1
Arquitetura Bichos cachoeira Caverna cidade Estrada história Lago Mergulho Montanha Parque Patagônia Praia trilha vulcão
Alaska Anguila Antártida Antígua E Barbuda Argentina Aruba Bahamas Barbados Belize Bermuda Bolívia Bonaire Brasil Canadá Chile Colômbia Costa Rica Cuba Curaçao Dominica El Salvador Equador Estados Unidos Falkland Galápagos Geórgia Do Sul Granada Groelândia Guadalupe Guatemala Guiana Guiana Francesa Haiti Hawaii Honduras Ilha De Pascoa Ilhas Caiman Ilhas Virgens Americanas Ilhas Virgens Britânicas Islândia Jamaica Martinica México Montserrat Nicarágua Panamá Paraguai Peru Porto Rico República Dominicana Saba Saint Barth Saint Kitts E Neves Saint Martin San Eustatius Santa Lúcia São Vicente E Granadinas Sint Maarten Suriname Trinidad e Tobago Turks e Caicos Uruguai Venezuela
A praia perfeita em Cayo Zapatilla, uma das pequenas ilhas de Bocas del Toro, no norte do Panamá
Bocas del Toro é um arquipélago com dezenas de ilhas e ilhotas no norte do Panamá, no lado do Oceano Atlântico, já quase na fronteira com a Costa Rica. A principal ilha do arquipélago é Isla Colón, onde nós nos hospedamos e onde fizemos o passeio de bicicleta ontem. Mas algumas das mais belas paisagens, assim como as melhores praias para a prática do surf não estão nesta ilha e, para chegar até elas, só indo de barco. São várias as agências na cidade que organizam tours ou simplesmente transporte para essas atrações, não sendo difícil chegar aonde se queira.
Bocas del Toro, no norte do Panamá
Na lancha que nos levou à Cayo Zapatilla, em Bocas del Toro, no norte do Panamá
Foi o que fizemos hoje. Uma espécie de day tour cujo objetivo principal era chegar em uma das mais belas e isoladas ilhas do arquipélago, a pequena Cayo Zapatilla. No caminho, ainda tínhamos a chance de passar por uma área de mangues, onde se encontram muitas preguiças, e também pela baía dos golfinhos, quase uma lagoa protegida por uma série de ilhas, lugar ideal para nossos primos aquáticos descansarem entre uma caçada e outra. Sete clientes em uma lancha rápida, todos levando seus comes e bebes para o dia em uma paisagem paradisíaca.
Uma preguiça em área de mangue em Bocas del Toro, no norte do Panamá
Avistando golfinhos em Bocas del Toro, no norte do Panamá
Depois de passar uns vinte minutos procurando, sem sucesso, os golfinhos na tal baía, seguimos para os “manglares” (áreas de mangue) onde, aí sim, vimos várias preguiças. Mas o que queríamos mesmo era chegar logo em Zapatilla. No trecho de mar aberto até a pequena ilha, aí sim vimos os golfinhos, que voltavam mais tarde de sua caça noturna. Algumas fotos e força total para o paraíso!
Chegando à paradisíaca Cayo Zapatilla, uma das pequenas ilhas de Bocas del Toro, no norte do Panamá
Já esperávamos algo muito bonito, mas o que vimos nos surpreendeu. Muito nos lembrou de Los Roques, no caribe venezuelano: uma pequena ilha circundada por uma praia de areias extremamente brancas e um mar com cor de piscina. Uma verdadeira pintura!
Chegando à paradisíaca Cayo Zapatilla, uma das pequenas ilhas de Bocas del Toro, no norte do Panamá
Descarregamos o freezer com as cervejas geladas e desembarcamos naquele pequeno pedaço de paraíso. Nós e vários outros barcos com turistas também. É, não é como Los Roques, onde tínhamos a ilhota só para nós... Mas não atrapalhou, não! Fomos logo dar uma volta na ilha, caminhada de meia hora. A cada curva, outro cartão postal!
Um pedaço do Brasil em Cayo Zapatilla, uma das pequenas ilhas de Bocas del Toro, no norte do Panamá
Caminhando por Cayo Zapatilla, uma das pequenas ilhas de Bocas del Toro, no norte do Panamá
Depois da caminhada, um mergulho refrescante e a chance de fazer um pouco de snorkel. E assim se passaram nossas duas horas e meia naquele lugar perdido no meio do mar, quando nossa lancha veio nos buscar. No caminho de volta, mais uma parada para fazer snorkel e, antes das quatro da tarde, estávamos de volta à Isla Colón.
Cores inacreditáveis em Cayo Zapatilla, uma das pequenas ilhas de Bocas del Toro, no norte do Panamá
Um verdadeiro jardim submerso em Cayo Zapatilla, uma das ilhas de Bocas del Toro, no norte do Panamá
A Ana faz snorkel em Cayo Zapatilla, uma das ilhas de Bocas del Toro, no norte do Panamá
Os mergulhos foram bem gostosos, mas o mar de Bocas é mais bonito visto de fora do que de dentro. Acho que falo isso porque estamos bem “mal acostumados” com locais de mergulho e snorkel, depois de termos rodado por todo o Caribe. Visibilidade de pouco menos de 10 metros, locais muitos rasos, Mas acabamos achando um ponto mais fundo e aí, brincamos bastante. Não havia muitos peixes, mas os corais e plantas formavam um verdadeiro jardim lá embaixo. Enfim, sempre vale a pena explorar as belezas subaquáticas. Como diz um amigo, “não existe mergulho ruim”. Assino embaixo!
Mergulho livre nas águas claras de Cayo Zapatilla, uma das ilhas de Bocas del Toro, no norte do Panamá
Explorando o fundo de um canyon marinho em em Cayo Zapatilla, uma das ilhas de Bocas del Toro, no norte do Panamá
Mergulho livre nas águas claras de Cayo Zapatilla, uma das ilhas de Bocas del Toro, no norte do Panamá
Nossa primeira ideia era dormir mais uma noite por aqui e partir bem cedo para a Cidade do Panamá. Mas as dificuldades burocráticas que nos esperam por lá nos fizeram mudar de ideia. Voltamos ao continente hoje mesmo, acompanhados da simpática Elise. A Fiona estava lá, com o rabinho balançando ao nos ver. Vamos tentar chegar o mais perto possível da capital para, amanhã cedo, correr atrás da papelada que vai nos permitir voar para a República Dominicana. Detalhes no próximo post...
Banho de mar em Cayo Zapatilla, uma das pequenas ilhas de Bocas del Toro, no norte do Panamá
Nosso último e magnífico nascer-do-sol na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Desde que lemos o relato de um amigo sobre sua viagem ao Mamirauá, há alguns anos, esse lugar passou a fazer parte do roteiro da expedição 1000dias. Agora, mais de três anos depois e de muita ansiedade e vontade, chegou a hora de vermos com os próprios olhos e conhecermos a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Mamirauá, exemplo para tantas outras reservas de preservação espalhadas pelo Brasil e uma verdadeira inspiração para quem conhece seus rios e lagos, sua flora e fauna, seu ecossistema único e, principalmente, a história da sua criação e de seu idealizador, criador e primeiro diretor, José Márcio Ayres.
Encontro com macacos na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
Aos seis anos de idade, em uma fazenda do Pará, José Ayres viu pela primeira vez um macaco vivendo livre na natureza. Desde então, decidiu que seria um “estudioso dos macacos”. O que os adultos pensavam ser uma mania de criança acabou mesmo virando um trabalho muito sério de adulto. José Ayres se formou em Ciências Biológicas na USP de Ribeirão Preto, em 1976, com interesse na área de primatologia. Um de seus primeiros empregos: diretor do pequeno zoológico da cidade. Foi nesse cargo que ele viajou à Europa para visitar outros zoológicos. E em Colònia, na Alemanha, teve o encontro que mudaria a sua vida. Foi lá que viu, pela primeira vez, um Uacari, ou “english monkey”, como é conhecido por lá. A razão do apelido vem do corpo coberto de pelos brancos, mas com o rosto pelado, bem vermelho, muito semelhante a um inglês depois de ter tomado alguns copos de gim.
Pintura do macaco Uacari, símbolo da Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
José Ayres ficou inconformado que ele, um primatólogo brasileiro, fosse conhecer esse macaco que vive na Amazônia brasileira em um zoológico europeu! Decidiu que seu doutorado, a ser realizado em Cambridge, na Inglaterra, seria sobre esse magnífico animal. E foi assim que, em suas pesquisas de campo, ele acabou chegando à região do Mamirauá, local onde vivem os Uacaris. Meses de estudo o fizeram se apaixonar por essa região e perceber que se ela não fosse protegida, esses macacos e muitas outras espécies seriam, em breve, extintos.
Revoada de pássaros na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Na época, final dos anos 80, a solução para essa questão seria a criação de um Parque Nacional. Mas havia um problema: havia milhares de moradores na região e a criação de um Parque Nacional preconizava a saída desses moradores da área. Não era o que queria ou imaginava José Ayres. Ao contrário, ele contava com a ajuda desses moradores para a preservação da flora, fauna e ecossistema onde moravam. Ele imaginava um novo modelo de preservação, onde homens e natureza convivessem de forma sustentável. Dessa ideia e de sua luta em implantá-la nasceu um novo tipo de entidade, a chamada Reserva de Desenvolvimento Sustentável, que define uma área com muitas características semelhantes a um Parque Nacional, mas onde sua população original continua a morar, inclusive com suas atividades de agricultura, criação e extrativismo e mesmo caça e pesca, desde que dentro de parâmetros sustentáveis. Esse parâmetros são definidos através de estudos de impacto na flora e fauna, até a medida em que espécies de plantas e animais continuem a prosperar.
Família se diverte durante nossa visita à comunidade localizada na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas
A Reserva do Mamirauá foi a primeira nesse novo modelo, servindo de exemplo para dezenas de outras que foram criadas desde então. A natureza e as populações locais agradecem a luta desse homem que fez uma incansável peregrinação por escritórios e auditórios, institutos e universidades, no Brasil e no exterior, para conseguir implantar sua ideia inovadora. Muita conversa com políticos e burocratas levou a criação, em 1990, da Estação Ecológica do Mamirauá que, em 1996, transformou-se na Reserva do Mamirauá. Nos anos seguintes, foi a vez de sua “irmã” mais nova e vizinha, Amanã. A fama do biólogo, de seus macacos, de seu trabalho e da Reserva ganhou fronteiras, atraindo a atenção do mundo. Em 2002, por exemplo, Mamirauá foi visitada por Peter Gabriel, Bill Gates e pelo então presidente, Fernando Henrique Cardoso, que foi logo cativado pelo jeito simples e brincalhão de José Ayres. Quem os viu caminhando juntos pela reserva podia jurar que eram amigos de longa data.
Visita à comunidade ribeirinha na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Infelizmente, como bem diz o ditado popular, a chama que brilha mais forte, brilha por menos tempo. José Ayres driblou encontros com onças durante pesquisas no Mato Grosso ou com tribos perigosas em Borneo, mas sucumbiu prematuramente de câncer, aos 49 anos, no ano de 2003. Foi um ano de muita luta, num hospital de Nova York. Daí, ele só saiu duas vezes nos últimos meses: a primeira, para receber um dos seus inúmeros prêmios internacionais, dessa vez no Japão; a segunda, para passar uma última temporada no Mamirauá, 15 dias no paraíso que havia ajudado a criar. Que sua vida e luta inspirem muitos brasileiros...
Apresentação sobre a Reserva do Mamirauá (na Pousada Uacari, perto de Tefé, no Amazonas)
Dez anos após a morte de seu criador, justamente atrás de muita inspiração e aprendizado, somos nós que chegamos ao Mamirauá. Com cerca de 11 mil quilômetros quadrados, apenas 35 deles aptos para o turismo, o restante destinados à pesquisa, preservação e uso controlado pelos habitantes das comunidades locais. Nessa área encontram-se mais de 400 espécies de árvores, 35 espécies de mamíferos, 361 tipos de aves e 79 espécies de répteis, sem contar os milhares de tipos de insetos, peixes e plantas menores, um verdadeiro tesouro natural. Além disso, com diversas comunidades ribeirinhas, cerca de 5 mil pessoas que vivem em regime de sustentabilidade com a natureza, dela extraindo o seu ganha-pão, na maneira imaginada primeiramente por José Ayres.
Chegando à Pousada Uacari, nossa casa pelos próximos 5 dias na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
A maneira de nós, turistas, conhecermos esse paraíso, é através da Pousada Uacari, a única na Reserva. A pousada não tem fins lucrativos e, na verdade, todos os ganhos são direcionados para benfeitorias nas comunidades locais. Em pacotes de dois (pouco!!!) cinco ou sete dias, todas as refeições incluídas, ficamos internados no coração da Reserva, preenchendo nossos dias com passeios de canoa, caminhadas em trilhas, visitas à comunidades, assistindo palestras ou simplesmente descansando nas redes de nossas varandas observando o rio e a mata à nossa frente.
Nosso guia nos leva através da floresta alagada, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Um detalhe muito importante é a época em que se vai. Mamirauá fica numa região de floresta de várzea, ou seja, fica completamente alagada nos períodos de cheia. Simplesmente, não há terra firme por perto durante quase seis meses do ano. Assim, o que costumavam ser trilhas no mês de dezembro, são caminhos de canoa no mês de julho. Para quem quer caminhar, a melhor época é o período seco. Para quem quer conhecer a floresta alagada, o melhormomento é o período de cheias, quando as águas chegam a subir incríveis 13 metros, árvores e florestas tornam-se ilhas e quando animais e insetos devem se adaptar a uma vida molhada ou na copa das árvores.
Sobrevoando o gigantesco rio Solimões na região de Tefé, no Amazonas
Essa última época, a de cheia, de florestas alagadas e passeios de canoa foi a nossa escolha. Para lá vamos, loucos para conhecer o famoso Uacari e vivenciar um ecossistema que cobre uma grande parte do nosso país. Voaremos para Tefé, na região do médio Solimões, onde seremos recebidos no aeroporto pelo pessoal da Pousada Uacari que nos levará para a pousada, a cerca de uma hora de distância da cidade de voadeira. É lá que nossa aventura começa, a nossa casa pelos próximos cinco dias. Assunto para os próximos posts.
Pensativo, observando a grandeza da Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Muitas cores em praia de Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe
A grande atração de Isla Mujeres é, sem dúvida, o mar que a cerca. A gente já pôde conferir isso antes mesmo de chegar lá, no ferry que nos leva de Cancún até lá.
Ferry para Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe
Os barcos para a ilha partem de quatro lugares diferentes, com preços e horários distintos, dependendo do conforto e velocidade que se queira, além da praticidade do ancoradouro estar mais perto ou mais longe da região hoteleira.
Admirando a beleza do mar no caminho para Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe
No ferry a caminho de Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe
Para nós, que queríamos ir de Fiona, não havia escolha. O ferry para carros só sai de um lugar, quatro vezes ao dia. É justamente no porto mais longe da cidade. Então, apesar de ser o mais barato para quem atravessa sem carro, quase ninguém se dá ao trabalho de ir até lá. São poucas pessoas também que se dispõe a atravessar o próprio carro e, portanto, o ferry estava bem tranquilo.
Chegando à paradisíaca Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe
Barco lotado em Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe
Isso nos deu a falsa ilusão de que o movimento na ilha seria pequeno. Até parecia que estávamos indo para a Ilha do Mel, mas com um mar cem vezes mais bonito. Para manter o ritual que temos quando vamos à ilha paranaense, até compramos uma latinha de cerveja para nos acompanhar enquanto observávamos aquele cenário paradisíaco à nossa volta.
A caminho de um mergulho num mar com cara de piscina, na Isla Mujeres, no litoral do Yucatán, no sul do México
A ilusão de uma ilha vazia acabou assim que nos aproximamos dela. Na verdade, até antes, já que começamos a ver, de longe, a quantidade de construções na ilha (algumas altas!). Mas foi lá perto, ao ver o tanto de gente nas praias de areias brancas e as pessoas apinhadas em catamarãs sobre o mar com cor de piscina, aí tive certeza que aquela não era a nossa Ilha do Mel. Talvez, trinta anos atrás...
Voltando do mergulho em um mar que mais parece uma piscina, na Isla Mujeres, na costa caribenha no sul do México
Satisfeita com a vida, voltando de um magnífico mergulho na Isla Mujeres, na costa caribenha no sul do México
Enfim, é movimentada mesmo, mas também tem seus encantos. Afinal, não é a toa que tem tanta gente querendo passar uns dias por lá. O mar é simplesmente maravilhoso, um azul que nossos olhos não querem acreditar.
Cenário perfeito para massagens em Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe
As melhores praias estão no lado norte da ilha. Águas bem tranquilas, areias branquinhas, muitas infraestrutura de bares e restaurantes, comida para todos os gostos e bolsos, cadeiras para lugar ou bastante espaço para colocarmos nossas cangas.
Aproveitando o delicioso mar de Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe
Observando wind surf wm Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe
No lado sul e no leste da ilha, voltados para mar aberto, a costa é mais rochosa e o mar, agitado. Barcos e pessoas preferem mesmo o norte e a face voltada ao continente. Lá moram a maioria das pessoas e é onde está a cidade de verdade. É onde a maioria das pessoas se hospeda (inclusive nós) e estamos a poucos quarteirões do mar.
Delicioso fim de tarde em Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe
Chegamos à ilha no dia 6 e saímos no dia 11. Todos os dias, a melhor parte do dia era exatamente quando estávamos perto do mar, seja na praia, mergulhando, andando ou caminhando pela orla, nadando em suas águas cintilantes.
Última visão das praias paradisíacas da Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe
Enfim, do momento que chegamos até a hora de partida, o mar foi a primeira razão de estarmos aqui e, basta ver as fotos, motivos tínhamos para isso.
Mar totalmente caribenho ao redor da Isla Mujeres, no litoral sul do México
Não tivemos a tranquilidade que queríamos, mas a beleza do que nos rodeava certamente compensou isso. Após quatro dias de nos esbaldarmos por aqui, agora sim vamos achar um lugar tranquilo para ficar.
Vida tranquila em Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe
Pinturas rupestres no "Painel", no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG
Além das fantásticas cavernas, o outro grande atrativo do Parque Cavernas do Peruaçu são as centenas de pinturas rupestres que se espalham por todo o parque.
Pinturas rupestres no "Painel", no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG
Eu já tinha visto pinturas rupestres mas confesso que essas me impressionaram. Não só pela quantidade de pinturas mas também pela qualidade e diversidade dos desenhos, figuras e símbolos retratados.
Pinturas rupestres no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG
As cores ainda estão vivas e parecem falar conosco. Elas nos evocam uma outra época, uma outra civilização, uma outra realidade, um outro mundo. O que mais me toca, lá no fundo do pensamento e da alma, é que essas pinturas são um elo direto, uma ligação entre nós e quem as pintou. Um atmo de tempo nos separa. O mesmo local, a mesma visão, tempos diferentes. A ligação parece tão forte! Ainda mais quando pensamos que esses 10 mil anos, em escalas geológicas, não são mais do que um espirro, um esbirro, um soluço. E eu cito "tempo geológico" porque é nisso que pensamos quando estamos no parque, admirando essas cavernas que já vem se formando há milhões de anos. Para elas que nos fitam impassíveis enquanto nós as veneramos, foi apenas ontem que as pinturas foram feitas, e apenas anteontem que uma preguiça gigante entrava na caverna para beber a água do mesmo Peruaçu que ainda hoje corta a caverna.
Pinturas rupestres no "Painel", no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG
Nós ficamos eternos momentos ali, admirando aquelas obras de arte, literalmente viajando na maionese, tentando encontrar alguma maneira de transpor aquele mágico portão do tempo e entrar naquele outro mundo tão perto de nós, em que as pessoas viviam de forma tão diferente, com conhecimentos distintos, entendimentos diversos mas, no fundo, com as mesmas preocupações nossas, desde as mais mundanas (o que será que tem para jantar?) até as mais "filosóficas" (quem somos?, para onde vamos?, etc...).
Enfim, mundos diferentes mas ainda somos os mesmos...
Mirante do Buraco dos Macacos, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, próximo à Januária - MG
A contínua batalha entre as deusas dos vulcões e do mar, em pintura no museu do Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí
O arquipélago do Havaí nada mais é do que o resultado de um confronto milenar entre dois dos elementos da natureza: o fogo e a água. E hoje nós fomos conhecer o mais recente campo de batalha dessa guerra titânica: as imediações do Kilauea, o vulcão mais ativo do mundo.
Chegando ao parque dos vulcões, em Volcano, na Big Island, no Havaí
Normalmente, é apenas nas escalas de tempo geológicas que podemos acompanhar um embate dessa natureza. Mas, aqui no Havaí, ele é tão intenso que, mesmo no minúsculo tempo em que vive um ser humano, pode-se acompanhar o desenvolvimento desse confronto. É isso que torna o Havaí tão especial.
Fumarolas sainda de dentro da terra são um sinal claro de que a lava está perto! (em Volcano, na Big Island, no Havaí)
Os cientistas já decifraram o enredo principal dessa guerra. Uma enorme fonte de lavas e erupções, o chamado “hotspot”, se encontra em profundidades abissais, a mais de 6 mil metros sob o Oceano Pacífico. Entrando em erupção quase que continuamente, a lava vai se empilhando sobre si mesma, literalmente construindo uma montanha. Aos poucos, os seis mil metros são superados e a montanha submarina rompe a superfície do mar, criando uma nova ilha. A partir daí, não é apenas a montanha que cresce, mas a ilha também, transformando em terra aquilo que já foi mar. A cada nova erupção, uma nova área é “roubada” do Oceano, numa aparente vitória do fogo sobre a água.
A gigantesca cratera do Kilauea, em Volcano, na Big Island, no Havaí
Mas a vitória é transitória. O Oceano não vai dá-la de barato. Continuamente, vinte e quatro horas por dia, 365 dias por ano, ao longo de milhares de décadas, as ondas do mar vão bater e erodir a nova costa, criando baías que se tornarão golfos e que, eventualmente, se ligarão à outros golfos do lado de lá, canais de água que dividirão a nova ilha em ilhotas menores. Depois, uma à uma, essas ilhotas serão novamente divididas e, por fim, consumidas pelo mar. O que era terra, voltará a ser água. Esse processos de “reconquista” só acontece quando a ilha se afasta do hotspot, a fonte de força do fogo.
Visita à cratera do kilauea, o vulcão mais ativo do mundo, perto de Volcano, na Big Island, no Havaí
Desenho explica as erupções do Kilauea, no Vulcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí
Mas também essa aparente vitória do mar é ilusória. Enquanto ele desmancha uma ilha que se afastou do hotspot, uma outra está sendo criada um pouco atrás, ebm acima da fonte de fogo. Isso é o Havaí: uma sequencia de montanhas submarinas, algumas que já foram ilhas e hoje descansam abaixo da superfície marinha, outras que ainda são ilhas, mas se desmancham aos poucos e, por fim, ilhas que ainda estão crescendo, vigorosas. Sem esquecer das novas montanhas que estão se erguendo das profundezas do Oceano e que, em alguns milhares de anos, verão a luz do sol pela primeira vez.
Antigos havaianos observam uma erupção vulcânica, em belo quadro no museu do parque dos vulcões, em Volcano, na Big Island, no Havaí
Atualmente, são quatro ilhas principais no arquipélago. Três delas em pleno processo de “desmanche” e a quarta, ainda crescendo, a terra avançando sobre um mar violento. Estou falando da Big Island, a maior ilha do Havaí. Ela é formada pela junção de cinco grandes montanhas submarinas, entre elas as gigantes Mauna Kea e Mauna Loa, as maiores montanhas do planeta. Mas as duas já perderam seu vigor, e estão sendo lentamente erodidas pelo ar e pela água. A batalha atual é travada pelo seu irmão mais novo, mais ao sul, o vulcão Kilauea.
Trilha de acesso ao campo de lavas onde estão as antigas pictografias havaianas, perto de Volcano, na Big Island, no Havaí
Em erupção praticamente constante há séculos, com períodos de maior e menor atividade, as lavas do vulcão estão constantemente adicionando novas área à ilha. E hoje, nós fomos visitar essa região, tanto o vulcão em si como aquilo que, até pouco tempo atrás era mar e hoje é um enorme campo de lava escura e endurecida.
Fazendo filmagem das antigas pictografias havaianas em campo de lavas endurecidas, perto de Volcano, na Big Island, no Havaí
Toda a área é protegida por um parque nacional, o Volcanoes National Park, bem ao lado de uma pequena cidade, apropriadamente chamada de Volcano. Foi aí que nos hospedamos, em um Bed & Breakfast de uma família japonesa. Simples, mas extremamente limpo. Desses que nossos sapatos ficam do lado de fora. Chegamos ontem de noite e, depois de instalados, passei algumas horas me deliciando com a coleção de revistas da National Geographic que els tinham por ali. Revistas da década de 50 e 60! Tanto as reportagens como as propagandas são interessantíssimas de se ver. A primeira reportagem sobre um “arriscadíssimo” mergulho noturno, hoje praticado por dezenas de milhares de estudantes, foi engraçadíssima. Assim como os anúncios daquelas enormes “banheiras”, os carros americanos da década de 60. Enfim, estou mudando de assunto...
Antigas pictografias havaianas em pleno campo de lavas endurecidas, ao longo da Chain of Craters Road, em Volcano, na Big Island, no Havaí
De volta aos vulcões, logo cedo fomos ao parque nacional, ali do lado. Como sempre, tem um ótimo centro de visitantes, cheio de informações. Após a leitura de muitos painéis, ficamos meia hora assistindo a um filme com as imagens de uma grande erupção na década de 60. As imagens são mesmo impressionantes! Fontes de lava que jorravam a mais de 600 metros de altura! Lagos, rios e cachoeiras de fogo, avançando sobre tudo, nada sendo capaz de impedir o seu deslocamento. Deu pena ver uma plantação de papaias sendo lentamente consumida. Sem pernas para correr, esperavam inertes o seu momento de serem engolidas pelo rio que avançava lentamente, destruidor. O encontro da lava com o mar é sempre violento. A água fria e salgada causa pequenas explosões, mas nem mesmo ela pode impedir o avanço daquele rio amarelo e viscoso. O mais interessante é que todo esse processo pode ser observado de perto, pois a lava dos vulcões do Havaí se movem lentamente e as erupções não são explosivas. Turistas e pesquisadores podem se aproximar, pelo menos até onde o calor irradiado permitir. Do mesmo mirante que eu e a Ana visitaríamos um pouco mais tarde, turistas se maravilhavam com a gigantesca fonte de lava jorrando, a poucos quilômetros de distância. Que inveja desses afortunados nós sentimos!
O fim da estrada, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí
Depois do centro de visitantes, fomos de carro para o tal mirante, bem na boca do Kilauea. A gigantesca cratera, com muitos quilômetros de diâmetro, é fruto de um evento de proporções titânicas, testemunhado apenas pelos antigos havaianos. A montanha ainda crescia e cuspia fogo naquela época, mas tanta lava jorrou de seu cume que um enorme espaço vazio se criou em seu interior. Por fim, a montanha desabou sobre si mesma e, de montanha, virou um buraco. Por centenas de anos, essa enorme caldeira era preenchida por um lago de lava de proporções gigantescas. Aos poucos, a lava foi se resfriando e endurecendo e hoje é uma enorme planície acinzentada, de terreno altamente instável e de onde, aqui e ali, ainda se vê fumarolas saindo do solo. Nós só podemos observar lá de cima, mas cientistas descem ali para fazer seus estudos.
O turista parece achar que a placa não era necessária... (Chain of Craters Road, em Volcano, na Big Island, no Havaí)
Dentro dessa enorme caldeira uma nova cratera se formou. É chamada de Halema’Uma’U e é ela a fonte de quase todas as erupções dos últimos séculos. Dali jorrava a fonte de lava de 600 metros de altura e, ainda hoje, ela é preenchida por uma lago de lava fervente. De longe, podemos ver uma enorme coluna de fumaça e vapor se erguendo sobre ela. De noite, é possível ver a luz amarelada que vem de seu interior (pelo menos, foi o que nos disseram!). As erupções atuais, ou partem dali ou, através de conexões subterrâneas, afloram já muito mais abaixo, perto do Oceano. É de onde a lava escorre lentamente para reclamar mais áreas do Oceano e ontinuar a aumentar a Big Island.
A Chain of Craters Road foi completamente interrompida pela lava de uma erupção vulcânica, perto de Volcano, na Big Island, no Havaí
Foi para aí que nos dirigimos, após nos maravilharmos com a gigantesca caldeira do Kilauea. Um estrada chamada Chain of Craters Road liga a caldeira com a costa sudeste da ilha, num percurso de 30 milhas. A estrada passa por várias antigas crateras, fruto de erupções laterais do Kilauea. Daí, o nome da rodovia. Por fim, ela desce em direção ao mar. Ainda lá encima, podemos ver com os próprios olhos a enorme área que foi agregada à ilha recentemente (há poucos séculos). Um enorme campo de lava negra e endurecida onde antes nadavam peixes. A grandeza da vista é de tirar o fôlego!
Explorando um gigantesco campo de lava endurecida, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí
Lá embaixo, uma trilha nos leva através da lava até um local onde antigos havaianos imprimiram pictografias sobre a lava endurecida. Incrível imaginar que era ali que viviam, numa área que nos parece, pelo menos à primeira vista, completamente inóspita. Mas não é, como mostram os sinais do passado. Assim que a lava esfria, plantas vem colonizar o novo terreno. Atrás delas, os pequenos animais. E atrás deles, o homem. Um processo de colonização lento e gradual, mas que, dando tempo ao tempo, transforma aquela terra negra e estéril e florestas verdejantes cheias de vida. Vamos ver isso com os próprios olhos quando visitarmos as ilhas mais antigas do arquipélago.
Explorando um gigantesco campo de lava endurecida, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí
Continuamos pela estrada até chegar à costa. Ali, é possível admirar o encontro da lava com o mar. Uma camada negra de terra, muitos metros de altura, avança sobre o Oceano que, em resposta, assola incessantemente com suas ondas o novo terreno, criando formações rochosas peculiares. Água mole, pedra dura... De centímetro em centímetro, o mar vai destruindo a rocha, pelo menos até a próxima erupção.
Caminhando por um incrível campo de lava, em Volcano, na Big Island, no Havaí
Alguns quilômetros adiante e chegamos ao fim da estrada. Até há poucas décadas, ela não acabava ali. Ao contrário, dava toda a volta no litoral, conectando-se com as praias do norte. Mas, da mesma maneira que a lava avança sobre o mar, ela também não respeita estradas. Ver um rio de lava preta escorrido sobre o asfalto da rodovia é um lembrete claro do quão recente é a erupção e de tão rápido que a paisagem está mudando.
As primeiras plantas a colonizarem o campo de lava (Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí)
E até engraçado ver a placa “End o the road” fincada no meio da lava. Os carros não podem passar dali, mas nós podemos. Por mais de um quilômetro, pulamos de pedra em pedra para entrar naquele mundo estranho, sem vida, novo, completamente sem cor. Parece outro planeta. Uma paisagem completamente diferente de tudo o que vimos até aqui. Mas depois, com cuidado, é possível ver o um pouco de verde, as primeiras plantas a conseguirem de fixar nesse terreno. Parece até um milagre!
O fim da trilha, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí
Nós seguimos em frente, de olho no relógio. Seria preciso caminhar cerca de 7 milhas naquele terreno estranho para chegar até onde a lava está escorrendo atualmente. É um programa de dia inteiro, tempo que não tínhamos, infelizmente. Mas ter estado ali, no meio daquele lugar tão estranho e, ao mesmo tempo, tão intenso, valeu muito a pena! Mas tínhamos de voltar, pois o dia se acabava e ainda queríamos ver outras coisas.
Entrando no túnel de lava, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí
No caminho de volta pela mesma estrada, paramos agora nos “lava tubes”, túneis criados pela lava Há poucas décadas ou séculos. Por baixo da terra ela escorria, deixando para trás esses impressionantes tuneis qu hoje podem ser percorridos a pé. Naquela hora do final do dia, era apenas eu e a Ana por ali. Felizmente, luzes ainda iluminavam o caminho, pois estávamos com lanternas com pilhas bem fracas. Imaginar um rio de lava incandescente correndo por aquele mesmo lugar sombrio foi muito legal!
Um túnel de lava, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí
Saímos do túnel já totalmente no escuro, a hora certa para voltar ao mirante e observar o reflexo do lago de lava na coluna de fumaça. Pois é, seria, se o tempo estivesse aberto. Mas não era o caso. Uma forte nebulosidade tinha tomado conta do céu, para a nossa tristeza e de todos os outros turistas que tinham ido até o mirante naquele horário. No caso deles, era ainda pior do que para a gente, pois haviam pago suas excursões de van e não tinham uma segunda chance. Nós tínhamos, com carro próprio e hospedados ali do lado. Então, voltamos para nosso hotel ainda esperançosos. Enquanto o sol não raiasse, ainda teríamos uma chance! Fiz minhas preces para a belíssima deusa havaiana dos vulcões, cruzei os dedos e voltei à coleção de National Geographics, um olho na leitura e o outro no céu...
Uma bela representação da deusa havaiana dos vulcões, em Volcano, na Big Island, no Havaí
Enorme tronco caído de cedro Vermelho faz ponte natural em trilha do Pacific Rim Nat. Park, na região de Tofino, na British Columbia, no Canadá
Algumas datas nos fazem ver como temos andado por esse continente nos últimos tempos. São datas marcantes para nós como, por exemplo, o dia do ano que começamos essa viagem ou a data do nosso casamento. Elas nos convidam a tentar lembrar como foi esse mesmo dia há um ano ou há dois anos, épocas em que já estávamos na estrada nesses 1000dias. Nossos respectivos aniversários estão entre esses datas marcantes e hoje é o meu dia de ficar um pouco mais velho.
As condições climáticas da "Wet Coast", na British Columbia, no Canadá
Então, foi o dia de tentarmos lembrar o que fizemos e onde estávamos nos dias 11 de Outubro de 2011 e de 2010. Se a memória falha um pouco, os blogs estão aí para nos lembrar! Um botão no alto de cada um dos blogs nos leva diretamente aos posts de um e dois anos atrás. Para mim, é uma viagem deliciosa navegar por eles e reviver aqueles momentos. Há um ano, estávamos na cidade histórica de Popayan, no sul da Colômbia, e a sobremesa do jantar daquela noite especial foi inesquecível! Há dois anos estávamos em Itaúnas, a simpática cidade capixaba cheia de dunas de areia, no norte do estado. Ali, tivemos a deliciosa companhia do sobrinho Leo e da namorada Karen, que já faz parte da família, quase uma sobrinha também. Sem esquecer dos padrinhos Rafa e Laura. Foi muito legal!
Observando árvore que cresceu sobre o tronco de um antigo Cedro Vermelho, na rain forest da região de Tofino, na British Columbia, no Canadá
Bom, e hoje, 11 de Outubro de 2012? Dessa vez, longe que estamos, não tivemos a companhia física de familiares e amigos. Mas a internet e o Skype estão aí para diminuir as distâncias, certo? Passei boa parte da manhã, ainda no nosso Hostal em Tofino, lendo e respondendo e-mails e mensagens no Facebook, além de falar por uma hora, via Skype, com a família separada pelo mundo. Uma delícia! Viajar hoje em dia é tão mais fácil que na época das cartas e dos telegramas... Pois é, estou ficando velhinho, eu me lembro disso!
A magnífica floresta de árvores gigantes na Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá
Bom, fim da manhã, fim da nostalgia, bola para frente! Era hora de pegar estrada novamente! Nosso destino era Victoria, no sul da Vancouver Island e a capital de toda a British Columbia. Mas, antes de chegar lá, ainda tínhamos duas paradas muito importantes para fazer!
Trilha ba floresta de árvores gigantes, na Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá
Placa comparativa da maior e mais antiga das Douglas Fir com a Torre de Pisa, na Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá
A primeira foi numa trilha atravessando um trecho da rain forest protegida pelo Pacific Rim National Park, ainda bem perto de Tofino. O clima chuvoso combinou perfeitamente com a trilha entre enormes árvores centenárias que formam o coração e o motor daquela mata úmida. Do conforto de uma passarela de madeira, pudemos admirar o trabalho milenar da natureza, através de várias gerações de árvores que chegam a viver 800 anos e que, quando morrem, ainda ajudam a sustentar por mais de um século a vida de outras árvores que nascem sobre seus troncos. O ar puro e o silêncio quebrado apenas pelos cantos dos pássaros ajudam a criar um clima de paz e relaxamento, tudo o que eu mais queria naquele momento. Sorte daqueles que podem fazer um passeio desses a cada dia. Rejuvenescedor!
Junto à maior e mais antiga das Douglas Fir, em Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá
A maior e mais antiga das Douglas Fir, em Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá
A parada seguinte, uma hora adiante na estrada, também foi em uma mata. Já distantes da “Wet Coast”, o sol até apareceu, como que para me parabenizar também, hehehe. A floresta, agora, era a famosa “Cathedral Grove”, um parque criado para proteger as maiores e mais antigas árvores de toda a Vancouver Island. Se a outra mata, perto de Tofino, já era inspiradora, essa aqui beira o divino. Árvores que chegam aos 70 metros de altura e que necessitam de quase uma dezena de homens para serem completamente “abraçadas”, elas se erguem como pilares para o céu que, aliás, parecem sustentar.
Trilha pela Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá
A estrada passa bem no meio do parque. Aí, paramos o carros e fazemos duas trilhas, uma em cada lado da estrada. De um lado, predominam nossos velhos conhecidos Cedros Vermelhos. Os mesmos que, quando morrem, servem de encubadeiras pelo próximo século. Do outro, uma parente próxima, conífera também, a Douglas Fir. Mensageiros dos séculos, contam a história de enormes tempestades, como uma há 23 anos, e de incêndios, como o que destruiu metade das árvores a 350 anos, deixando grandes cicatrizes nas árvores que restaram. São nesses grandes eventos que esses gigantes silenciosos vem ao chão, dando espaço a uma nova geração de árvores.
A Fiona fica pequenina perto das árvores da Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá
Essas mesmas árvores maravilhosas estavam por aqui quando o botânico David Douglas passou pela ilha, há quase 200 anos. Douglas pertenceu a uma geração heroica de cientistas ingleses, que cruzou o mundo naquela época, como oficiais de ciências de grandes expedições. Douglas pode não ter ficado tão conhecido como seu contemporâneo Darwin, mas viveu aventuras semelhantes, encerradas abruptamente numa misteriosa morte enquanto explorava o Hawaii, com apenas 35 anos de idade. Mesmo com esse pouco tempo de vida, ele foi o responsável pela descoberta de centenas de novos tipos de árvores e plantas. Na verdade, foi o botânico responsável pelo maior número de tipos de árvores introduzidas na Inglaterra (e, portando, na Europa) na história. Entre elas, a imponente Douglas Fir, que foi batizada em sua homenagem após sua trágica morte.
A magnífica floresta de árvores gigantes na Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá
Homenagem também é o que fizemos a “mãe de todas elas”, que hoje comemorava 843 anos de idade (pelo menos, foi assim que gostei de imaginar!), uma árvore que já estava de pé quando Marco Polo visitava a China, há 750 anos. Quando Colombo chegou, então, ao outro lado do continente, já era uma adulta! Só não posso dizer que foram os vikings que a plantaram porque eles só ficaram no lado do Labrador. Ou teriam dado um pulinho por aqui? Enfim, ter estado ali, lado a lado com essas gigantes foi um inesquecível presente de aniversário.
A magnífica floresta de árvores gigantes na Cathedral Grove, na estrada para Tofino, em Vancouver Island, na British Columbia, no Canadá
Mas não foi o único! Nós seguimos viagem até a charmosa Victoria, cidade com uma rica cena cultural e gastronômica. A cidade, vamos explorar de verdade amanhã, com ajuda da luz do dia. Mas a iluminação noturna foi mais do que suficiente para encontramos o delicioso restaurante Camille’s, onde a Ana me presenteou com um jantar maravilhoso, com direito a vinho canadense direto do Okanagan Valley, principal região vinícola do país. Da entrada à sobremesa, passando pela carne de prato principal, foi um verdadeiro banquete de sabores! Obrigado a minha amada companheira!
Um delicioso vinho local para celebrar o aniversário do Rodrigo em Victoria, capital da British Columbia, no Canadá
Celebração do aniversário do Rodrigo em Victoria, capital da British Columbia, no Canadá
A noite e a celebração não terminaram por aí. Ainda esticamos para um Irish Pub, com boa música irlandesa e uma enorme quantidade e variedade de cervejas e uísques. Uísques de primeira, mas com um tamanho de dose ridículo, como bem pôde comprovar a Ana. Eu fui direto na tradicional Guinness. Achei que combinava com a data e com o dia que tinha passado! Terminamos assim, em grande estilo, esse 11 de Outubro. Depois de tanto lembrar do passado, ficou só a curiosidade do futuro: onde será o 11 de Outubro de 2013?
Uma legítima Guinness em pub irlandes para celebrar o aniversário do Rodrigo em Victoria, capital da British Columbia, no Canadá
Fim de tarde gostoso na rua peatonal de Tlaquepaque, bairro artístico de Guadalajara, no México
Depois da visita ao Museu das Múmias em Guanajuato, precisávamos de algo mais light. Felizmente, era exatamente isso que estava no nosso roteiro! Nossa próxima parada seria a deliciosa Tlaquepaque, um bairro artístico de Guadalajara.
Passeando em Tlaquepaque, bairro artístico de Guadalajara, no México
Deixamos Guanajuato para trás, já cheios de saudades, rumo à capital do estado de Jalisco, de tantas boas memórias para nós, brasileiros. Guadalajara entrou na nossa memória coletiva na Copa de 70 e se tornou, para sempre, a capital brasileira no México. Mas, muito antes disso, também já era considerada a mais mexicana das cidades. Pelo menos, uma boa parte da imagem que temos dos mexicanos é, na verdade, coisa de Guadalajara. Afinal, são de lá os sombreros, os mariachis e até a tequila.
Tlaquepaque, bairro artístico de Guadalajara, no México
Mas hoje, já de tarde, nosso objetivo era conhecer e nos instalarmos em outra parte da cidade. A vizinhança de Tlaquepaque, que já foi uma cidade isolada, mas acabou engolida por Guadalajara, tem vida própria, tranquila, cara de cidade do interior. Acabou acolhendo a comunidade artística da região e do país e hoje suas ruas estão cheias de galerias de arte charmosas. Caminhar por elas é um refresco para o espírito e um deleite visual.
Coreto da praça de Tlaquepaque, bairro artístico de Guadalajara, no México
Então, assim fizemos. Deixamos a visita ao centro da metrópole para amanhã e viemos diretamente para cá, instalando-nos num hotelzinho bem legal, a poucos quarteirões da praça principal. Depois de descarregar a Fiona, nossa única “preocupação” foi caminhar pelas ruas do bairro, fotografar, comer uma refeição saudável e acompanhar a tarde cair na vizinhança.
Mariachis na praça central de Tlaquepaque, bairro artístico de Guadalajara, no México
Apesar de terem “nascido” no centro da cidade, é aqui o melhor lugar para ver e ouvir os mariachis, numa praça toda cercada de restaurantes. Bem ao lado, outra praça, a da igreja, cheio de artistas de rua e gente vendo a vida passar. Como sempre, as praças mexicanas são o centro da vida, o melhor lugar para se estar quando não se tem nada para fazer.
Passeando em Tlaquepaque, bairro artístico de Guadalajara, no México
Por fim, cada galeria de arte é um mergulho na imaginação e na criatividade. Tenho sempre a impressão que não a sensibilidade necessária para aproveitar aqueles ambientes como deveria, mas que eu tento, tento! Mesmo para um iletrado artístico como sou, não deixa de ser um prazer e um aprendizado observar toada aquela explosão de criatividade.
Galeria de arte em Tlaquepaque, bairro artístico de Guadalajara, no México
Voltamos para nosso delicioso hotel, o quarto mais agradável que conseguimos em semanas para descansar um pouco. Amanhã voltamos ao batente, visita ao centro de Guadalajara, com suas praças e tradições, o México do México.
Decoração em galeria de arte de Tlaquepaque, bairro artístico de Guadalajara, no México
Fim de tarde. no alto das dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
Muitas coisas concorrem para fazer dessa ilha um lugar tão especial. Em primeiro, aquilo que está mais aparente: suas belezas naturais. Uma pequena ilha no meio de um arquipélago formado por manguezais, quase toda tomada por dunas de areia. Mas suas dunas são diferentes daquelas dos Lençóis Maranhenses, ou da região de Jericoacoara. Ao invés de grandes dunas, todas "correndo" na mesma direção, aqui elas estão amontoadas, uma por cima da outra, cada uma se deslocando num sentido. Nessa confusão de dunas, várias pequenas lagoas se formam, algumas do tamanho de banheiras. Para quem vinha acostumado com as dunas grandes e compactas, é uma visão inusitada!
Entardecer visto do alto das dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
Além disso, o contraste de dunas de areias amareladas crescendo (e soterrando!) manguezais também é muito bonito. Na borda dessa luta entre forças naturais, grandes praias se estendem, dependendo da maré, por quilômetros à fio. Aliás, na maré baixa, tenho a impressão que a ilha triplica de tamanho. O mar vai lá para trás, a praia fica absolutamente imensa, lagoas se formam. Um cenário grandioso.
Caminhando nas dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
O segundo motivo é científico. Por algum mistério, a maior concentração de pessoas albinas por habitante no mundo está aqui. São os chamados "filhos da lua". Lembro de criança ver programas na TV sobre isso. É um fato que jamais foi verdadeiramente compreendido, mas o fato é que ocorre. Ainda hoje, visitando a ilha, podemos vê-los, tentando se adaptar a um lugar onde, por seis meses durante o ano, o sol é inclemente. Os adultos, já cientes das dificildades, só saem nos dias nublados. A pesca, principal fonte do sustento, só de noite. Já as crianças, driblando a preocupação de seus pais, querem fazer o mesmo que seus colegas: correr ao ar livre durante todo o dia. O tempo lhes ensinará...
Dunas e pequenas lagoas na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
O terceiro motivo são as lendas que sobrevivem por aqui há gerações. É um dos últimos lugares no Brasil aonde sobrevive o "sebastianismo", algo surgido em Portugal há quase quinhentos anos. Vou falar disso num outro post, depois de visitar um centro local onde isso é explicado com mais detalhes.
Seu Domingos e sua pescaria, na praia da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
Eu e a Ana saímos logo cedo, depois da nossa "soneca", para explorar a ilha e o que a faz famosa. Juntos com os filhos do Hélio, fomos explorar as belezas da ilha, suas dunas, lagoas e praias. As lagoas ainda estão enchendo, mas do jeito que está chovendo, não vai demorar muito... As poucas lagoas mais cheias atraem muitas crianças, que são a maioria da população da ilha. É engraçado ver suas mães preocupadas, brigando com elas. Afinal, hoje é sexta-feia, dia de escola e não de lagoa. Mas vai explicar isso para as crianças... Tudo o que posso dizer é que, num ambiente desse, combina muito mais ver uma criança de sunga ou bermuda se atirando numa lagoa do que de uniforme e livros indo para uma escola...
Fim de tarde. no alto das dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
Como as lagoas não estavam tão cheias, fomos para a imensa praia nos esbaldar em suas ondas. O mar é acizentado. Mas suas ondas garantem boa diversão. Praia quase totalmente deserta. Só um pescador por ali. É o Seu Domingos, que vem nos mostrar o prêmio de seu dia: um enorme xaréu de dez quilos!
Festa com as crianças no Bar do Martins, na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
Depois do longo passeio e do almoço na pousada, tiramos mais uma bela soneca. Mas acordamos em tempo de subir as dunas mais altas da ilha, para assistir o belo entardecer. Lá de cima, pode-se observar a pequena vila, as praias ao fundo, o mangue sendo lentamente engolido pelas dunas, os braços de mar que separam a ilha de suas vizinhas e que mais parecem rios, e o verde do mangue que domina as outras ilhas. É uma linda visão! Só está faltando a revoada dos guarás vermelhos. Infelizmente, não é a época certa do ano. Agora em fevereiro, eles estão mais preocupados em se reproduzir do que fazer show para visitantes que escolheram o mês errado para observá-los.
Festa com as crianças no Bar do Martins, na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
Por fim, chega a noite e muita chuva. Já estamos abrigados no Bar do Martins, o mais animado da comunidade. Lá, entre cervejas geladas e com muito samba, socializamos com crianças da ilha. Eles nos adoram, principalmente a Ana. Disputam a nossa atenção com um senhor idoso, o Zé Maria, que gasta sua aposentadoria em cervejas. Momentos de pura felicidade, crianças pulando e sorrindo, cada um mais fotogênico do que o outro. É o prazer de se estar numa ilha tão isolada, perdida no meio desse Brasilzão, mas ao mesmo tempo tão bela e, acima de tudo, com tanto calor humano. Calor humano disfarçado de lindas crianças de cinco à dez anos. Ah... e também de um senhor com seus sessenta e poucos...
Com o Zé Maria, no Bar do Martins, na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
Parque do Peruaçu, próximo à Januária - MG
Ontem de noite, aqui no hotel, telefonamos para um guia da região que tinha um folder seu na recepção. O nome dele é Rosivaldo. Queríamos saber com ele sobre a possibilidade de entrar no parque e, se isso não fosse possível, quais os programas alternativos. Se eles não fossem muito interessantes, nossa idéia era partir logo para a região de Diamantina.
A conversa foi ótima. Em primeiro lugar, ele nos mostrou que, mesmo não entrando no parque, valeria a pena passar um dia por aqui. Sobre o parque, confirmou que ele está fechado para a visitação e que exceções não são muito comuns. Mas, ao saber do nosso projeto, achou que deveríamos tentar falar com o diretor do parque por aqui, para apresentar o projeto e pedir uma licença especial para entrar no parque.
E foi isso o que fizemos. A Ana fez um resumo da apresentação que já tínhamos pronta e logo cedo encontramos o Rosivaldo aqui no hotel e seguimos os cerca de 40 km de estrada até o distrito de Fabião, onde se encontra a sede do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu. Tivemos a sorte de encontrar o Evandro, diretor do parque, que acabara de chegar de viagem e já partiria novamente no dia seguinte. Ele nos recebeu muito bem e gostou muito do nosso projeto. Após uma pequena explanação sobre a natureza do parque e suas características, ele liberou nossa visita às atrações principais do parque para amanhã e sugeriu um percurso para fazermos hoje, através do parque e da região em torno dele.
Para mim, foi perfeito! Há cerca de 15 anos atrás eu tinha estado aqui mas só conseguira autorização para visitar uma parte do parque. O principal cartão postal do Peruaçu eu não tinha conseguido ver. Finalmente, depois de tanto tempo, vou conhecer a famosa caverna do Janelão!
Melhor ainda, pudemos ver na prática que o nosso projeto de viagem realmente está bem montado e é bem interessante. Nada como ter uma esposa publicitária. Quem sabe agora ela se anima a procurar patrocinadores?
AS Baianas, em festa de rua em Cachoeira, no Recôncavo Baiano - BA
Para alegria nossa e dela própria, o dia começou bem cedo com um super banho da Fiona. Ele estava precisando, depois de tanta terra, areia e principalmente maresia. Banho por dentro e por fora, com direito à vaselina por baixo do carro, para proteger um pouco as borrachas e metais do mar e ar inclementes.
Merecido banho completo da Fiona em Salvador - BA
Duas horas e meia de banho mais tarde, voltei para casa para encontrar a Ana, a Livia e o Wilson para juntos seguirmos ao Recôncavo, para as cidades vizinhas de Cachoera e São Félix e, no caminho, ainda passar em Santo Amaro, terra de Dona Canô e seus dois filhos famosos.
Com a Livia e o Wilson na Igreja Matriz em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano - BA
Recôncavo é o nome que se dá à toda área ao redor da Baía de Todos os Santos. Essa foi a primeira fronteira agrícola do Brasil, ocupada há mais de 450 anos. Cresceu para abastecer a então capital do Brasil colônia, Salvador e de lá, exportar seu excelente tabaco e também o açúcar para todo o mundo. A mais conhecida cidade da região é a pequena Cachoeira, que ainda preserva dezenas de prédios históricos com 200, 300 e até 400 anos de história. A cidade foi fundada pelos filhos do lendário Caramuru, o Robison Crusoé português que foi salvo pelos índios e acabou se casando com a filha do chefe, a bela Paraguaçu. Pois é, como forma de "agradecer" os índios, os filhos do casal praticamente extinguiram a população indígena, criaram as primeiras plantações de cana-de-açúcar e fundaram Cachoeira.
Prédio histórico em Cachoeira, no Recôncavo Baiano - BA
A cidade me lembrou bastante as cidades históricas mineiras. Com a diferença que, enquanto as mineiras estavam apenas começando, Cachoeira já tinha quase 200 anos de história e tradição. As ruas são de paralelepípedo, as casas são coloridas e prédios históricos como igrejas e a antiga cadeia pública se destacam. Entre eles, há um antigo convento do séc XVIII, agora transformado em pousada e restaurante mas que mantém todo o charme de outrora. Ali comemos o mais famoso prato típico da região, a manissoba. É uma espécie de feijoada sem feijão, que é substituído pelas folhas do pé de mandioca. É preciso saber fazer e cozinhar porque essas folhas, em seu estado natural, são venenosas. Achamos todos uma delícia!
Almoçando no antigo Convento, em Cachoeira, no Recôncavo Baiano - BA
A cidade fica na beira do rio Paraguaçu, já quase na baía de Todos os Santos. Do outro lado do rio, a vzinha São Félix, também cheia de construções históricas. Para chegar lá, uma enorme ponte de ferro, atração turística por si só, construída pelos ingleses há mais de 130 anos! De lá se tem a mais bela vista de Cachoeira e também se pode visitar a charutaria, cuja matéria-prima é o melhor tabaco do Brasil, ali do Recôncavo mesmo.
A famosa charutaria de São Félix, no Recôncavo Baiano - BA
Infelizmente para nós, estava fechada hoje, por causa do feriado. Em compensação, tivemos a sorte de presenciar uma festa de rua na cidade de Cachoeira, a festa de Nossa senhora da Ajuda, primeiro nome da cidade. A festa segue pelas ruas até a igreja do mesmo nome, a mais antiga da cidade, de 1595. É o que eles chamam por aqui de "Lavagem". Foi jóia ver as baianas em seus trajes típicos andando e dançando, acompanhadas de uma multidão bem eclética e animada. Não poderíamos ter deixado a Bahia sem ter visto uma festa assim!
Vestidos em movimento, durante festa de rua em Cachoeira, no Recôncavo Baiano - BA
Só faltou falar que na ida demos uma parada em Santo Amaro, maior e mais movimentada que Cachoeira. Logo na entrada, uma enome foto da centenária, lúcida e lulista Dona Canô. Difícil imaginar uma imagem mais digna.
Com o Wilson, em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano BA
Foi ótimo ter tido a companhia da Livia e do Wilson, dois soteropolitanos de carterinha. Foram horas e horas de conversa agradável, entre outras coisas sobre a Bahia e sua cultura, do futebol ao candomblé. Duas almas muito parecidas com as nossas, como outras que temos tido a sorte de encontrar nesse nosso continente tão diverso mas, ao mesmo tempo, com tantos pontos em comum.
Fotografando em São Félix, no Recôncavo Baiano - BA
Na orla do rio Paraguaçu, em São Félix, no Recôncavo Baiano - BA
Blog da Ana
Blog da Rodrigo
Vídeos
Esportes
Soy Loco
A Viagem
Parceiros
Contato
2012. Todos os direitos reservados. Layout por Binworks. Desenvolvimento e manutenção do site por Race Internet
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)





.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)

.jpg)





.jpg)
.jpg)
.jpg)
