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Bom dia, Onde poderei obter um "roteiro" de onde comer e dormir, para qu...
O maravilhoso mergulho noturno com arraias manta, em Kona, na Big Island, no Havaí
Quem nos acompanha aqui há algum tempo sabe, eu sou fanática pelo mundo sub. Se eu fosse um animal, sem dúvida seria um animal marinho. Peixe, mamífero, crustáceo, não importa, desde que viva em grupo e seja comunicativo, está valendo. A água tem um poder forte sobre mim, no mar eu me sinto em paz, eu me sinto em casa.
Examinando uma toca durante mergulho em Honaunau Bay, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí
Desde que comecei as pesquisas para o nosso roteiro no Hawaii estava de olho no que acontecia também embaixo d´água. Novamente o blog da brasileira radicada no Hawaii, Uma Malla pelo Mundo, foi uma ótima base de consultas, pois ela não apenas mora no Hawaii, como é bióloga marinha, especializada em tubarões, mergulhadora e ainda é casada com um baita fotógrafo sub. Enfim, não existe na blogosfera melhor fonte de informação sobre mergulhos no Hawaii do que a Lucia! Pelo twitter ela me passou todas as dicas, nomes de pontos de mergulho e snorkel em cada ilha. Neste dia eu confesso, não sabia se ria ou chorava, pois já sabia que não iria conseguir conhecer todos eles. Dois mergulhos aqui na Big Island, porém, já estavam no meu radar há muito tempo e a Lucia confirmou, são imperdíveis!
Peixes nadam por entre os corais de Honaunau Bay, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí
O Manta Ray Dive, mergulho com arraias jamantas, o maior tipo de raia que zanza pelos nossos mares, e o Black Water Dive, um mergulho com seres abissais, único e no mínimo super curioso! O que os faz especiais não é apenas o fato de estarem no Hawaii, mas as condições que a ilha reúne para que eles possam acontecer. Curiosamente ambos são noturnos, portanto você tem que ser certificado para tal e deve estar confortável o suficiente para mergulhar durante a noite.
Mergulhando na Honaunau Bay, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí
Estes dois mergulhos são tão procurados que já são vendidos em pacotes combo, já que ambos são mergulhos noturnos rasos e podem ser combinados em uma mesma noite. Várias operadoras de mergulho vendem o snorkel e o mergulho com as arraias mantas, mas apenas duas operadoras trabalham com o Black Water Dive, a Big Island Divers e a Jack´s Diving Locker que o batizou de Pelagic Magic Dive. Elas possuem datas fixas de saída, uma ou duas vezes na semana, dependendo da temporada e a que melhor se encaixou no nosso roteiro foi a data da Big Island Divers, que mandou muito bem na organização, foi muito atenciosa e flexível em agendar e nos ajudar a viabilizar o nosso mergulho na data em que precisávamos. Normalmente eles pedem no mínimo 3 mergulhadores para o Black Water, a terceira pessoa não apareceu e ao invés de cancelarem nos deram um super desconto para pagarmos pela terceira pessoa e fazermos uma saída exclusiva, afinal não é sempre que estamos no Hawaii com uma oportunidade como estas. Vamos ao que interessa, aos mergulhos!
Águas claras e muitos corais em Honaunau Bay, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí
Manta Ray Dive
O mergulho com as arraias mantas, ou jamantas, é um dos mais famosos mergulhos de Kona. As suas águas são ricas em plânctons e larvas de peixes, base alimentar de vários cetáceos e inclusive das mantas, a maior espécie de arraias nos oceanos.
O mergulho acontece de noite, quando as mantas estão em busca dos plânctons e se concentram principalmente no ponto conhecido como “campfire”, local onde as várias operadoras de mergulho montaram a base que dá um empurrãozinho na alimentação noturna das mantas. A 10m de profundidade em uma base de areia e pedras roliças lanternas estão colocadas no centro, formando a fogueira do “campfire” marcando a posição onde a festa vai rolar. Aos poucos o local começa a ser invadido por snorkelers e mergulhadores e aquilo que promete ser um pesadelo para qualquer mergulhador, logo se revela uma linda festa de luzes, que não aconteceria se todos não estivessem lá.
Aos poucos as arraias começam a chegar, uma a uma em seu balé gracioso, colando barriga com barriga com os snorkelers que boiam acima de nós e tirando finas dos mergulhadores enquanto buscam o plâncton atraído pela luz das nossas lanternas. Aos poucos nós vamos aprendendo a lidar com o movimento e a proximidade delas, manejando as lanternas para que elas passem cada vez mais perto de nós, com as suas imensas bocas abertas, filtrando todo o alimento que nós mal conseguimos enxergar.
O movimento padrão de alimentação é circular, elas abrem suas bocas enormes, passam sobre a lanterna onde está o plâncton e logo sobem, dando duas piruetas, voltando ao mesmo ponto para buscar o restante. Na noite que estivemos lá conseguimos contar 7 diferentes arraias que pareciam onipresentes, nadando e bailando por tudo, iluminadas no grande palco formado, com a plateia de mergulhadores sentados a sua volta. Uma cena fantástica e inesquecível!
Black Water Dive
O Hawaii é pioneiro neste mergulho conhecido como Black Water Dive, assim chamado, pois ele acontece em mar aberto e durante a noite. Um maluco um dia pensou, o que será que existe no mar aberto durante a noite? Ele se afastou em torno de 5 km da costa, aonde a profundidade chega a 2, 3 mil metros e ligado por uma corda a um barco saltou na água negra para descobrir. O que ele descobriu foi um mundo de criaturas luminescentes que sobem durante a noite a uma profundidade de 10 a 30 m para se alimentar, parear, passear, enfim, dar um rolé.
A caminho do nosso mergulho com as arraias manta, em Kona, na Big Island, no Havaí
Essas criaturas vivem na zona pelágica, onde não há luz e por isso não necessitam de cor, são quase todos transparentes e vários deles produzem pulsos elétricos e a sua própria luz. São diversos tipos de águas vivas, pequenos crustáceos, mini-lagostas, filhotes quase invisíveis de cavalos marinhos e seres microscópicos que formam colônias imensas que podem chegar a 4m de comprimento!
Então, lá fomos nós fazer o mesmo que este maluco. Nos plugamos em uma corda que está presa ao barco. O barco está com motor desligado, deslizando com a correnteza no mar aberto a 3 mil metros de profundidade! E pensamos, o que acontece durante a noite no mar aberto? A noite é o horário preferido de vários seres com hábitos noturnos de caça, golfinhos e tubarões, por exemplo. Por isso uma das orientações é que não se pode fazer xixi durante o mergulho, pois ele atrairia peixes menores, caçados por peixes maiores, que por sua vez atraem outros maiores ainda em busca de comida. Nosso dive master nos conta que já encontrou com tubarões durante este mergulho, normalmente eles vêm, curiosos, circundam o barco e vão embora. Quando nós chegamos ao ponto de mergulho havia um grupo de golfinhos, provavelmente caçando um cardume de lulas. Mas não deu tempo de entrarmos na água enquanto eles ainda estavam ali.
Atados à corda nosso limite de profundidade é marcado pela linha, esticada por um peso aos 12m de produndidade. A nossa corda nos dá todo o movimento, vamos para cima e para baixo, rodamos e só precisamos tomar cuidado para não nos enroscarmos. As lanternas super poderosas não valem praticamente de nada enquanto os seres não estão presentes na água. Pintamos a água escura, negra, com a lanterna e não vemos nada. Mas aos poucos as pequenas criaturas começam a aparecer, heteropods, salps, pyrosomos, comb jelly, box jelly, Siphonophores, camarões minúsculos... só Deus sabe o que pode aparecer na sua frente!
Mergulhando com seres luminescentes abissais, em Kona, na Big Island, no Havaí
Eles são muitos difícies de fotografar e filmar, ainda mais para principantes como nós. Mas dá uma olhadinha neste link que eu encontrei, o cara tem fotos sensacionais!
Alguém nos descreveu antes de mergulharmos que este seria, provavelmente, um dos mergulhos mais estranhos que iríamos fazer. Foi estranho sim, mas foi muito mais do que isso, foi mágico! Ali temos total noção de que o mar é ainda completamente inexplorado pelo seres humanos, alguns dos seres que vimos hoje podem nem estar catalogados ainda! É uma sensação nova de desbravarmos o desconhecido, como um dia os navegadores e grandes pioneiros fizeram com a terra. Indescritível!
Aos mergulhadores, conversando com o pessoal das operadoras de mergulho lá do Hawaii, que já mergulharam por todas as ilhas, mais de uma pessoa nos afirmou: a Big Island é a melhor ilha para mergulho autônomo (leia-se a costa de Kona), seguido pelo Kauai, pouco popular para mergulho, mas com muita vida. Segundo eles Oahu e Maui possuem toda a infraestrutura, visibilidades ótimas, mas menos vida se comparadas às duas primeiras. Enfim, mesmo depois disso, nós fomos à Maui, mergulhamos e adoramos! Afinal sou da opinião que não existe mergulho ruim.
Corais em forma de prateleiras nas águas mais fundas de Honaunau Bay, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí
Honaunau Bay
No dia seguinte nós ainda conseguimos conferir durante o dia, um dos pontos de mergulho que a Lucia tinha nos indicado, a Honaunau Bay, ao lado do Pu´uhonua o Honaunau National Historical Park. Alugamos os equipamentos que não tínhamos, garrafas de ar e fomos até lá para um shore dive.
Mergulhando na Honaunau Bay, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí
Uma baía tranquila ótima para snorkel, mas ainda melhor se você pode ir mais fundo e ficar mais tempo na água. Os jardins de corais formam imensos cânions e descem, no canto direto da baía, até 30 m de profundidade, terminando em uma rampa de areia onde encontramos um alô bem havaiano lá em baixo: Aloha! Peixes super coloridos, moreias e um cenário submarino dos mares selvagens do Hawaii.
Aos 30 metros de profundidade, uma mensagem para os mergulhadores, em Honaunau Bay, ao sul de Kona, na Big Island, no Havaí
Todas as ilhas do arquipélago tem muitas coisas bacanas para vermos em cima e embaixo d´água, nós tivemos que priorizar e aqui em Kona conseguimos nos organizar para fazer estes 3 mergulhos, mas ainda existem outras paisagens vulcânicas, arcos e tubos de lava, enfim... este foi apenas o aperitivo.
Lindo entardecer no barco a caminho do mergulho com as arraias manta, em Kona, na Big Island, no Havaí
Vovó Patrícia com a Luiza, Dani e Dudu e a Ana, em Curitiba - PR
Muitos devem estar se perguntando, por que quando eles chegam em Curitiba o blog pára? Já tentamos manter diariamente, mesmo aqui. Curitiba é uma cidade cheia de surpresas, daria facilmente para mantermos um “1000dias em Curitiba”, tamanha a diversidade gastronômica e cultural que a cidade oferece. Fato é que como esta é a minha cidade natal, o meu principal objetivo aqui (além da parte chata) é reencontrar os amigos e familiares.
Com a prima Vitória, em Curitiba - PR
Uma semana antes de chegar à Curitiba comecei a avisar os amigos por email, facebook, twitter, celular e até sinal de fumaça! Um ano se passou e estou morrendo de saudades, “ET... telefona, minha casa!”. Chegamos à cidade no dia 14/06 já emendamos atividades e reuniões, ao fim do dia uma amiga me viu no Banoffi (via facebook) e nem titubeou, “venha para cá agora!” Lá fui eu, sem banho, Rodrigo, nem nada! Cheguei na casa da Tetê como nos velhos tempos: dois vinhos na mão e muitas histórias para contar. Estava morrendo de saudades, super desatualizada sobre sua vida, sua história. Fiz novos amigos, Giana, Tatá, Eros e Edu e saí de lá as 5 horas da manhã! Noite perfeita, comecei a temporada em Curitiba com o pé direito!
Brincando com a sobrinha, em Curitiba - PR
Nossa rotina basicamente se resumia a resolver as nossas pendências durante o dia e encontrar os amigos, acompanhados de belos vinhos, durante a noite. O dia seguinte foi a vez dos meus ex-colegas e para sempre amigos, Juliana, Aymoré, Vanessa e Fábio, no bar Cana Benta. Todos sempre corridos, virando abóbora cedo, mas ainda assim estendemos a noite o possível e impossível nos atualizando e sobre as nossas vidas e babados do mercado.
Recepção dos amigos da Positivo em Curitiba - PR
A partir deste dia estava decretada a virada social em Curitiba! Dia e noite, entre os médicos e as reuniões lá estava eu, tentando aproveitar cada minuto para rever amigos e fazer o que mais sei socializar! Fui visitar a Márcia Maria e a Nina, minha amiga linda dos tempos de faculdade que acabou de ter o seu segundo bebê. Nina está lindíssima, uma fofura. Tirei algumas horas do meu dia para curtir a minha vózinha de 81 anos e contar as histórias de um mundo já distante para ela.
Quatro gerações das mulheres Biselli, em Curitiba - PR
A noite mais virada foi um encontro da minha turma de segundo grau, hoje em dia se diz ensino médio. Nós fizemos um queijos e vinhos na casa do Gusta e da Paula. A noite foi sensacional, até a Luiza foi, minha sobrinha linda! Foi tudo tão perfeito, que fechamos a noite vendo o sol nascer da sacada, eu e Gustavo, depois de lavar a louça e arrumar a bagunça da festa.
Encontro com os amigos na casa do Gusta, em Curitiba - PR
Jantar no Don Max, reencontrando Rodrigo Jardim, amigo grude de uma fase que já passou há quase 10 anos! Foi ele que me apresentou Tetê, Gogol e o melhor da música alternativa brasileira. Aquela típica amizade que mesmo depois de tantos anos, continua exatamente igual quando há o reencontro, ainda assim, que saudades!
Pizza e vinhos na casa do Pasini, reunindo os casais amigos ex-Tradener, Karina e Ricardo, Pasini e Fer, Guilherme e Xarise. Encontro com os nossos amigos, padrinhos e companheiros de viagem Laura e Rafael, casal gourmet que vai nos encontrar em Galápagos em setembro!
Encontro de casais no apartamento do Pasini e Fernanda, em Curitiba - PR
Tuuudo isso sem contar a principal das socializações, a minha família, é claro. Dani, Dudu e Luíza tiveram a prioridade. A tia aqui queria tirar todo o atraso da convivência com a baby. Todas as noites ou tardes que eu pude escapar, me instalava na casa da Dani e ficava brincando com a Luiza, treinando para quando lhe der uma priminha.
Brincando com a sobrinha, em Curitiba - PR
Luiza com o vô Mário, em Curitiba - PR
Entre documentos, reuniões, médico, dentista, acumpunturista e todas as “istas” possíveis, aproveitamos ao máximo essa estada em Curitiba para resolver pendências e matar as saudades. Chegou um momento que eu já não agüentava mais, mesmo eu, tão “duracell” tive que pedir pinico e me internar em casa no primeiro dia frio e chuvoso. É chegada a hora de ir, voltar a nossa rotina cigana, andar, correr, viajar, quem sabe assim conseguiremos descansar...
A linda sobrinha Luiza, em Curitiba - PR
Praia e quiosques inundados pelo rio Tapajós, em Alter do Chão - PA
Santarém é uma grande cidade, com mais de 270 mil habitantes, às margens do Rio Amazonas. Ela fica exatamente no encontro das águas do Rio Tapajós e do Rio Amazonas, o mesmo fenômeno que vimos rio acima, entre o Solimões e o Rio Negro, aqui se repete com as águas barrentas do Amazonas e as águas mais escuro-amareladas do Tapajós.
Chegando à Santarém - PA
A orla de Santarém é muito diferente de Manaus e mesmo de Belém, a cidade tem a sua frente voltada para o rio. Um calçadão é todo iluminado e muito simpático para um passeio durante a noite e reúne famílias e jovens com suas varas de pesca à beira do rio.
A orla de Santarém - PA
Ali encontramos restaurantes, comércio, a Igreja Matriz, praça e inclusive um píer turístico de onde saem os passeios de barco para as praias no período da seca e para as florestas inundadas agora na cheia. À noite, neste mesmo píer, funciona um restaurante-bar muito gostoso, provamos a isca de pirarucu, deliciosa!
A bela Igreja Matriz de Santarém - PA
Hoje com o dia chuvoso, caminhamos novamente pela orla, pelo centro da cidade e almoçamos em um restaurante por quilo muito gostoso, comida caseira, salada e uma grande variedade nada fácil de encontrar por estas bandas. Fizemos o check out do hotel, já nos preparando para seguir viagem. Antes, porém, precisávamos de informações e liberações do ICM-Bio para conhecer a FLONA Tapajós. Uma Florestas Nacionais das mais organizadas do Brasil, desenvolve um trabalho de manejo sustentável da floresta junto das comunidades ribeirinhas que vivem do extrativismo. Infelizmente nos desencontramos da pessoa responsável pelas visitações, que estava fora do escritório, mas conseguimos um folder e a informação que podemos pegar a liberação na secretaria de entrada.
Com chuva, no píer de Santarém - PA
Já eram quase três horas da tarde e o sol começou a dar o ar da graça. Estávamos na dúvida se esperávamos o amigo responsável pela FLONA, para mais detalhes, ou se pegávamos estrada. Não titubeei, praia! Há apenas 35 km de Santarém ficam as praias de água doce mais bonitas do Brasil, na cidade de Alter do Chão.
Nadando no fim de tarde no rio Tapajós, em Alter do Chão - PA
O Rio Tapajós é riquíssimo em praias, areias claras, águas limpíssimas, mornas e convidativas, ainda mais no calor. Durante o verão daqui, época de seca, os rios baixam e as praias aparecem. Infelizmente chegamos no período chuvoso, quando os rios estão cheios e as praias todas inundadas. A paisagem muda muito, as barracas de praia que normalmente estariam cheias de turistas, agora estão embaixo d´água.
A caminho da praia, remando, em Alter do Chão - PA
A Ilha do Amor, praia mais conhecida bem em frente à Alter do Chão, é um istmo de areia que fica separado por um pequeno canal, que pode ser atravessado com a água nas canelas. A Lagoa Verde, Pindobal, Ponta do Cururu e outras centenas de praias podem ser exploradas ao longo do rio. Depende da disposição e do grau de aventura de cada um.
Nadando no fim de tarde no rio Tapajós, em Alter do Chão - PA
Nós chegamos, nos instalamos e logo atravessamos de canoa para um último pedacinho de praia que ainda restou na Ilha do Amor. Íamos nadando, mas como sempre sobra para mim o trabalho de levar as coisas secas enquanto o meu amor esportista nada deliciosamente até lá.
A caminho da praia, nadando, em Alter do Chão - PA
Final de tarde excepcional, o rio estava um espelho, o sol e a água em temperaturas ideais para ficarmos até o cair da noite sem sentir frio. Conhecemos um casal mineiro bom de papo que nos fez uma ótima companhia, engatei na conversa e foi difícil de parar. Cada um com seu esporte preferido, uai!
Fim de tarde no rio Tapajós, em Alter do Chão - PA
Nem preciso dizer que nós queremos voltar no verão, as praias começam a aparecer em julho e estão na melhor forma em novembro. Há quem diga que as águas ficam verdinhas, “o caribe de água doce”, mas eu? Só acredito vendo! Rsrsrs!
Voltando da praia de canoa, já de noite, em Alter do Chão - PA
Depois de um dia inteiro de caminhada, hoje resolvemos fazer um programa que exigisse menos de nossas pernas, mas não menos bonito ou interessante, afinal hoje foi o nosso último dia no Matutu. Super bem indicada a Cachoeira dos Garcias era um programa que já estava praticamente descartado, pela distância do Vale do Matutu, são 25km em direção à Aiuruoca, em um vale vizinho.
Cachoeira dos Garcias em Aiuruoca - MG
Sem preguiça pegamos o carro e seguimos em direção à cidade. Depois do asfalto de Aiuruoca ainda andamos cerca de 10km em uma estrada de terra que está sendo toda calçada com aquelas pedras estilo “pé-de-moleque”, como as ruas de Ouro Preto. Esta mesma estrada dá acesso para outra trilha que sobe o Pico do Papagaio e a Pousada Do Lado de Lá, que se diz a mais alta do Brasil.
Pico do Papagaio visto do Vale dos Garcias em Aiuruoca - MG
Chegando à Cachoeira dos Garcias, que fica no vale de mesmo nome, a caminhada é curta, em torno de 20 minutos e logo vemos a cachoeira mais bonita da região. É lindíssima, com um poço de água bem verde e uns 30 metros de queda. Lá no alto um grupo de Baependi estava preparando um rapel, para descerem os 30m sem se molhar, uma vez que a temperatura da água estava realmente proibitiva. Mesmo assim, adivinhem quem entrou na água?
Enfrentando as águas geladas da Cachoeira dos Garcias em Aiuruoca - MG
Sim, nós entramos! Verdadeiros heróis! Hahahaha! Juro, meu corpo está tentando entender ainda por que eu faço isso com ele... águas geladíssimas e depois um sol quente, a noite fria e um banho quente. Se descobrissem que ficar 2h por dia na água gelada emagrecesse 500g eu ia viver aqui, nessas cachoeiras! Pelo menos acho que essa terapia deve ajudar a diminuir celulite, pois ativa a circulação.
Enfrentando as águas geladas da Cachoeira dos Garcias em Aiuruoca - MG
Voltando do Vale dos Garcias, seguimos para o Vale do Matutu em busca de outra boa indicação que nos fizeram: as trutas defumadas. A Lalau comentou comigo, “não vá embora do Matutu sem provar a truta defumada!”. E assim fizemos, depois de Aiuruoca, já em direção à nossa pousada, fica o restaurante Kiko e Kika. A Kika uma veterinária carioca e o Kiko um Frances já bem brasileiro e que herdou uma técnica riquíssima de defumação de trutas. Já é a terceira geração de defumadores na família e isso, aliado ao conhecimento culinário da Kika, resultou no restaurante mais gostoso e fino da região. Comemos uma truta defumada à espanhola deliciosa e de sobremesa uma torta de amora. Huuuum, delícia! Tudo isso com a bela companhia do Kiko, Kika e do Chirrac (de Jacque Chirrac, o presidente da França), o cão da rodésia de 60kg sensacional! Caçador de leões, o Chirrac tem um olhar meio blasé e um comportamento felino, sem muita festa mesmo para os amantes de cachorros, mas quando abaixei para tirar uma foto dele, quase me derrubou pedindo carinho, tão linduuu!
Restaurante do Kiko e da Kika em Aiuruoca - MG. Ótimas trutas!
Voltamos à pousada, adivinha quem estava lá? O Simba! Muito figura, ontem ele acompanhou a Araceli, que se mudou para a nossa pousada, e assim ele veio junto. Conhecemos no jantar uma nova hóspede também muito aventureira e viajante, a Cassie, que trouxe com ela o Sombra, um labrador preto muito fofo. Ele e o Simba não estão muito amigos ainda não, espero que amanhã fiquem em paz. O Simba, que não é bobo nem nada, logo veio se achegando no nosso quarto e dominou um tapetinho, como quem diz “posso dormir aqui hoje?”. Demos comida e deixamos ele dormir aqui dentro, no quentinho. E assim vamos nos encaminhando para o fim da nossa estada no Vale do Matutu, amanhã partiremos cedinho para a nossa próxima parada: Visconde de Mauá.
Céu estrelado e Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG
Vale no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG
Amanhece o dia na nossa próxima cidade base, Serra do Cipó, que fica a apenas 100km de Belo Horizonte no Distrito de Santana do Riacho. Hoje nossa programação era intensa, tivemos que sair logo cedo para não voltarmos no escuro. Segundo o nosso amigo e consultor Gustavo este é o dia mais pesado da nossa Maratona. Um trekking de 20km que desce do Alto Palácio, na parte alta do Parque Nacional da Serra do Cipó, até a portaria do meio, passando por um cânion e diversas cachoeiras.
Com o Pretinho, nosso guia, cruzando a parte alta do Parque Nacional da Serra do Cipó - MG
As 8h, Daniel, o nosso guia da região chega à Pousada Vila das Pedras onde estamos hospedados. Como é uma pequena travessia, o Rodrigo sai com a Fiona para deixá-la no nosso ponto de chegada e o Thiago, diretor da Pousada, o seguiu de moto para trazê-lo de volta. Vamos Alto Palácio, região onde antes ficavam as fazendas do Sr. Palácio, daí o nome. Chegamos lá com o ônibus que faz a linha Belo Horizonte – Serro, por apenas R$3,75 por pessoa, ótima saída para não precisar pagar um transfer especial, que custaria pelo menos R$60,00.
Sagui em plena cidade da Serra do Cipó - MG
Daniel, também conhecido como Pretinho, já foi Chefe dos Brigadistas do Parque Nacional, além de brincar desde criança na região onde ficava a casa de seu avô. Ele conhece cada pedacinho do parque e disse que levaríamos o dia todo para conseguirmos chegar à portaria. Eu estava preocupada, pois a caminhada era composta principalmente por decidas em pedras soltas, o que iria exigir muito dos meus joelhos. Já me preparei com um antiinflamatório poderoso receitado pelo ortopedista para casos como este e me sentia nova em folha, faltava apenas colocar em prova.
Caminhando no leito do rio, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG
Começamos a caminhada, tranquilos, como uma vista maravilhosa de toda a Serra do Cipó. De lá conseguimos avistar parte do caminho da famosa Travessia Lapinha – Tabuleiro, que já ficou no nosso “to do list” pós-1000dias. Quando menos esperamos já chegamos a algumas pinturas rupestres vizinhas da primeira cachoeira, Congonhas de Cima, também conhecida pelos mais antigos como Cachoeira dos Guedes, sobrenome da Família do Pretinho. O Rodrigo não agüentou e se rendeu às suas águas esverdeadas. Eu e o Pretinho dessa vez ficamos só olhando, além de muito gelada ainda teremos outros pontos de banho no caminho.
Cachoeira Congonhas, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG
Andamos mais um pouquinho e logo avistamos a Cachoeira de Congonhas de Baixo, outra maravilha, com seu poço ainda mais bonito! Mas nosso guia ainda continuou afirmando que o melhor está por vir. Lá de longe já conseguimos avistar a cachoeira das Andorinhas e uma linda cena do encontro de dois vales.
Cachoeira Andorinhas, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG
Descemos o cânion e finalmente chega a maldita pirambeira de pedras soltas e roladas, daquelas que qualquer descuido fará chegarmos ao chão e fazer um “skybunda” de pelo menos uns 10 metros. O antiinflamatório funcionou muito bem, me senti muito mais segura para descer sem as dores terríveis que venho sentindo. As botas que me criaram as mega bolhas na Pedra da Mina também, estão cada vez mais macias e eu cada vez mais acostumada com o passo dentro delas.
Orquídeas, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG
Chegamos à Cachoeira do Gavião às 13h, com tempo suficiente para recarregar as energias e dar um belo mergulho. A água está muuuuuito fria, daquelas de doer a nuca! Estamos aqui para que afinal?
Cachoeira do Gavião, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG
Um belo mergulho, alongamento e pé na trilha para conhecermos a Cachoeira das Andorinhas, mas como estamos adiantados no nosso cronograma vamos incluir a parte alta das Andorinhas, um dos lugares mais mágicos deste roteiro.
Cachoeira da Andorinha, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG
Escalando os paredões da Cachoeira da Andorinha, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG
Vista maravilhosa do vale, belo poço para nadar e uma tranqüilidade impagável, com direito até a assistir uma escalada free stile - escalada sem equipamento de segurança - do Pretinho no paredão desta cachoeira. Tem doido pra tudo mesmo!
Escalando os paredões da Cachoeira da Andorinha, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG
O final do dia se aproximava e tínhamos que caminhar. Foram quase 2 horas de caminhada até a portaria do meio. Caminhada fácil, totalmente plana, mas acelerada. Nos metros finais pegamos um belíssimo pôr do sol dentre as palmeiras de macaúba, comuns na região. Para finalizarmos o nosso terceiro dia da Maratona do Cipó falta ainda chegarmos até a Lapinha, 50km de estrada de terra para o norte de Serra do Cipó, ainda dentro do município de Santana do Riacho. Amanhã será o último dia e já estou sentindo saudades! Este lugar é mesmo especial.
Bosque de Macaúbas, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG
Saindo para trtabalhar em Labadee, na costa norte do Haiti
Um paraíso escondido, não apenas pelo medo que existe embutido no nome Haiti, mas por ter sido arrendado por uma companhia de cruzeiros até 2040. Labadie é uma vila no litoral norte do Haiti, a 30 minutos de Cap-Haitien. A vila tem acesso apenas por barco do pequeno porto vizinho a Labadee Beach, uma espécie de praia e parque aquático criada pela Royal Caribbean para desembarcar os turistas dos seus navios de cruzeiro que passam aqui pelo Haiti.
Labadee, na costa norte do Haiti
Estrutura que recebe os passageiros dos cruzeiros que chegam à Labadee, na costa norte do Haiti
Para chegar a Labadie e à Paradise Beach pegamos um taptap na Rua 21, logo atrás do estádio da cidade. 15 minutos de espera e logo a lotação lotou e lá fomos nós, na caçamba aberta da caminhonete, com as melhores vistas a cada curva do caminho. Eis que chegamos a um portão: “Propriedade Particular” e alguns metros abaixo passamos por uma casa de guardas. Dali em diante só podem passar moradores, empregados da Royal-Caribbean, táxis, moto-táxis e turistas branquelos desavisados. Nós nem notamos, mas um local mais tarde me explicou, haitianos “comuns” não entram. Será possível?!?
De Taptap, a caminho de Labadee, na costa norte do Haiti
No portinho decidimos seguir viagem com os nossos colegas do taptap até a vila de Labadie. Lá já fomos acompanhados o tempo todo por um simpático barqueiro que falava inglês e queria nos levar ao nosso destino final, Paradise Beach, uma das praias mais lindas da região.
Canoa em Paradise Beach, perto de Labadee, na costa norte do Haiti
A tripulação de nosso barco em Labadee, na costa norte do Haiti
Andamos pela vila, assuntamos com o dono do bar e fiquei amiga de uma mocinha que andava por ali, em busca de um colo amigo. Ela estendeu os braços e eu não quis mais largar, linda, queridíssima e tão pequenininha que ainda nem sabia falar. Mas para que falar se tem esses olhos tão doces e esse jeito tão meigo? Andei com ela para lá e para cá, até que o nosso barqueiro nos ajudou a achar seu irmão. Um certo alívio, se descubro que é órfã eu não ia conseguir larga-la nunca mais.
Amiguinha nova em Labadee, na costa norte do Haiti
Com o barqueiro barganhamos bastante, mas logo descobrimos que não o suficiente. Ele nos levou por 1000 Gourdes, contra 800 de um casal com quem conversamos mais tarde, para a nossa praia praticamente particular e sem milhares de infláveis e outros apetrechos. Um paraíso natural, com um rio de águas cristalinas que brota das montanhas, corais que formam uma piscina natural e areias brancas como talco.
Pensativo sobre a vida em Paradise beach, perto de Labadee, na costa norte do Haiti
A fantástica Paradise Beach, perto de Labadee, na costa norte do Haiti
Um pequeno rio de águas geladas, doce e transparente, na praia Paradise, perto de Labadee, na costa norte do Haiti
Tudo era tão perfeito que eu nem imaginei que aqueles “pompons” verdinhos que eu chutei na beira do mar não eram plantas e sim ouriços! Me deixaram com um punhado de espinhos no pé, mas num paraíso como este a dor logo passou e esqueci que eles estavam ali no meu polegar.
Aproveitando o sol, a praia e a vida em Paradise Beach, perto de Labadee, na costa norte do Haiti
Durante os dias em que os cruzeiros aportam aqui a praia tem um bar funcionando, cadeiras espalhadas pela areia e alguns poucos turistas que se aventuram a ir além das grades de proteção. Hoje éramos apenas eu, o Rodrigo, um casal franco-canadense que vive em Jacmel e o responsável pela praia, que a mantém limpa em troca de uma pequena colaboração.
Chegando à Paradise Beach, perto de Labadee, na costa norte do Haiti
Uma simpática jangada nos mares de Labadee, na costa norte do Haiti
No final da tarde Christian veio nos buscar e nos levou direto para o portinho onde esperamos por quase uma hora por um taptap, enquanto negociávamos um moto-táxi, tomávamos uma cervejinha e eu (analfabeta) tentava interagir com os locais em creole. Provei um polvo fresquinho e delicioso da tia que cozinha no barraco e demos umas risadas com as mímicas e difíceis interações.
Botequinho enquanto esperamos a condução de Labadee à Cap-Haitien, na costa norte do Haiti
Nosso motorista entre Labadee e Cap-Haitien, no norte do Haiti
Enquanto víamos as canoas passarem tentamos fazer um ranking das praias por onde passamos nesses 1000dia, tarefa difícil! Entre todas as ilhas do Caribe, o litoral pacífico e atlântico da América do Norte, Central e do Sul, ilhas como Hawaii, Galápagos e Noronha digo que é uma tarefa quase impossível, pois mesmo as praias podem ser divididas em categorias e escolher a melhor de todas elas é uma grande responsabilidade. Como nessa viagem só levamos a sério mesmo a nossa vontade de conhecer, nos divertir e compartilhar com vocês resolvemos não nos preocupar com os números, mas simplesmente em dizer que esta é, sem dúvida alguma uma das praias mais lindas das Américas!
Voltando de barco para Labadee, na costa norte do Haiti
Fervedouro e as tradicionais bananeiras, próximo à Mateiros, região do Jalapão - TO
Uma ressurgência de água com uma pressão tão grande e areias rosadas e tão finas que só fazem rebolar. “Fervedouros de verdade são os que rebolam”, nos disse um morador da região. Quando perguntamos quantos deles existem, este morador nos disse serem mais de 20 fervedouros, em cada sítio ou terreno pode-se encontrar algum. Lá na casa dele mesmo tem, mas a pressão é menor, então a areia não rebola como este daqui.
Pressão da água faz a areia "rebolar" no fervedouro próximo à Mateiros, região do Jalapão - TO
Há 30 km de Mateiros fica “O Fervedouro” perto do povoado de Mumbuca. Este fervedouro sempre foi único aqui no Jalapão, um dos únicos conhecidos e por isso também o mais visitado. Fácil perceber isso quando falamos com o caseiro que toma conta do local. Quanto perguntamos o nome do fervedouro ele disse “Este aqui é O FERVEDOURO”, insistimos e ele emendou “é o FIRMEZA”, sabe Deus por que escolheu este nome, mas deve para deixar claro que este foi o primeiro, pioneiro no turismo de fervedouros jalapaneses, firmeza mano?
Visitando o mais tradicional fervedouro do Jalapão, próximo à Mateiros - TO
Firmeza mesmo, a areia deste fervedouro é mais densa e um pouco mais grossa que o de São Félix. A água mais rasa e a pressão ainda mais forte fazia a areia rebolar mais (borbulhar) e a sensação de estarmos afundados em uma areia movediça também era ainda maior.
Visitando o mais tradicional fervedouro do Jalapão, próximo à Mateiros - TO
Ali ao lado está o fervedouro do Sozinho, propriedade particular liberada para visitação apenas para a Korubo Expedições. Pelo que entendi o dono da Korubo é o dono do terreno onde está este fervedouro, antes liberado para todos, hoje apenas para quem participa de suas expedições. Insistimos ao caseiro que queríamos visitá-lo, ver ao menos, dizem que este é o maior de todos os fervedouros. Porém ele deve seguir as regras, o último caseiro foi demitido, pois desrespeitou as regras do patrão, liberando por módicos 8 reais a entrada de “terceiros”.
Fim de tarde no cerrado próximo à Mateiros, região do Jalapão - TO
Vemos que a região ainda tem um grande potencial para ser explorada, bem conversadinho e com bastante tempo poderíamos ficar 10 dias aqui só procurando novos fervedouros em fazendas e sítios. Espero que os proprietários aprendam a preservá-los e explorá-los da forma correta, afinal é uma riqueza natural apenas encontrada no Jalapão.
Fervedouro e as areias borbulhantes, próximo à Mateiros, região do Jalapão - TO
Passeando pela orla de Mazatlán, no México
Acordamos hoje com um café da manhã delicioso nos esperando na Plaza Machado. Eram quilos de frutas, tortillas, queijo de rancho, pães doces e tudo o que você imaginar! Pensem em um café da manhã farto! Tudo servido pelo Ernesto, dono do Hotel Machado, que quis garantir que nós teríamos o melhor café da manhã do mundo!
Um dos melhores desayunos da viagem, na Plaza Machado em Mazatlán, no México
Ontem pegamos mais 3 horas de estrada para o norte rumo à cidade de Mazatlán, na costa Pacífica. Chegamos a tempo de um final de tarde na Zona Dourada, região turística e mais moderna da cidade, dominada por expats americanos. Imensos hotéis da década de 80 dão um ar meio decadente para a região, que sofreu um baque no turismo depois da crise de 2007-2009.
Início da noite em praia de Mazatlán, no México
No mesmo período o centro histórico, antes abandonado pelo turismo, começava a renascer. Novos hotéis charmosos, atividades culturais e pequenos restaurantes atraíram uma nova vida para a região.
A charmosa arquitetura do centro histórico de Mazatlán, no México
Os principais consumidores de toda esta infra-estrutura são os mais de 7 mil aposentados americanos, só na cidade de Mazatlán! Eles alugam apartamentos por temporada, geralmente no período de inverno, que é mais barato e com a temperatura mais agradável e quando eles fogem do frio nos EUA. O Centro Cultural Angela Peralta os garante uma vida cultural bem ativa, com apresentações de teatro e cinema, além de uma interação com a juventude local, no mesmo espaço tem uma forte presença nas aulas de música, dança, canto, cinema e artes em geral oferecidas pela prefeitura. Angela Peralta foi uma cantora de ópera mexicana muito famosa que morreu de febre amarela, após aportar na cidade, hospedada no hotel que hoje foi transformado no centro cultural que leva seu nome.
A charmosa arquitetura do centro histórico de Mazatlán, no México
Um tour pelo centro antigo da cidade deve começar pela histórica Playa Olas Altas, na parte sul da cidade. Seu malecón tem esculturas marcantes com o tema marinho e a curiosa estátua de um veado, em referência ao significado da palavra “Mazatlán”, que em Nahuatl quer dizer “o lugar dos veados”. Caminhamos pelas ruas estreitas, ladeadas por edifícios coloniais bem conservados e descobrimos vários restaurantes e barzinhos noturnos bem convidativos.
Passeando pela orla de Mazatlán, no México
Um passeio rápido pela Plaza de Armas e a Catedral e logo chegamos ao mercado municipal, que sempre vale uma olhada, embora este não tenha nada de extraordinário. Fechamos o circuito chegando novamente no centro gastronômico da cidade, a Plaza Machado. Petiscamos uns rápidos bocadillos acompanhados de uma boa Pacífico, cerveja produzida desde 1900 pelos colonizadores alemães que chegaram ao norte mexicano em meados do século XIX.
Catedral de Mazatlán, no México
Estávamos ali, tranquilos, discutindo nosso roteiro e próximos afazeres, quando fomos surpreendidos por um casal de americanos que chamaram o Rodrigo pelo nome. “Are you Rodrigo?”, e ele sem entender nada respondeu que sim. Rick e Joan viram o site na Fiona, ficaram curiosos e entraram lá para conferir! Professores aposentados viajaram o mundo dando aulas de inglês e hoje vivem 6 meses aqui em Mazatlán e 6 meses em Boston, sempre escapando para visitar seus filhos que vivem no Texas. Eles, depois seguidos por um grande grupo da melhor idade, estavam passando pela praça para o Centro Cultural para assistir um filme documentário sobre a Janis Joplin. Uma boa forma de encontrarem novos velhos amigos e relembrarem os bons tempos!
Tranquilidade na delicioza Plaza Machado, no centro histórico de Mazatlán, no México
O sol quente e a praia ainda nos convidavam para um mergulho no nosso Oceano Pacífico. Preparamos-nos, fomos até a praia Olas Altas, mas o vento frio do final de tarde nos pegou de surpresa e dificultou um pouco a nossa vida.
O sol se esconde atrás do Pacífico na praia central de Mazatlán, no México
Vimos tranquilos o pôr-do-sol e retornamos à Plaza Machado onde reencontramos Rick e Joan, que nos convidaram para tomar um vinho e contar-lhes as nossas aventuras. Levaram-nos ao Boemia Bar, onde logo estava começando uma Jam Section de Jazz animal! Estava tão bacana que emendamos o jantar enquanto trocamos experiências e nos divertimos com cada instrumento novo que se apresentava a tocar.
Excelente show de jazz em bar-restaurante na Plaza Machado, no centro de Mazatlán, no México
Agora alguns de vocês podem estar se perguntando: como vocês foram descobrir este lugar!?! Não foi por sua nada charmosa Zona Dourada ou por sua rica infra-estrutura para a terceira idade. O Porto de Mazatlán é um dos principais pontos de acesso à Baja Califórnia. Amanhã pegaremos o ferry para a cidade de La Paz na Baja Califórnia Sur! Melhor ainda foi descobrirmos um lugar de tamanho bom gosto ao lado de uma zona portuária! Se for esse o seu roteiro, não deixe de conhecer la Vieja Mazatlán.
Com o simpático casal americano (Ricardo e Joan) em bar-restaurante na Plaza Machado, em Mazatlán, no México
Destilaria Capel, grande produtora de Pisco, no Valle del Elqui, no Chile
Até agora no Chile havíamos encontrado apenas dois tipos de ambiente: desertos andinos e o litoral pacífico. O vento salgado que sopra do oceano não deixa as plantas se desenvolverem nas terras do lado de cá da Cordilheira e as propriedades do seu terreno são propícias principalmente para atividades de mineração. Cobre e carvão são as mais famosas delas, mas outra infinidade de elementos são encontrados nestas montanhas de origem vulcânica.
Represa no Valle del Elqui, no Chile
Os desertos andinos são maravilhosos, desertos como o Atacama despertam em nós um novo sentido observador, onde pensamos que a vida poderia não existir encontramos salinas repletas de flamingos, colônias de bactérias que colorem lagunas inteiras, gêiseres e fontes de águas termais incríveis. No pacífico as praias recortadas pelo maior oceano do mundo parece nos cobrar mais respeito, não apenas pelas frias correntes vindas da Antártida, mas por sua imponência e grandiosidade.
Produção de energia eólica na estrada entre La Serena e Valparaiso, no Chile
Quando chegamos em La Serena, porém, descobrimos que aqui existia uma terra verde e produtiva, o celeiro de frutas na região central do Chile, um jardim do éden em meio à tanto cinza. Lá se produz uma quantidade imensa de frutas, mas a principal delas é a uva, elemento essencial para a produção da tradicional bebida chilena, o pisco.
Um dos muitos parreirais no Valle del Elqui, no Chile
A cidade de Vicuña é a base para explorar o vale e está a apenas uma hora de La Serena, na zona da pré-cordilheira. Seguimos viagem hoje acompanhados de um amigo viajante que conhece essa região, Maxi é argentino e vive na província de San Juan. Desde pequeno ele vem com a sua família para as praias de La Serena cruzando o passo de Águas Negras, um dos muitos passos da Cordilheira dos Andes. Para eles o Pacífico está muito mais próximo que o Atlântico e nos bons tempos da economia argentina as casas de veraneio do lado chileno eram uma barganha. A viagem de 14 horas era um pouco cansativa, então Maxi, seu pai, mãe e 3 irmãos cruzavam rasgando a região do vale e ele nunca havia parado por aqui para visitar.
Com o Maxi, vistando a represa no Valle del Elqui, no Chile
Subimos o vale e fizemos a nossa primeira parada no mirante do novo embalse, represa de água construída há uns 7 anos. O lago de águas verdes, no caminho do vento andino, é um dos melhores lugares na região para wind e o kite surf. O vento é tanto que na inauguração da represa foi instalado também um monumento que é, na realidade, um instrumento musical que assovia com o vento! Ali perto há também um observatório astronômico que pode ser visitado, nós pulamos e fomos direto ao que interessava, a pisqueria.
Visitando a destilaria capel, no Valle del Elqui, no Chile
O Valle del Elqui é uma das principais regiões pisqueiras do Chile, casa para duas das maiores produtoras de pisco nacionais, a Mistral e a Capel. A Mistral é uma das maiores do país, uma holding que comprou diversas pisquerias artesanais, vinícolas, além de produzir a principal cerveja chilena, a Cristal. A origem da empresa foi em uma família proprietária de grandes minas de cobre e o seu dono é um dos homens mais ricos do Chile. A CAPEL, por outro lado, é uma cooperativa, a sigla responde à Cooperativa Agrícola Pisquera Elqui Ltda. Estes pequenos produtores se recusaram a entrar para o império da Mistral e se uniram para manter a tradição e a qualidade do seu produto. Quase quebrada no começo dos anos 2000 recebeu uma injeção de capital do governo, conseguiu se reerguer e desde 1953 é líder no mercado nacional e a maior concorrente da Mistral com uma gama de sucos, cervejas, vinhos e é claro, piscos.
Venda de Pisco na destilaria Capel, no Valle del Elqui, no Chile
A sua marca premium é o Alto del Carmen que provamos na degustação depois de uma visita guiada pela fábrica. O pisco é uma bebida destilada do vinho, traduzindo, para se obter o pisco é preciso primeiro produzir vinho e depois destilá-lo. As uvas preferidas para a produção de pisco são as brancas doces, a principal delas é a moscatel. Com maior quantidade de açúcar elas tem um alto teor alcoólico, resultando em piscos que, por regulamentação nacional, devem ter entre 40 e 50% de graduação álcoolica.
Destilaria Capel, grande produtora de Pisco, no Valle del Elqui, no Chile
Muitos de vocês devem estar pensando, mas e o pisco não era peruano?! Sim e não! Esta é uma grande disputa entre os dois países, mas afinal o pisco é peruano ou chileno? Nossa simpática guia chilena não poderia ter sido mais política na sua resposta, esperta com a quantidade de turistas do vizinho do norte que já passaram por aqui. O nome pisco é peruano e isso é sabido e comprovado até pela existência da cidade de Pisco, que foi quem emprestou o nome à bebida que era produzida, envasada em barris e enviada aos diferentes portos registrada com o nome do seu porto de origem. Porém temos que lembrar que o norte do Chile um dia pertenceu ao Perú, mais um detalhe na história e na geografia que podem nos deixar confusos na determinação de onde se originou afinal, tal bebida.
Destilaria Capel, grande produtora de Pisco, no Valle del Elqui, no Chile
Depois de uns shots de pisco e a aula sobre mais um dos ícones gastronômicos e culturais do Chile, fomos provar a tradicional culinária local no melhor estilo sustentável moderno. O restaurante de cozinhas solares aproveita os mais de 320 dias de sol por ano na região para cozinhar batatas, pães e empanas de chivos (bode), além de preparar duas opções de pratos: ensopados de frango ou de cabrito.
Chegando à restaurante com cozinhas solares, no Valle del Elqui, no Chile
Uso do sol para cozinhae, no Valle del Elqui, no Chile
Nós não tivemos dúvida e provamos a especialidade local. O ensopado estava delicioso, mas confesso que a empanada me deixou com uma pulga atrás da orelha, um pouco forte para estômagos novatos nessa modalidade.
Empanada de chivo (bode) em restaurante no Valle del Elqui, no Chile
Com o Maxi, almoçando em restaurante de cozinha solar no Valle del Elqui, no Chile
Fechamos aqui a nossa rápida visita ao Valle del Elqui que além de pisquerias e fazendas de frutas, no verão também tem balneários de rios como alternativa à fria água do Pacífico. Faltou também visitarmos a cervejaria artesanal, que produz cervejas adocicadas com leite de avelãs e também é muito bem recomendada. Mas ainda tínhamos mais 400km de estrada pela frente até o nosso próximo destino no litoral chileno, Valparaíso e Viña del Mar. A despedida do Maxi foi um breve até logo, já que em duas semanas o encontraremos novamente em San Juan com sua esposa viajante Mari. Tomamos um bom chimarrão, fazendo a digestão do chivo caminhando à beira mar, enquanto o Rodrigo se recuperava com uma siesta antes de pegarmos a estrada. É bom ele descansar mesmo, afinal a cidade das artes e da boemia nos espera!
Despedida do Maxi em La Serena, no Chile
Magnífico nascer-do-sol visto dos 3.820 metros do pico Chirripó, ponto mais alto da Costa Rica
2h30 da manhã, acordamos sem despertador, uma programação britânica do relógio biológico. Nos preparamos, comemos um sanduíche e colocamos o pé na trilha. Eram 3h15 quando começamos a caminhada. Estava com um bom ritmo, sem nenhum cansaço. Realmente eu sou uma pessoa mais noturna, basta o sol baixar que eu acordo! Todas as caminhadas que começamos na madrugada, eu fico super disposta!
Observando o mar de nuvens logo após o nascer-do-sol no cume do Chirripó, na Costa Rica
O céu estava lindo, uma noite estrelada maravilhosa! A lua já havia se posto e menos de meia hora depois a minha lanterna ficou sem bateria. Isso porque as minhas baterias reservas eu dei para o Rodrigo, que não tinha bateria alguma. Bem, seguimos com apenas uma lanterna, com um ritmo um pouco mais lento. Em apenas um trecho foi difícil encontrarmos a trilha, uma grande laje de pedra sem sinalização, que no escuro nos fez perder uns 5 minutos para encontrar o caminho.
Amanhecer visto do alto do Chirripó, na Costa Rica
Havia luzes a frente e atrás de nós, teríamos companhia no cume. A última parte da subida é um pouco mais íngreme, com degraus de pedra facilmente vencidos. O sol já começava a iluminar, mas ainda estava abaixo da espessa camada de nuvens que cobria a linha do horizonte.
Magnífico nascer-do-sol visto dos 3.820 metros do pico Chirripó, ponto mais alto da Costa Rica
5h15, chegamos ao topo do Cerro Chirripó, montanha mais alta da Costa Rica. De lá dizem ser possível avistar os Oceanos Pacífico e Atlântico, deve ser uma vista espetacular! Infelizmente não tivemos esta sorte, mas ver o sol nascer naquele imenso mar de nuvens não tem preço! Lá em cima outras 12 pessoas compartilharam o mesmo momento mágico, aproveitando cada segundo para registrar. Socializamos com costa-riquenhos, canadenses e americanos, em francês, espanhol, inglês e até português! Isso é que é um amanhecer cultural!
Junto com os outros madrugadores no cume do Chirripó, na Costa Rica
Ficamos ali até ter luz suficiente para as melhores fotos, depois de quase ter os dedos, o nariz e os pés congelados. Retornamos um pouco mais lentos, aproveitando a luz do dia para conhecer o caminho que fizemos durante a noite.
Riacho parcialmente congelado na parte alta do Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica
Lindas paisagens dos campos de altitude, lagoas e rios congelados e a grata imagem de um chafariz artificial no capinzal formando uma paisagem branca, esculturas naturais super hermosas!
Capim congelado na parte alta do Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica
Daqui, agora já conhecemos o caminho. Dizem que para baixo todo santo ajuda. Se é verdade, o meu santo estava de folga hoje. Descemos bem do cerro ao albergue, até uma pequena corridinha dei depois das despedidas aos amigos ingleses e austríacos que encontramos a caminho do pico. Fato foi que eu já não podia com a dor dos meus joelhos e unhas quando chegamos ao km 7.
Macacos nos observam do alto das árvores no trekking no Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica
À frente o plano do Llano Bonito e algumas subidinhas até o km 4 me deram um fôlego. Daí em diante foi que o negócio complicou... Até as bolhas e unhas roxas do pé não pareciam doer tanto perto da dor que eu tive no meu joelho. Eu tenho um problema congênito sem muita solução, condromalácia patelar. Uma ponta óssea que maceta constantemente a cartilagem da patela e aos poucos está destruindo o meu joelho. Até onde consegui averiguar não há cirurgia que resolva... Então sempre me mantenho alongada, tenho que fazer fortalecimento muscular (abandonado nos últimos 30 dias) e usar tensores para ajudar a diminuir a carga sobre a articulação. Levei quase 1h30 para fazer os últimos 3 quilômetros... Gemendo de dor... Cuidando para não escorregar, pois era a parte mais enlameada da trilha. Eu estava usando um bastão peregrino que me ajudou bastante no apoio, mas não tirava a dor, que foi, sem dúvida alguma, a pior que já senti nos meus joelhos em toda a vida.
O "Páramo", parte alta do Parque Nacional de Chirripó, na Costa Rica
O Ro não tinha o que fazer para ajudar, a não ser ter paciência e depois, correr 2km até a nossa pousada para buscar a Fiona, enquanto eu o esperava na saída da trilha. Nem preciso dizer que o meu humor e a minha moral estavam no chão. Me sinto uma velha coroca, uma situação como esta me faz repensar e coloca medos absurdos. Afinal, se já estou assim com 30 anos, imagina quando tiver 60!?! Enfim... passado o perrengue o humor se recupera rapidinho, comemos algo e fomos direto para a pousada. Hoje sim, as 7h30 da noite eu já estava na cama, dormindo o sonho dos justos, com o dever cumprido.
No cume do Chirripó, a 3.820 metros, ponto mais alto da Costa Rica
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