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Santa Catalina

Peru, Arequipa

Uma das freiras do Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru

Uma das freiras do Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru


Poucas décadas depois da fundação da cidade de Arequipa pelos espanhóis, ainda no séc XVI, a cidade já despontava como uma das mais importantes do que é hoje o Peru, principalmente pela sua localização próxima a vales muito férteis. E como tal, já possuía uma elite rica e poderosa. Naquela época, assim como nos séculos posteriores, era muito comum que as famílias mais abastadas mandassem algum de seus filhos ou filhas, normalmente o segundo pela ordem de nascimento, para seguir a vida religiosa. No caso das mulheres, eram mandadas para algum convento.

Caminhano no Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru

Caminhano no Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru


Assim, foi criado em Arequipa o convento de Santa Catalina, para abrigar essas filhas de famílias mais ricas que estavam destinadas a se transformarem em freiras. Apesar dos rigores da Ordem, que pregava uma vida simples e de total devoção a Deus, completamente isoladas da sociedade e mesmo da família, esse convento desenvolveu suas próprias características. A principal delas foi permitir às freiras uma vida mais "confortável" e até serviçais podiam levar para dentro do convento. Essas regalias duraram alguns séculos até que uma madre superiora mais rigorosa acabasse com a festa.

Interior do Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru

Interior do Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru


O convento, construído numa grande área bem no centro da cidade acabou se tornando uma pequena cidade dentro de outra cidade, inteiramente cercada por grandes muros que isolavam suas habitantes da agitada vida de Arequipa. Tinha diversas ruas que abrigavam as "celas" ou pequenas casas das freiras, grandes pátios comuns, igreja, biblioteca, refeitórios, cozinhas e até uma piscina para banho.

Caminhano no Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru

Caminhano no Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru


Uma das celas (ou quartos) do Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru

Uma das celas (ou quartos) do Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru


A arquitetura da pequena cidade e de suas casas foi se modificando com o passar dos séculos, principalmente depois de cada terremoto que, de tempos em tempos assolavam toda a região. A experiência e a tecnologia iam ensinando a arte de construir casas mais sólidas e resistentes às intempéries naturais.

A Pinacoteca do Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru

A Pinacoteca do Convento de Santa Catalina, em Arequipa - Peru


Caminhando na Plaza de Armas de Arequipa - Peru

Caminhando na Plaza de Armas de Arequipa - Peru


Por fim, há cerca de 50 anos, quase todo o complexo foi finalmente aberto à visitação pública, enquanto as freiras se recolheram a uma parte menor dentro da enorme área. Hoje, Santa Catalina é a maior atração turística dentro de Arequipa, uma verdadeira aula de arquitetura, história e costumes para aqueles que o visitam. Foi o nosso principal programa de hoje, uma espécie de dia de descanço entre a longa viagem ao Colca, ontem, e o trekking ao cume do El Mistí, a partir de amanhã.

Catedral de Arequipa - Peru

Catedral de Arequipa - Peru


Também passeamos na linda e majestosa Plaza de Armas da cidade, uma das mais belas do país, com sua fileira de arcos duplos que cercam três lados da praça, enquanto no outro está a grande catedral. Aí também passamos quase uma hora visitando seu museu, sua torre e a catedral em si. De seu campanário, uma das mais belas vistas da praça, logo em frente, e do vulcão, nosso destino de amanhã.

A Plaza de Armas vista do alto da Catedral de Arequipa - Peru

A Plaza de Armas vista do alto da Catedral de Arequipa - Peru


O El Mistí visto do alto da Catedral de Arequipa - Peru

O El Mistí visto do alto da Catedral de Arequipa - Peru


Foi um dia tranquilo e sem correria em que fechamos nosso grupo para o trekking de amanhã, com direito à guia, transporte, comida e barraca alugada. Vinte e um anos depois, El Mistí, aí vou eu!

Cerveja em um dos muitos restaurantes da Plaza de Armas de Arequipa - Peru

Cerveja em um dos muitos restaurantes da Plaza de Armas de Arequipa - Peru

Peru, Arequipa, Santa Catalina

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Caminhos Entre as Américas

Panamá, Cidade do Panamá, Colômbia, San Andrés COL, Providencia

De volta ao Caribe na ilha de San Andrés, na Colômbia

De volta ao Caribe na ilha de San Andrés, na Colômbia


Chegou a hora de voltarmos à América do Sul. Com a Fiona devidamente “empacotada” no porto de Colón, faltava a gente fazer o caminho de volta ao nosso querido continente natal. E há muitos caminhos possíveis entre o norte e o sul.

De volta ao caribe, na ilha colombiana de San Andrés

De volta ao caribe, na ilha colombiana de San Andrés


Para quem está dirigindo por toda a América, o caminho “natural” seria dirigir entre Panamá e Colômbia. Seria... se houvesse estradas. Mas não há, o único trecho da rodovia pan-americana que nunca foi construído. Sorte do Darién, o nome dado ao trecho pantanoso e cheio de florestas que está entre os dois países, um dos terrenos mais virgens e inacessíveis do nosso continente. Já escrevi bastante sobre isso quando passamos por aqui na subida e quem quiser ver os detalhes, o link do post está aqui.

San Andrés, ilha colombiana no Caribe

San Andrés, ilha colombiana no Caribe


Enfim, já que não podemos atravessar com o carro, quais os outros caminhos? O mais comum entre os viajantes do continente é seguir de veleiro entre os dois países, passando pelo arquipélago paradisíaco de San Blás. Foi nossa escolha na vinda e não queríamos repetir a mesma rota. Para quem quiser ver os detalhes dessa bela viagem, o link do post está aqui.

Alegria de voltar ao caribe, na ilha de San Andrés, na Colômbia

Alegria de voltar ao caribe, na ilha de San Andrés, na Colômbia


Outra rota é a mais sem graça de todas: simplesmente, um voo entre Cidade do Panamá e Cartagena. A gente vê tudo lá de cima durante uma hora e pronto. Essa era nossa última opção, aquela que fomos obrigados a comprar no aeroporto de Santo Domingo e que tínhamos como um Az na manga.

Visual totalmente caribenho na ilha de San Andrés, na Colômbia

Visual totalmente caribenho na ilha de San Andrés, na Colômbia


A nossa rota preferida era outra. É possível voar num pequeno avião até a fronteira dos dois países, uma região conhecida como Zapzurro. Ali, atravessamos essa mitológica fronteira entre dois países e dois continentes a pé, ao lado do Mar do Caribe e, em seguida, com uma combinação de lanchas e ônibus, seguimos até Cartagena. Realmente, era meu sonho de consumo: tirar uma foto com um pé na América do Sul e outro na América do Norte, passar pela tal ponte natural formada há 3 milhões de anos, por onde passaram os animais que tentavam colonizar o continente vizinho, assunto de que tratei no post anterior.

Tranquilidade em San Andrés, ilha colombiana no Caribe

Tranquilidade em San Andrés, ilha colombiana no Caribe


Mas, infelizmente, já não conseguimos passagens nesse voo. Ele é feito com um avião pequeno, apenas três vezes por semana. As passagens se esgotam rapidamente. E não pudemos comprar antecipadamente porque ainda não tínhamos certeza que o embarque da Fiona daria certo. Como, aliás, não deu! Atrasou em uma semana. Com isso, teríamos perdido nossas passagens, como perderam os suíços que dividiram o contêiner conosco. Eles também iriam para Zapzurro e compraram as passagens com antecipação. Perderam o voo por causa do atraso no embarque do carro e agora, procuram um plano B. Irão por San Blás.

Vendedora de goiabada em San Andrés, ilha colombiana no Caribe

Vendedora de goiabada em San Andrés, ilha colombiana no Caribe


Nós até nos informamos sobre como chegar à Zapzurro sem o avião. Depois de três horas num 4x4, seriam sete horas numa lancha pequena, sem agenda fixa e que enfrenta mares revoltos. A descrição dos rigores dessa viagem na internet nos fez desistir de cruzar essa fronteira secreta. Mais um item para a lista de tudo o que NÃO fizemos e gostaríamos de ter feito nesses 1000dias...

Deliciosa refeição de rua em San Andrés, ilha colombiana no Caribe: Peixe, arroz de coco e patacones

Deliciosa refeição de rua em San Andrés, ilha colombiana no Caribe: Peixe, arroz de coco e patacones


Mas nós também tínhamos um Plano B bem atraente! Era voar para Cartagena, mas não diretamente. Faríamos uma escala de alguns dias nas ilhas de San Andrés e Providencia, em pleno Caribe! Pois é, logo após nos despedirmos do Caribe na República Dominicana e tentarmos imaginar quanto tempo passaria até voltarmos à região, eis que o destino nos “prega uma peça” e antecipa todas as nossas previsões mais otimistas!


Viajando do Panamá (A) para San Andrés (B), que apesar de estar no Caribe e em frente à Nicarágua, pertence à Colômbia (C) e, portanto, é América do Sul!

Essas ilhas são uma espécie de “aberração geográfica” no mapa político do continente. Elas estão ao lado da Nicarágua, que é um país da América central, têm uma aparência totalmente caribenha, mas pertencem à Colômbia, um país da América do Sul. Para complicar ainda mais, sua colonização foi inglesa, como foi o de boa parte da costa caribenha da América Central.

O dia nasce no cais de San Andrés, ilha colombiana no Caribe

O dia nasce no cais de San Andrés, ilha colombiana no Caribe


A princípio, ela era usada como base por piratas para atacarem os galeões espanhóis que voltavam para a Europa com as riquezas do Novo Mundo. Depois, vieram os colonizadores de fato, ingleses também. Os espanhóis não gostaram da história e invadiram a ilha para despejar seus habitantes. Mas eles sempre retornavam, assim que os espanhóis se retiravam das ilhas. Por várias vezes isso aconteceu até que, em um tratado no final do séc. XVIII, os ingleses reconheceram a soberania espanhola, em troca do direito dos insistentes moradores de continuarem por lá.

Sala de embarque em San Andrés para quem viaja para Providencia,  ilhas colombianas no Caribe

Sala de embarque em San Andrés para quem viaja para Providencia, ilhas colombianas no Caribe


Algumas décadas mais tarde e as guerras de independência alteraram o mapa político da região. Colômbia e Panamá formavam um só país e as ilhas, não tão longe dali, se uniram à nova nação. Já no final do séc. XIX, quando a Colômbia rejeitou a pressão americana para a construção do Canal no istmo, os americanos “ajudaram” os panamenhos a ganharem sua própria independência (e ceder a área do Canal para eles, claro!). Mas as ilhas de San Andrés e Providencia, ainda sem grande valor econômico e estratégico, essas permaneceram com a Colômbia.

Sala de embarque em San Andrés para quem viaja para Providencia,  ilhas colombianas no Caribe

Sala de embarque em San Andrés para quem viaja para Providencia, ilhas colombianas no Caribe


Isso explica a situação atual, essas ilhas tão distantes, mas pertencentes à nação sulamericana. Mas agora que razões econômicas começam a aparecer, sua posse está sendo contestada. Um grande veio de petróleo foi descoberto em suas imediações e a Nicarágua quer fazer valer o direito da proximidade. Além disso, como o sonho de construir um canal ligando os dois oceanos através desse país continua existindo, as águas territoriais na costa caribenha passam a ser de grande importância. A Nicarágua levou sua demanda aos tribunais internacionais e, no ano passado, veio o resultado, um tanto quanto esdrúxulo: a posse das ilhas e cayos que as circundam é colombiana, mas o mar é da Nicarágua. Com isso, os moradores de alguns dos cayos mais distantes nem mais podem sair para pescar... Os dois países reclamam da decisão e o processo promete se arrastar por mais algum tempo...

Cayo Cangrejo, pequena ilha ao lado de Providencia, no caribe colombiano

Cayo Cangrejo, pequena ilha ao lado de Providencia, no caribe colombiano


Alheios a tudo isso, voamos para San Andrés, a mais desenvolvida das ilhas. A ilha já está praticamente toda urbanizada, mas as praias continuam lindas, aquela cor que hipnotiza nossos olhos. Mas queríamos mesmo era ir para Providencia, a ilha aonde o desenvolvimento ainda não chegou e vive-se como se vivia há cinquenta anos. Um barco liga as duas ilhas, cobrindo os 90 quilômetros que as separam em cerca de 3 horas na ida e duas na volta. Isso porque, para ir para Providencia, navegamos contra as ondas e a viagem é um terror para aqueles que enjoam no mar. Na volta, a gente vem surfando, mamão com açúcar.

O quarto do nosso hotel em Providencia, ilha colombiana no Caribe

O quarto do nosso hotel em Providencia, ilha colombiana no Caribe


Em Providencia, ficamos na pousada do Betito, um figuraça que anda o tempo todo com uma sunga que já deve ter uns 30 anos. Muito simpático, nos deu um quarto com uma vista maravilhosa para o Cayo Cangrejo, um dos pontos onde o mar é mais bonito, dezenas de tons de azul até onde a vista alcança. Amanhã, é dia de exploramos esse paraíso! No outro dia, de tarde, voltamos para San Andrés, para poder ver também aquela ilha com mais calma. É, pensando bem, essa semana de atraso da Fiona não vai ser tão ruim assim...

Panamá, Cidade do Panamá, Colômbia, San Andrés COL, Providencia, Caribe, história

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Os Hustlers e Uai-És

Jamaica, Negril, Ys Falls, Treasure Beach

O belíssimo rio de águas azuladas de Ys Falls, no interior da Jamaica

O belíssimo rio de águas azuladas de Ys Falls, no interior da Jamaica


Corações partidos, deixamos nosso hotel e novos amigos em Negril e seguimos adiante em nosso giro pela Jamaica. O destino final, hoje, era o litoral sul do país, um lugar com o singelo nome de Treasure Beach. Aparentemente, muito mais tranquilo que as praias do norte.

Despedindo-se do Bert (Chico) em Negril, na Jamaica

Despedindo-se do Bert (Chico) em Negril, na Jamaica


Mas tínhamos uma escala a fazer. Era no interior da Jamaica, nossa primeira investida no “country side” do país. As cachoeiras de Ys Falls, supostamente uma das mais belas da Jamaica e uma atração menos turística também. Ys? Pois é, nome meio estranho... A pronúncia é “Uai-És”, como se fossem duas letras separadas...

Paisagem campestre chegando em Ys Falls, no interior da Jamaica

Paisagem campestre chegando em Ys Falls, no interior da Jamaica


Uma das grandes dificuldades de viajar na Jamaica é lidar com os “hustlers”. São uns chatos que aparecem do nada assim que botamos o pé fora do hotel e ficam nos empurrando todo o tipo de produto, dos legais aos ilegais, além dos seus serviços de guia. Aos poucos, vamos aprendendo a dispensá-los rapidamente, mas eles realmente são profissionais. Mesmo de carro, basta eu encostar em qualquer rua, movimentada ou não, e já aparece alguém de bicicleta ou de moto batendo no nosso vidro para nos “ajudar”.

Entrada meio cara em Ys Falls, no interior da Jamaica. No ganja!

Entrada meio cara em Ys Falls, no interior da Jamaica. No ganja!


Hoje foi um bom exemplo. Saindo de Negril, ainda paramos num supermercado. O bastante para termos de dispensar uns cinco deles. Até aí, normal. Depois, pegamos estrada. Temos um mapa jóia do país, mas as estradas são pouco sinalizadas, principalmente quando cruzam pequenas cidades. E foi cruzando uma delas, já meio perdidos, encostados numa rua secundária de um bairro periférico que apareceu essa figura, de moto. Esperou pacientemente que eu abrisse o vidro para nos mostrar aonde estávamos e perguntar aonde íamos. Ao ouvir sobre Ys Falls, perguntou se não tínhamos ouvido que a estrada estava interrompida um pouco mais adiante. Alguém havia sido atropelado e a população, revoltada, fechou o trânsito, atacando os carros que tentassem passar. Conforme eu insistia em seguir, os relatos aumentavam: portavam machetes e atiravam pedras nos carros. Ofereceu-se para nos mostrar a estrada para uma outra cachoeira, ainda mais bonita. “Okay, vamos atrás de você” – disse, aparentemente me rendendo.

O bonito rio de Ys Falls, no interior da Jamaica

O bonito rio de Ys Falls, no interior da Jamaica


Mas, na primeira oportunidade, ele foi para um lado e eu segui para outro, feliz de me livrar do vodu. A Ana estranhou e perguntou se eu não estava com medo do tal piquete. “Piquete? Você só pode estar brincando...”

O belíssimo rio de águas azuladas de Ys Falls, no interior da Jamaica

O belíssimo rio de águas azuladas de Ys Falls, no interior da Jamaica


Sem mais hustlers ou piquetes pela estrada, fomos achando nosso caminho até Ys Falls. Longe da praia, numa região bem bucólica, cavalos pastando tranquilamente em campos e montanhas ao fundo. Enfim, longe dos turistas também! Doce ilusão... Foi chegar à cachoeira e o estacionamento do local já dizia tudo. Dezenas de vans de agências. Ao lado da bilheteria, uma loja de souvenirs e um restaurante, todos cheios de seus clientes trazidos diretamente dos all-inclusives.

Salto de cipó em Ys Falls, no interior da Jamaica

Salto de cipó em Ys Falls, no interior da Jamaica


Bom, readequadas as expectativas, seguimos em frente. De trenzinho! Pois é, do estacionamento e bilheteria (16 dólares por pessoa!), seguimos de trenzinho até o rio onde estão as quedas, num percurso de três quilômetros. Aí chegando, depois de atravessar uma área de piqueniques, basta seguir por uma passarela de madeira que vai subindo ao lado do curso do rio e suas quedas. Vamos passando por piscinas naturais e quedas d’água, algumas repletas de pessoas, outras vazias. Geralmente porque o banho está proibido por ali, pela ausência de salva-vidas.

Feliz, depois do salto de cipó em Ys Falls, no interior da Jamaica

Feliz, depois do salto de cipó em Ys Falls, no interior da Jamaica


É, demorou um pouco para as expectativas serem reajustadas mesmo. Mas, enfim, foram. O rio é lindo, águas bem azuis, e as cachoeiras e poços que se formam também. Numa das piscinas até montaram um cipó do Tarzan, para nos atirarmos no poço. Devidamente vestidos de luva. Uma super estrutura, para poder receber gente de todas as idades e todos os pesos.

Uma das cachoeiras em Ys Falls, no interior da Jamaica

Uma das cachoeiras em Ys Falls, no interior da Jamaica


Aparentemente, chegamos na hora de pique, nosso trenzinho cheio, assim como os poços e as quedas d’água. Mas, passado um hora, já havia bem menos gente e tudo estava muito mais agradável. Depois de um bom banho e salto de cipó, pegamos sozinhos um trenzinho para voltar. Almoçamos ali mesmo, uma deliciosa jerk chicken, prato típico do país. É um frango preparado com temperos fortes e picantes. Uma delícia!

Refeição típica: jerk chicken e Red Stripe(em Ys Falls, no interior da Jamaica)

Refeição típica: jerk chicken e Red Stripe(em Ys Falls, no interior da Jamaica)


Depois de Ys, seguimos para Treasure Beach. Deixamos a estrada principal que contorna a ilha para trás e entramos em estradas menores que conduzem a esta parte do litoral. Final de tarde bem prateado, nuvens chuvosas e passageiras tentando dominar os céus da Jamaica, assim foi o cenário da nossa chegada à praia. Realmente,. Depois do agito e dos resorts dos dias anteriores, finalmente chegamos num lugar mais tranquilo. Diretamente para o Jake, o mais famoso hotel do tranquilo vilarejo.

Belo entardecer visto do Jake, nosso hotel em Treasure Beach, na Jamaica

Belo entardecer visto do Jake, nosso hotel em Treasure Beach, na Jamaica


Muitíssimo bem instalados, ainda pegamos um pôr-do-sol dourado com vista para um litoral bem mais rochoso. Aproveitando também a primeira internet estável que encontramos pelo caminho! O dia de amanhã promete tranquilidade...

Aproveitando a internet no Jake, nosso hotel em Treasure Beach, na Jamaica

Aproveitando a internet no Jake, nosso hotel em Treasure Beach, na Jamaica

Jamaica, Negril, Ys Falls, Treasure Beach, cachoeira

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Atravessando o País

Guatemala, Antigua, Cobán

A magnífica paisagem do interior da Guatemala no caminho para Cobán

A magnífica paisagem do interior da Guatemala no caminho para Cobán


Dia de botar o pé na estrada, após três noites em Antigua. Nosso rumo é o norte, até a maravilha natural de Semuc Champey. Para isso a rota “normal” seria voltar para a Cidade da Guatemala e de lá pegar a estrada para Cobán. Digo “normal” porque esse é o caminho das autoestradas e por onde seguem as vans com turistas. Mas, se olharmos no mapa, fica claro que estamos dando uma volta maior e não tomando a rota direta.

A maior e mais profunda travessia de rio feita pela Fiona até agora, no caminho para Cobán, na Guatemala

A maior e mais profunda travessia de rio feita pela Fiona até agora, no caminho para Cobán, na Guatemala


Estando de Fiona, resolvemos ignorar a tal rota “normal”, a mesma aconselhada pelo nosso GPS e seguir mesmo por dentro, cortando o país e deixando as autoestradas de lado.

Um guia nos leva através de um rio no caminho para Cobán, na Guatemala

Um guia nos leva através de um rio no caminho para Cobán, na Guatemala


O lado bom da escolha foi ver um outro lado da Guatemala. Passamos por dentro de diversas cidades não turísticas, pelo meio de feiras movimentadas e ruas apertadas. Atravessamos paisagens lindíssimas, subindo e descendo vales e seguindo pela cristas de cadeias montanhosas. Cortamos fazendas de café e, por estradas de terra, trechos curvilíneos descendo encostas íngremes com verdadeiros penhascos logo ali do lado. Frio na barriga gostoso!

A Fiona vai fazendo ondas na travessia de rio no caminho para Cobán, na Guatemala

A Fiona vai fazendo ondas na travessia de rio no caminho para Cobán, na Guatemala


O lado ruim foram trechos de estradas esburacados. Ou então, uma sucessão infindável de “túmulos” (o modo como chamam quebra-molas aqui), de se perder a paciência. Com isso, o tempo de viagem aumentou e como não tínhamos saído cedo (pra variar!), ficou meio tarde para chegarmos ao destino final. Resolvemos então ficar em Cobán, a metrópole regional do departamento de Alto Verapaz, onde está Semuc Champey. O problema é que o único hotel que gostamos de lá estava lotado.

Um guia nos leva através de um rio no caminho para Cobán, na Guatemala

Um guia nos leva através de um rio no caminho para Cobán, na Guatemala


Mas não perdemos a viagem! O restaurante do hotel era ótimo, o El Bistro, de comida alemã. Pois é, até a 2ª Guerra Mundial a região tinha forte colonização alemã e muitos dos costumes ficaram. O engraçado era ver o pessoal que trabalhava lá, bem guatemaltecos, mas com roupa típica alemã, até o chapéu! Os alemães mais indígenas que já vi! Muito simpáticos, até indicaram um lugar para ficarmos, na pequena San Pedro Charchá, 6 km à frente, já no nosso caminho de amanhã.

A ponte levada pelas chuvas no caminho para Cobán, na Guatemala

A ponte levada pelas chuvas no caminho para Cobán, na Guatemala


Digno de nota na viagem de hoje foi a maior e mais profunda travessia de rio que a Fiona já enfrentou. Após uns 30 km de estradas de terra chegamos a um rio onde a ponte tinha caído há mais de um ano, numa grande cheia. Carros altos e tracionados podem passar pelo rio mesmo, num percurso de uns cem metros. Uma pessoa vai à frente, de guia, mostrando o melhor caminho. Confesso que quando vi a água passar sobre a cintura dele, fiquei meio preocupado. Mas, já estávamos na água, e quem está na água é para se molhar! A Fiona enfrentou o rio valentemente, água quase no meio das portas, mas não entrou nem uma gota na cabine. Mais uma lembrança que guardaremos para sempre dessa linda e querida Guatemala.

Aqui é possível perceber a estrada pelo rio no caminho para Cobán, na Guatemala

Aqui é possível perceber a estrada pelo rio no caminho para Cobán, na Guatemala

Guatemala, Antigua, Cobán, viagem

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Passando pela Pedra Azul

Brasil, Espírito Santo, Domingos Martins (P.E Pedra Azul)

Gigantesco monolito em Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES

Gigantesco monolito em Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES


Depois da visita à Reserva dos Muriquis, pegamos a estrada em direção à Vitória, de volta ao Espírito Santo. No caminho, nosso intuito era conhecer o Parque Estadual da Pedra Azul, onde uma gigantesca pedra atrai os olhares e a curiosidade de todos os que passam na BR-262, que liga Belo Horizonte à Vitória.

A famosa e gigantesca pedra no parque estadual da Pedra Azul, em Domingos Martins - ES

A famosa e gigantesca pedra no parque estadual da Pedra Azul, em Domingos Martins - ES


O programa com os Muriquis demorou mais do que havíamos imaginado e acabamos almoçando em Ipanema mesmo. Aí, quando chegamos à Pedra Azul, já era mais de quatro da tarde. Mas de nada adiantaria ter chegado antes. O Parque Estadual está fechado para uma reforma do centro de visitantes e só se pode ir até a portaria. Isso é mais do que o suficiente para se admirar a gigantesca pedra, uma visão tão incrível que nossos olhos custam a acreditar que aquilo realmente existe.

Gigantesco monolito em Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES

Gigantesco monolito em Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES


A sua face mais impressionante tem 500 metros de altura, uma big wall que deve ser o sonho de todos os alpinistas radicais. Da distância que olhamos, ela parece super lisa, nada fácil de ser escalada. Aliás, é isso que a distingue de tantas outras pedras gigantes que vemos por aí. Nessa região, então, existem às dezenas. Existe até um parque nacional no Espírito Santo em homenagem a elas, o P.N dos Pontões Capixabas. Mas nenhuma dessas pedras, pelo menos as que eu já vi, é tão bonita e chama tanto a atenção como a Pedra Azul. Parece que foi polida!

Gigantesco monolito em Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES

Gigantesco monolito em Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES


Eu e a Ana tiramos muitas fotos, de vários ângulos e nos informamos sobre as caminhadas dentro do parque, quando ele está aberto. A mais interessante sobe até meia altura, por trás da Pedra Azul e chega à uma série de poços naturais. Pelo menos na época das chuvas, há água o bastante para um mergulho, para quem não teme água fria. Na seca, as tais piscinas naturais secam.

Não foi dessa vez que tivemos a chance de caminhar por lá. Para mim, que já tinha visto a Pedra Azul da estrada várias vezes, mas nunca tinha chegado tão perto, valeu muito a pena ter ido lá. As trilhas, ficam para a próxima.

Casa no pé da Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES

Casa no pé da Pedra Azul, região de Domingos Martins - ES


De lá, seguimos até Domingos Martins para passar a noite. Esperávamos uma cidade bem charmosa, mas ficamos meio decepcionados. Na verdade, as pousadas mais estilosas estão lá perto da Pedra Azul e não na cidade. Acabamos ficando no tradicional Hotel Imperador, com quase 50 anos de idade. Dá para perceber que ele já teve seus momentos de glória. A gente não encontrou o charme que esperávamos, mas compramos um vinho bem gostoso e liquidamos com ele no quarto do hotel mesmo. Foi o bastante para que tudo ficasse mais aconchegante.

Brasil, Espírito Santo, Domingos Martins (P.E Pedra Azul), Montanha, Parque

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Mergulhando com Tubarões

Bahamas, New Providence - Nassau

Mergulho com tubarões feito em Nassau - Bahamas

Mergulho com tubarões feito em Nassau - Bahamas


Todo mergulhador gosta de ver vida embaixo d'água. Peixes. Peixes grandes. Arraias, golfinhos, polvos, tartarugas, baleias. E tubarões. Esse nome costuma dar calafrios. O filme de Spielberg marcou uma geração. Pessoas não dormiam mais direito e não entravam mais no mar. Mas, na verdade, o filme fez muito mais mal a espécie que retratava do que a esses pobres insones. Foram caçados inclementemente, mas a vida deles vem melhorando pouco a pouco, com o intenso trabalho da comunidade de mergulhadores e, principalmente, por canais como Discovery Channel, Natgeo e Animal Planet.

Esses animais são magníficos. Quem já os viu nadar graciosamente pelos mares, eficiência hidrodinâmica ao extremo, compreende e reverencia essa obra-prima da natureza. Não é à tôa que estão por aí desde o tempo dos dinossauros.

Enfim, já deu para perceber como sou fã deles, né? Sempre os procuro nos meus mergulhos. São raras as vezes que os vejo e sempre considero um prêmio os poucos segundos, raramente minutos que consigo acompanhá-los embaixo d'água. É porque eu ainda não tinha vindo ao lugar certo. Aqui no Caribe, é muito mais fácil observá-los. Hoje mesmo, assistindo ao Weather Channel, que mostrava Nassau vista de um avião, deu para ver vários, passeando aqui por perto. Engraçado... vistos de cima, de fora d'água, eles dão medo. Como banhista, também me assusto. Mas, embaixo d'água, não há espaço para medo. Apenas admiração.

Fomos a um mergulho especial hoje. Um mergulho onde assistimos tubarões sendo alimentados. Há toda uma preparação psicológica antes do espetáculo. Primeiro, um mergulho de preparação, onde o guia nos leva pela crista de um barranco, que desce dos 10 m aos 6 km de profundidade. Isso mesmo, 6 quilômetros! É a chamada "Língua do Oceano", uma fossa abissal bem ao lado de Nassau. Olhar para o azul escuro desse poço sem fundo (ou quase) me dá muito mais medo que os tubarões que já nos seguem, de longe, nesse mergulho. Sabem que a hora do lanche se aproxima. São tubarões médios, de dois a três metros. Curiosos, se aproximam e se afastam. Orientados pelo guia, não nadamos em direção a eles. Seria estupidez. São muito mais rápidos que nós e são eles que controlam a distância que querem ficar. Após alguns minutos, já estamos acostumados com a presença dessas criaturas em volta de nós. Uma dúzia deles. O mergulho termina num grande campo de areia, com pedras colocadas em forma de círculo. Uma arena, que mais parece uma Stonehenge submersa, o que lhe dá um ar bem mais solene, quase fantasmagórico.

Subimos de volta ao barco, para nos preparar para o segundo mergulho. O guia explica como se portar na arena. Devemos ficar quietos, apenas observando a ação que se passa no centro dela. Nenhum movimento brusco, para não atrair a atenção indesejada dos tubarões em plena hora do lanche. Ele, o guia, se veste com uma tela de aço, pega suas caixas cheias de comida de tubarão e vamos todos para baixo d'água novamente. A gente se coloca em círculo, se segura numa das pedras da arena e assistimos agora a três dúzias de tubarões tentando o seu naco de peixe, às vezes arrancandos da mão do guia. Ficam nadando em círculos, passando literalmente entre nós. Nós não podemos tocá-los, mas eles tem toda a liberdade para nos tocar. Levei algumas barbatanadas, me desviei de outras tantas. O único cuidado que tive foi deixar os dedos da minha mão bem próximos ao corpo. Eram minha única parte descoberta. Fora isso, nenhum medo, nenhum receio. A impressão é a de estarmos em algum filme Imax 3D. Dentro do filme, mas inatingíveis. O que quebra essa sentação são as barbatanadas ("se liga, mané!") ou o frio da água no rosto.

Mergulho com tubarões feito em Nassau - Bahamas

Mergulho com tubarões feito em Nassau - Bahamas


Voltamos para o barco ainda mais fãs desses animais. E a vontade é de ver tubarões ainda maiores. E sei que vamos ver, ainda nesta viagem.

Bahamas, New Providence - Nassau, Bichos, Mergulho, tubarão

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A Arte, a Magia e a Culinária do Valle del Elqui

Chile, La Serena, Valle del Elqui

Represa no Valle del Elqui, no Chile

Represa no Valle del Elqui, no Chile


Obviamente que o triste episódio do roubo da Fiona mudou nossos planos. Já não mais viajamos nesse sábado, já que tivemos de esperar pelo conserto dos vidros do carro, que só ficaram prontos no meio da tarde. Nesse meio tempo, acabamos descobrindo que nosso amigo Maxi estava aqui na cidade. Maxi é um argentino que viajou com sua esposa pela América de carro, num lindo projeto chamado America Sonrie. Nós os encontramos no México, lá em Playa del Carmen (veja o post aqui). Desde então mantemos algum contato por internet e ontem sua esposa Marianela nos disse que ele estava aqui. Eles moram em San Juan, aqui perto, mas do outro lado doas Andes. Assim como os argentinos do lado oriental do país costumam passar suas férias de verão nas praias brasileiras de Santa Catarina, os argentinos do lado de cá vem ao Chile, já que estão muito mais próximos do Oceano Pacífico que do Atlântico. Na época da economia forte argentina, várias famílias hermanas compraram casas de veraneio em La Serena e a família do Maxi foi uma delas. Justo nesses dias ele veio resolver algumas questões da casa da família por aqui enquanto sua simpática esposa, grávida de sete meses, ficou em casa esperando. E ontem, no meio da tarde, ao descobrir que estávamos em La Serena, tratou de nos botar em contato. Resultado: visitamos o Maxi ontem de noite e tratamos de mudar nossos planos novamente. Pelo menos, dessa vez foi por um bom motivo, hehehe! Combinamos de explorar juntos o Valle del Elqui durante o dia de hoje, domingo, e só viajarmos para o sul no final do dia, depois de deixa-lo novamente em La Serena.

Com o Maxi, vistando a represa no Valle del Elqui, no Chile

Com o Maxi, vistando a represa no Valle del Elqui, no Chile


Com o Maxi, vistando a represa no Valle del Elqui, no Chile

Com o Maxi, vistando a represa no Valle del Elqui, no Chile


Todo o norte do Chile é basicamente um grande deserto, espremido entre o mar e os Andes. Aqui e ali, rios que descem dos Andes em direção ao Oceano Pacífico criam vales que atravessam esse deserto, verdadeiros oásis em meio à paisagem árida. Os chilenos aproveitam ao máximo essas áreas verdes, fazendo uso da água e cultivando a terra, principalmente com frutas. São desses vales que saem boa parte das exportações frutíferas chilenas, uvas, pêssegos, melão, maçãs, etc. Um dos mais famosos desses vales verdes é o Valle del Elqui, bem na região de La Serena, um famoso polo turístico nacional. Apesar do pouco tempo, tínhamos de ir lá conhecer, pelo menos para sentir um gostinho. O Maxi sempre passa por lá, pois é esse vale que dá acesso ao Paso Aguas Negras, o caminho mais curto entre La Serena e San Juan, na Argentina e mais uma das belíssimas paisagens sobre os Andes. Mas na sua pressa de chegar à praia, ele e sua família nunca param por lá, então hoje também seria uma boa oportunidade para ele.

Mapa mostrando o Valle del Elqui, próximo a La Serena (norte do Chile), e o Paso Agua Negra, rumo à Argentina

Mapa mostrando o Valle del Elqui, próximo a La Serena (norte do Chile), e o Paso Agua Negra, rumo à Argentina


Vista do Valle del Elqui, um oásis verde em meio a paisagem árida do norte do Chile

Vista do Valle del Elqui, um oásis verde em meio a paisagem árida do norte do Chile


O Valle del Elqui é uma espécie de “Alto Paraíso” do Chile, atraindo místicos e ufólogos de todo o país. As visões de UFOs são frequentes, assim como a presença das mais variadas seitas e de seguidores da Era de Aquário. Aparentemente, uma estranha energia pulsa por ali. Mas para quem tem os pés no chão, e os olhos no céu, a região também tem seus atrativos. E como! Por ter as condições ideias, atmosfera seca e limpa, o Valle del Elqui possui vários observatórios astronômicos, que atraem renomados pesquisadores internacionais e também turistas, que podem visitá-los nas noites claras para observar Marte, Saturno e estrelas distantes. Infelizmente para nós a semana era de lua cheia, o que não favorece muito esse tipo de observação. Os UFOs também, parece, preferem a lua nova...

Gabriela Mistral, grande dama da literatura mundial, prêmio Nobel em 1945

Gabriela Mistral, grande dama da literatura mundial, prêmio Nobel em 1945


Para quem prefere o campo das artes ao da magia e dos céus, o Valle del Elqui também tem seus encantos. Afinal, aí nasceu e cresceu Lucila Gogoy Alcayaga, mais conhecida pelo seu pseudônimo Gabriela Mistral. Essa valente senhora foi a primeira pessoa da América Latina a ganhar um prêmio Nobel de Literatura, em 1945. Até hoje, ainda é a única mulher latino-americana a ter sido agraciada com esse prêmio. Foi, inclusive, professora de Pablo Neruda, o outro chileno a ganhar o Nobel (além deles dois, ganharam o Nobel de literatura o colombiano Gabriel Garcia Marques, o peruano Mario Vargas Llosa e um guatemalteco. Brasileiro, chegamos perto com Drummond e olhe lá...). Como tantos outros grandes escritores da região, ela também trabalhou no serviço diplomático, viveu em vários países europeus e teve até uma temporada na nossa Petrópolis. Enfim, para os amantes da boa literatura, são vários os museus homenageando Gabriela espalhados pelas cidades da região.

Visitando a destilaria capel, no Valle del Elqui, no Chile

Visitando a destilaria capel, no Valle del Elqui, no Chile


Destilaria Capel, grande produtora de Pisco, no Valle del Elqui, no Chile

Destilaria Capel, grande produtora de Pisco, no Valle del Elqui, no Chile


Falando nas cidades, a principal delas é Vicuña e foi para lá que seguimos. No caminho, passamos por uma grande represa, lugar ideal para a prática de windsurfe e kitesurf, um dos programas prediletos da vasta comunidade de mochileiros internacionais que visitam a região. Além desses esportes, também são oferecidos passeios de bicicleta, a cavalo e trekkings que exploram cachoeiras, rios e outras belezas naturais do vale. Nós, que tínhamos apenas o dia de hoje para ver o Elqui, pois estamos com tempo contado até nosso voo para a Ilha de Páscoa, deixamos toda essa programação de lado e seguimos diretamente para Vicuña. Não por causa de sua simpática arquitetura, mas por uma pisqueria instalada nos seus arredores.

Destilaria Capel, grande produtora de Pisco, no Valle del Elqui, no Chile

Destilaria Capel, grande produtora de Pisco, no Valle del Elqui, no Chile


Destilaria Capel, grande produtora de Pisco, no Valle del Elqui, no Chile

Destilaria Capel, grande produtora de Pisco, no Valle del Elqui, no Chile


Pois é, essa é mais uma das inúmeras atrações dessa região: o Valle del Elqui é a principal região produtora de pisco, a bebida nacional do Chile. Essa forte bebida, fruto da destilação de vinho, tem teores alcoólicos regulados por lei entre 40% e 50%. Nós fomos à destilaria da Capel, uma cooperativa de pequenos produtores independentes que luta para concorrer com o império econômico da Mistral, a principal exportadora de pisco do mundo. Internamente, as duas disputam o mercado palmo a palmo, o menor fôlego financeiro da Capel sendo recompensado pela maior simpatia que uma cooperativa autônoma e tradicional gera entre as pessoas. A Mistral, pertencente a uma das famílias mais ricas do país que fez seu dinheiro no setor de mineração, até tentou comprar a Capel há uma década, quando a cooperativa estava quase quebrada. Mas uma boa campanha publicitária fez com que o governo intervisse e emprestasse dinheiro aos pequenos produtores e hoje, as duas vizinhas concorrem é pé de igualdade. Isso mesmo, são vizinhas, pois a Mistral também tem suas principais destilarias aqui no Valle del Elqui.

Visitando a destilaria capel, no Valle del Elqui, no Chile

Visitando a destilaria capel, no Valle del Elqui, no Chile


Venda de Pisco na destilaria Capel, no Valle del Elqui, no Chile

Venda de Pisco na destilaria Capel, no Valle del Elqui, no Chile


Nossa visita à destilaria foi muito legal. Não só para aprender como se faz o pisco (primeiro se faz vinho de uma uva branca bem adocicada, a Moscatel, e depois, se destila esse vinho) e depois saborear algumas de suas melhores marcas, mas também para aprender um pouco de sua história. Como sabem muito bem todos os amantes dessa bebida, existe uma disputa internacional entre Peru e Chile sobre onde e como foi inventada o pisco e a quem, legitimamente, pertence essa marca. O pisco é a bebida nacional dos dois países e no Peru tem até uma cidade importante, portuária, que se chama Pisco. Aliás, estudiosos concordam que o nome da bebida deriva do nome do porto, pois era daí que era exportada, já há vários séculos, essa bebida. Ao chegar aos portos europeus com a marcação do seu porto de origem, a bebida acabou ganhando o mesmo nome. Essa bebida exportada era produzida nesses vales verdes que cortam o deserto, então território peruano. Como a parte sul desse país foi conquistada pelos chilenos na Guerra do Pacífico (1879-1883) e hoje é chilena, acabou sendo gerada a confusão: o pisco é chileno ou peruano? É, para mim, não resta dúvida: a origem é peruana. O que não quer dizer que hoje o Chile não produza excelentes piscos! A discussão se estende também ao cocktail mais famoso derivado do pisco, o Pisco Sour. Os peruanos juram que ele foi inventado por um bartender americano radicado em Lima, em 1921. Já os chilenos, dizem que o criador foi um inglês, na cidade de Iquique, em 1872. Hoje, a cidade é chilena, mas naquela época era peruana. Enfim, deixem eles discutindo enquanto a gente se esbalda em Pisco Sour, seja em Lima, seja em Santiago, hehehe.

Um dos muitos parreirais no Valle del Elqui, no Chile

Um dos muitos parreirais no Valle del Elqui, no Chile


Chegando à restaurante com cozinhas solares, no Valle del Elqui, no Chile

Chegando à restaurante com cozinhas solares, no Valle del Elqui, no Chile


Bom, a degustação de pisco nos deixou com fome! Dirigimos através de vastos parreirais para chegarmos a outra das atrações do Valle del Elqui: seus famosos restaurantes com fogões solares! Em uma região onde faz sol quase todos os dias do ano, nada mais inteligente que aproveitar a força do sol para tudo, inclusive cozinhar alimentos. Chapas de metal reflexivas e convexas concentram todo o calor do sol em apenas um ponto e aí se colocam as panelas ou qualquer coisa que se queira cozinhar. Funciona que é uma beleza! Batatas, ovos, carne, nada resiste ao calor do astro-rei e rapidamente deixam de ser crus a passam a ser apetitosos!

Uso do sol para cozinhae, no Valle del Elqui, no Chile

Uso do sol para cozinhae, no Valle del Elqui, no Chile


Uso do sol para cozinhae, no Valle del Elqui, no Chile

Uso do sol para cozinhae, no Valle del Elqui, no Chile


Os restaurantes são abertos e com vista para o vale e suas plantações abaixo. É lindo. Uma sombra e a brisa nos mantem frescos enquanto a comida é cozinhada ao sol. Nós resolvemos testar a especialidade da casa: empanadas de chivito (cabrito) e cordeiro. Como dizem por aqui: muy rico!

Com o Maxi, almoçando em restaurante de cozinha solar no Valle del Elqui, no Chile

Com o Maxi, almoçando em restaurante de cozinha solar no Valle del Elqui, no Chile


Empanada de chivo (bode) em restaurante no Valle del Elqui, no Chile

Empanada de chivo (bode) em restaurante no Valle del Elqui, no Chile


Agora sim, de barriga cheia, felizes e com um bom gostinho do Valle del Elqui, regressamos para La Serena, deixamos nosso amigo Maxi em casa e seguimos para o sul. A despedida foi só um “até breve”, pois ele nos convenceu a passar em San Juan na volta. A viagem para o sul foi longa, mas em uma estrada muito boa. No caminho, muito deserto e um trecho com uma quantidade interminável de moinhos de vento. Já que não se pode cultivar no deserto, os chilenos trataram de aproveitar o vento, que quase nunca para por ali!

Despedida do Maxi em La Serena, no Chile

Despedida do Maxi em La Serena, no Chile


Produção de energia eólica na estrada entre La Serena e Valparaiso, no Chile

Produção de energia eólica na estrada entre La Serena e Valparaiso, no Chile


Chegamos ao nosso destino, Valparaíso, já bem de noite. Deu um certo trabalho encontrar hotel, mas no final, conseguimos. Depois do episódio de Totoralillo, uma garagem para a Fiona passou a ser fundamental e foi isso que nos dificultou. Conto no próximo post...

Chile, La Serena, Valle del Elqui, comida, Gabriela Mistral, Pisco, Vicuña

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Cavalos, Flechas e Conchas

Argentina, Molinos, Cafayate

Atravessando o Vale das Flechas, entre Molinos e Cafayate, na Argentina

Atravessando o Vale das Flechas, entre Molinos e Cafayate, na Argentina


Clima de fazenda no nosso café da manhã no hotel em Molinos. Menos pela comida e mais pelo ambiente. Mas, principalmente, pelos nossos cavalos que estavam sendo arreados do lado de fora.

O Miguel nos mostrando seus truques om cavalos, em Molinos - Argentina

O Miguel nos mostrando seus truques om cavalos, em Molinos - Argentina


Assim, quando terminamos de nos alimentar, o Miguel já nos esperava com tudo preparado. Miguel é um legítimo argentino gaúcho, amante dos cavalos e também do Brasil. Durante sua juventude hippie, viajou muito pelo nosso país e é fã incondicional da Bahia e de Minas Gerais. Alguns anos mais tarde, deixou Buenos Aires encima de um cavalo com a intenção de chegar ao México. Não foi tão longe, mas acabou chegando, depois de uma ano de viagem, em Molinos. Aqui, estabeleceu um negócio com cavalos e sempre leva turistas para cavalgadas. O sonho de chegar ao México, à cavalo, só foi adiado!

Atravessando Molinos - Argentina à cavalo

Atravessando Molinos - Argentina à cavalo


Passeio à cavalo na região de Molinos - Argentina

Passeio à cavalo na região de Molinos - Argentina


Nossos cavalos eram da raça "peruano", cavalos bons de trilhas rústicas e também de altitude. Ideais para essa região. Para nós, foi um deleite, cavalgar nesse cenário de cinema, montanhas nevadas ao fundo, trilhas cortando rios e colinas, cenários semidesérticos e com vestígios de povos antigos e desaparecidos. Sentia-me o John Wayne encima do meu "peruano".

Passeio à cavalo na região de Molinos - Argentina

Passeio à cavalo na região de Molinos - Argentina


Foi um passeio de umas duas horas, logo após ele mostrar alguns "truques" que faz com seus cavalos. Como bem disse a Ana, ele é um "encantador de cavalos". Tivemos a chance de galopar, trotar, marchar e , no alto de alguma colina, simplesmente admirar a paisagem magnífica à nossa volta e sentir o vento em nossos rostos. Sempre com o Miguel a nos ensinar sobre a história e geografia da região, além de contar sobre suas peripécias no Brasil. Foi muito legal!

Vale das Flechas, entre Molinos e Cafayate, na Argentina

Vale das Flechas, entre Molinos e Cafayate, na Argentina


Vale das Flechas, entre Molinos e Cafayate, na Argentina

Vale das Flechas, entre Molinos e Cafayate, na Argentina


De volta à Molinos, deixamos nosso hotel e seguimos em direção à Cafayate, seguindo sempre pelo vale, parte dos "Vales Calchaquíes". No meio do aminho, uma região especial, um parque, conhecido como Vale das Flechas. O nome vem das rochas e encostas inclinadas, resultado de movimentos tectônicos causados pela formação dos Andes. Elas parecem flechas apontadas para o céu. É um cenário de outro planeta que nos dá vontade de explorar, fotografar e admirar.

Chegando no alto de uma das 'flechas', no Vale das Flechas, entre Molinos e Cafayate, na Argentina

Chegando no alto de uma das "flechas", no Vale das Flechas, entre Molinos e Cafayate, na Argentina


Em contato com Pachamama no Vale das Flechas, entre Molinos e Cafayate, na Argentina

Em contato com Pachamama no Vale das Flechas, entre Molinos e Cafayate, na Argentina


E assim o fizemos, por uma hora ou mais. Até pequenas escaladas deu para fazer, sempre em busca de um pouco de aventura e também de um melhor ângulo para se admirar aquela beleza toda. Com certeza, poderíamos ficar horas por ali, explorando os diversos recantos desse lugar incrível.

Almoço em pequena cidade entre Molinos e Cafayate, na Argentina

Almoço em pequena cidade entre Molinos e Cafayate, na Argentina


Mas aí a fome começou a apertar e seguimos para uma pequena vila recomendada pelo Miguel, para almoçar e tomar uma famosa cerveja artesanal. E assim o fizemos, a Ana com uma salada, eu com as maravilhosas empanadas argentinas e nós dois com a tal cerveja artesanal, de grau 8, quase o dobro dessas industrializadas. Muito boa, por sinal! Mas, como seguiríamos viagem, tivemos que parar logo na primeira garrafa...

Deliciosa cerveja artesanal, de grau 8, em pequena cidade entre Molinos e Cafayate, na Argentina

Deliciosa cerveja artesanal, de grau 8, em pequena cidade entre Molinos e Cafayate, na Argentina


Chegando ao Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina

Chegando ao Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina


Chegando em Cafayate, nem entramos na cidade. Seguimos diretamente para uma de suas mais incríveis atrações. Sua e de toda a província e também do norte da Argentina. As incríveis formações rochosas do Vale das Conchas, ao longo da estrada que liga a cidade à Salta.

O majestoso Anfiteatro, no Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina

O majestoso Anfiteatro, no Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina


Saindo do Anfiteatro, no Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina

Saindo do Anfiteatro, no Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina


Em muitos lugares, o cenário parece com as formações do Grad Canyon. Enormes paredes aavermelhadas em forma de castelos, obeliscos e enormes animais. Tudo pode ser admirado de dentro do carro mesmo. Em outros lugares, são canyons que mais parecem gargantas as atrações. Aí, estacionamos o carro e caminhamos um pouco, garganta adentro. No Anfiteatro, como o nome indica, a garganta termina numa enorme clareira cercada de enormes paredes. Um verdadeiro anfiteatro!. E para nós, o espetáculo do dia foi a lua nascendo por cima das paredes, bem no fim de tarde, enquanto um músico cantava, sua voz ecoando nas paredes, uma música em sua homenagem.

Explorando a Garganta del Diablo, no Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina

Explorando a Garganta del Diablo, no Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina


Já na Garganta del Diablo, a caminhada é mais longa, pelo menos para aqueles que se dispõe a escalar um pouco. De obstáculo em obstáculo, por entre enormes paredes, vamos seguindo garganta adentro, cenário de Indiana Jones. Um espetáculo! Até que chegamos na parede final, essa interditada mesmo aos mais aventureiros. Aí, é só olhar para cima e para os lados e ficar maravilhado com aquele cenário.

Explorando a Garganta del Diablo, no Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina

Explorando a Garganta del Diablo, no Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina


Com o sol se pondo, era hora de voltar à Cafayate para, dessa vez, entrar na cidade, encontrar algum hostal e dormir. Afinal, depois dos cavalos, flechas e conchas (e da ceveja grau 8!), o sono estava batendo. Precisamos estar prontos e descansados para o dia de amanhã, que nos trará as famosas ruínas de Quilmes e a longa viagem até Fiambalá, última cidade antes do Paso San Francisco, nossa almejada fronteira com o Chile!

Divertindo-se na Garganta del Diablo, no Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina

Divertindo-se na Garganta del Diablo, no Vale das Conchas, próximo à Cafayate - Argentina

Argentina, Molinos, Cafayate,

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Curitiba De Novo

Brasil, Paraná, Curitiba

A Luiza, sobrinha querida, em Curitiba - PR

A Luiza, sobrinha querida, em Curitiba - PR


Desde que iniciamos nossa viagem, já tínhamos o compromisso de estar em Curitiba no dia 04 de Setembro, para uma festa de casamento. Imaginávamos que, a essa altura, já estaríamos longe demais para vir de carro. Mas, com a ida a Goiânia e Brasília, e o tempo maior em Minas, ainda estamos aqui por perto e resolvemos vir de carro mesmo. O plano é ficar poucos dias, três ou quatro.

O caminhão ficou pequeno perto do guindaste, na entrada da Marginal Tietê, em São Paulo - SP

O caminhão ficou pequeno perto do guindaste, na entrada da Marginal Tietê, em São Paulo - SP


A viagem de pouco mais de 700 quilômetros transcorreu sem problemas. A Fiona é bem confortável. Até chegarmos em São Paulo, o trânsito era todo no sentido contrário, os paulistanos escapando mais cedo do trabalho para fugir dos engarrafamentos da saída do feriado prolongado. Principalmente com o bom tempo prometido. A travessia de São Paulo foi mais tranquila que o esperado. As marginais mais largas estavam dando conta do recado. Depois, de São Paulo para Curitiba, só é chato a descida da serra. Incrível, uma vergonha, que até hoje esse trecho da Régis não esteja duplicado. Aparentemente, as obras finalmente começaram. Será que agora vai?

Dani e a filhota em Curitiba - PR

Dani e a filhota em Curitiba - PR


Em Curitiba, fomos direto para a casa da Dani e Dudu ver a Luiza que já vai fazer dois meses. Nossa, como o tempo passa!!! Ela está linda, super crescida, muito boazinha. Impossível não virar um tio coruja...

Paparicando a Luiza em Curitiba - PR

Paparicando a Luiza em Curitiba - PR


Muito gostoso rever a família. O Mário, pai da Ana, foi nos encontrar na casa da Dani. E mais tarde, fomos muito bem recebidos na casa da Patrícia, mãe da Ana. É a "nossa" casa aqui em Curitiba. Home, sweet home.

Paparicando a Luiza em Curitiba - PR

Paparicando a Luiza em Curitiba - PR


Amanhã, tem casamento. Descansamos no domingo e tentamos zarpar na segunda. Vamos ver...

Mamãe e Luiza, em Curitiba - PR

Mamãe e Luiza, em Curitiba - PR

Brasil, Paraná, Curitiba,

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Parados em Maldonado

Peru, Puerto Maldonado

Fim de tarde sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Fim de tarde sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Para quem já viajou na Europa de carro, sabe como é fácil passar de um país para o outro. Não estou falando das questões burocráticas, passaportes e documentos. Nesse quesito, então, nem se fala. Estou falando da infraestrutura, das estradas que nos levam a um país vizinho. Na Europa, as estradas simplesmente “continuam do lado de lá”, como se estivéssemos cruzando de Minas para São Paulo ou da Paraíba para Pernambuco. É como deveria ser em qualquer lugar do mundo, na minha humilde opinião.


Estrada de Rio Branco (A), no Acre, até a fronteira em Assis Brasil (B) e, de lá, para Puert0 Maldonado (C), na Amazônia peruana

Já aqui na nossa América do Sul, as coisas não são assim tão simples. Mas tem melhorado, quando comparamos com a situação de poucas décadas atrás, até onde vão minhas lembranças. Falo principalmente do Brasil. A situação é melhor nas nossas fronteiras do sul, com Argentina e Uruguai, onde a integração é mais antiga. Mas com os países do norte, a situação ainda é, no mínimo, precária. Com a Venezuela e Guiana, há ligação rodoviária desde Roraima. O problema é que, de Roraima, só se chega até Manaus. Daí para o sul do país, só rios (a não ser para quem se aventure pela péssima estrada de Manaus à Porto Velho, como nós fizemos). Então, a rigor, para quem mora nos estados do sul, não dá para ir “só de carro” para esses países. Vai precisar da ajuda de um barco. O mesmo vale para a Guiana Francesa, só que agora é via Amapá. Uma ponte liga esse estado ao país vizinho, mas está fechada por problemas burocráticos. De qualquer maneira, para se chegar ao Amapá, só de barco. Com o Suriname, então, nem se fala. Apesar de nossa longa fronteira comum, chegar até lá, nem de carro e nem de barco. É como se fossem países em continentes diferentes. A mesma coisa vale para a Colômbia. Pelo menos, aí se chega de barco, mas de carro, só em sonho (ou dando a volta por países vizinhos).

O rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

O rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Senhoras se admiram com a bela paisagem de Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Senhoras se admiram com a bela paisagem de Puerto Maldonado, na amazônia peruana


A grande novidade nesse assunto foi a construção da Estrada do Pacífico, ou Interoceânica, que nos liga a um outro vizinho, o Peru. Antes dela, mais uma vez, só de barco. Mas em meados da década passada, essa situação mudou, com a construção da ponte que liga Assis Brasil, no Acre, com Iñapari, no Peru. Além disso, claro, construiu-se e asfaltou-se uma estrada de Rio Branco até a fronteira, e de Iñapari até o litoral do Peru, vencendo a majestosa cordilheira dos Andes. Lembro-me da felicidade ao ver esse acordo celebrado, no início da década passada e, meio incrédulo, mas contente, de perceber que as obras estavam saindo mesmo do papel. Depois, ao ler notícias de viajantes que passavam por essa nova rota, jurei que chegaria a minha vez. Desde o início dos 1000dias, sempre planejamos viajar ao Peru, de carro, diretamente do Brasil. Tanto que, quando passamos da outra vez pelo país, ficamos apenas ali pertinho do litoral, deixando a região de Cusco e do Titicaca para uma segunda etapa, vindos do Acre pela Rodovia Transoceânica. Esse dia finalmente chegou!

A bela ponte que atravessa o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

A bela ponte que atravessa o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Parte da Carretera Transoceanica, a ponte Billinghurst, sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Parte da Carretera Transoceanica, a ponte Billinghurst, sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


E assim foi! No dia 16, orgulhosos e curiosos, atravessamos a ponte em Assis Brasil e entramos no Peru. Basicamente, saímos da Amazônia e entramos na Amazônia. Pois é, a fronteira é só imaginaria, pois a natureza continua a mesma! Nos primeiros quinhentos quilômetros em território peruano, ainda estamos no meio de florestas tropicais, rios caudalosos e altitudes de no máximo 350 metros. Aquela imagem romântica e idealizada das montanhas e altiplano andino, isso fica mais para frente. Para quem quer ver algo diferente, tem de se contentar com a mudança da língua. E só. Pelo menos, nessa primeira parte.

Admirando o pôr-do-sol do alto da ponte sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Admirando o pôr-do-sol do alto da ponte sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Fim de tarde sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Fim de tarde sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


A primeira (e única!) cidade grande nessa parte amazônica do Peru é a simpática Puerto Maldonado. Aqui, a Rodovia Transoceânica teve de vencer um de seus maiores obstáculos: o rio Madre de Dios. É, de longe, a maior ponte qu ultrapassamos desde Rio Branco e não há nada parecido até Cusco. Formosa, é uma das grandes atrações turísticas da cidade e assistir o fim de tarde sobre ela, as cores vermelhas do céu refletidas no rio abaixo, é simplesmente um espetáculo! Foi o que fizemos na nossa primeira tarde por ali, já que resolvemos passar uma noite na cidade antes de seguirmos viagem até a subida da Cordilheira dos Andes.

O simpático bicho-preguiça que vive nos jardins do nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

O simpático bicho-preguiça que vive nos jardins do nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Na verdade, chegamos dispostos a passar mais de um dia, já que daqui saem lindos passeios a um Parque Nacional nas redondezas, área de floresta e de animais como onças, araras e ariranhas. Como nós acabamos de chegar de uma temporada amazônica no Brasil, isso não soava tão interessante, até meio repetitivo, mas queríamos sim dar uma olhada. Rápida, pois o interesse mesmo eram os Andes, isso sim muito mais exótico para nós.

O simpático bicho-preguiça que vive nos jardins do nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

O simpático bicho-preguiça que vive nos jardins do nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Chegamos a checar passeios e decidimos que iríamos passar um dia inteiro por aqui, para seguir viagem no dia 18. Mas, essa não era a ideia que tinha o destino, senhor de todos nós. Eis que a Ana adoeceu e ficou ruim de verdade. Vomitando muito, nada parando no seu estômago. Ou saia por aqui, ou saia por ali. Ficou fraca e com febre. Nossa farmácia que viaja conosco não deu conta e não houve remédio que não fosse levá-la ao hospital. Dali, não a deixaram sair. Entrou no soro e antibióticos, para combater a infecção misteriosa.

O ativo bicho-preguiça que vive no nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

O ativo bicho-preguiça que vive no nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Socializando com um simpático bicho-preguiça no nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Socializando com um simpático bicho-preguiça no nosso lodge em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Hospital público, atendimento gratuito, exceto pelos medicamentos e outros materiais, que era eu que deveria providenciar. Alguns, conseguia comprar ali no hospital mesmo. Outros, fazia uma peregrinação pelas farmácias (ou “boticas”) da cidade. Acabei conhecendo boa parte delas. Enquanto isso, a Ana descansava em um leito simples do hospital. Passou pelas mãos de três médicos, nos seus respectivos horários de plantão. Finalmente, quase 24 horas depois de dar entrada, consegui liberação para tirá-la de lá, diretamente para o conforto do nosso quarto num delicioso lodge na beira do rio Madre de Dios, quase ao lado da ponte que o atravessa.

O hospital que atendeu a Ana em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

O hospital que atendeu a Ana em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Uma das muitas farmácias visitadas pelo Rodrigo em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Uma das muitas farmácias visitadas pelo Rodrigo em Puerto Maldonado, na amazônia peruana


Foram vários dias de descanso ali mesmo, até ganhar forças paras seguirmos viagem. A única diversão para ela, além de ficar tomando o soro isotônico que eu lhe trazia, era observar e fotografar uma simpática bicho-preguiça branca que vive lá no lodge. Uma das mais ativas que já conhecemos. Subia e descia árvores e telhados com agilidade surpreendente (para padrões de bicho-preguiça, claro!).

A Ana descansa em leito de hospital em Puerto Maldonado, no Peru

A Ana descansa em leito de hospital em Puerto Maldonado, no Peru


Um dos muitos exames feitos pela Ana durante sua estadia no hospital de Puerto Maldonado, no Peru

Um dos muitos exames feitos pela Ana durante sua estadia no hospital de Puerto Maldonado, no Peru


Por fim, ganhou força e coragem (e liberação da mãe-médica, via Skype) para seguirmos viagem. Nós temos um encontro marcado com um amigo curitibano que está voando para Cusco, para passar dez dias conosco. Nossa primeira ideia era já conhecermos a área do Titicaca para depois, voltarmos à Cusco para encontrá-lo. Mas com esse “descanso” em Maldonado, deixamos o Titicaca para depois, mesmo. Vamos ver como a Ana reage à altitude em Cusco e ter mais uns dias de descanso até o Gustavo chegar, porque depois, vai ser pauleira, programação intensa pelas montanhas e ruínas incas da região. Então, com alguns dias de atraso, adeus Amazônia, Andes, aí vamos nós!

Admirando o pôr-do-sol do alto da ponte sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Admirando o pôr-do-sol do alto da ponte sobre o rio Madre de Dios, em Puerto Maldonado, na amazônia peruana

Peru, Puerto Maldonado, Bichos, Estrada

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