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De volta às estradas argentinas, agora cruzando as infinitas planícies da região dos Pampas, entre Tandil e Bahia Blanca
Mais uma vez estamos com o pé na estrada aqui na Argentina a bordo na nossa querida Fiona. E mais uma vez também, estamos correndo atrás do relógio, pois estamos com um compromisso com data e hora marcadas lá na Ilha do Mel, litoral do nosso Paraná. Temos um casamento no dia 7 de Dezembro, portanto daqui a 12 dias. Ilha do Mel está completamente fora da nossa rota atual, fica a nordeste daqui e nós estamos rumando para sudoeste. Para nos arrancar daqui, no meio da nossa viagem, só se fosse o casamento de pessoas muito especiais. E no caso, são! A Laura e o Rafa, nossos padrinhos de casamento, vieram nos “visitar” várias vezes durante esses 1000dias. Caminharam conosco nas dunas de Itaúnas, no Espírito Santo, mergulharam em Galápagos, desbravaram Cuba e até no distante Havaí foram nos encontrar. E agora decidiram se casar lá na Ilha do Mel, exatamente na mesma praia e pousada que nós casamos também, há 55 meses. E para garantir mesmo que nós não faltássemos ao evento, eles nos convidaram para ser padrinhos. Então, assim será.
Em laranja, as três rotais pelas quais já cruzamos a Argentina nesses 1000dias. Em azul, a rota que inciamos agora, rumo a Bariloche e passando pela Península Valdez
Debruçados sobre mapas, tentando otimizar ao máximo nosso roteiro, viagem e compromissos sociais, decidimos que o melhor seria voar para Curitiba lá de Bariloche. Deixamos a Fiona por alguns dias no aeroporto e fazemos um rápido e intenso bate-volta. Compramos a passagem para o dia 5, o que nos dará tempo para seguir até a Ilha do Mel, e voamos de volta no dia 9. Vai ser corrido, mas vai valer a pena! Enfim, temos que chegar a Bariloche antes disso. Na verdade, alguns dias antes disso, pois agora combinamos de encontrar a Rowan por lá para viajar alguns dias pela região com ela. Assim, quando retornarmos de Curitiba, já podemos seguir diretamente para o sul, rumo à Terra do Fogo. Então, essa é a ideia: seguir correndo para Bariloche. Mas no caminho, ainda queremos passar pela fantástica Península Valdez. Um roteiro de mais de 2 mil quilômetros em poucos dias e muita coisa para se ver e fazer. Só para não “perdermos a prática”, hehehe.
Infelizmente, o Google Maps não consegue mostrar a rota mais curta e inteligente, mas enfim, foi por essas cidades que passamos, num roteiro 100 km mais curto que o mostrado acima
Por isso a pressa ontem em deixar Pilar e seguirmos para o sul, apesar já ser final de tarde e de já termos viajado lá de Ushuaia de avião no mesmo dia. Estávamos prontos para cruzar esse país de lado a lado mais uma vez. Será nossa quarta vez nesses 1000dias a fazer isso. Na primeira vez entramos vindos lá da Bolívia, no norte. Exploramos a região de Salta e seguimos para o deserto do Atacama, no Chile. Na segunda vez entramos vindos do Rio Grande do Sul, na região das Missões, passamos por grandes cidades como Corrientes e Santiago del Estero e cruzamos para o Chile pelo maravilhoso Paso San Francisco. Finalmente, entramos na última vez por Mendoza, vindos do Chile. Conhecemos parques nacionais e metrópoles como Córdoba e Rosário e finalmente chegamos a Buenos Aires. Agora, nessa quarta travessia, primeiro seguiremos para o sul, cruzando a região dos Pampas e chegando a uma cidade praiana. Daí para a Península Valdez, paraíso de baleias, focas e guanacos. Por fim, daí vamos cruzar o país de leste a oeste até Bariloche.
A cidade praiana de Las Grutas, na Argentina
Planos feitos, mãos a obra e pé na tábua. Ontem dirigimos quase 400 km até a cidade de Tandil. Infelizmente, nessa nossa agenda apertada tivemos de desistir mais uma vez de Mar del Plata. Seria um desvio muito grande para podermos passar muito pouco tempo por lá. Faz tempo que quero conhecer o mais famoso balneário argentino, mas outra vez teremos de deixar para a próxima. O pior é que dessa vez tínhamos até sido convidados a passar por lá por um simpático casal que conhecemos lá na pequena ilha de Providencia, no caribe colombiano. Enfim, não deu dessa vez... Já a cidade de Tandil, confesso minha ignorância e admito que nunca tinha ouvido falar. Apenas parecia um bom lugar para dormirmos no caminho. Eis que a cidade é a mais bela e interessante da região dos Pampas. Localizada ente colinas e rochedos, é um paraíso para quem gosta de escalar em rocha. Assim como para mountain bikers. E também para os amantes de queijo, pois a região é umas das principais produtoras de derivados de leite no país. Enfim, merecia alguns dias de exploração e deleite. Mas nós chegamos lá a meia noite e, para nossa surpresa, foi um parto achar lugar em hotéis. Todos lotados. Já estava a ponto de desistir e dormir na Fiona mesmo. Mas a Ana insistiu e, numa última tentativa, já duas horas da manhã, encontrou um lugar joia. Nós dormimos o sono dos justos e hoje, logo cedo, já estávamos na estrada. Seriam mais 750 km até a pequena Las Grutas, pequena cidade praiana já ao sul de Bahia Blanca muito recomendada pelo nosso amigo Chetoba. Mas antes de deixarmos a surpreendente Tandil, ainda paramos numa loja para comprar um bom queijo. Era o mínimo que poderíamos fazer para “saborear” um pouco as atrações dessa cidade! Chegamos a Las grutas no final da tarde e logo nos encantamos. Tanto que decidimos ficar aqui todo o dia de amanhã também. Um merecido descanso depois dessa correria toda que começou lá em Ushuaia e um lugar perfeito para recarregarmos as baterias antes de chegarmos a uma das principais atrações turísticas do país: a Península Valdez.
Curtindo o fim de tarde em Las Grutas, na Argentina
Nossos últimos dias em Mauá e em Itatiaia tiveram duas coisas em comum: foram muito interessantes e sem possibilidade de acesso á internet
No dia 20 passeamos com o Pedro, ìris, Bebel e Haroldo no Vale do Alcantilado em Mauá. Percorremos uma trilha com nove cachoeiras. Depois, juntos, assistimos ao jogo do Brasil.
No dia 21 viajamos para o Parque de Itatiaia mas não pudemos entrar no Parque pois já estava tarde. A gente se hospedou na deliciosa Pousada dos Lobos.
No dia 22 subimos o Pico das Agulhas Negras e viemos para Passa Quatro, onde já agendamos uma longa caminhada amanhã bem cedo até a Pedra da Mina, onde devemos acampar e dormir na noite do dia 23, a quase 2.800 metros de altitude.
No dia 24 voltamos para cá e finalmente teremos internet e tempo para postar textos e fotos. Muitas fotos legais que já temos e outras que vamos fazer nessa linda caminhada
Abs a todos
Rodrigo
O porto de Ushuaia, na Terra do Fogo, sul da Argentina
Acordamos na manhã de ontem, dia 23, já navegando no tranquilo canal marítimo entre as ilhas ao sul da Terra do Fogo. Mais um pouco e chegávamos a Ushuaia, a cidade mais austral do mundo, ponto de referência para qualquer aventureiro que se preze. Ainda tínhamos tempo para um saudável café da manhã e as últimas arrumações de nossas malas que seriam coletadas enquanto tomássemos nosso café.
A cidade de Ushuaia, na Terra do Fogo, sul da Argentina
Pois é... era chegada a hora do fim da nossa viagem à Antártida. De volta ao continente americano, mas ainda bem longe da nossa querida e saudosa Fiona. Ele nos esperava muito ao norte, em Pilar, cidade ao norte de Buenos Aires. Infelizmente não pudemos apresentá-la ao Sea Spirit, hehehe. Ainda vamos trazê-la até aqui, mas duvido que o barco navio esteja no porto daqui a mais de um mês...
O Sea Spirit é preparado para nova viagem em poucas horas, no porto de Ushuaia, na Terra do Fogo, sul da Argentina
Quando compramos nosso pacote para a Antártida e decidimos que a Fiona ficaria em Buenos Aires, precisamos decidir como seria nosso roteiro sem o carro aqui no sul, como e quando voltaríamos para a capital argentina. A decisão foi a de voltar o mais rápido possível para ficarmos logo motorizados e aí, com calma, ir descendo o país até Ushuaia. Queremos chegar ao fim do continente com nossas quatro rodas mais queridas do mundo e não de barco, com todo o respeito ao Sea Spirit! Explorações próximas a Ushuaia, também resolvemos deixar para depois. Então, compramos nossas passagens aéreas logo para o dia seguinte, hoje, dia 24. Na verdade, poderíamos ter comprado até para o dia 23, mas ficamos com medo do navio atrasar e perdermos a passagem. Inocência nossa, claro! Faça chuva ou faça sol, independente do tamanho das ondas e do mar na Drake Passage, o Sea Spirit chega sim na data marcada. Até porque, nessa mesma tarde de ontem ela já está saindo novamente de viagem com 100 novos passageiros. Mas nós não sabíamos disso...
Desembarcando do Sea Spirit em Ushuaia, na Terra do Fogo, sul da Argentina
O adeus de nossos guias na expedição à Antártida no porto de Ushuaia, na Terra do Fogo, sul da Argentina
Então, chegou a hora do desembarque. Nossos queridos guias se perfilaram ao lado do navio para um último adeus. Também foi a última despedida de todos aqueles passageiros que acreditaram na data de regresso e compraram suas passagens para hoje mesmo. Seguiram diretamente para o aeroporto. Para os outros, que reservaram um dia ou mais por aqui, sempre restava a chance de mais um reencontro pelas ruas e hotéis da simpática Ushuaia. Quase todos eles já tinham seus hotéis reservados, o que não era o nosso caso nem de outros poucos gatos pingados. Assim, nossa primeira tarefa foi encontrar um lugar para ficar.
Chegamos a Ushuaia, na Terra do Fogo, sul da Argentina
Com a Kim (África do Sul) e a Pam (Austrália) em Ushuaia, na Terra do Fogo, sul da Argentina
Ainda no início da temporada, não foi tão difícil achar lugar para nós. A procura serviu também para já caminharmos um pouco pelas ruas da cidade. O centro é compacto e não demora muito para nos acharmos na cidade. Mais difícil mesmo é nos acostumarmos a estar novamente na civilização. Ver outras pessoas nas ruas, carros, motos, prédios, essas coisas típicas do ser humano. Por um bom tempo, ainda nos sentimos peixes fora d´água. Mas, enfim, temos de nos acostumar. Atravessar uma rua toma mais tempo, mas reaprendemos isso também.
Anúncios de viagens "baratas" à Antártida em murais de hostels em Ushuaia, na Terra do Fogo, sul da Argentina
Nos hotéis, vários anúncios nos murais anunciam viagens baratas à Antártida. São promoções de última hora, para partida amanhã ou depois. Por 3-4 mil dólares é possível ir até lá e voltar numa viagem de 10 dias. Quarto coletivo. Não deixa de ser um bom negócio. A Ana já estava se animando, mas ela também sabe que muitas outras aventuras nos esperam...
Um magnífico céu sobre a orla de Ushuaia, na Terra do Fogo, sul da Argentina
Depois de instalados, a Ana foi passear pela cidade com a Kim e eu fiquei no hostel fazendo bom uso da internet, coisa que já não via há 3 semanas. Mais tarde, fui me juntar a elas. Era engraçado caminhar pelas ruas do centro e reconhecer, de longe, os outros passageiros do Sea Spirit que estavam na cidade, quase todos ainda com a jaqueta amarela que ganhamos da expedição. Trocávamos sorrisos ou abraços, mesmo com aqueles que mal havíamos falado antes. Uma espécie de cumplicidade nos une agora, a jaqueta amarela funcionando como elo de ligação.
Um magnífico céu sobre a orla de Ushuaia, na Terra do Fogo, sul da Argentina
De noite, nos reunimos alguns em um dos bares da cidade. No grupo, a Rowan, aquela escocesa que viajou conosco. Embora não tenhamos conversado muito durante a viagem, sempre a achei simpática. Agora ele nos contava dos seus planos: tinha alguns dias para viajar pela Argentina e seguiria a viagem sozinha, de ônibus. Uma das poucas a não sair daqui de avião. Então, combinamos de nos encontrar em Bariloche daqui a uns dias e, quem sabe, viajarmos juntos por alguns dias naquela região. Vamos ver se dá certo...
Indo para o aeroporto e observando as montanhas nevadas ao redor de Ushuaia, na Terra do Fogo, sul da Argentina
A baía de Ushuaia, na Terra do Fogo, sul da Argentina
Despedimo-nos da Kim, a melhor amiga da Ana e companheira fiel das baladas no Sea Spirit e voltamos para o hostel. Hoje cedinho repartimos um táxi com a australiana Pam e fomos para o aeroporto, de onde se tem uma bela vista de Ushuaia e as montanhas nevadas ao fundo. Em breve estaremos de volta, de carro, para explorar essa linda cidade e seus arredores! No saguão do aeroporto, novos encontros com passageiros do Sea Spirit e logo já estávamos voando nos céus da Argentina atravessando o país de sul a norte.
Pouco mais de 3 horas de voo e pousamos no Aeroparque, o aeroporto no centro de Buenos Aires. De lá, táxi para Belgrano, onde moram o Marcelo e a Carola, os “periodistas viajeros” que tanto nos ajudaram com a Fiona. No carro deles seguimos para Pilar, cerca de uma hora de viajem a noroeste do centro da capital portenha. Ali mora a mãe da Carola e ali estava nossa querida Fiona, devidamente estacionada no jardim do quintal deles, em meio a um chique condomínio.
Junto com o Marcelo, a Carola e sua família na casa de seus pais em Pilar, ao norte de Buenos Aires, na Argentina. Aí ficou a Fiona nas 3 semanas que viajamos à Antártida
É sempre uma delícia rever nossa companheira de viagens! Ela também parece bem feliz e o motor pegou logo na primeira tentativa. Acho que está com saudades da estrada. Tiramos fotos e contamos muitas histórias para nossas amigos argentinos, mas tínhamos logo de tomar nosso rumo. Um longo caminho nos espera e já queríamos comer um pedaço dele ainda hoje. Então, mais uma vez, um muito obrigado aos nossos amigos periodistas viajeros, vocês nos salvaram e a Fiona e nós lhe seremos eternamente gratos. Esperamos vocês de braços abertos no Brasil! E agora, de volta a estrada, vamos tratar de nos esquecer do balaço do Sea Spirit e nos reacostumar ao doce sacolejar da Fiona!
Reencontro com a Fiona na casa dos pais da Carola, em Pilar, norte de Buenos Aires. Ela e o Marcelo, os "Periodistas Viajeros" nos levaram até lá de BS
O capitólio estadual, maior que o federal, em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Começamos nossas explorações de Austin hoje indo ao mais famoso parque da cidade, o Zilker Park. Em plena sexta-feira de manhã, ele estava bem vazio, pouca gente com tempo livre para ir passear no parque. Caminhamos pelos jardins, observamos as crianças brincando no playground e fomos até o rio que passa por ali, formando algumas piscinas naturais. É o local preferido dos usuários no verão e, mesmo agora, alguns se arriscavam dentro d’água.
Passeando no Zilker Park, o parque mais conhecido de Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Depois de encher os pulmões de ar puro, continuamos com nossa programação saudável: fomos à flagship store da Whole Foods, cadeia de supermercados de comida orgânica, natural e saudável que nasceu aqui na cidade e se espalhou pelo país. Quem conhece os Estados Unidos sabe que delícia que é entrar em uma de sua lojas e, mais gostoso ainda, sair de lá carregado.
O famoso Whole Foods Market nasceu em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
A Ana, minha esposa publicitária me explicou que essas loja é um “case de marketing” e que muita gente da área dela, quando viaja para cá e tem uma chance, vai visitar essa loja também, a mais importante da rede, onde os novos conceitos, ideias e tecnologias são testados antes de se espalharem pela rede. Então, lá fomos nós também.
Alimentos orgânicos no Whole Foods de Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Diversos tipos de saladas de frutas no Whole Foods de Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Valorizando comida saudável produzida localmente por pequenas fazendas e sítios, e fazendo bastante propaganda disso, a rede se tornou um sucesso e, claro, influenciou outras a seguir pelo mesmo caminho. Ganhou o consumidor, que tem acesso à comida mais saudável, e os pequenos produtores, que tem de enfrentar menos atravessadores. Para nós, é um prazer andar por seus corredores e por entre suas gôndolas. Eu só fico na dúvida entre a estante com diversos tipos de saladas de frutas ou o balcão com queijos sortidos de todo o mundo. Na dúvida, um pouquinho de cada. Nós fizemos nossas compras, principalmente iogurte, granola e frutas para o café da manhã e seguimos em frente. Essa mamata de Whole Foods vai acabar em breve, já que estamos deixando o país. Então, o melhor é aproveitar agora...
Fazendo compras no Whole Foods original, em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Uma das diretrizes do Whole Foods, em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Bom, depois do ar puro e da comida sadia, era hora de alimentarmos o espírito com um pouco de cultura. Fomos para o capitólio, onde funciona a administração estadual e a sede do poder legislativo, com senadores e deputados. Aqui nos EUA, muitos estados têm legislativos bi-camerais, ao contrário do Brasil, onde em nível estadual, só há câmara de deputados. Como tudo aqui no Texas, o capitólio também é bem grande, até maior que aquele mais famoso, em Washington. Na verdade, o de lá inspirou o de cá e eles tem estilos bem parecidos.
Interior do prédio do capitólio, em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Interior do prédio do capitólio, em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Com a Fiona estacionada em lugar irregular, eu não quis ir muito longe, não. Fiquei pelo jardim, observando o pomposo prédio, um olho na Fiona, outro na paisagem, enquanto a Ana entrou no Capitólio para tirar fotos e depois, me mostrar. Entre as fotos, um quadro da batalha do Álamo, momento capital da história do Texas, que de estado mexicano, passou à país independente e, finalmente, estado norte-americano. Vamos conhecer um pouco mais dessa história lá em San Antonio, nosso próximo destino depois de Austin.
Quadro representando a famosa batalha do Alamo, no prédio do capitólio, em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Do alto do capitólio, a visão da cidade de Austin, no Texas. nos Estados Unidos
A Ana voltou da rápida visita e seguimos para mais uma sessão de compras, agora na REI, a loja de equipamentos de outdoor. Aqui, a lógica foi a mesma da Wholefoods: temos de aproveitar enquanto tem. Para baixo do Rio Grande, não encontraremos mais isso. O difícil é se segurar dentro de uma loja dessas. Além de tudo aquilo que já conhecemos e gostaríamos de comprar, tem também os equipamentos que nem sabíamos que existiam, mas estão lá expostos. Para quem acampa ou sobe montanhas, é a perdição! Felizmente, entramos convictos de comprar apenas umas coisinhas, listinha já feita. O combinado era não nos deixar hipnotizar. Lanternas para cabeça, sacos químicos para esquentar pés e mãos na altitude fria, sim; garrafa que já vem com filtro embutido, não! E saímos de lá correndo para não cair em tentação.
Maravilhoso jantar na churrascaria brasileira Estancia, servidos também por equipe brasileira, em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Finalmente, a última parada do dia, justamente a mais gostosa: uma legítima churrascaria brasileira, com sistema de rodízio, muita carne com cortes brasileiros, buffet de saladas e pão de queijo delicioso de entrada. Para melhorar mais ainda, um dos garçons tinha um claro sotaque gaúcho e ou outro, catarina. Depois de duas sentenças, já estávamos todos falando o bom e velho português mesmo, que combina muito mais com caipirinha e picanha do que inglês.
A equipe da churrascaria Estancia, que nos recebeu tão bem na cidade de Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Eles já fizeram muita festa quando descobriram que éramos brasileiros. Mas quando souberam que a Fiona estava estacionada ali na porta e que tínhamos dirigido desde o Brasil, aí chamaram até o simpático dono para nos conhecer. O nome da churrascaria é Estancia e fazia muito tempo que não aliávamos tanta quantidade com qualidade juntos. Uma delícia! Na hora da conta, ao final, mais uma surpresa. Ficaram tão impressionados com nossa história que fomos até presenteados. Só para nos sentir cada vez mais perto do Brasil, nesse nosso longo caminho de volta. Nossa despedida de Austin não poderia ter sido mais saborosa...
Visita para compras nos outlets da região de Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Falando em caminho de volta, no dia seguinte, fizemos mais um pedacinho dele, agora rumo à San Antonio, cada vez mais próximos da fronteira com o México. Mas no caminho, logo na saída de Austin, fizemos outra parada estratégica. Dessa vez, em um Outlet, centro de compras baratas que atrai milhares de brasileiros aos Estados Unidos. Mas nós não compramos para revender e sim para repor nossas roupas que já estão desmanchando. De novo, assim como os pneus, a Whole Foods e a REI, aquela política de aproveitar ao máximo as vantagens americanas nesses nossos últimos dias por aqui. Demos uma passada estratégica na loja da Levi’s e outra para comprar calçados de montanha e óculos escuros, Afinal, o Orizaba, a maior montanha da América do Norte tirando o Alaska está nos esperando. Com as compras de ontem e de hoje, estamos prontos para ela. Só falta chegar lá...
Cartaz explicativo na loja da Levi's, em Outlet da região de Austin, no Texas, nos Estados Unidos
Admirando a enorme cratera do monte Liamuiga, o vulcão da ilha de St. Kitts - Caribe
Eram cerca de nove da manhã quando já estávamos na van do Sylvester, nosso guia para o trekking de hoje: subir até o alto do vulcão que domina a ilha, com seus mais de 1.100 metros de altura. Uma das maiores montanhas de todo o Caribe ocidental, esse vulcão adormecido tem o nome de Liamuiga, que significa "terra fértil" na língua dos antigos índios que habitavam a ilha.
Vegetação no monte Liamuiga, o vulcão da ilha de St. Kitts - Caribe
A última erupção comprovada foi há mais de 1.800 anos mas, aparentemente, ele deu umas "tossidas" nos séculos XVII e XIX. Nada que se compare ao que o seu vizinho fez com a ilha de Montserrat há meros doze anos. Hoje, toda a sua encosta é coberta por uma mata densa tropical, o que restou da mata original derrubada pelos colonizadores para suas plantações de cana de açúcar.
Árvore com enormes raízes na trilha do monte Liamuiga, o vulcão da ilha de St. Kitts - Caribe
A subida é bem tranquila e até poderia ter sido feita sem guia, desde que nos fosse ensinado aonde ela começa. Mas o bom de ter ido com o Sylvester foi irmos praticando nosso entendimento do inglês falado por essas bandas. Quando eles falam entre eles, rapidamente, não é fácil! Palavras e frases pela metade, pronúncia diferente. Enfim, vamos treinando...
Com o Sylvester, nosso guia na subida do monte Liamuiga, o vulcão da ilha de St. Kitts - Caribe
A trilha cruza uma mata com grandes árvores com raízes expostas e muitas samambaias. Tem poucos trechos íngrimes e, em pouco mais de uma hora estávamos lá. A sorte foi que seguimos acelerados, passando outras pessoas pelo caminho. Isso nos deu uns 10 minutos de tempo ainda aberto lá encima. A boca da cratera tem cerca de um quilômetro de largura, toda coberta de vegetação, assim como suas encostas internas. No fundo da cratera, quase 200 metros abaixo de nós, há um pequeno lago de água da chuva.
Na cratera do monte Liamuiga, o vulcão da ilha de St. Kitts - Caribe
A visão é grandiosa! De um lado, essa grande cratera, do outro o belo mar do Caribe, mais de um quilômetro abaixo de nós. Mas, como já disse, não demorou muito para o tempo mudar. As quase eternas nuvens que cercam o vulcão, que tem um microclima à sua volta e em seu interior, tomaram conta do céu e uma chuva fina com muito vento ocupou a cratera. Outra vista incrível, esse enorme chuveiro naquele gigantesco pinico, quer dizer, cratera, hehehe
Na cratera do monte Liamuiga, o vulcão da ilha de St. Kitts - Caribe
O pobre grupo que ultrapassamos 20 minutos antes chegou bem na hora da chuva e já resolveram descer. Nós ficamos ali mais algum tempo, admirando aquela incrível natureza. Depois, mais uma descida agradável pela floresta onde encontramos o maior de todos os cogumelos que já vi. Do tamanho e muito semelhante à uma pia, pregado em uma árvore. Pelo visto, o solo e o ar vulcânico lhes faz bem. Mas são venenosos, segundo o Sylvester.
Cogumelo gigante, do tamanho de uma pia, na trilha do monte Liamuiga, o vulcão da ilha de St. Kitts - Caribe
Terminal de embarque no ferry entre St. Kitts e Nevis
Chegamos de volta à Basseterre em tempo para pegar o ferry das três horas para a vizinha Nevis. Cinquenta minutos de travessia tranquila, sem enjôos. Primeiro observando mais um navio-cruzeiro que partia para alguma nova ilha, junto com seus milhares de turistas e, depois, a própria ilha de Nevis. Também ela é dominada por um grande vulcão, com o mesmo nome da ilha. Esse também, por mais que o céu esteja azul, está sempre coberto por nuvens. Impressionante!
Navio-cruzeiro na costa de St. Kitts
Nevis, com seu pico sempre coberto por nuvens
Chegamos na capital, Charlestown, e fomos caminhando até a praia mais famosa de Nevis, Pinney Beach, a um quilômetro do centro. Lá encontramos nosso planejado hotel já fechado há dois anos, desde que o proprietário faleceu. Mas, não tem problemas, o plano B era logo ali, cinquenta metros à frente, bem no início da praia, o Pinney's Beach Hotel. Ficamos muitíssimo bem instalados, quartão de frente para o mar, aquela linda enseada bem ao nosso lado.
Chegando na ilha de Nevis - Caribe
Fim de tarde em Pinney's Beach, na ilha de Nevis
Ainda tivemos tempo para uma gostosa caminhada na praia tranquila de areias acizentadas e de um mergulho naquela "piscina", bem na hora do pôr-do-sol. Um final de dia perfeito para uma jornada que teve subida de vulcão e travessia entre ilhas. Amanhã, acho que vamos ficar folgados em nosso hotel e na praia e tentar passear um pouco de tarde, antes de voltarmos para St. Kitts. Sounds good, huh?
Nadando em Pinney's Beach, na ilha de Nevis
Belo pôr-do-sol em Pinney's Beach, na ilha de Nevis
Iguape vista do mirante
Após nossa tradicional correria matinal contra o relógio conseguimos chegar a tempo de pegar a balsa das dez horas de Cananéia para Ilha Comprida. Há balsas de hora em hora e não queríamos ter de esperar mais uma. Entrando na balsa, a primeira de muitas que a Fiona vai pegar nessa viagem, ainda deu para aproveitar a linda manhã de sol para fotografar Cananéia. Já fazia tempo que não tínhamos manhã tão ensolarada. Estava na hora, para tirar o mofo!
A primeira balsa da Fiona: Cananéia-Ilha Comprida
Rodrigo na balsa de Cananéia para Ilha Comprida
Durante a travessia, conversei com o marinheiro sobre a maré. Essa informação era muito importante para a gente porque nosso plano era atravessar a ilha de sul a norte e isso não pode ser feito com a maré cheia já que o caminho é pela praia mesmo. A maré estava enchendo e ele nos disse que teríamos de ser rápidos. Se tivéssemos perdido a balsa das dez, só poderíamos seguir para o norte de tarde. Enfim, mal chegamos na Ilha, atravessamos os poucos quilômetros em direção à costa atlântica e chegamos finalmente à praia e ao oceano. A última vez tinha sido em Miami, há duas semanas. mas, na nossa cabeça, parecia um século!
Fiona na praia de Ilha Comprida
Seguindo o conselho do marinheiro e também de um pescador na praia, nem entramos no mar e seguimos direto pela praia, acelerando. Sensação estranha, conduzir na praia. Um estradão, "asfalto" macio. As ondas do mar vinham comendo a praia e a Fiona se divertia atravessando os pequenos riachos. Tiramos fotos e filmamos. Sensação de liberdade total! Foram pouco mais de 50 quilômetros pela praia até um ponto onde o carro não passava mais, por causa de umas pedras. Ali, outro pescador nos informou que a entrada para Iguape já tinha ficado para trás. Enebriados pela experiência de dirigir através daquela praiona, a gente se empolgou e passou do ponto. Bem que tínhamos percebido um certo aumento no movimento da praia... Normalmente, na parte norte da Ilha é proibido o trânsito de carros pela praia, mas fora de temporada e durante a semana, acho que não faz mal não.
Na praça de Iguape-SP
Bom, voltamos uns sete quilômetros, saímos da praia bem ao lado da placa que, teoricamente, nos proibia de entrar lá e seguimos para a ponte que liga Ilha Comprida à Iguape. Achei o centro da cidade, que se espalha em volta da Igreja Matriz e da praça muito legal. Mais bem conservado que Cananéia. Essas duas cidades estão entre as mais antigas do Brasil.Foram fundadas na primeira metade do séc. XVI, numa época em que Portugal ainda temia que a Espanha se apoderasse dessas terras. A história dessa região é muito interessante e movimentada naquela época. Depois, nos 400 anos seguintes, não mudou muita coisa não. No litoral paulista, são as únicas cidades que ainda mantém um certo charme próprio da arquitetura antiga. Acho que isso é umas das poucas coisas boas, se não a única, da Régis Bitencourt ainda ser tão precária e perigosa. Essa parte do litoral continua protegida das hordas de turistas e do "desenvolvimento" imobiliário que isso traz. A longa praia da Ilha Comprida continua muito parecida com a praia que o famoso "Bacharel" conheceu, há 500 anos atrás. Este degredado português, deixado aqui por alguma nau, foi competente para se casar com a filha do cacique local, se tornar um virtual rei da região e um conhecido traficante de escravos índios do litoral sul paulista. Saiu com uma mão na frente e outra atrás de terras lusas para se tornar um monarca em terras tropicais. Com direito a várias mulheres e dezenas de filhos. Tudo bem que sua casa não deveria estar no nível dos palácios europeus da época, mas que vida interessante deve ter tido este gajo!
Após uma caminhada e seção de fotos, lanchamos numa padaria ali mesmo, na praça central. Foi o melhor pão francês que comemos em meses! Que delícia!!! Nossa, só depois de comer é que realizamos como o famoso paozinho faz falta! Quando voltar à Iguape, será parada obrigatória!
Parece um ônibus, mas é a Fiona indo de Iguape à Juréia
Continuamos em direção ao norte, rumo à Barra do Ribeira. É o mesmo rio que capta toda a água da região das cavernas. Depois de tantos dias por lá, já somos quase íntimos! A barra é atravessada de balsa novamente. É possível seguir pelo "mar interior" desde aqui até Paranaguá, sempre protegidos do Oceano Atlântico pelas ilhas Comprida, do Cardoso e do Superagui. Para quem gosta disso, é um dos mais bonitos e interessantes circuitos náuticos do Brasil.
Cachoeira na parte sul da Juréia
Do lado de lá da barra, onde estamos agora, é a Juréia, uma bela e importante área de preservação ambiental do estado. Aqui há uma vilazinha tranquila, com poucas pousadas e uma longa praia quase deserta. Ao final da praia, dezoito quilômetros de carro, está a entrada do parque. Lá estivemos, curtindo uma bela cachoeira de águas frias e transparentes. É o máximo que podemos fazer. Mais longe, através das trilhas, apenas pesquisadores. Na próxima encarnação, acho que vou querer ser pesquisador. Com passe livre nas cavernas do PETAR, na Juréia, em Noronha, no Poço Encantado na Bahia, no Lago Azul em Bonito, etc, etc, etc.
Cemitério na praia da Juréia
Na volta do parque, uma cena um tanto incomum: um cortejo fúnebre pela praia, com dezenas de carros. Uma querida cidadã local que havia morrido na noite anterior. O cemitério da vila só tem acesso pela praia. O tempo, que tinha se enevoado um pouco mais cedo, se abriu novamente, proporcionando um belo entardecer para o enterro. E para aqueles que, como nós, observamos o cortejo atravessar aquela praia antes deserta com o mar infinito ao fundo. Amém!
Moto com um motorista e dois passageiros, na Juréia-SP
Não se esqueçam de conferir as fotos no post da Ana!
Rearrumação da bagagem antes da viagem para o Havaí (no estacionamento do nosso hotel no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos)
Chegou finalmente o dia de viajarmos ao Havaí, ou Hawaii, ou Hawai’i, ou Rau-ai, ou Ra-uai, Não importa como se escreva ou se fale (a 3ª grafia é a mais correta), faz tempo que esse arquipélago localizado no meio do Oceano Pacífico está nos meus planos, sonhos e imaginação.
Eu tinha uns cinco anos de idade quando começou, lá em casa, uma misteriosa ideia de que a família iria se mudar para o Havaí, daí a dois anos. Não sei de onde nasceu essa ideia, só sei que ela era apropriadamente usada na hora das refeições, como uma espécie de “estímulo” para que as crianças (eu e meus irmãos) terminassem seus pratos: “Se não comer direito, não vai para o Havaí”. O nome evocava uma terra mágica, vida boa, ondas grandes e verão sem fim.
O Havaí fica, literalmente, no meio do Oceano Pacífico
Essa atmosfera de uma terra misteriosa era alimentada também por um seriado americano que fazia sucesso na época. Os mais velhos se lembrarão. Chamava-se “Havaí 5-Zero” e tratava da rotina policial da ilha. Passava de noite, hora em que eu já deveria estar na cama. Nunca assisti a nenhum episódio, mas a música da abertura e as imagens das grandes ondas, nunca mais iria esquecer. Hoje, graças ao YouTube, é fácil matar as saudades! Para quem quiser ouvir a música ou ver as imagens do Havaí na década de 70, segue o vídeo abaixo:
O tempo passou e a infância virou adolescência. Agora, aquela história de e mudar para o Havaí em dois anos já não me pegava. Em compensação, meu interesse por astronomia e coisas ligadas ao espaço, alimentados pela premiada série de TV e livro Cosmos, de Carl Sagan, me levaram de volta ao Havaí. Tanto por causa das incríveis imagens de erupções vulcânicas como pelo observatório astronômico de Mauna Kea, a maior montanha do mundo, bem no coração da Big island, a maior ilha do arquipélago. A minha noção do Havaí se ampliava. Além de ondas, também tinham vulcões! Na TV, já não mais passava o antigo seriado policial. Em compensação, chegava às telas outro enlatado americano, que também era ambientado nas ilhas do Pacífico. Já mais velho, agora eu podia assistir os episódios também, além da abertura. Estou falando do Magnun, do Tom Sellek.
Por fim, cheguei à vida adulta e os interesses continuaram a mudar. Agora, eu gostava de Triatlo e me impressionava com os atletas que encaravam um Iron Man. Pois essa prova nasceu justamente no Havaí, mais precisamente na Big island. Kona continua sendo a referência do esporte e eu passei a sonhar em, um dia, quem sabe, me classificar para fazer essa prova. O sonho teve de ser adiado por causa dos 1000dias, mas nunca é tarde para tentar!
Mas antes de chegar lá por causa do triatlo, chegamos ao Havaí por causa da nossa viagem mesmo! Nossos planos originais eram ter viajado para as ilhas logo que chegamos aos EUA, em Março passado. Mas acabamos mudando de ideia e o sonho teve de esperar mais alguns meses. Foi difícil esperar, mas o dia chegou. Passagens compradas, era a hora de planejar o circuito por lá.
O arquipélago do Hawaii e suas principais ilhas
Quem fez isso foi a Ana. Laboriosamente, ela passou a ler os posts da Lucia Malla (brasileira que mora por lá e tem um estilo delicioso de se ler!), que foram a base para nosso roteiro. Optamos por conhecer as quatro ilhas principais e tínhamos de encaixar isso em 17 dias. Obviamente, não daria para conhecer tudo, mas daríamos uma boa pincelada nas maravilhas do arquipélago, sua história e geologia, suas praias e montanhas, vulcões e cachoeiras, abaixo e acima d’água. Melhor, vamos ter a companhia de nossos infalíveis amigos e padrinhos, o Rafa e a Laura, os mesmos que vieram nos encontrar em Galápagos e em Cuba. Vão estar conosco em três das quatro ilhas visitadas.
Localizado literalmente no meio do Oceano Pacífico, longe de tudo e de todos, o Havaí é uma verdadeira “fábrica de ilhas”. Ele está bem acima de um chamado “hot spot”, local onde o magma do centro da Terra escapa para a superfície, furando a crosta terrestre e cuspindo fogo e lava para aliviar a pressão. Ocorre que, bem nesse ponto, acima da crosta terrestre, estão seis quilômetros de água, que é a profundidade do Oceano Pacífico naquele ponto. Não tem problema! Milhares e milhares de anos de erupções subaquáticas vão criando uma montanha submarina que, eventualmente, chega à superfície. Chega e continua crescendo, outros quatro mil metros. Está formado uma ilha! Enquanto isso, a placa tectônica do Pacífico vai se movendo lentamente, poucos centímetros ao ano, em direção noroeste. Depois que algumas dezenas de milhares de anos nesse ritmo, a nova ilha, que se move junto com a placa, já está longe da Hot Spot que a criou, que ficou paradinha lá trás. A ilha, então, para de crescer. Pior, passa a ser consumida pela erosão do ar e do mar. Literalmente, se desmancha. Do pó viemos, ao pó retornaremos. Essa máxima vale até para as montanhas! Mas, enquanto uma ilha se desmancha lentamente, ao mesmo tempo em que se move para o noroeste, uma outra, novinha em folha, está sendo formada alguns quilômetros para trás, lá encima daquela nervosa Hot Spot.
O processo de formação vulcânica das ilhas havaianas
Isso é o Havaí: uma sequência de ilhas no sentido sudeste-noroeste, algumas se formando, outras se acabando. As mais antigas já não são mais ilhas, descansando em paz abaixo do nível do mar. Outra, já está quase chegando à superfície, faltando “apenas” mil metros para chegar lá. No meio delas, as ilhas atuais. As principais,por faixa etária crescente, são a Big Island, Maui, Oahu e Kauai. Quanto mais nova (Big island), mais ativo o vulcanismo. Quanto mais velha (Kauai), mais tempo teve a vegetação de tomar conta da ilha. Por isso, Kauai é conhecida como a “Green Island”, tomada por florestas.
Nosso circuito aéreo entre as ilhas do Havaí, chegando na Big island, voano para Maui, Kauai, Oahu e daí, de volta à Los Angeles
Nós seguiremos primeiro para a Big Island, também conhecida como Hawaii. Loucos para ver vulcões em atividade! Daí seguimos para Maui, a ilha mais chique. Será onde encontraremos o Rafa e a Laura. Daí, voaremos para Kauai, onde as mais belas paisagens do arquipélago nos esperam. Por fim, Oahu, onde está a capital Honolulu, a famosa praia de Waikiki e as ondas gigantes de Waimea e Pipeline. Entre as ilhas, o caminho é sempre voar, pois não há barcos que fazem o trajeto (estranho! Será que têm medos das ondas?). Dentro de cada ilha, vamos alugar carros para nos ajudar a chegar nos lugares mais interessantes. Transporte público, com raras exceções, não é o forte da pátria do automóvel.
A famosa rodovia One, no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos
Enfim, é isso aí. Hawaii, aí vamos nós! Na verdade, já viemos! Saímos hoje cedo do nosso simpático hotel dos Yurts no Big Sur, dirigimos até Los Angeles, deixamos a Fiona num estacionamento ao lado do aeroporto (por menos de 10 dólares por dia!) e enfrentamos as 5 horas até Hilo, na Big island. O relógio se atrasou duas horas e agora já estamos oito horas atrás do Brasil! Chegamos de noite, então ainda não deu para ver nada! Já estamos de posse do nosso jipão vermelho (amanhã tem fotos dele!) e agora, dormiremos mais ansiosos do que nunca para começar a ver e conhecer esse paraíso que frequenta minha imaginação há tanto tempo. Ainda bem que comia tudo direitinho, na minha tenra infância. Mas que esses “dois anos” demoraram para passar, isso demoraram!
A Missão Franciscana de san Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Os espanhóis conquistaram as Américas com três poderosos e eficientes exércitos. O primeiro eram os soldados propriamente ditos, “los conquistadores”. Com um punhado de soldados e alguns cavalos, mas com muita astúcia, Cortez e Pizarro derrotaram poderosos impérios que comandavam milhões de pessoas, os astecas e os incas, respectivamente. Outros povos menos conhecidos tiveram a mesma sorte (ou azar!) nas mãos e espadas dos espanhóis.
Guia leva grupo para conhecer a Mission de San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
O segundo exército foram os germes e micróbios trazidos do velho mundo. Uma verdadeira guerra biológica que matou, em menos de um século, mais gente nas américas do que morreram nas duas guerras mundiais do séc XX somadas. Quem realmente conquistou o continente e colocou os antigos habitantes e civilizações da América de joelhos não foram espanhóis, portugueses ou ingleses, mas a varíola.
A Missão Franciscana de san Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Por fim, na retaguarda, vinha o exército da cruz, padres, bispos e freis de diversas ordens religiosas que tinham por objetivo catequizar as populações locais, aumentando o rebanho da igreja e os súditos dos reis de Espanha. Traziam a fé católica e a cultura europeia, ajudando a “civilizar” os nativos, ensiná-los a usar roupas, cantar e rezar em latim. Mas, ironias à parte, não só isso, claro. Essas ordens foram alguns dos poucos movimentos a tentar proteger os índios da escravidão, a tentar preservar parte da sua cultura a ajudá-los a se adaptar ao novo modo de vida que lhes era imposto.
As belas janelas da Mission de San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Entre as ordens mais ativas, estavam jesuítas, franciscanos e dominicanos. Eles estabeleciam as chamadas missões ao longo das fronteiras e linhas de frente das colônias, muitas vezes sendo os primeiros a ter contato com a população nativa. Aprendiam seu idioma, para poder se comunicar melhor, assim como a sua cultura, até para ajudar a descobrir a melhor maneira de chegarem aos seus corações e mentes, para poder catequizá-los. Muitas vezes, eram empreitadas perigosas, e não são poucos os casos de padres que morreram a flechadas ou no caldeirão de alguma tribo antropófaga.
As belas janelas da Mission de San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Mas, de maneira geral, tiveram bastante sucesso naquilo que pretendiam. O catolicismo “conquistou” o continente, franciscanos e jesuítas os mais eficientes nesse processo. Ao longo de nossa viagem, estivemos em várias dessas missões, que se espalharam da Argentina à California. E chegaram aqui no Texas também, sob a mãos dos franciscanos. O Alamo, onde estivemos ontem, era originalmente uma missão. Mas não a maior delas. Essas, ficavam um pouco mais ao sul, onde estivemos hoje. A mais bela e famosa é a Mision de San Jose, muito bem restaurada. Nossa intenção era passar rapidamente e já seguir para a fronteira, para cruzar para o México ainda hoje. Mas gostamos tanto do que vimos que estendemos o passeio e resolvemos dormir ainda do lado de cá, na cidade de Laredo, ao lado do México, mas ainda nos Estados Unidos. Afinal, diz o bom senso, mais seguro do lado de cá que do lado de lá, principalmente de noite e colado na fronteira. Amanhã cedo, aí sim, entraremos com força total no mundo latino, do qual temos tantas saudades.
Cemitério da Mission San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Na Mision San Jose, acompanhamos um tour gratuito que é dado de hora em hora. Muito joia e elucidativo. Vimos como viviam os índios e frades aqui da Mision, como era o trabalho de catequese e a divisão de tarefas para manter tudo funcionando, população alimentada e vestida. Posso ter minhas críticas para o papel da igreja nesse processo de colonização, mas é impossível não reconhecer também os méritos. Eram eles os grandes e talvez os únicos protetores dos índios num mundo que não mais lhes pertencia. Não é a toa que, lá pelas tantas, jesuítas foram expulsos das colônias espanholas e portuguesas da América. Sem eles, seria mais fácil explorar os indígenas.
A fachada da Mission San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Mas, nem todos os indígenas precisavam da igreja para defendê-los. Muitos, nunca se converteram ou se “civilizaram”. Na verdade, as missões e os índios apaziguados e convertidos eram apena mais uma vítima de seus ataques e pilhagens. Exemplos assim se espalham pelo continente, mas aqui na América do Norte, o melhor exemplo são as tribos do oeste americano e, entre os mais ferozes, Comanches e Apaches.
Visitando a missão franciscana de San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Assim que os espanhóis começaram a colonizar o continente, no início do séc XVI, alguns de seus cavalos fugiram. Aos poucos, esses animais migraram para o norte, chegando às grandes pradarias, ambiente ideal para a espécie. Não demorou muito e já eram enormes manadas correndo livres pelos campos. Imagina o susto das tribos que ali viviam por milênios, sem nunca ter visto um animal parecido e, de repente, lá estão eles. Ao contrário de incas e astecas, que nunca tiveram tempo para se adaptar a esse novo animal e verdadeira máquina de guerra, pois foram conquistados logo no início, Apaches e Comanches tiveram alguns séculos para aprender a viver com cavalos e fazê-los parte de seu modo de vida. Quando a civilização finalmente os alcançou, em finais do século XVIII, já eram exímios cavalheiros.
Visitando a missão franciscana de San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Além disso, através do comércio com os brancos, também tiveram acesso às armas de fogo. Ou seja, dominavam bem duas das principais inovações que ajudaram espanhóis a derrubar de uma só vez as grandes civilizações pré-colombianas. De vítimas, passaram á algozes e os mexicanos eram suas vítimas preferenciais, mesmo antes da independência da Espanha. Por décadas e décadas, combateram em pé de igualdade, pilhagens para cá e expedições punitivas para lá. As missões... estavam no meio do caminho.
A Missão Franciscana de san Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Bem, aos poucos, índios catequizados, as missões foram perdendo a importância e sendo desativadas e abandonadas. A de San José, após ser quase totalmente destruída pelo tempo, foi restaurada pelo governo americano, a partir da década de 50. Hoje, são um colírio para os olhos que quem as visita, um lembrete de que, do Paraguay (onde vistamos belíssimas missões jesuítas) ao Texas, foram os espanhóis os donos do pedaço. Quanto aos índios ferozes do norte, resistiram o quanto puderam. Mas acabaram, eles também, por sucumbir à civilização, ao General Custer, ao mais poderoso exército do mundo e ao Rin-Tin-Tin. É a marcha inclemente do progresso e da civilização, seja através da espada, da cruz ou da varíola.
Área central da Mission San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Passeando na Praça dos Girassóis, em Palmas - TO
Depois da noitada de ontem, o dia começou devagar. Levantamos em tempo de nos esbaldar no café da manhã do hotel, mas voltamos para a cama depois. Quando levantamos em definitivo, já era mais de uma da tarde! Acho que batemos o recorde da viagem até agora, hehehe!
Palácio Araguaia, sede do governo de Tocantins, em Palmas - TO
Aí, combinamos com o Marco de fazer uma rodada pelas praias de Palmas, ainda nesta tarde. Mas, antes disso, formos passear na Praça dos Girassóis, quase do lado do nosso hotel. É nela que estão as sedes dos poderes estaduais e muitas secretarias e autarquias. Mas, o que mais chama a atenção na praça é, sem dúvida, seu tamanho! Também, ela simplesmente é a maior praça das américas! Quiçá do mundo, embora as Praças Vermelha (em Moscou) e da Paz Celestial (em Pequim) também sejam sérios concorrentes à este posto.
Maquete da maior praça das américas, a Praça dos Girassóis, em Palmas - TO
Palmas é uma cidade que cresce rapidamente. Está fazendo 22 anos, praticamente a mesma idade do estado de que é capital, que foi criado pela constituinte de 88. Em 90, tinha uma população de 25 mil habitantes; quando estive aqui, em 2000, já tinha 130 mil; e hoje, é algo como 250 mil habitantes. Para quem chega na cidade, impossível não lembrar de Brasília: as mesmas super avenidas, a mesma divisão em setores e quadras, os mesmos espaços vazios. Não é à tôa, as duas cidades foram planejadas e construídas praticamente do zero. Deste modo, assim como sua "irmã mais velha", não é uma cidade para se andar à pé, já que tudo é longe e o calor impera o ano inteiro. Mas, tendo carro, o trânsito ainda é tranquilo e o deslocamento fica fácil. Construída ao lado do rio Tocantins, que neste ponto está represado formando um grande lago, é no rio que estão as mais próximas opções de lazer, com suas praias fluviais. E assim, planejamos nosso dia na cidade: praça e praias, sempre de carro. Com ar condicionado, claro!
Admirando mural dentro do Palácio Araguaia, em Palmas - TO
Quer dizer, na praça, nossa vizinha, fomos à pé mesmo (embora tenha dado uma dúvida, hehehe). Realmente, é gigantesca, cheia de grandes espaços vazios. Na sua única elevação fica o Palácio Araguaia, sede do governo. De lá se pode ver as montanhas, de um lado, e o Tocantins, do outro. Tiramos fotos, admiramos os belos murais dentro do palácio, estudamos a maquete da praça gigante. Depois, era hora das praias!
Praia do Caju, em Palmas - TO
Já junto com o Marco, Carol e filhos, fomos à mais distante Praia do Caju, que é também a mais popular. Barracas apinhadas, campeonato de forró (os ganhadores seriam premiados com uma caixa de Nova Skin) e o rio ali do lado, cheio de gente também, mesmo sem a proteção das redes. Pois é, redes são colocadas nas outras praias para proteger os banhistas de ataques de piranhas, que segundo nos contaram, são bem comuns por aqui. Pelo menos hoje, não houve ataques. Nós, ainda com a memória da paradisíaca e deserta Prainha do Rio Novo fresca na cabeça, prefirimos ficar só observando. Mas o Marco e seu filhinho Arthur passaram um bom tempo dentro d'água.
O Marco e o Arthur se refrescando no rio Tocantins, na Praia do Caju, em Palmas - TO
Ana e Carol de bate-papo em barraca da Praia do Caju, em Palmas - TO
Um pouco antes do pôr-do-sol corremos (de carro!) para a praia do Prata, já um pouco mais chique e organizada que a Caju, e com rede de proteção. Chegamos bem em tempo para a Ana tirar belas fotos do céu avermelhado, tão característico do cerrado.
Campeonato de forró na Praia do Caju, em Palmas - TO
Já no início da noite, fomos à mais central Praia da Graciosa, com uma orla charmosa com vários restaurantes. Bem ao lado da Ponte Fernando henrique, de 8 quilômetros, que cruza toda a represa em direção à cidade de Paraíso.
Pôr-do-sol na Praia do Prata, em Palmas - TO
Foi um dia bem tranquilo, de explorações da mais nova capital brasileira e de suas diversas classes sociais. A grande maioria dos moradores, à exemplo do Marco, são forasteiros que vieram tentar a sorte nesta cidade cheia de novas oportunidades. É um lugar em que quase se pode sentir o cheiro de dinheiro no ar mas que, ao mesmo tempo, preserva um ar de simplicidade e segurança de cidade do interior. Até quando essa combinação interessante vai se manter, essa é a questão. Não só a questão, é o verdadeiro charme de Palmas!
Praia da Graciosa, em Palmas - TO
Como todos os que tem nos acompanhado sabiam, o dia 27 de Março era a data escolhida para o início da nossa viagem de 1000 dias. Desse modo, a data de chegada seria 21 de Dezembro de 2012 (27/03 + 1000), que é a data do fim do mundo segundo os maias (ou segundo algumas interpretações do calendário maia). A brincadeira era essa: não precisaríamos pagar nossas contas quando chegássemos. Mas ainda daria tempo de se despedir dos amigos e família.
Era um bom plano. Mas, para isso, precisaríamos sobreviver à nossa última semana em Curitiba. Foi uma correria danada! Além de terminar toda a burocracia da viagem, acabar de comprar os equipamentos, negociar com os apoiadores, equipar a Fiona, fazer festa de despedida, tentar montar o nosso site junto com nossos desenvolvedores, além de tudo isso, ainda tínhamos de organizar e efetivar a mudança do nosso apartamento alugado em Curitiba, apartamento que nos acolheu tão bem por tantos anos.
O grosso da mudança foi feito na véspera, levando nossos móveis para casa de parentes e também para um depósito. O dia, que deveria ter terminado no fim da tarde, só terminou no outro dia, às duas da manhã. Com isso, a partida para os 1000 dias ficou, por bem, adiado em um dia.
Santa inocência, a nossa. O dia seguinte, dia 27, também foi pesadíssimo. Ainda faltava configurar todo o nosso equipamento, além de distribuir camisetas e brindes para amigos e apoiadores. Resultado: também fomos para a cama às duas da manhã. Mas desta vez, dispostos a iniciar a viagem de um jeito ou de outro. E assim foi: dia 28 de Março, data inicial dos 1000 dias! Agora, para ser capazes de terminar a viagem, me desculpem os maias, mas o fim do mundo vai ter de esperar!
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