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Letícia (01/01)
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Fei Chau (29/12)
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nayara (27/12)
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Rubens Dias (18/12)
Boa noite Rodrigo e Ana. Sou de Porto Alegre, e pretendo conhecer San Ped...
O Djair nos dá aula de geologia no Lajedo Sítio Bravo, na região de Cabaceiras - PB
Depois da noitada do reveillon, que foi até às três, o café da manhã veio mais tarde. Depois, um pouco de trabalho e navegações na internet e era tempo de explorar a região, dessa vez com a luz do dia.
Caminhando com o Paulo no Lajedo Manoel de Souza, na região de Cabaceiras - PB
O Paulo nos levou para o Lajedo Manoel de Souza e foi nos dando aulas de botânica e geologia. Eu e a Ana já estamos ficando meio versados neste assuntos, principalmente botânica da caatinga. Já na geologia, depende do tipo de formação rochosa. E as formações rochosas daqui são únicas no continente. Parece que há algo similar num ponto da África (Namíbia?) e outra na Austrália. Ou seja, é muito especial. Mesmo em escala global.
Processo de "acebolamento" em rocha no Lajedo Manoel de Souza, na região de Cabaceiras - PB
O que mais chama a atenção são os matacões, grandes blocos de rocha de forma arredondada, às vezes com fendas internas, que parecem ter sido colocados em cima dos diversos lajedos que aqui existem. O lajedo do Pai Mateus é apenas o mais famoso, mas também há outros. Como disse, o primeiro que visitamos foi o Manoel de Souza e lá o Paulo se esforçou para nos explicar a origem daquelas formas estranhas.
Matacão em forma de capacete no Lajedo Manoel de Souza, na região de Cabaceiras - PB
Lagoa formada por um rio temporário ao lado do Saco de Lã, na região de Cabaceiras - PB
De lá seguimos para o Sacos de Lã, uma enorme pilha de grandes rochas de formas retas, quase quadradas, completamente encaixadas umas nas outras. Tudo isso ao lado de um rio temporário que atualmente é só lagoas. Cenário lindo, no meio dessa caatinga seca, a primeira que encontramos nessa nossa jornada pelo sertão que se parece com aquele clichê de caatinga que vemos sempre pela TV.
Matacões no Lajedo Sítio Bravo, na região de Cabaceiras - PB
Depois dessa atração voltamos ao hotel para almoçar e depois, queríamos ir ao canyon do rio Soledade. Mas o Paulo, percebendo o quanto éramos interessados em geologia e arqueologia nos recomendou muito que visitássemos o Lajedo Sítio Bravo, em companhia do Djair, um grande especialista neste assuntos. Resolvemos seguir seu conselho, mas avisados que seria difícil "fugir" de lá em tempo para assistir o pôr-do-sol no lajedo do Pai Mateus. Isso porque o Djair seria uma enciclopédia ambulante, sempre interessado em dividir seus conhecimentos.
Mesa cerimonial (sacrifícios humanos?) em toca no Lajedo Sítio Bravo, na região de Cabaceiras - PB
E lá fomos nós. Mesmo avisados, ficamos absolutamente impressionados com o seu tour pelo lajedo. Em ritmo acelerado, só quebrado pelas nossas perguntas curiosas, ele foi disparando conhecimentos e teorias sobre a formação daquelas rochas, sobre o Sacos de Lã e, melhor ainda, sobre a milenar ocupação humana desta área do sertão paraibano.
Sobre a mais antiga pedra brasileira, com1,2 bilhões de anos! (Lajedo Sítio Bravo, na região de Cabaceiras - PB)
Difícil eu tentar resumir aqui as explicações. Obviamente, tem a ver com formações de diferentes tipo de rocha ainda no manto da terra, cada uma com dureza diferente. Depois, soerguimento. Aí, muita ação de vento, água e diferenças de temperatura entre o dia a noite, o que faz as rochas incharem e diminuírem, causando o que é chamado de "acebolamento". Some-se a isso algumas centenas de milhões de anos e o resultado é essa paisagem maravilhosa que temos por aqui.
Pequenas pedras formadas a 22 milhões de anos e ótimas para pinturas rupestres, na região de Cabaceiras - PB
Mais incrível, como disse, são os povos que aqui habitaram ou frequentaram por dezenas de milhares de anos. Os olhos treinados do Djair nos mostraram vários indícios de ação humana sobre essa rochas, aparentemente sagradas para eles. Locais de rituais, talvez de sacrifícios humanos, dentro de tocas. Instrumentos para corte de carne, para guerra e para a vida diária de um ser pré-histórico. Um show de aula, teórica e prática!
Pequena amostra de instrumentos pré-históricos coletados pelo Djair na região de Cabaceiras - PB
Pôr-do-sol na caatinga, região de Cabaceiras - PB
Tanto ele falou, e tão interessados ficamos que desistimos do pôr-do-sol no Pai Mateus. Vimos dali mesmo. Hoje era dia de aprender sobre geologia e arqueologia. Na melhor sala de aula do mundo e com um de seus melhores professores. Uma chance dessa, não se perde!
Toca no Lajedo Sítio Bravo, na região de Cabaceiras - PB
Paisagem da estrada Cunha-Parati - RJ
Desde que fui estudar em Campinas que frequento habitualmente o litoral norte paulista, incluindo as cariocas Parati e Ilha Grande. Como sempre gostei de estradas, gosto herdado do pai e do avô, procurava variar de estradas e caminhos, mesmo quando o destino fosse o mesmo. Para quem conhece esse belo trecho do litoral brasileiro, sabe que o caminho é seguir pela Dutra ou Ayrton Senna, que correm no Vale do Paraíba, paralelas ao litoral e descer numa das várias estradas que as conectam com a Rio-Santos, lá embaixo. Partindo de São Paulo, essas conexões são a Imigrantes, a Anchieta. a Mogi-Bertioga, a Tamoios, a descida de Taubaté, a descida por Cunha e a descida por Barra Mansa.
Pois bem, aos poucos fui conhecendo cada uma dessas alternativas. Todas, exceto uma, a mítica descida por Cunha. Essa estrada, afamada por sua beleza, corta o Parque Nacional da Serra da Bocaina e nesse trecho do parque ela é de terra. Quer dizer, terra no período de seca. No verão ela é de lama, paus, pedras, deslizamentos e precipícios. Para aumentar ainda mais a minha curiosidade sobre a estrada, foi nela que, há cerca de 25 anos meu irmão rodou seu carro, já meio impaciente com a estrada de terra que não terminava mais. Fora o trampo de achar um guincho, nada de sério ocorreu.
Totem da Estrada Real entre Cunha e Parati - RJ
Mas, já é daquela época que tenho essa estrada na cabeça. Mas, a sua precariedade, mais o fato de sempre estar com um carro baixo e a raridade das vezes que fui tão ao norte nesse litoral me impediram de conhecê-la até hoje. Mais recentemente, a estrada manteve-se fechada por um bom tempo, depois da chuvarada do final de 2009.
Agora, desde o início dessa jornada, estava decidido a conhecê-la, de uma vez por todas. Apesar de ter ouvido que ela ainda estaria interditada, uma rápida pesquisa pela internet me mostrou que não, que estava precária mas aberta. Nos blogs, muitos conselhos para não tentar, mas alguns recados dizendo que não, que dava para passar sim.
Ponto de parada entre Cunha e Parati - RJ
Bom, eu e a Ana decidimos tentar. Ainda mais que faz parte da Estrada Real. Mais de 300 km depois de deixarmos Tiradentes, chegamos à Cunha. Lá, a última chance de desistir. Mas, ao conversar no posto de gasolina, o cara olhou bem a Fiona e disse: "Ihhhh, passa fácil! Vive passando gente de Fusca e Brasília por aí!" He he he, tinha de ser! Depois dessa, a Fiona, que já estava cabreira com minhas dúvidas, nem quis mais conversa...
Queimada na Serra da Bocaina - RJ
E assim foi. Viemos devagarzinho, curtindo a vista, a Fiona tirando de letra os trechos mais chatos. Carro baixo realmente sofre. Mas para a Fiona, foi mamão com açúcar. Pena que, além da cachoeiras e da mata, pudemos "admirar" também uma enorme queimada no Parque.Triste de ver... E assim chegamos à Parati, junto com o início da Festa de Sta. Rita. Mesmo assim, a cidade está bem tranquila. Charmosa como sempre. Já estava quase escuro quando chegamos. Mal posso esperar para ver a cidade de dia e a magnífica baía que a rodeia.
Quanto à estrada Cunha-Parati, uma pendência a menos na minha vida!
Missa em Parati - RJ
Antiga pousada em Talkeetna, no Alaska, há mais de 60 anos recebendo alpinistas
Há muito tempo conheço a cidade de Talkeetna pelo nome. De tanto ouvir falar, tinha virado algo meio lendário para mim. Uma pequena cidade perdida no maio do Alaska, local de encontro de alpinistas de todo o mundo, indo ou voltando para o campo base do Denali, montanha a cerca de 100 km ao norte Talkeetna.
O famoso trem da região de Talkeetna, no Alaska
Apesar de já ter lido sobre ela e escutado de outros alpinistas, a principal fonte de informação para que eu formasse a minha imagem da cidade foram os relatos do primo Haroldo, o mesmo que já nos encontrou em alguns pontos desses 1000dias (mas que ainda está nos devendo algum outro encontro!). Foi com ele que subi o Monte Aconcágua, em 1999. O Haroldo continuou com suas escaladas e esteve duas vezes aqui em Talkeetna, nas suas tentativas de atingir também a montanha mais alta da América do Norte.
A mais antiga casa de Talkeetna, no Alaska
Na sua segunda tentativa ele chegou ao cume, levando para casa fotos e lembranças maravilhosas da experiência. E entre as boas lembranças, destacam-se também os bares da pequena Talkeetna, na celebração da conquista da montanha. Desde então, além de também acalentar a subida do Denali, sempre imaginei como seria, ao vivo e a cores, a movimentada Talkeetna.
Muitos bares e cafés em Talkeetna, no Alaska
Imaginava uma cidade quase inacessível, exceto por avião ou trem. Que nada, a estrada chega muito bem até aqui e a Fiona nos trouxe com todo o conforto. Imaginava um lugar na fronteira da civilização. Que nada, nós viemos do norte, de lugares muito mais isolados e Talkeetna nos pareceu até bem “sofisticada”. Imaginávamos um lugar cheio de alpinistas barbados e com roupas surradas, mas agora, já no final de temporada, estava quase que completamente vazia.
Cervejaria em Talkeetna, no Alaska
Bom, e tudo isso tirou algum charme da imagem que eu tinha criado? De maneira nenhuma! Aliás, muito pelo contrário! A cidade é uma delícia, ruas de terra no meio de muito verde, casas de madeira, bares e restaurantes aconchegantes e um clima de aventura e exploração que paira pelo ar, mesmo depois de terminados os movimentados meses de verão.
Relaxando e aproveitando a vida em Talkeetna, no Alaska
Chegamos aqui ontem de noite e nos vamos amanhã pela manhã. Foram momentos de intensa tranquilidade, ar puro, consciência leve, cheiro de chuva e de mato, um friozinho do inverno que está batendo na porta e uma curiosa e saborosa procura pelo bar que meu primo tanto nos descreveu. Não sei se o reconhecemos, mas certamente passamos por ele, pois fizemos uma verdadeira peregrinação por todas as opções.
Um dos bares de Talkeetna, no Alaska, já bem tranquilo depois da temporada
Enfim, dias deliciosos. Só não sei o que vou achar da Talkeetna movimentada, agora que conheci a Talkeetna tranquila...
Narguile em Miami
Ontem foi um dia urbano. A gente se despediu da família do Marcelo, que viajou para Roma. A Su ainda nos deixou em downtown, de onde tomamos um taxi para South Beach, passando ao lado de uma fileira com uns 5 ou 6 mega navios-cruzeiros, ancorados no porto de Miami. Verdadeiros pombais, acho que juntos carregam uns 12 mil turistas. É um mercado gigantesco por aqui, para variar.
Miami está lotada esta semana. É a época do spring break aqui nos EUA e muita gente vem para cá, aproveitar o que os EUA tem de mais próximo de "tropical". South Beach é cheia de coqueiros, o que lhe empresta um certo ar caribenho (ou baiano mesmo). Obviamente, com uma cara mais requintada, as vezes mesmo cafona. Carros gigantescos circulam pelas ruas e avenidas, as etnias latina, negra, branca e amarela se misturam, ouvimos mais espanhol do que inglês. Restaurantes e bares cheios, praia bem organizada, cheia de salva-vidas, barcos e jetskis puxando paraquedas ou ski aquático. Águas cor esmeralda, com temperatura bem razoável, areias brancas e dia ensolarado, mas refrescado por uma forte brisa que nunca para. Não passamos calor mas certamente estamos nos queimando. Isso fica bem claro quando percebemos alguns "camarões" que se descuidaram da proteção passeando pela praia.
Eu e a Ana, após um breve pit-stop na Best Buy, logo na entrada de South Beach, fomos caminhando preguiçosamente rumo ao norte, à famosa Lincon Road, uma rua de pedestres cehia de lojas e restaurantes, para encontrar o David e a Ju. Miami pode estar bem cheia, mas nos os encontramos passeando pelo promenade entre a praia e a Ocean Drive, bem longe do ponto marcado de encontro. Como se estivéssemos numa cidadezinha... Aí, passamos o resto da tarde juntos, aproveitando para praticar bastante o ingles com o David. De cerveja em cerveja, chegamos até a bum bar com Narguile, onde a prosa continuou, bem acomodados em um sofá em pleno movimento da Lincon.
Balada no Fontainebleu - Miami
Após um breve descanso no hotel deles, já em Miami Beach, ainda deu para frequentar o movimentado bar de um dos mega-hoteis da região, lotado de mulheres vestindo microsias e mega saltos. Todas elas esquentando para esticar a noite no club do hotel. Nós não animamos (nem roupas apropriadas eu tinha) e voltamos de taxi, já depois das duas da manhã, para Key Biscayne. Dessa vez, sem trânsito, que anda muito complicado por aqui. Além do spring break, ainda tem o torneio de tenis da Sony Ericsson, aqui em Key Biscayne. De dia, fica tudo parado. Mas, como estamos nos EUA, ninguém anda pelo acostamento e ninguém estaciona nos canteiros. Trânsito parado, mas bem organizado.
Relato espanhol do início do séc XVII sobre as ruínas de Chavin, na região de Huaraz, no Peru
Ainda tristes com o imbroglio do mergulho em Galápagos, mas felizes de poder ter dormido até mais tarde, partimos de Fiona rumo ao povoado de Chavin, onde estão as ruínas da civilização de mesmo nome. A quantidade de povos que deixaram suas marcas aqui no Peru é impressionante! A história dessa terra nos últimos 4 mil anos é de uma riqueza inesgotável e eu fica cada vez mais indignado que, nas nossas aulas de história, depois de tanto estudar gregos, romanos e egípcios, toda a américa pré-colombiana é estudada em metade de uma aula, e olhe lá... Essa é a terra preferida dos "Indiana Jones" de verdade e há muitas descobertas ainda por serem feitas, tesouros para serem encontrados, mistérios para serem resolvidos. É como se lê em placas daqui: "Nuestro pasado tiene futuro!"
Atravessando belas paisagens a caminho das ruínas de Chavin, na região de Huaraz, no Peru
São duas horas e meia de viagem numa estrada asfaltada e esburacada que nos leva através de paisagens fascinates até um túnel escavado na rocha a mais de 4.500 metros de altitude. Ali estamos chegando no alto de um vale onde se localiza Chavin. Logo após o túnel, somos recebidos por uma estátua gigante de Cristo e de lá é uma longa descida de mais de 2 km de altitude até o fundo do vale.
O incrível templo subterrâneo de Chavin, na região de Huaraz, no Peru
A cultura Chavin era uma sociedade de cunho teocrático onde uma casta sacerdotal comandava tudo diretamente de seu templo subterrâneo. São dezenas de galerias escavadas no solo, um verdadeiro labirinto sob a terra, uma construção digna dos filmes hollywoodianos de aventura arqueológica. Os deuses eram animais como o jaguar, o condor e o cayman e representações desses animais foram feitas em pedra com uma perícia impressionante. Esse povo, há milhares de anos, trabalhava em granito com a mesma facilidade com que se trabalha em madeira.
Caminhando pelo templo subterrâneo de Chavin, na região de Huaraz, no Peru
Os sacerdotes viviam em transe causado pelo consumo do cactus alucinógeno conhecido como San Pedro. Por centenas de anos assim foi, o povo sustentando os sacerdotes enquanto esses, com suas mentes devidamente "expandidas", interpretavam os desígnios dos deuses. No seu auge, a cultura Chavin, que nunca foi militarizada, influenciava todo o norte do Peru. Por fim, entrou em decadência, mas as culturas posteriores sempre respeitaram aquele templo sagrado que continuou atraindo peregrinos de muito longe até o início da colonização espanhola
A incrível escultura "El Lanzón", no templo subterrâneo de Chavin, na região de Huaraz, no Peru
Placa explicativa sobre a escultura "El Lanzon", em Chavin, na região de Huaraz, no Peru
Depois de mais essa aula de história, fomos almoçar por ali mesmo (uma truta saborosa!) para depois voltar. Foi quando a Ana começou a se sentir mal, febre aumentando e muitas dores abdominais. O caminho de volta foi dureza para ela, cada buraco no asfalto um sofrimento. Quando nos aproximávamos da estrada principal fomos parados por guardas que, pela primeira vez, perguntaram-me do seguro do carro. Mas ao ver o estado da Ana, deixaram a gente passar rapidinho! Achamos melhor parar logo num hospital numa cidade antes de Huaraz e lá a Ana foi medicada e até tomou uma injeção, já que a febre teimava em ficar perto do 39 graus, mesmo depois de tomar antitérmicos.
Ruínas da cultura Chavin, na região de Huaraz, no Peru
Finalmente chegamos ao conforto do nosso quarto de hotel, mas a Ana ainda não estava vem. Ela já está tomando os remédios indicados pelo médico de plantão no hospital e a nossa esperança é que ela melhore pela noite, para podermos seguir viagem para Trujillo. Vamos ver...
Ruínas da cultura Chavin, na região de Huaraz, no Peru
Ana aproveitando a sombra para ler sobre USVI, em para de Luquillo - Porto Rico
Nosso plano hoje era ir conhecer Culebra e a praia Flamenco, considerada a mais bonita do país. Culebra é uma ilha a cerca de uma hora de barco, na costa leste de Porto Rico. Antigamente, junto com outra ilha, Vieques, era conhecida como Ilhas Virgens Espanhóis.
Confusão para abordagem do Ferry para Culebra - Porto Rico
São três ferries diários indo para lá, saindo aqui de Fajardo. O primeiro horário de saída é às 9 da manhã. Seguindo as recomendações aqui da nossa pousada, chegamos ao porto com uma hora de antecedência. Doce ilusão! As passagens já se haviam esgotado fazia tempo e, mesmo assim, havia uma enorme fila para um possível ferry extra. Hoje é sábado e nós subestimamos isso. Famílias inteiras indo para lá passar o dia, toda a farofa acomodada em isopores e coolers. Uma enorme confusão no porto. Basicamente, um programa de índio (com todo o respeito!).
Desistindo do Ferry para Culebra - Porto Rico
Não dava para encarar e partimos para o plano B: ir à praia em uma cidade aqui pertinho, chamada Luquillo. Não poderíamos ter tomado decisão melhor! Praia super tranquila, muito sol, água limpa, bonita e com temperatura agradável. Aliás, é impressionanmte como a água do mar em Porto Rico é mais quente que nas Bahamas e em Turks e Caicos.
Playa del Sur, em Luquillo - Porto Rico
A praia é toda ladeada de palmeiras que fornecem sombras refrescantes. A gente se aboletou em uma delas e lá ficamos por várias horas, se revezando em corridas pela praia, natação no mar, leitura do guia sobre nosso próximo destino e um soninho também. Horas preguiçosas e deliciosas, sob medida para nos ajudar a nos recuperar da correria dos últimos dias. E que fique registrado: o trecho da praia entre Playa del Sur e Luquillo é dos mais bonitos da viagem! Escapamos da farofa e caímos no paraíso.
Salinas e região de flamingos no litoral norte do Yucatán, no México
Após um último e sadio café da manhã nas nossas amigas argentinas, ainda em Holbox, seguimos a todo o vapor para o píer da ilha de onde partem os barcos para o continente. Se perdêssemos o barco das dez, só daí a duas horas. Como tantas outras vezes nessa viagem, chegamos no minuto certo, embarcamos e deixamos o paraíso para trás. Foi só colocar o pé no barco que começamos a sentir saudades dessa linda ilha onde passamos quatro memoráveis dias. Teremos de voltar algum dia, dessa vez na temporada dos tubarões-baleia, para ter a chance de nadar com esses gigantes gentis.
Em Chiquila, taxistas em seus triciclos aguardam os turistas que retornam da ilha de Holbox, no norte do Yucatán, no México
Chegamos ao porto de Chiquila, onde uma fila de táxis triciclos aguardava, ansiosamente, o barco com seus fregueses potenciais. Não era o nosso caso, já que nossa fiel Fiona nos esperava a apenas um quarteirão dali. Já a bordo da nossa querida amiga, começamos o trecho rodoviário da nossa viagem de hoje, atravessando boa parte do norte do Yucatán, em direção ao oeste, à cidade de Mérida. Pois é, voltamos ao ponto inicial da nossa viagem por essa península, para fazer tudo aquilo que deixamos para trás, na pressa de chegar logo ao litoral.
Indo conhecer a "árvore sagrada dos mayas", em Chiquila, costa norte do Yucatán, no México
A primeira parada foi a poucos quilômetros ao sul de Chiquila, em um local com árvores centenárias, que já faziam sombra no tempo em que a civilização maya florescia na região, antes da chegada dos espanhóis. Tínhamos visto o cartaz anunciando a “Arbol Sagrada de Los Mayas” ainda antes de embarcarmos para Holbox, há 5 dias, o que tinha atiçado nossa curiosidade. Aí, por coincidência, na nossa primeira noite na ilha, aquela do carnaval agitado, a Ana fez amizade com uma artista plástica da Croácia, que viajou pelo mundo inteiro e veio construir seu estúdio e casa justamente aqui, embaixo dessa árvore. Ela nos convidou para passar por lá e assim estávamos fazendo.
Venerável árvore que já era grande des a época em que a civilização maya floescia na península do yucatán (em Chiquila, costa norte do Yucatán, no México)
As árvores são ceibas, de troncos bem largos, a mais velha com cerca de 800 anos de idade. Lindas! Estão na propriedade de um simpático senhor que, além dessas árvores, ainda possui várias outras, como a “seringueira” do Yucatán, além de uma bela coleção de orquídeas e bromélias. Enfim, um verdadeiro jardim botânico. Tudo muito simples, mas as flores são lindas e a tal “seringueira”, na verdade o sapote, já procurávamos faz tempo. Mas, ao contrário de sua prima brasileira, cujo “suco” era usado como matéria-prima para a borracha, o suco da árvore mexicana tinha fins mais “doces”. Era usado para fazer chiclete! No final do século XIX e início do XX, foram feitas fortunas por aqui, tudo por causa da popular goma de mascar. A maior produtora era a gigante Adams!
Venerável árvore que já era grande des a época em que a civilização maya floescia na península do yucatán (em Chiquila, costa norte do Yucatán, no México)
Mas, o que mais chama a atenção mesmo são as árvores gigantes. Só de pensar que naquela mesma sobra descansavam guerreiros e sacerdotes mayas, já é emocionante! Essas árvores centenárias e milenares tem o poder de atravessar gerações e mesmo, civilizações. São um elo direto entre nós e nossos bisavós, entre nós e povos que nem mais existem. Algumas, já estavam aqui quando os egípcios construíam suas pirâmides. Outras, as oliveiras naquela colina em Jerusalém, testemunharam a última ceia de Jesus. E essas aqui, bem na nossa frente, davam guarida para os mayas. Lindas!!!
Coleção de flores no terreno da árvore sagrada dos mayas, em Chiquila, costa norte do Yucatán, no México
Coleção de flores no terreno da árvore sagrada dos mayas, em Chiquila, costa norte do Yucatán, no México
É claro que, depois da nossa visita e homenagem às árvores, fomos ver nossa amiga croata. Cheia de histórias de suas viagens pelo mundo. Conversa interessantíssima. Sempre viaja à Europa, mas seu lar é aqui, quase embaixo das sagradas e inspiradoras árvores centenárias. Muito joia. Aproveitamos para ouvir cuidadosamente suas indicações sobre o caminho a seguir até Mérida. Nada de autoestrada! Deveríamos seguir pelo litoral, numa rota muito mais bonita.
Casa e ateliê da artista plástica europeia que veio morar embaixo da árvore sagrada dos mayas, em Chiquila, costa norte do Yucatán, no México
Pois assim fizemos! Cruzando pequenas vilas e regiões raramente visitadas no Yucatán, chegamos ao litoral banhado pelas agitadas e escuras águas do Golfo do México. Um vento que quase não para, um visual completamente diferente do que temos visto ultimamente. Muito interessante.
O agitado mar do Golfo do México, no litoral norte do Yucatán, no México
Mais para frente, região de salinas e flamingos. Lagos avermelhados pelo mineral, pássaros avermelhados pela dieta. Região bonita e selvagem. Mas os flamingos, não vimos, nem do alto da torre de observação, construída exatamente para encontrá-los. Mas não era a hora certa. Eles se reúnem por ali no fim de tarde, estávamos cedo demais para eles... Tivemos de nos contentar com as salinas e lagos, sem os pássaros. Pelo menos, sem os flamingos, pois garças haviam de monte.
Salinas e região de flamingos no litoral norte do Yucatán, no México
Mas havia uma outra coisa por ali que não víamos também, infinitamente maior que os formosos flamingos. Falo de uma cratera, a mais importante delas para a história da humanidade e de todo o planeta, pelo menos nós últimos 100 milhões de anos. O nome dela? Chicxulub.
Salinas e região de flamingos no litoral norte do Yucatán, no México
Há 65,5 milhões de anos, um meteoro com cerda de 10 km de diâmetro chocou-se violentamente com a Terra, justamente aqui, no norte do Yucatán. O resultado “geográfico” da colisão foi uma cratera com cerca de 180 km de diâmetro. Após tantos milhões de anos, a cratera foi totalmente coberta por sedimentos, pela vegetação e pela água do mar, na sua porção norte. E como sabemos que está aqui, então? Elementar, meu caro Watson! Pela anomalia gravitacional que ela ainda gera! O enorme impacto compactou o solo da região, fazendo que toda a área seja mais “pesada”. Até nós pesamos mais por aqui, pois a gravidade é mais forte nessa região. Não temos sensibilidade para sentir essa diferença, pois ela é extremamente sutil para nós. Mas não para os satélites que passam por aqui, com seus instrumentos super calibrados. Sentem na hora e conseguem apontar toda a extensão da cratera. E para confirmar isso, cientistas encontraram por aqui um elemento químico, o iridium, que quase não é encontrado na Terra, mas é bem comum em meteoros. Quando são encontrados em maiores quantidades, é um forte indicativo de “trombada” cósmica.
Nosso caminho pelo norte do Yucatán, onde caiu o meteoro que extinguiu os dinossauros
Bom, só falei do efeito “geográfico”, mas tem outro muito mais importante para nós, seres humanos, pertencentes da classe dos mamíferos. Quando o meteoro caiu, quem dominava o planeta há 150 milhões de anos eram os dinossauros. E não é porque os mamíferos não fizessem concorrência. Pelo contrário! Nós já estávamos aqui há 100 milhões de anos! E nesse tempo todo, nunca tínhamos deixado de ser pequenos roedores. Ratos! Comedores de insetos e carniça deixada para trás pelos dinossauros. Nada parecia indicar que a situação fosse mudar. Até que essa pedra caiu dos céus, causando um cataclisma global e intensas mudanças climáticas que, ao final, parecem ter sido a principal causa da extinção dos dinossauros. Sem eles, ficou mais fácil. Alguns poucos milhões de anos depois e os ratos já tinham se diversificado: mamutes, baleias, tigres, lobos e macacos perambulavam pelo planeta. Mais um pulinho e éramos nós. Graças à Chicxulub!
A cratera de Chicxulub, no norte do Yucatán, no México. Este impacto teria sido a principal causa da extinção dos dinossauros
Então, hoje, viemos prestar nossa singela homenagem a essa cratera que não se vê e mal se sente, mas que está aqui. A prova disso é simplesmente o fato de existirmos, de sermos nós a viajar pelo Yucatán, hoje, e não um simpático casal de triceratóps. Há maus que vem para bem. Pior para os dinossauros...
O agitado mar do Golfo do México, no litoral norte do Yucatán, no México
Degustação de vinhos na vinícola Don Laurindo, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves - RS
A primeira tarefa hoje foi cuidar da Fiona. Logo cedo, atravessei a cidade do Íbis até a concessionária Toyota de Caxias para resolver o problema da luz do painel. A solução foi a troca do filtro de combustível e mais uns testes eletrônicos para deixar ela em ordem. Fiquei sabendo que esse é um problema recorrente nos carros de algumas linhas da Toyota nessa época de frio. Somente nos últimos dias, tiveram de "atender" mais de vinte camionetes. Aproveitei para perguntar sobre o uso do querosene e me disseram que não há problema, aliás, muito pelo contrário, ajuda muito no frio, não só como anticongelante, mas também para manter todo o sistema mais limpo, inclusive o próprio filtro. Tenho a impressão que vou ter de usar muito neste próximo mês...
Almoçando galeto no famoso Di Paolo, em Bento Gonçalves - RS
Com a Fiona novinha em folha partimos para Bento Gonçalves, vizinha de Caxias. Ali fica o Vale dos Vinhedos, região que concentra as melhores vinícolas do Brasil. É um saboroso programa turístico passear pela região, visitando as vinícolas e degustando seus vinhos. Além disso, a paisagem do vale é muito bonita e bucólica. Até parece que estamos na Itália. Aliás, a região é de colonização italiana e foram eles que trouxeram as técnicas e o gosto pelo plantio de uvas e produção de vinho.
Barris de carvalho da vinícola Don Laurindo, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves - RS
Cavas da Casa Valduga, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves - RS
Colonização italiana, não poderia faltar a boa comida também. Nós chegamos lá bem na hora do almoço e para quem não tinha tomado café da manhã, a fome era grande. Além disso, é recomendado que se faça o passeio pelas vinícolas (e degustação de vinhos!) depois de uma boa refeição. Unindo o útil ao agradável à fome, fomos diretamente para o famoso restaurante Di Paolo, reconhecido como o melhor galeto da região. O que não é pouco, para uma região que é considerada a "pátria" do galeto no Brasil. Enfim, nos empanturramos de frango na brasa e de muito suco de uva. Uma delícia!
De touca, durante tour pelas cavas da Casa Valduga, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves - RS
De touca, durante tour pelas cavas da Casa Valduga, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves - RS
De lá, estômago bem forrado, seguimos para as vinículas. Nossa idéia foi a de visitar, dentre tantas e tantas vinícolas, uma das pequenas e uma das grandes, para poder variar. Nas visitas, temos a chance de aprender sobre o processo de produção, tipos de uva, o que as distingue e, principalmente, sobre os sabores contidos em uma taça de vinho. Ao final, seção de degustação de vinhos variados, sempe começando pelos mais suaves e terminando nos mais encorpados.
Degustação de vinhos na Casa Valduga, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves - RS
Dentre as pequenas, escolhemos visitar a Don Laurindo e, entre as grandes, a Casa Valduga. São duas vinículas cujos vinhos já conhecíamos e estávamos curiosos para vê-los mais de perto. Foram ótimas escolhas e não resistimos, nas duas vinículas, a fazer algumas compras ao final da degustação. Na Don Laurindo, tivemos uma visita "diretoria", já que éramos os únicos naquele momento. Aprendemos desde técnicas de plantio das parreiras (na horizontal e na vertical) até as benéficas propriedades do barril de carvalho e da rolha de cortiça. Na casa Valduga, agora num grupo de oito pessoas, já nos sentíamos "conhecedores" quando os mesmos assuntos eram tratados. Vimos a linha de produção e as grandes e charmosas cavas da vinícola. Foi jóia, um passeio e tanto!
Degustação de vinhos na Casa Valduga, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves - RS
Como bônus, passeamos pelas pequenas estradas do vale, cruzando e fotografando suas partes mais bucólicas. Na época da produção das parreiras, de janeiro à março, deve ficar ainda mais bonito!
A paisagem bucólica no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves - RS
Já no escuro, viemos para Nova Petrópolis. Resolvemos usar essa cidade para explorar a região, incluindo Gramado e Canela. Nessa época de frio, muito concorrida por aqui, tudo fica mais caro e a simpática Nova petrópolis é uma ótima opção para quem deseja um pouco mais de calma na mesma região. O hotel que escolhemos foi uma ótima dica do Felipe, amigo da família lá de Caxias, dona do restaurante Gran Piacere. O nome é Pousada da Neve. Já que não tivemos a sorte de ver a neve aqui no sul, pelo menos no nome do hotel a encontramos, hehehe!
Degustação de vinhos na vinícola Don Laurindo, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves - RS
Peça de ouro exposta no famoso e impressionante Musel del Oro, em Bogotá, na Colômbia
Conforme tínhamos combinado no dia anterior, o Angelo e a Joana foram de manhã no apartamento do Douglas e da Clara para nos apanhar para um passeio pela cidade. Realmente, esses nossos amigos colombianos estão nos acostumando muito mal! O Angelo, dono de uma empresa de transporte, gosta muito de carros e ficou muito interessado na nossa viagem de carro até o Alaska. Sonha em fazer algo parecido, em menor escala.
O famoso e impressionante Musel del Oro, em Bogotá, na Colômbia
Seguimos diretamente para uma das maiores atrações da capital colombiana, o Musel del Oro. Como o próprio nome diz, a atração principal do museu são as peças de ouro pré-colombianas encontradas no que é hoje a Colômbia. São 55 mil peças, 6 mil delas em exibição, que fazem desse museu o maior do mundo em peças do metal dourado. Caminhar por suas galerias repletas de peças de ouro é, no mínimo, impressionante. Não só pela qualidade das peças e técnica que os artífices daquela época desenvolveram, mas pela quantidade de ouro que ali existe. Ficamos imaginando que aquilo é só a ponta do iceberg, pois sabemos que os espanhóis "passaram a mão" em quase tudo o que encontraram, matando e escravizando quem encontravam em seu caminho. Ou seja, a maior parte do ouro daquela época foi derretido e enviado para a Europa, ou então remodelado para adornar as igrejas coloniais.
Peça de ouro exposta no famoso e impressionante Musel del Oro, em Bogotá, na Colômbia
O museu mostra também como eram as técnicas de trabalho nos metais preciosos, além de nos ensinar sobre a vida, costumes e crenças dos habitantes dessas outras épocas. É uma viagem a um mundo distante que se liga diretamente a nós através das peças expostas. Muito legal mesmo! Nossa... qual será o valor patrimonial desse museu? Uma coisa que o diferencia de muitos outros é que fotografias e filmagens são permitidas lá dentro. Assim, vai dar para mostrar um pouco do que vimos.
Subindo o Cerro Monserrate em Bogotá, na Colômbia
Com o Angelo e a Joana no Cerro Monserrate, em Bogotá, na Colômbia
De lá seguimos para o teleférico que nos leva ao alto do Cerro de Monserrate. Além da bela e ampla vista que temos de Bogotá, ainda podemos visitar o santuário que há lá encima e visitar a feira de produtos colombianos. Entre eles, uma vasta gama de produtos feitos com a folha de Coca. Até vinho de coca tém! Como na Bolívia e Peru, esses produtos são liberados por aqui. Só não se pode levá-los para países vizinhos, como o Brasil, Equador ou Argentina. Pelo menos, oficialmente não.
Visitando o Santuário de Monserrate em dia nublado, em Bogotá, na Colômbia
Aproveitamos também para almoçar num dos belos restaurantes que existem por lá. Nada como um bom vinho (de uva!) com aquela vista magnífica!
Produtos da folha de coca vendidos em Monserrate, em Bogotá, na Colômbia
Na volta, passamos por duas regiões muito legais de Bogotá. Uma é a Mariscal, cheia de bares e lojinhas. Um dos bares, o "Alô Brasil", é da pátria amada! Segundo o dono, o único da capital que é mesmo de um brasileiro. Os outros dois ou três que existem são restaurantes e pertencem a colombianos mesmo. Até um copinho de cachaça tomamos, para celebrar o encontro.
Com o Angelo e a Joana em restaurante no Cerro Monserrate, em Bogotá, na Colômbia
A outra região é a Zona T (de Turismo). Região chique, cheia de lojas de marca, gente bacana, carros vistosos e bares iluminados. Cara de primeiro mundo. Num desses bares encontramos a Viviana e o Andrés, bateirista do The Hall effect. Como sempre, muito amáveis conosco! A gente nem sabe como retribuir tanta amabilidade assim! Pelo menos, já tá todo mundo convidado para ir ao Brasil!
Bar brasileiro no bairro Mariscal, em Bogotá, na Colômbia
De volta para a casa do Douglas e Clara, que já estamos considerando como nossa, foi a vez da Ana fazer um jantar, a sua famosa pasta com molho gorgonzola. Uma delícia, fez muito sucesso. Exceto pelo cheiro forte do queijo, que a Amelie não gosta. Mas da comida ela gosta, hehehe!
Passeando em Bogotá no carro do Angelo (Colômbia)
A requintada Zona T, em Bogotá, na Colômbia
Amanhã é nosso último dia inteiro por aqui. Compramos nossas passagens para o Caribe, nossa terceira ida para essas ilhas fantásticas. A Fiona vai ficar por aqui, na garagem do Douglas, enquanto nós vamos conhecer Aruba, Bonaire e Curaçao, ou simplesmente "ABC". Vamos seguir o alfabeto mesmo, começando por Aruba no dia 21. No dia 30, retornamos para Bogotá vindos de Curaçao. Então, Caribe, aí vamos nós!
Reencontro com o Andres e a Viviana em bar em Bogotá, na Colômbia
A praia de Big Beach, ao sul de Kihei, litoral de Maui, no Havaí
Começamos hoje mais uma temporada de viagens com nossos assíduos “visitadores”, o Rafa e a Laura. Parece até que Cuba foi ontem e Galápagos anteontem. Aparentemente, eles gostam de ilhas, hehehe. Agora serão dez dias pelas ilhas havaianas de Maui, Kauai e Oahu na sempre agradável companhia de nossos padrinhos. E ainda temos o bônus da Laura estar se tornando, cada vez mais, uma fotógrafa profissional. Assim, passamos a ver nossa viagem sob os olhos e lentes de uma outra pessoa, o que sempre é curioso.
Voltando do ótimo mergulho na cratera semi-submersa de Molokini, na costa de Maui, no Havaí
E os “pobresitos” nem tiveram tempo de descansar. Ainda estava escuro e já estávamos os quatro de pé, rumo à marina de onde sairia nosso barco para a ilha de Molokini. Esse é o melhor ponto de mergulho em Maui e dez entre dez operadoras levam seus clientes para lá. Exatamente por isso estávamos madrugando. A nossa operadora gosta de ser a primeira a chegar lá, ainda com o sol nascendo, para podermos fazer, ao menos o primeiro mergulho, a sós.
A cratera semi-submersa de Molokini, na costa de Maui, no Havaí
Ainda de madrugada, embarcando para mergulhar em Molokini, na costa de Maui, no Havaí
Dito e feito, os primeiros raios de sol começaram a aparecer e estávamos navegando, já devidamente vestidos e prontos para cair embaixo d’água. A pequena ilha de Molokini é uma cratera vulcânica semi-submersa. Passando de avião sobre ela, quando chegamos à Maui, foi possível ver com perfeição sua forma circular. As últimas erupções vulcânicas ali acorridas foram há mais de 200 mil anos mas, bem mais recentemente, outro tipo de explosão era bem comum por lá. Isso porque, durante a 2ª Guerra Mundial, os americanos a transformaram num local de prática de tiros. Pior, na década de 70, resolveram explodir toda a munição encontrada por lá, sob as águas, remanescentes desse “treino” de 30 anos antes. O estouro resultante destruiu uma enorme área de corais e a reação pública foi grande. O lado bom da história é que, com a controvérsia, toda a área foi transformada em um parque marinho. Para a alegria dos mergulhadores, já que a visibilidade em Molokini raramente cai abaixo dos 30 metros, estando muitas vezes perto dos 50 metros.
Chegando à cratera semi-submersa de Molokini, na costa de Maui, no Havaí
Início de mergulho em Molokini, na costa de Maui, no Havaí
Os dois mergulhos foram ótimos, principalmente o primeiro, quando ainda éramos o único barco por lá e os seres marinhos ainda não tinham se assustado com tanto movimento. Vimos centenas de peixes, um polvo (adoro ver polvo embaixo d’água”), barracudas e vários tubarões de Galápagos. No segundo mergulho, já com vários outros grupos mergulhando por perto, os peixes maiores sumiram e a diversão maior foi com os pequenos mesmo, além das formações de corais. O único porém do programa foi que nossa máquina subaquática pifou logo no início do primeiro mergulhos. Temos filmes, mas a edição ainda vai demorar. Enquanto isso, as belas imagens subaquáticas de Molokini vão ficar só na nossa memória, mesmo. Só posso dizer que, para quem gosta de mergulhar e vem à Maui, é um programa imperdível.
Momentos antes da nossa câmera pifar de vez, durante mergulho em Molokini, na costa de Maui, no Havaí. As cores já estão distorcidas...
De volta à terra firme, fomos conhecer o litoral ao sul de Kihei. Eu e a Ana já tínhamos ido até a Big Beach, mas a estrada segue mais ao sul, até um local chamado La Perouse Bay. É um bom local para se praticar snorkel e tentar ver golfinhos. Para seguir adiante, só à pé, pois a estrada termina. A trilha segue sobre um enorme campo de lavas endurecidas, prova que o passado vulcânico de Maui não é tão distante assim.
Um delicioso fim de tarde na praia de Big Beach, ao sul de Kihei, litoral de Maui, no Havaí
Fim de tarde despreocupado na Big Beach, ao sul de Kihei, litoral de Maui, no Havaí
A gente, depois da correria dos últimos dias, achamos melhor sossegar um pouco o facho. Como snorkel após o mergulho da manhã não nos sensibilizou, voltamos para a Big Beach e aí passamos a tarde. Nossos corpos combalidos estavam merecendo o descanso!
Botando a conversa em dia, depois dez meses sem se ver (na Big Beach, em South Kihei, em Maui, no Havaí - foto de Laura Schunemann)
Voltando da Little Beach para a Big Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí
A Ana ainda foi levar o Rafa e a Laura para conhecer a Little Beach, do outro lado da encosta. Eu preferi ficar esperando, só observando os surfistas darem seu show na praia. Na verdade, as ondas nem estavam tão propícias assim ao esporte, mas pareciam ótimas para aqueles que vem correndo pela areia e jogam suas pranchas na onda que retorna ao mar. Ali, eles encontram uma outra onda que vem e é nessa que fazem suas manobras. São craques nisso!
Surfistas dão show na Big Beach, em South Kihei, em Maui, no Havaí (foto de Laura Schunemann)
Feliz da vida nana Big Beach, em South Kihei, em Maui, no Havaí. Quem não estaria? (foto de Laura Schunemann)
Os três voltaram da Little Beach e ficamos ali, jogando conversa fora, fotografando, botando assuntos em dia e esperando o entardecer. Por fim, voltamos ao hotel e resolvemos celebrar o reencontro num belo jantar num restaurante mais invocado, ali ao lado. Foi um investimento, mas certamente valeu a pena. Três de nós optamos por um salmão que estava uma delícia, vindo diretamente do Alaska. Engraçado que, agora, quando ouço que vem do Alaska, tenho um sentimento quase patriótico, como se aquele estado também já fosse meu. Pois é, aos poucos, roda a América vai parecendo a nossa casa. Sinal de que a viagem está funcionando!
Delicioso jantar em Kihei, em Maui, no Havaí
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