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Torcendo para não acontecer mais nada com o nosso pneu, tivemos uma viag...
Cruzar a ponte General Artigas no final da tarde de ontem não significou...
Mequinho (12/09)
Fala Rodrigão, me diz uma coisa: as palmilhas já estão gastas??? Rapaz...
Luis (12/09)
Luis (11/09)
Que maravilha de lugar!!! Obrigado.Já enviei um e-mail ao Cristóbal. Ro...
Thelma e Emerson (09/09)
Luis (09/09)
Rodrigo,vc tem o e-mail do Cristóbal? Pensamos em fazer o Toco e o Lasca...
Belíssimo entardecer na praia de Dover, na costa sul de Barbados, no Caribe
Meia noite. Este foi o horário que minha prima Anita nos deixou na estação de trem de Princeton Junction, pequena cidade no estado de New Jersey. Passamos aqui as últimas 40 horas, desfrutando da agradável companhia da prima, seu marido Larry e dos filhos pequenos. As fotos e relatos da nossa estadia em Princeton Junction, além da nossa viagem pela Blue Ridge Parkway, através da Carolina do Norte e da Virginia, nossos dias na capital Washington e nossa deliciosa passagem pelo Delaware, sem esquecer do encontro e convivência com os famosos blogueiros de viagem Cláudia (Aprendiz de Viajante), Tetê (Escapismo Genuíno) e Oscar (MauOscar) serão postados em paralelo aos relatos da nossa volta ao Caribe, série que inicio agora. E a Islândia? Não, não esqueci dela! Assim que terminar os relatos desses dias finais nos Estados Unidos, vou colocar os posts da nossa inesquecível passagem por lá. Fotos maravilhosas! Vou fazer isso tudo enquanto ainda estiver no Caribe. Vai ser engraçado postar, ao mesmo tempo, relatos do Caribe e da Islândia!
Madrugada na estação de trem de Princeton Junction, em New Jersey, nos Estados Unidos
Mas, voltando à estação de trem, era apenas o início de uma longa jornada que atravessaria a madrugada e a manhã seguinte até chegarmos à Barbados, a primeira ilha do nosso 4º tour pelo Caribe. Aliás, no próximo post vou relatar nosso roteiro pretendido por essa região tão cheia de ilhas e nações. Para se ter uma ideia, Barbados já é nosso vigésimo destino por lá! E ainda faltarão outros dez, boa parte dos quais conheceremos nessa viagem!
Esperando o trem para Nova iorque na estação de trem de Princeton Junction, em New Jersey, nos Estados Unidos
Outra vez na estação de trem! Resolvemos economizar uns trocados e não pagar um hotel por uma noite demasiado curta, ou um táxi de 200 dólares de Princeton Junction até o JFK, do outro lado de Nova Iorque. Assim, mochila nas costas, lá estávamos nós esperando o trem “madrugatino” que nos levaria à capital do mundo. Horário britânico, suas luzes e seus apitos apareceram no horizonte escuro e, alguns minutos mais tarde, já estávamos embarcados. Por menos de 30 dólares e uma hora e vinte minutos de viagem, estávamos os dois chegando na Penn Station, sudoeste da ilha de Manhattan.
Lado de fora da Penn Station, em frente ao Madison Square Garden em Nova Iorque, nos Estados Unidos
Caminhando de madrugada, mochila nas costas, em Nova Iorque, nos Estados Unidos
Uma hora de sono mal dormido nos deram forças para enfrentar o resto da noite. Parte do tempo, preferimos gastar ali mesmo, nas cercanias da estação nova-iorquina e não no aeroporto. Compramos a passagem para a Jamaica Station e saímos mochilando pela madrugada de Nova Iorque, a cidade que nunca dorme, especialmente na frente da Penn Station. Foi botar o pé na rua, rever aqueles táxis amarelos e os arranha-céus cortando o céu da cidade que o amor e admiração por essa megalópole mundial reapareceu nos nossos espíritos e feições.
Trem de Nova Iorque para o JFK, nos Estados Unidos
Demos de cara com o Madison Square Garden, com as doces memórias de um show do Police que assistimos ali em 2007. Caminhamos um pouco pela 7ª Avenida e depois pela 33rd Street, onde entramos num dos pubs abertos. Ali, com as mochilas embaixo da mesa, dividindo espaço com bêbados e outros frequentadores, tomamos uma Guiness para comemorar nossa primeira passagem pela cidade nesses 1000dias. Uma passagem relâmpago e emocionante. Ansiamos pelas próximas, quando teremos tempo, aí sim, de rever a cidade e explorar seus bairros e atrações. Aqui, realmente, estamos em outro país, em outro mundo. Na volta do Caribe, vamos poder aproveitar o que essa incrível cidade pode oferecer. Pelo menos, um pedacinho!
Sol nascendo no JFK, em Nova Iorque, nos Estados Unidos
Voltamos para a Penn Station e, um pouco depois das quatro da madrugada, pegamos o trem para a Jamaica Station. De lá, o aerotrem para nosso terminal no JFK. Fizemos o check-in e, enquanto esperávamos nosso voo das oito da manhã, tivemos a chance de assistir a um maravilhoso nascer-do-sol sobre o aeroporto.
Chegando à Barbados, no Caribe
Embarcados, a Ana ainda teve forças de fotografar nossa passagem sobre a cidade, enquanto eu já estava no sétimo sonho. Só acordei quando já sobrevoamos o Caribe e a sequência de ilhas e países que pretendemos visitar nos próximos 35 dias.
Dia de sol na praia tipicamente caribenha de Dover, na costa sul de Barbados, no Caribe
Já saímos do aeroporto internacional de Barbados, o mais movimentado da região, devidamente motorizados. Seguimos diretamente para o litoral sul da ilha, face voltada para o tranquilo Mar do Caribe e onde se concentram os hotéis com preços civilizados. Os “não-civilizados” estão na bela costa oeste da ilha, que pretendemos visitar nos próximos dias. Ficamos em um pertinho da praia de Dover, uma das mais belas da ilha. Aliás, antes mesmo de encontrarmos o hotel, já estávamos nessa praia, almoçando e matando a saudade desse visual maravilhoso de águas verde-esmeralda e areias brancas, quase rosadas. O Caribe é mesmo uma pintura!
Rum Punch para celebrar o retorno ao Caribe, na praia de Dover, na costa sul de Barbados
Testando a temperatura da água na praia de Dover, na costa sul de Barbados, no Caribe
Bem, achamos nosso hotel, nos instalamos e voltamos para a praia, dessa vez com mais calma. Depois de tanto tempo, nada como um mar com águas quentes em que se pode nadar. Nosso último banho de mar havia sido na Baja California, no México. E mesmo lá, com frio! Bom, nesse próximo mês, vamos poder matar toda a saudade, não só de água quente e de sol, mas também da música, dos rum punches e do clima baiano desse incrível pedaço do nosso continente. Viva o Caribe!
Enfim, de volta ao mundo tropical! (praia de Dover, na costa sul de Barbados, no Caribe)
O Rafa preparando caipirinha para os russos, na Ilha de Darwin, em Galápagos
Uma semana de vida à bordo, o maior período que já passei flutuando desde os nove meses pré-natais, foram mais do que suficientes para estabelecermos uma gostosa rotina diária. A gente era acordado com música nos autofalantes por volta das sete da manhã e, logo em seguida, o tradicional discurso de bom-dia do Capitão Vitor, num inglês com total sotaque castelhano que, invariavelmente, nos convidava para um "delicious breakfast in the paradise islands!".
Isla Wolf e seu reflexo, em Galápagos
A manhã seguia com dois mergulhos maravilhosos intercalados com um lanche rápido e quentinho e, em seguida, "delicious lunch"! Hora da siesta e mais um mergulho de tarde. Umas cervejinhas para relaxar, muita socialização com os outros passageiros, banho e "delicious dinner"! Mais um pouco de conversa e todos para a cama, pois incríveis mergulhos nos esperam para amanhã!
Todos jantando no salão das refeições do nosso barco, ao largo da Ilha de Santiago, em Galápagos
Esse era o roteiro básico, adaptado às mudanças do dia à dia. Como nós fomos "encaixados" de última hora neste barco, já que o que havíamos contratado tinha furado, só conseguimos um quarto de casal para nós, além de duas outras vagas em quartos duplos. A solução foi a gente dividir o quarto de casal, o Rafa e a Laura nas primeiras 3 noites e eu e a Ana nas 3 noites finais. Enquanto isso, a Ana e a laura dividiam um quarto com a sueca Maria enquanto eu e o Rafa dividíamos um quarto com o russo Koxta.
Os russos tomam sol no sun deck do barco, na ilha de Wolf, em Galápagos
Aproveitando as últimas luzes do dia para fotografar, na ilha de Wolf, em Galápagos
Fora esse pequeno "inconveniente", o Galápagos Sky era super confortável. Alguns quartos no andar inferior, um grande salão de refeições conjugado com um salão de visitas ao nível do mar e os quartos mais bacanas no andar de cima, com bela vista para o mar. Ao lado do salão de refeições um sortido open bar e a cozinha sempre movimentada para alimentar tantas bocas. Do lado de fora, o deck de mergulho, onde nos arrumávamos e embarcávamos nas pangas (botes motorizados) que nos levavam e buscavam dos pontos de mergulho. Na volta, éramos sempre recebidos por uma tripulação que nos ajudava com as roupas e nos dava toalhas quentinhas e confortáveis. Do lado de fora do segundo andar, outro deck com mesas, cadeiras e mais um bar. Por fim, no telhado, o sun deck, com cadeiras de sol e redes que nos convidavam para o ócio comtemplativo.
Hora do descanço no sun deck do barco, na ilha de Wolf, em Galápagos
O deck de mergulho do nosso barco (Isla Isabel, em Galápagos)
As refeições eram muito gostosas, muitas frutas no café da manhã, buffet no almoço e jantar com duas escolhas de pratos principais, sempre acompanhados de vinho. A cada noite, o capitão convidava alguns passageiros para se sentar à sua mesa, sempre uma boa conversa sobre o Equador ou Galápagos. Ele é de Baños e já subiu algumas vezes o Chimborazo!
O deck do bar do nosso barco (Isla Isabel, em Galápagos)
Os passageiros acabaram por se dividir em dois grandes grupos: os russos e o resto do mundo. Ficamos muito amigos do Friso e da Maria, além do Henning. Mas também conversávamos bastante com o Koxta. Os outros russos quase não falavam inglês e era sempre engraçado tentar nos comunicar com eles. Depois da vodka, ficavam bem menos tímidos e a conversa fluia mais!
Tubarões de Galápagos (quase inofensivos!) cercam nosso barco durante a noite na Ilha de Darwin, em Galápagos
A navegação entre as ilhas era feita, sempre que possível, de noite, para que estivéssemos no lugar certo já na hora certa. Mas algumas vezes navegávamos de dia, sempre acompanhados de pássaros no alto e golfinhos por baixo. Algumas vezes, de noite, com o barco parado, eram os tubarões que nos cercavam. Não, não eram só os tubarões. Na verdade, foi a natureza que nos cercou durante toda essa semana. É incrível a quantidade de vida nesse arquipélago. Nas ilhas, no mar e no ar, para onde se olha, lá estão as criaturas que fazem destas ilhas um lugar tão especial! No próximo post, vou falar dos bichos que vivem na terra e no ar aqui em Galápagos.
O Galapagos Sky, nosso barco! (Isla Isabel, em Galápagos)
A Missão Franciscana de san Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Os espanhóis conquistaram as Américas com três poderosos e eficientes exércitos. O primeiro eram os soldados propriamente ditos, “los conquistadores”. Com um punhado de soldados e alguns cavalos, mas com muita astúcia, Cortez e Pizarro derrotaram poderosos impérios que comandavam milhões de pessoas, os astecas e os incas, respectivamente. Outros povos menos conhecidos tiveram a mesma sorte (ou azar!) nas mãos e espadas dos espanhóis.
Guia leva grupo para conhecer a Mission de San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
O segundo exército foram os germes e micróbios trazidos do velho mundo. Uma verdadeira guerra biológica que matou, em menos de um século, mais gente nas américas do que morreram nas duas guerras mundiais do séc XX somadas. Quem realmente conquistou o continente e colocou os antigos habitantes e civilizações da América de joelhos não foram espanhóis, portugueses ou ingleses, mas a varíola.
A Missão Franciscana de san Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Por fim, na retaguarda, vinha o exército da cruz, padres, bispos e freis de diversas ordens religiosas que tinham por objetivo catequizar as populações locais, aumentando o rebanho da igreja e os súditos dos reis de Espanha. Traziam a fé católica e a cultura europeia, ajudando a “civilizar” os nativos, ensiná-los a usar roupas, cantar e rezar em latim. Mas, ironias à parte, não só isso, claro. Essas ordens foram alguns dos poucos movimentos a tentar proteger os índios da escravidão, a tentar preservar parte da sua cultura a ajudá-los a se adaptar ao novo modo de vida que lhes era imposto.
As belas janelas da Mission de San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Entre as ordens mais ativas, estavam jesuítas, franciscanos e dominicanos. Eles estabeleciam as chamadas missões ao longo das fronteiras e linhas de frente das colônias, muitas vezes sendo os primeiros a ter contato com a população nativa. Aprendiam seu idioma, para poder se comunicar melhor, assim como a sua cultura, até para ajudar a descobrir a melhor maneira de chegarem aos seus corações e mentes, para poder catequizá-los. Muitas vezes, eram empreitadas perigosas, e não são poucos os casos de padres que morreram a flechadas ou no caldeirão de alguma tribo antropófaga.
As belas janelas da Mission de San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Mas, de maneira geral, tiveram bastante sucesso naquilo que pretendiam. O catolicismo “conquistou” o continente, franciscanos e jesuítas os mais eficientes nesse processo. Ao longo de nossa viagem, estivemos em várias dessas missões, que se espalharam da Argentina à California. E chegaram aqui no Texas também, sob a mãos dos franciscanos. O Alamo, onde estivemos ontem, era originalmente uma missão. Mas não a maior delas. Essas, ficavam um pouco mais ao sul, onde estivemos hoje. A mais bela e famosa é a Mision de San Jose, muito bem restaurada. Nossa intenção era passar rapidamente e já seguir para a fronteira, para cruzar para o México ainda hoje. Mas gostamos tanto do que vimos que estendemos o passeio e resolvemos dormir ainda do lado de cá, na cidade de Laredo, ao lado do México, mas ainda nos Estados Unidos. Afinal, diz o bom senso, mais seguro do lado de cá que do lado de lá, principalmente de noite e colado na fronteira. Amanhã cedo, aí sim, entraremos com força total no mundo latino, do qual temos tantas saudades.
Cemitério da Mission San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Na Mision San Jose, acompanhamos um tour gratuito que é dado de hora em hora. Muito joia e elucidativo. Vimos como viviam os índios e frades aqui da Mision, como era o trabalho de catequese e a divisão de tarefas para manter tudo funcionando, população alimentada e vestida. Posso ter minhas críticas para o papel da igreja nesse processo de colonização, mas é impossível não reconhecer também os méritos. Eram eles os grandes e talvez os únicos protetores dos índios num mundo que não mais lhes pertencia. Não é a toa que, lá pelas tantas, jesuítas foram expulsos das colônias espanholas e portuguesas da América. Sem eles, seria mais fácil explorar os indígenas.
A fachada da Mission San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Mas, nem todos os indígenas precisavam da igreja para defendê-los. Muitos, nunca se converteram ou se “civilizaram”. Na verdade, as missões e os índios apaziguados e convertidos eram apena mais uma vítima de seus ataques e pilhagens. Exemplos assim se espalham pelo continente, mas aqui na América do Norte, o melhor exemplo são as tribos do oeste americano e, entre os mais ferozes, Comanches e Apaches.
Visitando a missão franciscana de San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Assim que os espanhóis começaram a colonizar o continente, no início do séc XVI, alguns de seus cavalos fugiram. Aos poucos, esses animais migraram para o norte, chegando às grandes pradarias, ambiente ideal para a espécie. Não demorou muito e já eram enormes manadas correndo livres pelos campos. Imagina o susto das tribos que ali viviam por milênios, sem nunca ter visto um animal parecido e, de repente, lá estão eles. Ao contrário de incas e astecas, que nunca tiveram tempo para se adaptar a esse novo animal e verdadeira máquina de guerra, pois foram conquistados logo no início, Apaches e Comanches tiveram alguns séculos para aprender a viver com cavalos e fazê-los parte de seu modo de vida. Quando a civilização finalmente os alcançou, em finais do século XVIII, já eram exímios cavalheiros.
Visitando a missão franciscana de San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Além disso, através do comércio com os brancos, também tiveram acesso às armas de fogo. Ou seja, dominavam bem duas das principais inovações que ajudaram espanhóis a derrubar de uma só vez as grandes civilizações pré-colombianas. De vítimas, passaram á algozes e os mexicanos eram suas vítimas preferenciais, mesmo antes da independência da Espanha. Por décadas e décadas, combateram em pé de igualdade, pilhagens para cá e expedições punitivas para lá. As missões... estavam no meio do caminho.
A Missão Franciscana de san Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Bem, aos poucos, índios catequizados, as missões foram perdendo a importância e sendo desativadas e abandonadas. A de San José, após ser quase totalmente destruída pelo tempo, foi restaurada pelo governo americano, a partir da década de 50. Hoje, são um colírio para os olhos que quem as visita, um lembrete de que, do Paraguay (onde vistamos belíssimas missões jesuítas) ao Texas, foram os espanhóis os donos do pedaço. Quanto aos índios ferozes do norte, resistiram o quanto puderam. Mas acabaram, eles também, por sucumbir à civilização, ao General Custer, ao mais poderoso exército do mundo e ao Rin-Tin-Tin. É a marcha inclemente do progresso e da civilização, seja através da espada, da cruz ou da varíola.
Área central da Mission San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
A noite cai e as luzes se acendem em Buenos Aires, capital da Argentina
A primeira vez que eu estive em Buenos Aires foi em Fevereiro de 92. De lá para cá foram outras seis vezes, o que dá uma boa pista sobre se eu gosto ou não dessa cidade... A última vez foi em 2007, na primeira viagem internacional que eu e a Ana fizemos juntos. Aliás, a foto que ilustra o blog dela, no alto da página, é dessa viagem, de um simpático bar no bairro de San Telmo. Enfim, cá estamos mais uma vez, agora dentro do nosso projeto dos 1000dias. Esta cidade que tanto gostamos calhou de ser nossa última capital federal nessa jornada por todos os países das Américas. Capitais estaduais, ainda temos Porto Alegre e Florianópolis pela frente.
O nome do post simboliza muito bem o que sentimos pela capital argentina. Mas, muito mais do que isso, é uma homenagem a um dos mais populares tangos do insuperável Carlos Gardel, que apesar de uruguaio, era argentino do coração. O estilo da música, o tango, é a própria cara do país, uma leitura da alma do povo que aqui vive. A letra da música, bem, essa não preciso dizer a quem homenageia, certo? Enfim, era essa a música que tínhamos em mente enquanto fazíamos uma longa caminhada pela cidade hoje, revendo lugares que já conhecíamos e, como sempre acontece nessa charmosa metrópole, aprendendo e vendo coisas novas.
O Obelisco e o rosto de Evita, em Buenos Aires, capital da Argentina
Um dos mais movimentados cruzamentos do centro de Buenos Aires, capital da Argentina
A cidade de Buenos Aires foi fundada duas vezes, e no mesmo lugar. A primeira foi pelo espanhol Pedro de Mendoza, em 1536. Ele cruzou o oceano com vários colonizadores especialmente para isso, fundar uma cidade na desembocadura do Rio da Prata, descoberto alguns anos antes, para garantir o controle espanhol da região. Mas a hostilidade dos indígenas locais fizeram esses primeiros colonizadores mudar de ideia rapidinho. Eles partiram rio acima, seguindo o leito do rio da Prata, entrando pelo Paraná e rio Paraguay até chegarem ao local da atual Asunción, onde fundaram a cidade que seria a mais importante do sul do continente pelos próximos dois séculos. Enquanto isso, a pequena Buenos Aires sumiu do mapa pelos próximos 50 anos. Até que, numa ironia da história, habitantes de Asunción desceram o rio para “refundar” a antiga cidade de onde haviam partido, duas gerações antes, os fundadores da própria Asunción.
Chegando à Plaza Libertador San Martín, em Buenos Aires, capital da Argentina
Torre de Los Ingleses, em Buenos Aires, capital da Argentina
Apesar da localização estratégica, Buenos Aires sofreu com a política espanhola de centralizar todo o comércio com suas colônias sul-americanas em Lima, no Perú. Assim, todos os produtos importados ou para exportação tinham de fazer o duro caminho através da Bolívia e dos Andes até chegar à cidade peruana. A consequência disso foi que a atual capital argentina não se desenvolveu, tornando-se, na verdade, um centro de contrabando. A situação só mudou em 1776, quando a cidade tinha 20 mil habitantes e foi escolhida para ser a capital do Vice-reinado do Prata, agora com licença para comercializar diretamente com a Espanha.
O teatro Cervantes, em Buenos Aires, capital da Argentina
Sinagoga em Buenos Aires, capital da Argentina
O próximo grande evento aconteceu 30 anos mais tarde, já no séc. XIX, no contexto a era napoleônica na Europa. França e Espanha eram aliadas contra a Inglaterra e as tropas de sua majestade resolveram ocupar a capital portenha em represália. Eles até conseguiram, por um curto período, mas foram surpreendidos por uma revolta popular contra a ocupação, Os habitantes da cidade, quando perceberam que só estavam “mudando de patrão”, botaram os ingleses para correr, uma vitória que ainda é celebrada nos dias de hoje. Não apenas essa, mas também quando resistiram a nova invasão no ano seguinte, em 1807.
A enorme e centenária figueira ao lado do Teatro Colón, em Buenos Aires, capital da Argentina
PLaza Libertador San Martín, em Buenos Aires, capital da Argentina
Conscientes da própria força, resolveram ir além! Em maio de 1810, quando o rei espanhol foi deposto por Napoleão, aproveitaram o ensejo e decretaram o corte de relações com a antiga metrópole. Seis anos mais tarde, no congresso de Tucumán, foi a vez de oficializarem a independência, que se concretizou depois de uma guerra sangrenta com as tropas realistas. Mas a Argentina não era um país, e sim uma confederação de províncias. Buenos Aires, portanto, apesar de ser a cidade mais poderosa, só era a capital de sua própria província. Mas com muita influência nas outras províncias. Essa situação meio confusa se manteve pelos próximos 30 anos, enquanto a corrente dos federalistas e unitaristas disputava o governo e o país. Nesse período conturbado, por duas vezes a cidade sofreu o bloqueio naval por parte de potências estrangeiras (França e Inglaterra), aliadas de províncias rebeldes. Mas, para orgulho local, os portenhos não se curvaram e nenhum soldado estrangeiro jamais colocou os pés de volta na cidade, desde a expulsão dos ingleses em 1807.
O famoso Teatro Colón, em Buenos Aires, capital da Argentina
Cores de fim de tarde nos céus de Buenos Aires, capital da Argentina
A unidade do país finalmente veio na segunda metade do século, com os presidentes Urquiza e Mitre, e com ela uma maior estabilidade política e econômica. Já como capital de todo o país, Buenos Aires começou a se desenvolver rapidamente, tanto com as exportações de carne e grãos pelo seu porto, como com a chegada de dezenas de milhares de imigrantes, provenientes principalmente da Itália e da Espanha. Esses novos moradores se instalaram principalmente no sul da cidade, nos bairros de San Telmo e La Boca, enquanto a elite e alta sociedade se mudava mais para o norte, bairros do Retiro e Recoleta. Com o passar do tempo, a crescente classe média também teria os seus bairros, como Palermo e Belgrano.
Teatro Colón, em Buenos Aires, capital da Argentina
O Obelisco da Av. 9 de Julio, em Buenos Aires, capital da Argentina
Enfim, na entrada do séc. XX, Buenos Aires vivia um boom. Foi a primeira cidade latino-americana a superar um milhão de habitantes, parques se espalharam pela cidade, assim como grandes mansões e enormes prédios públicos e teatros. A magnífica arquitetura clássica de influência francesa que vemos hoje vem toda dessa época de glória, como aqueles que foram, durante muito tempo, o mais alto prédio da América Latina, o Kavanagh, e o maior teatro de todo o hemisfério sul, o Colón. Hoje, quando caminhamos pela Av. Córdoba ou Santa Fé e olhamos para os belos prédios que nos cercam, estamos vendo 100 anos atrás.
PLaza Libertador San Martín, em Buenos Aires, capital da Argentina
PLaza Libertador San Martín, em Buenos Aires, capital da Argentina
A cidade continuou a crescer durante o séc. XX, agora atraindo cada vez mais imigrantes internos, do vasto interior. Linhas de metrô foram sendo escavadas desde o início do século para dar vasão ao movimento que só aumentava. Na década de 30, todo o espaço entra duas ruas paralelas foi derrubado para dar lugar a avenida mais larga do mundo a 9 de Julio, que chega a ter 16 pistas com seu característico e enorme Obelisco ao fundo. Hoje são quase 4 milhões de habitantes, mas se considerarmos todas as cidades que foram engolidas pela grande metrópole, esse número chega a assustadores 15 milhões. Mas para os turistas e visitantes, quase tudo o que interessa está num espaço pequeno e que se pode caminhar, pelo menos para aqueles com mais energia.
Foi o que fizemos hoje, eu e a Ana. Foram cerca de 10 km de caminhada pelas charmosas ruas, avenidas e parques da cidade. Saímos lá do nosso hotel em Palermo, caminhamos até a Av. Santa Fé e por ela viemos até o centro. Não sem antes pararmos na magnífica livraria El Ateneo. Desde que sou criança e minha mãe viajou para cá pela primeira vez, ainda nos tempos de Isabelita na década de 70, que ouço falar das livrarias da cidade. Quando vim pela primeira vez, fui forçado a concordar que elas são mesmo maravilhosas e essa, a Ateneo, talvez seja o melhor exemplo. Sempre que venho para cá, perco (ou, na verdade ganho!) um bom tempo por lá.
Chegando a uma das mais charmosas livrarias de Buenos Aires, capital da Argentina
Interior do "El Ateneo", a mais bela livraria de Buenos Aires, capital da Argentina
Bom, seguimos a caminhada até centro, mais especificamente até o parque San Martin, um enorme jardim no norte da região central, cercado por diversos prédios clássicos e monumentos. Um dos mais belos, já na direção do rio da Prata, é a Torre dos Ingleses, um dos marcos arquitetônicos da cidade. Aproveitamos para pausar um pouco, respirar o ar puro e recuperarmos o fôlego para o longo caminho de explorações que ainda tínhamos pela frente.
PLaza Libertador San Martín e Torre de Los Ingleses, em Buenos Aires, capital da Argentina
Momento de descanso na Plaza Libertador San Martin, em Buenos Aires, capital da Argentina
Percorremos então a Florida, o famoso calçadão comercial que corta o centro da cidade e que também começa no parque San Martín. É um dos melhores lugares para se ver gente, turistas e locais, além do sempre presentes “arbolitos”, como são apelidados os cambistas. Aí na Florida também está a galeria Pacífico, um shopping center centenário, com ares clássicos e tetos cobertos de belos afrescos. Por muito tempo esteve fechado e abandonado, mas foi recuperado por empresários e hoje faz a alegria de visitantes como nós.
Calle Florida, em Buenos Aires, capital da Argentina
Os belos afrescos no teto da Galeria Pacífico, na Calle Florida, em Buenos Aires, capital da Argentina
Seguimos então pela Av. Córdoba, onde cruzamos a 9 de Julio mais uma vez (sempre uma longa travessia!) e chegamos aos imponentes teatros Cervantes e Colón, além da maior sinagoga da cidade. Nessa região é onde está a maior concentração de prédios monumentais, lembranças de tempos áureos da cidade. Os dois teatros podem ser visitados em tours, mas bom mesmo é assistir um espetáculo no sempre concorrido Colón, quando ele não está em reformas. As reservas devem ser feitas com semanas de antecedência!
O famoso Teatro Colón, em Buenos Aires, capital da Argentina
Teatro Colón, em Buenos Aires, capital da Argentina
Por fim, seguimos para a Plaza de Mayo, onde estão os prédios públicos mais famosos, como o antigo Cabildo (a prefeitura) e a famosa Casa Rosada, sede do governo federal. Quantas vezes não vi essa praça pela TV, manifestações de jubilo na época das Malvinas ou da abertura democrática de Alfonsín. Ou em cenas de cinema, com Perón e Evita acenando para dezenas de milhares de empolgadas pessoas. Na verdade, a frente da Casa Rosada está para o outro lado, mas é a sacada nas suas costas, virada para a praça, o lugar mais emblemático.
Cabildo de Buenos Aires, capital da Argentina
Plaza de Mayo, em Buenos Aires, capital da Argentina
Chegamos aí no fim do dia e acompanhamos as luzes de iluminação serem ligadas. Como não poderia deixar de ser, as luzes da Casa Rosada são rosas! E dessa cor ela fica, ainda mais forte, durante a noite, algo entre o kitsch e o tradicional, afinal, esta é a Casa Rosada.
A Casa Rosada, sede do governo federal, iluminada a carater, na Plaza de Mayo, em Buenos Aires, capital da Argentina
O relógio marca 8 da noite na cidade de Buenos Aires, capital da Argentina
E assim foi o nosso dia, caminhando por essas ruas que nos são cada vez mais familiares. Mas, como já disse, é sempre um prazer andar por aqui e, mais ainda, encontrar um bom café e não caminhar, apenas ver a vida passar, apressada, ao nosso lado. Acompanhado de uma boa media luna e empanada, não tem programa melhor.
ATravessando a avenida mais larga do mundo, a famosa 9 de Julio, em Buenos Aires, capital da Argentina
Pausa para café durante passeio a pé em Buenos Aires, capital da Argentina
Já de noite, voltamos de metrô para Palermo. Ainda temos de caminhar na Recoleta, em San Telmo e na Boca, mas temos tempo para isso. A noite, aí já estamos mesmo no lugar certo, Palermo. Aí estão dezenas de bares e restaurantes para todos os gostos. Conforme havia combinado com a Ana, a cada noite por aqui, um bom restaurante. O que não significa caro, mas charmoso. É o que não falta aqui em Palermo. Esta noite foi dia de tapas. E vinho, claro! Um brinde a Buenos Aires!
Nosso delicioso restaurante na segunda noite em Buenos Aires, na Argentina
Meditação na Peña de Bernal, no México
Nosso plano original, antes de voltarmos ao México, era de seguirmos por grandes cidades até a cidade de Puebla, já bem perto da Cidade do México. Daí, seguiríamos para o Yucatan, via Vera Cruz. Fizemos um roteiro passando por aquelas de relevância histórica, como San Luiz Potosi e Queretaro, além da própria Puebla.
Nosso caminho dos últimos dias, entre o Potrero Chico e a Peña de Bernal, passando por Real de Catorce e San Miguel de Allende. O Google não mostras as estradas pequenas, mas enfim...
Até começamos pela cidade planejada, Monterrey, a terceira maior do país. Foi quando os planos começaram a mudar. Conversando com o Gera, brasileiro que mora na Cidade do México e com outras pessoas que fomos conhecendo no caminho, as indicações eram de deixar as cidades grandes de lado e seguirmos para as pequenas e charmosas cidades espalhadas pelo país.. Não que as grandes também não fossem interessantes, mas com o tempo limitado e tendo de escolher, não restava dúvida.
Bernal, no México
Visitando o Pueblo Mágico de Bernal, no México
Além disso, foi só aqui que passamos a ter tempo novamente para ler sobre o país. Viagem apertada como a nossa acaba sendo assim: em vez de planejar a semana seguinte, só conseguimos nos preparar para o próximo dia. E olhe lá! Tem vezes que me pego planejando o dia de ontem, hehehe!
Bernal, no estado de Queretaro, com a famosa pedra ao fundo, no México
Igreja do Pueblo Mágico de Bernal, no México
Enfim, depois de passarmos por cidades como Real de Catorce e San Miguel de Allende, aí qualquer dúvida que havia se dissipou. No nosso atual “mood”, são mesmo as pequenas que nos atraem! Foi assim que viemos para mais uma pequena cidade, ela também um Pueblo Mágico, a pequena Bernal. No caminho, ficaram as famosas San Luiz Potosi, que passamos rapidamente pelo centro, e Querétaro, que só vimos mesmo da estrada. A vontade de conhecê-las continua, mas não será dessa vez...
O imenso monolito conhecido como Peña de Bernal, no México
A fama de Bernal vem do enorme monólito ao lado da cidade, conhecido como Peña de Bernal. Anunciado como o “terceiro maior monólito do planeta”, atrás apenas de Gibraltar e do Pão de Açúcar, essa enorme rocha com mais de 300 metros de altura já chama a atenção de longe. Essa história de “terceira maior” não é muito científica, já que o próprio conceito de monólito é meio difuso. A Pedra da Gávea, por exemplo, também poderia ser chamada de monólito e é maior que o Pão de Açúcar. Mas, definições e classificações à parte, a Peña de Bernal é linda, atraindo alpinistas e místicos à região, que seria um grande “centro de energia”, seja lá o que isso significa na prática.
Peña de Bernal, no México
Chegamos no fim da tarde do dia 22 e deixamos a nossa visita à enorme pedra para o dia seguinte. Aproveitamos as últimas horas do dia para conhecer a pequena cidade. Muito simpática e pacata, mas mal acostumados que estávamos com Real de Catorce e San Miguel de Allende, ficamos um pouco decepcionados. Tudo depende mesmo das expectativas...
Caminhada na famosa Peña de Bernal, no México
Hoje cedo, partimos para a principal atração da pequena Bernal, a famosa Peña. É possível caminhar, ao início sobre uma trilha e depois, sobre a própria rocha, até pouco mais da metade da altura do enorme rochedo. Quanto mais alto, mas bela a vista dos arredores, a cidade ficando cada vez menor aos pés da montanhas. Ao longo desse caminho, várias paredes que fazem a alegria de escaladores, com diversas rotas possíveis.
Subindo o imenso monolito conhecido como Peña de Bernal, no México
Por fim, chegamos a um ponto onde, daí para frente, só com cordas mesmo. Ou então, com muita coragem para enfrentar os grampos de ferro cravados na parede de pedra. Eu até segui mais uns 40 metros para o alto, evitando olhar para baixo. À diferença de Potrero Chico, aqui não tinha nenhuma corda de segurança e um erro qualquer poderia ser, literalmente, fatal. A Ana, sem um calçado adequado, ficou lá embaixo mesmo.
Pausa na subida da Peña de Bernal, no México
Eu desci para ver se ela queira ajuda ou incentivo, mas ela já estava decidida a ficar por ali mesmo. Aproveitei a chance e fiquei lá também, curtindo a vista que já era espetacular. A pequena cruz que nos esperava no alto da montanha teve de ficar solitária mesmo. Pelo menos, no dia de hoje.
Do alto da Peña, avistando a cidade de Bernal, no México
Para nós, foi uma delícia de caminhada e nosso primeiro dia de treinamento de uma longa sequência planejada até o Pico Orizaba, a mais alta montanha do país. Finalmente, já estamos com tudo planejado, inclusive nossos encontros com o Gera e com a Val. Aliás, a Val chegou hoje à Cidade do México e vamos todos nos encontrar amanhã, no final do dia, em Toluca. Ela vai para lá de carona com o Gera e nós quatro juntos subiremos o belo Nevado de Toluca. Será nossa primeira montanha de grande altitude e 3ª etapa de nossa preparação. Terceira? Pois é, ainda não falei da segunda! Fica na cidade de Tepoztlan, ao sul da capital federal e para lá seguimos ainda hoje, para nossa caminhada de amanhã. Assunto para o próximo post!
Vegetação semidesértica ao redor da Peña de Bernal, no México
Plaza de La Liberación em Guadalajara, no México
Hoje, após o refresco de Tlaquepaque, estávamos prontos para enfrentar um dia de andanças pelo centro de Guadalajara. Optamos por deixar a Fiona seguramente guardada num estacionamento e seguir de táxi ao centro histórico, para não termos de nos preocupar com caminho, trânsito e estacionamento da nossa companheira. Guadalajara é a segunda maior cidade mexicana e a região metropolitana tem mais de 4 milhões de habitantes. Trânsito pesado, imaginei.
A bela Catedral de Guadalajara, no México
Que nada! Para começar, nem sinal daquelas gigantescas freeways da Cidade do México. Apenas avenidas “normais”, com canteiros, cruzamentos, sinais, etc... Prefiro assim! Segundo, o trânsito estava uma beleza. Talvez por ser sábado. Ou ainda, pela enorme confusão de ontem, que deixou toda a cidade assustada.
Interior da Catedral de Guadalajara, no México
Confusão? Pois é, eu também não sabia de nada, pelo menos até tomarmos nosso delicioso desayuno no hotel, devidamente acompanhado do jornal do dia, cortesia da casa. Ontem de manhã, numa operação especial, o exército mexicano prendeu em Guadalajara o chefe do cartel mais poderoso do estado de Jalisco. A vingança dos traficantes veio logo. Numa operação que muito lembra o Comando Vermelho ou o PCC dos “bons tempos”, vários ônibus foram incendiados na cidade e nas estradas da região. Guadalajara praticamente parou às 15:00 de ontem, ninguém mais querendo sair de casa ou andar pelas ruas.
Ônibus turístico no centro de Guadalajara, no México
E nós, que chegávamos à cidade nessa mesma hora, nem percebemos nada. Rumamos diretamente à tranquila Tlaquepaque e nada vimos ou sentimos. Enfim, hoje a imprensa estava em polvorosa. Jamais havia acontecido nada parecido aqui em Guadalajara. O cartel parece ter ficado satisfeito com o que conseguiu e hoje não chateou mais. A cidade e o trânsito estavam serenos como nunca.
Palacio del Gobierno, em Guadalajara, no México
A gente seguiu diretamente para a majestosa Catedral da cidade. Normalmente, a catedral fica na praça central de uma cidade. Mas aqui em Guadalajara, não é bem assim. Não que não fique no centro, mas é que a Catedral não tem “apenas” uma praça, mas quatro! Uma em cada lado, cada uma com seus próprios prédios públicos, jardins e atrações, conferindo personalidades distintas para cada praça. Muito legal!
Um anjo pousa na Plaza Tapatía, em Guadalajara, no México
A Catedral em si, além de majestosa por fora, é deslumbrante por dentro. Muito bonita mesmo. Depois de passarmos um tempo dentro dela, passamos a percorrer as quatro praças, todas cheias de vida como todas as praças mexicanas. Foi quando a fome bateu e fomos procurar um bom restaurante. Não demorou muito e achamos um muito charmoso, construído numa antiga mansão colonial. Soma-se a fome, a vontade de comer e a qualidade da comida e o resultado foi um excelente almoço.
Formatura com pompa e cisrcunstância em Guadalajara, no México (Instituto Cabañas))
Voltamos então às praças! Dessa vez àquela que fica atrás da Catedral, a Plaza de La Liberación. Foi onde nasceu a cidade, por volta de 1540, o evento imortalizado num grande escultura na praça. No lado oposto está o pomposo prédio que abriga o principal teatro de Guadalajara. E atrás dele, a Plaza vira um calçadão que se estende até a próxima praça, a Tapatía. Essa é a mais movimentada de todas, artistas de rua com suas performances, muitas famílias passeando juntas e até um pessoal tirando a tradicional foto de formatura num dos prédios públicos da praça.
Mercado San Juan de Diós, em Guadalajara, no México
Bem ali do lado está um dos mercados mais conhecidos do México, o San Juan de Diós. Dois grandes quarteirões cobertos e um labirinto de corredores e passarelas cercados por lojas e vendas de produtos de todo o tipo. Desde as tradicionais frutas e hortaliças passando por artesanato e produtos para simpatia, chegando aos tradicionais sombreros e artigos de couro. Examinando as botas e cintas, sentimos aquele patriotismo chinfrim: são produtos brasileiros!
Venda de botas no Mercado San Juan de Diós, em Guadalajara, no México
No meio do mercado, uma grande praça aberta, mais uma na nossa lista de hoje. Ali, um show de música típica animava o público, gente só de passagem ou os poucos turistas que chegaram até lá. A música da praça nos animou a seguir até uma outra, a poucos quarteirões dali. A famosa Plaza de Los Mariachis, onde nasceu esse movimento, muitas décadas atrás. Daí se espalhou pelo país, principalmente para o sul, tornando-se um dos símbolos mais conhecidos do México.
A famosa Plaza de los Mariachis, no centro de Guadalajara, no México
Mariachi descansa pela ausência de clientes, em Guadalajara, no México
Então, fomos lá prestar uma reverência e brindar uma cerveja a eles. Infelizmente, a praça já não é mais aquela, quase sem turistas e com os mariachis sentados em suas cadeiras, esperando clientes. Hoje, segundo dizem, o melhor lugar para observá-los é mesmo na praça de Tlaquepaque, onde estivemos ontem. Realmente, lá é mais animado...
A Ana pratica sapateado no tradicional clube La Fuente, no centro de Guadalajara, no México
Mas nós continuávamos animados. Voltamos pelas mesmas praças que já tínhamos passado até a Plaza La Libertad, atrás da Catedral. Ali pertinho está um dos botecões mais tradicionais de Guadalajara, o La Fuente. Um salão sem janelas, pé direito alto, cheio de bebedores profissionais e muito boa música, ao vivo. Melhor que isso, uma simpática moça fazendo sapateado num tablado em frente à banda de música. Não demorou muito e ela levou a Ana para lá, para alegria dos clientes do bar. Minha querida esposa não fez feio e sapateou à vontade!
Famosa Birrieria no centro de Guadalajara, no México
Depois de tanto esforço, a fome apertou novamente. Fomos então para a última praça da noite, a Plaza de Las Nueve Esquinas, alguns poucos quarteirões ao sul da Catedral. Ali é o melhor lugar para encontrar Birrierias, que vendem carne de bode e de carneiro em pratos típicos. Entre uma birria (carne de bode) e uma barbacoa (carne de carneiro), ficamos com a segunda. Uma delícia! Principalmente com um pouco de chilli. Aliás, de pouco em pouco vou me acostumando com o ardido da pimenta e ficando mais fã dela. Mas, para chegar ao nível mexicano, ainda tenho de comer muito feijão! Ou frijoles, como dizem aqui.
Tradicionalíssimo jantar na Birrieria 9 Esquinas, no centro de Guadalajara, no México
E assim terminamos o dia, de estômagos cheios e felizes. Rapidinho o táxi nos levou de volta à tranquilidade de Tlaquepaque, onde devemos passar um sai tranquilo amanhã, antes de continuarmos nossa jornada rumo ao norte do país.
Frase universal! (Guadalajara, no México)
As majestosas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Quando estávamos no México, pouco antes de entrar em Belize, começamos a estudar sobre o país, para tentarmos definir um roteiro. Sabíamos quais praias queríamos ir e também sobre San Ignacio, já quase na fronteira com a Guatemala, mas a dúvida era sobre qual(is) ruína(s) mayas visitar, entre tantas possibilidades. Felizmente, as dicas dos nossos amigos do AmericaTwentyEleven e uma franca conversa com o dono do hotel que ficamos em Corozal nos ajudaram a resolver essa questão.
Os cerca de 80 quilômetros de Estrada de terra que ligam San Ignacio às ruínas mayas de Caracol
O Gwen, o dono do hotel, reclamou da dificuldade de acesso de Caracol e da história da escolta militar, preferindo outras ruínas mais próximas. Mas quando lhe perguntei sobre quais eram as mais impressionantes, meio contrariado, ele cedeu: “Caracol!”. Por uma daquelas coincidências do destino, no mesmo dia chegou a nós o relato do TwentyEleven, inclusive com algumas fotos, sobre Caracol. Estava, então, decidido: era para lá que iríamos.
Turistas são aconselhados a seguir com escolta militar para as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
A estrada para as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Hoje chegou o dia! Ontem de noite, já em San Ignacio, a gente se informou sobre o caminho e a tal escolta. São oitenta quilômetros de estrada de terra, cerca de duas horas de viagem. Já a escolta, foi criada há alguns anos porque turistas vinham sendo assaltados por bandidos vindos da Guatemala. Caracol está muito próxima da fronteira, longe da civilização, numa área de selva ideal para que pessoas à margem da lei transitem para lá e para cá sem se preocupar com as autoridades. Desde que a escolta foi criada que esses incidentes terminaram e os donos do nosso hotel em San Ignacio disseram que era bem tranquilo. Para seguir com a escolta, tínhamos de estar no ponto de encontro, já quase na metade do caminho, bem cedinho. E para chegar lá nesse horário, teríamos quase que madrugar. É o que fazem os tours, a única maneira que turistas sem condução própria tem de chegar às ruínas.
Atravessando rio na estrada para as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Chegando às ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Tudo muito bem entendido, saímos cedo hoje, mas num horário mais civilizado. Ou seja, resolvemos perder a escolta e confiar que tudo está mais seguro hoje em dia. A escolta já tinha ido, mas o controle militar está na estrada, anotando o nome e os dados de todos os que passam por ali, na entrada e na saída. Além desse controle, tudo o que vemos em boa parte do caminho é apenas uma natureza exuberante, principalmente na área de uma reserva que ocupa um bom trecho da estrada. Muita mata, rios e sinais de cachoeiras. Deixamos para ver isso na volta, depois de termos garantido o “prato principal”, as ruínas de Caracol.
Escolta militar patrulha as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Detalhe das intrincadas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Com paciência, vencemos os 80 km em cerca de 1h30min, aproveitando os pneus largos e fortes da Fiona. Chegando ao nosso destino, lá estava a escolta e alguns poucos “escoltados” daquele dia, cerca de dez veículos. Para ruínas do porte de Caracol, isso não é praticamente nada. Esses grupos de pessoas ficam nas ruínas até as 14:30, horário de saída da escolta, quando voltam todos em comboio também.
Detalhe de esculturas em alto relevo nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Um dos muitos altares nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Caracol foi um dos maiores, mais poderosos e influentes centros mayas do período Clássico, a época de ouro dessa civilização, entre os anos 300 e 900 depois de Cristo. Seu poder rivalizava com o de Tikal, a mais famosa cidade maya, com quem teve diversas guerras. Algumas vezes vencia, outras perdia e, seguindo a tradição, a guerra sempre terminava com o sacrifício do soberano da cidade derrotada. Vida de rei também não era fácil naquela época. Quer dizer, vida não, a morte. Isso porque esse sacrifício era feito após uma longa e penosa tortura. Os deuses mayas adoravam os gritos de dor daqueles que seriam sacrificados em sua homenagem.
As incríveis ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Antiga construção tomada pelas árvores nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Aparentemente, a cidade foi muito influenciada, no início, por civilizações do México central, como Teotihuacán. Mas depois, uma cultura maya própria se desenvolveu, na arquitetura, ciências, religião e modo de governar. O mundo maya estava no auge e rotas comerciais ligavam os principais centros. Tikal, a apenas 80 quilômetros daqui em linha reta, ora influenciava Caracol, ora era influenciada por ela, dependendo de quem estivesse mais forte na época. Outra importante cidade maya, Copán, em Honduras, teve sua dinastia fundada por uma família saída de Caracol, o que mostra a extensão de sua influência.
Contemplando as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Um dos muitos templos nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
No seu auge a cidade ocupava uma área com cerca de 200 quilômetros quadrados e sustentava uma população de 150 mil pessoas, quase duas vezes maior que a de Belize City, a maior cidade do país atualmente. Junto com todas as outras grandes cidades do período Clássico, como Tikal e Copán, Caracol foi abandonada em meados do século X, em um dos grandes mistérios históricos que estudiosos debatem até hoje. Aparentemente, um conjunto de secas longas e severas, aliado com a superpopulação então existente, fez com que a civilização maya entrasse em colapso, não conseguindo mais sustentar tanta gente. A população deixou de crer na divindade de seus reis e simplesmente os abandonou, junto com sua nobreza e suas cidades, voltando para o campo e para as matas, numa espécie de “salve-se quem puder”. Com as cidades vazias, sem o povo para sustentá-los, nobres e reis simplesmente perderam sua razão de ser. E as cidades, abandonadas, foram, aos poucos, reconquistadas pela natureza.
Uma das grandes pirâmides nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Pirâmide ainda coberta pela vegetação nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Esse foi o destino de Caracol até que, na década de 30 do século passado foi redescoberta por um madeireiro e, logo em seguida, por dois arqueólogos ingleses. Belize ainda era a “British Honduras” e os estudiosos se impressionaram com a magnitude do local. Hoje, quem se impressiona somos nós! Uma infinidade de templos, pirâmides e palácios, várias construções enormes, muitas delas ainda cobertas por vegetação. Com o passar dos séculos, grama, arbustos e até árvores de grande porte cresceram sobre essas construções que, cada vez mais, pareciam montes naturais, e não construídos pelo homem.
Um dos túmulos encontrados por arqueólogos nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Visitando as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Caminhar pelas ruínas de Caracol, hoje, é um verdadeiro deleite para quem se aventura até lá. Primeiro, pela quantidade ínfima de turistas naquela área tão grande. Segundo, porque é possível ver, lado a lado, construções que foram restauradas e também as que não foram. Assim, podemos ver como eles eram antigamente e como a natureza retomou o seu terreno; como os mayas deixaram seus templos, há pouco mais de 1.000 anos e como os estudiosos os encontraram, há quase 80 anos. Esse contraste é esclarecedor!
A mata densa que cerca as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Ninhos de montezuma, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Por fim, e talvez o que mais nos impressionou, é a natureza pujante do local. Uma mata densa cerca todo o sítio e, inclusive várias de suas partes internas. Não só a flora como a fauna também! Foi emocionante acompanhar o canto dos montezumas, um pássaro escuro com a cauda bem amarela que faz ninhos dependurados em árvores altas e que tem uma incrível técnica de canto. Para conseguir cantar mais alto, eles atiram seu corpo para frente, aproveitando a queda para emitir sons ainda mais altos. Ao final do canto, estão de ponta cabeça, pendurados em seus galhos.
No alto da árvore, um pássaro montezuma, com sua característica cauda amarela, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
De ponta cabeça, um pássaro montezuma consegue cantar ainda mnais alto, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Mais incrível ainda foi o encontro com um numeroso bando de howler monkeys, ou macacos bugio gritador. O nome não poderia ser mais próprio! Que gritaria que fazem! Assim que ouvimos, corremos para o bosque em que estavam, aquela balbúrdia generalizada nos galhos 20 ou 30 metros acima de nós, macacos pulando para cá e para lá, fazendo esse som que pode ser ouvido a quilômetros! Ficamos um tempão por ali, admirados com aquela manifestação da natureza, justamente em uma das ruínas mayas que mais me impressionaram nesses 1000dias. Nós já tínhamos cruzado com esses macacos outras vezes, inclusive no Brasil, mas jamais por tanto tempo. Foi realmente especial!
Um emocionante encontro com um barulhento bando de macacos bugil gritador, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Um emocionante encontro com um barulhento bando de macacos bugil gritador, nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
De volta às ruínas, subimos e descemos diversas pirâmides, algumas com mais de 30 metros de altura, outras ainda cobertas de vegetação. A visão lá de cima é sempre mais abrangente. Além do mais, eram lugares sagrados, aos quais apenas sacerdotes e governantes tinham acesso. Imaginar que vemos hoje exatamente o que viam essas poucas pessoas doze ou treze séculos atrás é sempre uma maneira de nos aproximarmos deles. O que pensavam e em que tipo de mundo viviam? Essas perguntas ficam muito mais fortes quando estamos lá encima. Ai, se pudéssemos voltar no tempo... O que podemos tentar fazer é imaginar aqueles prédios todos com suas cores originais, as praças com centenas ou milhares de pessoas e as árvores de hoje, nem um vestígio delas. Depois de tantas cidades mayas visitadas e desenhos tentando mostrar como eram naquela época, já estamos ficando craques nesse exercício mental de viagem no tempo. Em um local vazio como Caracol, fica ainda mais fácil e gostoso ter essa “viagem”.
Caminhando por entre as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
As ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Mas, de volta à realidade a ao mundo de 2013, foi engraçado ver, em uma das praças da cidade, um campo de futebol moderno, com traves e tudo. É parte do passatempo dos soldados aqui estacionados. Aquelas mesmas pirâmides e templos que tanto assistiram aos juegos de pelota maya, que muitas vezes terminavam em sacrifício, hoje assistem a um bom e pacífico jogo de futebol. Se fantasmas há, eles devem se divertir também, só tentando imaginar as novas regras do jogo que era tão popular na sua época de vivos. Falando nos vivos, que legal que deve ser jogar futebol num cenário desses!
Um "juego de pelota" moderno nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
A simpática escolta militar nas ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Enfim, mesmo com macacos, montezumas, pirâmides e exercícios imaginativos, terminamos nossa visita um pouco antes do horário da escolta e resolvemos partir sem eles, mesmo. Mas antes, atraídos pela Fiona, alguns soldados vieram falar conosco e até tiramos uma foto com eles. Simpaticíssimos. Queríamos sair antes para evitar poeira na estrada e também para aproveitar alguma cachoeira no caminho.
Rio encachoeirado no caminho para as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Dito e feito, achamos um rio joia onde a Ana se refestelou nas quedas d’água. Eu, meio preguiçoso, só tirei as fotos e dei o apoio moral. Outros turistas já estavam por lá, enquanto alguns outros chegaram mais tarde. Mas, quase todos em seus tours organizados, amarrados no horário e na escolta, só tinham tempo para tirar uma foto e seguir seus caminhos. Quem aproveitou mesmo foi a Ana.
Rio encachoeirado no caminho para as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
No final da tarde, chegávamos de volta à San Ignacio. Felizes por termos enfrentado aqueles 80 km de terra para conhecer uma das mais fascinantes ruínas mayas que existem. Só podemos agradecer ao Gwen e ao TwentyEleven por terem botado pilha para que fôssemos ali. Um verdadeiro espetáculo! Falando nisso, amanhã tem mais! Vamos à caverna ATM, descoberta à meros 20 anos, com uma incrível riqueza arqueológica maya, entre cerâmicas e caveiras. Mais detalhes, no próximo post...
Delicioso banho de cachoeira em rio no caminho para as ruínas mayas de Caracol, em Belize, quase na fronteira com a Guatemala
Desfile de "carnaval" nas festas de independência de Cartagena, na Colômbia
Por uma grande coincidência, chegamos à Cartagena justo nos dias da maior festa anual da cidade. É a celebração da independência (data diferente do resto do país), época em que se faz um verdadeiro carnaval em Cartagena. São cinco dias de festas, de quinta à segunda, quando tudo para e há desfiles carnavalescos por toda a cidade, principamente na região do centro histórico, dentro e ao redor das centenárias muralhas que antes defendiam Cartagena de piratas e hoje atraem milhares de turistas anualmente à cidade.
Na muralha de Cartagena, na Colômbia
Durante esses dias não há muito o que possamos fazer em relação à nossa viagem ao Panamá. Aqui e ali, procuramos notícias de veleiros que possam nos levar para lá, mas ainda não fechamos nada. Na verdade, estamos é aproveitando para colocar os posts dos nossos blogs em dia, coisa que que acontece há alguns meses. Mas vamos sair da América do Sul zeradinhos, prontos para nova etapa da viagem.
A famosa "Plaza del Reloj", em Cartagena, na Colômbia
Nossa rotina tem sido acordar mais tarde, trabalhar no hotel e depois, no início da tarde, enquanto a cidade começa a esquentar os tamborins para as festas do dia, sairmos por aí, para ver desfiles e caminhar pelas charmosas ruas do centro histórico. O problema é que quase todos aqui, nesta época, andam com sprays de espuma e ficam se atacando mutuamente e também aos passantes incautos. A Ana é alvo preferencial deles e eu, se estiver por perto, sempre pego uma rebarba. Assim, não temos saído com a Nikon, para não arriscar. A Intova, nossa máquina mais "popular", não faz jus à beleza da cidade. Ou seja, até agora, não temos boas fotos da cidade ´para mostrar. Quem sabe, depois das festas e dos sprays de espuma...
Desfile entre os muros de Cartagena e o mar, na Colômbia
Fora essa questão das fotos, não podemos reclamar. Passeamos bastante nas ruas centrais admirando a bela arquitetura que ainda vamos fotografar... Assistimos à magníficos finais de tarde sobre os muros da cidade, bem em frente ao mar do Caribe, enquanto os desfiles transcorriam logo abaixo, na avenida entre a muralha e o mar.
Fogos de artifício na PLaza del reloj, na entrada da cidade murada de Cartagena, na Colômbia
Com nossos amigos colombianos no bar Esquina Sandiegana, na cidade murada de Cartagena, na Colômbia (foto de Christian Mendoza)
Mas, melhor de tudo, passamos noites memoráveis num boteco chamado Esquina Sandiegana, frequentado apenas por locais, onde pudemos danças muita salsa. A Ana, obviamente, muito mais do que eu! Ficamos muito amigos do Chistian e do Elith, este último um verdadeiro maestro da salsa. Ensinou muitos passos à Ana e era um prazer vê-los bailar. Até eu me soltei um pouco, mas não com aquela desenvoltura da minha cara-metade. Mas, enfim, foram noites que não esqueceremos, excelente trilha músical, ambiente alegre e caliente e a tradicional simpatia colombiana. Exatamente da maneira que idealizamos uma noite em Cartagena! Muito jóia mesmo!
Arriscando passos de salsa no bar Esquina Sandiegana, na cidade murada de Cartagena, na Colômbia (foto de Christian Mendoza)
Bailando salsa com o Elith no bar Esquina Sandiegana, na cidade murada de Cartagena, na Colômbia (foto de Christian Mendoza)
Também estivemos no muito mais famoso Cafe Habana, que nos tinha sido bastante recomendado pelo Douglas e a Clara. Um espetáculo, música ao vivo de excelente qualidade e muita gente bonita. Espero ainda ter a chance de voltar lá alguma vez.
Desfile de "carnaval" nas festas de independência de Cartagena, na Colômbia
Desfile de "carnaval" nas festas de independência de Cartagena, na Colômbia
Por fim, tivemos a sorte de ver um dos desfiles bem em frente ao nosso hotel, na Calle Larga. Aí sim estávamos com a máquina e pudemos registrar um pouco da beleza dos grupos fansasiados e das pessoas. Muito parecido com alguns desfiles do Brasil. Não tenho dúvida que, entre prós e contras, valeu muito passarmos por aqui justamente nessa época!
Felicidade pura em noite de salsa no bar Esquina Sandiegana, na cidade murada de Cartagena, na Colômbia (foto de Christian Mendoza)
Bancos de areia no rio em Mangue Seco - BA
A grande maioria dos turistas que vem para Mangue Seco, vem apenas para passar o dia. Na verdade, nem o dia, pois chegam no meio da manhã e já partiram no meio da tarde. Vem de Aracaju, do Sauípe, da Praia do Forte e até mesmo de Salvador.
Bugues carregados de turistas chegam em Mangue Seco - BA
Pois não é que eles perdem exatamente o melhor da festa que é a tranquilidade do final de tarde, a beleza do pôr-do-sol e a serenidade da noite estrelada! É uma pena para eles, mas uma grande felicidade para os afortunados que aqui ficam até o final do dia.
Homenagem à Tieta, nas dunas de Mangue Seco - BA
Tive essa mesma sensação em Boipeba quando passamos alguns dias maravilhosos na pequena Moreré e quando fomos embora, ao pegar um barco na vila de Boipeba percebemos que aquela confusão na hora do almoço era tudo o que os turistas que vem de Morro em excursão conhecem daquela ilha maravilhosa. Bom, cada um, cada um...
Sombra e água fresca na praia em Mangue Seco - BA
Hoje eu e a Ana tivemos o da que pedíamos à Deus fazia tempo: simplesmente, fomos para a praia maravilhosa e lá ficamos o dia inteiro sem fazer nada além de ler, palavras cruzadas, pequenas caminhadas, muitos mergulhos refrescantes, cerveja gelada e água de côco. Vidinha totalmente estressante. Bom, falando sério, a única coisa mais "agitada" era quando passavam as dezenas de bugues carregando os turistas de day-trip. Era só eles passarem e o sossego voltava a reinar.
Fazendo cooper na praia em Mangue Seco - BA
O mar é daquele tipo que adoramos, cheio de ondas, que vai afundando aos poucos. Água quente, claro. Praia enorme, se extendendo até onde a vista alcança. Ladeado de coqueiros e dunas brancas. Cenário de cinema. Ou de novela. Tiêta que o diga...
Final de pescaria em Mangue Seco - BA
O pôr-do-sol foi de cima da duna. Maravilhoso, se pondo em cima do rio que separa a Bahia de Sergipe. Do outro lado, a lua quase cheia iluminava o encontro do rio com o mar. E também uma cabana construída num banco de areia no meio do rio. Cena idílica total!
Admirando o fim de tarde em Mangue Seco - BA
Posto o sol, era hora de correr duna abaixo, iluminado pela lua cheia. Uns trinta metros de altura, inclinação de uns 50 graus. Sensação de voar, de liberdade, de sonho. Quando chegamos lá embaixo, demos pela falta de nossas havaianas. "Hmmmm..." - pensei - "é o destino conspirando para que eu tenha o prazer de descer de novo!". Bom, antes de descer de novo, tive de subir de novo! Os quinze segundos de descida se transformam em árduos três minutos de subida. Lá estavam os chinelos, sem entender nada, largados ao leo. Uma última visão do lindo visual, do rio prateado pela lua e nova descida mágica, poucos segundos de êxtase e vontade incontrolável de gritar.
Lua quase cheia em Mangue Seco - BA
Uma bela despedida do mar. Um mergulho no sertão nos espera. Mar de novo, só daqui a três semanas, em pleno Oceano Atlântico, na paradisíaca Fernando de Noronha. Até lá, muita estrada, muito interiorzão. E vamos começar em grande estilo: Chapada Diamantina, aí vamos nós!
Pôr-do-sol do alto da duna em Mangue Seco - BA
Chegando ao Equador
Deixamos Mancora com um sol bem gostoso que parecia perguntar: "Por que estão indo?" Oras... porque sempre foi assim, desde que me conheço por gente! No dia que vamos embora da praia, o sol nasce radiante! Pode ser no Brasil, pode ser no Peru...
Despedida com sol da bela praia de Mancora, no litoral norte do Peru
Seguimos pelo litoral, passando por outras praias famosas da região, como Zorritos. Por fim, passamos ao lado de Tumbes, o local onde Francisco Pizarro e seus "Conquistadores" aportaram, há quase 480 anos. A minha vontade é, num passe de mágica, voltar àquele tempo levando uma bazuca, algumas granadas e uma Uzzi. Acabar com a raça deles em cinco minutos e assim, mudar a história. Como teria evoluído a América do Sul sem os europeus? Quanto tempo duraria o Império Inca? Eles chegariam até o Brasil? Haveria um encontro de Incas e Astecas? Perguntas que nunca terão respostas, graças a uma combinação de Colombo com Cortez com Pizarro, com Sífilis com Varíola com Gripe. Essa combinação, pouca gente sabe disso, matou mais gente aqui nas Américas no séc XVI que todas as guerras e ditaduras juntas mataram em todo o mundo no séc XX. Basta ver o excelente filme "Invasões Bárbaras" para ver os números...
Cenas típicas do sul do Equador, região de Mashala: bananeiras com os cachos devidamente ensacados
Deixamos Tumbes e a trágica história para trás e chegamos à fronteira. Ao contrário das últimas passagens fronteiriças, essa foi rapidinha. Na aduna do Equador, pela primeira vez desde a entrada no Suriname, nos foi pedido o seguro para o automóvel. Para a nossa alegria, o seguro contratado no Brasil foi considerado válido e pudemos seguir viagem. Ainda bem que não chegamos aqui em meados da década de 90 quando Equador e Peru chegaram a ter escaramuças na fronteira, com morte de soldados em ambos os lados. Aparentemente, está tudo resolvido, embora tenhamos achado o trafégo pela fronteira extremamente pequeno. Ou porque era domingo ou porque peruanos e equatorianos ainda não se frequentem muito.
Iguanas dormem em árvore da Plaza Bolívar, em Guayaquil, no Equador
Bom, foi entrar no Equador e a paisagem mudou completamente. Muito verde, muita mata, rios caudalosos, muita banana. Não parecia que tínhamos mudado só de país, mas de planeta. Lembra muito algumas regiões do Brasil, especialmente o interior do Rio de Janeiro.
Missa na Catadral de Guayaquil, no Equador
Passamos por Machala, a quarta maior cidade do país e autoploclamada capital mundial da banana e seguimos para a maior de todas as cidades equatorianas, Guayaquil. Chegando num final de domingão, o trânsito no centro dessa cidade com mais de 2 milhões de habitantes estava bem tranquilo, o que facilitou bastante nossa vida. Achamos logo um hotel a um quarteirão da Plaza Bolívar, bem central e famosa pelas centenas de iguanas que lá moram. Mesmo no escuro não resistimos e fomos dar uma olhada. Estavam dormindo, boa parte delas nos galhos de uma árvore. Amanhã, com a luz do sol que as deixa mais ativas, retornaremos.
Placas de vidro com milhares de nomes "flutuantes", em Guayaquil, no Equador
Caminhamos bastante também no Malecon 2000, a orla do caudaloso rio Guaya. Na virada do milênio essa área foi reurbanizada e seus antigos frequentadores, ladrões, traficantes e prostitutas foram desalojados para dar lugar a um enorme espaço para a comunidade. Hoje, mesmo de noite, são crianças, idosos e namorados que passeiam por lá tranquilamente, sob os olhos atentos de uma vistosa força policial. Pelo Malecon seguimos até o Bairro da Penha, um morro com uma ótima vista para a cidade. Um belo passeio que deverá ser repetido amanhã também. Antes de partirmos para a pequena Montañitas, uma famosa praia que atrai turistas e surfistas de todo o mundo. Vamos lá conferir o porquê!
Vista noturna da cidade do alto do morro da Penha, em Guayaquil, no Equador
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