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Ode à Caleta Tortel

Chile, Caleta Tortel

Chegando à Caleta Tortel, no sul do Chile

Chegando à Caleta Tortel, no sul do Chile


Hoje foi nosso primeiro dia de verdade na Carretera Austral, no sul do Chile. No post anterior falei bastante dessa famosa estrada e de como foi a nossa viagem de Cochrane até Villa O’Higgins, o pequeno povoado onde a rodovia termina e onde estamos agora. Mas deixei o relato da nossa visita à maior atração desse trecho, uma pequenina vila perdida no fim do mundo, para um post só dela. Estou falando da pitoresca Caleta Tortel.

O fiorde (caleta) onde está Caleta Tortel, no sul do Chile

O fiorde (caleta) onde está Caleta Tortel, no sul do Chile


Caleta Tortel, a cidade das passarelas, no sul do Chile

Caleta Tortel, a cidade das passarelas, no sul do Chile


Com cerca de 400 habitantes, essa pequena cidade viveu praticamente isolada do mundo até o início desse milênio, quando um ramal da Carretera Austral chegou até ela. Antes disso, eram só barcos ocasionais da marinha chilena ou de alguma empresa madeireira que chegavam até lá, levando alimentos e recolhendo o principal produto da região, a madeira de uma espécie de cipreste muito comum aqui no sul do Chile.

Chegando à Caleta Tortel, no sul do Chile

Chegando à Caleta Tortel, no sul do Chile


Caminhando nas passarelas de Caleta Tortel, no sul do Chile

Caminhando nas passarelas de Caleta Tortel, no sul do Chile


Caminhando nas passarelas de Caleta Tortel, no sul do Chile

Caminhando nas passarelas de Caleta Tortel, no sul do Chile


“Caleta” em espanhol quer dizer “enseada” e foi exatamente numa enseada quase perdida em meio a um verdadeiro labirinto de canais, ilhas e fiordes que foi fundado o povoado de Tortel, no final da década de 50. Outras tentativas de povoamento ou de exploração econômica da área já haviam falhado antes, talvez pela dificuldade de acesso, talvez pela distância da civilização, mas a pequena Tortel resistiu dessa vez. A exploração de madeira, mesmo em um lugar tão isolado, mostrou-se rentável e o número de casas ao longo da encosta e de frente àquela pequena baía só foi aumentando.

Visita à Caleta Tortel, no sul do Chile

Visita à Caleta Tortel, no sul do Chile


Cada passarela tem seu nome em Caleta Tortel, no sul do Chile

Cada passarela tem seu nome em Caleta Tortel, no sul do Chile


caminhando na passarela costeira de Caleta Tortel, no sul do Chile

caminhando na passarela costeira de Caleta Tortel, no sul do Chile


Sem dinheiro ou recursos para grandes obras de engenharia para aplainar aquela enorme encosta ou destruir e densa vegetação, não foi possível construir ruas ou praças no povoado que crescia. A solução encontrada para se abrir caminho entre as casas foi dado exatamente pela mesma matéria-prima que havia atraído todos aqueles imigrantes para lá: o cipreste! Madeira resistente e de boa qualidade, a ideia foi construir passarelas com ela, da primeira à última das casas espalhadas pela encosta.

Em caso de tsunami, sempre é bom ir para cima! (em Caleta Tortel, no sul do Chile)

Em caso de tsunami, sempre é bom ir para cima! (em Caleta Tortel, no sul do Chile)


O mapa das passarelas de Caleta Tortel, no sul do Chile

O mapa das passarelas de Caleta Tortel, no sul do Chile


Um 'cruzamento de ruas' em Caleta Tortel, no sul do Chile

Um "cruzamento de ruas" em Caleta Tortel, no sul do Chile


A ideia deu certo e, com o número de casas crescendo, algumas delas já subindo a encosta, as passarelas também começaram a subir o morro. E assim criou-se, com o tempo, talvez até inspirados pelo labirinto de canais ali em frente, um outro labirinto de caminhos de madeira. Ruas em formato de passarelas, ladeiras em formato de escadarias. Ideal para uma cidade que não tinha carros, apenas pedestres. Pouco mais de 50 anos após sua criação, eram mais de 6 quilômetros desses caminhos de madeira, desde o pequeno aeródromo recentemente construído até uma pequena praia mais distante, passando no caminho por cada uma das casas desse que é o mais pitoresco povoado chileno.

Um belo e tranquilo passarinho em uma árvore em Caleta Tortel, no sul do Chile

Um belo e tranquilo passarinho em uma árvore em Caleta Tortel, no sul do Chile


Um belo e tranquilo passarinho em uma árvore em Caleta Tortel, no sul do Chile

Um belo e tranquilo passarinho em uma árvore em Caleta Tortel, no sul do Chile


Por isso, todo o esforço para se planejar e implementar um ramal de 22 km partindo da Carretera Austral e atravessando um terreno de difícil construção até o alto da encosta que margeia a enseada onde está o povoado. A ideia era incentivar o turismo nessa verdadeira atração arquitetônica que só estava esperando ser descoberta. Os carros, obviamente, ficam lá encima enquanto os turistas se deliciam explorando as famosas passarelas de madeira em busca de um melhor ângulo, de flores ou plantas exóticas, de um bom restaurante, do contato com o mar ou simplesmente de exercício e ar puro.

Árvores florindo em Caleta Tortel, no sul do Chile

Árvores florindo em Caleta Tortel, no sul do Chile


Uma pequena horta, também pendurada sobre as águas, em Caleta Tortel, no sul do Chile

Uma pequena horta, também pendurada sobre as águas, em Caleta Tortel, no sul do Chile


Tempo de flores em Caleta Tortel, no sul do Chile

Tempo de flores em Caleta Tortel, no sul do Chile


Quem visita Caleta Tortel logo se impressiona com o verde exuberante que nos cerca. É só quando vemos a foto de satélite que dá para perceber que, na verdade, é o branco que domina a região. O branco de algumas das maiores extensões de gelo no mundo fora das regiões polares. A simpática e pequena Tortel fica exatamente no meio do caminho entre os Campos de Gelo Sul e Norte, nascedouros de dezenas e dezenas de geleiras que escorrem para o Oceano Pacífico ou para os grandes lagos argentinos. Não é preciso muita imaginação para deduzir que, não muito tempo atrás, pelo menos em termos geológicos, também Caleta Tortel estava abaixo de uma camada de centenas de metros de gelo, senão milhares. Os dois campos de gelo formavam uma única massa branca até pouco mais de 10 mil anos atrás e os incontáveis fiordes e canais de mar na região de Tortel são exatamente a prova disso, caminhos abertos pelos titânicos rios de gelo que desciam dessa quase calota polar.

Trecho final da Carretera Austral, entre Cochrane e Villa O'Higgins. Note que Caleta Tortel fica justamente entre os Campos de Gelo Sul e Norte, na patagônia chilena

Trecho final da Carretera Austral, entre Cochrane e Villa O'Higgins. Note que Caleta Tortel fica justamente entre os Campos de Gelo Sul e Norte, na patagônia chilena


Hoje, ali embaixo, no conforto dos bosques e passarelas, na tranquilidade da pequena baía de águas calmas, não temos ideia dos gigantes que se escondem por trás das montanhas. E, para falar a verdade, nem é mesmo para lá que ficamos olhando com tanta coisa interessante ao nosso redor e bem mais perto. Eu e a Ana vencemos os 22 km do ramal de ligação, deixamos a Fiona lá em cima e viemos logo desfrutar desse tesouro escondido. Afinal, tínhamos um tempo limitado para voltar a tempo de alcançar a balsa em direção a Villa O’Higgins.

Visão da pequena Caleta Tortel, no sul do Chile, a cidade das passarelas

Visão da pequena Caleta Tortel, no sul do Chile, a cidade das passarelas


A passarela costeira de Caleta Tortel, no sul do Chile

A passarela costeira de Caleta Tortel, no sul do Chile


Uma das 'praças' de Caleta Tortel, no sul do Chile

Uma das "praças" de Caleta Tortel, no sul do Chile


Acho que por ter lido bastante sobre a charmosa vila antes de chegarmos, eu já imaginava ver ônibus turísticos estacionados no alto e dezenas e dezenas de turistas se acotovelando nas famosas passarelas. Nada como estar redondamente enganado! Talvez se estivéssemos nos EUA, Europa ou Japão. Mas não aqui, a mais de 1.000 km de distância da primeira autopista asfaltada que verdadeiramente mereça este nome. Ônibus turísticos são mercadoria raríssima por essas bandas! Que bom! Enfim, durante todo o tempo que estivemos em Tortel fazendo nossas explorações, não vimos mais do que dez turistas...

Passarela que leva à Playa Ancha, a praia de Caleta Tortel, no sul do Chile

Passarela que leva à Playa Ancha, a praia de Caleta Tortel, no sul do Chile


Passarela que leva à Playa Ancha, a praia de Caleta Tortel, no sul do Chile

Passarela que leva à Playa Ancha, a praia de Caleta Tortel, no sul do Chile


Visita à Playa Ancha, em Caleta Tortel, no sul do Chile

Visita à Playa Ancha, em Caleta Tortel, no sul do Chile


Nós descemos as escadarias até o nível do mar e fomos rodeando a encosta pela passarela principal. No caminho, há jardins, hortas suspensas e até praças. Mesmo elas, construídas sobre madeira suspensa sobre palafitas. Cães e gatos também caminham tranquilamente sobre os caminhos de madeira, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. talvez para eles, mas não para nós que visitamos pela primeira vez.

Passarela que leva à Playa Ancha, a praia de Caleta Tortel, no sul do Chile

Passarela que leva à Playa Ancha, a praia de Caleta Tortel, no sul do Chile


Playa Ancha, a praia de Caleta Tortel, no sul do Chile

Playa Ancha, a praia de Caleta Tortel, no sul do Chile


Aqui e ali, pegamos caminhos alternativos, passarelas que sobem um pouco para descer logo mais adiante. Vamos tentando nos orientar no pequeno labirinto. O importante é seguir um sentido e o nosso sentido era a tal “Playa Ancha”, o único lugar onde encostaríamos nossos pés em terra firme de verdade. Para chegar até lá, sempre nas passarelas, deixamos a cidade para trás, passamos por um terreno de relva onde vacas pastam tranquilamente e até por um canal onde a passarela se eleva para permitir a passagem de barcos.

A passarela mais alta para que o barco possa passar, em Caleta Tortel, no sul do Chile

A passarela mais alta para que o barco possa passar, em Caleta Tortel, no sul do Chile


Meio de locomoção em Caleta Tortel, no sul do Chile

Meio de locomoção em Caleta Tortel, no sul do Chile


O 'carro da polícia' em Caleta Tortel, no sul do Chile

O "carro da polícia" em Caleta Tortel, no sul do Chile


Falando em barcos, eles são o principal meio de locomoção, além dos pés, pela região. A pesca também é uma força econômica local, assim como passeios com turistas até geleiras próximas. Até o “carro da polícia”, por aqui, é um barco. É o único barulho de motor que se pode ouvir nas imediações.

Voltando de Playa Ancha para Caleta Tortel, no sul do Chile

Voltando de Playa Ancha para Caleta Tortel, no sul do Chile


Passarela atravessa região de bosques em Caleta Tortel, no sul do Chile

Passarela atravessa região de bosques em Caleta Tortel, no sul do Chile


A chegada da estrada e dos turistas vêm trazendo suas modificações para Tortel. De novo, em bem menor escala do que eu havia imaginado. Já há pousadas e restaurantes para esse novo público, mas são em pequeno número. Alguns artistas e ecologistas se mudaram para cá em busca de inspiração, mas ainda pouco mudaram a “fauna” local. O mais comum é ainda ver pescadores ou lenhadores caminhando pelas passarelas, muito mais entretidos com seus próprios afazeres do que conosco, forasteiros.

Lã de carneiro secando em varal, em Caleta Tortel, no sul do Chile

Lã de carneiro secando em varal, em Caleta Tortel, no sul do Chile


Arquitetura charmosa em Caleta Tortel, no sul do Chile

Arquitetura charmosa em Caleta Tortel, no sul do Chile


E assim, Caleta Tortel continua charmosa como sempre. Agora, ao alcance dos viajantes, que se deliciam com sua arquitetura especial, admiram a simplicidade da vida e se deleitam com uma taça de vinho tendo como cenário a pequena baía que, até ontem, era perdida do mundo e, até anteontem, escondia-se sobre um lençol de gelo. Vamos ver como estará amanhã...

Arte nas passarelas de Caleta Tortel, no sul do Chile

Arte nas passarelas de Caleta Tortel, no sul do Chile

Chile, Caleta Tortel, Arquitetura, Carretera Austral, cidade, Patagônia

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Na Península do Maraú

Brasil, Bahia, Itacaré

Lagoa do Cassange, na Península do Maraú - BA

Lagoa do Cassange, na Península do Maraú - BA


Mais um capítulo na nossa rotina de despedidas, mais um dia na estrada, uma nova região para explorar. Estamos ficando pró nessas "atividades"... Itacaré já virou passado, chegamos à Barra Grande, bem na pontinha da Península do Maraú, que separa o mar aberto da terceira maior baía do Brasil, logo após a Baía da Guanabara e a Baía de Todos os Santos.

Despedida da Bianca e Rebeca, em Itacaré - BA

Despedida da Bianca e Rebeca, em Itacaré - BA


Depois da festa da fantasia de ontem, obviamente não conseguimos sair cedo da Sage Point. Foi só à uma da tarde que partimos, tudo empacotado na Fiona, despedidas da Rebeca e da Bianca e umas poucas fotos da bela e charmosa pousada, frequentada por uma tal de Monica Belucci. Nossa... imagina cruzar ela no café da manhã!

Pousada Sage Point em Itacaré - BA

Pousada Sage Point em Itacaré - BA


Só pudemos nos dar esse luxo de sair mais tarde porque a Península do Maraú é pertinho de Itacaré. Até há algum tempo, e foi assim que fiz há 11 anos, podia-se pegar uma balsa de Itacaré direto para lá. Com a construção da ponte sobre o Rio de Contas, a balsa foi desativada e temos de dar uma volta um pouco maior.

Fiona explorando trilhas entre coqueirais na Península do Maraú - BA

Fiona explorando trilhas entre coqueirais na Península do Maraú - BA


A estrada que cruza a península de sul ao norte é uma BR. Estrada de terra ainda, que fica em estado lastimável depois das chuvas. Foi terrível da outra vez que passei aqui, mas hoje estava bem razoável. A Ana ficou impressionada dessa ser uma estrada federal. A razão de sua construção foi que, há muito tempo atrás, queriam fazer um grande porto no norte da península para escoar a produção de grãos do Brasil central. O porto até foi iniciado. Felizmente não foi terminado, mas a BR já estava feita e a península e a baía foram salvas do "desenvolvimento". Com isso, suas águas ainda se parecem com o que eram quando os portugueses aqui chegaram, o que não se pode dizer das suas duas "irmãs maiores", no Rio e em Salvador.

A praia Taipus de Fora, Península do Maraú - BA

A praia Taipus de Fora, Península do Maraú - BA


No caminho através da península, passamos por lagoas e por uma natureza exuberante. Mas para realmente vê-la, é preciso sair da estrada principal, que é quase uma enorme reta de 40 km e seguir por trilhas secundárias, muitas de areia fofa. Aí, chegamos perto das lagoas, atravessamos coqueirais e terrenos pantanosos e chegamos nas praias maravilhosas que fazem a fama do lugar. A mais famosa delas é Taipus de Fora. Coisa de cinema, como não poderia deixar de ser. São tantas praias maravilhosas aqui na Bahia que vamos ficando até meio "enfasteados" delas. A grande atração de Taipus de Fora, além dos coqueiros, areias brancas e águas esverdeadas, coisa comum por aqui, são as piscinas naturais que se formam na maré baixa, ótimas para o mergulho. Mas nós passamos lá fora do horário, e a praia era "só" uma praia "normal". Antes de partirmos daqui, passaremos lá no horário correto, com certeza!

Pôr-do-sol na Ponta do Mutá em Barra Grande, Península do Maraú - BA

Pôr-do-sol na Ponta do Mutá em Barra Grande, Península do Maraú - BA


Chegamos em Barra Grande a tempo de nos instalarmos e irmos assistir ao programa obrigatório daqui: o pôr-do-sol na Ponta do Mutá, o extremo norte da península. Foi lindo assisti-lo, de um dos bares que estão ali com cadeiras e almofadas na areia, especialmente colocados para esse espetáculo diário. Como já era o finzinho do feriado, estava tudo bem calmo, como poucos e felizardos turistas.

Curtindo o pôr-do-sol na Ponta do Mutá em Barra Grande, Península do Maraú - BA

Curtindo o pôr-do-sol na Ponta do Mutá em Barra Grande, Península do Maraú - BA


Ouço e percebo, pela quantidade de pousadas, que não é assim na temporada, quando centenas de pessoas, as vezes milhares, tomam conta da península. É o desenvolvimento que não veio com o porto, chegando com o turismo. Pelo menos, este mantém as águas cristalinas... Amanhã vamos checar isso fazendo um passeio de barco pela Baía de Camamu. Pois é, este é o nome dessa maravilhosa baía que eu ainda não havia citado.

Curtindo o pôr-do-sol na Ponta do Mutá em Barra Grande, Península do Maraú - BA

Curtindo o pôr-do-sol na Ponta do Mutá em Barra Grande, Península do Maraú - BA


Criança brincando na Ponta do Mutá durante o pôr-do-sol, em Barra Grande, Península do Maraú - BA

Criança brincando na Ponta do Mutá durante o pôr-do-sol, em Barra Grande, Península do Maraú - BA

Brasil, Bahia, Itacaré, Maraú

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Thingvellir e o Golden Circle

Islândia, Reykjavik, Thingvellir

O magnífico visual do Parque Nacional Thingvellir, na Islândia

O magnífico visual do Parque Nacional Thingvellir, na Islândia


O mais popular programa turístico entre os visitantes da Islândia é percorrer uma rota chamada de “Golden Circle”. É um circuito de pouco mais de 150 km nas cercanias da capital Reykjavik e que pode ser percorrido em apenas um dia, possibilitando aos turistas passar por belas e variadas atrações como cachoeiras, gêiseres, parques e até o principal sítio histórico do país, o vale de Thingvellir.



São várias as agências de turismo da capital que oferecem esse passeio em suas vans e na companhia de guias, mas também é comum fazê-lo por conta própria, com a ajuda de um carro alugado. As indicações nas estradas são claras e as atrações são todas sinalizadas, sempre com painéis informativos traduzidos para o inglês.

O local onde se reunia o primeiro parlamento do mundo, já há mais de 1000 anos, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia

O local onde se reunia o primeiro parlamento do mundo, já há mais de 1000 anos, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia


Pois bem, esse foi o caminho que percorremos hoje, primeiro acompanhados da nossa agência de mergulho até Thingvellir e depois sós, pelo resto do dia. A primeira parada foi exatamente no Parque Nacional criado em 1930 para proteger um solo considerado “sagrado” pelos islandeses, por sua importância histórica e na formação de um caráter nacional. Aí fizemos nosso mergulho e depois caminhamos pelo vale onde se reunia o antigo parlamento do país. Em seguida, fomos para o campo de gêiseres de Geysir e para a cachoeira de Gullfoss, retornando à Reykjavik no final da tarde.

O magnífico visual do Parque Nacional Thingvellir, na Islândia

O magnífico visual do Parque Nacional Thingvellir, na Islândia


Falo do fantástico mergulho no próximo post. Agora quero me ater à interessante história desse que foi o primeiro parlamento verdadeiro da história moderna, antecedendo em muito experiências semelhantes na Inglaterra e Holanda. Na antiguidade, espécies de parlamentos também existiram na Grécia e em Roma, mas seus poderes eram claramente subordinados aos poderes executivos daquelas sociedades. Não aqui na Islândia! O Althingi (nome dado ao parlamento) se reunia anualmente em Thingvellir e era a máxima autoridade legislativa e judiciária do país, subordinando os poderes executivos que existiam localmente por toda a ilha.

Caminhando sobre a fenda que divide dois continentes, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia

Caminhando sobre a fenda que divide dois continentes, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia


A colonização permanente da Islândia começou em 874 pelo norueguês (leia-se viking!) Ingolfur Arnarson. Seis décadas mais tarde e todas as terras aráveis do país já estavam ocupadas. Os descendentes do pioneiro Ingolfur controlavam a área mais produtiva, no sudoeste do país e formavam a família mais poderosa. Foi quando diversos líderes locais resolveram criar uma espécie de conselho, exatamente para contrabalançar esse poder. Esse conselho reuniria todos os líderes locais do país numa reunião anual que duraria cerca de duas semanas. Nele se discutiriam novas leis que valeriam para toda ilha e também a aplicação das leis já existentes às questões que surgiram no último ano. As decisões desse conselho eram supremas e seriam acatadas por toda a ilha.

O magnífico visual do Parque Nacional Thingvellir, na Islândia

O magnífico visual do Parque Nacional Thingvellir, na Islândia


Nascia assim uma espécie de parlamento misturado com suprema corte. Nada de reis ou de monarcas. Quem mandava era o Althingi, ou parlamento. Que passou a se reunir no vale de Thingvellir. As reuniões atraíam multidões que passavam duas semanas acampados por ali, quase uma cidade provisória que festejava uma democracia em plena Idade Média. Todos tinham direito à palavra, mas todos tinham de aceitar a decisão da maioria.

Local de reunião dos antigos vikings no primeiro parlamento do mundo, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia

Local de reunião dos antigos vikings no primeiro parlamento do mundo, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia


Representação do mais antigo parlamento do mundo, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia

Representação do mais antigo parlamento do mundo, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia


Pois bem, esse parlamento funcionou a pleno vapor por quase 250 anos até que, em 1271, a situação mudou. O clima já era bem mais frio, dificultando as lavouras e diminuindo a força econômica da ilha como um todo. Por decisão do próprio parlamento, a ilha associou-se à Noruega. Aos poucos, os poderes foram sendo transferidos para a monarquia além-mar, mas o Athingi continuou a se reunir anualmente, pelo menos para discutir problemas, política e leis locais. Até que, já em 1662, o parlamento se reuniu pela última vez, cedendo suas atribuições restantes ao monarca absolutista da Dinamarca, que reinava também sobre a Noruega e Islândia.

Caminhando sobre a fenda que divide dois continentes, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia

Caminhando sobre a fenda que divide dois continentes, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia


Moedas da sorte deixadas no lago que divide a Europa da América, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia

Moedas da sorte deixadas no lago que divide a Europa da América, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia


Por quase duas horas, caminhamos hoje sobre esse solo sagrado da nação. O visual é lindo, a paisagem grandiosa e ficamos aí, a imaginar, como seria um dia típico de reunião, 1000 anos atrás. Vikings na tribuna, vikings em discussão, vikings na audiência, vikings aproveitando o movimento da pequena cidade que aí se formava para comprar, vender, encontrar pessoas. Enfim, um verdadeiro evento. Quase que ainda dá para ouvir o burburinho ressoando pelo enorme paredão que delimita o vale. Mas o que ouvimos mesmo são as moedas que são jogadas num pequeno lago que há no local. Vikings atuais pedindo a sorte a vikings antigos.

O local onde se reunia o primeiro parlamento do mundo, já há mais de 1000 anos, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia

O local onde se reunia o primeiro parlamento do mundo, já há mais de 1000 anos, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia

Islândia, Reykjavik, Thingvellir, Golden Circle, história, Parque, trilha

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Flores da Pennsylvania

Estados Unidos, Delaware, Newark, Pennsylvania, Longwood Gardens

As maravilhosas flores na estufa do Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos

As maravilhosas flores na estufa do Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos


O ponto alto do nosso passeio ao parque de Longwood Gardens foi, sem dúvida, a hora passada dentro da fantástica estufa do Jardim Botânico.

A magnífica estufa do Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos

A magnífica estufa do Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos


O belo interior da estufa de Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos

O belo interior da estufa de Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos


Os parques, fontes, caminhos bucólicos e a casa de Pierre Du Pont também são lindos, mas foi a gigantesca estrutura de vidro criada para abrigar as mais belas e interessantes flores do planeta que mais chamaram minha atenção.

As maravilhosas flores na estufa do Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos

As maravilhosas flores na estufa do Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos


As maravilhosas flores na estufa do Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos

As maravilhosas flores na estufa do Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos


Engraçado que, quando eu entrei, tinha grandes expectativas, mas a primeira impressão foi: “É só isso?”. Tinha achado o salão envidraçado bonito, mas não muito grande. Mal sabia que ele era apenas o começo daquele verdadeiro castelo de cristal.

coleção de orquídeas no Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos

coleção de orquídeas no Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos


As maravilhosas flores na estufa do Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos

As maravilhosas flores na estufa do Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos


Bastaram alguns minutos para minhas expectativas serem ultrapassadas de longe. Tudo muito bem decorado e arranjado entre jardins e fontes. Mas as estrelas, claro, são as flores.

Um florido bonsai no Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos

Um florido bonsai no Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos


De todas as cores e formas, perfumes e lugares. Delicadas, grandes, desérticas, tropicais e até carnívoras. Um espetáculo!

Flôr de cactus no Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos

Flôr de cactus no Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos


Plantas Carnívoras em Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos

Plantas Carnívoras em Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos


Coleções de orquídeas, de bromélias, de bonsais. E o Oscar nos explicou que estão sempre mudando. Ele já visitou várias vezes e tem sempre novidades.

Interior da gigantesca estufa de Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos

Interior da gigantesca estufa de Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos


Enfim, para aqueles que gostam de flores e também para os que não gostam (aqui, vão aprender a apreciar!), é um programa obrigatório. Nosso muito obrigado ao bilionário visionário Pierre Du Pont por nos deixar esse legado. Isso sim que é saber investir! Patrimônio da Pennsylvania, do Delaware (viu, Oscar!), dos Estados Unidos e de toda a humanidade!

As maravilhosas flores na estufa do Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos

As maravilhosas flores na estufa do Longwood Gardens, na Pennsylvania - Estados Unidos

Estados Unidos, Delaware, Newark, Pennsylvania, Longwood Gardens, Longwood Gardens

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De Volta à Estrada: De Boa Vista à Manaus

Brasil, Roraima, Boa Vista, Waimiri Atroari, Amazonas, Presidente Figueiredo, Manaus

Literalmente, equilibrando-se sobre a linha do Equador, no sul de Roraima

Literalmente, equilibrando-se sobre a linha do Equador, no sul de Roraima


Estamos de volta à nossa vida normal, ou seja, na estrada! Depois de 10 dias descansando entre parentes no interior e no litoral de São Paulo, enfrentamos as mais de seis horas de voo de Guarulhos para Boa Vista, com parada em Manaus. Chegamos à cidade de madrugada e um táxi nos levou até a oficina do Ricardo, onde estava a Fiona. Nossa ideia já era botar o pé na estrada, afinal tínhamos um longo caminho pela frente.

Reencontro com o Ricardo e com a Fiona, em Boa Vista, em Roraima

Reencontro com o Ricardo e com a Fiona, em Boa Vista, em Roraima


A corrida é para chegar até Manaus no dia seguinte cedo, onde já estamos com outro voo marcado. Dessa vez, vamos para o meio da Amazônia, para a cidade de Tefé. Daí seguimos para a reserva de Mamirauá, para um hotel flutuante em meio a uma floresta alagada, na região do rio Solimões. Serão cinco dias no meio da floresta e da rica fauna da região, algo que já vínhamos planejando há muito tempo. Mas, antes disso tudo, tínhamos mesmo era de vencer os quase 800 km até a capital amazonense.

Estrutura de fiscalização no Parque Nacional Viruá, em Roraima

Estrutura de fiscalização no Parque Nacional Viruá, em Roraima


E para isso, a primeira coisa era conseguirmos pegar a Fiona. Para isso, tivemos que acordar o pobre Ricardo, antes das seis da manhã, em pleno domingão! Simpático e solícito como sempre, ele saiu da cama nesse horário para vir até a oficina para abrir os portões. Conversamos um pouco e nos despedimos, certo que ainda vamos nos encontrar por esse mundão. O Ricardo e a Carol não só recebem esses loucos viajantes que vêm de longe como, eles também, pretendem fazer a sua viagem, de carro, pelos continentes afora. Amigos pelo mundo não faltarão! Ricardo e Carol, mais uma vez, muito obrigado pela ajuda e trabalho que demos!

Visita ao Parque Nacional Viruá, em Roraima

Visita ao Parque Nacional Viruá, em Roraima


Bom, dia começando e nós na estrada. A mesma estrada que já havíamos feito no final de Abril de 2011, quando voltávamos das Guianas Já até podemos dizer que somos “experientes” nessa estrada, hehehe. Dentre as nossas lembranças, a entrada do Parque Nacional do Viruá, que da outra vez não pudemos nem entrar, pela pressa que tínhamos. Na época, pensamos: “Quando estivermos voltando da Venezuela, daremos uma olhada!”.

Dirigindo no Parque Nacional Viruá, em Roraima

Dirigindo no Parque Nacional Viruá, em Roraima


Pois é, esse dia chegou. Assim, tratamos de nos desviar da estrada principal e tomarmos o acesso de terra até a entrada do parque. O Viruá, como a grande maioria dos parques nacionais na Amazônia, não foi feito para receber turistas, mas apenas para proteção da fauna e flora locais. Motivo bem mais nobre, diga-se de passagem! Enfim, logo descobrimos isso, pelo estado precário em que se encontrava o posto de fiscalização do Ibama.

Estrada interrompida no Parque Nacional Viruá, em Roraima

Estrada interrompida no Parque Nacional Viruá, em Roraima


No meio do caminho da Fiona, tinha uma árvore! (Parque Nacional Viruá, em Roraima)

No meio do caminho da Fiona, tinha uma árvore! (Parque Nacional Viruá, em Roraima)


Quando chegamos ao portal de entrada, já estávamos em plena floresta amazônica, uma estrada de barro cada vez mais estreita nos levando através da mata. Essa foi a nossa experiência por lá, aliás: essa estrada barrenta cada vez mais precária até que, alguns quilômetros à frente, uma grande árvore caída interrompia o caminho. Tiramos algumas fotos, ouvimos o intenso barulho da floresta, sentimos a umidade, imaginamo-nos observados por uma curiosa onça pintada e nos demos por satisfeitos. Muito mais Amazônia nos espera ao longo da semana. E muitos quilômetros de estrada nos esperavam no resto do dia. Meia volta volver e pé na estrada!

1000dias na metade do mundo, sobre a linha do Equador, no sul de Roraima

1000dias na metade do mundo, sobre a linha do Equador, no sul de Roraima


O próximo ponto de referência na estrada foi o ponto onde cruzamos a linha do Equador. Nós já tínhamos estado no hemisfério sul nesses últimos dez dias, mas agora foi a vez da Fiona voltar para esse lado do planeta. Mais uma marca importante nesses 1000dias: o hemisfério norte ficou definitivamente para trás. Um misto de tristeza e alegria no coração, se é que é possível essa combinação tão antagônica. Mas é possível sim, posso garantir! Tristeza pelo sentimento de que essa aventura está chegando ao fim. Alegria por termos chegado até aqui, sãos e salvos, infinitamente mais ricos de experiências e conhecimentos do que antes.

Literalmente, equilibrando-se sobre a linha do Equador, no sul de Roraima

Literalmente, equilibrando-se sobre a linha do Equador, no sul de Roraima


Foi nossa quarta vez no Equador. A primeira foi lá em Macapá, onde há um grande monumento valorizando a posição geográfica da capital, uma das principais atrações turísticas da cidade. A outra foi aqui mesmo, uma pequena lembrança ao lado da estrada. A terceira foi lá em Quito, capital do Equador. Aí sím a linha do Equador é valorizada (ou sobrevalorizada...). Centenas de turistas, uma grande infra estrutura, um parque onde se cobra entrada, restaurantes e lojas e muitas coisas mais. Finalmente, a quarta e derradeira vez, aqui na BR-276, pausa para algumas fotos e comemorações para seguirmos em frente.

Atravessando os rios amazônicos no sul de Roraima

Atravessando os rios amazônicos no sul de Roraima


A longa estrada que liga Roraima ao Amazonas

A longa estrada que liga Roraima ao Amazonas


Já mais perto da fronteira com o estado do Amazonas, mais um ponto de referência: a reserva indígena Waimiri-Atroari. É aqui que precisamos chegar antes do fim da tarde, pois a estrada fica fechada depois do pôr-do-sol. Da outra vez, passamos aqui bem na hora limite e assistimos a um maravilhoso entardecer dentro da reserva, o sol vermelho se refletindo nas terras alagadas. Foi fantástico! Dessa vez, não foi tão bonito, mas não dá para reclamar da paisagem. Sempre com cuidado para não fotografar ou filmar muito, já que os índios não gostam muito disso.

Logo no início da Reserva, o pedido para que não se filme ou fotografe (fronteira entre  Roraima e Amazonas)

Logo no início da Reserva, o pedido para que não se filme ou fotografe (fronteira entre Roraima e Amazonas)


Quando saímos da Reserva, já estamos no Amazonas. Menos de uma hora depois e chegamos à Presidente Figueiredo, a terra das cachoeiras aqui no estado. Passamos dois belos dias por aqui, em 2011, e resolvemos pernoitar na cidade dessa vez. No dia seguinte, a uma hora de distância de Manaus, nossa ideia já era seguir até o aeroporto, sem passar pelo centro da cidade. Mais fácil e simpático dormir numa cidade pequena que na capital!

Alagamento da floresta causado pela represa de Balbina, no Amazonas

Alagamento da floresta causado pela represa de Balbina, no Amazonas


E assim foi. Voltamos à simpática Pousada das Pedras, do nosso amigo Fernando, que fez muita festa aos nos rever. Por uma grande coincidência, era seu aniversário e havia festa na pousada. Mais tarde, comemoramos também a vitória do Brasil na Copa das Confederações. Depois, fomos dormir cedo, afinal nossa noite tinha sido bem curta no avião para Boa Vista. No dia seguinte, horário bem calculado, saímos no último minuto para Manaus. Chegamos encima da hora no aeroporto, aonde a Fiona vai nos esperar por uma semana, e embarcamos rumo à Tefé. A volta será de barco, dormindo em redes, tudo para complementar nossa experiência amazônica que começa a partir de agora!

Nossa pousada preferida em Presidente Fiqgueiredo, no Amazonas, onde já havíamos ficado da outra vez

Nossa pousada preferida em Presidente Fiqgueiredo, no Amazonas, onde já havíamos ficado da outra vez

Brasil, Roraima, Boa Vista, Waimiri Atroari, Amazonas, Presidente Figueiredo, Manaus, Amazônia, Parque, Viruá

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A Longa Volta Prá Casa

Bolívia, Coroico, Riberalta

Uma infinita reta de terra na ibterminável estrada que liga a Bolívia à Rondônia, no Brasil

Uma infinita reta de terra na ibterminável estrada que liga a Bolívia à Rondônia, no Brasil


Depois da rápida visita à Coroico na manhã do dia 18, iniciamos a longa viagem de quase 1000 km até a fronteira com o Brasil, atravessando todo o norte da Bolívia. Estávamos tranquilos, pois a pior parte já tinha ficado para trás, a famosa Carretera de la Muerte, que desce os Andes de La Paz à Coroico. No nosso caminho, a popular Rurrenrabaque, no coração da Amazônia boliviana e um centro turístico cada vez mais reconhecido. Era ali que queríamos chegar ao final do primeiro dia e, conforme for, passar o outro dia explorando a região. Depois, uma esticada até a fronteira. Se desse tudo certo, no mesmo dia já chegaríamos à Porto Velho.


Nosso caminho cruzando o norte da Bolívia rumo ao Brasil. Saímos de Coroico (A), nos Yungas e fomos dormir na pequena Yucumo (B), numa das piores estradas desses 1000dias. Na manhã seguinte, passamos pela turística Rurrenrabaque (C), coração da amazônia boliviana e conseguimos chegar à Riberalta (D), cada vez mais parecido com o Brasil. Finalmente, na manhã de hoje, seguimos para Guayaramerín (E) e cruzamos o rio para voltar à Rondônia e ao Brasil!

É, esses eram os planos... Faltava combinar com a realidade. Para começar, quem disse que a estrada mais perigosa do mundo é a Carretera de la Muerte? Que nada! Essa aí, até que foi tranquila, agora que já não tem quase nenhum trânsito. A estrada perigosa começava, na verdade, depois de Coroico, a verdadeira Carretera de la Muerte!

A pequena cidade de Yucumo, onde dormimos nossa primeira noite na longa rota para cruzar o norte da Bolívia até Rondônia, no Brasil

A pequena cidade de Yucumo, onde dormimos nossa primeira noite na longa rota para cruzar o norte da Bolívia até Rondônia, no Brasil


A pequena cidade de Yucumo, onde dormimos nossa primeira noite na longa rota para cruzar o norte da Bolívia até Rondônia, no Brasil

A pequena cidade de Yucumo, onde dormimos nossa primeira noite na longa rota para cruzar o norte da Bolívia até Rondônia, no Brasil


Como já disse num post passado, a Carretera de La muerte “oficial” desce do altiplano a pouco mais de 4.500 metros de altura até Coroico, a 1.700 metros. Para chegar às alturas amazônicas, onde está todo o norte do país, precisaríamos descer outros mil e poucos metros. Novamente, mais precipícios e curvas fechadas. Mas agora, numa pista bem movimentada!

A pequena cidade de Yucumo, onde dormimos nossa primeira noite na longa rota para cruzar o norte da Bolívia até Rondônia, no Brasil

A pequena cidade de Yucumo, onde dormimos nossa primeira noite na longa rota para cruzar o norte da Bolívia até Rondônia, no Brasil


Esse trecho de estrada está em construção. Ainda quase todo de terra, com o tráfego normal de carros, ônibus e caminhões e, soma-se a isso, as dezenas de veículos pesados que participam da obra. Em meio a toda a poeira levantada por esses gigantes, temos de nos esgueirar pelos desvios provisórios em uma pista que mal cabe um carro, quanto mais dois. E sempre com os precipícios ao nosso lado. Tudo bem que eles, agora, só tem 100 metros de altura e não mais os 300 que tinham no trecho entre La Paz e Coroico, mas tenho certeza que escorregar em qualquer um deles “machuca” igual.

Boiada atravessa estrada antes de chegarmos a popular Rurrenrabaque, na amazônia boliviana

Boiada atravessa estrada antes de chegarmos a popular Rurrenrabaque, na amazônia boliviana


Rurrenrabaque, na orla de um rio amazônico e paraíso do ecoturismo boliviano

Rurrenrabaque, na orla de um rio amazônico e paraíso do ecoturismo boliviano


Para ficar ainda mais “emocionante”, aqui também vale a regra da mão inglesa e somos nós, os carros que estão descendo, que estão sempre ao lado dos precipícios. E a gente tem de se apertar e se equilibrar por lá, para dar espaço aos que sobem. Uma aventura poeirenta! Muita calma nessa hora! E assim, devagarzinho, fomos seguindo...

Um verdadeiro jardim de ipês na longa estrada que corta o norte da Bolívia

Um verdadeiro jardim de ipês na longa estrada que corta o norte da Bolívia


Por fim, o trânsito pesado ficou para trás, mas nossos planos de viagem também. Já estava escuro quando chegamos à pequena Yucumo, ainda bem longe da almejada Rurrenrabaque e não pestanejamos em dormir aí mesmo. Seria nossa última chance em muitas horas de estrada, já no escuro. E não parecia uma boa ideia continuar a viagem no escuro por aquelas bandas...

Nosso primeiro encontro com um Tuiuiu, ainda em terras bolivianas, a caminho do norte do país

Nosso primeiro encontro com um Tuiuiu, ainda em terras bolivianas, a caminho do norte do país


Uma cegonha voa sobre nós na longa estrada que corta o norte da Bolívia

Uma cegonha voa sobre nós na longa estrada que corta o norte da Bolívia


Então, dito e feito, na minúscula cidade dormimos. Ontem, com as montanhas definitivamente para trás, a estrada melhorou um pouco. Pelo menos, nada de tráfego ou de precipícios. Mas as costelas de vaca continuavam, o que não nos deixava acelerar. A paisagem mudou também, uma infinita planície. Estávamos na Amazônia boliviana, enfim, e logo chegamos à Rurrenrabaque.

Dezenas de cegonhas ao longo da estrada entre Rurrenrabaque e Riberalta, no norte da Bolívia

Dezenas de cegonhas ao longo da estrada entre Rurrenrabaque e Riberalta, no norte da Bolívia


Dezenas de cegonhas ao longo da estrada entre Rurrenrabaque e Riberalta, no norte da Bolívia

Dezenas de cegonhas ao longo da estrada entre Rurrenrabaque e Riberalta, no norte da Bolívia


Aí tomamos nosso café da manhã e fomos passear na orla do rio. Na cidade, várias agências organizam tours para observação da vida selvagem. Mas como já tínhamos estado nos lhanos da Venezuela, na amazônia brasileira e ainda vamos ao Pantanal, resolvemos pular essa. A vontade de seguir caminho era maior. Ainda mais agora que vimos as condições da estrada e percebemos que a viagem tomaria mais tempo. Então, pé na estrada novamente!

Um belo fim de tarde antes de chegarmos à Riberalta, onde passamos nossa segunda noite na longa rota entre Coroico, na Bolívia,  e a fronteira com o Brasil

Um belo fim de tarde antes de chegarmos à Riberalta, onde passamos nossa segunda noite na longa rota entre Coroico, na Bolívia, e a fronteira com o Brasil


O próximo longo trecho foi até a cidade de Riberalta, onde passamos a segunda noite. A boa surpresa foi que a estrada melhorou bastante uma hora depois de deixarmos Rurrenrabaque e passou a render muito mais. Com isso, tudo ficou mais “bonito”, hehehe. Mas a mudança não foi apenas psicológica não! Atravessamos uma espécie de pequeno pantanal e observamos centenas de pássaros. Entre eles, o nosso primeiro Tuiuiu! Tenho certeza que veremos centenas deles no Pantanal, mas o primeiro foi aqui, na Bolívia! Muito legal! Enorme, o mais pesado pássaro que é capaz de voar. Perto dele, até as cegonhas ficam pequenas!

A simpática igreja de Riberalta, no norte da Bolívia

A simpática igreja de Riberalta, no norte da Bolívia


Praça principal de Riberalta, na Bolívia, Cada vez mais parecido com o Brasil, um pouco mais ao norte

Praça principal de Riberalta, na Bolívia, Cada vez mais parecido com o Brasil, um pouco mais ao norte


Riberalta é uma cidade bem simpática, já bem maior que Yucumo, onde dormimos na noite anterior. Aqui, o clima e o visual são cada vez mais brasileiros, a praça, as sorveterias, o rio, as pessoas. Mas continuam a falar castelhano, hehehe.

Caminhando por passarela na orla do rio que passa por Riberalta, no norte da Bolívia

Caminhando por passarela na orla do rio que passa por Riberalta, no norte da Bolívia


O rio amazônico que passa por Riberalta, no norte da Bolívia

O rio amazônico que passa por Riberalta, no norte da Bolívia


Hoje cedo, ainda fomos passear na orla do rio para, no meio da manhã, percorrer os últimos 90 quilômetros até a fronteira. Asfaltados! O primeiro asfalto que vimos desde que saímos de La Paz! Chegamos a Guayaramerín, esperamos passar o horário de almoço e fomos fazer as burocracias de imigração e alfândega.

Um dos inúmeros pedágios espalhados pelas estradas bolivianas. Temos sempre de descer do carro e ir pagar em uma casinha ao lado da estrada. Esse aí foi entre Riberalta e Guayaramerin, no norte do país

Um dos inúmeros pedágios espalhados pelas estradas bolivianas. Temos sempre de descer do carro e ir pagar em uma casinha ao lado da estrada. Esse aí foi entre Riberalta e Guayaramerin, no norte do país


Por fim, faltava apenas encontrar uma balsa para atravessar o rio. Existe o serviço, mas faltam clientes. Com sorte, quando há mais carros ou caminhões, fica mais barato. Mas hoje, só tínhamos nós e tivemos de pagar o preço cheio, 300 bolivianos, pouco menos de 50 dólares. Meia hora de travessia e, durante o caminho, até nos ajudaram a encher o tanque da Fiona com o diesel que trazíamos em um galão.

Guayaramerin, na fronteira da Bolívia com o Brasil

Guayaramerin, na fronteira da Bolívia com o Brasil


Cruzando o rio entre Bolívia e Rondônia, no Brasil

Cruzando o rio entre Bolívia e Rondônia, no Brasil


Ali na nossa frente, aparecia a cidade de Guajara-Mirim. Estávamos de volta à Rondônia e ao Brasil. Fim da correria dos últimos dias? Nada disso, apenas a metade do caminho! Agora, outra longa estrada nos espera. Seguimos para o sul do Mato Grosso, onde várias atrações nos aguardam. São mais 1.500 km de estradas, duas noites no caminho. Pelo menos, agora é tudo asfaltado...

Chegando à Guajará-Mirim, em Rondônia.

Chegando à Guajará-Mirim, em Rondônia.

Bolívia, Coroico, Riberalta, Bichos, Estrada, Guayaramerin, Rurrenrabaque, Yucumo

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Voando embaixo D'Água

Trinidad e Tobago, Speyside

Fim de mergulho em Speyside - Tobago

Fim de mergulho em Speyside - Tobago


Nossa primeira saída de mergulho desde Fernado de Noronha, em Dezembro. Nosso primeiro mergulho no Caribe desde o início de Maio, lá nas Ilhas Virgens Britânicas. Tinha de ter algo marcante. E teve.

Pausa entre mergulhos, em Speyside - Tobago

Pausa entre mergulhos, em Speyside - Tobago


Primeiro, tivemos que nos readaptar aos equipamentos alugados. Afinal, deixamos parte do nosso equipamento na Fiona, em Paramaribo, para não ter de ficar carregando aquelas caixas enormes nesta perna da viagem em que devemos nos deslocar muito em pouco tempo. Com certeza, além do trabalho, o custo de excesso de bagagem nos pequenos aviões seria muito maior que o custo extra do aluguel de equipamento. Assim, trouxemos as máscaras, as roupas pequenas e os reguladores, ou seja, equipamentos mais "íntimos". Deixamos para trás as nadadeiras, botas e os nomads, equipamento mais pesado.

'Árvore de Natal', em mergulho em Speyside - Tobago

"Árvore de Natal", em mergulho em Speyside - Tobago


Do que ficou, o que mais sentimos são as poderosas nadadeiras. Enfim, basta fazer um pouco mais de força embaixo d'água. Se bem que hoje, mais do que força, precisamos foi de habilidade. Os pontos de mergulho são aqui bem próximos. Cinco a dez minutos de navegação. Tanto que, entre um mergulho e outro, voltamos para o porto para o período de descanso.

Formações de coral em mergulho em Speyside - Tobago

Formações de coral em mergulho em Speyside - Tobago


O primeiro mergulho começou meio xoxo (ou chocho?). Visibilidade de uns 15 metros, alguns corais, plantas e poucos peixes. Bom para a gente se readaptar à água e equipamentos, depois de tanto tempo. Pulei com a máquina sem pilhas, bem mané ainda. Portanto, nada de fotos. O tempo foi passando, eu já acostumado novamente ao mundo embaixo d'água, meio com preguiça daquele marasmo quando tudo mudou. A corrente foi acelerando, acelerando e, de repente, era como se estivéssemos voando, o solo do mar passando sobre nós em alta velocidade, todo colorido com os diversos tipos de coral; os peixes, se esgueirando por entre algas e rochas, tentando enfrentar a forte corrente; e nós, apenas usando as nadadeiras como leme, nos desviando de corais e tentando nos manter próximos um dos outros. Muito legal!

Enorme esponja em mergulho em Speyside - Tobago

Enorme esponja em mergulho em Speyside - Tobago


Mas o ponto alto foi, ao passarmos por uma espécie de barranco, onde a nossa corrente se encontra com outra igualmente forte vindo na perpendicular, sermos jogados para o fundo, alguns metros abaixo e a água ficar fazendo força para que ficássemos por lá. Como se uma mão invisível nos segurasse, fazendo força para um lado e para o outro, mas sempre nos empurrando para baixo. Certamente, foi a corrente duradoura mais forte que já peguei num mergulho. Ficamos ali, nessa espécie de liquidificador, por alguns minutos e depois, todos juntos, fazendo força, "furamos" a mão invisível em direção à superfície, onde o barco nos esperava. Fantástico!

Antiga casa de Ian Fleming, em ilhota na costa de Speyside - Tobago

Antiga casa de Ian Fleming, em ilhota na costa de Speyside - Tobago


De volta à superfície, as pilhas voltaram à máquina e começamos a tirar fotos. Ali do lado, numa pequena ilhota, a casa abandonada que foi de Ian Flemming. Hmmmmm... tenho a impressão que o 007 também já mergulhou nessas fortes correntes, hehehe. Deve ter se divertido com a mão invisível!

Formações de coral em mergulho em Speyside - Tobago

Formações de coral em mergulho em Speyside - Tobago


Depois do descanso no porto, voltamos para o segundo mergulho. À pedido dos outros mergulhadores e tristeza nossa, rumamos para um mergulho mais "tranquilo". Sem corrente e bem propício à fotografias. Dessa vez, além das formações de corais, o highlight foram as tartarugas. Quatro delas deram o ar de sua graça.

Coral amarelo em mergulho em Speyside - Tobago

Coral amarelo em mergulho em Speyside - Tobago


Em seguida, tarde tranquila no hotel. Amanhã tem mais mergulho e, de tarde, se der tudo certo, cachoeira. E no domingo, devemos conseguir um carro para passear na ilha e voltar para Crown Point. Assim esperamos...

Tartaruga descansando em mergulho em Speyside - Tobago

Tartaruga descansando em mergulho em Speyside - Tobago

Trinidad e Tobago, Speyside, Mergulho, Tobago

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Portillo e o Cristo Redentor

Chile, Portillo

A magnífica paisagem da estação de esqui de Portillo, próximo ao Paso Cristo Redentor, entre Argentina e Chile

A magnífica paisagem da estação de esqui de Portillo, próximo ao Paso Cristo Redentor, entre Argentina e Chile


Saímos hoje de Santiago rumo a Mendoza, na Argentina. No caminho, uma parada importante: a famosa estação de esqui de Portillo, já bem perto da fronteira, a quase 3 mil metros de altitude nos Andes, sonho de muitos brasileiros e cidadãos de outros continentes, principalmente na temporada de inverno.



O hotel e a estação de esqui foram abertos ao público em 1949, a exatos 2.880 metros de altitude. Mas os teleféricos aí instalados levam os esquiadores bem mais alto, até os 3.300 metros. Daí, eles podem esquiar quase 800 metros para baixo, até os 2.550 metros, de onde um teleférico os leva de volta ao hotel ou ao alto da pista novamente.

Rumo ao Paso Cristo Redentor, sobre os Andes, entre Santiago (Chile) e Mendoza (Argentina)

Rumo ao Paso Cristo Redentor, sobre os Andes, entre Santiago (Chile) e Mendoza (Argentina)


O famoso hotel da estação de esqui de Portillo, próximo ao Paso Cristo Redentor, entre Argentina e Chile

O famoso hotel da estação de esqui de Portillo, próximo ao Paso Cristo Redentor, entre Argentina e Chile


A estação de Portillo ganhou fama internacional depois que foi sede de um campeonato mundial em 1966. Desde então, tornou-se um dos locais prediletos para treinos de diversas equipes de países do hemisfério norte, principalmente quando é verão por lá e inverno por aqui. Entre os fregueses costumeiros estão equipes dos Estados Unidos, Áustria e Itália.

Cadeirinhas desligadas na estação de esqui de Portillo, próximo ao Paso Cristo Redentor, entre Argentina e Chile

Cadeirinhas desligadas na estação de esqui de Portillo, próximo ao Paso Cristo Redentor, entre Argentina e Chile


Agora, em plena primavera, a estação de esqui está fechada. Mesmo assim, parar por aqui é um colírio para os olhos. O hotel fica ao lado da Laguna del Inca, um lago alpino espremido entre várias montanhas cobertas de neve. É uma paisagem magnífica, um verdadeiro colírio para os olhos. Para quem se hospeda no hotel, pode até tomar banho de piscina aquecida no meio de todo esse visual. Para quem não é hóspede, a opção é comer no restaurante, que também tem suas janelas voltadas para esta paisagem deslumbrante. E se você não quiser ver as montanhas, pode ver os diversos quadros que adornam as paredes, mostrando todos os esquiadores famosos que já passaram por aqui.

A magnífica paisagem da estação de esqui de Portillo, próximo ao Paso Cristo Redentor, entre Argentina e Chile

A magnífica paisagem da estação de esqui de Portillo, próximo ao Paso Cristo Redentor, entre Argentina e Chile


A gente foi só conhecer o lugar, mas não comemos. Preferimos nos divertir com o enorme São Bernardo que recepciona os visitantes. Nesta época do ano, ele deve achar o movimento meio caído e fica fazendo cara de enfadado. Mas que é um cão que combina com aquela paisagem, isso ele é!

A magnífica paisagem da estação de esqui de Portillo, próximo ao Paso Cristo Redentor, entre Argentina e Chile

A magnífica paisagem da estação de esqui de Portillo, próximo ao Paso Cristo Redentor, entre Argentina e Chile


Bom, depois da nossa parada em Portillo (o hotel fica na beira da estrada!), seguimos mais uns poucos quilômetros e passamos pela aduana chilena. Nem precisamos nos deter ali, pois toda a aduana e burocracia, chilena e argentina, é feita do lado de lá, dentro de um acordo entre os dois países. Seguimos adiante, subimos mais um pouco até que, aos 3.200 metros, chegamos à fronteira propriamente dita, o Paso Cristo Redentor, também conhecido como Paso Los Libertadores.

Piscina do hotel da estação de esqui de Portillo, próximo ao Paso Cristo Redentor, entre Argentina e Chile

Piscina do hotel da estação de esqui de Portillo, próximo ao Paso Cristo Redentor, entre Argentina e Chile


A curiosidade é que essa fronteira está dentro de um túnel com cerca de 3 quilômetros de extensão. Entramos no Chile e saímos na Argentina, assim, num passe de mágica. Essa é a fronteira mais utilizada entre os dois países, sempre com muito tráfego pesado, caminhões e ônibus. Do lado chileno, temos de vencer uma verdadeira ladeira inclinada, muitas idas e voltas num ziguezague interminável. Na verdade, termina sim, são pouco mais de 30 voltas no tal caracol que serpenteia montanha acima. Já no lado argentino, a descida é bem mais suave.

Algumas das equipes de esqui internacionais que já se hospedaram e treinaram na estação de esqui de Portillo, próximo ao Paso Cristo Redentor, entre Argentina e Chile

Algumas das equipes de esqui internacionais que já se hospedaram e treinaram na estação de esqui de Portillo, próximo ao Paso Cristo Redentor, entre Argentina e Chile


Mas não foi sempre assim. O túnel foi inaugurado em 1980 e, antes dele, a estrada subia muito mais alto, até os 3.800 metros, com mais 65 voltas no ziguezague. Lá encima estava (e continua lá!) uma estátua do Cristo Redentor, com 7 metros de altura sobre um pedestal com outros 6 metros. Daí vem o nome dessa importante ligação entre os dois países.

A Ana com o cão São Bernardo que é o mascote da estação de esqui de Portillo, próximo ao Paso Cristo Redentor, entre Argentina e Chile

A Ana com o cão São Bernardo que é o mascote da estação de esqui de Portillo, próximo ao Paso Cristo Redentor, entre Argentina e Chile


Foi por aí que passaram as tropas do general argentino San Martin em 1817, na campanha militar que liberou o Chile do jugo espanhol. Essa estrada foi solenemente inaugurada em 1904, uma celebração entre os dois países que, pouco tempo antes, quase chegaram à guerra por questões fronteiriças. Ao invés da guerra, veio e paz e, com ela, essa estrada por onde já transitaram milhões de pessoas entre os dois países vizinhos, Primeiro, lá por cima, ao lado da estátua. Mais tarde, pelo túnel, por onde passamos eu, a Ana e a Fiona hoje, de volta ao país dos hermanos que tanto amamos! Começa mais uma etapa dos nossos 1000dias!

Chegando à fronteira entre Chile e Argentina no Paso Cristo Redentor, na estrada que liga Santiago a Mendoza

Chegando à fronteira entre Chile e Argentina no Paso Cristo Redentor, na estrada que liga Santiago a Mendoza

Chile, Portillo, fronteira, Lago, Laguna del Inca

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Despedida da Islândia

Islândia, Reykjavik

Bairro tranquilo de Reykjavik, na Islândia

Bairro tranquilo de Reykjavik, na Islândia


Hoje cedo ainda tivemos algumas poucas horas para caminhar em Reykjavik, a capital da Islândia, antes do nosso horário do avião aos Estados Unidos. A capital islandesa é uma das mais limpas, verdes e seguras cidades do mundo, então é sempre um grande prazer andar por suas ruas, praças e parques. Não podíamos perder essa última chance.

Arte em parque de Reykjavik, capital da Islândia

Arte em parque de Reykjavik, capital da Islândia


O restaurante girattório que comemos na noite anterior em Reykjavik, na Islândia

O restaurante girattório que comemos na noite anterior em Reykjavik, na Islândia


O primeiro colonizador da Islândia, o viking Ingólfur Arnarson se estabeleceu na área onde hoje é Reikjavik no ano 870, mas passaram-se outros 900 anos até que houvesse algum desenvolvimento urbano. Tecnicamente, a cidade teria sido “fundada” em 1786 e só tem, então, pouco mais de 200 anos de idade. O desenvolvimento verdadeiro só veio na segunda metade do séc. XIX, com o aumento da migração interna, e principalmente durante a após a 2ª Guerra Mundial. Aliás, durante a guerra, havia quase o mesmo número de soldados estrangeiros e habitantes locais na cidade.

Não é muito fácil entender as placas em Reykjavik, na Islândia

Não é muito fácil entender as placas em Reykjavik, na Islândia


Reykjavik, na Islândia

Reykjavik, na Islândia


Ontem de noite nós estivemos caminhando na rua Laugavegur, principal centro comercial e de bares da capital. Uma curiosidade sobre a história de Reykjavik e de todo o país (afinal, 2/3 da população islandesa está na cidade e seus subúrbios) é que até a pouco tempo atrás era proibido a venda de cerveja por aqui, inclusive nos bares da Laugavegur. A origem dessa proibição está numa “Lei Seca” de 1915. Seis anos depois, por pressão espanhola, foi liberado o consumo de vinho. Em 1935, todas as bebidas mais fortes foram liberadas também. A proibição só se manteve para a chamada “cerveja forte”, aqui definida como aquelas com graduação acima de 2,5%. Ou seja, todas as cervejas de verdade! Foi apenas no dia 1º de Março de 89 que essa proibição caiu e a data é celebrada no país como o “dia da cerveja”. Tão recente é esta liberação que o assunto continua forte no imaginário da nação. Enfim, rapidamente a bebida tornou-se a preferida dos islandeses e a gente pode perceber isso na noite de ontem.

A Ana admira o interior da catedral luterana de Reykjavik, na Islândia

A Ana admira o interior da catedral luterana de Reykjavik, na Islândia


O belo interior da catedral luterana de Reykjavik, na Islândia

O belo interior da catedral luterana de Reykjavik, na Islândia


Bem, hoje ainda estava meio cedo para uma cerveja, então a gente se limitou a passear um pouco. Primeiro, fomos até a catedral anglicana, que só tínhamos visto do lado de fora. Muito imponente por fora e ampla por dentro, o principal marco arquitetônico da cidade. Do lado de dentro, além da arquitetura arrojada destaca-se o enorme órgão usado nos concertos dominicais. Do lado de fora, bem em frente aà igreja, uma estátua faz justa homenagem a Leif Ericsson, o viking que descobriu a América 500 anos antes de Colombo. Como a história poderia ter sido diferente se aquele assentamento tivesse prosperado...

Estátua que homenageia Leif Ericsson, o descobridor da América, 500 anos antes de Colombo (Reykjavik, na Islândia)

Estátua que homenageia Leif Ericsson, o descobridor da América, 500 anos antes de Colombo (Reykjavik, na Islândia)


Porto de Reykjavik, na Islândia

Porto de Reykjavik, na Islândia


Depois, simplesmente caminhamos pelos parques e ruas, saboreando a tranquilidade que nos cercava. Há muita arte nas ruas, paredes pintadas por artistas e estátuas espalhadas pelos espaços. A ordem é impecável, trânsito e pedestres. Cercado por amplos subúrbios residenciais, o centro não é grande e podemos conhecê-lo rapidamente, o mar sempre perto, a poucas quadras de nós.

Arte nas ruas de Reykjavik, na Islândia

Arte nas ruas de Reykjavik, na Islândia


Arte nas ruas de Reykjavik, na Islândia

Arte nas ruas de Reykjavik, na Islândia


Por fim, tivemos de nos render ao tempo e seguir para o aeroporto internacional que é bem distante do centro a mais de 50 quilômetros. Chegamos com folga e ainda tivemos tempo para um lanche gostoso. Agora sim, acompanhado de cerveja local, as mesmas que vimos espalhadas pelo país. Tínhamos que fazer um último brinde a este país surpreendente, a começar pelo fato de ser parte da América, apesar de ninguém saber disso, hehehe. América ou Europa, não importa, é um lugar fantástico para se conhecer e sempre terá lugar de honra nos nossos 1000dias por toda a América!

Balcão de comida no aeroporto de Reykjavik, na Islândia

Balcão de comida no aeroporto de Reykjavik, na Islândia


Já no aeroporto, nossa última refeição em Reykjavik, na Islândia

Já no aeroporto, nossa última refeição em Reykjavik, na Islândia


Falando nisso, de volta a Orlando, onde a Fiona está com coceira para botar as rodas na estrada. Toda a costa Leste nos espera!

Hora de voltar aos Estados Unidos, no aeroporto de Reykjavik, na Islândia

Hora de voltar aos Estados Unidos, no aeroporto de Reykjavik, na Islândia

Islândia, Reykjavik, cidade, história

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Curitiba, (pen)Última Vez

Brasil, Paraná, Curitiba, Ilha do Mel

Com os cunhados e a sobrinha na casa da Tia Dri, em Curitiba, no Paraná

Com os cunhados e a sobrinha na casa da Tia Dri, em Curitiba, no Paraná


A festa do casamento foi até às seis da manhã de hoje. Uma das grandes vantagens de se casar na Ilha do Mel é que por lá não há carros e nem Lei Seca. Assim, bebemos e nos divertimos o quanto queremos e não corremos o risco de sermos atropelados por algum bêbado e nem de trombar nosso próprio carro em algum poste. A sobriedade deve ser mantida até o limite de ainda termos a capacidade de encontrar o caminho de volta para a nossa pousada naquele emaranhado de trilhas que existe na ilha. Como o sol já havia raiado, o dia iluminado ajuda bastante nessa tarefa!

Deixando a Ilha do Mel, no litoral do Paraná

Deixando a Ilha do Mel, no litoral do Paraná


Partindo da Ilha do Mel, no litoral do Paraná

Partindo da Ilha do Mel, no litoral do Paraná


Acordamos perto do meio dia e fomos despertar de verdade num delicioso banho de mar na Praia de Fora. De corpo e alma lavados, era a hora de partirmos e deixarmos para trás mais uma vez esse lugar que tanto amamos. Mas ainda vamos voltar! Nossos 1000dias começaram aqui e terminarão aí também!

Com a vó Odila e a tia Dri, no apartamento delas em Curitiba, no Paraná

Com a vó Odila e a tia Dri, no apartamento delas em Curitiba, no Paraná


Com a irmã Daniella, na casa da Tia Dri, em Curitiba, no Paraná

Com a irmã Daniella, na casa da Tia Dri, em Curitiba, no Paraná


Com amãe e a irmã na casa da Tia Dri, em Curitiba, no Paraná

Com amãe e a irmã na casa da Tia Dri, em Curitiba, no Paraná


Pegamos a barca de volta ao continente e voltamos para Curitiba. Amanhã embarcamos de volta para Bariloche, onde nos espera a Fiona. Antes disso, ainda deu tempo de um último evento social, uma última despedida. Fomos jantar na casa da Tia Dri, irmã mais nova da Patrícia. Lá também estavam nossa queridíssima vó Odila, a Dani (irmã da Ana) e o Dudu (marido da Dani) e, claro, a Luiza, filha dos dois e nossa sobrinha querida.

Reencontro com a sobrinha Luiza na casa da Tia Dri, em Curitiba, no Paraná

Reencontro com a sobrinha Luiza na casa da Tia Dri, em Curitiba, no Paraná


A sobrinha Luiza não para de crescer! (casa da Tia Dri, em Curitiba, no Paraná)

A sobrinha Luiza não para de crescer! (casa da Tia Dri, em Curitiba, no Paraná)


Muita festa, muita bagunça, mais uma despedida. Essa é nossa última passagem por Curitiba antes do fim dos 1000dias. Ao longo de toda essa expedição, passamos por aqui cinco vezes, sempre procurando alguma maneira de colocá-la na rota de nossos ziguezagues pelas Américas. Além de termos de resolver algumas burocracias, o razão principal para isso é clara: reencontrar nossos familiares queridos.

Dani e a Luiza, que está chegando! (Maio de 2010)

Dani e a Luiza, que está chegando! (Maio de 2010)


Luiza com mamãe e titias, em Curitiba - PR (Julho de 2010)

Luiza com mamãe e titias, em Curitiba - PR (Julho de 2010)


Todas essas passagens por Curitiba, além de servir para revermos familiares e amigos, tem uma outra função: mostrar que o tempo está passando. Na estrada, sem muito tempo para acompanhar notícias do país ou do mundo, sempre em lugares diferentes, vivemos numa espécie de “lapso temporal”. É claro que sabemos que os dias do mês e da semana estão passando, mas nada na prática indica que o próprio tempo anda. No espelho, estamos sempre iguais. Adultos não mudam de um mês par o outro, não envelhecem de um ano para o outro. Pelo menos, não na nossa idade. Perdemos a referência, simplesmente nos movemos no espaço sem nos mover no tempo. Uma situação ideal!

Paparicando a Luiza em Curitiba - PR (Setembro de 2010)

Paparicando a Luiza em Curitiba - PR (Setembro de 2010)


Tios orgulhosos, em Curitiba - PR (Junho de 2011)

Tios orgulhosos, em Curitiba - PR (Junho de 2011)


Mas, não é bem assim. E percebemos isso claramente nas nossas passagens e repassagens por Curitiba. Isso porque aqui está o nosso “relógio”. Ele atende pelo nome de Luiza, esse pequeno ser que ainda morava no confortável ventre de sua mãe quando iniciamos os 1000dias e que, a cada vez que a vemos, está maior, mais pesada, mais inteligente, mais sapeca. Com uma luva de película, é um verdadeiro tapa na cara a cada vez que a vemos: sim, o tempo está passando!

Almoço com a Luiza, em Curitiba - PR (Julho de 2011)

Almoço com a Luiza, em Curitiba - PR (Julho de 2011)


A Luiza, nossa linda sobrinha, em Curitiba, no Paraná (Setembro de 2013)

A Luiza, nossa linda sobrinha, em Curitiba, no Paraná (Setembro de 2013)


Bom, amanhã partimos para os últimos quatro meses de viagem. Muita coisa pela frente ainda, todo o cone sul do nosso continente, as paisagens patagônicas, montanhas, geleiras, etc... Mais um tempo para “não” passar. Pelo menos, até voltarmos de vez à Curitiba e vermos a Luiza de novo. Enfim, nada mais justo... uma viagem maravilhosa dessa tem de ter o seu preço.

Brincando com a sobrinha Luiza na casa da Tia Dri, em Curitiba, no Paraná

Brincando com a sobrinha Luiza na casa da Tia Dri, em Curitiba, no Paraná


Brincando com a sobrinha Luiza na casa da Tia Dri, em Curitiba, no Paraná

Brincando com a sobrinha Luiza na casa da Tia Dri, em Curitiba, no Paraná

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