1 Blog do Rodrigo - 1000 dias

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SHUFFLE Há 1 ano: México Há 2 anos: México

Escalando no Potrero Chico

México, Potrero Chico

Escalador enfrenta os paredões de Potrero Chico, no nordeste do México

Escalador enfrenta os paredões de Potrero Chico, no nordeste do México


Deixamos a cidade de Monterrey para trás, tomando o rumo noroeste, em direção ao Potrero Chico. A indicação foi do Jeremy, o dono do apartamento que ficamos lá em Boulder, no Colorado. Ele é um entusiasta e praticante da escalada em rocha e quando soube que passaríamos na região de Monterrey, foi enfático: “Vocês têm de ir ao Potrero Chico. É um dos melhores pontos para se escalar no mundo!”. Vivendo e aprendendo...

Chegando à Potrero Chico, no nordeste do México

Chegando à Potrero Chico, no nordeste do México


Por aqui, estudando com mais cuidado as possibilidades ao redor da cidade, descobrimos que seria possível ficar semanas explorando as montanhas, para todos os lados. Mas muitos dos programas são melhor aproveitados no verão, já que hã rios ou cachoeiras. Ao final, optamos mesmo pelo Potrero. Afinal, fizemos um curso de escalada antes da viagem e quase não tivemos a chance de praticar de verdade. A última vez foi lá em Passa e Fica, na fronteira de Paraíba e Rio Grande do Norte. Já estava mais do que na hora de desenferrujarmos o equilíbrio e a força nos dedos , além d enfrentarmos a vertigem e nossos medos primitivos.

As enormes paredes de Potrero Chico, no nordeste do México

As enormes paredes de Potrero Chico, no nordeste do México


São centenas de rotas de escalada nas paredes e encostas de Potrero Chico, no nordeste do México

São centenas de rotas de escalada nas paredes e encostas de Potrero Chico, no nordeste do México


A viagem é curta, cerca de uma hora, por estradas cada vez mais secundárias. Uma delícia deixar os engarrafamentos para trás e chegar numa estrada vazia! Era o meio da tarde quando chegamos ao Potrero, enormes montanhas de pedra repleta de paredões e encostas, belíssimos de longe, amedrontadores para olhos destreinados, mas hipnóticos para amantes das escaladas. Essas paredes possuem mais de quinhentas rotas catalogadas, algumas com poucas dezenas de metros e propícias à iniciantes do esporte e outras que seguem até o cume da montanha, mais de quinhentos metros de paredes e que exigem muita técnica e sangue frio para serem vencidas.

Caminhando pelo parque de Potrero Chico, no nordeste do México

Caminhando pelo parque de Potrero Chico, no nordeste do México


Caminhando pelo parque de Potrero Chico, no nordeste do México

Caminhando pelo parque de Potrero Chico, no nordeste do México


O local explodiu para o turismo alguns anos atrás, mas a situação de violência no México alardeada pela imprensa acabou por afastar boa parte dos visitantes e hoje o movimento é bem mais tranquilo. Mas quem vem, não se arrepende. Muitos ficam semanas ou até meses a fio, escalando seis dias por semana, sem repetir caminhos ou rotas e descansando no sétimo, regra de ouro no esporte. As acomodações não são caras e há também vários campings. Como o esporte quase não requer gastos depois que se tenha o equipamento, os alpinistas acabam vivendo seu sonho de vida: compras no supermercado para a semana, camping pagando 5 dólares por dia e escaladas o dia inteiro. Passam um mês inteiro praticamente sem gastar e fazendo o que mais gostam. Na verdade, o maior gasto acaba sendo a cerveja no fim do dia, outra regra de ouro para a maioria dos praticantes.

A região de Potrero Chico, no nordeste do México

A região de Potrero Chico, no nordeste do México


Após um dia de escaladas turistas voltam para seus acampamentos e pousadas em Potrero Chico, no nordeste do México

Após um dia de escaladas turistas voltam para seus acampamentos e pousadas em Potrero Chico, no nordeste do México


Ontem, chegamos meio tarde para escalar, mas conseguimos deixar tudo acertado para o dia de hoje. Conseguimos um guia, o Edgar, que vai forneceria equipamento (sapatos, cadeirinhas, capacetes e, claro, a corda!) e levaria sua simpática namorada alemã, a Mili, para o auxiliar. Entre a barraca e um quarto grande com camas limpas e um descontão, ficamos com o segundo, a um quilômetro da entrada do parque. Tudo acertado, pudemos seguir para o parque para aproveitar as últimas horas do dia, admirando tanto a paisagem exuberante como os escaladores que enfrentavam as paredes de pedra. Dezenas deles, felizes da vida, cada dupla ou grupo em sua parede. Com tantas possibilidades e níveis de dificuldade, realmente é fácil entender porque eles gostam tanto daqui.

Nosso guia Edgard faz a segurança de sua namorada Mili em Potrero Chico, no nordeste do México

Nosso guia Edgard faz a segurança de sua namorada Mili em Potrero Chico, no nordeste do México


A Mili coloca a corda guia para nós, em parede de Potrero Chico, no nordeste do México

A Mili coloca a corda guia para nós, em parede de Potrero Chico, no nordeste do México


A noite, longe das luzes de cidades e no meios de enormes torres de pedra iluminadas pelo luar foi bem especial. Jantar caseiro na pousada mesmo, muitos alpinistas disputando a cozinha para fazer as próprias refeições, todo mundo na maior social. Fizemos a nossa também (a social, pois a refeição foi comprada!) e fomos para a cama pois o dia de hoje começaria cedo.

Fiona estacionada em frente ao local da nossa primeira escalada, em Potrero Chico, no nordeste do México

Fiona estacionada em frente ao local da nossa primeira escalada, em Potrero Chico, no nordeste do México


A Ana enfrenta a nossa primeira parede do dia, em Potrero Chico, no nordeste do México

A Ana enfrenta a nossa primeira parede do dia, em Potrero Chico, no nordeste do México


E começou mesmo, com sanduíches preparados ontem e pegando o guia e sua assistente no camping deles para, juntos, irmos ao parque. O Edgard já mora aqui há muito tempo e é profundo conhecedor das centenas de rotas. Já tinha escolhido aonde nos levar, paredes um pouco mais fáceis para alpinistas pouco experientes (nós!).

A Ana chega ao topo da primeira escalada em Potrero Chico, no nordeste do México

A Ana chega ao topo da primeira escalada em Potrero Chico, no nordeste do México


Subindo nossa primeira parede em Potrero Chico, no nordeste do México

Subindo nossa primeira parede em Potrero Chico, no nordeste do México


Ele mesmo, ficou o tempo todo na tranquilidade. Mostrava a rota para a Mili e ela subia, abrindo a via para nós e colocando a corda guia. Embaixo, o Edgard fazia a segurança. Colocada a corda, a Ana partia antes, muito corajosa e desbravadora, eu embaixo tirando fotos. Ela subiu com muito mais tranquilidade que eu esperava, ainda mais que a parede era bem inclinada, o que até nos atemorizou um pouco no início. Mas era só começar a subir que o temor passava e as velhas habilidades renasciam.

Olhando para baixo, do ponto mais alto da nossa primeira escalada do dia em Potrero Chico, no nordeste do México. A Fiona ficou pequenininha!

Olhando para baixo, do ponto mais alto da nossa primeira escalada do dia em Potrero Chico, no nordeste do México. A Fiona ficou pequenininha!


Observando a Mili abrir a via para nós, em Potrero Chico, no nordeste do México

Observando a Mili abrir a via para nós, em Potrero Chico, no nordeste do México


A primeira parede, mais de vinte metros de altura, subimos ainda na sombra. O frio entorpece as mão e dificulta a subida, pois sem sensibilidade, não sentimos bem as agarras. Mas com esforço, mas meu do que da Ana, chegamos lá em cima, um de cada vez. Uma deliciosa sensação de vitória que há muito não sentíamos.

A Ana pronta para a segunda parede em Potrero Chico, no nordeste do México

A Ana pronta para a segunda parede em Potrero Chico, no nordeste do México


A Ana negocia com a parede na nossa segunda via em Potrero Chico, no nordeste do México

A Ana negocia com a parede na nossa segunda via em Potrero Chico, no nordeste do México


Na segunda subida, outra vez um pouco mais de 20 metros, havia até um trecho na diagonal. Outra vez a Mili colocou as cordas e depois, o Edgard nos deu segurança. Sem o frio para atrapalhar, já foi bem mais fácil. Estávamos melhorando! A vontade era passar uma semana por ali e ficar craque no esporte. Não pode haver melhor lugar para treinar! Mas já era meio-dia e tínhamos uma longa viagem pela frente.

Outros escaladores enfrentam parede em Potrero Chico, no nordeste do México

Outros escaladores enfrentam parede em Potrero Chico, no nordeste do México


Com nosso guia Edgard e sua namorada alemã, a Mili, em Potrero Chico, no nordeste do México

Com nosso guia Edgard e sua namorada alemã, a Mili, em Potrero Chico, no nordeste do México


Deixamos o Potrero super felizes de termos passado e por lá e, principalmente, por termos escalado um pouco. Graças ao Jeremy, que nos deu a ideia, e ao Edgard e à Mili, que nos guiaram e ajudaram. Mas também ficamos muito felizes conosco mesmo. Nossa iniciativa e insistência em enfrentar nossos medos, inércia e preguiça foram recompensados de uma maneira maravilhosa. Sinal de que, quando a oportunidade aparecer, não podemos deixar passar. E não deixaremos!

Chegando ao alto da segunda escalada do dia em Potrero Chico, no nordeste do México

Chegando ao alto da segunda escalada do dia em Potrero Chico, no nordeste do México

México, Potrero Chico, Parque

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Lanín: Rumo ao Campo Base

Argentina, Junín de Los Andes

O campo base das expedições que sobem o vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina. A tenda vermelha é do exército argentino

O campo base das expedições que sobem o vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina. A tenda vermelha é do exército argentino


O principal motivo para essa nossa volta relâmpago à Argentina foi a vontade de subir o vulcão Lanín. É claro que a possibilidade de comer um bom churrasco, de conhecer uma nova cidade e de matar a saudade dos hermanos também tiveram sua parcela de “culpa”, mas foi mesmo o desafio do vulcão que nos trouxe para o outro lado da fronteira. Quando subimos o Villarrica três dias atrás, lá estava o Lanín, no nosso horizonte, a nos chamar. Ouvimos e viemos.

O vulcão Lanín, com 3.776 metros de altitude, na região de Junín de Los Andes, na Argentina

O vulcão Lanín, com 3.776 metros de altitude, na região de Junín de Los Andes, na Argentina


Preparativos e instruções para o início da caminhada até o vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina

Preparativos e instruções para o início da caminhada até o vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina


Cerca de mil metros mais alto que o vulcão chileno, o Lanín é, na verdade, a mais alta montanha de toda a região. Para o sul, daqui até a Terra do Fogo, a mais de 1.500 km de distância, apenas o Cerro San Valentín, do lado chileno dos Andes, é mais alto. Para norte, são precisos quase 300 km para chegarmos ao norte da província de Neuquén e às primeiras montanhas gigantes do grupo do Aconcágua, muitas acima dos 6 mil metros. Para nós, era a primeira chance de superar os 3,5 mil metros de altitude desde que passamos pelo Paso San Francisco, entre Argentina e Chile, no dia 2 de Outubro.

A Ana está pronta e animada para subir o vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina

A Ana está pronta e animada para subir o vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina


Nosso grupo começa a caminhar em direção ao vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina

Nosso grupo começa a caminhar em direção ao vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina


No dia de ontem, fomos à agência Alquimia para marcar nossa excursão ao vulcão. Foi quando descobrimos que o Lanín tem um significado muito especial no país. Ele é uma espécie de prova de fogo para aquelas pessoas que pensam em se tornar montanhistas. É quase como se fosse o nosso Pico das Agulhas Negras, só que em escala muito maior. Em um país cortado pela cordilheira dos Andes, a cultura de montanha é muito mais forte do que no Brasil. E eles, obviamente, não começam pelo Aconcágua, a mais alta montanha desse hemisfério, mas por algo “um pouco” mais baixo. Esse “algo” é o Lanín, a montanha mais popular do país. Sem querer, imaginando que estávamos quase “descobrindo” a montanha, viemos parar em um dos símbolos pátrios dos hermanos. Vivendo e aprendendo...

O início da caminhada para o vulcão Lanín atravessa antigos campos de lava ejetados pelo vulcão, na região de Junín de Los Andes, na Argentina

O início da caminhada para o vulcão Lanín atravessa antigos campos de lava ejetados pelo vulcão, na região de Junín de Los Andes, na Argentina


Caminhando rumo ao campo base para se escalar o vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina

Caminhando rumo ao campo base para se escalar o vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina


A subida não exige grande habilidade técnica. Precisamos de roupas apropriadas, grampões para caminhar em gelo e neve, e capacetes para nos proteger de pedras que costumam rolar ladeira abaixo. Além disso, é bem aconselhável que tenhamos um guia. É possível sim ir desacompanhado, mas na entrada do parque vai ser preciso mostrar ao guarda-parque todos os equipamentos de segurança obrigatórios além de provar para ele que já se é um montanhista com experiência. Se não provar, terá de dar meia volta. Aí, só com guia mesmo.

Pausa para descanso e lanche na subida do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina

Pausa para descanso e lanche na subida do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina


No início da caminhada em direção ao vulcão Lanín, um pequeno lagarto nos mostra como é fácil escalar! (região de Junín de Los Andes, na Argentina)

No início da caminhada em direção ao vulcão Lanín, um pequeno lagarto nos mostra como é fácil escalar! (região de Junín de Los Andes, na Argentina)


Essas regras mais rígidas foram impostas pelo governo para impedir o número crescente de acidentes que vinha ocorrendo, gente sem experiência imaginado que a subida era mamão com açúcar. O frio da noite, a trilha difícil de ser seguida e as pedras que rolavam montanha abaixo foram fazendo seu estrago. Hoje, o número de pessoas admitidas na trilha em um dado momento não passa de 60 e é preciso haver ao menos um guia para cada quatro clientes de cada agência. No nosso grupo, por exemplo, já que éramos seis clientes, foram dois guias. O tempo máximo na montanha, exceto em caso de emergências, é de três dias e duas noites. Aproximadamente na metade do caminho, há um refúgio e área de barracas, única área habilitada para pernoite. Ao entrar no parque, devemos informar nossa previsão de tempo para a escalada. Todas essas medidas restritivas tornaram o Lanín um lugar muito mais seguro e o número de acidentes diminuiu bastante.

Ao subirmos as encostas do vulcão Lanín, fica cada vez mais fácil admirar a beleza da região de Junín de Los Andes, na Argentina

Ao subirmos as encostas do vulcão Lanín, fica cada vez mais fácil admirar a beleza da região de Junín de Los Andes, na Argentina


A trilha vai vencendo as encostas do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina

A trilha vai vencendo as encostas do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina


Ontem, então, a gente se inscreveu no passeio e, no final da tarde, voltamos à agência para testar os equipamentos. Hoje cedo, a van da Alquimia com seus dois guias recolheu todos os clientes em suas pousadas e seguimos juntos para o Parque Nacional Lanín. De estrangeiros, havia eu, a Ana e um americano. Os outro três, argentinos, dois de General Roca e a Ada, a única outra mulher no grupo. Quer dizer, falo apenas dos clientes, porque o nosso guia chefe também era uma moça, a Isabel, auxiliada pelo Andre.

Uma selfie no campo base do vulcão Lanín, a 2.300 metros de altitude, na região de Junín de Los Andes, na Argentina

Uma selfie no campo base do vulcão Lanín, a 2.300 metros de altitude, na região de Junín de Los Andes, na Argentina


As tendas fixas das agências de turismo formam o campo base nas encostas do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina

As tendas fixas das agências de turismo formam o campo base nas encostas do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina


Na entrada do parque, recebemos as últimas instruções, passamos o protetor solar, dividimos o peso entre as diversas mochilas e partimos para a longa caminhada. Estávamos a 1.200 metros de altitude e o objetivo do dia era chegar até o Campo Base, pouco abaixo dos 2.400 metros de altura. Mais do que o ganho vertical, a caminhada tem um longo deslocamento horizontal, a caminhada até a base da montanha e depois, lentamente, ganhando altitude em suas encostas.

Descansando e admirando a vista no campo base nas encostas do vulcão Lanín, a 2.300 metros de altitude, na região de Junín de Los Andes, na Argentina

Descansando e admirando a vista no campo base nas encostas do vulcão Lanín, a 2.300 metros de altitude, na região de Junín de Los Andes, na Argentina


Aproveitando o calor dentro da tenda da expedição, aos 2.300 metros de altitude, campo base para subir o vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina

Aproveitando o calor dentro da tenda da expedição, aos 2.300 metros de altitude, campo base para subir o vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina


O dia estava lindo, céu azul e sol radiante e nós fomos caminhando tranquilamente, aproveitando o tempo para admirar a paisagem que ficava para baixo, além de nos conhecer melhor. Quando chegamos às encostas do vulcão, uma parada para lanche e descanso e, em seguida, começamos a ganhar altitude, seguindo pela crista de antigos fluxos piroclásticos hoje transformados em montanhas de entulho. Cada vez mais no meio daquela vastidão, cada vez mais a sensação de insignificância perto da grandeza dessa montanha.

A nossa tenda cozinha, no campo base instalado nas encostas do vulcão Lanín, a 2.300 metros de altitude, na região de Junín de Los Andes, na Argentina

A nossa tenda cozinha, no campo base instalado nas encostas do vulcão Lanín, a 2.300 metros de altitude, na região de Junín de Los Andes, na Argentina


Interior da nossa tenda cozinha (e refeitório), no campo base para subir o vilcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina

Interior da nossa tenda cozinha (e refeitório), no campo base para subir o vilcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina


Finalmente, no meio da tarde, quase cinco horas depois de iniciarmos a caminhada, chegamos ao campo base instalado a 2.315 metros de altitude. Pelo menos assim dizia os escritos na parede do refúgio militar. Além deles, várias outras tendas fixas marcam esse pequeno platô nas encostas do Lanín. As tendas são das agências que trazem turistas aqui para cima e permanecem ali montadas durante toda a temporada de primavera-verão. Isso nos poupa o esforço de trazer o peso das barracas aqui para cima. A Alquimia tem ali uma tenda cozinha, que também serve de refeitório, e duas tendas dormitório, para quando possui mais de um grupo na montanha.

O refúgio do exército argentino no campo base do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina

O refúgio do exército argentino no campo base do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina


Parte do nosso grupo no fim de tarde no campo base para subir o vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina

Parte do nosso grupo no fim de tarde no campo base para subir o vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina


Tivemos então um tempo para relaxar, caminhar pelos arredores, aproveitar a luz de fim de tarde para tirar fotos e nos esquentar dentro das tendas que, a esta hora do dia, funcionam como estufas. Depois, quando o sol se põe, a temperatura cai rapidamente e precisamos estar todos agasalhados dentro de nossos sacos de dormir.

Fim de tarde ensolarado no campo base do Lanín, a 2.300 metros de altitude, na região de Junín de Los Andes, na Argentina

Fim de tarde ensolarado no campo base do Lanín, a 2.300 metros de altitude, na região de Junín de Los Andes, na Argentina


O cume do vulcão Lanín, quase 1,5 quilôemetro mais alto que o campo base onde estamos, na região de Junín de Los Andes, na Argentina

O cume do vulcão Lanín, quase 1,5 quilôemetro mais alto que o campo base onde estamos, na região de Junín de Los Andes, na Argentina


Mas não esperamos escurecer para nos recolher. Antes disso, as 17:00, a Isabel nos reuniu para as últimas instruções para o dia de amanhã, que começa de madrugada com uma longa caminhada sobre o gelo. Depois da reunião, hora do jantar, bastante macarrão para acumularmos energia para o esforço de amanhã. Todos animados, principalmente depois de comer. A mais tensa era a Ada, a companheira do nosso grupo que já havia tentado a montanha outra vez e conseguido chegar até aqui. Mas, na madrugada seguinte, não partiu, os músculos implorando por descanso. Hoje ela se sentia melhor e estava disposta a seguir mais adiante.

Nosso jantar no campo base do Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina

Nosso jantar no campo base do Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina


Então, recolhemo-nos todos na tenda dormitório, empilhada de sacos de dormir e mochilas. Amanhã, muito do peso que trouxemos nessa primeira etapa fica aqui no refúgio. Em compensação, teremos de caminhar com grampões, seja no gelo, onde eles são imprescindíveis, seja na rocha, onde são um estorvo. O silêncio tomou conta da grande barraca, cada um envolto em seus próprios pensamentos, a única luz aquela do céu estrelado sobre nós e que entrava pelas janelas de plástico. Era uma noite curta de sono que nos esperava...

Preparando-se para dormir e estar descansado para a madrugada, quando iremos atacar o cume do Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina

Preparando-se para dormir e estar descansado para a madrugada, quando iremos atacar o cume do Lanín, na região de Junín de Los Andes, na Argentina

Argentina, Junín de Los Andes, Lanin, Montanha, Parque, trilha, vulcão

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Maras e Moray

Peru, Maras

Os Terraços de Moray, laboratório agrícola dos incas, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Os Terraços de Moray, laboratório agrícola dos incas, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Nosso próximo destino no Valle Sagrado foram as Salinas de Maras, um pitoresco vale onde o sal é extraído continuamente, de forma comunal, desde a época dos incas. Apesar de já ter viajado por aqui antes, confesso que nunca tinha ouvido falar desse incrível lugar até um mês atrás, quando começamos a planejar o que faríamos na região de Cusco.

A bela paisagem no caminho para as Salinas de Maras, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

A bela paisagem no caminho para as Salinas de Maras, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


A bela paisagem no caminho para as Salinas de Maras, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

A bela paisagem no caminho para as Salinas de Maras, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Há 23 anos, quando vim ao Peru, contratei um dos day-tours tão comuns para conhecer o Valle Sagrado. Mas, num tempo tão curto, normalmente esses tours se atêm às atrações mais conhecidas, como Pisac e Ollantaytambo. E nós, daquela vez, ainda tínhamos de tomar o trem para Machu Picchu no final da tarde. Resultado: passamos batidos por Maras.

Em meio a um vale, surgem as Salinas de Maras, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Em meio a um vale, surgem as Salinas de Maras, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


As Salinas de Maras,com suas centenas de piscinas para produção de sal,  no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

As Salinas de Maras,com suas centenas de piscinas para produção de sal, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Mas não dessa vez, donos do nosso próprio tempo, percurso e meio de transporte! Assim, pegamos a estrada de Pisac até Urubamba, a maior e mais sem graça cidade do Valle e tomamos o caminho de volta para Cusco, na estrada que fecha o looping do Valle Sagrado. Mas logo pegamos um desvio, estrada de terra, assim que subimos a serra ao lado de Urubamba. Acima dos 3.500 metros de altitude, percorremos um platô cercado por belíssimas paisagens, montanhas nevadas ao fundo, acelerando a Fiona contra o céu de fim de tarde. Por fim, alguns quilômetros adiante, uma rachadura no platô apareceu, o vale onde se escondem as salinas.

As Salinas de Maras,com suas centenas de piscinas para produção de sal,  no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

As Salinas de Maras,com suas centenas de piscinas para produção de sal, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Os terraços e piscinas das Salinas de Maras, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Os terraços e piscinas das Salinas de Maras, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Lá de cima, a visão de centenas de piscinas brancas, formando prateleiras na montanha. A luz do sol ainda iluminava parte delas e aceleramos ainda mais para chegar até lá para tiramos fotos e caminharmos pela estranha paisagem saída de algum filme de ficção científica.

Maravilhado com as Salinas de Maras, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Maravilhado com as Salinas de Maras, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Impressionada com a beleza das Salinas de Maras, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Impressionada com a beleza das Salinas de Maras, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


E assim foi. Aproveitamos os últimos raios de sol (que se põe mais cedo em meio aquele vale profundo) para caminhar entre as tais piscinas e fotografar. Uma fonte de água salgada nasce na parte mais alta do vale e há muitos séculos os homens construíram cuidadosamente a rede de terrações por onde a água escorre, de piscina para piscina. Aos poucos, vai evaporando e deixando o sal para trás. De tempos em tempos, as piscinas são esvaziadas e o sal coletado. Depois, deixam a água correr novamente e o ciclo recomeça. Simples e engenhoso assim! Com o frio do final da tarde, aquele branco todo à nossa volta combinava com neve, mas era sal mesmo! O mesmo sal já usado pelos incas e, possivelmente, antes deles!

Com o Gustavo, nas Salinas de Maras, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Com o Gustavo, nas Salinas de Maras, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Caminhando pelas Salinas de Maras, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Caminhando pelas Salinas de Maras, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Depois, de volta ao alto do vale, aonde o sol ainda batia, aceleramos novamente, querendo ainda ver uma última atração: os terraços agrícolas de Moray, outra surpresa para mim. Será que as atrações desse país não tem fim, hehehe!!! De novo, mais uma corrida contra o tempo, a Fiona acelerando nas estradas de terra desse cantinho perdido do mundo, escondido entre as montanhas andinas.

Chegando aos incríveis terraços de Moray, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Chegando aos incríveis terraços de Moray, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Os Terraços de Moray, laboratório agrícola dos incas, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Os Terraços de Moray, laboratório agrícola dos incas, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Mas o esforço valeria a pena! Meia hora de caminhos e chegamos ao parque arqueológico, quase sem luz e quase sem turistas. Estudiosos ainda não tem certeza, mas a desconfiança é grande de que Moray era um centro de estudos agrícolas dos incas, para desenvolvimento de novas sementes adaptadas á diferentes climas e altitudes. Aqui no país, já estamos acostumados a observar montanhas transformadas em uma série de terraços para cultivo de plantas, mas aqui os terraços não estão em montanhas. Ao contrário, foram feitos em um grande platô, tem a forma de arenas circulares, algo parecido com um enorme “espaçoporto”. A primeira vez que os vemos é fascinante!

Chegando perto dos terraços agrícolas de Moray, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Chegando perto dos terraços agrícolas de Moray, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Alguns dos muitos tipos de milho que existem no país, nas Salinas de Maras, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Alguns dos muitos tipos de milho que existem no país, nas Salinas de Maras, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Estudos mostram que as diferenças de incidência solar e de vento fazem com que a temperatura média chegue a variar mais de dez graus entre os terraços mais altos e mais baixos. Daí a conclusão de que diferentes sementes eram testadas e desenvolvidas em diferentes condições “controladas”, para depois serem distribuídas pelo império, cada uma para a região onde fosse melhor adaptada.

Minúsculos, o Rodrigo e o Gustavo caminham ao lado dos terraços agrícolas de Moray, do tempo dos incas, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Minúsculos, o Rodrigo e o Gustavo caminham ao lado dos terraços agrícolas de Moray, do tempo dos incas, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Turistas meditam no centro dos círculos de Moray, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Turistas meditam no centro dos círculos de Moray, no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Nós aproveitamos a luz do céu já sem o sol e depois, o lusco-fusco que precede o anoitecer para caminhar por ali, quase sentido a energia que parece emanar dos círculos concêntricos. Não resistimos à tentação de nos sentar no centro deles e esperar a noite cair, tentando imaginar tudo o que já se passou por ali nos últimos séculos, quantas pessoas que passaram e viveram ali, antigas cerimônias e o céu estrelado sobre nossa cabeças. Realmente, um lugar muito especial.

Bem no centro dos círculos de Moray, admirando e sentindo o mágico entardecer no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Bem no centro dos círculos de Moray, admirando e sentindo o mágico entardecer no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru


Devidamente reenergizados, tomamos novamente o rumo de Urubamba, cruzando o altiplano novamente, a Fiona o único carro por ali, rebanhos de ovelhas, vacas e lhamas no caminho, todos imaginando de onde viriam aqueles intrépidos e distintos viajantes, a gente curtindo cada minuto ou encontro naquelas isoladas estradas. De Urubamba, finalmente seguimos para Ollantaytambo, onde ainda tivemos de enfrentar um congestionamento para entrar na pequena cidade. O problema era a enorme fila de turistas saindo da cidade, que só tem uma via de acesso. Depois que eles saíram, nós entramos, direto para nosso hotel que já estava marcado. Amanhã, teremos várias horas para conhecer as famosas ruínas da cidade para, no meio da tarde, seguirmos de trem para Aguas Calientes. Até aqui, nossa programação segue de vento em popa!

Bem no centro dos círculos de Moray, admirando e sentindo o mágico entardecer no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Bem no centro dos círculos de Moray, admirando e sentindo o mágico entardecer no Valle Sagrado, perto de Cusco, no Peru

Peru, Maras, Inca, Moray, Valle Sagrado

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De Volta às Praias do Caribe

Saint Martin, Marigot, Grand Case, Oriental Beach

Totalmente Caribe! (praia de Grand Case, em Saint Martin)

Totalmente Caribe! (praia de Grand Case, em Saint Martin)


Hoje foi dia de enfrentarmos o transporte público da ilha. Aparentemente, de todos os pequenos países que pretendemos visitar nessa temporada caribenha, as vizinhas St. Martin/ Sint Maarten são as únicas que tem essa possibilidade. Então, precisamos aproveitar!

Os ônibus daqui são na verdade vans que ficam dando a volta na ilha, seja no sentido horário ou anti-horário, ligando Marigot, capital do lado francês, com Philipsburg, capital do lado holandês. Basta fazer sinal que eles param, e custam de um a três dólares, dependendo da distância. Tudo o que está nesse grande looping ou próximo a ele, nós podemos chegar de ônibus, mais uma pequena caminhada.

Chegando à praia de Grand Case, em Saint Martin, no Caribe

Chegando à praia de Grand Case, em Saint Martin, no Caribe


E assim foi o dia de hoje. Primeiro, fomos para a segunda maior cidade do lado francês, onde fica o pequeno aeroporto de St Martin. Chama-se Grand Case e é considerada uma das capitais gourmets do Caribe. Não é para menos: são dezenas de restaurantes bem charmosos, vários deles de frente para a praia. A concorrência faz os preços baixarem e muitos, como promoção, cobram o mesmo valor em dólares do menu que está em euros. Ou seja, fazem o câmbio de um para um, o que é um bom desconto!

Totalmente Caribe! (praia de Grand Case, em Saint Martin)

Totalmente Caribe! (praia de Grand Case, em Saint Martin)


Nós chegamos lá com o tempo meio fechado. É São Pedro que não larga do nosso pé. Acho que não pegamos tempo bom, firme, por alguns dias seguidos já há uns quatro meses... Enfim, mesmo nublado, a cor da água impressiona. Uma mistura de azul e verde que os olhos custam a acreditar. Mesmo com nuvens acizentadas logo acima, a cor da água é linda. Talvez pelo contraste, a cor fica ainda mais mágica, meio surreal.

Almoço em Grand Case, em Saint Martin, no Caribe

Almoço em Grand Case, em Saint Martin, no Caribe


Caminhamos um pouco observando os restaurantes e escolhemos um, pé na areia. Adivinha se a Ana não pediu um "assortment du fromage"? Uma delícia, por sinal, junto com salada. Foi o tempo da gente comer que o céu abril, o sol sorriu e o mar ganhou cores ainda mais fortes. Esse sim é o mar do caribe que tínhamos conhecido há um ano! Parece uma grande piscina! Maravilhoso!

Esquema diretoria, na praia de Grand Case, em Saint Martin, no Caribe

Esquema diretoria, na praia de Grand Case, em Saint Martin, no Caribe


Aproveitamos então as cadeiras de praia confortáveis do restaurante e passamos uma boa hora entre a areia e o mar. Temperatura da água muito agradável, mar tranquilo para se nadar, bem pouco movimento de gente na areia. Situação ideal! Para tornar tudo mais pitoresco, de tempos em tempos pousava um avião ali do lado, no pequeno aeroporto. Quase encima de nossas cabeças.

Avião se prepara para pousar no aeroporto em Grand Case, em Saint Martin

Avião se prepara para pousar no aeroporto em Grand Case, em Saint Martin


Mas tínhamos de continuar. Pegamos mais um ônibus/van, continuando no sentido horário e seguimos até a praia Orient Beach. Essa é considerada uma das mais belas praias da ilha, areias bem brancas, em forma de lua crescente e com águas de cor típica caribenha. Tão bonita assim, acabou por atrair hotéis, bares, condomínios e muitos turistas. O ônibus nos deixa na estrada e temos de caminhar quase um quilômetro dentro de um condomínio para chegar até lá. A praia é grande e não é difícil sair da muvuca e encontrar um lugar mais tranquilo. Foi o que fizemos, achamos nosso cantinho e ficamos lá curtindo o mar mais agitado dessa praia, propício à jacarés. Outra coisa que chama a atenção é a mulherada fazendo top less, na maior cara dura, hehehe. Muitas, com uma calçola enorme, mas sem nada encima. Vai entender... Outras, mais corajosas, até jacaré foram pegar, sem o perigo de perder a parte de cima do biquini, já que não a usavam...

Chegando em  Orient Beach, em Saint Martin, no Caribe

Chegando em Orient Beach, em Saint Martin, no Caribe


Bom, São Pedro achou que já nos tinha dado sol o suficiente e nos mandou chuva novamente. Já estávamos nos encaminhando para a estrada para pegar o ônibus de volta. Sorte que ele não demorou para passar e a água da chuva só foi o suficiente para nos tirar o salgado do mar.

Orient Beach movimentada, em Saint Martin, no Caribe

Orient Beach movimentada, em Saint Martin, no Caribe


De volta para Marigot e nossa guest house. Amanhã, se o tempo estiver bom, vamos para Anguilla, numa day trip. Se não, vamos trabalhar um pouco e ver o que fazemos o resto do dia. Praias por aqui não faltam...

Autofoto em Orient Beach, em Saint Martin, no Caribe

Autofoto em Orient Beach, em Saint Martin, no Caribe

Saint Martin, Marigot, Grand Case, Oriental Beach,

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As Praias do Leste e do Sul de Bombinhas

Brasil, Santa Catarina, Bombinhas

Caminhando na praia deserta do Cardoso, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Caminhando na praia deserta do Cardoso, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Depois da nossa caminhada pelas praias do norte de Bombinhas (post anterior), resolvermos pedir ajuda para a Fiona no nosso segundo dia na cidade. Afinal, nosso destino dessa vez era bem mais distante: as praias que do lado leste da península, como Mariscal, Zimbros, Canto Grande e, especialmente, a praia da Tainha.

Em Bombinhas, no nosso 2o dia (em azul), fomos de carro até Tainha, passando por Mariscal e Zimbros. No 3o dia, fizemos a caminhada (vermelh) pelas praias da costa sul da penínsulha

Em Bombinhas, no nosso 2o dia (em azul), fomos de carro até Tainha, passando por Mariscal e Zimbros. No 3o dia, fizemos a caminhada (vermelh) pelas praias da costa sul da penínsulha


Vista do alto do Morro dos Macaccos, a caminho da praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Vista do alto do Morro dos Macaccos, a caminho da praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


O formato da península de Bombinhas, quando visto lá de cima, é bem interessante. Além da área principal, onde estão as praias de Bombas e Bombinhas, a península se alonga bastante na direção sudeste. Ela vai se afinando, formando uma espécie de istmo cada vez mais estreito. No lado norte (ou nordeste!) desse istmo, estão as praias de Mariscal, Canto Grande e Conceição. São praias que estão voltadas para o oceano, quase que para o mar aberto. Por isso a rebentação é bem mais forte, atraindo surfistas e um público mais jovem. O outro lado do istmo, o lado sudeste, está voltado para o chamado “mar de dentro”, uma grande baía de águas calmas que mais parece uma lagoa. É a praia de Zimbros. Não é a toa que aí ficam ancorados todos os barcos de pescadores ou iates de bacanas. Aí também é realizada a travessia aquática (para nadadores) de Bombinhas, com distâncias de 1.500 e 3.000 metros, que tantas vezes no passado eu e a Ana já participamos.

A rústica estrada para a praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

A rústica estrada para a praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


A pequena baía onde se encontra a praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

A pequena baía onde se encontra a praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Lá na extremidade desse istmo, onde o mar de fora e o mar de dentro quase se tocam, está uma das mais antigas comunidades da península, chamada de Canto Grande. Quem se hospeda por aí está sempre a menos de dois quarteirões do mar. Se quer sossego, vai passar o dia no mar de dentro. Se quer um mar mais agitado, segue para o mar de fora. Com mercados, peixarias, restaurantes e farmácias, é uma comunidade praticamente autossuficiente. Já o bairro mais ao norte,. Conhecido como Mariscal, é muito mais recente e está se desenvolvendo rapidamente. É impressionante a diferença que fez desde que o conheci, dez anos atrás. São loteamentos e mais loteamentos, uma praia que costumava ser selvagem e hoje caminha para se tornar uma nova Bombinhas.

Vista da praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina. Ao fundo, a ilha de Florianópolis

Vista da praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina. Ao fundo, a ilha de Florianópolis


Fazendas de ostras no litoral de Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Fazendas de ostras no litoral de Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Mas, o mais interessante da geografia desse istmo é que, lá no seu final, onde parece que ele iria terminar, há um grande morro e o istmo se abre novamente. É uma área protegida por um parque municipal e atrás do morro está uma das mais belas surpresas de Bombinhas: a praia de Tainhas. Para chegar até lá, ou se pega uma longa trilha ou se enfrenta uma estrada de terra, pedras e buracos com quase 3 km de extensão a partir da praia da Conceição. A estrada sobe e desce o morro e em dias de chuva forte fica quase intransitável. Mas é um esforço que definitivamente vale a pena. A praia da Tainha, de águas límpidas e muito frequentada por golfinhos, é um colírio para os nossos olhos, desde o momento que a vemos pela primeira vez, ainda no alto do morro, até a hora da triste despedida, depois de uma boa caminhada de ponta a ponta e de um mergulho recompensador em suas águas.

Chegando à praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Chegando à praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Explorando as enormes pedras no canto direito da praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Explorando as enormes pedras no canto direito da praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Esse, então, foi o nosso programa de ontem. De Fiona, saímos de Bombas e percorremos os 12 quilômetros de asfalto, sempre pela costa, até a praia da Conceição. No caminho, Mariscal e Canto Grande. Mas o que queríamos mesmo era a Tainha. Então, diretamente para a estrada de terra que cruza o morro dos Macacos. Lá de cima, uma bela vista para todos os lados. Para o norte, o lindo desenho do istmo que separa Zimbros de Mariscal. Para o sul, a ilha do Arvoredo e, mais além, a silhueta inconfundível da ilha de Florianópolis. E para baixo, a pequena baía onde está a deliciosa praia da Tainha. Lá chegando, uma cerveja e um pastel no restaurante logo na entrada da praia e depois, caminhada até as enormes pedras que marcam suas extremidades. Aí passamos algumas horas, entre mergulhos e banhos de sol. Uma delícia!

Explorando as enormes pedras no canto direito da praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Explorando as enormes pedras no canto direito da praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


A isolada praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

A isolada praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Na volta, um caminho diferente. Depois de uma parada na praia da Conceição (que é a ponta sul do Canto Grande), fomos percorrer a orla de Zimbros ao invés de Mariscal. Todos os caminhos levam à Roma e acabamos por chegar no morro que separa essas praias de Bombinhas. De lá para Bombas foi rapidinho, o mesmo percurso que havia nos tomado uma hora caminhando na noite da véspera, a Fiona o fez em 10 minutos. De volta ao nosso apartamento, a Ana nos brindou com a chave de ouro para fechar nosso dia: um delicioso macarrão com molho de camarão que havíamos comprado fresquinho, pela manhã. Como é bom ter nossa própria cozinha! E como é bom ter alguém com dotes culinários! Para mim, ao final, cabe a louça para lavar! Depois do banquete, lavo tudo feliz da vida!

Praia da Conceição, observando, ao longe, a praia do Mariscal, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Praia da Conceição, observando, ao longe, a praia do Mariscal, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Praia do Canto Grande, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Praia do Canto Grande, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Já o dia de hoje, nosso terceiro e último na cidade, foi novamente de caminhadas. Mas a Fiona ajudou um pouco também! Já tínhamos visto as praias do norte e do leste da península, faltavam as do sul. São as praias menos frequentadas de Bombinhas, o que as faz muito especiais!. Lá do final de Zimbros, seguindo para a direção oeste (rumo ao continente), uma sequência de pequenas praias ao longo do costão e acessadas apenas por trilhas fazem a alegria daqueles mais aventureiros. Mas para se chegar ao início dessa trilha, a ajuda da Fiona é imprescindível!

Um delicioso macarrão com molho de camarão, obra-prima da Ana no nosso apartamento (da tia Wal) em Bombas, litoral de Santa Catarina

Um delicioso macarrão com molho de camarão, obra-prima da Ana no nosso apartamento (da tia Wal) em Bombas, litoral de Santa Catarina


Um delicioso macarrão com molho de camarão, obra-prima da Ana no nosso apartamento (da tia Wal) em Bombas, litoral de Santa Catarina

Um delicioso macarrão com molho de camarão, obra-prima da Ana no nosso apartamento (da tia Wal) em Bombas, litoral de Santa Catarina


E então, lá fomos nós, subindo e descendo o morro de carro, dessa vez diretamente de Bombas, para chegarmos a Zimbros. Daí até o final da estrada, onde encontramos um lugar para deixar a Fiona e seguir a pé. Nós já conhecíamos o início da trilha de outras vezes que aqui estivemos, mas nunca havíamos ido até as praias mais distantes. Agora, em plenos 1000dias, chegava a hora de conhecer essas últimas praias da nossa querida Bombinhas!

Praia do Cardoso, início da nossa trilha pelas praias mais isoladas de Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Praia do Cardoso, início da nossa trilha pelas praias mais isoladas de Bombinhas, litoral de Santa Catarina


A praia de Zimbros vista da praia do Cardoso, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

A praia de Zimbros vista da praia do Cardoso, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


As primeiras delas, como já disse, já conhecíamos. São a praia do Cardoso e da Lagoinha. Por estarem mais perto do início da trilha, ainda é comum encontrar alguns gatos pingados por aqui. São praias espremidas entre a mata verde e o morro por trás e o mar tranquilo pela frente. Do Cardoso se vê bem a praia de Zimbros e suas construções do outro lado da baía. No mar, muitas daquelas “fazendas de ostras”, uma das especialidades aqui do litoral catarinense. Já na praia da lagoinha, o grande diferencial é a própria pequena lagoa que se forma na boca de um rio. Água doce e água salgada quase vizinhas, para quem quiser ficar tomando sol sem sal no corpo é um ótimo lugar e ainda relativamente próximo do início da trilha.

Fazenda de ostras na praia do Cardoso. AO fundo, a praia de Zimbros, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Fazenda de ostras na praia do Cardoso. AO fundo, a praia de Zimbros, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


A praia Triste, na nossa trilha pelas praias do sudoeste de Bombinhas, litoral de Santa Catarina

A praia Triste, na nossa trilha pelas praias do sudoeste de Bombinhas, litoral de Santa Catarina


É a partir daí que temos de caminhar mais, enfrentando o morro e a mata. Caminhada sempre na sombra e sem chance de errar. Basta seguir adiante com o barulho do mar sempre a nossa esquerda, atrás das árvores. Cruzamos alguns riachos de água refrescante, subimos e descemos algumas vezes até que chegamos à praia Triste. A praia é linda e totalmente selvagem, muito parecida com o que deve ter sido há milhares de anos, sem intervenção humana. Não tenho ideia de onde vem esse nome, praia Triste. Talvez pelo sentimento de solidão, pois o normal é não ver ninguém por ali.

A bela e selvagem praia Triste, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

A bela e selvagem praia Triste, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


A caminho da praia Vermelha, a mais isolada de Bombinhas, litoral de Santa Catarina

A caminho da praia Vermelha, a mais isolada de Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Nós travessamos a praia e seguimos adiante. Ainda queríamos alcançar a próxima, a chamada praia Vermelha. São mais uns 40 minutos de caminhada, mas esse é um dos trechos mais belos da trilha, bosque amplo e muitos pontos de observação. Por fim, depois de uma curva, lá apareceu a praia vermelha, ainda meio escondida pelas árvores. Um oásis no meio da mata e do verde. Poucos minutos mais tarde e chegávamos à praia, recepcionados pelos latidos de dois cachorros.

Chegando à praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Chegando à praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Casa do Seu Osnildo, o único habitante da praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Casa do Seu Osnildo, o único habitante da praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Eles são os guardiões da praia e da única casa por ali, pertencente ao seu Osnildo. Ele já mora na praia Vermelha há 15 anos, o caseiro de uma grande propriedade que existe por ali. Morando em local tão isolado, acho que sua grande diversão é receber os poucos visitantes que ali chegam. Ele nos tratou muito bem e até nos convidou para sua choupana. Disse que a vida por lá é bem tranquila, mas também tem seus perrengues. Volta e meia aparece algum “vagabundo” que foge da cidade e da polícia, gente que mexe com drogas. Mas que ele não tem medo não e logo mostra que a praia tem dono. Disse também que aqui ele está mais perto de Governador Celso Ramos do que de Bombinhas e é para lá que ela vai quando precisa de suprimentos. Consegue ir até de bicicleta. Se fosse para ir até Bombinhas pela trilha, no mesmo caminho que viemos, a bicicleta mais atrapalharia do que ajudaria.

A linda e selvagem praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

A linda e selvagem praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


A linda e selvagem praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

A linda e selvagem praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina


Bom, depois da nossa visita social, fomos aproveitar a praia também. Caminhamos, tomamos banho, curtimos a natureza exuberante que nos cercava. Era a nossa despedida de Bombinhas. Agora, só nos restava o caminho de volta, um mergulho rápido em cada praia do caminho, o reencontro com a Fiona e a volta para casa, em Bombas. Não sem antes dar mais uma paradinha em Zimbros para nos fartar com um delicioso pastel. Amanhã, estrada novamente, sempre rumo ao norte. Nossa próxima parada será na metrópole dessa parte do Brasil, a famosa e badalada Balneário Camboriú. E Curitiba vai ficando cada vez mais perto...

Caminhando pela praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Caminhando pela praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina

Brasil, Santa Catarina, Bombinhas, Praia, Tainha, trilha, Vermelha

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Alerces e Arrayanes, Pumas e Ratos

Argentina, Trevelín

A bela cor avermelhada dos arrayanes, árvore muito comum no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

A bela cor avermelhada dos arrayanes, árvore muito comum no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


O próprio nome não deixa dúvidas: Parque Nacional Los Alerces. “Alerce” é o nome de uma espécie de pinheiro e um parque com esse nome só pode indicar a presença desse tipo de árvore por lá! E o que é que ela tem de tão especial? Certamente o fato de serem as árvores mais velhas da América do Sul, além de sua tendência a um certo “gigantismo”. Um alerce milenar pode ultrapassar os 60 metros de altura e quatro metros de diâmetro. Algumas delas tem mais de 3 mil anos de idade e não é toa que muitas vezes são comparadas às sequoias norte-americanas. O problema é que, assim como suas “primas” do norte, foram exploradas em demasia ao longo do século passado por ter uma lenha de alta qualidade e quase foram extintas. Então, nada mais lógico do que transformar essa grande área entre El Bolsón e Trevelin, aonde se encontra o maior bosque remanescente de alerces, em uma grande reserva, um parque nacional para proteger esse verdadeiro tesouro biológico e natural.

Placa nos ensina sobre os Alerces, uma das árvores mais longevas do mundo (Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina)

Placa nos ensina sobre os Alerces, uma das árvores mais longevas do mundo (Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina)


Além dos alerces, muitas outras espécies vegetais são protegidas na área do parque como arrayanes, a chusquea (um tipo de bambu bem denso), ciprestes, maites, lauras e diversas espécies com flores, muitas delas espécies invasoras trazidas por imigrantes europeus e que hoje são um perigo às espécies nativas, apesar de sua beleza. Mas são mesmo os alerces a grande estrela do parque. Esta é uma região em que os Andes são relativamente baixos e não conseguem impedir a passagem dos ventos úmidos vindos do Oceano Pacífico. Com isso a chuva chega aos 4 mil milímetros anuais, um dos maiores índices da patagônia argentina, possibilitando o crescimento do chamado “bosque valdiviano”, muito mais rico que seus congêneres ao longo da cordilheira. São essas condições especiais que permitiram o desenvolvimento desses gigantes milenares.

Estrada no interior do Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Estrada no interior do Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Uma das árvores gigantes do Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Uma das árvores gigantes do Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Nós entramos no parque ávidos para ver essas árvores e ao dirigir em meio às florestas de pinheiros, já as imaginávamos estar vendo, principalmente quando notávamos exemplares maiores. Mas eram apenas grandes ciprestes. Os alerces se “escondem” em locais mais inacessíveis do parque. Quem sabe os encontraríamos na nossa primeira caminhada ao longo do lago Rivadavia? A esperança logo se arrefeceu quando demos de cara com a porteira fechada. O acesso ao lago estava fechado devido a um surto de ratos! Pois é, surto de ratos no meio de um parque natural no coração da patagônia? Nesse caso, a culpa não era nem de nós, humanos, e nem dos alerces! Na verdade, é culpa de outro vegetal, o tal bambu chusquea.

Caminhando no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Caminhando no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Caña Colihue, uma espécie de bambu que flosece a cada 20 ou 30 anos, muito comum nessa área da patagônia onde está Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na Argentina

Caña Colihue, uma espécie de bambu que flosece a cada 20 ou 30 anos, muito comum nessa área da patagônia onde está Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na Argentina


Nós já o tínhamos visto na trilha para o refúgio San Martín, em Bariloche, onde haviam nos ensinado sobre seu longo ciclo biológico. Ele cresce vigorosamente depois de incêndios, mas só floresce a cada 20 ou 30 anos, morrendo em seguida. É quando servem de alimento aos ratos, que multiplicam-se como coelhos nesses eventos raros. Era o que estava acontecendo no lago Rivadavia e o que vai acontecer, algum dia, no caminho para o San Martín. Mais adiante, quando caminhávamos na trilha entre o lago Verde e o lago Menéndes, vimos vários exemplares desse bambu. Acho que a solução seria importar uns ursos pandas para cá, notórios apreciadores de brotos de bambu, para concorrerem com os ratos, hehehe. No quesito simpatia, vencem de longe os roedores! É claro que só estou brincando! Chega de espécies invasoras e desequilíbrios ecológicos, muitas vezes causados por gente até bem intencionada!

Em plena primavera, muitas flores no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Em plena primavera, muitas flores no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Em plena primavera, muitas flores no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Em plena primavera, muitas flores no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Em plena primavera, muitas flores no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Em plena primavera, muitas flores no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Pois é, para nós que caminhamos nas trilhas desse parque (e em outros lugares da Patagônia também!), confesso que é bem bonito ver flores espalhadas pelos cantos. Não sei identificar quais são naturais daqui, quais são alienígenas. Sei que são todas lindas e embelezam nosso caminho e nossa vida. Mas sei também que elas causam um estrago danado na flora local, concorrência desleal por espaço e suprimentos finitos. Enfim, sinceramente, procuramos não pensar nisso e apenas admirar o verdadeiro jardim em que se transforma a paisagem nessa época do ano, plena primavera.

A bela cor avermelhada dos arrayanes, árvore muito comum no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

A bela cor avermelhada dos arrayanes, árvore muito comum no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


A bela cor avermelhada dos arrayanes, árvore muito comum no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

A bela cor avermelhada dos arrayanes, árvore muito comum no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Outra espécie muito bela, e essa totalmente natural daqui, são os arrayanes. Nós os notamos de longe, seus galhos e troncos avermelhados chamando a atenção entre o resto da vegetação. A trilha que percorremos era interpretativa, cheia de painéis explicativos. Para cada tipo de árvore, informações sobre sua biologia e utilidades. Os arrayanes, por exemplo, são antissépticos, adstringentes e antidiarreicos. Além disso, ajudam a combater herpes e úlceras. Essas qualidades, e muitas outras das demais espécies, foram descobertas por gerações e gerações de indígenas que viveram por aqui. Faziam remédios e venenos, tintas e alimentos com essa gigantesca farmácia natural. Conhecimento milenar, passado e desenvolvido ao longo de incontáveis gerações e que, infelizmente, se perdeu em boa parte quando foram abruptamente extintos no final do séc. XIX. Um processo semelhante com o que ocorreu e ocorre em tantas áreas do Brasil, da amazônia à caatinga, passando pelo cerrado.

Um carpintero Negro Patagonico, uma das muitas espécies de aves encontradas no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Um carpintero Negro Patagonico, uma das muitas espécies de aves encontradas no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Um carpintero Negro Patagonico, uma das muitas espécies de aves encontradas no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Um carpintero Negro Patagonico, uma das muitas espécies de aves encontradas no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Mas nem só de flora vive este parque. Pelo contrário, a fauna também é um dos pontos altos no P.N Los Alerces. Além dos ratos que comem brotos de bambu e das trutas e salmões que fazem a festa dos amantes de fly fishing (veja post anterior), também há pássaros o bastante para satisfazer os “birders”. Desde os pássaros grandes e de rapina, como condores, corujas e caburés até os pequenos, como chucaos, cotorras (uma espécie de papagaio) e pombas araucanas. Nós vimos muitos pica-paus, ou carpinteiros, como são chamados por aqui.

Ave de rapina nos sobrevoa no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Ave de rapina nos sobrevoa no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Um pequeno pássaro descansa na sombra de um pier no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Um pequeno pássaro descansa na sombra de um pier no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Entre os mamíferos, nós queríamos muito ver um puma, também presente por aqui. Infelizmente (ou felizmente?), só vimos as placas pedindo cuidado e com explicações sobre como proceder caso encontrássemos algum. Procuramos esse felino por toda a América, dos Estados Unidos ao Brasil, passando por Costa Rica, México e Colòmbia. O mais perto que chegamos foram pegadas frescas no Vale do Ribeira e um quase-encontro em um parque na América Central. Por aqui, ainda não foi dessa vez. Ainda bem que tivemos aqueles nossos encontros no Pantanal (veja o post aqui), mas aí eram onças pintadas, e não a parda. Não encontramos o puma, mas não ficamos sem um felino. Ao final da caminhada, eis que apareceu um gato, doméstico mesmo. Pelo menos, não causava perigo. Não sei o que fazia ali, no meio do nada. Talvez fosse de algum guarda-parque e só estivesse interessado nos peixes do rio ou em visitantes que lhe fizessem algum cafuné. Além do gato, outro animal não selvagem que vimos por ali foram vacas. Não poderiam ter escolhido lugar mais idílico para pastar no fnal tarde, um belo gramado ao lado de um rio transparente.

Aviso para presença de pumas em trilha no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Aviso para presença de pumas em trilha no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Um gato, o único 'puma' que encontramos no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Um gato, o único "puma" que encontramos no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


O que vimos também, e esse sim era selvagem, foi uma nutria patagônica (parente da nossa lontra). De início, imaginamos ser um castor. Esses animais são nativos da América do Norte, mas foram introduzidos no sul da patagônia, causando mais um desses inúmeros desastres ecológicos. Sem predadores naturais, espalhou-se como praga alterando o sempre delicado equilíbrio ecológico. Por fim, os pumas aprenderam que a carne deles era boa. Além disso, há campanhas governamentais para sua erradicação. Enfim, eles estão mais ao sul do continente e ainda não chegaram por aqui. O que vimos era sim uma inocente nutria.

Uma nutria patagônica (lontra) no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Uma nutria patagônica (lontra) no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Remanso de rio no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Remanso de rio no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Quem estava conosco na hora desse encontro foi o nossa migo americano, o Jeffrey. Guia de natureza no Oregon, ele é bem ligado nesses assuntos e foi ele que pensou estar vendo um castor. Ele disse que odeia esse animal aqui na América do Sul, mas o adora na América do norte. Lá, apesar de ter sido quase extinta nos finais do séc. XIX, quando se tornou foco de um ciclo econômico que movimentava milhões (em dinheiro e pessoas!) por sua pele, a espécie vive melhores dias e está perfeitamente inserida em seu ecossistema natural. Aqui, como coelhos e sapos na Austrália e lion fishes no Caribe, é um pesadelo ecológico.

De cima da ponte, gato observa os peixes que passam no rio transparente logo abaixo, no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

De cima da ponte, gato observa os peixes que passam no rio transparente logo abaixo, no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Vacas pastam tranquilamente ao lado de rio no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Vacas pastam tranquilamente ao lado de rio no Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina


Bom, tanta flora e tanta fauna e nada de alerces. Bem, foi com tristeza que descobrimos que o bosque famoso de alerces só é acessível por barco, do outro lado do lago Menéndes. Um passeio pago e longo que só parte pelas manhãs. Ficamos sem chance de ir lá conferir essa maravilha. É ali que estão as árvores de quase 70 metros e 3 mil anos de idade. Mas não foi tão mal assim. Ainda pudemos ter um gostinho e caminhar até o único alerce do lado de cá do lago, o chamado “lahuan solitário”. Lahuan é um outro nome para alerce, vem da língua mapuche e quer dizer “avô”. Sim, os índios sabiam que essa respeitável árvore vivia por séculos e milênios. O tal bosque lá do outro lado é território sagrado para eles. O lahuan que conhecemos por aqui ainda é uma criança, pelo menos nos termos da espécie. Tem apenas 3 séculos de idade e um diâmetro de 62 cm. Daqui a mil anos, quem sabe... Enfim, serviu para dar um gostinho. E já que não vimos o bosque sagrado, podemos imaginá-lo como algo parecido com outro bosque sagrado, pelo menos para nós. Fica a mais de 10 mil km daqui, no norte, interior da Califórnia. Para quem quiser ver as imagens desse outro bosque sagrado, uma mistura de alerces (pelo porte e idade) com Arrayanes (pela cor) é só clicar aqui! Quanto a nós, seguimos para o sul!

Finalmente, o encontro com um alerce, ou 'lahuan', árvore milenar que dá nome ao Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Finalmente, o encontro com um alerce, ou "lahuan", árvore milenar que dá nome ao Parque Nacional Los Alerces, ao norte de Trevelin, na patagônia argentina

Argentina, Trevelín, Bichos, Parque, Parque Nacional Los Alerces, Patagônia, Plantas, trilha

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Nossa Última Fronteira

Brasil, Santa Catarina, Joinville, Paraná, Guaratuba

Deixando Santa catarina e voltando definitivamente ao Paraná. A última fronteira da expedição 1000dias

Deixando Santa catarina e voltando definitivamente ao Paraná. A última fronteira da expedição 1000dias


Hoje, dia 1º de Abril, dia da Mentira, atravessamos a última fronteira dos 1000dias. Pois é, parece mesmo mentira que está tudo acabando. Depois de 1.400 dias fora de casa, de dezenas de países percorridos de carro, de cruzarmos a América de ponta a ponta, de quase 180 mil km de estradas, caminhos e trilhas, estamos chegando ao ponto de partida. Curitiba é logo ali, a menos de uma hora de carro, quase já dá para ver a cidade, embora ainda vamos passar alguns dias aqui na planície litorânea do estado.

Despedida da tia Walkiria, que nos recebeu tão bem em Joinville, Santa Catarina

Despedida da tia Walkiria, que nos recebeu tão bem em Joinville, Santa Catarina


Despedida de Santa Catarina, de Joinville, da tia Wal e dos primos Luis Felipe e Vitoria. Rumo ao Paraná e ao fim dos 1000dias

Despedida de Santa Catarina, de Joinville, da tia Wal e dos primos Luis Felipe e Vitoria. Rumo ao Paraná e ao fim dos 1000dias


Pois é, chegamos ao estado do Paraná. Essa foi a última fronteira a que me referi, Santa Catarina ficando para trás. Não é uma fronteira internacional, claro! Desse tipo, a última que cruzamos foi lá no Chuí, vindos do Uruguai e entrando no Rio Grande do Sul no dia 24 de Fevereiro, há exatos 36 dias (ver post aqui). Também foi um momento emocionante. De volta ao país, a última das mais de 120 fronteiras internacionais que passamos durante a viagem, 59 delas a bordo da nossa Fiona.

Nossa última fronteira nesses 1000dias, na viagem entre Joinville (SC) e Guaratuba (PR)

Nossa última fronteira nesses 1000dias, na viagem entre Joinville (SC) e Guaratuba (PR)


Voltando ao Paraná nos últimos dias de nossa volta pelas Américas

Voltando ao Paraná nos últimos dias de nossa volta pelas Américas


Mas hoje, dia da mentira, foi a vez de mais uma fronteira estadual. Depois de tantas fronteiras internacionais, uma fronteira estadual não parece grande coisa. Pode ser... Mas para um país com dimensões continentais como o Brasil, viagens interestaduais também têm o seu valor. Nossos estados são maiores do que a maioria dos outros países americanos que visitamos, principalmente as ilhas caribenhas e as pequenas nações da América Central. Estados como o Pará e a Amazonas só são menores, na nossa América do Sul, que a Argentina.

Divisa de estado entre Pernambuco e Alagoas, chegando em Maragogi

Divisa de estado entre Pernambuco e Alagoas, chegando em Maragogi


Divisa entre Pernambuco e Ceará, na Chapada do Araripe

Divisa entre Pernambuco e Ceará, na Chapada do Araripe


Chegamos longe! Fronteira de Pernambuco e Piauí

Chegamos longe! Fronteira de Pernambuco e Piauí


Quando eu era pequeno e viajava de carro com a minha família, saíamos lá de Belo Horizonte e era preciso quase cinco longas horas de estrada para chegarmos ao estado vizinho, São Paulo, Rio ou Espírito Santo. Era uma verdadeira jornada! Passar por mais de dois estados na mesma viagem, então, era um feito! É claro que estou falando de viagens de carro e não de avião. Lá de cima, fica tudo pequenino mesmo, voamos sobre as fronteiras e nem as percebemos. O choque está só no aeroporto de chegada. Mas de carro, a cada vez que nos aproximamos de alguma fronteira e lá está a placa anunciando um novo estado, pelo menos para mim, sempre foi uma emoção.

Fronteira Minas-São Paulo em estrada de terra

Fronteira Minas-São Paulo em estrada de terra


Chegamos na divisa Bahia-Sergipe!

Chegamos na divisa Bahia-Sergipe!


rio Guaju, na fronteira entre Rio Grande do Norte e Paraíba

rio Guaju, na fronteira entre Rio Grande do Norte e Paraíba


A diferença com as fronteiras internacionais é que não há papelada e burocracia no caminho. Apenas uma placa para anunciar a novidade. É muito mais ágil. Além disso, claro, é a mesma língua falada dos dois lados da linha imaginária. Por isso, não resta dúvida, cruzar uma fronteira internacional de carro é muito mais marcante. Mas as fronteiras estaduais também são um importante ponto de referência e nos indicam, deixam claro, o quanto já andamos e o quanto estamos longe de casa.

Entrando no estado do Acre

Entrando no estado do Acre


Chegando á fronteira de Rondônia e Mato Grosso, o penúltimo estado que ainda não havíamos visitado

Chegando á fronteira de Rondônia e Mato Grosso, o penúltimo estado que ainda não havíamos visitado


Depois de nos despedir de nossos queridos anfitriões em Joinville, a tia Wal e seus filhos Luís Felipe e Vitória, nós pegamos logo a estrada para o Paraná. Mas ao invés de seguirmos pela rodovia principal, a BR-376 que subiria e Serra do Mar e nos levaria diretamente a Curitiba, optamos pela pequena estrada de Garuva, que segue pelo litoral e nos leva para Guaratuba, o mais movimentado balneário paranaense. Menos de meia hora de strada e chegamos na temida fronteira, essa tal que está merecendo um post especial. Mas o post não é só para ela não. É também para as outras 74 fronteiras estaduais que passamos aqui no Brasil, lá do Acre e do Amapá até o Rio Grande, do Mato Grosso à Paraíba. Apesar de serem “apenas” 27 estados, nessas nossas idas e vindas, “vais e voltas”, ziguezague país afora, o número de fronteiras acabou sendo bem maior.

Chegando ao Maranhão!

Chegando ao Maranhão!


Placa receptiva na fronteira do Espírito Santo

Placa receptiva na fronteira do Espírito Santo


Com essa derradeira de hoje, foram 75, das quais, 71 com a Fiona. Quais foram as outras quatro? Bom, para quem não se lembra, logo no início da nossa viagem, na nossa primeira fronteira estadual dos 1000dias, nós nadamos entre o Paraná e São Paulo, mais especificamente entre a Barra do Ararapira e a Ilha do Cardoso, ida e volta (post aqui). Foi em 30 de Março de 2010, 4 anos atrás! A outra vez foi caminhando, entre o Espírito Santo e a Bahia, lá em Itaúnas, indo e voltando para Riacho Doce (post aqui). As outras todas foram com a Fiona mesmo, seja numa estrada, seja numa balsa.

Fronteira entre Maranhão e Pará. Estamos longe!

Fronteira entre Maranhão e Pará. Estamos longe!


Chegando ao Rio Grande do Sul, nosso 23o estado nesta viagem

Chegando ao Rio Grande do Sul, nosso 23o estado nesta viagem


Chegando ao Mato Grosso do Sul, o último estado que nos faltava conhecer nesses 1000dias pela América e Brasil

Chegando ao Mato Grosso do Sul, o último estado que nos faltava conhecer nesses 1000dias pela América e Brasil


As fotos desse post, com exceção das primeiras, são a nossa lembrança desses momentos especiais explorando todos os cantos e confins do nosso gigantesco e maravilhoso país. Rever essas fotos e ler essas placas nos faz viajar e nos emocionar novamente. Ainda mais agora que estamos tão pertos do fim...

Sorria, você está na Bahia! (fronteira de Itaúnas - ES com Bahia)

Sorria, você está na Bahia! (fronteira de Itaúnas - ES com Bahia)

Brasil, Santa Catarina, Joinville, Paraná, Guaratuba, fronteira

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Vinte Meses!

Brasil, Rio Grande Do Norte, Sagi (Baía Formosa)

Vista da nossa varanda, na pousada  Sabambugi, praia de Sagi, Baía Formosa - RN

Vista da nossa varanda, na pousada Sabambugi, praia de Sagi, Baía Formosa - RN


Hoje foi dia de comemoração. Completamos 20 meses de casamento! O tempo vem passando rapidamente, até de uma maneira assustadora. Mais alguns dias e a jornada já estará com 300 dias! Putz... Não temos acesso à internet aqui no Sagi, mas há dois dias, ainda em João Pessoa, matei a saudade daquele maravilhoso 9 de maio na Ilha do Mel. Para quem ainda não conhece, dá uma olhada no nosso site do casório: www.icasei.com.br/roana Para quem gosta de viajar, não se esqueçam de olhar as fotos da lua-de-mel, na Turquia.

Ana trabalhando feliz, na pousada na praia de Sagi, Baía Formosa - RN

Ana trabalhando feliz, na pousada na praia de Sagi, Baía Formosa - RN


Começamos muito bem o dia. Cama deliciosa, ventilação natural e, ao abrir a porta da varanda, o visual mágico do pequeno rio Sagi se contorcendo para chegar ao mar. Depois, café da manhã de primeira, com direito a coalhada, granola, pão de queijo e frutas colhidas na hora!

Caminhando para a fronteira Paraíba-Rio Grande do Norte

Caminhando para a fronteira Paraíba-Rio Grande do Norte


A digestão do banquete matinal foi uma agradável caminhada até a fronteira com a Paraíba, três quilômetros pela areia. Praia quase deserta. "Quase" porque volta e meia passava um bugue por nós, trazendo gente de Baía Formosa ou Pipa para conhecer o belo visual do rio Guaju, que marca a fronteira dos dois estados. Além desses encontros, o que mais chamava a atenção na paisagem eram os enormes cataventos no lado paraíbano da fronteira, quase "coqueiros modernos", produzindo energia eólica para uma mineradora que existe por lá. Energia limpa, com certeza, mas ainda prefiro ver coqueiros de verdade no horizonte.

Ana no lado paraibano do rio Guaju, na fronteira com Rio Grande do Norte

Ana no lado paraibano do rio Guaju, na fronteira com Rio Grande do Norte


Chegamos no dia certo na barra do rio Guaju, um domingo. Isso porque ouvimos falar que agora, no verão, durante a semana, a CVC chega a levar quase duas mil pesoas por dia para lá. Vindos de bugue de Baía Formosa, Pipa e até Natal. Deus que me livre! Mas hoje estava bem tranquilo, pouco mais de dez bugues. Por uma razão que me é misteriosa, todos eles, e as pessoas que carregam, se aglomeram no mesmo lugar. Assim, eu e a Ana, um pouco mais perto do mar, estávamos completamente sozinhos.

rio Guaju, na fronteira entre Rio Grande do Norte e Paraíba

rio Guaju, na fronteira entre Rio Grande do Norte e Paraíba


Ficamos por ali algum tempo, brincando com a correnteza do rio. Lugar idílico. Depois, caminhada de volta para a vila de Sagi e nossa pousada. No fim de tarde, fomos almojantar no Ombak, o melhor restaurante da vila. Camarão grelhado no molho de maracujá + suco de abacaxi servido na própria fruta foi a nossa refeição de celebração da data. Ficou bem à altura!

Rio Guaju, na fronteira entre Rio Grande do Norte e Paraíba.

Rio Guaju, na fronteira entre Rio Grande do Norte e Paraíba.


Aproveitamos para, no cheque, já pagar a nossa pousada também, já que não tínhamos dinheiro e, cartão por aqui, nem pensar. Apesar do delicioso conforto da pousada, a tecnologia ainda passa longe. Foi um parto conseguir usar a internet discada (isso ainda existe!) da Sabambugi. No processo, perdemos dois pen drives, queimados. Um pequeno custo para os dois deliciosos dias passados por aqui, numa praia chamada Sagi (palavra oxítona!).

Nadando no rio Guaju, na fronteira entre Rio Grande do Norte e Paraíba

Nadando no rio Guaju, na fronteira entre Rio Grande do Norte e Paraíba

Brasil, Rio Grande Do Norte, Sagi (Baía Formosa), Praia

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A Monumental Ponte de Pedra

Estados Unidos, Virginia, Natural Bridge

A enorme ponte natural no Natural Bridge Park, na Virginia, nos Estados Unidos

A enorme ponte natural no Natural Bridge Park, na Virginia, nos Estados Unidos


O ano era 1747. O jovem de quinze anos estava feliz. Tinha conseguido um bom emprego! Acompanharia um amigo seu, mais velho, no estudo e catalogação de um novo “pedaço de terra”, no seu estado natal de Virginia, que um rico proprietário de fazendas da região estava interessado em adquirir. Ele estava pagando um bom dinheiro para que os dois jovens passassem alguns dias nessa terra que, até agora, ainda pertencia ao Rei da Inglaterra, assim como todas as terras devolutas do novo continente.

As pessoas ficam minúsculas quando comparadas à ponte de pedra no parque 'Natural Bridge', na Virginia, nos Estados Unidos

As pessoas ficam minúsculas quando comparadas à ponte de pedra no parque "Natural Bridge", na Virginia, nos Estados Unidos


O jovem de 15 anos havia ouvido falar que a região era de grande beleza e que nela havia uma incrível “obra de Deus”. Ao entrar na propriedade, os dois logo seguiram para o pequeno rio que por ali passava e resolveram seguir pelo seu curso, uma espécie de caminho natural para conhecer a área. Não demorou muito para, seguindo rio acima, logo após uma curva, ficarem os dois boquiabertos, extasiados diante do que viam. Eles caminhavam por um profundo vale, quase um canyon de pedra e, logo ali na frente, uma gigantesca ponte de pedra, com cerca de 80 metros de altura, ligava os dois lados do desfiladeiro, passando sobre o rio.

A colossal ponte de pedra do parque 'Natural Bridge', na Virginia, nos Estados Unidos

A colossal ponte de pedra do parque "Natural Bridge", na Virginia, nos Estados Unidos


Logo abaixo da ponte natural o rio formava uma convidativa piscina. Mas antes de entrar na água para o refrescante banho, num arrobo típico de um adolescente, o jovem de 15 anos resolveu escalar uma das paredes de pedra que sustentavam a ponte. Não até o alto, mas até uma espécie de pequena plataforma, a oito metros de altura. O amigo mais velho ralhou, mas o adolescente não lhe deu ouvidos. Não demorou muito e chegou até a plataforma. Ali do alto, empolgado com tanta beleza e grandiosidade, e também com sua façanha em ali chegar, celebrou testando o eco que as paredes formavam, dando potentes gritos ainda um pouco desafinados. Depois, ainda antes de arriscar um salto até a pequena piscina natural, resolveu deixar sua marca por ali. Uma assinatura na pedra. A prova de que estivera lá. “GW”, eram suas iniciais, que de tanto se orgulhava.

Observando a cachoeira no  rio que formou a incrível ponte de pedra no parque 'Natural Bridge', na Virginia, nos Estados Unidos

Observando a cachoeira no rio que formou a incrível ponte de pedra no parque "Natural Bridge", na Virginia, nos Estados Unidos


Apesar da enorme beleza da área, a propriedade não era boa para o plantio e o rico senhor acabou se desinteressando em comprá-la. Mas o jovem GW nunca se esqueceu de lá. Tanto que, anos mais tarde, ao fazer amizade com um jovem muito inteligente, 10 anos mais novo do que ele, ao descobrir que ele era o filho do seu antigo patrão, não titubeou em contar-lhe a história daquela linda propriedade. O filho pareceu mais interessado que o pai e, de fato, ao visitar a agora famosa ponte de pedra, quis ele mesmo comprá-la. O dono ainda era o Rei da Inglaterra e não foi difícil arrematá-la. Na verdade, foi um ótimo negócio para Sua Majestade pois, ele ainda não sabia, estava para perder todas as suas propriedades naquela região, destinada a se transformar nos Estados Unidos da América, menos de dez anos mais tarde.

Réplica de antiga oca indígena no parque 'Natural Bridge', na Virginia, nos Estados Unidos

Réplica de antiga oca indígena no parque "Natural Bridge", na Virginia, nos Estados Unidos


Pois é... mal sabia o rei também que aquela majestosa ponte natural havia, a sua maneira, enfeitiçado os dois nomes principais da guerra de independência americana. Afinal, o tal “GW” era George Washington. Seu primeiro patrão, Peter Jefferson, pai do grande amigo, e às vezes adversário político, Thomas Jefferson.

Marcado na pedra, as iniciais de George Washington, feito pelo presidente americano quando ainda era adolescente (no parque 'Natural Bridge', na Virginia, nos Estados Unidos)

Marcado na pedra, as iniciais de George Washington, feito pelo presidente americano quando ainda era adolescente (no parque "Natural Bridge", na Virginia, nos Estados Unidos)


Washington não voltou mais à “Natural Bridge”, embora sua assinatura ali continue, para alegria e deslumbramento dos milhares de turistas anuais. Já Jefferson, ali passou os mais tranquilos momentos de sua vida intensa. Construiu uma bela casa ali do lado, onde recebia amigos e mostrava, orgulhoso, não só a tal “obra de Deus”, mas também a assinatura do falecido amigo. Foi com ele que se iniciou a tradição de proteger aquela maravilha da natureza na área que é hoje um monumento nacional.

Vários livros sobre as histórias dos presidentes americanos, na loja do parque 'Natural Bridge', na Virginia, nos Estados Unidos

Vários livros sobre as histórias dos presidentes americanos, na loja do parque "Natural Bridge", na Virginia, nos Estados Unidos


Aí estivemos eu e a Ana, hoje. Além da bela magnífica ponte de pedra, pudemos observar a assinatura de GW e a piscina, hoje fechada para banhos. Caminhamos rio acima até uma cachoeira onde o jovem Washington também deve ter estado, observamos réplicas de antigas moradias indígenas (que já veneravam e protegiam a região muito antes de nós!) e até visitamos um interessante “borboletário”, uma sala fechada onde vivem, soltas, as borboletas da região.

Bela borboleta no borbolet[ario do Natural Bridge Park, na Virginia, nos Estados Unidos

Bela borboleta no borbolet[ario do Natural Bridge Park, na Virginia, nos Estados Unidos


Tudo muito interessante, talvez a maior atração da Blueridge Parkway no trecho da Virginia. Mas, sem dúvida, o melhor de tudo foram os momentos de contemplação ali debaixo de mais de um milhão de toneladas de pedra, só tentando imaginar essa tarde de primavera de 1747. E se o GW tivesse quebrado seu pescoço naquele dia, como seria o mundo em que vivemos?

Visitando o Natural Bridge Park, na Virginia, nos Estados Unidos

Visitando o Natural Bridge Park, na Virginia, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Virginia, Natural Bridge, Apalaches, Blue Ridge Parkway, história

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Galopando Ladeira Acima

Colômbia, Cali, San Agustín

Passeio à cavalo em San Agustín, na Colômbia

Passeio à cavalo em San Agustín, na Colômbia


Voltamos aos cavalos hoje. A Ana tinha feito um passeio na "avenida dos vulcões", no Equador, enquanto eu subia o Chimborazo. A minha última vez tinha sido na região de Salta, na Argentina. Hoje, estávamos os dois juntos novamente, subindo e descendo as serras da bela região de San Agustín, na Colômbia.

Passeio à cavalo em San Agustín, na Colômbia

Passeio à cavalo em San Agustín, na Colômbia


São vários os atrativos do passeio. A começar pela própria maneira de fazê-lo: à cavalo! É a melhor maneira de se locomover no terreno acidentado da região, um morro atrás do outro. No percurso, muitas plantações do mais afamado café do mundo e algumas fazendas onde se encontraram mais tótens de pedra, inclusive os únicos coloridos que foram achados até hoje. Além disso, passamos também por um local onde há uma conhecida senhora que lê o calendário maia para nós.

Cruzando com vacas assustadas durante passeio à cavalo em San Agustín, na Colômbia

Cruzando com vacas assustadas durante passeio à cavalo em San Agustín, na Colômbia


A primeira boa surpresa foram os cavalos. Estava esperando uns pangarés, mas eis que foram os cavalos mais fortes sobre os quais já cavalguei. O meu, o Relâmpago, queria marchar (andar rapidamente) o tempo todo e não podia ver uma ladeira à sua frente que já começava a galopar. Foram uns quinze quilômetros neste ritmo. Impressionante! Galopar ladeira acima a mais de 2 mil metros de altitude carregando 75 quilos nas costas... que saúde! Já o cavalo da Ana, era um pouco mais preguiçoso. Mas com o nosso guia Ricardo atrás dele dando umas cutucadas, veio no ritmo do Relâmpago todo o tempo. Nossa... com a minha (pouca) experiência de cavalgadas nas fazendas de Ribeirão e montanhas de Poços de Caldas, nunca tinha visto cavalos tão resistentes!

Visitando totens de pedra milenares durante passeio à cavalo em San Agustín, na Colômbia

Visitando totens de pedra milenares durante passeio à cavalo em San Agustín, na Colômbia


A nossa primeira parada foi numa fazenda com alguns belos tótens de pedra e, ali mesmo, aprendermos um pouco sobre o calendário maia. Com a nossa data de nascimento em mãos, a senhora nos deu uma aula sobre o calendário, discorrendo sobre o momento em que estamos passando. A Ana é o "Sol Rítmico", traz a luz e a vida por onde passa (acertou em cheio, hehehe!) enquanto eu sou o "Dragão Lunar". Bom, para quem não liga para horóscopo ou chacras, o calendário maia foi mais um a entrar neste grupo. Mas a Ana ouviu atentamente e percebeu vários acertos na análise da senhora. Os erros, esses a gente não lembra...

O Calendário Maia (em San Agustín, na Colômbia)

O Calendário Maia (em San Agustín, na Colômbia)


Consulta ao Calendário Maia, em San Agustín, na Colômbia

Consulta ao Calendário Maia, em San Agustín, na Colômbia


De volta aos fortes cavalos, foi um sobe e desce de morros, passando por várias plantações de café. À cavalo, passando ao lado de cafezais, que saudade da infância e das desaparecidas plantações de Ribeirão, substituídas todas por uma sem-graça cana-de-açúcar. E aqui, além de tudo, café de serra, sempre uma bela vista pela frente. Não é à tôa que o café cresce gostoso e sadio.

Plantação de café nas montanhas de San Agustín, na Colômbia

Plantação de café nas montanhas de San Agustín, na Colômbia


Os únicos tótens de pedra coloridos em San Agustín, na Colômbia

Os únicos tótens de pedra coloridos em San Agustín, na Colômbia


Próxima parada, a fazenda com os incríveis tótens coloridos, amarelo, vermelho e negro. De alguma maneira, aqui os pigmentos foram preservados, enquanto nos outros toda a cor se foi. Pelo menos, é o que se imagina. Com cores, eles ganham ainda mais vida mas, ao mesmo tempo, já não parecem ser tão antigos e misteriosos. Não sei qual me impressiona mais. Para tentar solucionar essa dúvida cruel, nada como uma cervejinha não tão gelada (infelizmente) num botequinho ali do lado.

Pausa para cerveja gelada durante passeio à cavalo em San Agustín, na Colômbia

Pausa para cerveja gelada durante passeio à cavalo em San Agustín, na Colômbia


Muito quilômetros de galopes, curvas, subidas e descidas depois, chegamos ao final do passeio. Bem em tempo de fazer o check-out do hotel, almoçarmos deliciosamente uma tradicional carne de cerdo no Richards (uma das melhores da nossa vida!) e iniciarmos nossa longa viagem do dia.

Passeio à cavalo em San Agustín, na Colômbia

Passeio à cavalo em San Agustín, na Colômbia


Mas começamos em sentido contrário, indo primeiro para um lugar chamado "Estrecho". Um dos rios mais importantes do país é o Rio Magdalena, que não nasce longe daqui, mas já tem bastante água quando chega em San Agustín. Esse rio corta a Colômbia de sul à norte, entre as cordilheiras Ocidental e Central, desembocando no Mar do Caribe lá perto do Panamá. Pois bem, lá no Estrecho, seu leito se reduz à meros dois metros de largura, boa parte da água passando sob as pedras, de forma subterrânea. Os nossos novos amigos de ontem recomendaram muito que fôssemos dar uma olhada e assim fizemos, apesar do adiantado da hora e da longa estrada pela frente.

Visita ao 'Estrecho', ponto onde o leito do poderoso rio Magdalena se estreita a apenas dois metros! (em San Agustín, na Colômbia)

Visita ao "Estrecho", ponto onde o leito do poderoso rio Magdalena se estreita a apenas dois metros! (em San Agustín, na Colômbia)


Valeu à pena! Local de rara beleza! Muito nos lembrou dos belos rios que temos nas nossas Chapadas. Mas aqui não tínhamos tempo para nadar. Voltamos para San Agustín e de lá de volta para a estrada que fizemos ontem, para Popayan. Uma última parada numa cachoeira famosa com mais de 150 metros de altura, ao lado de mais plantações de café e banana (muitas vezes, estão misturadas!) e finalmente pude acelerar na estrada velha conhecida. Não queria dirigir ali de noite. Já conhecedora do caminho, a Fiona foi mandando ver, mas chegamos a um ponto onde a estrada estava interrompida para obras. Quase uma hora de espera e não teve jeito: escureceu mesmo antes de chegarmos à Popayan.

Rio Magdalena na região de San Agustín, na Colômbia

Rio Magdalena na região de San Agustín, na Colômbia


Café e banana, combinação comum na região de San Agustín, na Colômbia

Café e banana, combinação comum na região de San Agustín, na Colômbia


Bom, o que não tem remédio, remediado está. Com paciência, chegamos à Popayan e de lá continuamos para Cali, pouco mais de uma hora à frente. Aí, seguindo o instinto da Ana, fomos nos instalar no centro novo da cidade (separado do velho por um rio), no hostal Iguana. Muito popular entre os mochileiros que chegam por aqui, administrado por suiços, clima jovem e familiar ao mesmo tempo. Apesar do cansaço, ainda tivemos o pique de sair para uma balada num bar de rock ali perto. Adoramos o bar e tivemos nosso primeiro contato com o rock colombiano. Mal sabíamos que esse primeiro contato era apenas o começo...

Visitando totens de pedra milenares durante passeio à cavalo em San Agustín, na Colômbia

Visitando totens de pedra milenares durante passeio à cavalo em San Agustín, na Colômbia

Colômbia, Cali, San Agustín, arqueologia, cavalo

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