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Blog do Rodrigo - 1000 dias

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O Incrível Cerro Negro

Nicarágua, León

1000dias no Cerro Negro próximo, à León, na Nicarágua.

1000dias no Cerro Negro próximo, à León, na Nicarágua.


O dia começou com uma visita a um museu bem peculiar. Um museu sobre as lendas e tradições da cidade de León e do país, com representações em painéis, desenhos e grandes bonecos de figuras folclóricas como a "gigantona", uma enorme mulher que percorre as ruas da cidade em busca de um marido. Até aí, tudo bem, já vimos outros muses parecidos. O que faz esse ser difente é que ele ocupa o mesmo espaço onde, durante cinquenta anos, funcionou uma terrível prisão do regime somozista, local em que presos políticos eram barbaramente torturados para delatarem seus companheiros.

Personagens legendárias em museu de León, na Nicarágua.

Personagens legendárias em museu de León, na Nicarágua.


Logo cedo encontramos na entrada desse museu o casal Ardengo (italiano) e Amparo (espanhola) que tínhamos reencontrado ontem de noite. A Ana tinha socializado com eles no Olho de Agua, em Ometepe, e a coincidência nos uniu novamente. A gente combinou de passar o dia de hoje juntos, no museu e depois, no Cerro Negro. No museu, a visita se alterna entre as exposições sobre as personagens folclóricas e os relatos sobre como funcionava a prisão, os métodos de tortura e a dura vida dos presos. Essa mistura de dois assuntos tão distintos deixa nossa mente meio confusa. Não sei se funciona bem...

Visita à antiga prisão somozista em León, na Nicarágua.

Visita à antiga prisão somozista em León, na Nicarágua.


Chegando ao vulcão Cerro Negro próximo à León, na Nicarágua.

Chegando ao vulcão Cerro Negro próximo à León, na Nicarágua.


Daí então seguimos para o Cerro Negro, localizado a 25 km de distância da cidade por estradas rurais. São poucos os que seguem para lá sem guia, mas quem tem boca chega à Roma e nós chegamos! O Cerro Negro é um vulcão em formação, o segundo mais novo do continente, com apenas 150 anos de idade (o que significa um recém nascido, em termos geológicos!). Desde que nasceu, vem tendo erupções regulares, com intervalos de 10 a 15 anos. Algumas bem fortes, cobrindo a cidade de León de cinzas. A última foi no final do milênio passado e já estamos em tempo de uma nova, a qualquer momento.

Pronto para subir o Cerro Negro com a prancha de skibunda (próximo à León, na Nicarágua)

Pronto para subir o Cerro Negro com a prancha de skibunda (próximo à León, na Nicarágua)


Subindo o vulcão Cerro Negro e admirando a bela paisagem das redondezas, próximo à León, na Nicarágua.

Subindo o vulcão Cerro Negro e admirando a bela paisagem das redondezas, próximo à León, na Nicarágua.


Enquanto ela não chega, o vulcão foi transformado numa das maiores atrações turísticas da cidade e do país. Uma trilha batida nos leva através da paisagem desoladora, uma montanha de entulho sem uma única planta, e através de suas encostas até chegarmos dentro de sua cratera. Entramos por um lado que desabou na última erupção, portanto ainda bem abaixo do cume. Ali dentro, fumaça e vapor saem de vários pontos e a rocha é toda pintada de amarelo e branco, ação dos sulfatos e enxofre que saem continuamente da boca do monstro. Por falar em monstro, numa das paredes internas da cratera se destaca a imagem de um enorme gigante, cabeça e mãos despontando, parecendo que tenta se desenterrar. Pelo menos até a próxima erupção, é a mais forte imagem de dentro da cratera.

Observando a emissão de gases dentros da cratera do vulcão Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.

Observando a emissão de gases dentros da cratera do vulcão Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.


Explorando a cratera do vulcão Cerro Negro e os pontos de emissão de gases (próximo à León, na Nicarágua)

Explorando a cratera do vulcão Cerro Negro e os pontos de emissão de gases (próximo à León, na Nicarágua)


Na entrada do parque a gente paga as nossas entradas e aluga uma prancha para poder descer o vulcão depois. Para quem tem a coragem e a habilidade, pode descer de pé, uma espécie de snow board nas pedras do vulcão. Para os simples mortais, descemos sentados mesmo, uma versão nicaraguense do nosso skibunda nas dunas de Jeri ou Canoa Quebrada. Subimos o vulcão carregando nossas pranchas, numa trilha de 40 minutos. A deliciosa e rápida descida, essa só dura pouco mais de um minuto, infelizmente.

Dentro da cratera do vulcão Cerro Negro, com a imagem do monstro enterrado, ao fundo (próximo à León, na Nicarágua)

Dentro da cratera do vulcão Cerro Negro, com a imagem do monstro enterrado, ao fundo (próximo à León, na Nicarágua)


A Amparo não quis subir o vulcão, ficando a observar aquele incrível cenário lá de baixo, mesmo. Eu, a Ana e o Ardengo seguimos encosta acima, nossas pranchas a tiracolo. No meio do caminho, uma parada para visitar a cratera, seus vapores e cores e o monstro que nela habita. Depois, para cima e avante novamente.

Filmando a cratera do vulcão Cerro Negro próximo à León, na Nicarágua.

Filmando a cratera do vulcão Cerro Negro próximo à León, na Nicarágua.


O cenário a nossa volta fica cada vez mais lindo. Para um lado, os destroços da última erupção, um leito de pedras e entulho se extendendo por vários quilômetros. Para outro lado, uma extensa cadeia de vulcões, um atrás do outro, em fila indiana. Paisagem fantástica, prova aos nossos olhos de que a Terra está viva, bem viva!

A bela paisagem ao redor do vulcão Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.

A bela paisagem ao redor do vulcão Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.


Subida final até o cume do Cerro Negro próximo à León, na Nicarágua.

Subida final até o cume do Cerro Negro próximo à León, na Nicarágua.


Finalmente, lá no alto, podemos ter uma visão completa da cratera abaixo de nós. Na verdade, das duas crateras. Isso porque, na última erupção uma cratera secundária se criou, hoje ainda mais viva que sua irmã mais velha. Essa, só vemos por cima,sem nos arriscar a virar churrasquinho lá dentro.

No cume do Cerro Negro, pronto para a descida de prancha! (próximo à León, na Nicarágua)

No cume do Cerro Negro, pronto para a descida de prancha! (próximo à León, na Nicarágua)


Enfim, a hora da descida. Sentados, um de cada vez, seguimos os trilhos de quem desceu antes de nós, pelas partes mais íngrimes da encosta. No início meio receosos, depois vamos ganhando confiança e deixando que a prancha se acelere. Chegamos a pouco mais de 30 km/h, sensação de liberdade total mas, ao mesmo tempo, percebendo aquela nossa árdua subida de 40 minutos se esvair em poucos segundos de efêmero prazer.

Vários vulcões vistos do alto do Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.

Vários vulcões vistos do alto do Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.


Com o italiano Ardengo no alto do Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.

Com o italiano Ardengo no alto do Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.


Lá embaixo nos esperava a Amparo. Fizemos algumas fotos clássicas com a Fiona em território vulcânico, o Cerro Negro ao fundo e voltamos para a portaria onde nos aguardava uma cerveja estupidamente gelada. De lá pudemos observar, de camarote, vários turistas que vieram num tour deslizar à toda velocidade pelas encostas do vulcão. Eles tem pranchas melhores que as nossas e suas velocidades chegam a mais de 60 km/h! É incrível ver aquela fumacinha descendo à toda pelo vulcão. Não faz muito tempo, um francês, de bicicleta, atingiu a velocidade de 170 km/h! Já perto do fim da descida, a bicicleta quebrou e ele teve algumas costelas quebradas...

Vista do alto do vulcão Cerro Negro próximo à León, na Nicarágua.

Vista do alto do vulcão Cerro Negro próximo à León, na Nicarágua.


Na borda da cratera do vulcão Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.

Na borda da cratera do vulcão Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.


Nós voltamos para a cidade e nos despedimos. Já na pousada, logo estávamos fazendo novos amigos: um inglês e um escocês que estão viajando de moto do Alaska à Patagônia. Acabavam de chegar da fronteira hondurenha onde tinham passado por um belo chá de cadeira. O bom humor só voltou depois do banho e, juntos, fomos jantar no delicioso Mesón Real, quase em frente ao nosso hotel. O dono, o Gustavo, ficou super interessado em nossas viagens e nos tratou muito bem. A começar pela comida, que estava maravilhosa, cozinha espanhola. E assim, enquanto tratávamos muito bem de nossos estômagos, trocamos experiências e informações sobre lugares que cada uma das duplas já tinha passado ou pretendia passar. Muito jóia!

A Ana deslizando à toda as encostas do Cerro Negro,  próximo à León, na Nicarágua.

A Ana deslizando à toda as encostas do Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.


A Ana deslizando à toda as encostas do Cerro Negro,  próximo à León, na Nicarágua.

A Ana deslizando à toda as encostas do Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.


Amanhã cedo partimos para Somoto, nossa última parada na Nicarágua. Um magnífico canyon nos espera por lá. Depóis, o tão "esperado" dia do duplo cruze de fronteiras, daqui para Honduras e de lá para El Salvador. Vamos ver com é...

A Fiona visita o mais ativo vulcão do país, o Cerro Negro próximo à León, na Nicarágua.

A Fiona visita o mais ativo vulcão do país, o Cerro Negro próximo à León, na Nicarágua.

Nicarágua, León, Parque, trilha, vulcão

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Metlakatla

Canadá, Prince Rupert

Caminhando na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá

Caminhando na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá


Ontem voltamos ao Canadá. Nossa quarta e última vez no país nesses 1000dias. Dessa vez, chegamos à Columbia Britânica, o estado mais à oeste do país, na costa do Oceano Pacífico. Vamos passar pouco mais de 10 dias por aqui, principalmente na área de Vancouver, no sul do estado, de onde seguimos viagem para os Estados Unidos, no nosso rumo sul em direção à Patagônia e Terra do Fogo. É como gostamos de brincar: “Pelos próximos meses, o sul é nosso norte”!

Finalmente, um dia de céu azul na Inside Passage, chegando em Prince Rupert, no Canadá (British Columbia)

Finalmente, um dia de céu azul na Inside Passage, chegando em Prince Rupert, no Canadá (British Columbia)


Finalmente, um dia de céu azul na Inside Passage, chegando em Prince Rupert, no Canadá (British Columbia)

Finalmente, um dia de céu azul na Inside Passage, chegando em Prince Rupert, no Canadá (British Columbia)


Entramos no país na cidade de Prince Rupert, uma importante parada na rota da Inside Passage. É o ponto mais ao norte até onde chegam os ferries canadenses da BC Ferries. Os ferries americanos também param por aqui, mas depois, seguem diretamente para a área de Seattle. Para nós, que queremos seguir para Vancouver Island, ainda no Canadá, só mudando para a BC Ferries. A outra alternativa era pegar estrada novamente, já que Prince Rupert tem acesso rodoviário. Seria uma longa volta pelo interior do estado, quase dois mil quilômetros até Vancouver. Ficamos na dúvida de qual caminho pegar, mas como o tempo melhorou, resolvemos ver um pouco da Inside Passage com céu azul. Além disso, é gostoso também variar um pouco do asfalto para o mar, hehehe. A Fiona vai descansando lá embaixo, na garagem, e a gente na parte de cima, entre o cinema, os decks internos e externos e, claro, o bar.

Caminhada pela praia na hora de maré baixa em Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá

Caminhada pela praia na hora de maré baixa em Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá


Prince Rupert é uma cidade com pouco mais de 10 mil habitantes, mas tem um centro histórico bem pequeno e charmoso, chamado de Cow Bay. Ali nos instalamos, no excelente Eagle Bluff B&B. Nada como um lugar com alma, depois de tantos motéis de rede, eficientes, práticos, mas sem personalidade.

Caminhando por ponte de areia formada na maré baixa em Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá

Caminhando por ponte de areia formada na maré baixa em Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá


Eestrela-do-mar em terra firme! Esperam pacientemente a volta da água do mar, na maré alta (Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá)

Eestrela-do-mar em terra firme! Esperam pacientemente a volta da água do mar, na maré alta (Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá)


Com um lugar garantido para dormir, fomos em busca de programação. Afinal, o ferry para o sul só partirá no dia 5. Aí, aquela mesma dificuldade que temos encontrado nos últimos dias: tudo fechado pelo fim da estação. Por exemplo, já não há mais tours para ver as baleias. Elas ainda estão por aqui, mas com tão poucos turistas, os barcos simplesmente não saem mais. Ao mesmo tempo, se tivéssemos chegado por aqui há duas semanas, apesar de encontrar os tours para ver baleias, jamais teríamos conseguido ficar num lugar como o Eagle Bluff. Seria muito mais caro e teríamos de ter reservado com um mês de antecedência.

Ponte pênsil na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá

Ponte pênsil na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá


Enfim, ficamos sem as baleias, mas com um belo museu e umas trilhas aqui perto. Além disso, a simpática moça da companhia das baleias nos deu uma outra dica valiosa: uma trilha recém-aberta em meio à uma reserva indígena do outro lado da baía. Uma trilha de 10 km entre a mata e o mar. A Ana ligou para o telefone no leaflet para se informar e lá veio a informação. A trilha estava fechada até a próxima estação! Mas ela não aceitou a resposta, chorou, chorou e conseguiu. Abririam a trilha para nós! E assim foi, hoje cedo já estávamos no porto para atravessar os braços de mar e chegar ao início da Metlakatla Wilderness Trail.

Ponte pênsil para torre de observação na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá

Ponte pênsil para torre de observação na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá


Fomos recebidos ainda no cais, do lado de cá, pelo idealizador dessa trilha, o simpaticíssimo Cory. Filho de pai escocês e mãe Tsimshian, a tribo First Nation daqui, mas criado também pelo padrasto, igualmente First Nation, o Cory nos deu uma verdadeira aula sobre a história e cultura dos povos que aqui habitavam há milênios e sobre as dificuldades enfrentadas pelas First Nations na atualidade. Além disso, fez um belo briefing sobre a trilha que encontraríamos, nos colocou no barco e prometeu nos receber na volta, no fim da tarde.

Trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá

Trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá


Praia rodeada de pinheiros na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá

Praia rodeada de pinheiros na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá


Chegamos no início do caminho um pouco antes das 09:00 e teríamos de estar de volta no cais até às 16:30, a última chance de voltar para Prince Rupert. Seriam 10 km para ir, outros 11 para voltar (incluído aí o trecho para atravessar a pequena vila Tsimshian) e mais uns dois de trilhas alternativas pelas praias pelo caminho. Não estava apertado, mas também não podíamos esquecer de controlar o tempo...

Um dos muitos tipos de cogumelos encontrados na trilha Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá

Um dos muitos tipos de cogumelos encontrados na trilha Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá


Cogumelo gigante na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá

Cogumelo gigante na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá


A trilha foi uma delícia! Os primeiros seis quilômetros estão muito bem conservados, com passarelas de madeira e solo assentado. Nos últimos quatro, um pouco mais perto de seu estado natural, tendo de driblar raízes e pedras. Além disso, pontes penseis muito bem feitas e uma torre de observação, acima da copa das árvores. Estamos sempre sob a copa das árvores, menos quando seguimos pela praia. Apenas nós naquele mundão todo, a trilha fechada pela última semana. Os únicos companheiros eram da vida selvagem. Encontramos várias pegadas, entre elas de lobos e veados. Mas de urso, nada! São raros por aqui e nem trouxemos nosso Bear Spray. De qualquer maneira, pelo sim, pelo não, tratamos de falar alto durante todo o percurso.

Praticando o equilíbrio na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá

Praticando o equilíbrio na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá


Fim da trilha nada! É só a metade do caminho, pois ainda tem a volta na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá

Fim da trilha nada! É só a metade do caminho, pois ainda tem a volta na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá


Interessante também foi observar o movimento da maré e como a paisagem mudou do início para o fim. O mesmo lugar, com maré baixa e maré cheia, completamente diferente! As marés daqui estão entre as maiores do mundo e pudemos observar, a olhos vistos, a maré subindo. Bem que o Cory nos avisou para tomarmos cuidado se quiséssemos seguir por uma ponte de areia que aparece na maré baixa. Um momento de distração e não conseguiríamos voltar! Bom, se fosse no Brasil, bastaria caminhar sobre a água ou nadar um pouco. Mas aqui, com a água a 8 graus de temperatura, nadar nem é uma opção. Nem para voltar de uma ilha, nem para fugir de um urso!

Raízes gigantes em praia na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá

Raízes gigantes em praia na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá


A maré começa a subir em Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá

A maré começa a subir em Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá


Enfim, deliciosas horas em meio à natureza e longe da civilização e chegamos a tempo no cais. Quando chegamos de volta à Prince Rupert, lá estava o Cory a nos receber. Mais uma longa conversa sobre a trilha, sobre o Canadá, sobre viagens e sobre o mundo e ganhamos um grande amigo. Vamos até tentar nos encontrar amanhã, quem sabe para o jantar. Ele é casado com uma descendente de portugueses e, com certeza, não vai faltar assunto.

Hora do lanche na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá

Hora do lanche na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá


De noite, um jantar bem gostoso num restaurante japonês. Fiquei impressionado como uma cidade desse tamanho tem tantos lugares legais, meio requintados, meio despojados. O nosso B&B, o café Cowpuccino (onde comemos sanduíches e doces maravilhosos), o restaurante japonês, entre outros. Lugares que poderiam ser em São Paulo ou Nova York. Mas que estão nesse lugar perdido na costa canadense. Junto com a trilha e com o Cory, foram as excelentes surpresas de hoje. É o Canadá nos recebendo bem como sempre!

Crânio de urso em altar improvisado na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá

Crânio de urso em altar improvisado na trilha de Metlakatla, na área de Prince Rupert, na British Columbia, oeste do Canadá

Canadá, Prince Rupert, British Columbia, Metlakatla, Parque, trilha

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Mais Fotos do Rafting

Brasil, Bahia, Itacaré

rafting no Rio de Contas, em Taboquinha, região de Itacaré - BA

rafting no Rio de Contas, em Taboquinha, região de Itacaré - BA


A Ana tirou algumas fotos do vídeo que ela está fazendo do rafting. Dão uma boa idéia da emoção que passamos.

Salto no canyon durante o rafting no Rio de Contas, em Taboquinha, região de Itacaré - BA

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A Ana se atira nas corredeiras durante o rafting no Rio de Contas, em Taboquinha, região de Itacaré - BA

A Ana se atira nas corredeiras durante o rafting no Rio de Contas, em Taboquinha, região de Itacaré - BA


Quem filmou foi o Lilton, da Planeta Turismo. Ele tinha uma câmera acoplada ao seu capacete.

rafting no Rio de Contas, em Taboquinha, região de Itacaré - BA

rafting no Rio de Contas, em Taboquinha, região de Itacaré - BA


rafting no Rio de Contas, em Taboquinha, região de Itacaré - BA

rafting no Rio de Contas, em Taboquinha, região de Itacaré - BA


Mais uma vez quero agrader à ele, ao Rânio, o nosso guia e à toda equipe da Planeta Turismo, que nos tratou muito bem e nos cedeu suas filmagens! Foi um dia e tanto!

rafting no Rio de Contas, em Taboquinha, região de Itacaré - BA

rafting no Rio de Contas, em Taboquinha, região de Itacaré - BA


rafting no Rio de Contas, em Taboquinha, região de Itacaré - BA

rafting no Rio de Contas, em Taboquinha, região de Itacaré - BA

Brasil, Bahia, Itacaré, rafting, Rio de Contas, Taboquinhas

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Lições de Geologia e Arqueologia

Brasil, Paraíba, Cabaceiras (Laje do Pai Mateus)

O Djair nos dá aula de geologia no Lajedo Sítio Bravo, na região de Cabaceiras - PB

O Djair nos dá aula de geologia no Lajedo Sítio Bravo, na região de Cabaceiras - PB


Depois da noitada do reveillon, que foi até às três, o café da manhã veio mais tarde. Depois, um pouco de trabalho e navegações na internet e era tempo de explorar a região, dessa vez com a luz do dia.

Caminhando com o Paulo no Lajedo Manoel de Souza, na região de Cabaceiras - PB

Caminhando com o Paulo no Lajedo Manoel de Souza, na região de Cabaceiras - PB


O Paulo nos levou para o Lajedo Manoel de Souza e foi nos dando aulas de botânica e geologia. Eu e a Ana já estamos ficando meio versados neste assuntos, principalmente botânica da caatinga. Já na geologia, depende do tipo de formação rochosa. E as formações rochosas daqui são únicas no continente. Parece que há algo similar num ponto da África (Namíbia?) e outra na Austrália. Ou seja, é muito especial. Mesmo em escala global.

Processo de 'acebolamento' em rocha no Lajedo Manoel de Souza, na região de Cabaceiras - PB

Processo de "acebolamento" em rocha no Lajedo Manoel de Souza, na região de Cabaceiras - PB


O que mais chama a atenção são os matacões, grandes blocos de rocha de forma arredondada, às vezes com fendas internas, que parecem ter sido colocados em cima dos diversos lajedos que aqui existem. O lajedo do Pai Mateus é apenas o mais famoso, mas também há outros. Como disse, o primeiro que visitamos foi o Manoel de Souza e lá o Paulo se esforçou para nos explicar a origem daquelas formas estranhas.

Matacão em forma de capacete no Lajedo Manoel de Souza, na região de Cabaceiras - PB

Matacão em forma de capacete no Lajedo Manoel de Souza, na região de Cabaceiras - PB


Lagoa formada por um rio temporário ao lado do Saco de Lã, na região de Cabaceiras - PB

Lagoa formada por um rio temporário ao lado do Saco de Lã, na região de Cabaceiras - PB


De lá seguimos para o Sacos de Lã, uma enorme pilha de grandes rochas de formas retas, quase quadradas, completamente encaixadas umas nas outras. Tudo isso ao lado de um rio temporário que atualmente é só lagoas. Cenário lindo, no meio dessa caatinga seca, a primeira que encontramos nessa nossa jornada pelo sertão que se parece com aquele clichê de caatinga que vemos sempre pela TV.

Matacões no Lajedo Sítio Bravo, na região de Cabaceiras - PB

Matacões no Lajedo Sítio Bravo, na região de Cabaceiras - PB


Depois dessa atração voltamos ao hotel para almoçar e depois, queríamos ir ao canyon do rio Soledade. Mas o Paulo, percebendo o quanto éramos interessados em geologia e arqueologia nos recomendou muito que visitássemos o Lajedo Sítio Bravo, em companhia do Djair, um grande especialista neste assuntos. Resolvemos seguir seu conselho, mas avisados que seria difícil "fugir" de lá em tempo para assistir o pôr-do-sol no lajedo do Pai Mateus. Isso porque o Djair seria uma enciclopédia ambulante, sempre interessado em dividir seus conhecimentos.

Mesa cerimonial (sacrifícios humanos?) em toca no Lajedo Sítio Bravo, na região de Cabaceiras - PB

Mesa cerimonial (sacrifícios humanos?) em toca no Lajedo Sítio Bravo, na região de Cabaceiras - PB


E lá fomos nós. Mesmo avisados, ficamos absolutamente impressionados com o seu tour pelo lajedo. Em ritmo acelerado, só quebrado pelas nossas perguntas curiosas, ele foi disparando conhecimentos e teorias sobre a formação daquelas rochas, sobre o Sacos de Lã e, melhor ainda, sobre a milenar ocupação humana desta área do sertão paraibano.

Sobre a mais antiga pedra brasileira, com1,2 bilhões de anos! (Lajedo Sítio Bravo, na região de Cabaceiras - PB)

Sobre a mais antiga pedra brasileira, com1,2 bilhões de anos! (Lajedo Sítio Bravo, na região de Cabaceiras - PB)


Difícil eu tentar resumir aqui as explicações. Obviamente, tem a ver com formações de diferentes tipo de rocha ainda no manto da terra, cada uma com dureza diferente. Depois, soerguimento. Aí, muita ação de vento, água e diferenças de temperatura entre o dia a noite, o que faz as rochas incharem e diminuírem, causando o que é chamado de "acebolamento". Some-se a isso algumas centenas de milhões de anos e o resultado é essa paisagem maravilhosa que temos por aqui.

Pequenas pedras formadas a 22 milhões de anos e ótimas para pinturas rupestres, na região de Cabaceiras - PB

Pequenas pedras formadas a 22 milhões de anos e ótimas para pinturas rupestres, na região de Cabaceiras - PB


Mais incrível, como disse, são os povos que aqui habitaram ou frequentaram por dezenas de milhares de anos. Os olhos treinados do Djair nos mostraram vários indícios de ação humana sobre essa rochas, aparentemente sagradas para eles. Locais de rituais, talvez de sacrifícios humanos, dentro de tocas. Instrumentos para corte de carne, para guerra e para a vida diária de um ser pré-histórico. Um show de aula, teórica e prática!

Pequena amostra de instrumentos pré-históricos coletados pelo Djair na região de Cabaceiras - PB

Pequena amostra de instrumentos pré-históricos coletados pelo Djair na região de Cabaceiras - PB


Pôr-do-sol na caatinga, região de Cabaceiras - PB

Pôr-do-sol na caatinga, região de Cabaceiras - PB


Tanto ele falou, e tão interessados ficamos que desistimos do pôr-do-sol no Pai Mateus. Vimos dali mesmo. Hoje era dia de aprender sobre geologia e arqueologia. Na melhor sala de aula do mundo e com um de seus melhores professores. Uma chance dessa, não se perde!

Toca no Lajedo Sítio Bravo, na região de Cabaceiras - PB

Toca no Lajedo Sítio Bravo, na região de Cabaceiras - PB

Brasil, Paraíba, Cabaceiras (Laje do Pai Mateus), arqueologia, geologia, Laje do Pai Mateus, Laje Manoel de Souza, Laje Sítio Bravo, matacão, Saco de Lã

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Dia de Folga, Noite nem Tanto

Suriname, Paramaribo

Com o Scott, a Ellen e Donovan (casal que conhecemos em Belém!), em Paramaribo - Suriname

Com o Scott, a Ellen e Donovan (casal que conhecemos em Belém!), em Paramaribo - Suriname


Ontem, depois da chegada de madrugada no hotel, ainda ficamos de internet um tempo e só fomos dormir depois das três. Resultado: já começamos nosso dia de folga perdendo o horário do café da manhã incluído na diária. Mas nem deu para ficar com consciência pesada, pois a maravilhosa cama do Eco Resort Inn dá de 10 x 0 no café da manhã fraquinho do Eco Resort Inn.

Já o horário do almoço, não queríamos perder não! Domingão, tudo fecha na cidade e, se deixássemos para muito tarde, não iríamos achar comida para nós. Mas, bem no horário de sair, eis que achamos meu irmão e minha mãe no Skype, na cidade maravilhosa. Aliás, além da cidade, viva a tecnologia maravilhosa do Skype!

Depois de rápida e animada conversa com direito à vídeo, cada um foi atrás do seu almoço em sua respectiva cidade. Para eles, certamente não faltavam opções, um pouco depois das duas da tarde. Para nós, fomos direto no bairro brasileiro atrás de uma churrascaria, para matar a saudade do tempero. Comemos no "Petisco", restaurante famoso por aqui. Falando português com o garçon e com a caixa. Seviço completo!

Churrascaria brasileira em Paramaribo - Suriname

Churrascaria brasileira em Paramaribo - Suriname


A tarde foi preguiçosa no hotel mesmo, pesquisando coisas na internet. Por exemplo, decidimos comprar o seguro da Fiona para a Guiana aqui mesmo, em Paramaribo. Parece que é a melhor opção. Vamos ver isso amanhã pela manhã.

No início da noite, recebemos a grata surpresa de uma visita de nossos amigos surinameses que conhecemos em Belém, no hotel. Foram eles que nos trocaram nossa primeira moeda daqui, já há bem mais de um mês. Agora, por e-mail, descobriram onde estávamos e vieram nos visitar. Gente boníssima, a Ellen e o Donovan. Quem também veio nos ver foi o Scott, americano que conhecemos aqui mesmo, antes de irmos ao Caribe. Com ele fomos jantar aqui por perto.

Ao final do jantar, ele chamou um amigo seu, aqui do Suriname, com sua namorada brasileira. Aí, os cinco juntos, resolvemos esticar a noite em Paramaribo, nossa despedida da cidade. Domingão, fomos no club mais agitado da cidade, uma balada de garimpeiros brasileiros. Literalmente! Como disse a Ana, uma bela experiência sociológica. Sociológica e musical, eu diria, ouvindo todos os grandes hits dos bailes funks dos últimos anos, desde o Bonde do Tigrão até a Eguinha Pocotó.

Comida brasileira em Paramaribo - Suriname

Comida brasileira em Paramaribo - Suriname


Foi legal ver como se diverte a comunidade brasileira na cidade, quase toda formada por garimpeiros nos seus dias de descanço e toda aquela "mini-sociedade" que gravita em torno deles. Ao final da balada, já depois das três, deixaram-nos em casa. Imagino que a comunidade tenha ficado bem curiosa sobre a presença daqueles forasteiros (nós), principalmente da loira alta de quase 1,80m rebolando em suas pistas de dança, hehehe

No hotel, fiz o porteiro jurar que nos acordaria às 8:00. Perder o café uma vez, tudo bem, mas duas seguidas, não dá. Além disso, precisamos resolver a questão do seguro e viajar os pouco mais de 200 km até Nickerie, cidade na fronteira com a Guiana.

Suriname, Paramaribo,

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A Civilização Esquecida - Versão Argentina

Argentina, San Ignacio Mini

Visitando as lindas ruínas jesuítas de San Ignacio Mini, na Argentina

Visitando as lindas ruínas jesuítas de San Ignacio Mini, na Argentina


Menos de 250 km separam São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul, e San Ignacio Mini, na província de Missiones, na Argentina. Nas duas cidades se encontram as mais famosas ruínas das antigas Missões jesuítas nos territórios brasileiro e argentino, respectivamente. Esse foi o caminho que fizemos hoje, passando por Porto Xavier e cruzando o rio Uruguay de balsa para San Xavier, já do lado argentino, embora o google maps se recuse a mostrar esse caminho. No próximo post vou falar da nossa volta à Argentina, início do longo caminho que nos levará até Ushuaia, na ponta sul do continente. Nesse, volto a falar das Missões, que aqui em território argentino são muito mais valorizadas, histórico e turisticamente!


[a]Mapa da viagem entre São Miguel das Missões, no rio Grande do Sul, e San Ignacio Mini, na Argentina, cruzando o rio Uruguay de balsa, em Porto Xavier. A droga do Google Maps não sabe, mas pode-se sim cruzar a fronteira ali! Com isso, a viagem não tem mais de 250 km.

No lado argentino, ao contrário do brasileiro, são várias as Missões que ainda podem ser visitadas. San Ignacio Mini é apenas a mais famosa e melhor restaurada de todas elas. São 15 no total (nem todas visitáveis), contra 7 no Brasil (apenas São Miguel está em bom estado) e 8 no Paraguay (veja aqui uma delas, que visitamos quando passamos por aquele país), totalizando as 30 missões que existiam em meados do século XVIII.

Mapa mostra a localização das antigas Missões Jesuítas no Paraguai, Argentina e Brasil

Mapa mostra a localização das antigas Missões Jesuítas no Paraguai, Argentina e Brasil


San Ignacio Mini, a mais bem conservada e restaurada missão jesuíta na Argentina

San Ignacio Mini, a mais bem conservada e restaurada missão jesuíta na Argentina


Nossa passagem pelo rio Uruguay foi meio demorada, quase 4 horas de espera pela próxima balsa. Mesmo assim, certamente foi mais tranquila do que a passagem dos padres jesuítas e milhares de índios que fugiam dos bandeirantes paulistas caçadores de escravos nas primeiras décadas do séc. XVII. Os religiosos vinham instalando as Missões, ou “Reducciones” (em espanhol), desde 1620, dos dois lados do rio, numa tentativa de evangelizar os habitantes do novo mundo, arrebanhar novos seguidores para a igreja de Roma e pacificar os novos súditos do Rei de Espanha.

As ruínas jesuítas de San Ignacio Mini, na Argentina

As ruínas jesuítas de San Ignacio Mini, na Argentina


As ruínas jesuítas de San Ignacio Mini, na Argentina

As ruínas jesuítas de San Ignacio Mini, na Argentina


Os jesuítas formavam então a linha de frente da Igreja Católica, ainda abalada com o movimento da Reforma na Europa e o surgimento da religião Protestante. Expandir a fé no mundo tornou-se uma prioridade e essa Ordem de organização quase militar, que exigia de seus membros uma rica formação educacional e filosófica, foi a mais eficiente no processo de catequização dos indígenas americanos, desde a Flórida e Califórnia, no norte, até a Argentina, aqui no sul, deixando para trás seus concorrentes dominicanos e franciscanos.

Para quem gosta de observar detalhes e gosta de arquitetura, a missão jesuíta de San Ignacio Mini, na Argentina, é imperdível!

Para quem gosta de observar detalhes e gosta de arquitetura, a missão jesuíta de San Ignacio Mini, na Argentina, é imperdível!


San Ignacio Mini, a mais bem conservada e restaurada missão jesuíta na Argentina

San Ignacio Mini, a mais bem conservada e restaurada missão jesuíta na Argentina


Em todos os lugares, a tática foi a mesma: aproximar-se das populações indígenas, aprender a sua língua e cultura e, através delas, chegar a seus corações e mentes, atraindo-os para a chamada “fé universal”. Entre os índios guaranis, que habitavam a região fronteiriça entre Brasil, Argentina, Uruguay e Paraguay, foi a música que propiciou esse primeiro contato, a primeira “língua” comum entre os religiosos e os indígenas. O próximo passo foi aprender a língua e a cultura, principalmente a fé dos guaranis. Os religiosos não tardaram a perceber alguns pontos comuns entre as duas religiões, como a ideia do paraíso e o mito guarani da “Terra dos Bons Índios”, e usaram essas semelhanças para atrair os indígenas para a nova fé. A primeira batalha, travada contra os pajés e feiticeiros da antiga religião, foi vencida e, aos poucos, tribos inteiras foram atraídas para as reducciones. Esse nome vem do fato dos índios, que antes viviam espalhados em vastos territórios, agora se uniam para viver em territórios reduzidos, as vilas que se formavam ao redor de grandes igrejas.

As ruínas da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina

As ruínas da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina


Painel informativo na Missão jesuíta de San Ignacio Mini, na Argentina

Painel informativo na Missão jesuíta de San Ignacio Mini, na Argentina


Caciques traziam todos os seus comandados para viver nas reducciones, mas mantinham seu poder sobre eles. Os vários caciques formavam uma espécie de “colégio de notáveis” e, entre eles, escolhiam um líder que tinha o máximo poder político dentro daquela reducción. O poder era dividido com os outros caciques e também com os dois padres jesuítas que vivam em cada missão. Esses, além do poder político, tinham todo o poder espiritual. Enquanto um dos padres era o responsável pela vida religiosa, o outro se ocupava da educação. Crianças estudavam música, religião, guarani e espanhol desde cedo, além de ofícios de marcenaria e agricultura, entre outros. Adultos trabalhavam nas lavouras e construção de novos prédios. A jornada de trabalho era de 6 horas diárias, fixadas em lei, sempre em terras comunais. Com isso, sobrava tempo para se trabalhar em pequenas áreas próprias que os nativos possuíam, além de outras atividades, como a importante missa ao final da tarde.

Ruínas da igreja da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina

Ruínas da igreja da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina


Visitando as lindas ruínas jesuítas de San Ignacio Mini, na Argentina

Visitando as lindas ruínas jesuítas de San Ignacio Mini, na Argentina


Outra vantagem para os índios viverem nas reducciones era a segurança que isso propiciava, principalmente frente a índios de outras tribos e mesmo contra rivais guaranis. Em contrapartida, tantos indígenas vivendo num mesmo lugar e já “amansados” pelos jesuítas atraiu um novo perigo: a cobiça dos bandeirantes paulistas caçadores de escravos. Várias missões no atual território brasileiro foram destruídas por esses caçadores impiedosos que não se importavam com a altíssima taxa de mortalidade no transporte dos novos escravos até São Paulo, já que a “fonte” parecia que nunca iria secar. Os jesuítas levaram os indígenas para o outro lado do rio Uruguay, mas mesmo aí eles estavam ao alcance dos bandeirantes. Foi quando, em 1638, o jesuíta Antonio Montoya conseguiu que o Rei de Espanha permitisse que indígenas portassem armas de fogo. Um exército de guaranis foi formado e treinado pelos jesuítas e três anos mais tarde os bandeirantes foram fragorosamente derrotados pelos indígenas na batalha de Mboboré, perto de um morro com mesmo nome na província de Missiones, a oeste do rio Uruguay, na Argentina. A partir daí, o povo missioneiro gozou de relativa paz por mais de 120 anos e puderam, inclusive, se restabelecer na leste do rio Uruguay, no atual território brasileiro.

Para quem gosta de observar detalhes e gosta de arquitetura, a missão jesuíta de San Ignacio Mini, na Argentina, é imperdível!

Para quem gosta de observar detalhes e gosta de arquitetura, a missão jesuíta de San Ignacio Mini, na Argentina, é imperdível!


Para quem gosta de observar detalhes e gosta de arquitetura, a missão jesuíta de San Ignacio Mini, na Argentina, é imperdível!

Para quem gosta de observar detalhes e gosta de arquitetura, a missão jesuíta de San Ignacio Mini, na Argentina, é imperdível!


Esse período de paz e alta organização social trouxe grande prosperidade econômica ao povo missioneiro. A economia girava sem moedas, com base na troca de mercadorias, principalmente entre as reducciones que se especializavam em alguns tipos de produtos (por facilidade de clima ou hidrografia), mas também com cidades e vilas que existiam ao redor do território. Evidentemente, essa relativa pujança e estabilidade atraíam a inveja de muitos em relação àquele território que tinha um modo de vida próprio, livre de muitos impostos e que respondia diretamente ao rei.

Quadro mostra como era rezado o Padre Nosso na língua guarani (em San Ignacio Mini, na Argentina)

Quadro mostra como era rezado o Padre Nosso na língua guarani (em San Ignacio Mini, na Argentina)


Visitando as lindas ruínas jesuítas de San Ignacio Mini, na Argentina

Visitando as lindas ruínas jesuítas de San Ignacio Mini, na Argentina


A civilização missioneira começou a terminar em meados do séc. XVIII, quando Espanha e Portugal assinaram o Tratado de Madrid. Todo o território a leste do rio Uruguay seria entregue a Portugal e as Missões ali estabelecidas deveriam ser desmanteladas e suas populações transferidas para o lado ocidental do rio. Com uma canetada, a vida de mais de 20 guaranis que sempre foram fiéis a Espanha virava de cabeça para baixo. Muitos se recusaram e a repressão dos exércitos unificados de Portugal e Espanha foi violenta, destruindo os Sete Povos das Missões. Pouco tempo depois, toda a Ordem Jesuíta foi banida da Espanha e seu império colonial. Agora era a vez das reducciones do outro lado do Uruguay sofrerem. Seu controle foi passado para outras ordens religiosas e para administradores civis indicados por políticos locais. A desordem resultante foi enorme e, em duas décadas a população das missões caiu pela metade, assim como declinou sua atividade econômica e sua ordem social. Um período de instabilidade política se seguiu, época das guerras de libertação da América espanhola e portuguesa. Em 1820 as missões estavam abandonas e seus prédios começaram a se deteriorar. O tempo tratou de apagar os vestígios de uma civilização que, pouco tempo antes, parecia fadada à eternidade.

As ruínas da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina

As ruínas da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina


Iluminação torna as ruínas da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina, ainda mais belas e instigantes

Iluminação torna as ruínas da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina, ainda mais belas e instigantes


Foi apenas a partir da metade do século XX que o interesse histórico e turístico começou a revitalizar algumas das antigas reducciones. Algumas delas foram muito restauradas, para tentar mostrar ao visitante como eram no período de sua glória, como San Ignacio Mini, a mais famosa delas. Outras, como Santa Ana, ainda tem muito para ser descoberto, embora as edificações principais já estejam limpas da vegetação. E há outras como a de Loreto, em que o estado natural é mantido, de modo que o turista pode ter a real ideia do efeito do tempo em antigas obras humanas, assim como perceber como são as ruínas quando os arqueólogos as descobrem.

Nosso excelente guia nos explica sobre a Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina. A coluna é de madeira e tem 300 anos de idade!

Nosso excelente guia nos explica sobre a Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina. A coluna é de madeira e tem 300 anos de idade!


Com um mapa, nosso guia na Missão de Santa Ana nos dá uma verdadeira aula sobre a história das Missões Jesuítas (próximo à San Ignacio Mini, na Argentina)

Com um mapa, nosso guia na Missão de Santa Ana nos dá uma verdadeira aula sobre a história das Missões Jesuítas (próximo à San Ignacio Mini, na Argentina)


Nós, chegando à região já no final da tarde, devido ao atraso na balsa para atravessar o rio, seguimos diretamente para a Redicción de Santa Ana, mesmo antes de encontrarmos algum hotel para nos instalar. Não poderia ter sido melhor ideia! Chegamos no último momento de visitas e fomos recebidos pelo guia Yoyo, um dos melhores que conhecemos nesses 1000dias. Sua paixão e conhecimento pelo tema nos contaminou, enquanto nos mostrava as ruínas e nos ensinava sobre os diversos aspectos da vida dos índios e jesuítas que ali viviam. Aprendemos mais nessa uma hora do que em várias horas de pesquisas na internet. De repente, toda aquela história passou a fazer sentido, uma realidade estranha se tornou familiar, personagens ganharam vida. Foi mesmo muito legal!

O fim de tarde dá um clima ainda mais misterioso às ruínas da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina

O fim de tarde dá um clima ainda mais misterioso às ruínas da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina


Em belo fim de tarde, caminhando com nosso excelente guia nas ruínas da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina

Em belo fim de tarde, caminhando com nosso excelente guia nas ruínas da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina


A tarde foi dando lugar a noite, as sombras de árvores e antigas pilastras cresceram, a iluminação foi acesa e o ambiente se tornou ainda mais mágico. Eu diria até que fantasmagórico, principalmente quando visitamos o antigo cemitério, que continuou a ser usado mesmo depois do fim da reducción, até poucas décadas atrás. Não era mais apenas as paredes que pareciam falar de tempos passados, mas também as pessoas que ali viveram.

Hologramas criam verdadeiros fantasmas no excelente show de luzes e sons na missão de San Ignacio Mini, na Argentina

Hologramas criam verdadeiros fantasmas no excelente show de luzes e sons na missão de San Ignacio Mini, na Argentina


Hologramas criam verdadeiros fantasmas no excelente show de luzes e sons na missão de San Ignacio Mini, na Argentina

Hologramas criam verdadeiros fantasmas no excelente show de luzes e sons na missão de San Ignacio Mini, na Argentina


Bom, completamente imersos no mundo missioneiro, encontramos um hotel para nos instalar e seguimos para a Missão de San ignacio Mini, para assistir ao show de luzes e sons noturno. Outra vez, um espetáculo! Com certeza, faz valer a pena o preço mais alto que se paga para entrar nas Missões na Argentina. No show, caminhamos pela reducción com paradas em lugares estratégicos quando filmagens são projetadas em paredes de pedra, folhagens de árvores ou cortinas de água mostrando como era a vida nas Missões nos tempos de glória. Agora sim, as paredes falavam! Literalmente, e não como figura de linguagem! Foi como uma viagem no tempo, para 300 anos atrás.

Ruínas da missão de San Ignacio Mini iluminadas, durante show de luzes e sons, na Argentina

Ruínas da missão de San Ignacio Mini iluminadas, durante show de luzes e sons, na Argentina


Imagens são projetadas nas ruínas da missão de San Ignacio Mini, na Argentina, durante o ótimo show de sons e luzes

Imagens são projetadas nas ruínas da missão de San Ignacio Mini, na Argentina, durante o ótimo show de sons e luzes


No dia seguinte, pela manhã, voltamos às ruínas de San Ignacio Mini. Para quem gosta de arquitetura, é um show! Arquitetura barroca com tempero indígena, algo único no planeta, existe apenas por aqui, onde floresceram essas 30 Missões. E San Ignacio Mini é, talvez, o melhor exemplar de tudo isso. Além disso, diversos painéis explicativos se espalham pelas ruínas. Para nós, que havíamos estado ali na noite anterior, assistindo as paredes falando e os indígenas cantando, foi uma sensação meio estranha, quase fúnebre, ouvir aquele silêncio todo. Estávamos quase de ressaca...

San Ignacio Mini, a mais bem conservada e restaurada missão jesuíta na Argentina

San Ignacio Mini, a mais bem conservada e restaurada missão jesuíta na Argentina


Uma das muitas e vistosas portas das ruínas de San Ignacio Mini, na Argentina

Uma das muitas e vistosas portas das ruínas de San Ignacio Mini, na Argentina


Por fim, era hora de seguirmos viagem, começar nosso longo caminho rumo ao oeste, aos Andes e Oceano Pacífico. Mas antes, uma última parada na Missão de Loreto, não muito longe dali. Loreto, ao contrário das Missões que havíamos conhecido, ainda está sob a vegetação, grande árvores, raízes, moitas e arbustos. Está como estiveram as outras Missões anos ou décadas atrás. É uma amostra da natureza recuperando seu espaço. Para nós, que passamos na América Central, é um forte reminiscente de várias das ruínas maias que conhecemos por lá. A diferença é que a aqui a vegetação cobre igrejas e casas, enquanto lá está sobre pirâmides e templos.

Lendo um dos muitos painéis informativos espalhados pelas ruínas de San Ignacio Mini, na Argentina

Lendo um dos muitos painéis informativos espalhados pelas ruínas de San Ignacio Mini, na Argentina


Caminhando pelas ruínas de San Ignacio Mini, na Argentina

Caminhando pelas ruínas de San Ignacio Mini, na Argentina


O interessante é conhecer essa antiga Missão depois de já ter visto outras, restauradas. Assim, já sabemos sobre o que estamos pisando: a praça central, as alamedas, a casa dos padres, dos caciques, a antiga horta e lavoura, a igreja. Se não tivéssemos visto isso tudo de pé ou bem delineado nas outras missões, nossa imaginação leiga dificilmente vislumbraria a grande vila que isso já foi. Mas agora, com os olhos treinados e orientados pelo guia que nos acompanha, aquelas pedras desarrumadas sufocadas pela vegetação fazem sentido, tem uma lógica. Aqui, não são os antigos sons que ainda ecoam. Não! São os sons de hoje mesmo, grilos e cigarras, folhas que caem e galhos que estalam sob nossos pés. O presente sobrepujou o passado. Prova inconteste da nossa efemeridade.. Loreto é uma visita imperdível, mas depois de se conhecer San Ignacio Mini e Santa Ana.

A mata cobre boa parte da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina

A mata cobre boa parte da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina


As ruínas da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina

As ruínas da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina



P.S Infelizmente, todas as nossas fotos de Loreto se perderam. Não no tempo, como a própria Missão, mas no espaço mesmo. Estavam na máquina que nos foi roubada no Chile, pouco tempo depois. Felizmente, não conseguiram roubar nossas memórias...

Iluminação torna as ruínas da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina, ainda mais belas e instigantes

Iluminação torna as ruínas da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina, ainda mais belas e instigantes

Argentina, San Ignacio Mini, Arquitetura, história

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Monte Albán, Zapotecas e a Tragédia dos Códices

México, Zipolite, Oaxaca

Visão geral de Monte Albán, ruínas zapotecas ao lado de Oaxaca, no México

Visão geral de Monte Albán, ruínas zapotecas ao lado de Oaxaca, no México


Bem perto de Oaxaca estão as ruínas de Monte Albán, uma cidade que prosperou por quase oito séculos, durante o primeiro milênio da nossa era. Mas, diferentemente das outras ruínas que vimos até agora, essa não era uma cidade da maya, mas de outro povo que viveu na mesma época, os zapotecas.

Ruínas da cidade zapoteca de Monte Albán, ao lado de Oaxaca, no México

Ruínas da cidade zapoteca de Monte Albán, ao lado de Oaxaca, no México


Bem menos conhecidos do que mayas, astecas, olmecas ou toltecas, os zapotecas tem um grande trunfo em seu favor: foram eles, provavelmente, o primeiro povo da antiga América a desenvolver um tipo de escrita, o que certamente influenciou todos aqueles que viveram em sua época e depois.

Ruínas da cidade zapoteca de Monte Albán, ao lado de Oaxaca, no México

Ruínas da cidade zapoteca de Monte Albán, ao lado de Oaxaca, no México


Monte Albán foi uma enorme cidade, uma das maiores da sua época. No auge, chegou a ter 20 mil habitantes. Ali, como nas cidades mayas, também se praticavam sacrifícios humanos em pequena escala, construíam-se pirâmides e templos e jogava-se o famoso “juego de pelota”, usado desde divertimento até para resolver pendências políticas e comerciais.

Em plena praça central de Monte Albán, cidade zapoteca de 1.500 anos atrás (ao lado de Oaxaca, no México)

Em plena praça central de Monte Albán, cidade zapoteca de 1.500 anos atrás (ao lado de Oaxaca, no México)


Falando em comércio, esse era um povo bastante comercial e suas rotas iam da América Central ao norte do México. Tinham uma relação especial com a maior cidade da época, a mítica Teotihuacan, a chamada Cidade dos Deuses. Escavações mostraram que até havia uma espécie de “bairro” zapoteca nesta grande cidade, onde viviam os emigrados de Monte Albán, provavelmente para fins comerciais. Da mesma maneira, também parecia haver construções teotihuacanas em Monte Albán, o que mostra o forte intercâmbio das duas cidades.

Os 'danzantes', os painéis mais famosos de Monte Albán, ao lado de Oaxaca, no México

Os "danzantes", os painéis mais famosos de Monte Albán, ao lado de Oaxaca, no México


Outra semelhança com as cidades mayas é que monte Albán também foi abandonada em meados do séc. X. Mas, diferente daquelas, a vegetação não retomou o que era seu, até porque não há florestas úmidas na região. Ao contrário, alguns séculos depois os seus templos até foram utilizados para novos enterros, agora de dignitários mixtecas, os novos senhores da região. Isso demonstra o respeito que aquelas antigas ruínas ainda impunham aos novos habitantes, mesmo aqueles vindos de longe, como era o caso dos mixtecas.

Pausa para descanso no alto das escadarias de um dos templos da cidade zapoteca de Monte Albán, ao lado de Oaxaca, no México

Pausa para descanso no alto das escadarias de um dos templos da cidade zapoteca de Monte Albán, ao lado de Oaxaca, no México


Monte Albán tem outra grande importância. Aqui foram encontrados boa parte dos códices que sobreviveram a sanha destrutiva espanhola. Os códices eram uma espécie de manual com normas e histórias escritas pelos povos pré-colombianos, a maioria deles em peles de animais, principalmente do veado. Uma riqueza infinita de informações sobre como viviam essas antigas culturas. Pois os espanhóis achavam que esses tesouros cheio de estranhos desenhos que eles nada compreendiam eram obra do demônio e simplesmente os queimavam. E assim, boa parte da cultura mesoamericana se perdeu para sempre, nas estúpidas chamas ibéricas. Os códices astecas, por exemplo, foram quase todos perdidos (ou destruídos!). Mas aqui em monte Albán eles permaneceram secretos, escondidos e quando foram redescobertos, felizmente o bom senso já prevalecia novamente. Ontem, na visita ao excelente museu da cultura de Oaxaca pudemos observar alguns maravilhosos exemplares ou suas cópias.

Quadro informativo trilíngue (espanhol, zapoteca e inglês) sobre os juegos de pelota no mundo zapoteca (em Monte Albán, ao lado de Oaxaca, no México)

Quadro informativo trilíngue (espanhol, zapoteca e inglês) sobre os juegos de pelota no mundo zapoteca (em Monte Albán, ao lado de Oaxaca, no México)


Além do passeio pelas ruínas, ainda aproveitamos a belíssima vista que se tem de lá de todo o vale onde está a cidade de Oaxaca. Tinham bom gosto, esses zapotecas! E daqui, controlavam com mais tranquilidade suas rotas comerciais, seus campos de agricultura e sua própria cidade do ataque de inimigos. A mesma vista que eu e a Ana tivemos da cafeteria do museu do sítio arqueológico. Só essa vista já valeria a visita. Se ainda considerarmos o ótimo museu e as ruínas dos templos e de uma das mais bem conservadas canchas de juego de pelota, esse é um lugar imperdível!

Um 'estádio' da época, usado para os famosos 'juegos de pelota' pré-colombianos, em Monte Albán, ao lado de Oaxaca, no México

Um "estádio" da época, usado para os famosos "juegos de pelota" pré-colombianos, em Monte Albán, ao lado de Oaxaca, no México


Por fim, muito interessante também poder comparar as ruínas que foram restauradas (sempre usando o material da própria ruína) com aquelas que não foram, um monte de pedras em forma de pirâmide e cobertas pela vegetação. Aí sim podemos ver o trabalho dos arqueólogos...

Templo zapoteca antes do processo de restauração, em Monte Albán, ao lado de Oaxaca, no México

Templo zapoteca antes do processo de restauração, em Monte Albán, ao lado de Oaxaca, no México


Daqui seguimos diretamente para o litoral do estado de Oaxaca, na costa do Pacífico. A primeira parada foi na maravilhosa e tranquila Zipolite, para muitos a melhor praia do México. Chegamos de noite e estamos loucos para o dia chegar! Desde El Salvador que não vemos praia e depois do frescor de Chiapas e Oaxaca, um pouco de sol e calor vai fazer vem!

Cafeteria com vista privilegiada no museu de Monte Albán, ao lado de Oaxaca, no México

Cafeteria com vista privilegiada no museu de Monte Albán, ao lado de Oaxaca, no México

México, Zipolite, Oaxaca, arqueologia, Monte Albán, Ruínas, zapotecas

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Reencontro, Molokini e a Big Beach

Hawaii, Maui-Kihei

A praia de Big Beach, ao sul de Kihei, litoral de Maui, no Havaí

A praia de Big Beach, ao sul de Kihei, litoral de Maui, no Havaí


Começamos hoje mais uma temporada de viagens com nossos assíduos “visitadores”, o Rafa e a Laura. Parece até que Cuba foi ontem e Galápagos anteontem. Aparentemente, eles gostam de ilhas, hehehe. Agora serão dez dias pelas ilhas havaianas de Maui, Kauai e Oahu na sempre agradável companhia de nossos padrinhos. E ainda temos o bônus da Laura estar se tornando, cada vez mais, uma fotógrafa profissional. Assim, passamos a ver nossa viagem sob os olhos e lentes de uma outra pessoa, o que sempre é curioso.

Voltando do ótimo mergulho na cratera semi-submersa de Molokini, na costa de Maui, no Havaí

Voltando do ótimo mergulho na cratera semi-submersa de Molokini, na costa de Maui, no Havaí


E os “pobresitos” nem tiveram tempo de descansar. Ainda estava escuro e já estávamos os quatro de pé, rumo à marina de onde sairia nosso barco para a ilha de Molokini. Esse é o melhor ponto de mergulho em Maui e dez entre dez operadoras levam seus clientes para lá. Exatamente por isso estávamos madrugando. A nossa operadora gosta de ser a primeira a chegar lá, ainda com o sol nascendo, para podermos fazer, ao menos o primeiro mergulho, a sós.

A cratera semi-submersa de Molokini, na costa de Maui, no Havaí

A cratera semi-submersa de Molokini, na costa de Maui, no Havaí


Ainda de madrugada, embarcando para mergulhar em Molokini, na costa de Maui, no Havaí

Ainda de madrugada, embarcando para mergulhar em Molokini, na costa de Maui, no Havaí


Dito e feito, os primeiros raios de sol começaram a aparecer e estávamos navegando, já devidamente vestidos e prontos para cair embaixo d’água. A pequena ilha de Molokini é uma cratera vulcânica semi-submersa. Passando de avião sobre ela, quando chegamos à Maui, foi possível ver com perfeição sua forma circular. As últimas erupções vulcânicas ali acorridas foram há mais de 200 mil anos mas, bem mais recentemente, outro tipo de explosão era bem comum por lá. Isso porque, durante a 2ª Guerra Mundial, os americanos a transformaram num local de prática de tiros. Pior, na década de 70, resolveram explodir toda a munição encontrada por lá, sob as águas, remanescentes desse “treino” de 30 anos antes. O estouro resultante destruiu uma enorme área de corais e a reação pública foi grande. O lado bom da história é que, com a controvérsia, toda a área foi transformada em um parque marinho. Para a alegria dos mergulhadores, já que a visibilidade em Molokini raramente cai abaixo dos 30 metros, estando muitas vezes perto dos 50 metros.

Chegando à cratera semi-submersa de Molokini, na costa de Maui, no Havaí

Chegando à cratera semi-submersa de Molokini, na costa de Maui, no Havaí


Início de mergulho em Molokini, na costa de Maui, no Havaí

Início de mergulho em Molokini, na costa de Maui, no Havaí


Os dois mergulhos foram ótimos, principalmente o primeiro, quando ainda éramos o único barco por lá e os seres marinhos ainda não tinham se assustado com tanto movimento. Vimos centenas de peixes, um polvo (adoro ver polvo embaixo d’água”), barracudas e vários tubarões de Galápagos. No segundo mergulho, já com vários outros grupos mergulhando por perto, os peixes maiores sumiram e a diversão maior foi com os pequenos mesmo, além das formações de corais. O único porém do programa foi que nossa máquina subaquática pifou logo no início do primeiro mergulhos. Temos filmes, mas a edição ainda vai demorar. Enquanto isso, as belas imagens subaquáticas de Molokini vão ficar só na nossa memória, mesmo. Só posso dizer que, para quem gosta de mergulhar e vem à Maui, é um programa imperdível.

Momentos antes da nossa câmera pifar de vez, durante mergulho em Molokini, na costa de Maui, no Havaí. As cores já estão distorcidas...

Momentos antes da nossa câmera pifar de vez, durante mergulho em Molokini, na costa de Maui, no Havaí. As cores já estão distorcidas...


De volta à terra firme, fomos conhecer o litoral ao sul de Kihei. Eu e a Ana já tínhamos ido até a Big Beach, mas a estrada segue mais ao sul, até um local chamado La Perouse Bay. É um bom local para se praticar snorkel e tentar ver golfinhos. Para seguir adiante, só à pé, pois a estrada termina. A trilha segue sobre um enorme campo de lavas endurecidas, prova que o passado vulcânico de Maui não é tão distante assim.

Um delicioso fim de tarde na praia de Big Beach, ao sul de Kihei, litoral de Maui, no Havaí

Um delicioso fim de tarde na praia de Big Beach, ao sul de Kihei, litoral de Maui, no Havaí


Fim de tarde despreocupado na Big Beach, ao sul de Kihei, litoral de Maui, no Havaí

Fim de tarde despreocupado na Big Beach, ao sul de Kihei, litoral de Maui, no Havaí


A gente, depois da correria dos últimos dias, achamos melhor sossegar um pouco o facho. Como snorkel após o mergulho da manhã não nos sensibilizou, voltamos para a Big Beach e aí passamos a tarde. Nossos corpos combalidos estavam merecendo o descanso!

Botando a conversa em dia, depois dez meses sem se ver (na Big Beach, em South Kihei, em Maui, no Havaí - foto de Laura Schunemann)

Botando a conversa em dia, depois dez meses sem se ver (na Big Beach, em South Kihei, em Maui, no Havaí - foto de Laura Schunemann)


Voltando da Little Beach para a Big Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí

Voltando da Little Beach para a Big Beach, ao sul de Kihei, em Maui, no Havaí


A Ana ainda foi levar o Rafa e a Laura para conhecer a Little Beach, do outro lado da encosta. Eu preferi ficar esperando, só observando os surfistas darem seu show na praia. Na verdade, as ondas nem estavam tão propícias assim ao esporte, mas pareciam ótimas para aqueles que vem correndo pela areia e jogam suas pranchas na onda que retorna ao mar. Ali, eles encontram uma outra onda que vem e é nessa que fazem suas manobras. São craques nisso!

Surfistas dão show na Big Beach, em South Kihei, em Maui, no Havaí (foto de Laura Schunemann)

Surfistas dão show na Big Beach, em South Kihei, em Maui, no Havaí (foto de Laura Schunemann)


Feliz da vida nana Big Beach, em South Kihei, em Maui, no Havaí. Quem não estaria? (foto de Laura Schunemann)

Feliz da vida nana Big Beach, em South Kihei, em Maui, no Havaí. Quem não estaria? (foto de Laura Schunemann)


Os três voltaram da Little Beach e ficamos ali, jogando conversa fora, fotografando, botando assuntos em dia e esperando o entardecer. Por fim, voltamos ao hotel e resolvemos celebrar o reencontro num belo jantar num restaurante mais invocado, ali ao lado. Foi um investimento, mas certamente valeu a pena. Três de nós optamos por um salmão que estava uma delícia, vindo diretamente do Alaska. Engraçado que, agora, quando ouço que vem do Alaska, tenho um sentimento quase patriótico, como se aquele estado também já fosse meu. Pois é, aos poucos, roda a América vai parecendo a nossa casa. Sinal de que a viagem está funcionando!

Delicioso jantar em Kihei, em Maui, no Havaí

Delicioso jantar em Kihei, em Maui, no Havaí

Hawaii, Maui-Kihei, Big Beach, Maui, Mergulho, Molokini, Praia

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Aspen

Estados Unidos, Colorado, Aspen

De bondinho, atravessando as montanhas nevadas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

De bondinho, atravessando as montanhas nevadas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Foi a exploração de prata, na época ainda em terras indígenas, que trouxe fama à Aspen pela primeira vez. Estávamos nas últimas décadas do século XIX, o nome veio da árvore também chamada de “Aspen”, tão comum na região e os indígenas, esses não tiveram como fazer frente a tantos novos migrantes em busca do metal prateado.

Cena comum nas ruas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Cena comum nas ruas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Pois é, tantos migrantes assim acabaram transformando a cidade no maior produtor de prata dos Estados Unidos. Mas, até por isso, também foi a cidade aquela que mais sofreu com o Grande Pânico de 1893, um colapso das bolsas e derrocada do preço das commodities. O governo americano parou de comprar o metal e a cidade foi à bancarrota, voltando à sua vida de insignificância, a população migrando para novas terras de oportunidade e chegando a meros 700 habitantes.

Cena típica nas ruas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Cena típica nas ruas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Aspen teve de esperar meio século para começar a se movimentar novamente. O responsável por isso foram os japoneses que, com seu ataque à Pearl Harbor, trouxeram os Estados Unidos à guerra. O país escolheu Aspen como campo de treinamento de seus soldados em táticas de combate em montanhas e áreas nevadas. Eram milhares de soldados esquiando para lá e para cá, com seus rifles nas costas.

Centenas de esquiadores disputam as pistas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Centenas de esquiadores disputam as pistas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Terminada a guerra, alguns deles, mais empreendedores, voltaram à região para desenvolver a indústria desse esporte. Afinal, já sabiam o quão bom era esquiar por lá. Infraestrutura foi construída, grandes hotéis e resorts erguidos e Aspen se transformou no que é: o mais famoso e badalado centro de esqui da América do Norte, local preferido de milionários e estrelas durante a temporada de inverno nos Estados Unidos.

Preparando-se para descer de snow board as montanhas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Preparando-se para descer de snow board as montanhas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Hoje, ela é a cidade com o metro quadrado mais caro do país. São cerca de 7 mil moradores, população que se multiplica algumas vezes durante os meses de inverno, hotéis abarrotados, na cidade e redondezas, centenas ou milhares de esquiadores disputando espaço nas excelentes pistas de esqui que cercam a cidade e suas montanhas.

subindo de bondinho as montanhas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

subindo de bondinho as montanhas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Bondinhos trazem esquiadores e equis para o alto da montanha, em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Bondinhos trazem esquiadores e equis para o alto da montanha, em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Fomos ver um pouquinho disso hoje. Aproveitamos o feriado do primeiro dia do ano para poder deixar a Fiona estacionada de graça em uma das praças da cidade e fomos caminhar nas ruas brancas de neve. Já tínhamos visto de noite, mas de dia é diferente, belezas distintas e igualmente atrativas. A cada esquina, um grupo de crianças, adolescentes, adultos ou idosos carregando seus esquis. É a cena mais típica dessa cidade cheia de bons restaurantes e lojas de marca.

No alto das montanhas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos, a mais de 3 mil metros de altitude

No alto das montanhas de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos, a mais de 3 mil metros de altitude


Bate´papo animado antes da longa descida de esqui até a cidade de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Bate´papo animado antes da longa descida de esqui até a cidade de Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Depois da caminhada, fomos dar uma olhada na principal atração da cidade: as pistas de esqui, claro! Um longo teleférico nos leva até o alto da montanha, mil metros acima da Aspen, a 3.400 metros de altitude. Do alto dos bondinhos, algumas dezenas de metros sobre as montanhas, podíamos observar as dezenas de esquiadores e praticantes de snow board se divertindo lá embaixo, deslizando sobre a neve com destreza e evitando a colusão entre si. Aliás, isso foi o que mais impressionou: a classe com que, com tantas pessoas na pista, todos em grandes velocidades, como eles não se chocam! Para mim, a cada momento, parecia que eu iria presenciar uma colisão. Que nada! Estão todos sincronizados!

No alto da montanha, em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

No alto da montanha, em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


As crianças já nascem esquiando em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

As crianças já nascem esquiando em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Chegamos ao topo da montanha, tiramos nossas fotos da magnífica e inspiradora paisagem e nos divertimos com os esquiadores de todas as idades se preparando para descer. Passam o dia fazendo isso, bondinho para cima e esquis para baixo. Sorriso no rosto, destreza no equilíbrio. Pela cara deles, deve ser muito gostoso. Tão bom como o surfe, a julgar pelo afinco e felicidade demonstrados. Fiquei com a impressão de que a vida ideal seria surfar toda a metade quente do ano, para depois esquiar os outros seis meses. Será que tem muita gente que vive assim?

O concorrido restaurante no alto da montanha em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

O concorrido restaurante no alto da montanha em Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Bom, a gente que mal pode se equilibrar encima de uma prancha ou sobre patins, só podemos imaginar e, num dia como esses, sentir aquela ponta de inveja. A vontade que dá é subir numa daquelas pranchas de snow board e sair descendo, na esperança de que iremos saber como fazer. Infelizmente, não é tão fácil assim. É preciso tempo e dinheiro, coisas que estão meio em falta por aqui. Enfim, quem sabe até o final da viagem não conseguimos parar em um lugar mais barato, mas com muita neve também, para nos iniciarmos nessa arte? Se não for nessa viagem, que seja em outra. Se não for nesse vida, que seja em outra. Afinal, não me parece justo que minha alma ou espírito cruze a eternidade sem ter esquiado algumas vezes. Parece tão fácil...

Chegando de volta à Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Chegando de volta à Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos


Bom, enquanto não esquiamos, pelo menos podemos frequentar as montanhas e restaurantes onde estão os esquiadores. E assim fizemos, um belo almoço de fastfood lá encima, bem no meio da muvuca, só para já ir entrando no clima. Depois, caminho para baixo, de bondinho (infelizmente!), prontos para seguir viagem pelo Colorado. Não sem antes uma boa noite de sono e sonhos. Sonhando... adivinha o quê?

Admirando a beleza das montanhas que circundam Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Admirando a beleza das montanhas que circundam Aspen, no Colorado, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Colorado, Aspen, esqui, história

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Viajando para Puno

Peru, Puno

Viagem entre Cusco e Puno, no Peru

Viagem entre Cusco e Puno, no Peru


Deixamos a cidade de Cusco na manhã de ontem rumo ao sul, à cidade de Puno. São cerca de 400 quilômetros de estrada asfaltada e sem muito movimento, cruzando as belezas do altiplano peruano. Puno fica na beira do lago Titicaca, já bem próxima da fronteira com a Bolívia, o próximo destino da nossa expedição pelas Américas.


São quase 400 quilômetros entre Cusco (A) e Puno (B), cruzando o sul do país e chegando às margens do mais alto lago navegável do mundo, o Titicaca, que fica na fronteira entre Peru e Bolívia

Sem dúvida, o trecho mais bonito da viagem é no ponto mais alto da estrada, bem na fronteira dos departamentos de Cusco e Puno. Aí, estamos a mais de 4.300 metros de altitude, a atmosfera é sempre limpa e podemos ver ao longe vários dos picos andinos. Entre as montanhas, no terreno chamado de puna (áreas planas a grande altitude), sempre podemos observar grandes rebanhos de lhamas e alpacas, o que dá um ar mais campestre àquela paisagem. A partir daí, começa uma longa e suave descida até às margens do Titicaca, o mais alto lago navegável do mundo, a 3.800 metros de altitude.

A magnífica paisagem do ponto mais alto na estrada entre Cusco e Puno, no Peru, a mais de 4.300 metros de altitude

A magnífica paisagem do ponto mais alto na estrada entre Cusco e Puno, no Peru, a mais de 4.300 metros de altitude


A magnífica paisagem do ponto mais alto na estrada entre Cusco e Puno, no Peru, a mais de 4.300 metros de altitude

A magnífica paisagem do ponto mais alto na estrada entre Cusco e Puno, no Peru, a mais de 4.300 metros de altitude


Antes de chegarmos à Puno, ainda passamos por Juliaca, a outra grande cidade da região. Sem atrativos turísticos, os turistas passam por aqui por ser ela um importante entroncamento ferroviário, com linhas para Cusco, Puno e Arequipa. Há 23 anos, quando viajei de trem entre Cusco e Arequipa, passamos uns bons 40 minutos por aqui, dentro do nosso vagão, chacoalhando a cada encaixe e desencaixe, enquanto locomotivas desmontavam e remontavam suas composições, alguns vagões seguindo para Puno e outros para Arequipa. Na época, era muito recomendado que não descêssemos dos vagões e que, se descêssemos, que não dos afastássemos muito, pelo perigo de assalto. Mal iluminada naquela hora da noite, foi mesmo uma aventura seguir até uma lojinha ali do lado, para comprar algo para comer. Agora, tanto tempo depois, dentro da nossa confortável Fiona, ela continua me parecendo caótica, mas mais segura também. Boa parte das avenidas está em obras, cartazes anunciando uma Juliaca mais limpa no futuro. Aí, só vai faltar encontrar (ou construir!) algumas atrações turísticas para que os turistas comecem a frequentar...

Atravessando Juliaca, a caminho de Puno, no Peru

Atravessando Juliaca, a caminho de Puno, no Peru


Quem sabe, no futuro, Juliaca, no Peru, fique uma cidade mais agradável aos olhos dos turistas...

Quem sabe, no futuro, Juliaca, no Peru, fique uma cidade mais agradável aos olhos dos turistas...


Não seria uma má ideia, pois dezenas de milhares deles passam por aqui, no seu caminho entre Cusco e Puno, a primeira e a quarta cidades mais visitadas do país (entre elas, estão Lima e Arequipa). E era justamente para Puno que estávamos indo. Cidade construída pelos espanhóis no início da colonização, é o principal ponto de parada para aqueles que viajam entre Bolívia e Peru. É uma cidade com pouco mais de 100 mil habitantes e possui um centro histórico bem simpático, com uma movimentada rua repleta de bons restaurantes e turistas perambulando.

A Plaza de Armas de Puno, no Peru

A Plaza de Armas de Puno, no Peru


Mas a principal atração da cidade não são suas antigas praças ou igrejas, mas o enorme lago no seu quintal. E a melhor forma de conhecer o Titicaca é visitando suas ilhas, Algumas, inclusive, não são ilhas “normais”, topos de pequenas montanhas que se elevam sobre o nível da água. Não, na verdade, são ilhas flutuantes (ou “Islas Flotantes”, em espanhol), grandes jangadas onde vivem dezenas de famílias.

A Plaza de Armas de Puno, no Peru

A Plaza de Armas de Puno, no Peru


Nós chegamos à Puno na noite de ontem e achamos um hotel quase do lado do Parque Pino, uma das praças centrais da cidade. Hoje tivemos um dia bem tranquilo, caminhando pelo centro, tirando fotos das igrejas e praças e buscando informações sobre passeios. Decidimos visitar primeiro as tais Islas Flotantes, amanhã, e, no dia seguinte, seguirmos para as ilhas mais distantes, Amantani e Taquile. De lá retornamos à Puno para seguir viagem à Copacabana, também na beira do Titicaca, mas já na Bolívia. Dali podermos conhecer mais uma ilha, a famosa Isla del Sol. Assim, com tantos passeios pelo lago, acho que vai dar para darmos uma boa olhada no Titicaca.

A Catedral de Puno, no Peru

A Catedral de Puno, no Peru

Peru, Puno, Juliaca, Titicaca

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