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Blog da Ana - 1000 dias

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SHUFFLE Há 1 ano: Guatemala Há 2 anos: Guatemala

Foi ela, a salmonela!

Brasil, Distrito Federal, Brasília

A noite de terça para quarta-feira foi interminável. Passei mal a noite toda e só as 4am que meu organismo resolveu reagir e se defender, pena que foi de uma forma violenta! Nem vale a pena entrar em detalhes, o diagnóstico foi infecção alimentar, até agora não sei se foi a salada ou o cachorro quente, mas sei que o negócio não foi fraco não! Minha sorte é que tenho linha direta com uma das melhores médicas do Brasil! “Mamãe, to dodói, o que eu faço?”

A Ana, acamada pela febre, em Brasília - DF

A Ana, acamada pela febre, em Brasília - DF


Tadinha, esteja onde estiver ela tem que fazer o diagnóstico, por telefone mesmo. E não é que sempre acerta? Infecção alimentar por salmonela ou alguma bactéria da sua trupe. Medicação homeopática, muita hidratação, alimentação de hospital, carinho e cuidado do marido, muuuito repouso e estou (quase) novinha em folha! Tenho um atraso para tirar aqui no blog, mas não se apoquentem, logo logo estará tudo no ar. Foram dois dias imprestáveis, com essa vista que vocês vêem aí na foto. Depois destes 2 dias de cama, fazendo a maior limpeza interior, estou de volta à ativa!

Brasil, Distrito Federal, Brasília,

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Maratona Serra do Cipó I

Brasil, Minas Gerais, Tabuleiro (P.E. Serra do Intendente)

As altas paredes do Canyon do Peixe Tolo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

As altas paredes do Canyon do Peixe Tolo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


Primeiro dia da Maratona Serra do Cipó. Acordamos logo cedo, tomamos nosso delicioso Kit Café da Manhã no Eco Hostel e estamos prontos para começar o dia. Fabrício, nosso guia já chegou e está ansioso para iniciarmos a programação, pois segundo ele nunca fez 2 atrações no mesmo dia. Será que dá tempo?

Parque Estadual da Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Parque Estadual da Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


Com o guia Fabrício na Cachoeira do Rabo de Cavalo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Com o guia Fabrício na Cachoeira do Rabo de Cavalo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


Seguimos direto para a Cachoeira do Rabo de Cavalo, fica em um distrito próximo à Tabuleiro, Itacolomi. São 40 minutos de carro para chegar até o início da trilha. A informação que tínhamos é que a trilha era de nível médio e levaria 1h30 para ir mais 1h30 para voltar. Eu estava esperando muitas subidas e descidas, mas tive uma ótima surpresa, a trilha era praticamente toda plana, com leves inclinações. Andamos tranquilos e chegamos em 50 minutos. A cachoeira é maravilhosa! No inverno é época de seca, pouca chuva, portanto as cachoeiras estão menos volumosas, mas ainda assim guardam uma beleza incrível e um poço delicioso para nadarmos e nos divertirmos. Até o Fabrício teve que entrar!

Saltando (ou se equilibrando?) na Cachoeira do Rabo de Cavalo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Saltando (ou se equilibrando?) na Cachoeira do Rabo de Cavalo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


Fiona enfrentando obstáculos na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Fiona enfrentando obstáculos na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


Voltamos ainda mais rápido e seguimos para o cânion vizinho, o do Peixe Tolo. Nome engraçado este, surgiu na Piracema, época em que os peixes sobem os rios para desovar. Os moradores da região desconheciam este fenômeno da natureza e achavam engraçado ver os peixes nadando contra correte, muitas vezes abobados caindo nas pedras de tanta força que faziam... peixes tolos estes!

Os três viajantes posando para fotos na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Os três viajantes posando para fotos na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


Seguimos cânion adentro, pulando de pedra em pedra sobre o rio para avançarmos. Sabíamos que havia três cachoeiras, nosso objetivo inicial era irmos até a primeira, já que não teríamos luz para ir até o final. Uma “saltitante” hora e chegamos lá, mas temos tempo e queremos avançar, depois voltamos dar um tchibum!

Com nosso guia Fabrício no Canyon do Peixe Tolo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Com nosso guia Fabrício no Canyon do Peixe Tolo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


Seguimos em frente e a paisagem vai se transformando, o cânion vai ficando cada vez mais estreito, a mata mais fechada e as pedras mais lisas. O cenário parece um jardim japonês, com bambus, bonsais, pedras redondas branquinhas e água corrente. Começa a ficar tarde e a trilha está cada vez mais suja e fechada, Fabrício nos disse que estávamos há apenas 40 minutos do fim, mas que não daria tempo de tchibum na cachoeira. Adivinha o que escolhemos?

Poço de águas geladas no Canyon do Peixe Tolo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Poço de águas geladas no Canyon do Peixe Tolo, na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


É claro! Depois de um dia todo caminhando precisávamos de um banho neste lugar sensacional! A formação rochosa faz um eco fenomenal e a paisagem extra-terrestre nos faz esquecer os 13°C da água. Caminhamos saltitantes dentre pedras e rios e chegamos na Fiona exatamente as 18h, sol se pondo, tudo cronometrado. O primeiro dia já se foi e que venham os próximos!

Brasil, Minas Gerais, Tabuleiro (P.E. Serra do Intendente), cachoeira, Conceição do Mato Dentro, Serra do Intendente

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Casa da Vovó Carola

Brasil, Minas Gerais, Poços de Caldas

Chegamos esta manhã em Poços de Caldas, cidade de origem da Família Junqueira. Eu já havia estado em Poços quando, com meus pais e irmãs, fizemos uma viagem de carro por Minas, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Poços foi apenas uma cidade no caminho, me marcou pelo bondinho que estava em reforma e não pudemos visitar. Depois de 17 anos, Poços passou a ter outro significado para mim. Uma cidade que guarda toda a história da família do meu amor. Cidade em que ele cresceu brincando com seus primos, aprendendo com seus tios e convivendo com sua avó, querida Vovó Carola.

Café no parque de Poços de Caldas - MG

Café no parque de Poços de Caldas - MG


A casa antiga e bem preservada nos remete aos anos em que vovó vivia ali, junto de seus filhos, netos e alguns bisnetos, já que viveu até os 96 anos. Nós dormimos em seu quarto, que ainda hoje possui armários com suas roupas dependuradas, penteadeira com seus pentes e escovas de cabelo prateadas e na cômoda o seu altar com todos os santos e água benta da pia batismal de sua catequese. Na sua cama a memória dos oito partos realizados em casa, onde nasceram os super oito! Dentre eles o meu sogro, Seu Gustavo Junqueira. Na sua cama também a memória do seu último suspiro. A primeira vez que dormi ali, pedi licença à vovó em minhas orações e sonhei que acordava nos anos 30, ouvindo as charretes na rua e sentindo a emoção de mais um parto que estava por vir.

Nesta casa almoçamos e jogamos conversa fora com a família que veio de diversos cantos para o feriado. Guto, Sossa e Lulu de Ribeirão Preto. Lalau, João Pedro, Antônio e Lucas (amigo do Antônio) de São Carlos. Gogóia, Charles e Luiza de São Paulo e o Chico láááá de Rio Verde, Goiás. Fomos caminhar pela cidade, pela praça, ao lado do antigo Cassino, onde a missa do Corphus Christi está sendo organizada, as 16h sai a romaria em direção à igreja. Tomamos uma vitamina na casa de sucos que Rodrigo frequentava com 10 anos de idade e hoje vemos os sobrinhos se deliciando com a vitamina de açaí, banana e leite.

A deliciosa Casa de Vitaminas, em Poços de Caldas - MG

A deliciosa Casa de Vitaminas, em Poços de Caldas - MG


No caminho de volta decidimos parar nas famosas termas que dão nome à cidade. Águas termais sulfurosas com uma infinidade de benefícios para a saúde: reumatismo, mialgias, ansiedade, stress, dermatoses pruginosas, varizes, eczemas crônicos, gastrites hiperácidas, insuficiência hepáticas, diabetes mellitus, bronquites, renites e muitas outras. Banho pérola, vulga hidromassagem, com essas águas milagrosas e aquecidas direto da fonte.

Medindo o próprio peso, logo após o banho-pérola, nas Thermas de Poços de Caldas - MG

Medindo o próprio peso, logo após o banho-pérola, nas Thermas de Poços de Caldas - MG


A noite ainda uma aventura com os sobrinhos a bordo da Fiona, visita ao Cristo e depois a exploração de uma trilha off-road que nos levaria até um antigo hotel, hoje em ruínas. A corujisse do Rodrigo com a Fiona não permitiu que chegássemos ao objetivo. Lá no alto 10°C com sensação térmica de 5°C, voltamos para casa da Vovó e novamente o sentimento de estarmos em casa. Cada vez mais fica claro que a casa não é feita de um endereço fixo, mas sim das pessoas que amamos.

Vista do Cristo, direto do centro da cidade

Vista do Cristo, direto do centro da cidade

Brasil, Minas Gerais, Poços de Caldas,

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Nova Etapa!

Brasil, Paraná, Curitiba

Chegando ao ponto mais alto da estrada, na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru

Chegando ao ponto mais alto da estrada, na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru


Depois de um rápido pit stop em Curitiba para rever a família, amigos, alimentar a alma e resolver questões burocráticas da viagem estamos novamente na estrada! A Fiona fez uma das revisões mais importantes do seu ciclo de vida, depois de rodar 150 mil quilômetros até o Alasca, por mais de 700 cidades e todos os países do continente americano. O único país onde ela não colocou suas 4 patas tracionadas foi o Uruguai, que estará fechando o tour americano do 1000dias, depois da nossa passagem pela Patagônia Argentina e Chilena.

Começamos o nosso roteiro rasgando o oeste de Santa Catarina e Rio Grande do Sul com uma rápida parada na cidade de imigrantes austríacos de Treze Tílias, o Salto Yucumã e nos 7 Povos das Missões, algumas das ruínas mais antigas no Brasil. Daí cruzaremos à Argentina em busca das incríveis paisagens da Cordilheira dos Andes, de Copiapó à Santiago e a região dos lagos. Da capital chilena deixaremos a Fiona por alguns dias para desbravar a porção insular do Chile no meio do Pacífico: a Ilha de Páscoa! Um sonho antigo que só cresceu ainda mais depois da nossa passagem pelo Hawaii. Vamos ver se encontramos as similaridades destes povos, que dizem terem chegado à América antes mesmo dos nossos índios. Será mesmo?!


Roteiro Base - Chile, Argentina e Uruguai

Na volta à Santiago o caminho óbvio seria seguirmos em um grande zigzag entre a Carretera Austral, no Chile, e a Ruta 40, na Argentina até a Patagônia, porém esta etapa da viagem, nos reserva uma grande surpresa! Esta surpresa tem dimensões continentais, temperaturas que variam de 10°C na costa durante o verão e o recorde de temperatura negativa de -89,2°C no interior, durante o inverno. Lá os ventos podem chegar a 320km/h nas regiões costeiras e a sua altitude média é a maior do mundo, 2.000m, sendo o ponto mais alto 5.140m! 98% deste território está coberto por gelo, incluindo mais de 145 lagos e imensos rios subterrâneos que somam 70% de toda a água doce do planeta! OK, chega, já foram dicas demais... E aí, já conseguiu descobrir aonde vamos?!

O roteiro do nosso barco, saindo de Buenos Aires, passando pelas Malvinas, Geórgia do Sul e Antártida e chegando em Ushuaia

O roteiro do nosso barco, saindo de Buenos Aires, passando pelas Malvinas, Geórgia do Sul e Antártida e chegando em Ushuaia


Serão 22 dias de expedição, passando pelas Ilhas Falklands (ou Malvinas, se você está do lados dos nossos hermanos argentinos), South Georgia e Península Antártica! Embarcamos em Buenos Aires e desembarcamos em Ushuaia! Já deu para imaginar a mecânica e o trabalho que estamos tendo para encaixar tudo isso no roteiro, não é mesmo?! O carro estará em Buenos Aires e nós lá na Terra do Fogo! Porém não existe chance alguma de não levarmos a Fiona com as próprias rodas até o ponto mais ao sul do Continente Americano, então voltaremos a Buenos Aires e seguiremos para a nossa “Expedição Patagônia”. Se vocês tiverem dicas de roteiros e lugares alternativos e/ou obrigatórios nessa viagem, por favor, nos enviem para incluirmos no roteiro!

E então?! Prontos para mais 150 dias de aventuras e viagens pelo continente americano? Pé na estrada e vamos que vamos!

Brasil, Paraná, Curitiba, Estrada, Patagônia, roteiro

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Novo Vídeo - Cave Dive!

Estados Unidos, Flórida, Ginnie Springs



Ginnie Springs é uma das cavernas mais conhecidas dentre os mergulhadores de caverna. Uma nascente de água mineral de alto fluxo (high flow system), localizada em High Springs, abaixo da terra e do curso de outro rio. Lugar e experiência sensacionais!

O feliz reencontro com a luz solar no final do mergulho em Ginnie Springs, na Flórida, nos Estados Unidos

O feliz reencontro com a luz solar no final do mergulho em Ginnie Springs, na Flórida, nos Estados Unidos



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Estados Unidos, Flórida, Ginnie Springs, Caverna, espeleologia, Mergulho, vídeo

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O Encontro

Brasil, Alagoas, Piaçabuçu (Foz do São Francisco)

Dunas de areia na Foz do Rio São Francisco, divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe (município de Piaçabuçu - AL)

Dunas de areia na Foz do Rio São Francisco, divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe (município de Piaçabuçu - AL)


O Rio São Francisco tem a sua nascente, na Serra da Canastra. Ela parece uma poça de água com 2 x 2m, se muito. Há menos de um quilômetro dali, ainda na parte alta do parque já o reencontramos mais largo e bonito, pois recebe águas de afluentes também formados na mesma bacia.

Nascente do Rio São Francisco, no Parque da Serra da Canastra - MG

Nascente do Rio São Francisco, no Parque da Serra da Canastra - MG


Ali mesmo, no Parque Nacional da Serra da Canastra todas as suas moléculas de água passam pela sua primeira grande emoção, a Casca D´Anta. Uma queda d´água imponente, possui 186m de altura e um poço que chega a ter mais de 30m de profundidade! Ali já podemos ver todo o potencial deste rio, que mesmo tão jovem já nos dá este belíssimo espetáculo.

Enfrentando as águas geladas do poço da Casca d'Anta, próximo à Delfinópolis na região da Serra da Canastra - MG

Enfrentando as águas geladas do poço da Casca d'Anta, próximo à Delfinópolis na região da Serra da Canastra - MG


Adiante encontramos novamente o SanFran, como gostamos de apelidá-lo, na cidade de Januária. Ficamos hospedados às margens do rio, conhecemos suas praias e mesmo possuindo quase um quilômetro entre suas margens, os moradores antigos nos contam que infelizmente, ele já não tem a mesma navegabilidade de antes. A principal mudança durante todos estes anos foi a diminuição do rio, que comparado com o que já foi, hoje é apenas um pequeno córrego. Além do desmatamento da mata ciliar, que levou o rio ao assoreamento, isso se deve também à Represa de Três Marias, próxima à cidade de mesmo nome.

A Ana se refrescando no Rio São Francisco, em Januária - MG

A Ana se refrescando no Rio São Francisco, em Januária - MG


Seguimos viagem e chegamos à Petrolina, onde o Velho Chico está forte, caudaloso, impressionante com suas águas verdes e infelizmente impróprias para banho em alguns pontos. Conhecemos os projetos de irrigação que utilizam suas águas e que fizeram da região um caso de sucesso na fruticultura brasileira. Vendo tudo isso chegamos a pensar que o projeto de transposição do rio pode ser uma ótima saída para o sertão nordestino.

O rio São Francisco, com Juazeiro ao fundo, visto do apartamento da Iolanda, em Petrolina - PE

O rio São Francisco, com Juazeiro ao fundo, visto do apartamento da Iolanda, em Petrolina - PE


Eis que nesta retrospectiva chegamos ao presente. Estamos novamente às margens do Rio São Francisco, agora na cidade de Piaçabuçu, Alagoas. Entramos em um tour que deve nos levar conhecer um momento mágico para qualquer rio e ainda mais emocionante em se tratando de um rio como o São Chico. Vamos vê-lo morrer, não uma morte simples e inglória, pois depois de todos estes quilômetros percorridos, formando cachoeiras, praias, canais de irrigação, represas, trazendo alimento, transporte e vida por onde passa, ele finalmente irá encontrar-se com o mar.

Margem do São Francisco pouco antes da sua foz, na divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe (município de Piaçabuçu - AL)

Margem do São Francisco pouco antes da sua foz, na divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe (município de Piaçabuçu - AL)


O rio da unidade nacional, como também é chamado, por ser o único rio 100% brasileiro, nasce e morre dentro do nosso território. O local de sua morte é também conhecido como “O Encontro”. Um cenário magnífico, formado por mangues, coqueiros, dunas, lagoas, o rio e o mar. A sensação é indescritível, saber que agora SanFran ganhou o Atlântico e através dele o mundo! Ali fica clara a nossa pequeneza perante a mãe natureza. Nós, meros mortais, ficamos comovidos, embalados pela trilha sonora épica providenciada pelo pessoal da embarcação.

Lagoa e duna próxima à Foz do Rio São Francisco, divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe (município de Piaçabuçu - AL)

Lagoa e duna próxima à Foz do Rio São Francisco, divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe (município de Piaçabuçu - AL)


O barco só consegue chegar há 2km do encontro, por isso depois de um passeio pelas dunas para ver a paisagem do alto, eu e o Rodrigo corremos pela margem do rio até a sua efetiva foz. Ali se forma um mini-delta, se é que podemos chamá-lo assim, encontramos mais lagoas e uma energia ainda mais vibrante.

Nadando numa pequena lagoa bem na Foz do Rio São Francisco, divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe (município de Piaçabuçu - AL)

Nadando numa pequena lagoa bem na Foz do Rio São Francisco, divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe (município de Piaçabuçu - AL)


O retorno foi outra aventura, embarcação com a caixa de marcha quebrada. 45 pessoas dentro de um mesmo barco, sol a pino e a correnteza nos levando aos poucos para os bancos de areia do Sergipe.

Nosso barco de resgate trazendo-nos de volta da Foz do São Francisco (Piaçabuçu - AL)

Nosso barco de resgate trazendo-nos de volta da Foz do São Francisco (Piaçabuçu - AL)


Foi uma hora de espera pelo resgate, enquanto alguns se indignavam, outros aproveitavam para curtir um pouco mais deste visual maravilhoso, afinal pessoal, é Natal! Chegamos à Piaçabuçu são e salvos e reenergizados com este encontro.

Último mergulho no Rio São Francisco após visita à foz do rio, divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe (município de Piaçabuçu - AL)

Último mergulho no Rio São Francisco após visita à foz do rio, divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe (município de Piaçabuçu - AL)

Brasil, Alagoas, Piaçabuçu (Foz do São Francisco), foz, Praia, Rio, Rio São Francisco, São Chico

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Bonaire: Tesouro Natural

Bonaire, Rincon

A cor impressionante do mar no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire

A cor impressionante do mar no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire


Bonaire não é um paraíso apenas para mergulhadores. Aqueles que não mergulham, mas que curtem um clima tranquilo, belezas naturais, mar de águas azuis e cálidas, não irá se arrepender!

A costa entrecortada no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire

A costa entrecortada no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire


Tiramos um dia para conhecer as belezas naturais que a ilha tem em cima d´água e rumamos o norte da ilha, próximo à cidade de Rincon, onde está localizado o Parque Nacional Washington Slagbaai. Uma antiga fazenda com produção de sal, aloe vera, divi divi, uma árvore nativa e criação de cabras para exportação à Curaçao e Europa. Durante anos e anos a família Herrera trabalhou nesta fazenda, até que seu último dono, apaixonado pela terra onde cresceu e trabalhou a vida toda, decidiu negociá-la com o governo para que se tornasse um parque nacional. Boy Herrera ficou doente e morreu em 1967, em 1969 o parque nacional abria suas portas para o turismo, sendo o primeiro santuário natural das Antilhas Holandesas.

Formação rochosa no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire

Formação rochosa no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire


O parque possui uma boa infra-estrutura para os padrões da ilha. Os mergulhadores que já pagaram a taxa ambiental devem trazer o seu comprovante de pagamento e documento com foto que são isentos de pagar a entrada. Seu museu tem muitas informações sobre a história da fazenda e da criação do parque, assim como das espécies nativas da ilha. São dezenas de espécies de lagartos coloridos, iguanas e pássaros, sem contar com as espécies domesticadas introduzidas, como a cabra, o burro, etc. A flora é formada principalmente por cactáceos, algumas árvores e plantas rasteiras mais espinhentas, devido ao solo seco e a quantidade de chuva de 532mm anuais.

Lagartos coloridos, muito comuns no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire

Lagartos coloridos, muito comuns no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire


A única forma de visitar o parque é de carro e existem duas principais rotas para visitação, a trilha curta e a longa. A longa leva em torno de 2 a 3 horas parando para tirar foto nas principais atrações do parque. A rota mais curta leva em torno de uma hora e nem vale muito a pena, pois como é uma rota interna se perde a maioria das atrações.

Observando o mar no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire

Observando o mar no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire


A primeira parada é na Boka Chikitu, formações coralíneas que hoje fazem parte da costa, formam lindos splashes de água no encontro com as águas mais agitadas do mar de fora. É fácil reconhecer durante este passeio parte da história geológica da ilha, que possui formação vulcânica e afloração de rochas coralíneas até nas partes mais altas. O Seru Grandi é prova disso, um paredão de pedras com cavernas e colorações das diferentes fases geológicas da ilha.

As diferentes camadas nas encostas mostra que o mar já esteve bem mais alto no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire

As diferentes camadas nas encostas mostra que o mar já esteve bem mais alto no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire


Passamos no farol para uma vista do alto, a vista não era tão aberta e o farol está meio abandonado, mas ali a atração foi a iguana que encontramos no estacionamento. Diferente da maioria de sua espécie, ao invés de fugir ela caminhou em nossa direção, provavelmente procurando por comida. Muito simpática, mas não ganhou nem uma folhinha.

As iguanas também são muito comuns no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire

As iguanas também são muito comuns no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire


Continuamos o nosso caminho entre cactos e cerros em uma paisagem realmente diferente das que estávamos acostumados em terras, ou águas, caribenhas. Viramos a ponta norte para a costa oeste da ilha, já no mar de dentro. A paisagem muda das bokas com splashes imensos de água, para o mar tranquilo e azul perfeito para mergulho. No parque estão localizados 7 pontos de mergulho, nós infelizmente não tivemos tempo para conhecê-los. Vizinho ao Boka Katuna, um dos pontos está a Saliña Bartol, um lago salgado de águas avermelhadas devido aos crustáceos ricos em beta caroteno que vivem ali. É nestas salinas que podemos encontrar o pássaro símbolo da ilha de Boneiru, os flamingos.

Flamingos se alimentam em lago do Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire

Flamingos se alimentam em lago do Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire


Eles são tão graciosos, passam o dia ali, com suas longas patas enfiadas no lodo e cabeças submersas na água, buscando o pobre crustáceo. Ele é o responsável pela coloração das suas penas, assim como a de seus primos que vivem lá na Laguna Colorada nos altiplanos bolivianos. Adorei encontrá-los aqui! Meio maluco imaginar como podem se adaptar a 4 mil m de altitude e -20°C e ter parentes tão próximos vivendo nos 30°C em pleno Caribe!

Flamingos se alimentam em lago do Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire

Flamingos se alimentam em lago do Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire


Passamos por uma pequena Praia Wayaká, uma curta faixa de areia em frente aos pontos de mergulho e um dos melhores para snorkell. O pessoal aqui da ilha gosta de vir aqui no final de semana para um piquenique.

Pequena praia no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire

Pequena praia no Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire


Nosso passeio terminou no restaurante perto da Boka Slaagbai, o único dentro do parque. De um lado, uma lagoa salgada com diversos flamingos, garças e pelicanos. De outro um mar azul turquesa inacreditável!

Paisagem do Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire

Paisagem do Parque Nacional Washington-Slagbai, no norte de Bonaire


É, sem dúvida alguma Bonaire tem muito a oferecer para os aventureiros e turistas que preferem terra ao mar.

A bonita costa norte de Bonaire, no Parque Nacional Washington-Slagbai

A bonita costa norte de Bonaire, no Parque Nacional Washington-Slagbai

Bonaire, Rincon, Bicho, flamingos, parque nacional, Washington Slagbaai

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Puerto Maldonado, Amazônia Peruana

Peru, Puerto Maldonado

Fim de tarde sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Fim de tarde sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Além de importante ponto de passagem pela Carretera Interoceânica para aqueles que, como nós, estão a caminho de Cuzco, Puerto Maldonado é um dos principais pontos de partida para as aventuras amazônicas dos turistas de todas as partes do mundo que vem até o Peru e querem ver algo diferente depois de passarem por Machu Picchu.

Admirando o pôr-do-sol do alto da ponte sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Admirando o pôr-do-sol do alto da ponte sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Localizada na confluência de dois grandes rios, Tambopata e Madre de Dios, ela é a porta de entrada para reservas de turismo ecológico estruturadas para receber turistas exigentes com gosto pela aventura. Jungle Lodges de todos os preços e estruturas estão localizados ao longo dos rios e oferecem tours de 2 até 8 dias de incursão pela floresta prometendo um mergulho na fauna e na flora amazônica.

A bela ponte que atravessa o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

A bela ponte que atravessa o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


A Reserva da Tambopata, Colpa de Guacamayos e o Parque Nacional Manu são as principais atrações. Elas garantem o avistamento de ariranhas, jacarés, macacos, diversos tipos de pássaros e na época certa, uma das maiores revoadas de araras vermelhas. Os guacamayos (araras), constroem seus ninhos em buracos feitos nos barrancos do rio na época seca. Na última semana alguns turistas ainda deram sorte de cruzar com uma onça pintada, o prêmio máximo dos que se aventuram por essas terras.

Barco navega nas águas do rio Madre de Dios durante o entardecer em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Barco navega nas águas do rio Madre de Dios durante o entardecer em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Nós chegamos sem grandes expectativas, como acabamos de vir de uma temporada internados na Reserva Mamirauá, um jungle lodge do lado brasileiro, pensamos em explorar em um dia os arredores da cidade e seguirmos para Cuzco. Para sentirmos bem o clima e aproveitarmos o pouco tempo que tínhamos, resolvemos ficar hospedados no Wasaí Lodge, às margens do Rio Madre de Dios. O lodge é simples, sem muitas firulas, mas bem integrado à natureza tem casas altas em meio às árvores e com janelas apenas protegidas por telas mosquiteiras. Turistas vem e vão deste lodge que serve apenas como base para os tours e o lodge principal que está localizado no meio da floresta, rio abaixo.

Fim de tarde sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Fim de tarde sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Pelas passarelas da pousada cruzamos com uma família de preguiças que vive por aqui. Fiquei horas interagindo com uma delas, que me ensinou como o bicho preguiça de preguiçoso não tem nada. Ele saracoteou pelas árvores ao redor da pousada e até escalou por dentro o telhado da sala de estar onde eu estava usando a internet.

O simpático bicho-preguiça que vive nos jardins do nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

O simpático bicho-preguiça que vive nos jardins do nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


O ativo bicho-preguiça que vive no nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

O ativo bicho-preguiça que vive no nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Incrível a flexibilidade, força e tranquilidade com que ela se movimenta, suportando todo o seu peso em pequenas agarras que encontra na parede ou teto, com apenas um braço e seus três dedos! AMEI! É ou não é o bichinho mais amado da face da terra?

O ativo bicho-preguiça que vive no nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

O ativo bicho-preguiça que vive no nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Enquanto observava nossa amiga preguiça eu preparava um macerado de melão caetano, folhas que eu tinha pego com o Duda, irmão do Nilson Mendes lá em Xapuri. O Nilson me garantiu que o macerado desta planta com mel me curaria da rinite e dessa porcaria de pneumonia que quis me atacar. Passei a manhã fazendo esse macerado, consegui uma tigela com o pessoal da cozinha do lodge, amassei a planta e misturei com o mel. Quando estava pronto o pessoal da pousada me viu e disse que antes de tomar aquilo, que falasse com a Dona Elsa, a mãe do dono da pousada que conhece todas as receitas da floresta! Uma figura rara, Dona Elza tem 88 anos e um pique invejável! Me contou que seu marido passou mais de 20 anos lutando contra um câncer, sendo 15 deles só tomando as garrafadas que ela preparava. A garrafada pode ter diferentes ingredientes, mas mel, pisco, pau unha de gato e um melado mais comum aqui no Perú são sempre a base. Fez que fez, falou, dançou e até colocou “este chico brasileño” que ela adora para tocar: Michel Teló! Queria que eu ensinasse a dancinha e tudo. Uma loucura a veinha! Rsrs! Enfim, tomei a garrafada e ela me fez prometer que voltaria ali para as outras doses. É Donda Elsa, mal sabia eu que não poderia cumprir a minha promessa.

Socializando com um simpático bicho-preguiça no nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Socializando com um simpático bicho-preguiça no nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Peru, Puerto Maldonado, Amazônia, Amazônia Peruana, floresta, Tambopata, Wasaí Lodge

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Linha do Equador

Brasil, Amapá, Macapá

Bem encima da linha do Equador (em Macapá - AP)

Bem encima da linha do Equador (em Macapá - AP)


Macapá, a capital do distante estado do Amapá, foi fundada pelos portugueses em meados do século XVIII. A primeira impressão é de uma cidade tranquila, que está em pleno desenvolvimento, com muitas construções em andamento. Macapá possui em torno de 350 mil habitantes, praticamente 70% da população de todo o estado. Banhada pelo Rio Amazonas, fica a poucos quilômetros da sua foz, o que faz um dos principais pontos de acesso para os surfistas da pororoca.

Entrada da Fortaleza de São José, em Macapá - AP

Entrada da Fortaleza de São José, em Macapá - AP


Chegamos tarde ontem e hoje cedo enquanto eu tirava o atraso no sono das madrugadas entre Belém e Marajó, o Rodrigo foi retirar a nossa filhota linda do Porto de Fortaleza do Igarapé. A Fiona estava lá, sã e salva depois de sua primeira viagem sozinha. Descarregamos toda a nossa bagagem na pousada para levá-la à concessionária para sua revisão dos 30mil km. Enquanto o Ro estava nessa função, eu estava em outra inacreditável. Eu acho que não comentei no post de Belém, mas quando chegamos lá resolvi mexer na minha “mala-armário” e colocar algumas roupas guardadas em uso. Quando eu abri a mala descobri que metade dela estava mofada! Vocês conseguem imaginar? Essa mala estava fechada e nós sempre cobrimos com lona as bagagens, para proteger da água da chuva que ainda entra na capota. Não sei dizer desde quando a água entrou na mala, por cima e por baixo, e como ela é meio impermeável não notamos! Enfim, em Belém eu coloquei todas estas roupas em uma lavanderia e as que não molharam e mofaram eu aproveitei para colocar no sol agora, aqui em Macapá. Pois é, sabem aquele dia de arrumar os armários? Olhem só a bagunça que virou.

Nossa tradicional bagunça, em quarto da pousada Ekinox, em Macapá - AP

Nossa tradicional bagunça, em quarto da pousada Ekinox, em Macapá - AP


Uma das nossas maiores preocupações para os próximos dias é a entrada do Rodrigo na Guiana Francesa. O estado francês exige visto dos brasileiros, já que muitos migram para lá para trabalhar e acabam se encostando nos benefícios trabalhistas (seguro-desemprego) dados pelo governo. Os oficiais da fronteira são muito rígidos e se seguirem literalmente as regras, podem não liberar o visto. Este deve ser retirado em São Paulo antes da viagem, porém ele é emitido com no máximo 3 meses de validade e nós passamos por São Paulo pelo menos 6 meses atrás. Resumo, o consulado francês sugeriu que tentássemos a sorte na fronteira e que o fato de eu ser cidadã européia (italiana) facilitaria a liberação do marido. Ainda pela manhã, o Rodrigo conseguiu contato com o Consul Honorário da França em Macapá, para os assuntos específicos entre Brasil e Guiana Francesa. Ele não decide visto algum, mas conhece quem decide e resolveu nos ajudar enviando um email para os responsáveis. Agora temos que esperar para ver no que dá.

Entrada de alojamento na Fortaleza de São José, em Macapá - AP

Entrada de alojamento na Fortaleza de São José, em Macapá - AP


Enquanto esperamos. resolvemos explorar a cidade. Fomos conhecer a orla, que tem ninguém mais ninguém menos do que o maior rio do mundo aos seus pés, o Rio Amazonas. O rio é um canal natural para navios cargueiros, petroleiros que levam e trazem minério do porto de Santana. Almoçamos “uma chapa” na orla observando o imenso rio de águas barrentas, brincando de adivinhar as suas margens opostas e observando a fila de navios que se formava.

Finalmente, o Rio Amazonas! (em Macapá - AP)

Finalmente, o Rio Amazonas! (em Macapá - AP)


Fomos buscar a Fiona na concessionária da Toyota onde fomos muito bem atendidos, pessoal simpaticíssimo que ficou super empolgado com o projeto da viagem. Até trocamos impressões e informações com um deles que morou em El Salvador e viajou bastante pelos vizinhos, Honduras, Guatemala e Panamá.

Fiona na concessionária, após a revisão dos 30 mil km, em Macapá - AP

Fiona na concessionária, após a revisão dos 30 mil km, em Macapá - AP


Macapá é a única capital brasileira que está na latitude zero e possui um monumento que marca este fato. O Marco da Linha do Equador é um lindo monumento que simboliza este paralelo tão presente em nossos livros e mapas, dividindo o hemisfério sul do hemisfério norte. Uma curiosidade é que o estádio de futebol da cidade, o Zerão, é cortado exatamente ao meio pela linha do equador.

Sol atrás do monumento da linha do Equador, em Macapá - AP

Sol atrás do monumento da linha do Equador, em Macapá - AP


No final da tarde fomos ao Forte São José, primeira construção da cidade, foi em torno dele que Macapá se desenvolveu. Comemorando este ano seus 299 anos, a fortaleza é uma das maiores e mais bem preservadas estruturas deste tipo que já visitamos. Uma bela vista para o rio e a luz do sol poente deixaram este cenário ainda mais bucólico, fácil de imaginar a boa vida dos soldados que ali viveram, sem ter nunca entrado em uma batalha.

Dentro da Fortaleza de São José, em Macapá - AP

Dentro da Fortaleza de São José, em Macapá - AP


Mais tarde resolvemos jantar no restaurante Canto do Baiano. O Rodrigo queria o tucunaré na manteiga, famoso aqui na região, mas acabou cedendo à gula ao suculento filhote recheado com banana e castanha-do-pará, hummm! Ainda bem que é um baiano já bem macapaense.

Fortaleza de São José, vigiando o Rio Amazonas, em Macapá - AP

Fortaleza de São José, vigiando o Rio Amazonas, em Macapá - AP

Brasil, Amapá, Macapá, Forte São José, latitude zero, linha do equador, Rio Amazonas

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Marabá e as Araguaianas

Brasil, Pará, Transamazônica, Tocantins, Araguaína, Tucuruí

Trem atravessa a ponte sobre o Rio Tocantins, em Marabá - PA

Trem atravessa a ponte sobre o Rio Tocantins, em Marabá - PA


Terceiro dia de viagem, finalmente estamos nos aproximando de um dos marcos do caminho, a cidade de Marabá. Saímos de Novo Repartimento logo cedo, eu a base de resfenol para agüentar a constipação. A noite choveu durante umas duas horas, chuva forte, então logo nos primeiros quilômetros enfrentamos alguns atoleiros mais brabos.

Caminhão em atoleiro da Transamazônica, na região de Novo Repartimento - PA

Caminhão em atoleiro da Transamazônica, na região de Novo Repartimento - PA


A Fiona tirou de letra, mas teve que esperar a vez de alguns caminhões. É até bacana ver estas cenas, a máquina vindo e dominando a terra para conseguir salvar o caminhão. Ainda assim vários carros normais, kombis e caminhonetes, conseguiram passar sem problemas. Foram uns 3 atoleiros seguidos, todos já tinham máquinas trabalhando na estrada e como guincho.

Trator tura caminhão de atoleiro da Transamazônica, na região de Novo Repartimento - PA

Trator tura caminhão de atoleiro da Transamazônica, na região de Novo Repartimento - PA


Tínhamos duas opções de rota de Novo Repartimento até Marabá, ou continuávamos pela Transamazônica que logo vira PA-268, ou subindo e passando respectivamente pela PA-156, PA-263 e PA-150. Decidimos pela segunda opção, 100 km mais longo, mas apenas 80 km de terra, enquanto o segundo andaríamos 180 km por um dos piores trechos de terra.

A enorme barragem de Tucuruí - PA, a segunda maior do Brasil

A enorme barragem de Tucuruí - PA, a segunda maior do Brasil


Não demorou muito chegamos à cidade de Tucuruí, onde fica a segunda maior usina hidrelétrica do país em potência, nos períodos de cheia. Se por um lado rodar a Transamazônica nesta época pode ser complicado, chegar a esta barragem e vê-la vertendo água aos borbotões, não tem preço.

Com o lago cheio, a Usina de Tucuruí - PA está vertendo. Um espetáculo!

Com o lago cheio, a Usina de Tucuruí - PA está vertendo. Um espetáculo!


Seguimos em direção à Marabá e o que ia ser apenas uma passagem rápida acabou se tornando um capítulo à parte. Marabá está crescendo muito e muito rápido. Vê-se pela divisão da cidade, existe a Marabá Pioneira, a Nova Marabá e a Cidade Nova. Precisávamos passar no banco e tivemos que entrar na cidade. Quando cruzávamos o Rio Tocantins um caminhão quebrou em cima da ponte.

O Rio Tocantins, em Marabá - PA

O Rio Tocantins, em Marabá - PA


No meio da confusão, carros reclamando, nós dois fotografando o rio e um trem que apareceu de repente sobre a ponte, fomos abordados por um jovem que ficou curioso com a viagem. Alex perguntou o que eram os 1000dias, como poderia saber mais sobre, o site e etc. Engraçado, várias pessoas que olham o nosso logo acham que somos uma ONG. Quem sabe não criamos uma? Não seria má ideia. O trem passou, conversamos com ele e seu amigo e o trânsito andou. É quando vemos um carro emparelhando, abrindo a janela e nos passando em uma manobra rápida e arriscada um CUPUAÇÚ! “É o Cupuaçu do Pará”, disse Alex e sua mãe.

O cupuaçu que ganhamos de presente na ponte rodoferroviária em Marabá - PA

O cupuaçu que ganhamos de presente na ponte rodoferroviária em Marabá - PA


Que delícia! Que recepção mais calorosa! A-DO-REI! Um presente da terra, para nos lembrarmos sempre de Marabá.

Trem atravessa a ponte sobre o Rio Tocantins, em Marabá - PA

Trem atravessa a ponte sobre o Rio Tocantins, em Marabá - PA


Achou que seria só isso? Ainda não acabou. Entramos, encontramos logo o HSBC, meu banco e saímos à procura de Itaús ou Reais, bancos do Rodrigo. Um parto! Lanchonetes abertas nessa big avenida também parecia relíquia. Deixei o Rodrigo em uma quadra, achei uma lanchonete e resolvi voltar à pé atrás dele. Andava eu, tranquila procurando pelo Rodrigo, quando fui atacada por uma doida de rua. A mulher, daquelas loucas mesmo que ficam perambulando sem dizer nada com nada, estava do outro lado da rua com um pau imenso e pesado na mão. Eu no canteiro central da avenida. Ela não pensou duas vezes, atirou o pau na gata! Hahaha! Na boa, o que eu fiz para ela? Que violência gratuita! O pior é que a maluca tinha boa mira, a sorte foi que eu vi e desviei, mas ainda levei um arranhão. Ninguém em volta entendeu, alguns caras ainda comentaram, “pô, quase que a doida te acerta!” Eu é que fiquei me segurando, pois por uns 3 segundos me veio aquela vontade de correr lá e dar uma lição na véia. Mas... respirei fundo, a chamei de louca e segui procurando o Rodrigo. Mais uma memória de Marabá que será difícil esquecer! Rsrs!

Ponte rodoferroviária sobre o Rio Tocantins, em Marabá - PA

Ponte rodoferroviária sobre o Rio Tocantins, em Marabá - PA


Passamos por Marabá, abastecemos o carro e encontramos novamente a PA-268, vulga Transamazônica. Não sei se já comentei por aqui, mas o nosso objetivo não era cruzar a Transamazônica, ela é apenas o meio, para um fim muito mais divertido. Mais um dos lugares muito especiais que esse Brasilzão esconde, lá no sul do Maranhão, a Chapada das Mesas.

Represa de Tucuruí - PA

Represa de Tucuruí - PA


Aqui asfaltada ela nos leva até a BR-153, estrada que une os municípios de São Domingos do Araguaia e São Geraldo do Araguaia. Os nomes dão uma pista do rio que vamos cruzar. A balsa em São Geraldo faz uma divisão muito justa, carros primeiro e caminhões que esperem! A fila devia ter uns 30 caminhões, coitados. Ali eu lembrei de todos os fretes que já mandei fazer na vida! Foram poucos e mais simples, mas as vezes não pensamos que eles tem que passar por este tipo de coisa. A balsa colocou todos os carros e ainda couberam umas 4 carretas monstras! Fizemos amizade com os motoristas dos carros vizinhos perguntando sobre o melhor caminho, etc, e eles ficaram super empolgados com a nossa viagem. Alguns vieram de longe, 1400 km ou mais, mas quando ouviram a nossa história não acreditaram. Também, não é sempre que cruzam dois doidos viajando 1000dias por aí!

Com o lago cheio, a Usina de Tucuruí - PA está vertendo. Um espetáculo!

Com o lago cheio, a Usina de Tucuruí - PA está vertendo. Um espetáculo!


Já era noite, rodamos mais uns 120 km, cortando por Piraquê, pois o asfalto está mais novo. Que beleza que é voltar para um asfalto descente. Chegamos à nossa cidade dormitório, Araguaína. Já perceberam que quase todas as cidades aqui perto têm nomes parecidos? Araguaína, Araguanã, Araguatins, São Raimundo, São Geraldo, São Domingos, Santa Fé, Santa Isabel, de quem? Do Araguaia! É impressionante, assim fica até difícil decorar.

Chegando ao rio Araguaia e à Marabá - PA

Chegando ao rio Araguaia e à Marabá - PA


Araguaína é uma cidade grande, em torno de 180 mil habitantes, a segunda maior cidade do Estado do Tocantins. Demos uma volta pela cidade de carro mesmo, procurando por hotel, os dois primeiros lotados, quem diria. Chegamos ao hotel e tudo o que queríamos era comer alguma coisa e dormir, afinal amanhã ainda temos mais estrada pela frente rumo ao Maranhão. Boa noite!

Errata: nas legendas das fotos em que vocês lêem “Rio Araguaia”, favor substituir por “Rio Tocantins.” Estamos providenciando a correção, são tantas emoções.

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