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Chegamos ao Espírito Santo!

Brasil, Espírito Santo, Iriri

Placa receptiva na fronteira do Espírito Santo

Placa receptiva na fronteira do Espírito Santo


Enfim, um novo estado na jornada, o sétimo dos 1000dias! É o Espírito Santo, tão pertinho de Rio e Minas, mas já com uma certa cara de nordeste. Finalmente, a sensação é de estarmos longe de casa e de que a viagem está engrenando.

Águas esverdeadas e areias avermelhadas na praia Areia Preta, em Iriri - ES

Águas esverdeadas e areias avermelhadas na praia Areia Preta, em Iriri - ES


Saímos bem cedinho de Búzios e seguimos pela rodovia próxima ao litoral até Macaé. Foi bom para dar uma olhada em Rio das Ostras e em Macaé, capital do petróleo brasileiro. Mas a estrada é terrível, mais parecendo uma interminável e congestionada avenida, cheia de semáforos, trânsito e quebra-molas. É praticamente toda urbanizada, longas periferias criadas pelo boom do petróleo. E, a essa hora da manhã, está todo mundo indo para o trabalho em Macaé. Sorte que o tempo estava bem nublado e nós não tínhamos a sensação de estar perdendo um valioso tempo de sol.

Depois de Macaé a estrada melhorou, com exceção das cercanias de Campos onde novamente a estrada vira urbana. Dois motivos me fazem ter um carinho especial por Campos. Primeiro, é o último ponto onde vimos o rio Paraíba do Sul, que vem cruzando nosso caminho faz tempo. Adoro água, adoro rios. Esse, já chamava de companheiro. O segundo é que minha mãe viveu nessa cidade há mais de meio século e tem boas lembranças dessa época. Passando pelo engarrafado trânsito da cidade, fico imaginando o quanto ela mudou neste tempo todo. É quando me lembro que minha família tem um elo ainda mais antigo com Campos. O orgulhoso e digno pai da minha avó paterna, antes de se mudar para Poços de Caldas, no início do século passado, viveu em Campos. Nossa... aí sim a cidade deveria ser bem diferente!

Praia Areia Preta, em Iriri - ES

Praia Areia Preta, em Iriri - ES


Depois, estrada tranquila até o Espírito Santo, que nos recebeu com sol!!! Nosso primeiro destino no estado foi a pequena Iriri, um distrito de Piúma, cerca de 30 km ao sul de Guarapari. Ontem em Búzios, a Carol, da Pousada das Amendoeiras, quis saber como era Iriri porque nós éramos os segundos viajantes a falar para ela dessa cidade que nunca tinha ouvido falar. Eu lhe disse que só tinha estado em Iriri há mais de 20 anos, mas que na minha lembrança, Iriri era um chuchuzinho. Sobre a Iriri atual, não poderia falar. E não é que, depois de tanto tempo, a cidade continua um chuchuzinho?!? Muito jóia mesmo, pequenininha, em volta de quatro pequenas praias. A mais bonita delas é a Costa Azul, uma pequena baía de areias vermelho-amarronzadas, gostosas de pisar e águas esverdeadas, deliciosas de nadar. Fora feriados e as férias de verão, quando a pequena cidade se enche de famílias mineiras, é muito pacata.

Nossa pousada Recanto da Pedra, na praia Costa Azul, em Iriri - ES

Nossa pousada Recanto da Pedra, na praia Costa Azul, em Iriri - ES


Nós chegamos na hora do almoço. Ficamos numa pousada jóia, Recanto das Pedras, na ponta da praia Costa Azul, literalmente em cima da pedra da praia. Nossa varanda está sobre as ondas e esse barulho vai embalar nosso sono. Diretoria total! O almoço, um peixe bem saudável, também foi ao lado do mar. E a digestão foi caminhando nas praias da pequena Iriri. No fim da tarde, corrida na areia, ida e volta algumas vezes pela praia de quase 500 metros. Depois, uma saudável natação pelas águas da baía. Nossa, que ótimo e saudável primeiro dia no Espírito Santo!

Para completar, conseguimos marcar o mergulho para amanhã de manhã. Tanto atazanei a operadora pelo telefone que vamos sair. Obaaa!!!! Amanhã. às 08:00, lá de Guarapari. Visibilidade meio prejudicada mas vamos no mais famoso naufrágio do Espírito Santo. Amahã, conto os detalhes. E que São Pedro nem Netuno estraguem nossos sonhos...

Olha a cor dos olhos desse cachorro! Em Iriri - ES

Olha a cor dos olhos desse cachorro! Em Iriri - ES

Brasil, Espírito Santo, Iriri, Campos de Goitacazes, Macaé

Veja todas as fotos do dia!

Diz aí se você gostou, diz!

Desembarcando em Salisbury Plain

Geórgia Do Sul, Salisbury Plain

Salisbury Plain, na Geórgia do Sul, a 2a maior colônia de pinguins rei do mundo

Salisbury Plain, na Geórgia do Sul, a 2a maior colônia de pinguins rei do mundo


Como sempre, nossa ansiedade em desembarcar era grande. Primeiro, porque já estávamos no navio há mais de dois dias direto, cruzando os cerca de 1.400 km entre Falkland e Geórgia. Segundo porque sempre é bom desembarcar para ver mais de perto as belezas dessa parte do mundo. E terceiro porque esta era a Geórgia do Sul! Todos gostamos de Falkland, principalmente pela história que carrega e todos ansiamos pela Antártida, um nome que soa quase mágico em nossos ouvidos; mas todos sabemos também que, na prática e analisando racionalmente, é a Geórgia do Sul o lugar mais bonito e impactante que vamos conhecer nessa viagem. E era justamente aqui que tínhamos acabado de chegar.

Chegando à Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Chegando à Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Todos agitados, preparando-se para o desembarque em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Mitch Jasechk)

Todos agitados, preparando-se para o desembarque em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Mitch Jasechk)


Ontem de tarde, ainda em alto mar, já tínhamos feito os procedimentos de biossegurança, limpando todo o material orgânico eventualmente trazido de Falkland em nossas roupas e equipamentos. Ninguém quer misturar ou importar pequenos seres de lá para cá. Seriam potencialmente devastadores para o ecossistema local. Se for para acontecer isso, que seja na carona de algum albatroz ou pinguim, e não na nossa jaqueta ou máquina fotográfica! Enfim, já estávamos “limpos” para descer em terra firme.

Como sempre, o zodiac com os guias é o primeiro a desembarcar em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Como sempre, o zodiac com os guias é o primeiro a desembarcar em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Como sempre, o zodiac com os guias é o primeiro a desembarcar em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Como sempre, o zodiac com os guias é o primeiro a desembarcar em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


E que terra firme! Nosso primeiro ponto de desembarque na Geórgia do Sul se chama Salisbury Plain. É uma planície fechada entre o mar gelado e as altas montanhas congeladas atrás. O visual é grandioso. Desde os Andes que eu não via montanhas tão belas. Aqui, elas saem do nível do mar e chegam quase aos 3 mil metros de altitude, na frente dos nossos olhos. Realmente, são belíssimas, mas, ainda assim, não são a principal atração do local. Não, não são elas, são os pinguins. Isso mesmo, pinguins! Salisbury Plain é o lar da 2ª maior colônia de “king penguins” (pinguins rei) do mundo. O pinguim rei é a segunda maior espécie de pinguins, perdendo apenas para os pinguins imperador, que vivem na Antártida. Como eles, são famosos pelas suas manchas amarelas na lateral da cabeça e no alto do pescoço, no colarinho. São mesmo lindos! E muito fotogênicos.

Comitê de recepção para quem chega a Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de K Senteney)

Comitê de recepção para quem chega a Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de K Senteney)


Impressionados com tanta beleza, os passageiros já começam a fotografar assim que chegam em terra, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Impressionados com tanta beleza, os passageiros já começam a fotografar assim que chegam em terra, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Logo cedo o Sea Spirit já estava ancorado na baía em frente a Salisbury Plane. O café da manhã foi servido mais cedo, já que tínhamos um longo dia pela frente, dois desembarques previstos. Como sempre, o primeiro zodiac a seguir para terra firme é o dos guias. Eles vão checar as condições do mar e da praia em que vamos desembarcar. Lá chegando, instalam suas bandeirinhas sinalizadoras, o caminho que deveremos seguir através da praia, da planície até o local onde estão a maioria dos pinguins, da encosta que vamos subir para ter uma vista panorâmica. Enquanto eles fazem isso, a gente coloca nossas roupas de desembarque, quase todo mundo com suas jaquetas amarelas, eu ainda firme na minha azul. De novo, a gente se divide em “macaronis” e “rockhoppers”, o nome dos dois grupos que se revezam na ordem dos desembarques, para poder dar uma certa ordem ao procedimento.

Desfile de pinguins rei em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Wayne Pur)

Desfile de pinguins rei em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Wayne Pur)


Passageiros do Sea Spirit se encantam com os pinguins de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Passageiros do Sea Spirit se encantam com os pinguins de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Grupos divididos, de dez em dez vamos seguindo para terra firme. Lá sempre somos recepcionados pela Cheli, canelas dentro d’água e já dando as instruções básicas de como se portar em terra. Por exemplo, pinguins sempre devem ter a preferência de passagem! Se uma coluna deles estiver se aproximando, devemos parar e deixa-los passar. A praia é deles e não nossa! Outro ponto importante: cuidado com os leões-marinho, também chamados de lobos-marinho e até ursos-marinho. São traiçoeiros! Fingem que não estão ligando para a nossa presença, mas quando passamos por perto, de repente atacam, ameaçam morder e fazem barulho. Mais ou menos como cachorros que esperam alguém passar na frente do portão de casa para assustá-lo. Em geral, não mordem. Cães que latem não mordem, diz o ditado. Funciona com os leões-marinho também. De forma geral, são adolescentes e jovens adultos macho, cheios de testosterona, querendo mostrar serviço, uma espécie de auto-afirmação. Enfim, todos atentos!

A Kim fotografa pinguins em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

A Kim fotografa pinguins em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


O Jeff fotografa as belezas naturais de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

O Jeff fotografa as belezas naturais de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


O Brian fotografa as belezas naturais de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

O Brian fotografa as belezas naturais de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Mal colocamos os pés em terra e já somos recebidos pelos pinguins. Que pássaro mais interessante e elegante. As cores lhe caem muito bem. Andam quase sempre em grupo, muito ordeiros. Parecem meio desajeitados em terra, mas logo nos acostumamos com esse jeito deles. São tão interessados em nós como nós neles. Rapidamente, já estamos todos com nossas máquinas fotográficas tirando fotos de cada detalhe. Tudo ainda é novidade e a primeira vez que a gente vê um pinguim rei, a gente não esquece.

A Anna e o Greg em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

A Anna e o Greg em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Fotografando os pinguins de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Fotografando os pinguins de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Pronto para fotografar os pnguins de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Pronto para fotografar os pnguins de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Imagina então quando vemos 200 mil deles! Na verdade, a contagem é feita por casais, então são 200 mil casais! É mesmo uma visão impressionante. Estão espalhados por toda a planície, em “ondas”. Só vendo as fotos para entender. Mais perto da praia ficam apenas os adultos. Mais para o fundo, começamos a ver os filhotes também. Na verdade, pela época em que chegamos, são filhotes já crescidos, mas ainda com a penagem infantil. São marrons. Parece até uma outra espécie. Aliás, foi o que pensaram os primeiros exploradores dessa ilha. Apenas mais tarde estabeleceu-se que eram apenas os filhotes. Uma coisa é certa: ficam muito mais belos e elegantes quando envelhecem e ganham roupagem nova.

Fotografando um fur seal (leão-marinho) em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Jeff Orlowski)

Fotografando um fur seal (leão-marinho) em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Jeff Orlowski)


Um leão-marinho descansa em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul. Ao fundo, pinguins rei e o Sea Spirit

Um leão-marinho descansa em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul. Ao fundo, pinguins rei e o Sea Spirit


Não vemos apenas pinguins, mas outros pássaros também. Albatrozes, skuas, alguns gansos. Mas os pinguins são mesmo a atração principal e a enorme maioria. Esta é a cidade deles. Dos pinguins rei. Muito eventualmente, aparece um gentoo, mas eles logo descobrem que vieram parar na praia errada...

Encontrando os pinguins rei de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Encontrando os pinguins rei de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Interagindo com pinguins rei em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Interagindo com pinguins rei em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Por falar em praia, ali perto também estão os mamíferos. Elefantes e leões-marinho. Os primeiros são dorminhocos e preguiçosos. Estão quase sempre deitados me grandes grupos. Um grande macho, muito maior do que as fêmeas, seu harém a sua volta e os filhotes que as mães acabaram de ter. Ficam tentando se enterrar no solo e nas pedras da praia. Não parecem se interessar muito por nós.

Visita a Salisbury Plain, na Geórgia do Sul, a 2a maior colônia de pinguins rei do mundo

Visita a Salisbury Plain, na Geórgia do Sul, a 2a maior colônia de pinguins rei do mundo


Visita a Salisbury Plain, na Geórgia do Sul, a 2a maior colônia de pinguins rei do mundo

Visita a Salisbury Plain, na Geórgia do Sul, a 2a maior colônia de pinguins rei do mundo


Já os leões-marinho, ficam guardando o seu espaço, muitas vezes com o peito aprumado, posição digna, de olho em nós. São machos querendo guardar um espaço maior e, com isso, atrair fêmeas. A estação está para começar e a testosterona está a mil. Tiramos nossas fotos, distância cuidadosa.

Visita a Salisbury Plain, na Geórgia do Sul. Ao fundo, milhares de pinguins rei e o Sea Spirit ancorado na baía

Visita a Salisbury Plain, na Geórgia do Sul. Ao fundo, milhares de pinguins rei e o Sea Spirit ancorado na baía


Observando a grandiosidade da paisagem de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Observando a grandiosidade da paisagem de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Depois, entramos planície adentro. Há cada vez mais pinguins. Até que chegamos ao pé da encosta. É onde encontramos o nosso primeiro grande grupo de filhotes, aqueles “de outra espécie”. Muitos estão perdendo suas penas. Devem estar loucos para que isso aconteça. Até lá, apesar de já terem tamanho, duvido que consigam alguma namorada...

O Damien, nosso guia de história, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

O Damien, nosso guia de história, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


O Jim, ornitólogo da expedição, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Marla Barker)

O Jim, ornitólogo da expedição, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Marla Barker)


Na encosta, os guias já colocaram as bandeirinhas para nos orientar no caminho de subida em meio à grama alta. Lá está o Jim, sempre pronto a nos dar aulas de comportamento, biologia e fisionomia de pinguins. Lá está o Damien para nos lembrar como era viver nessa ilha 35 anos atrás. Lá está o Colin para nos explicar como essas montanhas apareceram por aqui e como as geleiras as estão destruindo pouco a pouco.

Passageiros do Sea Spirit caminham pela planície de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Passageiros do Sea Spirit caminham pela planície de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Aproximando-se de pinguins rei em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Aproximando-se de pinguins rei em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Subimos, subimos e chegamos ao patamar máximo aonde chegaram as bandeirinhas. Um pouco mais e estaríamos no gelo e na neve. Quem está lá são mais pinguins. Por incrível que pareça, subiram isso tudo também. Deve ser saudade do gelo e do inverno, quando toda aquela planície abaixo de nós estaria branquinha.

Filmando um pinguim rei em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Filmando um pinguim rei em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Interagindo com pinguins rei em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Interagindo com pinguins rei em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Falando nisso, a vista lá de cima é estupenda! Agora sim, com uma visão mais ampla, é possível acreditar na contagem dos cientistas sobre o número de pinguins. Ondas e mais ondas até onde a vista alcança. Viajamos toda a América e nunca vimos nada parecido. É de cair o queixo!

Explorando as planícies de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Explorando as planícies de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Passageiros se preparam para retornar ao Sea Spirit enquanto um leão-marinho nos observa em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Passageiros se preparam para retornar ao Sea Spirit enquanto um leão-marinho nos observa em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Não apenas os pinguins impressionam, mas a paisagem grandiosa também. A Geórgia não é tão bonita como haviam nos advertido. Na verdade, é melhor do que isso! Só estando lá, vendo com os próprios olhos, ouvindo com os próprios ouvidos e sentindo com a própria pele. É emocionante.

O nosso artista em ação na praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Vladimir Seliverstov)

O nosso artista em ação na praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Vladimir Seliverstov)


O nosso artista em ação na praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Vladimir Seliverstov)

O nosso artista em ação na praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul (foto de Vladimir Seliverstov)


Muitas e muitas e muitas fotos depois, hora de voltar. Devagarinho. Parando a cada momento para tirar mais fotos. São infinitas cenas que pedem, exigem fotografia. Mas nem todos levaram máquinas. Alguns preferiram pranchetas e uma caneta. São os artistas. Um deles, o Bart, é um verdadeiro mestre. Acha um bom ponto, senta e começa a admirar. Depois de alguns minutos, começa a desenhar. Alto padrão. Mais tarde, seus desenhos que são apenas “rascunhos” (segundo ele!) vão virar esculturas. Ele é um artista consagrado em seu país e uma estátua sua pode pagar toda essa viagem. Aliás, já estão pagando...

Passageiros voltam ao Sea Spirit enquanto pinguins caminham pelas praias de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Passageiros voltam ao Sea Spirit enquanto pinguins caminham pelas praias de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Pinguins rei e elefantes-marinho dividem a mesma praia em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul. Ao fundo, passageiros retornam ao Sea Spirit

Pinguins rei e elefantes-marinho dividem a mesma praia em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul. Ao fundo, passageiros retornam ao Sea Spirit


Enfim, continuamos nosso caminho de volta à praia. Mais fotos de golfinhos. Mais fotos de leões-marinho. Mais fotos de elefantes-marinho. Mais foto de pessoas maravilhadas com esses animais. Os zodiacs começam a voltar, cheio de turistas. Acho que deve ser fome. A gente se atrasa, quer pegar o último zodiac de volta, aproveitar cada minuto daquele lugar. A gente e o Bart, também sempre um dos últimos a voltar. Até que chega a hora. A hora do último zodiac. Na verdade, penúltimo. Porque o último, assim como o primeiro, está reservado aos guias. E assim deixamos esse lugar mágico e marcante. Para eles, os pinguins de Salisbury Plain, a temporada está só começando. A temporada de turistas. Tivemos a sorte de ser os primeiros. Mas muitos outros virão. Este post foi sobre nós, turistas. Assim como as fotos. No post seguinte, aí sim, vou falar sobre eles. Com algumas das fotos maravilhosas onde eles são as estrelas e não nós, os pinguins amarelos.

O zodiac dos guias retorna ao SEa Spirit em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul. Primeiros a ir, últimos a voltar

O zodiac dos guias retorna ao SEa Spirit em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul. Primeiros a ir, últimos a voltar


Encantados com a visita a Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Encantados com a visita a Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Geórgia Do Sul, Salisbury Plain, Bichos, pássaros, Pinguim

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Honduras e a Semana Santa

Honduras, Fronteiras, Utila

Meio de transporte em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Meio de transporte em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Durante essa viagem, pudemos comprovar na pele um dos mitos preferidos dos viajantes brasileiros: a história de que somos queridos e bem quistos em todos os lugares. Podemos afirmar, em primeira mão, que isso é verdade! Do Alaska à Argentina, passando pelas ilhas do Caribe ou países da América Central, brasileiros fazem o maior sucesso. Não sei se devemos agradecer ao Pelé, ao Romário ou ao Ronaldo, mas o fato é que todos gostam de nós, dos policiais aos frentistas, dos garçons aos hoteleiros. Estando com Ana ali do lado, então, o sucesso ainda fica maior!

Passando pela fronteira entre Guatemala e Honduras, perto de Puerto Cortés

Passando pela fronteira entre Guatemala e Honduras, perto de Puerto Cortés


Faltava passar pelo último teste: Honduras! Esse é o país com a pior fama na América Central com relação à violência e chateação de autoridades. Tanto que, na vinda, quando ainda subíamos para o Alaska, resolvemos fazer uma passagem relâmpago, de apenas 3 horas cruzando o país. Não tivemos absolutamente nenhum problema, mas saímos aliviados quando cruzamos a fronteira para El Salvador. Agora, mais de um ano depois, chegou a hora de cruzar o país novamente. Só que, dessa vez, nossa ideia não é passar rapidamente, não. Ao contrário! Chegou a hora de conhecer o país de verdade!

Chegando à Puerto Cortés, no norte de Honduras

Chegando à Puerto Cortés, no norte de Honduras


Tanto tempo de estrada nos fez aprender que as histórias e famas que chegam até nós, seja pela imprensa, seja por relatos de conhecidos de conhecidos, quase sempre são exageradas. Apenas as notícias ruins viajam, enquanto as boas, ou as “normais”, simplesmente não são notícias e não ficamos sabendo. Enfim, depois da nossa ótima estadia no “perigoso” México, e mesmo em países como Guatemala e El salvador (que também não tem boa fama de segurança), estávamos loucos para verificar que com Honduras seria igual! Basta não ter o azar de estar no lugar errado, na hora errada. Para isso, coisas simples como não dirigir de noite e nem ficar de bobeira perto da fronteira ajudam bastante.

Praia na região de Puerto Cortés, no norte de Honduras

Praia na região de Puerto Cortés, no norte de Honduras


Mas, voltando ao primeiro tópico do post, aquele de que somos sempre bem recebidos por sermos brasileiros, minha curiosidade com Honduras vem do fato de que o Brasil, na gestão do nosso querido ex-presidente, cometeu aqui uma de suas maiores patuscadas de sua política externa (que não foram poucas...), possivelmente queimando o nosso filme. Em 2009, seguindo exatamente o que manda a constituição do país, Manuel Zelaya, o então presidente, foi deposto. Ele insistia em organizar um plebiscito para aprovar a possibilidade de reeleição de presidente, algo que era terminantemente proibido pela constituição. Mais: a carta magna do país dizia que quem quer que defendesse essa ideia perderia seu cargo, seja o gari, seja o próprio presidente. Enfim, com o apoio dos poderes legislativo e judiciário, do Ministério Público e de ampla maioria da população, o presidente foi deposto. Mas aí, liderados pelo finado Chavez e pelo Brasil, os países da América Latina acusaram o “golpe” e quiseram, a todo o custo, impor ao país que aceitasse o tal Zelaya de volta. Honduras resistiu, agarrada a sua constituição e, de novo seguindo sua lei, organizou novas eleições. Mas o Brasil insistiu, contrabandeando o Zelaya para dentro de sua embaixada em Tegucigalpa, de onde ele fez de tudo para atrapalhar o processo que aqui ocorria. A situação chegou ao auge do ridículo quando ele cobriu as janelas da embaixada brasileira com papel alumínio para, segundo ele, se defender dos “raios mentais” (???) que um aparelho trazido por uma equipe do serviço secreto israelense estava disparando sobre ele.

varanda do nosso restaurante, com bela vista para praia na região de Puerto Cortés, no norte de Honduras

varanda do nosso restaurante, com bela vista para praia na região de Puerto Cortés, no norte de Honduras


Enfim, novas eleições foram organizadas, o candidato do partido de Zelaya foi derrotado fragorosamente, a guerra civil antecipada por Chavez e pelo Brasil não ocorreu (já que ele mal tinha partidários, além de barulhentas minorias organizadas) e o presidente eleito assumiu, sendo reconhecido por boa parte do mundo civilizado. Quem não reconheceu foi a Venezuela e... o Brasil! Sem reconhecer o novo governo, nosso país impôs a exigência de visto de viagem para os hondurenhos. Por reciprocidade, brasileiros passaram a necessitar, também, de visto para entrar em Honduras. E nós, já com o pé na estrada, passamos a ter uma nova preocupação na cabeça. Felizmente, o tempo passou e, na surdina, o novo governo brasileiro voltou atrás e as relações se normalizaram, caindo a exigência de visto. Mas, teria ficado alguma cicatriz?

Estudando o mapa do país em restaurante na região de Puerto Cortés, no norte de Honduras

Estudando o mapa do país em restaurante na região de Puerto Cortés, no norte de Honduras


O sorriso sincero do guarda que nos recebeu nos mostrou que não! E meia hora dirigindo no país nos mostrou que, também aqui, brasileiros são bem recebidos! Quanto à segurança, difícil imaginar estradas mais seguras como nessa época do ano. Em plena Semana Santa, o feriado mais movimentado do país, centenas de bloqueios policiais e militares são colocados em todas as estradas. A Fiona, como sempre, fazendo o maior sucesso entre eles. A maioria das vezes, só precisávamos abaixar os vidros para continuar. Ou, quando havia alguma conversa, a simpatia era total! A imagem daquela tal “má fama” acabou completamente.

Cruzando pequena cidade no norte de Honduras

Cruzando pequena cidade no norte de Honduras


Falando em Semana Santa, foi ela que acabou definindo nosso roteiro pelo país. Noventa e nove por cento dos turistas estrangeiros que vêm à Honduras querem visitar as Bay Islands e/ou as ruínas de Copán. A grande maioria fica só nisso. Nós também queremos ir a esses dois lugares, mas também acrescentamos no nosso roteiro o lago Yojoa, a capital Tegucigalpa e a cidade histórica de Gracias. Assim, acreditamos, vamos conseguir formar uma ideia bem mais completa do país. Vai faltar uma visita à parte leste de Honduras, uma região de difícil acesso e que iria requerer mais tempo, coisa que anda em falta ultimamente. Então, essa parte vai ficar para a próxima...


Nossos destinos em Honduras: A ilha de Utila (A), as ruínas de Copán (B), a cidade histórica de Gracias (C), o lago Yojoa (D) e a capital Tegucigalpa (E)

Resolvido aonde íamos, faltava decidir a ordem a ser seguida. Geograficamente, faria até mais sentido começarmos pelas ruínas mayas de Copán, mas a questão da Semana santa nos fez decidir pelas Bay Islands, primeiro. Isso porque, no litoral, elas estariam lotadas. Mas se lá chegássemos ainda no início da semana (agora!), ainda teríamos alguma chance de achar hotel. Se ficasse para depois, já nem haveria essa chance. As outras cidades do nosso roteiro, todas no interior, não são tão disputadas assim, na Semana Santa.

Então, rumo à La Ceiba, cidade de onde partem os barcos para Roatán, Utila e Cayo Cocinos, as tais “Bay Islands”. Saímos de Rio Dulce, onde havíamos reencontrado a Fiona ontem de tarde, atravessamos a fronteira sem problemas e seguimos para Puerto Cortés e depois, para a “famosa” San Pedro Sula, considerada a cidade mais violenta do continente! Como nas cidades mexicanas, aqui também quase todas as mortes estão ligadas à guerra de gangues e tráfico de drogas. Raramente a violência atinge os turistas. Mas a fama, tenho de reconhecer, é péssima. De dentro da Fiona, passamos curiosos pela periferia da cidade, um marco na nossa travessia pelo continente. Com a luz do dia, tudo pareceu uma aventura inocente e, com a mesma segurança que entramos, saímos. Inteiros!


Nosso caminho de Rio Dulce, na Guatemala (A) até La Ceiba, em Honduras (D), passando ao lado de Puerto Cortés (C) e dentro de San Pedro Sula (D). De La Ceiba saem os barcos para as “Bay islands”, como a famosa Roatán e Utila, nosso próximo destino

Depois, mais umas poucas horas de estradas, muitos bloqueios policiais e chegamos à La Ceiba. Instalamo-nos em um hotel na praça principal da cidade e fomos buscar informações sobre as Bay Islands. Já faz tempo que tínhamos decidido não seguir para Roatán, a mais turística e cara das ilhas, mas nossa primeira opção as pequenas Cayos Cocinos, aparentemente, estavam lotadas. Só há um hotel por lá, completamente cheio e as casas particulares estavam sendo disputadas a ferro e fogo. Teríamos mais chances mesmo em Utila, com muito mais opções de hospedagem. O negócio era chegar lá e tentar, de porta em porta. Na pior das hipóteses, temos nossa barraca. E na pior da pior das hipóteses, voltamos no barco da tarde. Então, é isso aí, amanhã cedinho, barco para Utila! A Fiona fica nos esperando no porto, do lado de cá. Dando tudo certo, vai ganhar novo descanso...

Honduras, Fronteiras, Utila, história

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Caminhando nos Lençóis

Brasil, Maranhão, Atins

Bela paisagem vista do alto da duna em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA

Bela paisagem vista do alto da duna em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA


Hoje foi dia de botar o pé na areia. Na areia das ruas, das praias e das dunas. Decidimos ir caminhando até o famoso "Camarão da Luzia", o restaurante mais famoso de todos os Lençóis Maranhenses. Com toda a justiça! Ele fica a cerca de sete quilômetros aqui do Rancho do Buna, cortando caminho por dentro, seguindo por enormes descampados e pelas dunas ao invés de dar uma volta bem maior seguindo pela "confusa" praia que as vezes é de rio, as vezes é de lago, as vezes é de mar.

Cruzando igarapé em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA

Cruzando igarapé em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA


A maioria das pessoas vai para lá de carro e até de cavalos, combinando o almoço com outros passeios. Sempre com guias. Mas nós estávamos mais naquele clima de aventura, de descobrir caminhos. Afinal, mesmo em um lugar com litoral tão "complicado", sabíamos que o restaurante era próximo da praia. Não poderia ser tão difícil assim encontrá-lo, apesar de termos sido advertidos de que era. Sei...

Com o Edu e a Mel, em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA

Com o Edu e a Mel, em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA


Além de dispensarmos guias e cavalos, convidamos o outro casal que estava na pousada para nos acompanhar, o Edu e a Mel, super recém chegados de São Paulo. Imagina o contraste: estavam ontem na maior metrópole do país e hoje caminhavam por essas vastidões vazias.

Chegando ao alto da duna, vista dos campos, lagoa e mar ao fundo, em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA

Chegando ao alto da duna, vista dos campos, lagoa e mar ao fundo, em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA


Fomos seguindo a indicação da Mônica, a gerente da nossa pousada, cortando o descampado pelas ruas de areia bem fofa, o barulho do mar ao longe e as dunas no horizonte. De novo, a incrível vastidão do local nos deixou meio desorientados, não na direção a seguir, mas no local e nas distâncias até os pontos de referência. Acabamos seguindo até a praia, num local onde há uma enorme lagoa que deixa o mar de verdade a quilômetros de distância. Aí, decidimos entrar terra adentro novamente, em direção às grandes dunas que se destacavam sobre os descampados alagados. Do alto dos seus pouco mais de 30 metros de altura, finalmente pudemos ter uma visão mais ampla da região e "entender" sua geografia entrecortada, águas para todos os lados.

Caminhando sobre as dunas em direção ao Restaurante da Luzia, no Canto do Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA

Caminhando sobre as dunas em direção ao Restaurante da Luzia, no Canto do Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA


Lá do alto, a gente consegue ver a foz do rio Preguiças que, no seu encontro com o mar, vai formando lagoas. Também a maré baixa "faz" as suas lagoas, que acabam se misturando com as lagoas do rio. O resultado é que o mar verdadeiro fica a quilômetros de distância "mar adentro". Estranho, né? Não é à toa que, lá de baixo, sem conseguir observar tudo, a gente fique bem perdido.

Grupo caminha pelas dunas para o Poço das Pedras, região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA

Grupo caminha pelas dunas para o Poço das Pedras, região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA


Enfim, finalmente com o mapa no visual, fomos seguindo pelo alto das dunas até a altura do restaurante e lá cruzamos novamente o descampado alagado até o restaurante. Pouco mais de uma hora de caminhada para atravessar toda essa paisagem de outro mundo. No restaurante, fomos recebidos por uma esfuziante Luzia, mulher de personalidade forte e interessantíssima, cuja conversa e companhia, por si só, já valem o esforço da caminhada.

Cruzando a Ponta do Mangue em direção ao Poço das Pedras, região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA

Cruzando a Ponta do Mangue em direção ao Poço das Pedras, região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA


Ela logo nos disse que, com uma hora de caminhada através das dunas, chegaríamos ao Poço das Pedras, uma piscina de águas azuis no meio das dunas. Até então, desconhecíamos totalmente esse lugar. Ela falou tão bem que a gente se animou. Encomendamos os pratos e seguimos, agora sim guiados, dunas adentro. Mas, antes disso, para uma re-energizada, ela nos serviu um churrasco de camarão.

Refrescando-se no delicioso Poço das Pedras, região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA

Refrescando-se no delicioso Poço das Pedras, região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA


Hmmmmmmmmmm!!!!! Que coisa mais deliciosa! É algo realmente divino. Para quem gosta de camarão, vai ficar hipnotizado. Para quem não gosta, vai aprender a gostar! Uma carne tenra, suculenta e, preparado desse jeito, com um gosto de churrasco. Esse "aperitivo" foi mais do que um estímulo para que enfrentássemos essa caminhada extra que não tínhamos planejado.

Refrescando-se no delicioso Poço das Pedras, região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA

Refrescando-se no delicioso Poço das Pedras, região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA


Atravessamos o pequeno povoado da Ponta do Mangue e, mais uns 30 minutos, chegamos neste pequeno poço de água corrente que formava até uma pequena queda d'água. Um oásis no meio da areia, água bem refrescante. Foi nossa primeira experiência de caminhar no meio dos lençóis, um enorme campo de dunas a se perder de vista. É bem interessante caminhar entre dunas, a paisagem mudando aos poucos, passando vagarosamente pelos nossos olhos e, ao mesmo tempo, tudo parecendo mais ou menos igual: dunas, dunas e alguns charcos entre elas. Aos poucos, prestando bastante atenção, vamos aprendendo a nos orientar. Mas a presença do guia "ajuda" bastante, hehehe.

Na volta é mais fácil, seguindo nossos próprios rastros. E nossas pegadas nos levaram diretamente para o restaurante da Luzia, onde vários pratos de camarão e peixe nos aguardavam. Grelhado, acebolado, strogonoff... um banquete! A gente se deliciava com a comida e com a conversa com a sábia Luzia. Tão bom que prometemos retornar amanhã, quando formos para a Lagoa Verde.

Com a Luzia em seu restaurante, no Canto de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA

Com a Luzia em seu restaurante, no Canto de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA


Saímos de lá já com as últimas luzes do dia. Caminhando sobre as dunas, tomamos um belo banho de chuva, desses para lavar a alma. Eu e a Ana já estamos ficando acostumados com isso, heheheh. Depois, já no escuro, foi seguir os rastros das Toyotas através dos campos alagados.

Cerveja merecida com a Mel e o Edu,, depois da longa caminhada na região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA

Cerveja merecida com a Mel e o Edu,, depois da longa caminhada na região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA


Chegando em Atins, fomos fazendo pit-stops nos bares, uma cerveja ali, uma cachaça aqui. Num dos bares, encontrei outros turistas e, junto com eles, negociamos um bom preço com um dono de Toyota para seguirmos para a Lagoa Verde amanhã. Com programa garantido, muitas lembranças da caminhada e embalados pela cerveja, dormimos pesadamente, tranquilos e felizes! A única preocupação era não perder o horário do passeio de amanhã!

O Vovô do Violão mostra sua arte em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA

O Vovô do Violão mostra sua arte em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA

Brasil, Maranhão, Atins, Camarão da Luzia, deserto, Dunas, Lençóis Maranhenses, Poço das Pedras, Praia, trilha

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Nas Cavernas da Chapada

Brasil, Mato Grosso, Chapada dos Guimarães

Visitando a Aroe-Jari, a maior caverna de arenito do Brasil, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Visitando a Aroe-Jari, a maior caverna de arenito do Brasil, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Estando tão próxima de Cuiabá, a menos de uma hora de carro do centro da capital, o turismo na região da Chapada dos Guimarães já é centenário. Atrações como o Véu da Noiva e o Mirante do Centro Geodésico já eram muito populares na época dos nossos avós. Mas a exploração dos outros atrativos dessa bela região começou muito mais tarde, já nas décadas de 70 e 80.

Examinando plantações de algodão, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Examinando plantações de algodão, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Foi nessa época que dezenas de aventureiros e místicos de todo o país e exterior começaram a migrar para a região, atrás das belezas desse e de outros mundos. A Chapada é famosa pela suposta aparição de OVNIs, atraídos pela intensa “energia” do local. Mas, como já disse, há também um sem número de belezas mais “terrenas” para quem gosta de natureza: cavernas, cachoeiras e uma flora e fauna rica e variada, num ecossistema que mescla cerrado, matas e campos de altitude.

Chegando à Ponte de Pedra, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso

Chegando à Ponte de Pedra, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso


Caminhando sobre uma ponte natural de pedra, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Caminhando sobre uma ponte natural de pedra, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Muitos desses novos moradores da Chapada acabaram virando guias turísticos, hoje já com mais de uma década de experiência. Não são guias locais, mas que acabaram virando da terra mesmo, já que estão aí há tempos. São paulistas, cariocas, mineiros, americanos, australianos e gente de todos os lugares que acabaram escolhendo a Chapada como sua nova casa.

Caminhando sobre a ponte de pedra, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Caminhando sobre a ponte de pedra, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Examinando a ponte de pedra, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Examinando a ponte de pedra, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Com a intensificação do turismo na região, o governo federal decidiu pela criação do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em 1989. Foi uma tentativa de ajudar na proteção desse riquíssimo patrimônio natural encravado no coração do continente. A área do parque protege muitos dos atrativos, mas vários outros estão em fazendas próximas. Desde que se percebeu que o turismo poderia ser uma atividade rentável, também essas fazendas impuseram medidas de preservação e regras de visitação e hoje toda a área é bastante regulada.

A Ponte de Pedra, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

A Ponte de Pedra, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Muitas flores exóticas na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Muitas flores exóticas na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Tão regulada que, muitas vezes, algumas das atrações estão fechadas ao acesso. Até o Parque Nacional ficou fechado por um bom tempo, principalmente depois que acidentes mataram pessoas na principal das atrações, a cachoeira do Véu da Noiva. Felizmente, o Parque foi reaberto, talvez pela proximidade da Copa do Mundo. Aliás, falando na Copa, para nós que acabamos de visitar atrações espalhadas por toda a América, ainda impressiona a precariedade da estrutura para receber turistas (nacionais e estrangeiros) nesses parques. E olha que estamos falando de um dos mais famosos, que fica praticamente no quintal de uma das sedes de jogos, Cuiabá. Duvido que conseguirão mudar muita coisa nesses meses que faltam para o torneio. É bom a gringaiada aprender muito bem o português e estar preparada para enfrentar muitas dificuldades para poderem conhecer essas belezas naturais. O esforço vai compensar, com certeza, mas não custava o governo ter se organizado para receber e orientar melhor esse tipo de turista. Uma oportunidade de ouro para o desenvolvimento do turismo jogada às traças.

Uma enorme e centenária árvore em área de floresta da Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Uma enorme e centenária árvore em área de floresta da Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Caminhada até a caverna Aroe-Jari, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso

Caminhada até a caverna Aroe-Jari, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso


Enfim, felizmente nós falamos muito bem o português e sabemos o caminho das pedras. Assim, para nós, não há grande dificuldade. Aqui na Chapada, como na região de Nobres, boa parte dos atrativos requer o acompanhamento de um guia e o parque e as fazendas só permitirão a sua entrada devidamente acompanhado de alguém habilitado para te levar lá. As exceções são as atrações mais conhecidas, como o Véu da Noiva e o Mirante, onde todos podemos ir sós.

Entrada da Aroe-Jari, a maior caverna de arenito do Brasil, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Entrada da Aroe-Jari, a maior caverna de arenito do Brasil, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Entrando na Aroe-Jari, a maior caverna de arenito do Brasil, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Entrando na Aroe-Jari, a maior caverna de arenito do Brasil, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Então, tratamos de encontrar um guia para nos levar pela Chapada. Escolhemos o Sergio, um daqueles “novos” moradores, que chegou aqui ainda na década de 80, vindo de São Paulo. Foi uma foto do Véu da Noiva que o atraiu, mas o amor pela região foi quase instantâneo, assim que chegou de mala e cuia. Hoje, é um guia experiente e nos contou muito da história e das dificuldades do turismo local, das belezas e das burocracias para quem quer conhecer esse lugar tão belo e famoso.

Caminhando na maior caverna de arenito do Brasil, a Aroe-Jari, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso

Caminhando na maior caverna de arenito do Brasil, a Aroe-Jari, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso


Visitando a Aroe-Jari, a maior caverna de arenito do Brasil, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Visitando a Aroe-Jari, a maior caverna de arenito do Brasil, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Hoje, no nosso primeiro dia com ele, fomos conhecer algumas das mais belas cavernas da região, todas elas fora dos limites do parque, dentro de uma mesma fazenda. Junto conosco foi o simpático casal de Niterói, o Gabriel e a Luisa, que estão fazendo um tour pelo Mato Grosso. Sempre que tem férias, eles escolhem algum estado e para lá vão, com todo o ímpeto de exploração. Assim, em quatro, dividimos os custos e fica melhor para todo mundo.

Aroe-Jari, a maior caverna de arenito do Brasil, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Aroe-Jari, a maior caverna de arenito do Brasil, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Saída da caverna Aroe-Jari, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso

Saída da caverna Aroe-Jari, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso


A mais famosa caverna é a Gruta Azul, onde um lago de águas cristalinas se forma na saída de uma caverna. Quando a luz do sol bate na água, no final da tarde, a cor azul das águas hipnotiza os visitantes. Não é a toa que virou cartão postal da região. Mas temos de chegar lá na hora certa e o guia sabe disso. Por isso, planeja uma caminhada para estarmos lá apenas no fim da tarde. A sorte é que, logo ali do lado, está outra grande atração, na verdade, a maior caverna de arenito do Brasil, conhecida por Aroe-Jari. Entre as duas, muita coisa para se ver, menos conhecidas, mas cada uma com sua beleza.

Enorme rocha se equilibra sobre apenas três pontos, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Enorme rocha se equilibra sobre apenas três pontos, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Arriscando-se sob uma gigantesca rocha na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso

Arriscando-se sob uma gigantesca rocha na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso


Então, para lá seguimos, nós cinco no conforto da Fiona, cruzando a parte alta da Chapada. No caminho, já fora dos limites do parque, cruzamos com enormes fazendas de algodão. Para quem não está acostumado com a visão, isso já é, por si só, uma atração. Que coisa mais estranha e maravilhosa ver aquela imensidão branca, arbustos tomados por algodão. Aliás, é estranho mesmo ver uma planta dando algodão. Achei que essas coisas nasciam nas farmácias e supermercados, hehehe. A natureza é mesmo surpreendente!

A magnífica 'Caverna da Catedral', na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

A magnífica "Caverna da Catedral", na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Na fazenda, antes de começar nossa caminhada, todos vestimos protetores de canelas, medidas de segurança contra mordidas de cobra. Melhor isso que coletes salva-vidas, hehehe! Depois, começamos o passeio com uma visita a uma gigantesca ponte de pedra natural, obra de alguns milhares de anos de chuvas e ventos. Poses para fotos abaixo e acima dela, além de servir como um mirante para as belezas do cerrado que nos cerca.

A magnífica 'Caverna da Catedral', na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

A magnífica "Caverna da Catedral", na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Depois, diretamente para a Aroe-Jari, a maior das cavernas de arenito. Nesse tipo de terreno, as cavernas não se formam por dissolução química, como é o caso das cavernas de calcário. Por isso, não há formações como estalactites ou estalagmites. Ao contrário, essas cavernas são formadas por falhas nas rochas causadas por terremotos ou desabamentos. Depois, a ação de rios e ventos, ao longo dos milênios, trata de ampliar a caverna, mas por ação mecânica, e não química.

A magnífica 'Caverna da Catedral', na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

A magnífica "Caverna da Catedral", na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


A Aloe-Jari tem mais de um quilômetro de extensão, um túnel com entrada e saída. Mas nessa época do ano, não se pode atravessá-la, pois parte dos túneis está com água e medidas de preservação impedem que caminhemos por lá. Mas podemos entrar mais de duzentos metros na escuridão e a visão já é recompensadora. O silêncio das cavernas é sempre emocionante, nossos sentidos aguçados ao máximo naquela grande escuridão. Basta estar ali para termos outra compreensão do tempo e do espaço, um local que parece parado no tempo, mas que na verdade, funciona em outra escala, onde minutos são décadas e dias são milênios. Testemunhos silenciosos de outras eras, estavam aqui antes de nós e estarão depois de partirmos. Até o ar que respiramos lá dentro parece sagrado. Enfim, é algo que todos deveriam fazer algum dia: entrar numa caverna, apagar as luzes e “escutar” o silêncio por alguns minutos, envolto na mais completa escuridão. Enriquecedor!

Caminhando na Caverna da Catedral, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Caminhando na Caverna da Catedral, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Bom, de volta ao mundo exterior, passamos por uma enorme rocha que se equilibra sobre apenas três minúsculos pontos, um equilíbrio que nos parece impossível, mas que está ali, aos nossos olhos, para provar que existe. Há quanto tempo está ali? Por quanto tempo ficará daquela maneira? Bom, apostamos que pelo menos por alguns minutos, que foi o tempo que precisamos para tirar umas fotos da Ana abaixo da rocha! Felizmente, tudo ocorreu bem, hehehe! Entre mortos e feridos, tanto a Ana como a rocha passaram incólumes!

Chegando à famosa gruta Azul, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Chegando à famosa gruta Azul, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


A incrível Gruta Azul, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

A incrível Gruta Azul, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Mais caminhada na mata e chegamos à outra caverna, que tem um nome estranho, mas que prefiro me lembrar pelo apelido: Caverna da Catedral. Para quem conhece ou vê as fotos, não é difícil imaginar por quê! Ela é linda, ainda mais vistosa que a Aroe-Jari, uma passagem estreita por entre paredes enormes e verticais, retorcidas pela água e vento milenares. Absolutamente magnífica!

Visitando a Gruta Azul, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Visitando a Gruta Azul, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Visitando a Gruta Azul, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Visitando a Gruta Azul, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Aqui sim, entramos por um lado e saímos pelo outro, já a meio caminho da famosa Gruta Azul. De longe, entre sombras e folhagens, aquela estranha cor azul já nos salta aos olhos, algo meio fora do lugar no meio do verde, marrom e negro da paisagem. A luz lateral do sol penetra nas águas, ao mesmo tempo que reflete na água, um colírio para os nossos olhos.

A inacreditável cor da Gruta Azul, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

A inacreditável cor da Gruta Azul, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Para quem chegou aqui há mais de 20 anos, ainda era possível um refrescante mergulho nesse paraíso. Agora, não mais. Mergulho, só em pensamento. Ainda bem, pois imagina como seria se dezenas de pessoas nadassem ali todos os finais de semana e feriados. Infelizmente, esse é o preço que temos de pagar pela conservação. Um mergulho não faria mal, mas centenas, certamente. Então, a solução é proibir.

Uma sirierma se aproxima de nós na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Uma sirierma se aproxima de nós na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Siriemas na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso

Siriemas na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso


Passamos algum tempo por ali, admirando e contando histórias, até que chegou a hora de voltarmos. Eu tratei de acelerar no caminho de volta, a tempo de voltar à sede da fazenda, recostar-me na rede e tomar uma deliciosa e merecida cerveja gelada, cercado pelo belíssimo visual do cerrado, pela brisa refrescante e por um casal de seriemas, curiosas com o visitante. A Ana também chegou para a cerveja e para o pastel feito na hora. Um gran finale para nosso dia maravilhoso de explorações. A Chapada continua me surpreendendo. “Por que será que eu não tinha vindo aqui nas outras duas vezes que estive na Chapada dos Guimarães?” – era a pergunta que me afligia. Bom, nunca é tarde para conhecer!

Merecido descanso após longo passeio na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso

Merecido descanso após longo passeio na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso


Já de carro, mas ainda dentro da mesma fazenda, ainda fixemos um rápido pit-stop numa simpática cachoeira. Já na sombra, nem nos animamos para um banho. Mas, não tem problema: se hoje foi o dia das cavernas, amanhã será o dia das cachoeiras! A Chapada dos Guimarães ainda tem muito para nos mostrar!

Cachoeira na região da Caverna Aroe-Jari, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Cachoeira na região da Caverna Aroe-Jari, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Brasil, Mato Grosso, Chapada dos Guimarães, Caverna, Gruta Azul, Parque, trilha

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Lanín: Ataque ao Cume

Argentina, Junín de Los Andes

Celebrando a chegada ao cume do vulcão Lanín, a mais de 3.700 metros de altitude, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

Celebrando a chegada ao cume do vulcão Lanín, a mais de 3.700 metros de altitude, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


O vulcão Lanín está sobre uma falha geológica transversal à Cordilheira dos Andes, no sentido leste-oeste. Na mesma falha há mais dois vulcões ativos, o Quetrupillán e o Villarrica, ambos já em território chileno. O mais ativo desse trio é o Villarrica, que nos últimos 500 anos tem mantido uma média de uma erupção significativa a cada 10 anos. O menor de todos, o Quetrupillán, com 2.360 metros de altitude, é um pouco mais tranquilo e sua última erupção foi em 1872. Por fim, temos o maior deles, justamente o Lanín, com 3.776 metros de altura.

Enquanto nos preparamos para o ataque ao cume, o dia começa a raiar por detrás das encostas do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

Enquanto nos preparamos para o ataque ao cume, o dia começa a raiar por detrás das encostas do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


O sol nasce nas encostas do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

O sol nasce nas encostas do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


Não há indícios de quando foi sua última erupção. Alguns estudiosos estimam que teria sido por volta do ano 500 da nossa era, mas o único consenso é que ela teria ocorrido nos últimos 10 mil anos. Portanto, mesmo estando dormente desde que começou a ser observado há quase cinco séculos, pelo sim, pelo não, ele ainda é considerado um vulcão ativo.

A Ana observa o nascer-do-sol nas encostas do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

A Ana observa o nascer-do-sol nas encostas do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


O sol nasce nas encostas do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

O sol nasce nas encostas do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


De qualquer maneira, para nós, despertando de madrugada em suas encostas a mais de 2.300 metros de altitude, essa era a última de nossas preocupações. No momento, enquanto as primeiras luzes do dia começavam a iluminar o céu a leste e a temperatura beirava 0 graus, nossa preocupação imediata era colocar muito bem colocado os grampões em nossas botas. Daqui para cima, boa parte da escalada é sobre gelo e neve e os grampões são imprescindíveis para nos dar segurança nesse tipo de terreno. Já vestíamos nossos capacetes e as lanternas estavam ligadas para ajudar a nos manter no caminho certo.

Amarrando os grampões nas botas para poder enfrentar a neve e gelo nas encostas do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

Amarrando os grampões nas botas para poder enfrentar a neve e gelo nas encostas do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


O dia nasce gelado e nós estamos prontos para atacar o cume do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

O dia nasce gelado e nós estamos prontos para atacar o cume do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


A preocupação maior era vencer logo o primeiro trecho de gelo. Nossa guia Isabel, muito séria, disse que se não passássemos por ele em um determinado tempo, abortaríamos o ataque ao cume da montanha. Ela era a líder da nossa expedição e sua palavra era a lei. Senti que estava meio tensa e isso resultava em seriedade, quase braveza. “Vamos, vamos!” – repetia. Finalmente, com um pouco de atraso, partirmos. O sol nascendo estava cada vez mais belo ao nosso lado.

A Ana se prepara para, ainda de madrugada, iniciar o ataque ao cume do Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

A Ana se prepara para, ainda de madrugada, iniciar o ataque ao cume do Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


O dia começa a clarear e podemos ver a paisagem grandiosa que nos cerca nas alturas das encostas do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

O dia começa a clarear e podemos ver a paisagem grandiosa que nos cerca nas alturas das encostas do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


Logo ficou claro que o grupo deveria ser dividido, pois os ritmos eram diferentes. A Isabel falou para seu auxiliar André acompanhar a Ada, que vinha mais lenta, enquanto ela levaria o resto do grupo, mais rápido. A caminhada começou a render mais e foi um alívio quando terminamos essa longa parte do primeiro trecho de gelo e chegamos à rocha. Isso porque a Isabel, ao checar o relógio, decidiu que poderíamos continuar. Mas, pelo rádio, após conversar com o André, decidiu que eles não teriam tempo de seguir até o cume. Que viessem até onde a Ada conseguisse chegar até determinada hora e regressassem daí. Tomada a decisão, tudo pareceu ficar mais leve e até ela ficou mais tranquila.

Nosso grupo se prepara para começar a enfrentar o gelo e neve da parte final da subida ao vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

Nosso grupo se prepara para começar a enfrentar o gelo e neve da parte final da subida ao vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


Caminhando sobre gelo e neve rumo ao cume do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

Caminhando sobre gelo e neve rumo ao cume do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


A partir daí, trechos de rocha e gelo passaram a se intercalar. Na rocha, os grampões atrapalham muito e é necessário cuidado para não tropeçar. O terreno é todo feito de pedras soltas e não demoramos a entender a importância do capacete. Outros grupos seguiam a nossa frente, já bem mais altos, e não era raro pequenas rochas descerem rolando lá de cima, sempre antecedidos por gritos de alerta.

A última ladeira para se chegar ao cume do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

A última ladeira para se chegar ao cume do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


Assim é o cume do Lanín, um platô coberto de neve e gelo )na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina)

Assim é o cume do Lanín, um platô coberto de neve e gelo )na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina)


Com o dia já bem claro, ficou bem mais fácil caminhar. A encosta ficava cada vez mais íngreme e a melhor tática era localizar algum rochedo logo acima de nós e ter ele como objetivo. Quando chegássemos lá, mudávamos o objetivo um pouco mais para cima. E desse jeito, quebrando a subida em pequenos trechos, devagar e sempre, fomos nos aproximando do cume. Na verdade, eu nem sabia que já estávamos próximos quando a Isabel, feliz e solene, anunciou: “Cinco minutos más!”.

A Ana respira fundo e admira a paisagem no cume do vulcão Lanín, a 3.776 metros de altitude, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

A Ana respira fundo e admira a paisagem no cume do vulcão Lanín, a 3.776 metros de altitude, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


Caminhando no cume do vulcão Lanín, a mais de 3.700 metros de altitude, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

Caminhando no cume do vulcão Lanín, a mais de 3.700 metros de altitude, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


Quatro horas depois de partirmos, chegávamos aos 3.776 metros do cume. A visão, absolutamente esplendorosa. O dia estava limpo e o céu, claro. O cume é um grande platô completamente tomado por neve e gelo. Aqui no alto nascem as pequenas geleiras que descem as encostas do Lanín, especialmente para o lado sul. No seu lado norte, esse que subimos, dizem os moradores locais que as geleiras vêm retrocedendo bastante nos últimos anos. Aquecimento global?

Admirando a paisagem do alto do vulcão Lanín, a mais de 3.700 metros de altitude, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

Admirando a paisagem do alto do vulcão Lanín, a mais de 3.700 metros de altitude, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


Seja o que for, ele ainda não foi capaz de derreter a neve acumulada no cume da montanha. Cientistas imaginam que a antiga cratera esteja soterrada embaixo de todo esse gelo. Se realmente está lá, não sei, mas sei que caminhamos com muita segurança de um lado ao outro, admirando a paisagem em cada lado da montanha, a vasta planície patagônica 2.500 metros abaixo de nós.

A paisagem nevada do cume do Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina. Ao fundo os vulcões Quetrupillán e Villarrica, no Chile

A paisagem nevada do cume do Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina. Ao fundo os vulcões Quetrupillán e Villarrica, no Chile


Bem longe no horizonte, o Cerro Tronador, montanha mais alta da região de Bariloche e apenas 300 metros mais baixa do que o Lanín (na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina)

Bem longe no horizonte, o Cerro Tronador, montanha mais alta da região de Bariloche e apenas 300 metros mais baixa do que o Lanín (na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina)


Para o sul destacava-se, bem longe no horizonte, o Cerro Tronador, a 170 km de distância. É incrível como nossos horizontes ficam maiores nas grandes alturas. Na nossa vida cotidiana, mesmo longe das cidades (onde nosso horizonte tem poucos quarteirões de distância), é raro enxergar a mais de 40 km de distância. Agora, lá estava o Tronador, quatro vezes mais longe do que isso. Essa é a montanha mais alta e famosa da região de Bariloche, mas mesmo ela estava abaixo de nós, quase 500 metros.

Do alto do Lanín, a 3.776 metros de altitude, observamos outros dois vulcões: o Quetrupillán e o Villarrica, ao fundo, 1.000 metros abaixo de nós. (na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina)

Do alto do Lanín, a 3.776 metros de altitude, observamos outros dois vulcões: o Quetrupillán e o Villarrica, ao fundo, 1.000 metros abaixo de nós. (na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina)


No alto do vulcão Lanín, a Ana aponta o vulcão Villarrica, 1.000 metros abaixo de nós e que subimos três dias atrás (na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina)

No alto do vulcão Lanín, a Ana aponta o vulcão Villarrica, 1.000 metros abaixo de nós e que subimos três dias atrás (na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina)


A direção mais bela era para oeste, onde estavam os outros vulcões da falha geológica. O Villarrica é lindo e imponente visto aqui de cima. Tem a forma cônica do vulcão perfeito, sua metade posterior completamente coberta de neve. Há poucos dias estávamos ali, subindo e descendo aquelas encostas geladas. Fiquei imaginado quantas centenas de pessoas não estariam lá hoje. Enquanto isso, aqui no Lanín, não chegávamos a vinte.

A nossa guia Isabel no alto do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

A nossa guia Isabel no alto do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


O vulcão Villarrica, no Chile, visto do alto do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

O vulcão Villarrica, no Chile, visto do alto do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


Ficamos cerca de meia hora no cume, felizes da vida. A Isabel estava bem mais simpática agora, metade da sua missão cumprida. Só faltava nos levar de volta em segurança. O André já havia comunicado que estava com a de volta ao refúgio e que tudo tinha corrido bem. Ela já estava muito feliz por ter chegado ao final do primeiro trecho de gelo e prometia voltar uma vez mais para terminar a escalada.

Nosso grupo no cume do vulcão Lanín, a 3.776 metros de altitude, na fronteira entre Argentina e Chile

Nosso grupo no cume do vulcão Lanín, a 3.776 metros de altitude, na fronteira entre Argentina e Chile


E nós, brasileiros, argentinos e americano, felicíssimos por estar no cume em um dia tão espetacular. Fotos, fotos e mais fotos. Até que a Isabel voltou a ser a chefe e nos deu mais cinco minutos para nos despedirmos de lá. Era hora de começar a descer. Eu e a Ana, que vínhamos da descida do Villarrica, ansiávamos também por esse momento, mas uma chance de aprimorar nossas técnicas de esquibunda nas encostas geladas dos vulcões patagônicos.

Nosso grupo festeja a chegada ao cume do vulcão Lanín, a 3.776 metros de altitude, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

Nosso grupo festeja a chegada ao cume do vulcão Lanín, a 3.776 metros de altitude, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


Nosso grupo festeja a chegada ao cume do vulcão Lanín, a 3.776 metros de altitude, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

Nosso grupo festeja a chegada ao cume do vulcão Lanín, a 3.776 metros de altitude, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


Só que dessa vez não havíamos trazido aqueles tapetes de borracha profissionais para sentarmos em cima. Era algo mais tosco, que não funcionava tão bem. Além disso, acho que pela maior altura, a neve estava muito mais dura. Por fim, com um tráfego de pessoas bem menor, os trilhos na neve não eram bem marcados. O resultado foi que, o que achamos que seria outra grande diversão, foi um tormento. Descemos muito mais rápido do que subimos, isso não se discute, mas os braços até doíam de tanto que fizemos força para frear, assim como as bundas, por tantos solavancos. Se descuidássemos um pouco, a velocidade já era muito maior do que gostaríamos e aí, toda força nos braços para afundar o piolet na neve e conseguir frear um pouco.

Já na parte rochosa, descendo o vulcão lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

Já na parte rochosa, descendo o vulcão lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


Praia do lago Tromen vista das encostas do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

Praia do lago Tromen vista das encostas do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


Enfim, para nossa felicidade, chegamos perto do campo base, retiramos os grampões e voltamos a caminhar. Nunca achei que caminhar fosse tão bom, hehehe. Fomos recebidos com festa pela Ada e com chá quente pelo André. Meia hora mais tarde, tudo empacotado nas mochilas novamente, começamos o longo caminho de volta para a portaria do parque, onde nos esperaria a van da Alquimia.

Parte final da trilha, retornando do cume do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

Parte final da trilha, retornando do cume do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


Aproveitando a sombra de uma árvore para descansar e lanchar, já bem perto do final da trilha, de volta do vulcão lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina

Aproveitando a sombra de uma árvore para descansar e lanchar, já bem perto do final da trilha, de volta do vulcão lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina


No meio do caminho, já na parte plana, um último descanso e tempo para lanche. Meu sonho, agora, era chegar de volta em Junín de Los Andes e jantar naquele restaurante que viramos fregueses. O último esforço foi aguentar mais uma hora de solavancos no carro, a fome cada vez maior. De volta á pousada, um merecido banho e uma corrida para o restaurante. Ali nos esperava a legítima carne argentina, acompanhada de Quilmes gelada. Agora sim, devidamente alimentados e limpos, percebemos o quão maravilhoso havia sido o nosso dia e que montanha espetacular é o Lanín. Não é a toa que ele é tão popular aqui na Argentina!

Celebrando a chegada ao cume do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina. No fundo, mil metros abaixo de nós, o vulcão Villarrica, no Chile

Celebrando a chegada ao cume do vulcão Lanín, na região de Junín de Los Andes, no sul da Argentina. No fundo, mil metros abaixo de nós, o vulcão Villarrica, no Chile

Argentina, Junín de Los Andes, Lanin, Montanha, Parque, trilha, vulcão

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Viajando para Pipa

Brasil, Rio Grande Do Norte, Praia da Pipa

O magnífico Chapadão, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN

O magnífico Chapadão, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN


Hoje tínhamos um bom motivo para NÃO levantar cedo. Queríamos viajar para a Praia da Pipa pela praia. Para isso, a maré precisa estar baixa. E ela só estaria baixa o suficiente perto do meio-dia. Ficamos curtindo aquele nosso quarto delicioso por um tempo e depois fomos ao café de frutas frescas e pão de queijo quentinho. Era 11 da manhã quando achamos que a maré estava favorável e partimos então.

Nosso quarto na pousada Sabambugi, na praia do Sagi - RN

Nosso quarto na pousada Sabambugi, na praia do Sagi - RN


Já fazia um bom tempo que não colocávamos a Fiona na praia. Acho que ela curtiu! A areia não é das mais firmes, mas nada que a Fiona não tire de letra. Longos trechos de praia completamente deserta, sem rastros, já que éramos os primeiros a passar de carro com a maré baixando. Aparência de um mundo completamente vazio de humanos, como se tivéssemos voltado atrás no tempo uns 250 mil anos.

Longas praias desertas no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN, antes de chegar à Baía Formosa

Longas praias desertas no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN, antes de chegar à Baía Formosa


Mas não demorou muito tempo para chegarmos em Baía Formosa, que já é uma senhora cidade. As coisas tem mudado (crescido!) bastante por aqui nesses últimos 20 anos. Ai, se eu tivesse comprado um terreninho nessas bandas, lá no começo da década de 90...

Embarcando a Fiona para cruzar o rio Cunhaú, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN

Embarcando a Fiona para cruzar o rio Cunhaú, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN


Na balsa sobre o rio Cunhaú, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN

Na balsa sobre o rio Cunhaú, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN


De Baía Formosa para frente foi-nos recomendado fortemente a seguir pelo alto e não pela praia. Ou que esperássemos mais uma hora por ali, para que a maré baixasse mais. Optamos por seguir pela fazenda de coqueiros, pagando um pequeno pedágio para os proprietários. Por ali fomos até a barra do rio Cunhaú onde pequenas balsas atravessam os carros que se aventuram por ali.

Cruzando o rio Sibaúma numa pequena balsa, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN

Cruzando o rio Sibaúma numa pequena balsa, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN


Bom, pequena mesmo são as balsas que nos atravessam no rio Sibaúma, um carro por balsa. A Fiona vai quase se equilibrando lá em cima. Mas o rio é rasinho e acho que se fosse preciso, ela atravessaria "à nado" mesmo!

Cruzando o rio Sibaúma numa pequena balsa, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN

Cruzando o rio Sibaúma numa pequena balsa, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN


Finalmente, após esse segundo rio, seguimos pelo chamado "Chapadão", um trecho no alto de falésias com vistas magníficas do mar esverdeado e das praias da região. Só esse panorama já vale a viagem, com certeza!

O magnífico Chapadão, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN

O magnífico Chapadão, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN


Finalmente, em Pipa, nos instalamos na pousada Zia Tereza, do simpaticíssimo italiano Renato, que ficou muito interessado na nossa viagem. A pousada fica perto o bastante do movimento e da praia para que possamos caminhar até lá, e longe o bastante para que a confusão noturna e de trânsito não nos incomode. Fiona devidamente estacionada, todo o resto se faz à pé por aqui.

Fiona no alto de uma falésia, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN

Fiona no alto de uma falésia, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN


A primeira impressão ao chegar na praia foi negativa. Aquele monte de gente e de guarda-sóis, coisa que, definitivamente, não estamos mais acostumados. Mas aos poucos, Pipa foi nos conquistando. Caminhamos até a baía dos Golfinhos onde a praia estava bem mais vazia. As falésias, tão comuns neste litoral, fazem a praia ficar mais bonita, pitoresca, meio selvagem. A água quase morna do mar é sempre um convite, mesmo com o sol já escondido atrás das enormes paredes naturais de 30-40 metros de altura.

Praia próxima à Pipa, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN

Praia próxima à Pipa, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN


De volta à cidade, foi gostoso caminhar na Av. dos Golfinhos, a rua principal de Pipa. São dezenas de lojas, bares, restaurantes e pousads charmosas. Várias opções de gastronomia. Muitas línguas faladas pelas ruas. Excelente música tocando nas esquinas. Ar cosmopolita, como se estivéssemos em Búzios, Santorini ou Ibiza.

Praia da Pipa movimentada - RN

Praia da Pipa movimentada - RN


Eu e a Ana, mesmo em greve etílica já há alguns dias, não resistimos a dar uma saída de noite. Greve mantida, parte do "charme noturno" se perde, mas mesmo assim deu para se divertir.

Falésias na baía dos Golfinhos, em Praia da Pipa - RN

Falésias na baía dos Golfinhos, em Praia da Pipa - RN


E nós, que planejávamos ficar apenas um dia e que não gostamos do que vimos assim que chegamos, eis que a boa e velha Pipa mudou o jogo e nossa cabeça e amanhã, por aqui ficamos, curtindo um pouco mais esse pedaço do mundo encravado no litoral sul do Rio Grande do Norte.

Baía dos Golfinhos, Praia da Pipa - RN

Baía dos Golfinhos, Praia da Pipa - RN

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Mi Buenos Aires Querido

Argentina, Buenos Aires

A noite cai e as luzes se acendem em Buenos Aires, capital da Argentina

A noite cai e as luzes se acendem em Buenos Aires, capital da Argentina


A primeira vez que eu estive em Buenos Aires foi em Fevereiro de 92. De lá para cá foram outras seis vezes, o que dá uma boa pista sobre se eu gosto ou não dessa cidade... A última vez foi em 2007, na primeira viagem internacional que eu e a Ana fizemos juntos. Aliás, a foto que ilustra o blog dela, no alto da página, é dessa viagem, de um simpático bar no bairro de San Telmo. Enfim, cá estamos mais uma vez, agora dentro do nosso projeto dos 1000dias. Esta cidade que tanto gostamos calhou de ser nossa última capital federal nessa jornada por todos os países das Américas. Capitais estaduais, ainda temos Porto Alegre e Florianópolis pela frente.



O nome do post simboliza muito bem o que sentimos pela capital argentina. Mas, muito mais do que isso, é uma homenagem a um dos mais populares tangos do insuperável Carlos Gardel, que apesar de uruguaio, era argentino do coração. O estilo da música, o tango, é a própria cara do país, uma leitura da alma do povo que aqui vive. A letra da música, bem, essa não preciso dizer a quem homenageia, certo? Enfim, era essa a música que tínhamos em mente enquanto fazíamos uma longa caminhada pela cidade hoje, revendo lugares que já conhecíamos e, como sempre acontece nessa charmosa metrópole, aprendendo e vendo coisas novas.

O Obelisco e o rosto de Evita, em Buenos Aires, capital da Argentina

O Obelisco e o rosto de Evita, em Buenos Aires, capital da Argentina


Um dos mais movimentados cruzamentos do centro de Buenos Aires, capital da Argentina

Um dos mais movimentados cruzamentos do centro de Buenos Aires, capital da Argentina


A cidade de Buenos Aires foi fundada duas vezes, e no mesmo lugar. A primeira foi pelo espanhol Pedro de Mendoza, em 1536. Ele cruzou o oceano com vários colonizadores especialmente para isso, fundar uma cidade na desembocadura do Rio da Prata, descoberto alguns anos antes, para garantir o controle espanhol da região. Mas a hostilidade dos indígenas locais fizeram esses primeiros colonizadores mudar de ideia rapidinho. Eles partiram rio acima, seguindo o leito do rio da Prata, entrando pelo Paraná e rio Paraguay até chegarem ao local da atual Asunción, onde fundaram a cidade que seria a mais importante do sul do continente pelos próximos dois séculos. Enquanto isso, a pequena Buenos Aires sumiu do mapa pelos próximos 50 anos. Até que, numa ironia da história, habitantes de Asunción desceram o rio para “refundar” a antiga cidade de onde haviam partido, duas gerações antes, os fundadores da própria Asunción.

Chegando à Plaza Libertador San Martín, em Buenos Aires, capital da Argentina

Chegando à Plaza Libertador San Martín, em Buenos Aires, capital da Argentina


Torre de Los Ingleses, em Buenos Aires, capital da Argentina

Torre de Los Ingleses, em Buenos Aires, capital da Argentina


Apesar da localização estratégica, Buenos Aires sofreu com a política espanhola de centralizar todo o comércio com suas colônias sul-americanas em Lima, no Perú. Assim, todos os produtos importados ou para exportação tinham de fazer o duro caminho através da Bolívia e dos Andes até chegar à cidade peruana. A consequência disso foi que a atual capital argentina não se desenvolveu, tornando-se, na verdade, um centro de contrabando. A situação só mudou em 1776, quando a cidade tinha 20 mil habitantes e foi escolhida para ser a capital do Vice-reinado do Prata, agora com licença para comercializar diretamente com a Espanha.

O teatro Cervantes, em Buenos Aires, capital da Argentina

O teatro Cervantes, em Buenos Aires, capital da Argentina


Sinagoga em Buenos Aires, capital da Argentina

Sinagoga em Buenos Aires, capital da Argentina


O próximo grande evento aconteceu 30 anos mais tarde, já no séc. XIX, no contexto a era napoleônica na Europa. França e Espanha eram aliadas contra a Inglaterra e as tropas de sua majestade resolveram ocupar a capital portenha em represália. Eles até conseguiram, por um curto período, mas foram surpreendidos por uma revolta popular contra a ocupação, Os habitantes da cidade, quando perceberam que só estavam “mudando de patrão”, botaram os ingleses para correr, uma vitória que ainda é celebrada nos dias de hoje. Não apenas essa, mas também quando resistiram a nova invasão no ano seguinte, em 1807.

A enorme e centenária figueira ao lado do Teatro Colón, em Buenos Aires, capital da Argentina

A enorme e centenária figueira ao lado do Teatro Colón, em Buenos Aires, capital da Argentina


PLaza Libertador San Martín, em Buenos Aires, capital da Argentina

PLaza Libertador San Martín, em Buenos Aires, capital da Argentina


Conscientes da própria força, resolveram ir além! Em maio de 1810, quando o rei espanhol foi deposto por Napoleão, aproveitaram o ensejo e decretaram o corte de relações com a antiga metrópole. Seis anos mais tarde, no congresso de Tucumán, foi a vez de oficializarem a independência, que se concretizou depois de uma guerra sangrenta com as tropas realistas. Mas a Argentina não era um país, e sim uma confederação de províncias. Buenos Aires, portanto, apesar de ser a cidade mais poderosa, só era a capital de sua própria província. Mas com muita influência nas outras províncias. Essa situação meio confusa se manteve pelos próximos 30 anos, enquanto a corrente dos federalistas e unitaristas disputava o governo e o país. Nesse período conturbado, por duas vezes a cidade sofreu o bloqueio naval por parte de potências estrangeiras (França e Inglaterra), aliadas de províncias rebeldes. Mas, para orgulho local, os portenhos não se curvaram e nenhum soldado estrangeiro jamais colocou os pés de volta na cidade, desde a expulsão dos ingleses em 1807.

O famoso Teatro Colón, em Buenos Aires, capital da Argentina

O famoso Teatro Colón, em Buenos Aires, capital da Argentina


Cores de fim de tarde nos céus de Buenos Aires, capital da Argentina

Cores de fim de tarde nos céus de Buenos Aires, capital da Argentina


A unidade do país finalmente veio na segunda metade do século, com os presidentes Urquiza e Mitre, e com ela uma maior estabilidade política e econômica. Já como capital de todo o país, Buenos Aires começou a se desenvolver rapidamente, tanto com as exportações de carne e grãos pelo seu porto, como com a chegada de dezenas de milhares de imigrantes, provenientes principalmente da Itália e da Espanha. Esses novos moradores se instalaram principalmente no sul da cidade, nos bairros de San Telmo e La Boca, enquanto a elite e alta sociedade se mudava mais para o norte, bairros do Retiro e Recoleta. Com o passar do tempo, a crescente classe média também teria os seus bairros, como Palermo e Belgrano.

Teatro Colón, em Buenos Aires, capital da Argentina

Teatro Colón, em Buenos Aires, capital da Argentina


O Obelisco da Av. 9 de Julio, em Buenos Aires, capital da Argentina

O Obelisco da Av. 9 de Julio, em Buenos Aires, capital da Argentina


Enfim, na entrada do séc. XX, Buenos Aires vivia um boom. Foi a primeira cidade latino-americana a superar um milhão de habitantes, parques se espalharam pela cidade, assim como grandes mansões e enormes prédios públicos e teatros. A magnífica arquitetura clássica de influência francesa que vemos hoje vem toda dessa época de glória, como aqueles que foram, durante muito tempo, o mais alto prédio da América Latina, o Kavanagh, e o maior teatro de todo o hemisfério sul, o Colón. Hoje, quando caminhamos pela Av. Córdoba ou Santa Fé e olhamos para os belos prédios que nos cercam, estamos vendo 100 anos atrás.

PLaza Libertador San Martín, em Buenos Aires, capital da Argentina

PLaza Libertador San Martín, em Buenos Aires, capital da Argentina


PLaza Libertador San Martín, em Buenos Aires, capital da Argentina

PLaza Libertador San Martín, em Buenos Aires, capital da Argentina


A cidade continuou a crescer durante o séc. XX, agora atraindo cada vez mais imigrantes internos, do vasto interior. Linhas de metrô foram sendo escavadas desde o início do século para dar vasão ao movimento que só aumentava. Na década de 30, todo o espaço entra duas ruas paralelas foi derrubado para dar lugar a avenida mais larga do mundo a 9 de Julio, que chega a ter 16 pistas com seu característico e enorme Obelisco ao fundo. Hoje são quase 4 milhões de habitantes, mas se considerarmos todas as cidades que foram engolidas pela grande metrópole, esse número chega a assustadores 15 milhões. Mas para os turistas e visitantes, quase tudo o que interessa está num espaço pequeno e que se pode caminhar, pelo menos para aqueles com mais energia.



Foi o que fizemos hoje, eu e a Ana. Foram cerca de 10 km de caminhada pelas charmosas ruas, avenidas e parques da cidade. Saímos lá do nosso hotel em Palermo, caminhamos até a Av. Santa Fé e por ela viemos até o centro. Não sem antes pararmos na magnífica livraria El Ateneo. Desde que sou criança e minha mãe viajou para cá pela primeira vez, ainda nos tempos de Isabelita na década de 70, que ouço falar das livrarias da cidade. Quando vim pela primeira vez, fui forçado a concordar que elas são mesmo maravilhosas e essa, a Ateneo, talvez seja o melhor exemplo. Sempre que venho para cá, perco (ou, na verdade ganho!) um bom tempo por lá.

Chegando a uma das mais charmosas livrarias de Buenos Aires, capital da Argentina

Chegando a uma das mais charmosas livrarias de Buenos Aires, capital da Argentina


Interior do 'El Ateneo', a mais bela livraria de Buenos Aires, capital da Argentina

Interior do "El Ateneo", a mais bela livraria de Buenos Aires, capital da Argentina


Bom, seguimos a caminhada até centro, mais especificamente até o parque San Martin, um enorme jardim no norte da região central, cercado por diversos prédios clássicos e monumentos. Um dos mais belos, já na direção do rio da Prata, é a Torre dos Ingleses, um dos marcos arquitetônicos da cidade. Aproveitamos para pausar um pouco, respirar o ar puro e recuperarmos o fôlego para o longo caminho de explorações que ainda tínhamos pela frente.

PLaza Libertador San Martín e Torre de Los Ingleses, em Buenos Aires, capital da Argentina

PLaza Libertador San Martín e Torre de Los Ingleses, em Buenos Aires, capital da Argentina


Momento de descanso na Plaza Libertador San Martin, em Buenos Aires, capital da Argentina

Momento de descanso na Plaza Libertador San Martin, em Buenos Aires, capital da Argentina


Percorremos então a Florida, o famoso calçadão comercial que corta o centro da cidade e que também começa no parque San Martín. É um dos melhores lugares para se ver gente, turistas e locais, além do sempre presentes “arbolitos”, como são apelidados os cambistas. Aí na Florida também está a galeria Pacífico, um shopping center centenário, com ares clássicos e tetos cobertos de belos afrescos. Por muito tempo esteve fechado e abandonado, mas foi recuperado por empresários e hoje faz a alegria de visitantes como nós.

Calle Florida, em Buenos Aires, capital da Argentina

Calle Florida, em Buenos Aires, capital da Argentina


Os belos afrescos no teto da Galeria Pacífico, na Calle Florida, em Buenos Aires, capital da Argentina

Os belos afrescos no teto da Galeria Pacífico, na Calle Florida, em Buenos Aires, capital da Argentina


Seguimos então pela Av. Córdoba, onde cruzamos a 9 de Julio mais uma vez (sempre uma longa travessia!) e chegamos aos imponentes teatros Cervantes e Colón, além da maior sinagoga da cidade. Nessa região é onde está a maior concentração de prédios monumentais, lembranças de tempos áureos da cidade. Os dois teatros podem ser visitados em tours, mas bom mesmo é assistir um espetáculo no sempre concorrido Colón, quando ele não está em reformas. As reservas devem ser feitas com semanas de antecedência!

O famoso Teatro Colón, em Buenos Aires, capital da Argentina

O famoso Teatro Colón, em Buenos Aires, capital da Argentina


Teatro Colón, em Buenos Aires, capital da Argentina

Teatro Colón, em Buenos Aires, capital da Argentina


Por fim, seguimos para a Plaza de Mayo, onde estão os prédios públicos mais famosos, como o antigo Cabildo (a prefeitura) e a famosa Casa Rosada, sede do governo federal. Quantas vezes não vi essa praça pela TV, manifestações de jubilo na época das Malvinas ou da abertura democrática de Alfonsín. Ou em cenas de cinema, com Perón e Evita acenando para dezenas de milhares de empolgadas pessoas. Na verdade, a frente da Casa Rosada está para o outro lado, mas é a sacada nas suas costas, virada para a praça, o lugar mais emblemático.

Cabildo de Buenos Aires, capital da Argentina

Cabildo de Buenos Aires, capital da Argentina


Plaza de Mayo, em Buenos Aires, capital da Argentina

Plaza de Mayo, em Buenos Aires, capital da Argentina


Chegamos aí no fim do dia e acompanhamos as luzes de iluminação serem ligadas. Como não poderia deixar de ser, as luzes da Casa Rosada são rosas! E dessa cor ela fica, ainda mais forte, durante a noite, algo entre o kitsch e o tradicional, afinal, esta é a Casa Rosada.

A Casa Rosada, sede do governo federal, iluminada a carater, na Plaza de Mayo, em Buenos Aires, capital da Argentina

A Casa Rosada, sede do governo federal, iluminada a carater, na Plaza de Mayo, em Buenos Aires, capital da Argentina


O relógio marca 8 da noite na cidade de Buenos Aires, capital da Argentina

O relógio marca 8 da noite na cidade de Buenos Aires, capital da Argentina


E assim foi o nosso dia, caminhando por essas ruas que nos são cada vez mais familiares. Mas, como já disse, é sempre um prazer andar por aqui e, mais ainda, encontrar um bom café e não caminhar, apenas ver a vida passar, apressada, ao nosso lado. Acompanhado de uma boa media luna e empanada, não tem programa melhor.

ATravessando a avenida mais larga do mundo, a famosa 9 de Julio, em Buenos Aires, capital da Argentina

ATravessando a avenida mais larga do mundo, a famosa 9 de Julio, em Buenos Aires, capital da Argentina


Pausa para café durante passeio a pé em Buenos Aires, capital da Argentina

Pausa para café durante passeio a pé em Buenos Aires, capital da Argentina


Já de noite, voltamos de metrô para Palermo. Ainda temos de caminhar na Recoleta, em San Telmo e na Boca, mas temos tempo para isso. A noite, aí já estamos mesmo no lugar certo, Palermo. Aí estão dezenas de bares e restaurantes para todos os gostos. Conforme havia combinado com a Ana, a cada noite por aqui, um bom restaurante. O que não significa caro, mas charmoso. É o que não falta aqui em Palermo. Esta noite foi dia de tapas. E vinho, claro! Um brinde a Buenos Aires!

Nosso delicioso restaurante na segunda noite em Buenos Aires, na Argentina

Nosso delicioso restaurante na segunda noite em Buenos Aires, na Argentina

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Pelas Grutas de Aurora

Brasil, Tocantins, Aurora do Tocantins

Caminhando na Gruta das Rãs, em Aurora do Tocantins - TO

Caminhando na Gruta das Rãs, em Aurora do Tocantins - TO


Bem cedinho hoje fomos encontrar o Anselmo, grande conhecedor das grutas de Aurora do Tocantins. Ele foi uma ótima indicação do Osmane, lá de Azuis e, ainda na noite de ontem, já tinha me encontrado com o Anselmo, para combinar o passeio de hoje.

Com o Anselmo na Gruta do Sabiá, em Aurora do Tocantins - TO

Com o Anselmo na Gruta do Sabiá, em Aurora do Tocantins - TO


Além de espeleólogo e artista plástico, o sergipano Anselmo é secretário do meio ambiente da cidade e também está envolvido em diversos conselhos e associações do município. Mesmo assim, ele ainda conseguiu arrumar um tempo para nos levar em duas das mais belas grutas da região, que já tem catalogada mais de 220 grutas! Como o próprio Anselmo nos disse, Aurora do Tocantins é um verdadeiro queijo suiço. Localizada na bela Serra Geral, a cidade também tem rios e cachoeiras como atrações. Um pólo turístico que o Brasil ainda não conhece...

Passando por quebra-corpo na Gruta do Sabiá, em Aurora do Tocantins - TO

Passando por quebra-corpo na Gruta do Sabiá, em Aurora do Tocantins - TO


Fomos primeiro na Gruta do Sabiá, bem ao lado da cidade, dentro de uma propriedade do próprio Anselmo. Ali ele está montando um centro de estudos de espeleologia, além de um alojamento para estudantes, pesquisadores e amantes das cavernas em geral.

Explorando a Gruta do Sabiá, em Aurora do Tocantins - TO

Explorando a Gruta do Sabiá, em Aurora do Tocantins - TO


A gruta tem mais de uma dezena de salões, alguns deles só atingidos depois de se enfrentar longas passagens estreitas, onde é preciso rastejar e se espremer. Caverna de calcário, há uma enorme quantidade de espeleotemas espalhados pelos seus tetos, paredes e solo. A caverna acompanha as estações do ano e tem seus períodos secos e molhados. Com o fim das chuvas por aqui, ela agora está no seu período seco. Faz muito calor lá dentro, principalmente quando nos afastamos da entrada.

Rã na Gruta do Sabiá, em Aurora do Tocantins - TO

Rã na Gruta do Sabiá, em Aurora do Tocantins - TO


Outra coisa que nos chamou a atenção foi a fauna da caverna. Os morcegos são frequentadores, mas não estavam lá hoje. Quem estava eram as rãs que, pelo visto, não tem medo do escuro.

Teto repleto de estalactites, na Gruta das Rãs, em Aurora do Tocantins - TO

Teto repleto de estalactites, na Gruta das Rãs, em Aurora do Tocantins - TO


Por falar em pequenos anfíbios, foram eles que deram o nome para a segunda gruta do dia, a Gruta das Rãs. Esta é um pouco mais afastada da cidade e é necessário caminhar uns dois quilômetros pelos pastos de uma fazenda para se chegar em sua boca. Aliás, quando se chega em sua boca, a primeira impressão é que deve ser só um buraquinho...

Gruta das Rãs, em Aurora do Tocantins - TO

Gruta das Rãs, em Aurora do Tocantins - TO


Que nada! Por dentro, ela é majestosa. Muito menos visitada que a Gruta do Sabiá, a impressão é de se estar entrando em território virgem. Aqui, a quantidade de espelotemas é ainda maior, o calcário parece ainda mais branco e o número de estalagtites no teto é impressionante.

Morcego hematófago na Gruta das Rãs, em Aurora do Tocantins - TO

Morcego hematófago na Gruta das Rãs, em Aurora do Tocantins - TO


Além das rãs, também vimos morcegos hematófagos e até peixes, no pequeno rio que corta a caverna. O calor também é intenso, mas praticamente esquecemos dele quando paramos para admirar e fotografar os diversos salões da caverna.

Explorando a Gruta das Rãs, em Aurora do Tocantins - TO

Explorando a Gruta das Rãs, em Aurora do Tocantins - TO


Depois desse calor todo, nada melhor do que um banho de rio para relaxar. Nós ainda tínhamos muita estrada pela frente, mas sempre se arruma um "tempinho" para um banho, certo? Passamos rapidamente na casa do Anselmo para descarregar as fotos tiradas hoje no computador dele e, de lá, seguimos para o Balneário Douradas, a 12 quilômetros da cidade. Construído numa curva em "U" do Rio Palmas, de águas bem verdinhas, o banho em suas corredeiras foi o coroamento de um dia de explorações. Uma delícia!

Saindo da Gruta das Rãs, em Aurora do Tocantins - TO

Saindo da Gruta das Rãs, em Aurora do Tocantins - TO


Depois do banho, adeus Tocantins, até breve, Região Norte. Da próxima vez, vamos entrar pela Venezuela, vindos da América do Norte. Nossa... tem tanta coisa para acontecer antes! Melhor pensar na próxima semana, e não no próximo ano.

Trilha em fazenda onde está a Gruta das Rãs, em Aurora do Tocantins - TO

Trilha em fazenda onde está a Gruta das Rãs, em Aurora do Tocantins - TO


Pois bem, a próxima semana será no estado de Goiás! Muita coisa para fazer por aqui! Já estivemos no estado em Julho/Agosto do ano passado, mas somente em Caldas Novas e Goiânia. Agora, vamos iniciar nossas explorações por Terra Ronca. Depois virão a Chapada dos Veadeiros, Goiás Velho e Pirenópolis. Só lugar feio, hehehehe

Hora do mergulho no Rio Palmas, no Balneário Douradas, em Aurora do Tocantins - TO

Hora do mergulho no Rio Palmas, no Balneário Douradas, em Aurora do Tocantins - TO


Hoje, conseguimos chegar até São Domingos, porta de entrada do Parque Estadual da Terra Ronca. Já chegamos no escuro, mas amanhã bem cedinho partimos para o parque e suas famosas cavernas gigantes. Esse é um lugar que está na minha lista de prioridades há 20 anos! Antes tarde do que nunca...

Formação de cortina na Gruta do Sabiá, em Aurora do Tocantins - TO

Formação de cortina na Gruta do Sabiá, em Aurora do Tocantins - TO

Brasil, Tocantins, Aurora do Tocantins, Balneário Douradas, Gruta das Rãs, Gruta do Sabiá

Veja todas as fotos do dia!

Diz aí se você gostou, diz!

Os Passageiros

Galápagos, San Cristóbal, Santa Cruz

Voltando para nosso barco após visita à Ilha de Santa Cruz, em Galápagos

Voltando para nosso barco após visita à Ilha de Santa Cruz, em Galápagos


Logo que atravessamos a "alfândega" do aeroporto de San Cristóbal, em Galápagos, fomos recebidos pelo Edwin e pela Glenda, os nossos dois guias e dive masters do nosso live aboard de uma semana que estava prestes a começar. Afinal, sairíamos diretamente do aeroporto para o porto para podermos embarcar no Galapagos Sky, a nossa casa pelos próximos 7 dias. Como não poderia deixar de ser, os dois são "cidadãos" de Galápagos, naturalistas e amantes do mergulho.

Com a nossa guia, Glenda, tomando um coquetel na Isla Isabel, em Galápagos

Com a nossa guia, Glenda, tomando um coquetel na Isla Isabel, em Galápagos


Friso, Rafa e o nosso guia Edwin na Isla Isabel, em Galápagos

Friso, Rafa e o nosso guia Edwin na Isla Isabel, em Galápagos


Já com eles se encontravam outros três passageiros do barco, que haviam conseguido passar pelas burocracias antes de nós. Um deles era a simpática e sempre falante Maria Gabriela, que apesar do nome, é sueca. Sueca e radicada na Dinamarca, em viagem de volta ao mundo em 4 meses, já na parte final do circuito. Cheia de histórias para contar de sua passagem recente por lugares como Senegal, Índia, Papua Nova Guiné e Cuba, tudo nesse giro mundial.

Fim de mergulho na Isla Darwin, em Galápagos. Atrás, o famoso Arco de Darwin

Fim de mergulho na Isla Darwin, em Galápagos. Atrás, o famoso Arco de Darwin


A sueca Maria no fim de tarde na ilha de Wolf, em Galápagos

A sueca Maria no fim de tarde na ilha de Wolf, em Galápagos


Os outros dois viajavam juntos, pelo menos nessa semana. O holandes Friso, que também é brasileiro, mas que vive na Alemanha e seu amigo Henning, alemão que veio passar 2 semanas no Equador, entra Galápagos e a Amazônia. O Friso viveu até os 16 anos no Brasil, filho de pai holandes e mãe brasileira. Aí, se mudaram para a Alemanha, país onde ele conheceu e se casou com a Wera. Os dois estão há um ano viajando pela América do sul de carro e tem um site cheio de belas fotografias de suas aventuras. Tudo escrito em alemão, mas bem interessante. É o http://www.entdeckungsreise.jimdo.com/

A Maria, o Henning e o Friso no barco que nos levou à Santa Cruz, em Galápagos (foto de Maria Edwards)

A Maria, o Henning e o Friso no barco que nos levou à Santa Cruz, em Galápagos (foto de Maria Edwards)


O Friso e a Wera resolveram se separar aqui em Galápagos esta semana, ela fazendo um tour acima d'água e ele por baixo. Ele com a companhia do Henning e ela com a de outras duas amigas, que vieram da Alemanha com o Henning. Daqui a 8 dias estarão os 5 juntos novamente para uma temporada na amazônia equatoriana.

A Maria (suécia), o Henning (Alemanha), o Koxta (Rússia), o Friso (Brasil-Holanda), a Ana e o Rafa olhando as fotos do dia, na Ilha de Darwin, em Galápagos

A Maria (suécia), o Henning (Alemanha), o Koxta (Rússia), o Friso (Brasil-Holanda), a Ana e o Rafa olhando as fotos do dia, na Ilha de Darwin, em Galápagos


Irina, Eugeni, Laura e Rafa à caminho de Santa Cruz, em Galápagos (foto de Maria Edwards)

Irina, Eugeni, Laura e Rafa à caminho de Santa Cruz, em Galápagos (foto de Maria Edwards)


Faltavam onze passageiros então. Eram todos de um mesmo grupo, russos de São Petersburgo e Moscou. Tods trazidos pelo simpático e bonachão Konstantin, vulgo Koxta, um instrutor de mergulho e guia de viagens (de mergulho!). Com tantos russos assim, adivinha qual foi a língua mais falada no barco? Ainda no porto, antes de embarcar, os russos fizeram jus à ama e foram logo providenciar algumas garrafas de vodka nas lojas da região. Conversaram antes com o Edwin e acharam que o estoque do barco não seria o sificiente para eles!

Apresentação da tripulação e passageiros na nossa primeira noite no barco, em San Cristóbal, em Galápagos

Apresentação da tripulação e passageiros na nossa primeira noite no barco, em San Cristóbal, em Galápagos


O capitão nos mostra o roteiro da viagem, durante a apresentação da tripulação e passageiros na nossa primeira noite no barco, em San Cristóbal, em Galápagos

O capitão nos mostra o roteiro da viagem, durante a apresentação da tripulação e passageiros na nossa primeira noite no barco, em San Cristóbal, em Galápagos


Por falar em barco, uma das primeiras atividades à bordo, depois de cada um se instalar no seu quarto foi a apresentação da tripulação. Liderados pelo capitão Vitor, um a um foi se apresentando, desde o eletricista e o cozinheiro, passando pelos pilotos de panga (o bote motorizado) até o mais importante homem à bordo (segundo o capitão), o barman Jairo. Uma bela equipe de mais de 10 pessoas para cuidar e pajear de todos nós pela próxima semana!

A cozinha do nosso barco (Isla Isabel, em Galápagos)

A cozinha do nosso barco (Isla Isabel, em Galápagos)


É, vamos passar bem esses dias! Principalmente se considerarmos o conforto do barco. Mas isso é assunto para o próximo post...

O Capitão Vitor e o Jairo na cabine de comando do nosso barco, próximo à Isla Santiago, em Galápagos

O Capitão Vitor e o Jairo na cabine de comando do nosso barco, próximo à Isla Santiago, em Galápagos

Galápagos, San Cristóbal, Santa Cruz, Equador

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A nossa viagem fica melhor ainda se você participar. Comente!

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