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SHUFFLE Há 1 ano: Bermuda Há 2 anos: Bermuda

Aprendendo Mais Sobre Bahamas

Bahamas, New Providence - Nassau, Eleuthera - Harbour Island

Existem duas maneiras de eu aprender sobre um país. Uma, lendo no livro. O nosso guia, Lonely Planet é jóia e dá uma boa idéia sobre história, geografia e noções gerais do país. O outro modo, ainda mais interessante, é conversando com as pessoas, passeando, observando, se alimentando, enfim, vivenciando o país.

Hoje, 05:15 da madrugada, um motorista de táxi nos esperava na porta do nosso hotel. São 20 minutos de carro, neste horário, até o aeroporto. Depois de uma sondada inicial e perceber que o sujeito era simpático, comecei a disparar perguntas sobre o país, para tentar saciar minha insaciável curiosidade sobre outras culturas e países, no caso, a bahamense. Eis o que descobri:

- Das cerca de 700 ilhas que formam o país, apenas umas 20 são habitadas

- Só existe uma universidade no país. Uma universidade para uma população de 300 mil habitantes não está mal! Ela fica em New Providence. Portanto, é para lá que vão todos os estudantes do país que chegam ao 3o grau.

- Depois de Bahamas, nós vamos para um país conhecido por muito poucas pessoas no país: Turks e Caicos. Quem se der o trabalho de ver no mapa (em breve, teremos um mapa iterativo bem legal na Home do nosso site!), vai ver que sse pequeno país fica na ponta sul de Bahamas. E vai ficar curioso de porque ele não faz parte de Bahamas. Eu fiquei! O motorista disse que, na verdade, até 73 eles eram um país só. Quando Bahamas conseguiu sua independência, essas ilhas do sul preferiram se manter ligadas à Inglaterra. Hoje em dia, há gente por lá querendo que o país volte a ser Bahamas.

- São 85% de negros e 15% de brancos aqui. Os brancos formam a elite do país. Mas não há problemas raciais e todos frequentam as mesmas escolas.

- Imigrantes do Haiti e da Jamaica, mesmo após perderem o sotaque de seus países, são facilmente reconhecidos pela sua dentição. Os bahamenses tem a dentição perfeita, ao contrário dos imigrantes.

- Todos os restaurantes estão fechados após às dez da noite, em downtown.

- Jamais peça direções a um bahamense. E, se pedir, desconfie.

- Por fim, e isso não foi informação do motorista de táxi, o pessoal daqui é muito simpático. Desde a moça que trabalha no hotel até o motorista de táxi.Desde o dono da liquor store até o guarda do McDonalds. A única exceção foi a motorista do ônibus da Stuart Cove, que implicou com a Ana, mas não comigo.

Bahamas, New Providence - Nassau, Eleuthera - Harbour Island,

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O Último Dia em Yellowstone

Estados Unidos, Wyoming, Yellowstone National Park, Montana, West Yellowstone

Bisões, símbolo do Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos

Bisões, símbolo do Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos


Começamos o dia de hoje como havíamos feito ontem: do mesmo lugar onde tínhamos parado no dia anterior. A diferença foi que, dessa vez, saímos de mala e cuia do nosso simpático hotel na pequena West Yellowstone, na entrada do parque voltada ao estado de Montana. A ideia era, depois da programação no parque, já seguir para o norte, na direção do Glacier National Park, nosso próximo destino, já na fronteira com o Canadá.

A Upper Falls, no Grand Canyon of Yellowstone, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos

A Upper Falls, no Grand Canyon of Yellowstone, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos


Escadaria para o mirante das Lower Falls, no Grand Canyon of Yellowstone, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos

Escadaria para o mirante das Lower Falls, no Grand Canyon of Yellowstone, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos


Assim, como havíamos terminado o dia de ontem no fantástico Grand Canyon of Yellowstone, foi para lá que seguimos. O lugar é tão lindo que faríamos tudo de novo com prazer. Mas o que queríamos mesmo era ir aos mirantes onde não havíamos estado, além de poder ver aquela maravilha da natureza iluminada com o sol da manhã, ao invés daquela luz do fim de tarde.

as magníficas Lower Falls, no Grand Canyon of Yellowstone, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos

as magníficas Lower Falls, no Grand Canyon of Yellowstone, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos


Hoje fomos ao outro lado do rio (os americanos colocam estradas e trilhas em todos os lados possíveis) e pudemos ver mais de perto as Upper Falls, que ontem só tínhamos visto de bem longe. Mas, mais legal ainda, foi poder descer as centenas de degraus de uma escada de metal pendurada nas encostas do canyon para poder ver, quase de frente, as imponentes Lower Falls.

No mirante das Lower Falls, no Grand Canyon of Yellowstone, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos

No mirante das Lower Falls, no Grand Canyon of Yellowstone, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos


Por fim, seguimos para o mais famoso dos mirantes, o “Artist Point”, de onde se tem uma visão ampla do canyon amarelo com a cachoeira ao fundo. O nome do mirante vem dos incontáveis pintores que já passaram por ali, tentando retratar aquela paisagem impressionante que se tem diante dos olhos. Nós, mais modernos e menos pretensiosos, tentamos “retratar” mesmo com a nossa Nikon. Fica menos artístico da nossa parte, mas deixamos toda a arte nas mãos da natureza. E que natureza!

Uma verdadeira pintura, o Grand Canyon of Yellowstone, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos

Uma verdadeira pintura, o Grand Canyon of Yellowstone, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos


Após esses momentos de puro êxtase visual, seguimos em frente pelas estradas do parque, explorando a parte norte de Yellowstone. É uma área menos visitada por turistas e, por isso mesmo, com mais chances de ver animais. Dito e feito, lá estavam os bisões, em diversas manadas.

Manada de bisões no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos

Manada de bisões no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos


Bisão entra na frente da Fiona no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos

Bisão entra na frente da Fiona no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos


Algo faz bem ao nosso espírito quando vemos esses grandes animais vagando pelos campos, tranquilamente, aqui em Yellowstone. A mesma imagem que se via há milhares de anos, é como se voltássemos ao passado. Eles parecem combinar muito mais com a paisagem do que os carros e turistas que se movimentam pelas estradas. Aqui, pelo menos, são eles que tem a preferência e hoje, por mais de uma vez, fomos testemunhas de grandes grupos de bisões cruzando as pistas de rodagem enquanto carros e turistas aguardavam, pacientemente e com suas máquinas fotográficas em ação, que eles voltassem para a relva.

Tronco de Redwood petrificado há 30 milhões de anos, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos

Tronco de Redwood petrificado há 30 milhões de anos, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos


Outro ponto visitado (parece que as atrações de Yellowstone não tem fim!) foi a da floresta petrificada. Na verdade, é uma floresta de uma árvore só, uma Redwood, parente daquelas árvores da Califórnia que são as mais altas do mundo. Essa daqui vivia muito bem até 30 milhões de anos atrás, quando foi enterrada por uma erupção vulcânica. Não foi uma super erupção, pois essas só começaram há dois milhões de anos, nesta área. Uma erupção “normal”, o bastante para soterrar rapidamente toda uma floresta de árvores gigantes. Algumas acabaram se fossilizando e, quando foram descobertas, eram três exemplares, há cerca de 100 anos. Dois deles se foram, graças aos caçadores de relíquias e lembranças. A última foi protegida, pelo exército e por uma grande cerca, e continua de pé, como se ainda fosse nova. Nós já estivemos em outros lugares admirando árvores petrificadas, mas esta foi a primeira que vimos na sua posição original, ainda plantada ao chão. Sem folhas ou galhos, apenas a parte de baixo do tronco, parece que foi incendiada há poucos meses, e não que tenha sido vítima de um vulcão há 30 milhões de anos. Impressionante!

Mammouth Springs, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos

Mammouth Springs, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos


Algumas poucas cachoeiras depois e chegamos na última grande atração do parque que ainda não havíamos visitado, a Mammouth Springs. O nome vem do grande tamanho dessa fontes termais que construíram, literalmente, uma montanha de terraços de calcita. Para nós, acostumados a ver essas formações em cavernas, foi impressionante ver algo desse porte.

Incríveis terraços de calcita na região das Mammouth Springs, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos

Incríveis terraços de calcita na região das Mammouth Springs, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos


A paisagem das gigantescas Mammouth Springs, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos

A paisagem das gigantescas Mammouth Springs, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos


Novamente, o que chama a atenção são as cores fortes da paisagem. Amarelo, vermelho e branco formam um caleidoscópio de cores bem definidas nos diversos andares de terrações, alguns formados nos últimos meses, outros nos últimos anos e outros ao longo dos últimos séculos. As fontes mudam constantemente de lugar, criando novos terraços e deixando outros secos. A vegetação avança sobre os antigos, mas perece onde crescem os novos. Como tudo em Yellowstone, um incansável processo de nascimento, crescimento, morte e renovação, seja da vida, seja da geologia. Difícil imaginar algum outro lugar do planeta onde esse processo fique mais claro.

A impressionante paisagem de Mammouth Springs, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos

A impressionante paisagem de Mammouth Springs, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos


Novas fontes termais matam árvores em Mammouth Springs, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos

Novas fontes termais matam árvores em Mammouth Springs, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos


Agora, já no final da tarde, deixamos esse parque espetacular e o belo estado de Wyoming para trás. É o típico do lugar que tenho aquela forte sensação de que, um dia, voltaremos. Seja com os filhos, netos ou sós. Aliás, Yellowstone é um lugar que todas as pessoas deveriam ver antes de morrer. Como dizem em inglês: “A must see destination”

Feliz e impressionado com o Grand Canyon of Yellowstone, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos

Feliz e impressionado com o Grand Canyon of Yellowstone, no Yellowstone National Park, no Wyoming, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Wyoming, Yellowstone National Park, Montana, West Yellowstone, Bichos, Canyon, Parque, trilha

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O Passado Mais Que Presente

Argentina, Cueva de Las Manos

Mãos esquerdas (a grande maioria) e direitas pintadas em um dos tetos da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Mãos esquerdas (a grande maioria) e direitas pintadas em um dos tetos da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Os estudiosos estão apenas começando a compreender o que as centenas de pinturas localizadas num paredão perdido de um canyon esquecido de uma remota região da patagônia argentina querem dizer. A Cueva de Las Manos é um dos mais surpreendentes sítios arqueológicos das Américas e deveria estar no roteiro de todos os viajantes que se aventuram pela região sul da Argentina.

Paredes e tetos pintados na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Paredes e tetos pintados na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Pinturas no teto da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Pinturas no teto da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Há cerca de 10 mil anos grupos indígenas começaram a ocupar essa área e deixar suas marcas em sítios da região. A Cueva de Las Manos é apenas o mais importante e conhecido desses sítios. A datação das pinturas mais antigas na pequena gruta e paredes do canyon ao seu redor é uma das indicações mais fortes de que o homem teria chegado às Américas bem antes do que diz a teoria ainda mais aceita, de que teriam entrado pelo estreito de Bering há cerca de 14 mil anos. Afinal, se já havia tribos aqui no sul da Patagônia pintando paredes há 10 mil anos, essa chegada ao continente deve ter sido bem anterior.

Algumas das mais de 800 mãos pintadas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Algumas das mais de 800 mãos pintadas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Painel com uma das maiores concentrações de mãos na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Painel com uma das maiores concentrações de mãos na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Como o próprio nome indica, o principal tema das pinturas do sítio arqueológico são “mãos”. Das pouco mais de 1.000 figuras, 800 são mãos e 90% delas são mãos esquerdas. A grande maioria dos desenhos é feita com a técnica chamada de “negativa”. O artista colocava sua própria mão sobre a parede ou teto e soprava sobre ela a tinta armazenada em um tubo. A parede ficava pintada, assim como a mão do artista, mas quando ela era retirada da parede, aí deixava a sua marca, uma área exatamente com a sua forma e livre de tinta. Por isso há uma quantidade bem maior de mãos esquerdas: os artistas seguravam o tubo com tinta com suas mãos direitas, pois eram destros!

Mãos no estilo negativo pintadas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Mãos no estilo negativo pintadas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Dezenas da mãos pintadas razão do nome dado à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Dezenas da mãos pintadas razão do nome dado à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Uma mão com seis dedos na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Uma mão com seis dedos na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Há também algumas mãos pintadas na técnica positiva, onde o artista simplesmente mergulhava sua mão na tinta e a colocava na parede. Como curiosidade, entre as 800 mãos pintadas, há uma de seis dedos, um dos pontos altos de toda visita por lá. Há também patas de animais, principalmente de choiques (as nossas emas), um dos itens principais no cardápio daquele povo.

Pinturas com mais de 8 mil anos de idade na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Pinturas com mais de 8 mil anos de idade na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Algumas das mais de 800 mãos pintadas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Algumas das mais de 800 mãos pintadas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Os estudiosos dizem que a pintura de mãos corresponde a uma primeira fase desse antigo povo, provavelmente a mais longa, que teria durado milhares de anos. Na próxima fase, o principal tipo de pintura era a representação de animais, aspectos de sua vida e também de caçadas. Além dos choiques, também chamados de ñandus na Argentina, a outra refeição predileta desses antigos habitantes eram os guanacos. Mas também há peixes, pássaros e tartarugas representadas nas paredes. Por fim, numa última fase, bem mais recente, as pinturas se tornaram mais abstratas, linhas, círculos e caracóis. Pelo que se sabe, pessoas habitaram o local até o ano de 1.300 da nossa era. Depois, provavelmente, o clima cada vez mais seco não sustentava a vida de grupos humanos por ali. A caverna passou a ser apenas abrigo temporário de quem passava por ali e já não mais se interessa por pinturas. Foi preciso esperar até a metade do séc. XIX para que ela fosse “redescoberta”, agora por exploradores da patagônia. E foi apenas 100 anos mais tarde, na década de 50 do século passado, que a Cueva de Las Manos começou a atrair cada vez mais estudiosos e turistas.

Muitas pinturas nos tetos da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Muitas pinturas nos tetos da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Animais pintados nas paredes da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Animais pintados nas paredes da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Animais pintados nas paredes da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Animais pintados nas paredes da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


As pinturas são policromáticas e as cores mais comuns são o vermelho e o negro. Mas há também o branco e o amarelo. As tintas eram feitas de minerais, pedra moída, vegetais e até de sangue de animais. O efeito de todas essas cores na parede é lindo e, mesmo depois de tanto tempo, elas ainda estão bem vivas. Bem difícil acreditar que algumas têm quase 10 mil anos de idade! O clima seco patagônico certamente ajudou muito na conservação. A sensação que temos é que o passado está bem presente, ali, na frente dos nossos olhos e quase ao alcance de nossas mãos.

Além das mãos, também há pinturas abstratas (mais recentes) na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Além das mãos, também há pinturas abstratas (mais recentes) na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Detalhe de pintura na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Detalhe de pintura na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Uma outra coisa que logo nos chama a atenção é a quantidade de figuras, especialmente em algumas partes do sítio. Muitas vezes elas estão interpostas, uma acima da outra. Ao longo dos milênios, os artistas foram ficando sem espaço para pintar, aparentemente. Mas a força espiritual e a magia dessas pinturas e seus rituais não poderia parar. Tudo indica que elas tinham alguma conotação religiosa. Talvez o agradecimento de alguma caçada com sucesso ou batalha vitoriosa, talvez o pedido por mais chuva na próxima estação.

Uma das raras mãos amarelas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Uma das raras mãos amarelas na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Pinturas negras e vermelhas (as mais comuns) no estilo negativo na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Pinturas negras e vermelhas (as mais comuns) no estilo negativo na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Infelizmente, algumas “pinturas” não são assim, tão antigas. Tem apenas algumas décadas de idade. Turistas que quiseram deixar suas marcas por lá também. Mas não são tantas assim. E hoje quase toda a parede é cercada. Além disso, só se pode entrar lá acompanhado de guias e em grupos pequenos. O guia caminha conosco desde a portaria até as primeiras pinturas num trecho de 500 metros e, depois, adiante, por outros 600 metros de passarela pelo trecho onde há paredes pintadas. Ao final, voltamos todos pelo mesmo caminho.

Plataforma de madeira construída para se poder admirar e estudar as pinturas rupestres da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Plataforma de madeira construída para se poder admirar e estudar as pinturas rupestres da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


As crianças suíças que nos acompanharam na visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

As crianças suíças que nos acompanharam na visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


No nosso caso, foi um pouco diferente. Eu e a Ana fomos disparando perguntas todo o tempo, enquanto o casal de argentinos que estava no nosso grupo não parecia tão interessado. Algumas fotos no início e depois preferiam fazer as famosas selfies. Além de nós, o casal de suíços com seus filhos. Os pais sim, estavam interessados, mas tinham de dividir sua atenção com os filhos que, ainda muito jovens, pareciam se divertir mais correndo para lá e para cá. Depois que passamos pelos trechos mais interessantes, eles já queriam regressar. O guia pensou bem, creio que concluiu que eu e a Ana éramos confiáveis e deixou que continuássemos até o fim sozinhos, enquanto ele retornava com os suíços e argentinos.

Pinturas com mais de 8 mil anos de idade na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Pinturas com mais de 8 mil anos de idade na Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Admirando a paisagem ao redor da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Admirando a paisagem ao redor da Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


E assim, num golpe de sorte, depois de ter todas as explicações que queríamos, tivemos alguns momentos para desfrutar de toda aquela maravilha a sós. Se ontem de noite eram as estrelas que faziam a ligação desse mundo que desapareceu comigo, hoje era algo ainda mais palpável: essas centenas de mãos e cenas pintadas na parede, ali tão perto. Para cada uma que eu olhava, ficava imaginando o momento em que foram pintadas, o que passava na cabeça do artista, as questões e dúvidas que o afligiam, o que ele comeria no jantar, onde e como dormiria, como funcionava a sua sociedade. Enfim, se quisesse (e tivesse tempo!), poderia passar meses ali! Foram minutos mágicos!

Além das pinturas, também se pode admirar as flores no passeio à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Além das pinturas, também se pode admirar as flores no passeio à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Além das pinturas, também se pode admirar as flores no passeio à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Além das pinturas, também se pode admirar as flores no passeio à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Flores contra um céu bem argentino durante nossa visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Flores contra um céu bem argentino durante nossa visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Mas tínhamos de voltar. Além das pinturas nas paredes, a paisagem do canyon ao nosso lado era espetacular. As paredes do outro lado do vale, o oásis verde 80 metros abaixo de nós e as flores silvestres que cresciam ali do lado (viva a primavera!). Depois de tantas fotos de mãos e de figuras pintadas na parede, foi bom intercalar com fotos de paisagens, de flores e, claro, de selfies.

Uma selfie durante a visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Uma selfie durante a visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Muito felizes com a visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Muito felizes com a visita à Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina


Fomos voltando vagarosamente, nos detendo nos lugares com maior concentração de figuras. Por fim, encontramos nosso guia novamente. Ele queria estar conosco quando regressássemos à portaria. De lá, ainda sedados com tanta coisa que tínhamos acabado de ver, 10 mil anos de história em nossos cérebros e mentes, caminhamos de volta para a Fiona através do canyon. Pausas no rio lá em baixo e no alto das paredes, já do outro lado. Depois, pé na estrada porque algumas centenas de quilômetros nos esperavam. Não iria faltar assunto para conversar durante a longa viagem...

Visita à incrível Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Visita à incrível Cueva de Las Manos, no sul da patagônia, na Argentina

Argentina, Cueva de Las Manos, arqueologia, história, Patagônia

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Chegando à Chapada das Mesas

Brasil, Tocantins, Araguaína, Maranhão, Carolina (P.N. Chapada das Mesas)

Mesa em laje alagada nas Cachoeiras Gêmeas, região de Carolina, na Chapada das Mesas - MA

Mesa em laje alagada nas Cachoeiras Gêmeas, região de Carolina, na Chapada das Mesas - MA


Depois de um café da manhã sortido e profissional como há muito não víamos, cruzamos todo o movimentado centro de Araguarina para pegar a estrada em direção à Carolina, já no Maranhão. Araguaína, hoje a segunda maior cidade de Tocantins, começou a se desenvolver após a construção da estrada Belém-Brasília. Outra cidade que também se beneficiou com esta estrada foi a maranhense Imperatriz. Antes disso, era Carolina a grande metrópole da região. Hoje, ela é de 5 a 10 vezes menor que suas duas grandes "vizinhas".

Igreja em Araguaína - TO

Igreja em Araguaína - TO


São pouco mais de 100 km entre Araguaína e Filadelfia, a cidade em Tocantins de onde se pega a balsa para cruzar o rio e chegar ao Maranhão e à Carolina. Nós ficamos impressionados com a paisagem na estrada. Acabou a amazônia e começou o cerrado e a gente nem tinha percebido! Acho que foi porque os últimos 150 quilômetros, ontem, foram no escuro. E, antes disso, já não havia mas a amazônia. Mas ali a causa era outra: desmatamento. Enfim, agora estávamos em pleno cerradão! Vai ser a paisagem que nos acompanhará nas próximas semanas, com certeza.

Represa transbordando em Filadelfia - TO

Represa transbordando em Filadelfia - TO


Para chegar ao atracadouro da balsa em Filadelfia, demos de cara com outro problema que aflige a região. O rio está muito mais alto, alagando o porto e as ruas próximas e não é culpa da chuva. Não, a culpa é da barragem e hidrelétrica de Estreito, algumas dezenas de quilômetros rio acima. Agora, não haverá mais épocas de rio baixo e rio alto por aqui, conforme as estações e as chuvas. Vai estar sempre alto. E, com isso, acabaram-se as praias fluviais da região. Pior para os banhistas, pior ainda para os barqueiros, que viviam da renda de trazerem pessoas do outro lado do rio para as praias. Sem praias, sem clientes. Sem clientes, sem renda. Pois é, quando se faz uma barragem, mexe-se na vida de muita gente...

Carolina - MA e a Chapada das Mesas ao fundo, visto de Filadelfia - TO

Carolina - MA e a Chapada das Mesas ao fundo, visto de Filadelfia - TO


Curtindo as Cachoeiras Gêmeas, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Curtindo as Cachoeiras Gêmeas, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Quanto à nós, instalamo-nos na Pousada das Lajes e, querendo aproveitar a tarde ensolarada, fomos para as cachoeiras Gêmeas, distantes 30 km de Carolina. Em grandes feriados, o local pode receber quase mil pessoas, que chegam em caravanas de ônibus. Mas hoje, erámos nós e mais quatro pessoas. Uma delícia!

Curtindo as Cachoeiras Gêmeas, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Curtindo as Cachoeiras Gêmeas, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA


Aqui também o rio estava mais cheio e a água passava sobre uma laje onde há várias mesas chumbadas. Ali ficamos, os pés dentro d'água, comendo tiragostos e admirando aquelas duas cachoeiras lindas. A temperatura não poderia ser mais agradável e foi uma tarde maravilhosa para comemorar nosso retorno à região nordeste, por onde tanto viajamos há alguns meses. Será um retorno rápido, para conhecer a região do Parque Nacional da Chapada das Mesas, localizado no sul do Maranhão e ainda tão pouco conhecido dos brasileiros. Amanhã, devidamente acompanhados de um guia, vamos explorar o coração do parque, mais de 100 km de estradas de terra e muitas cachoeiras e rios no caminho!

Nadando no lago abaixo das Cachoeiras Gêmeas, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Nadando no lago abaixo das Cachoeiras Gêmeas, na Chapada das Mesas, região de Carolina - MA

Brasil, Tocantins, Araguaína, Maranhão, Carolina (P.N. Chapada das Mesas), Cachoeiras Gêmeas

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Mamirauá, Uacari e o Grande Herói

Brasil, Amazonas, Mamirauá

Nosso último e magnífico nascer-do-sol na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Nosso último e magnífico nascer-do-sol na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Desde que lemos o relato de um amigo sobre sua viagem ao Mamirauá, há alguns anos, esse lugar passou a fazer parte do roteiro da expedição 1000dias. Agora, mais de três anos depois e de muita ansiedade e vontade, chegou a hora de vermos com os próprios olhos e conhecermos a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Mamirauá, exemplo para tantas outras reservas de preservação espalhadas pelo Brasil e uma verdadeira inspiração para quem conhece seus rios e lagos, sua flora e fauna, seu ecossistema único e, principalmente, a história da sua criação e de seu idealizador, criador e primeiro diretor, José Márcio Ayres.

Encontro com macacos na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas

Encontro com macacos na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas


Aos seis anos de idade, em uma fazenda do Pará, José Ayres viu pela primeira vez um macaco vivendo livre na natureza. Desde então, decidiu que seria um “estudioso dos macacos”. O que os adultos pensavam ser uma mania de criança acabou mesmo virando um trabalho muito sério de adulto. José Ayres se formou em Ciências Biológicas na USP de Ribeirão Preto, em 1976, com interesse na área de primatologia. Um de seus primeiros empregos: diretor do pequeno zoológico da cidade. Foi nesse cargo que ele viajou à Europa para visitar outros zoológicos. E em Colònia, na Alemanha, teve o encontro que mudaria a sua vida. Foi lá que viu, pela primeira vez, um Uacari, ou “english monkey”, como é conhecido por lá. A razão do apelido vem do corpo coberto de pelos brancos, mas com o rosto pelado, bem vermelho, muito semelhante a um inglês depois de ter tomado alguns copos de gim.

Pintura do macaco Uacari, símbolo da Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas

Pintura do macaco Uacari, símbolo da Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas


José Ayres ficou inconformado que ele, um primatólogo brasileiro, fosse conhecer esse macaco que vive na Amazônia brasileira em um zoológico europeu! Decidiu que seu doutorado, a ser realizado em Cambridge, na Inglaterra, seria sobre esse magnífico animal. E foi assim que, em suas pesquisas de campo, ele acabou chegando à região do Mamirauá, local onde vivem os Uacaris. Meses de estudo o fizeram se apaixonar por essa região e perceber que se ela não fosse protegida, esses macacos e muitas outras espécies seriam, em breve, extintos.

Revoada de pássaros na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Revoada de pássaros na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Na época, final dos anos 80, a solução para essa questão seria a criação de um Parque Nacional. Mas havia um problema: havia milhares de moradores na região e a criação de um Parque Nacional preconizava a saída desses moradores da área. Não era o que queria ou imaginava José Ayres. Ao contrário, ele contava com a ajuda desses moradores para a preservação da flora, fauna e ecossistema onde moravam. Ele imaginava um novo modelo de preservação, onde homens e natureza convivessem de forma sustentável. Dessa ideia e de sua luta em implantá-la nasceu um novo tipo de entidade, a chamada Reserva de Desenvolvimento Sustentável, que define uma área com muitas características semelhantes a um Parque Nacional, mas onde sua população original continua a morar, inclusive com suas atividades de agricultura, criação e extrativismo e mesmo caça e pesca, desde que dentro de parâmetros sustentáveis. Esse parâmetros são definidos através de estudos de impacto na flora e fauna, até a medida em que espécies de plantas e animais continuem a prosperar.

Família se diverte durante nossa visita à comunidade localizada na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas

Família se diverte durante nossa visita à comunidade localizada na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas


A Reserva do Mamirauá foi a primeira nesse novo modelo, servindo de exemplo para dezenas de outras que foram criadas desde então. A natureza e as populações locais agradecem a luta desse homem que fez uma incansável peregrinação por escritórios e auditórios, institutos e universidades, no Brasil e no exterior, para conseguir implantar sua ideia inovadora. Muita conversa com políticos e burocratas levou a criação, em 1990, da Estação Ecológica do Mamirauá que, em 1996, transformou-se na Reserva do Mamirauá. Nos anos seguintes, foi a vez de sua “irmã” mais nova e vizinha, Amanã. A fama do biólogo, de seus macacos, de seu trabalho e da Reserva ganhou fronteiras, atraindo a atenção do mundo. Em 2002, por exemplo, Mamirauá foi visitada por Peter Gabriel, Bill Gates e pelo então presidente, Fernando Henrique Cardoso, que foi logo cativado pelo jeito simples e brincalhão de José Ayres. Quem os viu caminhando juntos pela reserva podia jurar que eram amigos de longa data.

Visita à comunidade ribeirinha na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Visita à comunidade ribeirinha na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Infelizmente, como bem diz o ditado popular, a chama que brilha mais forte, brilha por menos tempo. José Ayres driblou encontros com onças durante pesquisas no Mato Grosso ou com tribos perigosas em Borneo, mas sucumbiu prematuramente de câncer, aos 49 anos, no ano de 2003. Foi um ano de muita luta, num hospital de Nova York. Daí, ele só saiu duas vezes nos últimos meses: a primeira, para receber um dos seus inúmeros prêmios internacionais, dessa vez no Japão; a segunda, para passar uma última temporada no Mamirauá, 15 dias no paraíso que havia ajudado a criar. Que sua vida e luta inspirem muitos brasileiros...

Apresentação sobre a Reserva do Mamirauá (na Pousada Uacari, perto de Tefé, no Amazonas)

Apresentação sobre a Reserva do Mamirauá (na Pousada Uacari, perto de Tefé, no Amazonas)


Dez anos após a morte de seu criador, justamente atrás de muita inspiração e aprendizado, somos nós que chegamos ao Mamirauá. Com cerca de 11 mil quilômetros quadrados, apenas 35 deles aptos para o turismo, o restante destinados à pesquisa, preservação e uso controlado pelos habitantes das comunidades locais. Nessa área encontram-se mais de 400 espécies de árvores, 35 espécies de mamíferos, 361 tipos de aves e 79 espécies de répteis, sem contar os milhares de tipos de insetos, peixes e plantas menores, um verdadeiro tesouro natural. Além disso, com diversas comunidades ribeirinhas, cerca de 5 mil pessoas que vivem em regime de sustentabilidade com a natureza, dela extraindo o seu ganha-pão, na maneira imaginada primeiramente por José Ayres.

Chegando à Pousada Uacari, nossa casa pelos próximos 5 dias na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas

Chegando à Pousada Uacari, nossa casa pelos próximos 5 dias na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas


A maneira de nós, turistas, conhecermos esse paraíso, é através da Pousada Uacari, a única na Reserva. A pousada não tem fins lucrativos e, na verdade, todos os ganhos são direcionados para benfeitorias nas comunidades locais. Em pacotes de dois (pouco!!!) cinco ou sete dias, todas as refeições incluídas, ficamos internados no coração da Reserva, preenchendo nossos dias com passeios de canoa, caminhadas em trilhas, visitas à comunidades, assistindo palestras ou simplesmente descansando nas redes de nossas varandas observando o rio e a mata à nossa frente.

Nosso guia nos leva através da floresta alagada, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Nosso guia nos leva através da floresta alagada, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Um detalhe muito importante é a época em que se vai. Mamirauá fica numa região de floresta de várzea, ou seja, fica completamente alagada nos períodos de cheia. Simplesmente, não há terra firme por perto durante quase seis meses do ano. Assim, o que costumavam ser trilhas no mês de dezembro, são caminhos de canoa no mês de julho. Para quem quer caminhar, a melhor época é o período seco. Para quem quer conhecer a floresta alagada, o melhormomento é o período de cheias, quando as águas chegam a subir incríveis 13 metros, árvores e florestas tornam-se ilhas e quando animais e insetos devem se adaptar a uma vida molhada ou na copa das árvores.

Sobrevoando o gigantesco rio Solimões na região de Tefé, no Amazonas

Sobrevoando o gigantesco rio Solimões na região de Tefé, no Amazonas


Essa última época, a de cheia, de florestas alagadas e passeios de canoa foi a nossa escolha. Para lá vamos, loucos para conhecer o famoso Uacari e vivenciar um ecossistema que cobre uma grande parte do nosso país. Voaremos para Tefé, na região do médio Solimões, onde seremos recebidos no aeroporto pelo pessoal da Pousada Uacari que nos levará para a pousada, a cerca de uma hora de distância da cidade de voadeira. É lá que nossa aventura começa, a nossa casa pelos próximos cinco dias. Assunto para os próximos posts.

Pensativo, observando a grandeza da Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Pensativo, observando a grandeza da Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Brasil, Amazonas, Mamirauá, Amazônia, Parque

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Aqui Começou a América Latina

República Dominicana, Santo Domingo

A charmosa arquitetura da Zona Colonial, centro histórico de Santo Domingo, capital da República Dominicana

A charmosa arquitetura da Zona Colonial, centro histórico de Santo Domingo, capital da República Dominicana


Até hoje não se sabe ao certo à qual terra se referiam quando foi ouvido o grito de “Terra à vista!!!” na nau de Colombo, no ano de 1492. Uma das pequenas ilhas do leste do Caribe. Dias mais tarde, os espanhóis chegaram a uma ilha maior, a atual Hispaniola, no que é hoje a costa norte do Haiti. Aí fundaram o povoado de La Navidad, que não vingou. No ano seguinte Colombo estava de volta e tentou novamente, agora um pouco mais à leste, já no território atual da República Dominicana. La Isabela também não vingou. Em 1496 os espanhóis tentaram uma terceira vez, dessa vez na costa sul da ilha, ao lado do rio Ozama. Era a cidade de Nueva Isabela, destruída pouco tempo depois por um furacão. Os espanhóis simplesmente mudaram a cidade para o outro lado do rio e chamaram-na Santo Domingo. Agora sim, a mais antiga cidade europeia nas Américas, futura capital da República Dominicana e onde chegamos ontem, vindos do Panamá, 517 anos após sua fundação.

Fortaleza Ozama, responsável pela defesa de Santo Domingo, capital da República Dominicana

Fortaleza Ozama, responsável pela defesa de Santo Domingo, capital da República Dominicana


Santo Domingo foi a primeira capital da américa espanhola. Daqui partiram as expedições para conquista e colonização de Cuba, Porto Rico, México e até para se descobrir o Oceano Pacífico, do outro lado do istmo do Panamá. Também na cidade se encontram o primeiro hospital, a primeira igreja, a primeira fortaleza e a primeira rua pavimentada do Novo Mundo. Basicamente, a América na forma que conhecemos hoje começou aqui!

Fortaleza Ozama, responsável pela defesa de Santo Domingo, capital da República Dominicana

Fortaleza Ozama, responsável pela defesa de Santo Domingo, capital da República Dominicana


Quem chegou a morar na cidade por algum tempo, enquanto ainda era vivo e também depois de morto há quase 500 anos, foi Cristóvão Colombo. Aliás, o primeiro “nepotismo” das américas também se deu por aqui, pois o papai Cristóvão tratou de empregar seu filho e família. A casa dos Colombos é um dos prédios mais belos para ser visitado na cidade, hoje transformado em museu.

Grupo de estudantes prepara-se para visitar a mais antiga catedral das Américas, em Santo Domingo, capital da República Dominicana

Grupo de estudantes prepara-se para visitar a mais antiga catedral das Américas, em Santo Domingo, capital da República Dominicana


Outra visita importante são as diversas igrejas da cidade, principalmente a Catedral Primada da América, a primeira desse lado do mundo. Construída ao longo de gerações por diversos arquitetos, ela é como um quebra-cabeça arquitetônico, cada parte representando uma época. Assim como a casa dos Colombos e a primeira fortaleza do continente, estão todas na área conhecida como Zona Colonial. Como o próprio nome nos faz intuir, é a parte mais antiga da cidade e aí estão localizados numerosos hotéis. Foi onde escolhemos ficar e toda a área pode ser conhecida a pé mesmo. Cheio de ruas charmosas, outras já bem acabadinhas, numa espécie de “décadence avec élégance”. Muito me lembrou do centro de Havana. Qualquer semelhança não é pura coincidência, já que ambas tem idades parecidas e construtores que vieram da mesma escola...

Catedral Primada de America, a primeira do novo continente, em Santo Domingo, capital da República Dominicana

Catedral Primada de America, a primeira do novo continente, em Santo Domingo, capital da República Dominicana


Aliás, após o inicio glorioso, o centro do poder colonial espanhol foi se deslocando para o oeste, primeiro para Havana e depois para o México. A ilha onde chegou Colombo virou uma colônia de 2ª linha e os colonizadores que insistiram em ficar por aqui lutavam para sobreviver, não estando muito melhores do que os próprios negros trazidos como escravos. Essa menor diferença social facilitou a miscigenação das raças, mais do que em qualquer outro lugar da América espanhola.

Interior da Catedral Primada de America, a mais antiga do continente, em Santo Domingo, capital da República Dominicana

Interior da Catedral Primada de America, a mais antiga do continente, em Santo Domingo, capital da República Dominicana


Interior da Catedral Primada de America, a mais antiga do continente, em Santo Domingo, capital da República Dominicana

Interior da Catedral Primada de America, a mais antiga do continente, em Santo Domingo, capital da República Dominicana


A independência foi um processo complicado. Assim que se livraram dos espanhóis, em 1821, foram ocupados pelos vizinhos haitianos, de quem só se livraram 23 anos mais tarde. A chamada “Primeira República” durou apenas 17 anos, entre 1844 e 1861 e teve um número semelhante de golpes ou tentativas de golpes de estado. Sina latino-americana. A república terminou com uma inédita volta aos tempos coloniais, a Espanha reassumindo o controle de sua antiga possessão. Isso só foi possível porque a nossa potência continental, os Estados Unidos, já se encontravam em Guerra Civil, a famosa doutrina Monroe (“América para americanos!”) esquecida temporariamente. Aliás, foi nessa mesma época que a França interviu no México, todos se aproveitando da fraqueza “estadounidense”.

Iglesia de las Mercedes, em Santo Domingo, capital da República Dominicana

Iglesia de las Mercedes, em Santo Domingo, capital da República Dominicana


Isso não durou para sempre. O norte venceu o sul, os escravos ganharam sua liberdade, espanhóis deixaram a República Dominicana e franceses deixaram o México. Os americanos passaram a procurar um lugar para onde enviar seus antigos escravos. Entre as opções, o nosso Brasil, a Libéria, na África, e a República Dominicana. Por um bom tempo discutiu-se seriamente a anexação do jovem e conturbado país pelos Estados Unidos, mas o senado americano acabou rejeitando a ideia.

Rua da Zona Colonial, centro histórico de Santo Domingo, capital da República Dominicana

Rua da Zona Colonial, centro histórico de Santo Domingo, capital da República Dominicana


Nova sequência interminável de golpes de estado e governos corruptos e ineficientes levaram o país à bancarrota, os maiores credores países europeus furiosos com o calote. Eles estavam a ponto de invadir o país para forçar o pagamento das dívidas, no início do século XX quando os Estados Unidos (agora sim, exercendo a doutrina Monroe), assumiram esses débitos e transformaram o país em um protetorado, tratando de recuperar seu “investimento”. Quando as coisas se complicaram novamente, os marines ocuparam a República Dominicana, já em plena 1ª Guerra Mundial. Nos oito anos que lá estiveram, os americanos tentaram mudar o país, desmantelando as diversas milícias que existiam e criando uma polícia nacional. Também construíram estradas e expandiram o sistema de educação, mas foi mesmo a criação da polícia nacional a mudança que traria as consequências mais profundas.

Uma convidativa mesa em jardim de Santo Domingo, capital da República Dominicana

Uma convidativa mesa em jardim de Santo Domingo, capital da República Dominicana


Isso porque, pouco depois de se retirarem do país, foi exatamente das forças polícias que apareceu Rafael Trujillo, o ditador que comandaria a ilha com mãos de ferro por quase 40 anos. Se, por um lado, a estabilidade política trouxe certo desenvolvimento à Rep. Dominicana, por outro, foram dezenas de milhares de pessoas que morreram nas mãos de soldados comandados por um homem que , entre outras coisas, mudou o nome de avenidas, escolas, montanhas e até da capital para o seu próprio nome, numa escancarada forma de auto-promoção. Pois é, Santo Domingo passou a chamar-se Ciudad Trujillo, assim como o Pico Duarte (herói da independência contra os haitianos), o mais alto do Caribe, tornou-se o Pico Trujillo.

A charmosa arquitetura da Zona Colonial, centro histórico de Santo Domingo, capital da República Dominicana

A charmosa arquitetura da Zona Colonial, centro histórico de Santo Domingo, capital da República Dominicana


O ditador foi finalmente assassinado em uma ação cinematográfica, em 1961. A instabilidade que se seguiu resultou em nova ocupação americana, em 1965. Um ano mais tarde, os marines foram substituídos por tropas da OEA (a Organização dos Estados Americanos) e o maior contingente era brasileiro, com mais de 1000 soldados! Desde então, aos poucos, o país foi se estabilizando e democratizando-se. Na verdade, até a década de 90, as eleições eram sempre manchadas por fraudes ou violência mas, ao menos nominalmente, o país vivia numa democracia. Nos últimos 20 anos, aparentemente, a constituição e as leis têm sido respeitadas. Na economia, com um massivo investimento em turismo, o país passou a ser a maior potência caribenha, atraindo dezenas de milhares de pessoas do mundo inteiro todos os anos, muitos brasileiros entre eles.

Carruagem nas ruas da Zona Colonial, em Santo Domingo, capital da República Dominicana

Carruagem nas ruas da Zona Colonial, em Santo Domingo, capital da República Dominicana


Esses dois dias na capital Santo Domingo começaram a nos dar uma ideia desse país. Mas antes de continuarmos nossas explorações por aqui, vamos para o vizinho com uma história ainda mais turbulenta e penosa, o Haiti. Compramos nossas passagens de ônibus e seguimos para lá amanhã cedo, numa viagem que promete demorar perto de 8 horas, algumas delas passadas na fronteira. Os dominicanos com quem conversamos não entendem o que vamos fazer por lá. Recomendam muito cuidado. Bom, nossa curiosidade e vontade de conhecer o Haiti é muito maior do que qualquer temor. A experiência, vocês acompanham depois do próximo post, pois ainda tenho de falar de um mergulho muito especial que fizemos aqui mesmo, na periferia de Santo Domingo.

Marcação de rua na Zona Colonial, bairro histórico de Santo Domingo, capital da República Dominicana

Marcação de rua na Zona Colonial, bairro histórico de Santo Domingo, capital da República Dominicana

República Dominicana, Santo Domingo, história

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Motorizados Novamente!

Panamá, Colón, Cidade do Panamá

O feliz reencontro com a Fiona no porto de Manzanillo (Colón), no Panamá

O feliz reencontro com a Fiona no porto de Manzanillo (Colón), no Panamá


Documentação em mãos, segui com nosso amigo taxista Julio para o porto novamente enquanto a Ana, dessa vez, ficou no hotel para ter tudo pronto para a nossa partida, com ou sem a Fiona, assim que eu voltasse. A minha maior preocupação era o tempo, já que meio dia o porto fechava e a Maria, da administração da alfândega, só me receberia às 10 da manhã.

A cidade de Colón (Panamá) faz justa homenagem a um de seus mais ilustres filhos

A cidade de Colón (Panamá) faz justa homenagem a um de seus mais ilustres filhos


Vinte minutos antes disso eu já estava lá, just in case. Dei com a porta fechada e luzes apagadas. Mas dez minutos mais tarde ela chegou, acompanhada da filha pequena, vestimentas típicas de quem só vai dar um pulo no escritório durante um feriado. Depois de muito pelejar para encontrar alguém que abrisse a sala, passar por três computadores preenchendo meus documentos e, finalmente fazendo a impressora funcionar, consegui os meus papéis para poder seguir em frente nessa gincana burocrática.

Colón, no Panamá, em tempos de celebraçao da independência do país

Colón, no Panamá, em tempos de celebraçao da independência do país


Já eram 11 horas quando segui com o Julio alguns quilômetros à frente, para outra parte do porto para as "novas tarefas". Felizmente, as próximas três etapas eram próximas entre si. Com os papéis conseguidos na administração, consegui uma bendita autorização, paguei a fumegação ("desinfecção" da Fiona - 3 dólares) e os serviços do porto (55 dólares). Tudo isso disputando a fila com algumas dezenas de camioneiros e despachantes. Ainda bem que a Ana tinha ficado no hotel, o ambiente não era dos mais propícios para uma mulher...

Típico ônibus urbano em Colón, no Panamá

Típico ônibus urbano em Colón, no Panamá


Tudo pago, segui com o Julio outros poucos quilômetros para o pátio aonde estava a Fiona. Passei por mais duas "ventanillas", consegui mais uns carimbos e assinaturas e tomei o último chá de cadeira até que fossem buscar a Fiona. Eram 12:15 quando ela finalmente apareceu, já nos descontos do 2o tempo da prorrogação!!! Vivaaaa!!!

Código de barras na janela da Fiona com as especificações do 'local de entrega' (no porto de Manzanillo - Colón, no Panamá). Funcionou!!!

Código de barras na janela da Fiona com as especificações do "local de entrega" (no porto de Manzanillo - Colón, no Panamá). Funcionou!!!


Eu, na minha loucura particular de atribuir vida ao nosso carro, quando a vi, pude claramente perceber sua felicidade ao realizar que estava sendo buscada. Sua alegria parecia a de um cachorro quando vamos buscá-lo depois de um banho no veterinário. Rabo abanando sem parar, agitação desenfreada e vontade de sair logo dali. O limpador de para-brisas ligado (estava chovendo) e o pisca-pisca acendido só colaboravam para essa minha deliciosa fantasia. Até os sizudos funcionários da alfândega foram contaminados pela minha alegria e deram seus primeiros sorrisos depois de quase meia hora de convívio.

Trânsito congestionado em Colón, no Panamá

Trânsito congestionado em Colón, no Panamá


Bem, finalmente motorizado, em plena América Central, despedi-me do Julio e fui buscar a Ana no hotel, enfrentando o pesado trânsito de caminhões ao redor do porto e depois, o congestionamento do centro de Colón. A Ana já estava com tudo pronto e logo estávamos na autopista que corta o continente do Caribe ao Pacífico, rumo à Cidade do Panamá. A única baixa foi que a Ana esqueceu o nosso livro guia da América Central numa farmácia e chegamos à capital do país meio "cegos".

Uma das entradas da gigantesca Zona Livre de Colón, no Panamá

Uma das entradas da gigantesca Zona Livre de Colón, no Panamá


Cidade grande e trânsito organizado (nossa... há quanto tempo eu não via essa combinação!!!), a gente seguiu para a região de Cangrejo, que sabíamos ser uma das mais bacanas. Ali, quase em frente ao Marriot, achamos um Bed & Breakfast jóia, o São Roque, e aqui nos instalamos. A celebração de estarmos os três reunidos novamente, prontos para explorar um novo continente, foi num restaurante libanes, com direito à muita dança do ventre. Aliás, a cultura árabe aqui na Cidade do Panamá é fortíssima! Os próximos dois dias devem ser por aqui mesmo, um para visitarmos o famoso Canal do Panamá e o outro para explorar a cidade. Depois, retomamos nossa jornada para o norte. Alaska, estamos chegando! E, a partir de agora, só dependemos das rodas da Fiona. Nada mais de portos pela frente...

Panamá, Colón, Cidade do Panamá,

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Curtindo Little Cayman

Ilhas Caiman, Little Cayman

Chegando à ilhota de caiaque, em Little Cayman, nas Ilhas Caiman

Chegando à ilhota de caiaque, em Little Cayman, nas Ilhas Caiman


Como ontem, começamos o dia de hoje mergulhando. Ainda aproveitando a calmaria do vento, que faz a alegria dos mergulhadores e a tristeza dos kitesurfistas, tivemos nova oportunidade de mergulhar na Bloody Bay, do outro lado da ilha. Com vento, o mar fica quase intrafegável neste lugar e os mergulhos acabam sendo feitos na parte protegida da ilha, longe da parede que é o melhor lugar para se mergulhar. Mas sem vento, esse é o lugar! E para aí seguimos. Mas, foi cair na água e tentar ligar nossa nova máquina que descobrimos que eu não tinha carregado a bateria durante a noite. Resultado: mergulho maravilhoso, mas sem fotos...

Animada para uma sessão de caiaque na  baía em frente ao nosso hotel em Little Cayman, nas Ilhas Caiman

Animada para uma sessão de caiaque na baía em frente ao nosso hotel em Little Cayman, nas Ilhas Caiman


A Ana aproveita o fim de tarde para remar na baía em frente ao nosso hotel em Little Cayman, nas Ilhas Caiman

A Ana aproveita o fim de tarde para remar na baía em frente ao nosso hotel em Little Cayman, nas Ilhas Caiman


Hoje, resolvemos mergulhar apenas duas vezes, para poder aproveitar também o pedaço da ilha acima da água. Assim, logo que retornamos ao píer do resort, lá estavam a Isabelle e o Paul nos esperando, para nos levar de volta ao Sunset Cove. Os dois são ótimos e nos levam de carro para lá e para cá, quando precisamos. A isabelle voltou ontem para cá, depois de fazer um curso da Cruz Vermelha em Grand Cayman. Ela é voluntária dessa organização e, se passar um furacão por aqui, será a responsável da Cruz vermelha por toda Little Cayman. A Ana já pegou várias dicas com ela, já que quer se voluntariar por alguns dias quando passarmos pelo Haiti.

Voltando à terra firme depois de remar pelo entardecer na baía em frente ao nosso hotel em Little Cayman, nas Ilhas Caiman

Voltando à terra firme depois de remar pelo entardecer na baía em frente ao nosso hotel em Little Cayman, nas Ilhas Caiman


Enfim, voltamos para nosso hotel para aproveitar um pouco desse pedaço de paraíso que tanto nos lembra da nossa querida Ilha do Mel, onde nos casamos. Não contei no post anterior, mas ontem, no final de tarde, já deu para curtir bastante o local. A Ana saiu de caiaque pela baía à nossa frente e assistiu ao pôr-do-sol lá da água mesmo. Um verdadeiro espetáculo! Eu vi tudo do píer mesmo, cenário paradisíaco, o sol se pondo no fundo e garças cruzando a baía para se reunirem todas numa árvore aqui perto, onde passam a noite.

Preparando churrasco no início da noite no Sunset Cove, nosso hotel em Little Cayman, nas Ilhas Caiman

Preparando churrasco no início da noite no Sunset Cove, nosso hotel em Little Cayman, nas Ilhas Caiman


Em volta da fogueira no Sunset Cove, nosso hotel em Little Cayman, nas Ilhas Caiman

Em volta da fogueira no Sunset Cove, nosso hotel em Little Cayman, nas Ilhas Caiman


Meia hora mais tarde e o Paul já acendia a fogueira ao redor da qual confraternizamos com o casal de ingleses, o Johnny e a Gil, além do próprio Paul e a Isabelle. Uma delícia! Um pouco antes, a Isabelle ainda fez um churrasco de salsichas para comermos todos uns cachorros-quentes. Sob o céu estrelado, conversamos bastante sobre kite, mergulhos, viagens, pousadas em ilhas paradisíacas e sonhos. Muito joia.

A inglesa Gil entra no mar em frente ao nosso hotel em Little Cayman, nas Ilhas Caiman

A inglesa Gil entra no mar em frente ao nosso hotel em Little Cayman, nas Ilhas Caiman


Voltando ao dia de hoje, dessa vez eu também me animei em sair de caiaque. Fomos eu e a Ana num barco duplo, remando cerca de uma milha para chegar até uma pequena ilhota no meio da baía. Aí, uma pequena praia nos deu as boas vindas, suas areias brancas mergulhando gentilmente nas águas azul-esverdeadas do mar caribenho que a rodeia. Cenário idílico de filme!

Chegando à praia idílica de caiaque, em Little Cayman, nas Ilhas Caiman

Chegando à praia idílica de caiaque, em Little Cayman, nas Ilhas Caiman


Passamos um tempo gostoso por aí e difícil foi tomar a decisão de ir embora sem saber se ou quando voltaríamos ali. O que nos animava era que outro pôr-do-sol maravilhoso nos esperava no píer, devidamente acompanhado da cerveja gelada que compramos quando chegamos à ilha.

Praia paradisíaca em pequena ilha na costa de Little Cayman, nas Ilhas Caiman

Praia paradisíaca em pequena ilha na costa de Little Cayman, nas Ilhas Caiman


Esses momentos incríveis, lá no píer, passamos outra vez na companhia agradável e interessante do Johnny e da Gil. Os dois tem mais de 50 anos mas tem, especialmente ela, aparência e corpo de 30. Segundo ela, fruto da dieta de brócolis, champagne (de boa qualidade!), muita salada, ausência de trigo e derivados, além de temporadas de kitesurf.

Admirando e explorando pequena praia em ilha na costa de Little Cayman, nas Ilhas Caiman

Admirando e explorando pequena praia em ilha na costa de Little Cayman, nas Ilhas Caiman


Mar caribenho em paraia de ilha na costa de Little Cayman, nas Ilhas Caiman

Mar caribenho em paraia de ilha na costa de Little Cayman, nas Ilhas Caiman


Ficamos tão interessados que ela até ofereceu o jantar de hoje, com vegetais trazidos diretamente da Inglaterra, ainda frescos! Só ficou meio triste por não ter trazido o champagne. Nosso quarto de hotel tem uma mini-cozinha e ela rapidamente providenciou uma salada com frango e brócolis. Ficou uma delícia! A Gil, em muitos aspectos, incluindo esse de ter feito rapidamente uma salada deliciosa, nos lembrou muito da minha querida cunhada Íris. Engraçado que o Johnny também lembrava um pouco o Pedro, meu irmão. Será a saudade que está me fazendo ver parentes a torto e a direito? Até a minha mãe nós “vimos” outro dia. Só foi meio estranho porque foi embaixo d’água, coisa que jamais imaginei minha mãe fazer, hehehe. Mas não foi só eu que vi, não! Logo que saímos da água, a Ana disse: “Nossa! Aquela senhora parecia a Dona Nilza!”.

Praia paradisíaca em pequena ilha na costa de Little Cayman, nas Ilhas Caiman

Praia paradisíaca em pequena ilha na costa de Little Cayman, nas Ilhas Caiman


Hora de remar de volta ao hotel em Little Cayman, nas Ilhas Caiman

Hora de remar de volta ao hotel em Little Cayman, nas Ilhas Caiman


Bom, assim terminou nosso segundo dia inteiro nesse lugar maravilhoso, uma boa conversa noite adentro acompanhado de comida bem sadia. Amanhã cedinho, começamos nova etapa da viagem. Voo rápido para Grand Cayman e de lá para Cuba, a ilha do Fidel. Vamos nos encontrar já no aeroporto com o Rafa e a Laura, que chegam do Brasil. Todos ansiosos para viajar por esse belo país que tenta combinar a utopia comunista com as necessidades do capitalismo. Vamos ver as quantas anda esse experimento...

Admirando o espetáculo diário do pôr-do-sol em Little Cayman, nas Ilhas Caiman

Admirando o espetáculo diário do pôr-do-sol em Little Cayman, nas Ilhas Caiman

Ilhas Caiman, Little Cayman, Praia

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A Batalha Milenar

Hawaii, Big Island-Volcano

A contínua batalha entre as deusas dos vulcões e do mar, em pintura no museu do Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí

A contínua batalha entre as deusas dos vulcões e do mar, em pintura no museu do Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí


O arquipélago do Havaí nada mais é do que o resultado de um confronto milenar entre dois dos elementos da natureza: o fogo e a água. E hoje nós fomos conhecer o mais recente campo de batalha dessa guerra titânica: as imediações do Kilauea, o vulcão mais ativo do mundo.

Chegando ao parque dos vulcões, em Volcano, na Big Island, no Havaí

Chegando ao parque dos vulcões, em Volcano, na Big Island, no Havaí


Normalmente, é apenas nas escalas de tempo geológicas que podemos acompanhar um embate dessa natureza. Mas, aqui no Havaí, ele é tão intenso que, mesmo no minúsculo tempo em que vive um ser humano, pode-se acompanhar o desenvolvimento desse confronto. É isso que torna o Havaí tão especial.

Fumarolas sainda de dentro da terra são um sinal claro de que a lava está perto! (em Volcano, na Big Island, no Havaí)

Fumarolas sainda de dentro da terra são um sinal claro de que a lava está perto! (em Volcano, na Big Island, no Havaí)


Os cientistas já decifraram o enredo principal dessa guerra. Uma enorme fonte de lavas e erupções, o chamado “hotspot”, se encontra em profundidades abissais, a mais de 6 mil metros sob o Oceano Pacífico. Entrando em erupção quase que continuamente, a lava vai se empilhando sobre si mesma, literalmente construindo uma montanha. Aos poucos, os seis mil metros são superados e a montanha submarina rompe a superfície do mar, criando uma nova ilha. A partir daí, não é apenas a montanha que cresce, mas a ilha também, transformando em terra aquilo que já foi mar. A cada nova erupção, uma nova área é “roubada” do Oceano, numa aparente vitória do fogo sobre a água.

A gigantesca cratera do Kilauea, em Volcano, na Big Island, no Havaí

A gigantesca cratera do Kilauea, em Volcano, na Big Island, no Havaí


Mas a vitória é transitória. O Oceano não vai dá-la de barato. Continuamente, vinte e quatro horas por dia, 365 dias por ano, ao longo de milhares de décadas, as ondas do mar vão bater e erodir a nova costa, criando baías que se tornarão golfos e que, eventualmente, se ligarão à outros golfos do lado de lá, canais de água que dividirão a nova ilha em ilhotas menores. Depois, uma à uma, essas ilhotas serão novamente divididas e, por fim, consumidas pelo mar. O que era terra, voltará a ser água. Esse processos de “reconquista” só acontece quando a ilha se afasta do hotspot, a fonte de força do fogo.

Visita à cratera do kilauea, o vulcão mais ativo do mundo, perto de Volcano, na Big Island, no Havaí

Visita à cratera do kilauea, o vulcão mais ativo do mundo, perto de Volcano, na Big Island, no Havaí


Desenho explica as erupções do Kilauea, no Vulcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí

Desenho explica as erupções do Kilauea, no Vulcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí


Mas também essa aparente vitória do mar é ilusória. Enquanto ele desmancha uma ilha que se afastou do hotspot, uma outra está sendo criada um pouco atrás, ebm acima da fonte de fogo. Isso é o Havaí: uma sequencia de montanhas submarinas, algumas que já foram ilhas e hoje descansam abaixo da superfície marinha, outras que ainda são ilhas, mas se desmancham aos poucos e, por fim, ilhas que ainda estão crescendo, vigorosas. Sem esquecer das novas montanhas que estão se erguendo das profundezas do Oceano e que, em alguns milhares de anos, verão a luz do sol pela primeira vez.

Antigos havaianos observam uma erupção vulcânica, em belo quadro no museu do parque dos vulcões, em Volcano, na Big Island, no Havaí

Antigos havaianos observam uma erupção vulcânica, em belo quadro no museu do parque dos vulcões, em Volcano, na Big Island, no Havaí


Atualmente, são quatro ilhas principais no arquipélago. Três delas em pleno processo de “desmanche” e a quarta, ainda crescendo, a terra avançando sobre um mar violento. Estou falando da Big Island, a maior ilha do Havaí. Ela é formada pela junção de cinco grandes montanhas submarinas, entre elas as gigantes Mauna Kea e Mauna Loa, as maiores montanhas do planeta. Mas as duas já perderam seu vigor, e estão sendo lentamente erodidas pelo ar e pela água. A batalha atual é travada pelo seu irmão mais novo, mais ao sul, o vulcão Kilauea.

Trilha de acesso ao campo de lavas onde estão as antigas pictografias havaianas, perto de Volcano, na Big Island, no Havaí

Trilha de acesso ao campo de lavas onde estão as antigas pictografias havaianas, perto de Volcano, na Big Island, no Havaí


Em erupção praticamente constante há séculos, com períodos de maior e menor atividade, as lavas do vulcão estão constantemente adicionando novas área à ilha. E hoje, nós fomos visitar essa região, tanto o vulcão em si como aquilo que, até pouco tempo atrás era mar e hoje é um enorme campo de lava escura e endurecida.

Fazendo filmagem das antigas pictografias havaianas em campo de lavas endurecidas, perto de Volcano, na Big Island, no Havaí

Fazendo filmagem das antigas pictografias havaianas em campo de lavas endurecidas, perto de Volcano, na Big Island, no Havaí


Toda a área é protegida por um parque nacional, o Volcanoes National Park, bem ao lado de uma pequena cidade, apropriadamente chamada de Volcano. Foi aí que nos hospedamos, em um Bed & Breakfast de uma família japonesa. Simples, mas extremamente limpo. Desses que nossos sapatos ficam do lado de fora. Chegamos ontem de noite e, depois de instalados, passei algumas horas me deliciando com a coleção de revistas da National Geographic que els tinham por ali. Revistas da década de 50 e 60! Tanto as reportagens como as propagandas são interessantíssimas de se ver. A primeira reportagem sobre um “arriscadíssimo” mergulho noturno, hoje praticado por dezenas de milhares de estudantes, foi engraçadíssima. Assim como os anúncios daquelas enormes “banheiras”, os carros americanos da década de 60. Enfim, estou mudando de assunto...

Antigas pictografias havaianas em pleno campo de lavas endurecidas, ao longo da Chain of Craters Road, em Volcano, na Big Island, no Havaí

Antigas pictografias havaianas em pleno campo de lavas endurecidas, ao longo da Chain of Craters Road, em Volcano, na Big Island, no Havaí


De volta aos vulcões, logo cedo fomos ao parque nacional, ali do lado. Como sempre, tem um ótimo centro de visitantes, cheio de informações. Após a leitura de muitos painéis, ficamos meia hora assistindo a um filme com as imagens de uma grande erupção na década de 60. As imagens são mesmo impressionantes! Fontes de lava que jorravam a mais de 600 metros de altura! Lagos, rios e cachoeiras de fogo, avançando sobre tudo, nada sendo capaz de impedir o seu deslocamento. Deu pena ver uma plantação de papaias sendo lentamente consumida. Sem pernas para correr, esperavam inertes o seu momento de serem engolidas pelo rio que avançava lentamente, destruidor. O encontro da lava com o mar é sempre violento. A água fria e salgada causa pequenas explosões, mas nem mesmo ela pode impedir o avanço daquele rio amarelo e viscoso. O mais interessante é que todo esse processo pode ser observado de perto, pois a lava dos vulcões do Havaí se movem lentamente e as erupções não são explosivas. Turistas e pesquisadores podem se aproximar, pelo menos até onde o calor irradiado permitir. Do mesmo mirante que eu e a Ana visitaríamos um pouco mais tarde, turistas se maravilhavam com a gigantesca fonte de lava jorrando, a poucos quilômetros de distância. Que inveja desses afortunados nós sentimos!

O fim da estrada, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí

O fim da estrada, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí


Depois do centro de visitantes, fomos de carro para o tal mirante, bem na boca do Kilauea. A gigantesca cratera, com muitos quilômetros de diâmetro, é fruto de um evento de proporções titânicas, testemunhado apenas pelos antigos havaianos. A montanha ainda crescia e cuspia fogo naquela época, mas tanta lava jorrou de seu cume que um enorme espaço vazio se criou em seu interior. Por fim, a montanha desabou sobre si mesma e, de montanha, virou um buraco. Por centenas de anos, essa enorme caldeira era preenchida por um lago de lava de proporções gigantescas. Aos poucos, a lava foi se resfriando e endurecendo e hoje é uma enorme planície acinzentada, de terreno altamente instável e de onde, aqui e ali, ainda se vê fumarolas saindo do solo. Nós só podemos observar lá de cima, mas cientistas descem ali para fazer seus estudos.

O turista parece achar que a placa não era necessária... (Chain of Craters Road, em Volcano, na Big Island, no Havaí)

O turista parece achar que a placa não era necessária... (Chain of Craters Road, em Volcano, na Big Island, no Havaí)


Dentro dessa enorme caldeira uma nova cratera se formou. É chamada de Halema’Uma’U e é ela a fonte de quase todas as erupções dos últimos séculos. Dali jorrava a fonte de lava de 600 metros de altura e, ainda hoje, ela é preenchida por uma lago de lava fervente. De longe, podemos ver uma enorme coluna de fumaça e vapor se erguendo sobre ela. De noite, é possível ver a luz amarelada que vem de seu interior (pelo menos, foi o que nos disseram!). As erupções atuais, ou partem dali ou, através de conexões subterrâneas, afloram já muito mais abaixo, perto do Oceano. É de onde a lava escorre lentamente para reclamar mais áreas do Oceano e ontinuar a aumentar a Big Island.

A Chain of Craters Road foi completamente interrompida pela lava de uma erupção vulcânica, perto de Volcano, na Big Island, no Havaí

A Chain of Craters Road foi completamente interrompida pela lava de uma erupção vulcânica, perto de Volcano, na Big Island, no Havaí


Foi para aí que nos dirigimos, após nos maravilharmos com a gigantesca caldeira do Kilauea. Um estrada chamada Chain of Craters Road liga a caldeira com a costa sudeste da ilha, num percurso de 30 milhas. A estrada passa por várias antigas crateras, fruto de erupções laterais do Kilauea. Daí, o nome da rodovia. Por fim, ela desce em direção ao mar. Ainda lá encima, podemos ver com os próprios olhos a enorme área que foi agregada à ilha recentemente (há poucos séculos). Um enorme campo de lava negra e endurecida onde antes nadavam peixes. A grandeza da vista é de tirar o fôlego!

Explorando um gigantesco campo de lava endurecida, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí

Explorando um gigantesco campo de lava endurecida, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí


Lá embaixo, uma trilha nos leva através da lava até um local onde antigos havaianos imprimiram pictografias sobre a lava endurecida. Incrível imaginar que era ali que viviam, numa área que nos parece, pelo menos à primeira vista, completamente inóspita. Mas não é, como mostram os sinais do passado. Assim que a lava esfria, plantas vem colonizar o novo terreno. Atrás delas, os pequenos animais. E atrás deles, o homem. Um processo de colonização lento e gradual, mas que, dando tempo ao tempo, transforma aquela terra negra e estéril e florestas verdejantes cheias de vida. Vamos ver isso com os próprios olhos quando visitarmos as ilhas mais antigas do arquipélago.

Explorando um gigantesco campo de lava endurecida, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí

Explorando um gigantesco campo de lava endurecida, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí


Continuamos pela estrada até chegar à costa. Ali, é possível admirar o encontro da lava com o mar. Uma camada negra de terra, muitos metros de altura, avança sobre o Oceano que, em resposta, assola incessantemente com suas ondas o novo terreno, criando formações rochosas peculiares. Água mole, pedra dura... De centímetro em centímetro, o mar vai destruindo a rocha, pelo menos até a próxima erupção.

Caminhando por um incrível campo de lava, em Volcano, na Big Island, no Havaí

Caminhando por um incrível campo de lava, em Volcano, na Big Island, no Havaí


Alguns quilômetros adiante e chegamos ao fim da estrada. Até há poucas décadas, ela não acabava ali. Ao contrário, dava toda a volta no litoral, conectando-se com as praias do norte. Mas, da mesma maneira que a lava avança sobre o mar, ela também não respeita estradas. Ver um rio de lava preta escorrido sobre o asfalto da rodovia é um lembrete claro do quão recente é a erupção e de tão rápido que a paisagem está mudando.

As primeiras plantas a colonizarem o campo de lava (Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí)

As primeiras plantas a colonizarem o campo de lava (Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí)


E até engraçado ver a placa “End o the road” fincada no meio da lava. Os carros não podem passar dali, mas nós podemos. Por mais de um quilômetro, pulamos de pedra em pedra para entrar naquele mundo estranho, sem vida, novo, completamente sem cor. Parece outro planeta. Uma paisagem completamente diferente de tudo o que vimos até aqui. Mas depois, com cuidado, é possível ver o um pouco de verde, as primeiras plantas a conseguirem de fixar nesse terreno. Parece até um milagre!

O fim da trilha, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí

O fim da trilha, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí


Nós seguimos em frente, de olho no relógio. Seria preciso caminhar cerca de 7 milhas naquele terreno estranho para chegar até onde a lava está escorrendo atualmente. É um programa de dia inteiro, tempo que não tínhamos, infelizmente. Mas ter estado ali, no meio daquele lugar tão estranho e, ao mesmo tempo, tão intenso, valeu muito a pena! Mas tínhamos de voltar, pois o dia se acabava e ainda queríamos ver outras coisas.

Entrando no túnel de lava, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí

Entrando no túnel de lava, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí


No caminho de volta pela mesma estrada, paramos agora nos “lava tubes”, túneis criados pela lava Há poucas décadas ou séculos. Por baixo da terra ela escorria, deixando para trás esses impressionantes tuneis qu hoje podem ser percorridos a pé. Naquela hora do final do dia, era apenas eu e a Ana por ali. Felizmente, luzes ainda iluminavam o caminho, pois estávamos com lanternas com pilhas bem fracas. Imaginar um rio de lava incandescente correndo por aquele mesmo lugar sombrio foi muito legal!

Um túnel de lava, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí

Um túnel de lava, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí


Saímos do túnel já totalmente no escuro, a hora certa para voltar ao mirante e observar o reflexo do lago de lava na coluna de fumaça. Pois é, seria, se o tempo estivesse aberto. Mas não era o caso. Uma forte nebulosidade tinha tomado conta do céu, para a nossa tristeza e de todos os outros turistas que tinham ido até o mirante naquele horário. No caso deles, era ainda pior do que para a gente, pois haviam pago suas excursões de van e não tinham uma segunda chance. Nós tínhamos, com carro próprio e hospedados ali do lado. Então, voltamos para nosso hotel ainda esperançosos. Enquanto o sol não raiasse, ainda teríamos uma chance! Fiz minhas preces para a belíssima deusa havaiana dos vulcões, cruzei os dedos e voltei à coleção de National Geographics, um olho na leitura e o outro no céu...

Uma bela representação da deusa havaiana dos vulcões, em Volcano, na Big Island, no Havaí

Uma bela representação da deusa havaiana dos vulcões, em Volcano, na Big Island, no Havaí

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Punta Cana

República Dominicana, Punta Cana

A bela praia de Punta Cana, no litoral da República Dominicana

A bela praia de Punta Cana, no litoral da República Dominicana


No dia 4 pela manhã, após passarmos por uma rodoviária vagabunda em Santo Domingo (cada companhia tem a sua, na capital), tivemos três horas de boas estradas e viagem confortável com direito à filme na TV até o extremo leste da ilha de Hispaniola, onde está localizada a mundialmente famosa Punta Cana. Antes de seguir para o ponto final, no centro da cidade, o ônibus vai passando pelo aeroporto e pelos diversos resorts e all-inclusives despejando passageiros ávidos por uma temporada sem preocupações. Passamos pelos hotéis mais caros e exclusivos, com diárias que chegam a ultrapassar os 1.000 dólares, passamos por hotéis baratos que nada oferecem além do quarto, por preços que chegam a 30 dólares e chegamos, finalmente, ao nosso destino: o Bavaro Dominican Beach.

A praia em frente ao nosso hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

A praia em frente ao nosso hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana


Vida mansa em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

Vida mansa em Punta Cana, no litoral da República Dominicana


A linha de hotéis Bavaro talvez seja a maior de Punta Cana. Dos mais caros aos mais populares, como o nosso. Mas o Dominican Beach passou por uma renovação há poucos meses e nos foi bastante recomendado por um dominicano que trabalha por aqui e conhece todos os resorts. Basicamente, existe apenas uma longa praia nessa ponta da ilha e todos os hotéis estão voltadas para ela. Areias brancas, fileiras de coqueiros, águas calmas e azuis e, não fosse pelo movimento constante de barcos no mar e vendedores nas praias, aquele visual de praia ideal de comercial de TV. Essa praia, que também tem seus acessos públicos, é dividida por todos os resorts, não importa o quanto se está pagando no seu, dos mais caros aos mais baratos.

Vida mansa em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

Vida mansa em Punta Cana, no litoral da República Dominicana


Olha só a cor do mar em Punta Cana, no litoral da República Dominicana!

Olha só a cor do mar em Punta Cana, no litoral da República Dominicana!


Outro ponto em comum é que trabalham no sistema all-inclusive. Todas as refeições e algumas bebidas alcoólicas já estão incluídas na fatura inicial, além do acesso à estrutura de piscinas, quadras esportivas e outras amenidades. Essa é a grande vantagem de um all-inclusive: o cliente não terá um susto ao final, na hora de pagar a conta. Fica muito mais fácil controlar o orçamento, principalmente para quem viaja com família e filhos.

Piscina principal do nosso hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

Piscina principal do nosso hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana


Aproveitando as piscinas do hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

Aproveitando as piscinas do hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana


O que diferencia esses hotéis é a qualidade da comida servida nas refeições, a variedade dos restaurantes, as marcas de bebidas alcoólicas servidas e, claro, o conforto dos quartos e da arquitetura em geral. O nosso, por exemplo, após a renovação, melhorou muito o nível das habitações. Ficamos em um quarto delicioso, cheio de janelas, ótima cama e banheiro. Em compensação, ficamos meio indignados pelo fato de termos de pagar para acessar a internet. Afinal, para quem já teve wifi de graça em hotéis vagabundos no meio da estrada, ter de pagar por ele em um all-inclusive (nem tão “all” assim...) é mesmo um absurdo.

Bar da piscina do hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

Bar da piscina do hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana


Nosso bar predileto no hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

Nosso bar predileto no hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana


Também ficamos felizes com a qualidade e quantidade de piscinas espalhadas pelo hotel, mas meio decepcionados com a dificuldade de acesso e qualidade das bebidas alcoólicas. Para começar, elas não estão presentes na geladeira do quarto, o que é bem comum em outros hotéis. Além disso, os bares das piscinas e da praia fecham às seis da tarde. A última opção é o bar que fica na longínqua recepção, bem longe dos centros de lazer (piscinas e praia). Pior ainda, quando se quer beber algo além da cerveja (cuja marca servida é a saborosa Presidente, um verdadeiro patrimônio do país), as marcas são todas desconhecidas, ou “talibans”, como define a Ana em seu jargão do mundo publicitário. Para quem não quiser arriscar, lá estão as marcas conhecidas também, mas por um preço extra e salgado.

Restaurante de buffet do hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

Restaurante de buffet do hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana


Outro ponto de importante diferenciação entre os hotéis all-inclusive é a comida servida e a qualidade e quantidade de restaurantes. Geralmente, há um restaurante maior, que funciona no sistema de buffet para as três refeições, e vários outros restaurantes menores, com comida especializada, que funciona a la carte e com reserva. Nos hotéis mais caros, o acesso a esses restaurantes é bastante facilitado. No nosso, mesmo tentando fazer a reserva assim que chegamos, só conseguimos para a última noite e nem pudemos escolher entre os diversos restaurantes: só havia vaga em um deles, justamente o brasileiro. Para falar a verdade, acho que isso foi uma sorte, pois essa foi a maior decepção da temporada: esse jantar foi uma verdadeira bomba e teríamos estado muito melhor no restaurante de buffet mesmo. Aliás, esse aí não era nem bom nem ruim, mas dava bem para o gasto. Tudo, claro, depende das expectativas e ninguém pode esperar uma refeição gourmet em um buffet que serve centenas e centenas de refeições por dia.

Buffet do restaurante do hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

Buffet do restaurante do hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana


Nossa rotina esses três dias foi de dormir muito bem e depois, dividir nosso tempo entre as piscinas, o mar e o conforto do quarto, onde tentávamos trabalhar. O café e o jantar eram no buffet (com a exceção já mencionada) e o almoço era alguma porcaria (pizza, sanduíches, etc...) ao lado da piscina. Quanto às bebidas, a Ana até arriscou alguns talibans enquanto eu fiquei na segura Presidente mesmo. Nossa dúvida era se respeitávamos a famosa regra Am/PM (bebida só depois do meio-dia!) ou a regra mais inteligente, ensinada por nossa amiga dinamarquesa lá em Galápagos, dos dois dígitos. A vantagem dessa última é que podíamos começar às 10 da manhã, hehehe. O bar preferido era o que ficava dentro da piscina principal e era também o que mais se animava, pouco antes do horário de fechamento, às seis da tarde.

Café da manhã no hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

Café da manhã no hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana


Foi aí que fizemos mais amigos, como dominicanos, americanos, porto-riquenhos, equatorianos, entre outros. Aliás, entre esses “outros” estavam um grupo de soldados brasileiros da Minustah, que vem para cá para se aliviar um pouco da tensão em que vivem na capital haitiana. Ao contrário dos soldados que conhecemos por lá, esses aqui trabalham na pequena base na Cite Soleil, a maior favela de Port-au-Prince. Eles nos contaram da barra pesada que enfrentam por lá e imagino como deve ser sair de lá por uns dias e cair aqui, num all-inclusive em Punta Cana. Mudança bem radical...

Praia em frente ao hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

Praia em frente ao hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana


Mas a nossa maior amiga da temporada foi uma belíssima russa, que também conhecemos no bar da piscina. Os russos disputavam com os franceses o título de nacionalidade mais comum entre os hóspedes do nosso hotel, mas essa aí veio sozinha de Moscou. Mais interessante, ela não falava uma palavra de espanhol ou francês e seu inglês também era fraquíssimo. Como o nosso russo também não é lá essas coisas, a nossa comunicação era mais por mímica do que qualquer outra coisa. O Ipad e seu tradutor ajudavam bastante! Acabou rolando um empatia entre nós e ela até jantou conosco, mostrando suas fotos andando a cavalo na neve na periferia de Moscou.

Jardim do nosso hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

Jardim do nosso hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana


Bem, fechados os bares da praia e da piscina, restava refugiar-se no lobby, onde rolava a maior social. Mais tarde, depois do jantar, em uma arena ao ar livre, algum show de 2ª categoria que não nos empolgava. O negócio era ir dormir para aproveitar a praia e as piscinas no dia seguinte.

A praia em frente ao nosso hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

A praia em frente ao nosso hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana


Enfim, foram três dias de descanso em um ambiente que, definitivamente, não nos pertence e nem combina conosco. Mas queríamos conhecê-lo. Nada mais típico aqui nesse país do que um hotel desse em Punta Cana. Aliás, para minha surpresa, notei que os próprios dominicanos frequentam bastante também esses hotéis. No final de semana que aqui estivemos, a população local tinha o mesmo tamanho da estrangeira. Bem melhor que em Cuba, onde os pobres cubanos só entram como empregados e são proibidos de colocar o pé na praia. Enfim, para quem quiser ver uma praia bonita e não ter de pensar em nada, é uma boa opção. Mas, para quem quer um pouco mais de liberdade e aventura ou fugir de vendedores e passeios pasteurizados, Samaná não é longe daqui. Ou, para quem quer sim o conforto e segurança de um all-inclusive, mas gosta de beber um Johny Walker no fim de tarde, melhor pagar um pouco mais caro do que nós pagamos por aqui.

Aproveitando as piscinas do hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

Aproveitando as piscinas do hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

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