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Carolina Kavalieris (23/05)
Olá Ana!! Gostaria de parabenizar você,seu marido e o seu Blog que est...
mario sergio silveira (22/05)
Querida filha, que aventuras maravilhosas. Viajo com voces. Fiquem com De...
clenilça alves (22/05)
Ana,estou sem palavras com essas imagens tão lindas,realmente e de empre...
mario sergio silveira (22/05)
Falando pelo skype com a Ana, feliz da vida com suas aventuras. Vou de ca...
clenilça alves da silva(cleo) (22/05)
olà queridos cuidado com a àgua, bebam àgua !!!que susto mas passou q...
Salinas Grandes, próximo ao Paso de Jama, fronteira entre Argentina e Chile
Acordamos cedo depois de uma noite curta mas bem dormida. Tomamos um delicioso café da manhã nos sentindo muito bem acolhidos no Hotel Marquês de Tojo. Faço questão de falar dele aqui pois pesquisamos bem e foi o único que além de aceitar cartão de crédito, nos recebeu de forma muito especial no final de um dia de cão.
Nosso hotel em Purmamarca - Argentina
Logo cedo a recepção do hotel nos ajudou e ligou para a Gendarmeria do Paso de Jama para confirmar se estava aberto e tivemos um balde de água fria. SIM, está aberto, mas apenas entre as 8h30 e 10h30. Daqui não chegaríamos a tempo... já eram 8h30 e levaríamos em torno de 3 horas até lá. Tá difícil... Enfim, aproveitamos para dar uma volta em Purmamarca, sacar dinheiro no ATM, tirar umas fotos da praça e pegamos o carro em direção à Susques.
Purmamarca - Argentina. Ao lado das montanhas coloridas
Chegando novamente às Salinas Grandes, no caminho para o Paso de Jama, entre Argentina e Chile
O trecho até lá é lindo, como tudo por aqui. Pegamos estrada tranquilos e aproveitando o tempo paramos mais uma vez no belíssimo salar que já havíamos visitado. A Salina Grande, com suas piscinas de evaporação e imensas pilhas de sal.
Exploração de sal nas Salinas Grandes, próximo ao Paso de Jama, fronteira entre Argentina e Chile
Susques é um lugarejo no estado de Salta na Argentina, que fica a 130km da fronteira com o Chile. Está a 4100m de altitude e neste inverno foi registrada a mínima de -20°C, no mês de julho, quando o paso ficou fechado por quase um mês.
Chegando em Susques, última cidade antes do Paso de Jama, fronteira entre Argentina e Chile
Lá ficamos em um hotel muito bacaninha, com uma boa infra para os viajantes e trabalhadores das minas na região. O Hotel Unquilar também é parada de muitos brasileiros em expedição ao Atacama. Os vidros de todos os lugares neste trecho estão cobertos por adesivos de expedições, principalmente de motociclistas.
Lua cheia e noite gelada em Susques, última cidade antes do Paso de Jama, entre Argentina e Chile
Sem pressa aproveitamos o caminho, visitamos a vila, que mais parece um faroeste das alturas. Casas de adobe, poucas pessoas nas ruas e todas olhando os forasteiros chegando na cidade. Falamos com a polícia local e confirmamos a abertura do paso e horários e fomos ao hotel, trabalhar muuuito e colocar o site e o sono em dia!
Venda de roupa em Purmamarca - Argentina
Buenas, amanhã pegaremos a estrada e chegaremos ao Chile nem que seja no lombo de uma llama!
Lhamas passeiam tranquilamente na estrada que corta a puna em direção ao Paso de Jama, entre Argentina e Chile
Rio Guaju, na fronteira entre Rio Grande do Norte e Paraíba.
Bambu entre Sagi, é isso que significa o nome da pousada em que ficamos na primeira vila do Rio Grande do Norte. Lugar tranquilo e ao mensmo tempo cheio de vida. Acordamos com uma vista deslumbrante do rio Sagi desaguando no mar. O café da manhã com muitas frutas, granola, coalhada, pães integrais, queijo branco, tudo feito com o maior carinho pelo Liberato, um dos sócios da pousada.
Vista da nossa varanda, na pousada Sabambugi, praia de Sagi, Baía Formosa - RN
Li o meu livro, escrevi um pouco e saímos para andar e conhecer a Barra do Rio Guaju. Há apenas 3km da vila o rio faz um cenário maravilhoso na divisa dos dois estados, RN e Paraíba.
Energia eólica no lado paraibano da fronteira com Rio Grande do Norte
No alto imensos “cata-ventos” modernos de uma mineradora paraibana que “destrói mas replanta tudinho”, segundo Tico, morador e guia local. A mineradora retira o minério das areias das dunas e depois devolve a areia que “não presta” no lugar, replantando a mata de restinga original.
Nadando no rio Guaju, na fronteira entre Rio Grande do Norte e Paraíba
A Vila do Sagi é pequena e possui apenas 3 pousadas e 2 restaurantes, além de uma turma bem animada para as festas de domingo. Um destes restaurantes serve como base para passeios de bugue feitos pela CVC de Natal e Baía Formosa, até a Barra do Guaju. Nós levamos sorte que domingo é o dia de pausa da CVC, pois a partir de segunda-feira são mais de 2 mil pessoas que vão e voltam, enlouquecidos nos bugues pelas areias e chapadões, para lotar e tirar a paz da mãe natureza neste pequeno santuário.
rio Guaju, na fronteira entre Rio Grande do Norte e Paraíba
A princípio nós pensávamos em ficar apenas uma noite, mas a paz que encontramos aqui foi tanta, sem internet, sem telefone (pois este já perdemos mesmo), sem televisão, sem carro, sem nada, apenas a vista maravilhosa da nossa janela na Sabambugi.
A varanda de nosso quarto, na pousada Sabambugi, na praia de Sagi, Baía Formosa - RN
Aliás, esta foi o motivo maior para termos ficado, que astral maravilhoso tem esta pousada, toda feita em bambus, super ecológica, sem ar condicionado, pois a ventilação natural é suficiente. Cada detalhe foi pensado para deixar a nossa estadia mais confortável e deliciosa. Melhor ainda quando acabou a luz, só víamos o clarão da queimada da plantação de cana ao fundo... “tão romântico”, perfeito para comemorarmos os nossos 20 meses de casamento. Ao final da noite até o clarão da queimada se foi...
Pousada Sabambugi, na praia de Sagi - RN
Já na estrada, preocupados com o Simba e o Sombra, ainda impressionados e emocionados pela briga e pela canção que a Araceli cantou, nós seguimos para Visconde de Mauá pela Serra Verde. São 85km de estrada de terra passando por povoados minúsculos e vales belíssimos, repletos de araucárias, o que nos faz sentir em casa já que é a árvore símbolo do Paraná.
Cruzando a Serra da Mantiqueira entre o Matutu (MG) e Mauá (RJ)
Nos dias que temos deslocamento entre uma cidade e outra escolhemos os caminhos mais bonitos, pois aproveitamos também a paisagem. São estradas de terra que passam entre montanhas, fazendas, pequenos povoados e cidades como Mirantão e Santo Antônio. Estes caminhos geralmente são mais curtos em distância e, no entanto, mais demorados, mesmo com um carro 4 x 4. A Fiona é muito confortável, mas é inevitável lembrar uma dica que a Tia Wilma e a Grazi me deram: “use um top ou sutiã mais reforçado e passe uma faixa para segurar bem, por que dói!”. E dói mesmo! Sem contar a ajuda que isso dá para a força da gravidade... hahaha! Além disso, se você acabou de comer... aiaiai, enjoa mesmo! Uma coisa que funciona bem para mim é ir dirigindo nestas estradas, por que além de mais focada eu tenho o apoio do volante. Por isso neste trecho o Ro foi curtindo a paisagem e eu a boléia.
Cruzando a Serra da Mantiqueira entre o Matutu (MG) e Mauá (RJ)
Chegamos em Maringá, uma vila ao lado de Visconde de Mauá, e logo encontramos o Haroldo, primo do Rodrigo, que já tinha chegado no dia anterior. Além do Haroldo já havíamos combinado de encontrar também o irmão do Ro e família, Pedro, Íris e Bebel. Enquanto esperávamos o Pedro chegar demos uma volta em Maringá e, atravessando uma pinguelinha, tomamos uma cervejinha em Maringá de Minas.
Primeira cerveja em Mauá - RJ
Voltando para Maringá do Rio, encontramos Pedro, Íris, Bebel e Mel, fizemos um lanche rápido em Minas e fomos para a Cachoeira do Escorrega em Maromba – RJ. É, parece meio confuso, mas é tudo ali, pertinho. Minas e Rio se mesclam de forma inusitada. A alegria e o jeito espalhafatoso do carioca, com o temperinho e a graça do mineiro.
Com o Pedro, Íris, Bebel e a Mel em Mauá - RJ
Na Cachoeira do Escorrega nos divertimos! O Haroldo e a Íris foram os primeiros corajosos, eu fui logo depois sem nem pensar. Aí o Ro, que não ia entrar, acabou sendo obrigado. “Imagina a Ana entrar numa água gelada dessas e eu não?”.
Íris na Cachoeira do Escorrega em Mauá - RJ
Com a Íris e o Haroldo após todos terem escorregado na cachoeira gelada em Mauá - RJ
Dali, seguimos direto para a sauna, piscina e hidromassagem na nossa pousada, a Casa Alpina. Fizemos essa sessão relax, quente e frio, à luz das estrelas e com ótimas companhias. Na água quentinha o Pedro e a Bebel até tiveram coragem de entrar!
Se esquentando na Jacuzzi na noite fria de Mauá - RJ
A noite um jantar delicioso no Paladar da Montanha, foundue de queijo e chocolate, truta, sopas... hummmmmmmmmmmm! Para fechar a noite eu e o Haroldo ainda fomos até a pastelaria, o point da cidade! Tomamos uma cervejinha ao som de Cazuza, Legião Urbana e até rolou um forrózinho! O Ro? Ficou dormindo na pousada...
Montanhas são lindas, mas não facilitam a comunicação de ninguém!
Nos últimos dias temos andando pelas montanhas da fantástica Serra da Mantiqueira. Visconde de Mauá, com direito a um encontro familiar, Cachoeira do Escorrega, Vale do Alcantilado e muita água gelada! Hoje encontramos todos os cadetes da AMAN em Itatiaia, no caminho para o Pico Agulhas Negras (2.792m) e amanhã seguiremos aqui de Passa Quatro para o pico mais alto do estado de São Paulo, a Pedra da Mina (2.798m). Serão 2 dias de caminhada e acamparemos lá em cima com a temperatura perto ou abaixo de zero graus! Na quinta-feira estaremos de volta e conseguiremos colocar posts e fotos em dia para vocês.
Enfim amigos navegantes do 1000dias, essa passada rápida foi para contar a vocês que não desistimos de escrever, mas estamos muito atarefados coletando histórias para contar!
A Serra do Espírito Santo se erodindo, alimentando as dunas do Jalapão - TO
Hoje fomos visitar duas das principais atrações do Jalapão: o Maciço do Espírito Santo e as Dunas. Há aproximadamente 40 minutos da cidade de Mateiros, a entrada para a trilha do Espírito Santo é bem sinalizada, possui uma área de estacionamento e apenas um pequeno trecho de areia que um carro baixo pode querer agarrar.
Fiona nos espera no pé da Serra do Espírito Santo, no Jalapão - TO
Só a estrada para lá já é um desbunde. Chapadas imensas com paredões coloridos entre cerrados, capins dourados e sempre vivas.
A vastidão do Jalapão - TO
A subida da chapada leva em torno de meia hora, a trilha é um pouco íngreme e vai ziguezagueando a encosta, com bancos para descanso e até cordas bem colocadas para auxiliar na subida e principalmente com as pedras soltas na descida. Lá em cima são mais 3 quilômetros de caminhada até o mirante. No alto vemos uma grande planície cerrada, vistas para todos os lados até cruzarmos efetivamente o chapadão para o outro lado da montanha e começarmos a avistar as dunas.
Serra do Espírito Santo e dunas do Jalapão - TO
O processo de erosão do maciço Espírito Santo está acontecendo em uma velocidade impressionante, o que parece quase um desastre da natureza, ao mesmo tempo forma uma das paisagens mais maravilhosas do Jalapão. Uma montanha escarpada colorida de vermelho, amarelo e branco, tons mais escuros e veias desgastadas pelo vento que a deixam com um visual similar à do Grande Cânion dos Estados Unidos.
No mirante do Espírito Santo, ponto de observação das dunas do Jalapão - TO
O desgaste desta encosta arenítica forma abaixo delas as famosas dunas do Jalapão, nossa próxima parada. São mais 15 minutos de carro até a entrada das dunas, em frente ao único bar que você verá do lado esquerdo da estrada. A tiazinha do bar vem abrir as porteiras e cobrar 5 reais por pessoa e dar as dicas de qual trilha seguir. Ali encontramos uma família do interior de São Paulo que está morando em Palmas, Lúcio, Daniela e seus filhos Felipe e Enzo. Eles estavam em uma caminhonete 4 x 2 e pediram resgate caso atolassem no areal. É claro! Vamos que vamos! Lúcio passou voando nas areias mais fofas, teve que ter braço forte e não precisou de resgate nenhum! Carros baixos já teriam problemas.
As famosas dunas avernelhadas do Jalapão - TO
Uma trilha de uns 500m nos levam a um dos cenário mais sensacionais da região. As dunas avermelhadas sugerem finalmente a imagem de deserto que fazemos do Jalapão. Um riacho que logo à frente vai encontrar o Rio Novo, forma um pequeno oásis na base das dunas. Ali vemos ao vivo e a cores o processo geológico de formação das dunas e erosão do maciço. Aquilo que a terra leva milhões de anos para construir e alguns chegam e conseguem destruir em minutos.
As famosas dunas avernelhadas do Jalapão - TO
O Naturatins, órgão governamental que trabalha junto ao ICM-Bio e à Secretaria de Meio Ambiente, fiscalizando e orientando, colocou uma placa na base das dunas solicitando que o paredão não seja utilizado para subidas ou descidas nas dunas. Este deslizamento de areia está causando o processo de assoreamento do riozinho abaixo dela e por conseqüência, do Rio Novo. Ainda assim chegamos lá e o paredão estava todo pisado, de cima abaixo, de um lado a outro. Pena ver que ainda existem pessoas sem consciência ambiental e o mínimo de respeito.
Explorando as dunas do Jalapão - TO
Esperamos que esta consciência mude, para que as gerações futuras possam ter o mesmo privilégio de chegar a um lugar em que o tempo é contado em cada grão de areia em que pisamos.
As planícies do Jalapão vistas do alto da Serra do Espírito Santo, no Jalapão - TO
Caminhando em praia de Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe
Tobago Cays é um grupo de 5 pequenas ilhas desertas, de areias brancas, águas azuis turquesa e algumas palmeiras. Elas são exatamente aquela imagem do paraíso caribenho que todos nós temos nos nossos melhores sonhos.
Admirando praia de Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe
O que nunca sonhamos é que às vezes este paraíso também pode se cobrir nuvens negras em minutos e o céu pode despencar numa tempestade tropical com ventos violentos, bem quando nos preparávamos para tomar aquele banho de sol. Pois é, a nossa sorte foi que o céu só desabou depois de pisarmos na pequena ilha de Petit Tabac, a mais distante delas. Essa ilhota perdida no mar das Granadinas foi um dos cenários do filme Piratas do Caribe.
Praia paradisíaca em manhã nublada em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe
A tempestade se aproxima em uma das pequenas ilhas de Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe
Vimos de longe a tempestade chegando, torcendo para que ela passasse de raspão, mas ela nos pegou em cheio! Tiger, nosso barqueiro e guia, logo foi nos mostrar uma das mais novas atrações da ilha: destroços de uma espaçonave russa trazida pelo mar. O quê? Isso mesmo! Uma espaçonave, aquela parte de cima do foguete, que voa para o espaço sideral! Tudo bem, também demorou um pouco para cair a nossa ficha, só acreditamos quando chegamos lá e a vimos, com esses olhos que a terra há de comer! Estava tudo lá, as camadas de sua fuselagem, espuma isolante, metal e até os escritos em russo! Alguém traduz, por favor?
Restos de nave russa em tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe
Nós impressionados e super curiosos, enquanto Tiger, sem cerimônia alguma cortava e girava aquele objeto quase sagrado! Já imaginaram por onde essa estrovenga já passou? Já esteve nos salões mais secretos da Roscosmos, Agência Espacial Federal Russa, atravessou toda a atmosfera terrestre e chegou onde nós, hoje, mal podemos sonhar em chegar, no espaço! Fato foi que os seus restos mortais vieram parar aqui e hoje serviram como um ótimo abrigo para os náufragos brasileiros perdidos no meio da tempestade tropical, no meio do Caribe.
Protegendo-se da forte chuva e vento em um abrigo feito com destroços de espaçonave russa, em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe
Protegendo-se de tormenta em abrigo improvisado com restos de nave russa em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe
Criado há apenas 5 anos o Tobago Cays National Park tenta preservar a vida marinha e seu habitat que vem sendo invadido por milhares de barcos e veleiros todos os anos. Aos poucos o tempo começou a melhorar e seguimos para a área do parque marinho, uma baía mais rasa e protegida por uma barreira de corais próxima à ilha de Baradal.
Praia e mares paradisíacos em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe
O fundo de areia com algas e grama marinha é o ambiente ideal para as tartarugas, que vêm se alimentar nesta baía. A visibilidade não estava das melhores, quisera, depois de uma tempestade daquelas, mas em meia-hora de snorkel conseguimos ver mais de 20 tartarugas de todos os tamanhos, a maioria tartarugas-verdes.
Snorkel com tartarugas em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe
O sol saiu e nós seguimos para a próxima ilha, Petit Bateau, ao famoso churrasco do Bowl Head. Frutos do mar, batatas assadas com alho e o delicioso cozido de “lamby”, um molusco encontrado aos montes na região.
Praia e mares paradisíacos em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe
Local do nosso almço em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe
Unimos-nos a um grupo de franceses que estava no barco vizinho do Captain Harris, mais conhecido como “O Pirata do Caribe”. Só figuras raras, rastas com seus dreadlocks e cigarros imensos organizavam a turistada e davam as dicas: “frutas para os passarinhos, papel e plástico no lixo e os pratos lavem no mar, que arraias e tubarões vão aparecer aqui na frente”. Dito e feito, tubarão não vimos, mas meia hora depois algumas arraias e um puffer fish (baiacú) gigante atenderam ao chamado! Timing perfeito para um snorkel com os nossos novos amigos, do mar e da terra.
Novos amigos em Happy Island, em frente à Union Island, no sul São Vicente e Granadinas, no Caribe
A nossa última parada foi na Happy Island, uma ilha-bar construída com conchas de lambys desde 2002! Ela começou como um punhado de conchas e uma pequena cabana vendendo cervejas e rum punchs e aos poucos foi sendo ampliada. Hoje Janti, o feliz dono da Happy Island, recebe os turistas que vem em seus barcos com música na caixa e muita energia.
Chegando à minúscula Happy Island, em frente à Union island, em São Vicente e Granadinas, no Caribe
Tomamos um rum punch na companhia do simpático casal de chefs Barbara e Adam, canadenses que vivem na Califórnia e estão de férias com sua filha, velejando em seu barco charter no Caribe. Além de nos convidarem para encontrá-los no Napa Valley, nos fizeram uma surpresa, que só descobrimos quando fomos pagar os nossos rum punchs! Muito obrigada casal!
Saindo de voadeira de Union Island para Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe
Enquanto isso, Janti narrava no microfone a chegada emocionante da família francesa, que decidiu nadar do seu barco até a ilha, pai, mãe e três filhos! As duas mais novas vieram super guerreiras, com suas máscaras, nadadeiras e uma delas até com a pranchinha! Sensacional!
Novos amigos em Happy Island, em frente à Union Island, no sul São Vicente e Granadinas, no Caribe
Retornamos à Clifton, em Union Island, depois de um dia maravilhoso, com direito à tempestade tropical, lamby do Bowl Head, bons papos com Arnauld e Emanuele, Nicole e o Captain Harris. Alguns deles ainda encontraríamos mais tarde para tomar uma caipirinha bem brasileira no bar da Nikki, depois de curtir um reggae com Mugas, o dono da loja de produtos rasta que quer voltar para Gana, terra sagrada, mãe de todos os africanos. Eu achei que era Etiópia, mas cada tem direito de escolher o seu lugar.
Visitando loja de duas super figuras em Clifton, na Union Island, sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe
Visitando loja de duas super figuras em Clifton, na Union Island, sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe
No nosso caminho de subida pelo México passamos por alguns Pueblos Mágicos como a cidade de Comitán de Rodriguez e San Cristóbal de las Casas em Chiapas, Tequila no estado de Jalisco e Loreto na Baja California.
Caminhando em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Pueblo Mágico é um programa desenvolvido pela Secretaria de Turismo do México para cidades com potencial turístico por sua riqueza cultural, relevância histórica e beleza natural. As cidades possuem características como a forte influencia do passado indígena, grandes legados arquitetônicos e históricos do período colonial espanhol, a preservação de tradições seculares e ancestrais ou sítios de relevância na história do México. Para facilitar a vida dos turistas e garantir o clima aconchegante de um pueblo mágico, as cidades eleitas para o programa devem ter abaixo de 20 mil habitantes e estarem localizadas a menos de 200km por estrada de um grande destino turístico.
A linda região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
No nosso regresso a solos mexicanos alguns destes pueblos também estão no roteiro, porém um deles não estava previsto na rota, por pura falta de informação. Foi Gera, um amigo brasileiro que vive aqui no México, que nos salvou da ignorância geográfica e alumiou nossos caminhos rumo a um dos lugares mais mágicos que já visitamos nestes 1000dias, a pequena cidade de Real de Catorce.
Chegando à Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Real de Minas de Nuestra Señora de la Limpia Concepción de Guadalupe de los Álamos de Catorce está localizada a 2.750m.s.n.m, nas montanhas da Sierra de Catorce em meio à Sierra Madre Oriental. Desde 1.772, Real, para os íntimos, já era um pequeno povoado mineiro e apenas em 1.777 recebia oficialmente o nome de “Los Catorce”. O nome curiosamente surge por ser nesta região onde atuava um grupo de 14 bandidos que roubavam dos ricos para ajudar aos pobres, uma versão mexicana do bando de Robin Hood.
Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Foi apenas em 1.779 que começou a verdadeira extração de prata na região, quando milhares de garimpeiros e aventureiros se embrenharam por caminhos inexistentes para tentar enriquecer nestas novas minas de esperança no deserto potosino, no norte do México. Em 1.803 Real de Catorce já era a segunda maior cidade de produção/extração de prata da Nova Espanha.
Luz de fim de tarde em Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México
No final do século XIX a cidade chegou ao seu auge, com mais de 15 mil habitantes e uma elite espanhola riquíssima, grandes fazendas e pequenos palácios aos pés das minas desfrutavam de todo o luxo vindo do continente europeu. No início do século XX o preço da prata despencou e a cidade foi praticamente abandonada, criando assim mais uma atração turística para os que passam por ali, o Pueblo Fantasmo.
Caminhando pelas ruas de pedra de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
O acesso mais direto para a cidade se dá por um túnel de 2,3km abertos pela mineração no meio da montanha, liberado ao acesso público no ano de 1901. Naquela época apenas os grandes senhores e mais nobres visitantes podiam passar por este caminho. Cruzamos o estreito túnel sem acreditar no que víamos, mal sabíamos que este era um verdadeiro portal para um mundo mágico que estávamos prestes a conhecer.
O incrível túnel na rocha que dá acesso à Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
A pequena cidade hoje possui pouco mais de 1.300 habitantes que seguem suas vidas quase como se estivessem a 2 séculos atrás. A prata se foi e o turismo chegou dando nova vida à pequena cidade, mas sem mudar os seus hábitos, tradições e afazeres cotidianos. Aqui o turismo se adaptou aos antigos hábitos e passou a consumi-los: os homens cavalheiros, com seus chapéus ajeitam seus cavalos para passeios pelas montanhas e desertos. Mulheres cuidam das casas, vendem gorditas, pães, queijos e seus artesanatos, enquanto crianças correm pelas ruas, curiosos com os turistas que hoje já são, sabidamente, sua nova fonte de renda.
Manhã de ceú azul em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
A cidade nunca foi totalmente abandonada graças à sua importância religiosa para o povo cristão e Huichol. A peregrinação católica acontece em outubro para o São Francisco de Assis e durante todo o ano a região recebe indígenas, culminando na primavera, quando milhares de wixakiras visitam o Deserto de Chihuahuan. O principal ponto de culto e peregrinação para a cultura Huichol nesta região é o Cerro El Quemado, centro do universo na sua cultura, onde teria nascido o Deus do Fogo, Tatewari.
Interior da igreja matriz de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México
No deserto, que se vê do alto do Quemado, eles acreditam estar localizados espelhos ou portais que dão acesso a outra dimensão. Há pouco tempo grandes empresas de mineração começaram a mapear a área com novas tecnologias de leitura aérea, onde descobriram novas reservas de ouro e prata e sim, exatamente onde estão estes portais wixarikas (Huichol), lugares sagrados para a sua cultura e onde se dá a comunicação com os seus Deuses e o mundo espiritual.
A bela região ao redor de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México
Em 2001 a região foi designada um Sítio Sagrado Nacional do estado de San Luis Potosí, porém em 2009 uma corporação canadense comprou os direitos de exploração subterrânea para as riquezas minerais da área, sendo 80% das terras dentro da área de proteção ambiental.
Aos que, como eu e as nações indígenas, acreditam no planeta terra como um ser vivo, onde suas rochas e minerais podem representar pontos energéticos de equilíbrio deste corpo, banhado por rios, como suas artérias e florestas como os seus pulmões, a exploração e destruição de um lugar como este é um prejuízo inestimável não apenas para a cultura Huichol, como para todos os seres humanos. O mundo está adoecendo, o desequilíbrio entre homem e natureza não se vê apenas nas toneladas de lixo que estamos produzindo e lançando ao mar, alimentando peixes e pássaros, mas também no esgotamento das matérias primas que formam e dão equilíbrio a energia da Terra.
Um belo cactus no deserto da região de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México
A população de Real de Catorce, unida à comunidade Huichol e ONGs ambientais, está engajada neste assunto tentando parar a reabertura das minas e abertura de novas minas na região. A luta, porém, é muito desigual no mundo atual, onde a exploração e a sede por lucratividade das grandes empresas mineras, que contam com assistência legal especializada, passam por cima da sabedoria e conhecimento deste povo antigo e de toda uma cultura para benefício privado. Isso não está ocorrendo apenas aqui, infelizmente, são várias frentes da grande mineração que está chegando para destruir não apenas a natureza, mas diversas culturas que dependem deste meio para sobreviver.
Charmoso restaurante de pedra em em Real de Catorce, pueblo mágico no nordeste do México
Delicioso aperitivo feito com flores de cactus, em restaurante de Real de Catorce, pueblo mágico no nordeste do México
Chegamos a Real sem saber exatamente o que encontraríamos e nos deparamos com um lugar cheio de histórias, lendas, cultura e natureza. Após um jantar delicioso no Mesón de la Abundancia, provando botanas de flor de cactos, decidimos explorá-la mais de perto em uma cavalgada mágica que nos levou pelos caminhos da cultura do deserto potosino. Aguardem cenas dos próximos capítulos!
Cavalos prontos para nossa cavalgada na região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Iluminação noturna na Plaza Colón, em Santo Domingo, na República Dominicana
Santo Domingo, a capital da República Dominicana, é uma cidade de quase 3 milhões de habitantes incluindo sua zona metropolitana. Imensa e moderna, tem todos os problemas que uma cidade grande padece, trânsito intenso, sujeira e pobreza que convivem com uma população trabalhadora e um grande número de imigrantes haitianos que disputam os subempregos nas construções e ruas do país vizinho.
A Ponte das Américas, em Santo Domingo, capital da República Dominicana
Em meio a toda esta loucura encontramos um oásis turístico de arquitetura colonial, uma rica história datando mais de 500 anos e que remonta a nada mais nada menos que o descobrimento da América.
A charmosa arquitetura da Zona Colonial, centro histórico de Santo Domingo, capital da República Dominicana
Foi aqui na República Dominicana que Cristóvan Colón (Colombo na versão brasileira) desembarcou pela primeira vez nas Índias Ocidentais e logo dava-se conta que não estava na Índia e sim em um novo continente totalmente inexplorado pelos europeus.
Marcação de rua na Zona Colonial, bairro histórico de Santo Domingo, capital da República Dominicana
Foi aqui que começou a história moderna das nossas terras, para a tristeza dos nossos índios e para a alegria dos colonizadores exploradores que enriqueceram levando nossa prata, nosso ouro, nossa mata e nosso povo.
As pombas não parecem se importar muito com o imponente Colombo, na Zona Colonial de Santo Domingo, capital da República Dominicana
Santo Domingo é a primeira cidade da América ainda em funcionamento, portanto um passeio pela Zona Colonial é uma visita à nossa história. Visitamos o Alcazár de Don Diego Colón, casa onde Cristóvão Colombo, seu filho e sua família viveram quando ganharam o vice-reinado da Nova Espanha. A imponente casa na Plaza España foi convertida em um museu de história colonial.
Antiga residência da família Colombo, em Santo Domingo, capital da República Dominicana
Palácio histórico, dos filhos de Colombo, em Santo Domingo, capital da República Dominicana
Visitamos rapidamente o Panteón de la Pátria e caminhamos pela Calle Las Damas entre antigos casarões das famílias mais abastadas da época, com vista para o mar e a muralha que protegia a cidade. Após nos abrigarmos de uma chuva tropical na entrada do Museo de las Casas Reales chegamos à Fortaleza Ozama, localizada na entrada da baía com uma torre de observação e canhões sempre prontos para proteger a cidade de invasões inimigas.
O Panteão dos Herois da República, em Santo Domingo, capital da República Dominicana
A Torre del Homenaje, na Fortaleza Ozama, em Santo Domingo, capital da República Dominicana
Ali perto, galerias de arte e restaurantes rodeiam uma plazuela a caminho da Plaza Colón, praça central da Zona Colonial que além de uma estátua do navegador, possui uma as obras primas da arquitetura colonial-cristã: Catedral Primada de América, a primeira Catedral do novo mundo. São mais de 12 naves, além do altar principal, cada um em um estilo, dedicada a um santo e com uma boa história para ser ouvida. A entrada inclui um audio-guide que torna a visita muito mais interessante e interativa.
Interior da Catedral Primada de America, a mais antiga do continente, em Santo Domingo, capital da República Dominicana
Interior da Catedral Primada de America, a mais antiga do continente, em Santo Domingo, capital da República Dominicana
Na Plaza Colón uma das minhas galerias preferidas com arte dominicana e haitiana de forte influência dos Tainos, antiga população nativa da ilha, da qual nada restou a não ser os fortes traços de suas esculturas e pinturas. Os personagens de feições arredondadas representam divindades tainas como o Deus Sol e a Deusa Lua, guerreiros, mulheres e os ávidos navegadores que imigraram para esta ilha desde a América do Sul. Peças lindíssimas e muito expressivas, as minhas esculturas preferidas de toda a viagem.
A antiga arte Taino, em Santo Domingo, capital da República Dominicana
Para provar a culinária tradicional dominicana um dos restaurantes mais indicados é o Adrian Tropical, no Malecón há uns 10 minutos do centro em táxi. Lá provamos o mais delicioso Mofongo do país. O Mofongo é uma espécie de purê de banano verde, misturada com manteiga, leite e diferentes tipos de carne. Ele pode ser servido com frango, carne, linguiça ou até camarão e caranguejo. É delicioso!
Um delicioso Mofongo acompanhado de patacones, em Sosúa, praia na costa norte da República Dominicana
A noite a Zona Colonial também é bem movimentada, os restaurantes da Calle El Conde são um convite ao happy hour estendido. Frequentado por turistas e locais, são o ponto de início à peregrinação aos bares nos arredores da Plaza España com todos os tipos de música latina que vai do rip-rop, passando pelo reggaeton, à boa salsa e o tradicional merengue dominicano.
Carruagem nas ruas da Zona Colonial, em Santo Domingo, capital da República Dominicana
Os arredores de Santo Domingo ainda guardam algumas surpresas como praias e cavernas com formações lindíssimas. Vocês sabem que além das grutas secas nós somos vidrados em cavernas inundadas e esta foi a programação do nosso segundo dia na cidade, assunto para o próximo post. Está vindo a Punta Cana? Não deixe de visitar também a mais antiga cidade da América!
Rua da Zona Colonial, centro histórico de Santo Domingo, capital da República Dominicana
As favelas de Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti
Pétion-Ville era um nome praticamente desconhecido por nós até entrarmos no ônibus de Santo Domingo a Port-au-Prince. Nosso plano inicial seria hospedar-nos no centro da capital, porém no caminho vários haitianos nos perguntavam onde ficaríamos em Pétion-Ville, bairro a pouco mais de 40 minutos do centro da cidade, ponto final do ônibus. Assuntamos dali, perguntamos de lá e descobrimos que este era o lugar ideal para usarmos como base. Já era tarde e descer ao centro durante a noite não seria uma tarefa fácil. Guiados por um italiano, único estrangeiro no ônibus além de nós, viemos parar no charmoso B&B Le Perroquet.
O hotel Le Perroquet, nossa casa em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti
As calçadas quebradas davam um ar de destruição na cidade. Terremoto, pensamos, mas logo descobrimos que são apenas obras de renovação nas ruas. As calçadas foram quebradas hoje e deixaram Lana surpresa ao acordar e descobrir repentinamente que não tinha mais calçada em frente ao seu hotel. Lana, uma russa que viveu 15 anos em Bali, está há um ano no Haiti com o seu marido Erick. Erick é cidadão americano e haitiano e depois de muitos anos longe do Haiti recebeu um chamado especial: o Haiti precisa de vocês. Seu tio, antigo dono do Hotel Cubano, voou a Bali para convidá-los a participar deste período de mudança no país. Um momento em que o país precisa de pessoas como eles, estudadas e esclarecidas que possam trazer novas ideias e uma energia renovadora para a reconstrução do Haiti.
Com a Lana e o Eric, donos do hotel Le Perroquet, em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti
E assim foi, Lana e Erick se mudaram há um ano, assumiram o hotel que passou por reformas e aos poucos está se firmando como o ponto de encontro dos artistas e formadores de opinião da região. Às sextas-feiras o restaurante abre com pratos especiais da culinária thailandesa preparados por Lana e promove uma Jam Section com artistas vindos de todos os cantos da capital. Nós chegamos no sábado, perdemos o jazz, mas fomos recebidos com um delicioso rum punch e a simpatia de Lana e Erick que não medem esforços para nos fazer sentir em casa. Conversamos por horas, nos inteirando de suas histórias e peripécias ao redor do mundo e principalmente da percepção que eles têm das mudanças que estão ocorrendo no país.
Com a Lana, no hotel Le Perroquet, em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti
Um rápido passeio por Pétion-Ville e aos poucos conseguimos encontrar algumas pistas de por que é considerado o bairro mais “chique” de Porto-au-Prince. Em meio a desordem comum das ruas do Haiti nos deparamos com haitianos de classe média-alta indo às compras, homens e mulheres indo e vindo dos seus trabalhos e casas em bons carros, bem vestidos e ornamentados, claramente pertencentes a outro mundo se comparados com a maioria esmagadora da população. Lá vivem diplomatas, estrangeiros que possuem negócios no país e os haitianos de classe mais alta. Na capital haitiana os ricos vivem na parte alta da cidade, próximo às montanhas de Massif de la Selle, enquanto lá embaixo, no centro, estão as áreas mais afetadas pela pobreza. Ainda assim eles não escapam de vivenciar a pobreza do país, que por não ter para onde ir, simplesmente se espalhou por tudo.
Área de mansões em Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti
Depois do terremoto as ruas e arredores de Pétion-Ville foram tomadas por habitantes de toda a Port-au-Prince, assim como a República Dominicana, as ilhas caribenhas vizinhas, a América Central, Colômbia e até o Acre! Não se esqueçam que foram mais de 1 milhão de pessoas desabrigadas em 5 minutos de um terremoto que chegou a 7.0 pontos na escala Richter. Mesmo distante do centro da capital, Pétion-Ville também sentiu o abalo sísmico de 12 de janeiro de 2010 que dentre outros edifícios, abalou as estruturas do hospital distrital. A sede do Clube de Pétion-Ville foi transformada em um hospital provisório e o campo de golfe foi transformado em uma grande cidade com barracas de campanha, abrigando de 50 a 80 mil haitianos desabrigados pelo terremoto.
Igreja na praça principal de Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti
Pétion-Ville, o subúrbio chique de Port-au-Prince, hoje se parece com bairros de classe-média de qualquer zona urbana brasileira. Uma igreja no centro, a praça com a estátua de Pétion, uma escola, floricultura, livraria, supermercados e bancos.
Uma das muitas escolas em Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti
Pétion para lá, Pétion para cá... Afinal, quem foi esse tal Pétion? Alexandre Sabés Pétion (1770-1818) foi um dos quatro grandes libertadores do país, um dos homens que sonhou com um Haiti melhor, livre dos carrascos franceses e com oportunidades verdadeiras para a população mulata e os escravos. Após a libertação do domínio francês sobre o território e da criação do novo estado Haiti, "terra de montanhas", as disputas internas pelo poder cresceram e o país acabou dividido entre os negros do norte e os mulatos do sul. Henri Christophe se autonomeou Rei do Reino do Haiti, criando uma autocracia sem limites no norte do país. No sul, Pétion seguiu com seus ideais democráticos e tornou-se presidente da República do Haiti.
Principal praça de Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti
Anos se passaram e os sonhos de Pétion parecem ter se realizado, a democracia se instalou e junto dela a dura realidade do nosso mundo moderno, trazendo consigo as suas discrepâncias econômicas e sociais. Nas esquinas dezenas de motociclistas esperam algum cliente para oferecer uma corrida. Mulheres sobem e descem ladeiras equilibrando na cabeça cestos cheios de frutas, bebidas, roupas ou o que você imaginar. Elas conversam, vendem seus produtos, desviam das motos e ainda mantém os balaios em pé com uma elegância sem igual.
Muito equilíbrio nas ruas de Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti
Ao redor da praça uma infinidade de obras de arte espalhadas pelas paredes. O Haiti é reconhecido por sua arte, notadamente a pintura, escultura e a música. Eu me apaixonei pelos traços e cores, temas e a expressão da arte haitiana sem precisar entrar em nenhum museu ou galeria. Elementos africanos, europeus e tainos, indígenas nativos de Hispaniola, se mesclam em forma de contos, fábulas e signos facilmente compreendidos por uma população religiosa e iletrada.
Arte nas ruas de Pétion-Ville, bairro mais chique de Port-au-Prince, no Haiti
A arte de rua tem uma qualidade exponencial e fosse em qualquer país desenvolvido estariam vários destes óleos sobre tinta dentro de grandes museus de obras contemporâneas ou folclóricas-tradicionais. Eu raramente me rendo à tentação de comprar alguma lembrança dos lugares por onde estamos passando, mas este quadro foi paixão à primeira vista. Foram dois dias pensando até decidir carregá-lo por mais 300 dias para o Brasil, mas será uma bela lembrança da nossa passagem pelo Haiti.
Feliz após a compra de um quadro em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti
Na floricultura da praça os jovens não medem esforços para se comunicar, do creole para o francês e algumas palavras de inglês e logo estamos nos entendendo. O meu francês é praticamente zero, algumas palavras, frases e um sorriso no rosto me ajudam a começar a conversa. Flores de bananeira? Eles não conseguiam entender se era eu que não sabia o que estava falando ou se era isso mesmo que eu queria. Sim, flores de bananeira! A Lana me contou uma receita balinesa com essa flor ignorada por (quase) todas as culinárias e segundo ela muito saborosa. Encomendei as flores, prometi ensinar-lhes a receita e dois dias depois lá estávamos nós trocando flores e receitas, espero que fique boa!
Socializando em floricultura em Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti
Chegamos ao Haiti e mesmo que distantes de suas maiores favelas e pontos críticos, já podemos sentir o país, entender algumas de suas dinâmicas e perceber que existe um clima de mudança no ar.
Port-au_Prince vista do telhado do nosso hotel em Pétion-Ville, no subúrbio da capital, no Haiti
Bela paisagem no fim de tarde na viagem para Cuenca, no Equador
Gostaria que esse título fosse mesmo o que vocês imaginaram. “Decidimos que iremos passar os próximos 30 anos na estrada!” Ou ainda melhor, “hoje comemoramos 30 anos de estrada!” Hahaha! Mas nada disso, a frase tem por trás um motivo muito mais simples, mas não menos nobre: hoje comemoro os meus 30 anos de idade na estrada!
Propaganda de Gatorade no Equador (Cuenca)
Laura tomou seus últimos remédios na veia até as 11h e finalmente recebeu alta da clínica! Pé na estrada, dia longo de viagem para o sul do Equador, rumo à cidade de Cuenca. O Equador possui uma densidade populacional imensa, durante todo o caminho passamos por cidades grandes, vilas e povoados.
Exibir mapa ampliado
Quase todos os estados aqui recebem o nome dos respectivos vulcões presentes em cada região. Ontem, por exemplo, saímos de Cotopaxi, passamos por Tungurahua, onde está Baños, e pelo estado do Chimborazo, vulcão extinto e mais alta montanha do Equador, com 6.310m.
O vulcão Tungurahua, perto de Baños, na viagem para Cuenca, no Equador
Essa estrada é linda e muito popular pelo passeio de trem que corta as montanhas de Riobamba, passando por Alausí e chegando ao trecho mais famoso conhecido como Nariz del Diablo. A linha férrea está em manutenção e o trecho mais bonito está fechado para as obras. Assim sendo aproveitamos a nossa Fioninha para conhecer do carro mesmo as paisagens que cortam o Equador, passando pelo mesmo caminho do trem, até Cuenca.
A bela paisagem na viagem para Cuenca, no Equador
A viagem foi longa e cansativa, mas não poderíamos deixar de comemorar! Em Cuenca fomos ao Tiesto, restaurante de culinária equatoriana bem despojado, passagem obrigatória na cidade. A principal atração do Tiesto é Juan, o chef, uma figura simpaticíssima e com muita personalidade. Sabe que é bom e faz questão que todos tenham a melhor experiência gastronômica em sua casa, mesmo que isso signifique ir contra a escolha (geralmente equivocada) do cliente.
Com o simpático chef do restaurante Tiesto, no aniversário da Ana, em Cuenca, no Equador
O conceito dos pratos é que a comida deve sempre ser compartilhada, por isso são pratos para 2 ou mais pessoas. Se queremos experimentar mais de um, Juan nos diz quais pratos harmonizam e intensificam seu sabor, espetacular! Na sobremesa veio a surpresa: um prato todo decorado com molhos açucarados e com uma vela para a velhinha aqui.
Bolo de aniversário no Tiesto, excelente restaurante de Cuenca, no Equador
Durante a vida, nunca imaginei que comemoraria os 30 anos no Equador, muito menos com a companhia dos amados Rodrigo, Laura e Rafael, foi sensacional! Cuenca, sem fazer muito esforço, já entrou para a lista de preferidas na história dos 1000dias.
Celebração dos 30 anos da Ana no excelente restaurante Tiesto, em Cuenca - Equador
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