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A Fauna Natural de Ocean Harbour

Geórgia Do Sul, Ocean Harbour

Um gigantesco elefante-marinho macho e a pequena fêmea ao seu lado, na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Um gigantesco elefante-marinho macho e a pequena fêmea ao seu lado, na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Depois de conhecer a baía de Ocean Harbour de dentro d’água, era hora de conhecê-la por terra. Como todas as baías dessa ilha, há uma pequena planície que circunda a praia e que é ardorosamente disputada por diferentes espécies de animais. Um pouco mais além, montanhas e geleiras quase intransponíveis, um terreno que é inabitável, tanto para nós como para eles, essas mesmas espécies que disputam o terreno ao lado da praia.

O magnífico cenário de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

O magnífico cenário de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Hora de deixar a belíssima baía de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul, para trás

Hora de deixar a belíssima baía de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul, para trás


É por isso que a Geórgia do Sul, apesar de ser apenas uma ilha, na prática se comporta como se fossem várias delas. Cada baía, uma terra isolada, uma outra “ilha”. Para ir de uma praia a outra, de uma “ilha” a outra, só voando ou nadando. Animais que não sabem fazer nem uma coisa ou outra estão fadados a ficar sempre na mesma área da Geórgia do Sul. Aliás, é por isso também que não se desenvolveram ou evoluíram animais terrestres na Geórgia. Falta de espaço de evolução! Essa era a regra até a chegada do bicho-homem que, como todos sabemos, não é muito ligado nessa história de “regras da natureza”. Por isso, com ele trouxe vários animais terrestres que não eram (ou são) naturais da ilha. Assim como fez em todas as ilhas que conheceu ao longo dos últimos 50 mil anos de história.

Um lobo- marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul. No fundo, o naufrágio do Bayard

Um lobo- marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul. No fundo, o naufrágio do Bayard


Filhotes de elefante-marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Filhotes de elefante-marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Bem, os primeiros animais que vimos ao pisar em terra firme foram os mesmos que já havíamos visto desde nosso caiaque e também os mesmos que temos visto nas outras baías da Geórgia do Sul: lobos e elefantes-marinhos e os pássaros, como pinguins, skuas, gansos, gaivotas, shags e albatrozes. Enfim, a fauna natural da ilha. Depois, apurando mais os olhos, apareceu a fauna exótica. Mas antes de falar dela, quero falar da fauna “natural”, pois mesmo ela vimos em situações distintas das que vínhamos vendo até agora.

Um prion coleta material para fazer o seu ninho em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Um prion coleta material para fazer o seu ninho em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


O verdadeiro jardim em que se transformou o naufrágio Bayard, em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

O verdadeiro jardim em que se transformou o naufrágio Bayard, em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


A começar pelos shags imperiais, aquele pássaro com barriga branca e costas negras, mas que são diferentes dos pinguins porque sabem voar muito bem. A gente logo os reconhece pelas sobrancelhas amarelas e a mancha azul ao redor dos olhos. Pois bem, por aqui eles não fazem seus ninhos em rochedos, como nas outras baías que visitamos, mas no grande barco enferrujado e encalhado no meio da baía há mais de 100 anos, o Bayard. Já os tínhamos visto e fotografado do nosso caiaque, uma hora antes, mas foi em terra que descobrimos uma coisa. Ele pode até fazer seus ninhos no Bayard, mas o material de construção não está no navio, mas em terra. Então, ele voa para cá, junta alguns gravetos com seu bico e voa para lá, para seguir com a “obra”. Isso explica também o verdadeiro jardim em que se transformou o convés do antigo navio. É a fauna dando uma mãozinha para a flora!

Grupo de pinguins rei em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Grupo de pinguins rei em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Grupo de pinguins rei em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Grupo de pinguins rei em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Dos shags construtores para os pinguins. Sim, claro, já estamos até cansados de ver essa simpática ave nadadora em todas as baías que paramos. Aqui foi igual, pequenos grupos de pinguins rei (aqueles com as manchas amarelas) no gramado tomando um sol para variar. Belos como sempre. Havia também grupos de gentoo (aqueles mais “tradicionais”, apenas preto e branco). Embora com menos frequência, também já tínhamos visto os dois tipos de pinguim no mesmo lugar, mas nunca tão próximos.

Pinguins das espécies gentoo e rei parecem discutir na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul (foto de Melissa Bartlett)

Pinguins das espécies gentoo e rei parecem discutir na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul (foto de Melissa Bartlett)


Pois é, dessa vez, conseguimos ver algo que já queria ver faz tempo: pinguins de espécies diferentes interagindo. Custou, mas conseguimos! Dois deles acabaram se cruzando, mas não sei se gostaram muito disso não. Pelo menos visualmente, parece até que discutiram. Pois é, isso levanta a outra questão que me tem “atormentado”. Será que falam a mesma língua? Alguém vai saber me responder essa questão?

Lobo-marinho observa praia lotada de elefantes-marinho em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Lobo-marinho observa praia lotada de elefantes-marinho em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Lobo-marinho observa elefantes-marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Lobo-marinho observa elefantes-marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Dos pássaros para os mamíferos. Temos visto lobos-marinhos por todos os lugares. Essa é a época de chegarem às suas praias preferidas e estabelecer um território para poder receber suas pretendentes. Lutam, literalmente, com unhas e dentes por esse território, seu mais valioso ativo e “atrativo sexual”. O problema para eles é que, nesse ano, aparentemente a estação dos elefantes-marinhos atrasou e, quando eles chegam às praias, além de lidar com seus adversários da mesma espécie, ainda tem de lidar com os “antigos inquilinos” das praias que ainda não foram embora. E contras esses, não têm a menos chance. Um elefante-marinho macho é mais de 10 vezes mais pesado que um lobo-marinho, Assim, há de ter paciência...

Lobo-marinho descansa ao sol em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Lobo-marinho descansa ao sol em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Lobo-marinho dorme na grama em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Lobo-marinho dorme na grama em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Pois bem, aqui em Ocean Harbour os elefantes estão especialmente atrasados. É possível perceber nas feições dos lobos que chegam à praia e veem aquela muvuca de elefantes: “ai ai ai... e agora?”. Sorte daqueles que ainda conseguem um pedacinho... Pelo menos atrás das pedras da praia há um gramado fresquinho e apetitoso, pelo menos nesses dias de sol. Os elefantes preferem a praia mesmo e na grama descansam os lobos nascidos na estação passada e que ainda não foram para o mar em definitivo. Esses podem ainda descansar tranquilamente, pois ainda não se preocupam em procurar namoradas. Como eu disse, num dia ensolarado como hoje, aquela graminha estava mesmo atraente...

Fêmea de elefante-marinho desperta enquanto o macho dorme profundamente na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Fêmea de elefante-marinho desperta enquanto o macho dorme profundamente na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Um enrugado filhote de elefante-marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Um enrugado filhote de elefante-marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Por fim, sobraram os atuais reis da praia, os elefantes-marinhos. Passada a época de maior stress, quando os grandes machos também tinham suas batalhas titânicas por espaço e pelos enormes haréns, hoje reina a tranquilidade. Daqueles grandes confrontos de poucas semanas atrás, sobraram as cicatrizes no rosto dos machos, tanto vencedores como perdedores. O que vemos agora são haréns organizados ao redor de um grande macho, além dos elefantinhos recém-nascidos e dos nascidos há um ano.

Família de elefantes-marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul. O macho é muito maior do que a fêmea

Família de elefantes-marinho na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul. O macho é muito maior do que a fêmea


Casal de elefantes-marinho namoram na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Casal de elefantes-marinho namoram na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul


Mesmo assim, em família, ainda se vê o “namoro” entre eles. Esses machos de até quatro toneladas são incansáveis, mas sabem ser gentis também. Quando não estão sobre as fêmeas, estão ao lado delas, abraçando-as candidamente. Assim, um ao lado do outro, é quando percebemos claramente a incrível diferença de tamanho entre os dois sexos. As “elefantas”, que são elas mesmas também muito grandes, maiores que os maiores lobos-marinhos, ficam absolutamente minúsculas perto do macho. Haja coragem...

Um elefante-marinho macho não parece se importar com as cicatrizes de antigas batalhas e dorme tranquilamente na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Um elefante-marinho macho não parece se importar com as cicatrizes de antigas batalhas e dorme tranquilamente na praia de Ocean Harbour, na Geórgia do Sul

Geórgia Do Sul, Ocean Harbour, Bichos, elefante marinho, Lobo Marinho, pinquim

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Os Incríveis Chutes du Carbet

Guadalupe, Tròis Rivières, Grande Anse, Parc National de Guadeloupe

Caminhada até os Chutes du Carbet, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Caminhada até os Chutes du Carbet, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


Nosso dia começou de maneira meio estranha. Eram duas da manhã, a Ana já no sétimo sonho na cama ao meu lado, eu trabalhando um pouco no computador com as fotos dos últimos dias quando tive a nítida impressão de alguém abrir a porta dos fundos do nosso chalé. Levantei-me na hora para ir averiguar e aporta estava fechada. Mas não trancada! Sai do lado de fora, olhei e nada. “Deve ter sido o vento”, imaginei. Pois logo pela manhã haviam carros de polícia na porta do gite em que estávamos. Durante a madrugada, alguém entro no chalé ao lado do nosso e, enquanto a moça lá dormia, o invasor pegou seu lap top e carteira. Ela acordou com ele lá dentro ainda, mas rapidamente o gatuno se mandou. Essa é a vantagem de trabalhar até tarde! A simpaticíssima proprietária do gite, uma belga que falava muito bem espanhol, estava consternada. Enfim...

O oceano visto do alto do Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

O oceano visto do alto do Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


Agora, com ela de olho em sua propriedade, voltamos para a praia para mais uma caminhada e mergulho saudáveis, sensação de estar na nossa querida Praia Vermelha, lá em Ubatuba. Sempre com a ressalva de que aqui, a água é muito mais transparente! Foram quarenta minutos de máximo aproveitamento, mas tínhamos de seguir viagem, pois ainda havia muito por ver em Basse Terre.

A primeira visão da majestosa 2a Queda dos Chutes du Carbet, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

A primeira visão da majestosa 2a Queda dos Chutes du Carbet, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


Queríamos seguir para a ponta sul da ilha e, aconselhados pela nossa amiga belga, fomos seguindo no sentido horário, dando a volta em Basse Terre. Logo estávamos na costa ocidental dessa “asa” esquerda da ilha, Grande Terre do outro lado do braço de mar.

Mapa em 3-D do arquipélago de Guadalupe

Mapa em 3-D do arquipélago de Guadalupe


Na verdade, Guadalupe não é apenas uma ilha, mas um arquipélago. A ilha principal é dividida em duas “asas”, Basse Terre, montanhosa, do lado oeste, e Grande Terre, plana, do lado leste. À sudeste está Marie Galante (que nome lindo!), bem grandinha também. Ao sul de Basse Terre estão as Les Saintes, muito populares entre turistas, e do lado leste esta La Désirade, a menos visitada de todas. Nosso plano é dar um pulinho em Marie Galante, um bate e volta de um dia. O que mais me atraiu foi o fato de que a ilha só recebe turistas que falam francês, pois ninguém fala inglês por lá. Mas ainda não sabemos que vamos ter tempo...

Local perfeiro para descanso e reflexão no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Local perfeiro para descanso e reflexão no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


Apesar de formarem uma mesma ilha atualmente, Basse Terre e Grande Terre tem histórias completamente distintas. Elas se encontram em arcos ou fissuras diferentes, no encontro de placas tectônicas que formaram quase todas as ilhas caribenhas. O arco externo, onde está Grande Terre, foi muito ativo antigamente e a ilha foi formada há muito mais tempo que Basse Terre. Tanto que houve tempo da erosão acabar com suas montanhas a ponto da ilha ficar submersa e servir de base para uma enorme formação coralínea. Depois, com o recuo do nível dos mares, ela emergiu novamente. Enquanto isso, Basse Terre foi formada muito mais recentemente (em tempos geológicos!) e por isso é cheia de altas montanhas, ainda sujeita a grandes terremotos e erupções vulcânicas que continuam transformando sua paisagem. Quis o destino que essas duas ilhas se unissem por um istmo, formando a tal “borboleta”. Os nomes é que parecem trocados, afinal Grande Terre é baixa e Basse Terre é alta... Mas é que a origem dos nomes está ligada à existência de ventos (muito fortes em Grande Terre a baixos em Basse Terre) e não às montanhas. Logo se vê que quem as nomeou eram marujos e não alpinistas!

Visita ao Parque Nacional em Basse Terre,região dos Chutes du Carbet, em Guadalupe, no Caribe

Visita ao Parque Nacional em Basse Terre,região dos Chutes du Carbet, em Guadalupe, no Caribe


Nós percorremos toda a costa ocidental de Basse Terre até o sul, quando entramos, por uma pequena estrada, no Parc National de Gaudeloupe uma outra vez. Fomos em direção aos famosos Chutes du Carbet, nome dado a três enormes cachoeiras que despencam quase cem metros no caminho das montanhas para o mar. Paisagem digna das nossas Chapadas, só que em plena mata tropical. De um mirante se pode observar duas dessas cachoeiras (estão no mesmo rio!). Só que o tempo nublado tampou a mais alta delas, e só pudemos ver o 2º salto. Uma agradável caminhada de 30 minutos pela mata, subindo e descendo escadas nos leva até a base dela, de onde ela fica ainda mais impressionante.

Grand Etáng, um grande lago no meio da mata do Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Grand Etáng, um grande lago no meio da mata do Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


Existe uma caminhada mais longa, que dura todo o dia, partindo do outro lado da montanha. A trilha leva ao alto do vulcão La Soufrière, que domina o sul da ilha e, na descida, passa por dois dos saltos dos Chutes du Carbet. Infelizmente, na nossa programação, não cabia essa caminhada. Uma tristeza! Vimos um grande grupo, já no final de tarde, todos com suas mochilas, entre os 50 e 60 anos, terminando essa caminhada. Os rostos indicavam uma sensação de conquista e o prazer de um dia duro na natureza. Todos, assim como a grande maioria dos turistas que vemos por aqui, franceses. É realmente um mundo completamente diferente das outras ilhas caribenhas que conhecemos, dominadas por turistas americanos e ingleses. Quanto à caminhada, um excelente motivo para programarmos outra viagem para Guadalupe...

Nadando em deliciosa piscina natural no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Nadando em deliciosa piscina natural no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


Depois de voltarmos para a entrada do parque, ainda tivemos tempo e disposição para descer 400 metros de pirambeira pela mata para chegarmos á Basin Paradise, uma belíssima piscina natural alimentada por uma cachoeira, cenário idílico no meio da mata tropical. Meia hora de prazer na água refrescante olhando aquela floresta ao nosso redor e tentando nos convencer que estávamos em pleno Caribe, numa pequena ilha perdida no meio do oceano. Nessa nossa vida de constante movimentação, temos que, de tempos em tempos, fazer uma “zoom out” virtual e nos olhar lá de cima, do espaço, para realmente entendermos aonde estamos. Uma espécie de contextualização geográfica, para valorizarmos ainda mais cada momento que estamos vivendo!

Banho refrescante na Basin Paradise, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Banho refrescante na Basin Paradise, no Parque Nacional em Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


Voltamos pirambeira acima até o carro e voltamos para a estrada principal, na costa. De lá para a ponta sul de Basse Terre, para a pequena cidade de Tròis Rivières, de onde saem os barcos para as ilhas de Les Saintes. Elas estavam ali, ao nosso alcance. Mas foi o mais perto que pudemos chegar delas. Outro motivo para voltar à Guadalupe...

Preparando uma macarronada em Tròis Rivières, no sul de Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Preparando uma macarronada em Tròis Rivières, no sul de Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe


Dessa vez, tivemos mais trabalho para arrumar algum gite para dormir. Não temos mapas dessas cidades, nem GPS, nem endereços. São poucas as placas de propaganda, então não é fácil chegar até eles. Enfim, achamos e nos instalamos. Depois, corremos no mercado antes que fechasse. O menu de hoje foi uma bela macarronada, a Ana matando sua saudade de um fogão. Uma delícia o nosso lanchinho por aqui! Agora, uma boa noite de sono para, amanhã, visitarmos rapidamente a praia de areias negras aqui do lado e seguirmos viagem para o outro lado da “borboleta”, onde não há montanhas, mas venta bastante...

Deliciosa macarronada preparada pela Ana em Tròis Rivières, no sul de Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Deliciosa macarronada preparada pela Ana em Tròis Rivières, no sul de Basse Terre, em Guadalupe, no Caribe

Guadalupe, Tròis Rivières, Grande Anse, Parc National de Guadeloupe, cachoeira, Chutes du Carbet, Parque, Praia, trilha

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De Volta ao Caribe!

Colômbia, Bogotá, Aruba, Palm Beach, Oranjestad

Em direção ao Caribe pela terceira vez nesses 1000dias (em Bogotá - Colômbia)

Em direção ao Caribe pela terceira vez nesses 1000dias (em Bogotá - Colômbia)


O nosso táxi chegou exatamente na hora marcada, às 11 da manhã. Foi também a hora que tínhamos acabado de nos arrumar, depois da noitada de ontem. Hoje, um pouco mais cedo, a gente tinha se despedido do Douglas, que saiu para suas aulas de inglês e francês. A Clara ainda estava no apartamento, quando partimos. E a pequena e vibrante Amelie, despedimo-nos ontem de noite, para tristeza dela, que adorou a Ana. De nada adiantou dizer que em dez dias regressamos... E regressamos mesmo, pois a Fiona ficou por aqui, hehehe

Mapa mostrando as ilhas ABC - Aruba, Bonaire e Curaçao e sua posição relativa junto à Venezuela

Mapa mostrando as ilhas ABC - Aruba, Bonaire e Curaçao e sua posição relativa junto à Venezuela


Fomos para o aeroporto de Bogotá para voar de volta ao Caribe. Nossa terceira vez nessa região, e a mais curta delas. Dez dias para conhecer três ilhas, as chamadas ABC. Aruba, Bonaire e Curaçao. Tão próximas que estão da Venezuela, não é à tôa que o Chavez, de tempos em tempos, diz que elas são uma aberração colonial e que deveriam pertencer ao país.

Aeroporto de Bogotá - Colômbia

Aeroporto de Bogotá - Colômbia


Mas assim não quis a história (para alegria de seus moradores!). As três ilhas foram ocupadas primeiramente pelos espanhóis, que acabaram por abandoná-las cerca de um século mais tarde. Logo em seguida foram ocupadas pelos holandeses e sua Companhia das Índias Ocidentais. Com os holandeses vieram os escravos, e dessa mistura entre índios nativos, negros e europeus vem boa parte da população atual

Propaganda no aeroporto de Bogotá, na Colômbia

Propaganda no aeroporto de Bogotá, na Colômbia


Para viajar entre elas, apesar de tão próximas entre si, só de avião (ou no seu próprio iate, o que não é nosso caso...).E assim faremos, primeiro pelas praias e resorts de Aruba, depois aos mergulhos de Bonaire e finalmente à vida urbana e cultural de Curaçao.

De volta ao Caribe! (Aeroporto de Oranjestad, em Aruba)

De volta ao Caribe! (Aeroporto de Oranjestad, em Aruba)


Para chegar lá, voamos sobre a Venezuela, como já havíamos feito quando voamos do Suriname para Trinidad e Tobago. Um dos únicos países sulamericanos que ainda não visitamos nesses 1000dias, mas do alto já vimos bastante! Adiantamos o relógio uma hora para chegar à Oranjestad, capital de Aruba, um pouco antes das cinco. Aí, deixamos a capital para trás e seguimos para o norte da ilha, um pouco acima da praia de Palm Beach, onde estão os maiores hotéis de Aruba. A gente ficou num apartamento de frente à praia, com direito à cozinha. Vamos poder brincar de casinha, obaaa!

O primeiro coquetel em Palm Beach - Aruba

O primeiro coquetel em Palm Beach - Aruba


Dali, meia hora de caminhada nos leva ao coração de Palm Beach, mais americana impossível, com todas as redes de fast food e um ar de Flórida - Miami. Nessa mesma noite, tomamos nosso primeiro coquetel caribenho desde Abril, quando terminamos nossa segunda perna por lá, em Sint Maarten, coincidentemente também holandesa. Amanhã será dia de praia e piscina. É o duro processo de adaptação ao Caribe...

Colômbia, Bogotá, Aruba, Palm Beach, Oranjestad, Caribe

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O Tempo Não Para

Brasil, Paraná, Curitiba

Sanduíche de Luiza, em Curitiba, no Paraná

Sanduíche de Luiza, em Curitiba, no Paraná


Fazer longas viagens altera completamente a nossa percepção do tempo ou, mais especificamente, da passagem do tempo. A ausência de rotina nos tira referências com as quais nossa mente percebe que os dias e os meses estão passando. Quando uma segunda-feira é igual a um sábado que é igual a uma quinta-feira que é igual a um feriado, dias da semana e mesmo do mês perdem o sentido prático, se tornam apenas uma palavra a mais, pronta para ser esquecida na próxima esquina.

Buscando a Luiza na escola, em Curitiba, no Paraná

Buscando a Luiza na escola, em Curitiba, no Paraná


Buscando a Luiza na escola, em Curitiba, no Paraná

Buscando a Luiza na escola, em Curitiba, no Paraná


Outro fator que nos faz parecer que o tempo está parado são as notícias que chegam do Brasil. Francamente, sempre que abrimos algum dos portais de internet com notícias do nosso país ou mesmo do mundo, nada parece ter mudado. Algum escândalo político, alguma briga de futebol, guerra na Síria, réus do Mensalão, nada parece estar mudando. Quando se acompanha essas notícias diariamente, podem parecer que estão se movendo, como uma novela. Mas quando se dá uma olhada rápida, apenas umas poucas vezes por mês, sinceramente, parece tudo igual.

Voltando da escola, na cadeirinha, rm Curitiba, no Paraná

Voltando da escola, na cadeirinha, rm Curitiba, no Paraná


Brincando com a Luiza, em Curitiba, no Paraná

Brincando com a Luiza, em Curitiba, no Paraná


Paradoxalmente, a intensidade de nossa viagem, a quantidade e variedade de coisas que vemos e fazemos a cada dia, nos faz parecer que o tempo está voando. Em uma vida dita “normal”, são poucos os dias espetaculares que temos a cada ano, dos quais vamos guardar boas memórias pelas próximas décadas. Pois bem, na nossa vida de viagens, se passa ao contrário: são poucos os dias “normais” ou, na verdade, o normal para nós é ter um dia espetacular. Com isso, memórias incríveis e inesquecíveis vão se acumulando, disputando o espaço limitado de nossos neurônios. Quando visitamos um incrível vulcão e achamos que aquilo vai nos marcar para sempre, na semana seguinte já estamos caminhando sobre uma geleira e as memórias do vulcão já estão apertadinhas lá embaixo, junto com aquelas do mergulho, da cachoeira e do museu. A sensação é que já se passaram alguns meses desde o tal vulcão, apesar de ter sido apenas há alguns dias.

Com a Luiza na Fiona, em Curitiba, no Paraná

Com a Luiza na Fiona, em Curitiba, no Paraná


Com a Dani e a Luiza em Curitiba, no Paraná

Com a Dani e a Luiza em Curitiba, no Paraná


É claro que a memória não se perde, mas aquela emoção, o sentimento vívido de ter estado lá encima, isso foi, de certa forma, substituído por sentimento igualmente intenso e emocionante de se estar caminhando sobre um rio de gelo que desce da montanha. Felizmente, temos sempre muitas fotos e histórias para tentar reavivar um pouco a emoção e o sentimento de ter estado encima do vulcão, mas a percepção de que muito tempo passou, isso não muda.

Tentando ganhar a confiança da sobrinha, em Curitiba, no Paraná

Tentando ganhar a confiança da sobrinha, em Curitiba, no Paraná


Brincando com a Luiza, em Curitiba, no Paraná

Brincando com a Luiza, em Curitiba, no Paraná


Enfim, vivemos sempre nessa espécie de confusão mental sobre a passagem (ou não) do tempo. Tentando conciliar as duas percepções aparentemente opostas, a sensação é de ter vivido vários anos em apenas um ano verdadeiro, ao mesmo tempo em que esse tal ano verdadeiro não parece ter passado. Mas a realidade nua e crua é que ele passou sim. Uma olhada mais cuidadosa no espelho e uma contagem dos fios de cabelos brancos acaba rapidamente com o sonho do tempo parado. Não, ele está passando sim! A comparação das fotos do início e do fim da viagem é inclemente, hehehe Acho até que ter vivenciado tantos anos em apenas 3 anos dessa nossa viagem tão intensa teve também seus reflexos nos fios de cabelo. Aparentemente, eles também sentiram mais a passagem do tempo...

A Dani e a Luiza, em Curitiba, no Paraná

A Dani e a Luiza, em Curitiba, no Paraná


A Luiza, nossa linda sobrinha, em Curitiba, no Paraná

A Luiza, nossa linda sobrinha, em Curitiba, no Paraná


Agora, na nossa rápida passagem por Curitiba para recarregar as energias e fazer algumas das burocracias inadiáveis (ver post anterior) para podermos seguir viagem até o sul do continente, novamente as idiossincrasias da passagem do tempo apareceram. As mesmas ruas, as mesmas avenidas, as mesmas pessoas correndo para restaurantes para aproveitar seu intervalo de almoço nos respectivos empregos. Nada parece ter mudado, o tempo parece ter estado congelado nesses últimos quatros anos, ao mesmo tempo em que fomos e voltamos do Alaska, numa viagem aparente de 40 anos. Será que fomos mesmo? Não terá sido tudo um belo e longo sonho alimentado por imagens de lugares que queremos tanto conhecer? Será que se eu botar minhas antigas roupas sociais e seguir para o escritório que um dia trabalhei, terei mesmo alguma prova de que o tempo passou nesses últimos 4 anos?

Depois de mais de dois anos, reencontro com a mãe, a irmã e a sobrinha em Curitiba, no Paraná

Depois de mais de dois anos, reencontro com a mãe, a irmã e a sobrinha em Curitiba, no Paraná


Almoço com o pai, irmã e sobrinha, em Curitiba, no Paraná

Almoço com o pai, irmã e sobrinha, em Curitiba, no Paraná


A resposta para essa pergunta é um sonoro “sim”! Sim, aqui mesmo, em Curitiba, temos a prova viva de que o tempo está passando, que ele não para nunca e que, enquanto explorávamos os rincões do continente, também em Curitiba e na vida “normal” as coisas mudam. Essa prova viva tem até nome próprio: Luiza!

Sanduíche de Luiza, em Curitiba, no Paraná

Sanduíche de Luiza, em Curitiba, no Paraná


Na verdade, Luiza é o nome da nossa sobrinha, filha da irmã mais nova da Ana. Quando saímos de viagem, no final de Março de 2010, a Dani já estava grávida da Luiza e, pouco mais de três meses depois, ela veio ao mundo quando estávamos em Ilhabela, no litoral de São Paulo. Corremos de volta a Curitiba, para também lhe dar as boas-vindas a este mundo, e logo retomamos nossos 1000dias, subindo em direção aos estados do nordeste e do norte do país.

Brincando com a sobrinha em Curitiba, no Paraná

Brincando com a sobrinha em Curitiba, no Paraná


Embevecido! (em Curitiba, no Paraná)

Embevecido! (em Curitiba, no Paraná)


Depois, meio planejado, meio coincidência, passamos de volta em Curitiba no nosso caminho para o Paraguai e a etapa internacional da nossa viagem justamente quando a pequena Luiza fazia 1 ano de idade. Deu até para participar da primeira festa de aniversário.

Essa tinha sido nossa última vez, ao vivo, com nossa querida sobrinha. Desde então, contatos, só pelo Skype. Pela telinha do computador, fomos vendo ela crescendo, fazendo dois anos e depois, três. Ao mesmo tempo, para ela, nós viramos os tios que moravam dentro do computador. Fazia festa às vezes, mas em outras, achava meio entediante falar com aquelas pessoas de quem não se lembrava de ter estado. Para nós, ver aquela menina crescendo e ficando mais esperta a cada contato era a prova mais concreta de que o tempo estava, sim, passando e, pior, que nós estávamos perdendo coisas importantes aqui na nossa cidade.

A Luiza e o Alfred, em Curitiba, no Paraná

A Luiza e o Alfred, em Curitiba, no Paraná


Agora, no nosso caminho para o sul do continente, tínhamos de passar por aqui de qualquer maneira. A história de renovar o passaporte ou fazer a cirurgia do dente eram só boas desculpas para vermos nossa sobrinha outra vez. Estava mais do que na hora dela saber que nós também existíamos fora da tela do computador!

Reencontrando amigos em Curitiba, no Paraná

Reencontrando amigos em Curitiba, no Paraná


Brincando com a Luiza na piscina, em casa de amigos em Curitiba, no Paraná

Brincando com a Luiza na piscina, em casa de amigos em Curitiba, no Paraná


E assim, logo no nosso primeiro dia na cidade, já fomos buscar ela no colégio. Ela nos olhou meio desconfiada, olhos arregalados ao perceber que éramos de carne e osso. Depois, aos poucos, tratamos de ganhar sua confiança, um presentinho aqui, uma brincadeira ali. De pouco em pouco, encontros quase diários, fomos ficando mais e mais amigos. Tios de verdade!

Brincando com a Luiza na piscina, em casa de amigos em Curitiba, no Paraná

Brincando com a Luiza na piscina, em casa de amigos em Curitiba, no Paraná


Foram duas semanas aqui em Curitiba, revendo amigos e correndo atrás de papelada, planejando o resto da viagem e curtindo estar num mesmo lugar por tanto tempo. E o mais doce de toda a estadia: ver, rever e re-rever nossa querida sobrinha, a prova inconteste que estamos mesmo envelhecendo, que o tempo está passando e que o mundo e a vida podem ser tão divertidos em Curitiba como também no resto do continente! Logo estaremos na estrada novamente, mas agora, quando nos falarmos no Skype, não seremos mais apenas os tios do computador... Melhor assim!

A Luiza, nossa linda sobrinha, em Curitiba, no Paraná

A Luiza, nossa linda sobrinha, em Curitiba, no Paraná

Brasil, Paraná, Curitiba,

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Para o Mar e Avante!

Brasil, Espírito Santo, Itaúnas, Bahia, Caravelas

Praia de Costa Dourada, extremo sul da Bahia

Praia de Costa Dourada, extremo sul da Bahia


Hoje, foi só o tempo de nos despedirmos da Tuquinha e do Klayvan, tirarmos algumas fotos de Itaúnas e já estávamos na estrada rumo à Bahia! Finalmente, o Sudeste ficou para trás e entramos na região Nordeste. Exatamente no dia 200 da nossa jornada.

O enorme tronco na praça central de Itaúnas - ES

O enorme tronco na praça central de Itaúnas - ES


Primeira parada: a praia de Costa Dourada, uma das primeiras do estado. Mesmo num dia como hoje, totalmente nublado, a praia é linda. Enormes falésias coloridas, mas aonde predomina o tom alaranjado, dão nome à esta praia. Uma verdadeira muralha que chega aos 10 metros em alguns pontos, vista do mar quando o sol ainda está baixo e incidindo quase que frontalmente parece dourada aos olhos dos marinheiros distantes. Na maré alta, o mar chega até as falésias, mas na maré baixa uma faixa de areia aparece, cor amarelada. O visual é mesmo lindo.

Falésias coloridas na praia de Costa Dourada, extremo sul da Bahia

Falésias coloridas na praia de Costa Dourada, extremo sul da Bahia


Havia muito tempo que não vinha aqui. Antes, era uma praia bem isolada. Hoje, são mais de dez pousadas e muitas casas em volta. Uma vila, praticamente. Ouço que, no verão, são centenas de pessoas na praia. Difícil imaginar... Hoje, além de mim e da Ana, apenas três meninas se banhavam no mar.

No alto das falésias na praia de Costa Dourada, extremo sul da Bahia

No alto das falésias na praia de Costa Dourada, extremo sul da Bahia


De lá para o asfalto da BR-101. No caminho, uma parada nas plantações de eucaliptos. Algumas em fase de colheita, outras ainda inteiras, emprestando um certo clima da Bruxa de Blair ao sul da Bahia. É incrível como a monocultura do eucalipto está cada vez mais dominante por aqui. Quando vemos um coqueiral, é até emocionante! Também seria injusto em não reconhecer que há trechos de mata nativa protegidos, aqui e ali. Fazem um bem danado aos olhos e aos pulmões...

Clima de Bruxa de Blair em plantação de Eucaliptos próximo à Costa Dourada, extremo sul da Bahia

Clima de Bruxa de Blair em plantação de Eucaliptos próximo à Costa Dourada, extremo sul da Bahia


Chegando ao asfalto, empinamos o nariz rumo ao norte. Próxima parada: a cidade de Caravelas, principal ponto de partida para o arquipélago de Abrolhos. É para lá que nós vamos, amanhã, em busca de baleias, naufrágios e muitos peixes e corais. Esta época do ano não é a de melhor visibilidade embaixo d'água, mas é a melhor em cima, para se avistar nossos amigos cetáceos. Nossa ansiedade é enorme!

Colheita de eucaliptos, próximo à Costa Dourada - BA

Colheita de eucaliptos, próximo à Costa Dourada - BA


O tempo parece que vai ser bom. Pelo menos, melhor do que tem sido. Vamos num barco grande, que acomoda umas 15 pessoas. Saímos amanhã bem cedo com retorno previsto para domingo de tarde. Aparentemente, sem muita chance de nos comunicar pela internet. Portanto, não estranhem um silêncio dos blogs nos próximos dias. Certamente, voltaremos com muitas histórias e fotos, de cima e de baixo da água (serão 11 mergulhos!). Todos ao mar!

Praia de Costa Dourada, extremo sul da Bahia

Praia de Costa Dourada, extremo sul da Bahia

Brasil, Espírito Santo, Itaúnas, Bahia, Caravelas, Costa Dourada

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O Bordel, a Fechadura e o Deserto

México, Santa Rosalía, San Ignacio

Fim de tarde bo deserto Vizcaíno, na Baja California - México

Fim de tarde bo deserto Vizcaíno, na Baja California - México


Acordamos hoje deliciosamente instalados na cama do nosso (ex) bordel preferido, o Hotel Frances, em Santa Rosalía. Vencida a preguiça, levantamos, abrimos a porta do quarto que dá para uma enorme varanda e demos de cara com a vista maravilhosa do mar à nossa frente e da cidade abaixo de nós. A mesma vista que tinham as antigas moradoras desse lugar. Como será que era a vida delas?

A enorme varanda e a bela vista do Hotel Frances, em Santa Rosalía, na Baja California - México

A enorme varanda e a bela vista do Hotel Frances, em Santa Rosalía, na Baja California - México


O nosso café da manhã foi servido no antigo saloon do estabelecimento, igualzinho aos dos filmes de cawboy. Mas ao invés de tomarmos a famosa dose de uísque cawboy, ficamos no copo de chá mesmo. A todo momento parecia que o John Wayne entraria pela porta, ou alguma mulher de reputação duvidosa desceria pela escadas, mas isso ficou só na imaginação mesmo. Se pudéssemos viajar no tempo...

Café da manhã no antigo saloon do Hotel Frances, em Santa Rosalía, na Baja California - México

Café da manhã no antigo saloon do Hotel Frances, em Santa Rosalía, na Baja California - México


Empacotamos a Fiona e descemos para a cidade, para uma última olhada rápida e algumas fotos, já que ontem estava escuro quando chegamos. Mas, logo na primeira volta, encontramos um chaveiro. Já faz tempo que a fechadura da nossa capota da caçamba é só psicológica (ainda bem que ninguém sabe disso!) e era uma boa hora para consertá-la. Assim, enquanto a Fiona ficou lá de molho, eu e a Ana pudemos passear tranquilamente por essa cidade de faroeste e até almoçar.

Cenário de faroeste com carros em Santa Rosalía, na Baja California - México

Cenário de faroeste com carros em Santa Rosalía, na Baja California - México


A arquitetura de Santa Rosalía realmente lembra essas cidades dos filmes de John Ford. A gente já tinha visto uma igual, lá no deserto de Atacama, uma antiga cidade mineira também. Só que lá a cidade foi toda transformada num museu, ninguém mais mora ali. Aqui não, continua uma cidade normal, com seu ritmo cotidiano de vida. Muito interessante!

A Fiona em Santa Rosalía, na Baja California - México

A Fiona em Santa Rosalía, na Baja California - México


O principal prédio é a igreja Santa Bárbara, desenhada e construída por ninguém menos que Alexander Eiffel, o mesmo da famosa torre parisiense. A igreja esteve exposta na Feira Internacional de Paris, quando foi inaugurada a famosa torre. Ganhou um prémio pelo design inovador. Depois, desmontada, foi parar num depósito na França. O dono da companhia mineira aqui de Santa Rosalía era francês e resolveu trazer a igreja para cá. Com uma reforma ou outra, continua de pé, orgulhando os habitantes da cidade.

A igreja irmã da Torre Eiffel, em Santa Rosalía, na Baja California - México

A igreja irmã da Torre Eiffel, em Santa Rosalía, na Baja California - México


A fechadura da Fiona finalmente ficou pronta e a gente se despediu da cidade e também do Mar de Cortez, que não vamos mais ver nessa viagem. Adiós, amigo!

Nossa última visão do Mar de Cortez, na orla de Santa Rosalía, na Baja California - México

Nossa última visão do Mar de Cortez, na orla de Santa Rosalía, na Baja California - México


A gente seguiu para o meio do deserto, seguindo a fronteira do parque que protege essa maravilha natural, o enorme Deserto Vizcaino. Nessa época do ano, ele está florido, o que o ainda faz mais belo. Pois é, para que acha que deserto só tem cactos, deveria vir passear por aqui...

Atravessando o deserto na estrada entre Santa Rosalía e San Ignacio, na Baja California - México

Atravessando o deserto na estrada entre Santa Rosalía e San Ignacio, na Baja California - México


A gente seguiu até a cidade de San ignacio, que também cresceu ao redor de uma antiga missão jesuítica. Vamos usar a cidade como base para explorar o deserto, suas paisagens maravilhosas e uma outra atração: algumas das mais belas pinturas rupestres do mundo.

Época de deserto florido na Baja California - México (estrada entre Santa Rosalía e San Ignacio)

Época de deserto florido na Baja California - México (estrada entre Santa Rosalía e San Ignacio)

México, Santa Rosalía, San Ignacio, Baja California, deserto, Vizcaino

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Chegando em Piranhas

Brasil, Alagoas, Piranhas

Rio São Francisco em Piranhas - AL

Rio São Francisco em Piranhas - AL


Deixamos Laranjeiras e cruzamos quase todo o estado de Sergipe em direção à fronteira com Alagoas, bem próximo à fronteira com a Bahia. Uma longa estrada cruzando vastas planícies. Asfalto bom, mas com duas coisas irritantes. Primeiro, uma vilazinha atrás da outra, todas com seus quebra-molas particulares. Segundo que vários trechos da estrada estão com aquelas tartarugas separando as duas faixas e mesmo quando estamos atrás de um caminhão a 20 km/h, não se pode ultrapassar. Uffff... haja paciência!

Barragem de Xingó, no rio São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas

Barragem de Xingó, no rio São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas


Bom, chegamos a Canindé de São Francisco e lá cruzamos nosso velho amigo São Francisco. Bem abaixo da represa de Xingó! É uma visão impressionante! Milhões de toneladas de concreto formando uma enorme parede que segura bilhões de litros d'água atrás de si. A maior obra de engenharia do nordeste! Energia elétrica para toda a região. A gente ficou parado algum tempo num mirante admirando aquela monstruosidade e, já do lado de Alagoas, seguimos para Piranhas.

Restaurante Flor de Cactus, em Piranhas - AL e a longa escadaria para se chegar lá...

Restaurante Flor de Cactus, em Piranhas - AL e a longa escadaria para se chegar lá...


A cidade é uma gracinha, prédios históricos espremidos entre as íngrimes encostas do São Francisco e o próprio rio. Piranhas era uma importante cidade ribeirinha no início do século passado, mas ganhou notoriedade mesmo quando, em Julho de 1938 uma volante (grupo de policiais) conseguiu emboscar o bando de Lampião e matar o mais famoso cangaceiro, bem próximo à cidade. Depois, cortaram a cabeça do rei do cangaço, assim como a de sua esposa, Maria Bonita, e de mais nove cangaceiros e as trouxeram para Piranhas, onde ficaram expostas por um bom tempo nas escadarias da prefeitura. As fotografias, bem famosas, são tétricas!

A gente se instalou na Pousada Lampião (tinha de ser! hehehe) e depois fomos comer no restaurante Flor de Cactus, no alto da cidade e com uma vista maravilhosa de toda a região, o Velho Chico majestoso lá embaixo, no canyon, e a cidade ao seu lado. Ali, comemos linguiça de bode! Dessa vez, bode mesmo e não carneiro disfarçado, como em Petrolina. Uma delícia!

No alto da escadaria que leva ao restaurante Flor de Cactus, em Piranhas - AL

No alto da escadaria que leva ao restaurante Flor de Cactus, em Piranhas - AL


Mas, muito melhor do que isso, conhecemos um simpaticíssimo grupo de cearenses amantes da história do cangaço. Um deles, o Severo, tem até um ótimo blog sobre a história do cangaço. Para quem se interessa, deve acessar: http://cariricangaco.blogspot.com/ Eles nos deram uma verdadeira aula sobre Lampião, Padre Cícero e outras personagens importantes na história nordestina.

Além disso, nos convenceram a visitar amanhã a Grota do Angico, local da morte de Lampião. Nós achávamos que teríamos de escolher entre esse programa e o passeio aos canyons, mas armamos um esquema para fazer os dois no mesmo dia, Oba!!!

Observando o rio São Francisco em Piranhas - AL

Observando o rio São Francisco em Piranhas - AL


Amanhã, o dia vai ser longo. E promete!

Brasil, Alagoas, Piranhas,

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A Pequena Saba

Saba, Windwardside, The Bottom

Mapa de Saba com as principais vilas, estradas e caminhos

Mapa de Saba com as principais vilas, estradas e caminhos


A ilha de Saba não é um país independente. Há alguns anos, junto com outras ilhas holandesas do Caribe, houve um referendo para decidir se a ilha coninuaria ligada à Holanda. Algumas das ilhas preferiram a independência, mas Saba preferiu manter o status quo. É por isso que a maior montanha da Holanda fica por aqui, o Mt. Sceney, com 877 metros.

Aeroporto de Saba e a estrada que nos leva para o alto da ilha

Aeroporto de Saba e a estrada que nos leva para o alto da ilha


Com meros 13 km2 (metade da área de Fernando de Noronha!), a ilha tem origem vulcânica e é muito montanhosa e escarpada. Tanto que a construção do aeroporto e da única estrada da ilha são considerados feitos da engenharia. Não há praias na ilha e, até por isso, quase não há navios-cruzeiro para cá. Apenas um ou outro, de pequeno porte. As grandes atrações da ilha são os mergulhos e as muitas possibilidades de trekking, por entre vales e montanhas.

Vista do nosso primeiro hotel em Windwardside, principal cidade em Saba - Caribe

Vista do nosso primeiro hotel em Windwardside, principal cidade em Saba - Caribe


A população da ilha é de 2 mil habitantes, sendo 300 deles estudantes de uma escola de medicina. A capital é The Bottom, onde ficam os prédios governamentais, mas a principal cidade de Saba, onde ficam todos os turistas é Windwardside. Bem no alto de uma montanha, o mar lá embaixo, não temos a sensação de estarmos no Caribe, mas num país montanhoso, tipo Andorra, na Europa. Todo mundo fala inglês e a moeda oficial é o dólar.

Conferindo as medidas de Nitrox antes do primeiro mergulho em Saba - Caribe

Conferindo as medidas de Nitrox antes do primeiro mergulho em Saba - Caribe


Quando chegamos na ilha, a nossa primeira opção de hospedagem era o Momo Cottages. Mas estava lotado e só conseguimos vaga a partir do dia seguinte. Assim, nossa primeira noite foi no Scout's Place, mais confortável e caro. Além de hotel, eles também são operadores de mergulho e aproveitamos para fechar um pacote de três dias de mergulho.. E assim, logo cedo, após um café da manhã com uma vista maravilhosa, já estávamos indo em direção ao pequeno porto da ilha, no fim da estrada que começa no aeroporto.

Preparação para o primeiro mergulho na costa de Saba - Caribe

Preparação para o primeiro mergulho na costa de Saba - Caribe


O dorminhoco tubarão-lixa no mergulho em Third Encounter, na costa de Saba - Caribe

O dorminhoco tubarão-lixa no mergulho em Third Encounter, na costa de Saba - Caribe


Os dois mergulhos foram excepcionais!. No primeiro, mais profundo, visitamos o que eles chamam de "The Neddle" (a agulha), uma incrível formação rochosa que nasce a 50 metros de profundidade e tem 25 metros de altura, com um diâmetro de uns 5 metros. Como isso se forma, não tenho a menor idéia! Só sei que ela está toda incrustada de corais e é um polo de atração de peixes. Vimos vários tubarões-lixa, uma espécie amistosa e dorminhoca que sempre acha alguma toca e fica lá, deitadão.

Enormes barracudas nos acompanham durante a parada de segurança no primeiro mergulho na costa de Saba - Caribe

Enormes barracudas nos acompanham durante a parada de segurança no primeiro mergulho na costa de Saba - Caribe


Outro grande peixe que encontramos foram as barracudas. Sempre curiosas, ficam nos acompanhando mas, se a gente chegar perto demais, mostram os dentes bem ameaçadores.

Uma anêmona durante nosso segundo mergulho na costa de Saba - Caribe

Uma anêmona durante nosso segundo mergulho na costa de Saba - Caribe


Peixe colorido em uma reentrância no coral de Tent Reef, na costa de Saba - Caribe

Peixe colorido em uma reentrância no coral de Tent Reef, na costa de Saba - Caribe


No segundo mergulho, já mais raso, fomos a um jardim de corais cheio de tocas e grutas. Como é mais raso, tudo fica mais colorido. Muito legal! Até uma linda arraia chita apareceu para nos dar as boas vindas.

Uma bela arraia xita durante o mergulho em Tent Reef, na costa de Saba - Caribe

Uma bela arraia xita durante o mergulho em Tent Reef, na costa de Saba - Caribe


Explrando pequenas grutas e passagens durante mergulho em Tent Reef, na costa de Saba - Caribe

Explrando pequenas grutas e passagens durante mergulho em Tent Reef, na costa de Saba - Caribe


No fim do mergulho, fomos nos instalar no novo hotel, o El Momo. E no fim da tarde, ainda conseguimos fazer um pequeno trekking, subindo uma montanha ao lado do Mt. Scenery. Com o sol de pondo, vistas lindas sobre a ilha e o mar ao seu redor, inclusive das ilhas vizinhas, Sint Eustatius e St. Kitts.

No alto do monte Maskaroni, nosso primeiro trekking em Saba - Caribe

No alto do monte Maskaroni, nosso primeiro trekking em Saba - Caribe


De noite, ainda tivemos o pique de ir num karaokê, programa semanal da ilha, lá no restaurante do Scout's Place, sempre muito concorrido. De lá esticamos para um barzinho/boate onde, pela primeira vez por aqui, parecia estarmos no Caribe, pela quantidade de rastas.

No alto do monte Maskaroni, nosso primeiro trekking em Saba - Caribe

No alto do monte Maskaroni, nosso primeiro trekking em Saba - Caribe


Eram quase três quando conseguimos nos recolher. Não sobrou muito tempo para dormir já que, amanhã cedo, tem mais mergulhos...

O belo jardim de corais na parte mais rasa de Tent Reef, na costa de Saba - Caribe

O belo jardim de corais na parte mais rasa de Tent Reef, na costa de Saba - Caribe

Saba, Windwardside, The Bottom, The Bottom mergulho, trilha

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Vale de Colchaga

Chile, Pichilemu

Degustando vinho na vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Degustando vinho na vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


Deixamos o litoral de Chile para trás e rumamos para o interior do país mais uma vez. Para hoje, o nosso plano é chegar até a cidade de Rengo, sem muito apelo turístico, mas que nos atrai por um motivo bem específico. Aí moram a Andrea e o Pablo, o casal chileno que encontramos viajando lá no Ceará, bem no início dos 1000dias. Passamos um dia de explorações juntos na região de Ubajara e, depois disso, sempre mantivemos contato. Eles até se hospedaram na casa da mãe da Ana quando passaram em Curitiba e nós ficamos na casa da mãe deles quando passamos em Santiago. Agora, finalmente, chegou a hora de nos ver novamente, dessa vez na casa própria deles.



Mas antes disso, ainda tínhamos um último lugar para visitar. O Valle de Colchagua é a mais tradicional área de produção de vinho do Chile e fica justamente no caminho entre Pichilemu e Rengo. Nós até já tínhamos passado por aí quando viemos ontem para o litoral, mas nem paramos já que queríamos chegar logo na praia. Além disso, já tínhamos nos programado para fazer essa visita no dia seguinte, hoje. Dito e feito, passamos algumas deliciosas horas explorando a região, procurando e visitando vinícolas antes de seguirmos viagem até Rengo no final do dia.

Os jardins da vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Os jardins da vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


Chegando à vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Chegando à vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


O solo argiloso, água abundante, muitas horas de sol, ar seco e noites frias se combinaram para criar as condições quase perfeitas para o desenvolvimento das videiras, As uvas Cabernet Sauvignon, Merlot e Carmenere crescem muito bem no vale e alguns dos melhores e mais famosos vinhos do país saem daqui. São dezenas de vinícolas, algumas pequenas e familiares, outras já com reputação internacional, que se espalham pela região que tem como principal cidade e base de exploração a tranquila Santa Cruz.

Videiras da vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Videiras da vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


Videiras da vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Videiras da vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


É na cidade, a apenas 170 km ao sul da capital, onde estão as principais acomodações de Colchagua e de onde saem os tours e excursões que levam turistas pelas vinícolas próximas a bebericar, testar e degustar o principal produto da região: o vinho tinto. Mais do que isso, muitas vinícolas oferecem também refeições diversas, variando do orgânico ao piquenique, dos aperitivos e acompanhamentos às refeições mais requintadas. Vai tudo depender do tamanho do bolso do freguês.

Visitando a vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Visitando a vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


Visitando a vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Visitando a vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


Visitando a vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Visitando a vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


Para nós, boa parte da diversão e do prazer foi localizar alguma vinícola que estivesse aberta à visitação hoje. A maioria está sempre de braços abertos aos turistas nos finais de semana, quando muita gente vem de Santiago. Nos dias de semana, o melhor, para se garantir, é fazer reserva com antecipação. Se vier em um tour, eles mesmo já terão feito a reserva na vinícola. Mas no nosso caso, aparecendo totalmente de surpresa, por duas vezes demos com vinícolas “não preparadas” para visitas. Mesmo assim, apenas o fato de dirigir por estradas secundárias no meio de plantações de videiras e aquele ar bucólico e romântico já fazia valer o passeio. Casas centenárias transformadas em hotéis-fazenda ou pousadas-boutique eram uma tentação difícil de resistir. Mas estávamos mesmo procurando era uma vinícola aberta.

Arte em barris, na vinícola Estampa, Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Arte em barris, na vinícola Estampa, Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


Barris de vinho em um andar, mesas de degustação em outro, na vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Barris de vinho em um andar, mesas de degustação em outro, na vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


Por fim, encontramos uma, a Estampa. Éramos os únicos por ali, visita totalmente inesperada naquela hora do dia, mas mesmo assim eles nos deixaram dar uma olhada rápida em suas instalações, nos enormes tonéis de aço que armazenam o precioso líquido vermelho que produzem. Do lado de fora, filas e mais filas de videiras, o nome das espécies sempre muito bem marcados em placas. Tudo muito lindo, mas depois de tantas visitas à vinícolas nesses 1000dias, já sabemos o que mais nos interessa: os vinhos, claro!

Conversando, aprendendo e degustando vinho na vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Conversando, aprendendo e degustando vinho na vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


Vinho para degustar na vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Vinho para degustar na vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile


Então, vamos a eles! Eu estava super bem intencionado e decidido a deixar apenas a Ana aproveitar o momento da degustação. Afinal, era eu que dirigia. Mas confesso que não consegui resistir, situação tão especial como essa nos permite quebrar, bem de leve, uma regra ou outra. Assim, também dei uns goles e provei dos belos vinhos ali produzidos. Uma delícia! Aproveitamos para comprar uma garrafa para nossos amigos chilenos e não chegar à casa deles de mãos abanando. E como estamos indo para uma festa de aniversário no Ceará em 3 dias, levar umas garrafas para lá também nos pareceu uma boa ideia. Por fim, também somos filhos de Deus, então reabastecemos o estoque da Fiona. Sairemos do Chile em poucos dias, mas levaremos um pedacinho dele conosco, hehehe. Só não sei quanto tempo vai durar...

Comprando vinho na vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Comprando vinho na vinícola Estampa, no Valle de Colchagua, região de Santa Cruz, ao sul de Santiago, no Chile

Chile, Pichilemu, Santa Cruz, Valle de Colchaga, Vinho, vinícola

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Geórgia Do Sul, Prion Island

Um pequeno pinguim gentoo e um gigantesco elefante-marinho dividem a mesma praia em Prion Island, na Geórgia do Sul (foto de Marla Barker)

Um pequeno pinguim gentoo e um gigantesco elefante-marinho dividem a mesma praia em Prion Island, na Geórgia do Sul (foto de Marla Barker)


Nosso passeio de caiaque terminou na pequena praia de pedras na ilha de Prion Island, na costa noroeste da Geórgia do Sul. Prion Island é famosa pelos albatrozes que aí se reproduzem e foi construída uma trilha de madeira sobre a vegetação para que possamos caminhar da praia até o alto da ilha, num percurso curto de 10-15 minutos cheios de pequenos mirantes para que possamos admirar não apenas a vida selvagem, mas também a paisagem grandiosa que cerca a ilha.

O magnífico cenário visto de Prion Island, na Geórgia do Sul

O magnífico cenário visto de Prion Island, na Geórgia do Sul


Típico cenário da Geórgia do Sul, visto de Prion Island

Típico cenário da Geórgia do Sul, visto de Prion Island


Nós pudemos percorrer toda a trilha com nossas roupas de caiaque mesmo, sem ter de recorrer à famosa parka amarela ou às grandes botas de borracha. Ficamos mais “fashion” assim e quem nos vê pode pensar que chegamos aqui pilotando nossos próprios jatos supersônicos, hehehe.

Prion Island, na Geórgia do Sul

Prion Island, na Geórgia do Sul


Placa para os visitantes de Prion Island, na Geórgia do Sul

Placa para os visitantes de Prion Island, na Geórgia do Sul


O resto da ilha, além da praia, escadaria de madeira e pequenos mirantes é “off-limits” para turistas. Toda coberta com uma grama alta, é o terreno santo dos albatrozes, que usam esse mato para esconder seus ninhos e filhotes. Não apenas os albatrozes, mas também as outras aves que habitam e se reproduzem em Prion Island, como alguns gansos a aves endêmicas.

Um pequeno pato vaga pela praia de Prion Island, na Geórgia do Sul (foto de France Dionne)

Um pequeno pato vaga pela praia de Prion Island, na Geórgia do Sul (foto de France Dionne)


Um grupo de pinguins gentoo em praia de Prion Island, na Geórgia do Sul

Um grupo de pinguins gentoo em praia de Prion Island, na Geórgia do Sul


Além de todas essas aves que voam, temos, claro, os pinguins! São aqueles que já conhecíamos lá de Falkland, da espécie gentoo. Eles não se arriscam na grama alta da ilha e preferem mesmo a pra de pedras, que dividem de bom grado com elefantes e lobos-marinho. Depois daquele oceano de pinguins com manchas amarelas que vimo9s pela manhã, lá em Salisbury Plain, os olhos até demoram a se acostumar com esses pinguins “apenas” preto e branco. Parece até que mudamos de uma TV colorida para outra sem cores!

Pinguins gentoo em praia de Prion Island, na Geórgia do Sul

Pinguins gentoo em praia de Prion Island, na Geórgia do Sul


Um pinguim gentoo sai do mar em Prion Island, na Geórgia do Sul

Um pinguim gentoo sai do mar em Prion Island, na Geórgia do Sul


Os pinguins gentoo são a terceira maior espécie desse tipo de ave, quase do mesmo tamanho dos pinguins rei, que são a segunda maior. Algumas vezes, as duas espécies até socializam juntas e na internet é possível achar fotos de um gentoo caminhando no meio de um grupo de pinguins rei, mas quase sempre eles preferem a própria espécie.

Um simpático pinguim gentoo na praia de Prion Island, na Geórgia do Sul

Um simpático pinguim gentoo na praia de Prion Island, na Geórgia do Sul


Pinguins gentoo nadam no mar ao redor de Prion Island, na Geórgia do Sul

Pinguins gentoo nadam no mar ao redor de Prion Island, na Geórgia do Sul


Eles não têm super colônias com centenas de milhares de indivíduos, como os pinguins rei, mas se espalham por uma parte mais ampla do globo que seus primos coloridos, em um número muito maior de colônias. Aqui em Prion Island eram poucas dezenas, e não só caminhavam na praia e entre seus amigos gigantes (os elefantes e lobos), como também davam seu show dentro d’água, nadando com a habilidade que lhes é particular.

O Sea Spirit ancorado ao lado de Prion Island, na Geórgia do Sul

O Sea Spirit ancorado ao lado de Prion Island, na Geórgia do Sul


Lobos-marinho e pinguins gentoo em praia de Prion Island, na Geórgia do Sul

Lobos-marinho e pinguins gentoo em praia de Prion Island, na Geórgia do Sul


Falando nos amigos gigantes, mas gigantes mesmo, lá estavam os elefantes-marinho, um grande macho dominador e seu séquito de fêmeas apaixonadas, algumas com os filhotes gerados na estação passada. Como já chegamos na Geórgia no fim da estação de acasalamento, o clima está bem tranquilo entre eles, sem as brigas titânicas entre os machos para garantir território. Só podemos perceber as cicatrizes deixadas por essas grandes batalhas. Dizem os guias que, com sorte, ainda poderemos ver alguma delas em um desembarque que faremos mais adiante, onde se encontram grupos maiores dessa enorme espécie de mamíferos semi-aquáticos, semi-terrestres.

Elefantes-marinho em praia de Prion Island, na Geórgia do Sul

Elefantes-marinho em praia de Prion Island, na Geórgia do Sul


Elefantes-marinho descansam em praia de Prion Island, na Geórgia do Sul

Elefantes-marinho descansam em praia de Prion Island, na Geórgia do Sul


Por aqui, o máximo que vimos foram dois adolescentes da espécie brincando de brigar. É, o que parece brincadeira hoje, um dia será muito sério, podendo até levar a morte. Entre esses jovens, é apenas peito com peito, tentando derrubar o adversário. Na vida adulta, há muitas mordidas também, principalmente quando nenhum dos lutadores quer ceder ou desistir. Essas mordidas podem gerar muitos estragos e até mutilações, não sendo incomum que levem a morte alguns dias depois, após infeccionarem. Mas, como disse, por aqui era só brincadeira, a gente até podendo notar um certo sorriso maroto no rosto dos adolescentes.

Elefantes-marinho adolescentes medem forças em praia de Prion Island, na Geórgia do Sul

Elefantes-marinho adolescentes medem forças em praia de Prion Island, na Geórgia do Sul


Um filhote de elefante marinho troca de pele em Prion Island, na Geórgia do Sul

Um filhote de elefante marinho troca de pele em Prion Island, na Geórgia do Sul


Quem parecia machucado, mas não estava, eram os filhotes mais novos. Alguns deles estão passando por uma “troca de pele” e, para olhos destreinados, parece que estão com alguma doença. Mas lá estava nossa guia para dizer que não, que era só a pele antiga caindo e descascando, enquanto outra surge logo abaixo. Coitados! Com aqueles olhos enormes que têm, ficam olhando para nós, curiosos. E nós para eles, com pena. Mas não aprecem se importar muito, não. E os olhos grandes, vão ajudá-los a encontrar comida na escuridão das grandes profundezas, quando forem mais velhos...

Época de troca de pele para os pequenos elefantes-marinho em Prion Island, na Geórgia do Sul (foto de France Dionne)

Época de troca de pele para os pequenos elefantes-marinho em Prion Island, na Geórgia do Sul (foto de France Dionne)


Com seus enormes olhos, um filhote de elefante-marinho em Prion Island, na Geórgia do Sul (foto de Vladimir Seliverstov)

Com seus enormes olhos, um filhote de elefante-marinho em Prion Island, na Geórgia do Sul (foto de Vladimir Seliverstov)


Onde a briga era muito mais séria era entre os lobos-marinho. Ao contrário dos elefantes, a estação de acasalamento deles está apenas começando e, por enquanto, estão na fase de garantir um território na praia, uma das principais “qualidades” para atrair um fêmea. Uma não, várias! Lobos-marinho chegam a formar haréns com até uma dezena delas. E para isso, é necessário garantir um bom lugar na praia, longe da variação da maré, mas perto o suficiente para um mergulho rápido.

Lobos-marinho em praia de Prion Island, na Geórgia do Sul

Lobos-marinho em praia de Prion Island, na Geórgia do Sul


Um lobo-marinho e um pinguim gentoo dividem a mesma praia em Prion Island, na Geórgia do Sul

Um lobo-marinho e um pinguim gentoo dividem a mesma praia em Prion Island, na Geórgia do Sul


Pois bem, lá estavam os brigões. Ficam frente a frente, se medindo e tentando assustar o adversário. O clima de tensão se perceber no ar, eles se mirando meio de lado. Quando um deles não cede, a briga é certa. De repente, em movimentos rápidos, trocam mordidas violentas, como dois cachorros brigando. Logo vemos o vermelho do sangue aparecer em suas espessas penugens. Após um ou dois embates assim, um deles acaba se afastando, meio a contragosto. Quase podemos entender seus rugidos: “Ainda não acabou! Espera só eu voltar...”.

Lobo-marinho sangrando depois de briga com outro lobo em praia de Prion Island, na Geórgia do Sul

Lobo-marinho sangrando depois de briga com outro lobo em praia de Prion Island, na Geórgia do Sul


Elefantes-marinho descansam em praia de Prion Island, na Geórgia do Sul

Elefantes-marinho descansam em praia de Prion Island, na Geórgia do Sul


O estranho é ver isso tudo acontecer num espaço tão pequeno, lobos brigando e os elefantes e pinguins ali do lado pouco se importando com o que está ocorrendo. Devem estar bem acostumados. Também não ligam para nós, exceto os próprios lobos, que parecem nos ver como uma ameaça ao seu território duramente conquistado. Então, o negócio e não nos aproximar muito deles...

Nosso grupo de caiaque faz a trilha de Prion Island, na Geórgia do Sul

Nosso grupo de caiaque faz a trilha de Prion Island, na Geórgia do Sul


Com a roupa de caiaque, explorando Prion Island, na Geórgia do Sul

Com a roupa de caiaque, explorando Prion Island, na Geórgia do Sul


Mas que são indos, isso são! Com sua imponência e juba de leão, um focinho e rosto de urso e sons de lobo. Não é a toa que são chamados por esses três nomes e todos lhe caem bem, apesar da cor da penugem lembrar mais um urso negro que um leão bege. Em inglês não há essa confusão e eles são chamados de “fur seal”, uma espécie de foca com casaco de pele.

O Sea Spirit ancorado na paisagem majestosa de Prion Island, na Geórgia do Sul (foto de Mitch Jasechko)

O Sea Spirit ancorado na paisagem majestosa de Prion Island, na Geórgia do Sul (foto de Mitch Jasechko)


O Sea Spirit em meio a montanhas geladas, perto de Prion Island, na Geórgia do Sul

O Sea Spirit em meio a montanhas geladas, perto de Prion Island, na Geórgia do Sul


Bem, depois de um bom tempo admirando essa praia movimentada e cheia de vida, era hora de seguirmos para a atração principal, os albatrozes gigantes. Para isso, lá fomos trilha acima. Conforme fomos ganhando altura, a paisagem ao nosso redor foi se torando mais linda. Ver o Sea Spirit de longe, navegando em estreitos canais entre montanhas nevadas é absolutamente fantástico. Tivemos de parar mais uma vez para admirar esse cenário arrebatador. Depois, foi respirar fundo e subir mais um pouco. Não queríamos perder as aulas de voo que estavam ocorrendo um pouco acima de nós...

Um preguiçoso filhote de elefante marinho em praia de Prion Island, na Geórgia do Sul

Um preguiçoso filhote de elefante marinho em praia de Prion Island, na Geórgia do Sul

Geórgia Do Sul, Prion Island, Bichos, Pinguim

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