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Das Montanhas às Praias

República Dominicana, Jarabacoa, Samana

Caminhando na maravilhosa Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana

Caminhando na maravilhosa Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana


Depois de subir a mais alta montanha do país (para mostrar que nem só de praias vive o Caribe!), estava na hora de curtir o litoral da República Dominicana (afinal, quem vem para o Caribe quer ver praias!). As praias mais bonitas daqui estão na costa norte e nós temos reservados alguns dias para dar uma volta por lá. Não muitos, infelizmente. Então, o negócio era não perder muito tempo com transporte. A solução foi alugar um carro para facilitar a nossa vida.

Com nosso carro, chegando à Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana

Com nosso carro, chegando à Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana


Alugamos o carro em Jarabacoa mesmo. Muito barato, cerca de 35 dólares por dia. Um terço do que seria no vizinho Haiti. Com isso, teremos de voltar para cá, para devolver o carro. Aliás, mesmo para conhecer as redondezas da cidade e suas cachoeiras, ele será bem útil. Resolvemos deixar isso para depois das praias, quando voltarmos. Afinal, é melhor estar perto daqui no último dia, quando temos passagem marcada para a capital Santo Domingo.


Viagem pelo litoral norte do país, saindo de Jarabacoa (A) para a praia de Sosúa (B), daí para a cidade de Samaná (C) e, no dia seguinte, seguindo para a paradisíaca Playa Rincón (D)

Então, ontem de manhã, a primeira coisa que fiz foi ir alugar o carro. O nosso amigo Monche nos ajudou e logo achamos um bem joia, 4x4 e com ar. Pois é, com esse preço bom, o carro já não é assim, tão novo. Bastou eu ir buscar a Ana que percebemos que o pneu estava baixo. Voltamos na loja, daí para o borracheiro, pneu consertado, prontos para pegar estrada!

Chegando ao litoral na costa norte da República Dominicana

Chegando ao litoral na costa norte da República Dominicana


A bela e simpática praia de Sosúa, na costa norte da República Dominicana

A bela e simpática praia de Sosúa, na costa norte da República Dominicana


Sem mapa e sem seguro, mas cheios de boas intenções, partimos para o norte. Estradona para Santiago, pergunta daqui, se informa dali e achamos a saída para a pequena estrada que cruza as montanhas e segue diretamente para a praia de Sosúa. Depois de muitas curvas e buracos, foi um alívio ver o mar ao longe. Estávamos chegando ao litoral!

Presidente, a cerveja nacional do país! (em Sosúa, na costa norte da República Dominicana)

Presidente, a cerveja nacional do país! (em Sosúa, na costa norte da República Dominicana)


Um delicioso Mofongo acompanhado de patacones, em Sosúa, praia na costa norte da República Dominicana

Um delicioso Mofongo acompanhado de patacones, em Sosúa, praia na costa norte da República Dominicana


Praia joia, longa faixa de areia, poucas construções e uns restaurantes simpáticos. Mais simpático ainda foi o garçom de quem ficamos amigos. Ele conhece todo o litoral norte do país e nos deu muitas informações. Até falar com ele, ainda não tínhamos ideia de onde dormiríamos ontem, mas ele nos botou a maior pilha para chegarmos até Samaná. Depois que lhe dissemos de que tipo de praia que gostamos, ele foi categórico: “Passem todo o tempo que tiverem na península de Samaná! Lá vão encontrar a praia que sonham!”.

A bela e simpática praia de Sosúa, na costa norte da República Dominicana

A bela e simpática praia de Sosúa, na costa norte da República Dominicana


Fim de tarde na praia de Sosúa, na costa norte da República Dominicana

Fim de tarde na praia de Sosúa, na costa norte da República Dominicana


Seria uma bela esticada até lá, principalmente pelo adiantado da hora, mas ele disse que só estaríamos perdendo praias de resorts e que, se nosso estilo era algo parecido com Sosúa, a próxima parada era mesmo lá. Decidido, então! E para comemorar, um delicioso Mofongo, um dos pratos mais típicos do país, uma espécie de purê de banana verde misturado com carne de porco e vegetais. Uma delícia!

Vista do nosso hotel em Samaná, na costa norte da República Dominicana

Vista do nosso hotel em Samaná, na costa norte da República Dominicana


Baía de Samaná, na costa norte da República Dominicana

Baía de Samaná, na costa norte da República Dominicana


Depois de nos esbaldarmos, hora de partir. Primeira hora no claro ainda. Depois, no escuro e na raça, percorrendo todo o litoral até a cidade de Samaná, na península de mesmo nome. Os americanos quase compraram todo esse lugar e, durante as negociações, aventou-se até a anexação de todo o país. Queriam fazer a base de Guantânamo aqui! Felizmente (e para azar dos cubanos!), o negócio não deu certo. Conto mais dessa história no próximo post.

Estrada de terra que chega à paradisíaca Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana

Estrada de terra que chega à paradisíaca Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana


Coqueiros nos recebem na Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana

Coqueiros nos recebem na Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana


Mas, enfim, chegamos à Samaná já perto da meia noite e seguimos diretamente para o hotel indicado pelo nosso amigo garçom. Com o sacrifício desse dia de longas viagens ganhamos o dia de hoje, pois já estávamos bem perto do objetivo final!

As incríveis cores da Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana

As incríveis cores da Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana


As incríveis cores da Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana

As incríveis cores da Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana


A cidade de Samaná tem seus próprios encantos, acostumada até a receber navios-cruzeiro. Casas coloridas, pontes para pedestres que levam até pequenas ilhas da baía e a possibilidade de fazer um passeio de barco até o Parque Nacional Los Haitises, do outro lado do estreito. Essa última atração até que nos tentou, mas queríamos mesmo eram as praias paradisíacas do norte da península.

Nadando em um paraíso chamado Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana

Nadando em um paraíso chamado Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana


Nadando em um paraíso chamado Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana

Nadando em um paraíso chamado Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana


Assim, logo cedo, seguimos em direção de Las Galeras, uma pequena vila na costa norte. Um pouco antes de chegar lá, um desvio para a Playa Rincón, a mais indicada pelo nosso amigo garçom. Ali, só se chega com condução própria e apropriada (uma boa parte da estrada é de terra ou de areia), ou em algum tour saído de Samaná.

Simpático restaurante na Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana

Simpático restaurante na Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana


Ponto estratégico na Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana

Ponto estratégico na Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana


A praia é absolutamente maravilhosa, uma extensa faixa de areia bem branca ladeada de muitos coqueiros e em frente a um mar com cor de piscina. Aquela imagem perfeita de praia caribenha que existe em nosso inconsciente coletivo. E o mais incrível: no país da internacionalmente conhecida Punta Cana, uma praia desse tipo, vazia!?! Inacreditável!!!

Turistas que vieram em tour deixam a Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana

Turistas que vieram em tour deixam a Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana


Bom, 100% vazia ela não era (ainda bem!). Dirigimos mais um quilômetro para a direita e chegamos à ponta da praia, onde existem dois bares. Agora sim, na sombra de coqueiros e com cerveja gelada na mão, tudo estava perfeito! Se tentássemos melhorar, pioraria...

Turistas que vieram em tour deixam a Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana

Turistas que vieram em tour deixam a Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana


Uma hora depois, chegou um caminhão estilo jardineira trazendo turistas de Samaná. Felizmente, passaram pelo nosso restaurante e foram ao seguinte. Depois, mistério para mim, permaneceram por lá todos juntos, com aquela praia maravilhosa e deserta pedindo para ser explorada. Enfim, almoçaram, deram um mergulho rápido e subiram todos no caminhão. Afinal, o tour tinha de continuar...

Um verdadeiro cartão postal: Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana

Um verdadeiro cartão postal: Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana


Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana

Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana


A tranquilidade voltou a reinar no paraíso, com direito a rede na sombra, mais cerveja gelada, mergulhos refrescantes e caminhada para o lado mais selvagem da praia, onde ondas e pedras fazem sua guerra particular há milhares de anos. Para nós, que assistíamos apenas a mais um dia de batalha, imagens lindas e muitas fotografias.

Cores mágicas de fim de tarde na Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana

Cores mágicas de fim de tarde na Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana


Trecho mais agitado da Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana

Trecho mais agitado da Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana


Essa praia foi tão maravilhosa que até pensamos em passar aqui o dia de amanhã, também. No outro, temos de voltar para Jarabacoa. Para isso, fomos até o único hotel ali perto, alguns quilômetros para cima da colina. Mas achamos ele meio caro, além de não ter comida para o jantar. Assim, resolvemos esticar até a vila de Las Galeras.

Caminhando em uma deserta e maravilhosa Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana

Caminhando em uma deserta e maravilhosa Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana


Ali sim, várias possibilidades de hotéis, dos mais baratos aos mais caros, passando pelos mais charmosos. Nessa época de baixa temporada, tudo fica a nosso favor e acabamos achando um, de um francês, bem joia e com preço razoável. Um chalé, com cozinha e mezanino. Muito legal. Tipo do lugar que poderíamos passar uma semana, brincando de casinha e explorando as várias praias da região. O francês até nos deu um “mapa do tesouro”, com as dicas de como chegar a cada lugar. E quando perguntamos qual a praia mais bonita daqui, para a nossa surpresa a Playa Rincón ficou em segundo lugar. É... não iremos mais voltar lá amanhã. Temos de ver essa outra aí e ver se concordamos com o nosso anfitrião.

Caminhando em uma deserta e maravilhosa Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana

Caminhando em uma deserta e maravilhosa Playa Rincón, perto de La Galera, na península de Samaná, na costa norte da República Dominicana

República Dominicana, Jarabacoa, Samana, Las Galeras, Playa Rincón, Praia, Sosúa

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O Deserto, as Missões e as Brasileiras

México, Loreto

Céu maravilhoso no caminho para a missão San Francisco Xavier, região de Loreto, na Baja California - México

Céu maravilhoso no caminho para a missão San Francisco Xavier, região de Loreto, na Baja California - México


Loreto é uma cidadezinha bem simpática, na costa do Mar de Cortez. Já foi a mais importante cidade “das californias”, incluindo aí a americana (que também era mexicana antes), mas para a sua sorte, não se desenvolveu muito. Além de um pequeno centro histórico, suas maiores atrações estão nas suas cercanias. A praia da cidade é de pedra, mas bem perto está uma ilha paradisíaca para onde barcos levam turistas continuamente, para passar o dia. Água limpa, praia de areias claras e até leões-marinhos.

Pinturas rupestres a caminho da missão de San Francisco Xavier, região de Loreto, na Baja California - México

Pinturas rupestres a caminho da missão de San Francisco Xavier, região de Loreto, na Baja California - México


Como já tínhamos feito programa parecido na ilha Espíritu Santo, em La Paz, resolvemos priorizar a outra grande atração da região, a antiga missão jesuítica de San Francisco Xavier. Os jesuítas foram os primeiros europeus a chegar na Baja California com o intuito de ficar. Vieram no finalzinho do séc. XVII, com o digno e firme propósito de trazer a salvação aos indígenas. Inadvertidamente, foi exatamente ao contrário. Trouxeram morte e destruição sob a forma de doenças europeias, contra as quais os índios não tinham nenhuma defesa.

Pequeno oásis no deserto entre Loreto e a missão San Francisco Xavier, na Baja California - México

Pequeno oásis no deserto entre Loreto e a missão San Francisco Xavier, na Baja California - México


Mas, antes disso, espalharam suas missões de catequização por todo o território. Muitas estão em lugares belíssimos, igrejas de pedra e arquitetura duradoura cercadas de desertos e montanhas. Com o flagelo das doenças, as missões acabaram abandonadas por falta de fiéis e são o testemunho de uma época que se perdeu no tempo. De poucas décadas para cá, foram redescobertas para o turismo, por sua beleza encantadora e pela história que contam.

Riacho forma pequeno oásis no deserto entre Loreto e a missão San Francisco Xavier, na Baja California - México

Riacho forma pequeno oásis no deserto entre Loreto e a missão San Francisco Xavier, na Baja California - México


A mais bela dessas missões é a de San Francisco Xavier, a quarenta minutos de carro de Loreto. Isso porque a estrada agora está em boa parte asfaltada. Antes, dizem, era um suplício chegar até lá. Hoje, ao contrário, uma vez ao ano o local é sede da maior festa da península. Por isso, todos os californianos tem por ela um carinho especial.

Terreno desértico a caminho da missão San Francisco Xavier, região de Loreto, na Baja California - México

Terreno desértico a caminho da missão San Francisco Xavier, região de Loreto, na Baja California - México


Tão bonito como a própria missão, é o caminho para se chegar lá, cruzando um deserto montanhoso e cheio de desfiladeiros. Na metade do caminho, há uma gruta com pinturas rupestres de milhares de anos. As pinturas não são grande coisa, mas o oásis ao seu lado é, com certeza! Um riacho de águas verdes corre por um canyon e a pouca água é o suficiente para sustentar um verdadeiro jardim de palmeiras e outras plantas.

Mirante na estrada entre Loreto e a missão San Francisco Xavier, na Baja California - México

Mirante na estrada entre Loreto e a missão San Francisco Xavier, na Baja California - México


Passamos por aí um bom tempo, explorando o canyon e o riacho, imaginando como era por ali no tempo das pinturas. Procuramos também as cascavéis e escorpiões tão comuns por aqui (pelo menos no nosso imaginário!), mas apesar de parecer que eles estariam atrás de cada pedra que víamos, nenhum apareceu.

San Francisco Xavier, a mais bela missão da Baja California, no México (região de Loreto)

San Francisco Xavier, a mais bela missão da Baja California, no México (região de Loreto)


Um pouco adiante, já no alto da montanha, uma pequena igreja estrategicamente colocada num local maravilhoso, incrível vista do deserto, das montanhas avermelhadas e do Mar de Cortez, lá embaixo, ao longe. Os cenários mais belos da Baja California que já tínhamos visto até então.

A bela missão San Francisco Xavier, próxima à Loreto, na Baja California - México

A bela missão San Francisco Xavier, próxima à Loreto, na Baja California - México


Seguimos em frente, o asfalto acabou e a Fiona foi fazendo poeira para os outros poucos carros que encontrávamos na estrada. Enfim, chegamos ao pequeno Pueblo que se desenvolveu ao redor da magnífica igreja jesuítica. Aliás, mais bonita que a igreja é a paisagem ao seu redor. E mais bonito ainda é a combinação de tudo, aquela igreja de pedra em meio à paisagem montanhosa.

Visitando a missão San Francisco Xavier, próxima à Loreto, na Baja California - México

Visitando a missão San Francisco Xavier, próxima à Loreto, na Baja California - México


Estávamos ali tentando os melhores ângulos para fotografar aquela maravilha quando, eis que ouço português alto e claro (e bem gaúcho!) ao meu lado. Era a Sandra, conversando com a mato-grossense quase baiana Ane e com sua colega mexicana Tania. Completava o grupo outro mexicano, o Armando. Elas ficaram felicíssimas de nos encontrar por lá. Moram aqui em Loreto já há algum tempo e creio que fomos os segundos brasileiros que elas veem por essas bandas!

Encontro com as brasileiras Ane e Sandra e a mexicana Tania na missão San Francisco Xavier, próxima à Loreto, na Baja California - México

Encontro com as brasileiras Ane e Sandra e a mexicana Tania na missão San Francisco Xavier, próxima à Loreto, na Baja California - México


Fomos passear e fotografar mais um pouco e os reencontramos no restaurante do Pueblo, para almoçar. Aí, contamos nossas respectivas histórias, a empatia foi crescendo e a Sandra e a Tania nos convidaram para tomar um vinho na casa delas, ali do lado de Loreto. Como vamos viajar amanhã cedo, o vinho teria de ser hoje e assim foi combinado.

A belissima missão jesuíta de San Francisco Xavier, próxima à Loreto, na Baja California - México

A belissima missão jesuíta de San Francisco Xavier, próxima à Loreto, na Baja California - México


Fomos seguindo eles no caminho de volta, com direito à novas paradas nos locais estratégicos para fotos. Depois, seguimos com eles até a casa delas, para aprender o caminho, e eu e a Ana seguimos em frente alguns quilômetros mais para conhecer a região. É a mesma estrada que passamos ontem, chegando em Loreto. Mas já estava escuro e tínhamos perdido a chance de ver e fotografar essa região belíssima. Então, voltamos hoje, com mais calma e mais luz, máquina em punho. O Mar de Cortez forma baías e praias num litoral recortado e muito bonito. A tal ilha paradisíaca está bem em frente, com suas praias de areia, porque as praias do lado de cá são todas de pedra mesmo.

Montanhas desérticas e o Mar de Cortez ao fundo, região de Loreto, na Baja California - México

Montanhas desérticas e o Mar de Cortez ao fundo, região de Loreto, na Baja California - México


Mirante próximo à Loreto, na estrada para a missão San Francisco Xavier, na Baja California - México

Mirante próximo à Loreto, na estrada para a missão San Francisco Xavier, na Baja California - México


Já escuro retornamos à casa da Sandra e da Tania, onde fomos recebidos com um belo vinho. A conversa foi se estendendo, assim como as garrafas de vinho. Tudo isso no friozinho do jardim delas, ao lado de uma lareira externa e tendo um céu extremamente estrelado como teto. Uma delícia! A companhia, o ambiente, a conversa e o vinho!

Costa acidentada do Mar de Cortez, próximo à Loreto, na Baja California - México

Costa acidentada do Mar de Cortez, próximo à Loreto, na Baja California - México


A empolgação foi tanta que só chegamos ao nosso hotel depois da uma da manhã. Mas valeu muito a pena! Afinal, não é todo dia que começamos cruzando um deserto com pinturas rupestres e oásis, passamos por uma missão jesuítica centenária e cinematográfica, encontramos conterrâneos num lugar perdido do mundo e terminamos tomando vinho apreciando o inesquecível céu do deserto!. Viva a Baja California!

Praia próxima à Loreto, na Baja California - México

Praia próxima à Loreto, na Baja California - México

México, Loreto, Baja California, deserto, missões jesuíticas, San Francisco Xavier

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Santa Catalina

Peru, Arequipa

Uma das freiras do Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru

Uma das freiras do Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru


Poucas décadas depois da fundação da cidade de Arequipa pelos espanhóis, ainda no séc XVI, a cidade já despontava como uma das mais importantes do que é hoje o Peru, principalmente pela sua localização próxima a vales muito férteis. E como tal, já possuía uma elite rica e poderosa. Naquela época, assim como nos séculos posteriores, era muito comum que as famílias mais abastadas mandassem algum de seus filhos ou filhas, normalmente o segundo pela ordem de nascimento, para seguir a vida religiosa. No caso das mulheres, eram mandadas para algum convento.

Caminhano no Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru

Caminhano no Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru


Assim, foi criado em Arequipa o convento de Santa Catalina, para abrigar essas filhas de famílias mais ricas que estavam destinadas a se transformarem em freiras. Apesar dos rigores da Ordem, que pregava uma vida simples e de total devoção a Deus, completamente isoladas da sociedade e mesmo da família, esse convento desenvolveu suas próprias características. A principal delas foi permitir às freiras uma vida mais "confortável" e até serviçais podiam levar para dentro do convento. Essas regalias duraram alguns séculos até que uma madre superiora mais rigorosa acabasse com a festa.

Interior do Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru

Interior do Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru


O convento, construído numa grande área bem no centro da cidade acabou se tornando uma pequena cidade dentro de outra cidade, inteiramente cercada por grandes muros que isolavam suas habitantes da agitada vida de Arequipa. Tinha diversas ruas que abrigavam as "celas" ou pequenas casas das freiras, grandes pátios comuns, igreja, biblioteca, refeitórios, cozinhas e até uma piscina para banho.

Caminhano no Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru

Caminhano no Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru


Uma das celas (ou quartos) do Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru

Uma das celas (ou quartos) do Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru


A arquitetura da pequena cidade e de suas casas foi se modificando com o passar dos séculos, principalmente depois de cada terremoto que, de tempos em tempos assolavam toda a região. A experiência e a tecnologia iam ensinando a arte de construir casas mais sólidas e resistentes às intempéries naturais.

A Pinacoteca do Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru

A Pinacoteca do Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru


Caminhando na Plaza de Armas de Arequipa - Peru

Caminhando na Plaza de Armas de Arequipa - Peru


Por fim, há cerca de 50 anos, quase todo o complexo foi finalmente aberto à visitação pública, enquanto as freiras se recolheram a uma parte menor dentro da enorme área. Hoje, Santa Catalina é a maior atração turística dentro de Arequipa, uma verdadeira aula de arquitetura, história e costumes para aqueles que o visitam. Foi o nosso principal programa de hoje, uma espécie de dia de descanço entre a longa viagem ao Colca, ontem, e o trekking ao cume do El Mistí, a partir de amanhã.

Catedral de Arequipa - Peru

Catedral de Arequipa - Peru


Também passeamos na linda e majestosa Plaza de Armas da cidade, uma das mais belas do país, com sua fileira de arcos duplos que cercam três lados da praça, enquanto no outro está a grande catedral. Aí também passamos quase uma hora visitando seu museu, sua torre e a catedral em si. De seu campanário, uma das mais belas vistas da praça, logo em frente, e do vulcão, nosso destino de amanhã.

A Plaza de Armas vista do alto da Catedral de Arequipa - Peru

A Plaza de Armas vista do alto da Catedral de Arequipa - Peru


O El Mistí visto do alto da Catedral de Arequipa - Peru

O El Mistí visto do alto da Catedral de Arequipa - Peru


Foi um dia tranquilo e sem correria em que fechamos nosso grupo para o trekking de amanhã, com direito à guia, transporte, comida e barraca alugada. Vinte e um anos depois, El Mistí, aí vou eu!

Cerveja em um dos muitos restaurantes da Plaza de Armas de Arequipa - Peru

Cerveja em um dos muitos restaurantes da Plaza de Armas de Arequipa - Peru

Peru, Arequipa, Santa Catalina

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Na Simpática Taganga

Colômbia, Taganga

A simpática vila de Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia

A simpática vila de Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia


Ontem de tarde, após finalmente retirarmos a Fiona do porto de Cartagena e colocarmos o pé na estrada novamente, seguimos para o leste, acompanhando o litoral e seguindo na direção da Venezuela. Queríamos recuperar o tempo perdido e aproveitar cada minuto que nos resta até voltarmos ao Brasil, em pouco mais de 20 dias.


Nosso roteiro final na Colômbia: De Cartagena (A) para a pequena Taganga (B), ao lado de Santa Marta. Daí para o belíssimo parque nacional de Tayrona (C) e para Punta Gallinas (D), na península La Guajira, extremo norte do continente. Finalmente, rumo à fronteira com a Venezuela (E)

A maior parte desse tempo será na Venezuela, um dos dois únicos países do continente (o outro é o Uruguai) que ainda não visitamos nesses 1000dias. Mas ainda temos alguns lugares para ver aqui na Colômbia também! Nosso plano era dormir na cidade histórica de Santa Marta e, após passear por lá, seguir hoje para Tayrona, um dos parques nacionais mais conhecidos do país. Em seguida, e por último, ir para a Península La Guajira, o ponto mais ao norte da América do Sul, um desses extremos que todo viajante das Américas que se preze quer, um dia, conhecer.

A praia de Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia

A praia de Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia


Aproveitamos ao máximo o resto da luz do dia, numa estrada que passa entre o mar e grandes lagoas. Mas já estava escuro quando cruzamos a metrópole de Barranquilha, a maior do norte da Colômbia. Daí, mais umas horinhas até Santa Marta, outra grande cidade. Quando finalmente nos aproximávamos da cidade, a Ana sugeriu que fôssemos direto para Taganga, uma pequena vila de pescadores a poucos quilômetros à nordeste da metrópole colonial.

A praia de Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia

A praia de Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia


Ela não precisou insistir. Cansado que estava, entre uma cidade com centenas de milhares de habitantes e uma pacata vila em frente ao mar, destino predileto de mochileiros nesta parte do país, não precisamos pensar duas vezes. Taganga, aí fomos nós!

Turistas desfrutam da tranquila praia de Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia

Turistas desfrutam da tranquila praia de Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia


Uma pequena estrada entre as montanhas liga santa Marta à Taganga. Tradicionalmente, a vila era de pescadores, mas hoje o turismo é até mais importante, economicamente falando. São dezenas de pequenos hotéis que atendem turistas nacionais e estrangeiros que vêm em busca de tranquilidade e belezas naturais.

A pacata vila de Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia

A pacata vila de Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia


Taganga fica no fundo de uma baía e, por isso, sua praia tem águas bem tranquilas. Daí partem barcos que levam turistas para pontos de snorkel ou mergulho, ou à outras praias, ainda mais remotas. A cidade é um dos locais mais procurados para quem quer fazer curso de mergulho, pois a concorrência fez baixar os preços. Também é uma ótima base para quem quer fazer day-tours ao vizinho Parque Nacional Tayrona, tanto em excursões de carro como de barco.

Comércio de bolsas em Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia

Comércio de bolsas em Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia


Para nós, foi apenas um ponto de descanso e relaxamento. Caminhamos pela orla na noite de ontem e na manhã de hoje, em busca de restaurantes que nos servissem o jantar ou o café da manhã, sempre com vista para o mar. Até tentaram nos empurrar passeios para Tayrona, mas agora de Fiona, já não precisamos da ajuda de ninguém, hehehe.

A bela e tranquila praia de Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia

A bela e tranquila praia de Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia


Foi uma delícia, sairmos da agitação de uma cidade grande para cairmos na tranquilidade de uma vila de pescadores. Começamos a pegar o gosto novamente pelas estradas e novas descobertas. A pequena cidade de praia foi uma prévia do que nos espera no próximo destino: o Parque de Tayrona, para onde seguimos hoje mesmo. Assunto para o próximo post.

A baía de Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia

A baía de Taganga, ao lado de Santa Marta, no litoral norte da Colômbia

Colômbia, Taganga, Praia, Santa Marta

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Pinturas e Mirantes na Serra da Capivara

Brasil, Piauí, São Raimundo Nonato (P.N. Serra da Capivara)

Paisagem da Toca do Catitu II, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Paisagem da Toca do Catitu II, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


O Parque Nacional da Serra da Capivara é espetacular! Um dos mais antigos (1979) e bem organizados parques do país, atração de nível internacional, tem como principais atrativos os sinais dos mais antigos habitantes das américas além de paisagens dramáticas, grandes rochedos que se erguem sobre a caatinga e são testemunhos de outras épocas, quando a região tinha clima tropical e era habitado por preguiças gigantes e tigres dente de sabre.

Procurando a sombra durante caminhada na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Procurando a sombra durante caminhada na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


O parque é fruto da luta de uma mulher, meio brasileira meio francesa, uma heroína de nossa época, a arqueóloga Niède Guidon. Desde o início dos anos 70 ela frequentava e pesquisava os sítios arqueológicos da região e conseguiu, ainda no tempo do General Figueiredo, que um parque fosse criado para proteger os tesouros arqueológicos da Serra da Capivara. Aliás, o próprio nome da serra vem das pinturas onde os antigos moradores indentificavam capivaras, apesar de não existir nenhuma aqui por perto, nem em registros fósseis.

Pintura de veado galheiro na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Pintura de veado galheiro na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Observando pinturas rupestres na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Observando pinturas rupestres na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


São centenas de paredões que se erguem sobre a caatinga, vários deles repletos de pinturas rupestres, algumas com 10 mil anos de idade. As pinturas retratam animais que viviam aqui naquele tempo, cenas do cotidiano daqueles povos, como rituais, caça e sexo ou desenhos abstratos que talvez nunca conheçamos o real significado. São mais de mil sítios arqueológicos, pouco mais de uma centena deles abertos à visitação. Em alguns sítios é possível passar horas admirando e tentando entender as pinturas. Em outros, passamos as mesmas horas admirando a natureza esplendorosa ao nosso redor. Por isso, é um parque que exige bastante tempo para se conhecer. O melhor a fazer e contratar um guia experiente, combinar o que se deseja ver e deixar que ele mesmo faça o roteiro para pelo menos arranhar um pouco a superfície desse verdadeiro universo de conhecimento.

Pintura Rupestre de macaco e filhote, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Pintura Rupestre de macaco e filhote, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Foi o que fizemos. Temos três dias para passear pelo parque e contratamos o Rafael, um excelente guia, tanto no trato como no conhecimento, para nos guiar por essa região fantástica. Dissemos à ele que queríamos pinturas e paisagens, além de todo o conhecimento possível que ele pudesse passar. Formado em Geografia pela Universidade do Piauí e conhecedor da geologia, história e estórias da região, ele foi nos dando aulas e aulas enquanto andávamos pela quente caatinga ou nos refrescávamos nas sombras das tocas, ou "cuestas" onde se encontram as pinturas.

Toca com várias pinturas rupestres na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Toca com várias pinturas rupestres na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Discutimos bastante também sobre a teoria da chegada do homem às américas. A teoria antiga e ainda vigente nos livros mais tradicionais diz que o homem chegou no nosso continente por Bering, entre Sibéria e Alaska, há uns 13 mil anos. Mas Niède diz que os homens já estavam por aqui há muito mais tempo, perto de 100 mil anos atrás. Teriam vindo da África diretamente pelo Atlântico. E também da Polinésia, pelo Pacífico. No parque há sinais indiretos da presença do homem por aqui de 50 mil anos (restos de uma fogueira). O debate é acalorado, mas de uma coisa podemos ter certeza: a teoria tradicional está completamente furada e certamente a data de chegada deve ser "empurrada" para trás. Quanto para trás, esta é a questão. E é aqui, no interior do Piauí, onde está uma das fronteiras que vão nos ajudar a entender melhor a nossa história. Nossa, do homem das américas e de toda a raça humana.

Ruínas de antigo forno de farinha sob toca na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Ruínas de antigo forno de farinha sob toca na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


No nosso primeiro dia no parque, estivemos em várias tocas para observar as pinturas. Tocas como da Roça do Brás, do Macaco, do Sítio do Meio e do Boqueirão Pedro Rodrigues, entre outras. Muitas tem o nome de seus antigos proprietários, maniçobeiros que desbravaram a região. Maniçoba é uma prima da seringueira e dela se faz borracha. Era o que impulsionava a economia da região há 100 anos. Essas pessoas muitas vezes viviam sob as tocas e ali faziam suas fogueiras e fabricavam suas farinhas. As pinturas acima não tinham muito valor para eles e muitas se perderam pelo desgaste. Foi a criação do Parque que salvou esse tesouro, para alegria da civilização e tristeza de muitos dos proprietários e antigos senhores da região.

Setas indicativas na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Setas indicativas na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Passamos também por partes da principal trilha do parque, a Hombu, que corta vales, canyons, caatinga, tocas e leitos de antigos rios. Estivemos em mirantes que nos proporcionaram vistas fantásticas da paisagem do lugar, com suas pedras e rochedos que tanto lembram a Capadócia, exceto pelo verde da caatinga. Aliás, esse verde serviu para desmontar o mito arraigado em mim de que a caatinga é sempre seca e desfolhada. Caatinga quer dizer Floresta (tinga) Branca (Caa), mas nessa época ela é bem verdinha!

Paisagem da Toca do Catitu II, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Paisagem da Toca do Catitu II, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Os mirantes mais belos que estivemos são o da Toca Catitu II e o do "Alto do Fundo do Baixão da Pedra Furada". Lá de cima, ficamos tentando imaginar como era a região há 10 mil anos, com rios caudalosos, mega fauna e floresta tropical. Os rochedos são testemunha disso tudo e cabe a nós tentar ouvi-los e entendê-los nas suas "lembranças", na forma de sedimentos e camadas estratigráficas.

Paisagem na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Paisagem na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


No fim do dia, ainda fomos visitar o Museu do Homem Americano, que guarda algumas das principais descobertas arqueológicas da regiãos, desde ossos humanos e de animais pré-históricos até utensílios usados por esses nossos primos distantes numa época em que o mundo era bem diferente do que conhecemos hoje.

Museu do Homem Americano em São Raimundo Nonato - PI

Museu do Homem Americano em São Raimundo Nonato - PI


Cartazes no Museu do Homem Americano em São Raimundo Nonato - PI

Cartazes no Museu do Homem Americano em São Raimundo Nonato - PI


Um dia cheio que encheu nossas mentes de indagações e admiração. E nos deixou sedentos para voltar ao parque e continuar nossas explorações...

Beijo na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Beijo na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


A famosa Pedra Furada, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

A famosa Pedra Furada, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Brasil, Piauí, São Raimundo Nonato (P.N. Serra da Capivara), arte, Parque, pinturas rupestres, Serra da Capivara, trilha

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A Longa Volta Prá Casa

Bolívia, Coroico, Riberalta

Uma infinita reta de terra na ibterminável estrada que liga a Bolívia à Rondônia, no Brasil

Uma infinita reta de terra na ibterminável estrada que liga a Bolívia à Rondônia, no Brasil


Depois da rápida visita à Coroico na manhã do dia 18, iniciamos a longa viagem de quase 1000 km até a fronteira com o Brasil, atravessando todo o norte da Bolívia. Estávamos tranquilos, pois a pior parte já tinha ficado para trás, a famosa Carretera de la Muerte, que desce os Andes de La Paz à Coroico. No nosso caminho, a popular Rurrenrabaque, no coração da Amazônia boliviana e um centro turístico cada vez mais reconhecido. Era ali que queríamos chegar ao final do primeiro dia e, conforme for, passar o outro dia explorando a região. Depois, uma esticada até a fronteira. Se desse tudo certo, no mesmo dia já chegaríamos à Porto Velho.


Nosso caminho cruzando o norte da Bolívia rumo ao Brasil. Saímos de Coroico (A), nos Yungas e fomos dormir na pequena Yucumo (B), numa das piores estradas desses 1000dias. Na manhã seguinte, passamos pela turística Rurrenrabaque (C), coração da amazônia boliviana e conseguimos chegar à Riberalta (D), cada vez mais parecido com o Brasil. Finalmente, na manhã de hoje, seguimos para Guayaramerín (E) e cruzamos o rio para voltar à Rondônia e ao Brasil!

É, esses eram os planos... Faltava combinar com a realidade. Para começar, quem disse que a estrada mais perigosa do mundo é a Carretera de la Muerte? Que nada! Essa aí, até que foi tranquila, agora que já não tem quase nenhum trânsito. A estrada perigosa começava, na verdade, depois de Coroico, a verdadeira Carretera de la Muerte!

A pequena cidade de Yucumo, onde dormimos nossa primeira noite na longa rota para cruzar o norte da Bolívia até Rondônia, no Brasil

A pequena cidade de Yucumo, onde dormimos nossa primeira noite na longa rota para cruzar o norte da Bolívia até Rondônia, no Brasil


A pequena cidade de Yucumo, onde dormimos nossa primeira noite na longa rota para cruzar o norte da Bolívia até Rondônia, no Brasil

A pequena cidade de Yucumo, onde dormimos nossa primeira noite na longa rota para cruzar o norte da Bolívia até Rondônia, no Brasil


Como já disse num post passado, a Carretera de La muerte “oficial” desce do altiplano a pouco mais de 4.500 metros de altura até Coroico, a 1.700 metros. Para chegar às alturas amazônicas, onde está todo o norte do país, precisaríamos descer outros mil e poucos metros. Novamente, mais precipícios e curvas fechadas. Mas agora, numa pista bem movimentada!

A pequena cidade de Yucumo, onde dormimos nossa primeira noite na longa rota para cruzar o norte da Bolívia até Rondônia, no Brasil

A pequena cidade de Yucumo, onde dormimos nossa primeira noite na longa rota para cruzar o norte da Bolívia até Rondônia, no Brasil


Esse trecho de estrada está em construção. Ainda quase todo de terra, com o tráfego normal de carros, ônibus e caminhões e, soma-se a isso, as dezenas de veículos pesados que participam da obra. Em meio a toda a poeira levantada por esses gigantes, temos de nos esgueirar pelos desvios provisórios em uma pista que mal cabe um carro, quanto mais dois. E sempre com os precipícios ao nosso lado. Tudo bem que eles, agora, só tem 100 metros de altura e não mais os 300 que tinham no trecho entre La Paz e Coroico, mas tenho certeza que escorregar em qualquer um deles “machuca” igual.

Boiada atravessa estrada antes de chegarmos a popular Rurrenrabaque, na amazônia boliviana

Boiada atravessa estrada antes de chegarmos a popular Rurrenrabaque, na amazônia boliviana


Rurrenrabaque, na orla de um rio amazônico e paraíso do ecoturismo boliviano

Rurrenrabaque, na orla de um rio amazônico e paraíso do ecoturismo boliviano


Para ficar ainda mais “emocionante”, aqui também vale a regra da mão inglesa e somos nós, os carros que estão descendo, que estão sempre ao lado dos precipícios. E a gente tem de se apertar e se equilibrar por lá, para dar espaço aos que sobem. Uma aventura poeirenta! Muita calma nessa hora! E assim, devagarzinho, fomos seguindo...

Um verdadeiro jardim de ipês na longa estrada que corta o norte da Bolívia

Um verdadeiro jardim de ipês na longa estrada que corta o norte da Bolívia


Por fim, o trânsito pesado ficou para trás, mas nossos planos de viagem também. Já estava escuro quando chegamos à pequena Yucumo, ainda bem longe da almejada Rurrenrabaque e não pestanejamos em dormir aí mesmo. Seria nossa última chance em muitas horas de estrada, já no escuro. E não parecia uma boa ideia continuar a viagem no escuro por aquelas bandas...

Nosso primeiro encontro com um Tuiuiu, ainda em terras bolivianas, a caminho do norte do país

Nosso primeiro encontro com um Tuiuiu, ainda em terras bolivianas, a caminho do norte do país


Uma cegonha voa sobre nós na longa estrada que corta o norte da Bolívia

Uma cegonha voa sobre nós na longa estrada que corta o norte da Bolívia


Então, dito e feito, na minúscula cidade dormimos. Ontem, com as montanhas definitivamente para trás, a estrada melhorou um pouco. Pelo menos, nada de tráfego ou de precipícios. Mas as costelas de vaca continuavam, o que não nos deixava acelerar. A paisagem mudou também, uma infinita planície. Estávamos na Amazônia boliviana, enfim, e logo chegamos à Rurrenrabaque.

Dezenas de cegonhas ao longo da estrada entre Rurrenrabaque e Riberalta, no norte da Bolívia

Dezenas de cegonhas ao longo da estrada entre Rurrenrabaque e Riberalta, no norte da Bolívia


Dezenas de cegonhas ao longo da estrada entre Rurrenrabaque e Riberalta, no norte da Bolívia

Dezenas de cegonhas ao longo da estrada entre Rurrenrabaque e Riberalta, no norte da Bolívia


Aí tomamos nosso café da manhã e fomos passear na orla do rio. Na cidade, várias agências organizam tours para observação da vida selvagem. Mas como já tínhamos estado nos lhanos da Venezuela, na amazônia brasileira e ainda vamos ao Pantanal, resolvemos pular essa. A vontade de seguir caminho era maior. Ainda mais agora que vimos as condições da estrada e percebemos que a viagem tomaria mais tempo. Então, pé na estrada novamente!

Um belo fim de tarde antes de chegarmos à Riberalta, onde passamos nossa segunda noite na longa rota entre Coroico, na Bolívia,  e a fronteira com o Brasil

Um belo fim de tarde antes de chegarmos à Riberalta, onde passamos nossa segunda noite na longa rota entre Coroico, na Bolívia, e a fronteira com o Brasil


O próximo longo trecho foi até a cidade de Riberalta, onde passamos a segunda noite. A boa surpresa foi que a estrada melhorou bastante uma hora depois de deixarmos Rurrenrabaque e passou a render muito mais. Com isso, tudo ficou mais “bonito”, hehehe. Mas a mudança não foi apenas psicológica não! Atravessamos uma espécie de pequeno pantanal e observamos centenas de pássaros. Entre eles, o nosso primeiro Tuiuiu! Tenho certeza que veremos centenas deles no Pantanal, mas o primeiro foi aqui, na Bolívia! Muito legal! Enorme, o mais pesado pássaro que é capaz de voar. Perto dele, até as cegonhas ficam pequenas!

A simpática igreja de Riberalta, no norte da Bolívia

A simpática igreja de Riberalta, no norte da Bolívia


Praça principal de Riberalta, na Bolívia, Cada vez mais parecido com o Brasil, um pouco mais ao norte

Praça principal de Riberalta, na Bolívia, Cada vez mais parecido com o Brasil, um pouco mais ao norte


Riberalta é uma cidade bem simpática, já bem maior que Yucumo, onde dormimos na noite anterior. Aqui, o clima e o visual são cada vez mais brasileiros, a praça, as sorveterias, o rio, as pessoas. Mas continuam a falar castelhano, hehehe.

Caminhando por passarela na orla do rio que passa por Riberalta, no norte da Bolívia

Caminhando por passarela na orla do rio que passa por Riberalta, no norte da Bolívia


O rio amazônico que passa por Riberalta, no norte da Bolívia

O rio amazônico que passa por Riberalta, no norte da Bolívia


Hoje cedo, ainda fomos passear na orla do rio para, no meio da manhã, percorrer os últimos 90 quilômetros até a fronteira. Asfaltados! O primeiro asfalto que vimos desde que saímos de La Paz! Chegamos a Guayaramerín, esperamos passar o horário de almoço e fomos fazer as burocracias de imigração e alfândega.

Um dos inúmeros pedágios espalhados pelas estradas bolivianas. Temos sempre de descer do carro e ir pagar em uma casinha ao lado da estrada. Esse aí foi entre Riberalta e Guayaramerin, no norte do país

Um dos inúmeros pedágios espalhados pelas estradas bolivianas. Temos sempre de descer do carro e ir pagar em uma casinha ao lado da estrada. Esse aí foi entre Riberalta e Guayaramerin, no norte do país


Por fim, faltava apenas encontrar uma balsa para atravessar o rio. Existe o serviço, mas faltam clientes. Com sorte, quando há mais carros ou caminhões, fica mais barato. Mas hoje, só tínhamos nós e tivemos de pagar o preço cheio, 300 bolivianos, pouco menos de 50 dólares. Meia hora de travessia e, durante o caminho, até nos ajudaram a encher o tanque da Fiona com o diesel que trazíamos em um galão.

Guayaramerin, na fronteira da Bolívia com o Brasil

Guayaramerin, na fronteira da Bolívia com o Brasil


Cruzando o rio entre Bolívia e Rondônia, no Brasil

Cruzando o rio entre Bolívia e Rondônia, no Brasil


Ali na nossa frente, aparecia a cidade de Guajara-Mirim. Estávamos de volta à Rondônia e ao Brasil. Fim da correria dos últimos dias? Nada disso, apenas a metade do caminho! Agora, outra longa estrada nos espera. Seguimos para o sul do Mato Grosso, onde várias atrações nos aguardam. São mais 1.500 km de estradas, duas noites no caminho. Pelo menos, agora é tudo asfaltado...

Chegando à Guajará-Mirim, em Rondônia.

Chegando à Guajará-Mirim, em Rondônia.

Bolívia, Coroico, Riberalta, Bichos, Estrada, Guayaramerin, Rurrenrabaque, Yucumo

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De Caiaque pelo Rio até o Mar

Brasil, Paraíba, Jacumã (Tambaba)

Chegando de caiaque no encontro do rio com o mar, na praia de Tabatinga, em Jacumã, distrito de Conde - PB

Chegando de caiaque no encontro do rio com o mar, na praia de Tabatinga, em Jacumã, distrito de Conde - PB


Depois da seção de "esportes radicais" pela manhã, resolvemos fazer algo mais light na nossa tarde. A nossa pousada disponibiliza caiaques para seus hóspedes. Como estamos ao lado do rio, fica bem prático!

De caiaque pelo rio de Tabatinga, em Jacumã, distrito de Conde - PB

De caiaque pelo rio de Tabatinga, em Jacumã, distrito de Conde - PB


Lá fomos nós, rio abaixo, em direção ao mar. "Rio abaixo" é modo de falar já que a maré subia e, na prática, estávamos indo rio acima em direção ao mar. E com todo o cuidado para não molhar a máquina fotográfica. Não é uma distância longa e logo estávamos lá, visual lindo do encontro do rio com o mar, uma língua de areia separando os dois corpos d'água e várias crianças brincando por ali. Duas delas até se animaram e vieram andar com a gente.

Levando crianças para passear de caiaque no rio de Tabatinga, em Jacumã, distrito de Conde - PB

Levando crianças para passear de caiaque no rio de Tabatinga, em Jacumã, distrito de Conde - PB


Encontro do rio com o mar na praia de Tabatinga, em Jacumã, distrito de Conde - PB

Encontro do rio com o mar na praia de Tabatinga, em Jacumã, distrito de Conde - PB


Depois, seguimos para o interior, explorando o mangue à nossa volta, até chegar numa ponte. O sol se pondo compos um belo fim de tarde aquático e esportivo! Explora daqui, explora dali, ilhas, pontes, pequenos lagos, temperatura agradabilíssima, tanto fora como dentro d'água e era tempo de voltar.

Atravessando sob a ponte do rio em Tabatinga, em Jacumã, distrito de Conde - PB

Atravessando sob a ponte do rio em Tabatinga, em Jacumã, distrito de Conde - PB


Dia tranquilo, saudável e "natural". Amanhã ainda teremos tempo para uma caminhada na praia até Coqueirinhos e depois, pé na estrada até à vizinha "John People", como carinhosamente chamamos a capital paraibana. Já temos uma longa lista de coisas para acertar por lá...

Fim de tarde no rio de Tabatinga em Jacumã, distrito de Conde - PB

Fim de tarde no rio de Tabatinga em Jacumã, distrito de Conde - PB

Brasil, Paraíba, Jacumã (Tambaba), caiaque, Conde, Praia, Tabatinga

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Reencontro, Molokini e a Big Beach

Hawaii, Maui-Kihei

A praia de Big Beach, ao sul de Kihei, litoral de Maui, no Havaí

A praia de Big Beach, ao sul de Kihei, litoral de Maui, no Havaí


Começamos hoje mais uma temporada de viagens com nossos assíduos “visitadores”, o Rafa e a Laura. Parece até que Cuba foi ontem e Galápagos anteontem. Aparentemente, eles gostam de ilhas, hehehe. Agora serão dez dias pelas ilhas havaianas de Maui, Kauai e Oahu na sempre agradável companhia de nossos padrinhos. E ainda temos o bônus da Laura estar se tornando, cada vez mais, uma fotógrafa profissional. Assim, passamos a ver nossa viagem sob os olhos e lentes de uma outra pessoa, o que sempre é curioso.

Voltando do ótimo mergulho na cratera semi-submersa de Molokini, na costa de Maui, no Havaí

Voltando do ótimo mergulho na cratera semi-submersa de Molokini, na costa de Maui, no Havaí


E os “pobresitos” nem tiveram tempo de descansar. Ainda estava escuro e já estávamos os quatro de pé, rumo à marina de onde sairia nosso barco para a ilha de Molokini. Esse é o melhor ponto de mergulho em Maui e dez entre dez operadoras levam seus clientes para lá. Exatamente por isso estávamos madrugando. A nossa operadora gosta de ser a primeira a chegar lá, ainda com o sol nascendo, para podermos fazer, ao menos o primeiro mergulho, a sós.

A cratera semi-submersa de Molokini, na costa de Maui, no Havaí

A cratera semi-submersa de Molokini, na costa de Maui, no Havaí


Ainda de madrugada, embarcando para mergulhar em Molokini, na costa de Maui, no Havaí

Ainda de madrugada, embarcando para mergulhar em Molokini, na costa de Maui, no Havaí


Dito e feito, os primeiros raios de sol começaram a aparecer e estávamos navegando, já devidamente vestidos e prontos para cair embaixo d’água. A pequena ilha de Molokini é uma cratera vulcânica semi-submersa. Passando de avião sobre ela, quando chegamos à Maui, foi possível ver com perfeição sua forma circular. As últimas erupções vulcânicas ali acorridas foram há mais de 200 mil anos mas, bem mais recentemente, outro tipo de explosão era bem comum por lá. Isso porque, durante a 2ª Guerra Mundial, os americanos a transformaram num local de prática de tiros. Pior, na década de 70, resolveram explodir toda a munição encontrada por lá, sob as águas, remanescentes desse “treino” de 30 anos antes. O estouro resultante destruiu uma enorme área de corais e a reação pública foi grande. O lado bom da história é que, com a controvérsia, toda a área foi transformada em um parque marinho. Para a alegria dos mergulhadores, já que a visibilidade em Molokini raramente cai abaixo dos 30 metros, estando muitas vezes perto dos 50 metros.

Chegando à cratera semi-submersa de Molokini, na costa de Maui, no Havaí

Chegando à cratera semi-submersa de Molokini, na costa de Maui, no Havaí


Início de mergulho em Molokini, na costa de Maui, no Havaí

Início de mergulho em Molokini, na costa de Maui, no Havaí


Os dois mergulhos foram ótimos, principalmente o primeiro, quando ainda éramos o único barco por lá e os seres marinhos ainda não tinham se assustado com tanto movimento. Vimos centenas de peixes, um polvo (adoro ver polvo embaixo d’água”), barracudas e vários tubarões de Galápagos. No segundo mergulho, já com vários outros grupos mergulhando por perto, os peixes maiores sumiram e a diversão maior foi com os pequenos mesmo, além das formações de corais. O único porém do programa foi que nossa máquina subaquática pifou logo no início do primeiro mergulhos. Temos filmes, mas a edição ainda vai demorar. Enquanto isso, as belas imagens subaquáticas de Molokini vão ficar só na nossa memória, mesmo. Só posso dizer que, para quem gosta de mergulhar e vem à Maui, é um programa imperdível.

Momentos antes da nossa câmera pifar de vez, durante mergulho em Molokini, na costa de Maui, no Havaí. As cores já estão distorcidas...

Momentos antes da nossa câmera pifar de vez, durante mergulho em Molokini, na costa de Maui, no Havaí. As cores já estão distorcidas...


De volta à terra firme, fomos conhecer o litoral ao sul de Kihei. Eu e a Ana já tínhamos ido até a Big Beach, mas a estrada segue mais ao sul, até um local chamado La Perouse Bay. É um bom local para se praticar snorkel e tentar ver golfinhos. Para seguir adiante, só à pé, pois a estrada termina. A trilha segue sobre um enorme campo de lavas endurecidas, prova que o passado vulcânico de Maui não é tão distante assim.

Um delicioso fim de tarde na praia de Big Beach, ao sul de Kihei, litoral de Maui, no Havaí

Um delicioso fim de tarde na praia de Big Beach, ao sul de Kihei, litoral de Maui, no Havaí


Fim de tarde despreocupado na Big Beach, ao sul de Kihei, litoral de Maui, no Havaí

Fim de tarde despreocupado na Big Beach, ao sul de Kihei, litoral de Maui, no Havaí


A gente, depois da correria dos últimos dias, achamos melhor sossegar um pouco o facho. Como snorkel após o mergulho da manhã não nos sensibilizou, voltamos para a Big Beach e aí passamos a tarde. Nossos corpos combalidos estavam merecendo o descanso!

Botando a conversa em dia, depois dez meses sem se ver (na Big Beach, em South Kihei, em Maui, no Havaí - foto de Laura Schunemann)

Botando a conversa em dia, depois dez meses sem se ver (na Big Beach, em South Kihei, em Maui, no Havaí - foto de Laura Schunemann)


Voltando da Little Beach para a Big Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí

Voltando da Little Beach para a Big Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí


A Ana ainda foi levar o Rafa e a Laura para conhecer a Little Beach, do outro lado da encosta. Eu preferi ficar esperando, só observando os surfistas darem seu show na praia. Na verdade, as ondas nem estavam tão propícias assim ao esporte, mas pareciam ótimas para aqueles que vem correndo pela areia e jogam suas pranchas na onda que retorna ao mar. Ali, eles encontram uma outra onda que vem e é nessa que fazem suas manobras. São craques nisso!

Surfistas dão show na Big Beach, em South Kihei, em Maui, no Havaí (foto de Laura Schunemann)

Surfistas dão show na Big Beach, em South Kihei, em Maui, no Havaí (foto de Laura Schunemann)


Feliz da vida nana Big Beach, em South Kihei, em Maui, no Havaí. Quem não estaria? (foto de Laura Schunemann)

Feliz da vida nana Big Beach, em South Kihei, em Maui, no Havaí. Quem não estaria? (foto de Laura Schunemann)


Os três voltaram da Little Beach e ficamos ali, jogando conversa fora, fotografando, botando assuntos em dia e esperando o entardecer. Por fim, voltamos ao hotel e resolvemos celebrar o reencontro num belo jantar num restaurante mais invocado, ali ao lado. Foi um investimento, mas certamente valeu a pena. Três de nós optamos por um salmão que estava uma delícia, vindo diretamente do Alaska. Engraçado que, agora, quando ouço que vem do Alaska, tenho um sentimento quase patriótico, como se aquele estado também já fosse meu. Pois é, aos poucos, roda a América vai parecendo a nossa casa. Sinal de que a viagem está funcionando!

Delicioso jantar em Kihei, em Maui, no Havaí

Delicioso jantar em Kihei, em Maui, no Havaí

Hawaii, Maui-Kihei, Big Beach, Maui, Mergulho, Molokini, Praia

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As Emoções da Véspera

Falkland, Atlântico Sul Falkland

Propriamente vestidos para fazer caiaque nos mares gelados do sul, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Propriamente vestidos para fazer caiaque nos mares gelados do sul, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Essa longa viagem de barco por 2 mil km de mar aberto entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas tem sido muito interessante, mas obviamente não é por isso que estamos todos aqui. Nós viemos porque queremos conhecer terra firme. Uma terra firme isolada e perdida do mundo, ainda imaculada pela civilização, por viajantes e turistas. Lugares que ainda se assemelham a maneira como eram há 10 mil anos, território da natureza e da vida selvagem.

Recebendo instruções sobre embarques e desembarques usando os botes infláveis, um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas

Recebendo instruções sobre embarques e desembarques usando os botes infláveis, um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas


Pois bem, esse momento está chegando. Amanhã chegamos às Ilhas Malvinas. Depois, mais uns dias de navegação e chegamos à Geórgia do Sul. Por fim, a cereja do bolo, a Península Antártica. Nesses dias de desembarque, a nossa rotina muda, pelo menos em relação ao que estamos acostumados até agora, aqui dentro do Sea Spirit. E hoje foi o dia de começarmos a nos preparar para o que vem pela frente, pelo tão esperado desembarque.

A Val, guia da equipe de caiaques do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

A Val, guia da equipe de caiaques do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Assim, além das palestras sobre animais que estamos e vamos ver e do tempo de observação nos decks externos do Sea Spirit (hoje foi o mais espetacular dia de observação até agora!), também tivemos nosso tempo de instrução sobre os procedimentos de embarque e desembarque e sobre como devemos nos comportar em terra, principalmente quando estivermos próximos da vida animal.

Aprendendo a usar as roupas e equipamentos do caiaque, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Aprendendo a usar as roupas e equipamentos do caiaque, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Em primeiro lugar, o procedimento de “seguridade biológica”. Isso é levado muito a sério por todas as empresas que trazem turistas para essa região do globo. A ideia é tentar evitar ao máximo que levemos agentes biológicos “alienígenas” para essas ilhas isoladas. Todas as nossas roupas e equipamentos devem ser minuciosamente limpos antes de desembarcarmos nas Malvinas, para não dar carona até lá para algum inseto, semente, fungo ou qualquer matéria orgânica que não seja nativa de lá. Coisas vivas trazidas da Europa e América não são benvindas por aqui, pois podem causar, eventualmente, um desequilíbrio ecológico prejudicial às plantas e animais autóctones. Cuidado especial com velcros, onde essas coisas costumam se “esconder”. Os calçados de desembarque serão sempre as botas de borracha que ganhamos no primeiro dia de viagem. Antes de entrar nos zodiacs, e também na volta, antes de entrarmos no navio, pisamos com elas em um líquido que extermina 98% das bactérias. Esse procedimento de bioseguridade será repetido sempre que mudarmos de ilhas, antes das Malvinas, antes da Geórgia do Sul e antes da Antártida, pois também não deve haver trânsito de matéria orgânica entre esses três ambientes supostamente isolados entre si.

Propriamente vestido para fazer caiaque nos mares gelados do sul, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Propriamente vestido para fazer caiaque nos mares gelados do sul, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Explicado e muito bem entendido isso, passamos aos zodiacs, os barcos infláveis que fazem o nosso transporte entre o navio e terra firme. Todo o cuidado para embarcar e desembarcar dele, já que o mar está sempre em movimento. Todo mundo de coletes e bem agasalhados, sempre atentos aos comandos do guia que estiver no comando do barco. Para embarcar, uma equipe de funcionários nos ajuda, dizendo onde sentar e oferecendo os braços como apoio. Ali, eles são os chefes e nós obedecemos. Simples assim, Cada zodiac leva até dez passageiros, tudo organizado pelos nossos guias e as pessoas vão entrando por ordem de chegada.

O Colin instrui a Ana sobre como usar o caiaque, ainda no convés do Sea Spirit no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

O Colin instrui a Ana sobre como usar o caiaque, ainda no convés do Sea Spirit no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Pronto, na teoria, já sabíamos de tudo. Faltava ver na prática. Todo mundo preparado para amanhã? Não, um pequeno e afortunado grupo de 10 pessoas precisava de mais instruções. O grupo do caiaque, eu e a Ana incluídos. Desde que começamos a planejar nossa viagem à Antártida, já imaginávamos atividades com um pouco mais de “adrenalina” no continente branco, como se diz por aí. Queríamos algo que nos aproximasse ainda mais da natureza, dos elementos e da vida selvagem. Montanhas, mergulho, acampamento e caiaques. Infelizmente, essas atividades requerem uma infraestrutura que ainda é bem pouco oferecida aos viajantes mais intrépidos e, quando o são, tem um custo meio salgado. De qualquer maneira, nessa expedição que resolvemos vir, apenas a atividade de caiaques era oferecida. Acampar em solo antártico ou subir alguma das maiores montanhas do continente, são sonhos que ficaram para depois. Alpinismo tem de ser feito em uma expedição especialmente planejada para isso e é bem caro. Acampamento, isso já é mais comum, ofertado por várias expedições. Mergulho, não encontramos nenhuma operação comercial para isso. Nosso sonho em chegar perto de da temida foca leopardo abaixo d’água ainda continua sendo isso, um sonho. Sobrou então a opção do caiaque.

Vestida e com o caiaque montado! (no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas)

Vestida e com o caiaque montado! (no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas)


Então, era isso mesmo que queríamos fazer. Mas as vagas eram limitadíssimas para essa atividade. Por isso, não tivemos muito tempo para negociar o preço da expedição. Se quiséssemos o caiaque, tínhamos de fechar logo o pacote. Foi o que aconteceu. Pouco depois, o preço para viajar caiu bastante. Mas as vagas para o caiaque, já tinham mesmo terminado. Quem se deu bem com o preço da cabine teve de se contentar em nos acompanhar de longe, sonhando em como seria se eles mesmos pudessem estar lá. Olhando por esse lado, o preço do caiaque saiu ainda mais caro do que ele realmente custou, quase 1000 dólares por pessoa. Mas nos deu a chance de ter uma experiência que não se pode mensurar em valor monetário...

A afortunada equipe que vai praticar caiaque durante a expedição. (no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas)

A afortunada equipe que vai praticar caiaque durante a expedição. (no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas)


Enfim, os dez afortunados do caiaque receberam roupas especiais para esse tipo de atividade em águas geladas. Macacões impermeáveis, coletes salva-vidas específicos, calçados muito mais fashion que as botas regulares e uma espécie de “saia”, que prendemos a boca do caiaque para deixá-lo fechado. Nada de água gelada entrar lá dentro! Todos testamos nossas roupas e depois fomos aos caiaques, ainda no convés do Sea Spirit, para aprender como nos enfiar nele e vedá-lo contra a água e para ajustar o tamanho dos pedais de direção para cada tamanho de perna. Inicialmente, vamos quase todos os quatro casais em caiaques duplos, enquanto duas amigas canadenses ficam em caiaques simples.

A esperada programação para nosso primeiro dia com desembarques. Se tudo der certo, vamos parar em duas pequenas ilhas no noroeste de Falkland

A esperada programação para nosso primeiro dia com desembarques. Se tudo der certo, vamos parar em duas pequenas ilhas no noroeste de Falkland


A nossa guia é a energética Val e será sempre ela a nos acompanhar. Remamos sempre em grupo enquanto um zodiac nos acompanha de longe, tanto para nos trazer para casa novamente como para ajudar a socorrer alguém que eventualmente caia na água gelada. Nossa roupa deve nos proteger contra o frio por algum tempo, mas ninguém quer ou deve ficar muito tempo dentro d’água. É a Val que vai decidir, a cada manhã, se o mar está seguro ou não para remarmos. Devemos sempre estar preparados para isso: ir ou não ir. A segunda opção significa que vamos da maneira convencional, junto com o resto dos outros passageiros. A ideia é sempre tentar fazer as duas coisas: o caiaque e o passeio. Por isso, seremos sempre os primeiros a partir e os últimos a voltar. E assim, já conhecedores do nosso equipamento, tiramos nossas fotos e deixamos tudo arrumadinho para usá-los na primeira oportunidade que surja.

Um brinde ao belíssimo fim de tarde no Sea Spirit um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas

Um brinde ao belíssimo fim de tarde no Sea Spirit um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas


Encontro com outro navio na noite anterior à nossa chegada às Ilhas Malvinas

Encontro com outro navio na noite anterior à nossa chegada às Ilhas Malvinas


Então, finalmente, a hora está chegando! Bem no final da tarde, as telas do Sea Spirit começaram a mostrar a programação prevista para o dia seguinte. Ali estava: dois pontos de desembarque em Falkland, as Ilhas Malvinas dos argentinos. Era o sonho antigo se materializando em realidade na frente dos nossos olhos. Tinha de ser comemorado! Pegamos uma taça de vinho e fomos ao convés ver as últimas luzes do dia 6, fotografar e celebrar o grande momento. Foi especial!

Encontro com outro navio na noite anterior à nossa chegada às Ilhas Malvinas

Encontro com outro navio na noite anterior à nossa chegada às Ilhas Malvinas


Marinheiros do Sea Spirit levam uma peça a outro navio na noite anterior à nossa chegada às Ilhas Malvinas

Marinheiros do Sea Spirit levam uma peça a outro navio na noite anterior à nossa chegada às Ilhas Malvinas


Mas o dia não acabou por aí não. Como um prenúncio das inúmeras atividades que nos esperam, depois de 3 dias de rotina no navio, eis que algo foi diferente. Já bem de noite, luzes apareceram no horizonte. Não, ainda não era Port Stanley! Era um outro navio, o primeiro que vimos desde que deixamos o Rio da Prata para trás. E não os encontrávamos por coincidência, não. Ele vinha se comunicando por rádio com o Sea Spirit já fazia tempo. Precisava de ajuda, uma peça importante que havia quebrado. Peça que tínhamos de reserva. Então, exemplo de solidariedade marinha, desviamos um pouco nosso curso para ajudá-los. Emparelhamos, a peça foi embarcada num zodiac e levado até lá, numa operação de pouco mais de uma hora. Não foi presenciada por muita gente, já que a maioria já dormia. Mas não a Ana e a turma dos que costumam esticar a noite com alguns drinques e conversas. Estavam lá para presenciar e fotografar. É, a nossa rotina começa mesmo a mudar a partir de agora...

O Sail, Brian, Jose (nosso barman!), Kim e o Doug (atrás) na noite anterior à nossa chegada às Ilhas Malvinas

O Sail, Brian, Jose (nosso barman!), Kim e o Doug (atrás) na noite anterior à nossa chegada às Ilhas Malvinas

Falkland, Atlântico Sul Falkland, caiaque, Sea Spirit

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O Primeiro Bisão a gente Nunca Esquece

Estados Unidos, South Dakota, Badlands National Park

Encontro com bisões no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Encontro com bisões no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Além da paisagem espetacular, o maior atrativo no Parque Nacional de Badlands, em South Dakota, são os animais que lá vivem. Uma fauna selvagem para ninguém botar defeito! Bisões, veados, cabras montanhesas, prairie dogs e muito mais.

Cabra montanhesa descansa em platô no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Cabra montanhesa descansa em platô no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Isso sem contar os animais que já viveram, em outras épocas, e deixaram seus vestígios. Uma extensa fauna marinha, da época em que um mar interior cobria toda a região central dos Estados Unidos, há 70 milhões de anos, além de inúmeros exemplares da megafauna americana, do tempo em que mamutes, tigres dente-de-sabre e porcos gigantes vagavam pelas florestas e, posteriormente, savanas da região.

Cabras montanhesas no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Cabras montanhesas no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Mas nós estávamos interessados era na fauna vivinha da silva mesmo. Não demorou muito para vermos os primeiros animais, cabras montesas que, com uma habilidade tremenda, ficam correndo pelas infinitas encostas do parque. Estavam bem longe, mas deram o primeiro gostinho da vida selvagem no parque.

As pradarias do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

As pradarias do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Com o entardecer, os animais foram aparecendo. Essa é a hora preferida deles, junto com o amanhecer. Enquanto o sol está alto, preferem mesmo é uma boa sombra, longe do calor que faz nessa época.

Coelho nos observa no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Coelho nos observa no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Começamos com os menores: um curioso coelho, que depois de tantos anos vivendo em um lugar onde a caça é proibida, já não aprece temer os humanos.

Coiote circula no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Coiote circula no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Um pouco mais à frente, aí sim, alguém de quem o coelho tem muito medo: um solitário e apressado coiote, de certo em busca do seu jantar. Corre, coelho!

Praire Dog no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Praire Dog no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Por fim, as centenas de prairie dogs, ou cães da pradaria, uma espécie de roedor simpático que faz sua casa em buracos na terra e vive em verdadeiras cidades, em certas partes do parque. Enquanto passávamos devagarzinho com o carro, víamos dezenas de cabecinhas nos especiando, do lado de fora de suas tocas. Alguns, mais corajosos, ficavam totalmente em pé, ou corriam para a toca de seus vizinhos, para espalhar a notícia da nossa “visita”.

Praire Dog no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Praire Dog no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Ainda ontem, no final da tarde, algumas vezes caminhando tranquilamente ao lado das estradas, outras muito bem acomodados em seus terraços nas encostas, vimos muitos veados e cabras montesas, com seus enormes chifres curvados. É incrível como já não temem mesmo carros e turistas com suas máquinas fotográficas. Bom para nós!

vida selvagem, visão comum no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

vida selvagem, visão comum no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Faltava ver o nosso maior prêmio, o bisão, o enorme animal que existia aos milhões até a metade do século XIX, mas que quase chegou a ser extinto pela estupidez do homem branco, que os matava por puro prazer. Essas gigantescas bestas, uma versão cabeluda do nosso gado de fazendas, com um aspecto mais selvagem, foi o grande sobrevivente da chamada megafauna, que se extinguiu misteriosamente ao final da última era glacial, há 12 mil anos. Bisões eram contemporâneos dos mamutes e mastodontes. Darwinisticamente falando, foram mais “adaptáveis” que seus amigos colegas de pradaria...

Espécie de cabra montanhesa comum no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Espécie de cabra montanhesa comum no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Pois é, mesmo eles quase não resistiram ao homem branco. Mas, felizmente, à beira da extinção, o bom senso prevaleceu e eles passaram a ser protegidos. Principalmente nas áreas de parques nacionais. E aqui em Badlands é um dos lugares que hoje passeiam sem ser molestados.

Pequeno veado no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Pequeno veado no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Não conseguimos vê-los ontem, mas hoje voltamos ao parque decididos a encontrá-los. Para isso, pegamos uma estrada de terra secundária e nos embrenhamos no coração das pradarias. A emoção bateu quando vimos o primeiro grupo deles, mas muito longe para ser devidamente fotografados. Um monte de pequenas manchas escuras pastando tranquilamente em uma ravina distante.

Bisão solitário no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Bisão solitário no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Pouco depois, encontramos outro grupo, agora bem grande. Mas a emoção ainda não foi aquela, pois estavam atrás de uma cerca, o que, de certa forma, tira o aspecto selvagem do animal. De qualquer maneira, aí podemos fazer muitas fotos, observá-los de perto e realizar a força desses enormes animais.

O primeiro bisão a gente nunca esquece! (Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos)

O primeiro bisão a gente nunca esquece! (Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos)


Continuamos a nos embrenhar no parque quando, finalmente, vimos um bisão solitário, livre, leve e solto, sem cercas ou grades por perto, senhor absoluto da área em que estava. Aí sim, sentimo-nos felizardos de estar em meio à natureza. Foi quando bateu mais forte aquele sentimento de que o mundo não é nosso, mas compartilhado ente as milhares de espécies que vivem na Terra, nenhuma mais importante do que as outras.

Encontro com bisões no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Encontro com bisões no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Aí ficamos um bom quarto de hora, observando, fotografando, tentando nos aproximar, com o devido cuidado. Foi muito joia! O primeiro bisão, a gente nunca esquece, criatura magnífica! Encerrávamos com chave de ouro nossa visita ao parque de Badlands. Agora, rumo às Black Hills...

Tentando socializar com um bisão no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Tentando socializar com um bisão no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Estados Unidos, South Dakota, Badlands National Park, Bichos, Parque, trilha

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