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Blog do Rodrigo - 1000 dias

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SHUFFLE Há 1 ano: Paraná Há 2 anos: Paraná

Chegando à Chapada das Mesas

Brasil, Tocantins, Araguaína, Maranhão, Carolina (P.N. Chapada das Mesas)

Mesa em laje alagada nas Cachoeiras Gêmeas, região de Carolina, na Chapada das Mesas - MA

Mesa em laje alagada nas Cachoeiras Gêmeas, região de Carolina, na Chapada das Mesas - MA


Depois de um café da manhã sortido e profissional como há muito não víamos, cruzamos todo o movimentado centro de Araguarina para pegar a estrada em direção à Carolina, já no Maranhão. Araguaína, hoje a segunda maior cidade de Tocantins, começou a se desenvolver após a construção da estrada Belém-Brasília. Outra cidade que também se beneficiou com esta estrada foi a maranhense Imperatriz. Antes disso, era Carolina a grande metrópole da região. Hoje, ela é de 5 a 10 vezes menor que suas duas grandes "vizinhas".

Igreja em Araguaína - TO

Igreja em Araguaína - TO


São pouco mais de 100 km entre Araguaína e Filadelfia, a cidade em Tocantins de onde se pega a balsa para cruzar o rio e chegar ao Maranhão e à Carolina. Nós ficamos impressionados com a paisagem na estrada. Acabou a amazônia e começou o cerrado e a gente nem tinha percebido! Acho que foi porque os últimos 150 quilômetros, ontem, foram no escuro. E, antes disso, já não havia mas a amazônia. Mas ali a causa era outra: desmatamento. Enfim, agora estávamos em pleno cerradão! Vai ser a paisagem que nos acompanhará nas próximas semanas, com certeza.

Represa transbordando em Filadelfia - TO

Represa transbordando em Filadelfia - TO


Para chegar ao atracadouro da balsa em Filadelfia, demos de cara com outro problema que aflige a região. O rio está muito mais alto, alagando o porto e as ruas próximas e não é culpa da chuva. Não, a culpa é da barragem e hidrelétrica de Estreito, algumas dezenas de quilômetros rio acima. Agora, não haverá mais épocas de rio baixo e rio alto por aqui, conforme as estações e as chuvas. Vai estar sempre alto. E, com isso, acabaram-se as praias fluviais da região. Pior para os banhistas, pior ainda para os barqueiros, que viviam da renda de trazerem pessoas do outro lado do rio para as praias. Sem praias, sem clientes. Sem clientes, sem renda. Pois é, quando se faz uma barragem, mexe-se na vida de muita gente...

Carolina - MA e a Chapada das Mesas ao fundo, visto de Filadelfia - TO

Carolina - MA e a Chapada das Mesas ao fundo, visto de Filadelfia - TO


Curtindo as Cachoeiras Gêmeas, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Curtindo as Cachoeiras Gêmeas, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Quanto à nós, instalamo-nos na Pousada das Lajes e, querendo aproveitar a tarde ensolarada, fomos para as cachoeiras Gêmeas, distantes 30 km de Carolina. Em grandes feriados, o local pode receber quase mil pessoas, que chegam em caravanas de ônibus. Mas hoje, erámos nós e mais quatro pessoas. Uma delícia!

Curtindo as Cachoeiras Gêmeas, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Curtindo as Cachoeiras Gêmeas, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Aqui também o rio estava mais cheio e a água passava sobre uma laje onde há várias mesas chumbadas. Ali ficamos, os pés dentro d'água, comendo tiragostos e admirando aquelas duas cachoeiras lindas. A temperatura não poderia ser mais agradável e foi uma tarde maravilhosa para comemorar nosso retorno à região nordeste, por onde tanto viajamos há alguns meses. Será um retorno rápido, para conhecer a região do Parque Nacional da Chapada das Mesas, localizado no sul do Maranhão e ainda tão pouco conhecido dos brasileiros. Amanhã, devidamente acompanhados de um guia, vamos explorar o coração do parque, mais de 100 km de estradas de terra e muitas cachoeiras e rios no caminho!

Nadando no lago abaixo das Cachoeiras Gêmeas, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Nadando no lago abaixo das Cachoeiras Gêmeas, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Brasil, Tocantins, Araguaína, Maranhão, Carolina (P.N. Chapada das Mesas), Cachoeiras Gêmeas

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Galeses, o Vidro, Patagônia Típica e o Melhor Caminho

Argentina, Trevelín, Cueva de Las Manos

Na ruta 40, cuzando o deserto da patagônia rumo à Cueva de Las Manos, na Argentina

Na ruta 40, cuzando o deserto da patagônia rumo à Cueva de Las Manos, na Argentina


Depois do dia explorando o Parque Nacional Los Alerces, nós viemos um pouco mais para o sul, até a cidade de Trevelin, onde dormimos. Trevelin é mais uma daquelas pequenas cidades argentinas que foi fundada por imigrantes galeses (País de Gales!) no final do séc. XIX. Para quem nos acompanha e tem boa memória, vai se lembrar que nós também passamos por Gaiman, bem perto da costa atlântica, e que fiz um post de lá contando a história dessa exótica migração (se quiser rever, o post está aqui).

Centro de visitantes da cidade de origem galesa de Trevelin ('cidade do moinho'), na Argentina

Centro de visitantes da cidade de origem galesa de Trevelin ("cidade do moinho"), na Argentina


Centro de visitantes da cidade de origem galesa de Trevelin ('cidade do moinho'), na Argentina

Centro de visitantes da cidade de origem galesa de Trevelin ("cidade do moinho"), na Argentina


Apesar das dificuldades iniciais, a imigração deu tão certo na região de Gaiman e Puerto Madryn que os galeses resolveram expandir o “empreendimento”. Cruzaram o deserto patagônico do Atlântico até os Andes e, por aqui, praticamente na mesma latitude dos assentamentos a leste, fundaram várias vilas. Entre elas, Trevelin, que em galês quer dizer “Vila do Moinho”. Mas foi apenas três décadas após sua fundação, em 1918, que a cidade ganhou o nome com que é conhecida hoje. Foi quando o galês Daniel Evans inaugurou justamente o primeiro moinho de toda a região, facilitando muito a vida dos produtores de trigo. Daí para a cidade ser rebatizada, não demorou muito! A casa de Evans foi transformada em museu após a sua morte e o fechamento do moinho e hoje é a grande atração turística de Trevelin. Outra curiosidade histórica é que aqui foi feito um referendo em 1902 sobre se a região deveria ter soberania argentina ou chilena. As disputas fronteiriças entre os dois países ainda eram acaloradas naquela época (e continuaram a ser até o final do séc. XX!), mas aqui a vitória argentina, no voto, foi esmagadora.

Cruzando o longo e quase plano deserto da patagônia, rumo ao sul da Argentina, ruta 40

Cruzando o longo e quase plano deserto da patagônia, rumo ao sul da Argentina, ruta 40


Saindo de Trevelin rumo ao sul da Argentina, encontro com outro carro (europeu) de viajantes

Saindo de Trevelin rumo ao sul da Argentina, encontro com outro carro (europeu) de viajantes


Nós tivemos uma noite tranquila, inspirados pelo clima sonolento da pequena cidade de 6 mil habitantes. Hoje de manhã, algumas fotos do centro da cidade e pé na estrada, rumo ao sul. Fomos até a vizinha Esquel, respiramos fundo e retomamos a ruta 40. Seriam mais de 600 km cruzando o deserto patagônico, uma vastidão sem fim ou limites e muito poucos carros na estrada. Quando achávamos um, a chance de ser de outros viajantes continentais era grande. Além dos poucos produtores locais e donos de estâncias, só mesmo turistas para andar por aqui. Até há alguns anos, toda a extensão da estrada era de rípio, mas o governo vem asfaltando a ruta 40 aos poucos e logo será possível cruzar a Argentina de norte a sul, ao lado dos Andes, sem nem empoeirar o carro. É o progresso e conforto chegando e deixando para trás uma época de romantismo e sentimento de exploração.



Bem, pelo menos por hora, ainda há muito rípio por aqui. Um dos perigos desse tipo de estrada é a quantidade de pedras no chão. Quando cruzamos com outros carros, sempre há o perigo de termos os vidros atingidos. Por isso, é costume desacelerarmos quando cruzamos com alguém, além de trocar sinais de luz. Já na hora de ultrapassar, o negócio é não se enrolar muito, não ficar tempo mais do que necessário atrás de alguém. Nós, com carro grande, estamos sempre ultrapassando os carros e estamos bem “espertos” nesse perigo.

A ruta 40 cruta as vastidões quase planas e desertas da patagônia rumo ao sul da Argentina

A ruta 40 cruta as vastidões quase planas e desertas da patagônia rumo ao sul da Argentina


O vidro frontal da Fiona quebrado por uma pedra na ruta 40, ao sul de Esquel, na Argentina

O vidro frontal da Fiona quebrado por uma pedra na ruta 40, ao sul de Esquel, na Argentina


O que a gente não esperava era ser atingido por uma pedra no asfalto mesmo, por um carro que vinha do outro lado. Ele sim, acabava de sair de um trecho de rípio e acho que ainda trazia alguns detritos. A mais de 150 km/h de velocidade relativa (100 km/h da Fiona e 60 km/h dele), a pedra veio como um tiro, bem no cantinho inferior do para-brisas, do lado da Ana. Pobre Fiona! Resistiu o quanto pôde, mas o vidro rachou. Rachadura pequena, mas a tendência é que vá aumentar com o passar do tempo. Vamos acompanhar... De qualquer maneira, esse evento só nos fez querer tomar ainda mais cuidado nas estradas de rípio que enfrentaremos de agora em diante.

Cruzando o longo e quase plano deserto da patagônia, rumo ao sul da Argentina, ruta 40

Cruzando o longo e quase plano deserto da patagônia, rumo ao sul da Argentina, ruta 40


Vegetação típica do deserto da patagônia, chegando à Cueva de Las Manos, na ruta 40, na Argentina

Vegetação típica do deserto da patagônia, chegando à Cueva de Las Manos, na ruta 40, na Argentina


É claro que, além dos perigos, há também as belezas. Essa região quase sem sinais da civilização é grandiosa. Na verdade, essa é a patagônia típica. Nada do mar que vemos na ruta 3 (lá no litoral atlântico) ou das montanhas andinas das regiões próximas à fronteira chilena. Não, a paisagem mais típica da patagônia é essa em que viajamos hoje. Uma vastidão quase plana, ligeiramente ondulada, um pequeno vale aqui, uma pequena elevação ali. Vegetação rasteira, pequenos arbustos. Estradas retas por longas extensões. Vento, muito vento. Vento forte. Tenho até pena dos ciclistas por aqui, principalmente quando pegam vento contra ou vento lateral. Em alguns pontos, mesmo a Fiona balança. O horizonte é longe, quase inatingível. A sensação de liberdade nos toma, um mundo sem fronteiras. Mas o mais belo não está ao nosso redor, está acima de nós. O céu da patagônia nos tira a respiração. Ficamos boquiabertos, admirando aquela paisagem que muda sem parar, nuvens se desfazendo e se redesenhando a cada instante. As nuvens são mais altas por aqui, quase nos confins da atmosfera. De alguma maneira, mesmo lá de cima, elas nos hipnotizam, estimulam nossa imaginação. Não sei como explicar, mas simplesmente o céu dessa patagônia é maior do que os outros céus. Talvez por ser capaz de envolver esse horizonte quase infinito que nos rodeia por aqui.

O glorioso céu patagônico na longa jornada entre Esquel e a Cueva de Las Manos, na patagônia argentina

O glorioso céu patagônico na longa jornada entre Esquel e a Cueva de Las Manos, na patagônia argentina


A ruta 40 cruta as vastidões quase planas e desertas da patagônia rumo ao sul da Argentina

A ruta 40 cruta as vastidões quase planas e desertas da patagônia rumo ao sul da Argentina


Foram mais de 6 horas “flutuando” nesse torpor e terreno mágicos até que chegamos à pequena cidade de Perito Moreno. Não confundir com o Parque Nacional Perito Moreno, não muito longe daqui, e nem com a mundialmente conhecida geleira de Perito Moreno, ainda mais ao sul, no Parque Nacional Los Glaciares (vamos visitar em alguns dias!). A cidade não era nosso destino final hoje, mas estávamos chegando perto. Algumas dezenas de quilômetros ao sul está um sítio arqueológico conhecido como Cueva de Las Manos. É para lá que queríamos ir. Já ouvimos maravilhas desse lugar tão pouco conhecido por nós, brasileiros. Mas é um ponto de parada obrigatório para viajantes overlanders. A cidade mais próxima é justamente Perito Moreno e fomos direto ao centro de informações. Queríamos saber sobre pousadas lá perto. Queremos já acordar por lá, para um longo dia de explorações. Mas a simpática mocinha que nos atendeu não sabia de nada, nem de pousadas, nem de estradas, nem de horários, nem de telefones. Então, meio no escuro, resolvemos arriscar e continuar.

Região semi-desértica onde está a Cueva de Las Manos, a leste da ruta 40, na patagõnia argentina

Região semi-desértica onde está a Cueva de Las Manos, a leste da ruta 40, na patagõnia argentina


Região semi-desértica onde está a Cueva de Las Manos, a leste da ruta 40, na patagõnia argentina

Região semi-desértica onde está a Cueva de Las Manos, a leste da ruta 40, na patagõnia argentina


O “escuro” se refere às informações, e não à luz propriamente dita. Cada vez mais ao sul, o dia está mais e mais longo. Saímos de Perito Moreno depois das 19:00 e o sol ainda ia alto. Que delícia é isso de ter um dia com mais de 16 horas de luz. Rende muito mais! Enfim, arriscávamos tudo por uma estância transformada em pousada e que estaria bem mais próxima da Cueva de Las Manos. Para se chegar à Cueva de carro, temos de ir até Bajo Caracoles, 130 km ao sul de Perito Moreno (há locais para dormir aí) e tomar outra estrada para o norte, paralela à Ruta 40, por mais 45 quilômetros.

Um 'atalho' em direção à Cueva de Las Manos, na patagônia argentina

Um "atalho" em direção à Cueva de Las Manos, na patagônia argentina


A simpática Estancia Cueva de Las Manos, no coração da patagônia argentina

A simpática Estancia Cueva de Las Manos, no coração da patagônia argentina


Mas há uma alternativa a esta volta toda, apesar do Google Maps não saber. Justamente através da estância que queríamos achar! E então, foram com os dedos cruzados que dirigimos por 60 km em direção ao sul, a partir de Perito Moreno. Foi aí que encontramos a placa mágica e salvadora na estrada! Cansados depois de um dia inteiro na estrada, a placa foi mesmo um colírio para os olhos. Se virássemos ali, seriam cinco quilômetros de terra até a estância. De lá, outros 17 km de terra nos levariam até a borda de um canyon de onde poderíamos ver a Cueva de Las Manos do outro lado. Um belo trekking de 40 minutos nos levaria até lá. A alternativa seria mais 110 km de estrada, tudo asfaltado, até a Cueva de Las Manos, com Bajo Caracoles no meio do caminho. Não foi difícil tomar nossa decisão...

A simpática Estancia Cueva de Las Manos, no coração da patagônia argentina

A simpática Estancia Cueva de Las Manos, no coração da patagônia argentina


A simpática Estancia Cueva de Las Manos, no coração da patagônia argentina

A simpática Estancia Cueva de Las Manos, no coração da patagônia argentina


Então, foram outros 5 quilômetros de dedos cruzados, torcendo que a estância estivesse aberta e que houvesse lugares para nós. Bingo e bingo! Chegamos a uma pousada simples e charmosa, no meio do nada, no coração da patagônia típica que eu descrevi alguns parágrafos acima. Nossa aposta não poderia ter sido melhor! Agora só faltava encontrarmos comida. Bem, já não mais faltava! A pousada oferecia uma jantar delicioso, com direito à sopa, prato principal e, claro (estamos na Argentina!), vinho de boa qualidade. Final perfeito para um dia tão bom (exceto pelo vidro da Fiona). Mas esse, na verdade, ainda não foi o fim...

Decoração no jardim da Estancia Cueva de Las Manos, na patagônia argentina

Decoração no jardim da Estancia Cueva de Las Manos, na patagônia argentina


O charmoso bar-restaurante da Estancia Cueva de Las Manos, na patagonia argentina

O charmoso bar-restaurante da Estancia Cueva de Las Manos, na patagonia argentina


Não, o fim do dia estava sobre nossas cabeças. Já falei sobre o céu da patagônia durante o dia, mas ele tem um outro lado. É o céu noturno, com suas milhares de estrelas e uma das Via Lácteas mais visíveis desses 1000dias. Longe de qualquer luz humana e com um céu desse tamanho, não é de se estranhar que a noite fosse tão espetacular por aqui. Mas, para nossa surpresa, mesmo sendo bastante otimistas, ela é ainda melhor. Para mim, tão ligado ao passado (o meu e o dos outros), só podia ficar pensando que aquele céu que eu admirava agora era o mesmo céu que, por incontáveis gerações, fora admirado pelo povo que 9 mil anos atrás pintou as maravilhas que vamos ver amanhã na Cueva de Las Manos. Como sei disso? Simples! Naquele tempo, assim como hoje, não há coisa mais inspiradora para se fazer por aqui durante a noite do que se embasbacar com o espetáculo de luzes sobre nossas cabeças. Essas estrelas nos levam até eles e os 9 mil anos desaparecem num instante! Amanhã vamos saber mais sobre eles, mas essa noite estrelada, de alguma maneira, já nos colocou juntos.

Jantar com sopa e vinho no restaurante da Estancia Cueva de Las Manos, na patagonia argentina

Jantar com sopa e vinho no restaurante da Estancia Cueva de Las Manos, na patagonia argentina

Argentina, Trevelín, Cueva de Las Manos, Estrada, Patagônia

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Os Quilmes e as Termas

Argentina, Cafayate, Fiambalá

Admirando a região das ruínas de Quilmes, próximo à Cafayate - Argentina

Admirando a região das ruínas de Quilmes, próximo à Cafayate - Argentina


Saímos de Cafayate, umas das principais regiões produtoras de vinho na Argentina, com destino a Fiambalá. Mas antes de chegar lá, outro importante compromisso: conhecer as ruínas de Quilmes, a 60 km ao sul de Cafayate, bem no nosso caminho.

Placa da Rota do Vinho na região de Cafayate - Argentina

Placa da Rota do Vinho na região de Cafayate - Argentina


Os Quilmes eram o povo que vivia nesta área na época da chegada dos conquistadores espanhóis. Sem nenhuma intenção de se deixar serem escravizados, eles foram os indígenas que mais resistiram à conquista. A arquitetura da cidade em que moravam ajudou bastante essa resistência. Habitavam a encosta de uma montanha e nela construíram várias fortalezas e torres de observação. Lá do alto, além de poderem observar a aproximação do inimigo pela vasta planície à frente, a defesa também era bem mais eficiente, já que a gravidade jogava a seu favor.

As ruínas de Quilmes, próximo à Cafayate - Argentina

As ruínas de Quilmes, próximo à Cafayate - Argentina


Infelizmente para eles, essas vantagens não foram suficientes. Resistiram até a metade do séc XVII, caíndo frente à tecnologia superior dos espanhóis. Os sobreviventes dessa última batalha foram levados em marcha forçada até a distante Buenos Aires. Muitos morreram na árdua caminhada e os dois mil sobreviventes foram alojados num subúrbio da cidade que hoje tem o nome de Quilmes. E é lá que nasceu a famosa cerveja tão admirada pelos brasileiros que viajam pelo país. Eu, por exemplo, que já era fã, agora sempre tenho a quem brindar, quando tomo essa saborosa cerveja. Viva esse povo valente e guerreiro!

No alto de fortaleza nas ruínas de Quilmes, próximo à Cafayate - Argentina

No alto de fortaleza nas ruínas de Quilmes, próximo à Cafayate - Argentina


Nós passamos algumas horas explorando as ruínas e a montanha onde elas se localizam. Do alto de suas fortalezas observamos a planície à nossa frente, tentando imaginar o que sentiam seus habitantes vendo aproximar os exércitos espanhóis. Imaginamos suas preces para que seus deuses os ajudassem à preservar sua cidade, sua cultura, suas famílias. Infelizmente, a história não é uma novela da Globo nem um filme de Hollywwod e são pouco as vezes em que a justiça prevalece.

As ruínas de Quilmes, próximo à Cafayate - Argentina

As ruínas de Quilmes, próximo à Cafayate - Argentina


Bom, após o passeio, os devaneios e as lindas paisagens era hora de seguir viagem. Uma longa viagem. Estradas de asfalto em infinitas retas, estradas de terra com poeira infinita e fomos dando a volta numa pequena cordilheira (se fizessem um túnel, economizaríamos uns 100 km!) até chegarmos em Tinogasta.

As ruínas de Quilmes, próximo à Cafayate - Argentina

As ruínas de Quilmes, próximo à Cafayate - Argentina


Aí, tomamos uma dura da polícia, com direiro a cão farejador. Com toda a educação, como tem sido todas as vezes que temos contato com policiais. Como andamos com tudo encima, não tivemos nenhum problema. É, problema não tivemos, mas eles nos deram uma informação meio triste: o Passo de São Francisco estava fechado do lado chileno, por excesso de neve. Talvez abrisse, mas eles não sabiam quando. É, um dia deve abrir...

Observando as ruínas de Quilmes, próximo à Cafayate - Argentina

Observando as ruínas de Quilmes, próximo à Cafayate - Argentina


Com essa ducha de água fria seguimos até Fiambalá. Ali, após obtermos informações na Oficina de Turismo, seguimos diretamete para as termas, uns 15 km montanha acima. na verdade, vulcão acima. Vulcão extinto, mas com força suficiente para esquentar as águas que nascem em sua antiga caldeira. Ali foram construídas piscinas termais e também um hotel, onde fomos nos hospedar.

Venda de artesanato nas ruínas de Quilmes, próximo à Cafayate - Argentina

Venda de artesanato nas ruínas de Quilmes, próximo à Cafayate - Argentina


Para nossa alegria, havia vagas para nós. Melhor que isso, as piscinas são incríveis, água bem limpa e quente mesmo. São várias piscinas e a temperatura vai abaixando conforme nos afastamos da fonte. Na hora que chegamos, já de noite, ninguém mais estava por lá e tínhamos aquele paraíso todo só para nós. Tratamos de aproveitar, começando com a piscina de 38 graus e subindo até a de 44, já do lado da nossa Cabana VIP, uma verdadeira casa com dois quartos, varanda, banheiro e cozinha. Um conforto que não esperávamos, à um preço ótimo. Assim, mesmo com o Paso São Francisco fechado, já valeu a viagem, hehehe! Falando em Paso, a esperança é a última que morre e amanhã vamos para lá! Depois de mais um banho nas piscinas, claro!

Banho noturno nas deliciosas termas de Fiambalá - Argntina

Banho noturno nas deliciosas termas de Fiambalá - Argntina


Ahhh... já ía esquecendo! Imagina se não tomamos e brindamos uma Quilmes dentro daquela piscina de água quente na noite de lua quase cheia com vistas para as encostas de um antigo vulcão? MARAVILHOSO!

Argentina, Cafayate, Fiambalá,

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Cidade do México

México, Acapulco, Cidade do México

Chegando à gigantesca Cidade do México, a capital do país

Chegando à gigantesca Cidade do México, a capital do país


Ontem experimentamos, pela primeira vez, uma das highways do México. Uma moderna e muy cara estrada liga Acapulco à Cidade do México, a capital do país. Os cerca de 400 km foram vencidos rapidamente, em que pese as repetidas paradas para pedágio. Mesmo dirigindo numa média de 120 km/h, tínhamos de ficar na pista da direita, já que o pessoal nos passava muito mais rápido. Pelo visto, a polícia faz vistas grossas...

A moderna (e cara!) estrada que liga Acapulco à capital, no México

A moderna (e cara!) estrada que liga Acapulco à capital, no México


Vencida a estrada, tínhamos agora de negociar com a capital. A Cidade do México disputa com São Paulo e Nova York o título de maior megalópole do continente. A cidade americana fica um pouco para trás, mas duas ultra megalópoles latinas disputam palmo à palmo. Há controvérsias, mas aparentemente a população de São Paulo é um pouco maior, as duas girando em torno de 20 milhões de habitantes. Estou falando da mancha urbana, e não do município em si. A grande diferença é que aqui a cidade não pode crescer muito verticalmente, pelo risco dos terremotos. Assim, a consequência é que a Cidade do México tem uma área enorme, bem maior que a capital paulista.

Chegando ao monumental Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país

Chegando ao monumental Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país


A quantidade de superavenidas, estradas e autopistas cruzando a cidade impressiona. É como se fossem dezenas de “23 de Maio” e centenas de viadutos que as interligam. Andando de táxi por aqui, tento seguir atento os caminhos dos motoristas e chego a ficar tonto com a quantidade de opções, decisões de direção que devem ser tomadas em segundos, já que muitos carros nos pressionam por trás. Mas antes de andar de táxi, tivemos mesmo é de andar com a Fiona até o endereço do meu xará Rodrigo, o amigo da Ana que mora aqui na Cidade do México.

Rotas migratórias humanas no Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país

Rotas migratórias humanas no Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país


O nosso GPS do México, mapa baixado pela internet, é bem capenga. Lidar com isso no interior, com mais calma, foi mais fácil. Aqui na gigantesca capital do país, a história foi outra. Mas, com uma certa noção de direção, ajuda do GPS meia boca e perguntando nas ruas (que tem boca chega à Roma!), acabamos por chegar. O Rodrigo ainda estava no trabalho e nós gastamos nosso tempo no enorme shopping ali do lado. Ele mora meio afastado do centro, numa região mais chique e moderna, tipo a Berrini de São Paulo, cheia de prédios envidraçados de escritórios e restaurantes, conhecida como Santa Fé.

Os humanos já chegaram apavorando nas Américas (Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país)

Os humanos já chegaram apavorando nas Américas (Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país)


Às oito da noite estávamos todos em seu apartamento no 18º andar, paredes envidraçadas que proporcionam uma vista maravilhosa da cidade, quando o fog da poluição não está muito forte. Gente finíssima, nos recebeu muito bem, inclusive com um jantar num bom restaurante ali perto. Aproveitou para dar várias dicas da cidade e também se despedir. Hoje cedo partiu para a Colômbia, a trabalho, e só vamos nos rever na nossa volta do Caribe, daqui a um mês. Assim, além do quarto, banheiro e garagem, ficamos com todo o apartamento só para nós. Chique no “úrtimo”!

Representação de tempo pré-hispânico no Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país

Representação de tempo pré-hispânico no Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país


A nossa primeira manhã foi gasta com burocracias. Escaneamos e imprimimos documentos para nos ajudar na questão de vistos, falamos por email ou telefone com consulados, buscamos hotéis para ficar em Montego Bay. Descobrimos que aversão italiana da Ana (que é quem me acompanha desde que chegamos à América central) não precisará de visto para Cayman e que o visto de Belize (na nossa volta!) poderá ser obtido na cidade mexicana que está na fronteira do país. Beleza! Quanto ao meu imbróglio de nomes nos passaportes e vistos, vamos ver se o Consulado Brasileiro aqui me ajuda...

Murais toltecas no Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país

Murais toltecas no Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país


Finalmente, já na hora do almoço, seguimos de táxi para uma das maiores atrações na cidade e no país, o Museu Nacional de Antropologia. Um enorme e bonito prédio em meio a um parque que abriga alguns dos maiores tesouros arqueológicos do México, além de reunir, num só lugar, informações sobre as diversas culturas e civilizações mesoamericanas.

Enorme totem tolteca no Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país

Enorme totem tolteca no Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país


Só na parte de baixo, onde estão as exposições permanentes, estão 12 grandes salas dispostas ao redor de um enorme pátio, cada uma cobrindo os aspectos de algumas das mais importantes civilizações pré-hispânicas. Teotihuacan, Olmecas, Zapotecas, Toltecas, Mayas e Astecas, entre outros, todos estão ali, muito bem representados. O típico do lugar que, para quem gosta de detalhes, pode ficar uma semana. Nós tínhamos umas quatro horas...

Peças de antigos juegos de pelotas pré-hispânicos no Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país

Peças de antigos juegos de pelotas pré-hispânicos no Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país


No tempo dos astecas já tinha proctologistas! (no Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país)

No tempo dos astecas já tinha proctologistas! (no Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país)


Foi pouco, infelizmente. A quantidade e variedade de informações é massacrante. Mas tudo disposto de uma forma muito agradável de se seguir. Começa com as grandes migrações que trouxeram o homem às Américas e termina com os indígenas atuais, passando pelas grandes civilizações, claro. Foi legal ver por aqui que a comunidade científica já aceita o fato do homem ter chegado ao continente, inclusive no distante interior do Piauí, onde estivemos visitando a Serra da Capivara, muito antes dos 13 mil anos que outrora eram aceitos como a época da primeira ocupação. Sítios arqueológicos aqui no México também são datados de até 30 mil anos, o que corrobora a tese de uma ocupação muito anterior!

Astecas, como outras culturas pré-hispânicas, sempre foram vidradas em crãnios (Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país)

Astecas, como outras culturas pré-hispânicas, sempre foram vidradas em crãnios (Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país)


Escultura asteca no Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país

Escultura asteca no Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país


As salas de Teotihuacán, a cidade dos deuses, e da civilização tolteca, com seus enormes totens e painéis coloridos impressionam. Assim como a parte sobre os poderosos astecas, povo de que vou falar no próximo post. Já nos últimos minutos da prorrogação, passamos correndo pela sala dos misteriosos Olmecas, com suas gigantescas cabeças de pedra (na nossa volta pelo México, passaremos por alguns de seus sítios, perto do Yucatán) e pela maravilhosa ala Maya, onde está uma réplica perfeita da tumba do rei Pakal, de Palenque. Uma das maiores descobertas arqueológicas do século passado, essa tumba foi encontrada intocada, repleta de tesouros. A subsequente visitação por milhares de turistas acabou danificando muita coisa, apenas pela umidade trazida por cada pessoa, na forma de suor. A visitação foi finalmente proibida e hoje só podemos ver a réplica, Mas muitas das peças ali expostas são as originais. Se é emocionante ainda hoje, imagino como terá sido a primeira vez que o arqueólogo entrou ali...

Enormes esculturas de cabeças, característica dos Olmecas (Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país)

Enormes esculturas de cabeças, característica dos Olmecas (Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país)


Táxi de volta para casa navegando pelas infinitas avenidas e chegamos ao nosso confortável apartamento. Amanhã vamos ver a cara da cidade, na praça Zócalo, no centro histórico da capital. No dia seguinte, viagem para a Jamaica, primeira parada no nosso novo tour pelo Caribe. Em um mês voltaremos à Cidade do México e, aí sim, teremos mais tempo e tranquilidade para explorarmos essa gigantesca megalópole, um verdadeiro universo que, por justiça, requereria pelo menos um mês de estadia para começarmos a sentir o gosto e entendermos o espírito da cidade. Um mês não teremos, mais outros três ou quatro dias irão fazer uma boa diferença!

Objetos encontrados no túmulo do rei maya Pakal, de Palenke (Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país)

Objetos encontrados no túmulo do rei maya Pakal, de Palenke (Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, capital do país)

México, Acapulco, Cidade do México, Museu de Antropologia

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Martha's Vineyard

Estados Unidos, Massachusetts, Cape Cod

Cottages centenários de antigo acampamento metodista em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Cottages centenários de antigo acampamento metodista em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


Martha’s Vineyard, com quase 100 milhas quadradas de tamanho, é a terceira maior de toda a costa leste dos Estados Unidos. Está atrás de Long island, em Nova York, e Desert Island, onde está o parque de Acadia, que visitamos recentemente no Maine. Como essas ilhas estão unidas ao continente por pontes, Martha’s pode ser considerada a maior de todas, atualmente! Para se chegar lá, só de ferry ou avião!

Ferry para Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Ferry para Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


No ferry para Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

No ferry para Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


E não é pouca gente que faz isso, principalmente no verão! Com uma população residente de 15 mil habitantes, durante os meses mais quentes do ano esse número chega a 100 mil! São milhares de casas de veraneio, que ficam vazias boa parte do ano. Entre os que vem passar temporadas na ilha, muita gente rica, famosa ou poderosa. Por exemplo, a família Clinton e a família Obama, só para citar alguns...

Igreja Metodista em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Igreja Metodista em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


O nome da ilha foi uma homenagem dada pelo pai, o primeiro explorador europeu da região, o inglês Gosnold, à sua pequena filha que morreu ainda na primeira infância, nos primeiros anos do séc XVII. Mais tarde, já no séc XIX, o que trazia fama à ilha era a sua indústria baleeira. Barcos saíam dali para rodar o mundo atrás dos gigantes cetáceos mas, felizmente, o desenvolvimento da indústria petroleira forneceu óleo muito mais barato que as pobres baleias e essa atividade econômica entrou em colapso.

No interior de igraja metodista em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

No interior de igraja metodista em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


A próxima atividade turística a florescer foi muito mais benéfica: o turismo! A ilha se tornou um destino cada vez mais popular para temporadas de veraneio, com temperaturas agradáveis e paisagens belíssimas. Grandes acampamentos de verão eram feitos aí, o mais famoso deles organizado pela Igreja Metodista. O evento passou a ser anual, atraindo centenas de jovens de toda a costa leste do país. Aos poucos, as tendas temporárias começaram a ser substituídas por cottages, pequenas e charmosas casas de madeira. O tal acampamento virou uma charmosa vila de pequenas casas coloridas, hoje uma das grandes atrações turísticas da ilha.

Cottages centenários de antigo acampamento metodista em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Cottages centenários de antigo acampamento metodista em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


Foi exatamente aí que chegamos, na pequena cidade de Oak Bluffs, vindos de ferry, logo pela manhã. A Fiona ficou do lado de lá, tomando conta da nossa bagagem, no estacionamento do hotel, em Falmouth. Para trazê-la, nessa época movimentada, seria preciso fazer uma reserva com antecedência no barco.

Foto antiga de acampamento metodista em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Foto antiga de acampamento metodista em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


Cottage centenário transformado em museu em antigo acampamento metodista em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Cottage centenário transformado em museu em antigo acampamento metodista em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


Sem carro próprio, nossas opções para conhecer a ilha eram alugar um carro, vespas ou bicicletas, ou então, pegar algum tour de ônibus. Poderíamos ainda ficar a pé, apenas em Oak Bluffs, ou tentar usar o eficiente sistema de ônibus públicos da ilha.

Caminhando em Edgartown, pequena cidade em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Caminhando em Edgartown, pequena cidade em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


O problema é que, ao contrário de ontem, o dia amanheceu chuvoso e com vento. Assim, a opção do aluguel de bicicletas e vespas foi logo descartada. Já o que nos fez descartar a opção do aluguel de carros foi o preço extorsivo, 100 dólares por dia. Quanto ao tour de ônibus, passar mais de duas horas dentro de um deles ouvindo um guia falar pelo microfone jamais nos pareceu uma boa ideia...

Caminhando em Edgartown, pequena cidade em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Caminhando em Edgartown, pequena cidade em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


Desse modo, escolhemos mesmo uma boa caminhada em Oak Bluffs, especialmente pelo antigo acampamento metodista, com direito à visita ao museu e à antiga igreja, seguido de passeio á mais bela cidade da ilha, Edgartown, aonde chegamos com o bom e velho ônibus de linha.

Ônibus público em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Ônibus público em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


O passeio no antigo acampamento foi muito interessante, os cottages são coloridos e muito arrumados, parecendo casas de boneca. Mas, na verdade, ainda são residências, compradas a preço de ouro. Em suas pequenas varandas, moradores orgulhosos ficam lendo o seu jornal e observando os turistas curiosos que passam pela rua em frente, com suas máquinas fotográficas.

Pegando ônibus em Edgartown, em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Pegando ônibus em Edgartown, em Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


O almoço foi mesmo em Edgartown, com sua rua cheia de lojas, restaurantes e turistas. No mesmo simpático ônibus de linha, que também carrega bicicletas de turistas cansados, voltamos para Oak Bluff, onde ainda tivemos tempo de aproveitar a movimentada orla do cais, cheia de pubs e bares com música alta.

Esperando o ferry de volta, em bar na orla de Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Esperando o ferry de volta, em bar na orla de Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos


Depois, ferry de volta para a Fiona e, já nas nossas próprias rodas, a longa viagem para Connecticut, onde vamos passar o fim de semana numa casa ao lado de um lago. São amigos da Íris e do Pedro (os pais da Bebel!), que nos convidaram para passar um tempo por lá. Pelas memórias da Bebel, deve ser um lugar maravilhoso e estamos ansiosos por chegar. E com os dedos cruzados para que o tempo se pareça mais com o de ontem que com os de hoje...

Esperando o ferry de volta, em bar na orla de Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Esperando o ferry de volta, em bar na orla de Marta´s Vineyard, ao sul de Cape Cod, litoral de Massachusetts, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Massachusetts, Cape Cod, Edgartown, Falmouth, história, Oak Bluffs

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Um Longa Tarde em Punta Arenas

Chile, Punta Arenas

Degustando uma boa cerveja em café de Punta Arenas, no sul do Chile

Degustando uma boa cerveja em café de Punta Arenas, no sul do Chile


Ontem de noite chegamos à maior cidade do sul do planeta, Punta Arenas. Com 130 mil habitantes e localizada aos 53 graus de latitude sul, não há nada similar nessa altura meridional do planeta. Nem África nem Austrália (com exceção da Tasmânia) sequer alcançam os 40 graus de latitude sul e o extremo meridional da Nova Zelândia está bem longe da marca dos 50 graus. Curiosamente, no lado norte do planeta, a situação é bem diferente e grandes metrópoles como Londres, Berlin e Moscou estão localizadas em latitudes semelhantes e mesmo superiores.

Dirigindo no centro de Punta Arenas, no sul do Chile

Dirigindo no centro de Punta Arenas, no sul do Chile


Mas aqui no sul, Punta Arenas reina absoluta. A cidade foi fundada em 1848 como uma colônia penal chilena. Após o insucesso na tentativa de desenvolver Fuerte Bulnes, 60 kms ao sul de Punta Arenas, os chilenos tentaram novamente em uma área que era então conhecida como Sandy Point, nome dado pelo explorador inglês John Byron no século anterior. De “Sandy Point” para “Punta Arenas”, foi um pulo. A fundação da cidade mais austral do mundo naquela época era um esforço chileno de garantir sua soberania sobre o estratégico Estreito de Magalhães, então cobiçado por Argentina e também pelas potências europeias.

Arquitetura clássica em Punta Arenas, no sul do Chile

Arquitetura clássica em Punta Arenas, no sul do Chile


O primeiro impulso para o desenvolvimento da nova cidade veio de longe. Eram os anos da corrida do ouro na Califórnia e dezenas de milhares de americanos da costa leste queriam chegar ao novo eldorado. O problema é que, naquela época, o oeste americano ainda era ocupado por indígenas hostis e muitos preferiam chegar à Califórnia pelo caminho mais longo (e seguro!), de barco. Ainda não havia o canal do Panamá e muitos barcos vinham dar a volta aqui, no extremos sul do continente. Punta Arenas, estrategicamente colocada bem na viradinha da América, logo se tornou um importante porto de parada e reabastecimento.

A bela arquitetura ao redor da Plaza Muñoz Gamero, no centro de Punta Arenas, no sul do Chile

A bela arquitetura ao redor da Plaza Muñoz Gamero, no centro de Punta Arenas, no sul do Chile


Plaza Muñoz Gamero, no centro de Punta Arenas, no sul do Chile

Plaza Muñoz Gamero, no centro de Punta Arenas, no sul do Chile


O segundo e mais importante impulso veio da criação de ovelhas. Em 1876 alguém teve a brilhante ideia de importar 300 ovelhas das Ilhas Malvinas para a Terra do Fogo. A região se mostrou um verdadeiro paraíso para esses simpáticos animais e a produção de lã no sul da patagônia conquistou os mercados mundiais. Enormes fortunas foram feitas e estâncias gigantescas com dezenas de milhares de animais se espalharam pelo sul do continente. Essas enormes propriedades estavam dos dois lados da fronteira (Chile e Argentina), mas os barões que as controlavam moravam em Punta Arenas. Cheia de dinheiro, a cidade foi tomada de enormes prédios públicos, palacetes e suntuosas mansões. São essas construções em estilo clássico que caracterizam o charmoso centro da Punta Arenas atual, mesmo um século após o início do declínio desse ciclo econômico.

Fernão de Magalhães, na Plaza Muñoz Gamero, centro de Punta Arenas, no sul do Chile

Fernão de Magalhães, na Plaza Muñoz Gamero, centro de Punta Arenas, no sul do Chile


Por fim, também foi importante, econômica e socialmente, a corrida do ouro do final do século XIX, dessa vez não tão longe como na Califórnia, mas aqui ao lado, na Terra do Fogo. Não havia tanto ouro assim, mas a região se encheu de imigrantes e muitos deles acabaram ficando, mesmo com o fim do metal precioso. Uma boa parte desses novos moradores eram croatas da Dalmácia. Ainda hoje, formam uma importante comunidade étnica na cidade, com muita influência nos costumes, como comida e cultura geral.

Arquitetura clássica em Punta Arenas, no sul do Chile

Arquitetura clássica em Punta Arenas, no sul do Chile


Placas espalhadas pelo centro contam eventos históricos ocorridos em Punta Arenas, no sul do Chile

Placas espalhadas pelo centro contam eventos históricos ocorridos em Punta Arenas, no sul do Chile


Assim, eis que o pequeno povoamento que havia nascido como colônia penal havia se transformado em uma promissora e rica metrópole 50 anos mais tarde, na virada do séc. XIX para o XX. Bem na época em que se dava a última grande era exploratória da humanidade, a conquista da Antártida. Todos os grandes exploradores daquela época, gente como Amundsen e Shackleton, eram frequentadores assíduos dessa cidade, pois ela funcionava como importante base de lançamento de expedições para o continente gelado. Caminhando hoje pelas ruas centrais da cidade, é muito comum encontrar placas azuis informativas contando sobre eventos que se passaram em determinado prédio. Hotéis, bancos, restaurantes e bares frequentados por esses gigantes naquela ocasião ainda estão de pé e nos fazem viajar no tempo até uma época gloriosa e romântica de aventuras e descobrimentos, uma Punta Arenas que ainda parece viva, mesmo um século mais tarde.

Adesivo de movimento separatista em Punta Arenas, no sul do Chile

Adesivo de movimento separatista em Punta Arenas, no sul do Chile


A Ana fica amiga de outros hóspedes do nosso hotel em Punta Arenas, no sul do Chile

A Ana fica amiga de outros hóspedes do nosso hotel em Punta Arenas, no sul do Chile


Para nossa surpresa, não foi fácil encontrar vaga nos hostels da cidade, ontem de noite. Aparentemente, há movimento todo o ano, mas agora no verão é ainda mais complicado. Por fim, encontramos um lugar joia, um pouco mais afastado do centro. Hoje cedo, exploramos a rota para o extremo sul do continente (post anterior) e foi só de tarde que passamos a explorar a própria cidade. Como a luz do sol vai até tarde por aqui nessa época do ano, ainda tivemos bastante tempo para nossas caminhadas, com direito a café e restaurante.

Balcão de um café no centro de Punta Arenas, no sul do Chile

Balcão de um café no centro de Punta Arenas, no sul do Chile


Detalhes da decoração de charmoso café no centro de Punta Arenas, no sul do Chile

Detalhes da decoração de charmoso café no centro de Punta Arenas, no sul do Chile


A maioria dos prédios mais vistosos se localiza ao redor e nas proximidades da praça Muñoz Gamero. A estátua no meio dela é de Fernão de Magalhães, mas o nome homenageia um dos primeiros comandantes da colônia penal, trucidado em um motim em 1851. O tamanho e opulência das mansões ao redor da praça dão uma boa ideia da força da exportação de lã no final do séc. XIX.

Detalhes da decoração de charmoso café no centro de Punta Arenas, no sul do Chile

Detalhes da decoração de charmoso café no centro de Punta Arenas, no sul do Chile


Degustando uma boa cerveja em café de Punta Arenas, no sul do Chile

Degustando uma boa cerveja em café de Punta Arenas, no sul do Chile


Nós encontramos um charmosíssimo café nas ruas centrais e aí ficamos, experimentando cervejas e quitutes. Estávamos com saudades de um pouco de urbanidade depois de tantos dias no mato ou em cidades pequenas. Passamos por Bariloche ou El Calafate no último mês, mas nem de longe elas possuem esse ar cosmopolita que sentimos aqui em Punta Arenas. Nossa última cidade grande de verdade havia sido Buenos Aires, dois meses atrás, antes de embarcarmos para a Antártida. Agora, queríamos sentir o prazer de andar em uma calçada ao lado de uma avenida larga e movimentada ladeada por prédios clássicos e entremeada de cafés, restaurantes e boulangeries.

Suco natural e cerveja em café de Punta Arenas, no sul do Chile

Suco natural e cerveja em café de Punta Arenas, no sul do Chile


Deliciosa cerveja em café de Punta Arenas, no sul do Chile

Deliciosa cerveja em café de Punta Arenas, no sul do Chile


Depois do café e de mais uma caminhada a esmo por toda essa história que nos cercava, voltamos ao nosso hotel. Mas foi só para tomar banho e sairmos novamente, agora em busca de um bom restaurante. Sinceramente, olhando para frente em nosso roteiro, não sei quando encontraremos novamente uma cidade em que vamos precisar de carro para sair de noite (Montevidéu, talvez...), então, tínhamos mesmo de aproveitar. E o restaurante que encontramos, o La Marmita, fez jus a todas nossas expectativas. O engraçado foi chegar lá as 10 da noite com o dia ainda claro...

Chegando a restaurante em Punta Arenas, no sul do Chile

Chegando a restaurante em Punta Arenas, no sul do Chile


O delicioso restaurante La Marmita, em Punta Arenas, no sul do Chile

O delicioso restaurante La Marmita, em Punta Arenas, no sul do Chile


Além do excelente vinho chileno (claro!), a entrada foi de dar água na boca: lasanha de berinjela e abobrinha com camarão! Para não deixar cair o nível, pedimos um prato principal cada um, devidamente trocados e compartidos: Salmão com camarão e cordeiro com luche (um tipo de alga). Um verdadeiro banquete para comemorar nosso último jantar no continente. Amanhã, partimos para a Terra do Fogo, a maior ilha da América do Sul e uma das três únicas da América a serem compartidas entre duas nações: Chile e Argentina.

Isso é só a entrada do nosso 'banquete' no restaurante La Marmita, em Punta Arenas, no sul do Chile

Isso é só a entrada do nosso "banquete" no restaurante La Marmita, em Punta Arenas, no sul do Chile

Chile, Punta Arenas, Arquitetura, cidade, história, Patagônia

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Cidades Históricas

Brasil, Paraná, Curitiba

As famosas 'repúblicas' de Ouro Preto - MG

As famosas "repúblicas" de Ouro Preto - MG


O dia começou com o sofrimento necessário, na cadeira da dentista. Agora, só falta mais uma "visita". Depois, só no fim da viagem! Obaaa!!! A Sony e a Nikon já estão nas devidas manutençoes, portanto estamos sem máquinas. Na sexta a Nikon fica pronta e a Sony, só quando voltarmos do sul. Começo a montar o "dossiê" que enviarei ao consulado do Canadá. Visita ao antigo escritório, para rever os ex-colegas de trabalho. E a vida vai seguindo aqui em Curitiba...

No site, hoje faço homenagem às cidades históricas que passamos nestes 400 dias de viagem. Sempre charmosas e interessantes, com certeza são um dos focos desse nosso passeio pelas américas...

A jóia do litoral fluminense, a deliciosa Parati, tão boa para relaxar, comer bem, ouvir boa música, visitar galerias, voltar ao passado. Que o futuro nunca chegue!

Parati - RJ, vista do mar

Parati - RJ, vista do mar


Tiradentes se destaca, mesmo dentro do grupo das incríveis cidades históricas mineiras. Difícil é ir embora...

Igreja Matriz de Sto. Antonio, em Tiradentes - MG

Igreja Matriz de Sto. Antonio, em Tiradentes - MG


Longe do agitado centro comercial de Porto Seguro se esconde um local tranquilo e pitoresco...

Casario no centro histórico de Porto Seguro - BA

Casario no centro histórico de Porto Seguro - BA


Salvador dispensa apresentações. Nas cercanias do centro histórico, cada alto de morro e cada ângulo nos reservam panoramas maravilhosos

Santo Antônio visto do Pelourinho, em Salvador - BA

Santo Antônio visto do Pelourinho, em Salvador - BA


Olinda! O nome vem exatamente dessa expressão: Oh...linda!!!" Já encantava há séculos...

Casas coloridas em Olinda - PE

Casas coloridas em Olinda - PE


Triunfo, no interior de Pernambuco, assim como diversas cidades do sertão nordestino, tem um casario antigo charmoso e bem preservado.

Casario colorido em Triunfo - PE

Casario colorido em Triunfo - PE


São Luís, com suas casas revestidas de azulejos para proteger do calor intenso. Fundada por franceses mas com forte influência arquitetônica lusitana

Rua com sobrados restaurados no centro histórico de São Luís - MA

Rua com sobrados restaurados no centro histórico de São Luís - MA


Alcântara, do outro lado da baía, longe da confusão da capital, verdadeiro refúgio da tranquilidade. Imperdível!

Na bela praça central de Alcântara - MA

Na bela praça central de Alcântara - MA


Pirenópolis, cidade histórica goiana, capital nacional das cavalhadas.

Cavalgadas em época de folia em Pirenópolis - GO

Cavalgadas em época de folia em Pirenópolis - GO

Brasil, Paraná, Curitiba,

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O Sul do Chile e a Carretera Austral

Chile, Cochrane, Villa OHiggins

A equipe completa dos 1000dias chega à Villa o'Higgins, no final da Carretera Austral, no sul do Chile. Eram 9:20 da noite!

A equipe completa dos 1000dias chega à Villa o'Higgins, no final da Carretera Austral, no sul do Chile. Eram 9:20 da noite!


Com cerca de 4.300 quilômetros de extensão de norte a sul e não mais de 350 quilômetros de leste a oeste, o Chile se espreme entre a Cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico. É um território de grande diversidade climática e geográfica, desde os desertos do norte até as geleiras e fiordes no sul, do clima seco e árido do Atacama ao verde e úmido Aysén, na patagônia. Unir todos esses territórios distintos através de uma rede de caminhos e estradas nunca foi uma tarefa fácil.

Carretera Austral, ligando Puerto Montt a Villa O'Higgins num percurso de cerca de 1.250 km. O objetivo é, um dia, chegar a Punta Arenas

Carretera Austral, ligando Puerto Montt a Villa O'Higgins num percurso de cerca de 1.250 km. O objetivo é, um dia, chegar a Punta Arenas


Carretera Austral atravessa mais um vale no sul do Chile

Carretera Austral atravessa mais um vale no sul do Chile


A área ao redor de Santiago, Valparaíso e Concepción, que juntas delimitam a região central do país e são as três maiores cidades do Chile, já estavam desenvolvidas e ocupadas desde tempos coloniais. A ocupação do norte veio com o desenvolvimento da mineração do cobre na segunda metade do séc. XIX e se consolidou com a vitória chilena na Guerra do Pacífico em 1883. Desde então, estradas e caminhos já ligam Santiago com Iquique e Arica, na fronteira com o Perú.

Carretera Austral, entre Cochrane e Puerto Yungay, no sul do Chile

Carretera Austral, entre Cochrane e Puerto Yungay, no sul do Chile


Trafegando na Carretera Austral, entre Cochrane e Puerto Yungay, no sul do Chile

Trafegando na Carretera Austral, entre Cochrane e Puerto Yungay, no sul do Chile


Na direção sul, a ocupação se acelerou com a derrota dos índios mapuches e a ocupação da Araucania (quando chegarmos lá, vou fazer um post sobre mais essa triste história de espoliação indígena), quase ao mesmo tempo da Guerra do Pacífico e que abriu o país até a região dos lagos, em Puerto Montt. Centenas de milhares de imigrantes europeus, principalmente alemães, vieram colonizar essas novas terras no final do séc. XIX. Também aí, já no início do séc. XX, caminhos e estradas ligavam a região à capital federal.

Chegando ao lago O'Higgins, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Chegando ao lago O'Higgins, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


O sol de fim de tarde nos recebe no lago e região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

O sol de fim de tarde nos recebe no lago e região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Preocupado em garantir sua soberania até o extremo sul do continente, o governo chileno fundou Punta Arenas em meados do séc. XIX e a cidade logo se tornou o único centro urbano naquela região. A ligação com o resto do país sempre foi marítima, já que havia um enorme território praticamente desocupado entre a cidade e Puerto Montt e Chiloé, dois mil quilômetros ao norte. Essa região, o norte patagônico chileno, é conhecida como Aysén. Também ela foi ocupada por um número diminuto de pioneiros que fundaram alguns poucos povoados. Mas eles nunca se desenvolveram muito, principalmente pelas dificuldades de comunicação com o resto do país. Inúmeros lagos, fiordes, rios caudalosos, montanhas, vulcões e geleiras impediam a construção de caminhos e a ligação marítima também era dificultada pelos rigores do inverno nos estreitos canais que separavam um verdadeiro labirinto de ilhas ao longo da costa.

Criação de ovelhas, muito comum ao longo da Carretera Austral, no sul do Chile

Criação de ovelhas, muito comum ao longo da Carretera Austral, no sul do Chile


Encontrando trânsito na Carretera Austral, no sul do Chile

Encontrando trânsito na Carretera Austral, no sul do Chile


Criação de ovelhas, muito comum ao longo de toda a Carretera Austral, no sul do Chile

Criação de ovelhas, muito comum ao longo de toda a Carretera Austral, no sul do Chile


A solução para aquelas poucas comunidades que se desenvolveram em Aysén eram os caminhos através da vizinha Argentina. O problema, nesse caso, é que a relação entre os dois países nem sempre foi muito pacífica. Disputas sobre limites fronteiriços sempre dificultaram a vida dos dois vizinhos, desde meados do séc. XIX até tão recentemente como 1978, quando Argentina e Chile quase entraram em guerra total. Aliás, foi essa quase guerra, cujo motivo foi a disputa sobre umas poucas ilhotas na saída do Canal de Beagle, que finalmente tiraram do papel um plano de construção de uma estrada ligando Puerto Montt à Punta Arenas, totalmente dentro do território chileno. O país não queria mais depender da boa vontade do vizinho para abastecer suas próprias cidades do sul.

Vista frequente na Carretera Austral: valentes ciclistas trafegando pelo caminho, no sul do Chile

Vista frequente na Carretera Austral: valentes ciclistas trafegando pelo caminho, no sul do Chile


Vista frequente na Carretera Austral: valentes ciclistas trafegando pelo caminho, no sul do Chile

Vista frequente na Carretera Austral: valentes ciclistas trafegando pelo caminho, no sul do Chile


O Chile vivia sob a feroz ditadura do general Pinochet. Sem ter de dar satisfação para ninguém, ele decidiu que já era hora de construir a estrada que ele mesmo imaginara vinte anos antes, quando ainda era um oficial de pequena patente no Clube Militar. Com a ajuda de 10 mil soldados do exército, pôs em marcha os trabalhos da maior obra de engenharia do país, abrindo selvas, construindo pontes sobre rios, escavando montanhas e dando a volta em lagos e geleiras. A ferro e fogo (muitos soldados e operários morreriam nas obras), a estrada foi abrindo caminho no difícil terreno e, pela primeira vez, uma região de natureza exuberante e cenários grandiosos se abriu para viajantes e turistas, além dos próprios moradores locais, claro.

Informação importante: horário de funcionamento e localização dos postos de combustível ao longo da Carretera Austral, no sul do Chile

Informação importante: horário de funcionamento e localização dos postos de combustível ao longo da Carretera Austral, no sul do Chile


Na encruzilhada para Caleta Tortel, a importante informação com o horário das barcas em Puerto Yungay, no sul do Chile

Na encruzilhada para Caleta Tortel, a importante informação com o horário das barcas em Puerto Yungay, no sul do Chile


As obras se iniciaram em 1976 e em 1982 foram entregues os primeiros trechos. Até 1989, a estrada se estendia quase 1.200 km ao sul de Puerto Montt, passando pelos principais povoados de Aysén, como Coyhaique e Cochrane. Os últimos 100 km até Villa O’Higgins foram entregues no início da década de 90. Além disso, toda uma rede de estradas vicinais também foi construída, totalizando outros 1.200 km. A última dessas estradas vicinais a serem entregues foi aquela que dá acesso a Caleta Tortel, um dos povoados mais pitorescos do país e também uma das principais atrações turísticas ao longo da Carretera Austral.

Trecho final da Carretera Austral, entre Cochrane e Villa O'Higgins. Note que Caleta Tortel fica justamente entre os Campos de Gelo Sul e Norte, na patagônia chilena

Trecho final da Carretera Austral, entre Cochrane e Villa O'Higgins. Note que Caleta Tortel fica justamente entre os Campos de Gelo Sul e Norte, na patagônia chilena


Essas estradas foram todas construídas em rípio, mas agora elas vêm sendo asfaltadas lentamente. Hoje, a extensão do asfalto chega a 350 km, quase todo ele nas vizinhanças da cidade de Coyhaique, a grande metrópole regional, com 50 mil habitantes em sua área urbana. O restante continua em rípio que, dependendo da época do ano ou condições meteorológicas, pode estar bem deteriorado. A manutenção tem de ser quase constante, pois o que não falta na região é chuva e neve. Isso quando não há erupções vulcânicas... Outro obstáculo formidável são os grandes lagos e fiordes. Quando não é possível contorná-los e são largos demais para se construir uma ponte, a solução é o uso de balsas. São quatro delas ao longo da Carretera: três para contornar o parque de Pumalin, no norte, e uma para se chegar a Villa O’Higgins, no sul.

Ciclistas enfrentam a chuva ba Carretera Austral, no sul do Chile

Ciclistas enfrentam a chuva ba Carretera Austral, no sul do Chile


Muitas bicicletas na balsa de Puerto Yungay em direção a Villa O'Higgins, no sul do Chile

Muitas bicicletas na balsa de Puerto Yungay em direção a Villa O'Higgins, no sul do Chile


A beleza da região de Aysén tem atraído cada vez mais turistas à região. A própria Carretera Austral se tornou uma atração turística e milhares de ciclistas vêm pedalar por aqui todos os anos. Mesmo com esse fluxo crescente de pessoas, ainda é muito comum dirigirmos por muito tempo sem ver mais ninguém na estrada, especialmente longe das cidades. Por isso, para quem vem percorrê-la, é importante estar com o carro (ou bicicleta!) em ordem, tanques cheios e pneu sobressalente. Uma comidinha reserva também não faz mal a ninguém. Outra informação fundamental é saber os locais onde há postos de combustível e seu horário de funcionamento. E para quem vai se aventurar pelos trechos de balsa, em algumas se pode fazer reserva e em outras, deve-se chegar com antecedência. São poucos horários diários e as balsas não são grandes.

Plano futuro (2040) para a Carretera Austral, contornando o Campo de Gelo Sul pelo oeste e chegando à Puerto Natales e Punta Arenas. Para atravessar o labirinto de fiordes, seriam necessários 9 trechos de balsa

Plano futuro (2040) para a Carretera Austral, contornando o Campo de Gelo Sul pelo oeste e chegando à Puerto Natales e Punta Arenas. Para atravessar o labirinto de fiordes, seriam necessários 9 trechos de balsa


A segunda parte da estrada, aquela que chegaria até o extremo sul do país, à Puerto Natales e Punta Arenas, por enquanto, só está nos planos. A ideia é construí-la até 2040, mas muitos duvidam que os planos sairão do papel. Para que a estrada esteja plenamente em território chileno, ela teria de contornar o enorme Campo de Gelo Sul pelo oeste. O terreno é formado por dezenas de ilhas e está repleto de lagos e fiordes. Além disso, não há nenhum povoado no caminho. Calcula-se que seriam necessários nove “transbordos” (trechos de balsa) e mais 1.000 km de estradas. A alternativa, muito mais viável, é terminar a ligação de Villa O’Higgins com El Chaltén, já na Argentina, e por aí seguir até Puerto Natales pelo caminho que nós já fizemos nessa viagem. Felizmente, as relações diplomáticas entre Argentina e Chile parecem estar bem melhores ultimamente, tornando esse caminho o mais “inteligente”.

A balsa em Puerto Yungay, que nos leva ao último trecho da Carretera Austral, em direção a Villa O'Higgins, no sul do Chile

A balsa em Puerto Yungay, que nos leva ao último trecho da Carretera Austral, em direção a Villa O'Higgins, no sul do Chile


Na travessia de balsa, o arcoíris aponta a direção de Villa O'Higgins, no final da Carretera Austral, no sul do Chile

Na travessia de balsa, o arcoíris aponta a direção de Villa O'Higgins, no final da Carretera Austral, no sul do Chile


A Fiona se aperta na balsa de Puerto Yungay em direção ao final da Carretera Austral, em Villa O'Higgins, no sul do Chile

A Fiona se aperta na balsa de Puerto Yungay em direção ao final da Carretera Austral, em Villa O'Higgins, no sul do Chile


Com isso, uma região de natureza ainda quase virgem assim continuaria. Aliás, essa é a principal briga na região de Aysén ultimamente. Não contra a segunda parte da estrada, que ainda está no campo dos sonhos, mas contra a construção de um megaprojeto hidroelétrico, conhecido como Hidroaysén. Ele prevê a construção de 5 barragens ao longo do belíssimo rio Baker, aquele por onde passamos ontem. A energia elétrica produzida seria levada através de milhares de quilômetros de linhas de alta tensão para o norte do Chile, onde seria usada pelas grandes mineradoras. Obviamente esse projeto é muito polêmico e há diversos interesses envolvidos. Felizmente, é uma briga de cachorro grande, pois do lado daqueles que querem preservar, há também muita gente rica. Entre eles, o multi-milionário americano Douglas Tompkins, dono de fazendas e do maior parque de preservação privado do mundo na região. Ele não quer nem estradas e nem linhas de força em suas propriedades. Certamente, ainda vou falar dele nos próximos posts...

Carretera Austral na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Carretera Austral na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Carretera Austral na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Carretera Austral na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Enfim, esse megaprojeto começou a andar ainda no governo socialista de Bachelet, mas foi apenas no governo conservador de Piñera que se conseguiu a licença ambiental das obras da hidrelétrica. Enquanto passamos por aqui, o principal front da briga se dá no processo de obtenção da licença ambiental para as linhas de alta tensão. É comum vermos, ao longo da estrada, enormes cartazes de propaganda pró e contra o projeto e todos aqui tem uma opinião. Pelo menos com quem temos conversado, há mais gente contra do que a favor. Não só pela mudança na paisagem e nos ecossistemas, mas também pelos milhares de trabalhadores que virão para cá. E tudo isso para levar energia para o outro extremo do país e, ainda mais, para uma atividade tão agressiva com a natureza como é a mineração. Nós, obviamente, já tomamos o nosso lado! (veja o P.S no final desse post!).

A Carretera Austral serpenteia oela orla do lago O'Higgins, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

A Carretera Austral serpenteia oela orla do lago O'Higgins, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Pois é, falando na gente, hoje fizemos nosso primeiro trecho por essa estrada tão famosa. Saímos de Cochrane e seguimos até Villa O’Higgins, passando por Caleta Tortel (assunto do próximo post!) e pela balsa sobre o fiorde Mitchell.

Geleira iluminada pela luz de fim de tarde na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Geleira iluminada pela luz de fim de tarde na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Uma geleira bem próxima à Carretara Austral, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Uma geleira bem próxima à Carretara Austral, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


A natureza é mesmo deslumbrante, muito verde e também o branco no alto das montanhas. As condições da estrada estavam bem melhores do que no pequeno trecho que fizemos ainda ontem, antes de Cochrane. Quase não havia as temíveis “calaminas” (o nome que se dá por aqui às costelas de vaca) e muito pouco trânsito também. De tanques cheios e já sabendo o horário da balsa em Puerto Yungay (que leva à Villa O’Higgins), pudemos nos planejar perfeitamente para passar um bom tempo em Tortel.

Chegando a Villa O'Higgins, onde termina a Carretera Austral, no sul do Chile

Chegando a Villa O'Higgins, onde termina a Carretera Austral, no sul do Chile


Chegando a Villa O'Higgins, onde termina a Carretera Austral, no sul do Chile

Chegando a Villa O'Higgins, onde termina a Carretera Austral, no sul do Chile


Na estrada, era mais comum cruzarmos com vacas e ovelhas do que com motoristas. Outra “espécie” bem comum foi a dos ciclistas que, carregando suas mochilas, percorrem os 1.250 km da Carretera Austral entre duas e quatro semanas. São valentes, enfrentam as calaminas, a poeira, subidas e descidas e os rigores do tempo. Muitos europeus, mas há também americanos, canadenses, chilenos, argentinos e até brasileiros. Na balsa para Villa O’Higgins, havia mais bicicletas do que carros!

Fim de tarde ao sul de Villa O'Higgins, onde termina a Carretera Austral, no sul do Chile

Fim de tarde ao sul de Villa O'Higgins, onde termina a Carretera Austral, no sul do Chile


A última ponte da CArretera Austral, já ao sul de Villa O'Higgins, no sul do Chile

A última ponte da CArretera Austral, já ao sul de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Aliás, um dos trechos mais bonitos da estrada foi justamente o que liga a balsa à Villa O’Higgins. É o trecho mais novo e selvagem da Carretera Austral e a estrada passa, literalmente, entre diversas geleiras. Isso sem falar dos lagos e florestas. Quando chegamos á cidade, lá está a placa marcando o final da Carretera Austral. É um nome muito mais simpático que o nome original, que fazia homenagem ao ditador que a idealizou e construiu, Augusto Pinochet. Ainda é bem comum encontrarmos placas com o seu nome na estrada. Mas a placa final, essa que todos tiramos fotos, felizmente tem o nome novo e famoso: Carretera Austral.

Homenagem a Pinochet na estrada que foi construída durante seu governo, em Puerto Yungay, no sul do Chile

Homenagem a Pinochet na estrada que foi construída durante seu governo, em Puerto Yungay, no sul do Chile


Chegando a Villa O'Higgins, onde termina a Carretera Austral, no sul do Chile

Chegando a Villa O'Higgins, onde termina a Carretera Austral, no sul do Chile


Porém, mesmo com a placa marcando o fim da estrada, ela continua por alguns quilômetros, indo ainda mais ao sul do que Villa O’Higgins. Na verdade, ela termina mesmo em um lago onde, duas vezes por semana, uma balsa faz a travessia. Normalmente, só para ciclistas e andarilhos, mas até cabe um carro ali dentro. Só para moradores locais, nos informaram. Esse é o início do caminho para El Chaltén, na Argentina. É por aqui que, num futuro próximo, quem sabe, carros também poderão seguir. Mas não hoje. Aqui foi o fim de nossa jornada para o sul. A partir de agora, começamos a percorrer toda a extensão da Carretera Austral de sul a norte, os 1.250 km entre Villa O’Higgins e Puerto Montt. Mas não começamos amanhã. Nada disso! Reservamos um dia inteiro para explorar essa pequena vila e, principalmente, o cenário grandioso que a cerca. Amanhã, descanso para as rodas da Fiona e muito trabalho para nossas pernas!


P.S Sete meses depois de passarmos pela Carretera Austral, veio a boa notícia: o conselho de ministros chilenos cancelou a licença ambiental para a construção das barragens da Hidroaysen. A empresa ainda recorre à justiça, mas no início de 2015 admitia em relatórios internos a seus acionistas que todo o investimento já realizado na região deve ser perdido. Pelo menos por hora, a maravilhosa região de Aysén está livre dessa barbaridade.

Placa de protesto contra a construção de hidroeléticas no rio Baker, na Carretera Austral, a caminho de Cochrane, no sul do Chile

Placa de protesto contra a construção de hidroeléticas no rio Baker, na Carretera Austral, a caminho de Cochrane, no sul do Chile

Chile, Cochrane, Villa OHiggins, Carretera Austral, Estrada, geografia, história, Patagônia

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Presenteados! Duas vezes!

Estados Unidos, Utah, Zion National Park, Bryce Canyon

A fantástica paisagem do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos

A fantástica paisagem do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos


O pedido para Papai Noel fez efeito e hoje o dia nasceu radiante, muito sol e céu azul. Isso não significa calor, muito pelo contrário, mas a luz do sol ajuda a tornar tudo ainda mais bonito. Bastava caminhar no pátio do nosso hotel para já admirarmos as montanhas do Zion contra o céu azul, de um lado enquanto, do outro, a pequena Springdale e nosso próprio hotel, também com montanhas ao fundo, formavam outro cenário especial. Nosso 25 de Dezembro começava bem!

Céu azul no nosso último dia no Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos

Céu azul no nosso último dia no Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos


O dia amanheceu lindo no nosso hotel, ao lado do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos

O dia amanheceu lindo no nosso hotel, ao lado do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos


Não perdemos tempo e fomos logo para o parque, dessa vez diretamente à parte alta. Até o mesmo ponto onde chegamos ontem, de onde nem tínhamos saído da Fiona, por causa da neve que caía. Ele fica logo na saída do túnel com janelas, para quem vem da parte baixa. Daí sai uma trilha de pouco mais de um quilômetro que sobe as encostas de pedra até um mirante de onde se pode descortinar todo o canyon de Zion. É a vista mais clássica do parque.

Reentrância na rocha ao lado de trilha no Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos

Reentrância na rocha ao lado de trilha no Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos


Reentrância na rocha ao lado de trilha no Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos

Reentrância na rocha ao lado de trilha no Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos


Como a trilha não passa ao lado de precipícios, ele se manteve aberta esses dias. Mas de nada adiantaria ter seguido até o mirante ontem, já que as nuvens teriam bloqueado a visão. Hoje não! Além disso, com a maioria das pessoas celebrando a data especial em casa, junto da família, o caminho estava quase vazio. Encontramos mais cabras montanhesas do que gente, no dia de hoje.

Cabras montesas em seu ambiente predileto, no Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos

Cabras montesas em seu ambiente predileto, no Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos


Admirando as montanhas do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos, num dia de sol

Admirando as montanhas do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos, num dia de sol


A própria trilha já é linda, serpenteando por pequenos desfiladeiros e tocas naturais na encosta de pedra. Mas nada que se compare ao que vamos ver no final, uma fantástica vista do grandioso vale pelo qual desce o túnel e a estrada em caracol, com enormes paredes de pedra por todos os lados. Lá no mirante, estamos numa posição privilegiada, mais acima, bem em frente a este cenário de cinema. É de perder o fôlego. Só ficamos pensando: “Nossa... porque esse lugar não é tão famoso como o Grand Canyon?”.

Ao final de um quilômetro de caminhada, um mirante para o Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos

Ao final de um quilômetro de caminhada, um mirante para o Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos


Admirando a magnífica paisagem do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos

Admirando a magnífica paisagem do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos


Pois é, ele não é. Talvez por isso pudemos caminhar de lá para cá, tentando tirar fotos que mostrassem parte daquela beleza toda quase sem a concorrência de outros turistas. Os que lá estavam, pelo menos naquele momento, se preocupavam mais com um grande grupo de cabras montesas que caminhavam tranquilamente a uma centena de metros dali, numa encosta rochosa. Era o local que eu iria querer viver se fosse uma delas, com certeza!

Ao lado de um dos muitos penhascos do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos

Ao lado de um dos muitos penhascos do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos


Caminhando pelas inesquecíveis paisagens do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos

Caminhando pelas inesquecíveis paisagens do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos


Ficamos uma meia hora por ali, respirando o ar fresco e quase mágico que subia por aquele enorme vazio à nossa frente. A cada ângulo, para cada lado, uma nova foto incrível. Foi aí, nesse momento, depois de dois dias no parque, é que conseguimos ter uma ideia da real beleza do Zion em todo o seu esplendor. Absolutamente fantástico! Obrigado, Papai Noel!

A fantástica paisagem do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos

A fantástica paisagem do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos


A fantástica paisagem do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos

A fantástica paisagem do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos


Tanto nos empolgamos que resolvemos descer de novo por aquele túnel nosso velho conhecido e seguir uma derradeira vez até o fundo do canyon, onde termina a estrada cênica. Infelizmente, por lá as trilhas continuavam fechadas. Mas uma última visão das enormes paredes de pedra, das formações rochosas e do rio gelado que esculpiu tudo aquilo mais do que valeu o “esforço” de dirigirmos até lá essa última vez. Um dia voltaremos, durante meses mais quentes, e essas mesmas paredes estarão lá, nos aguardando...

A vista mais clássica do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos

A vista mais clássica do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos


Formações rochosas no fundo do canyon do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos

Formações rochosas no fundo do canyon do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos


Hora de seguir em frente. O Zion é apenas o primeiro parque dos tantos que existem em Utah que queríamos conhecer. Para isso, subimos pelo túnel pela zilhonésima vez, passamos pelo campo de dunas petrificadas, deliciosamente pintadas de amarelo e branco e saímos do parque pela mesma portaria que havíamos entrado dois dias antes. A quantidade de neve ao redor da estrada era ainda maior, um cenário que havíamos imaginado para o Alaska e não para cá.

Neve e rocha se misturam nessa época do ano nas encostas do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos

Neve e rocha se misturam nessa época do ano nas encostas do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos


Paisagem completamente tomada pela neve na saída do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos

Paisagem completamente tomada pela neve na saída do Zion National Park, em Utah, nos Estados Unidos


Nosso próximo destino, não muito longe dali, era o Bryce Canyon National Park. Entre um parque e outro, vamos ganhando cada vez mais altitude e isso só pode significar uma coisa: mais frio! O rio congelado que corria ao nosso lado (ou “não corria”) era a prova viva disso. O termômetro, mesmo em plena luz do dia, mergulhava nas temperaturas negativas. Uma boa amostra do que nos esperava à frente.

A bela paisagem pintada de vermelho, amarelo e branco, no caminho entre o Zion e o Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos

A bela paisagem pintada de vermelho, amarelo e branco, no caminho entre o Zion e o Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos


Um pouco antes de chegar no Bryce, passamos por outra área de proteção, chamada Red Rock Canyon (existem dezenas com esse nome nos Estados Unidos!). Para nós, foi um contraste, nossos olhos acostumados com o solo amarelado dos últimos dias. Agora, a mistura era de vermelho e branco, pois a neve não quer nem saber se estamos em um deserto. Acima dos 2 mil metros de altitude, ela cai mesmo. Seja numa floresta de pinheiros, seja em torres de pedra vermelha como aquelas ali do Red Rock Canyon. Região lindíssima em que, ainda na década de 30, os americanos fizeram questão de fazer um túnel na estrada, bem embaixo de uma das formações.

Túnel na rocha no Red Rock Canyon, pouco antes de chegar ao Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos

Túnel na rocha no Red Rock Canyon, pouco antes de chegar ao Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos


É como se fosse um portal para o que nos espera adiante, uma terra de fábulas conhecida como Bryce Canyon. Era o final do dia e, logo antes da entrada do parque, existe um grande complexo de hotéis, todos do mesmo dono. Na verdade, uma família, herdeiros do pioneiro que, 80 anos atrás, abriu a área ao turismo. O que começou como uma simples choupana, hoje são três grandes prédios com capacidade de receber centenas de visitantes.

Paisagem completamente gelada ao chegarmos ao Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos

Paisagem completamente gelada ao chegarmos ao Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos


Quando chegamos ali, tempo nublado outra vez, quase fim do dia, ficamos naquela dúvida: a gente se instala agora ou damos um pulinho rápido no parque? Por instinto, acabamos seguindo. Queríamos saber que estradas estavam abertas e o que poderia ser feito no dia seguinte, para já nos planejarmos com antecedência.

Parte da estrada está fechada pela neve no Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos

Parte da estrada está fechada pela neve no Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos


Só que, a esta hora, já não havia ninguém na portaria e a centro de visitantes estava fechado. Mas, como já estávamos lá, porque não seguir até algum dos mirantes à frente, pelo menos para ter uma primeira visão do canyon, Com o tempo do jeito que estava, não daria para ver muito, mas qualquer coisa já seria lucro. Não tínhamos ideia do que nos esperava... Papai Noel ainda não havia terminado conosco.

O sol de fim de tarde ilumina as paredes mais altas do Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos

O sol de fim de tarde ilumina as paredes mais altas do Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos


Normalmente, é a Ana que opera a máquina fotográfica. Eu também tiro minhas fotos, claro, mas na nossa “divisão de tarefas” para cobrir a viagem e o blog, ela fica mais com as fotos enquanto sou eu que escolho quais serão guardadas e/ou enviadas para o site. Também sou eu que coloco as legendas e palavras-chave nas fotos. Um trabalhão danado, algo que consome mais meu tempo do que escrever os próprios blogs. Afinal, dependendo do dia que temos, podem ser mais de trezentas fotos. Daí, guardo um terço disso e envio para o site metade do que guardamos, talvez.

Chegamos ao Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos, bem na hora mágica das últimas luzes do sol. Fantástico!

Chegamos ao Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos, bem na hora mágica das últimas luzes do sol. Fantástico!


Enfim, fica a Ana fotografando e o chato aqui, atrás dela, falando para ela não fotografar tanto. Afinal, quanto mais fotos, mais trabalho para mim. Três ou quatro “clics” seguidos me irritam, hehehe.

Chegamos ao Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos, bem na hora mágica das últimas luzes do sol. Fantástico!

Chegamos ao Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos, bem na hora mágica das últimas luzes do sol. Fantástico!


Conto tudo isso porque foi engraçado que, ao atravessar a mata antes de chegarmos ao primeiro mirante, conversávamos animadamente sobre algum assunto qualquer quando, quase sem perceber, por instinto, gritei: “Pega a câmera!!! Agora!”. Foi só depois de falar isso é que consegui racionalizar o que estava vendo à frente: por uma fresta nas nuvens, passava uns poucos raios de luz do sol. Aquela luz mágica do fim de tarde. A luz incidia diretamente nas paredes mais altas do Bryce Canyon, colorindo-as de forma espetacular.

O sol de fim de tarde ilumina as paredes mais altas do Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos

O sol de fim de tarde ilumina as paredes mais altas do Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos


Era uma visão surreal. Todo o resto na sombra, quase já sem cor. Mas, no meio de tudo aquilo, paredes com um tom fortíssimo de amarelo. Não poderia ser mais mágico! Sabe aquelas pinturas ou fotografias em preto e branco, em que apenas o tema central é colorido, destacando-se ainda mais? Era isso que se passava a nossa frente, nesse momento. Mas o tal quadro ou fotografia não media alguns centímetros de lado, mas muitos quilômetros! Um dos momentos mais fantásticos que tivemos aqui nos estados Unidos!

O solo amarelado, ainda mais realçado pela luz de fim de tarde, no Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos

O solo amarelado, ainda mais realçado pela luz de fim de tarde, no Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos


Lá no alto, naquela fresta nas nuvens que agora se fechava, Papai Noel sorria para nós. Aqui em baixo, sem conseguir falar ou respirar, admirávamos cada segundo desse rápido momento de pura magia. Amanhã, temos um encontro marcado com aquela floresta de pedra tomada pela neve logo abaixo de nós, enormes e desenhadas torres rochosas construídas e moldadas ao longo de milênios. Mas o rápido momento que tivemos hoje, no mirante conhecido como “Sunset Point” já marcou o Bryce Canyon para sempre em nossas memórias.

Chegando ao fantástico e gelado Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos

Chegando ao fantástico e gelado Bryce Canyon National Park, em Utah, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Utah, Zion National Park, Bryce Canyon, Parque, trilha

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Querosene

Brasil, Rio Grande Do Sul, São José dos Ausentes, Cambará do Sul (P.N Serra Geral)

Gelo deixado pela forte geada em Cambará do Sul - RS

Gelo deixado pela forte geada em Cambará do Sul - RS


Ontem, na metade do caminho entre São José dos Ausentes e Cambará do Sul, acendeu uma luz no painel da Fiona. O carro continuava andando e, se não fosse pela tal luz, eu nem desconfiaria que havia algo errado. Mas a luz estava lá, "gritando" no painel. Consultando no manual, descobrimos que a recomendação era procurar a concessionária o quanto antes...

Perdidos no mundo numa estrada rural, sem sinal de celular, a única coisa que podíamos fazer era continuar. Ainda mais com o carro aparentando estar tão bem. E assim fizemos, seguindo até Cambará. Lá chegando, liguei para o SAC da Toyota e eles logo quiseram "remover" a Fiona para a concessionária mais próxima, em Caxias do Sul. Nesse caso, como iríamos aos cayons da região no dia seguinte? Resolvi que nós mesmos levaríamos a Fiona para Caxias, depois de visitar os canyons. Bem, na verdade, iríamos apenas a um dos canyons, o Fortaleza, já que o Itaimbezinho só abre de quarta à domingo. Boa do jeito que estava a Fiona, estava seguro que não haveria problemas...

Gelo deixado pela forte geada em Cambará do Sul - RS

Gelo deixado pela forte geada em Cambará do Sul - RS


Pois bem, na madrugada de domingo para segunda em Cambará, a temperatura chegou à congelantes -5 graus! Dentro do nosso quarto aconchegante, embaixo das cobertas quentinhas, nem pareceu tanto. Mas, do lado de fora, era gelo para tudo quanto é lado. Geada forte! Logo de manhã, liguei para a concessionária em Caxias e eles não viam problema em eu passar mais um dia com a Fiona com a tal luz acesa. Tranquilamente, eu e a Ana entramos no carro, já quase 10 da manhã, para irmos ao canyon Fortaleza. Foi quando tivemos a surpresa...

Gelo no alto do mirante do canyon da Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

Gelo no alto do mirante do canyon da Fortaleza, em Cambará do Sul - RS


A Fiona estava completamente sem forças. Não conseguia subir nenhum aclive mais acentuado. A rotação, quando chegava acima dos 2 mil rpm, logo rateava. A tal luz acesa indicava uma sujeira no filtro de combustível. Seria isso a causa do problema? Depois de 40 mil km, a Fiona nos deixaria na mão? Conseguimos levá-la até um mecânico e ele também ficou na dúvida. Mas disse também que poderia ser o frio, diesel congelado no tanque. Àquela hora, a temperatura ainda era de zero grau. Será??? Ainda nem sabíamos que a temperatura mínima na madrugada tinha sido de -5...

Igreja em em Cambará do Sul - RS

Igreja em em Cambará do Sul - RS


Deixamos o motor ligado por um bom tempo, para ir esquentando. A rotação, agora, já chegava aos 4 mil rpm. Mas logo rateava. Fomos até o posto de combustível e lá o frentista foi taxativo: é o frio! E qual o remédio? Querosene! Meio ressabiados, colocamos dois litros de querosene no tanque. E não é que ela melhorou logo? O sol e o motor ligado certamente ajudaram, mas impossível não admitir que o querosene foi fundamental! Hmmmmm...

Visitando o canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

Visitando o canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS


Certamente vamos passar por lugares muito mais frios na viagem. No alto dos Andes, ainda mais no inverno, temperaturas de até -15 ou -20 graus não são raras. Pelo visto, querosene será o nosso elixir. Nosso não, da Fiona, hehehe! Nesses países, o próprio díesel vendido já vem misturado com produtos anticongenlates. Mas, para temperarturas tão baixas, a "ajudinha" do querosene será sempre necessária.É isso aí, vivendo e aprendendo. Até no sul do Brasil precisamos de querosene... Com foi com a ajuda dele que pudemos, finalmente, ir para a maravilha geológica chamada Canyon da Fortaleza!

No alto do canyon Fortaleza, a mais de 1.100 metros de altura, em Cambará do Sul - RS

No alto do canyon Fortaleza, a mais de 1.100 metros de altura, em Cambará do Sul - RS

Brasil, Rio Grande Do Sul, São José dos Ausentes, Cambará do Sul (P.N Serra Geral), Estrada

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