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Hoje cedo ainda tivemos algumas poucas horas para caminhar em Reykjavik, ...
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Kina (21/05)
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Raphael Céspedes (20/05)
Paulinha Ribas (20/05)
cle (17/05)
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Paulinha Ribas (17/05)
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Foto aérea do Salto Yucumã, na fronteira entre Rio Grande do Sul e Argentina, no rio Uruguai. É o maior salto do mundo em extensão horizontal, mas hoje, estava completamente tapado pelo rio cheio. (foto retirada da internet)
Há muitos anos, um amigo do antigo emprego em Curitiba fez uma longa viagem pelo sul do país. Na volta, interessado que sou em viagens, quis saber detalhes do seu roteiro. Entre tantas atrações visitadas, uma que eu nunca havia ouvido falar, um tal de “Salto Yacumã”. “O que é isso? Onde fica?” – quis logo saber. A resposta, com um sorriso maroto na boca e um tom de gozação, veio logo: “Não conhece o Salto Yacumã? Justo você que se acha o mais viajado? Que vergonha! Fica na fronteira do Brasil com a Argentina, lá no noroeste do Rio Grande do Sul. É a maior cachoeira horizontal do mundo!”.
Foto de divulgação do Salto Yucumã, a maior queda d'-agua em extensão horizontal do mundo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
Eu não tinha a menor ideia do que significava “cachoeira horizontal”, mas aquela história de ser a maior do mundo logo me interessou. Uma rápida pesquisa na internet e logo entendi: cachoeira horizontal quer dizer largura e esta tinha quase dois quilômetros de ponta a ponta. Fica no Rio Uruguai, mas vendo as fotos, entendi que não era que o rio fosse tão largo assim, mas que toda a sua água cai sobre uma enorme fenda que há dentro de seu próprio leito. Difícil explicar, mas é fácil de entender quando se vê as fotos. Tão impressionante como esse fenômeno é o fato dele ser tão pouco conhecido em nosso país. Os nossos hermanos, que dividem conosco o Salto Yacumã (assim como as Cataratas do Iguaçu) sabem valorizá-las muito mais!
Uma linda foto do Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
Bom, identificada a minha ignorância, tratei de viajar até lá no mesmo ano. Dirigi até o pequeno município de Derrubadas, onde fica o Parque Estadual que protege essa maravilha e me deslumbrei com o que vi. A queda tinha pouco menos de 10 metros, mas se estendia por 1,8 quilômetros. Ao contrário das intermináveis filas de turistas que se vê em Iguaçu, aqui era apenas eu, por mais de uma hora. Não sabia se ficava mais boquiaberto com o que via a minha frente, o maior salto horizontal do mundo, ou com o que não via, turistas!
Centro de visitantes do Parque Estadual do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
A fiona na estrada que corta o parque do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
Bom, muitos anos depois e estamos iniciando a fase final dos 1000dias, indo ao sul do continente. O Salto Yacumã não poderia faltar nesse roteiro, claro! Tinha de mostrar ele para a Ana e documentá-lo no site. Assim, saímos de Treze Tílias rumo à pequena Derrubadas, fronteira com a Argentina. Mas, antes de chegarmos lá, ainda em Santa Catarina, passamos por outra surpresa entre as tantas que esse nosso Brasil tem: a segunda maior cratera de meteoro do país.
O Domo do Vargeão, a segunda maior cratera de meteoro no Brasil, no oeste de Santa Catarina
Outra vez, foi uma surpresa total. Um cartaz, no meio da estrada, nos alertou para ela. É a cratera do Vargeão, com 12 quilômetros de diâmetro e mais de 200 metros de profundidade. Formada há cerca de 50 milhões de anos, já está totalmente tomada pela vegetação e, aos olhos menos atentos, passa despercebida. Mas quando se sabe que está lá e a vislumbramos do alto de um mirante construído em um posto de gasolina, pode-se ver claramente seus contornos. Chega a ser emocionante. Por quê essas coisas não são propagandeadas? Fico só imaginado o tanto de coisas que ainda estão por aí, esperando ser descobertas... Fosse nos EUA, haveria um museu por aqui e dezenas de painéis explicativos, ônibus de turistas e estudantes, lojinhas, restaurantes, dinheiro movimentando a economia, etc, etc... Mas aqui, há um só cartaz na estrada, colocado apenas para quem estiver prestando atenção. E um posto de gasolina que resolveu fazer uma torre de madeira com uns quinze metros de altura. Viva o posto de gasolina!
Nosso acampamento em um pesque-pague no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
Bom, depois dessa mega descoberta geológica, retomamos o caminho para Derrubadas, onde chegamos já no final da tarde. Imagina, o turismo é tão desenvolvido por lá que já não há mais pousadas. Aquela que eu tinha ficado na década passada já não existe. O que há são dois pesqueiros, onde se pode acampar ou alugar quartos rústicos. Nós, de barraca quase nova, não pensamos duas vezes a armamos nossa casinha em frente ao lago de pescaria. Não havia mais ninguém por lá e foi uma delícia, um lago só para nós, bem na nossa varanda!
O rio Uruguai transbordando, com suas águas passando sobre o Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
O rio Uruguai transbordando, com suas águas passando sobre o Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
Hoje cedo, finalmente, fomos lá ver o Salto. A intenção era boa, mas a época não! Estamos no período de cheias, que agora já não seguem a ordem natural, mas o humor das diversas hidrelétricas rio acima. O fato é que o rio está cheio por aqui e a água, simplesmente, engole o Salto Yacumã. Resumindo, tudo embaixo d’água, só podemos ver as fotos e tentar imaginar como seria no período de secas. Para mim, que já estive aqui antes, não é difícil, mas para a Ana, ainda bem que as fotos estão lá, no pequeno Centro de Visitantes.
cascata no Parque do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
muitas flores no Parque do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
Fotos e explicações para o fenômeno. Toda a água de um rio com cerca de 200 metros de largura escorre para uma fenda com menos de 20 metros de largura. Na época de seca, as quedas chegam a 15 metros de altura, mas o mais impressionante não é a altura acima da água, mas a profundidade abaixo dela! A tal fenda chega a ter 170 metros de profundidade! Tudo escondido embaixo d’água. Só de imaginar aquele buraco todo já dá calafrios! Isso explica como cabe toda aquela água lá dentro! Para nós, hoje, foi só um exercício de imaginação, pois tudo o que víamos era um rio bem largo com suas águas invadindo as bordas e alagando a floresta ao seu lado. Lá no meio, bem acima da fenda, redemoinhos e espuma mostravam que algo se escondia. Pedras? Não, uma fenda com 170 metros de profundidade!
Com o Sérgio, nosso guia no Parque do Turvo, onde está o Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
Uma das muitas espécies de pássaros que vive na região do Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
Bom, não se podia ver o Yacumã, mas o parque estadual não é só isso. Há uma grande área de mata ao redor do rio que também é protegida. No lado argentino, ainda é muito maior e, com tanto verde, uma rica fauna vive por lá, inclusive pumas. Infelizmente, ainda não foi dessa vez que vimos esses animais. O que vimos foram suas fezes e pegadas. Nas fezes, pelos e unhas da sua última refeição, alguma paca ou porco do mato.
Fezes de onça pintada no meio da estrada que atravessa o Parque do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
Pelos e ossos, tudo o que sobrou da última vítima de uma onça pintada no Parque do Turvo, onde está o Salto Yucumá, na fronteira do rio Grande do Sul com a Argentina
Quem nos disse onde procurar os rastros da onça e também nos levou para caminhar na mata até uma pequena cascata foi o simpático Sergio, um guarda-parque do Parque Estadual do Turvo. Ele discorreu sobre a história do Turvo, a fauna que lá vive e até sobre o lado argentino do parque, muito mais desenvolvido. Os hermanos chegaram a construir, por três vezes, passarelas sobre o rio, para dar acesso ao Salto, mas o rio Uruguai foi mais forte e, durante as cheias, destruiu seguidamente as tais passarelas. Então, a melhor visão que se tem do Yacumá ainda é mesmo do Brasil, hehehe.
Antigas fotos de balseiros no rio uruguai, onde está o Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
Mas é do lado argentino que se pode tomar barcos que se arriscam dentro da fenda, quando não há muita água por lá. Do lado brasileiro, famosos foram os barcos e barcaças que levavam madeira pelo rio, na metade do século passado. Foi nessa época que se cunhou o termo “ponto de balsa”, que é o nome que se dá ao rio quando se encontra da maneira que o vimos hoje. Ou seja, quando os saltos estão submersos e uma balsa pode passar tranquilamente por cima deles. Essa foi a grande atividade econômica da região naqueles tempos, corte de madeira e seu transporte pelo rio Uruguai até o Rio da Prata. Felizmente, um trecho da mata foi salvo, justamente esse que visitamos hoje.
cascata no Parque do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
Bom, depois da verdadeira aula do Sergio, do agradável passeio na mata, da visita à cascata, do cocô de onça e do Salto e da fenda que não vimos, mas que muito imaginamos, era hora de seguirmos viagem. O destino agora é São Miguel das Missões, o coração da região missioneira brasileira, conhecida como Sete Povos das Missões. Será nossa última escala no Brasil antes de entrarmos na Argentina rumo ao sul do continente. Chega de natureza, agora vamos atrás de cultura, hehehe.
Nossa viagem rumo à Argentina e Ushuaia. De Curitba (A) para Treze Tílias (C), já em Santa Catarina, passando pela Lapa (B). Depois, rumo à Derrubadas (D), já no Rio Grande do Sul, onde está a maior cachoeira em extensão horizontal do mundo. Por fim, uma passada em São Miguel das Missões (E)
Onde as águas se encontram, na praia de Setiba, em Guarapari - ES
Depois de um mergulho mais complicado, nada melhor que aproveitar o sol que brilhava em praias que marcaram nossas infâncias! Ainda mais que elas estavam ali, tão pertinho uma da outra e também do ponto onde mergulhamos.
A praia de Setiba, em Guarapari - ES
Primeiro, foi a vez de Setiba. Faz tempo que a Ana fala dessa praia. Quando ela tinha uns 10-11 anos, os pais da Ana se encheram de coragem, botaram as três filhas num carro e saíram para uma longa viagem desde o Paraná até Minas, Rio e Espírito Santo. Foi cerca de um mês na estrada e eu vivo ouvindo histórias da Ana sobre trechos e fatos dessa longa viagem. Um dos trechos preferidos foi o litoral capixaba e foi exatamente dessa praia, Setiba, que as meninas mais gostaram. Só que todas elas guardam o trauma de não ter podido nadar aqui porque eles estavam com uma programação mais apurada e tinham se programado para ir a outro lugar. Por mais que insistissem, os pais resolveram continuar. Setiba acabou virando sinônimo de uma praia linda que não pôde ser desfrutada. Quase que a Terra Prometida de Moisés, que nunca chegou lá.
A Ana na praia de Setiba, em Guarapari - ES
Vinte anos mais tarde, chegamos à Terra Prometida da Ana, a praia de Setiba. E ela continua uma gracinha mesmo! Do modo que ela tinha descrito, embora com "umas" casas a mais. Em um lado da praia há uma pequena ilha, bem próxima da areia. Tão próxima que acaba virando uma península, unida à praia por uma pequena língua de areia. Este ponto é o mais bonito. As ondas vêm dos dois lados e passam por cima da língua de areia, se encontrando. Muito jóia mesmo. Adoramos! Tanto que ficamos lá o resto do dia. Corremos, nadamos nos dois lados da ponte de areia, exploramos a península/ilha, tomamos uma cerveja pra celebrar. Vidinha bem difícil...
Praia de Setiba, em Guarapari - ES. A Ana é o pontinho ao fundo, nadando.
Bem no final da tarde, já a caminho de Iriri, no sul, paramos em Guarapari, na famosa, bela e em processo de reurbanização Praia do Morro. Fim de tarde bem bonito, céu meio avermelhado e nós, na praia, nos deliciamos com uma maravilhosa empadinha.
Comendo uma empadinha na Praia do Morro, em Guarapari - ES
Eu tinha estado em Guarapari há quase 40 anos!!! É claro que eu não me lembro, pois tinha só um ano de idade. Mas me lembro muito bem das fotos tiradas dessa temporada, do lindo nenê que eu era, disputado pelas irmãs. Fotos em preto e branco emoldurando porta-retratos e álbuns espalhados pela minha casa. Isso acabou tornando a cidade, pelo menos na minha cabeça em formação, uma coisa meio mítica. Seis anos mais tarde, passando uma temporada na pequena Carapebus, um pouco ao norte, eu já era um "adulto", seis anos de idade. Daí sim, tenho muitas lembranças. Inclusive de um passeio que fizemos à Guarapari, para revisitar os lugares que tínhamos frequentado anos antes. Engraçado... quando lembro disso, lembro de já me achar um cara mais velho, experiente. Com seis anos! Hoje, dou risada... Estranho também é pensar que, naquela época, achava os 5 anos que me separavam da outra vez uma eternidade. Nossa, hoje, cinco anos são ontem...
Praia do Morro, em Guarapari - ES
O tempo vai passando e nossas referências, tanto espaciais como temporais, vão mudando. O que era enorme, ficou pequeno. O que era uma eternidade, virou um lapso. Que saudade da minha infância, que lembro tão bem e que saudade da infância da Ana, apesar de não tê-la vivido. Deve ser o sangue português em minhas veias...
Observando os prédios de Guarapari, na praia de Setiba, em Guarapari - ES
As incríveis ruínas da Missão de Trinidad, no sul do Paraguai
A vinda da Patrícia conosco nesse reinício de viagem nos fez alterar o circuito que imaginávamos fazer aqui no Paraguai. Ao invés de seguirmos diretamente para Assunción, resolvemos vir para o sul do país, para a região das Missões Jesuíticas. Nosso plano era visitar essa região bem mais tarde na viagem, junto com a visita que faremos às missões no Rio Grande do Sul. Mas quisemos mostrá-las agora, para a Patrícia. Foi uma ótima idéia e nós três ficamos absolutamente fascinados com as ruínas na pequena cidade de Trinidad.
Visitando as incríveis ruínas da Missão de Trinidad, no sul do Paraguai
As incríveis ruínas da Missão de Trinidad, no sul do Paraguai
As chamadas "Missões", ou "Reducciones" em espanhol, foram os aldeamentos indígenas organizados e administrados pelos padres jesuítas no Novo Mundo, principalmente no que é hoje o oeste do Rio Grande do Sul, leste do Paraguai e nordeste da Argentina. Eram em larga medida auto-suficientes, dispunham de uma completa infraestrutura administrativa, econômica e cultural que funcionava num regime comunitário, onde os nativos foram educados na fé cristã e ensinados a criar arte às vezes com elevado grau de sofisticação, mas sempre em moldes europeus. O sistema missioneiro buscou introduzir o Cristianismo e um modo de vida europeizado, integrando, porém, vários dos valores culturais dos próprios índios, e estava baseado no respeito à sua pessoa e às suas tradições grupais, até onde estas não entrassem em conflito direto com os conceitos básicos na nova fé e da justiça.
Árvore frondosa em meio às incríveis ruínas da Missão de Trinidad, no sul do Paraguai
Ruínas da igreja maior da Missão de Trinidad, no sul do Paraguai
Prosperaram por cerca de 100 anos e chegaram a ter uma população de 150 mil pessoas. Para muitos historiadores, teria sido o mais perto que grupos humanos chegaram da utopia. Mas nem tudo era tão utópico. As Missões estavam constantemente ameaçadas por bandeirantes, do lado português, e "encomienderos", do lado espanhol, em busca de mão-de-obra (escravos!) para suas respectivas sociedades. Por volta de 1760, a pressão de setores da sociedade colonial, aliado com intrigas e disputas internas na igreja católica decretaram o fim do poder dos jesuítas nas américas e a expulsão da ordem religiosa do continente. Foi o fim das Missões, seus habitantes mortos, escravizados ou expulsos de volta para as matas. Muitos indigenas tentaram reagir, mas foram massacrados pelos exércitos conjuntos de Espanha e Portugal. Um fim trágico para uma história tão bela, muito bem retratado no excelente filme inglês "A Missão", com Robert De Niro, da década de 80.
Ruínas da igreja maior da Missão de Trinidad, no sul do Paraguai
As incríveis ruínas da Missão de Trinidad, no sul do Paraguai
Hoje, nos três países, restaram as antigas construções jesuíticas, testemunhos mudos de uma época de glória. No lado paraguaio, a mais bela dessas Missões é a de Trinidad, onde viviam 5 mil índios. As construções são imponentes e hoje descansam serenas no meio de um grande campo gramado. Um Patrimônio Cultural da Unesco no qual podemos caminhar sozinhos por entre paredes, colunas e cômodos, admirando a solidez e beleza das construções ao mesmo tempo em que tentamos ouvir o eco do passado. Para mim é incrível que hoje saibamos e glorifiquemos o nome dos bandeirantes sanguinários que perseguiam e destruíam os que aqui viviam, gente como Raposo Tavares ou Fernão Dias, mas que não conheçamos um só nome dos que ajudaram a construir essa sociedade igualitária que aqui viveu por mais de um século. É como se diz por aí: a história só tem uma versão oficial: a dos vencedores.
Esculturas decorativas nas paredes da igreja maior, nas incríveis ruínas da Missão de Trinidad, no sul do Paraguai
No alto do campanário das incríveis ruínas da Missão de Trinidad, no sul do Paraguai
Para nós foi um prêmio chegar até esse lugar tão pouco conhecido e poder caminhar por suas premissas, praticamente sós com nossos pensamentos e divagações. Bem ao lado das ruínas há um simpático hotel onde nos hospedamos e isso nos possibilitou a surpresa final do dia, completamente inesperada para nós: uma visita noturna guiada às ruínas, devidamente iluminadas com luzes especiais e com som ambiente das maravilhosas músicas da época, que saíam de auto-falantes estrategicamente colocados ao longo das ruínas. Pelo caminho, o guia, um apaixonado pela história das Missões, foi nos ilustrando com fatos, dados e histórias da época. A música ao fundo era absolutamente emocionante, assim como a visão noturna das construções. Foi memorável! E eu, que já era fã desse capítulo interessantíssimo da história do nosso continente, agora então...
Iluminação noturna valoriza ainda mais as incríveis ruínas da Missão de Trinidad, no sul do Paraguai
E assim terminou nosso primeiro maravilhoso dia no Paraguai. Se antes era apenas uma suspeita, agora posso dizer com certeza: o país é muito mais do que o destino de nossos carros roubados ou fonte de mercadorias de origem duvidosa. Cabe a nós enxergar por detrás da péssima propaganda e descobrir o grande vizinho que temos.
Iluminação noturna valoriza ainda mais as incríveis ruínas da Missão de Trinidad, no sul do Paraguai
Explorando o espetacular Canyon de Somoto, na Nicarágua
Saímos ontem de León ainda com meu computador meio capenga, infelizmente. O trabalho com as fotos e o uso da internet estão bem mais complicados, mas estou dando um jeito. Aparentemente, a solução será comprar um novo. Quem sabe Papai Noel não traz um?
Despedida do James, inglês que viaja de moto do Alaska à Patagônia, em León, na Nicarágua
A gente se despediu do James e do Kevin, que viajam de moto do Alaska à Patagônia e seguimos para a tranquila viagem até Somoto, já bem próxima da fronteira com Honduras. No caminho, pausa para fotos do vulcão Momotombo, o mais famoso do país, com seu cone quase perfeito. Ele fica bem em frente à capital Manágua, o grande lago separando a capital do vulcão. A gente passava agora do outro lado do Momotombo, o Lago de Manágua por detrás do vulcão. Aliás, para nós, agora, nada mais normal do que algum(ns) vulcão(ões) no horizonte. Estranho mesmo é quando não estamos vendo nenhum!
Gado pasta tranquilamente aos pés do magnífico vulcão Momotombo, visto de perto de León, na Nicarágua
Na pacata Somoto, cidade sem grande apelo turístico, a gente logo se instalou no hotel no Parque Central e contatamos um guia para nos levar ao canyon no dia seguinte (hoje!). Embora o canyon já tenha alguns milhões de anos de idade, ele só foi "descoberto" para o turismo há uma década. Antes disso, só fazia a felicidade dos habitantes locais. Os mesmo que hoje guiam os turistas em caminhadas para conhecer essa maravilha da natureza.
Finalmente, chega o nosso ônibus que nos levará à entrada do Canyon de Somoto, na Nicarágua
Hoje, então, lá fomos nós guiados pelo simpático e competente Roibin. São três passeios possíveis e nós optamos pleo mais longo, 6 horas de caminhada atravessando todo o canyon. Deixamos o carro na casa dele, quase na saída do canyon, e seguimos de ônibus até o ponto onde se entra no vale, alguns quilômetros rio acima.
Caminhando no Canyon de Somoto, na Nicarágua
Com o Roibin, nosso guia, no início da travessia do Canyon de Somoto, na Nicarágua, perto da fronteira com Honduras
A área é um parque protegido, financiamento vindo de Luxemburgo. Começamos caminhando ao lado do rio, mas logo já o estamos atravessando e depois, nadando por suas águas. Em alguns pontos, o canyon se fecha bastante formando verdadeiras gargantas com paredes de quase 100 metros de altura. Visual memorável!
Vacas atravessam o rio Coco, no Canyon de Somoto, na Nicarágua, perto da fronteira com Honduras
Admirando o Canyon de Somoto, na Nicarágua, perto da fronteira com Honduras
Até a metade do caminho não encontramos ningém, exceto simpáticas vacas que atravessavam o rio em fila indiana. Por falar nisso, as águas são transparentes, mas não se pode beber. As vacas por ali são um bom motivo para isso... Bem na metade do caminho, encontramos a trilha de quem opta por um caminho mais curto. É quando começou a aparecer outros turistas.
Feliz da vida na caminhada pelo Canyon de Somoto, na Nicarágua
Atravessando o Canyon de Somoto, na Nicarágua
É bem aí também que encontramos os maiores trechos estreitos, onde o único meio de locomoção é nadando. Sensação de estar entrando em um mundo perdido, nadar em águas verde escuras por entre enormes paredes de pedra. Finalmente, chegamos à área dos saltos, uma profunda piscina natural cerdada de paredes por todos os lados formando plataformas ideais para quem gosta de pular. Pontos com 5, 10 e até 15 metros de altura (até um pouco mais!)
O Canyon de Somoto, na Nicarágua
Uma bela cachoeira no Canyon de Somoto, na Nicarágua
O nosso guia saltou do ponto mais alto, para delírio que quem assistia. Eu subi lá, ensaiei, ensaiei e acabei desistindo. Estava com algum mal pressentimento. Desci e saltei de pontos mais baixos, cerca de 10-11 metros de altura. Aí foi a vez da Ana. De uma altura de cerca de 8 metros, foi saltar e acabou escorregando na "decolagem". Chegou na água meio de lado, mas ao final foi só mesmo o susto e um bom tapa na perna. Estava explicado o meu pressentimento anterior...
Escalando rochas no Canyon de Somoto, na Nicarágua
Saltando de 10 metros de altura em piscina natural no Canyon de Somoto, na Nicarágua
Seguimos em frente, sempre nadando, e chegamos a outro ponto de salto, ainda mais bonito que o anterior. Como o pressentimento já tinha se realizado, achei que agora não teria mais problemas. E lá fui eu saltar de quase 15 metros, visual absolutamente maravilhoso. O salto foi ótimo, mas a nossa querida Sony deixou de funcionar outra vez. Que uruca! Salto devidamente filmado, mas não fotografado. Algum dia teremos chances de mexer nesses filmes...
Voltamos para a casa do Roibin onde fomo muito bem tratados por sua enorme família. Ficou até a promessa de pararmos aqui na volta, daqui a uns 7 meses. Se viermos por esse caminho...
A bela paisagem ao final do Canyon de Somoto, na Nicarágua, perto da fronteira com Honduras
A decisão só vai ser feita na época. Mas a passagem por essa fronteira, amanhã, vai nos ajudar a decidir. Dizem que esta é uma das mais tranquilas fronteiras entre Nicarágua e Honduras. Veremos!
Com a família do Roibin, nosso guia, ao final da travessia do Canyon de Somoto, na Nicarágua, perto da fronteira com Honduras
Caminhando pelo convés na nossa primeira manhã no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
Nossos primeiros dias no Sea Spirit foram de pura navegação. Afinal, são pouco mais de 2 mil quilômetros entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas, a primeira terra firme no nosso caminho. Saímos da capital argentina no início da tarde do dia 3 com previsão de chegada na manhã do dia 7. Pouco mais de 3 dias, tempo mais do que suficiente para nos adaptarmos à nossa nova casa e às rotinas do dia a dia. Em uma primeira impressão, pode até parecer que seríamos tomados pela monotonia, tanto tempo sem ver nada ou ter o que fazer, cercado de água por todos os lados. Impressão errada! A programação foi intensa, a quantidade de coisas para ser ver, fazer e aprender também e o Sea Spirit, nossa casa pelas próximas 3 semanas, se mostrou muito além de nossas expectativas, tanto de conforto como de desempenho.
A planta do Sea Spirit, num quadro na ponte de comando do navio
A planta do Sea Spirit e seus cinco andares. Nosso quarto era o 334, no Oceanus Deck, o mesmo do auditório e da recepção, por onde se entra no navio
Nos próximos posts vou falar do intenso programa de palestras, da incrível fauna que já vimos neste caminho e também dos “eventos sociais” e dos nossos amigos e colegas da expedição. Agora, quero falar é do Sea Spirit e da nossa rotina no barco que conhecemos e exploramos nesses primeiros dias de viagem.
Um dos corredores de acesso aos quartos no Sea Spirit
Uma janela do tipo escotilha no Sea Spirit
O barco foi construído em 1991 e tem praticamente 90 metros de comprimento. São 7 andares, dois deles com acesso restrito. Nós, passageiros, circulamos entre o segundo e o sexto, onde estão as cabines, restaurante, auditório, ginásio, jacuzzi e outras amenidades. O Sea Spirit acondiciona até 114 “hóspedes” e 80 membros do staff e tripulação. Todas as cabines de passageiros têm vista para o exterior, banheiro próprio, telefone via satélite e tela flat screen com DVD. As mais chiques tem até varanda própria, mas duvido que sejam muito usadas nos gelados ambientes polares.
Nossa espaçosa cabine, com quarto e até uma pequena sala, no Sea Spirit, navio que nos leva até a Antártida
Nossa espaçosa cabine, com quarto e até uma pequena sala, no Sea Spirit, navio que nos leva até a Antártida
O navio tem uma pequena academia de ginástica, mas não é muito fácil usá-la com o barco em movimento. Tem também uma biblioteca joia, uma grande jacuzzi ao ar livre com água bem quente, wi-fi (cara e lenta! Na prática, serve só para e-mails de texto), uma pequena loja de lembranças e, o melhor de tudo, um aconchegante bar com bebidas já incluídas, exceto as mais caras pelas quais pagamos um pequeno valor. Por exemplo, uísques 8 anos já estão incluídos, mas por pouco mais de um dólar fazemos o up-grade para os doze anos. Para compensar essa fartura e facilidade de bebidas, podemos caminhar e até fazer cooper ao ar livre no deck que dá toda a volta no quarto andar, chamado de “Club Deck”, num circuito de quase 200 metros. Um dia, pela manhã, cheguei a dar dez voltas correndo por aí!
Lendo um livro na nossa cabine do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
Banheiro da nossa cabine no Sea Spirit
Uma das grandes vantagens que tivemos nessa viagem foi que o barco seguiu relativamente vazio. Ao invés da capacidade máxima de hóspedes, o que costuma acontecer nas viagens entre Dezembro e Janeiro, nós éramos apenas cerca de 70 pessoas. Isso facilitava bastante na hora das refeições e nas operações de embarque e desembarque. Geralmente, esses pontos de visita tem um limite máximo de pessoas e nas viagens feitas por grandes navios, os passageiros têm de fazer turnos de visita. No caso do Sea Spirit, mesmo com a lotação máxima, não se chega a este limite, mas de qualquer maneira, perde-se muito menos tempo na operação de levar e trazer de terra firme nos botes infláveis 70 passageiros que os 114 da lotação máxima.
A sala de estar do Sea Spirit com o Jeff ao piano, um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas
Guloseimas servidas durante o horário do chá, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto da Rukimini)
O Sea Spirit tem cabines duplas e triplas. Obviamente, a segunda opção é mais barata, mas essas cabines triplas são separadas entre homens e mulheres e eu e a Ana não quisemos ficar separados tanto tempo. Assim, pagamos um pouco mais e optamos pela dupla. Nós já tínhamos visto fotos da cabine nos folders e internet, mas nunca dá para acreditar muito nessas fotos. Assim, nossa expectativa estava mais baseada no que lemos de relatos de outros viajantes para a Antártida. Eles tinham viajado em outros navios, mas imaginávamos que era tudo do mesmo padrão. As descrições eram de cabines mais rústicas, eficientes, mas pouco confortáveis. Assim, para nós foi uma gratíssima surpresa o padrão da nossa cabine, muito mais confortável do que a maioria dos hotéis que temos ficado por aí. Uma vasta cama, muitos armários, uma pequena sala com sofá, uma bela janela e um banheiro pequeno, mas muito bem acomodado. Uma delícia! Quando vimos, dávamos pulos na cama, muito felizes com a escolha que fizemos e com as 3 semanas que nos esperavam. O quarto, assim como todo o interior do navio, está aclimatizado a agradáveis vinte e poucos graus e podemos estar sem casacos. É um local muito agradável e muitas vezes eu me refugiava por lá para ler algum livro enquanto a Ana socializava pelo navio. De noite, tinha sempre a opção de algum filme na TV, mas usamos isso muito pouco, com tantas coisas mais interessantes para se fazer.
Visita à ponte de comando do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
Visitando a ponte de comando do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
Nosso quarto estava no 3º andar, o chamado “Oceanus Deck”. O mesmo andar do auditório do navio, onde ocorriam todas as palestras. É também o andar da recepção, pois é por aí que abordamos o navio quando ele atraca em algum porto (Buenos Aires, Port Stanley, nas Malvinas, e Ushuaia, no final da viagem). Um andar abaixo de nós, no “Main Deck”, está o restaurante para as três refeições. É também desse andar que abordamos os “Zodiacs”, que é o nome dos botes infláveis nos levam e trazem para terra firme ou passeios no mar. Mas o caminho para chegar até eles não é o mesmo do restaurante! A escada de acesso para lá fica na parte externa do Oceanus Deck.
Mapa de navegação na ponte de comando do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
Mapa de navegação na ponte de comando do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
Um andar acima do nosso é o chamado Club Deck, aquele que podemos dar a volta inteira pela parte externa do navio. Aí está o bar, a sala de estar e a biblioteca, tudo num mesmo ambiente, amplo e aconchegante. Tem até um piano de calda. É aí que ocorrem as animadas festas do navio e outros eventos sociais. Todas as tardes era servido café, chá e várias guloseimas para acompanhar. Certamente um dos locais prediletos do navio, seja para conversar, seja para ler. A biblioteca tem livros de todos os tipos, mas o forte realmente é a literatura sobre os polos, seja de aventura, exploração, científica, fotográfica ou puramente informativa.
Aproveitando as águas quentes da jacuzzi do Sea Spirit, enquanto a temperatura fica cada vez mais fria no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
A Ana se esquenta na jacuzzi no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
Por fim, um andar acima está o “Sports Deck”, onde está a pequena academia de ginástica e a jacuzzi ao ar livre. É também o andar que tem o deck ao ar livre mais amplo, local preferido para se esquentar ao sol ou observar a vida selvagem, como pássaros, baleias e golfinhos. Aí quase sempre estava o Jim, o nosso guia ornitólogo, sempre com seu binóculo e máquina fotográfica a nos apontar as muitas espécies de pássaros que vivem nesse mundo isolado. Também aí era servido, se as condições do tempo permitissem, um almoço mais light e com menos variedade. Mas muita gente se servia lá embaixo e vinha comer aqui em cima, simplesmente pelo prazer de estar ao ar livre, principalmente nos dias de sol e sem vento.
Rumo ao frio e ao sul, para lá segue o Sea Spirit um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas
Nosso capitão observa os instrumentos da sala de controles do Sea Spirit, um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas
Nessa andar também, mas no outro lado do navio, na proa, está a ponte de comando. Para chegar lá, passamos pelo corredor de acesso às cabines mais caras, aquelas com varanda que ninguém usa, e entramos pela porta que nunca está trancada (passageiros são benvindos!) para chegar a grande sala de comando, com uma linda e ampla vista do que segue adiante. A sala é cheia de aparelhos analógicos e digitais, muitas telas de informações, centenas de botões, mapas e cartas náuticas e sempre dois ou mais marinheiros, algumas vezes o próprio capitão, se revezando no comando da embarcação. São sempre simpáticos em nos responder as dúvidas e nos ensinar um pouco sobre a arte de navegar em mar aberto ou nos mostrar em algum mapa onde estamos, de onde viemos e para onde vamos, a qualquer hora do dia ou da noite.
Os instrumentos da sala de controles do Sea Spirit, um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas
As telas do Sea Spirit anunciam a programação do dia 4/11, com palestras pela manhã, filmes e um coquetel de tarde e de noite
Enfim, é nesse ambiente que estamos vivendo. Acordamos cedo e, tanto na recepção como na biblioteca, já estão pequenos jornais com o resumo do que aconteceu no mundo no dia anterior. Tem versões focadas na Austrália, Inglaterra e Estados Unidos (muitos passageiros desses três países) e uma versão mundial. Também de manhã, as telas espalhadas pelo navio mostram a programação do dia. Tipicamente, café das 08:00 as 09:30 e almoço das 12:30 as 13:30, fartos e em sistema de buffet, sempre acompanhados de vinho branco e tinto e bebidas não alcóolicas. Saladas incrivelmente frescas (não sei a mágica...). Jantar as 19:30, em sistema a La Carte, com três opções de entrada, de principal e de sobremesa, de novo acompanhado pelos vinhos.
Buffet do nosso almoço no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto da Rukimini)
Mesa de jantar um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas
Durante a manhã, palestras sobre biologia, geologia ou história relacionados ao que estamos vendo naqueles dias. De tarde, a chance de observar a vida na natureza, sempre acompanhado de um guia para nos dar as explicações pertinentes. No auditório, algum filme de um festival de cinemas que está ocorrendo a bordo, uma (ótima!) experiência que estão fazendo pela primeira vez nessa nossa viagem. Enfim, como eu disse no início do post, uma programação intensa. Que temos a opção de acompanhar inteiramente, parcialmente ou ignorar, ficando lendo sossegado algum livro interessante na biblioteca ou no aconchego do quarto. Mas a nossa experiência foi que as palestras são muito interessantes e não devem ser perdidas. Nem a chance de se observar a vida selvagem lá do deck. A não ser que a jacuzzi esteja muito apetitosa...
Aproveitando as águas quentes da jacuzzi do Sea Spirit, enquanto a temperatura fica cada vez mais fria no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
Mergulhando nas águas claras e azuis da praia de Columbier, em St. Barth - Caribe
Acordamos dispostos a aproveitar ao máximo nosso segundo e ultimo dia na paradisíaca St. Barth. O primeiro objetivo do dia foi o café da manhã, já que pagamos nossa diária no hotel sem café, para economizar um pouco. Não foi difícil... Bastou pararmos numa das muitas boulangeries charmosas da cidade. Nossa, aquele balcão de pães é de dar água na boca!
Balcão apetitoso de uma boulangerie em St. Bath - Caribe
Da padaria seguimos para a pontinha da península noroeste da ilha, onde o Rockefeller construiu sua casa há 60 anos. Tinha bom gosto! A estrada termina no alto de um morro de onde se pode ver St. Martin e, mais ao fundo, Anguilla. Mas, mais bonito ainda é a pequena baía lá embaixo, cheia de barcos e formando uma linda praia, a Anse de Colombier. Para lá caminhamos, vinte minutos morro abaixo admirando a bela vista que nos cercava. Mesmo com o sol forte, para baixo todo santo ajuda. A volta sim, seria mais difícil.
Mirante da Anse de Colombier, em St. Bath - Caribe
Chegando na Anse de Colombier, em St. Bath - Caribe
Lá embaixo, passamos boa parte do tempo nadando naquela enorme piscina natural, que é a baía onde os barcos vem procurar refúgio. Visibilidade de uns 30 metros, profundidade de uns 6 metros, água morna e tranquila. Uma delícia! E otima oportunidade para fotos!
Mergulhando nas águas claras e azuis da praia de Columbier, em St. Barth - Caribe
Anse de Colombier, praia de areias brancas e águas azuis, em St. Bath - Caribe
Fizemos um piquenique na própria praia e enfrentamos a árdua subida. De lá fomos entregar o carro, aproveitando para fotografar o aeroporto da ilha. A pista de pouso termina na baía de St. Jean, outra enorme piscina natural. Uma beleza!
O aeroporto de St. Jean, em St. Bath, termina numa bela baía de águas azuis
O mitológico bar Le Select, um dos mais famosos do Caribe (em Gustava, St. Bath)
Já sem o carro, voltamos para a simpática Gustavia e aproveitamos o tempo livre para fotografar o Le Select, o mitológico bar em que estivemos ontem. O nosso ferry atrasou um pouco mas acabou zarpando um pouco depois das seis da tarde. Bem em tempo para podermos assistir mais um pôr-do-sol perfeito, daqueles em que podemos ver o sol "mergulhar" no mar. Quase deu para ouvir o "shhhhhhhhh"...
Pôr-do-sol perfeito em St. Bath. Não é à tôa que é considerado um dos mais bonitos do Caribe!
Pôr-do-sol perfeito em St. Bath. Não é à tôa que é considerado um dos mais bonitos do Caribe!
De volta à St. Martin, onde já nos sentimos em casa, voltamos para nosso conhecido hotel. Combinamos com um dos filhos da família que toma conta de lá para nos levar de madrugada para o aeroporto onde, às 07:30, temos vôo para mais um dos países aqui de perto: Saint Kitts e Nevis. E vamos que vamos!
Mergulhando nas águas claras e azuis da praia de Columbier, em St. Barth - Caribe
Caminhando pela magnífica praia Les Salines, em Sainte Anne, no sul de Martinica
Depois de descoberta por Colombo e ter as frágeis tentativas de ocupação por parte dos espanhóis repelidas pelos índios Caribs, a ilha teve de esperar outros 130 anos para que os europeus tentassem novamente. Dessa vez, foram os franceses, que chegaram decididos a colonizar a ilha e se instalaram no norte, fundando a cidade que seria a capital de Martinica até 1902, St. Pierre. Menos de duas décadas mais tarde, os colonizadores já haviam atravessado a ilha de norte a sul e construído um forte numa enorme baía na costa sudoeste, o que viria a se transformar em Fort-de-France, a atual capital de Martinica. No processo, foram derrubando as florestas para fazer espaço para suas plantations de cana-de-açúcar, tocadas à mão-de-obra negra escrava. Os Caribs até tentaram resistir, mas os que não foram mortos, fugiram para a vizinha Dominica.
Despedida de Roseau e de Dominica, no Caribe
Firmemente instalados na ilha, os franceses só viram sua supremacia ameaçada no perído entre a Revolução Francesa e as Guerras Napoleônicas, quando os ingleses ocuparam a ilha por diversas vezes. Para os proprietários das plantations, foi até um bom negócio, pois passaram a ter acesso ao rico mercado inglês e de suas colônias.
Deck superior do ferry entre Dominica e Martinica
É dessa época a mais famosa personagem da história de Martinica. A jovem Maria Josefina era filha de um grande aristocrata local. Depois de um rápido casamento com um rico oficial do exército, quando teve duas filhas, a bela moça se engraçou com um desconhecido militar francês, sete anos mais novo do que ela, que estava servindo em Martinica. Seu nome: Napoleão Bonaparte.
Chegando em Fort-de-France, capital da Martinica, a mais urbanizada ilha do leste do Caribe
Pois é, o tal Napoleão logo começou a se destacar como líder militar durante várias campanhas já no governo revolucionário. Ao fim, foi ele que acabou por botar ordem na casa, depois que a Revolução Francesa se deteriorou em desordem e matanças intermináveis. Nuna esqueceu seu primeiro amor e com ela se casou, em 1804, tornando-se Imperador da França e fazendo de Maria Josefina a imperatriz.
Loja de rede francesa em Sainte Anne, no sul de Martinica
Consta que foi por influência dela que Napoleão reinstituiu a escravidão nas ilhas francesas do Caribe, que havia sido abolida durante o governo revolucionário. Ela estava defendendo os interesses de sua família, grande proprietária de terras. É por isso que sua figura não é muito popular na Martinica, cuja população é composta, na sua maioria, por descendentes de escravos. Pois é, já é difícil se imaginar escravo. Agora, se imaginar escravo que ganha a sua liberdade para, anos depois, ser re-escravizado, isso é mais difícil ainda...
Com nossos amigos suecos, Maria e Douglas, em Fort-de-France, capital da Martinica
Josefina também perdeu sua popularidade com o líder francês. Depois de cinco anos sem conseguir lhe dar um descendente, o casamento terminou em divórcio. Mas, ironia do destino, a filha do primeiro casamento de Josefina acabou se casando com o irmão de Napoleão. Eles sim tiveram filhos e foi um deles que, quatro décadas mais tarde, seria coroado imperador com o título de Napoleão III (by the way, nunca houve um “Segundo”!).
Com nossos amigos suecos, Maria e Douglas, na pousada deles em Anse Mitan, ao sul de Fort-de-France, na Martinica
O fim definitivo da escravidão, nos anos de 1840, trouxeram dificuldades para a economia da ilha. Mas Martinica nunca deixou de ser a mais desenvolvida economia do leste do Caribe. Hoje, é mais urbanizada ilha da região e, tecnicamente, é um departamento francês, assim como Guadalupe e qualquer outro na França continental. Elege seus deputados, senador e vota para presidente. Enfim, aqui é a França, aqui é a Europa.
Praia de Grande Anse, no sudoeste de Martinica
Nós saímos ontem cedinho de Roseau, na Dominica, de ferry. Ainda tivemos um tempo para fotografar a capital dominicana e logo já víamos a ilha do mar, suas cidades espremidas entre as montanhas e o oceano. Algum tempo depois, já chegávamos à costa de Martinica, onde duas coisas logo chamaram a atenção: o infame Mt Pelée, o vulcão responsável pela grande tragédia de 1902 (trato disso no próximo post) e a grande urbanização da ilha.
Tempo de relaxar e ler sobre o país, na praia de Grande Anse, no sudoeste da Martinica
Desembarcados, no processo de encontrar uma locadora de automóveis, todas fechadas para almoço, ficamos amigos de outro casal que também procurava seu carro. São os simpáticos suecos Douglas e Maria. Ele é um imigrante da República dos Camarões e ela tem a aparência mais sueca possível, com uma certa influência norueguesa, para ficar ainda mais loira. Enfim, formam um casal muito interessante. Recém casados, em lua-de-mel, estamos curiosos para ver os filhos!
A bela igreja de Anse D'Arlet, no sudoeste da Martinica
Quando as locadoras abriram, não quiseram alugar um carro para eles, já que o Douglas não tem carteira e a Maria tem menos de dois anos de direção. Assim, oferecemos uma carona para eles até a pousada que já tinham reservado, numa grande península do outro lado da baía onde está Fort-de-France. Aí nos despedimos e nós continuamos dando a volta na tal península, passando pelas simpáticas Grande Anse e Anse D’Arlet, duas pequenas e pitorescas vilas em frente ao mar.
Nosso trajeto em Martinica
Mas resolvemos seguir viagem até Sainte-Anne, a cidade mais ao sul de Martinica, já na faixa central da ilha. Ali está a praia considerada a mais bonita do país, Les Salines. Depois de uma grande dificuldade em achar local para dormir (os hotéis simplesmente deixam de funcionar na época de baixa estação!), uma simpática senhora a quem pedíamos informações (meu francês já está tinindo!) simplesmente pegou o seu carro e nos guiou até um hotel que ela sabia que estava funcionando. Merci Beucoup!
Um delicioso recanto na estrada pouco antes de chegar em Le Marin, no sul de Martinica
A bela praia Les Salines, em Sainte Anne, no sul de Martinica
Hoje passamos o dia desfrutando dessa praia maravilhosa, uma longa faixa de areias brancas ladeada por uma coluna de árvores e coqueiros, e em frente a um mar azul típico do Caribe. Ali pertinho, a famosa “Diamond Rock”.
A famosa "Diamond Rock", usada como "navio" pelos ingleses, em suas guerras contra Napoleão (sul da Martinica)
Essa ilha, na verdade um grande rochedo a poucos quilômetros da costa, foi tomada por ingleses na época napoleônica. Aí instalaram uma base e menos de duas centenas de marujos a fizeram inexpugnável. Tratavam-na, mesmo oficialmente, como um navio, o “unsinkable HMS Diamond Rock”. De lá, ficavam atacando os navios comerciais franceses que tentavam transitar por aquela movimentada costa. Depois de muitas tentativas infrutíferas de desalojá-los, um comandante francês teve a brilhante ideia: fez chegar à ilha alguns barris do exelente rum produzido em Martinica. Na mesma noite, estavam todos bêbados e não conseguiram resistir ao ataque francês. O “navio” não foi afundado, mas ao menos, foi conquistado!
Vendedora de praia com estilo, em Sainte Anne, no sul de Martinica
Tarde preguiçosa na praia Les Salines, em Sainte Anne, no sul de Martinica
Bom, como ia dizendo, nós passamos um dia delicioso na praia, ora caminhando, ora nadando, ora não fazendo absolutamente nada, numa das muitas sombras na praia. Uma delícia! Aproveitamos também para trabalhar e tentar botar um pouco o site em dia, tarefa nada fácil! Muito bem acompanhados de queijos e vinho nacionais, sempre inspiradores, trabalhamos nos nossos respectivos computadores, para relatar o passado e planejar o futuro. Amanhã, seguimos para St. Pierre, no norte, aos pés do Mt. Pelée. E nossa passagem para Sta Lúcia também já está comprada. Vamos no dia 17.
Hora de trabalhar, com ajuda de queijos e vinhos, em Sainte Anne, no sul de Martinica
No topo da Pedra do Baú, na região de Campos do Jordão - SP
Tão interessante como viajar no espaço é viajar no tempo. Viajar no espaço é o que temos feito nesses pouco mais de 3 meses e o que continuaremos a fazer pelos próximos 900 dias. Viajar no tempo é o que tenho feito nos últimos 35 anos e o que continuarei a fazer nos próximos 50 anos. É o karma de pessoas nostálgicas como eu.
No meu caso, uma viagem puxa a outra e vice-versa. Para viajar para meus tempos de adolescência, vim à Campos de Jordão. Por vir à Campos de Jordão, viajei nos meus tempos de infância.
No Bauzinho com a Pedra do Baú ao fundo, na região de Campos do Jordão - SP
Na verdade, refiro-me mais à Pedra do Baú do que à Campos propriamente dita. Mesmo depois de tantas montanhas e trekkings, o calcanhar da Ana ainda em carne viva, eu quis levá-la para o Baú. Por quê? Bom, pelas razões óbvias da beleza e aventura do lugar. Mas, mais do que isso. Bem mais do que isso. No aniversário de 80 anos da minha finada avó, em 1986 (lá se vão 24 anos!), bem na época da decretação do também finado Plano Cruzado, minha família se reuniu num hotel de Campos do Jordão para as devidas comemorações. Entre as atividades, fomos vários netos em "excursão" familiar ao topo da Pedra do Baú. Para mim, foi muito excitante ver a família reunida fora dos lugares comuns (para nós!) de Poços de Caldas, Ribeirão Preto ou Guarujá. Ainda mais em uma atividade esportiva na natureza, como é a subida pelos frágeis degraus que nos levam ao topo do Baú. Alguns dos primos menores não se arriscaram. Muito menos tios e tias. Mas a maioria dos primos lá chegou. Fotos foram tiradas e ainda hoje enfeitam paredes e a imaginação dos que lá estiveram naquele dia distante ou dos que nem haviam nascido e hoje tem idade próxima à dos pais naquela época.
Caminhando sobre o Bauzinho em Campos do Jordão - SP
Pois bem, eu sou um daqueles que aparecem nessas fotos na parede e quis levar a Ana lá, para tirar fotos no mesmo lugar e também para saciar meu saudosismo egoísta. Enfim, tentar torná-lo menos egoísta e reparti-lo com minha amada. Lá estivemos e lá tiramos as fotos. Na verdade, quase não tiramos já que acabou a bateria da máquina. Mas a Ana salvou o dia e minha viagem espaço-temporal ao lembrar-se que o celular também tira boas fotos!
Na ponta da Pedra do Baú na região de Campos do Jordão - SP
E não é que, ao passear pelo topo do Baú, não foram essas reminiscências que povoaram minha mente mas outras mais antigas ainda? De forma totalmente inesperada, passei a ver e sentir o pequeno moleque de apenas 9 anos que, em dezembro de 1978 escalou o Baú pela primeira vez, em excurção promovida pelo Paiol Grande, colônia de férias famosa que marcou gerações de paulistanos (e uns poucos mineiros como eu). Subimos pelo lado de São Bento, muito mais amedrontador que as escadas do lado de Campos. Principalmente para um menino de 9 anos. Ao ver hoje como a Ana enfrentou e venceu seus medos e os degraus que sobem a pedra, lembrei-me perfeitamente da minha própria briga, não com o medo mas com o pavor daqueles degraus subindo verticalmente aquelas paredes ameaçadoras, quase infinitas. Diferentemente daquela criança, a Ana não chorou. Mas os dois chegaram lá em cima.
Descendo a Pedra do Baú na região de Campos do Jordão - SP
Como homenagem à essas memórias tão antigas que invadiram minha mente, não pude deixar de ir ao Paiol Grande depois de descermos do Baú. Lá chegando, já no fim de tarde, um descuido da segurança nos deixou entrar, já que o acampamento estava fechado para as filmagens de um filme do Didi (Renato Aragão). Para tristeza de um dos diretores do setting, mas para minha alegria indiscutivelmente maior e mais sincera, pude mostrar à Ana os chalés e campos esportivos que marcaram minha infância e adolescência, já que lá estive por seis temporadas. As lembranças se encheram de cenas de pessoas que já não vejo há décadas e que provavelmente nunca mais verei. Pessoas que passaram pela minha vida, tiveram seu papel e continuaram seus próprios caminhos. Mas também revivi cenas de pessoas que ainda hoje me são muito presentes. O irmão Guto, os primos Haroldo, Jorge e Chico e, especialmente, o irmão Paulinho, que nesse dia 29 celebraria 38 anos mas que para sempre terá 17 anos.
Na colônia de férias Paiol Grande em São Bento do Sapucaí
Na colônia de férias Paiol Grande em São Bento do Sapucaí
E meu coração se encheu de uma alegre tristeza. Afinal, é dessa tristeza alegre que vivem os nostálgicos. É o nosso karma.
Observando pessoas escalando a Pedra do Baú
Com o Rafa em praia de Oahu, no Havaí - foto de Laura Schunemann
Hoje bem cedo, antes do sol nascer, seguíamos com tristeza para o aeroporto de Honolulu, para embarcar para Los Angeles. Tristeza por deixar o Havaí, tristeza pela separação do casal amigo, Laura e Rafa, que voariam de tarde para a Big Island e tristeza por perdermos essa chance de ouro de ver o torneio de Pipe Master, na praia de Pipeline, na costa norte de Oahu. O destino nos pregou essa peça! O mar esteve calmo enquanto estivemos aqui e, justo hoje, dia do nosso voo, o swell resolveu aparecer de novo. Não conseguimos mudar nosso voo e ficamos só na vontade. Ao contrário do Rafa e da Laura, que ainda tinham essa manhã aqui na ilha. Eles nos deixaram no aeroporto e seguiram para Pipeline, dedos cruzados para que as ondas aparecessem mesmo. Enquanto isso, nós, no avião, na maior curiosidade para saber o que tinha acontecido.
Assistindo ao pôr-do-sol em Honolulu, em Oahu, no Havaí - foto de Laura Schunemann
Pois bem, dias depois conseguimos nos comunicar com o casal novamente. O campeonato tinha acontecido sim, e tinha sido um show. Eu pedi que a Laura me enviasse algumas fotos e contasse algo daquele dia, para eu poder escrever um post. Mas, gostei tanto do relato dela, sua emoção e suas palavras, que prefiro que ela mesmo conte a história, As excelentes fotos são todas dela também! Divirtam-se! Volto no final do texto...
“Chegamos às 7h pra conseguirmos estacionar relativamente perto da praia. . Seguimos pro North Shore logo depois de tê-los deixado no aeroporto as 5h30.
As 7h da matina: evento ainda em stand by e mar flat…mas a praia começando a lotar com a promessa do swell. Chegamos à praia às 7h e pegamos um bom lugar pra assistir ao campeonato. Cavamos vários canais na areia pra nos protegermos de uma ou outra onda mais forte que resolvesse encharcar a plateia na areia (valeu a pena, nossa estrutura segurou uns 3 episódios!!!).
As 8h30 anunciavam no alto-falante: confirmada a final com início às 9h! As ondas apareceram, mas não tinham o tamanho que imaginávamos… Confesso que fiquei um pouco decepcionada. Mas ficamos firmes pra ver o que rolaria.
Gabriel Medina (um dos dois atletas brasileiros) concentra antes do início de sua bateria. A esta altura, logo antes do início do campeonato, como que por mágica, o mar cresceu, Muito. Mesmo.
Gabriel Medina, surfista brasileiro, se prepara para sua bateria na praia de Pipeline, na North Shore de Oahu, no Havaí - foto de Laura Schunemann
Josh Kerr, confiante, entrando pra disputar a primeira bateria do dia.
Josh Kerr, surfista australiano na praia de Pipeline, na North Shore de Oahu, no Havaí - foto de Laura Schunemann
Aliás, vale informar que, pra nossa alegria, a primeira bateria do dia teve a disputa entre EUA, AUS E BRA. Disputaram Josh Kerr (australiano), Kelly Slater (americano) e o Medina (brasileiro).
Brasil, Austrália e EUA representados em bateria na praia de Pipeline, na North Shore de Oahu, no Havaí - foto de Laura Schunemann
Kelly Slater, seguido por uma multidão de fãs enlouquecidos, chega pra bateria.
O grande Kelly Slater na praia de Pipeline, na North Shore de Oahu, no Havaí - foto de Laura Schunemann
Josh Kerr volta pra areia logo após o início da bateria. Depois de uma queda homérica (daquelas que fazem a multidão na praia se calar completamente) ele sai da água sentindo muita dor no pescoço e nos braços. Todos se preocuparam e os médicos o aconselharam a ir pro hospital. Mas 5 minutos depois ele decidiu que voltaria pra finalizar a bateria e, foi assim que, remando com apenas um dos braços na maior parte do tempo, ele não só finalizou como ganhou esta bateria… Logo em seguida ele foi pro hospital e, medicado, voltou para, na fase "mata-mata", eliminar Kelly Slater do campeonato (ainda com formigamento, contrariando ordens médicas e e remando com um braço só. O aussie é guerreiro…virei fã ;-)
Eis o momento da vaca histórica que quebrou o Josh Kerr (australiano). Juro, com os corais super rasos e considerando o tempo que ficou embaixo d'água, não sei como o cara sobrevive. O preparo deles é absurdo. Conheci um ninja de verdade ;-)
Josh Kerr cai em onda na praia de Pipeline, na North Shore de Oahu, no Havaí - foto de Laura Schunemann
Kelly entubando uma.
Tubo de Kelly Slater na praia de Pipeline, na North Shore de Oahu, no Havaí - foto de Laura Schunemann
e mais uma.
na praia de Pipeline, na North Shore de Oahu, no Havaí - foto de Laura Schunemann
E o mar continua crescendo. Volume de água absurdo, Todos entrando e saindo de tubos violentos e tal...
Damo Hobgood em ação na praia de Pipeline, na North Shore de Oahu, no Havaí - foto de Laura Schunemann
Vaca atrás de vaca e os caras não desistiam… Tá aí o Kelly, no meio da primeira bateria do dia, pedindo outra prancha pra continuar surfando.
Kelly Slater sai com a prancha quebrada na praia de Pipeline, na North Shore de Oahu, no Havaí - foto de Laura Schunemann
Miguel Pupo entubando na sua primeira bateria do dia.
O surfista brasileiro Miguel Pupo em ação na praia de Pipeline, na North Shore de Oahu, no Havaí - foto de Laura Schunemann
50: Pessoal não tira os olhos da água durante o campeonato
Platéia atenta no torneio de Pipe Masters na praia de Pipeline, na North Shore de Oahu, no Havaí - foto de Laura Schunemann
Medina se joga dropando a ondinha
Pupo dsce onda na praia de Pipeline, na North Shore de Oahu, no Havaí - foto de Laura Schunemann
Mais uma do Medina (o cara tem 18 aninhos… pensa só). Os surfistas brasileiros estão sendo chamados no meio profissional de "BRAZILIAN STORM". Eles surfam com explosão, muitas manobras, muitos aéreos… enfim, deixam os outros atletas boquiabertos com o estilo brasileiro (e bem agressivo) de surfar.
Pupo em ação na praia de Pipeline, na North Shore de Oahu, no Havaí - foto de Laura Schunemann
Pupo concentra antes de sua segunda bateria.
Concentração do surfista brasileiro Miguel Pupo antes de entrar no mar na praia de Pipeline, na North Shore de Oahu, no Havaí - foto de Laura Schunemann
Miguel Pupo encara a parede de água salgada.
Pupo enfrenta o mar na praia de Pipeline, na North Shore de Oahu, no Havaí - foto de Laura Schunemann
Pupo e Kelly Slater procurando a onda perfeita pra pontuar no final da bateria mata-mata (BR x EUA). Infelizmente o Pupo foi eliminado, mas com estilo.
Pupo e Slater buscam a melhor onda na praia de Pipeline, na North Shore de Oahu, no Havaí - foto de Laura Schunemann
Fãs de todas as idades assediam Slater sempre que entra ou sai da água. E ele, super solícito, para para fotos, autógrafos e tudo mais.
Fãs correm em direção a Slater na praia de Pipeline, na North Shore de Oahu, no Havaí - foto de Laura Schunemann
Pupo sai da água aplaudido pelo público após ter sido eliminado por Kelly Slater.
Pupo sai do mar na praia de Pipeline, na North Shore de Oahu, no Havaí - foto de Laura Schunemann
Platéia não paga ingresso e tem os melhores lugares ;-)
na praia de Pipeline, na North Shore de Oahu, no Havaí - foto de Laura Schunemann
- O Josh Kerr - australiano que se machucou - que está nas fotos - foi pra final. Só perdeu, por pouco, pro campeão - o Joel Parkinson. Mas esta bateria final não assistimos…
- Uma curiosidade. O Medina, quando foi eliminado, foi pela diferença de 1 ponto. Só que aconteceu algo muito inusitado - que com certeza influenciou a pontuação final dele: lembram da foto d Kelly Slater com a prancha quebrada? Pois é: o Medina passou por cima da outra metade da prancha - que estava boiando por lá - quando saída de um tubo. E, claro, caiu. Deu pena dele, kkk.
Nosso vôo pra Big Island seria as 16h e combinamos de sair da praia as 13h pra, com uma margem de manobra, voltarmos pra Honolulu, devolvermos o carro e fazermos o check in. Mas tava difícil de ir embora… a final estava prevista para as 15h - quando a maré estaria cheia e as ondas perfeitas. Estávamos percebendo que a cada bateria as ondas cresciam, chegando à 5m. E sabíamos que ia melhorar… protelamos mais um pouco mas o Rafa, em um dado momento, me puxou pelo braço, me mandou desligar a câmera e, cabisbaixos, tivemos que ir.
A experiência foi emocionante. o Rafa, que sempre surfou de brincadeira e dizia quo os surfistas profissionais tinham a vida que qualquer um pediu à Deus: viajando constantemente para lugares paradisíacos e vivendo em contato com a natureza e do surf. Mas saiu de lá com um outra impressão: a de que estes atletas trabalham muito duro pra conseguirem o preparo necessário pra enfrentar a natureza desta maneira. Arriscam, diariamente, suas vidas pelo esporte. É quase como se, lá na água, não fossem humanos.
Entendemos a aura de encantamento que esses caras causam. E é merecido, viu?
E então, o casal mais desorientado (no bom sentido) possível, atravessou a ilha sem problemas até Honolulu. Comemorei o feito uma vez que estávamos sem GPS (que foi de volta pra Fiona com vcs). Fomos entregar o carro na locadora quando percebemos que precisaríamos encher o tanque antes… Perguntamos por um posto de gasolina ali perto e saímos novamente (aí já com o tempo apertado). Só que, sem GPS, fizemos algo de errado e, quando percebemos, estávamos em uma estrada. E nada de retorno. E a mão suando… 40 minutos depois voltamos - de tanque cheio - e devolvemos a viatura. O voo estava um pouquinho atrasado, então deu tudo certo. Estávamos exaustos e, enquanto o Rafa esperava, fui comprar um presente pro meu tio. De repente ouço chamarem nosso voo. Passo minha mochila pelo detector, entro na sala de embarque… e nada do Rafa. A fila d pessoas já embarcando e eu procurando a figura. E nada. Fiquei preocupada. Terminando o embarque eu peço pro segurança me deixar sair pra procurá-lo. Saio gritando: Apaaaaa, Apaaaa (bem louca pelo aeroporto). E nada. F... - pensei - vamos perder o voo…
Aos 45 do segundo tempo encontro a belezura deitada num canteiro de flores, dormindo profundamente… Devia estar sonhando com a final - sei lá. Só sei que acordou no susto pra embarcar. E deu tudo certo!! Seguimos pra big Island - que vcs já conhecem - pra ver coisas ainda mais incríveis!!!!!
E foi assim nosso dia em Oahu sem vcs. Fizeram falta.”
Nossa fotógrafa em ação durante o Pipe Masters, na praia de Pipeline, em Oahu, no Havaí
Um muito obrigado à Laura pelo relato e fotos tão legais. Nós não estivemos lá pessoalmente, mas através dos seus olhos, pudemos ao menos captar um pouco da emoção. Muito joia! Que venham muitas outras viagens juntos!
Nosso delicioso jantar na primeira noite em Honolulu, em Oahu, no Havaí
Boteco tradicional no Mercado Municipal de Belo Horizonte - MG
Enquanto a Fiona passava o dia dando uma recauchutada geral eu e a Ana fomos fazer passeios que eu nunta tinha feito aqui na capital mineira. Quem também está racauchutada é a Praça da Liberdade, antigo centro do poder em Minas. Um pedacinho de Paris dentro de Belo Horizonte. Na minha infância, era o local da famosafeira hippie de BH. Para onde será que foram?
Flores na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte - MG
Mais tarde, após um almoço natureba, fomos ao Parque Municipal, fechado às segundas e ao Palácio das Artes, onde havia o melhor cinema da cidade antes do advento dos shoppings. De lá, À pé para o Mercado Municipal. Como bem disse o Dedé, lá na Lapinha, uma visita ao mercado é sempre uma das melhores maneiras de se conhecer a alma da cidade. E se for assim mesmo, a alma de BH está muito bem pois seu mercado é um dos mais interessantes do país. Já era assim desde os tempos em que minha família, ainda antes de eu nascer, vivia na vizinhança, esquina da Augusto de Lima com Rio de Janeiro. Ao passar nesta esquina hoje, estranho... senti como se tivesse morado lá também. Enfim, foi um passeio bem gostoso, pelas ruas do mercado. Além de um chopp gelado, castanhas e pão de queijo, a Ana ainda encomendou uma bolsa para o tripé da nossa máquina fotográfica.
Mercado Municipal de Belo Horizonte - MG
Fomos pegar a Fiona que, além da revisão normal, ganhou um reaperto na suspensão e um filtro novo do ar condicionado. Depois de tanta estrada de terra, não é de se estranhar... Limpa e mais linda do que nunca, amanhã ela vai nos levar mais longe aqui em BH, na lagoa da Pampulha, no Mirante do Magabeiras e no Belvedere ver no que ele se transformou. Veremos...
Sempre-Vivas pintadas, no Mercado Municipal de Belo Horizonte - MG
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