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Desbravar o continente, descobrir o que nos faz ser americanos, independente de raça, crença ou riquezas, independente se está no tão sonhado primeiro mundo ou nos países emergentes e promissores lá do sul. Caetano já cantava "Soy loco por ti América", e nós concordamos, não é a toa que iremos passar os próximos 1000 dias de nossas vidas explorando todos os países da América.
A origem desta coluna está na vontade insaciável de explorar esta diversidade de histórias, lugares e culturas tão diferentes e buscar qual é o fio que hoje nos une. Perguntando: Por que você é louco pela sua cidade, pelo seu País, pela América? Está sendo montado um mapa com entrevistas por onde passarmos, buscando os diferentes traços, sotaques, regionalismos e gírias. Acompanhe no link "Soy Loco" esta descoberta, compare, aprenda e descubra quem faz o continente Americano.
Soy loco por ti América em Tibagi
Gilberto foi o nosso guia no Cânion Guartelá. Sua família chegou na região à muitos anos, fez parte da história da colonização da região e ele é um dos principais conhecedores do parque e das fazendas que estão no entorno, principalmente por sua paixão pelo cânion.
A macaca Chita demonstra suas habilidades na fazenda dos Poços Termais, na região de Boquete, no Panamá
A nossa programação foi prejudicada pelo mal tempo e a constante garoa trazida pelos ventos do norte. Conversamos com algumas pessoas que tinham acabado de voltar do Sendero dos Quetzales, que nos disseram não ter visibilidade de mais de 10m na trilha, além do perigo do cruze dos rios. O Barú estava o tempo todo encoberto, não valendo uma caminhada de 5h para não ver nada. Por fim, não conseguimos agendar o rafting ontem, pois chegamos a noite na cidade, quando as agências já estavam fechadas. Tentamos as 7h30 da manhã, mas os grupos já haviam saído 30 minutos antes. Quando tudo parecia perdido, adivinhem quem encontramos na mesmíssima situação que nós? Os nossos amigos australianos de San Blás, Alex, Ben, John e Alex!
Junto com os australianos, indo para o canyon e as fontes termais, na região de Boquete, no Panamá
A alternativa foi buscar programas que pudéssemos fazer de forma independente. Subimos os 6 na Fiona e pé na estrada! Logo na saída da cidade ficamos uns 20 minutos parados na estrada que foi fechada pela explosão de um caminhão de combustíveis, 10 minutos antes de passarmos. Ufa, essa foi por pouco! Encontramos uma rota alternativa e nos mandamos para o cânion no povoado de Gualaca.
Chegando ao canyon na região de Boquete, no Panamá
O que a princípio parecia meio sem graça, aos poucos foi se transformando. A molecada da região estava lá e foi nos ensinando onde podíamos saltar no estreito cânion rochoso para depois tentar escalar as paredes de pedra, com uns 5m de altura. As águas a princípio barrentas, aos poucos foram se tornando transparentes e o céu que estava cinzento, azulou! No final tivemos um lindo dia de sol!
O canyon, ideal para saltos e rock climbing, na região de Boquete, no Panamá
Saltando em canyon na região de Boquete, no Panamá
Foi uma curtição só, água deliciosa e diversão garantida. Dali fomos aos poços de águas termais do Rio Caldeira. Os poços 100% naturais, chão de terra e raízes de árvores com temperaturas variando de 38 a 42°C.
Poço termal com água a mais de 35 graus, na região de Boquete, no Panamá
A principal atração foi a pequena Chita. Uma macaca-aranha de apenas 3 anos de idade que foi criada pela dona da propriedade. Embora nunca tenha entrado em contato com outros macacos, de boba também não tem nada! Adora uma cervejinha, prefere o colo dos homens e tem uma imensa área verde para se divertir e fazer suas macaquices.
A Chita tenta pegar a cerveja do australiano Alex, na fazenda dos Poços Termais, na região de Boquete, no Panamá
Sabe aquele dia que parecia perdido? No final a combinação do alto-astral dos amigos australianos, sol, natureza e disposição o transformou em um dia de pura curtição!
Junto com os australianos, indo para o canyon e as fontes termais, na região de Boquete, no Panamá
Voltando para o barco em Three Trees, em Grand Cayman, nas Ilhas Caiman
Mergulho é uma das nossas paixões, eu comecei ainda com 15 anos de idade, fiz um curso Open Water da PADI com meu pai e minha irmã em Santa Catarina. Eles não chegaram a se apaixonar por mergulho como eu e ter encontrado um marido que também é adepto do esporte só fez a paixão ainda maior.
Formações de coral em Round Rock, em Grand Cayman, nas Ilhas Caiman
O Caribe é um dos melhores mares para mergulhar no mundo, mas existem ilhas e ilhas, já estivemos em 15 ilhas do Caribe e cada uma tem a sua peculiaridade. As Ilhas Cayman são afamadas mundialmente pela qualidade do mergulho, águas transparentes, quentes e com rica vida marinha. A imensa montanha submarina emerge a não mais que 20 m de altitude em Grand Cayman, que possui quase todo o seu território praticamente ao nível do mar. Essa geografia, porém, se inverte embaixo d´água e tudo o que não vemos no plano vertical em terra, encontramos submersos e recobertos de corais, esponjas das mais diversas cores e formatos.
Formações de coral em Three Trees, em Grand Cayman, nas Ilhas Caiman
Hoje começamos a explorar os paraísos submarinos de Grand Cayman nos unindo à equipe da Don´s Fosters, uma das mais antigas operadoras de mergulho da ilha e a que possui preços mais acessíveis. Fizemos uma saída matinal de dois tanques, traduzindo, dois mergulhos em uma mesma viagem de barco, que nos levou até dois pontos na barreira de corais a algumas milhas da costa, entre a 7 Mile Beach e a West Bay, na parte protegida da ilha.
Voltando dos mergulhos e passando entre os vários navios-cruzeiro ancorados em George Town, nas Ilhas Cayman
O primeiro ponto é conhecido como Round Rock, começamos o mergulho descendo na parede há aproximados 25m, com visibilidade entre 20 e 30m, ótima luz e muitas cores. O ponto alto do mergulho é quando chegamos à imensa pedra redonda que forma alguns estreitos e passagens onde se entocam lagostas e cardumes de peixes. A luz atravessa as frestas entre as rochas e corais e ganha formas fantásticas!
Formações de coral em Three Trees, em Grand Cayman, nas Ilhas Caiman
O segundo mergulho foi no ponto chamado Three Trees, um pouco mais raso e por isso também com muita vida, mais cores, peixinhos caribenhos serelepes, coloridos e saltitantes. Esponjas amarelas e corais de um tom azul neon são as principais atrações, logo ao lado dos magníficos e maléficos Lions Fishes, que são uma espécie intrusa no Caribe. Eles estão sendo caçados pelos mergulhadores, que tentam controlar a sua multiplicação, já que estes não possuem predador natural nestas águas. Outro mal que parece ter chego recentemente por aqui é um tipo de gramínea submarina que está crescendo sobre os corais como uma praga e aparentemente os está matando, pouco a pouco.
Lion Fish em Three Trees, em Grand Cayman, nas Ilhas Caiman
Eu vi um dos mergulhadores do nosso grupo arrancando dali e daqui, tentando fazer o seu melhor para salvar estes pobres corais, mas infelizmente seu esforço parecia ser em vão. Acredito que isso seja resquício deixado pelos navios que navegam por todos os mares e carregam como lastro água de outros lugares, despejando-as aqui e vice-versa. Quando vemos temos um processo de invasão de espécies, ou para os mais otimistas, uma globalização marítima.
Mergulhando em Round Rock, em Grand Cayman, nas Ilhas Caiman
Retornamos ao barco contentes com os mergulhos e tristes apenas por um detalhe técnico, meu regulador está com problemas. Tive que usar um regulador reserva do barco, já que o meu entrou em free-flow e não conseguimos consertar. Carregando todo o equipamento, cruzamos pelas ruas sem calçamento do Don´s Foster até o Éden Rock, nossa segunda operadora de mergulho do dia. Diferente das outras operadoras, a Éden Rock possui uma infra-estrutura completa para um dos melhores shore dives da ilha!
Mar caribenho ao largo de George Town, nas Ilhas Cayman
Almoçamos no Guy Harvey, restaurante que leva o nome do artista plástico caimanero, é decorado com seus quadros e esculturas e possui um cardápio delicioso de pratos típicos, com especialidade em frutos do mar, com vista para todo o porto. Cinco navios estavam ancorados, 14 mil pessoas andando pelas ruas, lotando lojas, restaurantes e atividades como mergulho, snorkel, etc.
Quatro enormes navios-cruzeiro ancorados em George Town, nas Ilhas Cayman
Logo após o almoço voltamos ao Éden Rock para o mergulho no Devil´s Grotto. Agora sem barco, descemos por uma escada colocada nos arrecifes da costa e nadamos uns 100m até a bóia ali em frente. Descemos e logo encontramos uma placa de boas vindas, com algumas informações sobre o local de mergulho. É um ponto lindo e tão fácil que já está até sinalizado!
Lendo placa de aviso no início do mergulho em Devil's Grotto, em George Town - Grand Cayman, nas Ilhas Caiman
Nos primeiros 5 minutos já encontramos uma linda arraia chita, formosa e esfomeada vasculhava as areias ao redor das formações coralíneas, enquanto nós buscávamos a entrada da primeira passagem formada entre os corais.
Uma bela e enorme arraia chita no início do mergulho em Devil's Grotto, em George Town - Grand Cayman, nas Ilhas Caiman
Quase como um queijo suíço, o Devil´s Grotto é um sistema de pequenas cavernas e passagens subaquáticas que desenham um cenário belíssimo e os melhores esconderijos para lagostas e peixes de todos os tipos. Encontramos um cardume de tarpões imensos na entrada da caverna, lindos!
Grandes tarpons em saída de caverna em Devil's Grotto, em George Town - Grand Cayman, nas Ilhas Caiman
O mergulho é fácil e para quem já tem uma boa localização basta pegar um briefing bem completo na operadora antes de cair na água. Quem quiser também pode contratar um mergulho guiado, em horários previamente agendados.
Entrada de caverna em Devil's Grotto, em George Town - Grand Cayman, nas Ilhas Caiman
Como se os três mergulhos do dia já não bastassem, continuamos a nossa empreitada, agora para um mergulho noturno! Este, porém, teria um gosto especial, o reencontro com André, meu primeiro dive master na Pata da Cobra em Bombinhas. Depois de trabalharem por lugares como Fernando de Noronha e Sint Martin, André e Mercedes se mudaram para Cayman e resolveram dar um tempo no mergulho, trabalhando hoje em uma empresa no ramo de diamantes.
Com o André, visitando centro comercial em George Town, nas Ilhas Cayman
Mercedes é argentina, conheceu André ainda em Bombinhas, moraram juntos e viajaram por tudo nos últimos 8 anos e agora está prestes a ser mamãe! Grávida de 8 meses de Isabela, ela não pode mergulhar, mas André resolveu matar as saudades da água e nos convidou para um mergulho noturno. Passamos algumas horas indo e vindo, buscando os cilindros de ar na Dive Supply, em 7 Mile Beach, aonde ele aproveitou para nos mostrar um dos mais novos empreendimentos imobiliários da ilha. O Camana é um shopping, rodeado de apartamentos e infra-estrutura completa para uma família, inclusive com uma pequena praia particular. Lugar super bacana onde se pode encontrar de tudo! Muito bacana.
Um dos mais chiques centros comerciais de George Town, nas Ilhas Cayman
Rodrigo decidiu não mergulhar, então caímos eu e André na água, com as nossas respectivas lanternas. Estas eram praticamente desnecessárias, tamanha a lua cheia que iluminava a noite! Mergulhamos passando pelo mesmo sistema de cavernas da Devil´s Grotto, mas partindo da frente do apartamento deles. À noite a vida submarina é outra, novas cores, muitas lagostas fora das tocas, milhares de camarões de todos os tipos e cores se empilhavam nos corais, que com o reflexo da luz em seus olhos, pareciam verdadeiras árvores de natal! Passamos pelas pequenas cavernas que a noite parecem alongar-se e criam um ambiente totalmente diferente. Encontramos um baita ermitão e durante o apagão das lanternas víamos os plânctons fosforescentes “vagalumiando” no mar quando a lua os deixava. Foi um mergulho mágico!
Peixes em saída de caverna em Devil's Grotto, em George Town - Grand Cayman, nas Ilhas Caiman
A noite fechou perfeita com uma pizza na companhia de Rodrigo e Mercedes, que nos esperavam sequinhos e contentes na casa de André, com muitas histórias para contar, todos ansiosos pela chegada da Isabela. Reencontrar amigos é sempre uma delícia, ainda mais compartilhando momentos e experiências especiais como estes.
O famoso "Castillo", a mais emblemática construção de Chichen-Itza, na península do Yucatán, no México
Um roteiro pelas ruínas mayas do Yucatán não é tarefa fácil. É difícil escolher dentre tantas ruínas, principalmente quando estamos livres, leves e soltos com a nossa Fiona, passeando pelas estradas da região. Em cada monte de terra que encontramos nesta vasta planície, descobre-se uma pirâmide maya. As únicas montanhas naturais em praticamente toda a península estão no nordeste da planície do Yucatán, são ligeiramente elevados (100m), próximas à Ruta Puuc, que significa “pequenos montes”.
A ampla vista que se tem do alto da mais alta pirâmide da cidade maya de Cobá, na península do Yucatán, no México
Já que não podemos ver tudo, fizemos uma seleção de sítios arqueológicos mayas tentando reunir diferentes características, das mais escavadas e restauradas, às menos visitadas, passando, é claro, pela única ruína maya à beira-mar.
Uma autêntica e simpática representante dos mayas, em Chichen-Itza, na península do Yucatán, no México
Primeiramente quero apenas deixar claro uma coisa, nós estrangeiros pensamos em Yucatán como uma coisa única, a Península do Yucatán. Porém aqui no México é comum a confusão quando falamos com os locais, já que Yucatán é o nome de um dos estados que forma a península, ao lado do seu vizinho mais turístico Quintana Roo. Em 4 dias visitamos 4 ruínas diferentes, que estou dividindo em dois posts, um por estado, incluindo uma gruta que foi ocupada pelos mayas no período pré-clássico.
CHICHÉN ITZÁ
Talvez as mais famosas do mundo maya aqui no México, Chichén Itzá possui uma curiosa mistura de culturas. Arqueólogos encontraram fortes evidências de que, após o período clássico, a cidade foi dominada pelos Toltecas, vindos dos Vales Centrais do México.
As ruínas mayas de Chichen-Itza, na península do Yucatán, no México
El Castillo, o templo principal da cultura maya foi construído ao redor de 800d.C, possui 25 metros de altura e toda a numerologia do calendário maya, 365 degraus ao redor, um para cada dia do ano, 52 painéis que fazem referência aos 52 anos do calendário cíclico maya.
O famoso "Castillo", a mais emblemática construção de Chichen-Itza, na península do Yucatán, no México
Depois da invasão inimiga, os Toltecas construíram uma nova pirâmide sobre o templo principal, trazendo novas referências arquitetônicas e a imagem do seu Deus, Quetzalcoátl, a serpente emplumada ou Kukulcán para os Mayas. Hoje podemos ver a serpente esculpida nas suas bases e dizem existir imagens dos guerreiros toltecas no templo do alto da pirâmide. Nós, meros mortais, não podemos ir até lá conferir já que o acesso é proibido.
O famoso "Castillo", a mais emblemática construção de Chichen-Itza, na península do Yucatán, no México
Imagens do Quetzalcoátl e de Chac, o Deus maya da chuva estão espalhadas por todo o sítio, como referências desta mescla de culturas. Os mayas possuem histórico de sacrifícios humanos, porém estes eram esporádicos e aconteciam em situações muito especiais. Os Toltecas, porém já eram mais sanguinários e levam a responsabilidade histórica por ter aumentado sobremaneira a quantidade de sacrifícios neste sítio, comprovadas nas escavações arqueológicas.
Luz de fim de tarde no El Castillo, em Chichen-Itza, na península do Yucatán, no México
Uma das cestas do Gran Juego de Pelota, em Chichen-Itza, na península do Yucatán, no México
Chichén Itzá já foi praticamente toda escavada e todas as estruturas estão restauradas, o que tira um pouco o encanto, mas facilita a visualização de como um dia a cidade deve ter parecido. O Templo de Chac-Mool e o Grupo de las 1000 Columnas para mim são as estruturas mais impressionantes, depois do El Castillo, mas muitas outras construções podem ser encontradas como o imenso Juego de Pelota ou o altar de sacrifícios conhecida como a Plataforma de las Calaveras.
"Grupo de las mil Columnas", em Chichen-Itza, na península do Yucatán, no México
A Plataforma de los Craneos, em Chichen-Itza, na península do Yucatán, no México
A quantidade de turistas e vendedores é desanimadora. São milhares e andam em grupos de 30 ou 40 ao redor de seus guias, repetindo as palmas perante o templo principal (para escutar o eco do quetzal) e os mesmos caminhos percorridos por outros milhares.
Chegando às concorridas ruínas mayas de Chichen-Itza, na península do Yucatán, no México
Dizem que esta visita é obrigatória, e sim, é realmente impressionante, mas se você gosta mais da sensação de descoberta e exploração, outras ruínas poderão ser mais interessantes. Nosso jeito de tentar sentir mais o lugar e escapar das muvucas foi chegar a tarde e esticar até o último minuto, quase expulsos pelos guarda-parques.
Momento de descanso e leitura em um dos gramados de Chichen-Itza, na península do Yucatán, no México
A placa não deixa dúvidas: estamos na península do Yucatán, no México
O sítio arqueológico está na metade do caminho entre Mérida e Cancún, a menos de 30 minutos da cidade de Valladolid. Agencias de turismo arranjam excursões à Chichén saindo tanto de Mérida quanto de Cancún e incluem um cenote vizinho.
A praça e a igreja matriz iluminadas em Valladolid, cidade histórica no centro da península do Yucatán, no México
Mas se você estiver de carro uma boa dica é se hospedar no Pueblo Mágico de Valladolid, uma cidade histórica com ruas charmosas e várias opções de hospedagens e restaurantes. Nós tentamos, mas chegamos lá na semana da Feira Agropecuária de Valladolid e toda a cidade estava lotada. Sorte nossa, pois assim decidimos dirigir mais uma hora e dormir no pequeno povoado de Cobá, que nos reservava mais algumas boas surpresas de viagem.
Detalhe de iluminação em restaurante de Valladolid, cidade histórica no centro da península do Yucatán, no México
Ao Sul de Mérida
As três ruínas acima fizemos em 3 dias seguidos, mas achei que valeria a pena colocar aqui neste mesmo post outros dois lugares que visitamos posteriormente e em um mesmo dia, fechando o nosso roteiro ao redor da Civilização Maya, na Península do Yucatán. Ao sul de Mérida estão outras dezenas de ruínas, fazendas de henequén (um tipo de sisal), uma rota de antigos conventos espanhóis, cenotes e grutas. Na nossa corrida habitual, escolhemos dois pontos para mergulhar um pouco mais na cultura maya: as Ruínas de Uxmal e as Grutas de Loltún.
RUÍNAS DE UXMAL
A aproximadamente 50 minutos de Mérida estão as Ruínas de Uxmal, mais uma das cidades-estados da Civilização Maya. Uxmal foi importante na região e chegou a dominar as suas vizinhas menores Kabah, Labná, Sayil e Xlapak.
Caminhando pelo imponente Quadrângulo das Monjas", nas ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México
Uxmal significa “a cidade construída três vezes”. No entanto os estudiosos dizem que ela possui 5 fases construtivas. Uma das suas principais características é a presença “chultunes”, grandes reservatórios de água de chuva, para que a cidade pudesse sobreviver em meio à região árida em que está localizada. Não por acaso a imagem mais venerada e encontrada em todos os templos da cidade é o Deus Chac, Deus da Chuva.
O famoso "deus narigudo" maya, nas ruínas de Uxmal, no Yucatán, sul do México
A arquitetura em estilo puuc tem influencias das culturas mais ao norte como Toltecas e Río Bec e Chenes, vistas através da imagem da Serpente Emplumada, colunas e símbolos fálicos. A Casa del Advindo é a estrutura mais alta, com 39m de altura e uma base oval é apenas um dos grandiosos edifícios que encontramos no local.
Visto de longe, o Templo do Adivinho, nas ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México
O Templo Mayor, ou Grand Pirâmide, possui 32m de altura, mas o que mais me impressionou foi o Templo de las Monjas, um complexo gigantesco com 74 quartos que os arqueólogos chutam ser ou uma academia militar, um palácio ou ainda uma escola real.
Caminhando nas ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México
A cidade foi abandonada pelos seus habitantes ao redor do ano 900 d.C, quando Chac deixou de escutar os pedidos do povo maya e uma grande seca se abateu por toda a região, forçando a população a se realocar. As ruínas são impressionantes, a quantidade de detalhes, ornamentos e a complexa arquitetura a faz muito especial, uma das nossas preferidas!
O famoso Templo do Adivinho visto por trás, nas ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México
Tivemos um encontro super especial com um casal de brasileiros, acompanhado de um casal de mexicanos que já viveu no Brasil. A Cinthia é curitibana, mas já mora em Porto Alegre há 20 anos. Ela veio visitar o marido que está trabalhando aqui no México e aproveitou para tirar umas férias e visitar alguns templos mayas e o caribe mexicano. É uma delícia encontrar conterrâneos depois de tanto tempo de viagem, ainda mais simpáticos e calorosos como eles! Já está combinada a visita em Porto Alegre no final da viagem.
Encontro com brasileira e paranaense nas ruínas mayas de Uxmal, no Yucatán, sul do México
GRUTA DE LOL-TÚN - Ruta Puuc
Saindo de Uxmal um passeio comum seria continuar pela Ruta Puuc, que inclui mais 3 sítios arqueológicos menores, Labná, Sayil e Xlapak. Fazer tudo em apenas um dia seria puxado e teríamos que dormir uma noite na região, então optamos por pular estas ruínas e conseguimos combinar com Uxmal as Grutas de Lol-tún.
Admirando a caverna de Lol-Tun, no Yucatán, no sul do México
As grutas por si só já são um atrativo natural incrível, com seus imensos salões, estalactites e estalagmites. Lol-tún consegue nos surpreender ainda mais, pois além da sua beleza natural, ela nos proporciona um mergulho na história maya mais antiga, nos levando a mais de 500 anos antes de Cristo.
Caminhando pela caverna de Lol-Tun, no Yucatán, no sul do México
No caminho para a caverna já encontramos uma primeira pictografia, sinal de que os mayas estiveram ali. A imagem esculpida na pedra foi datada de 2.500 a.C., segundo nosso guia local, e não pensem vocês que são desenhos simplistas, são estelas completas “in loco”, com todos os detalhes e requintes que são peculiares a esta civilização.
Caminhando pela caverna de Lol-Tun, no Yucatán, no sul do México
Durante muitos anos a caverna foi habitada pelos Mayas, que deixaram aqui pistas de que mais de 150 famílias podem ter vivido na imensa cidade subterrânea. A principal dela são as pedras utilizadas para moer o milho, uma por família. Vasos de cerâmica foram encontrados por toda parte, assim como algumas pinturas que representavam momentos cerimoniais e datas. Até a cabeça de uma estátua tolteca foi encontrada por aqui!
Nosso guia nos mostra antigas pinturas mayas na caverna de Lol-Tun, no Yucatán, no sul do México
Uma antiga escultura de características olmecas na caverna de Lol-Tun, no Yucatán, no sul do México
Os vestígios humanos deixam claro, na visão dos arqueólogos que a gruta era utilizada principalmente com fins habitacionais, tendo sido encontrado apenas um esqueleto de uma criança, que provavelmente se perdeu e morreu por aqui. No fundo da gruta estão as colunas sagradas que deram origem ao seu nome, pois batendo forte ressonam “Lol” – “Tún”.
O guia nos leva pela caverna de Lol-Tun, no Yucatán, no sul do México
Nosso guia foi ótimo, nós chegamos as 16h30 e a gruta fechava em meia hora. Ele convenceu seus amigos da administração a liberar a nossa entrada com ele que pudemos aproveitar até o apagar das luzes, quase uma hora depois. Cruzamos a gruta e saímos por outra entrada natural onde foram encontrados ossos de animais pré-históricos, como preguiças gigantes e até de um mamute. O lugar é sensacional e super indicado!
Saída em forma de enorme clarabóia na caverna de Lol-Tun, no Yucatán, no sul do México
Ufa, post longo! Difícil resumir lugares tão impressionantes dentro de um mesmo texto, mas a intenção é reunir as informações do mundo maya que nós conhecemos, para ajudá-los a ter uma melhor ideia não apenas da história, mas do seu futuro roteiro. Se você conseguiu chegar até aqui, não deixe de comentar e me contar o que você achou das informações! O mundo maya é imenso e este é só um piscar de olhos na história de toda esta civilização.
Visita às ruínas mayas de Chichen-Itza, na península do Yucatán, no México
Bela paisagem no fim de tarde na viagem para Cuenca, no Equador
Gostaria que esse título fosse mesmo o que vocês imaginaram. “Decidimos que iremos passar os próximos 30 anos na estrada!” Ou ainda melhor, “hoje comemoramos 30 anos de estrada!” Hahaha! Mas nada disso, a frase tem por trás um motivo muito mais simples, mas não menos nobre: hoje comemoro os meus 30 anos de idade na estrada!
Propaganda de Gatorade no Equador (Cuenca)
Laura tomou seus últimos remédios na veia até as 11h e finalmente recebeu alta da clínica! Pé na estrada, dia longo de viagem para o sul do Equador, rumo à cidade de Cuenca. O Equador possui uma densidade populacional imensa, durante todo o caminho passamos por cidades grandes, vilas e povoados.
Exibir mapa ampliado
Quase todos os estados aqui recebem o nome dos respectivos vulcões presentes em cada região. Ontem, por exemplo, saímos de Cotopaxi, passamos por Tungurahua, onde está Baños, e pelo estado do Chimborazo, vulcão extinto e mais alta montanha do Equador, com 6.310m.
O vulcão Tungurahua, perto de Baños, na viagem para Cuenca, no Equador
Essa estrada é linda e muito popular pelo passeio de trem que corta as montanhas de Riobamba, passando por Alausí e chegando ao trecho mais famoso conhecido como Nariz del Diablo. A linha férrea está em manutenção e o trecho mais bonito está fechado para as obras. Assim sendo aproveitamos a nossa Fioninha para conhecer do carro mesmo as paisagens que cortam o Equador, passando pelo mesmo caminho do trem, até Cuenca.
A bela paisagem na viagem para Cuenca, no Equador
A viagem foi longa e cansativa, mas não poderíamos deixar de comemorar! Em Cuenca fomos ao Tiesto, restaurante de culinária equatoriana bem despojado, passagem obrigatória na cidade. A principal atração do Tiesto é Juan, o chef, uma figura simpaticíssima e com muita personalidade. Sabe que é bom e faz questão que todos tenham a melhor experiência gastronômica em sua casa, mesmo que isso signifique ir contra a escolha (geralmente equivocada) do cliente.
Com o simpático chef do restaurante Tiesto, no aniversário da Ana, em Cuenca, no Equador
O conceito dos pratos é que a comida deve sempre ser compartilhada, por isso são pratos para 2 ou mais pessoas. Se queremos experimentar mais de um, Juan nos diz quais pratos harmonizam e intensificam seu sabor, espetacular! Na sobremesa veio a surpresa: um prato todo decorado com molhos açucarados e com uma vela para a velhinha aqui.
Bolo de aniversário no Tiesto, excelente restaurante de Cuenca, no Equador
Durante a vida, nunca imaginei que comemoraria os 30 anos no Equador, muito menos com a companhia dos amados Rodrigo, Laura e Rafael, foi sensacional! Cuenca, sem fazer muito esforço, já entrou para a lista de preferidas na história dos 1000dias.
Celebração dos 30 anos da Ana no excelente restaurante Tiesto, em Cuenca - Equador
Início da caminhada ao Pico do Itambé, na região de Capivari - MG
Estávamos nós no Armazém da Rita, ontem à noite em Milho Verde. Fomos lá comer um petisco e assuntar. Conhecemos o Paulo, Paulinho de Rita, como é conhecido por aqui. Paulo é escoteiro a 39 anos, seguindo o exemplo de seu pai, escoteiro desde 1932! Foi uma bela surpresa encontrar ali alguém que me fez o cumprimento escoteiro e o sinal de sempre alerta! Muitos assuntos divertidos, desde pinga de cobra, escaravelho e aranha caranguejeira, até a criação de cobras que seu irmão tinha em Diamantina para receber em troca os soros antiofídicos para a região, do Instituto Ezequiel Mendes, equivalente ao Butantã em Minas Gerais.
Pico do Itambé, na região de Capivari - MG
Papo pra lá, papo pra cá, Paulinho nos contou da sua paixão por uma montanha próxima, o Pico do Itambé, maior montanha da região. Havíamos ouvido falar, é o maior Pico da Serra do Espinhaço com 2055m de altitude, mas não sabíamos qual era a sua porta de entrada, nem como faríamos para chegar lá. Ele nos deu todas as dicas, estávamos no lugar certo! Há apenas 16km de Milho Verde fica o povoado de Capivari, portal de entrada para o Parque Nacional do Pico do Itambé. O parque também possui entrada por Santo Antônio de Itambé, por lá sua subida é até mais rápida, em torno de 2 horas, pois o carro chega mais próximo à sua base, mas dizem que por Capivari a paisagem é ainda mais bonita.
A bela vegetação do Pico do Itambé, na região de Capivari - MG
Já estávamos meio enjoados de cachoeiras mesmo e quando acordamos hoje o tempo estava fechado, nuvens pretas que não víamos há muito tempo pairavam sobre nossas cabeças, com aquele vento frio que lhes é peculiar. Dia perfeito para subir uma montanha! Infelizmente o Paulinho não pôde ir conosco, mas fomos mesmo assim. Chegamos à Capivari e logo conhecemos Genésio, guarda-parque que estava no seu dia de folga e se prontificou a nos levar até o cume.
Início da caminhada ao Pico do Itambé, na região de Capivari - MG
Logo o Rodrigo ficou curioso sobre o significado da palavra Itambé e Genésio, ligeiramente respondeu: Ita = Pedra e Imbé é uma planta que nasce sobre pedras com raiz de cipó, muito comum na região. Sabíamos que poderia levar até 4 horas para subir, caminhando bem até 3 horas. Subimos a montanha entre pastos e escarpas de pedras. O solo arenoso logo traz as candeias e as flores de serrado, e mais no alto o frio nos apresenta as bromélias, orquídeas e vegetação rasteira comum nas montanhas.
A bela vegetação do Pico do Itambé, na região de Capivari - MG
A paisagem é de uma vastidão impressionante! Vemos a cidade de Diamantina, a Serra da Bicha e aquele mar de nuvens. Perguntei ao Genésio “que bicha?”, a onça, ele respondeu, “Ali naquelas bandas tem muitas onças, gostam daquela serra.”
A bela região do Parque do Pico do Itambé, na região de Capivari - MG
No caminho soubemos da vida da população que vive ali nas cercanias do parque estadual, longe de tudo, até de Capivari. As crianças que caminham às 5 da manhã, uma hora e meia, até o local onde hoje encontram a condução escolar. O marido que largou a bebida, não tem trabalho para criar os oito filhos e ainda cuida da esposa alcoólatra. Melhor ainda é a história do “Zé” que tem duas esposas, vizinhas, amigas, uma já tem dois filhos criados então a “outra” emprestou uma filha para a sócia ter companhia. Ele vive bem, sustenta as duas esposas, “a atual e a outra” e deve comparecer, pois elas estão felizes. Coisas que só vemos nesse Brasilzão véio mesmo!
Caminhando para o Pico do Itambé, na região de Capivari - MG
No caminho temos que passar por um buraco entre pedras roladas, quase uma experiência de renascimento. Aí vamos descobrir que o ex-prefeito de Santo Antônio de Itambé havia mandado tampar aquele buraco com mais pedras, para fechar a passagem da trilha de Capivari. Inacreditável! O prefeito brigando pelo acesso ao pico! Bem, é claro que na mesma semana abriram o buraco que ficou ainda menor e mais emocionante.
Atravessando um fenda no caminho para o Pico do Itambé, na região de Capivari - MG
Ficamos morrendo de vontade de dormir lá em cima, sentir aquele friozinho bom em cima da montanha, mas tínhamos que voltar para seguir viagem. Um belo jantar com uma comidinha no fogão à lenha em Capivari e voltamos para casa prontos para a próxima. Amanhã seguiremos viagem para Conceição do Mato Dentro. Tabuleiro, aí vamos nós!
Até bruxa tinha no Andrés Carne de Res, em Chia, próximo de Bogotá, na Colômbia
Ir a Bogotá e não conhecer o Andrés Carne de Res é como ir a Roma e não ver o Papa! Um restaurante, bar, balada com as melhores carnes e um ambiente super extrovertido, o Andrés Carnes de Res fica em Chía, ao norte de Bogotá.
Saindo do famoso Andrés Carne de Res, em Chia, próximo de Bogotá, na Colômbia
Com diversos ambientes e uma decoração pra lá de criativa que inclui revestimento de pilares com tampas de garrafa, tetos com pratos de porcelana e pilhas de chaleiras, uma das diversões no bar é justamente andar pelos seus corredores descobrindo cada detalhe, cada foto, estatuetas, peças de antiguidades e idéias super criativas para reaproveitamento e reciclagem de materiais.
Decoração vintage do Andrés Carne de Res, em Chia, próximo de Bogotá, na Colômbia
A noite foi ótima! Clarita e Douglas são animadíssimos, súber rumbeiros! Muita salsa, ballenato, merengue e até música brasileira! No final, um caldinho de carne com legumes é cortesia da casa, para diminuir a borrachera e todos voltarem seguros e quentinhos para casa.
Pista de dança no Andrés Carne de Res, em Chia, próximo de Bogotá, na Colômbia
Decoração vintage do Andrés Carne de Res, em Chia, próximo de Bogotá, na Colômbia
Hoje foi um dia de trabalho pela manhã e estrada durante a tarde. Posso resumir desta forma simples e sem graça. Escrevi bastante, ficamos lutando para enviar o material da Gazeta pela internet em Milho Verde, mas a conexão realmente não estava ajudando. Seguimos viagem, então, para Serro, com esperança de conseguir resolver este problema lá. Enquanto eu conectei pelo celular e enviei o material de 2,5MB em 20 minutos, o Rodrigo abasteceu o carro e comprou um queijo conhecido como “O melhor queijo de Minas Gerais”, não poderíamos deixar de provar. Tentei falar com a Dani no skype, mas caiu a conexão, ficamos novamente ilhados.
Praça de Serro - MG
Confesso que hoje me bateu aquele cansaço, aquele que todos perguntam “Nossa, 1000dias? Será que você agüenta?” Eu acho que sim, mas eu também sabia que algum momento eu ficaria cansada, estafada. Vocês pensam... cansada de passar por tantos lugares bonitos, tomar banho de cachoeira, fazer trilhas e conhecer lugares novos? Sim e não... Sim, enjoa um pouco ver cachoeira o tempo todo... ter que levantar todos os dias e entrar numa trilha no meio do mato... que preguiça. Não, porque a rotina de estrada, poeira, trabalho, cobranças internas e externas, também entram nessa conta e quase não aparecem aí para vocês. Mas não se preocupem isso não quer dizer que eu me rendi e que não vou agüentar os 1000dias. Eu não estou com saudades de ficar parada em apenas um lugar. Isso só quer dizer que até uma vida assim, dos meus sonhos e dos sonhos de muitas pessoas que conhecemos por aí, também cansa, também tem seus problemas e também nos faz ficar pensativos... Será que é isso mesmo o que eu quero?
Estrada sendo construída, entre Serro e Milho Verde - MG
Bem, o que me acalmou desta agonia toda foi a própria estrada... Santo remédio! Enquanto o Rodrigo dirigia os 100km entre Milho Verde e Tabuleiro, ficamos praticamente o tempo todo em silêncio. Foram quase três horas que tive para pensar, passar os sentimentos a limpo e começar a entender o que se passava assim, “a nível de mim mesma”. Em Milho Verde eu estava irritada, passamos por Serro e a irritação se transformou em uma certa angustia. Coloquei várias músicas daquelas bem viscerais da Ana Carolina, Adriana Calcanhoto, Cássia Eller e Marisa Monte... e de repente a Vanessa da Mata tomou conta, alegre e festeira. Quando chegamos em Conceição do Mato Dentro eu já estava bem. Faltava apenas chegar a Tabuleiro para ter certeza. Quando chegamos a um lugar como este, com uma tranqüilidade absurda, uma linda vista, no meio da natureza e uma energia deliciosa, todas as nossas preocupações e paranóias simplesmente desaparecem. E quando menos esperamos estamos aqui de novo, na frente do computador, escrevendo e cumprindo todas as nossas obrigações diárias, afinal faz parte da vida, não é mesmo?
A pacata cidade colonial de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador
Suchitoto é uma pequena cidade colonial localizada 47 km ao norte de San Salvador. Uma vila tranquila, onde sentar e ver o tempo passar, entrando no clima e no ritmo pacato dos seus moradores é um prazer por si só.
Igreja matriz de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador
Como toda cidade colonial, a praça central possui uma igreja, uma fonte e aí se reúnem artesãos locais. A artesania é um dos fortes daqui, algumas galerias são indicadas pela oficina turística que está em frente à praça. Caminhamos pelas ruas da cidade buscando um bom mirante para o Lago Suchitlán, que fica a poucos quilômetros do centro.
A histórica cidade de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador
O Hostal Mirador, uma pousadinha bem simples, possui uma vista linda para o lago, ainda que bem improvisado, o mirador tem um banco bem convidativo para tomarmos uma cervejinha enquanto admirávamos a paisagem. Depois de 15 anos sem jogar, até arriscamos uma partida de damas, na qual o Rodrigo me massacrou.
Jogo de damas com vista para o lago Suchitlán, em Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador. A "Água" ganhou da "Cerveja"!
Descemos com o carro para o parque às margens do Lago Suchitlán, onde além de restaurantes, podem-se encontrar passeios de barco pelas ilhas e praias do lago e uma tirolesa que fazia a diversão dos turistas guanacos, apelido adotado pelos salvadoreños.
O lago Suchitlán, ao lado da cidade colonial de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador
Ao redor da cidade existem também outras opções turísticas, como a Cascata Los Tercios, que agora estava sem água, outra cachoeira o Salto El Cubo e alguns trekkings. A oficina turística nos pareceu não incentivar muito o eco-turismo aqui. Para Los Tercios por estar sem água, para El Cubo, por ser muito difícil, mas se quer mesmo alguma atividade nos arredores o ideal é procurar um guia que poderá dar informações mais apuradas e interessantes.
Caminhando nas ruas de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador
Nós escolhemos um dia tranquilo, daqui fomos a um restaurante já na saída da cidade, em meio a um pequeno bosque e árvores de banana, com redes e um ambiente super aconchegante. Provamos um dos pratos típicos salvadoreños, carnes (pusayos), uma lingüiça gaúcha (chorizos), tortillas de milho e uma espécie de tutu de feijão muito saboroso, tudo sobre uma folha de bananeira cortada ali, na hora.
Lago de Suchitlán, ao lado de Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador
Terminamos o dia em El Salvador, depois de uma sessão relaxante que eu havia ganho no shopping, fomos ao cinema assistir o Missão Impossível 4 – Protocolo Fantasma. Sim, sentimos falta de estar conectados às novidades do mundo e essa é uma das formas de nos “atualizarmos”. Rsrs! Dia gostoso e tranquilo, ótimo para repor as energias e seguirmos viagem!
Caminhando pelas tranquilas ruas da charmosa Suchitoto, nas montanhas no norte de El Salvador
Paisagem de cartão postal em Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela
Parque Nacional Morrocoy, este nome não saiu da minha cabeça desde o início de 2007 quando eu e o meu mais novo namorado, Rodrigo, começamos a planejar a nossa primeira viagem internacional juntos. Tínhamos apenas 20 dias na Venezuela e o nosso foco era claro, o trekking no Monte Roraima e o tour para o Salto Angel. Mas queríamos também uns dias de descanso em uma praia paradisíaca, afinal mochileiros, trekkers e aventureiros também são filhos de Deus. Neste roteiro, então, acabamos optando por conhecer as paradisíacas ilhas de Los Roques, mais acessíveis via aérea de Caracas, além de prometerem (e cumprirem!) ser um paraíso perdido no Caribe Venezuelano. Ainda assim Morrocoy não saiu da minha cabeça e finalmente chegava a hora de conferirmos o porquê.
Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela
Saímos da Serra de San Luís em direção à Coro já no final da tarde. Foram quase 3 horas de estrada até Tucacas, principal cidade de acesso ao Parque Nacional Morrocoy. Chegando lá encontramos pousadas lotadas e um guarda noturno super simpático na entrada do parque, ele sabia muito sobre o Brasil e até português arranhava! Puxando informações sobre as praias e ilhas mais bonitas, forma de acesso, etc, descobrimos que os cayos estavam fechados para camping, que a parte continental do parque estaria fechada na segunda-feira e que portanto o melhor jeito de chegarmos aos famosos cayos de Morrocoy seriam pela cidadezinha vizinha de Chichiriviche.
Chegando em Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela
Lá fomos nós, 30km a mais e chegamos ao balneário que me lembrou, assim, de revesgueio, a nossa grande Pontal do Paraná! Chichiriviche é a base para exploração das ilhas que fazem o Parque Nacional Morrocoy tão famoso entre os venezuelanos. Nestas ilhas não há hotéis ou infraestrutura turística, portanto a cidade, que tem um “quê” de cidade portuária, é mais agitada mesmo sem nenhum atrativo a não ser o porto de embarque para o paraíso.
Cais de Chichiriviche, a caminho do parque Morrocoy, na Venezuela
Logo conseguimos um hotelzinho simples no centro, um estacionamento seguro para a Fiona, jantamos em um dos vários restaurantes na beira mar tentando entender aquela movimentação toda de final de semana. Foi bacana ver que mesmo na situação atual do país os venezuelanos saem em festa nos finais de semana, lotam suas praias e fazem o turismo girar a economia destes lugares. Quase não encontramos estrangeiros, para não dizer que não vimos nenhum, conhecemos um casal de colombianos e vimos os artesãos argentinos (tchurma riporonga) que sempre marca presença. Os turistas nacionais vinham das cidades próximas e lotavam o calçadão comprando bugigangas, disputando som, fazendo discotecas a céu aberto com direito a arrasta pé e tudo! Enquanto ao lado um tio vendia bolos, do outro um empreendedor local alugava os zil tipos de triciclos motorizados para a criançada brincar, 5 bolívares por 15 minutos. O povo não se aperta!
Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela
No dia seguinte, toda a festa é transferida para alguns dos cayos próximos, principalmente Cayo Muerto e Cayo Sal, que estão a apenas 15 minutos de lancha dali. Estes cayos, ilhas de areias brancas rodeadas por águas azuis-esverdeadas, são o lugar ideal para se refrescar e relaxar de quaisquer preocupações que alguém possa ter. Lá não interessa se falta pasta de dente, papel higiênico ou se o novo presidente é um bruto, estamos no paraíso!
A maravilhosa praia de Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela
Nós quisemos fugir dessa algazarra e decidimos ir um pouco mais longe, no cayo que, junto com o nome do parque, nunca me saiu da cabeça: Cayo Sombrero. A imagem que eu tinha era daquele paraíso tropical de águas azuis transparentes, areias brancas como talco e coqueiros à beira mar. Nós e o casal de colombianos dividimos uma lancha e 40 minutos depois era exatamente neste cenário que chegávamos.
A maravilhosa praia de Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela
O cartão postal do Parque Nacional Morrocoy, Cayo Sombrero é conhecido entre os locais como o lugar dos ricos, cheios da grana. Todos os venezuelanos mais abastados que vivem em praias e cidades próximas pegam suas lanchas no final de semana e vem para cá. Os que não tem lancha alugam uma e a gasolina é quase de graça. Existe um restaurante na ilha que, para padrões locais, é superfaturado, nós já trouxemos nossos sanduíches. A venda de bebida alcoólica é proibida, por isso a maioria dos barcos já traz a sua bebida e cada turista também pode trazer sua cervejinha em um isopor sem problemas. Mas é claro que sempre tem os que esquecem ou aqueles que querem mais, e para isso existem os vendedores ambulantes que driblam a fiscalização e vendem sucos naturais nos seus barcos-bar, incluindo a dose de rum que você pedir.
Convite ao ócio em Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela
Nossa ideia inicial era acampar aqui, mas nosso amigo guarda-parque de Tucacas nos disse que nesta época o camping era vetado, já que não havia pessoal permanente na ilha. Ele poderia até estar falando a verdade, mas fato é que sem a fiscalização fica ainda mais fácil, tanto que nós encontramos alguns russos figuras com o acampamento armado na beira da praia. Por sinal, sabe Deus de onde surgiram estes russos, pois não os vimos em Chichiriviche, deve ser coisa do Chavez! Rsrs!
O paraíso é aqui: Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela
Andamos pela ilha explorando a praia de dentro, fizemos snorkel no canto esquerdo fugindo da muvuca que aos poucos ia chegando. Cruzamos para o outro lado da ilha e encontramos uma praia ainda mais linda, protegida por uma barreira de corais longínqua onde quebravam as ondas constantes do lado de fora da ilha.
Nadando no incrível mar de Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela
A pena é encontrar um monte de lixo no caminho entre as praias, em uma pequena baía escondida atrás das árvores e do manguezal. Enquanto o parque até tenta passar mensagens de educação ambiental, a consciência ecológica por parte dos frequentadores da ilha parece ser zero! E o parque não consegue dar conta do recado varrendo as latas de cerveja e um mundo de sujeira para baixo do tapete.
Mensagem ecológica em Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela
Ainda assim ficamos impressionados com o paraíso que os venezuelanos tem no seu litoral. Um país com Andes, Desertos, Amazônia, pantanal e onde os balneários de final de semana da galera são um arquipélago com dezenas de praias e ilhas caribenhas acessíveis a todos! Com mais tempo ficaríamos para explorar os cayos mais distantes para oeste, Cayo Borracho e Peraza, mas ficam aí mais alguns motivos para voltarmos.
Paisagem de cartão postal em Cayo Sombrero, no Parque Nacional Morrocoy, na Venezuela
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