1
arqueologia cachoeira Caribe cidade histórica Estrada mar Mergulho Montanha parque nacional Praia Rio roteiro Trekking trilha
Alaska Anguila Antígua E Barbuda Argentina Aruba Bahamas Barbados Belize Bermuda Bolívia Bonaire Brasil Canadá Chile Colômbia Costa Rica Cuba Curaçao Dominica El Salvador Equador Estados Unidos Galápagos Granada Groelândia Guadalupe Guatemala Guiana Guiana Francesa Haiti Hawaii Honduras Ilha De Pascoa Ilhas Caiman Ilhas Virgens Americanas Ilhas Virgens Britânicas Jamaica Martinica México Montserrat Nicarágua Panamá Paraguai Peru Porto Rico República Dominicana Saba Saint Barth Saint Kitts E Neves Saint Martin San Eustatius Santa Lúcia São Vicente E Granadinas Sint Maarten Suriname Trinidad e Tobago Turks e Caicos Venezuela
Debora Bacuri (18/06)
Oie Ana. Já salvei no meus favoritos a tua pagina! Amei esse destino: ...
Marcos (17/06)
Legal galera. Já fiz essa viagem de carro também. Com uma turma de 13 p...
José Alfredo da Rosa Duarte (16/06)
Adorei seus comentários sobre a ilha dos Lençóis. Sempre encontro muit...
Martin (16/06)
Hey Guys it would be great to add you’re site to OverlandSphere.com, pl...
Helder Larry Gaze (12/06)
Boa trilha, parabéns. Já fiz essa mesma trilha no sentido de São Féli...
A visão do pier acima d'água visto de 20 metros de profundidade, no South Pier, no sul de Bonaire
Bonaire, o paraíso do mergulho, possui 86 pontos de mergulho, 53 destes partindo da costa. O principal diferencial é a facilidade e a liberdade que nós mergulhadores temos. Como a maioria dos mergulhos é feito a partir da costa (shore dive), o que precisamos é apenas alugar um carro, equipamentos e água! Nenhum mergulho precisa ser guiado e como mergulhadores credenciados, basta pegar o mapa da ilha, fazer o seu roteiro e cair na água!
Placa sinalizadora de ponto de mergulho em South Pier, no sul de Bonaire
Cada ponto de mergulho tem seu nome marcado com uma pedra amarela na estrada. Todas as locadoras de automóvel já possuem carros especiais para mergulho, como SUVs e pick ups e as operadoras de mergulho já possuem um esquema fácil de recarga de tanques, com variados planos com preços diários para refil de um ou mais tanques. Nós alugamos os tanques na Caribe Inn, que já era vizinho do apartamento que alugamos na Blachi Koko. Como já estávamos com todo o equipamento, só precisamos do tanque e cinto de lastro, pagando 19 dólares o primeiro tanque do dia e 6 dólares cada refil. Há ainda aqueles que fazem por pouco mais de 30 dólares o tanque com recargas free. É preciso também pagar uma taxa ambiental obrigatória de 25 dólares, já que toda a costa da ilha é um parque nacional marinho. Assim que você paga a taxa, em qualquer operadora, receberá um tag que deve estar contigo em todos os mergulhos, de preferência preso ao seu BCD.
Praparando-se para mergulhar em Invisible, no sul de Bonaire
Selecionar os pontos de mergulho não é uma tarefa fácil, pois são muitos, todos maravilhosos e com muitas semelhanças. A maioria tem uma profundidade máxima de 30m, visibilidade de 20 ou 30 m dependendo das correntes e do clima.
Mergulhando no Hilma Hooker, que naufragou em 1985 no sul de Bonaire
Para ajudar nessa pesquisa, também coloco aqui o link de um bom site brasileiro com histórico da ilha, mapa dos pontos e boas dicas de mergulho em Bonaire. Nós conversamos com o pessoal da Caribe Inn e com os donos da nossa pousada, também mergulhadores e acabamos fazendo a seguinte seleção:
1° DIA – EIGHTEENTH PALM – 25/10
O primeiro mergulho em Bonaire, quase no centro de Kralendijk
Foi o nosso primeiro mergulho, então resolvemos fazer exatamente em frente ao Carib Inn, meia quadra do nosso hotel, uns 50 passos do nosso quarto. O mar do caribe é um aquário maravilhoso! 20 ou 30 metros de visibilidade, milhares de christmas trees, mas também vimos muitas partes de um barco que naufragou há pouco tempo por ali, uma lixarada... mapas, pneus, etc.
Uma carta náutica de um naufrágio em Kralendijk, em Bonaire
Tínhamos esperança de encontrar golfinhos por ali, pois nos disseram que um dia antes o pessoal teve a sorte de fazer snorkel e nadar com eles exatamente neste ponto, mas parece que hoje resolveram se mudar.
Um enorme pneu em mergulho em Kralendijk, em Bonaire
2° DIA – WILLEMSTOREN LIGHTHOUSE E SALT PIER – 26/10
Muitas Christmas´trees em mergulho em South Pier, no sul de Bonaire
A água em Bonaire é tão quente (30, 31°C) que decidimos não usar neoprene a partir de hoje. O nosso primeiro mergulho deste dia foi no Willemstoren Lighthouse, no sul da ilha. Lá a barreira de corais muda bastante, muitos corais moles parecendo uma floresta, milhares de cardumes e tivemos a sorte até de ver uma moréia pintada! Soubemos que há uns dois anos as moréias quase se extinguiram aqui em Bonaire devido a uma enfermidade que atacou principalmente as moréias verdes.
Drum-fish em mergulho em South Pier, no sul de Bonaire
O segundo mergulho à tarde foi no Salt Pier, um cenário totalmente diferente formado por uma construção que mais parece uma nave extraterrestre de filmes hollywoodianos. Entretanto a natureza é tão perfeita que se adéqua a toda essa parafernália metálica e forma um espetáculo ainda mais bonito.
Tarpoon em mergulho no South Pier, no sul de Bonaire
Esponjas e corais incrustados nos pilares, milhares de cardumes de diferentes espécies e tarpons imensos formavam o cenário. Até um spotted drum fish nós encontramos, lindo! O final da tarde é um horário ainda mais bonito para este mergulho, pois a incidência da luz entre as colunas faz um show ainda mais bonito.
Passando por entre os pilares submersos de South Pier, no sul de Bonaire
3° DIA – KARPATA E INVISIBLES – 27/10
No terceiro dia decidimos ir ao norte da ilha, escolhemos o ponto chamado Karpata. Estava cheio quando chegamos, o que só nos deu ainda mais curiosidade e vontade de mergulhar lá. Este foi o dia em que eu mais sofri para compensar a pressão nos meus canais sinusais. Com a mudança de clima a minha rinite atacou e eu fiquei toda entupida. Então o Rodrigo resolveu dar um pulinho lá nos 50m enquanto eu o acompanhava dos 10m.
Mergulhando em Karpata, no norte de Bonaire
Foi um bom teste para a visibilidade vertical do ponto, que não correspondeu às expectativas e por alguns minutos perdi o Rodrigo de vista. Ele voltou todo feliz com o computador marcando 50m de profundidade, nem tão feliz assim quando levou uns cascudos na cabeça! Adora quebrar regras... Do meio para o final do mergulho eu já estava conseguindo compensar melhor e consegui chegar aos 30m de profundidade e ter uma noção melhor da geografia do lugar, com canaletas de areia entre as paredes de corais bem verticais, muito bonito!
Mergulhando em Karpata, no norte de Bonaire
A tarde fomos para o Invisibles, ponto mais ao sul da ilha. Lá foi o local aonde mais vimos os lindos e malditos lions fishes, foram uns 8 ao total! Eles viraram uma praga aqui no Caribe, pois são um peixe intruso vindo do pacífico, venenoso e não possui predador. O nome do ponto é curioso, por que será que se chama Invisíveis? Até onde eu pude perceber pode ter duas explicações: ou é devido a uma segunda barreira de corais que está lá nos 35m de profundidade (onde mora a família inteira dos lions fishes) e se você não sabe dificilmente irá encontrá-la. Ou é pelo imenso jardim de enguias que tem na rampa de areia entre os dois conjuntos de corais. As enguias estão sempre se escondendo, quase invisíveis, mas impossível não notá-las, já que são centenas e centenas, nos olhando de longe curiosas e medrosas quando passamos. É um mergulho lindo!
Muitos Lion Fish em mergulho em Invisible, no sul de Bonaire
4° DIA – HILMA HOOKER – 28/10
Explorando o naufrágio Hilma Hooker, no sul de Bonaire
No quarto dia resolvemos fazer apenas um mergulho, pois pela manhã fomos conhecer o Parque Nacional no norte da ilha. Fechamos nossa passagem por Bonaire com chave-de-ouro, visitando o imponente naufrágio Hilma Hooker. Este navio naufragou em 1984 e levava uma carga de 7 toneladas de maconha. Sua tripulação obviamente fugiu ao ter a carga descoberta. O navio está inteiro e deitado aos 30m de profundidade logo ao lado da parede de corais.
Examinando a âncora do Hilma Hooker, no sul de Bonaire
Estes 27 anos não foram suficientes para esponjas e corais tomarem conta do seu casco, daria até para acreditar se alguém falasse que naufragou há menos tempo. No tour pelo naufrágio podemos ver o seu compartimento de cargas imenso que está aberto, mastro, escadas e até a privada do banheiro pela janela traseira. Ao lado dele me deparei com uma barracuda gigante, devia ter 1,60m pelo menos.
Uma grande barracuda nos acompanha durante mergulho no Hilma Hooker, no sul de Bonaire
É fácil se perder no tempo neste mergulho, um naufrágio tão lindo, visibilidade e temperatura perfeitas, quando vemos já estamos quase entrando em deco. Fomos embora arrastados pela responsabilidade, pois se pudéssemos criávamos guelras e ficávamos por ali, como fizeram uns velhinhos americanos que vimos entrar, ir mais fundo e não vimos voltar. Criaram guelras, é a única explicação! Rsrs! Fechamos nossa parada de segurança nos corais mais rasos nos divertindo com o caranguejo aranha e seu amigo camarão transparente e azul.
Sessão de ioga subaquática em Invisible, no sul de Bonaire
Ao total foram apenas 6 mergulhos em 4 dias. Se dependesse apenas de mim teriam sido 16! Quatro mergulhos por dia incluindo noturnos, que são tranquilos já que o local quase não tem correnteza, é só cair na água. Rodrigo, porém estava em outro ritmo, queria ficar mais tranquilo, aproveitar a nossa estrutura para brincar de casinha. Todos os dias preparávamos um café da manhã gostoso e saudável com iogurte, granola e frutas. Um almoço e jantar de salada verde e peito de frango, comida saudável difícil de achar durante a viagem. Aproveitamos para descansar, trabalhar e assim também poupei as minhas vias aéreas que sofriam com a pressão, por causa da rinite. Nem preciso dizer que já quero voltar, ainda temos mais de 70 pontos para explorar neste pedaço de paraíso na terra.
Pôr-do-sol visto debaixo d'água! (em Invisible, no sul de Bonaire)
Depois da chuca, o Salto Angel com muito mais água, no Parque Nacional Canaima, no sul da Venezuela
Auyantepui, um dos maiores tepuis da Venezuela não apenas em altura, mas também em área é o cenário de muitas histórias, muitas lendas e muitas aventuras. A mais conhecida delas é a destemida aterrisagem feita pelo aviador americano Jimmie Angel, no ano de 1937. Ele sobrevoava a montanha em busca do “El Dorado”. Após a aterrisagem forçada seu avião não tinha mais como decolar e ele, dois companheiros e sua esposa ficaram longos 11 dias presos no alto da chapada de pedras até conseguir encontrar uma rota de descida. Este fato tornou o Auyantepui conhecido entre os aventureiros de todo o mundo e em sua homenagem a cachoeira mais alta do mundo foi batizada de Salto Angel. Seu avião foi retirado do topo do tepui anos mais tarde pelas Forças Aéreas e hoje podemos vê-lo em frente ao aeroporto de Ciudad Bolívar.
O magnífico Auyán Tepui, onde está o Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezuela
Nuvens cercam o Salto Angel, criando uma paisagem ainda mais mágica no Parque Nacional Canaima, no sul da Venezuela
Recentemente com o resgate dos nomes e tradições indígenas o salto volta ao seu nome original, dado por integrantes da tribo Pemón que vive na região há muitas gerações. O Auyantepui, “Montanha do Deus do Mau” sempre foi visto com temor e ares de mistério por estas tribos. Porém hoje são as belezas naturais do temido e gigantesco tepui que sustenta estas comunidades que vivem em torno do turismo. Apenas na Vila de Canaima são mais de 2 mil moradores, que além de suas atividades de pesca e artesanato, já estruturou pousadas e restaurantes para atender a demanda turística.
Arquitetura moderna do Centro Comunitário da vila de Canaima, no sul da Venezuela
Comitê de recepção à Canaima, no sul da Venezuela
Existe basicamente uma forma de chegar ao Salto Angel: voando. O Salto está em meio à floresta venezuelana protegida pelo Parque Nacional Canaima. Esta região é rodeada por florestas, rios e tepuis, montanhas em formato de mesa, ou chapadas como chamamos no Brasil. O acesso principal é o pequeno aeroporto a Vila de Canaima, onde já existe uma grande infraestrutura turística de pousadas, hotéis e restaurantes, além do barco necessário para chegar à base da cachoeira. A outra vila de acesso é Kavac, bem menos acessível e pouco utilizada.
Avião no pequeno aeroporto de Canaima, no sul da Venezuela
Agências de turismo organizam os tours desde de Ciudad Bolívar ou Ciudad Guayana e custam em torno de 250 a 300 dólares os mais baratos. Se você quiser um hotel mais confortável às margens da Lagoa de Canaima como o Venetur e afins, o custo por pessoa deve subir para algo em torno de 500 dólares pelos mesmos 3 dias.
Venda de aertesanato no aeroporto de Canaima, no sul da Venezuela
Nós organizamos nossa excursão ao Salto Angel partindo de Ciudad Bolívar, com a agência de turismo que opera dentro da Pousada Don Carlos, no centro histórico. Foi um dos melhores preços que conseguimos (250 dólares) já incluindo os tranfers aéreos, de barco, hospedagem em Canaima e noite em acampamento próximo ao Salto Angel e toda a alimentação.
Nosso refúgio na Isla Ratón, em frente ao Salto Angel, no Parque Nacional Canaima, no sul da Venezuela
O tour foi bem organizado, as comidas caseiras, mas bem saborosas e o acompanhamento do guia local ok, sem muitas informações já que ele era bem calado, mas perguntando e provocando até que ele interagia. Nos próximos posts segue o diário de bordo do nosso roteiro de 3 dias até o Salto Angel.
Confira a série completa de posts!
• 1º Dia - Chegando ao Parque Nacional Canaima
• 2º Dia - De Canaima ao Salto Angel
• 3º Dia - Sobrevoando o Salto Angel
No barco, a caminho do Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka
Visitando as lindas ruínas jesuítas de San Ignacio Mini, na Argentina
A Província de Misiones na Argentina faz fronteira com o Paraguai e o Brasil, separada respectivamente pelo Rio Paraná e o Rio Iguaçú. Ela divide com o Brasil um dos destinos mais visitados do país e ajuda a criar a polêmica pergunta, qual é o lado mais bonito das Cataratas do Iguaçú, o brasileiro ou o argentino? É difícil realmente escolher, eu gosto muito dos dois e sinceramente acho que a melhor vista é do lado brasileiro, portanto das quedas d´água que estão do lado argentino. Quem sabe assim todos ficam felizes!
Rota das Missões Argentinas
Esta dúvida porém não existe quando o assunto são as missões jesuíticas brasileiras e argentinas. As ruínas dos 7 Povos das Missões no Brasil infelizmente foram muito depredados e o que restou não recebe a devida atenção e infraestrutura. Faltam placas informativas dentro da missão, guias treinados para receber os turistas ou mesmo informações mais detalhadas dentro do museu. Do outro lado, as missões argentinas surpreenderam no cuidado e atenção com o turista, que paga um pouco mais caro pela visita, mas recebe uma verdadeira aula sobre a história e vida dos missionários e indígenas que ali viveram. Cada uma das missões tem um charme diferente e conta uma parte da história que se passou por ali.
Para quem gosta de observar detalhes e gosta de arquitetura, a missão jesuíta de San Ignacio Mini, na Argentina, é imperdível!
Nós cruzamos a fronteira do Brasil com a Argentina por Porto Xavier, a fronteira mais próxima de São Miguel. Depois de uma longa espera na cidade, cruzamos o Rio Uruguai em uma balsa* entre Porto Xavier e San Javier, na Argentina e seguimos direto para a Missão de Santa Ana. Dois dias foram suficientes para conhecermos as ruínas do lado argentino. A cidade de San Ignácio, a 60km de Posadas, é uma boa base para explorar rodas estas ruínas nos seus arredores.
Chegando à fronteira entre Brasil e Argentina, em Porto Xavier, no Rio Grande do Sul
*A balsa Porto Xavier funciona de hora em hora durante os dias de semana e apenas das 8 às 10h e das 16 às 18h aos sábados e domingos. Se você chegar lá em um sábado as 12h, como nós, e tiver que esperar, tem um restaurantinho por quilo quase em frente à Receita Federal que é muito gostoso e tem wifi.
Cruzando o rio Uruguai, entre Brasil e Argentina, em Porto Xavier, no Rio Grande do Sul
Iluminação torna as ruínas da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina, ainda mais belas e instigantes
A Reducción de Nuestra Señora de Santa Ana foi fundada em 1633 e tinha como principal atividade agrícola o cultivo do algodão, milho e erva mate, infusão tradicional da região muito apreciada pelos guaranis. Sua praça central é gigantesca e, seguindo o plano arquitetônico de todas as missões, está rodeado pelas casas dos indígenas, a casa dos padres missionários e a igreja, que ocupava a posição central, defronte à entrada principal da missão. Uma das descobertas mais recentes e únicas dentre as missões jesuíticas está um grande reservatório de água interligado por canais em toda a extensão da missão.
Ruínas da igreja da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina
A decadência de Santa Ana começou 1767, quando os jesuítas foram expulsos dos domínios da coroa espanhola. As missões foram assumidas religiosamente por padres de outras ordens e administrativamente por civis espanholes sem a mínima ideia e aculturamento. Isso somado às guerras que se seguiram no período da independência paraguaia e argentina, levou ao total abandono nos idos de 1820.
As ruínas da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina
Ainda assim ela guarda cenários excêntricos como o cemitério moderno construído sobre o antigo cemitério indígena. Considerado um solo sagrado pelos colonizadores que chegaram após o seu abandono, o cemitério possui lápides e mausoléus que datam até a década de 80, quando foi proibida a utilização para novos enterros. Até hoje os túmulos são visitados pelos familiares dos felizardos que ali descansam.
O assustador cemitério da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina
Ainda que menos restaurada que sua vizinha San Ignácio Miní, a Missão de Santa Ana é muito interessante e até mais emocionante do ponto de vista exploratório. Um dos principais diferenciais desta visita foi o nosso guia Yoyo, turismólogo apaixonado pelo seu trabalho e profundo conhecedor da história e da vida das missões. Ele nos deu uma aula sobre este encontro de culturas, a espanhola e a guarani, que resultou em um trabalho tão rico e curioso. Santa Ana foi considerada Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO desde 1984, junto com as suas vizinhas.
Em belo fim de tarde, caminhando com nosso excelente guia nas ruínas da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina
A Erva Mate
Uma curiosidade é que a erva mate é retirada de uma árvore alta e acreditava-se que só crescia em meio à mata e sombra das grandes árvores. Porém os jesuítas, muito observadores, aprenderam o segredo da semeadura de suas duras sementes, que precisam de uma preparação especial antes do seu plantio. Este segredo foi perdido com o tempo e apenas no início do século XX o mate voltou a ser cultivado.
Com um mapa, nosso guia na Missão de Santa Ana nos dá uma verdadeira aula sobre a história das Missões Jesuítas (próximo à San Ignacio Mini, na Argentina)
San Ignacio Mini, a mais bem conservada e restaurada missão jesuíta na Argentina
A Missão de San Ignácio Miní é a mais famosa de todas as missões argentinas. Fundada próxima ao Rio Paranapanema no antigo estado de La Guayrá, atual estado do Paraná, a redução foi transferida mais de uma vez, fugindo dos ataques dos bandeirantes paulistas e mamelucos. Ela foi instalada em definitivo na localidade atual 1696, com cerca de 3 mil indígenas.
San Ignacio Mini, a mais bem conservada e restaurada missão jesuíta na Argentina
A mais famosa é também a mais conservada e restaurada de todas as missões, o que facilita muito a nossa compreensão do estilo de vida e do dia a dia dos missioneiros. Novamente aqui a igreja está na posição central da praça principal, ao lado direito está o claustro dos padres missionários e ao lado esquerdo o cemitério. Ao redor da praça estão as casas dos moradores, cada tribo subdivididas em bairros e com seu cacique participando do conselho de caciques, na administração local. Do lado esquerdo, além da escola estão também as oficinas de carpintaria, música e outras atividades ensinadas pelos padres aos guaranis, que também mantinham a horta comunal nos fundos da missão.
Painel informativo na Missão jesuíta de San Ignacio Mini, na Argentina
O que mais impressiona nas ruínas de San Ignácio é o elaborado trabalho de entalhe feito nas colunas, portas e janelas da igreja e do claustro. A combinação de elementos católicos com as referências e criatividade dos guaranis deu origem a um novo estilo artístico.
Para quem gosta de observar detalhes e gosta de arquitetura, a missão jesuíta de San Ignacio Mini, na Argentina, é imperdível!
Para quem gosta de observar detalhes e gosta de arquitetura, a missão jesuíta de San Ignacio Mini, na Argentina, é imperdível!
A estrutura turística de San Ignácio é perfeita, um museu bem completo com imagens, histórias, peças arqueológicas que remontam a vida dos guaranis na missão, assim como um interessante comparativo de músicas guaranis, missionais e as músicas missionais interpretadas por guaranis. Lindo! No trajeto não temos um guia nos acompanhando, mas todo o caminho está bem sinalizado e possui mesas com informações e textos gravados em um sistema de som que pode ser ouvido conforme avançamos.
Lendo um dos muitos painéis informativos espalhados pelas ruínas de San Ignacio Mini, na Argentina
À noite o show de som e imagem é um espetáculo à parte. Imagens projetadas em cortinas de água, em árvores e nas paredes das missões contam a vida e a história de San Ignácio Miní, com um simpático personagem indígena como narrador principal. Durante a narrativa vamos acompanhando a vida de um pequeno guarani que se encontra com os jesuítas na floresta. A história é muito bem contada e nos envolve junto da magia das imagens em 3D projetadas enquanto caminhamos pela missão. Um espetáculo com uma concepção artística contemporânea, que soube aliar o antigo e o moderno de forma criativa e de muito bom gosto!
Imagens são projetadas nas ruínas da missão de San Ignacio Mini, na Argentina, durante o ótimo show de sons e luzes
Hologramas criam verdadeiros fantasmas no excelente show de luzes e sons na missão de San Ignacio Mini, na Argentina
Uma das missões menos restauradas a Reducción de Nuestra Señora de Loreto, assim como San Ignácio, também foi fundada em terras brasileiras e depois transferida para o oeste do Rio Uruguai. Essa missão chegou a abrigar mais de 7 mil indígenas e foi muito forte na produção do algodão e da erva-mate, tendo um papel de destaque entre as missões vizinhas.
A mata cobre boa parte da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina
Em Loreto temos a real sensação de como os arqueólogos se sentem ao descobrir novas ruínas! Praticamente todas encobertas pela vegetação e com o trabalho de restauração em estágio inicial, aqui o acompanhamento de um guia se faz necessário e enriquece muito a visita. De forma rápida e objetiva nossa guia percorreu a missão explicando o que cada pedra caída ou montículo de terra significava, nos ajudando a visualizar, em nossa mente, como foi esta antiga missão.
As ruínas da Missão de Santa Ana, próximo à San Ignacio Mini, na Argentina
Loreto recebe todos os anos os peregrinos de Nuestra Señora de Loreto de Pirapó que vem visitar a capela sagrada que fica a 1 quilometro do complexo principal de ruínas.
As ruínas jesuítas de San Ignacio Mini, na Argentina
Ao todo calcula-se que foram construídas em toda a região mais de 30 missões, cada uma abrigando de 1 mil a 7 mil indígenas. O ideal dos padres jesuítas de criar uma sociedade semidemocrática e tendo os ensinamentos religiosos como os pilares da sua educação foi ousado demais para a época. Um lugar onde indígenas teriam os mesmos direitos que homens brancos e onde seus líderes participavam das decisões políticas e econômicas, ensinando-os os modos de vista e costumes europeus, era praticamente uma utopia se tornando realidade. No seu auge as missões eram verdadeiras cidades autônomas, organizadas e que, além de pagar seus impostos à coroa, deviam satisfações apenas ao Papa, obtendo um status de estado independente. A Guerra Guaranítica criou um sentimento de unidade entre os guaranis missioneiros e foi quando tentou-se a criação deste estado, mas infelizmente as forças espanholas e portuguesas foram mais fortes e destruíram por completo uma das únicas chances de uma nação indígena na América.
Quadro mostra como era rezado o Padre Nosso na língua guarani (em San Ignacio Mini, na Argentina)
Dia chuvoso em Corumbau - BA
Nós estamos em um ritmo maluco de viagem, de 2 em 2 dias em uma cidade diferente, recentemente conseguimos parar 4 dias em Itaúnas e mais 4 em Abrolhos, o que já quebrou o ritmo e nos deixou sedentos por colocar o pé na estrada e acelerar novamente! O único probleminha é que São Pedro anda meio mal humorado. As frentes frias do sul tem nos acompanhado fielmente a cada passo da viagem e tem sido difícil nos livrarmos delas. Não podemos reclamar que quando realmente precisamos São Pedro nos ajudou, Abrolhos, por exemplo, o tempo abriu. O mesmo aconteceu quando precisamos de boas condições para o Pico da Bandeira e os mergulhos de Guarapari e Santos.
Coqueiral em Corumbau - BA
Sendo assim decidimos aproveitar os dias de chuva para trabalhar bastante, colocar os blogs e fotos em dia, trabalhar nas áreas do site que ainda não estão ativas para ver se conseguiremos colocá-las no ar logo! Isso não depende apenas de nós, depende também da equipe que está desenvolvendo o site, mas tenho fé que iremos conseguir! Enquanto isso, o corpo também resolve aproveitar para relaxar e ao invés de descansar acaba me dando mais trabalho!
Igreja a venda? (em Corumbau - BA)
Eu sou do tempo que orelha era apenas o órgão externo, a “aba” do ouvido, portanto a dor que sentimos era de ouvido. Todavia hoje as nomenclaturas médicas mudaram e a forma correta de falar é que estou sofrendo de dor de orelha. Todos estes dias de umidade pelo jeito não foram muito bons para esta minha cavidade, que acolheu com todo amor e carinho uma família de fungos que por sua vez desenvolveram algum tipo de micose. Segunda-feira eu fui até o hospital em Caravelas e o médico diagnosticou bem o meu problema, mas infelizmente se confundiu na prescrição. Além do antiinflamatório, que estava correto, ele me passou um antibiótico otológico, mas os fungos não estão nem aí para antibióticos! Assim, de domingo para cá o inchaço, surdez e a dor só aumentaram... um saco! Eu já estava com formigas me pinicando para andar, subir montanhas, andar pelas praias deste litoral baiano, imaginem agora, é um formigueiro inteiro!
Menos mau que está chovendo, aí fico de molho mesmo. Veja como as coisas mudam de perspectiva! Até pouco isso era ruim. Rsrsrs! Com chuva resolvemos seguir viagem até Itamaraju, cidade um pouco maior onde poderia ter estrutura caso necessário e também por ser próxima ao Monte Pascoal. Entre ontem e hoje o tempo deveria estar melhor e aí poderíamos conhecer mais este Parque Nacional. O tempo não mudou e subir uma montanha, por menor que seja, com chuva e dor de orelha, não dá. Decidimos voltar e seguir em direção ao Corumbau, pelo menos lá poderemos ver alguma coisa sem nos molhar tanto, enquanto esperamos o tempo mudar.
O Luz Para Todos, em Corumbau - BA
A Ponta do Corumbau é considerada por muitos a praia mais bonita do litoral sul da Bahia. Uma ponta de areia que avança ao mar, águas azuis, coqueiros, barzinhos na beira da praia e um povo caloroso e receptivo. Vive lotada em todos os feriados, no verão então nem se fala! É até difícil de acreditar, pois hoje, quarta-feira com chuva e vento sul, não foi fácil encontrarmos uma alma para nos receber na vila. As várias placas de “proibido estacionar coletivos” e de limite de decibéis para não perturbar o sossego alheio nos mostram que realmente estamos com sorte de não encontrar ninguém por aqui. Só faltou São Pedro nos acompanhar nessa. A previsão diz que amanhã teremos sol, estamos torcendo para que os garotos do tempo estejam certos desta vez!
Placa dá pista de dias mais "movimentados" em Corumbau - BA
Nessa foto aparecem os dois lagos do interior da cratera do Nevado de Toluca, na região central do México
Toluca é uma das grandes urbes ao redor da Cidade do México, com mais de 840 mil habitantes que participam ativamente da sua vida, emprestando trabalhadores que vão diariamente a capital apenas para o dia de trabalho, assim como Cuernavaca ao sul e Puebla a oeste.
Igreja na praça central de Toluca, no México
O nome Toluca fez parte do nosso cotidiano enquanto dirigíamos para cima e para baixo no DF, encontrando as dezenas de placas que indicavam a 'Autopista Toluca'. A cidade, no entanto, não estava no nosso roteiro até uma semana atrás, quando fechamos o plano de aclimatação para o Pico de Orizaba.
A praça central de Toluca, no México
O grande Nevado de Toluca, ou Xinantecatl, é a quarta maior montanha do México, um dos mais conhecidos e importantes nevados ao redor da capital e do alto dos seus 4680m de altitude é um ótimo campo de treinamento para os mais ávidos montanhistas.
A Fiona e o Nevado de Toluca, na região central do México
Aos que amam montanhas, paisagens vulcânicas, lagos de degelo e um pouco de exercício acima dos 4 mil metros, é o lugar ideal para conhecer um pouco das montanhas mexicanas e adicionar ao seu roteiro algo diferente, uma pitada especial de natureza e aventura. Várias agências de turismo na Cidade do México organizam day tours para o Nevado, com transporte, alimentação e tudo.
Um dos lagos dentro da cratera do Nevado de Toluca, na região central do México
Toluca está a 66km do Vale do México, apenas 1 hora de ônibus do terminal leste da capital. Foi lá que o Gera e a Valéria se encontraram para vir ao nosso encontro. Enquanto eles vinham de ônibus, eu e Rodrigo atravessávamos as montanhas e lagos entre Cuernavaca e Toluca, passando por pequenos povoados, tianguis (feiras livres) e reservas naturais em uma longa jornada pela única região ao redor da Cidade do México que não possui uma autopista. Seguimos de pueblito em pueblito, curtindo cada engarrafamento na pista simples, até o tão esperado encontro no Hotel Colonial, no centro de Toluca.
Colorida igreja em homenagem à Virgem de Guadalupe, no caminho para o Nevado de Toluca, na região central do México
Um passeio pelo centro histórico da antiga cidade espanhola, um jantar bem mexicano e logo estávamos de volta ao hotel nos preparando para a caminhada do dia seguinte. Hoje foram meninos para um lado e meninas para outro, cada qual com seus assuntos e paixões. Gera e Rodrigo falando sobre suas experiências nas montanhas, enquanto eu e Val tirávamos o atraso de quase 1000dias de amizade a distancia, assunto que não acabava mais. A Val trouxe com ela não apenas a sua linda energia e alegria, mas um pedaço de casa, da minha família, de tudo o que mais me faz falta durante essa viagem... Além de umas balinhas de banana de Antonina, Hehehe, amooo!
Nas alturas, o reencontro das amigas no Nevado de Toluca, na região central do México
No dia seguinte cedo estávamos todos prontos para encarar a nossa primeira grande montanha no México. A Val, guerreira, com apenas um dia acima dos 2mil metros lá na Cidade do México, topou a empreitada! A esta altura eu já tinha decidido que não subiria o Orizaba para poder acompanhar a Val nos roteiros de ferias. Então combinamos com os rapazes para acelerarem nos seus treinos, e nós seguimos no nosso ritmo, curtindo a paisagem e respeitando os limites do corpo e da aclimatação.
Admirando a beleza da enorme cratera do Nevado de Toluca, na região central do México (foto de Geraldo Ozorio)
A montanha estava super protegida por viaturas militares, que viam o movimento na estrada da mesma barraquinha onde paramos para a nossa quesadilla de café da manha. Mal sabíamos que na volta, seriamos nós a passar pela revista da operação padrão, com direito a filmagem na televisão mexicana e tudo! Rs!
Com o Gera e a Val, tomando café já na estrada, a caminho do Nevado de Toluca, na região central do México
O Nevado de Toluca nos recebeu com um sol e céu azul maravilhosos, dia perfeito para uma caminhada! Cumprimos tranqüilamente a primeira etapa, subindo até o mirante do Lagos Sol e Luna.
De longe, a Ana fotografa o Rodrigo e o Gera a caminho do cume do Nevado de Toluca, na região central do México
Com o Gera, chegando à cratera do Nevado de Toluca, na região central do México (foto de Geraldo Ozorio)
Daqui começamos a caminhada ao redor da cratera do vulcão, formada há aproximados 10.500 anos, quando se deu a sua maior erupção. Como bem havia descrito Gera, 'uma das crateras vulcânicas mais lindas que já vi na minha vida!' Aqui o Rodrigo e o Gera avançaram para o seu treino, e eu e a Val circulamos a cratera matraqueando sem parar, sinal de que oxigênio não faltava! Rsrs!
Botando o papo em dia no alto do Nevado de Toluca, na região central do México
Toda a caminhada tem vistas maravilhosas, ângulos diferentes para as dezenas de fotografias tiradas neste dia. A etapa final da nossa caminhada de subida foi uma inacabável rampa de cinzas e pedras vulcânicas, mas que com paciência e persistência foi vencida pelas amigas, que chegaram à neve, pouco acima dos 4.400m de altitude! O Ro e o Gera, no maior pique, chegaram ao Pico Águila, a 4.625m de altura!
A Ana e a val na crista do Nevado de Toluca, na região central do México (foto de Geraldo Ozorio)
Pela primeira vez acima dos 4 mil metros, a Val na crista da cratera do Nevado de Toluca, na região central do México
Lá do alto vimos os picos nevados dos vulcões Popo e Itza, a mais de 100km de distancia em linha reta, emergindo das nuvens cinzentas de poeira e poluição da Cidade do México. Uma vista rara, segundo Gera, que já esteve aqui 2 vezes e nunca tinha conseguido observá-los!
Quase no alto Nevado de Toluca, na região central do México. Ao fundo, o Popo e o Itzla, duas das maiores montanhas do país (foto de Geraldo Ozorio)
Feliz da vida, no topo do Nevado de Toluca, na região central do México (foto de Geraldo Ozorio)
Bom agouro para os viajantes e montanhistas! Hoje mesmo cruzamos novamente quase 5 horas de estrada entre Toluca e Amecameca, rumo ao oeste, para continuar a temporada de montanhas. Que venha o Itzaccíhuatl!
Com o Gera e a Val na crista da cratera do Nevado de Toluca, na região central do México
Sobrevoando o gigantesco rio Solimões na região de Tefé, no Amazonas
Quem nos segue sempre já me viu usando essa expressão: degradê cultural. Sempre à apliquei mais à cultura, pois nas nossas aulas de geografia aprendemos sobre as florestas, matas de transição e novos biomas que se seguem, mas culturalmente esquecemos que o mesmo acontece. A mescla, miscigenação e influência das diferentes origens, climas e meio ambiente vai mudando gradativamente a cultura dos habitantes dessas terras. Na nossa viagem vemos e vivemos intensamente este degradê e precisamos apurar o nosso olhar para percebê-lo e dar-lhe o devido valor. Para mim esse olhar é que torna a experiência de viajar de carro muito mais rica.
Porto de Tefé, no Amazonas
Volta e meia, porém, temos a oportunidade de sentir uma coisa diferente, algo que eu sempre fui apaixonada nas minhas viagens e que viajando de carro nós perdemos: o impacto da mudança. Pegar um avião aqui e ir para a Índia, Japão, Estados Unidos, Europa ou até mesmo algum outro canto do Brasil, nos faz sentir o impacto cultural. O tipo de comida, o clima, os sotaques e expressões regionais, a natureza, a cidade, enfim, tudo muda radicalmente!
Uma gigantesca Samaúma, na região de Tefé, no Amazonas
Mesmo já conhecendo o norte brasileiro, voltar à Amazônia depois de uma viagem à São Paulo, foi impactante. Um impacto delicioso, diga-se de passagem. Sair da chuva de lá, para a chuva daqui, com cheiro de mato, aquele calor úmido típico do nosso inferno verde e inclusive os ventos de inverno que deixam o clima bem ameno nessa época do ano. Depois de 2 dias dirigindo de Boa Vista até Manaus era hora de desbravarmos a Floresta Amazônica de um jeito diferente, mais íntimo e muito especial.
Transporte por voadeiras, muito comum em Tefé, no Amazonas
Há mais de 10 anos eu sonho em conhecer a Reserva do Mamirauá. A primeira vez que ouvi falar sobre ela foi através de um amigo que se mudou de Curitiba para viver na floresta amazônica trabalhando nesta reserva. Ele me convidou naquela ocasião e eu, por vários motivos, acabei não conseguindo conciliar a visita, mas a vontade e a promessa de que um dia iria até lá, estava finalmente sendo cumprida.
Em Tefé, pronto para seguir para a Reserva de Mamirauá, no Amazonas
Tefé, a “Princesinha do Solimões”, está no coração da Amazônia e é a Sede do Instituto Mamirauá. Há 575 km de Manaus, Tefé possui uma população de aproximados 62 mil habitantes e é a cidade mais próxima à Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Mamirauá.
Casas ribeirinhas na região de Tefé, no Amazonas
Pegamos o vôo de Manaus a Tefé, vôo lindo sobre a floresta verde entrecortada por rios caudalosos. Adoro voar na Amazônia! Chegando ao aeroporto de Tefé fomos recebidos pela Flávia no aeroporto. O transfer nos levou ao porto de Tefé onde pegamos o barco para mais duas horas de viagem pelo Rio Japurá até a Pousada Uacari.
A caminho da Reserva de Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
Fomos recebidos pela equipe da pousada para uma apresentação geral do hotel, do programa e do grupo que estaria passando os próximos 5 dias conosco na pousada flutuante. Cada casal ou família tem o seu chalé com uma varanda, redes, camas com mosquiteiras, banheiro com água aquecida por placas solares e uma vista incrível para a Floresta Amazônica. Os chalés são interligados por passarelas flutuantes até o prédio principal que, além do bar e restaurante, possui também uma sala onde são dadas palestras e são projetados filmes e documentários sobre a Amazônia.
Palestra de recepção na Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
Após o almoço saímos para o nosso primeiro passeio de barco. Nosso guia Adriano, começou o trabalho de educação sobre a flora e a fauna local, apresentando as árvores, pássaros e os nossos amiguinhos mais comuns por ali, os macacos de cheiro. A luz de fim de tarde nesse lugar é incrível. A floresta espelhada no rio uma das cenas inesquecíveis da várzea amazônica.
A floresta alagada na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
Nós tivemos a sorte de estar lá no mesmo período que os pesquisadores do Projeto Uiareté, projeto que pesquisa as onças pintadas que vivem na várzea amazônica. À noite tivemos uma palestra com o Emiliano Ramalho, biólogo especializado em felinos e que está mapeando a área onde vivem, os hábitos alimentares e peculiaridades desta população de onças pintadas que se adaptou para viver em uma área alagada da floresta.
Encontro com macacos na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
A palestra foi incrível, difícil só é avistar essa bichinha. Elas são exímias nadadoras, se embrenham na mata caçando na água e nas árvores e descansam nos apuís de onça, figueiras com galhos robustos e praticamente horizontais. Depois disso nós não tiramos os olhos dos apuís, mas mesmo Emiliano, que passa boa parte do seu tempo procurando as onças, só consegue encontrá-las com a ajuda de suas antenas de rádio que sintonizam as coleiras com rastreador já colocadas em algumas delas.
Enttrando na belíssima Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
É, essa temporada aqui no Mamirauá promete! A nossa viagem ao coração da Amazônia está só começando.
Onde ficar e Como chegar
Chegando à Pousada Uacari, nossa casa pelos próximos 5 dias na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
A melhor forma de visitar a Reserva do Mamirauá é através dos pacotes oferecidos pela Pousada Uacari. São pacotes de 2, 5 ou 7 dias com hospedagem, alimentação e serviço de transporte, guias e barcos para explorar o local. O Uacari Lodge é um hotel flutuante que faz parte do projeto de sustentabilidade da reserva e abre as portas de um universo verde com todo o conforto, estrutura e informação possível dentro da região de várzea amazônica.
A "frota" de barcos da Pousada Uacari, na Reserva do Mamirauá, na região de Tefé, no Amazonas
O acesso à Reserva Sustentável do Mamirauá se dá através de Tefé, cidade às margens do Rio Solimões. A Trip tem vôos diários para Tefé e de lá o pessoal da Pousada Uacari providenciará o seu transporte de barco para a pousada.

Muitos tubarões durante mergulho em Felipe's Point, em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Providencia está localizada à beira de um abismo submarino, situação ideal para encontrar uma grande biodiversidade marinha. Encontros com tubarões e peixes de grande porte são certos e fazem desta pequena ilha um dos paraísos dos mergulhadores aqui na Colômbia.
Encontro com tubarões durante mergulho em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Com a ajuda de Betito eu agendei um mergulho com o pessoal da Felipe Diving, baseados na Fresh Water Bay. Com um pouco de dor de ouvido o Rodrigo preferiu não arriscar e trocou os mares pelas montanhas, visitando o ponto mais alto da ilha, “O Pico”. Enquanto ele conferia a natureza exuberante, lagartixas azuis e os morros escarpados de Providência, eu desci às águas profundas no ponto conhecido como Felipe´s Point com a promessa de encontrar alguns tubarões.
Muitos tubarões durante mergulho em Felipe's Point, em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Um tubarão se aproxima durante mergulho em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Gata escaldada, nunca alimento esperanças concretas de encontrar esses animais, afinal eles exercem o seu direito de ir e vir nesse imenso mar azul. Mas aqui foi diferente, eles moram nos arredores deste arrecife à beira de um paredão de 500m de profundidade e não tem medo dos mergulhadores que volta e meia vêm os visitar. Black tip sharks e Gray Reef Sharks são os mais comuns nessas águas, eles variam de 1,5m a 3m e são super curiosos, indo e vindo ao redor dos mergulhadores.
Muitos tubarões durante mergulho em Felipe's Point, em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Chegamos a quase 40m de profundidade e ficamos cercados por mais de 10 tubarões, lindos, majestosos e imponentes. Aos poucos percebo que eles estão ficando mais agitados e demorei a entender o motivo. Felipe e seu irmão, que nos guiavam no mergulho, estavam caçando lion fishes (peixes-leão), que são uma praga invasora aqui no Caribe.
Mergulhando junto com tubarões em Providencia, ilha colombiana no Caribe
A memória dos tubarões nem depende do seu aguçado olfato, pois já registrou que esses mergulhadores são fonte de alimento, e sabem disso antes mesmo de eles começarem a caçar. Em poucos minutos o show começa e Felipe, sem roupas especiais de proteção e sem medo algum, começa a provocar os tubarões com um lion fish em seu arpão. Os tubarões ficam bem atiçados e chegam cada vez mais próximos do grupo, que extasiado assistia à cena, impressionados com o que estávamos presenciando.
Alimentando tubarões com lion fish durante mergulho em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Alimentando tubarões com lion fish durante mergulho em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Um dos mergulhadores usava um bastão com uma Go Pro acoplada na ponta, semelhante ao arpão que alimentava os tubarões. Um deles se confundiu e quase levou a Go Pro pensando que era um peixe. Todos os mergulhadores do grupo eram muito experientes, o que garantiu a segurança de todos, mas essa prática é muito delicada e muda o hábito alimentar do animal, que passa a ver nós, humanos/mergulhadores como fonte de alimento. Por isso eu sou contra o shark feeding, embora, de um jeito meio torto, ele cumpra o seu papel de educar e mostrar ao ser humano que os tubarões são animais que merecem ser respeitados e preservados. É importante saber que um mergulho com shark feeding deve ser feito com muita cautela, cumprindo normas de segurança e principalmente com o conhecimento prévio de todos os envolvidos e um briefing detalhado para garantir a segurança.
Fotografando tubarões durante mergulho em Providencia, ilha colombiana no Caribe
No nosso segundo mergulho também encontramos tubarões, arraias, barracudas, muitos lion fishes, lagostas e um cenário espetacular com cavernas e cânions, entre o azul e uma colorida barreira de corais.
Encontro com barracuda durante mergulho em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Tive uma sorte imensa de cair em um grupo especial de mergulhadores convidados pelo Ministério do Turismo Colombiano para divulgar o turismo de mergulho no país. A viagem de familiarização trouxe representantes de operadoras de turismo brasileiras, francesas, americanas e espanholas especializadas em mergulho, para conhecer alguns dos melhores pontos dos mares da Colômbia em San Andres e Providencia, Cartagena, Islas Rosário e Santa Marta. O pessoal da FAM Trip me acolheu e garantiu que nós tivéssemos também a melhor experiência nas ilhas, provando o melhor da culinária e dos mares do Caribe. Após o mergulho fomos até a praia de Suroeste e almoçamos no Divino Niño, restaurante de frutos do mar preparados na brasa à beira da praia. Esta dica valiosa da nossa amiga Fabiola Sad já estava no nosso roteiro e ficou ainda melhor na companhia dessa galera animada!
Celebrando o incrível mergulho com tubarões em Providencia, ilha colombiana no Caribe
À tarde o grupo todo saiu mergulhar enquanto eu aproveitei para fazer um rápido tour de volta à ilha na garupa do Betito. Segundo eles o mergulho foi lindo, viram mais tubarões, tartarugas e ainda tiveram a sorte de cruzar com um cardume de golfinhos! Mergulho excepcionais que sem dúvida estão entre os melhores do Caribe!
Um Cristo submarino em Providencia, ilha colombiana no Caribe
Belo fim de tarde nas ruas do charmoso centro histórico de Camaguey, em Cuba
Camagüey está fora do circuito turístico mais badalado de Cuba. É uma cidade de passagem que muitos conhecem apenas da janela do ônibus a caminho de Santiago. Nós não tínhamos muito tempo, pensamos em apenas passar e seguir direto para Santa Lucia, no litoral de Holguin, porém olhá-la pela janela não parecia justo e decidimos ficar. Cidade colonial, com praças e ruas estreitas e apenas uma pequena parcela do seu centro histórico restaurada, o que lhe confere um ar ainda mais autêntico.
Meio de transporte comum em Camaguey, em Cuba
Após uma longa viagem de Trinidad até Camagüey, uma combinação genética e de mudança de hábitos alimentares fez uma enxaqueca terrível atacar ao nosso companheiro de viagem Rafael. Hospedados na casa de Miriam, tínhamos uma bela infra-estrutura à disposição, assim o mestre-cuca decidiu sair às compras para uma sopa de legumes e nós o acompanhamos.
O cartaz que nos esperava no andar de baixo da Casa de Hóspedes em Camaguey, em Cuba
O sistema econômico é um tanto quanto esquisito. Hoje o país possui duas moedas, a Moneda Nacional (25 pesos = 1 CUC) e os CUCs ou Pesos Convertibles (1 CUC = 0,85 USD). Os salários são pagos em Moneda Nacional e um bom salário pago pelo governo gira em torno de 600 pesos, ou seja, em torno de 24 CUCs (aprox. US$ 27,00). Um dólar vale em torno de 10% menos que um CUC, pois existe uma taxa sobre a moeda americana. A dica é viajar para Cuba com euros que não são taxados e 1 Euro vale 1,26 CUCs (cambio variável).
Arte nas ruas de Camaguey, em Cuba
Detalhe, a moneda nacional só pode ser usada para compras de cesta básica, como os itens que estão na cartela de racionamento de comida que inclui 2,5 kg de arroz, 3kg de açúcar, 1kg de peixe, ½ kg de feijão, 28g de café, 270g de sal e 14 ovos. Um frango é incluído a dieta familiar por mês e carne de vaca só uma vez ao ano e olhe lá! No campo fica um pouco mais fácil, pois além da produção de legumes e verduras, a criação de porcos e galinhas é liberada para consumo próprio. Famílias com crianças até 2 anos recebem também quantidades extras de leite. Além desta cesta básica alguns itens como transporte público podem ser pagos em moneda nacional. Qualquer coisa comprada fora dessa lista deve ser paga em CUCs. Aí você se pergunta, quem ganha CUCs? Apenas quem trabalha com turismo. Então, muitas vezes, o porteiro de um hotel ou um motorista de táxi ganha muito mais com seus preços e suas gorjetas do que um médico ou um engenheiro empregado pelo governo.
Rua de Camaguey, em Cuba
No mercadão de Camagüey vimos na prática como tudo isso funciona, conseguimos comprar legumes e verduras para um balde de sopa por 76 pesos cubanos (MN), o equivalente a 3 CUCs. Para nós isso é muito barato, no Brasil uma compra dessas sairia pelo menos o dobro, ou até mais! Porém para eles, faça as contas... “Tudo subiu de preço, até a cenoura está mais cara”, nos contava a empregada que trabalha na casa de Miriam.
Compras no mercado de Camaguey, em Cuba
Um início de tarde tranquilo para nos recuperarmos da viagem, dores de estômago e cabeça. Enquanto o Rafa preparava a sopa eu e o Rodrigo decidimos sair para conhecer o centro da cidade enquanto ainda havia luz. Caminhamos da praça central até a Praça San Juan de Diós, onde os padrinhos foram nos encontrar depois. Crianças correndo, um grupo de dança ensaiando a apresentação e alguns poucos turistas alternativos caminhando pelas ruas.
Entardecer na Plaza Juan de Dios, em Camaguey - Cuba
Um dos transportes urbanos preferidos no país é o bicitáxi, cidades planas e motor humano forte, saudável e sem emissão de gás carbônico. Pagamos 1 CUC (ou 20MN) e nos divertimos com o nosso motorista que já esteve em serviço militar pelo exército cubano em Angola. Lá conheceu vários brasileiros, chutou que seríamos de Salvador, achou o nosso sotaque parecido. Quase lá! Rsrs!
Meio de transporte em Camaguey, em Cuba
Na volta conhecemos um casal curioso que está cruzando América e África em dois anos em uma bike dupla! Ela é chinesa e ele é francês e ambos largaram tudo para realizar este sonho. Tem gente que é maluca! Hahaha! Conversando um pouco mais nos confessaram que o plano deles é flexível, pegam avião para acelerar alguns trechos e só aqui em Cuba ficarão por mais de um mês. Existem mesmo vários estilos de viagem e eu, pouco apaixonada pelo tema, se pudesse faria todos!
Encontro com um belga e uma chinesa, casal aventureiro que dá a volta em alguns continentes em uma bicicleta dupla (foto de Laura Schunemann em Camaguey - Cuba)
Fechamos a noite com uma deliciosa sopa de legumes by Chef Rafael e em uma longa conversa com a Miriam sobre a mais nova febre em Cuba, a novela “Passione”. Essa foi uma das únicas novelas que eu assisti antes de sair do Brasil, é... confesso que nessa eu grudei! Além de ser engraçadíssimo ver os nossos conhecidos Tony Ramos, Fernanda Montenegro, Aracy e seus colegas hablando español, eu e Laura nos divertimos fazendo suspense para a mulherada que quer saber o que vai acontecer. E não pensem que novela em Cuba é só coisa de mulher! Os homens também adoram assistir, acham as tramas inteligentes, os atores convincentes e acima de tudo, as mulheres brasileiras lindíssimas! É o Brasil faz parte do dia a dia dos cubanos mais do que poderíamos imaginar!
A Ana, Rafa e Laura voltam para casa de bicitáxi, pelas ruas de Camaguey, em Cuba
Entrando de canoa na floresta alagada, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Acordamos na paz da Floresta Amazônica, mas uma coisa ainda nos incomodava. Eu não queria ir embora sem encontrar um Uacari! Obviamente tudo é uma questão de expectativa, onças por exemplo, já sabemos que são mais difíceis de encontrar, então nem esperamos. Mas o Uacari é uma figurinha carimbada nas matas ao redor da Pousada Uacari. A natureza é uma incógnita e sempre pode nos surpreender! Eu não acharia nada mal ver a onça em um apuí lindo (uma onça preta!) e se eu não visse o uacari ficaria triste, mas não decepcionada. Teria sido uma boa troca. Mas tudo apontava que a onça não apareceria, então hoje saímos com um objetivo bem claro: queremos ver o uacari-branco.
Nosso guia nos leva através da floresta alagada, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
O Uacari foi o motivo primeiro para a vinda de Márcio Ayres para essa região, que mais tarde se transformaria na primeira Reserva Sustentável do Brasil. Um primata especial, o uacari branco (cacajao calvus) é um macaco de pelos longos, brancos, loiros ou acinzentados, que pesam entre 2,7kg (fêmeas) e 3,5kg (machos). Eles se alimentam de frutos, sementes, insetos, brotos e néctar no topo da Floresta Amazônica. A sua principal característica é a sua cara vermelha que se destaca na cabeleira branca. Ele é muito silencioso e difícil de ser encontrado.
Encontro com o elusivo Uacari, a espécie de macaco de pelo branco e rosto vermelho que é símbolo da Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Passeando confortavelmente na floresta alagada na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas
Saímos na nossa canoinha com o Izael pela trilha do Juruá Grande, atravessamos o Cano do Pagão e trilha do Apara e em algum lugar no meio dessa confusão de canais e galhos da floresta inundada vimos os uacaris brancos da cara vermelha! Lindos! Um macho corria na frente enquanto a fêmea vinha com seu filhote agarrado no cangote. Foi difícil fotografá-los, estavam longe e eram muito rápidos, mas até que conseguimos um registro da mamãe uacari. Emocionante!
Ao longe, o macaco Uacari, símbolo da Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Saímos pelo cano do Pagão, querendo ficar! Mas já era hora do almoço e a tarde logo teríamos outro passeio. Saímos com a voadeira no Cano do Lago Mamirauá para ver o por do sol e seguimos para o lago passando em frente ao flutuante dos Projeto dos Botos Vermelhos.
O maravilhoso reflexo do céu nos rios que cortam a Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Estação de pesquisa na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Víamos que o tempo estava fechando e na volta conseguimos escapar do temporal com uma parada estratégica no Flutuante de Pesquisa do Instituto. Enquanto chovia lá fora nós jogávamos Uno com os nossos companheiros de viagem, um casal de americanos em uma viagem de 8 meses pela América Latina, outro americano que emendou umas férias rápidas com uma viagem de trabalho ao Brasil e uma mãe paulista, com seus dois filhos que dirige um projeto social lindíssimo em Cotia – SP, o Projeto Ancora.
Em Tefé, no Amazonas, com o grupo que passou conosco os cinco dias na Reserva Mamirauá
Retornamos durante a noite, como planejado, para tentar fazer avistamento noturna da fauna amazônica. Jacarés eram os mais esperados, com um baita holofote nossos guias foram iluminando o caminho, não vimos nada. Mas não importa... só de sentirmos a floresta de noite, escutarmos seus sons e nos localizarmos no mundo (tipo zoom out no Google Earth), foi um momento inesquecível!
Pensativo, observando a grandeza da Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Passeio noturno na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas
Clique aqui para voltar ao post índice.
Os caiaques são muito populares na Laguna Atitlán, na Guatemala. Ao fundo, o vulcão San Pedro
Não poderíamos ir embora desse paraíso sem cruzar ao menos uma vez o lago. O primeiro plano era ir para Santa Cruz de La Laguna, uma pequena vila onde está localizada a única escola de mergulho do lago. Há pouco tempo foi anunciada a descoberta de ruínas de uma cidade maia, a Cidade Escondida.
Bela vista do lago Atitlán em San Pedro la Laguna, na Guatemala
Segundo os locais, todos já sabiam da sua existência há muitos anos, mas foi há pouco tempo que foi iniciado um trabalho de pesquisa. Infelizmente por este motivo está proibido o mergulho no local, embora todos também saibam que alguns “piratas” o fazem. A outra opção de mergulho no lago seria para ver a paisagem de um lago vulcânico, com rochas desta mesma origem e uma falha tectônica que está há uns 17m de profundidade. Diz que se pode sentir o calor vindo da falha, deve ser impressionante! Ainda assim foi difícil convencer o Rodrigo de mergulhar nas águas verdes e geladas, sem muita vida e visibilidade duvidosa.
Cruzando o lago Atitlán de San Marcos para San Pedro, na Guatemala
Assim sendo decidimos conhecer San Pedro, a mais turística das vilas ao redor do Lago Atitlán. A mais festiva, a com o clima mais “mochileiro”, com mais opções de restaurantes, bares, boates, pousadas e com isso algumas das características que acompanham uma cidade.
Ruazinha da área turística de San Pedro la Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala
Mais turistas, mais sujeira, muito asfalto, carros, e os tuk-tuks latino-americanos. Outro detalhe é que San Pedro não tem uma boa “praia” ou acesso ao lago para um mergulho e nem a vista maravilhosa para os três vulcões, que ficam na mesma margem do lago.
Rua movimentada do centro de San Pedro la Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala
Não é que eunão tenha gostado de San Pedro, acho que este clima festivo pode ser bem convidativo as vezes, mas acreditem, mesmo eu que adoro uma festa, achei meio caído depois de passar por San Marcos. Subimos a ladeira, chegamos ao outro cais, onde finalmente o Rodrigo ficou convencido da cheia anormal do lago. Um hotel e restaurante na beira do lago foi completamente perdido, os rapazes na beira do cais nos contaram que há mais de 50 anos não se via uma cheia assim. Os antigos dizem que acontece de 50 em 50 anos, a água subiu em torno de 2 metros e cobriu completamente o passeio e a praia que existia ali. São os efeitos das chuvas demasiadas trazidas por La Niña.
A cheia do lago Atitlán faz estragos em San Pedro la Laguna, na Guatemala
Caminhamos e nos perdemos entre as ruelas e trilhas da pequena cidade. Almoçamos em um restaurante às margens do lago e aproveitamos o final da tarde em uma lage ensolarada tomando uma Brahva Extra, também conhecida como Brahma Extra pelos brasileiros.
Brahva Extra: qualquer semelhança NÃO é coincidência! (San Pedro la Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala)
A propósito, difícil entender por que a Inbev teria mudado o nome da cerveja aqui, mantendo o mesmo logo, mesmo tudo. Um local acha que é para que o nome seja mais forte contra a Gallo, a marca nacional “boa de briga”. Um guia com quem conversamos já teve uma melhor explicação, parece que “brama” aqui quer dizer algo parecido com “tarado”, palavra usada pelos mais velhos e já quase esquecida pelos jovens. Eu voto nessa opção!
Venda de artesanato em San Pedro la Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala
Dia lindo, noite deliciosa para um bom descanso. Amanhã nos despedimos do paraíso e continuamos nosso caminho em direção à fronteira com o México, com um pit stop na cidade de Quetzaltenango.
Irmãs caminham em ladeira de San Pedro la Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala
Blog da Ana
Blog da Rodrigo
Vídeos
Esportes
Soy Loco
A Viagem
Parceiros
Contato
2012. Todos os direitos reservados. Layout por Binworks. Desenvolvimento e manutenção do site por Race Internet
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)





.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)








.jpg)

.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)