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Ontem de noite fomos jantar em um simpático restaurante no topo de uma c...
Desde que subimos, em apenas um dia, do Caribe para as altitudes andinas,...
Apesar do dia ter começado cedo e já temos remado e caminhado em Decept...
Rodrigo (16/05)
Olá, Luiz e Cle Vamos tentar entra em contato sim. Estamos na maior corr...
cle (16/05)
Ana e Rodrigo. Se tempo entrem em contato(41-9116-1632), podemos emprest...
Paulinha Ribas (12/05)
Ricardo Acras (09/05)
Rodrigo, você já pensou em ter um gravador digital de voz sempre com vo...
João Henrique (09/05)
Ele deve ter morado na Villa de las Estrellas, na mesma ilha onde fica a ...
Admirando a Cachoeira do Tabuleiro, no Parque Estadual da Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG
Bingo! Dois dias de nossa maratona na região do Cipó já se foram, com sucesso. E o terceiro já está encaminhado, aqui na Serra do Cipó, do outro lado da Serra do Intendente.
Cachoeira Congonhas, no Parque Estadual da Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG
Neste segundo dia, começamos esquentando os motores na Cachoeira Congonhas. Dessa vez, a Fiona mal teve trabalho: uns quatro quilômetros de estrada de terra. Depois, uma caminhada por colinas e margeando um rio até entrar num canyon. Aí, uma rápida caminhada pelas pedras e seixos num rio e chegamos à cachoeira. Mais um lugar mágico, mais um poço de águas geladas. Desta vez, uma das raras vezes, a Ana não quis entrar e eu fui só, enfrentar o frio e o "banho de chuveiro" para lavar a alma. Uma delícia!
Enfrentando as águas geladas da Cachoeira Congonhas, no Parque Estadual da Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG
Enfrentando as águas geladas da Cachoeira Congonhas, no Parque Estadual da Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG
De lá para a Cachoeira do Tabuleiro, a mais alta das Minas Gerais. Com mais de dez anos de espera, finalmente fui conhecer este patrimõnio mineiro! Uma beleza! Que imponência e majestade! Ficamos lá no mirante por um bom tempo admirando e fotografando a principal atração turística do parque, razão da viagem de muita gente para cá. Eles vem da Serra do Cipó, visitam a cachoeira e voltam sem ver as outras belas atrações do parque estadual.
Beijo inspirado pela Cachoeira do Tabuleiro, no Parque Estadual da Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG
Bem, não foi o nosso caso. Deixamos a maior das cachoeiras, a mãe de todas elas para o último passeio. Valeu a pena! Essa é a única cachoeira que devemos pagar para ver neste parque. Bem diferente de Delfinópolis, Carrancas, Brotas ou Bonito. Por quanto tempo? Do mirante, seguimos para o poço por uma trilha que segue pirambeira abaixo. Na volta, é preciso fôlego...
Cachoeira do Tabuleiro vista por baixo, no Parque Estadual da Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG
O poço é enorme, apesar de não parecer. No meio daquelas enormes paredes de 300 metros de altura, ele fica pequenininho mesmo. Mas, quando a gente o atravessa nadando, vê que a história é outra... O cenário é tão grandioso, tão arrebatador, que até esquecemos que a água é fria. Temos outras coisas para "nos preocupar". Uma delas é querer aproveitar cada minuto, cada segundo naquele lugar tão especial.
Tomando banho na Cachoeira do Tabuleiro, no Parque Estadual da Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG
E foi isso que fizemos, eu e a Ana. Não havia muita água na cachoeira, o que fazia o poço bem mais tranquilo de se nadar. Quando há muita água, o cenário muda completamente. Vimos uma reportagem com a cachoeira cheia e é outra coisa, completamente diferente. Admirar, só de longe.
Rodrigo e Ana nadando no poço da Cachoeira do Tabuleiro, no Parque Estadual da Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG
Depois da cachoeira, ainda almoçamos mais uma vez a deliciosa comida da Lelé,no hostel. Comida muito saborosa, principalmente para quem anda o dia inteiro. Saboroso também é o queijo que compramos em Serro e devoramos nesses dois dias de cachoeiras em Tabuleiro. Considerado o melhor de Minas (portanto, do Brasil!), está mais que aprovado! Despedimo-nos também do Gustavo, que montou esse hostel muito legal e que nos recebeu tão bem.
Com a Lelé e o Gustavo, que nos receberam tão bem no Eco Hostel do Tabuleiro - MG
Finalmente, viagem noturna para a Serra do Cipó onde já nos encontramos com o Pretinho, que será o nosso guia na caminhada de 20 km amanhã, pela parte alta do Parque Nacional. Caminhada recomendada pelo Gustavo, da Estrada Real, com quem conversamos longamente nas duas noites em Tabuleiro. Foi ele que montou o roteiro da nossa maratona aqui na região. Os primeiros dois dias estão aprovadíssimos e os próximos dois prometem. Somos muito gratos à ele por nos ajudar a conhecer essa região maravilhosa. Valeu Gustavo!
Curtindo o céu do Parque Estadual da Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG
Chegando à Tobacco Caye, na grande barreira de corais, em Belize
Conversando com o Gaston, ainda em Hopkins, sobre o que tínhamos visto em Belize até então, ele nos disse que tínhamos de conhecer Tobacco Caye. Quando falamos para ele de San Pedro e, principalmente, Caye Caulker, ele fez uma cara de desprezo e falou: “Lá é muito turístico! Totalmente desvirtuado! Vocês tem de conhecer algo mais natural”. Foi quando ele começou a falar dessa pequena ilha, com poucas centenas de metros de diâmetro, localizada bem encima da grande barreira e um paraíso para quem gosta de nadar e mergulhar.
Foto de satélite da pequena Tobacco Caye, em plena barreira de corais de Belize
Nosso percurso de veleiro, saindo de Hopkins, indo até algumas ilhas na grande barreira de corais de Belize e retornando
A primeira coisa que ele sugeriu foi que pegássemos a lancha que sai de Dangriga para lá, uma vez por dia, de manhã cedo. Poderíamos ir para passar o dia ou, melhor, dormir por lá. Tanto em nossa barraca como em um dos 3 pequenos hotéis instalados na ilha. Mas depois de outras conversas, conseguimos uma alternativa até melhor. Nada de uma lancha rápida! Iríamos com ele, no seu veleiro, ao sabor dos ventos, até lá. E ainda poderíamos velejar pelas redondezas também, conhecer outras ilhas e sentir um pouco da rotina de vida no mar. Afinal, iríamos por duas noites e três dias!
O belíssimo mar na grande barreira de corais, em Belize
Chegando á Tobacco Caye, na grande barreira de corais, em Belize
Juntos, cartas náuticas estendidas sobre a mesa, planejamos um percurso para esses dias. Iríamos de Hopkins para a barreira de corais, pouco mais de 25 quilômetros distante de nós, em algum ponto ao norte de Tobacco Caye. Daí, começaríamos a velejar para o sul, até encontrar a ilha, onde ancoraríamos para passar a noite. No dia seguinte, continuaríamos a velejar para o sul, até a ilha seguinte, onde passaríamos a segunda noite. Por fim, mais um pouco de vela para sul, até uma terceira ilha de onde mudaríamos o percurso para Hopkins, para fechar o circuito e um triângulo. No trechos entre o continente e a barreira, o motor do barco nos ajudaria. Ao longo da barreira, o vento seria nossa força única.
Chegando à Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize
Indo de bote para ilhota na grande barreira de corais de Belize
E assim foi, conforme o planejado. Nada de grandes velocidades. Deslocando-se com o vento, sem o barulho de motores poderosos, sentimo-nos muito mais próximos do mar, em contato próximo com a natureza. O mar, mais escuro perto de Hopkins, vai ficando cada vez mais claro e calmo enquanto nos aproximamos dos recifes e bancos de corais que formam a segunda maior barreira de corais do mundo, depois da australiana. Lá perto, são muito mais de 50 os tons e tonalidades entre o verde e o azul, um verdadeiro colírio para os olhos, algo que nossos cérebros demoram a processar e acreditar. Seria real ou apenas algum efeito de cinema? Que filtros naturais são esses?
Brincando com o cachorro do Chris em praia de Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize
Cachorro tenta se secar depois de um mergulho em Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize
Mas as belezas não vêm apenas do mar. A grande barreira também é formada por pequenas ilhas, todas elas pequenos paraísos daqueles que todos nós temos a imagem em nosso inconsciente coletivo. Pequenos pedaços de terra cobertos por coqueiros e outras árvores tropicais, circundados por praias de areias brancas e cercados por um mar transparente e calmo, cor de piscina.
Com o Gaston e o Chris durante fim de tarde em Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize
Admirando o pôr-do-sol em Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize
Essa pequenas ilhas são habitadas e algumas delas até tem hotéis. Das que conhecemos, a maior era Tobacco Caye, justamente aquela que o Gaston nos havia propagandeado. Chegamos aí no meio da tarde do primeiro dia e fomos logo conhecê-la.
Magnífico fim de tarde em Tobacco Caye, na grande barreira de corais de Belize
O sol nasce em Tobacco Caye, na grande barreira de corais, em Belize
Junto conosco chegou um barco cheio de turistas jovens. O Gaston logo reconheceu o barco. Oferece uma viagem de 3 dias entre Caye Caulker e Placencia, um pouco mais ao sul de onde estamos, para passageiros mais aventureiros. Em Tobacco Caye passam uma das noites, várias tendas armadas para eles no meio da ilha. O grupo, de umas quinze pessoas, formava quase metade da população de turistas da ilha. A outra metade, provavelmente veio de lancha de Dangriga para passar umas noites nos hotéis da ilha. Tem para todos os bolsos, com seus chalés sobre as águas, uma espécie de primo pobre daqueles hotéis famosos nas ilhas Seychelles.
Chegando em pequena ilhota na grande barreira de corais de Belize
Alçando vôo no belo mar da grande barreira de corais de Belize
A gente dá a volta na ilha em poucos minutos, através de suas praias e caminhos. Dois bares disputam a freguesia, ambos com um maravilhoso visual para o entardecer, o sol se pondo atrás do distante continente, pintando de dourado as águas azuis. Aí passamos uma boa hora de conversas regadas a cerveja gelada, nós, o Gaston, alguns conhecidos locais do nosso capitão e também um amigo velejador, de origem canadense, que também passa muitos meses por ano aqui nas águas da América Central. O Chris veio da Guatemala, chamado pelo Gaston, para velejar conosco alguns dias. Viaja solo, acompanhado apenas de seu cão que passa horas implorando que alguém jogue algo longe para que ele possa buscar, seja na água, seja na terra.
Um tranquilo e convidativo bar em ilhota na grande barreira de corais de Belize
Uma tranquila ilha na grande barreira de corais de Belize
No segundo dia, seguimos para a ilha seguinte, South Caye. Ainda menor que Tobacco, mas também com dois hotéis, um pouco mais exclusivos que os da ilha anterior. O clima aqui é mais “chique”, mas as praias são igualmente lindas e tranquilas. Redes penduradas entre coqueiros são um convite irrecusável à prática do ócio criativo. Para nos tirar de lá, só mesmo a praia em frente, onde bate o sol e aonde podemos nos deitar na areia, no ponto onde bate a água, temperatura absolutamente confortável. De novo, aquela imagem padrão e idealizada de paraíso nos vem a cabeça.
Vidinha difícil em ilhota paradisíaca na grande barreira de corais de Belize
Cenário paradisíaco em ilhota da grande barreira de corais de Belize
A última ilha visitada, já no último dia, serve de estação de pesquisas da barreira de corais. Na verdade, nem se pode desembarcar por lá. Mas podemos fazer snorkel ao seu redor, o que já é bom o bastante. Ainda vou falar dessas sessões de snorkel em outro post, já que elas foram uma de nossas principais atividades nesses dias, além de velejar e desembarcar nessas pequenas ilhas perdidas no meio do mar.
Redes convidam ao ócio criativo em ilhota na grande barreira de corais de Belize
Caminhada no Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
O Atacama é um paraíso para os amantes da natureza e aventura. Oferece todo tipo de programas, de caminhadas no deserto à visitas a lagoas e geisers, de escaladas em montanhas e vulcões à explorações de vales e cavernas, de pedaladas em 4 mil metros de altitude à sandboarding em dunas gigantescas.
Caminhada acima dos 5 mil metros no Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
Hoje eu e a Ana resolvemos investir nas montanhas. São várias as possibilidades de trekking em montanhas na região de San Pedro, a mais famosa a subida do imponente Licancabur. Esse é aquele clássico vulcão de filmes ou desenhos animados, com a forma cônica e o cume branco de neve. Sua altura beira os 6 mil metros e a trilha mais acessível é a partir do lado Boliviano, já que o vulcão fica na fronteira dos dois países.
Caminhando com o Cristobal na magnífica região do Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
O que nos ajudou a decidir qual montanha tentar subir foi a duração do trekking. Queríamos um que pudéssemos subir e descer no mesmo dia. Com isso, o Licancabur ficou de fora, assim como outras montanhas e acabamos escolhendo o Cerro Toco, outro vulcão extinto que chega aos 5.600 metros de altitude. Contratamos o simpático e falante Cristóbal como guia, um chileno que também já trabalhou muito tempo na região de Torres del Paine, no extremo sul do Chile.
Caminhando com o Cristobal na magnífica região do Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
Em condições normais de temperatura e pressão o carro (a Fiona!) nos leva até 5.300 metros de altura. De lá, em cerca de duas horas, vamos ziguezagueando montanha acima, caminhando lentamente até o cume. Estávamos super ansiosos para ver como a nossa Fiona se comportaria acima dos 5 mil metros, seu novo recorde.
Aos 5.300 metros, ao lado das antigas minas de Enxofre no Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
Então, carregando água, frutas e chocolates, encontramos com o Cristóbal logo cedo e partimos para a longa "ladeira" de quase 30 km que nos leva da altitude de 2.400 metros de San Pedro para os 4.500 metros lá de cima, no caminho para o Paso de Jama. Lá chegando, na hora de deixar o asfalto para trás e pegar a trilha para a montanha, percebemos a enorme quantidade de neve espalhada pela base do Cerro Toco. Com jeito, fomos driblando a neve e o gelo, às vezes passando pelo lado, às vezes passando por cima deles. A Fiona e o motorista já estão ficando profissionais em lidar com água na forma sólida! Mesmo assim, chegou um ponto em que a Fiona não passaria, muito gelo à frente, nós ainda bem longe de onde começaria a trilha para se seguir à pé.
Um dos três cumes do Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
Orientados pelo Cristóbal, resolvemos tentar caminhos alternativos, por outros lados da montanha. Voltamos para o asfalto e fomos circundando o Cerro Toco, analisando as possibilidades. Enfim, decidimos por uma rota e lá foi a Fiona novamente enfrentando um terreno descampado, por entre pedras e gelo. Com muita paciência, conseguimos chegar numa pequena estrada de acesso às antigas minas de enxofre e por ela seguimos, de novo encima de neve e gelo. Tanto insistimos que o carro acabou atolado sobre neve. Aí, foi a vez de usar a pá que sempre carregamos no porta-malas. Deu trabalho, mas a Fiona consegiu avançar mais um pouco e conseguimos chegar aos 4.800 metros, recorde dela mas ainda longe dos simbólicos 5 mil metros.
Descendo o Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
Daí começou nossa caminhada, sem esperanças de chegar ao distante pico, mas dispostos a aproveitar a beleza da região e esticar um pouco as pernas. Para cima e avante, como diria o superhomem! Fomos subindo e fotografando, enfrentando um vento que ficava cada vez mais forte e frio conforme subíamos. O esforço era recompensado pela beleza do local, que também aumentava com a altura.
Descendo o Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
Nós dois, já acostumados com a altitude, caminhávamos bem. Até a metade do caminho o Cristóbal seguia na frente, buscando o melhor rumo num terreno em que não havia trilhas enquanto eu seguia com a Ana, fotografando e filmando. Na segunda metade a Ana ficou com o Cristóbal enquanto eu tomei a frente, já determinando um ponto no alto de uma crista, que nos brindaria com uma bela vista para o "outro lado", como nosso objetivo final.
Muita neve no Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
Lá pelas tantas percebi que os dois tinham ficado para trás. O vento cada vez mais gelado não fazia esperar uma boa idéia e, já estando tão perto da tal crista, continuava subindo devagar. Cem metros atrás, a Ana foi se enraivecendo de eu não esperá-la no meio do caminho, mesmo tendo o Cristóbal ao seu lado. Eu cheguei lá encima, nos 5.300 metros de altitude e fui recompensado com a visão maravilhosa das antigas minas da montanha, um terreno ainda hoje amarelo-alaranjado, cenário de outro mundo. Cinco minutos mais tarde chegaram os dois. Antes de mais nada, a Ana me passou uma bela descompostura em altos brados, superando até a força do vento. Fiquei impressionado com a energia que ela ainda tinha, mesmo depois da caminhada de duas horas e ascensão de 500 metros, o que naquela altitude não é para qualquer um!
Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
Passado e descontada a raiva, também ela passou a admirar a paisagem magnífica. Ali do nosso lado, estava um dos três picos do Cerro Toco, justamente o mais baixo deles, quase 250 metros mais alto do que nós. Mas a gente já estava satisfeito de até onde tínhamos ido. Além disso, o vento e o frio nos castigavam e era hora de voltar. A descida foi bem mais fácil e demorou metade do tempo para chegarmos à Fiona, mesmo com as muitas paradas para fotos. Chegamos os dois inteiraços, enquanto o Cristóbal tinha dor de cabeça pela altitude.
Chegando de volta à Fiona, após caminhada no Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
A Fiona enfrentou mais uma vez o gelo e a neve, dessa vez seguindo pelos trilhos que ela já tinha cavado na subida e logo chegamos ao asfalto. De lá, foi um pulo até a ladeira de 30 km com a incrível visão da planície desértica dois quilômetros abaixo de nós.
Dirigindo entre o gelo e o abismo, no Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
Foi uma ótima experiência de montanhas e de altitude para nós. A visão daquela paisagem lá de cima, do Licancabur ao nosso lado e das centenas de quilômetros de visibilidade que se tem nessa altura são inesquecíveis. Para mim, foi o primeiro retorno aos 5 mil metros desde que subi o Aconcágua há mais de dez anos. Foi extremamente reconfortante me sentir bem lá encima novamente! Além disso, a performance da minha amada esposa me surpreendeu e agora tenho certeza que, num bom dia, subimos os dois o Aconcágua ou, melhor ainda, o Ojos del Salado, a segunda maior montanha do continente, que eu ainda não conheço. Ela que nos espere, no final do ano que vem! Até lá, eu e a Ana vamos aprender a deixar tudo combinadinho antes das nossas subidas para que não haja mais desencontros como o de hoje.
Aos 5.300 metros, ao lado das antigas minas de Enxofre no Cerro Toco, na região de San Pedro de Atacama, no Chile
Delicioso banho de cachoeira no Rio Blanco National Park, no sul de Belize
Depois de tanto explorarmos o litoral de Belize, estava na hora de dar uma olhada no interior do país. Longe do mar, a região mais turística do país fica ao redor da cidade de San Ignacio, quase na fronteira com a Guatemala. Está no nosso caminho de saída de Belize e certamente passaremos por lá. Mas antes disso, queríamos dar uma olhada no pouco conhecido sudoeste do país, fora de quase todos os circuitos turísticos. Essa região, ainda com forte influência maya da etnia Que’chi, tem acesso bem complicado para quem não tem condução própria, ficando fora do alcance dos mochileiros a caminho de Punta Gorda e da Guatemala e Honduras.
Nosso percurso explorando o sul de Belize
Praia de Placencia, no litoral sul de Belize
Antes de seguirmos para o nosso destino, ainda precisamos fazer um desvio para Placencia, uma cidade com vários resorts e condomínios frequentados por americanos e canadenses que, ou vem em um pacote de férias, ou já tem casa por aqui. Precisávamos botar diesel na Fiona e encontrar bancos com caixas eletrônicos e Placencia era a melhor aposta nesse sentido.
Rua de pedestres em Placencia, no litoral sul de Belize
Placa bilingue emPlacencia, no litoral sul de Belize. Inglês e creolle
Completamente diferente de Hopkins, de origem garifuna, em Placencia é o creolle a língua nativa, além do inglês, claro! A cidade tem até um pequeno aeroporto, além dos postos e bancos que procurávamos. Localizada em uma estreita península espremida entre um mar calmo e uma baía cheia de marinas, os turistas que encontramos pelas ruas nada tem a ver com os mochileiros de Caye Caulker. Estão mais para famílias passando longas temporadas. Nós encontramos um restaurante gostoso na praia, tomamos o nosso brunch e seguimos viagem, agora sim para o interior.
A preferência é dos aviões em estrada que contorna o aeroporto de Placencia, no litoral sul de Belize
Visitando as ruínas mayas de Lubantun, no sul de Belize
A primeira parada foi nas ruínas mayas de Lubantun. De porte bem modesto, mas com ainda muitas áreas para serem exploradas ou restauradas, elas quase não atraem turistas e nós podemos passear por ali praticamente sós. É interessante ver, lado a lado, pequenas pirâmides que já foram restauradas e outras onde ainda crescem arbustos e árvores, da mesma maneira que estavam quando foram descobertas, há quase 80 anos.
Lubantun, ruínas mayas no sul de Belize
Visitando as ruínas mayas de Lubantun, no sul de Belize
Interessante também ver a história da misteriosa caveira de cristal. Acho que já tinha visto isso em algum programa da Discovery, mas não sabia que era aqui. Teoricamente, esse estranho artefato, um crâneo de cristal em perfeitas condições, inclusive com um maxilar móvel, foi descoberto aqui. Seria o único do mundo maya, muito parecido com outros poucos descobertos pelo mundo, como no Egito e na China. Qual a sua origem? Como teria vindo parar aqui? Se é mesmo maya, porque não se encontrou nada parecido em outras cidades dessa civilização? As teorias para explicar essas e outras perguntas são as mais variadas e exóticas possíveis. Desde um contato com extraterrestres até um resquício da antiga e perdida Atlântida, a única civilização com tecnologia para se fazer algo tão perfeito. Claro, há também os céticos que não acreditam nesse tipo de coisa e questionam o fato de que os arqueólogos que teriam descoberto a tal caveira não relataram o seu achado por mais de uma década e, quando o fizeram, não quiseram dar nenhum detalhe. Como eles já morreram faz tempo, a história é um prato cheio para teorias conspiratórias e lunáticos de todo o tipo.
O caso da misteriosa caveira de cristal, possivelmente encontrada em Lubantun, ruínas mayas no sul de Belize
A pitoresca vila de Santa Helena, perto do Rio Blanco National Park, no sul de Belize
Infelizmente, a caveira não está por aqui e só pudemos vê-la por fotos. Então, depois do nosso passeio pelas ruínas vazias, seguimos viagem para a próxima parada: um parque nacional que protege uma grande mata, um rio encachoeirado e uma fauna variada, o Rio Blanco National Park. Quase na fronteira com a Guatemala, ele fica na beira de uma estrada que está sendo lentamente asfaltada e que servirá como nova ligação entre Belize e seu vizinho. Corta pequenas e pitorescas aldeias mayas, até então perdidas no mundo, mas que, em breve, estarão abertas para turistas e camioneiros, para o bem ou para o mal. Pelo menos com as poucas pessoas que conversamos ali, a população não parece muito feliz com isso. A preocupação com a chegada mais fácil para os guatemaltecos supera a vantagem de um acesso mais fácil à civilização. De qualquer maneira, imaginam que ainda faltam alguns anos para a conclusão da obra.
Caminhada até o rio que corta o Rio Blanco National Park, no sul de Belize
O belo poço alimentado por uma cachoeira no Rio Blanco National Park, no sul de Belize
Saltando em piscina natural do Rio Blanco National Park, no sul de Belize
Como nas ruínas, éramos os únicos visitantes do parque. Até a bilheteria estava vazia e entramos sem pagar. Fizemos uma trilha de cerca de um quilômetro, atravessando a mata e chegando a um rio no ponto onde uma enorme piscina natural é formada, justamente abaixo de uma cachoeira. A tranquilidade do local só era quebrada pelo barulho da obra na estrada ali perto, que reverberava pelo vale. A água estava uma delícia e um banho naquela abundância de água doce foi muito bem-vindo. Nem me lembrava mais do nosso último banho de cachoeira em águas tropicais. Só sei que faz muito tempo... Acho que foi em alguma ilha caribenha. Dominica, eu acho...
Caminhada até o rio que corta o Rio Blanco National Park, no sul de Belize
Refrescando-se em piscina natural do Rio Blanco National Park, no sul de Belize
Acho que a estrutura do parque já viveu melhores dias, antes das obras na estrada. De certo, quando ela estiver pronta, vai se tornar, novamente, uma atração turística. Para nós, na verdade, foi melhor assim. Caminhos precisando de uma poda, pontes e bilheterias precisando ser reconstruídas, mas o rio está lá, lindo como sempre. O único outro ser vivo de porte que encontramos foi uma linfa garça azul, aproveitando também daquele rio sem movimento ou concorrência. Nós deixamos ela em paz e seguimos adiante, nesse nosso dia eclético e cheio de explorações.
Uma bela garça azul no Rio Blanco National Park, no sul de Belize
A última parada era uma pequena vila maya chamada Blue Creek, por causa da cor da água de um riacho que corta o povoado. Chamá-lo de azul requer uma certa dose de licença poética, mas ver várias mulheres mayas lavando roupa em suas margens foi uma cena pitoresca que já fez valer a viagem para se chegar até lá. Não só essa cena, mas também a vila em si, com suas casas com telhados de palha e as lindas crianças brincando pelas ruas. Felizmente, a nova estrada passa longe daqui e as coisas não parecem que vão mudar muito em Blue Creek não.
Nossa simpática casa em Blue Creek, vilarejo maya no sul de Belize
Descansando na varanda da casa que ficamos em Blue Creek, vilarejo maya no sul de Belize
Nossa ideia era dormir na cidade, mas não há hotéis ou pousadas por aqui. Então, pergunta daqui, pergunta dali, chegamos a um restaurante/venda onde, depois de uma gostosa refeição, conseguimos um quarto para ficar. Bem rústico, a filha da dona cedendo seu espaço para nós. Foi ótimo ter passado a noite por ali, conversado com a Ofelia e seu marido sobre os mais variados assuntos, desde a cultura maya atual até os diferentes idiomas falados na região e até tido aulas de culinária sobre alguns pratos típicos. Uma super experiência!
Descansando na varanda da casa que ficamos em Blue Creek, vilarejo maya no sul de Belize
Nossa simpática casa em Blue Creek, vilarejo maya no sul de Belize
Mas, melhor ainda, foi o fato de termos chegado bem no dia de uma festa local, dando inicio a celebrações de mais de uma semana sobre a cultura maya. Quando passamos pelo centro da vila, vimos um palco montado. Fomos averiguar e descobrimos que havia uma espécie de caminhada/corrida de mais de vinte quilômetros ocorrendo desde o início do dia, vindo em direção à Blue Creek. Eles passariam entre dez e onze da noite em frente à casa onde ficamos hospedados.
Em dia de festa, chegamos à Blue Creek, vilarejo maya no sul de Belize
O incrível jogo de "fireball", em Blue Creek, vilarejo maya no sul de Belize
O incrível jogo de "fireball", em Blue Creek, vilarejo maya no sul de Belize
Quando isso ocorreu, eu já estava no sétimo sonho, depois do dia intenso. Mas a Ana, festeira e curiosa, estava lá, pronta para acompanhar. Junto com a Adelia, uma das filhas da Ofelia, ela acompanhou, de Fiona, o quilômetro final da caminhada/corrida e depois, as celebrações que se seguiram. Entre elas, a que mais chamou a atenção foi um jogo de “fireball”, uma espécie de futebol com uma bola em chamas! No dia seguinte, quando ela me contou, eu só consegui entender direito depois de ver as belas fotos que ela tirou do tal jogo. Certamente, ela contará mais detalhes no seu post sobre o dia de hoje. No final da festa, além da Adelia, outros dois filhos da Ofelia voltaram com a Ana, inclusive um que correu os 20 quilômetros. Quanto ao jogo, fiquei sabendo que a equipe local ganhou de goleada dos visitantes, seja lá de onde que eles eram. Enfim, um final apoteótico para esse dia tão variado que tivemos aqui em Belize. Amanhã, é dia de atravessarmos o país outra vez, rumo à San Ignacio, com uma rápida passagem na capital Belmopan. Estaremos, outra vez, perto da fronteira da Guatemala, mas dessa vez, na estrada que realmente atravessa para o lado de lá.
Com a Ofelia, a dona de casa que nos acolheu em Blue Creek, vilarejo maya no sul de Belize
Meditação na Peña de Bernal, no México
Nosso plano original, antes de voltarmos ao México, era de seguirmos por grandes cidades até a cidade de Puebla, já bem perto da Cidade do México. Daí, seguiríamos para o Yucatan, via Vera Cruz. Fizemos um roteiro passando por aquelas de relevância histórica, como San Luiz Potosi e Queretaro, além da própria Puebla.
Nosso caminho dos últimos dias, entre o Potrero Chico e a Peña de Bernal, passando por Real de Catorce e San Miguel de Allende. O Google não mostras as estradas pequenas, mas enfim...
Até começamos pela cidade planejada, Monterrey, a terceira maior do país. Foi quando os planos começaram a mudar. Conversando com o Gera, brasileiro que mora na Cidade do México e com outras pessoas que fomos conhecendo no caminho, as indicações eram de deixar as cidades grandes de lado e seguirmos para as pequenas e charmosas cidades espalhadas pelo país.. Não que as grandes também não fossem interessantes, mas com o tempo limitado e tendo de escolher, não restava dúvida.
Bernal, no México
Visitando o Pueblo Mágico de Bernal, no México
Além disso, foi só aqui que passamos a ter tempo novamente para ler sobre o país. Viagem apertada como a nossa acaba sendo assim: em vez de planejar a semana seguinte, só conseguimos nos preparar para o próximo dia. E olhe lá! Tem vezes que me pego planejando o dia de ontem, hehehe!
Bernal, no estado de Queretaro, com a famosa pedra ao fundo, no México
Igreja do Pueblo Mágico de Bernal, no México
Enfim, depois de passarmos por cidades como Real de Catorce e San Miguel de Allende, aí qualquer dúvida que havia se dissipou. No nosso atual “mood”, são mesmo as pequenas que nos atraem! Foi assim que viemos para mais uma pequena cidade, ela também um Pueblo Mágico, a pequena Bernal. No caminho, ficaram as famosas San Luiz Potosi, que passamos rapidamente pelo centro, e Querétaro, que só vimos mesmo da estrada. A vontade de conhecê-las continua, mas não será dessa vez...
O imenso monolito conhecido como Peña de Bernal, no México
A fama de Bernal vem do enorme monólito ao lado da cidade, conhecido como Peña de Bernal. Anunciado como o “terceiro maior monólito do planeta”, atrás apenas de Gibraltar e do Pão de Açúcar, essa enorme rocha com mais de 300 metros de altura já chama a atenção de longe. Essa história de “terceira maior” não é muito científica, já que o próprio conceito de monólito é meio difuso. A Pedra da Gávea, por exemplo, também poderia ser chamada de monólito e é maior que o Pão de Açúcar. Mas, definições e classificações à parte, a Peña de Bernal é linda, atraindo alpinistas e místicos à região, que seria um grande “centro de energia”, seja lá o que isso significa na prática.
Peña de Bernal, no México
Chegamos no fim da tarde do dia 22 e deixamos a nossa visita à enorme pedra para o dia seguinte. Aproveitamos as últimas horas do dia para conhecer a pequena cidade. Muito simpática e pacata, mas mal acostumados que estávamos com Real de Catorce e San Miguel de Allende, ficamos um pouco decepcionados. Tudo depende mesmo das expectativas...
Caminhada na famosa Peña de Bernal, no México
Hoje cedo, partimos para a principal atração da pequena Bernal, a famosa Peña. É possível caminhar, ao início sobre uma trilha e depois, sobre a própria rocha, até pouco mais da metade da altura do enorme rochedo. Quanto mais alto, mas bela a vista dos arredores, a cidade ficando cada vez menor aos pés da montanhas. Ao longo desse caminho, várias paredes que fazem a alegria de escaladores, com diversas rotas possíveis.
Subindo o imenso monolito conhecido como Peña de Bernal, no México
Por fim, chegamos a um ponto onde, daí para frente, só com cordas mesmo. Ou então, com muita coragem para enfrentar os grampos de ferro cravados na parede de pedra. Eu até segui mais uns 40 metros para o alto, evitando olhar para baixo. À diferença de Potrero Chico, aqui não tinha nenhuma corda de segurança e um erro qualquer poderia ser, literalmente, fatal. A Ana, sem um calçado adequado, ficou lá embaixo mesmo.
Pausa na subida da Peña de Bernal, no México
Eu desci para ver se ela queira ajuda ou incentivo, mas ela já estava decidida a ficar por ali mesmo. Aproveitei a chance e fiquei lá também, curtindo a vista que já era espetacular. A pequena cruz que nos esperava no alto da montanha teve de ficar solitária mesmo. Pelo menos, no dia de hoje.
Do alto da Peña, avistando a cidade de Bernal, no México
Para nós, foi uma delícia de caminhada e nosso primeiro dia de treinamento de uma longa sequência planejada até o Pico Orizaba, a mais alta montanha do país. Finalmente, já estamos com tudo planejado, inclusive nossos encontros com o Gera e com a Val. Aliás, a Val chegou hoje à Cidade do México e vamos todos nos encontrar amanhã, no final do dia, em Toluca. Ela vai para lá de carona com o Gera e nós quatro juntos subiremos o belo Nevado de Toluca. Será nossa primeira montanha de grande altitude e 3ª etapa de nossa preparação. Terceira? Pois é, ainda não falei da segunda! Fica na cidade de Tepoztlan, ao sul da capital federal e para lá seguimos ainda hoje, para nossa caminhada de amanhã. Assunto para o próximo post!
Vegetação semidesértica ao redor da Peña de Bernal, no México
Os tradidionais barcos que levam as pessoas pelos canais de Xochimilco, na Cidade do México
Uma grande cidade é formada por bairros com personalidade. É assim com Nova York, Paris, Rio, Buenos Aires e é assim também com a Cidade do México. Cada bairro tem vida própria, características distintas e atrai uma tribo diferente. São como pequenas cidades dentro da grande cidade.
Visitando a Casa de Frida Kahlo e Diego Rivera, em Coyoacán, bairro de Cidade do México
Aqui na Cidade do México, já tínhamos visitado dois desses “bairros com personalidade”, entre tantos que existem. Foram o agradabilíssimo La Condesa e o boêmio Roma. Dois lugares que moraríamos tranquilamente! Mas outros dois bairros, duas das mais famosas vizinhanças da cidade, deixamos para visitar apenas hoje, na véspera de partirmos. O bairro de Coyoacán, famoso por ter sido o lugar onde moraram Frida Kahlo e Diego Rivera, e o bairro Xochimilco, último lugar na Cidade do México aonde se encontram os canais de navegação, da mesma maneira que era Tenochtitlán, a capital dos astecas.
Foto tradicional na Casa de Frida Kahlo e Diego Rivera, em Coyoacán, bairro de Cidade do México
Os dois bairros ficam na região sul da Cidade do México, facilitando que sejam conhecidos num mesmo dia. Ainda mais que estávamos acompanhados do Rodrigo, que já conhece bem os dois lugares. Aproveitou o sábado para poder nos acompanhar na programação. Mais do que isso, nos servir como guia! Assim, seguimos os três no seu carro através das freeways que cortam a cidade em direção à Coyoacán.
As típicas Catrinas mexicanas, aqui representando os artistas famosos na Casa de Frida Kahlo e Diego Rivera, em Coyoacán, bairro de Cidade do México
Logo no início do bairro de grandes casas centenárias está a casa onde viveram os consagrados artistas Frida e Diego. Hoje a tal casa (a famosa “Blue House”) é um museu, um dos mais visitados da capital mexicana, principalmente depois do sucesso do filme “Frida”, há alguns anos. Nessa casa, nasceu, viveu e morreu essa fantástica personagem que soube tirar do sofrimento inspiração para a sua arte e para a sua vida. Frida teve poliomielite quando criança, o que a deixou com uma perna mais grossa que a outra, e um terrível acidente de ônibus na adolescência que a deixou com sequelas pelo resto da vida. Além da dor quase constante e da impossibilidade de ter filhos, o acidente acabou por tirar-lhe uma perna e a vida ainda jovem, antes dos 50 anos.
A movimentada praça central de Coyoacán, bairro da Cidade do México
Além de suas instigantes obras de arte (pinturas), chama a atenção a relação apaixonada e turbulenta com outra grande gênio mexicano, Diego Rivera. O casal viveu uma relação de amor e ódio, de idas e vindas e de traições e festas, divorciando-se e casando-se novamente. Apesar dos chifres recíprocos, incluindo um com León Trotski e outro com a irmã de Frida (esses foram os dois chifres mais doloridos!), o amor entre eles era claro e fica explícito não só pelas frases ditas ao longo de suas vidas, mas também pelo fato de estarem sempre se perdoando. A difícil relação acabava também por nutrir e enriquecer a arte de ambos.
Com o Rodrigo em almoço rápido em Coyoacán, bairro de Cidade do México tornado famoso por Frida e Diego Rivera
Como boa parte dos turistas na Cidade do México, nós também fomos bater cartão na Blue House, onde se pode ver admirar quadros, fotos, objetos e textos de Frida, além de admirar a própria casa em que receberam tantos amigos ao longo da vida conjunta. Como a própria Frida nota, era difícil algum vez em que a Blue House não estivesse ocupada por hóspedes ou reuniões. Era uma casa aberta, assim como continua hoje. Só que hoje é pago. Mas vale a pena!
Porto fluvial no bairro de Xochimilco, na Cidade do México
Depois da casa de Frida, pelo pouco tempo que tínhamos, tivemos de abdicar das visitas à Casa de Trotski, onde o revolucionário foi assassinado por um agente de Stálin, e da casa de Cortes, onde o conquistador morou por algum tempo após a queda de Tenochtitlán e onde os espanhóis torturaram vilmente o último imperado asteca, Cuahtemóc, para que este dissesse aonde estava o ouro asteca (o que ele não disse!). Ao invés disso, fomos à praça principal do bairro. Num sábado, ela e seus restaurantes e cafés ficam lotados, artistas populares disputando espaço com transeuntes e turistas ao redor dos coiotes que são a marca registrada do bairro (em Nahuatl, a língua asteca, Coyoacán quer dizer “Terra dos Coiotes”). Achamos espaço em um dos cafés e fizemos nosso gostoso almoço tardio ali mesmo.
Os tradidionais barcos que levam as pessoas pelos canais de Xochimilco, na Cidade do México
Alimentados, seguimos então ainda mais para o sul, para o bairro de Xochimilco (“Lugar Onde as Flores Crescem”, em Nahuatl). Uma rede de canais (mais de 100 km) ainda corta o bairro, exatamente como era há 500 anos, antes de chegarem os espanhóis. Esses canais foram formados pela criação de ilhas artificiais no lago de Xochimilco. Essas ilhas foram formadas por nativos que juntavam barro e vegetação e os empilhavam nas águas rasas do lago, para depois usá-las para agricultura.
Com o Rodrigo, observando barco de Mariachis em Xochimilco, na Cidade do México
Hoje esses canais são percorridos por coloridas “trajineras”, ou gôndolas, levadas por um piloto que, ao invés de remar, empurra o chão com um longo bastão. Nos finais de semana, são os próprios mexicanos os maiores clientes desses passeios, famílias inteiras ou grupos de amigos que se reúnem para uma festa ou uma tarde animada. Afinal, as trajineras são grandes o suficiente para umas 20 pessoas, com bancos e mesas. As pessoas levam a bebida e a farofa enquanto o som fica por conta de barcos cheios de mariachis. Esses vem remando até nós, encostam no barco e oferecem seu “serviço”. Há também os barcos com comida e outros com artesanato, um verdadeiro mercado sobre as águas.
Barco de Mariachis em Xochimilco, na Cidade do México
A gente estava bem diretoria, uma trajinera só para nós três, balde cheio de cervejas geladas. Deslizar tranquilamente pelas águas dos canais observando a paisagem à nossa volta e, sobretudo, a festa que se fazia nas outras trajineras foi muito legal, um dos muitos programas imperdíveis e inesquecíveis na Cidade do México. Mais legal e animado que andar de gôndola em Veneza! E o Rodrigo, que estava no “mood” de nos presentear, ainda pagou um barco de mariachis para uma cantoria particular. Para nos sentir mais mexicanos, só faltou o sombrero (aliás, as cervejas eram Corona!).
Passeando de barco pelos canais de Xochimilco, na Cidade do México
Navegamos por mais de uma hora. Na volta, já escuro, a festa continuava nos barcos, as pessoas mais animadas do que nunca. Bonito também são os barcos que se enchem de velas acesas, iluminando a noite e o canal. Uma visão que mistura o sagrado e o fantasmagórico. Que bela mistura!
Programa tradicional para quem visita a cidade, o passeio de barco nos canais de Xochimilco, bairro da na Cidade do México
De volta à terra firme e antes de voltarmos para Santa Fé, já no segundo tempo da prorrogação, ainda fomos conhecer outro bairro famoso da capital, esse por sua vida noturna. Polanco também tem muitos restaurantes bacanas e foi num deles que fomos jantar e jogar conversa fora. Fim de um dia intenso numa cidade intensa. Resta saber se amanhã teremos pique e forças de acordar cedo para enfim pegarmos a estrada que nos levará ao norte do país, aos EUA e, eventualmente, ao Alaska. Veremos...
De noite, os barcos carregam velas pelos canais de Xochimilco, na Cidade do México
O atual continente americano
Apesar de estarmos sempre falando em América do Norte, do Sul e Central, ou América Latina e Anglo-saxônica, o fato é que todas elas formam um só continente, a famosa América, aquela que estamos explorando por esses mil e tantos dias. Mas não foi sempre assim. Na verdade, até bem recentemente, pelo menos em termos geológicos, América do Sul e América do Norte eram, sim, continentes distintos, separados por um oceano.
Por bilhões de anos, continentes e oceanos tem sido criados, separados, destruídos e juntados novamente, num verdadeiro balé de dimensões planetárias. Se um de nós voltasse no tempo, apenas alguns bilhões de anos, e olhasse para o nosso planeta do alto, não o reconheceria, uma configuração geográfica completamente diversa da que temos hoje. Através de “marcadores” como o alinhamento magnético de rochas antigas, ou pela similaridade de fósseis pré-históricos, cientistas foram capazes de decifrar parte dessa história e de antigos supercontinentes. Épocas em que partes do Brasil encostavam com a Índia ou Austrália, ou que o nordeste dos Estados unidos tocava a África do Sul.
O possível aspecto do supercontinente de Rodinia, há um bilhão de anos
Obviamente, quanto mais antigos esses supercontinentes, menos se sabe sobre eles. Ur, Columbia, Rodinia, Pannotia são apenas alguns deles, cada um existindo por algumas centenas de milhões de anos e depois, separando-se outra vez. Finalmente, as ilhas e continentes se juntaram uma última vez, há cerca de 300 milhões de anos, num supercontinente chamado Pangeia, este sim, um pouco mais conhecido por todos nós. A união durou pouco e “apenas” 100 milhões de anos mais tarde, Pangeia se dividiu em duas, Laurasia ao norte e Gondwana ao sul. O que conhecemos hoje como América do Norte, junto com Eurásia (sem a Índia!), formava o continente do norte, enquanto a nossa América do Sul, junto com África, Austrália, Índia e Antártica, formava o gigantesco continente do sul.
O supercontinente de Pangeia, há 300 milhões de anos
Não demorou muito para que também esses continentes se “quebrassem” em pedaços menores. A América do Sul separou-se, tornando-se uma enorme ilha-continente. Algumas dezenas de milhões de anos mais tarde, foi a vez da América do Norte separar-se da Eurásia, embora gigantescas pontes de gelo continuassem a uni-las a cada nova era glacial. Em cada um desses novos continentes separados, fauna e flora se desenvolveram e evoluíram separadamente, criando formas distintas de vida a partir de antepassados comuns, aqueles que habitavam a antiga Pangeia.
Pangeia se divide em dois supercontinentes: Laurasia, ao norte, e Gondwana, ao sul
Bem recentemente, um piscar de olhos em termos geológicos, América do Sul e do Norte se aproximaram uma da outra, fechando aos poucos a ligação entre os Oceanos Pacífico e Atlântico. Agora, apenas pouco mais de mil quilômetros separavam as Américas. Só estava faltando aquele pedaço de terra que hoje chamamos de América Central. Foi quando, há 3 milhões de anos, grandes erupções vulcânicas levantaram o Panamá e criaram a estreita ponte que une o sul ao norte. Nascia, enfim, a América!
A migração de espécies entre as duas Américas. Em verde, animais originários da América do Sul e, em azul, animais originários da América do Norte
Prontamente, a fauna dos dois continentes começaram a migrar pela nova ponte natural, tentando ocupar novos nichos. Predadores e presas, herbívoros e carnívoros, répteis, aves e mamíferos, todos queriam “explorar” novos espaços. Essa verdadeira mistura de espécies, o maior evento biológico desde a extinção dos dinossauros, aconteceu bem aqui, no nosso continente. De forma geral, a fauna do norte levou a melhor, enquanto que a fauna do sul, que havia estado isolada por mais tempo, tornando-se mais especializada, não resistiu às novas condições de competição. Com raras exceções, como por exemplo, as preguiças-gigantes, foi a fauna do norte que se impôs. Os grandes predadores do sul, como crocodilos gigantes e os “pássaros do terror”, tiveram seus ovos comidos pelos pequenos mamíferos do norte enquanto os grandes herbívoros do norte, já acostumados com seus próprios predadores. desalojaram os herbívoros do sul. A fauna marsupial, que havia se originado na América do Sul para depois migrar para a Oceania, ainda nos tempos da Gondwana, teve se se refugiar em pequenos nichos em sua terra natal.
Após essa mistura vitoriosa para o norte e catastrófica para o sul, a vida nas Américas se estabilizou, passando a conviver com as eras glaciais que iam e vinham a cada 20 ou 30 mil anos, alterando as condições de clima e vegetação do continente, nada com que as espécies não pudessem lidar, como mostra a história dos fósseis. Uma extinção aqui, outra ali, mas nada de chamar a atenção. Até que, ao final da última glaciação, há cerca de 12 mil anos, uma onda de extinções tomou conta de todo o continente, acabando com quase toda a megafauna que habitava as Américas há mais de um milhão de anos. O que teria sido diferente dessa vez?
Fóssil de uma antiga preguiça gigante, animal originário da América do Sul e que migrou para a Améica Central
Infelizmente, tudo parece indicar, foi a presença de um novo “fator”, ou ator, no continente. Bem nessa época chegavam por aqui os paleoíndios, vindos da Ásia e, possivelmente, do Pacífico. Os antepassados longínquos dos índios encontrados por Cristóvão Colombo e Pedro Álvares Cabral não eram assim, tão “ecológicos” como gostamos de imaginar. Caçando à exaustão espécies que já vivam sob o stress das mudanças climáticas da época, animais que já viviam por aqui há centenas de milhares de anos não puderam resistir e foram extintos. Animais como os famosos mamutes, mas também camelos, preguiças-gigantes, enormes tartarugas e tatus, entre tantos outros. Uma notável exceção foram as manadas de bisões na América do Norte. Talvez por isso e com esse duro aprendizado, acabaram se tornando animais quase sagrados para as populações locais, que agora sim, os respeitavam. Foi preciso a chegada do homem branco para que, também eles, quase fossem extintos.
A causa humana dessa catastrófica extinção em massa ainda não foi completamente provada. Mas, a coincidência de eventos semelhantes na Austrália, Nova Zelândia, Japão e outras ilhas menores, onde grandes extinções coincidiram com a chegada da nossa espécie, parecem ser um bom indicativo. É interessante notar também que, nas áreas do globo onde a presença humana é mais antiga e a própria fauna local evoluiu conjuntamente com a nossa espécie, como na África e no sul da Ásia, essas extinções não ocorreram. Lá, os grandes animais aprenderam, de alguma forma, a conviver com a mais perigosa das espécies. Em terras como a América ou a Austrália, onde os humanos apareceram de uma só vez, as espécies de animais não tiveram tempo de se adaptar ao novo predador e o seu destino foi implacável: extinção.
Paleoíndios caçam um antigo tatu gigante
Enfim, 200 milhões de anos depois da Pangeia se separar, 3 milhões de anos depois que os animais começaram a cruzar a novíssima ponte natural entre América do Norte e do Sul, 12 mil anos depois que humanos caminhassem de um continente ao outro, chegou a vez de nós, o 1000dias, passássemos do Panamá para a Colômbia, da parte norte para a parte sul desse continente chamado América. Assunto para o próximo post...
Reencontro com o imponente Aconcágua, a mais alta montanha do continente, na região de Mendoza, a oeste da Argentina
Pela segunda vez nesses 1000dias, eu e a Ana estamos no Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina. Tenho certeza de que quase todo mundo que lê esse texto sabe, mas nunca é demais lembrar: o Aconcágua é a mais alta montanha do continente americano. Não só isso, ela é a maior montanha do hemisfério sul do planeta, assim como do hemisfério ocidental. Para achar algo mais alto que ela, só voando um pouco mais de 16 mil quilômetros na direção leste para chegar ao Hindu Kush, uma cadeia de montanhas entre o Afeganistão e o Paquistão, literalmente do outro lado da Terra.
De volta ao belíssimo mirante na área da Laguna Horcones e a caminho da base da maior montanhas das Américas, o Aconcágua, na região de Mendoza, a oeste da Argentina
Uma bela vista do Aconcágua, a maior montanha do hemisfério, na região de Mendoza, a oeste da Argentina
Com todos esses predicados, não é a toa que a montanha atraia tantos visitantes, quase todos nos poucos meses do verão andino, do final de Novembro ao início de Março. São os meses da chamada “temporada” de andinismo, quando muita gente faz trekking pelas trilhas do parque e, muitas vezes, tentam chegar ao cume do Aconcágua. Chegar até lá não é fácil e requer quase duas semanas de muito esforço, já incluindo o tempo necessário de aclimatização às altas altitudes. Nosso corpo não nasceu para passear aos 7 mil metros de altitude, então é necessário uma adaptação biológica para ter a chance de chegar lá. Isso demanda tempo, principalmente para as pessoas que vivem abaixo dos 1.000 metros de altitude, ou seja, 99% da população mundial.
Mapa 3D da região do Aconcágua, na Argentina. Aí percebe´se claramente que a trilha se divide em Confluencia, à direita seguindo para Plaza Francia (nosso caminho de agora) e à esquerda para Plaza de Mulas (caminho que fiz em 1999)
Mapa de trilhas e altitudes da região do Aconcágua, a maior montanha das Américas, nos Andes argentinos. Nós caminhamos de Horcones até Confluencia no 1o dia. No 2o dia, fomos até Plaza Francia, em frente à Parede Sul e retornamos à Confluencia. No 3o dia
Nós havíamos passado por aqui no dia 17 de Outubro do ano passado (post aqui), portanto, antes do início da temporada. O acesso ao parque, fora dos meses de verão, é bastante limitado e nós só pudemos fazer uma pequena caminhada até o mirante da Laguna Horcones, de onde se tem uma vista magnífica da montanha que dá nome ao parque. Mesmo estando a cerca de 30 km de distância, sua imponência surpreende, um verdadeiro gigante diante de nós. Desde aquele dia, estávamos esperando a chance de passar por aqui de novo, dessa vez com o parque totalmente aberto, para poder chegar bem mais perto do Aconcágua. Essa oportunidade chegou!
Na entrada do parque, o helicóptero usado para resgates na região do Aconcágua, área de Mendoza, a oeste da Argentina
De volta ao belíssimo mirante na área da Laguna Horcones e a caminho da base da maior montanhas das Américas, o Aconcágua, na região de Mendoza, a oeste da Argentina
Início de Fevereiro, o período mais movimentado da temporada do parque já passou. Ele acontece no final do mês de Dezembro e ao longo de todo o mês de Janeiro. Nesses dias, os acampamentos na montanha ficam lotados e, quando o clima está favorável nas altitudes mais altas, são centenas de pessoas tentando chegar ao ponto mais alto do continente, formando-se quase uma fila indiana nas trilhas da chamada “rota normal”. Ainda vou falar mais sobre isso nos próximos posts, mas há, basicamente, três rotas para se chegar ao topo do Aconcágua. De longe, a mais popular é a “rota normal”, que sai de um acampamento a nordeste do Aconcágua, chamado Plaza de Mulas, rumo ao cume. Foi a primeira a ser desbravada, em 1897, e é a que menos exige tecnicamente do alpinista. Roupa apropriada, muita força e determinação e um par de grampões. Outra rota que vem ganhando popularidade na última década é a rota dos polacos, que ascende a montanha através do glaciar dos polacos. Aí sim é preciso piquetas e encordoamento para caminhar sobre o rio de gelo. Por fim, há a temida rota pela Parede Sul, saindo de um acampamento chamado Plaza Francia. Por aí, é preciso vencer uma parede de gelo e rocha de dois quilômetros de altura, um dos maiores desafios do alpinismo mundial. São pouquíssimos os alpinistas que se atrevem a tentar e menos ainda os que conseguem. Em anos bons, seria possível contá-los com os dedos das mãos. Em anos ruins, absolutamente nenhum.
Reencontro com o imponente Aconcágua, a mais alta montanha do continente, na região de Mendoza, a oeste da Argentina
Início da caminhada para Confluencia, o primeiro acampamento para quem se dirige ao Aconcágua, ma região de Mendoza, a oeste da Argentina
Eu e a Ana adoraríamos tentar chegar ao cume dessa montanha, mas simplesmente não temos o tempo necessário para tentar isso agora. Como eu já disse em outros posts, daqui a oito dias deveremos estar no aeroporto de Montevideo para pegar os meus pais. Eles vão viajar conosco duas semanas pelo Uruguai e Rio Grande do Sul. Ou seja, não temos as duas semanas necessárias para nos aclimatizar e tentar subir o Aconcágua. Mas podemos ficar por aqui alguns dias e fazer alguma trilha até a base da montanha. A vantagem é que vai sair bem mais barato, já que a permissão para se tentar subir a montanha está ficando mais cara a cada ano que passa. Agora em Fevereiro, chamado por eles de Temporada Media, o custo para brasileiros (só a permissão!) para subir o cume é de 300 dólares, enquanto que para fazer um trekking de 3 dias, que é o que vamos fazer, é de 40 dólares. Se fôssemos gringos e estivéssemos na temporada alta, esses valores seriam de 750 e 120 dólares, respectivamente. Para o ano que vem, estão previstos novos aumentos. É a maneira que os argentinos têm encontrado de controlar um pouco o número de pessoas que entram no parque, além de ganhar um dinheirinho também, claro!
Aconcágua, a maior montanha das Américas, na região de Mendoza, a oeste da Argentina
Atravessando o rio Horcones, a caminho do acampamento de Confluencia, na rota do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina
Para se ter uma ideia, quando eu subi o Aconcágua em 1999, na temporada alta, a permissão me custou cerca de 70 dólares. Naquela época, não se fazia distinção de preços entre brasileiros (ou latino-americanos) e gringos. Hoje, além dessas duas categorias, há uma terceira, a mais barata, que é a dos “nacionais”. Certo estão eles de cobrar menos deles próprios. Enfim, é isso mesmo, eu já subi essa montanha no passado. Depois de escrever como foi esse nosso trekking por aqui, vou fazer um post contando como foi aquela aventura de se chegar ao cume do Aconcágua. A memória ainda está fresca, ainda mais agora que estou caminhando pelo mesmo cenário, e as fotos estão todas digitalizadas, então não deverá ser difícil fazer esse relato.
Um muleiro e suas mulas levam carga para os acampamentos na base do Aconcágua, na região de Mendoza, a oeste da Argentina
Um muleiro e suas mulas levam carga para os acampamentos na base do Aconcágua, na região de Mendoza, a oeste da Argentina
Mas agora, quero falar do presente! Já que não temos tempo de tentar o cume, pelo menos até a base da montanha resolvemos ir. Faltava decidir qual o lado: Plaza de Mulas ou Plaza Francia. Como eu já conhecia a Plaza de Mulas, a decisão ficou mais fácil. Além disso, a visão da Parede Sul, todo mundo diz, é inesquecível. É uma caminhada mais curta também, o que nos dá mais tempo para curtir a paisagem, tirar fotos, etc.. Ficou então decidido: no primeiro dia, iríamos até Confluencia, o nome do acampamento que fica bem no lugar onde a trilha se bifurca, de um lado para Plaza de Mulas, do outro para Plaza Francia. Praticamente todo mundo para por aí mesmo, uma noite ao menos. Já faz parte do processo de aclimatação. No segundo dia, amanhã, vamos até Plaza Francia sem peso nenhum, exceto pela máquina fotográfica e algum lanche, fazemos nossas fotos e voltamos para dormir novamente em Confluencia. No terceiro dia, é só voltar até a Fiona e pagar estrada novamente, finalmente rumo ao Uruguai.
Primeiro dia de caminhada rumo ao Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina
Perfil da caminhada até Plaza Francia, campo base para quem for enfrentar a famosa Parede Sul do Aconcágua, nos Andes argentinos, região de Mendoza
Da outra vez que viemos, compramos as entradas mais baratas, as que valem apenas até o mirante da Laguna Horcones. Era o mais longe que poderíamos ir naquela época do ano, de qualquer maneira. Essas entradas simples, podemos comprar na entrada do parque. Já as entradas que nos permitem ir até a base do Aconcágua ou aquelas que nos dão permissão de tentar o cume, essas só são vendidas na sede do parque que fica lá em Mendoza. Então, estávamos realmente preocupados que eles nos fizessem ir até lá e voltar, muitas horas de estrada por uns pedacinhos de papel. Mas o guarda-parque, para nosso alívio, disse que poderia sim vender os tickets para Plaza Francia ali, 400 pesos por pessoas. Mas se quiséssemos tentar o cume, não tinha remédio: teríamos mesmo de ir até Mendoza.
Chegando ao acampamento de Confluencia, a meio caminho do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina
Chegando ao acampamento de Confluencia, a meio caminho do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina
Dessa vez, pudemos seguir de carro para dentro do parque e economizar quase um quilômetro de caminhada sem graça numa estrada de asfalto, o que tivemos de fazer em Outubro passado. Agora a Fiona já ficou bem mais perto de Horcones, estacionada quase ao lado de um helicóptero que fica ali para o caso de ser necessário algum resgate na montanha. Dali para o mirante onde já havíamos estado foram apenas uns 15 minutos de caminhada. Novamente, tínhamos o Aconcágua à nossa frente. Mas ele estava muito mais bonito hoje, por causa do horário, a luz do sol tornando as fotos ainda mais belas. Éramos os únicos a estar entrando no parque para fazer essa caminhada a esta hora da manhã.
O acampamento de Confluencia, a 3.400 metros de altitude, no caminho para o Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina
Pequenas barracas e grandes tendas no acampamento de Confluencia, na trilha que leva à base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina
Impossível não parar ali para tirar algumas fotos. E que legal que foi saber que, dessa vez, poderíamos seguir em frente. Barraca, sacos de dormir, material de cozinha, roupas e comida divididos em nossas duas mochilas, estávamos mais prontos do que nunca. A caminhada de hoje não seria longa, cerca de seis quilômetros, saindo de uma altitude um pouco abaixo dos 3 mil metros e chegando um pouco acima dos 3.400 metros. Ideal para um início de aclimatização.
Tendas de expedições em Confluencia, acampamento na metade do caminho para a base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina
O acampamento de Confluencia, a 3.400 metros de altitude, no caminho para o Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina
A caminhada é toda pelo vale do rio Horcones. Depois de uns 15 minutos do início, chegamos à ponte que cruza o rio e, a partir daí, ficamos sempre na sua margem direita (para quem está subindo!). É uma subida lenta e gradual, com uns poucos trechos onde ela se acentua. O Aconcágua some da nossa vista, encoberto por montanhas mais baixas, porém bem mais próximas. A vegetação é sempre baixa, o que nos possibilita visões amplas todo o tempo. Para quem não está com pressa, é um caminho super agradável.
Montanhas na região de Confluencia, o acampamento que fica a meio caminho da base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina
A bela região de Confluencia, metade do caminho para se chegar à base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina
Quase não cruzamos com pessoas no caminho. Quase todos eles, descendo. O único que nos passou, subindo também, foi um muleiro. Ele leva mulas carregadas de mochilas e equipamentos para os acampamentos mais acima. Muita gente faz isso, contrata mulas para levar sua bagagem, principalmente até Plaza de Mulas. Eu mesmo fiz assim, em 1999, quando vim para a montanha com meu primo. É muito peso para se levar até lá, comida para quase duas semanas, roupas e equipamentos. Normalmente, para quem não vem em expedições, só se carrega uma barraca, roupas e comida para dois dias. O resto vai nas mulas. Para quem vem com expedições, o que virou quase a norma para quem vai tentar o cume, nem a barraca é carregada, pois a agência já vai deixá-la montada nos pontos de parada.
Montanhas na região de Confluencia, o acampamento que fica a meio caminho da base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina
Pouco mais de duas horas depois de iniciarmos nossa caminhada, chegamos a Confluencia. Bem diferente da Confluencia que eu conhecia. Na verdade, o acampamento mudou mesmo de lugar, meio quilômetro antes. Agora há aí um posto de guarda-parques e nós devemos logo nos reportar a eles. Fazem um exame médico rápido e, se não há problemas, podemos armar nossa barraca. Foi o que aconteceu. Aí já estão várias barracas armadas, quase todas de expedições. Tem umas tendas bem grandes, que funcionam como refeitórios de grupos maiores. Outras, são quase como hotéis, alugando quartos. A maior estrutura! Antes, não havia nada remotamente parecido com isso...
Fim de tarde, esbanjando vitalidade aos 3.400 metros de altitude, em Confluencia, a meio caminho da base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina
Achamos um lugar um pouco mais protegido do vento para a nossa barraca e fomos caminhar pelas redondezas. Quem está por ali gosta de subir um pequeno morro de onde se pode ver muito bem o Vale de Horcones, o próprio acampamento de Confluencia e as montanhas mais acima no vale. Tudo grandioso, tudo lindo. Ar puro, sensação de se estar longe de tudo. Uma delícia! A Ana até se inspirou e arrumou uma lugar ótimo para fazer ioga e relaxar. Com aquele cenário ao seu redor, acho que foi a ioga mais energética que ela já fez!
No fim de tarde, aproveitando a beleza e grandiosidade da paisagem na área de Confluencia, a caminho da base do Aconcágua, para se inspirar e fazer ioga (região de Mendoza, a oeste da Argentina)
No fim de tarde, aproveitando a beleza e grandiosidade da paisagem na área de Confluencia, a caminho da base do Aconcágua, para se inspirar e fazer ioga (região de Mendoza, a oeste da Argentina)
No acampamento, há banheiro público e também uma fonte de água pura e gelada. Banho, só no rosto e mãos. Agua muito fria! Tenho a impressão que para quem for de expedição, há possibilidade de banho quente sim, aquecimento solar. Um conforto a mais para quem pretende passar tantos dias no meio da montanha. Para quem vai por apenas 3 dias, dá para ficar na água fria mesmo!
Descansando para combater a dor de cabeça aos 3.400 metros de altitude, na barraca montada no acampamento de Confluencia, a meio caminho da base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina
Noite estrelada no acampamento de Confluencia, a caminho da base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina
A noite foi de lua quase cheia. Espetacular! Eu me recolhi antes da Ana, a altitude me dando dor de cabeça. Tive de apelar para a neosaldina. Um par de comprimidos e já estava melhor. A Ana não precisou. Nessa viagem, em várias oportunidades, deu para perceber que ela se adapta mais rapidamente do que eu à altitude. Enquanto eu fui logo dormir, ela ainda circulou um pouco, ficou amiga dos guarda-parques e ainda ficou tirando fotos da nossa barraca iluminada apenas pelas estrelas e pela lua. Depois, o frio a venceu e ela veio para o calor do saco de dormir. Amanhã cedo, tudo isso fica por aqui enquanto nós seguimos para Plaza Francia ver bem de perto a famosa Parede Sul, temida e admirada por todos os grandes alpinistas do mundo!
Um forte luar ilumina nossa barraca no acampamento de Confluencia, a caminho do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina
O monstro do lago Ness? Não, é apenas um gigantesco elefante-marinho que nada à nossa frente, bem perto do nosso caiaque, em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
O dia hoje amanheceu esplendoroso, céu azul e sol radiante! Para o pequeno grupo de viajantes que está fazendo caiaque no Sea Spirit, um motivo extra para comemorar. Afinal, hoje era o dia de nossa segunda saída para remar na Geórgia do Sul.
Hora de entrar no caiaque: alguém segura por cima, alguém segura por baixo e nós entramos! (em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul)
Felizes da vida em nosso caiaque em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
O local escolhido era mais uma das inúmeras baías protegidas no litoral norte da ilha. O próprio nome já indica isso: Ocean Harbour, ou “porto do oceano”. Como todos sabemos, portos são feitos em locais de águas calmas e protegidas e esse é o caso de Ocean Harbour. Outrora mais uma estação baleeira das muitas instaladas nessa ilha, hoje é um paraíso de águas calmas muito frequentada por pinguins, lobos e elefantes-marinhos.
Em dia de muito sol, nosso grupo aproveita para fazer caiaque em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul (foto de Marla Barker)
O Dave nos acompanha de perto em um zodiac em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Outra característica de Ocean Harbour, esta uma peculiaridade sua, é que em um dos cantos da baía está encalhado um antigo navio, o Bayard. Com 67 metros de comprimento e mais de 1.300 toneladas de peso, esse navio de ferro construído em 1864 servia a estação baleeira aqui instalada quando uma explosão no motor do barco o deixou a deriva na baía. O ano era 1911, o Bayard encalhou em uma parte mais rasa e daí nunca mais saiu. A estação baleeira deixou de funcionar em 1920, mas o barco está lá para nos lembrar que esse era um local movimentado 100 anos atrás. Realmente é estranho ver esse esqueleto de ferro em meio a uma natureza tão bela e exuberante. Nitidamente, está fora do lugar...
Remando nosso caiaque duplo em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Selfie no nosso caiaque em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Fotografando e filmando de nosso caiaque em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Mas a natureza tenta, aos poucos, dar um jeito nisso. O antigo barco foi transformado num verdadeiro jardim flutuante, plantas crescendo por todo o convés. Mais do que isso, os shags imperiais, um belo pássaro com penagem preta e branca e o rosto azul, transformaram o barco em seu local predileto para reprodução e construção de seus ninhos. São dezenas deles, ocupados exatamente em fazer seus ninhos agora, já que estamos na estação.
Dia incrível e paisagem fantástica para remar em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Aproximando-se do naufrágio Bayard, em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Remando ao lado do Bayard, navio naufragado em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Outras duas curiosidades caracterizam essa magnífica baía. Aqui está o mais antigo cemitério da Geórgia do Sul. O túmulo mais velho é de 1820, muito tempo antes da era da caça às baleias. Naquela época, o que girava a pequena economia da ilha era a caça às focas (os lobos e elefantes-marinhos). Algumas cruzes ainda se espalham por um gramado em um dos cantos de Ocean Harbour. Outra coisa que logo nos salta os olhos é a presença de um grande rebanho de renas correndo pelos campos espremidos entre as altas montanhas e o mar. Isso mesmo, renas! Vou falar dessa aberração no próximo post.
O verdadeiro jardim em que se transformou o naufrágio Bayard, em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Os shags imperiais fizeram do Bayard sua nova casa, em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Um shag imperial em seu ninho no naufrágio Bayard, em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Agora quero falar é do caiaque que fizemos. Como sempre ocorre quando fazemos essa atividade, fomos os primeiros a deixar o Sea Spirit a bordo do zodiac. Ele nos levou até um ponto onde as águas estavam ainda mais paradas e aí fizemos o procedimento de abordagem dos caiaques. A nossa guia Val é a primeira a entrar no seu e, uma vez na água, emparelha o seu caiaque com o zodiac, encaixando o próximo caiaque a ser abordado no meio dos dois barcos, bem seguro. Aí, os passageiros desse outro caiaque entram nele cuidadosamente enquanto os passageiros ainda no zodiac também seguram o caiaque, passam os remos e ajudam a clipar bem a saia que vai impedir a água gelada de entrar no compartimento onde está o remador. E assim, um por um, todos nós entramos nos caiaques, quatro deles duplos e dois individuais, além do caiaque da Val.
Em dia de muito sol, nosso grupo aproveita para fazer caiaque em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Nosso grupo de caiaque em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Remando nosso caiaque duplo em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
O grupo todo na água, vamos remando para o interior da baía, primeiro rumo ao Bayard, o barco encalhado. No nosso caiaque, eu vou atrás controlando o leme e a Ana na frente, apontando a direção a ser seguida. Ela com a nossa pequena Canon e eu com a GolPro, tirando algumas fotos também e fazendo a filmagem. De vez em quando, trocamos as câmeras, operação sempre complicada, pois temos de largar nossos remos e tirar as mãos das luvas. Mas com jeito e paciência, vai.
Dia espetacular para fotos e caiaque em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Uma selfie em nosso caiaque duplo em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Passamos bem ao lado do Bayard, vendo e ouvindo os príons. Com tempo de sobra, demos duas voltas no navio, para observá-lo de todos os ângulos, cada vez mais craques nas nossas técnicas de remagem e direção, a Val também cada vez mais tranquila em nos deixar nos afastar um pouco. De qualquer maneira, o Dave no zodiac está sempre por perto para qualquer eventualidade.
O Greg e a Anna em seu caiaque em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
O naufrágio Bayard, hoje um viveiro natural em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Depois de cansarmos do barco encalhado e dos príons, era hora de seguir para perto da praia, onde os outros passageiros já começavam a desembarcar. Certamente não eram eles que atraiam nossa atenção, mas a vida abundante no local. Alguns grupos de pinguins, uns poucos lobos-marinho e muitos elefantes-marinho, que dominava completamente o espaço. Quando fizemos nossa primeira sessão de caiaques, não tínhamos tido a oportunidade de remar perto desses animais, por isso estávamos ansiosos para chegar lá.
Kelp gulls nadam ao nosso lado enquanto fazemos caiaque em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Um kelp gull nada no mar de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Os primeiros animais com quem cruzamos foram pássaros aqui da região, uma espécie de gaivota dos mares do sul, conhecida em inglês como “kelp gull”. Como todos os animais nativos daqui, não nos temem e podemos remar entre elas, com tempo para parar e fotografar. Ali do lado, pulando sobre as rochas, um antarctic tern (trinta-réis-antártico, é o estranho nome em português!) também nos observava. A quantidade e diversidade de pássaros nesse lado do mundo realmente impressiona!
Um antartic tern nos observa no caiauqe em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Do caiaque observamos os outros passageiros do Sea Spirit na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Praia lotada de elefantes-marinhos em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul. Ao fundo, uma manada de renas
Mas queríamos mesmo era chegar perto dos bichos maiores! A meio caminho da praia um lobo-marinho veio nadar entre nós, curioso com os caiaques. Aqui na água eles parecem bem mais amistosos que na praia, quando querem sempre marcar seu território. São grandes esses bichos, chegando a pesar 200 quilos. Bem maiores que seus primos leões-marinhos dos mares do norte. Lá na Baja California, chegamos até a fazer snorkel com eles. Com esses lobos aqui, acho que iríamos precisar de uma dose extra de coragem, principalmente depois de conhecer o mau humor deles em terra. Isso sem falar da água a três graus de temperatura...
Um lobo-marinho nada ao lado de um caiaque em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Fotografando um lobo-marinho em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Bom, os lobos podem ser grandes para os padrões que estávamos acostumados, mas não são nada quando comparados com o que estávamos por ver em seguida, bem a frente do nosso caiaque: os gigantescos elefantes-marinho.
Um lobo-marinho nos observa em nossos caiaques em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Fêmeas de elefante-marinho nos observam em nossos caiaques em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Primeiro, foi um macho de médio porte, o que deve significar umas duas toneladas, talvez. Ele estava saindo do mar e subindo em umas pedras e pudemos chegar bem perto. De costas, ele se virava para trás para nos observar, curioso e precavido. Acho que o fato dele já estar quase todo em terra nos fazia sentir fora do seu alcance, como se estivéssemos em mundos separados. Outra vez, com toda a tranquilidade, pudemos tirar nossas fotos.
Um grande e gordo elefante-marinho nos observa em nossos caiaques em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Um grande e gordo elefante-marinho nos observa em nossos caiaques em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Um grande e gordo elefante-marinho nos observa em nossos caiaques em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
A sensação foi bem diferente com o que vimos em seguida. Agora sim era um dos grandes, peso próximo das 4 toneladas e comprimento de 5 metros, do tamanho do nosso caiaque duplo. No início, parecia o monstro do lago Ness à nossa frente, sua enorme cabeça fora d’água e, muitos metros atrás, coisas estranhas se mexendo e saindo fora da água também. Demorei a reconhecer, mas eram as patas desse enorme animal. Ele parou e ficou olhando fixamente para nós, um frio percorrendo a nossa espinha.
Um gigantesco elefante-marinho nada à nossa frente, bem perto do nosso caiaque, em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Um gigantesco elefante-marinho nada à nossa frente, bem perto do nosso caiaque, em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Demorei um tempo para me recuperar, mas logo quis remar para chegarmos ainda mais perto. Ele devia estar a uns quatro metros a frente da ponta do caiaque. A Ana, que estava na frente, não gostou nada da minha ideia e queria remar para trás. O elefante ficou ouvindo nossa discussão, interessado também no resultado dela. De longe, também a Val e o Dave nos observavam, preocupados e curiosos. Por fim, paramos os dois de remar, mais preocupados em observar do que discutir. Eu desisti de chegar mais perto e preferi focar minha atenção em filmá-lo, enquanto a Ana fotografava. Sem dúvida, foi o ponto alto do nosso caiaque de hoje. Que animal monstruoso! No bom sentido, claro! E que poder! Se quisesse, dobrava nosso caiaque em dois como se fosse uma folha de papel. Mas são animais amistosos, a não ser que estejam protegendo o seu harém, o que não era o caso naquele momento.
Fêmeas de elefante-marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul. Aquela "montanha" ali atrás é o macho!
Um elefante-marinho abraça carinhosamente uma de suas fêmeas ena praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Depois desse encontro emocionante e de remarmos ao longo da praia fotografando, aí sim, os vários haréns ali presentes, sempre ao redor de um grande macho, era hora de remarmos para terra firme.
Um elefante-marinho não nos dá a mínima enquanto remamos em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Entre o nosso caiaque e a praia, um enorme elefante-marinho, em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
O último obstáculo era um outro elefante-marinho nadando, entre nós e as pedras da praia. Tivemos até de mudar o local da nossa aterrisagem, orientados pelos guias em terra. Com o caminho livre, o negócio é remar a toda velocidade para chegarmos o mais perto possível da parte seca. Os guias nos ajudam e puxam nosso caiaque mais para cima. Terminava assim nossa maravilhosa sessão de caiaques e iniciava nosso tempo de exploração daquele local com paisagem maravilhosa, montanhas por todos os lados, céu azul e fauna para nenhum Discovery Channel botar defeito. Assunto para o próximo post...
Hora de remar para a praia em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Um lobo-marinho nos recebe na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul, após nossa sessão de caiaque
Nossos caiaques na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Acariciando baleia Cinzenta na Baía Magdalena, região de Puerto López Mateos, na Baja California - México
O dia hoje nasceu radiante, céu azul e sol forte. A vista que tínhamos do terraço do nosso hotel, onde tomamos o café da manhã, estava linda. Ficamos imaginando como seria um passeio na Espíritu Santo hoje, com o tempo aberto. Puxa vida... erramos por um dia!
Dia de céu azul em La Paz, na Baja California, no México
Saindo de La Paz Baja California, no México. Tijuana ainda está longe!
Mas hoje era o dia de seguirmos em frente. Empacotamos a Fiona e em pouco tempo já tínhamos deixado La Paz para trás e entrado no deserto, cactos para todo lado, quase sem carros na estrada. Depois de meia hora atravessando uma longa planície, a estrada subiu para um platô de onde pudemos admirar uma paisagem fantástica para trás, de onde tínhamos vindo: a enorme planície desértica e o Mar de Cortez ao fundo, bem azul. A diferença de cores era gritante, assim como a “definição das fronteiras” entre terra, água e céu. Muito lindo! Para completar, lá estava ela, a ilha Espíritu Santo, onde estivemos ontem. Será que hoje as baleias estariam por lá?
Paisagem desértica com o Mar de Cortez ao fundo, na saída de La Paz, no sul da Baja California, no México
Bom, na verdade, hoje torcíamos que elas estivessem do lado de cá da península, no Oceano Pacífico! Afinal, era para lá que estávamos indo, a uma baía famosa pela presença desses grandes cetáceos, chamada Baía Magdalena. Nós escolhemos seguir diretamente para uma cidade que fica no seu lado norte, Puerto López Mateos. Muitos locais nos disseram que esse era o lugar com a maior chance de ver baleias, principalmente as “ballenas gris”, ou baleias cinzentas.
Barco leva turistas para ver baleias em Puerto López Mateos, na Baja California - México
Isso porque, bem em frente a cidade está um canal que liga a baía ao oceano aberto. Este esse canal, quando a maré está enchendo ou vazando, vira uma verdadeira estrada de baleias, as mães levando suas crias para um passeio pelas águas rasas e seguras da baía, longe dos predadores. Se fosse no início da temporada, há alguns meses, aí veríamos baleias grávidas, ou então, baleias “namorando”.
Turistas observam baleia em Puerto López Mateos, na Baja California - México
Chegamos à López Mateos no meio da tarde e fomos diretamente para o porto. Aí, descobrimos duas coisas. Primeiro, os passeios são rápidos, entre uma e duas horas. Paga-se uma lancha, preço que é dividido entre os clientes e navega-se uns 15 minutos até o ponto de observação. Segundo, a chance de ver baleias hoje era de 110%. Garantido! Vivaaaaa!
Enorme baleia cinzenta passa perto do nosso barco em Puerto López Mateos, na Baja California - México
Logo apareceu uma simpática família para dividir o barco e o custo com a gente. Assim, eu e a Ana pagamos 600 pesos para um passeio de duas horas até a boca do canal, onde as baleias se concentram, para lá poder ficar mais tempo, observando esses magníficos animais.
Enorme baleia cinzenta passa perto do nosso barco em Puerto López Mateos, na Baja California - México
No caminho, nosso guia foi explicando que apenas as baleias cinzentas entram no canal. Os outros tipos ficam em mar aberto, perto da costa. Na alta temporada, é possível ver baleias azuis, cachalotes, jubartes e orcas por aqui. Mas ele nos garantiu que as mais interessantes são mesmo as cinzentas, pois elas são mais interativas que as outras. Nossa... fiquei imaginando a emoção de ver uma baleia azul, com seus 40 metros de comprimento, o maior animal que já viveu na face da terra (e do mar!), desde sempre! Pois é, maior que qualquer dinossauro também! Algum dia, algum dia...
Mamãe baleia leva filhote para passear na Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México
Mas não hoje. Hoje era o dia das cinzentas mesmo. Não demorou muito para o pessimismo em encontrá-las ser substituído pela realidade! Lá estavam, para onde quer que se olhasse. Alguns adultos nadando sós e muitas mães acompanhados dos filhotes. Que coisa mais linda! De longe se podia ver, ou pela respiração barulhenta e o esguicho que fazem nas costas ou pelas pequenas exibições que fazem na superfície.
Filmando baleia cinzenta em Puerto López Mateos, na Baja California - México
Mas o melhor ainda estava para acontecer! Para minha surpresa, os barcos se aproximam das baleias, e elas dos barcos. São muito curiosas e adoram interagir. O guia nos orientou a fazer barulho na água com as mãos para atraí-las. Pois é, os filhotes adoram e logo se aproximam, vindo respirar ao nosso lado. Só o filhote já é do tamanho do barco, imagina a mãe! Que animal extraordinário!
Tocando baleia cinzenta durante passeio em canal da Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México
O guia nos disse que elas adoram ser acariciadas e assim o fizemos. A pele é macia e quentinha! Que experiência é tocar numa baleia! Ainda mais quando ela nos olha nos olhos. A gente vê inteligência e curiosidade por trás deles. É emocionante!
Enorme baleia ao lado do nosso barco na Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México
A gente ficou dividido entre tentar filmar, fotografar e tocar esses animais. A vontade era pular na água e observá-los lá de baixo. Mas não se pode fazer isso. O máximo de interação foi mesmo a respirada que a Ana levou nos rosto, de um filhote. Quase chorou de emoção, hehehe!
Feliz após encontrar mais uma baleia em Puerto López Mateos, na Baja California - México
E pensar que, no meio do século passado, os baleeiros entravam dentro do canal e faziam a festa com baleias grávidas, mães acompanhadas de filhotes e o que vissem pela frente... Quase levaram a espécie a extinção. Como pode? ? ? Felizmente, a caça foi proibida por aqui e a espécie se recuperou. E os tais baleeiros estão pagando uns bons anos no purgatório, espero! Ou então, reencarnaram como kril e hoje são comida de baleias!
Nosso guia e companheiros no passeio para ver as baleias cinzentas em Puerto López Mateos, na Baja California - México
No finalzinho da tarde estávamos voltando para o porto, ainda extasiados com o encontro com as baleias e admirando a paisagem ao nosso redor, o canal cercado por grandes dunas de areia. Parecia até que estávamos no delta do Parnaíba, lá no Piauí.
Dunas cercam o "canal das baleias", ligando o Oceano Pacífico à Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México
Despedimo-nos dos novos amigos, companheiros de barco. Moram aqui perto e o pai disse que todo ano vem fazer o passeio, ao menos uma vez por temporada. Tenho certeza que faríamos o mesmo! Uma tarde com as baleias faz muito bem para a alma!
Fotografia do reflexo do reflexo do belo entardecer, na estrada entre Puerto López Mateos e Loreto, na Baja California - México
Não conseguíamos tirar o sorriso do rosto durante a próxima hora, já na estrada a caminho de Loreto, curtindo o sol se pondo atrás de nós. Atravessamos a península mais uma vez para chegar em Loreto, outra vez na costa do Mar de Cortez. Já era oito da noite quando achamos nosso hotel. Fomos matar a fome e comemorar esse dia fantástico comendo um super burro. Um “burro” é um burrito grande. Dá para imaginar, então, como é um “super burro”, não dá? Estava uma delícia, num restaurante bem roots. Enfim, era hora de dormir. Os sonhos se dividiriam entre baleias e burros. Merecidamente!
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