1
Arquitetura Bichos cachoeira Caverna cidade Estrada história Lago Mergulho Montanha Parque Patagônia Praia trilha vulcão
Alaska Anguila Antártida Antígua E Barbuda Argentina Aruba Bahamas Barbados Belize Bermuda Bolívia Bonaire Brasil Canadá Chile Colômbia Costa Rica Cuba Curaçao Dominica El Salvador Equador Estados Unidos Falkland Galápagos Geórgia Do Sul Granada Groelândia Guadalupe Guatemala Guiana Guiana Francesa Haiti Hawaii Honduras Ilha De Pascoa Ilhas Caiman Ilhas Virgens Americanas Ilhas Virgens Britânicas Islândia Jamaica Martinica México Montserrat Nicarágua Panamá Paraguai Peru Porto Rico República Dominicana Saba Saint Barth Saint Kitts E Neves Saint Martin San Eustatius Santa Lúcia São Vicente E Granadinas Sint Maarten Suriname Trinidad e Tobago Turks e Caicos Uruguai Venezuela
imoveis web (01/11)
Achei teu site muito bom Rodrigão. Seus roteiros são inusitados....
PATRICIA BORBA (01/11)
Nossa, nem acreditei quando vi o blog de vocês, que coragem!!! Que flore...
Aymoré (30/10)
Amigos Queridos!! Que fantástico, que experiência. Um Blue Label King G...
Mario Sergio (30/10)
Olá Rodrigo, belo restaurante, mas o prato parece pobrinho perto dos nos...
Natalia Matos (29/10)
Olá Rodrigo e Ana! Primeiramente parabéns pelas imagens e pela linda hi...
Fim de tarde em mirante para ver baleias cinzentas no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos
O dia de hoje foi devotado à exploração do Redwood National Park. Na verdade, há mais de um parque por ali, um nacional e diversos estaduais. Áreas protegidas por distintas esferas de governo com o intuito de salvaguardar a rica e emblemática natureza da costa norte da Califórnia. Como o próprio nome sugere, o foco principal do parque são as redwoods, as mais altas árvores do planeta, ultrapassando com folga a marca dos 100 metros de altura. Elas são parentes da sequoias, que crescem em altitudes mais elevadas, são mais “volumosas”, mas não tão altas. Mas nem só de redwoods vive o parque e a região. Assim, vou deixar as árvores e as belíssimas fotos que tiramos para o próximo post e falar aqui das outras atrações.
Chegando novamente ao Oceano Pacífico, em Crescent City, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos
A sede administrativa do parque fica na cidade de Crescent City, onde dormimos ontem de noite. Além das árvores, há outra coisa “bem grande” que traz fama à cidade: tsunamis! Aparentemente, o perfil do solo marinho da região é perfeito para essa grandes ondas, quase que como um funil por onde elas ficam ainda maiores e mais destrutivas. Prova disso está no fato que, somente entre 1933 e 2011, doze tsunamis atingiram Crescent City, alguns menores, com ondas de pouco mais de um metro de altura, mas quatro deles com grande poder destrutivo.
Litoral em Crescent City, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos
O maior deles, sem dúvida, foi aquele de 27 de Março de 1964, alguma horas depois que o segundo maior terremoto medido da história abalou o Alaska, com uma inacreditável magnitude de 9,2. Como não poderia deixar de ser, o terremoto iniciou o maior tsunami em tempos históricos da costa oeste americana. Pouco mais de quatro horas depois, quatro gigantescas ondas espaçadas por poucos minutos varreram a cidade, causando grande destruição e matando cerca de 15 pessoas. Desde então a cidade se preparou para “conviver” com eles, declarando-se “tsunami-ready”. O grande teste veio em 2011, após o terremoto que abalou o Japão, do outro lado do Pacífico. A cidade foi rapidamente evacuada, mas 35 barcos ancorados no porto não puderam ser salvos. Apenas uma pessoa morreu.
Feliz com o sol e o mar em Crescent City, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos
Bom, hoje pela manhã, o mar parecia mais calmo do que nunca! Com o sol brilhando, eu e a Ana estávamos felicíssimos de encontrar o mar novamente. Ainda mais estando na Califórnia, até parecia que a água estava mais quente, hehehe. Efeito psicológico, claro! Nós tiramos nossas fotos e iniciamos o longo dia de explorações.
Fim de tarde numa linda praia no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos
Os parques nacional e estaduais se estendem ao longo da costa e para o sul nós seguimos, passando por diversos deles, dirigindo por pequenas estradas de terra e parando, aqui e ali, para fazer umas trilhas. Além das matas, ficamos também impressionados com a beleza do litoral. Estivemos em uma praia para assistir ao pôr-do-sol e em um mirante onde, a partir desse mês de novembro, pode-se observar as baleias cinzentas na sua rota do Alaska para a Baja California. Acho que elas estão atrasadas este ano, pois a gente não viu nenhuma. Mas o visual lá de cima estava maravilhoso!
Encontro do rio com o mar no litoral do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos
Seguimos nossa caminho para o sul, encontrando e reencontrando outras pessoas que faziam o mesmo roteiro. Depois de duas ou três paradas, já estávamos todos amigos, hehehe! A Fiona, como sempre, sendo o maior chamariz, todos interessados naquele carro inexistente nos EUA, com motor a diesel. A Toyota não sabe o que está perdendo por aqui... Ou sabe?
Encontro do rio com o mar no litoral do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos
Por falar em amigos, depois de umas tuitadas da Ana ao longo do dia, recebemos uma mensagem de um casal americano que também viaja as américas, o pessoal do http://lostworldexpedition.com/. Tínhamos trocado algumas mensagens há duas semanas e eu jurava que eles estavam no Chile. Pois é, não estavam! O carro deles, sim, mas eles estão aqui na Califórnia, na cidade de Arkata, bem pertinho de onde estávamos. Coincidência tão grande merecia até uma mudança de programação! Assim, resolvemos dormir nessa cidade, que já estava no nosso roteiro, mas que nem pararíamos. Acabamos nos desencontrando de noite, mas de amanhã cedo esse encontro não passa!
Elks machos no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos
Elks machos treinam suas habilidades de luta no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos
Antes de chegarmos lá, ainda tivemos a chance de ver uma manada de elks, aqueles animais que parecem as renas do Papai Noel. Ao lado da estrada, dois deles brincavam de brigar, seus longos chifres enganchados uns nos outros. Parecia até cena de documentário do Discovery Channel. Paramos e fomos fotografar de perto. Muito legal! Foi só depois disso que vimos a placa dizendo para não nos aproximarmos a pé dos animais, pois eles podem ser perigosos. Acho que estavam tão entretidos entre eles mesmos que não ligaram para aquela loira bonita tirando fotos da brincadeira, hehehe!
Apenas depois de tirar as fotos dos elks, a Ana viu essa placa no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos
Pôr-do-sol na Washington Luís, chegando em São Carlos - SP
Um longo, interessante e variado dia na estrada. Assim podemos resumir o dia de hoje. Chuva e sol, mar e rio, montanha e praia, Paraná e São Paulo. Mas, no fim, saímos da casa da família para chegar na casa da família também!
A idéia original era só dirigir até Cananéia, mas acabamos "esticando" até Ribeirão Preto. Deixamos Cananéia perto das 11 da manhã, ainda com tempo ruim (ver post abaixo). Resolvemos seguir para Ribeirão por um roteiro alternativo, passando por um parque estadual chamado Carlos Botelho. Existe uma estrada-parque que o atravessa de sul a norte e que estava bem na nossa direção.
Placa informativa no Parque Estadual de Carlos Botelho, núcleo Sete Barras, em São Paulo
O parque tem uma das porções de mata atlântica mais bem conservadas do estado. Basta entrar nela para se observar e sentir a abundância de vida desse ecossistema. Não é muita gente que sabe mas a diversidade de vida da Mata Atlântica supera em muito a da floresta amazônica.
Paisagem do Parque Carlos Botelho no estado de São Paulo
O único porém do parque é que para se visitar várias de suas atrações é preciso agendar com bastante antecedência. Assim, não pudemos fazer as trilhas que levam à cachoeiras e a uma enorme figueira. Por um lado, estão protegendo o parque, mas por outro, acho um absurdo não podermos seguir uma trilha bem marcada com nossos próprios pés. De novo, fiz aquela promessa de, na próxima encarnação, ser um "pesquisador" com super-poderes e poder visitar todos os parques, reservas e cavernas do Brasil sem ninguém enchendo o saco.
Paisagem do Parque Carlos Botelho no estado de São Paulo
Quando descemos a montanha do outro lado do parque o tempo já tinha melhorado. Sinal que já estávamos chegando em Ribeirão e se afastando de Curitiba! He he he. Mas antes, ainda tínhamos um pit-stop a fazer: São Carlos, uma quase tranquila cidade do interior paulista que ostenta duas das melhores universidades do país, a USP e a UFSCAR. Local perfeito para a vida estudantil, cidade jovem e progressista. Passamos lá para conhecer a casa da Lalau (minha irmã) e do Gêra, muito bem instalados que estão.
Casa da Lalau e do Gêra em São Carlos - SP
Depois de conhecer a gostosa casa e condomínio, demos carona para a Lalau até Ribeirão Preto, onde moram meus pais. Os próximos dias serão de muito sol, saúde e vida na fazenda. Aguardem notícias!
Caminhando na ilha de Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Dois mil quilômetros depois, estamos para chegar às Ilhas Malvinas, um pequeno arquipélago no Atlântico Sul que entrou no meu mundo e radar há mais de 30 anos. Foi quando, numa noite do início de Abril de 1982, o Cid Moreira anunciou solenemente nas manchetes do Jornal Nacional que a Argentina havia invadido aquelas ilhas remotas. Ondas de euforia tomaram não apenas as ruas e praças de Buenos Aires, mas também de todas as grandes cidades da América Latina, numa espécie de patriotismo continental. No dia seguinte o correspondente da Globo falava “diretamente de Comodoro Rivadavia e a caminho das Malvinas”. Comodoro Rivadavia é um porto no sul da Argentina, de onde saíam os aviões militares para o arquipélago. O otimista repórter da Globo nunca obteve a permissão para voar para lá, mas a curiosidade nascida no jovem adolescente não se arrefeceria enquanto ele mesmo chegasse nas tais ilhas. Por isso, este arquipélago sempre esteve no roteiro dos 1000dias. Pois seja argentino, seja britânico, faz parte do continente, independentemente de “sentimentos patrióticos”. O jovem adolescente, hoje bastante envelhecido, vai finalmente realizar seu sonho antigo: ver de perto as Malvinas. Ou seriam Falkland?
As ilhas Falkland e sua localização no Atlântico Sul
Localizado a menos de 500 km da costa argentina e a muitos milhares de quilômetros das ilhas britânicas, a tendência é logo optarmos pela primeira opção: Ilhas Malvinas. Mas será que essa análise rápida e no “olhômetro” é mesmo justa? Analisando a composição das rochas das ilhas, os cientistas chegaram a uma conclusão surpreendente: as ilhas nunca fizeram parte da América do Sul. Na verdade, a julgar pelo seu passado remoto, não deveriam ser nem argentinas, nem britânicas, mas sul-africanas. Isso mesmo, elas nasceram lá na África do Sul, ainda no tempo do super-continente chamado Gondwana, uma soma da atual América do Sul, África, Austrália, Antártida e Índia. Esses três últimos se separaram, rumando para o sul, enquanto África e a nossa América também “quebraram”, criando o Oceano Atlântico. Foi quando as Malvinas (ou Falkland!), há 100 milhões de anos, separaram-se da costa oriental da África do Sul (isso mesmo, eu disse “oriental”, aquela virada para o Oceano Índico), deram a volta no Cabo da Boa Esperança e rumaram para oeste, vindo de encontro à plataforma patagônica, onde estão hoje. É impressionante como as rochas sabem contar a sua história, pelo menos para quem sabe escutá-las.
Pela estrutura e composição das rochas, os estudiosos deduziram que as Falkland "nasceram" no antigo supercontinente de Gondwana, no leste da atual África do Sul
Ao longo desse caminho foram sofrendo a erosão do tempo, das glaciações e do mar, chegando a forma atual como as conhecemos. É um arquipélago com mais de 700 ilhas, mas as duas principais, East Falkland e West Falkland, representam 91% da área total de 12 mil km2. Isso é aproximadamente o dobro da área do nosso Distrito Federal, as ilhas distribuídas numa região com 220 km de leste a oeste e 140 km de norte a sul. Há uma grande presença de fiordes, prova indiscutível de glaciações no passado, e as duas maiores ilhas são separadas por um estreito (“sound”, em inglês) com 20 km de largura e profundidade média de 40 metros. Durante a época do gelo, quando o nível do mar era mais baixo, muito provavelmente as duas ilhas formavam uma única massa terrestre. Mas nem no auge das glaciações houve alguma ponte de terra ligando o arquipélago ao continente, como chegaram a defender alguns estudiosos argentinos. O oceano é muito profundo entre as Falkland e a Patagônia.
Mapa detalhado das ilhas Falkland, mostrando as ilhas do arquipélago, estradas e cidades (produzido por Eric Gaba)
Aliás, essa “ausência” de uma ligação terrestre entre o arquipélago e o continente só adiciona mais sabor ao maior mistério biológico das ilhas: a presença de uma espécie de lobo, o único mamífero terrestre de Falkland quando os primeiros europeus chegaram às ilhas. Conhecido como “Warrah”, ou “Falkland Wolf”, esses animais foram descritos por Darwin (incrível! Esse cara esteve em todos os lugares!) em 1834, mas já eram conhecidos desde o final do séc. XVII. O famoso biólogo inglês usou a diferenciação entre os lobos de East Falkland e West Falkland como mais um exemplo, ou prova, de sua teoria de evolução das espécies. Darwin previu também que os lobos estariam logo extintos, devido à maior ocupação das ilhas por seres humanos. Infelizmente, o animal não tinha nenhum medo de nós e, caçado pelo valor da sua pele e o perigo que representava para as criações de ovelhas, realmente foi extinto em 1876. Alguns espécimes ainda chegaram a ser levados para o zoológico de Londres, mas nada que evitasse mais uma tragédia evolucionária causada pela mais assassina criatura do planeta: os seres humanos.
Ilustração do já extinto "Lobo de Falkland", ou Warrah, o único mamífero terrestre do arquipélago
Eles sumiram para sempre, mas o mistério continua: como chegaram às ilhas? A primeira teoria era que tivessem sido levados pelos primeiros habitantes das Américas, que teriam chegado às Malvinas em canoas rústicas. Mas como nenhuma prova conclusiva que o homem tenha estado no arquipélago antes da chegada dos europeus foi encontrada, essa hipótese perde força. O mais provável é que, no auge de alguma glaciação, alguma ponte de gelo (e não de terra!) tenha existido entre as ilhas e o continente e os lobos, intrépidos exploradores, tenham a atravessado. Pesquisas genéticas recentes, tanto com os Warrahs como com antigos canídeos extintos da América do Sul parecem corroborar essa tese. O fato é que os “Falkland Wolves” parecem ter sido capazes de sobreviver durante alguns milênios se alimentando de pinguins e gansos, mas não resistiram a poucos séculos de contato com seres humanos.
A vegetação rasteira de Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Vegetação em Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas
Além de não nos temerem, eles não tinham onde se esconder. Não há florestas nem árvores naturais no arquipélago, apenas espécimes importadas trazidas bem mais recentemente pelos colonizadores. A ilha é constantemente assolada pelos ventos, o que favorece uma vegetação mais rasteira, gramínea e herbácea. Com um relevo formado principalmente por colinas, embora haja uns poucos terrenos escarpados (a maior altitude é de cerca de 700 metros), a região é um paraíso para a criação de ovelhas. Com efeito, essa passou a ser a principal atividade econômica do arquipélago desde o declínio da indústria de reparação de navios, em meados do séc. XIX. Só que não vieram apenas as ovelhas de fora, mas também gatos, cães, raposas e até guanacos, para servirem aos amantes da caça. E claro, vieram os ratos também. Quem sofreu com isso foram as populações originais de pássaros, como gansos e pinguins. Com tanta concorrência assim, principalmente dos seus ovos por parte dos roedores, os pássaros acabaram desistindo das ilhas principais, refugiando-se nas ilhas pequenas, onde esses animais invasores não chegaram.
Caminhando em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Caminhando nas colinas de Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas
Mas nem ali eles estavam seguros. Entre 1864 e 1866, apenas nas Jason Islands, pequenas ilhas ao noroeste do arquipélago e um dos locais onde vamos desembarcar, mais de 2 milhões de pinguins foram mortos e cozinhados para extração de óleo. Felizmente para eles, a consciência da humanidade parece ter mudado desde então. Por exemplo, Steeple Jason, uma das Jason Islands, foi comprada por um filantropo americano e doada para uma associação de defesa dos animais. Se não podemos mais salvar os lobos, ao menos os pinguins estão seguros agora!
A paisagem de Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
A paisagem de Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas
Falei da parte natural, mas ainda falta a ocupação humana das ilhas. Hoje são cerca de 3 mil habitantes, além de 700 militares ingleses. Para manter a mesma comparação com o nosso Distrito federal, duas vezes menor do que a área total das ilhas, a sua população é 1.000 vezes maior que do arquipélago. Isso mostra o quão vazio as ilhas ainda são. Ainda mais se lembrarmos que, da população total, 2.200 vivem na única cidade de fato, Port Stanley, sobrando umas poucas centenas para todo o resto das ilhas, região chamada pelos “kelpers” (nome dado aos habitantes das Falkland) de “camp”. A grande maioria da população tem origem escocesa e galesa, embora haja uma crescente minoria chilena. Essa é a população fixa das ilhas, mas há também um número cada vez maior de visitantes, quase todos eles chegando em grandes navios de cruzeiro. Somente em 2010 foram 70 mil turistas. Em um só dia, num grande navio, mais de 3 mil visitantes. Ou seja, a população literalmente dobrou naquelas poucas horas de desembarque. O turismo representa uma parte cada vez mais substancial da economia das ilhas.
Início da manhã em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
A paisagem grandiosa de Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Pois bem, qual a história dessa ocupação que ainda hoje continua tão conflituosa? Tudo indica que foram mesmo os europeus os primeiros a avistar as ilhas, ainda no início do séc. XVI. O primeiro desembarque foi em 1690, pelo capitão inglês John Strong. Ele resolveu homenagear o principal financiador de sua viagem, o 5º Visconde de Falkland (nome de uma cidade escocesa) com o nome do estreito que separa as duas ilhas principais do arquipélago. Um século mais tarde, pelo menos entre os ingleses, esse nome passou a denominar todo o arquipélago. Já o nome espanhol, Islas Malvinas, deriva do nome francês, “îles Malouines”, dado pelo explorador francês Louis-Antoine de Bouganville em 1764, referência ao porto de onde havia partido, na França, St, Malo.
Um arco-íris nos recebe em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Foi esse mesmo explorador francês que fundou o primeiro povoado das ilhas, Port Louis, em 1764. Dois anos depois foi a vez dos ingleses fundarem Port Egmont, no norte do arquipélago. Aparentemente, um povoado não sabia da existência do outro. Os franceses logo repassaram seu povoado aos espanhóis que, ao saber da existência do povoado inglês, trataram de conquistá-lo. Isso quase levou as duas nações à guerra e os espanhóis acharam por bem devolvê-lo. Alguns anos mais tarde, em 1774, os ingleses resolveram abandoná-lo, mas pelo sim, pelo não, lá deixaram uma placa dizendo que a soberania do arquipélago era do rei George III, monarca britânico. Sem a presença da concorrência, a Espanha não deu muita bola para as ilhas, mantendo ali apenas uma pequena colônia penal. Até que, no contexto das guerras napoleônicas, abandonaram eles também aquelas ilhas isoladas.
Escarpa montanhosa em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Na década seguinte, já independente, eram as Províncias Unidas do Rio da Prata, futura Argentina, que se julgavam as detentoras do arquipélago. Mas não tentaram sua ocupação. Ao contrário, resolveram “arrendá-la” a um comerciante alemão para que ele as explorasse. Ao tentar forçar navios baleeiros e pesqueiros a lhe pagar “direitos”, acabou causando a ira do governo americano que bombardeou a ilha. O governo de Buenos Aires resolveu então instalar um batalhão na ilha, mas os próprios soldados de amotinaram em 1832. A situação só foi finalmente pacificada no ano seguinte, com o retorno das tropas inglesas, sob a alegação que as ilhas sempre foram de Sua Majestade. Um século e meio de protestos argentinos não demoveram os ingleses dessa ideia.
Uma espécie invasora, flores amarelas embelezam a paisagem de Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas
Vegetação em Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas
Na verdade, as Falkland tiveram valor estratégico durante a 1ª e 2ª Guerras mundiais, mas desde então eram um peso desnecessário para o orçamento inglês, sustentar aquelas ilhas distantes perdidas no meio do oceano. Negociações entre argentinos e ingleses avançavam no sentido de uma transferência de soberania, como a que acabou ocorrendo em Hong Kong, com a China. As negociações ocorriam sem a participação dos próprios kelpers e pareciam que seguiam bom caminho. Mas o golpe militar de 76 e o governo sangrento que se seguiu parecem ter atrapalhado um pouco o andamento das conversas. A situação se encontrava nesse impasse quando a decrépita ditadura militar, em grave crise econômica e política em seu país, resolveu dar sua última cartada. Mas isso é um assunto para quando chegarmos a Port Stanley, amanhã. Antes disso, ainda temos dois desembarques para fazer por aqui, em pequenas ilhas no noroeste do arquipélago, onde a paisagem ainda se parece com o que era antes dos europeus chegarem. Infelizmente, sem os lobos...
Admirando a belíssima paisagem de Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas
Caminhada até os Chutes du Carbet, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe
Nosso dia começou de maneira meio estranha. Eram duas da manhã, a Ana já no sétimo sonho na cama ao meu lado, eu trabalhando um pouco no computador com as fotos dos últimos dias quando tive a nítida impressão de alguém abrir a porta dos fundos do nosso chalé. Levantei-me na hora para ir averiguar e aporta estava fechada. Mas não trancada! Sai do lado de fora, olhei e nada. “Deve ter sido o vento”, imaginei. Pois logo pela manhã haviam carros de polícia na porta do gite em que estávamos. Durante a madrugada, alguém entro no chalé ao lado do nosso e, enquanto a moça lá dormia, o invasor pegou seu lap top e carteira. Ela acordou com ele lá dentro ainda, mas rapidamente o gatuno se mandou. Essa é a vantagem de trabalhar até tarde! A simpaticíssima proprietária do gite, uma belga que falava muito bem espanhol, estava consternada. Enfim...
O oceano visto do alto do Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe
Agora, com ela de olho em sua propriedade, voltamos para a praia para mais uma caminhada e mergulho saudáveis, sensação de estar na nossa querida Praia Vermelha, lá em Ubatuba. Sempre com a ressalva de que aqui, a água é muito mais transparente! Foram quarenta minutos de máximo aproveitamento, mas tínhamos de seguir viagem, pois ainda havia muito por ver em Basse Terre.
A primeira visão da majestosa 2a Queda dos Chutes du Carbet, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe
Queríamos seguir para a ponta sul da ilha e, aconselhados pela nossa amiga belga, fomos seguindo no sentido horário, dando a volta em Basse Terre. Logo estávamos na costa ocidental dessa “asa” esquerda da ilha, Grande Terre do outro lado do braço de mar.
Mapa em 3-D do arquipélago de Guadalupe
Na verdade, Guadalupe não é apenas uma ilha, mas um arquipélago. A ilha principal é dividida em duas “asas”, Basse Terre, montanhosa, do lado oeste, e Grande Terre, plana, do lado leste. À sudeste está Marie Galante (que nome lindo!), bem grandinha também. Ao sul de Basse Terre estão as Les Saintes, muito populares entre turistas, e do lado leste esta La Désirade, a menos visitada de todas. Nosso plano é dar um pulinho em Marie Galante, um bate e volta de um dia. O que mais me atraiu foi o fato de que a ilha só recebe turistas que falam francês, pois ninguém fala inglês por lá. Mas ainda não sabemos que vamos ter tempo...
Local perfeiro para descanso e reflexão no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe
Apesar de formarem uma mesma ilha atualmente, Basse Terre e Grande Terre tem histórias completamente distintas. Elas se encontram em arcos ou fissuras diferentes, no encontro de placas tectônicas que formaram quase todas as ilhas caribenhas. O arco externo, onde está Grande Terre, foi muito ativo antigamente e a ilha foi formada há muito mais tempo que Basse Terre. Tanto que houve tempo da erosão acabar com suas montanhas a ponto da ilha ficar submersa e servir de base para uma enorme formação coralínea. Depois, com o recuo do nível dos mares, ela emergiu novamente. Enquanto isso, Basse Terre foi formada muito mais recentemente (em tempos geológicos!) e por isso é cheia de altas montanhas, ainda sujeita a grandes terremotos e erupções vulcânicas que continuam transformando sua paisagem. Quis o destino que essas duas ilhas se unissem por um istmo, formando a tal “borboleta”. Os nomes é que parecem trocados, afinal Grande Terre é baixa e Basse Terre é alta... Mas é que a origem dos nomes está ligada à existência de ventos (muito fortes em Grande Terre a baixos em Basse Terre) e não às montanhas. Logo se vê que quem as nomeou eram marujos e não alpinistas!
Visita ao Parque Nacional em Basse Terre,região dos Chutes du Carbet, em Guadalupe, no Caribe
Nós percorremos toda a costa ocidental de Basse Terre até o sul, quando entramos, por uma pequena estrada, no Parc National de Gaudeloupe uma outra vez. Fomos em direção aos famosos Chutes du Carbet, nome dado a três enormes cachoeiras que despencam quase cem metros no caminho das montanhas para o mar. Paisagem digna das nossas Chapadas, só que em plena mata tropical. De um mirante se pode observar duas dessas cachoeiras (estão no mesmo rio!). Só que o tempo nublado tampou a mais alta delas, e só pudemos ver o 2º salto. Uma agradável caminhada de 30 minutos pela mata, subindo e descendo escadas nos leva até a base dela, de onde ela fica ainda mais impressionante.
Grand Etáng, um grande lago no meio da mata do Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe
Existe uma caminhada mais longa, que dura todo o dia, partindo do outro lado da montanha. A trilha leva ao alto do vulcão La Soufrière, que domina o sul da ilha e, na descida, passa por dois dos saltos dos Chutes du Carbet. Infelizmente, na nossa programação, não cabia essa caminhada. Uma tristeza! Vimos um grande grupo, já no final de tarde, todos com suas mochilas, entre os 50 e 60 anos, terminando essa caminhada. Os rostos indicavam uma sensação de conquista e o prazer de um dia duro na natureza. Todos, assim como a grande maioria dos turistas que vemos por aqui, franceses. É realmente um mundo completamente diferente das outras ilhas caribenhas que conhecemos, dominadas por turistas americanos e ingleses. Quanto à caminhada, um excelente motivo para programarmos outra viagem para Guadalupe...
Nadando em deliciosa piscina natural no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe
Depois de voltarmos para a entrada do parque, ainda tivemos tempo e disposição para descer 400 metros de pirambeira pela mata para chegarmos á Basin Paradise, uma belíssima piscina natural alimentada por uma cachoeira, cenário idílico no meio da mata tropical. Meia hora de prazer na água refrescante olhando aquela floresta ao nosso redor e tentando nos convencer que estávamos em pleno Caribe, numa pequena ilha perdida no meio do oceano. Nessa nossa vida de constante movimentação, temos que, de tempos em tempos, fazer uma “zoom out” virtual e nos olhar lá de cima, do espaço, para realmente entendermos aonde estamos. Uma espécie de contextualização geográfica, para valorizarmos ainda mais cada momento que estamos vivendo!
Banho refrescante na Basin Paradise, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe
Voltamos pirambeira acima até o carro e voltamos para a estrada principal, na costa. De lá para a ponta sul de Basse Terre, para a pequena cidade de Tròis Rivières, de onde saem os barcos para as ilhas de Les Saintes. Elas estavam ali, ao nosso alcance. Mas foi o mais perto que pudemos chegar delas. Outro motivo para voltar à Guadalupe...
Preparando uma macarronada em Tròis Rivières, no sul de Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe
Dessa vez, tivemos mais trabalho para arrumar algum gite para dormir. Não temos mapas dessas cidades, nem GPS, nem endereços. São poucas as placas de propaganda, então não é fácil chegar até eles. Enfim, achamos e nos instalamos. Depois, corremos no mercado antes que fechasse. O menu de hoje foi uma bela macarronada, a Ana matando sua saudade de um fogão. Uma delícia o nosso lanchinho por aqui! Agora, uma boa noite de sono para, amanhã, visitarmos rapidamente a praia de areias negras aqui do lado e seguirmos viagem para o outro lado da “borboleta”, onde não há montanhas, mas venta bastante...
Deliciosa macarronada preparada pela Ana em Tròis Rivières, no sul de Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe
Costa entrecortada de Sint Statius - Caribe
Hoje, bem cedinho, o pessoal da agência de mergulho passou aqui no Country Inn (não contentes com uma cidade "pacata", estamos hospedados na sua perifeira, ainda mais pacata!) para pegar a Ana enquanto eu pude ficar mais um pouco na cama. Para falar a verdade, eu já tinha acordado, banhado, feito a barba e caminhado uns bons quarteirões ida e volta para trazer o pão quentinho do café da manhã, que fizemos no quarto. Mas depois que ela se foi, dei mais uma deitadinha, tentando sentir o estado do meu corpo.
Não consegui ficar muito tempo. Foi muita cama nesses últimos dias. Corpo e espírito coçando, inquietos. Pois bem, de posse da câmara fotográfica e água, parti para uma caminhada pela montanhosa região norte da ilha. No caminho, uma praia e o aeroporto. Pois é, infelizmente o aeroporto estava bem o meio do caminho e foi preciso contorná-lo. Mas aqui tudo é pequeno e três quilômetros mais tarde ele já estava para trás e eu chegando em Zeelândia.
O vulcão The Quill, em Sint Statius - Caribe
Esse é o nome da praia do litoral atlântico de Statia. Tem esse nome para homenagear a região da Holanda de onde vieram seus primeiros colonizadores para a ilha. Como em todas as ilhas do Caribe que visitamos até agora, o litoral atlântico é mais "bravo", comparado ao caribenho. E aqui também as pessoas tem um certo medo deste mar. Ninguém vai à praia no Atlântico. Talvez na areia, mas não no mar. Praiona, de areia de verdade, ao contrário da praia do lado de lá, que vimos ontem. Marzão, também. Mas, sem querer molhar o ouvido, o máximo que fiz foi molhar as mãos. Mas fiquei tentado, principalmente com os inúmeros avisos sobre correntes. Adoro o Atlântico! Mas a febre dos quase 42 falou bem mais alto e eu me comportei.
Praia de Zeelandia e o vulcão The Quill, em Sint Statius - Caribe
Depois das praias, às montanhas, ou colinas, já que não passam de 300 metros de altura. Beleza de paisagem, um verdadeiro emaranhado de trilhas. Tanto aqui como em Saba eles cuidam muito bem disso. Sempre há sinalização e trabalhos de conservação. Uma delícia para quem gosta de caminhar pelo campo, desde que não ligue de subir e descer. Eu subi a Gilboa Hill, com uns 200 metros de altura. Vistas magnificas do litoral, da Venus Bay, da Zeelandia Bay, do aeroporto, as ilhas vizinhas no horizonte e de Oranjestad.
Mt. Bouvain, o mais alto da parte norte de Sint Statius - Caribe
Mas, sem dúvida, o que mais se destacava era o imponente The Quill, o vulcão de 600 m que domina a ilha. Há uns 30 mil anos atrás ele se levantou do mar, criando uma ilha ainda diferente da ilha onde estavam as colinas que eu passeava. Em erupções posteriores, foi derramando lava para o lado de cá, assoreando o canal entre as duas ilhas até finalmente unificá-las, criando a planície onde hoje está Oranjestad. Nossa, que interessante seria poder ver, com os próprios olhos, todo esse processo... Fica só na imaginação.
Crystal Bay, no norte da ilha de Sint Statius - Caribe
Falando nela, hoje foi uma longa caminhada a sós com meus pensamentos e devaneios. Afinal, minha sempre esfuziante esposa estava em outra modalidade e ambiente, o mergulho submarino. Assim, passei um terço do meu tempo pensando sobre vulcões, como já relatei acima, um terço sobre minha saúde e um terço sobre a rica história da ilha e sobre como teria sido se não houvesse Statia. Um terço, um terço, um terço, bem dividido, né? Como diria o humorista, o outro terço (o quarto!) eu pensei sobre blá, blá, blá ... heheeh
Pois bem, no terço da história, fiquei imaginando se a Inglaterra tivesse acabado com a farra de Statia logo no início da guerra, em 76 ou 77. Aí, um ano depois, todos os veneráveis forefathers da revolução americana (Washington, Adams, Franklin, etc) estariam pendurados em algum cadafalso aberto. Como estaria o mundo hoje? E os Estados Unidos? Nossa, são tantas possibilidades...
O vulcão The Quill e a cidade de Oranjestad aos seus pés, em Sint Statius - Caribe. Ao fundo, St. Kitts
Quanto à saúde, nada de febre, quase nada de pontadas no ouvido. AInda cansado, mas totalmente compreensível. O que apareceu, imagino que pela medicação, foi uma grande ferida na parte interna da boca. Comer e beber passaram a ser exercícios de paciência. Falar, só o essencial. Que saco! Quando vai acabar esse suplício?
Voltando às coisas boas, passei um bom tempo, lá no alto, maravilhado com a mais bela de todas as visões de hoje que foi a vista do The Quill e do seu irmão, logo ali do lado, na ilha vizinha (St. Kitts), o Liamiuga (que eu e a Ana subimos!). Incrível como se percebe que eles estão, indubitavelmente, ligados. Basta ver as fotos! Legal, até mesmo entre vulcões há "irmandade"!
Como dois irmãos, o The Quill, em Sint Statius e o Liamuiga, em St. Kitts (Caribe)
De volta para o hotel onde, algum tempo depois, chegou minha cara-metade, de quem eu já morria de saudades. Como de costume, toda falante, preenchendo todo o meu silêncio da manhã rapidamente. Contou-me muito de seus mergulhos que logo verão em seu post e fotos. E que fotos! Amanhã, unificados novamente, vamos nós ao topo do The Quill! Caminhar sozinho é muito bom. Bem acompanhado, então...
Cada vez mais linda, a sobrinha Luiza está quase com 1 ano (em Curitiba - PR)
Chegamos no finalzinho da tarde em Curitiba, já escurecendo. Falando ao telefone com a Dani, irmã da Ana, descobrimos que era justo o horário de pegar nossa mais nova sobrinha, a Luiza, na sua "escolinha".
Cada vez mais linda, a sobrinha Luiza está quase com 1 ano (em Curitiba - PR)
Para quem acompanha o blog faz tempo, sabe que nós retornamos em Curitiba em Julho do ano passado exatamente para dar boas vindas à recém nascida. Depois, em Setembro, quando estivemos aqui para um casamento, pudemos ver a meninona, então "já" com 3 meses de vida. Desde então, só pelo Skype mesmo...
Luiza, vestida de holandesinha, em Curitiba - PR
Agora, com a pequenininha próxima de completar 1 ano de vida, não pudemos nos conter e fomos logo para a escola. Chegamos lá quase junto com a Dani e passamos as próximas horas juntos, primeiro na casa dela e, mais tarde, na casa da avó coruja, onde vamos ficar hospedados até resolvermos nossos problemas burocráticos (emissão de novo passaporte, visto para o Canadá, seguros de viagem internacional, etc...)
Luiza, com a mamãe, em Curitiba - PR
Ao longo da semana vamos dando informações sobre o andamento das coisas. Nossa idéia é partir o quanto antes, mas a emissão do passaporte demora uma semana, então o mínimo que ficaremos é uns 10 dias... Enquanto isso, vamos aproveitando os amigos, familiares e, claro , a fofíssima Luiza!
Luiza, com a mamãe e a tia coruja, em Curitiba - PR
Chegando ao Equador
Deixamos Mancora com um sol bem gostoso que parecia perguntar: "Por que estão indo?" Oras... porque sempre foi assim, desde que me conheço por gente! No dia que vamos embora da praia, o sol nasce radiante! Pode ser no Brasil, pode ser no Peru...
Despedida com sol da bela praia de Mancora, no litoral norte do Peru
Seguimos pelo litoral, passando por outras praias famosas da região, como Zorritos. Por fim, passamos ao lado de Tumbes, o local onde Francisco Pizarro e seus "Conquistadores" aportaram, há quase 480 anos. A minha vontade é, num passe de mágica, voltar àquele tempo levando uma bazuca, algumas granadas e uma Uzzi. Acabar com a raça deles em cinco minutos e assim, mudar a história. Como teria evoluído a América do Sul sem os europeus? Quanto tempo duraria o Império Inca? Eles chegariam até o Brasil? Haveria um encontro de Incas e Astecas? Perguntas que nunca terão respostas, graças a uma combinação de Colombo com Cortez com Pizarro, com Sífilis com Varíola com Gripe. Essa combinação, pouca gente sabe disso, matou mais gente aqui nas Américas no séc XVI que todas as guerras e ditaduras juntas mataram em todo o mundo no séc XX. Basta ver o excelente filme "Invasões Bárbaras" para ver os números...
Cenas típicas do sul do Equador, região de Mashala: bananeiras com os cachos devidamente ensacados
Deixamos Tumbes e a trágica história para trás e chegamos à fronteira. Ao contrário das últimas passagens fronteiriças, essa foi rapidinha. Na aduna do Equador, pela primeira vez desde a entrada no Suriname, nos foi pedido o seguro para o automóvel. Para a nossa alegria, o seguro contratado no Brasil foi considerado válido e pudemos seguir viagem. Ainda bem que não chegamos aqui em meados da década de 90 quando Equador e Peru chegaram a ter escaramuças na fronteira, com morte de soldados em ambos os lados. Aparentemente, está tudo resolvido, embora tenhamos achado o trafégo pela fronteira extremamente pequeno. Ou porque era domingo ou porque peruanos e equatorianos ainda não se frequentem muito.
Iguanas dormem em árvore da Plaza Bolívar, em Guayaquil, no Equador
Bom, foi entrar no Equador e a paisagem mudou completamente. Muito verde, muita mata, rios caudalosos, muita banana. Não parecia que tínhamos mudado só de país, mas de planeta. Lembra muito algumas regiões do Brasil, especialmente o interior do Rio de Janeiro.
Missa na Catadral de Guayaquil, no Equador
Passamos por Machala, a quarta maior cidade do país e autoploclamada capital mundial da banana e seguimos para a maior de todas as cidades equatorianas, Guayaquil. Chegando num final de domingão, o trânsito no centro dessa cidade com mais de 2 milhões de habitantes estava bem tranquilo, o que facilitou bastante nossa vida. Achamos logo um hotel a um quarteirão da Plaza Bolívar, bem central e famosa pelas centenas de iguanas que lá moram. Mesmo no escuro não resistimos e fomos dar uma olhada. Estavam dormindo, boa parte delas nos galhos de uma árvore. Amanhã, com a luz do sol que as deixa mais ativas, retornaremos.
Placas de vidro com milhares de nomes "flutuantes", em Guayaquil, no Equador
Caminhamos bastante também no Malecon 2000, a orla do caudaloso rio Guaya. Na virada do milênio essa área foi reurbanizada e seus antigos frequentadores, ladrões, traficantes e prostitutas foram desalojados para dar lugar a um enorme espaço para a comunidade. Hoje, mesmo de noite, são crianças, idosos e namorados que passeiam por lá tranquilamente, sob os olhos atentos de uma vistosa força policial. Pelo Malecon seguimos até o Bairro da Penha, um morro com uma ótima vista para a cidade. Um belo passeio que deverá ser repetido amanhã também. Antes de partirmos para a pequena Montañitas, uma famosa praia que atrai turistas e surfistas de todo o mundo. Vamos lá conferir o porquê!
Vista noturna da cidade do alto do morro da Penha, em Guayaquil, no Equador
Casas construídas sobre palafitas em Castro, o principal cartão postal da capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
Castro é a terceira mais antiga cidade do Chile. Fundada em 1576 no contexto da campanha para conquista e ocupação de Chiloé, a cidade já tinha quase 8 mil habitantes, a maioria composta de fazendeiros na área rural, na virada daquele século. Ela permaneceu como a capital do arquipélago por quase dois séculos, até 1767. Foi quando a coroa espanhola resolveu ligar a sua administração diretamente à Lima, no Perú, e não mais à Capitania Geral do Chile. Para facilitar a comunicação com a cidade peruana, a capital de Chiloé foi transferida para Ancud, na costa norte da ilha. Com a independência chilena no início do séc. XIX, Chiloé voltou a ser integrada ao país, mas Ancud reteve seu papel de centro administrativo da região. Foi apenas em 1982, já no governo do ditador Augusto Pinochet, que Castro recuperou seu papel histórico, não só de capital de Chiloé, mas também o de maior cidade da ilha.
Visitando Castro, a capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
A bela baía de Castro, a capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
A cidade foi destruída por um grande terremoto em 1837 e possuía apenas 1.243 habitantes no início do séc. XX. Mas a construção de uma ferrovia ligando-a a Ancud deu um novo estímulo ao desenvolvimento. Um novo e terrível golpe veio com o gigantesco terremoto de 1960, seguido por um maremoto avassalador. Vários prédios históricos foram destruídos, entre eles a prefeitura, a estação de trens e muitas casas construídas sobre palafitas. Então com 7 mil habitantes, a cidade soube se recuperar e, com a reconquista do status de capital, não parou mais de se desenvolver. Com cerca de 30 mil habitantes em sua área urbana e outros 10 mil na área rural, a cidade se tornou o principal polo turístico de Chiloé.
Do alto do campanário de uma igreja, a bela paisagem ao sul de Castro, na Ilha de Chiloé, no sul do Chile
Fim de tarde em Castro, a capital da ilha de Chiloé, no sul do Chile
Sem dúvida, a maior atração da cidade é sua arquitetura. Apesar do terremoto de 1960, a técnica de construção de casas sobre palafitas continuou preponderante. Construída ao longo de uma espécie de fiorde conhecido como Canal de Dalcahue e de uma de sua baías, o Fiordo de Castro, muitas das construções da cidade estão diretamente sobre o mar. Em uma região com marés intensas em que o nível do mar varia vários metros, a construção sobre palafitas é uma ótima adaptação. Enquanto na maré alta o mar quase bate a suas portas, na maré baixa as palafitas elevam a construção mais de um “andar” sobre o nível do solo.
Varanda de restaurante de Castro, a capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
Construções típicas em Castro, a capital da ilha de Chiloé, no sul do Chile. A maré está bem seca e este local é famoso por suas pousadas caras e restaurantes
O visual fica ainda mais pitoresco com as cores vivas com que são pintadas as casas que se equilibram sobre os estreitos postes de madeira. Talvez para brasileiros já acostumados com esse tipo de arquitetura na região amazônica, o efeito não seja tão pitoresco e exótico como é para americanos e europeus que veem palafitas pela primeira vez em suas vidas. Mas mesmo para brasileiros, a beleza dessa cidade não nos escapa aos olhos, principalmente agora que essas casas mais tradicionais estão se transformando em restaurantes e pousadas, repintadas e mais bem cuidadas do que nunca.
Vista da nossa mesa em um restaurante na cidade de Castro, a capital da ilha de Chiloé, no sul do Chile
Jantando em um delicioso restaurante de Castro, na Ilha de Chiloé, no sul do Chile
A maré vem lentamente retomando a baía enquanto jantamos em um delicioso restaurante de Castro, a capital da ILha de Chiloé, no sul do Chile
Nós chegamos à cidade ao final do dia de ontem, preocupados ainda em encontrar um bom lugar para nos alojarmos. Não faltam quartos de hotéis na cidade, mas aqueles em pousadas charmosas são poucos e caros. Nós passamos rapidamente pelo centro e nos dirigimos diretamente para a área mais em moda na Castro atual, a região da rua Riquelme, ao longo do Fiordo Castro. Nossa vã esperança era conseguir um lugar no Palafito Hostel, aquele que primeiro se instalou na Riquelme em 2008, iniciando a pequena revolução que tornaria essa a rua mais descolada da cidade. Lotado, assim como todos as outras belas opções dessa rua, de costas para o asfalto e de frente para o belo visual do Fiordo Castro.
Praça que serve de mirante para fotos de Castro, a capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
Um dos cartões postais de Castro, casas sobre palafitas e seus reflexos nas águas da baía, na ilha de Chiloé, no sul do Chile
Mas nós não desistimos de aproveitar aquela paisagem. Já que não poderíamos dormir por ali, quem sabe jantar? Aproveitando que ainda era cedo para as reservas da noite, conseguimos uma bela mesa na varanda sobre palafitas do Mar y Canela, um delicioso restaurante naquela rua. Agora sim, muito bem instalados, comendo do bom e do melhor acompanhado de bom vinho, assistimos dois espetáculos. Primeiro, o entardecer sobre os céus de Castro. Segundo, o retorno das águas do mar. Quando sentamos, tudo o que se via à nossa frente eram barcos deitados sobre a areia. Aos poucos, o mar veio reconquistando o espaço da baía e, quando nos fomos, ele já estava a meia altura nas palafitas sobre as quais comíamos. Os barcos, muito mais felizes, agora flutuavam levemente sobre as águas.
Um dos cartões postais de Castro, casas sobre palafitas e seus reflexos nas águas da baía, na ilha de Chiloé, no sul do Chile
Castro, a capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
Depois da diversão, a obrigação. Voltamos ao centro e demos com a cara na porta em outros hotéis mais charmosos daquela área. Finalmente, deixamos de frescura, desistimos do charme e de estramos em frente ao mar e nos rendemos a um hotel mais recuado. Aí sim, preços mais razoáveis e um quarto para dormirmos. Além disso, um espaço seguro para deixarmos a Fiona enquanto explorávamos a cidade a pé na manhã de hoje.
Visão de Castro e sua igreja no alto, a capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
Casas construídas sobre palafitas em Castro, o principal cartão postal da capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
E assim foi. Escadas íngremes nos deram acesso a parte alta da cidade, onde está a Plaza de Armas, a igreja de San Francisco e o imponente museu. Caminhamos para lá e para cá, tiramos nossas fotos e voltamos para o hotel para recuperar a Fiona e, com ela, continuarmos nossas explorações por lugares mais remotos.
Casas construídas sobre palafitas em Castro, o principal cartão postal da capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
Barco ancorado na baía de Castro, a capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
No caminho para a península de Rilán, paramos no mirante que tem os melhores ângulos para a mais tradicional região de palafitas de Castro, a Plazuela Palafitos Montt. E daí e de Rilán, do outro lado do canal de Dalcahue que saem os mais belos e famosos cartões postais de Castro, as casas coloridas erguidas sobre palafitas ao longo do canal de mar. Acrescente à paisagem barcos pitorescos ancorados ou navegando nas águas e vai ter a receita de muitas e muitas fotos.
Uma das baías de Castro, a capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
Algas secam em praia de Castro, a capital e maior cidade da ilha de Chiloé, no sul do Chile
Por fim, ainda fomos passear na periferia sul da cidade, onde estão algumas das mais belas igrejas históricas de Chiloé (post anterior). Mais praias pitorescas, mais barcos e pescadores, muita alga secando nas areias para serem vendidas nos mercados. Sem dúvida, é mesmo em Castro, e não em Ancud, que nos sentimos verdadeiramente em Chiloé. Demorou 22 anos para que eu conseguisse chegar aqui, mas antes tarde do que nunca! E agora, depois de finalmente poder riscar essa pendência da minha lista de lugares a se conhecer, resolvemos esticar um pouco e ir até a costa oeste de Chiloé, onde está um Parque Nacional criado para proteger lagos, praias e parte da escassa vegetação original que ainda persiste na ilha.
A bela luz de fim de tarde ilumina uma das baías de Castro, a capital da ilha de Chiloé, no sul do Chile
Dia de viagem, sem fotos! Atravessando belas estradas, no DF, GO e MG. Até chegarmos à Arinos, bem no noroeste de Minas. Aí, 95 km de estradas de terra até Chapada Gaúcha. Quem diria, um cantinho gaúcho aqui no norte de Minas...
Já acertamos nossa visita ao Parque Nacional Grande Sertão Veredas para amanhã. Estamos ansiosos. Quem vai nos levar é o José, funcionário do Ibama. E, para passar o tempo mais rápido, eu e a Ana estamos indo a um rodeio aqui na cidade. Seguido de um forrozão...
Placa trilíngue, em Provo, dá pista dos problemas sociais trazidos com a imigração haitiana. Nossa experiência com as pessoas do Haiti foram ótimas e estamos super ansiosos para visitar o país!
Vamos viajando e ficando mais descolados na comunicação em outras línguas. Tanto no espanhol como no inglês. A primeira, praticamos um tanto em Miami e agora aqui, em Turks e Caicos. Além da imigração haitiana, também há muitos dominicanos no país. Todos falam inglês, com mais ou menos sotaque. Mas, assim que reconhecemos um, mudamos para o espanhol e eles adoram. E assim, vamos praticando o nosso. Enfim, vamos ouvir e falar muito esse idioma nesta viagem. Vamos ver se, ao final, vamos ser craques em reconhecer os diferentes sotaques e, quem sabe, até imitá-los.
O inglês também melhorou muito, principalmente o entendimento. Só temos que nos acostumar, de vez em quando, com algum sotaque mais ardido. Mas, no geral, temos nos virado muito bem. A fluência nossa também melhora a olhos vistos (nesse caso, seria mais certo dizer "orelhas ouvidas"). É só deixarmos a vergonha e o perfeccionismo de lado.
A Ana, com um vocabulário menor que o meu, manda ver. É a vantagem de ser mais social e desavergonhada (no bom sentido!). No entendimento, muitas vezes ela é mais rápida do que eu também. Danada! Realmente, está bem interessante acompanhar o nosso desenvolvimento nas duas línguas. E continuará sendo!
Aqui em Provo, tivemos contato com outras duas línguas. Primeiro, o creoulle, uma espécie de francês bem distorcido, falado principalmente no Haiti. Por enquanto, o máximo que consigo entender são os números. Isso também vai ter de evoluir. A outra língua é o próprio francês. No táxi que nos trouxe de volta do porto hoje, havia três haitianos conversando em creoulle. A Ana ficou me testando, para ver o quanto eu entendia (afinal, sempre disse a ela que eu já falei francês e ela vive me testando, querendo me ouvir falar essa língua. Até hoje, sempre me esquivei) e, ao final da corrida, mais uma vez me chateou, dizendo que o tal do meu francês era estória da carochinha, só para impressioná-la nos tempos de namoro. Pois bem, não é que a funcionária que nos recebeu, também haitiana, ao descobrir que éramos brasileiros, resolveu mandar ver no francês (eles falam as duas línguas, creoulle e francês). Dessa vez, com a Ana ali do lado, olhos arregalados e atentos, resolvi enfrentar. E foi muito jóia, bem melhor do que a encomenda. Já deu para ver que, basta eu esquentar um pouco e tomar uma cervejinha e vou mandar muito bem! He he he, que moral que fiz com a amada esposa! Agora, depois dessa, fiquei bem curioso em chegar à Guiana Francesa.
Por fim, não sei se vocês já perceberam, mas não é só nós que estamos falando outras línguas. O site (os blogs) também! É só clicar nas bandeirinhas aí acima, inclusive para traduzir os comentários. Aqui, falamos até alemão e japonês!. É bem engraçado nos ler em outras línguas. Em geral, são boas traduções, mas às vezes há erros bizarros. Testem o post em que falo da barata na bota da Ana. Barata (o inseto) virou cheap. E como o google traduz primeiro para o inglês para depois traduzir para as outras línguas, todas as outras traduções carregam o mesmo erro. Só não consegui conferir isso na tradução japonesa, por motivos óbvios. Alguém aí consegue conferir isso para mim?
Blog da Ana
Blog da Rodrigo
Vídeos
Esportes
Soy Loco
A Viagem
Parceiros
Contato
2012. Todos os direitos reservados. Layout por Binworks. Desenvolvimento e manutenção do site por Race Internet
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)






.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)




.jpg)







.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)




.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
