirantes, lagos, à única praia do parque, restaurantes ou até o início de trilhas. Aí sim, caminhando parque adentro, é possível se afastar um pouco das pessoas e achar o “seu espaço” dentro do Acadia. Mas agora, durante o fim de semana do mês mais concorrido do ano, mesmo as trilhas ficam mais cheias. Pelo menos, as mais conhecidas.

Início da trilha Penobscot, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Início da trilha Penobscot, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


Subida íngrime para Penobscot, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Subida íngrime para Penobscot, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


Felizmente, tivemos a sorte de encontrar um simpático garçom ontem de noite, bem conhecedor do parque, que já nos deu as dicas de quais trilhas seguir, tanto pela beleza cênica como pelo isolamento.
Mesmo assim, ainda resolvemos passar pelo centro de visitantes, logo pela manhã. Pelo menos para conseguir um bom mapa. E foi só isso mesmo que conseguimos. O centro estava lotado e o nosso atendente sabia menos do parque do que eu. Enfim, com os conselhos de ontem e o mapa, estávamos prontos para o dia!

A magnífica paisagem na subida para Penobscot, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

A magnífica paisagem na subida para Penobscot, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


Hora do descanso na subida para Penobscot, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Hora do descanso na subida para Penobscot, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


Seguimos pela estrada circular, passando por alguns mirantes e tirando fotos. Depois, passamos pela cabeceira das duas trilhas mais conhecidas do Acadia, a “Precipice” e a “Beehive”. Como já estávamos avançados na manhã, nem se podia entrar nos estacionamentos dessas trilhas, de tão lotados que estavam. Finalmente, chegamos à portaria do parque, onde se paga a entrada. Não para nós, que temos aquele passe anual para todos os parques nacionais do país. Um dos nossos melhores investimentos por aqui!

A magnífica paisagem na subida para Penobscot, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

A magnífica paisagem na subida para Penobscot, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


A paisagem grandiosa do Acadia National Park, vista já quase do alto de Penebscot, no Maine - Estados Unidos

A paisagem grandiosa do Acadia National Park, vista já quase do alto de Penebscot, no Maine - Estados Unidos


Depois disso vem a Sand Beach, a única praia de verdade de toda a região. Muito bonita, muito cheia e muito fria. Cerca de 15 graus. Pausa para fotos e seguimos em frente, pois nosso objetivo era outro, hoje! Mas para chegar lá, ainda tivemos outras duas ou três paradas, para fotos e pequenas explorações. Todas na orla marítima do parque, cheia de formações interessantes e uma longa trilha que permite aos turistas os melhores ângulos para fotos da costa rochosa, das baías e da própria Sand Beach.

Bebel descansa no topo de Penebscot, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Bebel descansa no topo de Penebscot, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


Metros finais para chegar ao pico de Penebscot, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Metros finais para chegar ao pico de Penebscot, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


Finalmente, chegamos à cabeceira da trilha de Penebscot, uma das muitas montanhas em Acadia. Nossa ideia era subir até lá e depois, através de uma combinação de trilhas secundárias, fazer um caminho circular para voltar ao ponto de partida. Acho que foi só aí que a Bebel começou a desconfiar das nossas “más intenções”. E a desconfiança logo se tornou “realidade” quando começou um trecho de escalaminhada montanha acima.

No alto de Penebscot, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

No alto de Penebscot, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


Mas aí, já não tinha mais volta. A Bebel veio reclamando do garçom que tinha nos dado aquela ideia, com cara de sofrida, mas com incentivo e paciência, veio subindo também. Foram vinte minutos de subida mais árdua até chegarmos à crista da montanha, de onde se tinha uma vista deslumbrante, já acima da mata de pinheiros, lagos e baías nos cercando por todos os lados, por entre montanhas de granito.

Lago no alto do Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Lago no alto do Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


Delicioso banho em lago no alto do Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Delicioso banho em lago no alto do Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


A atual forma do Acadia é resultado da última era glacial, quando enormes lençóis de gelo vindos do norte se esgueiraram por entre os vales, abrindo novos caminhos, remodelando o relevo, criando passagens, arredondando montanhas, arrebentando e carregando milhares de toneladas de rochas nos seus rios de gelo. No auge da era glacial, eram dois quilômetros de gelo sobre as montanhas mais altas, algo como o interior da Groelândia de hoje. Com o fim da glaciação e o degelo, os oceanos subiram de nível, ocupando antigos vales, agora transformados em fiordes e baías. Onde o mar não chegou, lagos de água doce se formaram, entre as diversas cristas de montanhas de granito. O clima favoreceu o crescimento de florestas de pinheiros entre os lagos e montanhas, tudo tão perto do mar. O resultado fantástico na paisagem é o que podemos ver hoje, especialmente do alto de montanhas como a Penebscott.

Delicioso banho em lago no alto do Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Delicioso banho em lago no alto do Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


Hora do lanche no meio da caminhada pelo Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Hora do lanche no meio da caminhada pelo Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


Ali do alto, passamos uma boa meia hora extasiados com a paisagem que nos cercava, enquanto recuperávamos o fôlego. Aí, com o mapa de trilhas na mão, repensamos o nosso caminho, para diminuir o tamanho da volta. Afinal, não precisávamos subir outra montanha já estando no alto daquela, com uma vista tão impressionante.

Encruzilhada de trilhas no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Encruzilhada de trilhas no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


Falando ao telefone no alto do Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Falando ao telefone no alto do Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


Descemos para o outro lado da montanha e, logo ali, demos de cara um delicioso lago. O lugar perfeito para nosso piquenique e também para um mergulho refrescante. Ainda mais que a temperatura da água, com todo esse calor que está fazendo por aqui, é muito agradável. Difícil mesmo é ir embora e deixar aquele lugar mágico para trás.

Uma das muitas pontes de pedra das estradas de carruagem que cortam o Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Uma das muitas pontes de pedra das estradas de carruagem que cortam o Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


Caminhada no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Caminhada no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


Foi depois desse lago que pegamos a trilha secundária, descendo pela crista de outra montanha e tendo, à nossa frente, o fantástico visual das inúmeras baías, braços de mar e ilhas do Acadia National Park. Uma verdadeira tela de IMAX. Foi bem nessa hora que o nosso telefone tocou e era minha irmã, falando do outro lado do Atlântico. Infelizmente, estamos com um telefone simples e não podemos transmitir as imagens também. Eu me senti numa propaganda da AT&T de vinte anos atrás, que muito me impressionava quando estive nos EUA há vinte anos. Uma moça ligava para seu namorado e perguntava se ele estava bem. A câmera o filmava em close e, aos poucos, fazendo um zoom out, mostrava que ele estava na beira do Grand canyon, enquanto ele só respondia: “Just great!”. O anúncio era para alardear a cobertura da empresa. Agora, 20 anos depois, posso dizer que a cobertura realmente é muito boa, hehehe!

Bebel comemora a chegada à Fiona depois da trilha pelo Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Bebel comemora a chegada à Fiona depois da trilha pelo Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


Depois da conversa transatlântica, seguimos por um canyon tomado pelos pinheiros, as únicas pessoas por ali. Nessa hora, a Bebel já não xingava o garçom, enquanto nós o louvávamos pela dica que deu. Lá embaixo, topamos com uma das estradas de carruagem construídas pelo Rockefeller e por ela seguimos até o ponto inicial. No caminho, ainda passamos por duas das pitorescas pontes de pedra que possibilitavam as carruagens a passar sobre riachos e grotas. Lugar delicioso para andar de bicicleta, quase todo na sombra das matas.

Celebrando o fim de tarde no alto da Cadillac Mountain, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Celebrando o fim de tarde no alto da Cadillac Mountain, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


Admirando a paisagem do alto da Cadillac Mountain, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Admirando a paisagem do alto da Cadillac Mountain, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


De volta à Fiona, seguimos pela estrada circular até chegar à mais famosa montanha de Acadia, a Cadillac Mountain. É a mais alta montanha litorânea na costa atlântica desde o Brasil, na nossa querida Serra do Mar! Trilhas chegam até lá encima, mas também se pode chegar lá de carro. E a Fiona nos levou até lá justamente na hora do espetacular entardecer. Muitos outros turistas também estavam ali, mas a área é grande para todos. Um final grandioso de um dia espetacular, como há muito não tínhamos!

Admirando a paisagem do alto da Cadillac Mountain, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Admirando a paisagem do alto da Cadillac Mountain, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


Delicioso fim de tarde no alto da Cadillac Mountain, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Delicioso fim de tarde no alto da Cadillac Mountain, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos


Amanhã, continuamos por aqui, mas acho que vamos nos dividir pela manhã. A Ana e a Bebel vão ver baleias num tour enquanto eu volto para as trilhas, dessa vez para fazer as mais íngremes, logo cedinho, antes das multidões. Quem sabe, um pulo no mar gelado também... Veremos!

Magnífico pôr-do-sol no alto da Cadillac Mountain, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Magnífico pôr-do-sol no alto da Cadillac Mountain, no Acadia National Park, no Maine - Estados Unidos

Estados Unidos, Maine, Bar Harbor, Acadia National Park, Parque, trilha

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Estrelas Nacionais

Argentina, Las Grutas

As grutas que dão nome à cidade de Las Grutas, no litoral da Argentina

As grutas que dão nome à cidade de Las Grutas, no litoral da Argentina


Quase todos os países, especialmente aqueles de dimensões continentais como Brasil ou Argentina, têm atrações turísticas conhecidas mundialmente. Rio, Foz, Amazonas e Pantanal são exemplos brasileiros desse tipo de atração, enquanto que na Argentina poderíamos citar Buenos Aires, Patagônia Península Valdez ou Bariloche. E assim é mundo afora: Grand Canyon, Kruger Park, Tal Mahal, Grande Barreira de Corais, etc...

Pessoas caminham na praia de Las Grutas, na Argentina

Pessoas caminham na praia de Las Grutas, na Argentina


A cidade praiana de Las Grutas, na Argentina

A cidade praiana de Las Grutas, na Argentina


Mas existe uma segunda classe de atrações turísticas, muitas vezes tão bela como a primeira, que por um motivo ou por outro não atingiram o “estrelato internacional”. São sim reconhecidas em seus próprios países, atraem multidões durante certas épocas do ano, mas são ilustres desconhecidas no resto do mundo. E essa é umas das belezas de se viajar no exterior: “descobrir” verdadeiros tesouros escondidos que nem imaginávamos existir. Viajar é aprender e aprender é reconhecer nossa infinita ignorância! Quando vamos para um país apenas pensando naquilo que já ouvimos falar na imprensa é mais ou menos quando um gringo nos pergunta: “Vou para o Brasil ano que vem. Vc acha que dá para ver tudo em 15 dias?”. Pois é... a Argentina também é muito maior do que Buenos Aires, Mendoza, Bariloche, Salta e Patagônia!

Maré baixa em dia de céu azul em Las Grutas, na Argentina

Maré baixa em dia de céu azul em Las Grutas, na Argentina


A cidade praiana de Las Grutas, na Argentina

A cidade praiana de Las Grutas, na Argentina


Hoje essa grande verdade nos deu mais um tapa na cara. O nome dela? Las Grutas! Uma pequena cidade praiana que tem pouco mais de 5 mil habitantes, mas que recebe quase 400 mil turistas no verão. Quase todos argentinos, claro! Para mim, até há poucos dias, uma ilustre desconhecida. Nunca tinha ouvido falar. E olha que eu sou razoavelmente viajado e antenado nesse assunto. Quem nos deu a dica foi o Chetoba, nosso amigo viajante/blogueiro argentino que mora em Villa Santa Maria. Quando dissemos o nosso roteiro e perguntamos dicas sobre aonde parar ele não pestanejou. Olhou no mapa e cravou: Las Grutas!

Garotos apostam corrida até o mar na praia de Las Grutas, na Argentina

Garotos apostam corrida até o mar na praia de Las Grutas, na Argentina


Um belo dia de sol em Las Grutas, na Argentina

Um belo dia de sol em Las Grutas, na Argentina


Nem no Lonely Planet Argentina esse lugar aparece. Prova que esses gringos não sabem mesmo de nada. Agora, procurando pela internet, vejo vídeos que como esse lugar fica no auge da temporada: ele bomba! Ainda bem que chegamos aqui bem antes disso, a cidade está vazia e toda a beleza de suas praias era quase que só nossa!

Piscinas escavadas na praia de Las Grutas, na Argentina

Piscinas escavadas na praia de Las Grutas, na Argentina


Uma grande piscina na praia de Las Grutas, na Argentina

Uma grande piscina na praia de Las Grutas, na Argentina


Las Grutas é o mais popular balneário da Patagônia. Localizada a meio caminho entre Bahia Blanca e a Península Valdez, seu principal atrativo são as praias de temperatura agradável, as grutas formadas pelo mar nas falésias e a visita anual das baleias francas austrais. A temperatura agradável da água numa região já tão austral vem do fato da região estar protegida do mar aberto pelo golfo de San Matias. Além disso, e principalmente por causa disso, as marés são bem grandes porque o terreno é plano. Quando o mar retrocede, muita ágia fica para trás, empoçada em piscinas naturais e artificiais e é esquentada rapidamente por quase 15 horas diárias de sol durante o verão. Quando a maré alta traz o mar novamente, as águas se misturam e o resultado é uma temperatura bem agradável.

A maré baixa deixa aberta uma área rochosa da praia de Las Grutas, na Argentina

A maré baixa deixa aberta uma área rochosa da praia de Las Grutas, na Argentina


A maré baixa deixa aberta uma área rochosa da praia de Las Grutas, na Argentina

A maré baixa deixa aberta uma área rochosa da praia de Las Grutas, na Argentina


Atrás dessas mesmas águas calmas e protegidas vem as baleias francas para parirem e terem seus filhotes. É um dos melhores lugares o mundo para se observá-las, seja do alto das falésias, seja em passeios de barco. Nós não vimos isso porque não estamos ainda na estação, mas pudemos admirar bastante a outra grande atração do local, justamente aquilo que lhe empresta o nome: as tais grutas.

Piscina natural formada pela maré baixa na praia de Las Grutas, na Argentina

Piscina natural formada pela maré baixa na praia de Las Grutas, na Argentina


Caminhando por entre piscinas naturais na praia de Las Grutas, na Argentina

Caminhando por entre piscinas naturais na praia de Las Grutas, na Argentina


Elas são fruto da lenta erosão feita pelo mar nas falésias de solo razoavelmente mole da região. Toda a cidade está acima dessas falésias e para chegar à praia é preciso descer alguma das 12 escadas que fazem a ligação da areia com o território urbano. Pois bem, essas mesmas falésias estão repletas de grutas formadas pelo movimento do mar e muitas delas se unem por dentro formando passagens e pequenos labirintos. Além de atração turística, também servem de moradia para uma infinidade de pássaros, principalmente de um tipo primo do papagaio, bem barulhento nos finais de tarde, quando fazem suas grandes revoadas.

Um legítimo caranguejo hermano na praia de Las Grutas, na Argentina

Um legítimo caranguejo hermano na praia de Las Grutas, na Argentina


Banho de sol sob as falésias da praia de Las Grutas, na Argentina

Banho de sol sob as falésias da praia de Las Grutas, na Argentina


A cidade foi fundada na década de 60, mas foi só a partir dos anos 80 que explodiu para o turismo interno. Hoje, apesar do tempo lindo de céu azul, estava bem tranquila e pudemos aproveitar bastante o dia na praia. Há uma grande faixa apenas de areia e outra mais rochosa, formando terraços e piscinas naturais, onde encontramos peixes e caranguejos deixados para trás pela maré e que estão torcendo pelo retorno rápido do mar. Além disso, grandes piscinas artificiais também foram escavadas na rocha, mais um lugar para a água esquentar mais rápido e uma alternativa para aqueles que não querem enfrentar a água mais fria do mar.

Um simpático cachorro enfrenta uma onda na praia de Las Grutas, na Argentina

Um simpático cachorro enfrenta uma onda na praia de Las Grutas, na Argentina


Um simpático cachorro enfrenta uma onda na praia de Las Grutas, na Argentina

Um simpático cachorro enfrenta uma onda na praia de Las Grutas, na Argentina


Brincando com um perro argentino na praia de Las Grutas, na Argentina

Brincando com um perro argentino na praia de Las Grutas, na Argentina


Pois nós preferimos a água do mar mesmo. Depois do nosso polar plunge na água a zero grais, essa aqui mais parecia uma banheira! Uma delícia! Depois de uma longa caminhada pela areia e pelas rochas, foi nosso prêmio merecido para relaxar.

Correndo na praia e se divertindo com um perro argentino em Las Grutas, na Argentina

Correndo na praia e se divertindo com um perro argentino em Las Grutas, na Argentina


Correndo na praia e se divertindo com um perro argentino em Las Grutas, na Argentina

Correndo na praia e se divertindo com um perro argentino em Las Grutas, na Argentina


Quem se juntou a nós, todo animado, foi um simpático cão, um legítimo perro argentino. Caminhou boa parte da praia conosco e depois ainda entrou no mar comigo enfrentando valente mente as ondas que apareciam. Por fim, apostamos corrida na praia (adivinha quem ganhou...) para secarmos mais rapidamente.

As grutas que dão nome à cidade de Las Grutas, no litoral da Argentina

As grutas que dão nome à cidade de Las Grutas, no litoral da Argentina


Interior de gruta na praia de Las Grutas, na Argentina

Interior de gruta na praia de Las Grutas, na Argentina


Ele só não se animou muito quando fomos explorar e fotografar as grutas. Já deve conhecê-las de cor e salteado. Encontrou um companheiro seu na praia e se foram, agora sim a toda velocidade. E nós fomos fotografar essas belezas geológicas, por dentro e por fora, percorrendo as ligações entre elas e terminando o caminho numa grande abertura com o mar ao fundo, uma verdadeira janela para o oceano. Lindo!

Interior de uma das muitas grutas naturais na cidade de Las Grutas, na Argentina

Interior de uma das muitas grutas naturais na cidade de Las Grutas, na Argentina


Interior de uma das muitas grutas naturais na cidade de Las Grutas, na Argentina

Interior de uma das muitas grutas naturais na cidade de Las Grutas, na Argentina


Enfim, foi um dia delicioso de descobertas e descanso nessa estrela nacional do turismo. Amanhã, migramos para outra, essa já no padrão internacional: a Península Valdez

Banho de mar na praia de Las Grutas, na Argentina

Banho de mar na praia de Las Grutas, na Argentina

Argentina, Las Grutas, Caverna, Patagônia, Praia

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Aconcágua 99: A Dura Subida e o Susto na Descida

Argentina, Aconcágua

Com o Haroldo, extenuados, no cume do Aconcágua, a montanha mais alta das Américas, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Com o Haroldo, extenuados, no cume do Aconcágua, a montanha mais alta das Américas, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


Nós não subimos o Aconcágua durante os 1000dias. Esse post conta a história de minha outra viagem para cá, no final de 1998, início de 1999. Como não tivemos tempo de tentar subir a montanha dessa vez, achei interessante contar como foi chegar ao ponto mais alto das Américas, mesmo que tendo sido em outra viagem. A história está em duas partes e esta é a segunda delas, com fotos da época. Meu companheiro daquela vez foi o Haroldo, um primo que também esteve conosco em diversas oportunidades durante os 1000dias. A última, quando subimos o vulcão Villarrica, conforme relatado nesse post

Estava tudo pronto para nossa tentativa de subir o Aconcágua. Eu e meu primo estávamos razoavelmente aclimatados, pelo menos até os 5.500 metros de altitude, tínhamos descansado um dia e meio no conforto do hotel-refúgio em Plaza de Mulas, as condições meteorológicas prometiam ser boas para os próximos dois dias e nossa barraca estava armada e nos esperando em Nido de Condores, 1.200 metros acima de onde estávamos e quase a meio caminho do cume da montanha. Aliás, essa era a nossa única dúvida: estaria mesmo a barraca armada? Nós a tínhamos deixado assim, arrumada, mas uma noite de ventos fortes nos enchia de preocupações. O único alívio nesse sentido é que um amigo que havia ficado em Nido tinha nos prometido que tomaria conta dela. Mas agora, depois da ventania, precisávamos ver com os próprios olhos.

A luz de fim de tarde ilumina a face noroeste do Aconcágua entre nuvens, visto a partir dos 5 mil metros de altitude do Pico do Bonete, em frente à montanha, na região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

A luz de fim de tarde ilumina a face noroeste do Aconcágua entre nuvens, visto a partir dos 5 mil metros de altitude do Pico do Bonete, em frente à montanha, na região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


Se não houvesse essa questão, talvez até ficássemos mais um dia em Plaza de Mulas, para descansar ainda mais um pouco e só no dia seguinte arremeter para o pico. Mas a dúvida da barraca não nos dava outra possibilidade. Então, já vestindo nossas botas duplas, enfrentamos novamente o ziguezague infinito da trilha que sobe a encosta entre os dois acampamentos, Plaza de Mulas e Nido de Condores. Dessa vez, não tínhamos o peso da carga e já estávamos muito melhor aclimatados do que na subida anterior, quando levamos a barraca. Em compensação, as botas duplas nos atrasavam. De qualquer maneira, melhor leva-las nos pés do que nas costas. Além disso, seria mais um treino para nos acostumar a elas, já que no ataque ao cume, fatalmente teríamos de usá-las.

Trilha, pontos de parada e altitudes no caminho entre Plaza de Mulas e o cume do Aconcágua, na Argentina. Nós atacamos o cume desde Nido de Condores

Trilha, pontos de parada e altitudes no caminho entre Plaza de Mulas e o cume do Aconcágua, na Argentina. Nós atacamos o cume desde Nido de Condores


Mesmo com as botas, subimos com muito mais velocidade e facilidade a temida encosta. Sinal que nossa aclimatização estava mesmo funcionando! Eu cheguei antes do Haroldo desta vez e encontrei a barraca no chão, deitada. Nosso amigo tinha achado melhor fazer isso com ela e colocou várias pedras em cima, para ancorá-la contra o vento. Muita umidade e até pequenas poças haviam se formado acima dela e eu temia sobre o que teria acontecido com nosso material que havia ficado dentro dela. Mas para checar isso, tive de esperar o Haroldo, que trazia consigo as chaves do cadeado. Quando ele chegou, eu já havia secado a barraca e a trocado de lugar, mas foi só mesmo quando ele usou as chaves para abrir a barraca e pudemos verificar que ainda estava tudo seco lá dentro que nos sentimos aliviados. Tratamos então de botá-la de pé novamente e de derreter neve para fazer nosso jantar. O Haroldo ainda defendia a tese de que deveríamos passar o dia seguinte inteiro por lá, para nos aclimatarmos mais um pouco, mas o estímulo de nossos vizinhos de barraca e da noite serena ajudou-o a mudar de ideia. Se conseguíssemos dormir, o ataque seria mesmo no dia seguinte!

Caminhando pelo acampamento de Plaza de Mulas, aos 4.300 metros de altitude, aos pés do Aconcágua, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Caminhando pelo acampamento de Plaza de Mulas, aos 4.300 metros de altitude, aos pés do Aconcágua, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


Nós realmente dormimos bem, pelo menos enquanto havia silêncio. Mesmo com o frio abaixo dos 20 graus negativos, nossas roupas e sacos de dormir deram conta do recado. A respiração também parecia adaptada ao pouco oxigênio e não passamos por aquela experiência de ficar acordando arfantes a cada meia hora. Só que, um pouco depois da meia noite, o barulho e excitação dos vizinhos que já se preparavam para partir atrapalhou nosso descanso. Quando eles se foram, dormimos novamente, mas só até sermos acordados pelos gritos excitados do nosso amigo Augusto, um colombiano que fazia 40 anos exatamente naquele dia. Ele também estava partindo para o cume e nos estimulava a fazer o mesmo, a lua quase cheia iluminando o caminho numa noite fria, mas sem vento. Nosso plano era sair às 3 da manhã, pois queríamos estar no cume antes do meio-dia. As pessoas costumam fazer esse trecho de Nido ao cume entre 9 e 12 horas e nós estávamos calculando o nosso tempo por volta de 8 horas. Assim, teríamos ainda uma hora de margem para chegar ao cume antes da metade do dia, quando o tempo costuma fechar na região. Naquele momento, eram 15 para as três, ou seja, estava mesmo na hora de nos arrumar e partir. Agora, não tinha mais volta!

A longa subida entre Plaza de Mulas (4.300 m) e Nido de Condores (5.500 m), a caminho do cume do Aconcágua, a maior montanha das Américas, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

A longa subida entre Plaza de Mulas (4.300 m) e Nido de Condores (5.500 m), a caminho do cume do Aconcágua, a maior montanha das Américas, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


Partimos mesmo às três da manhã e era possível ver uma fileira de lanternas subindo a encosta da montanha que leva de Nido de Condores a Berlin, o próximo acampamento, 400 metros mais alto que onde estávamos. Queria muito já ter ido até lá, antes, durante o processo de aclimatização, mas não tivemos essa chance. É sempre mais fácil caminhar por território já conhecido. Meia hora depois de partirmos, neve e gelo já eram comuns na trilha. Resolvemos parar para colocar os grampões. Já vestíamos também nossas três camadas de roupas, a primeira vez desde que chegamos ao Aconcágua. Três calças, três blusas, três luvas, duas meias, gorro e capuz. Além disso, uns sacos plásticos com um pó químico que produz calor por 8 horas depois de aberto. Eles iam entre duas camadas de luvas e dos pares de meia. Os dedos dos pés e das mãos são as primeiras partes do corpo a congelarem e essa fonte extra de calor bem nessas regiões foi trazida pelos meus pais, que voltavam de viagem aos EUA. Por lá, é muito comum entre esquiadores. Por aqui, foi uma super ajuda que tivemos!

Fim de tarde no acampamento de Nido de Condores, acima dos 5.500 metros de altitude, um dos pontos de ataque ao cume do Aconcágua, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Fim de tarde no acampamento de Nido de Condores, acima dos 5.500 metros de altitude, um dos pontos de ataque ao cume do Aconcágua, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


O céu começou a clarear quando passávamos por Berlin. De volta aos 6 mil metros de altitude, foi uma grande emoção e conquista. Quinze meses antes, eu tinha chegado a 6.200 metros de altura no Nepal, subindo o Island Peak. Meu recorde até então. Mas lá, o tempo de aclimatação havia sido muito mais longo, caminhando até a base do Everest. Enfim, acima disso, estava entrando em território desconhecido. Eu e o Haroldo vínhamos acelerados, ultrapassando as outras pessoas que seguiam para o cume. Já sem a fileira de lanternas à nossa frente para nos guiar, até perdemos um certo tempo depois de Berlin, procurando o caminho. Mas acabamos por nos encontrar e aceleramos novamente. Foi quando os problemas de verdade começaram...

Aproximando-se do cume do Aconcágua, a maior montanha do continente, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Aproximando-se do cume do Aconcágua, a maior montanha do continente, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


Sem sentir cansaço, dor de cabeça ou náusea, de repente, minhas energias terminaram. Acho que a pressão baixou e tudo o que eu queria era deitar e descansar. Obviamente, o Haroldo se assustou e decretou que deveríamos voltar imediatamente. Como eu não estava sentindo nenhum outro sintoma do mal de altitude, finquei o pé e respondi que queria apenas sentar e descansar, dar um tempo para ver se melhorava. Um guia que passava levando seu grupo por ali nos aconselhou a fazer exatamente isso, para minha alegria e tristeza do Haroldo. Aproveitei o descanso para me encher de chocolate e mandar energia para dentro. Dez minutos mais tarde, retomamos a marcha, o Haroldo ainda muito preocupado. Novamente, ele insistiu para que descêssemos. Dizia que eu estava me comportando estranhamente, de maneira quase errática. Eu quis seguir em frente e foi só quando começamos a ultrapassar as pessoas novamente que ele ganhou confiança de novo. A esta altura, o sol começava a raiar atrás do Aconcágua que projetava sua sombra sobre nuvens mais baixas por centenas de quilômetros. Ainda inebriado e assistindo este que foi um dos maiores espetáculos da minha vida, eu me emocionei. Que cena mais magnífica, naquela altitude e com a atmosfera limpíssima, foi a sombra mais comprida que já vi. Acho que chegava até o Oceano Pacífico!

Com o Haroldo, extenuados, no cume do Aconcágua, a montanha mais alta das Américas, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Com o Haroldo, extenuados, no cume do Aconcágua, a montanha mais alta das Américas, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


Passávamos agora por Independencia, um pequeno refúgio a 6.350 metros de altitude, o mais alto do mundo. É quase como se fosse uma casinha de cachorro, mas sem telhado. Atualmente, serve apenas para emergências, mas foi construído por uma expedição alemã que perdeu aí um companheiro. A última construção humana antes do pico, ainda 600 metros acima de nós. O dia já clareava e a luz facilita muito a caminhada. Chegou bem a tempo de passarmos a temida “Canaleta”, o lugar mais perigoso da rota normal. Precisamos cruzar uma encosta coberta de gelo e neve e muito exposta ao vento. É aí que os grampões são mais necessários. Um passo em falso, um escorregão, e vamos deslizar por centenas de metros montanha abaixo. Eu me concentrei, foquei e segui em frente, sem olhar para baixo ou para os lados. Um passo de cada vez, pisando bem firme e fincando meus grampões firmemente no gelo. Cinco minutos de sufoco e estava do lado de lá, aliviado. O Haroldo ficou mais tempo por lá, buscando coragem e concentração. Acabou vindo também, mas já tinha ficado para trás.

Felizes e vitoriosos, aos 6.962 metros de altitude, no cume do Aconcágua, a mais alta montanha do hemisfério, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Felizes e vitoriosos, aos 6.962 metros de altitude, no cume do Aconcágua, a mais alta montanha do hemisfério, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


Agora, só me restava vencer a “canaleta”, uma longa encosta formada por pedra e areia bem solta. Dois passos para frente, um passo escorregado para trás. Um inferno, principalmente naquela altitude onde qualquer passo é um grande esforço. Mentalmente, eu me esforçava ao máximo. Tentava dar dez passos sem parar e aí, tempo para respirar. Parece até piada e deve ser difícil de entender para quem nunca caminhou nessas alturas. Mas é assim mesmo, dez passos me levavam à exaustão, o coração acelerado na garganta. Apesar do enorme esforço físico, é o esforço mental o maior de todos. Fui subindo e subindo, os meus dez passos mais eficientes que os “dez passos” dos outros. Continuei passando as pessoas até que, pouco depois das 11 da manhã, cheguei ao cume. O terceiro a chegar lá naquele dia. Naquele momento, éramos as pessoas mais altas do planeta, já que Janeiro não é um mês de escaladas na Ásia, onde estão as únicas montanhas mais altas que o Aconcágua.

Vista do imponente cume sul do Aconcágua, um pouco mais baixo que seu cume norte, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Vista do imponente cume sul do Aconcágua, um pouco mais baixo que seu cume norte, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


A emoção de lá chegar, depois de tantos sustos e esforços, foi incontrolável. Logo estava em lágrimas. Toda a América sob meus pés! Um horizonte quase infinito para onde quer que se olhe. Centenas de picos nevados de montanhas, todos abaixo de nós. Vinte minutos mais tarde chegava o Haroldo, muito emocionado também. Naquelas altitudes, 20 minutos significam algo entre 100 e 200 metros. Somos realmente tartarugas nesse trecho final. Tiramos nossas fotos, filmamos e celebramos muito. A cada pessoa que chegava, era mais uma choradeira. Ninguém se contem numa hora dessas. Eu tinha até carregado uma garrafa de vinho lá para cima para celebrar, mas achamos melhor deixar para abri-la lá embaixo. Já estávamos inebriados o bastante.

Ficamos cerca de uma hora e meia no cume, enquanto outras poucas pessoas chegavam e partiam. Chegou a nossa vez, a uma da tarde. O Haroldo saiu antes e eu ainda fiquei admirando o cume da parede sul da montanha, a rota mais difícil de se chegar até aqui. Depois, pé na tábua para alcançar o Haroldo. Estávamos os dois muito cansados e lentos, eu mais do que ele. Quando chegamos à Travessia, vimos as barracas de Nido lá embaixo. Tivemos a brilhante ideia de cortar caminho pelo “Gran Carrero”, uma enorme descida de areia e pedras soltas que seguia diretamente para lá. Com isso, evitaríamos o perigo da Travessia e conheceríamos um novo caminho. Mesmo já tendo sido avisados antes que essa era uma péssima escolha, ignoramos o bom senso. Na verdade, naquela altura, nosso “bom senso” estava funcionado de uma maneira diferente. Bastaram alguns minutos descendo o tal Gran Carrero para perceber a burrada. De longe, parecia um caminho tranquilo. De perto, a verdade: uma mistura de gelo e rocha interminável, os grampões ajudando aqui e sendo um estorvo ali. Progredíamos muito lentamente. E ainda tínhamos de nos desviar de obstáculos como grandes rochas, valas e pequenos morrotes. Num desses desvios, cada um tentando achar o melhor caminho, acabamos por nos separar.

Após chegarmos ao cume do Aconcágua, celebração com vinho com nosso amigo colombiano Augusto, que fazia 40 anos, no refúgio em Plaza de Mulas, aos pés da montanha, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Após chegarmos ao cume do Aconcágua, celebração com vinho com nosso amigo colombiano Augusto, que fazia 40 anos, no refúgio em Plaza de Mulas, aos pés da montanha, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


Pois é, com o cérebro trabalhando com um décimo da capacidade, tanto pelo cansaço como pela falta de oxigênio, mesmo estando em uma paisagem completamente aberta onde se pode ver centenas de metros em cada direção, acabamos nos perdendo um do outro. Eu achava que o Haroldo estava mais à frente e fui baixando, baixando. Ele achava que eu tinha me perdido e ficou por lá me procurando e, mais tarde, resolveu subir para pedir ajuda. Quando eu cheguei na barraca, já perto das 19 horas, descobri que ele não estava lá. E ele, depois de não conseguir pedir ajuda, achou melhor descer, mas a essa altura o tempo tinha fechado, uma névoa cobrindo tudo, ele perdeu seu senso de direção e caminhou na direção errada. Lá embaixo, preocupadíssimo, procuro notícias pelo rádio do guarda-parque. Sou informado que um brasileiro com a descrição do Haroldo havia se acidentado, mas que estava bem em Berlin. Desceria no dia seguinte. Não era o Haroldo. Agora, já no escuro, pouco abaixo dos 5 mil metros e sem nenhum lugar para se proteger, ele buscava sobreviver na noite gelada de 20 graus negativos. Muito vento, água congelada em seu cantil. Quando conseguia dormir um pouco, vozes o faziam acordar e se movimentar. Que vozes? Ele não sabe dizer, mas melhor seguir o conselho delas...

Despedida do simpático staff do refúgio em Plaza de Mulas, o hotel mais alto do mundo, aos pés do Aconcágua, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Despedida do simpático staff do refúgio em Plaza de Mulas, o hotel mais alto do mundo, aos pés do Aconcágua, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


No dia seguinte cedo, nada do Haroldo aparecer. Voltei a falar com os guarda-parques e percebi que a pessoa acidentada na véspera não era o Haroldo. Não havia notícia dele. Disparei montanha acima novamente, rumo a Berlin. Devo ter feito em metade do tempo do dia anterior. Lá, ninguém sabia do Haroldo. Achei alguém com rádio, mas sem pilhas. Estava quase subindo mais para entrar no Gran Carrero lá em cima e voltar por lá, procurando meu primo. Um pouco antes disso, achei alguém com pilhas, mas sem rádio. Aí, foi só juntar as pessoas para conseguir fazer o rádio funcionar. Falamos com o guarda-parque lá e Plaza de Mulas. O Haroldo tinha acabado de passar por lá, cinco minutos antes. Quando o dia clareou, ele conseguiu se orientar novamente e veio descendo. Quando finalmente chegou ao fim do Gran Carrero, estava um pouco abaixo de Cambio Pendiente. Não teria forças para subir de volta até Nido. Achou melhor continuar descendo e seguir até Plaza de Mulas, onde foi falar com os guarda-parques e médicos. Tinha tido princípio de congelamento em vários dedos, mas nada que fosse irreversível. Foi com grande emoção que ouvimos nossas vozes, eu ainda em Berlin e ele já no hotel-refúgio, meia hora mais tarde. Até uma hora antes, nós dois temíamos pela vida do outro.

Início da caminhada de volta, de Plaza de Mulas para a entrada do parque Aconcágua, região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Início da caminhada de volta, de Plaza de Mulas para a entrada do parque Aconcágua, região de Mendoza, oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


Com grande alívio, desci de volta a Nido e desarmei a barraca. Tentei levar tudo para baixo, empacotado nas nossas duas mochilas. Impossível! Passando por Cambio Pendiente, deixei uma das mochilas com uns sul-africanos, com a promessa de buscá-la no dia seguinte. Voltei até o hotel para reencontrar o primo perdido, mas nem pensamos em armar a barraca. Depois de uma história dessas, pagaríamos, de bom grado, mais uma noite no hotel. A noite foi de grande celebração. Tínhamos feito o pico e, entre mortos e feridos, salvaram-se todos. Nosso amigo colombiano tinha sido o último a chegar lá, já no fim de tarde, quando o tempo havia aberto novamente. Passou seus 40 anos no cume do Aconcágua. Que privilégio! Compartiu conosco a garrafa de vinho que tinha ido passear no teto da América e voltado intocada. Restava apenas buscar a mochila no alto daquela enorme encosta. O Haroldo estava querendo pagar 100 dólares para alguém fazer isso, mas eu me ofereci e insisti. Assim, no dia seguinte, mais uma e pela última vez, subi aquela encosta. Mais aclimatado do que nunca, fiz isso quase voando. Recuperei a mochila e voltei para nossa última tarde e noite no hotel refúgio.

Uma merecida cerveja gelada em Puente del Inca, após vários dias escalando o Aconcágua, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)

Uma merecida cerveja gelada em Puente del Inca, após vários dias escalando o Aconcágua, no oeste da Argentina (temporada de 1998/99)


No dia seguinte, dia 9 de Janeiro, fizemos a longa caminhada de volta, de Plaza de Mulas à Puente del Inca, sem parar em Confluencia. Para o Haroldo, o sacrifício foi maior, pois seus dedos estavam todos negros pelo quase congelamento, várias unhas para cair. Para baixo, dispensamos ajuda da mula e carregamos todo o peso. Chegando a Puente, uma merecida cerveja gelada. Depois, um banho quente nas águas termais embaixo da Puente del Inca. Hoje, infelizmente, esses banhos estão interditados. Mas naquela época, apesar de não serem um primor de limpeza, era uma delícia. Principalmente para relaxar os músculos após tanto esforço nos dias anteriores. Foi o final feliz de uma história que, por pouco, não terminou muito mal. Chegamos juntos ao topo da Américas e voltamos vivos e com muitas histórias para contar. O grande susto foi só o tempero, uma emoção a mais para prender a atenção dos expectadores. Uma experiência inesquecível e um aprendizado para toda a vida. Mais do que nunca, e agora por experiência própria, vamos acreditar naquele clichê de que “chegar ao cume de uma montanha é apenas metade do caminho”! Todo clichê tem sua razão de ser, ou não teria se tornado um clichê!

Argentina, Aconcágua, Montanha, Nido de Condores, Parque, trilha, ViagemAntiga

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Que Sufoco!

Brasil, Tocantins, São Félix do Tocantins, Maranhão, Alto Parnaíba

Pra vencer essa rampa, foi preciso ajuda do guincho, no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

Pra vencer essa rampa, foi preciso ajuda do guincho, no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão


Bem cedo hoje tivemos mais uma conversa com o Jaime. De novo, repassamos as dicas sobre o trajeto. Seriam 70 km de estradas e trilhas sem nenhuma casa ou ponto de apoio no caminho, até chegar à comunidade do Prata, no Tocantins. De lá, mais 30 km até São Félix, já por uma estrada encascalhada. A gente agradeceu muito pela hospedagem e nos despedimos. Era 07:30 e estávamos ansiosos por partir.

Com o Jaime, que nos recebeu na comunidade de Riozinho, região de Alto Parnaíba - MA

Com o Jaime, que nos recebeu na comunidade de Riozinho, região de Alto Parnaíba - MA


Preparando-se para partir, no segundo dia da travessia Maranhão-Jalapão (na comunidade de Riozinho, região de Alto Parnaíba - MA)

Preparando-se para partir, no segundo dia da travessia Maranhão-Jalapão (na comunidade de Riozinho, região de Alto Parnaíba - MA)


A primeira parte da viagem foi tranquila, chegar até o ponto de onde havíamos retornado ontem. Quando se sabe o caminho, ou se tem certeza de estar no rumo certo, a história é outra! Subimos a ladeira, pegamos à direita na bifurcação, seguimos até a cancela, esquerda na bifurcação, seguimos até a ponte com a cancela e chegamos à erosão que nos fez voltar. Até lá, pouco mais de 15 km. Desta vez, seguros de si, tiramos a erosão de letra. Aí, um quilômetro à frente, acabou a moleza...

Fiona enfrenta as estradas inclinadas de areia no P.N das Nascentes do Parnaíba, estremos sul do Maranhão

Fiona enfrenta as estradas inclinadas de areia no P.N das Nascentes do Parnaíba, estremos sul do Maranhão


Nesse ponto, a estrada vira à direita e, um pouco à frente, tem uma ponte em péssimo estado. O Jaime disse que não conseguiríamos passar por lá. Segundo ele, três jipes fizeram a trilha há uma semana (os últimos carros por aqui) e, nesta ponte, pelejaram, pelejaram e desistiram. Acabaram passando por esse caminho alternativo que ele nos sugeriu. Uma légua (usam muito essa medida por aqui; uma légua = seis quilômetros) por cima do mato até encontrar a estrada do Porto Alegre. Assim sendo, nem fomos até a tal ponte e seguimos os jipeiros, procurando passar por cima dos trilhos deixados por eles. Toda a paciência do mundo, bem devagarzinho, preocupado com tocos de madeira que furassem os pneus. Pelo GPS, a gente acompanhava a estrada do Porto Alegre lá longe, se aproximando. Após um bom tempo, fizemos contato visual com ela. Que felicidade!!! Mais outro tempo e a encontramos. Vitória! Uma estrada de verdade à nossa frente.

Fiona enfrenta trilha de areia no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

Fiona enfrenta trilha de areia no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão


Mas a alegria durou pouco. A estrada logo se deteriorou, cheia de erosões. Fomos driblando elas até chegarmos num ponto onde ela simplesmente sumia, no meio de um campo de areia e árvores. Será que a gente tinha perdido alguma saída? Voltamos para trás e viemos novamente, devagar. Não, era por ali mesmo... Lá estavam os rastros dos jipes. Indo de um lado para o outro neste campo de areia, deu para ver que eles também haviam se perdido por lá. Eu e a Ana, por meia hora, caminhando pelas redondezas, procuramos a outra ponta da estrada. E achamos!!! YES! O problema agora era chegar lá, passando por moitas, areias e troncos... E mais, logo no início, uma rampa subindo uma grota, cheia de buracos...

A Chapada das Mangabeiras, no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

A Chapada das Mangabeiras, no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão


Uma coisa de cada vez! Estudamos o melhor caminho, a Ana veio fora do carro, e eu com a Fiona passando por cima dos obstáculos, acelerado. Passamos! Agora, para subir a rampa, usamos nossas pranchas de alumínio. Deu algum trabalho, mas passamos. Estávamos de novo na estrada!!!

Tentando vencer rampa esburacada no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

Tentando vencer rampa esburacada no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão


Mas não dava para relaxar. Logo vieram mais erosões e mais grotas. Bem que o Jaime avisou: "O problema desse caminho é que vocês vão ter de passar por umas grotas cavernosas. Mas, com jeito passam". Se a ponte não estivesse ruim, já sairíamos na frente de tudo isso. Bom, viemos passando por elas até que a pior de todas apareceu. Uma rampa de uns vinte metros e inclinação que chegava a quase 60 graus. E o pior, com dois buracos lá no alto. Impossível desviar deles, já que a largura da passagem na grota era a mesma largura da Fiona.

Tentando vencer rampa esburacada no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

Tentando vencer rampa esburacada no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão


Mas não tínhamos alternativa. Era seguir ou seguir. A idéia de retornar era mais amedrontadora ainda. Marcha reduzida, lá fomos nós. A Fiona foi que foi mas, lá no alto, ponto máximo da inclinação, duas rodas nos buracos, foi demais para ela. Aí, foi aquele filme clássico de lutas marciais: "Retroceder, Nunca! Render-se, Jamais!" Pé no freio, não voltei nem um centímetro. Mas, qualquer acelerada, as rodas aumentavam mais ainda o buraco. E assim, com a Fiona quase pendurada e inclinada a 60 graus, eu segurando ela no câmbio e nos dois freios, a Ana desceu do carro, abriu o porta-malas dela, pegou o material do guincho, e montou-o numa árvore próxima. Dessa vez, contra o guincho e o motor, quem pediu água foi a rampa!

Pra vencer essa rampa, foi preciso ajuda do guincho, no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

Pra vencer essa rampa, foi preciso ajuda do guincho, no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão


Logo depois dela, apareceu a estrada que vinha da segunda ponte. Puxa, se ela não estivesse arrebentada... Daí para frente, muita areia em alguns trechos e erosões em outras, sempre com algum desvio escondido no mato. Por fim, chegamos à terceira e última ponte. Aí, uns minutos de descanso e refresco no rio. Aparentemente, nada mais nos impediria...

Feliz após subir a temível 'ladeira nova', no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

Feliz após subir a temível "ladeira nova", no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão


Mais outra ilusão. Outra légua à frente, depois de muita areia e charcos, mais uma bifurcação. Uma que o Jaime não nos previniu. Resolvemos seguir o bendito GPS (desde o encontro com a estrada de Porto Alegre, estávamos na rota dele). Só para descobrir que, outra légua à frente a estrada sumia novamente. De novo, passamos uma meia hora procurando a continuação. Percebemos que os jipeiros também tinham chegado até lá. Mas os rastros também não íam para frente. A tarde começava a chegar e nós preocupados, sem quase nada de comida, sobre onde dormiríamos. Retornar, agora, tinha ficado mais impossível ainda.

A terrível 'ladeira nova', no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

A terrível "ladeira nova", no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão


Não até a bifurcação. Foi o que fizemos. A estrada estava bem razoável, mas com poucos rastros. Estava cada vez mais certo que aquele era outro caminho que me levaria a algum lugar, não São Félix, mas algum lugar. Qualquer lugar já estaria bom, àquela altura. A Ana, mais otimista, achava que estávamos certos. Até que, para nossa felicidade, essa estrada juntou-se com outra e lá estavam os rastros! Obaaa!

GPS mostra nosso caminho 'alternativo' (em azul), fora da estrada (em rosa), no momento em que entramos no Tocantins

GPS mostra nosso caminho "alternativo" (em azul), fora da estrada (em rosa), no momento em que entramos no Tocantins


Foi aí que apareceu o último ponto de referência dado pelo Jaime, o que comprovou de forma definitiva que estávamos, de novo, no caminho certo: a mãe de todas as ladeiras! Ao vê-la de baixo, impossível não se assustar: "Mas, dá para subir isso???" Os rastros comprovavam que sim. Reduzida na Fiona novamente e lá fomos nós. Força, força, força e chegamos no alto! Yupiiiee.... naaaaaão!!!! Foi fazermos a curva e a segunda parte da ladeira, pior do que a primeira, nos esperava! Nossa senhora...

Estrada inclinada para a esquerda, no P.N. Nascentes do Parnaíba, região de São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO

Estrada inclinada para a esquerda, no P.N. Nascentes do Parnaíba, região de São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO


Respiramos fundo, subimos à pé para analisar, a Ana ficou lá encima fotografando e filmando e eu desci para buscar a Fiona. Ela veio que veio e chegamos ao topo! Lá de cima, vista fantástica do P.N das Nascentes do Parnaíba e da Chapada das Mangabeiras.

Preparando-se para cruzar um rio, no P.N. Nascentes do Parnaíba, região de São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO

Preparando-se para cruzar um rio, no P.N. Nascentes do Parnaíba, região de São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO


Lá encima, antramos no Tocantins e a estrada finalmente ficou um pouco melhor, apenas areia e inclinações laterais. Só tivemos chance de um último susto: ao atravessar um rio, ele era muito mais fundo que imaginávamos e a Fiona ameaçou ficar. Mas no fim, passou e ainda saiu lavada e renovada do outro lado, hehehe. Quem não gostou foi a Ana, que tinha descido do carro para filmar e ficou do lado de lá. Eu falei que a Fiona não passava mais pelo rio. Mas, como forma de solidariedade, eu passei a pé para a outra borda e voltamos juntos para a Fiona.

Fiona atravessa rio no P.N Nascentes do Parnaíba, município de São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO

Fiona atravessa rio no P.N Nascentes do Parnaíba, município de São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO


Poucos quilômetros à frente, a estrada encascalhada que liga Mateiros à São Félix. Para nós, uma verdadeira autoestrada. E, logo ali, a comunidade do Prata. Casas! Pessoas! Civilização! Que coisa diferente, hehehe! Para nós, uma miragem! Que alívio! Meia hora depois, chegávamos à São Félix, onde fomos diretamente para a Pousada Capim Dourado, dica do amigo Luís. Ainda tínhamos umas duas horas de luz e queriamos muito, mas muito mesmo, alguma água, rio, cachoeira ou fervedouro para relaxar. A gente merecia!

Flõr de cerrado no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

Flõr de cerrado no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão


Mas, mais do que nós, quem merece boa parte dos méritos é a Fiona! Aguentou bravamente! Areia, terra, barro, charco, mato, troncos, galhos, pedras, buracos, ladeiras, grotas e tudo mais, ela aguentou tudo sem reclamar, garantindo para nós uma bolha de conforto naquele mundão hostil. Quando saíamos dela para procurar o caminho, cavar ou simplesmente olhar, as mutucas e o calor infernal atacavam. De volta para ela, lá estava nosso universo particular, refrescante. Fiona e seus pneus, nosso muito obrigado pela aventura com final feliz!

Fiona no cerrado do P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

Fiona no cerrado do P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

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