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Rainhas do Mar

Brasil, Bahia, Abrolhos

Calda de baleia vista do barco em direção à Abrolhos - BA

Calda de baleia vista do barco em direção à Abrolhos - BA


Faz muito tempo que eu e a Ana queremos visitar Abrolhos. Na verdade, eu estive aqui há pouco mais de dez anos. Só que o tempo virou inesperadamente, o mar ficou agitado e meu barco, de menor porte, teve de voltar na manhã seguinte. Foram poucas horas de bom tempo, uma noite agitada, uma volta às pressas e aquele gostinho na boca de ter feito algo pela metade. Na verdade, metade da metade da metade... Já a Ana, teve de cancelar uma vinda sua para cá que já estava até paga...

Baleias avistadas do barco em direção à Abrolhos - BA

Baleias avistadas do barco em direção à Abrolhos - BA


Desta vez, nosso "inimigo" era o tempo. As frentes frias vem nos acompanhando desde a última vez que saímos de Curitiba. Mas a sorte sorriu para nós! Uma janela de bom tempo, exatos quatros dias, exatamente a partir de uma quinta-feira. Mais sorte, impossível, pois era justo quando uma das melhores operadoras daqui tinha programado uma viagem, com exatamente uma suíte do barco vaga para nós. Mais coincidência, impossível!

Baleias avistadas do barco em direção à Abrolhos - BA

Baleias avistadas do barco em direção à Abrolhos - BA


Bom, nada está tão bom que não possa ser melhorado. Estamos na época das baleias jubarte! Elas vem aqui para ter seus filhos e nós e outros turistas vem aqui para observá-las. Então, era esse o grande mote da viagem: ter a chance de observar esses animais magníficos, que vivem cantando e saltando sobre as águas entre o continente e o arquipélago.

Avistando baleias do barco em direção à Abrolhos - BA

Avistando baleias do barco em direção à Abrolhos - BA


Tanto a viagem de ida como de volta são as melhores oportunidades de avistar esses cetáceos. Ficamos no deck do navio à postos para os melhores ângulos e melhores fotos. As baleias não decepcionaram e apareceram aos montes, para felicidade dos viajantes. Felicidade e muita emoção de ver esses animais enormes, cheios de vida e graça. É incrível que ainda haja pessoas e nações que defendam a sua caça, mesmo com o ridículo propósito de "pesquisa científica".

Baleias desfrutam do lindo e calmo mar em Abrolhos - BA

Baleias desfrutam do lindo e calmo mar em Abrolhos - BA


Bom, aqui na Bahia isso não ocorre e as baleias podem nadar sem preocupações. Para nossa felicidade, o número delas vem aumentando ano a ano. Vê-las por cima d'água já vale a viagem. Ouvi-las por baixo d'água é de uma emoção indescritível. Serve para nos lembrar da nossa arrogância em crer que somos os donos do planeta ou as únicas criaturas inteligentes da Terra. Não, a natureza é muito maior do que nós e infinitamente mais bela e complexa que nossas vãs crenças e filosofias querem acreditar.

Filmando baleias do barco em direção à Abrolhos - BA

Filmando baleias do barco em direção à Abrolhos - BA

Brasil, Bahia, Abrolhos, Baleia, jubarte

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Lagunas de Colores

México, Comitan, Ocosingo

A belíssima laguna Ensueño, no parque Lagunas de Montebello, na região de Comitan, em Chiapas, no sul do México, fronteira com Guatemala

A belíssima laguna Ensueño, no parque Lagunas de Montebello, na região de Comitan, em Chiapas, no sul do México, fronteira com Guatemala


Nosso primeiro dia inteiro no México começou com um passeio na simpática praça de Comitan, para fotos e café da manhã. Comitan é uma cidade de arquitetura colonial e ruas de pedra. Fora a dificuldade de caminhar pelas calçadas estreitas, é uma delícia passear pela cidade e começar a nos sentir no México. O clima da praça, sempre tão cheia de vida, ajuda bastante nesse intento. Quase não se vê turistas estrangeiros, mas os nacionais são bem comuns por aqui. A bela cidade tem até sobrenome: Dominguez. Homenagem ao seu mais ilustre filho, o médico e político Belisario Dominguez. Este, após ter sido prefeito da cidade no início do século passado, tornou-se senador da república. Oposição, no México, nunca teve vida fácil e o Belisaio é um bom exemplo disso. Proferiu um famoso discurso na tribuna contra o ditador da época, Victoriano Huerta. Alguns dias depois foi assassinado por seguidores do ditador, tendo inclusive sua língua arrancada como exemplo.

Arte moderna na praça central de Comitan, em Chiapas, no sul do México

Arte moderna na praça central de Comitan, em Chiapas, no sul do México


Chapéu, muito comum em Comitan e em toda Chiapas, no sul do México

Chapéu, muito comum em Comitan e em toda Chiapas, no sul do México


Voltamos para o hotel, carregamos a Fiona e seguimos para as Lagunas de Montebello, uma das mais belas atrações naturais do estado de Chiapas. Transformado em parque nacional, a região na fronteira com a Guatemala tem atraído cada vez mais turistas. Em uma área razoavelmente pequena, diversas lagoas com cores diferentes estão dispostas. São cores do verde ao azul, passando pelos seus diversos tons.

Laguna Agua Tinta, no parque Lagunas de Montebello, na região de Comitan, em Chiapas, no sul do México, fronteira com Guatemala

Laguna Agua Tinta, no parque Lagunas de Montebello, na região de Comitan, em Chiapas, no sul do México, fronteira com Guatemala


O parque tem diversas trilhas e também possibilidades de passeios à cavalo e de canoa. Mas a gente estava mais para passeio de Fiona mesmo. Quando muito, caminhadas de algumas dezenas de metros dos diversos estacionamentos até as lagoas ali perto.

A laguna Esmeralda, no parque Lagunas de Montebello, na região de Comitan, em Chiapas, no sul do México, fronteira com Guatemala

A laguna Esmeralda, no parque Lagunas de Montebello, na região de Comitan, em Chiapas, no sul do México, fronteira com Guatemala


Realmente, é bem interessante ver as cores diferentes em lagoas tão vizinhas, algumas separadas por menos de 100 metros de terra firme. Todas são alimentadas por rios subterrâneos, algumas até conectadas entre si neste labirinto de canais abaixo da terra.

Preparando quesadillas na região de Comitan, em Chiapas, no sul do México, fronteira com Guatemala

Preparando quesadillas na região de Comitan, em Chiapas, no sul do México, fronteira com Guatemala


Após conhecermos o primeiro grupo delas, na parte norte do parque, seguimos para as maiores e mais famosas, na parte sul. Aí, sumiu o sol e, com ele, parte da cor das águas e também nossa vontade de dar um mergulho. Ao contrário, na mais conhecida delas, com praia e tudo, justo a que dá nome ao parque (Montebello), ao invés de nadarmos a gente se rendeu foi a umas das mais conhecidas guloseimas do país, as quesadillas. Hmmmmm... que delícia! Pedimos umas que combinavam chorizo (a linguiça brasileira) com queijo. Muito boas!

Deliciosas quesadillas na região de Comitan, em Chiapas, no sul do México, fronteira com Guatemala

Deliciosas quesadillas na região de Comitan, em Chiapas, no sul do México, fronteira com Guatemala


De lá para a mais bonita de todas as lagunas, a lagoa Cinco Lagos, que apesar do nome, é uma só. Pena mesmo que o sol tinha nos abandonado, pois a água era verde transparente, muito linda. Mas o nosso problema não era apenas a falta de sol, mas também a falta de tempo. Aqui no México, acabou a moleza dos países da América Central onde tudo era perto. Aqui as distâncias são muito maiores, assim como as viagens.. Ainda queríamos chegar hoje à Ocosingo, à meio caminho das ruínas de Palenque.

A laguna Montebello, na região de Comitan, em Chiapas, no sul do México, fronteira com Guatemala

A laguna Montebello, na região de Comitan, em Chiapas, no sul do México, fronteira com Guatemala


Olhando no mapa, até decidimos mudar de roteiro. Deixamos San Cristobal de Las Casas para depois e, por um atalho, seguimos diretamente para Ocosingo. De lá vamos à Palenque e, na volta, para San Cristobal. Ainda inexperientes no país, achamos por bem dirigir no tal “atalho” durante o dia. Afinal, as notícias que lemos sobre o país não são apenas de línguas cortadas, mas de cabeças também. Exageros da imprensa à parte, achamos por bem viajar de dia.

Visitando a laguna Cinco Lagos, no parque Launas de Montebello, na região de Comitan, em Chiapas, no sul do México, fronteira com Guatemala

Visitando a laguna Cinco Lagos, no parque Launas de Montebello, na região de Comitan, em Chiapas, no sul do México, fronteira com Guatemala


E assim chegamos à Ocosingo, sem muita ajuda do nosso GPS, que está com mapas bem fraquinhos do país, mas com o bom e velho mapa de papel, comprado hoje cedo. Ficamos bem na praça central, também cheia de movimento e vida. Aparentemente, isso é uma constante no país, praças centrais muito simpáticas, bem cuidadas e com um coreto cheio de vida e música. Aliás, outra característica que já pudemos notar é a quantidade de fuscas nas cidades. Pois é, o bom e velho fusca está mais vivo do que nunca aqui no país. Faria o Itamar e outros amantes desse modelo felicíssimos!

Ansioso, esperando porção de quesadillas na região de Comitan, em Chiapas, no sul do México, fronteira com Guatemala

Ansioso, esperando porção de quesadillas na região de Comitan, em Chiapas, no sul do México, fronteira com Guatemala

México, Comitan, Ocosingo, Lago, Montebello, Parque

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Rio de Janeiro em Roma

México, Cidade do México

A famosa estátua de David, na Plaza Rio de Janeiro, centro do bairro de Roma, na Cidade do México, capital do país

A famosa estátua de David, na Plaza Rio de Janeiro, centro do bairro de Roma, na Cidade do México, capital do país


O dia começou com nova corrida de táxi pelas freeways que cortam a megalópole mexicana. Temos achado mais prático deixar a Fiona guardadinha na garagem do prédio do Rodrigo na distante Lomas de Santa Fé e seguir para a zona central de táxi mesmo, para não nos preocuparmos com trânsito e estacionamentos. A corrida custa uns 80 pesos (12 reais) e leva uma meia hora, dependendo do tráfego. Amanhã, aí sim vamos desenferrujar a Fiona: o destino serão as famosas pirâmides de Teotihuacán, um pouco afastadas da cidade.

A famosa estátua de David, na Plaza Rio de Janeiro, centro do bairro de Roma, na Cidade do México, capital do país

A famosa estátua de David, na Plaza Rio de Janeiro, centro do bairro de Roma, na Cidade do México, capital do país


Mas hoje, queríamos ir era na zona central mesmo, na área da Zócalo. Antes de nossa viagem ao Caribe estivemos lá uma vez. Mas só conseguimos ver a Catedral, o Palácio do Governo e o Templo Mayor dos Astecas. Enfim, nem saímos da praça! Hoje, queríamos era passear pelas ruas centrais, ver outros prédios, o movimento das ruas, sentir o centro de verdade.

Pintura retrata o primeiro encontro entre Cortes e Montezuma, no Hospital fundado pelo conquistador espanhol, na Cidade do México, capital do país

Pintura retrata o primeiro encontro entre Cortes e Montezuma, no Hospital fundado pelo conquistador espanhol, na Cidade do México, capital do país


E assim foi! Começamos pelo ponto onde houve o primeiro encontro entre o conquistador espanhol Hernán Cortés e o imperador asteca Montezuma. Mal sabia esse último a verdadeira catástrofe que aguardava seu povo nos meses seguintes. Perdeu a chance de liquidar os espanhóis ali mesmo, naquele momento. O povo que se achava os escolhidos dos deuses e que habitava o centro do universo desapareceria num piscar de olhos... Bem ali do lado, após a conquista e a destruição do império asteca, Cortés mandou construir um hospital. O prédio ainda está lá, completamente escondido dentro de outro hospital, mais moderno. Mas para quem sabe da dica e entra no prédio, encontra um verdadeiro oásis dentro do agitado centro da capital. Arquitetura espanhola, dois pátios com agradáveis jardins e murais mostrando eventos históricos, inclusive o fatídico encontro. Tudo isso a duas quadras da Zócalo!

Passadem pela Zócalo, a praça central da cidade, com a Catedral ao fundo (Cidade do México, capital do país)

Passadem pela Zócalo, a praça central da cidade, com a Catedral ao fundo (Cidade do México, capital do país)


E foi para lá que seguimos. Impossível não parar novamente para fotos na fotogênica praça, a Catedral ainda mais imponente sob aquele dia ensolarado. Mas, seguimos em frente pois o caminho era longo! Próxima parada: Plaza San Domingos, onde está o prédio da Secretaria de Educação; Ali dentro, outro segredo: um enorme pátio interno com três andares de colunas e arcos, todas as paredes pintadas com imensos murais do famoso Diego Rivera, retratando cenas do cotidiano do país, especialmente sua gente. Um espetáculo! Pausa para respirar, para fotos e para admiração...

Murais de Diego Rivera cobrem as paredes de pátio interno da Sec. de Educação, na Plaza Santo Domingo, na Cidade do México, capital do país

Murais de Diego Rivera cobrem as paredes de pátio interno da Sec. de Educação, na Plaza Santo Domingo, na Cidade do México, capital do país


Voltamos para a Zócalo e de lá seguimos pelo calçadão da Madero, cheio de lojas, prédios com arquitetura refinada e muita gente andando para lá e para cá. O coração da Cidade do México. Uma rápida passagem pelo antigo Clube Espanhol, com um pátio interno de cair o queixo e chegamos a um dos prédios mais famosos da cidade: o Palácio de Bellas Artes.

Visita à Sec. de Educação com suas enormes e impressionantes pinturas, (na Plaza Santo Domingo, na Cidade do México, capital do país)

Visita à Sec. de Educação com suas enormes e impressionantes pinturas, (na Plaza Santo Domingo, na Cidade do México, capital do país)


Seria um outro lugar que poderíamos, facilmente, passar um dia todo explorando. A Cidade do México, assim como outras grandes cidades com o São Paulo ou Buenos Aires, possibilita meses e meses de explorações, de prédios e museus à restaurantes e vida noturna. Para uma vista relâmpago de poucos dias, não tem remédio! Vamos só pegar um gostinho, além de passar muita vontade...

O sempre movimentado calçadão da Madero, ao lado da Zócalo, no centro da Cidade do México, capital do país

O sempre movimentado calçadão da Madero, ao lado da Zócalo, no centro da Cidade do México, capital do país


Ali do lado do Palácio de Bellas Artes está o parque mais central da cidade. Não é por menos que se chama Alameda Central. Cruzamos ele duas vezes, primeiro até uma pracinha que tem uma igreja completamente afundada e depois já na direção do nosso próximo destino, o bairro boêmio de Roma. A tal igreja é impressionante! Nossos olhos não querem acreditar no que veem. A cidade foi construída sobre um antigo lago, que foi drenado pelos espanhóis. Mas o solo abaixo sempre foi muito instável e os pesados prédios afundam sobre ele. A Catedral é o exemplo mais conhecido, mas é essa pequena igreja o que mais salta aos olhos!

O vistoso Palácio de Belas Artes, no centro da Cidade do México, capital do país

O vistoso Palácio de Belas Artes, no centro da Cidade do México, capital do país


Para seguir até Roma foram mais uns 20 minutos de caminhada. Cruzamos duas movimentadas estações de metrô e lá estávamos, justo na pequena praça de onde nasceu o bairro, conhecida como Romita. Um lugar bem chuchuzinho, a poucas quadras do real coração do bairro. A fome apertava e para lá seguimos rapidamente, sem mais desvios.

Comida de ruas no bairro boêmio de Roma, na Cidade do México, capital do país

Comida de ruas no bairro boêmio de Roma, na Cidade do México, capital do país


Para nós, brasileiros, é ainda mais interessante. Afinal, essa praça que marca o centro de Roma tem o simpático nome de Rio de Janeiro. No meio da praça tem uma grande estátua, escondida por uma fonte refrescante. Esperaríamos ver ali o Cristo Redentor, mas não é ele não. Aqui, fala de novo os ares italianos! Quem está na praça é uma réplica de David, de Michelangelo. E assim se completa a salada: temos Firenze no meio do Rio de Janeiro, que está no meio de Roma, que está no meio da Cidade do México. Viva a globalização!!!

Estamos em casa! Plaza Rio de Janeiro, coração do bairro boêmio de Roma, na Cidade do México, capital do país

Estamos em casa! Plaza Rio de Janeiro, coração do bairro boêmio de Roma, na Cidade do México, capital do país


Depois das fotos, corremos para os cafés e restaurantes ali perto. Possibilidades de escolha não faltam! Achamos um num esquina movimentada e ali ficamos, respirando os ares romanos com uma pitada de maresia carioca e observando a vida e o movimento à nossa volta. Uma taça de vinho nos ajudou em nossos deliciosos devaneios!

Pausa para abastecimento num dos muitos botecos no bairro de Roma, na Cidade do México, capital do país

Pausa para abastecimento num dos muitos botecos no bairro de Roma, na Cidade do México, capital do país


Voltamos então para casa para nos preparar para mais um compromisso. Um amigo do Rodrigo nos convidou para um jantar no exclusivo Clube 51. O nome vem do fato que o restaurante está no andar 51 da Torre Mayor, o mais alto edifício da Cidade do México. Essa pessoas só podem ir lá convidados por algum sócio. No nosso caso, o Guilhermo, amigo do Rodrigo. Vista espetacular da cidade, boa comida e um excelente vinho mexicano fecharam com chave de ouro esse nosso dia de explorações nesta cidade que nunca para. Quer dizer, para sim. Só para chegar lá foram uma hora e meia de congestionamento. Mas valeu muito à pena!!! Obrigado ao Guilhermo e ao Rodrigo pelo privilégio!

Com o Rodrigo e o Guilhermo, no restaurante 51, na Torre Mayor, o mais alto prédio da Cidade do México, capital do país

Com o Rodrigo e o Guilhermo, no restaurante 51, na Torre Mayor, o mais alto prédio da Cidade do México, capital do país


Hmmmm, e já ía esquecendo de contar! Para entrar no tal clube, só muito bem vestido! É claro que eu não carrego esse tipo de roupa comigo. Mas, por sorte, as roupas do Rodrigo serviam em mim, embora o sapatos fossem bem apertados. Um preço pequeno a se pagar para poder aproveitar essa oportunidade!

Vista do alto da Torre Mayor, o mais alto prédio da Cidade do México, capital do país

Vista do alto da Torre Mayor, o mais alto prédio da Cidade do México, capital do país

México, Cidade do México, Roma

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Espíritu Santo e os Leões-Marinhos

México, La Paz Baja California

Leão-marinho curioso brinca conosco embaixo d'água na Ilha Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California, no México

Leão-marinho curioso brinca conosco embaixo d'água na Ilha Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California, no México


Começamos o dia hoje caçando alguma agência que nos levasse até a ilha Espíritu Santo. Os grupos saem pela manhã e voltam no fim da tarde. É preciso um número mínimo de pessoas para que eles (as agências) animem a fazer o passeio, se não, ficam no prejuízo. E, pelo visto, não havia mesmo quórum, pois as agências próximas do hotel não tinham passeio programado.

Passeio de barco até a ilha de Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California - México

Passeio de barco até a ilha de Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California - México


A gente não teria outra chance, pois queremos viajar amanhã para o norte, então passamos ao plano B. Fomos de Fiona mesmo até a praia Tecolote, que fica na ponta da pequena península em que fica La Paz (uma “sub-península” da península da Baja California). É o ponto mais próximo de Espíritu Santo e daí saem barcos para a ilha. E não é que, no minuto que chegamos lá estava saindo o último barco do dia para a bendita ilha!?!

Passando perto de uma das muitas praias da ilha de Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California - México

Passando perto de uma das muitas praias da ilha de Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California - México


Com os outros clientes já meio impacientes esperando dentro do barco, atravessamos a faixa de areia da praia correndo, para não perder a oportunidade que o destino nos conferiu. Na bagagem, várias máquinas fotográficas e material de snorkeling, afinal tínhamos encontro marcado com leões-marinhos! Em situação normal, teríamos também uma cerveja gelada, mas a pressa da situação e a impaciência dos outros turistas não permitiram a regalia dessa vez...

Paisagem pitoresca da ilha de Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California - México

Paisagem pitoresca da ilha de Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California - México


Bom, o que importa é que estávamos indo para a ilha, considerada um dos lugares mais bonitos da Baja California, tendo sido declarada Reserva Natural. Cerca de 15 minutos dos potentes motores à toda velocidade e cruzamos o canal que nos separava dela. A partir daí, já em velocidade de cruzeiro, muito mais tranquila, passamos a circunavegar Espíritu Santo, com um olho nas belezas da paisagem terrestre e o outro no mar, procurando baleias.

Paisagem pitoresca da ilha de Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California - México

Paisagem pitoresca da ilha de Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California - México


Pois é, esses enormes cetáceos são frequentadores de carteirinha da região e de todo o Mar de Cortez. São várias as espécies que vem para cá na sua rota migratória anual. Entre elas, a jubarte, a acizentada, a orca (um golfinho, na verdade) e a maior de todas, a baleia azul. Mas esse ano a temporada acabou um pouco mais cedo e, para a nossa tristeza, não as avistamos. Amanhã teremos nova chance, dessa vez do lado do Oceano Pacífico. A esperança é a última que morre!

Arco de pedra na ilha de Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California - México

Arco de pedra na ilha de Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California - México


Bom, as baleias seriam um bônus maravilhoso do nosso passeio, mas havia outras atrações, essas sim garantidas! Formações geológicas, praias quase virgens e a visita a uma colônia de leões-marinhos!

De dentro da gruta, gaivota observa o mar na ilha de Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California - México

De dentro da gruta, gaivota observa o mar na ilha de Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California - México


A costa da ilha é uma mistura de praias de areia bem branca e enormes rochedos e paredões de pedra. Em muitos pontos se formam grutas, pontes e arcos de pedra, alguns com tamanho suficiente para nosso barco passar por baixo deles. Também entramos nas grutas, água bem limpa abaixo de nós, rochas que vem sendo desgastadas pela ação contínua do mar há milhares de anos, um cenário completamente inusitado e selvagem, digno de filmes de Indiana Jones.

Desembarcando emm praia da ilha de Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California - México

Desembarcando emm praia da ilha de Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California - México


As praias, a maioria a gente vê de longe. Uns poucos pescadores moram por lá, vida completamente rústica. Enfim, já no fim do passeio, a gente desembarca em uma delas para um piquenique e para um mergulho. A gente deu azar do dia estar nublado e com vento, mas msmo assim o visual é magnífico. A água do Mar de Cortez tem uma cor diferente de todos os outros mares que conheci, meio azul-cobalto. Ficamos imaginando como seria se o céu estivesse azul e o sol brilhando...

Ceviche, nosso piquenique numa das praias da ilha de Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California - México

Ceviche, nosso piquenique numa das praias da ilha de Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California - México



A refeição foi um ceviche muito apetitoso, servido em copinhos, picante como deve ser toda comida mexicana. Se a boca arder muito, refrigerante gelado, daqueles “sem” tinta e açúcar, hehehe.

Que saudades da fanta! (em praia da ilha de Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California - México)

Que saudades da fanta! (em praia da ilha de Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California - México)


Mas, o melhor momento do passeio foi, sem dúvida, o encontro com os leões-marinhos, na colônia em que vivem, na ponta da ilha. São dezenas deles, barulhentos e bagunceiros, esparramados nas pedras para se esquentar ao sol ou dando um mergulho para se refrescar.

Colônia de leões-marinhos na ilha de Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California - México

Colônia de leões-marinhos na ilha de Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California - México


O barco se aproxima e joga âncora. Nesse ponto, os turistas se atiram na água para nadar com esses animais que, embaixo d’água, ganham uma mobilidade espantosa. Eles são muito curiosos, principalmente os mais novos, e vem nadar conosco, fazendo graça e nos cercando de todos os lados.

Colônia de leões-marinhos na ilha de Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California - México

Colônia de leões-marinhos na ilha de Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California - México


Quase todo mundo nada de roupa, por causa do frio. A contrapartida é que a roupa nos deixa muito flutuantes e fica difícil mergulhar. Por isso, enfrentei a água fria só de short mesmo. Assim, pude mergulhar com nossos primos aquáticos a 5-6 metros de profundidade, para alegria minha e deles. Em alguns momentos eram três ou quatro me perseguindo e me cercando lá embaixo, verdadeira sensação de natureza. Aí ficou fácil perceber que, da mesma maneira que eles são lentos e desengonçados fora d’água comparados conosco, lá embaixo é o contrário! Eu é que sou o mané, lento e desengonçado.

Leão-marinho curioso brinca conosco embaixo d'água na Ilha Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California, no México

Leão-marinho curioso brinca conosco embaixo d'água na Ilha Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California, no México


A diversão continuou até que aparecesse um dos adultos, uma verdadeira vaca embaixo d’água, certamente com mais de 200 kg. Tinha uma cara séria e eu fiquei meio ressabiado com um bicho desse tamanho, tão perto e tão mais rápido do que eu. Num determinado momento, ele deu um “corridão” em um outro leão-marinho que se aproximou que eu fiquei espantado com a velocidade. Depois, voltou para me estudar outra vez. Como diria um carioca: “Siniiiiistro, mermão!”

Leão-marinho grande, com mais de 200 kg, nada conosco na Ilha Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California, no México

Leão-marinho grande, com mais de 200 kg, nada conosco na Ilha Espíritu Santo, região de La Paz, na Baja California, no México


Esse mergulho com os leões-marinho pagou cada centavo do investimento no passeio. Uma delícia! Bay the way, foram 650 pesos por pessoa, mais ou menos 100 reais, por 5 horas de passeio, incluindo o lanche.

Assistindo de camarote o fim de tarde de La Paz, na Baja California, no México

Assistindo de camarote o fim de tarde de La Paz, na Baja California, no México


Voltamos para La Paz em tempo para mais um show de pôr-do-sol, dessa vez visto do restaurante no alto do nosso hotel Espetacular! De noite, ainda tivemos forças para dar uma banda na night da cidade, com frio mesmo. Amanhã, rumo ao norte, com direito a parada para ver “ballenas”. Esperemos que estejam por lá...

Inspiração para trabalhar! (em La Paz, na Baja California, no México)

Inspiração para trabalhar! (em La Paz, na Baja California, no México)

México, La Paz Baja California, Baja California, Espíritu Santo, leão marinho, Mergulho, Praia

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Diz aí se você gostou, diz!

A Arte, a Magia e a Culinária do Valle del Elqui

Chile, La Serena, Valle del Elqui

Represa no Valle del Elqui, no Chile

Represa no Valle del Elqui, no Chile


Obviamente que o triste episódio do roubo da Fiona mudou nossos planos. Já não mais viajamos nesse sábado, já que tivemos de esperar pelo conserto dos vidros do carro, que só ficaram prontos no meio da tarde. Nesse meio tempo, acabamos descobrindo que nosso amigo Maxi estava aqui na cidade. Maxi é um argentino que viajou com sua esposa pela América de carro, num lindo projeto chamado America Sonrie. Nós os encontramos no México, lá em Playa del Carmen (veja o post aqui). Desde então mantemos algum contato por internet e ontem sua esposa Marianela nos disse que ele estava aqui. Eles moram em San Juan, aqui perto, mas do outro lado doas Andes. Assim como os argentinos do lado oriental do país costumam passar suas férias de verão nas praias brasileiras de Santa Catarina, os argentinos do lado de cá vem ao Chile, já que estão muito mais próximos do Oceano Pacífico que do Atlântico. Na época da economia forte argentina, várias famílias hermanas compraram casas de veraneio em La Serena e a família do Maxi foi uma delas. Justo nesses dias ele veio resolver algumas questões da casa da família por aqui enquanto sua simpática esposa, grávida de sete meses, ficou em casa esperando. E ontem, no meio da tarde, ao descobrir que estávamos em La Serena, tratou de nos botar em contato. Resultado: visitamos o Maxi ontem de noite e tratamos de mudar nossos planos novamente. Pelo menos, dessa vez foi por um bom motivo, hehehe! Combinamos de explorar juntos o Valle del Elqui durante o dia de hoje, domingo, e só viajarmos para o sul no final do dia, depois de deixa-lo novamente em La Serena.

Com o Maxi, vistando a represa no Valle del Elqui, no Chile

Com o Maxi, vistando a represa no Valle del Elqui, no Chile


Com o Maxi, vistando a represa no Valle del Elqui, no Chile

Com o Maxi, vistando a represa no Valle del Elqui, no Chile


Todo o norte do Chile é basicamente um grande deserto, espremido entre o mar e os Andes. Aqui e ali, rios que descem dos Andes em direção ao Oceano Pacífico criam vales que atravessam esse deserto, verdadeiros oásis em meio à paisagem árida. Os chilenos aproveitam ao máximo essas áreas verdes, fazendo uso da água e cultivando a terra, principalmente com frutas. São desses vales que saem boa parte das exportações frutíferas chilenas, uvas, pêssegos, melão, maçãs, etc. Um dos mais famosos desses vales verdes é o Valle del Elqui, bem na região de La Serena, um famoso polo turístico nacional. Apesar do pouco tempo, tínhamos de ir lá conhecer, pelo menos para sentir um gostinho. O Maxi sempre passa por lá, pois é esse vale que dá acesso ao Paso Aguas Negras, o caminho mais curto entre La Serena e San Juan, na Argentina e mais uma das belíssimas paisagens sobre os Andes. Mas na sua pressa de chegar à praia, ele e sua família nunca param por lá, então hoje também seria uma boa oportunidade para ele.

Mapa mostrando o Valle del Elqui, próximo a La Serena (norte do Chile), e o Paso Agua Negra, rumo à Argentina

Mapa mostrando o Valle del Elqui, próximo a La Serena (norte do Chile), e o Paso Agua Negra, rumo à Argentina


Vista do Valle del Elqui, um oásis verde em meio a paisagem árida do norte do Chile

Vista do Valle del Elqui, um oásis verde em meio a paisagem árida do norte do Chile


O Valle del Elqui é uma espécie de “Alto Paraíso” do Chile, atraindo místicos e ufólogos de todo o país. As visões de UFOs são frequentes, assim como a presença das mais variadas seitas e de seguidores da Era de Aquário. Aparentemente, uma estranha energia pulsa por ali. Mas para quem tem os pés no chão, e os olhos no céu, a região também tem seus atrativos. E como! Por ter as condições ideias, atmosfera seca e limpa, o Valle del Elqui possui vários observatórios astronômicos, que atraem renomados pesquisadores internacionais e também turistas, que podem visitá-los nas noites claras para observar Marte, Saturno e estrelas distantes. Infelizmente para nós a semana era de lua cheia, o que não favorece muito esse tipo de observação. Os UFOs também, parece, preferem a lua nova...

Gabriela Mistral, grande dama da literatura mundial, prêmio Nobel em 1945

Gabriela Mistral, grande dama da literatura mundial, prêmio Nobel em 1945


Para quem prefere o campo das artes ao da magia e dos céus, o Valle del Elqui também tem seus encantos. Afinal, aí nasceu e cresceu Lucila Gogoy Alcayaga, mais conhecida pelo seu pseudônimo Gabriela Mistral. Essa valente senhora foi a primeira pessoa da América Latina a ganhar um prêmio Nobel de Literatura, em 1945. Até hoje, ainda é a única mulher latino-americana a ter sido agraciada com esse prêmio. Foi, inclusive, professora de Pablo Neruda, o outro chileno a ganhar o Nobel (além deles dois, ganharam o Nobel de literatura o colombiano Gabriel Garcia Marques, o peruano Mario Vargas Llosa e um guatemalteco. Brasileiro, chegamos perto com Drummond e olhe lá...). Como tantos outros grandes escritores da região, ela também trabalhou no serviço diplomático, viveu em vários países europeus e teve até uma temporada na nossa Petrópolis. Enfim, para os amantes da boa literatura, são vários os museus homenageando Gabriela espalhados pelas cidades da região.

Visitando a destilaria capel, no Valle del Elqui, no Chile

Visitando a destilaria capel, no Valle del Elqui, no Chile


Destilaria Capel, grande produtora de Pisco, no Valle del Elqui, no Chile

Destilaria Capel, grande produtora de Pisco, no Valle del Elqui, no Chile


Falando nas cidades, a principal delas é Vicuña e foi para lá que seguimos. No caminho, passamos por uma grande represa, lugar ideal para a prática de windsurfe e kitesurf, um dos programas prediletos da vasta comunidade de mochileiros internacionais que visitam a região. Além desses esportes, também são oferecidos passeios de bicicleta, a cavalo e trekkings que exploram cachoeiras, rios e outras belezas naturais do vale. Nós, que tínhamos apenas o dia de hoje para ver o Elqui, pois estamos com tempo contado até nosso voo para a Ilha de Páscoa, deixamos toda essa programação de lado e seguimos diretamente para Vicuña. Não por causa de sua simpática arquitetura, mas por uma pisqueria instalada nos seus arredores.

Destilaria Capel, grande produtora de Pisco, no Valle del Elqui, no Chile

Destilaria Capel, grande produtora de Pisco, no Valle del Elqui, no Chile


Destilaria Capel, grande produtora de Pisco, no Valle del Elqui, no Chile

Destilaria Capel, grande produtora de Pisco, no Valle del Elqui, no Chile


Pois é, essa é mais uma das inúmeras atrações dessa região: o Valle del Elqui é a principal região produtora de pisco, a bebida nacional do Chile. Essa forte bebida, fruto da destilação de vinho, tem teores alcoólicos regulados por lei entre 40% e 50%. Nós fomos à destilaria da Capel, uma cooperativa de pequenos produtores independentes que luta para concorrer com o império econômico da Mistral, a principal exportadora de pisco do mundo. Internamente, as duas disputam o mercado palmo a palmo, o menor fôlego financeiro da Capel sendo recompensado pela maior simpatia que uma cooperativa autônoma e tradicional gera entre as pessoas. A Mistral, pertencente a uma das famílias mais ricas do país que fez seu dinheiro no setor de mineração, até tentou comprar a Capel há uma década, quando a cooperativa estava quase quebrada. Mas uma boa campanha publicitária fez com que o governo intervisse e emprestasse dinheiro aos pequenos produtores e hoje, as duas vizinhas concorrem é pé de igualdade. Isso mesmo, são vizinhas, pois a Mistral também tem suas principais destilarias aqui no Valle del Elqui.

Visitando a destilaria capel, no Valle del Elqui, no Chile

Visitando a destilaria capel, no Valle del Elqui, no Chile


Venda de Pisco na destilaria Capel, no Valle del Elqui, no Chile

Venda de Pisco na destilaria Capel, no Valle del Elqui, no Chile


Nossa visita à destilaria foi muito legal. Não só para aprender como se faz o pisco (primeiro se faz vinho de uma uva branca bem adocicada, a Moscatel, e depois, se destila esse vinho) e depois saborear algumas de suas melhores marcas, mas também para aprender um pouco de sua história. Como sabem muito bem todos os amantes dessa bebida, existe uma disputa internacional entre Peru e Chile sobre onde e como foi inventada o pisco e a quem, legitimamente, pertence essa marca. O pisco é a bebida nacional dos dois países e no Peru tem até uma cidade importante, portuária, que se chama Pisco. Aliás, estudiosos concordam que o nome da bebida deriva do nome do porto, pois era daí que era exportada, já há vários séculos, essa bebida. Ao chegar aos portos europeus com a marcação do seu porto de origem, a bebida acabou ganhando o mesmo nome. Essa bebida exportada era produzida nesses vales verdes que cortam o deserto, então território peruano. Como a parte sul desse país foi conquistada pelos chilenos na Guerra do Pacífico (1879-1883) e hoje é chilena, acabou sendo gerada a confusão: o pisco é chileno ou peruano? É, para mim, não resta dúvida: a origem é peruana. O que não quer dizer que hoje o Chile não produza excelentes piscos! A discussão se estende também ao cocktail mais famoso derivado do pisco, o Pisco Sour. Os peruanos juram que ele foi inventado por um bartender americano radicado em Lima, em 1921. Já os chilenos, dizem que o criador foi um inglês, na cidade de Iquique, em 1872. Hoje, a cidade é chilena, mas naquela época era peruana. Enfim, deixem eles discutindo enquanto a gente se esbalda em Pisco Sour, seja em Lima, seja em Santiago, hehehe.

Um dos muitos parreirais no Valle del Elqui, no Chile

Um dos muitos parreirais no Valle del Elqui, no Chile


Chegando à restaurante com cozinhas solares, no Valle del Elqui, no Chile

Chegando à restaurante com cozinhas solares, no Valle del Elqui, no Chile


Bom, a degustação de pisco nos deixou com fome! Dirigimos através de vastos parreirais para chegarmos a outra das atrações do Valle del Elqui: seus famosos restaurantes com fogões solares! Em uma região onde faz sol quase todos os dias do ano, nada mais inteligente que aproveitar a força do sol para tudo, inclusive cozinhar alimentos. Chapas de metal reflexivas e convexas concentram todo o calor do sol em apenas um ponto e aí se colocam as panelas ou qualquer coisa que se queira cozinhar. Funciona que é uma beleza! Batatas, ovos, carne, nada resiste ao calor do astro-rei e rapidamente deixam de ser crus a passam a ser apetitosos!

Uso do sol para cozinhae, no Valle del Elqui, no Chile

Uso do sol para cozinhae, no Valle del Elqui, no Chile


Uso do sol para cozinhae, no Valle del Elqui, no Chile

Uso do sol para cozinhae, no Valle del Elqui, no Chile


Os restaurantes são abertos e com vista para o vale e suas plantações abaixo. É lindo. Uma sombra e a brisa nos mantem frescos enquanto a comida é cozinhada ao sol. Nós resolvemos testar a especialidade da casa: empanadas de chivito (cabrito) e cordeiro. Como dizem por aqui: muy rico!

Com o Maxi, almoçando em restaurante de cozinha solar no Valle del Elqui, no Chile

Com o Maxi, almoçando em restaurante de cozinha solar no Valle del Elqui, no Chile


Empanada de chivo (bode) em restaurante no Valle del Elqui, no Chile

Empanada de chivo (bode) em restaurante no Valle del Elqui, no Chile


Agora sim, de barriga cheia, felizes e com um bom gostinho do Valle del Elqui, regressamos para La Serena, deixamos nosso amigo Maxi em casa e seguimos para o sul. A despedida foi só um “até breve”, pois ele nos convenceu a passar em San Juan na volta. A viagem para o sul foi longa, mas em uma estrada muito boa. No caminho, muito deserto e um trecho com uma quantidade interminável de moinhos de vento. Já que não se pode cultivar no deserto, os chilenos trataram de aproveitar o vento, que quase nunca para por ali!

Despedida do Maxi em La Serena, no Chile

Despedida do Maxi em La Serena, no Chile


Produção de energia eólica na estrada entre La Serena e Valparaiso, no Chile

Produção de energia eólica na estrada entre La Serena e Valparaiso, no Chile


Chegamos ao nosso destino, Valparaíso, já bem de noite. Deu um certo trabalho encontrar hotel, mas no final, conseguimos. Depois do episódio de Totoralillo, uma garagem para a Fiona passou a ser fundamental e foi isso que nos dificultou. Conto no próximo post...

Chile, La Serena, Valle del Elqui, comida, Gabriela Mistral, Pisco, Vicuña

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De Volta à Islândia

Islândia, Reykjavik, Seljalandsfoss

A incrível paisagem da cachoeira de Seljalandsfoss, no sul da IsLândia

A incrível paisagem da cachoeira de Seljalandsfoss, no sul da IsLândia


Voltamos hoje à Islândia vindos da Groelândia, mas o horário de chegada não foi dos mais agradáveis. Pousamos no aeroporto da capital Reykjavik perto das 4:30 da madrugada, quando o país inteiro ainda dormia. Aproveitamos o ônibus que faz a ligação com o centro da cidade e fomos até a rodoviária. Ali do lado havia companhias de aluguel de carro, mas não naquele horário. Não teve remédio a não ser esperar até as 8 da manhã, quando começaram a abrir.

O complicado mapa turístico e rodoviário do sul da Islândia, em estrada na saída de Reykjavik

O complicado mapa turístico e rodoviário do sul da Islândia, em estrada na saída de Reykjavik


Aproveitamos esse tempo para reler livros e mapas e relembrar nosso roteiro planejado para conhecer o país nos próximos 8 dias. A Islândia não é um país pequeno, com pouco mais de 100 mil k2. É o tamanho aproximado do estado de Pernambuco. Mas, mesmo com esse tamanho, a população é de apenas 320 mil pessoas, menos do que qualquer cidade brasileira de porte médio. Um terço dessas pessoas está na capital Reykjavik e 2/3 do total vive na região metropolitana da capital. Portanto, sobram menos de 100 mil pessoas para todo o resto do país, espalhados em pequenas cidades ao longo do seu litoral. No interior da Islândia, longe da capital, os habitantes não passam de poucos milhares.

AS duas principais rotas turísticas da Islândia: O 'Golden Circle' (circuito menor) e a 'Ring Road, que dá a volta completa no país, margeando seu principal campo de gelo, no sul da ilha

AS duas principais rotas turísticas da Islândia: O "Golden Circle" (circuito menor) e a "Ring Road, que dá a volta completa no país, margeando seu principal campo de gelo, no sul da ilha


São duas as principais rotas turísticas no país. A primeira e mais popular é o chamado “Golden Circle”, um looping com pouco mais de 100 km de distância ao redor da capital e que passa por cachoeiras, geisers e pontos históricos. Normalmente, os turistas o percorrem em apenas um dia e, com isso, tem um “gostinho” do país. Nós vamos sim fazê-lo, mas apenas no final da nossa temporada por aqui. Nossa ideia era sair o quanto antes da capital e dar uma volta inteira na Islândia, deixando os últimos dois dias para a região de Reykjavic.



Pois bem, esse nosso roteiro é conhecido como “Ring Road”, a estrada que dá a volta no país, sempre próxima do litoral. Para se aventurar pelo interior da Islândia, nas chamadas highlands, só no verão e com carro apropriado. Quando chegarmos do outro lado do país, de onde partem essas rústicas estradas para as terras altas, falo um pouco mais sobre isso.

Paisagem repleta de quedas d'água ao redor da cachoeira de Seljalandsfoss, no sul da IsLândia

Paisagem repleta de quedas d'água ao redor da cachoeira de Seljalandsfoss, no sul da IsLândia


Aproximando-se da cachoeira de Seljalandsfoss, no sul da IsLândia

Aproximando-se da cachoeira de Seljalandsfoss, no sul da IsLândia


Enfim, assim que abriu a locadora de carros, alugamos um e começamos nossa longa volta de quase 1.500 km ao redor do país, seguindo no sentido anti-horário. Nossa ideia era chegar hoje até a cidade de Vestmannaeyjar, na ilha de Heimaey, no sudoeste da Islândia. No caminho, paisagens grandiosas e muitas, muitas cachoeiras.

A imponente cachoeira de Seljalandsfoss, no sul da IsLândia

A imponente cachoeira de Seljalandsfoss, no sul da IsLândia


Pois é, são duas coisas que precisamos logo aprender aqui na Islândia. Primeiro, que as palavras são enormes e impronunciáveis. O negócio é logo arrumar algum apelido, ou então, escrever tudo detalhadamente. Lembrar das palavra inteiras, de cabeça, é simplesmente impossível! A segunda é que são infinitas cachoeiras ao longo da costa. A água nasce lá nas geleiras do interior, um reservatório quase infinito, e correm até a costa. Mas antes de chegar lá, despencam nas encostas que formavam o antigo litoral do país, até que erupções vulcânicas criassem uma planície costeira. Com a estrada, a “ring road”, está sempre próxima dessas encostas, sempre estamos passando por cachoeiras. Lindas! Mas, nem ouse pensar em dar um mergulho ou tomar um banho. Nascidas nas geleiras, já dá para imaginar a temperatura da água, não dá?

Admirando a cachoeira de Seljalandsfoss, no sul da IsLândia

Admirando a cachoeira de Seljalandsfoss, no sul da IsLândia


A mais bela e famosa dessas cachoeiras que passamos hoje é a Seljalandsfoss (“foss”, em islandês, quer dizer cachoeira). Bem próxima a estrada, podemos caminhar até o lago que ela forma em sua base. Mas do que isso, há uma trilha que nos leva para trás dela. O visual é mesmo lindo e só temos que nos cuidar com o vapor que nos atinge, pois ele também é congelante!

O moderno ferry que nos leva para Vestmannaeyjum, na ilha de Heimaey, no sul da Islândia

O moderno ferry que nos leva para Vestmannaeyjum, na ilha de Heimaey, no sul da Islândia


Depois da nossa parada por lá, saímos da ring road para ir até a costa. Daí saia o ferry para a ilha de Heimaey, local de paisagens lindíssimas, erupções vulcânicas bem recentes e lar do simpático puffin, um pássaro bem parecido com o pinguim lá do sul, mas que não tem nenhum parentesco com ele, além do bico e das duas asas! O ferry é bem moderno, o primeiro que vimos nesses 1000dias em que o bico do navio se abre para os carros entrarem. Foi apenas nossa primeira surpresa de tantas que teríamos nas próximas 24 horas...

Chegando à ilha de Heimaey, no sul da Islândia

Chegando à ilha de Heimaey, no sul da Islândia

Islândia, Reykjavik, Seljalandsfoss, cachoeira, Estrada

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Caminhando por San Francisco

Estados Unidos, Califórnia, San Francisco

Caminhando na deliciosa Alamo Square, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Caminhando na deliciosa Alamo Square, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


San Francisco é mesmo uma cidade diferente do padrão americano. A começar pelo relevo. Construída sobre dezenas de colinas, mas com ruas sempre retas, não é de se estranhar que haja tantas ladeiras. No topo de quase todas elas, um parque com uma bela vista dos arredores. Entre as colinas, as diversas vizinhanças que, apesar de uma origem étnica diferente, como italiana ou chinesa, acabaram por se misturar ao longo do tempo.

Andando nos famosos bondinhos de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Andando nos famosos bondinhos de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Outra coisa interessante é que várias dessas vizinhanças tem vida própria, uma arquitetura distinta e suas próprias atrações e restaurantes. Enfim, é quase como se fossem várias cidades dentro de uma só cidade. E cada uma dessas “pequenas cidades” merece ser visitada e bisbilhotada. Algumas tem como ponto forte seus museus, como a região do SOMA (SOuth ou MArket St.), outras o burburinho, como North Beach, outras a vista, como Fisherman’s Wharf, e algumas por sua história, como Chinatown e a região da Haight Street.

Andando nos famosos bondinhos de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Andando nos famosos bondinhos de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Para ir de um bairro a outro, é preciso enfrentar as ladeiras ou dar uma longa volta pela orla. Pode-se, também, usar o eficiente e charmoso sistema de transporte público da cidade. O mais famoso (e caro!) deles é o Cable Car, ou bonde, que leva do Fisherman’s Wharf ao centro, ladeira acima, local de tantas cenas de filmes de cinema ou de seriados de TV. Quantas vezes já não vi carros de polícia em perseguição a bandidos (ou mocinhos!) por essas mesmas ladeiras...

Eu amo San Francisco! (Califórnia, nos Estados Unidos)

Eu amo San Francisco! (Califórnia, nos Estados Unidos)


Outra opção é o trólebus (custa um terço dos seis dólares do bonde), que segue por toda a orla e nos deixa na Market Street, a principal rua do centro. Tem sempre também a opção dos táxis, de uma bicicleta alugada e, claro, das boas e velhas pernas. Com tantos bairros a serem explorados, muitas deles vizinhos entre si, a melhor opção é uma mescla de todos esses meios de transporte.

Ringue de patinação no gelo na Union Square, centro de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Ringue de patinação no gelo na Union Square, centro de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Por exemplo, é quase obrigatório pegar o bonde pelo menos uma vez. Afinal, só andar nele já é a própria atração turística. E foi assim que começamos nosso dia de ontem. Como já havíamos caminhado por North Beach e Chinatown no dia anterior, ontem foi a vez de pegar o bonde diretamente para o centro e, a partir de lá, botar as pernas para trabalhar. Pegamos o bonde a dois quarteirões do nosso hotel, subimos até o alto da Lombard Street, com direito a vistas magníficas da baía e da Golden Gate, muitas poses para fotos e seguimos até o centro, mais precisamente até a Union Square (o bonde nos deixou a duas quadras de lá).

O pomposo City Hall de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

O pomposo City Hall de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


A praça é cercada de grandes magazines e, nessa época do ano, tem uma concorrida pista de patinação no gelo. Depois das fotos de praxe e admirando a decoração natalina das vitrines de lojas de marca, seguimos caminhando para a Market Street, uma verdadeira avenida e, no seu lado sul, ao SOMA. Aí estão dezenas de museus e galerias de arte, concentrados principalmente ao redor da simpática praça de Yerba Buena. O sol que batia em seus jardins era irresistível e nós compramos um lanche numa saborosa boulangerie ali do lado e fizemos nosso piquenique observando o movimento da cidade, a torre da igreja de St. Patrick e as linhas modernas do MOMA (Museum of Modern Art), todos ali do lado. Alimentados, deixamos a visita aos museus para o dia seguinte e seguimos caminhando para a região do City Hall.

Casas vitorianas na Alamo Square, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Casas vitorianas na Alamo Square, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


A prefeitura é o prédio mais vistoso da cidade, reconstruído logo depois do grande terremoto do início do século XX. Arquitetura clássica, colunas e cúpula em forma de abóboda, bem no meio de uma enorme praça. Muito fotogênico, mas a região é meio estranha, muitos mendigos e um clima meio pesado no ar.

Admirando arte de rua na mítica Haight Street, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Admirando arte de rua na mítica Haight Street, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Continuamos no mesmo sentido, deixando o City Hall para trás e entrando em um bairro bem mais amigável, casas no estilo vitoriano. Subindo a ladeira, chegamos à Alamo Square, uma das mais belas praças da cidade. A luz do fim de tarde batia na fileira de casas ao seu redor, toda a cidade espalhada em volta da praça, lá embaixo. Foi joia! “Um bom lugar para morar!” - logo imaginamos.

Mercado orgânico sob as imagens dos famosos roqueiros dos anos 60, na Haight Street, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Mercado orgânico sob as imagens dos famosos roqueiros dos anos 60, na Haight Street, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Daí, seguindo para o sul e ladeira abaixo novamente, fomos para a rua mais famosa da cidade, a Haight. Essa foi a meca hippie dos anos 60 e 70, um ícone do movimento da paz e amor. Os hippies envelheceram, abriram seu próprio comércio, ficaram um pouco mais responsáveis, mas o espírito do movimento continua por lá. Desde simpáticos mercados de comida orgânica até lojas de discos de vinil com clássicos da década de 70, passando pelas lojas de marijuana e todos os seus derivados possíveis, a Haight ainda é um lugar muito especial, principalmente no seu cruzamento com a Ashbury, local tão frequentado por gente como Janis Joplin e Jimmy Hendrix.

Uma das mais famosas esquinas do mundo, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Uma das mais famosas esquinas do mundo, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


A famosa Haight Street, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

A famosa Haight Street, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


As tais lojas de marijuana são uma atração à parte. Aqui na Califórnia, com a devida receita médica, pode-se comprar e consumir a maconha. E ela é vendida em todas essas lojas da Haight. Para quem não tem a receita, pode-se comprar camisetas que fazem apologia das benesses da planta, granola que a usa como um dos ingredientes e até linha para costura, feita com a fibra da marijuana. Têm também dezenas de cremes, cachimbos e tudo o que possa se relacionar com ela.

Na Haight St. pode-se encontrar várias lojas como essa! (em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos)

Na Haight St. pode-se encontrar várias lojas como essa! (em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos)


Marijuana, só com prescrição médica! (na Haight St., em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos)

Marijuana, só com prescrição médica! (na Haight St., em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos)


Para quem quiser algo menos controverso, vários bares se espalham pelo quarteirão, com boa cerveja e boa comida. Nós ficamos tentados, mas ainda resolvemos dar uma corrida até o parque ali do lado, o maior da cidade, o Central Park de San Francisco, o Golden Gate Park (apesar da ponte não estar ali!). Já era bem tarde quando chegamos lá, pois nessa época do ano, aqui em San Francisco, o sol está se pondo antes das cinco da tarde (que saudade dos dias longos, com luz até as 10 da noite...). Então, só caminhamos por uma parte desse imenso parque. Atrações como o Jardim Botânico e o Japonese Tea Garden já estavam fechadas. Mas nossos quarenta minutos por lá foram mais do que o suficiente para se ter uma ideia da imensa e agradável área verde que é essa, quase na região central da cidade. A comparação com o Central Park de Nova Iorque é bem justa!

Um dos muitos produtos feitos com a Cannabis, vendidos em lojas na Haight St., em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Um dos muitos produtos feitos com a Cannabis, vendidos em lojas na Haight St., em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Japonese Tea Garden no Golden Gate Park, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Japonese Tea Garden no Golden Gate Park, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Já estava escuro quando saímos do parque. Engraçado como nesse país, mesmo em áreas ermas, temos a sensação de segurança. Se estivéssemos na nossa querida América Latina, em algum lugar parecido, certamente estaria mais preocupado. Mas, enfim, 10 minutos mais tarde e já estávamos de volta às luzes e movimento da Haight. Aí, instalamo-nos em um dos movimentados bares, lubrificamos as gargantas e comemos um delicioso prato de salsicha feita na casa. Falamos ao telefone com o Sidney também e ele estava animado para uma nova noitada.

O lindo céu de fim de tarde em caminhada no Golden Gate Park, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

O lindo céu de fim de tarde em caminhada no Golden Gate Park, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Então, resolvemos nos dividir. A Ana seguiria com o Sidney e eu, fiquei com uma vontade louca de voltar ao nosso hotel caminhando, cruzando toda a cidade. Pouco mais de 5 quilômetros através de vários bairros, subindo e descendo ladeiras. Foi uma delícia! Passei por ruas desertas e outras bem movimentadas, pela Alamo Square novamente e até lá no alto da Lombard Street, de onde tive magnífica vista da baía. Àquela hora, praticamente sem turistas, desci calmamente a rua mais torta do mundo. Só está faltando voltarmos aqui de dia, com a Fiona, para o devido registro! Dali para o hotel foram mais quinze minutos (a caminha toda deve ter durado 90 minutos). Foi só o tempo para tomar um banho e me acomodar na cama que minha esposa chegava também...

Do alto de Twin Peaks, a bela visão noturna de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Do alto de Twin Peaks, a bela visão noturna de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


O conhecida região de Castro, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

O conhecida região de Castro, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Eles estiveram na famosa região do Castro, o bairro que virou o quartel general do movimento gay nos anos 70. Com os preços de casas na área da Haight muito altos e com problemas de segurança, os gays que se mudavam para San Francisco naquela época descobriram essa nova região, com preços em baixa, antigas casas vitorianas, charmosas e com muito espaço. Foi aqui também que apareceu a figura de Harvey Milk, o maior símbolo do movimento civil de direitos dos gays. Teve uma história de vida impressionante e que, infelizmente, terminou em tragédia. Foi assassinado em 78, junto o com o próprio prefeito da cidade, por outro funcionário da prefeitura, num crime que comoveu San Francisco e todo o país. Figura emblemática, era muito querido, não só na comunidade, mas também por vários outros setores. Combateu com sucesso uma ridícula proposta de lei que obrigaria a demissão sumária de todos os professores do país que fossem ou defendessem os direitos dos gays. Um bom exemplo de como sua atuação não se restringia a esse setor, foi de sua autoria a lei que obrigava as pessoas limparem as fezes de seus próprios cachorros, quando os levassem para passear. Portanto, é a ele que devemos agradecer quando podemos caminhar despreocupados pelas trilhas dos diversos parques e praças da cidade por onde tantos cães também passam.

Harvey Milk, um dos grandes heróis de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Harvey Milk, um dos grandes heróis de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


O Financial District de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

O Financial District de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


O dia de hoje também foi de caminhadas, embora não tão longas. Dessa vez, fomos até o centro de Street Car (trólebus) e descemos no Financial Districit. Pois é, San Francisco também tem seus prédios altos e executivos engravatados. Caminhamos daí até a Yerba Buena pela movimentada Market Street. Voltamos à nossa boulangerie preferida para nosso almoço tardio e, em seguida, para os museus. Tentamos primeiro o interessante museu sobre a diáspora africana, mas para nossa decepção, estava fechado em plena terça-feira. Então, nova divisão de forças: a Ana, para o excelente e caro MOMA e eu para o barato e sem graça museu de cartoons. Ainda bem que a máquina fotográfica ficou com ela, hehehe.

O MOMA, Museu de Arte Moderna, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

O MOMA, Museu de Arte Moderna, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


O MOMA, Museu de Arte Moderna, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

O MOMA, Museu de Arte Moderna, em San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Reunidos de novo, nova caminhada até o bar onde seria comemorado o aniversário do Sidney. Muita gente interessante, de todas as cores, credos, idades e sexos. Ficamos muito amigos de um simpático senhor de 65 anos de idade, para quem o Sidney trabalha de vez em quando. Ele e várias outras pessoas com histórias de vida tão distintas e interessantes fizeram dessa nossa noite uma verdadeira aula. Foi muito legal e ainda teve bolo de aniversário com velas e tudo, ao final.

Conversando com o simpático 'Bongo', no aniversário do Sidney em bar de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Conversando com o simpático "Bongo", no aniversário do Sidney em bar de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Quer dizer, não foi bem o final, pois daí ainda seguimos para outro bar, onde havia uma apresentação de legítimo forró brasileiro. Na verdade, mais legítimo ainda, forró pé de serra nordestino! Muito bem cantado e “sanfonado” pelo Seu Francelino, com seu baião e trajes do sertão. Difícil acreditar que estávamos em San Francisco e não em Campina Grande, Paraíba. Para completar a noite brasileira, ainda voltamos de táxi para nosso hotel com um motorista brasileiro. Ele é goiano, como a grande maioria dos brasileiros que vivem em San Francisco. Só na empresa que ele trabalha, são 400 (isso mesmo, quatrocentos!) motoristas goianos. Veio um primeiro, que chamou um amigo, que chamou um parente, que chamou outro amigo e hoje, San Francisco é praticamente a capital de Goiás. Vivendo e aprendendo, não tinha a menor noção disso!

A hora do bolo no aniversário do Sidney, em bar de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

A hora do bolo no aniversário do Sidney, em bar de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos


Amanhã, é dia de despedida da cidade. Nos planos, uma visita à Alcatraz e, depois, já de Fiona, um pulinho na Lombard e outro na Golden Gate. Nossa querida companheira merece conhecer esses lugares também! Depois, já de tarde, Berkeley! E a vida não para...

Autêntico forró na noite de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Autêntico forró na noite de San Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Califórnia, San Francisco, Haight Street, Harvey Milk, história

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A Triste História da Terra do Fogo

Argentina, Ushuaia

Foto de 1898 mostra crianças Selknam em missão salesiana. Elas não viveriam muito...(foto da Internet)

Foto de 1898 mostra crianças Selknam em missão salesiana. Elas não viveriam muito...(foto da Internet)


O primeiro lugar que fomos passear aqui em Ushuaia foi no Parque Nacional Tierra del Fuego. E dentro do parque, logo estivemos em um pequeno museu com fotos, utensílios e relatos sobre as antigas culturas que viveram nesta ilha. Mais uma vez, é chocante acompanhar a trágica história do encontro de civilizações, algo que vimos tantas vezes de perto nessa nossa viagem pela América. Vou falar do nosso dia intenso de explorações aqui em Ushuaia no próximo post, pois agora quero contar um pouco dessa triste história que aprendemos aqui no museu e em livros ou artigos que temos lido na internet.

Era uma vez uma terra muito distante que, lá no sul do sul do continente, voltava a ser uma ilha com o fim de mais uma era glacial. Ela já estava acostumada com esse ciclo, pois eras glaciais e suas geleiras vinham e voltavam a cada 20 mil anos. Mas uma coisa estava diferente dessa vez. E não eram os guanacos que se locupletavam em suas vastas planícies com relva fresquinha com força renovada com o gelo que retrocedia. Eles também vinham e voltavam, sempre atrás do que o gelo deixava para trás. Não, o estranho era o que vinha atrás dos guanacos dessa vez. Um ser bípede que andava em grupos e caçava os guanacos. Era o homem que pisava pela primeira vez na Terra do Fogo.

Índios Selknam, antigos habitantes da Terra do Fogo, massacrados no final do séc. XIX (fotografia em museu no P.N da Tierra del Fuego, perto de Ushuaia, sul da Argentina)

Índios Selknam, antigos habitantes da Terra do Fogo, massacrados no final do séc. XIX (fotografia em museu no P.N da Tierra del Fuego, perto de Ushuaia, sul da Argentina)


Quase dez mil anos se passaram e esse já não tão novo ocupante das ilhas do arquipélago havia se separado em alguns grupos, algumas etnias distintas, cada um com uma especialidade diferente, um modo distinto de viver e sobreviver. Entre eles, se destacavam dois grupos: os Selknam, também conhecidos como “Onas”, viviam no centro e no norte da maior ilha do arquipélago. Nômades, viviam da caça do guanaco e completavam sua alimentação com animais menores, frutos do mar que encontrassem na praia e mesmo com baleias encalhadas. Já no sul e espalhados pelas pequenas ilhas, os Yaghan, ou “Yamanas”, um povo que havia se especializado em viver do mar. Passavam boa parte de suas vidas em canoas, transitando de uma ilha à outra, os homens pescando e as mulheres mergulhando e recolhendo conchas no leito do mar. Dois povos que viviam geralmente em paz, eventualmente comerciavam entre si e que estavam muito felizes em permanecer na chamada “era paleolítica”.

Painel informativo sobre os antigos habitantes de Terra do Fogo, em museu no P.N da Tierra del Fuego, em Ushuaia, no sul da Argentina

Painel informativo sobre os antigos habitantes de Terra do Fogo, em museu no P.N da Tierra del Fuego, em Ushuaia, no sul da Argentina


No norte, os Selknam eram uma sociedade patriarcal, homens controlando as mulheres. Mas não deve ter sido assim, como o seu principal rito nos parece indicar. Durante o “Hain”, quando garotos e adolescentes simbolicamente transformavam-se em homens, um festival que poderia durar semanas, técnicas de caça lhes eram ensinadas. Mas não só isso. No auge do festival, espíritos apareciam em carne e osso. Eram homens adultos disfarçados com máscaras e pinturas. Assustavam os jovens, mas também lhes contavam um segredo: no início dos tempos, a sociedade era matriarcal e as mulheres mandavam. Enganavam os homens vestindo-se de espíritos, metendo-lhes medo e os fazendo prometer obediência às mulheres. Mas um dia, um guerreiro descobriu a trapaça. Ele contou aos outros homens e, furiosos com o engodo, mataram todas as mulheres adultas e adolescentes da tribo, aquelas que já conheciam a trama. E passaram a encenar o ritual na forma inversa, as meninas desde cedo aprendendo que os espíritos (homens disfarçados) ordenavam sua obediência aos homens. E desde então, durante o Hain, os espíritos visitavam as mulheres de quem os maridos reclamavam falta de obediência e as puniam e amedrontavam. Talvez por isso, quando os nômades Selknam se movimentavam pela ilha, eram as mulheres que carregavam o peso maior, roupas, utensílios e os pequenos filhos nas costas. Os homens seguiam à frente, leves, carregando apenas suas armas (arco e flechas), sempre prontos e ágeis para caçar guanacos. Além da carne, eram esses animais que lhe forneciam roupas e o couro para suas tendas rudimentares.

Mulheres Yaghan fotografadas no início do séc. XX, na Terra do Fogo (foto da Internet)

Mulheres Yaghan fotografadas no início do séc. XX, na Terra do Fogo (foto da Internet)


No sul, onde o clima ainda era mais rigoroso que no norte, o Canal de Beagle apertado entre ilhas e altas montanhas, os Yaghan se desenvolveram de maneira ainda mais peculiar. A sociedade era mais igualitária, as mulheres também responsáveis pela obtenção de alimentos. Eram elas que enfrentavam uma água a menos de 10 graus de temperatura em seus mergulhos para chegar ao leito do mar e recolher conchas. Sem a pele dos guanacos, acostumaram a enfrentar o frio desnudos, homens e mulheres. De alguma maneira, o corpo se adaptou. O metabolismo ficou mais ativo, gerando mais calor, mas necessitando de mais alimentos. Braços e pernas ficaram menores e o tronco maior, diminuindo a superfície do corpo para diminuir a perda de calor. Caminhavam pouco, mas remavam muito, as canoas eram quase suas casas. E faziam sempre fogueiras, onde quer que estivessem. Mesmo em suas canoas, sempre havia fogo a esquentar quem estivesse no barco. Foram exatamente essas fogueiras, centenas delas, que chamaram a atenção do navegador português Fernão de Magalhães quando descobriu a passagem de mar que leva o seu nome em 1520. O arquipélago em que viviam os Yaghan e os Selknam ganhava um nome: Terra do Fogo. Aquilo também era o prenúncio de que algo mudaria depois de 300 gerações de vida relativamente tranquila para essas duas culturas.

Desenhos feitos de Jemmy Button pelo capitão do Beagle, FitzRoy. Ele levou Button e outros 3 Yaghan para Londres ao final de sua primeira viagem e os trouxe de volta, um ano mais tarde, na mesma viagem em que veio o jovem Darwin

Desenhos feitos de Jemmy Button pelo capitão do Beagle, FitzRoy. Ele levou Button e outros 3 Yaghan para Londres ao final de sua primeira viagem e os trouxe de volta, um ano mais tarde, na mesma viagem em que veio o jovem Darwin


Para sorte dos nativos da Terra do Fogo, os europeus não se interessaram de imediato por aquele arquipélago perdido. Enquanto incas e astecas, tupis e guaranis, apaches e comanches passavam pela tragédia do choque de civilizações, Yaghans e Selknams seguiram com seus costumes e modo de vida por mais 3 séculos. Eventualmente, tiveram algum rápido contato com alguns dos maiores exploradores e navegadores de todos os tempos. Além do próprio Magalhães, passou por ali gente do calibre de Drake, Cook e Wendell. Mas eram encontros tão rápidos que nada mudaria na vida dos nativos. Até que, em 1830, apareceu por ali outra personagem famosa: o inglês FitzRoy e seu barco de pesquisas Beagle.

Representação de indígenas Yaghan, que habitavam as ilhas do sul do continente e eram conhecidos por suas canoas (museu no P. N. Tierra del Fuego, região de Ushuaia, no sul da Argentina)

Representação de indígenas Yaghan, que habitavam as ilhas do sul do continente e eram conhecidos por suas canoas (museu no P. N. Tierra del Fuego, região de Ushuaia, no sul da Argentina)


Sua expedição era científica e cobria desde geografia e geologia até antropologia. Talvez por isso o famoso capitão tenha tido a “brilhante” ideia de capturar quatros Yaghans, aqueles estranhos seres desnudos e que não sentiam frio, e levá-los para a Inglaterra. Um deles morreu de varíola assim que chegou a Londres, mas os outros três sobreviveram e tiveram seus dias de glória na capital inglesa. Foram até recebidos pelo rei e estavam sempre na primeira página dos jornais. Durante esse ano, foram cristianizados, “civilizados”, vestidos e aprenderam a falar inglês. O mais famoso deles ganhou o nome de Jemmy Button. Fitz Roy se sentia responsável por eles e os tratou da melhor maneira possível. Um ano mais tarde, em uma segunda expedição do Beagle liderada por ele, pagou do seu próprio bolso o retorno dos nativos à sua terra natal. Junto com os três, um missionário. A ideia era estabelecer contato e, eventualmente, cristianizar e civilizar todos aqueles “pobres selvagens”.

Fotografia do final do séc. XIX mostra um bando de índios Selknam, os antigos habitantes da Terra do Fogo (em museu no P.N. Tierra del Fuego, região de Ushuaia, sul da Argentina)

Fotografia do final do séc. XIX mostra um bando de índios Selknam, os antigos habitantes da Terra do Fogo (em museu no P.N. Tierra del Fuego, região de Ushuaia, sul da Argentina)


O bem intencionado plano não deu certo. Poucos meses depois do seu retorno, os três nativos já haviam jogado fora suas roupas e voltado a viver como vivia seu povo. Jemmy Button foi o único a ser contatado novamente em algumas oportunidades. Até sua morte, trinta anos mais tarde, nunca esqueceu o inglês. Chegou até a viajar às Ilhas Falkland, para onde ingleses haviam “exportado” Yaghans para criar uma comunidade por lá, mas preferiu mesmo viver na sua Terra do Fogo, da mesma maneira incivilizada de seus pais e avós. Aliás, a mesma maneira que tanto surpreendeu o jovem cientista Charles Darwin, que acompanhou Fitz Roy na sua segunda viagem no Beagle. O promissor cientista que mudaria a história da ciência com sua Teoria da Evolução ficou muito mal impressionado com os Yaghans, dedicando a eles diversos comentários que hoje seriam certamente classificados de racistas. É claro que não podemos julgá-lo com nossos valores atuais e sim compreendê-lo no contexto do mundo em que vivia. Em suas anotações, Darwin descreveu os Yaghans como "criaturas pequenas, rudes, figuras de pernas torcidas, com tronco quase reto e sem cintura". Constatando as diferenças físicas entre índios e europeus, mais tarde o naturalista concluiria que ambos pertencem à mesma espécie, mas que evoluíram de formas distintas. Também disse o cientista: “Os Yaghans se encontram em um estado miserável de barbárie, maior do que eu havia esperado ver em um ser humano”, e complementou: “É impossível imaginar a diferença que há entre o homem selvagem e o homem civilizado; é muito maior do que a que há entre um animal silvestre e outro domesticado porque o homem é suscetível a um aperfeiçoamento muito maior”.

Foto de 1969 mostra a antropóloga francesa Anne Chapman e a última Selknam pura, Angela Loij, que já cresceu em uma missão salesiana. Ela faleceu em 1974 e, com ela, morreu uma raça (foto da Internet)

Foto de 1969 mostra a antropóloga francesa Anne Chapman e a última Selknam pura, Angela Loij, que já cresceu em uma missão salesiana. Ela faleceu em 1974 e, com ela, morreu uma raça (foto da Internet)


A visão de Darwin refletia a visão do mundo europeu com relação àquelas tribos paleolíticas e isso demoraria mais de um século para mudar. Em 1881, uma expedição antropológica francesa levou 11 membros da etnia Kawéskar, um outro povo da região, para serem expostos no Bois de Boulogne, em Paris, e no Jardim Zoológico de Berlin. Apenas quatro deles sobreviveram e retornaram ao sul do Chile. Na Europa, teriam sido bem tratados, mas bem tratados como animais ou, na melhor das hipóteses, como uma curiosa mistura de homens e animais. Infelizmente, essa viagem e exposição eram apenas o prenúncio de uma tragédia muito maior...

Na mesma época em que os Kawéskar eram levados à Europa, a civilização ocidental finalmente se deu conta da Terra do Fogo. Milhares de imigrantes foram atraídos para lá, seja pela descoberta de ouro, seja pela nascente e promissora indústria da produção de lã. Ali se depararam com a etnia Selknam, que até então havia sido poupada dos encontros com europeus. Esses nativos devem ter estranhado o aparecimento daqueles pequenos animais peludos nas suas terras, mas logo aprenderam que sua carne era apetitosa. Além disso, eram muito mais fáceis se serem caçadas do que os velozes e ariscos guanacos. Com quase dez mil anos de história de caça em uma terra sem fronteiras ou cercas, era difícil entender para eles o conceito de propriedade ou que as ovelhas não pudessem ser caçadas. Isso, obviamente, muito irritou os novos capitalistas que se apoderavam daquelas vastas planícies e sonhavam com seus lucros de exportação.

O romeno-argentino Popper lidera uma expedição de caça aos índios Selkham, na Terra do Fogo, no final do séc. XIX. Na parte de baixo, na foto, um índio já morto a tiros (foto da Internet)

O romeno-argentino Popper lidera uma expedição de caça aos índios Selkham, na Terra do Fogo, no final do séc. XIX. Na parte de baixo, na foto, um índio já morto a tiros (foto da Internet)


O conflito desigual não demorou a ocorrer. De caçadores, os índios passaram a caças. Literalmente! Armados com carabinas e numa terra plana e com vegetação baixa, os capatazes de estâncias e matadores de aluguel não tinham dificuldade em localizá-los e matá-los. A morte de um índio homem valia uma libra esterlina. A morte de uma mulher valia mais, 1,50 libras. Pelo simples fato de que, ao matá-la, evitava-se também o nascimento de novos índios. Nem crianças eram poupadas, muito pelo contrário. Muito mais fácil matá-las enquanto jovens do que quando virassem adultas. Vários matadores se destacaram, mas nenhum como Julius Popper, um argentino de origem romena. Talvez pelo fato de que ele documentava com fotografias vários de suas “caçadas”. E os assassinos não usavam apenas balas para eliminar os Selknam. Chegaram a envenenar uma baleia encalhada para, com isso e de uma só vez, matar todo um bando, mais de três dezenas de índios de uma só vez.

O romeno-argentino Popper lidera uma expedição de caça aos índios Selkham, na Terra do Fogo, no final do séc. XIX Ao seu lado, uma índia já morta (foto da Internet)

O romeno-argentino Popper lidera uma expedição de caça aos índios Selkham, na Terra do Fogo, no final do séc. XIX Ao seu lado, uma índia já morta (foto da Internet)


O resultado previsível desse embate foi um massacre. Em quinze anos, a população de Selknams caiu por 10, de 5 mil índios em 1885 para 500 deles no final do século. Foi quando o restante foi capturado e internado em missões salesianas que, ao menos, tentavam salvá-los. Não apena suas almas, mas também a própria etnia. Mas a mudança tão drástica no estilo de vida, de nômades livres para um terreno fechado, da vida quase desnuda para as roupas apertadas, da comida de caça para uma alimentação estranha, de um mundo sem doenças para micróbios importados, tudo isso se mostrou fatal. As missões simplesmente fecharam suas portas três décadas mais tarde pela absoluta falta de índios. Haviam todos morrido.

Lola Kiepja, a última Selknam que viveu como seus antepassados. Ela faleceu em 1966 (foto da Internet)

Lola Kiepja, a última Selknam que viveu como seus antepassados. Ela faleceu em 1966 (foto da Internet)


Na metade do século XX a população Selknam havia se reduzido a 50 pessoas. Os últimos, quatro deles mestiços e uma última representante pura, Angela Loij, morreram na década de 70. Angela já havia crescido em uma das missões e, apesar de falar também a língua original, pouco sabia da cultura de seu povo. Ela conviveu seus últimos anos com a antropóloga francesa Anne Chapman, talvez a maior estudiosa dessa cultura agora desaparecida. Chapman havia aprendido muito com uma outra Selknam, Lola Kiepja, falecida na década anterior. Lola tinha mais de 90 anos de idade e, ela sim, cresceu livre e junto com a família nos primeiros anos da batalha entre brancos e indígenas. Ainda tinha a cultura, os costumes e a língua fortes na memória, correndo em seu sangue. É emocionante ouvi-la (Anne Chapman grava suas conversas) recitar versos que foram cantados por 300 gerações de indígenas e que se destruiu em meros 15 anos de barbárie. Enfim, a não ser por fotos, relatos e gravações, os Selkmans se foram.



Quanto aos valentes e “primitivos” Yaghans, seu destino também foi parecido. Relativamente poupados da sanha assassina do final do séc. XIX, eles também foram reunidos em missões salesianas. Quando as missões acabaram, o governo chileno os levou para a Ilha Navarino, ao sul do canal de Beagle, onde está o povoado mais austral do mundo, Puerto Williams. Aí, hoje, há cerca de 1.400 eles, praticamente todos mestiços. Seu antigo modo de vida, aquele das canoas, foi há muito abandonado. Vivem de fazer artesanato para turistas e da ajuda governamental. Apenas duas índias Yaghans puras sobreviviam na virada do milênio, mas uma delas morreu. Resta, então, a solitária Cristina Calderón, uma espécie de curiosidade histórica, testemunha única do encontro trágico de uma civilização infinitamente mais bárbara e selvagem do que aquela outra que tentava “civilizar”. Difícil imaginar uma situação ou história mais triste do que essa...

Cristina Calderón, a última Yaghan capaz de falar a língua Yamana. Com quase 90 anos, ela vive em Puerto Williams, no Chile (foto da Internet)

Cristina Calderón, a última Yaghan capaz de falar a língua Yamana. Com quase 90 anos, ela vive em Puerto Williams, no Chile (foto da Internet)

Argentina, Ushuaia, história

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No!

Chile, Santiago

Visita ao Museu de Direitos Humanos em Santiago, no Chile

Visita ao Museu de Direitos Humanos em Santiago, no Chile


Ontem nosso avião partiu no começo da tarde de Hanga Roa, na Ilha de Páscoa, mas só chegamos a Santiago de noite. Além das mais de quatro horas de voo, ainda tinha o fuso horário para descontar. Mas fomos muito bem recebidos pela Maria Ester em sua casa, onde também nos esperava a Fiona, já de vidro novo, surpresa preparada pelo Pablo (ver post aqui).

Com a Maria Esther, a mãe do Pablo, que nos recebeu em casa e guardou a Fiona por lá enquanto viajávamos para a Ilha de Pascoa

Com a Maria Esther, a mãe do Pablo, que nos recebeu em casa e guardou a Fiona por lá enquanto viajávamos para a Ilha de Pascoa


Durante o voo, não perdi minha segunda chance de ver o filme “No!”, que trata do plebiscito acontecido no Chile no ano de 1988 e que decidiu sobre a continuidade ou não no poder, para mais um longo termo presidencial, do general Augusto Pinochet. Este senhor havia chegado ao poder 15 anos antes, mais precisamente no dia 11 de Setembro de 1973, em um dos mais sangrentos golpes militares já ocorridos no nosso continente.

Visita ao Museu de Direitos Humanos em Santiago, no Chile

Visita ao Museu de Direitos Humanos em Santiago, no Chile


Uma das primeiras vítimas do golpe militar foi o próprio presidente na época, Salvador Allende, morto no própria sede de governo do país, o Palacio de La Moneda. Mas ele não foi o único. Ao longo dos quinze anos seguintes, mas principalmente no início, foram assassinadas mais de 3 mil pessoas, entre quase 40 mil vítimas de torturas e prisões arbitrárias. Para termos uma noção da escala da violência, o número de mortes foi mais de seis vezes superior ao ocorrido no Brasil durante nossos governos militares. Considerando que a população do Brasil é aproximadamente doze vezes maior que a do Chile, uma simples conta de padeiro nos diz que a ditadura chilena foi 72 vezes mais violenta do que a nossa.

Andando de metrô em Santiago, no Chile

Andando de metrô em Santiago, no Chile


Pudemos sentir isso um pouco mais de perto hoje, quando fomos visitar um museu em Santiago dedicado à Memória e aos Direitos Humanos. É simplesmente chocante acompanhar o que acontecia naqueles anos de chumbo. A primeira vez que visitei o país foi apenas dois anos após o general deixar o poder político (ainda controlava o exército) e lembro-me muito bem da tensão no ar. Enfim, ainda é um episódio muito recente.

Andando de metrô em Santiago, no Chile

Andando de metrô em Santiago, no Chile


De qualquer maneira, também é preciso reconhecer que o governo militar teve alguns logros, principalmente econômicos. A economia chilena dos anos 80 era infinitamente superior ao caos que vivia o país nos anos que precederam o golpe, quando o governo estatizou diversos setores da economia. A reação de setores mais conservadores à época praticamente pararam o país, com greves por todo o lado, inflação e quase um caos social. Nos anos seguintes ao golpe, sem permitir a ação da oposição ou de greves, Pinochet implementou reformas liberais sobre a batuta de economistas da escola de Chicago e o resultado foi transformar o Chile num modelo de economia na América Latina. Críticos dizem que o país enriqueceu, mas a riqueza não estava distribuída, aumentando muito a distância entre as classes sociais.

Enfim, não vou entrar nessa discussão, mas o fato é que o tal plebiscito retratado no filme foi bem acirrado, a opção pelo “não” vencendo com quase 55% dos votos. Foi uma disputa entre aqueles que defendiam as conquistas econômicas e a ordem social contra os que pediam um futuro de liberdades e pluralidade. Felizmente, a campanha pelo “Sim”, que tentou difundir o medo de uma “volta dos terroristas” foi derrotada. Para surpresa de muitos, a ditadura reconheceu sua derrota e tirou seu time de campo. Por muito tempo, a justiça chilena não ousou chegar perto de Pinochet, que acabou preso e humilhado na Inglaterra, a pedido de um juiz espanhol. De nada adiantou a ajuda de sua amiga e aliada Margaret Thatcher. Muita confusão jurídica depois, o velhinho foi definhando até morrer.

Almoço em delicioso restaurante do bairro Providencia, em Santiago, capital do Chile

Almoço em delicioso restaurante do bairro Providencia, em Santiago, capital do Chile


Mas nossa volta a Santiago não tratou apenas desse período conturbado da história chilena. Não. Também fomos passear numa parte mais chique da cidade, no bairro de Povidencia. A Fiona continuou guardada e segura no quintal da Maria Ester enquanto a gente se locomoveu de metrô mesmo. O último havia sido nos Estados Unidos!

Almoço em delicioso restaurante do bairro Providencia, em Santiago, capital do Chile

Almoço em delicioso restaurante do bairro Providencia, em Santiago, capital do Chile


Fomos a um centro comercial e fizemos compras para repor o que nos foi roubado na praia de Totoralillo. Basicamente, equipamento de camping e uma máquina fotográfica mais compacta. Lá se foram 1.200 dólares enquanto que os desgraçados que nos roubaram, duvido que tenha vendido tudo por mais de 120 dólares. Enfim, estamos loucos para começar a acampar novamente para testar o novo equipamento. A câmera nova, uma Canon, essa já está em uso nesse post mesmo!

Almoço em delicioso restaurante do bairro Providencia, em Santiago, capital do Chile

Almoço em delicioso restaurante do bairro Providencia, em Santiago, capital do Chile


Depois das compras, um delicioso almoço tardio num restaurante do bairro. Comemos na calçada mesmo, acompanhando o movimento da burguesia ao nosso redor. Um bom vinho chileno para comemorar nossa volta ao continente e a inesquecível temporada na Ilha de Páscoa. E um brinde especial ao publicitário retratado no filme que ajudou a vitória do No!

Festa de aniversário na casa da Marias Ester, em Santiago, no Chile

Festa de aniversário na casa da Marias Ester, em Santiago, no Chile


Essa não foi a única celebração do dia. Quando chegamos de volta à casa da Maria Ester, havia uma festa de aniversário de um neto seu. Como o meu próprio aniversário havia sido pouco dias atrás, também disseram que a festa era minha, com direito a bolo e tudo! Para me sentir mais em casa ainda! Foi joia! Nossa última noite chilena nessa etapa, já que amanhã voltamos à Argentina, rumo a Buenos Aires e aos mares gelados do sul. Para o Chile regressaremos, mas vai ser lá no extremo sul do país. Nossas aventuras por aqui não terminaram!

Com a Maria Ester em sua casa em Santiago, no Chile

Com a Maria Ester em sua casa em Santiago, no Chile

Chile, Santiago, história

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Um Dia em Port Stanley

Falkland, Port Stanley

Chegando a Port Stanley, a capital de Falkland

Chegando a Port Stanley, a capital de Falkland


Os habitantes de Falkland são chamados de “kelpers”. O nome vem de um tipo de alga, “kelp”, que é muito abundante ao redor da ilha. Uma boa parte dos moradores da ilha está envolvida com a principal atividade econômica de Falkland, que é a criação de ovelhas. São quase 700 mil delas em um arquipélago onde vivem menos de 3 mil pessoas. E uma parte importante da alimentação desse enorme rebanho é justamente o kelp, que os poucos humanos disponíveis vão coletar no mar. Daí a denominação, kelpers!

Chegando a Port Stanley, capital de Falkland (foto de John Pairaudeau)

Chegando a Port Stanley, capital de Falkland (foto de John Pairaudeau)


O Sea Spirit ancorado em Port Stanley, a capital de Falkland

O Sea Spirit ancorado em Port Stanley, a capital de Falkland


Pois bem, para os kelpers, o arquipélago está dividido em duas partes. E eles não estão se referindo às ilhas East e West Falkland. Não! Para eles, existe o “town” e o “camp”. “Town” é a capital, e única cidade de verdade em Falkland, Port Stanley. E “camp” é o resto. Todo o resto. Então, até agora, nós conhecemos o “camp”. Carcass Island e Steeple Jason fazem parte do “camp”. As outras pequenas ilhas, toda a West Falkland e boa parte da East Falkland, dos quais não vimos nada, também são o “camp”. Quando muito, vimos de longe, das janelas e do convés do Sea Spirit. Mas agora, o que queríamos mesmo era ver a outra metade do país, o “town”.

Caminhando do porto até Port Stanley, a capital de Falkland

Caminhando do porto até Port Stanley, a capital de Falkland


Caminhando do porto até Port Stanley, a capital de Falkland

Caminhando do porto até Port Stanley, a capital de Falkland


E assim foi. Nosso dia de hoje foi devotado à exploração da capital, do “town”, de Port Stanley, com seus pouco mais de 2 mil habitantes. Logo de manhã nosso barco já estava ancorado lá, nossa única chance nessas três semanas de poder sair do Sea Spirit sem estar vestindo as botas de borracha ou nossa roupa de caiaque. Tiramos nossos tênis do fundo da mala, bem felizes e estávamos prontos. Hoje, nem de guia precisaríamos. Nossa liberdade de volta, desde que respeitássemos os horários, claro!

Memorial Wood  (Bosque da Memória), em Port Stanley, a capital de Falkland

Memorial Wood (Bosque da Memória), em Port Stanley, a capital de Falkland


Caminhando no Memorial Wood  (Bosque da Memória), em honra oas mortos na guerra de 82, em Port Stanley, a capital de Falkland

Caminhando no Memorial Wood (Bosque da Memória), em honra oas mortos na guerra de 82, em Port Stanley, a capital de Falkland


Na verdade, três de nossos simpáticos guias estariam sim, a nossa disposição, liderando grupos “temáticos” pela cidade. Um para falar de história, outro dos pássaros e a terceira das baleias. Eram tours facultativos e nós, eu e a Ana, optamos pela exploração seguindo nosso próprio nariz. Como disse, era nossa única chance nessas 3 semanas.

Ave se esquenta ao sol em pier em Port Stanley, a capital de Falkland

Ave se esquenta ao sol em pier em Port Stanley, a capital de Falkland


Pássaros Rock Shags em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Ken Haley)

Pássaros Rock Shags em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Ken Haley)


O porto está a pouco mais de 2 km do centro da cidade. Microônibus poderiam nos levar e trazer de volta, a cada meia hora. Para quem quisesse, podia seguir a pé. Umas dez pessoas optaram pelo exercício, assim como nós. Alguns, com o espírito ainda mais livre, ao chegar à estrada, viraram para o outro lado. Preferiram ir até uma península, uma baía e à famosa praia de “Gipsy Cove” do que seguir para “town”. Nós não, queríamos era um pouco de urbanidade mesmo.

Cemitério em Port Stanley, a capital de Falkland

Cemitério em Port Stanley, a capital de Falkland


Braço de mar em frente a Port Stanley, a capital de Falkland

Braço de mar em frente a Port Stanley, a capital de Falkland


Port Stanley virou a capital de Falkland em 1845, principalmente pelo fato de ser um bom porto. Afinal, a principal atividade econômica de Falkland naquele tempo era a reparação de navios. Para chegar à costa oeste dos Estados Unidos, a principal rota passava pelo sul da América e não eram poucos os navios que necessitavam de reparos após a passagem pela perigosa “Passagem de Drake”. Falkland, estando “logo ali”, soube aproveitar-se desse mercado, facilitado pelas excelentes condições de Port Stanley, de calado mais profundo.

A arquitetura de Port Stanley, capital de Falkland (foto de John Pairaudeau)

A arquitetura de Port Stanley, capital de Falkland (foto de John Pairaudeau)


Arquitetura de Port Stanley, capital de Falkland (foto de Susan Pairaudeau)

Arquitetura de Port Stanley, capital de Falkland (foto de Susan Pairaudeau)


A bonança continuou até que os navios a vapor, muito mais resistentes, se popularizassem. O golpe final nessa indústria veio no início do séc. XX, com a abertura do Canal do Panamá. Agora, os navios não necessitavam mais enfrentar os rigores da Drake Passage e Port Stanley ficou a “ver navios”. Isso abriu espaço para o crescimento de outra indústria nas ilhas, a criação de ovelhas, principal força econômica do arquipélago até hoje.

Depois da caminhada, quase chegando ao centro de Port Stanley, a capital de Falkland

Depois da caminhada, quase chegando ao centro de Port Stanley, a capital de Falkland


Arquitetura britânica em Port Stanley, a capital de Falkland

Arquitetura britânica em Port Stanley, a capital de Falkland


A cidade, como sua própria população indica, é bem pequena e pode ser percorrida a pé em poucas horas. Entre as principais atrações, alguns poucos museus, igrejas, o belo visual da rua em frente ao mar, os vários monumentos que relembram a guerra de 82, naufrágios de antigos barcos que podem ser avistados no mar e os quatro pubs que existem no centro da cidade.

O efeito do vento no crscimento de uma árvore, em Port Stanley, a capital de Falkland

O efeito do vento no crscimento de uma árvore, em Port Stanley, a capital de Falkland


O belo visual da rua costeira de Port Stanley, a capital de Falkland

O belo visual da rua costeira de Port Stanley, a capital de Falkland


Nós começamos nossa visita por alguns dos memoriais de guerra, como uma floresta que foi plantada onde cada árvore homenageia um dos mortos britânicos naquele conflito. Vou falar desse assunto no próximo post, mas vistamos também o cemitério que tem uma linda vista para o braço de mar em frente à cidade.

Catedral anglicana de Port Stanley, a capital de Falkland

Catedral anglicana de Port Stanley, a capital de Falkland


Interior da catedral anglicana de Port Stanley, a capital de Falkland

Interior da catedral anglicana de Port Stanley, a capital de Falkland


Os ossos de baleia azul e a catedral anglicana, uma das cenas clássicas de Port Stanley, a capital de Falkland

Os ossos de baleia azul e a catedral anglicana, uma das cenas clássicas de Port Stanley, a capital de Falkland


Em seguida, fomos a um dos mais vistosos prédios de Port Stanley, a Catedral Anglicana. Com mais de 130 anos de existência, ela é a catedral mais ao sul do mundo, elegante por fora e com uma tranquilidade inspiradora em seu interior. Bem em frente a ela, um dos principais cartões postais da cidade: um monumento feito apenas com os ossos de mandíbula do maior animal que já existiu em nosso planeta, a baleia azul. Usando 4 desses ossos, foi feito um grande arco, convite irresistível à fotografias de turistas. Esse maravilhoso animal era abundante na região, mas foi caçado quase até a extinção nos séc. XIX e XX. Os ossos ali dispostos, em frente a uma igreja, servem para nos lembrar da estupidez de nossa raça que levou tantas outras espécies a extinção total. Quando chegarmos à Geórgia do Sul, certamente vou falar mais dessa perseguição implacável feita às baleias aqui nos mares do sul...

Cartão postal de Port Stanley, a capital de Falkland, os enormes ossos de maxilar de baleias azul, a maior criatura do planeta

Cartão postal de Port Stanley, a capital de Falkland, os enormes ossos de maxilar de baleias azul, a maior criatura do planeta


A Kim salta entre ossos de maxilar de uma baleia azul, em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Jeff Orlowski)

A Kim salta entre ossos de maxilar de uma baleia azul, em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Jeff Orlowski)


Mas, falando em baleias, há um pequeno museu em homenagem a elas. Antes de chegar lá, ainda passamos no correio da cidade para enviar alguns postais para casa, uma espécie de prova definitiva que passamos nesse lugar tão isolado do mundo. Acho que já fazia alguns anos que eu não enviava postais, prática tão comum entre os viajantes de até pouco tempo atrás. A internet, facebook e Skype mudaram nossos hábitos, mas achamos que, aqui de Port Stanley, no meio do oceano, a ocasião valia a pena!

A prova de que Port Stanley, a capital de Falkland, ainda é inglesa

A prova de que Port Stanley, a capital de Falkland, ainda é inglesa


Visita ao correio de Port Stanley, a capital de Falkland, para enviar alguns postais como prova de que lá estivemos!

Visita ao correio de Port Stanley, a capital de Falkland, para enviar alguns postais como prova de que lá estivemos!


O pequeno museu mostra o esqueleto de algumas espécies de baleias, mas o que mais chama a atenção na exposição é um canhão que lançava arpões. Apenas aquele canhão teria matado mais de 20 mil baleias! Hoje, a máquina de matar serve a melhores propósitos. Ao seu lado, um cartaz pede que se proíba a caça às baleias. Deveria vir com tradução em japonês.

Visita a um pequeno museu de baleias, em Port Stanley, a capital de Falkland

Visita a um pequeno museu de baleias, em Port Stanley, a capital de Falkland


Um arpão assassino, exposto em museu de baleias em Port Stanley, a capital de Falkland

Um arpão assassino, exposto em museu de baleias em Port Stanley, a capital de Falkland


Pequeno museu sobre baleias, em Port Stanley, a capital de Falkland

Pequeno museu sobre baleias, em Port Stanley, a capital de Falkland


Nesse ponto da nossa visita encontramos o Jeff e passamos a caminhar juntos. O Jeff trabalha com cinema e um dos filmes que ajudou a filmar, o espetacular “Chasing Ice”, é parte do Festival de Cinema que está ocorrendo a bordo do Sea Spirit. É mais um assunto a que preciso dedicar um post, mas como trata de aquecimento global, acho que vou esperar chegarmos à Antártida. Enfim, caminhávamos juntos quando ocorreu o fenômeno mais natural possível para os kelpers, mas que chama bastante a atenção de visitantes como nós!

Junto com o Jeff, protegendo-se da neve repentina em Port Stanley, a capital de Falkland

Junto com o Jeff, protegendo-se da neve repentina em Port Stanley, a capital de Falkland


De repente, uma forte nevasca em Port Stanley, a capital de Falkland

De repente, uma forte nevasca em Port Stanley, a capital de Falkland


O clima da ilha e especialmente aqui em Port Stanley muda rapidamente, várias vezes ao dia. Mesmo para padrões britânicos, que moram naquela ilha conhecida pelo seu clima instável, as Falkland assustam. Do sol à chuva ao frio ao fim do vento à neve ao céu azul, tudo assim, sem vírgulas e em poucos minutos. Assim, caminhávamos tranquilamente num fim de manhã onde o azul do céu parecia que iria vencer as nuvens quando, de repente, estávamos procurando abrigo atrás de um carro contra o vento e a forte neve que caía. Nossa primeira neve nessa viagem. Mesmo o Jeff, que acabou de passar por lugares como Islândia, Groelândia e Alaska (trabalhando naquele filme que citei acima), se impressionou. Quem não pareceu dar muita bola foram uns cavalos que assistiram toda a cena, eles mesmos pouco se importando com a neve que caía. Afinal, já sabiam que algum tempo depois viria o sol. Cavalos kelpers!

Com o Jeff, caminhando em terreno nevado em Port Stanley, a capital de Falkland

Com o Jeff, caminhando em terreno nevado em Port Stanley, a capital de Falkland


Cavalos parecem estar acostumados à subita queda de neve em Port Stanley, a capital de Falkland

Cavalos parecem estar acostumados à subita queda de neve em Port Stanley, a capital de Falkland


Pois é, o tempo melhorou mesmo e pudemos continuar nossa caminhada. Primeiro, de volta à rua litorânea, um dos visuais mais belos da cidade. E depois para o museu histórico, que eu queria muito visitar. Aí passei mais de hora, primeiro lendo tudo o que havia sobre os warrahs, os lobos extintos de Falkland, assunto sobre o qual tenho estranha obsessão. E depois, sobre a guerra de 82 que, como disse, tratarei no próximo post.

O Museu Histórico de Port Stanley, a capital de Falkland

O Museu Histórico de Port Stanley, a capital de Falkland


Representação do extinto Warrah, ou Falkland Wolv, no museu histórico de Port Stanley, a capital de Falkland

Representação do extinto Warrah, ou Falkland Wolv, no museu histórico de Port Stanley, a capital de Falkland


Depois do museu, só nos faltava fazer uma coisa que já vínhamos sonhando faz tempo, antes mesmo de entrarmos nesse navio em Buenos Aires. Queríamos passar algum tempo num legítimo pub inglês aqui em Port Stanley, cidade de coração e alma britânica. Então, de volta ao centro e para dentro do pub. Lá já estavam outros passageiros, todos preferindo o conforto do bar que o ar frio lá de fora. Tratamos logo de pedir uma legítima Guinness para brindarmos nossa passagem por lugar tão distante. Uma verdadeira benção, poder estar no meio do Atlântico Sul e, ao mesmo tempo, tomar uma Guinness. Muito joia mesmo! Agora, mais do que nunca, estamos certos de que vamos conhecer e viajar por todos os países das Américas. Até mesmo pelas isoladas, praticamente perdidas e esquecidas Falkland e Geórgia do Sul. Merece até outra Guinness!!!

Um dos pubs de Port Stanley, a capital de Falkland

Um dos pubs de Port Stanley, a capital de Falkland


Interior de um pub em Port Stanley, a capital de Falkland

Interior de um pub em Port Stanley, a capital de Falkland


Celebrando com uma Guinness em um pub a nossa visita a Port Stanley, a capital de Falkland

Celebrando com uma Guinness em um pub a nossa visita a Port Stanley, a capital de Falkland


E assim, de Guinness em Guinness, já era hora do último micro-ônibus de volta ao porto e ao Sea Spirit. Fomos os últimos a chegar, já no segundo tempo da prorrogação. Mas valeu muita a pena a correria e as cervejas. Que ótimo foi ter estado na instável Port Stanley, um pedacinho da Inglaterra aqui nos mares do sul. Saímos ao convés para um último adeus à cidade e a este arquipélago. Pela primeira vez nessa viagem, pisamos em gelo no convés, uma rápida chuva de granizo. Pois é, não poderia faltar em um típico dia nessa cidade. Depois das despedidas formais, de volta ao calor do nosso navio e ao conforto do nosso bar. Mais uma cerveja para comemorar, agora ao início da nossa viagem à Geórgia do Sul e a mais dois dias em alto mar!

Zarpando de Port Stanley, a capital de Falkland

Zarpando de Port Stanley, a capital de Falkland


Neve no convés do Sea Spirit em Port Stanley, capital de Falkland

Neve no convés do Sea Spirit em Port Stanley, capital de Falkland

Falkland, Port Stanley, cidade

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