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Montanhas e Muita Neve

Geórgia Do Sul, Stromness

Foto do grupo no ponto mais alto da caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Foto do grupo no ponto mais alto da caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Nosso primeiro dia na Geórgia do Sul teve como foco principal a vida selvagem. Os pinguins de Salisbury Plain e albatrozes de Prion Island, além dos elefantes e lobos-marinho dos dois lugares são atrações espetaculares e mesmo a incrível beleza da paisagem naqueles lugares ficou em segundo plano. Hoje, no nosso segundo dia nessa ilha perdida do Atlântico Sul, as prioridades iriam se inverter: primeiro, as belezas naturais e a história do lugar, e segundo, a vida selvagem, que aqui na Geórgia do Sul, está em todos os lugares.

Descida para a baía de Stromness, na Geórgia do Sul

Descida para a baía de Stromness, na Geórgia do Sul


Com tanta neve, as pessoas formam grupos compactos no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

Com tanta neve, as pessoas formam grupos compactos no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


A primeira atividade do dia foi um longo trekking partindo de Fortuna Bay e chegando na baía de Stromness. Para isso, temos de cruzar as montanhas que separam as duas baías, a gente indo por terra e o Sea Spirit dando a volta pelo mar para nos recolher do outro lado. A ideia desse trekking é repetir o último trecho da grande travessia da ilha realizada em 1915 por Ernest Shackleton e dois de seus companheiros. Eles tentavam desesperadamente chegar à “civilização” para buscar ajuda a seus companheiros que ficaram presos na Antártida, depois que sua expedição exploratória havia terminado em fracasso. Ainda vou falar dessa história mais adiante, mas o fato é que Shackleton e seus companheiros conseguiram chegar à costa sul da Geórgia num barco a remo e daí precisaram caminhar até a costa norte onde se encontravam as estações baleeiras, Primeiro, caminharam até Fortuna Bay, já na costa norte e depois, seguiram para Stromness pelo mesmo caminho que fizemos hoje.

mapa que mostra o caminho percorrido por Shackleton para chegar a Stromness. Nós fizemos o último trecho, a partir de Fortuna Bay. Exposto no museu de Grytviken, na Geórgia do Sul

mapa que mostra o caminho percorrido por Shackleton para chegar a Stromness. Nós fizemos o último trecho, a partir de Fortuna Bay. Exposto no museu de Grytviken, na Geórgia do Sul


Chegando a Stromness, antiga estação baleeira na Geórgia do Sul

Chegando a Stromness, antiga estação baleeira na Geórgia do Sul


Stromness era uma importante estação baleeira naquela época, mas hoje não passa de uma pequena cidade-fantasma, as ruínas das antigas instalações sendo comidas aos poucos pelo tempo. Aí chegou Shackleton, sendo recebido pelo incrédulo administrador local. E aí chegamos nós, recebidos pelo Sea Spirit e uma refeição quente, muito benvinda depois do frio e da neve que enfrentamos.

Zodiacs levam os passageiros de volta ao Sea Spirit, em Stromness, na Geórgia do Sul

Zodiacs levam os passageiros de volta ao Sea Spirit, em Stromness, na Geórgia do Sul


Nosso roteiro e pontos de parada na Geórgia do Sul

Nosso roteiro e pontos de parada na Geórgia do Sul


O segundo programa do dia foi visitar Grytviken, também uma antiga estação baleeira e hoje a “capital” da ilha. Tem até igreja, correio, museu o cemitério onde está enterrado o valente Shackleton. Vou tratar de Grytviken e desse tenebroso período de caça às baleias no próximo post, enquanto nesse vou me deter na nossa caminhada da manhã.

Uma bela cachoeira na praia de Fortuna Bay, na Geórgia do Sul

Uma bela cachoeira na praia de Fortuna Bay, na Geórgia do Sul


Zodiacs levam os passageiros para Fortuna Bay Geórgia do Sul, para a caminhada até Stromness

Zodiacs levam os passageiros para Fortuna Bay Geórgia do Sul, para a caminhada até Stromness


Ainda ontem a Cheli, líder da nossa expedição, nos explicou sobre a programação de hoje e sobre quem estaria interessado em fazer o trekking. Para sua surpresa, mais da metade de nós estávamos. Para esses, o café da manhã seria servido ainda mais cedo, já que a ideia era estar já na praia de Fortuna Bay antes das 8 da manhã, para iniciarmos o trekking com cerca de 5 quilômetros, primeiro montanha acima, depois montanha abaixo e or fim, um longo vale.

A neve na praia de Fortuna Bay parece incomodar o elefante-marinho (Geórgia do Sul)

A neve na praia de Fortuna Bay parece incomodar o elefante-marinho (Geórgia do Sul)


Sob neve, início da nossa caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Sob neve, início da nossa caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Com tempo frio e fechado, caminhando rumo a Stromness, na Geórgia do Sul

Com tempo frio e fechado, caminhando rumo a Stromness, na Geórgia do Sul


O dia que amanheceu bonito logo fechou, deixando-nos todos ansiosos e com medo que a aventura fosse cancelada pois seria a nossa única chance de caminhar um pouco mais por essa ilha de paisagens fantásticas. Felizmente, não foi. Ao contrário, a neve pelo caminho até emprestaria um clima ainda mais real do que enfrentaram Shackleton e seus companheiros nas suas últimas horas de caminhada. E assim foi, ao chegarmos à praia, nevava forte e até os elefantes-marinho pareciam reclamar.

Observando as montanhas que temos de cruzar para chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul

Observando as montanhas que temos de cruzar para chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul


Observando as montanhas que temos de cruzar para chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul

Observando as montanhas que temos de cruzar para chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul


Subindo a montanha que separa Fortuna Bay de Stromness, na Geórgia do Sul

Subindo a montanha que separa Fortuna Bay de Stromness, na Geórgia do Sul


Com a neve e o frio, nada de ficarmos parados. Grupo todo reunido na praia, partimos logo rumo ao interior da ilha, o Damien, nosso guia historiador a frente. Não demorou muito para chegarmos à encosta da montanha e começarmos a subir. Quanto mais alto, mais neve, a paisagem cada vez mais parecida com aquilo que todos imaginamos que deva ser uma paisagem polar.

Subindo a montanha que separa Fortuna Bay de Stromness, na Geórgia do Sul

Subindo a montanha que separa Fortuna Bay de Stromness, na Geórgia do Sul


Caminhando na neve entre Fortuna Bay e Stomness, na Geórgia do Sul (foto de Jeff Orlowski)

Caminhando na neve entre Fortuna Bay e Stomness, na Geórgia do Sul (foto de Jeff Orlowski)


Caminhando na neve rumo a Stromness, na Geórgia do Sul

Caminhando na neve rumo a Stromness, na Geórgia do Sul


Nessa época do ano, o normal seria já vermos toda essa paisagem aberta, sem neve. Apenas as montanhas estariam cobertas de branco. Mas não hoje. A neve até parou um pouco, mas nesse ponto, todo o solo já estava branco. Quando chegamos ao ponto mais alto da nossa travessia, o Damien até mostrou o que seria um lago citado por Shackleton em seu relato. Hoje estava congelado e coberto de neve. Mas resolvemos todos acreditar no nosso guia de que aquilo que víamos era sim, um lago.

O Damien nos mostra onde deveria haver um lago no alto da montanha entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

O Damien nos mostra onde deveria haver um lago no alto da montanha entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Conversando com nosso guia Damien no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

Conversando com nosso guia Damien no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


Conforme caminhávamos, o Damien ia nos contando detalhes do trekking original, os homens já extenuados e esfomeados num último esforço para salvar suas vidas a as dos companheiros que ficaram para trás. Felizmente, nossas condições eram melhores, um bom café da manhã no estômago e um almoço nos esperando lá embaixo.

Foto do grupo de caminhantes no ponto mais alto da trilha entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Foto do grupo de caminhantes no ponto mais alto da trilha entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Foto do grupo no ponto mais alto da caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Foto do grupo no ponto mais alto da caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Repetindo Shackleton, cruzando as montanhas entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Repetindo Shackleton, cruzando as montanhas entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Aí no alto, fizemos a tradicional pose para a foto de todo o grupo, o amarelo vivo de nossas jaquetas ainda mais vivo contra o branco que nos cercava. Devíamos estar a quase 500 metros de altitude, exatamente do ponto onde, com o tempo aberto, passa a ser possível observar Stromness. Imagino a alegria de Shackleton ao ver a fumacinha saindo das casas lá embaixo.

Tentando avistar Stromness, na Geórgia do Sul

Tentando avistar Stromness, na Geórgia do Sul


A Ana mostra que estamos chegando a Stromness, na Geórgia do Sul

A Ana mostra que estamos chegando a Stromness, na Geórgia do Sul


Enfrentando o frio e a neve no caminho entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Enfrentando o frio e a neve no caminho entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Pois é, mais ainda era um longo caminho até lá embaixo. Com tanta neve assim, até o Damien, que já fez esse trekking várias outras vezes, se equivocou e começou a descer pelo lado errado da encosta. Mas logo percebeu o erro, subimos de volta e tomamos o caminho correto. O mesmo ocorreu quase 100 anos atrás, mas eles já haviam descido demais para voltar. Por isso, tomaram uma rota bem mais difícil e tiveram de enfrentar um ou outro penhasco com a ajuda das cordas que tinham.

Com tanta neve, as pessoas formam grupos compactos no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

Com tanta neve, as pessoas formam grupos compactos no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


Início da descida para Stromness, na Geórgia do Sul

Início da descida para Stromness, na Geórgia do Sul


O Damien também levava sua corda, mas ela não foi necessária. Fomos enfrentando a neve fofa e funda ao descer a montanha, sempre fazendo um ziguezague para tornar a descida menos íngreme e mais segura.

O Damien nos conta detalhes da caminhada de Shackleton cruzando as montanhas entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

O Damien nos conta detalhes da caminhada de Shackleton cruzando as montanhas entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Descendo na neve em direção a Stomness, na Geórgia do Sul

Descendo na neve em direção a Stomness, na Geórgia do Sul


Já lá embaixo, passamos ao lado da cachoeira onde Shackleton e seus companheiros tiveram de usar a corda, já que chegaram pelo outro lado. Uma visão e tanto, uma cachoeira no meio de tanta neve. Pausa para mais fotos e também para respirar um pouco.

Os rastros de nossa descida pela encosta nevada da montanha rumo a Stromness, na Geórgia do Sul

Os rastros de nossa descida pela encosta nevada da montanha rumo a Stromness, na Geórgia do Sul


A enorme vastidão nevada no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

A enorme vastidão nevada no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


Uma cachoeira gelada no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

Uma cachoeira gelada no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


Agora já estávamos em baixo e era só seguir ao lado do rio até o mar, onde está Stromness. Antes de chegarmos lá, ainda cruzamos com marcas na neve. Eram as inconfundíveis pegadas de pinguim! Com efeito, três minutos adiante e lá estavam eles, um grupo de pinguins gentoo no meio da neve. Agora sim, estavam no seu ambiente predileto, hehehe! Um deles, até trabalhava para construir o seu ninho. Buscava gravetos lá longe e os empilhava cuidadosamente num ninho já quase pronto.

As inconfundiveis pegadas de pinguins na neve, no nosso caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

As inconfundiveis pegadas de pinguins na neve, no nosso caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


Cruzando com um grupo de pinguins gentoo pouco antes de chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul

Cruzando com um grupo de pinguins gentoo pouco antes de chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul


Apesar da neve, um pinguim gentoo continua a construir seu ninho perto de Stromness, na Geórgia do Sul

Apesar da neve, um pinguim gentoo continua a construir seu ninho perto de Stromness, na Geórgia do Sul


Depois dos pinguins, uma claro sinal que estávamos cada vez mais pertos, passamos por pequenos lagos que haviam se transformado em verdadeiros espelhos, refletindo aquela paisagem grandiosa que nos cercava. Agora sem vento e sem neve, sua superfície estava parada e era um verdadeiro convite a novas fotografias.

Um pequeno lago se transforma num grande espelho, no nosso caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

Um pequeno lago se transforma num grande espelho, no nosso caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


O fantástico cenário da nossa caminhada para chegar a Stromness, na na Geórgia do Sul (foto de Wayne Purcell)

O fantástico cenário da nossa caminhada para chegar a Stromness, na na Geórgia do Sul (foto de Wayne Purcell)


Por fim, um último encontro com filhotes de elefante-marinho. Esses sim nunca saem de muito perto da água. Havíamos chegado às ruínas de Stromness. Pelo estado de decadência em que se encontram, está proibido o acesso. Só podemos ver pelo lado de fora e a aparência é mesmo de uma cidade-fantasma. Seus únicos frequentadores, que parecem ignorar os avisos de não entrar, são lobos e elefantes-marinho. Mas isso é para outro post...

Filhotes de elefante-marinho nos observam em Stromness, na Geórgia do Sul

Filhotes de elefante-marinho nos observam em Stromness, na Geórgia do Sul


Lobo-marinho não parece se importar com a placa na antiga estação baleeira de Stromness, na Geórgia do Sul

Lobo-marinho não parece se importar com a placa na antiga estação baleeira de Stromness, na Geórgia do Sul

Geórgia Do Sul, Stromness, Fortuna Bay, Montanha, Trekking, trilha

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Tequila!

México, Mazatlán, Tequila

Admirando coleção de garrafas de tequila, na cidade de Tequila, no México

Admirando coleção de garrafas de tequila, na cidade de Tequila, no México


Tínhamos uma longa viagem pela frente, de Guadalajara para Mazatlán, já na saída do Mar de Cortez. Mesmo assim, não dava para não parar nessa pequena cidade ao norte de Guadalajara, local onde foi “inventada” a bebida que hoje é símbolo do país: Tequila!

Rótulo da famosa José Cuervo, na cidade de Tequila, no México

Rótulo da famosa José Cuervo, na cidade de Tequila, no México


A grande invenção se deu em fins do séc. XVIII quando um potentado local, de nome José Cuervo (alguém já ouviu falar?) resolveu destilar aquilo que já era fermentado há um bom tempo: o agave. Essa planta, que tem a aparência de um grande abacaxi e que chega a pesar 60 kg mesmo depois de tirado os espinhos, produz um álcool que grande qualidade, matéria-prima para a bebida que ganhou o mesmo nome da cidade onde foi criada.

Igreja colonial na cidade de Tequila, no México

Igreja colonial na cidade de Tequila, no México


Nós chegamos à pequena e pacata Tequila pouco depois do meio-dia e fomos direto para a fábrica da José Cuervo, a primeira das mais de dez plantas que possuem atualmente, espalhadas pelo estado e vizinhos. Queríamos marcar uma visita para conhecer o processo de produção da bebida e, claro, fazer uma sessão de degustação,

Enorme painel em parede de rua na cidade de Tequila, no México

Enorme painel em parede de rua na cidade de Tequila, no México


Conseguimos marcar para as duas da tarde e ganhamos mais de uma hora para passear pela cidade. Foi o tempo de visitarmos a bela igreja, a praça, o prédio da prefeitura com um enorme painel mostrando a lenda de criação do agave, um presente divino para a humanidade e ainda almoçar comida típica no simpático Mercado Municipal.

Painel na fábrica da José Cuervo, na cidade de Tequila, no México, mostra como é a colheita do agave

Painel na fábrica da José Cuervo, na cidade de Tequila, no México, mostra como é a colheita do agave


De volta à José Cuervo, a gente que achava que estaria praticamente só no tour pela fábrica, lá encontramos uma galera esperando. Felizmente, pudemos escolher entre o tour em espanhol e o em inglês. O primeiro estava lotado, a guia até usava um megafone. Mas no segundo, só tinha uns gatos pingados, inclusive 3 brasileiros em viagem de trabalho pelo México.

O Agave, matéria-prima para produção de tequila, durante visita à fabrica da José Cuervo, na cidade de Tequila, no México

O Agave, matéria-prima para produção de tequila, durante visita à fabrica da José Cuervo, na cidade de Tequila, no México


A guia nos levou pela fábrica, nos mostrou pilhas e pilhas de agave que acabavam de chegar das plantações da região e os fornos onde eles ficam umas doze horas queimando. Depois, passamos pelo processo de fermentação e pelo de destilação, onde pudemos experimentar a “primeira” tequila do processo, com mais de 60% de álcool.

Degustação de tequila durante visita à fábrica da José Cuervo, na cidade de Tequila, no México

Degustação de tequila durante visita à fábrica da José Cuervo, na cidade de Tequila, no México


Antes de seguir para os barris de envelhecimento, essa tequila é misturada com água, para que a concentração alcoólica diminua! Existe dois tipos de tequila no mercado, a guia nos explicou. Uma é feita com 100% de agave. Obviamente, é a mais saborosa. Mas existe outra, com apenas 51%, mais barata. Os outros 49% vem do milho ou da cana. Legalmente, para poder ser chamado de Tequila, o agave tem de ser preponderante. Por isso os 51%.

usando touca para realizar a visita à fábrica da José Cuervo, na cidade de Tequila, no México

usando touca para realizar a visita à fábrica da José Cuervo, na cidade de Tequila, no México


Enfim, passamos à parte dos barris. É o tipo de barril e o tempo que a tequila fica por lá em repouso que vão lhe conferir a cor e o sabor. Quanto mais tempo e melhor a qualidade do barril, melhor e mais cara sai a tequila. Experimentando cada um dos tipos, isso ficou claríssimo!

Garrafas especiais de Tequila, na cidade de Tequila, no México

Garrafas especiais de Tequila, na cidade de Tequila, no México


Outra coisa interessante é que todos os anos é produzido uma “linhagem especial” da bebida. Para engarrafá-la, organiza-se um concurso nacional para a estampa da garrafa. Acaba virando sempre artigo de colecionador!

Barris para envelhecimento de tequila na fábrica da José Cuervo, na cidade de Tequila, no México

Barris para envelhecimento de tequila na fábrica da José Cuervo, na cidade de Tequila, no México


Ao final da visita, após ver a frota dos antigos carros da companhia e também o autêntico José Cuervo, o mascote da fábrica, ainda ganhamos uma Marguerita. Aproveitamos para socializar um pouco mais com os brasileiros que trabalham na IBM e já estávamos prontos para seguir viagem.

O verdadeiro José Cuervo! (na cidade de Tequila, no México)

O verdadeiro José Cuervo! (na cidade de Tequila, no México)


Três horas mais tarde chegávamos à Mazatlán. Na década de 70, a cidade foi “descoberta” por aposentados americanos e canadenses que fizeram dela a sua segunda casa, principalmente durante os meses de inverno em seus respectivos países. Acabaram desenvolvendo um novo bairro, a chamada “zona dourada”, onde estão bares, restaurantes e hotéis já com uma cara mais “anglo-saxônica”. É onde estão as melhores praias também. Foi para onde seguimos diretamente, a tempo de aproveitar o pôr-do-sol e comer alguma coisa.

Antiga frota de carros da fábrica da José Cuervo, na cidade de Tequila, no México

Antiga frota de carros da fábrica da José Cuervo, na cidade de Tequila, no México


Plantação de agave na região da cidade de Tequila, no México

Plantação de agave na região da cidade de Tequila, no México


Mas foi bom também para descobrirmos que não era lá que gostaríamos de ficar. Já de noite, voltamos para o centro histórico, infinitamente mais charmoso, principalmente depois do processo de revitalização dos últimos anos. Exatamente no centro desse processo está a maravilhosa “Plaza Machado”, cheia de pequenos restaurantes, bistrôs e bares. Justo aí conseguimos vaga no único hotel na praça, também chamado de Machado. O Ernesto, o simpático dono, tem um sistema interessante de tarifas. O primeiro hóspede sempre paga mais barato. Foi o nosso caso!

Chegando novamente ao Oceano Pacífico na cidade de Mazatlán, no México

Chegando novamente ao Oceano Pacífico na cidade de Mazatlán, no México


Assim, muito bem instalados, aguardamos o dia de amanhã. Daqui pegamos o ferry para a Baja California, numa viagem de 16 horas. São três barcos por semana. Amanhã descobriremos quando sai o próximo. Nós vamos estar nele!

Início da noite em praia de Mazatlán, no México

Início da noite em praia de Mazatlán, no México

México, Mazatlán, Tequila,

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Ao Redor de Atitlán

Guatemala, San Marcos La Laguna, San Pedro La Laguna

Bela vista do lago Atitlán em San Pedro la Laguna, na Guatemala

Bela vista do lago Atitlán em San Pedro la Laguna, na Guatemala


A região da Laguna de Atitlán já é povoada há milênios de anos. Os mayas construíram várias cidades ao redor do lago e algumas, inclusive, foram engolidas pelas águas e estão sendo redescobertas na atualidade por mergulhadores. Hoje, são os descendentes desse povo pré-hispânico que formam a maioria da população das vilas e cidades que cercam o lago. Aliás, são poucos os lugares em que passamos em que a língua e a cultura indígena são tão fortes. Em San Marcos, percebe-se facilmente, entre a população local (e não os imigrados), que o espanhol é a segunda língua, muitas vezes falada com certa dificuldade.

Embarcando para cruzar a Laguna Atitlán de San Marcos para San Pedro, na Guatemala

Embarcando para cruzar a Laguna Atitlán de San Marcos para San Pedro, na Guatemala


A serenidade do lago esconde os apuros que esse povo já passou. Não bastasse as intempéries da natureza, sob a forma de erupções, terremotos e furacões, os descendentes dos mayas também sofreram uma violenta perseguição do governo nos anos da guerra suja, especialmente na década de 80. Os indígenas eram vistos como aliados das guerrilhas de esquerda e sofreram diversos massacres, compondo boa parte dos mais de 100 mil mortos das décadas de 50 à 80. E aqui em Atitlán, onde sua cultura é tão forte e presente, foi um dos lugares mais afetados.

Chegando à San Pedro La Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala

Chegando à San Pedro La Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala


Hoje, observando o cenário magnífico que compõem o lago e seus vulcões, é quase impossível imaginar outra coisa que não paz, amor e sentimentos congêneres. É esta beleza que atraiu o segundo contingente da população que aqui vive ou transita: a dos estrangeiros. Muitos vieram e resolveram ficar. Tem pousadas, restaurantes, agências ou oferecem serviços variados, dos mais místicos aos mais concretos. Hippies descobriram Panajachel há mais de 30 anos e a transformaram na maior cidade do lago. Conhecida pelo apelido de “Pana”, a cidade é uma meca turística e é a que oferece melhor estrutura. Por isso mesmo, perdeu bastante do seu caráter maya ou guatemalteco e virou cidade internacional.

Venda de artesanato em San Pedro la Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala

Venda de artesanato em San Pedro la Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala


Isso fez que os viajantes procurassem alternativas e a escolhida foi San Pedro La Laguna, aos pés do vulcão San Pedro e bem em frente aonde ficamos, em San Marcos. A consequência foi que também ela inchou, deixando de ser um “pueblo” e virando uma cidade. Atualmente, é a preferida dos turistas mais jovens, principalmente pela vida noturna que oferece, além de soar mais alternativa que Pana.

Rua movimentada do centro de San Pedro la Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala

Rua movimentada do centro de San Pedro la Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala


Foi para lá que fomos hoje. As cidades e vilas do lago são ligadas constantemente por pequenas lanchas que vivem a singrar a laguna Atitlán. Entre San Marcos e San Pedro, por exemplo, a cada vinte minutos sai uma lancha. São dez minutos para cruzar o lago, um programa obrigatório para quem vem à Atitlán. Os mais energéticos podem fazer o mesmo caminho de caiaque, mas aí será mais de uma hora, certamente.

A cheia do lago Atitlán faz estragos em San Pedro la Laguna, na Guatemala

A cheia do lago Atitlán faz estragos em San Pedro la Laguna, na Guatemala


A cidade está dividida na sua área comercial, muito movimentada e cheia de locais, e na área turística, pequenas e estreitas vielas cheias de pousadas e restaurantes. A gente chegou no cais semi-alagado pela cheia do lago e seguimos logo para o alto da cidade, onde está a área comercial, com suas feiras, trânsito complicado e população indígena. Depois, voltamos para a orla do lago para admirar os hotéis alagados e abandonados e também as ruazinhas simpáticas cheias de restaurantes de comida natural e saborosa.

Venda de máscaras típicas em San Pedro la Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala

Venda de máscaras típicas em San Pedro la Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala


Ao contrário da nossa pequena San Marcos, em San Pedro vão vários os restaurantes com decks virados para o lago. Difícil é escolher em qual comer. De noite, imaginamos, deve bombar. Hoje de tarde, estava bem tranquilo. Comemos e tomamos uma deliciosa Brahva Extra, mesmo logo da nossa Brahma Extra. Aqui, por algum motivo mercadológico, mudaram um pouco o nome da cerveja.

Brahva Extra: qualquer semelhança NÃO é coincidência! (San Pedro la Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala)

Brahva Extra: qualquer semelhança NÃO é coincidência! (San Pedro la Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala)


Voltamos para a nossa San Marcos no fim da tarde, cruzando mais uma vez aquele lago maravilhoso. Voltamos duplamente felizes: primeiro por termos conhecido San Pedro e termos passado uma tarde bem gostosa por lá. Segundo porque agora estávamos mais certos do que nunca de que tínhamos feito a escolha correta quando decidimos ficar em San Marcos. Muito mais a nossa cara. Aliás, para quem gosta da Ilha do mel, no Paraná, San marcos é o lugar para se ficar em Atitlán!

No deck de um dos muitos restaurantes na beirada do lago Atitlán em San Pedro la Laguna, na Guatemala

No deck de um dos muitos restaurantes na beirada do lago Atitlán em San Pedro la Laguna, na Guatemala

Guatemala, San Marcos La Laguna, San Pedro La Laguna, Atitlán

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No Ojo del Inca

Bolívia, Potosí

O Ojo del Inca, lago de águas termais próximo à em Potosí - Bolívia

O Ojo del Inca, lago de águas termais próximo à em Potosí - Bolívia


Tomando coragem para tirar a Fiona de sua segura garagem no hotel, fomos hoje passear pelas redondezas de Potosí, na direção noroeste. Depois de negociar e driblar o trânsito caótico do centro histórico, chegamos à estrada que liga a cidade à La Paz. É por ela que se chega ao "Ojo del Inca".

Lhamas caminham ao lado da estrada, em Potosí - Bolívia

Lhamas caminham ao lado da estrada, em Potosí - Bolívia


Trata-se de uma lagoa com águas termais para onde vinha, conta-se, o Inca banhar-se em suas águas e barro medicinais. Considerando a distância de Potosí à Cuzco, onde o Inca morava, e que naquela época não havia avião e nem carro, e que nem cavalos os incas possuíam, é fácil concluir que a tal lagoa realmente deve ser especial. Esse passeio nos foi muito recomendado pela Roberta e seu marido, que tinham nos levado às minas de Potosí. Mas eles nos aconselharam também a ficar apenas nas bordas da lagoa, já que haveria um redemoinho em seu centro que costumava engolir turistas incautos. O gerente do nosso hotel foi mais incisivo: "Apenas olhem e fotografem! Não é para nadar. Se quiserem nadar, sigam adiante e nadem nas piscinas dos balneários". Pois é, alguns quilômetros vale abaixo, foram construídos balneários com piscinas "seguras" para o banho.

A magnífica paisagem nas estradas próximas à em Potosí - Bolívia

A magnífica paisagem nas estradas próximas à em Potosí - Bolívia


E lá fomos nós para a lagoa. No caminho, para ajudar a nos lembrar aonde estamos, rebanhos de lhamas. Mais pitoresco, impossível! A isso se soma a incrível beleza da paisagem, onde as cores são mais vivas do que nunca e o passeio já vale à pena por si só. Perto dos 4 mil metros, onde o ar é mais rarefeito, a atmosfera fica mais limpa, o céu é muito mais azul, pode-se ver muito mais longe, as formas são mais definidas, enfim, a paisagem é um colírio para os olhos.

A magnífica paisagem nas estradas próximas à em Potosí - Bolívia

A magnífica paisagem nas estradas próximas à em Potosí - Bolívia


Saindo por uma estrada de terra da estrada principal, chegamos à lagoa. Lá, o administrador nos explica que aquela é a maior lagoa de águas termais do imperio inca. Seria a boca de um antigo vulcão, pouco mais de 50 metros de diâmetro e 22 metros de profundidade, na sua parte mais profunda, bem ao centro. Diz também que a história do redemoinho é bobagem. De certo, conversa inventada pelos donos dos balneários, penso eu...

O Ojo del Inca, lago de águas termais próximo à em Potosí - Bolívia

O Ojo del Inca, lago de águas termais próximo à em Potosí - Bolívia


A temperatura externa estava pero de uns 12 graus. Com o vento, muito menos. Mas a água, hmmmmm, que delícia!, estava perto dos 30 graus. Fomos logo entrando e nadando por ela. Cercada de montanhas, o visual é inesquecível. Numa parte menos profunda, fui até o solo e busquei a lama "sagrada" para a Ana passar em sua pele. Se era boa para o Inca, seria boa para ela também!

Visitando o Ojo del inca, lago de águas termais próximo à Potosí - Bolívia

Visitando o Ojo del inca, lago de águas termais próximo à Potosí - Bolívia


Logo chegaram mais duas vans com turistas. Todos sabendo da história do redemoinho, foram só alguns que se arriscaram nas águas "perigosas". Mas quem o fez, não se arrependeu! Difícil mesmo é sair e enfrentar o frio e o vento do lado de fora. Depois de muita enrolação nós tivemos de fazer isso. E, na volta, demos carona para três simpáticas espanholas que tinham chegado até ali de ônibus.

Nadando no Ojo del inca, lago de águas termais próximo à Potosí - Bolívia

Nadando no Ojo del inca, lago de águas termais próximo à Potosí - Bolívia


Viemos em conversa animada com as duas Marias e uma Ana, todas de Múrcia, até a entrada da cidade quando uma das Marias me perguntou sobre como era dirigir ali, que era preciso muita coragem. Quando estava lhe respondendo que, mais do que coragem era preciso paciência, bem ali, na nossa frente, em câmara lenta, todos assistimos um ônibus arrebentando a frente de um carro. Era um cruzamento caótico como outros, carros vindos de todas as direções, querendo virar para todas as direções. Coisa normal por aqui. O ônibus virou mais do que devia e o carro, parado entre outros, sem ter para onde fugir, levou a pior.

As Anas e as Marias, amigas espanholas no Ojo del Inca, em Potosí - Bolívia

As Anas e as Marias, amigas espanholas no Ojo del Inca, em Potosí - Bolívia


O trânsito, que já estava terrível, piorou mais ainda. Com muita paciência, conseguimos passar e deixar a confusão para trás e seguir adiante. A paciência continuou para passar por ruas de mão dupla onde só cabe um carro (e não uma Fiona!) e mercados onde os pedestres tomam conta de tudo. Mas, enfim, chegamos e deixamos a Fiona novamente em seu porto seguro.

Canyon estreito na estrada que leva ao olo del Inca, próximo à Potosí - Bolívia

Canyon estreito na estrada que leva ao olo del Inca, próximo à Potosí - Bolívia


De noite ainda fomos a um bar (La Casona) onde se ouvia boa música boliviana e voltamos já depois da meia noite. Amanhã cedo, rumamos para o sul, para a cidade de Tarija, centro da região produtora de vinho da Bolívia, já bem próxima da Argentina.

A magnífica paisagem nas estradas próximas à em Potosí - Bolívia

A magnífica paisagem nas estradas próximas à em Potosí - Bolívia

Bolívia, Potosí,

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Mergulhando com Tubarões

Bahamas, New Providence - Nassau

Mergulho com tubarões feito em Nassau - Bahamas

Mergulho com tubarões feito em Nassau - Bahamas


Todo mergulhador gosta de ver vida embaixo d'água. Peixes. Peixes grandes. Arraias, golfinhos, polvos, tartarugas, baleias. E tubarões. Esse nome costuma dar calafrios. O filme de Spielberg marcou uma geração. Pessoas não dormiam mais direito e não entravam mais no mar. Mas, na verdade, o filme fez muito mais mal a espécie que retratava do que a esses pobres insones. Foram caçados inclementemente, mas a vida deles vem melhorando pouco a pouco, com o intenso trabalho da comunidade de mergulhadores e, principalmente, por canais como Discovery Channel, Natgeo e Animal Planet.

Esses animais são magníficos. Quem já os viu nadar graciosamente pelos mares, eficiência hidrodinâmica ao extremo, compreende e reverencia essa obra-prima da natureza. Não é à tôa que estão por aí desde o tempo dos dinossauros.

Enfim, já deu para perceber como sou fã deles, né? Sempre os procuro nos meus mergulhos. São raras as vezes que os vejo e sempre considero um prêmio os poucos segundos, raramente minutos que consigo acompanhá-los embaixo d'água. É porque eu ainda não tinha vindo ao lugar certo. Aqui no Caribe, é muito mais fácil observá-los. Hoje mesmo, assistindo ao Weather Channel, que mostrava Nassau vista de um avião, deu para ver vários, passeando aqui por perto. Engraçado... vistos de cima, de fora d'água, eles dão medo. Como banhista, também me assusto. Mas, embaixo d'água, não há espaço para medo. Apenas admiração.

Fomos a um mergulho especial hoje. Um mergulho onde assistimos tubarões sendo alimentados. Há toda uma preparação psicológica antes do espetáculo. Primeiro, um mergulho de preparação, onde o guia nos leva pela crista de um barranco, que desce dos 10 m aos 6 km de profundidade. Isso mesmo, 6 quilômetros! É a chamada "Língua do Oceano", uma fossa abissal bem ao lado de Nassau. Olhar para o azul escuro desse poço sem fundo (ou quase) me dá muito mais medo que os tubarões que já nos seguem, de longe, nesse mergulho. Sabem que a hora do lanche se aproxima. São tubarões médios, de dois a três metros. Curiosos, se aproximam e se afastam. Orientados pelo guia, não nadamos em direção a eles. Seria estupidez. São muito mais rápidos que nós e são eles que controlam a distância que querem ficar. Após alguns minutos, já estamos acostumados com a presença dessas criaturas em volta de nós. Uma dúzia deles. O mergulho termina num grande campo de areia, com pedras colocadas em forma de círculo. Uma arena, que mais parece uma Stonehenge submersa, o que lhe dá um ar bem mais solene, quase fantasmagórico.

Subimos de volta ao barco, para nos preparar para o segundo mergulho. O guia explica como se portar na arena. Devemos ficar quietos, apenas observando a ação que se passa no centro dela. Nenhum movimento brusco, para não atrair a atenção indesejada dos tubarões em plena hora do lanche. Ele, o guia, se veste com uma tela de aço, pega suas caixas cheias de comida de tubarão e vamos todos para baixo d'água novamente. A gente se coloca em círculo, se segura numa das pedras da arena e assistimos agora a três dúzias de tubarões tentando o seu naco de peixe, às vezes arrancandos da mão do guia. Ficam nadando em círculos, passando literalmente entre nós. Nós não podemos tocá-los, mas eles tem toda a liberdade para nos tocar. Levei algumas barbatanadas, me desviei de outras tantas. O único cuidado que tive foi deixar os dedos da minha mão bem próximos ao corpo. Eram minha única parte descoberta. Fora isso, nenhum medo, nenhum receio. A impressão é a de estarmos em algum filme Imax 3D. Dentro do filme, mas inatingíveis. O que quebra essa sentação são as barbatanadas ("se liga, mané!") ou o frio da água no rosto.

Mergulho com tubarões feito em Nassau - Bahamas

Mergulho com tubarões feito em Nassau - Bahamas


Voltamos para o barco ainda mais fãs desses animais. E a vontade é de ver tubarões ainda maiores. E sei que vamos ver, ainda nesta viagem.

Bahamas, New Providence - Nassau, Bichos, Mergulho, tubarão

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North Caicos

Turks e Caicos, Providenciale - Provo, North Caicos - Whitby

Vista do nosso quarto na pousada Pelicane,em North Caicos

Vista do nosso quarto na pousada Pelicane,em North Caicos


Após o habitual stress de todas as manhãs com compromisso, embarcamos no moderno e veloz ferry boat que nos leva de Provo a North Caicos em meia hora. Se fosse numa das barcas da Ilha do Mel, acho que seriam umas 2 horas, no mínimo!

Nesta manhã, o stress acho que foi um pouco maior. Além de deixarmos para arrumar tudo na própria manhã (mochilas que vão, mochilas que ficam, checkout do hotel, achar um táxi, etc), chegamos ao porto com muito pouco dinheiro em cash para os próximos dois dias. Ocorre que em North e Middle Caicos, não se aceita cartão. O banco qua havia por lá quebrou e deixou todo mundo na mão. Agora, só em dinheiro vivo, da verdinha! E nós no porto, o barco para zarpar, com vários cartões de crédito inúteis. Bom, depois de alguns telefonemas lá da administração, conseguimos achar uma santa que alugaria um carro (imprescindível, por lá) no cartão. Faltava só o hotel. Para a comida, tínhamos dinheiro! Embarcamos. Qualquer coisa, dormiríamos no carro ou na praia mesmo!

Barco que faz a ligação entre Provo e North Caico

Barco que faz a ligação entre Provo e North Caico


Voamos sobre o mar esmeralda (um show!) e logo chegamos em Sandy Point, em North Caicos, onde encontramos a senhora do Pelican, que aluga carros. Para nossa felicidade, ela também tem um hotel. Dois coelhos numa cajadada só!

Havia mais de 10 anos que eu não dirigia na mão inglesa. Nas movimentadas estradas de North e Middle Caicos, onde em dois dias cruzamos uns 3 carros, rapidamente me acostumei. Nosso primeiro carro alugado da viagem! Agora, falta a moto (ou scooter), depois de tanto trabalho e correria para se conseguir a carteira de habilitação!

Pequeno lago com 80 m de profundidade em North Caicos - Turks e Caicos

Pequeno lago com 80 m de profundidade em North Caicos - Turks e Caicos


Popularmente conhecida como 'Senzala'

Popularmente conhecida como "Senzala"


Antes de seguir para o hotel já passamos em duas das atrações turísticas da ilha. A primeira, uma pequena lagoa de água meio turva, cheia de pássaros e com mais de 80 metros de profundidade. Mal acostumados que estávamos com o Dean's Blue Hole, achamos o barrento Cottage Pond meio sem graça. Depois, seguimos para as ruínas do Wade's Plantation. É o equivalente inglês de latifúndio. Bom, latifúndio, dependendo da escala. Pode ser grande por aqui, mas se fosse no Brasil, deste tamanho, não chegava nem a sítio. Chácara, talvez. De qualquer maneira, tinha o Slave's Quarter (a popular "senzala", no Brasil. Em inglês, fica mais chique), a Casa Grande, etc... Enfim, as ruínas são meio mais ou menos. Legal é a história por trás. O pessoal que lutou a favor do rei, na independência americana, foi recompensado com terras nas Bahamas e por aqui. Se deram bem por um lado (clima, mar) mas não durou muito não. Em uma geração, uma combinação de solo pobre, furacões e a guerra de 1812 ente EUA e Inglaterra acabou com as plantations daqui. Só sobraram as ruínas e os nomes das famílias, que continuam nos sobrenomes de todos por aqui.

Mar em frente à pousada em North Caicos

Mar em frente à pousada em North Caicos


Por fim, fomos ao hotel e à maior atração turística da ilha: suas praias maravilhosas e semi-desertas. O hotel, Pelican Beach Hotel, fica bem em frente à praia, assim como o nosso quarto. A vista que tínhamos era de chorar! O clima era bem parecido com o da Ilha do Mel, tranquilo, relaxado. A diferença era esse mar, sem igual. Até covardia comparar...

Passamos o resto do dia andando e relaxando na praia e socializando com o Cliff, dono do hotel e ex-piloto de avião e com a Maqui, que trabalha para ele, imigrante dominicana. Muito simpáticos, os dois. E eu e a Ana mandando ver no inglês e no castelhano.

No início da noite, um bônus para esse dia incrível: um lançamento de foguete, lá na Flórida, a centenas de quilômetros de distância, se transformou num show para nós, iluminando a noite com uma luz estranha que demoramos para decifrar. OVNI? Avião? Satélite? Que nada! Foguete americano! Muito legal mesmo! Deu para ver o primeiro estágio se separar do segundo e seguir sua viagem enquanto o primeiro despencava pelos céus.

Que incrível! Nós, perdidos na periferia da periferia de uma ilha, no meio do oceano e, para nos lembrar que estamos no séc XXI, um foguete passa sobre as nossas cabeças!

Boteco da Pousada Pelicane, em North Caicos

Boteco da Pousada Pelicane, em North Caicos


Bom, e para nos lembrar que não estávamos no paraíso, a partir do início da noite milhões de mosquitos nos atacaram. Tivemos de abandonar o tão agradável quiosque à beira mar e nos refugiar atrás das santas telas protetoras, primeiro no restaurante e depois no nosso quarto.

O resultado final do dia foi descobrir que Turks e Caicos tem alma e que ela é parecida com a alma da Ilha do Mel. Que legal!

Turks e Caicos, Providenciale - Provo, North Caicos - Whitby, Praia

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Pelo Sul de Manhattan

Estados Unidos, New York, Nova Iorque

A skyline de Manhattan, vista do ferry para Staten Island, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

A skyline de Manhattan, vista do ferry para Staten Island, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


Gostoso acordar preguiçosamente, de frente a uma janelona com vista do 35º andar para o Hudson River, no oeste de Manhattan. Em seguida, em frente ao hotel, assim como em centenas de outros lugares espalhados pela cidade, uma loja com muita variedade de frutas frescas, sanduíches saldáveis, iogurtes e outras opções para um café da manhã leve e saboroso. O sonho de consumo da Ana, o que ela sempre sonhou em encontrar em todos os lugares que viajamos. Pois bem, aqui em Nova York, tem em quase toda esquina. Difícil entender porque alguém iria comer num McDonald’s por aqui. Vai entender...

A bordo do ferry para Staten Island, deixando Manhattan para trás (Nova Iorque, nos Estados Unidos)

A bordo do ferry para Staten Island, deixando Manhattan para trás (Nova Iorque, nos Estados Unidos)


Bem, devidamente alimentados, seguimos de metrô diretamente para o extremo sul da ilha, de onde partem os ferries para as diversas ilhas da região. O nosso seguia para Staten Island, de onde se tem uma das mais belas vistas de Manhattan. São milhares de pessoas que fazem essa mesma viagem, a maioria com o mesmo objetivo: fotografar a skyline da cidade, as pontes e a Estátua da Liberdade.

A Estátua da Liberdade, vista do ferry de Staten island, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

A Estátua da Liberdade, vista do ferry de Staten island, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


Depois do nosso último ferry, entre as ilhas de Carriacou e Granada, na companhia de umas 10 pessoas, foi engraçado entrar neste barco enorme, com centenas de pessoas. Viagem gratuita, cortesia da prefeitura para os turistas e habitantes de Staten Island, um dos programas turísticos mais populares em Nova York. Principalmente num dia ensolarado como hoje.

A Ana disputa espaço no ferry de Staten Island para poder fotografar o sul de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

A Ana disputa espaço no ferry de Staten Island para poder fotografar o sul de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


Assim, são centenas de pessoas com suas máquinas fotográficas, todos disputando os melhores lugares nas janelas e varandas dos barcos, todos tentando tirar aquela foto “inédita” tirada milhares de vezes todos os dias.

À bordo do ferry de Staten Island, observando a skyline de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

À bordo do ferry de Staten Island, observando a skyline de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


Nós também sacamos as nossas, dos enormes prédios de Manhattan, o novo WTC ente eles, da Miss Liberty, da Brooklyn Bridge e de qualquer coisa que passasse na frente ou ao lado do nosso ferry.

Sul de Manhattan e a Estátua da Liberdade, vistos do ferry para Staten Island, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

Sul de Manhattan e a Estátua da Liberdade, vistos do ferry para Staten Island, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


Meia hora mais tarde chegávamos ao terminal de Staten Island e foi engraçado observar 95% dos passageiros descendo do barco simplesmente para dar meia volta e e entrar no outro ferry, já pronto para partir. A gente, no meio da enorme multidão, apenas segui o fluxo. Logo já estávamos navegando novamente, novas oportunidades de foto e o sul de Manhattan ficando cada vez maior nas nossas lentes.

caminhando na famosa Wall Street, ano sul de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

caminhando na famosa Wall Street, ano sul de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


caminhando na famosa Wall Street, ano sul de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

caminhando na famosa Wall Street, ano sul de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


Desembarcamos em South Ferry e começamos a longa caminhada do dia, um pouco mais curta que a de ontem, felizmente. Dando a volta no sentido anti-horário na ilha, chegamos à conhecida Wall Street, a fronteira norte de Nova Amsterdam, na época que Nova York era um assentamento holandês. A rua tem esse nome porque aí estava a parede de proteção contra os frequentes ataques indígenas que vinham do norte. As muralhas de Wall St. só não funcionaram contra o ataque inglês, que veio do mar, em 1664. Os holandeses chegaram a reconquistar a cidade, mas acabaram por trocar definitivamente a sua posse pelo controle do Suriname, na América do Sul. Na época, pode ter parecido um bom negócio...

A sede da Bolsa de Valores de Nova Iorque, nos Estados Unidos

A sede da Bolsa de Valores de Nova Iorque, nos Estados Unidos


Do domínio holandês, sobraram vários dos nomes na cidade. “Brooklyn” e “Haarlem” são os melhores exemplos. Mas a herança holandesa não se resume apenas aos nomes, não. Cerca de 10 anos antes de perderem a cidade para os ingleses, os holandeses também foram expulsos de Pernambuco, no Brasil, pelos portugueses. Nossos colonizadores não gostavam muito de judeus, então uma florescente comunidade na capital pernambucana. Foram forçados a emigrar e seu destino foi uma outra pequena cidade holandesa no continente, bem mais ao norte. Foram os judeus de Pernambuco que fundaram a comunidade judaica de Nova Iorque. Para os portugueses, na época, também deve ter parecido um bom negócio, expulsá-los de Olinda e Recife.

A primeira sede do Congresso dos Estados Unidos, em Wall St, em Nova Iorque

A primeira sede do Congresso dos Estados Unidos, em Wall St, em Nova Iorque


Após esses dois “bons maus negócios” que definiriam a história da cidade, o próximo grande evento veio cerca de um século mais tarde, na guerra de independência americana. Primeiro no Brooklyn e depois em Manhattan, Washington levou duas belas surras dos ingleses, logo no início da guerra, e quase foi capturado. Por pouco, os ingleses não acabaram com aquela revolução logo ali, no início. Pelo restante da guerra, Nova Iorque foi o principal centro militar inglês no continente e para lá seguiam todos os refugiados realistas (que defendiam o rei inglês) que eram expulsos dos outros estados. Também em suas baías, em navios-prisão, os ingleses mantinham presos os revolucionários capturados. Colocavam as pessoas dentro e jogavam a chave fora, quase não lhes fornecendo mais comida. Nesses navios-prisão, morreu mais gente por negligência de seus captores do que revolucionários em todas as batalhas da guerra de independência somadas. Ser preso e mandado para Nova Iorque era, praticamente, uma sentença de morte lenta e cruel.

O agradável Pier 15, no sul de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

O agradável Pier 15, no sul de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


Skyline do Brooklyn, vista do sul de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

Skyline do Brooklyn, vista do sul de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


Por fim, os ingleses desistiram da luta e abandonaram Nova Iorque. Foi só aí, queimada depois de dois grandes incêndios deliberados, que ela passou para o lado dos americanos. Desde então, não parou mais de crescer e ganhar importância, até se tornar a “capital do mundo” que conhecemos hoje.

A famosa Brooklyn Bridge, no sul de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

A famosa Brooklyn Bridge, no sul de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


Depois de fotografarmos alguns dos principais prédios de Wall St, como a Bolsa de Valores, a sede original do J.P Morgan e o edifício onde funcionou o primeiro Congresso do país, voltamos para a orla de Manhattan, em frente ao Brooklyn. Lá estão os piers renovados e transformados em centro de compras e importantes atrações turísticas. Além da belíssima vista para o distrito logo em frente, também se pode admirar a ponte mais famosa da cidade, a Brooklyn Bridge, com suas torres góticas e os cabos que sustentam a enorme e icônica construção.

A famosa Brooklyn Bridge, no sul de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

A famosa Brooklyn Bridge, no sul de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


Nossa ideia era caminhar um pouco sobre a ponte, mas estávamos encima da hora para outro compromisso. Tínhamos agendado uma visita ao Memorial do 11/09, no famoso “Ground Zero”, onde hoje se constroem vários prédios para substituir as antigas torres derrubadas no mais mortífero e cinematográfico atentado terrorista de toda a história. A visita é gratuita, mas como a procura é enorme, é necessário fazer uma agendamento com antecipação, via internet.

Visita ao Memorial do WTC, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

Visita ao Memorial do WTC, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


Eram 17:30 quando iniciamos nossa visita, juntos com outras centenas de pessoas. Assim como os novos prédios, o Memorial ainda não está pronto, mas as enormes piscinas construídas exatamente onde até 12 anos atrás estavam as enormes torres já estão e valem a visita. Na verdade, não são piscinas, mas enormes espaços vazios, cercados por uma cascata de 9 metros de altura. No centro das “piscinas”, um outro buraco por onde escorre a água, aparentemente sem fundo. Uma bela homenagem aos milhares de mortos naquele dia, que tem seus nomes escritos nas lápides de mármore que cercam as piscinas.

Piscina construída onde antes estava a Torre Norte do WTC, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

Piscina construída onde antes estava a Torre Norte do WTC, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


Além das piscinas, é muito interessante também acompanhar a gigantesca obra de construção das novas torres, bem ali do nosso lado, numa obra que nunca para, três turnos por dia. O movimento das aobras é mais do que compensado pela calma inspirada pelas piscinas e pelas centenas de árvores plantadas naquele espaço. Entre elas, uma pereira, a única sobrevivente da época ods atentados. Resgatada por bombeiros, apenas um tronco sem galhos e folhas, a Árvore “ressuscitou” quando foi replantada num parque da cidade. Mas uma forte tempestade quase a matou novamente, arrancando-lhe até as raízes, alguns anos mais tarde. Novamente, ela resistiu, e foi trazida para seu local de origem, onde hoje cresce novamente. Símbolo da resistência contra o terror, uma inocente e maravilhosa pereira. Muito joia!

A única árvore sobrevivente do ataque de 11/09 em Nova Iorque, nos Estados Unidos

A única árvore sobrevivente do ataque de 11/09 em Nova Iorque, nos Estados Unidos


Ainda tínhamos muito o que caminhar. Atravessamos os famosos e boêmios bairros de Tribeca e do Soho, com suas arquiteturas típicas e galerias de arte, ar jovem e descontraído. Fizemos um rápido pit-stop num restaurante com mesas na calçada, para tomar uma taça de vinho acompanhando o ritmo da cidade. Renovados e com a mente mais leve, seguimos até os prédios NYU, a universidade local e, enfim, chegamos a deliciosa Washington Square, a mais movimentada praça do sul da cidade, com seus jardins floridos e um grande chafariz. Local perfeito para assistir ao pôr-do-sol, junto com outras centenas de pessoas despreocupadas com o tempo que passava. Quer dizer, nem todos... A praça é um local famoso para quem gosta de xadrez a são dezenas de mesas onde podemos assistir a duelos mentais entre pessoas e contra o tempo, o relógio sendo parado e ligado a cada nova jogada, uma pressa que contrastava com o ritmo calmo, mas inexorável, do sol se aproximando do horizonte.

Músico na Washington Square, no sul de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

Músico na Washington Square, no sul de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


A bela Washington Square, no sul de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

A bela Washington Square, no sul de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos


Terminado o espetáculo, de volta para o metrô. Poucos minutos mais tarde, e já estávamos na deliciosa confusão de Times Square novamente. Nosso hotel-oásis ali do lado e a gente muito feliz de mais um dia cheio na Big Apple. Amanhã, será mais tranquilo. Um museu pela manhã, encontros com vários amigos pela tarde e os fogos de 4 de Julho pela noite. Tudo depois de uma merecida noite de sono...

Tradicional jogo de xadrez na Washington Square, no sul de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

Tradicional jogo de xadrez na Washington Square, no sul de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos

Estados Unidos, New York, Nova Iorque, Brooklyn, cidade, Ground Zero, história, Staten Island, WTC

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Sossego e Escorregador

Brasil, Bahia, Lençóis (P.N. Chapada Diamantina)

Saltando de cerca de 9 metros de altura na Cachoeira do Sossego, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Saltando de cerca de 9 metros de altura na Cachoeira do Sossego, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Temos uma intensa programação para os próximos dez dias aqui na Chapada. No primeiro dia, hoje, nada de carro nem de guias, apenas caminhadas aqui perto da cidade mesmo. Saímos cedo, depois de farto café da manhã, em direção à Cachoeira do Sossego e ao Ribeirão do Meio, duas das mais populares atrações aqui de Lençóis.

Cenário da subida do rio da Cachoeira do Sossego, com suas águas avermelhadas, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Cenário da subida do rio da Cachoeira do Sossego, com suas águas avermelhadas, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Como fui capaz de encontrar o caminho para lá há vinte anos atrás (e há dez também), imaginei que conseguiria novamente. O caminho continua o mesmo, assim como o rio. O que mudou foi que a cidade cresceu e agora, onde antes era o início da trilha, agora há casas e mais casas. Lençóis cresceu para todos os lados. E o centro mudou também. Para melhor, diga-se de passagem. O casario está muito mais bem conservado e charmoso.

Cenário da subida do rio da Cachoeira do Sossego, com suas águas avermelhadas, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Cenário da subida do rio da Cachoeira do Sossego, com suas águas avermelhadas, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Bom, de volta à trilha, após uns 40 min de caminhada chegamos ao rio. Aí, é só seguir o leito para cima. Às vezes pelas pedras, que é muito mais interessante e bonito, às vezes por uma trilha lateral. Não fosse o calor e a humidade, não seria uma trilha árdua. Mas, com sol na cabeça, cansa sim. Pelo menos, quando chegamos no rio, podemos sempre nos refrescar.

Nadando no poço da Cachoeira do Sossego, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Nadando no poço da Cachoeira do Sossego, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Bom, vamos subindo o rio e o canyon vai se formando, primeiro mais largo e depois vai se afunilando. A cada curva lá na frente, a expectativa que a cachoeira vai aparecer aumenta. Enquanto não aparece, vamos passando por paisagens pitorescas, água cor de coca-cola escorrendo por entre enormes pedras coloridas, esbranquiçadas e avermelhadas. A cada ponto, cenário ideal para fotos, recantos deliciosos para se refrescar. Realmente, é uma caminhada linda!

Refrescando-se na Cachoeira do Sossego, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Refrescando-se na Cachoeira do Sossego, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Por fim, a bela cachoeira aparece, no fundo do canyon. Magnífica! Eu vou envelhecendo, dez, vinte anos, e ela continua lá, no auge da sua glória. Tempos humanos são ridiculamente curtos quando comparados à tempos da natureza. Tempos de rios, de cavernas, de montanhas. Resta à nós tentar aproveitar ao máximo esses ridículos 60-70 anos que temos para conhecer e desfrutar as belezas do nosso mundo.

Pulando de 'paraquedas' na Cachoeira do Sossego, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Pulando de "paraquedas" na Cachoeira do Sossego, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Bem, com esse pensamento em mente, nadamos e mergulhamos na cachoeira de águas vermelhas e quase mornas. Por um momento fugaz de adrenalina, fizemos nossos saltos das grandes alturas. Mergulhei também até o fundo do poço. Fica escuro lá embaixo e quando olhamos para o alto, uma luz meio mágica, avermelhada. É lá que está a vida!

Foto subaquática no poço da Cachoeira do Sossego, para mostrar a cor de Coca-cola da água, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Foto subaquática no poço da Cachoeira do Sossego, para mostrar a cor de Coca-cola da água, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Finalmente, alguns minutos de contemplação daquela maravilha. O que me vem à cabeça é quantas pessoas já não passaram por lá, cada uma com seus pensamentos, suas histórias. Será que os paleoíndios de 10 mil anos atrás já íam lá? E os escravos de 150 anos atrás? Os garimpeiros de 80 anos atrás? Será que eles tinham seus momentos de Sossego também? E os Rodrigos de vinte e dez anos atrás, que legal seria encontrá-los ali, agora...

Seguindo, pelo rio, da Cachoeira do Sossego para o Ribeirão de Cima, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Seguindo, pelo rio, da Cachoeira do Sossego para o Ribeirão de Cima, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Seguindo, pelo rio, da Cachoeira do Sossego para o Ribeirão de Cima, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Seguindo, pelo rio, da Cachoeira do Sossego para o Ribeirão de Cima, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Depois dessas contemplações, viemos descendo o rio, passamos pelo Ribeirão de Cima e chegamos ao Ribeirão do Meio, aonde está o famoso Escorregador. A primeira vez que vi esse lugar incrível foi numa reportagem da eternamente jovem Glória Maria, então jovem mesmo, numa reportagem do Fantástico em 1984! Desde então, fiquei vidrado. Hoje, fo a quarta vez que visitei e me diverti por lá, obra-prima da natureza! Eu e a Ana escorregamos algumas vezes e nos divertimos com alguns gringos mais velhos se comportarem como crianças no escorregador. Por falar em gringos, eles estão dominando por aqui, nessa época. Alemães, franceses, holandeses, etc. Ficam absolutamente embasbacados com a Chapada. Das crianças aos idosos.

Descendo o Escorregador do Ribeirão do Meio, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Descendo o Escorregador do Ribeirão do Meio, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Descendo o Escorregador do Ribeirão do Meio, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Descendo o Escorregador do Ribeirão do Meio, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA


Para fechar a tarde, ficamos assistindo a um dos rapazes locais demonstrar suas habilidades no escorregador. Descia de pé, às vezes com pinta de esquiador, às vezes com pinta de surfista. Impressionante a classe e a marra dele. Com certeza, deve fazer bastante sucesso com as gringas solteiras que vem à Chapada... E nós, felizes da vida do nosso primeiro dia na Chapada Diamantina! Amanhã tem mais...

Descendo de pé o Escorregador do Ribeirão do Meio, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

Descendo de pé o Escorregador do Ribeirão do Meio, em Lençóis, na Chapada Diamantina - BA

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Os Grandes Lagos e o Dilúvio

Canadá, Toronto, Niagara Falls, Estados Unidos, Indiana, Gary, Illinois, Chicago

Admirando orla do lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos

Admirando orla do lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos


Nos últimos dias estivemos viajando por entre os maiores lagos de água doce do mundo, na fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos. Uma região conhecida como “The Great Lakes”, verdadeiros oceanos no coração da América do Norte.

O enorme Lake Ontario, em Niagara-on-the-Lake, no Canadá

O enorme Lake Ontario, em Niagara-on-the-Lake, no Canadá


Ainda me lembro das aulas de geografia de 6ª série. Antes da prova, precisamos decorar o nome dos cinco lagos (que, a rigor, são quatro!). De nada adiantou a decoreba, pois essa questão nem caiu no exame.


Nosso caminho através dos Grands Lagos

O primeiro dos lagos que conhecemos foi justamente o menor deles, o Ontario. Tem “apenas” 19 mil quilômetros quadrados. O equivalente a um quadrado com 140 km de lado! Ou seja, caberiam muitas e muitas São Paulos e Rio de Janeiros aí dentro. É neste lago que está Toronto e foi do alto da CN Tower, a 350 metros de altura, que pudemos ter uma ideia da extensão do menorzinho dos Great Lakes. Mesmo lá do alto, não dá para ver o outro lado.

O lago Ontario em Niagara-on-the-Lake, no Canadá

O lago Ontario em Niagara-on-the-Lake, no Canadá


E é do outo lado que está Niagara-on-The Lake. Foi aí que pudemos nos aproximar do lago e testar sua temperatura. Para nossa surpresa, estava fria, mas não gelada. Completamente “nadável”. Há tanta água nos lagos que a temperatura deles não varia tanto como a de lagos menores. Mesmo no auge do inverno polar que se faz por aqui, o gelo que se forma na superfície não é espesso o suficiente para que uma pessoa patine sobre ele com segurança.

Testando a água do lago Ontario, em Niagara-on-the-Lake, no Canadá

Testando a água do lago Ontario, em Niagara-on-the-Lake, no Canadá


Ainda com uma longa viagem pela frente, tudo o que fizemos no Lago Ontario foi molhar as mãos e admirar sua magnitude. Depois, foi pé na estrada rumo aos Estados Unidos. Os lagos estão bem na fronteira desse país com o Canadá, o limite internacional passando no meio de quatro deles. Apenas o lago Michigan fica completamente em terras americanas.

Praia no lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos

Praia no lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos


Nosso caminho nos levou, ainda dentro do Canadá, ao longo da costa norte do Lago Erie (o segundo menor, com 25 mil quilômetros quadrados) até a fronteira entre os dois países, na estreita passagem de terra entre o Erie e o Lago Huron. Esse último, com 60 mil quilômetros quadrados (quadrado com 240 km de lado!), na verdade está unido com o lago Michigan, por um canal. Em tese, formam um só lago, o maior do mundo de água doce.

As havaianas chegaram até Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos

As havaianas chegaram até Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos


No dia seguinte, após uma passagem relâmpago pelo ponta norte do estado de Indiana (mais um para nossa lista!), chegamos à Chicago, na orla do Lake Michigan, praticamente do mesmo tamanho que seu irmão gêmeo, Huron. Foi aí que pudemos “aproveitar” mais dos lagos. Nessa época do ano, com as altas temperaturas, as praias ficam cheias de banhistas e nós fomos lá conferir.

Praia de lago também tem vendedor de sorvete, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos

Praia de lago também tem vendedor de sorvete, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos


Com a água bem verde e com temperatura parecida com as praias do Rio, passamos uma boa hora por lá, estendidos na areia e dando mergulhos. A nossa volta, uma loja de havaianas (como se estivéssemos em uma praia tropical!) e tiozinhos empurrando seus carrinhos de sorvete. “Nossa, será mesmo que estamos em Chicago?”, era o que a gente se perguntava! No mar (quer dizer, lago) em frente, salva-vidas em barcos a remo impediam que banhistas se aventurassem a mais de 20 metros da orla. Foi a parte chata do programa.

Lago Michigan e salvavida em praia de Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos

Lago Michigan e salvavida em praia de Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos


Banho de chuveiro para afastar o calor em praia de Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos

Banho de chuveiro para afastar o calor em praia de Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos


Mas foi fácil resolver isso. Seguimos caminhando em direção ao centro da cidade, a skyline de Chicago crescendo até o céu sobre a orla do lago e atravessamos uma longa baía, toda de concreto. Aí as pessoas anda de bicicleta, caminham, correm e tomam sol. Aliás, com o sol que estava fazendo, não havia melhor lugar na cidade para se estar. Principalmente porque, do alto da “praia de concreto”, podíamos nos atirar no lago e nadar sem que nenhum salva-vidas viesse nos encher o saco.

Caminhando pela orla do lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos

Caminhando pela orla do lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos


Vão ser as melhores memórias dos Grandes Lagos que vamos guardar. Ainda conhecemos a orla do Lake Michigan mais ao norte, na cidade de Milwaukee. Mas ali, a água não é tão verde como em Chicago. Vai ser engraçado acompanhar (de longe!) as imagens do próximo inverno na cidade e imaginar que nós nadamos tranquilamente nas praias do lago...

Nadando no lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos

Nadando no lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos


Faltou conhecer apenas o Lake Superior, o maior dos grandes lagos, com 82 mil quilômetros quadrados. Fica mais ao norte e, como todos os outros, também foi formado na última era glacial. Quando as geleiras foram retrocedendo, há 15 mil anos atrás, deixaram no seu rastro esses “pequenos” lagos, prova inconteste da enormidade daqueles titânicos lençóis de gelo que cobriam metade do continente.

Saltando nas refrescantes águas do lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos. se fosse no inverno...

Saltando nas refrescantes águas do lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos. se fosse no inverno...


Só por curiosidade, não foi apenas esses lagos que as geleiras deixaram para trás. Não. Na verdade, ocupando boa parte da região central do Canadá, além da parte norte das Great Plains americanas, ficou um lago ainda maior. Maior que todos os grandes lagos somados. Maior até que o Mar Cáspio, na Ásia. Estou falando do lago Agassiz, que hoje já não existe. Toda a sua água “vazou” para o oceano, no mar de Labrador, costa norte do Canadá.

Nadando no lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos

Nadando no lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos


Foi um evento titânico! As geleiras que retrocediam ainda formavam uma espécie de dique, represando as águas do gigantesco lago. Quando o dique natural se rompeu, o lago se esvaziou rapidamente, num evento que pode ter durado poucos anos. O resultado foi uma mudança gigantesca para todo o planeta. Toda aquela quantidade de água doce jogada no mar de uma só vez acabou “desligando” a Corrente do Golfo, mudando os padrões de chuva por todo o mundo, além de aumentar o nível do mar em cerca de dois metros. O curioso é que isso levou a um resfriamento global, há cerca de 12 mil anos, e o dique natural de gelo se refez, possibilitando que o lago se enchesse outra vez. Quando novamente o dique se rompeu e o lago “esvaziou”, nova mudança radical no nível dos oceanos e padrão de chuvas global. Esse segundo evento foi há cerca de 9 mil anos e, muitos cientistas creem, pode estar ligado à criação do mito do dilúvio em diversas culturas humanas espalhadas pelo planeta, desde a Suméria (de onde a Bíblia copiou a história do dilúvio a da arca de Noé) até tribos isoladas na Amazônia.

Saltando nas refrescantes águas do lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos. se fosse no inverno...

Saltando nas refrescantes águas do lago Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos. se fosse no inverno...


Aahnnnnn, como seria bom poder viajar no tempo, e não apenas pelas Américas...

Um pulo para o Lake Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos

Um pulo para o Lake Michigan, em Chicago, estado de Illinois, nos Estados Unidos

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Nossos Companheiros de Expedição

Falkland, Atlântico Sul Falkland

Animação na primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Animação na primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Ao todo, somos pouco mais de 70 “hóspedes” no Sea Spirit, um grupo pequeno de viajantes compartilhando um mesmo sonho: conhecer o sétimo continente. Além do sonho, compartilhamos outras coisa também, pelo menos pelas próximas 3 semanas: a mesma casa, o mesmo espaço, o mesmo navio. Almoçamos e jantamos juntos todos os dias, participamos das mesmas palestras, dividiremos os mesmos zodiacs nos pontos de descida do barco. Um grupo de pessoas de diversas partes do mundo e diferentes idades, cultura e gostos distintos, mas irremediavelmente unidos aqui, no meio do oceano, a milhares de quilômetros da próxima cidade.

O holandês Sail fotografa pássaros um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas

O holandês Sail fotografa pássaros um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas


Começamos a nos conhecer ainda em Buenos Aires, na noite do tango e no city tour pela cidade. Mas foi rápido e superficial, muitas outras coisas para nos distrair a atenção, as pessoas mais se estudando do que falando, geralmente ainda se mantendo entre os conhecidos. Isso porque boa parte dos viajantes veio em casais, em família ou em grupos de amigos e apenas uma minoria de forma solitária.

O brasileiro Gunnar relaxa com um drinque no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Vladimir Selivestov)

O brasileiro Gunnar relaxa com um drinque no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Vladimir Selivestov)


Aqui no navio isso começa a mudar. A convivência é intensa e diária, 16 horas por dia, tirando apenas a noite de sono. Os guias, que já sabem lidar com isso, pois viajam várias vezes por temporada há vários anos, tratam de ajudar a quebrar o gelo. Organizam eventos sociais, como coquetéis e festas. Puxam assunto, perguntam, interagem. Os mais sociais entre nós logo entram no jogo. Rapidamente, já fazem amigos. Os mais tímidos acabam indo na onda. Num espaço tão pequeno, o melhor logo é conhecer as pessoas.

A Val, nossa guia de caiaques, e a escocesa Rowan se confraternizam no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)

A Val, nossa guia de caiaques, e a escocesa Rowan se confraternizam no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)


A simpática Rukimini, representante da Índia na nossa viagem, fotografa o fim de tarde no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Jeff Orlowski)

A simpática Rukimini, representante da Índia na nossa viagem, fotografa o fim de tarde no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Jeff Orlowski)


A grande maioria dos viajantes é mais velha, entre 50 e 65 anos. O próprio preço de uma viagem como essa serve como filtro. Tem de ser gente já “estabelecida” na vida. Mas o nosso barco veio vazio, talvez por ter sido o primeiro da temporada e também, o primeiro a sair de Buenos Aires. O normal para esse tipo de expedição é zarpar de Ushuaia. A Quark resolveu fazer essa experiência esse ano e não sei se ficaram muito felizes com o resultado...

A Cheli, líder da expedição, apresenta o capitão do nosso barco durante evento no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Vladimir Selivestov)

A Cheli, líder da expedição, apresenta o capitão do nosso barco durante evento no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Vladimir Selivestov)


Durante coquetel, conhecendo o 1o e o 2o capitão do navio, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Durante coquetel, conhecendo o 1o e o 2o capitão do navio, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Enfim, nós ficamos. De qualquer maneira, pelo pequeno número de passageiros, a empresa baixou os preços pela metade poucas semanas antes do início da viagem. Com isso, mais gente apareceu. Agora sim, um pessoal mais jovem. Ao todo, uns vinte de nós. Digo “nós”, mas na verdade, com meus 44 recém feitos, estou a meio caminho dessas duas gerações que se encontram aqui no Sea Spirit. Além disso, eu e a Ana já tínhamos garantido nossos lugares antes que o desconto fosse oferecido. Isso por causa do caiaque, que queríamos fazer de qualquer maneira. Vou falar disso no próximo post.

Fazendo amizades no navio. Essa é a sul-africana Kim, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Fazendo amizades no navio. Essa é a sul-africana Kim, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Conversando com o Gunnar, o outro brasileiro que participa da expedição. (no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas)

Conversando com o Gunnar, o outro brasileiro que participa da expedição. (no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas)


Bem, rapidamente, esses jovens trataram de se enturmar. Não só os jovens, mas também alguns representantes da 3ª idade que são muito mais sociais e animados do que eu, que sempre joguei no time dos tímidos. Para compensar isso, a minha amada esposa joga no time dos super sociais. Então, basta eu grudar nela que me arranjo também. Assim tem sido nesses 1000dias por toda a América e não seria diferente por aqui.

Nossos guias preparados para uma 'Festa da Fantasia' no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)

Nossos guias preparados para uma "Festa da Fantasia" no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)


Nossos guias demonstram que também tem outras habilidades, durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Nossos guias demonstram que também tem outras habilidades, durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


As refeições no navio são sempre uma boa oportunidade de conhecer os outros viajantes. Os guias tem como norma tentar variar de mesas todos os dias, de novo com o intuito de ajudar nessa interação. Mas nós, passageiros, sentamos onde quisermos (desde que haja espaço, claro!). São diversos tamanhos de mesa no restaurante e podemos ficar a sós, num grupo pequeno de 4-5 pessoas ou num grupo maior, de até 8 pessoas. De refeição em refeição, vamos conhecendo mais gente e um padrão vai se estabelecendo: todo mundo aqui é muito viajado. Até por isso é que estão aqui. Depois de tantos lugares, falta a Antártida!

Todo mundo se divertindo na nossa primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Todo mundo se divertindo na nossa primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Animação na primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Animação na primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Como já falei em outro post, americanos, britânicos e australianos são as nacionalidades mais comuns. Fatores variados explicam isso. A própria empresa “fala” inglês, o que atrai os anglófilos e afasta os francófonos, por exemplo. O preço da viagem também acaba filtrando, atraindo mais gente de países desenvolvidos. E o fato do nosso percurso passar pelas Malvinas, ou melhor, Falkland nesse caso, é um grande atrativo para os britânicos.

Confraternizando durante nossa primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Confraternizando durante nossa primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


A Ana, feliz da vida, na nossa primeira festa da viagem, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

A Ana, feliz da vida, na nossa primeira festa da viagem, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Mas outras nacionalidades estão representadas também. Holandeses, como nosso amigo Sail, que veio sozinho e se encaixa naquela categoria de 3ª idade bastante animada, finlandeses, japoneses, um simpático casal indiano, uma falante sul-africana e um único representante da América Latina além de nós, o Gunnar, brasileiro também. Muito simpático, descendente de suecos e viajante inveterado, já esteve no dobro de países que eu estive (e eu conheço quase 100!) e só na Antártida já esteve mais de 10 vezes. Com tanta bagagem, não vai faltar assunto pelas próximas 3 semanas, seja com ele, seja com tantos outros viajantes profissionais a bordo!

A Ana durante a primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)

A Ana durante a primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)


Além das refeições a equipe da Quark trata de nos animar com eventos sociais. Na nossa segunda noite a bordo, houve um coquetel de boas-vindas, chance de conhecermos o nosso capitão ucraniano, o Oleg. Muito simpático, ele e a Cheli, a líder da nossa expedição, já se conhecem de outras viagens e fizeram várias piadas e gozações entre si, ajudando a descontrair o ambiente. Foi joia e também a nossa chance de fazer aquela clássica foto com o capitão do navio.

Noite de festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Noite de festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Com a Kim, Greg e Anna durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Com a Kim, Greg e Anna durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Já na terceira noite no navio, fomos surpreendidos com uma grande festa da fantasia. Todos os nossos guias vestiam suas perucas e óculos ridículos que haviam trazido para esse fim e foi engraçado vê-los assim, depois da sobriedade das palestras pela manhã. Muita música, muita dança, muitas fotos, muita cerveja e outras bebidas, logo todo mundo estava no clima. Não só no clima, mas também nas fantasias, as perucas circulando a ajudando a animar e descontrair as pessoas.

Com a Rowan e o Dave durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Com a Rowan e o Dave durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Com a Anna e o Greg, casal americano, durante uma Festa da Fantasia no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Com a Anna e o Greg, casal americano, durante uma Festa da Fantasia no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Esses três dias no navio, incluindo os dois eventos sociais, já nos ajudaram a ver quem é quem. Grupos mais animados começam a se formar, aqueles que sempre vão se encontrar depois do jantar para dar uma esticada no bar. Entre eles, claro, minha querida esposa, a sul-africana Kim, a escocesa Rowan, os americanos Brian e Sara, o holandês Sail, entre outros. De modo geral, é uma turma ótima e a convivência com tanta gente interessante assim deve tornar essa viagem ainda mais especial, tenho certeza!

No sentido horário, a Kim (sul-africana), Rowan (escocesa), Sara (americana) e a Ana (brasileira) na nossa primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

No sentido horário, a Kim (sul-africana), Rowan (escocesa), Sara (americana) e a Ana (brasileira) na nossa primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

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