1 Blog do Rodrigo - 1000 dias

Blog do Rodrigo - 1000 dias

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SHUFFLE Há 1 ano: Ilhas Caiman Há 2 anos: Ilhas Caiman

Adiós Cuba, Holá México!

México, Cidade do México, Cuba, Havana

Chegando de volta no apartamento do curitibano Rodrigo, na Cidade do México, capital do país

Chegando de volta no apartamento do curitibano Rodrigo, na Cidade do México, capital do país


Torcendo para não acontecer mais nada com o nosso pneu, tivemos uma viagem tranquila de Viñales até Havana. Nossa última pelas pouco movimentadas estradas cubanas. O único movimento que tem é o de caronistas. Enorme! Como quase não tem carros, imagino que a taxa de sucesso deles deve ser bem pequena. No fim, não tem jeito, acabam por subir no caminhão mesmo, a maneira mais popular de se viajar no país.

Caronistas, muito comum nas estradas cubanas (estrada entre Pinar del Rio e Havana)

Caronistas, muito comum nas estradas cubanas (estrada entre Pinar del Rio e Havana)


Em Havana, mais uma rápida passagem pelos chiques subúrbios de Miramar e já estávamos em Vedado. Não é difícil se orientar em Havana, ruas numeradas, pares perpendiculares às ímpares. Logo estávamos na loja da Cubacar em frente à estação da Via Azul. O cálculo do combustível deu certinho e chegamos lá na reserva! Em Cuba, alugamos carros com tanque cheio, mas pagamos pelo combustível no início. Na hora da entrega, o negócio é devolvê-lo no osso mesmo.

Transporte por caminhão, o mais popular em Cuba (estrada entre Pinar del Rio e Havana)

Transporte por caminhão, o mais popular em Cuba (estrada entre Pinar del Rio e Havana)


Mas, para ir ao aeroporto, fomos no próprio carro. Assim, pelo sim, pelo não, botamos mais uns três litros, meia hora para ir e outra meia hora para o motorista voltar. O táxi nos cobraria 20 CUCs pela corrida. Se devolvêssemos o carro diretamente no aeroporto, seriam 25 CUCs. E com o motorista nos levando, apenas 10 CUCs. Não foi difícil escolher, certo?

Check-in feito, malas despachadas, faltava a imigração. A oficial que me atendeu demorou um bom tempo para me liberar. Não conseguia entender como eu tinha entrado pelas Ilhas Caiman e estava saindo para o México. Ao saber dos 1000dias, queria saber o porquê disso tudo. No fim, viu e reviu todas as folhas do passaporte com stamps de vários países e deixou eu passar, mesmo com uma pulga atrás da orelha.

Comboio de carga  na estrada entre Pinar del Rio e Havana

Comboio de carga na estrada entre Pinar del Rio e Havana


Pouco menos de três horas de voo e já estávamos sobre a gigantesca Cidade do México. Parecia que tínhamos mudado de universo. Abaixo de nós, numa só cidade, mais de duas vezes a população de Cuba e, provavelmente, um número cem vezes maior de automóveis. A imigração no aeroporto da Cidade do México foi muito mais tranquila do que quando entramos vindos da Guatemala, quando a chata da oficial encrencou com a mistura de nomes e sobrenomes nos meus passaportes e vistos do México e EUA. Aqui não! O cara olhou e deixou passar. Que beleza! Falta agora só entrar nos EUA para eu esquecer essa história de vistos... Coisa chata!

As largas avenidas de Miramar, bairro chique de Havana - Cuba

As largas avenidas de Miramar, bairro chique de Havana - Cuba


Bem, de volta à nossa velha conhecida Cidade do México, lá fomos nós, de táxi, atravessar toda a cidade rumo à Santa Fé. Impossível não se impressionar novamente com o movimento nas enormes freeways que cortam a cidade. São de deixar a gente louco! Uma hora mais tarde e já estávamos na garagem do prédio, matando as saudades da nossa querida Fiona, o pneu traseiro direito completamente no chão! O Rodrigo já tinha nos avisado disso... Falando nele, apareceu quando estávamos lá embaixo, voltando do trabalho. Logo subimos os três para o apartamento que já vemos como a “nossa casa na Cidade do México”.

Hotel em Miramar, bairro chique de Havana - Cuba

Hotel em Miramar, bairro chique de Havana - Cuba


Pronto! Foi como se toda essa viagem ao Caribe tivesse passado num piscar de olhos! Estávamos de volta ao ponto inicial, como se Jamaica, Ilhas Caiman e Cuba tivessem sido apenas um pensamento rápido, um sonho, uma ilusão. Ainda bem que temos os posts e fotos para nos provar que realmente estivemos lá, hehehe. Agora, é mudar nosso canal mental, esquecer do Che e do Fidel e voltar a pensar no Pancho Villa e no Zapata. Alguns dias aqui na maior cidade do continente vão nos ajudar nisso...

México, Cidade do México, Cuba, Havana,

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Passeio nos Canyons

Brasil, Alagoas, Piranhas, Sergipe, Canindé do São Francisco

passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas

passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas


O primeiro programa do dia foi o famoso passeio de catamarã pelo canyon do São Francisco, acima da represa de Xingó. Mais famoso do que eu pensava. E, consequentemente, concorrido...

Nosso catamarã lotado no passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas

Nosso catamarã lotado no passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas


Quando estive por aqui há dez anos, fiz esse passeio num pequeno catamarã onde havia umas quinze pessoas, talvez. Hoje, semana entre natal e ano novo, são três saídas de catamarã, cada uma com umas 150 pessoas.

A gente zarpa do lado de Sergipe, município de Canindé do São Francisco. Fomos de carro até o restaurante Carrancas e partimos pouco depois das nove da manhã. Nós e a torcida do Corinthias. Pior estava o catamarã das 11 da manhã, que cruzamos na volta. Aí, vinha com a torcida do Flamengo...

passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas

passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas


Achamos um canto mais sossegado no segundo andar e fomos curtindo a paisagem. Deixamos o dique e a represa para trás e fomos entrando nos canyons. Água bem verde, convidativa.

Estátua de São Francisco durante passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas

Estátua de São Francisco durante passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas


Passamos pela estátua de São Francisco, colocada numa reentrância da rocha ao lado do rio e chegamos ao ponto onde se pode nadar, dentro de uma área delimitada, ao lado de altas paredes do rio. Na verdade, é um ponto que foi alagado, não faz parte do curso natural do rio. A água não corre e fica mais seguro para as pessoas nadarem.

Nadando nas águas verdes do rio durante passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas

Nadando nas águas verdes do rio durante passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas


Para nós, a graça foi ficar brincando de mergulhar, tentar chegar ao fundo, que chega aos 20-25 metros neste ponto. Embaixo, o esqueleto de antigas árvores que não tiveram tempo de se mudar morro acima... Nós levamos máscaras e foi bem divertido. Acho que até uns 20 metros eu consegui chegar. Mas lá embaixo, água mais fria, visibilidade de poucos metros e aquela aparência fantasmagórica esverdeada das árvores mortas não era muito hospitaleira não. Mais agradável era ficar bem patrão no alto do catamarã observando aquela multidão nadando com suas bóias e tomar uma cerveja gelada.

Nosso catamarã no passeio pelo rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas

Nosso catamarã no passeio pelo rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas


Na volta, ficamos amigos de uma simpática família campineira. O filho quer estudar na Unicamp e os pais gostam muito de viajar também. Mas concordaram que, 1000dias, só sem filhos...

Amizade com família campineira durante passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas

Amizade com família campineira durante passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas


Fim do passeio, primeira etapa do dia vencida. Agora, o rumo era rio abaixo, em direção à Grota do Angico!

Brasil, Alagoas, Piranhas, Sergipe, Canindé do São Francisco, Rio São Francisco

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Pelo Chaco Paraguaio

Paraguai, Asunción

Dia de céu azul no Chaco paraguaio, região de Filadelfia

Dia de céu azul no Chaco paraguaio, região de Filadelfia


Iniciamos hoje nossa travessia do famoso "Chaco" , uma enorme planície que se extende do rio Paraguay até a fronteira com a Bolívia. Apesar de representar a grande maioria do território, apenas 3% da população do país vivem nessas terras inóspitas, alagadas durante os meses de chuva e seca nos meses de inverno. A mítica rodovia Transchaco já foi considerada uma das mais aventureiras do continente, mas hoje em dia está em grande parte asfaltada e a única dificuldade é não cair no sono nas suas intermináveis retas.

Pedágio para cruzar a ponte sobre o rio Paraguay, na periferia de Asunción

Pedágio para cruzar a ponte sobre o rio Paraguay, na periferia de Asunción


Saindo de Asunción a gente cruza a Ponte Remanso, sobre o rio Paraguay, paga um pedágio de 5 mil guaranis (uns dois reais) e temos à nossa frente as planícies infinitas onde as maiores elevações, pelo menos há dez anos atrás, eram as copas das árvores. Hoje, são as torres de comunicação, que podem ser vistas a dezenas de quilômetros. Fora isso, é tudo plano a se perder de vista.

Cruzando o Rio Paraguay, em direção à região do Chaco, no oeste do país (na saída de Asunción - Paraguai)

Cruzando o Rio Paraguay, em direção à região do Chaco, no oeste do país (na saída de Asunción - Paraguai)


Logo no início da estrada, placas nos dão as distâncias. Tudo na casa das centenas de quilômetros, inclusive a fronteira com a Bolívia, nosso objetivo, que está a uns 800 km de distância. Para hoje, nosso objetivo foi a cidade de Filadelfia, a pouco mais de 400 km de Asunción.

À nossa frente, as infinitas planícies do Chaco paraguaio (na saída de Asunción - Paraguai)

À nossa frente, as infinitas planícies do Chaco paraguaio (na saída de Asunción - Paraguai)


A viagem transcorreu sem problemas e o grande evento fou uma parada ordenada pela polícia. Apesar dos vários avisos recebidos no Brasil e pela internet, fomos muitíssimo bem tratados e nem se falou em "propina". O único momento de tensão foi quando me perguntaram e insistiram sobre o tal "permiso" para viajar de carro no país, ao qual respondi e reiterei de que não era necessário, por sermos brasileiros em carro brasileiro, país pertencente ao Mercosul. Os guardas não mais insistiram e a conversa seguiu sobre os nossos planos de viagem. Com a bela e falante Ana ao meu lado, sempre fica mais fácil ficar amigo das pessoas, hehehe.

Rumo à Bolívia, quase 800 km à frente. Nosso objetivo hoje foi a cidade de Filadelfia (na saída de Asunción - Paraguai)

Rumo à Bolívia, quase 800 km à frente. Nosso objetivo hoje foi a cidade de Filadelfia (na saída de Asunción - Paraguai)


Chegamos na germânica Filadelfia no final do dia. Por aqui, tanto a arquitetura como a língua nos fazem crer estar na Europa e não no Paraguai. Mas a presença de população indígena sempre nos traz de volta à América do Sul, hehehe. Toda a região foi colonizada pelos menonitas, alguns vindos do Canadá, outros da Alemanha e outros da Ucrânia soviética, ainda nos anos 30. Por aqui ficamos no hotel Florida, o que fez aumentar a confusão mental: hotel Florida, em Filadelfia, Paraguai, habitado por ucranianos soviéticos e canadenses menonitas falantes de alemão. Hmmmm.... entendi, faz todo o sentido, hehehe Para completar, só faltava jantar no restaurante ao lado, onde servem churrasco no estilo brasileiro! Pronto! Estávamos prontos para dormir e partir rumo à Bolívia...

Estrada corta a infindável planície do Chaco paraguaio na região de Filadelfia

Estrada corta a infindável planície do Chaco paraguaio na região de Filadelfia

Paraguai, Asunción,

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O Incrível Cerro Negro

Nicarágua, León

1000dias no Cerro Negro próximo, à León, na Nicarágua.

1000dias no Cerro Negro próximo, à León, na Nicarágua.


O dia começou com uma visita a um museu bem peculiar. Um museu sobre as lendas e tradições da cidade de León e do país, com representações em painéis, desenhos e grandes bonecos de figuras folclóricas como a "gigantona", uma enorme mulher que percorre as ruas da cidade em busca de um marido. Até aí, tudo bem, já vimos outros muses parecidos. O que faz esse ser difente é que ele ocupa o mesmo espaço onde, durante cinquenta anos, funcionou uma terrível prisão do regime somozista, local em que presos políticos eram barbaramente torturados para delatarem seus companheiros.

Personagens legendárias em museu de León, na Nicarágua.

Personagens legendárias em museu de León, na Nicarágua.


Logo cedo encontramos na entrada desse museu o casal Ardengo (italiano) e Amparo (espanhola) que tínhamos reencontrado ontem de noite. A Ana tinha socializado com eles no Olho de Agua, em Ometepe, e a coincidência nos uniu novamente. A gente combinou de passar o dia de hoje juntos, no museu e depois, no Cerro Negro. No museu, a visita se alterna entre as exposições sobre as personagens folclóricas e os relatos sobre como funcionava a prisão, os métodos de tortura e a dura vida dos presos. Essa mistura de dois assuntos tão distintos deixa nossa mente meio confusa. Não sei se funciona bem...

Visita à antiga prisão somozista em León, na Nicarágua.

Visita à antiga prisão somozista em León, na Nicarágua.


Chegando ao vulcão Cerro Negro próximo à León, na Nicarágua.

Chegando ao vulcão Cerro Negro próximo à León, na Nicarágua.


Daí então seguimos para o Cerro Negro, localizado a 25 km de distância da cidade por estradas rurais. São poucos os que seguem para lá sem guia, mas quem tem boca chega à Roma e nós chegamos! O Cerro Negro é um vulcão em formação, o segundo mais novo do continente, com apenas 150 anos de idade (o que significa um recém nascido, em termos geológicos!). Desde que nasceu, vem tendo erupções regulares, com intervalos de 10 a 15 anos. Algumas bem fortes, cobrindo a cidade de León de cinzas. A última foi no final do milênio passado e já estamos em tempo de uma nova, a qualquer momento.

Pronto para subir o Cerro Negro com a prancha de skibunda (próximo à León, na Nicarágua)

Pronto para subir o Cerro Negro com a prancha de skibunda (próximo à León, na Nicarágua)


Subindo o vulcão Cerro Negro e admirando a bela paisagem das redondezas, próximo à León, na Nicarágua.

Subindo o vulcão Cerro Negro e admirando a bela paisagem das redondezas, próximo à León, na Nicarágua.


Enquanto ela não chega, o vulcão foi transformado numa das maiores atrações turísticas da cidade e do país. Uma trilha batida nos leva através da paisagem desoladora, uma montanha de entulho sem uma única planta, e através de suas encostas até chegarmos dentro de sua cratera. Entramos por um lado que desabou na última erupção, portanto ainda bem abaixo do cume. Ali dentro, fumaça e vapor saem de vários pontos e a rocha é toda pintada de amarelo e branco, ação dos sulfatos e enxofre que saem continuamente da boca do monstro. Por falar em monstro, numa das paredes internas da cratera se destaca a imagem de um enorme gigante, cabeça e mãos despontando, parecendo que tenta se desenterrar. Pelo menos até a próxima erupção, é a mais forte imagem de dentro da cratera.

Observando a emissão de gases dentros da cratera do vulcão Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.

Observando a emissão de gases dentros da cratera do vulcão Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.


Explorando a cratera do vulcão Cerro Negro e os pontos de emissão de gases (próximo à León, na Nicarágua)

Explorando a cratera do vulcão Cerro Negro e os pontos de emissão de gases (próximo à León, na Nicarágua)


Na entrada do parque a gente paga as nossas entradas e aluga uma prancha para poder descer o vulcão depois. Para quem tem a coragem e a habilidade, pode descer de pé, uma espécie de snow board nas pedras do vulcão. Para os simples mortais, descemos sentados mesmo, uma versão nicaraguense do nosso skibunda nas dunas de Jeri ou Canoa Quebrada. Subimos o vulcão carregando nossas pranchas, numa trilha de 40 minutos. A deliciosa e rápida descida, essa só dura pouco mais de um minuto, infelizmente.

Dentro da cratera do vulcão Cerro Negro, com a imagem do monstro enterrado, ao fundo (próximo à León, na Nicarágua)

Dentro da cratera do vulcão Cerro Negro, com a imagem do monstro enterrado, ao fundo (próximo à León, na Nicarágua)


A Amparo não quis subir o vulcão, ficando a observar aquele incrível cenário lá de baixo, mesmo. Eu, a Ana e o Ardengo seguimos encosta acima, nossas pranchas a tiracolo. No meio do caminho, uma parada para visitar a cratera, seus vapores e cores e o monstro que nela habita. Depois, para cima e avante novamente.

Filmando a cratera do vulcão Cerro Negro próximo à León, na Nicarágua.

Filmando a cratera do vulcão Cerro Negro próximo à León, na Nicarágua.


O cenário a nossa volta fica cada vez mais lindo. Para um lado, os destroços da última erupção, um leito de pedras e entulho se extendendo por vários quilômetros. Para outro lado, uma extensa cadeia de vulcões, um atrás do outro, em fila indiana. Paisagem fantástica, prova aos nossos olhos de que a Terra está viva, bem viva!

A bela paisagem ao redor do vulcão Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.

A bela paisagem ao redor do vulcão Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.


Subida final até o cume do Cerro Negro próximo à León, na Nicarágua.

Subida final até o cume do Cerro Negro próximo à León, na Nicarágua.


Finalmente, lá no alto, podemos ter uma visão completa da cratera abaixo de nós. Na verdade, das duas crateras. Isso porque, na última erupção uma cratera secundária se criou, hoje ainda mais viva que sua irmã mais velha. Essa, só vemos por cima,sem nos arriscar a virar churrasquinho lá dentro.

No cume do Cerro Negro, pronto para a descida de prancha! (próximo à León, na Nicarágua)

No cume do Cerro Negro, pronto para a descida de prancha! (próximo à León, na Nicarágua)


Enfim, a hora da descida. Sentados, um de cada vez, seguimos os trilhos de quem desceu antes de nós, pelas partes mais íngrimes da encosta. No início meio receosos, depois vamos ganhando confiança e deixando que a prancha se acelere. Chegamos a pouco mais de 30 km/h, sensação de liberdade total mas, ao mesmo tempo, percebendo aquela nossa árdua subida de 40 minutos se esvair em poucos segundos de efêmero prazer.

Vários vulcões vistos do alto do Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.

Vários vulcões vistos do alto do Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.


Com o italiano Ardengo no alto do Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.

Com o italiano Ardengo no alto do Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.


Lá embaixo nos esperava a Amparo. Fizemos algumas fotos clássicas com a Fiona em território vulcânico, o Cerro Negro ao fundo e voltamos para a portaria onde nos aguardava uma cerveja estupidamente gelada. De lá pudemos observar, de camarote, vários turistas que vieram num tour deslizar à toda velocidade pelas encostas do vulcão. Eles tem pranchas melhores que as nossas e suas velocidades chegam a mais de 60 km/h! É incrível ver aquela fumacinha descendo à toda pelo vulcão. Não faz muito tempo, um francês, de bicicleta, atingiu a velocidade de 170 km/h! Já perto do fim da descida, a bicicleta quebrou e ele teve algumas costelas quebradas...

Vista do alto do vulcão Cerro Negro próximo à León, na Nicarágua.

Vista do alto do vulcão Cerro Negro próximo à León, na Nicarágua.


Na borda da cratera do vulcão Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.

Na borda da cratera do vulcão Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.


Nós voltamos para a cidade e nos despedimos. Já na pousada, logo estávamos fazendo novos amigos: um inglês e um escocês que estão viajando de moto do Alaska à Patagônia. Acabavam de chegar da fronteira hondurenha onde tinham passado por um belo chá de cadeira. O bom humor só voltou depois do banho e, juntos, fomos jantar no delicioso Mesón Real, quase em frente ao nosso hotel. O dono, o Gustavo, ficou super interessado em nossas viagens e nos tratou muito bem. A começar pela comida, que estava maravilhosa, cozinha espanhola. E assim, enquanto tratávamos muito bem de nossos estômagos, trocamos experiências e informações sobre lugares que cada uma das duplas já tinha passado ou pretendia passar. Muito jóia!

A Ana deslizando à toda as encostas do Cerro Negro,  próximo à León, na Nicarágua.

A Ana deslizando à toda as encostas do Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.


A Ana deslizando à toda as encostas do Cerro Negro,  próximo à León, na Nicarágua.

A Ana deslizando à toda as encostas do Cerro Negro, próximo à León, na Nicarágua.


Amanhã cedo partimos para Somoto, nossa última parada na Nicarágua. Um magnífico canyon nos espera por lá. Depóis, o tão "esperado" dia do duplo cruze de fronteiras, daqui para Honduras e de lá para El Salvador. Vamos ver com é...

A Fiona visita o mais ativo vulcão do país, o Cerro Negro próximo à León, na Nicarágua.

A Fiona visita o mais ativo vulcão do país, o Cerro Negro próximo à León, na Nicarágua.

Nicarágua, León, Parque, trilha, vulcão

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De Volta às Estradas, Rotas e Compromissos

Argentina, Las Grutas

De volta às estradas argentinas, agora cruzando as infinitas planícies da região dos Pampas, entre Tandil e Bahia Blanca

De volta às estradas argentinas, agora cruzando as infinitas planícies da região dos Pampas, entre Tandil e Bahia Blanca


Mais uma vez estamos com o pé na estrada aqui na Argentina a bordo na nossa querida Fiona. E mais uma vez também, estamos correndo atrás do relógio, pois estamos com um compromisso com data e hora marcadas lá na Ilha do Mel, litoral do nosso Paraná. Temos um casamento no dia 7 de Dezembro, portanto daqui a 12 dias. Ilha do Mel está completamente fora da nossa rota atual, fica a nordeste daqui e nós estamos rumando para sudoeste. Para nos arrancar daqui, no meio da nossa viagem, só se fosse o casamento de pessoas muito especiais. E no caso, são! A Laura e o Rafa, nossos padrinhos de casamento, vieram nos “visitar” várias vezes durante esses 1000dias. Caminharam conosco nas dunas de Itaúnas, no Espírito Santo, mergulharam em Galápagos, desbravaram Cuba e até no distante Havaí foram nos encontrar. E agora decidiram se casar lá na Ilha do Mel, exatamente na mesma praia e pousada que nós casamos também, há 55 meses. E para garantir mesmo que nós não faltássemos ao evento, eles nos convidaram para ser padrinhos. Então, assim será.

Em laranja, as três rotais pelas quais já cruzamos a Argentina nesses 1000dias. Em azul, a rota que inciamos agora, rumo a Bariloche e passando pela Península Valdez

Em laranja, as três rotais pelas quais já cruzamos a Argentina nesses 1000dias. Em azul, a rota que inciamos agora, rumo a Bariloche e passando pela Península Valdez


Debruçados sobre mapas, tentando otimizar ao máximo nosso roteiro, viagem e compromissos sociais, decidimos que o melhor seria voar para Curitiba lá de Bariloche. Deixamos a Fiona por alguns dias no aeroporto e fazemos um rápido e intenso bate-volta. Compramos a passagem para o dia 5, o que nos dará tempo para seguir até a Ilha do Mel, e voamos de volta no dia 9. Vai ser corrido, mas vai valer a pena! Enfim, temos que chegar a Bariloche antes disso. Na verdade, alguns dias antes disso, pois agora combinamos de encontrar a Rowan por lá para viajar alguns dias pela região com ela. Assim, quando retornarmos de Curitiba, já podemos seguir diretamente para o sul, rumo à Terra do Fogo. Então, essa é a ideia: seguir correndo para Bariloche. Mas no caminho, ainda queremos passar pela fantástica Península Valdez. Um roteiro de mais de 2 mil quilômetros em poucos dias e muita coisa para se ver e fazer. Só para não “perdermos a prática”, hehehe.


Infelizmente, o Google Maps não consegue mostrar a rota mais curta e inteligente, mas enfim, foi por essas cidades que passamos, num roteiro 100 km mais curto que o mostrado acima

Por isso a pressa ontem em deixar Pilar e seguirmos para o sul, apesar já ser final de tarde e de já termos viajado lá de Ushuaia de avião no mesmo dia. Estávamos prontos para cruzar esse país de lado a lado mais uma vez. Será nossa quarta vez nesses 1000dias a fazer isso. Na primeira vez entramos vindos lá da Bolívia, no norte. Exploramos a região de Salta e seguimos para o deserto do Atacama, no Chile. Na segunda vez entramos vindos do Rio Grande do Sul, na região das Missões, passamos por grandes cidades como Corrientes e Santiago del Estero e cruzamos para o Chile pelo maravilhoso Paso San Francisco. Finalmente, entramos na última vez por Mendoza, vindos do Chile. Conhecemos parques nacionais e metrópoles como Córdoba e Rosário e finalmente chegamos a Buenos Aires. Agora, nessa quarta travessia, primeiro seguiremos para o sul, cruzando a região dos Pampas e chegando a uma cidade praiana. Daí para a Península Valdez, paraíso de baleias, focas e guanacos. Por fim, daí vamos cruzar o país de leste a oeste até Bariloche.

A cidade praiana de Las Grutas, na Argentina

A cidade praiana de Las Grutas, na Argentina


Planos feitos, mãos a obra e pé na tábua. Ontem dirigimos quase 400 km até a cidade de Tandil. Infelizmente, nessa nossa agenda apertada tivemos de desistir mais uma vez de Mar del Plata. Seria um desvio muito grande para podermos passar muito pouco tempo por lá. Faz tempo que quero conhecer o mais famoso balneário argentino, mas outra vez teremos de deixar para a próxima. O pior é que dessa vez tínhamos até sido convidados a passar por lá por um simpático casal que conhecemos lá na pequena ilha de Providencia, no caribe colombiano. Enfim, não deu dessa vez... Já a cidade de Tandil, confesso minha ignorância e admito que nunca tinha ouvido falar. Apenas parecia um bom lugar para dormirmos no caminho. Eis que a cidade é a mais bela e interessante da região dos Pampas. Localizada ente colinas e rochedos, é um paraíso para quem gosta de escalar em rocha. Assim como para mountain bikers. E também para os amantes de queijo, pois a região é umas das principais produtoras de derivados de leite no país. Enfim, merecia alguns dias de exploração e deleite. Mas nós chegamos lá a meia noite e, para nossa surpresa, foi um parto achar lugar em hotéis. Todos lotados. Já estava a ponto de desistir e dormir na Fiona mesmo. Mas a Ana insistiu e, numa última tentativa, já duas horas da manhã, encontrou um lugar joia. Nós dormimos o sono dos justos e hoje, logo cedo, já estávamos na estrada. Seriam mais 750 km até a pequena Las Grutas, pequena cidade praiana já ao sul de Bahia Blanca muito recomendada pelo nosso amigo Chetoba. Mas antes de deixarmos a surpreendente Tandil, ainda paramos numa loja para comprar um bom queijo. Era o mínimo que poderíamos fazer para “saborear” um pouco as atrações dessa cidade! Chegamos a Las grutas no final da tarde e logo nos encantamos. Tanto que decidimos ficar aqui todo o dia de amanhã também. Um merecido descanso depois dessa correria toda que começou lá em Ushuaia e um lugar perfeito para recarregarmos as baterias antes de chegarmos a uma das principais atrações turísticas do país: a Península Valdez.

Curtindo o fim de tarde em Las Grutas, na Argentina

Curtindo o fim de tarde em Las Grutas, na Argentina

Argentina, Las Grutas, Estrada, Tandil

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De Volta à Mina da Passagem

Brasil, Minas Gerais, Mariana

Lago da Mina da Passagem em Mariana - MG

Lago da Mina da Passagem em Mariana - MG


Em Janeiro deste ano, como parte da nossa preparação para a viagem, eu e a Ana fizemos a parte prática do nosso curso de mergulho em cavernas aqui em Mariana, na Mina da Passagem. Embora o Brasil seja um dos países mais agraciados do mundo em quantidade e qualidade de cavernas "molhadas", próprias para o mergulho, ainda é quase impossível mergulhar em cavernas de verdade por aqui. O IBAMA, "dono" das cavernas, exige plano de manejo para que se possa mergulhar nas cavernas. Os proprietários não tem dinheiro para fazer o plano, e muito menos para desenvolver a infraestrutura para essa atividade. A consequência é que temos cavernas lindíssimas, com água transparente, mas que não podem ser exploradas, a não ser em casos de pesquisa, em projetos previamente aprovados pelo IBAMA. Com pouquíssimas exceções em Bonito-MS, resta aos mergulhadores praticar essa atividade aqui em Mariana, onde há uma mina alagada, que não é caverna e onde o IBAMA não mete o bedelho.

Acesso para a Mina da Passagem em Mariana - MG

Acesso para a Mina da Passagem em Mariana - MG


Novamente instalados na agradável e simpática Pousada da Serrinha, a meio caminho entre Ouro Preto e Mariana e ao lado da mina, partimos cedo para nossa segunda sessão de mergulhos em "cavernas". E o primeiro com nosso próprio equipamento. Já tínhamos usado ele em mergulhos no mar, lá no Caribe, mas seria a primeira vez que estaríamos usando na configuração de tanque duplo e usando a poderosa lanterna de canister, tão potente como um farol de carro.

Preparando-se para mergulhar na Mina da Passagem em Mariana - MG

Preparando-se para mergulhar na Mina da Passagem em Mariana - MG


Pronto para mergulhar na Mina da Passagem em Mariana - MG

Pronto para mergulhar na Mina da Passagem em Mariana - MG


O primeiro mergulho foi junto com o Dib, que é o responsável pela atividade de mergulho na mina. Foi ótimo mergulhar com ele, afinal não tínhamos mais praticado esse tipo de mergulho desde Janeiro. E mergulhar em cavernas é o tipo de atividade que exige estarmos totalmente seguros. Foi um mergulho tranquilo, entrando pelso túneis da mina, descendo e subindo andares, sempre atrás do cabo guia que nos mostra, de dez em dez metros, a distância e a direção para a saída.

Rodrigo mergulhando na Mina da Passagem, em Mariana - MG

Rodrigo mergulhando na Mina da Passagem, em Mariana - MG


O segundo mergulho foi só nós dois. Pela primeira vez nos aventuramos numa "caverna" sozinhos. Foi muito legal! Quando a Ana ía na frente, e normalmente ela ía, já que é mais prática do que eu com a carretilha, a visão dela nadando por entre os túneis e salas da mina era incrível. A força da lanterna e a água transparente possibilitavam visões lindas, meio fantasmagóricas meio mágicas da Ana flutuando, quase voando naquele ambiente extraterreste, saído de algum filme. Quando eu ía na frente, tinha sempre em vista o salvador cabo guia, que é nosso elo de ligação com o mundo e com a vida.

Ana colocando a carretilha em mergulho na Mina da Passagem, em Mariana - MG

Ana colocando a carretilha em mergulho na Mina da Passagem, em Mariana - MG


Já que falei em "carretilha", deixa eu explicar: quando mergulhamos em cavernas, amarramos uma carretilha desde a entrada da caverna até a sua parte já escura, onde começa o cabo guia. O cabo guia não começa na entrada da caverna, onde ainda há luz, para não estimular manés e pessoas que não são treinadas a entrar caverna à dentro. No caso da mina, em Mariana, ainda há outro "filtro". Logo no início da parte escura, há um enorme cartaz com uma caveira desenhada "aconselhando" as pessoas não treinadas a não seguirem adiante.

Placa meio 'borrada', subaquática, advertindo mrgulhadores da Mina da Passagem, em Mariana - MG

Placa meio "borrada", subaquática, advertindo mrgulhadores da Mina da Passagem, em Mariana - MG


Não é o nosso caso. Já somos treinados e devidamente certificados. E fizemos um mergulho jóia. Agora, mais do que nunca, estamos ansiosos para chegar numa caverna de verdade, feita pelas mãos da natureza e não pelas mãos do homem, onde se possa mergulhar. O que falta treinar agora, e talvez de um equipamento um pouco mais profissa, são as fotos. Com o tempo e treino, vamos melhorar...

Autofoto durante mergulho na Mina da Passagem, em Mariana - MG

Autofoto durante mergulho na Mina da Passagem, em Mariana - MG


Escada que dá acesso aos mergulhadores para o lago na Mina da Passagem em Mariana - MG

Escada que dá acesso aos mergulhadores para o lago na Mina da Passagem em Mariana - MG

Brasil, Minas Gerais, Mariana, Caverna, Mergulho, Mina da Passagem

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Passando por Berkeley

Estados Unidos, Califórnia, San Francisco

Visita à Universidade de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos

Visita à Universidade de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos


Uma coisa que sempre gosto de visitar em outros países são as universidades. Fujo um das hordas de turistas e me aproximo um pouco mais da vida local, das pessoas que realmente vivem por ali. O mesmo raciocínio vale para os mercados. Só que nesses a gente vê mais o povão, enquanto nas primeiras, a tendência é ver aqueles que formaram a elite do país, artística, econômica ou política.

Universidade de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos

Universidade de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos


Nos Estados Unidos, estão algumas das mais famosas universidades do mundo. A gente já tinha ido à Princeton e à Harvard, na costa leste, e aqui escolhemos dar uma passada em Berkeley. A universidade tem a fama de ser um dos centros mais liberais do país. Se a Califórnia já é tradicionalmente democrata, Berkeley seria a ala “xiita” do partido. Foi aqui que o movimento hippie teve mais força, onde protestos anti-guerra mais acontecem, onde a preocupação com um mundo verde é maior.

Uma das muitas bibliotecas da Universidade de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos

Uma das muitas bibliotecas da Universidade de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos


Só que, com a dificuldade de sair de San Francisco pela manhã e ainda querendo chegar ao Napa Valley no final da tarde, não sobrou muito tempo para vivenciarmos esse ícone da contra-cultura. Além disso, hoje é véspera do feriado de Thanksgiving e o campus não estava muito movimentado. Dos estudantes que ali encontramos, boa parte era chinesa. Será que são os únicos que se dispõe a continuar estudando no feriado?

A lua flutua sobre a torre do relógio, na Universidade de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos

A lua flutua sobre a torre do relógio, na Universidade de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos


Antes de entrar no campus, caminhamos pelas ruas ao redor, procurando um lugar para almoçar. Conforme imaginávamos, o que não faltava era lugar de comida natureba. Dezenas deles. Hoje, bem vazios, mas imagino que os mais de 30 mil estudantes da universidade formem uma freguesia constante! Depois, um passeio pelo campus cheio de áreas verdes e prédios tradicionais, como o da biblioteca e a torre centenária. Sempre gosto de me imaginar estudando nas universidades que visito, chegando de bicicleta, cumprimentando pessoas, preocupado com alguma prova, ansioso por alguma festa. Não foi diferente por aqui. Enfim, uma tarde rápida e gostosa, pensamentos ao léu. Mas o dever chama e, no nosso caso, o dever se chama “estrada”, Rumo ao próximo destino, ainda mais inspirador: o Napa Valley, a mais famosa região vinícola desse hemisfério.

Caminhando pelo campus da Universidade de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos

Caminhando pelo campus da Universidade de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos


Falando em inspiração, foi o que sentimos quando chegamos de volta à Fiona, estacionada em frente à Universidade. Pela terceira vez nessa viagem, demos de cara com um bilhete escrito e deixado ali, no vidro do carro. São pessoas que, ao se deparar com o carro, ficam interessadas, acessam o site e, inspiradas, nos deixam alguma mensagem. E aí, quem fica ainda mais inspirado somos nós! Muito obrigado a esse mais novo inspirador, diretamente da queridíssima Costa Rica, país para o qual retornaremos em breve!

Bilhete deixado no vidro da Fiona, enquanto passeávamos pelo campus de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos

Bilhete deixado no vidro da Fiona, enquanto passeávamos pelo campus de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Califórnia, San Francisco, Berkeley

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Carros, Escravos e Estrelas

Ilhas Virgens Americanas, St John - Cruz Bay

Pôr-do-Sol em Maho Beach - St John - USVI

Pôr-do-Sol em Maho Beach - St John - USVI


Em alguns lugares dá para se virar muito bem sem carro. Ilha do Mel, por exemplo. Ou então em locais onde há um bom sistema de transporte público, como as capitais européias. Mas em outros, carros são essenciais. Esse é o caso da St. John. A pé, não dá para ir muito longe. De táxi, enfiam a faca. Então, a solução é simples: alugar um carro!

Nosso carro em USVI

Nosso carro em USVI


E foi o que fizemos, alugamos um belo de um Jeep Patriot e ganhamos asas (ou rodas). A vida ficou fácil e confortável, o ar condicionado do carro funcionando de oásis para cruzar a montanhosa e ensolarada ilha de St. John. De dentro do nosso "carrinho" a cada curva uma nova vista incrível: praias, montanhas, marzão e céu azuis.

Coral Bay, St. John - USVI

Coral Bay, St. John - USVI


A primeira parada foi num restaurante à beira mar, só para tomar uma cervejinha. O restaurante estava fechado mas o simpático dono nos serviu assim mesmo. Com aquela vista que tínhamos, a cerveja desceu ainda mais redonda.

Visita a Annanberg Plantation

Visita a Annanberg Plantation


Em seguida, fomos visitar as ruínas de uma plantation da época dos dinamarqueses. As ruínas estão muito melhor preservadas do que aquelas que visitamos em North Caicos. Aí, mais uma vez, fiquei tentando me convencer que os dinamarqueses também tiveram escravos. É tão estranho para mim imaginar isso. Sempre os tive como um exemplo de civilidade. Será que os escravos deles também eram açoitados? Falavam dinamarquês? Não sei, mas o que deu para perceber é que tinham de trabalhar bastante, plantando cana de açúcar nas encostas íngrimes das montanhas daqui. Com esse calor, deveria ser horrível. Pelo menos tinham uma bela vista do mar, logo abaixo! O fato é que depois do fim da escravidão essas plantations todas foram à falência e os dinamarqueses resolveram vender as ilhas.

Visita a Annanberg Plantation

Visita a Annanberg Plantation


Ainda com os escravos na cabeça, fomos fazer uma caminhada até uma praia maravilhosa. E mais maravilhoso ainda foi o snorkel que fizemos. Arraias, tartarugas, muitos peixes e centenas de estrelas. Até achei uma rara estrela de seis pontas. Será que dá sorte? Fiquei brincando também numa parte mais profunda, cerca de 20 metros. Visibilidade de 30 metros. É engraçado a sensação de estar lá embaixo, sozinho, naquele silêncio. É completamente diferente da sensação do mergulho com garrafas. No snorkel, a essa profundidade, não temos só a sensação, temos é a certeza de que estamos num mundo que não é o nosso. Ao mesmo tempo, há uma estranha calma no local. Difícil explicar, só indo lá para ver.

Pôr-do-Sol em Maho Beach - St John - USVI

Pôr-do-Sol em Maho Beach - St John - USVI


Após o snorkel, seguimos para outra praia assistir a um pôr-do-sol cinematográfico. Além do sol, a água do mar tem uma cor que não consigo descrever, de tão bonita. Fiquei muito impressionado mesmo com a beleza das praias daqui e de como elas são vazias. Será que o mundo e os americanos ainda não descobriram St. John?

Pôr-do-Sol em Maho Beach - St John - USVI

Pôr-do-Sol em Maho Beach - St John - USVI


De volta ao hotel, nossa última noite nessa ilha incrível, dormi embalado com os muitos punchs de amora e rum, cortesia do hotel, pensamentos embaralhados com as lembranças do estranho mundo das estrelas do mar, ou do também estranho mundo de escravos negros com senhores dinamarqueses, obrigados a passarem o dia plantando cana sob o sol inclemente enquanto, metros abaixo, lá estava o paraíso, praias com areias brancas, águas transparentes e estrelas do mar sem entender porque aqueles homens preferiam as encostas do que as águas refrescantes. Estranho mundo, esse.

Ilhas Virgens Americanas, St John - Cruz Bay, Praia, trilha

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O Nosso Primeiro Caiaque

Geórgia Do Sul, Prion Island

Nosso grupo de caiaque rema ao lado das encostas de Prion Island, na Geórgia do Sul

Nosso grupo de caiaque rema ao lado das encostas de Prion Island, na Geórgia do Sul


O fim do incrível passeio a Salisbury Plain, com todos os seus elefantes e lobos-marinho e suas centenas de milhares de pinguins, não representou o fim do nosso dia. Muito pelo contrário, era apenas um bom começo! Nossa tarde também reservava muitas aventuras...

Vestida para nossa primeira sessão de caiaque, em Prion Island, na Geórgia do Sul

Vestida para nossa primeira sessão de caiaque, em Prion Island, na Geórgia do Sul


Prion Island, na Geórgia do Sul

Prion Island, na Geórgia do Sul


Enquanto almoçávamos tranquilamente no navio, o Sea Spirit navegou para nosso próximo ponto de desembarque, uma pequena ilha chamada Prion Island, conhecida como um refúgio para as maiores aves que voam do planeta: o “Wandering Albatross” (Albatroz Errante, em português) e o “Southern Royal Albatross” (Albatroz Real Meridional, em português).

Vestido para nossa primeira sessão de caiaque da viagem, em Prion Island, na Geórgia do Sul

Vestido para nossa primeira sessão de caiaque da viagem, em Prion Island, na Geórgia do Sul


Prontos para estrear nossos caiaques, em Prion Island, na Geórgia do Sul

Prontos para estrear nossos caiaques, em Prion Island, na Geórgia do Sul


Mas isso ainda não era tudo. Um pequeno e afortunado grupo de passageiros do Sea Spirit, nós incluídos, iriam sair em seus caiaques pela primeira vez nessa viagem. A ideia era chegar a Prion Island remando!

Saindo de zodiac do Sea Spirit para nossa primeira sessão de caiaque, em Prion Island, na Geórgia do Sul

Saindo de zodiac do Sea Spirit para nossa primeira sessão de caiaque, em Prion Island, na Geórgia do Sul


O Sea Spirit fica para trás enquanto nos encaminhamos para nossa priemira sessão de caiaque, em Prion Island, na Geórgia do Sul

O Sea Spirit fica para trás enquanto nos encaminhamos para nossa priemira sessão de caiaque, em Prion Island, na Geórgia do Sul


Então, logo depois do almoço, eu e a Ana fomos fazer nossa digestão vestindo nosso verdadeiro aparato para poder fazer o caiaque em águas tão geladas. Uma camada de roupas quentes e por cima um longo macacão impermeável. Gorro e luvas de lã. Botas de borracha sobre o macacão que também se fecha sobre os pés. Um colete salva-vidas e a saia que se fecha com zíper sobre a entrada do caiaque, para que a água espirrada pelo mar não entre dentro do barco.

Feliz e ansiosa, a caminho de nossa primeira sessão de caiaque, em Prion Island, na Geórgia do Sul

Feliz e ansiosa, a caminho de nossa primeira sessão de caiaque, em Prion Island, na Geórgia do Sul


Animado, rumo a nossa primeira sessão de caiaque, em Prion Island, na Geórgia do Sul

Animado, rumo a nossa primeira sessão de caiaque, em Prion Island, na Geórgia do Sul


Depois, grupo todo de 10 passageiros reunidos, pois seremos sempre os primeiros a desembarcar quando houver sessão de caiaque. Entramos todos com nossa guia, a Val, dentro do zodiac onde ainda cabem uns dois caiaques atravessados. Os outros seguem atrás, amarrados em uma corda e puxados pelo zodiac.

Os caiaques são puxados pelo zodiac rumo a Prion Island, na Geórgia do Sul

Os caiaques são puxados pelo zodiac rumo a Prion Island, na Geórgia do Sul


O zodiac puxa vários caiaques em direção a Prion Island, na Geórgia do Sul

O zodiac puxa vários caiaques em direção a Prion Island, na Geórgia do Sul


E assim seguimos para perto de Prion Island onde encontramos algum lugar mais protegido e com mar mais calmo para podermos embarcar nosso nossos caiaques. A Val e duas outras passageiras vão em caiaques simples enquanto os quatro casais restantes vão em caiaques duplos. Rapidamente, a Val nos faz uma demonstração de como entrar no caiaque e fechar sua saia e, em seguida, todos fazemos o mesmo, sempre alguém segurando o caiaque junto ao zodiac enquanto a pessoa entra e se ajeita, sua saia e seus pedais de direção, remos a mão.

Com a Val, nossa guia de caiaques, em Prion Island, na Geórgia do Sul

Com a Val, nossa guia de caiaques, em Prion Island, na Geórgia do Sul


A caminho da nossa primeira sessão de caiaque em Prion Island, na Geórgia do Sul

A caminho da nossa primeira sessão de caiaque em Prion Island, na Geórgia do Sul


Por fim já estamos todos remando. Grudado nos remos, duas luvas grossas, uma proteção extra para nossas mãos. No nosso caiaque, segue a Ana na frente e eu atrás, ela com a Go Pro na cabeça e eu com a Canon pequenina. Tirar fotos é meio trabalhoso, pois tenho de tirar a mão das duas luvas, tirar as fotos e “guardar” as mãos novamente.

No banco de trás de nosso caiaque duplo nas águas de Prion Island, na Geórgia do Sul

No banco de trás de nosso caiaque duplo nas águas de Prion Island, na Geórgia do Sul


A Ana segue no banco da frente de nosso caiaque duplo, perto de Prion Island, na Geórgia do Sul

A Ana segue no banco da frente de nosso caiaque duplo, perto de Prion Island, na Geórgia do Sul


Aos poucos, vamos pegando o balanço do mar. A sensação é de proximidade total da natureza. Incrível também pensarmos que estamos remando em águas antárticas! Será um sonho? Basta um pingo gelado de água no mar no rosto para termos certeza que não, que aquilo é mesmo realidade.

Nossa primeira sessão de caiaque da viagem, em Prion Island, na Geórgia do Sul

Nossa primeira sessão de caiaque da viagem, em Prion Island, na Geórgia do Sul


Nosso grupo de caiaque rema ao lado das encostas de Prion Island, na Geórgia do Sul. Nós estamos em primeiro plano, em um caiaque duplo

Nosso grupo de caiaque rema ao lado das encostas de Prion Island, na Geórgia do Sul. Nós estamos em primeiro plano, em um caiaque duplo


Durante todo o tempo em que estamos remando um zodiac nos acompanha de perto, caso haja algum problema, como alguém cair na água. Apesar da temperatura ser próxima de 0 graus, nossa roupa deve suportar por algum tempo, pelo menos o necessário para que a ajuda chegue e nos leve de volta ao barco. Por isso, nunca devemos nos afastar muito do grupo. A ideia é se manter ao alcance de um bom grito, pelo menos.

Remando ao lado de Prion Island, na Geórgia do Sul

Remando ao lado de Prion Island, na Geórgia do Sul


Remando nas águas geladas de Prion Island, na Geórgia do Sul

Remando nas águas geladas de Prion Island, na Geórgia do Sul


No nosso caminho de hoje contornando parte da ilha, o ponto máximo foi simplesmente estar ali, remando naquelas águas. A ideia é nos acostumar com a rotina e balanço do mar para, quando chegarmos a lugares mais interessantes, podermos devotar o máximo de nossa atenção a elas enquanto o resto segue no “automático”.

Mãos protegidas por luvas enquanto remamos nosso caiaque em Prion Island, na Geórgia do Sul

Mãos protegidas por luvas enquanto remamos nosso caiaque em Prion Island, na Geórgia do Sul


Após tirar uma foto, colocando a mão mais uma vez na luva que acompanha os remos de caiaque, em Prion Island, na Geórgia do Sul

Após tirar uma foto, colocando a mão mais uma vez na luva que acompanha os remos de caiaque, em Prion Island, na Geórgia do Sul


Passamos ao lado de encostas escarpadas de rocha e de um banco de kelps, uma alga escura e comprida que já havíamos visto na costa oeste do Canadá, quando fizemos caiaque por lá. É também a mesma alga que é usada para alimentar as ovelhas das Falklands e que empresta seu nome para os habitantes daquele arquipélago, os “kelpers”.

Mãos protegidas por luvas enquanto remamos nosso caiaque em Prion Island, na Geórgia do Sul

Mãos protegidas por luvas enquanto remamos nosso caiaque em Prion Island, na Geórgia do Sul


O Dave nos acompanha de perto com o zodiac enquanto remamos nossos caiaques em Prion Island, na Geórgia do Sul

O Dave nos acompanha de perto com o zodiac enquanto remamos nossos caiaques em Prion Island, na Geórgia do Sul


O final da sessão de caiaque foi na praia de pedras de Prion Island onde os passageiros do Sea Spirit também desembarcaram. Lá nos esperava a Cheli, a incansável líder da expedição, e outro guia que ajudava a manter aquele trecho de praia livre de lobos-marinhos, pelo menos para que pudéssemos desembarcar. Os caiaques ficaram na para mesmo, onde seriam levados de volta diretamente ao Sea Spirit por algum zodiac enquanto nós fazíamos a caminhada e exploração da ilha, ainda vestidos com nosso aparato de caiaque. Enfim, foi um ótimo começo a ansiamos por mais, agora que já ficamos (mal) acostumados!

Um lobo-marinho vem investigar de perto nossos caiaques em Prion Island, na Geórgia do Sul (foto de Deb Leonard)

Um lobo-marinho vem investigar de perto nossos caiaques em Prion Island, na Geórgia do Sul (foto de Deb Leonard)

Geórgia Do Sul, Prion Island, caiaque

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A Baía de Guaratuba e Nossa Última Balsa

Brasil, Paraná, Guaratuba

Balsa leva veículos através da baía de Guaratuba, no litoral do Paraná

Balsa leva veículos através da baía de Guaratuba, no litoral do Paraná


Nós resolvemos passar os últimos dias dos nossos 1000dias na costa paranaense e nas cidades históricas da região. Por isso, ao pegarmos a estrada desde Joinville, em Santa Catarina, não viemos para o Paraná pela rodovia principal, a BR-376, que sobe a serra e segue diretamente para Curitiba. Em seu lugar, optamos pela pequena estrada de Garuva, que permanece na planície litorânea e segue para a cidade de Guaratuba, o maior balneário praiano do Paraná.

Nosso roteiro entre Joinville (SC) e Antonina, passando de balsa pela Baía de Guaratuba, no Paraná

Nosso roteiro entre Joinville (SC) e Antonina, passando de balsa pela Baía de Guaratuba, no Paraná


Foto de satélite da Baía de Guaratuba, a segunda maior do Paraná, entre os municípios de Guaratuba e Matinhos. Como ainda não há ponte, o remédio é fazer a travessia de balsa

Foto de satélite da Baía de Guaratuba, a segunda maior do Paraná, entre os municípios de Guaratuba e Matinhos. Como ainda não há ponte, o remédio é fazer a travessia de balsa


Depois de tantos dias explorando o maravilhoso litoral catarinense, as cidades praianas do nosso Paraná não são assim, atrativas. Na verdade, boa parte do litoral do estado é ocupado por duas grandes baías. Paranaguá, mais ao norte (a chamada “Baía de Antonina” está dentro da Baía de Paranaguá) e a Baía de Guaratuba, ao sul. As duas baías são lindas, bastante entrecortadas e de natureza exuberante, mas praticamente sem praias. Para quem procura essas extensões de areia, elas se encontram exatamente entre as duas baías, divididas nas cidades de Matinhos e Pontal do Paraná. Na verdade, é tudo praticamente uma praia só, litoral parecido com aquele do Rio Grande do Sul. Essa longa praia é dividida entre os chamados “balneários”, bairros que se desenvolveram em frente à praia.

Chegando a Guaratuba, no litoral do Paraná

Chegando a Guaratuba, no litoral do Paraná


Chegando a Guaratuba, no litoral do Paraná

Chegando a Guaratuba, no litoral do Paraná


Pescador em praia de Guaratuba, no litoral do Paraná

Pescador em praia de Guaratuba, no litoral do Paraná


Vendedor de coco em praia de Guaratuba, no litoral do Paraná

Vendedor de coco em praia de Guaratuba, no litoral do Paraná


Quem foge á regra é exatamente Guaratuba, localizada ao sul da baía de mesmo nome. Para quem quer chegar aí usando apenas estradas, só se for por Santa Catarina. Exatamente pelo caminho que viemos, a estrada de Garuva. A ligação de Guaratuba com o resto do litoral paranaense (e do estado!) é através de uma balsa que leva os carros sobre as águas da baía. É uma travessia bem agradável e cênica. O problema maior não está na balsa, mas na espera da longa fila que se forma para acessá-la nos meses de verão. Por isso, a construção de uma ponte é uma demanda antiga dos paranaenses, mas nenhum governo foi ainda capaz ou teve vontade política para realizá-la.

Balsa entre Guaratuba e Matinhos, no litoral do Paraná

Balsa entre Guaratuba e Matinhos, no litoral do Paraná


Balsa entre Guaratuba e Matinhos, no litoral do Paraná

Balsa entre Guaratuba e Matinhos, no litoral do Paraná


A última balsa da Fiona durante a expedição 1000dias, atravessando a baía de Guaratuba em direção a Matinhos, no litoral do Paraná

A última balsa da Fiona durante a expedição 1000dias, atravessando a baía de Guaratuba em direção a Matinhos, no litoral do Paraná


Para nós que estamos viajando por aqui fora da temporada, foi tudo muito tranquilo. Passamos rapidamente por Guaratuba e suas praias e fizemos nossos registros fotográficos. Depois, diretamente para a balsa. Uns quinze minutos de espera e já estávamos navegando em direção a Matinhos. A Ana já tinha estado nessa balsa outras vezes, mas para mim foi a primeira vez. Confesso ter ficado impressionado com a beleza da natureza ao redor, as montanhas verdes e inclinadas da Serra do Mar cobertas pela Mata Atlântica delineando o contorno da baía. Pois é, não ficamos impressionados com as praias, mas a beleza natural mais do que compensou!

Um belo pier na baía de Guaratuba, litoral do Paraná

Um belo pier na baía de Guaratuba, litoral do Paraná


A natureza exuberante da Baía de Guaratuba, no litoral do Paraná

A natureza exuberante da Baía de Guaratuba, no litoral do Paraná


Atravessando, de balsa, a bela Baía de Guaratuba, no litoral do Paraná

Atravessando, de balsa, a bela Baía de Guaratuba, no litoral do Paraná


Do lado de lá, em Matinhos, já pegamos a estrada rapidamente. Nosso objetivo era chegar a dois tesouros históricos dessa região, as cidades de Morretes e Antonina. Depois dessas cidades, em uns poucos dias, aí sim seguiremos para a joia da rainha dessa parte do litoral brasileiro, a Ilha do Mel. Para quem acha que o litoral paranaense não vale a pena, certamente não conhece esse pedaço de paraíso. Localizada bem na boca da Baía de Paranaguá, não deve nada para as praias mais bonitas do litoral catarinense, paulista, carioca ou nordestino. Tudo bem que minha opinião pode ser meio enviesada, afinal foi lá que escolhemos casar e foi também de onde começamos nossos 1000dias. Enfim, volto a falar de lá quando chegarmos (regressarmos) à ilha em poucos dias. Nesse post, quero mesmo é falar das balsas!

Atravessando, de balsa, a bela Baía de Guaratuba, no litoral do Paraná

Atravessando, de balsa, a bela Baía de Guaratuba, no litoral do Paraná


Atravessando de balsa a baía de Guaratuba e chegando a Matinhos, no litoral do Paraná

Atravessando de balsa a baía de Guaratuba e chegando a Matinhos, no litoral do Paraná


Atravessando de balsa a baía de Guaratuba e chegando a Matinhos, no litoral do Paraná

Atravessando de balsa a baía de Guaratuba e chegando a Matinhos, no litoral do Paraná


Pois é, estando tão próximos do final dos 1000dias, tudo é motivo para nos emocionar. Hoje, por exemplo, para cruzar essa bela baía de Guaratuba, pegamos a última balsa dessa nossa jornada pelas Américas. Do Alaska à Patagônia, essas travessias de barco sobre rios, lagos e mares sempre foram momentos marcantes da nossa viagem. Na maioria das vezes, essas balsas eram a única opção que tínhamos para continuar viagem, o único caminho para seguir em frente, a única maneira de se chegar a algum lugar que, sem elas, seriam inatingíveis para quem viaja de e com o carro.

A primeira balsa da Fiona: Cananéia-Ilha Comprida

A primeira balsa da Fiona: Cananéia-Ilha Comprida


Atravessando de balsa para Ilha Bela - SP

Atravessando de balsa para Ilha Bela - SP


Fiona apertada entre outros carros no ferry-boat para Salvador - BA

Fiona apertada entre outros carros no ferry-boat para Salvador - BA


A Fiona aguarda a balsa chegar, em Porto de Pedras - AL

A Fiona aguarda a balsa chegar, em Porto de Pedras - AL


Mas, além de caminho, elas eram um atrativo em si. É um momento para respirarmos, descermos da Fiona e socializarmos com outras pessoas, com outros viajantes. Na maioria das vezes, em meio a um cenário deslumbrante e grandioso, em algum rio amazônico, algum lago chileno ou praia nordestina. Foi assim que passamos pelo Amazonas três vezes, além de outros rios emblemáticos como o Xingu ou o São Francisco. Foi assim que atravessamos fiordes no Alaska e no Chile. Foi assim que navegamos no Titicaca ou no lago Nicarágua.

Atravessando o Velho Chico de balsa, em Penedo - AL

Atravessando o Velho Chico de balsa, em Penedo - AL


Cruzando o rio Sibaúma numa pequena balsa, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN

Cruzando o rio Sibaúma numa pequena balsa, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN


Nossa travessia de balsa entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa

Nossa travessia de balsa entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa


Balsa entre Suriname e Guiana, cruzando o rio Correntyne

Balsa entre Suriname e Guiana, cruzando o rio Correntyne


Estou falando aqui das balsas, os barcos em que a Fiona viajava embarcada também, e não das nossas viagens “solitárias” no mar, como quando fomos à Antártida ou viajamos em Galápagos, ou ainda entre diversas das ilhas caribenhas. Nessas oportunidades, a Fiona nos esperava em algum estacionamento do continente, temporariamente abandonada. Não, estou falando de quando ela também estava no barco, fazia parte da nossa aventura.

Embarcando a Fiona para a travessia do rio Essequibo, na Guiana

Embarcando a Fiona para a travessia do rio Essequibo, na Guiana


De manhã, com as 'cortinas' abertas, no barco Manaus-Santarém

De manhã, com as "cortinas" abertas, no barco Manaus-Santarém


Balsa sobre o Rio Xingu, na Transamazônica - PA

Balsa sobre o Rio Xingu, na Transamazônica - PA


Quer dizer, na verdade, houve três ocasiões em que ela viajou de barco sem a nossa companhia. Duas vezes quando cruzamos de Américas, do Sul para a Central e no caminho de volta. Nesses casos, a Fiona embarcava não em uma balsa, mas num verdadeiro navio transatlântico, desses que carregam centenas de contêineres Mesmo que quiséssemos, não éramos admitidos nesse barco. Então, o máximo que podíamos fazer era levá-la até o porto e buscá-la do lado de lá. A outra vez foi na nossa primeira travessia do rio Amazonas, indo de Belém para Macapá. Três dias de viagem contornando a Ilha do Marajó em uma balsa sem cobertura, optamos pelo conforto de voar.

Travessia entre Filadelfia - TO e Carolina - MA

Travessia entre Filadelfia - TO e Carolina - MA


Embarcados no ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia

Embarcados no ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia


Finalmente, prontos para embarcar em Cartagena, na Colômbia

Finalmente, prontos para embarcar em Cartagena, na Colômbia


Fiona abordando o ferry Che Guevara, à caminho da Isla Ometepe, no lago Nicarágua

Fiona abordando o ferry Che Guevara, à caminho da Isla Ometepe, no lago Nicarágua


Mas todas as outras dezenas de vezes, estávamos os três juntos, sim. A mais longa dessas travessias foi quando viemos do Alaska para a Colúmbia Britânica, no Canadá, pela Inside Passage. Visual grandioso, a gente passando frio e se embasbacando lá no convés e a Fiona protegida no porão do navio. Na outra grande travessia, já foi diferente. Estávamos todos no convés do barco amazônico que nos levou de Manaus a Santarém, entre redes amarradas no convés e a brisa fresca que entrava pela proa.

Fiona e companheiros aguardam para embarcar no ferry-boat entre Mazatlán e La Paz, na Baja California - México

Fiona e companheiros aguardam para embarcar no ferry-boat entre Mazatlán e La Paz, na Baja California - México


Fiona pronta para a viagem pela Inside Passage, entre Juneau e Sitka, no sudeste do Alaska

Fiona pronta para a viagem pela Inside Passage, entre Juneau e Sitka, no sudeste do Alaska


Embarcando no ferry de Victoria para Vancouver, na British Columbia, no Canadá

Embarcando no ferry de Victoria para Vancouver, na British Columbia, no Canadá


A Fiona é o último carro a conseguir entrar no ferry da Isla Mujeres para Cancún, no litoral sul do México, do lado do Caribe

A Fiona é o último carro a conseguir entrar no ferry da Isla Mujeres para Cancún, no litoral sul do México, do lado do Caribe


Outras passagens também foram memoráveis, como aquelas da Carretera Austral, no Chile, cruzar duas vezes o Estreito de Magalhães no extremo sul do continente, navegar no mais alto lago navegável do mundo entre Peru e Bolívia ou enfrentar os lagos formados pelo rio Magdalena, no interior da Colômbia na terra que inspirou Gabriel Garcia Marques. Como esquecer também as pequenas balsas em praias do Nordeste que mal acomodavam a Fiona sobre elas? Era quase preciso se equilibrar sobre a pequena jangada!

A Fiona e seu companheiro de conteiner na viagem para a Colômbia (no porto de Colón, no Panamá)

A Fiona e seu companheiro de conteiner na viagem para a Colômbia (no porto de Colón, no Panamá)


Embarcando a Fiona para cruzar o rio Amazonas, em Manaus. Do outro lado está a estrada para Porto Velho

Embarcando a Fiona para cruzar o rio Amazonas, em Manaus. Do outro lado está a estrada para Porto Velho


De balsa, cruzando o rio que separa Rondônia do Acre, a caminho de Rio Branco

De balsa, cruzando o rio que separa Rondônia do Acre, a caminho de Rio Branco


A Fiona entra na pequena balsa para atravessar o lago Titicaca, entre Copacabana e La Paz, na Bolívia

A Fiona entra na pequena balsa para atravessar o lago Titicaca, entre Copacabana e La Paz, na Bolívia


Enfim... são muitas histórias e momentos marcantes para nós. E hoje, passamos pela nossa última balsa. De agora em diante, pelo menos para a Fiona (nós ainda vamos para a Ilha do Mel!), é só terra firme! Mas eu aproveito a oportunidade para publicar, ao longo desse post, uma coleção de fotos com diversas dessas passagens sobre rios, lagos e baías nesses quatro anos de viagem. As legendas das fotos são as originais e relê-las nos faz viajar pela América novamente, nos relembra do quão longe chegamos e do tanto de coisas que vimos e experimentamos.

A Fiona preparada para fazer a travessia de rio entre Bolívia e Brasil, em Guayaramerin, no lado boliviano

A Fiona preparada para fazer a travessia de rio entre Bolívia e Brasil, em Guayaramerin, no lado boliviano


Travessia de balsa sobre o rio Paraguai, na estrada-parque do Pantanal Sul, na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul

Travessia de balsa sobre o rio Paraguai, na estrada-parque do Pantanal Sul, na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul


A Fiona no ferry que nos leva de Punta Arenas à Terra do Fogo, no sul do Chile

A Fiona no ferry que nos leva de Punta Arenas à Terra do Fogo, no sul do Chile


A Fiona se aperta na balsa de Puerto Yungay em direção ao final da Carretera Austral, em Villa O'Higgins, no sul do Chile

A Fiona se aperta na balsa de Puerto Yungay em direção ao final da Carretera Austral, em Villa O'Higgins, no sul do Chile


As fotos estão em ordem cronológica, exceto pelas primeiras, que são as fotos do dia de hoje, quando cruzamos a Baía de Guaratuba. Então, viaje conosco também pelos confins do continente…

Preparando-se para embarcar em balsa para cruzar a Caleta Gonzalo, no parque Pumalín, trecho da Carretera Austral no sul do Chile

Preparando-se para embarcar em balsa para cruzar a Caleta Gonzalo, no parque Pumalín, trecho da Carretera Austral no sul do Chile


Entrando na balsa entre o Farol de Santa Marta e Laguna, no sul de Santa Catarina

Entrando na balsa entre o Farol de Santa Marta e Laguna, no sul de Santa Catarina

Brasil, Paraná, Guaratuba, viagem

Veja todas as fotos do dia!

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