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Subindo Agulhas Negras com Prateleiras ao fundo - RJ
Bem cedinho partimos os três casais e o Anderson rumo á entrada do parque. Fomos divididos em dois carros para enfrentar a péssima estrada: a Fiona e o sempre valente Fusca, do Anderson.
Grupo no alto de Agulhas Negras - RJ
Lá na entrada do parque, uma notícia ruim, seguida por outra boa. Havia uma multidão na guarita, além de quatro ou cinco vans. Só me faltava essa: em pleno dia de semana um congestionamento nas Agulhas Negras. Depois, a notícia salvadora: a multidão estava indo para Prateleiras. Ufa! Mas que coicidência! Quando vimos a multidão, os novos amigos logo olharam para mim, sorrindo. Isso porque, na noite anterior, durante o jantar, tivemos uma longa discussão sobre turismo. Mais especificamente, sobre o acesso dos turistas às atrações. Eu dizia que reconhecia o direito das pessoas de irem à todos os lugares mas que, ao mesmo tempo, adorava chegar em alguma cachoeira, caverna oumontanha e não encontrar ninguém. Disse que a precariedade da estrada para o parque cumpria essa função: afastar as massas dali! E não é que chegamos lá e damos com 50-60 pessoas?!?
Cooper a 2.500 metros de altitude
Bom, passado o susto e a guarita todos passaram para a Fiona pois, a partir dali, nem o Fusca enfrentaria a péssima estrada. O pessoal veio para a Fiona e eu saí, percorrendo os 3 km até o Abrigo Rebouças correndo. nada como um cooperzinho a 2.500 metros de altitude para desenferrujar.
Exército praticando no Parque de Itatiaia - RJ
De tão ruim a estrada que eu cheguei antes da Fiona no abrigo. Ele está ocupado pelo exército, que está fazendo treinamentos na região. Cerca de 300 cadetes estavam lá em cima fazendo toda sorte de exercícios, subindo e descendo pedras com mochilas pesadas e rifles pendurados no pescoço. Enfim, toda a área em volta do refúgio estava bem movimentada. Esse parque é praticamente o quintal da AMAN. Não é à tôa que eles tem esse nome!
Início da subida para Agulhas Negras. Prateleiras ao fundo - RJ
Olhando para Agulhas Negras - RJ
A subida ao pico foi em gostosa e tranquila. Os dois casais andavam muito bem e não demorou muito para chegarmos lá em cima. Em dois trechos, para maior segurança, usamos corda.
Descendo Agulhas Negras - RJ
Lá de cima a vista estava maravilhosa. Para trás das Prateleiras, um mar de nuvens cobria a paisagem. Para os outros lados, identificamos o Pico do Papagaio, em Aiuruoca e a Pedra da Mina, nosso próximo objetivo.
No alto de Agulhas Negras - RJ
Foi minha quinta vez neste parque pai de todos os outros aqui no Brasil, que a minha mãe já visitava na década de 50! Sempre subi no pico, entre outras atrações da parte alta do parque: cachoeiras, Prateleiras, Couto, etc. Mas foi apenas na primeira vez, num distante 1989, que eu consegui assinar o livro de registro, no alto da montanha. Isso porque, quando chegamos lá no alto, descobrimos que o pico verdadeiro fica um pouco adiante. E para chegar lá é necessário descer uma pedra bem exposta e subir outra. Qualquer escorregão e são dezenas de metros para baixo. Um estrago! Não sei como mas, na primeira vez, com dois amigos da Unicamp, consegui fazer isso sem cordas. Depois, nunca mais! E olha que eu pelejei! Desta vez, junto com o Anderson e com a ajuda de cordas, voltei ao mesmo lugar e assinei o nome! Tirei um espinho encalacrado da garganta!
Último esforço para se chegar ao livro no topo das Agulhas Negras - RJ
Assinando o livro no alto das Agulhas Negras - RJ
Assinando o livro no alto das Agulhas Negras - RJ
Lá do alto, fiquei imaginando toda aquela região, já tão linda, nevada. Seria inacreditável! Vocês sabiam que de 11 para 12 de Junho de 85, portanto nem tão antigamente assim, nevou por 9 horas sem parar por aqui. Foi capa do Globo e do Jornal do Brasil (os jornais estão lá na Pousada dos Lobos). O pessoal, os sortudos que estavam aqui, faziam bonecos de neve e guerras de bolas de neve. Os carros pararam de funcionar e várias pessoas acampadas se refugiaram no Alsenne (naquele tempo, os chatos do ICMBio não tinham embargado o hotel). Será que veremos isso novamente?
No topo das Agulhas Negras - RJ
Bom, devaneios à parte, descemos a montanha, eu fizmais um cooper e voltamos para a Pousada dos Lobos. Antes de partir para Passa Quatro ainda deu tempo de ver a Argentina de Don Diego Maradona ganhar mais uma e conhecer mais um simpático casal que acabara de chegar: a Mirim e o Rogério. Nesses lugares, quase 100% das pessoas que conhecemos são muito interessantes.
No topo das Agulhas Negras - RJ
Com o sol de pondo, partimos de volta às Minas Gerais,em direção à Passa Quatro e à Pedra da Mina, a mais alta montanha da Serra da Mantiqueira.
Início da subida para Agulhas Negras. Prateleiras ao fundo - RJ
O restaurante/armazem El Sotano de Los Quesos, em Colón, na Argentina
Depois do resgate quase épico do nosso ipad no Chile, da chateação na alfândega e da chegada já de madrugada em Mendoza, não tivemos pressa de acordar no dia 7. Mas também não queríamos perder o horário do café da manhã no hotel e nem perder tempo em levar a Fiona até a concessionária. Finalmente, iríamos trocar o para-brisa dela. A rachadura no vidro estava cada vez maior (a pedrada que levamos já tinha quase dois meses!) e já incomodava para dirigir. Aproveitamos também para marcar um balanceamento, pois desde a passagem pelas centenas de quilômetros de estradas de terra da Carretera Austral que não tínhamos feito isso. Enquanto o carro ficou no serviço, aproveitamos para passear na sempre agradável Mendoza, com suas alamedas e bons restaurantes. Trocamos dólar uma última vez no país e, no final da tarde, fomos buscar o carro. Estava de vidro novo, mas, com a máquina quebrada, não puderam fazer o balanceamento. Mesmo assim, decidimos cruzar o país no dia seguinte, nossa última travessia da Argentina.
Todos os nossos caminhos pela Argentina, após tantas entradas e saídas. Em azul, nossa última travessia pelo país, de Mendoza a Colón, na fronteira com o Uruguai
Foram inúmeras entradas e saídas nossas durante os 1000dias neste país. Percorremos milhares de quilômetros de estradas por aqui, cruzando o país de norte a sul e de leste a oeste, diversas vezes. Agora seria a saideira, uma última vez, indo da fronteira chilena até a fronteira uruguaia. É um percurso longo, mais de 1.200 quilômetros, parte dele já feito em outra oportunidade, quando rumávamos para Buenos Aires. Resolvemos percorrer a distância em dois dias, com uma parada em Villa Nueva, na casa de nosso amigo Che Toba. De Mendoza para lá são mais de 600 quilômetros e saímos bem cedo para poder viajar sempre de dia. Logo na saída da cidade, passamos pelos resquícios de um grande acidente no dia anterior. Só se via o esqueleto de um ônibus queimado. No dia seguinte soubemos da história: um carro com placas do Brasil trafegava em contramão e a mais de 120 km/h em uma estrada de pista dupla. Foram diversos quilômetros, muitos deles filmados por motoristas argentinos espantados com a situação. Por fim, o carro bateu de frente com um ônibus, que pegou fogo, matando duas dezenas de pessoas. Tragédia nacional. Ainda bem que deixamos Mendoza para trás, pois a Fiona também tem placa brasileira e a gente ficou com o filme queimado por lá...
Chuva na estrada entre Mendoza e Villa Nueva, na Argentina
Fim de tarde, quase chegando à Vulla Nueva, na Argentina
Foi um longo dia de viagem, com direito a chuva, mas com estradas vazias. A região central argentina é uma vasta e monótona planície, mas viajávamos por uma estrada nova para nós, o que sempre é interessante. O que mais nos chamou a atenção foi quando passamos em frente a uma “chacineria”. Essas diferenças linguísticas podem ser engraçadas às vezes. Chacineria?!? Aí se vendem “chacinados”! Pelos desenhos, não demorou muito para aprendermos o real significado da palavra. São embutidos, como salames e mortadelas. No caso, os únicos “chacinados” por lá são vacas e cavalos...
Uma loja de "chacinados", na estrada perto de villa Nueva, na Argentina. às vezes, as diferenças de língua são muito engraçadas!
Última despedida do Che Toba e esposa, na casa deles em Villa Nueva, na Argentina
Acabamos chegando bem no fim de tarde na casa do Che Toba. Dessa vez, já sabíamos o caminho, pois também dormimos por lá da outra vez (veja o post aqui). Como sempre, muito bem recebidos, com abraços, sorrisos e pizza. A família inteira, o Che Toba, a esposa Marcela e os filhos Sofia e Toto. Estão muito felizes, pois vão passar uma temporada na Ilha Grande, no litoral fluminense, local onde já residiram por mais de um ano. No dia 9, cedo, a gente se despediu mais uma vez. Será que a próxima vez que vamos nos ver será no Brasil ou na Argentina? Ou em outro lugar qualquer? Para gente viajadora assim, pode ser até na Suazilândia!
Atravessando a grande ponte sobre o rio Paraná, em Rosario, na Argentina
Atravessando a ponte sobre o rio Paraná e observando a cidade de Rosario em sua margem ocidental, na Argentina
Atravessando a ponte sobre o rio Paraná e observando a cidade de Rosario em sua margem ocidental, na Argentina
Agora sim, repetimos um trecho de estrada. Foi a autopista até Rosario, uma das maiores cidades do país, na orla do rio Paraná. Da outra vez, passamos bons momentos na cidade (post aqui), mas hoje foi mesmo só de passagem. Finalmente, pudemos cruzar a vistosa ponte sobre o rio. A gente a tinha admirado e fotografado bastante da praia e do calçadão onde caminhamos alguns meses atrás. Agora foi o contrário e, do alto da ponte, fotografamos o rio e a cidade. Janela aberta e com o carro em movimento, pois é estritamente proibido parar lá em cima.
Passeio público movimentado, às margens do rio Uruguai, em Colón, na Argentina
Grupo se diverte nas águas do rio Uruguai, na cidade de Colón, na Argentina
Próxima parada e destino final desse dia de viagem, a cidade de Colón. Ele também fica na orla de um grande rio, o Uruguai. Do outro lado, o último país americano no roteiro dos 1000dias, o único que não visitamos nem uma vez durante essa jornada. Já passou da hora e estamos ansiosos! Mas resolvemos esperar um pouco mais e passar um dia na simpática Colón. Já era quase final do dia e pretendíamos fazer o tal balanceamento por aqui. Então, achamos um hotel simpático perto do rio e fomos passear.
O rio Uruguai em Colón, na Argentina, fronteira com o Uruguai
Um belo entardecer às margens do rio uruguai, em Colón, na Argentina
Nos finais de tarde, boa parte da população da cidade vem para a beira do rio, onde há uma espécie de parque. Muita gente caminhando, outros remando barcos, outros apenas admirando o entardecer. A gente fez o mesmo, andando para lá e para cá e fotografando a paisagem e as pessoas. Foi assim que encontramos um armazém/restaurante que é uma das marcas da cidade, o “Sotano de Los Quesos”. Uma delícia passear lá dentro, onde vendem não apenas queijos sortidos, mas também vinhos e “chacinados”. Do lado de fora, mesas no jardim para quem quiser lanchar ou bebericar. Para minha surpresa e alegria, eles vendiam até mesmo pão de queijo por lá. Não com esse nome, mas igualzinho a deliciosa iguaria mineira. Eu me refestelei!
Prédio histórico em Colón, na Argentina
Uma charmosa loja/restaurante de queijos em Colón, na Argentina
Hoje cedo, lá fui eu com a Fiona a um mecânico. Seria um serviço rápido. Seria... Mas ao mexer no amortecedor, ele achou uma peça encalacrada e, para tirar de lá, precisou até de solda. Ao final, foram horas e de trabalho e a Fiona só ficou pronta no fim da tarde. Novinha em folha e pronta para mudar de país mais uma vez. Enquanto esperávamos, aproveitamos para passear na cidade, almoçar muito bem na Plaza San Martín (o nome da praça central de 99% das cidades argentinas), caminhar ao lado do rio e comer mais pão de queijo no Sotano.
Venda de queijos e embutidos no El Sotano de Los Quesos, um charmoso restaurante/armazem em Colón, na Argentina
Venda de embutidos no El Sotano de Los Quesos, um charmoso restaurante/armazem em Colón, na Argentina
Encontramos deliciosos pães de queijo em Colón, na Argentina
Depois, já a bordo da Fiona, era a hora de cruzar a ponte e entrar, por fim, no Uruguai, o último país dos 1000dias. O frio na barriga está cada vez maior...
Carro antigo típico da Argentina, em Colón, fronteira com o Uruguai
No catmaran de Angra dos Reis para Ilha Grande - RJ
Deixamos a Fiona guardadinha numa vaga que só a Ana consegue manobrar, na casa em frente ao nosso hotel em Angra e partimos para a Ilha Grande, de catamaran. Para a nossa felicidade, o dia amanheceu com céu azul, contra nossas expectativas e previsões. Com sol, tudo fica mais bonito, o mar, as montanhas, a água e até a feia cidade de Angra. Depois da sutileza de Parati, a dureza de Angra machuca um pouco os sentidos. Mas na manhã de sol, olhando do cais, ela pareceu bem simpática...
O cais de Santa Luzia, em Angra dos Reis - RJ
Agora, muito mais que simpática, muito linda mesmo é a travessia da baía. Quarenta minutos de visões que são um colírio para os olhos. Na chegada à Abraão somos recebidos pelos enviados de várias pousadas, brigando por hóspedes. A pequena vila é formada quase que na sua totalidade por pousadas, restaurantes e lojas que vivem em função dos turistas. Nesta época do ano, fora de temporada, a oferta supera em muito a demanda e os preços caem lá embaixo. Nenhuma vez na nossa viagem tivemos tanta qualidade por tão pouco. Vai ser difícil não ficar mal acostumado...
Fotografando a baía de Angra dos Reis, a caminho de Ilha Grande - RJ
Travessia de Angra dos Reis para Ilha Grande - RJ
Depois de descobrirmos que o tempo deve virar amanhã novamente, resolvemos aproveitar o sol de hoje para caminhar até a praia de Lopes Mendes, considerada uma das mais bonitas do Brasil. São pouco mais de seis quilômetros subindo e descendo morros, passando por praias e cruzando a mata atlântica. Para ajudar na trilha, nossa mais nova aquisição: uma eficiente bolsa térmica para manter até quatro latas de cerveja geladas! Muito prática de carregar, maravilha da tecnologia! Hehehe
Feliz da vida com a nova sacola térmica de cervejas, na trilha para Lopes Mendes, na Ilha Grande - RJ
No caminho, uma constatação e uma surpresa. A surpresa é que há jacarés na lha Grande! Não, não vimos nenhum, mas vimos várias placas de sinalização. A constatação é que quase todos os turistas na Ilha, numa sexta-feira de trabalho, são gringos. Ingleses, franceses, alemães, israelenses, tem de tudo por aqui. Até brasileiros, mas em menor número.
Jacarés na Ilha Grande - RJ ?
Chegamos à linda Lopes Mendes mais ou menos junto com as nuvens que começaram a cobrir o sol. Mesmo assim, a praia é linda, Praia de mar aberto, ondas para surfistas. Areias branquinhas, águas verde azuladas, nenhuma construção à vista, só a vegetação e as montanhas. Realmente, uma beleza!
A famosa praia de Lopes Mendes, na Ilha Grande - RJ
Uma hora mais tarde e já era tempo de voltar. A Ana de barco e eu correndo. Fomos juntos até a praia do Pouso, de onde saem os barcos e lá nos separamos. Para incredulidade dos barqueiros, disse que chegaria antes do barco, que faz o percurso em 45 minutos. Saímos juntos e eu iniciei minha corrida pela praia e depois pela trilha. Nas partes mais íngremes, descanso em caminhada acelerada. Nas outras subidas, trote. Nos trechos planos e de descida, pé na tábua. Para mim, é sempre uma diversão correr em trilhas com raízes, pedras e trechos escorregadios. Nossos olhos seguem atentos, calculando os próximos passos. O pé tem de pisar exatamente em cima de uma pedra x, ou entre aquelas duas raízes. O engraçado é que, quando finalmente vou pisar aonde tinha calculado, os olhos já estão olhando bem à frente, dois ou três passos adiante. Na descida, sigo naquele limite entre o ritmo controlado e a descida desembestada. Quando há uma reta logo abaixo, posso perder o controle, pois sei que vou ter espaço para recuperá-lo. Se não houver uma reta e eu erra o cálculo e perder o controle, procuro alguma árvore para frear. Nas muitas trilhas em que já saí correndo, em algumas já tive tombos. Alguns, memoráveis. O maior dano foi um dedo quebrado, na Chapada Diamantina. Normalmente, é só o susto e alguns arranhões. Mas, a maioria das vezes não tem tombo não, é só a adrenalina.
Enfrentando o mar agitado de Lopes Mendes, na Ilha Grande - RJ
Bom, tudo isso ia pensando no caminho, junto com a extrema atenção para não cair. E nem vi a trilha passar. Quando percebi, entrava na praia do Abraão, exatamente quando o barco fazia a curva da baía. Chegamos quase juntos, eu um pouco antes, em tempo de sentar num banco na frente do píer e observar os passageiros e a orgulhosa esposa desembarcarem.
A famosa praia de Lopes Mendes, na Ilha Grande - RJ
Para amanhã, mesmo com previsão de chuvas, a programa é ambicioso: ir e voltar à pé (não há opção de barco) de Parnaioca, do outro lado da ilha. Quase uma maratona. Depois dou notícias...
A famosa praia de Lopes Mendes, na Ilha Grande - RJ
Refeição com vista privilegiada para o Canal do Panamá, ao lado da capital do país, a Cidade do Panamá
Início do séc XIX. A Espanha estava em frangalhos após uma sangrenta guerra com a França de Napoleão. Suas colônias na América aproveitaram esse momento de fraqueza para se libertarem da antiga metrópole. Entre os diversos heróis da independência destaca-se Simón Bolívar. Esse, em seus devaneios, imaginava a formação de uma grande república sul-americana, uma espécie de Estados Unidos da América do Sul. Por alguns anos, parecia que seu sonho daria certo. Venezuela, Colômbia e Equador se uniram para formar um só país. Peru e Bolívia, ao menos no papel, também se uniram à nova nação. A empolgação também chegou ao Panamá que, de própria vontade, logo após declarar sua independência da Espanha, juntou-se à Gran-Colômbia.
Painel no museu do Canal do Panamá, ao lado da capital do país, a Cidade do Panamá
Mas, não demorou muito para a nova nação sonhada por Bolívar se esfacelar. Cada um para seu lado, exceto o Panamá, que permaneceu unido à Colômbia como uma província deste país. Ficou meio esquecida no mapa pelos próximos 20 anos até que a descoberta de ouro na Califórnia mudou seu destino. Centenas de milhares de americanos queriam viajar para a costa oeste em busca da riqueza dourada, mas temiam atravessar o meio oeste americano, habitado por "índios ferozes e hostis". Preferiam pegar um barco até Colón, atravessar oitenta quilômetros de trem na recém inaugurada ferrovia (a primeira ferrovia transcontinental das américas) até a Cidade do Panamá e, de lá, embarcar para San Francisco.
Museu do Canal do Panamá, ao lado da capital do país, a Cidade do Panamá
Uma década depois e os índios americanos foram "apaziguados" pelo General Custer e seus amigos. Os EUA construíram sua própria ferrovia transcontinental e os americanos esqueceram o Panamá novamente. Mas não os franceses, que após construírem o Canal de Suez, unindo Mediterrâneo e Mar Vermelho, viram ali nova oportunidade de negócios: um atalho entre os dois maiores oceanos do mundo, o Atlântico e o Pacífico.
Navio cargueiro atravessa o Canal do Panamá, ao lado da capital do país, a Cidade do Panamá
Acharam que para quem tinha rasgado com sucesso o deserto do Sinai, separando África e Ásia, dividir a América em dois, fazendo um canal entre a mata tropical seria moleza. Doce ilusão. Vinte anos de obras e quase 25 mil mortos depois (malária, dengue e febre amarela), os franceses jogaram a toalha. Mas antes disso, resolveram negociar sua concessão com os americanos, que viram aí um bom negócio, completar um serviço que já estava em boa parte pronto. Só não convidaram os colombianos para participar da negociação.
A Ana pode estar desfocada, mas a legenda acima é bem auto-explicativa (Canal do Panamá, ao lado da capital do país, a Cidade do Panamá)
Pois bem, o negócio foi fechado e os colombianos não gostaram nada disso. Queriam a sua parte, como donos da terra. Sem querer um novo sócio, os americanos acharam mais fácil dar uma forcinha aos panamenhos, para que estes conseguissem sua independência. A frota colombiana enviada para reprimir os revoltosos foi forçada a voltar para casa pelos americanos, o primeiro país do mundo a reconhecer a independência do Panamá. O pagamento por essa ajuda: o direito de construir e explorar o canal e uma área a a seu redor, por toda a eternidade.
Visita ao famoso Canal do Panamá, ao lado da capital do país, a Cidade do Panamá
Os americanos demoraram mais 10 anos e 5 mil vidas para terminar a obra, um dos maiores feitos de engenharia da história da humanidade. Desde então, mais de um milhão de barcos já cruzou o canal. A rota se tornou tão importante para o comércio mundial que toda uma classe de navios é construída com as medidas precisas para passarem no estreito canal. São os Panamax. Hoje, chegam a pagar 400 mil dólares de pedágio para efetuar a travessia que dura umas 6 horas. Esse valor varia com o tamanho do barco, claro. Um veleiro como o que viajamos da Colômbia para cá paga 1000 dólares. Um nadador americano que cruzou o canal na década de 20 pagou um dólar.
Dois enormes cargueiros preparam-se para deixar o Canal do Panamá, ao lado da capital do país, a Cidade do Panamá
Mas, voltando à história, é claro que a sociedade panamenha não ficou feliz com os termos do acordo, principalmente a cláusula da perpetuidade. Quem ficaria, né? Os movimentos nacionalistas foram ganhando corpo e chegaram ao ápice em 64 quando, em grandes conflitos, vários manifestantes foram mortos. Negociações foram abertas e, finalmente, em 1977, os EUA se comprometeram a entregar a soberania do canal ao Panamá até o final do século. Assim, desde o anos 2000, o Panamá passou a controlar o canal que corta o seu território.
Cargueiro chega ao Oceano Pacífico, após atravessar o Canal do Panamá, ao lado da capital do país, a Cidade do Panamá
E uma das primeiras decisões do país foi aumentar o Canal, construíndo novas eclusas, mais largas e profundas. As obras estão à todo vapor, inclusive com muitas empreiteras brasileiras. O objetivo é possibilitar que navios PosPanamax também possam passar por lá (pagando polpudos pedágios, claro). Assim, em 2014 os limites de 32 metros de largura e 12 metros de calado (profundidade) devem ser razoavelmente aumentados.
Visitando em grande estilo o Canal do Panamá, ao lado da capital do país, a Cidade do Panamá
Hoje eu e a Ana fomos conhecer essa maravilha. Aqui do lado da Cidade do Panamá estão as eclusas de Miraflores, bem na chegada ao Oceano Pacífico. Ali foi construído um complexo turístico, com um museu meia-boca, um cinema com um filme um tanto ufanista, mas com belas imagens aéreas e informações históricas e, o melhor de tudo, mirantes para se observar a operação do canal, das eclusas e a passagem dos grandes cargueiros por ali. A melhor visão se tem do restaurante de boa comida de onde é impossível não se impressionar com toda aquela engenharia. Os navios passam literalmente raspando nas bordas do canal, puxados por tratores dos dois lados com cordas tensionadas ao máximo para que ele não se resvale nas paredes do canal. A água enche e esvazia os enormes tanques contidos nas eclusas, elevando ou baixando as milhares de toneladas contidas nos navios e suas cargas. Tudo funcionando como um relógio. Ou como um gigantesco brinquedo que movimenta milhões de dólares, para cá e para lá.
Cargueiro carregado de conteineres atravessa eclusa do Canal do Panamá, ao lado da capital do país, a Cidade do Panamá
Para quem quer conhecer as américas, este é um ponto obrigatório. Um estreito canal construído pelo homem que separou aquilo que a natureza tinha juntado há 30 milhões de anos. A América virou duas, a do sul e a do norte, unidas por duas pontes que atravessam o canal. Adivinha o nome da mais importante delas? Ponte das Américas! É por lá que passaremos em dois dias, no nosso caminho rumo ao norte do continente...
Como sempre, noite movimentada no Canal do Panamá, ao lado da capital do país, a Cidade do Panamá
E, mundo pequeno, adivinha quem encontramos na nossa visita ao canal? Nossos amigos do veleiro! Os australianos Ben e Alex e o alemão Andy, agora acompanhados do irmão mais novo do Ben também aproveitaram o dia de chuva para conhecer o Canal. Amanhã vamos encontrá-los no Casco Viejo, onde estão hospedados.
Mesmo de noite e com chuva, o movimento nunca para no Canal do Panamá, ao lado da capital do país, a Cidade do Panamá
Foto aérea do Salto Yucumã, na fronteira entre Rio Grande do Sul e Argentina, no rio Uruguai. É o maior salto do mundo em extensão horizontal, mas hoje, estava completamente tapado pelo rio cheio. (foto retirada da internet)
Há muitos anos, um amigo do antigo emprego em Curitiba fez uma longa viagem pelo sul do país. Na volta, interessado que sou em viagens, quis saber detalhes do seu roteiro. Entre tantas atrações visitadas, uma que eu nunca havia ouvido falar, um tal de “Salto Yacumã”. “O que é isso? Onde fica?” – quis logo saber. A resposta, com um sorriso maroto na boca e um tom de gozação, veio logo: “Não conhece o Salto Yacumã? Justo você que se acha o mais viajado? Que vergonha! Fica na fronteira do Brasil com a Argentina, lá no noroeste do Rio Grande do Sul. É a maior cachoeira horizontal do mundo!”.
Foto de divulgação do Salto Yucumã, a maior queda d'-agua em extensão horizontal do mundo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
Eu não tinha a menor ideia do que significava “cachoeira horizontal”, mas aquela história de ser a maior do mundo logo me interessou. Uma rápida pesquisa na internet e logo entendi: cachoeira horizontal quer dizer largura e esta tinha quase dois quilômetros de ponta a ponta. Fica no Rio Uruguai, mas vendo as fotos, entendi que não era que o rio fosse tão largo assim, mas que toda a sua água cai sobre uma enorme fenda que há dentro de seu próprio leito. Difícil explicar, mas é fácil de entender quando se vê as fotos. Tão impressionante como esse fenômeno é o fato dele ser tão pouco conhecido em nosso país. Os nossos hermanos, que dividem conosco o Salto Yacumã (assim como as Cataratas do Iguaçu) sabem valorizá-las muito mais!
Uma linda foto do Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
Bom, identificada a minha ignorância, tratei de viajar até lá no mesmo ano. Dirigi até o pequeno município de Derrubadas, onde fica o Parque Estadual que protege essa maravilha e me deslumbrei com o que vi. A queda tinha pouco menos de 10 metros, mas se estendia por 1,8 quilômetros. Ao contrário das intermináveis filas de turistas que se vê em Iguaçu, aqui era apenas eu, por mais de uma hora. Não sabia se ficava mais boquiaberto com o que via a minha frente, o maior salto horizontal do mundo, ou com o que não via, turistas!
Centro de visitantes do Parque Estadual do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
A fiona na estrada que corta o parque do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
Bom, muitos anos depois e estamos iniciando a fase final dos 1000dias, indo ao sul do continente. O Salto Yacumã não poderia faltar nesse roteiro, claro! Tinha de mostrar ele para a Ana e documentá-lo no site. Assim, saímos de Treze Tílias rumo à pequena Derrubadas, fronteira com a Argentina. Mas, antes de chegarmos lá, ainda em Santa Catarina, passamos por outra surpresa entre as tantas que esse nosso Brasil tem: a segunda maior cratera de meteoro do país.
O Domo do Vargeão, a segunda maior cratera de meteoro no Brasil, no oeste de Santa Catarina
Outra vez, foi uma surpresa total. Um cartaz, no meio da estrada, nos alertou para ela. É a cratera do Vargeão, com 12 quilômetros de diâmetro e mais de 200 metros de profundidade. Formada há cerca de 50 milhões de anos, já está totalmente tomada pela vegetação e, aos olhos menos atentos, passa despercebida. Mas quando se sabe que está lá e a vislumbramos do alto de um mirante construído em um posto de gasolina, pode-se ver claramente seus contornos. Chega a ser emocionante. Por quê essas coisas não são propagandeadas? Fico só imaginado o tanto de coisas que ainda estão por aí, esperando ser descobertas... Fosse nos EUA, haveria um museu por aqui e dezenas de painéis explicativos, ônibus de turistas e estudantes, lojinhas, restaurantes, dinheiro movimentando a economia, etc, etc... Mas aqui, há um só cartaz na estrada, colocado apenas para quem estiver prestando atenção. E um posto de gasolina que resolveu fazer uma torre de madeira com uns quinze metros de altura. Viva o posto de gasolina!
Nosso acampamento em um pesque-pague no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
Bom, depois dessa mega descoberta geológica, retomamos o caminho para Derrubadas, onde chegamos já no final da tarde. Imagina, o turismo é tão desenvolvido por lá que já não há mais pousadas. Aquela que eu tinha ficado na década passada já não existe. O que há são dois pesqueiros, onde se pode acampar ou alugar quartos rústicos. Nós, de barraca quase nova, não pensamos duas vezes a armamos nossa casinha em frente ao lago de pescaria. Não havia mais ninguém por lá e foi uma delícia, um lago só para nós, bem na nossa varanda!
O rio Uruguai transbordando, com suas águas passando sobre o Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
O rio Uruguai transbordando, com suas águas passando sobre o Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
Hoje cedo, finalmente, fomos lá ver o Salto. A intenção era boa, mas a época não! Estamos no período de cheias, que agora já não seguem a ordem natural, mas o humor das diversas hidrelétricas rio acima. O fato é que o rio está cheio por aqui e a água, simplesmente, engole o Salto Yacumã. Resumindo, tudo embaixo d’água, só podemos ver as fotos e tentar imaginar como seria no período de secas. Para mim, que já estive aqui antes, não é difícil, mas para a Ana, ainda bem que as fotos estão lá, no pequeno Centro de Visitantes.
cascata no Parque do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
muitas flores no Parque do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
Fotos e explicações para o fenômeno. Toda a água de um rio com cerca de 200 metros de largura escorre para uma fenda com menos de 20 metros de largura. Na época de seca, as quedas chegam a 15 metros de altura, mas o mais impressionante não é a altura acima da água, mas a profundidade abaixo dela! A tal fenda chega a ter 170 metros de profundidade! Tudo escondido embaixo d’água. Só de imaginar aquele buraco todo já dá calafrios! Isso explica como cabe toda aquela água lá dentro! Para nós, hoje, foi só um exercício de imaginação, pois tudo o que víamos era um rio bem largo com suas águas invadindo as bordas e alagando a floresta ao seu lado. Lá no meio, bem acima da fenda, redemoinhos e espuma mostravam que algo se escondia. Pedras? Não, uma fenda com 170 metros de profundidade!
Com o Sérgio, nosso guia no Parque do Turvo, onde está o Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
Uma das muitas espécies de pássaros que vive na região do Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
Bom, não se podia ver o Yacumã, mas o parque estadual não é só isso. Há uma grande área de mata ao redor do rio que também é protegida. No lado argentino, ainda é muito maior e, com tanto verde, uma rica fauna vive por lá, inclusive pumas. Infelizmente, ainda não foi dessa vez que vimos esses animais. O que vimos foram suas fezes e pegadas. Nas fezes, pelos e unhas da sua última refeição, alguma paca ou porco do mato.
Fezes de onça pintada no meio da estrada que atravessa o Parque do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
Pelos e ossos, tudo o que sobrou da última vítima de uma onça pintada no Parque do Turvo, onde está o Salto Yucumá, na fronteira do rio Grande do Sul com a Argentina
Quem nos disse onde procurar os rastros da onça e também nos levou para caminhar na mata até uma pequena cascata foi o simpático Sergio, um guarda-parque do Parque Estadual do Turvo. Ele discorreu sobre a história do Turvo, a fauna que lá vive e até sobre o lado argentino do parque, muito mais desenvolvido. Os hermanos chegaram a construir, por três vezes, passarelas sobre o rio, para dar acesso ao Salto, mas o rio Uruguai foi mais forte e, durante as cheias, destruiu seguidamente as tais passarelas. Então, a melhor visão que se tem do Yacumá ainda é mesmo do Brasil, hehehe.
Antigas fotos de balseiros no rio uruguai, onde está o Salto Yucumã, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
Mas é do lado argentino que se pode tomar barcos que se arriscam dentro da fenda, quando não há muita água por lá. Do lado brasileiro, famosos foram os barcos e barcaças que levavam madeira pelo rio, na metade do século passado. Foi nessa época que se cunhou o termo “ponto de balsa”, que é o nome que se dá ao rio quando se encontra da maneira que o vimos hoje. Ou seja, quando os saltos estão submersos e uma balsa pode passar tranquilamente por cima deles. Essa foi a grande atividade econômica da região naqueles tempos, corte de madeira e seu transporte pelo rio Uruguai até o Rio da Prata. Felizmente, um trecho da mata foi salvo, justamente esse que visitamos hoje.
cascata no Parque do Turvo, na fronteira entre Brasil e Argentina, no município de Derrubadas, no Rio Grande do Sul
Bom, depois da verdadeira aula do Sergio, do agradável passeio na mata, da visita à cascata, do cocô de onça e do Salto e da fenda que não vimos, mas que muito imaginamos, era hora de seguirmos viagem. O destino agora é São Miguel das Missões, o coração da região missioneira brasileira, conhecida como Sete Povos das Missões. Será nossa última escala no Brasil antes de entrarmos na Argentina rumo ao sul do continente. Chega de natureza, agora vamos atrás de cultura, hehehe.
Nossa viagem rumo à Argentina e Ushuaia. De Curitba (A) para Treze Tílias (C), já em Santa Catarina, passando pela Lapa (B). Depois, rumo à Derrubadas (D), já no Rio Grande do Sul, onde está a maior cachoeira em extensão horizontal do mundo. Por fim, uma passada em São Miguel das Missões (E)
Passeando em Abraão, na Ilha Grande - RJ
Depois do dia puxado de ontem, aproveitamos o tempo ainda nublado de hoje para ficar aqui por perto, passear na vila e nas redondezas, ver o tempo passar. Estávamos precisando. O Pico do Papagaio, se o tempo colaborar, ficou para amanhã, antes de pegarmos a balsa para Angra e de lá para a cidade maravilhosa.
Visitando o Centro de Visitantes do INEA em Abraão, na Ilha Grande - RJ
Depois de uma saudável enrolação durante a manhã, fomos ao Centro de Visitantes do INEA, o órgão estadual que cuida dos parques, reservas, APAs e assemelhados aqui no estado. Há vários painéis explicativos sobre a geologia, história, fauna e flora da ilha. Ali, aprendi que os jacarés realmente existem aqui, mas não são naturais da ilha. Aparentemente, um alemão com cabeça de jerico os introduziu na ilha, na década de 70, juntamente com outras espécies exóticas, como alguns tipos de mico. Um macaco que é natural da ilha é o bugio, o mesmo que gritava bastante ontem, enquanto eu corria para a Parnaioca. Aparentemente, ele não gostou muito de mim, não.
O Poção, na Ilha Grande - RJ
Lemos bastante também sobre as primeiras fazendas da ilha, o cultivo da cana e depois do café, sempre com uso da mão de obra escrava. As diversas prisões da ilha, que já abrigaram presos ilustres como Graciliano Ramos e outros nem tanto, como o Escadinha, que fugiu daqui de helicóptero. Finalmente, lemos sobre o Lazareto, uma enorme construção de D. Pedro II, já nos anos finais da monarquia. Ela servia para hospedar todos os viajantes que viessem de países com doenças infecciosas e que tivessem alguma suspeita de carregar a doença. Uma megaconstrução que tinha até um aqueduto que mais parece do tempo dos romanos. Hoje, está completamente tomada pela mata, o que mostra bem o poder de recuperação da natureza da ilha, se lhe derem chance...
As magníficas ruínas do Aqueduto da Ilha Grande - RJ
Bem, depois dessa visita, fomos fazer uma caminhada light aqui por perto, passando por mirantes, por uma bonita piscina natural apelidada de Poção, pelas incríveis ruínas do aqueduto e pelas ruínas tomadas pela mata do Lazareto, onde nosso ilustrado último imperador passou seus últimos dias no Brasil antes de ser enviado ao exílio, na Europa.
Ruínas do Lazareto, totalmente tomadas pela vegetação, na Ilha Grande - RJ
Amanhã, como já disse, partimos da ilha depois de uma última caminhada, seja para o Papagaio, seja para a cachoeira da Feiticeira. Vai depender do tempo. Seguimos para o Rio. O que não disse ainda é que amanhã é aniversário da minha linda esposa. Nosso primeiro aniversário na estrada tem de ser muito especial!
Caminhada próxima à Abraão, na Ilha Grande - RJ
Sem vento, a Laguna de Los Tres se transforma em um espelho, no parque Los Glaciares, região de El Chaltén, no sul da patagonia argentina
Por fim, cheguei no alto. Dali ainda temos de caminhar uns quinhentos metros, subida bem suave e então, a lagoa aparece. Linda, perfeitamente colocada entre aqueles gigantes de pedra. Água azul esverdeada, cercada por encostas rochosas e brancas de neve. Algumas últimas pessoas ainda andavam por ali, o sol se pondo lentamente atrás das torres de granito, o Fitz Roy se destacando entre elas.
Chegando à Laguna de Los Tres no fim de tarde, no parque Los Glaciares, região de El Chaltén, no sul da patagonia argentina
A bela Laguna de Los Tres, no parque Los Glaciares, região de El Chaltén, no sul da patagonia argentina
Fiquei no mirante da lagoa por um tempo e resolvi descer até a praia. Resolvi contornar a lagoa pela esquerda, mas achei melhor esperar a Ana. O vento aumentava e agora, parado, comecei a sentir um pouco de frio. Finalmente ela apareceu ao longe. Fiz sinal da direção que caminharia, dei as costas e comecei a contornar a lagoa. Já quase do outro lado, é possível subir um veio de rochas e descer do lado de lá. É o mirante para a Laguna Sucia, uns duzentos metros abaixo de nós. Vista maravilhosa e ali, estava protegido do vento. Sentei para esperara a Ana, mas o tempo passou e nada dela aparecer.
Esquentando-se nas últimas luzes do sol, na Laguna de Los Tres, no parque Los Glaciares, região de El Chaltén, no sul da patagonia argentina
Fiz o caminho de volta para encontrá-la na praia da lagoa. Para minha surpresa, estava furiosa comigo. Ela não tinha me visto fazendo sinal e não tinha a menor ideia de onde eu estava. Para piorar, eu vinha carregando o casaco dela para diminuir seu peso e agora, ali me procurando, ela morria de frio. Para quem acha que nunca brigamos nessa viagem, esta aí um bom exemplo de que isso não é verdade e temos também, muito de vez em quando, nossos entreveros. Dessa vez, ela estava realmente brava e de nada adiantaram minhas explicações ou desculpas. Só o tempo para me ajudar. O tempo e a linda paisagem à nossa volta. Aos poucos, a situação foi se acalmando e pudemos aproveitar mais um pouco, antes que o sol se escondesse por completo.
Na Laguna de Los Tres, observando o fim de tarde no parque Los Glaciares, região de El Chaltén, no sul da patagonia argentina
Fim de tarde no parque Los Glaciares, região de El Chaltén, no sul da patagonia argentina
Mas já era hora de ir. Quando chegamos à grande descida, a paisagem ainda era fantástica. Ali no vale a luz do sol ainda chegava e desenhava no solo a sombra das montanhas atrás de nós. Fantástico!. Para a nossa direita, as lagunas conhecidas como Madre e Hija. Na tarde seguinte passaríamos ao lado delas, no nosso caminho para casa. Não demorou muito para chegarmos à barraca onde a Ana logo preparou uma deliciosa massa para nós, acompanhada de legumes e de uma garrafa de vinho que eu havia trazido. Brindamos às montanhas e dormimos como anjos.
No fim de tarde, a sombra do Fitz Roy no parque Los Glaciares, região de El Chaltén, no sul da patagonia argentina
Nossa ideia era acordar bem cedo para assistir ao nascer-do-sol. A cena das primeiras luzes do dia batendo nessas montanhas de granito é uma imagem clássica aqui da patagônia. Dá para ver aqui de baixo, mas o bom mesmo é subir na Laguna de Los Tres e ver esse espetáculo mais de perto. Para isso, é preciso madrugar, pois a subida leva pouco mais de uma hora. Pois bem, nós até acordamos, mas o barulho do vento indicava que o tempo havia mudado. Resolvemos dormir mais um pouco...
De volta à Laguna de Los Tres, no parque Los Glaciares, região de El Chaltén, no sul da patagonia argentina
Agora pela manhã, de volta à Laguna de Los Tres, no parque Los Glaciares, região de El Chaltén, no sul da patagonia argentina
Quando despertamos de vez, o pessoal que havia subido chegava de volta ao acampamento. Estavam felicíssimos com o que haviam visto. Havia nuvens sim, mas foi lindo também. Meio arrependidos, resolvemos que subiríamos até a lagoa outra vez. Mesmo o sol já tendo nascido, o céu agora estava azul novamente e a luz lá encima deveria estar ótima para fotos, bem melhor que no final de tarde de ontem.
A luz da manhã ilumina as montanhas do parque Los Glaciares, região de El Chaltén, no sul da patagonia argentina
Agora pela manhã, de volta à Laguna de Los Tres, no parque Los Glaciares, região de El Chaltén, no sul da patagonia argentina
Tomamos nosso café, deixamos a barraca ainda montada e fomos encarar aquela subidona outra vez. Mas agora, resolvemos seguir juntos! Tínhamos de chegar na lagoa para esquecer as lembranças de ontem! E assim foi, subimos conversando e, sem mesmo perceber, já estávamos lá.
Em um dia sem vento, a beleza da Laguna de Los Tres, no parque Los Glaciares, região de El Chaltén, no sul da patagonia argentina
Nossa! Se ontem já era lindo, hoje, com luz direta, estava espetacular. Agora sim podíamos ver a verdadeira cor das águas da lagoa. Um tom quase mágico. Ainda mais cercado por aquela paisagem grandiosa. As fotos saíram fantásticas e a todo momento agradecíamos a ideia de ter voltado. De novo, como subimos fora do horário, depois que o pessoal do nascer-do-sol já tinha descido e muito antes das pessoas que chegariam hoje, estávamos completamente a sós lá no alto. Do jeito que eu gosto, pois quando chego a um lugar desses, tudo o que eu não quero ver são pessoas no meio das nossas fotos ou gritando no meio do meu silêncio.
Um salto para foto na Laguna de Los Tres, no parque Los Glaciares, região de El Chaltén, no sul da patagonia argentina
A imagem das montanhas refletidas nas águas da Laguna de Los Tres, no parque Los Glaciares, região de El Chaltén, no sul da patagonia argentina
Na verdade, as únicas pessoas que víamos eram uns pontinhos coloridos descendo uma das geleiras lá encima. Certamente estavam voltando de alguma das montanhas, alpinistas de verdade. Devagarzinho, eles foram vencendo as dificuldades e, uns 30 minutos depois, chegaram à lagoa e desceram direto. Voltávamos a ficar sós. Mas agora, isso tinha me dado a ideia de também seguir mais adiante.
Observando as águas azuis da Laguna de Los Tres, no parque Los Glaciares, região de El Chaltén, no sul da patagonia argentina
Observando a Laguna Sucia, no parque Los Glaciares, região de El Chaltén, no sul da patagonia argentina
Fingindo não ver uma placa que anunciava ser proibida a passagem de quem não fosse alpinista credenciado, fui subindo a encosta rochosa ao lado da lagoa, aproximando-me da geleira. A Ana veio comigo, mas achou melhor parar numa passagem mais difícil. Eu ainda segui um pouco mais, a sensação de solidão ainda maior, a vista cada vez mais linda nas minhas costas e a geleira cada vez mais perto na minha frente. Achei que já era de bom tamanho, tirei minhas fotos e voltei para encontrar a Ana. Melhor não dar chance para mais uma briga!
Do alto, observando a Laguna de Los Tres, no parque Los Glaciares, região de El Chaltén, no sul da patagonia argentina
Do alto, observando a Laguna de Los Tres, no parque Los Glaciares, região de El Chaltén, no sul da patagonia argentina
Agora juntos, ficamos ali, admirando aquela obra-prima da natureza. Depois, antes que chegasse alguém e nos visse em território proibido, voltamos à lagoa e, de lá, levei a Ana para ver a Laguna Sucia. Também estava muito mais bela do que ontem, devidamente iluminada pelo sol.
Regressando da Laguna de Los Tres, no parque Los Glaciares, região de El Chaltén, no sul da patagonia argentina
Trilha Madre e Hija, no parque Los Glaciares, região de El Chaltén, no sul da patagonia argentina
Bom, entre idas e vindas, fotos e momentos de reflexão, ficamos umas duas horas lá em cima. Começavam a chegar as pessoas de hoje e isso era o sinal de que, nós também, precisávamos tomar nosso caminho. Descemos rapidinho até Poincenot, desarmamos e embalamos a barraca e fomos fazer a trilha da Madre e Hija. Sete quilômetros quase planos e as duas lagoas, uma maior e outra menor, mãe e filha, ali ao nosso lado. Depois, mais um quilômetro descendo e encontramos a trilha da Laguna Torre. Para a direita, o Cerro Torre e o glaciar Grande, nossos velhos conhecidos. Para a esquerda, o caminho de casa. Depois de tantos quilômetros, subidas e descidas, não tivemos dúvidas: tomamos a esquerda!
Passando pelas Lagunas Madre e Hija, no parque Los Glaciares, região de El Chaltén, no sul da patagonia argentina
Após dois dias de caminhada no parque Los Glaciares, chegando de volta à El Chaltén, no sul da patagonia argentina
Agora seguimos ao lado do nosso conhecido rio Fitz Roy. Paramos nos mirantes para fotografar as cachoeiras e as curvas do rio, mas estávamos mesmo é acelerados para voltar para casa. Sentar mais uma vez nas mesinhas de calçada daqueles restaurantes gostosos, aproveitar o festival de comida que havia na cidade, tomar uma Quilmes gelada, era tudo o que queríamos! Depois, uma noite merecida de descanso na nossa pousada, pois amanhã o dia começa cedo. Dessa vez, nada de caminhada, vamos é escalar. Escalar no gelo do gigantesco glaciar Viedma.
Após dois dias de caminhada no parque Los Glaciares, chegando de volta à El Chaltén, no sul da patagonia argentina
O belo Jefferson Memorial, à beira do Potomac, em Washington DC, capital dos Estados Unidos
O mais tradicional programa turístico a se fazer em Washington é ir caminhar pelo Mall, um dos eixos principais da cidade. Aí estão os principais museus, o Capitólio, as costas da Casa Branca, o Washington Monument e o Licoln Memorial.
Estação de metrô em Washington DC, capital dos Estados Unidos
Como Brasília, Washington é uma cidade planejada. Os planos originais são do francês L’Enfant. Ele desenhou uma cidade com avenidas largas, com muitos espaços abertos para parques e vegetação. O principal eixo seria uma avenida com cerca de uma milha de comprimento e mais de 100 metros de largura. Aí estariam os principais prédios públicos da capital.
O Washington Monument numa tarde chuvosa em Washington DC, capital dos Estados Unidos
L’Enfant foi despedido muito antes que a construção da cidade terminasse. Sua insistência em supervisionar cada detalhe da construção estava atrasando o ritmo da obra e acabou irritando o presidente Washington. Mas seus sucessores, que eram os antigos assistentes, acabaram mantendo a ideia geral de seu plano original.
Monumento à 2a Guerra Mundial, em Washington DC, capital dos Estados Unidos
O tal “eixo principal” é o “National Mall”, onde fomos caminhar hoje. Seguimos do Capitólio em direção ao Lincoln Memorial, passando em frente aos principais museus da cidade e também do Washington Monument e dos monumentos à 2ª Guerra na Europa e no Pacífico.
Chuva em Washington DC, capital dos Estados Unidos
Logo no início da caminhada, uma surpresa: chegavam juntos conosco, no Capitólio, um animado grupo de ciclistas, com mais de 200 pessoas, chegados de Nova York. Foi aquela comemoração!
Visita ao Lincoln Memorial, em Washington DC, capital dos Estados Unidos
Depois disso, nossa companheira por toda a caminhada foi a chuva. A cada intervalo, andávamos outros 200 ou 300 metros. A vantagem foi que os turistas sumiram e restaram apenas alguns poucos bravos para apreciar aquelas paisagens e monumentos solenes.
Lendo o discurso de Lincoln no início de seu 2o mandato, em plena guerra civil americana (em Washington DC, capital dos Estados Unidos)
Passei um bom tempo ledo o discurso de Lincoln no início de seu 2º mandato, esculpido nas paredes de seu memorial. Ainda em plena Guerra Civil, aí se percebe um grande estadista. Pouco depois, venceria a guerra, manteria intacta a União e a nação destinada a liderar o mundo por um bom tempo e, ironia, seria assassinado.
Observando o rio Potomac, em Washington DC, capital dos Estados Unidos
O passeio terminou às margens do Potomac, admirando o mais belo monumento da cidade, na minha modesta opinião, o Jefferson Memorial. Um dia e um passeio para não esquecermos, um dos marcos nesses nossos 1000dias por toda a América.
O belo Jefferson Memorial, à beira do Potomac, em Washington DC, capital dos Estados Unidos
Visitando o P.N do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)
Quem vem à Foz tem de ver as cataratas. Se não, é como ir à Paris e não ver a Torre Eiffel ou ir à Roma e não ver o papa! E não é por menos, afinal esta é uma atração de renome mundial, um dos pontos mais visitados do Brasil, nosso cartão postal mais conhecido ao lado do Cristo do Rio.
Na fila da bilheteria do P.N. do Iguaçu(Foz do Iguaçu - PR)
Placa informativa do P.N. do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)
O primeiro visitante em tempos modernos foi o explorador espanhol Cabeza de Vaca que, assim como seus colegas da época, procurava incansavelmente pelo Eldorado, a lendária terra do ouro e maior engodo da história. Fico imaginando a cara dele ao se deparar com essa visão absolutamente fantástica, mais de um milhão de metros cúbicos de água despencando ao mesmo tempo através de centenas de cachoeiras de 30, 40, 60 metros causando um estrondo contínuo que se ouve à dezenas de quilômetros.
Trilha em passarelas de madeira na mata do P.N do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)
Andando de trenzinho em meio à Mata Atlântica no P.N do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)
Bem, não sei a cara dele, mas os índios da região, que usavam a área das cataratas como terreno sagrado para enterrar seus antepassados não gostaram nada da "visita" daqueles conquistadores. Ofereceram suas canoas para que eles atravessassem o rio caudaloso mas, no meio da travessia, tiraram tampões que cobriam alguns buracos na madeira, deixando que a água entrasse nos barcos. Eles, índios, sem roupa e bons nadadores, simplesmente nadaram para as margens. Os conquistadores por sua vez, vestidos com suas pesadas roupas de metal, foram direto para o fundo. Foi o primeiro embate entre índios e europeus nas cercanias das cataratas do Iguaçu, que na língua indígena significa "água grande".
No barco para ver as cataratas pelo lado de baixo, no P.N. do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)
Barco se dirige às Cataratas do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)
Centenas de anos depois, os índios já desaparecidos da região, quem visitou as cataratas e se impressionou foi nosso conterrâneo famoso, Santos Dummont. Não sei se ele voou com o 14 bis por cima das quedas (claro que não, hehehe), mas ficou maravilhado com elas e propôs a criação de um parque para protegê-las. Isso foi em 1919. Onze anos mais tarde foi criado um parque estadual na área e em 1939 foi a vez do governo federal criar um parque para proteger esse patrimônio mundial.
Próximos às cataratas durante o Macuco Safari, no P.N do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)
Barco do Macuco Safari dá um banho de cachoeira em turistas, no P.N do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)
Agora, em 2011, foi a nossa vez de visitá-las. Não foi a primeira vez minha e nem da Ana, mas foi nossa primeira vez juntos! Uma atração dessa magnitude, visitada por tanta gente, já se rendeu ao "esquemão" faz muito tempo. Parque Nacional de 1o mundo, atração cinco estrelas no Guia 4rodas, não há muita chance de se fugir das regras, caminhos, lugares-comum. Enfim, é um preço barato que se paga para se ter acesso à essa maravilha natural. Bem, falando em preço, din-din, aí não é tão barato não. Pelo menos, para brasileiros custa a metade dos 48 reais cobrados dos gringos (será uma boa propaganda, essa?). Esse aí nem é tão caro assim. Mas se somar o estacionamento de 12 reais, os preços extorsivos dos passeios extras e até a capa de chuva para quem vai de barco até as cachoeiras, aí fica caro sim. A Trilha do Poço Preto custa uns 120 reais, o Macuco Safari outros 120 reais e o rapel com vista para as cataratas, nem perguntei...
Completamente encharcado aós o Macuco Safari, no P.N do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)
Turistas caminham nas passarelas próximas às catartas no P.N do Iguaçu(Foz do Iguaçu - PR)
Andar 9 km pela mata pagando essa fortuna, acabamos desistindo, afinal o que mais temos feito é andar na mata sem pagar nada. Para quem nunca fez, talvez valha à pena. O Macuco Safari, resolvemos encarar. Uma delícia, mas eu esperava que o barco fosse mais longe, até a boca da famosa Garganta do Diabo. Mas, fui informado que isso só ocorre quando o rio está mais vazio. A visão lá de baixo é espetacular, mas não vale os 120 reais cobrados.
Turistas caminham nas passarelas próximas às catartas no P.N do Iguaçu(Foz do Iguaçu - PR)
Toda encapada nas passarelas do parque nacional nas cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu - PR
O que vale, e vale muito mesmo, é a caminhada pela trilha das cataratas. Essa já está incluída no preço de entrada do parque e, de cada ângulo, de cada curva, é um verdadeiro show visual. Que coisa mais esplendorosa! Que poder da natureza! Impressionante!
Bem próximo das cataratas do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)
Bem próxima das cataratas do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)
Foi uma manhã e tanto! Uma manhã que se estendeu até o início da tarde, quando tivemos de sair correndo para não perder o outro espetáculo do dia, a visita técnica à Usina de Itaipu. Deixamos o parque às pressas, com a sensação de que queríamos ficar mais, admirar mais, contemplar mais. Fica para amanhã, quando o visitaremos novamente, dessa vez do lado argentino. É quando se pode chegar ainda mais perto da Garganta do Diabo, o ponto mais dramático desse verdadeiro templo das águas.
A famosa Garganta do Diabo, no P.N do Iguaçu (Foz do Iguaçu - PR)
Entrada da caverna Água Suja, no PETAR
O PETAR continua maravilhoso. É minha terceira vez por aqui, muita coisa mudou, muitos lugares estão fechados à visitação, tudo está mais organizado e burocratizado mas, mesmo assim, a natureza continua a mesma, as cavernas, a mata atlântica, os rios, a fauna.
Formações dentro da caverna Água Suja, no PETAR
Há cerca de dois anos atrás o parque esteve fechado por 2 meses. Decidiu-se por fazer um plano de manejo de toda a região, incluindo suas cavernas. Após esse período inicial, algumas cavernas foram reabertas à visitação, mas a grande maioria permaneceu fechada até que o plano fosse terminado, o que deve ocorrer nos próximos 12 meses. Agora, todas as visitas devem ser guiadas por monitores cadastrados. O número de visitantes também é limitado, para que o impacto sobre a natureza seja controlado. Já não se pode acampar na área do Núcleo Santana, o principal do parque.
Formações dentro da caverna Água Suja, no PETAR
Após este período de indefinição, o turismo voltou com força para a região. E deve aumentar ainda mais com a abertura de outras cavernas, após o término do plano de manejo. Mesmo assim, a grande maioria das mais de 300 cavernas da região continuarão fechadas aos turistas, aberta apenas aos estudos de pesquisadores. Mas, que fique bem claro: a parte que já está aberta e, considerando-se o que vai ser aberto em breve, é mais do que o suficiente para encher os olhos de qualquer visitante.
Formação amarela dentro da caverna Água Suja, no PETAR
Tivemos a sorte de chegar aqui durante a semana, o que garante um parque vazio para nós. Congestionamento em caverna, ninguém merece. Assim, decidimos visitar as cavernas mais acessíveis hoje, sexta, enquanto os turistas não chegam e deixamos para o sábado uma outra, no Núcleo Caboclos, região mais isolada do parque, mais protegida dos visitantes de fim de semana.
Quem organizou tudo para gente foi a agência Parque Aventuras, uma das principais da região. Ontem de noite eles já combinaram com o Edson, um monitor que mora em Apiaí, para vir nos acompanhar esses dois dias. Chamaram ele porque a Ana já tinha sido guiada pelo pai dele, há sete anos atrás. Um senhor também chamado Edson e que, na época, já estava fazendo 80 anos, esbanjando saúde e destreza nas trlhas.
Atravessando o rio, no caminho de volta da caverna Água Suja, no PETAR
Hoje, bem cedinho, o Edson já estava por aqui. Logo depois da oito da manhã nós estávamos na entrada do parque, no Núcleo Santana, R$5,00 a entrada. O primeiro objetivo do dia: a caverna de Água Suja. Esse nome não faz justiça pois a água do rio que corre pela caverna é muito limpa. Assim como nas outras cavernas que estão abertas a visitação, apenas parte dela é liberada. Na Água Suja, são 800 metros de galerias, sempre ao lado ou por dentro do rio de águas frias. A boca da caverna é muito bonita, o verde forte da mata chegando até onde chega a luz do sol. A quantidade de espelotemas é abundante, formas esdrúxulas descendo pelo teto, subindo ou se arrastando pelo chão e pelas paredes. Percebe-se claramente que a caverna é um organismo vivo, só que com uma escala temporal "ligeiramente" mais longa que a nossa. A cada passo caverna adentro, vamos nos deixando impressionar com a grandiosidade do local, viajando nas formas dos estalactites e nos milhares de anos que as gotas d'água demoraram para esculpir tudo aquilo.
Aos poucos a caverna vai se fechando e nós temos de entrar mais e mais fundo no rio. O corpo, com algum sofrimento, acaba se acostumando com a temperatura da água. O gran finale é uma cachoeira subterrânea, quatro metros de queda d'água fazendo um barulho quase ensurdecedor dentro de uma pequena galeria sob milhares de toneladas de rochas. Pois é, é muito estranho pensar: sobre nossas cabeças está uma montanha. E sobre ela, uma floresta densa. É até difícil imaginar...
Banho de cachoeira na caverna Água Suja, no PETAR
Ficamos ali, tomando aquele banho mágico por algum tempo. Depois, é hora de voltar pelo mesmo caminho, em direção a boca da caverna onde, de longe, já se enxerga o verde e a luz. É uma visão emocionante, ver cores vivas, claras, depois de tanto tempo sob a luz de lanternas, onde tudo é escuro, quase sem cor. Entrar numa caverna é sempre maravilhoso, portal para um novo e estranho mundo. Sair de uma caverna é abençoado, voltar para o nosso belo, velho e colorido mundo.
Isso foi só o começo do dia...
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