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SHUFFLE Há 1 ano: Hawaii Há 2 anos: Hawaii

Bonaire

Bonaire, Kralendijk

Admirado com o lincrível pôr-do-sol em Kralendijk, em Bonaire

Admirado com o lincrível pôr-do-sol em Kralendijk, em Bonaire


A ilha de Bonaire, ao contrário de Aruba e Curaçao que já são semi-independentes, ainda está completamente ligada à Holanda. É como uma província. Mas a moeda oficial e corrente é o dólar. A língua formal é o holandes, mas as pessoas falam mais o papiamento, um pouco mais "cantado" que em Aruba. Inglês também é entendido em todos os lugares, assim como o espanhol, em boa parte deles.

Mapa de Bonaire, mostrando todos os pontos de mergulho ao longo da costa

Mapa de Bonaire, mostrando todos os pontos de mergulho ao longo da costa


A ilha é considerada um paraíso para os mergulhadores. Não tanto pela beleza subaquática, que é bonita mas não espetacular, mas pela facilidade de se praticar essa atividade. São dezenas de pontos de mergulho ao redor da ilha, quase todos eles com acesso diretamente da praia. Basta nadar um pouco para atravessar a parte rasa e chegar aos recifes, onde a profundidade abaixa para trinta metros em média, numa descida suave. O forte da vida subaquática são os corais e bichos pequenos, incluindo aí muitos peixes coloridos. Arraias, tartarugas e tubarões são vistos de vez em quando, mas não são assíduos frequentadores. A temperatura da água é muito agradável, por volta dos 30 graus, e nem é preciso roupa para mergulhar (também não há águas-viva!). Luvas são proibidas!

Sala-cozinha do nosso studio em Kralendijk, em Bonaire

Sala-cozinha do nosso studio em Kralendijk, em Bonaire


Como os pontos são todos próximos da praia, aqui não precisamos de barco e sim de carro para se chegar até as praias. A exceção é a ilhota de Klein Bonaire, para onde só se vai de barco. Mas, com tantos outros pontos na ilha principal, nem é preciso ir até lá, para quem fica poucos dias. E assim, como não precisamos de barco, também não precisamos de guia! Isso faz de Bonaire o lugar de mergulhos mais baratos que já conheci. Por 130 dólares, eu e a Ana vamos mergulhar 6 vezes! Muito barato! Não estou somando aí o preço do aluguel do carro, que sai por uns 40 dólares diários, mais combustível.

Preparado para nosso primeiro mergulho em Kralendijk, em Bonaire. É só atravessar a rua...

Preparado para nosso primeiro mergulho em Kralendijk, em Bonaire. É só atravessar a rua...


Todos os pontos de mergulho ao redor da ilha estão devidamente sinalizados por pedras amarelas ao longo da estrada que margeia toda a costa de Bonaire. Sempre tem algum lugar para estacionar, deixamos o carro destrancado (sem nada de valor dentro!), escondemos a chave no mato e mergulhamos. Simples assim! A carteira e documentos ficam em casa. Aparentemente, a polícia não liga para isso (estarmos sem documentos). Aliás, não vimos polícia em lugar nenhum da ilha.

O primeiro mergulho em Bonaire, quase no centro de Kralendijk

O primeiro mergulho em Bonaire, quase no centro de Kralendijk


Um enorme pneu em mergulho em Kralendijk, em Bonaire

Um enorme pneu em mergulho em Kralendijk, em Bonaire


Muitos hotéis já tem o esquema dos tanques de ar. É só passar no drive-thru e pegar os seus (e deixar os usados). Para os hotéis que não tem essa facilidade, as lojas de mergulho tem. Passamos lá, pegamos tanques cheios e deixamos os vazios. Não tarda 2 minutos. E aí, estamos livres para ir mergulhar em qualquer lugar da ilha, a hora que quisermos. Não é à tôa, então, o apelido de "Divers Paradise"!

àgua bem limpa em mergulho em em Kralendijk, em Bonaire

àgua bem limpa em mergulho em em Kralendijk, em Bonaire


Uma anêmona, no nosso primeiro mergulho em Bonaire, quase no centro da capital  Kralendijk,

Uma anêmona, no nosso primeiro mergulho em Bonaire, quase no centro da capital Kralendijk,


No nosso primeiro mergulho, nem de carro precisamos! Simplesmente saímos do hotel, caminhamos 30 metros e já estávamos dentro d'água. Ontem eu tinha feito snorkel no mesmo lugar, com meu computador para medir as profundidades. Incrível como água limpa nos engana! Sem perceber, já estava indo a 20 metros de profundidade! Pena que a nossa professora de apnéia e recordista sulamericana de mergulho profundo não estava aqui para me acompanhar e ajudar a bater meu recorde. Muito mais fácil aqui do que na pedreira escura lá de Sorocaba...

Banho de mar no pôr-do-sol em Kralendijk, em Bonaire

Banho de mar no pôr-do-sol em Kralendijk, em Bonaire


Agora devidamente equipados, ficamos uma hora lá embaixo, visibilidade de mais de 20 metros, observando peixes e corais coloridos. Sentimento de completa tranquilidade, completamente zens. Diferente de Galápagos, quando estávamos sempre prontos a perseguir como loucos algum tubarão-baleia. Aqui, de certa forma, estamos mais próximos da essência do mergulho.

Maravilhoso pôr-do-sol em Kralendijk, em Bonaire

Maravilhoso pôr-do-sol em Kralendijk, em Bonaire


Depois do mergulho, já meio da tarde, fomos pegar nossa S-10. Com ela vamos a todos os cantos dessa ilha, às praias e também ao interior, onde há um belo parque para ser explorado (nem só de mergulhos vive a ilha!). E, finalmente, no final do dia,uma surpresa: um dos mais bonitos pores-do-sol (é assim?) de toda a viagem. Céu completamente dourado sobre o mar azul. Inesquecível! Quem vê as fotos, até parece montagem, que estamos em frente a algum outdoor ou quadro. Não! É verdade mesmo! Assim foi nosso entardecer!. Um ótimo agouro do que nos espera nos próximos dias, aqui no paraíso dos mergulhadores!

Parece um quadro, mas é o maravilhoso pôr-do-sol em Kralendijk, em Bonaire

Parece um quadro, mas é o maravilhoso pôr-do-sol em Kralendijk, em Bonaire

Bonaire, Kralendijk, Mergulho

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Chegando em Ilha Bela

Brasil, São Paulo, São Sebastião, Ilha Bela

Atravessando de balsa para Ilha Bela - SP

Atravessando de balsa para Ilha Bela - SP


Depois do último e preguiçoso café da manhã na excelente Pousada Katmandu, em Maresias, mais uma vez carregamos a Fiona para colocar o pé na estrada, dessa vez em direção à Ilha Bela, um dos "picos" do litoral norte paulista.

Pousada Katmandu em Maresias, São Sebastião - SP

Pousada Katmandu em Maresias, São Sebastião - SP


Antes de pegarmos a balsa em São Sebastião (principal acesso á Ilha, caso não se tenha o próprio barco ou helicóptero), ainda demos uma volta no centro histórico da cidade. Pequeno e charmoso, o mais interessante das cidades do litoral norte. Tínhamos de despachar algo pelo correio, esquecido pela Laura na pousada.

Centro histórico de São Sebastião - SP

Centro histórico de São Sebastião - SP


O eficiente serviço de balsas nos atravessou em pouco mais de 15 min. A visão da Ilha impressiona, montanhas altas e cobertas por mata densa. Apesar de ser propagada como a maior ilha marítima do Brasil, ela é um pouco menor que Florianópolis. Só que é infinitamente mais bem preservada já que boa parte da sua área é um parque. A ocupação humana se dá basicamente na costa, principalmente na parte que é voltada para o continente.

Atravessando de balsa para Ilha Bela - SP

Atravessando de balsa para Ilha Bela - SP


Reduto dos bacanas de São Paulo, a Ilha é cheia de belas casas, pousadas e restaurantes, muitos com ótima comida e um preço meio salgado. Alguns deles, além da ótima comida oferecem uma vista impressionante. O mar esmeralda e o céu azul que encontramos por aqui contribuem bastante para isso.

Final de tarde na praia do Viana em Ilha Bela - SP

Final de tarde na praia do Viana em Ilha Bela - SP


Mas vista espetacular mesmo é a que temos aqui da casa da prima Celina e do Dudu. No alto do morro, quase na ponta norte da ilha, onde o vento faz a curva, a casa ainda está em construção mas alguns quartos já estão prontos e podem receber afortunados hóspedes. A casa foi toda construída para maximizar ao máximo a vista espetacular que oferece. Enormes janelas e portas de vidro se espalham pela casa e seus cômodos. A sensação é de se estar voando sobre o mar. Um espetáculo!

Casa da Celina e Dudu, em fase final de construção, em Ilha Bela - SP

Casa da Celina e Dudu, em fase final de construção, em Ilha Bela - SP


Agora, nos poucos dias que temos por aqui, o mais difícil será escolher entre os diversos programas que a Ilha oferece, de mergulhos à caminhadas, de cachoeiras à praias. Isso sem falar naquilo que a torna mais famosa: os barcos e regatas.

Final de tarde na praia do Viana em Ilha Bela - SP

Final de tarde na praia do Viana em Ilha Bela - SP

Brasil, São Paulo, São Sebastião, Ilha Bela,

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Os Garifunas

Guatemala, Livingston

Autoretrato de uma bela menina garifuna, em Livingston, no litoral da Guatemala

Autoretrato de uma bela menina garifuna, em Livingston, no litoral da Guatemala


Em meados do século XII, um povo guerreiro originário do rio Orinoco, na Venezuela, começou a migar para o norte, através da longa cadeia de ilhas caribenhas. Eram os “Caribs” e foi por causa deles que os espanhóis passaram a denominar as ilhas dessa região de “Caribe”. Os Caribs não encontraram as ilhas despopuladas, mas ocupadas por um outro povo, de índole mais comercial e menos guerreira, os Arawaks, que aí haviam chegado ao menos um milênio antes.

Informações sobre o povo e a cultura garifuna no parque Sete Altares, em Livingston, no litoral caribenho da Guatemala

Informações sobre o povo e a cultura garifuna no parque Sete Altares, em Livingston, no litoral caribenho da Guatemala


Essa migração dos Caribs foi, então, mais um processo de conquista que de ocupação. Pressionados ou escravizados, os Arawaks seguiam para ilhas mais distantes enquanto, aos poucos, os Caribs, os seguiam. Foi durante esse processo que os espanhóis chegaram à América. Apesar de pertencerem à grupos étnicos diferentes, em algumas ilhas ouve uma mistura das duas etnias, em especial na pequena San Vincent. Ali, um grupo de Caribs homens, depois de matar ou expulsar os guerreiros Arawaks, acabou por se juntar à população feminina Arawak. Dessa mescla, surgiu um dos fenômenos linguísticos mais interessantes de que se tem notícia.

Garoto garifuna em Livingston, no litoral da Guatemala

Garoto garifuna em Livingston, no litoral da Guatemala


As línguas dos dois grupos indígenas eram bem distintas e quando ouve a mescla das duas culturas, homens Caribs e mulheres Arawaks, de alguma maneira as línguas mantiveram sua identidade. Mães ensinavam suas filhas sua antiga língua enquanto pais passavam aos filhos a sua língua. Aos poucos, o costume se generalizou, homens e mulheres convivendo, mas com centenas de palavras distintas para diferentes objetos e ações. É claro que uma criança acaba por aprender as duas versões, mas usará aquela específica do seu gênero. Todos se entendem, mas usam vocabulários distintos.

No parque Siete Altares, informações sobre a língua garifuna, em Livingston, no litoral da Guatemala

No parque Siete Altares, informações sobre a língua garifuna, em Livingston, no litoral da Guatemala


Bom, essa é só metade da história! Os espanhóis vieram, fizeram seu estrago nas pequenas ilhas, inclusive San Vincent, mas partiram, mais interessados em colonizar o continente e as grandes ilhas do que as pequenas. Mas atrás dos espanhóis vieram holandeses, ingleses e franceses, todos atrás do seu quinhão de novo mundo. Inicialmente, San Vincent foi deixada para trás nessa corrida, enquanto o uso de escravos negros se generalizava por todo o Caribe. Em 1675, um navio negreiro naufragou na costa de Bequia, uma das ilhas de San Vincent e um grande grupo de negros se salvou, nadando para a ilha. A população local (a mescla de Caribs e Arawaks) os recebeu. Como em sua cultura, não era possível a existência de homens solteiros, eles trataram de logo “casar” os negros com as mulheres de sua tribo. Nascia uma nova mistura, ou raça, os “black caribs”. Novamente, línguas distintas se mesclaram, agora de origem africana e americana. Mas toda aquela parcela do idioma Carib e Arawak que se manteve na nova língua manteve aquele padrão de diferença por gêneros, enquanto as palavras de origem africana eram faladas por todos.

Autoretrato de uma bela menina garifuna, em Livingston, no litoral da Guatemala

Autoretrato de uma bela menina garifuna, em Livingston, no litoral da Guatemala


Enquanto essa mescla de culturas ocorria, franceses e ingleses disputavam cada pequena ilha no Caribe. Mas em San Vincent, os Black Caribs impunham uma encarniçada resistência e, por diversas vezes, resistiram a tentativas de colonização por parte das duas nações. Tanto resistiram que, em meados do séc XVIII, Inglaterra e França declararam a ilha como uma região neutra e independente, um caso único no Caribe. Mesmo assim, ao menos informalmente, colonizadores franceses foram se instalando com suas fazendas, estabelecendo uma convivência mais pacífica com os Black Caribs.

Interagindo com crianças em centro cultural garifuna, em Livingston, no litoral da Guatemala

Interagindo com crianças em centro cultural garifuna, em Livingston, no litoral da Guatemala


Mas essa situação não perdurou por muito tempo. Em 1763, o Tratado de Paris concedeu a ilha, em definitivo, para a Inglaterra. A população francesa de San Vincent, obviamente, não gostou muito disso e passou a instigar os nativos a se rebelarem contra os novos colonizadores. Assim aconteceu e os britânicos demoraram quase uma geração para controlar a rebelião e conseguir que os revoltosos se rendessem. Decidiram, então, expulsar da ilha todos os Black Caribs. Na base do olho mesmo, separaram aqueles com uma aparência mais africana e os embarcaram em seus navios. Nesse processo, quase metade dos 5 mil capturados morreram, enquanto que os restantes foram literalmente despejados na ilha de Roatán, na costa de Honduras, formalmente uma colônia espanhola.

Tentando aprender o envolvente ritmo garifuna em Livingston, no litoral da Guatemala

Tentando aprender o envolvente ritmo garifuna em Livingston, no litoral da Guatemala


A partir de então, início do século XIX, com a aquiescência dos espanhóis, que viram nesse novo povo uma chance de colonizar as isoladas terras do leste da América Central, os garifunas (como passaram a ser conhecidos os Black Caribs na costa do continente) começaram a fundar pequenas vilas, da Nicarágua à Belize, passando por Honduras e Guatemala. Nessa última, destaca-se a cidade de Livingston, onde viemos passar alguns dias. Em Belize, conhecemos as cidades de Dangriga e Hopkins, também de origem garifuna. Mas é em Honduras que está o maior número de vilas e descendentes dessa diferente cultura.

Praticando com tambores garifunas em Livingston, no litoral da Guatemala

Praticando com tambores garifunas em Livingston, no litoral da Guatemala


À língua, ao longo desses últimos dois séculos, se juntaram termos em inglês, francês e espanhol, mas é mesmo suas raízes africanas que se destacam. Além disso, manteve-se a diferença por gêneros, pelo menos nas palavras de origem Carib e Arawak. Na música, destaca-se a batida e os tambores africanos, algo que soa a nós, brasileiros, bem semelhante ao Olodum da Bahia. Notável também é o orgulho que se tem da cultura, suas origens e do fato de jamais terem sido escravos.

Tentando aprender o envolvente ritmo garifuna em Livingston, no litoral da Guatemala

Tentando aprender o envolvente ritmo garifuna em Livingston, no litoral da Guatemala


Nós já tínhamos tentado em Hopkins, mas foi aqui em Livingston que tivemos o mais intenso contato com a cultura garifuna. Na visita ao parque Siete Altares, lá estava uma verdadeira enciclopédia de dados sobre as origens desse povo. Nas ruas e na praia, estávamos sempre entre eles. Mas o melhor foram as aulas que a Ana teve de percussão, num centro cultural garifuna. Na mesma noite em que chegamos, fomos ouvir uma apresentação. No dia seguinte, por duas horas, a Ana teve uma aula, aprendendo as técnicas e ritmos mais simples. Clima totalmente “Olodum”. Fez amizade com as crianças que frequentavam o centro e também com a simpática senhora que toma conta de tudo por lá, a Blanca. O bater dos tambores é algo sagrado na cultura, uma forma de se comunicar com deuses e espíritos, que adoram a boa música (quem não gosta?). Para nós, foi uma experiência única e enriquecedora, um dos pontos altos da nossa visita à Livingston e a esta parte tão isolada e desconhecida do nosso continente. É incrível como, mesmo depois de 3 anos viajando pelas Américas, ainda temos tanto por aprender e descobrir...

Ponte sobre foz de rio em praia de Livingston, no litoral da Guatemala

Ponte sobre foz de rio em praia de Livingston, no litoral da Guatemala

Guatemala, Livingston, Garifuna, história

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Casório em Goiânia

Brasil, Goiás, Goiânia

A Veridiana, belíssima noiva, entrando no casamento (Goiânia - GO)

A Veridiana, belíssima noiva, entrando no casamento (Goiânia - GO)


Goiânia apareceu no meu mundo pela primeira vez quando tinha 9 ou 10 anos. Nessa época, eu morava em Belo Horizonte e começava a ter as primeiras aulas de história da minha cidade. Aprendi que BH havia se tornado capital do estado há menos de 100 anos (na época), sucedendo Vila Rica (Ouro Preto). E que ela era uma cidade planejada, construída sobre outra mais antiga, Curral D'El Rey. Enfim, a professora pegava muito nesse ponto, que BH, ao contrário das outras grandes cidades, havia sido planejada. Por isso o formato mais simétrico, inteligente (?). E como exemplo de outras cidades planejadas no Brasil, citavam duas: Brasília, a capital, e uma tal de Goiânia. Desde então, eu guardava essa curiosidade sobre o tal planejamento de Goiânia. Imaginava algo parecido com Beagá.

Bem depois, já na época universitária, estive aqui de passagem, voltando da Chapada dos Veadeiros. O que mais me impressionou na cidade não foi o planejamento não (quantos semáfotos! Ruim feito BH!), mas a quantidade de bares e de moças bonitas nos bares. Acho que é o calor! Só sei que o consumo de álcool deveria e deve ser grande...

De volta à Goiânia em pleno séc XXI, percebe-se que a cidade cresceu muito. Os bares e as meninas bonitas continuam aqui. Assim como os semáforos. Na época do GPS, é bem tranquilo transitar entre os "quejinhos", que é como são conhecidas as rotatórias ou balões por aqui, e setores (bairros) da cidade, à bordo da Fiona.

O feliz noivo Dugalo (Goiânia - GO)

O feliz noivo Dugalo (Goiânia - GO)


Mesmo assim, por precaução, fomos de ônibus para o casamento do Dugalo e Veridiana, que foi o que nos trouxe tão cedo ao planalto central. Ônibus fornecido pelos noivos para os convidados, para ninguém ter problema com bafômetros. Melhor assim!

Com o Kina,nosso padrinho de casamento e padrinho também no casamento do Dugalo e Veridiana (Goiânia - GO)

Com o Kina,nosso padrinho de casamento e padrinho também no casamento do Dugalo e Veridiana (Goiânia - GO)


Para enfrentar o inverno com cara de verão da cidade, vestidos para festa de casamento, muito ar condicionado! E depois, cerveja gelada. Aos poucos, o paletó fica para trás, pendurado na cadeira. Mais tarde, a gravata também!

Início da cerimônia do casamento do Dugalo e Veridiana (Goiânia - GO)

Início da cerimônia do casamento do Dugalo e Veridiana (Goiânia - GO)


A cerimônia foi ao ar livre e muito bonita. Mas, bonita mesmo estava a noiva, a Veridiana. Foi muito legal ver a alegria dos noivos e também poder rever os amigos da faculdade. Atualmente, isso só acontece nos casamentos.

Com os amigos de faculdade presentes no casamento do Dugalo e Veridiana(Goiânia - GO)

Com os amigos de faculdade presentes no casamento do Dugalo e Veridiana(Goiânia - GO)


No dia seguinte, fomos passear aqui em Goiânia. Almoçamos no Glória, um boteco bem carioca e simpático, juntos com o Nando, Mariângela e os filhos Bibi e Kim. O Nando é meu primo e estamos muito bem hospedados no seu apartamento. Lá no Glória mesmo encontramos os amigos da faculdade (hoje em dia, a Ana, do seu jeito sociável, já é tão amiga deles como eu) e seguimos para bares mais agitados da cidade, o Saccarias e o Piquiras. Novamente, aquela bela combinação de calor, cerveja mulheres bonitas e muita azaração. Todo mundo aproveitando o último dia de férias.

Amanhã, tempo de trabalhar um pouco, passear na cidade e fazer algumas compras. Na terça, Brasília!

Brasil, Goiás, Goiânia,

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Andando de Lado

Panamá, Cidade do Panamá, Boquete


(A) Cartagena, (B) Cidade do Panamá e (C) Boquete estão praticamente na mesma latitude

Ontem, dia 29, foi tranquilo e chuvoso. Depois de acordar meio tarde e tomar gostoso café da manhã no nosso Bed & Breakfast São Roque, achamos melhor adiar por um dia nossa partida da Cidade do Panamá. Tínhamos esperanças de encontrar um lugar para limpar/consertar nossa Nikon, que está com o foco meio capenga, e receber o nosso guia esquecido em Colón de volta, já que nossos amigos argentinos o recuperaram na farmácia. Além disso, aproveitando a chuva, foi uma tentação trabalhar um pouco no hotel, pegar um cineminha ali por perto e dar uma olhada nas lojas de eletrônicos.

A 'Revolution Tower', um dos marcos arquitetônicos da Cidade do Panamá, capital do país

A "Revolution Tower", um dos marcos arquitetônicos da Cidade do Panamá, capital do país


Infelizmente, o técnico da única autorizada Nikon do país está em curso. Mas conseguimos os endereços da duas próximas no nosso "caminho": uma em El Salvador e a outra na Guatemala. Enquanto isso, vamos de foco manual mesmo e também de Sony, que acaba de ressuscitar. Quanto ao livro-guia, só chegaria hoje, dia 30, pela tarde. Mas conhecemos um costarriquenho no nosso hotel que se prontificou a levá-lo no sábado. Assim, o reencontro será mesmo em San José.

Maré baixa no Porto de Balboa, Oceano Pacífico, no Panamá

Maré baixa no Porto de Balboa, Oceano Pacífico, no Panamá


Na caminhada para o centro comercial do cinema e lojas de eletrônicos, passamos mais uma vez perto da imponente Revolution Tower, marco arquitetônico da cidade. Dessa vez, armados da Nikon de foco manual, pudemos enfim fotografá-la. Nas tais lojas, não achamos nada barato o suficiente para nos animarmos a comprar. Celular e lentes para a câmera, acho que terão de esperar até os EUA mesmo. Quanto ao cinema, um gostoso filme de ação com uma mulher que mata e arrebenta com os homens. "A Colombiana", acho que é o nome em português.

Estamos mesmo na América central!!! (apesar da placa, ainda estamos no Panamá)

Estamos mesmo na América central!!! (apesar da placa, ainda estamos no Panamá)


Bom, hoje foi o dia de seguir em frente. Em frente não, ao lado. Desde que saímos de Cartagena, estamos indo para o oeste e não para o norte. Na verdade, estamos até mais ao sul do que estávamos na Colômbia. Na viagem de hoje, de mais de 450 km, entre a Cidade do Panamá e a pequena Boquete, só andamos em direção ao sol poente.

A famosa Ponte das Américas, sobre o Canal do Panamá

A famosa Ponte das Américas, sobre o Canal do Panamá


No caminho, logo na saída da capital, passamos sobre o Canal do Panamá. Foi na Ponte das Américas, uma das duas únicas pontes que ligam a parte sul da América com a parte norte. Depois, fomos seguindo pela nossa velha conhecida, a rodovia Panamericana, que vai nos levar até o Alaska, com alguns "pequenos" desvios, claro. Para minha surpresa, duplicada até metade do caminho! Na cidade de David, no primeiro dos "desvios" mencionados acima, saímos à direita, para subir as montanhas, passar perto do maior vulcão do país e chegar à pequena Boquete. Pois é, tem esse nome mesmo, hehehe. Amanhã ou depois, escrevo mais sobre isso. Hoje, chegamos aqui já bem de tarde. Um imenso e magnífico arcoíris nos mostrou o caminho.

O gigantesco arcoíris marca exatamente aonde está a cidade de Boquete, no Panamá

O gigantesco arcoíris marca exatamente aonde está a cidade de Boquete, no Panamá


Na estrada, apenas um incidente, ainda na parte duplicada. Felizmente, tudo resolvido com uma boa conversa e uma "soda gelada". Tudo porque eu estava a 94 km/h. Nosso batismo na América Central.

Fiona tem 'problemas' na estrada, perto de Santiago, no Panamá

Fiona tem "problemas" na estrada, perto de Santiago, no Panamá

Panamá, Cidade do Panamá, Boquete,

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Chegando ao Chile

Argentina, Susques, Chile, San Pedro de Atacama

No Paso de Jama, fronteira entre Argentina e Chile, a 4.400 metros de altitude

No Paso de Jama, fronteira entre Argentina e Chile, a 4.400 metros de altitude


Hoje era o dia de deixarmos a Argentina e entramos no Chile. Sem querer correr riscos, saímos cedinho de Susques em direção à fronteira, cem quilômetros à frente. Difícil mesmo foi enfrentar o frio. O termômetro da Fiona marcava seis graus negativos na hora da saída!

A linda paisagem do Paso de Jama, ntre Argentina e Chile

A linda paisagem do Paso de Jama, ntre Argentina e Chile


Para variar, a paisagem era magnífica. Cruzamos mais um salar, muitas montanhas e chegamos, finalmente, ao Paso de Jama. Ali vencemos as burocracias normais de saída de um país e entramos na fila. A fronteira entre os dois países está funcionando num esquema especial, devido ao excesso de neve no lado chileno. Só passa quem chega lá até às 10:30, hora em que a fronteira abre e os carros e caminhões que cumpriram o horário limite e as burocracias podem entar no Chile.

A Fiona enfrenta seu frio recorde, pouco antes de chegar ao Paso de Jama, fronteira entre Argentina e Chile

A Fiona enfrenta seu frio recorde, pouco antes de chegar ao Paso de Jama, fronteira entre Argentina e Chile


Aí, por uns 20 km, podemos dirigir, parar e fotografar ao nosso bel prazer. E paisagens impressionantes não faltam! Salares, lagoas congeladas, montanhas nevadas, vastidões inexploradas, tudo pedindo para ser fotografado e filmado.

No Paso de Jama, fronteira entre Argentina e Chile, a 4.400 metros de altitude

No Paso de Jama, fronteira entre Argentina e Chile, a 4.400 metros de altitude


Aí, chegamos a um bloqueio dos carabineiros (a polícia daqui) chilenos. Neste ponto, todos os carros e caminhões que passaram a fronteira são reunidos e seguem em comboio por uns 40 km, guiados pelo carro da polícia. Em muitos pontos, a neve tomou conta da estrada e só meia pista está aberta. Em outros, só usando um desvio.

Nosso primeiro salar no Chile, a caminho de San Pedro de Atacama

Nosso primeiro salar no Chile, a caminho de San Pedro de Atacama


Lindas lagoas na puna chilena, a caminho de San Pedro de Atacama

Lindas lagoas na puna chilena, a caminho de San Pedro de Atacama


Ao nosso lado vão aparecendo antigos vulcões, uma visão que encanta qualquer brasileiro, já que não estamos acostumados com isso. Junta-se a isso a neve e o gelo e parece que estamos em outro planeta. Mas é apenas o Chile, país muito perto do Brasil!

Comboio para enfrentar a neve no lado chileno da fronteira

Comboio para enfrentar a neve no lado chileno da fronteira


A estrada ainda ganha bastante altitude, chegando aos 4.750 metros, novo recorde da Fiona. Aliás, o segundo do dia, pois o termômetro chegou a marcar nove graus negativos! Quando finalmente começamos a abaixar o carro da polícia nos deixa passar e o comboio se dispersa. Lá embaixo, numa enorme planície, avistamos o deserto do Atacama pela primeira vez. Ele está uns 50 km à frente e 2 km abaixo. Mas a dimensão do deserto e das montanhas e a limpeza do ar nos engana e tudo parece muito mais perto.

Trator limpa a estrada entre o Paso de Jama e San Pedro de Atacama, no Chile

Trator limpa a estrada entre o Paso de Jama e San Pedro de Atacama, no Chile


Os olhos não querem acreditar mas o relógio não mente. São quase 30 minutos de descida sem curvas, saindo dos 4.500 metros e chegando nos 2.500 metros de altitude do Atacama. Chegamos diretamente na cidade de San Pedro, onde finalmente é feita a aduana chilena. Nós e a Fiona somos legalizados no Chile, o vigésimo-segundo país desse nosso giro pelas Américas. Deixamos a nossa querida Argentina para trás, por onde ainda vamos viajar bastante nessa viagem, e chegamos ao Chile, país com atrações naturais que atrai turistas do mundo inteiro. Agora, temos de achar um hotel e começar logo nossas explorações por esse lugar mágico que é o Deserto do Atacama.

A primeira visão do deserto do Atacama, 2 mil metros abaixo de nós, no Chile

A primeira visão do deserto do Atacama, 2 mil metros abaixo de nós, no Chile

Argentina, Susques, Chile, San Pedro de Atacama,

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A Gloriosa Tikal

Guatemala, Tikal

Em frente ao Templo I, o mais famoso de Tikal, na Guatemala

Em frente ao Templo I, o mais famoso de Tikal, na Guatemala


A civilização maya se estendeu de El Salvador e Honduras ao sul do México, passando por Guatemala e Belize. Deixou ruínas de grandes cidades em todos esses países, algumas mais conhecidas e outras menos. A mais famosa de todas elas é, sem dúvida, Tikal, na Guatemala. Perto dela, até Copán, em Honduras, e Palenque e Chichen-Itzá, no México, ficam secundárias. O magnífico Templo I, em Tikal, não apenas é o cartão postal dessa antiga cidade, mas também a imagem mais conhecida de toda essa antiga civilização, uma espécie de símbolo máximo dos mayas, assim como a pirâmide de Queóps o é para a civilização egípcia.

Chegando às ruínas mayas de Tikal, na Guatemala

Chegando às ruínas mayas de Tikal, na Guatemala


Na entrada do parque, a maquete das ruínas mayas de Tikal, na Guatemala

Na entrada do parque, a maquete das ruínas mayas de Tikal, na Guatemala


Nós, que desde Dezembro de 2011 temos viajado pelos países que conformavam esse mundo maya, finalmente chegamos à Tikal. Chegamos com uma certa experiência no assunto, depois de termos passado por boa parte das ruínas mais conhecidas (ainda falta Copán!). Tivemos contato com os diversos dialetos, com os variados estilos arquitetônicos, com as diversas fases históricas, estivemos em museus, cavernas e até cenotes que eram reverenciados por esse antigo povo. Mas faltava a cereja do bolo, aquele local onde essa civilização atingiu o seu ápice, o coração do mundo maya. E este lugar é Tikal.

Nosso guia nos ensina a ler o hieroglifo de Tikal, na Guatemala

Nosso guia nos ensina a ler o hieroglifo de Tikal, na Guatemala


Com o nosso guia, caminhando pelas trilhas de Tikal, na Guatemala

Com o nosso guia, caminhando pelas trilhas de Tikal, na Guatemala


A região do Petén, a maior província da Guatemala, possui centenas de sítios arqueológicos. Tikal é “apenas” o mais conhecido deles. Estaria no nosso roteiro de qualquer maneira, mas ficamos tentados a fazer outros programas também. Principalmente, ir conhecer as ruínas de El Mirador. Essa teria sido a maior cidade maya do período pré-clássico e a descoberta de suas ruínas é relativamente recente. Na verdade, muita pesquisa arqueológica ainda está sendo feita por lá, além de alguns trabalhos de restauração. O maior charme é que nenhuma estrada chega até lá e o próprio caminho para se atingi-la já é uma aventura e atração em si só. São dois dias de caminhada na selva até as ruínas, um dia inteiro por lá e outros dois retornando. Obviamente que só se pode ir em um tour, com guia e estrutura de acampamento, inclusive uma mula para levar a equipagem. Não é um passeio barato. Depois de muito pensarmos, resolvemos não fazer, mas fica a dica para quem quiser algo fora do circuito tradicional. Para nós, mais do que acostumados a andar na mata (que é o grande atrativo para os gringos), com tantas outras ruínas na bagagem e correndo contra o tempo para retornar ao Brasil, foi a decisão lógica a ser tomada, apesar da dor no coração. Mesmo o charme de se estar em uma ruína isolada, já tínhamos tido em Caracol, em Belize. Enfim, optamos pelo tradicional e pelo prático e resolvemos nos concentrar mesmo na gloriosa Tikal.

No alto de um dos templos de Tikal, na Guatemala

No alto de um dos templos de Tikal, na Guatemala


Templo e várias estelas em Tikal, na Guatemala

Templo e várias estelas em Tikal, na Guatemala


Assim, hoje cedo, fomos de Fiona até as ruínas, pouco mais de 60 quilômetros ao norte de Flores. Logo na entrada, quase que como homenagem e reverência às ruínas, contratamos um guia para caminhar conosco pelo sítio. Quem me conhece, sabe que não é do meu feitio. A Ana até sofre com isso. Mas eu realmente prefiro caminhar em silêncio entre essas antigas pirâmides e templos, sentir mais do que escutar, imaginar mais do que ouvir, ter o impacto da descoberta com meus próprios olhos, seguir meu próprio caminho, ter meu próprio ritmo. Temos sempre um livro-guia e as informações lá escritas e mais algum conhecimento prévio e o de placas espalhadas pelo sítio são, normalmente, mais do que o suficiente para mim. Mas hoje, estávamos em Tikal! Se tivesse de escolher uma das antigas cidades mayas para ter o máximo de informações possíveis, nada mais justo que fosse na maior de todas. Então, que assim seja!

A Ceiba, a bela e sagrada árvore dos mayas, em Tikal, na Guatemala

A Ceiba, a bela e sagrada árvore dos mayas, em Tikal, na Guatemala


A Ceiba, a bela e sagrada árvore dos mayas, em Tikal, na Guatemala

A Ceiba, a bela e sagrada árvore dos mayas, em Tikal, na Guatemala


Para nossa agradável surpresa, Tikal estava muito mais vazia que Palenque ou Chichen-Itzá. Talvez pela enorme área em que os palácios, templos e pirâmides se encontram, talvez pela época do ano, o fato é que estivemos quase sós com o nosso guia em boa parte do percurso. A exceção, claro!, foi na praça principal. Mas mesmo lá, arem apenas meia dúzia de gatos pingados. Segundo o nosso guia, bem diferente do dia 21/12 do ano passado (aquela famosa data do fim do mundo...), em que mais de 10 mil pessoas estiveram em Tikal! Deve ter sido o fim do mundo, hehehe!

O magnífico Templo I, construção símbolo de Tikal, na Guatemala

O magnífico Templo I, construção símbolo de Tikal, na Guatemala


O magnífico Templo I, construção símbolo de Tikal, na Guatemala

O magnífico Templo I, construção símbolo de Tikal, na Guatemala


As ruínas se espalham por uma vasta área, quase toda ela coberta por florestas. Caminhos e trilhas na mata ligam as diversas construções e é essencial ter um mapa nas mãos (ou um guia como companhia!). Para conhecer os prédios mais importantes, são cerca de cinco quilômetros de caminhada, quase sempre na sombra agradável. Nós mal vimos o tempo (e a distância!) passar, pois nosso guia foi se encarregando de dar informações, contar histórias e responder nossas intermináveis perguntas enquanto caminhávamos.

O Templo I, o mais famoso das ruínas mayas de Tikal, na Guatemala

O Templo I, o mais famoso das ruínas mayas de Tikal, na Guatemala


O Templo I, o mais famoso das ruínas mayas de Tikal, na Guatemala

O Templo I, o mais famoso das ruínas mayas de Tikal, na Guatemala


A ocupação de Tikal já é antiga, mas ela só se tornou importante no período Clássico, entre 300 e 900 da nossa era. Aparentemente, a ascensão de Tikal coincidiu com o declínio daquela que era a maior cidade nos séculos anteriores, a El Mirador que não fomos conhecer. Essa mudança de hegemonia deve ter sido consequência de alguma guerra entre as duas cidades. Nosso guia disse que os habitantes de El Mirador abandonaram a velha cidade e formaram outra, Calakmul. Aliás, essa foi a outra cidade que planejávamos visitar e acabamos deixando para trás. Fica no sul do Yucatán, no México, a cerca de 80 km de Tikal, em linha reta. Calakmul seria a grande rival de Tikal no mundo maya, disputando com ela a supremacia ao longo de todo o período Clássico.

Caminhando pelos túneis e passagens de um dos palácios em Tikal, na Guatemala

Caminhando pelos túneis e passagens de um dos palácios em Tikal, na Guatemala


Caminhando pelos túneis e passagens de um dos palácios em Tikal, na Guatemala

Caminhando pelos túneis e passagens de um dos palácios em Tikal, na Guatemala


As cidades-estado mayas formavam alianças e federações, para disputar o poder. Tikal, por exemplo, era aliada de Copán, enquanto Calakmul era aliada de Caracol, em Belize. Tikal manteve-se como a mais importante cidade maya até o ano de 562 quando foi derrotada pelas forças combinadas de seus adversários. Pior do que isso, seu rei foi capturado, humilhado, torturado e sacrificado. Pelo próximo século, a cidade tornou-se secundária e nenhuma nova construção foi feita. Mas o tempo de vingança chegaria quando, em 695, foi a vez Tikal vencer a rival Calakmul e capturar seu rei, cujo destino foi o mesmo do antigo monarca. Os tempos de glória voltaram e mais templos foram erigidos, homenageando novos soberanos.

As ruínas mayas de Tikal, na Guatemala

As ruínas mayas de Tikal, na Guatemala


Como todos os outros grandes centros mayas do período Clássico, Tikal foi abandonada em meados do século X. Dificuldades de produção de alimentos numa época de grandes secas e superpopulação aumentou sobremaneira a quantidade de guerras entre as cidades-estado, ao mesmo tempo em que a população deixou de crer em seus governantes e na sua suposta divindade. Preferiram abandonar as cidades e voltar para o campo, cuidar da própria vida do que sustentar e defender uma classe nobre e seus monarcas. Dadas as dificuldades da época, fazia muito mais sentido...

Uma das muitas estelas expostas em Tikal, na Guatemala

Uma das muitas estelas expostas em Tikal, na Guatemala


Uma vista à Tikal de hoje significa perambular entre diversos edifícios construídos ao longo de quase um milênio. É interessante acompanhar a evolução arquitetônica e organizacional do espaço público, dos templos e pirâmides. Aliás, é a arquitetura a maior “marca” de Tikal. Os templos são altos, quase verticais. Se elevam a mais de 40 metros de altura, de forma graciosa e efeito visual impactante. O famoso Templo I não tem sua fama por acaso: é uma pintura! Estar ali, à sua frente, é emocionante!

No alto do Templo IV, observando o mapa das ruínas mayas de Tikal, na Guatemala

No alto do Templo IV, observando o mapa das ruínas mayas de Tikal, na Guatemala


Admirando Tikal do seu ponto mais alto, o topo do Templo IV (na Guatemala)

Admirando Tikal do seu ponto mais alto, o topo do Templo IV (na Guatemala)


Estimulado por nossas perguntas, o guia foi nos dando várias informações interessantes, aspectos que eu pouco havia pensado anteriormente. Por exemplo, calculando o volume e peso do material necessário para construir esses grandes templos, considerando que não havia animais de carga ou que o uso da roda era quase inexistente, e sabendo o tempo que levaram para ser construídos, os estudiosos podem calcular a quantidade de escravos que foram necessários para tais empreendimentos. Uma enormidade! É por isso que as guerras também eram tão necessárias naquela sociedade...

Admirando Tikal do seu ponto mais alto, o topo do Templo IV (na Guatemala)

Admirando Tikal do seu ponto mais alto, o topo do Templo IV (na Guatemala)


Apenas os templos mais altos se erguem acima da mata que cobre Tikal, na Guatemala

Apenas os templos mais altos se erguem acima da mata que cobre Tikal, na Guatemala


Bom, guerras e escravos passaram e caminhar por Tikal, hoje, só nos inspira paz e contemplação. Seja sob a copa de frondosas árvores, como a sagrada e gigantesca ceiba, seja no topo do mais alto dos templos, o Templo IV, de onde se pode descortinar todo o horizonte e a mata que nos cerca, com apenas algumas torres mais altas se elevando acima da copa da floresta. Foi aí que encontramos dois simpáticos brasileiros, entusiastas da cultura e civilização maya, viajando pela Guatemala em um circuito focado nos resquícios dessa antiga civilização.

O Templo V, nas ruínas mayas de Tikal, na Guatemala

O Templo V, nas ruínas mayas de Tikal, na Guatemala


Como em Caracol, também tivemos interessantes encontros com a rica fauna que vive na região. Dois lindos pica-paus dividiam uma mesma árvore, guaxinins e iguanas perambulavam pelos cantos, o som de bugio-gritadores e montezumas podia ser ouvido de longe e, sobre nossas cabeças, macacos-aranha faziam suas peripécias. Prato cheio para quem gosta da vida selvagem.

Encontro com o macaco-aranha, durante visita às ruínas mayas de Tikal, na Guatemala

Encontro com o macaco-aranha, durante visita às ruínas mayas de Tikal, na Guatemala


Um belo piaca-pau à procura de seu almoço, durante passeio às ruínas mayas de Tikal, na Guatemala

Um belo piaca-pau à procura de seu almoço, durante passeio às ruínas mayas de Tikal, na Guatemala


Foram quase quatro horas de caminhadas e aulas com o nosso simpático guia, uma infinidade de informações que foram desde a história dessa cidade até sobre noções de como ler um hieróglifo maya. Foi muito bom tê-lo como companhia, assim como teria sido se tivéssemos feito o programa a sós. Em Tikal, tem espaço para as duas opções, cada uma com suas vantagens e desvantagens. Para nós, depois de tantas ruínas sem guias, foi especial ter feito a mais bela delas com um “professor” como o que tivemos. Foi muito legal!

Encontros com brasileiros nas ruínas mayas de Tikal, na Guatemala

Encontros com brasileiros nas ruínas mayas de Tikal, na Guatemala


Com a visita à Tikal, quase fechamos nossa visita ao mundo maya. Digo “quase” porque ainda há um epílogo. Falta Copán, em Honduras, onde estaremos em poucos dias. Estamos mesmo virando especialistas. Só falta ficar fluente nos diversos dialetos, hehehe

A 'pirâmide', um dos maiores edifícios de Tikal, na Guatemala

A "pirâmide", um dos maiores edifícios de Tikal, na Guatemala

Guatemala, Tikal, Calakmul, El Mirador, história, mayas

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A Magnífica Isla del Sol

Bolívia, Copacabana, Isla del Sol

O incrível cenário da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

O incrível cenário da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


A Isla del Sol, ou Ilha do Sol, ao norte da cidade boliviana de Copacabana, na Bolívia, é a maior ilha do lago Titicaca e, provavelmente, a mais famosa. Com quase 15 quilômetros quadrados e mais de 9 quilômetros de comprimento, a ilha tem atraído as pessoas há mais de 3 mil anos, como demonstram as recentes pesquisas arqueológicas. Aliás, pesquisas acima e abaixo d’água, pois com a variação do nível do Titicaca ao longo do tempo, muitas edificações e artefatos que ficavam em alguma antiga linha da orla hoje estão muitos metros abaixo da superfície. O primeiro grande explorador do fundo do lago nas imediações da ilha foi ninguém mais do que o famoso oceanógrafo francês Jacques Cousteau.

Porto de Copacabana, prontos para ir à Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Porto de Copacabana, prontos para ir à Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


A caminho para a Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

A caminho para a Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Mas foi mesmo no período incaico que a ilha ganhou grande relevância. Os incas acreditavam que ali havia nascido sua mais importante divindade, Inti, o deus associado ao sol. Por isso, aí construíram templos e altares, principalmente ao redor de uma rocha considerada sagrada, no norte da ilha. Para aí afluíam milhares de peregrinos na época do império, o lugar mais santo da América do Sul daquela época, uma espécie de Jerusalém ou Meca dos incas.

No barco, a caminho da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

No barco, a caminho da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


A caminho para a Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

A caminho para a Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Desde aquela época, a localidade de Copacabana já era o principal acesso à ilha. Assim, pelo mesmo caminho que usavam os incas, viemos nós! Saímos cedinho do porto da cidade em um dos muitos barcos que fazem o passeio diariamente. São três as possibilidades possíveis: ficar na costa sul da ilha, onde há um grupo importante de ruínas, para retornar no barco da tarde; seguir para as ruínas da costa norte, fazer um passeio por lá e voltar com o barco para a costa sul, conhecer as ruínas dessa região e, no final da tarde, voltar com o barco para Copacabana; finalmente, pode-se também seguir para as ruínas da costa norte e depois, ao invés de navegar, fazer uma trilha de oito quilômetros atravessando quase toda a ilha, para encontrar o barco novamente na costa sul e retornar com ele para Copacabana.

Chegando à Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Chegando à Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Mapa de trilhas e atrações da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Mapa de trilhas e atrações da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Para quem tem um pouco mais de tempo, pode-se também dormir na ilha e conhecer com mais calma as ruínas do sul e do norte, além de percorrer a belíssima trilha que une as duas partes da ilha. Nós, na nossa pressa constante, mas cheios de energia, resolvemos fazer a programação completa, mas tudo no mesmo dia. Seguimos para a costa norte e aí desembarcamos com a maioria do grupo. Junto com um guia, percorremos as ruínas principais desse lado da Isla del Sol e depois, pé na trilha para o sul, aí já de forma independente, no nosso próprio ritmo.

A incrível cor do lago Titicaca, na Isla del Sol, na Bolívia

A incrível cor do lago Titicaca, na Isla del Sol, na Bolívia


O magnífico cenário do início da nossa caminhada através da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

O magnífico cenário do início da nossa caminhada através da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Lá no norte, ainda antes de chegarmos às ruínas, passamos por um pequeno museu com várias das peças resgatadas, da terra e de baixo d’água. Depois, uma curta caminhada para as trilhas, passando por praias que mais pareciam o Caribe do que um lago a 4 mil metros de altitude no meio dos Andes. Água azul-esverdeada e cristalina, areias brancas no fundo. A única coisa que não deixava enganar era a temperatura da água, perto dos 15 graus. É, no Caribe não é assim, hehehe. Mesmo assim, vimos alguns turistas mais corajosos, desses que dormiram na ilha e tinham mais tempo para isso, se arriscar a um banho. A vontade nossa foi grande também, mas tínhamos um dia longo pela frente. Mesmo sem ter feito, não há como negar: nadar nesse pedacinho do Caribe, com vista para as montanhas nevadas da Bolívia, deve ser muito especial!

O lago Titicaca e os Andes ao fundo, vistos da Isla del Sol, na Bolívia

O lago Titicaca e os Andes ao fundo, vistos da Isla del Sol, na Bolívia


Uma linda praia do lago Titicaca, na Isla del Sol, na Bolívia

Uma linda praia do lago Titicaca, na Isla del Sol, na Bolívia


Nós seguimos até as ruínas, estrategicamente colocadas no alto do morro, em um promontório. A vista aqui de cima ainda é mais espetacular! Os Incas tinham muito bom gosto e sabiam onde construir seus templos!

O incrível cenário da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

O incrível cenário da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Ruínas incas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Ruínas incas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Fonte de água que nunca seca em antigas ruínas incas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Fonte de água que nunca seca em antigas ruínas incas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Um conjunto de construções chamado de “labirinto”, pela grande quantidade de corredores e cômodos, esconde um grande segredo: uma fonte de água doce e potável que nunca seca. É, não foi só pela vista que fizeram o templo por ali...

Antigo altar inca na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Antigo altar inca na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Território sagrado dos incas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Território sagrado dos incas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Logo ali do lado está o tal rochedo sagrado. Parado em frente à ele, fiquei imaginando quantas gerações de pessoas não passaram por ali, fazendo seus pedidos, preces e agradecimentos, fé total naquele local sagrado. Com um pouco de boa vontade e dando asas à imaginação, ainda é possível sentir a energia no ar.

A Ana faz suas preces no Wiracocha, a pedra sagrada dos incas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

A Ana faz suas preces no Wiracocha, a pedra sagrada dos incas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Depois das preces, a Ana volta mais leve do Wiracocha, a pedra sagrada dos incas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Depois das preces, a Ana volta mais leve do Wiracocha, a pedra sagrada dos incas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Hoje, turistas e locais ainda prestam sua reverência, alguns mais do que os outros. Deixam suas pedras sobre os muros e totens e olham com devoção para a grande pedra. Ela deve sentir um pouco de saudades dos seus tempos de glória, mas não pode reclamar da atenção que ainda recebe.

Caminhando na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Caminhando na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


A trilha que atravessa toda a Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

A trilha que atravessa toda a Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Bom, depois de também nós deixarmos por lá nossas homenagens e pensamentos, começamos a longa trilha para o sul. Dos que se dispuseram a fazer isso, éramos os últimos a sair, querendo aproveitar cada momento naquele lugar lindo. A trilha percorre a ilha pela crista de suas montanhas, então, temos sempre uma vista , magnífica da paisagem, o lago azul lá embaixo, o enorme céu que nos envolve e as montanhas ao fundo.

Construindo nosso totem de pedra no alto da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Construindo nosso totem de pedra no alto da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


No topo da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

No topo da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Em um pequeno desvio, subimos até o alto de uma das maiores montanhas da Isla del Sol, pouco acima dos 4 mil metros. Não há trilha para lá, temos de andar sobre o terreno. Lá chegando, um pequeno altar e a mais bela vista do dia. Alguns totens mostram que não somos os únicos a chagar lá, mas certamente são poucos. Pouco e felizardos! Os barcos parecem flutuar sobre as águas transparentes da baía abaixo de nós. A neve das montanhas ao fundo parecem acesas e a atmosfera, nessa altitude, é completamente limpa. Admiramos também os infindáveis terraços agrícolas, principal fonte econômica das comunidades da ilha.

Terraços agrícolas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Terraços agrícolas na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Os Andes, a Isla del Sol e o lago Titicaca, na Bolívia

Os Andes, a Isla del Sol e o lago Titicaca, na Bolívia


Além da agricultura (e da pesca), a outra fonte é o turismo. Seja na venda de artesanato, na entrada do museu ou nos pedágios cobrados ao longo da trilha. Isso mesmo, pedágios! A cada nova comunidade que passamos, ali está alguma velhinha ou velhinho a cobrar alguns bolivianos. “Costo de mantenimiento”, dizem. Bem, não tem remédio, temos de pagar mesmo.

caminhando na belíssima Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

caminhando na belíssima Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Passando por 'pedágio' na trilha que atravessa a Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Passando por "pedágio" na trilha que atravessa a Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Mas a incrível beleza que nos envolve faz valer a pena, com certeza! Por fim, chegamos à última comunidade na parte alta da ilha, de onde teríamos de descer para o porto. Mas ainda temos um tempinho. Serão dois barcos a voltar e escolhemos pegar aquele que segue mais tarde. Com isso, ganhamos minutos preciosos para achar um restaurante com uma vista magnífica para o lago. Hora de celebrar a caminhada e a ilha com uma deliciosa Paceña gelada.

Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Ao final da trilha, uma deliciosa cerveja gelada no belíssimo cenário da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Ao final da trilha, uma deliciosa cerveja gelada no belíssimo cenário da Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Um pouco mais adiante, outro restaurante com vista de perder o fôlego. A Ana o reconhece! É o lugar onde almoçou com o amigo, quando fizeram essa mesma caminhada há sete anos. Naquele tempo, havia menos coisas aqui em cima, ela me diz. Hoje, além de restaurantes, são muitas pousadas. Certamente, seria o lugar que eu escolheria ficar em uma próxima vez por aqui. Sinceramente, após o dia de explorações, conclui que uma noite por aqui vale muito a pena. Infelizmente, não programamos isso.

O restaurante que a Ana havia almoçado há sete anos, na isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

O restaurante que a Ana havia almoçado há sete anos, na isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


A mesa parece nos chamar para uma refeição, na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

A mesa parece nos chamar para uma refeição, na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


Com nosso tempo se esgotando, restou-nos correr lá para baixo, em busca do último barco. No caminho, encontramos vários viajantes que chegavam agora, para passar a noite. Ponto para eles! Nós, bem, voltamos para a simpática Copacabana, onde já tínhamos hotel pago para a noite. Chegamos em tempo para uma rápida visita à gigantesca basílica da cidade e um jantar quentinho e apetitoso. Amanhã cedo, seguimos para Tiahuanaco e La Paz. Mais ainda tem um postzinho de Copacabana pela frente...

Um cartão postal na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia

Um cartão postal na Isla del Sol, no lago Titicaca, na Bolívia


No topo da Isla del Sol, no lago Titicaca, observando a cordilheira dos Andes, na Bolívia

No topo da Isla del Sol, no lago Titicaca, observando a cordilheira dos Andes, na Bolívia

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Uma Volta em West Maui

Hawaii, Maui-Kihei, Maui-Lahaina

Chegando à Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí

Chegando à Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí


Hoje, passamos boa parte da nossa primeira manhã em Maui tentando decidir nossa programação na ilha. Sabíamos todos os lugares que queríamos ir e tínhamos de encaixá-los em três dias. Além disso, como a Laura e o Rafa só chegariam de noite e teriam um dia a menos que nós, precisávamos deixar os programas mais imperdíveis para quando eles já estivessem conosco. Para dificultar ainda mais um pouco nosso quebra-cabeça, tínhamos de considerar que, após realizar um mergulho (um dos programas que queríamos fazer), não se pode voar nas próximas 24 horas. E nem ir a grandes altitudes, o que era outro dos programas, ir no alto de um antigo vulcão assistir o nascer-do-sol.


Nosso roteiro em Maui. Hoje, demos a volta na costa oeste, saindo de Kihei (D), passando por Lahaina (B) e Kahului (C). Amanhã, já com a Laura e o Rafa, após o mergulho, vamos explorar a costa sul (E). Finalmente, no último dia, vamos subir o vulcão (F) e percorrer a costa leste, até Hana (G)

Tudo pensado e repensado, decidimos hoje explorar a parte oeste da ilha, onde está a histórica cidade de Lahaina. Amanhã bem cedo, vamos mergulhar na cratera submersa de Molokini. O Rafa e a Laura que vão ter de aguentar o tranco: após uma viagem de mais de 24 horas entre vários voos, chegarão perto das nove da noite e, na madrugada de amanhã, antes das cinco, já deverão estar de pé para o mergulho. Descanso, só de tarde! A subida ao cume do vulcão fica para a madrugada seguinte e, logo depois, teremos o resto do dia para explorar a costa leste da ilha, percorrendo a estrada considerada a mais bonita do Havaí. Tudo programado e mergulhos reservados, pudemos sair mais tranquilos para a jornada de hoje, nosso primeiro dia inteiro na ilha de Maui.

A praia em frente ao nosso hotel, em South Kihei, em Maui, no Havaí

A praia em frente ao nosso hotel, em South Kihei, em Maui, no Havaí


Após um café da manhã em frente à praia do nosso hotel, enfrentamos um irritante congestionamento até a cidade histórica de Lahaina. Capital imperial no início do século XIX e depois, principal centro da indústria baleeira mundial, a cidade é a que atrai mais turistas na ilha, principalmente em seu belo e charmoso centro histórico. A gente, já meio irritado com o atraso causado pelo trânsito, só passamos rapidamente pela rua costeira e seguimos viagem. Nosso destino principal, hoje, eram as praias ao norte da cidade.

A belíssima praia de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí

A belíssima praia de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí


Foi nessa região que se instalaram os primeiros resorts da ilha, aproveitando a beleza de seu litoral. Mais recentemente, o boom hoteleiro se moveu mais para o sul, para a região de Waimea, perto de Kihei, onde estamos hospedados. Mas são mesmo as praias próximas de Lahaina as mais bonitas de Maui, na nossa opinião.

O belo mar de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí

O belo mar de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí


Entre as várias opções, acabamos escolhendo estacionar perto de Napili Bay, fazendo uma agradável caminhada pela costa até a paradisíaca praia de Oneloa Bay. Àguas azuis transparentes e areias brancas nos convenceram a ficar por ali mesmo, algumas horas entre mergulhos, fotos e simplesmente debruçados sob o sol. Uma delícia!

Mar tranquilo em Honolua Bay, em West Maui, no Havaí

Mar tranquilo em Honolua Bay, em West Maui, no Havaí


As ondas estavam com tamanho ideal para a prática do bom e velho jacaré. Mas nada que se assemelhasse às imagens que vemos dos campeonatos de surfe aqui no Havaí. Apesar de estarmos na temporada das ondas grandes, isso depende muito do dia e, aparentemente, hoje não era um desses dias. Mesmo assim, ainda fomos dar uma olhada, já de carro, na baía de Honolua. Pelo menos em teoria, é um ótimo lugar para se admirar os surfistas enfrentando as ondas grandes. Pois é, para se ter uma ideia, hoje, ao invés de surfistas, as águas estavam cheias de praticantes de snorkel, o que dá uma boa ideia do quão calma estava a baía.

Surfistas em ação em baía de West Maui, no Havaí

Surfistas em ação em baía de West Maui, no Havaí


A esperança é a última que morre e continuamos nossa volta pelo oeste de Maui. Um pouco depois de Honolua, a estrada se estreita bastante e passa a seguir pelo alto da encosta. Lá embaixo, nada de praias, apenas pedras e rochedos. É justamente aí que o mar fica mais violento, local preferido dos surfistas que vem de todas as partes do mundo para surfar em Maui. Sinceramente, eu não sei como eles conseguem chegar lá embaixo. Mas o fato é que chegam e lá passam o dia inteiro surfando e tomando cuidado para não se esborrachar nas rochas e corais, isso sim que é amor ao esporte!

Mar violento na costa noroeste de Maui, no Havaí

Mar violento na costa noroeste de Maui, no Havaí


A costa rochosa do noroeste de Maui, no Havaí

A costa rochosa do noroeste de Maui, no Havaí


Seguimos de mirante em mirante, ora observando surfistas, ora nos maravilhando com a paisagem grandiosa e selvagem que nos cercava. Aqui não há congestionamentos e é raro cruzar com algum outro carro. Ainda bem, pois em muitos trechos da estrada, só há espaço para um carro mesmo! Estamos na área mais isolada da ilha, completamente o oposto da urbanizada Kihei. Essa sim era a Maui que eu procurava!

Passeando com nosso jipe em West Maui, no Havaí

Passeando com nosso jipe em West Maui, no Havaí


Aproveitando o teto solar do nosso jipe em Maui, no Havaí

Aproveitando o teto solar do nosso jipe em Maui, no Havaí


Para aumentar ainda mais o clima bucólico, de tempos em tempos cruzávamos com alguma banca de comidas locais, bem “roots”. Vendiam desde caldo de cana até um delicioso bolo de banana. Aliás, desde que chegamos ao Havaí, lá na Big Island, estamos ficando viciados nesse quitute. Aqui em West Maui, paramos numa barraquinha no meio do nada que anunciava, orgulhosa, o fato de ter o melhor bolo de banana do mundo! Uma delícia, mesmo.

Barraca de beira de estada vendendo delicioso bolo de banana, muito comum emt Maui, no Havaí

Barraca de beira de estada vendendo delicioso bolo de banana, muito comum emt Maui, no Havaí


Parando em tradicional banca de estrada na isolada costa noroeste de Maui, no Havaí

Parando em tradicional banca de estrada na isolada costa noroeste de Maui, no Havaí


A pequenas estrada continuou a nos levar por vales e desfiladeiros até um pouco antes de Kahului, onde virou uma rodovia novamente. Daí seguimos de volta para nosso hotel em Kihei. Poucas horas mais tarde, voltávamos à Kahului, onde está o aeroporto da ilha. Viemos pegar nossos mais fiéis companheiros de viagem, o Rafa e a Laura, que chegavam depois de uma verdadeira epopeia pelos ares, de Curitiba para cá, via São Paulo, Cidade do México e Los Angeles. Parece que foi ontem que nos despedimos, lá em Santiago de Cuba. A Ana presenteou a Laura com um “lei”, o tradicional colar de flores havaianos. Depois, seguimos diretamente para um rápido jantar e de lá para a cama. Serão apenas poucas horas de sono até acordarmos ainda no escuro, prontos para mergulhar. Assim tem sido nossa rotina no Havaí: intensa!

Reencontro com a Laura, no aeroporto de Kahului, em Maui, no Havaí

Reencontro com a Laura, no aeroporto de Kahului, em Maui, no Havaí

Hawaii, Maui-Kihei, Maui-Lahaina, Maui, Praia

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Enfim, o Salto Angel

Venezuela, Canaima, Salto Angel

Finalmente, aos pés da maior cachoeira do mundo, o Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka

Finalmente, aos pés da maior cachoeira do mundo, o Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka


Há milhares de anos os nativos da região de Canaima, no sul da Venezuela, conhecem a montanha chamada Auyán Tepui. A palavra “tepui” quer dizer, na língua pemon, “Casa dos Deuses” e hoje, na geologia, é o nome dado a todas as montanhas em forma de mesa, com o topo plano e paredes abruptas. Elas são muito comuns no sul da Venezuela, mas as montanhas da Chapada Diamantina, por exemplo, também poderiam ser chamadas de “tepuis”.

Início da jornada de barco para o Salto Angel, região de Canaima, no sul da Venezueka

Início da jornada de barco para o Salto Angel, região de Canaima, no sul da Venezueka


Trilha para ultrapassar as corredeiras do rio Caroni, a caminho do Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka

Trilha para ultrapassar as corredeiras do rio Caroni, a caminho do Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka


Mas o nome “Auyán Tepui” muda o significado da palavra “tepui” e a expressão passa a significar “Casa do Diabo”. Era como os nativos pemons viam esse enorme tepui, um dos maiores que se conhece: um lugar amaldiçoado. Por isso, evitavam se aproximar dele e, muito provavelmente, nunca estiveram no seu topo. Mas isso não os impedia de conhecer as centenas de cachoeiras que desciam lá de cima, incluindo a maior delas, chamada de Kerepakupai Vená, ou “salto do lugar mais profundo”.

A caminho do Salto Angel, o magnífico visual dos tepuis, na região de Canaima, no sul da Venezueka

A caminho do Salto Angel, o magnífico visual dos tepuis, na região de Canaima, no sul da Venezueka


A maravilhosa paisagem no caminho para o Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka

A maravilhosa paisagem no caminho para o Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka


Esse foi o nome da mais alta cachoeira do mundo até que, no dia 9 de Outubro de 1937, o aviador americano Jimmy Angel resolveu pousar no topo do Auyán Tepui. Ele já havia sobrevoado a região quatro anos antes, seguindo os mapas de um explorador venezuelano e em busca de um rico veio de minério. Não achou o que procurava, mas viu aquela gigantesca cachoeira da qual nunca mais se esqueceu. Agora, acompanhado de sua esposa e mais duas pessoas, estava determinado a dar uma olhada mais de perto e, por isso, resolveu pousar seu pequeno avião no topo do tepui. Lá de cima, parecia um pouso seguro.

Começam a aparecer as primeiras cachoeiras nos tepuis a caminho do Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka

Começam a aparecer as primeiras cachoeiras nos tepuis a caminho do Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka


A maravilhosa paisagem no caminho para o Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka

A maravilhosa paisagem no caminho para o Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka


Mas não era. O hábil aviador conseguiu pousar sua aeronave com segurança, mas ela acabou atolando no barro e dali não mais sairia. Agora, ele e os outros três passageiros eram as primeiras pessoas a estar no alto desse tepui e tinham de arrumar alguma maneira de sair de lá. Foram onze dias, vários deles tentando encontrar um caminho de descida, até chegarem à uma aldeia indígena nas redondezas. Comida racionada, muita selva e mosquitos, chuva, mas eles chegaram vivos à civilização. Foi o relato dessa aventura e da enorme queda d´água que fizeram o mundo voltar seus olhos para essa maravilha da natureza. E a Kerepakupai Vená ganhou um novo nome: Angel Falls, ou Salto Angel, homenagem ao intrépido aviador americano.

No barco, a caminho do Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka

No barco, a caminho do Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka


A primeira visão da Angel Falls, em Canaima, no sul da Venezueka

A primeira visão da Angel Falls, em Canaima, no sul da Venezueka


Depois dessa aventura, os exploradores não pararam mais de chegar. Um deles, da distante Letônia, Aleksandrs Laime, foi o primeiro a atingir a base da cachoeira, em 1946, e o topo dela, em 1955, quando também encontrou o avião de Jimmy Angel. Antes disso, em 1949, uma expedição mediu com precisão a altura da queda d’água: incríveis 979 metros (quase um quilômetro!!!), sendo pouco mais de 800 em queda livre, sem obstáculos ou pedras no caminho. Esse enorme paredão logo se converteu em um dos maiores desafios do alpinismo e, após várias tentativas, ele foi conquistado em 1971. Mesmo hoje, ainda se contam nos dedos as expedições que conseguiram escalar com sucesso esse paredão.

Chegando ao Salto Angel, no Pàrque Nacional Canaima, no sul da Venezueka

Chegando ao Salto Angel, no Pàrque Nacional Canaima, no sul da Venezueka


Salto Angel, a maior cachoeira do mundo, em Canaima, no sul da Venezueka

Salto Angel, a maior cachoeira do mundo, em Canaima, no sul da Venezueka


Um ano antes da conquista do paredão, em 1970, o avião pioneiro de Jimmy Angel foi retirado do tepui por helicópteros venezuelanos. O avião foi remontado e hoje está em exposição no aeroporto de Ciudad Bolívar, para quem quiser render-lhe homenagens. E é por esse aeroporto que passam quase todos os milhares de turistas que vêm ao país para conhecer a maior cachoeira do mundo, já que o acesso ao Parque Nacional Canaima, onde está o Auyán Tepui e o Salto Angel, é apenas aéreo.

Desembarcando, para fazer a trilha até o mirante do Salto Angel, região de Canaima, no sul da Venezueka

Desembarcando, para fazer a trilha até o mirante do Salto Angel, região de Canaima, no sul da Venezueka


Já bem próximos do Salto Angel, no Parque Nacional Canaima, no sul da Venezueka

Já bem próximos do Salto Angel, no Parque Nacional Canaima, no sul da Venezueka


Aí passamos eu e a Ana, em 2007, também com o objetivo de ver a famosa cachoeira. Voamos para Canaima e pegamos o barco para ver o salto. No caminho de ida, lá estava ela, imponente e maravilhosa. Deixamos para fazer a trilha até o mirante na manhã seguinte, mas uma chuva torrencial durante toda a noite estragou nossos planos. A cachoeira estava tão forte no dia seguinte que só podíamos ver uma enorme nuvem de vapor e neblina no seu lugar. Tivemos de nos contentar com a visão longínqua da tarde anterior...

A maravilhosa paisagem no caminho para o Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka

A maravilhosa paisagem no caminho para o Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka


Atravessando o rio rumo ao mirante do Salto Angel, no Parque Nacional Canaima, no sul da Venezueka

Atravessando o rio rumo ao mirante do Salto Angel, no Parque Nacional Canaima, no sul da Venezueka


Bom, aqui estamos novamente para mudar essa história! Chegamos novamente à Canaima ontem pela manhã e hoje, saímos com nosso grupo de canoa motorizada em tempo de chegar até a Isla Ratón e, de lá, fazer a trilha até o mirante do Salto Angel, ainda hoje. Nada mais de arriscar uma noite de chuvas!

Impressionado com a imponência do Salto Angel, a mais alta cachoeira do mundo, em Canaima, no sul da Venezueka

Impressionado com a imponência do Salto Angel, a mais alta cachoeira do mundo, em Canaima, no sul da Venezueka


E assim foi, nós, o pessoal do Bodeswell e mais dois turistas, todos na canoa, enfrentando as quase cinco horas rio acima. Esse tempo inclui também uma caminhada de 40 minutos em um trecho em que as corredeiras do rio nos obrigam a caminhar por terra firme. Depois, todo mundo de volta ao barco para as horas restantes. É aí que começamos a nos aproximar do maravilhoso Ayuán Tepui, que de amaldiçoado, não tem nada! Muito pelo contrário, só pode ser abençoado, lindo que é com suas enormes paredes e centenas de cachoeiras escorrendo lá de cima, principalmente depois de uma chuva.

Impressionado com a imponência do Salto Angel, a mais alta cachoeira do mundo, em Canaima, no sul da Venezueka

Impressionado com a imponência do Salto Angel, a mais alta cachoeira do mundo, em Canaima, no sul da Venezueka


Pois é, choveu mesmo durante nossa viagem, todo mundo encolhido na canoa, mas sem ter para onde fugir. Só podíamos aguentar firmes. A recompensa pelo esforço veio com o céu azul aparecendo no horizonte e aquela paisagem deslumbrante à nossa frente. Uma grandiosidade difícil de expressar em palavras.

Finalmente, aos pés da maior cachoeira do mundo, o Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka

Finalmente, aos pés da maior cachoeira do mundo, o Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka


Finalmente, após mais uma curva de rio após as milhares que tínhamos feito, apareceu a cachoeira gigante. Mesmo depois ter visto tantas outras com mais de 100 metros ao longo do caminho, ver uma de quase 1.000 metros faz cair o queixo de todos. Um monstro! Que maravilha!

1000dias e o Salto Angel, a maior cachoeira do mundo, em Canaima, no sul da Venezueka

1000dias e o Salto Angel, a maior cachoeira do mundo, em Canaima, no sul da Venezueka


O barco nos levou diretamente ao início da trilha, do outro lado do rio onde está a Isla Ratón, que é onde ficam os refúgios para passarmos a noite. Agora, eram cerca de 40 minutos de caminhada pela mata, a mesma trilha aberta pelo explorador da Letônia há quase 70 anos, até o bendito mirante onde havíamos estado 6 anos atrás. No começo andei com o grupo, mas a ansiedade foi me vencendo e tratei de acelerar o passo.

O jason, a Angela e o Bode, no mirante do Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka

O jason, a Angela e o Bode, no mirante do Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka


Em 2007, na metade dessa trilha, começou a chover. Pelo menos, achávamos que era chuva, mas o guia já sabia que não. Era apenas a água da cachoeira trazida pelo vento. A tal “chuva” só foi aumentando e, quando chegamos ao mirante, o vento que vinha da cachoeira era tão forte que mal conseguíamos ficar de pé. Além disso, tudo o que se via era um manto branco. Hoje, ao contrário, nada de “chuva” no caminho, apenas o barulho que aumentava, aumentando também a ansiedade.

A pequena cachoeira aos pés do Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka

A pequena cachoeira aos pés do Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka


Por fim, cheguei! Com seis anos de atraso, lá estava a magnífica cachoeira, um quilômetro de parede e queda d’água bem na minha frente. Tive alguns minutos de solidão contemplativa até que os outros começassem a chegar e, sem exceção, reverenciassem a mãe de todas as cachoeiras. Que visão!

Cachoeira que fica abaixo do Salto Angel, a maior queda d'água do mundo, em Canaima, no sul da Venezuela

Cachoeira que fica abaixo do Salto Angel, a maior queda d'água do mundo, em Canaima, no sul da Venezuela


O mirante ainda fica a uma boa distância da parede, já que mais de perto, nem conseguiríamos ver toda a paisagem. Dali, uma pequena trilha desce até o rio, para uma pequena cachoeira de uns vinte metros que fica um pouco abaixo da Angel Falls. Em dias calmos e com pouca água, pode-se até nadar na piscina natural ao pé dessa pequena cachoeira. Eu fui até lá, pelo menos para me aproximar um pouco mais do gigante. Não dava para nadar de jeito nenhum, mas pelo menos molhar o rosto nessa água sagrada, isso sim!

Na trilha para o Salto Angel, cogumelos com cara de mixirica, em Canaima, no sul da Venezueka

Na trilha para o Salto Angel, cogumelos com cara de mixirica, em Canaima, no sul da Venezueka


1000dias e Bodeswell, encontro de expedições no Salto Angel, Parque Nacional Canaima, no sul da Venezueka

1000dias e Bodeswell, encontro de expedições no Salto Angel, Parque Nacional Canaima, no sul da Venezueka


Desse ponto, disse-me o guia, um rústico caminho leva até a parede, quase uma hora de caminhada sobre pedras escorregadias. Em dias como o de hoje, com tudo molhado, ninguém vai. De qualquer maneira, a visão mais impressionante é mesmo do mirante, onde todos chegamos.

Jantando no refúgio em frente ao Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka

Jantando no refúgio em frente ao Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka


Nossa cama no refúgio em frente ao Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka

Nossa cama no refúgio em frente ao Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka


Chegou a triste hora de partirmos, mas já estávamos felizes o suficiente por pegarmos o tempo aberto. Então, trilha para baixo, a canoa nos cruza para a outra margem, todos achamos uma rede no refúgio e nos aboletamos. Antes de dormir, um jantar a luz de velas e lanternas e todos de volta para a rede, sono embalado com o barulho da Angel Falls a dois quilômetros de distância. Que privilégio ter tido um dia como esse. Ahn, antes que eu me esqueça, choveu muito esta noite!

1000dias chega ao Salto Angel, a maior cachoeira do mundo, em Canaima, no sul da Venezueka

1000dias chega ao Salto Angel, a maior cachoeira do mundo, em Canaima, no sul da Venezueka

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