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O Salto Yacumá

Brasil, Rio Grande Do Sul, Salto Yucumã

Foto aérea do Salto Yucumã, na fronteira entre Rio Grande do Sul e Argentina, no rio Uruguai. É o maior salto do mundo em extensão horizontal, mas hoje, estava completamente tapado pelo rio cheio. (foto retirada da internet)

Foto aérea do Salto Yucumã, na fronteira entre Rio Grande do Sul e Argentina, no rio Uruguai. É o maior salto do mundo em extensão horizontal, mas hoje, estava completamente tapado pelo rio cheio. (foto retirada da internet)


Há muitos anos, um amigo do antigo emprego em Curitiba fez uma longa viagem pelo sul do país. Na volta, interessado que sou em viagens, quis saber detalhes do seu roteiro. Entre tantas atrações visitadas, uma que eu nunca havia ouvido falar, um tal de “Salto Yacumã”. “O que é isso? Onde fica?” – quis logo saber. A resposta, com um sorriso maroto na boca e um tom de gozação, veio logo: “Não conhece o Salto Yacumã? Justo você que se acha o mais viajado? Que vergonha! Fica na fronteira do Brasil com a Argentina, lá no noroeste do Rio Grande do Sul. É a maior cachoeira horizontal do mundo!”.

Foto de divulgação do Salto Yucumã, a maior queda d'-agua em extensão horizontal do mundo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul

Foto de divulgação do Salto Yucumã, a maior queda d'-agua em extensão horizontal do mundo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul


Eu não tinha a menor ideia do que significava “cachoeira horizontal”, mas aquela história de ser a maior do mundo logo me interessou. Uma rápida pesquisa na internet e logo entendi: cachoeira horizontal quer dizer largura e esta tinha quase dois quilômetros de ponta a ponta. Fica no Rio Uruguai, mas vendo as fotos, entendi que não era que o rio fosse tão largo assim, mas que toda a sua água cai sobre uma enorme fenda que há dentro de seu próprio leito. Difícil explicar, mas é fácil de entender quando se vê as fotos. Tão impressionante como esse fenômeno é o fato dele ser tão pouco conhecido em nosso país. Os nossos hermanos, que dividem conosco o Salto Yacumã (assim como as Cataratas do Iguaçu) sabem valorizá-las muito mais!

Uma linda foto do Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul

Uma linda foto do Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul


Bom, identificada a minha ignorância, tratei de viajar até lá no mesmo ano. Dirigi até o pequeno município de Derrubadas, onde fica o Parque Estadual que protege essa maravilha e me deslumbrei com o que vi. A queda tinha pouco menos de 10 metros, mas se estendia por 1,8 quilômetros. Ao contrário das intermináveis filas de turistas que se vê em Iguaçu, aqui era apenas eu, por mais de uma hora. Não sabia se ficava mais boquiaberto com o que via a minha frente, o maior salto horizontal do mundo, ou com o que não via, turistas!

Centro de visitantes do Parque Estadual do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul

Centro de visitantes do Parque Estadual do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul


A fiona na estrada que corta o parque do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul

A fiona na estrada que corta o parque do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul


Bom, muitos anos depois e estamos iniciando a fase final dos 1000dias, indo ao sul do continente. O Salto Yacumã não poderia faltar nesse roteiro, claro! Tinha de mostrar ele para a Ana e documentá-lo no site. Assim, saímos de Treze Tílias rumo à pequena Derrubadas, fronteira com a Argentina. Mas, antes de chegarmos lá, ainda em Santa Catarina, passamos por outra surpresa entre as tantas que esse nosso Brasil tem: a segunda maior cratera de meteoro do país.

O Domo do Vargeão, a segunda maior cratera de meteoro no Brasil, no oeste de Santa Catarina

O Domo do Vargeão, a segunda maior cratera de meteoro no Brasil, no oeste de Santa Catarina


Outra vez, foi uma surpresa total. Um cartaz, no meio da estrada, nos alertou para ela. É a cratera do Vargeão, com 12 quilômetros de diâmetro e mais de 200 metros de profundidade. Formada há cerca de 50 milhões de anos, já está totalmente tomada pela vegetação e, aos olhos menos atentos, passa despercebida. Mas quando se sabe que está lá e a vislumbramos do alto de um mirante construído em um posto de gasolina, pode-se ver claramente seus contornos. Chega a ser emocionante. Por quê essas coisas não são propagandeadas? Fico só imaginado o tanto de coisas que ainda estão por aí, esperando ser descobertas... Fosse nos EUA, haveria um museu por aqui e dezenas de painéis explicativos, ônibus de turistas e estudantes, lojinhas, restaurantes, dinheiro movimentando a economia, etc, etc... Mas aqui, há um só cartaz na estrada, colocado apenas para quem estiver prestando atenção. E um posto de gasolina que resolveu fazer uma torre de madeira com uns quinze metros de altura. Viva o posto de gasolina!

Nosso acampamento em um pesque-pague no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul

Nosso acampamento em um pesque-pague no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul


Bom, depois dessa mega descoberta geológica, retomamos o caminho para Derrubadas, onde chegamos já no final da tarde. Imagina, o turismo é tão desenvolvido por lá que já não há mais pousadas. Aquela que eu tinha ficado na década passada já não existe. O que há são dois pesqueiros, onde se pode acampar ou alugar quartos rústicos. Nós, de barraca quase nova, não pensamos duas vezes a armamos nossa casinha em frente ao lago de pescaria. Não havia mais ninguém por lá e foi uma delícia, um lago só para nós, bem na nossa varanda!

O rio Uruguai transbordando, com suas águas passando sobre o Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul

O rio Uruguai transbordando, com suas águas passando sobre o Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul


O rio Uruguai transbordando, com suas águas passando sobre o Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul

O rio Uruguai transbordando, com suas águas passando sobre o Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul


Hoje cedo, finalmente, fomos lá ver o Salto. A intenção era boa, mas a época não! Estamos no período de cheias, que agora já não seguem a ordem natural, mas o humor das diversas hidrelétricas rio acima. O fato é que o rio está cheio por aqui e a água, simplesmente, engole o Salto Yacumã. Resumindo, tudo embaixo d’água, só podemos ver as fotos e tentar imaginar como seria no período de secas. Para mim, que já estive aqui antes, não é difícil, mas para a Ana, ainda bem que as fotos estão lá, no pequeno Centro de Visitantes.

cascata no Parque do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul

cascata no Parque do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul


muitas flores no Parque do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul

muitas flores no Parque do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul


Fotos e explicações para o fenômeno. Toda a água de um rio com cerca de 200 metros de largura escorre para uma fenda com menos de 20 metros de largura. Na época de seca, as quedas chegam a 15 metros de altura, mas o mais impressionante não é a altura acima da água, mas a profundidade abaixo dela! A tal fenda chega a ter 170 metros de profundidade! Tudo escondido embaixo d’água. Só de imaginar aquele buraco todo já dá calafrios! Isso explica como cabe toda aquela água lá dentro! Para nós, hoje, foi só um exercício de imaginação, pois tudo o que víamos era um rio bem largo com suas águas invadindo as bordas e alagando a floresta ao seu lado. Lá no meio, bem acima da fenda, redemoinhos e espuma mostravam que algo se escondia. Pedras? Não, uma fenda com 170 metros de profundidade!

Com o Sérgio, nosso guia no Parque do Turvo, onde está o Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul

Com o Sérgio, nosso guia no Parque do Turvo, onde está o Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul


Uma das muitas espécies de pássaros que vive na região do Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul

Uma das muitas espécies de pássaros que vive na região do Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul


Bom, não se podia ver o Yacumã, mas o parque estadual não é só isso. Há uma grande área de mata ao redor do rio que também é protegida. No lado argentino, ainda é muito maior e, com tanto verde, uma rica fauna vive por lá, inclusive pumas. Infelizmente, ainda não foi dessa vez que vimos esses animais. O que vimos foram suas fezes e pegadas. Nas fezes, pelos e unhas da sua última refeição, alguma paca ou porco do mato.

Fezes de onça pintada no meio da estrada que atravessa o Parque do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul

Fezes de onça pintada no meio da estrada que atravessa o Parque do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul


Pelos e ossos, tudo o que sobrou da última vítima de uma onça pintada no Parque do Turvo, onde está o Salto Yucumá, na fronteira do rio Grande do Sul com a Argentina

Pelos e ossos, tudo o que sobrou da última vítima de uma onça pintada no Parque do Turvo, onde está o Salto Yucumá, na fronteira do rio Grande do Sul com a Argentina


Quem nos disse onde procurar os rastros da onça e também nos levou para caminhar na mata até uma pequena cascata foi o simpático Sergio, um guarda-parque do Parque Estadual do Turvo. Ele discorreu sobre a história do Turvo, a fauna que lá vive e até sobre o lado argentino do parque, muito mais desenvolvido. Os hermanos chegaram a construir, por três vezes, passarelas sobre o rio, para dar acesso ao Salto, mas o rio Uruguai foi mais forte e, durante as cheias, destruiu seguidamente as tais passarelas. Então, a melhor visão que se tem do Yacumá ainda é mesmo do Brasil, hehehe.

Antigas fotos de balseiros no rio uruguai, onde está o Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul

Antigas fotos de balseiros no rio uruguai, onde está o Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul


Mas é do lado argentino que se pode tomar barcos que se arriscam dentro da fenda, quando não há muita água por lá. Do lado brasileiro, famosos foram os barcos e barcaças que levavam madeira pelo rio, na metade do século passado. Foi nessa época que se cunhou o termo “ponto de balsa”, que é o nome que se dá ao rio quando se encontra da maneira que o vimos hoje. Ou seja, quando os saltos estão submersos e uma balsa pode passar tranquilamente por cima deles. Essa foi a grande atividade econômica da região naqueles tempos, corte de madeira e seu transporte pelo rio Uruguai até o Rio da Prata. Felizmente, um trecho da mata foi salvo, justamente esse que visitamos hoje.

cascata no Parque do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul

cascata no Parque do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul


Bom, depois da verdadeira aula do Sergio, do agradável passeio na mata, da visita à cascata, do cocô de onça e do Salto e da fenda que não vimos, mas que muito imaginamos, era hora de seguirmos viagem. O destino agora é São Miguel das Missões, o coração da região missioneira brasileira, conhecida como Sete Povos das Missões. Será nossa última escala no Brasil antes de entrarmos na Argentina rumo ao sul do continente. Chega de natureza, agora vamos atrás de cultura, hehehe.


Nossa viagem rumo à Argentina e Ushuaia. De Curitba (A) para Treze Tílias (C), já em Santa Catarina, passando pela Lapa (B). Depois, rumo à Derrubadas (D), já no Rio Grande do Sul, onde está a maior cachoeira em extensão horizontal do mundo. Por fim, uma passada em São Miguel das Missões (E)

Brasil, Rio Grande Do Sul, Salto Yucumã, cachoeira, cratera, Derrubadas, meteoro, Parque, Parque Estadual do Turvo, Vargeão

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Temporada em Utila

Honduras, Utila

Banho de sol emBando Beach, praia privada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Banho de sol emBando Beach, praia privada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Dias bem tranquilos passamos em Utila, agora na Semana Santa. Como sempre, a cidade está cheia de gringos ocupados em seus cursos de mergulho. Muitos americanos, canadenses ou europeus, viajando um mês aqui pela América central, reservam uma semana de seu tempo aqui na ilha para se iniciar nas artes da vida embaixo d’água. Utila se especializou nesse tipo de “turismo” e são mais de dez escolas que oferecem cursos a preços super competitivos.

Locomovendo-se em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Locomovendo-se em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Especialmente essa semana, o mais longo feriado do país, o turismo internacional fica disfarçado pelo turismo nacional, centenas de hondurenhos procurando a tranquilidade e segurança da ilha, seja pelas praias, festas, pescarias, ou mesmo para aprender a mergulhar também. As ruas estão mais cheias, táxis montados em triciclos motorizados andando para lá e para cá, restaurantes funcionando à plena carga, enfim, tudo cheio de vida.

Uma das lagoas de Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Uma das lagoas de Utila, ilha no litoral norte de Honduras


'Garagem' em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

"Garagem" em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Nós, depois do mergulho meia boca do nosso dia de chegada, resolvemos só voltar ao mar no dia 29, na esperança de seguir à costa norte. É só aí que haveria uma chance do mar se acalmar por aquelas bandas. Enquanto isso, ficamos em terra firme mesmo.

A praia pública de Utila, ilha no litoral norte de Honduras

A praia pública de Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Utila tem duas ruas principais. Uma delas é a costeira, onde estão a maioria dos hotéis, restaurantes e escolas de mergulho. A outra segue para o interior da ilha, rumo ao pequeno aeroporto. Aí estava o nosso hotel. Além dessas ruas, um conjunto de ruelas estreitas, formando um verdadeiro emaranhado ou labirinto. Basta entrarmos nele e deixamos de ver turistas. Era a melhor maneira de nos sentirmos em uma Honduras mais verdadeira.

Observando área boa para snorkel, em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Observando área boa para snorkel, em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Área propícia para o snorkel em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Área propícia para o snorkel em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Bem, além dessa experiência “sociológica”, a gente caminhava mesmo era pelas duas ruas pincipais, pela nossa até a Costeira e, de lá, para algum dos lados. No dia 27, fomos para a direita, rumo à movimentada e barulhenta praia pública. Praias não são o ponto forte de Utila, estreitas faixas de areia espremidas entre os corais, no mar, e a vegetação, em terra. Essa é a única praia pública da cidade e estava bem concorrida, restaurantes com seu sistema de som à máxima altura.

A bela Bando Beach, praia privada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

A bela Bando Beach, praia privada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Nada muito animador! Preferimos Seguir em frente, até o canal que liga o mar a uma das lagoas internas da ilha, porto seguro para barcos. Aí também, uma das melhores áreas para prática de snorkel, água bem clara e corais rasos. Ficamos só com a bela vista, enquanto saboreávamos a tranquilidade, o silêncio e, claro!, uma cerveja gelada.

A bela Bando Beach, praia privada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

A bela Bando Beach, praia privada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


No dia seguinte, dia 28, seguimos para o outro lado, para a praia privada de Bando Beach, dentro da área de um hotel. Paga-se uma entrada de 3 dólares e ganha-se acesso a uma praia sem música alta, areias bem brancas e limpas e uma “piscina” de água quente à frente. Os corais impedem que as ondas cheguem até a areia e a sensação é de piscina mesmo, só que com água salgada. Além das horas de vida boa que aí passamos, descobrimos que no mesmo local, nessa mesma noite, haveria uma grande festa de arromba. Já tínhamos programação para a noite!

Mergulho em Bando Beach, praia privada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Mergulho em Bando Beach, praia privada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Festa ao ar livre, uma espécie de rave com direito ao melhor DJ do país, limitada pelo mar a um lado e pelo céu sobre nossas cabeças. A Ana, com sua tradicional simpatia e sociabilidade, logo conseguiu um ingresso na faixa para ela, enquanto eu banquei os 10 dólares para mim. A festa estava uma delícia, gente do mundo inteiro feliz, dançando e pulando, música eletrônica da melhor qualidade, show de luzes e lazer nas árvores e folhagens no local da festa.

saindo para mergulhar ao redor de Utila, ilha no litoral norte de Honduras

saindo para mergulhar ao redor de Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Mergulho com um grande grupo, em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Mergulho com um grande grupo, em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


O único porém era que não podíamos exagerar, pois tínhamos nosso mergulho marcado para o dia seguinte, bem cedinho, a única chance de rever nossos “amigos” tubarões-baleia.. Sob um céu estrelado e sem vento, voltamos meio tristes para casa, por causa da festa que continuava, e meio alegres por causa das melhores chances de seguirmos para a costa norte.

Atravessando um canyon formado por corais durante mergulho em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Atravessando um canyon formado por corais durante mergulho em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Uma grande moréia verde nos observa durante mergulho em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Uma grande moréia verde nos observa durante mergulho em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Dito e feiro, no dia seguinte estávamos no barco, nós e outros oito mergulhadores, vários deles meio com cara de ressaca, rumo à desejada costa norte. Foi legal, porque, além dos dois mergulhos que fizemos, o barco deu a volta em toda a ilha, dando a chance de observarmos essa parte isolada de Utila, praias selvagens e quase inacessíveis, muita mata e pequenas ilhotas com visual paradisíaco. Visitar essas “isletas” é um dos programas populares aqui em Utila, mas a gente só viu de longe, mesmo.

Uma arraia passa apressada por nós durante mergulho em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Uma arraia passa apressada por nós durante mergulho em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Uma das pequenas ilhotas que cercam Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Uma das pequenas ilhotas que cercam Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Quanto aos mergulhos, foram melhores que aqueles do primeiro dia, mas nada de tubarões-baleia. Ainda não foi dessa vez... Desse lado da ilha, o banco de corais afunda mais rapidamente, formando canyons e grandes paredes, um visual bem mais interessante. O lado ruim foi que o grupo era grande e não se dividiu, muita gente na água, borbulhas para todo o lado, mergulhadores meio desengonçados. Eu e a Ana estamos meio mal acostumados, quase sempre mergulhando com gente quase profissional e, quando mergulhamos com gente mais inexperiente, achamos meio “estranho”. Enfim...

Uma das pequenas ilhotas que cercam Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Uma das pequenas ilhotas que cercam Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Nosso cafe preferido em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Nosso cafe preferido em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


De volta à cidade, fomos diretamente ao Café Che Pancho, o nosso preferido nesses dias por aqui, muita comida saudável e sucos deliciosos. Os donos, argentinos que viajavam do norte para o sul, mas acabaram se apaixonando pela ilha e aqui se estabelecendo, adoravam música brasileira, aquela de boa qualidade. Para nós, era um “colírio” para os nossos ouvidos, saudade da terrinha.

Nosso cafe preferido em Utila também é um cinema! (no litoral norte de Honduras)

Nosso cafe preferido em Utila também é um cinema! (no litoral norte de Honduras)


Casa típica em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Casa típica em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


No dia 30 de madrugada, hora de partir. Chegando ao cais, uma longa fila nos fez agradecer termos comprado as passagens com antecipação. Depois de alguma espera, estávamos embarcados e a caminho do continente. Para trás, ficava um dos principais destinos turístico de Honduras. Para frente, um país inteiro para se descobrir...

Deixando Utila para trás, de volta à la ceiba, cidade no litoral norte de Honduras

Deixando Utila para trás, de volta à la ceiba, cidade no litoral norte de Honduras

Honduras, Utila, Mergulho, Praia

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Outra Vez, na Mesma Semana

Chile, Santiago

A pobre Fiona tem os vidros quebrados pela segunda vez em 5 dias, dessa vez no estacionamento de um supermercado em Santiago, capital do Chile

A pobre Fiona tem os vidros quebrados pela segunda vez em 5 dias, dessa vez no estacionamento de um supermercado em Santiago, capital do Chile


Depois do dia intenso e brilhante pelas ruas de Santiago, voltamos para nosso hostel para pegar nossas coisas e, já de Fiona, acompanhados do Pablo, seguir para a casa da mãe dele. É onde vamos passar a noite e onde a Fiona vai ficar guardada enquanto visitamos a Ilha de Páscoa. Não demorou muito para atravessarmos a cidade, mas pouco antes de chegarmos, resolvemos parar num supermercado para levar um vinho e outras pequenas coisas para a casa da Maria Ester, a mãe do Pablo. Já estacionados, cheguei a pensar em ficar no carro enquanto a Ana e o Pablo compravam as coisas. Mas achei que a atitude seria muito anti-social e fui com eles. Seriam apenas 15 minutos e estávamos em um estacionamento vigiado.

Pois é, foram mesmo 15 minutos. Viemos caminhando e conversando animadamente quando demos de cara com uma multidão ao redor da Fiona. Eu fiquei estatelado enquanto a Ana, mais rápida, avançou gritando, desesperada: “Não! Não! Não!”. Estilhaços de vidro pelo chão, um guarda com um rosto meio envergonhado. A Fiona tinha sido roubada novamente. Em menos de uma semana, duas vezes. Esses poucos segundos, parados, enquanto a Ana se dirigia ao carro se lamentando, foram infinitos e os piores dos nossos mais de 1000 dias de viagem. Ao contrário lá de Totoralillo, aqui, todas as nossas coisas estavam no carro. Os computadores. A Nikon. O HD com todas as cópias de nossas fotos e filmes. Outro HD com a cópia da cópia. Apenas os passaportes, os tinha comigo.

A pobre Fiona tem os vidros quebrados pela segunda vez em 5 dias, dessa vez no estacionamento de um supermercado em Santiago, capital do Chile

A pobre Fiona tem os vidros quebrados pela segunda vez em 5 dias, dessa vez no estacionamento de um supermercado em Santiago, capital do Chile


Engoli em seco. A respiração parou. O coração parou também. Caminhei até o carro. Olhei pela janela. Nossas pequenas mochilas, com tudo o que temos de mais valioso, ainda estavam no banco de trás. O ladrão não teve muito tempo. Quebrou a janela atrás do banco do passageiro e pegou uma mochila, que era do Pablo. As outras estavam atrás do meu banco. O carro estava estacionado muito próximo de um poste e ele teve de escolher a outra janela. O barulho atraiu o guarda que veio correndo. Ele só teve tempo de levar uma mochila, a do Pablo. Nela, uma pequena máquina fotográfica, algumas fotos de trabalho e nada mais.

O Pablo, que já estava envergonhado pelo episódio de Totoralillo, não sabia o que dizer. Duas vezes, e justo no seu país. Tristeza estampada no rosto. Nós, depois de descobrir que só tínhamos perdido o vidro, só podíamos estar felizes. Dentro da desgraça, o milagre. Fomos para a casa da Maria Ester. Também ela não se conformava. Tão amável como o filho, nos tratou super bem, nos fez sentir em casa, nossa casa longe de casa. Esses são os chilenos verdadeiros, como a maioria dos que temos conhecido nesse lindo país. Quanto aos outros poucos, não vou deixar que estraguem a imagem que temos do Chile.

Não, vamos nos lembrar é da maioria. Como do Pablo. Deixamos a Fiona guardada na garagem. Não teríamos tempo de consertá-la, já que nosso voo era bem cedo, na manhã seguinte. O conserto fica para a volta. Mas na volta, alguns dias depois, não encontramos mais um vidro quebrado. Encontramos um vidro sorrindo. Mais um agradecimento aos nossos amigos chilenos. Mais uma boa e inesquecível lembrança que vou levar do país. As outras, essas eu vou esquecer.

A Fiona, sorridente e de vidro novo, em Santiago, capital do Chile. Uma bela surpresa do Pablo

A Fiona, sorridente e de vidro novo, em Santiago, capital do Chile. Uma bela surpresa do Pablo

Chile, Santiago, roubo

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A Famosa Punta del Este

Uruguai, Punta del Este

A Ana e seus sogros, o Joca e a Ixa, chegando a Punta del Este, no litoral do Uruguai

A Ana e seus sogros, o Joca e a Ixa, chegando a Punta del Este, no litoral do Uruguai


Enquanto eu crescia, nas décadas de 70 e início dos 80, o nome “Punta” só podia significar uma coisa: o sofisticado balneário uruguaio de Punta del Este. Nas enormes fotos da revista Manchete, lá estavam chiques e famosos se divertindo em festas ou iates na concorrida cidade uruguaia. Isso foi muito tempo antes da Ilha de Caras ou da outra “Punta” famosa que apareceu nos anos 90 e que hoje atrai muito mais turistas que sua homônima, Punta Cana, na República Dominicana (estivemos lá também nesses 1000dias. Veja o post aqui).

A Ana e seus sogros, o Joca e a Ixa, chegando a Punta del Este, no litoral do Uruguai

A Ana e seus sogros, o Joca e a Ixa, chegando a Punta del Este, no litoral do Uruguai


Praia tranquila nas cercanias de Punta del Este, no litoral do Uruguai

Praia tranquila nas cercanias de Punta del Este, no litoral do Uruguai


Mas a concorrência internacional não tirou o Ímpeto dos turistas em viajar para lá. Punta del Este pode já não ter o mesmo glamour de outrora, mas a cada verão, suas praias e discotecas se enchem novamente. A população que realmente vive em Punta o ano todo é de 10 mil pessoas, mas o número de casas e apartamentos na cidade é quase três vezes maior. São das pessoas que moram em Montevideo e, principalmente, na Argentina, e voltam a cada temporada. No auge do verão, são cerca de 400 mil pessoas na cidade, não só naquelas casas de veraneio, mas também na extensa rede hoteleira e, claro, aqueles tantos que vêm apenas para passar o dia e retornar às suas cidades de origem ou gigantescos navios-cruzeiro.

Praia tranquila nas cercanias de Punta del Este, no litoral do Uruguai

Praia tranquila nas cercanias de Punta del Este, no litoral do Uruguai


Navio-cruzeiro ancorado nas águas tranquilas de Punta del Este, no litoral do Uruguai

Navio-cruzeiro ancorado nas águas tranquilas de Punta del Este, no litoral do Uruguai


A nacionalidade da maioria dos turistas é argentina. Na temporada de 2011, por exemplo, foram 1,25 milhões de hermanos. Em segundo lugar estamos nós, brasileiros. Naquele mesmo ano, foram pouco mais de 300 mil brazucas, à frente dos 60 mil americanos e 100 mil europeus. Esse número representa apenas aqueles que, de alguma maneira, passaram pelos registros da cidade, como hotéis, aeroporto, rodoviária e marina. Nós, por exemplo, vindos de Fiona e apenas de passagem, não estaríamos nessas estatísticas.

Praia tranquila nas cercanias de Punta del Este, no litoral do Uruguai

Praia tranquila nas cercanias de Punta del Este, no litoral do Uruguai


A famosa Punta del Este, no litoral do Uruguai, é uma pequena península de menos de 4 km que se projeta para o sul sobre o Oceano Atlântico. Nós demos a volta na península, entrando pela Playa Mansa e saindo pela Playa Brava

A famosa Punta del Este, no litoral do Uruguai, é uma pequena península de menos de 4 km que se projeta para o sul sobre o Oceano Atlântico. Nós demos a volta na península, entrando pela Playa Mansa e saindo pela Playa Brava


Punta del este é uma pequena e estreita península que se projeta para o sul, sobre o Oceano Atlântico. Tem um pouco menos de quatro quilômetros de extensão e apenas alguns quarteirões de largura. De um lado, onde está a concorrida Playa Brava, o mar aberto, o Oceano Atlântico. Para o outro lado, na tranquila Playa Mansa, está o estuário do Rio da Prata e o continente. Aliás, na opinião de uruguaios e argentinos, Punta del Leste marca o fim do rio e o início do mar. Mas as fotos de satélite e as medições de salinidade da água não parecem concordar com isso. Na verdade, já seria na altura de Montevideo essa transição entre rio e oceano.

Foto de satélite do estuário do Rio da Prata, desde seu início, no delta do rio Paraná, até sua foz. Para alguns, ele termina na altura de Montevideo. Para outros o final do rio é mais adiante, em Punta del este

Foto de satélite do estuário do Rio da Prata, desde seu início, no delta do rio Paraná, até sua foz. Para alguns, ele termina na altura de Montevideo. Para outros o final do rio é mais adiante, em Punta del este


Foto de satélite mostra bem a diferença da cor da água na altura de Buenos Aires (Rio da Prata), Montevideo (transição) e Punta del Este (oceano)

Foto de satélite mostra bem a diferença da cor da água na altura de Buenos Aires (Rio da Prata), Montevideo (transição) e Punta del Este (oceano)


O turismo nesse lugar idílico, uma península de areias brancas entre o rio e o mar, já é centenário. O primeiro hotel é de 1889 e os primeiros veranistas chegaram de barco em 1907, vindos de Montevideo, mas cheio de... argentinos! Já naquela época, a aspiração era fazer de Punta uma espécie de Biarritz, o famoso balneário francês. Desde então, afama e a popularidade não pararam mais de aumentar. A luz elétrica chegou em 1916 e o hotel mais tradicional da península, o San Rafael, ficou pronto em 1948.

Parte da skyline de Punta del Este, no litoral do Uruguai

Parte da skyline de Punta del Este, no litoral do Uruguai


A movimentada marina de Punta del Este, no litoral do Uruguai

A movimentada marina de Punta del Este, no litoral do Uruguai


Para o lado do rio e do continente, as águas são calmas e as praias são as preferidas das famílias. Aí também estão a movimentada marina do balneário e a ilha Gorriti, a preferida dos iates. Do outro lado, o do oceano, a Playa Brava, com muitas ondas e a preferida de jovens e surfistas. É aí que foi inaugurada, em 1981, a escultura que se tornou o cartão postal mais famoso da cidade e do país. Foi durante um concurso promovido pela prefeitura que o chileno Mario Irarrázabal idealizou e construiu uma mão gigantesca, parcialmente coberta pela areia da praia, onde apenas os dedos aparecem. Parece até o último suspiro de alguém que se afoga no mar. Pois essa era mesmo a sua intenção, alertar os banhistas dos perigos da Playa Brava. A escultura caiu nos amores da cidade e nunca mais foi desmontada, a imagem mais conhecida de Punta del Este pelos quatro cantos do mundo, sendo fotografada, literalmente, milhões de vezes a cada verão.

Caminhando na orla de Punta del Este, no litoral do Uruguai, próximo à área de sua marina

Caminhando na orla de Punta del Este, no litoral do Uruguai, próximo à área de sua marina


Programação de shows em Punta del Este, no litoral do Uruguai. Quem diria, hein Ricky? Do lado do Michel Teló...

Programação de shows em Punta del Este, no litoral do Uruguai. Quem diria, hein Ricky? Do lado do Michel Teló...


Punta del Este não é o tipo de cidade que mais nos atrai. Talvez há 100 anos, mas não como é hoje. Praia por praia, há outras bem mais interessantes na costa leste do país. Baladas caras não são o nosso forte, ainda mais acompanhados de meus pais. Lojas de marca, e elas não faltam na cidade, nunca foram meu estilo, ainda mais durante os 1000dias, onde temos tão poucos compromissos sociais. Shows de Ricky Martin e Michel Teló, definitivamente, não nos atraem. De qualquer maneira, com a fama que tem e a beleza inegável de sua natureza, ela não poderia estar de fora do nosso roteiro. Então, programamos uma rápida passagem por aqui, um almoço para aproveitar os excelentes restaurantes disponíveis e uma tarde para ver de perto suas praias e avenidas.

Viajantes overlanders alemães acampados na proximidade de Punta del Este, no litoral do Uruguai

Viajantes overlanders alemães acampados na proximidade de Punta del Este, no litoral do Uruguai


A movimentada marina de Punta del Este, no litoral do Uruguai

A movimentada marina de Punta del Este, no litoral do Uruguai


Como disse, a cidade é bem pequena e, de carro, podemos dar a volta nela, com paradas para fotos, em menos de uma hora. Nós chegamos do lado oeste, aquele das águas mais tranquilas, e logo paramos nas praias mais afastadas. Dali se podia ver a península com perfeição, além da ilha Gorriti. Na baía plácida descansava um dos enormes navios-cruzeiro que chegam à cidade diariamente. Na praia, acampados e tranquilos, jogando baralho, uma família de alemães e seu enorme carro, quase um caminhão, com que viajam pelo mundo. Muito bem instalados, bela vista e sem ter de pagar nada. Nessa época do ano, a acomodação na cidade é bem cara e uma opção mais em conta é hospedar-se na cidade de Maldonado, bem maior e com mais infraestrutura. Mas quem ficar aí vai estar meio longe do agito.

Playa Brava, em Punta del Este, no litoral do Uruguai

Playa Brava, em Punta del Este, no litoral do Uruguai


Surfistas pegam suas ondas na PLaya Brava, em Punta del Este, no litoral do Uruguai

Surfistas pegam suas ondas na PLaya Brava, em Punta del Este, no litoral do Uruguai


Em Punta del Este, no litoral do Uruguai, homenagem aos 60 anos da Batalha de Punta del Este (ou do Rio da Prata), o primeiro grande enfrentamento de navios de guerra alemães e britânicos, que terminou com o afundamento do famoso Graf Spee

Em Punta del Este, no litoral do Uruguai, homenagem aos 60 anos da Batalha de Punta del Este (ou do Rio da Prata), o primeiro grande enfrentamento de navios de guerra alemães e britânicos, que terminou com o afundamento do famoso Graf Spee


Depois dessa primeira parada estratégica, fomos para a península propriamente dita. Entramos pela tranquila Playa Mansa e chegamos até a marina repleta de iates. Aí, mais um tempo para caminhada e fotos. Depois, no carro outra vez, para dar a volta na península e chegar ao lado do oceano. Realmente, a diferença na agitação da água é gritante. Antes de chegarmos à Playa Brava, anda demos uma parada em um monumento que marca uma passagem no mínimo inusitada da história da cidade.

O cruzador alemão Graf Spee, orgulho da marinha nazista, antes do início da 2a Guerra Mundial

O cruzador alemão Graf Spee, orgulho da marinha nazista, antes do início da 2a Guerra Mundial


Após a Batalha de Punta del Este, o cruzador alemão Graf Spee chega avariado ao porto de Montevideo, no Uruguai

Após a Batalha de Punta del Este, o cruzador alemão Graf Spee chega avariado ao porto de Montevideo, no Uruguai


Ante a perspectiva de ser capturado pela marinha inglesa, o comandante do  cruzador alemão Graf Spee prefere destruir e afundar seu navio, em frente ao porto de Montevideo, em 1939

Ante a perspectiva de ser capturado pela marinha inglesa, o comandante do cruzador alemão Graf Spee prefere destruir e afundar seu navio, em frente ao porto de Montevideo, em 1939


Esse ano marca 65 anos da famosa Batalha de Punta del Este, também conhecida como Batalha do Rio da Prata. O ano era 1939, início da 2ª Guerra Mundial. As águas de Punta del Este foram o cenário do primeiro grande embate naval desse conflito, entre um navio de guerra alemão, o Graf Spee, e três navios britânicos. Pelas regulações impostas à Alemanha após sua derrota na 1ª Guerra Mundial, o país não poderia construir grandes navios de guerra. Ela se concentrou, então, em fazer barcos menores e mais bem armados, mas bem rápidos. A estrela dessa frota era justamente o Graf Spee e, desde o início da guerra, três meses antes, o cruzador alemão vinha fazendo um verdadeiro estrago na marinha mercante inglesa aqui no Atlântico Sul, inclusive na costa brasileira. Foram diversos navios afundados, sempre com o devido cuidado de se salvar seus tripulantes e passageiros. Virou questão de honra para britânicos, que dominavam os mares há mais de três séculos, capturar e afundar o Graf Spee. Jornais do mundo inteiro cobriam a caçada e milhões de pessoas acompanhavam e esperavam, ansiosas, os próximos capítulos do drama.

Pequena capela na costa leste de Punta del Este, no litoral do Uruguai

Pequena capela na costa leste de Punta del Este, no litoral do Uruguai


Cartão postal nacional, a famosa escultura da mão enterrada na areia da praia de Punta del Este, no litoral do Uruguai

Cartão postal nacional, a famosa escultura da mão enterrada na areia da praia de Punta del Este, no litoral do Uruguai


Praia nas cercanias de Punta del Este, no litoral do Uruguai

Praia nas cercanias de Punta del Este, no litoral do Uruguai


Pois foi aqui em águas uruguaias que, finalmente, o Graf Spee se encontrou com navios de guerra ingleses. Ele não fugiu do combate e, ao contrário, atacou furiosamente os três barcos, infringindo pesadas perdas. Mas ele também saiu danificado do combate e, impossibilitado de voltar a alto mar, buscou refúgio no porto de Montevideo, capital de um país neutro na guerra. Mas os consertos necessários demorariam semanas e, até lá, mais navios ingleses chegariam para esperá-lo em águas internacionais, na foz do Rio da Prata. Além disso, pelas leis da guerra, se ficasse no porto por mais de quatro dias, o navio deveria ser “internalizado” no Uruguai até o final do conflito e os alemães não tinham dúvidas que os uruguaios dariam acesso ao navio para seus amigos ingleses. Após dias tensos acompanhados pela imprensa mundial, o comandante do Graf Spee ordenou que a maioria da tripulação deixasse o navio e, com um punhado de homens, levou o barco para longe do porto e o explodiu. Afundava assim o orgulho da marinha nazista. O comandante e seus auxiliares seguiram para a Argentina, nação simpática aos alemães. Mas poucos dias mais tarde, em um hotel de Buenos Aires, vestido com sua farda militar, o comandante alemão se suicidou. Por sua honra e também para não ter de voltar para Hitler de mãos abanando. Enquanto essa terrível batalha pode ser vista e ouvida aqui de Punta del Este, os momentos finais do Graf Spee foram acompanhados de perto pelas lentes da imprensa e dos olhos de mais de cem mil pessoas que o viram zarpar do porto de Montevideo.

O delicioso restaurante La Huerta, em Punta del Este, no litoral do Uruguai

O delicioso restaurante La Huerta, em Punta del Este, no litoral do Uruguai


Parte da horta do restaurante La Huerta, em Punta del Este, no litoral do Uruguai

Parte da horta do restaurante La Huerta, em Punta del Este, no litoral do Uruguai


Dentro do restaurante, tem até espaço para uma árvore crescer! (em Punta del Este, no litoral do Uruguai)

Dentro do restaurante, tem até espaço para uma árvore crescer! (em Punta del Este, no litoral do Uruguai)


Bom, voltando do nosso passeio na história, seguimos para a Playa Brava, cheia de surfistas. Ainda paramos um pouco do lado da famosa mão enterrada, mas a quantidade de turistas e fotografias era tão grande que desistimos de fazer uma selfie por lá. A cada vez que ela ameaçava se esvaziar, um novo ônibus repleto de turistas estacionava ao lado e a confusão aumentava novamente. Tiramos nossa foto de longe mesmo, só pelo registro, e seguimos para o ponto alto de nossa passagem pela cidade: o almoço.

Almoço no restaurante La Huerta, em Punta del Este, no litoral do Uruguai

Almoço no restaurante La Huerta, em Punta del Este, no litoral do Uruguai


O estado dos nossos pratos mostra o sucesso da comida do restaurante La Huerta, em Punta del Este, no litoral do Uruguai

O estado dos nossos pratos mostra o sucesso da comida do restaurante La Huerta, em Punta del Este, no litoral do Uruguai


Nossa deliciosa sobremesa no restaurante La Huerta, Punta del Este, no litoral do Uruguai

Nossa deliciosa sobremesa no restaurante La Huerta, Punta del Este, no litoral do Uruguai


Já fora da península, seguindo em direção ao litoral leste do país, encontramos o restaurante La Huerta. Como o próprio nome indica, muito do que é servido por ali é produzido nos próprios jardins do restaurante. Fresco, orgânico e delicioso. Para completar, uma arquitetura bem aconchegante, mistura de madeira e vidro, muita luz entrando e espaço para se ver longe. Nós nos banqueteamos felizes e o estado dos nossos pratos ao final da refeição é reflexo não só da nossa fome pelo avançado das horas, mas da qualidade da comida servida. Nem deu tempo de fotografar! Quando vimos e pensamos na foto, já era! Pelo menos a sobremesa, tão boa quanto, ainda conseguimos registrar. E assim, estômago cheio, seguimos viagem. Punta ficou para trás, junto com a mais fotografada das mãos e a heroica batalha naval, mas as saborosas lembranças viajarão sempre conosco!

Chegando a Punta del Este, no litoral do Uruguai, uma selfie do 1000dias e seus hóspedes, o Joca e a Ixa, pais do Rodrigo

Chegando a Punta del Este, no litoral do Uruguai, uma selfie do 1000dias e seus hóspedes, o Joca e a Ixa, pais do Rodrigo

Uruguai, Punta del Este, comida, Graf Spee, história, Praia

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Crown Point e os Courlanders

Trinidad e Tobago, Crown Point

Bela praia no caminho para Pigeon Point, em Crown Point - Tobago

Bela praia no caminho para Pigeon Point, em Crown Point - Tobago


A ilha de Tobago é 15 vezes menor do que Trinidad. Mesmo assim, para padrões caribenhos, não é pequena não. Tem aproximadamente 50 km x 15 km, estendendo-se de leste para oeste. Já a população é de 50 mil pessoas, menos de um vigésimo da sua vizinha.

Praia de Store Bay, em Crown Point - Tobago

Praia de Store Bay, em Crown Point - Tobago


A sua história é bem distinta da de Trinidad. Os espanhóis, primeiros europeus a passar por perto, não deram muita bola para a ilha, para sorte dos ameríndios do local que, com isso, ganharam mais um século de vida. Mas a paz deles acabou no século XVII, quando Tobago passou a ser disputada por ingleses, franceses, holandeses e até "courlanders". Pois é, eu que gosto tanto de história e de geografia também não sabia quem são os "courlanders". Foram os habitantes de um pequeno ducado que existiu numa região da Letônia nesta época. Foram a menor nação européia a ter tentado colonizar a América. Por algumas décadas, conseguiram. Mas, quando foram conquistados pelos suecos, tiveram de desistir da sua aventura em Tobago. Vivendo e aprendendo... Alguém aí conhecia os courlanders?

Pensativa, admirando o mar do Caribe, em Crown Point - Tobago

Pensativa, admirando o mar do Caribe, em Crown Point - Tobago


Bom, deixando os courlanders em paz e voltando à Tobago, a confusão aqui era tão grande que a ilha virou um refúgio seguro para piratas. Foi só no finalzinho do séc XVII que a Inglaterra assumiu de vez a ilha e resolveu botar ordem no pedaço. Aí, fim dos piratas, fim dos índios e muitos escravos africanos importados. Como aqui não houve, mais tarde, a imigração indiana que houve em Trinidad, a grande maioria da população tem mesmo origem africana.

Caminhando para Pigeon Point, em Crown Point - Tobago

Caminhando para Pigeon Point, em Crown Point - Tobago


Boa parte da população da ilha está no seu lado oeste, que é onde passamos o dia de hoje. O centro turístico se chama Crown Point, uma vila de casas bem espalhadas ao longo de praias, praças e do aeroporto, para onde se pode ir caminhando.

Observando os peixes em Pigeon Point, em Crown Point - Tobago

Observando os peixes em Pigeon Point, em Crown Point - Tobago


Nós passamos um tempo na principal praia, a Store Bay, aproveitando o pouquinho de sol. Praia organizada (até demais!), com salva-vidas e área delimitada para banho. Água bem clara e agradável, já bem típica do mar do Caribe. Daí seguimos à pé para outra praia, mais bela e isolada, a Pigeon Point. O caminho pela praia é uma beleza, aquele cenário que se vê em filmes de ilhas paradisíacas, faixa de areia estreita, mar tranquilo, coqueiros praticamente na água. Uma pintura!

Baía de Pigeon point, em Crown Point - Tobago

Baía de Pigeon point, em Crown Point - Tobago


Fomos andando diretamente pela praia e, quando percebemos, já estávamos dentro de um parque. Sem pagar entrada! Bom, como ninguém pediu, resolvemos aproveitar mesmo. Passamos ali o fim de tarde, tirando fotos, bebericando e aproveitando o cenário romântico.

Pier de Pigeon Point, em Crown Point - Tobago

Pier de Pigeon Point, em Crown Point - Tobago


Resolvemos dormir por aqui hoje e seguir amanhã cedo para a ponta leste da ilha, onde está a vila de Speyside e os melhores pontos de mergulho. Já até combinamos com um taxista para nos levar para lá, cedinho. Transporte coletivo, nem pensar. Como em Trinidad, totalmente ineficiente. A alternativa seria alugar um carro. Mas acho que só vamos fazer isso no último dia, para poder voltar de lá e dar uma volta no interior da ilha também.

Clima romântico no pier de Pigeon Point, durante o fim da tarde (Crown Point - Tobago)

Clima romântico no pier de Pigeon Point, durante o fim da tarde (Crown Point - Tobago)

Trinidad e Tobago, Crown Point, Tobago

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Portland 2 x 1 Boston

Estados Unidos, Oregon, Portland

Muitas áreas verdes em Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos

Muitas áreas verdes em Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos


Se tem uma coisa que aprendemos rápido, viajando de carro com GPS aqui nos Estados Unidos, é que o país tem centenas de cidades com o mesmo nome. Dentro de um mesmo estado, não pode haver repetições, mas fora das fronteiras estaduais, não há limites! Pegue, por exemplo, o nome “Washington”. Sempre achei que a confusão fosse apenas entre o nome da capital federal e do estado na costa oeste, pelo qual acabamos de passar. Que nada! São simplesmente 25 Washingtons espalhadas pelo país! Um em cada dois estados tem a “sua” Washington. Nem o nome das grandes cidades internacionais são respeitados. Por exemplo, são 15 “Paris” nos Estados Unidos. E eu que sempre achei que, além da original, às margens do Sena, só houvesse uma, no Texas, feita famosa por Wim Wenders...

Portland, a cidade das pontes, no Oregon, oeste dos Estados Unidos

Portland, a cidade das pontes, no Oregon, oeste dos Estados Unidos


Nós viemos conhecer a cidade de Portland, no Oregon. Não confundir com Portland, no Maine, onde já estivemos também! E nem com as outras onze que existem em diferentes estados americanos. Mas aprendemos que essa daqui deve o seu nome àquela do Maine! É uma história engraçada. Tudo começou com um empreendedor, Overton, que comprou o terreno onde a cidade começaria por ver aqui um grande potencial. Mas, como não tinha o dinheiro necessário para iniciar seu investimento, chamou um sócio, o amigo Lovejoy, de Boston, Massachussets (tem outras seis no país!). Pouco depois, impaciente em fazer logo dinheiro, vendeu sua parte para uma terceira pessoa, Pettygrove, de Portland, a do Maine. O ano era 1845 e tanto Lovejoy como Pattygrove queriam batizar a nova cidade com o nome de suas respectivas cidades natais. Boston ou Portland? A disputa foi decidida num amigável e pacífico “cara ou coroa”. Decisão importante dessa, não foi um cara ou coroa simples, mas uma melhor de três! E sagrou-se vencedor o nome de “Portland” por 2x1. A moeda que decidiu a peleja é, ainda hoje, guardada como relíquia, conhecida como “Portland Penny”.

Columbia River, em Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos

Columbia River, em Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos


Tradicional cooper ao lado do Columbia River, em Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos

Tradicional cooper ao lado do Columbia River, em Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos


Depois desse começo “atribulado”, a cidade de Portland logo se transformou no principal porto americano na costa oeste. E olha que Portland nem está no litoral, mas ao lado do importante Columbia River, que desagua naquele oceano. Mas no final do século XIX a cidade de Seattle foi ligada ao resto do país através de ferrovias e, estando na beira do mar, roubou esse posto de Portland. Talvez por isso a cidade não tenha crescido tanto e mantido um certo charme interiorano.

Os modernos pontos de ônibus de Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos

Os modernos pontos de ônibus de Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos


Muito bem marcada, pista exclusiva para ciclistas em rua central de Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos

Muito bem marcada, pista exclusiva para ciclistas em rua central de Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos


Bom, de interiorano, só o charme, pois a cidade é uma das mais vanguardistas do país, tanto em costumes como na tecnologia. Por aqui, os pontos de ônibus, bondes e trólebus tem até tela de LCD, enquanto uma faixa enorme das ruas centrais da cidade é reservada aos ciclistas. E não fica no canto não, fica quase no meio da rua, muito bem marcada pela cor verde. Bastante espaço para as duas rodas e os carros é que se apertem lá no canto! Bem legal!

Caminhando por uma das muitas praças de Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos

Caminhando por uma das muitas praças de Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos


Observando o Columbia River, em Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos

Observando o Columbia River, em Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos


Outra alternativa e caminhar! A cidade é plana e tem muitos parques e praças, todas muito bem cuidadas e floridas. Daí vem um dos apelidos de Portland, a “cidade das rosas”. O outro apelido vem do fato que se desenvolveu nos dois lados co Columbia River. É a “cidade das pontes”. A mais famosa delas, com mais de cem anos de idade, é a Iron Bridge, ou ponte de ferro. É aí que começa o parque que acompanha toda a orla do rio e por onde passam milhares de pessoas todos os dias, praticando o seu cooper ou a sua caminhada matinal.

Reencontro com nosso amigo franco-espanhol, lá de Tofino (Canadá!), em Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos

Reencontro com nosso amigo franco-espanhol, lá de Tofino (Canadá!), em Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos


E foi exatamente fazendo nossa saldável caminhada ao lado do rio, para conhecer o parque e as pontes, que reencontramos o Morgan, um franco-espanhol que havíamos conhecido no albergue lá de Tofino, no Canadá. Era seu último dia de trabalho no albergue e ele se preparava para uma longa viagem com a namorada. Ficou completamente encantado com o projeto 1000dias, perguntando milhões de coisas e nos parabenizando pela coragem. E não é que, sentados em um banco tomando nosso iogurte de café da manhã, eis que ele passa caminhando e nos vê! Êta continente pequenininho! Esses reencontros, estatisticamente tão improváveis, sempre acontecem nas viagens. Tão deliciosa e misteriosamente frequentes!

A famosa Portlandia, deusa do comércio com ares de Netuno, no centro de Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos

A famosa Portlandia, deusa do comércio com ares de Netuno, no centro de Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos


Museu de Artes de Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos

Museu de Artes de Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos


Além do parque, também fomos caminhar pelas praças e ruas do centro. Vimos uma das marcas arquitetônicas registradas da cidade, a enorme figura da deusa do comércio “Portlandia”, com uma pose de Netuno, com um tridente nas mãos. Estivemos também na praça central e no enorme Museu de Artes da cidade.

Aproveitando a chuva para testar as cervejas de uma cervejaria em Portland, no Oregon, costa oeste dos Estados Unidos

Aproveitando a chuva para testar as cervejas de uma cervejaria em Portland, no Oregon, costa oeste dos Estados Unidos


Escondemo-nos da chuva sob um dos pontos de ônibus com suas telas de LCD e sob as marquises das grandes lojas. Como a chuva insistia, procuramos abrigo numa das cervejarias da cidade, onde pudemos fazer nossa tradicional degustação.

A famosa Iron Bridge, sobre o Columbia River, em Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos

A famosa Iron Bridge, sobre o Columbia River, em Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos


No movimentado mercado de sábado, ao ar livre, em Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos

No movimentado mercado de sábado, ao ar livre, em Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos


Por fim, aproveitando o tempo que melhorou no dia de hoje, fizemos mais uma caminhada gostosa ao lado do rio e fomos ao tradicional mercado ao ar livre que acontece aos sábados. Ao ar livre também é outra das marcas da cidade, as dezenas e dezenas de carros de lanches e comida rápida, algo que não víamos desde que saímos da América Latina e entramos na Anglo-saxônica. Some-se a isso o maior número de homeless que vimos aqui nos EUA e vimos que Portland é mesmo uma cidade diferente. Mas, nesse caso, os homeless daqui não nos lembram aqueles da nossa américa aí do sul. Parecem muito bem alimentados, tem mochilas de botar inveja em qualquer viajante e se misturam muito bem com os outros habitantes da cidade, que não parecem se incomodar com eles. Um respeito mútuo que não se confunde com medo. Verdadeiro exemplo de convivência democrática. Mais uma coisa para se aprender e admirar nessa gostosa cidade. Uma cidade que, se eu aqui morasse, não teria carro, muito bem substituído por uma bicicleta. Certamente, daria conta do recado!

Carrinhos de comida, típicos de Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos

Carrinhos de comida, típicos de Portland, no Oregon, oeste dos Estados Unidos

Estados Unidos, Oregon, Portland, história

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As Ilhas Falkland

Falkland, Port Stanley, Steeple Jason

Caminhando na ilha de Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas

Caminhando na ilha de Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas


Dois mil quilômetros depois, estamos para chegar às Ilhas Malvinas, um pequeno arquipélago no Atlântico Sul que entrou no meu mundo e radar há mais de 30 anos. Foi quando, numa noite do início de Abril de 1982, o Cid Moreira anunciou solenemente nas manchetes do Jornal Nacional que a Argentina havia invadido aquelas ilhas remotas. Ondas de euforia tomaram não apenas as ruas e praças de Buenos Aires, mas também de todas as grandes cidades da América Latina, numa espécie de patriotismo continental. No dia seguinte o correspondente da Globo falava “diretamente de Comodoro Rivadavia e a caminho das Malvinas”. Comodoro Rivadavia é um porto no sul da Argentina, de onde saíam os aviões militares para o arquipélago. O otimista repórter da Globo nunca obteve a permissão para voar para lá, mas a curiosidade nascida no jovem adolescente não se arrefeceria enquanto ele mesmo chegasse nas tais ilhas. Por isso, este arquipélago sempre esteve no roteiro dos 1000dias. Pois seja argentino, seja britânico, faz parte do continente, independentemente de “sentimentos patrióticos”. O jovem adolescente, hoje bastante envelhecido, vai finalmente realizar seu sonho antigo: ver de perto as Malvinas. Ou seriam Falkland?

As ilhas Falkland e sua localização no Atlântico Sul

As ilhas Falkland e sua localização no Atlântico Sul


Localizado a menos de 500 km da costa argentina e a muitos milhares de quilômetros das ilhas britânicas, a tendência é logo optarmos pela primeira opção: Ilhas Malvinas. Mas será que essa análise rápida e no “olhômetro” é mesmo justa? Analisando a composição das rochas das ilhas, os cientistas chegaram a uma conclusão surpreendente: as ilhas nunca fizeram parte da América do Sul. Na verdade, a julgar pelo seu passado remoto, não deveriam ser nem argentinas, nem britânicas, mas sul-africanas. Isso mesmo, elas nasceram lá na África do Sul, ainda no tempo do super-continente chamado Gondwana, uma soma da atual América do Sul, África, Austrália, Antártida e Índia. Esses três últimos se separaram, rumando para o sul, enquanto África e a nossa América também “quebraram”, criando o Oceano Atlântico. Foi quando as Malvinas (ou Falkland!), há 100 milhões de anos, separaram-se da costa oriental da África do Sul (isso mesmo, eu disse “oriental”, aquela virada para o Oceano Índico), deram a volta no Cabo da Boa Esperança e rumaram para oeste, vindo de encontro à plataforma patagônica, onde estão hoje. É impressionante como as rochas sabem contar a sua história, pelo menos para quem sabe escutá-las.

Pela estrutura e composição das rochas, os estudiosos deduziram que as Falkland 'nasceram' no antigo supercontinente de Gondwana, no leste da atual África do Sul

Pela estrutura e composição das rochas, os estudiosos deduziram que as Falkland "nasceram" no antigo supercontinente de Gondwana, no leste da atual África do Sul


Ao longo desse caminho foram sofrendo a erosão do tempo, das glaciações e do mar, chegando a forma atual como as conhecemos. É um arquipélago com mais de 700 ilhas, mas as duas principais, East Falkland e West Falkland, representam 91% da área total de 12 mil km2. Isso é aproximadamente o dobro da área do nosso Distrito Federal, as ilhas distribuídas numa região com 220 km de leste a oeste e 140 km de norte a sul. Há uma grande presença de fiordes, prova indiscutível de glaciações no passado, e as duas maiores ilhas são separadas por um estreito (“sound”, em inglês) com 20 km de largura e profundidade média de 40 metros. Durante a época do gelo, quando o nível do mar era mais baixo, muito provavelmente as duas ilhas formavam uma única massa terrestre. Mas nem no auge das glaciações houve alguma ponte de terra ligando o arquipélago ao continente, como chegaram a defender alguns estudiosos argentinos. O oceano é muito profundo entre as Falkland e a Patagônia.

Mapa detalhado das ilhas Falkland, mostrando as ilhas do arquipélago, estradas e cidades (produzido por Eric Gaba)

Mapa detalhado das ilhas Falkland, mostrando as ilhas do arquipélago, estradas e cidades (produzido por Eric Gaba)


Aliás, essa “ausência” de uma ligação terrestre entre o arquipélago e o continente só adiciona mais sabor ao maior mistério biológico das ilhas: a presença de uma espécie de lobo, o único mamífero terrestre de Falkland quando os primeiros europeus chegaram às ilhas. Conhecido como “Warrah”, ou “Falkland Wolf”, esses animais foram descritos por Darwin (incrível! Esse cara esteve em todos os lugares!) em 1834, mas já eram conhecidos desde o final do séc. XVII. O famoso biólogo inglês usou a diferenciação entre os lobos de East Falkland e West Falkland como mais um exemplo, ou prova, de sua teoria de evolução das espécies. Darwin previu também que os lobos estariam logo extintos, devido à maior ocupação das ilhas por seres humanos. Infelizmente, o animal não tinha nenhum medo de nós e, caçado pelo valor da sua pele e o perigo que representava para as criações de ovelhas, realmente foi extinto em 1876. Alguns espécimes ainda chegaram a ser levados para o zoológico de Londres, mas nada que evitasse mais uma tragédia evolucionária causada pela mais assassina criatura do planeta: os seres humanos.

Ilustração do já extinto 'Lobo de Falkland', ou Warrah, o único mamífero terrestre do arquipélago

Ilustração do já extinto "Lobo de Falkland", ou Warrah, o único mamífero terrestre do arquipélago


Eles sumiram para sempre, mas o mistério continua: como chegaram às ilhas? A primeira teoria era que tivessem sido levados pelos primeiros habitantes das Américas, que teriam chegado às Malvinas em canoas rústicas. Mas como nenhuma prova conclusiva que o homem tenha estado no arquipélago antes da chegada dos europeus foi encontrada, essa hipótese perde força. O mais provável é que, no auge de alguma glaciação, alguma ponte de gelo (e não de terra!) tenha existido entre as ilhas e o continente e os lobos, intrépidos exploradores, tenham a atravessado. Pesquisas genéticas recentes, tanto com os Warrahs como com antigos canídeos extintos da América do Sul parecem corroborar essa tese. O fato é que os “Falkland Wolves” parecem ter sido capazes de sobreviver durante alguns milênios se alimentando de pinguins e gansos, mas não resistiram a poucos séculos de contato com seres humanos.

A vegetação rasteira de Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas

A vegetação rasteira de Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas


Vegetação em Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas

Vegetação em Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas


Além de não nos temerem, eles não tinham onde se esconder. Não há florestas nem árvores naturais no arquipélago, apenas espécimes importadas trazidas bem mais recentemente pelos colonizadores. A ilha é constantemente assolada pelos ventos, o que favorece uma vegetação mais rasteira, gramínea e herbácea. Com um relevo formado principalmente por colinas, embora haja uns poucos terrenos escarpados (a maior altitude é de cerca de 700 metros), a região é um paraíso para a criação de ovelhas. Com efeito, essa passou a ser a principal atividade econômica do arquipélago desde o declínio da indústria de reparação de navios, em meados do séc. XIX. Só que não vieram apenas as ovelhas de fora, mas também gatos, cães, raposas e até guanacos, para servirem aos amantes da caça. E claro, vieram os ratos também. Quem sofreu com isso foram as populações originais de pássaros, como gansos e pinguins. Com tanta concorrência assim, principalmente dos seus ovos por parte dos roedores, os pássaros acabaram desistindo das ilhas principais, refugiando-se nas ilhas pequenas, onde esses animais invasores não chegaram.

Caminhando em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas

Caminhando em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas


Caminhando nas colinas de Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas

Caminhando nas colinas de Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas


Mas nem ali eles estavam seguros. Entre 1864 e 1866, apenas nas Jason Islands, pequenas ilhas ao noroeste do arquipélago e um dos locais onde vamos desembarcar, mais de 2 milhões de pinguins foram mortos e cozinhados para extração de óleo. Felizmente para eles, a consciência da humanidade parece ter mudado desde então. Por exemplo, Steeple Jason, uma das Jason Islands, foi comprada por um filantropo americano e doada para uma associação de defesa dos animais. Se não podemos mais salvar os lobos, ao menos os pinguins estão seguros agora!

A paisagem de Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas

A paisagem de Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas


A paisagem de Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas

A paisagem de Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas


Falei da parte natural, mas ainda falta a ocupação humana das ilhas. Hoje são cerca de 3 mil habitantes, além de 700 militares ingleses. Para manter a mesma comparação com o nosso Distrito federal, duas vezes menor do que a área total das ilhas, a sua população é 1.000 vezes maior que do arquipélago. Isso mostra o quão vazio as ilhas ainda são. Ainda mais se lembrarmos que, da população total, 2.200 vivem na única cidade de fato, Port Stanley, sobrando umas poucas centenas para todo o resto das ilhas, região chamada pelos “kelpers” (nome dado aos habitantes das Falkland) de “camp”. A grande maioria da população tem origem escocesa e galesa, embora haja uma crescente minoria chilena. Essa é a população fixa das ilhas, mas há também um número cada vez maior de visitantes, quase todos eles chegando em grandes navios de cruzeiro. Somente em 2010 foram 70 mil turistas. Em um só dia, num grande navio, mais de 3 mil visitantes. Ou seja, a população literalmente dobrou naquelas poucas horas de desembarque. O turismo representa uma parte cada vez mais substancial da economia das ilhas.

Início da manhã em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas

Início da manhã em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas


A paisagem grandiosa de Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas

A paisagem grandiosa de Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas


Pois bem, qual a história dessa ocupação que ainda hoje continua tão conflituosa? Tudo indica que foram mesmo os europeus os primeiros a avistar as ilhas, ainda no início do séc. XVI. O primeiro desembarque foi em 1690, pelo capitão inglês John Strong. Ele resolveu homenagear o principal financiador de sua viagem, o 5º Visconde de Falkland (nome de uma cidade escocesa) com o nome do estreito que separa as duas ilhas principais do arquipélago. Um século mais tarde, pelo menos entre os ingleses, esse nome passou a denominar todo o arquipélago. Já o nome espanhol, Islas Malvinas, deriva do nome francês, “îles Malouines”, dado pelo explorador francês Louis-Antoine de Bouganville em 1764, referência ao porto de onde havia partido, na França, St, Malo.

Um arco-íris nos recebe em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas

Um arco-íris nos recebe em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas


Foi esse mesmo explorador francês que fundou o primeiro povoado das ilhas, Port Louis, em 1764. Dois anos depois foi a vez dos ingleses fundarem Port Egmont, no norte do arquipélago. Aparentemente, um povoado não sabia da existência do outro. Os franceses logo repassaram seu povoado aos espanhóis que, ao saber da existência do povoado inglês, trataram de conquistá-lo. Isso quase levou as duas nações à guerra e os espanhóis acharam por bem devolvê-lo. Alguns anos mais tarde, em 1774, os ingleses resolveram abandoná-lo, mas pelo sim, pelo não, lá deixaram uma placa dizendo que a soberania do arquipélago era do rei George III, monarca britânico. Sem a presença da concorrência, a Espanha não deu muita bola para as ilhas, mantendo ali apenas uma pequena colônia penal. Até que, no contexto das guerras napoleônicas, abandonaram eles também aquelas ilhas isoladas.

Escarpa montanhosa em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas

Escarpa montanhosa em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas


Na década seguinte, já independente, eram as Províncias Unidas do Rio da Prata, futura Argentina, que se julgavam as detentoras do arquipélago. Mas não tentaram sua ocupação. Ao contrário, resolveram “arrendá-la” a um comerciante alemão para que ele as explorasse. Ao tentar forçar navios baleeiros e pesqueiros a lhe pagar “direitos”, acabou causando a ira do governo americano que bombardeou a ilha. O governo de Buenos Aires resolveu então instalar um batalhão na ilha, mas os próprios soldados de amotinaram em 1832. A situação só foi finalmente pacificada no ano seguinte, com o retorno das tropas inglesas, sob a alegação que as ilhas sempre foram de Sua Majestade. Um século e meio de protestos argentinos não demoveram os ingleses dessa ideia.

Uma espécie invasora, flores amarelas embelezam a paisagem de Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas

Uma espécie invasora, flores amarelas embelezam a paisagem de Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas


Vegetação em Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas

Vegetação em Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas


Na verdade, as Falkland tiveram valor estratégico durante a 1ª e 2ª Guerras mundiais, mas desde então eram um peso desnecessário para o orçamento inglês, sustentar aquelas ilhas distantes perdidas no meio do oceano. Negociações entre argentinos e ingleses avançavam no sentido de uma transferência de soberania, como a que acabou ocorrendo em Hong Kong, com a China. As negociações ocorriam sem a participação dos próprios kelpers e pareciam que seguiam bom caminho. Mas o golpe militar de 76 e o governo sangrento que se seguiu parecem ter atrapalhado um pouco o andamento das conversas. A situação se encontrava nesse impasse quando a decrépita ditadura militar, em grave crise econômica e política em seu país, resolveu dar sua última cartada. Mas isso é um assunto para quando chegarmos a Port Stanley, amanhã. Antes disso, ainda temos dois desembarques para fazer por aqui, em pequenas ilhas no noroeste do arquipélago, onde a paisagem ainda se parece com o que era antes dos europeus chegarem. Infelizmente, sem os lobos...

Admirando a belíssima paisagem de Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas

Admirando a belíssima paisagem de Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas

Falkland, Port Stanley, Steeple Jason, Bichos, geografia, história

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Depois do Mergulho, Praias da Infância!

Brasil, Espírito Santo, Guarapari

Onde as águas se encontram, na praia de Setiba, em Guarapari - ES

Onde as águas se encontram, na praia de Setiba, em Guarapari - ES


Depois de um mergulho mais complicado, nada melhor que aproveitar o sol que brilhava em praias que marcaram nossas infâncias! Ainda mais que elas estavam ali, tão pertinho uma da outra e também do ponto onde mergulhamos.

A praia de Setiba, em Guarapari - ES

A praia de Setiba, em Guarapari - ES


Primeiro, foi a vez de Setiba. Faz tempo que a Ana fala dessa praia. Quando ela tinha uns 10-11 anos, os pais da Ana se encheram de coragem, botaram as três filhas num carro e saíram para uma longa viagem desde o Paraná até Minas, Rio e Espírito Santo. Foi cerca de um mês na estrada e eu vivo ouvindo histórias da Ana sobre trechos e fatos dessa longa viagem. Um dos trechos preferidos foi o litoral capixaba e foi exatamente dessa praia, Setiba, que as meninas mais gostaram. Só que todas elas guardam o trauma de não ter podido nadar aqui porque eles estavam com uma programação mais apurada e tinham se programado para ir a outro lugar. Por mais que insistissem, os pais resolveram continuar. Setiba acabou virando sinônimo de uma praia linda que não pôde ser desfrutada. Quase que a Terra Prometida de Moisés, que nunca chegou lá.

A Ana na praia de Setiba, em Guarapari - ES

A Ana na praia de Setiba, em Guarapari - ES


Vinte anos mais tarde, chegamos à Terra Prometida da Ana, a praia de Setiba. E ela continua uma gracinha mesmo! Do modo que ela tinha descrito, embora com "umas" casas a mais. Em um lado da praia há uma pequena ilha, bem próxima da areia. Tão próxima que acaba virando uma península, unida à praia por uma pequena língua de areia. Este ponto é o mais bonito. As ondas vêm dos dois lados e passam por cima da língua de areia, se encontrando. Muito jóia mesmo. Adoramos! Tanto que ficamos lá o resto do dia. Corremos, nadamos nos dois lados da ponte de areia, exploramos a península/ilha, tomamos uma cerveja pra celebrar. Vidinha bem difícil...

Praia de Setiba, em Guarapari - ES. A Ana é o pontinho ao fundo, nadando.

Praia de Setiba, em Guarapari - ES. A Ana é o pontinho ao fundo, nadando.


Bem no final da tarde, já a caminho de Iriri, no sul, paramos em Guarapari, na famosa, bela e em processo de reurbanização Praia do Morro. Fim de tarde bem bonito, céu meio avermelhado e nós, na praia, nos deliciamos com uma maravilhosa empadinha.

Comendo uma empadinha na Praia do Morro, em Guarapari - ES

Comendo uma empadinha na Praia do Morro, em Guarapari - ES


Eu tinha estado em Guarapari há quase 40 anos!!! É claro que eu não me lembro, pois tinha só um ano de idade. Mas me lembro muito bem das fotos tiradas dessa temporada, do lindo nenê que eu era, disputado pelas irmãs. Fotos em preto e branco emoldurando porta-retratos e álbuns espalhados pela minha casa. Isso acabou tornando a cidade, pelo menos na minha cabeça em formação, uma coisa meio mítica. Seis anos mais tarde, passando uma temporada na pequena Carapebus, um pouco ao norte, eu já era um "adulto", seis anos de idade. Daí sim, tenho muitas lembranças. Inclusive de um passeio que fizemos à Guarapari, para revisitar os lugares que tínhamos frequentado anos antes. Engraçado... quando lembro disso, lembro de já me achar um cara mais velho, experiente. Com seis anos! Hoje, dou risada... Estranho também é pensar que, naquela época, achava os 5 anos que me separavam da outra vez uma eternidade. Nossa, hoje, cinco anos são ontem...

Praia do Morro, em Guarapari - ES

Praia do Morro, em Guarapari - ES


O tempo vai passando e nossas referências, tanto espaciais como temporais, vão mudando. O que era enorme, ficou pequeno. O que era uma eternidade, virou um lapso. Que saudade da minha infância, que lembro tão bem e que saudade da infância da Ana, apesar de não tê-la vivido. Deve ser o sangue português em minhas veias...

Observando os prédios de Guarapari, na praia de Setiba, em Guarapari - ES

Observando os prédios de Guarapari, na praia de Setiba, em Guarapari - ES

Brasil, Espírito Santo, Guarapari, Praia do Morro, Setiba

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As Ilhas

Guiana Francesa, Kourou, Îles de Salut

A temida Ilha do Diabo, uma das Îles de Salut, na costa próxima à Kourou, na Guiana Francesa

A temida Ilha do Diabo, uma das Îles de Salut, na costa próxima à Kourou, na Guiana Francesa


Ilhas são sinônimo de isolamento. Muitas vezes associamos suas imagens à pequenos paraísos, longe dos problemas da civilização. Mas, outras vezes, esse mesmo isolamento tem o efeito contrário: ele pode ser usado como uma prisão, um exílio para pessoas expulsas por essa mesma civilização.

O Catamaran que nos levlou às Îles de Salut, na costa próxima à Kourou, na Guiana Francesa

O Catamaran que nos levlou às Îles de Salut, na costa próxima à Kourou, na Guiana Francesa


Aqui na costa da Guiana Francesa temos um típico exemplo disso. São as "Îles du Salut", ou ilhas da salvação. Nos últimos 250 anos elas já cumpriram esses dois papéis, o de paraíso e o de inferno. Felizmente, hoje ela volta ao papel de paraíso.

Primeira visão sombria das Îles de Salut, na costa próxima à Kourou, na Guiana Francesa

Primeira visão sombria das Îles de Salut, na costa próxima à Kourou, na Guiana Francesa


Um pouco antes da Revolução Francesa, depois de levar uma sova da Inglaterra na Guerra dos Sete Anos e ser expulsa do Canadá e da Índia, a França resolveu investir com tudo na colonização da América do Sul. O plano era ambicioso. Desenvolver a isolada colônia da Guiana Francesa e daí, partir para o resto do continente. É claro que faltava combinar com portugueses e espanhóis. Mas, antes disso, era preciso também combinar com a mãe-natureza...

Examinando o mapa das Îles de Salut, na costa próxima à Kourou, na Guiana Francesa

Examinando o mapa das Îles de Salut, na costa próxima à Kourou, na Guiana Francesa


De uma só vez, foram enviados cerca de 13 mil colonizadores para a região de Kourou. A mata e o clima tropical não os recebeu bem. Antes das pessoas conseguirem se instalar, um novo navio já estava no porto, para mais desembarques. O resultado foi uma tragédia. Fome e doenças atingiram em cheio os franceses. Pessoas morreram aos milhares. Dos 13 mil, sobraram apenas 4 mil, dois anos depois. Os sobreviventes, fugindo dos mosquitos que traziam malária e febre amarela, adotaram as Îles du Salut como refúgio. Mas de quinze quilômetros mar à dentro, elas estavam longe dos mosquitos. Ali, os colonizadores esperaram para ser repatriados. Dos 13 mil originais, sobraram pouco mais de duzentos para continuar os planos de colonização. Os outros, mortos ou enviados de volta à metrópole.

A única igreja nas Îles de Salut, na costa próxima à Kourou, na Guiana Francesa

A única igreja nas Îles de Salut, na costa próxima à Kourou, na Guiana Francesa


A Guiana Francesa começava a ganhar fama de terra amaldiçoada. Pouco menos de 100 anos mais tarde, aproveitando esta fama, o governo resolveu transformá-la numa enorme colônia penal. Quase 80 mil presos, comuns e políticos, foram enviados para cá, em exílio eterno ou diretamente para os campos prisionais. O mais famoso deles, para onde íam os presos mais famosos ou perigosos, era nas îles du Salut. Afinal, quem conseguiria escapar de uma ilha cercada por um mar infestado de tubarões? A vida por aqui não era fácil. Dos 80 mil, menos de 13 mil voltaram para contar a história...

Cela do antigo presídio na Île Royale, nas Îles de Salut, na costa próxima à Kourou, na Guiana Francesa

Cela do antigo presídio na Île Royale, nas Îles de Salut, na costa próxima à Kourou, na Guiana Francesa


O mais famoso dos detentos foi Alfred Dreyfus. Sua vida foi transformada em livro e em filme famoso, o que o tornou conhecido de quem vivia nas décadas de 40 e 50. Ele foi um militar francês acusado de alta traição em 1894. Na verdade, sua origem judaica o transformou num bode expiatório perfeito para a elite militar anti-semita francesa. Com documentos forjados, foi condenado à prisão perpétua na Ilha do Diabo, a mais temida das três Îles du Salut. Anos depois, o chefe da inteligência francesa descobriu o culpado verdadeiro de espionagem. Os militares resolveram tentar abafar o caso e enviaram o chefe da inteligência para o deserto da Tunísia. De nada adiantou: as informações vazaram, muita gente comprou a briga, inclusive intelectuais e a imprensa e o governo teve de voltar atrás e soltar o pobre Dreyfus, que passou quase cinco anos na solitária.

Capa famosa de jornal em que Emile Zola intercede por Dreyfus, preso nas Îles de Salut, na costa próxima à Kourou, na Guiana Francesa

Capa famosa de jornal em que Emile Zola intercede por Dreyfus, preso nas Îles de Salut, na costa próxima à Kourou, na Guiana Francesa


Outro preso famoso, também com a vida transformada em livro e filme, Papillon, teve no sucesso de seu livro um dos motivos para se acabar com essas prisões vergonhosas, verdadeiros campos de concentração funcionando na América do Sul em plena década de 50.

Caminhando na Île Royale, a principal das Îles de Salut, na costa próxima à Kourou, na Guiana Francesa

Caminhando na Île Royale, a principal das Îles de Salut, na costa próxima à Kourou, na Guiana Francesa


Caminhando na Île Royale, a principal das Îles de Salut, na costa próxima à Kourou, na Guiana Francesa

Caminhando na Île Royale, a principal das Îles de Salut, na costa próxima à Kourou, na Guiana Francesa


Hoje, as belas ilhas são um dos destinos turísticos mais conhecidos da Guiana Francesa. Para lá fomos, eu e a Ana, partindo de Kourou num catamaran. Enfrentamos a chuva para prestar nossas homenagens a Dreyfus e Papillon. Passamos mais de uma hora no museu, antiga casa do diretor da prisão, lendo textos e vendo fotos antigas. Mais tarde, um passeio ao redor da ilha por suas antigas construções e fantasmas que parecem não sair de lá. Ao final da tarde, o tempo já estava bem melhor, mostrando o lado bonito dessa ilha tropical, quase sem praias, destino tão temido ao longo de um século.

A antiga casa do diretor da prisão, transformado em museu, nas Îles de Salut, na costa próxima à Kourou, na Guiana Francesa

A antiga casa do diretor da prisão, transformado em museu, nas Îles de Salut, na costa próxima à Kourou, na Guiana Francesa


Hoje, ao contrário, é um belo passeio, um mergulho na história e uma fonte de inspiração para pensamentos e devaneios. Muita gente passa a noite por lá, quem sabe para sonhar com outras épocas... Nós voltamos para Kourou, aonde tínhamos hotel e onde jantamos carne de canguru. Isso mesmo: canguru! Para sempre vamos associar Kourou com esses belos bichinhos saltadores de carne tão apetitosa...

Retorno confortável no catamaran das Îles de Salut, na costa próxima à Kourou, na Guiana Francesa

Retorno confortável no catamaran das Îles de Salut, na costa próxima à Kourou, na Guiana Francesa

Guiana Francesa, Kourou, Îles de Salut, Îles du Salut, Ilha do Diabo

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Chegando ao Parque do Zé Colmeia

Estados Unidos, Wyoming, Grand Teton National Park, Yellowstone National Park, Montana, West Yellowstone

Maravilhoso entardecer na área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Maravilhoso entardecer na área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Saímos hoje, meio sem pressa, do nosso hotel em Jackson, cidade com ares de cawboy ao sul do parque de Grand Teton. Antes de seguir para o norte, nosso eterno rumo, voltamos para o centro da cidade, para fazer algumas fotos. Das carruagens com cara de séc. XIX, do bar que fomos ontem, um autêntico saloon e dos portais na principal praça da cidade. São feitos inteiramente de chifres de elks. Aliás, os “elks” daqui não devem ser confundidos com os “elks” da Europa, que são os nossos alces. Por aqui, os nossos alces são chamados de “moose”. Já os “elks” daqui são um pouco maiores que as nossas renas (aquelas do Papai Noel). Por falar nisso, as “renas” são chamadas de “caribou” por aqui e de “reindeer” na Europa. Que confusão! Porque não chamam todo mundo de veado e pronto? Demorou um tempo para a gente entender, mas com a ajuda do google, resolvemos. Santo google...

Portal em praça na cidade de Jackson, feito apenas com chifres de renas (ao sul do Grand Teton National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos)

Portal em praça na cidade de Jackson, feito apenas com chifres de renas (ao sul do Grand Teton National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos)


Portal em praça na cidade de Jackson, feito apenas com chifres de renas (ao sul do Grand Teton National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos)

Portal em praça na cidade de Jackson, feito apenas com chifres de renas (ao sul do Grand Teton National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos)


Voltando aos portais, eles são feitos de chifres de elks (elks daqui!!!) coletados na natureza por escoteiros, já há várias décadas. Com uma galharia daquele tamanho, não deve ser difícil ficar preso nos galhos das florestas onde vivem e, depois de espernear (a cabeça!) um pouco, deixar os chifres para trás, para serem recolhidos por algum escoteiro mais atento. O resultado disso, podemos ver e admirar nos portais: um verdadeiro emaranhado de chifres que merece ser fotografado!

Nossa última visão da linda cadeia de montanhas Teton, no parque Grand Teton, em Wyoming, nos Estados Unidos

Nossa última visão da linda cadeia de montanhas Teton, no parque Grand Teton, em Wyoming, nos Estados Unidos


Feito isso, rumo ao Polo Norte, passando por Yellowstone! A estrada corta todo o parque Grand Teton, de sul a norte, e nós não resistimos a parar algumas vezes para fotografar e admirar mais uma vez a majestosa cadeia de montanhas que dá nome ao parque. Não tem jeito, um bom mineiro nunca vai deixar de se impressionar com as montanhas. Serão sempre uma referência em nossas vidas. Não é a toa que, quando não há uma no nosso horizonte, ficamos meio incomodados, às vezes até sem entender o porquê.

Chegando ao Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Chegando ao Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos



Grand Teton ficou para trás e, meia hora depois, entrávamos no primeiro Parque Nacional do mundo, o Yellowstone, criado em 1872. Não foi fácil convencer o Congresso americano e o presidente da época, o famoso general Grant, a desistir da ideia de lotear a área do futuro parque. Felizmente, a região não era muito propícia à agricultura. Além disso, uma grande expedição voltou à Washington com fotografias e relatos de uma terra de incríveis belezas. Olhar, hoje em dia, essas fotografias com mais de 140 anos de idade, é até emocionante! Enfim, o bom senso prevaleceu e a área foi declarada Parque Nacional, protegida pelo exército da cobiça de caçadores e grileiros. Estava criado um novo conceito, o da preservação da natureza para o usufruto das pessoas, não só daquela geração, mas também para filhos, netos e daí por diante.

Lewis Falls, nossa primeira cachoeira no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Lewis Falls, nossa primeira cachoeira no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


É difícil imaginar isso hoje, quando esse conceito de preservação está tão bem estabelecido em nossa cultura (embora, muitas vezes, desrespeitado), mas naquela época, quando se matavam milhões de bisões por esporte, ou se derrubavam florestas da noite para o dia para novas plantações e pastos, isso foi uma revolução digna de se tirar o chapéu, até hoje! Parabéns aos americanos, dentre tantas barbaridades cometidas (por eles mesmos) nessa segunda metade de século XIX. Felizmente, a moda pegou e logo outros países estavam criando seus próprios parques, como o Canadá e a Austrália, e o próprio Estados Unidos, criando o parque de Yosemite (ainda chegamos lá...).

Encontro com uma rena no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Encontro com uma rena no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


É claro que, estando na pátria do capitalismo e das oportunidades, eles não ficaram só na preservação e trataram de fazer dinheiro com isso. Como? Turismo, é claro! Rapidamente, criaram a infraestrutura necessária para receber pessoas com conforto e segurança, principalmente aquelas com dinheiro, mais exigentes, que querem sua boa comida e chuveiro quente ao final do dia, mas são as que mais gastam, gerando recursos para o parque. Estradas foram feitas, até o parque e “pelo” parque, facilitando o acesso às maiores atrações, e uma boa propaganda espalhou país afora as notícias desse lugar mágico. Não demorou muito e Yellowstone passou a ser autossustentável economicamente para sorte das gerações vindouras, pois foi isso que ajudou o parque a durar até hoje. Mais sorte ainda teve a variada fauna do local, que pode sobreviver também. Talvez, tenha sido a criação de Yellowstone que salvou, por meios diretos e indiretos, o bisão da extinção. As manadas, que até o final do séc XVII, contavam com dezenas de milhões de bisões, quando da criação do parque, não passavam de míseros milhares. Ainda hoje, é aqui que se encontram os maiores grupos desses magníficos animais.

O público aguarda, ansioso, a erupção do mais famoso geiser do mundo, o Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

O público aguarda, ansioso, a erupção do mais famoso geiser do mundo, o Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


O público aguarda, ansioso, a erupção do mais famoso geiser do mundo, o Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

O público aguarda, ansioso, a erupção do mais famoso geiser do mundo, o Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Mas não foi esse status de último santuário da fauna e nem as paisagens maravilhosas de Yellowstone os responsáveis pelo primeiro desejo de proteger aquela região. Foi outra coisa, que vinhas das entranhas da terra. A enorme quantidade de fontes termais, piscinas coloridas e gêiseres que se espalhavam pela área do parque. Os primeiros relatos sobre esses fenômenos, vindos de caçadores ou exploradores, foram recebidos com ceticismo pela sociedade da época. Puro exagero ou invenção, imaginavam. Foram preciso expedições patrocinadas pelo governo, com pesquisadores e cientistas, para que a as “lendas” fossem aceitas como fato.

Conforme esperado, o Old Faithful faz sua 'apresentação', para a alegria do público, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Conforme esperado, o Old Faithful faz sua "apresentação", para a alegria do público, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Conforme esperado, o Old Faithful faz sua 'apresentação', para a alegria do público, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Conforme esperado, o Old Faithful faz sua "apresentação", para a alegria do público, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Ainda hoje, é essa a primeira imagem que Yellowstone evoca: um gêiser entrando em erupção. O mais famoso do mundo, conhecido como “Old Faithful”, está lá, atraindo milhares de pessoas diariamente, milhões ao ano, todas com suas máquinas fotográficas para captar aquele momento mágico, que se repete a cada 90 minutos, mostrando a todos que algo está bem vivo sob os nossos pés.

A estranha paisagem de fontes termais ao redor do geiser Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

A estranha paisagem de fontes termais ao redor do geiser Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Observando fontes ferventes na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Observando fontes ferventes na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Também era essa a imagem que eu tinha, dentro da minha infinita ignorância. Mas bastaram algumas horas pelo parque, as primeiras de muitas que virão, para perceber que isso é apenas a ponta do iceberg, que Yellowstone tem muito mais a oferecer, muitas vezes até bem mais interessantes que o venerável Old Faithful.

Mais um pequeno geiser entra em erupção na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Mais um pequeno geiser entra em erupção na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Há muitos outros geisers na região do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Há muitos outros geisers na região do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


As estradas no parque formam um grande formam um grade oito e, percorrendo esse oito, chegamos às atrações principais. Nós viemos do sul e, já antes de chegar ao tal “oito”, tivemos a chance de ver algumas das atrações que fazem desse o parque mais famoso do mundo. Belas cachoeiras e grandes animais vagando tranquilamente pelo parque. Aliás, baste ver carros parados na estrada que já sabemos: algum grande bicho anda por ali! Dessa vez, era um bisão caminhando entre a mata e a estrada e, um pouco depois, um elk (ou seria um caribou?), também ao lado da estrada, já acostumado com o acesso dos paparazzi que o cercavam.

Lindas piscinas coloridas, de águas transparentes e ferventes, na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Lindas piscinas coloridas, de águas transparentes e ferventes, na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Lindas piscinas coloridas, de águas transparentes e ferventes, na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Lindas piscinas coloridas, de águas transparentes e ferventes, na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Nós tiramos nossas fotos também, assim como fizemos a pequena caminhada até a cachoeira. Mas queríamos mesmo era chegar à região do Old Faithful, no “oito” Essa é a área mais concorrida do parque, com hotéis, restaurantes e um centro de informações. Chegamos um pouco antes da erupção das 16:30 e uma verdadeira plateia estava lá, máquinas, celulares e ipads prontos. Juntamo-nos à torcida e vibramos juntos com a erupção. Estava registrado, para o site 1000dias, aquele momento mágico, que só ocorre 16 vezes ao dia, 365 vezes ao ano. Ironias à parte, é mágico mesmo. A primeira vez, ninguém esquece!

Lindas piscinas coloridas, de águas transparentes e ferventes, na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Lindas piscinas coloridas, de águas transparentes e ferventes, na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Admirada com as lindas piscinas coloridas, de águas transparentes e ferventes, na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Admirada com as lindas piscinas coloridas, de águas transparentes e ferventes, na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Cumprida a obrigação com diversão, passamos à diversão sem obrigação. Longas passarelas nos levam, com segurança, por entre fontes de água fervente, piscinas com cores mágicas, riachos com líquidos tóxicos e gêiseres imprevisíveis. A sensação é de se estar em outro mundo. Ou então, no nosso mundo, mas em outra época, há alguns bilhões de anos atrás.

Painel explicativo sobre a formação e funcionamento dos geisers, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Painel explicativo sobre a formação e funcionamento dos geisers, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Diversas fontes de água fervente na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Diversas fontes de água fervente na área do Old Faithful, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


As cores das piscinas são, simplesmente, inacreditáveis. Pena que sejam tão quentes, temperaturas próximas da ebulição (que nessa altitude, é de cerca de 94 graus centígrados), pois a vontade que dá é de um bom mergulho. Azul ou verde transparentes, sempre rodeados de vermelho ou amarelo. As cores vem dos microrganismos que ali vivem, cada um com sua cor característica a adaptado para uma certa temperatura. O resultado, só se pode descrever por fotografias que, nesse caso sim, valem por mil palavras.

Noventa minutos mais tarde, o Old Faithful entra novamente em erupção, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Noventa minutos mais tarde, o Old Faithful entra novamente em erupção, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Veículos para transporte de turistas no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Veículos para transporte de turistas no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


A beleza das piscinas se alterna com a excentricidade da lama borbulhante em alguns casos, ou dos gêiseres em outros. Um deles, o Grand Gêiser, é até mais belo que o vizinho Old Faithful, embora menos previsível. Um outro, ali perto, depois de tanto tempo na ativa, até construiu um minivulcão para ele. Muito legal!

Cachoeira de água fervente encontra rio de águas geladas, na área da Prismatic Pool, em Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Cachoeira de água fervente encontra rio de águas geladas, na área da Prismatic Pool, em Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Tão enfeitiçados que ficamos, caminhando por essa passarela, que perdemos a noção do tempo. Quem nos trouxe à realidade foi a nova erupção do “relógio” Old Faithful, ali perto. Era o lembrete de que 90 minutos já haviam se passado desde que tínhamos nos perdido naquele mundo mágico. Tempo de seguir em frente, então.

as incríveis piscinas de água fervente em Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

as incríveis piscinas de água fervente em Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Primeiro, um almoço tardio ali mesmo. Tem o restaurante dos ricos, muito disputado e caro, e o dos pobres, mais tranquilo. Nem preciso dizer onde comemos, certo? O que não nos impediu de entrar e admirar o lodge chique que fizeram, bem em frente ao Old Faithful. Ali, pode-se saborear um bom whisky enquanto se espera a próxima erupção. Coisa de gente bacana!

Terraços de calcita formados ao lado da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Terraços de calcita formados ao lado da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Bem, devidamente alimentados e ainda sem hotel para dormir (quase ficamos no tal lodge. Tinham só para uma noite, por 180 dólares), seguimos para outra atração, que rivaliza em fama com o Old Faithful. É uma enorme piscina colorida conhecida como “Prismatic Pool” ou “Prismatic Spring”. Bem maior do que uma piscina olímpica, constantemente escondida sob o fog que brota dela mesma. As pessoas ficam ali, esperando que o vento leve a neblina embora para poder ter uma rápida visão (e uma rápida fotografia!) daquele espetáculo da natureza.

A colorida e sempre nebulosa Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

A colorida e sempre nebulosa Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Nós tivemos as nossas chances também. Mas amanhã, vamos subir um morro aqui do lado para ver de novo. Lá de cima, conseguimos ver o panorama todo, por cima dos vapores e da fumaça. E com a luz do dia, que começava a faltar hoje. De qualquer maneira, toda a região ao redor da Prismatic Pool é incrível. Enormes terraços de calcita (formados pela água que vaza da piscina) avermelhados formam uma paisagem surreal. Ainda mais quando, logo ali do lado, outras piscinas de águas incrivelmente translúcidas e coloridas atraem, como imã, a nossa atenção.

A colorida e sempre nebulosa Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

A colorida e sempre nebulosa Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Para completar, como se a beleza não fosse o bastante, ainda tivemos um incrível pôr-do-sol, desses de cinema, justo quando caminhávamos entre os as piscinas coloridas e sobre os terraços de calcita (sem sair da passarela, claro!)

caminhando pela área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

caminhando pela área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Já no escuro, extasiados de tantas paisagens extraterrestres, ainda pareceu a lua, majestosa, só pela metade. Realmente, foi um dia de tirar o fôlego... Mesmo tendo conhecido só esse pedacinho de Yellowstone, um quarto da metade de baixo do “oito”, já deu para entender porque aqui foi criado o primeiro parque nacional do mundo. E porque são mais de 3 milhões de visitantes por ano. Principalmente nessa época, verão no hemisfério norte.

Enorme piscina de águas ferventes na área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Enorme piscina de águas ferventes na área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Isso nos fez lembrar que ainda não tínhamos hotel para ficar. Com os lodges do parque totalmente ocupados ou excessivamente caros e com uma preguiça danada de dormir em barraca ou na Fiona, a solução foi seguir para outro estado, Montana.

Maravilhoso entardecer na área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Maravilhoso entardecer na área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Pode parecer longe, mas nem é. A área de Yellowstone é tão grande que atravessa a fronteira de Wyoming (onde está a maioria do parque) e chega até Montana. Ali, logo depois da entrada oeste do parque, está a cidade de West Yellowstone. Depois de três tentativas, achamos um hotel razoável e nos instalamos. Prontos para voltar para o “oito” amanhã e continuarmos nossas explorações desse lugar especial, sobre a caldeira de um supervulcão (falo disso em outro post) chamado Yellowstone National Park, conhecido mundialmente como a casa do simpático urso Zé Colmeia (e do atrapalhado Catatau também, claro!)

Uma maravilhosa lua crescente nos céus limpos do Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Uma maravilhosa lua crescente nos céus limpos do Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

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