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Camila (18/11)
Boa noite!! Adorei seu relato!!! Vou pra chapada e pra terra ronca no rev...
Clécio Lauber (15/11)
Oi, gostaria de conhecer brasileiros em T&T. Estarei em Por of Spain até...
Tulio (13/11)
Poxa Rodrigo, adorei o passeio em maceió, deu para matar um pouco da sau...
Juvenal Rondan (12/11)
Boa noite Rodrigo , eu como peruano gostei muito das suas dicas, voce dev...
Luiza Rodrigues (11/11)
Ola Rodrigo!!!! Que experiência maravilhosa!!! Quanto tempo deu a ida e ...
Viajando na antiga linha de trem entre Bauru, no interior de São Paulo, e Corumbá, no Mato Grosso do Sul, fornteira com a Bolívia (viagem de Julho de 1990)
Nós não estivemos no Trem da Morte durante os 1000dias. Mas como esta é uma viagem icônica dentro do nosso continente, resolvi fazer um relato de uma outra viagem em que passei por aí, em 1990. As fotos são todas da época, quando ainda era um estudante universitário
Talvez, um dos maiores consensos que existe entre direitistas e esquerdistas, idealistas e pragmáticos, liberais e estatistas, radicais e reacionários, seja a necessidade do Brasil aumentar, em muito, sua malha ferroviária, seja de carga, seja de passageiros. Desde minhas aulas de geografia na 5ª série que ouço isso. Uma coisa tão lógica, tão gritante, mas que entra ano, passa ano, entra governo, passa governo, não muda. Ao contrário, só piora. Vemos mais e mais caminhões nas estradas e nem um trenzinho para viajarmos. Tantas linhas que já houveram, no tempo de nossos pais e avós, completamente abandonadas e se deteriorando com o tempo. Uma pena!
Nossa viagem do Brasil a La Paz, na Bolívia. Começamos pela antiga linha de trem Bauru-Corumbá. Já na Bolívia, o famoso Trem da Morte, até Santa Cruz de La Sierra. Daí até Cochabamba e La Paz, de ônibus
Um bom exemplo é a antiga linha de passageiros que unia Bauru, no interior de São Paulo, com Corumbá, no Mato Grosso do Sul, fronteira com a vizinha Bolívia. Essa, pelo menos, ainda tive a sorte de conhecer e usufruir. Foi em seus últimos anos, início de Julho de 1990. Eu, meu primo Haroldo e nosso amigo da UNICAMP, o Marcelo, embarcamos nesse trem para nosso primeiro mochilão pela América do Sul. Naquela época, assim como hoje, a viagem a Machu Picchu era como um batismo para estudantes brasileiros que começavam a se aventurar em viagens ao exterior. E nenhuma viagem a Machu Picchu era completa se não incluísse a viagem no Trem da Morte, a famosa linha de trem que liga Quijarro, na fronteira com o Brasil, com Santa Cruz de La Sierra, já no coração da Bolívia. A partir daí, uma combinação de ônibus, trem e barco nos leva até La Paz, o lago Titicaca, Puno, Cuzco e, enfim, a cidade perdida dos incas. O roteiro dessa viagem icônica não mudou nos últimos 25 anos.
Na estação ferroviária de Bauru, interior de São Paulo, aguardando o trem para Corumbá, na fronteira com a Bolívia (viagem de Julho de 1990)
Com o Haroldo e o Marcelo, embarcando no vagão-dormitório do antigo trem que fazia a linha entre Bauru, interior de São Paulo, e Corumbá, no Mato Grosso do Sul, fronteira com Bolívia (viagem de Julho de 1990)
Durante os 1000dias, eu e a Ana não fizemos esse percurso. Afinal, estávamos de carro, a Fiona. É claro que passamos em La Paz, Cuzco, Machu Picchu, mas os roteiros foram outros. Com isso, um relato sobre o icônico Trem da Morte, talvez a viagem de trem mais famosa do nosso continente, ficaria de fora dos 1000dias. Para sanar essa “falha”, resolvi relembrar minha própria experiência nesse percurso, muito tempo antes de conhecer a Ana ou de comprar a Fiona. Como disse, viajava com o Haroldo e o Marcelo, e tentávamos, como os estudantes de hoje, espremer em 20-30 dias o maior número possível de lugares e atrações de Bolívia e Peru. Afinal, o inverno é a melhor época do ano para se viajar a Machu Picchu (o objetivo maior da viagem) e nós, estudantes, além de pouco dinheiro no bolso, só temos um mês de férias nesse período do ano.
Corredor do vagão do nosso trem entre Bauru, interior de São Paulo, e Corumbá, na fronteira com a Bolívia (viagem de Julho de 1990)
A primeira dificuldade da viagem foi conseguir um bom lugar nesse trem que viajava de Bauru a Corumbá. Uma opção muito mais simpática do que os ônibus interestaduais que os viajantes de hoje tem de tomar. Por sorte, tínhamos uma amiga eu morava em Bauru e ficava de olho, quase que diariamente, na venda de passagens de trens. Em tempos pré-internet, foi ela que conseguiu os lugares para nós. As passagens se esgotavam rapidamente, assim que eram iniciadas as vendas para uma determinada data. Ela ligava lá de tempos em tempos inquirindo sobre as vendas até que, um belo dia, lhe disseram que, não só haviam iniciado a venda, como as passagens já estavam esgotadas. Ela foi para lá pessoalmente, deu em escândalo dizendo que havia tentado no dia anterior e, por passe de mágica, as passagens “apareceram”. Nossa viagem em cabines-dormitório estava garantida! Começaríamos nosso primeiro mochilão internacional com chave de ouro! E assim foi, passamos boa parte das nossas 30 horas de viagem conhecendo pessoas e turistas estrangeiros no vagão-restaurante, conversa sempre regada com muita cerveja. Além disso, tivemos uma boa cama para dormir, muito tempo para fotografar e até uma rápida parada na capital Campo Grande, onde descemos para comprar frutas. Viajar de trem é mesmo uma delícia!
Com amigos holandeses, enchendo a cara no vagão-restaurante do trem que nos levava de Bauru, interior de São Paulo, para Corumbá, na fronteira com a Bolívia (viagem de Julho de 1990)
Por falar nisso, a etapa seguinte da viagem também seria ferroviária. Agora sim, o famoso e temido Trem da Morte. Esse nome tétrico não vem de acidentes fatais ou coisa parecida, mas do fato que o trem foi muito usado para carregar doentes e mortos de uma terrível epidemia de febre amarela que houve no leste da Bolívia já há um século. O apelido, detestado pela empresa, pegou e ficou mundialmente conhecido. Mas, não é pelo fato dele não “merecer” esse nome que faz da viagem um mar de rosas. Mas não é tão mal assim, não. O mais difícil é embarcar. Uma vez dentro do trem, a gente se defende e espera o tempo passar, mais de 15 horas de viagem.
O famoso Trem da Morte chega à estação em Quijarro, na Bolívia. Ele vai nos levar até Santa Cruz de La Sierra(viagem de Julho de 1990)
Uma vez em Corumbá, precisamos pegar um táxi até a fronteira. Aí, fazemos os trâmites burocráticos e, a pé ou de táxi, seguimos para a “cosmopolita” Quijarro, uma cidade que, pelo menos nessa época, era o fim do fim do mundo. Hoje, parece que melhorou um pouco. Mas temos todos de passar por aí, pois é de onde parte o Trem da Morte, único caminho na época em direção à Santa Cruz. Hoje, já há estradas. As passagens de trem se esgotavam rapidamente e quando chegamos à estação, só havia tickets para daí a três dias. Nós não tínhamos esse tempo de folga e muito menos pretendíamos ficar tanto tempo mofando no fim do fim do mundo. A solução foi o famoso “jeitinho boliviano”. Com tantos turistas querendo deixar a cidade, até as passagens no câmbio negro estavam difíceis e apareceu um boliviano com um esquema de nos colocar dentro do trem na estação seguinte, em Puerto Suarez. Ali, ele era amigo do fiscal. Iríamos sem lugar marcado nas cadeiras, mas conseguiríamos partir naquele mesmo dia. Não pestanejamos!
Paisagens bolivianas vistas das janelas do Trem da Morte, entre Quijarro e Santa Cruz de La Sierra (viagem de Julho de 1990)
Paisagens bolivianas vistas das janelas do Trem da Morte, entre Quijarro e Santa Cruz de La Sierra (viagem de Julho de 1990)
Só ficamos meio apreensivos quando fomos num carro baleado, em uma estrada rural, de Quijarro a Puerto Suarez. Se quisessem nos matar e desovar ali mesmo, duvido que conseguíssemos fazer algo. A tensão só terminou quando chegamos á estação. Ali, após um desentendimento sobre preços, acabamos embarcando, para nosso grande alívio. O trem vinha vazio no início da viagem e não foi difícil encontrar assentos livres. Depois, conforme passávamos pelas estações, mais gente entrava e passamos das cadeiras para o chão e, mais tarde, da posição sentada para a levantada, de pé mesmo. As últimas horas foram um sufoco, muito cansados, espremidos, em pé e torcendo para chegar.
mais uma das inúmeras paradas do Trem da Morte, entre Quijarro e Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia (viagem de Julho de 1990)
Brincando com família brasileira em uma das muitas paradas do Trem da Morte, entre Quijarro e Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia (viagem de Julho de 1990)
Mas boa parte da viagem foi gostosa, antes do aperto. Fizemos vários conhecidos, entre bolivianos, gringos e brasileiros. Tinha até um simpático casal com três filas pequenas. Haviam comprado a passagem com vários dias de antecedência e ficaram esperando na muito mais simpática Corumbá. Mesmo com os assentos, o pai acabou se arrependendo de não ter levado as filhas em um avião, ao invés daquele trem apertado. Era interessante também durante as paradas, quando os vagões eram invadidos por vendedores ambulantes que gritavam com toda a força dos pulmões. Muita gente comprava frango com farofa, que vinha dentro de um saco plástico, e comia tudo ali mesmo, com as mãos, deixando o ambiente bem “perfumado”. Nós ficamos apenas nas “mandarinas”, que é o nome que eles dão as mexericas. A paisagem do lado de fora também era bem bonita em alguns trechos, grandes rochedos se erguendo bem acima da planície verde. Volta e meia o trem parava no meio do nada, até por meia hora, para esperar que algum outro trem passasse no sentido contrário. Era ótimo para esticarmos as pernas e socializarmos um pouco com os outros passageiros.
No caminho para Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, o Trem da Morte vai ficando cada vez mais e mais cheio (viagem de Julho de 1990)
Por fim, já no escuro e extenuados, chegamos à Santa Cruz. Tínhamos ficado amigos de um estudante boliviano no Brasil que voltava para sua casa em Cochabamba. Fomos com ele a um hotel bem tranquilo, perto da estação mesmo. Aí desmaiamos em nossas camas e, no dia seguinte cedo, o Haroldo foi com ele à rodoviária. Daqui para frente não há mais trens, apenas no Peru. Ele ajudou o Haroldo a comprar passagens de ônibus até La Paz, com uma parada rápida em Cochabamba, para o início da tarde. Com o pouco tempo que tínhamos para ir até Cusco, Arequipa, Lima, Cordilheira Blanca (Huaráz) e Iquitos, na Amazônia peruana, de onde retornaríamos ao Brasil de barco pelo rio Amazonas, nossa ideia era passar o mais rápido possível por esse início de viagem. O primeiro lugar em que pretendíamos fazer algum turismo era mesmo na capital boliviana. Assim, aqui em Santa Cruz, fomos direto para a gostosa praça central, principal atração dessa que é a segunda maior cidade do país. Segunda maior, mas a primeira em força econômica. Santa Cruz não se parece em nada com La Paz, muito menos indígena que a capital e construída numa altitude “civilizada” de 600 metros. Passamos momentos agradáveis aí e eu me diverti com um bicho-preguiça que se movimentava com aquela sua pressa característica nas árvores frondosas que dão sombra à praça. Em frente, está a catedral metropolitana, arquitetonicamente a construção mais interessante de Santa Cruz.
A praça central e a catedral de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia (viagem de Julho de 1990)
O Haroldo descansa na praça central de Santa Cruz de La Sierra, enquanto aguardamos o horário de nosso ônibus para Cochabamba, na Bolívia (viagem de Julho de 1990)
Embarcamos no nosso ônibus que faria a longa viagem até La Paz. Hoje, essa estrada está toda asfaltada, mas naquele tempo, pelo menos até Cochabamba, era praticamente tudo de terra. Ainda muito cansados, dormimos boa parte das 13 horas de viagem, só acordando com os gritos dos vendedores ambulantes, que invadiam o ônibus da mesma maneira como invadiam o Trem da Morte, nas paradas. Também tivemos de lidar com um fiscal que queria nos vender uma “autorização para estrangeiros viajarem na Bolívia”. Os recibos que ele tinha só faziam referência a autorização para menores de idade viajarem, nada a ver com estrangeiros. Para sua fúria, mandamos ele plantar batatas. Ele jurou e ameaçou que teríamos de descer mais adiante e só ficamos mais tranquilos depois que esse incidente ficou meia hora para trás. Os outros passageiros nos confidenciaram que aquilo não estava certo. Enfim, na manhã seguinte chegamos aos 2.600 metros de altitude de Cochabamba, a quarta maior cidade do país, com 600 mil habitantes, metade de Santa Cruz.
A paisagem árida e os sinais de pobreza na viagem de ônibus subindo para o altiplano, entre Cochabamba e La Paz, na Bolívia (viagem de Julho de 1990)
A paisagem árida e os sinais de pobreza na viagem de ônibus subindo para o altiplano, entre Cochabamba e La Paz, na Bolívia (viagem de Julho de 1990)
Aí passamos quase duas horas. Levamos um susto quando o ônibus nos abandonou na rodoviária e foi para a garagem com nossas mochilas dentro. Na volta, para nosso alívio, vimos que elas estavam intactas. Eram preocupações que todos tínhamos, tantas histórias que ouvíamos de quem já tinha feito essa viagem. Na maioria das vezes, exageradas. Mas, melhor pecar pelo excesso do que ao contrário. Bom, o ônibus voltou com nossas mochilas incólumes e nós seguimos para La Paz. Agora sim, saímos de uma paisagem relativamente familiar e entramos em outro mundo: o altiplano. Foi fantástico! Para quem chega lá pela primeira vez, como era nosso caso naquela época, é inesquecível. Paisagem árida, ar limpo, os Andes no horizonte, muita pobreza aparente. A estrada continuou de terra por toda a subia e foi apenas nos aproximando de La Paz que voltou o asfalto. Nossa alimentação nas últimas 24 horas tinha sido apenas de mandarinas e ansiávamos chegar à capital e iniciar, finalmente, a fase de turismo da viagem. Aquelas primeiras horas no altiplano tinham nos prometido todo um mundo novo de paisagens, cheiros, sensações. Sem dúvida, estávamos muito cansados da viagem quase incessante desde que tínhamos partido de Bauru, mas animadíssimos com o que nos esperava pela frente.
Ponto de parada de ônibus no percurso entre Cochabamba e La Paz, na Bolívia (viagem de Julho de 1990)
P.S Para quem se interessar, os relatos dessa viagem de 1990 que estão no site dos 1000dias são:
1 - A viagem no Trem da Morte (este post!)
2 - A subida do Chacaltaya, em La Paz
3 - A Trilha Inca até Machu Picchu
4 - Viajando pelo rio Amazonas do Peru ao Brasil
Visitando o mirante de onde se pode observar o vulcão e a antiga capital, Plymouth, destruída nas erupções dos últimos 15 anos, em Montserrat, no Caribe
A história de Montserrat seguiu o mesmo padrão das outras ilhas do leste do Caribe: ocupada primeiramente pelos índios Arawaks que acabaram expulsos pelos guerreiros Caribs; descoberta por Colombo, foi ignorada pelos espanhóis; acabou ocupada por ingleses pouco mais de um século mais tarde, que rapidamente se livraram dos Caribs; o plantio original de tabaco foi logo substituído pela cana-de-açúcar, no sistema de plantation; mão-de-obra majoritariamente escrava, trazida da África, mas também havia uma parcela razoável de trabalhadores irlandeses católicos, em condições quase tão severas como a dos negros.
Vulcão fumegante visto do observatório em Montserrat, no Caribe
Fim da escravidão no início do séc XIX, crise no sistema econômico da ilha. Aos poucos, as coisas vão de ajeitando e o turismo vai ganhando força. Além das belezas de uma ilha caribenha montanhosa, dois outros aspectos atraem estrangeiros: a ilha tem “facilidades fiscais” e rivaliza com as Ilhas Cayman na atração de bancos durante a década de 80; e uma importante gravadora de música se instala na capital Plymouth, atraindo bandas importantes como Rolling Stones e Black Sabbath para vir gravar seus discos aproveitando-se da tranquilidade de Montserrat.
As marcas de um fluxo piroclástico no vulcão de Montserrat, no Caribe
Tudo indicava que Montserrat seguiria o caminho das ilhas vizinhas e conseguira sua independência dentro do Commonwealth em poucos anos. Mas a mãe-natureza tinha outros planos, infelizmente. Em 1989 o furacão Hugo atinge a ilha com força total, ventos com velocidade sustentada acima dos 220 km/h. Quase 90% das estruturas são danificadas. A tal gravadora muda de endereço e as estrelas do rock não aparecem mais. Mas as belezas e tranquilidade da ilha continuam atraindo turistas...
Nosso jipinho em Montserrat, no Caribe, nos leva para perto do vulcão
Pelo menos até 1995. É quando o vulcão Soufriere Hills desperta, depois de estar adormecido por séculos, desde antes de Colombo. Logo abaixo do vulcão está a vibrante capital Plymouth, com hotéis, bancos, praças e prédios públicos. Boa parte dos 13 mil habitantes de Montserrat vive por lá. O vulcão não está para brincadeira e as autoridades conhecem bem o exemplo do vulcão da Martinica e da enorme tragédia de 1902. Assim, a população é logo evacuada, depois que as nuvens de cinzas começam a enterrar a capital. Pior são os fluxos piroclásticos que descem a montanha destruindo tudo no seu caminho. É o caso da erupção de 97, que mata 19 pessoas.
Visitando o mirante de onde se pode observar o vulcão e a antiga capital, Plymouth, destruída nas erupções dos últimos 15 anos, em Montserrat, no Caribe
Depois dessa segunda erupção, Plymonth é definitivamente abandonada. Boa parte da população migra para as ilhas vizinhas e, principalmente, para a Inglaterra. De 13 mil, a população baixa para 4 mil pessoas. Uma boa parte dos empreendedores abandona a ilha e quem fica para trás são os mais teimosos, os mais simples, mas também aqueles que mais amam a sua terra.
Chegando à área proibida da ilha de Montserrat, no Caribe
É por causa deles que a Inglaterra desistiu de simplesmente fechar a ilha. Acabou optando por criar a “zona de exclusão”, que ocupa toda a metade sul de Montserrat, onde está o vulcão. Quem quiser continuar a morar em Montserrat, deve morar na parte norte! Por arbitrário que possa parecer, foi essa medida que evitou mortes nas erupções de 2003 e de 2010, que acabou por enterrar o antigo aeroporto de Montserrat sob milhões de toneladas de rochas. A mesma erupção que criou a praia em que estive com a Ana na manhã de hoje! Se por um lado destrói, por outro também cria! Além da praia, a ilha ganhou vários novos quilômetros quadrados sobre o mar.
Praia nova em Montserrat, no Caribe, feita de cinzas de vulcão
Pois é, um mês antes de iniciarmos nossa jornada de 1000dias por toa a América, esse vulcão provocava uma enorme chuva de cinzas que atingiu até suas vizinhas Antígua e Guadalupe. Desde então, tem estado sossegado. Sabe-se lá até quando...
O fluxo piroclástico deixou apenas a torre de observação do antigo aeroporto à vista, perto de Plymouth, em Montserrat, no Caribe
Pudemos observar o vulcão e seus estragos mais de perto a partir de ontem, depois do almoço, quando alugamos um carro. A primeira parada foi no “Observatório do Vulcão”, local onde ficam os estudiosos que permanentemente estudam e vigiam a montanha fumegante. De lá, temos uma incrível visão desse monstro. Também há vídeos e material informativo sobre as erupções e processos geológicos, mas a gente chegou meio tarde para ver isso.
A impactante visão apocalíptica da antiga capital, Plymouth, destruída pelo grande vulcão de Montserrat, no Caribe
Mas a visão mais impactante é aquela que se tem do alto da Garibaldi Hill, de um mirante onde se pode observar a antiga capital, Plymouth. É dali que podemos ver as marcas dos fluxos piroclásticos descendo as encostas do vulcão e cobrindo boa parte da cidade. Dessa distância, podemos ver a real escala das coisas, de como as casas, ruas e até mesmo a cidade são minúsculas ao lado do vulcão e de como, em pleno séc XXI, ainda somos completamente indefesos frente às grandes forças da natureza.
A impactante visão apocalíptica da antiga capital, Plymouth, destruída pelo grande vulcão de Montserrat, no Caribe
Uma visão parecida tivemos na manhã de hoje, quando fomos na praia nova, feita de cinzas da última erupção. Ali estamos bem perto do antigo aeroporto, atingido em cheio pelo último fluxo piroclástico. Tudo o que se pode ver é a ponta da antiga torre de controle do aeroporto. Impressionante!
Restos de uma casa no caminho de um fluxo piroclástico, em Montserrat, no Caribe
Impressionante também foi cruzar, ontem, de carro, o caminho aberto na mata por um desses fluxos piroclásticos. Um cenário de guerra. Ali no meio, os restos do que foi uma casa. Não é o lugar para se estar, na hora errada!
Nosso amigo portuário que nos salvou com uma carona no dia anterior, em Montserrat, no Caribe
Mas o vulcão não destruiu tudo. Apenas o que estava no seu caminho! O que estava fora dele ainda está lá. Florestas verdejantes, lar do gigantesco sapo conhecido como “mountain chicken”, que nossa amiga bióloga de ontem tenta salvar da extinção. Lar também de galináceos de verdade, selvagens, que nos acordavam todas as manhãs com a sua cantoria.
Nos admiradores em restaurante no interior de Montserrat, no Caribe
Mais do que isso, a ilha é o lar de um povo orgulhoso e feliz de onde mora, gente que não troca Montserrat por nenhum outro lugar do mundo. Pessoas que estavam sempre querendo nos ajudar, curiosos sobre nossas aventuras e certos de que essa ilha seria o nosso lugar predileto nesse enorme continente. Predileto, não sei... mas especial, isso sim, com certeza! Tanto que, no final da tarde, quando sobrevoávamos as belíssimas praias de Antígua e seu cenário caribenho típico, ainda eram as montanhas de Montserrat que ocupavam nossas mentes.
A bela visão aérea de Antígua e do Mar do Caribe. chegando no pequeno avião de Montserrat
Vamos ver até quando... De volta à Antígua, jantamos numa pizzaria mais arrumadinha no centro e fomos dormir cedo, pois madrugaremos amanhã. Nosso voo para a Europa sai às 06:30. Europa? Pois é, um voo de 25 minutos nos levará para Guadalupe, um pedaço da França em pleno Caribe. Já estou tentando mudar meu canal de línguas no cérebro. Mas tenho a impressão que ainda vou sonhar esta noite com Montserrat. Bom, se o sonho for em francês, já vai estar valendo!
A bela visão aérea de Antígua e do Mar do Caribe. chegando no pequeno avião de Montserrat
Na Lagoa da Conceição, o mais conhecido cartão postal de Florianópolis, em Santa Catarina
Acordamos no dia 17 decididos a ir ao principal cartão postal de Florianópolis, a Lagoa da Conceição, e às praias ao seu redor, como a Joaquina e a Praia Mole. A lagoa, tecnicamente uma laguna, com pouco mais de 15 km2 de área, fica na parte central da Ilha de Santa Catarina, poucos quilômetros a leste do centro da cidade. Junto com a lagoa do Peri, mais ao sul, são os principais corpos d’água no interior da ilha, mas a Conceição é a mais conhecida, movimentada e badalada. Para que vem do centro e a vê pela primeira vez do alto do morro que a separa da cidade, é uma visão de perder o fôlego, não só a mais bela de Florianópolis, mas também uma das mais lindas de todas as capitais brasileiras. Aliás, se há alguma capital brasileira que pode desafiar o Rio de Janeiro no quesito belezas naturais, bem-vindo a Florianópolis!
Foto de satélite da Ilha de Santa Catarina (Florianópolis). Estão apontados os dois maiores lagos; a lagoa do Peri, no sul da ilha, e a Lagoa da Conceição, a maior deles, na região central
A região da lagoa da Conceição, em Florianópolis. O Canto da Lagoa fica ao sul e as principais praias são a Joaquina (surfe), Mole (badalação), Galheta (nudismo) e Barra da Lagoa (mochileiros)
Não sei se a beleza do local influenciou, mas foi aqui que foi instalada uma das mais antigas freguesias da ilha, em 1750. “Freguesias” eram os antigos povoados, ainda na época colonial, que não tinham tamanho suficiente para serem considerados “vilas”. A administração portuguesa havia decidido, poucos anos antes, ocupar a Ilha de Santa Catarina, antes que os espanhóis o fizessem. Essa área do país era disputada pelas duas nações. Para isso, foram trazidos milhares de habitantes das Ilhas Açores, no Atlântico, que foram distribuídos por diversas freguesias ao longo de todo o litoral de Santa Catarina, incluindo a região da atual Florianópolis. Na ilha, eles se instalaram primeiramente na região da lagoa da Conceição e de Santo Antônio de Lisboa, na costa oeste. Essa origem açoriana deixou fortes marcas na cidade, como no sotaque cantado, na arquitetura de algumas igrejas, na comida ligada ao mar e na renda de bilro. É aqui na Conceição e na sua famosa “avenida das Rendeiras” que se pode melhor encontrar esse artesanato de tradição e técnicas centenárias.
Lagoa da Conceição, cartão postal de Florianópolis, em Santa Catarina
O Canto da Lagoa, parte sul da Lagoa da Conceição, leste de Florianópolis, em Santa Catarina
Admiradores que somos dessa cidade, já viemos à Conceição dezenas de vezes. Mas nunca nos cansamos de admirar o visual que se tem do alto do morro. Dali se vê quase toda a lagoa, seu enorme lado norte, que se estica até onde a vista alcança, seu pequeno e exclusivo lado sul, o Canto da Lagoa. Separando as duas partes, uma pequena ponte por onde se estrangula o pesado trânsito que vem das praias, principalmente nos finais de tarde na época da temporada. Tão belo e tão infernal, não é incomum perder mais de uma hora para se percorrer uns poucos quilômetros. É o lugar certo, mas na hora errada!
Restaurante na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, capital de Santa Catarina
Em restaurante na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, capital de Santa Catarina
Foi quase o que aconteceu conosco na noite de ontem, quando voltamos por aqui vindos da praia dos Ingleses, no norte da ilha. Deu um belo trabalho passar pela Praia Mole e chegar até a Avenida das Rendeiras. O trânsito ainda estava pesadíssimo até a ponte sobre a lagoa, mas nós paramos antes disso em um dos bons restaurantes da avenida e nos esbaldamos num delicioso jantar. A região da lagoa é conhecida pelas excelentes opções culinárias e, um pouco mais tarde, pelas baladas movimentas no chamado “centrinho da lagoa”. Depois do jantar, o trânsito já estava bem mais leve e retomamos nosso caminho para a Beira-mar, no centro.
1000dias na Lagoa da Conceição, o mais conhecido cartão postal de Florianópolis, em Santa Catarina
A ponte da Lagoa e a Avenida das Rendeiras, na Lagoa da Conceição, leste de Florianópolis, em Santa Catarina
A Lagoa da Conceição e o mar ao fundo, leste de Florianópolis, em Santa Catarina
Hoje, cá estávamos de volta, agora com a luz do dia para poder aproveitar o visual e tirar fotos. Do alto do mirante, além da lagoa, também podemos ver a costa leste da ilha, as famosas praias da Joaquina, Mole e Barra da Lagoa, o azul do oceano ao fundo. Bastante marcante também é o lençol de dunas que se estende da Avenida das rendeiras até a Joaca, apelido carinhoso da Praia da Joaquina. Aliás, antes de ter esse nome (e apelido), a Joaquina era conhecida como Para das Dunas, pois a única forma de chegar até lá era através de uma longa caminhada pelas dunas. Deveria ser incrível! Mas a estrada chegou até lá há meio século e a praia ganhou o novo nome, esse que ficou famoso no mundo inteiro, pelo menos dentro da comunidade surfística.
Praias na região da Lagoa da Conceição, leste Florianópolis, em Santa Catarina
Praia da Joaquina, costa leste de Florianópolis, em Santa Catarina
Praia da Joaquina, costa leste de Florianópolis, em Santa Catarina
Assim como a Praia Mole, um pouco mais ao norte, a Joaquina é completamente voltada para mar aberto, para o oceano. A rebentação chega com força e a praia virou point de surfistas desde a década de 70. Passou a fazer parte do calendário de competições nacional e internacional e junto com a fama e esses eventos veio (e vem!) gente jovem, bonita e sarada. Se além de azarar, você também quiser entrar no mar, vai ter de saber nadar e não ter medo de água fria, talvez a mais gelada da ilha. Mas se quiser apenas caminhar na areia, a praia vai longe. Mais de 3 quilômetros até o Campeche, as duas praias na mesma faixa de areia. A divisão é apenas por convenção. E aí, são outros tantos quilômetros de praia. Se não estiver se sentindo tão atlético assim, são muitas opções para boa comida e cerveja gelada. Só torça para não estar ventando muito, que também é muito comum por aqui.
Surfista toma vaca na praia da Joaquina, costa leste de Florianópolis, em Santa Catarina
Surfistas de long board na praia da Joaquina, costa leste de Florianópolis, em Santa Catarina
Nesse caso, afaste-se do mar e caminhe pelas dunas. São belíssimas e dizem que foi por aqui que nasceu o “sand board”, o surfe na areia, descendo a duna sobre uma prancha mais parecida com a de skate do que com a de surfe original. Várias tendas têm as pequenas pranchas para alugar e no verão as dunas são quase tão movimentadas como a própria praia.
Caminhando nas dunas da praia da Joaquina, em Florianópolis, em Santa Catarina
Caminhando nas dunas da praia da Joaquina, em Florianópolis, em Santa Catarina
A Joaquina foi nosso destino depois de algum tempo no mirante do morro, fotografando a bela paisagem sobre nossos pés. Cruzamos o centrinho da lagoa, cruzamos a ponte e atravessamos toda a Avenida das Rendeiras, na orla sul da parte norte da Conceição. Daí se pode admirar as pessoas fazendo esporte nas águas salobras da lagoa, como o Wind surf e o kite. Tem até alguns banhistas também, embora nessa parte da lagoa, muitas vezes o banho não seja recomendado por causa da sujeira na água (que pecado!!!). No fim da avenida, seguimos para a Joaquina e nos afastamos da muvuca inicial caminhando para o sul.
Fim de tarde na Praia da Joaquina, em Florianópolis, capital de Santa Catarina
Aproveitando a tarde na praia da Joaquina, costa leste de Florianópolis, em Santa Catarina
O dia estava lindo e arriscamos até alguns mergulhos. Mas o vento chegou e não demorou muito para a praia ficar bem vazia. A gente se refugiou em algum dos restaurantes e depois foi passear nas dunas. Já no meio da tarde, foi a vez de irmos explorar o belo costão na parte norte da praia. Do alto das pedras se tem a melhor visão dos surfistas que se arriscam nas enormes ondas ali do lado. Foi aqui que vi a Joaquina pela primeira vez, um quarto de século atrás. Em 1989 ela já era famosíssima no país e lembro-me de ter ficado emocionado aqui nessas mesmas pedras. Hoje as ondas não estavam tão grandes, mas o fim de tarde estava lindo como sempre!
Fim de tarde na Praia Mole, em Florianópolis, Santa Catarina
Fim de tarde na Praia Mole, em Florianópolis, Santa Catarina
Saciada a nostalgia, voltamos para o carro e seguimos para o norte. O destino era a vizinha Praia Mole, do outro lado do costão de pedra. Além do mar cheio de ondas, essa praia é famosa por sua badalação e azaração durante o dia. Muita gente bonita mesmo. No verão, parece até desfile. Nesse dia, chegamos meio tarde e os bares em frente à praia já começavam a esvaziar. Tomamos nosso “drinque” e prometemos voltar outro dia, mais cedo. Cumprimos apenas metade da promessa. Voltamos sim, vindos da Barra da Lagoa, mas acabamos por chegar tarde novamente. Enfim, outras oportunidades não faltarão.
Praia da Barra da Lagoa, costa leste de Florianópois, em Santa Catarina
Ponte sobre a barra da lagoa da Conceição, em Florianópolis, Santa Catarina
Ao lado da Praia Mole, numa curta caminhada na areia entre grandes pedras, no seu lado norte, está outra famosa praia da cidade, a Galheta. A fama vem do fato de ser uma praia de nudismo, a única da ilha. Na temporada, está todo mundo nu por ali, mesmo. Mas já viemos aqui em outras épocas e pudemos chegar até lá vestidos. A praia é linda e só podemos dizer que esses naturalistas tem muito bom gosto! Nesse dia, com o vento que estava, imagino que ela estivesse bem deserta, mas nós não fomos até lá. Quase sem luz, preferimos mesmo o drinque em frente a Mole, uma conversa (mole) com uns gringos que ali estavam e o retorno para casa, no centro.
A Barra da Lagoa, em Florianópois, em Santa Catarina
A barra da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, Santa Catarina
No dia 22, voltamos à carga nesse lado da ilha. Dessa vez, o destino foi a Barra da Lagoa, ainda um pouco mais para o norte. Eu adoro esse “bairro” da cidade e muitas vezes fiquei em pousadas por aqui. O nome vem do fato que aqui está o canal que liga a Conceição com o mar. Água bem clarinha, muitos barcos e canoas ancorados, um charme só. Alguns bares na beira do canal, uma praia de ondas mais tranquilas, um pequeno farol e uma ponte para pedestres atravessarem o canal completa o cenário quase idílico. O clima é muito mais relaxado que na vizinha Praia Mole, as pessoas menos preocupadas em verem e serem vistas, apenas curtindo a bela natureza ao seu redor.
Arte nos becos da Barra da Lagoa, em Florianópolis, Santa Catarina
Arte nos becos da Barra da Lagoa, em Florianópolis, Santa Catarina
Caminhando nos becos da Barra da Lagoa, em Florianópolis, Santa Catarina
Talvez por isso o bairro atraia tantos mochileiros. Atravessando a ponte, nos becos do outro lado do canal onde não se chega de carro, há vários albergues e pousadas para este tipo de público. É também por aí que passamos para pagar a trilha que dá a volta em toda a península. Não tínhamos tempo para fazer todo o caminho (e voltar, pois a Fiona nos esperava por ali), mas resolvemos ir até umas pedras que formam piscinas naturais no mar e propiciam uma bela vista da Barra da Lagoa e do oceano à frente.
Prainha da Barra da Lagoa, costa leste de Florianópolis, em Santa Catarina
Trilha na região da Barra da Lagoa, em Florianópolis, Santa Catarina
Trilha na região da Barra da Lagoa, em Florianópolis, Santa Catarina
No caminho, passamos pela Prainha da Barra Da Lagoa, com algumas poucas dezenas de metros, mas famosa pelo movimento de fim de tarde, um pequeno futebol e um bar conhecido por seu churrasco. Não paramos na ida, preocupados em chegar às tais pedras. Mas na volta, foi aí que nos enrolamos bastante, felizes em acompanhar o movimento, mas perdendo a chance de chegar à Praia Mole antes do final da tarde. Enfim, porque trocar o certo pelo duvidoso, se ali já estava bom demais?
Caminhada na Barra da Lagoa, em Florianópolis, capital de Santa Catarina
Caminhada na Barra da Lagoa, em Florianópolis, capital de Santa Catarina
Aliás, bom demais é esta parte da ilha, desde que você não caia em algum congestionamento. Boas praias, gente bonita, visual maravilhoso, excelente oferta de comida, recantos charmosos e baladas concorridas. Uma visita à Florianópolis nunca é completa sem pelo menos uma passadinha no seu mais famoso cartão postal!
O mar da região da Barra da Lagoa, em Florianópolis, Santa Catarina
Encontro com lhamas na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru
Hoje deixamos Puerto Maldonado para trás e retomamos a nossa “volta” por Peru e Bolívia. Um circuito com cerca de 3 mil quilômetros de extensão saindo do Brasil pelo Acre, na cidade de Assis Brasil, e voltando ao país por Rondônia, na cidade de Guajara-Mirim. No caminho, um pouco de tudo: a Amazônia peruana, as cidades incas de Cusco e Machu Picchu, as belezas do lago Titicaca com suas ilhas flutuantes, a confusão contagiante da capital boliviana de La Paz e uma das mais temidas estradas do continente, a Carretera de La Muerte, também na Bolívia. No meio disso tudo, a incrível beleza dos Andes e do altiplano, o planalto mais alto das Américas. Enfim, um prato cheio para qualquer aventureiro. E o melhor de tudo: esse circuito pode ser feito de carro, por nós, brasileiros. Basta um pouco de disposição, um mês de calendário e a vontade de conhecer paisagens e culturas completamente diversas das que estamos acostumados aqui no Brasil!
Nosso roteiro planejado por Peru e Bolívia, saindo do Brasil pelo Acre e voltando por Rondônia. No caminho, Cusco, a região do Titicaca, La Paz e a famosa Estrada da Morte
É claro que nós não poderíamos deixar esse circuito de fora dos 1000dias! Já tínhamos estado no Peru e Bolívia nessa viagem, mas deixamos as regiões cobertas por esse roteiro para fazer agora, justamente quando tínhamos planejado conhecer os estados do Acre e Rondônia, pontos de entrada e saída desse roteiro. Para melhorar mais ainda, vamos receber uma “visita”, o Gustavo, diretamente de Curitiba, que vai voar para Cusco para passar 10 dias conosco explorando as atrações da região. Com datas para chegar e partir, tratamos de adaptar nosso caminho e calendário a elas, o que não é difícil em uma região com tantas alternativas. Planos feitos, começamos o tal circuito há uma semana, saindo de Porto Velho para uns dias no Acre e, de lá, já em território peruano, para Puerto Maldonado. Mas aí, a Ana caiu de cama e tivemos de botar as barbas de molho por alguns dias. Agora, com ela recuperada, tratamos de refazer o roteiro, sempre levando em conta as datas do Gustavo e recomeçamos a trip. Primeira tarefa: deixar a Amazônia para trás, onde está Puerto Maldonado, e subirmos os Andes, em direção à cidade de Cusco.
Encontrando as primeiras lhamas! Realmente, já estamos altos, na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru
Encontro com lhamas na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru
A distância da fronteira do Brasil até Cusco é de quase 700 km. Uma distância mais curta que de Curitiba ao Rio de Janeiro! Pouca gente se dá conta, mas estamos muito perto desse mundo completamente diferente do nosso! Bem, desses 700 km, já tínhamos feito 230 km, a distância até Puerto Maldonado. Até aí, só mudou a língua, pois a paisagem e a altitude ainda são as mesmas da Amazônia brasileira. Estávamos curiosíssimos para conhecer a estrada que nos levaria dos 200 metros para os 4 mil metros de altitude, tudo isso nos meros 470 km que faltavam para Cusco.
Encontro com lhamas na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru
Como de costume, começamos a viagem do dia mais tarde que o recomendável, mas nada que a Fiona não pudesse recuperar. Já imaginava começar a ver os Andes lá no horizonte logo no início da viagem, mas para minha surpresa, só havia mata e mato no horizonte, nada de montanhas. E assim foi durante algumas horas. Já tínhamos dirigido por mais de 200 km e a altitude continuava a ser de 300 metros. Comecei a achar que essa história dos Andes eram balela, conversa para boi dormir.
Encontro com crianças que vivem a mais de 4 mil metros de altitude na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru
Foi quando, finalmente, começamos a subir um vale e as montanhas apareceram lá na frente. Não pareciam tão altas, mas é que, na verdade, não conseguíamos ver o que havia por trás delas. Pois elas subiam, subiam e subiam. Estávamos a 200 km de Cusco e, finalmente, chegávamos aos 500 metros de altitude.
Encontro com crianças que vivem a mais de 4 mil metros de altitude na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru
Pois, a partir daí, não paramos mais de subir. Ultrapassamos a altura da nossa Curitiba (900 m), a mais alta capital brasileira, e continuamos a subir. Ultrapassamos a altura de Campos do Jordão (1.750 m), a mais alta cidade brasileira, e continuamos a subir. Ultrapassamos o Pico da Neblina (3.000 m), a mais alta montanha do nosso país, e continuamos a subir. Ultrapassamos a altura de Cusco (3.400 m) e não paramos de subir!!! Não, ainda tinha muita montanha para subir! Tivemos certeza que estávamos altos quando, ao nosso redor, se viam rebanhos de lhamas, e não mais de vacas! Esses animais tipicamente andinos são a certeza que estávamos no caminho certo!
Encontro com crianças que vivem a mais de 4 mil metros de altitude na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru
O altímetro passou batido pelos 4 mil metros! Lhamas e alpacas de todas as cores nos saudavam. Crianças curiosas nos saudavam. A fisionomia delas também não mentia: estávamos nos Andes! Ultrapassamos os 4.500 metros, a neve e o frio lá fora gritando: “Vocês estão chegando!”. O motor da Fiona já não responde tão rápido, embora ela mantenha nosso conforto do lado de dentro. Já não usamos ar condicionado, mas calefação! Não somos apenas nós que sentimos falta de ar, mas o motor da nossa companheira também. Menos oxigênio, menos combustão. Mas ela se esforça e continua subindo. Finalmente, chegamos ao ponto mais alto da estrada!
Chegando ao ponto mais alto da estrada, na subida dos Andes na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru
Sair dos 300 metros e chegar aos 4.700 metros de altitude em poucas horas, não é para qualquer um. É comum sentir dores de cabeça e náuseas, mas nossos corpos já tem, em sua memória, os registros dessa altitude e os efeitos não são tão fortes em nós. Mas somente porque estamos passando por lá rapidamente, sem fazer esforço (que fica todo com a Fiona). Mas se fôssemos ficar por ali algumas horas, a dor e o mal estar viriam seguramente! É uma certeza fisiológica. Então, nada de enrolar lá encima. Descemos para algumas fotos, alguns minutos de admiração com aquele cenário fantástico e exótico e começamos a descer em direção á Cusco.
As magníficas paisagens andinas na subida da cordilheira na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru
As magníficas paisagens andinas na subida da cordilheira na Carretera Transoceanica, em direção à Cusco, no Peru
Ainda são mais de 100 km de estradas. Aos poucos, a luz do dia é substituída pela escuridão da noite. Adeus paisagens. É o preço da nossa saída tardia. O corpo e o cérebro agradecem os metros que descemos. É como mergulhar no oxigênio. Até a Fiona já rende mais novamente. Por fim, já de volta aos “civilizados” 3.500 metros de altitude, lá estão as luzes de Cusco, a gloriosa capital do Império Inca. Tão perto do nosso Brasil. Agora, só falta achar um hotel para um merecido descanso depois de termos saído da altitude do mar e chegarmos à altitude dos céus. Aliás, os anjos daqui têm caras de lhamas, hehehe.
As lhamas, perfeitamente adaptadas às grandes altitudes andinas do altiplano peruanos na Carretera Transoceanica,viajando à Cusco, no Peru
Fim de mergulho em Speyside - Tobago
Nossa primeira saída de mergulho desde Fernado de Noronha, em Dezembro. Nosso primeiro mergulho no Caribe desde o início de Maio, lá nas Ilhas Virgens Britânicas. Tinha de ter algo marcante. E teve.
Pausa entre mergulhos, em Speyside - Tobago
Primeiro, tivemos que nos readaptar aos equipamentos alugados. Afinal, deixamos parte do nosso equipamento na Fiona, em Paramaribo, para não ter de ficar carregando aquelas caixas enormes nesta perna da viagem em que devemos nos deslocar muito em pouco tempo. Com certeza, além do trabalho, o custo de excesso de bagagem nos pequenos aviões seria muito maior que o custo extra do aluguel de equipamento. Assim, trouxemos as máscaras, as roupas pequenas e os reguladores, ou seja, equipamentos mais "íntimos". Deixamos para trás as nadadeiras, botas e os nomads, equipamento mais pesado.
"Árvore de Natal", em mergulho em Speyside - Tobago
Do que ficou, o que mais sentimos são as poderosas nadadeiras. Enfim, basta fazer um pouco mais de força embaixo d'água. Se bem que hoje, mais do que força, precisamos foi de habilidade. Os pontos de mergulho são aqui bem próximos. Cinco a dez minutos de navegação. Tanto que, entre um mergulho e outro, voltamos para o porto para o período de descanso.
Formações de coral em mergulho em Speyside - Tobago
O primeiro mergulho começou meio xoxo (ou chocho?). Visibilidade de uns 15 metros, alguns corais, plantas e poucos peixes. Bom para a gente se readaptar à água e equipamentos, depois de tanto tempo. Pulei com a máquina sem pilhas, bem mané ainda. Portanto, nada de fotos. O tempo foi passando, eu já acostumado novamente ao mundo embaixo d'água, meio com preguiça daquele marasmo quando tudo mudou. A corrente foi acelerando, acelerando e, de repente, era como se estivéssemos voando, o solo do mar passando sobre nós em alta velocidade, todo colorido com os diversos tipos de coral; os peixes, se esgueirando por entre algas e rochas, tentando enfrentar a forte corrente; e nós, apenas usando as nadadeiras como leme, nos desviando de corais e tentando nos manter próximos um dos outros. Muito legal!
Enorme esponja em mergulho em Speyside - Tobago
Mas o ponto alto foi, ao passarmos por uma espécie de barranco, onde a nossa corrente se encontra com outra igualmente forte vindo na perpendicular, sermos jogados para o fundo, alguns metros abaixo e a água ficar fazendo força para que ficássemos por lá. Como se uma mão invisível nos segurasse, fazendo força para um lado e para o outro, mas sempre nos empurrando para baixo. Certamente, foi a corrente duradoura mais forte que já peguei num mergulho. Ficamos ali, nessa espécie de liquidificador, por alguns minutos e depois, todos juntos, fazendo força, "furamos" a mão invisível em direção à superfície, onde o barco nos esperava. Fantástico!
Antiga casa de Ian Fleming, em ilhota na costa de Speyside - Tobago
De volta à superfície, as pilhas voltaram à máquina e começamos a tirar fotos. Ali do lado, numa pequena ilhota, a casa abandonada que foi de Ian Flemming. Hmmmmm... tenho a impressão que o 007 também já mergulhou nessas fortes correntes, hehehe. Deve ter se divertido com a mão invisível!
Formações de coral em mergulho em Speyside - Tobago
Depois do descanso no porto, voltamos para o segundo mergulho. À pedido dos outros mergulhadores e tristeza nossa, rumamos para um mergulho mais "tranquilo". Sem corrente e bem propício à fotografias. Dessa vez, além das formações de corais, o highlight foram as tartarugas. Quatro delas deram o ar de sua graça.
Coral amarelo em mergulho em Speyside - Tobago
Em seguida, tarde tranquila no hotel. Amanhã tem mais mergulho e, de tarde, se der tudo certo, cachoeira. E no domingo, devemos conseguir um carro para passear na ilha e voltar para Crown Point. Assim esperamos...
Tartaruga descansando em mergulho em Speyside - Tobago
Passeio de barco no rio Paraguai, na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Nosso principal intuito ao viajar até Corumbá foi conhecer um pouco da região sul do Pantanal. Embora tivéssemos acabado de passar pelo Pantanal Norte, onde tivemos uma experiência inesquecível, o Chico ainda não conhecia essa incrível região, e nós queríamos fazer passeios com ele.
Tuiuiu voa sobre o rio Paraguai, região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Jacaré nada em lagoa ao lado da estrada-parque do Pantanal Sul, na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
A melhor maneira de se conhecer o Pantanal Sul é ficar hospedado em um dos muitos hotéis-fazenda localizados no interior da planície alagada. Além do conforto no meio da natureza, o hotel serve de base para vários passeios de barco e a cavalo, sempre com o objetivo de chegar mais perto da fauna e da natureza exuberante da região. Assim como na região Norte, o grande problema desse passeio é o preço salgado. Geralmente, são programas de 3 a 7 dias, todas as refeições incluídas e a chance de se conhecer uma das mais belas regiões do mundo. Para quem tem bala na agulha e quer fazer um investimento, é uma boa opção.
Tranquila pescaria no rio Paraguai, na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
rAraras nos observam no hotel Tuiuiu, perto da Ponte do Pedágio, egião de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Não era o nosso caso. Não só pelos preços, mas também pelo tempo que nos tomaria. Assim, buscamos algo mais rápido, pelo menos para termos um gostinho daqui. A forma mais prática (e turística!) é pegar um dos grandes barcos em Corumbá mesmo, que percorrem parte do rio Paraguai, num passeio de algumas horas. É um barco grande, cheio de turistas, música alta, enfim, um esquemão. Não é muito a nossa cara e descartamos imediatamente a ideia.
Roteiro para conhecer um pouco do Pantanal Sul: Saímos de Corumbá (C) e seguimos até a ponte do pedágio (B), sobre o rio Paraguai, onde fizemos um longo passeio de barco pelo rio, para depois, voltar a Corumbá. No dia seguinte, percorremos a Estrada Parque, passando pelo Porto da Manga (D), onde atravessamos o rio de balsa, e o Passo da Lontra (E), até reencontrar a estrada principal (F), de onde seguimos até Miranda (G), onde estava o carro do Chico. Daí, seguimos para o sul, rumo ao próximo destino, a cidade de Bonito
Conversando com pessoas da região, logo encontramos um plano B: ir de carro até a ponte do pedágio, onde a estrada cruza o rio Paraguai, já bem abaixo da cidade, e pegarmos uma voadeira aí mesmo, em algum dos hotéis mais simples que se encontram por aí. São hotéis frequentados por pescadores que vem para cá passar dias fazendo suas atividades prediletas: pescar e tomar cerveja. Nós fomos até aí ontem de manhã e não demorou muito para encontramos um piloto e seu barco e acertamos o passeio de duas horas pelo rio e seus meandros. Apesar do risco de chuva, não tínhamos a opção de esperar. Abastecemos nosso freezer portátil e partimos!
Passeio de barco no rio Paraguai, na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Escondendo-se da forte chuva sob a ponte ferroviária sobre o rio Paraguai, na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Ao contrário do Pantanal Norte, aqui as águas ainda estão altas e quase não se vê praias e barrancos ao longo do rio. A consequência disso é que a chance de ver animais diminui bastante. Em compensação, a paisagem fica mais bonita, uma área maior alagada, aquela imagem que todos conhecemos do Pantanal pela TV.
A bela ponte ferroviária sobre o rio Paraguai, região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Trem passa sobre ponte ferroviária no rio Paraguai, região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Bom, foram dez minutos de passeio e a chuva nos pegou. Chuva de verdade mesmo, dessas que molham! Paramos embaixo de uma árvore por uns momentos e a chuva nos enganou, fingindo que estava parando. Só para, dez minutos mais tarde, voltar com força total, pegando-nos no meio do rio. A solução, aí, for parar embaixo da gigantesca ponte ferroviária sobre o rio, a mesma que eu tinha atravessado 23 anos atrás. Hoje, só passam trens de carga por ali e vê-los de longe sobre o rio é uma visão impressionante.
Uma memorável parada na casa do Ligeirinho, na beira do rio Paraguai, região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Com o Ligeirinho, na sua casa na beira do rio Paraguai, na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
O Boy, nosso barqueiro, nos levou ainda mais adiante, até uma pequena comunidade rio abaixo. O acesso para lá é apenas de barco, então, imagina a tranquilidade do local. Paramos na casa de um dos mais ilustres moradores, o Ligeirinho, cheio de histórias e transbordando simpatia, Foi meia hora de conversa sobre casos e causos, digna ser gravada. É sempre inacreditável encontrar personagens assim perdidos no meio do mundo, com uma história de vida tão rica. É quando fica claro que muito da vida se passa longe dos grandes centros urbanos.
Casal de tuiuius no rio Paraguai, região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Macacos se agrupam em copa de árvore ao lado do rio Paraguai, região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Daí iniciamos nossa volta, percorrendo partes alagadas ao lado do rio para tentarmos encontrar mais animais, como jacarés e tuiuiús. Foram poucos, mas vimos alguns. No final, para nossa surpresa, encontramos também uma árvore cheia de macacos, algo que não tínhamos visto no Pantanal Norte.
Atravessando uma das inúmeras pontes da estrada-parque do Pantanal Sul, na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Travessia de balsa sobre o rio Paraguai, na estrada-parque do Pantanal Sul, na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
De volta ao pequeno porto, lá nos esperava a Fiona e voltamos para mais uma noite em Corumbá. Não dormimos tarde, pois tínhamos de acordar cedo! O programa de hoje começou logo pela manhã. Fomos percorrer a Estrada Parque, cerca de 120 km de pista de terra que corta um pedaço do Pantanal e nos dá a chance de ver paisagens, flora e fauna da região.
As águas estão altas no entorno da estrada-parque do Pantanal Sul, na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
As águas estão altas no entorno da estrada-parque do Pantanal Sul, na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Depois de cruzarmos uma pequena serra no início do caminho, chegamos ao Pantanal propriamente dito. Aqui, exatamente como ontem, pudemos perceber que o tempo ainda é de cheia. Vastos campos alagados, coisas que não tínhamos visto quando percorremos a Transpantaneira, no norte. Enfim, algo mais parecido com as famosas filmagens da TV Manchete e sua inesquecível novela.
Um encontro típico da região do Pantanal, uma boiada conduzida por boiadeiros, na estrada-parque do Pantanal Sul, na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Nhecolandia, importante ponto de referência na estrada-parque do Pantanal Sul, na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Em compensação, eram poucos os bichos. Para nós, vindos do Pantanal Norte, foi até um pouco decepcionante. Mas para o Chico, ainda sem referência, até que foi interessante ver uns poucos tuiuiús e jacarés, assim como uma solitária ariranha, já no final da estrada.
A estrutura de um dos grandes hotéis ao lado da estrada-parque do Pantanal Sul, na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
A estrutura de um dos grandes hotéis ao lado da estrada-parque do Pantanal Sul, na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Por esse caminho, a travessia do rio Paraguai é feita de balsa, infinitamente mais charmosa que uma ponte. Falando em pontes, são mais de cem delas ao longo do caminho. Quando chegamos num lugarejo chamado Nhecolandia, viramos para o sul, rumo à rodovia principal. Mas é também aqui que começa a estrada (ou trilha?) para se cruzar todo o Pantanal, seja no sentido leste, seja no sentido norte, até o rio Cuiabá. A primeira travessia é um pouco mais “normal”, embora seja recomendável apenas para carros tracionados e em caravana. A segunda, para norte, só em tempos de seca e acompanhado de um bom guia da região!
Observando jacarés ao longo da estrada-parque do Pantanal Sul, na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Jacarés ao lado da estrada-parque do Pantanal Sul, na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Bom, nós tomamos a direção mais careta mesmo, rumo ao sul. No Passo do Lontra, outro importante ponto de referência na estrada, são vários hotéis. Aí está o rio Miranda, um dos melhores para se observar vida selvagem no Pantanal Sul. Até resolvemos vistar um dos hotéis mais chiques, na beira desse rio. Há uma grande estrutura de passarelas de madeira sobre áreas alagadas, vários chalés para hóspedes, uma grande restaurante e um porto cheio de barcos. Daí, saem constantemente barcos carregados de turistas, quase todos estrangeiros. Não é a melhor época para se ver bichos por aqui e os relatos dos passeios que ouvimos não eram nada animadores em comparação com nossa experiência em Porto Jofre.
Encontro de jacaré e ariranha em lago ao lado da estrada-parque do Pantanal Sul, na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Encontro com casal de viajantes italianos na região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul
Enfim, deixamos o hotel e toda a sua estrutura para trás e seguimos em frente, para percorrer os últimos quilômetros até a rodovia a aproveitarmos as últimas chances de vermos alguns bichos. Depois, já no asfalto, aceleramos para Miranda, onde nos aguardava, são e salvo, o carro do Chico.
Comida típica do Pantanal em Bonito, no Mato Grosso do Sul
Seguimos agora em caravana para o sul, até a cidade de Bonito, onde já chegamos no final do dia. Foi o tempo de nos instalarmos num hotel e acertarmos nosso passeio para amanhã, ao fabuloso Abismo de Anhumas. Por fim, estômagos roncando de fome, achamos um restaurante especializado em comida pantaneira. Foi nossa despedida do Pantanal, já fora dele, celebrando tantos dias por lá, no norte e no sul. Quem pagou o pato foi um pobre jacaré, que virou bolinho e foi devidamente saboreado por nós. Não são jacarés caçados, mas que crescem nas poucas fazendas devidamente registradas no IBAMA para produzir esse tipo de carne. Estava na hora da gente experimentar!
Deliciosos bolinhos de jacaré em restaurante de Bonito, no Mato Grosso do Sul
A neozelandesa Cheli, nossa líder de expedição, no almoço festivo de chapéus criativos no deck do Sea Spirit, na baía de Deception Island, na Antártida
Apesar do dia ter começado cedo e já temos remado e caminhado em Deception Island, ainda tínhamos muito por fazer hoje, uma tarde de programação intensa nos esperando. Assim, quando voltamos ao Sea Spirit pouco depois do meio dia, o negócio foi respirar fundo e nos preparar para a próxima atividade.
Chegando de volta ao Sea Spirit em Deception Island, na Antártida
Nossa amiga Kim fica tentada pela apetitosa piscina no convés do Sea Spirit, em Deception Island, na Antártida
Normalmente, quando voltamos ao navio, pelo menos para quem vem nas primeiras turmas, ainda dá para dar um mergulho rápido na piscina. Ainda mais hoje, com o céu azul e o ar gélido, a piscina com água renovada e aquele cenário ao nosso redor por inspiração. A tentação era grande, mas tínhamos de nos preparar para o almoço especial programado para o deck do navio.
Navio da marinha chilena na baía de Deception Island, na Antártida
Navegando pela baía de Deception Island, na Antártida
Uma espécie de almoço festivo, todo mundo comendo no convés aberto ao invés do restaurante fechado no andar de baixo. A ideia era mesmo aproveitar o lindo visual ao nosso redor enquanto comíamos. O Sea Spirit iria dar uma volta em toda a baía interna de Deception Island, chamada Port Foster. É um imenso mar interno, quase um lago, com 9 quilômetros de comprimento por 6 de largura. É incrível imaginar que tudo isso era a caldeira de um vulcão. Imagina só o tamanho do vulcão! Enfim, o Sea Spirit daria a volta nessa imensa baía, uma parte dela coberta por grandes plataformas de gelo frequentadas por focas crabeater e por pinguins.
Nossos amigos tripulantes do Sea Spirit, em Deception Island, na Antártida
Estação de pesquisa em Deception Island, na Antártida
Mas o almoço não seria “apenas” isso. Seria um almoço festivo, cada passageiro devendo comparecer com algum chapéu. Como ninguém trouxe chapéu para uma viagem à Antártida, a ordem era improvisar, botar a imaginação para trabalhar. E assim foi, todos nós tentando inventar alguma coisa nessa hora entre voltarmos ao navio e o almoço começar a ser servido. E depois desse almoço à fantasia com vista de luxo para as encostas internas de um antigo e gigantesco vulcão, ainda iríamos navegar para outra ilha no arquipélago de Shetland do Sul, chamada Half Moon Island, para mais uma atividade de desembarque e, se as condições do mar ajudarem, outra sessão de caiaque. Enfim, um dia para ninguém botar defeito!
Plataforma de gelo se quebra na baía de Deception Island, na Antártida
Focas Crabeaters descansam em plataforma de gelo na baía de Deception Island, na Antártida
Foca crabeater desliza sobre plataforma de gelo em Deception Island, na Antártida
O passeio ao redor da antiga caldeira foi mesmo espetacular. O cenário é sempre grandioso, as enormes paredes do vulcão cobertas por gelo e neve, o mar azul, penhascos e falésias e, aqui ou ali, alguma base de pesquisa muito bem instalada nesse cenário de cartão postal. Era difícil não querer se levantar da mesa para tirar mais e mais fotos.
Almoço festivo de chapéus criativos no deck do Sea Spirit, na baía de Deception Island, na Antártida
Almoço festivo de chapéus criativos no deck do Sea Spirit, na baía de Deception Island, na Antártida (foto de France Dione)
Outro evento que nos atraiu foi quando navegamos ao lado de uma plataforma de gelo, uma imensa vastidão branca a se perder de vista, onde um grupo de focas descansava e tomava um bronze. Eram as tais focas crabeater, uma espécie que ainda faltava em nosso álbum de focas. Infelizmente, ainda não conseguimos vê-las de perto, mas oportunidades não faltarão amanhã.
Val, nossa guia dos caiaques, no almoço festivo de chapéus criativos no deck do Sea Spirit, na baía de Deception Island, na Antártida (foto de Senteney)
O holandes Sail no almoço festivo de chapéus criativos no deck do Sea Spirit, na baía de Deception Island, na Antártida (foto de Senteney)
Essa é a foca mais comum da Antártida e, possivelmente, do mundo. São focas de porte médio, pouco mais de 2 metros de comprimento, e adoram sobre e sob as plataformas de gelo flutuantes. É aí que tentam escapar de seus dois principais predadores: a foca leopardo e a orca. O primeiro ataca principalmente os filhotes. Já as orcas, o que cair na rede é peixe. Com sua inteligência, são capazes até de produzir grandes ondas para derrubar uma foca de uma plataforma de gelo e assim, poder alcançá-la.
A Cheli, líder da expedição, no almoço festivo de chapéus criativos no deck do Sea Spirit, na baía de Deception Island, na Antártida (foto de Senteney)
Almoço festivo de chapéus criativos no deck do Sea Spirit, na baía de Deception Island, na Antártida
Apesar do sugestivo nome da espécie (em português, o nome é “foca-caranguejeira”), esses animais não comem caranguejos (crabs). Elas desenvolveram dentes especiais e se alimentam de krill, ama espécie de minúsculo crustáceo muito abundante em águas antárticas. A existência de tantas crabeaters por aqui é um forte indicativo de que ainda há muito krill por essas águas!
Almoço festivo de chapéus criativos no deck do Sea Spirit, na baía de Deception Island, na Antártida
Nossos disfarces no almoço festivo de chapéus criativos no deck do Sea Spirit, na baía de Deception Island, na Antártida (foto de Senteney)
Por fim, além das focas, do gelo e das estações científicas, foram as fantasias e a imaginação das pessoas que fizeram nosso almoço ainda mais animado. Houve gente usando de tudo e é mais fácil perceber isso pelas fotos desse post do que pela minha descrição. Eu usei uma pequena mochila como chapéu. Quem será que consegue identificar o que a Ana usou? E os outros passageiros? Enfim, foi uma grande festa. Mais uma aqui no nosso querido Sea Spirit...
Arrasando no almoço festivo de chapéus criativos no deck do Sea Spirit, na baía de Deception Island, na Antártida
Portón de Campo, principal porta de acesso nas muralhas da antiga Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
Depois de quase três dias explorando a capital uruguaia, estávamos prontos a sair de carro pelas estradas do país, em busca de suas famosas cidades praianas, a leste, mas também do tesouro colonial de Colonia del Sacramento, a oeste. A pequena cidade às margens do Rio da Prata, quase em frente a Buenos Aires, do outro lado do rio, é um dos polos turísticos do Uruguai, perdendo em número de visitantes apenas para a capital e para o resort de Punta del Este. Uma mistura de Ouro Preto e Tiradentes (todas essas cidades prosperaram na mesma época!), Colonia, por sua história e charme, é ponto de visita obrigatório para quem deseja conhecer minimamente o Uruguai e entender um pouco a alma do país.
Com os pais em Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai, afmirando o Rio da Prata
Restaurante tradicional em Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
Eu e a Ana já tínhamos passado pela cidade poucos dias atrás, antes de encontrarmos meus pais em Montevideo. Foi uma passagem rápida, uma tarde apenas, com o intuito de já encontrar e reservar um hotel para este fim de semana. Viajando agora com os pais, não queremos ficar nos arriscando a ter de dormir no carro! Colonia del Sacramento é sempre uma cidade muito concorrida, principalmente nos finais de semana. A maioria dos visitantes vem para um day-tour e retornam para a capital, mas há também aqueles que preferem ficar mais tempo e aproveitar a tranquilidade, o charme e boa gastronomia da cidade. Enfim, nós já estávamos garantidos com nosso hotel e foi só chegarmos diretamente até ele no final da manhã, depois das duas horas ou 200 km desde a capital até aqui. Viemos por duas noites e, devidamente instalados bem próximos do centro histórico, logo saímos para caminhar pelas antigas ruas de pedra e mergulharmos na história da cidade onde começou o Uruguai.
Caminhando em Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
Em ladrilhos portugueses, o mapa da antiga Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
Como todos aprendemos em nossas aulas de história no colégio, o mundo foi dividido entre Espanha e Portugal, através do Tratado de Tordesilhas e com a bênção do papa, no final do séc. XV. Os monarcas dos outros países não deram muita bola para esse tratado e o rei da França até declarou: “Mostrem-me o testamento de Adão!”, mas o fato é que, naquela época, Portugal e Espanha eram as grandes potências marítimas da Europa e, ao menos durante o próximo século, realmente dividiram o mundo entre eles. A costa africana, brasileira e indiana para Portugal e a maior parte do Novo Mundo, além do arquipélago das Filipinas, para a Espanha.
Angigo mapa do estuário do rio da Prata, em Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
Caminhando em Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
O problema é que o Tratado de Tordesilhas era muito vago e dava margem a diversas interpretações. Além disso, com a união ibérica entre 1580 e 1640, período em que Portugal e Espanha tinham o mesmo monarca, essa divisão do mundo perdeu o sentido, já que todas as terras pertenciam ao mesmo rei. Quando a união foi desfeita, portugueses haviam avançado, e muito, os antigos limites. O antigo tratado voltou a valer, mas as cláusulas vagas eram usadas pelos dois lados. Por exemplo, ele estabelecia que o limite estaria a 370 léguas a oeste de Cabo Verde, mas Cabo Verde é um arquipélago com várias ilhas. A qual ilha ele se referia? Além disso, o próprio conceito e extensão de “légua” podia ser discutido. Em suma, tinha interpretação para todos os gostos e, ao final, a prática acabou atropelando a teoria e, em muitos casos (o Brasil é a prova disso!), o famoso Tratado de Tordesilhas acabou virando letra morta.
Basílica do santíssimo Sacramento, em Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
Antiga construção portuguesa em Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
Pois bem, voltemos então para a nossa Colonia del Sacramento, localizada no Rio da Prata. Na interpretação mais conservadora do tratado, era território estritamente espanhol. Mas, com a separação das duas nações ibéricas em 1640 e o valor estratégico dessa região, não faltavam teóricos portugueses a defender que a área era, de direito, portuguesa. Soma-se a isso a grande oportunidade econômica que surgira ao final do séc. XVII para estabelecer aí um centro de contrabando e os portugueses não mais titubearam. Em 1680, vindos do Rio de Janeiro, fundaram o povoado de Nova Colonia do Santíssimo Sacramento, às margens do Rio da Prata e bem em frente à já centenária cidade de Buenos Aires, do outro lado do rio, a 50 km de distância.
Placa de rua em Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
Rancho Portugues, uma das mais antigas construções em Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
A “oportunidade econômica” a que me referi foi criada pela própria estupidez das leis espanholas para sua colônias na América do Sul. Com o objetivo de ter um maior controle sobre os fluxos comerciais entre suas colônias americanas e a Europa e assim poder taxá-los, a Espanha decretou que todas as exportações e importações deveriam ser feitas através do porto de Lima, no Peru. Em termos práticos, isso praticamente inviabilizava qualquer empreendimento na área de Buenos Aires. Mesmo estando às margens do Rio da Prata, excelente para a navegação e muito mais perto da Europa do que o Peru, no Pacífico, todo e qualquer produto da região deveria seguir o longo, custoso e demorado caminho por terra até Lima. Para trazer produtos europeus, a mesma coisa. Não poderia haver melhor estímulo para que se tentasse enganar a coroa espanhola e apelar para o contrabando diretamente pelo Oceano Atlântico. É justamente aí que entram os portugueses e sua nova cidade na margem oriental do estuário do Prata. Isentos das leis espanholas, já que eram portugueses, poderiam trazer seus produtos até Colonia. Aí, um rápido contrabando através do Rio da Prata e pronto. Como já havia dito quando passamos em Buenos Aires, a capital argentina só prosperou devido ao contrabando, e a outra ponta desse comércio ilegal era justamente a pequena cidade portuguesa do outro lado do rio.
Entrada de antiga construção em Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
Entrada de casa em Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
Obviamente, as autoridades em Buenos Aires, ao menos as mais “corretas”, não gostaram muito dessa história. Assim, menos de um ano após a fundação da nova colônia portuguesa, uma expedição vinda de Buenos Aires conquistou a nova cidade. Mas as razões econômicas para a sua criação continuavam ali e, conversa daqui, pressão dali, um tratado devolveu a cidade à administração portuguesa. Os dois lados do rio estavam felizes e lucrando com essa situação. Um quarto de século mais tarde, uma guerra de sucessão na Espanha deu a chance para que os legalistas invadissem e conquistassem novamente a cidade portuguesa. Mas com o fim da guerra e nova pressão daqueles que ganhavam dinheiro com a situação, um novo tratado devolveu, mais uma vez, a cidade aos portugueses. Foi a época áurea de Colonia del Sacramento, meio século prosperando com as receitas advindas do contrabando.
Bicicletas, ótima maneira de se locomover em Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
Entrada do Museu Histórico Português, em Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
Finalmente, já na metade do séc. XVIII, a Espanha se convenceu da ineficiência econômica de centralizar todo o comércio de suas colônias americanas em Lima. Foi criado o Vice-reinado do Prata, com sede em Buenos Aires, e a cidade ganhou carta branca para comercializar diretamente com a Europa. Colonia, que já havia perdido sua força política daquele lado do rio, superada por Montevideo, agora perdia sua principal força econômica. Os espanhóis não tardaram a reocupara a cidade, em 1762. Mas o Tratado de Paris, no ano seguinte, resultado da Guerra dos Sete Anos, em que Espanha e França foram derrotadas por Inglaterra, devolveu ainda mais uma vez a cidade a Portugal. Dessa vez, o domínio não durou tanto tempo e os espanhóis voltaram novamente, em 1777.
As antigas muralhas de Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
O principal portão de acesso nas muralas da antiga Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
Em 1811 veio a guerra de independência do Uruguai e Artigas expulsou para sempre os espanhóis, da cidade e do país. Mas o herói uruguaio ganhou, mas não levou. Aproveitando o conflito entre unitaristas e federalistas nas forças argentinas, os portugueses voltaram à carga e reconquistaram o Uruguai e sua antiga Colonia do Sacramento. O ano era 1817 e, cinco anos mais tarde, ao serem expulsos do Brasil independente por Dom Pedro I, nosso país acabou herdando as terras uruguaias, agora com o nome de Província Cisplatina. Mas o país, definitivamente, não queria falar português. Em 1825 estourou uma rebelião e, três anos amis tarde, as forças brasileiras eram expulsas do país e admitiam a derrota. Colonia del Sacramento, agora uma cidade sem grande importância, nunca mais seria invadida. Pelo menos, por forças militares.
Museu dos Azulejos, fechado para almoço. Em Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
Momento de descanso durante passeio por Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
A vida continuou tranquila por lá pelo próximo século, a cidade crescendo e ficando bem maior do que a pequena península onde havia prosperado. Aliás, sua parte histórica foi relegada pelo poder público e ocupada pelo submundo do crime e prostituição, construções centenárias de desfazendo no tempo. Foi apenas na década de 60 que um visionário teve a brilhante ideia de reabilitar a área. Muitas das c0nstruções históricas foram restauradas ou reconstruídas, preferencialmente no mesmo estilo original e com o mesmo material de construção. O investimento deu certo e Colonia foi declarada Patrimônio Cultural Mundial pela Unesco na década de 90. Um estímulo a mais para a nova invasão: de turistas e de infraestrutura pera melhor recebe-los, como hotéis e restaurantes.
Praça no centro histórico de Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
Convidativas mesas de restaurante no centro histórico de Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
Durante este final de semana, nós fomos apenas mais quatro “soldados” dessa nova invasão. Eu a Ana pudemos logo notar o movimento bem maior nas ruas do que aquele que havíamos visto dias antes. Fizemos muito bem em deixar o hotel reservado! Localizado a um quarteirão da antiga muralha da cidade, pudemos fazer todos os nossos passeios a pé. A parte colonial da cidade não é grande, algo com uns dez quarteirões, e bastam poucas horas de caminhada para se percorrer, em ritmo lento, todas as suas charmosas ruas de pedras e praças jardinadas.
Calçada sombreada em Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
Farol de 1857 construído sobre as ruínas ainda mais antigas do convento de São Francisco xavier, em Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
São vários pequenos museus, como o Museu Português, o Museu Espanhol e o Museu do Azulejo. É possível comprar um ingresso que dá direito a entrar em todos eles, visitas curtas e interessantes. Outros pontos de interesse são o farol, com 150 anos de idade e construído sobre as ruínas de um convento da época colonial, as antigas muralhas da cidade e o portão de acesso através dessa antiga muralha e as antigas igrejas da cidade. Mas, sem dúvida nenhuma, o mais interessante é mesmo apenas caminhar nas ruas de pedra, muito tranquilas e bem cuidadas, e sentir a atmosfera de dois ou três séculos atrás.
Visitando antiga construção portuguesa em Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
Museu dos Azulejos, em Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
A vista para o Rio da Prata, principalmente nos finais de tarde, é gloriosa. Melhor ainda se estivermos muito bem instalados em algum dos muitos restaurantes espalhados pelo centro histórico. Alguns mais caros, outros nem tanto, alguns mais chiques e charmosos, outros uma espécie de armadilha para turistas. A questão é saber escolher entre eles, pois há boas opções. Depois de 1000dias de viagem, e ainda mais acompanhados dos meus experientes pais, somos bons nessa arte e não temos do que reclamar. Comemos e bebemos muito bem nesses dois dias na cidade.
Carros antigos, parte do cenário de Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
Uma das igrejas históricas de Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
Com bastante tempo que tínhamos, também tivemos a oportunidade de conhecer a cidade fora dos muros. Aí também há atrações, como as praias e até uma Plaza de Toros. Mas isso é assunto para o próximo post! Isso e um encontro muito especial que tivemos na cidade. Uma dupla de brasileiros apenas começando uma longa viagem pelas Américas, de carro. Pois é, nós terminando, e eles começando. E o encontro foi aqui, em Colonia del Sacramento. Mais um motivo para consideramos essa pequena e charmosa cidade muito especial nesses 1000dias!
Passeando na parte histórica de Colonia del Sacramento, no sul do Uruguai
As casas coloridas da cidade de Adícora, no litoral da península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Para nós que somos tão acostumados com a geografia paranaense, o reflexo e a tentação de dizer “Paranaguá” era grande, mas era mesmo para “Paraguaná” que estávamos indo, uma pequena península com forma de cabeça humana que fica no extremo norte da Venezuela. Há poucas dezenas de milhares de anos, era mais uma das ilhas que pontuam a costa nesse ponto, como Aruba ou Curaçao, mas a combinação de correntes marítimas e ventos tratou de construir, ao longo do tempo, uma estreita ponte que a liga ao continente. A ilha virou península!
Península de Paranaguá, extremidade norte da Venezuela, quase encostando em Aruba! Nós passamos pelas cidades históricas no centro da península, pelo balneário de Adicora e nas lagoas coloridas do norte
Falando em Aruba, do alto da maior montanha de Paraguaná, em dias de céu limpo, se pode ver muito bem a ilha holandesa. Até parece que foi ontem que estivemos por lá, e não há 17 meses. A tentação de revê-la, mesmo que de longe, foi grande, mas o dia não estava tão claro assim e a caminhada até o alto da bela montanha iria requerer umas cinco horas, tempo que não tínhamos, infelizmente. Sem essa alternativa, poderíamos nos concentrar nas outras tantas atrações que Paraguaná oferece, como as vilas históricas, as lagoas coloridas repletas de pássaros avermelhados e o litoral dos sonhos para quem gosta de kite e wind surf.
O Cerro de Santa Ana, maior montanha da península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela. Lá do alto, pode-se ver Aruba!
Foi a proximidade com as Antilhas Holandesas que marcou a história de Paraguaná. Por aqui passava o comércio, legal e ilegal, entre as ilhas e a Venezuela, desde os tempos de colônia até os de república. Ricas comunidades de comerciantes se estabeleceram e ainda hoje se pode admirar as pequenas vilas onde eles moravam. Esse foi o caminho que decidimos seguir, dando a volta pelo interior da península, passando ao lado do morro Santa Ana, o mais alto de Paraguaná e, finalmente, seguindo para o litoral e as lagoas coloridas.
Observando a igreja de Santa Ana, cidade histórica na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
A igreja de Moruy, pequena cidade na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Cada uma das vilas tinha sua pracinha central e a charmosa igreja, entre elas algumas das mais antigas ainda de pé no país. Nós fomos fazendo nosso tour, tirando nossas fotos e fazendo as contas para controlar o combustível do carro. Principalmente agora que tínhamos decidido pelo caminho mais longo, para poder passar nas pequenas vilas. Estávamos bem no limite para podermos voltar até Coro quando descobrimos um pequeno posto ali mesmo. Melhor... com diesel! Finalmente, poderíamos abastecer pela primeira vez no país e ver com os próprios olhos como é encher o tanque gastando apenas 15 centavos de dólar. Atenção! Não estou falando do preço de um litro, mas de todos os litros necessários para encher o tanque da nossa Fiona.
Enchendo o tanque com 2,80 bolívares, ou 12 centavos de dólar, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Praça central da pequena Santa Ana, cidade histórica na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
O preço do combustível é uma das facetas do chavismo, bolivarianismo ou socialismo do século XXI, alguns dos termos usados para descrever o sistema político e econômico implantado no país por Hugo Rafael Chávez, o carismático e polêmico líder que governou a Venezuela por quase quinze anos, desde 1998 até sucumbir frente ao câncer no final do ano passado.
A igreja de Buena Vista, cidade na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Após uma pujante década de 70, alavancada pelos altos preços do petróleo, a Venezuela enfrentava uma grave crise econômica na década de 80, depois da derrocada dos preços do barril de óleo enquanto os gastos internos continuavam os mesmos. A Venezuela se endividou e não tinha como pagar seus débitos. Na campanha presidencial do final da década, o tradicional político Carlos Andrés Perez prometeu repelir políticas neoliberais de corte de gastos, mas assim que venceu e assumiu o governo, parece ter mudado de ideia e recorreu ao FMI. O trágico resultado foi um aumento da pobreza e descontentamento social que culminou com manifestações em Caracas, reprimidas com violência e que resultaram em mais de cem mortos.
Propaganda nos muros de Moruy, pequena cidade na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Foi nesse clima cada vez mais tenso que um até então desconhecido militar, o Coronel Chávez, tentou um golpe militar no início de 1992. Várias instalações militares foram tomadas no interior do país, mas o objetivo de capturar o presidente Andres Peres e tomar as principais bases da capital falharam. Chávez acabou desistindo do golpe, ordenando a rendição dos revoltosos e evitando um banho de sangue. Mas negociou em troca um pronunciamento na TV quando, enfim, tornou-se conhecido na nação e conseguindo a simpatia de amplos setores da sociedade, decepcionados com os níveis de corrupção e ineficiência então vigentes no governo.
Flamingos e culhereiros na Laguna de Tiraya, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Culhereiros na Laguna de Tiraya, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Mesmo preso, Chávez ajudou na organização de uma nova tentativa de golpe, no final daquele ano. Dessa vez, os revoltosos foram mais aguerridos e o número de mortes aumentou bastante. O governo conseguiu controlar a situação, mas o desgaste político era cada vez maior. Com forte pressão da sociedade, Carlos Andres Perez sofreu um processo de impeachment dois anos mais tarde.
Um culhereiro na Laguna de Tiraya, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Nas eleições seguintes, foi eleito outro político tradicional, Rafael Caldeira. Entre as promessas de campanha, uma ampla anistia aos revoltosos de 1992. Promessa cumprida, Chávez e outros líderes foram postos em liberdade, mas impedidos de voltar ao exército. O governo de Caldeira também fracassou em melhorar a situação econômico-social da Venezuela e, nas próximas eleições, o agora político Chávez foi o grande vencedor. Agora de forma legal, chegava ao poder, com amplo apoio das classes menos abastadas, inclusive da classe média.
Culhereiro sobrevoa a Laguna de Tiraya, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Chávez não perdeu tempo. Convocou eleições para uma assembleia constituinte e obteve uma grande vitória eleitoral para composição dessa assembleia. Em pouco tempo, o país tinha uma nova constituição, o primeiro passo rumo ao “bolivarianismo”. Ao mesmo tempo, preços internacionais favoráveis para o petróleo possibilitaram ao governo multiplicar os gastos sociais, melhorando a vida das camadas mais pobres e, ao mesmo tempo, consolidando seu apoio. Ao mesmo tempo, as enormes receitas de exportação de petróleo lhe permitiram praticamente zerar o preço do combustível no mercado interno, aumentando ainda mais sua popularidade. O chavismo que se iniciava agradava a muita gente. Mas também incomodava, produção de alimentos em plena derrocada...
A colorida Laguna Cumaraguas, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Enfim, assunto para um próximo post. O fato é que, apesar dos inúmeros problemas derivados do tal socialismo do século XXI, encher o tanque com apenas 15 centavos nos faz bem felizes. E foi com o tanque cheio que seguimos para o litoral, para a cidade de Adicora. Antes de descermos por lá, seguimos mais ao norte, para lagoas famosas por suas cores e pelas cores dos pássaros que neles vivem. A alimentação rica em camarões pinta as penas dos flamingos e colhereiros de vermelho. É nessa hora que sentimos mais falta de um bom zoom na nossa máquina fotográfica, mas, enfim, “fazemos o que podemos”!
A colorida Laguna Cumaraguas, na península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Além dos pássaros, também a água ganha cores, dependendo do ângulo de incidência da luz do sol. Um espetáculo, quase um arco-íris avermelhado nas águas salgadas da lagoa que também é uma salina.
Chegando à Adícora, cidade no litoral da península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Agora sim, de volta à Adicora, a praia onde o vento nunca para. Para aqueles que sabem ler o vento, difícil imaginar lugar melhor. A cidade está em uma pequena península e, embora o vento esteja dos dois lados, as ondas ficam apenas do lado sul. Nesse lado ficam os praticantes de kite surf, enquanto os amantes do Wind surf preferem as águas mais calmas da parte norte.
O farol de Adícora, no litoral da península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Depois de passearmos um pouco pelas areias e admirar os esportes náuticos e a arquitetura da pequena vila, acabamos tomando a decisão de continuar a viagem. A ideia original era dormir por ali mesmo, mas resolvemos voltar para Coro e seguir para o sul, para a Serra de San Luis, região que exploraremos amanhã. Do mar para a montanha, do calor para o frescor, ainda conseguimos chegar a tempo de observar o pôr-do-sol lá de cima, numa paisagem e ambiente completamente diversos daqueles onde tínhamos passado todo o dia de hoje. E olha que são apenas 100 quilômetros entre um lugar e outro, dois mundos completamente diferentes.
As casas coloridas da cidade de Adícora, no litoral da península de Paraguaná, ponto mais ao norte da Venezuela
Há apenas três dias no país e já andamos por metrópoles e cidades históricas, o maior lago do continente e um autêntico deserto, uma praia onde o vento nunca para e montanhas úmidas onde cresce vegetação tropical e precisamos de casacos. A viagem na Venezuela, onde encher o tanque do carro não custa nada, está mais intensa do que nunca!
O belíssimo entardecer na Sierra de San Luis, ao sul de Coro, no noroeste da Venezuela
Relaxando nas águas quentes do lago natural no Myvatn Nature Bath, no norte da Islãndia
A região de Myvatn, onde chegamos ontem, é conhecida por suas fontes termais, por seu lago e por crateras de antigos vulcões. Ligando todos eles, uma extensa rede de trilhas e caminhos para serem percorridos a pé ou de bicicleta.
Observando a antiga cratera de vulcão Hverfjall, em Myvatn, no norte da Islândia
Em meio à neblina, caminhando até o alto de Hverfjall, uma antiga cratera vulcânica em Myvatn, no norte da Islândia
Os gêiseres, já havíamos visto ontem, antes de chegarmos à cidade. Assim como o lago, do lado do qual havíamos almoçado. Muita gente gosta de dar uma volta de bicicleta ao seu redor, mas nós planejávamos outro tipo de exercício para hoje: uma caminhada até o alto da cratera Hverfjall, a mais conhecida da região.
Em meio à neblina, caminhando até o alto de Hverfjall, uma antiga cratera vulcânica em Myvatn, no norte da Islândia
Na borda da cratera Hverfjall, em Myvatn, no norte da Islândia
Quinze minutos de carro nos levam até um ponto de estacionamento, de onde começamos a caminhar. A paisagem é desértica, resultado de um solo pobre e clima rigoroso. Logo estamos na encosta da cratera e começamos a lenta subida. São quase 200 metros de desnível, mas com paciência chegamos lá encima, recompensados por uma vista cada vez mais ampla.
Embaixo de neve na cratera Hverfjall, em Myvatn, no norte da Islândia
Embaixo de neve na cratera Hverfjall, em Myvatn, no norte da Islândia
A cratera tem cerca de um quilômetro de diâmetro e é o resultado de uma erupção rápida, porém explosiva, há 2.500 anos. A grande falha tectônica sob a Islândia passa bem por aqui, o que explica toda essa atividade geológica. Mas agora, o que nos preocupava mais não era o que vinha de baixo, mas o que vinha de cima! Começou a nevar assim que chegamos ao topo de Hverfjall. Mas, pensando bem, que preocupação que nada! Foi é uma diversão! Nós, como bons brasileiros, adoramos neve. E fazia muito tempo que não víamos nevar. Só fez aquele momento ficar mais especial, mais inesquecível para nós!
A paisagem lunar ao redor da cratera Hverfjall, em Myvatn, no norte da Islândia
Depois das fotos e da pequena nevasca passar, hora de descer. A neve até aumentou psicologicamente o nosso frio, o que nos fez ficar ainda mais animados com o próximo programa: um banho no Myvatn Nature Bath, uma lagoa natural de água quente ao ar livre.
Uma lagoa natural de águas quentes próprias para o banho, em Myvatn, no norte da Islândia
Preparando-se para um mergulho nas águas quentes do Myvatn Nature Bath, no norte da Islãndia
Fomos de carro até lá, uma espécie de Blue Lagoon muito menos concorrida que a original, mais barata, rústica e natural. Enfím, um oásis de águas quentes naquelas terras geladas. Nossos músculos e espírito agradeceram as quase duas horas que por lá ficamos, quase sem concorrência, entre o calor da água e o frio do ar. Uma delícia!!!
Relaxando nas águas quentes do lago natural no Myvatn Nature Bath, no norte da Islãndia
Relaxando nas águas quentes do lago natural no Myvatn Nature Bath, no norte da Islãndia
Depois, pé na estrada novamente que nosso ritmo não pode diminuir. A ideia era dormir em Akureyri, a maior cidade do país fora da região de Reykjavik, com incríveis 25 mil habitantes. Mas ainda tínhamos uma outra parada antes de chegarmos lá...
Godafoss é uma das maiores cachoeiras do país. Não em altura, mas em volume de água. São 12 metros de altura por mais de 30 de largura e um mundo de água caindo. Por isso, talvez, tenha esse nome: Cachoeira dos Deuses.
Visitando a monumental Godafoss, cachoeira na região de Akureyri, maior cidade do norte da Islândia
Visitando a monumental Godafoss, cachoeira na região de Akureyri, maior cidade do norte da Islândia
Mas não, a origem do nome é outra. No ano 1000, quando um líder viking voltava do encontro anual do parlamento perto de Reykjavik para suas terras, no leste, ele parou por aqui. Esse líder era um antigo adorador dos deuses nórdicos, como Thor e Odin, mas havia se convertido ao cristianismo durante a reunião do parlamento. Então, em uma atitude altamente simbólica, jogou nesta cachoeira as estátuas dos antigos deuses que carregava. Assim, Godafoss não é simplesmente a “Cachoeira dos Deuses”, ela é a cachoeira de Thor e Odin, o que a faz ainda mais importante!
Admirando a força da cachoeira Godafoss, região de Akureyri, maior cidade do norte da Islândia
Admirando a força da cachoeira Godafoss, região de Akureyri, maior cidade do norte da Islândia
Ficamos ali, admirando, tirando nossas fotos e procurando as antigas estátuas. Infelizmente, não achamos. Também pudera! Com tanta água por ali e depois de 1000 anos, haja milagre! Mas não tem importância, o lugar é magnífico e o tivemos só para nós, observados lá de cima (ou lá de baixo?) por esses antigos e valentes deuses.
Visitando uma das mais famosas e belas cachoeiras do país, a Godafoss, região de Akureyri, maior cidade do norte da Islândia
Depois da cachoeira, rumo a Akureyri, que fica bem na ponta de um longo fiorde que entra terra adentro pelo norte da ilha. Fosse em outras épocas do ano, aqui seria a nossa base para buscarmos as baleias que sempre visitam essa ilha gelada. Mas não em maio. Vamos, então, é aproveitar um pouquinho de vida urbana, já esquentando para chegar na “metrópole” Reykjavik.
A ring road, principal estrada no norte da Islândia
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