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De Volta para Casa

Hawaii, Kauai-Kalalau

Admirando o oceano na trilha do Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

Admirando o oceano na trilha do Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí


Acordamos hoje com aquela vontade de passar mais um dia por ali, apenas curtindo as belezas e o clima do Kalalau. Mas nossa comida já estava no fim, assim como uma intensa programação nos chamava adiante. Para uma próxima vez, certamente planejaremos mais dias por aqui.

Corridinha básica na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

Corridinha básica na praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí


Hoje, o mar estava mais tranquilo em Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

Hoje, o mar estava mais tranquilo em Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí


Barracas desmontadas, tudo nas mochilas, fomos aproveitar uma última vez aquela praia maravilhosa. Corridinha na areia e até um mergulho. O mar já estava bem mais tranquilo hoje. Ainda eram poucos os que entravam, mas eu estava entre os felizardos. Uma delícia!

Início do caminho de volta de Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

Início do caminho de volta de Kalalau Beach, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí


Em seguida, pé na trilha! O dia estava ensolarado hoje. Mais uma boa lembrança para levar daqui. Depois de cruzarmos o primeiro rio, subimos uma enorme ladeira. É onde o suor e o cansaço aparecem pela primeira vez, apenas a primeira das onze milhas a caminhar. Mas a recompensa é, lá do alto, poder admirar a praia pela vez derradeira.

A enorme ladeira no início da trilha de volta do Kalalau, na Na'Pali Coast, na costa norte de Kauai, no Havaí

A enorme ladeira no início da trilha de volta do Kalalau, na Na'Pali Coast, na costa norte de Kauai, no Havaí


Despedida da maravilhosa praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

Despedida da maravilhosa praia de Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí


Depois, foi seguir pela trilha estreita, serpenteando entre os penhascos nossos velhos conhecidos. Quando já se conhece o caminho, tudo muda de figura. Agora, já sabemos o que esperar depois da próxima curva, depois do próximo morro. Mentalmente, para vencer o calor e o cansaço, imaginamos o próximo ponto conhecido, um mirante ou um riacho, e para lá seguimos, ao mesmo tempo concentrados e curtindo a beleza a nossa volta.

Percorrendo a trilha entre os penhascos da Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

Percorrendo a trilha entre os penhascos da Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí


A maravilhosa Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

A maravilhosa Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí


Outra vez, segui na frente. Meu objetivo maior era a metade do caminho. O rio que ali existe prometia alguma surpresa. Na vinda, já do alto, por entre as folhagens, avistei algo que se parecia com uma grande piscina natural. Na pressa que estávamos, não tive tempo de investigar. Tinha deixado para a volta. A volta chegou.

Em meio às encostas da na Na'Pali Coast, onde está Wally? (costa norte do Kauai, no Havaí)

Em meio às encostas da na Na'Pali Coast, onde está Wally? (costa norte do Kauai, no Havaí)


A Ana quase desaparece na grandiosa paisagem ao longo da trilha do Kalalau, na Na'Pali Coast, na costa norte de Kauai, no Havaí

A Ana quase desaparece na grandiosa paisagem ao longo da trilha do Kalalau, na Na'Pali Coast, na costa norte de Kauai, no Havaí


Assim, lá cheguei, deixei a mochila no ponto onde a trilha cruza o rio sobre pedras e segui o curso dele para baixo, cheio de esperanças. Dito e feito! Bastaram dois minutos numa trilha mais rústica e cheguei à tal piscina. De bônus, uma pequena cachoeira e até uma corda pendurada, em formato de cipó. Pronto, tinha achado meu lugar! Segundos depois já estava dentro d’água, o suor da pele sendo substituído pelo frescor da água.

Diversão com um cipó em piscina natural na metade do caminho da trilha do Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

Diversão com um cipó em piscina natural na metade do caminho da trilha do Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí


Pausa para um mergulho na metade do caminho da trilha do Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

Pausa para um mergulho na metade do caminho da trilha do Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí


Não demorou muito e chegavam a Ana, o Rafa e a Laura. Minha mochila atravessada na trilha tinha sido a dica para o desvio. Agora, éramos os quatro na água, aproveitando mais esse segredo do Kalalau. Brincadeiras com o cipó e massagem gratuita na cachoeira foram a melhor quebra possível na trilha de 11 milhas.

Um banho merecido e revitalizante na metade do caminho da trilha do Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

Um banho merecido e revitalizante na metade do caminho da trilha do Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí


Mergulho com direito à massagem, na metade do caminho da trilha do Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

Mergulho com direito à massagem, na metade do caminho da trilha do Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí


Muitas subidas e descidas mais tarde, chegávamos à praia das duas milhas, até onde vão as pessoas que só vem passar o dia. Apesar do mar mais calmo, ninguém no mar. Também, com a placa deixada lá “aconselhando” que ninguém se atreva, fica todo mundo na areia mesmo.

Placa alerta e exagera no intuito de evitar que turistas incautos entrem no mar da Na'Pali Coast, na costa norte de Kauai, no Havaí

Placa alerta e exagera no intuito de evitar que turistas incautos entrem no mar da Na'Pali Coast, na costa norte de Kauai, no Havaí


Por fim, esses últimos três quilômetros. Na vinda, pareceram mais fáceis. Agora, com outras nove milhas nas costas, a mochila parecia muito mais pesada e as subidas muito mais íngremes. Ilusão ótica? Vai saber... Só sei que foi dureza!

Chegando à praia das duas milhas, na trilha do Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

Chegando à praia das duas milhas, na trilha do Kalalau, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí


Cheguei, encontrei amigos feitos no dia anterior, pedi que olhassem minha mochila e dei aquela corrida gostosa para soltar os músculos. Um quilômetro até o carro e depois, ar condicionado à toda força, de volta para a cabeceira da trilha, onde os companheiros estavam por chegar.

Fim (ou início) da trilha do Kalalau, de volta à civilização, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

Fim (ou início) da trilha do Kalalau, de volta à civilização, na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí


Ainda tivemos tempo para um delicioso banho de chuveiro, ali mesmo. Como todo parque americano, um show de infraestrutura e essa inclui até chuveiros. Estão ali para atender o pessoal que pega praia ali mesmo. A Ana ainda foi até lá, para tomar um banho de água salgada antes da água doce. Começava a escurecer, os músculos doíam e o Kalalau tinha mesmo ficado para trás. Não no espírito! Mas nossos corpos, esses precisavam e queriam voltar para casa, para uma cama, para um lençol limpo e cheiroso.

Fim de tarde glorioso na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

Fim de tarde glorioso na Na'Pali Coast, costa norte do Kauai, no Havaí

Hawaii, Kauai-Kalalau, cachoeira, Kalalau, Kauai, Parque, trilha

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Uma Despedida Muito Especial

Canadá, Dawson City

As cores da Aurora reflerem no Yukon River, em Dawson City, no noroeste do Canadá

As cores da Aurora reflerem no Yukon River, em Dawson City, no noroeste do Canadá


Hoje era nossa última noite aqui no extremo norte do continente. Amanhã cedo, partimos para Haines Junction, de Lá para Haines, já no Alaska e aí, ferry percorrendo a costa sul desse estado americano. Enfim, vamos para o sul, sul, sul...

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá


Então, era a nossa última chance de ver a Aurora, pelo menos a Boreal. Lá no sul, as latitudes não são tão altas e observar a Aurora Austral, só com muita sorte, num caso de grande tempestade solar. Portanto, tínhamos mesmo era de aproveitar essa madrugada!

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá


Ontem de noite, já aqui em Dawson, o tempo não estava muito aberto. Mas hoje, depois das nossas rezas e pedidos depois de cada estrela cadente visualizada, o tempo abriu. Era a Aurora querendo se despedir de nós, também!

As cores da Aurora reflerem no Yukon River, em Dawson City, no noroeste do Canadá

As cores da Aurora reflerem no Yukon River, em Dawson City, no noroeste do Canadá


E ela apareceu radiante, para nossa infinita alegria. Foi o segundo mais belo espetáculo que assistimos, depois da noite em Tok, e aqui também foi possível ver outras cores além do verde. Mas uma coisa fez dessa Aurora muito especial, além de ser a nossa última...

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá


Foi o cenário! Assistimos ao show ao lado do rio Yukon e sua águas refletiam as luzes celestes! Poxa... ver Aurora já é especial, mas ver Aurora refletida na água, aí ficamos sem palavras...

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá


Outra coisa: a Ana está ficando cada vez mais craque em fotografar essa maravilha. Assim, foram de hoje as melhores fotos que tiramos esse fenômeno mágico. Diante de tanta grandeza, só podemos agradecer a oportunidade que o destino nos deu. Devidamente emocionados, por supuesto! Auroras, até breve, se Deus quiser!

As cores da Aurora reflerem no Yukon River, em Dawson City, no noroeste do Canadá

As cores da Aurora reflerem no Yukon River, em Dawson City, no noroeste do Canadá

Canadá, Dawson City, Aurora Boreal, Yukon

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Atravessando o País

Guatemala, Antigua, Cobán

A magnífica paisagem do interior da Guatemala no caminho para Cobán

A magnífica paisagem do interior da Guatemala no caminho para Cobán


Dia de botar o pé na estrada, após três noites em Antigua. Nosso rumo é o norte, até a maravilha natural de Semuc Champey. Para isso a rota “normal” seria voltar para a Cidade da Guatemala e de lá pegar a estrada para Cobán. Digo “normal” porque esse é o caminho das autoestradas e por onde seguem as vans com turistas. Mas, se olharmos no mapa, fica claro que estamos dando uma volta maior e não tomando a rota direta.

A maior e mais profunda travessia de rio feita pela Fiona até agora, no caminho para Cobán, na Guatemala

A maior e mais profunda travessia de rio feita pela Fiona até agora, no caminho para Cobán, na Guatemala


Estando de Fiona, resolvemos ignorar a tal rota “normal”, a mesma aconselhada pelo nosso GPS e seguir mesmo por dentro, cortando o país e deixando as autoestradas de lado.

Um guia nos leva através de um rio no caminho para Cobán, na Guatemala

Um guia nos leva através de um rio no caminho para Cobán, na Guatemala


O lado bom da escolha foi ver um outro lado da Guatemala. Passamos por dentro de diversas cidades não turísticas, pelo meio de feiras movimentadas e ruas apertadas. Atravessamos paisagens lindíssimas, subindo e descendo vales e seguindo pela cristas de cadeias montanhosas. Cortamos fazendas de café e, por estradas de terra, trechos curvilíneos descendo encostas íngremes com verdadeiros penhascos logo ali do lado. Frio na barriga gostoso!

A Fiona vai fazendo ondas na travessia de rio no caminho para Cobán, na Guatemala

A Fiona vai fazendo ondas na travessia de rio no caminho para Cobán, na Guatemala


O lado ruim foram trechos de estradas esburacados. Ou então, uma sucessão infindável de “túmulos” (o modo como chamam quebra-molas aqui), de se perder a paciência. Com isso, o tempo de viagem aumentou e como não tínhamos saído cedo (pra variar!), ficou meio tarde para chegarmos ao destino final. Resolvemos então ficar em Cobán, a metrópole regional do departamento de Alto Verapaz, onde está Semuc Champey. O problema é que o único hotel que gostamos de lá estava lotado.

Um guia nos leva através de um rio no caminho para Cobán, na Guatemala

Um guia nos leva através de um rio no caminho para Cobán, na Guatemala


Mas não perdemos a viagem! O restaurante do hotel era ótimo, o El Bistro, de comida alemã. Pois é, até a 2ª Guerra Mundial a região tinha forte colonização alemã e muitos dos costumes ficaram. O engraçado era ver o pessoal que trabalhava lá, bem guatemaltecos, mas com roupa típica alemã, até o chapéu! Os alemães mais indígenas que já vi! Muito simpáticos, até indicaram um lugar para ficarmos, na pequena San Pedro Charchá, 6 km à frente, já no nosso caminho de amanhã.

A ponte levada pelas chuvas no caminho para Cobán, na Guatemala

A ponte levada pelas chuvas no caminho para Cobán, na Guatemala


Digno de nota na viagem de hoje foi a maior e mais profunda travessia de rio que a Fiona já enfrentou. Após uns 30 km de estradas de terra chegamos a um rio onde a ponte tinha caído há mais de um ano, numa grande cheia. Carros altos e tracionados podem passar pelo rio mesmo, num percurso de uns cem metros. Uma pessoa vai à frente, de guia, mostrando o melhor caminho. Confesso que quando vi a água passar sobre a cintura dele, fiquei meio preocupado. Mas, já estávamos na água, e quem está na água é para se molhar! A Fiona enfrentou o rio valentemente, água quase no meio das portas, mas não entrou nem uma gota na cabine. Mais uma lembrança que guardaremos para sempre dessa linda e querida Guatemala.

Aqui é possível perceber a estrada pelo rio no caminho para Cobán, na Guatemala

Aqui é possível perceber a estrada pelo rio no caminho para Cobán, na Guatemala

Guatemala, Antigua, Cobán, viagem

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Diz aí se você gostou, diz!

Entre a Lagoa dos Patos e a Lagoa do Peixe

Brasil, Rio Grande Do Sul, Tramandaí, Lagoa do Peixe

Flamingos alçam voo no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico

Flamingos alçam voo no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico


Desde quando eu comecei e me interessar por mapas, no início da adolescência, e me debruçava sobre o Atlas Rodoviário do país, que aquela tripa de terra entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico me chamava a atenção. Ela e a linha preta que a atravessava de sul a norte, símbolo de uma estrada de terra no meu mapa. Só achava estranho que aquela estrada secundária era a BR-101, uma das principais rodovias do Brasil e que corta o país do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte, sempre pelo litoral. Eu me perguntava por que só ali ela era de terra. Pelo menos naquela parte do Brasil, a rodovia principal era a BR-116, a oeste da Lagoa dos Patos, do lado do interior do estado, de cor vermelha, indicando ser asfaltada. Muitas vezes, ao brincar com o meu mapa, eu me prometi que um dia percorreria essa estrada isolada.



O que eu não sabia na época eram as péssimas condições dessa rodovia. Tão ruim que seu apelido era “Estrada do Inferno”. Nos meses de chuva, o que hoje se faz em três horas demorava-se três dias. Um atoleiro após o outro. Era o paraíso dos jipeiros e o pesadelo dos moradores locais, de cidades como São José do Norte, Tavares e Mostardas. Quando finalmente vi algumas fotos da Estrada do Inferno, imaginava que era por isso que as pessoas preferiam trafegar pela praia. Eu achava, erroneamente, que essa era a costa onde estava a praia mais longa do mundo. Um dia eu passaria por ali e seria pela praia!

Mapa da prefeitura de Tavares que mostra as trilhas do Parque Nacional da Lagoa do Peixe. Nós entramos pela Trilha da Figueira e, por dentro do parque, fomos até a Trilha Talhamar, por onde seguimos até a Praia do Farol (litoral do rio Grande do Sul)

Mapa da prefeitura de Tavares que mostra as trilhas do Parque Nacional da Lagoa do Peixe. Nós entramos pela Trilha da Figueira e, por dentro do parque, fomos até a Trilha Talhamar, por onde seguimos até a Praia do Farol (litoral do rio Grande do Sul)


Nosso percurso por mais de 40 km de trilhas no Parque Nacional da Lagoa do Peixe e pela Praia do Farol até o Balneário Mostardense. Saímos da BR-101 um pouco antes de Tavares e retomamos a estrada na cidade de Mostardas, no Rio Grande do Sul

Nosso percurso por mais de 40 km de trilhas no Parque Nacional da Lagoa do Peixe e pela Praia do Farol até o Balneário Mostardense. Saímos da BR-101 um pouco antes de Tavares e retomamos a estrada na cidade de Mostardas, no Rio Grande do Sul


Pois bem, tantos anos depois e hoje eu já sei que a Praia do Cassino (ou do Hermenegildo), a mais longa do mundo, é um pouco mais para o sul, na altura da Lagoa Mirim e não da Lagoa dos Patos. De qualquer maneira, promessa feita, promessa cumprida. Nós dirigimos a Fiona pelos mais de 200 km dessa praia, como descrito nesse post. Faltava agora percorrer o tal trecho “preto” da BR-101, a temida Estrada do Inferno. Com a Fiona, não seria problema. Ainda mais depois que a rodovia, finalmente, depois de mais de quatro décadas de muita enrolação do poder público e briga das comunidades locais, foi finalmente asfaltada. Deixou de ser preta no mapa e passou a ser vermelha. A única “dificuldade”, que na verdade é mais uma “diversão”, é que temos de pegar a balsa para chegar à sua extremidade sul, em São José do Norte. Pois bem, fizemos isso no início da tarde de hoje, em Rio Grande, e agora tínhamos os pouco mais de 300 km de asfalto pela frente cortando aquela estreita faixa de terra, a “tripa” que separa a Lagoa dos Patos do oceano.

Dirigindo pelas trilhas do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico

Dirigindo pelas trilhas do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico


Dirigindo pelas trilhas do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico

Dirigindo pelas trilhas do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico


Vivendo e aprendendo ou, no nosso caso, viajando e aprendendo. Outra região que faz tempo que quero conhecer é a Lagoa do Peixe, transformada em Parque Nacional em 1986. Já tinha visto vários documentários sobre essa lagoa, mas nunca me atentei sobre onde era. Sabia que estava no sul do Rio Grande do Sul, mas nunca imaginei que fosse justamente nessa estreita faixa de terra por onde iríamos viajar. Pois era! Exatamente aqui, entre os municípios de Tavares e Mostarda. Quando finalmente descobri isso, poucos dias atrás, aí sim é que nos decidimos por vir nessa rota. Foi por isso também, já pelo avançado da hora, que nem paramos na simpática São José. Queríamos ter mais tempo no parque nacional e ainda chegar a Tramandaí, bem mais ao norte, tudo com luz do dia.

Efeito do vento constante nas árvores solitárias do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico

Efeito do vento constante nas árvores solitárias do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico


Ave de rapina no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico

Ave de rapina no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico


Teria sido uma tarefa completamente impossível há poucos anos (o asfalto só foi completado em 2010), mas hoje, menos de duas horas após sairmos da balsa, já estávamos chegando à área do parque, próximo ao município de Tavares. Parados na estrada e em dúvida sobre qual trilha de acesso deveríamos tomar para entrar na área protegida de 35 mil hectares, um simpático guarda rodoviário veio conversar conosco. Ele nos deu as informações básicas e nos sugeriu um caminho para seguir parque adentro. Assim, deixamos o asfalto para trás e botamos a Fiona nas trilhas de areia, dispostos a encontrar as belezas que já fizeram fama internacional.

Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico

Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico


Um rebanho de gado pasta na área do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico

Um rebanho de gado pasta na área do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico


A lagoa que dá nome ao parque é considerada o mais importante ponto de encontro de aves migratórias de toda a América do Sul. Elas v:em dos dois extremos das Américas, dependendo da época do ano. Por exemplo, centenas de pequenos maçaricos voam 8 mil quilômetros do Canadá até aqui, atraídos pela comida farta e clima agradável da Lagoa do Peixe. Sua espécie é apenas uma das quase 250 variedades de pássaros que frequenta ou mora na região, quantidade e variedade que impressiona e atrai ornitólogos do mundo inteiro.

Com o Joca, pai do Rodrigo, no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico

Com o Joca, pai do Rodrigo, no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico


Vegetação típica do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico

Vegetação típica do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico


A Lagoa do Peixe é a maior do parque, mas há muitas outras espalhadas na área protegida. A maioria delas seca durante a estiagem, mas não a Lagoa do Peixe que, na verdade, é uma laguna, ligada ao mar por um canal. Essa mistura de águas, doce e salgada, é que transforma a lagoa em um verdadeiro viveiro de peixes e crustáceos que, por sua vez, atraem toda essa variedade de pássaros.

Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico

Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico


Procurando pássaros no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico

Procurando pássaros no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico


Além das lagoas, o parque protege enormes dunas de areia que se formaram na faixa de terra que separa a Lagoa do Peixe do mar. Somam-se a isso os terrenos alagadiços e as terras um pouco mais altas, secas, e temos o cenário maravilhoso que compõe a paisagem. Pequenos bosques e pastos que atraem gado bovino e cavalos completam o cenário idílico. Isso sem falar da Praia do Farol, também protegida pelo parque e que, por isso, permanece deserta, sem construções e nos dá a deliciosa sensação de isolamento da civilização e proximidade da natureza.

Finalmente, encontrando os flamingos do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico

Finalmente, encontrando os flamingos do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico


Os elegantes flamingos do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico

Os elegantes flamingos do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico


No meio de toda essa beleza e natureza, a atração mais conhecida do parque são seus flamingos. Essas aves, ao contrário de outras espécies migratórias, podem ser encontradas durante todo o ano na Lagoa do Peixe. Ora um grupo, ora outro, os flamingos sempre estão lá para alegrar os turistas e se alimentar dos pequenos camarões que vivem na lagoa. Eram eles que queríamos encontrar enquanto dirigíamos pelas trilhas do parque.

Flamingos alçam voo no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico

Flamingos alçam voo no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico


Flamingos alçam voo no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico

Flamingos alçam voo no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico


No começo não os encontramos. Tínhamos de nos satisfazer com aves menores e com o gado pastando ao longe. Mas não desistimos e continuamos margeando a lagoa, procurando caminhos que nos levassem até mais perto da água. Tanto insistims0 que, para nosso alívio e satisfação, eles apareceram. Aí, a tarefa passou a ser chegar o mais perto possível deles sem que se assustassem e voassem para longe.

Grupo de flamingos no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico

Grupo de flamingos no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico


As enormes dunas do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico

As enormes dunas do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico


Com todo o cuidado, Fiona estacionada lá atrás, conseguimos chegar perto o suficiente para boas fotos. Não só isso, claro! Queríamos também admirar, com nossos próprios olhos, essas aves elegantes e rosadas, provavelmente nosso último encontro com eles durante os 1000dias. Tivemos essa chance em três ou quatro lugares desse vasto continente, do alto dos Andes aos baixios próximos ao oceano. Mas é sempre da última oportunidade que guardamos as memórias mais frescas. Para nossa alegria, foi lindo por aqui também!

Encontro com cavalos na Praia do Farol, no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico

Encontro com cavalos na Praia do Farol, no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico


Dezenas de pássaros na Praia do Farol, ainda na área do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico

Dezenas de pássaros na Praia do Farol, ainda na área do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico


Depois dos flamingos, fomos até as dunas. Uma trilha de automóveis nos leva através delas e chegamos á deserta Praia do Farol. Por aqui, uma quantidade de pássaros ainda maior que nas lagoas. Mais um tempo, agora para saborearmos a maresia, e retomamos nossa viagem, outra vez seguindo pela praia, como fizemos ontem pela Praia do Cassino. Já era o meio da tarde quando chegamos novamente à civilização, ao Balneário Mostardense. Aí nos refestelamos em um almoço tardio, num pequeno, simples e simpático restaurante beira-mar. Poderíamos até ter seguido mais um pouco pela praia, mas o horário e o bom senso nos fizeram escolher retomar o asfalto. Ainda tínhamos ao menos duas horas de viagem até Tramandaí e nos resignamos, sem arrependimento, em chegar lá no escuro. Afinal, o tempo na Lagoa do Peixe tinha valido cada minuto por lá.

Um delicioso almoço tardio no balneário Mostardas, depois da visita ao Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico

Um delicioso almoço tardio no balneário Mostardas, depois da visita ao Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico

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Mergulhos Únicos e Inesquecíveis

Hawaii, Big Island-Kona

O maravilhoso mergulho noturno com arraias manta, em Kona, na Big Island, no Havaí

O maravilhoso mergulho noturno com arraias manta, em Kona, na Big Island, no Havaí


Depois do passeio pela região da Green Sand Beach, chegamos à Kona com tempo contadíssimo para nossos compromissos. Um engarrafamento na entrada sul da cidade quase colocou nossa apertada programação a perder, mas no final deu tudo certo. Passamos rapidamente pelo nosso excelente Bed & Breakfast, com uma vista maravilhosa do litoral, deixamos a bagagem por lá e seguimos diretamente para a empresa de mergulho, no lado norte de Kona.

Ainda chegamos a tempo de fazer o check-in para o mergulho com as arraias, mas tivemos a triste notícia de que nosso mergulho com as criaturas abissais seria cancelado. Éramos os únicos clientes e o barco só sai com um mínimo de três mergulhadores. Após muito conversar com instrutores da empresa e sobre os aspectos que tornam esse mergulho tão especial, possibilidade única no mundo, resolvemos “bancar” o terceiro mergulhador. Comovidos com a nossa insistência, o pessoal da Big Island Divers aumentou ainda mais o nosso desconto (iríamos fazer os dois mergulhos com eles) e o tal “terceiro mergulhador” até que saiu barato. Melhor assim: nossos dois mergulhos ficavam dessa maneira garantidos, o segundo deles praticamente particular.

A caminho do nosso mergulho com as arraias manta, em Kona, na Big Island, no Havaí

A caminho do nosso mergulho com as arraias manta, em Kona, na Big Island, no Havaí


Pois é, apenas nós dois no segundo mergulho, mas barco lotado para o primeiro. Não só o nosso barco, mas vários outros que se encaminhavam para o mesmo lugar, a baía das arraias mantas. Todos os dias, são dezenas de pessoas mergulhando e fazendo snorkel com esses graciosos animais da família dos tubarões, a maior espécie de arraias que habita os oceanos. Pior, todos caem na água no mesmo horário, um pouco depois de escurecer.

Lindo entardecer no barco a caminho do mergulho com as arraias manta, em Kona, na Big Island, no Havaí

Lindo entardecer no barco a caminho do mergulho com as arraias manta, em Kona, na Big Island, no Havaí


Ao saber de toda essa multidão, fiquei meio decepcionado. Como quase todos os mergulhadores, não gosto de muvuca lá embaixo. Quanto mais gente, mais sujeira e menos peixes. Essa costuma ser a regra. Mas não nesse caso! Bastaram alguns minutos lá embaixo para eu aprender que esse é mesmo um mergulho diferente. Inclusive pelo fato que mais gente por ali só torna o mergulho ainda mais interessante!

A caminho do nosso mergulho com as arraias manta, em Kona, na Big Island, no Havaí

A caminho do nosso mergulho com as arraias manta, em Kona, na Big Island, no Havaí


Tudo funciona da seguinte maneira: praticamente 75% das pessoas que vão ali só fazem snorkel. Eles ficam reunidos ao redor de boias apontando suas lanternas para baixo, imóveis. Nós, os mergulhadores, mergulhamos a uma profundidade de cerca de 12 metros, num grande campo de areia. Ali, encontramos alguma pedra, seguramos nela e ficamos imóveis também, lanternas apontadas para cima. Tantas luzes assim, no fundo e na superfície, fazem o mar parecer uma discoteca. Mas o melhor vem em seguida! As luzes das lanternas atraem os minúsculos seres marinhos, o plâncton. Atrás do plâncton vêm as enormes arraias. Batendo suas asas, elas nadam entre nós, em busca do alimento fácil que se reúne sobre nossas lanternas.

Lindo entardecer no barco a caminho do mergulho com as arraias manta, em Kona, na Big Island, no Havaí

Lindo entardecer no barco a caminho do mergulho com as arraias manta, em Kona, na Big Island, no Havaí


E assim passamos meia hora lá embaixo, admirando esses animais maravilhosos. Eles dão verdadeiras rasantes sobre nós e, em seguida, já de ponta cabeça, atacam os plânctons do “andar de cima”, nas luzes das lanternas dos que fazem snorkel. Num verdadeiro balé subaquático, as arraias se alimentam ao mesmo tempo em que se desviam com perfeição de nós e das outras arraias. Um sentido apurado para o campo elétrico emitido por todos os seres vivos as faz desviar de nós com perfeição, ao mesmo tempo que podemos admirá-las bem de perto. Apesar da enorme boca, são absolutamente inofensivas.



Nessa noite, eram sete delas, nadando para lá e para cá. Para nós, que não as conhecíamos, pareciam dezenas, tamanho o alvoroço que faziam. Mas nosso instrutor é especialista em reconhecê-las. Cada uma delas tem suas manchas dorsais características, como se fosse uma impressão digital. São pouco menos de cem arraias na população local e nosso instrutor conhece quase todas elas, inclusive pelo nome. E eu que achei que elas migravam, que nada! Pelo menos essas daqui da Big Island, talvez contentes com a refeição fácil de todas as noites, daqui não saem. E não deixam a notícia correr os oceanos, para evitar a concorrência, hehehe! A gente até que tentou fotografar esse espetáculo, mas fotografia submarina noturna em movimento não é nossa especialidade. Fizemos filmagens também, que ficaram bem melhores, Mas ainda não tivemos tempo de fazer uma edição básica (um dia...). Então, melhor do que mil palavras, coloquei uma filme da internet. Só posso dizer que nossa sessão foi ainda mais legal que essa retratada pelo filme, pois havia mais arraias.

Depois desse inesquecível mergulho, o barco voltou para a marina, onde todos os outros passageiros desceram. Aí, apenas conosco e o instrutor, ele rumou para alto mar, para nosso próximo mergulho. Alto mar, no Havaí, significa apenas 3 milhas. Aì, a profundidade do mar já é abissal, chegando aos três mil metros! Afinal, a ilha em que estamos é apenas a ponta de uma enorme montanha submarina. É por isso que esse tipo de mergulho não pode ser feito no continente, cercado pela plataforma continental, sempre rasa. É preciso estar sobre grandes profundidades, pois é de lá que vem os seres vivos que queremos observar. Todas as noites, na maior migração de matéria orgânica existente no planeta, cem milhões de toneladas de seres vivos nadam das produndezas escuras para perto da superfície, onde se encontram para se alimentar e procriar. Antes do sol nascer, voltam lá para baixo.

Mergulhando com seres luminescentes abissais, em Kona, na Big Island, no Havaí

Mergulhando com seres luminescentes abissais, em Kona, na Big Island, no Havaí


São esses os seres que queremos ver. Completamente diferentes dos que conhecemos, de dia ou de noite, nos corais. Ou, se comparados com o que vemos em terra, aí sim estamos em outro mundo! Como bem definiu um pesquisador, o mundo extraterrestre mais perto de nós não está em alguma estrela distante, mas bem aqui no nosso quintal, a poucos metros de nós, escondidos sob as águas dos oceanos. Se pensarmos bem, em terra, somos todos parentes próximos. Um crocodilo, um macaco, um sapo ou uma gavião, todos tem cabeça, tronco e quatro patas (ou duas patas e duas asas, no caso dos pássaros). Sinal que que somos muito próximos! Os peixes são um pouco mais diferentes, mas lá está a coluna vertebral que nos une a todos. Mesmo insetos, com suas muitas patas, olhos e boca, cérebro, também nos são familiares. Mas, como definir uma água-viva? Ou qualquer outra daquelas incríveis criaturas que vemos flutuando pelas águas escuras que nos rodeiam?

O estranho mergulho funciona de um modo diferente do que estamos habituados. O barco nos leva para um local de grande profundidade, o que no Havaí é bem perto da costa. Aí, ele desliga os motores e simplesmente segue junto com a corrente, silenciosamente. Os mergulhadores são presos a cordas nas extremidades do barco, um em cada canto. A corda tem um peso, para ficar esticada para baixo. Todos temos nossas lanternas e ficamos variando nossa profundidade entre 10 e 15 metros, sempre ao redor de nossas respectivas cordas. Iluminando para um lado e para o outro, logo achamos esses seres de outro planeta, ou bioluminescentes ou com grande capacidade de refletir luz (no caso, a luz de nossa lanternas). Normalmente, são seres pequenos, com até 15 centímetros. Mas podem se reunir em grandes colônias, chegando a atingir vários metros.



Ficamos ali, por uns quarenta minutos, em meio à escuridão total do oceano, apenas nossas lanternas a iluminar estreitas faixas de água, observando esses exóticos animais que dividem conosco o mesmo planeta. Como se locomovem sem membros? Como enxergam sem olhos? Como tomam decisões sem cérebros? Que mundo estranho! E tão perto de nós! Talvez, 0,1% da população humana já tenha feito algum mergulho e observado peixes em seu habitat. É uma minoria absoluta que passou a saber que o mundo é muito maior que nosso quintal. Pois bem, dentro dessa minoria, talvez outros 0,1% tenham feito esse mergulho noturno com seres abissais. É bom lembrar que a superfície da Terra tem ¾ de sua área coberta pelos Oceanos, a enorme maioria disso em grandes profundidades. Esse planeta em que vivemos não é nosso, é deles! Dos seres abissais. E apenas 0,1% de 0,1% das pessoas já deu uma olhadinha nos verdadeiros terráqueos. É... temos todos muito o que aprender... Por falar em aprender, nossas fotos dos verdadeiros terráqueos ficaram um desastre. Os filmes, nem tanto. Mas, de novo, precisam daquela ediçãozinha básica. Enquanto isso, outro vídeo do YouTube, pelo menos para ajudar a ter uma ideia do que vimos hoje. Sem dúvida nenhuma, o mais estranho mergulho que já fizemos. Inesquecível!

Hawaii, Big Island-Kona, Mergulho

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A Fauna de Mamirauá

Brasil, Amazonas, Mamirauá

Encontro com jacaré em rio em frente à Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Encontro com jacaré em rio em frente à Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Não é fácil a vida de um bicho em Mamirauá. Em um ecossistema que muda tão radicalmente a cada seis meses, os animais têm de se adaptar. Como bem disse o gerente da nossa pousada logo na primeira palestra: “Bicho, por aqui, tem de saber voar, ou nadar ou subir em árvore. Melhor ainda se souber fazer tudo!”. Desde uma pequena aranha até uma grande onça, essa é a regra. Se não, melhor procurar outras bandas...

Macaco caminha na copa das árvores na floresta alagada na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Macaco caminha na copa das árvores na floresta alagada na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Macaco salta sobre nós durante passeio de canoa na floresta alagada na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Macaco salta sobre nós durante passeio de canoa na floresta alagada na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


E assim, ao longo dos séculos, os animais foram se adaptando. Por aqui, até tatu sobe em árvore. Formigas mudam sua colônia para o alto das árvores a cada nova estação, lagartos caminham sobre a água e aranhas nadam muito melhor do que eu. Peixes saltam fora d’água para buscar sua refeição e onças se esguiam de jacarés para atravessar um rio de um lado a outro. É um mundo próprio com suas próprias leis.

Do alto da árvore, de ponta cabeça, macaco nos observa durante passeio na floresta alagada, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Do alto da árvore, de ponta cabeça, macaco nos observa durante passeio na floresta alagada, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


São inúmeras as espécies de pássaros que vivem na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

São inúmeras as espécies de pássaros que vivem na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Como em vários dos parques que já estivemos do Yucatán para cá, sempre temos aquela pequena esperança de avistar o maior dos felinos americanos, a onça pintada. Mas, logo no início, já fomos advertidos: são quatro ou cinco avistamentos por ano! Quase como ganhar na loteria. Para nós, ainda não foi dessa vez, mas o Pantanal está chegando! Por aqui, num futuro próximo, será um pouco mais fácil, pois a ideia é desenvolver um turismo específico para isso, com ajuda de radiotransmissores. Mesmo com eles, não é tarefa fácil. No nosso primeiro dia por aqui, um grupo de visitantes acompanhou a “caçada” de um pesquisador que estava aqui presente. Foram mais de cinco horas de canoa para se chegar até a onça, quando boa parte das pessoas já tinha desistido e voltado à pousada. A gente tem mesmo é de se contentar em ver as “casas” preferidas desse lindo animal, uma árvore apelidada de “apuí de onça”. É uma árvore grande, mas cuja principal característica são os longos e fortes galhos quase horizontais, um excelente local para as onças descansarem enquanto as águas não baixam e o solo não aparece novamente. A cada vez que reconhecíamos uma dessas na floresta alagada, nossos olhos brilhavam na esperança de ver alguma onça descansando lá encima. Mas ainda não foi mesmo dessa vez...

Um pequeno sapo vem nos visitar durante a noite na Pousada Uacari, na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas

Um pequeno sapo vem nos visitar durante a noite na Pousada Uacari, na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas


Um carangueijo fluvial na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Um carangueijo fluvial na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Bom, ficamos sem a onça, mas não faltaram outros animais para observarmos e fotografarmos. Na própria pousada, especialmente de noite, eram eles que viam nos visitar. Entre eles, sapos de um verde quase brilhante, caranguejos fluviais e, claro, muitos jacarés. Esses, ficavam nadando sob as pontes que ligam as construções da pousada, quiçá na esperança de alguma refeição fácil, hehehe. Até por isso, o seu lugar predileto era embaixo da cozinha de onde, vira e mexe, lá vinha uma comidinha. Se eles comem, não sei, mas que gostam de ficar por ali, isso eles gostam!

Encontro com jacaré em rio em frente à Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Encontro com jacaré em rio em frente à Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Encontro com jacaré em rio em frente à Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Encontro com jacaré em rio em frente à Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Outro grande animal aquático que é muito comum de ser ver por aqui são os muito mais pacíficos botos-cor-de-rosa. Estivemos em três oportunidades com eles, aquela admiração e respeito genuínos que rolam de mamífero para mamífero. Mas não tivemos muita sorte com as fotografias, já que els saem a qualquer momento da água para logo retornarem. São segundos de jubilo para todos, mas é difícil apontar a câmera a tempo. Felizmente, já tivemos nossa chance de estar mais perto e por mais tempo deles, quando visitamos Novo Airão, na nossa outra temporada amazônica nesses 1000dias. Aí sim, tivemos a chance de tirar nossas fotos.. Dessa vez, foi só a alegria de revê-los.

Botos cor-de-rosa nadam em rio na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas

Botos cor-de-rosa nadam em rio na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas


Botos cor-de-rosa nadam em rio na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas

Botos cor-de-rosa nadam em rio na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas


O que mais vemos por aqui são pássaros, dezenas de espécies de cores, tamanhos e formas diferentes. Araras, tucanos, periquitos, gaviões, patos pica-paus e um sem números deles. Seus cantos e sons são um espetáculo a parte, mas é vê-los voar sobre a mata infinita, seus corpos refletidos na água, o que mais emociona.

Encontros com pássaros são corriqueiros na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas

Encontros com pássaros são corriqueiros na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas


São inúmeras as espécies de pássaros que vivem na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

São inúmeras as espécies de pássaros que vivem na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Sempre que saíamos em passeio, levávamos um livro com fotos e desenhos de cada uma das espécies que vive ou frequenta o Mamirauá. Nossos guias, com seus olhos hábeis e treinados, os iam identificando e nos mostrando, tanto ao vivo como no próprio livro, e nós íamos preenchendo o nosso álbum. Muitas vezes, bem de longe, mas o zoom da máquina fotográfica ajuda bastante.

Passeio em canoa motorizada Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas. No colo, livro para ajudar na identificação de pássaros

Passeio em canoa motorizada Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas. No colo, livro para ajudar na identificação de pássaros


Livro com todas as espécies de pássaros da Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas

Livro com todas as espécies de pássaros da Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas


Entre os insetos, além das vorazes formigas e perigosas vespas, o que mais se vê são aranhas. Elas praticamente invadem nossa canoa quando navegamos pelos galhos e folhagens da floresta alagada. Também devem ficar felizes de encontrar um pouco de “terra firme”, hehehe. A maioria é bem amistosa e basta um bom peteleco para fazê-las voltar ao seu mundo.

Durante passeio à floresta alagada, inofensivas aranhas invadem nossa canoa na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Durante passeio à floresta alagada, inofensivas aranhas invadem nossa canoa na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Em cada canto da floresta, uma exuberância de vida na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Em cada canto da floresta, uma exuberância de vida na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Dentre os mamíferos terrestres, como não poderia deixar de ser em um mundo onde as árvores são o único lugar seco que existe, são os macacos que se sobressaem. Mas há também os bichos-preguiça (um dos pratos prediletos das onças, coitados!) e os esquilos, que também se dão bem na arte de se dependurar. Outra vez, contávamos com os olhos treinados dos guias para nos ajudar a localizar esses animais normalmente silenciosos.

Bicho-preguiça passeia em árvore na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas

Bicho-preguiça passeia em árvore na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas


Um esquilo na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas

Um esquilo na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas


Já os macacos, eles mesmo se denunciam, pelo barulho que costumam fazer. São várias espécies, diurnas e noturnas, quase sempre de pequeno porte, os chamados “micos”, vários dos quais já conhecíamos de outros lugares. Mas tem também aqueles um pouco maiores como o bujão gritador, também nosso velho conhecido, desde a Ilha Grande até às florestas de Belize.

Encontro com macacos na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas

Encontro com macacos na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas


Encontro com macacos na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas

Encontro com macacos na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas


Mas havia um outro macaco, muito especial, que não se pode encontrar em nenhum outro lugar do mundo. Razão primeira para a criação desse reserva pelo primatólogo José Márcio Ayres, o Uacari é um macaco grande, de pelos bem claros e comportamento tímido. Seu rosto bem vermelho, sua principal característica, pode ser percebido de longe, em meio à folhagem verde. Esse era o principal objetivo (além da onça!) nos nossos passeios pela floresta alagada.

Encontro com o elusivo Uacari, a espécie de macaco de pelo branco e rosto vermelho que é símbolo da Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Encontro com o elusivo Uacari, a espécie de macaco de pelo branco e rosto vermelho que é símbolo da Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Encontro com o elusivo Uacari, a espécie de macaco de pelo branco e rosto vermelho que é símbolo da Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Encontro com o elusivo Uacari, a espécie de macaco de pelo branco e rosto vermelho que é símbolo da Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Ele primeiro apareceu para outras duplas de turistas, que voltaram felizes e com suas fotos. Mas nada de aparecer para nós, que já íamos ficando preocupados. Mas insistimos e o nosso guia cumpriu sua promessa e achou um bando deles, para a nossa alegria. Ficam lá no alto das árvores, incomodados com nossa estranha presença e tratam logo de se afastar. Nosso guia se embrenha na floresta alagada para segui-los, afastando-se da trilha. E nós, admirando e fotografando. Nessa época do ano, com o rio cheio, conseguimos ficar mais próximos das copas das árvores, mas mesmo assim, não é tão perto como gostaríamos. Enfim, só temos é que agradecer a oportunidade de star perto desses animais magníficos. A classe com que se movem de galho em galho, de árvore em árvore, é impressionante. Assim como o é a humanidade de seus gestos e olhares. Não dá para entender como a ciência demorou tanto tempo para descobrir que somos todos primos. Está na cara, nos dedos, no olhar, em tudo!

Ao longe, o macaco Uacari, símbolo da Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Ao longe, o macaco Uacari, símbolo da Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Entrando de canoa na floresta alagada, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Entrando de canoa na floresta alagada, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Enfim, esse foi um dos grandes momentos dessa nossa semana em Mamirauá: o encontro com os Uacaris! Depois, deu um certo trabalho para o nosso simpático guia reencontrar seu caminho na floresta alagada, mas ele fez seu trabalho. Se dependesse de mim, teríamos levado séculos e morrido de fome antes de sair daquele labirinto de folhas e troncos. Ali embaixo, tudo é muito parecido, árvores para todos os lados. Não é a toa que só entramos na floresta acompanhados do guia. Isso ficou mais claro do que nunca dessa vez. Voltamos para a pousada mais felizes do que nunca. Até nos esquecemos da bendita onça...

Árvore serve de local de descanso durante a noite  para pássaros na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Árvore serve de local de descanso durante a noite para pássaros na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Brasil, Amazonas, Mamirauá, Amazônia, Bichos, Parque

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Paraíso Ameaçado

México, Cabo Pulmo, La Paz Baja California

Praia em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, no México

Praia em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, no México


Cabo Pulmo é um lugar especial. E o motivo está embaixo d’água. É lá que se localiza o único coral vivo do Mar de Cortez e um dos três únicos da América do Norte. Com cerca de 15 mil anos de idade, o que o faz um dos mais antigos do continente, estava fadado ao desaparecimento até que, 15 anos atrás, os próprios pescadores da área se uniram para salvá-lo. A área foi transformada em um parque nacional e ele vem se recuperando desde então.

Preparando-se para mergulhar no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Preparando-se para mergulhar no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


Hoje o Cabo Pulmo é o melhor lugar para se mergulhar no Mar de Cortez. Faz muito tempo que eu me interesso por essa língua de mar, estreita e comprida, que separa a Baja California do resto do continente. Conhecido também como “Golfo da Califórnia”, tem pouco mais de 5 milhões de anos, quando a península se separou do continente, criando o mar. Hoje, chega a ter mais de 3 mil metros de profundidade e é o lar de várias criaturas enormes, como a Baleia Azul e as temíveis lulas gigantes.

A lancha que vai nos levar para mergulhar no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

A lancha que vai nos levar para mergulhar no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


Mas, voltando ao Cabo Pulmo, ficamos sabendo hoje que esse paraíso corre o risco de desaparecer. Tudo por causa de um megainvestimento imobiliário que uma empresa espanhola pretende fazer nos limites do parque. Nada menos que 25 mil habitações, entre casas e hotéis, algo do mesmo porte que Cancún. Tudo isso em território semi-desértico onde hoje quase não há pessoas. Felizmente, o Greenpeace está também aqui para encher o saco deles. Junto com a população local, eles tem conseguido adiar o início das construções, já que a empresa havia conseguido todas as licenças necessárias. Imagino que a crise econômica também tenha ajudado nessa luta, ainda mais que uma boa parte dos compradores e clientes seriam de americanos, meio combalidos nesses últimos anos.

Pronta para enfrentar a água fria do Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Pronta para enfrentar a água fria do Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


A luta está correndo nesse exato momento, com guerra de propaganda dos dois lados. Um vídeo recém postado pelo Greenpeace, com vários artistas mexicanos famosos, tem feito sucesso, arrecadando milhares de assinaturas para um projeto que pede o cancelamento do projeto. Se der certo, oxalá!, lá se vão os dois campos de golfe que tinham imaginado construir por lá. Normalmente eu gosto de esportes mas, fico imaginando que tipo de idiota sonha em construir e frequentar um campo de golfe no meio de um deserto, acabando as pouquíssimas fontes de água da região para deixar a grama verdinha. Tenha paciência!

Muitos peixes em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Muitos peixes em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


Pois bem, foi neste paraíso ameaçado que fomos mergulhar hoje. Nessa época do ano a água está mais fria e menos clara, justamente o resultado de uma presença maior de nutrientes na água. Mas isso é o que atrai uma quantidade maior de peixes, muitos deles bem grandinhos, para a área. Ou seja, a menos visibilidade e muito mais do que compensada pela quantidade e qualidade da vida que se vê.

Muitos peixes em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Muitos peixes em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


Nós estávamos bem descansados da deliciosa noite numa das pousadas bem simples que existem na região, bem clima de vila de pescadores do nordeste brasileiro. Descansados e animadíssimos para mergulhar nesse famoso Mar de Cortez. A gente sai numa lancha e são poucos minutos de navegação até “El Bajo”, o primeiro ponto de mergulho. Estamos os dois com as duas camadas de roupa, para conseguir enfrentar a água fria, cerca de 18-19 graus.

Muitos peixes em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Muitos peixes em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


Muitos peixes em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Muitos peixes em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


Depois de tantos mergulhos no Mar do Caribe, a primeira sensação é de claustrofobia nesse mar esverdeado de visibilidade limitada. Mas logo nos acostumamos e ajustamos para as novas condições. Os peixes, tartarugas e arraias começam a aparecer e o mergulho fica cada vez mais interessante. O coral, comparado ao caribenho, é muito pobre. Nesse frio, não é difícil imaginar porquê. Mas ele tem suas particularidades, o que o faz único.

Arraia durante mergulho em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Arraia durante mergulho em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


Cardume de jacks em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Cardume de jacks em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


Na volta para a superfície, ainda encontramos um enorme cardume de jacks. Nadar por entre milhares de peixes que vão abrindo caminho para nós é uma experiência e tanto!

Moreia nos acompanha durante mergulho em El Cantil, ponto de mergulho no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Moreia nos acompanha durante mergulho em El Cantil, ponto de mergulho no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


O segundo mergulho, em “El Cantil”, foi numa área mais rasa. Novamente, muitos peixes grandes e quase uma dezena de moreias. Aqui, o coral chega a fazer pequenos canyons e túneis. Seguindo o nosso simpático guia, passamos pelos tuneis mais apertados das nossas vidas. Vamos nos arrastando, virando para lá, virando para cá e, ao fim, passamos. Muito legal!

Peixe se esconde no coral em El Cantil, ponto de mergulho no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Peixe se esconde no coral em El Cantil, ponto de mergulho no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


Fim de mergulhos, voltamos para nossa pousada para carregar as coisas e vamos almoçar uma deliciosa comida caseira ali do lado. Novamente, clima totalmente nordestino. Jeri e Canoa nos bons tempos, há 20-30 anos. Bons tempos, aqueles.

Pequenos canyons e túneis em El Cantil, ponto de mergulho no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Pequenos canyons e túneis em El Cantil, ponto de mergulho no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


Voltando do mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Voltando do mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


Pouca vontade de ir embora, mas fomos. Na torcida que a população local vença a luta e que os espanhóis vão construir seus megaresorts em Ibiza ou Maiorca. Nós voltamos para La Paz a tempo de nos instalarmos em um hotel na beira do mar e para assistir a um pôr-do-sol cinematográfico, daqueles que o céu se pinta de laranja, vermelho, roxo, rosa e cores que nem sei dizer o nome. Impressionante!

Flores e palmeiras em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, no México

Flores e palmeiras em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, no México


Entardecer cinematográfico em La Paz, na Baja California, no México

Entardecer cinematográfico em La Paz, na Baja California, no México


Amanhã voltamos ao Mar de Cortez, dessa vez por cima d’água. Vamos de barco para a ilha Espiritu Santo, aqui do lado, com lindas praias desertas, uma geologia extraterrestre e até uma colônia de leões-marinhos. É, acho que vamos mergulhar de novo...

Cores mágicas no entardecer de La Paz, na Baja California - México

Cores mágicas no entardecer de La Paz, na Baja California - México

México, Cabo Pulmo, La Paz Baja California, Baja California, Mergulho

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A Luta com a Burocracia

Colômbia, Cartagena

Brigando com o vento e com a enorme bandeira de Cartagena, no alto do Castillo San Felipe, em Cartagena, na Colômbia

Brigando com o vento e com a enorme bandeira de Cartagena, no alto do Castillo San Felipe, em Cartagena, na Colômbia


Todos esses dias tem sido de intensa atividade e "luta" para atravessar a densa floresta burocrática que nos separa do Panamá. Muitas vezes, nos parece que teria sido melhor e mais fácil ter enfrentado a floresta real que separa os dois países, o famoso "Darien Gap".

Chegando ao imponente Castillo San Felipe, em Cartagena, na Colômbia

Chegando ao imponente Castillo San Felipe, em Cartagena, na Colômbia


Tentando resumir as coisas, os trâmites para quem opta pelo sistema de embarque "ro-ro" (mais simples e barato, apesar de menos seguro para o carro) são assim:

Corredores do Castillo San Felipe, em Cartagena, na Colômbia

Corredores do Castillo San Felipe, em Cartagena, na Colômbia


1) contatamos a companhia que vai fazer o transporte (no nosso caso, a Naves), que nos ensina o caminho das pedras.
2) vamos ao DIAN (o órgão da Aduana), para fazer os papéis de saída do carro
3) vamos à Sociedade Portuária (aqui na cidade) para conseguir os papéis que nos permitirão ingressar o carro no porto
4) Voltamos ao DIAN para que nos indiquem um fiscal alfandegário para nos encontrar no porto e fazer a inspeção alfandegária
5) Adquirimos um seguro de vida obrigatório para quem tiver de entrar e se locomover no porto
6) Ingressamos o carro no porto onde encontramos o fiscal a fazemos a inspeção alfandegária
7) Marcamos com a polícia antinarcóticos a inspeção antidrogas no carro (para o mesmo dia de chegada do navio)
8) Voltamos à Sociedade Portuária para conseguir outra permissão para entrar no porto para fazer essa última inspeção
9) Fazemos a inspeção e voltamos à Naves para, finalmente, fazer o pagamento do frete, já com o carro embarcado
10) Agora, é só retirar o carro no Panamá, já de posse do famoso "Bill of Laden" (nosso popular Bin Laden!), que nos é emitido após o pagamento do frete

Uma das muitas ruas charmosas do centro de Cartagena, na Colômbia

Uma das muitas ruas charmosas do centro de Cartagena, na Colômbia


Complicado? Bom, imagina então quando o navio se atrasa (O "Aida") e aí mudamos para outro (o "Green Cove"), esse se atrasa também, depois é simplesmente cancelado e, finalmente, somos realocados novamente ao Aida. Enquanto isso. nossa inspeção antinarcóticos muda de um dia para outro para outro e, para cada um deles, devemos refazer o processo para obter a permissão de entrada no porto. Mais, o nosso seguro de vida vence e devemos renová-lo, pelo menos até que o navio chegue. E ele chega justo no fim de semana, quando ninguém trabalha...

Praça iluminada no início da noite, em Cartagena - Colômbia

Praça iluminada no início da noite, em Cartagena - Colômbia


É... nada fácil. Para complicar ainda mais um pouco, temos de coordenar tudo isso com nossa saída de veleiro, que tem outros clientes que não estão muito interessados na aventura do nosso carro, mas apenas em chegar logo em San Blás e no Panamá. Para garantir nossos lugares, temos de pagar com antecipação. Sem saber se poderemos partir, já que os navios teimam em se atrasar...

Noite de salsa em Cartagena, na Colômbia (foto de Christian Mendoza)

Noite de salsa em Cartagena, na Colômbia (foto de Christian Mendoza)


Tudo isso sem poder sair de Cartagena por mais de um dia, já que tenho sempre compromissos burocráticos na manhã seguinte. Haja paciência...

Com o Elith e o Christian em noitada em Cartagena, na Colômbia (foto de Christian Mendoza)

Com o Elith e o Christian em noitada em Cartagena, na Colômbia (foto de Christian Mendoza)


Bom, nem tudo foram pedras. A cidade é muito gostosa, tem muito para ser visitado e noite bem festiva. Assim, aproveitamos esses dias para passear por aqui, visitar o CAstillo de San Felipe e passar por belas noitadas de salsa. O San Felipe foi a fortaleza que ajudou a cidade a se defender da maior invasão inglesa jamais organizada para entrar na América do Sul. Não fosse por ele, provavelmente colombianos e venezuelanos, hoje, falariam inglês, todos parte de uma "Gran-Guiana". AInda hoje ela é massiva, um verdadeiro labirinto de tuneis e terraços de onde centenas de canhões protegiam Cartagena.

O famoso Cafe Havana, em Cartagena, na Colômbia

O famoso Cafe Havana, em Cartagena, na Colômbia


As noites de salsa foram em bares variados (não faltam opções!), entre eles o famoso Café Habana". Estivemos outra vez com os simpaticíssimos Christian e Elith, esse um verdadero professor de salsa para a Ana, que bailou como nunca.

Chegando ao porto em Cartagena, na Colômbia

Chegando ao porto em Cartagena, na Colômbia


Com a Luz Helena e a Karen, da Naves, em Cartagena, na Colômbia

Com a Luz Helena e a Karen, da Naves, em Cartagena, na Colômbia


Bom, voltando à burocracia, o status é o seguinte: O carro está no porto e amanhã cedo, domingo, deve ser feita a inspeção anti-narcóticos. O navio, o Aida, chega na madrugada de segunda. Normalmente, a inspeção deveria ser nesse mesmo dia, mas o capitão da polícia aqui de Cartagena nos concedeu um favor e conseguimos antecipá-la, depois de tantos contratempos. No final da tarde, saímos eu e a Ana de veleiro, o Licka, de um pessoal da Catalunia, rumo ao Panamá, via as paradisíacas ilhas de San Blás. Serão cinco dias de viagem, três deles nas ilhas. São cinco turistas e três tripulantes no barco. Internet, agora, só em Colón, o porto que fica no lado do Caribe do Canal do Panamá.

Conferindo as dezenas de documentos no processo de embarque da Fiona em Cartagena, na Colômbia

Conferindo as dezenas de documentos no processo de embarque da Fiona em Cartagena, na Colômbia


Por fim, vale o registro: nessa semana de árdua batalha, muita gente nos ajudou. Um imenso obrigado à Luz Helena, da Naves, ao Pablo, da Sociedade Portuária, à Adriana, do porto de Contecar. E também ao Patrício, um argentino que, junto comigo, enfrentou todos os trâmites para enviar seu carro ao Panamá também. Companheiro de agruras e horas e horas de espera. Mas, acima de tudo, companheiro no sonho de uma longa viagem através das américas.

Deliciosa porção de frutas à venda nas ruas de Cartagena, na Colômbia

Deliciosa porção de frutas à venda nas ruas de Cartagena, na Colômbia

Colômbia, Cartagena,

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Um Pouco de Bahamas

Bahamas, New Providence - Nassau

Adolescentes brincando no pier com cruzeiros ao fundo

Adolescentes brincando no pier com cruzeiros ao fundo


Algumas informações básicas sobre Bahamas: colonizada pelos ingleses, obteve sua independência em 1973. É um arquipélago com mais de 700 ilhas que se extendem por cerca de 1.200 km, ao norte de Cuba e leste da Flórida.
São cerca de 300 mil habitantes (não estou contando os turistas!), 220 mil dos quais moram em New Providence, ilha onde está Nassau, a capital (200 mil habitantes). A outra ilha mais populosa é Grand Bahamas, com 40 mil habitantes. O restante, se divide pelas outras 698 ilhas. Estamos loucos para conhecê-las, desertas e paradisíacas!

Bahamas, New Providence - Nassau,

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Na Casa Redonda

Guatemala, Livingston

Chegando de volta ao nosso hotel, depois de muito caiaque, trilha e cachoeira (região de Livingston, na Guatemala

Chegando de volta ao nosso hotel, depois de muito caiaque, trilha e cachoeira (região de Livingston, na Guatemala


Ontem pela manhã, ainda na cidade de Livingston, o Chris veio nos encontrar com seu barco para nos levar à “Round House”, sua pousada na beira do rio Dulce, longe de tudo e de todos. Nós havíamos ligado para lá na noite anterior, combinando com ele a carona e a estadia por lá. Essa foi uma valiosa dica do nosso amigo velejador Gaston, que sempre passa por lá no seu caminho para Rio Dulce, quando está fugindo dos furacões ou simplesmente indo passar umas férias na Europa. O Gaston havia dito para passarmos uns dias na cidade de Livingston mesmo, mas que não poderíamos deixar de passar uns dias na Round House também, escondida pela densa mata, longe de qualquer cidade ou estrada e bem em frente ao rio. Não resistimos á tentação e nem ao conselho!

A caminho da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, no litoral da Guatemala

A caminho da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, no litoral da Guatemala


O pier da Round House, na região de Livingston, no litoral da Guatemala

O pier da Round House, na região de Livingston, no litoral da Guatemala


O Chris é um inglês que já se mudou para a Guatemala há uns dez anos, sempre aqui na área do rio Dulce. Nas suas idas e vindas pelo rio, uma casa arredondada (e caindo aos pedaços) lhe chamava a atenção. Estava muito bem localizada, mas os donos quase nunca apareciam. Há uns dois anos, junto com um sócio americano, teve a chance de comprar a tal casa e, depois de uma boa reforma, a região ganhou uma nova e excelente opção de hospedagem: a Round House. Junto com sua bela e simpática namorada holandesa, a Dani, eles administram a pousada e a estão ampliando aos poucos, transformando-a num verdadeiro oásis a meio caminho entre Livingston e os lagos que alimentam o rio Dulce.

Olha o trânsito na frente da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, no litoral da Guatemala

Olha o trânsito na frente da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, no litoral da Guatemala


Maravilhoso entardecer sobre o rio Dulce, em frente à Round House, na região de Livingston, no litoral da Guatemala

Maravilhoso entardecer sobre o rio Dulce, em frente à Round House, na região de Livingston, no litoral da Guatemala


Nós chegamos em plena Semana Santa, o feriado mais movimentado da América Central. É uma semana de férias e o turismo interno movimenta e lota todos os hotéis, principalmente aqueles na região do litoral. Já antecipamos grandes dificildades para nós, que nunca reservamos nada, para os próximos dias. Mas não aqui na Round House. O Chris e a Dani não gostam do tipo de movimento que essa semana trás e evitam reservas. Preferem descansar e estar prontos para as semanas seguintes, de movimento normal. Mas abriram uma exceção para nós. Para nós e para a Serena, uma simpática italiana que trabalha em um hostal em Livingston, mas resolveu tirar um fim de semana sabático. Ela também aguardava pelo Chris ontem de manhã e fomos todos juntos à Round House, onde a Dani nos esperava.

Hora do lanche na Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, no litoral da Guatemala

Hora do lanche na Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, no litoral da Guatemala


Nadando no rio Dulce, emfrente à Round House, na região de Livingston, no litoral da Guatemala

Nadando no rio Dulce, emfrente à Round House, na região de Livingston, no litoral da Guatemala


A pousada é realmente uma delícia! Descemos pelo píer e uma passarela e escada de madeira nos levam a um edifício redondo, todo de madeira também, já no meio das árvores. No andar de baixo, uma grande e confortável sala de estar com um charmoso bar no meio. Não há paredes, apenas folhagens de árvores que protegem as laterais. No andar de cima, outra área de estar que dá acesso aos quartos que a circundam. Um charme só! As refeições (café, lanche e jantar) são preparadas e servidas ali mesmo, no andar de baixo, sempre comida muito saudável.

A deliciosa 'living room' da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala

A deliciosa "living room" da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala


Com a Dani, uma das donas da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala

Com a Dani, uma das donas da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala


Nossa rotina era de muito bate-papo na salona de estar, deitado em alguma rede ou sentado em algum sofá, intercalado com mergulhos no rio ali na frente, ora enfrentando a corrente rio abaixo, ora enfrentando a corrente rio acima, por causa da maré que entrava. A única coisa chata era que, nesses dias de Semana Santa, o tráfego de barcos aumenta bastante. Assim, além de me desviar dos patos e garças que nadam e voam por ali às dezenas, também tinha de me preocupar com os barcos. Enfim, nada que não pudesse ser administrado. A opção era fica ali perto do píer mesmo, caso da Ana, ou nadar até o meio do rio e não dar bola para os barcos, o que era o meu caso.

Reencontrando o Antoine, no pier fo Hotelito Perdido, em um tributário do Rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala

Reencontrando o Antoine, no pier fo Hotelito Perdido, em um tributário do Rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala


A Serena, nossa companheira de caiaque em afluente do rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala

A Serena, nossa companheira de caiaque em afluente do rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala


Nossa primeira ideia era passar apenas uma noite por ali, mas foi paixão a primeira vista e vimos que seria difícil ir embora. Depois da delicosa primeira refeição e das conversas já regadas à cerveja, já não tivemos mais dúvidas: ficaríamos outo dia” Uma paraíso desse merecia, certamente!

Andando de caiaque em afluente do rio Dulce, perto do nosso hotel Round House, na reguão de Livingston, na Guatemala

Andando de caiaque em afluente do rio Dulce, perto do nosso hotel Round House, na reguão de Livingston, na Guatemala


Durante passeio de caiaque, encontro com garça em afluente do rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala

Durante passeio de caiaque, encontro com garça em afluente do rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala


E assim foi, 48 horas de muita saúde e diversão. O dia começava com um bom mergulho, antes que os barcos começassem a passar, seguia com o café da manhã, pausa para leitura, muita conversa, cerveja gelada, mais mergulhos, agora com barcos, lanche delicioso, a sagrada hora da siesta, mais mergulho com barcos, cerveja, pôr-do-sol, conversa mole, jantar deliciso, cerveja com um toque de tequila e, com a lua quase cheia, mais mergulho no rio, sem barcos, barulho da selva ao longe (selva, de noite, é bem barulhenta!) e pensamento nos tubarões-touro, conhecidos por subirem até aqui, apesar de não haver registro de ataques. Eu não queria ser o primeiro, mas também não deixaria um medo infantil me privar de um mágico mergulho noturno num rio iluminado pela lua. Mas, pelo sim, pelo não, e pelo tal medo infantil, não me enrolava muito na água, não, hehehe.

Cabana em afluente do rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala

Cabana em afluente do rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala


A paradisíaca cachoeira perto da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região  de Livingston, na Guatemala

A paradisíaca cachoeira perto da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala


A única quebra na rotina foi um grande passeio de caiaque que fizemos hoje. Eu e a Ana em um caiaque duplo e a Serena nos acompanhando, em um caiaque simples. Subinos o rio Dulce cerca de um quilômetro e entramos em um afluente, aí já bem longe do movimento chato de barcos. Mais alguns minutos e chegamos a outro hotel famoso por aqui, o Hotelito Perdido, onde reencontramos um amigo feiro em Livingston, o francês Antoine, um ótimo papo. Foi só o tempo de recuperarmos o fôlego e retomamos o caminho, um longo percuso ainda à frente. Nossa ideia era chegar até o fim desse afluente, mais uns seis quilômetros de remadas. Sempre atravessando um bucólico e tranquilo cenário, águas calmas e garças voando ou nos observando.

A paradisíaca cachoeira perto da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região  de Livingston, na Guatemala

A paradisíaca cachoeira perto da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala


Refrescando-se em uma bela cachoeira, depois de muito caiaque e uma trilha para lá chegar (perto de Livingston, na Guatemala)

Refrescando-se em uma bela cachoeira, depois de muito caiaque e uma trilha para lá chegar (perto de Livingston, na Guatemala)


No fim do rio, bem mais longe do que havíamos antecipado, a Serena já teve de voltar. Ela tinha de pegar um barco de volta à Livingston, onde trabalho a esperava. Já eu e a Ana, amarramos nosso caiaque por lá e, carregando os remos, fizemos uma trilha de cerca de um quilômetro até uma belíssima cachoeira que nos havia sido indicada pelo Chris.

Felizes da vida, depois de chegar na cachoeira em afluente do rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala

Felizes da vida, depois de chegar na cachoeira em afluente do rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala


Andando de caiaque em afluente do rio Dulce, perto do nosso hotel Round House, na reguão de Livingston, na Guatemala

Andando de caiaque em afluente do rio Dulce, perto do nosso hotel Round House, na reguão de Livingston, na Guatemala


Incrível como as expectativas influem no nosso conceito final de algum lugar. Essa cachoeira, por exemplo: tanto o Chris como o Antoine disseram que ela era mais ou menos, que o caminho para se chegar lá, remando pelo rio, era mais interessante. Então não esperávamos muito. Eis que ali chegamos e adoramos! Água verdinha e refrescante, vinda diretamente das montanhas. Uma ótima piscina para nadar! Para quem não esperava muita coisa, não poderia ter sido melhor a surpresa. Por mais de meia hora, nós nos refestelamos no poço e na cachoeira, fazendo valer todo o esforço de ter chegado até lá.

Noite regada à tequila, com o Chris, um dos donos da nossa pousada no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala

Noite regada à tequila, com o Chris, um dos donos da nossa pousada no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala


Olha só o tamanhozinho da garrafa de tequila, no bar da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala

Olha só o tamanhozinho da garrafa de tequila, no bar da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala


Na foto de satélite abaixo, aparece marcado o local da Round House, o afluente do rio Dulce que percorremos por inteiro, o local onde deixamos nossos caiaques e a cachoeira deliciosa. No zoom máximo, é até possível ver nosso hotel e a própria cachoeira. Afastando um pouco a imagem, aparecerá Livingston e é fácil perceber aonde está localizada a Round House, logo após o canyon cheio de curvas no final do rio Dulce.


Ver rio Dulce num mapa maior

Foi com dor no coração que deixamos a Casa Redonda. Facilmente passaríamos outros dias por lá, em companhia tão agradável e ambiente tão gostoso. O Chris, além de ter feito (e estar fazendo!) um ótimo trabalho na Round House, como engenheiro, arquiteto, marceneiro e faz tudo, tudo o mais ecologicamente responsável possível, também é um cervejeiro de mão cheia. Ele tem uma micro-cervejaria ali mesmo e nossas longas conversas sobre a vida no país, a violência, o desenvolvimento da região, o turismo e até mesmo sobre a vida animal das redondezas (assunto em que a Dani é expert!) era sempre acompanhada de cerveja da melhor qualidade. Quem é que quer deixar um lugar desses, com comida, bebida, rio e cachoeiras para nadar, muita sombra e brisa correndo por uma sala aberta e cheia de sofás e almofadas?

Com o Chris e seu sócio, donos da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala

Com o Chris e seu sócio, donos da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala


Hora da partida da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala

Hora da partida da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala


É... mas tínhamos de seguir em frente. Em Rio Dulce nos esperava a Fiona e, do outro lado da fronteira, era chegada a vez de conhecermos Honduras, o único país que ainda não estivemos aqui na América Central. Afinal, cruzamos o país em apenas poucas horas, na subida para o Alaska. Não dá para dizer que já conhecemos. Mas agora sim, vamos ver o país com a devida calma. Honduras, aí vamos nós!

A caminho de Rio Dulce, depois de quatro dias em Livingston, na Guatemala

A caminho de Rio Dulce, depois de quatro dias em Livingston, na Guatemala

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