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Pausa para leitura em Savannah, na Georgia - EUA
Deixamos a Flórida para trás e entramos logo cedo na Georgia, nosso 13º estado nos Estados Unidos.
Chegando à Georgia - EUA
Chegamos à Savannah, antiga capital do estado, terceira maior cidade da Georgia e o mais movimentado porto dessa parte do país. A cidade se tornou também um polo turístico nas últimas décadas, atraindo visitantes pela sua história, agradável centro histórico cheio de praças e alamedas e um movimentado passeio beira-rio, além de rica a variada culinária.
Savannah, na Georgia - EUA
A cidade foi fundada em 1733 pelo inglês Oglethorpe, um hábil planejador urbano. Sua função era assegurar o domínio inglês da região, ameaçado pela Flórida espanhola e pela Lousiana francesa. A cidade logo cresceu, primeiro porque Oglethorpe sabiamente se tornou amigo da população indígena local e segundo porque a liberdade de culto atraia imigrantes de toda a Europa.
Praça de Savannah, na Georgia - EUA
Tão estratégica era a cidade que se tornou um dos primeiros alvos dos ingleses durante a Revolução Americana. Eles logo a conquistaram e mantiveram seu controle até o fim da guerra. Cem anos mais tarde, na Guerra de Secessão, também tornou-se um importante bastião confederado. Tanto que, após botar fogo em Atlanta, foi para lá que o impiedoso General Sherman se dirigiu, conquistando a cidade durante o natal. Aliás, em correspondência para o presidente Lincoln, Sherman oferece a cidade como seu “presente de natal” para o líder dos Estados Unidos.
Caminhando em parque de Savannah, na Georgia - EUA
Hoje era o Dia das Mães, e encontramos o passeio beira-rio bem movimentado, turistas buscando os passeios de barco oferecidos por ali ou simplesmente caminhando no agradável calçadão repleto de restaurantes e lojas.
Casas em Savannah, na Georgia - EUA
A gente também deu uma caminhada, lemos as dezenas de painéis informativos que se espalham pela orla com informações históricas, geográficas e econômicas e seguimos pelo centro, em busca das praças que fazem a fama da cidade, assim como um bom restaurante. Acabamos num bem tradicional, o Pirate’s House (os americanos tem obsessão por piratas!), onde nos esbaldamos em comida sulista. Nós e mais muita gente, famílias inteiras propriamente vestidas para um domingo especial. Aliás, nessa nossa passagem pelo sul do país, estou aprendendo que os filmes que retratam os costumes e cultura daqui, como o sotaque, as vestimentas e a comida são mais reais do que nunca! No almoço de hoje, era essa a minha sensação, ao ver e ouvir as pessoas: estamos no meio de um filme!
Vestida para o domingo, em Savannah, na Georgia - EUA
Devidamente alimentados, pegamos estrada novamente. Ainda tinha um longo caminho para Atlanta. Mas essas estradonas americanas nos ajudam bastante e numa média acima de 120 km/h, ainda chegamos lá com a luz do dia. Amanhã é dia de aquário! E que aquário...
Carruagens para turistas em Savannah, na Georgia - EUA
O primeiro grupo a seguir para Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Finalmente, a hora do desembarque! De certa maneira, era agora que essa nossa viagem estava começando! Dois mil quilômetros desde Buenos Aires, três noites em mar aberto e hoje bem cedo despertamos com o canto de milhares de pássaros ao redor do nosso barco. Não era preciso ser um gênio para concluir que estávamos perto de terra firme. Com efeito, foi só abrir a janela da nossa cabine e lá estava, as montanhas escarpadas de alguma ilha, uma visão meio estranha para nossos olhos que haviam se acostumado a só ver água até o horizonte.
Milhares de petrels e de outras espécies de pássaros nos recebem em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Ancorado ao lado de Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
O café da manhã foi uma hora mais cedo do que o normal. Afinal, tínhamos um longo dia pela frente: dois desembarques, duas longas caminhadas em terra firme, duas pequenas ilhas na região noroeste do arquipélago das Malvinas. Todos ansiosos no café para a primeira operação de desembarque nessa viagem, para nosso primeiro uso dos zodiacs, do nosso primeiro encontro com pinguins em terra firme.
Nosso roteiro pelos mares do sul entre Falkland, Geórgia do Sul, Península Antártica e Ushuaia
Com o Sea Spirit ao fundo, temos nosso primeiro contato com pinguins gentoo, em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Falando em pinguins, ontem todos os passageiros do Sea Spirit foram divididos em dois grupos, os Rockhoppers e os Macaronis. Os nomes podem parecer estranhos (e são mesmo!), mas são as denominações de duas das várias espécies de pinguins que vamos encontrar durante essas 3 semanas de viagem. Pois bem, Macaronis e Rockhoppers, ontem de tarde, passaram separadamente pelo processo de desinfecção das roupas que iríamos usar no desembarque, parte do procedimento de biossegurança adotado pelas empresas que trazem turistas a esta região do globo. Os guias montaram uma verdadeira operação de guerra nos saguões do navio, com direito até a aspirador, e nós levávamos nossas roupas e equipamentos para lá, para serem examinados e aspirados. O principal foco eram os velcros, onde terra e sementes de outros continentes podem estar agarrados. Uma hora de trabalho e todo mundo estava “seguro”.
O primeiro grupo a seguir para Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Um zodiac volta para o Sea Spirit para levar mais passageiros a Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas (foto de Jeff Orlowski)
Hoje, na hora de desembarque, outra vez nos dividimos nos dois grupos. Primeiro saem os rockhoppers e depois os macaronis. No próximo desembarque, a ordem é invertida e assim continuamos até o final da viagem. Tudo para evitar tumulto na fila de desembarque. Já na hora de voltarmos ao Sea Spirit, aí é por ordem de chegada. Quem estiver cansado, com frio, enfadado ou com saudade do conforto da nossa casa sobre o mar, volta logo. Para quem quiser aproveitar até os últimos segundos, sempre haverá um zodiac para nos trazer de volta.
Voltando da praia para pegar mais uma leva de passageiros para desembarcar em Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas
O Dave orienta seus passageiros no zodiac enquanto os leva para Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Pois bem, os rockhoppers se organizam em uma fila, todo mundo com suas botas, bem agasalhado e com os coletes também. Com o mar tranquilo, um zodiac cheio chega a levar 12 passageiros e o guia que também é piloto. O primeiro zodiac a seguir para terra firme vai apenas com guias e marinheiros. Eles dão uma primeira olhada no terreno e colocam umas bandeirinhas que servem para nos mostrar aonde ir e, especialmente, aonde não ir. O território proibido é onde estão os animais. Como regra, podemos chegar até a uns 5 metros de distância deles. Aí podemos ficar, fotografar e até esperar que eles mesmos se aproximem de nós. A curiosidade deles é aceita e benvinda. A nossa sim, tem um limite.
No zodiac indo para a praia de Dyke Bay, em Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas
No zodiac indo para a praia de Dyke Bay, em Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas
Enfim, somente quando a equipe de terra dá o okay, os passageiros começam a desembarcar. Todos pisamos no pequeno tanque que mata 98% das bactérias na bota e nos acomodamos no zodiac estacionado na popa do Sea Spirit. Três ou quatro zodiacs participam da operação, nos deixam em terra firme e voltam correndo para pegar mais uma leva de passageiros. Em 20-30 minutos todos estamos lá. Nessa primeira vez, ainda no início do caminho, nosso guia-piloto dá as instruções básicas sobre não ficar em pé com o zodiac em movimento e quando e como pedir para tirar alguma foto.
Esperando a chegada de mais um zodiac repleto de passageiros na praia de Dyke Bay, em Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas
Um zodiac desembarca seus passageiros em Dyke Bay, praia de Carcass Island, no noroeste das Ilhas Malvinas
Quando chegamos em terra, geralmente em alguma praia ou pequena enseada, lá está a Cheli, a líder da expedição, para receber nosso barco, nos ajudar a sair, geralmente ainda com água no tornozelo e dar as instruções sobre como proceder em terra. Aqui nas Malvinas, geralmente é tranquilo. Mas quando chegarmos à Geórgia do Sul, muitas vezes o desembarque é feito no meio do território de leões-marinhos ou elefantes-marinhos. Aí, temos de ser rápidos para atravessar seu território e chegar numa área mais segura.
Grupo prepara-se para voltar ao Sea Spirit em Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas
Nosso roteiro e pontos de parada em Falkland (Ilhas Malvinas)
Hoje houve dois desembarques, ambos em pequenas ilhas na região noroeste do arquipélago. Pela manhã foi em Steeple Jason e de tarde foi em Carcass Island. Foi mais do que o suficiente para nos acostumarmos com os procedimentos de embarque e desembarque e com os zodiacs. Amanhã será a vez de visitarmos Port Stanley, a capital da ilha. Mas aí, o desembarque é feito em um porto mesmo e saímos todos pela porta principal do navio. Depois, seguimos para a Geórgia do Sul e aí sim, retomamos os desembarques com os zodiacs. Quanto aos caiaques, bem, são dois os requisitos para sairmos com eles. Primeiro, que o mar esteja tranquilo, o que era o caso de hoje. Em segundo, que o programa e a visão do mar seja igual ou mais interessante que o programa e visão em terra. Não era o caso dos dois desembarques de hoje, onde o mais interessante estava em terra mesmo. Amanhã, em Port Stanley, será a mesma coisa. Então, a nossa estreia remando em mares gelados fica adiada mais alguns dias, até a Geórgia.
Depois do passeio no frio da ilha de Steeple Jason, no noroeste das Ilhas Malvinas, um chá quente a bordo do Sea Spirit
Foto de despedida na pousada Papagayo, antes de partirmos para o Chimborazo e o Cotopaxi, no Equador
Ainda bem cedo a Laura partiu para o seu day-tour ao vulcão Quilotoa. O guia que contratamos pelo telefone, ainda lá em Cuenca, cumpriu seu compromisso e apareceu na pousada Papagayo antes das nove. A Laura seguiu com ele para um dos mais belos vulcões do país e, de lá, seguiria diretamente para Quito, para o mesmo hotel que ficamos quando passamos por lá. Dorme lá hoje e nos aguarda no final do dia de amanhã, após os nossos trekkings ao Cotopaxi e Chimborazo.
Quem não cumpriu seu compromisso foi a nossa agência Gulliver. O início dos nossos tours, previstos para a manhã, foram se atrasando, se atrasando e se atrasando. O problema maior foi que um grupo muito grande de turistas subiu o Cotopaxi no dia anterior e boa parte dos guias, material de alpinismo e meios de transporte foi mobilizado para eles. Enquanto não chegassem de volta, ficaríamos na mão. No meu caso, foi ainda pior. O guia contratado simplesmente deu o cano, não atendia o celular e a Gulliver teve de encontrar outra pessoa para me levar até lá.
A caminho do Cotopaxi (Equador)
Uma bela maneira de iniciarmos nossas aventuras: ao invés de pensarmos nas nossas montanhas e escaladas, ficamos estressados imaginando se elas aconteceriam ou não. Bom, muita chateação mais tarde, acabei partindo depois da uma da tarde para uma viagem de quase quatro horas de carro até o primeiro refúgio do Chimborazo, a 4.800 metros de altitude. Até aí, o carro chega. Depois, uma rápida caminhada até o segundo refúgio, o Whymper, a pouco mais de 5 mil metros, de onde partiríamos de madrugada para o cume do Chimborazo, mil e trezentos metros verticais acima.
Faz muito tempo que quero subir essa montanha mágica, um antigo vulcão venerado pelos incas e admirado por pessoas como Simon Bolívar. Com seus 6.300 metros de altitude, é a maior montanha do Equador e também o ponto mais distante do centro da Terra, superando até mesmo o Everest. Isso porque o nosso planeta é mais "gordinho" na altura do equador e o Everest se encontra em maiores latitudes enquanto o Chimborazo está praticamente sobre a linha que divide a Terra ao meio.
Subida para o refúgio do Cotopaxi, a 4.800 m de altura (Equador)
A montanha foi escalada pela primeira vez em fins do séulo XIX pelo inglês Whymper. Por isso o refúgio tem o seu nome, assim como o maior do seus cumes. O segundo maior cume, que fica no caminho de quem segue pela rota normal (o meu caso!), se chama Ventemilla e é uma homenagem ao presidente equatoriano da época, que financiou a expedição de Whymper. Desde a conquista do cume, milhares de pessoas já lá subiram e um número muito maior fracassou nesse intento. Além das condições sempre imprevisíveis do tempo (se São Pedro não quiser, ninguém sobe essa montanha!), a forte e longa subida do glaciar faz muita gente voltar para trás.
O mais comum é que as pessoas tentem subir o Cotopaxi, pouco mais de 400 metros mais baixo e com uma subida muito mais suave. Ali, o índice de sucesso é bem maior do que no Chimborazo. O exemplo que meu guia me deu mostra bem isso. Duas semanas atrás, um grupo de 35 pessoas tentou subir o Cotopaxi, dos quais 23 chegaram ao cume. Desses, apenas 6 se arriscaram no Chimborazo. E dos 6, apenas três chegaram ao topo.
Preparativos no refúgio mais baixo do Chimborazo, a 4.850 metros de altitude, no Equador
Bom, isso tudo era música para meus ouvidos. Por mais que meu guia tentasse me intimidar (acho que ele não está botando muita fé em mim...), mais eu queria subir a montanha. Nada como um lugar sem turistas, apenas a infinita vastidão selvagem da natureza. Meu único temor era que eu tivesse perdido minha aclimatação pelos 10 dias passados ao nível do mar, mas ao subir do primeiro refúgio para o segundo, minha confiança novamente aumentou. Tanto que eu o convenci a adiar nossa partida por duas horas. Ao invés de saírmos às 11 da noite, resolvemos sair à uma da manhã. Isso porque eu não queria me arriscar a chegar ainda no escuro no topo da montanha.
Partindo em direção ao refúgio mais alto, a 5.000 metros de altitude, no finalzinho da tarde, no Chimborazo - Equador
Além de nós, os únicos que também vão tentar o cume amanhã são dois alemães e seu guia. Eles já estão por aqui há duas noites, para tentar se aclimatar. Até agora, nenhuma dor de cabeça e muita disposição, dizem eles. Mas, de qualquer maneira, vão partir mesmo às 11 da noite.
Enfim, estou pronto e ansioso para o desafio de amanhã. Espero que a Ana e o Rafa, lá no Cotopaxi, estejam no mesmo pique que eu estou por aqui. Isso, só vou saber amanhã de tarde, quando todos nos reencontramos lá na Papagayo. Então, uma feliz noite de míseras três horas de sono para todos nós!
Muita neve a 4.850 metros de altitude, local até onde os carros chegam, no Chimborazo, no Equador
Bisões, símbolo do Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos
Começamos o dia de hoje como havíamos feito ontem: do mesmo lugar onde tínhamos parado no dia anterior. A diferença foi que, dessa vez, saímos de mala e cuia do nosso simpático hotel na pequena West Yellowstone, na entrada do parque voltada ao estado de Montana. A ideia era, depois da programação no parque, já seguir para o norte, na direção do Glacier National Park, nosso próximo destino, já na fronteira com o Canadá.
A Upper Falls, no Grand Canyon of Yellowstone, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos
Escadaria para o mirante das Lower Falls, no Grand Canyon of Yellowstone, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos
Assim, como havíamos terminado o dia de ontem no fantástico Grand Canyon of Yellowstone, foi para lá que seguimos. O lugar é tão lindo que faríamos tudo de novo com prazer. Mas o que queríamos mesmo era ir aos mirantes onde não havíamos estado, além de poder ver aquela maravilha da natureza iluminada com o sol da manhã, ao invés daquela luz do fim de tarde.
as magníficas Lower Falls, no Grand Canyon of Yellowstone, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos
Hoje fomos ao outro lado do rio (os americanos colocam estradas e trilhas em todos os lados possíveis) e pudemos ver mais de perto as Upper Falls, que ontem só tínhamos visto de bem longe. Mas, mais legal ainda, foi poder descer as centenas de degraus de uma escada de metal pendurada nas encostas do canyon para poder ver, quase de frente, as imponentes Lower Falls.
No mirante das Lower Falls, no Grand Canyon of Yellowstone, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos
Por fim, seguimos para o mais famoso dos mirantes, o “Artist Point”, de onde se tem uma visão ampla do canyon amarelo com a cachoeira ao fundo. O nome do mirante vem dos incontáveis pintores que já passaram por ali, tentando retratar aquela paisagem impressionante que se tem diante dos olhos. Nós, mais modernos e menos pretensiosos, tentamos “retratar” mesmo com a nossa Nikon. Fica menos artístico da nossa parte, mas deixamos toda a arte nas mãos da natureza. E que natureza!
Uma verdadeira pintura, o Grand Canyon of Yellowstone, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos
Após esses momentos de puro êxtase visual, seguimos em frente pelas estradas do parque, explorando a parte norte de Yellowstone. É uma área menos visitada por turistas e, por isso mesmo, com mais chances de ver animais. Dito e feito, lá estavam os bisões, em diversas manadas.
Manada de bisões no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos
Bisão entra na frente da Fiona no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos
Algo faz bem ao nosso espírito quando vemos esses grandes animais vagando pelos campos, tranquilamente, aqui em Yellowstone. A mesma imagem que se via há milhares de anos, é como se voltássemos ao passado. Eles parecem combinar muito mais com a paisagem do que os carros e turistas que se movimentam pelas estradas. Aqui, pelo menos, são eles que tem a preferência e hoje, por mais de uma vez, fomos testemunhas de grandes grupos de bisões cruzando as pistas de rodagem enquanto carros e turistas aguardavam, pacientemente e com suas máquinas fotográficas em ação, que eles voltassem para a relva.
Tronco de Redwood petrificado há 30 milhões de anos, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos
Outro ponto visitado (parece que as atrações de Yellowstone não tem fim!) foi a da floresta petrificada. Na verdade, é uma floresta de uma árvore só, uma Redwood, parente daquelas árvores da Califórnia que são as mais altas do mundo. Essa daqui vivia muito bem até 30 milhões de anos atrás, quando foi enterrada por uma erupção vulcânica. Não foi uma super erupção, pois essas só começaram há dois milhões de anos, nesta área. Uma erupção “normal”, o bastante para soterrar rapidamente toda uma floresta de árvores gigantes. Algumas acabaram se fossilizando e, quando foram descobertas, eram três exemplares, há cerca de 100 anos. Dois deles se foram, graças aos caçadores de relíquias e lembranças. A última foi protegida, pelo exército e por uma grande cerca, e continua de pé, como se ainda fosse nova. Nós já estivemos em outros lugares admirando árvores petrificadas, mas esta foi a primeira que vimos na sua posição original, ainda plantada ao chão. Sem folhas ou galhos, apenas a parte de baixo do tronco, parece que foi incendiada há poucos meses, e não que tenha sido vítima de um vulcão há 30 milhões de anos. Impressionante!
Mammouth Springs, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos
Algumas poucas cachoeiras depois e chegamos na última grande atração do parque que ainda não havíamos visitado, a Mammouth Springs. O nome vem do grande tamanho dessa fontes termais que construíram, literalmente, uma montanha de terraços de calcita. Para nós, acostumados a ver essas formações em cavernas, foi impressionante ver algo desse porte.
Incríveis terraços de calcita na região das Mammouth Springs, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos
A paisagem das gigantescas Mammouth Springs, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos
Novamente, o que chama a atenção são as cores fortes da paisagem. Amarelo, vermelho e branco formam um caleidoscópio de cores bem definidas nos diversos andares de terrações, alguns formados nos últimos meses, outros nos últimos anos e outros ao longo dos últimos séculos. As fontes mudam constantemente de lugar, criando novos terraços e deixando outros secos. A vegetação avança sobre os antigos, mas perece onde crescem os novos. Como tudo em Yellowstone, um incansável processo de nascimento, crescimento, morte e renovação, seja da vida, seja da geologia. Difícil imaginar algum outro lugar do planeta onde esse processo fique mais claro.
A impressionante paisagem de Mammouth Springs, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos
Novas fontes termais matam árvores em Mammouth Springs, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos
Agora, já no final da tarde, deixamos esse parque espetacular e o belo estado de Wyoming para trás. É o típico do lugar que tenho aquela forte sensação de que, um dia, voltaremos. Seja com os filhos, netos ou sós. Aliás, Yellowstone é um lugar que todas as pessoas deveriam ver antes de morrer. Como dizem em inglês: “A must see destination”
Feliz e impressionado com o Grand Canyon of Yellowstone, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos
Chegando às ruínas de Tongariki, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico
Os quinze Moais perfilados que compõe o Ahu Tongariki, costas para o cintilante mar azul e frente para o amplo vale entre o Rano Raraku e as encostas do vulcão Puakatike são uma das visões mais cinematográficas da Ilha de Pascoa. É a cena que mais dá força ao imaginário que fazemos de Rapa Nui, com suas gigantescas e misteriosas estátuas de pedra, um mundo perdido em meio ao Oceano Pacífico.
O litoral sul de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico
Os magníficos Moais de Tongariki, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico
Mas, na verdade, essa é uma cena nova. Todos os Moais de Rapa Nui estavam destruídos ou derrubados até o final da década de 50, quando passaram a ser restaurados e levantados novamente. Foi o que aconteceu com os Moais de Ahu Tongariki. Derrubados em meados do séc. XVIII, seus restos descansavam na baía onde se encontram hoje, como que dormindo de bruços. Foi quando um tsunami causado por um terremoto varreu a baía, desorganizando todas as ruínas do local, os Moais, seus pukaos e até o enorme ahu onde repousavam. E foi assim, nesse verdadeiro caos de pedras que o local permaneceu pelas próximas três décadas.
Tongariki, um dos mais emblemáticos sítios arqueológicos de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico
Tongariki, um dos mais emblemáticos sítios arqueológicos de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico
Então, na década de 90, o governo japonês presenteou o Chile e a Ilha de Páscoa com um presente. Com a ajuda de antigos moradores que se lembravam da baía antes do tsunami, eles restauraram todo o cenário. Não como era na década de 50, mas como deveria ter sido há três séculos! A única falha foi na restauração dos pukaos, que não mais se encaixaram sobre seus Moais, exceto por um deles. De qualquer maneira, o resultado foi impressionante e esse conjunto de Moais é o mais belo da ilha. Como sinal de agradecimento, o Chile permitiu que os japoneses levassem para seu país um dos Moais, o décimo-sexto a ser restaurado e o único a já ter saído da ilha. Ficou exposto no Japão por algum tempo e regressou para seu local de origem. Ele fica só, ali na mesma baía, o chamado “Moai viajante”.
Visitando as ruínas de Tongariki, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico
Os magníficos Moais de Tongariki, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico
Nós descemos até essa baía e ficamos ali, encantados, tirando fotos e admirando a paisagem. Ao mesmo tempo, conversava com o Patricio sobre o que teria acontecido na ilha para que os Moais tivessem sido derrubados e a fábrica parasse, tão de repente, sua produção de estátuas gigantes. Essa é uma matéria controversa, baseada nos relatos de europeus que estiveram na ilha no séc. XVIII e na tradição oral dos seus habitantes, onde lendas se misturam com história. Claro que também há uma pesquisa arqueológica, antropológica e, hoje em dia, até genética com os habitantes. Mas, como disse, a resolução do mistério desse evento e até das origens da população de Páscoa continua em discussão.
Os Moais de Tongariki, destruídos por um tsunami em 1960 e restaurados por arqueólogos japoneses na década de 90, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico
O primeiro estudioso do assunto foi o norueguês Thor Heyerdahl, famoso por atravessar o Oceano Pacífico em um barco rústico que ele mesmo fez, para ajudar a comprovar sua tese de que os antigos polinésios poderiam ter atravessado aquele oceano 1.000 anos antes. Thor esteve na Ilha de Páscoa em 1956 e foi o primeiro estudioso a reerguer um Moai. Depois de muitos estudos e entrevistas com habitantes de Rapa Nui, ele lançou a tese de que a ilha foi ocupada por dois povos de origens distintas, um vindo da Polinésia (os “orelhas curtas”) e outro da América do Sul (os orelhas-longas) . Os orelhas-longas teriam escravizado os orelhas-curtas e eram eles o povo dos Moais. Os orelhas-curtas teriam se revoltado em meados do séc XVIII, matado todos os orelhas-longas e derrubado seus Moais. A história desses dois povos e dessa guerra é amplamente amparada pelas lendas rapa nuis, exceto pela origem sul-americana dos orelhas-longas.
Os Moais de Tongariki, destruídos por um tsunami em 1960 e restaurados por arqueólogos japoneses na década de 90, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico
Teorias mais modernas dizem que os dois povos são de origem polinésia e que teriam chegado à ilha em ondas distintas de migração ou que chegaram juntos, uns já escravos dos outros. Seriam, provavelmente, o mesmo povo, mas de duas castas distintas. A casta dominante seria mais ornamentada, usando longos brincos nas orelhas (daí, o termo “orelhas-longas”).
Os Moais de Tongariki, destruídos por um tsunami em 1960 e restaurados por arqueólogos japoneses na década de 90, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico
O fato concreto é que quando os holandeses chegaram à Rapa Nui no domingo de Páscoa de 1722, os Moais ainda estavam de pé e eles viram dois povos coexistindo na ilha. Quando James Cook aportou na ilha, meio século mais tarde, boa parte dos Moais estava derrubada e ele só distinguiu um povo na ilha. O que aconteceu nesse intervalo? O mais provável é que a superpopulação da ilha tenha levado a um esgotamento dos recursos naturais (fim da floresta), elevando a tensão pela sobrevivência entre as duas castas que antes coexistiam pacificamente. A casta que adorava os Moais foi aniquilada (ou seus poucos sobreviventes foram “absorvidos” pela outra casta) e a religião que passou a vigorar foi a do homem-pássaro (ainda vou falar dela em outro post). Enfim, até hoje, são apenas especulações e talvez nunca tenhamos certeza do que ocorreu na ilha. Digno de nota é a existência de um Moai completamente diverso dos outros, aos pés do Rano Raraku. Ele olha para a própria montanha e tem um tipo físico diferente. Teria sido feito pelos orelhas-curtas, após sua vitória na guerra, a última estátua de pedra da ilha, talvez para celebrar sua vitória. Outro mistério da Ilha de Páscoa
Um estilo diferente de Moai, em Rano Raraku, um dos vulcões de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico
Voltando ao nosso tour, fomos ver antigas pictografias deixadas na rocha pelos moradores de então. São peixes, tubarões, tartarugas e feições humanas marcadas na pedra, mostrando que nem só de Moais viviam os artistas daquela época. Imagens como estas podem ser encontradas em várias partes da ilha, mas algumas das mais claras estão aqui, ao lado de Ahu Tongariki. O que se encontrou também, mas em outras partes da ilha, são grifos que representariam uma espécie de escrita. Infelizmente, nunca foram decifradas e imagina-se que descrevam calendários e genealogia de famílias poderosas. Enfim, poderiam também ser a chave para a solução de vários dos mistérios da ilha. Mas por enquanto, essa chave é, também ela, mais um mistério.
Na área de Tongariki, petroglifos da antiga civilização de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico
O belo litoral norte de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico
Depois, deixamos para trás o litoral sul da ilha e fomos para a costa norte, onde encontramos o maior dos Moais, com mais de 10 metros e 80 toneladas! Este ainda está derrubado, mas não estava quando o navegador francês la Perouse chegou a ilha, em 1782, na baía que hoje leva o seu nome. Ali, o que chama a atenção, além do gigantesco Moai derrubado, é a pedra conhecia como Te Pitu Kuras. Ela é uma pedra magnética de formato ovalado. Qualquer bússola que se aproxima da pedra perde o sentido e é até mesmo possível sentir os dedos formigando quando tocamos essa rocha. Diz a lenda que ela foi trazida por Hoto Matu, o rei que teria liderado a migração para Rapa Nui. Quando os franceses de La Perouse estiveram aqui, a pedra estava em lugar especial, próximo ao Moai gigante que ainda estava de pé. Em algum momento do futuro, europeus tentaram levar a pedra magnética embora, mas ela é tão pesada que foi abandonada ali, na areia, quase no mar. Hoje, é mais uma atração que faz a alegria dos turistas. Outro mistério para a lista...
Pedra magnetizada (um antigo meteorito) no litoral norte de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico
A bela praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico
Por fim, daí seguimos para a última atração do dia, a única praia verdadeira de Rapa Nui, chamada Ana Kena. Aí está o Moai que foi levantado por Thor Heyerdahl e outros que foram levantados depois; Moais entre coqueiros e palmeiras, com uma praia paradisíaca ao fundo, imagina o número de fotografias que são tiradas por lá, diariamente. As nossas foram apenas uma parte infinitesimal delas! Já era final da tarde e não nos animamos a entrar na água, mas juramos que vamos voltar ali, para aproveitar melhor.
Moais na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico
O primeiro Moai a ser recolocado de pé, na década de 50, na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico
De volta para casa, despedimo-nos do Patricio e fomos comprar uma garrafa de vinho. Afinal, tínhamos de celebrar. Não apenas pelo dia incrível de descobertas que tivemos hoje, mas também porque hoje é meu aniversário. Meu último aniversário durante essa viagem dos 1000dias. E escolhemos muito bem onde celebrá-lo: em Rapa Nui, uma ilha mágica no meio do Pacífico!
Caminhando na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico
Caminhando na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico
Chegamos a tempo de ver o pôr-do-sol no mesmo lugar que ontem, o Ahu Tahai, o conjunto de Moais próximo a Hanga Roa. Ali, já sob a luz das estrelas, saboreamos o vinho, gole a gole, nos deliciando com toda a magia que nos cercava. Até tentei me comunicar com os antigos espíritos da ilha, para que me dessem a resposta de tantos mistérios. E eles responderam! Disseram que são exatamente esses mistérios que fazem o charme da ilha e que assim deve continuar. E que eu bebesse meu vinho tranquilamente e curtisse meu aniversário. Afinal, não é todo dia que se pode comemorar um aniversário entre Moais, no meio do Oceano Pacífico, sob um céu estrelado e ouvindo as ondas do mar. É isso mesmo, eles estão certíssimos! Amém!
Visitando as ruínas de Tongariki, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico
Chegando à Seattle de ferry, no estado de Washington, costa oeste dos Estados Unidos
Depois de mais uma noite sob o enorme pé direito do nosso charmoso hotel, era hora de partirmos em direção à Seattle, deixando para trás a simpática Port Townsend, a Nova Iorque que nunca foi. Antes disso, sessão de fotos do Palace, o antigo bordel reformado, restaurado e transformado em hotel.
Nosso charmoso quarto no Palace Hotel, em Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Banheiro com uma banheira das antigas, no nosso quarto no Palace, em Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Hoje, ficamos sabendo mais um pedaço da história desse prédio. Foi construído no final do século XIX e por isso tem o estilo vitoriano, construído em tijolos vermelhos como todos os prédios daquela época. Também foi um dos "investimentos” daqueles que acreditavam que a cidade se tornaria uma metrópole. O interessante é que o primeiro dono desse prédio, quem o construiu, o fez com o dinheiro que conseguiu de suas aventuras submarinas no Caribe. Pois é, o cara descobriu um navio com um grande carregamento de prata afundado naquelas águas tropicais e fez uma expedição para recuperar esse metal. Naquela época, a tecnologia para isso era afundar até o barco dentro de um sino de bronze, literalmente a bolha de ar que ele respiraria enquanto durasse o resgate lá embaixo. Fico só imaginando a segurança do aparato... Bem, seguro ou não, foi o bastante para ele conseguir o seu tesouro e, com os lucros obtidos, conseguir dinheiro para construir um prédio em Port Townsend. O mesmo prédio que acabou virando um bordel e, mais tarde, o charmoso hotel em que ficamos. Que rica história!
Fachada do nosso hotel em Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
A Space Needle se destaca na skyline de Seattle, estado de Washington, costa oeste dos Estados Unidos
Enfim, partimos para a curta viagem até Seattle, um pouco ao sul e do outro lado do mar. Para não dar a longa volta pelo sul da península, simplesmente pegamos o ferry. Mais um daqueles enormes barcos com o mesmo padrão e eficiência de todos os ferries que temos andado desde que saímos do Alaska. Esse sim, acho que será o último por um bom tempo. E que bela despedida que foi!
A bordo do ferry, chegando à Seattle, estado de Washington, costa oeste dos Estados Unidos
Chegar à Seattle de ferry é espetacular. A skyline da cidade, vista do mar, é imponente. Entre todos os prédios, quem logo chama a atenção é a torre conhecida como Space Needle. Qualquer um que já tenha visto aquele desenho animado da década de 70 contando a história da família Jetson, que vive no futuro, vai logo reconhecer a torre. É a cara da casa dos Jetsons! Na verdade, o criador do famoso desenho animado se inspirou mesmo na torre de Seattle para construir o seu cenário.
Visitando a Space Needle, no estado de Washington, costa oeste dos Estados Unidos
Ainda no ferry, o PriceLine nos arrumou uma verdadeira barganha na cidade, um Hyatt por 85 dólares, incluindo café da manhã. Melhor ainda, ao lado da Space Needle e com serviço de van 24 horas por dia para nos levar até o centro e nos pegar por lá. Assim, a Fiona poderia ficar o tempo todo na garagem do hotel.
Montanhas nevadas no horizonte de Seattle, vistas do alto da Space Needle (no estado de Washington, costa oeste dos Estados Unidos)
Devidamente instalados, saídos do charme do Palace para o conforto do Hyatt, já fomos conhecer a maior (ou pelo menos a mais alta!) atração de Seattle, a vizinha torre dos Jetsons. A torre foi construída no início da década de 60, para uma grande feira internacional que houve na cidade. Era, e foi durante muito tempo, a mais alta construção a oeste do Mississipi, com seus 184 metros de altura.
No alto da Space Needle, em Seattle, no estado de Washington, costa oeste dos Estados Unidos
Lá encima, além do tradicional restaurante giratório, há também uma torre de observação. Nós chegamos estrategicamente no fim da tarde para poder ver as vistas diurnas e noturnas lá de cima: a baía de Seattle, os prédios do centro, as diversas colinas que formam a cidade e as montanhas nevadas ao fundo. As nuvens até deram uma folga nos minutos finais, possibilitando que o sol iluminasse a baía com suas luzes alaranjadas, justo quando por ali passava um ferry. Um espetáculo!
Ferry navega durante maravilhoso fim de tarde na baía de Seattle, visto do alto da Space Needle (no estado de Washington, costa oeste dos Estados Unidos)
Acompanhado de um vinho, admirando as luzes de Seattle, no alto da Space Needle, no estado de Washington, costa oeste dos Estados Unidos
Depois de vermos as luzes da cidade se acenderem e observarmos bem tudo o que pretendemos explorar nos próximos dias, era hora de voltar para o hotel. Tínhamos de nos arrumar para nosso compromisso. Pois é, já tínhamos marcado um jantar num dos restaurantes mais famosos, não só de Seattle, mas de todo o país. Foi um presente de aniversário enviado por internet por um primo que fazia questão que fôssemos conhecer o Metropolitan Grill. Okay, não precisa insistir! Assunto para o próximo post...
Seattle iluminada, vista do alto da Space Needle, no estado de Washington, costa oeste dos Estados Unidos
Nadando no incrível lago de Coatepeque, em El Salvador
Acordamos e fomos direto para o lago, bem ali na frente. Um sadio exercício matinal ainda antes do café da manhã. Temperatura agradável, daquela que parece fria num primeiro momento, mas que fica uma delícia depois do primeiro mergulho. A vontade era sair nadando até o outro lado, relembrar os tempos de travessia. A esta hora, ainda sem o movimento de barcos, as águas estão absolutamente calmas. Nem parece que um pouco mais a frente a profundidade pode chegar a 120 metros.
Mergulho matinal nas deliciosas águas do lago Coatepeque, em El Salvador
Eu fui o primeiro a entrar, a Ana tirando fotos. Depois, na vez dela, aquele sofrimento de sempre, até que ela se encha de coragem e dê seu mergulho. Quando fui fotografá-la, cadê a tampa da lente da máquina? A Ana tinha entrado com ela no lago e deixado cair! É a “maldição da tampa da máquina”, a Ana perdendo ela umas cinco vezes por dia! Lá em Boquete, no Panamá, o protetor solar da máquina também caiu no estreito canyon. Ainda tentei mergulhar e acha-lo, mas a corrente, os sete metros de profundidade e o escuro lá embaixo não me deram nenhuma chance. Aqui, com as condições muito mais favoráveis, principalmente a transparência da água, decidi que acharia a tampa de qualquer maneira. A Ana tentou primeiro, mas disse que seria difícil com a vegetação no fundo do lago. Eu não quis nem saber! Muito fôlego e lá fui, bem no lugar onde ela ficou se enrolando bastante até o mergulho. Um pouco de paciência e... achei!!! Hehehe, a “maldição da tampa” ainda não nos venceu!
Preparando-se para entrar no lago Coatepeque, em El Salvador, em frente ao restaurante do nosso hotel
Depois, hora do café da manhã em cima das pinguelas que sustentam o restaurante do nosso hotel. Como se diz por aqui, “vista preciosa”! Aos poucos, lanchas e jet skies foram tomando conta das redondezas e ficamos muito felizes de termos nos banhado antes.
À espera do café da manhã, no restaurante do nosso hotel em Coatepeque, em El Salvador
Hora de seguir viagem, seguimos diretamente para as famosas ruínas de Tazumal, na região da cidade de Santa Ana. Ao contrário dos sítios arqueológicos de ontem, aqui a exploração turística já é bem mais antiga, da década de 50. Um dos primeiros visitantes, em 1954, foi o jovem Che Guevara, quando passou a temporada na Guatemala que o faria decidir pela vida de revolucionário. Ainda vou falar desse ano fatídico para Guatemala quando chegarmos lá...
As imponentes ruínas mayas de Tazumal, em El Salvador
Não é à toa que Tazumal é famosa faz tempo. Suas pirâmides são imponentes e estão localizadas quase no centro da vila que se desenvolveu ao seu redor. Turistas locais se misturam com estrangeiros trazidos diretamente de seus hotéis em ônibus com ar condicionado, todos impressionados com as antigas construções mayas, enormes templos onde eram realizados rituais e sacrifícios e onde eram enterrados seus dignatários. Como ontem, um museu na entrada nos fornece as informações necessárias para entendermos um pouco mais desse povo, seus costumes e construções. A tentação é voltar no tempo e observar aquele lugar em seus tempos de glória, centenas ou milhares de pessoas ao redor das pirâmides onde sacerdotes seguiam rituais sofisticados para agradar os deuses ou tentar interpretar os seus desejos. Uma realidade que se passou ali, justo onde estamos agora com nossas máquinas fotográficas, naquelas mesmas pedras e pirâmides que agora observamos curiosos. Um mero lapso temporal de 1.100 anos nos separa dessas pessoas, uma simples piscadela de tempo. Prestando bem atenção, ainda é possível ouvir o eco do seu burburinho por entre os corredores de pedra...
Divindade pré-colombiana no museu em Tazumal, em El Salvador
Bom, com os mayas na cabeça, seguimos para a Guatemala, o coração da cultura dessa antiga civilização. Logo estávamos na fronteira e não demorou muito para realizar os trâmites, sempre mais fáceis na saída que na entrada. Aliás, dessa vez, na entrada, fomos recebidos com um show de simpatia pelos agentes guatemaltecos. O custo total dessa travessia foram os 160 quetzales (20 dólares) para obtermos o “visto” para a Fiona no país.
Visitando o sítio arqueológico maya de Tazumal, em El Salvador
Seguimos então para a capital do país, a Cidade da Guatemala, sempre tomando cuidado com os “túmulos” na estrada. “Tumulos”? Pois é, esse é o nome que se dá aqui e em El salvador para os quebra-molas. Vivendo e aprendendo...
Momento de carinho nas ruínas mayas de Tazumal, em El Salvador
Pelo que tínhamos lido e ouvido da capital do país, não iríamos querer ficar muito por aqui. Mas, não devemos acreditar em tudo o que a gente lê! Ao contrário, ficamos muito bem impressionados na entrada da capital, a mais cosmopolita e organizada de todas as que conhecemos aqui na América Central. Grandes e arborizadas avenidas nos levaram até a Zona 10, onde estão hotéis, museus e restaurantes da cidade. “Guate”, como a Cidade da Guatemala é conhecida por aqui é dividida em Zonas e as mais interessantes para nós, viajantes, é a 10 e a 1, onde está o centro histórico. Nessa, vamos amanhã.
Tumulo? É o nome dos quebra-molas na Guatemala e em El Salvador
Hoje, já instalados no Hostal Torres, super bem localizado entre restaurantes e bares e deliciosas padarias, nos restava tempo para sair para jantar e pela noite. O restaurante escolhido foi um de comida típica, muito recomendado no TripAdvisor. Um bom vinho para brindar mais um país e acompanhar os deliciosos pratos. Depois, esticamos a noite no bar Esperanto, indicação do Pablo, nosso amigo via internet aqui da Guatemala. Amanhã vamos encontrá-lo no centro da cidade para passearmos com ele.
Um brinde à Guatemala, no restaurante Kacao, na Cidade da Guatemala, capital do país
No Esperanto fomos muito bem tratados. Nada como viajar acompanhado de uma loira linda, comunicativa e de sorriso cativante, hehehe. E aqui na Guatemala, tenho outra vantagem: existe uma Lei Seca que obriga os bares a fecharem à uma da manhã. Assim, fica muito mais fácil levar essa loira linda e de sorriso cativante de volta para casa antes do sol nascer, hehehe!
Balada no bar Esperanto, na Cidade da Guatemala, capital do país
Observando torre no shopping de Larcomar, em Miraflores, Lima - Peru
Hoje tivemos mais tempo para passear por Miraflores. Esse bairro de classe média alta em Lima, cheio de hotéis e restaurantes, nos agradou muito e seria aqui que, se tivéssemos tempo e planos para isso, gostaríamos de passar um mês estudando espanhol. Nos intervalos das aulas, teríamos tempo para explorar bares e restaurantes, lojas e ateliês, esquinas e ruas charmosas que compõem esse bairro de Lima.
Deliciosa casa de sucos e sanduíches em Miraflores, em Lima - Peru
Se fizéssemos isso, não seria nessa época do ano, claro. Agora, o sol não aparece nunca, dias eternamente nublados, a umidade do Pacífico presa na planície litorânea, eterna garôa bem fina que faz os dias nublados de São paulo parecerem o sol do meio dia.
Deliciosa casa de sucos e sanduíches em Miraflores, em Lima - Peru
Nosso dia começou com uma caminhada até a Huaca Pucllana, ruínas da antiga civilização Lima. No Peru, os antigos povos e civilizações não deixaram linguagem escrita e, portanto, seus nomes originais foram perdidos. Assim, quando são (re)descobertos, ganham o nome da região ou cidade atual onde antes viviam. É o caso da civilização "Lima", cujo principal templo está em Miraflores, uma enorme pirâmide cujas ruínas ainda vem sendo escavadas e que ainda promete muito trabalho para os arqueólogos pelos próximos 30 anos.
As ruínas da Huaca Pucllana, em Miraflores, bairro de Lima - Peru
No Peru, novas descobertas arqueológicas acontecem todos os dias. Basta uma nova obra de estrada, usina hidroelética ou grande avenida e logo aparecem antigas cerâmicas, caminhos antigos, um enorme pirâmide. Vinte e um anos atrás, quando aqui estive, arqueologicamente falando, este era um outro país. O mesmo poderá dizer, certamente, alguém que visite o Peru daqui a cinco-dez anos. A Huaca Pucllana, por exemplo, nem era aberta aos turistas em 1990. E, para quem veio ano passado, deixou de ver todo um nível que nós pudemos ver dessa vez, recentemente escavado. Incrível essa dinamicidade numa ciência que estuda, basicamente, coisas do passado. É como se o passado "evoluísse", mudasse, fosse outro.
As ruínas da Huaca Pucllana, em Miraflores, bairro de Lima - Peru
A grande construção de tijolos de adobe é à prova de terremotos, dada a sua maleabilidade lateral e longitudinal. Tecnologia aprendida na marra! Sacrifícios humanos, embora raros, também ocorriam por aqui, como em quase todas as civilizações pré-hispânicas. Mas aqui eram só de mulheres, para incômodo da Ana, hehehe. Isso porque o Deus desse povo era mulher, a mãe-natureza. Apenas outras mulheres a apaziguariam, geralmente nas grandes secas ou cheias que ocorrem a cada 20-30 anos devido a fenòmenos como o El-Nino.
Representação de como seria a vida na Huaca Pucllana, em Miraflores, bairro de Lima - Peru
O guia, mais uma vez, foi um show à parte. É incrível como eles aqui são profissionais, bem informados, atenciosos e curiosos. Sentimos o mesmo na Boívia. Temos muito a aprender com eles, não só nós, turistas, mas também todo o nosso setor turístico, desde os guias até as escolas de formação turística do Brasil.
A Praça do Amor, em frente ao mar, em Lima - Peru
De lá seguimos nossa caminhada, atravessando Miraflores em direção ao mar. Chegamos à famosa Praça do Amor, onde uma estátua não nos deixa esquecer aonde estamos. Do alto do penhasco, o poderoso Oceano Pacífico está à nossa frente. Embaixo, surfistas corajosos enfrentam o dia ( e o trimestre) nublado e a água fria para praticar seu esporte preferido. À nossa esquerda está o famoso shopping Larcomar.
Surfistas enfrentam o mar gelado e o dia nublado em Lima - Peru
Para lá caminhamos, uma Lima que eu não conhecia, parecida com Miami ou qualquer shopping de praia moderno e futurista, lojas a céu aberto, mar em frente, cinemas modernos. Até aproveitamos para assistir a Origem do Planeta dos Macacos, falado em inglês e legendas em castelhano.
Espelho d'água no shopping Larcomar, em Miraflores, Lima - Peru
De noite, fomos jantar num restaurante famoso, entre Miraflores e San Isidro, bairro chique de Lima. Indicação do nosso amigo do restaurante El Paladar, de Arequipa. Aqui, fusão de comidas japonesa e peruana, um verdadeiro deleite para os olhos e estômago. Comemos um peixe preparado sob uma grossa crosta de sal. O fogo final, no sal, é feito na nossa frente. O resultado é saboroso e delicioso!
Noite no shopping Larcomar, em Miraflores, Lima - Peru
Amanhã deixamos Lima rumo à Huaraz já com saudades da capital peruana. A sensação é que um dia voltaremos para ficar por mais tempo, explorar seus excelentes museus, experimentar outros restaurantes, quem sabe aprender melhor o espanhol e poder explorar com mais calma os charmes de Miraflores.
Fogo na crosta de sal que cobre o nosso peixe em restaurante de comida peruano-japonesa em Lima, capital do Peru
Portal para entrar na praça central de Bariloche, na Argentina
São Carlos de Bariloche, ou simplesmente Bariloche, é o sonho de consumo de dezenas de milhares de brasileiros. Aliás, não só o sonho, mas o destino de férias. A cidade com cerca de 125 mil habitantes aos pés da cordilheira dos Andes é a segunda cidade argentina mais visitada por brasileiros, atrás apenas da capital Buenos Aires. Quase todos eles atrás de frio, neve e a chance de esquiar. Nove em cada dez brasileiros visita a cidade durante o inverno e só a conhece branquinha de neve.
Bariloche, na Argentina, espremida entre as montanhass andinas e o lago Nahuel Huapi
Final de tarde, a praça central de Bariloche está vazia (Patagônia Andina, na Argentina)
Por isso é possível dizer que a cidade que visitamos hoje é desconhecida de quase todos os brasileiros: Bariloche na primavera! As estações de esqui já estão fechadas faz tempo e as ruas turísticas do centro da cidade estão vazias, mas nem por isso Bariloche deixa de ser interessante. Muito pelo contrário, a região oferece um sem número de possibilidades para aqueles que gostam de botar o pé na trilha, remar (ou mesmo nadar!) em lagos tranquilos ou rios cheios de corredeiras, cavalgar por bosques e montanhas, dirigir por estradas belíssimas ou comer em bons restaurantes. E para quem gosta mesmo de neve ou gelo, sempre se pode fazer um trekking até o alto do Cerro Tronador, eternamente coberto de branco.
Pinheiro, árvore típica em Bariloche, na patagônia andina na Argentina
O estranho nome “Bariloche” vem do termo “vuriloche”, que na língua mapuche quer dizer “povo de trás da montanha”. Ou seja, só pelo nome já podemos ter uma boa noção da história da região! “Mapuches” eram indígenas que viviam no que hoje é o Chile, do outro lado dos Andes, e migraram para a região de Bariloche já em tempos coloniais. Aqui, desocuparam os antigos habitantes que se referiam a eles como “vuriloche”, pois tinham vindo do outro lado dos Andes. Daí para algum europeu ouvir a palavra vuriloche e entender “bariloche” foi um pulinho!
Dia ensolarado na praça central de Bariloche, na Argentina
Torre do Relógio em Bariloche, na Argentina
Falando em europeus, eles só começaram a se estabelecer na região no início do séc. XX. Algum tempo depois chegava a primeira estrada de terra e logo depois, os primeiros visitantes ilustres, como o ex-presidente americano e grande explorador Theodore Roosevelt. Quem também viveu por aqui durante alguns anos, ainda antes da chegada da estrada, foram os famosos bandidos americanos Butch Cassidy e Sundance Kid (Paul Newman e Robert Redford, respectivamente, no clássico do cinema dos anos 70), mas tiveram de fugir para a Bolívia quando a polícia apertou o cerco. Por fim, com o lugar atraindo tanta gente conhecida assim, o governo argentino resolveu investir no turismo e, na década de 30, cria o Parque Nacional Nahuel Huapi, nos arredores da cidade, e remodela o centro de Bariloche, construindo os prédios históricos que hoje são o cartão postal daqui, como o Centro Cívico, a catedral e o hotel Llao Llao.
Visita ao club Andino para conseguir mapas e informações sobre trilhas na região de Bariloche, na patagônia andina na Argentina
Lago Nahuel Huapi, em frente a Bariloche, na Argentina
Finalmente, foi a vez das atividades de esqui se desenvolverem e logo o turismo passou a ser a principal atividade econômica da região. A pequena e tranquila Bariloche, que em 1970 ainda tinha uma população de apenas 25 mil habitantes, hoje multiplicou isso por cinco, transformando-se na maior cidade argentina no lado andino. Tornou-se referência mundial como centro de esqui, atraindo turistas de todo o mundo, mas principalmente chilenos e brasileiros. Não é a toa que os próprios argentinos chamam a cidade de “Brasiloche”.
Belo prédio no Centro Civico de Bariloche, na Argentina
Bom, esse apelido realmente serve para a temporada de inverno, mas não agora. Quase não vimos brasileiros nas ruas da cidade e os poucos turistas eram, na sua maioria, nacionais. Melhor assim, pois desse modo conhecemos uma Bariloche argentina. Chegamos ontem de tarde e não foi difícil encontrarmos um hotel com bons preços. Com a Fiona devidamente guardada na garagem, fomos conhecer o centro a pé. A cidade pode ter crescido, mas o centro continua do mesmo tamanho e é facilmente conhecido com duas ou três caminhadas. Charmoso e compacto, destoa bem dos bairros da periferia onde vive a maioria da população local em condições muito mais duras. Bariloche é conhecida por viver sob forte tensão social, um grande abismo social entre ricos e pobres. Deu para perceber isso através da janela da Fiona enquanto entrávamos na cidade.
Final de tarde, caminhando na orla de Bariloche, na patagônia andina na Argentina
A bela região de Bariloche, na patagônia andina na Argentina
Enfim, fomos passear pela praça central, pelo Centro Cívico e pela orla. A cidade está na beira de um enorme lago alimentado por águas de degelo, o Nahuel Huapi, águas limpas e frias. Difícil imaginar que uma enorme onda varreu esse lago causando destruição e morte na cidade em 1960. Mas foi o que aconteceu, reflexo de um enorme terremoto no vizinho Chile. Mas ontem, e hoje também, suas águas estavam plácidas, ideais para refletir a luz do entardecer ou para um passeio de catamarã. Outra cena típica que vimos no Centro Cívico foram as fotos de turistas com os cães São Bernardo, algo que já virou tradição para quem visita a cidade. Para quem quiser uma atividade mais “séria”, uma boa pedida é visitar aí mesmo, em um dos prédios históricos, o excelente Museu dos Povos Patagônicos. História, arte, cultura, costumes, está tudo ali, um pouquinho de tudo.
Turistas posam para foto com cachorro São Bernardo na praça central de Bariloche, na Argentina
Levando o São Bernardo para passear em Bariloche, na Argentina
Cervejaria Antares, em Bariloche, na Argentina
Depois da cultura, a alma! Fomos a uma das cervejarias artesanais da cidade que estão se multiplicando por aqui. Uma delícia, como pode-se perceber pelas fotos. E foi lá que, enfim, encontramos nossa amiga Rowan, a escocesa que também viajou para a Antártida no Sea Spirit e que, desde então, veio por terra desde Ushuaia até aqui, com duas ou três paradas. Ela chegou a Bariloche já no escuro, deixou suas coisas na pousada e veio nos encontrar. Vai ser nossa companheira nos próximos dias enquanto exploramos as belezas dessa região magnífica. Companheira de trilhas, aventuras e copo, já deu para perceber lá na cervejaria, hehehe.
Hora de uma cerveja gelada em Bariloche, na Argentina
Deliciosa cerveja artesanal em Bariloche, na Argentina
Um brinde ao reencontro com a Rowan, na Cervejaria Antares, em Bariloche, na Argentina
Depois da cervejaria ainda fomos jantar num delicioso restaurante. Mais tempo para conversar e nos conhecer melhor. No navio, a Rowan estava com seu namorado, um dos guias da expedição, e não tivemos muita chance de socializar. Por isso, foi meio estranho quando combinamos de viajar juntos por alguns dias aqui na Argentina. Mas bastou algumas horas de conversa para perceber que ela é mesmo da nossa turma e acho que vai ser bem legal a convivência.
Encontro com a Rowan, nossa companheira de viagem pelos próximos dias na região de Bariloche, na Argentina
Encontro com a Rowan, nossa companheira de viagem pelos próximos dias na região de Bariloche, na Argentina
Hoje cedo nos reunimos novamente para botar o pé na estrada. Antes, uma parada estratégica no Club Andino, organização que centraliza as informações sobre parques e trilhas na região de Bariloche. Com mapas na mão e muita conversa, montamos nosso roteiro para os próximos dias, uma verdadeira corrida para estarmos de volta à Bariloche no dia 4 de tarde para pegarmos nossos aviões, nós para o Brasil e ela para a Escócia, ambos via Buenos Aires. Planos feitos, não tínhamos mais um minuto a perder, pé na estrada!
Com a Rowan, no início da nossa viagem pela região de Bariloche (ao fundo!), na patagônia andina na Argentina
Observando a Cachoeira do Urubu bem de perto, entre os municípios de Batalha e Esperantina - PI
Saímos não tão cedo de Teresina para enfrentar um pouco do trânsito de dia normal de trabalho. Estávamos meio desacostumados com isso, pois só conhecíamos a cidade na tranquilidade de fim de semana. Mas foi só sair da complicação do centro hospitalar e tudo melhorou.
Memorial à Batalha do Jenipapo, em Campo Maior - PI
Poderíamos ter seguido diretamente para Parnaíba, via Cachoeira do Urubu. Pouco mais de 300 quilômetros rumo ao norte. Mas preferímos voltar pela mesma estrada que tínhamos chegado, pelo menos até a cidade de Campo Maior, onde está o Memorial da Batalha do Jenipapo. Fizemos questão de ir lá prestar nossas homenagens a esses bravos brasileiros tão pouco conhecidos e valorizados pela nossa história.
Cemitério de combatentes no Memorial à Batalha do Jenipapo, em Campo Maior - PI
Eu, por exemplo, que gosto tanto de história, não lembro de nenhuma referência a esta batalha na escola. Quando muito, ficamos sabendo que houve alguma luta na Bahia, durante o processo de independência. Tanto que o 7 de Setembro deles cai em outro dia. Mas nada sobre a guerra que houve no Piauí. Foi somente aqui que aprendi que D. João já não tinha muita esperança de evitar a independência brasileira. Mas planejava manter ao menos a parte norte do país, Piauí, Maranhão e Pará como colônia portuguesa, separada do resto do país. E seus generais bem que tentaram conseguir isso.
Painel ilustrativo da batalha no Memorial à Batalha do Jenipapo, em Campo Maior - PI
O principal militar português por aqui era Fidié. Enquanto ele e seus homens perseguiam revoltosos em Parnaíba, organizou-se um exército de voluntários para enfrentá-lo nas planícies alagadas de Campo Maior, os Campos do Jenipapo. Esse exército era formado por sertanejos, vaqueiros, caçadores, gente simples do campo. Quase todos armados apenas com armas brancas e muita coragem e determinação. Como se fez isso naquela época, não tenho a menor idéia. O fato é que conseguiu-se juntar alguns milhares desses voluntários que atacaram o exército bem treinado de Fidié. Armas de um lado, muita determinação do outro, o resultado foi a vitória portuguesa e cerca de 200 mortos entre os brasileiros. Mas o estrago no lado português, principalmente na moral, também foi grande. A partir dessa batalha, nunca mais estiveram na ofensiva e alguns meses mais tarde acabaram se rendendo. Era a verdadeira independência do Brasil, decidida aqui nos campos do Piauí e não nos planaltos de São Paulo, às margens do Ipiranga.
Transporte público comum no Piauí, em Campo Maior - PI
Depois de visitarmos o memorial e o cemitério, voltamos para Campo Maior e descobrimos a estrada secundária (desconhecida do nosso GPS) que seguia em direção à pequena cidade de Esperantina, onde fica a Cachoeira do Urubu. Com algum trabalho, driblamos uma feira e o movimento normal e confuso de motos, ciclistas e cavalos pelo centro da cidade e rumamos para o norte.
Carnaúbas, palmeira muito comum nesta parte do norrdeste (em Campo Maior - PI)
Observando a Cachoeira do Urubu de cima da passarela, entre os municípios de Batalha e Esperantina - PI
Na estrada, fomos desviando dos buracos, cabras, vacas, jumentos, cavalos e porcos que andam livre e tranquilamente pelas estradas daqui. Cuidadosamente superando os obstáculos, chegamos à Cachoeira, que nos surpreendeu pela força e tamanho. Já esperava algo mais forte, mas ficou muito além das nossas expectativas.
Cruzando a passarela sobre a Cachoeira do Urubu, entre os municípios de Batalha e Esperantina - PI
Observando a Cachoeira do Urubu de cima da passarela, entre os municípios de Batalha e Esperantina - PI
A Cachoeira do Urubu fica bem na fronteira dos municípios de Batalha e Esperantina. Nessa época do ano, muita água passa pelo rio e transforma a cascata em cachoeira e a cachoeira em catarata. Uma passarela liga os dois lados do rio, passando bem encima da queda d'água. É uma belíssima visão, todo aquele poder logo abaixo de nós. Ficamos algum tempo admirando aquela obra da natureza, primeiro ali de cima e depois de um restaurante logo em frente à cachoeira. Quem diria que no Piauí tem tanta água?
Aproximando-se cuidadosamente da Cachoeira do Urubu, entre os municípios de Batalha e Esperantina - PI
Bem próximo do "coração" da Cachoeira do Urubu, entre os municípios de Batalha e Esperantina - PI
Finalmente, era hora de partir. Uma forte chuva atrasou ainda mais nossa viagem e logo escureceu. Com vacas e cavalos cruzando a estrada o tempo todo, não dava para acelerar muito. Chegamos em Parnaíba muito mais tarde do que tínhamos imaginado ontem. A fome apertava e, depois de descobrirmos um hotel, mesmo antes de descarregar a bagagem já seguimos para o restaurante mais famoso da cidade, o La Barca. Devoramos um peixe delicioso e viemos nos instalar no Hotel Cívico. Amanhã, é dia de passear pelo delta. Seja de avião, de lancha ou de barco. Temos de organizar tudo pela manhã, bem cedinho, para não perder mais tempo. Delta, aí vamos nós!
Cachoeira do Urubu, entre os municípios de Batalha e Esperantina - PI
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