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MAURO JOSE DA SILVA (02/08)
rodrigo seria duvidoso dizer q agora que vcs começaram aquela viagem tao...
MAURO JOSE DA SILVA (02/08)
JA ATÉ FIZ UM DOWLOUD DESTE MAPA DA MINA...KKKK...MARIANGELA VC É UM AM...
Rodrigo (02/08)
Oi karina! Queria ver vc colocar a mão lá perto!!! He he he Beijos...
Rodrigo (02/08)
Oi Dani!!! Concordo com vc sobre a flor! Vc não vai mandar fotos da Fú...
Karina (01/08)
Por que você não colocou a mão mais perto da aranha? Não deu para com...
Um Greenland Husky, animal mais popular em Ilulissat, na Groelândia
Hoje foi o dia de quebrarmos todos os nossos recordes de latitude nessa viagem. Afinal, estávamos indo para Ilulissat, uma cidade que fica ao norte do Círculo Polar Ártico. Os continentes do hemisfério norte estão muito mais ao norte que os continentes do hemisfério sul estão ao sul. Confuso? Nem tanto, basta comparar as respectivas latitudes. Ushuaia, por exemplo, a cidade mais ao sul do planeta, tem uma latitude apenas um pouco maior do que Londres e já bem menor do que Glasgow, na Escócia. O correspondente sulino da latitude de Ilulissat seria em plena Península Antártica! Então, mesmo se realizarmos nosso sonho de, no final da viagem, pegar um barco para a Antártida, não chegaremos a uma latitude tão grande como a que chegamos hoje.
A magnífica paisagem gelada que se pode admirar no voo entre Nuuk e Ilulissat, na Groelândia
O que mantém essas latitudes tão altas na Europa e na Groelândia habitáveis é a famosa Corrente do Golfo, que traz as águas quentes do Caribe em direção a esta região. Por isso se diz que, caso o aquecimento global “desligue” a Corrente do Golfo, a consequência seria o resfriamento do norte da Europa, o que parece um paradoxo, um aquecimento causando um resfriamento. Bom, enquanto isso não acontece, hoje foi o dia de chegarmos à Ilulissat, a pequena cidade que fica ao lado da maior geleira do mundo fora da Antártida, a titânica Jakobshavn.
A magnífica paisagem gelada que se pode admirar no voo entre Nuuk e Ilulissat, na Groelândia
A viagem é feita num pequeno avião para uns 30 passageiros. Assim é feito o transporte entre as cidades do país, já que não há estradas na Groelândia. A companhia aérea local liga todas as cidades da costa oeste. As cidades da costa leste estão isoladas do resto do país e só são alcançadas via Islândia. A vista que se tem durante o voo, se São Pedro permitir, já paga o alto preço da passagem! Lá de cima, podemos observar as gigantescas geleiras, o mar de neve e gelo que cobre todo o interior do país e os milhares de icebergs que dominam os mares da ilha. A sensação é de se estar no meio de um documentário do National Geographic ou da Discovery.
Vista aérea de Ilulissat, cidade ao norte do Círculo Polar Ártico, na Groelândia
Ilulissat fica na Disco Bay, uma das mais belas regiões da Groelândia. Seu nome quer dizer exatamente “icebergs”, pela grande quantidade dessas montanhas de gelo que existem na Disco Bay. Afinal, aí está a desembocadura da enorme geleira Jakobshavn, responsável por quase 10% do fluxo de gelo que corre da ilha para o mar. São 100 milhões de toneladas diárias de gelo jogados no oceano, o bastante para abastecer a cidade de Nova Iorque 100 dias!
A cidade de Ilulissat, na Groelândia
A cidade de 5 mil habitantes, a terceira maior da Groelândia, é muito mais bonita que Nuuk. Não é a toa que se transformou no maior centro turístico da ilha. Mas agora, nesse final de temporada de inverno e antes do início do verão, éramos uns dos poucos visitantes ali.
Observando a paisagem gelada de Ilulissat, na Groelândia, de dentro do conforto do hotel
Nosso hotel enviou um carro para nos buscar no aeroporto e quando nos instalamos, deu para perceber que teremos três noites em alto estilo. A vista é absolutamente magnífica, aquele gelo todo à nossa frente, icebergs passando para lá e para cá. No pátio do hotel, entre os quartos e o mar, para completar o cenário ártico, lá estava uma matilha de Huskies Groelandeses, o animal mais importante do país. Ficam a céu aberto o dia inteiro, ignorando as temperaturas negativas, prontos para nos levar em corrida desvairada pelo gelo. Umas figuras simpaticíssimas!
Gelo cobre pequena baía em Ilulissat, na Groelândia
A gente se instalou e foi dar uma caminhada pela cidade. A temperatura pouco abaixo de zero não impedia que crianças jogassem futebol num campo semi-congelado. O ar gelado e as montanhas cobertas de gelo que nos cercavam eram um convite para entrarmos nos cafés quentinhos e aconchegantes que se espalham pelo pequeno centro.
Jogo de futebol no gelo, em Ilulissat, na Groelândia
Caminhando em Ilulissat, na Groelândia
Mas a gente deixou os cafés para o dia seguinte, pois tínhamos um jantar de boas vindas no hotel nos aguardando. Uma entrada e um prato principal deliciosos, acompanhados de vinho e daquela vista fenomenal na janela à nossa frente. Eis um lado do nosso continente completamente diferente do que já vimos até agora!
Acompanhado de bom vinho, nosso jantar de boas vindas à Ilulissat, na Groelândia
Uma das razões para virmos para a Groelandia ainda no final da temporada de inverno foi a expectativa de ver a aurora boreal, ou Northern Lights. Mas nossa primeira noite por aqui já nos tirou qualquer esperança. Simplesmente, não fica escuro! O sol se põe às 10:30 da “tarde”. E já nasce novamente um pouco depois das duas da manhã. Nesse intervalo, mal é preciso ligar os postes de iluminação. A noite fica bem mais clara que uma noite de lua cheia nos trópicos. A esperança da aurora boreal fica para o sul da Islândia, onde deve ficar um pouco mais escuro do que aqui.
Balcão do nosso hotel em Ilulissat, na Groelândia
Socializando com um filhote de Greenland Husky, em Ilulissat, na Groelândia
Amanhã a programação é um passeio de helicóptero até o alto da geleira gigante. Mas o voo só sai com bom tempo e um número mínimo de turistas. Infelizmente, acho que não vai ser o caso. Mas não faltarão lugares para explorar nas redondezas. O que vai faltar, talvez, são casacos para isso, hehehe!
Um belo fim de tarde, às 10:30 da noite! (em Ilulissat, na Groelândia)
Um dos muitos lagos no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá
Depois de duas grandes cidades, agora queríamos conhecer um pouco da exuberante natureza do Canadá. O país é famoso pela beleza de seus Parques Nacionais e somente na província de Quebec são dezenas deles. Ficamos até tontos com tantas possibilidades, principalmente com o pouco tempo que temos por aqui. Era preciso fazer nossas escolhas...
Algumas folhas se adiantam e já tem a cor do Outono, no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá
Foi fácil eliminar de cara aqueles que só são acessíveis de avião e de barco. Apesar das belezas selvagens ali existentes, não estão ao nosso alcance, pelo menos não dessa vez. Pela grande distância, eliminamos vários outros. Como já disse algumas vezes, Quebec é do tamanho do estado do Amazonas e, para chegar ao outro lado da província, seriam necessários alguns dias de estrada.
Lendo informações sobre o processo de formação da maravilhosa paisagem no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá
A Ana começou a ler a descrição dos outros parques, alguns interessantíssimos, em ilhas, na beira do mar, com grandes canyons, com vida selvagem e por aí vai. A vontade e a dúvida só iam aumentando, até que ela chegou no Parc de La Mauricie. Esse tinha de tudo: montanhas, cachoeiras, rios, muitos lagos, vida selvagem e, melhor de tudo, estava na direção e distância corretas. É para lá que fomos hoje!
Fiona em frente ao nosso hotel em Quebec, no Canadá
Saímos já saudosos de Quebec, na direção oeste (que será o nosso sentido ao longo do próximo mês!), ligeiramente para o norte. Aliás, hoje foi o recorde de latitude norte da Fiona. Só será batido novamente depois de termos atravessado os Estados Unidos e entramos novamente no Canadá, em Alberta, aí sim na direção do Alaska. O recorde da viagem, mas sem a Fiona (ela não se conforma!), foi em Ilulissat, na Groelândia. Fomos acima do Círculo Polar Ártico. Recorde imbatível, pois nem no Alaska chegaremos tão “alto”...
Início de trilha no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá
Não demorou muito e atravessamos a zona rural da província, fazendas de trigo e milho espalhadas por uma grande área de planície e chegamos à região montanhosa, prenúncio de que o parque estava próximo. Outro sinal foi a quantidade de lagos, a marca registrada desse parque nacional.
Paisagem do Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá, durante a trilha até o Lac Solitaire
Pois é, alguns minutos depois e chegamos à entrada do Parc National de La Mauricie. A primeira bela surpresa foi no centro de visitantes, onde uma atenciosa guarda-parque nos recebeu com todas as informações. Dissemos a ela o tempo que tínhamos e do que gostávamos e rapidamente ela já nos deu um mapa e nos sugeriu trilhas e caminhos pelo parque. Muito eficiente, sem nenhuma enrolação. Muito legal!
A Nikon se esgueira para tirar boas fotos no Parc National de La Mauricie, na província de Quebec, no Canadá
Chegando ao belíssimo Lac Solitaire, no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá
A segunda surpresa foi a estrutura do parque. Dezenas de trilhas muito bem marcadas, uma estrada asfaltada que atravessa toda a parte sul do parque, abrigos bem construídos ao longo das trilhas mais longas, mapas detalhados e painéis explicativos com informações relevantes sobre fauna, flora, geologia e outros assuntos, espalhados pelo parque. Coisa de primeiro mundo.
O maravilhoso Lac Solitaire, no Parc National de La Mauricie, na província de Quebec, no Canadá
O maravilhoso Lac Solitaire, no Parc National de La Mauricie, na província de Quebec, no Canadá
O Parc de La Mauricie é frequentado no verão por amantes do trekking, ciclistas ou famílias em busca de um bom banho de lago. No inverno, são os esquiadores que procuram o parque para a prática do cross-country. Assim, para os amantes da natureza, há programas o ano todo!
Delicioso banho no Lac Solitaire, no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá
Nós, seguindo o roteiro traçado pela simpática guarda-parque, passamos por alguns mirantes, ainda de carro, para observar o rio e alguns lagos e chegamos ao início de uma trilha que nos levaria ao Lac Solitaire, no meio de montanhas. Uma agradável caminhada de poucos quilômetros e pouca inclinação, sempre na sombra agradável das matas nos levou até lá. Paisagem magnífica, bem a cara do Canadá do verão que vemos em filmes: um lago de águas cinematográfico de águas bem calmas cercado por uma mata verdejante que cresce sobre as montanhas (imagino que no inverno a paisagem mude completamente!).
Trilha no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá
Trilha no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá
No alto de uma pedra, bem no primeiro ponto de onde pudemos ver o lago lá embaixo pela primeira vez, aí paramos para a primeira metade do nosso piquenique, com aquele maravilhoso cenário na nossa frente. Os sanduíches ficaram até mais gostosos, hehehe!
Praia em um dos lagos do Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá
Depois, foi descer até o lago para um mergulho inesquecível em suas águas quase virgens. O incrível é que, entre todas as pessoas que encontramos no caminho (umas dez), fomos os únicos a entrar no lago. Incrível mesmo, pois a água nem estava fria e a beleza era indescritível. Um pecado, não nadar ali. Vai entender esses canadenses...
Painel informativo sobre o processo de formação das paisagens do Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá, durante a última era glacial
Depois do banho, outro pedaço de caminhada, mais mata e muitos mirantes para outros lagos no caminho. Poderíamos ter optado por trilhas mais longas, que nos levariam até a beira de outros lagos, quiçá para mais mergulhos. Mas ainda tínhamos muitas outras atrações pela frente, além de ainda ter de pegar estrada. Ficamos na trilha mais curta mesmo.
Os lagos e magníficas paisagens do Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá
Novamente no carro, fomos percorrendo a estrada que atravessa o parque, parando aqui e ali nos diversos mirantes e atrações. Entre elas, uma praia de lago muito frequentada por famílias. Mas, depois do nosso banho privado no maravilhoso “Lago Solitário”, não animamos muito naquela praia cheia de gente. Seguimos em frente até o ponto mais alto da estrada, de onde se observa vários lagos e com diversos painéis explicativos de como as enormes geleiras da última era glacial moldaram o relevo da região, transformando rios em lagos e antigas passagens em vales fechados. Cada vez ais vamos nos impressionando com o “poder de ação” dessas geleiras. Nenhum lugar do Canadá e do norte dos Estados Unidos escapou de sua ação há 20 mil anos. Também, eram quilômetros de gelo passando sobre a mais alta das montanhas. Que força tem a natureza!
Cachoeira no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá
No meio do caminho, tinha uma cobra! (no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá)
Seguimos pela estrada e, muitos lagos depois, chegamos a um ponto para fazer nova trilha. O objetivo agora era chegar a uma cachoeira. Ela nem se mostrou muito bonita, mas o caminho até lá, esses sim valeu a pena. Lagos espelhados, pequenos riachos pelo meio da mata e até uma cobra no nosso caminho. Achamos um recanto bem agradável para a segunda parte do nosso piquenique, ao lado de um simpático riacho e, quem apareceu para nos acompanhar foi um pato desavergonhado, Vinha pedir comida como se fosse cachorro. Com tanta insistência, ganhou fotos e algumas migalhas...
Admirando paisagem do Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá
O pato interesseiro que tentou ficar nosso "amigo" durante um piquenique no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá
Enfim, dia delicioso no parque. Se eu viesse morar em Quebec (o que não é má ideia!), seriam vários verões para conhecer cada trilha desse e dos outros parques da província. Programas de aventura não faltariam! Só iria precisar aprender a esquiar, para poder aproveitar no inverno também, hehehe
Fim de tarde e de caminhada no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá
Saímos do parque já nas últimas luzes do dia. Resolvemos seguir viagem até onde desse, o mais perto possível de outro parque nacional, já bem mais a oeste, o Mont-Tremblant. Famosíssimo pelas pistas de esqui, no inverno, o parque é o mais bem estruturado e frequentado do leste do Canadá também no verão. Conseguimos chegar até Rawdon, perto das 11 da noite. Vamos dormir felizes, não só pelo dia que tivemos, mas porque estamos bem mais perto do nosso destino de amanhã!
Nosso caminho no dia de hoje
Pablo Neruda e sua esposa, Matilde Urrutia
Um dos pontos altos do nosso dia em Santiago hoje foi a visita à casa onde morava Pablo Neruda, carinhosamente apelidada por ele de La Chascona. A casa fica aos pés do cerro San Cristobal e foi construída pelo poeta no início da década de 50 para abrigar a sua amante na época e futura esposa Matilde Urrutia. O nome da casa é uma homenagem a Matilde, que tinha os cabelos vermelhos e rebeldes. “Chascona” é uma palavra chilena de origem quéchua que significa exatamente isso: “cabelos revoltos”.
La Chascona, a casa de Neruda no bairro de Bella Vista, em Santiago, capital do Chile
La Chascona virou um museu a atrai visitantes de todo o mundo. Nós caminhamos por todos os cômodos da casa, que permanece como eram na época que o poeta vivia ali. Cada visitante recebe um áudio-guia que vai nos explicando sobre detalhes da casa e também sobre a vida de um dos maiores escritores do século XX, ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 1971 e que morreu de câncer, dois anos mais tarde.
La Chascona, a charmosa casa de Pablo Neruda em Santiago, capital do Chile
Pablo Neruda nasceu Neftali Ricardo Basolato em 1904, e já mostrava seus dotes de poeta na adolescência, quando adotou seu codinome que, mais velho, seria transformado em nome oficial. Com menos de 30 anos já trabalhava no serviço diplomático, sendo cônsul chileno na Espanha, bem nos anos que precederam a sangrenta guerra civil naquele país. Vivendo em um país e num continente em que as diferenças políticas se exacerbaram ao máximo, numa guerra mortal entre comunismo e nazismo, identificou-se fanaticamente com os primeiros e assim permaneceu durante toda a sua vida. Escreveu odes a Lenin e Stalin, sendo um dos últimos grandes intelectuais de esquerda ocidentais a reconhecer os desvios do ditador soviético.
La Chascona, a charmosa casa de Pablo Neruda em Santiago, capital do Chile
No Chile, sempre foi um ativo político do Partido Comunista, tendo sido exilado por vários anos por suas convicções. Na eleição de Allende, abdicou de sua candidatura para apoiar o amigo e foi seu embaixador na França durante os primeiros anos de governo. Já era uma personalidade mundial muito antes disso, tanto política como artística. Em um de seus grandes momentos, foi chamado a discursar em um evento no estádio do Pacaembu, em 1945, em homenagem a Luís Carlos Prestes, quando leu seus poemas para uma multidão de 100 mil pessoas.
Um dos encontros de Neruda e Vinícius de Moraes, sempre regado a bons vinhos
Sua ligação com o Brasil era forte, tendo sido muito amigo de personalidades como Jorge Amado e Vinícius de Moraes. Com esses, mas também com outros intelectuais de todo o mundo, sempre tinha encontros calorosos, regados a boa bebida e muita alegria. Enfim, viveu bem esse grande homem. O auge veio com o Prêmio Nobel, em 71. Foi uma premiação muito controversa, principalmente pela recusa de Neruda em condenar a política soviética de censurar escritores daquele país que não se alinhavam com o partido. Mas no final, sua indiscutível capacidade literária venceu as questionáveis posições políticas. Quando voltou à Santiago após receber o prêmio, foi recebido como herói, declamando seus poemas novamente para uma multidão, dessa vez 60 mil pessoas no Estádio Nacional.
Visitando La Chascona, a casa de Neruda em Santiago, capital do Chile
A vida privada também era bastante agitada, com vários amores. O último e maior deles foi com Matilde, a chascona. O romance secreto teria se iniciado enquanto Neruda ainda era casado. Por isso construiu essa casa em Santiago. Alguns anos mais tarde, já separado, pode assumir o romance que duraria até sua morte. Foram 15 anos recebendo os amigos para conversas e jantares animados na casa que mais amava, construída bem ao seu gosto. Não poderia faltar objetos que remetessem ao mar, uma de suas grandes paixões, e aos bares, outra delas. A própria sala de jantar tinha o formato de um barco, enquanto na parte mais alta do terreno foi feito um bar com vista para a cidade.
Visita ao tradicional restaurante Venezia, em Santiago, capital do Chile
Infelizmente, esse homem que teve uma vida tão intensa não teve um final feliz. Enfrentava um câncer de próstata quando o governo que apoiava foi derrubado em um dos mais sangrentos golpes de estado no nosso continente. Allende morreu dentro do Palacio de la Moneda, e o general Pinochet assumiu o governo, logo transformado em uma ditadura. Neruda assistiu tudo pelo rádio e TV, convalescendo em uma de suas casas, em Isla Negra. Não demorou muito e sua casa foi invadida por agentes do novo governo, que procuravam “material subversivo”. O velho poeta, indignado, disse: “Olhem a sua volta! Não há nada de perigoso aqui, exceto poesia!”. Alguns dias mais tarde, foi internado e acabou morrendo no hospital, 12 dias após o golpe.
Com o Pablo, almoçando no tradicional restaurante Venezia, em Santiago, capital do Chile
Sempre houve uma suspeita de que ele teria sido envenenado pela ditadura, que temia a oposição e a língua ferina do mais famoso chileno vivo, mas uma autópsia recente não corroborou essa tese. Aparentemente, foi mesmo a tristeza de ver o governo popular pelo qual havia tanto lutado ser derrubado que acelerou a ação de seu câncer. Enquanto ele convalescia no hospital, a Chascona foi atacada por um grupo de vândalos e parcialmente destruída. Sua valente esposa, apesar das ameaças do novo governo, fez questão de organizar o velório na casa e, com isso, mostrar a toda imprensa internacional o que estava ocorrendo no país. O estado deplorável da Chascona era um exemplo vivo do que se passava no Chile. No enterro do poeta, repleto de agentes e policiais, deu-se o primeiro protesto público contra a ditadura que apenas se iniciava no Chile, a última façanha desse que foi o poeta maior da América Latina.
A mesa preferida de Pablo Neruda no restaurante Venezia, em Santiago, capital do Chile
Hoje, tivemos não só o prazer de conhecer a Chascona, os livros, móveis e fotografias que viviam ao redor desse valente casal, mas também um dos restaurantes preferidos de Neruda, o Venezia, onde era comum que ele almoçasse ou tomasse uns tragos. Aì, na sua mesa cativa, brindamos ao poeta à sua esposa, aquela de cabelos vermelhos e rebeldes, homenageada por um quadro presenteado por Neruda, que a retrata com duas faces, aquela que era vista em público e a outra, que apenas o poeta via. É, tantas viagens, tantos livros, tantos prêmios, tantos amores...que bela vida teve Neruda.
O famoso quadro de Matilde Urrutia, na Chascona, em santiago, no Chile
Com o Gustavo, caminhando em rua do centro de Cusco, no Peru
Durante o dia de hoje, além de visitarmos o antigo palácio Qorikancha (ver post anterior), fizemos uma das melhores coisas que se pode fazer em Cusco: caminhar sem rumo por suas ruas, ruelas, praças e ladeiras. Por aqui, respira-se história por todo lado, afinal estamos numa cidade com mais de 800 anos. Além disso, inspira-se contemporaneidade, pois vemos pessoas de todos os cantos do mundo, alguns apenas visitando, outros passando uma temporada mais longa, apaixonados por essa cidade tão cativante. Para receber e entreter gente tão diversa, são inúmeros bares e restaurantes, comida de 1ª categoria das mais diversas cozinhas, do barato ao descolado, do caro ao requintado.
Em Cusco, ficamos hospedados em frente à Plaza San Francisco (A), bem pertinho da Plaza de Armas (B). Mas a nossa vizinhança preferida foram as ruelas e escadarias do bairro de San Blás, ao redor da pequena igreja com o mesmo nome(C)
Há também as igrejas coloniais, museus sobre os mais diversos assuntos, lojas de produtos típicos ou internacionais e um sem número de agências de viagem para nos ajudar ou empurrar algum passeio entre as infinitas possibilidades por aqui e ao redor da cidade. Enfim, estamos numa cidade internacional, uma das mais esplendorosas urbes do séc XV e fortíssima candidata ao título imaginário de “capital do continente”.
Pátio interno de museu em Cusco, no Peru
Artesãs trabalham em pátio interno de museu em Cusco, no Peru
Para ajudar a conhecer tantas atrações espalhadas na cidade e região, vende-se um bilhete com desconto que dá acesso à várias delas. Ontem, quando fomos à Sacsayhuaman (uma das atrações incluídas no tal bilhete), resolvemos comprá-lo. Hoje, para fazer valer o investimento, tratamos de visitar outras atrações que já estão incluídas. São pequenos museus aqui no centro de Cusco. As outras (e mais empolgantes) atrações estão espalhadas pelo Valle Sagrado, aonde iremos amanhã.
Visita a um dos muitos museus de Cusco, no Peru
A incrível arte da micropintura em cabaças, em museu de Cusco, no Peru
Entre os museus, o que mais me atraiu foram os históricos. Um deles, sobre o vida de Topa Inca, filho do grande Pachacuti. Foi em seu reinado que os incas teriam chegado à Galápagos e Ilha de Páscoa, algo que ainda é matéria em discussão. De qualquer maneira, para mim foi uma grande surpresa, pois jamais imaginei que eles tivessem sido navegadores. Quem sabe, se tivessem um pouco mais de tempo, não teriam chegado à China? Quais teriam sido as consequências históricas desse encontro?
A incrível arte da micropintura em cabaças, em museu de Cusco, no Peru
Hábeis artesãs praticam o tear em pátio interno de museu em Cusco, no Peru
Outro museu tratava da história da cidade na época colonial, já sob domínio espanhol. Aqui, o que mais me interessou foi o relato da revolta liderada por Tupac Amaru II. Esse foi o “nome de guerra” de um mestiço que se dizia descendente direto do último dos imperadores incas, Tupac Amaru, morto pelos espanhóis em 1572. A revolta de Tupac Amaru II foi a maior enfrentada pelos espanhóis no séc XVIII, em toda a América Latina. Ele liderou um exército com dezenas de milhares de indígenas e mestiços e centenas de espanhóis foram mortos. Entre eles, o governador da província, executado por seu próprio escravo, sob as ordens de Tupac Amaru. Mas ao final, ele foi capturado e os espanhóis não tiveram dó. A sentença do julgamento, exposta no museu, impressiona. Tupac Amaru teve de assistir a sua esposa e filho mais velho serem mortos em praça pública. Depois, teve sua língua cortada. Finalmente, amarrado a quatro cavalos, foi esquartejado. Tenho a impressão que a jurisprudência evoluiu um pouco, desde então... Um enorme quadro no museu nos “ajuda” a visualizar a cena, ocorrida bem ali, na Plaza de Armas, no mesmo lugar onde, duzentos anos antes, fora executado o Tupac Amaru original.
Representação bastante clara da morte por esquartejamento do líder revolucionário Tupac Amaru, em museu de Cusco, no Peru
Além de museus e igrejas, fomos também à uma agência de viagens, a Aita Peru, indicada por um amigo que nos segue no Facebook. Muito eficiente mesmo, a Hilaria nos ajudou com hotéis e reservas para os próximos dias. Com isso, estamos com nosso roteiro fechadíssimo. Amanhã, dormimos em Ollantaytambo. Depois, Águas Calientes e Ollantaytambo novamente. Por fim, a caminhada em Choquequirao, onde a Hilária ficou de nos arrumar um “arriero” (condutor de mulas). Programação decidida e fechada, pudemos relaxar e aproveitar as horas seguintes caminhando sem destino pelo centro de Cusco.
Foto tradicional nas ruas de Cusco, no Peru, com uma lhama e algumas cholas
Experimentando chapeu em lojinha de Cusco, no Peru
Quer dizer, “sem destino” é modo de falar, pois tínhamos um “destino” sim! Era o bairro de San Blas, do outro lado da Plaza de Armas. É um dos bairros mais antigos e tradicionais da cidade, construído sobre uma colina que se ergue por ali. São ruas estreitas e escadarias por onde não quase não passam carros. Muitos restaurantes e pousadas e uma simpática praça, justamente onde está a pequena igreja de San Blás. Sem dúvida, a mais charmosa vizinhança da cidade, um enorme prazer simplesmente caminhar por suas ruelas.
Caminhando pelas ruas e escadarias do bairro de San Blas, em Cusco, no Peru
A deliciosa e tradicional cerveja local, em Cusco, no Peru
Aí tivemos um delicioso almoço tardio e daí, numa rua mais alta, admiramos a cidade de Cusco e seus telhados vermelhos. Longe das multidões da Plaza de Armas e da confusão da região do Mercado Central, aqui vimos um lado mais autêntico da cidade e, se não fosse pela Fiona, concluímos que seria o lugar certo para nos hospedarmos. Quem sabe, da próxima vez. Só vai ser difícil escolher entre as tantas pousadas.
Praça de San Blas, em Cusco, no Peru
Bonecas a venda na praça de San Blas, em Cusco, no Peru
Foi aqui que vimos também que nem todo mundo em Cusco gosta de tantos turistas em suas ruas e restaurantes. Uma frase simples e emblemática escrita na parede, nos fez parar e pensar. Difícil não concordar com ela, principalmente quando, com tantos restaurantes espalhados pelo centro histórico, é tão difícil encontrar alguma mesa que esteja ocupada por gente local. Isso vinha me incomodando e, ao ler a frase, encontrei a tradução do que me afligia. Mesmo sabendo, ainda que não querendo, que nós também somos parte disso...
Nem todos concordam com todo esse turismo em Cusco, no Peru
As milenares sequoias do Mariposa Grove, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
A previsão de tempo acertou em cheio e o dia amanheceu chuvoso hoje. Ainda bem que fizemos a caminhada ontem, pois nesta manhã só veríamos nuvens... Com o tempo assim, aproveitamos para dormir até mais tarde e rumarmos para a Mariposa Grove, o maior bosque de sequoias de Yosemite.
Com o amigo Greg, em dia chuvoso no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
Antes disso, ainda em frente ao lodge que ficamos dentro do parque, Fiona já pronta para sair, reencontramos nossos amigos de ontem, os paramédicos Greg e Ellen, que nos “salvaram” com suas lanternas. Moram em Santa Cruz, um pouco ao sul de San Francisco, e nos convidaram para conhecer sua cidade. Ontem de noite tínhamos ficado até bem tarde no restaurante da área, bebemorando nosso encontro. Foi joia!
Com o Greg e a Ellen, que nos salvaram com suas lanternas na noite anterior, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
A primeira parada da viagem de hoje ainda foi dentro do Yosemite Valley. Bem em frente a uma das mais conhecidas cachoeiras do parque, a Bridelveil Falls. É a cachoeira que “recebe” todos que chegam ao vale. Uma pequena caminhada de 200 metros leva até um mirante para observá-la. Chato mesmo era só a chuva fina que nos atrapalhava a fotografar.
Caixas lacradas, a prova de ursos negros, para estocar comida no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
Saindo do vale rumo ao sul do parque, passamos por um mirante chamado “tunnel”. O nome vem do fato de estar bem na saída de um túnel de quem vem em sentido contrário. O túnel foi estrategicamente construído para causar impacto em quem passe por ele, chegando ao vale. Afinal, vai descortinar uma impressionante paisagem, todas as grandes montanhas que circundam Yosemite à vista, assim como a Bridelveil Falls. Hoje, com o tempo do jeito que estava, o “impacto” não era tão grande, mas não deixava de ser impressionante também. As montanhas, picos, cachoeiras e florestas do parque sumiam e reapareciam atrás de uma teimosa névoa. É como diz um dos painéis explicativos espalhados pelo mirante: “Yosemite nunca é o mesmo, mudando todas as estações, todos os dias!”.
A Bridalveil Falls, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
Daí seguimos para o extremo sul do parque, onde está a Mariposa Grove, o local que deu origem ao Yosemite National Park e, ainda mais, foi o precursor de todos os parques nacionais do país. A história é bem interessante e a personagem principal, além das sequoias, é um homem chamado Galen Clark.
Muita névoa no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
Clark havia se mudado para a California na época da Gold Rush de 1849, atrás da fortuna fácil. Acabou trabalhando em um mina, trabalho pesado que lhe rendeu uma tuberculose severa. Com menos de 40 anos de idade, os médicos lhe davam apenas mais seis meses de vida. Um pouco mais, talvez, se fosse viver nas montanhas e respirar ar puro.
Meio desanimado com as nuvens sobre a grandiosa paisagem do Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
Sem outras opções, ele foi. E escolheu a área de Mariposa, aos pés da Sierra Nevada. Dessa área vinham relatos esparsos de uma gigantesca árvore, maior do que qualquer coisa que se conhecesse. A história já tinha atravessado o país e era conhecida na costa leste como “California Hoax”, ou a “farsa da California”. Ninguém acreditava ser possível uma árvore daquele tamanho. Pois Clark decidiu que gastaria seus últimos meses de vida descobrindo se a tal história era mesmo falsa ou não.
Sempre feliz quando se está próximo às maravilhosas sequoias, na Mariposa Grove, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
Três meses de árdua procura, andando no meio do mato e finalmente ele topou com a Mariposa Grove. Ali, cresciam não apenas uma, mas centenas de sequoias. A visão das imponentes árvores fez muito bem à saúde de Clark e ele decidiu passar o resto de sua vida lutando para protegê-las. E foi da sua luta e das insistentes cartas que enviou ao Congresso americano que em 1864, ainda em plena Guerra Civil, o presidente Lincoln assinou a lei de proteção à área (incluindo o Yosemite Valley), cedendo o espaço ao estado da Califórnia, mas com a premissa de que ele seria mantido para o usufruto das futuras gerações. Essa lei foi o embrião da criação do parque de Yellowstone, seis anos mais tarde, e de todos os parques nacionais que se seguiram. E adivinhem quem foi o primeiro guarda-parque dessa área? Exatamente, Galen Clark! Ali trabalhou pelos próximos 24 anos e, contrariando seus médicos, só foi morrer em 1910. Pelo visto, ar de montanhas misturado com ar de sequoias não faz bem à tuberculose...
Um flerte milenar: o "Solteiro e as Três Graças", na Mariposa Grove, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
Para nós, foi uma emocionante despedida dessa árvores gigantes, tão imponentes como serenas, tão silenciosas como sábias. Por mais de uma hora, embaixo de chuva ou do tímido sol que apareceu, percorremos as trilhas do bosque, prestando nossas homenagens e reverências à algumas das sequoias mais conhecidas da Mariposa Grove. Entre elas, o gigante “Grizzly Bear”, uma das maiores sequoias de que se tem notícia, e o grupo conhecido como “The Barchelor and Three Graces”, árvores tão próximas que, se uma cair, levará todas as outras consigo. Que bonita é a ideia de que elas já vivem assim, tão próximas, há mais de mil anos! Como será que se chama bodas de 1000 anos?
Minúsculo quando comparado à gigantesca sequoia, no Mariposa Grove, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
Outro caso interessante, mas meio triste, é a dos túneis em árvores. Em 1881, um túnel foi escavado em uma das sequoias gigantes, apelidada de Wawona Tunnel Tree (Wawona é o nome nativo das sequoias). O túnel era grande o bastante para que uma carruagem e, mais tarde, um carro passasse por baixo da árvore. Era um grande golpe publicitário para atrair turistas. Fotos e cartões postais dessa árvore se espalharam pelo mundo. Acontece que esse buraco debilitou a árvore profundamente e ela não conseguiu resistir a uma grande tempestade de neve em 1969, sendo derrubada pelo vento. O choque foi geral e mudou a política dos parques nacionais. De agora em diante, essas árvores seriam intocáveis! Quanto à gigante caísa, foi rebatizada de “Fallen Tunnel Tree”.
Túnel sob uma sequoia viva, no Mariposa Grove, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
Mas a história não termina aí. Na verdade, em 1895, foi feito um túnel em outra pobre árvore, a California Tunnel Tree. A razão para isso foi que ela estava mais perto da portaria do parque e era de mais fácil acesso aos turistas, principalmente no inverno. Essa árvore ainda está viva e, ao passar pelo seu túnel hoje, pode-se perceber como a árvore luta para curar a enorme ferida que lhe fizeram. O “bark” cresce na sua parte interna, para protege-la de incêndios e insetos. Enfim, é visível o esforço da árvore em se curar. Junto com sua colega milenar que caiu há poucas décadas, as duas árvores, em seu silêncio profundo, parecem exclamar: “Não façam mais isso! Vão fazer um túnel na ponte que partiu!”.
A gigantesca sequoia continua firme e forte, mesmo depois do buraco que fizeram em seu tronco! (na Mariposa Grove, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos)
Enfim, foi uma emocionante despedida desses magníficos seres-vivos. Andar por entre as sequoias foi uma das maiores experiências desses 1000dias, algo de que jamais nos esqueceremos. Agora, depois desse show da natureza aqui em Yosemite, vamos mudar de ares e rumar para uma cidade que é um show de humanidade. San Franciso, there we go!
Admirada com a gigantesca árvore sobre sua cabeça! (Mariposa Grove, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos)
Parada para fotos em um rio maravilhoso no caminho entre Bariloche e San Martín de Los Andes, na Argentina
Nesse nosso primeiro dia de explorações por essa belíssima região da Argentina, resolvemos percorrer de carro uma das estradas que liga Bariloche à San Martín de Los Andes, no norte. Digo “uma das estradas” por que são várias as rotas que ligam essas duas cidades, algumas mais rápidas, outras nem tanto, algumas mais curtas, outras nem tanto. A mais famosa e cênica delas é a chamada “Ruta de los Siete Lagos”, exatamente por que passamos por vários lagos ao lado da estrada. Esse será nosso caminho de volta, ao longo dos próximos dias. Hoje resolvemos seguir por uma das estradas mais a leste. Por aí segue a principal rota entre as duas cidades, já toda asfaltada, embora seja mais longa. Nós pegamos apenas o início dessa estrada e, um pouco à frente, tomamos um desvio de rípio que corta o belíssimo Parque Nacional Lanin, em meio a lagos e rios. É um caminho mais curto, porém muito mais demorado e empoeirado. Mas já que estamos de Fiona, não temos nada a temer!
Paisagem do Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Ainda antes de sairmos de Bariloche, nos armamos de um lanche até de uma garrafa de vinho. A ideia era passar o dia na estrada, parar em lagos e rios e encontrar um bom lugar para fazer um piquenique. Chegaríamos à San Martín apenas no final do dia, que como vocês já sabem, é bem tarde por aqui nessa época do ano. Depois das compras e da conversa no Club Andino para obtermos mapas e informações, já era quase meio dia quando partimos. Não faz mal, ainda tínhamos umas oito boas horas de luz pela frente!
Estrada que atravessa o parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Estrada que atravessa o Parque Lanin, na região de San Martín de Los Andes, na Argentina
O primeiro trecho da viagem foi rápido, sempre no asfalto e contornando o lago Nahuel Huapi, onde está Bariloche. Apenas uma parada aqui ou ali para admirar e tirar fotos do lago e da cidade que ficava para trás. Depois, a bifurcação de estrada aonde chega o tal caminho dos 7 Lagos, por onde voltaremos em dois dias. Por fim, o asfalto continua até o ponto onde pegamos o “atalho” de rípio. Boa parte do movimento de carros segue pelo asfalto, pouca gente animada em enfrentar a estrada empoeirada. “Rípio” é uma espécie de estrada de terra encascalhada que é muito comum aqui na região andina, tanto no lado argentino como chileno. Certamente, ao longo dos próximos meses, vamos ter de enfrentar muitas centenas de quilômetros nesse tipo de piso, então é bom já irmos acostumando! Tanto nós como a Fiona!
Uma belíssima curva de rio na região de Bariloche, na Argentina
Rio de águas azuis, transparentes e geladas na região de Bariloche, na Argentina
Já no rípio, a estrada bifurca novamente. Em frente para a pequena Villa Trafull, nosso destino em dois dias. Para o norte, o caminho que pegamos hoje, rumo à San Martín. Agora já estamos em pleno Parque Nacional Lanin e a beleza do cenário que nos cerca não deixa nenhuma dúvida sobre o porquê dessa região ser protegida. Cruzamos montanhas e descemos vales. Do alto das primeiras temos uma visão panorâmica de toda a região, no fundo dos últimos cruzamos com rios e lagos cuja água são de um azul inacreditável, transparentes e puros. E gelados! Essa água é constantemente abastecida pelo degelo da neve das grandes montanhas andinas justo ali do lado, seja inverno, seja verão.
Rios azuis e montanhas ao fundo, paisagem patagônica na região de Bariloche, na Argentina
Parada para fotos em um rio maravilhoso no caminho entre Bariloche e San Martín de Los Andes, na Argentina
Os rios são realmente verdadeiros cartões postais. Essa é uma das melhores regiões do mundo para se praticar a “fly fish”, ou pescaria de mosca. É aquele tipo de pesca em que o pescador usa grandes botas e roupa a prova d’água, entra no rio e atira sua isca apenas na superfície da água. A isca tem o formato de mosca, o prato predileto dos peixes. Vimos muito isso no Alaska, onde os pescadores dividiam o rio com ursos. Aqui na Patagônia andina essa modalidade de pesca também é bem popular e muitos americanos e canadenses viajam para cá apenas para fazer isso. Eu não sou muito de pesca, mas só de ficar num cenário maravilhoso desse o dia inteiro já está valendo a pena!
Um rio que mais parece um cartão postal, no Parque Lanin, região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Um rio que mais parece um cartão postal, no Parque Lanin, região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Nós encontramos uma curva de rio perfeita para esse tipo de pesca, onde as águas ficam um pouco mais paradas. Perfeita para a pesca e perfeita para fotos e admiração. Agora na primavera fica tudo ainda mais bonito, pois os campos e cabeceiras de estradas se cobrem de flores brancas e amarelas. Misture essas cores com o verde dos bosques e o azul do céu e dos rios e terá a receita para a foto perfeita!
Época de primavera, muitas flores na região de Bariloche, na Argentina
Lago Lacar, chegando a San Martín de Los Andes, na Argentina
Bom, depois dos rios, vieram os lagos. Alguns mais esverdeados, outros mais azulados, são como grandes espelhos refletindo as montanhas ao seu redor. Passamos por alguns menores e outros maiores e até resolvemos pegar um desvio para seguir até um dos mais belos da região, o Filo Hua Hum. Ao chegar pelo alto e admirar suas margens, praias e entorno, logo decidimos: aí seria nosso piquenique. Por estar fora da rota principal, o lago é um dos menos visitados e ali teríamos toda a tranquilidade desejada. Seus únicos frequentadores são os pescadores de mosca que, reconheço, sabem bem escolher um lugar!
Lago espelhado na região de Bariloche, na Argentina
Chegando ao lago Fila Hua Hum, no parque Lanin, região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Praia do lago Fila Hua Hum, no parque Lanin, região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Descemos com o carro até perto do lago, deixamos ele num camping e caminhamos um pouco para encontrar uma praia. Aí estendemos nossas cangas e, inspirados pelo cenário, tratamos de abrir nossa garrafa de vinho e os queijos que havíamos trazido. Depois, foi só relaxar e curtir...
Caminhando em praia do lago Fila Hua Hum, no parque Lanin, região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Abrindo um vinho em praia do lago Filo Hua Hum, no parque Lanin, região de San Martín de Los Andes, na Argentina
A Rowan toma um vinho em praia do lago Filo Hua Hum, no parque Lanin, região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Talvez animada pelo vinho e já acostumada pelas temperaturas das highlands escocesas, a Rowan não titubeou. Colocou seu maiô e foi enfrentar as águas geladas do lago. A Ana não deixou por menos e entrou também. E eu fiquei me prometendo, e a elas também, que seria o próximo a dar um mergulho. Mas enrolei, enrolei e acabei preferindo ficar seco e quentinho na praia mesmo. Enquanto isso, elas nadaram e se reenergizaram naquelas águas quase sagradas. Bem fizeram elas e se arrependimento matassem não estava aqui escrevendo essas linhas, hehehe.
A Rowan entra nas águas geladas do lago Fila Hua Hum, no parque Lanin, região de San Martín de Los Andes, na Argentina
A Ana e a Rowan nadam no lago Fila Hua Hum, no parque Lanin, região de San Martín de Los Andes, na Argentina
A Ana nas águas geladas do lago Fila Hua Hum, no parque Lanin, região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Pouco mais de uma hora de deleite e estava na hora de voltarmos à estrada. Dirigimos de volta à nossa estrada de rípio original e rumamos para o norte, agora passando pelo lago Meliquina, mais inspiração para muitas fotos. Muitas fotos e curvas depois e chegávamos ao último lago do dia, o Lacar, justamente onde está San Martín de Los Andes, bem na seu extremo oriental. De longe já vimos a pequena cidade de 25 mil habitantes, uma espécie de Bariloche de antigamente, espremida entre o lago e as montanhas verdes atrás. Na baía, muitos barcos e veleiros. Esse era o nosso destino de hoje depois de um dia tão prazeroso de estradas e tantos lagos...
O belo cenário do lago Meliquina, no parque Lanin, região de San Martín de Los Andes, na Argentina
Chegando à San Martín de Los Andes, na Argentina
Procuranmdo um lugar vazio para se sentar
Existe várias maneiras de não fazer nada. Certamente, uma bem agradável é não fazer nada em Harbour Island - Bahamas. Foi o que fizemos ontem: um movimentado dia não fazendo nada.
Muito bem instalados que estamos no Bahama House Inn, cama deliciosa, acordamos bem aos poucos, com a luz filtrada pelas cortinas brancas entrando no quarto. O galo cantando ao longe empresta um certo ar de exotismo à manhã. Levantar ou não levantar, eis a questão!
Bom, nada melhor do que ter um belo café da manhã como estímulo. A suculenta Grape Fruit nos esperando (mamãe iria adorar!), o pão caseiro e quentinho, manteiga e géleia, queijos, frutas e suco, tudo isso nos tira da cama. E ainda há uma ótima música ambiente, escolhida a dedo pelo John, um americano que soube muito bem como fazer a sua vida aqui no paraíso. Música cubana, bahamense e até mesmo brazuca!. Por fim, a varanda onde é servido o café, a suave brisa com um leve cheiro de mar, o céu azul e o mar alucinante ao longe. É, melhor é levantar... A cama arrumada vai estar lá, de noite, nos esperando.
Após o café, a varanda continua tão boa que resolvemos continuar por lá, atualizando nosso site. A conexão wi-fi é ótima e rápida. Mas, 90 min mais tarde, a consciência começa a pesar, afinal o sol, o céu, a briza, o mar, todos juntos perguntam: "Escute, vocês vieram aqui para trabalhar ou para passear?". Pois é, eles tem razão!
Caminho para a praia em Harbour Island - atravessando o cemitério
Seguimos para a praia, levando cadeira, guarda-sol, etc, etc. O bucólico caminho atravessa a pequena vila e até mesmo um cemitério (é um atalho!). Chegando na praia, apesar de termos estado lá ontem, nossos olhos ainda não querem acreditar no que veem. Não pode ser verdade! Areias rosas? Águas verde esmeralda? Céu azul? Praia vazia? Não pode ser! Mas é...
Bom, nem tudo são flores. O que era brisa do outro lado da ilha, aqui é um vento inclemente. Por um lado, não passamos calor sob o sol. Por outro, basta uma nuvem passar em frente ao sol e já estamos com frio, em roupas de banho. E, com a velocidade do vento, aquela nuvem que estava lá no horizonte em minutos já está nos fazendo sombra. Em compensação, 15 segundos depois ela já passou e o sol volta a brilhar.
The right spot, the right place
Caminhamos para um lugar onde ficamos mais protegidos da areia trazida pelo vento e tentamos armar o guarda-sol. Impossível! Mas, para que guarda-sol se temos o vento para nos refrescar e sunscreen para nos proteger? Aproveitamos as próximas duas horas para reforçar o bronzeado e mesmo para estudar um pouco um dos muitos manuais de artefatos tecnológicos que temos. Unimos o útil ao agradável.
Meio de transporte em Harbour Island
Bom, praia cansa e praia com vento cansa mais ainda. Resolvemos voltar, deixar as coisas na pousada e ir dar uma corrida. Quem sabe, se transforma num bom e saudável hábito, essas corridas diárias? Corremos pela vila, circundando a ilha. Logo, já não há mais casas, apenas um caminho de areia que corta uma enseada seca pela maré, um trecho de mata, outro ao lado de mansões e seus iates. Uma hora de cooper. A Ana tira de letra. Imagino que a paisagem ajude ela. Mas não é só isso. Está numa ótima forma mesmo. Fruto dos meses de preparação antes da viagem.
Pôr-do-sol na pousada em Harbour Island - Eleuthera - Bahamas
Voltamos para a pousada e vamos assistir o pôr-do-sol do gazebo, estratégicamente construído para esse evento. Conosco, algumas Kalik, a nossa cerveja preferida de Bahamas. Já com o céu escuro, o estômago reclama. Desde o café nada entrou. Pulamos o almoço. Cinco minutos caminhando nos levam ao Valentine onde jantamos com o mar ali, a 50 m de nós, ambiente aberto para permitir a entrada da brisa suave.
Hora de dormir. A cama está chamando. E logo será a vez do galo cantar, da luz filtrada pelas cortinas nos acordar, e blá blá blá.
Em tempo: o vento anulou nossas chances de mergulho. Amanhã, além de não fazer nada, vamos voltar aos recifes para nova sessão de snorkel, cavernas e, quem sabe, tubarões.
O feliz reencontro com a Fiona no nosso hotel em Paramaribo - Suriname
Conforme previsto, quinta-feira feriado, dia frio e preguiçoso. Tempo bom para se ficar em casa, almoçar tarde, visitar a linda sobrinha e os amigos mais tarde. Amanhã cedo é dia de pegar o passaporte e a Nikon, duas "peças" fundamentais na noss viagem! Mas, mais do que isso, é dia de aniversário para mim e para a Ana: 5 anos de namoro e 3 de noivado. Que bela data!
Voltando a hoje, é dia de homenagear nossa companheira querida, que tem nos levado são e salvos para os cantos mais lindos e isolados desse continente. Quem? A Fiona, claro!
Atravessando as vastidões da Serra da Canastra, em Minas Gerais
Caminho do Céu, próximo à Delfinópolis na região da Serra da Canastra - MG
Levando a gente para perto das mega-cachoeiras, região da Serra do Cipó, em Minas Gerais
Os três viajantes posando para fotos na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG
Enfrentando os caminhos da Serra das Confusões, ni sul do Piauí
Fiona enfrenta as duras estradas do Parque Nacional da Serra das Confusões, no sul do Piauí
Aqui, no litoral sul do Rio Grande do Norte, a praia é a estrada, para felicidade da Fiona
Longas praias desertas no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN, antes de chegar à Baía Formosa
A Fiona é quase maior do que a balsa que vai carregá-la para o outro lado do rio...
Cruzando o rio Sibaúma numa pequena balsa, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN
Fiona explorando as falésias na região da Praia da Pipa
Fiona no alto de uma falésia, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN
Primeira travessia internacional da Fiona, do Brasil para a Guina Francesa
Nossa travessia de balsa entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa
Encontrando outro carro aventureiro, em plena Guiana
Encontro fortuito com o casal brasileiro do projeito "Bordas do Brasil" no único posto nos 450 Km entre Linden e Lethem, na Guiana
A maior das aventuras da Fiona, cruzando a Chapada das Mangabeiras, no sul do Maranhão
A Chapada das Mangabeiras, no P.N. Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão
Depois da aventura, o banho refrescante chegando ao Jalapão, no Tocantins
Fiona atravessa rio no P.N Nascentes do Parnaíba, município de São Félix do Tocantins, região do Jalapão - TO
Confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro - RJ
Hoje cedo fomos ao supermercado. Ir em mercados, feiras e mesmo supermercados é sempre uma ótima maneira de se conhecer uma cidade, seus habitantes, hábitos, sua alma. Eu já conhecia esse supermercado de outras vezes, mas fico sempre impressionado com a qualidade dos seus produtos e de como está sempre cheio. Junto com a qualidade vem o preço, claro. Ainda mais naquele lugar, coração do Leblon. Estou falando do Hortifruti. É um dos motivos que me faz ter vontade de, um dia, morar aqui. Além dos produtos, é sempre divertido observar as pessoas locais comprando. Isso nos traz mais perto do seu dia a dia, do seu cotidiano. Consequentemente, da cultura local.
Cinelândia, no Rio de Janeiro - RJ
Outra coisa interessante de ir ao supermercado aqui, assim como passear com a Mel, é ter um pouco aquel sentimento de lar, de casa. Nessa viagem tão longa, faz uma falta danada. Não é possível ter essa sensação nos hoteis e pousadas que vamos ficando pelo caminho. Aqui no Rio vai ser a última chance de termos esse gostinho por um bom tempo.
Mosteiro de Santo Antônio, no centro do Rio de Janeiro - RJ
Depois do supermercado, fomos ao principal programa do dia: um passeio no centro da cidade. Começamos com uma longa caminhada atravessando o Leblon e boa parte de Ipanema até a estação de metrô. Já estava na hora dessa linha de metrô ter avançado mais. Acho que para a Copa e Olimpíada, deve estar pronto. Enquanto isso não acontece, ela continua bem tranquila, nada lembrando o corre-corre do metrô de São Paulo. Nove estações depois estávamos no centro do Rio, em plena Cinelândia.
Azulejos portugueses do Mosteiro de Santo Antonio, no Rio de Janeiro - RJ
Aí, começou nosso tour com os pés. Teatro Municipal, Biblioteca Municipal, Museu de Belas Artes e uma curta caminhada até o Mosteiro de Santo Antônio, uma das mais antigas edificações da cidade, com seus famosos azulejos portugueses. Lá do alto, vista das proximidades e do horroroso prédio da Petrobrás. Ao lado, dentro do complexo, a bela, trabalhada e dourada igreja de São Francisco.
O belo interior da Igreja de São Francisco, no Rio de Janeiro - RJ
A fome apertava e a caminhada seguiu para a Confeitaria Colombo. Um gostoso kirche e uma saudável salada, complementado com uma deliciosa e exagerada goiabada com sorvete, provolone a outras delícias. Um pecado. Também exagerada e "saborosa" é a arquitetura do local, mais que centenária. A mais tradicional confeitaria da cidade e do país me fez sentir estar em plena Buenos Aires. Ou então, em outro século. Fazia muito tempo que queria conhecer a famosa Confeitaria Colombo e hoje foi o dia!
Interior da Confeitaria Colombo, no centro Rio de Janeiro - RJ
Saciados, seguimos para um local de nome pomposo: "Real Gabinete Portugues de Leitura". Com esse nome, só poderia ficar na rua Luis de Camões! Um bonito e clássico prédio por fora, mas o mais interessante é por dentro! Uma enorme biiblioteca de três andares, com estantes bem altas, apinhadas de livros antigos. Daquelas que só vemos em filmes. Muito legal!Tinha também uma exposição sobre a primeira travessia aérea de Lisboa ao Rio, feita em 1922 para celebrar os 100 anos da independência. Feita por pilotos luzitanos! E um deles tinha por sobrenome Cabral! O antepassado longíncuo deve ter ficado com orgulho!
Rua da Alfândega, no Rio de Janeiro - RJ
Em seguida, um programa mais popular. Fomos ao Saara, tradicional centro de compras populares, principalmente na rua Alfândega. Depois do "banho de povo", seguimos para a Catedral, que disputa com a Petrobrás o prêmio de prédio mais feio. Por fora, porque por dentro é muito interessante, vasto e cavernoso. De lá para a Lapa, que eu só conhecia de noite. Fachadas coloridas, bares tradicionais e ruas de paralelepípedo tornam esse trecho bem interessante. Ao final da Lapa, os famosos Arcos, que traziam água do morro da Carioca para abastecer a cidade, no séc XIX. Estão em pleno processo de reforma e pintura. Bem brancos. Para mim, perderam boa parte do charme. Vai ficar bonito de novo daqui a uns quarenta anos...
Fachadas coloridas da Lapa, no Rio de Janeiro - RJ
Metrô de volta para Ipanema, choppes no bar da Devassa, caminhada pela praia e lar, doce lar. Um belo dia sem praias, cachoeiras e montanhas, curtindo outra face das tantas que o Rio tem a oferecer: o mundo urbano.
Dois dos mais estranhos prédios do Rio, a catedral e a sede da Petrobrás, no Rio de Janeiro - RJ
Amanhã, será dia de montanhas... Aqui no Rio mesmo.
Arcos da Lapa em reforma, no Rio de Janeiro - RJ
Um fim de tarde com luzes e cores incríveis no Crater Lake, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Há cerca de 8 mil anos, a cordilheira conhecida como North Cascades, pela qual temos viajado desde que retornamos aos EUA, tinha uma montanha a mais. Montanha não, um vulcão, como de resto também são o Mount Rainier, o Mount St. Helens, o Mt. Adams e vários outros dos picos que compõe essa região lindíssima do noroeste americano. Estou falando do Mt. Mazama!
Fantástico entardecer no Crater Lake, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Como vários de seus “irmãos vulcões”, o Mt. Mazama era uma montanha jovem, com apenas 400 mil anos de idade. Ao longo de milênios de atividade vulcânica, ele vinha aumentando de tamanho e de porte, chegando aos 3.700 metros de altura, tornando-o uma montanha muito mais alta, por exemplo, que o vulcão St. Helens, que antes da gigantesca explosão de 1980, tinha 2.900 metros de altura.
Fantástico entardecer no Crater Lake, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Essa atividade vulcânica vinha em ciclos, intermediados por períodos de calmaria. Era a hora de iniciar um novo ciclo de “crescimento”, quem sabe chegar à invejável altura de 4 mil metros. Mas o Mt. Mazama, na pressa de chegar a esta marca, acabou exagerando. Foi uma erupção colossal! Para se ter uma ideia, na erupção de 1980, o St. Helens ejetou cerca de três quilômetros cúbicos de material e já foi aquele estrago. Ao invés de crescer, acabou perdendo mais de 400 metros de altura, na grande explosão. Pois bem, o Mt. Mazama ejetou nada menos que 50 km cúbicos de material, mais de 15 vezes o valor do St. Helens..
Admirando a beleza perfeita do Crater Lake, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Os cientistas sabem disso porque cada vulcão ejeta um tipo diferente de material. Mais do que isso, mesmo num mesmo vulcão, cada ciclo eruptivo também muda a composição da lava ejetada. Ainda hoje, essa lava expelida há tanto tempo pode ser achada, identificada, ter e idade estimada e sua quantidade medida. Com isso pode ser montada a história de todos os vulcões da região. Não só pela lava, que fica nas redondezas da montanha, mas também pelas cinzas, que carregam a mesma marca química e podem ter ido parar a milhares de quilômetros de distância, levadas pelo vento.
Crater Lake, o resultado de uma gigantesca explosão vulcânica sete mil anos atrás, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Mas, retornando à monumental erupção do Mt. Mazana, esses 50 km cúbicos ejetados acabaram por deixar vazia a enorme câmara de lava que existia embaixo da montanha, no subsolo. Essa gigantesca cavidade oca ocasionou o desabamento do Mt. Mazama sobre si mesmo e o que era uma grande montanha com 3.700 metros de altitude virou uma gigantesca cratera. Em outras palavras, a montanha virou um buraco! Estava criado o “Crater”, faltava o “Lake”!
O maravilhoso Crater Lake, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Não demorou muito (em termos geológicos!)! Como estamos em um local de grandes precipitações, principalmente de neve, no inverno, foram precisos apenas 700 anos para encher a cratera com água. Água limpíssima, da mais pura qualidade! O Crater Lake não é alimentado por nenhum rio e nem um mísero córrego sai lá de dentro também. Na verdade, toda a água que está na cratera é fruto do equilíbrio entre chuvas e neve entrando e evaporação e absorção pela terra “saindo”.
Quem é mais bonito: o original, o reflexo ou a combinação dos dois? (no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos)
O lago tem cerca de 8 quilômetros de largura por 10 quilômetros de comprimento (na verdade, é quase circular!) e uma profundidade média de mais de 300 metros, chegando aos 600 metros de profundidade máxima! Isso o faz o segundo lago mais profundo de todo o continente, deixando para trás todos os Great Lakes entre EUA e Canadá, que são centenas de vezes maiores do que ele. Isso dá uma boa ideia do tamanho do buraco que hoje está no lugar de uma montanha de tinha 3.700 metros de altura! Realmente, deve ter sido em evento fantástico!
Um fim de tarde com luzes e cores incríveis no Crater Lake, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Os primeiros habitantes de cidades na Mesopotâmia e Índia devem ter percebido (e sofrido!) com os invernos mais rigorosos nos anos seguintes, mas foram os índios aqui da região as únicas testemunhas oculares. Pelo menos, os que sobreviveram! E sabemos que alguns deles sobreviveram, pois foram de seus relatos que nasceram as lendas que ainda hoje contam da batalha celestial entre deuses rivais, sendo um deles completamente aniquilado (o Mt. Mazama), substituído por um lago mágico.
O belo reflexo formado pelas águas puras do Crater Lake, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
E continua mágico até hoje! Pudemos comprovar com os nossos olhos! Como a estrada que dá a volta na cratera já está fechada até o próximo verão, deixamos para chegar até aqui apenas no final da tarde, a tempo de estar no mirante sobre a crista da cratera junto com as últimas luzes do sol, pela única entrada que continua aberta. Tivemos um dia corrido e incrível, conforme descrito no post anterior e chegamos ao Crater lake, onde jaz o Mt. Mazama quase cinco da tarde.
Mágico fim de tarde no Crater Lake, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Na verdade, foi um sufoco, pois ficamos muito tempo lá nas Hot Springs e, sem saber ao certo quanto tempo demoraria para chegar até a entrada do parque, fomos vendo o dia acabar antes de chegarmos lá. E olha que, na parte final, nem podíamos acelerar, pois a estrada estava cheia de neve. De fato, já tínhamos até desistido de ver a luz do sol, por ele já tinha se posto pelo lado da cratera que nos aproximávamos.
O belo reflexo formado pelas águas puras do Crater Lake, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
Mas aí, veio a surpresa. Para chegar até o alto da borda da cratera, subimos acima dos 2 mil metros de altitude!. E lá encima, o sol ainda brilhava! Pelo menos, em parte das paredes internas da cratera, formando um cenário absolutamente deslumbrante! Protegido do vento dentro das paredes de mais de 300 metros de altura, as águas do lago são calmas, formando um verdadeiro espelho gigante. Naquela altura, a atmosfera também é bem mais limpa, facilitando a nossa visão.
Fim de tarde a mais de 2 mil metros de altitude, o céu fica colorido em Crater Lake, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
O resultado é o que se vê nas fotos que ilustram esse post. Coisa de cinema! Para melhorar, as nuvens foram ficando rosas e roxas, assim que o sol se pôs e o seu reflexo no lago deixava o cenário ainda mais inacreditável. Sinceramente, parecia estarmos em outro mundo! Foram 45 minutos do mais belo entardecer desses 1000dias de viagem! Nossos mais sinceros agradecimentos ao finado Mt. Mazama, cujo final apocalíptico nos possibilitou esses momentos mágicos! O agradecimento foi feito olhando para seu pequeno “filhote”, uma ilha que cresce no meio do lago e nos mostra que, quem sabe algum dia, o Mazama ressurgirá das cinzas para chegar aos 4 mil metros.. Enquanto isso não acontece, felizes daqueles que presenciam finais de tarde no Crater Lake!
Fim de tarde a mais de 2 mil metros de altitude, o céu fica colorido em Crater Lake, no sul do Oregon, estado da costa oeste dos Estados Unidos
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