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Arquitetura Bichos cachoeira Caverna cidade Estrada história Lago Mergulho Montanha Parque Patagônia Praia trilha vulcão
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Lina (31/05)
Hi Ro e Ana Greetings from London... Here with our parents very much en...
Luis (31/05)
Rodrigo, pelo trajeto que estimo, vcs irão passar no PN das Emas. É iss...
Luis (31/05)
Eu falei que vcs iam gostar! São Mateus tem um dos maiores conjuntos de ...
Luis (31/05)
A casinha perdeu o charme! Lembro-me de pegar o colchão e colocá-lo no ...
Gustavo Mayer (31/05)
Grande casal aventureriro !!! Que espetáculo este lugar né!! Estas cave...
Condições ideais para a prática de kitesurf em Cumbuco - CE
Deixamos Fortaleza rumo ao oeste. Já passava do meio dia e, portanto, bastava seguir o sol, que foi nos mostrando praias cada vez mais belas, paisagens típicas desse pedaço do Ceará. A primeira, ainda dentro da grande Fortaleza, foi a Barra do Ceará. Mesmo vista apenas da estrada, pareceu paradisíaca, bem no encontro do rio com o mar. Fiquei impressionando dela não ter aparecido como indicação em nenhum dos nossos guias.
Aliás, esses guias muitas vezes ajudam. Mas, outras vezes, comem bolas incríveis! No Rio Grande do Norte, por exemplo, nem uma palavra sobre a região de Martins, a área de serra do estado. Lá está uma das maiores cavernas brasileiras, a Casas de Pedra. A gente só foi descobrir quando já tínhamos passado da região. Ficamos com uma raiva! Ficamos vendo aquela serra lá longe, no horizonte, e eu pensava: "Pô, tem de ter muita coisa por lá..." Quando descobrimos, já era tarde demais. Metade da droga do Guia Brasil fala de Rio e de São Paulo. Aí, não sobra muita coisa para o resto. Quem quer saber tanta coisa do Rio e Sâo Paulo não vai comprar o Guia Brasil; compra logo o Guia Rio ou Guia SP. O outro guia que temos, Lonely Planet, é muito bem escrito, em inglês. Mas só fala dos lugares mais conhecidos. Enfim, vamos falar de coisas boas...
Muito sol e vento em Cumbuco - CE
Da linda Barra do Ceará, seguimos para Cumbuco. A única chateação é despistar os rapazes que ficam na entrada da cidade tentando, à todo custo, nos fisgar e nos levar para suas barracas. Depois que passamos por eles, temos aquela linda praia para curtir. O local não poderia ser mais perfeito para a prática de Kite Surf, principalmente nesta época do ano. Muito sol, vento constante, lagoas com águas tranquilas para os iniciantes e o mar ondulado para quem já sabe surfar. São várias escolas e hoje, dezenas de praticantes. Alguns, muito bons mesmo. Fazem parecer fácil! Deslizam para lá e para cá, fazem manobras, voam, passam pertinho uns dos outros, vem até a praia no meio de banhistas, tudo isso como se estivessem atravessando uma rua.
Condições ideais para a prática de kitesurf em Cumbuco - CE
A gente até animou de fazer o curso. A Ana foi checar os preços, para ter uma idéia. Quem sabe em Jeri, onde vamos passar alguns dias? Seria tão bom já nascer sabendo! Vendo os caras bons, parece que é só montar e sair deslizando. Ouço que é bem mais complicado que isso. Vamos ver...
Jangada disputa espaço com kitesurf em Cumbuco - CE
Almoçamos por lá, dividindo nosso tempo entre nos defender das moscas e admirando os kite surfistas. Aliás, de longe, indo para lá e para cá, eles até me lembraram as moscas que teimavam em atacar o nosso peixe. Pelo menos, não fazem o barulho dos jet skies, esses sim, insuportáveis. Difícil foi ver algum wind surf. Com o aparecimento do kite, o wind praticamente acabou. Até vimos um, mas ao compará-lo com a performance do kite, realmente parecia algo do século passado. Outra coisa perdida no meio do enxame de kite surfistas era uma jangada. Ela, que já foi a rainha soberana desses mares, hoje parece um peixe fora d'água. Uma pena...
Fim de tarde na praia da Lagoinha - CE
Deixamos Cumbuco para trás e viemos para a Lagoinha. Nossa... que praia! Absolutamente magnífica! Aqui não venta tanto, tornando a praia muito mais agradável para banhistas. Além disso, é ótima para se caminhar. Chegamos no final da tarde e tivemos um dos mais belos fins de tarde da viagem. Cores incríveis no céu, praia quase deserta. Pena que estávamos sem a máquina, pois tínhamos ido correr pela praia. Amanhã tiramos fotos, mas não sairão belas como hoje, infelizmente. A única coisa triste é o enorme hotel que estão construindo, praticamente na beira do mar. Um monstro. Não tem absolutamente nada a ver com a paisagem. Mas, como dizem por aí, "money talks"... Vai trazer muitos turistas para cá, gente com dinheiro. Vai gerar empregos, criar serviços, trazer desenvolvimento. Adeus, Lagoinha de antigamente. Veremos como fica a nova...
Fim de tarde na praia da Lagoinha - CE
Mais um dia de transferência, de aeroportos, de mudança de país. Coisa chata. Não vejo a hora de viajar na Fiona e passar longe dos aeroportos e suas burocracias. Aí, acho que vai ser chato a hora de passar as fronteiras. Mas, deixo para falar disso quando chegar a hora (e vai demorar!). Vou falar agora de um típico dia de transferência nesta fase da viagem, em que estamos de avião.
Nosso vôo era entre San Juan e Charlotte Amalie, capital das Ilhas Virgens Americanas, saindo às 10:15. Vôo doméstico, tudo dentro do commonwealth americano (quem sabia que existia isso?). Saímos às 07:15 de Fajardo, enfrentando a primeira grande chuva da nossa viagem que já está no dia 35. Uma hora depois estávamos devolvendo nosso carro em Isla Verde, bem perto do aeroporto. O pessoal da locadora nos levou até lá. No balcão da American Eagle, a grata surpresa: para vôos domésticos, a primeira mala custa 25 dólares e a segunda (nossa caixa de mergulho, uma verdadeira e literal mala sem alça!) custa 35 dólares. Assim, juntando eu e a Ana, lá se foram 120 dólares num vôo de menos de 40 min. Sensação de dinheiro jogado fora. Que saudade da Fiona.
Bom, por causa da chuva e de uma misteriosa flight attendant que não aparecia, passamos algum tempo empatados no aeroporto. Finalmente embarcamos, de maneira meio rústica, cada passageiro recebendo um guarda-chuva para atravessar a pista do aeroporto. Quem não recebeu guarda-chuva foram as malas que chegaram encharcadas no destino final. Nossas mochilas inclusive. E parte das roupas dentro delas.
Chegando em Charlotte, táxi até o porto. Custo extra para nós, carregando mochilas e caixas. Quarenta dólares por dez quilômetros numa van com mais 6 pessoas.. Aí, ferry até St. John, outra ilha do país (ver post seguinte!). Seis dólares por pessoa mais 2,5 dólares por volume (portanto, cinco para mim e cinco para a Ana). Finalmente, chegando em St. John, mais um táxi compartido até nosso hotel. E lá se vão mais 16 dólares. Eram duas da tarde. Em pouco menos de 7 horas tínhamos deixado nosso hotel em Fajardo e chegado no nosso destino, um carro, um avião, dois aeroportos, dois táxis e um ferry depois. De um país para outro. Na verdade, nenhum dos dois são países; tudo parte do commonwealth americano, vôo doméstico, taxas para bagagem. Melhor dizer, de uma ilha para outra. Ou, ainda mais corretamente, de uma ilha para outra para outra.
Depois, o alívio de estar muito bem instalados novamente, leves para caminhar, a bagagem no quarto do hotel. E um novo lugar para explorar, novas pessoas para conhecer, novas paisagens para ver, uma nova cultura para vivenciar. É... pode dar trabalho, mas vale a pena!
A enorme praça central de Villa de Leyva, na Colômbia
Para quem nunca tinha ouvido falar de Villa de Leyva até um mês atrás, confesso que fiquei impressionado com essa pequena e charmosa cidade colonial e com seus arredores. Bendito encontro com pessoal do The Hall Effect em Cali que nos fez mudar de trajeto aqui na Colômbia, incluindo no nosso caminho esse lugar incrível.
Nosso hotel em Villa de Leyva, na Colômbia
Caminhando pela cidade histórica de Villa de Leyva, na Colômbia
Dormimos muito bem no nosso quarto de pé direito bem alto na mansão do século XVIII transformada em hotel. A programação do dia começou com um passeio à pé pelas ruas de pedra da cidade, pela enorme praça central com sua arquitetura colonial, umas das maiores do país, e por suas igrejas centenárias. O sentimento é de se estar em alguma das cidades históricas mineiras. São da mesma época. Mas a arquitetura colonial espanhola tem suas próprias características, uma certa mistura de barroco com árabe, o que logo nos faz lembrar que estamos na Colômbia e não no Brasil.
Visitando os belos "Lagos Azules" em Villa de Leyva, na Colômbia
Em seguida, já à bordo da Fiona, partimos para uma volta pelas cercanias da cidade. A primeira parada foi numa das atrações naturais de Villa de Leyva, os belos "Lagos Azules". A água nasce ali mesmo, rica nos minerais que lhe emprestam a cor azul. Bonito para os olhos, mas pouco sadio para os peixes. Nada maior do que um centímetro consegue viver naquelas águas. Só para um mergulho, não seria problema, mas infelizmente não é permitido nadar. Ficamos então só com as fotos e uma bela caminhada por entre os lagos.
Os "Lagos Azules" em Villa de Leyva, na Colômbia
O físsil de um gigantesco réptil marinho (Kronosauro) em Villa de Leyva, na Colômbia
De uma atração natural, passamos para outra, paleontológica. O mais completo fóssil de Kronossauro já descoberto está aqui. Ao invés de retirá-lo do local e levá-lo para um museu, tiveram uma idéia muito melhor: construíram um museu ao redor do fóssil, que assim permanece exatamente no local onde foi encontrado, morto já há mais de 100 milhões de anos! Para quem não conhece, esse era um enorme réptil marinho, terrível predador com mais de 12 metros de comprimento. Prova indubitável de que o mar já esteve por aqui, bem no meio da Colômbia. Para nós que gostamos de mergulhar, é arrepiante imaginar como seria mergulhar nesses mares do período jurássico. Certamente, muito mais perigoso do que hoje quando, de répteis marinhos, só encontramos as pacíficas tartarugas...
Dezenas de fósseis marinhos, prova que Villa de Leyva já esteve sob o mar! (Colômbia)
Visitando antigo monastério em Villa de Leyva, na Colômbia
Bom, da natureza para o jurássico para o período colonial. A próxima parada foi num belíssimo convento Dominicano, o Santo Ecce Homo, fundado em 1620 e desativado há uns 30 anos, quando foi transformado em museu. Localizado na zona rural da cidade, foi por séculos centro irradiador de cultura, educação e religiosidade por todo o país. A arquitetura colonial está muito bem conservada, chamando muito a atenção o belo pátio interno e o uso de pedras repletas de fósseis em parte do seu piso. Mesmo desativado, é incrível o sentimento de paz que o silêncio de seus corredores e varandas ainda nos inspira.
O belo pátio central de antigo monastério em Villa de Leyva, na Colômbia
Construção neolítica em Villa de Leyva, na Colômbia. As pedras servem para medir a luz do sol e o início das estações
Ainda tínhamos tempo para uma última atração. As várias cachoeiras de um parque próximo foram deixadas para uma próxima viagem e nós preferimos ver as ruínas neolíticas de um antigo povo que aqui viveu. Numa espécie de Stonehenge sulamericana, dezenas de pilares de pedras foram montados em duas fileiras paralelas com o intuito de marcar a luz do sol e o início das estações. Logo ao lado, um grande jardim com tumbas e enormes pedras trabalhadas para que ficassem com uma forma fálica. Segundo os estudiosos, uma maneira de representar e glorificar a fertilidade da terra. Acho que Freud daria outra explicação...
Cultura neolítica cultuava símbolos fálicos, símbolos de fertilidade, em Villa de Leyva, na Colômbia
Voltamos para o centro de Villa de Leyva para nosso almoço tardio de fim de tarde. Num dos restaurantes sobre as arcadas da enorme praça central, um almoço sadio com bela vista finalizado com uma deliciosa e gigantesca salada de frutas com sorvete. Para quem gosta de frutas, a Colômbia é um ótimo país para se visitar!!!
Deliciosa salada de frutas em Villa de Leyva, na Colômbia
Faltava ainda um último programa: pouco mais de meia hora de caminhada morro acima para se assistir o fim de tarde no mirante da cidade, ao lado de uma estátua protetora. O problema é que começou a chover bastante e ficamos no nosso hotel, abrigados. Mas, quando a chuva deu uma brecha, última chance de subir antes de escurecer, lá fui eu à toda enquanto a Ana descansava. Uma corrida contra o relógio e na torcida para que a chuva não voltasse. Cheguei à tempo de umas últimas fotos à meia luz. A volta, principalmente no trecho de mata, já foi tateando, pelo menos até chegar na cidade iluminada. A luz dos relâmpagos também ajudou, mas a chuva ficou mesmo distante.
Igreja da praça central de Villa de Leyva, na Colômbia
Enfim, um dia cheio e maravilhoso, com atrações as mais variadas. Amanhã partimos meio tristes com o que deixamos para trás sem ver, mas muito felizes de termos estado por aqui. A idéia é chegar no início da tarde em Bogotá para logo seguirmos ao grande show do Aerosmith, com abertura do The Hall Effect. O Douglas já nos confirmou que conseguiu nossos ingressos. Yeahh!
Fim de tarde chuvoso no mirante de Villa de Leyva, na Colômbia
Passeio nas Galés em Maragogi - AL
Sete e quarenta da manhã e alguém bateu na porta do nosso quarto. Era o Alexandre. Ele estava preocupado com a nossa lancha para as Galés, marcado para as 08:30. Como ele acabava de chegar do sudeste dirigindo, do alto de seus 78 anos, ainda estava no horário de verão e achou que tivéssemos perdido o horário.
Piscinas naturais em Maragogi - AL
Tudo esclarecido, tomamos o café da manhã e, no horário marcado, lá estava o José para nos levar para as piscinas naturais. A grande maioria das pessoas vai num bem mais confortável catamaran. O problema é que aí você chega junto com a muvuca. As Galés viram o Piscinão de Ramos, segundo o próprio José. De lancha chegamos antes e podemos aproveitar as piscinas ainda vazias, água mais limpa, ainda com um certo ar de exploração. Toda essa movimentação ocorre na maré baixa apenas, já que na maré alta as piscinas somem.
O Alexandre e a Olga nas Galés em Maragogi - AL
Ajudamos a valente Olga a enfrentar as ondas e chegar até a lancha e seguimos para as piscinas, que aqui recebem o nome da Galés. Ficam a cerca de seis quilômetros da costa ou quinze minutos de lancha. Fomos uns dos primeiros a chegar e o verde do mar era inacreditável. O litoral alagoano é onde o mar fica mais verde, sabe-se lá porque. E nas Galés, com o chão encascalhado, a água fica bem transparente, pelo menos enquanto a muvuca não chega. Ali, somos recepcionados por mergulhadores que oferecem seus préstimos para uma espécie de "batismo". O Alexandre até que tentou convencer a Olga mas ela não quis. Se satisfez com um mergulho simples entre os peixes atraídos por migalhas de pão. Mas o Alexandre resolveu mergulhar com equipamento. Com direito a fotos!
Nadando nas piscinas naturais em Maragogi - AL
Enquanto isso, eu e a Ana saímos nadando pela enorme área, procurando trechos mais fundos, mais claros e com mais vida. Muito gostoso, mas não dá para comparar com as águas de Noronha. O que vale é todo o programa, o inusitado fato de estarmos em alto mar nadando em piscinas. Exploramos aqui, ali e quando voltamos para perto da nossa lancha, vários catamarãs já tinham chegado. Já eram centenas de pessoas gritando e levantando areia. Bem disse o José! Até há algum tempo, havia até um barco restaurante por ali. Mas os tempos mudaram, a "consiência ecológica" também. Hoje só é permitido consumir água e refrigerantes, nada mais. E cada barco leva o seu.
Piscinas naturais lotadas em Maragogi - AL
Tomamos o caminho de volta enquanto outros dois catamarãs chegavam. Ninguém na nossa lancha duvidava: chegamos e partimos na hora certa!
Indo embora das piscinas naturais em Maragogi - AL
Chegando em Tijuana e na fronteira com os Estados Unidos!!!
Ontem, dia 24, ainda no alto da maravilhosa Sierra de San Francisco e em pleno Deserto Vizcaino, iniciamos nossa longa viagem para Tijuana, já na fronteira entre México e Estados Unidos. E a primeira etapa dessa longa viagem só durou cinco minutos! É o tempo que leva para dirigir os 3 km entre nosso hostal, onde tínhamos nos despedido da simpática Jadira, até a Cueva del Ratón, onde já nos aguardava o nosso guia, que tem o sugestivo nome de Refugio.
Com a simpática Jadira, gerente do nosso hostal na Sierra de San Francisco, na Baja California - México
Refugio, nosso guia na Cueva Ratón, na Sierra de San Francisco, na Baja California - México
A tal cueva tem esse nome porque quando foi redescoberta, em finais do século XIX, pensou-se que uma das figuras ali pintadas parecia um rato. Ledo engano, que deve ter feito o milenar artista tremer em sua cova. Não, não era um rato, mas um puma! Esse e outros animais estão ali, magistralmente desenhados por artistas de muitos milhares de anos atrás que deixaram para nós marcas de sua cultura e sociedade há tanto desaparecidas.
Incríveis pinturas rupestres na Cueva Ratón, na Sierra de San Francisco, na Baja California - México
De novo, foi emocionante ter estado lá, diante dessa arte que ainda parece tão presente, ao mesmo tempo que evoca um passado tão distante. Outra vez, o mistério das pinturas estarem em paredes e tetos altos, inacessíveis sem uma boa plataforma. E, outra vez também, a figura do misterioso feiticeiro, túnica metade negra, metade vermelha e um capuz que faz seu rosto ficar escuro. Deve ter sido uma pessoa importante e poderosa, esse cara.
Admirado com a altura das pinturas rupestres na Cueva Ratón, na Sierra de San Francisco, na Baja California - México
O mesmo misterioso feiticero está na Cueva Ratón, na Sierra de San Francisco, na Baja California - México
Meia hora de visita e reverência e estávamos prontos para os próximos 800 km de estradas. A parte norte da península da Baja California é menos interessante que a parte sul e resolvemos atravessá-la rapidamente, depois de termos ficado quase 10 dias na parte meridional. Alguns quilômetros de estrada de terra precária nos levaram até o asfalto e daí para a estrada principal, que nos levaria até a fronteira. Nesse trecho, mesmo apesar do longo caminho à frente, impossível não parar para tirar mais umas fotos do cenário maravilhoso. As montanhas e canyons da Sierra de San Francisco e a vastidão da planície desértica à nossa frente, lá embaixo. Uma pintura!
O magnífico visual da Sierra de San Francisco, na Baja California - México
A enorme planície desértica de Vizcaino vista do alto da Sierra de San Francisco, na Baja California - México
Bom, descemos para a planície e seguimos em direção à costa do Pacífico. Nesse trecho, aí sim vimos aquele deserto que todos temos em nossas mentes, cheio de areia e quase sem vegetação. Mas não demorou muito e chegamos à Guerreiro Negro, já na orla do mar e cidade que marca a fronteira dos estados de Baja California (onde está Tijuana) e Baja California Sur, onde tínhamos ficado todo esse tempo. A placa animadora no final da cidade marcava 699 quilômetros para Tijuana e 407 km para San Quintin, onde pretendíamos passar a noite.
Atravessando o deserto Vizcaino a caminho de Guerrero Negro, na Baja California - México
Em Guerrero Negro, já mais "perto" de Tijuana, na Baja California - México
Dois desafios nos esperavam até lá. O primeiro, as constantes barreiras do exército para revistar os carros. Passamos por umas cinco, entre ontem e hoje. Algumas mais rápidas, outras demoradas, mas sempre muito simpáticos e curiosos conosco. O segundo, a total ausência de postos de combustível. Depois de uns 30km de Guerreiro Negro, lá veio a placa: “Próximo posto – 217 km”! Ô loco! Ainda bem que o tanque da Fiona é grande! Assim que vimos a placa, comecei a controlar, pelo computado de bordo, o cálculo de autonomia do carro. No início, era um número parecido com a distância do posto. Mas foi só tirar o pé do acelerador que a autonomia foi aumentando e, quando enfim chegamos ao posto, o computador ainda marcava uns 60km!
Um dos muitos postos de vistoria do exército na Baja California - México
No trecho final da estrada de ontem, o deserto ficou para trás e a paisagem foi sendo tomada pelo verde. Finalmente, depois de tanto tempo sem ver cidades, elas apareceram, uma grudada na outra, crescendo na beirada da estrada, já com cara de cidades americanas. Até aqui, a menos de 300 km da fronteira, eles chegam aos montes em busca de praias e “exotismo”. Parte da cultura já foi adotada, inclusive a dos eficientes motéis de beira de estrada. Num deles, em San Quintin, a gente se instalou para um respiro depois de tanto asfalto.
Região de San Tomás, área de produção dos melhores vinhos do México (próximo à Enseñada, na Baja California)
Hoje saímos para uma etapa mais curta, depois de ficar até tarde no nosso quarto. Pouco mais de duas horas de estrada e chegamos à Enseñada, uma cidade que só cresceu de verdade quando aí foi instalado um hotel-cassino construído para os americanos na década de 30, época da famosa Lei Seca. Oitenta anos antes a pequena cidade havia sido ocupada pelo flibusteiro americano William Walker, que a declarou capital da República da Baja California. Esse louco foi expulso pelos mexicanos e tentou de novo criar sua república escravocrata na América Central. Chegou a conquistar e governar a Nicarágua, mas acabou sendo capturado pela marinha inglesa e entregue aos hondurenhos, que o fuzilaram.
Tomando um bom vinho mexicano em Enseñada, na Baja California, no México
Enseñada hoje recebe milhares de americanos, muitos dos quais chegam em cruzeiros. Um aspecto bem mais interessante da cidade é que ela fica no centro da principal região vinícola do país. Ou seja, é fácil encontrar um bom vinho nos diversos cafés e restaurantes da cidade. Nós prestamos nossa homenagem a isso, parando para almoçar e bebericar um pouco, vinho nacional, é claro!
Delicioso almoço e ótimo vinho em Enseñada, na Baja California, no México
De volta ao asfalto, seguimos pela famosa autoestrada que liga Enseñada à Tijuana. É uma belíssima estrada costeira, mas o tempo não ajudou. Depois de tatos dias de sol, chovia hoje. Brincamos que era o México triste com a nossa partida. Hmmmmm...
Chegando com chuva em Tijuana, na fronteira do México com os Estados Unidos
Bom, entramos na mais famosa cidade fronteiriça do continente embaixo de muita água. Tanto ouvimos falar dessa cidade e de seus perigos que a chegada foi uma surpresa. Afinal, é uma cidade grande e organizada, avenidas largas e trânsito tranquilo. Chato mesmo, só a chuva.
Dirigindo no centtro de Tijuana, na fronteira do México com os Estados Unidos
A gente se instalou num hotel recomendado pelo guia e, já de noite, saímos para jantar. Mas acabamos saindo depois da hora e foi uma luta achar restaurante aberto. De qualquer maneira, dirigimos por quase uma hora pela cidade, entre as 10 e as 11 da noite, sem nenhum problema. Qualquer resquício de temor desapareceu de vez. Pelo menos para nós, Tijuana foi uma cidade tão tranquila como qualquer outra. Bom, vamos ver amanhã, quando passaremos pela fronteira. Parece que é ali perto que as coisa “rolam”...
Campo florido próximo à Cueva Ratón, na Sierra de San Francisco, na Baja California - México
A primeira igreja da cidade, ainda dos tempos espanhóis, em Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos
Los Angeles, assim como várias das cidades costeiras da Califórnia, nasceu espanhola, mais uma missão franciscana nos limites da colônia para evangelizar a população indígena e garantir o povoamento e a segurança na fronteira norte da Nova Espanha (o Mèxico). O ano era 1781 e o nome de batismo, “La Reyna de Los Angeles”. Nascia assim a segunda maior cidade dos Estados Unidos enquanto, do outro lado do continente, na costa atlântica, uma nova nação travava uma guerra sangrenta para se livrar do jugo colonial.
Chegando ao pequeno downtown de Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos
Quarenta anos mais tarde, quando foi a vez do México se libertar da Espanha, a pequena Los Angeles ainda contava apenas com 600 habitantes. Não obstante, foi escolhida para ser a capital do estado da Alta California, o que gerou novo impulso de crescimento. Uma geração mais tarde e a guerra entre as duas jovens nações americanas terminaria de forma catastrófica para o México, que perdeu quase metade de seu território, enquanto os Estados Unidos se transformavam em uma nação continental. Entre suas novas posses, o atual estado da California e a futura megalópole de Los Angeles.
Enfrentando as congestionadas freeways de Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos
A chegada da ferrovia à cidade e a descoberta de petróleo nas imediações deram nova força ao crescimento de Los Angeles, que ultrapassou a marca de 100 mil habitantes na entrada do século XX. Nas primeiras décadas do século, um quarto do petróleo mundial era produzido na Califórnia, todo o movimento da indústria sendo capitalizado para a grande metrópole. Mas seria uma outra indústria, a do cinema, que marcaria para sempre a vida e a economia da cidade.
O belo prédio da Union Station, a estação de trens de Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos
Em 1920, nada menos de 80% da indústria mundial de cinema se concentrava nas cercanias de Hollywood, o mais novo bairro incorporado de Los Angeles. Foi o dinheiro gerado e movimentado por ela que ajudou Los Angeles a atravessar de maneira mais ou menos incólume a Grande Depressão que se abateu sobre o resto do país. Mas a crise econômica também acabou fazendo suas vítimas por aqui. Como sempre ocorre em todos os lugares do mundo, num momento de dificuldades, é preciso achar algum culpado, geralmente alguma minoria étnica. Aqui, os “culpados” foram a larga população hispânica, a maioria da qual já vivia na cidade há mais de um século. Afinal, Los Angeles havia nascido espanhola e crescida mexicana. Dezenas de milhares de pessoas, muitas delas de famílias radicadas na cidade há gerações, foram simplesmente deportadas para o México, sem nunca mais poder retornar. Mais uma das grandes injustiças cometidas na construção de um grande país...
O pomposo interior da Union Station, no centro de Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos
Mesmo com essa expulsão sumária de seus antigos moradores, a cidade ultrapassou o milhão de habitantes em 1930, um pouco antes de receber as Olimpíadas de 1932, a primeira a se converter em um sucesso comercial. A cidade continuou a se expandir horizontalmente, uma decisão sensata para uma área tão afeita a terremotos. O último deles foi em 94, causando mais de 70 mortes. Por isso, até hoje, para uma aglomeração urbana que supera os 10 milhões de habitantes, a concentração de prédios altos é surpreendentemente pequena, uma minúscula ilha de arranha-céus em meio a um mar de construções de poucos andares.
O pomposo interior da Union Station, no centro de Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos
Hoje foi o nosso dia de dar uma olhada nessa história, onde a cidade nasceu e esse “ridículo” centro financeiro. Uso a palavra “ridículo” no sentido do tamanho, quando nos lembramos dos prédios de Manhatann ou Chicago. Já passamos aqui nos EUA por cidades vinte vezes menores que Los Angeles, mas com um downtown com mais prédios do que ela.
Olvera Street, no centro da histórica Los Angeles espanhola (Los Angeles, na Califórnia - Estados Unidos)
Enfim, para chegar até lá, finalmente tivemos o gostinho de suas freeways engarrafadas. Mas, para quem está acostumado com São Paulo, não dá para reclamar, não! Alguns poucos minutos parados e já estávamos no centro, procurando algum estacionamento. Outros minutos e já caminhávamos pelas praças e ruas da antiga Los Angeles mexicana, simpaticíssima e com cara de cidade do interior. Mais uma bela surpresa que essa metrópole reservou para nós, para ajudar a compor esse verdadeiro quebra-cabeça infinitamente mais complexo e interessante do que o jeito simplista que eu imaginava a cidade.
Comércio no Pueblo de Los Angeles, centro histórico da cidade, na Califórnia - Estados Unidos
Começamos nosso tour pela pomposa Union Station, a principal estação de trem da cidade e do estado, cenário de diversos filmes de Hollywood. Foi a última grande estação de trem a ser construída no país e caminhar por seus grandes salões nos transporta para outra época. É também um lugar interessante para acompanhar o movimento da cidade, já que por lá transitam milhares de pessoas diariamente, vindas de todo o país, mas também pela própria cidade, já que ela está conectada com o sistema de metrô. Aliás, aqui foi o mais perto que chegamos do metrô da cidade que, em escala e alcance, se compara ao downtown, cabendo o mesmo adjetivo que usei acima para definir a aglomeração de prédios da cidade.
A mais antiga casa do Pueblo de Los Angeles, centro histórico da maior cidade da Califórnia - Estados Unidos
Depois da estação, fomos passear pelas ruas e ruelas da Reyna de Los Amgeles. A sensação era de se estar mesmo no México. Pelo menos hoje, não haviam por lá muitos turistas e o clima era de total tranquilidade. A rua principal é a Olvera St., toda rodeada de restaurantes mexicanos (claro!). Ali jantamos e nos regozijamos com aquele clima de interior. Tinha até uma orquestra tocando, para delírio das velhas senhoras que passavam por ali.
Orquestra e ouvintes na rua Olvera, a principal do Pueblo de Los Angeles, centro histórico da maior cidade da Califórnia - Estados Unidos
A rua desemboca na Plaza de Cultura y Artes, onde ocorriam festas típicas mexicanas de celebração do fim do ano. Aí também passamos um bom tempo vendo as crianças participarem das brincadeiras organizadas, observados por orgulhosos e felizes familiares. A língua mais ouvida era o espanhol e parecia mesmo que aquela terrível guerra de 165 anos atrás não havia ocorrido, que a cidade ainda era parte do estado da Alta California.
Menino participa de Piñada, brincadeira típica mexicana, em festa organizada no Pueblo de Los Angeles, centro histórico da maior cidade da Califórnia - Estados Unidos
Hora de voltar para casa, passando ao lado do estádio/ginásio do Lakers, uma verdadeira instituição aqui na cidade. Já temos compromisso marcado ali, amanhã. Compramos ingressos para um jogo da NBA onde os Lakers vão receber os Bobcats. Será o gran finale de um dia que promete muitas explorações pela cidade. É aquele dia extra que resolvemos ficar em Los Angeles e que há de valer a pena!
Jantando em restaurante no Pueblo de Los Angeles, centro histórico da maior cidade da Califórnia - Estados Unidos
A Chita, uma macaca-aranha na fazenda dos poços termais, na região de Boquete, no Panamá
Não faltam programas aqui na gloriosa cidade de Boquete. Localizada aos pés da maior montanha (e vulcão) do país, o Baru, em meio à uma vegetação densa e úmida, rios, canyons e cachoeiras, fauna e flora diversificadas, a cidade é um centro turístico que vem atraindo cada vez mais gente, panamenhos e estrangeiros. Muitos se mudam para cá, principalmente americanos em busca de um lugar tranquilo para passar os últimos dias de suas vidas. Boquete é super popular entre os aposentados do Tio Sam!
Junto com os australianos, indo para o canyon e as fontes termais, na região de Boquete, no Panamá
Nenhum outro lugar no Panamá tem tantos sinais escritos em inglês. A quantidade e variedade de hoteis e restaurantes também é enorme, para atender o público variado que aqui chega, dos mochileiros sem dinheiro aos milionários em busca de grandes casas.
Chegando ao canyon na região de Boquete, no Panamá
Para decidirmos o que fazer por aqui em tão pocuo tempo com tantas opções, São Pedro deu uma mãozinha. O tempo tem estado fechado, uma chuva fiba caindo quase todo o tempo. Com isso, acabamos por descartar dois dos principais trekkings da região. Um deles, com cinco horas de caminhada morro acima, nos levaria ao topo do Baru, de onde se pode ver, em dias claros, os dois oceanos que cercam o país. Mas, caminhar a noite toda sob chuva para se arriscar a não ver nada lá de cima acabou por nos desanimar. O outro programa é uma longa caminhada de uns 20 km por entre morros e matas, a caminhada de Quetzal. Esse o nome de um lindo pásaro colorido que vive na região. O problema é que as chuvas provocaram grandes deslizamentos em uma ponta da trilha enquanto que, na outra ponta, é preciso atravessar um rio que pode ficar muito caudaloso nessa época. Há um ano lá morreu um guia tentando ajudar turistas e, desde então, o caminho se encontra "oficialmente" fechado. Sem muito medo dos delizamenteos ou do rio, mas não querendo passar o dia inteiro encharcado vendo apenas neblina, acabamos desistindo desse também.
O australiano Ben demonstra suas habilidades de salto num canyon na região de Boquete, no Panamá
Optamos então por algo mais light, que pudéssemos fazer à bordo da Fiona mesmo. E olha que a Fiona estava cheia, pois reencontramos nossos amigos australianos por aqui e os convidamos para o programa de hoje. Eles estão en quatro, os Ben e o Alex, que viajaram conosco no veleiro da Colômbia, mais o irmão do Ben, o John, e um amigo deles, outro Alex. Todos gente falante e felizes com a vida. Bem australianos mesmo. De Adelaide.
Visita a canyon e rio na região de Boquete, no Panamá
Juntos, fomos primeiro a um canyon aqui perto, ideal para mergulhos na garganta estreita. O sol até resolveu aparecer enquanto o Bem dava um verdadeiro show de piruetas e mortais. Além dos mergulhos, a outra atração é tentar subir as rochas do canyon. Nesse ponto, que deu uma verdadeira aula foram alguns meninos locais mesmo. A gente, só fazia força mesmo e acabava caindo no meio do caminho.
Nadando em canyon na região de Boquete, no Panamá
Poço termal com água a mais de 35 graus, na região de Boquete, no Panamá
De lá seguimos para os poços de águas termais. Água a mais de 35 graus com propriedas terapêuticas. Uma delícia, ideal para o relaxamento. Logo ao lado, um enorme rio para que pudéssemos passar do quente ao frio e depois, de volta ao quente. Exuberância total da natureza!
Relaxando em Poço Termal na região de Boquete, no Panamá
Depois das águas quentes dos poços termais, nada como um rio de águas frias! (na região de Boquete, no Panamá)
Mas, neste local, mais do que os poços de água quente, a grande atração foi a uma macaca-aranha, de nome Chita (ou Xita?). Com três anos de idade, com muita energia para gastar, a curiosa Chita se encantou pelos australianos (e eles por ela!), a ali ficamos por muito tempo brincando e fotografando o animal. Adotada pela família que toma conta do local, ela nunca viu outro macaco na vida e adora seres humanos. Principalmente homens. Não dá muita bola para mulheres não. Gosta também de uma cerveja e logo tenteou roubar as nossas. Mas só conseguiu as garrafas vazias. Deu um verdadeiro show de cambalhotas, piruetas e outras macaquices. Muito legal!
A Chita fica bem amiga do australiano Ben na fazenda dos Poços Termais, na região de Boquete, no Panamá
A Chita se ajeita no australiano Alex, na fazenda dos Poços Termais, na região de Boquete, no Panamá
Amanhã é dia de viajarmos para a Costa Rica. Mas na volta (não tem outro caminho!), passaremos outra vez pelo Panamá. Aí sim visitaremos as famosas Bocas del Toro, no litoral caribenho e, quem sabe, teremos mais sorte com o vulcão Baru. Assim, para o Panamá, é apenas um "Até logo!". Costa Rica, aí vamos nós!
A macaca Chita demonstra suas habilidades na fazenda dos Poços Termais, na região de Boquete, no Panamá
A enorme cobra Cazadora que encontramos nas estradas da Sierra de San Luis, região de Coro, no noroeste da Venezuela
Poucas dezenas de quilômetros ao sul de Coro, a Serra de San Luis se ergue rapidamente, saindo quase do nível do mar para altitudes superiores aos mil metros. Nas suas encostas, a umidade se condensa e o clima muda rapidamente, do seco para o úmido, do calor para o frio. Não é a toa que a vegetação se transforma radicalmente, dos cactos, gramíneas e cerrado lá de baixo para uma floresta verde e densa, típica dos trópicos. Rios correm por todos os lados, formando cachoeiras e quedas d’água, e as estradas têm de serpentear entre cristas e vales, curvas intermináveis sempre seguidas de paisagens de tirar o fôlego, quando as nuvens baixas davam uma chance.
O belíssimo entardecer na Sierra de San Luis, ao sul de Coro, no noroeste da Venezuela
Nosso hotel em Curimagua, na Sierra de San Luis, região de Coro, no noroeste da Venezuela
Para nós, que tínhamos passado a manhã nas dunas dos Médanos de Coro e nas planícies da península de Paraguaná, o contraste foi ainda mais forte. O esforço de chegar aqui ainda ontem foi recompensado com um entardecer inesquecível, mas logo escureceu e tudo o que podíamos “ver” era o clima frio à nossa volta. Dormimos na cidade de Curimagua, em um hotel que deve ter tido seus dias de glória antes da era Chávez, há uns 20 anos, e que agora, assim como boa parte da infraestrutura turística espalhada pelo país, é visivelmente super dimensionado para o número de visitantes atuais. Hotéis, estradas, parques, todos eles parecem pertencer a um país que já existiu, um forte clima de nostalgia e decadência no ar. O resultado disso são preços baratos, infraestrutura meio danificada e envelhecida, um certo charme decadente dos anos 70 e a sensação de que algo tem de mudar...
Painel informativo sobre o Haitón de Guarataro, com mais de 300 metros de profundidade, na Sierra de San Luis, região de Coro, no noroeste da Venezuela
Chegando ao Haitón de Guarataro, na Sierra de San Luis, região de Coro, no noroeste da Venezuela
Bom, de noite, aproveitamos para matar as saudades de um cobertor e, pela manhã, nos regozijamos com o ar de montanha, frio e úmido, nosso hotel cercado por montanhas, vegetação e muitas nuvens, uma fina garoa deixando tudo molhado. Nossa ideia era passar o dia explorando a região e, no final da tarde, voltar para o litoral, para a região do Parque Nacional de Morrocoy. Assim, agenda apertada com o sempre, com sol ou com chuva, não tínhamos tempo a perder!
O enorme buraco natural conhecido como Haitón de Guarataro, com mais de 300 metros de profundidade, na Sierra de San Luis, região de Coro, no noroeste da Venezuela
Deixamos Curimagua para trás em direção à San Luís, o mais charmoso povoado da serra, justamente aquele que dá nome à região. Bem no meio do caminho, uma parada para observar umas das mais estranhas atrações daqui, um gigantesco buraco no solo, uma espécie de caverna vertical em meio a uma floresta densa. Na verdade, existem diversas formações como essa espalhadas pela Serra de San Luis, conhecidas aqui como “Haitón”, e essa que paramos para conhecer é a maior delas, com pouco mais de 300 metros de profundidade!
Igreja da pequena cidade de san Luis, na Sierra de San Luis, região de Coro, no noroeste da Venezuela
O Haitón de Guarataro está no final de uma pequena trilha na mata e só percebemos o gigantesco buraco quando já estávamos em sua borda. Isso porque, apesar da profundidade, ele é bem estreito, doze metros de diâmetro. Mesmos sendo domingo, éramos os únicos visitantes, o que nos deu tranquilidade de pular a cerca de proteção e chegar mais perto dessa verdadeira imagem de pesadelo, um enorme buraco negro, aparentemente sem fundo, entrando nas entranhas da terra. De tão fundo, não consegui ouvir o barulho de nenhuma das pedras que joguei para baixo, apenas o som suave da água da chuva que escoava buraco adentro. Uma placa informativa nos dá os números exatos dessa caverna vertical, inclusive de algumas galerias horizontais que foram encontradas a mais de cem metros de profundidade. Nossa... quem será que desceu lá embaixo nesse lugar assustador?
Com a Morela e sua filha Rosa, na pequena cidade de San Luis, Sierra de San Luis, região de Coro, no noroeste da Venezuela
Depois da caminhada e do buraco, a fome aumentou ainda mais a vontade de chegarmos à San Luís. O tempo finalmente começou a abrir, tornando mais bela a chegada à pitoresca vila escondida no meio de montanhas e florestas. Fácil chegarmos até a igreja, sua torre alta a primeira coisa que vemos de longe, se erguendo sobre as árvores da floresta, mas nada de restaurantes à vista. Imagino que se estivéssemos nos Estados Unidos, seríamos recebidos num lugar lindo como esse com uma rua cheia de lojinhas, pousadas e restaurantes, turistas caminhando para lá e para cá. Aqui, uma simpática praça, mas bem vazia. Finalmente, encontramos um policial que, simpaticamente, nos ensinou como chegar ao único restaurante que estaria aberto, o Don Pepe.
A simpática Rosa, do restaurante onde comemos na pequena cidade de San Luis, Sierra de San Luis, região de Coro, no noroeste da Venezuela
Mas estava fechado. Insisto, bato palmas e, quase desistindo, eis que aparece a simpática Rosa, que logo chama sua mãe Morela. Estavam fechados porque ontem serviram um grupo maior de visitantes, todos venezuelanos, e a comida tinha acabado. Mas se compadeceram de nós e a Morela tratou de arrumar algo, uma simples e deliciosa comida caseira. Era tudo o que queríamos e ainda tivemos a chance de uma longa conversa com mãe e filha. A Morela faz um curso de “chef” em Coro, espírito empreendedor à espera de melhores tempos. A Rosa quer ser médica. Têm saudades do Chávez, que fez muitas coisas boas, como construir casas, de graça, para os mais necessitados. Desconfiam bastante do Maduro e sabem que algo tem de mudar no país. Mas não acreditam que seria com o Capriles...
As belas cataratas de Hueque, na Sierra de San Luis, região de Coro, no noroeste da Venezuela
As belas cataratas de Hueque, na Sierra de San Luis, região de Coro, no noroeste da Venezuela
Saímos de San Luís alimentados, com duas novas amigas e preocupados com o futuro desse país e desse povo que admiramos cada vez mais. Nosso destino são as Cataratas de Hueque, as mais populares cachoeiras dessa região serrana. Finalmente, pleno domingão, encontramos movimento, várias famílias que vieram fazer seu piquenique e farofa ao lado do rio. Para nós, turistas estrangeiros com acesso ao câmbio paralelo, o preço de entrada beira o ridículo, cerca de 30 centavos para os dois. Lá dentro, ao longo de um mesmo rio, inúmeras cachoeiras e cascatas, água bem fria e trilhas mal conservadas.
Visitando as cataratas de Hueque, na Sierra de San Luis, região de Coro, no noroeste da Venezuela
As belas cataratas de Hueque, na Sierra de San Luis, região de Coro, no noroeste da Venezuela
Tiramos nossas fotos, mas não nos animamos para um mergulho. O céu nublado e o longo caminho que nos esperava não são estimulantes. Melhor seguir em frente e deixar o banho de cachoeira para quando chegarmos à Gran Sabana. Voltamos para a Fiona e iniciamos as horas de viagem que ainda nos esperam, crentes que tínhamos terminado as “atrações” do dia.
As belas cataratas de Hueque, na Sierra de San Luis, região de Coro, no noroeste da Venezuela
Que nada! Alguns minutos na estrada esburacada e vemos algo estranho se movendo no asfalto, bem à nossa frente. É uma cobra! Enorme! Uma “cazadora”, espécie perigosa comum na região. Essa aí, tinha tido o azar de cruzar uma estrada e estava meio perdida entre os carros que passavam. Na verdade, furiosa, pois tinham atropelado a sua calda, coitada. Tentava morder qualquer coisa que se aproximasse, inclusive a Fiona, ao invés de correr logo para o acostamento e para a mata salvadora. Nós só podíamos torcer, além de tirar fotos (claro!), para que ela fizesse isso e não fosse atropelada novamente. Nessa hora, queria ser um daqueles apresentadores do Discovery Channel, que não tem medo desses animais e logo os pegam com as mãos, para poder salvá-la. Mas ela não queria conversa não e eu, desajeitado que sou, só pude chegar a poucos metros de distância. Infelizmente, acho que ela não duraria muito tempo, animal magnífico. Partimos antes de assistir o seu fim.
Uma enorme cobra Cazadora que encontramos em uma estrada da Sierra de San Luis, região de Coro, no noroeste da Venezuela
Agora sim, partimos para Morrocoy. Algumas horas de estrada e muitos assuntos na cabeça, desde nossos medos primitivos de buracos sem fundo e serpentes vorazes até um país com paisagens magníficas e um povo vibrante, mas que parece meio perdido, ideologia e incompetência no caminho de um futuro que tinha (e tem!) tudo para ser promissor.
Uma enorme cobra Cazadora que encontramos em uma estrada da Sierra de San Luis, região de Coro, no noroeste da Venezuela
Recebendo o Gustavo no aeroporto de Cusco, no Peru
Depois de uma manhã preguiçosa aproveitando a calefação contra o friozinho de Cusco, lá fomos nós tirar a Fiona do seu movimentado estacionamento, onde tinha ficado parada nos últimos quatro dias. O motivo para retirá-la do descanso era nobre: ir até o aeroporto da cidade buscar o Gustavo, que chegava de sua conexão em Lima. O Gustavo é um dos melhores amigos da Ana, lá de Curitiba, amizade que vem dos tempos da faculdade. Para nossa felicidade, ele veio passar dez dias aqui conosco na região de Cusco, pronto para explorações, caminhadas e baladas, novas experiências gastro-etílico-culturais e muita conversa com a amiga de longa data e o marido simpático dela, hehehe.
Vários carros de overlanders em chácara em Cusco, no Peru
Na hora marcada, o avião desceu e o Gustavo teve o raro privilégio de chegar em Cusco e ter a Fiona à sua disposição no aeroporto! Fizemos aquela festa, tiramos as fotos de praxe e o acomodamos no banco de trás, o mesmo lugar que já recebeu outros amigos especiais que vieram nos visitar também, durante esses 1000dias. Passamos rapidamente no hotel para deixar a bagagem e seguimos para nosso segundo compromisso do dia, também um reencontro.
Conversando com a Karin, o Coen e outros overlanders em chácara nos arredores de Cusco, no Peru
A primeira vez que saímos do Brasil com a Fiona nesses 1000dias, no comecinho de 2011 (nossa, parece que já faz um século...), foi para a Guiana Francesa. Lembro-me da emoção de passar incólume pela imigração do outro lado do rio e acelerar em estradas estrangeiras pela primeira vez. Começávamos a nos sentir “experientes”, finalmente viajantes internacionais. Logo nos primeiros dias, um encontro que nunca mais esqueceríamos: numa estrada isolada da Guiana Francesa, lá estava a Land Rover do Landcruising Adventure, dos holandeses Coen a Karin. Já naquela época, viajavam há quase oito anos pelas estradas do sudeste asiático e América do Sul. Paramos para uma boa conversa e, após contarmos dos nossos planos de viagem, a Karin, genuinamente, perguntou: “mas porque só 1000 dias?”. A pergunta nos pegou completamente de surpresa, pois já estávamos acostumados com o espanto das pessoas por uma viagem tão longa, mas jamais pelo contrário! Realmente, nunca mais nos esquecemos disso.
Um delicioso lanche em chácara onde se congregam overlanders que vêm à Cusco, no Peru
Pois bem, desde então, de tempos em tempos, procuramos na internet e descobrimos aonde eles estão. E eis que, agora que já deixamos os “parcos” 1000 dias para trás, tivemos a chance de encontrá-los novamente. Isso porque o Landcruising está aqui em Cusco! Recentemente, eles completaram 10 anos de viagem e, desde o nosso encontro, rodaram apenas pelas três Guianas, norte do Brasil, Bolívia e, recentemente, Peru. Assim é o estilo de viagem deles: devagar, quase parando, aproveitando ao máximo cada pedacinho de terra, bem diferente da nossa correria do dia a dia, toda a América em apenas mil e poucos dias.
Expedição francesa que viaja pela América por 500 dias. São nossos irmãos mais novos, hehehe )em Cusco, no Peru)
Nós entramos em contato com eles e combinamos um reencontro aqui em Cusco, na chácara onde estão estacionados. Como a grande maioria dos overlanders (viajantes de carro que cruzam fronteiras), eles não ficam em hotéis ou pousadas, mas dormem em seu próprio carro. Em cidades grandes como Cusco, sempre há espaços para receber esse tipo de viajante, chácaras ou campings meio afastados do centro com bastante espaço para caminhões, ônibus, traillers e carros que foram transformados em residências ambulantes. Nessa tribo, nós é que somos a exceção e gostamos de uma cama e chuveiro de verdade, além da facilidade de estar perto das atrações. O normal seria fixar acampamento num desses campings, conhecer outros viajantes desse tipo, passar uma semana entre confraternizações e churrascos e, de vez em quando, dar um pulinho no centro.
Expedição francesa que viaja pela América por 500 dias. São nossos irmãos mais novos, hehehe )em Cusco, no Peru)
Hoje, então, já acompanhados do Gustavo, fomos visitar nossos amigos holandeses e conhecer um desses campings repletos de overlanders. Dentro dos limites da frieza saxônica, eles fizeram muita festa para nós. Imagino que, agora que fomos e voltamos do Alaska, cruzamos duas vezes a América Central, rodamos quase 150 mil km e estando na estrada há 40 meses, já conseguimos impor um pouco mais de respeito. De qualquer forma, perto dos 10 anos de experiência desse incrível casal, ainda engatinhamos... Eles nos receberam com um delicioso e nutritivo lanche, com direito à chá, pão integral e legítimo queijo holandês. Uma delícia.
Passamos uma boa hora por ali, tentando botar o passado e futuro em dia. Tivemos a chance de conhecer também outros viajantes, como um sul-africano muito simpático e uma família de belgas que está viajando pela América por 500 dias. Ficamos até tentados em repetir a pergunta que a Karin nos fez em 2011, mas o que sentimos mesmo foi um certo carinho pela viagem deles, como se fosse uma parente mais nova da nossa, hehehe.
Reencontro com a Karin e o Coen, os holandeses do Lanncruising Adventure que viajam há mais de dez anos, em Cusco, no Peru
Enfim, foi hora de nos despedirmos novamente. Dos holandeses, pois o Gustavo ainda continua conosco por um bom tempo! E já era hora de começarmos a fazer algum turismo pela cidade, pois o tempo urge e a vida é curta! Um grande abraço aos amigos do Landcruising e seguimos diretamente para Saqsaywamán, uma incrível fortaleza Inca nos arredores de Cusco. Nossa aventura peruana está apenas começando...
Pedalando na zona rural a caminho da praia, na Ilha de Marajó - PA
Reconhecendo a veracidade do jargão, o Brasil é mesmo um "país de dimensões continentais". Vejam só: dentro de um dos vinte e sete estados do Brasil (tudo bem que é um dos maiores) tem uma ilha, pedaço pequeno do Pará, que é quase do tamanho da Suiça! E a Suiça não é um país tão pequeno assim. Dentro dele cabem quatro línguas, metrópoles como Genebra e Lausanne, muitos relógios, chocolates e deliciosos queijos com buraco.
Pedalando ao lado de búfalos na cidade de Soure, na Ilha de Marajó - PA
Pois bem, como eu estava doente ontem e empatei a nossa vida, só tínhamos hoje para conhecer a Suiça Marajoara (que é a nacionalidade de quem mora na ilha). Será que dá para conhecer a Suiça européia em apenas um dia? Bem, aqui é realmente um pouco mais fácil. Boa parte da Ilha de Marajó é composta de pântanos, terrenos alagadiços e mangues. Por isso os búfalos se deram bem por aqui. Apenas a costa leste é "aberta" ao turismo, com exceção de algumas fazendas no interior da ilha. Na costa leste, temos três principais vilas: Joannes, Salvaterra e Soure, a "capital".
Canoa leva nossas bicicletas, na Ilha de Marajó - PA
Joannes é a mais isolada e tranquila. Salvaterra é mais compacta e tem uma bela praia. E Soure é a que tem mais coisas para se ver e fazer, além do seu ar campestre, com avenidas largas repletas de mangueiras, pouco movimento e búfalos pastando nos canteiros. Há três belas praias ao norte da vila, duas delas a pouco mais de 5 km por estrada de terra e a outra a 11 km por estrada de asfalto.
Pedalando na praia de Araruna, na Ilha de Marajó - PA
Dispostos a recuperar o tempo perdido, alugamos duas bicicletas no próprio hotel, o Casarão da Amazônia, e seguimos paras as praias mais próximas, separadas por um igarapé. Foi em uma delas que, 21 anos atrás, eu, o Haroldo e o Marcelo fizemos uma bate-volta, à pé mesmo. A gente tinha vindo na barca da manhã, aportado em Soure (bons tempos!), e caminhamos rapidamente até lá, em tempo de voltar e pegar a barca da tarde, de volta à Belém. Foi uma corrida! O coitado do Marcelo, mais baixinho, não aguentava nosso ritmo de caminhada e tinha de correr, de tempos em tempos. No fim, deu tudo certo. Mas ir e voltar para Marajó, no mesmo dia, foi realmente uma loucura. O problema é que não tínhamos tempo...
Entrando no mar de água doce com uma vara para se proteger das arraias, na Ilha de Marajó - PA
Bem, hoje, de bicicleta, foi mais tranquilo. É bem pitoresco pedalar na zona rural da ilha, cruzar um búfalo aqui, uma manada de búfalos ali. Para quem já os estava vendo nas ruas da cidade, até que fomos nos acostumando. Não demorou muito para chegarmos à praia de Araruna. A ponte que existia para cruzar o igarapé está em ruínas. Mas uma canoa nos deu uma carona para atravessarmos nossas bicicletas. Longa e bela praia deserta. Pedalamos um pouco pela praia, achamos um lugar gostoso e demos um belo mergulho. Estranho mar de água doce, com ondas e tudo! É mais "estranho" ainda do que ver búfalos por aí. Só tem um problema: a praia é conhecida por ter muitas arraias, daquelas que ferroam. Então, temos de entrar com uma vareta e ir cutucando a areia à nossa frente, para afastá-las antes que pisemos em suas cabeças e sejamos ferroados. Pelo sim, pelo não, seguimos as recomendações e, com todo o cuidado, pudemos nadar. E pensar que toda essa água é apenas uma das bocas do rio Amazonas...
Ponte sobre o mangue, que dá acesso à praia de Barra Velha, na Ilha de Marajó - PA
Voltamos para o igarapé, conseguimos outra carona de canoa e seguimos para a praia ao lado, bem mais movimetada, a Barra Velha. Ali, em uma das barracas, ao som de muito tecno-brega, lanchamos e nos refrescamos com uma água de coco e uma cerpa. Realmente, entre os produtos típicos paraenses, preferimos a cerpa do que o tecno-brega...
Cervejinha na praia de Barra Velha, na Ilha de Marajó - PA
Renovados, pedalamos de volta para a cidade com o intuito de seguir para a outra praia, a Pesqueiro. Mas chegando na cidade, fomos atingidos por uma típica tempestade amazônica. Era água que não acabava mais, e nós ilhados embaixo de um toldo. Custou a passar e a gente na maior dúvida se enfrentava os nove quilômetros restantes até a praia ou se voltava para o conforto do hotel. Bem, hotel tem em todo o lugar, e Suíça, ou Marajó, são apenas duas. Então, para frente e avante até a praia.
Muita chuva no meio da tarde em Soure, na Ilha de Marajó - PA
Pedalando nas estradas da Ilha de Marajó - PA
Desta vez no asfalto, mas cruzando com búfalos da mesma maneira, seguimos até a praia, onde já chegamos no fim de tarde. Já estava bem vazia, mas julgando pela estrutura do local, deve receber bastante gente durante o dia. Bela praia, a última da costa. Para cima, só mangue. Tiramos fotos, descansamos, a Ana perdeu sua lente de contato, mais uma cerpa e voltamos para a cidade e para o hotel. Após mais de 30 quilômetros de pedaladas, nossas nádegas já reclamavam.
Manada de búfalos em estrada da Ilha de Marajó - PA
Fomos relaxar e comemorar o dia na piscina que tinha até hidromassagem e depois, uma pizza com muito queijo de búfala para jantar. Depois, cama! Afinal, o dia será longo amanhã. Alvorada às quatro da matina, para pegar o ônibus que nos levará até o ferry, dia passeando em Belém, vôo de madrugada para Macapá. Vamos ver se a gente aguenta...
Celebrando o dia de pedaladas na Ilha de Marajó, na piscina do hotel em Soure - PA
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