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No Canyon da Fortaleza

Brasil, Rio Grande Do Sul, Caxias do Sul

O Rodrigo (no alto, à esquerda) fica minúsculo diante da enormidade do canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

O Rodrigo (no alto, à esquerda) fica minúsculo diante da enormidade do canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS


Com a Fiona em forma novamente, pudemos seguir para o mais belo dos canyons do Parque Nacional da Serra Geral, o Fortaleza. Fica a pouco mais de 20 km, estrada de chão, do centro de Cambará do Sul. O canyon mais famoso por aqui, o Itaimbezinho, estava fechado. Só abre de quarta à domingo. Mas, é consenso geral, não é tão impressionante como o Fortaleza. O outro canyon, o Malakara, oferece trekkings maravilhosos. Mas não agora, com o frio que está fazendo. Além disso, requer mais tempo, coisa que não temos agora já que ainda queremos ir para a região de Gramado e para o Vale dos Vinhedos e ainda voltar para Curitiba até o fim de semana, para o aniversário da Luiza. Mas que fique aqui registrado: essa região do Parque Nacional da Serra Geral e seu entorno merece muitos e muitos dias de exploração, de preferência na primavera ou outono, quando o tempo ainda é aberto e não faz tanto frio. Certamente, tem algumas das paisagens mais belas do Brasil.

Paisagem montanhosa do canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

Paisagem montanhosa do canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS


O canyon Fortaleza, no Parque Nacional da Serra Geral, em Cambará do Sul - RS

O canyon Fortaleza, no Parque Nacional da Serra Geral, em Cambará do Sul - RS


Depois de passar pela portaria do parque, seguimos de carro até cerca de 200 metros da borda do canyon. Lá, por meio de trilhas, chegamos até a borda do penhasco. É difícil, senão impossível, descrever a grandiosidade da paisagem que vislumbramos. Não havia nuvens e todo o canyon até o rio lá embaixo estava visível. No horizonte, as montanhas do parque e ao seu redor e também as planícies litorâneas dos dois estados, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. É possível ver o mar, mais de 1000 metros abaixo de nós e muitas dezenas de quilômetros à nossa frente. Emocionante! Paisagem típica daqueles grandes filmes épicos de Hollywwod. O "Senhor dos Anéis" certemente poderia ter sido filmado por aqui...

Arriscando-se nas paredes do canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

Arriscando-se nas paredes do canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS


Visitando o canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

Visitando o canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS


Para aumentar ainda mais a beleza do cenário, pequenas cascatas escorrem pelas gigantescas paredes do canyon, despencando centenas de metros até chegar ao vale lá em baixo. A vegetação de campos de altitude na parte alta contrasta com as florestas verdejantes do fundo do canyon, que crescem ao longo de um rio que, aqui de cima, parece minúsculo, mas que certamente não o é, todo encachoeirado e cheio de corredeiras. Caminhar pelo fundo do canyon dever ser uma experiência incrível e está no topo da nossa lista de prioridades. Quem sabe quando passarmos aqui por perto, no final da nossa viagem...

Turustas se debruçam para admirar o canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

Turustas se debruçam para admirar o canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS


Observando o canyon Fortaleza em Cambará do Sul - RS

Observando o canyon Fortaleza em Cambará do Sul - RS


Por enquanto, a caminhada que fizemos foi subir até o alto do mirante do canyon, uma espécie de promotório que é o ponto mais alto do parque. De lá pudemos avistar com perfeição boa parte do canyon, de um lado, e a planície litorânea do outro, onde se destacava a cidade gaúcha de Torres. Paisagem absolutamente cinematográfica.

A cidade praiana de Torres vista do alto do canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

A cidade praiana de Torres vista do alto do canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS


Caminhando na Serra Geral, em Cambará do Sul - RS

Caminhando na Serra Geral, em Cambará do Sul - RS


Empolgados com essa caminhada, partimos logo para outra: chegar até a Pedra do Segredo, uma enorme pedra que parece se equilibrar instavelmente sobre uma pequena base, no meio de uma das encostas íngrimes do canyon. Ainda mais bonito que a tal pedra é o caminho para se chegar até ela. Temos de cruzar um rio bem no ponto em que ele desaba para o fundo de um dos braços do canyon Fortaleza, numa queda de mais de 100 metros. O cenário me lembrou as paisagens da cena final do filme "O Último dos Moicanos", sequência antológica pela qualidade da trilha sonora, das imagens e atuação dos atores. Eu quase podia ver o grupo de índios de cabelos raspados cruzando o rio na beirada da cachoeira. Muito legal mesmo!

Cachoeira despenca pelo canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

Cachoeira despenca pelo canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS


Cachoeira no canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

Cachoeira no canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS


Bom, o nossa visita ao parque foi tão boa que acabamos nos extendendo por lá o máximo possível e mudando nossos planos de chegar em Caxias em tempo de levar a Fiona para a concessionária. Deixamos isso para amanhã cedo e viajamos de noite mesmo, ainda pegando um belíssimo pôr-do-sol na região de Cambará do Sul, com aquelas nuvens altas e esparsas que prenunciam uma noite gelada pela frente.

A Pedra do Segredo, no canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

A Pedra do Segredo, no canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS


Bem, a nossa noite nem foi tão gelada assim, no calor do quarto do hotel em Caxias. Antes disso, ainda tivemos um delicioso jantar no restaurante Gran Piacere, no shopping Iguatemi. É o restaurante da simpaticíssima família que conhecemos em São José dos Ausentes, quando visitávamos a pousada Potreirinhos, ao lado do Desnível dos Rios. Foram eles que nos indicaram o Refúgio das Gralhas, a ótima pousada que ficamos em Cambará do Sul. Depois da bela dica, tivemos de passar pelo restaurante deles em Caxias para agradecer. E foi uma ótima pedida! E ainda ganhamos uma outra dica, agora de um hotel em Nova Petrópolis, para quando formos para lá. Assim, de boa dica em boa dica, nem precisamos mais dos livros-guia que carregamos, hehehe.

Pôr-do-sol e céu com cara de muito frio na região de Cambará do Sul - RS

Pôr-do-sol e céu com cara de muito frio na região de Cambará do Sul - RS


Ao deitar na cama, as lembranças do cenário épico da canyon ainda ocupavam minha mente. E eu ainda ria do comentário de um rapaz figuraça de Blumenau que conhecemos numa das beiradas do canyon. Completamente tomado pela beleza grandiosa da paisagem e comentando sobra as fantásticas paisagens que encontramos no Brasil, apontou para o canyon e disse, em tom desafiativo: "Quero ver eles construírem um desse em Dubai!" Concordo, heheehe! Fazer prédio alto ou um monte de ilhas é fácil! Quero ver é eles construírem um canyon como o nosso!

Um dos braços do canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

Um dos braços do canyon Fortaleza, em Cambará do Sul - RS

Brasil, Rio Grande Do Sul, Caxias do Sul, Parque, Pedra do Segredo, trilha

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Chaltén, Fitz Roy, Los Glaciares e o Campo de Gelo Sul

Argentina, El Chaltén

A linda paisagem ao redor de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

A linda paisagem ao redor de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina


A pequena cidade argentina de El Chaltén é o sonho de consumo de milhares de backpackers e montanhistas do mundo todo. Com menos de 2 mil habitantes, ela não poderia estar melhor localizada e isso é a sua maior atração. El Chaltén está em uma das entradas do Parque Nacional Los Glaciares, mundialmente famoso por suas belezas naturais. É também daí que partem as trilhas para duas das montanhas mais cênicas e técnicas do mundo, o Fitz Roy e o Cerro Torre. Com poucas horas de caminhada, chega-se a rios encachoeirados, lagos glaciais e geleiras que dão vazão ao segundo maior campo de gelo do mundo fora das regiões polares. Enfim, com tantos atrativos, só é de se estranhar que essa área não tenha sido ocupada antes. El Chaltén só foi fundada em 1985.

A linda paisagem ao redor de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

A linda paisagem ao redor de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina


Observando a cidade de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

Observando a cidade de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina


Na verdade, a criação da cidade não tem a ver com a beleza de sua localização, mas se insere na disputa fronteiriça entre Argentina e Chile. As questões fronteiriças entre os dois países só foi definitivamente resolvida nos últimos anos do século passado e em 1985 o governo da província de Santa Cruz, localizada no sul da patagônia argentina, resolveu criar um novo povoamento em uma área que era então disputada com o país vizinho. Nascia El Chaltén, completamente isolada de tudo e de todos. Quase 30 anos mais tarde e essa sensação de isolamento continua, a cidade muito mais integrada à natureza exuberante ao seu redor do que ao resto da civilização. Mas o crescente número de turistas fez crescer a quantidade de pousadas, assim como conexões mais confiáveis de internet e até mesmo bancos 24 horas. O resto do mundo já não está tão longe...

Um dos maiores hotéis de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

Um dos maiores hotéis de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina


Hotel no estilo alpino em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

Hotel no estilo alpino em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina


Hoje já não há mais disputa fronteiriça, apenas disputa por vagas nos hotéis, pousadas e campings da cidade, principalmente nos meses de verão. A gente, como sempre sem reservas, teve um certo trabalho em encontrar lugar, mas ao final deu tudo certo. Viemos para passar vários dias e tivemos até de trocar de pousada no final, justamente por problema de espaço. Todos os que chegam estão buscando as atrações do Parque Los Glaciares, fora da cidade, mas aqui é a base da maioria das pessoas. Passamos boa parte das horas do dia caminhando no mato ou em alguma excursão, mas no final de tarde boa parte das pessoas está de volta, as ruas e restaurantes da cidade ganham vida e a noite continua em um punhado de bares mais animados. No dia seguinte, cedo, pé na trilha novamente!

Fim de tarde em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

Fim de tarde em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina


Depois de caminhada, chegando de volta à El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

Depois de caminhada, chegando de volta à El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina


O público, de maneira geral, é jovem como a cidade. Gente bonita e saudável, amante da natureza, de trekking, das montanhas. Esse espírito explorador é contagiante e é a cara de El Chaltén. Nas ruas, ouve-se muitas línguas, prova inconteste da vocação cosmopolita da cidade. É fácil conhecer pessoas e fazer amigos nas pousadas e bares. Todos os que estão aqui tem muita coisa em comum e isso puxa assunto.

A simpática cidade de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

A simpática cidade de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina


Rua de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

Rua de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina


Nossos dias por aqui seguiram exatamente esse ritmo. Caminhadas longas pela região durante o dia e comida em alguma mesa na calçada aproveitando o calorzinho de fim de tarde. Quando voltávamos das trilhas, era uma alegria quando víamos os telhados coloridos de Chaltén no fundo do vale. Significava que estávamos pertos, de comida e de cerveja. Sentados, logo apareciam os amigos, novos ou antigos. Reencontramos por aqui, numa feliz coincidência, o Marco e a Tina, o casal suíço que conhecemos no Panamá e que dividiu o contêiner da Fiona conosco, na travessia para a Colômbia (link da história aqui). Nossa última vez juntos tinha sido na península de La Guajíra, extremo norte da América do Sul (reveja esse reencontro aqui). Depois, ainda em contato, quase nos vimos no Perú. Mas o destino quis que fosse no sul da patagônia que voltássemos a nos ver. Muito joia!

O feliz reencontro com a Tina e o Marco, o casal suiço que conhecemos no Panamá e Colômbia, em El Chaltén, na patagônia argentina

O feliz reencontro com a Tina e o Marco, o casal suiço que conhecemos no Panamá e Colômbia, em El Chaltén, na patagônia argentina


Encontro com brasileiros (pai e filho) em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

Encontro com brasileiros (pai e filho) em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina


Também fizemos amigos novos, como uma simpática e energética dupla de brasileiros, pai e filho, viajando e caminhando juntos pelas lindas trilhas de Chaltén. E também foi em um desses caminhos que encontramos pela primeira vez, ao menos ao vivo, o simpaticíssimo casal dos Nerds Viajantes, blogueiros de Belo Horizonte. A gente se conhecia pela internet e quase havíamos nos encontrado no Parque de Grand Teton, nos Estados Unidos. Agora, sem combinar nada, no meio da trilha, lá estavam eles. Foi muito joia e vou tratar mais desse encontro no próximo post.

Juntos com o Helder e a Lilian, os Nerds Viajantes, em El Chaltén, na patagônia argentina

Juntos com o Helder e a Lilian, os Nerds Viajantes, em El Chaltén, na patagônia argentina


Pequeno restaurante em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

Pequeno restaurante em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina


Falando em trilhas, vamos fazer três delas. As duas primeiras, em sistema de bate e volta. Ou seja, caminhamos e voltamos para a cidade no mesmo dia. Na terceira, ficaremos acampados uma noite no parque. Todas essas trilhas seguem em direção à mais bela e fotogênica das montanhas, o monte Fitz Roy. Aliás, o nome original dessa montanha, dado pelos nativos Tehuelches, era Chaltén. A denominação da jovem cidade é uma forma de homenagear a montanha vizinha, assim como tentar reparar a injustiça de haverem mudado o nome da montanha. “Chaltén” quer dizer “montanha entre nuvens”, alusão ao fato de que o Fitz Roy está quase sempre nublado. O nome atual homenageia o capitão do barco Beagle, aquele em que viajou Charles Darwin na primeira metade do séc. XIX. Nas suas explorações, o barco subiu o rio Santa Cruz, além de ter passado semanas na costa patagônica. Por isso, o famoso explorador e cartógrafo argentino Francisco Moreno (mais conhecido como Perito Moreno) quis homenageá-los quando descobriu a montanha para o mundo ocidental em 1877. Sim, este é o mesmo Perito Moreno que dá nome ao famoso glaciar, ao Parque Nacional e à pequena cidade em que passamos, além de tantas outras coisas mais neste país.

Food Truck em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

Food Truck em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina


Arte na rua em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

Arte na rua em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina


A montanha Fitz Roy é mesmo magnífica e, desde que o tempo esteja limpo, nós já a começamos a ver da estrada muito antes de chegarmos à cidade. O coração até acelera quando reconhecemos a silhueta de uma das mais famosas montanhas do mundo, tanto por sua beleza como pela extrema dificuldade técnica de subi-la. Com 3.405 metros de altitude, ela tem bem menos da metade da altura de suas congêneres no Himalaia, mas enquanto mais de 100 pessoas chegam ao cume do Everest em anos favoráveis, por aqui são muito comuns os anos em que ninguém atinge o ponto mais alto dessa montanha quase mágica. Ela foi escalada pela primeira vez em 1952 e, até hoje, apenas os melhores do mundo ousam enfrentar seus paredões vertiginosos, onde gelo e pedra se mesclam numa mistura quase suicida.

Festival de comidas de rua em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

Festival de comidas de rua em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina


Festival de comidas de rua em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

Festival de comidas de rua em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina


Depois de trilha, recuperando as energias em restaurante de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

Depois de trilha, recuperando as energias em restaurante de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina


É claro que nós, simples mortais, não vamos tentar subir o Fitz Roy, mas apenas chegar perto dele para a devida reverência. E ao fazer isso, estaremos entrando e explorando o Parque Nacional Los Glaciares. Criado em 1937 e declarado Patrimônio Mundial pela Unesco em 1980, esse parque com mais de 7 mil km2 é o segundo maior do país. Seu nome é uma referência à gigantesca capa de gelo localizada entre as montanhas andinas e que alimenta nada menos que 47 grandes glaciares. Treze desses rios de gelo correm para o lado argentino, enquanto os outros seguem em direção ao Oceano Pacífico, no lado chileno. Dos que vem para o lado de cá, os mais famosos são o Viedma, onde vamos fazer aulas de escalada no gelo, e o Upsala e Perito Moreno, um pouco mais ao sul e que visitaremos em alguns dias. Esses três glaciares são a principal fonte de água dos enormes lagos Viedma e Argentino que juntos formam o rio Santa Cruz (aquele explorado pelo Beagle), que desagua no Oceano Atlântico.

Depois de caminhada, chegando de volta à El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

Depois de caminhada, chegando de volta à El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina


Um dos novos bairros de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

Um dos novos bairros de El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina


A fonte de todas essas geleiras e de toda essa água que irriga dois oceanos é o Campo de Gelo Sul, o segundo mais extenso do mundo fora das regiões polares, atrás apenas de uma enorme capa de gelo na fronteira dos estados canadenses do Yukon e Columbia Britânica e do estado americano do Alaska. Mas essa se encontra em uma latitude muito maior que o Campo de Gelo Sul e até quase poderia ser considerada em zona polar também. Com mais de 12 mil km2 e 350 km de extensão sul-norte, o Campo de Gelo Sul tem 80% da sua área em terras chilenas e o restante dentro das fronteiras argentinas.

A estrada que chega à El Chaltén e ao Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

A estrada que chega à El Chaltén e ao Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina


O famoso Cerro Fitz Roy, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina

O famoso Cerro Fitz Roy, no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, na patagônia argentina


Junto com seu irmão menor, o Campo de Gelo Norte, todo em terras chilenas, essas enormes capas de gelo são o que restou (cerca de 4%) do gigantesco lençol de gelo que cobria todo o sul do Chile e parte da patagônia argentina durante a última era glacial, 15 mil anos atrás. Hoje, formam um dos maiores reservatórios de água doce do mundo e, assim como capas de gelo em todo o planeta, estão sendo fortemente afetados pelas mudanças climáticas, derretendo a níveis alarmantes. Curiosamente, alguns dos glaciares que nascem nesses campos de gelo estão aumentando de tamanho, mas a maioria deles segue a tendência mundial e diminuem de ano a ano. Atualmente, quase todo o seu entorno é protegido por parques nacionais que protegem algumas das áreas consideradas as mais belas do planeta. No lado argentino, a leste, o Parque Nacional Los Glaciares. No lado chileno, ao sul, o Parque Nacional Torres del Paine e a oeste, o Bernardo O’Higgins.

Imagem do Google mostra os campos de gelo sul e norte, remanescentes da última era glacial

Imagem do Google mostra os campos de gelo sul e norte, remanescentes da última era glacial


Imagem da NASA mostra o Campo de Gelo Sul, entre Chile e Argentina, a segunda maior extensão de gelo no mundo fora das regiões polares. Diversos parques nacionais nos dois países protegem essa área

Imagem da NASA mostra o Campo de Gelo Sul, entre Chile e Argentina, a segunda maior extensão de gelo no mundo fora das regiões polares. Diversos parques nacionais nos dois países protegem essa área


Essa é a área que começamos a explorar hoje, não só o Los Glaciares aqui na Argentina, mas também o Torres del Paine, no Chile, em poucos dias, e o Bernardo O’Higgins em poucas semanas. Enfim, é uma temporada que promete muitas imagens e histórias e sonhávamos em chegar nessa região desde que iniciamos nossos 1000dias. Finalmente, essa hora chegou! Nos inúmeros posts que se seguirão, certamente terei mais chance de falar dessas montanhas, glaciares e parques, sua história, geografia e futuro incerto. Vamos que vamos!

Depois de caminhada, lanche com cerveja no sol de fim de tarde em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

Depois de caminhada, lanche com cerveja no sol de fim de tarde em El Chaltén, ao lado do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina

Argentina, El Chaltén, Fitz Roy, geleira, geografia, Parque, Parque Nacional Los Glaciares, Patagônia

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Chegando à Groelândia

Groelândia, Nuuk

Pronta para viajar para a Groelândia!

Pronta para viajar para a Groelândia!


Ao contrário do que muita gente pensa, a data de descoberta do nosso continente americano é matéria bem controversa. Antes de Colombo, que chegou ao Caribe em 1492, muitos outros exploradores e colonizadores já haviam estado por aqui. Mesmo os antecessores dos nossos atuais índios, quando aqui chegaram há uns 17 mil anos, aparentemente já encontraram um continente ocupado há muito mais tempo, embora não haja provas definitivas sobre isso. Aliás, o destino desse misterioso povo que habitava as Américas nesses tempos remotos é completamente obscuro.

Mapa da costa oeste da Groelândia, onde estão a capital Nuuk e Ilulissat, mais ao norte, nossos destinos no país

Mapa da costa oeste da Groelândia, onde estão a capital Nuuk e Ilulissat, mais ao norte, nossos destinos no país


Em tempos modernos, o primeiro europeu a chegar à América continental, quase 500 anos antes de Colombo, foi o viking Leif Erikson. Só que a América tem também suas ilhas. E se consideramos que Colombo chegou à América em 1492, e nesse ano ele só chegou até as ilhas do Caribe, e não ao continente, então temos de considerar que o primeiro europeu a chegar na América foi aquele que chegou à Groelândia, que também é uma ilha americana, embora com um clima menos “ameno” que as ilhas caribenhas.

Vista aérea das gigantescas geleiras que cobrem o país, no voo entre Nuuk e Ilulissat, na Groelândia

Vista aérea das gigantescas geleiras que cobrem o país, no voo entre Nuuk e Ilulissat, na Groelândia


E o primeiro europeu a ir morar na Groelândia foi justamente o pai de Leif Erikson, conhecido como “Erik, o Vermelho”, no ano de 983. Mas não foi ele que descobriu a ilha não. A Groelândia já era conhecida há quase um século. Aparentemente, seu descobridor foi um tal de Gunnbjorn Ulfson. Esse sim é o verdadeiro Cristóvão Colombo. Mas ele não achou muita graça nessa ilha congelada e logo voltou para casa.

Sobrevoando a pequena Nuuk, capital da Groelândia

Sobrevoando a pequena Nuuk, capital da Groelândia


Foi mesmo o ruivíssimo Erik o primeiro colonizador da ilha. Olha só como eram esses vikings: o pai de Erik já havia sido exilado da Noruega por ter cometido um punhado de assassinatos por lá. Mesmo para padrões vikings, ele era meio violento. Foi morar na Islândia. Ali, quem arrumou confusão, para manter a tradição da família, foi o filho Erik, o Vermelho. Depois de alguns assassinatos, também foi exilado da Islândia. Com a barra da família meio suja na Noruega e Dinamarca, resolveu navegar para o outro lado e acabou chegando na Groelândia.

Chegando no aeroporto de Nuuk, a capital da Groelândia

Chegando no aeroporto de Nuuk, a capital da Groelândia


Acabou passando três anos por lá e, quando o seu período de exílio acabou, voltou para a Islândia para levar mais gente para a Groelândia. Como convencer as pessoas a mudar de ilha? Uma boa publicidade! Erik batizou a sua ilha de “Greenland”, ou “ilha verde”. O marketing deve ter feito sucesso na gelada Islândia e logo uma grande migração se formou em direção à nova terra prometida.

Passeando em dia nublado e gelado em Nuuk, capital da Groelândia

Passeando em dia nublado e gelado em Nuuk, capital da Groelândia


O fato é que, naqueles tempos, o mundo vivia um período mais quente e a Groelândia era sim, mas verde do que hoje. Pero no mucho! Os vikings, ou “norseman” (vikings convertidos ao cristianismo), conseguiram se estabelecer nas únicas terras "ligeiramente" verdes da ilha gigantesca, que ficam na costa sudoeste da Groelândia. Aí fundaram três vilas que chegaram a ter, juntas, cerca de 5 mil habitantes. Essa colônia prosperou por quase 400 anos e depois, sumiu misteriosamente. É uma história para outro post...

A mais bela igreja de Nuuk, capital da Groelândia

A mais bela igreja de Nuuk, capital da Groelândia


Uma dessas vilas ficava próxima de onde hoje está a capital do país, Nuuk, considerada a menor capital do mundo. São cerca de 15 mil habitantes, quase um terço da população do país. Aqui chegamos ontem de noite. “Noite” é só jeito de falar, porque nessa época do ano, já quase não fica escuro por aqui. Eram 22:00 quando chegamos ao aeroporto e, de lá, de táxi, para o nosso hotel, e parecia que estávamos no final de tarde.

Arte nas ruas de Nuuk, capital da Groelândia

Arte nas ruas de Nuuk, capital da Groelândia


Quando chegamos à Islândia, ontem de manhã, percebemos que era um lugar bem “diferente”. Mesmo assim, ainda parecia no planeta Terra. Já a Groelândia... essa sim parece outro mundo. Do avião, só se vê o branco até o horizonte. Nuuk é um amontoado de casinhas coloridas no meio de uma vasto lençol branco, parte terra, parte mar. Como é tudo da mesma cor (ou sem cor!), muitas vezes, é difícil distinguir terra firme de mar congelado.

O moderno cinema de Nuuk, capital da Groelândia

O moderno cinema de Nuuk, capital da Groelândia


Tentamos dormir naquele ambiente pouco escuro e, hoje cedo, enfrentamos o frio de 0 graus e o tempo chuvoso para dar uma rápida volta pela cidade. Não tínhamos muito tempo para isso, pois o avião para Ilulissat saía logo depois do almoço. Daqui a alguns dias, voltaremos para passar um dia inteiro por aqui e, aí sim, ver direito a capital do país.

Bandeiras da Groelândia e da Dinamarca tremulam em Nuuk, capital da Groelândia

Bandeiras da Groelândia e da Dinamarca tremulam em Nuuk, capital da Groelândia


Caminhamos entre nuvens e até um pouco de neve, congelamos nossas mãos ao vento, cruzamos o centro da cidade carregando nossas mochilas e observamos os groenlandeses aproveitarem um “ameno” dia de primavera. Tiramos algumas fotos da bela igreja e da arquitetura da cidade e seguimos para o aeroporto de táxi, uma das maiores estradas do país, com cerca de 5 km. Mais do que isso, só de helicóptero, hehehe! Agora, rumo ao Círculo Polar Ártico!

O avião que nos levou de Nuuk para Ilulissat, cidade ao norte do Cículo Polar Ártico, na Groelândia

O avião que nos levou de Nuuk para Ilulissat, cidade ao norte do Cículo Polar Ártico, na Groelândia

Groelândia, Nuuk, história

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Já Estamos com a Fiona!

Colômbia, Cartagena

Com os suiços Marco e Tina, logo após recuperarmos os carros no porto em Cartagena, na Colômbia

Com os suiços Marco e Tina, logo após recuperarmos os carros no porto em Cartagena, na Colômbia


Minha atividade principal nesses dias em Cartagena foi correr atrás dos papéis e fazer os pagamentos necessários para liberar a nossa pobre Fiona das entranhas do porto Contecar, o principal da cidade. O que me animava era que essa era a última vez que teria de passar por isso, afinal, daqui para frente, não há mais o “Tapón de Darién” no caminho das nossas estradas. Quando muito, tem o Amazonas, mas perto da impenetrável selva entre Panamá e Colômbia, o maior rio do mundo é um “pedaço de bolo”, como diriam os americanos.

Muitos dos passos para se conseguir a liberação dos carros eu fiz sozinho, já que era apenas um contêiner para os dois automóveis e apenas uma pessoa era necessária no porto. Como o meu espanhol é melhor que o do Marco, nada mais lógico que fosse eu o escolhido a passar a tarde por ali. Já as meninas, podiam aproveitar melhor o seu tempo do que fazer um tour por repartições, companhias de seguro e portos de Cartagena, onde a sua presença não era necessária.

Abrindo o contêiner da Fiona, no porto de Cartagena, na Colômbia

Abrindo o contêiner da Fiona, no porto de Cartagena, na Colômbia


Bom, como vocês já sabem, nós tínhamos colocado os carros no contêiner na segunda-feira passada, dia 13, lá no Panamá. O contêiner foi carregado no navio no sábado e este zarpou de Colón no Domingo, chegando à Cartagena na segunda de noite, dia 20, enquanto eu e a Ana dormíamos lá na Playa Blanca. Na terça o contêiner foi descarregado e seu número “entrou” nos computadores e sistemas daqui da Colômbia. Era o sinal de partida para que pudéssemos iniciar o processo de desembaraço.

A Fiona em seu contêiner, já em Cartagena, na Colômbia

A Fiona em seu contêiner, já em Cartagena, na Colômbia


Na quarta cedo, fui com o Marco na companhia que fez o transporte. Lá, o responsável nos deu uma ideia um pouco mais precisa de tudo o que teríamos de fazer e também a primeira conta para pagar, ali mesmo. Em seguida, corremos para a administração dos portos, ali do lado, para começar a preparar a papelada portuária. Ali também o responsável nos falou dos passos a serem seguidos. Juntando com as informações anteriores, somando e subtraindo, tentando eliminar as contradições, achamos que, agora sim, tínhamos o caminho das pedras.

Retirando o carro do casal suiço do contêiner, ainda no porto de Cartagena, na Colômbia

Retirando o carro do casal suiço do contêiner, ainda no porto de Cartagena, na Colômbia


Aí na administração, ganhamos novas contas para pagar. Mas essas, só no banco. E banco aberto na hora do almoço, só no centro da cidade. Também a DIAN, a aduana colombiana, ali nas imediações e onde teríamos de ir para fazer os papeis de importação temporária dos veículos, estaria fechada nesse horário. Restou-nos voltar ao centro de Cartagena.

Fiona toca suas rodas na América do Sul novamente! (no porto de Cartagena, na Colômbia)

Fiona toca suas rodas na América do Sul novamente! (no porto de Cartagena, na Colômbia)


Lá, aproveitamos para fazer meu seguro de vida para poder entrar no porto da Contecar. Como o Marco não precisaria ir, foi só para mim, Mas como fizemos o seguro de tarde, ele só estaria pronto na manhã seguinte, o que significava que eu só poderia acompanhar a retirada dos carros de dentro do contêiner na quinta de tarde.

Já desembarcada, a Fiona terá de esperar mais um doa no porto de Cartagena, na Colômbia

Já desembarcada, a Fiona terá de esperar mais um doa no porto de Cartagena, na Colômbia


Enfim, compramos o seguro, pagamos as contas do porto em um banco e voltamos correndo para onde tínhamos estado pela manhã. Aí, nos dividimos: o Marco foi à companhia transportadora para pegar uns documentos que eles só nos dariam após termos passado pela administração e eu fui à administração para entregar as contas pagas e marcar minha ida ao porto Contecar. O Marco veio me encontrar com os papéis necessários e, depois de muita enrolação, conseguimos agendar minha ida ao porto para quinta, às 14:30. Terminado isso, já no segundo tempo da prorrogação, corremos para a DIAN, antes que fechassem o turno da tarde e conseguimos agendar com um fiscal para que ele estivesse presente no porto na quinta, para fazer a papelada dos carros.

Com os suiços Marco e Tina, logo após recuperarmos os carros no porto em Cartagena, na Colômbia

Com os suiços Marco e Tina, logo após recuperarmos os carros no porto em Cartagena, na Colômbia


Ufff... terminado esse dia, vamos ao dia seguinte. Fui ao porto Contecar e, depois de passar por toda a burocracia para entrar em seus domínios, fui acompanhar a retirada dos carros do contêiner. Que ótimo foi vê-los sair de lá inteirinhos! A Fiona já achava que sairia do porto, toda animada. Doce ilusão... Primeiro, depois de todo o processo de abrir o contêiner, desamarrar os carros e tirá-los de lá, esperamos uns 40 minutos até o fiscal aparecer. Por fim, ele veio e recolheu os dados que necessitava. A documentação estaria pronta lá na DIAN, na sexta de manhã. Já os carros, apenas os levamos para o estacionamento interno do porto. Deixei a Fiona lá, que parecia não entender nada. Mais ou menos como quando vamos visitar o nosso cachorro que está passando uma temporada no canil ou no hospital. Quando nos vê, ele fica crente que vai para casa. Quando vamos embora e ele continua lá, podemos ver a tristeza em seus olhos...

Reencontro com o Marco e a Tina na estrada entre Cartagena, e Santa Marta, na Colômbia

Reencontro com o Marco e a Tina na estrada entre Cartagena, e Santa Marta, na Colômbia


Bom, ainda tinha a sexta-feira. Bem cedo, fui com o Marco na DIAN e conseguimos os papéis dos carros, as autorizações de importação temporária. Com eles em mãos e com o relatório do porto que o contêiner já estava vazio, fomos á companhia transportadora, pagamos uma última conta e, finalmente, pegamos o original do Bill of Lading, documento essencial para tirar os carros do porto. Com mais esse papel, fomos à administração, pagamos as últimas contas por lá e marcamos a hora de retirada dos carros: sexta de tarde!

Reencontro com o Marco e a Tina na estrada entre Cartagena, e Santa Marta, na Colômbia

Reencontro com o Marco e a Tina na estrada entre Cartagena, e Santa Marta, na Colômbia


Agora, acompanhado das meninas e já com nossas bagagens, fomos ao porto depois do almoço. Elas ficaram do lado de fora enquanto eu entrei com o Marco. Quase duas horas de burocracia lá dentro e, aleluia, retiramos os carros! A América do Sul era nossa!!! O Marco e a Tina já partiram imediatamente de viagem. Eu e a Ana ainda voltamos ao hostal, onde tínhamos esquecido uma sacola de frutas e comida. Duas horas mais tarde, finalzinho da tarde, eis que cruzamos nossos amigos na estrada! É um continente pequeno, hehehe. Principalmente quando as duas expedições seguem para o mesmo lado: o Parque Nacional Tayrona e, mais tarde, a Península Lá Guajira. Depois de tanto tempo juntos no contêiner, Fiona e Boudi (o nome do carro deles) trocaram mais um sorriso. Já são velhos amigos...

Colômbia, Cartagena, burocracia

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Aqui Começou a América Latina

República Dominicana, Santo Domingo

A charmosa arquitetura da Zona Colonial, centro histórico de Santo Domingo, capital da República Dominicana

A charmosa arquitetura da Zona Colonial, centro histórico de Santo Domingo, capital da República Dominicana


Até hoje não se sabe ao certo à qual terra se referiam quando foi ouvido o grito de “Terra à vista!!!” na nau de Colombo, no ano de 1492. Uma das pequenas ilhas do leste do Caribe. Dias mais tarde, os espanhóis chegaram a uma ilha maior, a atual Hispaniola, no que é hoje a costa norte do Haiti. Aí fundaram o povoado de La Navidad, que não vingou. No ano seguinte Colombo estava de volta e tentou novamente, agora um pouco mais à leste, já no território atual da República Dominicana. La Isabela também não vingou. Em 1496 os espanhóis tentaram uma terceira vez, dessa vez na costa sul da ilha, ao lado do rio Ozama. Era a cidade de Nueva Isabela, destruída pouco tempo depois por um furacão. Os espanhóis simplesmente mudaram a cidade para o outro lado do rio e chamaram-na Santo Domingo. Agora sim, a mais antiga cidade europeia nas Américas, futura capital da República Dominicana e onde chegamos ontem, vindos do Panamá, 517 anos após sua fundação.

Fortaleza Ozama, responsável pela defesa de Santo Domingo, capital da República Dominicana

Fortaleza Ozama, responsável pela defesa de Santo Domingo, capital da República Dominicana


Santo Domingo foi a primeira capital da américa espanhola. Daqui partiram as expedições para conquista e colonização de Cuba, Porto Rico, México e até para se descobrir o Oceano Pacífico, do outro lado do istmo do Panamá. Também na cidade se encontram o primeiro hospital, a primeira igreja, a primeira fortaleza e a primeira rua pavimentada do Novo Mundo. Basicamente, a América na forma que conhecemos hoje começou aqui!

Fortaleza Ozama, responsável pela defesa de Santo Domingo, capital da República Dominicana

Fortaleza Ozama, responsável pela defesa de Santo Domingo, capital da República Dominicana


Quem chegou a morar na cidade por algum tempo, enquanto ainda era vivo e também depois de morto há quase 500 anos, foi Cristóvão Colombo. Aliás, o primeiro “nepotismo” das américas também se deu por aqui, pois o papai Cristóvão tratou de empregar seu filho e família. A casa dos Colombos é um dos prédios mais belos para ser visitado na cidade, hoje transformado em museu.

Grupo de estudantes prepara-se para visitar a mais antiga catedral das Américas, em Santo Domingo, capital da República Dominicana

Grupo de estudantes prepara-se para visitar a mais antiga catedral das Américas, em Santo Domingo, capital da República Dominicana


Outra visita importante são as diversas igrejas da cidade, principalmente a Catedral Primada da América, a primeira desse lado do mundo. Construída ao longo de gerações por diversos arquitetos, ela é como um quebra-cabeça arquitetônico, cada parte representando uma época. Assim como a casa dos Colombos e a primeira fortaleza do continente, estão todas na área conhecida como Zona Colonial. Como o próprio nome nos faz intuir, é a parte mais antiga da cidade e aí estão localizados numerosos hotéis. Foi onde escolhemos ficar e toda a área pode ser conhecida a pé mesmo. Cheio de ruas charmosas, outras já bem acabadinhas, numa espécie de “décadence avec élégance”. Muito me lembrou do centro de Havana. Qualquer semelhança não é pura coincidência, já que ambas tem idades parecidas e construtores que vieram da mesma escola...

Catedral Primada de America, a primeira do novo continente, em Santo Domingo, capital da República Dominicana

Catedral Primada de America, a primeira do novo continente, em Santo Domingo, capital da República Dominicana


Aliás, após o inicio glorioso, o centro do poder colonial espanhol foi se deslocando para o oeste, primeiro para Havana e depois para o México. A ilha onde chegou Colombo virou uma colônia de 2ª linha e os colonizadores que insistiram em ficar por aqui lutavam para sobreviver, não estando muito melhores do que os próprios negros trazidos como escravos. Essa menor diferença social facilitou a miscigenação das raças, mais do que em qualquer outro lugar da América espanhola.

Interior da Catedral Primada de America, a mais antiga do continente, em Santo Domingo, capital da República Dominicana

Interior da Catedral Primada de America, a mais antiga do continente, em Santo Domingo, capital da República Dominicana


Interior da Catedral Primada de America, a mais antiga do continente, em Santo Domingo, capital da República Dominicana

Interior da Catedral Primada de America, a mais antiga do continente, em Santo Domingo, capital da República Dominicana


A independência foi um processo complicado. Assim que se livraram dos espanhóis, em 1821, foram ocupados pelos vizinhos haitianos, de quem só se livraram 23 anos mais tarde. A chamada “Primeira República” durou apenas 17 anos, entre 1844 e 1861 e teve um número semelhante de golpes ou tentativas de golpes de estado. Sina latino-americana. A república terminou com uma inédita volta aos tempos coloniais, a Espanha reassumindo o controle de sua antiga possessão. Isso só foi possível porque a nossa potência continental, os Estados Unidos, já se encontravam em Guerra Civil, a famosa doutrina Monroe (“América para americanos!”) esquecida temporariamente. Aliás, foi nessa mesma época que a França interviu no México, todos se aproveitando da fraqueza “estadounidense”.

Iglesia de las Mercedes, em Santo Domingo, capital da República Dominicana

Iglesia de las Mercedes, em Santo Domingo, capital da República Dominicana


Isso não durou para sempre. O norte venceu o sul, os escravos ganharam sua liberdade, espanhóis deixaram a República Dominicana e franceses deixaram o México. Os americanos passaram a procurar um lugar para onde enviar seus antigos escravos. Entre as opções, o nosso Brasil, a Libéria, na África, e a República Dominicana. Por um bom tempo discutiu-se seriamente a anexação do jovem e conturbado país pelos Estados Unidos, mas o senado americano acabou rejeitando a ideia.

Rua da Zona Colonial, centro histórico de Santo Domingo, capital da República Dominicana

Rua da Zona Colonial, centro histórico de Santo Domingo, capital da República Dominicana


Nova sequência interminável de golpes de estado e governos corruptos e ineficientes levaram o país à bancarrota, os maiores credores países europeus furiosos com o calote. Eles estavam a ponto de invadir o país para forçar o pagamento das dívidas, no início do século XX quando os Estados Unidos (agora sim, exercendo a doutrina Monroe), assumiram esses débitos e transformaram o país em um protetorado, tratando de recuperar seu “investimento”. Quando as coisas se complicaram novamente, os marines ocuparam a República Dominicana, já em plena 1ª Guerra Mundial. Nos oito anos que lá estiveram, os americanos tentaram mudar o país, desmantelando as diversas milícias que existiam e criando uma polícia nacional. Também construíram estradas e expandiram o sistema de educação, mas foi mesmo a criação da polícia nacional a mudança que traria as consequências mais profundas.

Uma convidativa mesa em jardim de Santo Domingo, capital da República Dominicana

Uma convidativa mesa em jardim de Santo Domingo, capital da República Dominicana


Isso porque, pouco depois de se retirarem do país, foi exatamente das forças polícias que apareceu Rafael Trujillo, o ditador que comandaria a ilha com mãos de ferro por quase 40 anos. Se, por um lado, a estabilidade política trouxe certo desenvolvimento à Rep. Dominicana, por outro, foram dezenas de milhares de pessoas que morreram nas mãos de soldados comandados por um homem que , entre outras coisas, mudou o nome de avenidas, escolas, montanhas e até da capital para o seu próprio nome, numa escancarada forma de auto-promoção. Pois é, Santo Domingo passou a chamar-se Ciudad Trujillo, assim como o Pico Duarte (herói da independência contra os haitianos), o mais alto do Caribe, tornou-se o Pico Trujillo.

A charmosa arquitetura da Zona Colonial, centro histórico de Santo Domingo, capital da República Dominicana

A charmosa arquitetura da Zona Colonial, centro histórico de Santo Domingo, capital da República Dominicana


O ditador foi finalmente assassinado em uma ação cinematográfica, em 1961. A instabilidade que se seguiu resultou em nova ocupação americana, em 1965. Um ano mais tarde, os marines foram substituídos por tropas da OEA (a Organização dos Estados Americanos) e o maior contingente era brasileiro, com mais de 1000 soldados! Desde então, aos poucos, o país foi se estabilizando e democratizando-se. Na verdade, até a década de 90, as eleições eram sempre manchadas por fraudes ou violência mas, ao menos nominalmente, o país vivia numa democracia. Nos últimos 20 anos, aparentemente, a constituição e as leis têm sido respeitadas. Na economia, com um massivo investimento em turismo, o país passou a ser a maior potência caribenha, atraindo dezenas de milhares de pessoas do mundo inteiro todos os anos, muitos brasileiros entre eles.

Carruagem nas ruas da Zona Colonial, em Santo Domingo, capital da República Dominicana

Carruagem nas ruas da Zona Colonial, em Santo Domingo, capital da República Dominicana


Esses dois dias na capital Santo Domingo começaram a nos dar uma ideia desse país. Mas antes de continuarmos nossas explorações por aqui, vamos para o vizinho com uma história ainda mais turbulenta e penosa, o Haiti. Compramos nossas passagens de ônibus e seguimos para lá amanhã cedo, numa viagem que promete demorar perto de 8 horas, algumas delas passadas na fronteira. Os dominicanos com quem conversamos não entendem o que vamos fazer por lá. Recomendam muito cuidado. Bom, nossa curiosidade e vontade de conhecer o Haiti é muito maior do que qualquer temor. A experiência, vocês acompanham depois do próximo post, pois ainda tenho de falar de um mergulho muito especial que fizemos aqui mesmo, na periferia de Santo Domingo.

Marcação de rua na Zona Colonial, bairro histórico de Santo Domingo, capital da República Dominicana

Marcação de rua na Zona Colonial, bairro histórico de Santo Domingo, capital da República Dominicana

República Dominicana, Santo Domingo, história

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Andando de Lado

Panamá, Cidade do Panamá, Boquete


(A) Cartagena, (B) Cidade do Panamá e (C) Boquete estão praticamente na mesma latitude

Ontem, dia 29, foi tranquilo e chuvoso. Depois de acordar meio tarde e tomar gostoso café da manhã no nosso Bed & Breakfast São Roque, achamos melhor adiar por um dia nossa partida da Cidade do Panamá. Tínhamos esperanças de encontrar um lugar para limpar/consertar nossa Nikon, que está com o foco meio capenga, e receber o nosso guia esquecido em Colón de volta, já que nossos amigos argentinos o recuperaram na farmácia. Além disso, aproveitando a chuva, foi uma tentação trabalhar um pouco no hotel, pegar um cineminha ali por perto e dar uma olhada nas lojas de eletrônicos.

A 'Revolution Tower', um dos marcos arquitetônicos da Cidade do Panamá, capital do país

A "Revolution Tower", um dos marcos arquitetônicos da Cidade do Panamá, capital do país


Infelizmente, o técnico da única autorizada Nikon do país está em curso. Mas conseguimos os endereços da duas próximas no nosso "caminho": uma em El Salvador e a outra na Guatemala. Enquanto isso, vamos de foco manual mesmo e também de Sony, que acaba de ressuscitar. Quanto ao livro-guia, só chegaria hoje, dia 30, pela tarde. Mas conhecemos um costarriquenho no nosso hotel que se prontificou a levá-lo no sábado. Assim, o reencontro será mesmo em San José.

Maré baixa no Porto de Balboa, Oceano Pacífico, no Panamá

Maré baixa no Porto de Balboa, Oceano Pacífico, no Panamá


Na caminhada para o centro comercial do cinema e lojas de eletrônicos, passamos mais uma vez perto da imponente Revolution Tower, marco arquitetônico da cidade. Dessa vez, armados da Nikon de foco manual, pudemos enfim fotografá-la. Nas tais lojas, não achamos nada barato o suficiente para nos animarmos a comprar. Celular e lentes para a câmera, acho que terão de esperar até os EUA mesmo. Quanto ao cinema, um gostoso filme de ação com uma mulher que mata e arrebenta com os homens. "A Colombiana", acho que é o nome em português.

Estamos mesmo na América central!!! (apesar da placa, ainda estamos no Panamá)

Estamos mesmo na América central!!! (apesar da placa, ainda estamos no Panamá)


Bom, hoje foi o dia de seguir em frente. Em frente não, ao lado. Desde que saímos de Cartagena, estamos indo para o oeste e não para o norte. Na verdade, estamos até mais ao sul do que estávamos na Colômbia. Na viagem de hoje, de mais de 450 km, entre a Cidade do Panamá e a pequena Boquete, só andamos em direção ao sol poente.

A famosa Ponte das Américas, sobre o Canal do Panamá

A famosa Ponte das Américas, sobre o Canal do Panamá


No caminho, logo na saída da capital, passamos sobre o Canal do Panamá. Foi na Ponte das Américas, uma das duas únicas pontes que ligam a parte sul da América com a parte norte. Depois, fomos seguindo pela nossa velha conhecida, a rodovia Panamericana, que vai nos levar até o Alaska, com alguns "pequenos" desvios, claro. Para minha surpresa, duplicada até metade do caminho! Na cidade de David, no primeiro dos "desvios" mencionados acima, saímos à direita, para subir as montanhas, passar perto do maior vulcão do país e chegar à pequena Boquete. Pois é, tem esse nome mesmo, hehehe. Amanhã ou depois, escrevo mais sobre isso. Hoje, chegamos aqui já bem de tarde. Um imenso e magnífico arcoíris nos mostrou o caminho.

O gigantesco arcoíris marca exatamente aonde está a cidade de Boquete, no Panamá

O gigantesco arcoíris marca exatamente aonde está a cidade de Boquete, no Panamá


Na estrada, apenas um incidente, ainda na parte duplicada. Felizmente, tudo resolvido com uma boa conversa e uma "soda gelada". Tudo porque eu estava a 94 km/h. Nosso batismo na América Central.

Fiona tem 'problemas' na estrada, perto de Santiago, no Panamá

Fiona tem "problemas" na estrada, perto de Santiago, no Panamá

Panamá, Cidade do Panamá, Boquete,

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Nossa Última Fronteira

Brasil, Santa Catarina, Joinville, Paraná, Guaratuba

Deixando Santa catarina e voltando definitivamente ao Paraná. A última fronteira da expedição 1000dias

Deixando Santa catarina e voltando definitivamente ao Paraná. A última fronteira da expedição 1000dias


Hoje, dia 1º de Abril, dia da Mentira, atravessamos a última fronteira dos 1000dias. Pois é, parece mesmo mentira que está tudo acabando. Depois de 1.400 dias fora de casa, de dezenas de países percorridos de carro, de cruzarmos a América de ponta a ponta, de quase 180 mil km de estradas, caminhos e trilhas, estamos chegando ao ponto de partida. Curitiba é logo ali, a menos de uma hora de carro, quase já dá para ver a cidade, embora ainda vamos passar alguns dias aqui na planície litorânea do estado.

Despedida da tia Walkiria, que nos recebeu tão bem em Joinville, Santa Catarina

Despedida da tia Walkiria, que nos recebeu tão bem em Joinville, Santa Catarina


Despedida de Santa Catarina, de Joinville, da tia Wal e dos primos Luis Felipe e Vitoria. Rumo ao Paraná e ao fim dos 1000dias

Despedida de Santa Catarina, de Joinville, da tia Wal e dos primos Luis Felipe e Vitoria. Rumo ao Paraná e ao fim dos 1000dias


Pois é, chegamos ao estado do Paraná. Essa foi a última fronteira a que me referi, Santa Catarina ficando para trás. Não é uma fronteira internacional, claro! Desse tipo, a última que cruzamos foi lá no Chuí, vindos do Uruguai e entrando no Rio Grande do Sul no dia 24 de Fevereiro, há exatos 36 dias (ver post aqui). Também foi um momento emocionante. De volta ao país, a última das mais de 120 fronteiras internacionais que passamos durante a viagem, 59 delas a bordo da nossa Fiona.

Nossa última fronteira nesses 1000dias, na viagem entre Joinville (SC) e Guaratuba (PR)

Nossa última fronteira nesses 1000dias, na viagem entre Joinville (SC) e Guaratuba (PR)


Voltando ao Paraná nos últimos dias de nossa volta pelas Américas

Voltando ao Paraná nos últimos dias de nossa volta pelas Américas


Mas hoje, dia da mentira, foi a vez de mais uma fronteira estadual. Depois de tantas fronteiras internacionais, uma fronteira estadual não parece grande coisa. Pode ser... Mas para um país com dimensões continentais como o Brasil, viagens interestaduais também têm o seu valor. Nossos estados são maiores do que a maioria dos outros países americanos que visitamos, principalmente as ilhas caribenhas e as pequenas nações da América Central. Estados como o Pará e a Amazonas só são menores, na nossa América do Sul, que a Argentina.

Divisa de estado entre Pernambuco e Alagoas, chegando em Maragogi

Divisa de estado entre Pernambuco e Alagoas, chegando em Maragogi


Divisa entre Pernambuco e Ceará, na Chapada do Araripe

Divisa entre Pernambuco e Ceará, na Chapada do Araripe


Chegamos longe! Fronteira de Pernambuco e Piauí

Chegamos longe! Fronteira de Pernambuco e Piauí


Quando eu era pequeno e viajava de carro com a minha família, saíamos lá de Belo Horizonte e era preciso quase cinco longas horas de estrada para chegarmos ao estado vizinho, São Paulo, Rio ou Espírito Santo. Era uma verdadeira jornada! Passar por mais de dois estados na mesma viagem, então, era um feito! É claro que estou falando de viagens de carro e não de avião. Lá de cima, fica tudo pequenino mesmo, voamos sobre as fronteiras e nem as percebemos. O choque está só no aeroporto de chegada. Mas de carro, a cada vez que nos aproximamos de alguma fronteira e lá está a placa anunciando um novo estado, pelo menos para mim, sempre foi uma emoção.

Fronteira Minas-São Paulo em estrada de terra

Fronteira Minas-São Paulo em estrada de terra


Chegamos na divisa Bahia-Sergipe!

Chegamos na divisa Bahia-Sergipe!


rio Guaju, na fronteira entre Rio Grande do Norte e Paraíba

rio Guaju, na fronteira entre Rio Grande do Norte e Paraíba


A diferença com as fronteiras internacionais é que não há papelada e burocracia no caminho. Apenas uma placa para anunciar a novidade. É muito mais ágil. Além disso, claro, é a mesma língua falada dos dois lados da linha imaginária. Por isso, não resta dúvida, cruzar uma fronteira internacional de carro é muito mais marcante. Mas as fronteiras estaduais também são um importante ponto de referência e nos indicam, deixam claro, o quanto já andamos e o quanto estamos longe de casa.

Entrando no estado do Acre

Entrando no estado do Acre


Chegando á fronteira de Rondônia e Mato Grosso, o penúltimo estado que ainda não havíamos visitado

Chegando á fronteira de Rondônia e Mato Grosso, o penúltimo estado que ainda não havíamos visitado


Depois de nos despedir de nossos queridos anfitriões em Joinville, a tia Wal e seus filhos Luís Felipe e Vitória, nós pegamos logo a estrada para o Paraná. Mas ao invés de seguirmos pela rodovia principal, a BR-376 que subiria e Serra do Mar e nos levaria diretamente a Curitiba, optamos pela pequena estrada de Garuva, que segue pelo litoral e nos leva para Guaratuba, o mais movimentado balneário paranaense. Menos de meia hora de strada e chegamos na temida fronteira, essa tal que está merecendo um post especial. Mas o post não é só para ela não. É também para as outras 74 fronteiras estaduais que passamos aqui no Brasil, lá do Acre e do Amapá até o Rio Grande, do Mato Grosso à Paraíba. Apesar de serem “apenas” 27 estados, nessas nossas idas e vindas, “vais e voltas”, ziguezague país afora, o número de fronteiras acabou sendo bem maior.

Chegando ao Maranhão!

Chegando ao Maranhão!


Placa receptiva na fronteira do Espírito Santo

Placa receptiva na fronteira do Espírito Santo


Com essa derradeira de hoje, foram 75, das quais, 71 com a Fiona. Quais foram as outras quatro? Bom, para quem não se lembra, logo no início da nossa viagem, na nossa primeira fronteira estadual dos 1000dias, nós nadamos entre o Paraná e São Paulo, mais especificamente entre a Barra do Ararapira e a Ilha do Cardoso, ida e volta (post aqui). Foi em 30 de Março de 2010, 4 anos atrás! A outra vez foi caminhando, entre o Espírito Santo e a Bahia, lá em Itaúnas, indo e voltando para Riacho Doce (post aqui). As outras todas foram com a Fiona mesmo, seja numa estrada, seja numa balsa.

Fronteira entre Maranhão e Pará. Estamos longe!

Fronteira entre Maranhão e Pará. Estamos longe!


Chegando ao Rio Grande do Sul, nosso 23o estado nesta viagem

Chegando ao Rio Grande do Sul, nosso 23o estado nesta viagem


Chegando ao Mato Grosso do Sul, o último estado que nos faltava conhecer nesses 1000dias pela América e Brasil

Chegando ao Mato Grosso do Sul, o último estado que nos faltava conhecer nesses 1000dias pela América e Brasil


As fotos desse post, com exceção das primeiras, são a nossa lembrança desses momentos especiais explorando todos os cantos e confins do nosso gigantesco e maravilhoso país. Rever essas fotos e ler essas placas nos faz viajar e nos emocionar novamente. Ainda mais agora que estamos tão pertos do fim...

Sorria, você está na Bahia! (fronteira de Itaúnas - ES com Bahia)

Sorria, você está na Bahia! (fronteira de Itaúnas - ES com Bahia)

Brasil, Santa Catarina, Joinville, Paraná, Guaratuba, fronteira

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De Volta às Minas Gerais

Brasil, São Paulo, Ribeirão Preto, Minas Gerais, Delfinópolis (P.N. Serra da Canastra)

Pôr-do-sol em Delfinópolis - MG

Pôr-do-sol em Delfinópolis - MG


Nossa intenção ao dormir em Ribeirão ontem era sair cedo hoje, rumo à Delfinópolis. Adivinha se deu certo? Tomamos aquele café da manhã gostoso junto com meus pais, mexemos um pouco na internet, arrumamos a Fiona, cortamos a lona que compramos em Perdões para ajustá-la melhor ao tamanho da caçamba, desenrolamos e enrolamos o guincho pela primeira vez desde o treinamento 4x4 há mais de quatro meses e finalmente, pouco antes do almoço, estávamos prontos para partir. Não sem antes, com a ajuda do Joca e da Ixa (apelidos carinhosos dos pais), atualizarmos os mapas nas portas da Fiona, colocando a bolinha correspondente à Ribeirão Preto.

Atualizando o mapa da Fiona em Ribeirão Preto - SP

Atualizando o mapa da Fiona em Ribeirão Preto - SP


Com os pais em Ribeirão Preto - SP

Com os pais em Ribeirão Preto - SP


Depois, pé na estrada! Após quase duas semanas de muito convívio familiar, tanto em Curitiba como em Ribeirão, estamos prontos e ansiosos para retomar nosso ritmo mais intenso de viagens. Nada melhor do que retomá-lo em Delfinópolis, uma das portas de entrada da Serra da Canastra e das dezenas de cachoeiras da região. Eu já estive aqui algumas vezes mas o especialista na região é o meu irmão Guto. É quase o quintal dele. Para a Ana, será tudo novidade!

E ela começou bem! Para chegar à cidade é preciso atravessar uma represa de balsa. Nós chegamos na hora certa pois a balsa estava para partir. Era só o tempo da Ana comprar uma cerveja para nós. Embarquei com a Fiona enquanto ela foi cumprir essa nobre tarefa. Eis que... a balsa partiu sem a Ana. Foi engraçado observar ela sair toda pirilampa do bar, com duas latinhas de cerveja e descobrir que a balsa tinha acabado de zarpar. He he he.

Travessia de balsa em Delfinópolis - MG

Travessia de balsa em Delfinópolis - MG


Fiquei esperando ela do outro lado, demos boas risadas e seguimos rumo à cidade em busca da Pousada da Mariângela. Ela não estava, mas o Verri, o vizinho, estava. Experimentado guia da cidade e grande amigo do Guto, colocamos o papo dos últimos oito anos em dia e ele nos deu dicas preciosas sobre a programação dos próximos dias. Inclusive, para a última hora de dia que ainda tínhamos hoje.

Rio Sto Antônio em Delfinópolis - MG

Rio Sto Antônio em Delfinópolis - MG


Partimos acelerados para o rio Santo Antônio, logo após cruzar a Mariângela na esquina e confirmar que ficaríamos com ela. Chegamos a tempo de curtir um pouco o visual das corredeiras, mas não animamos muito de nadar não. Afinal, o melhor da festa ainda estava por vir: o pôr-do-sol visto do alto da serra, no caminho de volta. Foi espetacular! A visão das montanhas e da represa do Peixoto logo abaixo estavam lindas. Para completar, a lua cheia nasceu soberana, deixando a noite clara como dia.

Fim de tarde na Serra da Canastra em Delfinópolis - MG

Fim de tarde na Serra da Canastra em Delfinópolis - MG


Depois, nos instalamos na Mariângela, descarregamos toda a bagagem para deixá-la longe da poeira infernal e fomos jantar na pizzaria BarCo. Pronto! Estávamos prontos para os longos passeios dos dias seguintes. Muita cachoeira, muita acão e de volta ao ritmo de viagem!

Pôr-do-sol em Delfinópolis - MG

Pôr-do-sol em Delfinópolis - MG


Lua cheia na Serra da Canastra em Delfinópolis - MG

Lua cheia na Serra da Canastra em Delfinópolis - MG

Brasil, São Paulo, Ribeirão Preto, Minas Gerais, Delfinópolis (P.N. Serra da Canastra),

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Saltos no Rio do Couro

Brasil, Goiás, Cavalcante, Alto Paraíso

As muitas cachoeiras do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO

As muitas cachoeiras do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO


Tivemos mais um dos excelentes cafés da manhã da Pousada Sol da Chapada, em Cavalcante, com direiro a iogurte, futas, granola , pão de queijo quentinho, suco natural, bolo e pães variados, despedimo-nos do Zé Pedrão que foi lá nos ver partir e rumamos para o sul, para Alto Paraíso, a cidade mais conhecida da Chapada dos Veadeiros.

Despedida da Pousada Sol da Chapada e do Zé Pedrão, nosso guia na região de Cavalcante - GO

Despedida da Pousada Sol da Chapada e do Zé Pedrão, nosso guia na região de Cavalcante - GO


Alto Paraíso era um distrito de Cavalcante até a década de 50, quando se emancipou. Localizada no ponto mais alto do Planalto Central, a mais de 1.200 metros de altitude, começou a atrair uma "fauna" mais variada a partir de década de 70. Gente que procurava a paz, a iluminação, um modo de vida alternativo, a simplicidade, a "energia" do local ou, simplesmente, as belezas da Chapada dos Veadeiros. Sua população multiplicou-se por dez nos últimos 25 anos, passando de 700 pessoas para pouco mais de 7 mil, metade dela composta por "forasteiros".

Paisagem na chegada à Alto Paraíso, na Chapada dos Veadeiros - GO

Paisagem na chegada à Alto Paraíso, na Chapada dos Veadeiros - GO


Nas outras duas vezes que estive por aqui, só tinha visto Alto Paraíso da janela do carro ou do ônibus, no meu caminho para a vila de São Jorge. Dessa vez, nossa idéia foi de dormir na cidade, sentir um pouco do clima "místico" da região, enfim, ver mais de perto porque Alto Paraíso é uma mas mecas espirituais do Brasil. Ao mesmo tempo, queríamos ver também algumas das belezas naturais que cercam a cidade.

Com o Chico e o Ivan no Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO

Com o Chico e o Ivan no Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO


Ligamos para a Flávia, a amiga que tínhamos feito lá em Terra Ronca, e que mora em Alto Paraíso, e a convidamos para ir conosco no Rio dos Couros, complexo de cachoeiras mais famoso de Alto Paraíso. Nossa idéia era ir direto para lá e só no final da tarde procurar e nos intalar em alguma pousada. A Flávia já chamou um guia, o Ivan, a gente se encontrou no centro da cidade e logo já estávamos todos na Fiona indo em direção às "Cataratas do Couro", distante 50 km de Alto Paraíso, 30 deles em estrada de chão.

No Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO

No Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO


No caminho, as belezas do cerrado de altitude onde até o capim está colorido, do verde ao vermelho. A beleza cênica da região é indiscutível, com as montanhas ao fundo emoldurando um cerrado de vegetação mais rala, completamente florido. O carro nos leva até bem próximo e com menos de um quilômetro de trilha já estamos no Rio do Couro, justo no ponto das cataratas. Tem esse nome porque o rio é mais caudaloso e suas cachoeiras são mesmo mais "parrudas". O nome do rio vem do fato que ali era o local onde os caçadores lavavam a pele de suas vítimas.

Saltando em poço do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO

Saltando em poço do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO


Nós fomos descendo o rio, passando por uma sequência de saltos, cada um mais cênico do que o outro. O Ivan, lá de Piracicaba e radicado em Alto Paraíso recentemente, nos guiava para o poço mais gostoso de nadar e também para o Buracão, uma enorme cachoeira onde o canyon se afunila, tem-se uma vista magnífica e de onde não podemos continuar sem equipamentos apropriados.

Saltando em poço do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO

Saltando em poço do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO


Saltando em poço do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO

Saltando em poço do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO


Antes de chegar lá, passamos num excelente ponto para pulos, para quem gosta de voar mais de dez metros, quase quinze. A tentação foi grande e eu não resisti. Assim, o resto do grupo deu a volta num pequeno morro para chegar ao "andar debaixo" enquanto eu cortei caminho, acrescentando um salto à mais à coleção de saltos do Rio dos Couros. Tudo devidamente registrado pela Ana.

Fim de salto em poço do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO

Fim de salto em poço do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO


Lá embaixo, todos reunidos novamente, nadamos num poço que fica na beira do precipício. Maravilhoso! O próprio poço, com suas águas escuras, já é um precipício preenchido pela água. Mergulhei mais de doze metros e não enxerguei o fundo!

Com a Flávia, Chico e Ivan no Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO

Com a Flávia, Chico e Ivan no Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO


Nadando em poço à beira do abismo, no Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO

Nadando em poço à beira do abismo, no Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO


Todos refrescados, hora de voltar. O cerrado, com a luz do fim da tarde, estava ainda mais belo. Que coisa mais linda! De volta á uma florida Alto Paraíso, ficamos na pousada Catavento, cheia de charmosos chalés. Muito gostoso! A vontade que dá é passar um dia inteiro por lá, relaxando entre a piscina e a ducha, cerveja na mão e a bela vista para as montanhas ao redor...

Com a Flávia, no canyon do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO

Com a Flávia, no canyon do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO


Mas a programação está corrida. Amanhã cedo vamos para São Jorge, visitar o parque. Afinal, vir até a Chapada e não mostrar o parque para a Ana não tinha sentido. Antes disso, na noite de hoje, ainda tivemos a chance de ir a um barulhento e luminoso bar, o Alquimia, comer bem, ver pessoas e conversar bastante com a Flávia. Muito jóia. Pouco depois da meai noite, de volta para a Catavento, aproveitar, pelo menos por algumas horas, aquela cama gostosa.

Fim de tarde na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO

Fim de tarde na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO



ADVERTÊNCIA: Seguindo os sábios conselhos do Carlos Ribeiro, que deixou um comentário neste post, faço aqui uma advertência: Jamais salte em algum lago ou poço sem ter a certeza absoluta de que há a profundidade necessária e segura para o salto. Se houver qualquer dúvida, mínima que seja, NÃO salte. O risco não vale à pena! Pedras e troncos podem ter sido trazidos em alguma enxurrada e estar escondidos sobre a água; Agora, se vc já verificou a profundidade e sabe a técnica, curta o salto! A sensação de liberdade e comunhão com a natureza é absolutamente incrível.

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Rumo ao Denali

Alaska, Fairbanks, Denali National Park

Admirando o Denali, a maravilhosa montanha que dá nome ao Denali National Park, no Alaska

Admirando o Denali, a maravilhosa montanha que dá nome ao Denali National Park, no Alaska


Apaixonado que sou pelas montanhas, havia um destino no Alaska que não poderia faltar no nosso roteiro: o Denali. A mais alta montanha da América do Norte, assim como as mais altas de todos os continentes, sempre fizeram parte do meu imaginário. Se não puder subi-las, ao menos conhecê-las de perto é um dos desejos que tenho em minha vida.

Atravessando o rio Yukon, na Dalton Highway, norte do Alaska

Atravessando o rio Yukon, na Dalton Highway, norte do Alaska


E hoje era o dia de chegar pertinho da “The High One”, que é o significado da palavra indígena “Denaalii”. Infelizmente, a montanha ganhou outro nome oficial no final do séc XIX, Mt. McKinley, mas é como Denali que todos os montanhistas do mundo a reconhecem. O nome oficial foi dado por um garimpeiro de Ohio que quis homenagear um político de seu estado que buscava a reeleição como presidente americano nas eleições de 1900. O político defendia o padrão-ouro para a moeda americana e isso, obviamente, interessava um garimpeiro.


Nosso caminho de Yukon Crossing ao Denali National Park

O tal político acabou vencendo as eleições, mas foi assassinado um ano mais tarde, por um anarquista. Com isso, o Denali acabou ganhando mesmo o seu nome, apesar dos protestos dos puristas da época e, até hoje, parlamentares de Ohio impedem que ela volte a ser o Denali nos registros oficiais.

Centro de Fairbanks, no Alaska

Centro de Fairbanks, no Alaska


Enfim, Denali ou McKinley, a montanha já está lá há muitos milhões de anos, continua a crescer e não parece se importar muito com essa polêmica. Hoje, ela está no centro de um enorme Parque Nacional que tem o seu mesmo nome original, Denali. O parque fica a meio caminho entre as duas principais cidades do Alaska, Fairbanks e Anchorage e foi para lá que viajamos hoje.

As incríveis cores e a belíssima paisagem do Denali National Park, no Alaska

As incríveis cores e a belíssima paisagem do Denali National Park, no Alaska


Saímos cedo de Yukon Crossing e viajamos de volta à Fairbanks, onde paramos no excelente Centro de Turismo. Pegamos vários folhetos informativos sobre o Denali e outros parques no sul do país, além de nos informar sobre o ferry que faz o transporte de pessoas e carros através do sul do Alaska até o Canadá. É uma região que queremos muito conhecer, mas aonde não há estradas. Ao que parece, a Fiona vai ganhar uma grande “carona”...

As incríveis cores e a belíssima paisagem do Denali National Park, no Alaska

As incríveis cores e a belíssima paisagem do Denali National Park, no Alaska


Depois, pegamos estrada novamente, indo para o sul. Não demorou muito e uma cadeia de montanhas nevadas apareceu no horizonte. Era o Denali National Park. Antes mesmo de procurarmos algum lugar para ficar, seguimos para o centro de visitantes do parque, para organizar nossa visita. Nessa época do ano, já final da temporada turística, muita coisa fecha no Alaska e o Denali não é exceção. Na verdade, não é o parque que fecha, mas, na prática, é como se fechasse.

A primeira visão do Denali, a mais alta montanha da América do Norte, no Denali National Park, no Alaska

A primeira visão do Denali, a mais alta montanha da América do Norte, no Denali National Park, no Alaska


Há apenas uma estrada no Denali National Park, que segue 90 milhas adentro e termina no coração do parque. De lá, temos de voltar pela mesma estrada. Acontece que os carros particulares só podem ir até as primeiras 15 milhas. A partir daí, apenas ônibus do próprio parque. E essa linha de ônibus só funciona por mais dois dias. Depois disso, só em Maio do ano que vem!!! Na verdade, nos quatro dias seguintes ao fim da linha de ônibus, quatrocentos carros afortunados podem entrar e percorrer toda a estrada, por 4 dias. Foram os ganhadores de um sorteio realizado em Julho. E depois disso vem a neve e a estrada é fechada. As pessoas continuam livres para entrar no parque. Mas só a pé ou de ski. Como as principais atrações do parque estão a dezenas e dezenas de quilômetros da entrada, é como se o parque estivesse mesmo fechado.

visitando o Denali National Park, no Alaska

visitando o Denali National Park, no Alaska


Fui diretamente à bilheteria e consegui dois dos últimos ingressos para o passeio de ônibus amanhã. Vai ser quando poderemos chegar perto da montanha sagrada. Da portaria do parque nem se pode vê-la, encoberta por outras montanhas a frente. Mas nós não precisamos esperar até amanhã para, finalmente, ver o Denali. Resolvemos percorrer as 15 milhas permitidas a nós pois, lá da milha 10, se pode avistar a montanha.

Famoso restaurante em frente ao Denali National Park, no Alaska

Famoso restaurante em frente ao Denali National Park, no Alaska


A paisagem do parque é fantástica, principalmente nessa época do ano, com as cores de Outono. Mas emocionante mesmo foi quando, de trás de umas montanhas, já na parte alta do parque, o Denali apareceu, majestoso. Seu tamanho impressiona. Mesmo estando a mais de 100 km de distância em linha reta, ele já aparece maior que todas as montanhas próximas, a poucos quilômetros de nós. É, realmente, uma visão e tanto. Um super aperitivo para o que nos espera amanhã, durante nosso passeio de 11 horas pelo parque. Devemos estar na portaria às 08:15 da manhã e nos considerar felizardos de termos conseguido ingressos, pois foi colocado um ônibus extra. A grande atração do passeio, além do Denali, é a possibilidade de avistar a abundante fauna do parque, notadamente os temidos ursos grizzlies. Enfim, diversão não vai faltar!

Salmão recheado com King Crab, comida típica do Alaska, em restaurante tradicional em frente ao Denali National Park

Salmão recheado com King Crab, comida típica do Alaska, em restaurante tradicional em frente ao Denali National Park


Enquanto amanhã não chega, fomos comprar nosso lanche para o longo passeio e também jantar em um tradicional restaurante na pequena vila em frente à entrada do parque. Tradicional, famoso, aconchegante e muito bom, por sinal! A Ana não fez por menos e pediu logo o que pode haver de mais típico no Alaska: salmão recheado de King crab, aquele caranguejo gigante. Uma delícia! E assim, barriga cheia e comida garantida para amanhã, deixamos essa vila com seus hotéis caros para trás e dirigimos uma dezena de milhas até a próxima vila, Healy, já com preços razoáveis. Aí nos instalamos e colocamos os despertadores para não perdermos a hora amanhã. A Fiona vai ganhar um descanso e nós vamos conhecer de perto o gigante.

Salmão recheado com King Crab, comida típica do Alaska, em restaurante tradicional em frente ao Denali National Park

Salmão recheado com King Crab, comida típica do Alaska, em restaurante tradicional em frente ao Denali National Park

Alaska, Fairbanks, Denali National Park, McKinley, Parque

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