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Blog do Rodrigo - 1000 dias

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SHUFFLE Há 1 ano: Haiti Há 2 anos: Haiti

No Canyon da Fortaleza

Brasil, Rio Grande Do Sul, Caxias do Sul

O Rodrigo (no alto, à esquerda) fica minúsculo diante da enormidade do canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

O Rodrigo (no alto, à esquerda) fica minúsculo diante da enormidade do canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS


Com a Fiona em forma novamente, pudemos seguir para o mais belo dos canyons do Parque Nacional da Serra Geral, o Fortaleza. Fica a pouco mais de 20 km, estrada de chão, do centro de Cambará do Sul. O canyon mais famoso por aqui, o Itaimbezinho, estava fechado. Só abre de quarta à domingo. Mas, é consenso geral, não é tão impressionante como o Fortaleza. O outro canyon, o Malakara, oferece trekkings maravilhosos. Mas não agora, com o frio que está fazendo. Além disso, requer mais tempo, coisa que não temos agora já que ainda queremos ir para a região de Gramado e para o Vale dos Vinhedos e ainda voltar para Curitiba até o fim de semana, para o aniversário da Luiza. Mas que fique aqui registrado: essa região do Parque Nacional da Serra Geral e seu entorno merece muitos e muitos dias de exploração, de preferência na primavera ou outono, quando o tempo ainda é aberto e não faz tanto frio. Certamente, tem algumas das paisagens mais belas do Brasil.

Paisagem montanhosa do canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

Paisagem montanhosa do canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS


O canyon Fortaleza, no Parque Nacional da Serra Geral, em Cambará do Sul - RS

O canyon Fortaleza, no Parque Nacional da Serra Geral, em Cambará do Sul - RS


Depois de passar pela portaria do parque, seguimos de carro até cerca de 200 metros da borda do canyon. Lá, por meio de trilhas, chegamos até a borda do penhasco. É difícil, senão impossível, descrever a grandiosidade da paisagem que vislumbramos. Não havia nuvens e todo o canyon até o rio lá embaixo estava visível. No horizonte, as montanhas do parque e ao seu redor e também as planícies litorâneas dos dois estados, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. É possível ver o mar, mais de 1000 metros abaixo de nós e muitas dezenas de quilômetros à nossa frente. Emocionante! Paisagem típica daqueles grandes filmes épicos de Hollywwod. O "Senhor dos Anéis" certemente poderia ter sido filmado por aqui...

Arriscando-se nas paredes do canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

Arriscando-se nas paredes do canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS


Visitando o canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

Visitando o canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS


Para aumentar ainda mais a beleza do cenário, pequenas cascatas escorrem pelas gigantescas paredes do canyon, despencando centenas de metros até chegar ao vale lá em baixo. A vegetação de campos de altitude na parte alta contrasta com as florestas verdejantes do fundo do canyon, que crescem ao longo de um rio que, aqui de cima, parece minúsculo, mas que certamente não o é, todo encachoeirado e cheio de corredeiras. Caminhar pelo fundo do canyon dever ser uma experiência incrível e está no topo da nossa lista de prioridades. Quem sabe quando passarmos aqui por perto, no final da nossa viagem...

Turustas se debruçam para admirar o canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

Turustas se debruçam para admirar o canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS


Observando o canyon Fortaleza em Cambará do Sul - RS

Observando o canyon Fortaleza em Cambará do Sul - RS


Por enquanto, a caminhada que fizemos foi subir até o alto do mirante do canyon, uma espécie de promotório que é o ponto mais alto do parque. De lá pudemos avistar com perfeição boa parte do canyon, de um lado, e a planície litorânea do outro, onde se destacava a cidade gaúcha de Torres. Paisagem absolutamente cinematográfica.

A cidade praiana de Torres vista do alto do canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

A cidade praiana de Torres vista do alto do canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS


Caminhando na Serra Geral, em Cambará do Sul - RS

Caminhando na Serra Geral, em Cambará do Sul - RS


Empolgados com essa caminhada, partimos logo para outra: chegar até a Pedra do Segredo, uma enorme pedra que parece se equilibrar instavelmente sobre uma pequena base, no meio de uma das encostas íngrimes do canyon. Ainda mais bonito que a tal pedra é o caminho para se chegar até ela. Temos de cruzar um rio bem no ponto em que ele desaba para o fundo de um dos braços do canyon Fortaleza, numa queda de mais de 100 metros. O cenário me lembrou as paisagens da cena final do filme "O Último dos Moicanos", sequência antológica pela qualidade da trilha sonora, das imagens e atuação dos atores. Eu quase podia ver o grupo de índios de cabelos raspados cruzando o rio na beirada da cachoeira. Muito legal mesmo!

Cachoeira despenca pelo canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

Cachoeira despenca pelo canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS


Cachoeira no canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

Cachoeira no canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS


Bom, o nossa visita ao parque foi tão boa que acabamos nos extendendo por lá o máximo possível e mudando nossos planos de chegar em Caxias em tempo de levar a Fiona para a concessionária. Deixamos isso para amanhã cedo e viajamos de noite mesmo, ainda pegando um belíssimo pôr-do-sol na região de Cambará do Sul, com aquelas nuvens altas e esparsas que prenunciam uma noite gelada pela frente.

A Pedra do Segredo, no canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

A Pedra do Segredo, no canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS


Bem, a nossa noite nem foi tão gelada assim, no calor do quarto do hotel em Caxias. Antes disso, ainda tivemos um delicioso jantar no restaurante Gran Piacere, no shopping Iguatemi. É o restaurante da simpaticíssima família que conhecemos em São José dos Ausentes, quando visitávamos a pousada Potreirinhos, ao lado do Desnível dos Rios. Foram eles que nos indicaram o Refúgio das Gralhas, a ótima pousada que ficamos em Cambará do Sul. Depois da bela dica, tivemos de passar pelo restaurante deles em Caxias para agradecer. E foi uma ótima pedida! E ainda ganhamos uma outra dica, agora de um hotel em Nova Petrópolis, para quando formos para lá. Assim, de boa dica em boa dica, nem precisamos mais dos livros-guia que carregamos, hehehe.

Pôr-do-sol e céu com cara de muito frio na região de Cambará do Sul - RS

Pôr-do-sol e céu com cara de muito frio na região de Cambará do Sul - RS


Ao deitar na cama, as lembranças do cenário épico da canyon ainda ocupavam minha mente. E eu ainda ria do comentário de um rapaz figuraça de Blumenau que conhecemos numa das beiradas do canyon. Completamente tomado pela beleza grandiosa da paisagem e comentando sobra as fantásticas paisagens que encontramos no Brasil, apontou para o canyon e disse, em tom desafiativo: "Quero ver eles construírem um desse em Dubai!" Concordo, heheehe! Fazer prédio alto ou um monte de ilhas é fácil! Quero ver é eles construírem um canyon como o nosso!

Um dos braços do canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

Um dos braços do canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

Brasil, Rio Grande Do Sul, Caxias do Sul, Parque, Pedra do Segredo, trilha

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Chapultepec e Maximiliano

México, Cidade do México

Elegante sala no Castillo de Chapultepec, na Cidade do México, capital do país

Elegante sala no Castillo de Chapultepec, na Cidade do México, capital do país


Nosso primeiro dia inteiro na volta à Cidade do México, ontem, foi de ócio criativo. Dividimos nosso tempo entre o trabalho ou simples navegação pela internet (depois de 20 dias de Cuba, que saudades da internet!!!), sempre com a magnífica vista que o décimo oitavo andar do prédio do Rodrigo, que já se localiza no alto de um morro, proporciona. Enxerga-se até onde a vista alcança, ou melhor, até onde a fumaça que paira sobre a capital mexicana permita. Alguns dias mais longe, até as montanhas, outro dia mais perto, até ali na esquina...

Um anjo no Parque Chapultepec, na Cidade do México, capital do país

Um anjo no Parque Chapultepec, na Cidade do México, capital do país


Além disso, fomos ver as questões da Fiona e da nossa Nikon. A Fiona, além de estar com um pneu no chão (???), arriou a bateria, depois de trinta dias parada. Mas, quis o destino que o Rodrigo morasse exatamente em frente à uma concessionária da Toyota. Assim, rapidinho fui lá e eles mandaram um socorro, meramente atravessando a rua. Demos partida nela rapidamente e o simpático mecânico me ajudou a levantar o carro, tirando o peso do pneu vazio. Com ele no ar, o enchemos com nosso compressor mesmo e “listo!”, ela já estava pronta para ir até o Alaska, sorridente novamente! Melhor ainda, a Toyota nem cobrou por isso! Além do pneu e da bateria, agora já estou com os filtros de óleo que o Rafa trouxe do Brasil (que não existem aqui no América do Norte, pois só há “Fionas” à gasolina nesse continente). Deveria ter sido trocado na revisão dos 70 mil km, mas na ausência de filtro, só limpamos bem o antigo e o recolocamos. Se quisesse fazer a troca agora, desperdiçaria todo o óleo novo que foi colocado nela. Assim, depois de conversar com o pessoal da concessionária, resolvemos seguir com o filtro velho (e lavado!) até a próxima revisão. Espero não estar arriscando...

O lago do Parque Chapultepec, na Cidade do México, capital do país

O lago do Parque Chapultepec, na Cidade do México, capital do país


Por fim, fomos buscar as nossas queridas Nikon e Sony da revisão. Estavam numa loja no Centro Comercial Santa Fé, talvez o maior Shopping Center que eu já tenha visto na vida. É muito grande! Nele estão as mais importantes e tradicionais lojas de departamentos do país, a Liverpool e o Castelo de Hierro. Cada uma já é, por si só, um shopping center. Já tinha ficado impressionado da outra vez que passamos por aqui. Mas agora, depois de ter passado em Cuba, o contaste não poderia ser maior! Quando eu era adolescente, lembro de ler o saudoso Paulo Francis dizer que em três ou quatro quarteirões de Manhattan havia mais mercadorias que em toda a URSS (ainda existia URSS naquele tempo!). Pensava que ele exagerava um pouco, só para passar a ideia. Hoje vi que não havia exagero nenhum! Tenho certeza que há mais mercadorias em uma única loja da Liverpool do que em toda a Cuba! Realmente, algo não anda bem naquela maravilhosa ilha... Bom, voltando às máquinas fotográficas, a Sony estava pronta e a Nikon, tivemos de esperar um pouco mas, por fim, saímos com ela também, para testá-la nos próximos dias. A diferença da Lumix para ela é mais ou menos o mesma de Cuba para Liverpool, hehehe!

Caminhando no Parque Chapultepec, na Cidade do México, capital do país

Caminhando no Parque Chapultepec, na Cidade do México, capital do país


E o primeiro dia de testes foi hoje, quando fomos de táxi até o Bosque de Chapultepec dispostos a uma longa caminhada pela região. Chapultepec é o Ibirapuera dos mexicanos, com uma pitada de Central Park. Uma enorme área verde na área central da cidade, com diversas atrações como museus, lagos e até um “castillo”. Aí está também o massivo Museu Nacional de Antropologia, que tínhamos visitado antes de irmos ao Caribe. Dessa vez, caminhamos para o outro lado.

Bela paisagem no Parque Chapultepec, na Cidade do México, capital do país

Bela paisagem no Parque Chapultepec, na Cidade do México, capital do país


Caminhada gostosa por caminhos cercados de muito verde e esquilos correndo para lá e para cá. Fomos fazendo um ziguezague pelo parque, passando pelos lagos, pela Alameda das Esculturas, pelo ponto onde antes estava a fonte que fornecia água aos astecas, pelo monumento em homenagem aos jovens cadetes que preferiram se matar a se render ao exército americano que tomava a Cidade do México na guerra dentre os dois países e, finalmente, na gigantesca árvore “El Sargento”, que teria sido plantada por um imperador asteca há 500 anos. A árvore morreu há poucas décadas, mas seu tronco colossal continua ali, nosso elo de ligação direto com outro mundo e com muitas e muitas páginas da rica história do país.

O Parque  Chapultepec, na Cidade do México, capital do país

O Parque Chapultepec, na Cidade do México, capital do país


Depois de toda essa caminhada, nada melhor que relaxar no Audiorama, um aconchegante recanto do parque cheio de cadeiras, cercado com vegetação exuberante e sob uma constante trilha sonora de música clássica e óperas, som que sai de autofalantes escondidos entre as folhagens. Aí as pessoas leem, meditam ou simplesmente relaxam, cercados de pureza e boa música. Adoramos!

O Castillo de Chapultepec, na Cidade do México, capital do país

O Castillo de Chapultepec, na Cidade do México, capital do país


Para fechar com chave de ouro nossa visita, subimos ao Castillo de Chapultepec, no alto de uma colina, ponto mais alto do parque. Daí se tem uma vista magnífica de Chapultepec e também da infinita selva de pedra que cerca o bosque. Não é à toa que esse foi o local escolhido pelo imperador Maximiliano para sua residência oficial, junto com sua amada esposa Carlota. Seu castelo transformou-se num grande museu onde podemos admirar a arquitetura da época, a decoração de seus cômodos, as carruagens luxuosas, além da história do país.

Carruagem de Maximiliano, exposta no Castillo de Chapultepec, na Cidade do México, capital do país

Carruagem de Maximiliano, exposta no Castillo de Chapultepec, na Cidade do México, capital do país


O México tem uma história riquíssima. E não só por causa da rica cultura pré-colombiana que aí se desenvolveu. Também os períodos colonial e republicano estão cheios de causos, personagens e fatos interessantes. Lendas vivas como Emiliano Zapata ou Pancho Villa ainda fazem parte do imaginário nacional e mundial. Umas das passagens mais interessantes dessa história é o breve período em que o país “importou” um imperador da Europa. Importou não, foi imposto ao país!

Jardins do Castillo de Chapultepec, na Cidade do México, capital do país

Jardins do Castillo de Chapultepec, na Cidade do México, capital do país


A política mundial era mais “interessante” naquela época. Ao invés de apenas uma superpotência como os EUA de hoje, naquela época Inglaterra, França, EUA, Rússia e Prússia dividiam e disputavam a diplomacia mundial. O poder americano era crescente e isso preocupava as potências europeias. Mas, na segunda metade da década de 60, com os Estados Unidos em guerra civil, tiveram uma grande chance de exercitar seus músculos do lado de cá, no quintal americano. Foi só aí, por exemplo, que a Inglaterra decidiu implementar sua decisão de proibir o tráfico mundial de escravos. Antes, não tinha coragem de interromper esse fluxo que alimentava os estados do sul de sua ex-colônia.

Belo vital no Castillo de Chapultepec, na Cidade do México, capital do país

Belo vital no Castillo de Chapultepec, na Cidade do México, capital do país


Bem nessa época, assumiu a presidência do México, numa espécie de revezamento que faziam liberais e conservadores, o mais popular presidente da história do México: o liberal Benito Juarez. Para enfrentar a grave crise econômica que o país enfrentava, uma de suas primeiras medidas foi declarar moratória da dívida externa, irritando profundamente os principais credores: Espanha, França e Inglaterra. Os três se uniram, então, para punir o desabusado. Um ataque punitivo a um movimentado porto mexicano no golfo (imaginem se as coisas fossem assim hoje!). Mas a França queria ir mais longe. Seu imperador, Napoleão III, tinha “o rei na barriga”. Viu no momento histórico uma grande oportunidade: instalar no México uma monarquia católica nos moldes europeus, ensinar o país a ser um país de verdade, transformá-lo num estado forte e contrapô-lo, na América, ao poder dos EUA, uma república protestante.

Vista do alto do Castillo de Chapultepec, na Cidade do México, capital do país

Vista do alto do Castillo de Chapultepec, na Cidade do México, capital do país


E assim foi. As tropas francesas, apesar da forte resistência, rumaram até a capital e a tomaram. Enquanto lidavam com a guerrilha no interior do país, Napoleão III convenceu o nobre austríaco Maximiliano a aceitar o “emprego” de Imperador do México. Aqui ele chegou, apoiado pelos setores mais conservadores da sociedade mexicana, esperando ser recebido como salvador da pátria. Trazia junto sua jovem esposa, a rainha Carlota, uma avançada mulher para os padrões da época, com noções de política e economia internacional. Ambos com o interesse sincero de serem bons governantes.

Uma das dezenas de freeways que cortam a Cidade do México, capital do país

Uma das dezenas de freeways que cortam a Cidade do México, capital do país


Os problemas começaram logo. Maximiliano tinha políticas liberais, inclusive no campo social. Isso irritou profundamente seus apoiadores conservadores. Ao mesmo tempo, o imperador não conseguiu negociar com os liberais liderados pelo deposto Benito Juarez, apesar de, em outra situação, provavelmente terem sido grandes amigos. O ex-presidente jamais aceitaria um governo imposto por potências estrangeiras em seu país. Cansado da resistência dos liberais da da insistente guerrilha, Maximiliano passou a mandar fuzilar sumariamente todos os oficiais capturados na guerra, como traidores da pátria.

Atravessando a Plaza México em La Condesa, charmoso bairro da Cidade do México, capital do país

Atravessando a Plaza México em La Condesa, charmoso bairro da Cidade do México, capital do país


Ao mesmo tempo, fatores externos também fizeram a situação se deteriorar. Na Europa, tensões com a Prússia fizeram Napoleão III precisar de suas tropas em casa. E no norte, com o fim da Guerra de Secessão, os EUA puderam novamente exercer su influência, exigindo a retirada das tropas francesas do continente. Sem o apoio delas, o governo de Maximiliano não se aguentaria.

Um dos muitos restaurantes em La Condesa, charmoso bairro da Cidade do México, capital do país

Um dos muitos restaurantes em La Condesa, charmoso bairro da Cidade do México, capital do país


Sua esposa foi para Europa em busca de ajuda. Rodou as cortes do continente, mas nada mais conseguiu do que apoio moral. Enquanto isso, no México, o valente e orgulhoso Maximiliano recusou-se a fugir, ignorando os conselhos de seus primos europeus e de Napoleão III, seu “inventor”. Acabou capturado, julgado e condenado à morte. O governo de Benito, de volta ao poder, recusou os pedidos de clemência de vários países e cumpriu a sentença “O exemplo tem de ser dado, para mostrar que o México é um país soberano!” – afirmou. E assim terminava a aventura de Maximiliano, três anos após ter se iniciado. Sua esposa, na Europa, jamais se conformou, recolhendo-se a um convento e nunca mais falando sobre o assunto.

Tranporte comunitários de bicicletas em La Condesa, charmoso bairro da Cidade do México, capital do país

Tranporte comunitários de bicicletas em La Condesa, charmoso bairro da Cidade do México, capital do país


Pois é, mais uma página da história mexicana. E nós, depois da visita ao castelo desse ilustrado imperador, seguimos nosso passeio até o agradável bairro de La Condesa, uma espécie de Vila Madalena daqui. Uma delícia, cheio de bares, restaurantes e praças em seu miolo enquanto as ruas em volta são charmosas e tranquilas. Já sabemos onde morar se um dia viermos para cá! Nosso primeiro contato com um bairro de verdade nessa cidade, lugar em que se pode caminhar, ir até a esquina, ler um jornal na praça. Nada daquelas freeways gigantescas ou do movimento ininterrupto do centro. Enfim, adoramos La Condesa, e aí brindamos a Maximiliano, Carlota a Benito Juarez. Que Diós los tenga!

Um carro com uma função muito mais nobre, em La Condesa, charmoso bairro da Cidade do México, capital do país

Um carro com uma função muito mais nobre, em La Condesa, charmoso bairro da Cidade do México, capital do país

México, Cidade do México, Chapultepec, La Condesa, Maximiliano

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O Poeta Maior

Chile, Santiago

Pablo Neruda e sua esposa, Matilde Urrutia

Pablo Neruda e sua esposa, Matilde Urrutia


Um dos pontos altos do nosso dia em Santiago hoje foi a visita à casa onde morava Pablo Neruda, carinhosamente apelidada por ele de La Chascona. A casa fica aos pés do cerro San Cristobal e foi construída pelo poeta no início da década de 50 para abrigar a sua amante na época e futura esposa Matilde Urrutia. O nome da casa é uma homenagem a Matilde, que tinha os cabelos vermelhos e rebeldes. “Chascona” é uma palavra chilena de origem quéchua que significa exatamente isso: “cabelos revoltos”.

La Chascona, a casa de Neruda no bairro de Bella Vista, em Santiago, capital do Chile

La Chascona, a casa de Neruda no bairro de Bella Vista, em Santiago, capital do Chile


La Chascona virou um museu a atrai visitantes de todo o mundo. Nós caminhamos por todos os cômodos da casa, que permanece como eram na época que o poeta vivia ali. Cada visitante recebe um áudio-guia que vai nos explicando sobre detalhes da casa e também sobre a vida de um dos maiores escritores do século XX, ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 1971 e que morreu de câncer, dois anos mais tarde.

La Chascona, a charmosa casa de Pablo Neruda em Santiago, capital do Chile

La Chascona, a charmosa casa de Pablo Neruda em Santiago, capital do Chile


Pablo Neruda nasceu Neftali Ricardo Basolato em 1904, e já mostrava seus dotes de poeta na adolescência, quando adotou seu codinome que, mais velho, seria transformado em nome oficial. Com menos de 30 anos já trabalhava no serviço diplomático, sendo cônsul chileno na Espanha, bem nos anos que precederam a sangrenta guerra civil naquele país. Vivendo em um país e num continente em que as diferenças políticas se exacerbaram ao máximo, numa guerra mortal entre comunismo e nazismo, identificou-se fanaticamente com os primeiros e assim permaneceu durante toda a sua vida. Escreveu odes a Lenin e Stalin, sendo um dos últimos grandes intelectuais de esquerda ocidentais a reconhecer os desvios do ditador soviético.

La Chascona, a charmosa casa de Pablo Neruda em Santiago, capital do Chile

La Chascona, a charmosa casa de Pablo Neruda em Santiago, capital do Chile


No Chile, sempre foi um ativo político do Partido Comunista, tendo sido exilado por vários anos por suas convicções. Na eleição de Allende, abdicou de sua candidatura para apoiar o amigo e foi seu embaixador na França durante os primeiros anos de governo. Já era uma personalidade mundial muito antes disso, tanto política como artística. Em um de seus grandes momentos, foi chamado a discursar em um evento no estádio do Pacaembu, em 1945, em homenagem a Luís Carlos Prestes, quando leu seus poemas para uma multidão de 100 mil pessoas.

Um dos encontros de Neruda e Vinícius de Moraes, sempre regado a bons vinhos

Um dos encontros de Neruda e Vinícius de Moraes, sempre regado a bons vinhos


Sua ligação com o Brasil era forte, tendo sido muito amigo de personalidades como Jorge Amado e Vinícius de Moraes. Com esses, mas também com outros intelectuais de todo o mundo, sempre tinha encontros calorosos, regados a boa bebida e muita alegria. Enfim, viveu bem esse grande homem. O auge veio com o Prêmio Nobel, em 71. Foi uma premiação muito controversa, principalmente pela recusa de Neruda em condenar a política soviética de censurar escritores daquele país que não se alinhavam com o partido. Mas no final, sua indiscutível capacidade literária venceu as questionáveis posições políticas. Quando voltou à Santiago após receber o prêmio, foi recebido como herói, declamando seus poemas novamente para uma multidão, dessa vez 60 mil pessoas no Estádio Nacional.

Visitando La Chascona, a casa de Neruda em Santiago, capital do Chile

Visitando La Chascona, a casa de Neruda em Santiago, capital do Chile


A vida privada também era bastante agitada, com vários amores. O último e maior deles foi com Matilde, a chascona. O romance secreto teria se iniciado enquanto Neruda ainda era casado. Por isso construiu essa casa em Santiago. Alguns anos mais tarde, já separado, pode assumir o romance que duraria até sua morte. Foram 15 anos recebendo os amigos para conversas e jantares animados na casa que mais amava, construída bem ao seu gosto. Não poderia faltar objetos que remetessem ao mar, uma de suas grandes paixões, e aos bares, outra delas. A própria sala de jantar tinha o formato de um barco, enquanto na parte mais alta do terreno foi feito um bar com vista para a cidade.

Visita ao tradicional restaurante Venezia, em Santiago, capital do Chile

Visita ao tradicional restaurante Venezia, em Santiago, capital do Chile


Infelizmente, esse homem que teve uma vida tão intensa não teve um final feliz. Enfrentava um câncer de próstata quando o governo que apoiava foi derrubado em um dos mais sangrentos golpes de estado no nosso continente. Allende morreu dentro do Palacio de la Moneda, e o general Pinochet assumiu o governo, logo transformado em uma ditadura. Neruda assistiu tudo pelo rádio e TV, convalescendo em uma de suas casas, em Isla Negra. Não demorou muito e sua casa foi invadida por agentes do novo governo, que procuravam “material subversivo”. O velho poeta, indignado, disse: “Olhem a sua volta! Não há nada de perigoso aqui, exceto poesia!”. Alguns dias mais tarde, foi internado e acabou morrendo no hospital, 12 dias após o golpe.

Com o Pablo, almoçando no tradicional restaurante Venezia, em Santiago, capital do Chile

Com o Pablo, almoçando no tradicional restaurante Venezia, em Santiago, capital do Chile


Sempre houve uma suspeita de que ele teria sido envenenado pela ditadura, que temia a oposição e a língua ferina do mais famoso chileno vivo, mas uma autópsia recente não corroborou essa tese. Aparentemente, foi mesmo a tristeza de ver o governo popular pelo qual havia tanto lutado ser derrubado que acelerou a ação de seu câncer. Enquanto ele convalescia no hospital, a Chascona foi atacada por um grupo de vândalos e parcialmente destruída. Sua valente esposa, apesar das ameaças do novo governo, fez questão de organizar o velório na casa e, com isso, mostrar a toda imprensa internacional o que estava ocorrendo no país. O estado deplorável da Chascona era um exemplo vivo do que se passava no Chile. No enterro do poeta, repleto de agentes e policiais, deu-se o primeiro protesto público contra a ditadura que apenas se iniciava no Chile, a última façanha desse que foi o poeta maior da América Latina.

A mesa preferida de Pablo Neruda no restaurante Venezia, em Santiago, capital do Chile

A mesa preferida de Pablo Neruda no restaurante Venezia, em Santiago, capital do Chile


Hoje, tivemos não só o prazer de conhecer a Chascona, os livros, móveis e fotografias que viviam ao redor desse valente casal, mas também um dos restaurantes preferidos de Neruda, o Venezia, onde era comum que ele almoçasse ou tomasse uns tragos. Aì, na sua mesa cativa, brindamos ao poeta à sua esposa, aquela de cabelos vermelhos e rebeldes, homenageada por um quadro presenteado por Neruda, que a retrata com duas faces, aquela que era vista em público e a outra, que apenas o poeta via. É, tantas viagens, tantos livros, tantos prêmios, tantos amores...que bela vida teve Neruda.

O famoso quadro de Matilde Urrutia, na Chascona, em santiago, no Chile

O famoso quadro de Matilde Urrutia, na Chascona, em santiago, no Chile

Chile, Santiago, história, La Chascona, Pablo Neruda

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Andando pra Cachorro

Brasil, Bahia, Caraíva

Caminhando com o casal de cachorros em Caraíva - BA

Caminhando com o casal de cachorros em Caraíva - BA


O programa de hoje foi uma linda e longa caminhada. Começamos com um sadio café da manhã de iogurte e granola, quase com o pé na areia, o céu azul a nos chamar e terminamos já no escuro, nos esbaldando com uma almojanta na Duca, comida natural em fartura e gosto que não fica nada a dever para qualquer churrasco ou feijoada. Entre as duas refeições, fomos e voltamos à pé da praia de Coruípe, a uns 12 km de Caraíva.

A linda praia do Satú, em Caraíva - BA

A linda praia do Satú, em Caraíva - BA


Para chegar em Coruípe, passamos por praias cinematográficas como a Praia do Satú e a Praia do Espelho, e por lagoas de água doce e escura, um verdadeiro contraste com o mar esmeralda ao nosso lado.

Linda lagoa após a Praia do Satú, em Caraíva - BA

Linda lagoa após a Praia do Satú, em Caraíva - BA


Logo que saímos da nossa pousada ganhamos a companhia de um simpático casal de cachorros, que já vinham fazendo festa para nós nos dias anteriores. Achei que eles iriam somente até o rio, mas para a nossa surpresa, antes mesmo que a gente começasse a atravessá-lo, eles já tinham se atirado na água. Pareciam certos da nossas intenções. Logo nos lembramos do dog lá de Ilha Grande e do Simbad, lá do Matutu. òtimos companheiros, esses cães!

Os cães nos acompanham na caminhada, em Caraíva - BA

Os cães nos acompanham na caminhada, em Caraíva - BA


Esse casal foi conosco até a Praia do Satú, onde a encosta chega perto do mar e a sombra da amendoeira já está dentro d'água. Difícil descrever tamanha beleza. Na temporada, há até cerveja por ali. Hoje, a sombra e o cenário já bastavam!

Atravessando as falésias do Espelho, em Caraíva - BA

Atravessando as falésias do Espelho, em Caraíva - BA


Depois do Satú, duas lagoas de água doce e refrescante. Quem primeiro entrava na água era o casal de dogs, ávidos de sede e vontade de se refrescar. Depois era a nossa vez, nos sentindo no paraíso. E aí, um novo cão apareceu, menorzinho mas muito mais animado e festeiro.

Autofoto no Espelho, em Caraíva - BA

Autofoto no Espelho, em Caraíva - BA


Depois das lagoas, as lindas falésias do Espelho. A trilha passa por cima, um gostoso contraste depois de tanta praia. Quando chegamos do lado de lá, a cor do mar até engana, de tão esmeralda. Magnífico! É a praia de Coruípe, que as pessoas costumam chamar de Espelho. É aí que estão pousadas chiquérrimas e exclusivas. Com aquele "precinho", claro! Há também restaurantes estilosos, cheio de almofadas e bungalôs. Um convite ao ócio!

Com as amigas Ana, Gracie e Luciana em Coruípe, Trancoso - BA

Com as amigas Ana, Gracie e Luciana em Coruípe, Trancoso - BA


E foi o que fizemos. os cães, simplesmente desmaiaram na praia. A gente reencontrou as amigas cariocas e lá fomos às caipirinhas. Tentamos não comer para guardar lugar no estômago para o banquete que nos aguardava em Caraíva.

Bar na praia de Coruípe, em Trancoso - BA

Bar na praia de Coruípe, em Trancoso - BA


A tarde veio chegando e com ela a maré cheia. Era passada a hora de voltar. Mas o casal de dogs se recusou a voltar. Apenas o pequenininho, que tínhamos pego no Satú, veio todo lampeiro. Mas com a maré alta os riachos cresceram e o pequeo cão era meio medroso. Não tem problema: a Ana carregava ele sobre as águas.

Praia de Coruípe, em Trancoso - BA

Praia de Coruípe, em Trancoso - BA


Viemos acelerados curtindo o fim de tarde e, doze quilômetros depois, estávamos á beira do rio Caraíva. Maré bem cheia, o rio era mais mar do que rio. Difícil atravessar, ainda mais carregando uma máquina fotográfica e um cachorro. Pois é, o cãozinho não quis para no Satú e veio conosco. Eis que aparece uma jovem índia em sua canoa. Perfeito! A Ana atravessou com ela,levando o pequeno companheiro e a mochila enquanto eu enfrentei um marzão.

Retornando para Caraíva, na praia de Coruípe, em Trancoso - BA

Retornando para Caraíva, na praia de Coruípe, em Trancoso - BA


Meia hora depois já estávamos na Duca, contando nossa epopéia. E ela nos esclareceu sobre os cachorros. O casal tinha vindo de Coruípe mesmo. Esperavam alguém que os levasse de volta. De alguma maneira, sentiram que iríamos até lá. O pequeno é do Satú mesmo. De vez em quando, aparece em Caraíva com algum turista que o atravesse de barco. Depois, precisa arrumar outro que o atravesse de volta.

Fim de tarde no Espelho, em Caraíva - BA

Fim de tarde no Espelho, em Caraíva - BA


Nossa... o que será que passa na cabeça desses cães? Pelo visto, adoram uma caminhada! Também, com esse cenário...

Cruzando riacho de volta à  Caraíva - BA

Cruzando riacho de volta à Caraíva - BA

Brasil, Bahia, Caraíva, Praia do Espelho

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Uma Despedida Muito Especial

Canadá, Dawson City

As cores da Aurora reflerem no Yukon River, em Dawson City, no noroeste do Canadá

As cores da Aurora reflerem no Yukon River, em Dawson City, no noroeste do Canadá


Hoje era nossa última noite aqui no extremo norte do continente. Amanhã cedo, partimos para Haines Junction, de Lá para Haines, já no Alaska e aí, ferry percorrendo a costa sul desse estado americano. Enfim, vamos para o sul, sul, sul...

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá


Então, era a nossa última chance de ver a Aurora, pelo menos a Boreal. Lá no sul, as latitudes não são tão altas e observar a Aurora Austral, só com muita sorte, num caso de grande tempestade solar. Portanto, tínhamos mesmo era de aproveitar essa madrugada!

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá


Ontem de noite, já aqui em Dawson, o tempo não estava muito aberto. Mas hoje, depois das nossas rezas e pedidos depois de cada estrela cadente visualizada, o tempo abriu. Era a Aurora querendo se despedir de nós, também!

As cores da Aurora reflerem no Yukon River, em Dawson City, no noroeste do Canadá

As cores da Aurora reflerem no Yukon River, em Dawson City, no noroeste do Canadá


E ela apareceu radiante, para nossa infinita alegria. Foi o segundo mais belo espetáculo que assistimos, depois da noite em Tok, e aqui também foi possível ver outras cores além do verde. Mas uma coisa fez dessa Aurora muito especial, além de ser a nossa última...

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá


Foi o cenário! Assistimos ao show ao lado do rio Yukon e sua águas refletiam as luzes celestes! Poxa... ver Aurora já é especial, mas ver Aurora refletida na água, aí ficamos sem palavras...

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá


Outra coisa: a Ana está ficando cada vez mais craque em fotografar essa maravilha. Assim, foram de hoje as melhores fotos que tiramos esse fenômeno mágico. Diante de tanta grandeza, só podemos agradecer a oportunidade que o destino nos deu. Devidamente emocionados, por supuesto! Auroras, até breve, se Deus quiser!

As cores da Aurora reflerem no Yukon River, em Dawson City, no noroeste do Canadá

As cores da Aurora reflerem no Yukon River, em Dawson City, no noroeste do Canadá

Canadá, Dawson City, Aurora Boreal, Yukon

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Viajando para Acadia

Estados Unidos, Maine, Bar Harbor


Acadia National Park, no litoral do Maine

Ignorante que sou, até há poucos meses eu nunca tinha ouvido falar do Acadia National Park. Para alguém que se julga um viajante e amante da natureza, um desconhecimento lamentável. Isso começou a mudar em Março, quando entramos nos EUA e começamos a passar por alguns parques nacionais. No Joshua Tree, na California, conhecemos uma americana que adorou nossa viagem. Ao saber que viajaríamos até a Costa Leste, disse que não poderíamos perder, de maneira nenhuma, esse parque no Maine, chamado Acadia.

Atravessando a região dos lagos, em Maine, nos Estados Unidos

Atravessando a região dos lagos, em Maine, nos Estados Unidos


Bom, pelo menos, passei a saber da sua existência. Mesmo achando que se chamava “Arcadia” (com “r”) e que era um parque no interior montanhoso do estado. Desde então, ele passou a figurar no nosso roteiro. Mas, com tantas outras coisas para planejar, nada mais lemos sobre ele. Até voltarmos do Caribe para encontrar a Bebel e, finalmente, planejar nos detalhes a viagem pela Nova Inglaterra.

Chegando à Bar Harbour, no Acadia National Park, no Maine, nos Estados Unidos

Chegando à Bar Harbour, no Acadia National Park, no Maine, nos Estados Unidos


E eis que já passamos por Vermont e New Hampshire e hoje, entramos no Maine. Apenas cruzamos a bonita região dos lagos no centro-sul do estado e seguimos diretamente para seu litoral. Pois é lá que está o famoso Acadia National Park, sem “r”. Que interior que nada!

Banda se apresenta no coreto da praça de Bar Harbour, no Acadia National Park, no Maine, nos Estados Unidos

Banda se apresenta no coreto da praça de Bar Harbour, no Acadia National Park, no Maine, nos Estados Unidos


Ao contrário, o parque fica numa ilha, a Desert Island, já quase na fronteira do Canadá (um dia chegamos lá!). A ilha tem uma natureza exuberante e há mais de cem anos atrai conservacionistas que lutam pela sua preservação. A tática desses benfeitores era comprar terrenos e propriedades pela ilha para protegê-los do “desenvolvimento”. Há exatos 100 anos, ganharam um poderoso aliado. O filho do homem mais rico do mundo na época (e talvez de toda a história!), John Rockfeller Jr. Comprou uma vasta propriedade na ilha. Encantado pelos esforços dos conservacionistas locais, ele se juntou à causa e passou a adquirir terrenos por toda a região para doá-los ao parque. Assim foi formado o primeiro parque nacional à leste do Mississipi, advindo totalmente de terrenos privados.

Banda se apresenta no coreto da praça de Bar Harbour, no Acadia National Park, no Maine, nos Estados Unidos

Banda se apresenta no coreto da praça de Bar Harbour, no Acadia National Park, no Maine, nos Estados Unidos


Pois é, a riqueza gerada na Standard Oil, a “mãe de todas as empresas petrolíferas”, acabou por ajudar na formação desse fantástico parque nacional. Não só isso, Rockfeller também foi o responsável por boa parte da infraestrutura do parque, incluindo a construção da rodovia que dá a volta na ilha, além de dezenas de quilômetros de estradas próprias para carruagens (e bicicletas), que permitem ao público chegar ao coração dessa belíssima região de montanhas, florestas, rios e lagos a beira mar.

Fim de tarde na movimentada praça fr Bar Harbour, no Acadia National Park, no Maine, nos Estados Unidos

Fim de tarde na movimentada praça fr Bar Harbour, no Acadia National Park, no Maine, nos Estados Unidos


A principal cidade na Desert Island é Bar Harbor. Aí chegamos no fim da tarde, ainda em tempo de nos instalarmos e passearmos por suas ruas agradáveis e bem movimentadas no verão americano. Lojas, restaurantes, praças e um porto de onde saem barcos para avistamento de baleias e golfinhos. No coreto da praça principal, uma banda se apresentava, para delírio dos moradores locais e visitantes, todos sentados no gramado da praça.

Fim de tarde na movimentada praça fr Bar Harbour, no Acadia National Park, no Maine, nos Estados Unidos

Fim de tarde na movimentada praça fr Bar Harbour, no Acadia National Park, no Maine, nos Estados Unidos


No jantar no restaurante irlandês a beira mar, além da deliciosa música ao vivo com direito a violino e música celta, ainda ficamos amigo de um garçom que já nos indicou as melhores trilhas pelo parque. Assim, já sabemos para onde seguir amanhã. Já sabemos também que ficaremos um dia a mais por aqui. O Acadia merece!

Jantando em restaurante de Bar Harbour, no Acadia National Park, no Maine, nos Estados Unidos

Jantando em restaurante de Bar Harbour, no Acadia National Park, no Maine, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Maine, Bar Harbor, Acadia National Park, história, Parque

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Curaçao

Colômbia, Bogotá, Curaçao, Westpunt

Saltando no mar azul de Groot Knit, no norte de Curaçao

Saltando no mar azul de Groot Knit, no norte de Curaçao


Já saímos do hotel hoje com mala e cuia para nosso passeio pela ilha. Assim, poderíamos seguir diretamente para o aeroporto, no fim de tarde, ao invés de ter de entrar novamente na capital, Willemstad, para buscar nossa bagagem. O nosso carro na ilha é pequeno mas, com o banco de trás dobrado, conseguimos encaixar tudo lá, as caixas com os equipamentos de mergulho e nossas mochilas.

Mapa de Curaçao

Mapa de Curaçao


Observando o mar em parque no norte de Curaçao

Observando o mar em parque no norte de Curaçao


Seguindo a recomendação do nosso livro-guia, resolvemos nos concentrar na parte norte da ilha, onde estão as praias mais bonitas. Mas, antes das praias, ainda fomos em um parque onde a força do mar vem esculpindo a costa rochosa há milênios, tendo inclusive "construído" uma caverna que é possível visitar.

Caminhando em parque no norte de Curaçao

Caminhando em parque no norte de Curaçao


Caverna feita pelo mar em parque no norte de Curaçao

Caverna feita pelo mar em parque no norte de Curaçao


O nome do parque é "Boca Tabla". Trilhas bem curtas nos levam para um litoral recortado, violento e belo. Mas a Ana estava meio sem paciência para parques hoje. Ela queria era praia mesmo. Assim, vimos só o essencial e já seguimos para o litoral que é virado para a Venezuela, onde o mar é mais tranquilo e onde estão as praias mais bonitas.

O nosso carrinho em Curaçao

O nosso carrinho em Curaçao


Praia de Klein Knit, no norte de Curaçao

Praia de Klein Knit, no norte de Curaçao


E, realmente, há praias maravilhosas por lá. Nossa primeira parada foi na Klein knit, areias brancas e água escandalosamente azul. Aì ficamos por um bom tempo, tomando sol, fazendo snorkel, maravilhados com a beleza local.

Muito sol e mar azul na praia de Klein Knit, em Curaçao

Muito sol e mar azul na praia de Klein Knit, em Curaçao


Em seguida, fomos à praia vizinha, a Groot Knit. Ainda mais bonita que a anterior, mas com mais gente também. Nossa idéia era só ver e tirar umas fotos, mas não resistimos a um salto no mar depois de vermos uma turma de rapazes locais pularem de um trampolim natural. Um lugar simplesmente magnífico. Sem dúvida, a mais bonita praia dessa nossa temporada no Caribe.

Praia de Groot Knit, em Curaçao

Praia de Groot Knit, em Curaçao


A incrível cor do mar na praia de Groot Knit, no norte de Curaçao

A incrível cor do mar na praia de Groot Knit, no norte de Curaçao


Infelizmente, a hora do nosso vôo se aproximava e não pudemos ficar mais tempo. Ainda queríamos passar em outra praia, a Cas Abao, com mais estrutura, onde poderíamos comer e tomar banho de água doce. E assim fizemos, já no nosso caminho para o aeroporto. Outra praia muito bonita mas, perto das anteriores, ficou meio sem graça. Pelo menos, tomamos nosso banho de chuveiro!

Saltando no mar azul de Groot Knit, no norte de Curaçao

Saltando no mar azul de Groot Knit, no norte de Curaçao


Refrescando-se nas águas transparentes do mar de Curaçao, em Groot Knit

Refrescando-se nas águas transparentes do mar de Curaçao, em Groot Knit


E aí, corrida para o aeroporto, para devolver o carro e embarcar. Adeus, Caribe! Em breve, esperamos retornar, dessa vez para duas das maiores ilhas da região, Cuba e Jamaica. Esperamos seguir para lá quando chegarmos à Cidade do México. Mas nada de pensar muito nisso agora. Ainda tem muita água para passar embaixo da ponte até lá...

O mundialmente famoso Curaçao Blue (em Willemstad - Curaçao)

O mundialmente famoso Curaçao Blue (em Willemstad - Curaçao)


Por enquanto, nosso pensamento volta para a Colômbia! O Douglas nos fez uma surpresa e foi nos buscar no aeroporto. Em casa, a recepção foi da Clarita e da Amelie, morrendo de saudades da Ana! Voltamos ao nosso "lar"! Amanhã passaremos por aqui. E no dia seguinte, seguimos para dois dias por cidades ao norte de Bogotá. Não podemos ir longe porque voltaremos para a capital colombiana no dia 3. Temos um encontro marcado com o The Hall Effect e o Aerosmith, com show marcado para esta data.

Algum outro Rodrigo ama alguma outra Ana! (em parque no norte de Curaçao)

Algum outro Rodrigo ama alguma outra Ana! (em parque no norte de Curaçao)

Colômbia, Bogotá, Curaçao, Westpunt, Praia

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De Huaraz à Trujillo

Peru, Huaraz, Trujillo

A cidade de Huaraz, no Peru, vista do alto da Cordillera Negra

A cidade de Huaraz, no Peru, vista do alto da Cordillera Negra


Depois de muito repouso, remédios, canja de galinha, amor e carinho e Ana melhorou. A febre passou e a barriga está bem melhor, para alívio dela. Assim, tomamos coragem, empacotamos nossas coisas e partimos de Huaraz. Mas antes, no café da manhã, a nossa amiga dona do Churup ainda fez outra canja, fresquinha, para a Ana tomar. Assim, partimos os dois de barriga cheia!

A cidade de Huaraz, no Peru, vista do alto da Cordillera Negra

A cidade de Huaraz, no Peru, vista do alto da Cordillera Negra


A rota escolhida para nos levar de volta ao litoral e à cidade de Trujillo foi através da Cordillera Negra. Assim, já saindo de Huaraz, vamos serpenteando montanha acima, de novo para cima dos 4 mil metros. Do alto da Cordillera Negra temos uma visão privilegiada da cidade lá embaixo e da magnífica Cordillera Blanca à nossa frente. E, destacando-se entre as dezenas de picos nevados dessa cordilheira, lá está o imponente Huscarán, com mais de 6.700 metros de altitude. O tempo estava meio nublado, mas mesmo assim a montanha exibia toda a sua beleza. Na próxima vez que voltar à Huaraz, venho para subir o Huscarán! Não poderia haver estímulo maior!

O monte Huscarán, o mais alto da Cordillera Blanca, visto do alto da Cordillera Negra, na região de Huaraz - Peru

O monte Huscarán, o mais alto da Cordillera Blanca, visto do alto da Cordillera Negra, na região de Huaraz - Peru


Do lado de lá da Cordillera Negra, iniciamos a longa descida de 4 mil metros até o litoral, atravessando desertos e chegando a rodovia Panamericana. Aí, embicamos para o norte. Agora, cada vez que faço isso, dirigindo rumo ao norte, penso com os meus botões: "O Alaska está ficando mais perto!". Nossa, vai ser mesmo um sonho chegar lá...

Mas, antes disso, tem muita coisa para ver e conhecer. E a primeira delas é a cidade de Trujillo, a terceira maior do Peru. Estive aqui em 1990 na minha saudosa primeira mochilada pela América do Sul. Na época, conhecemos as ruínas de Chan Chan e demos um mergulho no Pacífico, praia de pedras e dia nublado. Vamos ver o que a cidade nos reserva dessa vez...

A Cordillera Negra, na região de Huaraz - Peru

A Cordillera Negra, na região de Huaraz - Peru


A gente se instalou no centro e, já de noite, demos um pulo na simpática Plaza de Armas da cidade. Foi entrar ali as as antigas memórias voltaram à cabeça, os prédios coloridos, a estátua meio estranha no centro. Depois jantar gostoso, a Ana ainda no franguinho. Amanhã, vamos na Huaca de La Luna, sítio arqueológico que nem existia quando estive aqui da outra vez. Como já disse outras vezes, o passado desse país incrível está sempre mudando...

Região desértica na viagem entre Huaraz, na cordilheira, e Trujillo, no litoral norte do Peru

Região desértica na viagem entre Huaraz, na cordilheira, e Trujillo, no litoral norte do Peru

Peru, Huaraz, Trujillo, Cordillera Blanca, Cordillera Negra, Huscarán

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Palenque e as Cidades Mayas

México, Ocosingo, Palenque

O Templo das Inscrições visto do alto do Palácio, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

O Templo das Inscrições visto do alto do Palácio, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México


Conforme vamos passando pela região onde os mayas desenvolveram sua civilização, vamos aprendendo mais sobre essa fascinante cultura. Do norte de Honduras ao sul do México, passando por Guatemala, El Salvador e Belize, ruínas de suas antigas cidades e descendentes desse povo milenar são testemunhos tangíveis dessa que é considerada a mais brilhante civilização pré-colombiana.

As magníficas ruínas do Palácio em Palenque, em Chiapas, no sul do México

As magníficas ruínas do Palácio em Palenque, em Chiapas, no sul do México


Nosso primeiro contato com essa cultura foi em El Salvador, onde visitamos as ruínas de três antigas cidades. Honduras e Belize estão em nosso roteiro, mas só quando estivermos voltando da América do Norte. Na Guatemala, coração do mundo maya, onde estão as ruínas de Tikal, tivemos muito contato com sua cultura, através da língua, vestimentas e costumes de seus descendentes. Na região do lago Atitlán, por exemplo, muitas pessoas falavam espanhol com sotaque, já que sua primeira língua era algum dos muitos dialetos mayas. Mas os sítios arqueológicos mais importantes, a maioria na região de Petén, também deixamos para a volta, quando entrarmos no país vindos de Belize.

A caveira que dá nome ao Templo de La Calavera, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

A caveira que dá nome ao Templo de La Calavera, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México


Foi só aqui no sul do México, em Chiapas, que voltamos a visitar essas incríveis ruínas que ficaram escondidas por séculos atrás de densas florestas e que somente nas últimas décadas foram “redescobertas” pela civilização. É na península do Yucatán, também no nosso roteiro da volta, que está a maioria dos sítios mayas, mas uma das joias da coroa, a magnífica cidade de Palenque estava bem ao nosso alcance e para lá seguimos hoje.

O Templo das Inscrições visto do alto do Palácio, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

O Templo das Inscrições visto do alto do Palácio, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México


Ao contrário dos incas e astecas, a civilização maya nunca formou um império centralizado. Ao contrário, era mais parecido com os gregos, cidades-estados que ora formavam alianças entre si, ora guerreavam entre elas, se dividindo em áreas de influências de cidades maiores e mais poderosas. O que os unia no que conhecemos como civilização maya era uma cultura comum, mesmas crenças, estilo arquitetônico próprio, línguas e dialetos com mesmas raízes.

Ruínas mayas do Grupo das Cruzes, em Palenque, Chiapas, no sul do México

Ruínas mayas do Grupo das Cruzes, em Palenque, Chiapas, no sul do México


As cidades, que chegaram a ter quinze mil habitantes no seu auge, no séc. IX, se organizavam ao redor de templos em formas de pirâmides e uma espécie de palácio, residência dos soberanos e centro do poder administrativo e militar. Os templos homenageavam divindades e também antigos soberanos que muitas vezes construíam seus mausoléus ainda em vida. Sólidas construções em pedra, algumas com mais de 80 metros de altura, construídas sem o auxílio de ferramentas de metais, animais de carga ou da roda. Tudo no muque, mesmo. Impressionante!

Visão geral das ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

Visão geral das ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México


Sociedade altamente estratificada e com pouquíssima mobilidade social. Clero, nobreza, guerreiros e o povão. Como sempre, era este ultimo grupo que sustentava os demais, na base da tributação. Os tributos eram pagos com alimentos e trabalho, mão de obra para as grandes construções. Em troca, tinham no clero a garantia de que os deuses os protegeriam e na nobreza o porto seguro da cidade, que os protegia de outras cidades ávidas por conquistas e servos.

Hieroglifos mayas em Palenque, Chiapas, no sul do México

Hieroglifos mayas em Palenque, Chiapas, no sul do México


As construções eram ricamente ornamentadas com painéis e “desenhos” que apenas recentemente os linguistas conseguiram decifrar como linguagem. Isso possibilitou um salto enorme no entendimento dessa civilização, sua história, costumes e religião. Os mayas eram precisos com relação à datas de acontecimentos astronômicos e da história de seus líderes, suas batalhas, conquistas, nascimento e morte. Para nós, leigos, é incrível a quantidade de informações que os estudiosos conseguiram extrair daqueles grifos. Perto deles, antigos hieróglifos egípcios e chineses parecem brincadeira de criança...

Explorando ruínas mayas tomadas pela vegetação em Palenque, Chiapas, no sul do México

Explorando ruínas mayas tomadas pela vegetação em Palenque, Chiapas, no sul do México


Mesmo traduzido para o nosso alfabeto, os nomes dos deuses ainda parecem impronunciáveis. Deuses que requeriam a sua parcela de sacrifícios humanos, mas sem a voracidade dos deuses astecas, esses sim amantes do sangue humano. Não era uma religião fácil. Além dos nomes impronunciáveis, eram nada menos que nove céus e doze infernos, cada um com suas características. Não é à toa que o clero era tão poderoso, os únicos a entender e saber lidar com tudo isso.

Descendo do Templo do Conde em Palenque, Chiapas, no sul do México

Descendo do Templo do Conde em Palenque, Chiapas, no sul do México


Palenque foi uma das mais poderosas cidades mayas em seu tempo. Seu auge se deu no início do séc. VIII, mas rivalidades com a vizinha e militarizada Toniná (que visitaremos amanhã) acabaram por minar seu poder. As ruínas da cidade são absolutamente magníficas, enormes construções de pedra sempre tendo como pano de fundo uma densa floresta. A mesma floresta que a cobriu por quase dez séculos, de certa forma protegendo-a das intempéries do tempo.

Os belíssimos e cristalinos Banhos da Rainha, em Palenque, Chiapas, no sul do México

Os belíssimos e cristalinos Banhos da Rainha, em Palenque, Chiapas, no sul do México


Hoje, são centenas de turistas diários, quase sempre trazidos em grupos e excursões. Mas a área é tão grande que não é difícil se estar sozinho. Sozinho com os fantasmas milenares que ainda habitam por ali. As construções principais, como o palácio ou o Templo das Inscrições, esses sim sempre tem gente. Mas basta entrar um pouco na selva para termos um templo só para nós. É justamente aí que se vê como a natureza reclama o que é seu, quando lhe dão chance. Gigantescas árvores que cresceram sobre o piso de pedra de templos, galhos e troncos envoltos em antigas pilastras, terras e folhas que taparam uma parede. O efeito conjunto é incrível!

As magníficas ruínas do Palácio em Palenque, em Chiapas, no sul do México

As magníficas ruínas do Palácio em Palenque, em Chiapas, no sul do México


O fascínio que essas ruínas exercem já vem de longe. Aqui em Palenque, viajantes já se maravilhavam no séc XIX. Houve até um conde europeu que esteve aqui por dois anos, vivendo no topo de um dos templos ainda nos tempos de D. Pedro I. Julgava-se um príncipe maya. Imagino o trabalho que tinha para subir e descer aquelas íngremes escadas que nos levam até o alto, exercício de equilibrismo. A vantagem que teve (não sei se aproveitou...) foi que naquela época o banho no chamado “Banhos da Rainha”, um belíssimo trecho de rio encachoeirado que forma piscinas cristalinas bem no meio da cidade, era permitido. Hoje, se fosse liberado, certamente as lindas formações já teriam sido destruídas, com as centenas de milhares de visitas anuais. Caminhando com a Ana ao longo desse trecho do rio, por entre árvores centenares, argumentei que os banhos ainda deveriam ser liberados, pelo menos para uma classe especial de turistas: aqueles que chegaram ali depois de mais de 50 mil km dirigindo. Justo, não?

O famoso Templo das Inscrições, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

O famoso Templo das Inscrições, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México


A gente passa por esse trecho no final da visita, já caminhando em direção ao museu. Ali, um novo espetáculo. Além das riquíssimas informações históricas, é lá que estão os principais achados arqueológicos, justamente o que enfeitava e adornava as construções que tínhamos acabado de ver. São estátuas, máscaras, painéis, objetos pessoais, colares, joias, vasos e tudo mais o que dá vida a um lugar. Imaginar como seria Palenque com tudo aquilo, é aí que começamos a captar a real riqueza (em todos os sentidos!) daquela cidade e daquela civilização.

Mapa mostrando a região da civilização maya, no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

Mapa mostrando a região da civilização maya, no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México


O mais incrível é que foi exatamente no seu auge que, subitamente, a civilização “implodiu”. No transcurso de apenas uma geração, todas as grandes cidades foram abandonadas para, com o passar dos séculos, serem retomadas pela natureza. Aparentemente, uma superpopulação, aliada a um período particularmente longo das condições naturais adversas colocando em cheque recursos naturais fez com que grandes cidades não mais se sustentassem. A população voltou para o campo, as elites deixaram de ser sustentadas, e a civilização retrocedeu séculos de história. Novas cidades foram criadas posteriormente, mas jamais atingiram a glória de suas anteriores. Quando os espanhóis chegaram, seis séculos mais tarde, a civilização maya era apenas uma sombra do que tinha sido anteriormente.

Placa maya com desenhos e hieroglifos, no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

Placa maya com desenhos e hieroglifos, no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México


Voltamos já no escuro para Ocosingo. Nada de banho de cachoeira, como eu pretendia. Claro, Palenque vale muito mais que mais uma cachoeira nos 1000dias, sem dúvida. Foram duas horas de curvas e topes e muitas reflexões sobre os mayas. Quase chegando, o exército nos deixou passar dessa vez. Ufa, teria sido chato outra inspeção àquela altura da noite. Amanhã temos mais mayas pela frente, os grandes rivais de Palenque, aqui do lado de Ocosingo. Depois, finalmente, viajaremos para a famosa San Cristobal de Las Casas. E hoje, dormiremos muito mais conhecedores dos mayas do que ontem. Mas, ao mesmo tempo, muito mais conhecedores do tanto que NÃO sabemos sobre eles...

Máscara maya no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

Máscara maya no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

México, Ocosingo, Palenque, arqueologia, Chiapas, mayas, Ruínas

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Voando Sobre o Denali

Alaska, Denali National Park

O colossal Denali, maior montanha da América do Norte, durante sobrevoo do Denali National Park, no Alaska

O colossal Denali, maior montanha da América do Norte, durante sobrevoo do Denali National Park, no Alaska


Hoje, resolvemos investir tempo e dinheiro para ver o Denali mais de perto. Foi uma maneira de compensar o fato de não termos nenhuma possibilidade de tentar subir a montanha. Afinal, já estamos fora da temporada. A época de subir a maior montanha da América do Norte se encerra em Julho. Depois, só para “profissionais”, o que não é o nosso caso. Mas, o Denali vai continuar lá por muito tempo e, quem sabe um dia, eu ainda possa voltar na época certa para tentar chegar lá encima, com as próprias pernas...

O bimotor que nos levou para um sobrevoo do Denali National Park, no Alaska

O bimotor que nos levou para um sobrevoo do Denali National Park, no Alaska


Enquanto esse dia não chega, o remédio foi fazer um dos passeios de avião que sobrevoam o parque e a montanha. Confortavelmente instalados num avião bimotor, pressurizado e com temperatura ambiente controlada, passamos pouco mais de uma hora voando sobre uma das mais belas paisagens do continente. Ao longo do trajeto, vamos recebendo informações e, ainda mais legal, ouvindo um fundo musical da Enya. A combinação da música e da paisagem grandiosa que vemos pelas janelas são mais do que suficientes para tirar lágrimas dos nossos olhos. Outra vez, tenho de tirar o chapéu para esses americanos e dizer: Os caras sabem fazer as coisas!

Sobrevoando vale no Denali National Park, no Alaska

Sobrevoando vale no Denali National Park, no Alaska


Sobrevoando montanhas do Denali National Park, no Alaska

Sobrevoando montanhas do Denali National Park, no Alaska


Logo que entramos no pequeno avião, que acomoda seis passageiros, cada um com sua janela, recebemos um eficiente fone de ouvido que abafa completamente o som dos motores e o substitui pela música entremeada de informações pré-gravadas. De tempos em tempos, o piloto interrompe a passa outras informações, mais fresquinhas. Ele nos apontou as principais montanhas do Parque Nacional, as rotas mais conhecidas de subida do Denali, as diversas geleiras que descem da montanha e até mesmo um grupo de cabras montesas e um grande urso “perdido” em uma das encostas de uma montanha do parque. Vê-lo lá de cima, em meio àquela paisagem enorme, nos fez ter uma perspectiva ainda mais incrível da natureza selvagem dessa região.

Avistando cabras montesas do avião durante sobrevoo do Denali National Park, no Alaska

Avistando cabras montesas do avião durante sobrevoo do Denali National Park, no Alaska


Um urso é visto durante sobrevoo do Denali National Park, no Alaska

Um urso é visto durante sobrevoo do Denali National Park, no Alaska


Mas, o assunto principal hoje era mesmo a montanha. Já contei a história de Frederick Cook em outro post, sobre como ele conseguiu enganar o mundo durante alguns anos, dizendo que havia chagado ao cume. Na verdade, ele pode ter enganado o “mundo”, mas não ao “Alaska”. As pessoas que conheciam e viviam perto do Denali sabiam ser impossível que aquela história fosse verdadeira. A única testemunha da subida de Cook era do Alaska e os conterrâneos de sua pequena vila nunca lhe deram crédito. Mas a sua história acabou servindo de inspiração para um dos maiores feitos da história do alpinismo.

No avião, durante voo sobre o Denali National Park, no Alaska

No avião, durante voo sobre o Denali National Park, no Alaska


No avião, durante voo sobre o Denali National Park, no Alaska

No avião, durante voo sobre o Denali National Park, no Alaska


Numa mesa de bar da pequena vila, quatro mineiros que davam duro o dia inteiro, o ano inteiro, só para conseguir sobreviver, não se conformavam com o sucesso e o dinheiro que o falastrão Cook tinha conseguido com sua história. Animados pela cerveja, decidiram que os primeiros a subir de verdade a montanha deveriam ser pessoas locais. E porque não eles mesmos? Fazer uma promessa dessa enquanto se está bêbado não é uma grande coisa, mas tentar cumpri-la enquanto se está sóbrio, aí a coisa é outra. Pois, por mais incrível que pareça, esses quatro homens partiram para a montanha em 1910, quase sem nenhum equipamento ou experiência, apenas contando com a coragem e o costume às dificuldades de uma vida duríssima. Mais do que isso, resolveram levar um mastro com quatro metros de comprimento, o qual colocariam no cume, com uma bandeira. Sua esperança é que esse “monumento” pudesse ser visto desde Fairbanks, com uma luneta. Seria a prova indiscutível que haviam chegado ao cume.

Uma das muitas geleiras que descem do Denali, no Denali National Park, no Alaska

Uma das muitas geleiras que descem do Denali, no Denali National Park, no Alaska


Loucura? Pode ser… Mas o fato é que, por quase 3 meses eles rodearam e testaram a montanha, procurando a melhor rota. Por fim, atacaram! O Denali tem dois cumes, separados por quase 5 quilômetros de distância. Naquela época, ninguém sabia qual era o mais alto. Os mineiros escolheram o cume norte e para lá seguiram. Dois chegaram até lá. E levaram a tal bandeira!!! Ao descer, evidentemente que ninguém acreditou na história de quatro esfarrapados teriam chegado ao cume da montanha que havia vencido tantos profissionais. O mastro, mesmo com seus quatro metros, não era visível de Fairbanks, e nem de lugares mais próximos. Perto da colossal montanha que se ergue mais de 5 quilômetros sobre o terreno que a rodeia, quatro metros não são nada.

Muitas montanhas nevadas ao redor do Denali, durante sobrevoo do Denali National Park, no Alaska

Muitas montanhas nevadas ao redor do Denali, durante sobrevoo do Denali National Park, no Alaska


Os mineiros foram ridicularizados e voltaram para sua vila com uma mão na frente e outra atrás. A história de Cook começava a ruir nessa época e a deles, então, jamais foi levada à sério. Quer dizer, não até 1913...

A gigantesca geleira que nasce entre os dois picos do Denali, no Denali National Park, no Alaska

A gigantesca geleira que nasce entre os dois picos do Denali, no Denali National Park, no Alaska


Foi nesse ano que o primeiro alpinista chegou ao cume do Denali, no pico sul. Foi Walter Harper, também nascido no Alaska. Era um dos guias de uma expedição profissional e bem equipada. Seu feito foi saudado em todo o mundo. Mas uma notícia trazida pela expedição causou tanto furor como a conquista em si. Lá de cima do pico sul eles puderam sim, avistar a bandeira dos mineiros. Ainda tremulava no pico norte, mesmo depois de três anos de tempestades e ventos fortíssimos.

Avião sobrevoando o Denali National Park, no Alaska

Avião sobrevoando o Denali National Park, no Alaska


Hoje, ao sobrevoar a montanha e ver aquele mar de neve, geleiras, picos escarpados e cristas estreitas, só pude render minhas homenagens à esses bravos homens e seu incrível feito. Pude também admirar a incrível beleza que é privilégio das cerca de 500 pessoas que chegam ao cume a cada ano. Certamente, para eles é tudo ainda muito mais belo do que para mim, no conforto da minha poltrona de avião. Será que algum dia vou voltar, a pé? Espero que sim. A única promessa é que vou levar comigo um ipod. E a trilha sonora da subida, vocês já podem adivinhar qual será, né?

Sobrevoando montanha nevada no Denali National Park, no Alaska

Sobrevoando montanha nevada no Denali National Park, no Alaska

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