1
Arquitetura Bichos cachoeira Caverna cidade Estrada história Lago Mergulho Montanha Parque Patagônia Praia trilha vulcão
Alaska Anguila Antártida Antígua E Barbuda Argentina Aruba Bahamas Barbados Belize Bermuda Bolívia Bonaire Brasil Canadá Chile Colômbia Costa Rica Cuba Curaçao Dominica El Salvador Equador Estados Unidos Falkland Galápagos Geórgia Do Sul Granada Groelândia Guadalupe Guatemala Guiana Guiana Francesa Haiti Hawaii Honduras Ilha De Pascoa Ilhas Caiman Ilhas Virgens Americanas Ilhas Virgens Britânicas Islândia Jamaica Martinica México Montserrat Nicarágua Panamá Paraguai Peru Porto Rico República Dominicana Saba Saint Barth Saint Kitts E Neves Saint Martin San Eustatius Santa Lúcia São Vicente E Granadinas Sint Maarten Suriname Trinidad e Tobago Turks e Caicos Uruguai Venezuela
A pequena cidade argentina de El Chaltén é o sonho de consumo de milhar...
Hoje, uma semana depois de chegarmos a Villa O’Higgins, na extremidade ...
No ano de 2001, o governo mexicano, através da secretaria de turismo e o...
mario sergio silveira (14/04)
Ola Rodrigo, as fotos estão lindas. Agora não vou poder ler tudo mas ag...
Carlos Alberto Americano (13/04)
dizem que,uma vez conseguida a coisa que se almeja,a ambição do ser hum...
Carlos Alberto Americano (13/04)
dizem que,uma vez conseguida a coisa que se almeja,a ambição do ser hum...
Aymoré (13/04)
Hello!! O povo quer saber a marca do notebook que a Ana está pilotando n...
André Kina (13/04)
Poul: Os relatos dos blogs estão excelentes! Está virando hábito entra...
Placa de trânsito em Foz do Iguaçu - PR
Cruzar fornteiras é sempre uma "experiência". Não estou falando daquelas de aeroporto não. Falo daquelas que cruzamos por terra, de carro, à pé ou de balsa. Principalmente para brasileiros, acostumados que são com seu enorme país, onde podemos dirigir por dias e dias e continuar no Brasil. Quando muito, estamos acostumados a viajar para Miami, Nova York ou para algum país da Europa, sempre voando, e passar aquele friozinho na barriga enquanto o cara olha nosso passaporte no aeroporto e, finalmente, nos dá aquele carimbo libertador.
Aproximando-se da fronteira Brasil-Paraguai, em Foz do Iguaçu - PR
Mas, como já disse, falo das fronteiras terrestres. Viajando na Europa, cruzamos por elas o tempo todo. Basta dirigir algumas horas e já estamos em outro país. Lá, então, com as fronteiras abertas, fica ainda mais casual, passar de um país para o outro. É como se fosse uma mera linha imaginária, passar para lá e para cá. Por isso europeus são tão acostumados em viajar por terra entre países.
Cruzando a Ponte da Amizade, com os prédios de Ciudad de Leste (Paraguai) ao fundo
Mas não é o caso aqui. Exceto em raros casos, o máximo que brasileiros fazem é dar uma "olhadinha" do lado de lá, na cidade fronteiriça. Ciudad del Leste é só o exemplo mais conhecido, mas o mesmo se repete por toda a fronteira do Brasil. de Uruguaiana até Bonfim, em Roraima. Ir um pouco mais além, ver o país que se esconde atrás daquela cidade fronteiriça é uma experiência que poucos brasileiros, percentualmete falando, tem. Claro, muitos viajam para a Argentina. mas quase sempre de avião. Para os outros países da América do Sul, então, nem pensar. Só avião mesmo, para La Paz, Lima, Quito, etc...
Chegando na aduana paraguaia em Ciudad de Leste - Paraguai
Enfim, para nós que decidimos seguir de carro por todo o continente, essa será uma experiência que teremos continuamente. Só não digo que vai virar rotina porque cada fronteira, nesse nosso continente tão diverso, tem suas peculiaridades. Por exemplo, nossa entrada na Guiana Francesa foi completamente diferente da entrada hoje no Paraguai. Processos e burocracias completamente diferentes. E assim será nos próximos países, tenho certeza. Conforme formos passando, vou relatando as experiências, boas e ruins. Ruins? Pois é, cidades fronteiriças não costumam ser das mais agradáveis, sempre com gente querendo te vender produtos, serviços e "facilidades". Vamos ter de passar por eles, de um jeito ou de outro. Mas, diz minha experiência, os maus momentos nas fronteiras são logo substituídos pelas ótimas experiências que se esondem nos páises atrás dessas cidades, onde está o povo simples, hospitaleiro e curioso que sempre nos aguarda.
Bela paisagem em estrada paraguaia, entre Santa Rita e Trinidad
By te way, cruzar a fronteira hoje foi bem simples. Do lado brasileiro, não quiseram carimbar nossos passaportes e nem dar documento algum para a saída do veículo. Quando saímos pela Guiana Francesa tínhamos uma "declaração de saída". Dessa vez, nada. Do lado paraguaio, pelo menos tivemos os passaportes carimbados. Mas do veículo, nada. Quando insisti, disseram que aqui no Mercosul o trânsito é livre. Só precisamos da Carta Verde, o seguro que vale para todos os países do bloco. Além disso, basta que o carro esteja em meu nome. E, claro, preciso seguir as regras de trânsito do país. Para o Paraguai, isso significa ter dois triângulos no carro. No caso da Argentina, também é preciso um cambão e uma mortalha (??? - um lençol serve...). Cumprido isso, é seguir em frente. É o que estamos fazendo...
Plantações floridas embelezam a estrad paraguaia entre Santa Rita e Trinidad, no sul do país
O mais difícil nessa passagem hoje foi driblar os ambulantes e, principalmente, o pessoal dos estacionamentos que queria que parássemos à todo custo. Foi até divertido. Mas, uns 20 quarteirões à frente, deixávamos para trás essa zona mais "comercial" e começávamos a ver e conhecer o Paraguai de verdade, aquele onde as pessoas tem suas vidas normais, se casam, vão à escola, aos supermercados, etc... E um pouco mais adiante, já na estrada, estava o belo Paraguai rural. Um colírio para os olhos, depois da balbúrdia da região fronteiriça.
Plantações floridas embelezam a estrad paraguaia entre Santa Rita e Trinidad, no sul do país
Caminhando na praia deserta do Cardoso, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina
Depois da nossa caminhada pelas praias do norte de Bombinhas (post anterior), resolvermos pedir ajuda para a Fiona no nosso segundo dia na cidade. Afinal, nosso destino dessa vez era bem mais distante: as praias que do lado leste da península, como Mariscal, Zimbros, Canto Grande e, especialmente, a praia da Tainha.
Em Bombinhas, no nosso 2o dia (em azul), fomos de carro até Tainha, passando por Mariscal e Zimbros. No 3o dia, fizemos a caminhada (vermelh) pelas praias da costa sul da penínsulha
Vista do alto do Morro dos Macaccos, a caminho da praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina
O formato da península de Bombinhas, quando visto lá de cima, é bem interessante. Além da área principal, onde estão as praias de Bombas e Bombinhas, a península se alonga bastante na direção sudeste. Ela vai se afinando, formando uma espécie de istmo cada vez mais estreito. No lado norte (ou nordeste!) desse istmo, estão as praias de Mariscal, Canto Grande e Conceição. São praias que estão voltadas para o oceano, quase que para o mar aberto. Por isso a rebentação é bem mais forte, atraindo surfistas e um público mais jovem. O outro lado do istmo, o lado sudeste, está voltado para o chamado “mar de dentro”, uma grande baía de águas calmas que mais parece uma lagoa. É a praia de Zimbros. Não é a toa que aí ficam ancorados todos os barcos de pescadores ou iates de bacanas. Aí também é realizada a travessia aquática (para nadadores) de Bombinhas, com distâncias de 1.500 e 3.000 metros, que tantas vezes no passado eu e a Ana já participamos.
A rústica estrada para a praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina
A pequena baía onde se encontra a praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina
Lá na extremidade desse istmo, onde o mar de fora e o mar de dentro quase se tocam, está uma das mais antigas comunidades da península, chamada de Canto Grande. Quem se hospeda por aí está sempre a menos de dois quarteirões do mar. Se quer sossego, vai passar o dia no mar de dentro. Se quer um mar mais agitado, segue para o mar de fora. Com mercados, peixarias, restaurantes e farmácias, é uma comunidade praticamente autossuficiente. Já o bairro mais ao norte,. Conhecido como Mariscal, é muito mais recente e está se desenvolvendo rapidamente. É impressionante a diferença que fez desde que o conheci, dez anos atrás. São loteamentos e mais loteamentos, uma praia que costumava ser selvagem e hoje caminha para se tornar uma nova Bombinhas.
Vista da praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina. Ao fundo, a ilha de Florianópolis
Fazendas de ostras no litoral de Bombinhas, litoral de Santa Catarina
Mas, o mais interessante da geografia desse istmo é que, lá no seu final, onde parece que ele iria terminar, há um grande morro e o istmo se abre novamente. É uma área protegida por um parque municipal e atrás do morro está uma das mais belas surpresas de Bombinhas: a praia de Tainhas. Para chegar até lá, ou se pega uma longa trilha ou se enfrenta uma estrada de terra, pedras e buracos com quase 3 km de extensão a partir da praia da Conceição. A estrada sobe e desce o morro e em dias de chuva forte fica quase intransitável. Mas é um esforço que definitivamente vale a pena. A praia da Tainha, de águas límpidas e muito frequentada por golfinhos, é um colírio para os nossos olhos, desde o momento que a vemos pela primeira vez, ainda no alto do morro, até a hora da triste despedida, depois de uma boa caminhada de ponta a ponta e de um mergulho recompensador em suas águas.
Chegando à praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina
Explorando as enormes pedras no canto direito da praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina
Esse, então, foi o nosso programa de ontem. De Fiona, saímos de Bombas e percorremos os 12 quilômetros de asfalto, sempre pela costa, até a praia da Conceição. No caminho, Mariscal e Canto Grande. Mas o que queríamos mesmo era a Tainha. Então, diretamente para a estrada de terra que cruza o morro dos Macacos. Lá de cima, uma bela vista para todos os lados. Para o norte, o lindo desenho do istmo que separa Zimbros de Mariscal. Para o sul, a ilha do Arvoredo e, mais além, a silhueta inconfundível da ilha de Florianópolis. E para baixo, a pequena baía onde está a deliciosa praia da Tainha. Lá chegando, uma cerveja e um pastel no restaurante logo na entrada da praia e depois, caminhada até as enormes pedras que marcam suas extremidades. Aí passamos algumas horas, entre mergulhos e banhos de sol. Uma delícia!
Explorando as enormes pedras no canto direito da praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina
A isolada praia da Tainha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina
Na volta, um caminho diferente. Depois de uma parada na praia da Conceição (que é a ponta sul do Canto Grande), fomos percorrer a orla de Zimbros ao invés de Mariscal. Todos os caminhos levam à Roma e acabamos por chegar no morro que separa essas praias de Bombinhas. De lá para Bombas foi rapidinho, o mesmo percurso que havia nos tomado uma hora caminhando na noite da véspera, a Fiona o fez em 10 minutos. De volta ao nosso apartamento, a Ana nos brindou com a chave de ouro para fechar nosso dia: um delicioso macarrão com molho de camarão que havíamos comprado fresquinho, pela manhã. Como é bom ter nossa própria cozinha! E como é bom ter alguém com dotes culinários! Para mim, ao final, cabe a louça para lavar! Depois do banquete, lavo tudo feliz da vida!
Praia da Conceição, observando, ao longe, a praia do Mariscal, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina
Praia do Canto Grande, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina
Já o dia de hoje, nosso terceiro e último na cidade, foi novamente de caminhadas. Mas a Fiona ajudou um pouco também! Já tínhamos visto as praias do norte e do leste da península, faltavam as do sul. São as praias menos frequentadas de Bombinhas, o que as faz muito especiais!. Lá do final de Zimbros, seguindo para a direção oeste (rumo ao continente), uma sequência de pequenas praias ao longo do costão e acessadas apenas por trilhas fazem a alegria daqueles mais aventureiros. Mas para se chegar ao início dessa trilha, a ajuda da Fiona é imprescindível!
Um delicioso macarrão com molho de camarão, obra-prima da Ana no nosso apartamento (da tia Wal) em Bombas, litoral de Santa Catarina
Um delicioso macarrão com molho de camarão, obra-prima da Ana no nosso apartamento (da tia Wal) em Bombas, litoral de Santa Catarina
E então, lá fomos nós, subindo e descendo o morro de carro, dessa vez diretamente de Bombas, para chegarmos a Zimbros. Daí até o final da estrada, onde encontramos um lugar para deixar a Fiona e seguir a pé. Nós já conhecíamos o início da trilha de outras vezes que aqui estivemos, mas nunca havíamos ido até as praias mais distantes. Agora, em plenos 1000dias, chegava a hora de conhecer essas últimas praias da nossa querida Bombinhas!
Praia do Cardoso, início da nossa trilha pelas praias mais isoladas de Bombinhas, litoral de Santa Catarina
A praia de Zimbros vista da praia do Cardoso, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina
As primeiras delas, como já disse, já conhecíamos. São a praia do Cardoso e da Lagoinha. Por estarem mais perto do início da trilha, ainda é comum encontrar alguns gatos pingados por aqui. São praias espremidas entre a mata verde e o morro por trás e o mar tranquilo pela frente. Do Cardoso se vê bem a praia de Zimbros e suas construções do outro lado da baía. No mar, muitas daquelas “fazendas de ostras”, uma das especialidades aqui do litoral catarinense. Já na praia da lagoinha, o grande diferencial é a própria pequena lagoa que se forma na boca de um rio. Água doce e água salgada quase vizinhas, para quem quiser ficar tomando sol sem sal no corpo é um ótimo lugar e ainda relativamente próximo do início da trilha.
Fazenda de ostras na praia do Cardoso. AO fundo, a praia de Zimbros, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina
A praia Triste, na nossa trilha pelas praias do sudoeste de Bombinhas, litoral de Santa Catarina
É a partir daí que temos de caminhar mais, enfrentando o morro e a mata. Caminhada sempre na sombra e sem chance de errar. Basta seguir adiante com o barulho do mar sempre a nossa esquerda, atrás das árvores. Cruzamos alguns riachos de água refrescante, subimos e descemos algumas vezes até que chegamos à praia Triste. A praia é linda e totalmente selvagem, muito parecida com o que deve ter sido há milhares de anos, sem intervenção humana. Não tenho ideia de onde vem esse nome, praia Triste. Talvez pelo sentimento de solidão, pois o normal é não ver ninguém por ali.
A bela e selvagem praia Triste, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina
A caminho da praia Vermelha, a mais isolada de Bombinhas, litoral de Santa Catarina
Nós travessamos a praia e seguimos adiante. Ainda queríamos alcançar a próxima, a chamada praia Vermelha. São mais uns 40 minutos de caminhada, mas esse é um dos trechos mais belos da trilha, bosque amplo e muitos pontos de observação. Por fim, depois de uma curva, lá apareceu a praia vermelha, ainda meio escondida pelas árvores. Um oásis no meio da mata e do verde. Poucos minutos mais tarde e chegávamos à praia, recepcionados pelos latidos de dois cachorros.
Chegando à praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina
Casa do Seu Osnildo, o único habitante da praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina
Eles são os guardiões da praia e da única casa por ali, pertencente ao seu Osnildo. Ele já mora na praia Vermelha há 15 anos, o caseiro de uma grande propriedade que existe por ali. Morando em local tão isolado, acho que sua grande diversão é receber os poucos visitantes que ali chegam. Ele nos tratou muito bem e até nos convidou para sua choupana. Disse que a vida por lá é bem tranquila, mas também tem seus perrengues. Volta e meia aparece algum “vagabundo” que foge da cidade e da polícia, gente que mexe com drogas. Mas que ele não tem medo não e logo mostra que a praia tem dono. Disse também que aqui ele está mais perto de Governador Celso Ramos do que de Bombinhas e é para lá que ela vai quando precisa de suprimentos. Consegue ir até de bicicleta. Se fosse para ir até Bombinhas pela trilha, no mesmo caminho que viemos, a bicicleta mais atrapalharia do que ajudaria.
A linda e selvagem praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina
A linda e selvagem praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina
Bom, depois da nossa visita social, fomos aproveitar a praia também. Caminhamos, tomamos banho, curtimos a natureza exuberante que nos cercava. Era a nossa despedida de Bombinhas. Agora, só nos restava o caminho de volta, um mergulho rápido em cada praia do caminho, o reencontro com a Fiona e a volta para casa, em Bombas. Não sem antes dar mais uma paradinha em Zimbros para nos fartar com um delicioso pastel. Amanhã, estrada novamente, sempre rumo ao norte. Nossa próxima parada será na metrópole dessa parte do Brasil, a famosa e badalada Balneário Camboriú. E Curitiba vai ficando cada vez mais perto...
Caminhando pela praia Vermelha, em Bombinhas, litoral de Santa Catarina
1000dias na paradisíaca Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Alguns quilômetros ao norte das praias de Garopaba está um outro tesouro do litoral catarinense: a Guarda do Embaú ou, simplesmente, Praia da Guarda. Sua fama e popularidade veio um pouco mais tarde que a Praia da Ferrugem ou do Rosa, outra descoberta de mochileiros que esquadrinhavam o litoral brasileiro nas décadas de 70 e 80. Para a minha vida estudantil, a notícia chegou um pouco tarde demais, mas como a vida não acaba depois que terminamos a faculdade, eu vim para cá um pouco mais velho mesmo. Mesmo já esperando algo muito lindo, confesso que me surpreendi na época. Era muito melhor do que haviam dito!
Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Mais um maravilhoso amanhecer na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Pois bem, desde que começamos nossos 1000dias, a Guarda estava no nosso roteiro. Só tivemos de ter um pouco de paciência para chegar até aqui, quase 4 anos. Nós a encontramos, ou “reencontramos”, em plena forma, o delicioso rio da Madre ainda correndo entre a cidade e a praia, o Morro do Urubu lançando sua sombra sobre os telhados pela manhã, os barqueiros ganhando seu ganha-pão levando turistas de um lado ao outro do rio que mais parece uma lagoa.
Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
O fantástico cenário da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Há décadas que a Guarda atrai surfistas e amantes da natureza. Esse seria o seu “público normal”. Mas no início da década de 90, a entrevista e fama de um conhecido ator e modelo frequentador (e morador!) trouxeram os holofotes nacionais para esse pequeno paraíso. De repente, o público passou a ser bem maior. Infelizmente, muita gente que não combinava com o espírito do lugar. A Guarda passou a ser o destino de gente “barulhenta” e houve quem tentasse estimular por aqui um turismo de massa. Imagina só a tristeza dos antigos frequentadores...
A praia da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
A praia da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Dia ensolarado na praia da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Felizmente, parece que nos últimos tempos essa tendência vem se revertendo. A Guarda volta a ficar mais parecida com o que era duas décadas atrás. Pousadas charmosas, bons restaurantes, uma quantidade e qualidade de turistas que combina mais com o que o ambiente possa suportar.
Canoas ancoradas na lagoa da Guarda, na Guarda do Embaú,litoral sul de Santa Catarina
Visual da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Felizmente, eu só conheci a praia antes e depois, e não durante essa fase mais negra. A história nos foi dita por um dos amigos que fizemos por aqui, morador e frequentador da Guarda já há muito tempo. Assim, para mim, continua o paraíso que sempre foi. Tão linda que acabamos por ficar um dia a mais que imaginávamos. Impossível partir cedo daqui num dia ensolarado, principalmente se temos a chance de ficar. Foi o que aconteceu. Chegamos no final da tarde do dia 11, pegamos um dia 12 meio nublado e um dia 13 completamente chuvoso. Aí, o dia 14 amanheceu com céu azul. Demos aquela tapeada em São Pedro, jogamos nossos planos pela janela e ficamos aqui até o final do dia. Foi maravilhoso!
Mais um maravilhoso amanhecer na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Mais um maravilhoso amanhecer na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Para quem ainda não conhece a Guarda, o que a torna especial é a geografia do lugar. O rio da Madre vem correndo quase que paralelo à praia e sua boca é no pé do Morro do Urubu. Aqui nessa ponta de praia, a faixa de areia é bem estreita, espremida entre o rio e o mar. A vila fica do lado de lá do rio, o seu centrinho a um quarteirão da água. Para ir até a praia, tem de atravessar o rio, ritual que é a marca registrada da Guarda do Embaú.
Mapa da região da Guarda do Embaú e da Praia da Pinheira, no litoral sul de Santa Catarina (mapa da internet)
Os populares barqueiros da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
A lagoa e o morro da Guarda na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Vários barqueiros com suas canoas estão sempre a disposição, prontos para ganhar uns poucos reais para atravessar os turistas ou moradores. O rio é bem largo, suas águas formando uma espécie de remanso nessa área. Por isso, até se parece com uma lagoa. Devem ser uns 100 metros, dependendo do horário da maré. Ele é quase o tempo todo raso, a profundidade variando entre a altura dos joelhos e da coxa. Mas sempre tem um trecho mais fundo, onde a água corre com mais força. Aí a profundidade chega no pescoço ou, na maré cheia, podemos perder o pé. Por isso, para quem não sabe nadar ou é afobado, o melhor e mais seguro é mesmo atravessar com as canoas.
A Ana atravessa a lagoa em direção à praia na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Com todo o cuidado, a Ana caminha na parte mais profunda da lagoa na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
A Ana quase perde o pé na travessia da lagoa na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Já para quem gosta de água, não tem rotina melhor do que ir para lá e para cá caminhando e nadando mesmo. Ou na sua própria prancha, para quem tem. A temperatura é muito agradável, sempre um pouco mais quente que o mar ali do lado. Muita gente que está na praia prefere mergulhar na água doce que na salgada. O mar é bom de ondas e por isso sempre atraiu surfistas. Já o rio, com o devido cuidado com a correnteza, é bem mais tranquilo. Aliás, uma coisa deliciosa de se fazer, de novo, para quem sabe nadar, é se jogar na correnteza e deixar o rio te levar até o mar.
Um banhista solitário atravessa a lagoa da Guarda, na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Placa de sinalização na lagoa da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Salva-vida em seu veículo de trabalho na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Nós passamos o dia 12 fazendo essa brincadeira, do rio para o mar, do mar para a praia, da praia para o rio. Depois, uma caipirinha à beira d´água, pois ninguém é de ferro. E depois, para queimar as calorias e o álcool, uma sessão de standup paddle (vou falar disso no próximo post), o esporte da moda no Brasil e no mundo. De noite, nos refestelamos em um dos restaurantes do centrinho. A Guarda está vazia, ainda plena quarta-feira de uma semana pós-carnaval.
Atravessando a lagoa na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Atravessando a lagoa na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Já ontem, o dia amanheceu bem chuvoso. Ficamos esperar ele melhorar um pouco, mas estava difícil. Então, resolvemos nos separar. A Ana ficou na pousada mesmo, esperando a chuva dar um respiro para ela poder caminhar um pouco, ar até o rio ou à praia do outro lado. Já eu, resolvi ignorar a chuva e fazer a belíssima trilha até a Praia da Pinheira, alguns quilômetros na direção norte.
Atravessando a lagoa na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Canoas na sempre tranquila lagoa da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Com a chuva, levei apenas a Golpro para registrar o caminho. Normalmente, a trilha já é pouco movimentada, mas em um dia como este, não havia viv´alma no caminho. Bem do jeito que eu gosto, hehehe!
Mapa da trilha entre a Guarda do Embaú e a Praia da Pinheira, no litoral sul de Santa Catarina (mapa da internet)
Uma das praias em dia de muita chuva na trilha entre a Guarda do Embaú e a praia da Pinheira, litoral sul de Santa Catarina
O caminho passa por praias desertas, pastos, campos, costões, vales e até florestas (dependendo do caminho que se tome!). Nada de ir descalço, pois seria um sofrimento. A vista é sempre linda, algumas vezes com o mar do nosso lado, outras quando ele até some de vista. A trilha não é bem marcada, mas bastante intuitiva. Há sim pontos onde se pode errar, mas mesmo assim, indo pelo caminho errado, você vai chegar em algum lugar interessante, hehehe.
Selfie em dia de muita chuva na trilha entre a Guarda do Embaú e a praia da Pinheira, litoral sul de Santa Catarina
Dia de muita chuva na trilha entre a Guarda do Embaú e a praia da Pinheira, litoral sul de Santa Catarina
Para pegar o início da trilha, vamos até o final da praia, do lado de lá do rio. Ou seja, cruzamos ele duas vezes, primeiro para ir da cidade até a praia e depois, cruzamos a boca dele novamente, para chegar à pequena península. Aí, uma trilha bem marcada nos leva até o alto do moro onde temos uma bela vista para os dois lados e depois, descemos do lado de lá, em uma praia cheia de pedras. Quando a praia se abre, chegamos à prainha, com ótimas ondas para o surf.
Dia de muita chuva na trilha entre a Guarda do Embaú e a praia da Pinheira, litoral sul de Santa Catarina
Em dia de muita chuva, encontro com uma praia minúscula na trilha entre a Guarda do Embaú e a praia da Pinheira, litoral sul de Santa Catarina
No final dela, depois de um trecho de costão, a trilha se afasta do mar e chegamos um um lugar com o nome mágico de “Vale da Utopia”. É uma área protegida pelo Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, livre da urbanização e desenvolvimento. Ainda bem, pois é lindo do jeito que está! Um colírio para os poucos olhos que tiveram a sorte de chegar até lá. No final do vale, já na costa novamente, uma praia diminuta, com poucas dezenas de metros. Uma visão pitoresca! É a Praia do Maço.
Selfie em dia de muita chuva na trilha entre a Guarda do Embaú e a praia da Pinheira, litoral sul de Santa Catarina
Em dia de muita chuva, mais uma praia na trilha entre a Guarda do Embaú e a praia da Pinheira, litoral sul de Santa Catarina
Agora, já estamos no final. É só subir e descer o morro novamente) o mais alto da trilha) para chegarmos à Praia de Cima e á Praia de Baixo, o início da Pinheira, A urbanização não vai te deixar dúvidas: voltamos à civilização. Daí, é possível voltar pela estrada que passa por trás do morro ou pela trilha mesmo, entre o morro e o mar. É claro que eu preferi a trilha novamente! Pena que estava tão difícil de fotografar, pois, mesmo com chuva, o visual estava maravilhoso. Aqui está um link para um post de alguém que fez a mesma trilha, mas no sentido inverso. O céu estava azul e as fotos são muito mais legais que as minhas!
No alto do morro da Guarda, admirado com a beleza da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
No alto do morro da Guarda, admirado com a beleza da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
A barra da lagoa na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Voltai para a Guarda e reencontrei a Ana, bem mais sequinha do que eu, que estava encharcado. Nada que um bom jantar com vinho não possa recuperar! Esse teria sido nosso dia de despedida da Guarda.
A Ana no alto do morro da Guarda, dia ensolarado na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
A Ana no alto do morro da Guarda, dia ensolarado na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Praia da Pinheira vista do alto do morro da Guarda, na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Teria! Mas não foi. O dia amanheceu absolutamente maravilhoso hoje. Nós entendemos o recado e esticamos nossa estadia. O dia começou bem cedo, a gente querendo aproveitar cada minuto, cada segundo. Ao invés de cruzarmos o rio, fomos até a base do Morro do Urubu, com começa uma trilha para chegar até o cume. Quinze minutos de sadia caminhada e chegamos até o mirante. Cenário absolutamente deslumbrante, vista para toda a Praia da Guarda, com o desenho perfeito do rio da Madre, das canoas e das casinhas na sua orla. Para o outro lado, a Praia da Pinheira, uma meia lua perfeita. Um pouco adiante, a Ilha de Santa Catarina, onde está Florianópolis, nosso próximo destino.
Praia da Pinheira vista do alto do morro da Guarda, na Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Dia ensolarado na praia da Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
Ali ficamos uma meia hora, nos extasiando. Com aquela vista, não foi difícil mudarmos nossos planos. Viajaríamos no final do dia. Tomada a decisão, foi só descer o morro, avisarmos combinarmos na pousada que guardassem nossas coisas e nos permitissem um banho tardio, e voltarmos para o rio, para a praia e para o mar. Agora sim, tínhamos o cenário perfeito para muitas horas de standup paddle. Sinceramente, a Guarda do Embaú continua linda e especial como sempre!
1000dias na paradisíaca Guarda do Embaú, litoral sul de Santa Catarina
História da criação da cidade, no topo do Mont Royal, em Montreal, no Canadá
Ontem de manhã, saímos do hotel dispostos a caminhar. Nosso objetivo era ir até o mais popular parque da capital, o Mont Royal, que cobre toda a área de uma montanha na região central da metrópole. É uma região cheia de trilhas que faz a alegria de caminhantes, corredores e ciclistas, especialmente nessa época do ano. Já no inverno, é o pessoal do cross-country ou as crianças do sledge que se divertem por lá. Lá do alto, uma das melhores vistas da cidade.
Fachada do imponente Museu de Belas-Artes de Montreal, no Canadá
No caminho, achamos um bom lugar para o café da manhã (ciabatta com presunto cru e queijo brie derretido – uma delícia!) e passamos pelo imponente Museu de Belas Artes da cidade, região de clima estudantil e jovial (a universidade é ali perto!).
Paz e amor no Museu de Belas Artes de Montreal, no Canadá
Enfim, chegamos ao parque, no pé da montanha, e iniciamos o longo caminho de trilhas e escadas para chegar ao ponto mais alto. Lá encima, além da vista que realmente é esplendorosa, aprendemos um pouco de história. Um dos monumentos, em forma de livro e bilíngue (tudo é escrito em francês e inglês na cidade), conta como Jacques Cartier, o “descobridor do Canadá”, chegou até o alto dessa montanha, guiado por amigos índios em Outubro de 1535. Ele ficou maravilhado com a paisagem que descortinava, o rio Saint-Laurent (São Lourenço, em português) correndo majestoso aos seus pés. Diante de tanta grandiosidade, chamou aquela montanha de “Mont Royal”. Não demorou muito para toda aquela região virar “Mont Real” e, finalmente, “Montreal”! Depois de saber, parece óbvio a origem do nome Montreal, mas confesso que nunca tinha atentado para isso. Vivendo e aprendendo...
Vista do alto do Mont Royal, em Montreal, no Canadá, com o estádio Olímpico ao fundo
Foram precisos outros 100 anos para que os franceses viessem ocupar a área. Por mais incrível que possa parecer, o que os trouxe até aqui e, na verdade, movimentou toda a colonização e ocupação do Canadá, foi o pequeno e simpático animal que conhecemos como castor. Durante os séculos XVII e XVIII, o comércio da sua pele, usada principalmente para fazer chapéus, movimentou milhões de “dinheiros” e milhares de pessoas, que corriam ao novo mundo em busca da preciosa mercadoria (os pobres castores).
Charmosa rua para pedestres no bairro Plateau Mont Royal, em Montreal, no Canadá
Tão lucrativo era esse comércio que as duas nações mais poderosas da época, Inglaterra e França, se digladiaram por mais de um século para ter o seu controle. E ter o seu controle significava ter a supremacia no Canadá. Finalmente, ao final das Guerra dos 7 Anos, em 1764, os dois países se acertaram e a parte francesa do Canadá (região de Quebec, onde está Montreal) foi reconhecida como sendo parte do Império Britânico (em troca, os franceses ficaram com Guadalupe, no Caribe...).
Hora da leitura sob a fonte, em Montreal, no Canadá
Mas a “pax britannica” não durou muito. Dez anos mais tarde, uma movimentação ao sul da fronteira chegou até Montreal. Era a Guerra de Independência americana e os revolucionários tentaram atrair para a luta a população francófila do Canadá. Chegaram a ocupar a cidade, em 1775, mas nem os esforços de benjamim Franklin foram suficientes para persuadir os habitantes da cidade. Eles se identificavam ainda menos com seus vizinhos do sul do que com os ingleses. Assim, quando tropas britânicas chegaram, os americanos partiram e a cidade continuou leal ao rei, sem mais se envolver na luta.
Muita arte pelas ruas de Montreal, no Canadá
Durante o século XIX a cidade se industrializou, finalmente sobrepujando em importância a cidade de Quebec, mais ao norte. Já no séc XX, logo após a 1ª Guerra Mundial, o que trouxe dinheiro à Montreal foi os americanos que fugiam da Lei Seca em seu país, vigente durante toda a Grande Depressão. A cidade era conhecida então como “Sin City”. Felizmente, também esses tempos ficaram para trás e Montreal passou a atrair outro tipo de público, como cidade de negócios e polo cultural e estudantil.
Charmosa rua para pedestres no bairro Plateau Mont Royal, em Montreal, no Canadá
Pois é, foi essa Montreal cultural e festiva que conhecemos um pouco esses dias, caminhando pela cidade. Eu sempre tinha ouvido falar que os canadenses celebravam o verão, principalmente pelo rigor do inverno, quando não só temperaturas congelantes predominam, mas principalmente pela falta da luz do dia, já às 16:30 já está escuro e o sol só se levanta depois das oito. Para nós, seres tropicais, acostumados com o calor e a luz do sol durante todo o ano, é difícil realmente captar como é morar num lugar assim, com variações tão grandes de temperatura e “tamanho” do dia. A gente “acha” que entende, mas só entende mesmo passando pela experiência.
Ruas cheias no centro de Montreal, no Canadá
Eu nunca vivi em um país assim, então, pertenço ao grupo que “acha” que entende, mas não entende não! Meio que por tabela, tivemos uma amostra disso, aqui em Montreal e, certamente, por todos os lugares que iremos passar no Canadá. Não poderemos vivenciar as diferenças entre verão e inverno, mas estamos vendo, ao vivo, com os olhos, ouvidos e narizes, a alegria com que esse povo recebe e vive o seu verão. São dezenas de festivais artísticos, milhares de pessoas nas praças e ruas, sorriso nos rostos da gente, uma incrível alegria de viver e sentir o verão, o calor e a luz. Em cada gramado da cidade, em cada pista de cooper, lá estão pessoas correndo, meditando, confraternizando, ou simplesmente vivendo aquele momento. A sensação que temos é que eles tem esses quatro meses para viver o ano inteiro. Portanto, não há um minuto a perder!
Ruas cheias no centro de Montreal, no Canadá
Foi assim ontem de manhã, no Mont Royal, durante a tarde, nas ruas do Plateau, um simpático bairro cheio de restaurantes e ruas de pedestre, ou nas ruas do bairro do nosso hotel, vizinhança universitária, durante o dia de hoje.
Restaurantes cheios em Montreal, no Canadá
Para mim, além de conhecer o centro histórico, os prédios importantes e o Parc Royal, o que mais me ensinou sobre o Canadá nesses dias foi simplesmente caminhar pelas ruas da cidade, observar seus restaurantes sempre cheios, ver as pessoas felizes e conversando. Essa exuberância de vida e da vida foi rejuvenescedora;
Um brinde à Montreal e ao Canadá!
Amanhã, felizes e já com saudades, deixamos a cidade. Ela passou a fazer parte de um seleto grupo de lugares em que nos imaginamos morando por mais tempo, uma temporada de dois anos, talvez. Ficar craque no francês e no inglês, nos esportes de inverno e, a cada verão, celebrar a vida e o sol. Quem sabe um dia...
Fim de tarde com Olimpiadas e vinho em Montreal, no Canadá
Celebrando um ano de viagem em alto estilo, com vinho frances, num dos restaurantes da marina Port La Royale, em Marigot - Saint Martin (caribe)
O vôo de Trinidad para Sint Maarten é rápido. Um pouco mais de uma hora. Vamos voando por cima de toda a cadeia de ilhas que forma o Caribe na sua parte leste. Da janela do avião, eu e a Ana ficamos tentando recopnhecer cada uma delas, comparando sua forma com os mapas que temos. É uma brincadeira parecida com o que fazemos quando voamos de Curitiba para o Rio de Janeiro, acompanhando a orla do Atlântico. Só que ao invés de reconhecer cada praia, aqui tentamos reconhecer cada ilha, cada pequeno país no meio do oceano. É claro que a brincadeira aí no Brasil é mais fácil, já que conhecemos a grande maioria das praias in loco! Aqui, nossa única chance é reconhecer a forma da ilha no mapa.
Passando sobre a vulcânica Montserrat, durante o vôo entre Trinidad e Sint Maarten, no Caribe
Chegando mais perto de Sint Maarten, a brincadeira fica ainda mais interessante, já que o número de ilhas é maior, e pretendemos visitar quase todas elas desta vez. Uma que vai ficar para a próxima vez, mas foi a que mais me chamou a atenção foi a pequena Montserrat. Esse pequeno paraíso quase desconhecido do mundo ganhou os holofotes em 95, quando uma grande erupção vulcânica atraiu cientistas do mundo inteiro ao mesmo tempo em que destruia metade da ilha e desalojava quase toda a sua população. A capital da ilha ficou sob metros de cinzas e lavas. Ainda hoje, mais de 15 anos depois da tragédia, lá de cima, é possível perceber o tamanho do estrago. Faz a gente lembrar do quanto ainda somos insignificantes perto das grandes forças da natureza...
Vista de St. Barth, durante o vôo entre Trinidad e Sint Maarten, no Caribe
Primeira visão de St. Maarten/St. Martin, no Caribe
Um pouco depois de Montserrat (lá do alto, tudo parece pertinho!), lá estava a pequena ilha dividida entre franceses e holandeses há mais de 300 anos. Saint Martin e Sint Maarten sempre conviveram pacificamente, um caso raro numa época em que as potências européias se digladiavam por cada pedacinho de chão no nosso continente, acabando com os povos indígenas e importando milhares de escravos no processo.
Finalmente, o mar do Caribe! (pousando em St. Maarten)
Hoje, depois de séculos de convivência, a ilha atrai gente de todo o mundo em busca de suas lindas praias, seus cassinos e, principalmente, seu estilo liberal com culturas e modos de vida distintos. São cerca de 30 mil habitantes de cada lado. No lado holandes, todo mundo fala inglês. No lado francês, fala-se francês e inglês. O dólar americano vale em toda a ilha, enquanto o euro é usado em St Martin. Não há fronteiras entre os dois países e apenas algumas bandeiras marcam onde acaba Sint Maarten e onde começa St. Martin.
Subindo ao Fort Louis, em Marigot - St. Martin (Caribe)
Explorando o Fort Louis, em Marigot - St. Martin (Caribe)
Nós pousamos no principal aeroporto da ilha, no lado holandês. De lá, pegamos um táxi para Marigot, capital do lado francês, onde nos instalamos na Fantastic Guest House. Já era o meio da tarde e fomos passear na cidade com ares europeus em pleno mar do Caribe. Subimos no alto do Fort Louis que defendia Marigot dos contínuos ataques dos sempre inimigos inglêses.
Admirando o pôr-do-sol em Marigot - St. Martin (Caribe)
Pôr-do-sol no alto do forte Louis, em Marigot - St. Martin (Caribe)
Enquanto o forte não existia, os pobres habitantes de Marigot sempre foram presas fáceis dos ingleses. Mas, depois do forte, deram uma sova nos invasores, na época de Napoleão. Lá estivemos já na hora do pôr-do-sol. Um verdadeiro espetáculo! Além da belíssima vista da cidade, suas baías, portos, marinas e praias, o tempo ainda favoreceu a um inesquecível pôr-do-sol, um presente para o nosso aniversário de primeiro ano de viagem.
Pôr-do-sol em Marigot - St. Martin (Caribe)
Admirando Marigot - St. Martin (Caribe) no finzinho da tarde
Por falar nisso, de noite teve celebração. Fomos à um restaurante jóia, um dos muitos na Marina Royale. Lá, nos esbaldamos com salada, um "assortment du fromage" (a Ana ADORA!) e um cordeiro maravilhoso. Tudo regado com vinho francês. No aniversário de um ano, a gente merecia esse luxo, né?
Celebrando um ano de viagem em alto estilo, com vinho frances, num dos restaurantes da marina Port La Royale, em Marigot - Saint Martin (caribe)
Vale no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG
Após uma noite curta demais numa cama deliciosa e um café da manhã com muitos tipos de pães e geléias (e até requeijão), estávamos quase prontos para enfrentar os 20 km do terceiro dia da "maratona do Cipó". Só faltava agilizar os transportes de ida e de volta.
Na parte alta do Parque Nacional da Serra do Cipó - MG
Para resolver a volta, eu fui com a Fiona até a portaria secundária do parque, deixar ela lá. É o ponto final da caminhada e a Fiona nos esperaria por lá. O Felipe, funcionário da pousada em que estávamos, a deliciosa Rio das Pedras, foi de moto me mostrando o caminho e me trouxe de volta, de carona. Resolvido a "volta", partimos para a "ida". Eu, a Ana e o Daniel, mais conhecido como Pretinho, fomos para a estrada pegar um busão. Qualquer um vindo de BH em direção ao norte. PorR$ 3,70 o busão nos levou 12 km morro acima, para um lugar chamado Palácio. Lá saltamos e iniciamos a caminhada.
Observando aviões cruzando os céus do Parque Nacional da Serra do Cipó - MG
Há mais de dez anos atrás, junto com o irmão e primos, eu conheci a parte baixa do parque. Numa longa caminhada de 25 quilômetros, entramos pela portaria principal e fomos até o Canyon, a Cachoeira da Farofa e outras pelo caminho ou em pequenos desvios. Foi um dia puxado e memorável. Lembro-me da vontade de explorar o canyon, mas não havia tempo hábil para isso. Agora, com apenas um dia programado por aqui, optamos pela parte alta do parque, que eu ainda não conhecia. Para a Ana, que não conhecia nenhuma das duas, qualquer coisa seria lucro. De qualquer maneira, quando apertei o Gustavo da Estrada Real para que ele escolhesse entre as partes alta ou baixa do parque, ele não titubeou. Assim, juntando o conselho dele com a minha vontade, optamos pelo passeio na parte alta mesmo.
Entrando na Cachoeira do Guedes, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG
E assim, a partir do Palácio por cinco quilômetros caminhamos cortando os campos de altitude, na parte alta do Parque Nacional da Serra do Cipó. Céu azul, cenário inesquecível de tão bonito. Uma vastidão para todos os lados, colinas, montanhas, nascentes de rios, ar puríssimo, tudo lindo. O Pretinho tem um ótimo papo e os cinco quilômetros passaram voando.
Entrando na Cachoeira do Gavião, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG
Aí, começamos a descer junto com um rio em direção ao vale lá embaixo. O rio vai formando cachoeiras desde lá de cima. As mais imponentes são a Cachoeira do Guedes (ou Congonhas de Cima), a Congonhas e a maravilhosa Cachoeira do Gavião. Em cada uma delas, uma parada para fotos e banho. Águas geladas não mais nos asssustam e o dia ensolarado ajudou muito. A água desse rio era bem diferente da água lá do Intendente. Ao invés da coloração amarelada, um tom esverdeado, bem transparente. Uma pintura! Também ao contrário dos dois dias anteriores, as cachoeiras são menores, de um tamanho mais civilizado. Nada de megacachoeiras de cem metros ou mais.
Rio encachoeirado no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG
Descendo pelo próprio leito do rio ou pela encosta da montanha, já avistávamos todo o vale à frente e também a montanha do outro lado. Por ela descia um outro rio, também cheio de cachoeiras. A mais baixa delas, a Cachoeira da Andorinha seria o nosso destino, após a Cachoeira do Gavião. O engraçado foi perceber que, dois rios tão vizinhos, tão próximos, tem águas tão distintas. As duas são geladas, por supuesto, mas um é esverdeado e o outro é amarelado.
Escalando os paredões da Cachoeira da Andorinha, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG
Depois de muito banho de cachoeira, seguimos pelo vale abaixo em direção à Fiona, já com o finalzinho de tarde. Sensação de saúde total!. Mais oito quilômetros que passarm rapidinho, só se divertindo em conversas com o Pretinho, um figuraça!
Saltando no poço da Cachoeira da Andorinha, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG
Sempre-Vivas, no Parque Nacional da Serra do Cipó - MG
A Fiona nos esperava pacientemente e nos levou de volta para a pousada num rápido pitstop e de lá para cá, na Lapinha da Serra ou simplesmente Lapinha. Cinquenta quilômetros de estradas, pouco mais da metade delas de terra. Chegamos aqui no escuro, sem poder admirar o famoso visual da região. Estamos curiosos de olhar pela janela amanhã cedo. Dizem ser maravilhoso. Estamos numa pousada super charmosa chamada Travessia. Muito felizes de ter terminado o terceiro dia da maratona e já com o quarto engatilhado, guias e roteiros já agendados... Que venha o quarto dia!
Maravilhado com a paisagem do Parque Nacional da Serra do Cipó - MG
Cachoeira e poço no Saco do Mamanguá, região de Parati - RJ
Acordamos hoje cedinho com uma bela surpresa: chuva! O tempo, que nos ajudou tanto desde o início dos 1000dias, anda complicando nossa vida nesses últimos dias. Mas não desanimamos. Liguei para o Reinaldo, em Parati Mirim e ele confirmou que chovia por lá mas, mais importante, não ventava! Assim, com chuva e tudo, fomos para lá encontrá-lo e, de barco, rumamos para o Saco do Mamanguá.
Dia nublado no Saco do Mamanguá, região de Parati - RJ
Essa espécie de "fiorde tropical" é uma longa baía que invade o continente bem ao lado de Parati Mirim. Com um pouco menos um quilômetro de largura e quase oito de comprimento, as encostas e pequenas praias do Mamanguá estão ocupadas por pequenas comunidades caiçaras e grandes mansões de felizardos milionários, que chegam em seus barcos ou helicópteros.
Entrando no Saco do Mamanguá, região de Parati - RJ, com o Reinaldo
Mesmo com o tempo nublado misturado com um pouco de chuva, as águas do mar ali são de um verde incrível, de difícil descrição. As águas calmas facilitaram o movimento do nosso barco e logo estávamos no fundo do fiorde entrando na parte de mangue do Mamanguá. Nosso objetivo era percorrer um de seus canais e chegar até a uma cachoeira e também a uma aldeia de índios. A cachoeira foi jóia, água bem refrescante. A aldeia é meio caída, infelizmente.
Cachoeira e poço no Saco do Mamanguá, região de Parati - RJ
De volta à Parati Mirim conhecemos o Jorge, um argentino que viajou por toda a América do Sul com seu carro, transformado em casa. Apaixonado pelo Brasil e pela região de Parati, já faz um bom tempo que está por aqui. Ele adorou o nosso projeto e tivemos uma conversa muito gostosa.
Com o Jorge e sua "casa", que viajaram por toda a América do Sul, em Parati Mirim - RJ
A conversa terminou porque tínhamos de voltar à Parati para pegar nosso barco para o Pouso da Cajaíba. Mas, quando chegamos no porto, descobrimos que o barco só iria amanhã cedo. Depois de confabular um pouco, pesar as condições de tempo e nossa programação nos 1000dias, resolvemos deixar a Cajaíba para depois dos 1000dias e seguir em frente, para o próximo destino, a Ilha Grande.
A nossa usina nuclear, em Angra do Reis - RJ
Então, viemos para Angra dos Reis. No caminho, a visão meio surreal das nossas usinas nucleares. Após passear pelo maravilhoso Saco do Mamanguá, Angra 1 e 2 parecem mais esquisitas ainda, fora do lugar e do tempo. Até hoje acho inacreditável tê-las construído ali, no meio do pedaço de litoral que muitos consideram o mais bonito do Brasil. Vai entender...
Cachoeira e poço no Saco do Mamanguá, região de Parati - RJ
Bom, amanhã cedinho, Ilha Grande. Com barco que tem hora marcada para sair, independente de São Pedro ou do bom humor de algum pescador.
Uma das muitas casonas no Saco do Mamanguá, região de Parati - RJ
No alto da serra das Broas em Carrancas - MG
Mais um dia para a nossa lista de dias inesquecíveis! O sol brilhou forte durante todo o dia por aqui, ajudando a esquentar o nosso belo passeio. Quando estávamos na sombra, na água ou quando o sol se pôs, era a vez do frio nos acompanhar. Como gosta de dizer meu pai, um frio saudável!
Com o nosso guia e amigo Quilin em Carrancas - MG
O Quilin, nosso guia e amigo, veio nos encontrar na pousada logo cedo e já partimos para a Serra das Brôas. A estrada até a Zilda está muito boa (12 km) mas depois, só carro traçado ou fusca valente para continuar seguindo. Já disse no post abaixo que a Fiona deu um show e chegamos lá no alto da serra para desfrutar de uma vista maravilhosa e poder ficar explorando um verdadeiro labirinto de estranhas formações rochosas. Um paraíso para escaladores. Mesmo para um amador como eu, deu para se divertir. Além do céu azul, o ar puro do alto das montanhas também era um estimulante.
Escalando rochas em Carrancas - MG
Formações rochosas no alto da Serra das Broas em Carrancas - MG
Depois, voltamos para o Complexo da Zilda, área das mais bonitas cachoeiras de uma terra com cachoeiras para todos os gostos. Ali, enfrentamos o frio congelante das águas para poder nadar um pouco em algumas das cachoeiras.
Se divertindo no "escorregador" do Complexo da Zilda em Carrancas - MG
Tem uma que é um perfeito escorregador, obra-prima da natureza lapidada por milhares de bumbuns que escorregam por lá todos os anos. O Quilin me disse que nos grandes feriados são dezenas, muitas vezes centenas de pessoas disputando lugar por ali. Hoje, éramos apenas os três. E como o Quilin não enfrentou a água fria, éramos apenas os dois, eu e a Ana, a nos divertir naquele lugar. Viajar durante a semana tem suas consequências: perdemos o movimento dos bares e baladas, mas não precisamos de filas para frequentar as cachoeiras. Ao contrário, pelo menos enquanto lá estamos, elas nos pertencem. Sensação deliciosa de comungação com a natureza. E só com ela.
Cachoeira em rio do Complexo da Zilda em Carrancas - MG
Depois do escorregador, ainda fomos conhecer mais duas cachoeiras. Numa delas, com um grande poço, enfrentamos o frio novamente. Já no final de tarde, sol querendo se esconder, o frio chegava a fazer a cabeça doer. Mas foi impossível resistir a dar um mergulho naquela água tão convidativa.
Enfrentando bravamente a água gelada no Complexo da Zilda em Carrancas - MG
Ficou faltando conhecer o canyon, do qual guardo tão boas lembranças. Mas não saio de Carrancas antes de levar a Ana lá. Tenho certeza que ela vai adorar, não só a beleza mas o desafio de conseguir entrar, vencendo a força da correnteza que teima em não nos deixar explorar aquele lugar.
Brincando com a própria sombra no fim de tarde em cachoeira em Carrancas - MG
Além do canyon, na Zilda, ainda há muitos outros rios na região. Vamos ver o que conseguimos ver amanhã. Pena que os dias tem escurecido tão cedo. Cinco da tarde já está ficando escuro. Não lembrava de ser assim. Será que dá para botar a culpa desse escurecimento mais cedo no aquecimento global?
Curtindo mais um pôr-do-sol, dessa vez no Mirante da Serra em Carrancas - MG
Bom, escurecendo ou não mais cedo, o fato é que o céu tem estado lindo aqui em Minas, especialmente durante o pôr-do-sol. E hoje nós estivemos assistindo ele de camarote, no restaurante Mirante da Serra. Além da vista incrível, quase 360 graus, ainda tivemos uma belíssima refeição. Os donos, um simpático costarriquenho chamado Rolando e sua esposa brasileira Marília servem comida com um toque centroamericano. O restaurante é todo envidraçado e podemos jantar e admirar a paisagem. Um espetáculo!
Ótimo restaurante no Mirante da Serra durante o pôr-do-sol em Carrancas - MG
Voando de helicóptero sobre a ilha de Kauai, no Havaí
Desde que estivemos com nossos amigos Mauricio e Oscar, lá no Delaware, e conversamos sobre a viagem deles ao Havaí que temos planejado um sobrevoo de helicóptero pela ilha do Kauai, uma das principais do arquipélago. Eles tinham ficado impressionados com a beleza da ilha vista do ar e nos recomendaram muito o “investimento”. Isso foi em Junho e desde então esse passeio de helicóptero ficou muito bem guardado na nossa “to do list”. Pois bem, finalmente chegou o dia!
Chegando de avião à ilha de Kauai, no Havaí
Só para não perder o costume, madrugamos pelo terceiro dia consecutivo, hoje para pegarmos o avião entre Maui e Kauai. Carro devolvido, bagagem embarcada, máquinas fotográficas a postos, fizemos o voo de quase uma hora, passando sobre a ilha de Oahu no meio do caminho. Ela será nossa última parada aqui no Havaí, depois do Kauai, mas já deu para dar uma olhada rápida lá de cima. O que mais me chamou a atenção foi a baía de Pearl Harbor, tornada famosa pelo ataque surpresa japonês em dezembro de 1941 e que trouxe os Estados Unidos para a 2ª Guerra Mundial. Até tentei me imaginar naquele fatídico 7 de Dezembro, a bordo de uma das centenas de aeronaves japonesas atacando o porto e a frota americana ali estacionada, mas a serenidade do dia de hoje não cooperou. Eu tinha outro voo em mente...
Helicóptero chega para nosso sobrevoo de Kauai, no Havaí
Pronto para o sobrevoo de helicóptero da ilha de Kauai, no Havaí
Chegamos ao aeroporto de Lihue, pegamos nosso carro na ilha e seguimos diretamente para a empresa que opera os helicópteros. Já estava tudo agendado e pago com antecedência e já era a hora do check-in. Foi lá que reencontramos o Sidney e a Ane, que também haviam acabado de chegar, diretamente da Big island. Junto com eles estava o Marcos Amend, um grande amigo da Ana lá de Curitiba. Ele também queria fazer o voo de helicóptero, mas como o nosso já estava lotado, acabou sendo colocado em outro voo, praticamente na mesma hora.
Só falta a Ana no helicóptero para nosso sobrevoo de Kauai, no Havaí
A bordo do helicóptero, durante sobrevoo da ilha de Kauai, no Havaí
Não demorou muito e já estávamos embarcando na nossa aeronave. A Ana e a Laura na frente, ao lado do piloto, e eu e o Rafa atrás, junto com um outro casal. Eu já tinha voado uma vez de helicóptero, há quinze anos, no Nepal. Mas lá, are um grande cargueiro russo, com capacidade para mais de 20 pessoas. Dessa vez era uma aeronave pequena, com a lateral toda envidraçada para facilitar a visão dos passageiros. E eu fui afortunado em ir ao lado da janela.
De helicóptero, sobrevoando a cidade de Lihue, no Kauai, no Havaí
Assim que entramos, colocamos headphones que abafam o alto barulho dos motores. Melhor do que isso, é colocado uma trilha sonora emocionante para acompanhar o voo. Entre as músicas, o tema de Parque dos Dinossauros, cuja cena do helicóptero foi filmada justamente aqui. Teve também o tema de ET, o Extraterrestre, do Indiana Jones, entre outras. Foi bem legal!
São dezenas de cachoeiras que avistamos durante o sobrevoo de Kauai, no Havaí
São dezenas de cachoeiras que avistamos durante o sobrevoo de Kauai, no Havaí
A gente voa sobre enormes montanhas e cânions que são praticamente inacessíveis por terra. Passamos por dezenas de cachoeiras selvagens, algumas delas isoladas no meio de vales, outras em grupo ou formação de até cinco delas. Visual impressionante! Toda essa água vem do fato que é ali no Kauai, em uma região no meio da ilha, que está um dos pontos mais chuvosos do planeta. São mais de 11 mil milímetros de precipitação anual, quase três vezes o que chove em uma cidade como “Ubachuva”, que não tem esse apelido a toa...
Sobrevoando canions e montanhas praticamente inacessíveis em Kauai, no Havaí
O encontro das montanhas e o mar azul de Kauai, no Havaí
Por fim, sobrevoamos a Na’Pali Coast, uma das mais belas costas do mundo, o encontro de enormes montanhas com um mar azul profundo. Entre um desfiladeiro e outro, uma rara praia de areia com ares paradisíacos. A mais famosa delas é a praia de Kalalau, que só pode ser atingida de barco, no verão (no inverno as ondas são muito grandes para isso), ou a pé, através de uma trilha de 11 milhas, ou cerca de 17 quilômetros. É exatamente a trilha que vamos fazer amanhã, carregando nossas barracas para dormir nessa mágica praia.
Sobrevoando a belíssima Na'Pali Coast e a trilha para a Kalalao Beach, em Kauai, no Havaí
Voando sobre a magnífica Lalalao Beach, em Kauai, no Havaí
Ainda sem ar, depois de 50 minutos de voo, voltamos para o heliporto. Espíritos saciados, faltava cuidar do estômago. O Sidney, que nos esperava por lá, nos deu uma bela dica de um restaurante popular e para lá seguimos. Eles já seguiram para Hanaley Bay, na costa norte de Kauai, justamente de onde sai a trilha para o Kalalau. A gente ainda ficou em Lihei por hoje e, depois do almoço, saímos de carro para explorar a costa sul da ilha.
Sobrevoando a belíssima Na'Pali Coast e a trilha para a Kalalao Beach, em Kauai, no Havaí
O grupo do nosso helicóptero, já na segurança da terra firme, em Lihue, em Kauai, no Havaí
Seguimos até os mirantes do Waimea Canyon, o equivalente ao Grand Canyon do Havaí. Nós já tínhamos passado por ali de helicóptero, mas agora queríamos vê-lo com os pés no chão. Realmente, uma beleza! Que grandiosidade! Incrível ver uma formação geológica desse porte numa ilha pequena como o Kauai.
Escolhendo nossa primeira refeição em Lihue, em Kauai, no Havaí
A ilha é a mais antiga do arquipélago, pelo menos dentre aquelas que ainda não foram engolidas pelo mar. Há tanto tempo já afastada do hotspot criador de ilhas, Kauai já teve muito tempo para ser erodido. O Waimea canyon é apenas um dos exemplos dessa erosão. Quem também teve tempo de “agir” foi a vegetação. Cobriu toda a ilha de verde e é por isso que Kauai é conhecida como a “Green Island”. Com férteis solos vulcânicos e chuva para planta nenhuma botar defeito, não é difícil entender aquelas florestas todas por ali.
Mirante do magnífico canyon de Waimea, em Kauai, no Havaí
Chegando ao mirante do canyon de Waimea, em Kauai, no Havaí
Depois do canyon, voltamos ao nível do mar e assistimos a um formidável pôr-do-sol ao lado de um enorme “blow hole”. É um buraco na rocha ao lado do mar por onde as ondas do oceano entram e espirram bem alto, fazendo um som de trovão. Uma espécie de fonte natural. Já tinha visto vários desses por aí, mas esse aqui do Kauai foi o mais forte que já vi.
Dirigindo na costa sul de Kauai, no Havaí
Chegando perto para admirar um blow hole na costa sul de Kauai, no Havaí
Já estava escuro quando voltamos à Lihue, mas ainda passamos no supermercado para comprar nossos mantimentos para os próximos dias. Como todo acampamento que se preze, vamos de macarrão e muitos sanduíches, hehehe. Estamos loucos para estrear nossa barraca e fogareiro novos, comprados em Seattle. Já a Laura e o Rafa, que pretendiam alugar uma barraca por aqui, acabaram presenteados pelo Sidney, que emprestou a sua. Amanhã, quarta “madrugagem” consecutiva, temos uma hora de estrada até a casa onde o Sidney está ficando, para deixar nossa bagagem, e seguir até o início da trilha, onde o carro vai pernoitar enquanto nós camelamos pela maravilhosa Na’Pali Coast.
O sol de põe por detrás de um blow hole na costa sul de Kauai, no Havaí
Um dos aspectos que precisamos lidar quando vamos viajar, principalmente em viagens internacionais, são os aspectos burocráticos. Vistos, por exemplo! Para a Ana, que é italiana, é tudo mais simples, mas para nós, meros brasileiros... Mesmo viajando no nosso próprio continente, devemos vencer várias complicações.
Precisamos de visto para o Canadá, EUA, México e ilhas e regiões francesas. Guiana Francesa, por exemplo. Um complicador no meu caso é que, normalmente, um dos pré-requisitos para a obtenção do visto são as passagens de avião, de ida e, principalmente, de volta. Para quem vai de carro, eles acham muito estranho e ficam sem saber o que informar. Outro ponto é que o visto tem uma validade limitada depois de emitido. Para quem vai chegar só daqui a 20 meses no país, a recomendação é que se obtenha o visto pouco antes de viajar. De novo, isso não me ajuda porque eu vou estar na estrada e não em São Paulo, onde se obtem esses vistos normalmente.
Bom, na prática, como estou lidando com isso? Para começar, por sorte, eu já tenho um visto americano, válido ainda por vários anos. Que bom! Obter um novo, desempregado, sem passagens de avião, sem imóveis no Brasil, não seria fácil. Segundo, já tendo o visto americano, obter o mexicano foi moleza. Afinal, o México só exige visto de brasileiro porque muitos compatriotas iam para lá para atravessar o Rio Grande a nado. Como eu já tenho o visto americano, eles não acham que seja esse o meu caso.
No caso do visto canadense, vou tentar agora em Maio. Terá de ser o visto de múltiplas entradas, válido por 3 anos, já que o visto de entrada simples, mais barato, só é válido por 6 meses. Já estou preparando a documentação para mostrar que eu não pretendo ir para lá para viver ilegalmente. Sem emprego, é sempre mais complicado. Em Maio dou notícias sobre isso.
Por fim, no caso das regiões francesas, me recomendaram que eu, a bordo da Fiona, na fronteira, negociasse com o oficial de plantão. É o que pretendo fazer. Quem sabe, passar no consulado no Amapá. Quanto às ilhas, disseram-me que não teria problemas, estando com as passagens de entrada e saída. Ao longo da viagem vou tentar me informar novamente.
Para a minha esposa italiana foi tudo mais fácil. Bastou 15 minutos na internet para conseguir o visto americano, único país que tem essa exigência.
Ainda no quesito burocracia, consegui minha carteira internacional no último dia (hoje!), para carros e motos. Eu e a Ana fizemos o curso de motos nessas últimas semanas. Foi uma corrida contra o tempo, com final feliz!
Agora, está faltando a documentação da Fiona para a fase internacional da viagem. Ainda temos tempo para isso. Basicamente, são cópias e cópias dos documentos originais, listas e listas dos aparelhos eletrônicos que estamos levando, um tal de carnet du passage e seguros de viagem. Aqui seguimos aquela máxima: "Não deixe para amanhã aquilo que pode deixar para depois de amanhã!".
Finalmente, estamos deixando o Brasil, hoje, quites com o Imposto de Renda. Já de olho na nossa restituição, sempre bem vinda. No meu caso, de olho também no meu seguro-desemprego.
E chega de burocracias...
Blog da Ana
Blog da Rodrigo
Vídeos
Esportes
Soy Loco
A Viagem
Parceiros
Contato
2012. Todos os direitos reservados. Layout por Binworks. Desenvolvimento e manutenção do site por Race Internet
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)

.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)





























.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)