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Subindo e Descendo o Villarrica - 2a Parte

Chile, Pucón

No topo do vulcão Villarrica, a 2.850 metros de altitude, na região de Pucón, no sul do Chile

No topo do vulcão Villarrica, a 2.850 metros de altitude, na região de Pucón, no sul do Chile


Então, foi com esse espírito que todo o nosso grupo assistiu atentamente às instruções que o guia nos dá antes de começarmos a caminhada. O mais importante de tudo é saber usar o piolet (a pequena picareta) que todos carregamos. Deve estar sempre no braço voltado para a montanha enquanto ziguezagueamos encosta acima e, se cairmos, deve ser fincado firmemente na neve para evitar que escorreguemos e ganhemos velocidade. No caso de uma queda, o procedimento é ficar de bruços e fincar o piolet na neve. Enquanto estivermos lentos, isso certamente evitará problemas maiores. Quase sempre, cair e escorregar não são uma grande preocupação, pois se a neve estiver mole, vamos simplesmente afundar no chão. Mas se ela tiver se transformado em gelo, é o uso correto do piolet que vai nos salvar. Melhor ainda é não cair! Portanto, atenção! Como diz o ditado, “prevenir é melhor que remediar”!

1000dias no topo do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile

1000dias no topo do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile


A magnífica visão da região de Pucón, no sul do Chile, visto do alto do vulcão Villarrica

A magnífica visão da região de Pucón, no sul do Chile, visto do alto do vulcão Villarrica


Bom, instruções dadas, lá fomos nós. Nós e as outras centenas de pessoas que subiam hoje, divididas em dezenas de grupos. Pucón está a 250 metros de altitude. O van da agência nos leva mil metros acima disso, até uma pequena estação de esqui nas encostas do vulcão e já dentro da área do parque nacional, a menos de 20 km do centro da cidade. Aí há um teleférico daqueles de cadeirinha que pode nos levar por outros 400 metros verticais, já nos 1.600 metros de altitude. A maioria dos turistas opta por isso, mas nem todos...

Turistas caminham pela crista do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

Turistas caminham pela crista do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile


No topo do vulcão Villarrica, a 2.850 m de altitude, na região de Pucón, no sul do Chile

No topo do vulcão Villarrica, a 2.850 m de altitude, na região de Pucón, no sul do Chile


Quando estivemos aqui em 1992, estudantes com pouco dinheiro no bolso, qualquer economia que fizéssemos já estava valendo. Então, nós optamos por caminhar esse trecho também, todo ele em pedras soltas, nada muito interessante para se ver. Dessa vez, a tradição tinha de ser mantida. Então, lá fomos nós caminhando novamente, eu, o Haroldo e mais um punhado de valentes. A Ana queria vir conosco, mas eu a convenci dizendo que ela levaria a mochila com nosso lanche e máquina fotográfica na cadeirinha. Além disso, teria um ângulo muito melhor para fotografar. Meio a contragosto, ela seguiu no teleférico e, 40 minutos mais tarde, todos nos reunimos lá encima.

Observando a enorme cratera do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile

Observando a enorme cratera do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile


A amedrontadora cratera do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

A amedrontadora cratera do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile


Agora sim começava a caminhada de verdade. Bastou uns poucos minutos de caminhada para o nosso guia, o simpático Hector, perceber os diferentes ritmos de caminhada. Aí, procedimento comum de várias agências, ele nos dividiu em dois grupos, o lento e o mais lento, cada um com seu guia, e assim seguimos separados, nos reunindo apenas nos pontos de parada de descanso e de lanche. O Hector é um biólogo especializado em extremófilos (pequenos organismos que vivem em condições extremas de temperatura, pressão ou acidez) e conversar com ele durante a subida foi muito interessante.

O Rodrigo, no canto direito da foto, fica minúsculo perto da enorme cratera do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

O Rodrigo, no canto direito da foto, fica minúsculo perto da enorme cratera do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile


Na beira da cratera do vulcão Villarrica, a região de Pucón, no sul do Chile, a 2.850 metros de altitude

Na beira da cratera do vulcão Villarrica, a região de Pucón, no sul do Chile, a 2.850 metros de altitude


Para nossa felicidade, a neve estava bem tranquila e nem precisamos colocar nossos grampões. A bota já nos dava segurança o suficiente. Seguimos em interminável ziguezague, muitos grupos acima de nós e outros tantos abaixo. Tem uma passagem da montanha que se chama “pinguinera”, exatamente porque de lá podemos ver essas dezenas de grupos de pessoas, todos andando em fila indiana. De longe, pequeninos contra a imensidão branca da montanha, parecem mesmo grupos de pinguins. Basta olhar algumas fotos nossas da viagem à Antártida para comparar!

Vinte e dois anos mais velhos, o Rodrigo e o Haroldo retornam ao cume do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

Vinte e dois anos mais velhos, o Rodrigo e o Haroldo retornam ao cume do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile


Em foto da viagem de 1992, com o Haroldo e o Pfeifer na subida do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

Em foto da viagem de 1992, com o Haroldo e o Pfeifer na subida do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile


Pouco depois da metade do caminho, paramos em um promontório que forma um verdadeiro mirante natural. Vista magnífica do lago Villarrica, de Pucón e das outras montanhas e vulcões da região. Um dos pontos preferidos no caminho para se tirar fotos. Aí paramos em 92, aí paramos em 2014. Fotos que, quando comparadas, servem para ver os efeitos do tempo. O cabelo está mais branco, mas a saúde continua boa o suficiente para se chegar aqui em cima, hehehe! Vamos ver daqui a 22 anos...

região de Pucón, no sul do Chile

região de Pucón, no sul do Chile


A cratera do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile. Dessa vez, não conseguimos ver, apenas ouvimos o lago de lava escondido nas profundezas do vulcão

A cratera do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile. Dessa vez, não conseguimos ver, apenas ouvimos o lago de lava escondido nas profundezas do vulcão


Mais uma longa sessão de ziguezague e chegamos finalmente ao cume. Ele é grande o suficiente para que os diversos grupos que lá chegaram se dispersem. O cheiro dos gases vulcânicos é forte e assim que chegamos mais perto da cratera, o barulho do lago de lava lá embaixo também. Uma paisagem lunar, solo cheio de cores devido aos diferentes minerais expelidos pelo vulcão: amarelo, vermelho, marrom e todas as tonalidades possíveis entre essas cores. A lava está bem baixa e não conseguimos vê-la dessa vez. O que se vê é apenas a boca no fundo da cratera, como se fosse a boca de um grande gigante. Um gigante adormecido, mas que ronca bem alto. Em 92, a lava estava mais alta e podíamos vê-la com facilidade. O lago borbulhava e, em pequenas explosões, esguichos de lava subiam 10 metros de altura. Hoje, tivemos de nos satisfazer com aquele buraco escuro e amedrontador e o bafo quente que emana de lá.

A cratera esfumaçada do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile (foto de Haroldo Junqueira)

A cratera esfumaçada do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile (foto de Haroldo Junqueira)


O impressionante lago de lava na cratera do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile. Foto de 1992

O impressionante lago de lava na cratera do vulcão Villarrica, região de Pucón, no sul do Chile. Foto de 1992


No nosso grupo, havia um casal de mineiros de Belo Horizonte. Chegando lá encima, ele tirou uma bandeira do Cruzeiro (meu time de coração!) da mochila e, orgulhoso, a estendeu para tirar fotos. Não pude resistir e fui tirar fotos também. Por essa, realmente eu não esperava... uma grande bandeira do Cruzeiro no alto do Villarrica. Espetacular!

Os mineiros e cruzeirenses (viva!!!) André e Fabíola subiram conosco o vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

Os mineiros e cruzeirenses (viva!!!) André e Fabíola subiram conosco o vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile


O tempo esteve firme e pudemos ficar por ali sem preocupações, tirando nossas fotos, lanchando e admirando a paisagem, para dentro e para fora. Mas chegou a hora de descer. Normalmente, esse é um momento bem chato, quando deixamos para trás o cume de uma montanha. Mas aqui no Villarrica essa história é diferente. Afinal, descer esse vulcão é ainda mais divertido do que subi-lo. Isso porque fazemos skibunda uma boa parte do caminho. Trechos que nos tomaram uma hora para subir, descemos em cinco minutos. É simplesmente sensacional!

Fazendo skibunda, a veloz descida das encostas geladas do vulcçao Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile (foto de Haroldo Junqueira)

Fazendo skibunda, a veloz descida das encostas geladas do vulcçao Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile (foto de Haroldo Junqueira)


Há duas décadas, essa técnica de descida foi uma completa surpresa para mim. Escorregávamos com a calça diretamente na neve. Uma calça que a própria agência fornecia, impermeável. Agora, as coisas evoluíram, a gente leva uma espécie de tapete de borracha para sentar em cima. Como eu já sabia dessa vez a diversão que nos esperava na descida, foi ficando cada vez mais difícil segurar a ansiedade. Mas, a hora chegou e lá estávamos nós, prontos para escorregar trechos de cem ou duzentos metros ladeira abaixo.

Descendo o vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

Descendo o vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile


A melhor parte do dia, a descida de 'ski-bunda' pelas encostas geladas do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

A melhor parte do dia, a descida de "ski-bunda" pelas encostas geladas do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile


Com centenas de pessoas escorregando todos os dias, os trilhos na neve já estão prontos. É só a gente se encaixar neles e deixar a gravidade fazer a sua parte. Com o piolet e os pés, vamos tentando controlar a velocidade de descida. Aos poucos, ganhando mais segurança e aprimorando as técnicas, ficamos mais corajosos e descemos mais e mais velozes. Um show! É como se fosse uma longa, quase interminável sequência de grandes escorregadores. Todo mundo virando criança novamente.

Pura diversão na descida das encostas geladas do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

Pura diversão na descida das encostas geladas do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile


Pura diversão na descida das encostas geladas do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

Pura diversão na descida das encostas geladas do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile


Por fim, chegamos ao final da neve e nas pedras já não é mais possível escorregar. Sem alternativas, temos mesmo é de nos levantar e voltar a caminhar. Para baixo, ninguém mais vai de teleférico e, no meio de tanta conversa, nem notamos que já estamos chegando ao estacionamento. Ali nos espera a van da agência para nos levar de volta à cidade. Olho para trás e fito o Villarrica. Mais uma vez, a montanha foi maravilhosa comigo, mais memórias para o resto da vida. Será que voltarei outra vez? Como será que o mundo vai ser em 2036? Alguém tem alguma ideia? Não sei aonde eu vou estar, mas o Villarrica, certamente estará aqui!

A Ana perto da boca do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

A Ana perto da boca do vulcão Villarrica, na região de Pucón, no sul do Chile

Chile, Pucón, Parque, Trekking, trilha, Villarrica, vulcão

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Che e Santa Clara (...e a Bolívia)

Cuba, Santiago de Cuba, Santa Clara

Homenagem a Che em Santa Clara, em Cuba

Homenagem a Che em Santa Clara, em Cuba


Nosso ônibus saiu no horário de Santiago de Cuba e a maioria dos passageiros era estrangeira. Também, para poder pagar 51 CUCs pela passagem, o dobro do salário mensal de um cubano, só mesmo quem tem suas economias em moeda forte. Todos devidamente agasalhados, já que é conhecido o frio que se faz nos ônibus da Via Azul, com seus potentes ar condicionados. Há outras companhias que oferecem passagens mais baratas, mas o tempo de viagem é mais longo. Tem também o trem, que anuncia a viagem em 16 horas, mas muitas vezes demora dois dias. Todos os cubanos que conversamos nos disseram para a gente fugir do transporte ferroviário. Por fim, essa é a maneira que a maioria dos cubanos viaja, tem o caminhão, uma espécie de pau de arara do Caribe. Acho que teria sido a escolha na minha época de estudante, hehehe. Tempos “românticos”...

Esperando o trem passar, na viagem entre Trinidad e Camaguey, em Cuba

Esperando o trem passar, na viagem entre Trinidad e Camaguey, em Cuba


As primeiras horas da viagem passaram bem, todos dormindo enquanto o motorista nos levava através das estradas quase desertas. Mas, no meio da madrugada, todos acordamos com uma densa fumaça dentro do ônibus. O motorista encostou numa praça de uma cidade atravessada pela estrada e todos descemos apressadamente. Apesar do susto, o problema era “só” com o ar condicionado. Após retirar a fumaça e desligar o ar, voltamos à estrada. No fim, foi até bom, pois o motorista resolveu acelerar, já que durante o dia a temperatura interna do ônibus, de janelas fechadas, esquentaria muito. Não sei se por essa pressa ou não, mas nossa única parada com direito à rápida descida para café foi em Santa Clara, a principal cidade entre Santiago e Havana.

Parada na rodoviária de Santa Clara, em Cuba

Parada na rodoviária de Santa Clara, em Cuba


Aí havia estado há dez anos, em visita ao memorial do mais celebrado herói da revolução, o argentino Ernesto Che Guevara. Nessa viagem de agora, não paramos na cidade no nosso caminho para Santiago, pois não há muito o que ver por lá, além do Memorial. E para quem gosta de história, as informações sobre a vida desse famoso revolucionário estão em toda parte, na ilha, nos livros e na internet. O tal Memorial é mesmo só para aficionados.

Salão da rodoviária de Santa Clara, em Cuba

Salão da rodoviária de Santa Clara, em Cuba


Che Guevara, ainda estudante, fez duas grandes viagens pelo continente, a primeira delas retratada no filme “Diários de Motocicleta”. Ficou compadecido com a situação de miséria em que vivia o povo dos países que visitou. Depois de voltar para casa e se formar médico, colocou o pé na estrada novamente, indo parar na Guatemala no início da década de 50, onde um governo de tendência esquerdista promovia uma reforma agrária e outras reformas sociais. Acompanhou de perto como militares guatemaltecos ajudados e treinados pela CIA derrubaram esse governo, estabelecendo um sangrento governo ditatorial que duraria décadas. Essa experiência mudaria para sempre suas convicções, tendo cada vez mais certeza que apenas uma revolução seria capaz de levar o povo ao poder e defender-se das ingerências imperialistas.

Che, sempre presente nas ruas de Havana, capital de Cuba

Che, sempre presente nas ruas de Havana, capital de Cuba


Perseguido pelo novo governo da Guatemala, fugiu para o México, onde acabou entrando em contato com o cubano Fidel Castro, que em autoexílio, tratava de organizar um exército para derrubar o governo de Batista em seu país. Che se animou com a possibilidade e juntou-se ao grupo. Rapidamente se destacou nas “aulas de guerrilha e combate”, ministradas por um veterano da Guerra Civil Espanhola.

Livros à venda nas ruas do centro de Havana, capital de Cuba

Livros à venda nas ruas do centro de Havana, capital de Cuba


Che realmente foi um bom aluno e a prova disso é que foi um dos únicos 11 sobreviventes do catastrófico desembarque do Granma em Cuba, no início de Dezembro de 56. Outros 70 morreram ou foram presos, um início desalentador para a revolução imaginada por Fidel. Che embarcou no Granma como médico, mas logo nesse primeiro combate, ao ver um companheiro cair morto e decidir carregar a munição que esse levava, deixando para trás seu equipamento médico, largou de vez a medicina para virar soldado.

Propagandas do socialismo, muito comum nas ruas de Havana - Cuba

Propagandas do socialismo, muito comum nas ruas de Havana - Cuba


Pelos próximos 23 meses, provou seu valor na Sierra Maestra, não só liderando ações militares, mas também promovendo a alfabetização da população local, organizando “fábricas” de armamentos para os rebeldes e ajudando a colocar no ar a Rádio Rebelde, importante arma na guerra de propaganda e informação contra o governo Batista, que mantinha sob forte censura a imprensa do país.

Che Guevara continua arrebatando  corações! (em Havana - Cuba)

Che Guevara continua arrebatando corações! (em Havana - Cuba)


Elevado ao cargo de “comandante” por Fidel Castro, Che era um duro chefe. Requeria o máximo de seus comandados e não titubeava em fuzilar traidores. Ao mesmo tempo, comunista convicto, vivia e dividia tudo o que tinha com seus homens, não aceitando nenhum tipo de regalia e estando sempre na linha de frente do combate. Em Novembro de 59, liderou uma das colunas que cruzou o país, da Sierra Maestra à Havana. No caminho, muitas batalhas, a mais famosa delas a tomada de Santa Clara.

A figura de Che, sempre presente! (em Cienfuegos, em Cuba)

A figura de Che, sempre presente! (em Cienfuegos, em Cuba)


Foi aí que se deu a batalha decisiva da revolução. Com muito menos homes que o exército de Batista, mas com a moral muito mais elevada, a coluna de Che tomou um trem repleto de armas e soldados enviados pelo ditador para proteger a cidade. Foi uma batalha rápida, quase sem mortos, a tropa oficial amedrontada logo se rendendo. No dia seguinte, Batista fugiria do país, levando consigo parte das reservas do Banco Central. Passou o resto de sua vida recolhido em sua mansão na Espanha (passou também por Portugal), morrendo no início da década de 70. Quanto à Che e sua coluna, seguiram triunfantes para Havana, onde foram recebidos em festa.

Arte com a figura de Che Guevara em galeria de Trinidad, em Cuba

Arte com a figura de Che Guevara em galeria de Trinidad, em Cuba


Transformado em cidadão cubano, Che acumulou vários cargos no governo revolucionário, a segunda pessoa mais importante do regime. Seu maior sucesso foi na campanha de erradicação do analfabetismo no país, feito conseguido em apenas um ano. Mas, no campo econômico, suas ações, movidas por seu idealismo comunista, não deram muito certo, não. Insistia que as pessoas deveriam tabalhar tendo como estímulo o bem comum, e não por prêmios em salários. Estabelecia cotas de produção e, quem as superasse, ganhava um “diploma de honra ao mérito”, e não um bônus monetário. Quem ficasse abaixo, aí sim, tinha o salário cortado. O resultado foi uma enorme queda de produção na economia cubana.

Interior de galeria de arte em Trinidad - Cuba

Interior de galeria de arte em Trinidad - Cuba


Após alguns anos de tentativas e erros na economia do país e de uma agressiva atuação na diplomacia internacional, Che simplesmente desapareceu. Ele foi um dos maiores incentivadores da instalação dos mísseis soviéticos em Cuba e ficou furioso com o desfecho da crise. Passou a criticar os soviéticos, alinhando-se mais com o comunismo da China de Mao, então rival de Moscou. Mas já era Moscou que sustentava a economia Cubana e isso gerou “desconfortos”.

Propaganda pró-revolução nas ruas de Camaguey, em Cuba

Propaganda pró-revolução nas ruas de Camaguey, em Cuba


O fato é que Che deixou o governo cubano e, muitos meses mais tarde, reapareceu no Congo, lutando ao lado dos guerrilheiros de Kabila. Poucos meses de luta no continente africano o deixaram desiludido com a capacidade de luta e reais convicções de seus novos companheiros. Mal sabia ele o desastre que seria quando Kabila chegasse ao poder, três décadas mais tarde. Não viveria para isso...

Che com Fidel, nos primeiros tempos do governo revolucionário

Che com Fidel, nos primeiros tempos do governo revolucionário


Pouco tempo depois de sua aventura africana, voltou ao continente de origem. Idealizou e imaginou transformar os Andes na nova Sierra Maestra e fazer uma revolução socialista em todo o continente sulamericano. A Bolívia seria apenas o ponto inicial. Infelizmente para ele, a realidade nua e crua foi muito mais dura que seus sonhos. Nos meses de luta na Bolívia, a luta não seguiu como imaginava, conseguiu poucos adeptos e resultados. Recebeu menos apoio que pediu de Cuba, não se entendeu com os comunistas bolivianos e, provavelmente traído, acabou capturado pelo exército do país, ajudado pela CIA. No dia seguinte seria executado, perdendo a vida e ganhando um lugar para sempre no panteão de mártires da esquerda mundial.

A famosa foto de Che morto na Bolívia

A famosa foto de Che morto na Bolívia


Para muitos, Che morreu na hora certa. Antes que envelhecer, engordar (quem sabe, “enricar”) e, possivelmente, perder aquela imagem idealizada do revolucionário perfeito. Mas, mesmo para aqueles que não concordam com suas ideias e seus métodos (entre eles, a longa fila de mortes em seu currículo), acho difícil não admirar a coragem e convicção de largar uma vida garantida de segurança e conforto em Cuba para se embrenhar novamente na mata e nos rigores de uma vida de combate, tudo para lutar por seus ideais de um mundo sem diferenças sociais.

Che se tornou um grande admirador dos 'puros'

Che se tornou um grande admirador dos "puros"


Bom, talvez por isso ele estampe camisetas de jovens por todo o mundo. Além de outdoors por toda Cuba, sempre acompanhado de mensagens de autoajuda ou frases de efeito. Algo me diz que ele não gostaria muito disso. Se ainda estivesse vivo, como seria? Nunca saberemos… Passei as horas restantes de nossa viagem até Havana pensando na vida desse mito. É, ninguém pode negar, o “hermano” viveu sua vida intensamente...

A mais famosa foto de Che Guevara, tirada por Alberto Korda, durante cerimônia em Havana

A mais famosa foto de Che Guevara, tirada por Alberto Korda, durante cerimônia em Havana

Cuba, Santiago de Cuba, Santa Clara, Che Guevara

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Parados em Maldonado

Peru, Puerto Maldonado

Fim de tarde sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Fim de tarde sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Para quem já viajou na Europa de carro, sabe como é fácil passar de um país para o outro. Não estou falando das questões burocráticas, passaportes e documentos. Nesse quesito, então, nem se fala. Estou falando da infraestrutura, das estradas que nos levam a um país vizinho. Na Europa, as estradas simplesmente “continuam do lado de lá”, como se estivéssemos cruzando de Minas para São Paulo ou da Paraíba para Pernambuco. É como deveria ser em qualquer lugar do mundo, na minha humilde opinião.


Estrada de Rio Branco (A), no Acre, até a fronteira em Assis Brasil (B) e, de lá, para Puert0 Maldonado (C), na Amazônia peruana

Já aqui na nossa América do Sul, as coisas não são assim tão simples. Mas tem melhorado, quando comparamos com a situação de poucas décadas atrás, até onde vão minhas lembranças. Falo principalmente do Brasil. A situação é melhor nas nossas fronteiras do sul, com Argentina e Uruguai, onde a integração é mais antiga. Mas com os países do norte, a situação ainda é, no mínimo, precária. Com a Venezuela e Guiana, há ligação rodoviária desde Roraima. O problema é que, de Roraima, só se chega até Manaus. Daí para o sul do país, só rios (a não ser para quem se aventure pela péssima estrada de Manaus à Porto Velho, como nós fizemos). Então, a rigor, para quem mora nos estados do sul, não dá para ir “só de carro” para esses países. Vai precisar da ajuda de um barco. O mesmo vale para a Guiana Francesa, só que agora é via Amapá. Uma ponte liga esse estado ao país vizinho, mas está fechada por problemas burocráticos. De qualquer maneira, para se chegar ao Amapá, só de barco. Com o Suriname, então, nem se fala. Apesar de nossa longa fronteira comum, chegar até lá, nem de carro e nem de barco. É como se fossem países em continentes diferentes. A mesma coisa vale para a Colômbia. Pelo menos, aí se chega de barco, mas de carro, só em sonho (ou dando a volta por países vizinhos).

O rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

O rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Senhoras se admiram com a bela paisagem de Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Senhoras se admiram com a bela paisagem de Puerto Maldonado, na amazônia peruana


A grande novidade nesse assunto foi a construção da Estrada do Pacífico, ou Interoceânica, que nos liga a um outro vizinho, o Peru. Antes dela, mais uma vez, só de barco. Mas em meados da década passada, essa situação mudou, com a construção da ponte que liga Assis Brasil, no Acre, com Iñapari, no Peru. Além disso, claro, construiu-se e asfaltou-se uma estrada de Rio Branco até a fronteira, e de Iñapari até o litoral do Peru, vencendo a majestosa cordilheira dos Andes. Lembro-me da felicidade ao ver esse acordo celebrado, no início da década passada e, meio incrédulo, mas contente, de perceber que as obras estavam saindo mesmo do papel. Depois, ao ler notícias de viajantes que passavam por essa nova rota, jurei que chegaria a minha vez. Desde o início dos 1000dias, sempre planejamos viajar ao Peru, de carro, diretamente do Brasil. Tanto que, quando passamos da outra vez pelo país, ficamos apenas ali pertinho do litoral, deixando a região de Cusco e do Titicaca para uma segunda etapa, vindos do Acre pela Rodovia Transoceânica. Esse dia finalmente chegou!

A bela ponte que atravessa o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

A bela ponte que atravessa o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Parte da Carretera Transoceanica, a ponte Billinghurst, sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Parte da Carretera Transoceanica, a ponte Billinghurst, sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


E assim foi! No dia 16, orgulhosos e curiosos, atravessamos a ponte em Assis Brasil e entramos no Peru. Basicamente, saímos da Amazônia e entramos na Amazônia. Pois é, a fronteira é só imaginaria, pois a natureza continua a mesma! Nos primeiros quinhentos quilômetros em território peruano, ainda estamos no meio de florestas tropicais, rios caudalosos e altitudes de no máximo 350 metros. Aquela imagem romântica e idealizada das montanhas e altiplano andino, isso fica mais para frente. Para quem quer ver algo diferente, tem de se contentar com a mudança da língua. E só. Pelo menos, nessa primeira parte.

Admirando o pôr-do-sol do alto da ponte sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Admirando o pôr-do-sol do alto da ponte sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Fim de tarde sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Fim de tarde sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


A primeira (e única!) cidade grande nessa parte amazônica do Peru é a simpática Puerto Maldonado. Aqui, a Rodovia Transoceânica teve de vencer um de seus maiores obstáculos: o rio Madre de Dios. É, de longe, a maior ponte qu ultrapassamos desde Rio Branco e não há nada parecido até Cusco. Formosa, é uma das grandes atrações turísticas da cidade e assistir o fim de tarde sobre ela, as cores vermelhas do céu refletidas no rio abaixo, é simplesmente um espetáculo! Foi o que fizemos na nossa primeira tarde por ali, já que resolvemos passar uma noite na cidade antes de seguirmos viagem até a subida da Cordilheira dos Andes.

O simpático bicho-preguiça que vive nos jardins do nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

O simpático bicho-preguiça que vive nos jardins do nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Na verdade, chegamos dispostos a passar mais de um dia, já que daqui saem lindos passeios a um Parque Nacional nas redondezas, área de floresta e de animais como onças, araras e ariranhas. Como nós acabamos de chegar de uma temporada amazônica no Brasil, isso não soava tão interessante, até meio repetitivo, mas queríamos sim dar uma olhada. Rápida, pois o interesse mesmo eram os Andes, isso sim muito mais exótico para nós.

O simpático bicho-preguiça que vive nos jardins do nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

O simpático bicho-preguiça que vive nos jardins do nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Chegamos a checar passeios e decidimos que iríamos passar um dia inteiro por aqui, para seguir viagem no dia 18. Mas, essa não era a ideia que tinha o destino, senhor de todos nós. Eis que a Ana adoeceu e ficou ruim de verdade. Vomitando muito, nada parando no seu estômago. Ou saia por aqui, ou saia por ali. Ficou fraca e com febre. Nossa farmácia que viaja conosco não deu conta e não houve remédio que não fosse levá-la ao hospital. Dali, não a deixaram sair. Entrou no soro e antibióticos, para combater a infecção misteriosa.

O ativo bicho-preguiça que vive no nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

O ativo bicho-preguiça que vive no nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Socializando com um simpático bicho-preguiça no nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Socializando com um simpático bicho-preguiça no nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Hospital público, atendimento gratuito, exceto pelos medicamentos e outros materiais, que era eu que deveria providenciar. Alguns, conseguia comprar ali no hospital mesmo. Outros, fazia uma peregrinação pelas farmácias (ou “boticas”) da cidade. Acabei conhecendo boa parte delas. Enquanto isso, a Ana descansava em um leito simples do hospital. Passou pelas mãos de três médicos, nos seus respectivos horários de plantão. Finalmente, quase 24 horas depois de dar entrada, consegui liberação para tirá-la de lá, diretamente para o conforto do nosso quarto num delicioso lodge na beira do rio Madre de Dios, quase ao lado da ponte que o atravessa.

O hospital que atendeu a Ana em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

O hospital que atendeu a Ana em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Uma das muitas farmácias visitadas pelo Rodrigo em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Uma das muitas farmácias visitadas pelo Rodrigo em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Foram vários dias de descanso ali mesmo, até ganhar forças paras seguirmos viagem. A única diversão para ela, além de ficar tomando o soro isotônico que eu lhe trazia, era observar e fotografar uma simpática bicho-preguiça branca que vive lá no lodge. Uma das mais ativas que já conhecemos. Subia e descia árvores e telhados com agilidade surpreendente (para padrões de bicho-preguiça, claro!).

A Ana descansa em leito de hospital em Puerto Maldonado, no Peru

A Ana descansa em leito de hospital em Puerto Maldonado, no Peru


Um dos muitos exames feitos pela Ana durante sua estadia no hospital de Puerto Maldonado, no Peru

Um dos muitos exames feitos pela Ana durante sua estadia no hospital de Puerto Maldonado, no Peru


Por fim, ganhou força e coragem (e liberação da mãe-médica, via Skype) para seguirmos viagem. Nós temos um encontro marcado com um amigo curitibano que está voando para Cusco, para passar dez dias conosco. Nossa primeira ideia era já conhecermos a área do Titicaca para depois, voltarmos à Cusco para encontrá-lo. Mas com esse “descanso” em Maldonado, deixamos o Titicaca para depois, mesmo. Vamos ver como a Ana reage à altitude em Cusco e ter mais uns dias de descanso até o Gustavo chegar, porque depois, vai ser pauleira, programação intensa pelas montanhas e ruínas incas da região. Então, com alguns dias de atraso, adeus Amazônia, Andes, aí vamos nós!

Admirando o pôr-do-sol do alto da ponte sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Admirando o pôr-do-sol do alto da ponte sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Peru, Puerto Maldonado, Bichos, Estrada

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De Volta à Mina da Passagem

Brasil, Minas Gerais, Mariana

Lago da Mina da Passagem em Mariana - MG

Lago da Mina da Passagem em Mariana - MG


Em Janeiro deste ano, como parte da nossa preparação para a viagem, eu e a Ana fizemos a parte prática do nosso curso de mergulho em cavernas aqui em Mariana, na Mina da Passagem. Embora o Brasil seja um dos países mais agraciados do mundo em quantidade e qualidade de cavernas "molhadas", próprias para o mergulho, ainda é quase impossível mergulhar em cavernas de verdade por aqui. O IBAMA, "dono" das cavernas, exige plano de manejo para que se possa mergulhar nas cavernas. Os proprietários não tem dinheiro para fazer o plano, e muito menos para desenvolver a infraestrutura para essa atividade. A consequência é que temos cavernas lindíssimas, com água transparente, mas que não podem ser exploradas, a não ser em casos de pesquisa, em projetos previamente aprovados pelo IBAMA. Com pouquíssimas exceções em Bonito-MS, resta aos mergulhadores praticar essa atividade aqui em Mariana, onde há uma mina alagada, que não é caverna e onde o IBAMA não mete o bedelho.

Acesso para a Mina da Passagem em Mariana - MG

Acesso para a Mina da Passagem em Mariana - MG


Novamente instalados na agradável e simpática Pousada da Serrinha, a meio caminho entre Ouro Preto e Mariana e ao lado da mina, partimos cedo para nossa segunda sessão de mergulhos em "cavernas". E o primeiro com nosso próprio equipamento. Já tínhamos usado ele em mergulhos no mar, lá no Caribe, mas seria a primeira vez que estaríamos usando na configuração de tanque duplo e usando a poderosa lanterna de canister, tão potente como um farol de carro.

Preparando-se para mergulhar na Mina da Passagem em Mariana - MG

Preparando-se para mergulhar na Mina da Passagem em Mariana - MG


Pronto para mergulhar na Mina da Passagem em Mariana - MG

Pronto para mergulhar na Mina da Passagem em Mariana - MG


O primeiro mergulho foi junto com o Dib, que é o responsável pela atividade de mergulho na mina. Foi ótimo mergulhar com ele, afinal não tínhamos mais praticado esse tipo de mergulho desde Janeiro. E mergulhar em cavernas é o tipo de atividade que exige estarmos totalmente seguros. Foi um mergulho tranquilo, entrando pelso túneis da mina, descendo e subindo andares, sempre atrás do cabo guia que nos mostra, de dez em dez metros, a distância e a direção para a saída.

Rodrigo mergulhando na Mina da Passagem, em Mariana - MG

Rodrigo mergulhando na Mina da Passagem, em Mariana - MG


O segundo mergulho foi só nós dois. Pela primeira vez nos aventuramos numa "caverna" sozinhos. Foi muito legal! Quando a Ana ía na frente, e normalmente ela ía, já que é mais prática do que eu com a carretilha, a visão dela nadando por entre os túneis e salas da mina era incrível. A força da lanterna e a água transparente possibilitavam visões lindas, meio fantasmagóricas meio mágicas da Ana flutuando, quase voando naquele ambiente extraterreste, saído de algum filme. Quando eu ía na frente, tinha sempre em vista o salvador cabo guia, que é nosso elo de ligação com o mundo e com a vida.

Ana colocando a carretilha em mergulho na Mina da Passagem, em Mariana - MG

Ana colocando a carretilha em mergulho na Mina da Passagem, em Mariana - MG


Já que falei em "carretilha", deixa eu explicar: quando mergulhamos em cavernas, amarramos uma carretilha desde a entrada da caverna até a sua parte já escura, onde começa o cabo guia. O cabo guia não começa na entrada da caverna, onde ainda há luz, para não estimular manés e pessoas que não são treinadas a entrar caverna à dentro. No caso da mina, em Mariana, ainda há outro "filtro". Logo no início da parte escura, há um enorme cartaz com uma caveira desenhada "aconselhando" as pessoas não treinadas a não seguirem adiante.

Placa meio 'borrada', subaquática, advertindo mrgulhadores da Mina da Passagem, em Mariana - MG

Placa meio "borrada", subaquática, advertindo mrgulhadores da Mina da Passagem, em Mariana - MG


Não é o nosso caso. Já somos treinados e devidamente certificados. E fizemos um mergulho jóia. Agora, mais do que nunca, estamos ansiosos para chegar numa caverna de verdade, feita pelas mãos da natureza e não pelas mãos do homem, onde se possa mergulhar. O que falta treinar agora, e talvez de um equipamento um pouco mais profissa, são as fotos. Com o tempo e treino, vamos melhorar...

Autofoto durante mergulho na Mina da Passagem, em Mariana - MG

Autofoto durante mergulho na Mina da Passagem, em Mariana - MG


Escada que dá acesso aos mergulhadores para o lago na Mina da Passagem em Mariana - MG

Escada que dá acesso aos mergulhadores para o lago na Mina da Passagem em Mariana - MG

Brasil, Minas Gerais, Mariana, Caverna, Mergulho, Mina da Passagem

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Rio Quente

Brasil, Goiás, Rio Quente

Piscina movimentada do Hot Park, na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás

Piscina movimentada do Hot Park, na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás


Faz quase 30 anos que eu já ouço falar deste lugar. Algumas vezes minha família até pensou em vir para cá mas nunca fomos além dos planos. Depois, mais velho, cheguei a passar em Caldas Novas. Mas sempre tendo como objetivos outros lugares menos... hmmmm... turísticos.

Bom, de lá para cá, o turismo por aqui só aumentou. Assim como a invejável estrutura do local. Foi só chegando por aqui que entendi que a "Pousada do Rio Quente" na verdade é um conjunto de grandes hotéis, tipo um mega resort. E que esse mega resort é o mais visitado do Brasil. No mês de Julho, a taxa de ocupação beira os 100%, não só do mega resort como dos outros hoteis que gravitam em torno dele. Haviam me recomendado muito que eu ficasse no resort. A grande vantagem é que, para os que ficam "lá dentro", o parque funciona 24 horas. E a melhor hora para ir nas águas quentes é de madrugada, quando o ar está um pouco mais fresco e as piscinas e fontes bem mais vazias. Como não conseguimos ficar no resort, tivemos mesmo de enfrentar as massas e o calor do dia...

Logo de manhã, ainda no café da manhã, uma grande surpresa: encontramos o Besouro, amigo da Unicamp, também à caminho do casamento em Goiânia. Ele estava com a esposa Sandreli e os filhinhos Caique e Lucca. Foi muito legal encontrá-los e isso tornou nosso dia bem mais interessante.

Encontro com o Márcio Besouro na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás

Encontro com o Márcio Besouro na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás


Fomos todos para o hot park, dentro do resort (aberto de 9:30 às 17:00). A maior atração é uma enorme piscina com ondas, conhecida como "Praia do Cerrado". Como era de se esperar, ela e as outras atrações do parque estavam muito cheias. Se bem que me disseram que nos fins de semana ficaria muito mais. Mas, pelo menos para nós, acostumados com as cachoeiras completamente vazias, estava lotado mesmo.

Momento de sossego na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás

Momento de sossego na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás


Assim, para conviver com a lotação, não pensamos duas vezes: entramos na cerveja. Logo, tudo pareceu bem mais simpático! He he he. Deu até para se divertir nas ondas da piscina, tentando se esquivar das dezenas de pessoas. Eu e o Besouro colocamos o papo em dia e foi muito jóia estar com a Sandreli, Caique e Lucca.

Com a Sandreli (esposa do Besouro), o Caique e o Lucca, na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás

Com a Sandreli (esposa do Besouro), o Caique e o Lucca, na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás


No fim de tarde, depois que as pessoas foram retiradas da piscina, a Ana usou o seu charme e deixaram ela dar um último mergulho. A piscina ficou com uma cara bem diferente!

Fim de tarde, aproveitando a piscina vazia do Hot Park, na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás

Fim de tarde, aproveitando a piscina vazia do Hot Park, na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás


De volta para o hotel, fiquei imaginando como seria aquela região há 50-100 anos atrás. Mais "roots" (palavra que a Ana adora usar!), certamente. Mas, para quem não conhecia, como eu, valeu ter vindo sim. É bom conhecer os outros "turismos" também. Nem que, para isso, tenha de ouvir gozações dos amigos dizendo que nosso site deveria mudar de nome de www.1000dias.com para www.1000dias.cvc. Com um bom patrocínio, quem sabe?

Brasil, Goiás, Rio Quente,

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Atravessando o País

Jamaica, Treasure Beach, Port Antonio

Cruzando a Jamaica de carro

Cruzando a Jamaica de carro


Deixamos Treasure Beach logo cedo, dispostos a atravessar a ilha da Jamaica, saindo da sua costa sudoeste para chegar ao seu litoral nordeste, passando pela capital Kingston no caminho. A primeira parte do trajeto seria por um emaranhado de estradas secundárias, passando por pequenas vilas, trechos montanhosos e asfalto de qualidade duvidosa. Depois de alguns dias, já estou “quase” craque de dirigir na mão inglesa. O “quase” é porque ainda tenho uma certa dificuldade de desviar dos buracos no caminho, acertando “quase” todos, hehehe.

Antes de partir, olhamdo no mapa o longo caminho entre Treasure Beach e Port Antonio, na  Jamaica

Antes de partir, olhamdo no mapa o longo caminho entre Treasure Beach e Port Antonio, na Jamaica


E assim, mapa na mão e algumas paradas para pedir informações e conseguimos chegar na estrada principal, aquela que dá a volta em toda a ilha. Aqui passamos numa Jamaica menos turística, mais autêntica, todos vivendo suas vidas independente de visitantes estrangeiros. Enfim, começávamos a ver uma Jamaica mais “jamaicana”...

Estrada secundária na região de Treasure Beach, no sul da Jamaica

Estrada secundária na região de Treasure Beach, no sul da Jamaica


A tal estrada principal também tem seus buracos e a situação só melhorou mesmo quando chegamos à autopista, uns 40 km antes da capital. Pois é, autopista mesmo, muitos carros, pista dupla, pedágio, mais uma peça para nos ajudar a montar esse quebra-cabeça chamado Jamaica.

Escolares caminham em rua de pequena cidade na Jamaica

Escolares caminham em rua de pequena cidade na Jamaica


Passagem tranquila pela capital Kingston e logo estávamos cruzando as Blue Mountains, rumo ao norte da ilha. Estrada bem estreita, cheia de curvas, daquela que temos de buzinar antes de cada virada. Com paciência (e fome!), chegamos ao litoral onde encontramos novamente uma estrada mais larga. Aí, tapetão até a pacata Port Antonio, local onde nasceu o turismo no país, já há muitas décadas.

Prédio da prefeitura de Port Antonio, no nordeste da Jamaica

Prédio da prefeitura de Port Antonio, no nordeste da Jamaica


Felizmente, o tal turismo logo migrou para Montego Bay, Ocho Rios e Negril, deixando Port Antonio relativamente à salvo dos grandes resorts e da descaracterização que eles trazem. Estamos agora na Portland Parish, considerada a mais bonita do país e, mesmo assim, uma das mais bem preservadas!

A movimentada praça central de Port Antonio, no nordeste da Jamaica

A movimentada praça central de Port Antonio, no nordeste da Jamaica


Aqui chegando, fomos direto nos alimentar, de frente a uma das muitas belas baías da região. Aí sim, de estômagos forrados, fomos procurar algum lugar para ficar. Finalmente, pudemos nos livrar dos hotéis mais caros e achamos uma Guest House super simpática, na península de Titchfield, a mais agradável vizinhança de Port Antonio. Ainda tivemos tempo de, caminhando, conhecer o centro da cidade, sua bela igreja anglicana, a movimentada praça e a marina que recebe veleiros do mundo inteiro. Depois de tantas praias e hotéis, foi uma delícia estarmos novamente em uma cidade normal, com gente normal.

A bela igreja anglicana Port Antonio, no nordeste da Jamaica

A bela igreja anglicana Port Antonio, no nordeste da Jamaica


A ideia, amanhã, é ir logo conhecer a famosa Blue Lagoon e depois, dar uma passada rápida em alguma praia. Afinal, ainda queremos pegar estrada para ir dormir no alto das Blue Mountains, com vista para Kingston!

Céu de fim de tarde sobre o Mercado de Port Antonio, no nordeste da Jamaica

Céu de fim de tarde sobre o Mercado de Port Antonio, no nordeste da Jamaica

Jamaica, Treasure Beach, Port Antonio,

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Passion Fruit

Porto Rico, Fajardo

Café da manhã à beira da piscina no hotel Passion Fruit em Fajardo - Porto Rico

Café da manhã à beira da piscina no hotel Passion Fruit em Fajardo - Porto Rico


Passion Fruit. Esse é o nome da nossa simpática pousada em Fajardo. Na verdade, é um Bed & Breakfast, ou seja, ao contrário dos outros hotéis que ficamos em Porto Rico, oferece café da manhã incluso na diária de 100 dólares.

Ficamos aqui por 3 noites, já que Fajardo é uma ótima base para ir ao El Yunque, ilhas de Culebra e Vieques (que não fomos), praia de Luquillo e à baía luminescente. Todos os dias, tivemos um agradável café da manhã servido na beira da piscina. E nas madrugadas, corro perto da área de recepção onde funciona o wi-fi para conexão com a internet.

Enfim, a pousada faz jus ao belo nome que tem, vai deixar saudades e mereceu um post só para ela. Nossa preferida aqui em Porto Rico, só perde para o hotel do John, lá em Harbour Island, nas Bahamas, campeão absoluto até agora.

Porto Rico, Fajardo,

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A Hora da Verdade!

Antártida, Brown Bluff

A hora da verdade! Polar plunge nas águas polares de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)

A hora da verdade! Polar plunge nas águas polares de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)


Antes mesmo de embarcarmos no Sea Spirit, quando ainda líamos sobre as atrações oferecidas nessa viagem, ficamos sabendo sobre um tal de “polar plunge”. A gente sempre brincava que iria dar um mergulho nos mares gelados do sul, mas não imaginava que, na verdade, isso fazia mesmo parte da programação. O que tinha começado apenas como uma brincadeira entre nós virou mesmo uma coisa muito séria, mais do que uma possibilidade, uma verdadeira obrigação que teríamos de cumprir ao final da viagem. Obrigação moral que nos impusemos, com muito prazer, claro!

O fotógrafo novaiorquino Brian foi o primeiro a encarar o 'polar plunge' nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)

O fotógrafo novaiorquino Brian foi o primeiro a encarar o "polar plunge" nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)


Pois é, “polar plunge” quer mesmo dizer “mergulho polar” e é uma atividade oferecida por muitos dos navios que viajam à Antártida. Algumas vezes é na praia, mas a maioria delas é em alguma baía tranquila, ao lado do Sea Spirit. Essa espécie de “batismo” é oferecida no final da viagem, pouco antes de zarparmos de volta à América do Sul. Obviamente, é uma atividade (ou loucura!) voluntária, prontamente adotada pelos mais corajosos e tolos. Nós entre eles, claro!

A plateia assiste e aplaude os valentes participantes do polar plunge nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)

A plateia assiste e aplaude os valentes participantes do polar plunge nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)


Éramos 17 no total, praticamente toda a “ala jovem” dos passageiros além de uns senhores mais loucos, como nosso grande amigo Sail, da Holanda, o sexagenário de alma mais jovem do navio. Todos os outros passageiros do barco, aqueles com mais juízo, se aboletam no no deck de cima e ficam lá, incentivando, aplaudindo e fotografando. Os guias ficam conosco no deck de baixo e também em um bote em frente ao barco, para terem os melhores ângulos para fotografar. Também está lá o médico do barco, pronto para qualquer eventualidade. Com todas as letras, ele nos disse: “Vocês são loucos!”.

O canadense Doug também encarou o 'polar plunge' nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)

O canadense Doug também encarou o "polar plunge" nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)


A temperatura da água é de 0 graus. Isso mesmo, ZERO graus. Ela é azul, transparente e muito gelada! Antes de entrarmos na água, uma pessoa de cada vez ou, para os pombinhos apaixonados, dois de cada vez, somos devidamente amarrados. Isso é para o caso de congelarmos ou termos algum ataque lá embaixo. Assim, fica mais fácil eles nos puxarem de volta ao barco. O médico tem com ele um desfibrilador, aparelho que ele jura nunca ter usado (ainda!) nessa atividade. Enfim, melhor estar preparado para tudo, não é?

A escocesa Rowan faz pose durante o mergulho gelado nas águas de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)

A escocesa Rowan faz pose durante o mergulho gelado nas águas de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)


A Rowan se apressa em sair das águas geladas em Brown Bluff, na Antártida

A Rowan se apressa em sair das águas geladas em Brown Bluff, na Antártida


E assim, tudo preparado, lá vamos nós! Quem abriu a contagem foi o Brian, um fotógrafo nova-iorquino que ficou muito amigo nosso também. Depois veio a simpática Rowan, uma escocesa que está viajando pela segunda vez à Antártida. Dentre nós, era a única “veterana” em polar plunge! Por isso, já pulou com estilo!

O cinegrafista Jeff entrou com estilo nas águas polares de  Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)

O cinegrafista Jeff entrou com estilo nas águas polares de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)


O Jeff ainda teve forças de nadar um pouco nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)

O Jeff ainda teve forças de nadar um pouco nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)


Teve ainda o Jeff, diretor de cinema, que deu uma linda ponta e ainda algumas braçadas na água congelante. Mas nem todo mundo se dava tão bem assim. O nosso amigo Sail fez uma terrível careta ao entrar na água, devidamente captada e eternizada pelas câmeras.

O holandês Sail faz cara feia ao cair nas águas geladas em Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)

O holandês Sail faz cara feia ao cair nas águas geladas em Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)


O holandês Sail faz cara feia ao cair nas águas geladas em Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)

O holandês Sail faz cara feia ao cair nas águas geladas em Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)


Mas quem mais chamou a atenção foi mesmo a sul-africana Kim, com um belíssimo salto acrobático e que, ao se levantar na água, para delírio geral de todos, mostrou os seios de propósito. É claro que fotos foram tiradas. E censuradas!

Com todo o estilo, a sulafricana kim salta para as águas polares de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)

Com todo o estilo, a sulafricana kim salta para as águas polares de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)


A Kim ainda consegue relaxar nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida

A Kim ainda consegue relaxar nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida


Entre os casais, nossos amigos companheiros de remadas no caiaque e também os simpáticos Lochi e Anne, ele australiano e ela alemã. Deram o beijinho da sorte bem estilosos, mas na hora de pular, foi cada um para um lado, numa cena bem menos glamorosa.

Clima de romance entre o australiano Lochi e a alemã Anne pouco antes do polar plunge do casal nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)

Clima de romance entre o australiano Lochi e a alemã Anne pouco antes do polar plunge do casal nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)


Sem muito estilo, Lochi e Anne caem nas águas polares de  Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)

Sem muito estilo, Lochi e Anne caem nas águas polares de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)


E por fim, chegou a nossa vez, os últimos da fila. Eu com a GolPro a postos e a Ana vestida de rosa. Será que ela achou que assim era mais quente? Demos também nosso beijinho e, naquela hora já não tinha mais volta, para água fomos os dois!

Um beijo de despedida antes do polar plunge do casal 1000dias nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)

Um beijo de despedida antes do polar plunge do casal 1000dias nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)


A sensação, como já haviam descrito para mim, é a de um milhão de agulhas entrando no seu corpo ao mesmo tempo. O nosso coração para, sem entender o que está acontecendo. Assim também ocorre com os sentidos, que entram em parafuso. Já não sabemos se aquilo é calor ou frio, só sabemos que dói. E dói bastante.

A hora da verdade! Polar plunge nas águas polares de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)

A hora da verdade! Polar plunge nas águas polares de Brown Bluff, na Antártida (foto de Vladimir Seliverstov)


Com a GolPro em mãos, caindo nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida

Com a GolPro em mãos, caindo nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida


Quando me levantei da água, minha ágil esposa já estava na escada do navio, rápida como um foguete para voltar a bordo. Nunca tinha visto ela nadar tão rápido, hehehe. Eu ainda dei umas braçadas por lá, mas quando parei de sentir da perna para baixo, achei melhor voltar para o navio também. Mais alguns segundos e começaria a perder a coordenação. Fica fácil entender porque pulamos amarrados!

A Ana volta acelerada para o Sea Spirit enquanto o Rodrigo ainda filma e curte as águas geladas de  Brown Bluff, na Antártida

A Ana volta acelerada para o Sea Spirit enquanto o Rodrigo ainda filma e curte as águas geladas de Brown Bluff, na Antártida


A Ana já está de volta ao Sea Spirit enquanto o rodrigo ainda nada nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida

A Ana já está de volta ao Sea Spirit enquanto o rodrigo ainda nada nas águas geladas de Brown Bluff, na Antártida


Depois do mergulho, vamos todos recobrar os sentidos e a razão na pequena piscina no deck superior do Sea Spirit. Piscina com água aquecida, claro! Aí, todos nós nos apertando lá dentro, felicidade pura flutuando sobre nós, fomos servidos com uma bela champanhe. Um brinde ao nosso batismo, ao nosso primeiro banho em águas antárticas, à coragem e à loucura. Um momento para nunca mais esquecermos, a cereja do bolo da nossa viagem à Antártida, a nossa tão esperada hora da verdade nessa viagem.

Prêmio merecido! Todos os valentes participantes do polar plunge dividem o espaço das águas aquecidas da piscina do Sea Spirit, em Brown Bluff, na Antártida

Prêmio merecido! Todos os valentes participantes do polar plunge dividem o espaço das águas aquecidas da piscina do Sea Spirit, em Brown Bluff, na Antártida

Antártida, Brown Bluff, aventura, mar

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Esticando as Pernas em Villa O'Higgins

Chile, Villa OHiggins

Um belíssimo e verdejante bosque na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Um belíssimo e verdejante bosque na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Quem acompanha nossa viagem de perto sabe que, apesar de termos dirigido até o Alaska e a Terra do Fogo, o 1000dias é muito mais feito de pernas do que de rodas. Sim, foram mais de 160 mil quilômetros rodados até aqui, mas se toda essa quilometragem for distribuída ao longo da viagem, são cerca de 110 quilômetros por dia. Não é muito e há bastante gente que roda mais do que isso sem nunca sair de sua cidade ou estado, apenas na sua rotina diária de trabalho. Na média, isso significa, talvez, 1h 30min diários dentro da Fiona e o resto, fora dela! É onde os 1000dias realmente acontecem, conosco perambulando entre montanhas e florestas, praças e museus.

A cidade de Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, vista do alto do parque Cerro Santiago (sul do Chile)

A cidade de Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, vista do alto do parque Cerro Santiago (sul do Chile)


Caminhando pela praça central de Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile

Caminhando pela praça central de Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile


Pois bem, digo isso porque os últimos 10 dias de nossa viagem foram bem atípicos nesse sentido. Desde nosso último dia cheio em Torres del Paine, exatamente na véspera de natal, que temos dirigido todos os dias. Fomos até a Terra do Fogo, cruzamos o sul da Argentina, entramos no Chile e chegamos à Carretera Austral sempre a bordo da nossa querida Fiona. Apenas em Punta Arenas e Ushuaia passamos mais de uma noite, mas mesmo nessas cidades, durante o dia cheio que nelas passamos, foi nosso carro que nos levou até o ponto extremo da América do Sul, na primeira, e ao Parque Nacional Tierra del Fuego, na segunda. Sim, caminhamos também, não só em Ushuaia como também no Bosque Petrificado ou nas passarelas de Caleta Tortel, mas a Fiona foi bastante usada todos esses dias. Enfim, uma correria, mas uma correria sobre rodas!

A charmosa e rústica arquitetuta de Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile

A charmosa e rústica arquitetuta de Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile


Embalado por cerveja, trabalhando um pouco no computador em nosso albergue em Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile

Embalado por cerveja, trabalhando um pouco no computador em nosso albergue em Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile


Então, merecidamente, vimos a chance aqui em Villa O’Higgins de quebrar um pouco esse ritmo. Esticar as pernas de verdade e dar um descanso à Fiona. Não poderíamos escolher melhor lugar, pois a cidade que fica no extremo sul da Carretera Austral está circundada por uma natureza exuberante e quase virgem. Bosques, geleiras, rios, lagos e montanhas formam o entorno dessa cidade perdida no meio da patagônia chilena e que se autodenomina “a porta de entrada do Campo de Gelo Sul”. Pois é, nós já estivemos em outras “portas de entrada” desse enorme campo gelado, como El Chaltén e El Calafate, ambos do lado argentino. Mas aqui desse lado da fronteira, é mesmo Villa O’Higgins a principal via de acesso ao segundo maior banco de gelo do planeta fora das regiões polares.

Nosso albergue em Villa O'Higgins, também muito frequentado por ciclistas que viajam pela Carretera Austral, no sul do Chile

Nosso albergue em Villa O'Higgins, também muito frequentado por ciclistas que viajam pela Carretera Austral, no sul do Chile


Nosso albergue em Villa O'Higgins, também muito frequentado por ciclistas que viajam pela Carretera Austral, no sul do Chile

Nosso albergue em Villa O'Higgins, também muito frequentado por ciclistas que viajam pela Carretera Austral, no sul do Chile


Nós chegamos aqui no dia 2 às 21:00 e ainda aproveitamos a luz de fim de tarde (viva o dia “esticado” da patagônia!) para dirigir até o fim da estrada, alguns quilômetros ao sul de Villa O’Higgins. Foi só depois disso que viemos para a pequena cidade de 600 habitantes para nos instalar no aconchegante El Mosco Hostel. É um misto de albergue e hostel, muito popular com os ciclistas que fazem a travessia daqui para a Argentina, ou vice-versa. Tem quartos coletivos e para casais e infraestrutura para cozinharmos as próprias refeições. Todo em madeira, é uma delícia!

Despedida da Fili, proprietária da nossa casa em Villa O'Higgins, o Hostel Rio Mosco (sul do Chile)

Despedida da Fili, proprietária da nossa casa em Villa O'Higgins, o Hostel Rio Mosco (sul do Chile)


Despedida da Fili, proprietária da nossa casa em Villa O'Higgins, o Hostel Rio Mosco (sul do Chile)

Despedida da Fili, proprietária da nossa casa em Villa O'Higgins, o Hostel Rio Mosco (sul do Chile)


A dona do hostel é a simpaticíssima Fili e conversamos bastante com ela nessa noite e na manhã seguinte. Foi ela que nos indicou o excelente “Entre Patagones”, um restaurante delicioso que jamais imaginei encontrar nesse verdadeiro fim de mundo (no bom sentido!). Aí nos refestelamos com comida e vinho chilenos, nós e muitos dos viajantes de passagem por aqui. Todos celebrando estar no lugar onde estamos. Mas, voltando a Fili, foi ela também que nos deu um panorama geral da questão da Hidroaysen, as hidrelétricas que querem construir na região. Muito ponderada, nos mostrou prós e contras tentando não influenciar nossa própria opinião. Uma ótima e agradável conversa, um dos pontos altos de nossa estadia por aqui.

Mirante no alto do parque Cerro Santiago, em Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile

Mirante no alto do parque Cerro Santiago, em Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile


A caminho do Glaciar do rio Mosco, perto de Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile

A caminho do Glaciar do rio Mosco, perto de Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile


Foi também ela que nos orientou sobre os diversos trekkings existentes na região. Conforme já esperávamos, a caminhada até o Campo de Gelo Sul dura vários dias, tempo que infelizmente não dispomos. Vamos mesmo ter de voltar à patagônia algum dia só para conhecer essa que é uma das mais fascinantes e inexploradas regiões do mundo. Por outro lado, ela também deu várias dicas de caminhadas de apenas um dia pela região e foi assim que escolhemos o nosso trekking de hoje: uma trilha pelo vale do Rio Mosco até o glaciar onde nasce o rio. Certamente, não é uma trilha tão impressionante como o trekking até o Campo de Gelo, mas ainda sim mais belo do que a maioria das trilhas espalhadas pelo nosso continente.

Marcações na trilha para o Glaciar do rio Mosco, em Villa O'Higgins, no sul do Chile

Marcações na trilha para o Glaciar do rio Mosco, em Villa O'Higgins, no sul do Chile


Atravessando um bosque na trilha do Glaciar do rio Mosco, em Villa O'Higgins, no sul do Chile

Atravessando um bosque na trilha do Glaciar do rio Mosco, em Villa O'Higgins, no sul do Chile


Foi assim que, devidamente agasalhados e com sanduíches na mochila, saímos a caminhar hoje, primeiro pela própria cidade e depois subindo o vale do rio Mosco. O primeiro destino foi o Cerro Santiago, o parque municipal de Villa O’Higgins. Aí subimos um pequeno morro de onde temos belas vistas da cidade e ruas retas e ordenadas e construções baixas e de madeira. Era daí que partia a nossa trilha, devidamente sinalizada com tinta em árvores e pedras a cada 50 ou 100 metros.

Trecho aberto da trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Trecho aberto da trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Durante a caminhada para o Glaciar do Rio Mosco, uma visão do belo vale onde está Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile

Durante a caminhada para o Glaciar do Rio Mosco, uma visão do belo vale onde está Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile


Durante a caminhada para o Glaciar do Rio Mosco, uma visão do belo vale onde está Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile

Durante a caminhada para o Glaciar do Rio Mosco, uma visão do belo vale onde está Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile


Aqui ou ali, alguma bifurcação e a dúvida sobre por onde seguir. Principalmente no trecho inicial, ainda perto de fazendas e gado que cria suas próprias trilhas. Mas, aos poucos, fomos nos afastando da civilização e a trilha ficou bem clara ao cruzar bosques ou subir e descer encostas.

Na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, um mirante para o vale onde está  Villa O'Higgins, no sul do Chile

Na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, um mirante para o vale onde está Villa O'Higgins, no sul do Chile


Retornando à cidade depois de fazermos a trilha para o Glaciar do Rio Mosco, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Retornando à cidade depois de fazermos a trilha para o Glaciar do Rio Mosco, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Do ponto mais alto do caminho, tivemos uma belíssima visão do vale onde está Villa O’Higgins, desde a própria cidade até o lago onde chegamos ontem, ponto de término da Carretera Austral. Ao fundo, do outro lado do vale, as montanhas que escondem atrás de si o Campo de Gelo Sul. Um dia, chegamos lá... Já olhando para o outro lado, para a direção em que caminhávamos, as montanhas e o glaciar do Rio Mosco. Ele está longe de ser grande como os glaciares que nascem no Campo Sul, como o Viedma, o Grey ou o Perito Moreno, mas não deixa de ser uma visão impressionante, aquele rio de gelo pendurado entre as montanhas longínquas. Acho que brasileiros nunca vão se acostumar ou achar “normal” a visão de uma geleira. Mesmo nós que vimos tantas delas nesses últimos anos, no norte e no sul do nosso continente.

Um belíssimo e verdejante bosque na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Um belíssimo e verdejante bosque na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Um belíssimo e verdejante bosque na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Um belíssimo e verdejante bosque na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Dessa parte alta descemos para o vale criado pela própria geleira alguns milênios atrás, mas que hoje é percorrido apenas pelo rio de mesmo nome que nasce na sua linha de frente. A partir daí, entramos em bosques maravilhosos e por eles caminhamos durante horas, acompanhando as curvas do terreno e as curvas de nível. Muitos córregos e pequenas cascatas no caminho, mas o mais impressionante mesmo é o verde exuberante do bosque.

Encontrando o rio Mosco, na trilha que leva ao Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Encontrando o rio Mosco, na trilha que leva ao Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


No meio do bosque, o refúgio Puesto Rivera, na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

No meio do bosque, o refúgio Puesto Rivera, na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Chegando ao refúgio Puesto Rivera, na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Chegando ao refúgio Puesto Rivera, na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Por fim, chegamos à uma pequena casa de madeira no meio da floresta. Era o refúgio Puesto Rivera, nome que homenageia um dos pioneiros da região e que também usava essa mesma trilha que caminhamos hoje muito tempo atrás. Era um dos caminhos que levava à terras argentinas, do outro lado das montanhas. O refúgio é bem simples e rústico, mas convidativo o suficiente para lancharmos lá dentro. Não sei como seria passar a noite por ali, certamente algo entre o aventureiro e o amedrontador, o clima meio parecido com a Bruxa de Blair, principalmente no meio daquele bosque e totalmente longe da civilização.

Interior do refúgio Puesto Rivera, com direito até a chaminé para fazzer uma fogueira, na trilha para o glaciar do rio Mosco, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Interior do refúgio Puesto Rivera, com direito até a chaminé para fazzer uma fogueira, na trilha para o glaciar do rio Mosco, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Lanche para recuperar as energias, no refúgio Puesto Rivera, na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

Lanche para recuperar as energias, no refúgio Puesto Rivera, na trilha para o Glaciar do Rio Mosco, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Mas nossos planos nunca foram mesmo dormir ali. Continuamos um pouco mais adiante, até a beira do rio Mosco que agora corria ao nosso lado. Daí voltamos a ter uma vista mais ampla, o glaciar já bem mais perto de nós. Foi o ponto final da nossa trilha, já bastante satisfeitos com a esticada de pernas, com o ar puro ingerido, o contato com a natureza e a sensação total de liberdade. Hora de retornar.

O rio Mosco, na trilha que leva ao glaciar de mesmo nome, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

O rio Mosco, na trilha que leva ao glaciar de mesmo nome, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


O rio Mosco, que nasce no glaciar de mesmo nome, ao fundo, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

O rio Mosco, que nasce no glaciar de mesmo nome, ao fundo, na região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Poucas horas mais tarde e chegávamos ao hostel. Além de uma cama mais confortável e de mais calor humano do que no refúgio no meio da floresta, ali tínhamos material para um nutritivo jantar. Muito macarrão, cerveja gelada e o sempre bom e barato vinho nacional, uma das grandes vantagens de se estar no Chile. Podíamos não estar tão isolados como se estivéssemos ainda no Puesto Rivera, mas, mesmo assim, ficar bebericando aquele vinho numa varanda nessa cidade perdida no meio da patagônia chilena entre ciclistas de todo o mundo foi mais do que o suficiente para saciar nossos “instintos selvagens”.

O Glaciar do Rio Mosco, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile

O Glaciar do Rio Mosco, região de Villa O'Higgins, no sul do Chile


Fim de tarde e de caminhada, hora de merecido lanche acompanhado de vinho e cerveja no nosso albergue em Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile

Fim de tarde e de caminhada, hora de merecido lanche acompanhado de vinho e cerveja no nosso albergue em Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile


A Fiona ganhou seu dia de descanso, assim como nossos corações e espíritos. Apenas quem se cansou foram as pernas, mas o motivo foi justo, hehehe. Amanhã, elas terão seu descanso, já que retomaremos a estrada. Dessa vez, rumo ao norte. Para nós, a Carretera Austral começa aqui e agora e seu final está a 1.250 km ao norte, lá na distante Puerto Montt. Será uma viagem e tanto...

Fim de tarde e de caminhada, hora de merecido lanche acompanhado de vinho e cerveja no nosso albergue em Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile

Fim de tarde e de caminhada, hora de merecido lanche acompanhado de vinho e cerveja no nosso albergue em Villa O'Higgins, última cidade da Carretera Austral, no sul do Chile

Chile, Villa OHiggins, Carretera Austral, geleira, Patagônia, Trekking, trilha

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A Incrível Inhotim

Brasil, Minas Gerais, Caraça

Mosaico de Rodrigos, em Inhotim, Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG

Mosaico de Rodrigos, em Inhotim, Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG


Um esforço tremendo para sair da cama gostosa cedinho. Mas tínhamos muito para ver e fazer. Nada melhor que um super café da manhã, com o tradicional pão de queijo, uma vista de encher os olhos e frutas, muitas frutas! Até carambola, junto com morango, pêra, kiwi, melão, mamão e uva eu coloquei no meu iogurte com granola. Quanta saúde! Para completar, dois sucos maravilhosos: laranja com maçã e morango com abacaxi. É, foi uma overdose de frutas...

Café da manhã cheio de frutas da Pousada Mirante da Serra, em Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG

Café da manhã cheio de frutas da Pousada Mirante da Serra, em Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG


Bem patrão na Pousada Mirante da Serra, em Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG

Bem patrão na Pousada Mirante da Serra, em Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG


Depois, seguimos para Inhotim, atração cinco estrelas de BH, Minas e do Brasil. Um enorme museu, ou área de exposições numa propriedade que bem podia ser uma fazenda. Cheia de lagos e com jardins que devem estar entre os mais belos do mundo, as trilhas nos levam de galeria em galeria, de obra de arte em obra de arte. Uma experiência em todos os sentidos.

A galeria de Adriana Varejão, em Inhotim, Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG

A galeria de Adriana Varejão, em Inhotim, Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG


Difícil dizer o que mais chama a atenção em Inhotim. Para mim, foram os jardins e as "experiências sonoras" em algumas das galerias. É incrível a sensação de caminhar por uma floresta de caixas de som, todas de alta qualildade, reproduzindo os sons de uma orquestra ou de um coro. Cada uma delas reproduzindo um instrumento ou uma voz. A sensação é de se estar no meio de tudo e o nosso caminhar acrescenta movimento, o que torna a experiência ainda mais interessante. Em outra galeria, são os sons que se movem de uma caixa para outra, o que de certa forma engana o nosso cérebro. É fascinante ser "enganado", neste caso.

Observando a arte de Inhotim, Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG

Observando a arte de Inhotim, Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG


Outra experiência de arrepiar é ouvir o "som da Terra". Num poço com mais de 200 metros de profundidade foram colocados microfones de captação que ampliam e equalizam o som captado para que possamos ouvi-lo. Parece que a Terra está gemendo. Como os sons aumentam e diminuem, parece mesmo uma espécie de linguagem, que a Terra está querendo falar conosco. Impressionante.

Caminhando em Inhotim, Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG

Caminhando em Inhotim, Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG


Deliciados com Inhotim, seguimos para outro patrimônio cultural mineiro. Este, mais voltado ao passado. É o Santuário do Caraça, que funcionou como colégio, talvez o melhor do Brasil por muito tempo. Ele está localizado no alto da Serra do Espinhaço, no meio das montanhas. O visual deve ser maravilhoso, mas eu e a Ana só poderemos ver amanhã, já que chegamos de noite. Chegamos a tempo de nos instalar no próprio colégio, que agora recebe visitantes e aproveitar a noite de lua cheia e o ar puro do local. Só não conseguimos ver os lobos que, muitas vezes, vem se alimentar na frente da igreja da carne deixada lá para eles. Bem que enfrentamos a noite fria para vê-los, mas acho que eles estavam meio preguiçosos.

A Ana esperando a aparição dos lobos no Caraça - MG

A Ana esperando a aparição dos lobos no Caraça - MG


Amanhã, caminhada pela região, pelo próprio santuário e museu. Depois, partimos para Mariana e Ouro Preto, em busca do mergulho na Mina e também do sobrinho Lulu, que está viajando com o seu colégio. Passaram pelo Caraça um dia antes de nós...

Visão noturna da centenária igreja do Caraça - MG

Visão noturna da centenária igreja do Caraça - MG

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