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SHUFFLE Há 1 ano: Haiti Há 2 anos: Haiti

O Bordel, a Fechadura e o Deserto

México, Santa Rosalía, San Ignacio

Fim de tarde bo deserto Vizcaíno, na Baja California - México

Fim de tarde bo deserto Vizcaíno, na Baja California - México


Acordamos hoje deliciosamente instalados na cama do nosso (ex) bordel preferido, o Hotel Frances, em Santa Rosalía. Vencida a preguiça, levantamos, abrimos a porta do quarto que dá para uma enorme varanda e demos de cara com a vista maravilhosa do mar à nossa frente e da cidade abaixo de nós. A mesma vista que tinham as antigas moradoras desse lugar. Como será que era a vida delas?

A enorme varanda e a bela vista do Hotel Frances, em Santa Rosalía, na Baja California - México

A enorme varanda e a bela vista do Hotel Frances, em Santa Rosalía, na Baja California - México


O nosso café da manhã foi servido no antigo saloon do estabelecimento, igualzinho aos dos filmes de cawboy. Mas ao invés de tomarmos a famosa dose de uísque cawboy, ficamos no copo de chá mesmo. A todo momento parecia que o John Wayne entraria pela porta, ou alguma mulher de reputação duvidosa desceria pela escadas, mas isso ficou só na imaginação mesmo. Se pudéssemos viajar no tempo...

Café da manhã no antigo saloon do Hotel Frances, em Santa Rosalía, na Baja California - México

Café da manhã no antigo saloon do Hotel Frances, em Santa Rosalía, na Baja California - México


Empacotamos a Fiona e descemos para a cidade, para uma última olhada rápida e algumas fotos, já que ontem estava escuro quando chegamos. Mas, logo na primeira volta, encontramos um chaveiro. Já faz tempo que a fechadura da nossa capota da caçamba é só psicológica (ainda bem que ninguém sabe disso!) e era uma boa hora para consertá-la. Assim, enquanto a Fiona ficou lá de molho, eu e a Ana pudemos passear tranquilamente por essa cidade de faroeste e até almoçar.

Cenário de faroeste com carros em Santa Rosalía, na Baja California - México

Cenário de faroeste com carros em Santa Rosalía, na Baja California - México


A arquitetura de Santa Rosalía realmente lembra essas cidades dos filmes de John Ford. A gente já tinha visto uma igual, lá no deserto de Atacama, uma antiga cidade mineira também. Só que lá a cidade foi toda transformada num museu, ninguém mais mora ali. Aqui não, continua uma cidade normal, com seu ritmo cotidiano de vida. Muito interessante!

A Fiona em Santa Rosalía, na Baja California - México

A Fiona em Santa Rosalía, na Baja California - México


O principal prédio é a igreja Santa Bárbara, desenhada e construída por ninguém menos que Alexander Eiffel, o mesmo da famosa torre parisiense. A igreja esteve exposta na Feira Internacional de Paris, quando foi inaugurada a famosa torre. Ganhou um prémio pelo design inovador. Depois, desmontada, foi parar num depósito na França. O dono da companhia mineira aqui de Santa Rosalía era francês e resolveu trazer a igreja para cá. Com uma reforma ou outra, continua de pé, orgulhando os habitantes da cidade.

A igreja irmã da Torre Eiffel, em Santa Rosalía, na Baja California - México

A igreja irmã da Torre Eiffel, em Santa Rosalía, na Baja California - México


A fechadura da Fiona finalmente ficou pronta e a gente se despediu da cidade e também do Mar de Cortez, que não vamos mais ver nessa viagem. Adiós, amigo!

Nossa última visão do Mar de Cortez, na orla de Santa Rosalía, na Baja California - México

Nossa última visão do Mar de Cortez, na orla de Santa Rosalía, na Baja California - México


A gente seguiu para o meio do deserto, seguindo a fronteira do parque que protege essa maravilha natural, o enorme Deserto Vizcaino. Nessa época do ano, ele está florido, o que o ainda faz mais belo. Pois é, para que acha que deserto só tem cactos, deveria vir passear por aqui...

Atravessando o deserto na estrada entre Santa Rosalía e San Ignacio, na Baja California - México

Atravessando o deserto na estrada entre Santa Rosalía e San Ignacio, na Baja California - México


A gente seguiu até a cidade de San ignacio, que também cresceu ao redor de uma antiga missão jesuítica. Vamos usar a cidade como base para explorar o deserto, suas paisagens maravilhosas e uma outra atração: algumas das mais belas pinturas rupestres do mundo.

Época de deserto florido na Baja California - México (estrada entre Santa Rosalía e San Ignacio)

Época de deserto florido na Baja California - México (estrada entre Santa Rosalía e San Ignacio)

México, Santa Rosalía, San Ignacio, Baja California, deserto, Vizcaino

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Drake Passage ou Drake Lake?

Antártida, Atlântico Sul Antártida

Nosso maravilhoso pôr-do-sol atravessando a temida Drake Passage

Nosso maravilhoso pôr-do-sol atravessando a temida Drake Passage


Engana-se que achou que nossa última grande emoção programada para essa viagem à Antártida tenha sido o “polar plunge”, o salto nas águas geladas descrito no último post. Não, esse não foi o último desafio. Ainda restava um, bem à nossa frente. Estou falando da famosa Drake Passage, nome dado ao trecho de oceano que separa a península antártica da América do Sul. Para chegar a Ushuaia, na Terra do Fogo, local do nosso desembarque final, temos de cruzar essa temida região de mares bravios.

Navegando nas tranquilas águas da Drake Passage, entre a Antártida e a América do Sul

Navegando nas tranquilas águas da Drake Passage, entre a Antártida e a América do Sul


O roteiro mais comum dos barcos que levam turistas à Antártida parte de Ushuaia e segue diretamente para a península antártica. Neste caso, os passageiros enfrentam a Drake Passage duas vezes, uma na ida e outra na volta. Muitas vezes, a experiência da ida e tão ruim que alguns passageiros resolvem pagar um pouco mais e retornam da Antártida de avião. Nosso caso foi diferente. Ao invés de embarcarmos em Ushuaia, começamos nossa viagem de Buenos Aires e seguimos diretamente para as Malvinas, Geórgia e Antártida. Em outras palavras, demos a volta na Drake Passage. Mas agora na volta, não tinha remédio: tínhamos mesmo de cruzar bem pelo meio da famosa passagem.

Nosso maravilhoso pôr-do-sol atravessando a temida Drake Passage

Nosso maravilhoso pôr-do-sol atravessando a temida Drake Passage


Não há navegador no mundo que não conheça esse lugar ou, ao menos, sua má fama. É muito provavelmente o trecho mais perigoso de todos os oceanos da Terra. Uma procura rápida no YouTube vai mostrar diversos vídeos de navios grandes e pequenos sendo castigados por ondas enormes. Tudo dentro dos barcos deve ser amarrado e os passageiros passam um dia inteiro trancados em seus quartos, boa parte deles passando muito mal. Pode parecer ruim, mas para mim era uma das atrações dessa viagem e eu torcia para ter uma verdadeira experiência por aqui, na Drake Passage. A não ser que esteja de ressaca, não costumo passar mal em alto-mar e ansiava para passar por esse “teste”. A coisa mais parecida que já tinha vivenciado tinha sido a travessia de barco entre as duas ilhas que formam a Nova Zelândia, num distante ano de 1998. Bem no dia da nossa travessia (viajava com um primo pelo país, de carro), o mar tinha virado e nenhum barco se atrevia a fazer a travessia. Apenas um, o maior deles, com capacidade para centenas de passageiros e carros, se aventurou. Dois terços dos passageiros passaram mal e por onde andávamos dentro do navio havia gente vomitando. Jamais esquecerei da cena de uma família toda, pais e dois filhos, vomitando juntos. “Família que vomita junto permanece junta”, já diz o velho ditado. Enfim, estava imaginando algo parecido para essa nossa travessia pelo Drake...

Novamente em alto-mar, descansando no salão do Sea Spirit

Novamente em alto-mar, descansando no salão do Sea Spirit


Tudo tranquilo na ponte de comando do Sea Spirit, já ao final da Drake Passage, chegando à América do Sul

Tudo tranquilo na ponte de comando do Sea Spirit, já ao final da Drake Passage, chegando à América do Sul


São pouco mais de 800 km entre a Antártida e a Terra do Fogo. É onde se dá o encontro dos dois maiores oceanos da Terra, o Atlântico e o Pacífico. Por aí circula a corrente marinha circumpolar antártica. Esse verdadeiro “rio marinho” tem a força de 600 rios Amazonas. É isso mesmo, SEISCENTAS vezes mais água se movimentando que no rio mais caudaloso do mundo. Não foi sempre assim, claro. Antártida e América do Sul se acomodavam juntas no grande continente austral de Gondwana. Quando ele começou a se partir, há pouco mais de 100 milhões de anos, esses dois continentes se separaram, mas a península antártica sempre esteve muito próxima do sul da América do Sul, separados apenas por um mar raso. Flora e fauna se comunicavam entre os dois vizinhos próximos. Até que, 40 milhões de anos atrás, a geologia do local mudou. A passagem se aprofundou bastante possibilitando que enormes correntes marinhas fluíssem por aí desimpedidas. Era o nascimento da tal corrente gelada circumpolar que praticamente aprisionou o frio polar sobre a Antártida. Até então, esse frio seguia para o norte e de lá retornava com o calor dos trópicos. A Antártida ainda vivia sob um clima subtropical. Mas a criação da Passagem de Drake e da corrente circumpolar selou seu futuro gelado. Situação que segue inalterada até hoje.

Um verdadeiro mar de comandante na nossa travessia da Drake passage, entre a Antártida e a América do Sul

Um verdadeiro mar de comandante na nossa travessia da Drake passage, entre a Antártida e a América do Sul


Um verdadeiro mar de comandante na nossa travessia da Drake passage, entre a Antártida e a América do Sul

Um verdadeiro mar de comandante na nossa travessia da Drake passage, entre a Antártida e a América do Sul


Talvez por isso que foram precisos outros 300 anos desde que Magalhães descobriu o Oceano Pacífico através do estreito que leva seu nome (entre a Terra do Fogo e o continente americano) para que os navegadores se aventurassem ainda mais ao sul, explorando as águas turbulentas que marcam o encontro do Atlântico com o Pacífico. O primeiro a ir parar lá, levado pelos ventos, foi um dos maiores navegantes de todos os tempos, o pirata-corsário inglês Francis Drake, ainda no séc. XVI. Por isso o nome Drake Passage. Mas ele tratou de sair de lá rapidinho. Exploradores mesmo, só muito mais tarde...

Nossa posição atravessando a Drake Passage, já a meio caminho entre a Antártida e a América do Sul

Nossa posição atravessando a Drake Passage, já a meio caminho entre a Antártida e a América do Sul


A cada seis horas, um novo boletim sobre as condições do tempo, mar e ventos

A cada seis horas, um novo boletim sobre as condições do tempo, mar e ventos


Pois bem, e agora era a nossa vez! Todo mundo com um olho no mar e outro na previsão de tempo. O Sea Spirit recebe previsões atualizadas e detalhadas a cada 6 horas e disponibiliza esses dados, na forma de mapas e gráficos, para os passageiros. Foi quando, para alívio geral e tristeza minha, configurou-se a notícia. Justo o nosso dia de travessia caiu naqueles menos de 5% de dias em que o mar se acalma por lá. Mais do que isso, ele se acalmou de verdade, de um modo que tripulantes que já passaram por ali dezenas de vezes nunca haviam visto.

Nosso maravilhoso pôr-do-sol atravessando a temida Drake Passage

Nosso maravilhoso pôr-do-sol atravessando a temida Drake Passage


A temível e terrível Drake Passage mais parecia um lago. A Drake Passage virou o Drake Lake. Isso nos deu tempo para curtir a viagem, fazer festas, passear pelo navio, ler livros e jornais, beber e se divertir e até admirar um esplendoroso pôr-do-sol. Mas não posso negar que fiquei meio decepcionado. Ao reclamar com um dos guias dizendo que eu preferiria um mar bravio, ele me lançou um olhar que misturava surpresa, indignação e desprezo e respondeu: “Você não tem ideia do que está falando!”. É... fiquei mesmo sem a ideia da verdadeira Drake Passage. Motivo para voltar?

Aproveitando o conforto e tranquilidade do quarto para ler um livro, no Sea Spirit, a caminho de Ushuaia

Aproveitando o conforto e tranquilidade do quarto para ler um livro, no Sea Spirit, a caminho de Ushuaia

Antártida, Atlântico Sul Antártida, Drake Passage, mar, Sea Spirit

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Celebrando Nosso Giro na Islândia

Islândia, Reykjavik

Delicioso jantar no Perlan, restaurante giratório de arquitetura moderna em Reykjavik, capital da Islândia

Delicioso jantar no Perlan, restaurante giratório de arquitetura moderna em Reykjavik, capital da Islândia


Depois de sete dias intensos pelo país, quase 2 mil quilômetros de estradas ao redor da ilha, incontáveis cachoeiras, fontes termais, geleiras, caminhadas por montanhas e vulcões e até um mergulho em águas geladas, era a hora de comemorarmos tudo isso. Nada melhor que um bom restaurante na capital Reykjavik seguido por algumas cervejas em um pub da moda na cidade.



Tratamos de tirar a mão do bolso e investir num bom restaurante. Até então, exceto por um delicioso almoço em Myvatn, nossas refeições por aqui tinham se limitado a cafés da manhã nos hostels, lanches corridos na estrada, alguma torta em pequenos cafés. Um vinho aqui ou ali numa noite fria, comprados em supermercados. Afinal, o ritmo de viagem era frenético, muita coisa para se ver e fazer em pouco tempo. Mas não hoje! Depois de percorrermos as atrações do Golden Circle, voltamos à capital ainda com a luz do dia e tratamos de achar um bom restaurante. Para mais tarde, já tínhamos marcado encontro com o Kevin, nosso simpático e excelente guia de mergulho na fenda que divide a América da Europa. Agora, ele seria nosso guia na night de Reykjavik.

Degustando taça de vinho no Perlan, restaurante giratório de arquitetura moderna em Reykjavik, capital da Islândia

Degustando taça de vinho no Perlan, restaurante giratório de arquitetura moderna em Reykjavik, capital da Islândia


Delicioso jantar no Perlan, restaurante giratório de arquitetura moderna em Reykjavik, capital da Islândia

Delicioso jantar no Perlan, restaurante giratório de arquitetura moderna em Reykjavik, capital da Islândia


O restaurante escolhido foi o Perlan, que em islandês quer dizer “Pérola”. É uma construção moderna, toda envidraçada e que fica no alto de uma colina próxima do centro da cidade. Para melhorar, as mesas ficam em uma plataforma giratória. Assim, durante toda a refeição, temos excelentes vistas da cidade e da baía onde ela está localizada.

Delicioso jantar no Perlan, restaurante famoso em Reykjavik, capital da Islândia

Delicioso jantar no Perlan, restaurante famoso em Reykjavik, capital da Islândia


Normalmente, é preciso reserva para comer lá, mas como chegamos bem cedo, encontramos mesa. A gente, no nosso visual “mochileiro”, destoava um pouco do público presente, mas não importa, fomos logo pedindo vinho e entrada. O negócio era aproveitar aquela oportunidade única. E assim foi, um verdadeiro e saboroso banquete!

Nossa maravilhosa sobremesa no Perlan, famoso restaurante de Reykjavik, capital da Islândia

Nossa maravilhosa sobremesa no Perlan, famoso restaurante de Reykjavik, capital da Islândia


A vista estava mesmo magnífica, principalmente com as luzes de final de tarde. A comida também, até o fechamento com chave de ouro de uma sobremesa de dar água na boca, principalmente para quem gosta tanto de frutas como eu! Acompanhado de bom vinho, tudo era festa. Enfim, valeu cada centavo investido. Nossas aventuras nesse incrível país mereciam isso.

Vista de Reykjavik, capital da Islândia, do alto do restaurante giratório Perlan

Vista de Reykjavik, capital da Islândia, do alto do restaurante giratório Perlan


Vista de Reykjavik, capital da Islândia, do alto do restaurante giratório Perlan

Vista de Reykjavik, capital da Islândia, do alto do restaurante giratório Perlan


Em seguida, voltamos ao nosso hotel, deixamos o carro por lá e encontramos o Kevin na portaria. Caminhamos juntos para o centro e ele nos levou num delicioso pub irlandês. Para quem não conhece, os irlandeses se parecem com latinos, são animados, festivos, acolhedores. E assim era o pub, muita gente se confraternizando. Juntos, tomamos algumas Guinness (amo!!!) e outras cervejas irlandesas que ele conhecia. A conversa foi sobre mergulhos, sobre a vida na Islândia, sobre a história conjunta de irlandeses e islandeses. Enfim, foi muito gostoso. A melhor última noite que poderíamos ter nesse país. Amanhã, ainda tem um passeio rápido pela cidade e depois, direto para o aeroporto e para Orlando, nos EUA, onde nos espera a saudosa Fiona!

A catedral luterana de Reykjavik, capital da Islândia

A catedral luterana de Reykjavik, capital da Islândia

Islândia, Reykjavik, Arquitetura, comida

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Real de Catorze e os Pueblos Mágicos

México, Real de Catorce

Luz de fim de tarde em Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México

Luz de fim de tarde em Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México


No ano de 2001, o governo mexicano, através da secretaria de turismo e outros órgãos federais e estaduais, resolveu criar um programa de incentivo ao turismo para mostrar ao mundo que o país não era apenas praias bonitas e caribenhas, tendo muito mais a oferecer. A ideia era valorizar e enaltecer cidades e vilas que oferecessem ao visitante “uma experiência mágica, em razão de suas belezas naturais, riquezas culturais e relevância histórica”. O nome do programa não poderia ter sido melhor escolhido: “Pueblos Mágicos”. As cidades admitidas no programa teriam de seguir certas exigências de atendimento ao turista e, em contrapartida, teriam acesso à fundos especiais.

A linda região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

A linda região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Chegando à Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Chegando à Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Na nossa passagem anterior pelo México, no ano passado, conhecemos algumas delas, sempre muito charmosas. Por exemplo, San Cristobal de Las Casas, em Chiapas e Tequila, em Jalisco. E agora, por indicação do Gera, estávamos indo para a primeira delas, admitida no programa ainda em 2001, Real de Catorze. O Gera é um amigo do meu irmão que mora aqui na Cidade do México. Brasileiro, casado com uma mexicana e amante das montanhas. Meu irmão nos colocou em contato para que subamos o Pico Orizaba juntos e, já há alguns dias que trocamos e-mails e mensagens tentando organizar isso, a nossa programação para subir uma montanha que requer uma aclimatação à altitude. Aos poucos, estamos acertando tudo e logo vou falar disso.

O incrível túnel na rocha que dá acesso à Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

O incrível túnel na rocha que dá acesso à Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Mas não agora. O assunto é Real de Catorze. Além das montanhas, o Gera também tem viajado muito pelo país e nos disse que essa era uma ótima opção, bem no nosso caminho rumo ao sul. A gente foi ler um pouco sobre a cidade e gostamos! Assim, tratamos de inclui-la no roteiro.

Charmoso restaurante de pedra em em Real de Catorce, pueblo mágico no nordeste do México

Charmoso restaurante de pedra em em Real de Catorce, pueblo mágico no nordeste do México


Delicioso aperitivo feito com flores de cactus, em restaurante de Real de Catorce, pueblo mágico no nordeste do México

Delicioso aperitivo feito com flores de cactus, em restaurante de Real de Catorce, pueblo mágico no nordeste do México


Bem, se gostamos quando lemos sobre ela, era porque ainda não tínhamos conhecido pessoalmente. Depois de chegar e passar dois dias por aqui, aí a palavra certa a usar é “adoramos”! Ela é uma espécie de São Thomé das Letras, toda em pedra também, mas sem aquela pedreira horrorosa que está destruindo a cidade mineira e com uma história muito mais rica. Um charme só, perdida no meio das montanhas que se erguem em pleno deserto potosino.

Manhã de ceú azul em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Manhã de ceú azul em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


A origem da cidade está na exploração de prata, ainda em tempos coloniais. A mão-de-obra era indígena, pobres escravos que trabalhavam até a morte dentro das minas, sem jamais ver a luz do sol. No início do século XIX a cidade era o segundo maior centro produtor de prata do mundo. A cidade cresceu, igrejas e prédios públicos foram sendo construídos, assim como grandes fazendas de mineração. Mas, aos poucos, os veios de prata foram se esgotando e a riqueza acabando. Boa parte da população se foi e a cidade localizada a mais de 2.700 metros de altitude quase se transformou em uma “cidade-fantasma”. Foi apenas o fervor religioso como centro de peregrinação que manteve Real de Catorce viva por muito tempo. Até que ela foi redescoberta para o turismo, na década de 70. Forasteiros foram chegando e montando pousadas e restaurantes charmosos, aproveitando-se e incentivando uma demanda que apenas crescia. Há poucos anos, a cidade estava “bombando”. Mas a crise de segurança no país afastou muitos turistas e hoje Real anda bem mais calma, apesar das boas pousadas e restaurantes continuarem por lá. Melhor para os turistas que continuam indo para Real. Quem aqui chega, como nós, tem a impressão de estar no lugar certo na hora certa.

Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Nós chegamos aqui no final da tarde do dia 18. Bastou começar a subir pela estrada de paralelepípedo as montanhas da região que eu já senti que iria gostar muito. O ar das montanhas sempre me faz bem. Além disso, a pureza do ar do deserto faz o horizonte ficar mais claro e distante. Iluminado pela luz de fim de tarde, é a combinação ideal. Depois de muito subir, percebi que a estrada acabaria depois da próxima curva, pelo menos no nosso GPS. E até lá, nada de cidade! “Que estranho!”, pensávamos, mas a resposta apareceu. A estrada desembocava em um túnel no meio da rocha. E não era um túnel qualquer, não! Era cavado a mão. Uma antiga mina. O túnel não é largo, mal cabia a Fiona. Cruzar com outro carro por ali seria impossível. Depois, descobrimos que só passa um carro por vez, duas pessoas por rádio, nas entradas do túnel controlando o tráfego. E precisa mesmo, pois são quase três quilômetros. A impressão que se tem é que chegaremos a um outro mundo.

Com o argentino Walter em frente ao nosso hotel em Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México

Com o argentino Walter em frente ao nosso hotel em Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México


E realmente chegamos! Em Real de Catorce! Mal saímos do túnel e já entramos em suas ruas estreitas de pedra, por entre antigas igrejas e construções charmosas. Além de estreitas, as ruas formam um labirinto. Mas o instinto acabou nos levando até a praça e, depois de três tentativas, achamos um hotel joia. O negócio era estacionar logo a Fiona e passar a andar só a pé, que é o que combina com a pequena cidade. Quer dizer, a pé por aqui, mas para os passeios pela região, o melhor são cavalos! No dia 19 fizemos uma cavalgada inesquecível, um dos nossos melhores dias nesses 1000dias, mas vou falar disso no próximo post.

Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Ainda no dia 18, tivemos um maravilhoso jantar em um dos restaurantes aconchegantes, com direito a um aperitivo saborosíssimo, feito de uma espécie de cactos que cresce por aqui. Enfim, depois desse jantar, da noite deliciosa no nosso hotel e da cavalgada inesquecível do dia 19, foi fácil mudar de planos e desistir de seguir viagem. Muito melhor seria passar mais um dia por aqui e foi o que fizemos. Afinal, o que quer que fosse que veríamos pela frente, não poderia ser mais legal que Real.

Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Uma das charmosas casas em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Uma das charmosas casas em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Bom, na verdade, ficou até melhor, por aqui. Isso porque, quando retornamos ao nosso hotel para dizer que ficaríamos mais uma noite, eles já tinham passado nosso quarto para frente. Em compensação, colocaram-nos em outro quarto melhor ainda, mas com o mesmo preço. Esse quarto foi tão legal, mas tão legal, que também vou fazer um post só para ele, hehehe. Depois do post da cavalgada...

Com o Walter, amgo argentino que fizemos em Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México

Com o Walter, amgo argentino que fizemos em Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México


Nós ficamos muito amigos do novo hóspede do nosso primeiro quarto, um argentino fotógrafo que mora no Canadá e que viajou para o Yucatan e Guatemala nas férias com a família e estava retornando para o norte, ele de carro enquanto a família seguiu de avião. Gente finíssima e interessantíssima, muitas conversas de viagem. Foi ótimo! Junto com o Walter (seu nome), ficamos amigos da dona do nosso hotel, que acabou por nos convidar para um jantar com amigos ali em frente. Todos forasteiros e artistas há muito radicados na cidade. O jantar e, principalmente as conversas nesse grupo, parecia que estávamos em algum filme do Almodovar. Foi sensacional!

Caminhando em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Caminhando em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Caminhando pelas ruas de pedra de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México

Caminhando pelas ruas de pedra de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México


Ainda tivemos tempo de caminhar pela cidade, conhecer outros restaurantes, ir à igrejas e praças, interagir com artesões que ali moram. Mas, o melhor de tudo era simplesmente estar ali, respirando aquele ar e vivendo aquela vida. A vontade era passar uma temporada por lá, uns dez dias talvez, entrar no clima e no ritmo. Mas temos compromissos à frente e tínhamos de seguir.

Interior da igreja matriz de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México

Interior da igreja matriz de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México


A rústica estrada que sai de Real de Catorze para o vale, ao norte do México

A rústica estrada que sai de Real de Catorze para o vale, ao norte do México


Fomos embora na metade do dia 20. O caminho de saída, para quem tem um carro grande e tracionado, pode ser descendo uma rústica estrada que segue por dentro de um canyon. Se o carro não for assim, tem de sair pelo túnel mesmo, mas aí a volta seria bem maior, para quem segue rumo ao sul. A gente, com a Fiona, claro que seguimos pelo canyon, mais uma bela paisagem desse Pueblo Mágico. Real de Catorce foi, sem dúvida, um de nossos pontos altos aqui no México. E olha que a concorrência é forte...

Fiona pronta para enfrentar a estrada 4x4 wue sai de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México

Fiona pronta para enfrentar a estrada 4x4 wue sai de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México

México, Real de Catorce, Pueblos Mágicos

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Copacabana, Titicaca e o Bloqueio

Bolívia, Copacabana, La Paz

Chegando de volta à Copacabana, após caminhada na isla del Sol, na Bolívia

Chegando de volta à Copacabana, após caminhada na isla del Sol, na Bolívia


Para nós, brasileiros, tão acostumados com a nossa Copacabana carioca, a princesinha do mar, é no mínimo curioso encontrar essa outra Copacabana, aqui na orla do lago Titicaca, a quase 4 mil metros de altitude. O que pouca gente sabe é que a Copacabana original é a boliviana, e não a mundialmente famosa praia brasileira.

Feira em frente à Basílica de Copacabana, na Bolívia

Feira em frente à Basílica de Copacabana, na Bolívia


Carros 'abençoados' nas ruas de Copacabana, na Bolívia

Carros "abençoados" nas ruas de Copacabana, na Bolívia


A origem do nome vem de tempos pré-incaicos. Nessa região adorava-se uma deusa da fertilidade chamada Kotakawana. Havia até um templo em sua homenagem, para onde afluíam peregrinos de todo o altiplano. O culto ainda existia na época dos incas, mas os espanhóis, quando aqui chegaram, trataram de substituir o templo por uma igreja e a deusa por Nossa Senhora. Além disso, Kotakawana virou Copacabana.

A enorme Basílica de Copacabana, na Bolívia

A enorme Basílica de Copacabana, na Bolívia


A enorme Basílica de Copacabana, na Bolívia

A enorme Basílica de Copacabana, na Bolívia


O tempo passou e muitos milagres passaram a ser atribuídos à Virgem de Copacabana. Foram tantos que ela foi declarada a patrona de todo o país, a Bolívia. E como tal, não merecia apenas uma igreja, mas toda uma Basílica. O prédio se tornou um símbolo da pequena cidade e atrai dezenas de milhares de peregrinos, principalmente no período de festas.

A famosa Basílica de Nossa senhora de Copacabana, na Bolívia

A famosa Basílica de Nossa senhora de Copacabana, na Bolívia


Enquanto isso, lá no Rio de Janeiro, o então distante distrito de Sacopenapã ganhava um novo nome. Comerciante bolivianos, pouco antes do final do séc XVIII, levaram para o Rio uma imagem da santa de seu país e a instalaram em uma pequena capela em Sacopenapã. Desde então, a região passou a ser conhecida como Copacabana, a Copacabana lá da Bolívia.

Sala de culto da Nossa Senhora de Copacabana, na Bolívia

Sala de culto da Nossa Senhora de Copacabana, na Bolívia


Velas deixadas por peregrinos de Nossa Senhora de Copacabana, na Basílica de Copacabana, na Bolívia

Velas deixadas por peregrinos de Nossa Senhora de Copacabana, na Basílica de Copacabana, na Bolívia


Ontem, então, depois do nosso maravilhoso passeio na Isla del Sol, aproveitamos as últimas luzes do dia para ir passear e fotografar a Basílica de Nossa Senhora de Copacabana, a antiga deusa da fertilidade e que emprestou seu nome a uma das mais famosas praias do mundo. Vivendo e aprendendo!

Velas deixadas por peregrinos de Nossa Senhora de Copacabana, na Basílica de Copacabana, na Bolívia

Velas deixadas por peregrinos de Nossa Senhora de Copacabana, na Basílica de Copacabana, na Bolívia


A basílica é grandiosa por fora e agradável por dentro, uma espécie de oásis depois da confusão urbana que temos de atravessar para chegar até lá. Uma das maiores atrações é um salão de velas onde os fieis mostram toda a sua devoção à santa.

Fim de tarde no lago Titicaca, na rua principal de Copacabana, na Bolívia

Fim de tarde no lago Titicaca, na rua principal de Copacabana, na Bolívia


Hoje cedo, hora de seguir viagem. Deixamos Copacabana para trás e para baixo, mas demos uma última parada em um mirante no alto do morro para admirar a cidade e o cenário ao seu redor. Era desse ângulo que eu me lembrava de Copacabana, a primeira visão que tive dela, vindo de La Paz, há 23 anos. Daqui, tive a exata noção do quanto a cidade cresceu nessas duas décadas. Na praia do lago, antes, só havia ovelhas. Agora, prédios e mais prédios. A Basílica se sobressaia e agora, está disfarçada no meio de outras construções. Mas, mesmo com o crescimento, a imagem continua um cartão postal.

A cidade de Copacabana, com sua enorme basílica, às margens do lago Titicaca, na Bolívia

A cidade de Copacabana, com sua enorme basílica, às margens do lago Titicaca, na Bolívia


Depois de tanto subirmos, descemos outra vez, em direção à orla do Titicaca. Iríamos navegar nele uma última vez, agora com a Fiona! Aqui é onde o lago é mais estreito, um canal com meros 800 metros de largura. Pequenas balsas onde cabem apenas dois carros fazem a travessias e foi de cima de uma delas que nos despedimos definitivamente desse lago mágico e belo que é o Titicaca, um verdadeiro mar das altitudes.

Restaurante ao lado da balsa para atravessar o lago Titicaca, na Bolívia

Restaurante ao lado da balsa para atravessar o lago Titicaca, na Bolívia


Agora, o destino era Tiuhuanaco, as ruínas da mais importante civilização que floresceu em terras bolivianas. Quando passei por aqui da outra vez, quase nada se sabia dela, mas os estudos arqueológicos avançaram rapidamente e a Ana, em 2006, esteve por lá e ficou impressionada com o que viu. Para chegar até lá, tivemos que dar uma volta, já que não há estradas diretas. Essa volta nos levou até a periferia de La Paz.

A Fiona entra na pequena balsa para atravessar o lago Titicaca, entre Copacabana e La Paz, na Bolívia

A Fiona entra na pequena balsa para atravessar o lago Titicaca, entre Copacabana e La Paz, na Bolívia


Juntos com a Fiona, navegamos no Titicaca pela última vez, a caminho de La Paz, na Bolívia

Juntos com a Fiona, navegamos no Titicaca pela última vez, a caminho de La Paz, na Bolívia


Ali, enfrentamos um dos principais perigos para quem viaja pela Bolívia: os bloqueios de estradas. Essa é a principal forma de protesto que existe no país, e sei de casos de viajantes que passaram dias presos em algum lugar qualquer, simplesmente porque, com as estradas fechadas, ninguém entra e ninguém sai e ponto. E ai de quem tentar furar o bloqueio! Corre o risco de ter o carro destruído.


Nossa viagem de Copacabana (A) às ruínas de Tihuanaco (B) passando pela periferia de La Paz

Felizmente, para nós, o caso foi mais light. Nós tínhamos de trocar de estradas em El Alto, que é o nome que se dá a parte alta de La Paz, uma espécie de periferia da capital boliviana. É claro que não existe muita sinalização, mas o GPS foi tentando nos levar através de ruas secundárias, na periferia da periferia, até a estrada que nos levaria a Tiuhuanaco. Muitas das ruas que estão no GPS não existem na realidade (claro!), mas depois de muitas tentativas e erros, chegamos felizes à estrada. Mas a felicidade não durou muito, pois era ela que estava bloqueada, uma série de barreiras de pneus em chamas.

Chegando à La Paz e às enormes montanhas que cercam a capital da Bolívia

Chegando à La Paz e às enormes montanhas que cercam a capital da Bolívia


O líder de um desses bloqueios nos explicou que poderíamos tentar pegar a estrada mais à frente. Para chegar lá, teríamos de voltar às ruas secundárias, quem sabe algumas terciárias, e encontrar outra saída para a estrada. E lá fomos nós, cada vez mais experientes na periferia de El Alto, que já é a periferia de La Paz. Por fim, achamos! Quem não entendia muito eram os habitantes daquelas ruas de terra e sem esgoto, ao ver a Fiona passar por ali. Éramos quase um disco voador...

Bloqueio em estrada na periferia de La Paz. Essa é a principal forma de protestos na Bolívia

Bloqueio em estrada na periferia de La Paz. Essa é a principal forma de protestos na Bolívia


Mas tudo está bem quando termina bem! Agora, tínhamos estrada livre até Tiuhuanaco. E o GPS já saberia nos trazer na volta pelo emaranhado de ruas, no fim do dia, caso os bloqueios ainda estivessem por ali.

Bandeira da Bolívia tremula na balsa para atravessar o Titicaca, na Bolívia

Bandeira da Bolívia tremula na balsa para atravessar o Titicaca, na Bolívia

Bolívia, Copacabana, La Paz, Titicaca, viagem

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O Maior Rio, a Maior Ponte, o Maior Lago

Guatemala, Rio Dulce

A maior ponte da América Central, sobre o Rio Dulce, na Guatemala

A maior ponte da América Central, sobre o Rio Dulce, na Guatemala


Para o sul! Esse é nosso rumo atual! A Terra do Fogo é logo ali, na esquina, mas temos que fazer “umas escalas” antes de chegar até lá, uns pequenos desvios. E a primeira escala foi na cidade de Rio Dulce, enquanto o primeiro desvio será para Livingston, no litoral caribenho da Guatemala, acessível apenas por barco.


O lago Izabal, Rio Dulce e a região de Livingston

A maior ponte do país e da América Central, sobre o Rio Dulce, na Guatemala

A maior ponte do país e da América Central, sobre o Rio Dulce, na Guatemala


Por muito tempo, a cidade de Rio Dulce era o ponto mais longe até onde chegavam as estradas. Daqui para frente, apenas o rio que leva ao litoral e ao exterior, via marítima, para Honduras ou Belize. Por isso, mesmo estando ainda em pleno território guatemalteco, era chamado de “Puerto Fronteras”. A antiga placa com essa denominação ainda está lá, abaixo da ponte.

A estrada que atravessa Rio Dulce, na Guatemala

A estrada que atravessa Rio Dulce, na Guatemala


Caminhando pelas movimentadas e barulhentas ruas de Rio Dulce, na Guatemala

Caminhando pelas movimentadas e barulhentas ruas de Rio Dulce, na Guatemala


Pois é, agora há uma ponte e Rio Dulce deixou de ser o final da estrada. A longa ponte, a maior da América Central, cruza esse mesmo rio Dulce que dá nome à cidade e faz a ligação entre o norte e o sul, entre a região do Petén, de onde viemos, e a estrada para Honduras, para onde vamos.

Posto de combustível para barcos, em Rio Dulce, na Guatemala

Posto de combustível para barcos, em Rio Dulce, na Guatemala


Um veleiro nas águas do Rio Dulce, na Guatemala

Um veleiro nas águas do Rio Dulce, na Guatemala


O rio Dulce, o rio com maior volume de água no país, liga o lago Izabal ao Golfo do México, através de outros lagos menores, de um lindo canyon e de belíssimas paisagens. Esse será nosso caminho para Livingston, a cidade que fica na foz do rio e que foi fundada pelo povo garifuna há mais de 200 anos. O rio tem um trânsito movimentado, especialmente na época dos furacões. Isso porque até mesmo a marinha norte-americana reconheceu que este é o lugar mais seguro para barcos e veleiros para se esconderem desses perigosos fenômenos naturais. O rio é amplo e profundo o suficiente para os barcos e o canyon protege o lago da entrada dos ventos e ondas criadas pelos furacões. Desse modo, basta haver o primeiro sinal de furacão, ainda lá perto da costa africana, que centenas de barcos espalhados pela costa caribenha da América Central correm para cá, para a segurança do rio Dulce. É só olhar a foto do satélite para entender o porquê...

A maior ponte da América Central, sobre o Rio Dulce, na Guatemala

A maior ponte da América Central, sobre o Rio Dulce, na Guatemala


São centenas de barcos e veleiros em Rio Dulce, na Guatemala

São centenas de barcos e veleiros em Rio Dulce, na Guatemala


Por essa característica, na encruzilhada de rotas e estradas e como porto seguro para barcos, Rio Dulce se tornou um lugar muito especial e movimentado. Na suas margens, dezenas de marinas e acomodações para tripulações de barcos; nas suas ruas, caóticos e barulhentos mercados, com produtos vindos dos quatro cantos do país e do exterior. O constante fluxo de caminhões que usam a estrada e a ponte aumenta ainda mais o movimento ao passarem justamente no centro da cidade. Some a esta balbúrdia o calor escaldante dessa época do ano e terá a imagem de uma típica cidade latina, desordem generalizada, todos os espaços disputados por veículos, pedestres, feirantes e animais andando à solta.

Quase na água, o mais popular backpacker de Rio Dulce, na Guatemala

Quase na água, o mais popular backpacker de Rio Dulce, na Guatemala


Lago Izabal, em Rio Dulce, o maior da Guatemala

Lago Izabal, em Rio Dulce, o maior da Guatemala


Pode até ser interessante de ser observado, mas não por muito tempo. A gente chegou em pleno horário de rush (o “rush”, aqui, vai das 10 da manhã às 5 da tarde, ininterruptamente!) e percebeu o quão desacostumados estamos com esse ambiente barulhento e caótico. Prontamente, desistimos de ficar em qualquer hotel por ali e passamos a buscar uma opção. Uma delas era o popular backpacker (acomodação para mochileiros) na orla do rio, mas do outro lado da ponte. A descrição não nos animou muito e resolvemos tentar uma outra alternativa: os pequenos hotéis perto do lago Izabal, alguns quilômetros fora da cidade, na direção oeste.

Brincadeiras e lavação de roupa no lago Izabal, em Rio Dulce, na Guatemala

Brincadeiras e lavação de roupa no lago Izabal, em Rio Dulce, na Guatemala


Novas amigas na beira do lago Izabal, em Rio Dulce, na Guatemala. A cerveja na mão parece, mas não é uma Btahma. É uma Brahva!

Novas amigas na beira do lago Izabal, em Rio Dulce, na Guatemala. A cerveja na mão parece, mas não é uma Btahma. É uma Brahva!


Dito e feito. A tranquilidade e o silêncio do nosso pequeno hotel, quando comparados á balbúrdia do centro da cidade, fazia-nos lembrar do paraíso! Uma vez instalados e depois de uma gelada e refrescante vitamina de frutas, fomos caminhar até a orla do lago, a menos de um quilômetro dali. Fomos até o Castillo de San Felipe, uma antiga fortaleza espanhola construída bem na entrada do lago para proteger a região de ataques de piratas e corsários, mas ela já estava fechada. Eram 5 da tarde.

Fim de tarde no maior lago da Guatemala, o Izabal, em Rio Dulce

Fim de tarde no maior lago da Guatemala, o Izabal, em Rio Dulce


Esperando o horário do barco que nos levaria de Rio Dulce à Livingston, na Guatemala

Esperando o horário do barco que nos levaria de Rio Dulce à Livingston, na Guatemala


Não faz mal. Descemos até o píer sobre o lago para de lá assistirmos o entardecer. O Izabal é o maior lago da Guatemala, um verdadeiro mar de água doce, e apenas a sua visão já nos dava um frescor psicológico. É claro que a brisa vinda do lago ajudava, hahaha. A gente não ficou tentado a nadar em suas águas, que ali nem pareciam tão convidativas assim, pelo mato e pelo barro, mas ali do lado, dezenas de crianças se divertiam nas águas enquanto suas mães aproveitavam uma das maiores máquinas de lavar roupa do mundo. Era o cenário bucólico do nosso entardecer. Duas das crianças, na verdade uma menina tomando conta de sua priminha, até se aproximaram de nós, por curiosidade e, claro!, ficaram amigas da Ana. Minha esposa passou a dividir sua atenção entre a gelada Brahva (a versão local da Brahma!) que tomava e a doce companhia das crianças.

Pronta para partir para Livingston, em Rio Dulce, na Guatemala

Pronta para partir para Livingston, em Rio Dulce, na Guatemala


O Castillo de San Felipe, uma antiga fortaleza espanhola no lago Izabal, em Rio Dulce, na Guatemala

O Castillo de San Felipe, uma antiga fortaleza espanhola no lago Izabal, em Rio Dulce, na Guatemala


Na manhã seguinte, deixamos a Fiona estacionada no nosso hotel mesmo e a dona nos levou de carro de volta ao caótico centro da cidade, onde pegaríamos a lancha que faz a linha entre Rio Dulce e Livingston. Antes de seguir rio abaixo, a lancha ainda sobe o rio alguns quilômetros, até o lago Izabal e o Castillo de San Felipe, para que viajantes possam vê-lo e fotografá-lo da água. É uma espécie de bônus para quem paga pela passagem (cerca de 25 dólares). Depois da sessão de fotos, toda velocidade corrente abaixo, passando outra vez sob a maior ponte do país, deixando o maior lago para trás e seguindo pela magnífica “estrada” que é o rio mais caudaloso da Guatemala. Livingston, aí vamos nós!

El Castillo de San Felipe, um forte espanhol no lago Izabal, em Rio Dulce, na Guatemala

El Castillo de San Felipe, um forte espanhol no lago Izabal, em Rio Dulce, na Guatemala

Guatemala, Rio Dulce, Izabal

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Dentro da Terra e da Água (com Vídeo!)

Estados Unidos, Flórida, Peacock

A tradicional placa de advertência na caverna alagada em Peacock, na Flórida, Estados Unidos

A tradicional placa de advertência na caverna alagada em Peacock, na Flórida, Estados Unidos


A Louisiana foi o décimo primeiro estado da Fiona aqui nos Estados Unidos. Um a menos que eu e a Ana, que já havíamos estado na Flórida no comecinho da nossa viagem, dois anos atrás. Viemos de avião, passamos uma rápida temporada no sul do estado, com direito à passagem em Key West, fizemos nosso primeiro giro pelo Caribe e demos outra passada por Miami. Lá se vão dois anos! É até engraçado, para nós, ler os posts daquela época.

Chegando à Flórida, nos Estados Unidos

Chegando à Flórida, nos Estados Unidos


Agora, chegou a hora de entrarmos no estado dirigindo nosso próprio carro, diretamente do Brasil! Emocionante! Saímos de New Orleans um pouco antes da metade do dia e não demorou muito para entrarmos no “Sunshine State”, o auto apelido da Flórida. Depois, uma longa estrada cruzando a parte oeste do estado até chegarmos ao alto da península que forma boa parte da Flórida. Ali estava nosso objetivo dos próximos dias: as famosas cavernas inundadas da Flórida, as mais “mergulhadas” do mundo!

Nosso chalé no Dive Outpost, em Peacock, na Flórida, nos Estados Unidos

Nosso chalé no Dive Outpost, em Peacock, na Flórida, nos Estados Unidos


Antes de iniciarmos nossa viagem há dois anos, fizemos vários cursos para nos preparar para a nossa aventura pelo continente. Um deles foi o curso de mergulho em cavernas, uma das modalidades mais técnicas e perigosas da atividade. Acontece que, no Brasil, apesar de tantas cavernas maravilhosas para se mergulhar, não é possível fazer isso, pois dificuldades burocráticas acabaram por, na prática, proibir esse tipo de mergulho.

Roupas secam no capô da Fiona na nossa pousada em Peacock, na Flórida, nos Estados Unidos

Roupas secam no capô da Fiona na nossa pousada em Peacock, na Flórida, nos Estados Unidos


Assim, nosso curso (e também toda a nossa experiência) foi dado não numa caverna, mas numa antiga mina abandonada, na cidade de Mariana, em Minas Gerais. A mina, por não ser uma cavidade natural, escapa das burocracias criadas pelo Ibama, e acaba sendo a nossa única “caverna” para se mergulhar no Brasil. Ali treinamos e ganhamos nosso certificado. E por ali passamos novamente, quando estivemos em Minas Gerais. Quem quiser conferir, basta ver os posts de 28/08/2010.

Felizes e prontos para nosso primeiro mergulho numa caverna de verdade, em Peacock, na Flórida, nos Estados Unidos

Felizes e prontos para nosso primeiro mergulho numa caverna de verdade, em Peacock, na Flórida, nos Estados Unidos


Desde então, aguardamos a oportunidade do nosso batismo numa caverna de verdade. Poderia ter sido no México (ainda vamos passar lá, na volta!), mas acabou sendo aqui, em Peacock, no norte da Flórida. Insistência da Ana, pois eu já estava querendo deixar passar... Ainda bem que ela insistiu! Uma experiência maravilhosa dessa não dever ser desperdiçada!

Parque de Peacock, na Flórida, nos Estados Unidos

Parque de Peacock, na Flórida, nos Estados Unidos


A gente chegou nas últimas luzes do dia na entrada da estrada que dá acesso ao Parque Estadual de Peacock. Bem ali tem um alojamento, o Dive Outpost. O gerente Tim, muito simpático, rapidamente organizou um guia para nos levar na caverna amanhã cedo. Afinal, não somos bobos nem nada de entrar nesse ambiente pela primeira vez sem ter alguém para nos guiar e dar segurança naquele mundo alienígena.

Com o Tony, nosso guia nas cavernas alagadas em Peacock, na Flórida, Estados Unidos

Com o Tony, nosso guia nas cavernas alagadas em Peacock, na Flórida, Estados Unidos


O mergulho em cavernas realmente é uma atividade muito perigosa, mas ao longo dos anos, técnicas, treinamentos e equipamentos vêm sendo desenvolvidos para torná-la tão segura quanto o possível. E quase tudo isso foi feito, ou criado, aqui na Flórida, onde estão as cavernas mais mergulhadas do mundo. Regras, protocolos, equipamentos, tudo desenvolvido com base na experiência e nos acidentes ocorridos ao longo das últimas duas décadas pelos pioneiros desse esporte.

Pronto para entrar na água em Peacock, na Flórida, Estados Unidos

Pronto para entrar na água em Peacock, na Flórida, Estados Unidos


Assim, as cavernas só estão abertas para mergulhadores devidamente certificados. Todos mergulhamos com equipamentos em redundância, caso um deles falhe. Lanternas, cada um tem três! Além disso, sempre contamos uns com os outros. Antes do início do mergulho, todo o equipamento é checado e rechecado e quando entramos, acompanhamos sempre a famosa “Golden Line”, uma linha amarela que nos guia através do labirinto da caverna.

Começo de mergulho em Peacock, na Flórida, Estados Unidos

Começo de mergulho em Peacock, na Flórida, Estados Unidos


Por fim, para complementar toda essa segurança, ainda há outro item fundamental: a calma e o autocontrole. Numa caverna, está proibido entrar em pânico! Afinal, uma vez lá dentro, não há para onde correr! Em águas abertas, na pior das hipóteses, sempre se pode subir para a superfície. Aqui, se subirmos, damos com a cabeça no teto! Não há atalho! Se algo ocorrer, temos de sair pelo mesmo caminho que entramos. Se entramos 300-400 metros, essa é a distância que teremos de nadar novamente. Isso pode levar 20-30 minutos, dependendo do quanto se adentrou na caverna.

Mergulhando na caverna alagada em Peacock, na Flórida, Estados Unidos

Mergulhando na caverna alagada em Peacock, na Flórida, Estados Unidos


Enfim, tudo pela emoção de entrar nesse mundo “proibido”, tão pouco visitado e misterioso aos nossos olhos. É a sensação de exploração no seu máximo sentido. Havia anos que esperávamos pela oportunidade e estávamos prontos e ansiosos por isso.

Junto ao cabo guia na caverna alagada em Peacock, na Flórida, Estados Unidos

Junto ao cabo guia na caverna alagada em Peacock, na Flórida, Estados Unidos


Logo de manhã chegou o Tony, o nosso guia. Fizemos a checagem dos equipamentos e seguimos para o parque ali do lado. Ele nos deu o briefing para sabermos o que nos esperava, revisamos os sinais de comunicação, conversamos sobre a história do local e fomos, enfim, mergulhar. Peacock faz parte de um enorme sistema de cavernas, mas nós seguiríamos apenas pela parte principal. Deixamos a boca e a segurança da iluminação natural, afundamos até pouco mais de 10 metros de profundidade e entramos pelo túnel escuro em fila indiana, seguindo a Golden Line. O Tony na frente, a Ana no meio e eu atrás, tentando filmar aquele mundo estranho.

Chegando à saída da caverna alagada em Peacock, na Flórida, Estados Unidos

Chegando à saída da caverna alagada em Peacock, na Flórida, Estados Unidos


É muito difícil descrever o que sentimos lá embaixo. Certamente, a sensação é que não estamos no nosso mundo, que somos apenas visitantes. As luzes iluminam paredes, buracos e passagens e a gente fica imaginando como seria passar por lá se a caverna fosse seca. Engraçado, quando estamos numa caverna seca, é justamente o contrário: eu e a Ana sempre imaginamos como seria mergulhar por ali, se a caverna fosse inundada!

Saindo da caverna alagada em Peacock, na Flórida, Estados Unidos

Saindo da caverna alagada em Peacock, na Flórida, Estados Unidos


Os túneis são relativamente largos mas, ao contrário da mina da Passagem, em Mariana, aqui o arquiteto foi a natureza, então não há linhas retas ou passagens regulares. Muito mais bonito e impressionante assim, um túnel cavado através de milhares de anos pela água dissolvendo o calcário. No meio daquela escuridão, tão longe da luz e da atmosfera, nossa mente divaga e a gente apenas segue seus caminhos e pensamentos. Muita coisa passa pela cabeça e nosso trabalho é apenas filtrar o medo, que deve ser deixado para trás.

Fim do primeiro mergulho em Peacock, na Flórida, Estados Unidos

Fim do primeiro mergulho em Peacock, na Flórida, Estados Unidos


Mas, devo admitir, é um alívio quando fazemos meia volta e um alívio maior ainda quando vemos as primeiras luzes da boca da caverna, na hora da saída. Chegar a superfície, ver o verde das plantas, tirar o respirador e sentir o ar fresco entrando nos pulmões é uma verdadeira dádiva! Assim como são as memórias e experiências que acabamos de ter.

Carregando equipamento de mergulho em Peacock, na Flórida, Estados Unidos

Carregando equipamento de mergulho em Peacock, na Flórida, Estados Unidos


A gente descansou um pouco e logo partimos para um segundo mergulho, dessa vez por um outro túnel ainda mais bonito. Esse formava chaminés e enormes colunas d’água sobre nossa cabeças. Um verdadeiro show da natureza, escondido sobre a terra e a água, longe dos olhos dos simples mortais. Outra coisa bem legal desse segundo mergulho foi que atravessamos a caverna, chegando até outra saída. Por aí chegamos a superfície, admiramos um pouco o mundo e a luz e voltamos para as profundezas e para a escuridão, para voltarmos a nossa entrada original. Muito legal mesmo!

Passagem por 'janela' em caverna alagada em Peacock, na Flórida, Estados Unidos

Passagem por "janela" em caverna alagada em Peacock, na Flórida, Estados Unidos


Hoje dormimos bem mais leves. Tínhamos passado pelo nosso verdadeiro batismo nas cavernas alagadas. Sobrevivemos, hehehe! Amanhã seguimos para outra caverna, a pouco mais de uma hora de distância daqui. É, talvez, a mais famosa do mundo para essa tipo de atividade: Ginnie Springs. É como se fosse a Indianápolis do automobilismo, ou a Wimbledon do tênis. Lá, teremos uma diferença fundamental do mergulho de hoje. Aqui, não há corrente, é como se fosse um lago subterrâneo. Em Ginnie, ao contrário, há um rio. Vamos enfrentar uma forte corrente! Ainda bem que o Tony estará conosco novamente!

Estados Unidos, Flórida, Peacock, Caverna, Mergulho

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Crianças

Brasil, Paraná, Curitiba

A linda Sara, em Riacho Doce, fronteira da Bahia com Itaúnas - ES

A linda Sara, em Riacho Doce, fronteira da Bahia com Itaúnas - ES


O frio diminuiu um pouco aqui em Curitiba, sol brilhando num céu limpo o dia inteiro. O grande acontecimento do dia, na verdade, foi de noite. Um queijos e vinhos no apartamento do Gusta e da Paula (aqueles que assistimos o casamento, quando voltamos à Curitiba em Setembro do ano passado), oportunidade para rever vários amigos. A noite e o vinho renderam tanto que o bom senso nos fez dormir por lá mesmo. Lá estavam também a Dani e Dudu, com a linda filha que também é nossa sobrinha, a Luiza. O novo encontro com ela, e também com a Pietra me inspiraram no tema de hoje da retrospectiva em fotos da viagem até agora: as crianças que temos visto na nossa jornada:

Calma inspiradora: crianças conduzem canoa em rio da Praia do Bonete, em Ilha Bela

Canoas no rio ao lado da praia no Bonete em Ilha Bela - SP

Canoas no rio ao lado da praia no Bonete em Ilha Bela - SP


Hora do recreio em escola rural no Vale do Peruaçu, em Minas Gerais

Escola no Vale do Peruaçu, próximo à Januária - MG

Escola no Vale do Peruaçu, próximo à Januária - MG


Concentrada em seu próprio mundo, em Mariana - MG

Menina entretida, em Mariana - MG

Menina entretida, em Mariana - MG


Felicidade em seu estado mais puro

Crianças brincam na duna no fim de tarde, em Galinhos - RN

Crianças brincam na duna no fim de tarde, em Galinhos - RN


Vendo a vida passar preguiçosamente pelo rio em frente de casa. O Rio Preguiças...

Cais de Mandacaru, na viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)

Cais de Mandacaru, na viagem pelo Rio Preguiças, entre Barreirinhas e Atins, nos Lençóis Maranhenses (MA)


Vendo a vida passar preguiçosamente pela estrada em frente de casa. A Transamazônica...

Grupo de meninos nos saudam, na Transamazônica - PA

Grupo de meninos nos saudam, na Transamazônica - PA


Nossos pequenos e fiéis companheiros de fim de tarde, na Ilha de Lençóis

Festa com as crianças no Bar do Martins, na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Festa com as crianças no Bar do Martins, na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Brasil, Paraná, Curitiba,

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As Incríveis Pinturas Rupestres

México, San Ignacio

Observando as pinturas rupestres na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)

Observando as pinturas rupestres na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)


O ser humano chegou há muito tempo na Baja California. A data não é precisa, mas há evidências de que eram caçadores de mamutes. Ou seja, foi mesmo há muito tempo! Uma época em que o clima na península era outro e, consequentemente, a vegetação e a fauna também. O tempo passou, a vegetação passou, os mamutes passaram e os humanos... ficaram! Na falta de mamutes e do que fazer, passaram a pintar paredes. Hehehe, isso já é brincadeira, mas realmente os humanos por aqui passaram a fazer pinturas rupestres. E que pinturas! As mais belas e impressionantes que vimos nesses 1000dias pela América.

As incríveis pinturas rupestres na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)

As incríveis pinturas rupestres na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)


As pinturas mais antigas medidas são de 9.200 anos atrás. Representam pessoas e animais, além de algumas formas abstratas também. Chamam a atenção dois aspectos. Primeiro, são pinturas em tamanho natural e até mesmo aumentadas. A não ser que fosse uma raça de gigantes. Segundo, muitas pinturas estão em lugares altos, com três, quatro e até cinco metros de altura. Não deve ter sido fácil chegar até lá. Mas as pinturas lá estão, o que mostra que alguém chegou. É... será que eram mesmo gigantes?

Chegando à Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)

Chegando à Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)


Tudo isso começamos a aprender logo cedo, numa visita ao pequeno museu da cidade. Fomos ali pedir informações sobre os passeios pelas redondezas, principalmente pelo deserto Vizcaino. Ali nos explicaram que são duas as áreas abertas à visitação. Uma é a Sierra de Santa Marta, de onde uma trilha de cerca de uma hora nos leva até uma gruta cheia de pinturas rupestres. A outra é a Sierra de San Francisco, já no caminho para o norte, com possibilidades de passeios de 15 minutos e também de três dias. Melhor, é na parte alta do deserto e lá há um hotel econômico para se dormir. Então, após confabularmos, decidimos nosso roteiro: hoje iríamos à Santa Marta e voltaríamos para dormir por aqui. Amanhã iríamos de mala e cuia para San Francisco.

A Fiona atravessa o deserto na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)

A Fiona atravessa o deserto na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)


O rapaz do museu, que trabalha para o Inah, o Instituto Nacional de Antropologia e História, responsável por todas as áreas com pinturas rupestres no país, não só nos vendeu os ingressos para entrar em Santa Marta como, por rádio, já providenciou um guia, que é obrigatório. Por fim, nos fez um mapa para mostrar como chegar até lá.

Subindo a Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)

Subindo a Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)


Assim, voltamos pouco mais de 20km pela estrada que viemos ontem e entramos no deserto para quarenta quilômetros de estradas de terra. Fazia tempo que a Fiona não entrava numa dessa e ela já estava com coceira nas rodas! Os primeiros 30 km são um estradão, mas os 10 km finais são bem mais lentos, desviando das pedras e cactos. Visual maravilhoso de deserto, ainda mais dentro da bolha de ar condicionado da Fiona.

Admirando a beleza da Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)

Admirando a beleza da Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)


Por fim, chegamos as poucas casas que formam Santa Marta e aí encontramos nosso guia, o Nacho, experiente morador da região. Andamos de carro mais uns poucos quilômetros e seguimos à pé vale adentro e depois morro acima. Mais uma vez, era um visual de tirar o fôlego, cada vez com mais cara de filme de faroeste. E aí, na parte final da trilha, quanto mais subíamos, mas se ampliava nosso cenário, mundão grande sem porteiras, Baja California em todo seu esplendor.

A grande gruta com pinturas rupestres na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)

A grande gruta com pinturas rupestres na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)


Já no alto do morro chegamos a uma encosta cavada, quase uma gruta, um lugar estratégico para se proteger do vento e das intempéries e se ter uma visão completa de todo o vale. Foi o ponto que os antigos e misteriosos habitantes da área, povo nômade por natureza, escolheu para fazer suas pinturas.

As enormes figuras humanas nas pinturas rupestres da Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)

As enormes figuras humanas nas pinturas rupestres da Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)


A primeira visão impressiona. Lá no alto, numa parede totalmente inatingível sem o auxílio de andaimes ou coisa parecida, dezenas de figuras de animais e pessoas, algumas com cerca de 2,5 metros de altura. As cores ainda estão fortes, principalmente o vermelho e o negro, embora também se possa discernir o branco e o amarelo.

Pinturas rupestres na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)

Pinturas rupestres na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)


As figuras humanas, sempre com os braços levantados, são homens e mulheres, feiticeiros e caçadores, em grupo ou sozinhos. Os animais são principalmente veados e pumas, mas também se vê tartarugas, arraias e outros animais do mar. Não ali, mas em outras grutas foram encontradas pinturas de tubarões e baleias. Vimos as fotos. São incríveis!

Dois feiticeros com uma estranha figura negra ao centro, em pinturas rupestres na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)

Dois feiticeros com uma estranha figura negra ao centro, em pinturas rupestres na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)


Mas essas que vimos hoje também são. Principalmente pelo realismo. Os feiticeiros vestem togas e capuzes multicoloridos. A musculatura dos braços é bem definida. Impossível não passar um tempo tentando imaginar o exato momento em que foram pintadas. Quem eram essas pessoas, pintores e pintados? O que faziam, o que pensavam? Quais os seus medos e crenças? Para onde foram? Essas cavernas foram frequentadas por milhares de anos e depois, simplesmente abandonadas. Por quê?

O Nacho, noso simpático guia na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)

O Nacho, noso simpático guia na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)


O local onde elas estão é um convite a reflexão. A vista maravilhosa e a brisa fresca que bate em nossos rostos são uma benção e a vontade é ficar lá por muito tempo. De alguma maneira, a impressão que se tem é que quase podemos ver, ouvir e sentir os antigos frequentadores. Uma sensação muito difícil de descrever. Só estando lá...

Flor de cactus na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)

Flor de cactus na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)


Voltamos para San Ignacio entusiasmadíssimos com a visita e com as pinturas. E muito felizes por saber que amanhã tem mais, lá em San Francisco. Por hoje, ainda no final de tarde, ainda pudemos aproveitar os cenários da própria cidade de San Ignacio.

O oásis na região de San Ignacio, na Baja California - México

O oásis na região de San Ignacio, na Baja California - México


Ela fica em um vale verde, um verdadeiro oásis no meio do deserto. Subimos com a Fiona numa verdadeira estrada de cabras até o alto de um platô do lado da cidade e pudemos admirá-la de cima, uma visão bem clara do oásis que a cerca. Lá de cima, a igreja da antiga missão fica até pequena naquela imensidão toda. Foi um belo fim de tarde em pleno deserto Vizcaino.

San Ignacio vista do alto, na Baja California - México

San Ignacio vista do alto, na Baja California - México


A missão de San Ignacio, na Baja California - México

A missão de San Ignacio, na Baja California - México


Amanhã será ainda melhor, pois vamos dormir no deserto, no pequeno Pueblo de San Francisco, a mais de 1000 metros de altitude. Mal podemos esperar...

Ave de rapina voa nos ares de San Ignacio, na Baja California - México

Ave de rapina voa nos ares de San Ignacio, na Baja California - México

México, San Ignacio, Baja California, deserto, pinturas rupestres, Sierra de Santa Marta, Vizcaino

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Andanças em Quixadá

Brasil, Ceará, Quixadá

No alto da Galinha Choca, próxima ao seu 'rabo', em Quixadá, no sertão do Ceará

No alto da Galinha Choca, próxima ao seu "rabo", em Quixadá, no sertão do Ceará


O primeiro programa do dia, logo depois do sadio café da manhã com vista para o verde sertão, foi subir a Pedra dos Ventos. Quem subiu foi a Fiona, tração 4x4 e marcha reduzida. Não é para qualquer carro, nem na subida nem na descida. Mas a nossa querida Fiona não é "qualquer carro" e nos levou lá tranquila e confortavelmente!

Tempo nublado no alto da Pedra dos Ventos, em Quixadá, no sertão do Ceará

Tempo nublado no alto da Pedra dos Ventos, em Quixadá, no sertão do Ceará


Linda vista do sertão. Coberto de brumas e névoas, quem diria! Lá encima tem uma rampa de asa delta para os bravos que se atiram naquele vazio. Ouço falar que a região oferece ótimas térmicas e que, na época certa do ano, os praticantes desse esporte maravilhoso ficam horas voando, e chegam a voar mais de uma centena de quilômetros!

A famosa pedra da Galinha Choca, em Quixadá, no sertão do Ceará

A famosa pedra da Galinha Choca, em Quixadá, no sertão do Ceará


Descemos de volta ao hotel e, já com as coisas no carro, seguimos para o Açude do Cedro e Pedra da Galinha Choca. Basta vê-la para se entender o nome! Ali encontramos o Ciro, nosso guia para escalar a cabeça da galinha. Mas, por uma série de desencontros, ele estava achando que nós não iríamos, e não levou o equipamento. Nossa escalada virou um trilha, não até a cabeça, mas ao corpo da galinha. Nós é um grupo de pessoas de Fortaleza, familiares e amigos do Carlos Cláudio, uma fã de carteirinha da região de Quixadá.

Com nosso grupo, no alto da Galinha Choca, em Quixadá, no sertão do Ceará

Com nosso grupo, no alto da Galinha Choca, em Quixadá, no sertão do Ceará


É uma trilha bem tranquila que propicia vistas magníficas da região. Lá de cima, podemos ver todo o açude do Cedro, obra idealizada por nosso ex-imperador. Quanto mais viajamos e conhecemos o país e sua história, mais fãs ficamos deste senhor, D. Pedro II.

A barragem iniciada por D. Pedro para formar o Açude do Cedro, em Quixadá, no sertão do Ceará

A barragem iniciada por D. Pedro para formar o Açude do Cedro, em Quixadá, no sertão do Ceará


Durante a caminhada, chuva. Sinal de que não poderíamos ter mesmo escalado hoje, mesmo com equipamento. Menos mal, ficamos um pouco menos decepcionados... Mas foi rápida, apenas para molhar um pouco a rocha. Logo passou e já estávamos andando sobre a barragem, ali do lado do açude.

Santuário de Nossa Senhora, a Rainha do Sertão, em Quixadá, no sertão do Ceará

Santuário de Nossa Senhora, a Rainha do Sertão, em Quixadá, no sertão do Ceará


Difícil foi não nadar ali. mas a gente se segurou. Ainda tínhamos outro programa antes de seguir para Guaramiranga, na Serra do Baturité. Seguimos para a Serra do Santuário, outro lugar com vistas magníficas, principalmente da Pedra da Baleia. Mas a principal atração do local, como indica o nome, é um belo Santuário. É em homenagem à Nossa Senhora Rainha do Sertão. Um longo caminho calçado leva até lá, oito quilômetros serra acima. Imagino que haja procissões que sigam à pé, um duro caminho se for feito durante os dias mais quentes, quando a temperatura pode chegar aos 40 graus! Nós, com um pouco menos de fé, seguimos de ar condicionado. Assim, chegamos ao santuário com bastante tempo para ler a história das padroeiras de todos os países da América Latina, uma verdadeira coleção de Nossas Senhoras, todas muito bem representadas dentro do santuário. Muito jóia ler a história de todas elas. Ainda mais naquele cenário grandioso.

Rampa de asa delta e a Pedra da Baleia, em Quixadá, no sertão do Ceará

Rampa de asa delta e a Pedra da Baleia, em Quixadá, no sertão do Ceará


Metade do dia tinha passado. Ainda tínhamos muitos quilômetros, sertão, chuva e montanhas pela frente...

No alto da Galinha Choca, próxima ao seu 'rabo', em Quixadá, no sertão do Ceará

No alto da Galinha Choca, próxima ao seu "rabo", em Quixadá, no sertão do Ceará

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