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SHUFFLE Há 1 ano: Estados Unidos Há 2 anos: Estados Unidos

Flores Patagônicas

Argentina, Villa Traful

Paisagem florida da Ruta de Los 7 Lagos no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina

Paisagem florida da Ruta de Los 7 Lagos no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina


A Patagônia é uma região magnífica durante todo o ano, mas cada estação tem suas belezas próprias. A primavera, tempo de renascimento como em todas as partes do mundo, traz um verdadeiro festival de cores para as paisagens locas: verdadeiros tapetes de flores espalhados pelos campos e florestas.

Flores se espalham pela Patagônia andina nessa época do ano, em Villa Traful, no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina

Flores se espalham pela Patagônia andina nessa época do ano, em Villa Traful, no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina


Quando o homem branco chegou, já perto do final do séc. XIX, ele se surpreendeu com a quantidade e diversidade de flores nessa época do ano, muitas das quais ele não conhecia, flora autócne da patagônia. Mas ele vinha de mudança do continente europeu, muitos dos países centrais daquele continente, como Alemanha, Suíça ou Áustria, e trazia consigo flores de sua terra natal, talvez até para aliviar a saudade de sua terra natal.

Flores se espalham pela Patagônia andina nessa época do ano, em Villa Traful, no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina

Flores se espalham pela Patagônia andina nessa época do ano, em Villa Traful, no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina


Muitas dessas flores “invasoras” se adaptaram muito bem ao terreno e clima locais. Elas se misturaram com a flora nativa, passaram a disputar o mesmo espaço, se espalharam por essa região selvagem. Algumas, pela desleal concorrência com a flora local, fazem a tristeza de biólogos e ecologistas de hoje. Outras, pela sua beleza e plasticidade, fazem a alegria de turistas e viajantes que tem a sorte de passar por aqui na primavera.

Flores embelezam a cabeceira de estrada na Ruta de Los 7 Lagos, no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina

Flores embelezam a cabeceira de estrada na Ruta de Los 7 Lagos, no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina


Flores se espalham pela Patagônia andina nessa época do ano, em Villa Traful, no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina

Flores se espalham pela Patagônia andina nessa época do ano, em Villa Traful, no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina


Nesta época do ano, não é apenas a beleza de lagos e rios, de vales e montanha, do céu e do ar que chamam a nossa atenção enquanto dirigimos pelas pequenas estradas que cortam a região. Especialmente aqui, quase na sombra dos Andes, é também a quantidade de cores que se espalha por qualquer cantinho onde bata o sol, da orla de lagos à cabeceira de estradas. As diversas flores dão um colorido especial à patagônia e a transformam, talvez, no maior jardim em extensão do mundo.

Um verdaddeiro show de cores na Ruta de Los 7 Lagos, no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina

Um verdaddeiro show de cores na Ruta de Los 7 Lagos, no Parque Nacional Nahuel Huapi, na Argentina


Assim foi nesses últimos dias aqui na região de Bariloche. Não apenas o azul de do céu ou dos lagos, não apenas o verde dos rios e das árvores, não apenas o branco da neve e das nuvens, mas também o amarelo, o vermelho, o roxo e tantas outras cores vivas das flores que atraíram nossos olhares e cliques. Melhor ainda era quando todas essas cores se misturavam dentro da mesma moldura, dento do mesmo olhar. Pura patagônia!

As cores das águas e das flores se combinam no lago Nahuel Huapi, próximo à Villa La Angostura, na Argentina

As cores das águas e das flores se combinam no lago Nahuel Huapi, próximo à Villa La Angostura, na Argentina

Argentina, Villa Traful, Estrada, flor, Parque, Patagônia

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Tompkins, Pumalín, Alerces e o Conservacionismo

Chile, Chaitén

Gigantescos alerces em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

Gigantescos alerces em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile


Na nossa viagem ao longo da Carretera Austral, aqui no sul do Chile, um nome era sempre recorrente: Douglas Tompkins. Muito mais conhecido por essas bandas do que em sua própria terra natal, os Estados Unidos, esse milionário americano é fonte de amor e ódio em terras patagônicas, um modelo para conservacionistas e alvo predileto de desenvolvimentistas e nacionalistas.

Parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

Parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile


Cachoeira escorre em encosta do parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

Cachoeira escorre em encosta do parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile


Fundador de marcas famosas como a “The North Face” e “Esprit”, há tempos que Tompkins se desfez de suas participações nessas companhias para, segundo ele, “deixar de vender coisas que as pessoas não precisam”. Desde então, todas as suas energias (e o dinheiro também) são devotadas à preservação da natureza na região patagônica. Desde jovem, quando viajou, subiu montanhas e explorou rios da região, Tompkins é apaixonado por esse lado do planeta e hoje não poupa esforços na luta por sua conservação. A partir da década de 90, Tompkins e sua esposa, antiga CEO de outra marca famosa, a “Patagonia”, compram propriedades dos dois lados da cordilheira andina com o intuito de formar grandes áreas contínuas de preservação. Nelas, Tompkins desenvolve grandes parques privados, alguns dos maiores do mundo, e depois os transforma em Parques Nacionais, devolvendo a área aos países onde estão. Um bom exemplo disso é o Parque Nacional Corcovado, no Chile. O outro é o Pumalín, também no Chile, uma área privada em vias de ser transformada em parque nacional.

A trilha dos alerces no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

A trilha dos alerces no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile


A espessa vegetação do parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

A espessa vegetação do parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile


Atualmente, é uma outra área sua que está no centro das controvérsias: o Vale de Chacabuco. Nós passamos bem perto dele quando entramos no Chile na região de Cochrane, início da nossa jornada pela Carretera Austral. Tompkins comprou o vale de uma companhia belga que o explorava com a terceira maior criação e ovelhas do país. Claramente, o vale havia sido sobre explorado e já não conseguia dar lucro aos antigos proprietários. Tompkins comprou a área e se desfez de todo o gado ovino e bovino que aí vivia. Depois, mandou que cada planta que não pertencesse à flora original fosse arrancada de lá. O plano é fazer o vale voltar ás condições que tinha antes da chegada de colonizadores. Antigos animais, como huemuls e guanacos já estão voltando, assim como pumas. E quem não está nada contente são os vizinhos rancheiros e a antiga mão-de-obra da fazenda. Para eles, é seu meio de vida que está sendo destruído. A popularidade de Tompkins na região e na cidade de Cochrane não é das melhores...

Cruzando com riacho de águas puríssimas em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

Cruzando com riacho de águas puríssimas em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile


Muito verde (e algum vermelho!) em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

Muito verde (e algum vermelho!) em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile


Ainda mais depois que o milionário americano se envolveu numa verdadeira briga de cachorro grande. Como já expliquei em outro post, uma grande companhia pretendia construir várias hidrelétricas na região ao longo do rio Baker para produzir e enviar energia para o norte do Chile É claro que Tompkins, assim como todos os ecologistas do Chile, foi contra. Seguiu-se uma verdadeira guerra de relações públicas na região e no país. Centenas de outdoors foram espalhados ao logo de Aysén a favor e contra o empreendimento. Felizmente, a Hidroaysen parece ter perdido a batalha, mas ao longo da guerra ela fomentou bastante o sentimento anti-Tompkins na área, dando voz aos rancheiros e nacionalistas que são contra o fato de um gringo vir ao país comprar terras e despedir pessoas, além de quase criminalizar a “destruição” causada por ovelhas.

Caminhando em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

Caminhando em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile


Cruzando com riacho de águas puríssimas em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

Cruzando com riacho de águas puríssimas em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile


Enfim, não é uma discussão fácil, havendo bons argumentos para os dois lados. Nós mesmos os ouvimos ao longo da nossa viagem. Uma das melhores conversas foi com uma americana que conhecemos enquanto atravessávamos de balsa em direção a Villa O’Higgins. Ela já estava no país há meses, justamente produzindo uma reportagem sobre o assunto. Nós não a vimos mais depois disso, mas eis que, ao pesquisar mais sobre o tema para escrever este post, encontro o seu artigo. Achei muito bom e completo, ouvindo todas as partes envolvidas e dando uma noção muito mais clara do que está em disputa por aqui. Então, recomendo a todos que queiram saber um pouco mais, ler o tal artigo. Está em inglês é uma agradável e esclarecedora leitura: O link é http://www.theatlantic.com/features/archive/2014/09/the-entrepreneur-who-wants-to-save-paradise/380116/

Trilha dos alerces no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

Trilha dos alerces no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile


Placa informativa sobre alerces em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

Placa informativa sobre alerces em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile


Bom, depois desse belo artigo, continuemos com a nossa viagem! Aqui ao lado de Chaitén está a primeira grande área protegida por Tompkins na patagônia: o parque Pumalín. Depois de mais de 20 anos de esforços de conservação, o parque se tornou um dos mais belos e com melhor infraestrutura do país. E olha que, no meio do caminho, Tompkins teve de enfrentar uma ameaça muito mais perigosa e impiedosa do que rancheiros ou hidrelétricas. Foi a erupção do vulcão Chaitén, que fica dentro dos limites do parque. O Pumalín teve de fechar suas portas por anos, teve florestas centenárias destruídas e estradas que sumiram do mapa. Mas muito trabalho depois e o parque reabriu suas portas, agora com uma atração a mais: um trilha até o alto do vulcão, além de um belo laboratório a céu aberto sobre como a natureza e a vegetação se recompõe após um evento como esse.

Placa informativa em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

Placa informativa em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile


Um imponente alerce em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

Um imponente alerce em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile


Ontem, nós fizemos essa trilha. Hoje, antes de fazermos o último trecho da Carretera Austral antes de chegarmos a Puerto Montt (próximo post), nós ainda tivemos a chance de dar mais uma olhada nesse parque exuberante. Entre as várias trilhas possíveis, escolhemos uma que nos daria nossa última chance de ver de perto as maiores árvores do continente, os alerces.

Caminhando na trilha dos alerces no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

Caminhando na trilha dos alerces no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile


Tronco de alerce, árvore emblemática do parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

Tronco de alerce, árvore emblemática do parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile


Essa árvore magnífica é própria das encostas andinas subtropicais aqui do sul do Chile e da Argentina. Aliás, do lado de lá da cordilheira, nós até já tínhamos ido ao Parque Nacional Los Alerces (post aqui), mas as árvores que dão nome ao parque estão em uma parte quase inacessível da região, apenas para quem tem o tempo de fazer o passeio de barco. Nós não fizemos e vimos apenas um exemplar, ainda adolescente (talvez com uns 100 anos de idade...). Ou seja, ainda não conhecíamos alerces de verdade.

Um imponente alerce em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

Um imponente alerce em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile


Venerando os belíssimos alerces, uma das maiores árvores das Américas, em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

Venerando os belíssimos alerces, uma das maiores árvores das Américas, em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile


Essa árvore é um gigante, chegando aos 70 metros de altura. Era bem comum em toda essa área, mas no final do século XIX e início do XX, milhares de hectares de florestas foram queimados para dar lugar à pastagens no esforço colonizatório e de ocupação da região. Para piorar, por ter uma madeira de tão boa qualidade, os alerces eram duplamente procurados, tanto para construção de casas como para uma boa fogueira, mesmo em tempos de chuva. Suas tábuas chegaram a servir de dinheiro aqui no sul do Chile. O resultado dessa procura foi catastrófica para a árvore, que quase se extinguiu. Gigantes com mais de 3 mil anos de idade e 10 metros de diâmetro (numa descrição de Darwin) quase exterminados em apenas duas gerações.

Tronco de alerce coberto por plantas em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

Tronco de alerce coberto por plantas em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile


Tronco de alerce, árvore emblemática do parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

Tronco de alerce, árvore emblemática do parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile


Finalmente, na década de 70, o seu corte se tornou ilegal. E foi em Pumalín que alguns dos maiores exemplares sobreviveram, em um autêntico bosque de titãs. Para nós, impossível não relembrar os bosques de sequoias e redwoods que visitamos na Califórnia. Parentes distantes de porte semelhante, mas separados por um hemisfério de distância. O sentimento de andar entre elas e se maravilhar com esses seres quase sagrados é o mesmo: o mais completo deslumbramento com a força e beleza da natureza.

Tronco de alerce em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

Tronco de alerce em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile


Um par de gigantescos alerces em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

Um par de gigantescos alerces em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile


Uma trilha de menos de três quilômetros nos leva para o meio desses gigantes milenares. Infelizmente, no meio do bosque, não há espaço para, em uma única fotografia, captar todo o tamanho dessas árvores. Mas as fotos, ou a ausência delas, não é nada perto do que sentimos em estar ali, respirar o ar filtrado por suas folhas, ser molhado pelos pingos que caem de suas copas, admirar a verdadeira comunidade de vida que cresce em seus troncos. Desculpem-me rancheiros ou empresários, aqui só posso agradecer a este gringo excêntrico que veio gastar suas montanhas de dinheiro para preservar o patrimônio natural que não é só do Chile ou da humanidade. Não, nós estamos aqui provisoriamente. Esse patrimônio é do planeta. Repetindo uma frase de Lincoln e que Tompkins adora repetir: “As leis mudam. Os homens morrem. A terra fica”. Nessa polêmica, meu espírito já tomou seu partido faz tempo.

Venerando os belíssimos alerces, uma das maiores árvores das Américas, em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

Venerando os belíssimos alerces, uma das maiores árvores das Américas, em trilha no parque de Pumalín, região de Chaitén, na Carretera Austral, sul do Chile

Chile, Chaitén, Alerce, Carretera Austral, Parque, Patagônia, Plantas, Pumalín, trilha

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Fim de Tarde em El Bolsón

Argentina, El Bolsón

Estamos na belíssima El Bolsón, na Argentina

Estamos na belíssima El Bolsón, na Argentina


Chegamos à El Bolsón já no meio da tarde, devido a partida tardia de Bariloche. Não importa, o dia vai longe por aqui e ainda tínhamos muitas horas de luz. Pelo que havíamos lido da cidade, a simpatia já era imediata e nossa ideia era passar um bom tempo em El Bolsón. Então, a primeira tarefa foi encontrar uma boa pousada. Não demorou e encontramos uma, a casa toda cercada de flores, quarto aconchegante e a promessa de um café da manhã delicioso e sadio. Tudo o que queríamos! Uma conversa com o proprietário sobre os programas ao redor da cidade e o tempo necessário para fazer cada um deles nos ajudou a fazer nossa programação. Deixamos o longo trekking à imponente montanha Piltriquitrón para a manhã seguinte e hoje saímos de carro em direção à zona campestre de El Bolsón.

Plaza Pagano, no centro de El Bolsón, na Argentina

Plaza Pagano, no centro de El Bolsón, na Argentina


O colossal Cerro Piltriquitrón visto do centro de El Bolsón, na Argentina

O colossal Cerro Piltriquitrón visto do centro de El Bolsón, na Argentina


Essa cidade com cerca de 20 mil habitantes é uma espécie de antítese de Bariloche. Enquanto aquela se caracteriza por um excessivo comercialismo, El Bolsón prima por um modo de vida sustentável, ligado à natureza e à vida em comunidade. Desde a década de 70 que essa região atrai aqueles que buscam uma vida mais tranquila e sadia, longe da correria dos grandes centros urbanos. Hippies e naturalistas ajudaram a desenvolver a agricultura orgânica e comunitária por aqui, a cidade se auto declarou “zona livre de energia nuclear”, parques e reservas foram criadas ao redor do centro para preservar a natureza. Uma parte considerável da população vive na zona rural e o centro da cidade não tem prédios ou shopping centers. As ruas são largas e arborizadas e uma grande praça, na verdade um pequeno parque, atrai jovens e idosos todos os finais de tarde justo no centro da cidade.

Monumento na PLaza Pagano, em El Bolsón, na Argentina

Monumento na PLaza Pagano, em El Bolsón, na Argentina


Na Plaza Pagano, o mapa turístico de El Bolsón, na Argentina

Na Plaza Pagano, o mapa turístico de El Bolsón, na Argentina


El Bolsón fica em um vale profundo escavado por uma enorme geleira na última era glacial. Embora esteja tão longe do oceano, sua altitude é de apenas 300 metros, em marcante contraste com as montanhas que a cercam. De um lado, as montanhas pré-andinas quase sempre com os cumes nevados. Do outro, o maciço rochoso conhecido como Piltriquitrón que, com seus quase 2.300 metros de altitude, domina a paisagem e atrai nossos olhares como um poderoso ímã quando passeamos na Plaza Pagano, aquele parque central a que me referi há pouco. Amanhã, se der tudo certo, vamos vê-lo mais de “perto”.

Admirando a Cascata Escondida, perto de El Bolsón, na Argentina

Admirando a Cascata Escondida, perto de El Bolsón, na Argentina


Turistas visitam a Cascata Escondida, perto de El Bolsón, na Argentina

Turistas visitam a Cascata Escondida, perto de El Bolsón, na Argentina


A Cascata Escondida, a poucos quilômetros de El Bolsón, na Argentina

A Cascata Escondida, a poucos quilômetros de El Bolsón, na Argentina


Mas hoje nosso programa era outro, bem mais light. Armados com um mapa da região que conseguimos no centro de informações turísticas, nós nos embrenhamos nas estradas de rípio que levam às diversas comunidades rurais e bairros afastados de El Bolsón. Buscávamos por duas belas cachoeiras que fazem parte do diversificado patrimônio natural da cidade: a cascata Escondida e a cascata Mallín Ahogado.

No meio do bosque, onde chega a luz do sol, um verdadeiro jardim de flores! (região de El Bolsón, na Argentina)

No meio do bosque, onde chega a luz do sol, um verdadeiro jardim de flores! (região de El Bolsón, na Argentina)


No meio do bosque, onde chega a luz do sol, um verdadeiro jardim de flores! (região de El Bolsón, na Argentina)

No meio do bosque, onde chega a luz do sol, um verdadeiro jardim de flores! (região de El Bolsón, na Argentina)


Ambas ficam na direção norte, onde está também está uma extensa rede de refúgios espalhados pelas montanhas pré-andinas, bases para formidáveis trekkings pela região. Nós acabamos optando pelo Piltriquitrón, amanhã, e hoje só tínhamos tempo para caminhadas curtas. Mas dirigir por essa área e observar essas montanhas de longe só nos fez aumentar a vontade de, um dia, retornar para fazer esses caminhos com calma.

Trilha que leva à base da Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina

Trilha que leva à base da Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina


Chegando à Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina

Chegando à Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina


A Cascata Escondida, desde que se tenha o mapa e as orientações, não está tão escondida assim. No fundo de um vale estreito que atingimos com 10 minutos de caminhada, a esta hora que chegamos lá já não havia mais sol. Difícil então encarar a temperatura da água. Mas cruzamos um grupo que havia chegado antes de nós e havia tomado um belo banho. Para nós, serviu para refrescar nossas mentes e respirar o ar puro daquele bosque. Depois da viagem rápida à Ilha do Mel, começamos a entrar no nosso ritmo novamente!

Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina

Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina


Água gelada, só molhamos os pés na Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina

Água gelada, só molhamos os pés na Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina


De volta à Fiona, seguimos para a próxima cascata, alguns quilômetros rio acima. Ao contrário da outra, que ficava dentro de um parque municipal, a Mallín Ahogado fica em uma propriedade particular. Pagamos uma módica taxa, deixamos a Fiona estacionada e vamos caminhar por uma trilha cercada de flores. Basa estarmos um pouco aqui na patagônia para nos lembrar que estamos na primavera. A quantidade de flores não nos deixa esquecer!

Admirando a Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina

Admirando a Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina


Em meio à vegetação, a Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina

Em meio à vegetação, a Cascata Mallin Ahogado, região de El Bolsón, na Argentina


Numa área mais ampla e sem as encostas de um vale por perto, o sol ainda batia nas águas da cascata e aqui, ao menos, molhamos nossos pés e mãos. Essa cascata é mais bela que a Escondida, forma uma pequena piscina e faltou só um pouco de coragem para um mergulho. Mas os minutos de contemplação já fizeram valer o passeio. Mas resolvemos retornar à cidade pois ainda queríamos ver o final de tarde na Plaza Pagano.

No fim de tarde, muito movimento na PLaza Pagano, parque central de El Bolsón, na Argentina

No fim de tarde, muito movimento na PLaza Pagano, parque central de El Bolsón, na Argentina


Piquenique em família na PLaza Pagano, em El Bolsón, na Argentina

Piquenique em família na PLaza Pagano, em El Bolsón, na Argentina


Exatamente como haviam nos dito, a praça estava mesmo cheia, famílias levando seus cães para passear, músicos se apresentando, casais fazendo um piquenique e o majestoso Piltriquitrón nos observando a todos. Foi uma delícia de fim de tarde, bem preguiçoso, aliás, todos inspirados pelo sol que demora um tempão para se abaixar atrás do horizonte. De alma elevada e espírito sossegado, só faltava finalizar nossa jornada com um belo jantar. E assim foi, uma deliciosa sopa de abóbora acompanhada de pão e bom vinho. Complementado por uma noite muito bem dormida no nosso quartinho aconchegante, dificilmente o Piltriquitrón nos escapa amanhã...

A bela vista que se tem de PLaza Pagano, no centro de El Bolsón, na Argentina

A bela vista que se tem de PLaza Pagano, no centro de El Bolsón, na Argentina

Argentina, El Bolsón, cachoeira

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A Caminho do Aconcágua

Argentina, Aconcágua

Reencontro com o imponente Aconcágua, a mais alta montanha do continente, na região de Mendoza, a oeste da Argentina

Reencontro com o imponente Aconcágua, a mais alta montanha do continente, na região de Mendoza, a oeste da Argentina


Pela segunda vez nesses 1000dias, eu e a Ana estamos no Parque Provincial Aconcágua, região de Mendoza, no oeste da Argentina. Tenho certeza de que quase todo mundo que lê esse texto sabe, mas nunca é demais lembrar: o Aconcágua é a mais alta montanha do continente americano. Não só isso, ela é a maior montanha do hemisfério sul do planeta, assim como do hemisfério ocidental. Para achar algo mais alto que ela, só voando um pouco mais de 16 mil quilômetros na direção leste para chegar ao Hindu Kush, uma cadeia de montanhas entre o Afeganistão e o Paquistão, literalmente do outro lado da Terra.

De volta ao belíssimo mirante na área da Laguna Horcones e a caminho da base da maior montanhas das Américas, o Aconcágua, na região de Mendoza, a oeste da Argentina

De volta ao belíssimo mirante na área da Laguna Horcones e a caminho da base da maior montanhas das Américas, o Aconcágua, na região de Mendoza, a oeste da Argentina


Uma bela vista do Aconcágua, a maior montanha do hemisfério, na região de Mendoza, a oeste da Argentina

Uma bela vista do Aconcágua, a maior montanha do hemisfério, na região de Mendoza, a oeste da Argentina


Com todos esses predicados, não é a toa que a montanha atraia tantos visitantes, quase todos nos poucos meses do verão andino, do final de Novembro ao início de Março. São os meses da chamada “temporada” de andinismo, quando muita gente faz trekking pelas trilhas do parque e, muitas vezes, tentam chegar ao cume do Aconcágua. Chegar até lá não é fácil e requer quase duas semanas de muito esforço, já incluindo o tempo necessário de aclimatização às altas altitudes. Nosso corpo não nasceu para passear aos 7 mil metros de altitude, então é necessário uma adaptação biológica para ter a chance de chegar lá. Isso demanda tempo, principalmente para as pessoas que vivem abaixo dos 1.000 metros de altitude, ou seja, 99% da população mundial.

Mapa 3D da região do Aconcágua, na Argentina. Aí percebe´se claramente que a trilha se divide em Confluencia, à direita seguindo para Plaza Francia (nosso caminho de agora) e à esquerda para Plaza de Mulas (caminho que fiz em 1999)

Mapa 3D da região do Aconcágua, na Argentina. Aí percebe´se claramente que a trilha se divide em Confluencia, à direita seguindo para Plaza Francia (nosso caminho de agora) e à esquerda para Plaza de Mulas (caminho que fiz em 1999)


Mapa de trilhas e altitudes da região do Aconcágua, a maior montanha das Américas, nos Andes argentinos. Nós caminhamos de Horcones até Confluencia no 1o dia. No 2o dia, fomos até Plaza Francia, em frente à Parede Sul e retornamos à Confluencia. No 3o dia

Mapa de trilhas e altitudes da região do Aconcágua, a maior montanha das Américas, nos Andes argentinos. Nós caminhamos de Horcones até Confluencia no 1o dia. No 2o dia, fomos até Plaza Francia, em frente à Parede Sul e retornamos à Confluencia. No 3o dia


Nós havíamos passado por aqui no dia 17 de Outubro do ano passado (post aqui), portanto, antes do início da temporada. O acesso ao parque, fora dos meses de verão, é bastante limitado e nós só pudemos fazer uma pequena caminhada até o mirante da Laguna Horcones, de onde se tem uma vista magnífica da montanha que dá nome ao parque. Mesmo estando a cerca de 30 km de distância, sua imponência surpreende, um verdadeiro gigante diante de nós. Desde aquele dia, estávamos esperando a chance de passar por aqui de novo, dessa vez com o parque totalmente aberto, para poder chegar bem mais perto do Aconcágua. Essa oportunidade chegou!

Na entrada do parque, o helicóptero usado para resgates na região do Aconcágua, área de Mendoza, a oeste da Argentina

Na entrada do parque, o helicóptero usado para resgates na região do Aconcágua, área de Mendoza, a oeste da Argentina


De volta ao belíssimo mirante na área da Laguna Horcones e a caminho da base da maior montanhas das Américas, o Aconcágua, na região de Mendoza, a oeste da Argentina

De volta ao belíssimo mirante na área da Laguna Horcones e a caminho da base da maior montanhas das Américas, o Aconcágua, na região de Mendoza, a oeste da Argentina


Início de Fevereiro, o período mais movimentado da temporada do parque já passou. Ele acontece no final do mês de Dezembro e ao longo de todo o mês de Janeiro. Nesses dias, os acampamentos na montanha ficam lotados e, quando o clima está favorável nas altitudes mais altas, são centenas de pessoas tentando chegar ao ponto mais alto do continente, formando-se quase uma fila indiana nas trilhas da chamada “rota normal”. Ainda vou falar mais sobre isso nos próximos posts, mas há, basicamente, três rotas para se chegar ao topo do Aconcágua. De longe, a mais popular é a “rota normal”, que sai de um acampamento a nordeste do Aconcágua, chamado Plaza de Mulas, rumo ao cume. Foi a primeira a ser desbravada, em 1897, e é a que menos exige tecnicamente do alpinista. Roupa apropriada, muita força e determinação e um par de grampões. Outra rota que vem ganhando popularidade na última década é a rota dos polacos, que ascende a montanha através do glaciar dos polacos. Aí sim é preciso piquetas e encordoamento para caminhar sobre o rio de gelo. Por fim, há a temida rota pela Parede Sul, saindo de um acampamento chamado Plaza Francia. Por aí, é preciso vencer uma parede de gelo e rocha de dois quilômetros de altura, um dos maiores desafios do alpinismo mundial. São pouquíssimos os alpinistas que se atrevem a tentar e menos ainda os que conseguem. Em anos bons, seria possível contá-los com os dedos das mãos. Em anos ruins, absolutamente nenhum.

Reencontro com o imponente Aconcágua, a mais alta montanha do continente, na região de Mendoza, a oeste da Argentina

Reencontro com o imponente Aconcágua, a mais alta montanha do continente, na região de Mendoza, a oeste da Argentina


Início da caminhada para Confluencia, o primeiro acampamento para quem se dirige ao Aconcágua, ma região de Mendoza, a oeste da Argentina

Início da caminhada para Confluencia, o primeiro acampamento para quem se dirige ao Aconcágua, ma região de Mendoza, a oeste da Argentina


Eu e a Ana adoraríamos tentar chegar ao cume dessa montanha, mas simplesmente não temos o tempo necessário para tentar isso agora. Como eu já disse em outros posts, daqui a oito dias deveremos estar no aeroporto de Montevideo para pegar os meus pais. Eles vão viajar conosco duas semanas pelo Uruguai e Rio Grande do Sul. Ou seja, não temos as duas semanas necessárias para nos aclimatizar e tentar subir o Aconcágua. Mas podemos ficar por aqui alguns dias e fazer alguma trilha até a base da montanha. A vantagem é que vai sair bem mais barato, já que a permissão para se tentar subir a montanha está ficando mais cara a cada ano que passa. Agora em Fevereiro, chamado por eles de Temporada Media, o custo para brasileiros (só a permissão!) para subir o cume é de 300 dólares, enquanto que para fazer um trekking de 3 dias, que é o que vamos fazer, é de 40 dólares. Se fôssemos gringos e estivéssemos na temporada alta, esses valores seriam de 750 e 120 dólares, respectivamente. Para o ano que vem, estão previstos novos aumentos. É a maneira que os argentinos têm encontrado de controlar um pouco o número de pessoas que entram no parque, além de ganhar um dinheirinho também, claro!

Aconcágua, a maior montanha das Américas, na região de Mendoza, a oeste da Argentina

Aconcágua, a maior montanha das Américas, na região de Mendoza, a oeste da Argentina


Atravessando o rio Horcones, a caminho do acampamento de Confluencia, na rota do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina

Atravessando o rio Horcones, a caminho do acampamento de Confluencia, na rota do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina


Para se ter uma ideia, quando eu subi o Aconcágua em 1999, na temporada alta, a permissão me custou cerca de 70 dólares. Naquela época, não se fazia distinção de preços entre brasileiros (ou latino-americanos) e gringos. Hoje, além dessas duas categorias, há uma terceira, a mais barata, que é a dos “nacionais”. Certo estão eles de cobrar menos deles próprios. Enfim, é isso mesmo, eu já subi essa montanha no passado. Depois de escrever como foi esse nosso trekking por aqui, vou fazer um post contando como foi aquela aventura de se chegar ao cume do Aconcágua. A memória ainda está fresca, ainda mais agora que estou caminhando pelo mesmo cenário, e as fotos estão todas digitalizadas, então não deverá ser difícil fazer esse relato.

Um muleiro e suas mulas levam carga para os acampamentos na base do Aconcágua, na região de Mendoza, a oeste da Argentina

Um muleiro e suas mulas levam carga para os acampamentos na base do Aconcágua, na região de Mendoza, a oeste da Argentina


Um muleiro e suas mulas levam carga para os acampamentos na base do Aconcágua, na região de Mendoza, a oeste da Argentina

Um muleiro e suas mulas levam carga para os acampamentos na base do Aconcágua, na região de Mendoza, a oeste da Argentina


Mas agora, quero falar do presente! Já que não temos tempo de tentar o cume, pelo menos até a base da montanha resolvemos ir. Faltava decidir qual o lado: Plaza de Mulas ou Plaza Francia. Como eu já conhecia a Plaza de Mulas, a decisão ficou mais fácil. Além disso, a visão da Parede Sul, todo mundo diz, é inesquecível. É uma caminhada mais curta também, o que nos dá mais tempo para curtir a paisagem, tirar fotos, etc.. Ficou então decidido: no primeiro dia, iríamos até Confluencia, o nome do acampamento que fica bem no lugar onde a trilha se bifurca, de um lado para Plaza de Mulas, do outro para Plaza Francia. Praticamente todo mundo para por aí mesmo, uma noite ao menos. Já faz parte do processo de aclimatação. No segundo dia, amanhã, vamos até Plaza Francia sem peso nenhum, exceto pela máquina fotográfica e algum lanche, fazemos nossas fotos e voltamos para dormir novamente em Confluencia. No terceiro dia, é só voltar até a Fiona e pagar estrada novamente, finalmente rumo ao Uruguai.

Primeiro dia de caminhada rumo ao Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina

Primeiro dia de caminhada rumo ao Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina


Perfil da caminhada até Plaza Francia, campo base para quem for enfrentar a famosa Parede Sul do Aconcágua, nos Andes argentinos, região de Mendoza

Perfil da caminhada até Plaza Francia, campo base para quem for enfrentar a famosa Parede Sul do Aconcágua, nos Andes argentinos, região de Mendoza


Da outra vez que viemos, compramos as entradas mais baratas, as que valem apenas até o mirante da Laguna Horcones. Era o mais longe que poderíamos ir naquela época do ano, de qualquer maneira. Essas entradas simples, podemos comprar na entrada do parque. Já as entradas que nos permitem ir até a base do Aconcágua ou aquelas que nos dão permissão de tentar o cume, essas só são vendidas na sede do parque que fica lá em Mendoza. Então, estávamos realmente preocupados que eles nos fizessem ir até lá e voltar, muitas horas de estrada por uns pedacinhos de papel. Mas o guarda-parque, para nosso alívio, disse que poderia sim vender os tickets para Plaza Francia ali, 400 pesos por pessoas. Mas se quiséssemos tentar o cume, não tinha remédio: teríamos mesmo de ir até Mendoza.

Chegando ao acampamento de Confluencia, a meio caminho do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina

Chegando ao acampamento de Confluencia, a meio caminho do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina


Chegando ao acampamento de Confluencia, a meio caminho do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina

Chegando ao acampamento de Confluencia, a meio caminho do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina


Dessa vez, pudemos seguir de carro para dentro do parque e economizar quase um quilômetro de caminhada sem graça numa estrada de asfalto, o que tivemos de fazer em Outubro passado. Agora a Fiona já ficou bem mais perto de Horcones, estacionada quase ao lado de um helicóptero que fica ali para o caso de ser necessário algum resgate na montanha. Dali para o mirante onde já havíamos estado foram apenas uns 15 minutos de caminhada. Novamente, tínhamos o Aconcágua à nossa frente. Mas ele estava muito mais bonito hoje, por causa do horário, a luz do sol tornando as fotos ainda mais belas. Éramos os únicos a estar entrando no parque para fazer essa caminhada a esta hora da manhã.

O acampamento de Confluencia, a 3.400 metros de altitude, no caminho para o Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina

O acampamento de Confluencia, a 3.400 metros de altitude, no caminho para o Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina


Pequenas barracas e grandes tendas no acampamento de Confluencia, na trilha que leva à base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina

Pequenas barracas e grandes tendas no acampamento de Confluencia, na trilha que leva à base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina


Impossível não parar ali para tirar algumas fotos. E que legal que foi saber que, dessa vez, poderíamos seguir em frente. Barraca, sacos de dormir, material de cozinha, roupas e comida divididos em nossas duas mochilas, estávamos mais prontos do que nunca. A caminhada de hoje não seria longa, cerca de seis quilômetros, saindo de uma altitude um pouco abaixo dos 3 mil metros e chegando um pouco acima dos 3.400 metros. Ideal para um início de aclimatização.

Tendas de expedições em Confluencia, acampamento na metade do caminho para a base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina

Tendas de expedições em Confluencia, acampamento na metade do caminho para a base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina


O acampamento de Confluencia, a 3.400 metros de altitude, no caminho para o Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina

O acampamento de Confluencia, a 3.400 metros de altitude, no caminho para o Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina


A caminhada é toda pelo vale do rio Horcones. Depois de uns 15 minutos do início, chegamos à ponte que cruza o rio e, a partir daí, ficamos sempre na sua margem direita (para quem está subindo!). É uma subida lenta e gradual, com uns poucos trechos onde ela se acentua. O Aconcágua some da nossa vista, encoberto por montanhas mais baixas, porém bem mais próximas. A vegetação é sempre baixa, o que nos possibilita visões amplas todo o tempo. Para quem não está com pressa, é um caminho super agradável.

Montanhas na região de Confluencia, o acampamento que fica a meio caminho da base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina

Montanhas na região de Confluencia, o acampamento que fica a meio caminho da base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina


A bela região de Confluencia, metade do caminho para se chegar à base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina

A bela região de Confluencia, metade do caminho para se chegar à base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina


Quase não cruzamos com pessoas no caminho. Quase todos eles, descendo. O único que nos passou, subindo também, foi um muleiro. Ele leva mulas carregadas de mochilas e equipamentos para os acampamentos mais acima. Muita gente faz isso, contrata mulas para levar sua bagagem, principalmente até Plaza de Mulas. Eu mesmo fiz assim, em 1999, quando vim para a montanha com meu primo. É muito peso para se levar até lá, comida para quase duas semanas, roupas e equipamentos. Normalmente, para quem não vem em expedições, só se carrega uma barraca, roupas e comida para dois dias. O resto vai nas mulas. Para quem vem com expedições, o que virou quase a norma para quem vai tentar o cume, nem a barraca é carregada, pois a agência já vai deixá-la montada nos pontos de parada.

Montanhas na região de Confluencia, o acampamento que fica a meio caminho da base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina

Montanhas na região de Confluencia, o acampamento que fica a meio caminho da base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina


Pouco mais de duas horas depois de iniciarmos nossa caminhada, chegamos a Confluencia. Bem diferente da Confluencia que eu conhecia. Na verdade, o acampamento mudou mesmo de lugar, meio quilômetro antes. Agora há aí um posto de guarda-parques e nós devemos logo nos reportar a eles. Fazem um exame médico rápido e, se não há problemas, podemos armar nossa barraca. Foi o que aconteceu. Aí já estão várias barracas armadas, quase todas de expedições. Tem umas tendas bem grandes, que funcionam como refeitórios de grupos maiores. Outras, são quase como hotéis, alugando quartos. A maior estrutura! Antes, não havia nada remotamente parecido com isso...

Fim de tarde, esbanjando vitalidade aos 3.400 metros de altitude, em Confluencia, a meio caminho da base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina

Fim de tarde, esbanjando vitalidade aos 3.400 metros de altitude, em Confluencia, a meio caminho da base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina


Achamos um lugar um pouco mais protegido do vento para a nossa barraca e fomos caminhar pelas redondezas. Quem está por ali gosta de subir um pequeno morro de onde se pode ver muito bem o Vale de Horcones, o próprio acampamento de Confluencia e as montanhas mais acima no vale. Tudo grandioso, tudo lindo. Ar puro, sensação de se estar longe de tudo. Uma delícia! A Ana até se inspirou e arrumou uma lugar ótimo para fazer ioga e relaxar. Com aquele cenário ao seu redor, acho que foi a ioga mais energética que ela já fez!

No fim de tarde, aproveitando a beleza e grandiosidade da paisagem na área de Confluencia, a caminho da base do Aconcágua, para se inspirar e fazer ioga (região de Mendoza, a oeste da Argentina)

No fim de tarde, aproveitando a beleza e grandiosidade da paisagem na área de Confluencia, a caminho da base do Aconcágua, para se inspirar e fazer ioga (região de Mendoza, a oeste da Argentina)


No fim de tarde, aproveitando a beleza e grandiosidade da paisagem na área de Confluencia, a caminho da base do Aconcágua, para se inspirar e fazer ioga (região de Mendoza, a oeste da Argentina)

No fim de tarde, aproveitando a beleza e grandiosidade da paisagem na área de Confluencia, a caminho da base do Aconcágua, para se inspirar e fazer ioga (região de Mendoza, a oeste da Argentina)


No acampamento, há banheiro público e também uma fonte de água pura e gelada. Banho, só no rosto e mãos. Agua muito fria! Tenho a impressão que para quem for de expedição, há possibilidade de banho quente sim, aquecimento solar. Um conforto a mais para quem pretende passar tantos dias no meio da montanha. Para quem vai por apenas 3 dias, dá para ficar na água fria mesmo!

Descansando para combater a dor de cabeça aos 3.400 metros de altitude, na barraca montada no acampamento de Confluencia, a meio caminho da base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina

Descansando para combater a dor de cabeça aos 3.400 metros de altitude, na barraca montada no acampamento de Confluencia, a meio caminho da base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina


Noite estrelada no acampamento de Confluencia, a caminho da base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina

Noite estrelada no acampamento de Confluencia, a caminho da base do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina


A noite foi de lua quase cheia. Espetacular! Eu me recolhi antes da Ana, a altitude me dando dor de cabeça. Tive de apelar para a neosaldina. Um par de comprimidos e já estava melhor. A Ana não precisou. Nessa viagem, em várias oportunidades, deu para perceber que ela se adapta mais rapidamente do que eu à altitude. Enquanto eu fui logo dormir, ela ainda circulou um pouco, ficou amiga dos guarda-parques e ainda ficou tirando fotos da nossa barraca iluminada apenas pelas estrelas e pela lua. Depois, o frio a venceu e ela veio para o calor do saco de dormir. Amanhã cedo, tudo isso fica por aqui enquanto nós seguimos para Plaza Francia ver bem de perto a famosa Parede Sul, temida e admirada por todos os grandes alpinistas do mundo!

Um forte luar ilumina nossa barraca no acampamento de Confluencia, a caminho do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina

Um forte luar ilumina nossa barraca no acampamento de Confluencia, a caminho do Aconcágua, região de Mendoza, a oeste da Argentina

Argentina, Aconcágua, Confluencia, Montanha, Parque, trilha

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A Maior Montanha do Mundo

Hawaii, Big Island-Mauna Kea

Pôr-do-sol maravilhoso no alto do Mauna Kea, a 4.200 metros de altitude a temperaturas próximas de zero, na Big island, no Hawaii

Pôr-do-sol maravilhoso no alto do Mauna Kea, a 4.200 metros de altitude a temperaturas próximas de zero, na Big island, no Hawaii


Como eu já expliquei no meu primeiro post sobre o Havaí, a formação do arquipélago é vulcânica. Sob um fundo do Oceano Pacífico, a mais de seis quilômetros de profundidade, a Terra cospe fogo há alguns milhões de anos. É um chamado “hotspot”. Por meio do processo de convecção, material incandescente sobe diretamente do manto terrestre, muitos quilômetros abaixo da crosta. É como se fosse uma válvula de pressão.

Aproximando-se do Mauna Kea, a maior montanha da Big island, do Hawaii e do mundo!

Aproximando-se do Mauna Kea, a maior montanha da Big island, do Hawaii e do mundo!


Quando finalmente esse material escapa da crosta, ainda encontra seis quilômetros de água sobre sua cabeça. Não tem problema. Com uma paciência milenar, a lava vai se acumulando sobre a erupção anterior, construindo uma montanha de pouco em pouco. Muito tempo depois, essa montanha ultrapassa a superfície do oceano. Nasce uma nova ilha! O vulcão continua entrando em erupção, a ilha vai aumentando de tamanho e a montanha vai aumentando sua altura. Ao mesmo tempo, a placa tectônica do Pacífico vai se deslocando, levando a nova ilha para longe da hotspot. Quanto mais longe, mais fracas e intermitentes ficam as erupções, até que o vulcão se “desliga” por completo. Vira um vulcão extinto. A essa altura, já está muitos quilômetros acima do nível do mar. Agora, é a vez da erosão pelo ar e pela água desmanchar a montanha. Dê tempo ao tempo (algumas centenas de milhares de anos) e aquela altíssima montanha será toda “levada” de volta para o mar.


A Big Island, embaixo, e Maui e suas “companheiras”, no alto

Nós chegamos à Big Island, no Havaí, bem no meio desse processo. O Mauna Kea é o mais antigo dos vulcões da ilha. Desde que foi criado, a placa tectônica já levou a ilha dezenas de quilômetros para o noroeste, afastando a montanha do hot spot. Ele já está praticamente extinto. Outros vulcões nasceram sobre a hotspot e acabaram por se juntar ao Mauna Kea, criando a maior ilha do arquipélago, a junção de cinco grandes vulcões. No futuro, quando a erosão fizer seu trabalho, os vulcões vão se separar novamente e a Big island se quebrará em várias ilhas menores. Foi o que aconteceu com a ilha de Maui, que já é um pouco mais velha.

Vista do Mauna Loa, durante a subida do Mauna Kea, na Big island, no Hawaii

Vista do Mauna Loa, durante a subida do Mauna Kea, na Big island, no Hawaii


Enquanto isso não acontece, temos duas das maiores montanhas da Terra unidas. O Mauna Kea e o Mauna Loa. As duas com mais de 4 mil metros de altitude sobre o mar e outros seis mil sob o mar. As duas tem, portanto, mais de 10 mil metros de altura, superando o Everest, com 8.850. Na verdade, o Everest só se ergue cerca de 3.500 metros sobre sua base, que já é bem alta, ou seja, esses dois vulcões são três vezes maiores que aquela que é considerada a mais alta montanha da Terra. E, a rigor, elas ainda são maiores! Desde que começaram a ser “construídas”, o seu enorme peso começou a afundar o terreno sobre o qual se ergueram. Hoje, os cientistas calculam que esse terreno está a mais de seis quilômetros soterrado abaixo do ponto inicial, sob o enorme peso da montanha que cresceu sobre ele. Assim, a altura real desses dois vulcões é de incríveis 16 quilômetros!!! Mais um pouquinho e chegaríamos à altura da maior montanha conhecida do Sistema Solar, o Monte Olimpus, em Marte, com 20 quilômetros...

Vans levam turistas ao cume do Mauna Kea, na Big island, no Hawaii

Vans levam turistas ao cume do Mauna Kea, na Big island, no Hawaii


Estrada precária para chegar no alto do Mauna Kea, na Big island, no Hawaii

Estrada precária para chegar no alto do Mauna Kea, na Big island, no Hawaii


Quis o destino que essas mega montanhas estivessem nos Estados Unidos. Assim, claro, existe uma estrada para chegar até lá encima! Fico imaginado se o Everest também fosse dentro desse país, até que altura chegaria a estrada? Bom, no Mauna Kea, a estrada chega até poucos metros do cume. Então, fica bem fácil sairmos do nível do mar, depois de um banho refrescante à temperatura tropical, entramos no nosso carro com ar condicionado e dirigirmos menos de duas horas para ultrapassarmos os 4 mil metros de altura. Foi exatamente o que fizemos hoje, nesse nosso primeiro dia no Havaí!

Nosso jipão nos levou traquilamente até os 4.200 metros de altitude do Mauna Kea, ponto mais alto da Big island e do Hawaii

Nosso jipão nos levou traquilamente até os 4.200 metros de altitude do Mauna Kea, ponto mais alto da Big island e do Hawaii


A ideia é chegar lá encima perto da hora do pôr-do-sol. Assim, podermos assistir a um verdadeiro espetáculo e, logo depois, podemos admirar um dos céus noturnos mais belos do planeta. Tudo isso antes que a altitude comece a afetar nosso organismo, principalmente com dores de cabeça. Afinal, a essa altura, o oxigênio já é bem mais escasso e nosso corpo reage produzindo mais glóbulos vermelhos, para poder aproveitar todo o parco oxigênio disponível. O efeito colateral dessa mudança é que o sangue engrossa e passa com mais dificuldade nos estreitos vasos capilares de nossa cabeça. Resultado: dor de cabeça. Para não passar por isso, ou passamos por um longo período de aclimatação à altitude, que chega a demorar uma semana, ou vamos ao pico e voltamos rapidinho. Claro que a nossa opção foi a segunda!

Caminhada até o pico verdadeiro do Mauna Kea, longe das multidões, na Big island, no Hawaii

Caminhada até o pico verdadeiro do Mauna Kea, longe das multidões, na Big island, no Hawaii


Começamos nossa viagem para a montanha meio desanimados, pois o céu estava completamente nublado. A gente nem conseguia ver o Mauna Kea. Estávamos até meio arrependidos de não ter subido pela manhã, quando o tempo estava mais claro. Perderíamos o entardecer e a noite estrelada, mas pelo menos teríamos a vista lá de cima.

Assistindo a um inesquecível pôr-do-sol a mais de 4.200 metros de altura, no topo do Mauna Kea, na Big island, no Hawaii

Assistindo a um inesquecível pôr-do-sol a mais de 4.200 metros de altura, no topo do Mauna Kea, na Big island, no Hawaii


Pois é, pura inocência, a minha. Já conhecia a teoria, mas faltava acreditar de verdade. Como já disse acima, o Mauna Kea é conhecido pelo seu céu estrelado. Tanto que no seu topo está um dos mais importantes observatórios astronômicos do mundo. Ninguém vai investir milhões de dólares num observatório astronômico para ficar vendo nuvens... O que acontece é que, em 99% dos casos, o topo da montanha está bem acima das nuvens. O céu do Mauna Kea é sempre de brigadeiro! Ainda mais que a atmosfera já é bem rala naquela altitude, sem poluição e sem luzes de cidades para atrapalhar. Além disso, com toda a umidade para baixo, o céu fica ainda mais claro para observações astronômicas, já que o vapor d’água absorve um bom pedaço da luz das estrelas.

A luz mágica do fim de tarde no alto do Mauna Kea, na Big island, no Hawaii

A luz mágica do fim de tarde no alto do Mauna Kea, na Big island, no Hawaii


Vimos isso com os próprios olhos quando, após um intenso nevoeiro, chegamos ao céu completamente limpo, um pouco acima dos 2 mil metros de altitude. Dali, também podíamos admirar os dois gigantes, um de cada lado, o Mauna Kea e o Mauna Loa. Que maravilha!

A sombra do Mauna Kea se projeta sobre as nuvens até quase o infinito! (Big island, no Hawaii)

A sombra do Mauna Kea se projeta sobre as nuvens até quase o infinito! (Big island, no Hawaii)


Chegamos à entrada do parque nacional, perto dos 3 mil metros, e lá encontramos muita gente, a grande parte delas trazida em vans de agências de turismo. Param por ali para fazer uma rápida aclimatação. Nós também fizemos nossa parada, mas não por muito tempo. Queríamos subir antes da turba. São poucas as pessoas que seguem com o próprio carro. Depois da entrada do parque, o asfalto acaba e começa uma estrada de terra bem precária, para padrões americanos. A recomendação é que só subam carros tracionados. É o caso do nosso jipão, então, não titubeamos! Nessa época do ano, ainda sem gelo ou neve (pois é, neva no Havaí!), um carro 4x2 também subiria. Devagarzinho, enfrentando as costelas de vaca, mas sobe sim.

Explorando o cume do Mauna Kea, com o Mauna Loa ao fundo, na Big island, no Hawaii

Explorando o cume do Mauna Kea, com o Mauna Loa ao fundo, na Big island, no Hawaii


Os últimos minutos de luz do sol no topo da maior montanha do Hawaii, o Mauna Kea, na Big island

Os últimos minutos de luz do sol no topo da maior montanha do Hawaii, o Mauna Kea, na Big island


A montanha não tem grandes paredões ou inclinações. É uma enorme rampa, desde os seis mil metros abaixo do mar até aqui em cima, aos 4.200 metros de altitude. Seria uma caminhada tranquila até o pico. Longa, mas tranquila. De carro, então, mamão com açúcar! Interessante é ver a mudança na vegetação. As árvores acabam, depois se acabam os arbustos e, por fim, se acabam as gramíneas também. Uma estranha planta, endêmica da região, chamada Silversword, é que domina a paisagem. Longilínea e com as folhas duras, parece de outro planeta. Aliás, toda a paisagem parece de outro planeta. É só estando lá encima para compreender.

Um delicioso beijo a 4.200 metros de altitude, no topo do Mauna Kea, ponto mais alto da Big island e do Hawaii

Um delicioso beijo a 4.200 metros de altitude, no topo do Mauna Kea, ponto mais alto da Big island e do Hawaii


A estrada chega até o observatório e aí ficam as centenas de pessoas que chegam até o alto. Alguns poucos se arriscam a pegar uma trilha de cerca de 500 metros até o cume verdadeiro. Para chegar lá, épreciso descer um pouco e depois subir novamente. Àquela altitude, qualquer esforço é multiplicado por dez, principalmente para quem não está aclimatado. Mas, para quem se arrisca, a recompensa é estar praticamente sozinho no ponto mais alto num raio de mais de 3 mil quilômetros!

Observando os telescopios construídos no topo do Mauna Kea, na Big island, no Hawaii

Observando os telescopios construídos no topo do Mauna Kea, na Big island, no Hawaii


Obviamente que eu e a Ana seguimos para lá. O pôr-do-sol foi absolutamente magnífico, o céu se enchendo de cores dignas de cinema, de um lado, enquanto do outro a sombra do vulcão se estendia até o infinito, sobre o lençol de nuvens abaixo de nós. Acima das nuvens, apenas a montanha em que estávamos e o Mauna Loa, quase na nossa frente, parecendo flutuar no céu. Foi emocionante!

Pôr-do-sol maravilhoso no alto do Mauna Kea, a 4.200 metros de altitude a temperaturas próximas de zero, na Big island, no Hawaii

Pôr-do-sol maravilhoso no alto do Mauna Kea, a 4.200 metros de altitude a temperaturas próximas de zero, na Big island, no Hawaii


A poucas centenas de metros dali, a silhueta dos observatórios astronômicos contra o céu azul eram uma imagem que eu guardava desde a adolescência, de fotos que tinha visto em livros. Abaixo dos observatórios, centenas de turistas com suas máquinas fotográficas tentavam registrar esse momento mágico.

Uma multidão observa e fotografa a lua nascendo por detrás das nuvens, no topo do Mauna Kea, na Big island, no Hawaii

Uma multidão observa e fotografa a lua nascendo por detrás das nuvens, no topo do Mauna Kea, na Big island, no Hawaii


Depois do sol se pôr, nasce uma lua cheia, amarela e incrível, no topo do Mauna Kea, na Big island, no Hawaii

Depois do sol se pôr, nasce uma lua cheia, amarela e incrível, no topo do Mauna Kea, na Big island, no Hawaii


Mas hoje, era um dia ainda mais especial. Foi o sol se pôr de um lado do horizonte que, do outro, nascia uma gigantesca bola amarela. Era a lua cheia, mais linda do que nunca. A multidão que fotografava para um lado, agora se virava para o outro. E nós, acompanhados de apenas outras duas pessoas, lá no pico verdadeiro, já não sabíamos se nossa falta de ar era pela altitude ou pelo excesso de emoções.

As portas se abrem para o telescópio iniciar suas observações noturnas, no topo do Mauna Kea, na Big island, no Hawaii

As portas se abrem para o telescópio iniciar suas observações noturnas, no topo do Mauna Kea, na Big island, no Hawaii


Enfim, com a temperatura chegando perto de zero grau, os turistas debandaram para suas vans e de lá para baixo. Nós voltamos para perto dos observatórios e, junto com outros poucos corajosos, esperamos para que as estrelas tomassem conta do céu. Mesmo com o forte luar, a quantidade de pontos luminosos no firmamento era impressionante. De repente, todos os observatórios ganharam vida: abriram seus “telhados” para que os telescópios pudessem vasculhar o universo. Mais um momento mágico no dia.

A lua soberana no topo da maior montanha do mundo, o Mauna kea, na Big island, no Hawaii

A lua soberana no topo da maior montanha do mundo, o Mauna kea, na Big island, no Hawaii


A cabeça fervilhava com tantas informações, pensamentos e emoção. Mas também começava a dor pela altitude. As mãos também, já não aguentavam o frio ao manusear as máquinas fotográficas. Essas, aliás, ficaram sem bateria, consumidas pelo frio. Era a hora de voltar... Dos quatro mil metros para o nível do mar em apenas uma hora. Dali para o sul da ilha, para a cidade de Volcano. Com um nome desse, já dá para imaginar, né? Saímos do maior e mais antigo vulcão da ilha, hoje praticamente extinto, para o mais novo e ativo deles, o Kilauea. Amanhã, é dia de ver um vulcão ativo!

Felicidade pura de estar no lugar certo na hora certa! (pôr-do-sol no topo do Mauna Kea, maior montanha da Big island, no Hawaii)

Felicidade pura de estar no lugar certo na hora certa! (pôr-do-sol no topo do Mauna Kea, maior montanha da Big island, no Hawaii)

Hawaii, Big Island-Mauna Kea, Big Island, Mauna Kea, Montanha, vulcão

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Diz aí se você gostou, diz!

Juazeiro do Norte e o Padre Cícero

Brasil, Ceará, Juazeiro do Norte

Lembranças de Juazeiro do Norte - CE

Lembranças de Juazeiro do Norte - CE


Algumas reportagens dos nossos telejornais se repetem todos os anos. Parecem exatamente as mesmas. Fico imaginando que, como medida de corte de custos, eles deveriam simplesmente passar o VT das reportagens, e não fazer outra igual, como fazem.

Divisa entre Pernambuco e Ceará, na Chapada do Araripe

Divisa entre Pernambuco e Ceará, na Chapada do Araripe


Exemplo disso são as reportagens sobre o início do período natalino, vendas dos shoppings no dia das mães e reportagens sobre festas religiosas. Nesta última categoria estão as romarias em Juazeiro do Norte mostrando aquela enorme estátua do Padre Cícero. Desde minha infância lembro de ver imagens dessa estátua e da devoção do povo ao Padre Cícero no Jornal Nacional.

Juazeiro do Norte - CE

Juazeiro do Norte - CE


Assim, para um casal que quer conhecer a América e todos os estados do Brasil, passar em Juazeiro para conhecer um pouco mais dessa cidade que atrai centenas de milhares de pessoas todos os anos era mais que uma obrigação; era uma curiosidade que vinha desde os tempos de criança.

Viajamos de Oeiras para Juazeiro através da Chapada do Araripe, região de riquíssimo valor arqueológico e paleontológico que vem sendo dilapidada vergonhosamente por piratas, que roubam os fósseis e chegam a realizar leilões internacionais impunemente. Coisa de país de quarto mundo...

Memorial do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte - CE

Memorial do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte - CE


Chegamos em Juazeiro a tempo de visitar o memorial do Padre Cícero para aprender um pouco mais sobre esse homem que viveu de meados do séc XIX até o final da década de 30. Além de padre, acabou se tornando um importante político da região, prefeito de Juazeiro do Norte, cidade que ajudou a se emancipar da vizinha Crato. Esteve no centro de uma polêmica religiosa sobre milagres no final do séc XIX, sendo repreendido publicamente pela Igreja. Também foi figura central da chamada "Sedição de Juazeiro", uma verdadeira guerra que aconteceu no sertão em 1914. Mais uma coisa que o ignorante aqui desconhecia por completo. Tropas cearenses cercaram Juazeiro para conquistar a cidade e prender (e matar) o Pe. Cícero. Com a ajuda de seu chefe político, conseguiu resistir ao cerco e mais, acabar depondo o presidente do estado (na época, governadores eram "presidentes"). Isso sim é virar o jogo!

Devoção ao Padre Cícero em Juazeiro do Norte - CE

Devoção ao Padre Cícero em Juazeiro do Norte - CE


Muito disso nos ensinou a Amanda, a simpática atendente do Memorial que, além de nos dar aulas de história, nos ajudou a encontrar um hotel na cidade. No dia seguinte, cedinho, fomos visitar a igreja onde está enterrado o padre e pudemos ver de perto a fé das pessoas que a visitam. Chega a ser contagiante! A Igreja Católica pode teimar em não beatificá-lo, mas para o povo ele já é santo faz tempo. E por isso, sempre há pessoas por lá a pedir por seus milagres...

Túmulo do Padre Cícero em Juazeiro do Norte - CE

Túmulo do Padre Cícero em Juazeiro do Norte - CE


Logo depois, seguimos para o Horto, uma colina onde está aquela estátua que sempre via na televisão. De lá, tem-se uma bela vista da cidade e também da Chapada do Araripe ao longe. E, claro, da própria estátua, com seus mais de 25 metros de altura. Impressiona. Ali, lendo as placas comemorativas, percebi que algo mais me une a ela além dos telejornais da infância. A estátua tem praticamente a mesma idade que eu. Na verdade, sou vinte dias mais velho. Hmmmm, agora entendo, há 41 anos assisto às tais reportagens, desde a primeira delas!

A famosa estátua do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte - CE

A famosa estátua do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte - CE

Brasil, Ceará, Juazeiro do Norte, Chapada do Araripe, Padre Cícero

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La Paloma ou La Pedrera?

Uruguai, La Pedrera

A vasta praia de La Pedrera, no litoral do Uruguai

A vasta praia de La Pedrera, no litoral do Uruguai


Ontem de tarde, depois do nosso almoço tardio na praia que tinha o sugestivo nome de Bikini, em Punta del Este, retomamos nossa viagem rumo ao litoral leste do Uruguai. Já estamos com hotel reservado para as próximas duas noites, em Cabo Polonio, mas faltava decidir onde dormiríamos ontem e passaríamos o dia de hoje. Só sabíamos que queríamos chegar à costa leste e a dúvida era entre La Paloma e La Pedrera, as melhores opções ao sul do nosso destino de amanhã, Cabo Polonio.



Nosso GPS teimava em nos mandar de volta à rodovia principal, que segue um pouco mais afastada do mar e liga Montevideo a Rocha, mas a gente queria mesmo era ficar perto do oceano. Seguimos pela estrada mais simples, mas admirando de perto o belo litoral do país. A estrada perdeu o asfalto e finalmente chegou à laguna Garzon. Aí, é preciso uma pequena balsa para atravessar o canal que liga o mar à lagoa.

Chegando à bela Laguna Garzon, a meio caminho entre Punta del Este e La Pedrera, no litoral do Uruguai

Chegando à bela Laguna Garzon, a meio caminho entre Punta del Este e La Pedrera, no litoral do Uruguai


Laguna Garzon, a meio caminho entre Punta del Este e La Pedrera, no litoral do Uruguai, ideal para a prática de kitesurf

Laguna Garzon, a meio caminho entre Punta del Este e La Pedrera, no litoral do Uruguai, ideal para a prática de kitesurf


Essa lagoa é muito popular para quem gosta de praticar esportes que dependem do vento a da água ao mesmo tempo. Estou falando dos windsurfistas e, principalmente, dos kitesurfistas. O vento praticamente não para nessa área, principalmente do meio da tarde em diante, e o calor do verão torna o cenário quase perfeito.

Windsurfistas e kitesurfistas disputam espaço na Laguna Garzon, a meio caminho entre Punta del Este e La Pedrera, no litoral do Uruguai

Windsurfistas e kitesurfistas disputam espaço na Laguna Garzon, a meio caminho entre Punta del Este e La Pedrera, no litoral do Uruguai


Kitesurfista aproveita o vento na Laguna Garzon, a meio caminho entre Punta del Este e La Pedrera, no litoral do Uruguai

Kitesurfista aproveita o vento na Laguna Garzon, a meio caminho entre Punta del Este e La Pedrera, no litoral do Uruguai


Por isso, tanta concorrência na água. Se fosse há duas décadas, acho que só veríamos os windsurfs. Mas o kitesurf, hoje, é o dono do pedaço. Com tanta procura, alguém teve a ideia de construir dezenas de pequenos chalés de madeira ao lado do lago, quase um pombal. É tudo o que os kitesurfistas querem. Para quê espaço dentro do quarto se tem todo o espaço do mundo fora dele? Então, trazem o pouco que necessitam e passam dias por ali, surfando e dançando com o vento, um verdadeiro espetáculo para quem, como nós, observa de uma distância segura.

Um verdadeiro paraíso de kitesurfistas na Laguna Garzon, a meio caminho entre Punta del Este e La Pedrera, no litoral do Uruguai

Um verdadeiro paraíso de kitesurfistas na Laguna Garzon, a meio caminho entre Punta del Este e La Pedrera, no litoral do Uruguai


Balsa para atravessar a Laguna Garzon, a meio caminho entre Punta del Este e La Pedrera, no litoral do Uruguai

Balsa para atravessar a Laguna Garzon, a meio caminho entre Punta del Este e La Pedrera, no litoral do Uruguai


Depois da simpática balsa, retomamos nosso caminho ao lado do mar, mas tivemos de nos render um pouco mais à frente, chegando na Laguna de Rocha. Essa é uma Reserva Natural e temos mesmo de contorná-la pelo interior, voltando à rodovia principal. Passamos rapidamente pela cidade, a principal da região, e pagamos a estrada em direção ao litoral. Até aí, era o mesmo caminho para nossas duas opções, La Paloma e La Pedrera. Mas chegamos á bifurcação e nesse ponto precisávamos decidir: qual das duas?

Trecho movimentado da praia de La Pedrera, no litoral do Uruguai

Trecho movimentado da praia de La Pedrera, no litoral do Uruguai


Eu já havia estado aqui há oito anos tinha uma vaga lembrança das duas cidades. La Paloma, apesar de pequena, é bem maior que La Pedrera. É também mais antiga e tradicional, atraindo mais famílias. La Pedrera, por outro lado, atrai uma população mais jovem e, de uma década para cá, acabou virando uma meca de surfistas.

A Ana caminha com a Ixa na praia de La Pedrera, no litoral do Uruguai

A Ana caminha com a Ixa na praia de La Pedrera, no litoral do Uruguai


O Rodrigo caminha com sua mãe na praia de La Pedrera, no litoral do Uruguai

O Rodrigo caminha com sua mãe na praia de La Pedrera, no litoral do Uruguai


As duas cidades transformam-se completamente no verão, multiplicando sua população permanente por dez. La Paloma passa de seus 3 mil para 30 mil. Lá Pedrera está uma ordem de grandeza par trás. Passa de 300 para 3 mil. Quando chegamos à bifurcação, já deu para ver o movimento enorme em La Paloma. Estava decidido: seguimos na direção contrária.

O Joca e a Ixa admiram o mar de La Pedrera, no litoral do Uruguai

O Joca e a Ixa admiram o mar de La Pedrera, no litoral do Uruguai


O nome de La Pedrera vem de um trecho bem rochoso do litoral que acaba separando a praia em duas. Não são rochas quaisquer, mas de um tipo bem especial, velhíssimas. Tem 500 milhões de anos, muito mais antigas que os dinossauros, do tempo da supercontinente de Pangeia. Entre elas, ou incrustados em suas formações, muitos fósseis. É a praia preferida dos geólogos e paleontólogos uruguaios!

Trecho rochoso do mar de La Pedrera, no litoral do Uruguai

Trecho rochoso do mar de La Pedrera, no litoral do Uruguai


O tempo não esteve firme na cidade enquanto estivemos aqui, desde o fim da tarde de ontem até a noite de hoje. Nuvens, vento e um pouco de chuva. Mas isso não impediu que a gente aproveitasse e saboreasse a praia e a maresia. Hoje pela manhã, por exemplo, demos uma bela caminhada na praia até esse trecho de pedras. O mar, conforme esperado, estava cheio de ondas, para alegria dos surfistas. Não só deles, mas também dos banhistas mais metidos e corajosos. No caso, nós! Foi uma delícia enfrentar as ondas e correntes do mar, algo que já não fazíamos há muito tempo. Se desconsiderarmos o mergulho em Montevideo, pois ali, na verdade, estamos ainda no Rio da Prata, o último mergulho havia sido no Chile, nas águas geladas da praia de Pichilemu ([< href="http://www.1000dias.com/rodrigo/despedida-do-oceano-pacifico/">post aqui), lá no Oceano Pacífico. Bem, não estou considerando a escapadinha que demos há duas semanas para o Ceará, pois ali foram férias dos 1000dias! De qualquer maneira, a temperatura da água, aqui, estava muito mais agradável do que no Chile (mas ainda bem distante das águas tépidas do Ceará!).

Enfrentando as ondas do mar agitado de La Pedrera, no litoral do Uruguai

Enfrentando as ondas do mar agitado de La Pedrera, no litoral do Uruguai


Um delicioso mergulho no mar de La Pedrera, no litoral do Uruguai

Um delicioso mergulho no mar de La Pedrera, no litoral do Uruguai


O ponto alto de nossa caminhada na praia foi quando encontramos um bom lugar para tomarmos caipirinha. Cada vez mais pertos do Brasil, esse bebida, nosso drinque nacional, já ficou bem mais fácil de ser encontrado. Nós encontramos e aproveitamos! Nada como o calor de uma caipirinha para contrabalanças o friozinho do vento incessante! Acompanhando tudo, merluza fresca e empanada. Como diriam os uruguaios: “muy rica!”.

Nossa 'base de apoio' na praia de La Pedrera, no litoral do Uruguai

Nossa "base de apoio" na praia de La Pedrera, no litoral do Uruguai


Com os pais, tomando deliciosas caipirinhas na praia de La Pedrera, no litoral do Uruguai

Com os pais, tomando deliciosas caipirinhas na praia de La Pedrera, no litoral do Uruguai


Por fim, aproveitamos bastante também o nosso hotel. Ele é deliciosamente decadente, quase charmoso por causa disso. Tem duas grandes piscinas, uma bem bonita, do lado de fora, e outra interna e aquecida. Praticamente vizinhas, apenas uma porta de vidro as separando. Então, a gente se aquecia na piscina interna, tomava coragem e corria para a piscina externa. Depois, quando voltávamos, a água da piscina aquecida parecia ainda mais quente. Uma delícia!

Em dia nublado, o Joca e a Ixa, pais do Rodrigo, em nosso hotel em La Pedrera, no litoral do Uruguai

Em dia nublado, o Joca e a Ixa, pais do Rodrigo, em nosso hotel em La Pedrera, no litoral do Uruguai


Em dia nublado, o Joca e a Ixa, pais do Rodrigo, em nosso hotel em La Pedrera, no litoral do Uruguai

Em dia nublado, o Joca e a Ixa, pais do Rodrigo, em nosso hotel em La Pedrera, no litoral do Uruguai


Enfim, foi um dia delicioso e relaxante. A Ana até teve uma sessão de osteopatia no hotel. Sairemos descansado daqui amanhã cedo, rumo ao ponto alto da nossa passagem pelo litoral uruguaio: o paraíso perdido de Cabo Polonio, onde não chegam nem carros nem luz elétrica. Mal podemos esperar! Só estamos cruzando os dedos para ver se o tempo melhora. Há de melhorar!

A bela piscina do nosso hotel em La Pedrera, no litoral do Uruguai

A bela piscina do nosso hotel em La Pedrera, no litoral do Uruguai

Uruguai, La Pedrera, La Paloma, Laguna Garzon, Praia

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Sol e Praia!

Brasil, São Paulo, Juréia

Iguape vista do mirante

Iguape vista do mirante


Após nossa tradicional correria matinal contra o relógio conseguimos chegar a tempo de pegar a balsa das dez horas de Cananéia para Ilha Comprida. Há balsas de hora em hora e não queríamos ter de esperar mais uma. Entrando na balsa, a primeira de muitas que a Fiona vai pegar nessa viagem, ainda deu para aproveitar a linda manhã de sol para fotografar Cananéia. Já fazia tempo que não tínhamos manhã tão ensolarada. Estava na hora, para tirar o mofo!

A primeira balsa da Fiona: Cananéia-Ilha Comprida

A primeira balsa da Fiona: Cananéia-Ilha Comprida


Rodrigo na balsa de Cananéia para Ilha Comprida

Rodrigo na balsa de Cananéia para Ilha Comprida


Durante a travessia, conversei com o marinheiro sobre a maré. Essa informação era muito importante para a gente porque nosso plano era atravessar a ilha de sul a norte e isso não pode ser feito com a maré cheia já que o caminho é pela praia mesmo. A maré estava enchendo e ele nos disse que teríamos de ser rápidos. Se tivéssemos perdido a balsa das dez, só poderíamos seguir para o norte de tarde. Enfim, mal chegamos na Ilha, atravessamos os poucos quilômetros em direção à costa atlântica e chegamos finalmente à praia e ao oceano. A última vez tinha sido em Miami, há duas semanas. mas, na nossa cabeça, parecia um século!

Fiona na praia de Ilha Comprida

Fiona na praia de Ilha Comprida


Seguindo o conselho do marinheiro e também de um pescador na praia, nem entramos no mar e seguimos direto pela praia, acelerando. Sensação estranha, conduzir na praia. Um estradão, "asfalto" macio. As ondas do mar vinham comendo a praia e a Fiona se divertia atravessando os pequenos riachos. Tiramos fotos e filmamos. Sensação de liberdade total! Foram pouco mais de 50 quilômetros pela praia até um ponto onde o carro não passava mais, por causa de umas pedras. Ali, outro pescador nos informou que a entrada para Iguape já tinha ficado para trás. Enebriados pela experiência de dirigir através daquela praiona, a gente se empolgou e passou do ponto. Bem que tínhamos percebido um certo aumento no movimento da praia... Normalmente, na parte norte da Ilha é proibido o trânsito de carros pela praia, mas fora de temporada e durante a semana, acho que não faz mal não.

Na praça de Iguape-SP

Na praça de Iguape-SP


Bom, voltamos uns sete quilômetros, saímos da praia bem ao lado da placa que, teoricamente, nos proibia de entrar lá e seguimos para a ponte que liga Ilha Comprida à Iguape. Achei o centro da cidade, que se espalha em volta da Igreja Matriz e da praça muito legal. Mais bem conservado que Cananéia. Essas duas cidades estão entre as mais antigas do Brasil.Foram fundadas na primeira metade do séc. XVI, numa época em que Portugal ainda temia que a Espanha se apoderasse dessas terras. A história dessa região é muito interessante e movimentada naquela época. Depois, nos 400 anos seguintes, não mudou muita coisa não. No litoral paulista, são as únicas cidades que ainda mantém um certo charme próprio da arquitetura antiga. Acho que isso é umas das poucas coisas boas, se não a única, da Régis Bitencourt ainda ser tão precária e perigosa. Essa parte do litoral continua protegida das hordas de turistas e do "desenvolvimento" imobiliário que isso traz. A longa praia da Ilha Comprida continua muito parecida com a praia que o famoso "Bacharel" conheceu, há 500 anos atrás. Este degredado português, deixado aqui por alguma nau, foi competente para se casar com a filha do cacique local, se tornar um virtual rei da região e um conhecido traficante de escravos índios do litoral sul paulista. Saiu com uma mão na frente e outra atrás de terras lusas para se tornar um monarca em terras tropicais. Com direito a várias mulheres e dezenas de filhos. Tudo bem que sua casa não deveria estar no nível dos palácios europeus da época, mas que vida interessante deve ter tido este gajo!

Após uma caminhada e seção de fotos, lanchamos numa padaria ali mesmo, na praça central. Foi o melhor pão francês que comemos em meses! Que delícia!!! Nossa, só depois de comer é que realizamos como o famoso paozinho faz falta! Quando voltar à Iguape, será parada obrigatória!

Parece um ônibus, mas é a Fiona indo de Iguape à Juréia

Parece um ônibus, mas é a Fiona indo de Iguape à Juréia


Continuamos em direção ao norte, rumo à Barra do Ribeira. É o mesmo rio que capta toda a água da região das cavernas. Depois de tantos dias por lá, já somos quase íntimos! A barra é atravessada de balsa novamente. É possível seguir pelo "mar interior" desde aqui até Paranaguá, sempre protegidos do Oceano Atlântico pelas ilhas Comprida, do Cardoso e do Superagui. Para quem gosta disso, é um dos mais bonitos e interessantes circuitos náuticos do Brasil.

Cachoeira na parte sul da Juréia

Cachoeira na parte sul da Juréia


Do lado de lá da barra, onde estamos agora, é a Juréia, uma bela e importante área de preservação ambiental do estado. Aqui há uma vilazinha tranquila, com poucas pousadas e uma longa praia quase deserta. Ao final da praia, dezoito quilômetros de carro, está a entrada do parque. Lá estivemos, curtindo uma bela cachoeira de águas frias e transparentes. É o máximo que podemos fazer. Mais longe, através das trilhas, apenas pesquisadores. Na próxima encarnação, acho que vou querer ser pesquisador. Com passe livre nas cavernas do PETAR, na Juréia, em Noronha, no Poço Encantado na Bahia, no Lago Azul em Bonito, etc, etc, etc.

Cemitério na praia da Juréia

Cemitério na praia da Juréia


Na volta do parque, uma cena um tanto incomum: um cortejo fúnebre pela praia, com dezenas de carros. Uma querida cidadã local que havia morrido na noite anterior. O cemitério da vila só tem acesso pela praia. O tempo, que tinha se enevoado um pouco mais cedo, se abriu novamente, proporcionando um belo entardecer para o enterro. E para aqueles que, como nós, observamos o cortejo atravessar aquela praia antes deserta com o mar infinito ao fundo. Amém!

Moto com um motorista e dois passageiros, na Juréia-SP

Moto com um motorista e dois passageiros, na Juréia-SP


Não se esqueçam de conferir as fotos no post da Ana!

Brasil, São Paulo, Juréia, Parque, Praia

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Sol em Iquique

Chile, Iquique

Manhã de sol em Iquique, no norte do Chile

Manhã de sol em Iquique, no norte do Chile


Nesta época do ano a cidade de Iquique, assim como várias cidades na costa chilena e peruana, passa meses sem ver a cara do sol. Uma forte neblina, fruto da interação do Oceano Pacífico com o relevo litorâneo, cobre constantemente o local. Mas, há exceções! E hoje, para a nossa sorte, foi uma delas. A manhã começou como todas as outras, céu cinza e pesado. Mas aos poucos o azul foi aparecendo aqui e ali e, uma hora depois, o sol reinava glorioso num céu limpo e azul.

A enorme duna em Iquique, no norte do Chile

A enorme duna em Iquique, no norte do Chile


Isso fez com que eu e a Ana mudássemos nossos planos. Inicialmente, imáginávamos um passeio na praia no fim da tarde, apenas para cumprir tabela. Mas agora, com o sol brilhando, fomos correndo para lá, aproveitar a oportunidade rara. Fizemos um cooper pela orla e seguimos para a areia, para nosso primeiro banho de mar no Oceano Pacífico. Água gelada, mas muito limpa. A Ana ficou só na beirada, mas eu não resisti a um bom mergulho. O Pacífico me fascina faz tempo. Há algo de misterioso nele que me atrai. Bom, temos muitos meses pela frente para "nos conhecermos" melhor, hehehe

Enfrentando as águas frias do Oceano Pacífico em Iquique, no norte do Chile

Enfrentando as águas frias do Oceano Pacífico em Iquique, no norte do Chile


Depois do mar, seguimos de carro para um passeio no centro da cidade. Iquique nasceu espanhola, virou peruana e tornou-se chilena, mas com forte influência inglesa. Terra natal de vários heróis peruanos desde a guerra de independência, foi conquista pelos chilenos na Guerra do Pacífico, em 1879. Desde então, sofreu um forte processo de "chilenização", com imigrantes chegando do sul do país para trabalhar na indústria salitreira que teve seu auge no início de séc. XX.

Passeando pelo centro de Iquique - Chile

Passeando pelo centro de Iquique - Chile


A indústria salitreira era dominada pelo capital inglês e Iquique era a principal cidade da região. Então, para cá convergiam os chamados "barões do salitre" que construíam suas mansões e clubes no estilo da terra natal. O resultado ainda se percebe hoje no bem conservado centro histórico da cidade. Muito gostoso passear por suas ruas e na praça principal, testemunhos de uma época gloriosa que já ficou para trás.

Passeando no centro de Iquique - Chile

Passeando no centro de Iquique - Chile


Nem só de rosas vivia essa época, infelizmente. As condições atrozes a que eram submetidos os milhares de trabalhadores das oficinas salitreiras hoje nos chocam, mas naquela época eram consideradas justas o bastante por seus patrões. Pudemos observar bem isso na nossa visita a Humberstone, uma das maiores oficinas daquela época, hoje cidade fantasma patrimõnio da Unesco. Essa forte tensão social culminou com uma greve geral no final de 1907. O resultado foi um dos maiores banhos de sangue que se tem notícia na história das lutas de classe. Reunidos em uma escola em Iquique, para onde haviam convergido trabalhadores em greve em toda a província, juntos com suas esposas e filhos, os trabalhadores se mantiam irredutíveis em suas demandas que hoje nos parecem tão óbvias. Mas o governo também foi irredutível em suas ordens para que o local fosse evacuado e a greve terminada. Exatamente na hora do ultimato, os primeiros a serem metralhados foram os líderes e negociadores do movimento. Na sequência, outras duas mil pessoas, não importa sexo ou idade, também foram massacrados. A greve terminou por falta de grevistas e tudo voltou à antiga paz, o governo escondendo, falseando e censurando dados do massacre por décadas. Enfim, em 2007, no governo Bachelet, uma justa homenagem foi feita aos milhares que tombaram naquele fatídico 21 de Dezembro de 1907.

A Torre do Relógio, no centro de Iquique - Chile

A Torre do Relógio, no centro de Iquique - Chile


Bem, a cidade está mais calma hoje. O perigo maior são os terremotos e tsunamis, já que Iquique está bem próxima de uma importante falha geológica. Sinais de fuga em caso de tsunami estão espalhados por toda a cidade. Mas não foi dessa vez ainda que experimentamos algum desses fenômenos naturais, algo que, infantil e inocentemente, muito anseio, na minha curiosa curiosidade por mega catástrofes. Mas teremos outras chances, já que nesses 1000dias passaremos por muitos lugares acostumados não só com terremotos e tsunamis, mas com furacões e erupções vulcânicas. É só questão de estar no lugar errado, na hora errada. Vamos ver...

A praça central de Iquique - Chile

A praça central de Iquique - Chile


Voltando a um mundo mais "normal", seguimos para a ZOFRI, uma das mais movimentadas zonas francas do continente, que fica em Iquique. É para cá que convergem, por exemplo, centenas de caminhões paraguaios em busca de carros usados do mundo inteiro, importados pelo porto da cidade e levados diretamente para Assunción, via Atacama e Paso de Jama, por onde cruzamos com vários deles. O local é gigantesco e tem também um mega shopping, talvez o maior que eu já tenha visitado. Ali passamos algumas horas, buscando artefatos eletrônicos e lentes para a nossa Nikon. A tentação foi grande, mas ficamos apenas com uns poucos acessórios.

Visitando a Zona Franca de Iquique, ou ZOFRI (Chile)

Visitando a Zona Franca de Iquique, ou ZOFRI (Chile)


Depois desse dia movimentado, amanhã é dia de pegarmos estrada novamente. O caminho será longo até a charmosa Arequipa, no sul do Peru. Mais um país na nossa jornada!

Correndo na praia depois do banho gelado na Playa Brava em Iquique, no norte do Chile

Correndo na praia depois do banho gelado na Playa Brava em Iquique, no norte do Chile

Chile, Iquique,

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Um Dia na Ilha

Brasil, Paraná, Ilha do Mel

Inicio da manhã, início da volta na Ilha

Inicio da manhã, início da volta na Ilha


Eu e a Ana adoramos a Ilha do Mel. Afinal, foi onde começamos a namorar e onde nos casamos (veja as histórias em http://www.icasei.com.br/roana). Posso dizer que a conhecemos bem , várias de suas pousadas e muitos dos seus personagens. Como ela está bem perto de Curitiba, a gente vinha para cá sempre que podia e até fizemos um curso de surf (ou tentamos) nas suas praias. Foi numa semana em que as famosas "paralelas" rolaram soltas, fazendo a festa dos surfistas locais e de outras cidades também (a notícia se espalha logo e todo mundo corre para cá!).

Pois bem... o que fazer por aqui, então? Primeiro, o mais óbvio, rever e se despedir dos amigos. Tomar o delicioso suco "Seu Angelo", na pousada do Tissot (Astral da Ilha), ser muito bem tratado pelo Zeco e sua equipe, na Grajagan, bater papo com o Rômulo e o Carlinhos na Bee House, enfim refazer, uma última vez, pelo menos nos próximos 1000 dias, as coisas que adoramos por aqui.

Mas, eu ainda queria fazer algo novo, diferente. E resolvi convidar a Ana para dar uma volta na Ilha inteira, em apenas um dia. Cansativo, mas uma proeza memorável. Não é para qualquer um. A parte "gorda" da Ilha, quase toda uma reserva biológica e onde está a Fortaleza dos Remédios, tem cerca de 17 km de perímetro, um dos quais é mangue. Nos outros 16, praias quase sempre desertas, pelo menos de humanos. Queria dar essa volta e depois, caminhar até a praia de Encantadas e voltar nadando até Brasílía. E, no caminho, ainda subir o Morro da Baleia e o Morro do Farol.

Ana aproveitando os primeiros raios de sol, na volta da Ilha

Ana aproveitando os primeiros raios de sol, na volta da Ilha


Partimos bem cedo para a empreitada. Tivemos duas grandes sortes nesse dia. Primeiro, a maré, que era de lua, estava no seu ponto mais baixo às 9 da manhã, bem na hora que atingimos a região de mangue. Atravessá-lo ficou muito mais fácil. Em segundo, não é a época das terríveis butucas. Perto de novembro, elas tornam a vida de qualquer um que se aventure por aquele lado da Ilha um verdadeiro inferno. Falo por experiência própria. Ser atacado por dezenas delas, por horas a fio, atravessando um mangue é de lascar! Bom, hoje não era o caso e a nossa travessia transcorreu sem problemas. Muito pelo contrário, tiramos fotos lindas, nclusive da parte mais difícil, na travessia do mangue quase seco pela maré baixa. E ainda tivemos a chance de observar uma fauna variada. Cobras(coral, passeando pela areia!) e lagartos, siris e carangueijos, botos e tartaruga (morta, coitada), gaviões, gaivotas e urubus. E até mesmo um par de flamingos rosas (ou seriam garças?).

Pássaros rosas aproveitando a maré baixa

Pássaros rosas aproveitando a maré baixa


Foram 4 horas de caminhada, quase 20 km desde a Grajagan até o istmo e, de lá, contornando no sentido horário, até a Fortaleza. Lá, abençoadas cervejinhas para relaxar e subimos, renovados, o Morro da Baleia. Embalados, fomos direto até o Farol, uns 5km a frente. Sempre filmando e fotografando muito. O dia, variando constantemente entre nublado e ensolarado, nos fornecia sombra e belos momentos para fotografias. Por fim, já satisfeitos com o que tínhamos feito e visto até então e iluminados pela sombra do farol, decidimos que aquilo já era o suficiente. Encantadas e a travessia aquática até Brasília (que recomendo muito aos que sabem nadar) ficaram para o dia 999 da viagem. Para o dia 4 já estava bom demais! Nossos pés agradeceram...

Atravessando o mangue na maré seca

Atravessando o mangue na maré seca

Brasil, Paraná, Ilha do Mel, Praia, trilha

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