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Leandro (20/05)
Quais os dias de visitação do parque? A partir de que horas até que ho...
Jeremias (13/05)
Estou atônito e encantado. Há muito tempo procurava saber onde seria a ...
ANDRE LUCIO CHAVES (07/05)
Parabenizo a vocês por essa tão importante viagem. Aliás, essa não po...
Tatiana Konrath Wolff (05/05)
Nossa, que nervoso essa foto da Ana embaixo da pedra! Muito legal!!...
maya (03/05)
Olá meus parabéns a vocês pelas mais belas paisagens que ja vi até ho...
Surfista e seu cachorro enfrentam as águas geladas de praia em Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá
O sol resolveu mesmo não aparecer e o dia amanheceu cinzento, uma espessa capa de nuvens sobre nossas cabeças. Onde de noite tínhamos ficado com esperanças, pois o tempo tinha limpado e as estrelas apareceram, gloriosas. Enfim, sem sol, mas sem chuva também. Uma ótima oportunidade de explorar as praias e florestas que atraem milhares de pessoas todos os anos à cidade de Tofino.
Mata do Pacific Rim Park, região de Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá
Ficamos hospedados aqui em Tofino num Hostel, desses com dezenas de jovens divididos em vários quartos e uma grande área comunal, incluindo a movimentada cozinha. Ótimo ligar para socializar e conhecer gente nova. Melhor que a cozinha é a sala de estar, com uma grande janela envidraçada com vista para o porto e para o horizonte. Uma delícia ficar aí, o frio do lado de fora, trabalhando um pouco, navegando pela internet, conversando, ou simplesmente olhando para a bela e tranquila paisagem à nossa frente.
Árvore e outras plantas crescem sobre um enorme tronco caído de um Cedro Vermelho, em mata de Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá
Assim foi nossa manhã, mas no início da tarde resolvemos esticar as pernas a dar a nossa volta. O simpático gerente do hostal, grande admirador do futebol brasileiro, nos deu várias dicas e nós saímos para as nossas explorações.
Chegando à movimentada Chesterman Beach, em Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá
Poucos quilômetros ao sul da cidade está o Pacific Rim National Park, uma área criada para preservação da floresta nativa. Matas de enormes coníferas ao lado de longas praias de areia clara com ondas cobiçadas por surfistas de todo o país. Enfim, um lugar paradisíaco! E num dia como hoje, fora de temporada, frio e sem sol, eram praticamente nós andando por ali.
Pequena baía em Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá
Caminhando na Long Beach, praia na região de Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá
Começamos atravessando uma floresta com gigantescos Cedros Vermelhos. São árvores que chegam aos 60 metros de altura e quase 1000 anos de idade. Quando morrem, arrancados do chão por uma violenta tempestade, ficam ali, “deitados” na floresta por mais de um século, já que seus troncos são extremamente resistentes à ação de agentes decompositores. Tornam-se verdadeiras encubadeiras de novas árvores, que nascem sobre o seu tronco. Um verdadeiro espetáculo da vida e do ciclo da floresta. Quando vemos diversas árvores alinhadas na floresta, já sabemos que ali embaixo, uma gigante caiu, junto com seus 800 anos de história.
Caminhando na Long Beach, praia na região de Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá
Atravessando a mata, chegamos às praias. Vastas extensões de areia firme, um convite para uma corrida ou caminhada. A água também é tentadora, mas basta encostar a mão nela para perdermos qualquer ilusão! Temperatura de 12 graus é dureza! Os únicos que enfrentam são os valentes surfistas. Vestidos como ninjas, do dedo do pé à ponta da orelha, eles entram na água para enfrentar as ondas que não param de chegar. Isso sim é amor ao esporte!
Caminhando até a água do mar em praia de Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá
Voltando em direção à Tofino, já fora do parque, chegamos à praia mais famosa da região, Chesterman. Muitas casonas e pousadas na beira da praia garante um movimento quase constante na areia, andarilhos e corredores levando seus cães para um passeio. Todos vestidos para se proteger do vento e poder aproveitar aquele lindo visual. Andando na praia, lembrei-me muito da minha especial ilha do Mel, em dia nublado. Só mesmo a temperatura da água para me lembrar que estamos mesmo é em outra ilha, “um pouco” mais ao norte...
Entrando no mar gelado vestida como uma ninja, em Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá
Mar com muitas ondas em Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá
Voltamos então para nossa movimentada e aconchegante sala de estar, no Hostel. Amanhã, na data que é especial para mim desde que me lembro por gente, há 40 anos, deixamos a pacífica Tofino para trás e rumamos ao sul da ilha, para a cosmopolita Victoria, a capital da Columbia Britânica. Não faltarão bons restaurantes para celebrarmos o 11 de Outubro!
Dia nublado e frio na bela Chesterman Beach, em Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá
Peça de ouro exposta no famoso e impressionante Musel del Oro, em Bogotá, na Colômbia
Conforme tínhamos combinado no dia anterior, o Angelo e a Joana foram de manhã no apartamento do Douglas e da Clara para nos apanhar para um passeio pela cidade. Realmente, esses nossos amigos colombianos estão nos acostumando muito mal! O Angelo, dono de uma empresa de transporte, gosta muito de carros e ficou muito interessado na nossa viagem de carro até o Alaska. Sonha em fazer algo parecido, em menor escala.
O famoso e impressionante Musel del Oro, em Bogotá, na Colômbia
Seguimos diretamente para uma das maiores atrações da capital colombiana, o Musel del Oro. Como o próprio nome diz, a atração principal do museu são as peças de ouro pré-colombianas encontradas no que é hoje a Colômbia. São 55 mil peças, 6 mil delas em exibição, que fazem desse museu o maior do mundo em peças do metal dourado. Caminhar por suas galerias repletas de peças de ouro é, no mínimo, impressionante. Não só pela qualidade das peças e técnica que os artífices daquela época desenvolveram, mas pela quantidade de ouro que ali existe. Ficamos imaginando que aquilo é só a ponta do iceberg, pois sabemos que os espanhóis "passaram a mão" em quase tudo o que encontraram, matando e escravizando quem encontravam em seu caminho. Ou seja, a maior parte do ouro daquela época foi derretido e enviado para a Europa, ou então remodelado para adornar as igrejas coloniais.
Peça de ouro exposta no famoso e impressionante Musel del Oro, em Bogotá, na Colômbia
O museu mostra também como eram as técnicas de trabalho nos metais preciosos, além de nos ensinar sobre a vida, costumes e crenças dos habitantes dessas outras épocas. É uma viagem a um mundo distante que se liga diretamente a nós através das peças expostas. Muito legal mesmo! Nossa... qual será o valor patrimonial desse museu? Uma coisa que o diferencia de muitos outros é que fotografias e filmagens são permitidas lá dentro. Assim, vai dar para mostrar um pouco do que vimos.
Subindo o Cerro Monserrate em Bogotá, na Colômbia
Com o Angelo e a Joana no Cerro Monserrate, em Bogotá, na Colômbia
De lá seguimos para o teleférico que nos leva ao alto do Cerro de Monserrate. Além da bela e ampla vista que temos de Bogotá, ainda podemos visitar o santuário que há lá encima e visitar a feira de produtos colombianos. Entre eles, uma vasta gama de produtos feitos com a folha de Coca. Até vinho de coca tém! Como na Bolívia e Peru, esses produtos são liberados por aqui. Só não se pode levá-los para países vizinhos, como o Brasil, Equador ou Argentina. Pelo menos, oficialmente não.
Visitando o Santuário de Monserrate em dia nublado, em Bogotá, na Colômbia
Aproveitamos também para almoçar num dos belos restaurantes que existem por lá. Nada como um bom vinho (de uva!) com aquela vista magnífica!
Produtos da folha de coca vendidos em Monserrate, em Bogotá, na Colômbia
Na volta, passamos por duas regiões muito legais de Bogotá. Uma é a Mariscal, cheia de bares e lojinhas. Um dos bares, o "Alô Brasil", é da pátria amada! Segundo o dono, o único da capital que é mesmo de um brasileiro. Os outros dois ou três que existem são restaurantes e pertencem a colombianos mesmo. Até um copinho de cachaça tomamos, para celebrar o encontro.
Com o Angelo e a Joana em restaurante no Cerro Monserrate, em Bogotá, na Colômbia
A outra região é a Zona T (de Turismo). Região chique, cheia de lojas de marca, gente bacana, carros vistosos e bares iluminados. Cara de primeiro mundo. Num desses bares encontramos a Viviana e o Andrés, bateirista do The Hall effect. Como sempre, muito amáveis conosco! A gente nem sabe como retribuir tanta amabilidade assim! Pelo menos, já tá todo mundo convidado para ir ao Brasil!
Bar brasileiro no bairro Mariscal, em Bogotá, na Colômbia
De volta para a casa do Douglas e Clara, que já estamos considerando como nossa, foi a vez da Ana fazer um jantar, a sua famosa pasta com molho gorgonzola. Uma delícia, fez muito sucesso. Exceto pelo cheiro forte do queijo, que a Amelie não gosta. Mas da comida ela gosta, hehehe!
Passeando em Bogotá no carro do Angelo (Colômbia)
A requintada Zona T, em Bogotá, na Colômbia
Amanhã é nosso último dia inteiro por aqui. Compramos nossas passagens para o Caribe, nossa terceira ida para essas ilhas fantásticas. A Fiona vai ficar por aqui, na garagem do Douglas, enquanto nós vamos conhecer Aruba, Bonaire e Curaçao, ou simplesmente "ABC". Vamos seguir o alfabeto mesmo, começando por Aruba no dia 21. No dia 30, retornamos para Bogotá vindos de Curaçao. Então, Caribe, aí vamos nós!
Reencontro com o Andres e a Viviana em bar em Bogotá, na Colômbia
Pensando na vida...
Um dos aspectos que mais me atraem nessa viagem que ainda está só no começo (3 semanas hoje!) é a chance de passar em lugares que marcaram meu imaginário infantil e de adolescente. Um bom exemplo disso é a Groelândia. Para quem jogou War (esse jogo marcou minha geração!) essa enorme ilha, que em muitos mapas parece ter o tamanho da América do Sul, sempre foi um ponto estratégico para se invadir a Europa, através da Islândia. Que jogo legal! E que noção de geografia ele passava para nós. Nomes como Dudinka, Omsk, Labrador, etc, entraram e não saíram mais da minha cabeça. E entre esses nomes, a Groelândia. Pois é, não é que vou conhecer!!!
Outro nome são as Ilhas Malvinas, ou Falkland. Foi a primeira guerra que lembro de ter acompanhado, pelos jornas e pela TV. Pobres argentinos... que sova! Enfim, lembro-me como se fosse hoje dos porta-aviões ingleses Hermes e Invincible, ou da fragata Sheffield, afundada por um míssel Exocett, dos argentinos. Com isso, se vingaram do afundamento do General Belgrano. Bem, os portenhos voltaram para casa mas os nomes ficaram na minha memória. E nós vamos para lá!
Há também outros nomes mágicos, quase sempre ilhas. Se fosse discorrer sobre cada um, escreveria um livro: Hawaii, nome que minha mãe usava para nos fazer comer comidas que não gostávamos ("se você não comer, não vamos mais te levar para o Hawaii". Eu comia mas não fui. Vou agora!); Galápagos, estrela maior das aulas de biologia que nos ensinavam sobre Darwin e a evolução; Ilha de Páscoa, local de míticas esculturas, que teriam sido feitas com a ajuda de extraterrestes... E por aí vai!
Mas, há um nome que se sobressai entre todos: Triângulo das Bermudas! Devorei livros e artigos no início da minha adolescência sobre isso. Nem conseguia dormir direito com esse misterioso lugar me assombrando a mente. Para onde foram os aviões e navios perdidos? Um portal do tempo-espaço? Extraterrestres? Atlântida? Que medo que dava!
Pois bem, lembrei disso tudo agora porque tivemos nosso primeiro contato com esse famoso lugar. Os vértices do triângulo são as ilhas que lhe emprestam o nome (vamos para lá também!), a Flórida e as Bahamas. Quando criança, imaginava que essa era uma área proibida para aviões e navios, que desapareceriam do mapa assim que passassem por lá. Doce ilusão! É uma das regiões do mundo com maior tráfego de barcos! Daí, nada mais normal que sumir um ou dois. Pois bem, finalmente cheguei ao meu ponto: na viagem de Nassau para Long Island, atravessamos uma neblina grossa. Não se via nada! Imagina o que é que veio na minha cabeça? Não como medo, mas como um tremendo flash back da infância-adolescência! Foi muito legal! A minha viagem durou horas e horas. Tudo num espaço de um minuto em que nada víamos. Eu via! Todos aqueles aviões desaparecidos... estavam ali, quase ao meu alcançe.
Momentos como esse são os que vou me lembrar daqui a 40 anos...
O Salto São Francisco, em Prudentópolis - PR, com quase 200 metros de altura
O programa hoje foi já sair de mala e cuia do hotel em Prudentópolis, logo pela manhã, seguir até a mais alta cachoeira da região sul do país, o imponente Salto São Francisco e, de lá, pegar a estrada até o outro lado do estado, na cidade fronteiriça de Foz do Iguaçu.
Mas, ainda na cidade, a primeira tarefa foi passar numa loja de fotografias para imprimir algumas que tínhamos tirado ontem, lá da família dona da propriedade onde fica o Salto São Sebastião. Promessa feita pela Ana, promessa cumprida pela Ana! Eles ficaram muitíssimo felizes ontem, quando a Ana disse que faria isso, e vão ficar mais ainda quando receberem o presente!
À caminho do Salto São Francisco, que aparece ao fundo (em Prudentópolis - PR)
Feito isso, enfrentamos os cinquenta quilômetros de estrada de terra que ligam a cidade ao Salto São Francisco. Estrada belíssima, por sinal, que segue no topo de uma crista de morro dando uma ampla visão da região, inclusive do próprio Salto, que já é possível ver de longe, no meio das montanhas. Também... duzentos metros de queda, dá para ver beeeem de longe mesmo, hehehe.
Com a mãe no Salto São Francisco, em Prudentópolis - PR
O único trecho pior de estrada é a longa subida final. Para carros mais baixos é preciso paciência. Lá encima, um parque municipal que fica bem na fronteira de três municípios: Prudentópolis, Turvo e Guarapuava. Entrada gratuita, deixamos o carro num estacionamento e seguimos à pé por uma trilha muito bem cuidada por uns 400 metros, até chegar à beira de um enorme penhasco. Deste ponto se tem a mais bela visão dessa cachoeira maravilhosa. São exatos 196 metros de queda até um grande lago lá embaixo, que visto de tão alto parece pequenininho.
Final da queda de 200 metros do Salto São Francisco, em Prudentópolis - PR
A trilha agora segue na beira da encosta, ou melhor, da própria parede que forma o canyon de onde despenca a cachoeira. A vista é incrível, não só da própria cachoeira, como das paredes do canyon e das montanhas ao longe. Cenário grandioso, coisa de cinema.
Essas tranquilas águas estão prestes a despencar por 200 metros! (em Prudentópolis - PR)
Ficamos ali aproveitando por um bom tempo aquela visão magnífica até que era hora de ir embora. Afinal, tínhamos mais 400 km pela frente, cruzando todo o estado até Foz do Iguaçu, já ao lado do Paraguai e da Argentina. Estrada simples, mas bem conservada, muitos caminhões e pedágios também. Enfim, com paciência fomos seguindo e, um pouco antes das nove estávamos chegando.
Fotografando o Salto São Francisco, em Prudentópolis - PR
Em plena época de férias, a cidade e seus muitos hotéis estão bastante concorridos. Procura aqui, procura ali, acabamos encontrando o Lanville, onde ficaremos pelos próximos dias. O que não falta é o que fazer por aqui: parques, Itaipu, Paraguai, Argentina, etc... Depois de um jantar à base de picanha, ao lado do hotel, decidimos pelo menos a programação de amanhã: compras em Ciudad de Leste, no Paraguai. Vai ser a minha primeira vez nesse nosso vizinho sulamericano e rival nas quartas de final da Copa América. Para quem já viajou tanto mundo afora, já não era sem tempo!
Visitando o imponente Salto São Francisco, em Prudentópolis - PR
Mosaico de Rodrigos, em Inhotim, Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG
Um esforço tremendo para sair da cama gostosa cedinho. Mas tínhamos muito para ver e fazer. Nada melhor que um super café da manhã, com o tradicional pão de queijo, uma vista de encher os olhos e frutas, muitas frutas! Até carambola, junto com morango, pêra, kiwi, melão, mamão e uva eu coloquei no meu iogurte com granola. Quanta saúde! Para completar, dois sucos maravilhosos: laranja com maçã e morango com abacaxi. É, foi uma overdose de frutas...
Café da manhã cheio de frutas da Pousada Mirante da Serra, em Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG
Bem patrão na Pousada Mirante da Serra, em Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG
Depois, seguimos para Inhotim, atração cinco estrelas de BH, Minas e do Brasil. Um enorme museu, ou área de exposições numa propriedade que bem podia ser uma fazenda. Cheia de lagos e com jardins que devem estar entre os mais belos do mundo, as trilhas nos levam de galeria em galeria, de obra de arte em obra de arte. Uma experiência em todos os sentidos.
A galeria de Adriana Varejão, em Inhotim, Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG
Difícil dizer o que mais chama a atenção em Inhotim. Para mim, foram os jardins e as "experiências sonoras" em algumas das galerias. É incrível a sensação de caminhar por uma floresta de caixas de som, todas de alta qualildade, reproduzindo os sons de uma orquestra ou de um coro. Cada uma delas reproduzindo um instrumento ou uma voz. A sensação é de se estar no meio de tudo e o nosso caminhar acrescenta movimento, o que torna a experiência ainda mais interessante. Em outra galeria, são os sons que se movem de uma caixa para outra, o que de certa forma engana o nosso cérebro. É fascinante ser "enganado", neste caso.
Observando a arte de Inhotim, Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG
Outra experiência de arrepiar é ouvir o "som da Terra". Num poço com mais de 200 metros de profundidade foram colocados microfones de captação que ampliam e equalizam o som captado para que possamos ouvi-lo. Parece que a Terra está gemendo. Como os sons aumentam e diminuem, parece mesmo uma espécie de linguagem, que a Terra está querendo falar conosco. Impressionante.
Caminhando em Inhotim, Brumadinho, próximo à Belo Horizonte - MG
Deliciados com Inhotim, seguimos para outro patrimônio cultural mineiro. Este, mais voltado ao passado. É o Santuário do Caraça, que funcionou como colégio, talvez o melhor do Brasil por muito tempo. Ele está localizado no alto da Serra do Espinhaço, no meio das montanhas. O visual deve ser maravilhoso, mas eu e a Ana só poderemos ver amanhã, já que chegamos de noite. Chegamos a tempo de nos instalar no próprio colégio, que agora recebe visitantes e aproveitar a noite de lua cheia e o ar puro do local. Só não conseguimos ver os lobos que, muitas vezes, vem se alimentar na frente da igreja da carne deixada lá para eles. Bem que enfrentamos a noite fria para vê-los, mas acho que eles estavam meio preguiçosos.
A Ana esperando a aparição dos lobos no Caraça - MG
Amanhã, caminhada pela região, pelo próprio santuário e museu. Depois, partimos para Mariana e Ouro Preto, em busca do mergulho na Mina e também do sobrinho Lulu, que está viajando com o seu colégio. Passaram pelo Caraça um dia antes de nós...
Visão noturna da centenária igreja do Caraça - MG
Batendo papo com o Robert, nosso dive master
Para quem já viajou pelo Brasil ou pelo mundo, principalmente por lugares pequenos, perdidos nesse mundão afora, tanto no interior como no litoral e teve a chance de interagir com as pessoas do local, quase sempre acaba conhecendo um homem da terra, do local, um verdadeiro sábio de conhecimentos e habilidades daquele mundo em que vive. Nós, forasteiros, sempre nos impressionamos com a verdadeira sintonia com que ele vive com seu meio ambiente. Conhece as trilhass, sabe se vai chover, recita o nome dos bichos e plantas dali, indica remédios naturais para dores ou feridas. Pode ser um jangadeiro do Ceará, um mateiro do Pantanal, um pescador no São Francisco.
Parece que nasceram para estar ali. Não sabem nada sobre Descartes, Darwin, Aristóteles. Não sabem o nome do presidente dos Estados Unidos ou do papa. Não sabem onde fica Berlin ou o que é o Taliban. Nós podemos saber tudo isso. Mas, quem é que sobreviveria naquele ambiente, com todos os nossos conhecimentos, se ocorresse alguma dificuldade? Nós, com nossa "cultura" ou eles? Ali, eles são os sábios e nós os analfabetos. Conviver com eles é sempre um exercício de humildade. Eles ensinando e nós aprendendo. E como é bom aprender. Sempre!
Hoje, eu e a na conhecemos mais um desses "homens da terra". O Robert, o nosso dive master local. Além de dive master, dirige o barco, cozinha muito bem, toca, filosofa, sabe o nome de todos os peixes e ainda sabe como sobreviver a furacões. Domina inteiramente o ambiente em que vive. Perto dele, aqui, sou o maior mané!
Aqui, no interior de Bahamas (se é que é possível dizer isso num país formado por ilhas), onde estou conhecendo o verdadeiro país e sua autêntica gente, já não consigo imaginar o país sem o(s) Robert(s) ou o Robert sem Bahamas. Aliás, escolheu bem o lugar para ser sábio, esse Robert!
Igreja mais tradicional de Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul
Chegamos ontem de tarde em Rio Grande e fomos logo procurar algum hotel para ficar. Bastaram alguns minutos dirigindo pela cidade e, principalmente, um pouco mais tarde, outros minutos caminhando pelo centro histórico, para perceber a quantidade e intensidade de história que se esconde nas antigas ruas e fachadas de Rio Grande. Nós até cogitamos nos hospedar no Hotel Paris, ele mesmo um prédio histórico e um dos mais tradicionais e antigos da cidade, mas ao final, considerando localização, conforto e barulho, acabamos nos decidindo por um melhor localizado e mais moderno. Hoje cedo, depois de uma noite bem dormida para nos recuperar da longa viagem desde o Uruguai, estávamos prontos para sair de novo pelas ruas da cidade, agora com mais tempo e disposição para explorá-la e aprender um pouco de sua rica história e tradição.
Paris Hotel, um dos mais antigos de Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul
Prédio sede da Polícia Federal em Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul
Rio Grande, hoje, é um dos cinco portos mais movimentados da costa brasileira. A cidade está bem próxima ao oceano, mas não de frente ao mar. As águas que se veem em Rio Grande e seu movimentado porto são da Lagoa dos Patos, o maior lago do país. Aqui começa justamente o canal que liga o enorme lago ao mar, ao mesmo tempo em que oferece porto seguro aos navios que chegam ou partem para o agitado Oceano Atlântico. Foi essa posição estratégica, na boca da Lagoa dos Patos, que atraiu portugueses e espanhóis, que tanto lutaram pela sua posse alguns séculos atrás. Venceram os portugueses, mas algumas décadas mais tarde, foi a vez de monarquistas e republicanos disputarem a posição estratégica da cidade.
Sobrado dos Azulejos, um dos prédios históricos de Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul
Detalhe do Sobrado dos Azulejos, em Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul
Inicialmente, como preconizava o Tratado de Tordesilhas, todo o território que hoje corresponde ao Rio Grande do Sul era considerado sujeito à coroa espanhola. O início da colonização europeia da região se deu através das missões jesuíticas, instaladas no interior do estado com o intuito de evangelizar os índios guaranis e torná-los súditos do Deus católico e do rei de Espanha. Mas o litoral gaúcho continuava desabitado, frequentado apenas por barcos que iam e voltavam do sul do continente e do já movimentado Rio da Prata. Aliás, foi aí que, no final do séc. XVII, os portugueses haviam fundado a cidade de Colonia del Sacramento. Então, cinco décadas mais tarde, em 1737, com o intuito de facilitar a comunicação e comércio entre as duas cidades portuguesas mais importantes ao sul de São Paulo, a própria Colonia e a cidade de Laguna, no sul de Santa Catarina, que expedições portuguesas fundaram o embrião de duas novas cidades, uma de cada lado do canal de ligação entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico. Eram elas Rio Grande e São José do Norte. São as duas mais antigas cidades gaúchas se desconsiderarmos as missões jesuíticas, de origem espanhola.
Prédio do antigo Quartel General em Rio Grande, hoje alguma secretaria de governo, no sul do Rio Grande do Sul
Mapa mostrando o Canal São Gonçalo, ligação natural entre as duas maiores lagoas do Brasil (Patos e Mirim) e a travessia de balsa através da boca da Lagoa dos Patos, entre Rio Grande e São José do Norte (sul do Rio Grande do Sul)
O nome Rio Grande, que não só batizou a cidade como o próprio estado, era justamente uma referência a este canal de ligação, quase um rio, entre a enorme lagoa e o mar. Felizes com a ocupação do novo território, os portugueses não demoraram para criar a nova capitânia de São Pedro do Rio Grande do Sul, com a capital no povoado de Rio Grande, em 1760. Quem não estava feliz eram os rivais espanhóis, que ainda lutavam para fazer valer as letras do Tratado de Tordesilhas. Em 1763, o espanhol Pedro de Ceballos partiu de Buenos Aires com um exército e conquistou não apenas Colonia del Sacramento, mas também a própria Rio Grande. Em seguida, cruzou o canal e também expulsou os portugueses de São José do Norte. Foram esses portugueses expulsos que foram se estabelecer mais ao norte, na cidade de Viamão e, logo ao lado, em Porto dos Casais, a futura capital do estado, depois de rebatizada para Porto Alegre. Mais ao sul, após violento combate, os portugueses reconquistaram São José do Norte quatro anos mais tarde, mas a cidade de Rio Grande permaneceu em mãos espanholas por 13 anos, até 1776.
Visita ao Museu Oceanográfico em Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul
Visita ao Museu Oceanográfico em Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul
Os espanhóis quase retornaram no ano seguinte. O mesmo Pedro de Ceballos havia acabado de conquistar a Ilha de Santa Catarina, mais ao norte, e pouco antes de atacar Rio Grande, foi detido por uma carta vinda da Europa. Portugal e Espanha haviam acabado de assinar um acordo de paz e os espanhóis reconheciam a soberania portuguesa nos territórios de Santa Catarina e boa parte do Rio Grande do Sul. A cidade pode viver e se desenvolver em paz por pouco mais de meio século, embora não fosse mais a capital da província.
Borboletário em Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul
Borboletário em Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul
Então, em 1835, ela se viu envolvida novamente na guerra. Dessa vez, com o Brasil já independente, eram monarquistas contra republicanos. Foram os anos da chamada “Guerra dos Farrapos”, onde uma república independente do Rio Grande do Sul subsistiu por praticamente 10 anos contra as tropas imperiais de Dom Pedro II. Por praticamente toda a duração do conflito, as tropas separatistas gaúchas controlaram todo o interior do estado, mas Rio Grande e Porto Alegre permaneceram sempre em mãos do governo central do Império. Rio Grande até voltou a ser a capital e os combates foram renhidos na vizinha São José do Norte, que chegou a cair em mãos republicanas. O fim da guerra, em 1845, trouxe estabilidade política e social novamente à cidade.
Matando a saudade de pinguins no Museu Oceanográfico de Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul
Matando a saudade de pinguins no Museu Oceanográfico de Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul
Quando caminhamos pelo centro histórico de Rio Grande nos dias de hoje, as fachadas clássicas de construções centenárias ainda remetem a lembranças esses tempos heroicos e agitados. Rio Grande pode ter perdido a importância política que já teve, mas o pioneirismo de sua população continuou evidente por muito tempo. Por exemplo, foi aqui que foi criado o primeiro balneário do país, a Praia do Cassino, ainda no final do século XIX. Aqui também está o clube de futebol mais antigo do Brasil em atividade, algumas semanas mais velho que a Ponte Preta de Campinas, a segunda da lista. O Sport Club Rio Grande foi fundado em Julho de 1900, mas faz muito tempo que só frequenta a 2ª e 3ª divisão do futebol gaúcho. É da cidade também a minha mulher a se formar em Medicina no Brasil, Rita Lobato Velho, que se formou médica em 1887.
Um leão-marinho nada em seu tanque no Museu Oceanográfico de Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul
Um leão-marinho nada em seu tanque no Museu Oceanográfico de Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul
Depois de caminhar bastante por entre os casarões antigos da cidade, nós fomos à outra das granes atrações turísticas de Rio Grande: um complexo de museus. Em uma mesma área, estão instalados dois museus pioneiros no país, o Museu Oceanográfico e o Museu Antártico. O primeiro é considerado o mais importante do gênero na América do Sul e foi fundado em 1953. Muita informação distribuída em diversos painéis informativos, aquários e coleções de conchas e moluscos., além de réplicas de animais maiores. No aquário, eu e a Ana pudemos matar as saudades dos pinguins, que tanto vimos na nossa viagem para a Antártida, além de um solitário leão-marinho.
Poço de tartarugas no Museu Oceanográfico de Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul
Visita ao Museu Antártico, em Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul
No Museu Antártico, um anexo do Museu Oceanográfico, podemos ler a prender sobre o programa brasileiro na Antártida. Há inclusive réplicas doas moradias e laboratórios instalados no continente antártico. Pelo menos, de como eles eram, pois a base brasileira na Comandante Ferrás foi recentemente destruída por um incêndio, um duro golpe nas nossas aspirações polares. Enquanto ela não é reconstruída, agora maior e mais moderna, só nos resta mesmo ver essas réplicas no museu de Rio Grande.
Visitando réplicas das acomodações brasileiras em sua base na Antártida, no Museu Antártico, em Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul
Veículo usado na base brasileira na Antártida, no Museu Antártico, em Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul
Tínhamos caminhado até lá, mas a volta para o hotel foi de táxi. Estava na hora de fazermos o check-out. Aí, já de Fiona, seguimos para o local de onde sai a balsa que atravessa o canal da Lagoa dos Patos rumo a São José do Norte. Essa não é a principal rota de quem segue para o norte do estado e para a capital. Isso seria pela BR-116, em direção a Pelotas e depois, Porto Alegre. Mas nós queríamos seguir pela BR-101, que segue ao lado do litoral, pela estreita faixa de terra que separa a Lagoa dos Patos do Oceano Atlântico. Para chegar até lá, o primeiro passo é tomar a balsa.
Balsa entre Rio Grande e São José do Norte, do outro lado do canal da Lagoa dos Patos, no sul do Rio Grande do Sul
Na balsa, durante a travessia do canal da Lagoa dos Patos, entre Rio Grande e São José do Norte, no sul do Rio Grande do Sul
Então, lá fomos nós. Cruzamos o movimentado canal em uma balsa cheia de caminhões, Rio Grande foi ficando para trás, sua orla formada por construções antigas e desgastadas. Logo atrás, estavam o Hotel Paris e a bela Casa dos Azulejos, arquitetura típica portuguesa. Mais uma balsa no percurso da Fiona, dessa vez em terras brasileiras...
Com o Joca, na balsa entrte Rio Grande e São José do Norte, no sul do Rio Grande do Sul
Chegando a São José do Norte, no sul do Rio Grande do Sul
Não demorou muito e a bela fachada centenária de São José do Norte aparecia na nossa frente. Apesar da aparência charmosa, não nos detivemos muito por aí. Ainda tínhamos um longo caminho pela frente a percorrer no dia de hoje. Nossa ideia era chegar até algum dos balneários frequentados pelos habitantes de Porto Alegre, mas ainda não sabíamos qual. Com a honrosa exceção de Torres, nós, moradores dos estados mais ao norte, pouco sabemos das praias gaúchas. Também, com a beleza das praias catarinenses, para quê seguir mais ao sul? Mas agora que viemos da direção oposta, a história é outra...
Tempo para um cigarro na balsa entre Rio Grande e São José do Norte, no sul do Rio Grande do Sul
Luz de fim de tarde em Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México
No ano de 2001, o governo mexicano, através da secretaria de turismo e outros órgãos federais e estaduais, resolveu criar um programa de incentivo ao turismo para mostrar ao mundo que o país não era apenas praias bonitas e caribenhas, tendo muito mais a oferecer. A ideia era valorizar e enaltecer cidades e vilas que oferecessem ao visitante “uma experiência mágica, em razão de suas belezas naturais, riquezas culturais e relevância histórica”. O nome do programa não poderia ter sido melhor escolhido: “Pueblos Mágicos”. As cidades admitidas no programa teriam de seguir certas exigências de atendimento ao turista e, em contrapartida, teriam acesso à fundos especiais.
A linda região de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Chegando à Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Na nossa passagem anterior pelo México, no ano passado, conhecemos algumas delas, sempre muito charmosas. Por exemplo, San Cristobal de Las Casas, em Chiapas e Tequila, em Jalisco. E agora, por indicação do Gera, estávamos indo para a primeira delas, admitida no programa ainda em 2001, Real de Catorze. O Gera é um amigo do meu irmão que mora aqui na Cidade do México. Brasileiro, casado com uma mexicana e amante das montanhas. Meu irmão nos colocou em contato para que subamos o Pico Orizaba juntos e, já há alguns dias que trocamos e-mails e mensagens tentando organizar isso, a nossa programação para subir uma montanha que requer uma aclimatação à altitude. Aos poucos, estamos acertando tudo e logo vou falar disso.
O incrível túnel na rocha que dá acesso à Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Mas não agora. O assunto é Real de Catorze. Além das montanhas, o Gera também tem viajado muito pelo país e nos disse que essa era uma ótima opção, bem no nosso caminho rumo ao sul. A gente foi ler um pouco sobre a cidade e gostamos! Assim, tratamos de inclui-la no roteiro.
Charmoso restaurante de pedra em em Real de Catorce, pueblo mágico no nordeste do México
Delicioso aperitivo feito com flores de cactus, em restaurante de Real de Catorce, pueblo mágico no nordeste do México
Bem, se gostamos quando lemos sobre ela, era porque ainda não tínhamos conhecido pessoalmente. Depois de chegar e passar dois dias por aqui, aí a palavra certa a usar é “adoramos”! Ela é uma espécie de São Thomé das Letras, toda em pedra também, mas sem aquela pedreira horrorosa que está destruindo a cidade mineira e com uma história muito mais rica. Um charme só, perdida no meio das montanhas que se erguem em pleno deserto potosino.
Manhã de ceú azul em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
A origem da cidade está na exploração de prata, ainda em tempos coloniais. A mão-de-obra era indígena, pobres escravos que trabalhavam até a morte dentro das minas, sem jamais ver a luz do sol. No início do século XIX a cidade era o segundo maior centro produtor de prata do mundo. A cidade cresceu, igrejas e prédios públicos foram sendo construídos, assim como grandes fazendas de mineração. Mas, aos poucos, os veios de prata foram se esgotando e a riqueza acabando. Boa parte da população se foi e a cidade localizada a mais de 2.700 metros de altitude quase se transformou em uma “cidade-fantasma”. Foi apenas o fervor religioso como centro de peregrinação que manteve Real de Catorce viva por muito tempo. Até que ela foi redescoberta para o turismo, na década de 70. Forasteiros foram chegando e montando pousadas e restaurantes charmosos, aproveitando-se e incentivando uma demanda que apenas crescia. Há poucos anos, a cidade estava “bombando”. Mas a crise de segurança no país afastou muitos turistas e hoje Real anda bem mais calma, apesar das boas pousadas e restaurantes continuarem por lá. Melhor para os turistas que continuam indo para Real. Quem aqui chega, como nós, tem a impressão de estar no lugar certo na hora certa.
Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Nós chegamos aqui no final da tarde do dia 18. Bastou começar a subir pela estrada de paralelepípedo as montanhas da região que eu já senti que iria gostar muito. O ar das montanhas sempre me faz bem. Além disso, a pureza do ar do deserto faz o horizonte ficar mais claro e distante. Iluminado pela luz de fim de tarde, é a combinação ideal. Depois de muito subir, percebi que a estrada acabaria depois da próxima curva, pelo menos no nosso GPS. E até lá, nada de cidade! “Que estranho!”, pensávamos, mas a resposta apareceu. A estrada desembocava em um túnel no meio da rocha. E não era um túnel qualquer, não! Era cavado a mão. Uma antiga mina. O túnel não é largo, mal cabia a Fiona. Cruzar com outro carro por ali seria impossível. Depois, descobrimos que só passa um carro por vez, duas pessoas por rádio, nas entradas do túnel controlando o tráfego. E precisa mesmo, pois são quase três quilômetros. A impressão que se tem é que chegaremos a um outro mundo.
Com o argentino Walter em frente ao nosso hotel em Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México
E realmente chegamos! Em Real de Catorce! Mal saímos do túnel e já entramos em suas ruas estreitas de pedra, por entre antigas igrejas e construções charmosas. Além de estreitas, as ruas formam um labirinto. Mas o instinto acabou nos levando até a praça e, depois de três tentativas, achamos um hotel joia. O negócio era estacionar logo a Fiona e passar a andar só a pé, que é o que combina com a pequena cidade. Quer dizer, a pé por aqui, mas para os passeios pela região, o melhor são cavalos! No dia 19 fizemos uma cavalgada inesquecível, um dos nossos melhores dias nesses 1000dias, mas vou falar disso no próximo post.
Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Ainda no dia 18, tivemos um maravilhoso jantar em um dos restaurantes aconchegantes, com direito a um aperitivo saborosíssimo, feito de uma espécie de cactos que cresce por aqui. Enfim, depois desse jantar, da noite deliciosa no nosso hotel e da cavalgada inesquecível do dia 19, foi fácil mudar de planos e desistir de seguir viagem. Muito melhor seria passar mais um dia por aqui e foi o que fizemos. Afinal, o que quer que fosse que veríamos pela frente, não poderia ser mais legal que Real.
Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Uma das charmosas casas em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Bom, na verdade, ficou até melhor, por aqui. Isso porque, quando retornamos ao nosso hotel para dizer que ficaríamos mais uma noite, eles já tinham passado nosso quarto para frente. Em compensação, colocaram-nos em outro quarto melhor ainda, mas com o mesmo preço. Esse quarto foi tão legal, mas tão legal, que também vou fazer um post só para ele, hehehe. Depois do post da cavalgada...
Com o Walter, amgo argentino que fizemos em Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México
Nós ficamos muito amigos do novo hóspede do nosso primeiro quarto, um argentino fotógrafo que mora no Canadá e que viajou para o Yucatan e Guatemala nas férias com a família e estava retornando para o norte, ele de carro enquanto a família seguiu de avião. Gente finíssima e interessantíssima, muitas conversas de viagem. Foi ótimo! Junto com o Walter (seu nome), ficamos amigos da dona do nosso hotel, que acabou por nos convidar para um jantar com amigos ali em frente. Todos forasteiros e artistas há muito radicados na cidade. O jantar e, principalmente as conversas nesse grupo, parecia que estávamos em algum filme do Almodovar. Foi sensacional!
Caminhando em Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Caminhando pelas ruas de pedra de Real de Catorce, pueblo mágico no norte do México
Ainda tivemos tempo de caminhar pela cidade, conhecer outros restaurantes, ir à igrejas e praças, interagir com artesões que ali moram. Mas, o melhor de tudo era simplesmente estar ali, respirando aquele ar e vivendo aquela vida. A vontade era passar uma temporada por lá, uns dez dias talvez, entrar no clima e no ritmo. Mas temos compromissos à frente e tínhamos de seguir.
Interior da igreja matriz de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México
A rústica estrada que sai de Real de Catorze para o vale, ao norte do México
Fomos embora na metade do dia 20. O caminho de saída, para quem tem um carro grande e tracionado, pode ser descendo uma rústica estrada que segue por dentro de um canyon. Se o carro não for assim, tem de sair pelo túnel mesmo, mas aí a volta seria bem maior, para quem segue rumo ao sul. A gente, com a Fiona, claro que seguimos pelo canyon, mais uma bela paisagem desse Pueblo Mágico. Real de Catorce foi, sem dúvida, um de nossos pontos altos aqui no México. E olha que a concorrência é forte...
Fiona pronta para enfrentar a estrada 4x4 wue sai de Real de Catorze, Pueblo Mágico ao norte do México
A fantástica Paradise Beach, perto de Labadee, na costa norte do Haiti
O dia de hoje começou parecido com o dia de ontem: buscávamos um taptap para chegar ao nosso destino. Mas hoje, o ponto de partida dos taptaps era mais próximo e pudemos caminhar até lá. Apesar da advertência de vários motoqueiros (que nos queriam como clientes!) de que não haveria condução coletiva para Labadee, nós teimamos e encontramos um, sim. Dessa vez, era uma camionete com a carroceria aberta. Até melhor, para podermos aproveitar mais a vista do caminho. Seguíamos na direção leste, sempre acompanhando o oceano ao nosso lado, rumo à famosa praia de Labadee.
De Taptap, a caminho de Labadee, na costa norte do Haiti
O belo mar de Labadee, na costa norte do Haiti
Essa praia foi “alugada” pela Royal Caribbean até o ano de 2050 e é completamente cercada e protegida por seguranças privados. Território totalmente proibido para haitianos em geral, exceto para os cerca de 300 empregados, os 200 vendedores que vendem seus artesanatos ou algum mais abonado, que chegue lá à bordo dos navios-cruzeiro. Desde 1986, quase toda a renda turística anual do Haiti vem de Labadee e a Royal Caribbean manteve suas viagens para lá mesmo após o terremoto, até como uma forma de não prejudicar ainda mais a combalida economia. Para cada turista que lá chega, a empresa paga cerca de 6 dólares ao governo.
De barco, trecho final para se cvhegar à Labadee, na costa norte do Haiti
Estrutura que recebe os passageiros dos cruzeiros que chegam à Labadee, na costa norte do Haiti
O engraçado (ou o triste...) é que muitos que lá chegam não têm a menor ideia que estão no Haiti. Talvez com medo que os clientes desistam da viagem, a empresa só informa que Labadee é no “temível” Haiti depois que o navio sai de lá. Pior ainda são os clientes que, após a visita à Labadee, dizem: “Eu conheço o Haiti!”.
Labadee, na costa norte do Haiti
Celebrando nossa chegada à Labadee, na costa norte do Haiti
Bom, foi para esse lugar que fomos hoje, de taptap. Na verdade, não para a própria praia, que como já disse, é fechada, mas para um pequeno píer, ao lado dela, espremido entre a cerca que fecha a praia e as pedras de uma encosta. É o fim da estrada. Nesse ponto, pegamos um barquinho para a pequena vila que está do outro lado da encosta. O nome dela: Labadee!
Amiguinha nova em Labadee, na costa norte do Haiti
Saindo para trtabalhar em Labadee, na costa norte do Haiti
No caminho, já do barco, até pudemos dar uma olhada na praia proibida. Nem é grande coisa. Há escorregadores gigantes, uma tirolesa e outros passa-tempos para quem passa um dia por lá. Nosso barquinho fez a curva da encosta, a Labadee proibida ficou para trás e, à nossa frente, apareceu a muito mais simpática vilazinha.
De barco, a caminho da Paradise Beach, perto de Labadee, na costa norte do Haiti
Uma simpática jangada nos mares de Labadee, na costa norte do Haiti
Aí ficamos uma meia hora, celebrando nossa chegada com uma deliciosa e gelada Prestige (a melhor cerveja do país) e socializando com os locais. A Ana até fez uma amiguinha que não queria mais sair do seu colo. Por fim, pegamos outro barquinho rumo à outra praia, indicação dos amigos em Cap-Haitien, um verdadeiro pedaço do paraíso encrustada em pleno litoral haitiano. Não é a toa que o apelido dela é Paradise Beach.
Chegando à Paradise Beach, perto de Labadee, na costa norte do Haiti
Chegando à Paradise Beach, perto de Labadee, na costa norte do Haiti
A praia fica no fundo de uma baía e tem areias branquíssimas. As águas tem aquela cor mágica entre o verde e o azul, temperatura ideal para quem não gosta de água fria e visibilidade perfeita para fazer snorkel. O mais impressionante é ver um lugar desse, tão maravilhoso, praticamente deserto.
A fantástica Paradise Beach, perto de Labadee, na costa norte do Haiti
Pensativo sobre a vida em Paradise beach, perto de Labadee, na costa norte do Haiti
Quando lá chegamos, além de três casas de felizardos nas encostas, havia apenas dois outros turistas. Estrangeiros que moram aqui no Haiti. Em resumo, aquilo tudo era praticamente nosso.
Aproveitando o sol, a praia e a vida em Paradise Beach, perto de Labadee, na costa norte do Haiti
Um pequeno rio de águas geladas, doce e transparente, na praia Paradise, perto de Labadee, na costa norte do Haiti
Lá passamos algumas horas, entre a água e a areia. Depois de cada mergulho no mar, caminhávamos cinquenta metros até um rio de águas cristalinas que corria ali atrás. Uma piscina de água doce, natural e gelada, o detalhe que faltava (agora, não mais!) para chegarmos à perfeição.
Voltando de barco para Labadee, na costa norte do Haiti
A tripulação de nosso barco em Labadee, na costa norte do Haiti
Bom, depois de “enjoarmos” de tantas belezas, era hora de voltar. O barco que nos levou até lá ficou esse tempo todo nos esperando e agora, nos levou diretamente para aquele embarcadeiro ao lado da praia de Labadee. Aí ficamos no simpático botequinho, celebrando com mais Prestiges, o lindo dia que tivemos, até que aparecesse um taptap para nos levar de volta. No final, acabamos nos impacientando e decidimos voltar de moto mesmo, com uma das pessoas que fizemos amizade por lá. Outra vez, três numa moto, para matar as saudades e começarmos a nos despedir desse incrível país que tanto nos surpreendeu.
Botequinho enquanto esperamos a condução de Labadee à Cap-Haitien, na costa norte do Haiti
Na manhã seguinte, estávamos na estação da Caribbe Tours, a empresa de ônibus que faz a ligação internacional com a República Dominicana. A viagem seria mais curta, até a cidade de Santiago, a maior do norte do país. Deixamos o Haiti ainda com o gosto desses últimos dias, a fantástica Paradise Beach, a monumental Citadelle, a intensa Port-au-Prince, mas mais do que tudo isso, a convivência com o incrível povo daqui que, em meio a tantas adversidades e desgraças, mantêm-se feliz e otimista, recebe muito bem os poucos visitantes, têm orgulho da terra em que vivem e curiosidade sobre a terra de onde os visitam. Adoram brasileiros, torcem mais pela nossa seleção do que nós mesmos e nos ensinam que temos sempre de olhar para frente, com esperança e determinação. O Haiti foi, sem dúvida, um dos lugares mais especiais que visitamos nesses 3 anos de viagens pela América.
Na rodoviária de Cap-Haitien, prontos para voltar à Rep. Dominicana
O maravilhoso mar de Bermuda, na costa sul da ilha
Ao contrário de ontem, o dia nasceu esplendoroso hoje, céu azul e sol radiante. Perfeito para ir à praia, principalmente se você está nas Bermudas! As melhores praias da ilha estão na costa sul, bem distante da capital Hamilton, onde estamos hospedados. Não há como ir à pé e o táxi é bem caro, perto de 30 dólares. A solução? O bom e velho “busão”!
Nosso caminho de ônibus, no dia de hoje
Para isso, fomos caminhando até o terminal de ônibus da cidade, de onde partem coletivos para toda a ilha. É um dos poucos lugares onde se pode comprar os tokens, ou passagens. Se for para pegar o ônibus no meio do caminho, sem ter os tokens, só pagando mais caro, em moedas e no valor exato!
City Hall de Hamilton, em Bermuda
Bermudas, traje oficial em Hamilton, em Bermuda
No caminho para o terminal, passamos pelo belo prédio da City Hall, um dos marcos arquitetônicos da cidade e que, além de prefeitura, é também o Museu de Artes do país. Aos poucos, vamos nos acostumando com a cidade e também com seus moradores. Todo mundo de bermuda, isso não é clichê! Guardas, oficiais, motoristas de táxi, o híbrido de short e calça comprida é mesmo o uniforme oficial de Bermuda! Sempre acompanhado de um enorme par de meias (essas sim, poderiam dispensar...)
Guarda de trânsito trabalhando de bermudas em Hamilton, capital de Bermuda
Pegando o ônibus em Hamilton, para ir à praia de Horseshoe Bay, em Bermuda
Bom, chegamos ao terminal, compramos os tokens para ir e voltar, enfrentamos a fila e abordamos nosso ônibus, nós e mais um monte de turistas, todos em suas vestimentas para um dia na praia. Boa parte foi ficando pelo caminho, em outras praias ao longo da costa sul, até que chegamos à famosa Horseshoe Bay, considerada por muitos a mais bonita da ilha. Logo descobriríamos que a fama já se espalhou...
Em dia de cruzeiros na ilha, a praia de Horseshoe Bay fica lotada, na costa sul de Bermuda
O ônibus nos deixa na estrada, e de lá precisamos caminhar encosta abaixo, por uma estrada de acesso. A quantidade de pessoas descendo pelo mesmo caminho já foi um bom aviso do que estávamos por encontrar: uma verdadeira multidão disputando cada palmo da praia, pelo menos nas proximidades da estrada de acesso.
Em dia de cruzeiros na ilha, a praia de Horseshoe Bay fica lotada, na costa sul de Bermuda
Atualmente, três enormes navios-cruzeiro estão ancorados em Bermuda. Ao contrário do que fazem em seus tours pelo Caribe, onde passam cerca de 12 horas em cada ilha, por aqui, como Bermuda está completamente isolada no meio do oceano, os navios ficam por 3 dias. Um em Hamilton e outros dois em Dockyard, na pontinha oeste do país. Com uma população de cerca de 60 mil habitantes, a quantidade de turistas trazidos pelo três navios abarrotados logo se faz sentir, principalmente na praia mais bonita e famosa da ilha. Com aquele sol, todo mundo teve a mesma ideia, a paradisíaca e “deserta” praia tropical. Pois é, o “deserta” ficou para depois...
Na magnífica praia de Horseshoe Bay, em Bermuda
Depois do susto inicial, é impossível não reconhecer a beleza estonteante do local. Principalmente quando subimos no rochedo para ver tudo lá de cima. A cor do mar, só vimos igual nas Bahamas. Como diriam os americanos: “This is RIDICULOUS!” (acho legal esse sentido da palavra “ridiculous”...). A cor da areia fica entre o branco e o rosa e, entre as praias, um litoral rochoso que dá um ar selvagem à paisagem. Parece um quadro! Muito bem pintado, mas com cores um tanto exageradas. Quer dizer, seriam, no quadro, pois certamente acharíamos que eram golpe de propaganda. Mas estando ali, vendo que são de verdade, aí só resta deixar o queixo cair...
Saltando no incrível mar de Horseshoe Bay, em Bermuda
Nadando no mar azul de Horseshoe Bay, em Bermuda
Por falar em cair, o jeito de entrar nesse mar maravilhoso pela primeira vez foi “caindo” também. Quer dizer, pulando, do alto de um rochedo, pouco menos de 10 metros de altura, seguindo os passos de outros turistas mais destemidos. Depois, uma rápida nadada entre os rochedos e já estávamos na praia lotada novamente.
A incrível praia de Horseshoe Bay, em Bermuda
Pequena praia no litoral sul de Bermuda
Depois de tiramos as fotos que queríamos e ter nadado um pouco, caminhamos para longe da multidão. Não demorou muito, uns 15 minutos, e já estávamos em outras praias menores e quase sem gente. O visual continuava magnífico, uma verdadeira miragem, a areia foi ficando ainda mais rosa e o mar sempre com aquela cor de piscina.
Admirando praia no litoral sul de Bermuda
E assim seguimos caminhando e explorando, tomando sol e nos refrescando naquele mar de fantasia. Até chegarmos à outra praia, mais à leste, de onde subimos de volta à estrada para pegar o ônibus de volta à cidade. Achamos um lugar para comermos, com vista para a baía, e voltamos para nosso aconchegante Inn, aonde ainda tomamos banho de piscina. Amanhã, o dia começa mais cedo, pois já estamos com mergulho marcado e temos de estar lá 08:15. Estaremos de volta ao meio-dia, o que nos dá bastante tempo para continuar nossas explorações acima d’água também! Afinal, temos de aproveitar cada segundo nesse paraíso!
Dia de muito sol e caminhada pelo litoral sul de Bermuda
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