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SHUFFLE Há 1 ano: Estados Unidos Há 2 anos: Estados Unidos

Petrolina - PE

Brasil, Pernambuco, Petrolina

Catedral de Petrolina - PE

Catedral de Petrolina - PE


A viagem de Feira até Juazeiro, no norte da Bahia, fronteira com Pernambuco, transcorreu sem problemas. Atravessamos um mar de sertão durante toda à tarde e uns 50 km antes da cidade cantada em prosa verso por Gonzagão, a noite caiu. Aí, o cuidado se redobrou para não passarmos em cima de algum jegue ou cabra que vivem cruzando as estradas do sertão. Com uma freada ou outra, chegamos incólumes.

O rio São Francisco, com Juazeiro ao fundo, visto do apartamento da Iolanda, em Petrolina - PE

O rio São Francisco, com Juazeiro ao fundo, visto do apartamento da Iolanda, em Petrolina - PE


Mas chegamos na hora errada. A ponte que cruza o São Francisco e liga a Bahia à Pernambuco, Juazeiro à Petrolina, estava engarrafada. Depois de cruzarmos a vazio do sertão durante horas e horas, passamos uma hora para andar alguns poucos quilômetros. A ponte está em reforma e o acesso à ela está muito complicado. As duas cidades estão muito próximas e são de grande porte e esta é a única ligação rodoviária entre elas. O resultado na hora do rush é esse.

O rio São Francisco, com Juazeiro ao fundo, visto do apartamento da Iolanda, em Petrolina - PE

O rio São Francisco, com Juazeiro ao fundo, visto do apartamento da Iolanda, em Petrolina - PE


Em Petrolina, fomos para o apartamento da Iolanda, mãe do Ênio, nosso amigo de Curitiba. O apartamento fica na orla do São Francisco, no décimo andar, e tem uma vista magnífica do rio, da ponte e também de Juazeiro, lá do outro lado. Ela nos recebeu de braços abertos e com um aperitivo e cerveja gelada na varanda. Uma delícia!

Com a Iolanda no Bodódramo, em Petrolina - PE

Com a Iolanda no Bodódramo, em Petrolina - PE


De lá, ainda de noite, seguimos para o "bodódramo", região de restaurantes da cidade que servem a especialidade da região: carne de carneiro. Como nos explicou a Iolanda, o carneiro é o único animal que, quando morre, muda de espécie; vira bode! Até é possível comer carne de bode mesmo por lá, mas o que todos comem é carneiro. Mesmo assim, é o bode que está em todos os lugares, decorando o restaurante. Enfim, a carne de carneiro-bode estava deliciosa!!!

Parreiral da FruttiHall, em Petrolina - PE

Parreiral da FruttiHall, em Petrolina - PE


Com a Iolanda e os últimos cachos de uva da temporada, na fazenda FruttiHall, em Petrolina - PE

Com a Iolanda e os últimos cachos de uva da temporada, na fazenda FruttiHall, em Petrolina - PE


No dia seguinte, fomos visitar a fazenda da família, a FruttiHall. É uma fazenda premiadíssima, de produção de uvas. Por poucos dias perdemos a colheita do final da safra. Uma pena! Mesmo assim, foi super interessante caminhar por entre os parreirais com a Iolanda e ouvir explanações sobre os tipos de uvas, técnicas de enxerto, como tratar as parreiras e como e quando devem ser colhidas as frutas. Além disso, ainda achamos vários cachos retardatários e deu para me entupir de uva. Doce como mel e sem caroços!

Caatinga vista do alto do Serrote do Urubu, próximo à Petrolina - PE

Caatinga vista do alto do Serrote do Urubu, próximo à Petrolina - PE


Depois de tanta uva, fomos até a beirada do Velho Chico, ainda dentro da fazenda. Um rio daquele tamanho verde! É uma beleza! Molhamos os pés, garantia que um dia voltaremos. De lá, já no caminho de casa, passamos no Serrote do Urubu. Uma pequena montanha de pedra que se ergue sobre a caatinga e nos proporciona uma bela vista da própria caatinga e do rio São Francisco. O sol é inclemente e uma caminhada por aqui equivale a três ou quatro na Chapada!

Rio São Francisco visto do alto do Serrote do Urubu, próximo à Petrolina - PE

Rio São Francisco visto do alto do Serrote do Urubu, próximo à Petrolina - PE


Ainda no caminho para casa, passamos por uma verdadeira salada de frutas, o que me fez ficar fã da região! À base de muita irrigação, o solo de Petrolina produz todos os tipos de frutas, quase. Vimos uvas, mamão, manga, abacaxi, acerola, goiaba, coco, cana, melão e muitas outras. Um colírio para os olhos. Tudo por conta das águas do velho Chico!

Observando o pôr-do-sol em Petrolina - PE, no apartamento da Iolanda

Observando o pôr-do-sol em Petrolina - PE, no apartamento da Iolanda


Chegamos em casa à tempo de assistir a um belíssimo pôr-do-sol da varanda do apartamento. Espetacular o céu aqui no sertão. De alguma maneira, ele parece maior do que o normal. Não sei explicar...

Pôr-do-sol no Velho Chico, em Petrolina - PE

Pôr-do-sol no Velho Chico, em Petrolina - PE


Tivemos uma ótima estadia em Petrolina graças à Iolanda que nos recebeu como filhos e nos fez sentir em casa. Além disso, foi nossa guia pelo dia e noite na cidade. E para melhorar mais ainda, ainda saímos de lá com as malas renovadas, todas as roupas limpinhas! Que bom seria se tivéssemos pit-stops como esse uma vez por mês...

Na beira do rio São Francisco, em Petrolina - PE

Na beira do rio São Francisco, em Petrolina - PE

Brasil, Pernambuco, Petrolina, Juazeiro

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Guerra e Paz

El Salvador, El Tunco

Praia de El Tunco, litoral de El Salvador

Praia de El Tunco, litoral de El Salvador


Meio “avariado” pela mistura de bebidas da noite anterior, a minha manhã foi bem longa hoje. A falta de energia elétrica fez que o ar condicionado desligasse logo cedo e, um pouco mais tarde, já estávamos sem água no banheiro também. “No worries!”, como diriam os australianos. Fui para a piscina e cair na água fria foi como entrar no paraíso. Depois, na brisa fresca da manhã, achei uma cadeira de balanço bem confortável na sombra de um coqueiro e lá fiquei, até que a energia elétrica voltasse. Daí pude observar que o hotel e a praia estavam bem diferentes do sossego de ontem. Centenas de pessoas chegavam para aproveitar o dia ou o início da temporada praiana, depois de passarem o natal em casa. Mais um motivo para eu voltar à tranquilidade do meu quarto, agora com ar condicionado.

Nosso hotel La Guitarra, em El Tunco, litoral de El Salvador

Nosso hotel La Guitarra, em El Tunco, litoral de El Salvador


Mais umas duas horas de sono e um Engov que a Ana me deu e eu já estada tinindo e com fome. Voltamos ao nosso café preferido na surf town, bem ao lado do rio que marca o fim de El Tunco e com vista para a praia e o mar e tivemos o nosso brunch saudável, salada de frutas com iogurte e granolas e sanduíche em baguete crocante. Saúde e paz nos cercavam de todos os lados, natureza exuberante e pessoas se divertindo ao fundo, música agradável nos altofalantes do café. Difícil imaginar cena mais tranquila e relaxante.

Domingão, praia cheia em El Tunco, litoral de El Salvador

Domingão, praia cheia em El Tunco, litoral de El Salvador


Mais difícil ainda imaginar que esse país viveu uma longa e sangrenta guerra civil até pouco tempo. Pelo menos para mim, do alto dos meus quarenta e poucos anos. Fico imaginando que a maioria dos turistas daqui, ainda nos seus vinte e poucos, pouco ou nada sabem da história de El Salvador e só querem saber de pegar suas ondas no início do dia ou final da tarde. Alguns poucos devem ter lido algumas linhas sobre a guerra dos anos 80, mas linhas de livros são frias e vazias quando comparadas à realidade.

Felizmente, eu também não vivi essa realidade. Pelo menos, não de perto. Mas lembro-me de, quase diariamente, acompanhar as imagens e notícias da guerra, seja pelo Jornal Nacional, quando ainda era mais jovem, ou por jornais e revistas, já adolescente. Uma guerra sem fim e que parecia ser a eterna realidade desse pequeno país. Guerrilhas de esquerda tentando desapear do poder uma direita corrupta e violenta, sem nenhum apego aos direitos humanos, mas com apoio logístico e financeiro americano. O governo Reagan, na sua luta para vencer a Guerra Fria, principalmente aqui no seu “quintal”, tinha decidido que não queria uma outra Nicarágua na região. Nem que para isso precisasse sustentar um governo pavoroso como tinha o país naquela época. Sem esse apoio, certamente o governo teria caído e sabe-se lá o que teria ocorrido à El Salvador. Mas, na visão americana da época, certamente Honduras e Guatemala passariam a ser as bolas da vez, o “comunismo” chegando às portas dos Estados Unidos. Por isso, aqui, nesse pequeno país, se jogavam as grandes apostas de um mundo dividido. E eram os salvadorenhos que pagavam o pato.

Almoço saldável de Natal, em El Tunco, litoral de El Salvador

Almoço saldável de Natal, em El Tunco, litoral de El Salvador


Dois lances marcaram essa guerra, um no seu início e outro já perto do seu fim. Em 1980 era assassinado a sangue frio, em plena celebração da missa, o arcebispo de San Salvador, Oscar Romero. Inicialmente um clérigo conservador, o arcebispo começou a vociferar em alto e bom tom contra as torturas, esquadrões da morte e o governo que as acobertava quando um padre jesuíta, seu amigo pessoal, foi vítima dessa guerra suja. Como nada foi apurado e a imprensa censurada era proibida de noticiar qualquer coisa sobre o assunto, Oscar Romero começou a usar suas missas para cobrar mudanças nessa política. Alguns meses depois, sem cerimônia, foi assassinado no púlpito. Governos de todo o mundo reagiram, a imprensa mundial veio cobrir o funeral e todos fomos testemunhas, via TV, do massacre ocorrido durante o enterro, transformado em grande manifestação. Dezenas de pessoas caindo mortas frente a tiros indiscriminados desferidos por agentes à paisana. Nada disso impediu que os EUA aumentassem a sua ajuda militar ao governo, já que para eles a alternativa seria ainda pior. Já no final da década, o governo Reagan mergulhado no escândalo Irã-Contras, a ajuda minguando para as ditaduras centro-americanas, a guerrilha resolveu apostar na “Ofensiva Final”. Chegaram à periferia da capital, o governo por um fio, mas a ajuda americana não falhou nessa hora e o poderio das armas falou mais alto. Novo empate técnico, guerra sem vitoriosos, promessa de mais anos turbulentos pela frente.

Domingão, praia cheia em El Tunco, litoral de El Salvador

Domingão, praia cheia em El Tunco, litoral de El Salvador


Felizmente, vivíamos o fim da Guerra Fria, vencida pelos EUA de Reagan e Bush. Isso acabou possibilitando um grande acordo regional que pôs fim não só à guerra em El Salvador, mas também na Nicarágua. Timidamente, a democracia voltava também à Honduras e Guatemala. De lá para cá, muito melhorou nesses países, mas sem dúvida o caminho a percorrer ainda é longo.

Mas, enfim, a guerra foi substituída pela paz. Certamente, não a paz nos padrões de países de primeiro-mundo. Mas, se comparado à situação de anarquia anterior, certamente podemos chamar de paz, sim senhor. E foi essa “paz” que possibilitou a volta do turismo a esses belos países. Hoje aqui, na praia de El Tunco, o cenário era de paz. A guerra só estava na cabeça de um turista ainda meio ressacado e que procurava, nos olhos dos salvadorenhos mais velhos que encontrava, algum resquício, algum sinal da situação anterior. “Como será que esse pacato senhor que vende cocos na praia viveu a década de 80?”. “Como terá sido o natal de 1985 na praia de El Tunco?”. Perguntas para as quais não tenho resposta. Só duvido que tenha havido o belo show de jazz que tivemos aqui no La Guitarra, esta noite. Vantagens de se viver na paz...

El Tunco, litoral de El Salvador

El Tunco, litoral de El Salvador

El Salvador, El Tunco, Praia

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Icebergs, Fiordes e Geleiras

Geórgia Do Sul, Drygalski Fjord

Um belo iceberg proveniente das gigantescas plataformas de gelo da Antártida cruza nosso caminho na entrada do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Um belo iceberg proveniente das gigantescas plataformas de gelo da Antártida cruza nosso caminho na entrada do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


A tarde de hoje foi a nossa última nas costas da Geórgia do Sul, essa incrível ilha perdida no meio das imensidões geladas do Atlântico meridional. Depois de tantos desembarques ao longo da costa norte da ilha, agora foi a vez de ficarmos admirando a paisagem de dentro do conforto do Sea Spirit, enquanto o barco percorria toda a extensão do Drygalski Fjord, o maior fiorde da Geórgia do Sul.

Nosso roteiro e pontos de parada na Geórgia do Sul

Nosso roteiro e pontos de parada na Geórgia do Sul


Navegando no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Navegando no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Navegando por entre as montanhas e geleiras do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Navegando por entre as montanhas e geleiras do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Fiordes são formações geológicas deixadas para trás pelas grandes geleiras das épocas glaciais. Esses enormes e poderosos rios de gelo abriram caminho por entre as montanhas, formando vales profundos em forma de “U” na sua rota para o mar. Naquela época, com tanta água na forma de gelo no norte, sul e grandes montanhas do planeta, o nível dos oceanos era bem mais baixo do que é hoje. Com o clima se aquecendo, as geleiras foram derretendo e o nível dos mares subindo, passando a ocupar os enormes vales formados pelos rios de gelo que retrocediam. Essas formações são muito comuns nas costas do Noruega, Groelândia, Islândia e Chile, mas também são encontradas em menor número no Canadá, Dinamarca, Alaska, Nova Zelândia e aqui, na pequena Geórgia do Sul. O Drygalski é o maior deles, um estreito e comprido braço de mar ladeado por altas montanhas, penhascos e inúmeras geleiras reminiscentes daquela antiga e gigantesca geleira que abriu caminho por entre essas montanhas na última era glacial. O cenário é simplesmente grandioso e espetacular.

O primeiro iceberg tabular, vindo diretamente da Antártida, a gente nunca esquece! (pouco antes de entramos no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul)

O primeiro iceberg tabular, vindo diretamente da Antártida, a gente nunca esquece! (pouco antes de entramos no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul)


Os passageiros do Sea Spirit correm a fotografar os primeiros icebergs da nossa viagem, pouco antes de entrarmos no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Os passageiros do Sea Spirit correm a fotografar os primeiros icebergs da nossa viagem, pouco antes de entrarmos no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Mas antes de entramos nesse fiorde, tivemos um outro encontro não menos emocionante. Pela primeira vez nessa viagem, encontramos os gigantescos icebergs vindos diretamente das grandes plataformas de gelo da Antártida. São os chamados icebergs “tabulares”, em formato de mesa, com centenas de metros de lado formando um grande platô no seu topo. Eles são diferentes (e muito maiores!) do que qualquer outro iceberg que já tenhamos visto, aqui na Geórgia do Sul e mesmo ao redor da Groelândia, por onde também viajamos nesses 1000dias.

Avistando os primeiros grandes icebergs da viagem, pouco antes de entrar no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Avistando os primeiros grandes icebergs da viagem, pouco antes de entrar no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Blocos de gelo provenientes das geleiras do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Blocos de gelo provenientes das geleiras do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Blocos de gelo se soltam das geleiras aqui da Geórgia do Sul (e também na Islândia, Groelândia e Alaska) formando pequenos icebergs que já conhecíamos. Claro, alguns deles são bem grandes também e um deles chegou mesmo a afundar o Titanic. Mas tamanho é relativo e o que nos parecia grande antes, agora, comparado a esses colossais icebergs tabulares, viraram pequenos “cubos de gelo”. Aqueles tem um formato mais quebrado, pontiagudo. Esses, vindos diretamente da Antártida, são mais quadrados. Os maiores, formados quando um grande pedaço de plataforma de gelo se rompe, chegam a ter o tamanho de estados como Alagoas e Sergipe. Enfim, são mesmo colossais. Assim que se desprendem do gelo continental, as correntes marinhas os levam lentamente para o norte. Aos poucos, vão derretendo e se partindo em icebergs menores. Existe uma linha imaginária no Atlântico Sul (na verdade, ao redor de todo o continente antártico) que marca o ponto máximo aonde essas enormes massas de gelo chegam antes de derreter completamente. A Geórgia do Sul se encontra dentro dos limites dessa linha imaginária e por isso já começamos a vê-los por aqui enquanto as Falkland situam-se ao norte dessa linha.

A vistosa parede de gelo de um iceberg que flutua a frente do Sea Spirit, pouco antes de entrarmos no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

A vistosa parede de gelo de um iceberg que flutua a frente do Sea Spirit, pouco antes de entrarmos no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


A paisagem geleda e montanhosa do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

A paisagem geleda e montanhosa do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Navegando no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Navegando no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


O que vimos hoje foi o mesmo que viram os primeiros navegadores e exploradores dessa região há poucos séculos atrás. Ao se depararem com esses enormes icebergs, logo concluíram que só poderiam vir de alguma enorme massa de terra mais ao sul. Muito provavelmente, um novo continente! Por isso, muito antes de qualquer pessoa ver a Antártida com seus próprios olhos, a existência do continente já era conhecida (ou deduzida...). Com pistas desse tamanho, não é de se admirar! E olha que passaram-se mais de dois séculos entre os primeiros encontros com os icebergs tabulares e o momento em que, finalmente, alguém encontrou a verdadeira “terra firme” do último continente.

Uma das muitas geleiras ao longo do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Uma das muitas geleiras ao longo do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Mais uma das geleiras do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Mais uma das geleiras do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Geleiras e montanhas do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Geleiras e montanhas do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Enfim, muitos icebergs tabulares e a história da exploração da Antártida nos esperam nos próximos dias. Hoje foi só para abrir o apetite! A atração principal dessa tarde foi mesmo a navegação pelo Drygalki Fjord. Logo na entrada do fiorde, um zodiac levou para terra firme dois dos nossos guias enquanto nós continuávamos nossa navegação. Os guias foram fazer um trabalho científico de observação de animais em uma baía mais isolada. É uma espécie de favor que fazem aos pesquisadores dessa ilha, algo muito comum entre cientistas e as companhias de turismo, unindo o útil ao agradável. Na volta, após irmos até o fim do fiorde e voltarmos, recolhemos eles de volta, já com seus preciosos dados para serem enviados às bases científicas aqui da Geórgia do Sul.

Uma imponente geleira do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Uma imponente geleira do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Blocos de gelo se desprendem de geleira no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Blocos de gelo se desprendem de geleira no Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Uma das inúmeras geleiras ao longo do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Uma das inúmeras geleiras ao longo do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Quanto a nós, navegamos tranquilamente por esse fotogênico braço de mar. A quantidade de pequenas geleiras no seu entorno realmente impressiona. Digo “pequenas” só porque estou comparando-as com a geleira inicial, aquela que deu origem ao fiorde por onde hoje navegamos. Porque, se esquecermos do tamanho colossal desta, essas outras que vimos hoje também são enormes. Descem das altíssimas montanhas ao fundo trazendo consigo milhões de toneladas de gelo e rocha arrancada das montanhas. Isso mesmo, ainda hoje essas geleiras continuam a abrir caminho e formar novos vales, moldando a geologia do local.

Observando o final do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Observando o final do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Admirando a beleza grandiosa do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Admirando a beleza grandiosa do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Navegando por entre as montanhas e geleiras do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Navegando por entre as montanhas e geleiras do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


O fiorde não é largo e o Sea Spirit está sempre próximo dos penhascos e geleiras, ora de um lado do antigo vale, ora do outro. Cada geleira, cada visão, cada cenário mais impressionante que o anterior. Por fim, chegamos ao fim do fiorde, o ponto para onde retrocedeu a antiga geleira formadora de toda essa maravilha. Ainda hoje, ela continua bem maior do que as geleiras laterais, suas antigas “afluentes”. Aí o Sea Spirit para, faz meia volta, nos dá um tempo para nossas fotos e momentos de admiração e veneração e inicia o longo caminho de retorno.

Com a Kim na piscina de água quente do Sea Spirit, deixando a gelada Gold Harbour, na Geórgia do Sul

Com a Kim na piscina de água quente do Sea Spirit, deixando a gelada Gold Harbour, na Geórgia do Sul


Com a Kin e o Brian na piscina de água quente do Sea Spirit, deixando para trás a gelada Gold Harbour, na Geórgia do Sul

Com a Kin e o Brian na piscina de água quente do Sea Spirit, deixando para trás a gelada Gold Harbour, na Geórgia do Sul


No caminho de volta, aproveitamos para admirar a paisagem de “outro ângulo”: de dentro da nossa piscina de água quente! A situação era quase surreal: circundados por montanhas geladas e cachoeiras de gelo que despencavam de dezenas de metros sobre uma mar com águas de 2 graus de temperatura, lá estávamos nós em nossos trajes de banho e ao ar livre, mais felizes do que nunca, uma lata de cerveja em uma mão e uma máquina fotográfica em outra. A tática era ficarmos até o pescoço dentro da água quente e alternar corridas ao convés gelado para tirarmos fotos, com mergulhos de cabeça para reaquecermos nossas faces geladas. Foi uma delícia, assistida pelos incrédulos velhinhos que formam a maioria dos nossos colegas de viagem. Enfim, quem está na chuva é para se molhar e lá estávamos nós, mais molhados do que nunca. Uma despedida à altura dos dias inesquecíveis que passamos nessa fantástica ilha chamada Geórgia do Sul!

Aproveitando a piscina de água quente no convés do Sea Spirit enquanto navegamos nos ares gelados do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Aproveitando a piscina de água quente no convés do Sea Spirit enquanto navegamos nos ares gelados do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul


Aproveitando a piscina de água quente no convés do Sea Spirit enquanto navegamos nos ares gelados do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Aproveitando a piscina de água quente no convés do Sea Spirit enquanto navegamos nos ares gelados do Drygalski Fjord, na Geórgia do Sul

Geórgia Do Sul, Drygalski Fjord, Fiorde, geleira, Iceberg, Sea Spirit

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A Serenidade de La Serena

Chile, La Serena

Até s pelicano admira o fantástico pôr-do-sol na praia de Totoralillo, na região de La Serena, no Chile

Até s pelicano admira o fantástico pôr-do-sol na praia de Totoralillo, na região de La Serena, no Chile


Depois de dois dias intensos cruzando a paisagem maravilhosa do Paso San Francisco, nada como a serenidade de um lugar chamado “La Serena”! Um pouco menos de 500 km ao norte da capital Santiago, essa é a segunda cidade mais antiga do Chile, com mais de 460 anos de idade, embora tenha sido destruída duas vezes em sua história, a última delas por um sanguinário pirata inglês, em 1680. Desde então, ela fez jus ao nome, atraindo santiaguinos e os hermanos do outro lado da fronteira para relaxarem em suas belas e tranquilas praias. Como nós, hoje.

Reencontro com o Oceano Pacífico na cidade de La Serena, no Chile

Reencontro com o Oceano Pacífico na cidade de La Serena, no Chile


Reencontro com o Oceano Pacífico na cidade de La Serena, no Chile

Reencontro com o Oceano Pacífico na cidade de La Serena, no Chile


Nos meses de verão, a cidade é provavelmente o principal destino turístico no litoral ao norte de Viña del Mar, mas fora de temporada é mesmo bem serena. O frio da água do mar ajuda a explicar isso, mas não a torna menos atrativa aos visitantes. Além das praias, a cidade tem uma bela arquitetura, fruto do investimento de um antigo presidente que muito protegeu a sua cidade natal. Além disso, um pouco mais ao sul está a vizinha Coquimbo, um pitoresco porto cheio de bares, restaurantes e ruas charmosas ao redor de um morro que dá vista para toda a região.

Caminhando na praia de La Serena, no Chile

Caminhando na praia de La Serena, no Chile


La Serena, no Chile

La Serena, no Chile


Com uma agenda apertada para chegarmos até Santiago e voarmos para a Ilha de Páscoa (nossas passagens são para o dia 10 pela manhã, em menos de uma semana!), começamos o dia bem cedo. Nossa ideia era conhecer La Serena e Coquimbo hoje e seguir para o sul amanhã cedo, rumo a Valparaiso. Assim, logo depois do café da manhã, já estávamos caminhando na praia. Não poderia ser diferente, tínhamos de começar pela atração mais conhecida da cidade e, além do mais, morríamos de saudades do Oceano Pacífico.

O mar de La Serena, no Chile. Ao fundo, a Cruz do Milênio

O mar de La Serena, no Chile. Ao fundo, a Cruz do Milênio


O ímpeto de um mergulho terminou assim que pusemos os pés na água gelada e o remédio foi só mesmo caminhar pela areia, não molhando mais do que as canelas. Os raios de sol compensavam o frio da brisa e nossos únicos companheiros de praia eram gaivotas que não pareciam se importar com a temperatura. Lá no fundo, sobre o morro de Coquimbo, uma enorme torre de concreto marcava o horizonte. Para lá seguiríamos de tarde, mas agora caminhamos no sentido oposto, para um farol que já não mais funciona, mas que continua sendo o principal marco arquitetônico da orla da cidade.

Caminhando na praia de La Serena, no Chile

Caminhando na praia de La Serena, no Chile


Observando o farol de La Serena, no Chile

Observando o farol de La Serena, no Chile


O farol rendeu boas fotos, mas a fome apertou e voltamos para o hotel onde nos esperava a Fiona. Agora motorizados, seguimos para o sul, ainda na orla de La Serena, para encontrar um bom restaurante para almoçar. Protegidos do vento pelo vidro do restaurante, mas ao mesmo tempo admirando a bela vista oceânica, almoçamos como reis. A fome é sempre o melhor tempero. O vinho e um bom azeite disputam a segunda colocação!

Restaurante do nosso delicioso almoço em frente à praia de La Serena, no Chile

Restaurante do nosso delicioso almoço em frente à praia de La Serena, no Chile


Nosso suculento almoço, acompanhado de legítimo vinho nacional, em frente à praia de La Serena, no norte do Chile

Nosso suculento almoço, acompanhado de legítimo vinho nacional, em frente à praia de La Serena, no norte do Chile


Depois do almoço, devidamente saciados, seguimos para Coquimbo. As luzes e o clima do meio da tarde tornaram ainda mais pitoresco esse movimentado porto de pescadores que mais se parece um bairro de La Serena do que uma cidade. Para quem procura charme ou vida noturna, as ruas de Coquimbo me pareceram bem mais interessantes que as de La Serena para algumas horas exploratórias ou de diversão.

Vista de Coquimbo e de La Serena, do alto da cruz do Milênio, no Chile

Vista de Coquimbo e de La Serena, do alto da cruz do Milênio, no Chile


A gigantesca Cruz do Milênio, em La Serena, no Chile

A gigantesca Cruz do Milênio, em La Serena, no Chile


Nós caminhamos um pouco por essas ruas mais movimentadas e seguimos para o alto do morro, em busca de vistas mais amplas e também da tal cruz de concreto. Esse enorme monumento que abriga um museu e uma torre de observação é chamada de “Cruz do Terceiro Milênio” e, desde a sua inauguração, há pouco mais de uma década, se converteu em uma das principais atrações turísticas da região. O museu é quase todo sobre o Papa (e agora santo!) João Paulo II e a vista que se tem do alto de seus braços, a mais de 200 metros de altura sobre o mar, é espetacular.

Admirando a vista do alto da Cruz do Milênio, em Coquimbo, região de La Serena, no Chile

Admirando a vista do alto da Cruz do Milênio, em Coquimbo, região de La Serena, no Chile


Admirando a vista do alto da Cruz do Milênio, em Coquimbo, região de La Serena, no Chile

Admirando a vista do alto da Cruz do Milênio, em Coquimbo, região de La Serena, no Chile


Aí ficamos por um bom tempo, admirando a paisagem de 360 graus ao nosso redor. Acabamos por ficar amigos de um dos guardas do local que, muito simpático, nos sugeriu ir a uma praia um pouco mais ao sul, bem pequena e charmosa, chamada Totoralillo. Quando descemos da cruz, o sol se aproximava da linha do horizonte e achamos a ideia de assistir ao belo pôr-do-sol em uma praia pequena e pitoresca irresistível. Tratamos de acelerar para lá!

A pequen a pacata praia de Totoralillo, na região de La Serena, no Chile

A pequen a pacata praia de Totoralillo, na região de La Serena, no Chile


Admirando a praia de Totoralillo, na região de La Serena, no Chile

Admirando a praia de Totoralillo, na região de La Serena, no Chile


Não demorou muito e, quinze minutos mais tarde chegamos a essa praia quase deserta, apenas uns poucos carros estacionados no final da estrada, uma centena de metros antes da areia e do mar. Estacionamos, pegamos a máquina fotográfica e, já quando iniciávamos nossa caminhada, resolvemos voltar para pegar nossos passaportes. Pouco depois já estávamos na areia, admirando o sempre belo entardecer sobre o Oceano Pacífico, o sol mergulhando calmamente nas águas do mar (quase dá para ouvir aquele “ssshhhhhh”...) e o céu se pintando de vermelho. Foi magnífico! Valeu o esforço e a pressa para chegarmos até lá. Mas, enquanto saboreávamos cada segundo desse final de tarde fantástico, ali perto, a apenas uma centena de metros, um triste acontecimento quebraria um encanto da nossa viagem de mais de três anos: nossa aura de proteção, de intocabilidade, estava sendo estilhaçada. Assunto para o próximo post...

Admirando o pôr-do-sol na praia de Totoralillo, na região de La Serena, no Chile

Admirando o pôr-do-sol na praia de Totoralillo, na região de La Serena, no Chile


O pelicano, agora com uma namorada,  admira o sol se pôr 'quadrado' na praia de Totoralillo, na região de La Serena, no Chile

O pelicano, agora com uma namorada, admira o sol se pôr "quadrado" na praia de Totoralillo, na região de La Serena, no Chile

Chile, La Serena, Arquitetura, Coquimbo, Cruz del Tercer Milenio, Praia, Totoralillo

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Já Estamos com a Fiona!

Colômbia, Cartagena

Com os suiços Marco e Tina, logo após recuperarmos os carros no porto em Cartagena, na Colômbia

Com os suiços Marco e Tina, logo após recuperarmos os carros no porto em Cartagena, na Colômbia


Minha atividade principal nesses dias em Cartagena foi correr atrás dos papéis e fazer os pagamentos necessários para liberar a nossa pobre Fiona das entranhas do porto Contecar, o principal da cidade. O que me animava era que essa era a última vez que teria de passar por isso, afinal, daqui para frente, não há mais o “Tapón de Darién” no caminho das nossas estradas. Quando muito, tem o Amazonas, mas perto da impenetrável selva entre Panamá e Colômbia, o maior rio do mundo é um “pedaço de bolo”, como diriam os americanos.

Muitos dos passos para se conseguir a liberação dos carros eu fiz sozinho, já que era apenas um contêiner para os dois automóveis e apenas uma pessoa era necessária no porto. Como o meu espanhol é melhor que o do Marco, nada mais lógico que fosse eu o escolhido a passar a tarde por ali. Já as meninas, podiam aproveitar melhor o seu tempo do que fazer um tour por repartições, companhias de seguro e portos de Cartagena, onde a sua presença não era necessária.

Abrindo o contêiner da Fiona, no porto de Cartagena, na Colômbia

Abrindo o contêiner da Fiona, no porto de Cartagena, na Colômbia


Bom, como vocês já sabem, nós tínhamos colocado os carros no contêiner na segunda-feira passada, dia 13, lá no Panamá. O contêiner foi carregado no navio no sábado e este zarpou de Colón no Domingo, chegando à Cartagena na segunda de noite, dia 20, enquanto eu e a Ana dormíamos lá na Playa Blanca. Na terça o contêiner foi descarregado e seu número “entrou” nos computadores e sistemas daqui da Colômbia. Era o sinal de partida para que pudéssemos iniciar o processo de desembaraço.

A Fiona em seu contêiner, já em Cartagena, na Colômbia

A Fiona em seu contêiner, já em Cartagena, na Colômbia


Na quarta cedo, fui com o Marco na companhia que fez o transporte. Lá, o responsável nos deu uma ideia um pouco mais precisa de tudo o que teríamos de fazer e também a primeira conta para pagar, ali mesmo. Em seguida, corremos para a administração dos portos, ali do lado, para começar a preparar a papelada portuária. Ali também o responsável nos falou dos passos a serem seguidos. Juntando com as informações anteriores, somando e subtraindo, tentando eliminar as contradições, achamos que, agora sim, tínhamos o caminho das pedras.

Retirando o carro do casal suiço do contêiner, ainda no porto de Cartagena, na Colômbia

Retirando o carro do casal suiço do contêiner, ainda no porto de Cartagena, na Colômbia


Aí na administração, ganhamos novas contas para pagar. Mas essas, só no banco. E banco aberto na hora do almoço, só no centro da cidade. Também a DIAN, a aduana colombiana, ali nas imediações e onde teríamos de ir para fazer os papeis de importação temporária dos veículos, estaria fechada nesse horário. Restou-nos voltar ao centro de Cartagena.

Fiona toca suas rodas na América do Sul novamente! (no porto de Cartagena, na Colômbia)

Fiona toca suas rodas na América do Sul novamente! (no porto de Cartagena, na Colômbia)


Lá, aproveitamos para fazer meu seguro de vida para poder entrar no porto da Contecar. Como o Marco não precisaria ir, foi só para mim, Mas como fizemos o seguro de tarde, ele só estaria pronto na manhã seguinte, o que significava que eu só poderia acompanhar a retirada dos carros de dentro do contêiner na quinta de tarde.

Já desembarcada, a Fiona terá de esperar mais um doa no porto de Cartagena, na Colômbia

Já desembarcada, a Fiona terá de esperar mais um doa no porto de Cartagena, na Colômbia


Enfim, compramos o seguro, pagamos as contas do porto em um banco e voltamos correndo para onde tínhamos estado pela manhã. Aí, nos dividimos: o Marco foi à companhia transportadora para pegar uns documentos que eles só nos dariam após termos passado pela administração e eu fui à administração para entregar as contas pagas e marcar minha ida ao porto Contecar. O Marco veio me encontrar com os papéis necessários e, depois de muita enrolação, conseguimos agendar minha ida ao porto para quinta, às 14:30. Terminado isso, já no segundo tempo da prorrogação, corremos para a DIAN, antes que fechassem o turno da tarde e conseguimos agendar com um fiscal para que ele estivesse presente no porto na quinta, para fazer a papelada dos carros.

Com os suiços Marco e Tina, logo após recuperarmos os carros no porto em Cartagena, na Colômbia

Com os suiços Marco e Tina, logo após recuperarmos os carros no porto em Cartagena, na Colômbia


Ufff... terminado esse dia, vamos ao dia seguinte. Fui ao porto Contecar e, depois de passar por toda a burocracia para entrar em seus domínios, fui acompanhar a retirada dos carros do contêiner. Que ótimo foi vê-los sair de lá inteirinhos! A Fiona já achava que sairia do porto, toda animada. Doce ilusão... Primeiro, depois de todo o processo de abrir o contêiner, desamarrar os carros e tirá-los de lá, esperamos uns 40 minutos até o fiscal aparecer. Por fim, ele veio e recolheu os dados que necessitava. A documentação estaria pronta lá na DIAN, na sexta de manhã. Já os carros, apenas os levamos para o estacionamento interno do porto. Deixei a Fiona lá, que parecia não entender nada. Mais ou menos como quando vamos visitar o nosso cachorro que está passando uma temporada no canil ou no hospital. Quando nos vê, ele fica crente que vai para casa. Quando vamos embora e ele continua lá, podemos ver a tristeza em seus olhos...

Reencontro com o Marco e a Tina na estrada entre Cartagena, e Santa Marta, na Colômbia

Reencontro com o Marco e a Tina na estrada entre Cartagena, e Santa Marta, na Colômbia


Bom, ainda tinha a sexta-feira. Bem cedo, fui com o Marco na DIAN e conseguimos os papéis dos carros, as autorizações de importação temporária. Com eles em mãos e com o relatório do porto que o contêiner já estava vazio, fomos á companhia transportadora, pagamos uma última conta e, finalmente, pegamos o original do Bill of Lading, documento essencial para tirar os carros do porto. Com mais esse papel, fomos à administração, pagamos as últimas contas por lá e marcamos a hora de retirada dos carros: sexta de tarde!

Reencontro com o Marco e a Tina na estrada entre Cartagena, e Santa Marta, na Colômbia

Reencontro com o Marco e a Tina na estrada entre Cartagena, e Santa Marta, na Colômbia


Agora, acompanhado das meninas e já com nossas bagagens, fomos ao porto depois do almoço. Elas ficaram do lado de fora enquanto eu entrei com o Marco. Quase duas horas de burocracia lá dentro e, aleluia, retiramos os carros! A América do Sul era nossa!!! O Marco e a Tina já partiram imediatamente de viagem. Eu e a Ana ainda voltamos ao hostal, onde tínhamos esquecido uma sacola de frutas e comida. Duas horas mais tarde, finalzinho da tarde, eis que cruzamos nossos amigos na estrada! É um continente pequeno, hehehe. Principalmente quando as duas expedições seguem para o mesmo lado: o Parque Nacional Tayrona e, mais tarde, a Península Lá Guajira. Depois de tanto tempo juntos no contêiner, Fiona e Boudi (o nome do carro deles) trocaram mais um sorriso. Já são velhos amigos...

Colômbia, Cartagena, burocracia

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Pelas Charmosas Ruas de Cusco

Peru, Cusco

Com o Gustavo, caminhando em rua do centro de Cusco, no Peru

Com o Gustavo, caminhando em rua do centro de Cusco, no Peru


Durante o dia de hoje, além de visitarmos o antigo palácio Qorikancha (ver post anterior), fizemos uma das melhores coisas que se pode fazer em Cusco: caminhar sem rumo por suas ruas, ruelas, praças e ladeiras. Por aqui, respira-se história por todo lado, afinal estamos numa cidade com mais de 800 anos. Além disso, inspira-se contemporaneidade, pois vemos pessoas de todos os cantos do mundo, alguns apenas visitando, outros passando uma temporada mais longa, apaixonados por essa cidade tão cativante. Para receber e entreter gente tão diversa, são inúmeros bares e restaurantes, comida de 1ª categoria das mais diversas cozinhas, do barato ao descolado, do caro ao requintado.


Em Cusco, ficamos hospedados em frente à Plaza San Francisco (A), bem pertinho da Plaza de Armas (B). Mas a nossa vizinhança preferida foram as ruelas e escadarias do bairro de San Blás, ao redor da pequena igreja com o mesmo nome(C)

Há também as igrejas coloniais, museus sobre os mais diversos assuntos, lojas de produtos típicos ou internacionais e um sem número de agências de viagem para nos ajudar ou empurrar algum passeio entre as infinitas possibilidades por aqui e ao redor da cidade. Enfim, estamos numa cidade internacional, uma das mais esplendorosas urbes do séc XV e fortíssima candidata ao título imaginário de “capital do continente”.

Pátio interno de museu em Cusco, no Peru

Pátio interno de museu em Cusco, no Peru


Artesãs trabalham em pátio interno de museu em Cusco, no Peru

Artesãs trabalham em pátio interno de museu em Cusco, no Peru


Para ajudar a conhecer tantas atrações espalhadas na cidade e região, vende-se um bilhete com desconto que dá acesso à várias delas. Ontem, quando fomos à Sacsayhuaman (uma das atrações incluídas no tal bilhete), resolvemos comprá-lo. Hoje, para fazer valer o investimento, tratamos de visitar outras atrações que já estão incluídas. São pequenos museus aqui no centro de Cusco. As outras (e mais empolgantes) atrações estão espalhadas pelo Valle Sagrado, aonde iremos amanhã.

Visita a um dos muitos museus de Cusco, no Peru

Visita a um dos muitos museus de Cusco, no Peru


A incrível arte da micropintura em cabaças, em museu de Cusco, no Peru

A incrível arte da micropintura em cabaças, em museu de Cusco, no Peru


Entre os museus, o que mais me atraiu foram os históricos. Um deles, sobre o vida de Topa Inca, filho do grande Pachacuti. Foi em seu reinado que os incas teriam chegado à Galápagos e Ilha de Páscoa, algo que ainda é matéria em discussão. De qualquer maneira, para mim foi uma grande surpresa, pois jamais imaginei que eles tivessem sido navegadores. Quem sabe, se tivessem um pouco mais de tempo, não teriam chegado à China? Quais teriam sido as consequências históricas desse encontro?

A incrível arte da micropintura em cabaças, em museu de Cusco, no Peru

A incrível arte da micropintura em cabaças, em museu de Cusco, no Peru


Hábeis artesãs praticam o tear em pátio interno de museu em Cusco, no Peru

Hábeis artesãs praticam o tear em pátio interno de museu em Cusco, no Peru


Outro museu tratava da história da cidade na época colonial, já sob domínio espanhol. Aqui, o que mais me interessou foi o relato da revolta liderada por Tupac Amaru II. Esse foi o “nome de guerra” de um mestiço que se dizia descendente direto do último dos imperadores incas, Tupac Amaru, morto pelos espanhóis em 1572. A revolta de Tupac Amaru II foi a maior enfrentada pelos espanhóis no séc XVIII, em toda a América Latina. Ele liderou um exército com dezenas de milhares de indígenas e mestiços e centenas de espanhóis foram mortos. Entre eles, o governador da província, executado por seu próprio escravo, sob as ordens de Tupac Amaru. Mas ao final, ele foi capturado e os espanhóis não tiveram dó. A sentença do julgamento, exposta no museu, impressiona. Tupac Amaru teve de assistir a sua esposa e filho mais velho serem mortos em praça pública. Depois, teve sua língua cortada. Finalmente, amarrado a quatro cavalos, foi esquartejado. Tenho a impressão que a jurisprudência evoluiu um pouco, desde então... Um enorme quadro no museu nos “ajuda” a visualizar a cena, ocorrida bem ali, na Plaza de Armas, no mesmo lugar onde, duzentos anos antes, fora executado o Tupac Amaru original.

Representação bastante clara da morte por esquartejamento  do líder revolucionário Tupac Amaru, em museu de Cusco, no Peru

Representação bastante clara da morte por esquartejamento do líder revolucionário Tupac Amaru, em museu de Cusco, no Peru


Além de museus e igrejas, fomos também à uma agência de viagens, a Aita Peru, indicada por um amigo que nos segue no Facebook. Muito eficiente mesmo, a Hilaria nos ajudou com hotéis e reservas para os próximos dias. Com isso, estamos com nosso roteiro fechadíssimo. Amanhã, dormimos em Ollantaytambo. Depois, Águas Calientes e Ollantaytambo novamente. Por fim, a caminhada em Choquequirao, onde a Hilária ficou de nos arrumar um “arriero” (condutor de mulas). Programação decidida e fechada, pudemos relaxar e aproveitar as horas seguintes caminhando sem destino pelo centro de Cusco.

Foto tradicional nas ruas de Cusco, no Peru, com uma lhama e algumas cholas

Foto tradicional nas ruas de Cusco, no Peru, com uma lhama e algumas cholas


Experimentando chapeu em lojinha de Cusco, no Peru

Experimentando chapeu em lojinha de Cusco, no Peru


Quer dizer, “sem destino” é modo de falar, pois tínhamos um “destino” sim! Era o bairro de San Blas, do outro lado da Plaza de Armas. É um dos bairros mais antigos e tradicionais da cidade, construído sobre uma colina que se ergue por ali. São ruas estreitas e escadarias por onde não quase não passam carros. Muitos restaurantes e pousadas e uma simpática praça, justamente onde está a pequena igreja de San Blás. Sem dúvida, a mais charmosa vizinhança da cidade, um enorme prazer simplesmente caminhar por suas ruelas.

Caminhando pelas ruas e escadarias do bairro de San Blas, em Cusco, no Peru

Caminhando pelas ruas e escadarias do bairro de San Blas, em Cusco, no Peru


A deliciosa e tradicional cerveja local, em Cusco, no Peru

A deliciosa e tradicional cerveja local, em Cusco, no Peru


Aí tivemos um delicioso almoço tardio e daí, numa rua mais alta, admiramos a cidade de Cusco e seus telhados vermelhos. Longe das multidões da Plaza de Armas e da confusão da região do Mercado Central, aqui vimos um lado mais autêntico da cidade e, se não fosse pela Fiona, concluímos que seria o lugar certo para nos hospedarmos. Quem sabe, da próxima vez. Só vai ser difícil escolher entre as tantas pousadas.

Praça de San Blas, em Cusco, no Peru

Praça de San Blas, em Cusco, no Peru


Bonecas a venda na praça de San Blas, em Cusco, no Peru

Bonecas a venda na praça de San Blas, em Cusco, no Peru


Foi aqui que vimos também que nem todo mundo em Cusco gosta de tantos turistas em suas ruas e restaurantes. Uma frase simples e emblemática escrita na parede, nos fez parar e pensar. Difícil não concordar com ela, principalmente quando, com tantos restaurantes espalhados pelo centro histórico, é tão difícil encontrar alguma mesa que esteja ocupada por gente local. Isso vinha me incomodando e, ao ler a frase, encontrei a tradução do que me afligia. Mesmo sabendo, ainda que não querendo, que nós também somos parte disso...

Nem todos concordam com todo esse turismo em Cusco, no Peru

Nem todos concordam com todo esse turismo em Cusco, no Peru

Peru, Cusco, cidade, história

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Nossa Última Fronteira

Brasil, Santa Catarina, Joinville, Paraná, Guaratuba

Deixando Santa catarina e voltando definitivamente ao Paraná. A última fronteira da expedição 1000dias

Deixando Santa catarina e voltando definitivamente ao Paraná. A última fronteira da expedição 1000dias


Hoje, dia 1º de Abril, dia da Mentira, atravessamos a última fronteira dos 1000dias. Pois é, parece mesmo mentira que está tudo acabando. Depois de 1.400 dias fora de casa, de dezenas de países percorridos de carro, de cruzarmos a América de ponta a ponta, de quase 180 mil km de estradas, caminhos e trilhas, estamos chegando ao ponto de partida. Curitiba é logo ali, a menos de uma hora de carro, quase já dá para ver a cidade, embora ainda vamos passar alguns dias aqui na planície litorânea do estado.

Despedida da tia Walkiria, que nos recebeu tão bem em Joinville, Santa Catarina

Despedida da tia Walkiria, que nos recebeu tão bem em Joinville, Santa Catarina


Despedida de Santa Catarina, de Joinville, da tia Wal e dos primos Luis Felipe e Vitoria. Rumo ao Paraná e ao fim dos 1000dias

Despedida de Santa Catarina, de Joinville, da tia Wal e dos primos Luis Felipe e Vitoria. Rumo ao Paraná e ao fim dos 1000dias


Pois é, chegamos ao estado do Paraná. Essa foi a última fronteira a que me referi, Santa Catarina ficando para trás. Não é uma fronteira internacional, claro! Desse tipo, a última que cruzamos foi lá no Chuí, vindos do Uruguai e entrando no Rio Grande do Sul no dia 24 de Fevereiro, há exatos 36 dias (ver post aqui). Também foi um momento emocionante. De volta ao país, a última das mais de 120 fronteiras internacionais que passamos durante a viagem, 59 delas a bordo da nossa Fiona.

Nossa última fronteira nesses 1000dias, na viagem entre Joinville (SC) e Guaratuba (PR)

Nossa última fronteira nesses 1000dias, na viagem entre Joinville (SC) e Guaratuba (PR)


Voltando ao Paraná nos últimos dias de nossa volta pelas Américas

Voltando ao Paraná nos últimos dias de nossa volta pelas Américas


Mas hoje, dia da mentira, foi a vez de mais uma fronteira estadual. Depois de tantas fronteiras internacionais, uma fronteira estadual não parece grande coisa. Pode ser... Mas para um país com dimensões continentais como o Brasil, viagens interestaduais também têm o seu valor. Nossos estados são maiores do que a maioria dos outros países americanos que visitamos, principalmente as ilhas caribenhas e as pequenas nações da América Central. Estados como o Pará e a Amazonas só são menores, na nossa América do Sul, que a Argentina.

Divisa de estado entre Pernambuco e Alagoas, chegando em Maragogi

Divisa de estado entre Pernambuco e Alagoas, chegando em Maragogi


Divisa entre Pernambuco e Ceará, na Chapada do Araripe

Divisa entre Pernambuco e Ceará, na Chapada do Araripe


Chegamos longe! Fronteira de Pernambuco e Piauí

Chegamos longe! Fronteira de Pernambuco e Piauí


Quando eu era pequeno e viajava de carro com a minha família, saíamos lá de Belo Horizonte e era preciso quase cinco longas horas de estrada para chegarmos ao estado vizinho, São Paulo, Rio ou Espírito Santo. Era uma verdadeira jornada! Passar por mais de dois estados na mesma viagem, então, era um feito! É claro que estou falando de viagens de carro e não de avião. Lá de cima, fica tudo pequenino mesmo, voamos sobre as fronteiras e nem as percebemos. O choque está só no aeroporto de chegada. Mas de carro, a cada vez que nos aproximamos de alguma fronteira e lá está a placa anunciando um novo estado, pelo menos para mim, sempre foi uma emoção.

Fronteira Minas-São Paulo em estrada de terra

Fronteira Minas-São Paulo em estrada de terra


Chegamos na divisa Bahia-Sergipe!

Chegamos na divisa Bahia-Sergipe!


rio Guaju, na fronteira entre Rio Grande do Norte e Paraíba

rio Guaju, na fronteira entre Rio Grande do Norte e Paraíba


A diferença com as fronteiras internacionais é que não há papelada e burocracia no caminho. Apenas uma placa para anunciar a novidade. É muito mais ágil. Além disso, claro, é a mesma língua falada dos dois lados da linha imaginária. Por isso, não resta dúvida, cruzar uma fronteira internacional de carro é muito mais marcante. Mas as fronteiras estaduais também são um importante ponto de referência e nos indicam, deixam claro, o quanto já andamos e o quanto estamos longe de casa.

Entrando no estado do Acre

Entrando no estado do Acre


Chegando á fronteira de Rondônia e Mato Grosso, o penúltimo estado que ainda não havíamos visitado

Chegando á fronteira de Rondônia e Mato Grosso, o penúltimo estado que ainda não havíamos visitado


Depois de nos despedir de nossos queridos anfitriões em Joinville, a tia Wal e seus filhos Luís Felipe e Vitória, nós pegamos logo a estrada para o Paraná. Mas ao invés de seguirmos pela rodovia principal, a BR-376 que subiria e Serra do Mar e nos levaria diretamente a Curitiba, optamos pela pequena estrada de Garuva, que segue pelo litoral e nos leva para Guaratuba, o mais movimentado balneário paranaense. Menos de meia hora de strada e chegamos na temida fronteira, essa tal que está merecendo um post especial. Mas o post não é só para ela não. É também para as outras 74 fronteiras estaduais que passamos aqui no Brasil, lá do Acre e do Amapá até o Rio Grande, do Mato Grosso à Paraíba. Apesar de serem “apenas” 27 estados, nessas nossas idas e vindas, “vais e voltas”, ziguezague país afora, o número de fronteiras acabou sendo bem maior.

Chegando ao Maranhão!

Chegando ao Maranhão!


Placa receptiva na fronteira do Espírito Santo

Placa receptiva na fronteira do Espírito Santo


Com essa derradeira de hoje, foram 75, das quais, 71 com a Fiona. Quais foram as outras quatro? Bom, para quem não se lembra, logo no início da nossa viagem, na nossa primeira fronteira estadual dos 1000dias, nós nadamos entre o Paraná e São Paulo, mais especificamente entre a Barra do Ararapira e a Ilha do Cardoso, ida e volta (post aqui). Foi em 30 de Março de 2010, 4 anos atrás! A outra vez foi caminhando, entre o Espírito Santo e a Bahia, lá em Itaúnas, indo e voltando para Riacho Doce (post aqui). As outras todas foram com a Fiona mesmo, seja numa estrada, seja numa balsa.

Fronteira entre Maranhão e Pará. Estamos longe!

Fronteira entre Maranhão e Pará. Estamos longe!


Chegando ao Rio Grande do Sul, nosso 23o estado nesta viagem

Chegando ao Rio Grande do Sul, nosso 23o estado nesta viagem


Chegando ao Mato Grosso do Sul, o último estado que nos faltava conhecer nesses 1000dias pela América e Brasil

Chegando ao Mato Grosso do Sul, o último estado que nos faltava conhecer nesses 1000dias pela América e Brasil


As fotos desse post, com exceção das primeiras, são a nossa lembrança desses momentos especiais explorando todos os cantos e confins do nosso gigantesco e maravilhoso país. Rever essas fotos e ler essas placas nos faz viajar e nos emocionar novamente. Ainda mais agora que estamos tão pertos do fim...

Sorria, você está na Bahia! (fronteira de Itaúnas - ES com Bahia)

Sorria, você está na Bahia! (fronteira de Itaúnas - ES com Bahia)

Brasil, Santa Catarina, Joinville, Paraná, Guaratuba, fronteira

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Pinípedes

Geórgia Do Sul, Salisbury Plain

Um leão-marinho posa para a foto perfeita, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Jeff Orlowski)

Um leão-marinho posa para a foto perfeita, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Jeff Orlowski)


Essa viagem para a Antártida passando por Falkland e Geórgia do Sul tem dois objetivos principais. O primeiro é observar a beleza das paisagens e a grandiosidade de cenários raramente vistos ou visitados. Por exemplo, as montanhas esplêndidas da Geórgia do Sul ou as geleiras majestosas da Península Antártida. O segundo é admirar a vida selvagem ao longo do caminho, dezenas de espécies de aves e mamíferos marinhos que chamam esses mares gelados de lar e que vivem aqui em quantidades inimagináveis para olhos acostumados com a vida em cidades, onde nos contentamos com passarinhos, cães e gatos.

Um grupo de pinguins rei caminha na praia de pedras de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Um grupo de pinguins rei caminha na praia de pedras de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Fêmea de elefante-marinho abre sua boca em  Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Fêmea de elefante-marinho abre sua boca em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


As aves, já as temos visto desde que zarpamos de Buenos Aires. Mesmo em alto mar, são centenas delas, voando e nadando ao nosso lado. Nas Falklands, tivemos nosso primeiro contato com pinguins e aqui, na Geórgia do Sul, pelo menos nesse nosso primeiro desembarque, eles são tantos que preenchem o nosso horizonte. Vou falar disso no próximo post, pois nesse quero falar de outros animais que também vimos em grande quantidade, embora nada que se aproxime das centenas de milhares de pinguins. Refiro-me aos “pinípedes”.

Muito esforço para coçar a pata em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Muito esforço para coçar a pata em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Fêmeas de elefante-marinho descansam em praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Fêmeas de elefante-marinho descansam em praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Basicamente, podemos dividir os mamíferos que habitam essa região do mundo em dois grupos. Ambos são marinhos, embora um deles também passe parte da sua vida em terra firme. O primeiro grupo, totalmente marinho, são os cetáceos, que incluem baleias, golfinhos e porpoises. O segundo grupo, que volta à terra firme para se reproduzir e ter filhos, são os pinípedes. O nome pode parecer estranho, mas todo mundo conhece. São as focas e assemelhados, como as morsas, leões e elefantes marinhos.

Leão-marinho solitário em praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Leão-marinho solitário em praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Os pinípedes descendem de algum animal terrestre parecido com o urso que, há dezenas de milhões de anos, passou a usar o mar como principal fonte de alimentação. Aos poucos, o corpo foi se adaptando a isso e as pernas se transformaram em verdadeiras nadadeiras. Ao mesmo tempo, pulmões e meios de armazenagem de oxigênio também evoluíram e hoje eles podem passar meses longe de terra firme e, alguns deles, mais de 20 min abaixo d’água, chegando a profundidades de mais de 2 mil metros, sempre em busca de algum alimento.

Lobo-marinho recém nascido em praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Brian Myers)

Lobo-marinho recém nascido em praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Brian Myers)


Os cientistas classificaram os pinípedes em três grandes famílias. A primeira delas incluem apenas as morsas (aquela “foca” com dentes enormes) que vive nas regiões árticas, no norte do planeta. As outras duas são os “Otariidae” e “Phocidade”. A diferença básica entre elas é que o primeiro grupo tem orelhas externas enquanto no segundo, o sistema auditivo é interno. Outra diferença importante é na locomoção abaixo d’água. Os Otariidae, como o leão-marinho, usam principalmente as nadadeiras da frente (os nossos braços) enquanto os Phocidade, como as focas, usam as nadadeiras de trás (as nossas pernas).

Um preguiçoso filhote de elefante-marinho em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Um preguiçoso filhote de elefante-marinho em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Um preguiçoso filhote de elefante-marinho em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Um preguiçoso filhote de elefante-marinho em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Pois bem, a Geórgia do Sul é o principal lugar do mundo onde se reproduzem membros dessas duas famílias. No caso dos Phocidade, ou “focas verdadeiras”, aqui vive a maior de todas as espécies, o elefante-marinho do sul. Ainda maior que seus primos do norte e também que as morsas, os maiores machos chegam a incríveis 8 metros de comprimento e quase 5 mil quilos. Pois é, são ainda maiores e mais pesados que os próprios elefantes terrestres!

Fêmea de elefante-marinho nos observa em  Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Fêmea de elefante-marinho nos observa em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Fêmea de elefante-marinho dá um enorme bocejo em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Fêmea de elefante-marinho dá um enorme bocejo em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Eu falei dos grandes machos porque esta é a espécie com o maior dimorfismo sexual entre todos os mamíferos. Isso quer dizer que machos e fêmeas são muito diferentes. Mesmo as maiores fêmeas não passam dos 3 metros de comprimento e 1.000 kg, cerca de 4 vezes mais leves que os machos adultos. É como se na raça humana as mulheres não passassem dos 80 cm e dos 20 kg (ainda bem que não somos assim, hehehe!). Bom, com uma diferença assim tão grande, não é de se estranhar que os machos tenham grandes haréns, algumas vezes com mais de 100 fêmeas!

Uma 'família' elefante-marinho na praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Vladimir Seliverstov)

Uma "família" elefante-marinho na praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Vladimir Seliverstov)


O nome do “elefante-marinho” não vem apenas do tamanho e peso, mas também pela tromba que parece ter. Ela serve para aumentar ainda mais os sons dos rugidos dos machos, principalmente para afastar os rivais de seu precioso harém. Imagino que as “pequenas” (pequenas para eles, pois continuam sendo muito grandes para nós!) fêmeas também achem a tal tromba bem atrativa.

Um leão-marinho nos dá as boas-vindas à Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Um leão-marinho nos dá as boas-vindas à Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Além dos elefantes-marinho, quem também adora a Geórgia do Sul são os lobos-marinhos, membros da família Otariidae, aquela com orelhas. Algumas vezes também são chamados de leões-marinho, já que parecem ter uma juba e até de ursos-marinho. A nomenclatura em português é meio confusa. Em inglês, mais preciso, eles são os “Antartic Fur Seal”, o “Fur” se referindo aos longos e grossos pelos na região do pescoço da espécie.

Leão-marinho solitário em praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Leão-marinho solitário em praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Dois leões-marinho macho medem forças em praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Dois leões-marinho macho medem forças em praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


O fur seal é bem menor que os elefantes-marinho, mas também existe um dimorfismo sexual na espécie, embora não tão exagerado. Os maiores machos chegam a ter 2 metros e pesar 200 kg. O tamanho do harém também não é tão grande, chegando a pouco mais de 10 fêmeas para aqueles com mais testosterona.

Leões-marinho e pinguins na praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Leões-marinho e pinguins na praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


O fur seal quase chegou a ser extinto pelo homem no início do séc. XX, salvando-se apenas uma colônia deles, aqui em Bird Island, uma das pequenas ilhas ao redor da Geórgia do Sul. A caça era exatamente pelo “casaco de pele” que eles aparentam ter. Felizmente, a caça se tornou economicamente inviável e, mais tarde, foi proibida. Com isso a espécie se recuperou rapidamente, ocupando toda a área em que costumava viver. Essa rápida recuperação, infelizmente, tem a ver com outra tragédia: a quase extinção das baleias, que competem com a fur seal pelo mesmo alimento. Sem a concorrência, a espécie cresceu livremente e hoje, há quem defenda uma caça “controlada” dela.

Um preguiçoso filhote de lobo-marinho em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Um preguiçoso filhote de lobo-marinho em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Um elefante-marinho parece tentar engolir um pinguim em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Um elefante-marinho parece tentar engolir um pinguim em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Hoje tivemos a prazer de ver vários deles no desembarque em Salisbury Plain, tanto elefantes como os lobos-marinho. Esta época do ano coincide com o fim da temporada de reprodução dos elefantes-marinho e o início da estação para os lobos-marinho, o que influencia bastante em seu comportamento. Os elefantes, agora que já cruzaram com todas as suas fêmeas, estão bem mais tranquilos, sem ter de se preocupar com seus rivais. Ficam dormindo e relaxando o tempo todo na praia de pedras, bem perto da água, um macho com muitas fêmeas ao redor, e já vários filhotes gerados na estação do ano anterior. Além da falta de orelhas, é fácil identifica-los pelo tamanho e por ficarem deitados, todo o corpo em terra.

Um filhote de elefante-marinho em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Um filhote de elefante-marinho em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Já os lobos-marinho, cujos grandes machos são pouco menores que as fêmeas médias dos elefantes-marinho, esses ficam com o peito levantado, apoiado nas nadadeiras dianteiras. Como estão em início de estação, cada um procura marcar seu território para poder atrair mais fêmeas. O resultado é que ainda há muita tensão no ar. Não apenas tensão, mas briga mesmo. Eles procuram se afastar dos elefantes-marinho e não se incomodam com o trânsito dos pinguins. Mas não parecem gostar muito de nós e, por isso, é sempre prudente manter uma certa distância. Seu ataque costuma ser mais para assustar do que para morder, uma espécie de exibição. A nossa reação deve ser de abrir os braços, para parecermos maiores, e fazermos algum barulho também. Duas pedras na mão e bater uma na outra parece ter o efeito de desestimulá-los do ataque e fazer com que recuem. Pelo menos, essa é a tática dos guias enquanto formam uma espécie de “corredor seguro” entre eles para que possamos desembarcar sem maiores incidentes e cruzar a praia até um lugar mais seguro, longe dos lobos.

Macho adulto de elefante-marinho descansa em praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Macho adulto de elefante-marinho descansa em praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


E assim foi nossa primeira experiência com os pinípedes, aqui representados pelos preguiçosos elefantes e mal-humorados lobos. Muitas fotos e uma pequena distração das centenas de milhares de pinguins, eles sim a atração principal de Salisbury Plain.

Pinguins e elefantes-marinho em praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Pinguins e elefantes-marinho em praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Geórgia Do Sul, Salisbury Plain, Bichos, elefante marinho, leão marinho, Lobo Marinho

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Maravilhas Terrestres do Jalapão

Brasil, Tocantins, Mateiros

Visitando as dunas do Jalapão - TO, com a Serra do Espírito Santo ao fundo

Visitando as dunas do Jalapão - TO, com a Serra do Espírito Santo ao fundo


Dois dias atrás, publiquei um post sobre algumas das maravilhas aquáticas do Jalapão, cachoeiras, rios e fervedouros. Hoje, foi dia de visitar algumas das belezas acima d'água, as chapadas, a Serra do Espírito Santo a as famosas dunas avermelhadas, formação única no Brasil.

A panificadora de Mateiros, no Jalapão - TO

A panificadora de Mateiros, no Jalapão - TO


Visitando o Centro Turístico de Mateiros, no Jalapão - TO

Visitando o Centro Turístico de Mateiros, no Jalapão - TO


A gente tomou um café da manhã reforçado, preparou uns sanduíches e fechou nossa conta na simpática Pousada dos Buritis, em Mateiros. Antes de sair de viagem, ainda passamos na frutaria e na padaria da cidade (as únicas!), para nos abastecer para nosso acampamento. Afinal, a noite seria numa barraca na Prainha do Rio Novo, longe de qualquer restaurante. De frente à padaria, a nova praça da cidade, pronta mas não inaugurada, com um Centro de Turistas provisório, mas muito arrumado. Lá dentro, muitas informações sobre o parque, sua flora e fauna e também a população humana. Espaço para o incrível artesanato do Capim Amarelo, especialidade da região. Fomos muito bem atendidos e foi difícil tirar a Ana lá de dentro...

Quem disse que não tem vulcão no Brasil? (Jalapão - TO)

Quem disse que não tem vulcão no Brasil? (Jalapão - TO)


Enfim, partimos em direção à Serra do Espírito Santo, uma das muitas chapadas da região. Mas algo a torna especial: é da erosão dessa serra que vem a areia que forma as famosas dunas avermelhadas do Jalapão. Isso a fez a mais popular serra do Jalapão e a mais fácil de ser subida. Uma trilha muito bem demarcada nos leva até seu topo e , lá encima, à um mirante de onde se pode ver as dunas avermelhadas.

A vastidão do Jalapão - TO

A vastidão do Jalapão - TO


Fiona nos espera no pé da Serra do Espírito Santo, no Jalapão - TO

Fiona nos espera no pé da Serra do Espírito Santo, no Jalapão - TO


Apesar do espanto das pessoas ao saberem que queríamos subi-la neste horário, perto do meio-dia, não nos amedrontamos. Afinal, o dia estava nublado e a serra nem é tão alta assim. Foram cerca de 35 min até lá encima. No caminho, cruzamos três pessoas descendo, os únicos outros seres humanos por ali. Tínhamos a serra só para nós! Uma vez lá encima e muitas fotos mais tarde, enfrentamos os 3 km de trilha completamente plana que nos levam até o outro lado da chapada, defronte ao campo de dunas lá embaixo. A visão é simplesmente magnífica!

Flôr de cerrado no alto da Serra do Espírito Santo, no Jalapão - TO

Flôr de cerrado no alto da Serra do Espírito Santo, no Jalapão - TO


As planícies do Jalapão vistas do alto da Serra do Espírito Santo, no Jalapão - TO

As planícies do Jalapão vistas do alto da Serra do Espírito Santo, no Jalapão - TO


Todo aquele lado da Serra do Espírito Santo está sofrendo uma acelerada erosão, pelo vento e chuva. A terra e areia arrancados da montanha se acumulam lá embaixo, na saída de um vale verdejante por onde corre um córrego de águas cristalinas. Milênios de acumulo formaram as incríveis dunas de cor avermelhada e areia fofa. O riacho que sai do vale é forçado a serpentear por entre essas montanhas de areia, para poder seguir seu curso. O resultado disso tudo é uma das mais belas paisagens que se pode ver no interior do Brasil.

No mirante do Espírito Santo, ponto de observação das dunas do Jalapão - TO

No mirante do Espírito Santo, ponto de observação das dunas do Jalapão - TO


A Serra do Espírito Santo se erodindo, alimentando as dunas do Jalapão - TO

A Serra do Espírito Santo se erodindo, alimentando as dunas do Jalapão - TO


Lá do alto, as dunas nem parecem tão grandes assim. Mas o contraste da sua cor com o verde que as cerca é maravilhoso. Ficamos lá admirando, tentando entender em alguns minutos o que a natuleza levou milênios para fazer. Escalas geológicas de tempo tem sempre a capacidade de fundir minha cabeça, acostumada com segundos e minutos, e não com séculos e milênios. Mas, basta um golpe de vento mais forte e, com a ajuda da imaginação, podemos perceber uma certa poeira vermelha se levantar das encostas erodidas da montanha e se dirigir às dunas. É a nova geração de grãos de areia que chegam para substituir aqueles que estão sendo levados riacho abaixo, até o caudaloso Rio Novo, alguns quilômetros à frente.

Dunas do Jalapão - TO, vistas do alto da Serra do Espírito Santo

Dunas do Jalapão - TO, vistas do alto da Serra do Espírito Santo


Muitas fotos, algumas mexiricas e bananas depois e decidimos que era hora de voltar pela trilha, descer a serra e ir até as dunas, para conhecê-las mais de perto. Alguns quilômetros pela estrada principal e chegamos até a estrada secundária, que nos leva até às dunas. No início dessa estrada, uma cancela. É o local do pagamento, cinco reais por pessoa. É o local também onde placas avisam: somente carros 4x4 além deste ponto!

Chegando nas dunas avermelhadas do Jalapão - TO

Chegando nas dunas avermelhadas do Jalapão - TO


O pequeno riacho que margeia as dunas do Jalapão - TO

O pequeno riacho que margeia as dunas do Jalapão - TO


Pois bem, assim que pagamos apareceu uma S10, querendo entrar também. Um casal e seus dois filhos, moradores recentes de Palmas. O carro deles não era traçado e ele me perguntou se eu lhe daria apoio, caso necessitasse. Claro que sim! Mas, piloto experiente, não foi necessário. Ele veio acelerado, lutando contra a areia que teimava em agarrar o seu carro. Mas, valente, chegou até as dunas, para felicidade e orgulho dos filhos!

Caminhando nas dunas do Jalapão - TO

Caminhando nas dunas do Jalapão - TO


E assim, exploramos as dunas nós seis. O cenário não poderia ser mais idílico. Aquele riacho no pé das dunas parece ter sido pintado, de tão perfeiro que fica ali. Um quadro! E as dunas avermelhadas, então... Para nós, que acabamos de passar por tantas regiões de dunas no litoral nordestino, aquele tom fazia parecer que algo estava errado... Além disso, cadê o mar??? Não é à tôa que esta é a paisagem mais conhecida do Jalapão.

Explorando as dunas do Jalapão - TO

Explorando as dunas do Jalapão - TO


Ficamos até o último minuto possível. No nosso caso, isso significava o tempo necessário para chegar até a Cachoeira da Velha ainda com luz do dia, para armar nossa barraca. Chegado este momento, depois de muito andar e fotografar aquelas incríveis formações, acompanhamos nossos amigos até a estrada principal (mais uma vez, chegaram lá sem nossa ajuda). Lá encontramos três carros vindo em direção às dunas. Não só eles, mas uma procissão de mais de 30 pessoas, estudantes da UFT, caminhando esses cinco quilômetros de areia fofa. Todos com o intuito de assistir ao pôr-do-sol do alto das dunas, programa super tadicional do Jalapão. Mesmo em dias nublados...

Nas dunas do Jalapão - TO

Nas dunas do Jalapão - TO


A gente seguiu acelerado a longa viagem. Primeiro, até a ponte do Rio Novo, importante ponto de referência na interminável estrada encascalhada, e depois até a torre de celular, algumas dezenas de quilômetros à frente. É de lá que saí o "atalho" de 10 km de areia fofa em direção à estrada de acesso à Cachoeira da Velha. Nós, que não tínhamos cruzado com nenhum carro na última hora de viagem, desde a saída das dunas, vimos logo duas camionetes e algumas motos paradas ali. Eles nos informaram que, no atalho, cruzaríamos com mais alguns retardatários, provavelmente agarrados à areia da estrada, já que não eram traçados. Pois é, e no meio do atalho, por duas vezes tive de sair da estrada, para dar passagem aos carros 4x2 que vinham à toda, preocupados em não atolarem novamente. Valentes! Provavelmente, um grande grupo que passou o dia ali na Prainha do Rio Novo e na Cachoeira da Velha.

As famosas dunas avernelhadas do Jalapão - TO

As famosas dunas avernelhadas do Jalapão - TO


Passado este breve momento de confusão, pudemos admirar a beleza do cerrado à nossa volta, onde todas as plantas estão florescendo, aproveitando o final do período de chuvas. Uma visão magnífica deste que é um dos mais importantes biomas de nosso país. Pena não podermos ficar mais tempo admirando, mas o o sol acabava de se pôr e nós ainda tínhamos uns dez quilômetros pela frente...

Flores no cerrado, no Jalapão - TO

Flores no cerrado, no Jalapão - TO

Brasil, Tocantins, Mateiros, Dunas, Serra do Espírito Santo

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De Volta à Argentina

Bolívia, Tarija, Argentina, Tilcara

Fronteira entre Bolívia e Argentina, entre as cidades de Bermejo (BO) e Água Blanca (AG)

Fronteira entre Bolívia e Argentina, entre as cidades de Bermejo (BO) e Água Blanca (AG)


Decidimos ontem seguir viagem já hoje para a Argentina, ao invés de passar mais um dia explorando a região de Tarija. Nessa nossa nova fase da viagem, através dos diversos países da América Latina, infelizmente não temos o tempo que tínhamos no Brasil. Assim, um dia a mais por aqui significaria um dia a menos em outro lugar igualmente ou mais interessante para nós. Vai ser um dilema que continuamente vamos viver daqui para frente: ficar ou partir, ir para um lado ou para outro. Quem mandou não planejarmos o 2000dias.com?

Homenagem à Sucre, em Tarija - Bolívia

Homenagem à Sucre, em Tarija - Bolívia


Mas a manhã ainda foi na simpática Tarija! A cidade tem outros ares, ruas largas, limpas e organizadas. Bem diferente de Potosí, Sucre ou La Paz. Boas universidades trazem estudantes de todo o país a até do Brasil. E junto com os estudantes vem também a vida cultural e boêmia. Caminhando pelo centro, parecia que estávamos em alguma cidade média brasileira. Outro diferencial são os bons vinhos produzidos na região. Uma gastronomia mais requintada foi desenvolvida para acompanhar os vinhos e a consequência são os bons restaurantes! Aliás, mas do que reminiscências do Brasil, Tarija traz semelhanças é com a vizinha Argentina. Nunca tinha pensado nisso, mas faz todo sentido! Já que Jujuy é a mais boliviana das cidades argentinas, pela proximidade, o espelho seria esse: Tarija é a mais argentina das cidades bolivianas!

A Plaza de Armas, em Tarija - Bolívia

A Plaza de Armas, em Tarija - Bolívia


Passeamos por suas praças e ruas, fotografamos seu mercado e igrejas e deixamos a cidade com aquele gostinho de "quero mais". Seguimos diretamente para o sul e demos de cara com a frente fria que seguia para o norte. O encontro se deu bem no alto de uma cordilheira, nuvens ameaçadoras tentando engolir gigantescas montanhas. Paisagem digna de filmes como "O Senhor dos Anéis". Isso foi a uns 30 km ao sul de Tarija, região que deve oferecer diversas possibilidades de trekking! Mas não àquela hora! O vento que vinha das montanhas quase levantava a Fiona! E olha que a Fiona não é leve...

Família descansa na Plaza de Armas, em Tarija - Bolívia

Família descansa na Plaza de Armas, em Tarija - Bolívia


Em seguida entramos no canyon do rio Bermejo e fomos acompanhando o rio em sua lenta descida para a Argentina, por cerca de 100 quilômetros. A estrada, toda asfaltada, serpenteava por entre enormes paredões e encostas verdejantes com a vegetação, sempre com o rio encachoeirado ao lado. Muitas vezes, passamos por túneis no meio da rocha, bela obra da engenharia boliviana. Tudo muito lindo, cenário completamente diferente daquele dos últimos dias, de vegetação rasteira e grandes espaços.

Arquitetura em Tarija - Bolívia

Arquitetura em Tarija - Bolívia


Tudo tão próximo entre si, assim é a Bolívia, um mundo à parte no meio da América do Sul, com montanhas nevadas, florestas tropicais, um planalto a mais de 3 mil metros de altura e uma cultura milenar. Só faltou mesmo o mar, tomado pelo Chile há quase 150 anos. O pouco que vimos nessa semana foi apenas um aperitivo para o que nos resta ver. Logo estaremos de volta, no famosos Salar de Uyuni. E na volta da América do Norte, será a vez da região do Titicaca e de La Paz, além do norte amazônico do país.

Restaurantes no Mercado Municipal de Tarija - Bolívia

Restaurantes no Mercado Municipal de Tarija - Bolívia


Mas antes disso, muita água ainda vai passar embaixo da ponte. A começar pela Argentina! A passagem pela fronteira foi bem tranquila. Com os bolivianos, deixamos a documentação da Fiona, carimbada em vários postos de contrôle pelo país afora. Uma pena não podermos manter esse documento conosco, testemunha de nossa passagem pela Bolívia. No lado Argentino, carimbamos nossos passaportes e fizemos nova documentação para a Fiona. Depois, foi seguir em frente.

Frente fria chega à região de Tarija, vinda do sul, no dia da nossa viagem da Bolívia para a Argentina

Frente fria chega à região de Tarija, vinda do sul, no dia da nossa viagem da Bolívia para a Argentina


A paisagem mudou completamente. Agora estávamos numa planície infinita, retas a perder de vista. O tempo era chuvoso, assim como no dia em que estivemos em Puerto Iguazú. Parece ser a nossa sina, Argentina com chuva! Cinquenta quilômetros país adentro, chegamos na nossa primeira cidade de verdade, Oran. Ali nos abastecemos de dinheiro e combustível. E como a fome apertava e havia um café super charmoso ao lado do ATM, resolvemos também abastecer o estômago. Nossa... que delícia e classe de café, ali naquela cidade perdida no extremo norte do país. Realmente, estávamos na Argentina!

A estrada que liga a Bolívia à Argentina segue pelo lindo canyon do rio Bermejo, sempre com asfalto e muitos túneis

A estrada que liga a Bolívia à Argentina segue pelo lindo canyon do rio Bermejo, sempre com asfalto e muitos túneis


Aqui, tenho de render uma homenagem! Sou o primeiro a querer fazer alguma piada com os hermanos mas, ao mesmo tempo, reconheço em alto e bom tom: todas as minhas experiências aqui no país vizinho foram excelentes. Sempre um banho de cordialidade, cultura, boa educação, ótima comida e paisagens maravilhosas, urbanas ou naturais. Sempre foi um prazer enorme viajar pela Argentina e, nesses 1000dias, o país é um dos nossos principais e mais aguardados destinos!

A estrada que liga a Bolívia à Argentina segue pelo lindo canyon do rio Bermejo, sempre com asfalto e muitos túneis

A estrada que liga a Bolívia à Argentina segue pelo lindo canyon do rio Bermejo, sempre com asfalto e muitos túneis


Homenagem rendida, sigamos em frente que já começava a ficar escuro e tínhamos muita estrada pela frente! Afinal, mudamos nosso objetivo para o dia de hoje. Ao invés da cidade de Salta, fomos até Jujuy e de lá para a Quebrada Humahuaca, um longo e estreito vale na rota mais conhecida entre a Argentina e a Bolívia, usado já pelos incas e depois pelos espanhóis à caminho de Potosí. Nós viemos por outro caminho, menos conhecido, e agora resolvemos dar uma olhada nesta rota também, patrimônio mundial da Unesco.

O rio que separa a Bolívia (direita) da Argentina (esquerda)

O rio que separa a Bolívia (direita) da Argentina (esquerda)


Resolvemos usar na pequena cidade de Tilcara como base para conhecermos a Quebrada. Fica a 90 km ao norte de Jujuy. O caminho deve ser maravilhoso, mas já era de noite e não vimos a paisagem. Não faz mal, porque voltaremos por ela em alguns dias. Bem, não vimos a paisagem, mas vimos outra coisa, que há muito procurávamos: neve!!! pois é, a primeira neve dos 1000dias veio como uma enorme surpresa, já que ela é bem rara por aqui também, exceto no alto das montanhas. Nós dirigíamos ladeira acima, saindo dos 800 metros de Jujuy em direção aos 2.400 metros de Tilcara quando a chuva rala à nossa frente tomou um aspecto diferente. Pareceu engrossar um pouco, ficar mais ntensa. A Ana foi a primeira a desconfiar de algo. Foi quando eu percebi que a tal "chuva" não molhava nosso parabrisa. Aquela cortina que tanto refletia a luz do nosso farol alto não era água, mas neve! Branquinha, bem fininha, girando com o vento, linda, maravilhosa, neveeeeeeeeeeee! Saímos do carro felizes, ignorando o frio de 0 graus e gritamos felizes com a novidade. Quando menos esperávamos, lá estava ela, uma bela surpresa que esse país fascinante nos reservou logo no nosso primeiro dia por aqui! Viva o país dos hermanos!

Fronteira entre Bolívia e Argentina, entre as cidades de Bermejo (BO) e Água Blanca (AG)

Fronteira entre Bolívia e Argentina, entre as cidades de Bermejo (BO) e Água Blanca (AG)


O evento foi celebrado em grande estilo, com vinho e queijo em nosso quarto quentinho com lareira, na Pousada Con Los Angeles, em Tilcara. Cama quentinha para enfrentar as temperaturas negativas lá de fora. Fechamos com chave de ouro um dia inesquecível nesses 1000dias! Que continue assim, hehehe...

Também tem TAM na Bolívia! (em Tarija)

Também tem TAM na Bolívia! (em Tarija)

Bolívia, Tarija, Argentina, Tilcara,

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