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MARCOS (26/05)
Bom dia Ana e Rodrigo Meu nome é Marcos, venho acompanhando a viagem de ...
Marco (25/05)
Obrigado pela visita. Gostei do texto. Voltem sempre. Um facho de luz, Ma...
Paulinha Ribas (25/05)
nossa, essa foi punk mesmo, hein?? adorei! principalmente pq tudo acabou ...
Tatiana de Queiroz (24/05)
Oi, Ana. Eu que não sou fã de acampar, fiquei com vontade. Que lugar li...
Carolina Kavalieris (23/05)
Nossa Ana,que lugar lindo!! Adorei as fotos. Seu blog é 1000 Bjuxx...
O colossal Denali, maior montanha da América do Norte, durante sobrevoo do Denali National Park, no Alaska
Adoraria que isso fosse verdade. Eu que nunca imaginei ser uma montanhista de verdade, quero dizer, uma alpinista de altas montanhas, comecei a mudar a minha opinião em duas diferentes situações: a primeira foi quando meu cunhado e meu primo voltaram do Equador depois de uma temporada de escalada no Cotopaxi e no Chimborazo. As fotos eram simplesmente lindas, um mundo que eu ainda não conhecia, branco, mágico. Na hora pensei: “um dia eu tenho que fazer isso.” A segunda vez foi quando o primo, Haroldo, esteve no alto do Denali e novamente compartilhou as fotos da expedição. A pergunta que sempre me perturbava era: será que eu sou capaz? Bem, eu acredito que se alguém quer muito alguma coisa, com foco e muita disciplina ela pode conseguir, só depende dela tomar a decisão.
Avião sobrevoando o Denali National Park, no Alaska
Durante a viagem tive a minha primeira experiência acima dos 5 mil metros no Atacama, Chile e o primeiro pico no El Misti (5.897m), no Perú. Não posso comparar com o Denali, mas posso dizer que já tenho uma milionésima ideia de como a coisa funciona. Além do preparo físico, aclimatação, o mais difícil é conseguir controlar o lado psicológico, as restrições, o sofrimento pela baixa temperatura, dedos dos pés, mãos e nariz congelando e o cansaço quase instransponível. Do outro lado uma vontade irracional de chegar, desistir não é uma opção, leve o tempo que levar, o cume é o meu único objetivo. Acho que melhores equipamentos e estrutura teriam me ajudado a encarar tudo de forma mais fácil, caminhar montanha acima pensando que vai perder um (ou mais) dedo(s), não é nada agradável. Mas, no meu caso, José, nosso guia teve um papel importantíssimo, pois teve a paciência de me esperar e seguir comigo até o cume. Outros ficaram para trás, dos 8 integrantes eu fui a quarta e última a chegar no alto do El Místi.
Sobrevoando montanha nevada no Denali National Park, no Alaska
Bem, já que não podemos chegar ao cume do Denali, pelo menos não ainda, encontramos um jeito de chegarmos mais perto desta gigante. Desde que começamos a viagem este era um dos pequenos luxos que havíamos programado. Sobrevoar o Denali é uma forma do Rodrigo, meu amado montanhista, se sentir mais perto da montanha. Quando passamos pela Nicarágua conhecemos um piloto de aviões que operava estes voos e ele nos falou: “Não deixem de fazer este sobrevoo, se vocês querem ter uma ideia da grandiosidade do Alasca, a única maneira é pelos ares.”
Sobrevoando montanhas do Denali National Park, no Alaska
O vôo panorâmico do Denali National Park tem várias rotas, escolhemos a que culminava em um looping entre os 12 e 14 mil pés ao redor do Mount McKinley. Este é um tour muito comum, várias empresas oferecem saindo de bases próximas à vila de Denali ou da cidade de Talkeetna, na fronteira sul do parque. Voar de Talkeetna é mais rápido e talvez um pouco mais barato, mas os tipos de aeronave mudam e um dia poderá fazer toda a diferença no clima sobre a montanha. O tempo estava mudando, o dia ensolarado de ontem já deu espaço para um dia mais nublado e incerto hoje. Em Denali encontramos uma agência que negociou e agendou o voo com a Denali Air em uma das aeronaves mais seguras e modernas da região, e o melhor, para hoje. A companhia só cancelaria o tour se o tempo fechasse completamente e não houvesse condição alguma para voar.
Sobrevoando montanhas do Denali National Park, no Alaska
16h30 decolamos e o espetáculo começou! Sobrevoamos o parque, suas montanhas mais baixas já estão cobertas por neve, uma novidade para o final desta temporada. Normalmente a neve só cai e fica depois de outubro. Voamos paralelos a Alasca Range, cruzamos os vales e ganhamos altitude rapidamente. Logo estamos ao lado de picos nevados, cristas de montanhas que parecem virgens e intocadas. Entre as montanhas, os imensos rios de gelo, glaciares fascinantes que escorrem vagarosamente esculpindo vales e dando nova forma ao relevo.
A gigantesca geleira que nasce entre os dois picos do Denali, no Denali National Park, no Alaska
No avião, durante voo sobre o Denali National Park, no Alaska
Durante o voo vamos escutando um áudio com uma trilha sonora épica, uma narração de cada trecho da viagem e parte de sua história. Aproximados 30 minutos de voo e finalmente avistamos o Denali, “the high one”, ainda acima das nossas cabeças. Entre as nuvens conseguimos ver os dois picos, o North Peak a 19,470 pés (5.934m) e o South Peak a 20.320 pés (6.193m). Damos a volta pela South Buttrees e logo estamos sobrevoando o famoso Amphitheater, local onde começa o árduo trabalho dos montanhistas. Até lá, eles chegam de avião e fazem um emocionante pouso no glaciar. Com mais 80 ou 100 dólares por passageiro as companhias podem adicionar ao pacote o pouso no mesmo local.
Muitas montanhas nevadas ao redor do Denali, durante sobrevoo do Denali National Park, no Alaska
O gelo retorcido dos glaciares visto do alto é um espetáculo à parte, difícil tirar os olhos e os dedos afoitos dos botões da máquina fotográfica. Damos outra volta e nos aproximamos agora da parede sudoeste da montanha, uma das mais perigosas e com altíssimo índice de avalanches.
Uma das muitas geleiras que descem do Denali, no Denali National Park, no Alaska
O retorno foi pelo norte da Alasca Range, sobrevoando o Muldrow Glacier, um dos maiores glaciares do parque nacional, seus rios e lagoas de águas azuis ciano. Nas montanhas próximas conseguimos ainda avistar um urso solitário em busca de alguma pobre dall sheep. As dall sheeps por sua vez, estavam bem espertas, do outro lado do vale, ainda mais elevadas em sua montanha. Estas sim são montanhistas por natureza, sem equipamento e medo algum sobem saltitantes para salvar-se dos seus predadores.
Avistando cabras montesas do avião durante sobrevoo do Denali National Park, no Alaska
Um urso é visto durante sobrevoo do Denali National Park, no Alaska
Até o pouso, próximo ao Rio Nenana, foi espetacular em um dia com muitas paisagens memoráveis. As nuvens podem ter atrapalhado um pouco a visão dos picos, ao mesmo tempo são elas que dão perspectiva para o cenário. Bom mesmo deve ser virar piloto e poder voar em todas as condições, dias ensolarados, nublados, nevados ou sobre as montanhas verdes e amareladas nos dias de outono. Mudamos a perspectiva e vemos que ainda temos todo um mundo novo para conhecer.
Sobrevoando vale no Denali National Park, no Alaska
O bimotor que nos levou para um sobrevoo do Denali National Park, no Alaska
O glorioso entardecer no Castillo San Pedro del Morro, ao sul de Santiago de Cuba
Não que Santiago seja uma cidade que deva ser conhecida em apenas um dia, mas se o acaso te levar a esta situação, aqui vai a minha sugestão.
Comprando ervas e verduras em Santiago de Cuba, no leste do país.
O nosso roteiro começou pelo bairro bacana de Santiago, sim, até em um país socialista existem diferenças sociais. O bairro de Vista Alegre é onde estão localizadas galerias de arte contemporânea e o Museu da Imagem de Cuba, com exposições de fotografias antigas e recentes do país. Começando o dia cedo se pode passar pelo por um dos agradáveis cafés do bairro, normalmente há pouca variedade no menu (como em toda Cuba), mas o bairro é bem arborizado e aprazível.
Táxi em Santiago de Cuba, no leste do país.
Saímos dali e pegamos um táxi para a Plaza Céspedes, no coração de Santiago, para encontrar o Rodrigo. Ele havia saído mais cedo para a estação rodoviária confirmar nossas passagens e aproveitou para passar no Museu Frank País, que conta a vida deste personagem importante na história da Revolução Cubana. Frank País foi o maior organizador da luta clandestina e do suporte à guerrilha liderada por Fidel, Che, Camilo e Raul. O museu estava fechado, mas Rodrigo conseguiu uma “exclusiva” com a diretora do museu, que lhe contou a história, respondendo a todas as suas perguntas por mais de meia hora.
Vista do Balcón de Velázquez em Santiago de Cuba, no leste do país.
Na Plaza Céspedes estão alguns dos edifícios históricos mais importantes da cidade, como a Catedral, o Museu de Ambiente Histórico Cubano, antiga casa de Diego Velásquez (1522) e o tradicional Hotel Casa Granda, onde comemos ontem à noite. Inclusive desconfio seriamente que foi o frango que comi aí ontem que me fez mal e me deixou todo o dia com dores e um mal estar terrível. Bem, encontramos Rodrigo e seguimos para o Balcón Velásquez, um dos lugares com melhor vista para o porto de Santiago, de onde pudemos ver também a escola onde Fidel Castro estudou e ao lado o Museu da Luta Clandestina, com fotos e memórias dos principais líderes da luta clandestina ao lado de Frank País.
Visitando o museu de La Lucha Clandestina, em Santiago de Cuba, no leste do país.
Enquanto víamos a exposição, Rafa e Laura conheceram uma figura sentada à porta do museu. Um senhor com aparência de mendigo, meio borracho e que começou a contar uma história:
“Se hoje estou assim é por três motivos: o primeiro é o álcool, o segundo é falar sempre a verdade e o terceiro foi ter me apaixonado pela mulher errada.” O senhor X estudou medicina em Cuba e especializou-se em medicina nuclear na Rússia. Lá se apaixonou pela filha do Erich Honnecker, líder da Alemanha Oriental, tentou, mas foi impedido de viver este amor impossível. Voltando contra a sua vontade a Cuba casou-se com uma cubana, teve filhos e fez-se chefe de medicina nuclear, setor de quimioterapia no início da revolução. Um dia em um encontro com Fidel, este o perguntou por que, mesmo com tantos investimentos, tantas pessoas continuavam morrendo de câncer em seu país. Ele sem titubear o respondeu: “porque todo o dinheiro doado pelos ricos apoiadores da revolução vai para as suas clínicas particulares e não chegam aos hospitais públicos.” Em pouco tempo ele teve o seu direito de exercer a medicina caçado e desiludido começou a beber. Daí para frente vocês já imaginam... a bebida lhe afastou de sua família, perdeu sua esposa, filhos, profissão e sua saúde. “Sou um alcoólatra, vocês podem estar pensando que é tudo invenção minha, aguardem um minuto que eu já volto” E voltou com fotos de toda a sua vida, viagens à Rússia, fotos como médico, sua família, etc. Impressionante! Eu o conheci, mas a história completa nos foi reproduzida depois por Laura e Rafael, que tiveram o prazer e a sorte de sentar e escutar essa história de vida que mais parece um filme!
Balcón de Velázquez, em Santiago de Cuba, no leste do país.
A esta altura o mal estar me pegou forte e me fez baixar o ritmo de caminhadas. Eu e o Ro pegamos um táxi para a pousada e ali ficamos por umas duas horas, enquanto Laura e Rafa foram visitar uma fábrica de charutos. Esse é o roteiro para vocês, que não seguirão o meu exemplo e não ficarão doentes. Chazinho de menta, muita água e descanso me ajudaram a melhorar um pouco e assim que eles chegaram saímos para o Castillo San Pedro del Morro, uma fortaleza há uns 10 km do centro da cidade.
A baía de Santiago de Cuba vista do alto do Castillo San Pedro del Morro, ao sul da cidade
O castillo é belíssimo e está bem localizado no alto de um morro (60 m.s.n.m.) com uma bela vista para a Baía de Santiago de Cuba, o porto e toda a sua costa. Projetado em 1587, foi construído apenas entre 1633 e 1693 para defender a cidade de piratas do Caribe. Tornou-se um Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco em 1997, sendo considerada uma das fortalezas mais bem preservadas no caribe-hispânico.
A bela vista do Castillo San Pedro del Morro, ao sul de Santiago de Cuba
O fim de tarde em uma de suas varandas é espetacular! Coincidência ou não, foi justamente aí que encontramos dois grupos de brasileiros, Juliana e Gabriel, um casal de gaúchos estudantes de psicologia que estão em uma viagem de um mês por Cuba e Rodrigo e Rafael, dois amigos estudantes de medicina que vieram para um estágio de um mês e deram uma esticadinha para conhecer o país. Encontrar toda essa brazucada foi muito bacana, cada um contado suas impressões, experiências e aventuras pelo país e eu só escutando, estava passando tão mal que nem consegui acompanhá-los em uma cervejinha.
Reunião de brasileiros em Santiago de Cuba, no leste do país.
Na volta inventamos de dar carona para todos eles até o centro da cidade, imaginem como ficou o carro com 8 pessoas dentro!?! Acreditem ou não foram 6 na frente e 2 no porta-malas! Nem eu que estava lá e vi tudo, podia acreditar na situação, então aí vai a foto do crime! Rsrsrs!
Acomodando-se no porta-malas do nosso carro em Santiago de Cuba, no leste do país.
Se o seu dia acaba como o meu, não sobrou muito tempo, se prepare para ir à rodoviária e espero que tenham gostado! Senão, a noite ainda pode ser longa começando na Casa de La Trova e seguindo os passos dos cubanos mais antenados que você encontrar por lá!
Lua nova sobre o Castillo San Pedro del Morro, ao sul de Santiago de Cuba
Nós seguimos para a rodoviária, demos um até logo aos nossos amigos e nos preparamos psicologicamente para as próximas 15 horas dentro de um ônibus. Ele saía às 22h, chegamos lá uma hora antes e descobrimos que a agência de turismo que nos vendeu a passagem em Trinidad não passou os dados, a reserva e a compra para o escritório central da Via Azul. Quase ficamos sem vagas! Ainda bem que nosso santo é forte, sobraram duas poltroninhas e deu tempo de embarcarmos.
Embarco neste ônibus com aquela tristeza que bate quando a viagem já está acabando. Engraçado, fazia tempo que eu não sentia isso, acho que a última vez que tive esta sensação foi em Galápagos. Também, viajando 1000dias é impossível ficarmos tristes, isso só nos dá a certeza de que um dia voltaremos para Cuba.
Com nossos amigos franceses no cume do Pico Duarte, na República Dominicana, o ponto mais alto de todo o Caribe
Pico Duarte, a maior montanha do Caribe está a 3.086m sobre o nível do mar. Paisagens montanhosas com florestas de pinus e um clima ameno típico de áreas subtropicais, em pleno Caribe. Nos dias mais claros temos uma bela vista da Ilha de Hispaniola e quem sabe até a costa norte da República Dominicana. É claro que uma expedição que está viajando toda a América e todos os países do Caribe não poderia deixar esse destino de fora.
Vista do alto do Pico Duarte, na República Dominicana
Localizada na região montanhosa no centro do país, a cidade de acesso é a simpática Jarabacoa. Jarabacoa está cercada por montanhas, vales, rios e cachoeiras e é a Campos do Jordão dos dominicanos. Nos feriados e finais de semana os capitalinos escapam do calor de Santo Domingo e buscam uma experiência única de sentir o clima mais ameno, abaixo dos 20°C, tomar um vinhozinho, comer foundes e aproveitar o frescor dos ares de montanha.
Mulas descansam na área do refúgio do Pico Duarte, na República Dominicana
A temporada de escalada aqui é durante os meses de inverno, dezembro e janeiro, curiosamente inversa à maioria das montanhas do mundo. O motivo? Jovens e adultos dominicanos querem experimentar o frio inexistente em qualquer outro lugar no país. Nesta época as temperaturas no pico podem ficar perto do zero grau, com sorte até abaixo.
Umidade presa nas teias de aranha parecem flores! (trilha do Pico Duarte, na República Dominicana)
A caminhada começa na comunidade rural de La Cienaga, a quase 2 horas de Jarabacoa. Lá encontramos o guia e o muleiro que iria nos acompanhar até o pico. O guia contratado organizou tudo, nos levou à La Cienaga, mas delegou a guiada para um colega que amanheceu doente. Assim acabamos ficando com um terceiro guia e muleiro, um jovem de 15 anos que sobe esta montanha desde os 6, garante ter experiência, leva muito bem as mulas e, o principal, diz que sabe cozinhar. Veremos!
Arrumando as mulas para a subida do Pico Duarte, na República Dominicana
Começamos a caminhada perto das 7h30 da manhã após um desayuno típico com ovo, linguiças, batata e banana cozida acompanhados de um delicioso chocolate quente. Estava chovendo, o que não era nada animador, mas pelo menos garantiria uma subida mais fresca e tranquila.
Descanso na trilha do Pico Duarte, na República Dominicana
Saímos de La Cienaga (1.110m) com um bom passo, já que os primeiros 4 quilômetros são praticamente planos. Passamos pela área de camping de Los Tablones (1.278m) e seguimos morro acima, subindo uma crista rodeada pela floresta úmida e nublada até chegarmos a La Laguna (1.980m), onde fizemos nossa primeira parada de descanso e almoço para recarregar as energias. Já se haviam passado 12 quilômetros, praticamente metade do caminho.
Encruzilhada na trilha do Pico Duarte, na República Dominicana
No último trecho até La Laguna conhecemos o simpático casal de franceses, Jean e Martine, que vieram à Republica Dominicana comemorar os seus aniversários de 50 anos! Acostumados com os Alpes como quintal de sua casa, estavam ansiosos para conhecer um ambiente de natureza tropical e com novas paisagens. Martine é professora de inglês e aprendeu a falar um pouco de espanhol para esta viagem, enquanto Jean falava apenas o francês. Ficaram contentes em encontrar um casal que falava espanhol, inglês e ainda arranhava no francês. Jean pôde ter várias conversas sobre economia e política latino-americana e europeia com o Rodrigo, que aproveitou para manter aquecido o francês que acabava de praticar no Haiti.
Muita névoa na subida do Pico Duarte, na República Dominicana
Muita névoa na subida do Pico Duarte, na República Dominicana
A caminhada continuou com boa companhia e sentindo a exigência física, não apenas da subida, mas da menor quantidade de oxigênio no rápido ganho de altitude. Passamos o El Cruce (2.180m) e chegamos à Aguita Fría, agora acima das nuvens já nos 2.650m. A paisagem mudou drasticamente, de floresta úmida e tropical passamos a uma mata de coníferas e gramíneas típicas das altas montanhas.
Finalmente, o tempo abre na subida do Pico Duarte, na República Dominicana
O último trecho de caminhada foi aquecido pelo sol e logo dominado pelas nuvens, que passavam mais rápido do que o tempo e a longa quilometragem até o campo base, La Compartición, a 2.450m. A propósito é muito injusto nos esforçarmos tanto para subir e antes de chegarmos ao pico perdermos 200m de altitude, mas são ossos do ofício. Chegamos ao acampamento as 14h30 e o Rodrigo já havia descansado uns 20 minutos, suficiente para decidir continuar e chegar ao pico hoje mesmo. Típico desafio que adora esse meu marido atleta. Ele deve subir e descer 10km, dos 2.450m aos 3.087m em três horas e meia. O tempo estava péssimo, as nuvens baixas e era garantido que não teria nenhuma vista lá de cima, mas o seu gosto por montanhas e desafios é maior do que qualquer cansaço ou tempo ruim.
Refúgio para os alpinistas que sobem o Pico Duarte, na República Dominicana
Enquanto ele foi, eu fiquei ali conversando com os exploradores dominicanos que haviam subido ontem, passado o dia entre o pico e La Compartición e que descerão amanhã. Todos muito divertidos e com muito assunto, falamos da vida, dos acampamentos, do nosso gosto comum pela montanha, mato, trilhas e a vida na natureza. Logo os guarda parques, guias e exploradores já haviam cortado madeira suficiente para garantir uma fogueira que nos aqueceria durante a noite fria.
Esquentando-se na fogueira no fim de tarde gelado no refúgio do Pico Duarte, na República Dominicana
Enquanto o Rodrigo ia até o cume, eu e nossos amigos franceses descansamos, conversamos e preparamos nossos colchonetes e sacos de dormir no refúgio, nossos guias preparavam uma comida quentinha para o jantar.
Cozinhando nosso jantar no refúgio em Compartición, pouco abaixo do Pico Duarte, na República Dominicana
Quanto mais o tempo passava mais aflita eu ficava, mas tinha cá comigo a certeza que Rodrigo chegaria no tempo combinado. A aflição só veio na última meia-hora, pois começou a chover, o tempo esfriava mais e eu sei que nos bons dias ele iria querer baixar ainda mais essa média, mas não hoje. Ele chegou molhado da chuva e esfomeado exatamente as 18h, horário previsto por todos. Seu tempo foi sim ótimo, é que não contávamos que ele iria deitar aos pés do busto do Presidente Duarte e dormir profundamente por pelo menos 20 minutos, até sonhou! É uma figura mesmo, ainda bem que o frio o despertou e para baixo todo o santo ajuda. Logo ele estava seco e bem alimentado, se aquecendo ao meu lado na roda em torno da fogueira.
A 3.080 metros de altitude, em meio à neblina, junto com o Duarte, no alto da montanha mais alta do Caribe, na República Dominicana
No refúgio no fim de tarde, esquentando-se na fogueira (trilha do Pico Duarte, na República Dominicana)
A subida havia sido cansativa e os espinhos do ouriço que eu chutei na Paradise Beach, lá no Haiti, agora começavam a inflamar no meu pé. Consegui uma agulha e uma pinça com os meus novos amigos exploradores e lá fui eu, depois de desinfetá-las no Bacara - rum haitiano, consegui retirá-los, um a um do meu pé. Quando retirei o mais inflamado deles, o do dedão, foi alívio instantâneo! Sem a dor agora eu sabia que poderia não apenas ir até o pico, como voltar até a base sem precisar usar a nossa “amulância”.
Fogueira noturna, no refúgio um pouco abaixo do Pico Duarte, na República Dominicana. O pé que aparece na frente é o do Rodrigo, tentando esquentá-lo ao fogo!
Na madrugada seguinte acordamos todos as 4 da manhã. Os amigos dominicanos para descer e nós para o ataque ao cume após um chocolate quente. Durante a madrugada o céu limpou e a noite estava muito agradável para uma caminhada à luz da lua. Subimos em bom passo, discutindo economia e ecologia com Martine e Jean e observando ao longe as luzes de Santiago e outras cidadezinhas próximas. A discussão entre o Rodrigo e a Martine logo ficou mais inflamada, o que me foi mais um incentivo para acelerar e ganhar o silêncio da montanha enquanto o sol despontava no horizonte.
A caminho do cume do Pico Duarte, na República Dominicana, com o dia nascendo
O dia nasce um pouco antes de chegarmos ao cume do Pico Duarte, na República Dominicana
Chegamos ao pico em uma hora e meia, pouco antes das 7h da manhã, e o sol já iluminava toda a paisagem. Lá estava o busto do Presidente Duarte, o mesmo que fez companhia ao Rodrigo na tarde de ontem.
Com nossos amigos franceses no cume do Pico Duarte, na República Dominicana, o ponto mais alto de todo o Caribe
Jean e Martine gostaram da caminhada, mas pareciam desapontados com a paisagem de coníferas, iguais às das montanhas francesas. Também, pudera! Vivendo nos Alpes franceses fica mesmo difícil encontrar paisagens mais bonitas que as do seu quintal. De qualquer forma é impressionante saber que estamos em pleno Caribe com um cenário como este e ainda mais altos que o Pico da Neblina (ponto mais alto do Brasil com 3.011m).
A bela visão que se tem quase ao chegar ao cume do Pico Duarte, na República Dominicana
Tiramos fotos, trocamos ideias de novas montanhas a escalar, na Europa e nas Américas e logo estávamos de volta à La Compartición para um bom café da manhã. Desmontamos acampamento e seguimos montanha abaixo, hora de terminar a conquista dessa montanha. O Rodrigo desceu acelerado e eu só o vi duas ou três vezes. Nos encontramos para o almoço em La Laguna e depois lá na base, na sede do parque. Nem que eu acelerasse nos quilômetros planos do final eu conseguiria alcança-lo. São 7 anos juntos eu ainda espero ter companhia durante as trilhas nas montanhas... É o ônus de ter um maridão atleta e montanhista.
No ponto mais alto do Caribe, o Pico Duarte, com 3.080 metrtos, na República Dominicana
No final ainda tomamos coragem e, brindando com uma presidente à convite de Jean e Martine, nos banhamos nas águas geladas do Rio Frío, o melhor remédio contra o cansaço muscular dos 46 quilômetros que acabávamos de enfrentar! Bela trilha, linda caminhada e uma experiência memorável! Depois do Pico Duarte nossa visão do Caribe nunca mais será a mesma.
Vista do alto do Pico Duarte, na República Dominicana
Tivemos muita dificuldade de encontrar informações na internet de como organizar a excursão ao Pico Duarte. A maioria dos tours são montados por hotéis em Jarabacoa e cobram entre 400 e 500 dólares por pessoa para uma excursão de 3 dias. Para baratear nós decidimos ir direto para Jarabacoa e tentar organizar sozinhos, mas precisávamos de alguns equipamentos de cozinha, saco de dormir e o guia.
Encontro com tropa de mulas na trilha do Pico Duarte, na República Dominicana
A trilha é bem marcada e difícil de errar o caminho, ainda assim é obrigatória a contratação de um guia e de pelo duas mulas, uma para carregar os equipamentos e outra em caso de qualquer acidente.
Descendo a trilha do Pico Duarte, na República Dominicana
Em Jarabacoa ficamos hospedados na Posada Brisas del Yaque e eles nos indicaram um guia local que poderia organizar todo o tour, incluindo o transporte. Monchy foi muito atencioso, soube avaliar bem a nossa experiência e nos ajudou a definir o roteiro em 2 dias, ao invés de três. O valor do transporte para La Cienaga (e retorno a Jarabacoa), compra de comida, aluguel de sacos de dormir e casacos extras, guia e duas mulas nos saiu por 200 dólares por pessoa, ou 8.200 pesos dominicanos*.
Agora, depois de ter passado por lá, conhecido os guias e como tudo funciona, temos uma dica quentíssima para economizar horrores.
Guia e Mulas - O ideal é contratar o guia-muleiro e as mulas direto em La Cienaga. Isso irá custar em torno de 2.800 a 3.000 pesos.
Alimentação - Você terá que providenciar a comida, que pode ser comprada em qualquer supermercado de Jarabacoa, incluindo a alimentação do guia. Eles estão acostumados a preparar carnes (frango e porco), arroz e batatas, alimentos ricos e com bastante sustância para aguentar o tranco da montanha. Além de sanduíches, frutas e barras energéticas para os almoços na trilha. No refúgio o guia irá cozinhar no fogão à lenha e poderá providenciar as panelas e utensílios necessários. É importante levar água para a subida, mas uma vez em Compartición, você terá água pura e deliciosa da montanha para beber e encher os cantis para a volta.
Fonte de água potável na trilha do Pico Duarte, na República Dominicana
Transporte – Esta é uma das partes mais trabalhosas, mas não impossível de resolver. Existem transportes públicos de Jarabacoa à La Ciénaga, porém eles são escassos e você pode ter que dormir em La Ciénaga na noite anterior e na noite posterior da trilha. Se você tiver tempo esta é a forma mais barata de chegar até lá. Lembrando que você irá gastar um pouco com as hospedagens rústicas em La Ciénaga. Outra forma é ir com o seu carro alugado, como fizeram nossos amigos franceses. A estrada é de terra e tem trechos meio complicados, mas devagar um carro comum também chega. A terceira opção é tentar negociar um preço com uma operadora de turismo de Jarabacoa que já esteja indo para lá e cobre apenas transporte.
Placa marca o cume do Pico Duarte, na República Dominicana
No final, somando alimentação, guia, mula e o transporte, além da praticidade e atendendo ao tempo que tínhamos disponível, ficamos contentes com o serviço que tivemos. Mas se tivéssemos mais tempo o passeio poderia ter saído por metade do preço.
*Cambio Atual: 1 dólar = 41 pesos dominicanos.
Grafitagem em Olinda - PE
Um dia de muito trabalho e menos andanças. Depois de uma semana com a rotina de mergulhos e caminhadas nas praias de Noronha, precisamos nos aquietar um pouco e deixar os blogs atualizados. A Pousada que escolhemos tem um ambiente super agradável, acolhedor e uma boa conexão. Escrevemos no pátio rodeados de mangueiras, o Ro deu um mergulho na piscina super tropical e aos poucos fomos conseguindo colocar tudo em dia.
Entrando na piscina da nossa pousada em Olinda - PE
Previsão do tempo: dia estava quente, com chuvas esparsas durante a tarde. Aproveitamos um intervalo entre as chuvas e fomos até a Creperia aqui perto para um almocinho rápido antes de começar a caminhar pelas coloridas ladeiras de Olinda. O centro histórico transpira cultura, ateliers em cada janela, músicos em cada porta, história em cada esquina. Passamos até pela Associação dos Artistas Aposentados de Olinda, fundada em 1909 e com sede própria! A cidade já super em clima de carnaval! Casas sendo alugadas para camarotes e eventos e a delegacia especial para turistas em pleno funcionamento.
Casas coloridas em Olinda - PE
Igrejas, museus de mamulengos e painéis coloridos na cidade alta, do Carmo à Sé. O pré-carnaval já está em aquecimento, ouvimos nos becos os grupos de percussão treinando e até a produção do evento de pré-reveillón com forró pé de serra e vista para o Recife. A chuva voltou e não deu trégua até a noite, voltamos para a labuta enquanto ela refrescava as ladeiras.
Cidade alta em Olinda - PE, em dia chuvoso
Toda esta criatividade também é aplicada na culinária e fomos conferir! A Oficina do Sabor é um dos restaurantes mais conhecidos e recomendados em Olinda. Provamos a especialidade da casa, Jerimum com Camarão ao molho de Pitanga e para acompanhar um delicioso vinho carmenere! Valeu a dica Julio, como você disse, valeu cada centavo!
Delicioso jantar de jerimum com camarões ao leite de coco com molho de pitanga, no restaurante Oficina do Sabor, em Olinda - PE
Curiosidade: Abóbora, Moranga ou Jerimum?
O que o pessoal das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste chama genericamente de abóbora, é o mesmo que a turma do Norte e Nordeste chama de jerimum. São esses frutos de polpa alaranjada, "aparentados" da melancia, do melão, do chuchu e do pepino. Falamos em parentesco porque eles pertencem a uma mesma família de vegetais, que recebe o nome de Cucurbitácea.
A maior parte das espécies é originária do Peru, México e América do Norte, mas foram encontradas evidências de que ela já era conhecida aqui, na América do Sul, há mais de 5 mil anos atrás. Hoje as abóboras ocupam o 7° lugar entre as hortaliças mais cultivadas no Brasil, sendo preparadas das mais diversas formas: desde pãezinhos, doces de colher, doces cristalizados, pudins, bolos e sorvetes aos molhos e sopas requintados, servidos com pompa e circunstância nos melhores restaurantes. Existem inúmeras variedades de abóbora, sendo que as mais facilmente encontradas aqui no Brasil são:
Abóbora seca ou "pescoçuda": frutos grandes, de formato alongado, que podem atingir até 15k. Sua textura e sabor mais adocicado são ideais para o preparo de doces e compotas.
Abóbora Baianinha: frutos menores, também alongados, com casca rajada. Algumas dessas variedades são cultivadas em miniaturas, para o uso decorativo, compondo arranjos em parceria com flores.
Moranga: possui casca lisa, e arredondada e um pouco achatada em cima e em baixo, com vários "gomos".
Abóbora Japonesa ou Kabotiá: fruto arredondado e com gomos, como a moranga, mas de casca verde-escura e interior alaranjado, tendendo para o ocre. Possui um teor menor de água, sendo mais indicadas para preparações salgadas.
Fonte(s):
http://www.sadia.com.br/br/receitas/rece…
http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20080801193113AACb22d
Cachoeira da Velha, no Rio Novo, no Jalapão - TO
Adoooro acampar, mas eita coisa difícil de convencer o Rodrigo a fazer. Para a minha surpresa, desta vez quem surgiu com a proposta foi ele! Uma praia deserta às margens do Rio Novo no Jalapão, cenário perfeito para um acampamento. Lá fomos nós, já no final da tarde de ontem, torcendo para conseguir chegar ainda com um pouco de luz.
Noite de acampamento na Prainha do Rio Novo, no Jalapão - TO
Além de ser um lugar mágico a Prainha do Rio Novo também está em uma localização estratégica, ao lado da Cachoeira da Velha. Este trecho entre Mateiros e Ponte Alta que começamos ontem tem muitas atrações e tínhamos duas opções, ou rodamos 40 km até as Dunas e voltamos dormir em Mateiros, ou seguimos mais 65 km adiante e dormimos na Prainha, já curtimos os arredores, conhecemos a Cachoeira da Velha cedo e continuamos viagem para Palmas. Esta foi mais uma das super dicas do Luis, leitor e aventureiro que esteve no Jalapão alguns meses antes de nós.
Flores no cerrado, no Jalapão - TO
Estava anoitecendo quando montamos o acampamento e não tivemos um segundo para explorar o rio e ver qual era a sua natureza: pedras, pura areia, galhos? Teremos que descobrir. O Luis comentou que ficou tomando banho até tarde da noite por lá, quer dizer, perigoso não devia ser. Nós estávamos completamente sozinhos e numa escuridão total. Acampamento montado, inclusive com uma varandinha gostosa, fui logo preparar o nosso jantar.
Cozinhando na Prainha do Rio Novo, no Jalapão - TO
Não tínhamos muita opção nos mercados de Mateiros, nos restou um macarrão ao molho tomate, sem queijo ralado. Sobremesa, uvas e chocolate, mas estava tão gostoso! Só o fato de estarmos ali, longe de tudo e todos, com uma comida quentinha, às margens do rio, céu estrelado, esperando a lua nascer, já deixava tudo muito mágico.
Acampamento em noite de lua cheia, na Prainha do Rio Novo, no Jalapão - TO
A lua cheia só nasceu as perto das onze horas. Depois de um breve cochilo, o casal teve que se encorajar para sair da barraca e tomar banho de rio. Como eu já disse aqui no blog, to ficando velha e medrosa. Sei que na região tem alguns macacos, mas os barulhos que eu ouvia eram de bichos pisando nas folhagens. Sei também que um cerradão desses tem muita onça, vai que ela resolve ir ali para beber água? E as cobras com seus hábitos noturnos? Teria alguma sucuri à espreita no rio? Sabe lá, como dizem, é aí que a onça bebe água! É claro que nada aconteceu, tomamos um delicioso banho de rio à luz da lua! Será que alguém pode apagar a luz?
Noite clara de lua cheia, na Prainha do Rio Novo, no Jalapão - TO
Vocês sabem aquele momento mais frio da noite? Minutos antes do sol nascer, aquele frio gelado inexplicável nos fez entrar dentro dos sacos de dormir. Este é um dos momentos do dia e do mundo que só sabemos que existe se viramos uma noite a céu aberto ou se acampamos, pois nota-se a diferença claramente! Minutos antes do sol nascer, o ar gela. Quando você acorda cedo em casa, mesmo madrugando, não sabe exatamente qual era a temperatura antes. Enfim, amanhecemos e começamos o dia com aquele solzinho gostoso entrando na barraca.
De manhã bem cedo, em acampamento na Prainha do Rio Novo, no Jalapão - TO
Fomos acordar e tirar a preguiça no rio, sem nem pestanejar! Rio Novo maravilhoso, que ainda guardava duas outras praias lindas rio abaixo. Após nadarmos e explorarmos bem cada praia, levantamos acampamento e seguimos viagem para a nossa vizinha, a Cachoeira da Velha.
Nadando na prainha do Rio Novo, no Jalapão - TO
Saímos na hora certa, quando vinha chegando um pessoal de excursão para lotar a nossa prainha particular. Menos de um quilômetro depois está a entrada para a Cachoeira da Velha.
No mirante da Cachoeira da Velha, no Rio Novo, no Jalapão - TO
Uma grande queda d´água, belíssima, com o Espírito Santo ao fundo. Foi construída uma passarela suspensa sobre o capim dourado e as sempre vivas, estrutura que certamente facilitou o acesso. O mirante para a ainda tem uma escada que nos leva a outros pontos de vista, mais próximos ao rio. A cachoeira é tão forte que não se pode banhar, para quem quer caminhar, dali mesmo parte uma trilha para a Prainha, beirando o leito do rio.
Árvore cresce no meio da Cachoeira da Velha, no Rio Novo, no Jalapão - TO
E essa foi a nossa despedida do Jalapão, com direito a camping selvagem às margens do rio, praias e até uma cachoeira velha no Rio Novo. Momentos especiais para a coleção do nossos 1000dias.
Rio Novo, um pouco acima da Cachoeira da Velha, no Jalapão - TO
Chegando à paradisíaca Kua Bay, ao norte de Kona, na Big Island, no Havaí
Kona é a sede para a maior e mais importante prova de triátlon no mundo, afinal foi aqui que nasceu o Iron Man, prova em que os competidores passam de “meros” ciclistas, corredores ou nadadores ao status de superatletas, super heróis ou semi-deuses do esporte. Já é o 34° ano em que a Big Island, Hawaii - recebe aproximadamente 1800 atletas que irão percorrer 226 km (3.800m de natação, 180km de bike e 42km de corrida) sobre o sol escaldante e através dos campos de lava de Kona, para receber o título de IronMan (Homens de Ferro).
Manhã de muito sol e céu azul em Kua Bay, ao norte de Kona, na Big Island, no Havaí
Uma curiosidade nesta história é que a famosa prova de Kona começou, na realidade, na cidade de Waikiki em 1978, quando 15 atletas aceitaram o desafio colocado pelo casal Judy e John Collins, ex-membros da marinha americana. Foi apenas em 1981 que a prova foi realocada para Kona, onde mantém intacta a sua tradição desde então.
A belíssima vista do B&B em Kona, na Big Island, no Havaí
Porém os mares de Kona não são apenas para os incansáveis e heroicos atletas. Há muito nesta costa para meros mortais como nós, que queremos um pouco de praia, sombra e água fresca.
Com as populares cadeiras-mochilas, banhistas chegam à Kua Bay, ao norte de Kona, na Big Island, no Havaí
A maioria dos vôos para a Big Island chega no aeroporto internacional de Kona, que embora não seja a capital da ilha, é a cidade com maior infraestrutura turística. A melhor forma de se movimentar por aqui é alugando um carro, percorrendo a ilha do alto do Mauna Kea aos campos de lava e vulcões do Hawaii Volcano National Park (veja um roteiro resumido de Big Island aqui).
Admirando o mar ao sul da Big Island, no Havaí
Nós chegamos à Ilha pelo aeroporto internacional de Hilo, a capital da Big Island, por isso o nosso roteiro começou pela costa leste, percorreu as montanhas e vulcões e chegou à costa oeste pelo sul da ilha, explorando nos últimos dias a belíssima costa de Kona.
Nosso jipe nos leva pelo difícil caminho da Green Sand Beach, no sul da Big Island, no Havaí
O roteiro litorâneo começou no ponto mais ao sul da ilha, não coincidentemente também referido como o ponto mais ao sul dos Estados Unidos da América. O Hawaii é o mais tropical dos estados americanos e o South Point é o ponto mais austral de todo o país.
Passeio na ponta sul da Big Island, no Havaí
O South Point está sobre uma longa costa de penhascos rochosos com uma bela vista do Oceano Pacífico. Pescadores locais ficam no alto dos penhascos em busca da janta do dia, enquanto turistas chegam e vão nos seus jipes abertos, alguns bravos o suficiente para saltar do alto da pedra no mar azul abaixo.
Mergulho no penhasco que forma a ponta mais ao sul dos Estados Unidos, no sul da Big Island, no Havaí
O único meio de voltar à terra firme é através de uma escada, no ponto mais ao sul da Big Island, no Havaí
A poucos quilômetros dali está a estrada para Papakolea ou Green Sand Beach, uma das duas praias de areias verdes em todo o mundo. As areias verde oliva são constituídas por olivinas, minerais vulcânicos raríssimos apenas encontrados aqui e em uma praia no arquipélago de Galápagos. A praia está na baía do Pu´hu Mahana um cone de cinzas vulcânicas formado há 49 mil anos.
A bela praia de Green Sand Beach, no sul da Big Island, no Havaí
O seu acesso é feito por uma estrada off road (5km), quem não está acostumado a dirigir em terrenos bem esburacados e acidentados deve preferir pegar uma carona (em torno de 20 dólares por pessoa), com um dos locais que oferece transporte de carro até lá. Se você tem tempo, a melhor opção é caminhar até a praia pela mesma trilha utilizada pelos carros, sentindo o vento do litoral e com vistas lindas do Pacífico.
O difícil caminho para a Green Sand Beach, no sul da Big Island, no Havaí
Chegando à Green sand Beach, ou praia das areias verdes, no sul da Big Island, no Havaí
Nós havíamos pago um valor extra no carro alugado para poder usar o 4x4 e matar as saudades de umas estradas mais aventurescas. Foram quase 30 minutos para transpor os 5km de trilha entre pedras, buraqueiras e terra, procurando qual seria o caminho correto entre tantas trilhas erodidas. Finalmente chegamos à Papakolea, a praia de areias verdes!
Nosso jipe nos leva pelo difícil caminho da Green Sand Beach, no sul da Big Island, no Havaí
O cenário é lindo e as areias são mesmo verdes. Vale a pena o perrengue para conferir mais esta beleza havaiana.
Como o próprio nome diz, as areias são mesmo verdes na Green Sand Beach, no sul da Big Island, no Havaí
Ali perto, um pouco mais à leste, seguindo pela estrada principal está a Punaluu Beach ou Black Sand Beach, eleita uma das mais bonitas da ilha. Nós não tivemos tempo de parar, mas sabemos que além de linda, tem fácil acesso e boa infraestrutura.
Delicioso mergulho nas águas azuis do mar ao sul da Big Island, no Havaí
O litoral de Kona é todo elevado, grandes montanhas que terminam no mar com lindas baías e algumas praias de pedras, parques históricos havaianos e bons pontos de mergulho. Dirigindo em direção à Kona, antes de chegar à cidade de Captain Cook, você estará próximo ao Pu´uhonua o Honaunau National Historical Park. Reserve uns 30 minutos pelo menos para ver o parque, com esculturas e cabanas havaianas tradicionais, além das várias tartarugas que costumam ser vistas por ali.
O parque histórico de Pu'uhonua, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí
Antiga canoa havaiana no parque histórico de Pu'uhonua, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí
Se você gosta de snorkel ou mergulho, a baía de Honaunau, ao lado do parque, é um dos melhores pontos de shore dive para ver vida marinha e os belíssimos corais do Pacífico. Se é mergulhador, leve equipamento e tanques de mergulho que podem ser alugados em qualquer operadora de mergulho e aproveite os corais mais saudáveis que estão ao longo da costa.
Peixes nadam por entre os corais de Honaunau Bay, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí
Dirija mais 30 minutos ao norte e chegará à Kealakekua Bay para fazer um snorkel com os golfinhos. Se quiser mesmo encontrá-los, terá que incluir o local na programação do dia seguinte, as 6 da manhã, quando os golfinhos retornam da caça para descansar na baía. Nós fomos até lá cedinho, mas não os encontramos. Voltamos mais tarde e eles já estavam longe, mais perto do Captain Cook Monument. A dica é alugar um caiaque para atravessar a baía (60 dólares e 20 minutos remando) ou agendar no dia anterior um barco de turismo que te leva direto lá (150 dólares).
As belas e tranquilas águas da baía dos golfinhos, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí
Ao norte da cidade de Kona estão as praias mais bonitas deste litoral. Praias de areias brancas e ares de paraíso perdido no meio do Pacífico. Só não está totalmente perdido se você for até a praia em um final de semana, quando os locais se divertem em família e grupos de amigos se reúnem para o surf ou body board. Se tiver que escolher apenas uma, a nossa dica é ir até a Kua Bay, que reúne todos os pré-requisitos para um paraíso tropical à beira mar.
Manhã de muito sol e céu azul em Kua Bay, ao norte de Kona, na Big Island, no Havaí
Descolando um tubo na praia de Kua Bay, ao norte de Kona, na Big Island, no Havaí
Praia, mergulhos, sítios arqueológicos havaianos, charmosos B&B ou grandes resorts com toda a infraestrutura turística mais american que você imaginar, não interessa qual seja o estilo de férias praianas que você está procurando,, sem dúvida irá encontrar aqui em Kona.
Hospedagem
Em Kona ficamos hospedados na casa de David e Eliane, ele neozelandês e ela suíça. Eles construíram alguns quartos na sua casa, entre Captain Cook e Kona e a transformaram em um Bed & Breakfast que ajudou a pagar a faculdade dos filhos. O quarto maravilhoso tem vista para o mar e o delicioso café da manhã é servido na sua casa, com frutas, ovos, pães, ao gosto do freguês com a companhia do simpatissíssimo casal. David é pastor evangélico, tem o dom da palavra e várias histórias lindas para contar. Foi um encontro belíssimo, recomendamos!
O maravilhoso café da manhã no B&B em Kona, na Big Island, no Havaí
A Serra da Capivara é conhecida principalmente por suas riquezas arqueológicas e não por suas belezas naturais. Mas este Parque Nacional continuaria sendo um ponto obrigatório mesmo se as pinturas não existissem. A cultura brasileira não valoriza o sertão, a caatinga, acredita que o nordeste possui belezas naturais apenas no litoral e é aí que todos nós estamos muito enganados. Falta conhecimento e cultura, a influência da mídia e do próprio mercado turístico fizeram com que o sertão nordestino ficasse marginalizado no turismo brasileiro.
A famosa Pedra Furada, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Não é a toa que grandes obras literárias e musicais brasileiras são inspiradas por este cenário. João Cabral de Melo Neto, Gonzagão, Gil e vários outros grandes nomes já cantavam o poético luar do sertão, mais brilhante do que nunca sobre a caatinga branca e reluzente. A florada do mandacaru anunciando a chegada do período chuvoso e os tempos de renovação das plantas, águas, animais, a vida!
Caatinga verdinha na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Durante as trilhas que fizemos no parque nacional, aos poucos fomos aprendendo a compreender e admirar este bioma. Várias árvores encontradas na mata atlântica se adaptaram para conseguir sobreviver neste novo ambiente. Além do tão famoso mandacaru, planta cactácea comum na caatinga, encontramos os ipês, a jurema-preta, planta de raízes alucinógenas, a maniçoba e várias outras que se modificaram durante milênios para suportar o clima semi-árido. Estas plantas caducifólias sobrevivem durante todo o período de seca justamente por diminuir a sua superfície de perda de água, ficando sem folhagens.
Coroa de Frade na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Estas folhagens servem de alimentos para os animais que vivem nesta região como os caprinos, os catitus, veados, entre outros. Nós tivemos a grande sorte de encontrar um grupo de catitus, próximo a uma das portarias do parque, em um dos pontos de alimentação mantido pelo parque. São uma espécie de porcos selvagens, me aproximei para fotografar e o chefe do grupo não hesitou em que enfrentar com seus valentes grunhidos. Eu é que não me atrevi a continuar avançando.
Catitus (porcos selvagens) na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Na caminhada pela trilha da Invenção e Toca do Inferno, nós tivemos a grande sorte de ver um fenômeno raro no sertão, a chegada da chuva. Já estávamos estranhando ver a caatinga tão verde, mas isso já era motivo de que estamos em período chuvoso. Perguntamos curiosos ao Rafael, nosso guia, se a chuva surpreendia em outras épocas de seca e ele nos respondeu que sim, e que esta era conhecida como “a chuva desgraçada”.
Vista do alto da Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Nós, sulistas de plantão, achamos que a maior benção no sertão é receber uma chuva em período de seca... que nada! A natureza é tão sábia que já se adaptou e até uma chuva, aparentemente inofensiva, pode arruinar as criações de caprinos que se alimentam da folhagem seca. Quando estas folhas são molhadas, apodrecem e criam fungos, que significam doenças se ingeridos pelos bodes e cabras.
A chuva faz a alegria das crianças na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
A fauna continua rica quando se trata de répteis e anfíbios. São vários tipos de lagartixas, inclusive uma espécie endêmica da Serra da Capivara, além de camaleões, sapos-bois, etc. Período de chuva chegando, estão todos prontos para o período reprodutivo. A chuva que vimos chegando no alto da escadaria da invenção logo nos alcançou, esperamos um pouco em uma portaria e seguimos para a trilha da Toca do Inferno. Ela é assim chamada, pois os caçadores ouviam barulhos estranhos vindos de dentro desta toca. Nós não sabíamos o que iríamos encontrar e a nossa surpresa foi simplesmente a mais mágica de todas, uma cachoeira!
Pequeba e mágica cachoeira no fundo de canyon do Inferno, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
A água da chuva escorreu para esta toca, formando no fundo dela uma pequena cachoeira e um riacho, que mais uma vez aproveita para irrigar a vida. Espumas um tanto quanto nojentas, são um ninho de sapo-boi, os insetos dependem dessa chuva para se reproduzir, inclua aí as muriçocas, todo o tipo de pernilongos irritantes e até as borboletas!
Caminhando com as borboletas na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Toda esta vida, esta fauna e esta flora é circundada por sítios arqueológicos de riqueza histórica incomensurável e situados em um dos mais belos cenários já vistos aqui no Brasil. Montanhas de arenito desenhadas pelo desgaste do tempo, da chuva e dos ventos, formou a Serra da Capivara, uma serra de pedras coloridas , cânions secos e inexplorados. Tocas que testemunharam a chegada do ser humano nestas terras e até hoje permanecem intactas, mudas, caladas. A nossa Capadócia não deixa nada a desejar para as turcas, só falta mesmo o passeio de balão.
Incrível visual, semelhante ao da Capadócia, no canyon Canoas, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Apresento a vocês a beleza dos sertões, aquela que não é falada nos telejornais, programas turísticos e pelos políticos. Apresento a vocês o nosso Brasil.
Incrível visual, semelhante ao da Capadócia, no canyon Canoas, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Enttrando na belíssima Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
Nós, do conforto do nosso apartamento nas grandes cidades, imaginamos a Floresta Amazônica uma coisa homogênea, árvores imensas circundadas por rios caudalosos. Sabemos que o Amazonas nasce no Andes (quando sabemos!) e que ele termina no Oceano Atlântico em um tal fenômeno da pororoca onde uns surfistas doidos gostam de surfar. Ah, sabemos também que a Floresta Amazônica é o pulmão do mundo, que os americanos a colocaram no mapa “do mundo” e não no “do Brasil” e que querem cometer o absurdo de inundar uma grande porção dela para fazer uma usina hidrelétrica, a tal Belo Monte. A Amazônia, em linhas gerais, é mais ou menos isso, não é mesmo?
Sobrevoando o gigantesco rio Solimões na região de Tefé, no Amazonas
Errado. A começar pela primeira afirmação, sim a Amazônia tem árvores imensas na terra firme, mas ela é formada por um conjunto de diferentes ecossistemas onde se encontram áreas de mata mais baixa, florestas inundadas, etc. Os rios caudalosos estão lá e são as estradas desta região tão distante, onde construir qualquer rodovia seria quase uma insanidade. Ao invés disso montar um sistema de ferries eficientes e modernos seria a melhor opção, mas é claro que não deve haver interesse político para tal.
Movimento de voadeiras em Tefé, no Amazonas
Cientistas dizem que o nosso “pulmão do mundo” é uma floresta autossuficiente, ela produz a quantidade de oxigênio que consome, na realidade o seu grande pulmão não está nas árvores, mas sim nas algas e plânctons que vivem em seu enorme sistema fluvial. Os americanos estão lá sim, turistas e pesquisadores, trabalhando, pesquisando e fomentando iniciativas sustentáveis para proteção da nossa floresta. Prefiro acreditar que só estes estão por lá, mas é sempre bom ficar de olho.
Uma gigantesca Samaúma, na região de Tefé, no Amazonas
Ah! E a Belo Monte pode ser um mal necessário, a começar pelas próprias populações que vivem ao seu redor e querem uma geladeira para poder conservar a comida que trazem da vila próxima a 3 dias de barco dali. Não sou a favor, mas sim, quando vamos e conhecemos de perto a realidade deste povo vemos que não existe o certo e o errado, não existe a situação ideal, não existem verdades absolutas.
Menina se diverte em canoa durante nossa visita à comunidade localizada na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas
Entrando de canoa na floresta alagada, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Várzea é o nome dado à área de floresta alagada na região do Rio Solimões. Ela vive dois períodos muito distintos, totalmente inundada na época de chuvas e seca no restante do ano. Estes dois extremos criaram fauna e flora muito específicas, espécies endêmicas se adaptaram ao regime de inundações, que nos picos pode chegar a ter de 10 a 12 metros de variação todos os anos.
Entrando de canoa na floresta alagada, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
A Amazônia tem vários biomas, a terra firme, a floresta de várzea, que no Rio Negro costumam chamar de floresta de igapó, que tem como principal característica o fato de ser inundada durante todo o período de chuvas, de Outubro a Março. Os homens nas comunidades ribeirinhas, macacos, lontras, onças, aranhas, besouros e todos os seres vivos que habitam a várzea tiveram que se adaptar e sabem viver meses em terra seca e meses sobre as árvores, nadando, caçando, se alimentando e se locomovendo na água.
A floresta alagada na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
Visita à comunidade ribeirinha na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Sempre ouvimos dizer que na Amazônia as estradas são os rios, mas dificilmente imaginamos que assim as ruas são seus afluentes menores, os canos e igapós. Os animais se adaptaram a viver entre as copas das árvores e as águas da floresta alagada na Amazônia, mas e o homem? Quando chegamos é impossível passar por estas comunidades e não se perguntar, como eles vivem tão isolados? Como vieram parar aqui? Como conseguem sobreviver?
Arquitetura típica de uma das comunidades ribeirinhas na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Os ribeirinhos chegaram em diferentes levas em busca de uma oportunidade nos seringais amazônicos. Os ciclos de ocupação destas margens acompanham os ciclos da borracha, no seu auge e no seu declínio. A maioria dos ribeirinhos é originária dos estados vizinhos nordestinos, principalmente Maranhão e Ceará, povo reconhecido por desbravar e ter a coragem de enfrentar adversidades em novas fronteiras.
Visita à comunidade ribeirinha na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Desde a Guiana Francesa, Suriname e os confins de Roraima temos encontrado esta mesma característica nos imigrantes da mineração, construções e atividades correlatas. A sobrevivência na floresta os ensinou sobre o ciclo da vida, dos peixes, da madeira e dos frutos, mas em um ambiente tão rico quanto a floresta amazônica a sensação de que este é um bem infindável não é de toda errada. Mas como a chegada deste novo animal impactou a floresta? A caça e a extração de madeira, a pesca no período da piracema e a produção de lixo mudaram a dinâmica natural da floresta.
Família se diverte durante nossa visita à comunidade localizada na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas
Somos parte integrante da natureza, não estamos isolados dela.
Garoto nos observa durante visita a uma das comunidades ribeirinhas na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Nosso guia nos mostra crânios de jacaré durante visita à comunidade localizada na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas
A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá nasceu do sonho e do árduo trabalho do biólogo paraense Marcio Ayres. Com a sua paixão pelos primatas e a visão sistêmica da biota amazônica, pensando no homem como parte integrante deste ambiente, Márcio idealizou a convivência harmônica do ser humano neste meio natural e concebeu um modelo de participação comunitária em uma reserva sustentável no coração da Amazônia.
Um dos habitantes locais nos recebe na escola de uma das comunidades ribeirinhas na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
A reserva está localizada entre os rios Solimões, Japurá e Auati-Paraná e protege 1.124.000 hectares da mata de várzea amazônica. A várzea representa 4% da Amazônia Brasileira e a Reserva do Mamirauá é a maior área de proteção deste ecossistema, não apenas no Brasil, mas no mundo.
Apresentação sobre a Reserva do Mamirauá (na Pousada Uacari, perto de Tefé, no Amazonas)
Hoje o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá desenvolve atividades por meio de projetos de pesquisa, manejo ambiental e de assessoria técnica dentro da Reserva Mamirauá e Amanã, ajudando o Governo do Estado do Amazonas na gestão destas reservas.
Palestra sobre a região amazônica, na Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, egião de Tefé, no Amazonas
Basicamente eles construíram um cenário onde a interação equilibrada do homem e da natureza se tornam possíveis. A extração de madeira e a pesca fazem parte da vida na floresta amazônica, porém hoje com planos de manejo, determinando os períodos de procriação ou as árvores que já atingiram maturidade para serem retiradas dentro de determinada área. Além disso trazem programas de infraestrutura básica como novas caixas de água tratada, luz solar e geradores de energia, educação a distância para as escolas, agricultura comunitária, pecuária e até o turismo como uma fonte de renda alternativa.
Um pequeno curral flutuante, que funciona durante a cheia do rio, em comunidade localizada na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas
Se você já está curioso com tudo o que eu contei aí acima e quer saber como fazemos para visitar e conhecer este paraíso amazônico, aí vai a resposta.
Chegando à Pousada Uacari, nossa casa pelos próximos 5 dias na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
A Pousada Flutuante Uacari está localizada dentro da Reserva Mamirauá e recebe turistas de todo o mundo curiosos não apenas com a flora e a fauna amazônica, mas também com o modelo de sustentabilidade aplicado pela reserva.
Guia nos dá explicações durante passeio de canoa motorizada pela Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
A pousada é administrada pelos próprios moradores das comunidades, gerente e todos os seus funcionários habitam a reserva e dividem seus conhecimentos e talentos com os turistas trabalhando como guias, cozinheiros, camareiros, todos responsáveis por este negócio comunitário. Além dos salários ajudarem as respectivas famílias, o lucro da pousada é dividido pelas comunidades, que decidem como aplica-la em melhoramentos na infraestrutura das vilas.
A bela Pousada Uacari, em plena Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
A pousada é rústica, mas possui uma boa infraestrutura, as cabanas são espaçosas, possuem chuveiro com aquecimento solar e sua própria varanda de frente para o rio e a floresta. Durante boa parte do ano a pousada ainda conta com uma piscina natural, uma área reservada por uma estrutura de redes flutua ao lado da pousada na lagoa onde está localizada. Quando nós estivemos lá a piscina estava desmontada pois a correnteza estava muito forte e muitas plantas ficavam presas nela, portanto banho era proibido, já que os jacarés são companhias certas sob os flutuantes da pousada.
Nosso quarto na Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
Como lá estamos isolados, as diárias incluem todas as refeições, deliciosos cafés da manhã, almoços e jantares com pratos, sucos e frutas tipicamente amazônicas. O tambaqui assado, a peixada de surubim e as sobremesas como os pavês de mandioca e graviola são imbatíveis!
Um saboroso almoço na Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
Ao longe, o macaco Uacari, símbolo da Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Então estamos hospedados em uma pousada flutuante no coração da Amazônia, com todas as mordomias rústicas possíveis e o melhor, uma floresta inteira para explorarmos. Conhecer as imensas samaúmas, aningas, paracuubas, catorés e sapucaias, ver as mungubas virando algodão e buscando o matamatá para ver se encontramos um dos mais raros primatas que vive nesta região, o Uacari-Branco.
Pintura do macaco Uacari, símbolo da Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
Uacari foi o motivo primeiro da vinda de Marcio Ayres para cá. Um macaco de pelos claros, loiros quase brancos e de cara vermelha que o primatólogo viu pela primeira vez em um zoológico na Inglaterra! Indignado, foi pesquisá-lo e acabou desenvolvendo sua tese de doutorado sobre este animal. Marcio passou dias, meses, anos! enfiado em uma canoa, observando e estudando os uacaris que hoje dão nome à pousada e são estrelas principais das nossas buscas pela selva.
Encontro com macacos na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
Encontro com jacaré em rio em frente à Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Enquanto não o encontramos, macacos de cheiro comum e da cabeça preta, prego e o guariba (bugio gritador), animam a nossa empreitada. Com sorte ainda podemos encontrar preguiças, porcos-espinho e até um tamanduá-mirim sobre o tronco das árvores. O sonho de todos seria mesmo encontrar a majestosa onça pintada deitada preguiçosamente em um apuí de onça, mas esta sim é chance rara, quase impossível, segundo os pesquisadores da reserva.
Macaco salta sobre nós durante passeio de canoa na floresta alagada na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Nos canos, braços principais do Rio Japurá, seguimos na nossa voadeira buscando sinais de toda a vida que se esconde nesta imensidão verde. Nos ares e nos galhos das árvores vemos tucanos, pica-paus, o gavião preto e o gavião panema, socó boi, socó onça, o jaçanã e até um alencorne. Nas águas os botos vermelhos (ou cor-de-rosa) fazem a festa, ao lado dos jacarés e piranhas, estas mais facilmente vistas em uma pescaria esportiva. O que mais você pode esperar de uma aventura amazônica?
São inúmeras as espécies de pássaros que vivem na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
A pirâmide que virou uma pequena montanha, em Cholula, no México
Andando pelas ruas de Puebla, uma imagem se repetia: uma igreja no alto de um morro com o vulcão Popocatepétl fumegando ao fundo. Mal sabíamos nós que esta montanha era, na realidade, a maior pirâmide já construídas em todo o mundo.
As ruínas da antiga pirâmide de Cholula, no México
Tepanapa é o nome da pirâmide que começou a ser construída no começo da Era Cristã e ganhou mais 5 camadas em diferentes períodos construtivos até 600 d.C. Cholula era então um grande centro religioso e administrativo, que floresceu na mesma época da poderosa Teotihuacán, até ser invadida pelos Olmecas-Xicallancas, vindos da vizinha Cacaxtla. Entre 900 e 1300 d.C. Toltecas e Chichimecas dominaram a cidade, mais tarde caindo no domínio dos Astecas.
As ruínas da antiga pirâmide de Cholula, no México
Quando os espanhóis chegaram no início do século XVI a população de Cholula era de mais de 100 mil habitantes e, aliado aos Tlaxcalans, Hernán Cortés dizimou mais de 6 mil cholulans em apenas um dia! A esta altura a pirâmide já havia sido abandonada e estava totalmente coberta por vegetação, fazendo com que os novos conquistadores nem sequer a notassem, optando por construir uma igreja no alto desta montanha, o Santuário de Nuestra Señora de los Remédios.
Com a Val, visitando a igreja construída sobre uma antiga pirâmide, em Cholula, no México
O tour pelo Sítio Arqueológico começa pelos túneis escavados por arqueólogos, primeiramente para comprovar que aquela era uma pirâmide e não uma montanha e depois para estudar as suas fases construtivas. São mais de 8 km de túneis que revelaram parte de sua história, mas nenhuma câmara funerária ou sala secreta. Também provaram que esta é a maior pirâmide do mundo (em volume) e que por aqui passaram diversas culturas pré-hispânicas, cada um deixando a sua marca na estrutura, arquitetura, esculturas e na história.
Interior da pirâmide de Cholula, no México
Percorrendo os túneis da gigantesca pirâmide de Cholula, no México
Normalmente não contratamos guias, mas aqui achamos que valeria a pena e o Don Francisco nos levou pela história e a vida de Cholula, mostrando os segredos dos seus ancestrais, como a incrível acústica do Patio de los Altares, onde batemos palmas e ouvimos um eco proposital, um som estalado que representava e/ou se comunicava com um de seus deuses.
O Francisco nos dá uma aula sobre a pirâmide de Cholula, no México
As ruínas da antiga pirâmide de Cholula, no México
Do alto da pirâmide, ou melhor, do santuário católico, pudemos ver toda a cidade e várias torres das suas 39 igrejas, que reza a lenda, seriam uma para cada dia do ano. Caminhamos pelas ruas do pueblo mágico encantados com o seu charme e a alegria da cidade que possui uma festa para cada dia do ano.
Cholula e suas dezenas de igrejas, mais um Pueblo Mágico no México
A Roberta, vendedora de chapolines e outras iguarias em Cholula, no México
Na descida do templo católico, conversamos com Roberta, essa tia vendedora de chapulines que me convenceu a provar as crocantes iguarias que vem em três versões: original, ao alho e apimentado. Adorei! Não tem gosto algum e se não pensarmos que é um inseto, poderia ser qualquer outro alimento bem crocante com o tempero escolhido.
Chapolines, os famosos gafanhotos comestíveis mexicanos! )em Cholula, no México)
Em Cholula, no México, experimentando chapolines (gafanhotos crocantes!)
Caminhamos até o Zócalo, pelas igrejas e conventos ao redor e fomos seduzidos por um restaurante na esquina da feirinha de artesanato, cheio de jovens assistindo a um jogo de futebol. Aquele clima bem brasileiro, mas com cara e tempero mexicanos. Provamos o mole de Cholula, segundo eles melhor que o pueblano, um assado de carne de carneiro delicioso e de aperitivo uma linguiça artesanal acompanhada de uma boa chelada, cerveja com limão e borda de sal.
Delicioso e movimentado boteco em Cholula, no México
Almoçando comida típica pueblana em Cholula, no México
A nossa passagem pelo cartão postal que tanto vimos, acabou se tornando um dia de descobertas e grandes surpresas. A foto que queríamos tirar, da igreja com o Popo ao fundo, acabou se tornando um álbum completo com muita cultura e boas memórias.
Percorrendo as ruínas da antiga pirâmide de Cholula, no México
Passando por trás da cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México
Hoje partimos para mais uma aventura arqueológica, desbravar um dos mais famosas ruínas maias, a cidade de Palenque. São em torno de 2 horas de Ocosingo para Palenque, dependendo da pressa e agilidade do motorista na estrada cheia de curvas e topes, as malditas lombadinhas mal feitas, são umas 5 em cada povoadinho que passamos.
A gruta ao lado da cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México
O caminho já é uma atração por si só, a primeira delas é a Cascata de Águas Azules, que deixamos para a volta e perdemos por falta de luz e tempo. Paramos sim na cascata mais próxima a cidade de Palenque conhecida como Misol-ha, uma cachoeira de uns 30m, com um imenso lago de águas verdes super convidativas para um banho.
Mergulho na bela cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México
Uma trilha passa por trás da cortina de água levando à entrada de uma gruta, onde se pode contratar um guia e lanternas para ir até uma próxima cascata dentro da caverna. Sem muito tempo, deixamos a caverna para lá e aproveitei para garantir um tchibum delicioso antes de começarmos o dia de explorações. Foi um dia longo e cansativo e que mereceu um post a parte.
A gruta ao lado da cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México
A volta de Palenque à Ocosingo já foi durante a noite, contra a nossa regra de não dirigir a noite, principalmente no México. Exceção aberta já que conhecemos a estrada durante o dia e ao que tudo indicava nos parecia uma vizinhança segura.
Passando por trás da cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México
A cada cidade vamos nos sentindo mais íntimos da cultura mexicana, vamos aos poucos nos acostumando com as novas palavras e a deliciosa e criativa culinária mexicana. O coreto da praça de Ocosingo é super vivo, tem sempre uma atração durante as noites. Hoje uma banda de marimba animava a noite, vendedores de balões, famílias reunidas e jovens andando de skate, clima festivo delicioso que apenas nos relembra, estamos no México!
Mergulho na bela cachoeira de Misol-Ha, próxima à Palenque, em Chiapas, no sul do México
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