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Depois da nossa "noitada" em Itamaraju, era chegada a hora de visitar o P...
No meio da tarde do dia 20, estávamos de volta à terra firme, ao solo b...
Nada como uma boa noite de sono para recuperar as forças! Assim foi em N...
rEINALDO (19/03)
Meus queridos !!! Que alegria ler um relato como este ! Parabéns por est...
Carol Schrappe (19/03)
Me orgulho de Vocês!!!! Que delicia ver que vocês aprenderam e tomaram ...
Luis (18/03)
Mergulho fabuloso! Nós que fomos a Tulum muuuuittttooooos anos ficamos b...
Karina (18/03)
Estive há dois dias no Encanto Azul o que se vê é indescritível. Pude...
Milene (17/03)
Olá Rodrigo, boa noite! Parabéns pelo seu Blog, realmente contém imag...
Propriamente vestidos para fazer caiaque nos mares gelados do sul, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
Essa longa viagem de barco por 2 mil km de mar aberto entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas tem sido muito interessante, mas obviamente não é por isso que estamos todos aqui. Nós viemos porque queremos conhecer terra firme. Uma terra firme isolada e perdida do mundo, ainda imaculada pela civilização, por viajantes e turistas. Lugares que ainda se assemelham a maneira como eram há 10 mil anos, território da natureza e da vida selvagem.
Recebendo instruções sobre embarques e desembarques usando os botes infláveis, um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas
Pois bem, esse momento está chegando. Amanhã chegamos às Ilhas Malvinas. Depois, mais uns dias de navegação e chegamos à Geórgia do Sul. Por fim, a cereja do bolo, a Península Antártica. Nesses dias de desembarque, a nossa rotina muda, pelo menos em relação ao que estamos acostumados até agora, aqui dentro do Sea Spirit. E hoje foi o dia de começarmos a nos preparar para o que vem pela frente, pelo tão esperado desembarque.
A Val, guia da equipe de caiaques do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
Assim, além das palestras sobre animais que estamos e vamos ver e do tempo de observação nos decks externos do Sea Spirit (hoje foi o mais espetacular dia de observação até agora!), também tivemos nosso tempo de instrução sobre os procedimentos de embarque e desembarque e sobre como devemos nos comportar em terra, principalmente quando estivermos próximos da vida animal.
Aprendendo a usar as roupas e equipamentos do caiaque, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
Em primeiro lugar, o procedimento de “seguridade biológica”. Isso é levado muito a sério por todas as empresas que trazem turistas para essa região do globo. A ideia é tentar evitar ao máximo que levemos agentes biológicos “alienígenas” para essas ilhas isoladas. Todas as nossas roupas e equipamentos devem ser minuciosamente limpos antes de desembarcarmos nas Malvinas, para não dar carona até lá para algum inseto, semente, fungo ou qualquer matéria orgânica que não seja nativa de lá. Coisas vivas trazidas da Europa e América não são benvindas por aqui, pois podem causar, eventualmente, um desequilíbrio ecológico prejudicial às plantas e animais autóctones. Cuidado especial com velcros, onde essas coisas costumam se “esconder”. Os calçados de desembarque serão sempre as botas de borracha que ganhamos no primeiro dia de viagem. Antes de entrar nos zodiacs, e também na volta, antes de entrarmos no navio, pisamos com elas em um líquido que extermina 98% das bactérias. Esse procedimento de bioseguridade será repetido sempre que mudarmos de ilhas, antes das Malvinas, antes da Geórgia do Sul e antes da Antártida, pois também não deve haver trânsito de matéria orgânica entre esses três ambientes supostamente isolados entre si.
Propriamente vestido para fazer caiaque nos mares gelados do sul, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
Explicado e muito bem entendido isso, passamos aos zodiacs, os barcos infláveis que fazem o nosso transporte entre o navio e terra firme. Todo o cuidado para embarcar e desembarcar dele, já que o mar está sempre em movimento. Todo mundo de coletes e bem agasalhados, sempre atentos aos comandos do guia que estiver no comando do barco. Para embarcar, uma equipe de funcionários nos ajuda, dizendo onde sentar e oferecendo os braços como apoio. Ali, eles são os chefes e nós obedecemos. Simples assim, Cada zodiac leva até dez passageiros, tudo organizado pelos nossos guias e as pessoas vão entrando por ordem de chegada.
O Colin instrui a Ana sobre como usar o caiaque, ainda no convés do Sea Spirit no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
Pronto, na teoria, já sabíamos de tudo. Faltava ver na prática. Todo mundo preparado para amanhã? Não, um pequeno e afortunado grupo de 10 pessoas precisava de mais instruções. O grupo do caiaque, eu e a Ana incluídos. Desde que começamos a planejar nossa viagem à Antártida, já imaginávamos atividades com um pouco mais de “adrenalina” no continente branco, como se diz por aí. Queríamos algo que nos aproximasse ainda mais da natureza, dos elementos e da vida selvagem. Montanhas, mergulho, acampamento e caiaques. Infelizmente, essas atividades requerem uma infraestrutura que ainda é bem pouco oferecida aos viajantes mais intrépidos e, quando o são, tem um custo meio salgado. De qualquer maneira, nessa expedição que resolvemos vir, apenas a atividade de caiaques era oferecida. Acampar em solo antártico ou subir alguma das maiores montanhas do continente, são sonhos que ficaram para depois. Alpinismo tem de ser feito em uma expedição especialmente planejada para isso e é bem caro. Acampamento, isso já é mais comum, ofertado por várias expedições. Mergulho, não encontramos nenhuma operação comercial para isso. Nosso sonho em chegar perto de da temida foca leopardo abaixo d’água ainda continua sendo isso, um sonho. Sobrou então a opção do caiaque.
Vestida e com o caiaque montado! (no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas)
Então, era isso mesmo que queríamos fazer. Mas as vagas eram limitadíssimas para essa atividade. Por isso, não tivemos muito tempo para negociar o preço da expedição. Se quiséssemos o caiaque, tínhamos de fechar logo o pacote. Foi o que aconteceu. Pouco depois, o preço para viajar caiu bastante. Mas as vagas para o caiaque, já tinham mesmo terminado. Quem se deu bem com o preço da cabine teve de se contentar em nos acompanhar de longe, sonhando em como seria se eles mesmos pudessem estar lá. Olhando por esse lado, o preço do caiaque saiu ainda mais caro do que ele realmente custou, quase 1000 dólares por pessoa. Mas nos deu a chance de ter uma experiência que não se pode mensurar em valor monetário...
A afortunada equipe que vai praticar caiaque durante a expedição. (no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas)
Enfim, os dez afortunados do caiaque receberam roupas especiais para esse tipo de atividade em águas geladas. Macacões impermeáveis, coletes salva-vidas específicos, calçados muito mais fashion que as botas regulares e uma espécie de “saia”, que prendemos a boca do caiaque para deixá-lo fechado. Nada de água gelada entrar lá dentro! Todos testamos nossas roupas e depois fomos aos caiaques, ainda no convés do Sea Spirit, para aprender como nos enfiar nele e vedá-lo contra a água e para ajustar o tamanho dos pedais de direção para cada tamanho de perna. Inicialmente, vamos quase todos os quatro casais em caiaques duplos, enquanto duas amigas canadenses ficam em caiaques simples.
A esperada programação para nosso primeiro dia com desembarques. Se tudo der certo, vamos parar em duas pequenas ilhas no noroeste de Falkland
A nossa guia é a energética Val e será sempre ela a nos acompanhar. Remamos sempre em grupo enquanto um zodiac nos acompanha de longe, tanto para nos trazer para casa novamente como para ajudar a socorrer alguém que eventualmente caia na água gelada. Nossa roupa deve nos proteger contra o frio por algum tempo, mas ninguém quer ou deve ficar muito tempo dentro d’água. É a Val que vai decidir, a cada manhã, se o mar está seguro ou não para remarmos. Devemos sempre estar preparados para isso: ir ou não ir. A segunda opção significa que vamos da maneira convencional, junto com o resto dos outros passageiros. A ideia é sempre tentar fazer as duas coisas: o caiaque e o passeio. Por isso, seremos sempre os primeiros a partir e os últimos a voltar. E assim, já conhecedores do nosso equipamento, tiramos nossas fotos e deixamos tudo arrumadinho para usá-los na primeira oportunidade que surja.
Um brinde ao belíssimo fim de tarde no Sea Spirit um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas
Encontro com outro navio na noite anterior à nossa chegada às Ilhas Malvinas
Então, finalmente, a hora está chegando! Bem no final da tarde, as telas do Sea Spirit começaram a mostrar a programação prevista para o dia seguinte. Ali estava: dois pontos de desembarque em Falkland, as Ilhas Malvinas dos argentinos. Era o sonho antigo se materializando em realidade na frente dos nossos olhos. Tinha de ser comemorado! Pegamos uma taça de vinho e fomos ao convés ver as últimas luzes do dia 6, fotografar e celebrar o grande momento. Foi especial!
Encontro com outro navio na noite anterior à nossa chegada às Ilhas Malvinas
Marinheiros do Sea Spirit levam uma peça a outro navio na noite anterior à nossa chegada às Ilhas Malvinas
Mas o dia não acabou por aí não. Como um prenúncio das inúmeras atividades que nos esperam, depois de 3 dias de rotina no navio, eis que algo foi diferente. Já bem de noite, luzes apareceram no horizonte. Não, ainda não era Port Stanley! Era um outro navio, o primeiro que vimos desde que deixamos o Rio da Prata para trás. E não os encontrávamos por coincidência, não. Ele vinha se comunicando por rádio com o Sea Spirit já fazia tempo. Precisava de ajuda, uma peça importante que havia quebrado. Peça que tínhamos de reserva. Então, exemplo de solidariedade marinha, desviamos um pouco nosso curso para ajudá-los. Emparelhamos, a peça foi embarcada num zodiac e levado até lá, numa operação de pouco mais de uma hora. Não foi presenciada por muita gente, já que a maioria já dormia. Mas não a Ana e a turma dos que costumam esticar a noite com alguns drinques e conversas. Estavam lá para presenciar e fotografar. É, a nossa rotina começa mesmo a mudar a partir de agora...
O Sail, Brian, Jose (nosso barman!), Kim e o Doug (atrás) na noite anterior à nossa chegada às Ilhas Malvinas
Belíssima laguna no 2o dia do trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Começamos cedo a caminhar hoje. Barracas montadas deixadas para trás, barrigas alimentadas depois do café quentinho que nos esperava no barraca-restaurante. Viva a mordomia, hehehe!
Segundo dia de caminhada no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Belíssima laguna no 2o dia do trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Continuamos a seguir vale acima e não demorou muito para que chegássemos na primeira das muitas lagunas que veríamos hoje. Após passarmos por duas que eram "somente" muito bonitas, chegamos à outra que era de beleza impressionante! Com uma cor de esmeralda, no meio daquelas montanhas, era uma visão de encher os olhos, aquela massa d'água naquela altitude. A única coisa a se lamentar era a temperatura geladíssima da água, o que não nos animava a dar um mergulho. Tivemos de nos contentar com as fotos que tiramos, nosso esforço para tentar registrar um pouco daquela beleza infinita.
Segundo dia de caminhada no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Cachoeira e montanha nevada no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Um pouco mais à frente chegamos à uma bifurcação no caminho. Era um side-tour para chegarmos até o campo base do Alpamayo, uma das mais bonitas montanhas do mundo. Subimos uma forte encosta e fomos recompensados pelo almoço preparado lá encima.
Hora do almoço no 2o dia do trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Aproximando-se da montanha Alpamayo no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Depois, caminhada agradável até o a base dessa montanha maravilhosa, picos nevados para quase todos os lados e nós no meio. Por fim, uma última subida, até os 4.400 metros, ainda nos pés do Alpamayo e das outras montanhas vizinhas, dessa vez para chegar até outra laguna de águas verde-esmeralda.
A incrível laguna que fica aos pés do Alpamayo, no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
A incrível laguna que fica aos pés do Alpamayo, no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
No meio daquelas montanhas nevadas, era um cenário impressionante. Coisa de cartão-postal, desses que achamos que tem muito photoshop na foto. Mas não, era real, tudo ao vivo e a cores, visão em 3D, 360 graus. Emocionante!
Laguna a 4.400 m de altitude, aos pés do Alpamayo, no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Entre as apachetas em homenagem à laguna e ao Alpamayo, a 4.400 metros de altitude, no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
De lá, após o deleite de todos, voltamos em direção à bifurcação. Mas, antes de descer a encosta, um atalho já nos levava vale acima, onde estava pronto nosso segundo acampamento. Num local ainda mais bonito que o da noite anterior.
Flores que crescem a mais de 4 mil metros de altitude, no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Flores a mais de 4 mil metros de altitude, no trekking de Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz - Peru
Hoje não tinha venda de cerveja, mas pelo menos uma eu tinha carregado comigo na mochila. Gelei ela rapidamente num riacho e a bebericamos com prazer. Em seguida, jantar quentinho para nós.
O magnífico local do nosso segundo acampamento no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Hora do jantar na barraca-restaurante do nosso segundo acampamento no trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Do lado de fora das barracas, além do frio, outro espetáculo incrível. Er a a lua que iluminava as montanhas nevadas à nossa frente. Que visão maravilhosa! Para celebrar, vinho dentro da nossa barraca! Aproveitando que o peso era carregado pelas mulas, trouxemos duas garrafas de vinho, uma para cada noite. A de hoje foi em homenagem ao cenário que nos rodeava!
A maravilhosa cena das montanhas nevadas iluminadas pelo forte luar, no segundo acampamento do trekking Santa Cruz, na Cordillera Blanca, região de Huaraz, no Peru
Propaganda pró-britânica em Port Stanley, a capital de Falkland
Passeando por Port Stanley, é fácil perceber que ocorreu algo muito grave por ali, poucas décadas atrás. Seja pelos avisos sobre minas, seja pelas mensagens nem sempre muito delicadas aos argentinos, a guerra de 82 ainda está muito viva na memória dos habitantes do arquipélago.
Representação de trincheira argentina em museu histórico de Port Stanley, a capital de Falkland
Para quem já tinha perto dos 10 anos em 1982, há de se lembrar de um assunto que ocupou todo o noticiário da TV e jornais entre os meses de Abril e Junho daquele ano: a crise das Malvinas, que terminou como a Guerra das Malvinas. Nomes como “Port Stanley”, “fragata”, “porta-aviões”, “Sea Harrier”, “Sheffield”, “Belgrano” e o famoso “Exocet” passaram a fazer parte do nosso vocabulário e imaginário.
Propaganda argentina durante a ocupação da ilha em museu histórico de Port Stanley, a capital de Falkland
Recapitulando rapidamente a história: Espanha e Inglaterra reclamavam soberania sobre esse arquipélago no Atlântico Sul, mas os ingleses abandonaram as ilhas ao final do séc. XVIII, mesmo ainda dizendo que elas pertenciam a Sua Majestade. A Argentina, depois de se tornar independente, se julgou herdeira da soberania e mantinha uma esparsa e confusa ocupação do arquipélago. Naquela época, nem a Patagônia era ocupada, território livre dos indígenas. Os ingleses voltaram em 1833 e expatriaram uma pequena guarnição argentina que lá estava. Desde então, foram os senhores de Falkland, apesar das contínuas reclamações hermanas. Durante o governo nacionalista de Perón, na década de 50, as reclamações de soberania aumentaram. Foi aí que começaram a surgir em todas as cidades e estradas argentinas ruas, praças e monumentos com o nome ou mensagem “Las Malvinas son Argentinas!”.
Memorial aos mortos da guerra de 82, em Port Stanley, a capital de Falkland
Memorial aos mortos da guerra de 82, em Port Stanley, a capital de Falkland
Na segunda metade do séc. XX o arquipélago já tinha perdido boa parte de seu valor estratégico-militar. Numa época em que porta-aviões e mísseis podem levar destruição e poder de fogo a qualquer parte do mundo, a ocupação de Falkland havia se tornado um grande peso para o Tesouro Britânico. Afinal, manter a infra-estrutura e enviar alimentos para tão longe custava caro e a lã das ovelhas não estava pagando a conta. Fazia muito mais sentido aumentar os laços econômicos e até políticos das ilhas com a Argentina, muito mais perto dali. Foi quando as discussões para uma transferência de soberania evoluíram bastante e é muito capaz que, seguindo os caminhos “normais”, tivessem o mesmo resultado do que ocorreu em Hong Kong, que voltou a ser chinês depois de mais de um século de soberania britânica.
Monumentos a ingleses mortos na guerra em Port Stanley, capital de Falkland
No início da década de 70 o velho populista voltou ao poder na Argentina, depois de longo exílio na Espanha. Tudo indicava que as negociações evoluiriam ainda mais. A Argentina até foi a responsável pela construção do aeroporto do arquipélago, ganhando a simpatia dos habitantes locais. O problema é que, no continente, Perón faleceu em meio a uma crise política cada vez maior, extrema esquerda e direita se enfrentando nas ruas das grandes cidades. Sua 3ª esposa e vice-presidente assumiu, mas era completamente inapta. As tensões políticas se exacerbaram e os militares deram um golpe, instaurando a mais feroz ditadura militar que essa parte do mundo já viu. Em poucos anos, foram 30 mil mortos e outros milhares presos e torturados. Corpos apareciam boiando nas praias do Uruguai. Haviam sido atirados de helicópteros e aviões militares sobre o Rio da Prata. É claro que um governo assim desestimulou os britânicos a uma transferência de soberania. As negociações empacaram.
Mensagem pró-britânica em Port Stanley, capital de Falkland (foto do Peter)
Na Argentina, a eficiência repressiva só era comparável a ineficiência administrativa e econômica. O país estava em grave crise social e o governo, mais impopular do que nunca. Grandes manifestações pediam mudança da política econômica e o fim da ditadura corrupta e sangrenta. Numa última cartada para se manter no poder, o General Galtieri sacou seu az da manga: invadiu e ocupou as Malvinas. De um dia para o outro, de grande vilão passou a grande herói no país, sendo aclamado entusiasticamente nas ruas. Por toda a América Latina, até mesmo as forças de esquerda passaram a apoiar o ditador de direita. Nada como o patriotismo cego!
Foto de soldados ingleses durante a guerra, em museu histórico de Port Stanley, a capital de Falkland
O cálculo dos militares argentinos era o seguinte: primeiro, ganhariam grande apoio interno, o que realmente aconteceu. Segundo, o fraco governo inglês da Primeira-ministra Margaret Tatcher não se daria ao trabalho de vir reconquistar essas pequenas ilhas no sul do planeta. Terceiro, o governo militar da Argentina sempre fora o mais incondicional aliado dos Estados Unidos no contexto da Guerra Fria, o que garantiria, no mínimo, a neutralidade da grande super potência do hemisfério. O problema é que as duas últimas premissas estavam profundamente erradas. Tatcher viu aí uma grande possibilidade de unir os britânicos e fortalecer seu governo. E os Estados Unidos, depois de tentar mediar a paz com uma retirada argentina, acabaram apoiando com informação e logística um aliado que sempre consideraram muito mais importante do que a própria Argentina. Rapidamente, o velho Império acordou, organizou uma poderosa força-tarefa capitaneada pelos porta-aviões Hermes e Invincible e a enviou ao Atlântico Sul. Os dados estavam lançados...
Interior do museu histórico de Port Stanley, a capital de Falkland
Tudo foi muito rápido. A Argentina ocupou as ilhas no dia 2 de Abril. No dia 12 de Abril os britânicos já declaram uma área de exclusão naval e aérea de 200 milhas náuticas ao redor do arquipélago. Qualquer navio ou avião por ali poderia ser derrubado ou afundado. Até mesmo um Boeing da Varig fazendo a linha para a África do Sul e voando fora desse limite foi abordado por aviões ingleses. Enquanto isso, a força naval britânica se aproximava, frenéticas negociações se desenrolavam, a Europa se unia em torno da Inglaterra enquanto países latinos, de forma geral, apoiavam a Argentina, exceção ao Chile, que ao longo da crise deu apoio operacional aos ingleses. As negociações não tiveram sucesso e no dia 24 de Abril os ingleses retomaram a posse da Geórgia do Sul, além de danificarem e tomarem o submarino argentino Santa Fé. Era a guerra que parecia começar, ainda diante de um mundo atônito com a velocidade dos acontecimentos.
Destroço de avião argentino em museu de Port Stanley, a capital de Falkland
A certeza da guerra só veio alguns dias depois, com o início da batalha pelo controle aéreo sobre o arquipélago. Foi quando, no dia 2 de maio, um submarino inglês afundou o cruzador argentino General Belgrano fora dos limites da zona de exclusão. No evento mais mortífero dessa guerra, morreram 323 marinheiros argentinos, com outros 700 sendo recolhidos do mar e transformados em prisioneiros. Agora, não tinha mais volta. Dois dias depois veio o troco, quando a fragata inglesa Sheffield foi afundada por um míssil de fabricação francesa, o Exocet, disparado por um avião argentino, matando 20 marinheiros britânicos. Ao todo, foi um mês de renhidas batalhas navais e aéreas até que, em 21 de Maio, forças inglesas desembarcaram na baía de San Carlos, em West Falkland. Foram precisos mais 24 dias de batalhas terrestres para que, em 14 de Junho, as forças argentinas em Port Stanley se rendessem. O saldo final foi de 907 mortos, sendo 649 argentinos, 255 ingleses e 3 civis.
Adesivos pró-Inglaterra em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Brian Myers)
A derrota argentina foi fatal para a ditadura militar, que teve de ceder o poder político em seu país. Durante a guerra, os argentinos acreditavam estar vencendo as batalhas, enganados por uma imprensa controlada e ufanista. A descoberta da dura realidade foi um golpe para o orgulho nacional, algo que ainda tentam lidar até os dias de hoje, 30 anos depois. Mas o sentimento das “Malvinas Argentinas” não mais se arrefeceu, fazendo parte da psique nacional, a nova geração aprendendo isso desde cedo, a única ideia a unir os mais variados espectros políticos da vida nacional. O problema é que a guerra também teve o efeito de fortalecer o espírito inglês de soberania das ilhas, mesmo que isso custe caro. E o pior, a invasão e a possibilidade de viver sob o jugo de uma sangrenta ditadura militar causou um forte ressentimento entre os Kelpers, os habitantes de Falkland, que passaram a abominar qualquer união com o país vizinho.
Mensagem política em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Mitch Jasechko)
A Argentina segue hoje na sua luta pela soberania do arquipélago. O problema é que segue pelo caminho errado. É contra qualquer participação dos Kelpers nas negociações, conversando diretamente com os ingleses. Em um plebiscito recente nas ilhas, a opção de permanecer unido à Grâ-Bretanha venceu com avassaladores 98% dos votos. A economia das ilhas continua bastante dependente do Tesouro Inglês, apesar dos ganhos com o turismo estarem cada vez maiores. Essa ainda é a principal força argentina nas negociações, o prejuízo que Falkland continua representando para os contribuintes ingleses. Por isso, e não pela alegada “preocupação ecológica”, o governo argentino faz de tudo para que não prospere a possibilidade de exploração de petróleo em Falkland. Tudo indica que há sim muito óleo sobre a terra por ali, o que traria a independência econômica do arquipélago se fosse explorado. A Argentina ameaça de todas as maneiras retaliar as empresas envolvidas nessa possível exploração.
Mensagem contra argentinos em Port Stanley, capital de Falkland (foto de Mitch Jasechko)
Para mim, está claro que o caminho deveria ser outro. Mas com um governo populista como o atual, acho meio difícil. Teria de ser um caminho de longo prazo. Argentinos deveriam trabalhar para ganhar os corações e mentes dos Kelpers através de ajuda e cooperação, e não de ameaças. É claro que todos sairiam ganhando, as ilhas tão próximas do continente, o que facilitaria e muito o comércio e o turismo. Construir o aeroporto foi uma ótima ideia, Invadir a ilha, foi péssima. Tentar bloquear a ilha economicamente também é uma péssima ideia. Oferecer ajuda na área médica e educacional seria uma ótima ideia. Demoraria uma geração para baixar os ânimos. Mas uma geração, para quem tem visão de longo prazo, passa rápido.
Aviso sobre o cuidado a ser tomado com as minas ao redor de Port Stanley, capital de Falkland (foto de Mitch Jasechko)
Por fim, um último aspecto. Os argentinos deixaram atrás de si, principalmente ao redor de Port Stanley, uma miríade de campos minados. Era uma tentativa de defesa contra uma força militarmente superior. Essas minas são de difícil detecção e já houve acidentes ao se tentar encontrá-las e desarmá-las. A solução encontrada foi cercar vários terrenos com arame farpado, uma terra que se tornou inacessível. Uma lembrança constante da lambança de se fez ali. Nada que contribua para aquietar os ânimos, não poder caminhar em sua própria ilha com medo de voar pelos ares. Aqueles arames farpados e os avisos ali pendurados são mesmo um péssimo sinal. Entre as áreas permanentemente interditadas, nada mais, nada menos que a mais bela e frequentada (antes da guerra, claro!) praia do arquipélago, Gipsy Cove. Quase como se Maresias e Ipanema fossem, hoje, lugares proibidos, apenas observáveis de uma distância “segura”.
Aviso muito comum ao redor de Port Stanley, capital de Falkland (foto de Jeff Orlowski)
Um dos muitos campos minados pelos argentinos ao redor de Port Stanley, capital de Falkland (foto do Bart)
Pois é, mas como toda moeda tem duas faces, essa também tem seu lado bom. Gipsy Cove voltou a pertencer exclusivamente a seus primeiros donos, os pinguins de Magalhães. Muito leves para detonar as minas, eles continuam a frequentar o local, agora sem ter de dividir o espaço com banhistas durante o verão. Quando muito, tem de lidar com turistas a centenas de metros de distância com seus binóculos e máquinas fotográficas. Melhor para eles, pior para os Kelpers. Kelpers que ainda chamam seu pequeno arquipélago de Falkland e não de Malvinas. Que sua vontade seja respeitada. Em tempo, há uma resolução da ONU que diz que “Falkland” é o nome a ser usado em todos os seus documentos oficiais em todas as línguas, exceto em espanhol. Aí sim, o nome oficial é “Malvinas”. Solução salomônica! No nosso português, então, é mesmo Falkland...
Praia próxima a Port Stanley, capital de Falkland (foto de Dave)
Surfistas aproveitam o belo fim de tarde em praia Madero, em San Juan del Sur, na Nicarágua
A Nicarágua, de certa forma, fez parte da minha infância e formação. Ainda com nove anos de idade, começava a assistir com um pouco mais de atenção o Jornal Nacional. Notícias de economia ainda não me interessavam, mas o noticiário internacional, principalmente o de guerra, esse sim já era um ímã para minha imaginação.
Painel em casa na cidade de San Juan del Sur, na Nicarágua
Pois bem, o ano era 1979 e a sangrenta e odiosa ditadura da dinastia Somoza vivia seus extertores. Desde a década de 30 que pai e filhos governavam o pequeno país da América Central com mãos de ferro, saqueando as finanças da nação e deixando seus habitantes na penúria. A guerrilha sandinista, agora com o apoio das correntes de centro cansadas de tentar apear o ditador por vias pacíficas, ameaçava tomar conta do país. O que ainda segurava o tirano era o apoio financeiro americano. Aí, veio o golpe de morte: um jornalista americano da rede de TV ABC foi assassinado à sangue frio, na frente das câmeras, com um tiro na cabeça, desferido por um soldado do regime. A imagem dele se ajoelhando e depois deitando em um posto de controle da Guarda Nacional para, covardemente, levar o tiro fatal, tudo filmado secretamente pelo seu cinegrafista, correu o mundo. No Brasil, a voz grave do Cid Moreira narrou o fato enquanto a imagem era passada e repassada em câmara lenta, para nunca mais sair da memória da jovem criança que assistia o Jornal Nacional. Nos EUA, seu efeito foi muito mais devastador (para o governo Somoza!). A opinião pública passou a odiá-lo e não havia mais quem o defendesse. Poucos meses depois, caía o seu governo, com 40 anos de atraso. Exilou-se no Paraguai de Strossner para, poucos anos depois, ser morto com um tiro de bazuca num atentado feito por agentes sandinistas e organizado pela KGB. Poucas lágrimas foram derrubadas...
Rua de San Juan del Sur, na Nicarágua
Os sandinistas assumiram o poder do país num governo de coalizão, mas a paz não durou muito. Com a saída das correntes de centro da aliança e a chegada ao poder nos EUA dos republicanos de Reagan, obcecados em vencer a Guerra Fria (o que, eventualmente, conseguiram!), uma nova guerrilha passou a operar no país. Durante toda a década de 80, os "Contras", operando desde Honduras e Costa Rica e financiados pelos EUA, combateram o governo sandinista, apoiado por Cuba e URSS. A paz só chegou na década de 90, com o fim da URSS e da Guerra Fria e de eleições que tiraram os sandinistas do poder. Pouco mais de 10 anos mais tarde eles voltaram, agora chavistas e dessa vez por vias democráticas, e daí não sairam mais, depois de reformar a constituição para possibilitar reeleições repetidas.
Igreja decorada para o natal em San Juan del Sur, na Nicarágua
Essa imagem de um país em guerra de certa forma marcou e ainda marca a Nicarágua. Com isso, o turismo se afastou e é nítida essa diferença quando se cruza o país vindo da popular Costa Rica. Mas, para quem gosta de algo mais autêntico e também cheio de belezas, o país é o destino perfeito. Belas praias, vulcões imponentes, povo hospitaleiro, sensação de segurança, preços módicos e menos turistas. Era a América Central que estávamos procurando!
Praia do centro de San Juan del Sur, na Nicarágua
A passagem pela fronteira em Peñas Blancas, na rodovia panamericana, foi bem tranquila. Por enquanto ainda não experimentamos aquele "caos" que dizem ser as fronteiras aqui do centro da América. Mas ainda não podemos cantar vitória, claro! Pela frente, Honduras e El Salvador ainda nos esperam...
Praia Marseille em San Juan del Sur, na Nicarágua
Saímos de lá já no escuro, afinal tínhamos começado o dia fazendo trekking para o Rio Sereno, ainda na Costa Rica (post anterior) e só saímos do Parque Nacional Tenorio depois da uma da tarde. A luz do dia tem acabado antes das 17:30 e isso promete piorar, já que estamos indo mais para o norte e o inverno vem chegando. Enfim, mais uma vez, entramos num país já no escuro, assim como tinha sido na Costa Rica. Esperemos que isso não se torne um padrão! Felizmente, a primeira parada era logo ali, pouco mais de meia hora de estrada.
Praia Madero, em San Juan del Sur, na Nicarágua
Estou falando da cidade costeira (Oceano Pacífico) de San Juan del Sur. É a mais concorrida região de praias da Nicarágua, principamente por mochileiros e surfistas do mundo todo. Achamos um hotel bem gostoso, fomos passear na praça com sua igreja já decorada para o natal e comemos uma pizza num restaurante italiano.
Nadando na praia Madero, em San Juan del Sur, na Nicarágua
Hoje pela manhã deu para ver melhor a cidade. Bem pacata, ruas tranquilas e simpáticas, dezenas de opções de hospedagem, algumas absolutamente lotadas de mochileiros. A praia do centro é uma baía de águas calmas repleta de pequenos barcos. Mas as praias mais procuradas ficam mais ao norte, 10 km de estradas de terra até lá. Os mochileiros e surfistas lotam camionetes e taxis para chegar até lá, mas nós temos a nossa amiga Fiona para nos levar.
Passeando na bela praia Madero, em San Juan del Sur, na Nicarágua
As praias de Marsella e Madeira são muito bonitas, grandes formações rochosas ao fundo e faixas de areia boas para caminhar na maré baixa. Já na maré alta, aí sim as ondas aparecem e, com elas, legiões de surfistas, boa parte deles ainda em fase de aprendizagem. Em frente à praia, o arquétipo mais bem acabado de um hostal para surfistas, dezenas de pranchas penduradas em sua varanda e saindo por suas janelas. O hostal é muito concorrido e os que não conseguem vaga ali tem de se resignar em ficar no centro mesmo e repartir um taxi diariamente para lá.
Observando os surfistas no fim de tarde em praia Madero, em San Juan del Sur, na Nicarágua
A gente já ficou bem feliz foi em tomar uma cerveja por lá e admirar o fim de tarde na praia, nós e uma galera de surfistas e houlies. Clima descontraído total, sensação de paz e boa vida pairando pelo ar. Impossível imaginar que esse país já passou por tantas guerras...
Fim de tarde em Praia Madero, em San Juan del Sur, na Nicarágua
Bom, tínhamos experimentado duas das grandes atrações da cidade: suas praias e esse clima de surf town. Faltava a terceira, as suas tartarugas. Uma praia um pouco ao sul de San juan del Sur atrai milhares e milhares de tartarugas na época de desova. Justo agora! É um programa noturno e para lá iremos hoje bem de noite. A desova de tartarugas nos escapou no Brasil, na Guiana Francesa e em alguma ilha caribenha. Mas não nos escapará aqui, na Nicarágua!
A Fiona também vai `praia em em San Juan del Sur, na Nicarágua
Movimento na barraca Crocobeach, na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE
Hoje o sol voltou a sorrir nos céus da cidade. É a velha Fortaleza que todos conhecemos e amamos! Aproveitamos para ir passar algumas horas agradáveis na Praia do Futuro, a mais badalada da capital cearense.
Fim de tarde na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE
Ela tem esse nome engraçado... Praia do Futuro. Lembro-me da minha primeira vez em Fortaleza, há quase 20 anos. A Praia do Futuro fazia jus ao nome. Começava a ser ocupada e a promessa era de uma ocupação inteligente, grandes barracas, boa infraestrutura. Na época, estava só começando, tudo era promessa. Prometiam uma praia do futuro.
Piscina da barraca Crocobeach, na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE
Pois é, 20 anos depois, a realidade superou as promessas. As barracas e infra da praia impressionam! São verdadeiros clubes à beira-mar, com acesso gratuito. Até piscina elas tem. E, claro, chuveiros, vestiários, cadeiras, cofres, muita comida, música ao vivo, espaço para shows, etc...
Cuidando da beleza na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE
Nós ficamos na mais equipada de todas, a Crocobeach. A Ana aproveitou muito bem o espaço para massagem que eles tem. Ótimo preço, considerando tudo o que ela fez. De certo, no post dela, vai contar os detalhes...
Voando na Praia do Futuro, em Fortaleza - CE
Enfim, a Praia do Futuro hoje é uma realidade. As barracas fazem inveja à todas as praias do Brasil. Não é mais uma praia do futuro. É do presente mesmo!
Restaurantes no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza - CE
De noite, fomos a outro orgulho da cidade: o espaço cultural Dragão do Mar. Homenagem àquele canoense que se mudou para Fortaleza em fins do séc XIX e foi um dos líderes na luta abolicionista no estado. No espaço, um pedaço renovado do centro antigo, caminha-se por passarelas por entre museus, livrarias, galerias e restaurantes. Muito jóia mesmo! É novo, pois não existia da última vez que estive aqui, há 11 anos. Andando por lá, mais uma vez percebi o quanto a cidade cresceu, no bom sentido. Jantamos no café Santa Clara, que bem poderia ser em São paulo ou Nova York. Fortaleza chique!
Uma das passarelas do Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza - CE
Depois desses dias por aqui, dirigindo em suas ruas, indo no Soho e neste café, na Praia do Futuro e no Beach Park, confesso que mudei a imagem que tinha da cidade. Para muito melhor!
O movimentado Café Santa Clara, no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza - CE
Elvis, figura central em Memphis, no Tennessee - EUA
Como o Brasil, os Estados Unidos também são uma república. Como o Brasil, os Estados Unidos também tem seus reis. Nos esportes, o “Rei Pelé” deles é o Michael Jordan. E na música, o rei deles é o Elvis Presley. Mas enquanto o nosso rei Roberto chegou a fazer sucesso nos países vizinhos, o rei deles atingiu a primazia mundial, É fácil ver isso quando se visita Graceland, a antiga residência de Elvis, em Memphis, no Tennessee. Junto conosco, turistas de todo o mundo.
Chegando à Graceland, a famosa casa do Elvis Presley em Memphis, no Tennessee - EUA
Graceland é uma mansão na periferia de Memphis. Já tinha esse nome quando Elvis a comprou, um jovem milionário ainda com vinte e poucos anos. O jovem cantor que acabava de emplacar seus primeiros hits e catapultava sua carreira com aparições nos principais programas de auditório americanos, na segunda metade da década de 50. Sua maneira frenética de dançar, cintura e pernas que requebravam sem parar, aliados a uma voz marcante e ao ritmo de rock, o ritmo rebelde que começava a nascer, foi sucesso instantâneo numa juventude que ansiava por novos ídolos.
Chegando à Graceland, a famosa casa do Elvis Presley em Memphis, no Tennessee - EUA
Enquanto sua família tomava conta da casa, foi servir o exército americano na Alemanha, a pátria antes do sucesso! Foi lá que começou a tomar remédios que, na sua visão, lhe garantiriam saúde e boa forma para o resto da vida. Acabou viciado nessas porcarias e foi uma overdose desses remédios que o mataria, já na segunda metade da década de 70.
Sala de estar de Graceland, a casa do Elvis em Memphis, no Tennessee - EUA
Sala das TVs, cada uma ligada numa das grandes redes americanas (em Graceland, a casa do Elvis em Memphis, no Tennessee - EUA)
Mas antes disso, voltou para os Estados Unidos e foi para Hollywood, onde filmou dezenas de filmes padrão “Sessão da Tarde”. Aliás, era esse o Elvis que eu conhecia e gostava da minha infância, o surfista e cantor das praias do Hawai, presente em quatro a cada cinco filmes das tardes da Globo, na década de 70. Difícil para mim era acreditar que aquele mesmo jovem sadio dos filmes era o gordo excêntrico com roupas esquisitas que vivia recluso em sua mansão, dando tiros na TV quando ficava irritado com algo que passava na telinha. Enfim, era a imagem que eu tinha de Elvis, nos últimos anos da sua via, que fazem parte da minha memória infantil.
Época áurea do cantor Elvis Presley, em foto na sua casa em Memphis, no Tennessee - EUA
Hoje foi o dia de conciliar minhas memórias e imagens com os fatos, na visita ao incrível e eficiente aparato turístico que foi montado em Graceland. São centenas de milhares de visitantes anuais e a empresa que administra o local se organizou para recebê-los. Qual não foi minha surpresa, eu e a Ana recebemos handsets em português para acompanhar a visita! Quando perguntei à vendedora se vão muitos brasileiros ali, só faltou ela me responder, em bom português: “Vixi!”
Visita à Graceland, a casa de Elvis Presley em Memphis, no Tennessee - EUA
Visita à Graceland, a casa de Elvis Presley em Memphis, no Tennessee - EUA
A gente percorre os cômodos da mansão, que nem é tão grande assim, ouvindo as explicações em português e admirados com a decoração exótica de cada lugar, bem ao estilo dos anos 70, exagerados ainda mais. Eu fiquei particularmente interessado na sala de TV, onde sempre havia três delas ligadas, uma em cada grande rede dos EUA. Não conseguia deixar de pensar no Elvis dando um tiro a cada vez que se irritava com o excesso de propagandas ou com alguma notícia que ele discordasse. Quando criança, quantas vezes não queria fazer igual!
Na década de 70, as roupas de Elvis foram ficando mais e mais bregas! (Graceland, em Memphis, no Tennessee - EUA)
Foi impressionante acompanhar sua trajetória, através de fotos, músicas e filmes de sucesso. Uma pena que ele tenha acabado do jeito que acabou e hoje fique celebrando casamentos em Las Vegas... Confesso que gosto mais de suas músicas hoje do que quando ele estava vivo e, após a visita, simpatizo mais com a figura que ele era. Assim que se mudou para Graceland, levou a família para morar com ele, e lá ficaram para sempre. A mãe morreu cedo, logo no início do seu sucesso, mas o pai ainda estava vivo quando ele morreu. O pai e a avó paterna que, aliás, morreu depois do filho e do neto. Estão todos enterrados juntos, ali nos jardins de Graceland. Foram parar lá porque a chance do corpo de Elvis ser roubado por um fã de um cemitério comum eram enormes!
Elvis, seus pais e avó paterna estão enterrados no jardim de Graceland, em Memphis, no Tennessee - EUA
Bom, prestadas nossas homenagens ao Rei do Rock e ainda com o som de “Love Me Tender” ecoando na mente, era hora de seguir viagem. Para o sul e para o glorioso Alabama!
Chegando ao Alabama, no sul dos Estados Unidos
Visitando a bela 2a Beach, em La Push, pequena localidade indígena no litoral do Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Antes de seguirmos para Seattle, ainda temos uma região a explorar: a península de Olympic, no extremo noroeste do estado de Washington que já é, por sua vez, o estado mais a noroeste dos Estados Unidos. Aí estão duas das grandes atrações dessa parte do país: a cidade de Port Townsend e o Olympic National Park.
Ponte que atravessa o Deception Pass, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Para chegar lá, ou se dá uma enorme volta rodoviária pelo lado sul, único trecho onde a península se conecta com o continente, ou se pega um dos inúmeros ferries que ligam a região com o resto do país. É o caminho mais prático e o preferido das milhares de pessoas que fazem o percurso diariamente, tornando esse trecho o segundo sistema de ferries mais movimentado do mundo. E eu que achava ter tomado o último ferry (entre Victoria e Vancouver) por um bom tempo, só precisei esperar 10 dias para confirmar que nada sei do meu futuro. A Fiona já quase sabe entrar sozinho nesses barcos enormes e luxuosos e rapidamente eu e a Ana já estávamos no convés admirando as belezas dessa região dividida entre água e terra. O caminho era curto e não poderíamos perder tempo.
Farol em Port Townsend, no Puget Sound, litoral do estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
O destino era Port Townsend, uma cidade com uma história curta, mas muito interessante. Fundada no final do século XIX, ela era uma grande aposta de construtores, investidores e especuladores de que se tornaria a “Nova York da costa oeste”, a mais importante cidade portuária na costa do Pacífico. A aposta era que o comércio com a Ásia cresceria rapidamente e que Port Townsend estava assentada em uma baía com excelentes condições para operar um porto movimentado. Havia também a promessa de que todas as ferrovias americanas no noroeste do país convergiriam até ali, o ponto final de milhares de quilômetros de estradas de ferro, vindas dos centros produtivos agrícolas no centro do país.
Chegando à Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Terrenos foram comprados, grandes galpões e prédios construídos, todos esperando pelo grande boom que se seguiria. Mas as ferrovias não chegavam e outras cidades portuárias aproveitaram a oportunidade para “crescer” também. Por fim, veio a depressão, afundando de vez os sonhos de uma grande metrópole por ali. Cansados de esperar, investidores e população bateram em retirada e a cidade com grandes prédios vitorianos ficou para trás, a Nova York que nunca foi.
Fazendo música em um Cafe de Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
No meio da década de 70 a cidade foi redescoberta para o turismo, especialmente por pessoas mais sofisticadas, amantes da boa música e comida. Port Townsend se tornou um destino charmoso, com estrutura, mas sem multidões. Um lugar que une as qualidades do interior, como a tranquilidade e segurança, com as de uma cidade grande (boa comida e variada cena cultural). Sem contar o fato de estar localizada numa região de enormes belezas naturais, quase ao lado do Olympic National Park.
Menu com presença brasileira em um Cafe de Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Nós nos instalamos num dos hotéis mais tradicionais, o Plaza. Funcionou como um bordel na primeira metade do século passado e hoje é incrivelmente charmoso, pé direito alto, mobiliário antigo e staff super simpático, além do preço acessível. Todos os quartos tem o nome de suas antigas ocupantes e nós só ficamos imaginando se as paredes pudessem falar...
Fazendo música em um Cafe de Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Resolvemos passar o resto do dia na própria cidade e deixar nossas explorações no parque para o dia seguinte. Decisão acertadíssima! Passamos deliciosas horas em um café à beira mar que servia boa comida natureba e que era o ponto de encontro de músicos. Iam chegando e se juntando à roda, produzindo música de ótima qualidade. Mais interessante ainda, quase todos eles eram da terceira idade, na sua melhor forma. A música era feita por puro prazer, amor pela arte. Interessante também foi ver a mãe de um deles, essa já na “quarta idade” (para lá de 90), se divertindo com a música produzida pela “nova geração”. Muito legal!
Senhoras dão show de música em um Cafe de Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
De noite, a programação foi semelhante, mas em outro restaurante, o Upstage. Além da boa comida, ele organiza jornadas musicais todas as noites. Ontem, foi a vez de uma jazz jam session. Novamente, um grupo de senhores, idade média acima dos 60, foi se revezando no palco, instrumentos variados e muito talento. Uma verdadeira aula de música e de amor pela vida. Fiquei impressionado!
montanhas nevadas de North Cascades vistas de Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
O magnífico Lake Crescent, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Hoje pela manhã, ao fazermos o check out do hotel antes de seguirmos para o parque, uma surpresa: o dono do hotel gostou tanto da nossa história que resolveu nos dar a diária de graça! Nós, que já havíamos gostado tanto de lá, ficamos ainda mais fãs do Plaza. Tanto que combinamos de voltar amanhã no final do dia, para mais uma noite no hotel e nessa bela cidade. Isso nos dava o dia de hoje e boa parte do de amanhã para explorar o parque.
Pequeno veado cruza estrada do Olympic national Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
O Olympic National Park pode ser dividido em três “pedaços”: a parte de montanhas, a parte de matas e a parte de praias. Infelizmente, com o tempo que está fazendo aqui, a parte de montanhas está com acesso bem dificultado. Estradas fechadas pela neve e gelo, para chegar até lá, só com uns bons dias de caminhada. Lá está o famoso Mt Olympus, um destino muito procurado por montanhistas, sempre protegido por seus glaciares. No verão, além do incrível visual, deve ser um programa e tanto! Nessa época, está sempre entre as nuvens e o máximo que pudemos ver foi um pouco de neve nas janelas que apareciam entre as nuvens.
A 2a Beach, praia repleta de troncos em La Push, pequena localidade indígena no litoral do Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Atravessando os troncos da 2a Beach, em La Push, pequena localidade indígena no litoral do Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Nós ainda fomos até a entrada principal do parque, de onde parte a estrada cênica até a parte alta das montanhas. Não havia previsão para ser aberta. Assistimos a um filminho institucional sobre o parque e seguimos em frente. Afinal, como já disse, nem só de montanhas vive o Olympic. Resolvemos deixar a parte da mata para amanhã e seguimos para as praias. Aqui, a chuva desses dias não faz muita diferença, afinal as florestas do parque são as mais úmidas do mundo, depois do Hawaii. Basicamente, chove o ano inteiro. Uma garoa quase constante que deixa todos os troncos de árvores aveludados pelos musgos. Troncos literalmente verdes.
Cadeia de ilhas em frente à 2a Beach, em La Push, pequena localidade indígena no litoral do Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Admirando o fim de tarde na 2a Beach, em La Push, pequena localidade indígena no litoral do Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Mas as florestas ficam para amanhã, mesmo. Seguimos para a pequena localidade indígena de La Push. Achamos um hotel em frente ao mar, preços rebaixados por quase da época do ano. Apesar do tempo nublado, o barulho do mar é sempre música nos ouvidos! Depois, compramos comida numa loja de conveniências que, junto com nosso vinho lá do Okanagan Valley, serviria de piquenique romântico de noite, no nosso quarto, com o mar ao fundo. Uma bela maneira de comemorar o aniversário do irmão a 15 mil quilômetros de distância.
A beleza selvagem da 2a Beach, em La Push, pequena localidade indígena no litoral do Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Mas antes de escurecer e do piquenique, ainda fomos conhecer outra praia da região, dica da gerente do hotel. Uma trilha pela mata nos levou até lá onde pudemos admirar a beleza selvagem, quase primitiva da chamada 2nd Beach. Areias escuras misturadas com pedras finas, nuvens cinzentas no céu, água gelada e troncos espalhados pela praia, tudo combinado para criar um clima sombrio e espetacular. Parecia um outro mundo. Ou melhor, o mesmo mundo, mas há 100 milhões de anos. Não iria estranhar que aparecesse um dinossauro por trás de um dos inúmeros rochedos que enfeitavam a praia e o mar. Paisagem fantástica!
Admirando as pequenas ilhas da 2a Beach, em La Push, pequena localidade indígena no litoral do Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Mas, ao final, o dinossauro não apareceu. No seu lugar, foi o sol que deu as caras. Quer dizer, só um pouquinho dele, bem na hora do pôr-do-sol, como que a dizer: “Hey, eu existo!”. Sol posto, voltamos para nosso hotel, comemos o nosso lanchinho, bebemos o nosso vinho e enviamos nossas energias através de continentes e oceanos, até a distante Ribeirão Preto. Amanhã, é dia de mais praias jurássicas, florestas temperadas úmidas e o ex-bordel mais charmoso do mundo!
A beleza selvagem da 2a Beach, em La Push, pequena localidade indígena no litoral do Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos
Deixando para trás Saint Laurent e a Guiana Francesa
Vamos ter de passar por muitas fronteiras nesses 1000 dias. A maioria delas, com a Fiona, mas algumas sem, especialmente nas ilhas do Caribe. Para passar por todas elas, a documentação básica é um passaporte válido por 6 meses, vacina de febre amarela, dinheiro e/ou cartão de crédito. Para os países que formos sem a Fiona, passagens aéreas saindo do país ou da região. Para os países continentais, aonde passaremos com a Fiona, um seguro internacional e a carteira de motorista internacional. E para alguns poucos países, um visto de entrada.
A Ana, que tem dupla nacionalidade, brasileira e italiana, consegue entrar em todos os países, ora usando um, ora usando outro. Eu, brasileiro puríssimo, preciso de visto para México, Estados Unidos, Canadá e Guiana Francesa. Os dois primeiros, consegui antes do início da viagem. O da Guiana, consegui em Macapá, em situação especial. O do Canadá, ainda falta resolver. A Ana, que descobriu que seu passaporte brasileiro está vencido, precisou fazer um visto para o Suriname, como italiana. Conseguimos fazer isso em Cayenne.
Bom... agora a nossa querida Fiona. Seguro internacional não é das coisas mais baratas. Paga-se por um período específico. Como só ficamos sabendo com certeza a data de entrar na Guiana com duas semanas de antecipação, foi aí que compramos o seguro. A nossa companhia, apesar de internacional, não está muito acostumada com seguros para as Guianas. Imagino que eu tenha sido o primeiro... Junte-se a isso o período de carnaval e o resultado é que o carro está segurado, mas eu só tenho um vago email escrito em português que diz que o carro está segurado no exterior ("extensão de perímetro").
Barco Gabrielle, que faz a travessia entre a Guiana Francesa e o Suriname
Foi com isso que chegamos à Guiana Francesa, e era o que me deixava mais preocupado na época. Bom, por alguma grande sorte, ou por falta de costume mesmo, o cara na fronteira simplesmente confiou em mim e nós passamos.
Agora, hoje, já não foi bem assim. Para sair da Guiana, a policial fronteiriça já nos atazanou bastante. Depois de consultar seus superiores por teleone, disse que só nos deixaria passar porque estávamos saindo. Se estivéssemos entrando, ela não deixaria de jeito nenhum. Queria, no mínimo, algo escrito em inglês, com os países especificados. Ao final, já nossa amiga, alertou: "Vão ter problemas do lado de lá..."
Apesar da reza durante a travessia, ela acertou na mosca. O simpático policial surinamês disse que a Fiona não poderia entrar. As alternativas eram voltar para a Guiana ou comprar um seguro ali mesmo. A primeira opção foi logo descartada, afinal, meu visto tinha vencido hoje. A segunda opção, bem, hoje era sábado e tudo estava fechado. Quem sabe na segunda-feira...
Chegando à Albina, no Suriname
Ou seja, teríamos de passar algumas noites na "simpática" Albina. Para quem não se lembra ou não quer "googar" essa cidade, Albina é o local onde, no natal de 2009, houve tumultos em que a comunidade local atacou a comunidade brasileira matando alguns e estuprando algumas. Um belo local para eu passar o fim de semana com minha linda esposa...
O guarda até nos emprestou seu celular para eu falar na linha internacional da companhia de seguros. Eles ficaram de mandar um fax com algum documento. Não sei se chegaram a mandar, mas o fato é que um anjo na forma de chefe do guarda apareceu por lá. O tal anjo entendia um pouco de português. Mostrei para ele o histórico de emails trocados com a companhia e, por milagre, ele resolveu nos deixar passar.
Assim, quase duas horas depois de chegarmos ao Suriname, conseguimos passar e deixar Albina para trás, rumo à Paramaribo, a capital do país. Não sei se sentia mais alegria por ter deixado aquele pesadelo para trás ou raiva da companhia por ter passado esse susto. Bom, o fato é que passamos e agora a briga continua para termos o tal documento em inglês antes de chegarmos à fronteira da Guiana. Como uma amiga disse que sempre gosto de fazer o "jogo do contente", vou ser positivo: o documento vai chegar!
Caneel Bay, USVI
Após toda a chateação da mudança, chegamos ao nosso hotel em St john, a ilha mais tranquila das USVI. Resolvemos aproveitar a nossa tarde e seguimos à pé em uma das muitas trilhas da região. Foi jóia, trilha muito bem marcada, visual lindo. Chegamos até Honey Moon Beach, a menos de uma milha da cidade.. Ainda estava claro e aproveitamos para fazer snorkel.
Caminhada de Cruz Bay até Caneel Bay - USVI
Água limpíssima, visibilidade de mais de 30 m, temperatura super agradável. Pedir o quê? Muita vida! Isso nós tínhamos: linguados, arraias, peixes variados, corais de muitos tipos, tudo no raso, com o ar do pulmão.
Caminhada de Cruz Bay até Caneel Bay - USVI
Depois. continuamos nossa caminhada até um resort, onde tomamos uma cerveja local. Sabor manga! Que beleza! A propaganda não dizia nada sobre isso e, logo depois do primeiro gole, a Ana não se conteve: "Manga?" O barman se compadeceu e deu uma cerveja normal, de homem, para gente. Talvez para mostrar que nem todas as cervejas daqui são com sabor. Bem melhor, mesmo. Depois das cervejas, voltamos para um pôr-do-sol maravilhoso na Honey Moon Beach e, de lá, para o hotel.
Caminhada de Cruz Bay até Caneel Bay - USVI
Ainda pegamos uma noitada por aqui, a Ana entrando nos bares e incomodando as americanas que, ao vê-la entrando na pista de dança, vinham logo marcar seu espaço. Impressionante, acompanhar de camarote essa guerra de "fêmeas". Na verdade, a Ana se divertindo também. Foi bem legal!
Amanhã vamos alugar um carro e virar essa ilha de cabeça para baixo!
Chegando à Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí
Hoje, passamos boa parte da nossa primeira manhã em Maui tentando decidir nossa programação na ilha. Sabíamos todos os lugares que queríamos ir e tínhamos de encaixá-los em três dias. Além disso, como a Laura e o Rafa só chegariam de noite e teriam um dia a menos que nós, precisávamos deixar os programas mais imperdíveis para quando eles já estivessem conosco. Para dificultar ainda mais um pouco nosso quebra-cabeça, tínhamos de considerar que, após realizar um mergulho (um dos programas que queríamos fazer), não se pode voar nas próximas 24 horas. E nem ir a grandes altitudes, o que era outro dos programas, ir no alto de um antigo vulcão assistir o nascer-do-sol.
Nosso roteiro em Maui. Hoje, demos a volta na costa oeste, saindo de Kihei (D), passando por Lahaina (B) e Kahului (C). Amanhã, já com a Laura e o Rafa, após o mergulho, vamos explorar a costa sul (E). Finalmente, no último dia, vamos subir o vulcão (F) e percorrer a costa leste, até Hana (G)
Tudo pensado e repensado, decidimos hoje explorar a parte oeste da ilha, onde está a histórica cidade de Lahaina. Amanhã bem cedo, vamos mergulhar na cratera submersa de Molokini. O Rafa e a Laura que vão ter de aguentar o tranco: após uma viagem de mais de 24 horas entre vários voos, chegarão perto das nove da noite e, na madrugada de amanhã, antes das cinco, já deverão estar de pé para o mergulho. Descanso, só de tarde! A subida ao cume do vulcão fica para a madrugada seguinte e, logo depois, teremos o resto do dia para explorar a costa leste da ilha, percorrendo a estrada considerada a mais bonita do Havaí. Tudo programado e mergulhos reservados, pudemos sair mais tranquilos para a jornada de hoje, nosso primeiro dia inteiro na ilha de Maui.
A praia em frente ao nosso hotel, em South Kihei, em Maui, no Havaí
Após um café da manhã em frente à praia do nosso hotel, enfrentamos um irritante congestionamento até a cidade histórica de Lahaina. Capital imperial no início do século XIX e depois, principal centro da indústria baleeira mundial, a cidade é a que atrai mais turistas na ilha, principalmente em seu belo e charmoso centro histórico. A gente, já meio irritado com o atraso causado pelo trânsito, só passamos rapidamente pela rua costeira e seguimos viagem. Nosso destino principal, hoje, eram as praias ao norte da cidade.
A belíssima praia de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí
Foi nessa região que se instalaram os primeiros resorts da ilha, aproveitando a beleza de seu litoral. Mais recentemente, o boom hoteleiro se moveu mais para o sul, para a região de Waimea, perto de Kihei, onde estamos hospedados. Mas são mesmo as praias próximas de Lahaina as mais bonitas de Maui, na nossa opinião.
O belo mar de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí
Entre as várias opções, acabamos escolhendo estacionar perto de Napili Bay, fazendo uma agradável caminhada pela costa até a paradisíaca praia de Oneloa Bay. Àguas azuis transparentes e areias brancas nos convenceram a ficar por ali mesmo, algumas horas entre mergulhos, fotos e simplesmente debruçados sob o sol. Uma delícia!
Mar tranquilo em Honolua Bay, em West Maui, no Havaí
As ondas estavam com tamanho ideal para a prática do bom e velho jacaré. Mas nada que se assemelhasse às imagens que vemos dos campeonatos de surfe aqui no Havaí. Apesar de estarmos na temporada das ondas grandes, isso depende muito do dia e, aparentemente, hoje não era um desses dias. Mesmo assim, ainda fomos dar uma olhada, já de carro, na baía de Honolua. Pelo menos em teoria, é um ótimo lugar para se admirar os surfistas enfrentando as ondas grandes. Pois é, para se ter uma ideia, hoje, ao invés de surfistas, as águas estavam cheias de praticantes de snorkel, o que dá uma boa ideia do quão calma estava a baía.
Surfistas em ação em baía de West Maui, no Havaí
A esperança é a última que morre e continuamos nossa volta pelo oeste de Maui. Um pouco depois de Honolua, a estrada se estreita bastante e passa a seguir pelo alto da encosta. Lá embaixo, nada de praias, apenas pedras e rochedos. É justamente aí que o mar fica mais violento, local preferido dos surfistas que vem de todas as partes do mundo para surfar em Maui. Sinceramente, eu não sei como eles conseguem chegar lá embaixo. Mas o fato é que chegam e lá passam o dia inteiro surfando e tomando cuidado para não se esborrachar nas rochas e corais, isso sim que é amor ao esporte!
Mar violento na costa noroeste de Maui, no Havaí
A costa rochosa do noroeste de Maui, no Havaí
Seguimos de mirante em mirante, ora observando surfistas, ora nos maravilhando com a paisagem grandiosa e selvagem que nos cercava. Aqui não há congestionamentos e é raro cruzar com algum outro carro. Ainda bem, pois em muitos trechos da estrada, só há espaço para um carro mesmo! Estamos na área mais isolada da ilha, completamente o oposto da urbanizada Kihei. Essa sim era a Maui que eu procurava!
Passeando com nosso jipe em West Maui, no Havaí
Aproveitando o teto solar do nosso jipe em Maui, no Havaí
Para aumentar ainda mais o clima bucólico, de tempos em tempos cruzávamos com alguma banca de comidas locais, bem “roots”. Vendiam desde caldo de cana até um delicioso bolo de banana. Aliás, desde que chegamos ao Havaí, lá na Big Island, estamos ficando viciados nesse quitute. Aqui em West Maui, paramos numa barraquinha no meio do nada que anunciava, orgulhosa, o fato de ter o melhor bolo de banana do mundo! Uma delícia, mesmo.
Barraca de beira de estada vendendo delicioso bolo de banana, muito comum emt Maui, no Havaí
Parando em tradicional banca de estrada na isolada costa noroeste de Maui, no Havaí
A pequenas estrada continuou a nos levar por vales e desfiladeiros até um pouco antes de Kahului, onde virou uma rodovia novamente. Daí seguimos de volta para nosso hotel em Kihei. Poucas horas mais tarde, voltávamos à Kahului, onde está o aeroporto da ilha. Viemos pegar nossos mais fiéis companheiros de viagem, o Rafa e a Laura, que chegavam depois de uma verdadeira epopeia pelos ares, de Curitiba para cá, via São Paulo, Cidade do México e Los Angeles. Parece que foi ontem que nos despedimos, lá em Santiago de Cuba. A Ana presenteou a Laura com um “lei”, o tradicional colar de flores havaianos. Depois, seguimos diretamente para um rápido jantar e de lá para a cama. Serão apenas poucas horas de sono até acordarmos ainda no escuro, prontos para mergulhar. Assim tem sido nossa rotina no Havaí: intensa!
Reencontro com a Laura, no aeroporto de Kahului, em Maui, no Havaí
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