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Nelly (27/03)
Paulinha Ribas (26/03)
Lalau (25/03)
Linda a foto do Ro cortando o cabelo. Que cidade interessante!! Lendo tem...
elecir leal lima (25/03)
nasci em caparaó novo e adoro o alto caparaó pois o clima é maravilhos...
Moca (23/03)
Para a Ana ficar ainda mais parecida com a Frida só faltou o bigode eheh...
O feliz reencontro com a Fiona no porto de Manzanillo (Colón), no Panamá
A correria para retirada do carro foi pentelha, mas conseguimos fazê-la em apenas 10 horas, divididas em dois dias. Começamos a correr atrás dos trâmites ontem as 13h30 e a desinformação foi o principal problema. O pessoal da Wallenos não estava muito preocupado e não sabia dar as orientações corretas. Enquanto eu esperava no táxi, aprendendo mais sobre a cidade e ouvindo as histórias do Júlio, taxista que nos acompanhou, Rodrigo batia cabeça de janela em janela do Manzanillo.
Código de barras na janela da Fiona com as especificações do "local de entrega" (no porto de Manzanillo - Colón, no Panamá). Funcionou!!!
Precisamos correr e contar com a boa vontade da Dona Maria para tirar o carro hoje. Durante a semana os escritórios portuários fecham às 16h e para ajudar um pouco a aduana não abre, no sábado, no domingo e muito menos segunda, que é feriado nacional. Mas Dona Maria na aduana viu a cara de desespero do Ro e resolveu ajudá-lo. Voltou ao porto no sábado pela manhã e expediu o documento que precisávamos para continuar o processo.
Após 12 dias em Cartagena, 5 deles dentro do Porto de Contecar, 1 dia cruzando o Mar do Caribe sobre o AIDA e 3 dias nos aguardando no Porto de Manzanillo em Colón, Fiona finalmente está livre!
Exibir mapa ampliado
Quando a Fiona viu o Rodrigo ela não acreditava! Seus faróis estavam acesos e espertos e ela abanava seu limpador de pára-brisas de tanta felicidade! Foi a primeira fez que colocou suas rodas em outro continente, a América Central. Quando a viu, Ro não conseguiu se conter, a alegria foi tão grande que se emocionou e contagiou todos os estivadores e funcionários do porto que estavam ao seu redor. Eu que não podia entrar no porto, fiquei no hotel arrumando as coisas e mandando as boas energias, torcendo para que o Ro conseguisse terminar o processo hoje. Agora sim, finalmente podemos dizer que chegamos ao Panamá!
A linda praia de Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
Ontem chegamos à Port-au-Prince, mais especificamente ao distrito de Pétion-Ville. Nosso encontro com Lana e Erick foi muito especial e depois de uma hora conversando sobre a vida e um possível roteiro pelo país, eles nos convidaram a viajar com eles para conhecer uma praia ao norte de Port-au-Prince, no litoral oeste da ilha, a Obama Beach.
A deliciosa e pacata praia de Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
O nosso roteiro pelo Haiti estava desenhado para uma semana, 2 dias em Port-au-Prince, 2 dias em Jacmel, cidade histórica do litoral sul haitiano, e no dia 24 voaríamos para a cidade de Cap-Haitien no norte. A única amarra que tínhamos era este vôo, já que fizemos a compra das passagens assim que chegamos à Rep. Dominicana. Então, por que não ir ao sabor do vento e nos deixar levar pelas oportunidades que surgirem durante a viagem?
Jangada singra os mares perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
Vamos todos à Obama Beach! Uma praia de pedras roliças e águas cristalinas na grande baía de Port-au-Prince, pouco mais de 60km do centro da cidade. Transporte público aqui é complicado e bastante desorganizado, nem todos os destinos possuem ônibus de linha. Daqui à Jacmel seria mais fácil, porém até a Obama Beach seria uma aventura! Moto-táxi, 2 ou 3 tap-taps, caminhonetes que servem a comunidade como lotações, e ainda assim não sei se conseguiríamos chegar.
O trânsito sempre complicado de Port-au_Prince, capital do Haiti
Para a nossa grande sorte o convite veio acompanhado de uma carona com a Elsie, amiga haitiana que mora em Vermont - EUA. Ela está de férias aqui no calor do Haiti visitando a família enquanto Vermont está embaixo de neve. Sua filha Maya vive em Port-au-Prince e acaba de abrir uma academia de yoga.
Tarde gostosa com amigos no hotel Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
O carro de Elsie foi lotado, ela e Maya na frente, Jerome (namorado de Maya), Erick e Lana no meio e eu e o Rodrigo lembrando os tempos de infância no chiqueirinho. Foi pouco mais de uma hora de viagem passando pelas ruas tumultuadas do centro da capital, paisagens áridas e devastadas dos arredores da cidade, até ficarmos entre as montanhas e ao mar. Existem várias praias bacanas de grandes hotéis e resorts nesta costa, mas são caros mesmo para quem quer apenas passar o dia. Eles parecem criar um mundo particular para fugir da realidade das ruas. O Obama Beach é diferente, simples e acessível a todos, tem um restaurante aberto ao público e praia liberada para quem quiser. Seu nome vem mesmo de onde você imagina, o dono é fã do Obama e resolveu homenageá-lo no seu empreendimento.
Visualizar Obama Beach Hotel em um mapa maior
Chegamos ao Obama Beach Hotel ainda pela manhã e demos de cara com um grupo de brasileiros! Eram mais de 15 homens de todos os cantos do país, Piauí, Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e por aí vai. O grupo de oficiais está aqui pela missão de paz brasileira no Haiti. Eu confesso que nunca acompanhei muito as atividades do nosso Exército, mas sempre fiquei de olho no trabalho deste pessoal, afinal a Missão de Paz da ONU do Haiti, comandada pelo Exército Brasileiro, é um case de sucesso e sempre foi motivo de orgulho para o nosso país.
Brasão do batalhão de engenharia brasileira no MINUSTAH, as forças de paz da ONU no país (perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti)
Confraternização com militares brasileiros da força de paz da ONU, na praia Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
Durante a missão eles ficam 6 meses no Haiti e não podem se movimentar pelo país se não estiverem em grupo, mesmo quando estão de folga. O pessoal do batalhão de engenharia da missão estava aproveitando o dia de folga para relaxar na praia, fazendo um churrasquinho, tomando uma cervejinha e nos receberam de braços abertos! Nem preciso dizer que em dois minutos já estávamos em casa! Ouvir todos eles contando suas experiências aqui no Haiti, com os diferentes sotaques de norte a sul do país, mas em bom e claro português, enquanto comia uma carninha preparada por churrasqueiros que entendem do negócio, arrozinho e farofa brasileiros!?! Foi como chegar ao paraíso!
Confraternização com militares brasileiros da força de paz da ONU, na praia Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
Conversamos sobre o cotidiano deles durante a missão, as obras que estão realizando e inclusive que já realizaram no Brasil. Esse pessoal da engenharia do exército trabalha duro, abre mata e prepara a parte mais difícil do terreno para depois as construtoras licitadas chegarem com estrada pronta e florestas arrancadas para começar a construção. Alguns deles trabalharam na implementação de uma das obras mais polêmicas no Brasil, a “transposição” do Rio São Francisco. “Eu sou contra”, logo disse, mas com paciência eles me explicaram que logo de início o termo utilizado está errado, não é uma transposição e sim uma obra de canalização de 1% do fluxo do rio, seguida pela obra de desassoriamento do rio, esta sim criada pela falta de práticas ambientais corretas dos proprietários e agricultores que vivem ao longo do rio. Enfim, uma troca de experiências sensacional!
Confraternização com militares brasileiros da força de paz da ONU, na praia Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
Eles também adoraram saber do nosso projeto, os dois malucos que saíram dirigindo e passando por cada um dos seus estados, até chegar ao Alasca e agora retornar ao Brasil, mas não sem antes vir conhecer o Haiti. De todas estas conversas nasceu um convite para visitarmos o BRAENGCOY, a sede do batalhão no Campo Charlie, local onde estão baseadas a maior parte das tropas brasileiras. Mais uma grande oportunidade: conhecer o trabalho dos brasileiros que ajudam a reconstruir o Haiti!
Um verdadeiro churrasco brasileiro na praia Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
Tentei, mas confesso que foi bem difícil, dividir a atenção entre os nossos novos amigos haitianos e os novos amigos brasileiros! Rs! Eles logo tiveram que regressar à base, assim como Elsie, Maya e Jerome tinham que voltar à Port-au-Prince. Logo Lana e Erick, eu e Rodrigo estávamos praticamente sozinhos no hotel, dividindo o telhado seco com mais meia dúzia de locais quando um grande temporal despencou dos céus. Depois que o pior passou, eu, Lana e Erick nos mandamos para a praia, tomar um banho de mar na chuva! Maravilhoso! Nadamos nas águas quentes, sentindo a chuva fria nos refrescar. O alarido do temporal silenciava nossa mente, enquanto o prateado chuviscado das nuvens e das águas se mesclavam com a imensa mancha marrom de toda a terra que erodia para o mar. Que momento!
Fim de tarde na praia de Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
A noite continuou intensa, um jantar maravilhoso acompanhado de várias Prestiges e de longas conversas com Lana e Sara, uma jovem americana que está trabalhando em um start-up aqui no país. Sara se foi e eu e Lana continuamos, noite adentro, falando de nossos medos, nossas alegrias e nossas inseguranças. Essas conexões mais profundas as vezes acontecem com algumas pessoas que cruzamos na viagem. Pessoas que como nós estão longe de seus amigos e familiares e que também precisam conversar. Alguma energia especial nos uniu e nos deu aquela amizade instantânea e profunda para falarmos por uma noite inteira sobre assuntos que as vezes outros não poderiam compreender.
Fim de tarde na praia de Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
O dia seguinte foi de paz, uma praia vazia, um mar azul tranquilo após a tormenta, seguido de um omelete de café da manhã dos mais deliciosos que já comi na minha vida! E olhem que eu não sou muito de ovo, muito menos de manhã.
A Ana tem todo o mar para si na praia Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
As 10h30 o carro que nos levaria de volta à cidade já estava lá nos esperando. Na volta paramos no mercado de rua de Cabaret, uma loucura sem tamanho de gente vendendo todos os 130 tipos de manga produzidos no país, além de melancias, abacaxis e toda a sorte de frutas e verduras que você imaginar.
O movimentado mercado de Cabaret, antiga Duvalierville, ao norte de Port-au-Prince, no Haiti
O movimentado mercado de Cabaret, cidade ao norte de Port-au-Prince, no Haiti
Detalhes de haitianos no mercado de Cabaret, antiga Duvalierville, ao norte de Port-au-Prince, no Haiti
À tarde Lana e Erick foram para as montanhas e nos convidaram novamente a acompanhá-los, mas desta vez achamos que seria melhor deixá-los descansar e aproveitar o seu momento sozinhos, enquanto nós sairíamos para explorar Pétion-Ville e descansávamos no conforto do Le Perroquet.
Com o Eric, numa tarde gostosa com os amigos no hotel Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
Quem diria que Obama Beach nos reservaria tantas surpresas e tantas emoções? Difícil adivinhar, mas cada vez mais confio no fluxo da vida, mesmo que não pareça claro, de que estamos seguindo pelo caminho certo.
Com um dos simpáticos funcionários do Hotel Obama, perto de Cabaret, antiga Duvalierville, no litoral central do Haiti
Um inesquecível nascer-do-sol por detrás da fileira de Moais de Tongariki, no sul da Ilha de Páscoa, ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
5 horas da manhã. Levantamos da cama e ainda estava escuro... O clima essa época do ano aqui na Ilha de Páscoa é bem temperado, não queria lembrar que encontraria frio em uma ilha no meio do Pacífico (SUL!). O Ro sempre bem disposto encarou os quase 30 minutos de estrada vendo o dia raiar enquanto eu cochilava no banco pouco confortável do nosso jipinho rapa nui. Mas nada, nem sono, nem frio e muito menos a preguiça nos fariam perder um dos espetáculos imperdíveis da Ilha de Páscoa: o nascer do sol no Ahu Tongariki!
O sol começa a se levantar atrás dos Moais de Tongariki, no sul da Ilha de Páscoa, ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Mais conhecido como 15 Moais, o Ahu Tongariki está localizado na costa sudeste da ilha há apenas 2 km da Fábrica de Moais. De costas para o mar azul turquesa e olhando para a única escarpa rochosa da ilha, o Rano Raraku, este é um dos altares mais imponentes da ilha.
Restaurados por arqueólogos japoneses, os Moais de Tongariki, no sul da Ilha de Páscoa, ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Sâo 220m de extensão e 15 estátuas gigantescas representando os líderes da antiga comunidade que vivia na região de Hanga Nui. Até 1993 este ahu estava totalmente irreconhecível, ele havia sido derrubado e soterrado por um tsunami causado pelo terremoto de 9,5 pontos na escala Richter que destruiu a costa chilena de Valdivia em 1960. A restauração foi feita pelo arqueólogo chileno Claudio Cristino com base nos desenhos de uma arqueóloga britânica que visitou a ilha em 1914. Foram mais de 2 milhões de dólares doados pelo governo japonês e por uma empresa privada também japonesa (Tadano). Toda a estrutura do altar teve que ser reconstruída e utilizou partes de outros 17 moais encontrados na área.
Turistas assitem ao nascer-do-sol atrás da fileira de Moais de Tongariki, no sul da Ilha de Páscoa, ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Como contrapartida o Governo da Ilha de Páscoa emprestou um Moai para exposições e feiras em Osaka e Tokio, o Moai Viajante é o único que está posicionado na entrada do sítio arqueológico recebendo os visitantes. Ao lado estão alguns dos pukaos que não puderam ser recolocados sobre os moais.
Um Moai parece assistir o amanhecer nas ruínas de Tongariki, no sul da Ilha de Páscoa, ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Mesmo em uma manhã nublada não perdemos a viagem, a luz do sol filtrada pelas nuvens coloriu o céu com amarelos, laranjas rosados tons de lilás e azuis incríveis!
Um inesquecível nascer-do-sol por detrás da fileira de Moais de Tongariki, no sul da Ilha de Páscoa, ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Mal o sol nasceu, nós já tivemos que voltar correndo para Hanga Roa para embarcar em nosso barquinho de madeira para o mergulho dos Motus, que mesmo com garoa e vento frio nos garantiu a água marinha mais roxa e a melhor visibilidade que já encontramos na viagem. Mais detalhes aqui.
A caminho de mais um mergulho na Ilha da Páscoa, território chileno no meio do Oceano Pacífico
A tarde ainda tivemos tempo para passear pelo porto de Hanga Roa, comemos uma torta de nozes impecável no café ao lado do Mike Rapu Dive e já garantimos as nossas entradas no show de Dança Tradicional e Música Rapa Nui do grupo Maori Tupuna no Vai te Mihi!
Observando o mar que rodeia a Ilha de Páscoa, ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
O colorido pier de Hanga Roa, capital e única cidade na Ilha de Páscoa, ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
A noite assistimos de camarote este show que traz a energia da cultura ancestral traduzida pela dança e pela música. A arte da pintura corporal abre o espetáculo, seguido por várias apresentações masculinas de demonstração de poder e força, com gritos cheios de testosterona contrabalançados pela delicadeza e graciosidade das mulheres com uma boa ginga polinésia. Um show que reúne o melhor da cultura Rapa Nui, imperdível!
Artista demonstra como fazer pinturas típicas polinésias durante show em bar de Hanga Roa, única cidade na Ilha de Páscoa, ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Show de danças e músicas típicas da Polinésia em bar de Hanga Roa, única cidade na Ilha de Páscoa, ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Show de danças e músicas típicas da Polinésia em bar de Hanga Roa, única cidade na Ilha de Páscoa, ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
Existem pelo menos 3 grandes grupos que realizam shows de música e danças tradicionais. O Ballet Kari Kari fica na avenida principal e se apresenta 3 vezes por semana é bem conhecido. O Matato´a que faz uma fusão do tradicional e do moderno, e o Maori Tupuna que foi o que escolhemos. Os shows são turísticos, é claro, mas mais do que isso eles são um extenso trabalho de resgate da cultura e do orgulho Rapa Nui entre os jovens da Ilha de Páscoa. Foi uma bela despedida deste mundo mágico polinésio, com sotaque sul americano que é a Ilha de Rapa Nui.
As incríveis cores do entardecer na Ilha de Páscoa, ilha chilena no meio do Oceano Pacífico
A Serra da Capivara é conhecida principalmente por suas riquezas arqueológicas e não por suas belezas naturais. Mas este Parque Nacional continuaria sendo um ponto obrigatório mesmo se as pinturas não existissem. A cultura brasileira não valoriza o sertão, a caatinga, acredita que o nordeste possui belezas naturais apenas no litoral e é aí que todos nós estamos muito enganados. Falta conhecimento e cultura, a influência da mídia e do próprio mercado turístico fizeram com que o sertão nordestino ficasse marginalizado no turismo brasileiro.
A famosa Pedra Furada, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Não é a toa que grandes obras literárias e musicais brasileiras são inspiradas por este cenário. João Cabral de Melo Neto, Gonzagão, Gil e vários outros grandes nomes já cantavam o poético luar do sertão, mais brilhante do que nunca sobre a caatinga branca e reluzente. A florada do mandacaru anunciando a chegada do período chuvoso e os tempos de renovação das plantas, águas, animais, a vida!
Caatinga verdinha na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Durante as trilhas que fizemos no parque nacional, aos poucos fomos aprendendo a compreender e admirar este bioma. Várias árvores encontradas na mata atlântica se adaptaram para conseguir sobreviver neste novo ambiente. Além do tão famoso mandacaru, planta cactácea comum na caatinga, encontramos os ipês, a jurema-preta, planta de raízes alucinógenas, a maniçoba e várias outras que se modificaram durante milênios para suportar o clima semi-árido. Estas plantas caducifólias sobrevivem durante todo o período de seca justamente por diminuir a sua superfície de perda de água, ficando sem folhagens.
Coroa de Frade na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Estas folhagens servem de alimentos para os animais que vivem nesta região como os caprinos, os catitus, veados, entre outros. Nós tivemos a grande sorte de encontrar um grupo de catitus, próximo a uma das portarias do parque, em um dos pontos de alimentação mantido pelo parque. São uma espécie de porcos selvagens, me aproximei para fotografar e o chefe do grupo não hesitou em que enfrentar com seus valentes grunhidos. Eu é que não me atrevi a continuar avançando.
Catitus (porcos selvagens) na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Na caminhada pela trilha da Invenção e Toca do Inferno, nós tivemos a grande sorte de ver um fenômeno raro no sertão, a chegada da chuva. Já estávamos estranhando ver a caatinga tão verde, mas isso já era motivo de que estamos em período chuvoso. Perguntamos curiosos ao Rafael, nosso guia, se a chuva surpreendia em outras épocas de seca e ele nos respondeu que sim, e que esta era conhecida como “a chuva desgraçada”.
Vista do alto da Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Nós, sulistas de plantão, achamos que a maior benção no sertão é receber uma chuva em período de seca... que nada! A natureza é tão sábia que já se adaptou e até uma chuva, aparentemente inofensiva, pode arruinar as criações de caprinos que se alimentam da folhagem seca. Quando estas folhas são molhadas, apodrecem e criam fungos, que significam doenças se ingeridos pelos bodes e cabras.
A chuva faz a alegria das crianças na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
A fauna continua rica quando se trata de répteis e anfíbios. São vários tipos de lagartixas, inclusive uma espécie endêmica da Serra da Capivara, além de camaleões, sapos-bois, etc. Período de chuva chegando, estão todos prontos para o período reprodutivo. A chuva que vimos chegando no alto da escadaria da invenção logo nos alcançou, esperamos um pouco em uma portaria e seguimos para a trilha da Toca do Inferno. Ela é assim chamada, pois os caçadores ouviam barulhos estranhos vindos de dentro desta toca. Nós não sabíamos o que iríamos encontrar e a nossa surpresa foi simplesmente a mais mágica de todas, uma cachoeira!
Pequeba e mágica cachoeira no fundo de canyon do Inferno, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
A água da chuva escorreu para esta toca, formando no fundo dela uma pequena cachoeira e um riacho, que mais uma vez aproveita para irrigar a vida. Espumas um tanto quanto nojentas, são um ninho de sapo-boi, os insetos dependem dessa chuva para se reproduzir, inclua aí as muriçocas, todo o tipo de pernilongos irritantes e até as borboletas!
Caminhando com as borboletas na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Toda esta vida, esta fauna e esta flora é circundada por sítios arqueológicos de riqueza histórica incomensurável e situados em um dos mais belos cenários já vistos aqui no Brasil. Montanhas de arenito desenhadas pelo desgaste do tempo, da chuva e dos ventos, formou a Serra da Capivara, uma serra de pedras coloridas , cânions secos e inexplorados. Tocas que testemunharam a chegada do ser humano nestas terras e até hoje permanecem intactas, mudas, caladas. A nossa Capadócia não deixa nada a desejar para as turcas, só falta mesmo o passeio de balão.
Incrível visual, semelhante ao da Capadócia, no canyon Canoas, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Apresento a vocês a beleza dos sertões, aquela que não é falada nos telejornais, programas turísticos e pelos políticos. Apresento a vocês o nosso Brasil.
Incrível visual, semelhante ao da Capadócia, no canyon Canoas, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI
Entrada da antiga prisão em St. Laurent, na Guiana Francesa
Hoje nos aproximamos da fronteira com o Suriname, ou seja, do fim da nossa viagem pela Guiana Francesa. Despedi-me de Yalimopo com uma sensação horrível de estar deixando para trás um lugar que merecia muito mais do que 1 ou 2 dias. Vivenciar a cultura kalina sem dúvida seria uma experiência maravilhosa, mas para isso mais 2 ou 4 dias não iam fazer nem cócegas. Primeiro por que eu não falo francês, embora entenda e arranhe umas três frases, não sou capaz de me comunicar com fluência. A segunda língua que eu poderia tentar é o próprio kalina, mas acho que ficaria só na tentativa, rs! Fiquei muito curiosa sobre a música, o artesanato, a sabedoria em torno da natureza, rios, mar, tartarugas e os festivais, enfim, tudo o que rodeia esta etnia indígena que chegou aqui nas Américas muito antes de nós. Eu me sinto totalmente brasileira, sul-americana, mas não posso querer ganhar deles nessa.
Com o Silvan, em Yalimopo, na Guiana Francesa
Durante o café da manhã conseguimos conversar um pouco mais com o Silvan, o gerente da pousada onde ficamos hospedados. Ele é um kalina (lê-se kaliná), nos contou mais sobre os animais que vivem ali, os projetos que desenvolvem para a proteção da fauna e flora e educação ambiental da comunidade. Conseguimos gravar um depoimento dele para o Soy loco por ti América, em francês! Muito bacana, pelo menos levaremos conosco uma lembrança mais roots aqui da Guiana Francesa, algo que me parece realmente mais genuíno e que sempre me lembrará que devo voltar.
A estrada de Yalimopo para Saint Laurent du Maroni é mais movimentada, passamos por diversos vilarejos e inclusive na entrada da Comunidade do Laos chamada Javouhey, em homenagem à freira francesa que os trouxe para cá. Como já havíamos conhecido sua prima-irmã, Cacao, seguimos para a fronteira. Chegamos a St. Laurent com chuva, conseguimos reservar uma vaga no Hotel Star e logo fomos nos informar da balsa que nos atravessará amanhã para o Suriname. Novamente chegamos àquele clima de cidade fronteiriça e portuária, muita pobreza, lixo nas ruas, pessoas zanzando de um lado para o outro em águas internacionais. Na cidade já vemos que nossos próximos dias serão mais trabalhosos para nos comunicarmos, o holandês e o sranan tongo estão em todas as rodas de conversas nos bares e mercados.
Igreja em St. Laurent, na Guiana Francesa
Aproveitamos a chuva para dar uma volta de carro e fomos até a cidade vizinha, há 16km dali, St Jean du Maroni. À margem do rio a vila fica em torno de uma base militar, possuía um zoológico que queríamos visitar, mas descobrimos que foi fechado. Encontramos um restaurante simpático à beira do Rio Maroni onde almoçamos defronte ao nosso próximo país.
St. Jean, região de St. Laurent du Maroni, na Guiana Francesa. O outro lado do rio é o Suriname
Foi ali também que recebemos a notícia de um dos piores desastres naturais já acontecidos nos últimos tempos, o terremoto seguido pelo tsunami no Japão. 8,9 pontos na escala Richter é de chorar em alemão! Eu fiquei paralisada em frente à TV vendo aquelas cenas terríveis de destruição que acabavam de chegar à TV Francesa. Chorei, impossível não chorar e instantaneamente começar a rezar por aqueles que ainda poderiam estar vivos em algum lugar no meio daquela confusão. Infelizmente, além disso, não há mais o que eu poderia fazer naquele momento.
Ouvindo as notícias do terremoto e tsunami no Japão (em St. Jean, região de St. Laurent du Maroni, na Guiana Francesa)
Voltamos à St Laurent, nos instalamos no hotel e depois de outra rodada de chuva, #prayingforjapan, seguimos para um lugar que iria nos apresentar mais algumas décadas de tristezas e histórias gravadas em suas paredes. St Laurent du Maroni começou a ser construída nos idos de 1860 e foi a maior colônia penal da Guiana Francesa. A colônia foi ficando tão absurdamente populada que, tempos mais tarde, se tornou uma cidade, com direito à uma prefeitura especial. Os presos do Camp de La Transportation eram divididos em 3 níveis, o terceiro eram os presos novatos, com menos de dois anos de casa, eles eram responsáveis pelo trabalho pesado, basicamente cortar madeira no meio da floresta para abastecer a cidade.
Ruínas da antiga prisão em St. Laurent, na Guiana Francesa
O segundo já podia trabalhar em serviços menos pesados, como a manutenção da cidade. Os presidiários do primeiro escalão já poderiam aspirar trabalhos melhores, como empregados nas casas da comunidade e até enfermaria, o que também facilitava muito as tentativas de fuga. Só depois da Segunda Guerra Mundial é que foi decretado o fim dos Bagnes (prisões em francês), demorando ainda quase 10 anos para os últimos “transportados” serem devolvidos à terra natal com a ajuda do Exército da Salvação Francês. Hoje estes prédios estão sendo restaurados, em um deles funciona uma biblioteca municipal e em outros, oficinas de teatro para a comunidade.
Estátua representando prisioneiro desenganado, em St. Laurent, na Guiana Francesa
À noite conseguimos reencontrar a nossa amiga lá de Algodoal, Marjorie. Francesa que mora aqui em St Laurent há 4 anos, Marjorie está se preparando para retornar à França. Fomos jantar em um restaurante de comida creole, onde o principal atrativo são as carnes de caça, permitida em diferentes níveis aqui na Guiana Francesa. Alguns animais podem ser caçados apenas para subsistência e outros têm permissão inclusive para a comercialização. Nós provamos a carne de tatu, parecida com a carne de porco. Só é estranho, pois vem com casca e tudo, aquela carapaça toda de bolinhas que vemos por fora. O Rodrigo provou uma carne de um roedor, tipo uma cotia, acho que gostou, pois comeu o prato inteirinho.
Esticamos a noite em um barzinho creole na vizinhança mais pobre, à beira do Rio Maroni. Marjorie nos contou suas experiências com a população aqui na região. Ela é psicóloga e atende pessoas das mais diferentes culturas que habitam a região. Homens e mulheres franceses, creoles, indígenas, surinameses que enfrentam as dificuldades de um país (ou departamento) em que as culturas tão diferentes. Coisas que parecem simples, como por exemplo, o de pessoas que imigraram para cá há mais de 20 anos e não falam uma palavra em francês, assim como seus filhos, que por sua vez acabam não conseguindo acompanhar a escola. Ou então os índios, que são tão adaptáveis que estão perdendo sua cultura, língua e tradições. Todos eles convivem lado a lado, porém com pouca interação entre os grupos. O que para nós viajantes é uma riqueza imensa, na prática é um problema social difícil de ser resolvido. Como preservar estas culturas tão distintas, suas línguas e costumes e ainda assim criar uma identidade única para o país? É uma questão que só o tempo poderá responder.
Pequena praia em St. Laurent, na Guiana Francesa
Wind surf solitário nos mares de Jericoacoara - CE
Hoje era o dia de pegarmos estrada rumo à Ubajara, mas tínhamos alguns textos e fotos para colocar em dia, já que na caminhada ficamos sem internet e com os deveres dos últimos dias atrasados. Trabalhamos e quando vimos já era quase meio-dia. Eu estava louca para ficar mais um dia, tranquila, descansando e aproveitando a praia. O dia hoje estava convidativo, céu azul e muito sol! Acho que foi isso que fez o Rodrigo aos poucos mudar de ideia e sem eu precisar falar nada me propor, que tal ficarmos mais um dia? Nem precisou falar duas vezes, fechado!
No alto da duna em Jericoacoara - CE
Saímos tomar um sol perto da duna, banho de mar e dar aquela relaxada, lendo nossos guias fazendo o que mais gostamos, pesquisar e planejar a viagem. Estamos ansiosos para a passagem pelas Guianas, Francesa, Inglesa e Suriname. Quase todos os relatos que encontramos de viajantes que tentaram fazer este trecho, contam que tiveram algum problema e acabaram retornando. Nós, entretanto, ainda estamos confiantes conseguiremos passar. Veremos, falta menos de um mês!
A tradicional "peregrinação" verspertina em Jericoacoara - CE
Almoçamos no Bistrôgonoff (adorei este nome!) e fomos logo para a duna do pôr-do-sol. Finalmente conseguiremos ver o sol se pôr dignamente! Céu azul, poucas nuvens no céu, coisa rara nesta nossa passagem por Jeri.
Fim de tarde no alto da duna em Jericoacoara - CE
Não por acaso a duna hoje está recebendo uma peregrinação muito maior do que nos outros dias. É muito bacana, vemos que os tempos passam, mas o ser humano ainda tem uma conexão com alguns rituais da natureza, como este por exemplo. A duna ficou lotada de pessoas, casais, famílias, crianças, jovens e até cachorros, só admirando a paisagem e esperando o sol tocar o mar.
Garotos dão show de piruetas na duna de Jericoacoara - CE
O céu foi ficando cada vez mais vermelho, as nuvens que nem pareciam existir passaram a fazer parte show, refletindo cada raio de sol, formando o dégradé de amarelo, alaranjado, vermelho, lilás e todas as nuances de azul. Iemanjá foi saudada em Jericoacoara com este espetáculo, já que aqui não existe a tradição de festas para a rainha do mar. Alguém comentou comigo que seria comemorado em agosto, mas eu nunca ouvi falar que Iemanjá tem dois dias no ano, sabe-se lá.
Maravilhoso pôr-do-sol em Jericoacoara - CE
Eu não podia deixar de homenageá-la, nossa protetora e companheira de tantas aventuras em seus domínios. À noite saímos dar uma volta na vila, só para conferir se não teria mesmo nenhuma comemoração, nada! Fui atrás de flores para jogar ao mar, missão quase impossível! A cidade é toda enfeitada apenas com folhagens, foi dificílimo encontrar uma floreira. Até que o Celso, nosso novo amigo lá da creperia, liberou que eu pegasse uma flor do seu canteiro, salve a rainha! Aí eu achei que era só andar ali uns 10m até o mar e pronto. Que nada! A maré estava baixa e aqui, tanto pela pouca profundidade quanto por estarmos próximos do equador, tivemos que andar uns 300m “mar adentro” para alcançar as primeiras ondinhas. Tudo escuríssimo, barcos e canoas “encalhadas” e alguns malucos perdidos no escuro, além de nós. O Rodrigo foi muito fofo, mesmo sem ter fé alguma, ele foi comigo até lá preocupado em não me deixar sozinha, meu herói! Iemanjá deu trabalho, mas vale à pena!
Maravilhoso pôr-do-sol em Jericoacoara - CE
Nossa despedida de Jeri agora foi à altura, pôr-do-sol clássico na duna, homenagem à Iemanjá, só faltou mesmo o kite surf... Este vai ficar para uma próxima.
Autofoto assistindo ao pôr-do-dol em Jericoacoara - CE
Crianças se divertem nas corredeiras do Urubuí, em Presidente Figueiredo - AM
Presidente Figueiredo está a apenas 133km de Manaus pela estrada que segue para Boa Vista. Neste finalzinho de inverno, período chuvoso na região norte, acabamos pegando ainda algumas pancadas de chuva no nosso primeiro dia na cidade. Embora não seja nada parecido com o inverno do sul com o qual estamos acostumados, inverno tem sempre aquela cara de preguiça. Tempo perfeito para tirarmos o nosso domingo de Páscoa off, afinal até nós viajantes merecemos aproveitar o feriadinho para descansar.
Visitando o parque das corredeiras do Urubuí, em Presidente Figueiredo - AM
Depois do domingo preguiçoso e dorminhoco ainda aproveitamos para conhecer uma das principais atrações turísticas da cidade, o Parque Municipal do Urubuí. O parque municipal é a praia da cidade, com uma bela infra-estrutura de bares e restaurantes às margens das corredeiras do rio de mesmo nome.
Balneário nas corredeiras do Urubuí, em Presidente Figueiredo - AM
Nós chegamos já no final da tarde, tiramos algumas fotos e ficamos impressionados com um dos esportes prediletos dos nativos aqui de Figueiredo, descer as corredeiras “no pêlo”, sem bóia, colete salva-vidas, capacete, nem nada! Eles se soltam nas águas do rio, conhecem cada pedra e buraco e sabem por onde devem passar.
As corredeiras do Urubuí, em Presidente Figueiredo - AM
Olhando eles fazerem até parece fácil, mas os caras nasceram aqui, conhecem este rio como a palma da mão! O Rodrigo já ficou todo atiçado, é óbvio, quer descer de “body cross” de todo jeito. Eu fico parecendo a velha chata ao lado dele, dizendo que não, para tomar cuidado, etc. Enfim, hoje nem viemos preparados para banho, mais tempo para pensar e desistir.
Rapaz nos mostra como enfrentar as corredeiras do Urubuí sem bóias ou coletes! (em Presidente Figueiredo - AM)
Almoço agitado na churrascaria, vendo a final carioca Fla-Flu ao lado de torcedores com os nervos à flor da pele! É impressionante a força dos times cariocas no Brasil, culpa da Rádio Globo, única fonte de informação que alcançava essas bandas nas décadas passadas e difundiu o campeonato carioca para o interiorzão do Brasil. Hoje a TV continua este trabalho, tornando a legião de torcedores fanáticos pelos times cariocas ainda maior. Disputa nos pênaltis, Flamengo ganhou e a torcida comemoooora! Rsrsrs!
Explosão de alegria com a vitória do Flamengo! (em Presidente Figueiredo - AM)
A bela ponte coberta de Woodstock, em Vermont, nos Estados Unidos
As Green Mountains é parte da dos Montes Apalaches que se estendem de Quebec (Canadá) ao Alabama, com seus diferentes nomes. Aqui, no estado de Vermont elas não são meros acidentes geográficos. A beleza de suas paisagens foi inspiração para o nome do 14° estado americano. Batizado ainda nos tempos coloniais do francês Verts Monts, que faz referência as mais de 2 mil montanhas verdes acima dos 600m de altitude, sendo o seu ponto mais alto o Mount Mansfield, com 1.340m. Porém, nem sempre foram verdes estas montanhas, que foram desmatadas por madeireiras durante todo o século XIX. Hoje mais de 75% do estado já foi recuperado e é coberto por florestas secundárias.
Viajando pela belíssima Rota 100, através das Green Mountains, no sul de Vermont, nos Estados Unidos
Esta região é um dos principais destinos de inverno da costa leste americana. Famílias e praticantes dos esportes de inverno lotam as dezenas de estações de esqui, enquanto no verão hikers são convidados a explorar as trilhas dentre as florestas de maple trees e cascatas geladas, a única pista que resta do inverno gelado que um dia passou por essas bandas.
Killdeer Farm, a fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos
Nossa viagem começa pela Rota 100, estrada cênica que cruza as Green Mountains com belas vistas, pequenas vilas e cidades com a típica organização americana. Difícil de acreditar que todo este verde fica coberto de neve. Enquanto seguimos pela Rota 100 vemos os diversos resorts de esqui, lojas de aluguel de equipamentos de inverno e as famosas cadeirinhas dos teleféricos das estações de esqui, todos fechados durante o verão.
Viajando pela belíssima Rota 100, através das Green Mountains, no sul de Vermont, nos Estados Unidos
A pequena cidade de Woodstock é uma das preferidas dos amantes de atividades ao ar livre. Atenção! Não confundir com a histórica Woodstock do estado de Nova Iorque, onde aconteceu o lendário festival de música no final dos anos 60.
Woodstock, em Vermont, a "mais bela pequena cidade" dos Estados Unidos
Sua ponte coberta é um dos principais charmes de Woodstock, que foi considerada uma das mais bonitas dentre as pequenas cidades dos Estados Unidos. Sua localização a torna uma ótima base para explorar as trilhas e arredores, além dos restaurantes e lojinhas em torno do agradável parque da cidade.
A ponte coberta de Woodstock, em Vermont, nos Estados Unidos
Visitando a charmosa Woodstock, em Vermont, nos Estados Unidos
O estado é também um refúgio dos americanos mais “alternativos”, lugar aonde, antigamente, muitos hippies vieram viver em comunidades, plantando e promovendo uma vida mais natural. Viva a sociedade alternativa! Foi em uma dessas comunidades que Jake e Liz, pais do nosso mais novo amigo Joe, se conheceram.
Visitando a Killdeer Farm com a Liz e o Jake, os pais do Joe, em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos
Ele serviu na Europa como militar, virou hippie e viajou pelo mundo, saindo da Europa ao sudeste Asiático de carro, passau por lugares como a Turquia, Índia e o Paquistão. Mais tarde participou do movimento contra as guerras, se envolvendo com protestos políticos e chegou a ficar preso por quase um mês! Bons tempos aqueles... rsrs! Liz viajou para a China Comunista nos anos 70 com um grupo de fazendeiros comunitários para conhecer e aprender as técnicas do modelo comunista. Naquela época luz era algo raro por aqueles países, na sua memória ficou a imagem de uma China escura e bem restrita.
Killdeer Farm, a fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos
Hoje os dois continuam trabalhando na terra, possuem uma fazenda e uma loja de produtos orgânicos divina! Fomos convidados para um almoço delicioso com produtos frescos vindos direto da horta! Ouvimos suas histórias e experiências enquanto nos fartávamos com suas batatinhas, vagens, tomates cerejas da nova estufa, pães integrais e o famoso queijo de Vertmont.
Tomates orgânicos na Killdeer Farm, a fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos
Neste movimento crescente para a alimentação saudável, com base em alimentos naturais orgânicos e produtos locais, o turismo rural em Vermont ganhou um novo espaço e Liz mau conseguia ficar parada, mesmo no seu dia de folga.
Produção de flores na Killdeer Farm, a fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos
Clientes surgiam nas porteiras da Killdeer Farm o tempo todo em busca dos seus produtos. Acompanhamos Jake ao outro lado da fazenda, vimos a plantação de feijão, os vários tipos de abobrinhas e outras verduras, enquanto ele corria para lá e para cá na organização do novo tubo de irrigação da fazenda. O verão é o momento de fazer acontecer, pois daqui a pouco tudo estará coberto de neve novamente.
Killdeer Farm, a fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos
Tomates orgânicos na Killdeer Farm, a fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos
Killdeer Farm, a fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos
Na loja dos Killdeer garantimos o nosso maple syrup, pois aqui temos certeza que fizemos a escolha certa! O Maple Syrup é o produto mais anunciado na estrada. O açúcar preferido dos americanos é um produto da seiva da Maple Tree, árvore da famosa folha da bandeira do Canadá. Para produzir 1 galão de syrup são necessários 40 galões de seiva, que é fervida em imensos tachos sob altas temperaturas. Vermont é considerada a capital do Syrup nos Estados Unidos. Além de ser reconhecido por produzir as melhores qualidades de maple syrup, o estado é o recordista também na quantidade. São produzidos de 400 a 500 mil galões, equivalente a mais de 1 milhão e 800 mil litros, por ano!
Loja em Norwich, ao norte de Woodstock, que vende os produtos da fazenda do Jake e da Liz, no estado de Vermont, nos Estados Unidos
Os deliciosos e sadios produtos da Killdeer Farm, do Jake e da Liz, à venda na loja da fazenda em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos
Os deliciosos e sadios produtos da Killdeer Farm, do Jake e da Liz, à venda na loja da fazenda em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos
Foram dois dias pelas estradas cênicas de Vermont. Ficamos surpreendidos pela simpatia do povo e a beleza dessas terras, mesmo sem os tons amarelos e avermelhados do outono. Nos despedimos dos montes verdes e seguimos à New Hampshire para as mais geladas White Mountains.
A afilhada atazana o tio durante visita à fazenda dos pais do Joe em Norwich, ao norte de Woodstock, no estado de Vermont, nos Estados Unidos
ONDE FICAR?
Nosso charmoso Inn em West Dover, pequena cidade em Vermont, nos Estados Unidos
Na Rota 100 não será difícil encontrar hospedagem, tudo irá depender da sua pressa e até onde quer chegar. Como começamos tarde, no primeiro dia ficamos hospedados em um charmoso Inn na cidade de Dover: o West Dover Inn. Importante, se você estiver por aqui nas semanas de férias de inverno vale a pena reservar com antecedência.
A charmosa arquitetura do nosso hotel em Popayan, na Colômbia
Entramos na Colômbia e finalmente vamos explorar as suas estradas tão temidas e esperadas. Em Ipiales todos diziam que a estrada era segura e que iríamos encontrar vários reténs do exército pela frente. A dona da pizzaria nos falou, apontando para um dos seus clientes uniformizados de militar "a estrada tá cheia deles, eles cuidam da nossa segurança".
Primeira estrada colombiana, entre Ipiales e Pasto
Eu sabia que ela falava a verdade, mas não imaginava que era assim, tão ao pé da letra! A cada 50km (ou menos!) passávamos por postos militares mais simples ou avançados. Todos os garotos de 18 a 20 anos, uniformizados, com suas metralhadoras em um punho e com o polegar levantado na outra. Todos fazem questão de mostrar que está tudo "jóia", nos liberando a passagem sem precisar nem parar o carro.
A charmosa arquitetura do nosso hotel em Popayan, na Colômbia
Esta é uma das estradas mais bonitas no sul da Colômbia e sim, este território foi ocupado pelas FARCs, segundo meu marido "historiador" teria sido por estas bandas que o governo negociou com a guerrilha uma trégua, liberando este território durante um período para o seu novo país comunista. Durante um período é como seu houvesse um outro país dentro da Colômbia. Tempos depois o governo quebrou o acordo e invadiu novamente este território.
Praça central de Popayan, na Colômbia, de noite
Chegamos a Popayán 4 horas depois de muitas curvas e vistas lindas e um pouco encobertas. Além de saber que esta é uma cidade histórica lindíssima no sul da Colômbia, a única referência que eu tinha é que foi aqui que uma amiga colombiana que vive em Curitiba, nasceu. Ela viveu nesta cidade até sofrer uma tentativa de assassinato quase bem sucedida. Se refugiou no Brasil com as suas feridas de bala no rosto e uma ainda alojada no crânio, deixando sua família para trás para reconstruir sua vida em um lugar onde se sentisse mais segura.
Praça central de Popayan, na Colômbia, de noite
Nos hospedamos no Hostal La Plazuelano centro histórico, um dos mais baratos que encontramos e mais caros que já pagamos, quem diria. Já estava anoitecendo e esperamos a noite baixar para conhecer as luzes da cidade branca. A praça estava com pouco movimento, mas os poucos que encontramos continuavam sempre fazendo questão de nos dizer que o centro era seguro, mas que não andássemos para fora dos seus limites. Enfim, até agora estamos sãos e salvos, afinal estamos em casa na nossa América Latina.
Haroldo, Poia, Gegê, Kadu e Malu
Quando estamos andando em estradas já conhecidas nos sentimos super em casa. Quando chegamos a uma capital como SP onde encontramos familiares e amigos então? Aí parece que a viagem nem começou! Hoje, além da nossa incursão pelo mundo do turismo também aproveitamos para visitar alguns primos do lado Junqueira e amigos. Almoçamos no Nossa Senhora, um restaurante delicioso no Morumbi, convidados pelo Haroldo, que fez questão de pagar a conta! Valeu primão! Rsrsrs!
Seguimos dali para a casa da Poia e do Gegê, colocar o papo em dia e conhecer a pequena Malú que nasceu há apenas dois meses e meio, linda! O Kadú grandão corria de lá para cá com a sua amiguinha Luiza e ganhou várias figurinhas do álbum da copa do titio Odo. Entre vinhos e risadas aproveitamos para mostrar a eles as nossas produções de vídeo mais recentes já postadas no youtube.
À noite seguimos direto para o jantar na casa da Sandra e do Aymoré, amigos queridos e sempre entusiastas do nosso projeto! O Bernardo logo foi dormir, mas o Guilherme, com o privilégio de estar na barriga da mãe, pôde acompanhar toda a nossa conversa. Que delícia de recepção! Agora espero logo poder encontrá-los durante a viagem, Alaska ou Patagônia já estão reservados, estaremos esperando por vocês!
É ótimo encontrar a família e os amigos, assim continuamos naquele processo de despedida. Sabe Deus quanto tempo ficaremos sem encontrá-los novamente, tudo dependerá se os Maias estavam certos ou não.
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