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Blog do Rodrigo - 1000 dias

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Animadas, Tristes Despedidas

Antártida, Atlântico Sul Antártida

Entre os muitos novos amigos a bordo do Sea Spirit, já no coquetel de despedidas da viagem

Entre os muitos novos amigos a bordo do Sea Spirit, já no coquetel de despedidas da viagem


Infelizmente, o tempo passa. Para mim então, um nostálgico convicto, quase doentio, é mais triste ainda. Enfim, temos de lidar com isso e nos preparar para o que vem e não para o que já se foi. Nessa nossa longa viagem de 1000dias por Toda América estamos constantemente encerrando ciclos e etapas e iniciando os próximos passos que, ao final, completarão nosso grande sonho de conhecer todo o continente. Agora, por exemplo, estamos terminando uma das mais empolgantes e antecipadas etapas de nossa grande aventura: a viagem à Antártida. Três semanas de júbilo total conhecendo regiões do nosso planeta com as quais eu sonhava desde criança. Foi simplesmente espetacular! Mas está terminando e temos de nos preparar e nos alegrar com o que vem pela frente: Argentina de norte a sul, Chile de sul a norte, nosso simpático vizinho Uruguai e o litoral sul do Brasil. Não dá para reclamar do que nos espera, certo?

Com nossa amiga Kim na nossa última tarde a bordo do Sea Spirit, já bem próximos da América do Sul

Com nossa amiga Kim na nossa última tarde a bordo do Sea Spirit, já bem próximos da América do Sul


No caminho de volta para a América do Sul, cozinheiro prepara deliciosas guloseimas para os passageiros do Sea Spirit

No caminho de volta para a América do Sul, cozinheiro prepara deliciosas guloseimas para os passageiros do Sea Spirit


Enfim, antes de começar esses novos ciclos, temos de finalizar o último, a nossa viagem à Antártida. Por incrível que pareça, Malvinas, Geórgia do Sul, a península antártica e até mesmo a Drake Passage já estão no nosso retrovisor. Nesse longo caminho, aprendemos muito, nos extasiamos com paisagens inesquecíveis e também fizemos dezenas de novos amigos. Amigos que seguirão, cada um, os seus caminhos. Gente que durante 3 semanas convivia conosco 24 horas por dia e que, provavelmente, nunca mais veremos nessa nossa curta passagem pela vida. Então, durante esses últimos momentos navegando em alto-mar no confortável e cada vez mais querido Sea Spirit, nossa casa flutuante nesses 20 dias, foi o tempo que tivemos para muitas despedidas. Animadas, intensas e tristes despedidas.

Última atividade do grupo de caiaque, a lavagem de todo o nosso equipamento antes de guardá-lo para o próximo grupo, a bordo do Sea Spirit, já a caminho da América do Sul

Última atividade do grupo de caiaque, a lavagem de todo o nosso equipamento antes de guardá-lo para o próximo grupo, a bordo do Sea Spirit, já a caminho da América do Sul


Última atividade do grupo de caiaque, a lavagem de todo o nosso equipamento antes de guardá-lo para o próximo grupo, a bordo do Sea Spirit, já a caminho da América do Sul

Última atividade do grupo de caiaque, a lavagem de todo o nosso equipamento antes de guardá-lo para o próximo grupo, a bordo do Sea Spirit, já a caminho da América do Sul


O processo já começou ainda antes de entrarmos na Drake Passage, com os últimos icebergs da Antártida na nossa alça de mira. Pouco depois de voltarmos da praia de Brown Bluff, no dia 20, foi a hora do grupo de caiaque se reunir pela penúltima vez. Todos trouxemos nossos equipamentos, as roupas e o colete, e fizemos uma sessão conjunta de “lavação”. A ideia era tirar toda a água salgada, secar os equipamentos e deixá-los prontos para a próxima turma de passageiros do Sea Spirit que vão embarcar no navio dia 23, em Ushuaia. Estranho deixar para trás roupas que estiveram conosco nas nossas cabines por tanto tempo.

A Anna coloca suas roupas de caiaque para secar, depois de uma lavada geral, a bordo do Sea Spirit, já a caminho da América do Sul

A Anna coloca suas roupas de caiaque para secar, depois de uma lavada geral, a bordo do Sea Spirit, já a caminho da América do Sul


Depois de lavadas, nossas roupas de caiaque secam no varal a bordo do Sea Spirit, já a caminho da América do Sul

Depois de lavadas, nossas roupas de caiaque secam no varal a bordo do Sea Spirit, já a caminho da América do Sul


No dia seguinte foi a vez da última reunião. A Val, eficiente como sempre, já tinha preparado um vídeo com os melhores momentos da nossa convivência, desde as primeiras aulas sobre como usar o equipamento e o próprio caiaque até a hora da lavação das roupas, na véspera, passando por cada uma das nossas sete saídas. Foi emocionante ver e rever nossas imagens remando entre focas e pinguins, icebergs e paisagens deslumbrantes. Adicione a isso uma trilha sonora emocionante e o clima de despedida e temos a receita perfeita para muitas lágrimas. Parabéns à nossa guia por conseguir montar e editar esse vídeo com tanta presteza!

Visitando a sala de comando da casa de máquinas do Sea Spirit, durante nossa travessia da Drake Passage

Visitando a sala de comando da casa de máquinas do Sea Spirit, durante nossa travessia da Drake Passage


Visitando a Sala de Máquinas do Sea Spirit e seus possantes motores, durante nossa travessia da Drake Passage

Visitando a Sala de Máquinas do Sea Spirit e seus possantes motores, durante nossa travessia da Drake Passage


A nossa navegação pela Drake Passage foi, como dizem os americanos, um “piece of cake”, o que nos permitiu aproveitar ao máximo as últimas horas no Sea Spirit. Eu e a Ana até pudemos fazer um tour pela impressionante Casa de Máquinas do navio. Essa não era uma atividade oferecida aos passageiros, mas nada que uma boa conversa não possa solucionar. Assim, guiados pelo vice-comandante do navio, um simpático ucraniano, passamos uma hora passeando pelo porão do Sea Spirit por entre potentes motores, geradores e maquinaria pesada. Ver aquilo tudo de perto nos ajuda a entender a força desse navio que nos levou com tanta segurança e conforto através dos mares mais imprevisíveis do planeta.

Visitando a Sala de Máquinas do Sea Spirit e seus possantes motores, durante nossa travessia da Drake Passage

Visitando a Sala de Máquinas do Sea Spirit e seus possantes motores, durante nossa travessia da Drake Passage


Visitando a Sala de Máquinas do Sea Spirit e seus possantes motores, durante nossa travessia da Drake Passage

Visitando a Sala de Máquinas do Sea Spirit e seus possantes motores, durante nossa travessia da Drake Passage


O Sea Spirit foi construído em 1991, na Itália, e hoje navega com bandeira das Bahamas. Tem pouco mais de 90 metros de comprimento por 15 metros de largura e pesa 4.200 toneladas. Convertido para navio polar no início desse século, ganhou reforço nos cascos e estabilizadores que o ajudam a navegar de forma mais suave em águas bravias. Comporta até 114 passageiros (na nossa viagem, éramos pouco mais de 70) e um número um pouco menor de tripulantes. Os possantes motores que vimos hoje levam toda essa massa a uma velocidade próxima dos 15 nós. Para quem não sabe, um nó equivale a uma milha náutica por hora. A milha náutica tem 1.852 metros, portanto 15 nós = 15 x 1,852 = 27,8 km/h. Para um barco desse tamanho, não deixa de ser impressionante. Para quem ficou curioso sobre esse número esdrúxulo da milha náutica, ele equivale à extensão de um minuto de arco (minutos são a divisão de 1 grau, que tem 60 minutos) da Linha do Equador ou dos meridianos da Terra. Conta rápida: a linha do Equador tem aproximadamente 40 mil km (uma volta na Terra!). Divida isso por 360 (número de graus de uma circunferência) e depois por 60 (número de minutos em cada grau) e (bingo!) vc vai chegar ao valor da milha náutica!

Uma espécie de leilão de ítens de viagem é realizado no Sea Spirit durante nossa tranquila passagem pela Drake Passage

Uma espécie de leilão de ítens de viagem é realizado no Sea Spirit durante nossa tranquila passagem pela Drake Passage


Preparativos para mais um coquetel a bordo do Sea Spirit no nosso caminho entre a Antártida e a América do Sul

Preparativos para mais um coquetel a bordo do Sea Spirit no nosso caminho entre a Antártida e a América do Sul


Último dia para visitar a lojinha do Sea Spirit, antes de chegarmos à América do Sul

Último dia para visitar a lojinha do Sea Spirit, antes de chegarmos à América do Sul


Bom, além dessa nossa visita à sala de máquinas, o resto do tempo foi dedicado à leitura, contemplação e muita socialização no navio em diversos eventos. Um dos mais animados foi um leilão de “memorabilia” da viagem, itens simples como adesivos, bonés e camisas até os mais valiosos, como o mapa em que o comandante do navio foi marcando toda a nossa rota ao longo do caminho. O dinheiro arrecadado foi todo doado para causas sociais e ambientais e os valores pagos chegaram a 1.500 dólares! Foi uma diversão para todos e muito difícil nos conter de também fazer lances. Ao final, me arrependi de não ter comprado ao menos algum dos itens mais baratos, que saíram por 50 dólares, mas que valiam mais do que isso, computado o valor sentimental. Para quem não comprou nada, sempre havia a chance de uma última visita à lojinha do navio, claro!

O valente capitão do Sea Spirit se prepara para um discurso durante coquetel de despedidas

O valente capitão do Sea Spirit se prepara para um discurso durante coquetel de despedidas


Com a sulafricana Kim e a neozelandesa Cheli durante coquetel de despedida no Sea Spirit

Com a sulafricana Kim e a neozelandesa Cheli durante coquetel de despedida no Sea Spirit


A Ana e a Kim fazem em merecido agrado na Cheli, a líder da nossa expedição à Antártida

A Ana e a Kim fazem em merecido agrado na Cheli, a líder da nossa expedição à Antártida


Tão animado como o leilão foram os coquetéis. Com direito a discurso de despedida do capitão do navio e também da nossa querida e eficiente Cheli, a neozelandesa líder da expedição. Depois muita bebida para os convivas e a chance de, uma vez mais, conversar e dar risadas com nossos guias que se tornaram grandes amigos. Faço especial menção ao Damien, nosso guia de história, e ao Jim, nosso ornitólogo, que tanto nos ensinou e inspirou sobre os pássaros antárticos.

Com a Val, nossa guia de caiaques, durante coquetel no Sea Spirit

Com a Val, nossa guia de caiaques, durante coquetel no Sea Spirit


Durante coquetel no Sea Spirit a caminho da América do Sul, entre nosso guia histórico, o Damien, e nosso ornitólogo, o Jim

Durante coquetel no Sea Spirit a caminho da América do Sul, entre nosso guia histórico, o Damien, e nosso ornitólogo, o Jim


Com o Collin, nosso guia de cetáceos e que treinou a famosa baleia Keiko (a Free Willy dos cinemas) a se readaptar à vida selvagem

Com o Collin, nosso guia de cetáceos e que treinou a famosa baleia Keiko (a Free Willy dos cinemas) a se readaptar à vida selvagem


Outra menção especial ao Collin, nosso guia de cetáceos. Com poucos dias de viagem descobri que ele tinha sido o treinador da Keiko, mas conhecida como Free Willy, astro dos cinemas. Foi ele que ensinou ela a se readaptar à vida selvagem, antes que ela fosse solta na Islândia, numa história emocionante e dramática muito mais incrível que a história fictícia do filme. Exemplo clássico da realidade superando a arte. Eu fiquei emocionado de ouvir a história dele sobre quando nadou com ela em águas abertas para se aproximar de um bando de orcas selvagens. Seu maior medo naquele momento não era estar no meio de orcas, mas o de ser atingido pelas centenas de pássaros que mergulhavam como balas no mar em busca de um cardume de peixes que por ali passava. Imagina só a cena! Também o Collin se emocionava com o meu interesse pelo assunto e com o tanto que eu já sabia de orcas e de vida marinha. Depois de muitos drinques, dizia para a Ana que estava impressionado pela quantidade e qualidade das minhas perguntas.

O Gunnar, nosso querido amigo brasileiro a bordo do Sea Spirit

O Gunnar, nosso querido amigo brasileiro a bordo do Sea Spirit


Último jantar a bordo do Sea Spirit, quase chegando a Ushuaia, na Terra do Fogo

Último jantar a bordo do Sea Spirit, quase chegando a Ushuaia, na Terra do Fogo


O australiano Lochi ganha mais um pouco de vinho no nosso último jantar no Sea Spirit

O australiano Lochi ganha mais um pouco de vinho no nosso último jantar no Sea Spirit


Bom, além dos nossos guias, também foi a hora de nossas últimas conversas com os outros passageiros. Kim, Brian, Anna, Anne, Lochi, Jeff, o brasileiro Gunnar, Sail, o escultor e artista Bart, entre outros, todos personagens marcantes dessas 3 semanas de viagem. Talvez ainda cruzemos com alguns deles em terra firme nesse dia que teremos em Ushuaia, mas tratamos de aproveitar esses últimos momentos em nosso lar comum, o Sea Spirit.

Um último e merecdido drinque de champagne a bordo do Sea Spirit, já quase chegando de volta à América do Sul

Um último e merecdido drinque de champagne a bordo do Sea Spirit, já quase chegando de volta à América do Sul


Aproveitamos também a tarde magnífica de céu azul, cada vez mais próximos da América do Sul, para fazer um último brinde em grande estilo, eu e a Ana, com champagne. Felizmente, entre nós não é o caso de uma despedida. Apenas o coroamento de mais uma etapa vencida e bem vivida, a realização de nosso sonho polar. Agora, é respirar fundo e partir para as próximas aventuras!

Um último e merecdido drinque de champagne a bordo do Sea Spirit, já quase chegando de volta à América do Sul

Um último e merecdido drinque de champagne a bordo do Sea Spirit, já quase chegando de volta à América do Sul

Antártida, Atlântico Sul Antártida, mar, Sea Spirit

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Vila Velha

Brasil, Paraná, Ponta Grossa

Formações rochosas no arenito de Vila Velha - Paraná

Formações rochosas no arenito de Vila Velha - Paraná


O tempo mudou hoje! Ainda está frio, mas o céu azul muda a cara de tudo. Continuamos andando com nossos afazeres pré-viagem por aqui, mas conseguimos tirar algumas horas para ir conhecer o Parque de Vila Velha, uma das principais atrações turísticas do Paraná. Fica no município de Ponta Grossa, a cerca de uma hora de carro daqui, em direção ao interior.

Placa explicativa do Parque de Vila Velha,no Paraná

Placa explicativa do Parque de Vila Velha,no Paraná


Eu, tão viajador, já morando no Paraná há mais de sete anos, ainda não conhecia. Uma vergonha! A Ana já havia estado lá algumas vezes, mas já há bastante tempo. Quando eu cheguei no Paraná, em 2002, nos primeiros seis meses, viajava quase todos os finais de semana, para conhecer as praias, parques, cachoeiras e cidades históricas aqui perto. Mas este parque, naquela época, estava fechado. E assim ficou por dois anos. Quando reabriu, estava cheio de regras para visitação. Isso me deixou meio irritado e fui sempre adiando uma ida para lá.

Formações rochosas no arenito de Vila Velha - Paraná

Formações rochosas no arenito de Vila Velha - Paraná


Finalmente, hoje foi esse dia. O parque está muito bem estruturado. Aventura, absolutamente nenhuma. Mas não se pode reclamar dos visuais. Incríveis. É só dar 400 milhões de anos para a natureza e, com certeza, ela vai nos presentear com algo. Nesse caso, enormes torres de arenito, com formas variadas, fruto do trabalho de geleiras (pois é, geleiras por aqui!), água e muito vento. As torres formam labirintos, mas não se pode mais caminhar entre elas. Há uma trilha demarcada, de cimento, que devemos percorrer, sempre acompanhados de um monitor. É o preço que se paga pelo vandalismo anterior à reforma do parque quando, em poucos anos, as pessoas estavam destruindo o que a natureza havia feito com aquela paciência toda. As torres tinham sobrevivido aos dinossauros, mas não sobreviveriam a nós. Que beleza...

Garrafa de Coca-Cola, em Vila Velha - Paraná

Garrafa de Coca-Cola, em Vila Velha - Paraná


O caminho de cimento nos leva à várias das formações. Além da mais famosa de todas, a "Taça", fiquei muito impressionado com outra, a "Garrafa de Coca-Cola". Incrível, a semelhança. Difícil acreditar que é natural. Bom, tirando as pichações que sobraram dos tempos dos vândalos e o tal caminho de cimento, tudo é natural sim. Algumas coisas com 400 milhões de anos (as torres) e outras com 10 anos (o mato nativo que cresceu novamente onde antes se caminhava). A Ana, que conheceu o parque quando havia mais liberdade de deslocamento, ficou meio decepcionada. Mas entende a necessidade de se controlar o acesso dos vândalos.

A Taça, símbolo do Parque de Vila Velha, no Paraná

A Taça, símbolo do Parque de Vila Velha, no Paraná


Além das "torres", o parque também tem as "furnas". São fenômenos geológicos em que a água se infiltra pelo solo, cria grandes cavernas, o piso fica oco e acaba desabando sobre essa cavernas. Assim, são enormes buracos no solo, parcialmente preenchidos pela água. A mais bonita delas, Furnas I, tem mais de 100 metros de profundidade, 50 deles inundados, formando um lago de águas escuras lindo de se ver, lá de cima. O buraco, em formato circular, paredes quase verticais, deve ter uma diâmetro de uns 60 metros. Nadar, nem pensar, infelizmente. Primeiro, porque é proibido. Segundo, porque não há como chegar lá embaixo, exceto pulando. O elevador que lá existe está fechado há 10 anos. Por fim, a água é gelada. A monitora disse que estava a 8 graus. Fiquei meio desconfiado. Talvez não fosse assim, tão gelada, mas que é bem fria, isso dá para sentir lá de cima.

Visão da Furna I, em Vila Velha - Paraná

Visão da Furna I, em Vila Velha - Paraná


A vantagem que tivemos indo lá hoje, plena quinta-feira, dia de trabalho para pessoas normais, é que só havíamos nós. Nos dias mais cheios, chega a dar mil pessoas. Soma-se a isso o caminho de cimento e certamente eu estaria bem decepcionado. Mas, sendo a visita VIP, foi ótimo. Primeiro, poder esticar as pernas, sair da cidade e chegar perto da natureza novamente. E depois, estar num lugar tão distinto como Vila Velha. Valeu!

Lagoa Dourada, em Vila Velha - Paraná

Lagoa Dourada, em Vila Velha - Paraná

Brasil, Paraná, Ponta Grossa, Parque, trilha

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A Luiza Nasceu! De Volta à Curitiba

Brasil, São Paulo, Ilha Bela

Os orgulhosos pais com a Luiza (Curitiba - PR)

Os orgulhosos pais com a Luiza (Curitiba - PR)


Assim que chegamos mais perto do Perequê e do centro de Ilha Bela ontem, após a maravilhosa "temporada" no Bonete, o celular começou a apitar. Tínhamos ficado alguns dias fora do ar e quando chegamos à área com sinal, foram mensagens e mais mensagens chegando. Nem precisamos ler ou ouvir, só poderia ser uma coisa: a sobrinha tinha chegado ao mundo, quatro dias antes do previsto!

Com a sobrinha Luiza, que acaba de chegar! (Curitiba - PR)

Com a sobrinha Luiza, que acaba de chegar! (Curitiba - PR)


A Luiza nasceu saudável, 3,4 kg e 50 cm de altura! Viva! A tristeza da Ana de não ter estado lá no momento foi logo substituída pela alegria e emoção de ver a foto dela chegando pelo celular. Viva a tecnologia!

Com o Dudu e o Leslen na casa em Ilha Bela - SP

Com o Dudu e o Leslen na casa em Ilha Bela - SP


Deste modo, programamos nossa partida para Curitiba para hoje cedo, ansiosos por enfrentar e vencer as cerca de sete horas de viagem. Dito e feito! A gente se despediu do Dudu e do Leslen e no final da tarde já estávamos no apartamento da Dani e do Dudu para conhecer nossa linda sobrinha.

Com a sobrinha Luiza, que acaba de chegar! (Curitiba - PR)

Com a sobrinha Luiza, que acaba de chegar! (Curitiba - PR)


Agora, o plano é ficar por aqui cerca de uma semana, curtindo a sobrinha, a cidade, a família e amigos, resolvendo algumas burocracias, botando os blogs em dia e tentando deslanchar partes do site que ainda não entraram no ar.

Aproveitamos também para respirar um pouco e pegar fôlego para entrar pelo interiorzão do país. Rapidinho a Fiona vai estar na estrada novamente!

Placa de distâncias em posto em Registro - SP. Um dia chegaremos lá!

Placa de distâncias em posto em Registro - SP. Um dia chegaremos lá!

Brasil, São Paulo, Ilha Bela, Curitba

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Corcovado: Trilhas, Rios, Praias e a Rotina no Parque

Costa Rica, Osa

A neblina dá ares de mistério ao Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

A neblina dá ares de mistério ao Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


O Parque Nacional Corcovado tem uma área grande demais para ser explorada a pé, a não ser para pesquisadores que têm meses a sua disposição. Para visitantes mais “comuns”, como nós, é preciso escolher uma área do parque, para nela se concentrar nos exíguos dias de permanência na região. A área do parque é dividida em alguns “núcleos” que podem receber turistas e, felizmente para nós, um deles, o núcleo Sirena, tem em sua pequena área tudo aquilo que o visitante está procurando: trilhas na mata, acomodação, rios, praias e, acima de tudo, a rica fauna que todos procuram quando vêm para cá.

Em praia de Bahía Drake, pronta para viajar para o  Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Em praia de Bahía Drake, pronta para viajar para o Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Em Bahía Drake, esperando o barco para o Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Em Bahía Drake, esperando o barco para o Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Como expliquei no post anterior, pode-se chegar ao núcleo Sirena através de uma árdua caminhada de dia inteiro vindo de Carate, na área de Puerto Jimenez, ou diretamente de barco, a partir de Bahía Drake. Na verdade, há um terceiro caminho, outra caminhada de dia inteiro, cruzando a península pelo seu interior. Alguns viajantes mais intrépidos chegam por aí e se vão pela trilha de Carate. Para quem tem tempo, parece uma boa alternativa, conhecendo as várias facetas do parque. De qualquer maneira, seriam dois dias inteiros só de caminhadas e nós não tínhamos esse tempo. Optamos pelo acesso de barco para poder passar pouco mais de um dia apenas ao redor do núcleo Sirena, fazendo nossas explorações. Para quem tem um pouco mais de dinheiro no bolso, pode-se voar para lá também! Sirena tem um rústico aeroporto de pista de grama que acomoda pequenos aviões. Vimos e ouvimos dois deles pousando e decolando no meio da selva, numa exótica cena que nos lembra filmes de Indiana Jones...

Em Bahía Drake, embarcando para o Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Em Bahía Drake, embarcando para o Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


De barco, a caminho do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

De barco, a caminho do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Para nós, que optamos pelo barco, o dia começa cedo. Pouco depois das cinco da manhã já estamos de pé, ainda em Bahía Drake. Uma curta caminhada nos leva até a praia, ainda vendo o sol nascer. Na pequena cidade, os poucos hotéis mais chiques e também algumas agências de viagem organizam tours ou excursões de um dia até Sirena. Os barcos partem um pouco depois das seis, chegam ao parque 07:30 e, no início da tarde, dependendo do horário da maré, trazem os turistas de volta. Levam seus guias e comida para o lanche, caminham por algumas das trilhas e dão aos visitantes um gostinho do parque. No nosso barco, éramos os únicos que íamos para ficar, levando roupas, barraca, sacos de dormir e comida para as refeições. Estávamos indo com um grupo de hoje e voltaríamos com um grupo de amanhã. Sempre seguindo as valiosas dicas do nosso amigo guia que encontramos em Puerto Jimenez.

Desembarcando rm praia do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Desembarcando rm praia do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Chegando ao Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Chegando ao Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Quinze minutos depois de termos deixado Bahía Drake para trás e após passarmos pelo último dos hotéis mais chiques, começamos a bordear a área do parque. A densa mata ainda estava envolta na neblina da manhã, um ar de mistério no ar, uma terra virgem a ser explorada. No trecho final, o piloto da lancha tem de ser habilidoso para driblas as fortes ondas do mar, a última “defesa” do parque para que possamos, enfim, desembarcar.

Caminhando na mata para o lodge Sirena, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Caminhando na mata para o lodge Sirena, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Mapa de trilhas da área de Sirena, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Mapa de trilhas da área de Sirena, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Não há sinais de civilização na praia, exceto por umas poucas pegadas. Bem no ponto que descemos, uma falha na mata mostra ser a entrada de uma trilha. Por ali chegam os caminhantes que vieram de Carate. A trilha se embrenha para o interior, quase dois quilômetros no meio da mata para chegar até as casas e abrigos que formam o núcleo de Sirena. Já nesse caminho, para quebrar logo o gelo, tivemos um emocionante encontro com a fauna local. Mas isso é assunto para o próximo post, dedicado inteiramente ao maior atrativo do Corcovado: a possibilidade de ver de perto a vida animal em seu próprio habitat.

Caminhando na pista do aeroporto da estação Sirena, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Caminhando na pista do aeroporto da estação Sirena, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Caminhando em trilha do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Caminhando em trilha do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Chegando à sede do núcleo Sirena, somos recebidos por um guarda-parque que nos mostra o local, o mapa de trilhas e as regras a serem seguidas durante nossa estadia. Por exemplo, nada de caminhar de noite! Depois das seis, todo mundo ali, ao redor do lodge! Nada de dar sorte ao azar!

AS várias barracas no lodge Sirena, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica. A nossa é a primeira da direita, em primeiro plano

AS várias barracas no lodge Sirena, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica. A nossa é a primeira da direita, em primeiro plano


Cozinhando um delicioso jantar na cozinha do lodge Sirena, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Cozinhando um delicioso jantar na cozinha do lodge Sirena, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Sirena tem um número limitado de camas em dormitórios para receber visitantes. Mas, como já havia nos avisado o guia em Pueto Jimenez, é muito melhor ficar na barraca mesmo. A razão: o intenso calor que faz por ali! Os quartos são muito quentes e as barracas, armadas em um cômodo sem paredes, mas com teto para nos proteger da chuva, ficam bem mais arejadas. Principalmente porque podemos montá-las sem a parte de cima, já que estamos sob um teto. Fica só a parte de tela para nos proteger dos insetos. É engraçado ver, dez ou doze barracas montadas pela metade, apertadas nessa pequena varanda, o interior de cada uma completamente a vista para quem passar ali do lado.

Comendo um saboroso frango xadrez no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Comendo um saboroso frango xadrez no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Temos acesso a banheiros com água corrente e a uma grande cozinha comunitária, melhor local para socializar com os outros visitantes, principalmente na hora do jantar, quando estão todos ali. A Ana resolveu inovar dessa vez e preparou para o nosso jantar um delicioso frango xadrez. Tínhamos também arroz e suco, uma verdadeiro banquete para aquelas condições. Depois do dia inteiro de caminhadas, não poderia ter sido melhor. As outras refeições (café da manhã e lanches) foram todos feitos à base dos tradicionais sanduíches. Saíamos para percorrer as trilhas com duas pequenas mochilas, uma para a máquina fotográfica e outra para o lanche e comíamos no meio da mata mesmo, ou ao lado do rio, ou na extensa praia, sempre com o cuidado de trazer o lixo de volta.

Flores vermelhas se destacam em meio ao verde da floresta do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Flores vermelhas se destacam em meio ao verde da floresta do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Árvore multi-centenária no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Árvore multi-centenária no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Uma vez instalados, estudamos bem o mapa de trilhas. São diversas delas, para todas as direções, com extensão de poucos quilômetros. Com um pouco de planejamento, é possível combiná-las em loops de forma a quase não repetir caminhos. Algumas trilhas seguem ainda mais para o interior, outras nos levam até a praia e algumas vão em direção aos dois rios que marcam os limites do núcleo Sirena.

Rio Sirena, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica. O aviso é por causa dos tubarões e dos crocodilos!

Rio Sirena, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica. O aviso é por causa dos tubarões e dos crocodilos!


O rio Sirena, frequentado por crocodilos e tubarões, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

O rio Sirena, frequentado por crocodilos e tubarões, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Um dos rio é o que deu nome a essa área: Sirena. É o mais caudaloso e nadar ali é proibido, além de não ser mesmo muito recomendável. A razão é simples: suas águas são frequentadas por crocodilos e tubarões. Isso mesmo, tubarões! Quando a maré está enchendo, os tubarões-touro entram rio adentro procurando alimento; Não é muito sábio estar em seu caminho. Normalmente, apenas as grandes marés lhe dão espaço para cruzar pela foz, mas nunca é bom arriscar. Além disso, mesmo que eles não estejam por lá, tem sempre o risco dos crocodilos. Assim, o melhor é apenas caminhar pela sua orla, olhos atentos para ver se observamos algo mais “interessante”.

Procurando tubarões-touro na foz do rio Sirena, Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Procurando tubarões-touro na foz do rio Sirena, Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Garças na foz do rio Sirena, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Garças na foz do rio Sirena, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


O outro rio é o Claro. Com menos água, é por ele que cruzam os caminhantes que vem de Carate. Na maré baixa, claro!. Um pouco mais acima, no leito, pedras e corredeiras afastam tubarões e crocodilos e formam belas piscinas naturais, convite irrecusável para um bom mergulho. Aí relaxamos no final da tarde do nosso primeiro dia no parque, depois de muitos quilômetros de trilhas percorridas. Tanto gostamos que arrumamos tempo para voltar no dia seguinte, antes da nossa volta, para um novo e refrescante mergulho.

O rio Claro, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

O rio Claro, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Nadando no belo e seguro rio Claro, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Nadando no belo e seguro rio Claro, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Aliás, além do rio Claro, a única outra opção para se refrescar são os chuveiros do lodge. A extensa praia de mar também é tentadora, mas nadar aí não é aconselhável Tanto pelas pedras como pelos tubarões-touro que, dizem, estão sempre por ali. Percorrendo as várias trilhas, passamos algumas vezes pela praia e aí observamos um inesquecível pôr-do-sol. Desses de cinema, o sol entrando devagarinho na água, a densa mata atrás de nós, natureza pura de todos os lados. Tudo isso a sós, eu, a Ana e aquele pedaço maravilhoso de mundo chamado Corcovado. A trilha sonora era de pássaros e macacos, cantando e gritando. Um espetáculo!

Caminhando na praia do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Caminhando na praia do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Trilha nos leva até o mar, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Trilha nos leva até o mar, no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Do alto de um 'mirante', observando a longa praia do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Do alto de um "mirante", observando a longa praia do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Nesses nossos dois dias em Sirena, creio que haviam umas outras cinquenta pessoas por lá. De noite, no lodge, fica movimentado. Mas quando saímos às trilhas, ficamos completamente sós (estou me referindo a seres humanos!), cruzando pessoas apenas a cada 30 ou 40 minutos, todos envoltos em suas próprias explorações. Pelo histórico e pelo que observamos, a área é bem segura, tanto com relação aos animais como a outros “perigos” também. Por exemplo, nesses dois dias, lá estavam dois grupos de mulheres, estudantes em San Jose. Vieram caminhando sem guias, cada grupo com cinco meninas, e por aqui perambulavam para lá e para cá, sem que ninguém as molestasse. Era até meio surreal caminhar no meio da mata por uma hora sem ver ninguém (exceto os bichos) e, de repente, cruzar com elas em sentido contrário, cinco moças de biquíni voltando do rio. “Será que estamos no meio de uma mata primária nos confins da Costa Rica, ou estamos em um resort?”, era a dúvida que vinha na minha cabeça, diante daquela situação inusitada.

Curtindo o entardecer no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Curtindo o entardecer no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Um belíssimo pôr-do-sol na costa do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Um belíssimo pôr-do-sol na costa do Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica


Enfim, essas cerca de 30 horas no parque foram suficientes para percorrermos quase todas as trilhas, algumas mais de uma vez, e observarmos uma incrível quantidade de animais selvagens. Essa é, sem dúvida, a parte mais emocionante da viagem! Do momento em que pusemos os pés na praia até a hora de retornar, esperando junto com os barqueiros até que a maré enchesse e pudéssemos partir, a vida selvagem sempre esteve ao nosso redor, no alto das árvores, no solo da floresta, voando, caminhando ou nadando, Assunto para o próximo post!

Admirando o mágico pôr-do-sol e o céu colorido de 50 tons de laranja no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Admirando o mágico pôr-do-sol e o céu colorido de 50 tons de laranja no Parque Nacional Corcovado, na Península de Osa, no sul da Costa Rica

Costa Rica, Osa, Corcovado, Parque, Sirena, trilha

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Celebrando Nosso Giro na Islândia

Islândia, Reykjavik

Delicioso jantar no Perlan, restaurante giratório de arquitetura moderna em Reykjavik, capital da Islândia

Delicioso jantar no Perlan, restaurante giratório de arquitetura moderna em Reykjavik, capital da Islândia


Depois de sete dias intensos pelo país, quase 2 mil quilômetros de estradas ao redor da ilha, incontáveis cachoeiras, fontes termais, geleiras, caminhadas por montanhas e vulcões e até um mergulho em águas geladas, era a hora de comemorarmos tudo isso. Nada melhor que um bom restaurante na capital Reykjavik seguido por algumas cervejas em um pub da moda na cidade.



Tratamos de tirar a mão do bolso e investir num bom restaurante. Até então, exceto por um delicioso almoço em Myvatn, nossas refeições por aqui tinham se limitado a cafés da manhã nos hostels, lanches corridos na estrada, alguma torta em pequenos cafés. Um vinho aqui ou ali numa noite fria, comprados em supermercados. Afinal, o ritmo de viagem era frenético, muita coisa para se ver e fazer em pouco tempo. Mas não hoje! Depois de percorrermos as atrações do Golden Circle, voltamos à capital ainda com a luz do dia e tratamos de achar um bom restaurante. Para mais tarde, já tínhamos marcado encontro com o Kevin, nosso simpático e excelente guia de mergulho na fenda que divide a América da Europa. Agora, ele seria nosso guia na night de Reykjavik.

Degustando taça de vinho no Perlan, restaurante giratório de arquitetura moderna em Reykjavik, capital da Islândia

Degustando taça de vinho no Perlan, restaurante giratório de arquitetura moderna em Reykjavik, capital da Islândia


Delicioso jantar no Perlan, restaurante giratório de arquitetura moderna em Reykjavik, capital da Islândia

Delicioso jantar no Perlan, restaurante giratório de arquitetura moderna em Reykjavik, capital da Islândia


O restaurante escolhido foi o Perlan, que em islandês quer dizer “Pérola”. É uma construção moderna, toda envidraçada e que fica no alto de uma colina próxima do centro da cidade. Para melhorar, as mesas ficam em uma plataforma giratória. Assim, durante toda a refeição, temos excelentes vistas da cidade e da baía onde ela está localizada.

Delicioso jantar no Perlan, restaurante famoso em Reykjavik, capital da Islândia

Delicioso jantar no Perlan, restaurante famoso em Reykjavik, capital da Islândia


Normalmente, é preciso reserva para comer lá, mas como chegamos bem cedo, encontramos mesa. A gente, no nosso visual “mochileiro”, destoava um pouco do público presente, mas não importa, fomos logo pedindo vinho e entrada. O negócio era aproveitar aquela oportunidade única. E assim foi, um verdadeiro e saboroso banquete!

Nossa maravilhosa sobremesa no Perlan, famoso restaurante de Reykjavik, capital da Islândia

Nossa maravilhosa sobremesa no Perlan, famoso restaurante de Reykjavik, capital da Islândia


A vista estava mesmo magnífica, principalmente com as luzes de final de tarde. A comida também, até o fechamento com chave de ouro de uma sobremesa de dar água na boca, principalmente para quem gosta tanto de frutas como eu! Acompanhado de bom vinho, tudo era festa. Enfim, valeu cada centavo investido. Nossas aventuras nesse incrível país mereciam isso.

Vista de Reykjavik, capital da Islândia, do alto do restaurante giratório Perlan

Vista de Reykjavik, capital da Islândia, do alto do restaurante giratório Perlan


Vista de Reykjavik, capital da Islândia, do alto do restaurante giratório Perlan

Vista de Reykjavik, capital da Islândia, do alto do restaurante giratório Perlan


Em seguida, voltamos ao nosso hotel, deixamos o carro por lá e encontramos o Kevin na portaria. Caminhamos juntos para o centro e ele nos levou num delicioso pub irlandês. Para quem não conhece, os irlandeses se parecem com latinos, são animados, festivos, acolhedores. E assim era o pub, muita gente se confraternizando. Juntos, tomamos algumas Guinness (amo!!!) e outras cervejas irlandesas que ele conhecia. A conversa foi sobre mergulhos, sobre a vida na Islândia, sobre a história conjunta de irlandeses e islandeses. Enfim, foi muito gostoso. A melhor última noite que poderíamos ter nesse país. Amanhã, ainda tem um passeio rápido pela cidade e depois, direto para o aeroporto e para Orlando, nos EUA, onde nos espera a saudosa Fiona!

A catedral luterana de Reykjavik, capital da Islândia

A catedral luterana de Reykjavik, capital da Islândia

Islândia, Reykjavik, Arquitetura, comida

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O Passado Mais Que Presente

Argentina, Cueva de Las Manos

Mãos esquerdas (a grande maioria) e direitas pintadas em um dos tetos da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Mãos esquerdas (a grande maioria) e direitas pintadas em um dos tetos da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Os estudiosos estão apenas começando a compreender o que as centenas de pinturas localizadas num paredão perdido de um canyon esquecido de uma remota região da patagônia argentina querem dizer. A Cueva de Las Manos é um dos mais surpreendentes sítios arqueológicos das Américas e deveria estar no roteiro de todos os viajantes que se aventuram pela região sul da Argentina.

Paredes e tetos pintados na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Paredes e tetos pintados na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Pinturas no teto da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Pinturas no teto da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Há cerca de 10 mil anos grupos indígenas começaram a ocupar essa área e deixar suas marcas em sítios da região. A Cueva de Las Manos é apenas o mais importante e conhecido desses sítios. A datação das pinturas mais antigas na pequena gruta e paredes do canyon ao seu redor é uma das indicações mais fortes de que o homem teria chegado às Américas bem antes do que diz a teoria ainda mais aceita, de que teriam entrado pelo estreito de Bering há cerca de 14 mil anos. Afinal, se já havia tribos aqui no sul da Patagônia pintando paredes há 10 mil anos, essa chegada ao continente deve ter sido bem anterior.

Algumas das mais de 800 mãos pintadas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Algumas das mais de 800 mãos pintadas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Painel com uma das maiores concentrações de mãos na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Painel com uma das maiores concentrações de mãos na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Como o próprio nome indica, o principal tema das pinturas do sítio arqueológico são “mãos”. Das pouco mais de 1.000 figuras, 800 são mãos e 90% delas são mãos esquerdas. A grande maioria dos desenhos é feita com a técnica chamada de “negativa”. O artista colocava sua própria mão sobre a parede ou teto e soprava sobre ela a tinta armazenada em um tubo. A parede ficava pintada, assim como a mão do artista, mas quando ela era retirada da parede, aí deixava a sua marca, uma área exatamente com a sua forma e livre de tinta. Por isso há uma quantidade bem maior de mãos esquerdas: os artistas seguravam o tubo com tinta com suas mãos direitas, pois eram destros!

Mãos no estilo negativo pintadas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Mãos no estilo negativo pintadas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Dezenas da mãos pintadas razão do nome dado à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Dezenas da mãos pintadas razão do nome dado à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Uma mão com seis dedos na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Uma mão com seis dedos na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Há também algumas mãos pintadas na técnica positiva, onde o artista simplesmente mergulhava sua mão na tinta e a colocava na parede. Como curiosidade, entre as 800 mãos pintadas, há uma de seis dedos, um dos pontos altos de toda visita por lá. Há também patas de animais, principalmente de choiques (as nossas emas), um dos itens principais no cardápio daquele povo.

Pinturas com mais de 8 mil anos de idade na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Pinturas com mais de 8 mil anos de idade na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Algumas das mais de 800 mãos pintadas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Algumas das mais de 800 mãos pintadas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Os estudiosos dizem que a pintura de mãos corresponde a uma primeira fase desse antigo povo, provavelmente a mais longa, que teria durado milhares de anos. Na próxima fase, o principal tipo de pintura era a representação de animais, aspectos de sua vida e também de caçadas. Além dos choiques, também chamados de ñandus na Argentina, a outra refeição predileta desses antigos habitantes eram os guanacos. Mas também há peixes, pássaros e tartarugas representadas nas paredes. Por fim, numa última fase, bem mais recente, as pinturas se tornaram mais abstratas, linhas, círculos e caracóis. Pelo que se sabe, pessoas habitaram o local até o ano de 1.300 da nossa era. Depois, provavelmente, o clima cada vez mais seco não sustentava a vida de grupos humanos por ali. A caverna passou a ser apenas abrigo temporário de quem passava por ali e já não mais se interessa por pinturas. Foi preciso esperar até a metade do séc. XIX para que ela fosse “redescoberta”, agora por exploradores da patagônia. E foi apenas 100 anos mais tarde, na década de 50 do século passado, que a Cueva de Las Manos começou a atrair cada vez mais estudiosos e turistas.

Muitas pinturas nos tetos da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Muitas pinturas nos tetos da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Animais pintados nas paredes da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Animais pintados nas paredes da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Animais pintados nas paredes da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Animais pintados nas paredes da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


As pinturas são policromáticas e as cores mais comuns são o vermelho e o negro. Mas há também o branco e o amarelo. As tintas eram feitas de minerais, pedra moída, vegetais e até de sangue de animais. O efeito de todas essas cores na parede é lindo e, mesmo depois de tanto tempo, elas ainda estão bem vivas. Bem difícil acreditar que algumas têm quase 10 mil anos de idade! O clima seco patagônico certamente ajudou muito na conservação. A sensação que temos é que o passado está bem presente, ali, na frente dos nossos olhos e quase ao alcance de nossas mãos.

Além das mãos, também há pinturas abstratas (mais recentes) na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Além das mãos, também há pinturas abstratas (mais recentes) na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Detalhe de pintura na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Detalhe de pintura na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Uma outra coisa que logo nos chama a atenção é a quantidade de figuras, especialmente em algumas partes do sítio. Muitas vezes elas estão interpostas, uma acima da outra. Ao longo dos milênios, os artistas foram ficando sem espaço para pintar, aparentemente. Mas a força espiritual e a magia dessas pinturas e seus rituais não poderia parar. Tudo indica que elas tinham alguma conotação religiosa. Talvez o agradecimento de alguma caçada com sucesso ou batalha vitoriosa, talvez o pedido por mais chuva na próxima estação.

Uma das raras mãos amarelas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Uma das raras mãos amarelas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Pinturas negras e vermelhas (as mais comuns) no estilo negativo na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Pinturas negras e vermelhas (as mais comuns) no estilo negativo na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Infelizmente, algumas “pinturas” não são assim, tão antigas. Tem apenas algumas décadas de idade. Turistas que quiseram deixar suas marcas por lá também. Mas não são tantas assim. E hoje quase toda a parede é cercada. Além disso, só se pode entrar lá acompanhado de guias e em grupos pequenos. O guia caminha conosco desde a portaria até as primeiras pinturas num trecho de 500 metros e, depois, adiante, por outros 600 metros de passarela pelo trecho onde há paredes pintadas. Ao final, voltamos todos pelo mesmo caminho.

Plataforma de madeira construída para se poder admirar e estudar as pinturas rupestres da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Plataforma de madeira construída para se poder admirar e estudar as pinturas rupestres da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


As crianças suíças que nos acompanharam na visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

As crianças suíças que nos acompanharam na visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


No nosso caso, foi um pouco diferente. Eu e a Ana fomos disparando perguntas todo o tempo, enquanto o casal de argentinos que estava no nosso grupo não parecia tão interessado. Algumas fotos no início e depois preferiam fazer as famosas selfies. Além de nós, o casal de suíços com seus filhos. Os pais sim, estavam interessados, mas tinham de dividir sua atenção com os filhos que, ainda muito jovens, pareciam se divertir mais correndo para lá e para cá. Depois que passamos pelos trechos mais interessantes, eles já queriam regressar. O guia pensou bem, creio que concluiu que eu e a Ana éramos confiáveis e deixou que continuássemos até o fim sozinhos, enquanto ele retornava com os suíços e argentinos.

Pinturas com mais de 8 mil anos de idade na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Pinturas com mais de 8 mil anos de idade na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Admirando a paisagem ao redor da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Admirando a paisagem ao redor da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


E assim, num golpe de sorte, depois de ter todas as explicações que queríamos, tivemos alguns momentos para desfrutar de toda aquela maravilha a sós. Se ontem de noite eram as estrelas que faziam a ligação desse mundo que desapareceu comigo, hoje era algo ainda mais palpável: essas centenas de mãos e cenas pintadas na parede, ali tão perto. Para cada uma que eu olhava, ficava imaginando o momento em que foram pintadas, o que passava na cabeça do artista, as questões e dúvidas que o afligiam, o que ele comeria no jantar, onde e como dormiria, como funcionava a sua sociedade. Enfim, se quisesse (e tivesse tempo!), poderia passar meses ali! Foram minutos mágicos!

Além das pinturas, também se pode admirar as flores no passeio à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Além das pinturas, também se pode admirar as flores no passeio à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Além das pinturas, também se pode admirar as flores no passeio à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Além das pinturas, também se pode admirar as flores no passeio à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Flores contra um céu bem argentino durante nossa visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Flores contra um céu bem argentino durante nossa visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Mas tínhamos de voltar. Além das pinturas nas paredes, a paisagem do canyon ao nosso lado era espetacular. As paredes do outro lado do vale, o oásis verde 80 metros abaixo de nós e as flores silvestres que cresciam ali do lado (viva a primavera!). Depois de tantas fotos de mãos e de figuras pintadas na parede, foi bom intercalar com fotos de paisagens, de flores e, claro, de selfies.

Uma selfie durante a visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Uma selfie durante a visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Muito felizes com a visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Muito felizes com a visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Fomos voltando vagarosamente, nos detendo nos lugares com maior concentração de figuras. Por fim, encontramos nosso guia novamente. Ele queria estar conosco quando regressássemos à portaria. De lá, ainda sedados com tanta coisa que tínhamos acabado de ver, 10 mil anos de história em nossos cérebros e mentes, caminhamos de volta para a Fiona através do canyon. Pausas no rio lá em baixo e no alto das paredes, já do outro lado. Depois, pé na estrada porque algumas centenas de quilômetros nos esperavam. Não iria faltar assunto para conversar durante a longa viagem...

Visita à incrível Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Visita à incrível Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Argentina, Cueva de Las Manos, arqueologia, história, Patagônia

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Serra dos Órgãos - 1a Parte

Brasil, Rio De Janeiro, Serra dos Órgãos

Admirando a vista espetacular do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Admirando a vista espetacular do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


A Serra dos Órgãos, a cerca de uma hora de carro do Rio de Janeiro, é um pedacinho da Serra do Mar. Mas não é um pedacinho qualquer. Superando os 2 mil metros de altitude, possui algumas das mais belas e dramáticas paisagens dessa cadeia de montanhas que se estende de Santa Catarina até o próprio Rio de Janeiro, com quase 1.500 kms de comprimento. Nessa sua porção fluminense, localizada entre os municípios de Petrópolis, Teresópolis, Magé e Guapimirim, foi criado um Parque Nacional para proteger seu frágil ecossistema e suas paisagens grandiosas. É o terceiro parque mais antigo do Brasil, criado ainda em 1939, e tem justamente o nome de Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Entre seus mais famosos frequentadores e admiradores estão a antiga família real brasileira e o presidente Getúlio Vargas.

Nosso caminho entre o Rio de Janeiro e a portaria do Parque Nacional da Serra dos Órgãos em Petrópolis, passando pelo Dedo de Deus e por Teresópolis

Nosso caminho entre o Rio de Janeiro e a portaria do Parque Nacional da Serra dos Órgãos em Petrópolis, passando pelo Dedo de Deus e por Teresópolis


Na região de Teresópolis, o Dedo de Deus, formação rochosa mais conhecida da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Na região de Teresópolis, o Dedo de Deus, formação rochosa mais conhecida da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Passando pelo mirante do Dedo de Deus, a caminho de Teresópolis e da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Passando pelo mirante do Dedo de Deus, a caminho de Teresópolis e da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


A beleza lendária desse parque pode ser admirada de longe, já que suas enormes montanhas são facilmente avistadas desde a cidade do Rio de Janeiro. Para quem segue pela estrada até Teresópolis, sua mais famosa formação rochosa, o Dedo de Deus, nos cativa os olhos desde o primeiro momento que o avistamos. Ao longo da estrada há diversos mirantes e a profusão de montanhas logo explica o nome da região dado pelos antigos portugueses que aqui passavam. Encavaladas umas nas outras, elas se parecem com os órgãos das enormes catedrais européias.

Chegando à entrada do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no lado de Petrópolis, no Rio de Janeiro

Chegando à entrada do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no lado de Petrópolis, no Rio de Janeiro


Prontos para começar a caminhada de três dias até Teresópolis, ainda na entrada do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no lado de Petrópolis, no Rio de Janeiro

Prontos para começar a caminhada de três dias até Teresópolis, ainda na entrada do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no lado de Petrópolis, no Rio de Janeiro


Mas, muito mais belo do que vê-lo de longe, é vê-lo bem de perto. O parque tem duas entradas principais, uma em Teresópolis e outra em Petrópolis. As duas entradas dão acesso a atrações próximas, como cachoeiras e trilhas curtas através de bosques e florestas. Porém, a maior e mais famosa atração do parque é uma trilha com cerca de 30 km que atravessa o parque e liga essas duas portarias principais. Estou falando da famosa Travessia da Serra dos Órgãos, considerada por muitos como a trilha mais bonita do Brasil.

Mapa completo da travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Mapa completo da travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Mapa do nosso primeiro dia na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, saindo da Portaria Petrópolis e chegando ao Castelo do Açu

Mapa do nosso primeiro dia na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, saindo da Portaria Petrópolis e chegando ao Castelo do Açu


Eu já fiz essa trilha uma vez há quase quinze anos (vou falar disso mais adiante), e é mesmo inegável sua beleza cênica. Mas, tendo feito tantas outras trilhas pelo país afora, não me arriscaria a dizer que ela é mesmo a mais bela. Posso dizer, isso sim, que não há trilha mais bonita do que essa no Brasil, mas estamos falando de belezas distintas e incomparáveis entre si. Caminhar pela Chapada Diamantina ou dos Veadeiros, por Lençóis Maranhenses ou pelos cânions do sul do Brasil também são experiências especiais e inesquecíveis. Enfim, cada uma com a sua beleza.

Sinalização na trilha que corta o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Sinalização na trilha que corta o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Pequena cascata ainda na parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, lado de Petrópolis, no Rio de Janeiro

Pequena cascata ainda na parte baixa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, lado de Petrópolis, no Rio de Janeiro


E a beleza da Serra dos Órgãos é realmente de cair o queixo. Nós tentamos vir ao parque quando passamos pelo estado no início da expedição 1000dias, mas São Pedro não cooperou conosco. A melhor época para fazer essa travessia é durante o inverno, quando o tempo é mais frio, mas o céu é mais limpo. No verão, a chance de chuva é grande. No final de setembro de 2010, não tivemos a nossa chance. Agora, no início de Agosto, a previsão nos deu uma janela de 2-3 dias de céu azul e nós resolvemos aproveitar. Além do frio, só precisamos nos cuidar com tempestades elétricas, aquelas com muitos raios, bastante comuns nessa época. Lá no alto do parque, sem árvores, nós somos um verdadeiro magneto para os raios e, infelizmente, já houve diversos casos de pessoas atingidas e mortas por lá. Enfim, temos os nossos dias de tempo claro para tentar.

Chegando à Gruta do Presidente, local preferido de Getulio Vargas no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Chegando à Gruta do Presidente, local preferido de Getulio Vargas no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Momento de descanso e reflexão na Gruta do Presidente, início da trilha que atravessa o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Momento de descanso e reflexão na Gruta do Presidente, início da trilha que atravessa o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


A travessia pode ser feita em qualquer um dos dois sentidos, Petrô-Terê ou Terê-Petrô, mas a primeira alternativa é preferível. Não porque seja mais fácil, pois no quesito esforço, elas são bem equivalentes. Nos dois casos, começamos a caminhar na parte baixa do parque, a uns 1.100 metros de altitude, e temos de subir até os 2.200 metros. Aí, ficamos alternado entre vales e cristas de montanhas com diferenças de altitudes de 200 metros até que chegamos à descida do outro lado, para atingirmos a portaria de saída nos mesmos 1.100 metros. Na verdade, a diferença entre elas é que quando seguimos em direção a Teresópolis, temos as montanhas mais belas e emblemáticas à nossa frente, como o Dedo de Deus, o Garrafão e a Pedra do Sino. No sentido Petrópolis, essas montanhas passam a maior parte do tempo nas nossas costas e é bem mais trabalhoso ficar admirando-as.

Vegetação no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Vegetação no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Subindo o Morro do Açu, parada para admirar a vista do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Subindo o Morro do Açu, parada para admirar a vista do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Subindo o Morro do Açu, a vista começa a ficar mais ampla na trilha que corta o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Subindo o Morro do Açu, a vista começa a ficar mais ampla na trilha que corta o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Eu já sabia disso desde que comecei a me interessar em fazer essa caminhada, no início da minha vida de mochileiro no final da década de 80. Demorou, mas consegui vir para cá em meados da década de 90, em viagem solo. Não foi durante o inverno e era dia de semana. Resultado: não havia quase ninguém no parque. Numa época pré-nternet, desenhei mapas depois de conversas com gente que já havia feito a caminhada antes. Assim, me meti na trilha sem guia mesmo, seguro de que daria tudo certo. Começou tudo bem e, após o primeiro dia de caminhada, cheguei ao Castelo do Açu. Mas o tempo virou de madrugada e, na manhã seguinte, não se via um palmo diante do nariz. Trilha mal sinalizada, eu tentei, tentei, mas era impossível seguir adiante. Sem a referência das montanhas, não havia como saber a direção a seguir. Tive que botar o rabinho entre as pernas e abortar a tentativa, voltando para a mesma portaria e tentando me convencer que o que eu já tinha visto no dia anterior já era o bastante. Claro que o mais bonito tinha mesmo ficado para trás, escondido pelas nuvens. Mas fiz muito bem em voltar. É muito comum que pessoas se percam nesse trecho da trilha a partir do Castelo do Açu.

Aproveitando o ar puro do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Aproveitando o ar puro do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Cada vez mais altos no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro. Um pouco abaixo de nós, um outro grupo de turistas também descansa depois da forte subida

Cada vez mais altos no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro. Um pouco abaixo de nós, um outro grupo de turistas também descansa depois da forte subida


1000dias na trilha que atravessa o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

1000dias na trilha que atravessa o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Fiquei com essa trilha engasgada por mais meia década, quando tive nova chance. Dessa vez, acompanhado de primos e amigos, durante a temporada certa. Novamente, fomos sem guia. Só que dessa vez deu certo. Mas, mesmo com tempo limpo e mais pessoas, também chegamos a nos desviar da trilha e seguir por caminhos alternativos. O problema é que muita gente se perde por ali e essas trilhas secundárias vão se alargando cada vez mais. Com um pouco de senso de direção e as montanhas a nos guiar, voltamos ao caminho correto, mas o estrago à natureza já foi feito, infelizmente. Enfim, finalmente pude conhecer a trilha por inteiro e é realmente maravilhosa. Lá do alto da pedra do Sino, já na parte final da caminhada, pudemos vislumbrar toda a Baía da Guanabara. Foi espetacular!

Meio da tarde e uma belíssima lua quase cheia aparece para nos acompanhar no 1o dia de travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Meio da tarde e uma belíssima lua quase cheia aparece para nos acompanhar no 1o dia de travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Prestando a devida reverência à enorme lua que nos acompanha ao final do nosso 1o dia de caminhada na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Prestando a devida reverência à enorme lua que nos acompanha ao final do nosso 1o dia de caminhada na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Por isso, jamais pensamos em deixar esse parque fora dos 1000dias. Ainda mais que a Ana ainda não o conhecia. Ela, que caminhou pelo Grand Canyon e pelo Torres del Paine, era inconcebível que não passasse pelo nosso campeão. Então, já no nosso P.S. dos 1000dias, enfim chegamos à Serra dos Órgãos!

A paisagem grandiosa da parte alta do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

A paisagem grandiosa da parte alta do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


A paisagem grandiosa da parte alta do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

A paisagem grandiosa da parte alta do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Mapa topográfico da trilha no nosso 1o dia de caminhada na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, da entrada de Petrópolis ao Castelo do Açu. Nesse tipo de mapa, linhas próximas significam terreno mais íngrime

Mapa topográfico da trilha no nosso 1o dia de caminhada na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, da entrada de Petrópolis ao Castelo do Açu. Nesse tipo de mapa, linhas próximas significam terreno mais íngrime


Nós saímos do Rio bem cedinho rumo a Teresópolis. Nosso plano era fazer a caminhada a partir de Petrópolis, mas depois de muito confabular, decidimos que seria melhor deixar o carro na portaria de Teresópolis, no final da nossa trilha. Primeiro, porque ela é maior e o carro ficaria mais seguro. Segundo porque seria melhor enfrentar o trecho de ônibus entre as duas cidades agora, que estávamos descansados, que depois, quando estaríamos exaustos e famintos. Assim, pudemos aproveitar a beleza da estrada de Teresópolis agora e já começamos a entrar no clima da Serra dos Órgãos. Afinal, é dessa estrada que melhor se enxerga do Dedo de Deus, a montanha mais icônica desse parque. Depois, encontramos um bom lugar para deixar a Fiona lá dentro do parque, o mais perto possível do final da trilha. Por fim, descolamos um táxi para nos levar até a rodoviária da cidade. Aí tomamos um ônibus que nos levou até Petrópolis pela curvilínea estrada que rodeia a parte norte do parque. Não é longa, mas é bem demorada. Lá chegando, mais um táxi para nos levar à portaria desse outro lado do parque. O taxista nunca havia ido até lá, mas quem tem boca chega a Roma. Vamos pelo bairro de Correia e depois, ainda tem um bom trecho de estrada de terra. O táxi era bem baixo e o taxista não gostou nada disso. Corrida até lá, nunca mais, ele jurou! Como pode, mora na cidade faz anos e anos e nunca esteve no parque. Vai entender...

Marcações sobre as rochas nos ajudam a encontrar o caminho a seguir na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Marcações sobre as rochas nos ajudam a encontrar o caminho a seguir na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Trilha na parte alta do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, a caminho do Castelo do Açu

Trilha na parte alta do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, a caminho do Castelo do Açu


Fim de tarde na parte alta do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, a caminho do Castelo do Açu

Fim de tarde na parte alta do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, a caminho do Castelo do Açu


Depois dessa verdadeira epopeia, já era quase meio dia quando, enfim, pusemos nossos pés na trilha. Antes disso, pagamos nossos ingressos e os custos de dois dias de pernoite no parque. Nas mochilas, além da barraca e dos sacos de dormir, muita comida, fogareiro e, claro, roupas para o frio. Pesadas no início, sabemos que, aos poucos, vão ficar mais leves, conforme consumimos as frutas, pães, queijos, legumes, chocolates e massas que levamos.

A baía da Guanabara, a cidade do Rio e o maciço da Tijuca vistos do alto da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro.

A baía da Guanabara, a cidade do Rio e o maciço da Tijuca vistos do alto da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro.


A baía da Guanabara, a cidade do Rio e o maciço da Tijuca vistos do alto da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro. À esquerda, a silhueta inconfundível da Pedra da Gávea, onde estivemos poucos dias atrás

A baía da Guanabara, a cidade do Rio e o maciço da Tijuca vistos do alto da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro. À esquerda, a silhueta inconfundível da Pedra da Gávea, onde estivemos poucos dias atrás


A caminhada, como já disse, começa na parte baixa do parque. Seguimos ao lado de um rio subindo vagarosamente pelo Vale do Bonfim. São cerca de 40 minutos até a chamada Gruta do Presidente e, logo ao lado, a cachoeira do Véu da Noiva. Muita gente vem até aqui e retorna, um agradável passeio diário. Quem gostava de fazer esse percurso era Getúlio Vargas. Gostava de ir até a gruta, que posteriormente foi rebatizada para homenageá-lo. Aí, dizem, costumava se inspirar e refletir sobre os grandes problemas da nação. Nós também tivemos nossos momentos de inspiração na gruta famosa, além de irmos molhar nossos pés na cachoeira que, nessa época do ano, é praticamente seca.

Cada vez mais próximo do Castelo do Açu, ao final do 1o dia de caminhada na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Cada vez mais próximo do Castelo do Açu, ao final do 1o dia de caminhada na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


A paisagem montanhosa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

A paisagem montanhosa do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Como tínhamos começado tarde a caminhar, não pudemos ficar muito tempo. Ainda mais que a parte dura da caminhada só começava a partir dali. Agora sim a trilha começa a subir, ziguezagueando montanha acima. São mais 50 minutos de esforços até chegarmos à chamada Pedra do Queijo, nome dado por algum mineiro, provavelmente. Sobre ela, podemos relaxar um pouco e ter nossa primeira visão mais ampla da paisagem, o Vale do Bonfim já ficando bem para baixo e podendo admirar as montanhas mais altas que cercam Petrópolis.

O Morro do Marco, à esquerda, e o castelo do Açu, à direita, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

O Morro do Marco, à esquerda, e o castelo do Açu, à direita, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


O famoso Castelo do Açu, onde passamos a primeira noite no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

O famoso Castelo do Açu, onde passamos a primeira noite no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Depois do descanso no Queijo, são outros 40 minutos de subida até um ponto conhecido como Ajax, onde encontramos uma parte mais plana e onde há um pouco de água corrente. Seria um ótimo lugar de acampamento, mas isso não é permitido por lá. Só podemos descansar e nos reenergizar para o próximo trecho, justamente aquele que tem a subida mais íngrime desse primeiro dia de caminhada. Já está bastante erodido e é conhecido como Isabeloca. O nome é uma homenagem à Princesa Isabel que, muito antes de Getúlio, costumava vir até aqui. Em lombo de burro, claro!

Na base do Castelo do Açu, iluminado pela última luz do sol, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Na base do Castelo do Açu, iluminado pela última luz do sol, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Entrando no salão interno do Castelo do Açu, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Entrando no salão interno do Castelo do Açu, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


No alto da Isabeloca chegamos ao chamado Chapadão, o nome do trecho alto do parque. Agora, já estamos acima dos 2.200 metros de altitude e a vista é sublime. Lá na frente, a silhueta inconfundível do Castelo do Açu, uma formação rochosa que lembra uma fortaleza de pedra. Minha terceira vez por aqui, já até começo e me sentir íntimo com ele.

Luz de fim de tarde ilumina as montanhas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Luz de fim de tarde ilumina as montanhas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


O sol se põe a 2 mil metros de altirude no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

O sol se põe a 2 mil metros de altirude no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Fomos uns dos últimos a chegar até aqui, um dos pontos oficiais de camping da travessia. Tem até um belo refúgio, inaugurado recentemente. Para quem prefere uma cama, é uma ótima pedida, desde que seja reservado com bastante antecedência. Não era o nosso caso, que carregávamos a barraca nas costas. Sem muita dificuldade, encontramos um lugar para armar nossa barraca atrás do Castelo e com vista para a Baía da Guanabara. Montamos ela rapidamente, aproveitando o resto de luz. Depois, eu fui apresentar para a Ana o incrível salão interno natural dentro do Castelo do Açu. Foi onde dormi naquela primeira vez por aqui, mas o piso não é muito confortável não, todo de pedra. Mas o salão me protegeu bastante da tempestade da noite!

Preparando nosso delicioso jantar na 1a noite da nossa travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, na nossa barraca no Castelo do Açu

Preparando nosso delicioso jantar na 1a noite da nossa travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, na nossa barraca no Castelo do Açu


Macarrão enriquecido com muitos legumes na nossa 1a noite na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, aos pés do Castelo do Açu

Macarrão enriquecido com muitos legumes na nossa 1a noite na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, aos pés do Castelo do Açu


Hoje, não tínhamos de nos preocupar com isso. O céu era só estrelas e uma lua maravilhosa. Aliás, a mesma lua que nos acompanhou no final de tarde enquanto subíamos a Isabeloca. Estava simplesmente divina no céu. A luz do luar até nos ajudou na iluminação enquanto cozinhávamos nosso substancioso jantar. Um macarrão enriquecido com muitos legumes, obra-prima da Ana. Bastante energia para a longa caminhada de amanhã.

Acima dos 2 mil metros de altitude, no Castelo do Açu, Parque Nacional da Serra dos Órgãos, observando as luzes da baixada fluminense e da cidade do Rio de Janeiro

Acima dos 2 mil metros de altitude, no Castelo do Açu, Parque Nacional da Serra dos Órgãos, observando as luzes da baixada fluminense e da cidade do Rio de Janeiro


Acima dos 2 mil metros de altitude, no Castelo do Açu, Parque Nacional da Serra dos Órgãos, observando as luzes da baixada fluminense e da cidade do Rio de Janeiro

Acima dos 2 mil metros de altitude, no Castelo do Açu, Parque Nacional da Serra dos Órgãos, observando as luzes da baixada fluminense e da cidade do Rio de Janeiro


Aos pés do Castelo do Açu, quase aos 2.200 metros de altitude, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, a nossa barraca e a Ana, no esculo, observando as luzes da Baixada Fluminense ao fundo

Aos pés do Castelo do Açu, quase aos 2.200 metros de altitude, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, a nossa barraca e a Ana, no esculo, observando as luzes da Baixada Fluminense ao fundo


Mas antes de dormirmos, ainda fomos curtir a noite do lado de fora. A Baixada Fluminense estava toda acesa, delineando os contornos da Baía da Guanabara. Tão longe e tão próxima! Difícil acreditar que ela estava a mais de 2 mil metros abaixo de nós, além de dezenas e dezenas de quilômetros de distância horizontal. Que beleza! Fomos dormir inspirados e preparados para levantar bem cedo. Afinal, perder o espetáculo do nascer-do-sol aqui em cima seria um verdadeiro pecado!

O Castelo do Açu iluminado pela lua e pelas estrelas, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

O Castelo do Açu iluminado pela lua e pelas estrelas, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro


Dormindo o sono dos justos, após um dia de caminhada até o Castelo do Açu, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Dormindo o sono dos justos, após um dia de caminhada até o Castelo do Açu, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro

Brasil, Rio De Janeiro, Serra dos Órgãos, Parque, Petrópolis, Teresópolis, trilha

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On The Move

Brasil, São Paulo, Petar

Passeando de tarde em Cananéia

Passeando de tarde em Cananéia


Após três dias e meio no PETAR, era hora de partir. Dessa vez, a arrumação do carro foi mais rápida que em Curitiba. Espero que vá se tornando mais e mais eficiente. De manhã tentei usar a internet da Parque Aventuras, mas demorei uma hora para enviar apenas um pacote (de dez!) de fotos para o site e achei melhor desistir. Enviei apenas os posts, que já estavam escritos. A Ana ainda descolou várias fotos com o Jura, um dos sócios da agência. As fotos de caverna que ele tinha estavam muito melhores que as nossas, tiradas com nossa máquina subaquática.

Partimos rumo ao centro de Iporanga com o intuito de achar alguma Lan House para enviar as fotos e os posts da Ana. Nossa pousada, assim como as outras que são frequentadas pelos turistas que vêm visitar as cavernas ficam no Bairro da Serra, distante dez quilômetros do centro, por estrada de terra. Longe do centro mas vizinho do parque. Já próximos de Iporanga, verificamos que o carregador de celular tinha sido esquecido na pousada. Uffff! Cada vez mais me convenço que devemos fazer um check-list das coisas mais importantes e pacientemenmte passar por ele antes de cada partida!

Mas, desta vez, não precisamos voltar. Por sorte, voltamos a ter sinal da TIM, ligamos lá e pedimos para o Jura trazer. Por uma feliz coincidência, sabíamos que ele estava indo para Registro. Assim, ele nos encontrou na Lan House em Iporanga e nos trouxe o bendito carregador. Resolvido isso e enviado as fotos, pé na estrada, rumo a Cananéia. O tempo exíguo e chuvoso nos fez deixar o Parque Carlos Botelho para depois. Assim como o Caverna do Diabo, a Ilha do Cardoso e o Pico Paraná. Espero que essa lista pare de crescer...

Passeando de tarde em Cananéia

Passeando de tarde em Cananéia


Foram cerca de 200 km até a ilha de Cananéia. Minha quarta visita à cidade, mas a primeira para valer! As outras três foram rapidinho, sempre em trânsito para ou vindo Ilha do Cardoso. Desta vez, ficamos para dormir. Passeamos pela simpática avenida litorânea, uma rua estreita com um casario antigo e colorido de um lado e o mar do outro. Na verdade, mais parece um rio, já que é um estreito braço de mar que separa a cidade da Ilha Comprida. A visão dos pequenos barcos e canoas transitando calmamente por essas águas paradas são um estímulo à preguiça e contemplação. Era exatamente o que estávamos precisando! Um lanchinho no final de tarde bem na beira do canal e estávamos prontos para ir ao nosso hotel e não fazer mais nada, exceto jogar conversa fora. Que delícia!

Passeando de tarde em Cananéia

Passeando de tarde em Cananéia

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Fronteiras

Nicarágua, Somoto, Honduras, Fronteiras, El Salvador, San Miguel

Chegando à fronteira entre Honduras e El Salvador. Lá vem o cara correndo para nos 'ajudar' nos trâmites...

Chegando à fronteira entre Honduras e El Salvador. Lá vem o cara correndo para nos "ajudar" nos trâmites...


Mantendo a tradição, saímos umas duas horas mais tarde do que o planejado, mas ainda dispostos a enfrentar as duas fronteiras de hoje. Somoto está a menos de vinte quilômetros da fronteira com Honduras. De lá, o plano era atravessar diretamente para El Salvador, uns duzentos quilômetros à frente.

Mapa da América Central mostrando nossas rotas de ida e de volta pela região

Mapa da América Central mostrando nossas rotas de ida e de volta pela região


Como vamos passar duas vezes pela América Central, subindo e descendo, resolvemos ir mais pelo lado do Pacífico e voltar pelo lado do Atlântico. Nessa época do ano ainda chove muito do lado caribenho enquanto no Pacífico o sol predomina. Na volta, pelo menos em teoria, teremos tempo bom no lado do Atlântico. Honduras tem apenas uma pequena saída para o Pacífico, justamente o trecho que estamos cruzando. O país está muito mais voltado para seu lado caribenho. El Salvador, o menor país da região, por outro lado, está todo do lado do Pacífico. Só passaremos por ele agora. Mais ao norte está Belize, exatamente ao contrário de El Salvador, só tem costa para o Caribe. Vai ficar para a volta...

Novo prédio da imigração hondurenha na fronteira com a Nicarágua

Novo prédio da imigração hondurenha na fronteira com a Nicarágua


Nossa primeira missão foi sair da Nicarágua. Trâmites rápidos, dois dólares por pessoa para carimbar o passaporte mais um dólar por pessoa de imposto municipal. Bem suspeito, mas não iríamos encrencar por um dólar. Agora a vez de Honduras, o país com a pior fama de trâmites de fronteira. Mas por sorte, coincidência, pelo espírito natalino ou tranquilidade dessa fronteira específica, também não tivemos nenhuma dificuldade burocrática. Problema mesmo foi o preço. Três dólares por pessoa (até aí tudo bem!) e extorsivos 35 dólares para a Fiona. Nos outros países até agora, pagávamos por volta de 15 dólares, mas isso valia um seguro de até três meses. Aqui, ficamos sem o seguro e ainda morremos nos 35 dólares. Pior, a cada vez que formos entrar no país vamos ter de pagar essa taxa. E nós estamos planejando entrar mais duas vezes no país. Uma vez na volta, daqui a uns 8 meses e outra daqui a uns 10 dias, entrada rápida vindo da Guatemala só para visitar as ruínas de Copan. Diante disso, nossa ideia é entrar em Copan sem a Fiona, que ficaria na Guatemala nos esperando. Vamos ver como é...

Poderia ser em qualquer lugar o mundo, mas foi em Honduras, na nossa rápida passagem pelo país

Poderia ser em qualquer lugar o mundo, mas foi em Honduras, na nossa rápida passagem pelo país


A passagem de pouco mais de duas horas por Honduras foi tranquila, com uma rápida parada para encher o tanque da Fiona e também os nossos estômagos. Com o advento do cartão de crédito, essa questão de câmbio e moedas ficou muito mais fácil! De qualquer maneira, eu peguei um troco em Lempiras, a moeda do país. Assim, elas se juntaram aos nossos Colóns (Costa Rica), Córdobas (Nicarágua) e Balboas (Panamá) na nossa coleção de moedas centro-americanas. Em El Salvador a moeda é o bom e velho dólar mesmo.

Trânsito nas estradas hondurenhas

Trânsito nas estradas hondurenhas


Chegamos à nossa próxima fronteira um pouco depois das duas da tarde, ainda bem esperançosos que conseguiríamos chegar de dia no nosso destino final, as praias da Costa do Balsamo, em El Salvador. Quanta inocência! Ao contrário da fronteira anterior, essa de agora é bem movimentada, fila para tudo e um monte de gente querendo nos “ajudar” no processo. E só ver a Fiona se aproximando que um monte deles já vem correndo em nossa direção. Quando chegam mais perto e veem a Ana, aí já abrem um sorrisão e começam com seu parco inglês a nos dar instruções. Para tristeza geral, respondemos em alto e fluente espanhol que não precisamos de ajuda, que já sabemos como tudo funciona. Depois de insistirem um pouco, acabam desistindo.

Estrada em El Salvador, próximo à San Miguel

Estrada em El Salvador, próximo à San Miguel


Bom, enfrentamos a longa fila, carimbamos nosso passaporte e entregamos a papelada da Fiona. Dessa vez, sem pagar nada! Rumo ao lado salvadorenho, então! Mais fila, mais paciência e já estamos legalizados no país. Falta a Fiona, ainda. A aduana é alguns quilômetros para frente. Achamos o local e passamos a papelada. Aí, a má notícia: o “sistema” está com problemas. Lá passamos quase uma hora e meia até o bendito papel de importação temporária sair. Minutos importantes de luz do dia perdidos ali, infelizmente. Com isso, desistimos de chegar até a praia, duas horas à frente. O nosso destino final passou a ser San Miguel, localizada na estrada para San Salvador e quarta maior cidade do país.

O imponente vulcão de San Miguel, com mais de 2 mil metros de altura, em El Salvador

O imponente vulcão de San Miguel, com mais de 2 mil metros de altura, em El Salvador


Assim, junto com a noite chegamos aqui, para nos instalar num hotel Comfort Inn. A bela imagem da silhueta característica de um enorme vulcão ao lado da cidade vai ser a imagem que vamos guardar de San Miguel, muito melhor que a lembrança do trânsito pesado da cidade, que vamos logo esquecer, hehehe! Praia, só mesmo amanhã. Junto com papai Noel!!!

Estamos em El Salvador!

Estamos em El Salvador!

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Icebergs, Fiordes e Geleiras

Geórgia Do Sul, Drygalski Fjord

Um belo iceberg proveniente das gigantescas plataformas de gelo da Antártida cruza nosso caminho na entrada do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Um belo iceberg proveniente das gigantescas plataformas de gelo da Antártida cruza nosso caminho na entrada do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


A tarde de hoje foi a nossa última nas costas da Geórgia do Sul, essa incrível ilha perdida no meio das imensidões geladas do Atlântico meridional. Depois de tantos desembarques ao longo da costa norte da ilha, agora foi a vez de ficarmos admirando a paisagem de dentro do conforto do Sea Spirit, enquanto o barco percorria toda a extensão do Drygalski Fjord, o maior fiorde da Geórgia do Sul.

Nosso roteiro e pontos de parada na Geórgia do Sul

Nosso roteiro e pontos de parada na Geórgia do Sul


Navegando no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Navegando no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Navegando por entre as montanhas e geleiras do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Navegando por entre as montanhas e geleiras do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Fiordes são formações geológicas deixadas para trás pelas grandes geleiras das épocas glaciais. Esses enormes e poderosos rios de gelo abriram caminho por entre as montanhas, formando vales profundos em forma de “U” na sua rota para o mar. Naquela época, com tanta água na forma de gelo no norte, sul e grandes montanhas do planeta, o nível dos oceanos era bem mais baixo do que é hoje. Com o clima se aquecendo, as geleiras foram derretendo e o nível dos mares subindo, passando a ocupar os enormes vales formados pelos rios de gelo que retrocediam. Essas formações são muito comuns nas costas do Noruega, Groelândia, Islândia e Chile, mas também são encontradas em menor número no Canadá, Dinamarca, Alaska, Nova Zelândia e aqui, na pequena Geórgia do Sul. O Drygalski é o maior deles, um estreito e comprido braço de mar ladeado por altas montanhas, penhascos e inúmeras geleiras reminiscentes daquela antiga e gigantesca geleira que abriu caminho por entre essas montanhas na última era glacial. O cenário é simplesmente grandioso e espetacular.

O primeiro iceberg tabular, vindo diretamente da Antártida, a gente nunca esquece! (pouco antes de entramos no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul)

O primeiro iceberg tabular, vindo diretamente da Antártida, a gente nunca esquece! (pouco antes de entramos no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul)


Os passageiros do Sea Spirit correm a fotografar os primeiros icebergs da nossa viagem, pouco antes de entrarmos no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Os passageiros do Sea Spirit correm a fotografar os primeiros icebergs da nossa viagem, pouco antes de entrarmos no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Mas antes de entramos nesse fiorde, tivemos um outro encontro não menos emocionante. Pela primeira vez nessa viagem, encontramos os gigantescos icebergs vindos diretamente das grandes plataformas de gelo da Antártida. São os chamados icebergs “tabulares”, em formato de mesa, com centenas de metros de lado formando um grande platô no seu topo. Eles são diferentes (e muito maiores!) do que qualquer outro iceberg que já tenhamos visto, aqui na Geórgia do Sul e mesmo ao redor da Groelândia, por onde também viajamos nesses 1000dias.

Avistando os primeiros grandes icebergs da viagem, pouco antes de entrar no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Avistando os primeiros grandes icebergs da viagem, pouco antes de entrar no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Blocos de gelo provenientes das geleiras do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Blocos de gelo provenientes das geleiras do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Blocos de gelo se soltam das geleiras aqui da Geórgia do Sul (e também na Islândia, Groelândia e Alaska) formando pequenos icebergs que já conhecíamos. Claro, alguns deles são bem grandes também e um deles chegou mesmo a afundar o Titanic. Mas tamanho é relativo e o que nos parecia grande antes, agora, comparado a esses colossais icebergs tabulares, viraram pequenos “cubos de gelo”. Aqueles tem um formato mais quebrado, pontiagudo. Esses, vindos diretamente da Antártida, são mais quadrados. Os maiores, formados quando um grande pedaço de plataforma de gelo se rompe, chegam a ter o tamanho de estados como Alagoas e Sergipe. Enfim, são mesmo colossais. Assim que se desprendem do gelo continental, as correntes marinhas os levam lentamente para o norte. Aos poucos, vão derretendo e se partindo em icebergs menores. Existe uma linha imaginária no Atlântico Sul (na verdade, ao redor de todo o continente antártico) que marca o ponto máximo aonde essas enormes massas de gelo chegam antes de derreter completamente. A Geórgia do Sul se encontra dentro dos limites dessa linha imaginária e por isso já começamos a vê-los por aqui enquanto as Falkland situam-se ao norte dessa linha.

A vistosa parede de gelo de um iceberg que flutua a frente do Sea Spirit, pouco antes de entrarmos no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

A vistosa parede de gelo de um iceberg que flutua a frente do Sea Spirit, pouco antes de entrarmos no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


A paisagem geleda e montanhosa do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

A paisagem geleda e montanhosa do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Navegando no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Navegando no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


O que vimos hoje foi o mesmo que viram os primeiros navegadores e exploradores dessa região há poucos séculos atrás. Ao se depararem com esses enormes icebergs, logo concluíram que só poderiam vir de alguma enorme massa de terra mais ao sul. Muito provavelmente, um novo continente! Por isso, muito antes de qualquer pessoa ver a Antártida com seus próprios olhos, a existência do continente já era conhecida (ou deduzida...). Com pistas desse tamanho, não é de se admirar! E olha que passaram-se mais de dois séculos entre os primeiros encontros com os icebergs tabulares e o momento em que, finalmente, alguém encontrou a verdadeira “terra firme” do último continente.

Uma das muitas geleiras ao longo do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Uma das muitas geleiras ao longo do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Mais uma das geleiras do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Mais uma das geleiras do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Geleiras e montanhas do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Geleiras e montanhas do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Enfim, muitos icebergs tabulares e a história da exploração da Antártida nos esperam nos próximos dias. Hoje foi só para abrir o apetite! A atração principal dessa tarde foi mesmo a navegação pelo Drygalki Fjord. Logo na entrada do fiorde, um zodiac levou para terra firme dois dos nossos guias enquanto nós continuávamos nossa navegação. Os guias foram fazer um trabalho científico de observação de animais em uma baía mais isolada. É uma espécie de favor que fazem aos pesquisadores dessa ilha, algo muito comum entre cientistas e as companhias de turismo, unindo o útil ao agradável. Na volta, após irmos até o fim do fiorde e voltarmos, recolhemos eles de volta, já com seus preciosos dados para serem enviados às bases científicas aqui da Geórgia do Sul.

Uma imponente geleira do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Uma imponente geleira do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Blocos de gelo se desprendem de geleira no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Blocos de gelo se desprendem de geleira no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Uma das inúmeras geleiras ao longo do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Uma das inúmeras geleiras ao longo do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Quanto a nós, navegamos tranquilamente por esse fotogênico braço de mar. A quantidade de pequenas geleiras no seu entorno realmente impressiona. Digo “pequenas” só porque estou comparando-as com a geleira inicial, aquela que deu origem ao fiorde por onde hoje navegamos. Porque, se esquecermos do tamanho colossal desta, essas outras que vimos hoje também são enormes. Descem das altíssimas montanhas ao fundo trazendo consigo milhões de toneladas de gelo e rocha arrancada das montanhas. Isso mesmo, ainda hoje essas geleiras continuam a abrir caminho e formar novos vales, moldando a geologia do local.

Observando o final do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Observando o final do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Admirando a beleza grandiosa do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Admirando a beleza grandiosa do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Navegando por entre as montanhas e geleiras do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Navegando por entre as montanhas e geleiras do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


O fiorde não é largo e o Sea Spirit está sempre próximo dos penhascos e geleiras, ora de um lado do antigo vale, ora do outro. Cada geleira, cada visão, cada cenário mais impressionante que o anterior. Por fim, chegamos ao fim do fiorde, o ponto para onde retrocedeu a antiga geleira formadora de toda essa maravilha. Ainda hoje, ela continua bem maior do que as geleiras laterais, suas antigas “afluentes”. Aí o Sea Spirit para, faz meia volta, nos dá um tempo para nossas fotos e momentos de admiração e veneração e inicia o longo caminho de retorno.

Com a Kim na piscina de água quente do Sea Spirit, deixando a gelada Gold Harbour, na Geórgia do Sul

Com a Kim na piscina de água quente do Sea Spirit, deixando a gelada Gold Harbour, na Geórgia do Sul


Com a Kin e o Brian na piscina de água quente do Sea Spirit, deixando para trás a gelada Gold Harbour, na Geórgia do Sul

Com a Kin e o Brian na piscina de água quente do Sea Spirit, deixando para trás a gelada Gold Harbour, na Geórgia do Sul


No caminho de volta, aproveitamos para admirar a paisagem de “outro ângulo”: de dentro da nossa piscina de água quente! A situação era quase surreal: circundados por montanhas geladas e cachoeiras de gelo que despencavam de dezenas de metros sobre uma mar com águas de 2 graus de temperatura, lá estávamos nós em nossos trajes de banho e ao ar livre, mais felizes do que nunca, uma lata de cerveja em uma mão e uma máquina fotográfica em outra. A tática era ficarmos até o pescoço dentro da água quente e alternar corridas ao convés gelado para tirarmos fotos, com mergulhos de cabeça para reaquecermos nossas faces geladas. Foi uma delícia, assistida pelos incrédulos velhinhos que formam a maioria dos nossos colegas de viagem. Enfim, quem está na chuva é para se molhar e lá estávamos nós, mais molhados do que nunca. Uma despedida à altura dos dias inesquecíveis que passamos nessa fantástica ilha chamada Geórgia do Sul!

Aproveitando a piscina de água quente no convés do Sea Spirit enquanto navegamos nos ares gelados do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Aproveitando a piscina de água quente no convés do Sea Spirit enquanto navegamos nos ares gelados do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Aproveitando a piscina de água quente no convés do Sea Spirit enquanto navegamos nos ares gelados do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Aproveitando a piscina de água quente no convés do Sea Spirit enquanto navegamos nos ares gelados do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Geórgia Do Sul, Drygalski Fjord, Fiorde, geleira, Iceberg, Sea Spirit

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