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SHUFFLE Há 1 ano: Minas Gerais Há 2 anos: Minas Gerais

Cama e Canja de Galinha

Peru, Huaraz

A Ana teve uma péssima noite. Muita febre e dores abdominais. Da cama para o banheiro, do banheiro para a cama. De manhã cedo, nem tinha forças para ir ao salão de café da manhã. Eu fui e conversei com a simpática e solícita dona do nosso hostal, o Churup. Ela se prontificou a chamar um médico de sua confiança, que já está acostumado em tratar turistas com o mesmo tipo de problema.

Não demorou e ele já estava lá, tratando da minha sofrida esposa. Identificou o propblema, suspendeu a medicação que o plantonista de ontem havia receitado e passou outra. A consulta e remédios custaram dez vezes mais que as de ontem, mas mesmo assim ainda foi muito mais barato que no Brasil. No total, gastamos pouco mais de 70 reais, dinheiro muito bem pago para curar a minha linda.

A nossa viagem para Trujillo foi adiada para amanhã, para o bem da Ana, que deveria ficar de repouso absoluto. Na hora do almoço, saí para comer algo e voltei com uma bela de uma canja para ela, dessas que levantam defunto. Quantidade suficiente para o almoço e jantar. Depois de tanto tempo sem se alimentar, finalmente ela tinha fome.

Quem também ficou mal, sintomas parecidos, foi o alemão Andreas. Eles voltaram ontem de noite e se espantaram em nos reencontrar por aqui. Hoje cedo, acordou como a Ana. O mais provável é que tenha sido alguma água mal fervida no trekking, agindo em organismos menos resistentes às bactérias locais. Então, hoje, era eu cuidando da Ana e a Vania cuidando do maridão.

De noite, jantando sozinho na rua, aquela cadeira na minha frente estava mais vazia do que nunca. Depois de 500 dias sem desgrudar um do outro, não é fácil jantar sozinho...

Peru, Huaraz,

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No Alto da Fumaça

Brasil, Bahia, Lençóis (P.N. Chapada Diamantina)

Local onde o rio cai para formar os 380 metros da Cachoeira da Fumaça, próximo à vila do Capão, na Chapada Diamantina - BA

Local onde o rio cai para formar os 380 metros da Cachoeira da Fumaça, próximo à vila do Capão, na Chapada Diamantina - BA


Deve haver poucos lugares tão especiais no Brasil para se dormir e acordar como na parte alta da Cachoeira da Fumaça. E foi justamente lá que eu e a Ana acordamos hoje. O dia fica claro por aqui antes das seis da manhã e meia hora mais tarde, preguiçosamente, começamos a sair de nossos sleepings, abrigados sob um teto de pedra e com vista para um vale 400 metros abaixo de nós.

Bem no ponto onde a água despenca quase 400 metros até o vale abaixo, próximo à vila do Capão, na Chapada Diamantina - BA

Bem no ponto onde a água despenca quase 400 metros até o vale abaixo, próximo à vila do Capão, na Chapada Diamantina - BA


Fomos nos espreguiçar na beira do penhasco, respirando a ar puro da manhã e vendo a água cair, cair e levantar de novo, tornando-se uma espécie de chuva fina ao invés de chegar no lago lá embaixo. Cenário mais inspirador, impossível.

No nosso local de acampamento, ao lado da queda da Fumaça, próxima à vila do Capão, na Chapada Diamantina - BA

No nosso local de acampamento, ao lado da queda da Fumaça, próxima à vila do Capão, na Chapada Diamantina - BA


Ficamos conversando com o Marcos, de Feira de Santana, até que ele partiu para mais um dia de caminhadas por essa terra que ele aprendeu a amar. Nós voltamos para nossa "varanda" para tomar nosso café da manhã. Pão com queijo (mesmo cardápio das últimas duas refeições) acompanhado de um delicioso vinho, sobra da noite anterior. Vinho no café da manhã? Garanto que, naquele cenário, fez todo o sentido!

Observando a queda da Cachoeira da Fumaça, próximo à vila do Capão, na Chapada Diamantina - BA

Observando a queda da Cachoeira da Fumaça, próximo à vila do Capão, na Chapada Diamantina - BA


Depois disso, longa e merecida sessão de fotos, tentando captar para o site e para quem nos acompanha um pouco da beleza daquele lugar. Tarefa difícil, mas acho que conseguimos.

Local onde o rio cai para formar os 380 metros da Cachoeira da Fumaça, próximo à vila do Capão, na Chapada Diamantina - BA

Local onde o rio cai para formar os 380 metros da Cachoeira da Fumaça, próximo à vila do Capão, na Chapada Diamantina - BA


A Cachoeira da Fumaça, próxima à vila do Capão, na Chapada Diamantina - BA

A Cachoeira da Fumaça, próxima à vila do Capão, na Chapada Diamantina - BA


Antes de partir, um banho delicioso naquelas águas prontas para despencar no abismo. Falando nisso, enquanto fotografávamos, ouvíamos os gritos de satisfação de pessoas que dormiram lá embaixo, junto ao lago, e agora se banhavam nas mesmas águas que eu me banharia em seguida, 400 metros acima.

Observando a queda da Cachoeira da Fumaça, próximo à vila do Capão, na Chapada Diamantina - BA

Observando a queda da Cachoeira da Fumaça, próximo à vila do Capão, na Chapada Diamantina - BA


Corpo e alma lavados, seguimos para o Capão. Trilha batida com cara de auto-estrada comparado com a trilha que pegamos na noite anterior. Um longo trecho plano atravessando o platô onde está o rio da Fumaça e depois uma íngrime descida para o Capão. Nesse ponto podemos admirar a beleza imponente do Morrão, um dos cartões postais da Chapada. É de encher os olhos.

Banho matutino na parte alta da Cachoeira da Fumaça, próxima à vila do Capão, na Chapada Diamantina - BA

Banho matutino na parte alta da Cachoeira da Fumaça, próxima à vila do Capão, na Chapada Diamantina - BA


Lá embaixo nos esperava o Lúcio e a Fiona. Juntos, rumaríamos para o Vale do Pati. Nosso dia e nossa temporada de caminhadas pela Chapada Diamantina estava apenas começando...

O Morrão, próximo à vila do Capão, na Chapada Diamantina - BA

O Morrão, próximo à vila do Capão, na Chapada Diamantina - BA

Brasil, Bahia, Lençóis (P.N. Chapada Diamantina), cachoeira, Cachoeira da Fumaça, Capão, Chapada Diamantina, Parque, Trekking, trilha

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Rumo ao Vale do Pati

Brasil, Bahia, Vale do Pati (P.N. Chapada Diamantina)

A paisagem exuberante do Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA

A paisagem exuberante do Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA


A Chapada Diamantina é dinâmica. Ou... o turismo na Chapada Diamantina é dinâmico. A cada vez que volto aqui, novas atrações aparecem, outras atrações estão na moda. Na primeira vez que vim, em 91, a travessia Lençóis-Capão, passando pela Fumaça era o que estava na moda. Ninguém falava desse tal de Pati. Na segunda vez, em 98, o Pati estava começando a estourar. Na última, em 2001, o Pati era a grande atração. Caminhadas de até 5 dias! Como passei por aqui rapidamente, e não querendo ir contra a maré, só consegui dar uma arranhada no tal vale, numa corrida louca, quase desafio esportivo, de sair e voltar no mesmo dia de Andaraí, indo até o Cachoeirão por baixo (via Ladeira do Império).

Subida para se atingir os Gerais do Rio Preto e o Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA. A Fiona ficou lá embaixo ...

Subida para se atingir os Gerais do Rio Preto e o Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA. A Fiona ficou lá embaixo ...


Deata vez, as novas atrações são as cachoeiras do Buracão e da Fumacinha, ambas na parte sul do parque. O Vale do Pati, depois de sair em todas as revistas de turismo do país, virou um progama "normal". Bem, normal ou não, ele estava no top da nossa lista. Afinal, não poderia ser à tôa que ele fcou tão famoso. Muto daquele ar de aventura e descobrimento talvez tenha se perddo. Algum conforto passou a ser oferecido aos intrépidos caminhantes. pontos de apoio com colchões e chuveiros mornos. Para mim, já me aproximando da melhor idade, essas "facilidades" só valorizaram o roteiro!

Banho no Rio Preto a caminho do Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA

Banho no Rio Preto a caminho do Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA


De banheiro e colchão, eu gosto muito. Só não gosto é de multidões. Pode ser o caso do Pati, na época errada (verão e grandes feriados). Mas não é agora. Então, para mim, é uma "win-win situation" (nada a perder, só a ganhar). E para melhorar mais ainda, ter uma espécie de win-win-win situation", decidimos ir ao Pati com um guia. Depois das dificuldades da Fumaça via 21 (não estou fazendo propaganda da Embratel!!!), ter um guia parecia um ótimo conforto. Afinal, poderíamos nos concentrar nas belezas da paisagem e esquecer do melhor caminho. Mais do que isso, arrumamos um guia que é quase (literalmente) um chef de cozinha. Chega de sanduíche de queijo! De agora em diante, comida quente e variada!

Atravessando os Gerias do Rio Preto a caminho do Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA

Atravessando os Gerias do Rio Preto a caminho do Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA


Para melhorar mais ainda o Lúcio, nosso guia, é excelente pessoa e ótimo papo, desses que rola uma empatia desde o início e com quem podemos falar sobre tudo, desde trilhas e comidas até história e música, passando por política e ciência.

Observando o Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA

Observando o Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA


Resumo da ópera. chegamos para o Pati para sadias caminhadas, vistas maravilhosas, comidas suculentas e conversas instrutivas, Assim foi o primeiro dia, que na verdade começou depois do meio-dia, depois da volta da Fumaça. Fomos de carro até a vila de Guiné, avançamos um pouco, deixamos a Fiona ali no campo, subimos para os Gerais do Rio Preto, caminhamos até o mirante e entramos no Vale do Pati rumo à Igrejinha, nosso ponto de apoo na região. Ali, nos instalamos em um confortável colchão e fomos alimentados com um delicioso strogonoff de frango e carne, misturados e muito bem temperados. Lá do mirante, ainda tivemos uma bela aula de geografia do Pati e de suas grandes atrações. Cenários cinematográficos, dignos de Avatar e de Harry Potter.

O Lúcio nos mostra a Igrejinha, nossa base no Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA

O Lúcio nos mostra a Igrejinha, nossa base no Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA


Como já dizia a música: "O Vale do Pati continua lindo...". Vamos conferir pelos próximos dois dias...

Brasil, Bahia, Vale do Pati (P.N. Chapada Diamantina), Chapada Diamantina, Igrejinha, Parque, Trekking, trilha

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Em Port of Spain

Trinidad e Tobago, Port of Spain

Mapa de Trinidad e Tobago.

Mapa de Trinidad e Tobago.


A ilha de Trinidad, a maior ilha do Caribe se não considerarmos as quatro grandes (Cuba, Hispaniola, Jamaica, Porto Rico), foi batizada por Cristóvão Colombo. A cerca de 20 km de distância do continente sul-americano (Venezuela), ela permaneceu uma colônia espanhola até o finalzinho do séc XVIII, quando foi conquistada pelos ingleses. Já sua companheira Tobago permaneceu como um paraíso de piratas até cerca de 1760, quando os ingleses resolveram levar a sério sua colonização. Foi somente 120 anos mais tarde que os ingleses resolveram unir as duas ilhas numa só administração, e assim elas continuam, como duas boas vizinhas.

A Residência do Bispo, um dos 'Sete Magníficos', em frente ao Queen's Park Savannah, em Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago

A Residência do Bispo, um dos "Sete Magníficos", em frente ao Queen's Park Savannah, em Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago


A população original de índios foi praticamente dizimada, transformada em escravos e levada para as grandes fazendas do continente. Quando as fazendas chegaram às duas ilhas, foi necessário trazer escravos da África para as "plantations" de cana-de-açúcar e arroz. Com o fim da escravidão os negros saíram das fazendas e foram substituídos por imigrantes indianos, que vinham trabalhar sob uma forma de servidão. Essa imigração indiana deixou suas marcas. Hoje, 40% da população é descendente dos indianos, enquanto outros 40% tem antecedência africana. É possível encontrar templos hindus por todo o país.

O Queen's Royal College, um dos 'Sete Magníficos', em frente ao Queen's Park Savannah, em Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago

O Queen's Royal College, um dos "Sete Magníficos", em frente ao Queen's Park Savannah, em Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago


A capital Port of Spain tem cerca de 50 mil habitantes, mas a região metropolitana tem 250 mil, pouco mais de vinte por cento da população do país. A cidade tem fama de perigosa e, até onde conseguimos checar, realmente não se deve caminhar por ela de noite. Mas de dia, achamos muito segura. A nossa Guest House é meio afastada do centro, então nem dá para caminhar para lá. O negócio é usar o principal meio de transporte da cidade, chamado de "route taxi". São carros-táxis que circulam em roteiros definidos e podem parar em qualquer lugar deste roteiro. Ao custo de 1 real, são muito "convenientes". O único problema é que não tem uma cor especial que os diferencie dos outros carros. A diferença está é na placa, que começa com a letra H (de Hired). Os outros carros tem placas que iniciam com P (de Private) e T (de Transport - camionetes, vans e caminhões).

O prédio futurista da NAPA (National Academy of Performing Arts) em Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago

O prédio futurista da NAPA (National Academy of Performing Arts) em Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago


Hoje, após a bendita chuva passar, já perto da hora do almoço, pegamos um route taxi para o centro e descemos ao lado do Savannah, um enorme parque no meio da cidade com grandes áreas abertas e campos de cricket e futebol, os esportes nacionais. A avenida que circunda o parque só tem uma mão. Como ex-colônia inglesa, a mão é trocada e os carros giram em volta do parque em sentido horário. O pessoal daqui gosta de dizer que o Savannah, na verdade, é o maior "round-about" (rotatória) do mundo. No seu lado oeste, há uma fileira de sete prédios, os "magnificent seven", construídos no início do séc XX, que são uma das atrações da cidade. Um colégio, um prédio público, a casa do bispo, uma imitação de castelo escocês, uma casa particular, enfim, nada relacionado entre si, nenhum deles aberto à visitação, mas uma bela e interessante visão.

Encontro com brasileiros, um curitibano e um Junqueira, em Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago

Encontro com brasileiros, um curitibano e um Junqueira, em Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago


De lá seguimos, ainda em frente ao parque, a um prédio futurista, a National Galery for Performing Arts. Construção colossal! Em cartaz: West Side Story. Ao visitar o prédio, demos de cara com dois brasileiros, judeus, que vieram para uma apresentação sobre o judaísmo. Um deles é de Curitiba e o outro é primo meu, um Junqueira! Mundo pequeno, hein!

A catedral de em Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago

A catedral de em Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago


Tentando driblar a chuva, que ía e voltava, fomos ver as duas grandes catedrais da cidade, a anglicana e a católica. A primeira fica na simpática Woodford Square, local de discursos e discussões inflamadas num púlpito aberto a quem queira falar. A segunda no fim da Indepence Square, na verdade um grande boulevard e local mais movimentado da cidade, um calçadão em meio a uma avenida que corta o centro financeiro de Port of Spain. Aproveitamos estarmos bem no centro para já comprar nossas passagens de ferry para Tobago, na terça de tarde. Bem baratinho, preço subsidiado pelo governo, duas horas e meia de viagem por seis dólares. A volta será de avião, também baratinho: 20 dólares para um vôo de 25 minutos.

Night no Cocoa Lounge, em Port of Spain, em Trinidad e Tobago

Night no Cocoa Lounge, em Port of Spain, em Trinidad e Tobago


Fim de tarde, passamos num lugar legal de happy hour na Av. Arapina, local onde estão os bares e restaurantes. Depois, route taxi de volta ao hotel. O simpático motorista nem nos deixou pagar!

Botecão movimentado em Port of Spain, em Trinidad e Tobago

Botecão movimentado em Port of Spain, em Trinidad e Tobago


De noite quisemos voltar à cidade, para jantar e ver o agito. Mas a essa hora já não há mais route taxis. A única solução, para quem não tem carro, é combinar tudo com um taxi normal. Assim, por 30 dólares, o cara nos levou para a Arapina e combinou de nos pegar de volta à uma da manhã. Caminhar a esta hora, fora da Arapina, nem pensar! Jantamos num dos hot-spots da cidade e esticamos por lá mesmo, pista de dança e muita badalação. Mas quando estava começando a esquentar, era a hora que tínhamos marcado com o taxista. Foi até bom, porque amanhã temos um longo dia de passeios pela ilha já marcado!

Caminhando na Praça da Independência, que na verdade é um boulevard, em Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago

Caminhando na Praça da Independência, que na verdade é um boulevard, em Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago

Trinidad e Tobago, Port of Spain, Trinidad

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Despedida da Islândia

Islândia, Reykjavik

Bairro tranquilo de Reykjavik, na Islândia

Bairro tranquilo de Reykjavik, na Islândia


Hoje cedo ainda tivemos algumas poucas horas para caminhar em Reykjavik, a capital da Islândia, antes do nosso horário do avião aos Estados Unidos. A capital islandesa é uma das mais limpas, verdes e seguras cidades do mundo, então é sempre um grande prazer andar por suas ruas, praças e parques. Não podíamos perder essa última chance.

Arte em parque de Reykjavik, capital da Islândia

Arte em parque de Reykjavik, capital da Islândia


O restaurante girattório que comemos na noite anterior em Reykjavik, na Islândia

O restaurante girattório que comemos na noite anterior em Reykjavik, na Islândia


O primeiro colonizador da Islândia, o viking Ingólfur Arnarson se estabeleceu na área onde hoje é Reikjavik no ano 870, mas passaram-se outros 900 anos até que houvesse algum desenvolvimento urbano. Tecnicamente, a cidade teria sido “fundada” em 1786 e só tem, então, pouco mais de 200 anos de idade. O desenvolvimento verdadeiro só veio na segunda metade do séc. XIX, com o aumento da migração interna, e principalmente durante a após a 2ª Guerra Mundial. Aliás, durante a guerra, havia quase o mesmo número de soldados estrangeiros e habitantes locais na cidade.

Não é muito fácil entender as placas em Reykjavik, na Islândia

Não é muito fácil entender as placas em Reykjavik, na Islândia


Reykjavik, na Islândia

Reykjavik, na Islândia


Ontem de noite nós estivemos caminhando na rua Laugavegur, principal centro comercial e de bares da capital. Uma curiosidade sobre a história de Reykjavik e de todo o país (afinal, 2/3 da população islandesa está na cidade e seus subúrbios) é que até a pouco tempo atrás era proibido a venda de cerveja por aqui, inclusive nos bares da Laugavegur. A origem dessa proibição está numa “Lei Seca” de 1915. Seis anos depois, por pressão espanhola, foi liberado o consumo de vinho. Em 1935, todas as bebidas mais fortes foram liberadas também. A proibição só se manteve para a chamada “cerveja forte”, aqui definida como aquelas com graduação acima de 2,5%. Ou seja, todas as cervejas de verdade! Foi apenas no dia 1º de Março de 89 que essa proibição caiu e a data é celebrada no país como o “dia da cerveja”. Tão recente é esta liberação que o assunto continua forte no imaginário da nação. Enfim, rapidamente a bebida tornou-se a preferida dos islandeses e a gente pode perceber isso na noite de ontem.

A Ana admira o interior da catedral luterana de Reykjavik, na Islândia

A Ana admira o interior da catedral luterana de Reykjavik, na Islândia


O belo interior da catedral luterana de Reykjavik, na Islândia

O belo interior da catedral luterana de Reykjavik, na Islândia


Bem, hoje ainda estava meio cedo para uma cerveja, então a gente se limitou a passear um pouco. Primeiro, fomos até a catedral anglicana, que só tínhamos visto do lado de fora. Muito imponente por fora e ampla por dentro, o principal marco arquitetônico da cidade. Do lado de dentro, além da arquitetura arrojada destaca-se o enorme órgão usado nos concertos dominicais. Do lado de fora, bem em frente aà igreja, uma estátua faz justa homenagem a Leif Ericsson, o viking que descobriu a América 500 anos antes de Colombo. Como a história poderia ter sido diferente se aquele assentamento tivesse prosperado...

Estátua que homenageia Leif Ericsson, o descobridor da América, 500 anos antes de Colombo (Reykjavik, na Islândia)

Estátua que homenageia Leif Ericsson, o descobridor da América, 500 anos antes de Colombo (Reykjavik, na Islândia)


Porto de Reykjavik, na Islândia

Porto de Reykjavik, na Islândia


Depois, simplesmente caminhamos pelos parques e ruas, saboreando a tranquilidade que nos cercava. Há muita arte nas ruas, paredes pintadas por artistas e estátuas espalhadas pelos espaços. A ordem é impecável, trânsito e pedestres. Cercado por amplos subúrbios residenciais, o centro não é grande e podemos conhecê-lo rapidamente, o mar sempre perto, a poucas quadras de nós.

Arte nas ruas de Reykjavik, na Islândia

Arte nas ruas de Reykjavik, na Islândia


Arte nas ruas de Reykjavik, na Islândia

Arte nas ruas de Reykjavik, na Islândia


Por fim, tivemos de nos render ao tempo e seguir para o aeroporto internacional que é bem distante do centro a mais de 50 quilômetros. Chegamos com folga e ainda tivemos tempo para um lanche gostoso. Agora sim, acompanhado de cerveja local, as mesmas que vimos espalhadas pelo país. Tínhamos que fazer um último brinde a este país surpreendente, a começar pelo fato de ser parte da América, apesar de ninguém saber disso, hehehe. América ou Europa, não importa, é um lugar fantástico para se conhecer e sempre terá lugar de honra nos nossos 1000dias por toda a América!

Balcão de comida no aeroporto de Reykjavik, na Islândia

Balcão de comida no aeroporto de Reykjavik, na Islândia


Já no aeroporto, nossa última refeição em Reykjavik, na Islândia

Já no aeroporto, nossa última refeição em Reykjavik, na Islândia


Falando nisso, de volta a Orlando, onde a Fiona está com coceira para botar as rodas na estrada. Toda a costa Leste nos espera!

Hora de voltar aos Estados Unidos, no aeroporto de Reykjavik, na Islândia

Hora de voltar aos Estados Unidos, no aeroporto de Reykjavik, na Islândia

Islândia, Reykjavik, cidade, história

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Rumo ao Hawai'i

Hawaii, Oahu-Honolulu, Big Island-Hilo

Rearrumação da bagagem antes da viagem para o Havaí (no estacionamento do nosso hotel no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos)

Rearrumação da bagagem antes da viagem para o Havaí (no estacionamento do nosso hotel no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos)


Chegou finalmente o dia de viajarmos ao Havaí, ou Hawaii, ou Hawai’i, ou Rau-ai, ou Ra-uai, Não importa como se escreva ou se fale (a 3ª grafia é a mais correta), faz tempo que esse arquipélago localizado no meio do Oceano Pacífico está nos meus planos, sonhos e imaginação.

Eu tinha uns cinco anos de idade quando começou, lá em casa, uma misteriosa ideia de que a família iria se mudar para o Havaí, daí a dois anos. Não sei de onde nasceu essa ideia, só sei que ela era apropriadamente usada na hora das refeições, como uma espécie de “estímulo” para que as crianças (eu e meus irmãos) terminassem seus pratos: “Se não comer direito, não vai para o Havaí”. O nome evocava uma terra mágica, vida boa, ondas grandes e verão sem fim.

O Havaí fica, literalmente, no meio do Oceano Pacífico

O Havaí fica, literalmente, no meio do Oceano Pacífico


Essa atmosfera de uma terra misteriosa era alimentada também por um seriado americano que fazia sucesso na época. Os mais velhos se lembrarão. Chamava-se “Havaí 5-Zero” e tratava da rotina policial da ilha. Passava de noite, hora em que eu já deveria estar na cama. Nunca assisti a nenhum episódio, mas a música da abertura e as imagens das grandes ondas, nunca mais iria esquecer. Hoje, graças ao YouTube, é fácil matar as saudades! Para quem quiser ouvir a música ou ver as imagens do Havaí na década de 70, segue o vídeo abaixo:



O tempo passou e a infância virou adolescência. Agora, aquela história de e mudar para o Havaí em dois anos já não me pegava. Em compensação, meu interesse por astronomia e coisas ligadas ao espaço, alimentados pela premiada série de TV e livro Cosmos, de Carl Sagan, me levaram de volta ao Havaí. Tanto por causa das incríveis imagens de erupções vulcânicas como pelo observatório astronômico de Mauna Kea, a maior montanha do mundo, bem no coração da Big island, a maior ilha do arquipélago. A minha noção do Havaí se ampliava. Além de ondas, também tinham vulcões! Na TV, já não mais passava o antigo seriado policial. Em compensação, chegava às telas outro enlatado americano, que também era ambientado nas ilhas do Pacífico. Já mais velho, agora eu podia assistir os episódios também, além da abertura. Estou falando do Magnun, do Tom Sellek.



Por fim, cheguei à vida adulta e os interesses continuaram a mudar. Agora, eu gostava de Triatlo e me impressionava com os atletas que encaravam um Iron Man. Pois essa prova nasceu justamente no Havaí, mais precisamente na Big island. Kona continua sendo a referência do esporte e eu passei a sonhar em, um dia, quem sabe, me classificar para fazer essa prova. O sonho teve de ser adiado por causa dos 1000dias, mas nunca é tarde para tentar!

Mas antes de chegar lá por causa do triatlo, chegamos ao Havaí por causa da nossa viagem mesmo! Nossos planos originais eram ter viajado para as ilhas logo que chegamos aos EUA, em Março passado. Mas acabamos mudando de ideia e o sonho teve de esperar mais alguns meses. Foi difícil esperar, mas o dia chegou. Passagens compradas, era a hora de planejar o circuito por lá.

O arquipélago do Hawaii e suas principais ilhas

O arquipélago do Hawaii e suas principais ilhas


Quem fez isso foi a Ana. Laboriosamente, ela passou a ler os posts da Lucia Malla (brasileira que mora por lá e tem um estilo delicioso de se ler!), que foram a base para nosso roteiro. Optamos por conhecer as quatro ilhas principais e tínhamos de encaixar isso em 17 dias. Obviamente, não daria para conhecer tudo, mas daríamos uma boa pincelada nas maravilhas do arquipélago, sua história e geologia, suas praias e montanhas, vulcões e cachoeiras, abaixo e acima d’água. Melhor, vamos ter a companhia de nossos infalíveis amigos e padrinhos, o Rafa e a Laura, os mesmos que vieram nos encontrar em Galápagos e em Cuba. Vão estar conosco em três das quatro ilhas visitadas.

Localizado literalmente no meio do Oceano Pacífico, longe de tudo e de todos, o Havaí é uma verdadeira “fábrica de ilhas”. Ele está bem acima de um chamado “hot spot”, local onde o magma do centro da Terra escapa para a superfície, furando a crosta terrestre e cuspindo fogo e lava para aliviar a pressão. Ocorre que, bem nesse ponto, acima da crosta terrestre, estão seis quilômetros de água, que é a profundidade do Oceano Pacífico naquele ponto. Não tem problema! Milhares e milhares de anos de erupções subaquáticas vão criando uma montanha submarina que, eventualmente, chega à superfície. Chega e continua crescendo, outros quatro mil metros. Está formado uma ilha! Enquanto isso, a placa tectônica do Pacífico vai se movendo lentamente, poucos centímetros ao ano, em direção noroeste. Depois que algumas dezenas de milhares de anos nesse ritmo, a nova ilha, que se move junto com a placa, já está longe da Hot Spot que a criou, que ficou paradinha lá trás. A ilha, então, para de crescer. Pior, passa a ser consumida pela erosão do ar e do mar. Literalmente, se desmancha. Do pó viemos, ao pó retornaremos. Essa máxima vale até para as montanhas! Mas, enquanto uma ilha se desmancha lentamente, ao mesmo tempo em que se move para o noroeste, uma outra, novinha em folha, está sendo formada alguns quilômetros para trás, lá encima daquela nervosa Hot Spot.

O processo de formação vulcânica das ilhas havaianas

O processo de formação vulcânica das ilhas havaianas


Isso é o Havaí: uma sequência de ilhas no sentido sudeste-noroeste, algumas se formando, outras se acabando. As mais antigas já não são mais ilhas, descansando em paz abaixo do nível do mar. Outra, já está quase chegando à superfície, faltando “apenas” mil metros para chegar lá. No meio delas, as ilhas atuais. As principais,por faixa etária crescente, são a Big Island, Maui, Oahu e Kauai. Quanto mais nova (Big island), mais ativo o vulcanismo. Quanto mais velha (Kauai), mais tempo teve a vegetação de tomar conta da ilha. Por isso, Kauai é conhecida como a “Green Island”, tomada por florestas.

Nosso circuito aéreo entre as ilhas do Havaí, chegando na Big island, voano para Maui, Kauai, Oahu e daí, de volta à Los Angeles

Nosso circuito aéreo entre as ilhas do Havaí, chegando na Big island, voano para Maui, Kauai, Oahu e daí, de volta à Los Angeles


Nós seguiremos primeiro para a Big Island, também conhecida como Hawaii. Loucos para ver vulcões em atividade! Daí seguimos para Maui, a ilha mais chique. Será onde encontraremos o Rafa e a Laura. Daí, voaremos para Kauai, onde as mais belas paisagens do arquipélago nos esperam. Por fim, Oahu, onde está a capital Honolulu, a famosa praia de Waikiki e as ondas gigantes de Waimea e Pipeline. Entre as ilhas, o caminho é sempre voar, pois não há barcos que fazem o trajeto (estranho! Será que têm medos das ondas?). Dentro de cada ilha, vamos alugar carros para nos ajudar a chegar nos lugares mais interessantes. Transporte público, com raras exceções, não é o forte da pátria do automóvel.

A famosa rodovia One, no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos

A famosa rodovia One, no Big Sur, ao sul de Carmel, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos


Enfim, é isso aí. Hawaii, aí vamos nós! Na verdade, já viemos! Saímos hoje cedo do nosso simpático hotel dos Yurts no Big Sur, dirigimos até Los Angeles, deixamos a Fiona num estacionamento ao lado do aeroporto (por menos de 10 dólares por dia!) e enfrentamos as 5 horas até Hilo, na Big island. O relógio se atrasou duas horas e agora já estamos oito horas atrás do Brasil! Chegamos de noite, então ainda não deu para ver nada! Já estamos de posse do nosso jipão vermelho (amanhã tem fotos dele!) e agora, dormiremos mais ansiosos do que nunca para começar a ver e conhecer esse paraíso que frequenta minha imaginação há tanto tempo. Ainda bem que comia tudo direitinho, na minha tenra infância. Mas que esses “dois anos” demoraram para passar, isso demoraram!

Hawaii, Oahu-Honolulu, Big Island-Hilo, Big Island, Kauai, Maui, Oahu

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Machu Picchu

Peru, Machu Picchu, Aguas Calientes

A incrível Machu Picchu, no Peru

A incrível Machu Picchu, no Peru


Na segunda metade do século XV, o império inca vivia seu apogeu, nos reinados de Pachacutec e de seu filho Yupanqui. Segundo os arqueólogos, foi nessa época que foi construída a cidade que hoje conhecemos como Machu Picchu. No início, seria uma espécie de fazenda, ou propriedade de campo, do grande Pachacutec, desenvolvendo-se mais tarde como uma vila. Estava localizada numa espécie de platô natural em meio às montanhas do vale do rio Urubamba, a 80 quilômetros da capital Cusco e a 2.400 metros de altitude.

De manhã bem cedo, ainda vazia, as ruínas de Machu Picchu, no Peru

De manhã bem cedo, ainda vazia, as ruínas de Machu Picchu, no Peru


Lhamas caminham tranquilamente pelas ruínas Machu Picchu, no Peru

Lhamas caminham tranquilamente pelas ruínas Machu Picchu, no Peru


Não teve uma vida longa. Menos de 100 anos após sua criação, um evento catastrófico para a civilização inca significaria também o fim da cidade: a chegada dos espanhóis e, com eles, da varíola. Na verdade, os espanhóis nunca chegaram à cidade e nem ouviram falar dela, pois Machu Picchu não era muito importante no mundo inca. Mas a doença sim, chegou lá, matando e expulsando todos os habitantes da pequena cidade. Machu Picchu ficou deserta, entregue a natureza e à vegetação que reconquistaram seu espaço.

De manhã bem cedo, ainda vazia, as ruínas de Machu Picchu, no Peru

De manhã bem cedo, ainda vazia, as ruínas de Machu Picchu, no Peru


Cruzando com lhamas nas ruínas de Machu Picchu, no Peru

Cruzando com lhamas nas ruínas de Machu Picchu, no Peru


Enquanto isso ocorria, os incas lutavam pela sobrevivência de sua civilização. Sua capital foi conquistada e eles foram expulsos da região andina em 1539, refugiando-se na região amazônica, onde fundaram uma nova capital, Vilcabamba. Aí permaneceram como nação livre por mais três décadas, até a conquista total por parte dos espanhóis, em 1572. Mas antes de perderem sua nova capital, resolveram destruí-la por completo, numa espécie de tática da terra arrasada, para que os espanhóis não se estabelecessem por ali. A tática funcionou, mas os espanhóis capturaram o líder inca e o executaram. Com ele, morreu também toda uma civilização. E Vilcabamba perdeu-se na história e na selva, tornando-se quase uma lenda, a cidade perdida dos incas, onde estariam escondidos seus tesouros.

Bem cedo, explorando uma ainda vazia Machu Picchu, no Peru

Bem cedo, explorando uma ainda vazia Machu Picchu, no Peru


Lhamas caminham tranquilamente pelas ruínas Machu Picchu, no Peru

Lhamas caminham tranquilamente pelas ruínas Machu Picchu, no Peru


A partir de meados do século XIX, arqueólogos e caçadores de tesouros passaram a buscar Vilcabamba, a cidade que aparecia em diversas crônicas espanholas, mas que nunca havia sido redescoberta. Da pequena Machu Picchu, ninguém tinha ouvido falar. Pois bem, finalmente, em 1911, o historiador americano Hiram Bingham voltava ao Peru. Ele já havia estado por aqui várias vezes, disposto a encontrar a mitológica “lost city”. Tinha agora uma nova pista, boatos sobre essas ruínas quase no topo de uma montanha. Conhecida dos habitantes locais há várias gerações, foi um menino de apenas onze anos que guiou o historiador vale adentro e montanha acima até as ruínas de Machu Picchu. O local era habitado por uma família nativa que usava os terraços para agricultura de subsistência, além da criação de lhamas. Bingham não teve dúvidas: tinha encontrado a antiga capital do império e Machu Picchu “apoderou-se” do apelido que não lhe pertencia de direito – a cidade perdida dos incas. Por uma grande ironia, o próprio Bingham já havia estado nas ruínas da verdadeira capital, Vilcabamba, mas não havia reconhecido sua importância. Ao contrário, ficou hipnotizado pela imponência de Machu Picchu e seus arredores. Vilcabamba teria de esperar outras seis décadas para ter seu valor reconhecido.

Explorando as ruínas de Machu Picchu, no Peru

Explorando as ruínas de Machu Picchu, no Peru


Um lindo dia em Machu Picchu, no Peru

Um lindo dia em Machu Picchu, no Peru


Já Machu Picchu, nunca mais perdeu a fama. Ao contrário, desde que a National Geographic deu-lhe publicidade, dois anos após sua descoberta para o mundo exterior, a cidade tornou-se um ícone da arqueologia, da civilização inca e da América do Sul, atraindo cada vez mais turistas. O mato foi cortado, a grama aparada, as construções restauradas ou refeitas e sua visão passou a ser um verdadeiro colírio para aqueles que tem a sorte de aqui chegar, uma verdadeira pintura no meio de tantas montanhas, picos, vales e florestas.

Terraços e plataformas em Machu Picchu, no Peru

Terraços e plataformas em Machu Picchu, no Peru


Céu azul em Machu Picchu, no Peru

Céu azul em Machu Picchu, no Peru


Mas, além da beleza hipnotizante, Machu Picchu tem outra singularidade que a torna muito especial. Justamente por ter tido menos importância naquela época, os espanhóis nunca chegaram até ela. E isso fez com que ficasse muito melhor conservada que as outras cidades incas, pois além de pilharem tesouros e palácios, os espanhóis costumavam destruir tudo o que considerassem símbolos de religiões pagãs. Assim, eram poucas as estátuas e altares que resistiam á fúria “civilizatória” dos europeus. Como não chegaram à Machu Picchu, a cidade manteve-se como um verdadeiro museu para os estudiosos, talvez o melhor centro de estudos da civilização inca.

Machu Picchu, no Peru

Machu Picchu, no Peru


Bem, a destruição que não veio com os espanhóis, acabaria vindo com a quantidade interminável de turistas que querem visitar essa maravilha. Assim, medidas restritivas de visitação vem sendo impostas nos últimos anos, uma tentativa de conciliação entre a preservação e a visitação. Por exemplo, o número de visitantes, agora, é restrito a 2.500 por dia. Além disso, os caminhos pela cidade agora são restritos. Praças e áreas mais amplas, agora, são território exclusivo de lhamas que vivem por ali.

A fila para entrar em Wayna Pichu, em Machu Picchu, no Peru

A fila para entrar em Wayna Pichu, em Machu Picchu, no Peru


As ruínas de Wayna Pichu, em Machu Picchu, no Peru

As ruínas de Wayna Pichu, em Machu Picchu, no Peru


Uma total evolução da Machu Picchu que conheci há 23 anos. Naquela época, não havia restrições de número. De qualquer maneira, não chegavam tantos assim por lá. As praças eram abertas (eu até tirei uma soneca em uma delas!) e alguns turistas até subiam nas ruínas, para um melhor ângulo para fotografar ou ser fotografado. Hoje, são dezenas de guardas por ali, para impedir uma barbaridade dessas. Pode-se escutar seus apitos restritivos o tempo todo! Outras mudança foi levar o comércio todo para fora da área das ruínas. Não se pode entrar com comida em Machu Picchu. Em 1990, havia até um MacDonalds lá encima!

Espelhos d'água em Machu Picchu, no Peru

Espelhos d'água em Machu Picchu, no Peru


Para quem gosta de tranquilidade, o negócio é chegar cedo. A partir das 10 da manhã, quando começam a chegar os grupos vindos diretamente de Cusco, são centenas e centenas de pessoas perambulando em fila indiana pelo caminho que dá a volta na cidade. Apenas um sentido é permitido, para facilitar o “escoamento”. Para quem chega cedinho, os guardas permitem que se ande para lá e para cá. Mais tarde, impossível!

Às seis da manhã, chegando à Machu Picchu, no Peru

Às seis da manhã, chegando à Machu Picchu, no Peru


1000dias em Machu Picchu, no Peru

1000dias em Machu Picchu, no Peru


Nós, como disse no post anterior, chegamos bem cedo. Praticamente, abrimos a cidade. demos nossas voltas, assistimos a um inesquecível nascer-do-sol e tiramos nossas fotos. Verificamos a possibilidade de subir Wayna Picchu, mas nessa época doa no, é completamente impossível conseguir um ingresso. As entradas para essa mágica montanha ao lado da cidadela estavam esgotados até o final de Agosto! São permitidas apenas 400 pessoas por dia, em duas turmas de 200. A Ana já havia subido em 2006, mas eu fiquei só na vontade. Quem mandou eu ter preguiça em 1990?

Com o Gustavo, nas ruínas incas de Machu Picchu, no Peru

Com o Gustavo, nas ruínas incas de Machu Picchu, no Peru


Machu Picchu, no Peru

Machu Picchu, no Peru


Bem, ruínas visitadas, multidão chegando, tratamos de seguir na programação. Primeiro, fomos até uma incrível ponte inca, construída em um paredão de pedra com mais de cem metros de altura. Era uma das vias de acesso à cidade, a mais incrível delas, coisa de cinema, que pensamos existir só nos filmes de Indiana Jones. Que nada! Existe aqui! A via só está aberta até a ponte, mas podemos vê-la serpenteando pelo precipício. Imaginar os incas correndo por ali, carregando lenha e filhos nas costas, é uma viagem. O Gustavo não resistiu e foi até a ponte para tirar umas fotos. Felizmente, os guardas não vão até ali...

Caminhando na trilha da ponte em Machu Picchu, no Peru

Caminhando na trilha da ponte em Machu Picchu, no Peru


A bela paisagem ao redor de Machu Picchu, no Peru

A bela paisagem ao redor de Machu Picchu, no Peru


Depois, hora de subir a montanha. A mais alta ao lado de Machu Picchu tem 3 mil metros de altura, quase 500 mais alto que a própria cidade. Também é preciso fazer reserva para ir lá, mas ela é bem menos disputada que Wayna Picchu. Tínhamos feiro reserva para a Ana e para o Gustavo (e pago por isso!), mas não para mim. Lá em Cusco, eu ainda tinha esperança de, no último momento, conseguir entrar em Wayna. Não consegui. Pior, também não consegui para a montanha. Assim, tivemos de nos separar novamente, o Gustavo e a Ana subindo e eu procurando outra coisa para fazer...

Observando uma antiga trilha inca que leva à Machu Picchu, no Peru

Observando uma antiga trilha inca que leva à Machu Picchu, no Peru


No final, não foi tão mal assim. Resolvi seguir para Inti Punku, o “portal do sol”, o local de onde chegam os primeiros raios a iluminar a cidade pela manhã e também o ponto de acesso de quem vem pela trilha inca, o caminho que fiz há mais de duas décadas. É uma boa subida para lá também, mas não tão alto como a montanha que subiam a Ana e o Gusrtavo. Mas, dos dois lugares, tem-se uma vista privilegiada da cidade e até de Wayba Picchu, que fica bem abaixo de nós. De Inti Punku pode-se ver também a estrada que sobe de Aguas Calientes enquanto que, do alto da montanha, tem-se uma visão ampla de todo o vale, Machu Picchu ficando bem pequenina lá de cima.

O Gustavo caminha para uma antiga e incrível ponte inca em Machu Picchu, no Peru

O Gustavo caminha para uma antiga e incrível ponte inca em Machu Picchu, no Peru


O Gustavo foi ver de perto essa incrível ponte inca construída em um penhasco próximo de Machu Picchu, no Peru

O Gustavo foi ver de perto essa incrível ponte inca construída em um penhasco próximo de Machu Picchu, no Peru


Para mim, foi emocionante voltar lá. Da outra vez, só estávamos eu e meu primo, impressionados e emocionados com a primeira visão da famosa cidade. Hoje, éramos algumas dezenas, mas Machu Picchu continua bela como sempre.

Em Inti Punku, com Machu Picchu e a estrada de acesso às ruínas, no Peru

Em Inti Punku, com Machu Picchu e a estrada de acesso às ruínas, no Peru


Com o Gustavo, no topo da montanha de Machu Picchu, no Peru

Com o Gustavo, no topo da montanha de Machu Picchu, no Peru


Voltei à cidade, dei uma última volta pelas ruínas (agora na fila indiana) e decidi descer à Aguas Calientes. A trilha estava bem menos movimentada e, para baixo, é sempre muito mais fácil. De volta à rua principal de Aguas Calientes, encontrei um bar bem confortável e esperei pela Ana e Gustavo, que chegaram bem mais cansados do que eu, depois da subida á montanha dos 3 mil metros. Mas o esforço foi recompensado pela vista maravilhosa que tiveram lá de cima, com direito à muitas e muitas fotos.

No topo das ruínas de Machu Picchu, no Peru, com as ruínas lá embaixo

No topo das ruínas de Machu Picchu, no Peru, com as ruínas lá embaixo


No topo das ruínas de Machu Picchu, no Peru, com as ruínas lá embaixo

No topo das ruínas de Machu Picchu, no Peru, com as ruínas lá embaixo


Depois, todos juntos, fomos às piscinas de águas quentes que deram nome a este lugar. É claro que, movimentada como está Aguas Calientes, as piscinas também estão. Principalmente por aqueles que caminharam tanto hoje ou nos últimos dias, todo mundo merecendo uma sessão de relaxamento. Encontramos um lugar na piscina mais quente e dali não saímos nas próximas horas. O máximo de esforço que fazíamos era levantar o braço para chamar o garçom. Afinal, o calor daquelas águas combinava com uma Cusqueña gelada.

Relaxando os músculos na concorrida piscina de águas termais de Aguas Calientes, no Peru

Relaxando os músculos na concorrida piscina de águas termais de Aguas Calientes, no Peru


Depois da caminhada à Machu Picchu, hora de relaxar em Aguas Calientes, no Peru

Depois da caminhada à Machu Picchu, hora de relaxar em Aguas Calientes, no Peru


Do banho para o jantar e do jantar para o trem. Tivemos uma viagem noturna para Ollantaytambo, onde nos esperava uma noite de poucas horas. Afinal, ainda no escuro, partiríamos, já de Fiona, para algumas horas de estrada até a pequena cidade de onde se inicia a caminhada para Choquequirao. Aí sim, uma longa e penosa caminhada nos espera. Machu Picchu foi só aquecimento, hehehe. Além disso, o prêmio do esforço será algo que, nos dizem, é comparável á Machu Picchu, mas com 100 vezes menos turistas. Vamos conferir!

A gloriosa Machu Picchu, no Peru

A gloriosa Machu Picchu, no Peru

Peru, Machu Picchu, Aguas Calientes, história, Inca, Parque, trilha

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O Outro Chacaltaya - 1a Parte

Bolívia, La Paz, Chacaltaya

Chegando à região do Chacaltaya, na Bolívia

Chegando à região do Chacaltaya, na Bolívia


No Brasil não há grandes altitudes. A nossa montanha mais alta “costumava” ter 3.014 metros de altura, a única acima dos 3 mil metros, mas mesmo ela perdeu esse status, alguns anos atrás, quando medições mais precisas realizadas por satélites mostraram que ela também está abaixo dos três quilômetros. De qualquer maneira, o Pico da Neblina está num ponto inacessível para a maioria dos brasileiros e a altitude mais alta que podemos chegar costumeiramente é a da cidade mais alta do Brasil, Campos do Jordão, pouco acima de míseros 1.700 metros. Para os poucos de nós que gostamos de subir montanhas, aí podemos ir pouco mais de 1.000 metros acima disso, em montanhas como o Pico do Itatiaia ou o Pico da Bandeira.

Com muita neve, caminhando para o Chacaltaya, perto de La  Paz, na Bolívia, em 1990

Com muita neve, caminhando para o Chacaltaya, perto de La Paz, na Bolívia, em 1990


Essa nossa “baixa estatura” é um estímulo a mais para viajar à países andinos, como Peru e Bolívia, onde podemos chegar à altitudes muito maiores. La Paz, por exemplo, na sua parte mais alta, está a 4 mil metros, enquanto seus bairros mais baixos estão “apenas” no dobro da altitude da nossa recordista Campos do Jordão, aos 3.400 metros. Note que não estamos falando de montanhas, mas de cidades! E não é qualquer cidade não, é a capital do país, a 4 mil metros de altura! Não é a toa que a Fifa quis proibir jogos oficiais por ali...

A mais de 5.300 metros de altitude, no Chacaltaya, perto de La  Paz, na Bolívia, em 1990

A mais de 5.300 metros de altitude, no Chacaltaya, perto de La Paz, na Bolívia, em 1990


Enfim, no início de Julho de 1990, quando o Pico da Neblina ainda tinha mais de 3 mil metros, essa era uma de minhas expectativas na viagem que fizemos à Bolívia e Peru: pela primeira vez, chegar tão alto! Como será que nosso corpo reagiria?

Com o Haroldo e o Marcelo, na estação de esqui do Chacaltaya, a 5.300 m de altitude, perto de La  Paz, na Bolívia, em 1990

Com o Haroldo e o Marcelo, na estação de esqui do Chacaltaya, a 5.300 m de altitude, perto de La Paz, na Bolívia, em 1990


Bom, diz o bom senso e também a ciência que, para uma boa adaptação, é preciso dar tempo para que o corpo se acostume. Mudanças fisiológicas para lidar com menos oxigênio no ar são necessárias e tomam tempo. O problema é que tempo era o que não tínhamos, apenas 30 dias para atravessar o país, chegar ao Peru, visitar as principais cidades e atrações e voltar ao Brasil de barco, pelo rio Amazonas. Então, sem espaço para “frescuras”. Após uma merecida noite de sono em Santa Cruz de La Sierra, depois de uma dura viagem no famoso “trem da morte”, não titubeamos e enfrentamos 24 horas de ônibus numa viagem até La Paz, com uma rápida parada em Cochabamba.

A mais alta estação de esqui do mundo, perto do cume do Chacaltaya, perto de La  Paz, na Bolívia, em 1990

A mais alta estação de esqui do mundo, perto do cume do Chacaltaya, perto de La Paz, na Bolívia, em 1990


Assim, saímos dos 500 metros de Sta Cruz, chegamos aos pouco mais de 2 mil de Cochabamba e já emendamos para os quase 4 mil de La Paz. Pronto, tínhamos chegado no topo! Tínhamos? Que nada...

Chegando à região do Chacaltaya, na Bolívia

Chegando à região do Chacaltaya, na Bolívia


Pertinho de La Paz há várias montanhas, algumas superando os 6 mil metros! Mas estas requerem tempo e habilidade de escalada. Mas há uma outra, chamada Chacaltaya, com quase 5.400 metros de altura, que era famosa por uma outra coisa: aí se encontrava a mais alta estação de esqui do mundo! Nós não esquiávamos, mas acontece que havia uma estrada até lá! Podia-se chegar de carro acima dos 5 mil metros! E o nosso livro-guia dizia que passeios eram oferecidos até lá. Ora, para nós brasileiros, a chance de chegar tão alto não podia ser perdida! Assim, desde a época do planejamento da viagem, já sonhávamos com esse passeio: chegar até a neve e a mais de 5 mil metros de altura!


Nosso caminho hoje, sempre por estradas de rípio: Saímos do centro de La Paz (A), seguimos para a montanha de Chacaltaya (B), onde a Fiona superou os 5.200 metros e, ao final do dia, chegamos ao hotel na belíssima região de Pampalarama (C)

Como tínhamos pouco tempo em La Paz, não podíamos perder tempo. Chegamos à cidade de manhã e já fomos procurar o Club Alpino, o único que oferecia esses passeios naquela época. Queríamos agendar o passeio para daí a dois dias, para ter pelo menos algum tempo de aclimatação. Mas eles disseram que não tinham nada agendado para aquela data, que a demanda estava pequena. Na verdade, nossa única chance seria na manhã seguinte mesmo, pois eles estariam levando uns suíços lá para cima, esquiadores que já estavam em La Paz há uma semana, para se aclimatar propriamente. Bem, sendo a única chance, não pudemos dizer não.

Lhamas pastoreiam na região do Chacaltaya, na Bolívia

Lhamas pastoreiam na região do Chacaltaya, na Bolívia


E assim, na manhã seguinte, de calça jeans, tênis e sacos plásticos entre as meias, estávamos prontos para seguir até lá encima. Os suíços ficaram impressionados (no mal sentido!) com nossa coragem (ou irresponsabilidade). De van, enfrentamos a estrada de terra rústica através do altiplano até o pé da montanha e depois as curvas intermináveis de subida. Tudo parecia bem até que, pouco acima dos 5 mil metros, a neve interrompeu a estrada. Dali em diante, só caminhando! Quase 300 metros de ganho vertical até a estação de esqui.

Lhamas pastoreiam na região do Chacaltaya, na Bolívia

Lhamas pastoreiam na região do Chacaltaya, na Bolívia


Os suíços carregavam suas pesadas mochilas, com equipamento e comida para os próximos dias. Nós, um lanche e a máquina fotográfica. Levinhos, saímos alegres e saltitantes, caminhando sobre a neve pela primeira vez na vida. Não demorou muito para, enfim, sentirmos a altitude. Faltava ar, faltava energia, as pernas e pulmões não mais obedeciam. Na base da força de vontade e do orgulho, seguíamos. Dois dos suíços com suas mochilonas nas costas me ultrapassaram, sobrando. Minha luta foi para chegar no alto antes que a mulher me alcançasse. Aí, já seria demais, hehehe. Lá no alto, me esperava o primo Haroldo, que sentiu menos o efeito da altitude. Para baixo, ficou o Marcelo, o outro companheiro de viagem. Quando ele finalmente chegou, estava passando mal e com muita dor de cabeça. Eu tinha melhorado um pouco e tivemos algum tempo para fotografar e admirar aquela imensidão branca, neve para todo lado, horizonte quase infinito à nossa frente. Mas tivemos de descer logo, pois o Marcelo não melhorava e os suíços, muito mais conscientes do que nós, já quase nos empurravam montanha abaixo.

Um belo lago entre as montanhas da região do Chacaltaya, na Bolívia

Um belo lago entre as montanhas da região do Chacaltaya, na Bolívia


Aí, descendo, todo santo ajuda, mas isso não impediu o Marcelo de vomitar algumas vezes. Eu estive bem até chegar em La Paz. Mas aí, fui tirar uma pequena pestana e só acordei 17 horas depois, o preço cobrado pelo organismo depois de tantos dias de viagem e de tanto esforço ao final. As lembranças do Chacaltaya mais se pareciam com um sonho. Principalmente depois de 23 anos...

Cascata de gelo na região do Chacaltaya, na Bolívia

Cascata de gelo na região do Chacaltaya, na Bolívia


Pois é, 23 anos depois, eis que estou de volta à La Paz. Dessa vez, acompanhado da amada esposa e vindos no sentido contrário, do Peru. Isso quer dizer que já estávamos muito bem aclimatados, pelo menos até os 4 mil metros. Além disso, ao contrário de 1990, quando nunca havia estado acima dos 3 mil metros anteriormente, agora tenho no currículo alguns picos acima dos 6 mil metros. Enfim, as circunstâncias são bem diferentes.

Um dos lagos na região do Chacaltaya, na Bolívia

Um dos lagos na região do Chacaltaya, na Bolívia


Diferentes para nós e para o Chacaltaya também. A montanha foi uma das primeiras vítimas das famosas “mudanças climáticas” e há muito tempo a pista de esqui foi desativada. Não há mais a neve necessária e as geleiras que descem das montanhas diminuem a olhos vistos, ano após ano. A paisagem que me esperava por lá era completamente diferente daquela que tinha em minhas enubladas memórias.

Estrada interrompida pela neve chegando ao Chacaltaya, na Bolívia

Estrada interrompida pela neve chegando ao Chacaltaya, na Bolívia


Além disso, dessa vez estamos de Fiona e não dependemos de agências! Se bem que, quando fomos a uma agência perguntar sobre as condições de estrada, disseram que dificilmente encontraríamos o caminho. Mas, na época do GPS, não dá para levar muito a sério uma conversa dessas...

A montanha que subimos na região do Chacaltaya, na Bolívia

A montanha que subimos na região do Chacaltaya, na Bolívia


E assim foi, curiosíssimos, deixamos nosso hotel hoje rumo ao Chacaltaya. A ideia era dirigir até o alto da montanha e, ainda hoje, tentar chegar em Coroico, descendo a notória “Carretera de la Muerte”. Caso não desse tempo, dormiríamos em algum lugar no caminho. Mas o foco principal era mesmo o Chacaltaya.

Início de caminhada em montanha na região do Chacaltaya, na Bolívia

Início de caminhada em montanha na região do Chacaltaya, na Bolívia


Conforme o esperado, o GPS nos guiou para fora da capital e de lá, através de pequenas estradas, até o grupo de montanhas onde está o Chacaltaya. Paisagem grandiosa, lhamas pastando com as montanhas nevadas ao fundo. Visão de se perder o fôlego, e não estou falando da altitude não! Por fim, já acima dos 4.500 mil metros, chegamos aos pés das montanhas. Até dava para ver uma pequena casinha lá encima. A memória antiga daquela paisagem aparecia em flashes para mim.

Caminhando na neve na região do Chacaltaya, na Bolívia

Caminhando na neve na região do Chacaltaya, na Bolívia


Nesse ponto, uma bifurcação na estrada. Pela esquerda, a estrada contornava o vale e subia a montanha pelo lado. Pela direita, a estrada descia o vale e, mais adiante, subia a montanha frontalmente. Seguimos o que dizia o GPS, para o lado direito, vale abaixo. Lá embaixo, uma base aparentemente abandonada e uma porteira trancada que conseguimos contornar com o carro, seguindo rastros frescos. A partir daí, uma contínua subida, curva após curva, estrada estreita e pouco confiável, desviando de precipícios. Paisagem cada vez mais bela.

Início da subida de montanha na região do Chacaltaya, na Bolívia

Início da subida de montanha na região do Chacaltaya, na Bolívia


Pelo GPS, fomos monitorando a altitude. Grande emoção ao superar os 5 mil metros. Grande expectativa ao superar os 5.080 metros, o antigo recorde da Fiona, na fronteira entre Chile e Bolívia, quando íamos do Atacama para o Salar de Uyuni. Grande curiosidade para ver até onde chegaríamos!

Voltando para a Fiona após caminhada em montanha na região do Chacaltaya, na Bolívia

Voltando para a Fiona após caminhada em montanha na região do Chacaltaya, na Bolívia


Mas, estava cada vez mais claro que aquela não era a estrada para a antiga estação de esqui. Onde será que estávamos? Bem, o que importa era que estávamos subindo! Foi quando, logo após os 5.200 metros, a estrada foi interrompida pela neve. Como há 23 anos atrás. E ainda havia uma montanha a frente de nós... Não tivemos dúvida, a Fiona ficaria por ali e nós continuaríamos. Se as rodas da Fiona não podiam enfrentar aquela neve, nossas botas estavam prontas para isso! Vamos ver até onde conseguiríamos chegar...

Muito gelo e neve em caminhada na região do Chacaltaya, na Bolívia

Muito gelo e neve em caminhada na região do Chacaltaya, na Bolívia

Bolívia, La Paz, Chacaltaya, montanha, trilha

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Jantar Caseiro

Equador, Quito

Jantar na casa do Christian, em Quito, no Equador

Jantar na casa do Christian, em Quito, no Equador


Depois da visita à Mitad del Mundo, conseguimos finalmente nos comunicar com nosso amigo Christian, que nos convidou para jantar na casa dele hoje de noite, a nossa última no país. Ele passou no nosso hotel no começo da noite e, junto com uma de suas filhas, nos guiou para a sua casa. Ainda fez questão de, em nossa homenagem, nos levar pelo mesmo caminho em que uma expedição de conquistadores chegou, pela primeira vez, à parte alta do Rio Amazonas para, de lá, navegar até o Atlântico. Lá se vão quase 480 anos dessa épica expedição.
Na sua casa, fomos muitíssimo bem recebidos por toda a família, as outras duas filhas e um filho, a esposa, um irmão e também os pais. Foram horas de conversa muito agradável, boa comida e vinho num gostoso clima familiar e de "doce lar" que há muito não tínhamos.

A 'ala jovem' do jantar na casa do Christian, em Quito, no Equador

A "ala jovem" do jantar na casa do Christian, em Quito, no Equador


Na conversa, adorei conversar com o pai de Christan, um senhor de 90 anos contemporâneo do Guyasamin. Aliás, ele não gostava nada do pintor, localizado no extremo oposto do espectro político. Contou também sobre uma viagem de carro há mais de 50 anos desde Quito até La Paz, em um fusca. Muito jóia!

A ala idosa do jantar na casa do Christian, em Quito, no Equador

A ala idosa do jantar na casa do Christian, em Quito, no Equador


Christian, muito obrigado pelos conselhos sobre o que fazer em Quito e, mais ainda por nos receber de forma tão calorosa em sua casa. Sempre será uma das nossas mais emocionantes memórias desse lindo país que é o Equador, que nos tratou e recebeu de forma tão hospitaleira.

Equador, Quito,

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A Capital dos Naufrágios

Granada, St Georges

Mergulhando na parte interna do navio-cruzeiro Bianca C, naufragado em 1961 em Granada

Mergulhando na parte interna do navio-cruzeiro Bianca C, naufragado em 1961 em Granada


Granada é considerada a “capital dos naufrágios do Caribe”, tal a quantidade de barcos afundados em águas mergulháveis ao redor da ilha. A gente já tinha ouvido falar disso, mas nessa correria nossa pelas ilhas caribenhas, chegamos aqui completamente esquecidos desse fato. Nossa última etapa nesse longo giro pela região, clima de final de viagem, já pensando no retorno a NY, estávamos meio perdidos por aqui, seguindo na inércia...

Em Grande Anse, embarcando para os mergulhos do dia (em Granada, no Caribe)

Em Grande Anse, embarcando para os mergulhos do dia (em Granada, no Caribe)


Mas ontem de manhã, antes de seguir para o Fort George, passamos no escritório de turismo e bastou um minuto folheando as várias revistas para relembramos o tesouro escondido nos mares granadinos. O problema é que só teríamos mais um dia no país, hoje, e ainda pensávamos em rodar de carro pelo interior. Sem contar que voaríamos no dia seguinte pela manhã, e não se deve mergulhar com menos de 24 horas antes de viagens de avião. Confabulamos e, dali mesmo, já ligamos para uma operadora para marcar uma sessão de mergulhos para hoje de manhã. Nossa ideia foi combinar tudo: o mundo subaquático com as montanhas e cachoeiras do interior de Granada, num dia corrido e intenso, daqueles que a gente adora!

Explorando a piscina do Bianca C, o enorme navio-cruzeiro naufragado em Granada

Explorando a piscina do Bianca C, o enorme navio-cruzeiro naufragado em Granada


E assim foi. Bem cedinho, já estávamos motorizados e seguindo para Grande Anse, a mesma praia que estivemos ontem de tarde. Aí estão os grandes hotéis de Granada e também as operadoras de mergulho, quase sempre dentro de algum resort. O mergulho escolhido por nós não deixava por menos: simplesmente, o Bianca C, conhecido como o “Titanic do Caribe”! Um navio-cruzeiro italiano que começou a operar logo depois da 2ª Guerra Mundial e que, em 1961, trazia centenas de cliente para um giro pelo Caribe. Quando estava aportado em St. George’s, uma de suas caldeiras explodiu, matando um tripulante e condenando o navio. A tripulação e passageiros foram retirados do barco e o Bianca C foi rebocado por uma fragata inglesa para longe do porto, onde pode naufragar em paz.

Mergulhando na parte externa do enorme naufrágio Bianca C, em Granada

Mergulhando na parte externa do enorme naufrágio Bianca C, em Granada


Para a sorte dos mergulhadores do futuro (nós!), eram águas mergulháveis, isso é, com profundidade de até 70 metros. Pois é, não é um mergulho para qualquer um, pois é preciso mais treinamento para mergulhos profundos. Mas, definitivamente, vale a pena! O navio tem cerca de 200 metros de comprimento e está dividido em dois, com quase toda a estrutura ainda em pé, apesar dos 50 anos de ação do mar. São necessários vários mergulhos para se conhecer todo o naufrágio, ainda mais que, nessa profundidade, o consumo de ar é muito maior e o tempo que podemos ficar por lá é muito menor, para mergulhos não-descompressivos.

Mergulhando na parte externa do enorme naufrágio Bianca C, em Granada

Mergulhando na parte externa do enorme naufrágio Bianca C, em Granada


Mas nós só tínhamos um mergulho. A ideia era só dar uma geral no naufrágio. Não iríamos até o fundo, na areia, pois com isso ganharíamos mais tempo e ar nos “andares acima”. Mergulhando um pouco acima dos 40 metros, teríamos 15 minutos de fundo e poderíamos ver uma boa parte do exterior do navio, de seus decks, dar uma olhada rápida em seu interior e até “mergulhar” na antiga piscina que fazia a festa dos turistas.

Escada de aparência fantasmagórica dentro do naufrágio do Bianca C, em Granada

Escada de aparência fantasmagórica dentro do naufrágio do Bianca C, em Granada


E assim foi. O Oscar, nosso guia, nos levou diretamente para a piscina, sua armações de metal retorcidas pela ação do tempo. De lá, começamos a navegar ao lado do barco, uma estrutura gigantesca e fantasmagórica naquela água azul própria de mergulhos profundos. Eram dezenas de aberturas para se olhar para dentro do barco, uma tentação enorme de fazer a penetração e explorar aquela gigantesca “caverna artificial”.

Mergulhando na parte interna do navio-cruzeiro Bianca C, naufragado em 1961 em Granada

Mergulhando na parte interna do navio-cruzeiro Bianca C, naufragado em 1961 em Granada


Mas não tínhamos tempo para isso, infelizmente. Entramos em um dos decks, mais espaçosos, eu fotografando e a Ana filmando. A visibilidade era de uns 20 metros, tudo muito azul. Difícil ter uma ideia de toda a grandiosidade do lugar pela foto, que não consegue capturar tudo. Mesmo os nossos olhos, a gente só vê um pedaço. Apenas nadando por lá é que se tem a ideia.

Chegando ao naufrágio Veronica L, em Granada

Chegando ao naufrágio Veronica L, em Granada


Logo já estávamos subindo para a superfície. O Bianca C foi se transformando apenas numa sombra e depois sumiu sob nós. Mas continua lá embaixo, imóvel, esperando novas visitas e explorações. Pelo menos até que o mar e a natureza acabem com seu trabalho de desmontá-lo.

Mergulhando no pequeno cargueiro Veronica L, em Granada

Mergulhando no pequeno cargueiro Veronica L, em Granada


Mergulhando no pequeno cargueiro Veronica L, em Granada

Mergulhando no pequeno cargueiro Veronica L, em Granada


Já nós, seguimos lentamente para o segundo ponto de mergulho, enquanto corria o chamado “tempo de superfície”, para que pudéssemos mergulhar novamente. O ponto escolhido foi outro naufrágio, este em águas rasas e o barco bem menor. Um pequeno cargueiro chamado Veronica L.

Entrando no compartimento de carga do Veronica L, em Granada

Entrando no compartimento de carga do Veronica L, em Granada


Respirando em uma bolha de ar a quase 10 metros de profundidade, no naufrágio Veronica L, em Granada

Respirando em uma bolha de ar a quase 10 metros de profundidade, no naufrágio Veronica L, em Granada


Aí tivemos mais de 40 minutos para explorar o barco e os corais ao seu redor. Aliás, a paisagem formada por esses corais parecia cenário de outro planeta. Acho que esses escritores e diretores de filmes de ficção científica vem ao fundo do mar, para buscar inspiração. Até o James Cameron confessou isso, com o seu “Avatar”.

uma enorme e linda moréia verde ao lado do naufrágio Veronica L, em Granada

uma enorme e linda moréia verde ao lado do naufrágio Veronica L, em Granada


uma enorme e linda moréia verde ao lado do naufrágio Veronica L, em Granada

uma enorme e linda moréia verde ao lado do naufrágio Veronica L, em Granada


Quanto ao pequeno Veronica L, duas cosias foram muito legais. Primeiro, ainda do lado de fora, uma gigantesca, talvez a maior que eu já tenha visto, moreia verde. Estava quase toda fora da toca, inchada, ameaçadora. Ao contrário das moreias pintadas, menores, dessa aí não tive coragem de me aproximar muito não. Como pode um bicho ser, ao mesmo tempo, tão bonito e tão feio?

Peixes nadam sobre corais que mais parecem um cenário de outro planeta, ao lado do naufrágio Veronica L, em Granada

Peixes nadam sobre corais que mais parecem um cenário de outro planeta, ao lado do naufrágio Veronica L, em Granada


A outra coisa muito interessante foi uma bolha de ar que se formou dentro do naufrágio, depois das milhares de visitas de mergulhadores. Assim, a quase dez metros de profundidade, pudemos tirar nossos reguladores e conversar lá embaixo. Um ar pesado, com o dobro da pressão da nossa atmosfera ao nível do mar, faz os sons ficarem meio estranhos. Muito joia!

A belíssima praia de Grande Anse, ao sul de St. George's, em Granada, no Caribe

A belíssima praia de Grande Anse, ao sul de St. George's, em Granada, no Caribe


Era meio dia quando voltamos à praia de Grande Anse. Apenas o tempo de um lanche rápido e dirigirmos rapidamente para o parque de Grand Etang, no interior montanhoso de Granada. Assunto para o próximo post...

Depois dos mergulhos, lanchando na praia de Grande Anse, ao sul de St. George's, em Granada, no Caribe

Depois dos mergulhos, lanchando na praia de Grande Anse, ao sul de St. George's, em Granada, no Caribe

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