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Blog do Rodrigo - 1000 dias

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Costa do Descobrimento

Brasil, Bahia, Corumbau (P.N do Descobrimento), Cumuruxatiba

Praia em Corumbau - BA

Praia em Corumbau - BA


Todo esse pedaço do litoral baiano que vai das pequenas cidades ao norte de Porto Seguro até a cidade de Prado, ao sul, é conhecida como a "Costa do Descobrimento", uma alusão ao fato da esquadra de Pedro Álvares Cabral ter aportado por aqui em 1500. Não há dúvidas quanto ao primeiro ponto avistado, o Monte Pascoal, mas há controvérsias sobre o ponto do primeiro desembarque. O documento que dá as melhores pistas sobre onde teria sido é a famosa carta de Pero Vaz de Caminha. Através de suas descrições, o principal suspeito é a barra de um rio chamado Cahy (nas últimas décadas, ficamos com essa mania de trocar o "i" de várias palavras de origem indígena pelo "y", às vezes acompanhado de um "h". Assim, Parati virou Paraty, Saí virou Sahy e Caí virou Cahy. Acho que as pessoas pensam que fica mais charmoso, mais chique, sei lá).

O primeiro azul no céu, em Corumbau - BA

O primeiro azul no céu, em Corumbau - BA


Logo pela manhã o tempo deu sinais de que iria abrir. Era São Pedro sorrindo para nós e a previsão de tempo se confirmando. Vocêss não imaginam a alegria de ver os primeiros pedacinhos de azul no céu depois de tantos dias nublados! Depois de trabalhar um pouco na pousada tentando tirar leite de pedra da internet daqui (via TIM, bem intermitente), partimos para o nosso dia de explorações.

Coqueiros em falésia na Barra do Cahy, em Cumuruxatiba - BA

Coqueiros em falésia na Barra do Cahy, em Cumuruxatiba - BA


A nossa programação hoje foi explorar este litoral histórico. Fomos direto para a Barra do Cahy, de carro. A estrada de terra dá uma longa volta de quase 50 km, bem mais longo que os 12 km pela praia. Mas resolvemos poupar o ouvido da Ana e passar todo o esforço para a Fiona. Uma hora de estrada e estávamos lá.

Falésia colorida na Barra do Cahy, em Cumuruxatiba - BA

Falésia colorida na Barra do Cahy, em Cumuruxatiba - BA


Durante o verão há um restaurante na fazenda onde está a barra do rio, mas hoje estava tudo bem vazio. Aliás, vazio também estava o próprio Cahy, sem forças de chegar ao mar. Virou uma lagoa. Mesmo assim, o local é muito agradável e bonito, com suas falésias coloridas, plantações de coqueiros, o rio de águas escuras e o mar de águas verdes. Cabral escolheu bem o local de chegada. A diferença é que quando chegou não havia coqueiros, mas uma verdejante mata atlântica. O pouco que resta dela hoje na região está protegida por três pequenos parques nacionais: do Descobrimento, do Monte Pascoal e do Pau Brasil. O primeiro é nosso vizinho por aqui e estamos sempre cruzando por ele através de estradas de terra. No segundo, ainda pretendemos ir para subir a montanha que lhe dá nome. Por falar nela, o Monte Pascoal hoje foi presença constante no horizonte, enquanto andávamos de carro. Parece um pequeno vulcão e estamos loucos para subi-lo. Amanhã...

Com o ouvido protegido na Barra do Cahy, em Cumuruxatiba - BA

Com o ouvido protegido na Barra do Cahy, em Cumuruxatiba - BA


Voltando à Bara do Cahy, a Ana se segurou e evitou entrar nas águas. Nem no mar nem no rio. E olha que com o sol estava tentador! Tudo por conta do ouvido que hoje parece um pouco melhor do que ontem. Porcaria de fungos!

Nadando na Barra do Cahy, em Cumuruxatiba - BA

Nadando na Barra do Cahy, em Cumuruxatiba - BA


Já eu, tive de nadar pelos dois. Uma delícia! A gente fica só imaginando como teriam sido aqueles mágicos momentos de 510 anos atrás, os portugueses com seus trajes carnavalescos desembarcando e encontrando os índios peladões. Troca de bugigangas, olhares desconfiados, vergonhas de fora e os lusos de volta para os barcos, estupefatos. Nos dias seguintes, novos encontros e as pessoas foram relaxando, baixando seus arcos ou mosquetões e até rezando a primeira missa. Pobres índios, não sabiam o massacre que se seguiria nos anos vindouros...

Bar na Barra do Cahy, em Cumuruxatiba - BA

Bar na Barra do Cahy, em Cumuruxatiba - BA


Hoje, sentado nos bancos do bar que estava fechado, viajei no pensamento de uma "pegadinha" com Cabral. Imagine que legal conseguir voltar no tempo, para 1500, levando o bar junto. Encher ele de garçonetes lindas e cerveja gelada e esperar os gajos de Cabral desembarcarem. Qual seria a reação deles, chegando e dando de cara com um bar desse, com cerveja gelada? "E aí, Cabral, vai uma cervejinha? E vc Pero, porção de aipim?" Hehehe... dei boas risadas!

Praia em Cumuruxatiba - BA

Praia em Cumuruxatiba - BA


De lá, seguimos para a charmosa Cumuruxatiba, mais ao sul. As pousadas da chegada tem o maior clima de Ilha do Mel. Impressionante. Há vinte anos, quando terminei minha caminhada ali, não havia nada disso. Hoje a vila cresceu. Bons restaurantes, inclusive um que comemos muito bem, o Restaurante do Hermes. Comemos uma mistura de risoto com paella chamado Jambalaia. Que delícia! Aliás, o nome do prato me lembrou uma boate meio hard core que existia na BH do início da década de 80. Não é do meu tempo, mas ouvi as histórias...

Almoçando em Cumuruxatiba - BA

Almoçando em Cumuruxatiba - BA


Cumuruxatiba, não sei porque, me parece mais capixaba do que baiana. Talvez porque os principais frequentadores sejam mineiros. No verão, lotação completa. Hoje, bem tranquilo. Assim com sua baía de águas bem rasas e quentes. Lá passamos um delicioso fim de tarde, muito bem alimentados, tiramos fotos e voltamos felizes para Corumbau.

Mirante em Cumuruxatiba - BA

Mirante em Cumuruxatiba - BA


Nada como um dia de sol, cheio de explorações para nos deixar bem humorados. Que venham muitos mais!

Nadando na Barra do Cahy, em Cumuruxatiba - BA

Nadando na Barra do Cahy, em Cumuruxatiba - BA

Brasil, Bahia, Corumbau (P.N do Descobrimento), Cumuruxatiba, Barra do Cahy

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Os Outros Lençóis Maranhenses

Brasil, Maranhão, Apicum Açu, Ilha de Lençóis

Felicidade ao chegar à bela Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Felicidade ao chegar à bela Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


O nosso despertador tocou às 04:10 da madrugada. Já tínhamos deixado praticamente tudo pronto para a viagem. Juntamos nossas roupas e computadores numa só mochila enquanto o resto já estava guardado na Fiona. Um lanche com frutas, água e a inseparável máquina fotográfica também nos acompanhavam. Vinte minutos mais tarde já caminhávamos para o cais ali do lado. No caminho, outros pescadores madrugadores.

De madrugada, lua cheia, início da viagem de barco entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

De madrugada, lua cheia, início da viagem de barco entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Foi entrarmos no barco que ele já estava partindo, descendo o rio Apicum Açu iluminado pela lua cheia. O luar, enquanto não foi coberto pelas nuvens que começavam a se avolumar no céu, ajudou também a nos mostrar a rica vegetação de mangue que nos rodeava. Íamos sentados na frente do barco, torcendo que a chuva não nos deixasse todos molhados. Atrás, só o vultos estáticos e silenciosos dos quatro pescadores que seguiam no barco, já acostumados com essa rotina de sair de madrugada, acompanhando a maré, para mais um dia de labuta no mar.

Lua cheia no início da viagem de barco entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Lua cheia no início da viagem de barco entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Dia nascendo durante a viagem de barco entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Dia nascendo durante a viagem de barco entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


O dia foi nascendo e as nuvens nos cercando. Deixamos o rio para trás e entramos no mar. É uma baía, o que deixa as águas mais tranquilas. A ilha de Lençóis faz parte de um arquipélago, muitos quilômetros mar adentro. Fica lá no horizonte. Para trás, o continente vai se afastando. Para frente, pequenos pontos, que pensávamos ser outros barcos também a caminho da pesca. Mas os pontos não se mexem. Serão mesmo barcos?

Passando próximo às casas de pescadores, na viagem de barco entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Passando próximo às casas de pescadores, na viagem de barco entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Casa de pescador no meio do mar, na viagem de barco entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Casa de pescador no meio do mar, na viagem de barco entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Conversamos com um dos pescadores. Ele se refere aos pontos como "casinhas de pescador". De início, não entendemos. Mas, aos poucos, quando nos aproximamos mais, realmente conseguimos perceber a inconfundível silhueta de uma casa. erguida sobre palafitas em pleno oceano! E não é apenas uma. Há toda uma fileira delas, a cada meio quilômetro. O pescador nos explica que, na maré baixa, um longo banco de areia surge por ali. Ele praticamente liga o continente às ilhas. Tem quilômetros de extensão. Mas não é "caminhável", porque sua consistência é de lama. Afunda até a cintura. Por toda a sua extensão foram montadas estas pequenas casinhas. Ali, pescadores passam até uma semana pescando e secando camarão. Cercados pelo mar, por todos os lados. Como aqueles bungalôs de hotéis na polinésia. Mas não com o mesmo conforto, claro.

No barco durante a viagem entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

No barco durante a viagem entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


No barco durante a viagem entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

No barco durante a viagem entre Apicum Açu e a Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Após driblarmos mais uma nuvem e tomarmos mais uma chuvinha só de raspão, chegamos ao arquipélago. São ilhas tomadas pelo mangue. Entre elas, pequenos canais, braços de mar. Parece até que estamos no rio novamente. De repente, por detrás das árvores do mangue, notamos algo diferente, completamete distoante daquela paisagem. São enormes dunas de areia! Lençóis de areia. Chegamos aos Lençóis. À Ilha de Lençóis. Aos "outros" lençóis maranhenses, tão pouco conhecido ainda dos brasileiros, mesmo aqueles já bem viajados.

Chegando à Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Chegando à Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Fim de viagem, chegando à Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Fim de viagem, chegando à Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


O nosso barco, que seguia para a comunidade vizinha de Bate Vento, só encosta na ilha para nos deixar, na praia mesmo. Quer dizer, mais ou menos praia. A areia afunda com nosso peso. Metade areia, metade lama. São cinquenta metros de esforço redobrado, para que nossas mochilas não se molhem. Depois disso, enfim, terra firme! Literalmente!

Difícil caminhanda chegando na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Difícil caminhanda chegando na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


A vila é bem pequena. Não demora muito para acharmos nossa pousada, a mais simples das três existentes. É a pousada do Hélio. Somos muito bem recebidos. Logo estamos muito bem instalados no nosso quarto. A pousada não tem teto, vemos diretamente o telhado que é feito de folhas de palmeira. Assim como parte das paredes. Mais acolhedor, impossível. No banheiro, um pequeno chuveiro. Ou então, banho de balde, muito mais gostoso. Há uma enorme tina d'água sempre cheia e água não falta para o balde. Serve para a descarga também. Prático, simples e limpo!

Difícil caminhanda chegando na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Difícil caminhanda chegando na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Somos parte do pequeno grupo de viajantes que chegam aqui por conta própria. Quase todos chegam trazidos pela agência Maramazon, de São Luís, ou pelo Serafim, dono da pousada mais cara daqui. Ambos vendem pacotes fechados, que incluem desde o transporte de São Luís à Ilha de Lençóis até passeios guiados pela ilha e redondezas e refeições na estadia. Turismo independente, ainda é muito incipiente. Mas, depois do dia de hoje, podemos dizer: sim, é possível e fica muito mais barato. Mas requer um certo espírito de aventura. E acordar às 04:10 da madrugada. Pequenas dificuldades recompensadas pela incrível beleza que nos espera na Ilha de Lençóis. Vamos conferir em breve, depois de uma pequena soneca...

Entardecer visto do alto das dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Entardecer visto do alto das dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Brasil, Maranhão, Apicum Açu, Ilha de Lençóis, Praia, Reentrâncias Maranhenses

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O Vale dos Dinossauros

Brasil, Paraíba, Sousa (Vale dos Dinossauros)

Vale dos Dinossauros, em Sousa - PB

Vale dos Dinossauros, em Sousa - PB


O Brasil tem um tesouro paleontológico escondido em pleno sertão da Paraíba. Na verdade, não está escondido não, pois sabe-se muito bem onde é. O problema é outro. Como um bom país de mentalidade quartomundista, esse patrimônio brasileiro e da humanidade está jogado às traças. Não fosse pelo esforço apaixonado e pessoal de algumas pessoas, certamente o tesouro já estaria destruído.

Visitando o Vale dos Dinossauros, em Sousa - PB

Visitando o Vale dos Dinossauros, em Sousa - PB


Nas vizinhanças de Sousa, no extremo oeste paraibano, foram descobertas pegadas em ótimo estado de conservação de dinossauros. Pegadas que variam de 90 a 120 milhões de anos atrás. Fossilizadas na antiga lama do atual Rio do Peixe que na época era bem mais caudaloso do que é hoje.

Pegadas de dinossauros, no Vale dos Dinossauros, em Sousa - PB

Pegadas de dinossauros, no Vale dos Dinossauros, em Sousa - PB


As pegadas foram deixadas por vários tipos de dinossauros, entre eles o herbívoro iguanodonte, de quatro toneladas e o carnívoro velociraptor, imortalizado nos filmes da série Jurassic Park. Esses dinossauros percorreram e deixaram suas marcas na lama de um rio que secava. Durante períodos secos em que a água do rio ficava longe por alguns anos, essa lama endurecia e era coberta por sedimentos. Quando o rio voltava, anos mais tarde, as pegadas já estavam "seguras" abaixo dos sedimentos. Nova lama se formava, o rio se afastava novamente e dava chance para que novas pegadas aparecessem. Deste modo, várias camadas de lama petrificada com pegadas surgiram. Registro mais do que palpável da história destes seres que dominaram a Terra por 150 milhões de anos.

Pegada de dinossauro, no Vale dos Dinossauros, em Sousa - PB

Pegada de dinossauro, no Vale dos Dinossauros, em Sousa - PB


O agricultor que as descobriu pensou que fossem pegadas de boi e de ema, e assim as batizou. Seus vizinhos logo perceberam que bois e emas não deixam pegadas em pedra e disseram ser pegadas de lobisomem. Apenas 30 anos mais tarde, na década de 20, é que um estudioso as reconheceu como sendo de dinossauros.

Leitos fossilizados de rio no Vale dos Dinossauros, em Sousa - PB

Leitos fossilizados de rio no Vale dos Dinossauros, em Sousa - PB


Hoje, quem toma conta do lugar é o neto do descobridor das pegadas. Uma figuraça, conhecida como o "Velho do Rio". Basta vê-lo para se saber o porquê do apelido. Há diversos rastros de pegadas, alguns entre os mais compridos do mundo! E ainda precisam ser escavados, mas o Ibama quer proteger a mata ciliar?!?

Réplicas de dinossauros no Vale dos Dinossauros, em Sousa - PB

Réplicas de dinossauros no Vale dos Dinossauros, em Sousa - PB


O abandono da área é flagrante. Dizem que agora a Petrobrás vai patrocinar algum parque no local. Só podemos ficar na torcida para que isso ocorra. Se estivéssemos na Europa ou EUA, redomas de vidro protegeriam as pegadas, centenas de pessoas visitariam o local diariamente e audiovisuais bem projetados enriqueceriam em muito a visita. Quem sabe num futuro próximo?

Pegadas de dinossauros, no Vale dos Dinossauros, em Sousa - PB

Pegadas de dinossauros, no Vale dos Dinossauros, em Sousa - PB


Aqui, mais uma vez, fica claro a pequeneza da nossa supersônica passagem pela Terra. Quando falo em "nossa", não estou me referindo aos ridículos 70-80 anos de nossas vidas. Falo dos igualmente ridículos 200 mil anos que a raça humana circula por aí. Para mim, que vim da Capivara onde falávamos de 20, 30 mil anos, é de se perder o fôlego ao imaginar 100 milhões de anos... Tudo aqui, no nosso quintal!

Brasil, Paraíba, Sousa (Vale dos Dinossauros), Paleontologia, Vale dos Dinossauros

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Nos Próximos Dias...

Brasil, Paraná, Curitiba

Nossa temporada aqui em Curitiba não tem data data certa para terminar. O novo passaporte deve ser entregue até o final da semana que vem. A outra questão a nos segurar por aqui é o visto do Canadá. Ainda não decidimos a melhor estratégia de obtê-lo. Se tentarmos por aqui, deve demorar duas semanas, após termos o novo passaporte em mãos. Aproveitaríamos esse tempo para viajar pelo interior de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, aproveitando o frio do inverno. As praias ficariam para o fim dos 1000dias, num clima mais ameno.. Se decidirmos por tentar o visto canadense nos EUA, aí partiremos logo depois de receber o passaporte. Nesse meio tempo, enquanto estivermos por aqui, vamos aproveitar para ver amigos, ajustar o site, conseguir seguros, ir aos médicos e por aí vai.

Enfim, nada muito excitante de ser descrito aqui no blog. Assim, decidi fazer o seguinte: num parágrafo, descrevo o que conseguimos fazer naquele dia. O resto do post, dedico às mais belas fotos da viagem até aqui, um tema por dia. Para cada tema, há dezenas de fotos que cosideramos lindas. Mas vou ter de escolher algumas. Para ver as outras, em breve teremos um filtro melhorzinho no nosso site, para que cada um possa escolher suas preferidas. Aproveitando o frio que faz em Curitiba, e o longo tempo que temos viajado pelo interior, só me restou começar com o tema PRAIAS.

Então, nessa madrugada, começo a série. E qualquer sugestão de temas será muito bem vinda!

Brasil, Paraná, Curitiba,

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Triângulo das Bemudas

Bahamas, Long Island - Stella Maris

Pensando na vida...

Pensando na vida...


Um dos aspectos que mais me atraem nessa viagem que ainda está só no começo (3 semanas hoje!) é a chance de passar em lugares que marcaram meu imaginário infantil e de adolescente. Um bom exemplo disso é a Groelândia. Para quem jogou War (esse jogo marcou minha geração!) essa enorme ilha, que em muitos mapas parece ter o tamanho da América do Sul, sempre foi um ponto estratégico para se invadir a Europa, através da Islândia. Que jogo legal! E que noção de geografia ele passava para nós. Nomes como Dudinka, Omsk, Labrador, etc, entraram e não saíram mais da minha cabeça. E entre esses nomes, a Groelândia. Pois é, não é que vou conhecer!!!

Outro nome são as Ilhas Malvinas, ou Falkland. Foi a primeira guerra que lembro de ter acompanhado, pelos jornas e pela TV. Pobres argentinos... que sova! Enfim, lembro-me como se fosse hoje dos porta-aviões ingleses Hermes e Invincible, ou da fragata Sheffield, afundada por um míssel Exocett, dos argentinos. Com isso, se vingaram do afundamento do General Belgrano. Bem, os portenhos voltaram para casa mas os nomes ficaram na minha memória. E nós vamos para lá!

Há também outros nomes mágicos, quase sempre ilhas. Se fosse discorrer sobre cada um, escreveria um livro: Hawaii, nome que minha mãe usava para nos fazer comer comidas que não gostávamos ("se você não comer, não vamos mais te levar para o Hawaii". Eu comia mas não fui. Vou agora!); Galápagos, estrela maior das aulas de biologia que nos ensinavam sobre Darwin e a evolução; Ilha de Páscoa, local de míticas esculturas, que teriam sido feitas com a ajuda de extraterrestes... E por aí vai!

Mas, há um nome que se sobressai entre todos: Triângulo das Bermudas! Devorei livros e artigos no início da minha adolescência sobre isso. Nem conseguia dormir direito com esse misterioso lugar me assombrando a mente. Para onde foram os aviões e navios perdidos? Um portal do tempo-espaço? Extraterrestres? Atlântida? Que medo que dava!

Pois bem, lembrei disso tudo agora porque tivemos nosso primeiro contato com esse famoso lugar. Os vértices do triângulo são as ilhas que lhe emprestam o nome (vamos para lá também!), a Flórida e as Bahamas. Quando criança, imaginava que essa era uma área proibida para aviões e navios, que desapareceriam do mapa assim que passassem por lá. Doce ilusão! É uma das regiões do mundo com maior tráfego de barcos! Daí, nada mais normal que sumir um ou dois. Pois bem, finalmente cheguei ao meu ponto: na viagem de Nassau para Long Island, atravessamos uma neblina grossa. Não se via nada! Imagina o que é que veio na minha cabeça? Não como medo, mas como um tremendo flash back da infância-adolescência! Foi muito legal! A minha viagem durou horas e horas. Tudo num espaço de um minuto em que nada víamos. Eu via! Todos aqueles aviões desaparecidos... estavam ali, quase ao meu alcançe.

Momentos como esse são os que vou me lembrar daqui a 40 anos...

Bahamas, Long Island - Stella Maris,

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Praia, Pitons e o Maravilhoso Snorkel

Santa Lúcia, Soufriere

As famosas montanhas Piton, em Soufriere, no sul de Santa Lúcia, no Caribe

As famosas montanhas Piton, em Soufriere, no sul de Santa Lúcia, no Caribe


Dentre todas as ilhas caribenhas, Santa Lúcia foi aquela em que os eternos rivais, franceses e ingleses, mais lutaram pela posse, resultando em dezenas de trocas de soberania. Como nas ilhas vizinhas, os índios Caribs conseguiram impedir os espanhóis de se instalarem, mas não resistiram à “onda” seguinte, 150 anos mais tarde, de colonizadores franceses. Estes fundaram diversas viras no litoral caribenho de Santa Lúcia, inclusive a cidade de Soufriere. Mais para o norte, foram colonizadores ingleses que se instalaram.

Vista para a Piton do nosso hotel em Soufriere, no sul de Santa Lúcia, no Caribe

Vista para a Piton do nosso hotel em Soufriere, no sul de Santa Lúcia, no Caribe


Dirigindo em Soufriere, região das montanhas Piton, no sul de Santa Lúcia, no Caribe

Dirigindo em Soufriere, região das montanhas Piton, no sul de Santa Lúcia, no Caribe


A partir da segunda metade do séc XVIII os ingleses viram na ilha um grande valor estratégico, principalmente por estar tão próxima da principal ilha francesa da região, Martinica. Assim, diversas vezes conquistaram Santa Lucia, mas por força de tratados ou negociações, acabavam por devolvê-la novamente aos franceses. Assim foi durante a Guerra dos 7 Anos, Revolução Americana, Revolução Francesa e Guerras Napoleônicas. A posse definitiva para a Inglaterra só veio em 1814. Mas os costumes franceses na população já estavam tão arraigados que quase todas as cidades ainda mantém seu nome francês enquanto que a língua oficial da ilha só foi mudada na metade do século. Mesmo assim, até hoje, quando conversam entre si, a língua mais falada em Santa Lúcia é o “patois”, uma espécie de francês creolle.

A deliciosa praia de Chastanet, em Soufriere, no sul de Santa Lúcia, no Caribe

A deliciosa praia de Chastanet, em Soufriere, no sul de Santa Lúcia, no Caribe


São franceses também os nomes das mais famosas montanhas de Santa Lúcia e do leste do Caribe: a Petit Piton e a Gros Piton. De origem vulcânica, tem uma forma piramidal quase perfeita, se erguendo a 750 metros de altura, dois enormes “icebergs verdes”.. Ficam na costa sudoeste da ilha, próximas à cidade de Soufriere e são o mais famoso cartão postal do país.

Snorkel em meio a cardume na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia

Snorkel em meio a cardume na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia


Maravilhoso snorkel na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia

Maravilhoso snorkel na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia


Acordamos hoje ansiosos para vê-las sob a luz solar (só a tínhamos visto de noite, maravilhosas!) e fotografá-las. Não nos decepcionamos! O dia estava lindo e, a todo momento, onde quer que estivéssemos, parávamos para vê-las e admirá-las “Puxa vida! Estamos mesmo aqui, em Santa Lúcia!” – foi minha exclamação ao longo do dia...

Maravilhoso snorkel na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia

Maravilhoso snorkel na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia


Logo no nosso café da manhã, já pudemos admirar a “Petit”, porque a “Gros” se escondia atrás dela. Depois, no nosso caminho para praia de Chastanet, passando por uma estrada bem alta, ali tivemos a melhor visão, dessa vez das duas montanhas. Foi só quando chegamos à bela praia que elas sumiram, escondidas por um rochedo. Mas não por muito tempo!

Snorkel na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia, com vista para as montanhas Piton

Snorkel na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia, com vista para as montanhas Piton


A praia é mesmo bela, mas melhor ainda é o snorkel que se pode fazer ali. Perfeito! Temperatura e visibilidade ideais, peixes coloridos e cardumes, diversos tipos de corais e de crustáceos. Além disso, a profundidade variava dos dois metros aos trinta metros. Ou seja, tinha para todo gosto! Obviamente que fui me divertir nas grandes profundidades! Com uma água limpa dessa, sem perceber e já estava ultrapassando os vinte metros. Muito legal!

Atravessando caverna submarina durante snorkel na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia

Atravessando caverna submarina durante snorkel na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia


Uma sereia na saída de caverna submarina durante snorkel na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia

Uma sereia na saída de caverna submarina durante snorkel na praia de Chastanet, em Soufriere, sul de Santa Lúcia


Mas o melhor ainda estava por vir. Primeiro, nadamos até o fim do rochedo para, mais uma vez, admirar as Pitons. Visão inspiradora! Depois, no próprio rochedo, descobrimos várias cavernas submarinas. Agora, minha diversão passou a ser atravessá-las. Primeiro, com cuidado, vendo se o fôlego era suficiente. Depois, já mais seguro, parando no meio para tirar fotos. Um espetáculo! Uma delas não tinha saída. Então, nadava o mais para dentro que podia e, de lá, ao olhar para a saída, aproveitava aquela visão mágica. Mas não podia me enrolar muito não, pois o ar me esperava lá do lado de fora! Enfim, foram quase duas horas de muita diversão (e muito fôlego!).

Praia de Soufriere, no sul de Santa Lúcia, no Caribe

Praia de Soufriere, no sul de Santa Lúcia, no Caribe


Admirando a magnífica Petit Piton, em Soufriere, no sul de Santa Lúcia, no Caribe

Admirando a magnífica Petit Piton, em Soufriere, no sul de Santa Lúcia, no Caribe


No finalzinho da tarde fomos até a cidade, caminhar pelo centro. Mais vistas incríveis da Petit Piton, dessa vez com uma luz ainda mais bonita. E na praça central da cidade, um momento de silêncio para as várias pessoas que foram ali guilhotinadas. Afinal, em 1792 a ilha ainda era francesa e estávamos em plena revolução! Ai daqueles suspeitos de conspirar contra o novo regime...

Praça central em Soufriere, onde ocorriam as execuções por guilhotina durante a Revolução Francesa (em Santa Lúcia, no Caribe)

Praça central em Soufriere, onde ocorriam as execuções por guilhotina durante a Revolução Francesa (em Santa Lúcia, no Caribe)

Santa Lúcia, Soufriere, história, Mergulho, Pitons, Praia

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Escalando no Potrero Chico

México, Potrero Chico

Escalador enfrenta os paredões de Potrero Chico, no nordeste do México

Escalador enfrenta os paredões de Potrero Chico, no nordeste do México


Deixamos a cidade de Monterrey para trás, tomando o rumo noroeste, em direção ao Potrero Chico. A indicação foi do Jeremy, o dono do apartamento que ficamos lá em Boulder, no Colorado. Ele é um entusiasta e praticante da escalada em rocha e quando soube que passaríamos na região de Monterrey, foi enfático: “Vocês têm de ir ao Potrero Chico. É um dos melhores pontos para se escalar no mundo!”. Vivendo e aprendendo...

Chegando à Potrero Chico, no nordeste do México

Chegando à Potrero Chico, no nordeste do México


Por aqui, estudando com mais cuidado as possibilidades ao redor da cidade, descobrimos que seria possível ficar semanas explorando as montanhas, para todos os lados. Mas muitos dos programas são melhor aproveitados no verão, já que hã rios ou cachoeiras. Ao final, optamos mesmo pelo Potrero. Afinal, fizemos um curso de escalada antes da viagem e quase não tivemos a chance de praticar de verdade. A última vez foi lá em Passa e Fica, na fronteira de Paraíba e Rio Grande do Norte. Já estava mais do que na hora de desenferrujarmos o equilíbrio e a força nos dedos , além d enfrentarmos a vertigem e nossos medos primitivos.

As enormes paredes de Potrero Chico, no nordeste do México

As enormes paredes de Potrero Chico, no nordeste do México


São centenas de rotas de escalada nas paredes e encostas de Potrero Chico, no nordeste do México

São centenas de rotas de escalada nas paredes e encostas de Potrero Chico, no nordeste do México


A viagem é curta, cerca de uma hora, por estradas cada vez mais secundárias. Uma delícia deixar os engarrafamentos para trás e chegar numa estrada vazia! Era o meio da tarde quando chegamos ao Potrero, enormes montanhas de pedra repleta de paredões e encostas, belíssimos de longe, amedrontadores para olhos destreinados, mas hipnóticos para amantes das escaladas. Essas paredes possuem mais de quinhentas rotas catalogadas, algumas com poucas dezenas de metros e propícias à iniciantes do esporte e outras que seguem até o cume da montanha, mais de quinhentos metros de paredes e que exigem muita técnica e sangue frio para serem vencidas.

Caminhando pelo parque de Potrero Chico, no nordeste do México

Caminhando pelo parque de Potrero Chico, no nordeste do México


Caminhando pelo parque de Potrero Chico, no nordeste do México

Caminhando pelo parque de Potrero Chico, no nordeste do México


O local explodiu para o turismo alguns anos atrás, mas a situação de violência no México alardeada pela imprensa acabou por afastar boa parte dos visitantes e hoje o movimento é bem mais tranquilo. Mas quem vem, não se arrepende. Muitos ficam semanas ou até meses a fio, escalando seis dias por semana, sem repetir caminhos ou rotas e descansando no sétimo, regra de ouro no esporte. As acomodações não são caras e há também vários campings. Como o esporte quase não requer gastos depois que se tenha o equipamento, os alpinistas acabam vivendo seu sonho de vida: compras no supermercado para a semana, camping pagando 5 dólares por dia e escaladas o dia inteiro. Passam um mês inteiro praticamente sem gastar e fazendo o que mais gostam. Na verdade, o maior gasto acaba sendo a cerveja no fim do dia, outra regra de ouro para a maioria dos praticantes.

A região de Potrero Chico, no nordeste do México

A região de Potrero Chico, no nordeste do México


Após um dia de escaladas turistas voltam para seus acampamentos e pousadas em Potrero Chico, no nordeste do México

Após um dia de escaladas turistas voltam para seus acampamentos e pousadas em Potrero Chico, no nordeste do México


Ontem, chegamos meio tarde para escalar, mas conseguimos deixar tudo acertado para o dia de hoje. Conseguimos um guia, o Edgar, que vai forneceria equipamento (sapatos, cadeirinhas, capacetes e, claro, a corda!) e levaria sua simpática namorada alemã, a Mili, para o auxiliar. Entre a barraca e um quarto grande com camas limpas e um descontão, ficamos com o segundo, a um quilômetro da entrada do parque. Tudo acertado, pudemos seguir para o parque para aproveitar as últimas horas do dia, admirando tanto a paisagem exuberante como os escaladores que enfrentavam as paredes de pedra. Dezenas deles, felizes da vida, cada dupla ou grupo em sua parede. Com tantas possibilidades e níveis de dificuldade, realmente é fácil entender porque eles gostam tanto daqui.

Nosso guia Edgard faz a segurança de sua namorada Mili em Potrero Chico, no nordeste do México

Nosso guia Edgard faz a segurança de sua namorada Mili em Potrero Chico, no nordeste do México


A Mili coloca a corda guia para nós, em parede de Potrero Chico, no nordeste do México

A Mili coloca a corda guia para nós, em parede de Potrero Chico, no nordeste do México


A noite, longe das luzes de cidades e no meios de enormes torres de pedra iluminadas pelo luar foi bem especial. Jantar caseiro na pousada mesmo, muitos alpinistas disputando a cozinha para fazer as próprias refeições, todo mundo na maior social. Fizemos a nossa também (a social, pois a refeição foi comprada!) e fomos para a cama pois o dia de hoje começaria cedo.

Fiona estacionada em frente ao local da nossa primeira escalada, em Potrero Chico, no nordeste do México

Fiona estacionada em frente ao local da nossa primeira escalada, em Potrero Chico, no nordeste do México


A Ana enfrenta a nossa primeira parede do dia, em Potrero Chico, no nordeste do México

A Ana enfrenta a nossa primeira parede do dia, em Potrero Chico, no nordeste do México


E começou mesmo, com sanduíches preparados ontem e pegando o guia e sua assistente no camping deles para, juntos, irmos ao parque. O Edgard já mora aqui há muito tempo e é profundo conhecedor das centenas de rotas. Já tinha escolhido aonde nos levar, paredes um pouco mais fáceis para alpinistas pouco experientes (nós!).

A Ana chega ao topo da primeira escalada em Potrero Chico, no nordeste do México

A Ana chega ao topo da primeira escalada em Potrero Chico, no nordeste do México


Subindo nossa primeira parede em Potrero Chico, no nordeste do México

Subindo nossa primeira parede em Potrero Chico, no nordeste do México


Ele mesmo, ficou o tempo todo na tranquilidade. Mostrava a rota para a Mili e ela subia, abrindo a via para nós e colocando a corda guia. Embaixo, o Edgard fazia a segurança. Colocada a corda, a Ana partia antes, muito corajosa e desbravadora, eu embaixo tirando fotos. Ela subiu com muito mais tranquilidade que eu esperava, ainda mais que a parede era bem inclinada, o que até nos atemorizou um pouco no início. Mas era só começar a subir que o temor passava e as velhas habilidades renasciam.

Olhando para baixo, do ponto mais alto da nossa primeira escalada do dia em Potrero Chico, no nordeste do México. A Fiona ficou pequenininha!

Olhando para baixo, do ponto mais alto da nossa primeira escalada do dia em Potrero Chico, no nordeste do México. A Fiona ficou pequenininha!


Observando a Mili abrir a via para nós, em Potrero Chico, no nordeste do México

Observando a Mili abrir a via para nós, em Potrero Chico, no nordeste do México


A primeira parede, mais de vinte metros de altura, subimos ainda na sombra. O frio entorpece as mão e dificulta a subida, pois sem sensibilidade, não sentimos bem as agarras. Mas com esforço, mas meu do que da Ana, chegamos lá em cima, um de cada vez. Uma deliciosa sensação de vitória que há muito não sentíamos.

A Ana pronta para a segunda parede em Potrero Chico, no nordeste do México

A Ana pronta para a segunda parede em Potrero Chico, no nordeste do México


A Ana negocia com a parede na nossa segunda via em Potrero Chico, no nordeste do México

A Ana negocia com a parede na nossa segunda via em Potrero Chico, no nordeste do México


Na segunda subida, outra vez um pouco mais de 20 metros, havia até um trecho na diagonal. Outra vez a Mili colocou as cordas e depois, o Edgard nos deu segurança. Sem o frio para atrapalhar, já foi bem mais fácil. Estávamos melhorando! A vontade era passar uma semana por ali e ficar craque no esporte. Não pode haver melhor lugar para treinar! Mas já era meio-dia e tínhamos uma longa viagem pela frente.

Outros escaladores enfrentam parede em Potrero Chico, no nordeste do México

Outros escaladores enfrentam parede em Potrero Chico, no nordeste do México


Com nosso guia Edgard e sua namorada alemã, a Mili, em Potrero Chico, no nordeste do México

Com nosso guia Edgard e sua namorada alemã, a Mili, em Potrero Chico, no nordeste do México


Deixamos o Potrero super felizes de termos passado e por lá e, principalmente, por termos escalado um pouco. Graças ao Jeremy, que nos deu a ideia, e ao Edgard e à Mili, que nos guiaram e ajudaram. Mas também ficamos muito felizes conosco mesmo. Nossa iniciativa e insistência em enfrentar nossos medos, inércia e preguiça foram recompensados de uma maneira maravilhosa. Sinal de que, quando a oportunidade aparecer, não podemos deixar passar. E não deixaremos!

Chegando ao alto da segunda escalada do dia em Potrero Chico, no nordeste do México

Chegando ao alto da segunda escalada do dia em Potrero Chico, no nordeste do México

México, Potrero Chico, Parque

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De Volta à Miami (Outra Vez!)

Estados Unidos, Flórida, Miami, Key Biscayne

Com o André e a Luiza, filhos do Marcelo e da Su, no apartamento em Key Biscayne, na Flórida - Estados Unidos

Com o André e a Luiza, filhos do Marcelo e da Su, no apartamento em Key Biscayne, na Flórida - Estados Unidos


Pois é, dois anos depois e lá estávamos nós, novamente, em Miami, celebrando nosso aniversário de casamento. E de novo, na sempre agradável companhia do Marcelo e da Su, nossos anfitriões na cidade. Na verdade, em Key Biscayne, onde eles moram. Foi bem emocionante ter chegado lá dirigindo nosso carro brasileiro.

Comemoração dos três anos de casamento, junto com o Marcelo, Su e seus pais, num restaurante em Key Biscayne, na Flórida - EUA

Comemoração dos três anos de casamento, junto com o Marcelo, Su e seus pais, num restaurante em Key Biscayne, na Flórida - EUA


Quem nos recebeu logo que entramos no apartamento foi o pequeno Daniel. Essa figura nem existia quando passamos aqui da outra vez. Vê-lo andando pela casa, tão cheio de vontades e já se achando uma pessoa, foi um bom lembrete para nós de como o tempo está passando. Além dele, lá estavam também, já dois anos mais velhos, o André e a Luiza. É, a casa estava mesmo cheia de vida, contando ainda com a presença dos simpáticos pais da Su, que vieram fazer uma surpresa à filha na comemoração do seu aniversário.

André, Luiza e Daniel, filhos do Marcelo e da Su, em Key Biscayne, na Flórida - Estados Unidos

André, Luiza e Daniel, filhos do Marcelo e da Su, em Key Biscayne, na Flórida - Estados Unidos


Na noite de ontem, a tropa de crianças ficou em casa e os adultos foram celebrar o reencontro e nosso aniversário num restaurante indiano em Key Biscayne. Muito gostoso, a comida e a companhia. Acho que já vamos começar a planejar nosso quinto aniversário por aqui também, hehehe! Para quem quiser comparar as fotos das pessoas nesses dois anos de diferença (principalmente as crianças!), faz uma pesquisa no blog pelos posts de Miami (clique aqui para ver). É muito legal ver os posts antigos. Aliás, foi por aí que percebi que não poderia chamar esse post de “De Volta à Miami”, pois já havia um post com esse nome!

Placa nova para a Fiona, feito na hora, em Miami, na Flórida - Estados Unidos

Placa nova para a Fiona, feito na hora, em Miami, na Flórida - Estados Unidos


Hoje fomos almoçar na cidade de Miami mesmo, num shopping bem popular entre turistas, o Bayside. Depois, ali mesmo, fomos providenciar placas novas para a Fiona, hehehe! Sem burocracia, serviço rápido, não mais do que 15 minutos. Ficaram bem bonitas e vão servir para a gente circular aqui na América do Norte e na América Central. Já no Brasil, acho que não vai colar, não! Ainda estamos tentando solucionar isso...

Encontro com a Thaís em Miami, na Flórida - Estados Unidos

Encontro com a Thaís em Miami, na Flórida - Estados Unidos


Com o Marcelo em Key Biscayne, na Flórida - Estados Unidos

Com o Marcelo em Key Biscayne, na Flórida - Estados Unidos


Ainda em downtown, a Ana pôde fazer uma rápida visita à Thaís, amiga do tempo de Curitiba que vive e trabalha por aqui e conseguiu uns minutos no meio do expediente para recebê-la. Enquanto isso, eu e o Marcelo botávamos a conversa em dia, dois anos de novidades e vinte anos de memórias conjuntas.

Com a Su em Key Biscayne, na Flórida - Estados Unidos

Com a Su em Key Biscayne, na Flórida - Estados Unidos


A noite foi tranquila em Key Biscayne, com direito à lanche com pão, queijos e vinhos, sempre uma ótima pedida. O Seu José, pai da Su, até nos presenteou com um livro de uma peça teatral que ele mesmo escreveu. E ainda nos explicou como funciona o mercado editorial brasileiro. Dicas valiosas, pois também temos um sonho de publicar algum(uns) sobre a nossa jornada pelo continente. Assunto, não vai faltar!

Com os pais da Su em Key Biscayne, na Flórida - Estados Unidos

Com os pais da Su em Key Biscayne, na Flórida - Estados Unidos


Amanhã, deixamos Miami definitivamente. Rumamos para o norte, em direção à Nova Iorque. Temos de estar lá até o dia 28 de Maio, quando sai o nosso voo para Barbados. Pouco mais de duas semanas pela costa leste americana. E vamos que vamos!

Skyline de Miami, na Flórida - Estados Unidos

Skyline de Miami, na Flórida - Estados Unidos

Estados Unidos, Flórida, Miami, Key Biscayne,

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Conhecendo o Cotopaxi

Equador, Quito, Baños, Cotopaxi

O vulcão Cotopaxi, o mais alto do mundo em atividade, no Equador

O vulcão Cotopaxi, o mais alto do mundo em atividade, no Equador


A manhã de hoje foi dedicada às burocracias finais do nosso live aboard em Galápagos e à definição das nossas "escaladas" nos vulcões Cotopaxi e Chimborazo. Preenchemos e entregamos a papelada do live aboard, que começa dia 25 e se estenderá por oito dias e sete noites. Depois, teremos mais dois dias em Galápagos e retornamos para Quito no dia 04 de Outubro. O Rafa e a Laura voltam para o Brasil no dia seguinte e nós, depois de fazermos a revisão da Fiona dos 60 mil km, partimos para a Colômbia.

Carregando a Fiona com a bagagem de quatro pessoas, em Quito - Equador

Carregando a Fiona com a bagagem de quatro pessoas, em Quito - Equador


Quanto às escaladas, vamos fazer os vulcões devidamente acompanhados de guias. Escolhemos uma das mais conhecidas agências de Quito, a Gulliver, e hoje passei uma hora por lá definindo como e quando serão as escaladas. O Equador possui o mais alto vulcão em atividade do mundo, o Cotopaxi, com 5.890 metros e também o mais alto já extinto, o Chimborazo, com pouco mais de 6.300 metros. Nos dois casos, a escalada dura dois dias. Como não temos tempo para fazer os dois, resolvemos nos dividir! A Ana, a Laura e o Rafa vão tentar o Cotopaxi enquanto eu vou me arriscar no Chimborazo. Nos dois casos, a escalada envolve um bom trecho de subida em neve e gelo e é preciso usar grampões, roupas adequadas e até uma picareta. A Gulliver fornece tudo isso para nós. Ela possui uma mesma base de operações para as duas montanhas e dormiremos todos lá no dia 22. No dia 23, cada grupo seguirá para o seu vulcão, indo dormir em refúgios na montanha em altitudes próximas dos 5 mil metros. Na madrugada seguinte, do dia 24, partimos cada qual para o seu cume, que devem ser atingidos quando o sol estiver nascendo. Aí descemos, reencontramo-nos todos na base de operações e voltamos para Quito.

Estrada coberta de granizo no parque Cotopaxi, no Equador

Estrada coberta de granizo no parque Cotopaxi, no Equador


Enfrentando o granizo na estrada de acesso ao Cotopaxi, o Equador

Enfrentando o granizo na estrada de acesso ao Cotopaxi, o Equador


Definidos os vulcões, agora precisávamos de um plano de aclimatação à altitude para o Rafa e para a Laura. Eu e a Ana já nos consideramos aclimatados, apesar da semana passada ao nível do mar desde Trujillo, no Peru. Assim, resolvemos seguir diretamente para o vulcão Cotopaxi, no nosso caminho para o sul do Equador. Ali é possível chegar de carro até os 4.550 metros e, de lá, caminhar até o refúgio construído um pouco acima dos 4.800 metros de altitude.

Laguna no Parque Cotopaxi, no Equador

Laguna no Parque Cotopaxi, no Equador


A Ana, a Laura e o Rafa subindo para o refúgio no vulcão Cotopaxi, no Equador

A Ana, a Laura e o Rafa subindo para o refúgio no vulcão Cotopaxi, no Equador


Nosso único problema era chegar até lá antes que o parque fechasse para entradas, às três da tarde. Nem é tão longe, mas o difícil é conseguir sair da capital, Quito, com seu trânsito super amarrado. Com paciência, enfrentando todos os desvios, já que a Panamericana está em obras de ampliação, conseguimos sair da grande cidade e chegamos finalmente à estrada. De lá para o Cotopaxi foi rapidinho e chegamos à portaria do parque 15 minutos antes do prazo. O tempo tem estado meio chuvoso nesses dias e hoje não foi diferente. Não só o vulcão estava escondido como, naquela altitude, ao invés de água, tivemos gelo caindo do céu. A primeira chuva de granizo da Fiona, bem na entrada do parque nacional! Foi lindo!

O refúgio no vulcão Cotopaxi, no Equador

O refúgio no vulcão Cotopaxi, no Equador


Refúgio do Cotopaxi, a mais de 4.800 metros de altitude, no Equador

Refúgio do Cotopaxi, a mais de 4.800 metros de altitude, no Equador


O granizo passou e pudemos seguir até o estacionamento, passando antes por uma bela laguna ainda abaixo dos 4 mil metros. Lá no estacionamento, devidamente vestidos para enfrentar o frio e a neve fina que caía (já estamos ficando acostumados com a neve, hehehe), iniciamos nossa ascensão de 300 metros até o refúgio. A trilha é sobre terra solta, bem mais cansativo que no El istí, em Arequipa, mas devagarzinho eu cheguei lá encima. Tirei fotos dos companheiros que subiam atrás e aí, por alguns momentos, as nuvens abriram e o majestoso vulcão deu o ar da sua graça. Lindo e imponente! O Rafa chegou um pouco depois e, mais abaixo, a Ana e a Laura.

Dentro do confortável refúgio do vulcão Cotopaxi, no Equador

Dentro do confortável refúgio do vulcão Cotopaxi, no Equador


No refúgio do vulcão Cotopaxi, a mais de 4.800 metros de altitude, no Equador

No refúgio do vulcão Cotopaxi, a mais de 4.800 metros de altitude, no Equador


Passamos um tempo no refúgio, o mesmo que eles vão passar a noite antes do ataque final ao cume. Umas vinte pessoas estavam ali, se preparando para a escalada na madrugada de amanhã. Mas a gente não. Só tomamos um chá e começamos a descer, antes que o parque fechasse suas portas também para saída. Para baixo todo santo ajuda e rapidamente estávamos de volta à Fiona. Um lobo nos espreitava, enfrentando o frio e a altitude em busca de comida. Ao invés disso, ganhou algumas fotos!

Descendo o vulcão Cotopaxi sob forte neblina, no Equador

Descendo o vulcão Cotopaxi sob forte neblina, no Equador


Descendo o refúgio do Cotopaxi, no Equador

Descendo o refúgio do Cotopaxi, no Equador


Completada a tarefa de aclimatação, seguimos para a cidade de Baños, aos pés do mais ativo vulcão do Equador, o Tungurahua. Várias pequenas erupções nos últimos anos, incluindo algumas maiores de 2006 e 2007. Mas tem estado meio calmo ultimamente. Chegamos aqui já no escuro, intalamo-nos no Hostal Santa Cruz e fomos jantar. A cidade é uma meca do eco-turismo aqui no Equador, oferecendo programas de trekking, rafting, canyoning e por aí vai. Muitas cachoeiras, a proximidade da floresta amazônica e de um vulcão ativo possibilita os mais variados programas. Mas, como o próprio nome diz, o mais tradicional são os banhos em águas termais e terapêuticas.

Um lobo nos observa, a 4.500 metros de altitude, no Cotopaxi, no Equador

Um lobo nos observa, a 4.500 metros de altitude, no Cotopaxi, no Equador


Isso tudo fica para amanhã, quando teremos de fazer nossas escolhas. Não temos muito tempo, já que ainda queremos seguir até Cuenca, bem mais ao sul. Agora de noite a Laura começou a se sentir mal. Esperamos que ela melhore para que amanhã tenhamos um dia intenso por aqui. Precisamos estar todos em forma até o dia 23!

Observando as nuvens do estacionamento do Cotopaxi, no Equador

Observando as nuvens do estacionamento do Cotopaxi, no Equador

Equador, Quito, Baños, Cotopaxi, trilha, vulcão

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Santa Teresa e a Escadaria Selarón

Brasil, Rio De Janeiro, Rio de Janeiro

O bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro

O bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro


Um dos programas mais encantadores do Rio de Janeiro é passear pelo bairro de Santa Teresa. Localizado no morro de mesmo nome, ele propicia vistas lindas da orla carioca, é um centro de culinária, bares charmosos e ateliês de artistas, e suas ruas carregam mais de 200 anos de história.

Mapa do bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, um dos primeiros a se formar fora da região central da cidade

Mapa do bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, um dos primeiros a se formar fora da região central da cidade


Tudo começou em meados do séc. XVIII, quando foi instalado no então Morro do Desterro o convento de Santa Teresa. Ainda era uma área fora da cidade, em meio à mata nativa e muitas fontes de água. Aliás, é mais ou menos da mesma época a construção do Aqueduto da Carioca, os famosos Arcos da Lapa, que traziam água do rio da Carioca para abastecer várias fontes na cidade do Rio de Janeiro. Esses arcos ligam exatamente o Morro de Santa Tereza ao Morro de Santo Antônio.

Rua e casaróes de de Santa Tereza, no Rio de Janeiro

Rua e casaróes de de Santa Tereza, no Rio de Janeiro


No início do século XIX, o morro começou a ser ocupado pela então classe alta da cidade, que aí construía suas casas e mansões inspirados na arquitetura francesa da época. O bairro foi uma das primeiras expansões da cidade para fora do núcleo inicial do povoamento. Meio século mais tarde a ocupação se acelerou. Eram as pessoas que fugiam da epidemia de febre amarela que assolava os bairros mais baixos da cidade.

Almoço no restaurante Aprazível, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro

Almoço no restaurante Aprazível, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro


Restaurante Aprazivel, um dos muitos de Santa Tereza e famoso pela vista do Rio de Janeiro

Restaurante Aprazivel, um dos muitos de Santa Tereza e famoso pela vista do Rio de Janeiro


Em 1872 foi inaugurado o serviço de bondes que se tornou a marca registrada do bairro. Nos primeiros anos, eles eram puxados por burros, mas em 1896 começou a funcionar ligado a rede elétrica, unindo o centro até a parte alta do bairro. As linhas de bonde logo se espalharam pela cidade, mas com a chegada dos ônibus, começaram a ser substituídas. Ao final, só sobrou a linha pioneira, que acabou virando uma das atrações turísticas de Santa Teresa e da própria cidade do Rio de Janeiro, fazendo a alegria de turistas do mundo inteiro.

O Rio de Janeiro visto do bairro Santa Tereza, um dos mais tradicionais da cidade

O Rio de Janeiro visto do bairro Santa Tereza, um dos mais tradicionais da cidade


O Rio de Janeiro visto do bairro Santa Tereza, um dos mais tradicionais da cidade

O Rio de Janeiro visto do bairro Santa Tereza, um dos mais tradicionais da cidade


Com o tempo, Santa Teresa perdeu seu status de bairro nobre assim como os demais bairros históricos da zona sul, mas tornou-se, ao longo dos anos, um bairro de interesse cultural e turístico. Foi como nós fomos conhecê-lo quando passamos por aqui em Setembro de 2010, ainda no primeiro ano dos 1000dias. Comer bem, beber cerveja gelada, socializar com amigos e, claro, fotografar os bondes elétricos, como pode ser visto nesse post daquela época.

O Rio de Janeiro visto do bairro Santa Tereza, um dos mais tradicionais da cidade

O Rio de Janeiro visto do bairro Santa Tereza, um dos mais tradicionais da cidade


Ladeira do Meirelles, uma das princiapis vias de Santa tereza, no Rio de Janeiro

Ladeira do Meirelles, uma das princiapis vias de Santa tereza, no Rio de Janeiro


Agora, na companhia dos amigos espanhóis Álvaro e Valentín, resolvemos voltar para mais um passeio pelo bairro. Combinamos de nos encontrar em um dos mais famosos restaurantes do bairro, o Aprazível, que além da boa comida, tem uma vista linda da cidade. Depois de alimentados, aí sim fomos caminhar pelas ruas centenárias.

Obras de revitalização do bondinho de Santa Tereza, no Rio de Janeiro

Obras de revitalização do bondinho de Santa Tereza, no Rio de Janeiro


Arte nas ruas de Santa tereza, no Rio de Janeiro

Arte nas ruas de Santa tereza, no Rio de Janeiro


Logo, a primeira surpresa, o que mostra como as coisas estão sempre mudando. O famoso bondinho não está mais funcionando! Um terrível acidente, quase um ano após termos passado por aqui, matou várias pessoas no bonde e o serviço foi descontinuado. Na verdade, a ideia era (e é!) reformar o circuito, para torná-lo mais seguro. Vimos várias obras ao longo dos trilhos, mas a promessa de trazer o bondinho de volta até meados de 2014 não se concretizou. Por enquanto, as imagens charmosas desse meio de transporte da época dos nossos avós só vai ficar na memória e nas fotos antigas.

Muito movimento nos bares de Santa Tereza, no Rio de Janeiro

Muito movimento nos bares de Santa Tereza, no Rio de Janeiro


A famosa escadaria do Selaron, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro

A famosa escadaria do Selaron, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro


Sem bonde, o negócio é caminhar mesmo. O que não falta são lugares para reabastecer nosso combustível. No caso, uma boa cerveja gelada e gente descolada, gringos e locais, jogando conversa fora nas ruas. Assim, seguimos, de bar em bar, até uma das saídas do bairro, talvez a mais famosa delas nos dias de hoje, uma escadaria toda colorida que nos leva diretamente até o largo onde estão os Arcos da Lapa.

Arte na Escadaria do Selaron, ponto turístico de Santa Tereza, no Rio de Janeiro

Arte na Escadaria do Selaron, ponto turístico de Santa Tereza, no Rio de Janeiro


Arte na Escadaria do Selaron, ponto turístico de Santa Tereza, no Rio de Janeiro

Arte na Escadaria do Selaron, ponto turístico de Santa Tereza, no Rio de Janeiro


Esse cartão postal cada vez mais famoso da cidade foi inspiração e obra de um artista plástico chileno que viveu muito tempo por aqui. Da outra vez que estivemos em Santa Teresa, não tivemos tempo para conhecer essa escadaria, mas ela não nos escaparia uma segunda vez. Infelizmente, a obra está aqui, mas não mais o criador dela. Há pouco mais de um ano, o emblemático Jorge Selarón foi encontrado morto nos degraus que o celebrizaram. A polícia apontou suicídio, mas as estranhas condições de sua morte também apontam a possibilidade de assassinato.

Nosso amigo Alvaro em visita ao bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro

Nosso amigo Alvaro em visita ao bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro


O chileno nasceu em 1947 e, aos 17 anos, iniciou suas viagens pelo mundo. Visitou mais de 50 países, mas foi no Rio que decidiu se fixar, ainda na década de 80. Sobrevivia vendendo seus quadros nos restaurantes da cidade e morava próximo a uma antiga e deteriorada escadaria que ligava o bairro de Santa Teresa aos Arcos da Lapa. A partir de 1994, depois de se inspirar na decoração feita por habitantes locais por ocasião da Copa do Mundo, começou a azulejar cada degrau da enorme escadaria. Trabalhando solitariamente e apenas com o rendimento da venda de seus quadros, conseguiu terminar o último dos 215 degraus um pouco antes do ano 2000, que era a meta que havia se proposto.

Homenagem ao chileno Selaron, autor da escadaria que leva o seu nome no bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro

Homenagem ao chileno Selaron, autor da escadaria que leva o seu nome no bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro


No início acusado de louco por seus vizinhos, foi aos poucos ganhando a simpatia de todos. Ainda mais quando a escadaria começou a atrair turistas e fama para o local. Selarón continuou sua obra então, agora adornando as laterais da escadaria com obras de arte e azulejos com sua cor preferida: o vermelho Ferrari. Seus fãs do mundo inteiro passaram a colaborar, enviando de 60 países mais de 2 mil azulejos diferentes. Em Maio de 2005 toda a obra foi tombada pela prefeitura do Rio e Selarón ganhou o título de cidadão honorário da cidade.

A famosa escadaria do Selaron, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro

A famosa escadaria do Selaron, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro


Se pudesse voltar no tempo, eu teria vindo aqui naquela nossa passagem pelo bairro em 2010. Poderia ter encontrado essa peça rara e ter tido uma boa conversa com ele. mas perdemos a chance… essa história, como já disse, tem final triste. Selarón teve desentendimentos com um de seus colaboradores e alegava que estava sendo ameaçado de morte. Isso e não se sabe o que mais o levaram á depressão no final de 2012. Na madrugada do dia 10 de janeiro, após se ouvirem gritos de socorro, o artista plástico foi encontrado queimado na escadaria que revitalizou e imortalizou, confirmando sua própria pedição de que morreria quando sua obra terminasse. Ele se foi, mas a escadaria continua ali, a nos encher os olhos…

Saindo de Santa Tereza e chegando aos famosos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro

Saindo de Santa Tereza e chegando aos famosos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro


Foi por ela que descemos para, já de noite, dar de cara com outra das maravilhas cariocas, os Arcos da Lapa. Os mesmos da antiga gravura de 1790 que coloquei nesse post e que mostra também o convento de Santa Teresa. A cidade cresce, muda, se adorna, eles continuam em pé, nos ligando ao passado. Que delícia de passeio! Amanhã, temos mais escadas e morros pela frente. Um “pouco” mais altos, eu diria… vamos à Pedra da Gávea de onde, dizem, se tem as melhores vistas da cidade. A conferir…

Pintura de Leandro Joaquim, de cerca de 1790, já mostra os Arcos da Lapa. Ao fundo, o Mosteiro de Santa Teresa, que daria origem ao bairro de mesmo nome. O lago foi aterrado posteriormente e hoje é o Largo da carioca

Pintura de Leandro Joaquim, de cerca de 1790, já mostra os Arcos da Lapa. Ao fundo, o Mosteiro de Santa Teresa, que daria origem ao bairro de mesmo nome. O lago foi aterrado posteriormente e hoje é o Largo da carioca

Brasil, Rio De Janeiro, Rio de Janeiro, Arquitetura, cidade, história, Santa Teresa

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