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Karina (27/09)
Olá, também estou buscando o contato do barqueiro Tatu para uma viagem ...
ozcarfranco (30/08)
hola estimado, muy lindas fotos de sus recuerdos de viaje. yo como muchos...
Flávia (14/07)
Você conseguiu entrar na Guiana? Onde continua essa história?...
Martha Aulete (27/06)
Precisamos disso: belezas! Cultura genuína é de que se precisa. Não d...
Caio Monticelli (11/06)
Ótimo texto! Nos permite uma visão um pouco mais panorâmica a respeito...
Cavalos esperam seus clientes sob a lua e um céu azul, aos pés de El Quemado, na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Ainda na noite do dia 18, quando chegamos à Real de Catorce, decidimos que faríamos um dos programas prediletos de quem visita a cidade: um passeio à cavalo pelas montanhas da redondeza. Ficamos amigos de um guia e combinamos de nos encontrar no dia seguinte, bem cedo, em frente ao nosso hotel, ele já com cavalos arreados e prontos para nós.
Cavalos prontos para nossa cavalgada na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Cavalgada na região de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México
E lá estava ele, hoje, às oito horas. Em princípio, achei nossos cavalos meio pequenos, mas o Refugio, seu nome, foi logo explicando que, para aquelas trilhas inclinadas e cheias de pedra, cavalos menores são muito mais eficientes que cavalos grandes. Posso até ter desconfiado no início, mas bastaram dez minutos na trilha para verificar que ele estava certo: cavalos grandes ali seriam um desastre. Além do calçamento cheio de pedras soltas (aquilo já foi uma estrada...), muitas vezes estamos do lado de uma ribanceira. Um escorregão por ali não era uma opção.
Cavalgada na região de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México
Cavalgada nas montanhas ao redor de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México
Saímos dos 2.700 metros de Real e subimos outros 300 metros para chegar no alto do morro onde, além da magnífica vista para a cidade e seus arredores, está uma pequena cidade fantasma. Ali já funcionou uma fazenda mineira, com a casa grande dos donos, várias construções de beneficiamento e dezenas de casas de empregados e servos. Tudo em pedra. Uma visão diretamente para a história.
Chegando à Ciudad Fantasma, perto de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Explorando a Ciudad Fantasma, próxima de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Apeamos dos cavalos e passeamos pelas ruínas, o Refugio nos ensinando como era a vida por lá e como se tratava a prata. Vida boa para o senhor, dura para cavalos e servos e mortal para os escravos indígenas. Esses, depois de entrarem nas minas, só sairiam de lá mortos, meses a fio sem ver a luz do sol. A entrada da mina está fechada por uma grade, um poço com mais de cem metros de profundidade. Lá embaixo, apenas um escuro impenetrável e um vento frio que sobe continuamente, trazendo consigo o lamento centenário daqueles que ali trabalhavam e morriam.
Ruínas da Ciudad Fantasma, próxima de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Ruínas da Ciudad Fantasma, próxima de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Desse ponto, teoricamente, voltaríamos. Ir até a cidade-fantasma e voltar é um dos passeios mais tradicionais de cavalo. O outro é seguir para outra direção, até o “Quemado”, uma montanha sagrada para indígenas e que se tornou centro de peregrinação mística. O nosso passeio à cavalo estava tão bom que o Refugio nos propôs que continuássemos por ali, indo por trás das montanhas até a montanha mágica. Caminho muito pouco frequentado, algumas horas de cavalgada sem chance de encontrar outras pessoas. Foi nesse momento que decidimos ficar mais um dia na região e não perder essa chance de ouro. Montamos e seguimos em frente, para nossa alegria e tristeza dos cavalos.
Conversando com nosso guia nas montanhas de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Cavalgada nas montanhas ao redor de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México
O calçamento da estrada acabou de vez e agora cavalgávamos por uma trilha que nunca foi mais do que isso mesmo. Em um trecho mais inclinado, agora de descida, até apeamos dos cavalos para seguir a pé. Mais fácil e seguro para todos nós. A vista que nos rodeava compensava qualquer esforço, assim como as histórias que ouvíamos do Refugio e mesmo o ar puro e saudável que respirávamos.
Trilha atravessa as montanhas da região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Um colorido cactus nas montanhas de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Aos poucos, fomos chegando perto da civilização novamente. Quer dizer, traços dela, na forma de ruínas de antigas fazendas, sempre colossais estruturas em pedra. Finalmente, ao longe, começamos a avistar o Quemado, um objetivo agora tangível para nossas pernas e nádegas que sofriam com o trote dos cavalos.
Caminhando pelas montanhas da região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Enfim, chegamos ao ponto onde os cavalos ficam. Daí para frente, a parte final da montanha é feita caminhando mesmo. O esforço serve como um ritual de purificação para chegarmos lá encima mais leves e focados. El Quemado atrai dezenas de milhares de peregrinos anualmente, principalmente no período de festas e celebrações. Hoje, por exemplo, era um dia especial e alguns indígenas subiam para fazer suas oferendas e orações lá no alto.
Um burrito aguarda enquanto seus clientes sobem o El Quemado, montanha sagrada próxima de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México
Cavalos e guias esperam seus clientes sob a lua e um céu azul, aos pés de El Quemado, na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
O Refugio ficou embaixo com os cavalos enquanto subíamos. Lá no alto, um labirinto formado por pedras nos mostra que é realmente um local de contemplação. Um pouco mais alto, uma pequena capela cheia de oferendas. Uma pessoa com seu tambor produzia sons que soavam mágicos naquela imensidão semidesértica. Falando em imensidões, a vista lá de cima é de tirar o fôlego, lá embaixo o famoso deserto potosino, uma planície que parece não ter fim. Não é a toa que a montanha é sagrada!
Labirinto místico de pedras na montanha sagrada da região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
A magnífica vista do alto de "El Quemado", a montanha sagrada da região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Caminhamos para baixo lentamente, saboreando cada minuto, cada momento. Sobre os cavalos outra vez, finalmente seguimos em direção à cidade. Passamos por umas últimas ruínas, entre elas um grande arco de características mouriscas. Pois é,,, qual seria a relação entre indígenas pré-colombianos e mouros? Ora, boa parte da península ibérica esteve ocupada por mouros durante séculos. Eles podem ter sido finalmente expulsos de lá, mas a cultura peninsular ficou irremediavelmente influenciada por eles. A cultura moura passou a fazer parte da cultura espanhola que foi trazida para o Novo Mundo junto com os conquistadores. E assim, em pleno interior do México, em antigas terras chichimecas, nada mais “normal” do que passar sob um arco mouro, como se estivéssemos no Marrocos ou na Tunísia. A globalização começou muito antes do que imaginávamos...
Oferenda à natureza no alto da montanha El quemado, na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
A pequena capela no alto da montanha sagrada El Quemado, na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Por fim, de volta à Real de Catorze e ao conforto do nosso hotel, agora com direito à quarto novo, como narro no próximo post. Nosso passeio à cavalo por cidades-fantasmas e montanhas sagradas não poderia ter sido mais mágico. Bom, na verdade, poderia sim. E foi!
El Quemado, a montanha sagrada na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Passando por arco mourisco na volta à Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México
Durante nosso passeio, tivemos a oportunidade de provar uma planta usada em rituais e também com fins medicinais pelos habitantes do deserto há quase 5 mil anos. Estou falando de um cactos rasteiro e sem espinhos chamado peyote que tem como efeito a potencialização de todos os nossos sentidos. Passamos a ouvir melhor, ver mais detalhes, sentir mais profundamente. Cores e formas ficam mais nítidas, odores ficam mais claros, sons ficam mais profundos.
Um colorido cactus nas montanhas de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Planta do deserto na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
O gosto de peyote não é bom, demasiadamente amargo para nosso paladar. Mas, com ajuda da água, acabamos por engolir. Os efeitos vem aparecendo paulatinamente, quase sem percebermos. Ao cavalgar, nossos rostos passam a sentir o vento de forma mais intensa. Ao reparar em cactos e plantas, passamos a ser capazes de perceber cada um de seus espinhos. É como se jogássemos nossa TV velha fora e a substituíssemos por outra, de alta definição.
O famoso peyote, espécie de cactus comum no região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
A magnífica vista do alto de "El Quemado", a montanha sagrada da região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
O momento mais belo e mágico de todos foi no alto da montanha sagrada. Sentados ao lado da pequena igreja lá encima, admirando a linda paisagem e ouvindo os sons tridimensionais do pequeno tambor tocado pelo nativo. Era como se estivéssemos em um filme do Wim Wenders. Naquele momento, só podíamos agradecer ao México a chance de estar vivendo aquilo. O nosso momento mais especial no país, algo de que sempre nos lembraremos, tão intensamente como estavam nossos sentidos. Agora sim, nada mais poderia melhorar o nosso mágico passeio.
Tocando tambor e reverenciando a natureza no alto de "El Quemado", na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Rodrigo & Ana é seguro viajar de carro pelo Mexico?
Resposta:
Olá Virgilio
É seguro sim, desde que se tome as precauções básicas, como não dirigir de noite e passar rápido pelas regiões de fronteira. Nós já viajamos pelo México por mais de 3 meses e nunca tivemos nenhum problema. A Ana publicou um ost recentemente sobre isso.
Um grande abraço
Que mágico!!!!!!!!! Imagino a sensação que vocês tiveram; acho que parecida com o que sentimos na Áustria, no topo de montanhas.... mas fomos de teleférico rsrsrs
Vocês mais novos e corajosos foram com cavalo. Maravilhoso!!!! Abraços
Resposta:
Oi Mabel
Essa é mesmo a palavra: mágico!
Montanhas são sempre assim, especiais, seja na Áustria, seja no México, seja onde for! Não consigo viver sem elas.
Os cavalos estavam bem tranquilos, embora fossem, meio trotões, hehehe
Um grande abraço
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