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Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok
Acordamos em Seward ainda com muita chuva. Nosso plano inicial era ir a Valdez, também no litoral chuvoso e os “flood and wind warnings” ainda estavam vermelhos. É, aparentemente esse mau tempo veio para ficar, mas ainda assim decidimos ir e enfrentar a estrada, afinal eu não queria passar o meu aniversário em uma cidade alagada e devastada por tufões!
Uma colossal e fantástica geleira parece invadir o vale, no caminho entre Anchorage e Tok, no Alaska
Pegamos a estrada em direção a Anchorage, sempre em contato com os nossos amigos Kombianos, que acompanhavam na rádio e televisão os avisos e pareciam estar preocupados com os dois doidos aqui enfrentando a ventania. A chuva e o vento continuaram forte, mas foi no Belluga Point, já a poucos quilômetros de Anchorage, que sentimos o vento aumentar. Paramos com a esperança de ainda encontrar alguma belluga, mas aparentemente elas não somos só nós que nos incomodamos com vento e mar agitado.
Enfrentando e se divertindo com ventos de mais de 100 km/h, na estrada para Anchorage, de volta da Península do Kenai, no sul do Alaska
A curiosidade de sentir a força e o poder do vento veio primeiro no louco do Rodrigo. Ele saiu do carro num vento e frio desgraçado, só de camiseta e deixou o vento sustentar todo o seu peso. Corria contra o vento e voltava planando, se divertindo e entretendo os outros motoristas que paravam por ali. Depois das fotos me enchi de coragem e saí, enfrentando a água e o vento, até que um tufão mais forte me pegou forte e levou por uns poucos metros. Foi um bom susto! Eu corri para o carro e fim da brincadeira!
Enfrentando e se divertindo com ventos de mais de 100 km/h, na estrada para Anchorage, de volta da Península do Kenai, no sul do Alaska
Em Anchorage paramos por uma hora para reencontrar Meli e Jorge, tomamos um chá no Starbucks trocando mais experiências sobre as nossas viagens e entendendo melhor os planos para o futuro próximo. Quem sabe conseguimos nos encontrar na estrada! Para nós que estamos na estrada a muito tempo, detalhes como voltar a uma mesma cidade e reencontrar pessoas conhecidas se tornam estranhamente prazerosos. É a sensação de um lugar comum que não temos há muito tempo, a falsa sensação de estar em casa.
A Fiona reencontra a aventureira Lunita, em Anchorage, maior cidade do Alaska
Nos despedimos de Anchorage sem muita esperança do tempo melhorar e acabamos decidindo cancelar a nossa ida a Valdez e seguimos para o norte, direto para a pequena cidade de Tok. Já passamos por aqui quando chegamos ao Alaska, foi a nossa primeira parada no centro de visitantes, mais uma vez já nos sentimos quase locais! Hehehe.
Reencontro com os amigos viajantes colombianos, Jorge e Meli, em Anchorage, maior cidade do Alaska
Dirigimos todo o dia, passando por novas paisagens belíssimas, geleiras, rios e áreas naturais da região de Vasilia que certamente mereceriam mais pelo menos 3 dias ou uma semana para serem exploradas.
Uma colossal e fantástica geleira parece invadir o vale, no caminho entre Anchorage e Tok, no Alaska
Já era noite e o céu estava estrelado! Nos hospedamos no primeiro motel que encontramos na beira da estrada e ficamos de olho no céu, a previsão da aurora era boa, 5/10! Já que não pudemos conhecer vários dos parques nacionais no Kenai, viemos para cá com a esperança de encontrarmos uma boa aurora! As condições estavam aí, só faltava aquela pitada de sorte para termos uma bem sobre as nossas cabeças!
Nossa mais bela Aurora Boreal, nos céus de Tok, no Alaska
Acabava de virar meia-noite e nós já comemorávamos o meu aniversário, 31 anos! De repente olhamos para o alto e vemos as luzes verdes começando a iluminar o céu. Pegamos a Fiona e saímos da cidade, qualquer luz pode diminuir a nossa capacidade de enxergar a aurora. A íris se acostuma ao escuro e a aurora fica ainda mais clara e brilhante. Rodamos uns 20km e as luzes pareciam não querer nos deixar! Finalmente chegamos a um recuo da estrada, entrada de uma terra indígena, logo após a balança de carga de caminhões. Olhamos para o céu e lá estava ela, bela e formosa. Ela não parecia muito diferente do que já havíamos visto em Coldfoot e em Denali, mas estava mais prolongada e formava arcos completos a 90° da linha do horizonte, cruzando o céu de leste a oeste. Era um formato curioso, enfim, “vivendo e aprendendo sobre as auroras”, pensamos.
Um verdadeiro show cósmico, na Aurora Boreal na noite sem lua em Tok, no Alaska
De repente, apontei o canto esquerdo do arco para o Rodrigo, as luzes estavam começando a ficar mais fortes, saímos da Fiona e o espetáculo de luzes começou! Uma explosão de cores, verde, azul, vermelha, branca e roxa, todas as cores formando espirais e cones que caíam dos céus dançando como uma cortina de luzes ao vento.
Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok
A imagem era tão inacreditável, que ríamos, gritávamos e chorávamos de emoção, todos os sentimentos ao mesmo tempo! Ali já nos demos conta de quão único era o momento que estávamos vivendo, quão raro e esplêndido era aquele evento celeste, que na mesma intensidade durou não mais do que 5 minutos e aos poucos diminuiu e se esvaneceu, voltando a ser a aurora que nós já conhecíamos. Hoje nos demos conta que a aurora que vimos não era a verdadeira auroral boreal! O céu se iluminou tanto quando em imenso show de fogos de artifícios, mas trilhões de vezes mais bonito! Tanto na dança, quanto na velocidade, quanto nas cores e na intensidade, só imagine que a luz e o clarão da tal aurora, não é como a luz do sol, e sim como a luz dos fogos... A noite fica clara e nós, embaixo, embasbacados.
Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok
Fugimos da chuva com um objetivo, a aurora, mas não imaginamos que seríamos recompensados a esta altura! Esse foi sem dúvida o maior presente de aniversário que eu nunca havia pensado que um dia iria receber na minha vida! Uma aurora boreal animal, na beira da estrada na periferia de Tok, a 1 hora da manhã!?! Isso não tem preço!!!
Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok
32° ano, seja bem vindo! Prometo que será bem vivido!
Um verdadeiro show cósmico, na Aurora Boreal na noite sem lua em Tok, no Alaska
Fiona chega ao Oceano Pacífico, em Iquique, no norte do Chile
Domingo nublado e preguiçoso em Iquique. Depois da correria para atravessar do Atacama ao Uyuni e voltar ao Chile, precisávamos de um dia tranquilo para respirar, descansar e trabalhar um pouco no site. Pode parecer que não, mas ficamos angustiados em não mantê-lo atualizado. Então, tiramos o dia de hoje para fazer isso e cuidar do nosso bem (material) mais precioso, nossa filha e companheira, Fiona.
O esperado banho para tirar o sal e a lama da travessia do salar de Uyuni (em Iquique, no norte do Chile)
A coitada, depois de cruzar tantos salares ela estava com uma crosta de sal de uns 2cm em toda a lataria e uns 5 a 8cm na frente e região dos pneus e rodas. Assim que o nosso principal objetivo do dia (fora do hotel) era colocá-la limpa e sem sal. Fomos ao posto para a ducha externa, ficamos meia hora na fila, depois ao shopping para tentar assistir um filme enquanto faziam a lavagem interna. Ai que prazer ver a nossa casinha limpa!
O esperado banho para tirar o sal e a lama da travessia do salar de Uyuni (em Iquique, no norte do Chile)
Sem um filme que nos interessasse, aproveitei o tempo para ir ao salão. Detalhe que cortei o cabelo há menos de 2 meses, mas as condições adversas já o deixaram parecendo uma vassoura, com pontas duplas, triplas e até quíntuplas. Esse é o tipo de preocupação que nunca precisei ter na vida e que surgiu na viagem. Até agora a solução foram os cortes mais freqüentes, xampus especiais de nutrição e todos os tipos de hidratação possível. Coisas de mulher. Assim rodamos um pouco por Iquique fazendo coisas da vida comum e cotidiana, que delícia! Nessa vida cigana, fica cada vez mais claro que as situações “normais” e rotineiras fazem nos sentirmos mais em casa.
As ruínas da antiga fortaleza de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Saksawaman, mais conhecido pelos turistas gringos como “Sexy Woman” pela difícil pronúncia e similaridade fônica, é um dos principais sítios arqueológicos incas próximos à cidade de Cusco. Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco, está localizado a 3.700m de altitude no alto das montanhas que rodeiam a antiga capital inca.
A bela vista que se tem de Cusco do alto das ruínas de Saqsaywamán, no Peru
Sua localização não é apenas estratégica para rituais e cerimônias religiosas, como já haviam pensado os Incas, mas também como ponto de defesa das invasões espanholas em meados do século XV. Pedro Pizarro relatou nos idos de 1500 que suas numerosas salas estariam repletas de armamentos militares para combate e defesa da cidade.
As imponentes ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Na atualidade além de um interessantíssimo sítio arqueológico, Saksawaman também é um dos mais lindos mirantes da cidade de Cusco, com vista para todo o vale e montanhas ao seu redor. Jovens cusquenhos também frequentam o local como ponto de encontro para fazer todas aquelas coisas que jovens gostam de fazer... Humm, você sabe.
A bela vista que se tem de Cusco do alto das ruínas de Saqsaywamán, no Peru
A nós, turistas não andinos, nos é cobrada uma taxa de entrada no sítio arqueológico e ali mesmo, na porta, vários guias locais oferecem seus serviços. Com a chegada do mais novo tripulante para o nosso tour pelo mundo andino, meu amigo e irmão Gustavo, decidimos que seria bacana ter uma explicação geral sobre a cultura inca antes de chegarmos ao Vale Sagrado.
Com o Gustavo, visitando as ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Dentre muitas informações, Julieta, nossa guia, comentou que o formato da fortaleza vista de cima é parecido com o símbolo de um raio, e que existe uma possível relação com o Deus Trovão dos Incas, Chiqui-Illapa – Deus das tempestades que norteia a cadência das secas e das chuvas. Ainda assim, ao que tudo indica, o local foi construído com finalidades militares e era utilizado como academia de treinamento para as tropas de defesa e conquista dos grandes Incas.
O incrível encaixe das construções incas nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Caminhamos pela Gran Plaza entre as ruínas da antiga fortaleza que não hesita em nos apequenar diante dos seus imensos muros de pedra. Estes muros são sua principal atração, construídos com blocos de pedra gigantescos que guardam um dos maiores mistérios desta construção. Sabe-se que as pedras não são originárias daqui e sim de uma montanha a pelo menos 3 quilômetros de distância em linha reta. Como os antigos incas teriam conseguido cortar, polir e transportar estas pedras até aqui?
Os enormes monolitos das ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Outra coisa que chama a atenção dos arqueólogos é a perfeição do encaixe de cada um desses blocos, que estão aí, perfeitos, sem precisar de nenhum tipo de cimento, por centenas e centenas de anos. Nas paredes encontramos a pata do jaguar e outros formatos curiosos.
A "Pegada do Jaguar", nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
A grandeza da praça, contudo, não está apenas no tamanho de suas pedras e muros, mas também no espaço aberto dos seus pátios internos, que devem ter recebido milhares de pessoas para grandes rituais e cerimônias.
Turistas visitam, no fim da tarde, as ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Caminhamos até o mirador da cidade, passando pelo Portal del Inca, porta mais fotografada de Saksawaman e depois cruzamos para o lado esquerdo do sítio onde se encontram um teatro que lembra os teatros do estilo romano, com uma ótima acústica, além das áreas cerimoniais.
O casal 1000dias assediado por fotógrafos durante visita às ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
As salas de rituais eram utilizadas para cerimônias religiosas pelos antigos incas. Mesas cerimoniais de sacrifícios de animais, nichos mortuários e até uma poltrona real pomposa e imponente, de pedra, é claro. Fico imaginando como ela seria adornada... Ouro? Jade? Plumas? Peles de Jaguar? Provavelmente tudo junto e misturado. Nós esquecemos de olhar estes lugares como casas, palácios vivos e com cores, mas essas pedras frias e escuras nem sempre foram assim. Quando visitamos ruínas e templos antigos temos que treinar a nossa mente e deixar a imaginação se levar pela energia do lugar, enxergando as cores e a vida que um dia existiram ali.
Descansando em um dos muitos tronos reais nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Já no final do dia o Gustavo não resistiu e até encarou o escorregador natural esculpido na rocha, lisinho e rápido perfeito para uma corrida entre o Gustavo e o Paolo, filho da nossa guia Julieta. Finalizamos a visita e ainda demos carona para mãe e filho que nos acompanharam e dividiram tantas experiências e conhecimentos conosco, um jeito gostoso e prático de entrar mais em contato com a cultura local.
O Gustavo aproveita um escorregador natural nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
De volta à Cusco jantamos em um restaurante fora do percurso mais turístico, em frente à Plaza San Francisco. Carne de llama, papas horneadas e risoto de quinoa, hummm, como é bom poder voltar a comer normalmente! Uma bisbilhotada noturna na Plaza Mayor, só para deixar o Gustavo ainda mais animado para as nossas explorações andinas.
Fim de tarde glorioso nas ruínas de Saqsaywamán, em Cusco, no Peru
Uma das muitas igrejas em ruínas (terremotos!) no centro de Antigua, na Guatemala
Capital da Guatemala por 233 anos, Antigua é uma cidade colonial com arquitetura tradicional espanhola, linda de morrer. Casinhas com paredes coloridas em tons terracota, telhadinhos com eira e beira e dezenas de igrejas espalhadas por toda a cidade.
A bela igreja La Merced, em Antigua, na Guatemala
Vítima de diversos desastres naturais, perdeu seu posto de capital em 1773, quando sofreu o maior terremoto que destruiu praticamente toda a cidade. A cidade foi reconstruída, mantendo suas características coloniais e várias das igrejas em ruínas ainda servem como referência das tragédias do passado.
Cores fortes e arquitetura colonial em Antigua, na Guatemala
Caminhando por suas ruas de paralelepípedo encontramos artesãos e agricultores de diferentes tribos de descendência Maia, mesclados com turistas de diferentes nacionalidades de diferentes idades e interesses. Muitos estrangeiros chegam à Antigua para estudar espanhol e acabam ficando, abrindo seus negócios e trazendo um pouco do seu tempero a essa imensa salada cultural.
A movimentada 5a Av Norte, peatonal, na véspera de Ano-Novo em Antigua, na Guatemala
O resultado dessa mescla é uma cidade para todos os gostos e interesses, aos que buscam boas opções para desfrutar da gastronomia guatemalteca e internacional, spas com massagens e pacotes de beleza e relaxamento, bares e uma vida noturna ativa ou das muitas aventuras que seus arredores oferecem. Escaladas em vulcões, trekkings, cavalgadas e pedaladas são algumas das atividades de aventura oferecidas na região.
A cidade colonial de Antigua, na Guatemala
Antigua também é a base de várias agências de turismo para outras atrações na Guatemala. Daqui podem ser organizadas viagens para Tikal, principais ruínas Maias, localizadas no norte do país, Semuc Champey, um paraíso escondido nas montanhas a 5 horas de carro ou para o Lago de Atitlán. São várias agencias, vale pesquisar e comparar preços para ter a melhor negociação.
Meninas caminham no Parque Central de Antigua, na Guatemala
Chegamos à Antigua no último dia do ano, a cidade estava em festa! Milhares de turistas nacionais e estrangeiros lotavam as ruas. A 5ª Avenida Norte é uma avenida peatonal a partir do Parque Central e reúne restaurantes, lojas, cafés e diversas atrações. As mais divertidas delas são os grupos de Marimba, instrumento parecido com um piano, tocado com bastões por diversos artistas.
Banda de Marimba, no centro de Antigua, na Guatemala
Caminhamos dançando ao som das marimbas até o Arco de Santa Catalina, enquanto os bonecos gigantes dançavam e giravam colorindo as ruas e animando os passantes.
Bonecos gigantes dançam ao som de Marimba no centro de Antigua, na Guatemala, véspera de Ano Novo
Ali encontramos uma loja especializada em vinhos, garantimos o nosso espumante da virada e seguimos em direção ao restaurante italiano L´Ópera. Fomos atraídos pela música do seu Jorge, que tocava na sua piano-sanfona clássicos de tango e até de bossa nova. A música e a energia de seu Jorge tomavam conta do ambiente, perfeito para um vinhozinho no almoço tardio de véspera de ano novo.
Ótima música em restaurante no centro de Antigua, na Guatemala
Antigua é uma cidade mágica, que transpira vida e cultura, de pessoas amáveis e receptivas. Seja lá o que estiver buscando, vale à pena a visita, pois são imensas as chances de (você) se encontrar aqui.
Alguém em Antigua, na Guatemala, quer casar!
Plaza de los Mariachis, em Guadalajara, no México
Acordamos tranquilos e fomos ao café da manhã antes de começar a programação no centro histórico. Os jornais noticiavam um grande ataque dos narcotraficantes ontem, por toda a cidade de Guadalajara. O cartel de drogas Jalisco Nueva Generación estava “protestando” contra a prisão de um dos seus principais líderes e ateou fogo em mais de 10 ônibus nas principais estradas e avenidas da cidade. Curioso é que tudo aconteceu justamente no horário que nós estávamos entrando em Guadalajara, pela única estrada que eles não atacaram! Só vimos hoje no jornal! Escapamos da confusão por pouco. Isso é o que eu chamo de santo forte e anjo estropiado!
A famosa Plaza de los Mariachis, no centro de Guadalajara, no México
Pegamos um táxi e fomos para o centro, que seguiu sua vida normal independente dos ataques de ontem. Todo o comércio estava funcionando, restaurantes, museus, ruas lotadas, como se nada tivesse acontecido. A vida continua! Começamos o tour pela Plaza Guadalajara, em frente à imponente Catedral, construída entre 1558 e 1618. Quase tão antiga quanto a fundação da cidade!
A bela Catedral de Guadalajara, no México
Demos a volta à catedral, passando pela Plaza de Armas onde está o Palácio Nacional, um coreto e vários locais passando tempo. Logo atrás do Teatro Degollado, um prédio de arquitetura pomposa, há um monumento à fundação da cidade. Uma escultura super curiosa que conta com a participação dos indígenas, missionários e seus fundadores espanhóis.
Palacio del Gobierno, em Guadalajara, no México
Seguimos pela Plaza de La Liberación onde vários artistas de rua e ambulantes dão de tudo para tirar o seu ganha pão. Estátuas vivas, índios peruanos tocando flautas e até uma performance de um velho bigodudo no banheiro havia. Quando alguém lhe dava uma moeda, sentado no trono, ele fazia força e usava o papel higiênico. Surreal a criatividade do cara! O que esse povo não faz para sobreviver?
Ônibus turístico no centro de Guadalajara, no México
Chegarmos à imensa Plaza Tapatía onde está mais um anjo parecido com o que vimos na Cidade do México, provocando as pessoas a tirar uma foto e participar de um concurso. Divertidíssimo!
Um anjo pousa na Plaza Tapatía, em Guadalajara, no México
Ao fundo uma turma de formandos se reúne para a tradicional foto em frente ao Centro Cultural Las Cabañas, enquanto uma cantora solitária no palco de um restaurante se esforçava para chamar a atenção dos poucos caminhantes.
Formatura com pompa e cisrcunstância em Guadalajara, no México (Instituto Cabañas))
O mercado municipal tem uma área imensa só de couro, chapéus de cowboy, os grandes chapéus mexicanos, sapatos, botas coloridas super adornadas e acessórios para montaria. A parte de roupas tem dos vestidos tradicionais às boas e velhas camisetas com frases e personagens famosos no país.
Venda de sombreros no Mercado San Juan de Diós, em Guadalajara, no México
Os dois mais famosos revolucionários mexicanos (em Guadalajara, no México)
A Plaza de los Mariachis foi onde, dizem, nasceram estes artistas, hoje personagens consagrados da cultura mexicana. Nesta praça os encontramos em seu estado “quase” natural, descansando, tomando um café e lendo seu jornalzinho, entre uma música e outra. Se você quer vê-los em ação é só encomendar uma música ou encontrar os seus concorrentes mais animados no El Parián de Tlaquepaque.
Mariachi descansa pela ausência de clientes, em Guadalajara, no México
O final de tarde foi no La Fuente, um bar em funcionamento desde 1921, com boa música, cerveja gelada e um público costumeiro de senhores e alguns jovens mais descolados e ligados à tradição. Fui convidada a ir ao palco para aprender a sapatear na música, um dos principais instrumentos que intercala a voz nestas canções mexicanas tradicionais. Divertido!
A Ana pratica sapateado no tradicional clube La Fuente, no centro de Guadalajara, no México
Terminamos o dia de andanças na Plaza de las Nueve Esquinas, uma charmosa e traquila praça rodeada de restaurantes. Provamos um dos pratos clássicos de Jalisco, a Barbacoa de Carneiro. Estava deliciosa! O prato mais tradicional é o birrio, carne de bode preparada como uma sopa, uma carne de panela. Ainda temos que criar coragem para prová-la, mas ainda não foi hoje!
Famosa Birrieria no centro de Guadalajara, no México
Frase universal! (Guadalajara, no México)
Na Gruta da Santa, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
Começamos o nosso dia com uma caminhada tranqüila de 3 horas pelas grutas do Parque Estadual Pedra da Boca. Junto a nós estava uma família e dois amigos de João Pessoa que haviam acabado de chegar ao parque. O roteiro das grutas é super conhecido e inclui algumas passagens mais “picantes”, que divertem e dão uma emoção maior ao trajeto.
Despedida dos amigos no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
O Seu Tico foi nos guiando, grande conhecedor de técnicas de sobrevivência utilizando fauna e flora locais, além de e plantas medicinais do agreste e da caatinga. Revimos aqui grande parte daquele conhecimento que adquirimos com o Márcio, nosso guia da Serra do Catimbau. Pinhão-Brabo como antiinflamatório e cicatrizante, cactos comestíveis e plantas suculentas que armazenam água. Além de provar, vimos também como usar o coquinho catolé para apito e, na necessidade mesmo, até uma formiga tanajura pode servir como alimento hiper protéico.
Ninho de gafanhotos no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
A trilha é tranquila e foi bastante divertida com a companhia de Sávio, Thiago e Daniel. Mais bacana ainda o companheirismo entre eles e os pais de Sávio que encararam toda a aventura com grande espírito esportivo. Na travessia de um poço d´água nos apoiando nas duas paredes com o que o Rodrigo apelidou de “técnica ponte”. Eu mesma já fiquei na dúvida se iria, mas fui, quando vi a Dona Marcina já estava lá, lépida e ligeira! Nós, as únicas mulheres, fomos nos encorajando a cada gruta, morcego e buraco em que nos esgueirávamos.
Ultrapassando obstáculo com a técnica da "ponte", no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
Todas as grutas foram formadas por desmoronamentos de granito, as pedras se encaixam formando paisagens lindíssimas! Passamos pela Gruta do Aventureiro, a única que precisamos de lanterna, Gruta da Mesa do Caçador e outras um pouco menores.
Entrando em caverna no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
A região foi habitada por homens pré-históricos, já foram encontradas algumas pinturas rupestres no local, assim como pedras polidas, mais ou menos no mesmo estilo do Lajedo do Pai Mateus.
Descansando na sombra (com seu Tico, nosso guia) no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
As principais pinturas ficam na Pedra da Santa, local onde um antigo fazendeiro da região prometeu erguer um altar a Nossa Senhora de Fátima, caso curasse suas enfermidades. Promessa feita, promessa cumprida. Contam que em uma das missas rezadas lá as abelhas italianas que habitam a gruta atacaram dezenas de fiéis e por isso foi a missa passou a ser celebrada em uma capela próxima.
Altar de Nossa Senhora construído na frente de pinturas rupestres milenares no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
Hoje o santuário é local de peregrinação e no dia 13 de maio, dia da santa, chega a receber mais de 10 mil fiéis para a celebração de uma missa. Foi retirado um morro inteiro que estava em frente à pedra para construírem um teatro de arena para esta celebração. Um estupro à natureza, uma obra imensa que hoje está largada às traças durante o ano todo, ainda que receba visitações fora da época de homenagens.
Oferendas à Nossa Senhora em santuário no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
Bela surpresa encontrarmos aqui já na divisa do RN e Paraíba um lugar como este. Os apenas 157 hectares do Parque Estadual Pedra da Boca abrigam várias histórias e ótimas opções de trilhas e aventuras.
Com o Seu Tico, nosso guia no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
Hábeis artesãs praticam o tear em pátio interno de museu em Cusco, no Peru
Antiga capital do Império Inca (século XIII a 1532), Cusco é hoje a mais cosmopolita das cidades turísticas da América do Sul. Apenas em 2013 recebeu mais de 2 milhões de turistas nacionais e internacionais em busca de cultura, história e aventura, 300 mil deles a caminho de Machu Picchu. Arqueologia, história, cultura tradicional, gastronomia, esportes radicais e de aventura; pode parecer exagero, mas Cusco oferece atividades para todos os gostos, idades e bolsos.
Plaza de Armas em Cusco, no Peru
Uma cidade viva que consegue reunir o velho e o novo, a aventura e o conforto, o tradicional e o inusitado em uma grande salada cultural temperada por sotaques quéchuas, aymarás, latinos, europeus, anglo-saxões e asiáticos, todos convivendo em perfeita harmonia.
Plaza de Armas em Cusco, no Peru
A primeira vez que estive aqui em 2005, Cusco foi o grand finale de uma viagem de 15 dias de La Paz, na Bolívia, até aqui, passando pelo Titicaca e me aventurando em uma descida alucinante de bike por uma das estradas mais perigosas do mundo a caminho de Machu Picchu. Eu havia planejado toda a viagem sozinha, com trilha para Machu Picchu e tudo, quando um contratempo do meu trabalho me fez atrasar uma semana, perder o passaporte de entrada na trilha Inca oficial, mas em contrapartida ganhei a companhia do Luis, que revelou uma grande amizade e uma das melhores viagens que já fizemos na vida! O Perú tem esse efeito nas pessoas, o choque cultural e as experiências que vivemos aqui nunca são esquecidas.
Porta de igreja em Cusco, no Peru
Hoje, 8 anos mais tarde a Plaza de Armas foi reformada, ganhou novo paisagismo e a cidade saltou de 375 mil para 435 mil habitantes. O turismo se estruturou ainda mais, o setor hoteleiro cresceu a oferta de hostels, hotéis boutiques e hotéis de luxo, o transporte foi organizado, o sistema de controle de entrada nas principais atrações foi ajustado para garantir manutenção e preservação dos sítios arqueológicos e o que estava subutilizado foi potencializado para garantir o melhor funcionamento da indústria turística peruana, que já representa 3,75% do PIB nacional. É, nossos hermanos peruanos estão fazendo tudo direitinho.
Torre de igreja em Cusco, no Peru
Super tourist friendly Cusco possui operadoras turísticas para todas as rotas que você imaginar: do Titicaca ao Vale Sagrado e Machu Picchu, da Cordilheira Blanca ao norte à Amazonia Peruana. A maioria dos guias são professores formados que viram que ganhariam melhor com os gringos. Bem treinados falam, além do espanhol, inglês, alemão, francês, japonês, italiano. português e por que não, russo! Se você estava procurando, acabou de encontrar o ponto ideal para começar suas explorações no país.
Plaza de Armas em Cusco, no Peru
Nosso roteiro foi pensado com base na agenda do nosso mais novo tripulante, Gustavo Filus, que desembarcou ontem no aeroporto de Cusco e terá 10 dias para explorar toda a região. Nestes período passaremos por Cusco, Vale Sagrado, Águas Calientes e Machu Picchu e fecharemos com chave de ouro com um trekking de 3 dias nas ruínas de Choquequirao, retornando para Cusco na noite anterior do embarque do Gustavo. Vai ser pauleira, mas sem dúvida vai valer a correria!
Com o Gustavo, caminhando em rua do centro de Cusco, no Peru
Ontem depois do aeroporto já adiantamos o tour pelas Ruínas de Saksawaman e fizemos uma visita ao camping onde está o pessoal da Landcruising Adventure, demos uma volta na Plaza de Armas e aproveitamos para o Gustavo aclimatar. Lembre-se! Cusco está a 3.400m de altitude, andar com calma, descansar bastante e tomar muita água vai te poupar do cansaço e dor de cabeça que são normais nestes primeiros dias.
Tínhamos um dia de explorações pela cidade, selecionamos então as principais atrações do Boleto turístico de Cusco, além do Museu de Arte Contemporânea, para ver algo mais moderninho, além de um passeio gostoso pelo Bairro San Blás.
Caminhando pelo Qorikancha, ou Templo Mayor Inca, em Cusco, no Peru
Começamos as explorações pelo Museu de Cusco, ou Museu Histórico Regional, localizado na antiga mansão colonial do escritor Garcilaso de La Vega, que viveu aí até 1560, quando aos 20 anos partiu para estudar na Espanha. Garcilaso era filho de um nobre conquistador espanhol com uma Princesa Inca, filha de Túpac Huallpa. Tendo convivido nas duas culturas, falava espanhol e quéchua e foi testemunha ocular de todo período colonizatório de um ângulo muito privilegiado, tornando-se depois o principal cronista da vida dos Incas, a história e a conquista espanhola sobre este Império.
Pátio interno de museu em Cusco, no Peru
Mais tarde ele lançou o famoso livro “Comentarios Reales de los Incas”, porém nunca retornou à sua terra natal, morrendo na Espanha em 1616. A sua antiga mansão além da arquitetura colonial espanhola (que eu amo de paixão!), com aqueles pátios internos imensos e paredes de pedra espessas, podemos conhecer melhor a sua história e passagens marcantes da história da conquista espanhola sobre os Incas. Uma das passagens mais fortes é o da captura e morte de Tupac Amaru II, mestiço descendente direto do último imperador Inca que liderou uma revolta contra os espanhóis em 1572. Esta batalha foi a maior enfrentada pelos espanhóis em toda a América Latina, mas mesmo com milhares de soldados indígenas e mestiços e centenas de soldados espanhóis mortos, Tupac Amaru não venceu a batalha. Seu triste fim, após assistir a morte de sua família em praça pública, foi o esquartejamento “a cavalo”. Tempos terríveis, estes.
Representação bastante clara da morte por esquartejamento do líder revolucionário Tupac Amaru, em museu de Cusco, no Peru
Dali passamos pelo Museu de Arte Contemporânea do Peru, mais leve e cheio de graça. Situado também em uma antiga casa colonial, seu pátio interno é repleto de artesãos vendendo todo tipo de tecelagens e bugigangas imagináveis. Eu sempre gosto de dar uma olhada no que o país ou a região está produzindo atualmente, as releituras das origens indígenas somadas às cores e aos traços mais modernos sempre trazem um belo resultado. Pena não podermos tirar fotos, mas quem quiser conferir este museu também está no Boleto Turístico de Cusco, na Plaza Regozijo, a mais simpática das redondezas do centro histórico, na minha humilde opinião.
Foto tradicional nas ruas de Cusco, no Peru, com uma lhama e algumas cholas
Seguimos caminhando pelas estreitas ruas de paralelepípedos no centro de Cusco, entre cholas e llamas artistas, subimos uma ladeira na quina direita da Plaza de Armas, próximo ao escritório da Peru Rail, e chegamos finalmente ao Museu del Inca. Uma das casas mais imponentes transformadas em Museu, a mansao do então tenente Francisco Aldrete Maldonado foi reconstruída e restaurada duas vezes por ocasião dos terremotos de 1650 e 1950. Lá além da grande coleção de arte pré-colonial em ouro, prata, têxteis, cerâmicas e tesouros arqueológicos pertencentes à Universidad Nacional de Cusco, o que mais me chamou atenção é o trabalho desenvolvido pelas mulheres tecelãs que ficam trabalhando no pátio interno. Elas têm uma habilidade e uma rapidez nos movimentos invejável e nos fazem viajar no tempo em que suas tátara-tátara-tátara-tátaravós faziam exatamente o mesmo que elas fazem hoje: teciam belas tramas andinas com lã de llama e alpaca, sentadas sobre suas saias nas mesmas calçadas de pedras por onde andamos hoje.
Hábeis artesãs praticam o tear em pátio interno de museu em Cusco, no Peru
Artesãs trabalham em pátio interno de museu em Cusco, no Peru
Outro destaque são os Keros, estes vasos cerimoniais feitos em madeira de cabaças (ou porongos), frutos arredondados que secos ficam com esta cara da foto abaixo. O trabalho minuscioso é tão detalhado que precisamos de uma lupa para tentar ler a história contada nos relevos esculpidos à mão por estas exímias artesãs.
A incrível arte da micropintura em cabaças, em museu de Cusco, no Peru
Uau! Manhã cheia de cultura e museus, hora de uma parada gastronômica especial. Fomos a um dos mais antigos e tradicionais restaurantes de comida peruana em Cusco. Lá a parrilla corre solta e os pratos variam entre cuy (porquinho da índia), cabrito, llama e leitão, todos acompanhados de batatas variadas e arroz. Comida típica deliciosa, só poderia ser acompanhada de uma cerveja típica daqui, não... não estou falando da chicha, fermentado de milho adocicado que é a cerveja dos locais, estou falando dela, a cusqueña!
A deliciosa e tradicional cerveja local, em Cusco, no Peru
Bem alimentados continuamos a nossa caminhada agora pelas ladeiras do bairro mais charmoso de Cusco, o artístico e super cool San Blás. Dica, se você está mochilando e não tem um carro para estacionar (como a nossa Fiona), fique hospedado aqui. San Blás é o novo point latino hipster de Cusco, têm vários hostels, posadas e hostels boutiques super bacaninhas, além de restaurantes e barzinhos descolados. Aqui vale deixar a preguiça de lado e subir, subir, subir, até encontrar o mirante de San Blás com uma bela vista da cidade. Detalhe... acabou a bateria da minha câmera, então fiquei sem fotos lá do alto. =(
Praça de San Blas, em Cusco, no Peru
Os simpáticos caminhos do bairro de San Blas, em Cusco, no Peru
Imagino que até vocês já devam estar ficando cansados por aqui, mas a nossa visita ainda não acabou. Ainda nos falta nada mais nada menos que o Qorikancha, Templo Mayor Inca! Toda a cidade de Cusco foi construída sobre a antiga capital do Império Tahuantinsuyo, o Império Inca. A Catedral de Santo Domingo, por exemplo, foi construída sobre o Palácio de Viracocha, outros templos e terraços deram não apenas o seu espaço, mas a sua estrutura e cada uma de suas pedras para os espanhóis construírem ali, em cima, a sua história e sua nova capital. Não à toa os descendentes e defensores mais aguerridos da cultura inca tem uma certa ressalva com europeus.
Nem todos concordam com todo esse turismo em Cusco, no Peru
Com o Qoricancha não foi diferente, o Convento de Santo Domingo foi construído sobre o Templo Mayor dos Incas, Templo do Deus Sol. Segundo relatos de Garcilaso o templo mayor tinha o piso e as paredes cobertos de placas de ouro, um jardim repleto de estátuas de ouro e um imenso disco dourado incrustado de pedras precisosas que representava o Inti, Deus Sol.
Relíquia Inca no Qorikancha, ou Templo Mayor, em Cusco, no Peru
Tudo isso foi derretido, transformado em barras de ouro e levado pelos espanhóis. O que restou foi utilizado na decoração da Catedral Santo Domingo. Riqueza pouca é bobagem. Dizem que os Incas não davam valor ao ouro como os espanhóis e este talvez tenha sido mais um erro dos nativos americanos, ao não perceberem a ganância do povo conquistador que chegava para tomar não apenas suas riquezas, mas a sua moral e o seu império.
Jardins do palácio Qorikancha, em Cusco, no Peru
Foto em parede do Templo Mayor, no mesmo lugar de 23 anos atrás, em Cusco, no Peru
Por último, mas não menos importante, fechamos o nosso intensivo de Cusco com uma visita ao show de danças típicas com apresentações de grupos tradicionais das mais diferentes vilas e regiões peruanas. Jovens meninas e meninos com suas roupas tradicionais revelam as raízes andinas e a influência espanhola na dança e na música peruana.
Apresentação de dança típica em Cusco, no Peru
Apresentação de dança típica em Cusco, no Peru
O jantar, podres e acabados, foi em um restaurante em frente à Plaza San Francisco, já um pouco fora do eixo mais turístico da plaza de armas. Um restaurante simples mas bem simpático e cheio de locais. Carne de Alpaca com risoto de quinoa, hummm, meu prato predileto! Ainda mais depois de 8 dias a pão, água, pedialite e canja de galinha. Daqui seguimos rumo ao Vale Sagrado para mais explorações dos Andes Peruanos.
Visita ao Qorikancha, ou Templo Mayor, em Cusco, no Peru
Curiosidade 1 – Vejam a segunda foto do post, algo lhes chama atenção? Sim! Uma bandeira linda com um arco-íris, ao lado da bandeira do Perú! Pois é meu povo, essa bandeira espalhada por toda cidade não é uma ode ao movimento gay, como eu pensava. Achei que tinha chego aqui na Cusco Gay Week ou algo assim, mas embora eu tenha simpatizado ainda mais com a cidade ao vê-la por aí, logo descobri que é a própria bandeira da cidade de Cusco, que representa a pluralidade dos povos andinos. =)
Curiosidade 2 – Tá vendo essa foto aí abaixo? Pois é, bem legal, adoro provar chapéus, mas em Cusco alguns vendedores não verão com bons olhos se você chegar na loja e provar o chapéu dele sem pedir permissão antes... acredite, eu levei uma bronca por provar um chapéu regional, não este aí do Cats!
Experimentando chapeu em lojinha de Cusco, no Peru
Parte da Carretera Transoceanica, a ponte Billinghurst, sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana
Seguimos o nosso caminho para o Perú pela BR-317, a Estrada do Pacífico ou Carretera Interoceanica, como é chamada pelos peruanos. Ela começa no Brasil em Porto Velho como BR-364, no Acre continua como BR-317 e é a primeira estrada que interliga diretamente o Atlântico e o Pacífico na América do Sul, facilitando o acesso de produtos brasileiros ao Pacífico e dos Peruanos ao Atlântico, além de proporcionar uma integração maior para os moradores de umas das regiões mais distantes e isoladas do Brasil.
De volta ao Peru, na Carretera Transaoceanica, a caminho de Puerto Maldonado
É doido pensar que para os acreanos é mais perto pegar uma praia no Oceano Pacífico, do que na nossa imensa costa do Atlântico. Pois é, daqui são pouco menos de 1.900 km de distância até a costa do Perú. Mais doido ainda é pensar que para os acreanos ou mesmo os rondonenses, é super fácil e plausível tirar umas férias e ir de carro para Cusco e conhecer Machu Picchu! Na fronteira entre Assis Brasil e Iñapari - Peru, encontramos alguns brasileiros nessa programação.
Chegando à fronteira do Brasil e Peru, em Assis Brasil, no Acre
A estrada faz parte de um plano maior dos governos do Peru, Bolivia e Brasil para a integração da região e inclui ainda hidrovias e ferrovias para um eixo multimodal de transporte de mercadorias. A sua construção começou em 2002, a parte brasileira foi inaugurada em 2007 e do lado peruano em 2010. Ela é boa, está asfaltada e tem apenas alguns trechos sem pintura. A fronteira mais movimentada está entre o Brasil e o Perú, porém atentem ao mapa, esta é uma fronteira tríplice! A Bolívia está ali pertinho, mas sem acesso direto por estradas nem com o Brasil, nem com o Peru. No retorno voltaremos para Rondônia pela Bolívia mas aí pela estrada de Guajará-Mirim.
Nossa viagem entre Xapuri e Puerto Maldonado durou mais de 7 horas, com a parada na polícia federal de Brasilância-Epitáciolândia para ver se eles conseguiriam fazer um RG novo para o Rodrigo na hora, já que o passaporte dele estava lotado ele poderia viajar com o RG. Pessoal muito bacana, adorou a história da viagem, mas não ficaria pronto tão rápido quando precisávamos. Além disso já pensaram que engraçado o Rodrigo ter um RG com número lá de Brasiléia - Acre?
Saindo de Xapuri, no estado do Acre, a caminho da fronteira com o Peru
Passamos as fronteiras e os trâmites de imigração e aduana que, pelo sistema manual e quantidade de pessoas acabou sendo um pouco demorado. Fizemos uma parada rápida em Assis Brasil para almoçar em um restaurante grill por quilo que os oficiais brasileiros nos indicaram e seguimos viagem para Puerto Maldonado, para finalmente começar a nossa viagem pelos Andes Peruanos!
O rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana
Nossos planos para os próximos dias incluem explorar um pouco da Amazônia peruana e, enquanto aguardamos a chegada do Gustavo, amigo que irá nos acompanhar na viagem pela região de Cusco, quem sabe já adiantamos a viagem pela região do Lago Titicaca. Já que ficaríamos apenas uma ou duas noites aqui em Puerto Maldonado, decidimos ficar em um lodge de floresta na beira do rio, lugar bem arejado, até por que eu ainda estou me recuperando do princípio de pneumonia que me atacou. Mal sabia eu o que estaria por vir.
Senhoras se admiram com a bela paisagem de Puerto Maldonado, na amazônia peruana
O belíssimo rio de águas azuladas de Ys Falls, no interior da Jamaica
Finalmente chegou o dia! Adorei Negril, estava triste de ir embora... hoje, justo hoje, iria acontecer um baita show de reggae. Uma pena, mas temos que partir. O bicho carpinteiro está me cutucando e dizendo: “Saiam logo destes lugares turísticos e vão encontrar a verdadeira Jamaica!” Bobby nos falou “vocês têm que ir para o interior... lá vocês vão encontrar o que procuram...” É isso aí, vamos lá meter as caras! Bert e os nossos novos amigos americanos com certeza estarão nesse show nos representando.
Despedindo-se do Bert (Chico) em Negril, na Jamaica
Dizem que o interior da Jamaica está tomado por plantações de cana e de maconha. É claro que já fui me informar sobre o assunto, onde estão as plantações, se eles são violentos, andam armados e tal, não quero nenhuma surpresa! A resposta a essa pergunta foi que sim, tem muitas plantações, mas a maioria é de rastafáris, pessoas por essência muito boas, não deveriam criar caso. Se duvidar, falando com o cara certo poderíamos até tirar fotos! O máximo que poderia acontecer era pedirem um cachê! Hahaha!
Conduzindo em mão inglesa no litoral da Jamaica
Foi nesse clima que pegamos o nosso carrinho e pusemos o pé na estrada, rumo a uma das mais bonitas e menos visitadas cachoeiras da Jamaica, a YS Falls. Ela figura entre as principais atrações turísticas no interior do país, ao lado da Dun´s Falls, mas pelo que assuntei ela é menos visitada.
Paisagem campestre chegando em Ys Falls, no interior da Jamaica
O país é dividido por Parishes (Paróquias) e somadas, as Parishes formam estados. No caminho cruzamos a Westmoreland Parish e sua capital, a cidade de Savana La Mar. Foi lá que vi como um hustler (cara que quer se dar bem vendendo algum serviço ou produto a todo custo), pode ser cara de pau! Ele nos parou querendo ser solícito e dar informações de direção, e aproveitou para contar que a estrada para Bluefields (a nossa estrada) estava fechada, com revoltas por que haviam atropelado um motociclista e a população estava enfurecida, com armas de fogo e tacando pedras nos carros. Eu, mané, quase caí... o Rodrigo não acreditou no papo do cara. Ele nos sugeriu ir para outra cachoeira e um blue hole lá perto, “me sigam que eu levo vocês até lá!” Na primeira esquina já o despistamos e logo paramos em dois postos de gasolina, confirmarmos a informação e ninguém sabia de nada! “Bluefields está livre e é por ali!” Lá fomos nós!
Exibir mapa ampliado
Entramos na Saint Elizabeth Parish, cruzando vilazinhas do interior e pensando, agora sim vamos chegar num lugar mais roots! A última quebrada para a estrada da YS Falls, vocês precisavam ver, parecia que íamos cair no fim do mundo! Quando chegamos lá, o que encontramos???
Entrada meio cara em Ys Falls, no interior da Jamaica. No ganja!
Um parque super organizado, cobrando 16 dólares de entrada e oferecendo toda a infra-estrutura necessária e desnecessária para a visita às cachoeiras. Uma antiga fazenda e engenho de cana de açúcar que em 1992 foi aberta ao público para visitação. Uma maravilha da natureza transformada e estruturada para receber centenas de turistas diariamente.
Trenzinho que nos leva às cachoeiras de Ys Falls, no interior da Jamaica
Um trenzinho nos leva da entrada da propriedade onde estão os banheiros, restaurante, bar e uma lojinha, até a lojona de souvenirs mais próxima. Ali perto estão também um vestiário, piscinas e cadeiras de sol, um mini clube. Ah! A propósito, ali também está o começo da trilha para as cachoeiras.
O bonito rio de Ys Falls, no interior da Jamaica
Caminhamos por passarelas e degraus de madeira, dentre centenas de turistas de todas as idades e proveniências. Tours dos grandes hotéis vêm de todos os lados e lotam a belíssima atração natural.
Uma das cachoeiras em Ys Falls, no interior da Jamaica
São 7 quedas d´água lindíssimas, cada uma com a sua piscina natural particular, em meio a uma linda e verdejante floresta. Infelizmente pegamos um dia nublado, mas nem por isso a água verde deixou de impressionar os olhos. O lugar é sensacional, mas acreditem, não tem o mesmo impacto que teria se tivéssemos caminhado duas horas para chegar aqui e encontrássemos alguns poucos aventureiros, senão com sorte, totalmente vazio.
Salto de cipó em Ys Falls, no interior da Jamaica
O Rodrigo fica tão de bode com essas situações, que ele quase nem quis entrar na água. Eu logo assumi meu lado Chita e sem titubear saltei da corda direto na água, aproveitando a infra-estrutura à disposição. Na mesma onda, voltamos no trenzinho e paramos no restaurante para almoçar a especialidade jamaicana, o Jerk Chichen!
Refeição típica: jerk chicken e Red Stripe(em Ys Falls, no interior da Jamaica)
Alimentados e despertos, depois do banho de água fria, seguimos viagem em direção ao nosso próximo destino, a Treasure Beach. É, não foi hoje que encontramos a “verdadeira” Jamaica. Estou começando a achar que ela é toda assim.
Chegando em Treasure Beach, no sul da Jamaica
Vista do mangue no rio Guaraú, na Juréia - SP
Quando começamos a navegar de canoa pelo Ribeirão do Guaraú, o Tom já começou a aula sobre as espécies de árvores dos mangues. São três tipos: a árvore de mangue branca, vermelha e a preta, citadas com nomes científicos que eu não tenho a capacidade de memorizar. A branca tem o pecilo vermelho e você pode ver claramente as glandulazinhas excretoras de sal. A preta tem troncos mais retilíneos, altos e pneumatófilos que ajudam a aumentar a sua absorção de oxigênio. A vermelha é a árvore mais estereotipada de mangue, além dos mesmos pneumatólifos, ela também possui caules ou raízes aéreas que vão se prendendo novamente ao solo, dando maior sustentação aos galhos que crescem lateralmente.
Típico habitante dos mangues
Hoje o nosso destino, nas canoas canadenses, foi a Cachoeira do Itú. No caminho já vemos diversas espécies de pássaros e caranguejos. Garças brancas, garças azuis, o martin-pescador, tié- sangue, dentre diversos outros.
Garça no mangue na Juréia - SP
Garça no mangue na Juréia - SP
Chegando ao Rio Guaraú começamos os 7km de remada rio acima, um rio largo e caldaloso que vai serpentiando o mangue dentro da Reserva da Juréia. Vimos peixes pulando, duas tartarugas se alimentando e até tucanos voando! Enquanto eu remava o Rodrigo aproveitou para fazer algumas ligações de trabalho, sobre o site. Belo escritório ele escolheu!
Vista do mangue no rio Guaraú, na Juréia - SP
Rodrigo "trabalhando" em pleno mangue, na Juréia - SP
7km depois encontramos o canal formado pelas águas da cachoeira e mais uma placa da reserva alertando que só podemos entrar com autorização; Paramos para tirar uma foto da placa, quando logo percebi um baita caranguejo branco, o guaianum! O Tom nos falou que é super difícil de avistar este tipo de caranguejo e nós vimos logo três. Um deles, que na verdade era “ela”, estava com a bolsa cheia de ovas. Muito lindos!
Carangueijo da espécie Guaiamu. Muito grande! Juréia - SP
Andamos um pouco por uma trilha para a cachoeira, cheia de rastros dos macacos, que adoram comer o talo das bromélias. Por pouco não chegamos para o almoço! A cachoeira gelada não é novidade. Coragem e damos um mergulho nas águas da Itú, com direito a piscina e até massagem natural. Uma delícia! Nos revigoramos já pensando nos outros 7km de remada rio abaixo, mas agora com a maré entrante! Correnteza e vento contra, o Rodrigo teve que fazer força, que muito cavalheiro, não me deixou remar.
Remada de volta para casa - Juréia/SP
É, boa despedida da Juréia. Agora vamos jantar e bebemorar os nossos 2 meses de viagem! 60 dias dos 1000, ainda bem que está só começando!
Ana e Amilton, quase chegando na cachoeira, já no igarapé "de acesso"
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