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mario sergio silveira (14/04)
Ola Rodrigo, as fotos estão lindas. Agora não vou poder ler tudo mas ag...
Carlos Alberto Americano (13/04)
dizem que,uma vez conseguida a coisa que se almeja,a ambição do ser hum...
Carlos Alberto Americano (13/04)
dizem que,uma vez conseguida a coisa que se almeja,a ambição do ser hum...
Aymoré (13/04)
Hello!! O povo quer saber a marca do notebook que a Ana está pilotando n...
André Kina (13/04)
Poul: Os relatos dos blogs estão excelentes! Está virando hábito entra...
Prédio histórico de St. Pierre, antiga capital de Martinica
Impossível não pensar no Mount Pelée e na tragédia de 1902 aqui em St. Pierre. Mas nem só disso vive a cidade! Lá se vão 110 anos daquele fatídico 08 de Maio, a cidade foi reconstruída e seus habitantes levam uma vida muito normal!
Com o nosso carro nas estradas de St. Pierre, antiga capital de Martinica
Caminhando em rua de St. Pierre, antiga capital de Martinica
A população de hoje é apenas 1/6 do que era ao final do século XIX, quando St. Pierre era a orgulhosa capital da Martinica, com 30 mil habitantes. Hoje, é uma tranquila cidade do interior, com belas praias de águas transparentes e calmas, excelentes para um banho ou para fazer snorkel.
Mercado de St. Pierre, antiga capital de Martinica
Nas ruas do centro, um movimentado mercado, alguns restaurantes e bares de frente à orla e ao porto. Bastam uns 15 minutos de caminhada para percorrer as duas ruas principais, onde estão a igreja, o antigo teatro, o museu e alguns prédios históricos.
Cardápio de restaurante em St. Pierre, antiga capital de Martinica
Nosso lanche predileto na Martinica: saunduíche na baguete!
Depois do mergulho pela manhã, nós estivemos um pouco por ali. O almoço foi o tradicional e delicioso sanduíche na baguete. Afinal, estamos na França! Depois, uma cerveja gelada no boteco copo sujo na orla.
Nosso hotel em St. Pierre, no norte de Martinica
De volta o nosso hotel, no sul da cidade, uma deliciosa tarde na praia de areias escuras. Tínhamos de repartir toda aquela praia com no máximo outras 4-5 pessoas. Cenário ideal para relaxar e não pensar em nada.
Tranquila praia de areias escuras ao sul de St. Pierre, no norte de Martinica
Banho de mar no fim de tarde em praia no sul de St. Pierre, no norte de Martinica
Melhor ainda foi ir nadar no mar, levando nossas máscaras e câmera fotográfica. Enquanto o sol se punha, a gente perseguia linguados e caranguejos ou simplesmente se deliciava naquela água quase morna com visibilidade de mais de 15 metros. Uma enorme piscina.
Fazendo snorkel nas águas azul-transparentes de St. Pierre, no norte de Martinica
Fazendo snorkel nas águas azul-transparentes de St. Pierre, no norte de Martinica
Foi nossa última tarde em St. Pierre e na Martinica. Não poderia ter sido mais gostoso! Amanhã, nosso barco para Sta. Lúcia só sai de tarde, então ainda vamos poder pegar uma prainha pela manhã! Depois, algum tempo para ver a capital Fort-de-France e para o sul seguimos, a última perna de barco nessa etapa da viagem. De volta à fala inglesa e ao lado esquerdo da estrada...
Fazendo snorkel no fim de tarde em praia ao sul de St. Pierre, no norte de Martinica
Nossos mais novos amigos em Seattle, o David, a Corine e a filha Thalia (no estado de Washington, nos Estados Unidos)
Hoje, após nosso passeio pelo centro de Seattle e ao Gold Rush Museum, seguimos apressados a um dos pontos prediletos de turistas e habitantes locais na cidade: o Pike Public Market. Um verdadeiro universo em si mesmo, paraíso de fotógrafos e fãs de salmão, visita obrigatória para quem vem à Seattle, ele não poderia faltar em nosso programação. Mas nós chegamos com pouco tempo, aceleramos por seus corredores, tiramos um punhado de fotos e saímos correndo. Tudo porque tínhamos um compromisso no final da tarde, do outro lado da cidade. Mas voltaremos aqui, com mais calma, com o devido respeito que esse maravilhoso lugar merece. A Ana encontrou um show de um DJ que ela quer muito ver, no dia 31. Decidimos, então, sair de Seattle amanhã, para conhecer os parques nacionais do Mount Rainier e do vulcão Saint Helens e retornar no dia do show. O PriceLine já nos garantiu no mesmo hotel pelo mesmo bom preço e teremos nova chance de voltar ao Pike Market para fazê-lo justiça.
Pike Public Market, o famoso mercado de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
Quanto ao compromisso, a história dele começa há alguns dias, quando nos preparávamos para atravessar o North Cascades National Park, naquele dia em que pegamos muita neve na estrada. Pouco antes de entrarmos na zona montanhosa, paramos num posto de gasolina numa cidadezinha perdida do mundo, chamada Mazama. Até tivemos de sair da estrada principal e andar alguns quilômetros até chegar lá. Só fiz o desvio para não arriscar os próximos 100 km de estrada sem diesel e sem cidades. Um punhado de casas, um posto e nada mais. Pois é, não é que, enquanto abastecíamos, apareceu um cara falando em português, impressionado em ver a Fiona por ali (sempre ela!)!
Nossos mais novos amigos em Seattle, o David, a Corine e a filha Thalia (no estado de Washington, nos Estados Unidos)
Era o David, um americano que morou alguns anos no Brasil. Mora em Seattle e tem uma propriedade por lá. Mais interessante ainda, ele voltou do Brasil para cá em seu carro, uma Land Rover com o lindo nome de “Tudo Azul”. Junto com a esposa, que não estava ali, demoraram mais de dois anos nessa longa viagem. Enfim, já deu para perceber que rolou uma empatia total, né? Ele fez a sua viagem há cerca de dez anos e estava super interessado na nossa (e nós na dele, claro!). Contou que até hoje não conseguiu regularizar a pobre Tudo Azul aqui nos Estados Unidos. Estava, inclusive, trazendo ela para essa região perdida do mundo, com menos chance de ser pega por um policial mais encrenqueiro. Conversamos por um bom tempo, mas combinamos de nos reencontrar em Seattle, agora para conhecer sua esposa e companheira de aventuras, a Corine, e a jovem filha do casal, a Thalia, de quatro anos.
Nossos mais novos amigos em Seattle, o David, a Corine e a filha Thalia (no estado de Washington, nos Estados Unidos)
E hoje foi esse reencontro. Primeiro, num dos parques na costa norte da cidade, finalzinho da tarde. Se não estivesse chovendo, poderíamos ver as montanhas nevadas do outro lado da baía. De lá, seguimos para um restaurante de comida mexicana, lá da nossa saudosa Oaxaca. O restaurante acabou de ser premiado, saindo em diversos jornais. Por isso mesmo, estava bem concorrido. Mas nós chegamos cedo e pudemos desfrutar da boa comida, além da deliciosa companhia. Foram três horas de muita conversa, troca de experiências e boas risadas. Momentos que ajudaram a tornar muito mais humana essa nossa primeira visita à cidade. É sempre bom ter amigos locais e nós ganhamos três grandes amigos. Quer dizer, a Thalia ainda é pequenina, mas viva que nem ela só! Foi um enorme prazer ter compartido essa noite com os três!
Igreja La Merced, em Cali, na Colômbia
Hoje o tempo amanheceu um pouco melhor do que ontem e estávamos prontos para sair para a nossa caminhada pela cidade quando arrumamos outro motivo para ficar no hostal: uma boa conversa!
Igreja em Cali, na Colômbia
Sentados na sala principal do Iguana, nosso hostal, começamos a conversar com um simpático colombiano, hóspede também, chamado Nícolas. Ele ficou maravilhado com a nossa viagem e quis saber do nosso caminho em terras colombianas, Contamos para ele que queríamos ir para Bogotá e, de lá para Medellin e Cartagena, já no litoral. Ele achou o caminho interessante, mas começou a nos perguntar sobre outros destinos interessantes no país, muitos dos quais não conhecíamos nem de nome. Falando sobre eles, resolveu nos convencer a mudar de planos e de rota. E, para ajudar mais ainda nesse convencimento, chamava amigos seus que também estavam hospedados ali para opinar sobre o assunto.
Igreja em Cali, na Colômbia
E assim, além de aprendermos muito sobre o país e de mudarmos nossa rota em direção à Cartagena (Medellin dançou! Fica para a próxima. Vamos seguir pela região central da Colômbia), também conhecemos várias outras pessoas. Todos eles estão viajando juntos. São uma banda de rock colombiano, chamada The Hall Effect e estão fazendo um show em Cali. Quatro músicos e vários acompanhantes.
Caminhando na chuva em Cali, na Colômbia
A empatia com eles foi aumentando ao longo da conversa. Tanto que, depois de um tempo, decidiram nos chamar para outro concerto de que participarão amanhã, numa cidade próxima de Bogotá. Assim, mudamos nossos planos outra vez! Ao invés de seguirmos diretamente para Bogotá, vamos para Girardot. Será um concerto com várias bandas de rock, inclusive uma venezuelana e também a famosa Orixas, de Cuba. Ou seja, coisa grande. Imperdível e excelente oportunidade para nós. Além de tudo, como convidado deles, vamos de VIP, na faixa e com direito à acesso em todos os lugares.
Teatro Municipal de Cali, na Colômbia
A única dificuldade é o horário de saída de Cali. Teremos de partir às três da manhã, para poder chegar lá com folga antes do meio dia. Ou seja, nada de balada ou de salsa, como havíamos planejado para hoje de noite. É... mais um plano que muda.
Bom, depois de toda essa conversa e de planos mudados, consegui finalmente tirar a Ana da "socialização" e fomos passear na cidade, mesmo com a chuva que estava voltando. Enquanto caminhávamos, ela me explicou que a banda Tha Hall Effect era muito conhecida no país, a melhor de rock na atualidade. Rock cantado em inglês. E eu que tinha imaginado, inicialmente, uma banda de fundo de garagem, fui ficando mais impressionado. Bem, vamos conferir amanhã...
Cali, na Colômbia
Na cidade, passeamos pelas suas praças e igrejas. Cruzamos o rio Cali para o Centro Velho (e histórico) e vimos a mais bela e antiga de suas igrejas, a La Merced. Armados de guarda-chuva, nada nos impediria, hehehe. Um dos pontos altos foi uma praça com vários "escrevedores de carta", todos com suas máquinas de escrever aguardando seus clientes. Foi uma cena jóa, algo que sempre lembraremos de Cali.
Escrevedor de cartas em praça de Cali, na Colômbia
Voltamos para o centro novo e fomos comer na Avenida 9. Depois, de volta ao Iguana, pois tínhamos de dormir cedo. Mas, a enrolação de arrumar tudo, passear na internet e fazer mais posts acabou nos empolgando e já era quase meia-noite quando deitei. Pronto para duas horas de sono. Mal sabia a epopéia que nos esperava depois disso...
A cidade de Huaraz, no Peru, vista do alto da Cordillera Negra
Depois de muito repouso, remédios, canja de galinha, amor e carinho e Ana melhorou. A febre passou e a barriga está bem melhor, para alívio dela. Assim, tomamos coragem, empacotamos nossas coisas e partimos de Huaraz. Mas antes, no café da manhã, a nossa amiga dona do Churup ainda fez outra canja, fresquinha, para a Ana tomar. Assim, partimos os dois de barriga cheia!
A cidade de Huaraz, no Peru, vista do alto da Cordillera Negra
A rota escolhida para nos levar de volta ao litoral e à cidade de Trujillo foi através da Cordillera Negra. Assim, já saindo de Huaraz, vamos serpenteando montanha acima, de novo para cima dos 4 mil metros. Do alto da Cordillera Negra temos uma visão privilegiada da cidade lá embaixo e da magnífica Cordillera Blanca à nossa frente. E, destacando-se entre as dezenas de picos nevados dessa cordilheira, lá está o imponente Huscarán, com mais de 6.700 metros de altitude. O tempo estava meio nublado, mas mesmo assim a montanha exibia toda a sua beleza. Na próxima vez que voltar à Huaraz, venho para subir o Huscarán! Não poderia haver estímulo maior!
O monte Huscarán, o mais alto da Cordillera Blanca, visto do alto da Cordillera Negra, na região de Huaraz - Peru
Do lado de lá da Cordillera Negra, iniciamos a longa descida de 4 mil metros até o litoral, atravessando desertos e chegando a rodovia Panamericana. Aí, embicamos para o norte. Agora, cada vez que faço isso, dirigindo rumo ao norte, penso com os meus botões: "O Alaska está ficando mais perto!". Nossa, vai ser mesmo um sonho chegar lá...
Mas, antes disso, tem muita coisa para ver e conhecer. E a primeira delas é a cidade de Trujillo, a terceira maior do Peru. Estive aqui em 1990 na minha saudosa primeira mochilada pela América do Sul. Na época, conhecemos as ruínas de Chan Chan e demos um mergulho no Pacífico, praia de pedras e dia nublado. Vamos ver o que a cidade nos reserva dessa vez...
A Cordillera Negra, na região de Huaraz - Peru
A gente se instalou no centro e, já de noite, demos um pulo na simpática Plaza de Armas da cidade. Foi entrar ali as as antigas memórias voltaram à cabeça, os prédios coloridos, a estátua meio estranha no centro. Depois jantar gostoso, a Ana ainda no franguinho. Amanhã, vamos na Huaca de La Luna, sítio arqueológico que nem existia quando estive aqui da outra vez. Como já disse outras vezes, o passado desse país incrível está sempre mudando...
Região desértica na viagem entre Huaraz, na cordilheira, e Trujillo, no litoral norte do Peru
Bagunça no nosso quarto em Curitiba
Dias sem muito para contar. Aproveito para facilitar a minha vida aqui no blog, assim como a dos meus leitores. Segue um post triplo, curtinho. Mas terça-feira acaba a moleza!
Tarefas (14/05)
Hoje foi um dia para "ticarmos" várias tarefas do nosso "to do list". Dentista, compras de roupas, corte de cabelo, ver amigos, aulas de GPS e, o mais legal de tudo, a Ana fez e passou no teste de carteira de moto! Agora já somos dois motociclistas na família!
A segunda grande notícia: conseguimos consertar nossa querida e fiel máquina fotográfica. Agora sim, estamos "armados"!
De resto, uma vontade enorme de voltar para a estrada... Pico Paraná, Vale do Ribeira, Ilha do Cardoso, vocês não perdem por esperar!
Sabadão (15/05)
Típico sabadão preguiçoso. Ainda mais como friozinho que faz em Curitiba, não dá vontade nem de sair de casa nem da cama. Mas saímos, primeiro para ver os amigos, padrinhos e companheiros de viagem, Rafa e Laura e depois para ir no casamento do Ricardo e Karina, o principal motivo para estarmos em Curitiba nesses dias. Uma bela cerimônia bahai. E ótima oportunidade para rever velhos amigos.
Ricardo e Karina
Nossa idéia era não ficar até tarde, para podermos acordar não tão tarde no domingo e seguirmos para o Pico Paraná, aproveitando o último dia de sol antes da nova frente úmida chegando por aqui. Mas, ficamos só nas boas intenções. Whiski vem, comversa vai, chegamos em casa às cinco da manhã. Com poucas esperanças de seguir para o PP amanhã...
Nada de PP (16/05)
Pois é, 10:30 da manhã, a cama super quentinha e ainda fiz um esforço para irmos ao PP (Pico Paraná). Fui pesquisar na internet o tempo para se fazer a trilha. Perto de 6 horas.Imagino que façamos em menos que isso. Mas, ainda tínhamos de nos arrumar, preparar um lanche e ir de carro até lá (uns 75 km).Enfim, iríamos começar a trilha bem tarde (está escurecendo cedo aqui em Curitiba), de ressaca e com boa possibilidade de chuva. Resultado, voltei para a cama quentinha.
Depois do almoço, muito trabalho com o site. Indexamos todas as fotos enviadas até agora para o site (mais de 600!), além dos posts. Assim, vai ficar bem fácil navegar no site e nas fotos, logo que o site finalmente entra no ar. Mal posso esperar...
Acho que fechamos nossa programação das próximas duas semanas. Vamos sair daqui na terça cedo (ou seja, amanhã temos de fechar nossa lista de tarefas por aqui!). O PP vai ficar para depois. Mas não muito. Temos de voltar para cá em pouco menos de dois meses, para companhar a chegada ao mundo da nossa nova sobrinha, a Luiza, filha da Dani e do Dudu. Aí, aproveitando o inverno e o tempo seco, subimos o PP. Então, na terça, seguimos direto para o Vale do Ribeira e suas cavernas. Em seguida, Ilha do Cardoso, Juréia, Santos e São Paulo. Depois, o belo litoral norte. Obaaa!!!!!
A Diana, que adoraria viajar com a gente
Praia repleta de lobos-marinho em Stromness, na Geórgia do Sul
Nossa caminhada de hoje terminou em um estranho lugar chamado Stromness, exatamente onde Shackleton finalmente conseguiu abrigo e ajuda para seus amigos deixados para trás há quase 100 anos. O cenário que ele encontrou naquele tempo, uma estação baleeira a pleno vapor com mais de 100 pessoas morando no local difere bastante do que vimos, prédios decrépitos e caindo aos pedaços frequentado apenas por pinguins, lobos e elefantes-marinho. Qual, afinal, é a história desse e de outros lugares parecidos espalhados pela costa norte da Geórgia do Sul?
A antiga estação baleeira de Stromness, na Geórgia do Sul
Elefante-marinho descansa em Grytviken, na Geórgia do Sul
Um desses lugares é Grytviken, para onde seguimos na tarde de hoje. As mesmas ruínas, mas pelo menos limpas de detritos e destroços mais perigosos para que turistas possam se aproximar e ver de perto como funcionavam essas verdadeiras máquinas de matar e processar baleias. Grytviken foi o primeiro, o maior e o último a deixar de funcionar entre todos os postos baleeiros da Geórgia do Sul, que tiveram seu auge na década de 20 e fecharam definitivamente as portas no início dos anos 60. Sua história resume bem o que passou com as outras estações baleeiras.
Um antigo barco da estação baleeira de Grytviken, na Geórgia do Sul
Pontas explosivas de arpão para matar baleias expostas no museu de Grytviken, na Geórgia do Sul
No final do séc. XIX o óleo de baleia era cada vez mais utilizado, desde na fabricação de cosméticos como sabonetes e loções até para a iluminação pública, passando pela produção de explosivos de nitroglicerina. Com a demanda cada vez maior, cresceu também a pesca comercial desse grande cetáceo, sendo desenvolvidas técnicas cada vez mais precisas e armamentos ainda mais mortíferos para abater as baleias. Pontas de arpão aliaram-se a granadas e cada vez menos os animais tinham chance de escapar depois de serem atingidos. Esse desenvolvimento tecnológico deu-se principalmente na Noruega, aonde baleias já vinham sendo caçadas há séculos, mas jamais nessa escala. Não demorou muito para que esses animais praticamente sumissem dos mares do norte.
As ruínas da antiga estação baleeira de Stromness, na Geórgia do Sul
Busto do Capitão Larsen, fundador de Grytviken, na Geórgia do Sul
As baleias podem ter sumido de lá, mas a demanda por seus subprodutos só aumentava, assim como o preço pago por eles. Eis que, então, o norueguês Carl Larsen, ao participar de uma expedição cientifica nórdica aos mares do sul, percebeu que havia muitas baleias por aqui. Voltou para casa e não descansou enquanto não arrumasse financiamento para instalar na Geórgia do Sul a primeira estação baleeira nessa parte do mundo. Deu trabalho, mas ele conseguiu. O ano era 1904 e a nova instalação foi batizada de Grytviken.
Ruínas da antiga estação baleeira de Grytviken, na Geórgia do Sul
Um antigo baleeiro encalhado em Grytviken, na Geórgia do Sul
Os primeiros anos de operação foram absolutamente “fantásticos”. Para os investidores, claro! O retorno chegava a ser de 35% ao ano! É claro que uma bonança dessa logo atraiu a concorrência e, em poucos anos, já eram outras cinco estações operando na ilha. No início, nem precisavam ir longe para achar as baleias que eram abundantes ao redor da ilha. A preferida era a “right whale”, a nossa “franca”. O “right” quer dizer “certa”. “Certa” porque ela era lenta e nadava sempre próxima à superfície, sendo muito fácil de ser arpoada. Naquela época, baleias mais rápidas ainda conseguiam fugir de seus caçadores. Mas a tecnologia trabalhava a favor dos homens e logo a propulsão dos barcos baleeiros melhorou e possibilitou que todos os tipos de baleia fossem caçadas.
Fotos da antiga estação baleeira de Grytviken ainda em funcionamento, na década de 50, na Geórgia do Sul
Diagrama em japonês sobre como aproveitar uma carcaça de baleia, exposta no museu de Grytviken, na Geórgia do Sul
A técnica era, desculpe-me a expressão, “desumana”. Uma baleia era arpoada com aquele arpão-granada que a deixava fora de ação, mas ainda viva. Os baleeiros, então, injetavam ar na baleia, para que ela não afundasse. Depois, colocavam uma bandeira e um beep sobre seu corpo e iam caçar mais baleias. Depois de matar quantas pudessem carregar, recolhiam suas cargas pelo mar e as guinchavam para a estação na Geórgia do Sul. Aí eram levantadas por guindastes para terra firme onde finalmente morriam. Eram cortadas, fatiadas, e aproveitadas ao máximo, a gordura, a carne e até os ossos. Muitos dos baleeiros se compadeciam do seu sofrimento, especialmente um espécie que parecia chorar quando era arpoada. Mas o dinheiro falava mais alto. Um bom dinheiro.
As ruínas da antiga estação baleeira de Stromness, na Geórgia do Sul
Chegando a Stromness, antiga estação baleeira na Geórgia do Sul
A matança só aumentava, ainda mais quando mais companhias entraram no negócio, operando diretamente em alto-mar e usando as instalações da Geórgia do Sul apenas para estocar. Baleias com mais de 30 metros de comprimento foram mortas e “industrializadas” em Grytviken. No seu primeiro ano de operação, foram 183 baleias mortas. Em 1931, foram 40.201 mortas em toda a região. As próprias empresas perceberam o exagero, notaram que estavam matando a sua galinha dos ovos de ouro. Resolveram, voluntariamente, impor-se cotas. Mas elas vieram tarde demais. As baleias estavam praticamente extintas nos mares do sul.
Um altivo lobo-marinho na praia de Stromness, na Geórgia do Sul
Na praia da antiga estação baleeira de Stromness, na Geórgia do Sul
Para piorar sua situação, essa superprodução havia baixado bastante os preços dos derivados de baleia. Por mais eficiente que fosse a exploração, o custo de encontrar as poucas baleias existentes elevava o preço final. Produtos semelhantes apareciam para disputar com os derivados de baleia. As empresas começaram a fechar suas operações. Grytviken foi a que mais resistiu. Tinha gordura para queimar. Gordura nos dois sentidos. Gordura monetária acumulada nos anos de bonança e gordura de lobos e elefantes marinhos, que ela também começou a operar. Mesmo assim, as coisas não iam bem.
Ruínas da antiga estação baleeira de Grytviken, na Geórgia do Sul
Lobo-marinho não parece se importar com a placa na antiga estação baleeira de Stromness, na Geórgia do Sul
O fundador, Larsen, não chegou a ver esses anos negros. Morreu a bordo de um navio, ainda na década de 20, procurando por baleias em novas regiões do oceano. Grytviken resistiu até o início dos anos 60, quando foi comprada por japoneses. Por dois anos, tentaram fazer com que ela ainda desse dinheiro. Mas no fim, perceberam que o futuro estava mesmo nos navios-fábrica, que matam e já processam a baleia ali mesmo. Produtividade ao máximo. Finalmente, Grytviken foi abandonada. Um lugar onde já moraram 500 homens, muitos acompanhados de suas famílias, agora era deixado para trás. O mesmo destino das outras estações.
Ruínas da antiga estação baleeira de Stromness, na Geórgia do Sul
Deixando a antiga estação baleeira de Stromness, na Geórgia do Sul
Meio século se passou desde então. Cinquenta anos para que o tempo e o mau tempo agissem sobre aquelas construções de metal. Vento, frio, chuva, neve e maresia, todos unidos para devolver à natureza aquilo que um dia foi dela. Se ela já fez isso nesse meio século, imagina só daqui a 500 anos. Ou 5 mil. Isso não é nada, é apenas um piscar de olhos no tempo das coisas. Enfim, só podemos ver como está agora. E imaginar como vai estar depois...
Chegando a Stromness, antiga estação baleeira na Geórgia do Sul
A boca aberta do elefante-marinho é mais efetiva do que a placa em Stromness, na Geórgia do Sul
E agora, bem, como eu já disse, parece uma cidade fantasma. Inacessível para nós, humanos. Os perigos lá dentro são tão grandes que as autoridades proibiram a entrada. Para nós, humanos. Hoje, quando chegamos a Stromness, uma névoa cobria o local, emprestando-lhe um aspecto ainda mais tétrico. Gosto de imaginar o lugar quando Shackleton lá chegou. Mas não imagino a fábrica de processamento de baleias. Apenas a casinha do administrador, lareira acesa, café na mesa e ele com a cara mais incrédula e estupefata do mundo ao ver aqueles 3 homens barbudos à sua porta, vindos sabe lá de onde. O resto, a tal fábrica, prefiro vê-la como está hoje, caindo aos pedaços.
Pinguins não parecem se incomodar com o barco encalhado na praia de Grytviken, na Geórgia do Sul
Elefantes e lobos-marinho ocupam as ruínas de Stromness, antiga estação baleeira na Geórgia do Sul
Mas o lugar não está deserto. Muito pelo contrário. Pinguins, elefantes e lobos marinhos circulam por lá à vontade. Fosse há um punhado de décadas atrás, também eles seriam “processados”. Mas hoje, aquele território lhes pertence. De direito!
Ruínas da antiga estação baleeira de Grytviken, na Geórgia do Sul
Placas informativas espalhadas pela antiga estação baleeira de Grytviken, na Geórgia do Sul
Grytviken só não está igual porque foi feito um grande esforço para fazê-la segura aos turistas. Aqui podemos transitar mais perto das antigas instalações. Painéis informativos espalhados pelo local explicam cada passo do processamento das baleias. Ao mesmo tempo, entre um prédio e outro, ou então na praia, ossos de antigas baleias continuam espalhados por lá. Nas primeiras décadas de funcionamento, apenas a gordura dos animais era processada e o resto, a carcaça, era deixada ali mesmo, para a natureza. Os ossos, mais resistentes ao tempo, continuam ali para nos lembrar do que aconteceu naquele lugar.
Ossos de baleia ainda são comuns em Grytviken, na Geórgia do Sul
Elefantes-marinho descansam em Grytviken, na Geórgia do Sul
Nosso tempo em Stromness foi só aquele para esperar que os zodiacs nos levassem a todos de volta ao Sea Spirit. Enquanto isso (fomos na última leva), tivemos tempo para ver, fotografar e refletir. A quantidade de vida que há hoje onde ontem só havia morte é impressionante. Impossível não sorrir em ver a ironia da situação. A população de lobos e elefantes marinhos já se recuperou desde aqueles tempos sombrios, mas a de baleia ainda não. Mas ver aquela praia escura cheia de pinguins e lobos nos dá uma esperança que elas também, um dia, voltarão.
Tarde de sol em Grytviken, na Geórgia do Sul
A grotesca paisagem vulcânica, pouco mais de um ano após a erupção do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
Desde que saímos do Brasil e atravessamos o Paraguai, sul da Bolívia e norte da Argentina para chegarmos ao Chile que os vulcões se tornaram uma constante em nossos horizontes. Ao longo de toda a costa do Pacífico, do Chile à América Central, essas enormes montanhas em forma de cone, algumas adormecidas, outras bem vivas, são personagens centrais da história das regiões onde estão e dos povos que ali habitam ou habitaram.
O Vulcão de Fogo, próximo à Antigua, na Guatemala
Para nós brasileiros, que não temos nada parecido em casa, essas incríveis formações geológicas ainda exercem um fascínio maior, pelo seu exotismo. Bom, no caso meu e da Ana, depois de ver quase cem deles em cerca de cinco meses, posso dizer que já estamos meio acostumados. Mas, é só nos distrairmos um pouco e o gigantesco vulto do vulcão na janela já nos impressiona novamente.
A grandiosa paisagem com duas encostas vulcânicas observadas do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
Aqui em Antigua não apenas um, mas vários imponentes vulcões cercam a cidade. Dois ativos e dois dormentes, tem para todos os gostos. Um tem o sugestivo nome de Volcán del Fuego, pois é muito fácil observar, principalmente de noite, nos períodos mais ativos, as luzes das lavas e faíscas que ele expele. Muitas pessoas escalam o seu vizinho, o tranquilo Acatenango, para poder observar o “fuego” do vizinho com mais segurança.
Início da caminhada no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
Outro vulcão, também em repouso, se chama Volcán del Agua. Ficaríamos tentados a imaginar que esse é menos perigoso que seu irmão raivoso. Triste ilusão. Na verdade seu nome vem do fato que volta e meia uma enorme enxurrada desce lá de cima arrasando tudo em seu caminho. A explicação é que uma lagoa se forma em sua cratera com a água das chuvas. Quando enche muito, ela transborda, destrói parte da parede da cratera e milhões de litros de água descem as encostas se transformando numa corrente de barro e pedras mortal.
Fenda por onde passava o rio de lava do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
O quarto vulcão é o Pacaya, que entrou em erupção há pouco mais de um ano. Nos meses que antecederam a erupção explosiva, rios de lava desciam as encostas e faziam a alegria dos turistas. Vimos fotos incríveis de pessoas a poucos metros da corrente de pedras ardentes, sorrisos estampados em suas faces. Alguns meses depois da explosão (maio de 2010), os rios de lava secaram e esfriaram, mas suas marcas ainda estão bem claras.
Com o Byron, que nos guiou no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
Com tantos vulcões à nossa disposição, tínhamos de visitar algum! Escolhemos o Pacaya, com uma caminhada mais tranquila e um cenário mais, como posso dizer? ... vulcânico! Fica a cerca de 40 min de carro de Antigua e, no caminho, passamos por entre o Vulcão de Fogo e o Acatenango. Ao perguntar sobre o caminho a seguir no estacionamento onde estava a Fiona ficamos conhecendo o simpático Byron, que se ofereceu para ir conosco. No caminho, ainda foi nos dando informações e contando histórias da região, principalmente sobre as inundações causadas pelo Vulcão de Água.
Caldeira de lava com pouco mais de um ano de idade, no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
Chegando ao Pacaya, é obrigatório a contratação de um guia local. Adivinha o nome do nosso? Byron! Pois é, acompanhados dos dois Byrons seguimos vulcão acima. O Byron do Pacaya foi nos contando sobre como foi a última erupção. Ele e vários outros colegas estavam em um mirante bem próximo, observando os rios de lava que pareciam estar maiores. Junto com els, um grupo de jornalistas. Foi quando começou a erupção, enormes pedras de fogo e cinzas ferventes sendo arremessadas pelo ares a centenas de metros de altura e caindo com força mortal. O grupo que estava lá perto mal teve tempo de pensar. Desceram em disparada a montanha, se desviando da chuva ardente, numa legítima e literal corrida pela vida. Um dos jornalistas não teve sorte, foi atingido e morreu.
Esquentando-se numa das fontes de calor no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala. Sinal de que a lava ainda está ali perto!
Hoje o ambiente era mais tranquilo, exceto pelo forte vento e clima nebuloso. Quando mais subíamos, pior ficava. Cruzamos aquela paisagem absolutamente extraterrestre, nenhuma planta, nenhum verde, apenas pedras para todos os lados. O Byron nos mostrou o antigo leito do rio de lava e o ponto em que ele fez um túnel. Aliás, numa dessas câmaras a gente se abrigou por um tempo, um calor bem gostoso vindo da terra. De pensar que há pouco mais de um ano aquilo estava repleto de lava... Um pouco mais adiante e chegamos a uma reentrância na terra onde o calor era ainda maior. Com um espeto grande, é até possível fazer um churrasco! Mas, não indo tão fundo, o calor foi ótimo mesmo para esquentar nossas mãos semicongeladas!
Caminhando em meio à fantasmagórica paisagem vulcânica no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
Restos da última erupção do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
Voltamos cruzando aquela incrível e desoladora paisagem novamente. A neblina conferia um ar ainda mais fantasmagórico ao local, apenas as cores de nossas roupas dando um pouco de vida na paisagem. Enfim, baixamos do nível das nuvens e o verde lá embaixo pareceu mais bonito e mágico do que nunca! É, eu gosto de vulcões. Mas gosto mais da vida!
Fenda criada por rio de lava em Junho de 2010, no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala
A Fiona com seus novos passageiros, o Joca e a Ixa, os pais do Rodrigo, em Montevideo, no Uruguai
Chegamos ao aeroporto de Montevideo, capital do Uruguai, tranquilos e ansiosos ao mesmo tempo. Tranquilos porque tínhamos conseguido hotéis para os próximos dias, tanto na capital como em Colonia del Sacramento, e isso era uma preocupação a menos na nossa cabeça. Agora, era só curtir, passear e explorar, quando muito preocupados em escolher um bom restaurante entre as tantas boas opções dessas duas cidades. Ansiosos porque finalmente receberíamos nossas “visitas”, nossos companheiros de viagem pelas próximas duas semanas que estavam chegando diretamente de São Paulo em voo comercial, meus queridos e viajados pais.
Chegando ao moderno aeroporto de Montevideo, no Uruguai
Muita gente aguardando a chegada de amigos e familiares no aeroporto de Montevideo, no Uruguai
Pessoas me perguntam de onde vem esse meu gosto por viajar. Gosto de responder que está no sangue, talvez alguma herança longínqua dos antepassados portugueses, exploradores que enfrentaram mares desconhecidos, cinco séculos atrás, em busca de novos mundos, culturas e oportunidades, e que inventaram uma das mais belas palavras do nosso idioma: saudade. Essa é uma explicação uma tanto quanto poética, reconheço, e acho que motivos mais palpáveis estão bem mais próximos de mim, no tempo e no espaço.
O Rodrigo registra a chegada dos país ao aeroporto de Montevideo, capital do Uruguai
Chegada dos pais do Rodrigo ao aeroporto de Montevideo, capital do Uruguai
Cresci numa família ouvindo as histórias das viagens de meus avós. Do lado materno, um avô que “não sossegava o facho”, mudando-se constantemente de uma cidade à outra, sempre em busca de novas e promissoras oportunidades. Do lado paterno, avós que pegaram gosto por viagens na fase adulta, já com sete filhos nas costas. Podem ter começado tarde, mas isso não os impediu de irem longe e irem muitas vezes. Europa, Estados Unidos e até mesmo destinos bem mais exóticos, principalmente para aquela época, como Japão, União Soviética ou Egito. Minha memória de infância é cheia de fotografias em preto e branco e relatos de histórias interessantes desses países exóticos.
A chegada dos pais do Rodrigo ao aeroporto de Montevideo, no Uruguai
A chegada dos pais do Rodrigo ao aeroporto de Montevideo, no Uruguai
Não é à toa ou por falta de influência que meus jovens pais, ainda estudantes e solteiros, se mandassem para a Alemanha para continuar seus estudos por lá. Hoje isso parece mais fácil, normal. Mas naquela época, a Alemanha ainda era um país recém-saído da 2ª Guerra, o vilão do mundo. Brasileiros por ali se contavam na mão e, talvez por isso, os dois não tenham demorado a se conhecer. Estarem na mesma Alemanha foi apenas o primeiro ponto de atração de tantos outros que acabaram por levá-los a uma união sólida que esse ano completa seu 55º aniversário.
O Rodrigo recepcionando seus pais, Seu Gustavo e Dona Nilza (Joca e Ixa, para os íntimos!) no aeroporto de Montevideo, no Uruguai
O Rodrigo recepcionando seus pais, Seu Gustavo e Dona Nilza (Joca e Ixa, para os íntimos!) no aeroporto de Montevideo, no Uruguai
Uma longa história e com muitos e muitos milhares de quilômetros no retrovisor, claro! Minha família cresceu em Belo Horizonte, mas as férias eram sempre em Poços de Caldas, Ribeirão Preto ou alguma praia. Tudo isso a mais de 500 km de distância da cidade natal. Então, viagens de carro com mais de 5 horas de duração foram uma constante em minha infância e início de adolescência. Para meu pai, então, que ia e voltava todos os finais de semana enquanto a família ficava no destino de férias o mês (ou meses) inteiro, nem se fala. Por isso, mais velho, quando era eu a sair em alguma viagem de carro mais comprida, sempre estranhava o estranhamento dos amigos, invariavelmente desacostumados às longas viagens. Para mim, mesmo inconscientemente, era o “normal”. Para eles, era uma aventura, algo muito especial e que requeria cuidado, planejamento e coragem, enfrentar sozinho tantos quilômetros de estrada.
A Ana recepciona os sogros, Joca e Ixa, na Fiona, ainda no aeroporto de Montevideo, no Uruguai
A Ana recepciona os sogros, Joca e Ixa, na Fiona, ainda no aeroporto de Montevideo, no Uruguai
Pois é, sempre achei viagens de 5 horas uma coisa corriqueira. Viagens ao exterior também, comum ver meu pai, que trabalhava em uma multinacional, ir e voltar da Europa a trabalho. Mas, mesmo assim, fiquei bastante impressionado quando, junto com minha mãe e um casal amigo de alemães, eles partiram em 1982, num possante Passat TS, rumo à Fortaleza e diversas cidades no caminho, numa viagem de muitos milhares de quilômetros e dois meses de duração. Na época, acompanhávamos a viagem por cartões postais e algum eventual telefonema. Fotos e relatos mais detalhados, só depois, pessoalmente. Antes disso, era só a imaginação a as asas que dávamos a ela. Será que meus pais imaginavam que começava a nascer ali a Fiona e os 1000dias? Afinal, se dá para chegar até Fortaleza num Passat e nas estradas da década de 80, porque não seria possível chegar ao Alaska trinta anos mais tarde e num carro “ligeiramente” mais robusto?
1000dias com os pais do Rodrigo em Montevideo, capital do Uruguai
O Joca e a Ixa, pais do Rodrigo, chegam a Pocitos, bairro de Montevideo, no Uruguai
Pois bem, foi com esse carro mais “robusto”, vulgo Fiona, que fomos buscar meus pais e inspiradores no aeroporto de Montevideo. Nas próximas semanas, vou ter o prazer de beber de toda essa experiência, 55 anos de estradas na bagagem, eles mesmos herdeiros de seus pais em andanças pelo mundo ainda mais antigas. Se puxar pelo condão, é bem capaz que eu chegue naqueles portugueses de 500 anos atrás ou, mais além, nos vikings (minha mãe tem sangue sueco!) que chegaram à América outros 500 anos antes. Mas, por enquanto, quero ficar é no Uruguai mesmo, no aqui e agora, na mais rica companhia que poderia imaginar.
Celebrando com um legítimo vinho uruguaio da uva tannat a chegada dos pais do Rodrigo, o Joca e a Ixa, a Montevideo, capital do país
Réplica do foguete Ariane V, no Centro Espacial em Kourou - Guiana Francesa
A Guiana Francesa é uma terra de contrastes. Provavelmente, entre todas as terras da América do Sul, é a que menos mudou nos últimos séculos. A maioria da mata continua por aqui, alguns garimpeiros ilegais escondidos lá e cá, mas a mata ainda está lá. Mata, rios, animais, a natureza. A civilização chegou por aqui há mais de 300 anos, mas o clima úmido e quente, a mata quase impenetrável e principalmente as doenças mantiveram o homem branco e o progresso próximos ao litoral. Certamente, os rios serviram de "estradas" para o interior, mas foram muito poucos os lugares onde a civilização conseguiu se fixar. Um ano mais quente trazia mais doenças e a civilização era novamente expulsa. Hoje, em todo o país, são pouco mais de 200 mil pessoas. Menos que qualquer cidade média do Brasil. Em Cayenne, a capital, são pouco mais de 50 mil pessoas.
A Fiona encontra outro foguete, no Centro Espacial em Kourou - Guiana Francesa
Pois bem, nesta mesma terra que parece parada no tempo, foi instalada a mais moderna e eficiente base de lançamento de foguetes do mundo. Mais da metade dos satélites lançados nos últimos 15 anos saíram daqui, da base espacial de Kourou, a segunda cidade mais importante do país.
Bandeiras dos países que participam da ESA, agência espacial européia (no Centro Espacial em Kourou - Guiana Francesa)
Por estar localizada quase sobre a linha do Equador, a região favorece o lançamento de satélites, tornando essa "atividade" muito mais barata e eficiente energeticamente falando do que em lugares como a Flórida ou o Casaquistão, onde estão as principais bases americana e russa de lançamentos. Resumindo, no Equador a Terra gira mais rapidamente, o que dá um maior impulso aos foguetes. Sendo um território francês, foi aí que a Europa, unida, resolveu investir para não ficar para trás na corrida espacial.. O vazio populacional e a proximidade do mar também foram fatores relevantes.
Lançamento do Ariane V, no Centro Espacial em Kourou - Guiana Francesa
Hoje, são lançados daqui os foguetes Ariane V, o mais potente da Europa. Ainda este ano, em convênio com a Rússia, serão lançados também os foguetes Soyuz, os mais tradicionais na história da exploração espacial. Há três semanas atrás, a bordo de um Ariane V, foi lançado um módulo-cargueiro para a estacão espacial. Enfim, não é pouca coisa não!
Visitando o museu do Centro Espacial em Kourou - Guiana Francesa
Para lá fomos hoje. Kourou fica a 60 km de Cayenne, estrada simples e de pouco movimento. Infelizmente, todos os hotéis da cidade já estavam lotados, então tivemos de ir e voltar. Amanhã seguimos novamente para lá. Desta vez sem volta. Fomos diretamente para a base, onde participamos de um tour pela sala de comando de lançamentos, a Júpiter. Ali, assistimos filmes e uma palestra. Tudo em francês! A Ana ainda conseguiu um fone para tradução para o inglês de um dos filmes, enquanto eu desenferrujava meus parcos conhecimentos de 15 anos atrás. Como gosto do assunto, não foi difícil entender não.
A sala de comando do Centro Espacial em Kourou - Guiana Francesa
Voltamos para Cayenne com foguetes na cabeça para nos despedir da cidade. Amanhã, antes das sete da manhã, voltamos à Kourou. Desta vez, não para visitar o espaço, mas o mar, logo ali na frente. Ao invés de foguetes, um catamarã. No lugar de outros planetas, ilhas. Ilhas por onde passaram pessoas como Papillon e Alfred Dreyfuss, parte da minoria que sobreviveu aos rigores da mais infame prisão dos tempos modernos: a Ilha do Diabo.
Procuranmdo um lugar vazio para se sentar
Existe várias maneiras de não fazer nada. Certamente, uma bem agradável é não fazer nada em Harbour Island - Bahamas. Foi o que fizemos ontem: um movimentado dia não fazendo nada.
Muito bem instalados que estamos no Bahama House Inn, cama deliciosa, acordamos bem aos poucos, com a luz filtrada pelas cortinas brancas entrando no quarto. O galo cantando ao longe empresta um certo ar de exotismo à manhã. Levantar ou não levantar, eis a questão!
Bom, nada melhor do que ter um belo café da manhã como estímulo. A suculenta Grape Fruit nos esperando (mamãe iria adorar!), o pão caseiro e quentinho, manteiga e géleia, queijos, frutas e suco, tudo isso nos tira da cama. E ainda há uma ótima música ambiente, escolhida a dedo pelo John, um americano que soube muito bem como fazer a sua vida aqui no paraíso. Música cubana, bahamense e até mesmo brazuca!. Por fim, a varanda onde é servido o café, a suave brisa com um leve cheiro de mar, o céu azul e o mar alucinante ao longe. É, melhor é levantar... A cama arrumada vai estar lá, de noite, nos esperando.
Após o café, a varanda continua tão boa que resolvemos continuar por lá, atualizando nosso site. A conexão wi-fi é ótima e rápida. Mas, 90 min mais tarde, a consciência começa a pesar, afinal o sol, o céu, a briza, o mar, todos juntos perguntam: "Escute, vocês vieram aqui para trabalhar ou para passear?". Pois é, eles tem razão!
Caminho para a praia em Harbour Island - atravessando o cemitério
Seguimos para a praia, levando cadeira, guarda-sol, etc, etc. O bucólico caminho atravessa a pequena vila e até mesmo um cemitério (é um atalho!). Chegando na praia, apesar de termos estado lá ontem, nossos olhos ainda não querem acreditar no que veem. Não pode ser verdade! Areias rosas? Águas verde esmeralda? Céu azul? Praia vazia? Não pode ser! Mas é...
Bom, nem tudo são flores. O que era brisa do outro lado da ilha, aqui é um vento inclemente. Por um lado, não passamos calor sob o sol. Por outro, basta uma nuvem passar em frente ao sol e já estamos com frio, em roupas de banho. E, com a velocidade do vento, aquela nuvem que estava lá no horizonte em minutos já está nos fazendo sombra. Em compensação, 15 segundos depois ela já passou e o sol volta a brilhar.
The right spot, the right place
Caminhamos para um lugar onde ficamos mais protegidos da areia trazida pelo vento e tentamos armar o guarda-sol. Impossível! Mas, para que guarda-sol se temos o vento para nos refrescar e sunscreen para nos proteger? Aproveitamos as próximas duas horas para reforçar o bronzeado e mesmo para estudar um pouco um dos muitos manuais de artefatos tecnológicos que temos. Unimos o útil ao agradável.
Meio de transporte em Harbour Island
Bom, praia cansa e praia com vento cansa mais ainda. Resolvemos voltar, deixar as coisas na pousada e ir dar uma corrida. Quem sabe, se transforma num bom e saudável hábito, essas corridas diárias? Corremos pela vila, circundando a ilha. Logo, já não há mais casas, apenas um caminho de areia que corta uma enseada seca pela maré, um trecho de mata, outro ao lado de mansões e seus iates. Uma hora de cooper. A Ana tira de letra. Imagino que a paisagem ajude ela. Mas não é só isso. Está numa ótima forma mesmo. Fruto dos meses de preparação antes da viagem.
Pôr-do-sol na pousada em Harbour Island - Eleuthera - Bahamas
Voltamos para a pousada e vamos assistir o pôr-do-sol do gazebo, estratégicamente construído para esse evento. Conosco, algumas Kalik, a nossa cerveja preferida de Bahamas. Já com o céu escuro, o estômago reclama. Desde o café nada entrou. Pulamos o almoço. Cinco minutos caminhando nos levam ao Valentine onde jantamos com o mar ali, a 50 m de nós, ambiente aberto para permitir a entrada da brisa suave.
Hora de dormir. A cama está chamando. E logo será a vez do galo cantar, da luz filtrada pelas cortinas nos acordar, e blá blá blá.
Em tempo: o vento anulou nossas chances de mergulho. Amanhã, além de não fazer nada, vamos voltar aos recifes para nova sessão de snorkel, cavernas e, quem sabe, tubarões.
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